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quinta-feira, 21 de maio de 2026

China consolida liderança global com visita de Putin

Ao receber o ditador russo, Vladimir Putin, quatro dias depois da visita do presidente Donald Trump, o ditador Xi Jinping reafirma a posição da China como superpotência candidata a líder mundial e reforça a parceria desigual com uma Rússia cada vez mais dependente de Beijim.

Por ironia da história, a reaproximação entre os Estados Unidos e a China foi uma iniciativa de Henry Kissinger, então assessor de segurança nacional do governo Richard Nixon (1969-74). Em 1969, as duas grandes potências comunistas, a União Soviética e a China, quase foram à guerra depois de vários incidentes na fronteira. Kissinger viu uma oportunidade para atrair a China e torná-la uma aliada informal dos EUA durante a Guerra Fria.

Agora, ao contrário, a invasão da Ucrânia fortaleceu a parceria entre a China e a Rússia, que virou na prática um país-vassalo. Xi e Putin assinaram 40 acordos, mas não o que o russo mais queria: a construção de um gasoduto transiberiano. A Rússia é a segunda maior produtora mundial de gás natural, atrás apenas dos EUA, mas seus gasodutos estão orientados para a Europa. Mas será praticamente impossível para os EUA atrair a Rússia para seu lado numa possível guerra fria com a China que muitos analistas entendem que já começou.

O grande problema nas relações entre a China e os EUA é Taiwan, a pequena ilha que o regime comunista chinês considera uma província rebelde.

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quinta-feira, 26 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 26 de Março

LEI DO ASSASSINATO

     Em 1752, entra em vigor no Reino Unido a Lei do Assassinato, que impõe penas rigorosas para condenados por homicídio, inclusive o uso de seus cadáveres para dissecação.

Os legisladores esperam que isto ajude a atender à necessidade de cadáveres para estudo e treinamento de cirurgiões. Na época, ladrões roubavam corpos para vender.

A Lei do Assassinato fracassa e é substituída em 1832 pela Lei da Anatomia,

VACINA CONTRA PÓLIO

    Em 1953, o médico norte-americano Jonas Salk anuncia que testou com sucesso uma vacina contra a poliomielite, doença causadora da paralisia infantil.

No ano anterior, uma epidemia de pólio atinge 58 mil pessoas e causa 3 mil mortes nos Estados Unidos.

O primeiro grande surto de poliomielite nos EUA é registrado no estado de Vermont, em 1894. No início do século 20, há milhares de casos por ano, principalmente em crianças, mas também em adultos.

O futuro presidente Franklin Delano Roosevelt teve pólio aos 39 anos, em 1921, e ficou parcialmente paralítico.

Depois, o dr. Albert Sabin cria a vacina oral contra a poliomielite e campanhas de vacinação erradicam a doença em praticamente todo o mundo. Os únicos países onde há focos importantes da doença são o Afeganistão e o Paquistão, onde os Estados Unidos usaram campanhas de vacinação para descobrir o esconderijo do terrorista Ossama ben Laden.

Com as campanhas antivacinas, hoje há um sério risco de volta da doença.

INDEPENDÊNCIA DE BANGLADESH

    Em 1971, a Liga Awami forma um governo no exílio em Calcutá, hoje Kolkota, na Índia, e proclama a independência de Bangladesh, na época conhecido como Paquistão Oriental.

O futuro país passa a fazer parte do Império Britânico em 1858, quando este assume o controle da Índia. Quando a Índia e o Paquistão conquistam a independência, em 1947, vira o Paquistão Oriental. 

A declaração de independência marca o início de uma guerra civil de nove meses em que recebe o apoio da Índia, inimiga histórica do Paquistão, o que deflagra a Guerra Indo-Paquistanesa de 1971. A vitória vem em 16 de dezembro, depois de 3 milhões de mortes, da fuga de 8 a 10 milhões de pessoas para a Índia e do estupro de 200 mil mulheres.

A guerra leva à fome de grande parte da população de um dos países mais pobres do mundo, levando o ex-beatle George Harrison a organizar o Concerto para Bangladesh para arrecadar dinheiro para as vítimas da guerra.

Com cerca de 171,5 milhões de habitantes, Bangladesh é o oitavo maior país do mundo em população e o quarto com maior número de muçulmanos depois da Indonésia, do Paquistão e da Índia.

ACORDOS DE CAMP DAVID

    Em 1979, o presidente do Egito, Anuar Sadat, e o primeiro-ministro de Israel, Menachem Begin, assinam os Acordos de Camp David, mediados pelo presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter.

Quando as Nações Unidas aprovam a criação do Estado de Israel, em 29 de novembro de 1947, e o país é fundado, em 14 de maio de 1948, os países árabes não aceitam. A Guerra da Independência de Israel vai até 10 março de 1949.

A derrota árabe humilhante causa a Revolução dos Coronéis e a queda do rei Faruk no Egito. Ascende ao poder no Cairo o coronel Gamal Abdel Nasser, que se torna o grande líder do nacionalismo pan-árabe ao enfrentar as potências coloniais europeias e nacionalizar o Canal de Suez.

Com o apoio da França e do Reino Unido, em 19 de outubro de 1956, Israel declara guerra ao Egito. Em plena crise internacional porque a União Soviética ataca a Hungria para acabar com uma revolta contra o regime stalinista, os Estados Unidos suspendem o apoio do Fundo Monetário Internacional às economias britânica e francesa, ainda abaladas pela Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Os invasores se retiram. O Egito fica com o Canal de Suez e Nasser sai fortalecido.

Em 1967, Nasser fecha o Estreito de Tiran aos navios israelenses. Quando manda a força de paz da ONU sair da Península do Sinai, Israel vê o risco de uma guerra iminente e ataca as forças aéreas do Egito, da Jordânia e da Síria em terra, deflagrando a Guerra dos Seis Dias.

De 5 a 10 de junho de 1967, Israel obtém uma vitória esmagadora e ocupa a Faixa de Gaza e a Península o Sinai, que pertenciam ao Egito; as Colinas do Golã, da Síria; e a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém, que eram parte da Jordânia.

Para tentar retomar os territórios ocupados, a Guerra do Yom Kippur começa, em 6 de outubro de 1973, com a maior empreitada militar árabe da era moderna. Mais de 100 mil soldados egípcios cruzam o Canal de Suez para entrar no Sinai.

Na época, Israel tem o apoio incondicional dos EUA, que fazem a maior ponte aérea militar da história. Entregam 22,325 mil toneladas de equpamento militar, armas e munições a Israel diretamente no campo de batalha.

Quando Israel cerca o 3º Exército do Egito no Sinai e está prestes a destruí-lo, a URSS ameaça entrar na guerra e entra em alerta nuclear.

Mesmo assim, a conselho do secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger, para recuperar o Sinai, Sadat abandona a aliança com a URSS, que deixa de ser uma grande potência no Oriente Médio. O líder egípcio se aproxima dos EUA e faz uma visita de surpresa a Israel de 19 a 21 de novembro da 1977, a primeira de um líder árabe, e discursa no Parlamento para promover a paz.

Os acordos de paz são negociados em Camp David, na casa de campo da Presidência dos EUA, de 5 a 17 de setembro de 1978. O tratado de paz entre Israel e o Egito é assinado formalmente em Washington em 26 de março de 1979.

NASCE O MERCOSUL

    Em 1991, os presidentes do Brasil, Fernando Collor de Mello; do Paraguai, general Andrés Rodríguez; da Argentina, Carlos Menem; e do Uruguai, Luis Alberto Lacalle; assinam o Tratado de Assunção, que cria o Mercado Comum do Sul (Mercosul).

A reaproximação entre Brasil e Argentina começa antes mesmo da redemocratização dos países. Durante o governo do general João Figueiredo, os dois países chegam a um acordo sobre a exploração energética da Bacia do Prata. Os argentinos temem que a Hidrelétrica de Itaipu esgote o potencial energético do Rio Paraná.

A integração regional do Cone Sul da América Latina avança com os encontros de cúpula dos presidentes José Sarney e Raúl Alfonsín depois da redemocratização do Brasil e da Argentina. Em 1985, eles assinam o Tratado de Iguaçu. 

O diálogo leva a um acordo nuclear para evitar uma corrida armamentista na região. Em 18 de julho de 1991, é assinado o Acordo de Guadalajara, pelo qual Brasil e Argentina se comprometem a usar a energia nuclear somente para fins pacíficos.

Com a crise da dívida externa e a hiperinflação que atinge os dois países nos anos 1980, quando a Argentina lança o Plano Austral e o Brasil o Plano Cruzado, a integração regional é vista como uma maneira de aumentar o poder de barganha em negociações internacionais. Não melhora as condições de renegociação das dívidas, mas fortalece o comércio regional, que sobe em cinco anos de US$ 1 bilhão para US$ 20 bilhões. Os presidentes Fernando Collor de Mello e Carlos Menem aproveitam o acordo para baixar tarifas de importação e promover a abertura comercial.

A meta de zerar as tarifas de importações e eliminar as barreiras não tarifárias até 31 de dezembro de 1994 nunca foi atingida. A Bolívia (1996), o Chile (1996), o Peru (2003), a Colômbia (2004), o Equador (2004), a Guiana (2013), e o Suriname (2013) são países associados. Fazem parte da zona de livre comércio, mas não da união aduaneira, que pressupõe a aplicação de uma tarifa externa comum na compra de produtos de fora do bloco.

A entrada da Venezuela como membro pleno em 31 de julho de 2012, sem adotar previamente as regras do bloco, criou um Mercosul mais político, menos voltado para a integração econômica. Em dezembro de 2016, a Venezuela é suspensa sob a acusação de violar a cláusula democrática do bloco.

Em julho de 2024, a Bolívia passa a ser membro pleno. Tem um prazo de quatro anos para se adequar à legislação do Mercosul.

MIKE TYSON SENTENCIADO

    Em 1992, o boxeador peso-pesado Mike Tyson é sentenciado a seis anos de prisão após ser condenado por crime de estupro em Indianápolis, no estado de Indiana.

Tyson nasce no Brooklyn, em Nova York, em 30 de junho de 1966, e desde muito cedo passa a fazer parte de gangues de rua. Em 1978, com 12 anos, 80 quilos e uma musculatura formidável, é enviado para o reformatório, onde o aficcionado de boxe Bobby Stewart vê potencial para uma carreira no boxe. 

Aos 20 anos, em 22 de novembro de 1986, ele se torna o mais jovem campeão mundial da categoria peso-pesado com um estilo extremamente agressivo em que avança em linha reta e tenta demolir o adversário no primeiro assalto.

Em 1988, Tyson casa com a atriz Robin Givens. Ela o acusa de abuso e o casal se divorcia no ano seguinte. Uma série de acusações de assédio e violência sexual é apresentada contra o boxeador.

Contra todas as expectativas, em 11 de fevereiro de 1990, ele perde o título mundial para James Buster Douglas. Em 1991, Tyson é acusado de estuprar uma candidata a miss. É condenado e preso em 1992.

Três anos depois, Tyson sai da prisão e recupera dois títulos de campeão mundial com vitórias fáceis sobre Frank Bruno e Bruce Seldon. Em 9 de novembro de 1996, sofre sua segunda derrota, desta vez para Evander Holyfield, duas vezes campeão mundial, por nocaute técnico no 11º assalto. 

Na revanche, em 28 de junho de 1997, Tyson é desclassificado depois de morder duas vezes a orelha  de Holyfield e perde a licença para boxear. Ele volta a lutar e a vencer em 16 de janeiro de 1999. Em 7 de fevereiro do mesmo ano, é condenado a um ano de prisão, dois de liberdade condicional, 200 horas de serviço comunitário e multa de US$ 2,5 mil por agredir dois idosos depois de um acidente de automóvel em 1998.

Sua última vitória como lutador profissional acontece em 2003 em apenas 49 segundos. No fim daquele ano, Tyson declara falência com dívidas de US$ 34 milhões depois de ganhar US$ 400 milhões na carreira.

PUTIN ELEITO PRESIDENTE

    Em 2000, Vladimir Putin é eleito presidente da Rússia pela primeira vez, depois de se tornar primeiro-ministro de Boris Yeltsin em 9 de agosto de 1999 e de substituir Yeltsin, que renuncia em 31 de dezembro do mesmo ano.

Putin nasce em Leningrado, hoje São Petersburgo, em 7 de outubro de 1952. Ele estuda direito na Universidade de Leningrado e trabalha durante 15 anos como agente da polícia política soviética KGB (Comitê de Defesa do Estado). Serve 6 anos em Dresden, na Alemanha Oriental.

Quando as revoluções democráticas acabam com o comunismo na Europa Oriental, a sede do escritório em Dresden é cercada. Putin ameaça atirar nos manifestantes e pede ajuda ao governo alemão-oriental, que responde: "Só podemos agir com autorização de Moscou, e Moscou está em silêncio."

Mais tarde, no poder, faz questão de que Moscou nunca fique em silêncio.

Essa frase marca sua vida política. De volta a Leningrado, Putin trabalha com Anatoly Sobchak, prefeito de São Petersburgo. Em 1994, numa conferência internacional, declara que o fim da União Soviética é "a maior tragédia geopolítica da segunda metade do século 20."

Quando Sobchak perde a reeleição, em 1996, Putin profere outra de suas máximas: "Não se deve realizar uma eleição sem antes saber o resultado."

Putin vai então para Moscou e trabalha com Anatoli Chubais, vice-primeiro-ministro responsável pelas privatizações. De 25 de julho de 1998 a 29 de março de 1999, dirige o Serviço Federal de Segurança, herdeiro do KGB, seu último trampolim para o poder.

Assim que ascende ao poder, ainda como primeiro-ministro, depois de ações de extremistas muçulmanos na república russa do Daguestão e de atentados terroristas mal esclarecidos atribuídos a rebeldes chechenos. Putin inicia a Segunda Guerra da Chechênia (1999-2009) para consolidar o poder.

O presidente russo começa a se afastar do Ocidente na Conferência de Segurança de Munique, em 2007. No ano seguinte, invade a ex-república soviética da Geórgia e assume o controle das regiões da Abecásia e da Ossétia do Sul, anexações não reconhecidas internacionalmente.

Depois de ser primeiro-ministro de Dimitri Medvedev (2008-12), Putin volta à Presidência com a convicção de que as revoluções coloridas na antiga URSS e a Primavera Árabe são conspirações do Ocidente das quais pode ser o próximo alvo.

Quando o presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, cai numa revolta popular contra o rompimento de negociações com a União Europeia, em fevereiro de 2014, a Rússia ocupa a Península da Crimeia, anexada ilegalmente no mês seguinte.

Em 6 de abril de 2014, começa uma revolta fomentada pelo Kremlin no Leste da Ucrânia. Após anos de impasse, em 24 de fevereiro de 2022, Putin inicia uma guerra total contra a Ucrânia que espera ganhar em uma semana e já tem mais de 4 anos. A estimativa é que 1,8 milhão de pessoas tenham sido mortas ou feridas nesta guerra.

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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Rússia fracassa em quatro anos de invasão da Ucrânia

Quatro anos depois da invasão da Ucrânia, a Rússia, considerada a segunda maior superpotência militar do planeta, não conquistou seus objetivos políticos. O ditador Vladimir Putin depende do presidente Donald Trump para obter na mesa de negociações o que não conseguiu no campo de batalha. É uma guerra que mudou o mundo. Trouxe de volta o risco nuclear com a chantagem atômica de Putin para pressionar o Ocidente a não apoiar a Ucrânia. Os dividendos da paz do fim da Guerra Fria acabaram.
É o pior conflito armado na Europa depois da Segundo Guerra Mundial e a mais longa guerra no continente em séculos. O total de mortos, feridos e desaparecidos é estimado pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) de Washington em 1,8 milhão de militares (1,2 milhão russos e 600 mil ucranianos) com pelo menos 325 mil soldados russos e 140 mil soldados ucranianos mortos. As Nações Unidas estimam que pelo menos 15 mil civis ucranianos foram mortos, mas se acredita que o verdadeiro número seja muito maior, da ordem de dezenas de milhares.

Além disso, 9,6 milhões de ucranianos fugiram do país ou foram deslocados internamente. A Ucrânia perdeu até agora 20% de seu território  25% de sua economia e cerca de 20% de sua população. Quando a União Soviética acabou, em 1991, a Ucrânia tinha cerca de 50 milhões de habitantes. No começo desta guerra, era 44 milhões. Hoje a população é estimada em 35 milhões.

O presidente Volodymyr Zelensky declarou ontem que Putin não atingiu seus objetivos: "Defendemos nossa independência. Não perdemos nosso Estado. Preservamos a Ucrânia e vamos fazer de tudo para garantir a paz e a justiça."

Em Moscou, o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, admitiu que a Rússia "não atingiu plenamente seus objetivos ainda, tanto que a operação militar continua."

Como Putin se nega a fazer qualquer concessão e Zelensky exige garantias de segurança e se nega a ceder territórios, as negociações não avançam. Trump, que sonha em ganhar o Prêmio Nobel da Paz, precisa entender que para acabar com a guerra é necessário conter o agressor e não a vítima.
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 24 de Fevereiro

 BATALHA DE PÁVIA

    Em 1525, as forças do imperador Carlos V, do Sacro Império Romano-Germânico, impõe uma derrota decisiva ao exército do rei Francisco I da França.

No fim de 1524, a França invade a Lombardia, toma Milão e cerca Pávia, 25 quilômetros ao sul, controlada pelo Sacro Império. Carlos V manda então um exército sob o comando do Marquês de Pescara, que aniquila o exército francês.

Francisco I é capturado em Mirabello e levado para Madri, onde um ano depois assina um tratado de paz renunciando as reivindicações da França sobre a Itália, que fica sob o domínio da Dinastia dos Habsburgo.

Arqui-inimigos, Carlos I da Espanha e Francisco I da França disputam a eleição para imperador do Sacro Império. Carlos I compra votos e vira o imperador Carlos V do império fundado por Carlos Magno em 800.

A vitória consolida o poder dos Habsburgo na Europa e do Império Espanhol na América.

REVOLUÇÃO ANTIMONÁRQUICA NA FRANÇA

    Em 1848, uma onda de revoluções contra a monarquia que varre a Europa chega à França, único país onde a revolta é bem-sucedida, criando a Segunda República, que vai até 1852, quando Luís Napoleão Bonaparte, sobrinho do imperador Napoleão I, se proclama imperador Napoleão III, dando início ao Segundo Império.


A primeira revolução começa em janeiro na Sicília. Depois da França, chega à Itália, à Prússia, ao Império Austríaco e ao resto do continente. Só a Espanha, a Rússia e os países da Escandinávia ficam fora. 

No Reino Unido, é uma pequena manifestação do cartismo, um movimento de 1838 liderado pelo radical William Lovett, que defende uma Carta do Povo com sufrágio universal para os homens, distritos eleitorais iguais, voto secreto, eleição anual do Parlamento, pagamento aos parlamentares e fim da exigência de ser proprietário para ser deputado. Na Irlanda, há uma agitação republicana.

Na Bélgica, na Holanda e na Dinamarca, há manifestações pacíficas por reformas das instituições. As grandes insurreições pela democracia acontecem em Paris, Viena e Berlim, mas só tem sucesso na França, onde a Segunda República introduz o sufrágio universal para os homens.

O príncipe Luís Napoleão é o primeiro presidente da França eleito pelo voto popular. Dá um golpe contra a Assembleia Nacional em 2 de dezembro de 1851 e funda no ano seguinte o Segundo Império. Ele acaba com a derrota para a Prússia na Guerra Franco-Prussiana (1870-71), o que leva à unificação da Alemanha.

CÂMARA DENUNCIA PRESIDENTE

    Em 1868, por 126-47, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos decide abrir um processo de impeachment do presidente Andrew Johnson (1865-69), cuja leniência em relação ao Sul no período da Reconstrução irrita a ala radical do Partido Republicano.

Johnson é vice-presidente de Abraham Lincoln (1861-65), o presidente durante a Guerra da Secessão (1861-65), que vai à guerra contra os estados do Sul para manter a União e abolir a escravidão.

Depois da guerra civil, Johnson autoriza a rápida reintegração dos estados do Sul à União sem garantias de proteção aos escravos libertos. Durante seu governo, os EUA compram o Alasca da Rússia.

Com conflito entre o Legislativo e o Executivo, o Congresso aprova a Lei de Posse do Cargo (1867), que limita a capacidade do presidente de nomear e demitir assessores. Quando Johnson demite o secretário da Guerra, Edwin Stanton, a Câmara vota o impeachment. Ele é salvo no Senado. Falta um voto para a maioria de dois terços necessária para afastar o presidente dos EUA.

PRIMEIRA ELEIÇÃO DE PERÓN

    Em 1946, o vice-presidente e ministro da Guerra Juan Domingo Perón é eleito presidente da Argentina pela primeira vez, funda o peronismo e se torna o político dominante do país até os dias de hoje, mais de 50 anos depois de sua morte.

O coronel Perón é nomeado secretário do Trabalho e da Seguridade Social de um governo militar em dezembro de 1943. Com o apoio do movimento sindical, cria a Justiça do Trabalho, escolas técnicas e um hospital e policlínica para ferroviários. Vira o herói dos descamisados.

Destituído e preso num golpe em 9 de outubro de 1945, sob pressão dos sindicatos e de sua segunda mulher, Maria Eva Duarte de Perón, a Evitavolta nos braços do povo. Em 17 de outubro daquele ano, o Dia da Lealdade para os peronistas, faz seu primeiro discurso triunfal na sacada da Casa Rosada.

Eleito com 52,4% dos votos, Perón nacionaliza os bancos e ferrovias, o Banco Central e algumas companhias de eletricidade. Dá vários benefícios aos trabalhadores: aumento do salário mínimo, 13º salário, folgas semanais, redução da jornada de trabalho, aposentadoria, férias remuneradas, seguro-saúde e cobertura para acidentes de trabalho. Entre 1945 e 1948, a economia argentina cresce a um ritmo recorde de 8,5% ao ano, enquanto os salários reais aumentam 46%.

Reeleito em 11 de novembro de 1951 com 63,5%, depois de uma campanha pelo voto feminino liderada por Evita, Perón governa até 16 de setembro de 1955, quando é deposto por um golpe militar e foge para o exílio. 

Perón volta à Argentina em 1973, é reeleito para um terceiro mandato e governa o país até morrer, em 1º de julho de 1974, deixando no poder sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, que não tem o carisma de Evita e é deposta num golpe militar em 24 de março de 1976, início de uma ditadura cruel acusada de matar 30 mil argentinos.

INVASÃO DA UCRÂNIA

    Em 2022, oito anos depois de anexar ilegalmente a Crimeia, a Rússia do ditador Vladimir Putin invade a ex-república soviética da Ucrânia a pretexto de "desmilitarizar" e "desnazificar" o país como se ameaçasse a Rússia.

Os EUA se oferecem para retirar do país o presidente Volodymyr Zelensky, acusado de ser nazista, apesar de ser judeu, mas ele pede dinheiro e armas para resistir. Um mês depois, a Rússia abandona a região de Kiev e concentra a ofensiva no Leste e no Sul da Ucrânia.

Contra todas as previsões, a Ucrânia resiste há quatro anos, com o apoio dos EUA e da Europa. Não se sabe o número de mortos nesta guerra, mas seriam centenas de milhares de resto. De acordo com o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), de Washington, o total de baixas militares está em torno de 1,8 milhão, com 325 mil soldos russos e 140 mil ucranianos mortos. Com a fadiga do apoio internacional e a maior capacidade russa de repor homens, armas e munições no campo de batalho, no momento, a Rússia parece mais perto da vitória. Mas não ter conseguido vencer um inimigo menor e mais fraco é uma derrota em si.

Com a reeleição de Donald Trump, que promete na campanha acabar com a guerra em 24 horas, há uma ameaça de que os EUA abandonem a Ucrânia. Antes da abertura de negociações, Trump cede a várias exigências de Putin e exige um acordo para explorar a metade dos recursos naturais ucranianos, no valor de US$ 500 bilhões, que Zelensky rejeita inicialmente, mas depois aceita porque não pode abrir mão do apoio de Washington.

Após quatro anos de guerra, as negociações continuam num impasse. Putin exige o controle total sobre quatro províncias ucranianas que não consegue tomar no campo de batalha, rejeita a presença de tropas de países da Europa e mantém a chantagem nuclear. Zelensky rejeita as concessões territoriais e exige amplas garantias de segurança contra um futuro ataque russo.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 22 de Fevereiro

 BATALHA DE BUENA VISTA

    Em 1847, durante a Guerra Mexicano-Americana (1846-48), o general norte-americano Zachary Taylor enfrenta o Exército do México, sob o comando do general Antonio López de Santa Anna, perto da cidade mexicana de Monterrey, na Batalha de Buena Vista.

Um exército dos Estados Unidos com 5 mil soldados sob o comando do general Taylor invade o Nordeste do México e toma Monterrey e Saltillo. Com 14 mil homens, o general Santa Anna parte de San Luis Potosí para enfrentar o inimigo.

Apesar da grande superioridade numérica, os mexicanos estão mal armados e mal treinados. Quando o Exército do México se aproxima, em 21 de fevereiro, Taylor move suas forças para La Angostura, perto da Fazenda de Buena Vista, onde há uma passagem entre duas cadeias de montanhas.

No dia seguinte, a cavalaria mexicana corta as linhas de comunicação de Taylor. O grande ataque do México acontece em 23 de fevereiro contra o flanco esquerdo das forças dos EUA. O fogo de artilharia pesada dos EUA contém a ofensiva mexicana. Os mexicanos perdem 1,5 mil homens e os norte-americanos 700.

Quando a noite cai, o Exército do México se retira. Taylor não persegue as forças de Santa Anna. Na Batalha do Cerro Gordo, em abril, Santa Anna não consegue deter o avanço das tropas do general Winfield Scott, que toma a Cidade do México em setembro, consolidando a vitória dos EUA.

No Tratado de Guadalupe Hidalgo, assinado em 2 de fevereiro de 1848, os EUA tomam 41% do território mexicano. O sucesso de Taylor o leva a conquistar a Presidência dos EUA na eleição de 1848.  

ROSA BRANCA

    Em 1943, três jovens estudantes intelectuais, idealistas e pacifistas, Hans e Sophie Scholl e Christoph Probster, que tentam fazer uma resistência não violenta contra o nazismo na Alemanha, são executados em Munique.

Três membros do grupo Rosa Branca, Hans Scholl, Alexander Schmorell e Wili Graf, estudantes de medicina na Universidade de Munique testemunham massacres de judeus pela SS, a força paramilitar do Partido Nazista.

De volta a Munique, formam o grupo Rosa Branca, que inicia suas atividades em 17 de junho de 1942. Com grande conhecimento de literatura, eles publicam panfletos citando grandes escritores alemães como Friedrich Schiller e Johann Wolfgang von Goethe.

Presos pela Gestapo, a polícia política do regime nazista, em 18 de fevereiro de 1943, eles são submetidos a um processo forjado em que não têm direito a falar e guilhotinados quatro dias depois.

CONTENÇÃO DA URSS

    Em 1946, o encarregado de negócios dos Estados Unidos em Moscou, George Kennan, envia um longo telegrama de 8 mil palavras ao Departamento de Estado com sua análise sobre a União Soviética, um dos documentos mais importantes da Guerra Fria, propondo a contenção do regime comunista até ele entrar em colapso.

O memorando observa que a URSS não acredita numa "coexistência pacífica permanente" com o Ocidente por causa da "visão neurótica das questões globais" resultante do "senso de insegurança instintivo da Rússia".

Por isso, acrescenta Kennan, os soviéticos suspeitam de todas as outras nações e entendem que sua segurança exige "uma luta paciente, mas mortal, até a destruição total da potência rival".

Assim, como a URSS é "refratária à lógica da razão", mas "altamente sensível à lógica da força", os EUA devem adotar uma política de "resistência forte" para conter a expansão soviética. Esta seria a base da política externa norte-americana durante a Guerra Fria.

OVELHA CLONADA

    Em 1997, os cientistas do Instituto Roslin, sob a direção de Ian Wilmut, em Edimburgo, a capital da Escócia, anunciam o nascimento da ovelha Dolly, o primeiro animal clonado a partir de um mamífero adulto.

Dolly é um marco na história da ciência. Antes, os animais são clonados a partir de um óvulo fertilizado ou de células embrionárias indiferenciadas ou parcialmente diferenciadas. Dolly é clonada com uma célula de glândula mamária de uma ovelha adulta da raça Dorset.

Os cientistas usam impulsos elétricos para fundir o núcleo da célula mamária com um óvulo cujo núcleo é removido. Então a célula mamária começa a se dividir. Esses embriões são transferidos para 13 animais que funcionam como barrigas de aluguel. Uma engravida. Dolly nasce 148 dias depois, o prazo normal de gestação de uma ovelha.

Depois que os veterinários descobrem que ela sofre de uma doença pulmonar avançada, Dolly é morta por eutanásia em 14 de fevereiro de 2003. Seu corpo embalsamado está em exposição no Museu Nacional da Escócia, em Edimburgo.

IMPEACHMENT DE YANUKOVICH

    Em 2014, o Parlamento da Ucrânia abre um processo de impeachment do presidente Viktor Yanukovich, sob a pressão de uma revolta popular, a Revolução da Praça Maidã ou Revolução da Dignidade, que começa em novembro de 2023, quando o presidente suspende negociações de associação com a União Europeia (UE).

Yanukovich nasce em 9 de julho de 1950 em Yenakiyeve, na Ucrânia, então parte da União Soviética. Ele estuda engenharia mecânica no Instituto Politécnico de Donetsk e entra para o Partido Comunista.

Com o fim da URSS, Yanukovich é eleito governador da província de Donetsk em 1997. Em 2002, o presidente Leonid Kuchma o nomeia primeiro-ministro. 

Yanukovich é o candidato do governo ucraniano e do Kremlin à sucessão em 2004. Mas seu adversário, Viktor Yuchenko, é envenenado com dioxina e seu rosto se transfigura diante do público. Uma onda de protestos toma as ruas na chamada Revolução Laranja e impede a eleição fraudulenta de Yanokuvich. Um terceiro turno, realizado em 26 de dezembro, dá ampla vitória a Yuchenko.

Na segunda tentativa, em 2010, Yanukovich é eleito com uma proposta de modernização da economia que incluía negociações com a UE. Seu governo é marcado por um retrocesso democrático, com a prisão da ex-primeira-ministra Yulia Timochenko, sua adversária na eleição presidencial de 2010, aumento da censura, corrupção e tráfico de influência.

A suspensão das negociações com a UE provoca protestos populares que se transformam em revolta diante da violenta repressão policial, com mais de 100 mortes.

A queda de Yanukovich, em 22 de fevereiro, marca o início da Guerra Russo-Ucraniana. Imediatamente, o ditador Vladimir Putin manda as forças russas tomar a Península da Crimeia, onde eram mais de 80% dos soldados da antiga Frota do Mar Negro da URSS, que era compartilhada.

Depois de um plebiscito forjado, a Rússia anexa a Crimeia em 17 de março de 2014. A partir de 6 de abril começa uma revolta insuflada pelo Kremlin nas províncias de Donetsk e Lugansk, cuja independência Putin reconhece dois dias antes de invadir a Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, numa guerra de agressão que a Rússia pretendia vencer em dias, semanas ou poucos meses e está completando três.

Com a economia fragilizada, pelo menos 90 mil soldados mortos e mais de 1 milhão de jovens que saíram do país, o ditador russo recebe agora uma boia de salvação do presidente neofascista dos Estados, Donald Trump. 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Último dos acordos do fim da Guerra Fria caduca

Pela primeira vez desde 1972, não há nenhum acordo nuclear em vigor entre as superpotências. O Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicos (Novo START ou START-3), assinado em 2010 pelos presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Rússia, Dimitri Medvedev, expirou hoje.

Este acordo foi prorrogado por cinco anos em 2021, por iniciativa do então presidente norte-americano, Joe Biden, para dar tempo a uma negociação. Agora, o ditador russo, Vladimir Putin, propôs uma extensão informal por mais um ano. O presidente Donald Trump declarou que prefere negociar um acordo "melhor".

O acordo mais antigo era o Tratado sobre Mísseis Antibalísticos (ABM, do inglês), assinado em 1972 pelo presidente Richard Nixon e o líder soviético Leonid Brejnev, para proibir o desenvolvimento e instalação de mísseis antimísseis, de defesa. Era conhecido como MAD, que significa louco em inglês e, no caso, Destruição Mutuamente Assegurada. Criou o equilíbrio do terror nuclear.

Em 2002, o presidente George Walker Bush retirou os EUA do ABM sob a alegação de ameaças a aliados dos EUA, citando o Irã, que acusara de fazer parte de um "eixo do mal" junto com o Iraque e a Coreia do Norte. Quando invadiu o Iraque, em 20 de março de 2003, a Coreia do Norte e o Irã aceleraram seus programas nucleares.

Em 8 de dezembro de 1987, o presidente Ronald Reagan e o líder soviético Mikhail Gorbachev, assinaram o primeiro acordo que abolia toda uma classe de armas atômicas. O Tratado sobre Forças Nucleares Intermediárias (INF) extinguiu os mísseis nucleares baseados em terra com alcance de 500 a 5,5 mil quilômetros.

Trump tirou os EUA do INF em 2 de fevereiro de 2019, sob a alegação de que a Rússia teria violado o acordo ao desenvolver um novo míssil, 9M729, chamado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar ocidental, de SSC-8.

O Tratado sobre Forças Convencionais na Europa (CFE) foi assinado em Paris em 19 de novembro de 1990 entre a OTAN e o Pacto de Varsóvia, a aliança militar do Bloco Soviético.

Putin anunciou que a Rússia não cumpriria mais o acordo em 2007 e saiu formalmente em 7 de novembro de 2023, oito meses e meio depois da invasão da Ucrânia. O acordo não permitiria a concentração de 200 mil soldados russos junto à fronteira ucraniana como Putin ordenou ao preparar a invasão de 24 de fevereiro de 2022, um marco importante no aumento do risco nuclear.

A Rússia e os EUA têm mais de 5 mil ogivas nucleares cada. O START-3 permitia que cada superpotência tivesse até 1.550 ogivas em condições operacionais, mais do que suficientes para extinguir a espécie humana.

Uma das dificuldades para uma nova negociação é que a China, vista hoje pelos EUA como a maior inimiga, precisa ser incluída. O regime comunista chinês tem hoje 600 ogivas nucleares e planos para chegar a mil. É a terceira maior potência nuclear.

Logo atrás, vem a França, com 290 ogivas, e o Reino Unido, com 255, nem todas em condições operacionais. Com a invasão da Ucrânia pela Rússia e a ameaça de Trump de não socorrer os aliados europeus em caso de guerra, a Europa está se rearmando. 

Se Trump mantivesse o compromisso com a OTAN, não precisaria tomar a Groenlândia como vem ameaçando. Poderia negociar com a Dinamarca a instalação de bases militares na ilha. A ocupação da Groenlândia destruiria a OTAN, cujo princípio básico é que um ataque contra é um ataque contra todos.

Essas cinco grandes potências com direito de veto na Organização das Nações Unidas são os únicos países com direito de possuir armas atômicas com base no Tratado de Não Proliferação Nuclear (NPT), de 1968. Mas não são as únicas.

A Índia e o Paquistão, inimigos históricos, desenvolvem armas nucleares desde os anos 1970. Em maio de 1998, assumiram o status de potências nucleares ao testar armas atômicas. Cada um tem pouco mais de 150 ogivas nucleares.

Israel nunca admitiu publicamente ser uma potência nuclear, mas tem a bomba atômica desde 1966 ou 1967. Teria hoje cerca de 90 ogivas nucleares.

A Coreia do Norte fez em 2006 seu primeiro teste nuclear de um total de seis até hoje. O ditador Kim Jong Un sucedeu o pai, Kim Jong Il, que explodiu a bomba, em dezembro de 2011, pouco depois da morte do ditador da Líbia, Muamar Kadafi, que abrira mão de suas armas de destruição em massa num acordo com o Ocidente em 2003. O terceiro Kim aposta nas armas nucleares como garantia de sobrevivência de seu regime, um dos mais fechados do mundo.

No seu primeiro governo, Trump encontrou Kim Jong Un três vezes depois de se ameaçarem com bombardeios nucleares, mas as negociações não evoluíram e a Coreia do Norte se aproximou da Rússia, enviando inclusive soldados para lutar ao lado das forças russas na guerra contra a Ucrânia.

O objetivo dessas negociações seria acabar com o programa nuclear da Coreia do Norte, que provavelmente exigiria em troca a retirada das forças que os EUA mantêm na Coreia do Sul desde a Guerra da Coreia (1950-53), na última fronteira da Guerra Fria. Pela estimativa do Instituto Internacional de Estudos da Paz de Estocolmo (SIPRI), a Coreia do Norte tem pelo menos 50 ogivas nucleares e urânio enriquecido e plutônio suficientes para chegar a 70 a 90 ogivas.

Outro foco de tensão nuclear é o Irã, que iniciou o programa nuclear em 1957, durante o regime do xá Reza Pahlevi. Em 1968, assinou o TNP, assumindo o compromisso de só usá-lo para gerar energia para fins pacíficos. 

O Supremo Líder da Revolução Iraniana, aiatolá Ruhollah Khomeini, considerava a bomba atômica uma arma não islâmica porque mata inocentes. Em 1987, durante bombardeios a cidades durante a Guerra Irã-Iraque (1980-88), autorizou o desenvolvimento de armas nucleares.

Em 2015, o governo Barack Obama (2009-17), as grandes potências do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha negociaram o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), um acordo para congelar por 10 anos o programa nuclear iraniano na expectativa de no fim desse prazo o regime iraniano fosse menos extremista. 

Sob pressão de Israel, Trump retirou os EUA do acordo em 8 de maio de 2018, ironicamente o Dia da Vitória na Europa na Segunda Guerra Mundial (1939-45) sob o argumento de que o acordo se baseava "numa grande ficção, que um regime assassino desejava um programa nuclear pacífico".

Em 22 de julho de 2025, os EUA fizeram um grande bombardeio às principais instalações nucleares do Irã. Trump declarou que o programa nuclear iraniano estava erradicado, mas ninguém acredito nisso. Caminhões foram vistos ao redor dos alvos antes do ataque, provavelmente para retirar o material nuclear. E a tecnologia, o conhecimento sobre como fazer a bomba, não pode ser destruída com ataques.

Neste momento, os EUA concentram uma grande frota de guerra perto do Irã e pressionam o regime a fazer um novo acordo que inclua o abandono do programa de armas atômicas, limites ao desenvolvimento de mísseis e o fim do apoio a milícias no Oriente Médio. O Irã só aceita negociar a questão nuclear.

A realidade é que o mundo se tornou um lugar mais perigoso desde a invasão da Ucrânia e muito mais a partir de hoje. O Relógio do Juízo Final, criado em 1947 pelo Boletim de Cientistas Nucleares, está mais perto do que nunca da meia-noite, a um minuto e 25 segundos da hora fatal.

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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 31 de Dezembro

 COMPANHIA DAS ÍNDIAS ORIENTAIS

    Em 1600, a Companhia das Índias Orientais recebe uma carta real para explorar o comércio com o Sul, o Sudeste e o Leste da Ásia, tornando-se uma ponta de lança do imperialismo inglês e depois britânico. Talvez seja a empresa transnacional mais poderosa da história. Tem seu próprio exército e governa parte da Índia para o Império Britânico durante um século.

O comércio com a Ásia era monopólio da Espanha e de Portugal. A derrota da Invencível Armada para a Inglaterra em 1588 dá uma chance aos ingleses de romper o monopólio. A Cia. das Índias explora o comércio de especiarias, algodão, seda, salitre, chá e ópio.

Em 1757, a Cia. das Índias assume o controle militar de Bengala, começando a submeter a Índia ao Império Britânico. Na Festa do Chá de Boston, em 16 de dezembro de 1773, um dos acontecimentos que levaram à independência dos Estados Unidos, colonos norte-americanos invadem o porto de Boston. Em protesto contra novos impostos criados pela coroa britânica, jogam no mar uma carga de 42 toneladas de chá da Cia das Índias, avaliada em US$ 1,7 milhão pelas cotações de hoje.

Todos os grandes exploradores africanos do Império Britânico, como Richard Burton, Henry Stanley e David Livingstone, foram soldados da Cia das Índias.

Depois da Rebelião Indiana de 1857, o Império Britânico assume a administração direta da Índia, que dura 90 anos, até a independência da Índia e do Paquistão, em agosto de 1947. A Cia. das Índias deixa de existir em 1873.

CAPITAL DO CANADÁ

    Em 1857, a rainha Vitória torna Ottawa, situada na província de Ontário na confluência dos rios Ottawa, Gatineau e Rideau, como capital da província do Canadá, que em 1867 passa a ser um país da Comunidade Britânica.

Os primeiros habitantes são índios algonquinos. A tribo ottawa se estabelece lá no século 16. O primeiro europeu a descrever a região é Samuel de Champlain, o fundador da Nova França, em 1613. Os rios são os caminhos para os exploradores e comerciantes de peles.

No Tratado de Paris que põe fim à Guerra dos Sete Anos (1756-63), a França cede ao Reino Unido os territórios a leste do Rio Mississípi.

Durante as guerras da Revolução Francesa e napoleônicas (1792-1815), com a demanda por madeira para a construção de navios, o Vale do Rio Ottawa se torna uma fonte importante da matéria-prima.

Em 1800, um grupo de fazendeiros de Massachusetts liderado por Philemon Wright funda a primeira povoação permanente, Wrightsville, ao norte do Rio Ottawa. Wright começa a explorar a madeira em 1806. 

Na Guerra de 1812, entre os Estados Unidos e o Império Britânico, o Rio São Lourenço, entre Montreal e Kingston, vira alvo por sua importância estratégica e militar. Os britânicos decidem então construir um canal na Rio Rideau para servir como rota alternativa, desviando o tráfego no Rio Ottawa.

O coronel John By, do destacamento de Engenheiros Reais, encarregado da obra de 201 quilômetros, constrói uma povoação na margem sul do Rio Ottawa para alojar os trabalhadores. A vila, inicialmente chamada de Bytown, se torna a cidade de Ottawa em 1855.

CANAL É DO PANAMÁ

    Em 1999, os Estados Unidos entregam ao Panamá o controle do canal que liga os oceanos Atlântico e Pacífico, construído a partir de 1903, quando os EUA promovem a independência do país centro-americano, então parte da Colômbia.

Depois do fim da Guerra dos Mil Dias (1899-1902), uma das muitas entre liberais e conservadores, a Colômbia está enfraquecida. Os EUA tentam negociar uma concessão para construir um canal no Istmo do Panamá, na época parte da Colômbia.

Quando os colombianos rejeitam a proposta, os EUA invadem e seus aliados proclamam a independência do Panamá, em 1903. A obra do canal é complexa. A empresa francesa que construiu o Canal de Suez vai à falência.

Os norte-americanos assumem o controle do projeto em 1904. Em dez anos, abrem o canal, de 77,1 quilômetros de extensão. A inauguração oficial é em 15 de agosto de 1914. Para ir do Oceano Atlântico ao Pacífico e o contrário, os navios não precisam mais dar a volta pelo Cabo do Chifre, no extremo sul da América do Sul, um dos lugares mais perigosos da navegação mundial.

Como os níveis dos oceanos são diferentes, há um sistema de comportas. A travessia dura entre 20 a 30 horas.

Em 1977, o ditador panamenho Omar Torrijos negocia com o presidente Jimmy Carter a devolução do canal e da Zona do Canal, a área ao redor, ao Panamá, o que dá grande impulso ao desenvolvimento do país centro-americano.

Agora, o presidente eleito Donald Trump ameaça retomar o Canal do Panamá sob o argumento de que os EUA estão sendo prejudicados pelas altas tarifas cobradas pelo Panamá e porque companhias chinesas administram os portos na entrada e na saída do canal.

ASCENSÃO DE PUTIN

    Em 1999, com a renúncia de Boris Yeltsin, o primeiro-ministro Vladimir Putin, nomeado quatro meses antes, assume a Presidência da Rússia. Em 26 de março de 2000, ele vence a eleição presidencial com 53%.

Putin nasce em Leningrado, hoje São Petersburgo, em 7 de outubro de 1952, filho de mãe operária e de pai da Marinha. Tem uma infância muito dura nas ruas da cidade. Aprende judô para se defender. Ele estuda direito da Universidade de Leningrado e trabalha 16 anos no Comitê de Defesa do Estado (KGB), a polícia política da União Soviética.

Quando estouram as revoluções democráticas que acabam com o comunismo na Europa Oriental, Putin é subchefe do escritório do KGB em Dresden e oficial de ligação com o Ministério de Segurança do Estado da Alemanha Oriental (Stasi), a temida polícia política alemã-oriental.

Sob pressão, Putin ameaça atirar em manifestantes que tentam invadir o prédio. Pede ajuda a Berlim Oriental e ouve uma das frases que marcam sua vida: "Só podemos agir com a autorização de Moscou, e Moscou está em silêncio."

Depois da tentativa de golpe contra o presidente soviético, Mikhail Gorbachev, em agosto de 1991, Putin deixa o Partido Comunista. 

De 1990 a 1996, ele trabalha no governo municipal de Leningrado, que volta a se chamar São Pertersburgo depois do fim da URSS, em 1991, sob a liderança de Anatoli Sobchak. Em 1994, se torna vice-prefeito da cidade. Durante uma conferência internacional, descreve o fim da URSS como "a maior catástrofe geopolítica do século 20."

Com a derrota de Sobchak em 1996, Putin comenta que "não se deve realizar eleições sem saber o resultado antes", deixando claro suas tendências autoritárias. Ele vai trabalhar no Kremlin com Anatoli Chubais, o ministro das privatizações. Em 27 de março de 1997, é nomeado subchefe de pessoal de Yeltsin.

Em 27 de junho de 1997, defende uma tese de doutorado no Instituto de Mineração de São Petersburgo com plágio, com 15 páginas copiadas de um livro-texto norte-americano. Em 25 de julho de 1998, é nomeado diretor-geral do Serviço Federal de Segurança (FSB), sucessor do KGB.

Quando vira primeiro-ministro, para consolidar o poder, Putin inicia a Segunda Guerra da Chechênia (1999-2009), depois de ataques de extremistas muçulmanos na república russa do Daguestão e uma série de atentados suspeitos em Moscou, atribuídos a agentes secretos russos do FSB.

No poder, Putin se beneficia da alta nos preços do petróleo, que desabam para US$ 11 o barril com a Crise Asiática de 1997 e tem altas de 13,4 vezes, chegando a US$ 147,50. Até a crise econômico-financeira internacional agravada pelo colapso do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008, a economia da Rússia cresce 7% ao ano, o que lhe dá grande popularidade depois do caos dos anos 1990 com o colapso do comunismo.

Sob Putin, a Rússia tem uma recaída para o autoritarismo. Ele acaba com as eleições para governadores regionais, que poderiam criar novas lideranças capaz de desafiá-lo. Seu governo é marcado pela corrupção generalizada, violações dos direitos humanos, prisão e assassinato de adversários políticos, como a jornalista Anna Politkovskaya e o ex-agente Alexander Litvinenko, inclusive no exterior, censura e intimidação da imprensa e do ativismo político, e o possível assassinato do líder da oposição, Alexei Navalny, que morreu em 16 de fevereiro de 2024 numa prisão no Círculo Polar Ártico..

Putin vira o homem-forte da Rússia. De 2008 a 2012, como a Constituição só permite uma reeleição, passa o poder para Dimitri Medvedev, mas controla o governo como primeiro-ministro. Ele vê as chamadas revoluções coloridas na Géorgia (2003) e na Ucrânia (2004) como conspirações do Ocidente para enfraquecer a Rússia. Tenta reafirmar a influência sobre as ex-repúblicas soviéticas, que os russos chamam de "exterior próximo".

Diante das revoltas da Primavera Árabe, em 2011, e de protestos durante as campanhas para as eleições parlamentares de 2011 e a eleição presidencial de 2012, Putin vê mais conspirações do Ocidente, considera a secretária de Estado Hillary Clinton uma inimiga e endurece o regime.

Depois da Revolução da Praça Maidan, na Ucrânia, contra o presidente Viktor Yanukovich, que suspende negociações de associação com a União Europeia em novembro de 2013, a Rússia anexa a Península de Crimeia, em março de 2014, e fomenta uma rebelião de russos étnicos no Leste da Ucrânia, a partir de 6 de abril de 2014, num prelúdio da invasão da Ucrânia de 24 de fevereiro de 2022, uma guerra imperial, de conquista, proibida pela Carta das Nações Unidas.

A partir de 30 de setembro de 2015, a Rússia intervém na guerra civil da Síria. É decisiva para sustentar a ditadura de Bachar Assad. Volta a se tornar uma potência no Oriente Médio, o que não era desde 1977, quando o então ditador do Egito, Anuar Sadat, abandona a aliança com a URSS e se aproxima dos EUA para fazer a paz com Israel e recuperar a Península do Sinai. A queda de Assad é uma derrota para Putin, que tenta manter duas bases militares na Síria, as únicas da Rússia no Mar Mediterrâneo.

Em 30 de setembro de 2022, depois de plebiscitos realizados sob a mira das armas, a Rússia anuncia a anexação de quatro províncias da Ucrânia (Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporíjia). Por causa do sequestro e deportação de crianças ucranianas, o Tribunal Penal Internacional (TPI) decreta a prisão de Putin por crime de genocídio em março de 2023..

O Brasil, signatário do Estatuto de Roma, que criou o TPI, tem a obrigação de prender Putin. Ela não vem à reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20) realizada no Rio de Janeiro em 18 e 19 de dezembro de 2024. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro das Relações Exteriores, embaixador Mauro Vieira, declaram que o ditador russo seria bem-vindo.

PANDEMIA DA COVID-19

    Em 2019, a Organização Mundial da Saúde (OMS) fica sabendo de uma pneumonia viral diagnosticada na cidade de Wuhan, na China, que resiste a todos os tratamentos. O regime comunista chinês só confirma a informação em 3 de janeiro de 2020. É o começo da pandemia da doença do coronavírus de 2019 (covid-19).

O primeiro caso é rastreado em 17 de novembro, de acordo com o jornal South China Morning Post, de Hong Kong. A China ignora o protocolo estabelecido depois da epidemia da síndrome respitatória aguda grave (SARS-CoV-1), que infectou mais 8 mil pessoas a partir de 2002 e matou cerca de 800 até ser controlada em 2003.

A China deveria comunicar o surto da SARS-CoV-2 em 24 horas, mas só admite em 3 de janeiro e só revela que a covid-19 é transmitida de ser humano para ser humano em 20 de janeiro. Três dias depois, fecha a cidade de Wuhan, impondo um confinamento rigoroso por 76 dias, depois de 5 milhões de pessoas saírem da cidade, inclusive muitos estrangeiros porque milhões de empresas do mundo inteiro tinham alguma relação econômica com a cidade.

A covid-19 é diagnostica pela primeira vez no Brasil em 26 de fevereiro de 2020. Na Europa, a Itália é o país mais atingido inicialmente. Em 9 de março, torna-se o primeiro país a entrar em quarentena coletiva. A OMS declara que a covid-19 é uma pandemia em 11 de março.

Ao todo, a OMS registra 773 milhões de casos confirmados, sendo 103,4 milhões nos EUA, 99,3 milhões na China, 45 milhões na Índia, 39 milhões na França, 38,4 milhões na Alemanha e 37,5 milhões no Brasil.

Mais de 7 milhões morrem na pandemia, das quais 1,1 milhão nos EUA, 702,1 mil no Brasil, 533,3 mil na Índia, 400,9 mil na Rússia e 334,9 mil no México. Por causa da subnotificação, as estimavas vão até 20 milhões de mortes.

Cemitério improvisado em Manaus
Com 2,5% da população mundial, o Brasil teve 10% das mortes. O presidente Jair Bolsonaro foi considerado por Ian Bremmer, do Eurasia Group, a maior empresa de consultoria política do mundo, o pior governante do mundo na pandemia. (FOTO: cemitério improvisado em Manaus).

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sexta-feira, 21 de novembro de 2025

EUA e Rússia propõem rendição da Ucrânia

 O presidente Volodymyr Zelensky, acossado por um escândalo de corrupção, prometeu negociar a paz com base num plano elaborado pelos Estados Unidos e a Rússia, sem a participação da Europa e da Ucrânia. Mas as primeiras informações sobre o plano de 28 pontos indicam que é inaceitável por qualquer líder ucraniano.

A proposta dá tudo o que a Rússia quer e não conseguiu em três anos e nove meses de uma guerra que matou provavelmente centenas de milhares de civis e militares. O Kremlin não faz qualquer concessão. 

O presidente Donald Trump deu prazo até quinta-feira da próxima sermana para a Ucrânia aceitar o plano. Zelensky declarou que este é um dos momentos mais difíceis da história do país. Tem de decidir entre aceitar o plano e reduzir sua dignidade ou perder o maior aliado.

Além de exigir o reconhecimento da soberania russa sobre as províncias da Crimeia, de Donetsk e de Lugansk, o plano proíbe a Ucrânia de entrar para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA, e a presença de forças estrangeiras no país para garantir a paz. 

A Ucrânia ainda teria de reduzir suas Forças Armadas à metade, não ter armas como mísseis de longo alcance, capazes de atingir Moscou, fazer do russo a segunda língua oficial do país e realizar eleições dentro de 100 dias.

É uma tentativa de enfraquecer a Ucrânia, tornando-a um alvo mais fácil de uma futura ofensiva russa, e de afastar Zelensky numa eleição com forte influência russa. Deixa claro mais uma vez que o objetivo do ditador russo, Vladimir Putin, é dominar a Ucrânia, que o ultranacionalismo russo considera parte da Rússia.

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terça-feira, 2 de setembro de 2025

Trump joga Índia e Rússia nos braços da China

 Se o maior objetivo do presidente Donald Trump era isolar a China, o efeito foi exatamente o contrário. Ao declarar guerra comercial a praticamente todo o mundo, Trump provoca um realinhamento da política internacional e isola os Estados Unidos.

A reaproximação entre China, Índia e Rússia que se viu na reunião de cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), realizada em 31 de agosto e 1º de setembro na cidade chinesa de Tianjin é exemplar. Deu ao ditador chinês, Xi Jinping, a oportunidade de posar como líder mundial, defensor do multilateralismo e da cooperação internacional.

Há duas décadas, os EUA cultivavam as relações com a Índia por ser rival histórica da China. Criaram até o conceito político de Indo-Pacífico para incluir a Índia numa aliança para contrabalançar o crescente poderio chinês. Trump joga fora esse esforço diplomático.

terça-feira, 26 de agosto de 2025

Putin ainda aposta em vitória total na Ucrânia

 Dez dias depois do fracassado encontro de cúpula em que tirou o ditador Vladimir Putin do isolamento, o presidente Donald Trump deu novo prazo de duas semanas para a Rússia aceitar um cessar-fogo e acabar com a guerra de agressão contra a Ucrânia. Mas nada indica que vá exercer uma pressão real sobre o Kremlin.

Trump saiu do encontro com Putin dizendo que o ditador russo estava disposto a se reunir com o presidente Volodymyr Zelensky e a aceitar que países ocidentais deem garantias de segurança à Ucrânia. Isso foi desmentido pelo ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov.

A Ucrânia, por sua vez, reafirmou que não pretende ceder territórios ocupados numa guerra de agressão e de conquista, ilegal à luz do direito internacional e da Carta das Nações Unidas.

Putin é frio e calculista. Aposta que a Ucrânia não vai resistir muito mais tempo a uma guerra de atrito. Só aceita a paz se conseguir mais do que conquistou no campo de batalha, abrindo o caminho para uma futura ofensiva que lhe permite tomar todo o país vizinho. Caso contrário, só vai parar a guerra se concluir que tem mais a perder do que a ganhar.