segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Dois reféns e o terrorista morreram em Sídnei

Dois reféns e o terrorista foram mortos quando a polícia do estado de Nova Gales do Sul, na Austrália, invadiu um café tomado 16 horas antes por um extremista muçulmano no centro de Sídnei, a maior e mais rica cidade do país, confirmaram agora o governador e o chefe de polícia em entrevista coletiva.

Além dos três mortos, seis pessoas saíram feridas. Duas pessoas estão em estado grave, um refém e um policial. As mortes colocam em questão a necessidade de invadir o café, dominado por apenas um sequestrador, em vez de tentar vencê-lo pelo cansaço.

O imigrante iraniano Man Haron Monis, de 50 anos, mais conhecido como o Falso Xeque, um autoproclamado clérigo muçulmano, entrou na manhã de hoje pela hora local no Café Chocolate Lindt e tomou funcionários e consumidores como reféns. Cinco pessoas conseguiram escapar.

A polícia isolou a área e cercou o café com atiradores de elite, enquanto reféns colocaram uma faixa com a regra fundamental do Islã: "Alá é Deus e Maomé seu profeta". Alguns ficaram de mãos para o alto postas na vidraça. As autoridades justificaram a invasão alegando que mais pessoas teriam morrido sem a intervenção policial.

Estado Islâmico espera ataque do Exército do Iraque a Mossul

A milícia extremista muçulmana Estado Islâmico adotou uma mentalidade de cerco à espera de um ataque do Exército do Iraque à cidade de Mossul. Os moradores foram proibidos de deixar a cidade por mais de dez dias, informou o jornal inglês The Daily Mail.

Os hospitais foram fechados por falta de água ou energia elétrica. Os telefones foram cortados para impedir a passagem de informação para as tropas governamentais e dos guerrilheiros curdos.

Uber será proibido na França a partir de janeiro

O serviço da empresa americana de Internet Uber, que permite a motoristas amadores trabalhar como taxistas, será proibido na França a partir de 1º de janeiro de 2015, declarou hoje à televisão iTélé o porta-voz do Ministério do Interior, Pierre-Henry Brandet.

O Uber está provocando a revolta dos taxistas profissionais no mundo inteiro. Na França, houve vários protestos e bloqueio de ruas e avenidas. Mas quem já andou de táxi em Paris com certeza gostaria de ter um serviço alternativo. Com frequência, os táxis oficiais se negam a realizar corridas, especialmente à noite. Se estiver nevando, então...

Agência Fitch rebaixa nota de crédito da França

A agência de classificação de risco Fitch rebaixou de AA+ para AA a nota de crédito da dívida soberana da França por causa da incapacidade do governo de cumprir a meta de redução do déficit público e pelas "fracas" perspectivas de crescimento.

Com a popularidade do presidente socialista François Holland no nível mais baixo da 5ª República, o primeiro-ministro Manuel Valls, da ala mais liberal do partido, tenta aprovar medidas de estímulo à economia do mercado, sob forte oposição da ala mais esquerdista.

A economia francesa está estagnada, com desemprego de 10%, e corre risco de deflação.

Polícia da Austrália invade café em Sídnei

Depois de mais de 16 horas de sequestro, a polícia da Austrália invadiu na madrugada desta terça-feira pela hora local o Café Chocolate Lindt, no centro financeiro de Sídnei, a maior e mais rica cidade do país. Duas pessoas foram mortas, inclusive o terrorista, e cinco saíram feridas, três em estado grave. O cerco acabou.

O homem invadiu o café pouco depois das 9h40 da manhã desta segunda-feira pela hora local, 20h40 de domingo em Brasília, tomou funcionários e consumidores como reféns e obrigou-os a estender uma bandeira que inicialmente se acreditou que seria da milícia extremista muçulmana Estado Islâmico do Iraque e do Levante na vidraça do estabelecimento. Na verdade, era uma faixa dizendo: "Alá e Deus e Maomé seu profeta".

Uma brasileira de origem libanesa, Márcia Mikhael, estava entre os reféns. A família disse que ela está bem, informou há pouco o telejornal Hoje. Antes, Márcia escreveu no Facebook que tinha sido sequestrada por um militante do Estado Islâmico que queria dizer ao mundo que a Austrália está sob ataque: "Ele tem uma arma e uma bomba".

A polícia de choque cercou o local e o primeiro-ministro Tony Abbott declarou que a situação era "extremamente inquietante". O terrorista era simpatizante da milícia jihadista, está sendo combatida pelos Estados Unidos e aliados, entre eles a Austrália, na Síria e no Iraque. A ação é vista como uma retaliação pela participação australiana na guerra contra o Estado Islâmico.

O terrorista foi identificado como Man Haron Monis, um autoproclamado clérigo muçulmano iraniano que se mudou para a Austrália em 1996. Ele havia sido indiciado criminalmente duas vezes. Foi condenado a fazer trabalho comunitário por causa das cartas, era suspeito da morte da mulher e tinha sido acusado de crimes sexuais.

Monis afirmou ter espalhado bombas por toda a cidade e queria falar pessoalmente com o primeiro-ministro. Não se sabe se ele tem algum contato direto com o Estado Islâmico. É um homem de 50 anos, diferente do perfil dos jovens radicais do Ocidente que aderem ao EI.

O temor das autoridades na América do Norte, na Europa e na Austrália é que exemplos como este se multipliquem, dos chamados "lobos solitários", células terroristas de um homem só motivado e instruído via Internet nas técnicas de fabricar explosivos e realizar atentados. Sem outros contatos, é difícil descobrir suas intenções.

Em comentário na televisão americana CNN, o analista Fareed Zakaria observou que essa é a face do terrorismo nos dias de hoje: "Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, criou-se uma expectativa de que haveria mais ataques espetaculares, mas os ataques são realizados cada vez mais por pequenos grupos ou indivíduos isolados."

Países vão propor metas voluntárias de cortes de emissões de carbono

Cerca de 190 países das Nações Unidas concordaram na 20º Conferência das Partes da Convenção sobre a Mudança do Clima, realizada em Lima, no Peru, em apresentar até março de 2015 metas voluntárias de redução das emissões de gases que agravam o efeito estufa. A meta é chegar a um novo acordo a ser acertado na 21ª Conferência do Clima, marcada para daqui a um ano, em Paris.

As negociações ganham um forte impulso quando os presidentes da China, Xi Jinping, e dos Estados Unidos, Barack Obama, os maiores poluidores mundiais anunciaram um acordo durante a reunião do fórum de Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (APEC), em Beijim, no mês passado.

De modo geral, os países em desenvolvimento, liderados pela China e a Índia, exigiram ajuda financeira e tecnológica para reduzir as emissões sem comprometer o crescimento e programas de combate à pobreza, enquanto os países ricos, a começar pelos EUA, alegam que hoje a maior parte da poluição vem do mundo em desenvolvimento.

A expectativa é que em Paris seja possível chegar a um acordo global para substituir o Protocolo de Quioto, de 1997, que expirou em 2012 e impunha obrigações apenas aos países industrializados.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Exército da Síria avança em Alepo

O Exército da Síria avançou nos arredores de Alepo, a maior cidade do país, tomando a região a leste das fazendas de Malah, informou a agência Reuters. Cerca de 34 jihadistas da Frente al-Nusra, braço da rede terrorista Al Caeda, e do Estado Islâmico do Iraque e do Levante foram mortos em combate.

As forças governamentais beneficiam-se dos bombardeios aéreos dos Estados Unidos e seus aliados contra os grupos jihadistas. O Exército sírio tenta agora tomar áreas a oeste de Alepo para cortar as linhas de suprimento do Estado Islâmico, isolando seus milicianos.

Um enviado especial das Nações Unidas propôs um cessar-fogo para permitir a fuga da população civil, mas os rebeldes temem que o regime aproveite a trégua para assumir o controle da cidade inteira, como fez em Homs, a terceira maior cidade da Síria.

Mais de 200 mil pessoas foram mortas em três anos e meio de guerra civil na Síria, sem que os rebeldes conseguissem derrubar a ditadura de Bachar Assad nem fossem derrotados.

Pistoleiro toma 13 reféns em café da maior cidade da Austrália

A polícia está cercando neste momento um café de Sídnei, a maior cidade da Austrália, depois que pelo menos 13 pessoas foram tomadas como reféns por um pistoleiro que colocou uma bandeira que inicialmente se acreditava ser da milícia extremista muçulmana Estado Islâmico do Iraque e do Levante, informa a televisão americana CNN. A TV pública britânica BBC fala em 50 reféns.

O Café Chocolate Lindt fica em Martin Place, no coração do distrito financeiro da capital econômica australiana e estava cheio na manhã desta segunda-feira. A polícia isolou vários quarteirões ao redor e atiradores de elite estão prontos para entrar em ação.

O primeiro-ministro Tony Abbott descreveu o caso como "um incidente extremamente inquietante" e convocou o Conselho de Segurança Nacional para uma reunião de emergência.

Turquia prende jornalistas a pretexto de combater terrorismo

Cerca de 25 pessoas foram presas numa operação nacional de "combate ao terrorismo" na Turquia, inclusive o editor-chefe do jornal Zaman, Ekrem Dumanli, sob a alegação de ter ligações com o movimento Gulen, liderado pelo imã exilado nos Estados Unidos Fethulla Gulen.

A oposição acusa o presidente Recep Tayyip Erdogan de tentar, na verdade, suprimir a liberdade de imprensa. O presidente do Samanyolu Broadcastring Group, uma importante empresa de rádio e televisão, também foi preso.

Shinzo Abe obtém ampla vitória nas eleições no Japão

Apesar da recessão, o primeiro-ministro Shinzo Abe conseguiu hoje mais mandato para aplicar a chamada abeconomia e tirar o Japão da estagnação e da deflação que atrasam a economia do país há décadas.

A coalizão formada pelo Partido Liberal-Democrata (PLD), de Abe, e o Komeito (Partido do Governo Limpo) elegeu 326 dos 475 deputados da Dieta, a câmara baixa do Parlamento do Japão, ampliando a supermaioria de dois terços necessária para mudar a Constituição.

O Partido Democrático do Japão (PDJ) terá no máximo 85 cadeiras, bem abaixo da expectativa, que era de 100 deputados.

O índice de abstenção nas eleições deste domingo foi recorde: 47,6% dos eleitores não compareceram às urnas.

Maduro promete não aumentar preço da gasolina na Venezuela

A Venezuela não vai aumentar o preço da gasolina para o consumidor final, prometeu o presidente Nicolás Maduro em entrevista que foi ao ar hoje. O país cobra o menor preço do mundo pela gasolina, cerca de dois centavos de dólar por litro.

Com a queda de 40% nos preços internacionais do petróleo nos últimos meses, a economia venezuelana e o regime chavista estão à beira do colapso. Uma das saídas para a crise seria cortar os subsídios aos combustíveis.

Um aumento no preço da gasolina afetaria diretamente a população de baixa renda, principal segmento de apoio ao regime, que sofre com inflação de 80% ao ano e desabastecimento de produtos básicos como papel higiênico, açúcar, carne, leite e farinha de trigo.

Maduro prometeu reformar o setor de energia em 2015, acrescentando não ter pressa em fazer isso, mas a queda na renda do petróleo o pressiona a tomar medidas de emergência. Para não acabar com a revolução e as políticas econômicas equivocadas herdadas do finado caudilho Hugo Chávez, o regime está destruindo a Venezuela.

Colômbia prende um dos comandantes do ELN

A polícia da Colômbia prendeu ontem em Medelim Carlos Alirio Buitrago,mais conhecido como Caro Loco, um dos principais comandantes do Exército de Libertação Nacional (ELN), o segundo maior grupo guerrilheiro de esquerda em atividade no país, noticiou hoje o jornal El Espectador.

Buitrago era responsável pelas operações de sequestro e extorsão do ELN. Ele tinha se refugiado na Venezuela para não ser preso, mas voltou à Colômbia em setembro para retomar as atividades guerrilheiras.

Há dois anos, o governo Juan Manuel Santos negocia a paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o maior grupo guerrilheiro, em Havana, a capital de Cuba. Ainda não houve acordo sobre como punir os crimes cometidos durante a longa guerra civil colombiana e reintegrar os guerrilheiros à vida civil.

As FARC foram fundadas em 1964 como braço armado do Partido Comunista Colombiana. O país estava em guerra civil desde o assassinato do líder liberal Jorge Eliécer Gaitán, em 9 de abril de 1948.  O ELN, de inspiração castrista, também foi criado em 1964.

Avião-espião da Rússia quase provoca acidente na Suécia

Um avião-espião da Rússia quase bateu num avião de passageiros ontem na Suécia, depois de desligar os transpônderes para não ser percebido pelos radares da aviação comercial, informou o jornal The Times of India. A Força Aérea de Suécia mobilizou um esquadrão aéreo para interceptar o avião, identificado como um avião-espião russo.

A Suécia era neutra durante a Guerra Fria. Só aderiu à União Europeia em 1995, depois do fim da União Soviética, em 1991, e não faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar entre a América do Norte e a Europa, liderada pelos Estados Unidos.

Desde que começou a crise na Ucrânia, especialmente depois da queda do presidente Viktor Yanukovich, em fevereiro de 2014, a tensão aumentou por causa das tentativas da Rússia de intimidar o Ocidente com movimentações de suas Forças Armadas.

Em outubro, a Marinha sueca detectou uma invasão de suas águas territoriais por um submarino russo. As provocações de Moscou continuam.

Cai o primeiro-ministro do Haiti

Sob pressão de semanas de manifestações de protesto, o primeiro-ministro do Haiti, Laurent Lamothe, pediu demissão hoje, seguindo o conselho de uma comissão formada pelo governo para administrar a crise.

Os manifestantes também exigem a renúncia do presidente Michel Martelly, acusando-o de violar os princípios da democracia, mas a situação do país melhorou bastante em seu governo, iniciado em maio de 2011, na primeira transição democrática para um membro da oposição na história haitiana.

Martelly, um músico e popstar, governa com o apoio da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah), liderada por militares brasileiros. Ele assumiu com o país arrasado pelo Terremoto de Porto Príncipe, de 12 de janeiro de 2010, em que 100 a 200 mil haitianos foram mortos.

Depois do terremoto, a sociedade internacional prometeu dar uma ajuda de US$ 10 bilhões para a reconstrução do Haiti.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Ataques terroristas matam 20 pessoas no Afeganistão

Várias ações terroristas mataram pelo menos 20 pessoas hoje em Cabul e na província de Helmand, no Afeganistão, noticiou a televisão pública britânica BBC. As suspeitas recaem sobre a milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes).

Pistoleiros de motocicleta mataram 12 caçadores de minas e feriram outros 12 em Helmand. O Exército do Afeganistão contra-atacou, matando quatro rebeldes e capturando outros três.

Na capital, Cabul, um terrorista suicida matou sete soldados num ônibus e um funcionário da Justiça foi morto em outro incidente, elevando o total de mortos para 20.

Os Talebã intensificam os ataques contra alvos ocidentais para declarar vitória com a retirada parcial da força internacional liderada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), que invadiu o Afeganistão para responder aos atentados de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos e chegou a ter 140 mil soldados no país.

A partir de 2015, ficam no Afeganistão 9,8 mil soldados americanos e um contingente menor de outros países para ajudar as forças de segurança afegãs a defender o governo eleito democraticamente dos extremistas muçulmanos.

Ucrânia suspende voos a três aeroportos

A companhia estatal de aviação civil da Ucrânia suspendeu por razões de segurança as operações de três grandes aeroportos do país, de Carcóvia, Dniepropetrovsk e Zaparojia.

Por causa da intervenção militar velada da Rússia desde a queda do presidente Viktor Yanukovich, desde maio estão cancelados os voos de e para o aeroporto internacional de Donetsk, uma das regiões rebeladas contra o novo governo central de Kiev.

Desde maio, estão proibidos os voos entre Carcóvia e Moscou e, a partir de dezembro, também entre Moscou e Dniepropetrovsk.

Comissão da Verdade deveria ter ouvido os dois lados

Como toda guerra tem pelo menos dois lados, por mais meritório que tenha sido o trabalho da Comissão Nacional da Verdade, ficou incompleto ao ouvir um lado só, o das vítimas da ditadura militar que governou o país de 1964 a 1985. Minha opinião foi citada hoje na coluna de Merval Pereira, nO Globo. Então, gostaria de fazer alguns esclarecimentos.

Mesmo reconhecendo que o Estado Brasileiro cometeu muito mais crimes do que os grupos guerrilheiros que combateram a ditadura, o outro lado deveria ter sido ouvido. Como foi, a comissão perde legitimidade. Fica parecendo unilateral e revanchista, uma versão da história feita pelos hoje vitoriosos politicamente.

A verdadeira Comissão da Verdade e da Reconciliação Nacional foi a da África do Sul, onde todos os lados foram ouvidos, inclusive o presidente Nelson Mandela, que tinha comandado o braço armado do Congresso Nacional Africano (CNA) na luta contra o regime segregacionista do apartheid. Mandela foi interrogado pelo arcebispo Desmond Tutu, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1984.

Para ter direito a anistia, quem cometeu crimes teve de confessá-los e de pedir perdão às vítimas e seus descendentes e à sociedade sul-africana.

Houve declarações como "eu acreditava que meu povo, minha cultura e modo de vida estavam ameaçados, por isso ataquei uma escola para crinas negras", ou "eu estava certo de que a libertação do meu povo exigia a morte dos brancos", seguidas de pedidos de desculpas.

No Brasil, com raríssimas exceções, ninguém pediu desculpas por nada. Ambos os lados ainda acreditam que estavam travando o bom combate. Os poucos militares que depuseram falaram com orgulho da "luta contra o comunismo".

A antiga esquerda armada está convencida de que tem a história na mão e de que chegou ao poder com o PT e a presidente e ex-guerrilheira Dilma Rousseff, e os ex-ministros guerrilheiros José Dirceu, José Genoino e Franklin Martins, os dois primeiros condenados por corrupção no Escândalo do Mensalão.

Ao receber o relatório final da comissão, a presidente declarou que os que lutaram pela democracia não deverão ser esquecidos jamais. Na verdade, como destacou o insuspeito professor Daniel Aarão Reis, da Universidade Federal Fluminense (UFF), um dos principais historiadores da luta armada, os guerrilheiros não lutavam pelo democracia, mas para impor uma ditadura marxista-leninista. Isso não absolve os crimes de terrorismo do Estado nem os crimes cometidos pelos guerrilheiros, estes totalmente ignorados pela Comissão da Verdade.

Um integrante da comissão alegou que os crimes cometidos pelos grupos armados de esquerda foram julgados. Se foram processados por tribunais militares ilegítimos, é natural que o povo brasileiro queira conhecer a verdade, as motivações dos guerrilheiros e as justificativas para matar civis inocentes pegos no fogo cruzado, como seguranças de bancos cujas famílias não têm direito a indenizações como vítimas da ditadura militar.

A comissão esclareceu casos escabrosos, como as mortess de Rubens Paiva ou de Stuart Angel Jones, longamente sonegada pelas Forças Armadas, e acertou ao responsabilizar pela primeira vez os generais-presidentes pelos crimes da ditadura militar. A tortura, o sequestro e o desaparecimento de pessoas foram políticas de Estado. São crimes contra a humanidade para os quais não haveria anistia por força de acordos internacionais de proteção aos direitos humanos assinados pelo Brasil.

Mas a revogação da Lei de Anistia, proposta no relatório final da comissão, terá de ser feita pelas autoridades eleitas através do Congresso Nacional, como aconteceu na Argentina, no Chile e no Uruguai. Não cabe à Justiça legislar.

Em resumo, o trabalho da comissão é meritório e elogiável ao resgatar a história e a memória de torturados e assassinados em masmorras clandestinas e instalações oficiais da Forças Armadas. Mas é parcial e incompleto, o que a torna uma comissão da meia-verdade.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Estado Islâmico retoma 15 vilas no Iraque

A milícia extremista sunita Estado Islâmico reconquistou 15 vilas da província da Ambar, no Iraque, que haviam sido libertadas por milícias tribais aliadas do governo central de Bagdá. Pelo menos 35 membros da tribo Albu Nimr foram capturados e executados na cidade de Hit.

O Exército do Iraque declarou ainda controlar o distrito de Beiji. Pelo menos 14 soldados foram mortos quando os jihadistas explodiram um veículo militar roubado dentro de um quartel, noticiou a televisão árabe Al Jazira.

Esse fracasso das forças terrestres de fazer frente ao Estado Islâmico coloca em xeque a estratégia do presidente Barack Obama de não colocar tropas americanas para o combate em terra, onde os riscos são muito maiores.

UE proíbe venda de gasolina de aviação para a Síria

A União Europeia decidiu hoje proibir a exportação de gasolina de aviação para a Síria, a partir de 14 de dezembro de 2014, porque a Força Aérea do país estaria atacando indiscriminadamente populações civis, noticiou o jornal israelense The Jerusalem Post.

A proibição inclui o financiamento e o seguro de exportações de gasolina de aviação para a Síria. Estão excluídos combustível e aditivos para aviões não militares que pousarem no país, que está em guerra civil há três anos e meio, com mais de 200 mil mortes.

No momento, os Estados Unidos e seus aliados estão bombardeando a milícia extremista Estado Islâmico do Iraque e do Levante no Norte da Síria. A ditadura de Bachar Assad se aproveita do ataque a um de seus inimigos para tentar melhorar suas posições na guerra civil síria.

Mil palestinos enfrentam forças israelenses em Hebron

Cerca de mil palestinos enfrentaram hoje as forças de segurança de Israel em Hebron, na Cisjordânia ocupada, depois que um jovem palestino foi baleado no pé por policiais e soldados israelenses que patrulhavam uma festa organizada pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) numa escola local para festejar seu 27º aniversário.

Israel montou vários postos de controle militar na área e disparou bombas de gás lacrimogênio contra centenas de palestinos reunidos numa mesquita próxima à escola, num momento de aumento das tensões na Cisjordânia ocupada, inclusive no setor árabe de Jerusalém.

A violência e a tensão crescem na Cisjordânia ocupada na medida em que o governo linha-dura israelenses abandona as negociações de paz e vozes importantes da ultradireita repudiam a criação de um Estado Nacional palestino e declaram Israel como um "Estado Judaico".

As implicações são que haverá apenas um país na Palestina, Israel, e que os árabes serão cidadãos de segunda classe. É uma solução inaceitável. Só vai prolongar a guerra, num momento em que Israel enfrenta outros desafios existenciais, da ofensiva do Estado Islâmico do Iraque e do Levante à bomba nuclear do Irã.

Pane em computadores fecha espaço aéreo de Londres

Todos os aeroportos de Londres foram fechados temporariamente hoje à tarde por causa de uma pane nos sistemas de computadores de controle do tráfego aéreo, anunciou a organização de segurança da navegação aérea na Europa. Lentamente a situação está voltando ao normal.

Nos últimos minutos, os aviões voltaram a decolar no aeroporto de Heathrow, um dos mais movimentados do mundo. Não há informações sobre um possível ataque cibernético.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Senado dos EUA aprova ajuda à Ucrânia

O Senado dos Estados Unidos, ainda com maioria do Partido Democrata, aprovou hoje a Lei de Apoio à Liberdade na Ucrânia, que oferece armas defensivas e ajuda energética ao país e amplia as sanções contra empresas do setor de defesa da Rússia.

A lei autoriza a venda de armas defensivas no valor de US$ 350 milhões, mas não armamento letal, e dá às ex-repúblicas soviética da Geórgia, da Moldova e da Ucrânia o status de "aliado não-membro" da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar da América do Norte e da Europa, liderada pelos EUA. A Ucrânia recebe ainda uma ajuda energética de curto prazo de US$ 50 milhões.

O projeto segue agora para a Câmara dos Representantes. Não é certo que possa ser votado antes do fim da atual legislatura. Em 2015, assume o novo Congresso, eleito em 4 de novembro.

A Ucrânia está em crise desde novembro de 2013, quando o então presidente Viktor Yanukovich rompeu negociações de associação com a União Europeia. Essa decisão provocou uma revolta popular que levou à queda de Yankovich, um aliado de Moscou, em fevereiro de 2014.

Em reação, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, fomentou uma revolta dos russos étnicos e linguísticos na península da Crimeia, anexando-a à Federação Russa em 17 de março, depois de um referendo não reconhecido internacionalmente.

Desde o início de abril, a revolta dos ucranianos russos contra o governo de Kiev explodiu também no Leste da Ucrânia, onde as províncias de Donetsk e Luhansk estão parcialmente controladas por rebeldes. Moscou nega qualquer interferência direta, mas são mercenários, armas e equipamentos russos que fortalecem o exército rebelde.

Mugabe nomeia ministro linha-dura para vice-presidente

De pouco valeu o congresso da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular, no poder há 34 anos. Mal os delegados voltaram para casa, o ditador Robert Mugabe destituiu a vice-presidente Joice Mujuru e seus aliados, nomeando para o cargo o ministro da Justiça linha-dura, Emmerson Mnangagwa, novo favorito para a sucessão do próprio Mugabe.

Por enquanto, aos 90 anos, Mugabe ainda é o candidato do partido do governo à eleição presidencial de 2018. Joice foi acusada de corrupção, traição e tentativa de assassinar o dirigente máximo zimbabuano.

Petróleo cai abaixo de US$ 60 pela primeira vez desde 2009

Em sua queda consistente, o preço internacional do barril de petróleo tipo West Texas Intermediate padrão no mercado dos Estados Unidos, caiu hoje abaixo de US$ 60 pela primeira vez desde julho de 2009, sendo cotado a US$ 59,85, antes de subir para US$ 60,01 na Bolsa Mercantil de Nova York.

Com o aumento da produção, especialmente nos Estados Unidos e na Líbia, e a desaceleração da economia mundial, os preços internacionais do petróleo caíram 40% nos últimos seis meses, provocando crises em países altamente dependentes da renda do produto, como Argélia, Nigéria, Irã, Rússia e Venezuela.

No momento, os economistas calculam que num ano isso significa que os consumidores terão US$ 1,3 trilhão a mais para gastar. O custo da energia, um componente importante no preço final de qualquer produto, está em queda.

Ao mesmo tempo, o consumo de energia é um indicador importante da atividade econômica. Nesta era de aquecimento global, um consumo menor é a esperança de um mundo mais sustentável. No momento, é mais um sinal de desaceleração. Ontem, o Índice Dow Jones da Bolsa de Nova York caiu 268 pontos por causa disso. Hoje, está em alta.

Pesquisa prevê grande vitória eleitoral do governo no Japão

Apesar da recessão na economia, a coalizão liderada pelo primeiro-ministro Shinzo Abe deve obter ampla maioria na Câmara dos Deputados nas eleições do próximo domingo, 14 de dezembro de 2014, no Japão, indica uma pesquisa publicada hoje no jornal japonês Asahi Shimbun.

O Partido Liberal-Democrata (PLD), de Abe, e seu aliado Komeito (Partido do Governo Limpo) devem eleger 317 dos 475 deputados da Dieta, dando ao primeiro-ministro uma supermaioria para fazer as reformas necessárias para combater a estagnação e a deflação, duas pragas da economia japonesa nas últimas duas décadas.

Até agora, as reformas de Abe tiveram impacto limitado. O Banco do Japão injetou algo como US$ 1 trilhão na economia, mas um aumento do imposto sobre consumo, em 1º de abril de 2014, jogou o Japão numa recessão, com contração econômica nos últimos dois trimestres.

Diante da falta de alternativas, o eleitorado parece estar decidido a dar uma chance a mais a Shinzo Abe, um nacionalista que teme pela perda de poder do Japão diante da ascensão irresistível da vizinha e inimiga histórica China. O aumento do comércio e as boas relações econômicas tendem a amaciar o futuro das relações bilaterais entre as grandes potências da Ásia, mas o Japão precisa se reinventar, como fez tantas vezes no passado, para não perder importância.

Oceanos têm 269 mil toneladas de plástico

Os oceanos da Terra têm hoje cerca de 5,25 trilhões de pedaços de lixo jogados pelo homem, inclusive 269 mil toneladas de plásticos, indica uma primeira estimativa global da poluição feita pelo Instituto 5 Gyres, associado a instituições de seis países, entre elas o Instituto Francês de Pesquisa sobre a Exploração do Mar (Ifremer).

Depois de seis anos de trabalho e de percorrer uma distância de 50 mil milhas náuticas ou 92,6 mil quilômetros, os pesquisadores fizeram o levantamento mais completo até hoje sobre a presença de plásticos nos oceanos. As conclusões foram publicadas ontem na revista científica PLoS ONE, da Biblioteca Pública da Ciência, uma organização não governamental americana.

"Infelizmente", observou o professor Markus Erikssen, coordenador do estudo, "os efeitos dessas partículas atingem os ecossistemas marinhos, especialmente os organismos que atuam como filtros, o zooplâncton e os organismos que vivem em sedimentos. Podem concentrar os poluentes orgânicos e alterar o funcionamento das cadeias alimentares."

O Instituto 5 Gyres, que luta contra a poluição de plásticos nos mares, recomenda à indústria que padronize o ciclo de vida útil de seus produtos, dando preferência aos polímeros biodegradáveis.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Corte Europeia compensa empresa do Irã por sanções

A Corte Europeia de Justiça decidiu ontem compensar com 50 mil euros, cerca de US$ 62,3 mil ou R$ 163 mil, uma companhia iraniana que alegou ter sido incluída injustamente na lista de sanções da União Europeia contra o programa nuclear do Irã.

A empresa Safa Nicu Sepahan foi acusada de fornecer equipamento para uma central nuclear iraniana, mas o tribunal entendeu não haver provas suficientes de comprometimento da companhia.

O Irã deve retomar em breve as negociações com as cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, Rússia, França e Reino Unido) e a Alemanha para desarmar seu programa nuclear. As potências ocidentais querem que o Irã pare de enriquecer urânio, assim nunca chegaria ao teor necessário para fazer uma bomba atômico.

De sua parte, o Irã insiste no direito de desenvolver tecnologia nuclear para fins pacíficos. Israel não confia em acordos com o regime fundamentalista iraniano. Está pronta a atacar as instalações nucleares do inimigo.

China condena alto funcionário à prisão perpétua por corrupção

O subdiretor da poderosa Comissão para a Reforma e o Desenvolvimento Nacional, principal órgão de planejamento econômico da China, foi condenado à prisão perpétua, informou hoje a agência oficial de notícias Nova China.

Liu Tienan também era diretor da Administração Nacional de Energia. É um dos muitos altos funcionários denunciados na campanha anticorrupção do presidente Xi Jinping, que prometeu "caçar dos tigres às moscas".

Ministro palestino morre em confronto com soldado de Israel

O ministro para assentamentos da Autoridade Nacional Palestina, Ziad Abu Ein, morreu hoje depois de uma confrontação com soldados das Forças de Defesa de Israel na Cisjordânia ocupada há 47 anos, informou a agência Reuters.

De acordo com relatos de palestinos, o ministro teve um colapso depois de levar uma coronhada no peito. Zia Abu Ein foi levado a um hospital em Ramalá, onde morreu. Ele estava doente. A autópsia israelense concluiu que ele morreu de um ataque cardíaco.

O Exército de Israel entrou em estado de alerta na região. Os militares têm sido chamados para evitar conflitos entre palestinos e colonos na Cisjordânia ocupada. A Brigada dos Mártires de Al-Aqsa, braço armado do partido Fatah (Luta), do presidente palestino Mahmoud Abbas, denunciou a morte como "assassinato" e pediu aos palestinos uma reação "congruente".

Estado Islâmico convoca à "guerra santa" contra o Hesbolá

O ex-comandante da Frente al-Nusra e atual comandante do Estado Islâmico do Iraque e do Levante Anas Charkas, mais conhecido pelo nome de guerra Abu Ali al-Chichani, convocou os radicais sunitas para uma "guerra santa" contra a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus), noticiou hoje o jornal libanês The Daily Star.

Charkas fez o apelo depois que sua mulher e dois filhos foram detidos pelas autoridades do Líbano.

O comandante do Estado Islâmico denunciou a relação entre o Hesbolá e o regime teocrático do Irã, acusando a milícia xiita de massacrar homens, mulheres e crianças na guerra civil da Síria. Também declarou que o governo do Líbano é incapaz e às vezes se subordina ao Hesbolá.

Marrocos entra na guerra contra o Estado Islâmico

Quatro caças-bombardeiros F-16 da Força Aérea do Marrocos participaram hoje de ataques da aliança liderada pelos Estados Unidos contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante perto de Badgá e em outras regiões iraquianas, noticiou o sítio Morocco World News.

Nem os EUA nem o Marrocos confirmaram o ataque. A monarquia marroquina já foi alvo de atentados terroristas e reforçou suas defesas contra o extremismo muçulmano, cada vez mais ativo na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Mugabe destitui vice-presidente do Zimbábue

O ditador Robert Mugabe, no poder desde a independência do Zimbábue, em 1980, afastou a vice-presidente Joyce Mujuru e seus aliados numa reforma ministerial, acusando-a de liderar uma conspiração para derrubá-lo e matá-lo, se necessário.

Dentro da luta pelo poder em torno de sua sucessão, Mugabe, de 90 anos, agora chama sua antiga aliada de "traidora". O ditador estaria apoiando a candidatura do ministro da Justiça, Emmerson Mnangagwa.

No fim de semana, o partido governista, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF), confirmou Mugabe como líder do partido e candidato à próxima eleição presidencial, em 2018.

Sua mulher, Grace Mugabe, foi eleita líder da ala feminina do partido. Pode ser um degrau para uma ascensão maior. Depois meses depois de entrar para a Universidade do Zimbábue, ela recebeu um doutorado em sociologia sem defender tese.

O Zimbábue já foi conhecido como o "celeiro" da África. Com as políticas de confisco das terras dos brancos lançada em 2000 por Mugabe para combater a oposição interna, enfrenta hiperinflação e desabastecimento.

Presidente do Irã quer aliança regional antiterrorismo

Ao discursar na 1ª Conferência Internacional contra a Violência e o Extremismo, realizada em Teerã, o presidente do Irã, Hassan Rouhani, considerado um aiatolá moderado, propôs hoje a formação de uma aliança regional no Oriente Médio para combater grupos extremistas.

Pela proposta de Rouhani, os países do Oriente Médio deveria formar uma coalizão semelhante à liderada pelos Estados Unidos na luta contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

O Irã colabora com o governo do Iraque e apoia a ditadura de Bachar Assad na guerra civil da Síria, o que às vezes o coloca ao lado dos EUA.

Oficialmente, os dois países afirmam que não coordenam suas operações militares, embora seja difícil acreditar que duas forças aéreas possam atuar no mesmo espaço sem trocar informações. Estão negociando, junto com os outros membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Alemanha, o desarmamento do programa nuclear iraniano.

Produção industrial alemã avançou 1,1% em outubro

Depois de uma queda de 0,3% em setembro, a produção da indústria manufatureira da Alemanha cresceu 1,1% em outubro. Na comparação anual, o avanço foi de 2,1%. De janeiro a outubro de 2014, a alta foi de 2,8%, revelou hoje o Escritório Federal de Estatísticas do país (Destatis).

As vendas ao exterior subiram 1,7% em outubro, sendo 2,1% para os países da Zona do Euro e 1,4% para o resto do mundo.

Alemanha teve saldo comercial de 20,6 bilhões de euros em outubro

O saldo comercial da Alemanha aumentou para 20,6 bilhões de euros em outubro de 2014, com exportações de bens no valor de 103,9 bilhões de euros e importações de bens no valor de 81,9 bilhões de euros, revelaram dados divulgados hoje pelo Escritório Federal de Estatísticas (Destatis).

Tanto as importações quando as exportações caíram, refletindo a estagnação econômica da Zona do Euro. A baixa mensal nas exportações foi pequena, de 0,5%. As importações tiveram uma redução maior, de 3,1%, indicando uma queda no consumo interno.

Nos 12 meses até outubro, as exportações alemãs avançaram 4,9%, enquanto as importações subiram apenas 0,9%.

Senado dos EUA acusa CIA de tortura

A Agência Central de Inteligência (CIA), o serviço secreto da Presidência dos Estados Unidos, usou técnicas de interrogatório que caracterizam tortura na luta contra o terrorismo deflagrada pelos atentados de 11 de setembro de 2001 sem obter informações relevantes sobre ataques iminentes por causa disso, está denunciando neste momento em Washington a senadora Dianne Feinstein, do Partido Democrata, presidente da Comissão de Inteligência do Senado. Os abusos foram mais amplos e mais brutais do que divulgado anteriormente, sem qualquer supervisão crítica.

O relatório de 6 mil páginas, resultado de cinco anos de investigações, teve trechos vazados com antecedência e foi objeto de espionagem da CIA contra o próprio Senado dos EUA. "Não podemos apagar esta mancha, mas podemos mostrar que o país aprende com seus erros, é uma sociedade justa e legalista", observou Dianne Feinstein.

Em 1999, o Senado dos EUA havia ratificado a Convenção Internacional contra a Tortura, comprometendo-se a não recorrer à tortura como método de interrogação não importa que tipo de desafios enfrentasse. O ataque às Torres Gêmeas de Nova York e o Pentágono levaram ao emprego de "técnicas coercitivas e robustas de interrogatório", na descrição pasteurizada do governo George Walker Bush.

O programa incluiu a detenção e o transporte ilegal de suspeitos para países que toleram a tortura, onde eles foram submetidos a interrogatórios violentos com nudez, sufocamento com jatos d'água, proibição de dormir, frio, posições estressantes e outros métodos de tortura. Empresas privadas e psicólogo foram contratados para torturar  a um custo de milhões de dólares. Das 119 detenções examinadas, pelo menos 26 prisões foram consideradas ilegais pela própria agência.

A CIA não só deteve muito mais suspeitos do que revelado anteriormente. Usou métodos "muito piores" do que admitiu e não teria conseguido informações relevantes dos presos torturados: "Os métodos muitas vezes levaram os interrogados a forjar respostas falsas", diz o relatório, e a agência acabou seguindo pistas erradas. Esta conclusão é contestada por alguns deputados e senadores republicanos.

O próprio presidente Bush, o vice-presidente Dick Cheney e o secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, teriam sido enganados sobre a extensão das práticas. Bush teria sentido "desconforto" ao conhecer detalhes sobre a tortura. Várias gravações de interrogatórios foram apagadas para evitar que fossem divulgadas publicamente.

Alguns presos reclamaram que não puderam dormir durante uma semana. "Múltiplas técnicas de torturas foram usadas repetidamente sem parar contra determinados suspeitos durante dias e até semanas", afirmou a senadora. Ela citou o caso de Abu Zubaida, um saudita preso no Paquistão em 2002 e levado para o centro de detenção ilegal na base naval de Guantânamo, um enclave americano em Cuba.

Zubaida, diretor de um campo de treinamento da rede terrorista Al Caeda no Afeganistão, foi sufocado com jatos d'água pelo menos 83 vezes, foi deixado nu, impedido de dormir, não recebeu alimentos sólidos e foi obrigado a ficar em posições estressantes. As gravações de seu interrogatório foram destruídas em 2005. Dois anos depois, o tribunal militar que examinou seu caso concluiu ele não era um líder importante como a CIA supunha.

A CIA alardeou ter evitado atos terroristas com base em informações obtidas sob tortura, mas a comissão parlamentar de inquérito do Senado não identificou um único caso capaz de confirmar a alegação. Essa conclusão, contestada por republicanos, foi apoiada pelo senador John McCain, candidato derrotado pelo presidente Barack Obama na eleição de 2008, que ocupou a tribuna depois de senadora Feinstein.

McCain desprezou a alegação de que a divulgação do relatório agora, quando os EUA estão em guerra contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, incentivaria novos ataques a americanos: "Eles não precisam de desculpas para nos atacar."

Na opinião do senador, um veterano de guerra que ficou cinco anos e meio preso no Vietnã, o que está em jogo é a imagem dos EUA e o compromisso com o respeito à dignidade humana: "Nossos inimigos agem sem consciência. Nós não podemos fazer isso."

ESTADO DE ALERTA
No mundo inteiro, embaixadas, consulados, bases militares e até mesmo empresas dos EUA estão em estado de alerta temendo retaliações por causa das denúncias de tortura.

Casa de Rui Barbosa expõe literatura de cordel de Portugal

A Fundação Casa de Rui Barbosa apresenta a partir de 11 de dezembro de 2014 no Rio de Janeiro a exposição Folhetos de Cordel Portugueses: Coleção Arnaldo Saraiva. Fazem parte da mostra, em exibição até 1º de fevereiro de 2015, cerca de 150 folhetos cobrindo mais de três séculos e meio de literatura de cordel em Portugal, do início do século 17 até meados do século 20.

O material pertence a Arnaldo Saraiva, professor catedrático de literatura na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, crítico, poeta, pesquisador, tradutor e correspondente da Academia Brasileira de Letras. Na abertura, haverá uma mesa-redonda com a participação do colecionador Arnaldo Saraiva, do curador Alexei Bueno e do embaixador e escritor brasileiro Alberto Costa e Silva.

"Diretamente originado na literatura popular ibérica e mais especificamente lusitana, o cordel brasileiro, além de seu valor artístico, sempre serviu de grande inspiração a manifestações da cultura brasileira, na literatura, no cinema e nas artes plásticas", declarou em nota a FCRB.

"A exposição tem como objetivo apresentar a continuidade secular que liga o folheto de cordel português ao nordestino, que nele se origina, gráfica e ideologicamente, demonstrando inclusive a manutenção por períodos de tempo muito vastos de ciclos temáticos bem como o compartilhamento, no aspecto plástico dos folhetos, de arte da xilogravura e das artes tipográficas entre Portugal e o Brasil", acrescentam os organizadores.

A mostra já foi apresentada na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, no Porto (2006), no Museu de Arte Popular do Recife (2011) e na Biblioteca Nacional de Portugal (2013).

A Casa de Rui Barbosa fica na Rua São Clemente, 134, no bairro de Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Está aberta de terças a sextas-feiras das 10h às 18h, nos domingos e feriados das 14h às 18h. Na última terça-feira do mês, o museu abre das 9h às 20h.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Bolívar cai a 174 por dólar na Venezuela

Com a queda nos preços internacionais do petróleo para menos de US$ 70 por barril, a moeda da Venezuela, o bolívar, atingiu nova cotação mínima no mercado negro. O valor caiu para 174 bolívares por dólar.

Desde o fim de setembro de 2014, a cotação do dólar aumentou mais de 70 bolívares, agravando a crise econômica terminal que enfrenta o governo Nicolás Maduro, totalmente incapaz de lidar com a inflação de 80% ao ano e o desabastecimento causados por uma política econômica irrealista e suicida.

É impressionante a omissão da União das Nações Sul-Americanas diante do colapso do regime chavista na Venezuela. O país que se orgulha de ter as maiores reservas mundiais de petróleo não tem papel higiênico, carne, leite, farinha e outros produtos básicos nas prateleiras dos supermercados.

O regime chavista está falido e afunda cada vez mais. Para preservar a revolução, está destruindo o país.

Grécia aprova orçamento "equilibrado" por pequena margem

Apesar de novos protestos populares contra as medidas de austeridade que o país enfrenta nos últimos seis anos, o Parlamento da Grécia aprovou hoje por pequena margem o orçamento para 2015, evitando a queda do governo do primeiro-ministro conservador Antonis Samaras. Ele alegou que é o primeiro orçamento grego equilibrado em décadas.

De um lado, os credores internacionais e a troika formada pela União Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, exigem mais medidas de contenção nos gastos públicos.

Nas ruas de Atenas e de outras cidades gregas, os manifestantes exigem a queda do governo e eleições antecipadas porque programas sociais estão sendo cortados enquanto os salários estão estagnados e o desemprego atinge um quarto da população econômica ativa e a metade dos jovens.

Negociações com o Irã recomeçam antes do fim do ano, diz Rússia

As negociações entre as cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, Rússia, França e Reino Unido), a Alemanha e o Irã para desarmar o programa nuclear iraniano devem ser retomadas antes do fim do ano e não serão realizadas em Viena, declarou hoje o vice-ministro do Exterior da Rússia, Serguei Riabkov.

Riabkov acrescentou que a comissária de Relações Exteriores da União Europeia, a britânica Catherine Ashton, continuará coordenando as negociações como assessora especial.

O diálogo marca a reaproximação entre Estados Unidos e Irã depois da Revolução Islâmica de 1979. Tinha uma data-limite para chegar a um acordo definitivo: 24 de novembro de 2014.

Como a economia iraniana está profundamente abalada pelas sanções internacionais contra o programa nuclear e os EUA veem nas negociações uma chance inédita de melhorar as relações com uma potência regional do Oriente Médio, o prazo foi prorrogado até 30 de junho de 2015. Ambos têm muito a perder com um fracasso total.

É difícil imaginar que a linha-dura do regime fundamentalista iraniano, especialmente a Guarda Revolucionária, abandone a opção nuclear. O governo linha-dura de Israel não acredita em acordo e está pronto para bombardear as instalações nucleares iranianas para impedir que o Irã faça a bomba atômica. Desde o governo George W. Bush, é contido pelos EUA.

Obama optou pelo diálogo. Terá dificuldades em aprovar no Congresso, dominado pela oposição republicana, qualquer acordo com o Irã que não inclua inspeções rigorosas e o fim do enriquecimento de urânio.

Ao mesmo tempo, a situação econômica do Irã é crítica e o presidente, o aiatolá moderado Hassan Rouhani, também preferiu o diálogo e apostou seu governo na melhora das relações com o Ocidente.

Por ora, a melhor solução é continuar negociando.

Mercado espera dados indicando desaceleração na China

Depois de ganhos importantes nas bolsas de valores da China, que subiu 40% desde setembro, o mercado financeiro da Ásia está atento nesta semana a dados sobre o comércio exterior, a inflação, a produção industrial e os investimentos em capital fixo no país em novembro.

Se for confirmada a desaceleração da economia, o Banco Popular da China deve adotar novas medidas de estímulo, antecipa a televisão americana CNBC, uma associação da rede NBC com o jornal The Wall St. Journal, especializada em noticiário econômico.

"Os dados de novembro devem mostrar a economia da China num ritmo abaixo do seu potencial, alimentando a expectativa de um novo alívio monetário", disseram em nota economistas da agência de classificação de risco Moody's. O Japão anunciou uma contração maior do que estimada inicialmente no terceiro trimestre de 2014 (veja abaixo).

As estatísticas do comércio exterior da China serão divulgadas hoje. "Esperamos uma queda no crescimento das exportações de 11,6% em outubro para 7,5% em novembro na comparação anual, e uma baixa no crescimento das importações de 4,6% para 3,5% ao ano", previu o Citibank.

Com essa desaceleração do crescimento, o saldo comercial diminuiu de US$ 45,5 bilhões, mas ainda registrou em novembro formidáveis US$ 43,1 bilhões.

A inflação no atacado deve crescer de 2,2% para 2,4% ao ano. Já o índice de preços ao consumidor deve ficar inalterado em 1,6% ao ano, dando margem de manobra ao banco central chinês para baixar ainda mais os juros depois do corte inesperado no mês passado.

Nas previsões da Moody's, o crescimento anual da produção industrial deve baixar de 7,7% em outubro para 7,6% em novembro. As fábricas de Beijim foram paradas durante uma semana para aliviar a poluição do ar durante a reunião de cúpula do fórum de Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (APEC).

O avanço anual das vendas no varejo deve subir de 11,5% para 11,6%, enquanto a alta nos investimentos em capital fixo vai baixar de 15,9% para 15,7% ao ano, a menor em 13 anos na China.

Economia do Japão recuou mais do que estimado inicialmente

A economia do Japão encolheu mais do que estimado inicialmente no terceiro trimestre de 2014, indicou hoje a segunda estimativa do desempenho do produto interno bruto de julho a setembro deste ano.

Em vez de cair num ritmo de 1,6% ao ano, a terceira maior economia do mundo contraiu-se em 1,9% ao ano ou 0,5% em relação ao trimestre anterior, noticiou o jornal The Wall St. Journal. Como vinha de uma baixa de 6,7% ao ano ou 1,7% na comparação trimestral no segundo trimestre, O Japão está em recessão.

É uma má notícia a apenas seis das das eleições parlamentares antecipadas convocadas pelo primeiro-ministro Shinzo Abe para tentar obter a aprovação popular para suas políticas destinadas a combater a deflação e a estagnação crônicas da economia japonesa, que estão relegando o país a uma posição secundária em relação à China, inimiga histórica.

Com o aumento de 5% para 8% de um imposto de circulação de mercadorias para melhorar as contas públicas, o consumo doméstico desabou, levando a economia à recessão. Uma desvalorização de 50% do iene em relação ao dólar nos últimos oito meses agravou ainda mais a crise na esperança de estimular as exportações. O Japão hoje tem décifit comercial.

Abe tenta ganhar tempo. Aposta que o aumento dos lucros com a exportação vai permitir às empresas japonesas investir mais e pagar melhores salários. Perdeu o apoio da opinião pública. Em pesquisa realizada pelo grupo Nikkei, só 33% defenderam a abeconomia, como é chamada a política econômica do atual primeiro-ministro, enquanto 51% se declararam contrários.

Mesmo assim, por falta de uma oposição bem organizada, o Partido Liberal-Democrata, de Abe, deve  obter uma ampla vitória no próximo domingo.

domingo, 7 de dezembro de 2014

General Hifter será nomeado comandante do Exército da Líbia

A Câmara dos Deputados da Líbia, o parlamento reconhecido internacionalmente, vai indicar nos próximos dias o general Khalifa Hifter para comandante do Exército, informou a televisão pública britânica BBC.

Desde outubro de 2014, o general Hifter coordena as forças leais ao governo provisório nos combates contra milícias islamitas na capital, Trípoli, e na segunda maior cidade do país, Bengázi. Sob pressão dos jihadistas, os deputados fugiram da capital e se reúnem na cidade de Tobruk, enquanto o velho parlamento, leal às milícias islamitas, faz sessões na capital.

Desde a queda do ditador Muamar Kadafi, em 2011, a Líbia não tem um governo estável. Kadafi desinstitucionalizou o país, colocando tudo sob seu controle. Por medo de golpes militares, não tinha nem Forças Armadas organizadas.

Com uma população pequena, de apenas 6,2 milhões de habitantes, e grandes jazidas de petróleo e gás natural, a Líbia tem tudo para ser um país rico. Primeiro, precisa reconstruir o Estado Nacional.

O prolongado conflito na Líbia aumentou o tráfico de armas no Norte da África, com reflexo sobre os países do Sahel, onde aumentou o terrorismo de grupos aliados ideologicamente à rede terrorista Al Caeda, na Nigéria, no Mali, na República Centro-Africana e na Somália. Agora, aliados do Estado Islâmico do Iraque e do Levante declararam que Derna é a primeira cidade líbia a aderir ao Califado.

Na semana passada, oficiais do Pentágono, o Departamento da Defesa dos Estados Unidos manifestaram preocupação com a existência de centros de treinamento do Estado Islâmico no deserto da Líbia, onde pelo menos 200 jihadistas estariam sendo preparados para a "guerra santa" contra os infiéis - todos que não comungarem com sua versão extremada do Corão Sagrado.

EUA entregam seis presos em Guantânamo ao Uruguai

Num acordo negociado pelo presidente José Mujica, os Estados Unidos entregaram ao Uruguai seis prisioneiros da guerra contra o terrorismo detidos no centro de detenção ilegal de Guantânamo, um enclave americano em Cuba, confirmou hoje em Washington o Departamento da Defesa.

O grupo é formado por quatro sírios, um palestino e um tunisiano. Eles estavam presos há mais de dez anos sem culpa formada. Foi a maior transferência de presos de Guantânamo desde 2009.

A base militar de Guantânamo, ocupada pelos EUA desde a Guerra da Independência de Cuba, em 1899, foi usada pelo presidente George Walker Bush (2001-9) para criar um limbo jurídico e negar aos presos na luta contra o terrorismo os direitos garantidos pela Convenção de Genebra sobre Prisioneiros de Guerra.

Aluns presos, como os acusados pelos atentados de 11 de setembro, foram submetidos a tribunais militares, mas a promessa de campanha de Barack Obama de fechar a prisão ilegal em um ano nunca foi cumprida. No único processo aberto nos EUA contra um preso de Guantânamo, um jovem africano acusado de comprar material para os atentados contra as embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia, em 1998, o juiz desconsiderou 384 provas obtidas ilegalmente à luz da lei nos EUA.

Depois da longa tortura nos trópicos, vários presos de Guantânamo aderiram a grupos extremistas muçulmanos. Assim, Obama nunca teve força política para fechar o centro de detenção. Nem terá com o Congresso dominado pelo Partido Republicano.

A maioria do eleitorado uruguaio é contra receber os presos.

Israel bombardeia posições das Forças Armadas da Síria

Em um dos maiores ataques aéreos de Israel desde o início da guerra civil na Síria há três anos e meio, a Força Aérea israelense bombardeou uma série de instalações militares perto da capital, Damasco, no Sudoeste do país vizinho, inclusive bases aéreas, o quartel da 103ª Brigada Republicana e posições da 90ª Brigada na província de Kuneitra.

A defesa antiaérea síria contra-atacou com mísseis antiaéreos, mas não há notícias sobre danos a aviões de guerra israelenses.

Foi a quarta vez que Israel atacou a Síria além das disputadas Colinas do Golã desde o início da guerra civil, em 15 de março de 2011. O governo israelense advertiu que irá lançar ações limitadas para evitar que a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) receba armas convencionais de alta tecnologia que possam ser usadas contra Israel.

Isso inclui a nova geração de mísseis guiados antitanque, sistemas portáteis de defesa antiaérea e mísseis antiaéreos montados em veículos.

Os bombardeios anteriores visaram o mesmo tipo de alvos, procurando degradar a capacidade militar da ditadura de Bachar Assad, eliminando armas avançadas do arsenal sírio como os mísseis antinavio Yakhont estocados em Latakia e impedindo que armas importadas de alta qualidade cheguem ao destino.

Informes recentes dos serviços secretos indicam que o Hesbolá se preparava para receber mísseis Fateh-100. Os alvos também poderiam ter sido os mísseis antiaéreos avançados S-300 vendidos pela Rússia à Síria.

Arábia Saudita prende 135 suspeitos de terrorismo

Em uma grande operação em várias cidades, a polícia da Arábia Saudita prendeu 135 suspeitos de terrorismo, revelou hoje o Ministério do Interior, citado pela agência de notícias Associated Press (AP). Pelo menos 26 presos são estrangeiros, sendo 16 sírios.

Os detidos são acusados de contrabandear armas, financiar extremistas e planejar ataques contra o reino saudita.

A Arábia Saudita, grande aliada e provedora de petróleo para os Estados Unidos, é a origem ideológica do salafismo, filho do wahabismo, a corrente do islamismo adotada como religião oficial do país, que vê todas as outras como suspeitas e está na raiz do jihadismo, a "guerra santa" permanente contra os infiéis.

Com a riqueza do petróleo, a partir da crise de 1973, esta monarquia absolutista com 6 mil príncipes e  escasso controle sobre seus gastos transformou-se na grande exportadora e financiadora do extremismo muçulmano sunita.

Desde a vitória da Revolução Islâmica no Irã, idealizada pelo salafista egípcio Said Kutub, mas posta em prática pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, um xiita, a Arábia Saudita disputa com o Irã uma supremacia ideológica sobre o islamismo.

Nas ruas do Califado autoproclamado em junho de 2013 no Norte do Iraque e parte da Síria pelo Estado Islâmico, sua polícia age com a mesma determinação e o rigor do Ministério de Propagação da Virtude e Combate ao Vício, a polícia religiosa saudita.

É a legitimidade do regime saudita que está em jogo quando combate os extremistas. O país se considera porta-voz e controlador dos islamitas radicais. Estes, por sua vez, consideram a família real saudita o exemplo da traição por sua aliança histórica com os EUA.

sábado, 6 de dezembro de 2014

Síria repele ataque do Estado Islâmico a base aérea de Deir el-Zour

As Forças Armadas da Síria repeliram o cerco da milícia extremista Estado Islâmico do Iraque e do Levante à base aérea de Deir el-Zour, uma das últimas do Leste do país ainda em poder do regime de Bachar Assad. Pelo menos 51 soldados e 68 milicianos morreram na batalha.

Os jihadistas chegaram a entrar na base, mas foram obrigados a recuar, informou em Londres o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental de oposição.

Exército do Paquistão mata comandante d'al Caeda

Durante uma operação no Waziristão do Sul, soldados do Paquistão mataram hoje Adnan Chukrijumah, um dos comandantes da rede terrorista Al Caeda. Ela tinha sido denunciado nos Estados Unidos por suposto envolvimento numa conspiração para cometer atentados no metrô de Nova York.

A morte foi um duro golpe n'al Caeda e um sucesso para as operações antiterroristas do Exército do Paquistão contra guerrilhas extremistas muçulmanas baseadas no Noroeste do país, junto à fronteira incerta com o Afeganistão, não reconhecida pelos pachtunes que moram dos dois lados.

Al Caeda mata reféns em tentativa de resgate no Iêmen

Dois reféns, um americano e outro sul-africano, foram mortos pela rede terrorista Al Caeda na Península Arábica durante uma fracassada tentativa de resgate feita por comandos de elite dos Estados Unidos, admitiu hoje o secretário da Defesa americano, Chuck Hagel.

Quando o comando de operações especiais com 40 soldados estava a cerca de 100 metros do esconderijo, na madrugada deste sábado, os seqüestradores perceberam sua presença. Num tiroteio de meia hora, os reféns foram mortos. Um deles era o jornalista britânico naturalizado americano Luke Somers; o outro, o assistente social sul-africano Pierre Korkie.

A Casa Branca lamentou o fracasso da operação, mas alegou que não tinha alternativa porque os terroristas estavam decididos a matar Somers: "Eles iam executá-lo neste sábado", declarou um alto funcionário do governo dos EUA ao jornal The Wall St. Journal.

Depois da operação que matou Ossama ben Laden, em Abotabade, no Paquistão, em 2 de maio de 2011, as ações de comandos de elite se mostraram uma opção importante na luta contra o terrorismo. Mas o risco de um resgate é sempre elevado.

Os serviços secretos americanos localizaram o refém na quinta-feira. O Comando Conjunto de Operações Especiais do Pentágono queria realizar a ação no dia seguinte. Na sexta-feira de manhã, o presidente Barack Obama aprovou a operação, com o apoio unânime de seus principais assessores, e ps EUA pediram autorização ao presidente do Iêmen.

Pelo relato dos altos funcionários do Pentágono, assim que o tiroteio começou, um militante da Caeda correu em direção ao prédio onde estariam os reféns, dentro de um complexo cercado por um muro alto. Naquele momento, eles devem ter sido mortos. Os americanos alegam que seus tiros não podem ser responsáveis pelas mortes porque havia um muro entre eles e o local onde estavam os reféns.

Um morreu no avião de resgate, um Ospreys V-22; o outro quando era operado no navio de assalto anfíbio USS Makin Island, estacionado na costa do Iêmen. Seis terroristas morreram na ação. Os comandos saíram ilesos. Pouco depois, a principal assessora antiterrorismo da Casa Branca, Lisa Monaco, revelou o fracasso ao presidente, que condenou a execução dos reféns.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Partidos pró-Europa formam governo na Moldova

Três partidos favoráveis à aproximação com o Ocidente e à adesão à União Europeia - o Partido Liberal-Democrata, o Partido Democrata e o Partido Liberal - aliaram-se ontem para formar o próximo governo da ex-república soviética da Moldávia, que mudou de nome para Moldova, anunciou a televisão estatal.

A coalizão terá 55 deputados, 23 do PLD, 19 do PD e 13 do PL, garantindo maioria no Parlamento. Uma comissão está preparando um programa de governo para os próximos quatro anos.

Como a Ucrânia, a Geórgia e outras ex-repúblicas soviéticas, a Moldova sofre intensa pressão da Rússia para manter a dependência em relação a Moscou. Ainda há tropas russas estacionadas na província da Transnístria, onde a população de origem russa luta pela independência, enquanto o país como um todo se identifica mais com a Romênia.

Por isso, os partidos da nova coalizão de governo ampliar o acordo de associação firmado com a UE rumo a uma adesão definitiva. Foi justamente isso que levou à intervenção militar ordenada pelo protoditador russo Vladimir Putin na ex-república soviética da Ucrânia.

Ontem, ao prestar contas ao Parlamento, Putin atribuiu a crise a uma reação negativa dos Estados Unidos e da Europa ao "ressurgimento da Rússia", e não a seus próprios erros como a anexação ilegal e ilegítima da região ucraniana da Crimeia, sem esquecer a violação do Memorando de Budapeste (1994), acordo pelo qual a Ucrânia entregou as armas nucleares que herdou da União Soviética a Moscou em troca de garantias de segurança.

Na televisão governista Russia Today, a queda do rublo se deve à baixa nos preços internacionais do petróleo e não às sanções impostas pelo Ocidente.

Quanto mais a Rússia ameaça, maior é o risco de isolamento. Com a crise econômica, a pressão sobre o Kremlin só tende a aumentar. A tendência de um líder autoritário como Putin é reagir atacando.

China expurga ex-chefe do serviço secreto por corrupção

Sob acusações de corrupção, o Partido Comunista decidiu hoje expurgar o ex-chefe dos serviços secretos e da segurança interna da China e ex-membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central Zhou Yongkang.

É a primeira vez em décadas que um dirigente da alta cúpula do regime pode ser processado criminalmente, desde o julgamento da Gangue dos Quatro, em 1981, da qual fazia parte a viúva de Mao Tsé-tung, Chiang Ching. A facção foi condenada pelos excessos da Grande Revolução Cultural Proletária

Dentro da grande campanha anticorrupção lançada pelo presidente Xi Jinping para consolidar seu poder, Zhou foi apontado como suspeito em julho de 2014. Um relatório interno do PC o denunciou por "violar a disciplina do partido", a acusação genérica contra a corrupção no discurso do regime, aceitar suborno, dilapidar ativos do Estado, revelar segredos de Estado e do partido, promoção fraudulenta de parentes e atividade pessoal "salaciosa", um eufemismo para adultério.

Sob investigação, Zhou estava em prisão domiciliar há meses. Agora, foi preso formalmente. Era aliado do ex-dirigente Bo Xilai, um neomaoista que caiu em desgraça em março de 2012, foi expurgado, preso e condenado por corrupção, abuso de poder e o assassinado do empresário britânico Neil Heywood, suposto intermediário de seus negócios sujos no exterior.

Bundesbank reduz à metade previsão de crescimento da Alemanha

O Bundesbank, o banco central da Alemanha, cortou ao meio sua previsão de crescimento para a economia do país em relação à expectativa anterior, de seis meses atrás. Pela nova projeção, a maior economia da Europa e quarta do mundo deve avançar apenas 1% em 2015, em vez dos 2% estimados em junho, confirmando a estagnação da União Europeia.

Na perspectiva econômica divulgada hoje, o Bundesbank reduziu a expectativa para 2014 de expansão de 1,9% para 1,4%. A previsão para 2016 caiu de 1,8% para 1,6%.

Apesar da estagnação do bloco europeu, a região com a recuperação mais lenta desde a crise de 2008-9, o governo da primeira-ministra alemã, Angela Merkel, insiste em equilibrar o orçamento em 2015, eliminando o déficit que poderia ser usado para estimular o crescimento, uma margem de manobra que as outras grandes economias do continente não têm.

Para o presidente do Bundesbank, Jens Weidmann, um dos falcões defensores da austeridade fiscal criticada na França e na Itália, há esperança de que a atual fase de crescimento medíocre seja passageira.

Itália resgata mais 74 imigrantes ilegais no Mar Mediterrâneo

A guarda costeira da Itália abordou um barco carregado de imigrantes ilegais no Mar Mediterrâneo a cerca de 65 quilômetros de Trípoli, a capital da Líbia, e resgatou 74 sobreviventes, revelou hoje a rede de televisão americana ABC. Pelo menos 17 morreram de desidratação e hipotermia.

No fim de outubro de 2014, a Itália encerrou a Operação Mare Nostrum (Nosso Mar) depois de resgatar cerca de 150 mil pessoas no Mediterrâneo em um ano, a maioria refugiados das guerras no Oriente Médio.

Em novembro, a guarda costeira italiana iniciou uma operação menor sob a supervisão da agência de controle de fronteiras da União Europeia que limita a patrulha a uma área de no máximo 50 quilômetros de distância da costa italiana. Mas o ministro do Exterior, Paolo Gentiloni, autorizou ações além desse limite por razões humanitárias.

Obama nomeia Ashton Carter para secretário da Defesa dos EUA

O ex-número dois do Pentágono Ashton Carter foi nomeado pelo presidente Barack Obama como seu quarto secretário da Defesa, noticiou há pouco o jornal The Wall St. Journal.

Carter, de 60 anos foi subsecretário da Defesa de Leon Panetta no primeiro governo Obama, encarregado das compras. Assume a chefia do Pentágono num momento de cortes no orçamento militar e novos desafios lançados pela ofensiva terrorista do Estado Islâmico do Iraque e do Levante no Oriente Médio, a ascensão da China como superpotência e o aumento da agressividade do imperialismo da Rússia em relação às ex-repúblicas da União Soviética.

A nomeação precisa ser aprovada pelo Senado.

Estado Islâmico está prestes a tomar base da Força Aérea da Síria

A milícia extremista muçulmana Estado Islâmico do Iraque e do Levante está fechando o cerco sobre a base aérea de Deir el-Zour, a última ainda mantida pelo governo da Síria na região nordeste do país. O EI controla a maior parte da província de Deir el-Zour, mas a ditadura de Bachar Assad ainda domina parte da capital, inclusive o quartel da Força Aérea, noticiou o jornal libanês The Daily Star.

Com a ofensiva do EI, resta ao governo apenas um corredor de suprimento ligando Deir el-Zour ao Oeste da Síria, informou em Londres o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental ligada à oposição.

Em dois dias de combate, pelo menos 30 soldados sírios e 27 milicianos do Estado Islâmico morreram. Perto de Albu Kamal, em outra região da Síria, perto da fronteira com o Iraque, um bombardeio aéreo dos Estados Unidos e seus aliados matou mais 15 jihadistas do EI.

Ao atacar os extremistas, os bombardeios americanos estão ajudando a ditadura síria na guerra civil que matou mais de 200 mil pessoas em 3 anos e 9 meses, e obrigou mais de 10 milhões a fugir de casa.

Os EUA apoiam os rebeldes secularistas do Exército da Síria Livre, mas o presidente Barack Obama reluta em lhes dar armamento pesado. Consideram o governo Assad ilegítimo por atacar seus próprio povo, mas temem o caos, a anarquia e a ascensão de extremistas muçulmanos se o regime sírio entrar em colapso. Preferem uma negociação que Assad só fará quando estiver enfraquecido.

EUA criaram mais 321 mil empregos em novembro

No melhor desempenho desde janeiro de 2012, o mercado de trabalho dos Estados Unidos gerou 321 mil vagas de emprego a mais do que fechou em novembro de 2014, informou hoje o Departamento do Trabalho. O crescimento foi maior no setor de serviços.

O resultado superou as expectativas mais otimistas. Em média, economistas ouvidos pelo jornal The Wall St. Journal previam um saldo de 230 mil postos de trabalho.

Pelo décimo mês seguido, o ganho foi superior a 200 mil vagas, deixando a média mensal de 2014 em 240 mil. Este ano deve ter a maior geração de empregos em 15 anos, confirmando a recuperação da maior economia do mundo. Desde janeiro, são mais 2,6 milhões de postos de trabalho.

No mesmo relatório mensal de emprego, os dados de setembro e outubro foram revisados para cima, com um acréscimo de 44 mil vagas. Em setembro, o ganho foi de 271 mil empregos, em vez dos 256 mil da estimativa anterior; em outubro, foram 243 mil, em vez de 214 mil.

O salário médio por hora cresceu 0,4% em novembro, indicando o início de uma pressão altista sobre as folhas de pagamento capaz de gerar inflação.

Agora, o mercado tenta adivinhar quando o Comitê da Reserva Federal (Fed), o banco central dos EUA, voltará a aumentar os juros encerrando a política monetária de juro praticamente zero adotada em novembro de 2008 para enfrentar a Grande Recessão (2008-9). A expectativa era de uma alta em meados do próximo ano. Passa a ser no primeiro semestre de 2015

Em outra pesquisa, o índice de desemprego ficou estável em 5,8% da população economicamente ativa, a menor taxa desde julho de 2008, antes do agravamento da crise. Em novembro de 2013, estava em 7%.

A Bolsa de Valores de Nova York abriu em alta e pode bater novo recorde, com o Índice Dow Jones superando pela primeira vez os 18 mil pontos.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Novo caso de racismo institucional gera tensão nos EUA

Quando um tribunal do júri do condado de São Luís, no estado do Missouri, decidiu na semana passada não processar criminalmente o policial branco Darren Wilson, que matara Michael Brown, um jovem negro desarmado, em 3 de agosto de 2014, a revista inglesa The Economist afirmou que os Estados Unidos haviam mudado e que isso não se repetiria numa grande cidade. Mas aconteceu em Nova York.

Ontem, um júri popular do aristocrático bairro de Staten Island decidiu não denunciar criminalmente o policial Daniel Pantaleo, que sufocou com um golpe de luta chamado de gravata Eric Garner, um negro asmático de 43 anos que tinha cometido um crime menor: vender cigarros avulsos sem pagar imposto.

Se Brown era suspeito de roubar cigarros e ameaçar um policial que alegou ter agido em legítima defesa, Garner estava cercado e imobilizado por seis policiais.

Nos dois casos, os parentes e amigos das vítimas esperavam que os policiais fossem ao menos levados a um julgamento público. O Departamento da Justiça está examinando os casos para ver se houve crimes federais.

Líbano confirma prisão de mulher e filha de Al-Baghdadi

As identidades da mulher e da criança que se supunha serem mulher e filha do líder supremo da milícia extremista muçulmana Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Abu Baker al-Baghdadi, foram confirmadas, anunciou hoje o ministro do Interior do Líbano, Nihat al-Machnok.

O ministro esclareceu informações contraditórias das notícias anteriores sobre a prisão. Quando ela tentou entrar no Líbano vindo da Síria com passaporte falso e foi detida, há duas semanas, estava acompanha da filha de Baghdadi e de dois filhos de outro casamento.

Ainda não se sabe qual será a reação do autoproclamado califa do Estado Islâmico. Autoridades do Iraque negaram inicialmente que ela tivesse qualquer ligação com Baghdadi. O Líbano, que também está incluído no Levante, está certo que sim.

Líder d'Al Caeda na Líbia foi preso na Turquia e entregue aos EUA

O líder da rede terrorista Al Caeda na Líbia, Abdel Basset Azzouz,  foi preso no mês passado ao tentar entrar na Turquia com um passaporte falso, noticiou hoje o jornal turco Hurriyet.

Azzouz foi entregue à Jordânia, que o extraditou para os Estados Unidos, onde será julgado pela acusação de envolvimento no ataque ao consulado em Bengázi, em 11 de setembro de 2012, quando o embaixador Christopher Stevens e outros três americanos foram mortos.

Na época, em meio a uma onda de protestos contra um filme depreciativo em relação ao profeta Maomé, o Consulado Americano em Bengázi foi atacado por uma milícia extremista muçulmana no 11º aniversário dos atentados contra as Torres Gêmeas e o Pentágono.

Venda de carros novos sobe 8% no Reino Unido

O emplacamento de veículos novos cresceu 8% em novembro de 2014 no Reino Unido em relação ao ano anterior. É o 33º mês consecutivo de aumento de vendas. Desde o início do ano, 2.310.237 novos carros foram registrados no país, 9,4% a mais do que em todo o ano de 2013, anunciou hoje a Associação Britânica dos Fabricantes de Veículos (SMMT, em inglês).

Na nota, a indústria automobilística elogia o subsídio de 75 milhões de libras destinado pelo governo britânico para apoiar a fabricação de veículos de emissões ultrabaixas.

O dinheiro deve ser investido na instalação de uma rede de reabastecimento para carros elétricos e na pesquisa e no desenvolvimento de veículos de baixa emissão de gases que agravam o efeito estufa, causando o aquecimento global.

Al Caeda reivindica atentado e ameaça refém ocidental

A rede terrorista Al Caeda na Península Arábica, baseada no Iêmen, reivindicou a autoria do atentado contra o embaixador do Irã no país e ameaçou matar o jornalista britânico naturalizado americano Luke Somers, de 33 anos, sequestrado em setembro de 2013 em Saná, a capital iemenita.

Em vídeo divulgado na Internet, Nasser ben Ali al-Ansi, um dos líderes locais da Caeda, acusa os Estados Unidos de cometer crimes contra os muçulmanos e adverte que o refém terá um "destino inevitável" se o governo americano não ceder às exigências dos terroristas dentro de três dias.

Na semana passada, um comando de elite dos EUA tentou resgatar o refém na província da Hadhramaute, mas ele tinha sido levado para outro local.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Fed confirma recuperação da economia americana

Na sua análise conjuntural conhecida como Livro Bege, publicada oito vezes por anos, a Reserva Federal, o banco central dos Estados Unidos, afirmou hoje que a economia americana apresentou um avanço firme em outubro e novembro, com a queda nos preços da gasolina ajudando a impulsionar o consumo doméstico, noticiou a agência Reuters.

A onda de frio de novembro ajudou a acelerar as vendas de roupas de inverno. Apesar da queda nos preços internacionais de petróleo, a exploração de gás e óleo de xisto permanece estável. Há uma expectativa de que os EUA voltem a ser o maior produtor mundial com as novas jazidas.

Com o fortalecimento do mercado de trabalho, em algumas regiões as empresas têm dificuldade para contratar profissionais nos setores de engenharia, informática, transporte, indústria manufatureira, serviços legais e de saúde. A inflação ainda está sob controle, mas a pressão sobre os salários cresce.

No embalo da análise positiva, a Bolsa de Valores da Nova York bateu novos recordes, com alta de 0,18% no Índice Dow Jones, que fechou em 17.912,67 pontos, enquanto o índice amplo S&P 500 avançava 0,38% para 2.074,33 pontos

Setor privado gerou mais 208 mil vagas em novembro nos EUA

As empresas privadas dos Estados Unidos criaram 208 mil postos de trabalho a mais do que fecharam em novembro de 2014, estimou hoje a empresa de consultoria e recursos humanos ADP, maior processadora de folhas de pagamento do país, informa a agência de notícias Reuters.

Enquanto o Japão, a Europa e a Rússia estão sob ameaça de recessão, a recuperação americana avança, indiferente à desaceleração global e à estagnação do mundo desenvolvido. Em outubro, o setor privado gerara mais 233 mil vagas nos EUA. O dado de novembro confirma a solidez do mercado de trabalho.

Ao mesmo tempo, os salários não estão aumentando. Isso dá margem de manobra para a Reserva Federal (Fed), o banco central dos EUA, não retomar ainda as altas de juros. A normalização da política monetária é esperada no primeiro semestre de 2015.

Desde novembro de 2008, para combater a crise, a taxa básicas de juros foi reduzida a praticamente zero. Nos últimos oito meses, o saldo de novos empregos superou 200 mil por mês.

Queda nos preços do petróleo ameaça cinco países exportadores

Pelo menos cinco países altamente dependentes das exportações de petróleo podem enfrentar grave instabilidade econômica com a queda nos preços internacionais do produto: a Rússia, o Irã, a Venezuela, a Argélia e a Nigéria.

Ao bloquear as propostas de corte na produção diária da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) abaixo do volume atual de 30 milhões de barris, a Arábia Saudita e as monarquias petroleiras árabes aliadas visavam sobretudo concorrer com a exploração de óleo de xisto betuminoso nos Estados Unidos. Mas acabaram atingindo em cheio os países mais dependentes do petróleo.

O Irã, que negocia o futuro de seu programa nuclear com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas, sob o peso de sanções internacionais, está ainda mais pressionado a aceitar as condições impostas pelos EUA.

Diante do fracasso das negociações nucleares, que deveriam ter sido concluídas em 24 da novembro de 2014, o rial iraniano sofreu forte valorização nos últimos dias, obrigando o governo a aumentar o preço do pão em 30% em 1º de dezembro.

Com a economia estagnada e o rublo em queda por causa da intervenção militar na Ucrânia, a Rússia tenta minimizar o impacto das sanções internacionais alegando para o público interno que será uma oportunidade para desenvolver a produção interna.

"O gás e o petróleo representam 52% das receitas orçamentárias", lembra Mikhail Krutikhine, especialista da empresa de consultoria RusEnergy, e o orçamento foi calculado com base num barril de petróleo a US$ 100. Está em torno de 70% e a Arábia Saudita acredita que chegue a US$ 60. "Quando o presidente Vladimir Putin assumiu, no ano 2000, a dependência era de apenas 8% a 9%. Várias jazidas de exploração difícil têm custo de produção acima dos preços atuais."

Pior ainda é a situação da Venezuela, com inflação de 80% ao ano e contração da economia em 3% ao ano, o dólar oficial em 6,30 bolívares e no mercado negro em 150 bolívares. Sua dependência de 96% da receita do petróleo e um orçamento baseado num barril a US$ 120, o regime chavista está à beira do colapso, dilacerado pelas divisões internas e pela incompetência do presidente Nicolás Maduro.

Para o candidato derrotado por Maduro em 2013, Henrique Capriles, a crise é "o produto da inépcia, da mediocridade e da maneira obtusa de governar de um grupo de privilegiados que destruiu o país". As eleições legislativas de 2015 serão uma oportunidade para a oposição.

Na Argélia, onde o gás e o petróleo representam 97% da receita das exportações e 40% do produto interno bruto, a queda nos preços é igualmente devastadora. "A Argélia aguenta um novo choque petrolífero?", pergunta o jornal El Watan. O orçamento previa que o preço do barril ficasse em US$ 110, bem acima dos atuais US$ 70.

Além da guerra civil movida pela milícia extremista muçulmana Boko Haram no Nordeste do país, a Nigéria enfrenta a queda nos preços do petróleo. Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, os EUA decidiram diversificar suas fontes de importação para diminuir a dependência do petróleo do Oriente Médio. A África Ocidental tornou-se importante.

Com a exploração do gás de xisto nos EUA, os maiores importadores de petróleo nigeriano hoje são o Brasil e a Índia. O petróleo representa 70% das receitas públicas e 97% das exportações da Nigéria. No último trimestre, a moeda nacional, a naira, perdeu 11% do valor.

Se o preço do petróleo continuar em baixa, o governo da Nigéria terá de fazer cortes orçamentários drásticos às vésperas da eleição presidencial de fevereiro de 2015, em que o atual presidente Goodluck Jonathan já se apresentou como candidato, apesar da crise política e econômica, e da impotência das forças de segurança no combate ao jihadismo.

Suécia convoca eleições antecipadas para 22 de março de 2015

Depois da derrota da proposta de orçamento do governo, o primeiro-ministro social-democrata Stefan Löfven, no poder há apenas dois meses, convocou eleições parlamentares antecipadas para 22 de março de 2015.

O partido anti-imigrantes de ultradireita Democratas Suecos, com seus 49 deputados, se aliou à Aliança pela Suécia, de centro-direita, para derrotar a proposta orçamentária por 182 a 153 votos da frágil aliança entre o Partido Social-Democrata e o Partido Verde, que não tem maioria no Parlamento.

Terrorista suicida ataca embaixador do Irã no Iêmen

Três pessoas morreram quando um terrorista suicida detonou um carro-bomba diante da residência oficial do embaixador do Irã em Saná, a capital do Iêmen, o país mais pobre do Oriente Médio. Outras 17 pessoas foram feridas. O embaixador saiu ileso.

O regime fundamentalista iraniano apoia a luta dos rebeldes xiitas do grupo huti contra o governo iemenita, que enfrenta ainda a rede terrorista Al Caeda na Península Arábica, que migrou para o Sul para escapar da repressão na Arábia Saudita e é alvo frequente de ataques de drones dos Estados Unidos.

Parlamento convoca eleições para 17 de março em Israel

A Knesset, o Parlamento de Israel, aprovou hoje sua autodissolução e marcou eleições antecipadas para 17 de março de 2015. O governo linha-dura israelense caiu ontem, quando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu demitiu dois ministros contrários ao projeto que declara oficialmente que o país é um "Estado Judaico", com implicações sérias sobre a democracia e a discriminação às minorias árabe e drusa.

Diante do aumento das ameaças à segurança de Israel, do extremismo muçulmano ao programa nuclear do Irã, Netanyahu confia em obter um quarto mandato apresentando-se como o único líder capaz os novos e antigos desafios.

Pentágono confirma bombardeios do Irã ao Estado Islâmico

O Departamento da Defesa dos Estados Unidos afirmou ontem pela primeira vez que a Força Aérea do Irã também está atacando a milícia extremista muçulmana Estado Islâmico do Iraque e do Levante, informa o jornal francês Le Monde.

Em entrevista coletiva, o porta-voz do Pentágono, contra-almirante John Kirby, admitiu ter "indicações" de que o governo iraniano "fez bombardeios aéreos com aviões Phantom F-4 nos últimos dias" na província de Diala, no Iraque.

Em Teerã, o porta-voz do Ministério do Exterior do Irã, Marzieh Afkham, não deu maiores detalhes sobre a notícia, divulgada inicialmente pela televisão árabe especializada em notícias Al Jazira: "Realizamos missões áreas a pedido do Iraque e em coordenação com o Iraque. Cabe ao governo iraquiano abrir seu espaço aéreo. A política iraniana é dar apoio e conselhos aos responsáveis iraquianos na luta contra o EI."

Do lado americano, o porta-voz do Pentágono negou que haja qualquer coordenação com o Irã para evitar encontros inesperados dos aviões de guerra dos dois países.

O regime fundamentalista iraniano é um inimigo histórico dos EUA, mas, desde o ano passado, há uma reaproximação marcada por negociações em torno do programa nuclear do Irã para evitar que o país faça armas atômicas. Não houve acordo até o prazo-limite de 24 de novembro de 2014. As negociações foram prorrogadas até 30 de junho de 2015.

De 1980 a 1988, o Irã e o Iraque travaram a guerra mais sangrenta até hoje entre dois países muçulmanos, com total de mortos estimado em 1 milhão. Na época, o Irã foi invadido pelo então ditador iraquiano, Saddam Hussein, com o apoio dos EUA, da União Soviética, da Europa e do mundo árabe - todos preocupados com o radicalismo da revolução islâmica liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini.

A queda de Saddam Hussein na invasão americana ao Iraque, em 2003, abriu espaço político para a afirmação da maioria árabe xiita, que têm laços com o Irã e hoje domina o governo central iraquiano. Em última análise, o Irã foi um dos grandes beneficiários da aventura fracassada de George W. Bush ao tentar remodelar o Oriente Médio depois dos atentados terroristas de 11 de Setembro.

No vácuo político criado pela ditadura dominada pela minoria sunita, a rede terrorista Al Caeda, responsável pelos atentados nos EUA, acabou se estabelecendo no Iraque com o apoio de ex-oficiais de Saddam e dos sunitas alienados pela maioria xiita.

Em 2013, Al Caeda no Iraque se transformou no Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que em junho de 2014 proclamou a fundação de um Califado sob a liderança de Abu Bakr al-Baghdadi nos territórios que tomou no Iraque e na Síria.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Ashton Carter deve ser o novo secretário da Defesa dos EUA

Pouco conhecido fora de Washington, mas com grande prestígio intelectual na capital dos Estados Unidos, Ashton Carter, ex-número dois do Pentágono  deve ser nomeado futuro secretário da Defesa pelo presidente Barack Obama, noticia o jornal The Washington Post, em substituição a Chuck Hagel, que pediu demissão por discordar da política de combate ao Estado Islâmico.

Ashton Carter, de 60 anos, foi subsecretário da Defesa no governo Bill Clinton, encarregado da compra de armas e equipamentos. É um especialista em compras e orçamento, no momento em que o governo federal corta gastos. Uma de suas maiores preocupações é com a guerra cibernética.

Sua escolha indicaria mais continuidade do que mudança na política de segurança nacional dos EUA e fortaleceria a posição do general Martin Dempsey, comandante-em-chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, como principal comandante militar.

Carter conhece por dentro a imensa burocracia do Pentágono. Estaria assim em melhores condições para administrá-la, enquanto Dempsey se dedicaria às questões operacionais.

O antecessor, Chuck Hagel, teria menos interesse em debates políticos. Carter, graduado na Universidade de Yale e ex-professor da Universidade de Harvard, estaria mais qualificado para discutir os novos desafios à segurança dos EUA, como o jihadismo feroz do Estado Islâmico e o renascimento do imperialismo da Rússia.

Iraque faz acordo com curdos para estabilizar produção de petróleo

Sob pressão da ofensiva do Estado Islâmico, o governo central do Iraque fechou um acordo com o governo semiautônomo da região curda para estabilizar a produção e a exportação de petróleo no Norte do país.

Pelo acordo, o governo regional do Curdistão poderá exportar 250 mil barris de petróleo por dia da região curda e 300 mil barris da disputada província de Kirkuk usando um oleoduto que passa pela Turquia.

Em vez de construir um novo oleoduto como pretendiam os curdos, o governo central Bagdá vai vender o petróleo através da State Oil Marketing Organization, que será encarregada de distribuir a renda do negócio.

O governo iraquiano promete destinar 17% do orçamento ao Curdistão, além de US$ 1 bilhão para pagar o soldo dos peshmerga, os guerrilheiros que estão apoiando o Exército do Iraque nas operações terrestres contra o Estado Islâmico.

Terroristas da Somália matam 36 mineiros no Quênia

Cerca de 50 terroristas da milícia extremista muçulmana Al Chababe (Os Jovens ou A Juventude) atacaram uma mina na região de Mandera, no Norte do Quênia, e mataram os 36 mineiros não muçulmanos. 

Foi uma vingança por um ataque das Forças Armadas quenianas a um acampamento do grupo no Sul da Somália depois de uma ação dos jihadistas contra um ônibus, no mês passado, quando 28 não muçulmanos foram mortos.

A ação mais espetacular dos Chababe foi de 21 a 24 de setembro de 2013, quando pistoleiros atacaram o centro comercial de Westgate, cheio de lojas de artigos de luxo frequentadas pela elite queniana, na capital, Nairóbi, matando 67 pessoas e ferindo outras 175.

Essa sequência de ataques e contra-ataques é causada pela participação do Quênia há quatro anos na missão de paz da União Africana, que tem mandato das Nações Unidas para apoiar o governo provisório da Somália, maior inimigo da milícia, aliada à rede terrorista Al Caeda.

Sem governo estável desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 1991, a Somália vive há décadas em estado de anarquia, onde proliferaram grupos armados irregulares. Al Chababe é hoje o mais poderoso de todos.

Assembleia Nacional da França reconhece independência da Palestina

Em votação simbólica, por 339 a 151 votos, a Assembleia Nacional recomendou ao governo da França o reconhecimento da Palestina como um Estado Nacional, a exemplo do que fizeram os parlamentos da Espanha e do Reino Unido, diante da estagnação do processo de paz entre Israel e os palestinos.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, havia advertido de que seria um grave erro aprovar a criação de um país palestino antes de um acordo de paz com Israel. Mas manobra para estender indefinidamente as negociações enquanto a colonização dos territórios ocupados na Guerra dos Seis Dias, em 1967, avança, numa política de "fato consumado".

Netanyahu demite ministros e antecipa eleições em Israel

Em meio à crise provocada pelo projeto para declarar Israel oficialmente um "Estado judaico", o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu demitiu hoje os ministros das Finanças, Yair Lapid, e da Justiça, Tzipi Livni, contrários à proposta, e dissolveu o Parlamento. Cabe agora ao presidente convocar eleições antecipadas.

O projeto faz parte de uma ampla ofensiva da ultradireita israelense para enterrar definitivamente as negociações de paz para criar um Estado palestino e anexar a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém, negando à população árabe, hoje cerca de 20% do total, os mesmos direitos dados aos judeus israelenses.

Tanto o ex-presidente Shimon Peres e de líderes de partidos moderados como Lapid e Livni são contra a ideia. Por 16 a 5, os ministros do governo Netanyahu aprovaram a proposta, encaminhando-a para votação na Knesset, o Parlamento de Israel. Seus maiores defensores são os ultradireitistas Avigdor Lieberman, ministro do Exterior, e da Economia, Natali Bennett, contrários a qualquer concessão aos palestinos.

"Nas últimas semanas e especialmente nos últimos dias, os ministros atacaram intensamente o governo que lidero", afirmou Netanyahu. "Não vou tolerar ministros atacando a política do governo e seu líder dentro do próprio governo. É impossível governar um país dessa maneira."

Lapid, um ex-apresentador de televisão que fundou um partido de centro com a clara ambição de governar Israel, é candidatíssimo à vaga de Netanyahu, que tentará mais vender a imagem de que é o único líder capaz de administrar o país num momento de grandes riscos, do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e do Estado Islâmico ao programa nuclear do Irã.

Iceberg de 720 quilômetros quadrados flutua na Antártida

Um megaiceberg de cerca de 33 quilômetros de comprimento por mais de 20 km de largura, com um total de 720 km2 de superfície, o tamanho da Ilha de Cingapura, que se
Iceberg B-31
desprendeu da Geleira da Ilha do Pinheiro, na Antártida, no início do mês passado flutua no Mar de Amundsen, revela esta foto de satélite do Observatório da Terra da Agência Nacional de Aeronáutica e Espaço (NASA) dos Estados Unidos. A expectativa é que continue se movendo na direção oeste.

Os megaicebergs não são incomuns na Antártida, observa o géografo Grant Bigg, professor da Universidade de Sheffield, em artigo recente sobre o B-31. É comum encontrar 30 a 40 icebergs de mais de 10 milhas náuticas (18 km) durante o verão no Hemisfério Sul.

Os cientistas estão atentos em busca de sinais de aquecimento global e as agências de navegação marítima monitoram suas rotas para evitar riscos à segurança dos navios.

Líbano prende mulher e filho do líder do Estado Islâmico

Uma das três mulheres e um filho de Abu Baker al-Baghdadi, líder supremo da milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, foram presos hoje no Líbano quando tentavam entrar no país vindo da Síria com passaportes falsos, informou hoje o jornal libanês The Daily Star.

Há nove dias, a mesma mulher foi detida junto com uma menina. O teste de DNA revelou que ela também é filha de Baghdadi, noticiou a agência Reuters.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Moody's rebaixa nota de crédito do Japão

A agência de classificação de risco Moody's rebaixou hoje a nota de crédito da dívida pública do Japão de A1 para Aa3 citando a "incerteza elevada sobre a capacidade do país de reduzir o déficit fiscal", noticiou hoje o jornal americano The Wall St. Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova York.

A decisão do primeiro-ministro Shinzo Abe de adiar por 18 meses o aumento de um imposto sobre consumo para conter a desaceleração da economia traz um "risco para a consolidação fiscal e, em longo prazo, à sustentabilidade da dívida e à capacidade de pagar" do país.

O Japão tem a maior dívida pública do mundo como proporção do produto interno bruto, equivalente a 230% de toda a riqueza gerada pelo país num ano. Com o rebaixamento, fica evidente o desafio enfrentado pelo governo Abe, que adotou várias medidas de estímulo para combater a deflação e a estagnação e acelerar o crescimento.

Ao mesmo tempo, "o governo colocou um pé no freio e o outro no acelerador", observou Thomas Byrne, vice-presidente do grupo de risco soberano da Moody's, acrescentou que adiar o aumento do imposto "poderia ter mérito" se o crescimento e a arrecadação de impostos subissem. A perspectiva da dívida japonesa é estável.

Manifestantes enfrentam a polícia em Hong Kong

Pelo menos 60 pessoas foram presas na madrugada de hoje em Hong Kong depois de choque entre a polícia desta região administrativa especial da China e manifestantes que exigem democracia na próxima eleição para governador, em 2017.

Durante a manhã, centenas de permaneciam na área do Almirantado, principal acampamento dos manifestantes. O movimento liderado por jovens e estudantes protesta há 65 dias contra a decisão do governo central de Beijim de vetar possíveis candidatos não alinhados com o regime comunista chinês na primeira eleição direta para governador daqui a dois anos e meio.

No domingo à noite, os manifestantes tentaram cercar a Conselho Legislativo e a sede do governo do território. Não houve sessão legislativa nesta segunda-feira.

Até agora, o movimento não conseguiu nenhum resultado prático. Uma reforma da lei eleitoral aprovada em 2014 introduziu a eleição direta para governador. Antes, ele era escolhido pelo Conselho Legislativo. Mas a China se reserva o direito de vetar candidatos.

O governador Leung Chun-ying propôs um diálogo para ganhar tempo. Sem autorização da China para fazer qualquer concessão à democracia, a negociação não avançou.

Tabaré Vazquez é eleito presidente do Uruguai pela segunda vez

O médico e esquerdista moderado Tabaré Vázquez foi eleito ontem presidente do Uruguai em segundo turno com 53%, derrotando o centro-direitista Luis Lacalle Pou, do Partido Nacional (Blanco), que teve o apoio do Partido Colorado. É a terceira vitória consecutiva da Frente Ampla, de centro-esquerda.

Vázquez foi o primeiro presidente eleito pela Frente Ampla. De 2005 a 2010, governou o Uruguai, considerado o país mais democrático e menos corrupto da América Latina. Deixou o cargo com 70% de aprovação.

Foi sucedido por José Mujica, um ex-guerrilheiro do Movimento de Libertação Nacional - Os Tupamaros, que se notabilizou pelo estilo de vida simples, pela renúncia aos rituais do poder e pelo apoio a causas comportamentais como a legalização da maconha e do casamento gay.

Mujica termina o mandato com 65% de aprovação. Eleito com grande votação, será um dos líderes da Frente Ampla no Senado.

FARC libertam general e outros reféns na Colômbia

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) libertaram ontem o general Rubén Darío Alzate, o cabo Jorge Rodríguez e a advogada Gloria Urrego. Um helicóptero com mediadores de Cuba e da Noruega resgataram os reféns numa localidade não revelada do Rio Atratro, no departamento de Choco, no Oeste do país.

O sequestro do general pela 34ª Frente das FARC, em 16 de novembro de 2014, levou à paralisação das negociações de paz entre a guerrilha e o governo colombiano realizadas em Havana, a capital de Cuba.

Essa ação inesperada provocou suspeitas de divisão interna na guerrilha, onde um grupo rejeitaria qualquer acordo com o governo. Aconteceu num momento crítico em que os negociadores discutem que crimes podem ser considerados estritamente político e portanto estar sujeitos a anistia.

Como precondição para serem aceitas na mesa de negociações, as FARC tiverem de desescalar suas atividades militares. O sequestro foi visto como uma forma de aumentar o poder de barganha para voltar a exigir um cessar-fogo e a libertação dos rebeldes que a guerrilha considera presos políticos.

A libertação dos reféns foi anunciada em 25 de novembro pela 10ª Frente das FARC como um "gesto de boa vontade". O sequestro foi um teste de resistência para as negociações, irritando o eleitorado, que terá de aprovar qualquer acordo definitivo em referendo. O ex-presidente e atual senador Álvaro Uribe trabalha ativamente contra qualquer concessão às FARC.

Província chinesa aprova 18 leis para combater o jihadismo

A província de Xinjiang, no Oeste da China, aprovou 18 novas leis para combater o extremismo religioso da minoria étnica uigur, majoritariamente muçulmana, e o Movimento pela Libertação do Turquestão Oriental, anunciou ontem Sputnik News, a nova agência de notícias do governo da Rússia.

É ilegal a partir de agora usar a Internet ou a telefonia celular para fazer propaganda pela independência ou promover o jihadismo. A prática da religião foi limitada a templos legalmente registrados.

Cerca de 3 mil ex-soldados serão contratados como guardas municipais para fortalecer a segurança pública.