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domingo, 2 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 2 de Agosto

REVOLUÇÃO DE JULHO

    Em 1830, o rei Carlos X abdica ao trono da França sob pressão da Revolução de Julho, que entrega a coroa ao Duque de Orleans, que se torna Luís Felipe III.

Neto de Luís XV, quinto filho do delfim Luís e de Maria Josefa da Saxônia, Carlos é irmão de Luís XVI, o rei guilhotinanado pela Revolução Francesa de 1789 em 21 de janeiro de 1793, e do restaurador da monarquia depois da revolução e das guerras napoleônicas, Luís XVIII.

Ele nasce em Versalhes em 9 de outubro de 1757 e passa a juventude na orgia. É nomeado Conde de Artois. Serve o Exército da França no cerco de Gibraltar, em 1782, mas nunca leva a carreira militar a sério. Com a revolução, foge do país em 1789 a conselho de Luís XVI.

Carlos X ascende ao trono em 16 de setembro de 1824 com a morte do irmão, Luís XVIII, que restaura a Dinastia de Bourbon depois da queda do imperador Napoleão Bonaparte, em 1815. É o último rei francês da Dinastia de Bourbon.

Os Bourbon querem voltar ao Antigo Regime. Não entendem as novas demandas democráticas da população após a Revolução de 1789. Durante o reinado de Carlos X, a aristocracia atacada pela revolução pode voltar a França e recebe indenização pelo confisco de suas terras.

A Revolução de Julho começa com um conflito em março de 1830 entre o rei e a Assembleia Nacional, que não aceita a nomeação de Augusto Polignac como primeiro-ministro. Com a rejeição do impopular Polignac, Carlos X dissolve a câmara, mas a oposição vence as eleições.

Em 25 de julho de 1830, o rei dissolve a nova Assembleia Nacional antes da primeira reunião, violando a Constituição, e censura a imprensa, deflagrando a Revolução de Julho e a queda de Carlos X.

HITLER ASSUME PODERES ABSOLUTOS

   Em 1934, com a morte do presidente Paul von Hindenburg, Adolf Hitler unifica os cargos de presidente e chanceler (primeiro-ministro) da Alemanha e se torna um ditador com o título de Führer (Guia)

A unificação dos cargos é confirmada por quase 90% dos eleitores em referendo em 19 de agosto. É o fim do que resta da democracia alemã.

O Führer funda o Terceiro Reich e promete ao povo alemão que o regime nazista vai durar mil anos, mas seu reino de terror dura menos de 11 anos, com o suicídio de Hitler, em 30 de abril de 1945, e a rendição da Alemanha na Segunda Guerra Mundial, em 8 de maio daquele ano.

ALERTA NUCLEAR

    Em 1939, uma carta escrita por Leó Szilárd em consulta com Albert Einstein, Edward Teller e Eugene Wigner alerta o presidente Franklin Delano Roosevelt para o risco de que a Alemanha Nazista desenvolva armas atômicas e incentiva os Estados Unidos a criar um programa nuclear.
Mais do que uma advertência, a carta de Einstein-Szilárd, como é conhecida, é um apelo à ação. Ressalta a possibilidade de que uma reação em cadeia de urânio crie uma arma arrasadora.

O presidente Roosevelt reage imediatamente. Manda investigar as descobertas científicas recentes e lança o ultrassecreto Projeto Manhattan sob a liderança de John Robert Oppenheimer. O primeiro teste nuclear é realizado em Alamogordo, no Novo México, em 16 de julho de 1945. Em 6 e 9 de agosto, os EUA jogam as bombas em Hiroxima e Nagasáki. O Japão se rende em 15 de agosto. É o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

IRAQUE TOMA O KUWAIT

    Em 1990, o Iraque do ditador Saddam Hussein invade o Kuwait e anexa o emirado, violando o direito internacional e a Carta das Nações Unidas, que proíbem a guerra de conquista. O emir e a família real do Kuwait fogem para a vizinha Arábia Saudita.

As monarquias petroleiras do Golfo Pérsico apoiam Saddam na Guerra Irã-Iraque (1980-88), apostando na derrota da Revolução Islâmica liderada pelo aiatolá Khomeini no Irã. Apesar do apoio, o ditador iraquiano exige mais ajuda para compensar os prejuízos e reconstruir o país. Sem sucesso, apela para a força.

Em 6 de agosto, o Conselho de Segurança da ONU impõe sanções econômicas, proibindo o comércio com o Iraque. No dia 9, começa a Operação Escudo no Deserto. Por ordem do presidente George Herbert Walker Bush, os Estados Unidos enviam centenas de milhares de soldados para proteger a Arábia Saudita.

Ao tomar o Kuwait, Saddam assume o controle sobre 20% das reservas de petróleo conhecidas. Se ocupasse a Arábia Saudita, ficaria com 45%. 

Em 29 de novembro, o Conselho de Segurança da ONU aprova o uso da força se o Iraque não sair do Kuwait até 15 de janeiro de 1991. A União Soviética de Mikhail Gorbachev vota a favor e a China se abstém.

Como Saddam não recua, na madrugada de 16 para 17 de janeiro, uma aliança de 32 países liderada pelos EUA lança a Operação Tempestade no Deserto, começando a Guerra do Golfo com um bombardeio maciço.

A guerra aérea dura seis semanas. Neste período, o Iraque dispara mísseis contra a Arábia Saudita e Israel. Saddam aposta que a entrada de Israel na guerra leve os países muçulmanos a abandonar a aliança de mais de 30 países, mas os EUA contêm Israel.

Uma força aliada de 700 mil soldados inicia a operação terrestre em 24 de fevereiro. Quatro dias depois, Bush anuncia a vitória e o fim da guerra. Pelo menos 25 mil soldados e 100 mil civis iraquianos, e 250 soldados da aliança liderada pelos EUA morrem na Guerra do Golfo.

Em abril, o Conselho de Segurança da ONU aprova a Resolução 687, que proíbe o Iraque de exportar petróleo antes de entregar suas armas de destruição em massa (químicas, biológicas e nucleares). As sanções causam a morte de mais 1 milhão de iraquianos.

Algumas armas químicas e biológicas são confiscadas e desmontadas. Mesmo assim, as supostas armas de destruição em massa servem de pretexto para a invasão norte-americana de março de 2003, ordenada pelo presidente George Walker Bush, o filho, depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, que não têm qualquer relação com o Iraque. 

A invasão de 2003 depõe Saddam e resulta na sua morte. Até hoje, o Iraque vive em estado de guerra, depois de ser o berço da organização terrorista Estado Islâmico, que continua sendo uma ameaça onde tem uma oportunidade. Agora, por exemplo, durante a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, milícias xiitas atacam bases norte-americanas no Iraque.

JACKIE JOYNER GANHA SEGUNDO OURO NO HEPTATLO

    Em 1992, a atleta norte-americana Jacqueline Joyner Kersee se torna a primeira mulher a conquistar as medalhas de ouro do heptatlo em duas olimpíadas, Seul (1988) e Barcelona (1992). 

Jackie Joyner nasce pobre. Precisa superar a miséria e uma asma crônica para obter uma bolsa de estudos na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e conquistar o ouro. Na faculdade, destaca-se no atletismo e no basquete.

Em 1986, casa com Robert Kersee, treinador de atletismo na UCLA. No ano seguinte, ganha o heptatlo e o salto em distância no campeonato mundial de atletismo. Em 1988, repete a dose na Olimpíada de Seul, com recorde no heptatlo.

Depois de conquistar o segundo ouro em Barcelona, ela abandona a prova na Olimpíada de Atlanta, em 1996, com um estiramento muscular, mas consegue a medalha de bronze no salto em distância.

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domingo, 14 de junho de 2026

Acordo consolida derrota estratégica de Trump no Irã

Um mês depois que o presidente Donald Trump anunciou que um acordo entre os Estados Unidos e o Irã era iminente, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, principal mediador, finalmente confirmou que as duas partes chegaram a um acerto para prorrogar em 60 dias a trégua frágil em vigor desde 8 de abril e reabrir o Estreito de Ormuz, com a expectativa de acabar com a guerra. 

O acordo deve ser assinado na sexta-feira em Genebra, na Suíça. É uma derrota estratégica para Trump, que não atingiu nenhum de seus objetivos políticos. Não tem vitória para cantar, embora alegue que conseguiu sucesso onde "todos os presidentes falharam."

Todas as ações militares devem cessar, inclusive os ataques de Israel ao Líbano. O Irã vai reabrir gradualmente o Estreito de Ormuz, que estava aberto antes da guerra, e os EUA vão suspender o bloqueio a portos iranianos. Trump previu que a reabertura total vai levar cinco dias. Será necessário remover minas colocadas pelo Irã, que promete não cobrar pedágio durante a extensão da trégua, o que também não fazia antes da guerra. 

Os preços do petróleo caíram em média 5%. A normalização do tráfego de navios vai depender da reação das seguradoras. Pode levar meses. E não há garantia nenhuma de que o estreito não será fechado de novo se as negociações fracassarem.

Mais de 6 mil pessoas morreram nesta guerra inútil, quase todas no Irã e no Líbano, mas também no Iraque, em Israel e nas monarquias petroleiras do Golfo Pérsico, além de pelo menos 13 militares norte-americanos. A economia mundial fui abalada pela queda na oferta de petróleo, com grande impacto sobre os países em desenvolvimento. E Trump sai desmoralizado. A guerra mostrou que o uso da força não basta para resolver questões internacionais complexas como os conflitos no Oriente Médio e pode ser contraproducente.
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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 18 de Maio

FUNDAÇÃO DE MONTREAL

    Em 1642, Paul de Chomodey, Senhor de Maisonneuve, funda a cidade de Montreal, hoje parte do Canadá froncófono.

A cidade ocupa três quartos da Ilha de Montreal, a maior das 234 ilhas do Arquipélago Hochelaga, um dos três próximos à confluência dos rios Ottawa e São Lourenço.

O lugar onde está é conhecido como Hochelaga pelo povo huron quando chega o explorador francês Jacques Cartier na sua segunda viagem ao Novo Mundo (1535-36). Mais de mil nativos o recebem ao pé da montanha que ele batiza como Mont Réal.

Mais de 50 anos passam até que os franceses voltem. Samuel de Champlain funda Quebec e pensa em criar um ponto do comércio de peles no que chama de Praça Real, mas seu sonho não se materializa.

Montreal não nasce como um entreposto do comércio de peles. É um centro missionário que seu fundador, Paul de Chomodey, batiza como Vila Maria. Ele constrói casas, uma capela, um hospital e outras estruturas.

Em 1644, o Rei Sol, Luís XIV, dá uma carta régia para Montreal e Chomodey se torna o primeiro governador.

A povoação está sob constante ameaça dos índios iroqueses, aliados do Império Britânico, até um tratado de paz de 1701. 

SUPREMA CORTE LEGITIMA SEGREGAÇÃO

    Em 1896, no caso Plessy x Ferguson, a Suprema Corte dos Estados Unidos legitima a segregação racial com uma doutrina chamada de "separados, mas iguais".

A ação questiona a cláusula da 14ª Emenda à Constituição, aprovada no período da Restauração depois da Guerra da Secessão (1861-65), que garante "proteção igual perante a lei" a qualquer pessoa em qualquer lugar.

O caso é um desafio à Lei dos Vagões Separados do estado da Louisiana, que obriga da companhias ferroviárias a oferecer "acomodações iguais mas separadas" para pretos e brancos. 

Homer Plessy, que tem muito mais antepassados brancos do que pretos, compra uma passagem no vagão dos brancos. Quando se nega a ir para o vagão dos pretos, é preso.

No julgamento em primeira instância, o juiz John Ferguson rejeita a alegação de que a lei é inconstitucional e o caso vai até a Suprema Corte.

A decisão sanciona a segregação ao pressupor que os serviços e as instalações oferecidas ao negros são iguais às dos brancos. Vira jurisprudência até ser derrubada em 17 de maio de 1954 pelo caso Brown x Conselho de Educação de Topeka, que proíbe a segregação racial nas escolas. 

CONFERÊNCIA DE HAIA

    Em 1899, começa a Primeira Conferência Internacional de Haia, na Holanda, um passo rumo à formação das organizações internacionais de caráter universal dedicadas à paz mundial.

A conferência é convocada pelo ministro do Exterior da Rússia, Mikhail Nikolaievich Muraviov, durante o reinado de Nicolau II (1894-1917), que propõe três questões:

  1.  limitar a expansão das Forças Armadas e o uso de novas armas;
  2. aplicar os princípios da Convenção de Genebra de 1864 à guerra naval;
  3. e revisar a Declaração de Bruxelas de 1874 sobre as leis e os costumes da guerra em terra.
Até 29 de julho, os representantes de 26 países debatem a paz mundial em Haia. O Brasil não participa. Da América, só vão os Estados Unidos e o México.

A Primeira Convenção de Haia é um conjunto de três tratados internacionais, a Convenção para a Solução Pacífica de Disputas Internacionais, que cria o Tribunal Permanente de Arbitragem;, a Convenção sobre as Leis e os Costumes da Guerra em Terra; e a Convenção para Adaptação da Guerra Naval aos Princípios da Convenção de Genebra de 22 de agosto de 1864.

A Segunda Conferência de Haia é proposta pelo presidente norte-americano Theodore Roosevelt e convocada pelo czar Nicolau II, da Rússia, e realizada de 15 de junho a 18 de outubro de 1907. Participam 44 países, inclusive o Brasil, representado por Rui Barbosa, que faz um discurso brilhante. Mais uma vez, a limitação de armas de guerra é rejeitada.

Uma terceira conferência seria realizada em 1914. É adiada para 1915 e suspensa com o início da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Depois da guerra, a Conferência de Paz de Versalhes (1919) cria a Liga das Nações, a primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial, que fracassa ao não evitar a Segunda Guerra Mundial (1939-45) e é substituída pela Organização das Nações Unidas (ONU).

BOMBA ATÔMICA INDIANA

    Em 1974, na Operação Buda Sorridente ou Krishna Feliz, a Índia testa no deserto do Rajastão sua primeira bomba atômica e chama de "explosão nuclear pacífica". É o sexto país a fabricar armas nucleares.

O programa nuclear da Índia começa em 1944, antes da independência. A perda de território numa breve greve de fronteira com a China nas montanhas do Himalaia, em 1962, leva à decisão de desenvolver armas nucleares. A explosão usa plutônio produzido no reator canadense CIRUS.

A Índia assume abertamente o status de potência nuclear com uma série de cinco explosões realizadas de 11 a 13 de maio de 1998. O arqui-inimigo Paquistão, que tinha a bomba secretamente desde 1975, responde com cinco explosões em 28 de maio. Hoje estima-se que cada um tenha cerca de 170 ogivas nucleares.

MOVIMENTO PELA DEMOCRACIA NA CHINA

    Em 1989, um milhão de pessoas marcham pelas ruas de Beijim num movimento pela liberdade e a democracia para liberalizar o regime comunista da China. A revolta é esmagada no Massacre na Praça da Paz Celestial na noite de 3 para 4 de junho.

As reformas anunciadas pelo líder Deng Xiaoping em 13 de dezembro de 1978 abrem a economia e liberalizaram o regime depois do longo trauma da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76).

O movimento iniciado por estudantes sai às ruas em 15 de abril, quando morre o ex-secretário-geral do Partido Comunista Hu Yaobang (1981-87), um grande responsável pelas reformas políticas e econômicas sob a liderança de Deng, favorável a liberalizar o regime.

Quando o movimento cresce, apresenta suas demandas:

  1. Reconhecer como corretas as visões de Hu Yaobang sobre democracia e liberdade.
  2. Admitir que as campanhas contra a "poluição espiritual" e a "liberalização burguesa" são erradas.
  3. Publicar informações sobre a renda dos altos dirigentes e de suas famílias.
  4. Acabar com a censura e autorizar a publicação de jornais de grupos privados.
  5. Mais dinheiro para a educação e aumento dos salários dos intelectuais.
  6. Fim das restrições a manifestações em Beijim.
  7. Fazer uma cobertura objetiva do movimento estudantil na mídia oficial.

O então secretário-geral do PC, Zhao Ziyang, defende o diálogo com os estudantes, enquanto o primeiro-ministro linha-dura Li Peng exige uma condenação oficial das manifestações. Quando Zhao viaja à Coreia do Norte, em 23 de abril, Li toma a iniciativa.

Em 25 de abril, o primeiro-ministro e o presidente Yang Shangkun se reúnem na casa de Deng, que aprova a linha dura. No dia seguinte, o Diário do Povo, jornal oficial do PC, publica editorial de primeira página de lavra de Li sob o título: "É preciso adotar uma posição clara contra os distúrbios". Descreve o movimento como contra o partido e contra o governo.

Com a volta de Zhao, o governo retoma a tolerância. Em 13 de maio, dois dias antes do início de uma visita do líder soviético Mikhail Gorbachev, os estudantes começam uma greve de fome. Quando Zhao diz a Gorbachev que o líder supremo é Deng, este toma como uma tentativa de lhe atribuir toda a responsabilidade pela revolta dos estudantes.

Numa reunião do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central na casa de Deng, em 17 de maio, a alta cúpula do regime comunista chinês decide decretar lei marcial e convocar o Exército para tomar a capital. 

No dia 18, quando um milhão saem às ruas da capital, Li encontra os estudantes numa reunião marcada pela confrontação, sem qualquer avanço. Diante das câmeras, o primeiro-ministro mostra mais preocupação com a saúde dos estudantes em greve de fome.

A última aparição de Zhao é na madrugada do dia 19, quando ele fala com os estudantes ao lado de Wen Jiabao, que seria primeiro-ministro de Hu Jintao (2003-13). À noite, numa reunião da alta cúpula, Deng declara ter se arrependido de nomear Hu e Zhao para a liderança do partido. Zhao cai e passa o resto da vida em prisão domiciliar.

Em 20 de maio, o governo decreta lei marcial e convoca 30 divisões, num total de 250 mil soldados, para ocupar Beijim. Em 3 de junho, autoriza a ação para retirar os estudantes acampados na praça central da capital centenas. O total de mortes é estimado entre centenas e 10 mil.

As reformas políticas são enterradas definitivamente. A ascensão de Xi Jinping, em 2012, torna a ditadura mais personalista e contrária a qualquer dissidência. A liberdade acadêmica daquele período não existe mais. 

Com a imposição de uma Lei de Segurança Nacional, o fim da autonomia regional e das liberdades democráticas em Hong Kong, todos os livros e publicações sobre o movimento pela liberdade e democracia, que era lembrado com vigílias no território, desaparecem das livrarias e bibliotecas.

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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Trump busca acordo para dar à derrota aparência de vitória

Depois de vários ultimatos sem consequências, o presidente Donald Trump se rendeu à realidade e admitiu que não tem condições de decidir quando termina a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. No momento há uma trégua, uma guerra econômica em torno do bloqueio do Estreito de Ormuz, sem perspectivas de paz.

Trump perdeu a guerra, no sentido de que não atingiu nenhum de seus objetivos políticos, mas quer sair cantando vitória. O regime teocrático iraniano não caiu e está mais determinado do que nunca a fazer armas nucleares. O Irã ainda tem a metade de seu arsenal de mísseis e as milícias aliadas no Oriente Médio resistem.

A guerra elevou os preços internacionais do petróleo para um patamar de mais de US$ 100 por barril com forte impacto sobre a economia mundial, especialmente para os países em desenvolvimento da África e da Ásia. Além do petróleo e do gás natural, passam pelo Estreito de Ormuz fertilizantes e outros produtos essenciais. Mais de 700 milhões de pessoas sofrem de desnutrição crônica. Com esta guerra, outras 45 milhões devem ter fome aguda.
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quarta-feira, 1 de abril de 2026

Trump tenta justificar a guerra e promete fim em semanas

Num pronunciamento sem grandes novidades dirigido aos norte-americanos, o presidente Donald Trump defendeu hoje à a noite a necessidade de ir à guerra contra o Irã, insistiu em que está perto de atingir seus objetivos e prometeu mais uma vez acabar com o conflito armado em duas a três semanas. Tenta transformar um fracasso geopolítico retumbante numa vitória.

Trump começou exaltando o suposto sucesso dos militares dos Estados Unidos em pouco mais de um mês de guerra. Mais cedo, declarou que o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu um cessar-fogo. O regime extremista iraniano negou e a Guarda Revolucionária afirmou que o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo, não será reaberto com as "diatribes ridículas" do presidente norte-americano.

Para justificar a guerra, Trump lembrou que o regime ameaça os EUA desde a vitória da Revolução Islâmica em 1979. Citou dos ataques às forças norte-americanas no Líbano nos anos 1980 ao terrorismo do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) a Israel em 7 de outubro de 2023 para reiterar que o Irã jamais poderá ter armas nucleares. Recordou a morte do general Qassem Soleimani, comandante do braço da Guarda Revolucionária Iraniana para ações no exterior, morto por um drone dos EUA perto do aeroporto de Bagdá em 3 de janeiro de 2020, no seu primeiro governo.

Se não tivesse matado Soleimani e acabado, em maio de 2018, com o "acordo desastroso" negociado pelo governo Barack Obama junto com as outras grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidos, a situação seria muito pior, gabou-se Trump. Com seu estilo hiperbólico, alegou que "seria um mundo muito diferente: não haveria Israel nem Oriente Médio."

"Outros presidentes erraram. Estou corrigindo os erros", prosseguiu. "Em junho, ordenei o ataque às principais instalações nucleares na Operação Martelo da Meia-Noite." Na época, afirmou que o programa nuclear do Irã teria sido "completamente obliterado". Neste caso, não haveria necessidade de uma nova guerra. 

"O regime tentou então reconstruir o programa em locais totalmente diferentes, deixando claro que queria fazer armas nucleares. (...) Ao mesmo tempo, desenvolveu mísseis capazes de atingir praticamente o mundo inteiro." Mais um exagero. O Irã disparou um míssil contra uma base aérea na ilha de Diego Garcia, no Oceano Índico, a 4 mil quilômetros de distância, mas as estimativas são de que levaria 10 anos para ameaçar o território dos EUA.

Ao contrário do que diz a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), "estavam perto de fabricar armas nucleares", argumentou. "Há anos, eu disse que o Irã não poderia ter armas nucleares, mas falar não basta. Estou fazendo o que outros presidentes não tiveram coragem de fazer. Eliminei a Marinha, a Força Aérea, o programa de mísseis e a indústria bélica. Isso vai impedir o Irã de ameaçar os vizinhos. Esses objetivos estão perto da conclusão. Vamos terminar o trabalho em breve."

Desde o início da guerra, Trump cantou vitória mais de 20 vezes. Hoje, mentiu que a produção de petróleo dos EUA é maior do que as da Arábia Saudita e da Rússia juntas para afirmar que "não precisamos do petróleo do Estreito de Ormuz. Os países que recebem petróleo por lá devem proteger a rota de que tanto dependem. O Estreito de Ormuz será reaberto naturalmente quando a guerra acabar e os preços do petróleo vão cair."

Os preços da gasolina para o consumidor norte-americano vão ser decisivos nas eleições parlamentares de 3 de novembro nos EUA, quando Trump deve perder a maioria na Câmara e talvez também no Senado. Como o discurso de Trump decepcionou, os mercados abriram em queda na Ásia e o petróleo em alta.

Aos países abalados pela alta nos preços do petróleo para um patamar de US$ 100 por barril na pior crise energética da história, o presidente sugeriu: "Comprem dos EUA ou tenham uma coragem tardia e tomem o estreito", o que ele não tem coragem de fazer porque morreriam muitos soldados norte-americanos.

Trump criticou os aliados europeus por negar o uso de suas bases para ações de ataques e por não se oferecerem para reabrir o Estreito de Ormuz. Praticamente não falou das monarquias petroleiras do Golfo Pérsico e dos outros aliados asiáticos, que tiveram enormes prejuízos com a guerra. Nem em Israel, que tem interesse numa guerra longa capaz de minar as bases econômicas e militares do Irã para levar o regime ao colapso.

"Vamos continuar a Operação Fúria Épica até atingir nossos objetivos, até daqui a pouco, muito pouco, os levamos de volta à Idade da Pedra", continuou Trump. Mais uma vez, prometeu atacam duramente o Irã nas próximas semanas, inclusive as usinas elétricas se o regime iraniano não fizer um acordo, uma contradição para quem garante que a guerra está ganha.

O presidente comparou a duração desta guerra com a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Guerra da Coreia (1950-53), a Guerra do Vietnã (1955-75) e a Guerra do Iraque (2003-11) para alegar que foi curta. Está no 32º dia.

Outra mentira: "Nunca falamos em mudança de regime." No início da guerra, era claro que esse era o principal objetivo dos EUA e de Israel. Agora, Trump alega que o regime mudou porque vários líderes foram mortos, mas o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, foi substituído pelo filho, o líder mais pragmático, Ari Larijani, o principal negociador iraniano, foi morto. 

O homem-forte do regime hoje aparentemente é o presidente do Majlis, o Parlamento do Irã, Mohammad Ghalibaf, ex-prefeito de Teerã, ex-comandante da Força Aérea da Guarda Revolucionária e ex-candidato a presidente. Ele rejeita qualquer negociação, embora o presidente Masoud Pezeshkian tenha dito em carta aberta ao povo norte-americano que o povo iraniano não é inimigo dos EUA e da Europa.

A Guarda Revolucionária está no controle, mais radicalizada e mais determinada a fabricar armas atômicas como garantia de sobrevivência do regime. Trump não falou em apreender os 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, a meio caminho para chegar a 90%, o teor necessário para fazer, com esta quantidade de urânio, até 10 armas nucleares.

Esta é a grande preocupação de Israel e dos analistas militares. Trump quer declarar vitória e ir embora deixando no poder uma ditadura mais extremista com capacidade de fabricar armas atômicas.

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domingo, 29 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 29 de Março

 GUERRA DAS DUAS ROSAS

    Em 1461, na Batalha de Towton, a mais sangrenta da Guerra das Duas Rosas (1455-85), o rei Eduardo IV, da Dinastia de York, vence Henrique VI, da Dinastia de Lancaster, que foge para a Escócia.

A Guerra das Duas Rosas é o conflito entre os descendentes do rei Eduardo III, das dinastias de Lancaster (rosa vermelha) e de York (rosa branca) que reivindicam a coroa da Inglaterra. É uma guerra civil inglesa. Começa logo após o fim da Guerra dos Cem Anos (1337-1453), que cria um ambiente de violência política.

A guerra termina com a vitória de Henrique Tudor sobre Ricardo III, de York, na Batalha de Bosworth, em 22 de agosto de 1485. Henrique Tudor ascende ao trono como Henrique VII. É o marco do fim da Idade Média na Inglaterra.

DOMÍNIO DO CANADÁ

    Em 1867, com a Lei da América do Norte Britânica, as colônias da Nova Escócia, Nova Brunswick e Canadá se unem no Domínio do Canadá, e a província do Canadá é dividida em Quebec e Ontário.

A Lei da América do Norte Britânica, aprovada pelo Parlamento do Reino Unido, é a base da Lei da Constituição, de 1982, quando a autoridade é oficialmente transferida ao Parlamento do Canadá. É primeira Constituição do país. 

O Poder Executivo é conferido à rainha Vitória, O Poder Legislativo é formado por um Senado com membros vitalícios representantes das regiões do Canadá e uma Câmara eleita nas províncias representando o povo. A lei penal é federal e a legislação civil provincial. O governo federal nomeia os juízes e as províncias administram a Justiça e mantêm os tribunais.

ESPIÕES NUCLEARES

    Em 1951, o casal de judeus nova-iorquinos Julius e Ethel Rosenberg é condenado por espionagem e sentenciado à morte por passar segredos militares dos Estados Unidos, inclusive sobre armas nucleares, à União Soviética.

Ethel Greenglass nasce em Nova York em 28 de setembro de 1915. Sonha em ser atriz e cantora, mas, depois de concluir o ensino médio, trabalha como secretária numa companhia de navegação.

Julius Rosenberg nasce em Nova York em 12 de maio de 1918. Na adolescência, entra para a Juventude Comunista, onde conhece Ethel, em 1936. Eles se casam em 1939, ano em que ele se forma em engenharia elétrica. No ano seguinte, Julius vai trabalhar no Exército como técnico em radares e o casal começa a procurar segredos militares para passar à URSS.

O irmão de Ethel, David Greenglass, consegue emprego como maquinista do Projeto Manhattan, que desenvolve a bomba atômica, e obtém informações sobre o projeto nuclear. Os Rosenberg passaram essas informações ao suíço Harry Gold, o pombo-correio deste grupo de espiões, que as entrega a Anatoly Yakovlev, vice-cônsul soviético em Nova York.

Julius é demitido do Exército em 1945 por ter omitido que era membro do Partido Comunista e detido em 23 de maio de 1950 em consequência da prisão de Klaus Fuchs, preso por passar segredos nucleares dos EUA e do Reino Unido à URSS.

O casal vai a julgamento em 6 de março de 1951. É condenado em 29 de março e recebe a pena de morte em 5 de abril. Os dois são executados na cadeira elétrica na Prisão de Sing Sing, em Ossining, no estado de Nova York, em 19 de junho de 1953.

EUA SE RETIRAM DO VIETNÃ

    Em 1973, dois meses depois de assinar um acordo de paz com o Vietnã do Norte,  o Vietnã do Sul e os guerrilheiros do Viet Cong, os Estados Unidos retiram suas últimas forças de combate do Vietnã do Sul, pondo fim a uma intervenção militar de 12 anos em que morreram 58.220 norte-americanos.

Com a descolonização da África e da Ásia depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), os EUA herdam como esfera de influência as regiões dos antigos impérios Britânico e Francês.

No fim da Segunda Guerra Mundial, o líder comunista Ho Chi Minh proclama a independência do Vietnã. A França, antiga potência colonial, não aceita. Começa a Primeira Guerra da Indochina (1946-54), vencida pelos vietnamitas na Batalha de Dien Bien Phu.

O Vietnã é dividido e um processo de paz conduzido pelas Nações Unidas deve levar à realização de eleições para unificar o país. Quando os EUA percebem que os comunistas venceriam, em plena Guerra Fria, impedem a realização de eleições. Começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75).

Depois de mais de uma década de ajuda militar indireta, em 1961, o presidente John Kennedy envia 2,8 mil assessores militares para ajudar a ditadura corrupta do Vietnã do Sul na guerra contra o Vietnã do Norte, comunista. Alguns entram em combate.

Três anos depois, o presidente Lyndon Johnson manda bombardear o Norte e forja o Incidente do Golfo de Tonquim para obter autorização do Congresso para declarar guerra ao regime norte-vietnamita.

Diante da ofensiva do Norte e dos guerrilheiros aliados do Viet Cong, Johnson aumenta gradualmente a presença militar dos EUA.

O grande número de baixas, os crimes de guerra como o Massacre de My Lai e a Ofensiva de Tet, no Ano Novo Lunar chinês em 1968, mostram que a vitória será penosa ou impossível, como alerta o jornalista Walter Cronkite, apresentador do telejornal da CBS, considerado o homem mais confiável e respeitado do país, a consciência pública. Nos EUA, a opinião pública se volta contra a guerra . 

Em março de 1968, Johnson desiste de concorrer à reeleição, vencida pelo republicano e oposicionista Richard Nixon com a promessa de acabar com a participação norte-americana na Guerra do Vietnã (1955-75). 

Ao todo, 2,7 milhões de norte-americanos servem na Guerra do Vietnã (1955-75). Na primavera de 1969, o total de soldados dos EUA na guerra chega a 543 mil. Nixon amplia e intensifica os bombardeios aéreos, atacando os vizinhos Laos e Camboja.

Em 27 de janeiro de 1973, é assinado em Paris o Acordo para Acabar com a Guerra e Restaurar a Paz no Vietnã. A guerra recomeça em 1º de novembro de 1955 e só acaba em 30 de abril de 1975, quando as forças do Norte tomam a capital do Vietnã do Sul, Saigon, rebatizada como Cidade de Ho Chi Minh, o comunista que liderou a luta pela independência do país. Cerca de 2 milhões de vietnamitas morreram na guerra.

Ao aceitar a rendição do Sul, o coronel nortista Bui Tin declara: "Vocês não têm nada a temer. Entre os vietnamitas, não há vencedores nem vencidos. Só os americanos foram derrotados."

Mais de 130 mil sul-vietnamitas que trabalhavam para o regime sul-vietnamita saem do país depois da intervenção norte-americana. De 1975 a 1995, cerca de 800 mil vietnamitas fogem de barco e conseguem chegar a outro país em segurança, mas o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados estima que entre 200 e 400 mil pessoas do povo dos barcos, como são chamados, morrem no mar.

EXÉRCITO DE TERRACOTA

    Em 1974, agricultores que escavam um poço de água perto da cidade de Xian, a antiga capital da China, descobrem uma câmara subterrânea que leva à descoberta do Exército de Terracota, com as esculturas em tamanho real de 8 mil soldados, 130 carruagens e 520 cavalos na tumba do imperador Chin Shi Huang, que unifica a China ao vencer a Guerra dos Sete Reinos em 221 antes de Cristo.

As esculturas do final do século 3 AC são enterradas junto com o imperador para protegê-lo. Outras esculturas encontradas em lugares próximos incluem funcionários, acrobatas e músicos.

O imperador é enterrado em 210 AC junto com grandes tesouros e objetos artísticos, inclusive uma réplica do mundo onde pedras preciosas representam os astros, pérolas os planetas e lagos de mercúrio os mares. 

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Último dos acordos do fim da Guerra Fria caduca

Pela primeira vez desde 1972, não há nenhum acordo nuclear em vigor entre as superpotências. O Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicos (Novo START ou START-3), assinado em 2010 pelos presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Rússia, Dimitri Medvedev, expirou hoje.

Este acordo foi prorrogado por cinco anos em 2021, por iniciativa do então presidente norte-americano, Joe Biden, para dar tempo a uma negociação. Agora, o ditador russo, Vladimir Putin, propôs uma extensão informal por mais um ano. O presidente Donald Trump declarou que prefere negociar um acordo "melhor".

O acordo mais antigo era o Tratado sobre Mísseis Antibalísticos (ABM, do inglês), assinado em 1972 pelo presidente Richard Nixon e o líder soviético Leonid Brejnev, para proibir o desenvolvimento e instalação de mísseis antimísseis, de defesa. Era conhecido como MAD, que significa louco em inglês e, no caso, Destruição Mutuamente Assegurada. Criou o equilíbrio do terror nuclear.

Em 2002, o presidente George Walker Bush retirou os EUA do ABM sob a alegação de ameaças a aliados dos EUA, citando o Irã, que acusara de fazer parte de um "eixo do mal" junto com o Iraque e a Coreia do Norte. Quando invadiu o Iraque, em 20 de março de 2003, a Coreia do Norte e o Irã aceleraram seus programas nucleares.

Em 8 de dezembro de 1987, o presidente Ronald Reagan e o líder soviético Mikhail Gorbachev, assinaram o primeiro acordo que abolia toda uma classe de armas atômicas. O Tratado sobre Forças Nucleares Intermediárias (INF) extinguiu os mísseis nucleares baseados em terra com alcance de 500 a 5,5 mil quilômetros.

Trump tirou os EUA do INF em 2 de fevereiro de 2019, sob a alegação de que a Rússia teria violado o acordo ao desenvolver um novo míssil, 9M729, chamado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar ocidental, de SSC-8.

O Tratado sobre Forças Convencionais na Europa (CFE) foi assinado em Paris em 19 de novembro de 1990 entre a OTAN e o Pacto de Varsóvia, a aliança militar do Bloco Soviético.

Putin anunciou que a Rússia não cumpriria mais o acordo em 2007 e saiu formalmente em 7 de novembro de 2023, oito meses e meio depois da invasão da Ucrânia. O acordo não permitiria a concentração de 200 mil soldados russos junto à fronteira ucraniana como Putin ordenou ao preparar a invasão de 24 de fevereiro de 2022, um marco importante no aumento do risco nuclear.

A Rússia e os EUA têm mais de 5 mil ogivas nucleares cada. O START-3 permitia que cada superpotência tivesse até 1.550 ogivas em condições operacionais, mais do que suficientes para extinguir a espécie humana.

Uma das dificuldades para uma nova negociação é que a China, vista hoje pelos EUA como a maior inimiga, precisa ser incluída. O regime comunista chinês tem hoje 600 ogivas nucleares e planos para chegar a mil. É a terceira maior potência nuclear.

Logo atrás, vem a França, com 290 ogivas, e o Reino Unido, com 255, nem todas em condições operacionais. Com a invasão da Ucrânia pela Rússia e a ameaça de Trump de não socorrer os aliados europeus em caso de guerra, a Europa está se rearmando. 

Se Trump mantivesse o compromisso com a OTAN, não precisaria tomar a Groenlândia como vem ameaçando. Poderia negociar com a Dinamarca a instalação de bases militares na ilha. A ocupação da Groenlândia destruiria a OTAN, cujo princípio básico é que um ataque contra é um ataque contra todos.

Essas cinco grandes potências com direito de veto na Organização das Nações Unidas são os únicos países com direito de possuir armas atômicas com base no Tratado de Não Proliferação Nuclear (NPT), de 1968. Mas não são as únicas.

A Índia e o Paquistão, inimigos históricos, desenvolvem armas nucleares desde os anos 1970. Em maio de 1998, assumiram o status de potências nucleares ao testar armas atômicas. Cada um tem pouco mais de 150 ogivas nucleares.

Israel nunca admitiu publicamente ser uma potência nuclear, mas tem a bomba atômica desde 1966 ou 1967. Teria hoje cerca de 90 ogivas nucleares.

A Coreia do Norte fez em 2006 seu primeiro teste nuclear de um total de seis até hoje. O ditador Kim Jong Un sucedeu o pai, Kim Jong Il, que explodiu a bomba, em dezembro de 2011, pouco depois da morte do ditador da Líbia, Muamar Kadafi, que abrira mão de suas armas de destruição em massa num acordo com o Ocidente em 2003. O terceiro Kim aposta nas armas nucleares como garantia de sobrevivência de seu regime, um dos mais fechados do mundo.

No seu primeiro governo, Trump encontrou Kim Jong Un três vezes depois de se ameaçarem com bombardeios nucleares, mas as negociações não evoluíram e a Coreia do Norte se aproximou da Rússia, enviando inclusive soldados para lutar ao lado das forças russas na guerra contra a Ucrânia.

O objetivo dessas negociações seria acabar com o programa nuclear da Coreia do Norte, que provavelmente exigiria em troca a retirada das forças que os EUA mantêm na Coreia do Sul desde a Guerra da Coreia (1950-53), na última fronteira da Guerra Fria. Pela estimativa do Instituto Internacional de Estudos da Paz de Estocolmo (SIPRI), a Coreia do Norte tem pelo menos 50 ogivas nucleares e urânio enriquecido e plutônio suficientes para chegar a 70 a 90 ogivas.

Outro foco de tensão nuclear é o Irã, que iniciou o programa nuclear em 1957, durante o regime do xá Reza Pahlevi. Em 1968, assinou o TNP, assumindo o compromisso de só usá-lo para gerar energia para fins pacíficos. 

O Supremo Líder da Revolução Iraniana, aiatolá Ruhollah Khomeini, considerava a bomba atômica uma arma não islâmica porque mata inocentes. Em 1987, durante bombardeios a cidades durante a Guerra Irã-Iraque (1980-88), autorizou o desenvolvimento de armas nucleares.

Em 2015, o governo Barack Obama (2009-17), as grandes potências do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha negociaram o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), um acordo para congelar por 10 anos o programa nuclear iraniano na expectativa de no fim desse prazo o regime iraniano fosse menos extremista. 

Sob pressão de Israel, Trump retirou os EUA do acordo em 8 de maio de 2018, ironicamente o Dia da Vitória na Europa na Segunda Guerra Mundial (1939-45) sob o argumento de que o acordo se baseava "numa grande ficção, que um regime assassino desejava um programa nuclear pacífico".

Em 22 de julho de 2025, os EUA fizeram um grande bombardeio às principais instalações nucleares do Irã. Trump declarou que o programa nuclear iraniano estava erradicado, mas ninguém acredito nisso. Caminhões foram vistos ao redor dos alvos antes do ataque, provavelmente para retirar o material nuclear. E a tecnologia, o conhecimento sobre como fazer a bomba, não pode ser destruída com ataques.

Neste momento, os EUA concentram uma grande frota de guerra perto do Irã e pressionam o regime a fazer um novo acordo que inclua o abandono do programa de armas atômicas, limites ao desenvolvimento de mísseis e o fim do apoio a milícias no Oriente Médio. O Irã só aceita negociar a questão nuclear.

A realidade é que o mundo se tornou um lugar mais perigoso desde a invasão da Ucrânia e muito mais a partir de hoje. O Relógio do Juízo Final, criado em 1947 pelo Boletim de Cientistas Nucleares, está mais perto do que nunca da meia-noite, a um minuto e 25 segundos da hora fatal.

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domingo, 18 de maio de 2025

Hoje na História do Mundo: 18 de Maio

FUNDAÇÃO DE MONTREAL

    Em 1642, Paul de Chomodey, Senhor de Maisonneuve, funda a cidade de Montreal, hoje parte do Canadá froncófono.

A cidade ocupa três quartos da Ilha de Montreal, a maior das 234 ilhas do Arquipélago Hochelaga, um dos três próximos à confluência dos rios Ottawa e São Lourenço.

O lugar onde está é conhecido como Hochelaga pelo povo huron quando chega o explorador francês Jacques Cartier na sua segunda viagem ao Novo Mundo (1535-36). Mais de mil nativos o recebem ao pé da montanha que ele batiza como Mont Réal.

Mais de 50 anos passam até que os franceses voltem. Samuel de Champlain funda Quebec e pensa em criar um ponto do comércio de peles no que chama de Praça Real, mas seu sonho não se materializa.

Montreal não nasce como um entreposto do comércio de peles. É um centro missionário que seu fundador, Paul de Chomodey, batiza como Vila Maria. Ele constrói casas, uma capela, um hospital e outras estruturas.

Em 1644, o Rei Sol, Luís XIV, dá uma carta régia para Montreal e Chomodey se torna o primeiro governador.

A povoação está sob constante ameaça dos índios iroqueses, aliados do Império Britânico, até um tratado de paz de 1701. 

SUPREMA CORTE LEGITIMA SEGREGAÇÃO

    Em 1896, no caso Plessy x Ferguson, a Suprema Corte dos Estados Unidos legitima a segregação racial com uma doutrina chamada de "separados, mas iguais".

A ação questiona a cláusula da 14ª Emenda à Constituição, aprovada no período da Restauração depois da Guerra da Secessão (1861-65), que garante "proteção igual perante a lei" a qualquer pessoa em qualquer lugar.

O caso é um desafio à Lei dos Vagões Separados do estado da Louisiana, que obriga da companhias ferroviárias a oferecer "acomodações iguais mas separadas" para pretos e brancos. 

Homer Plessy, que tem muito mais antepassados brancos do que pretos, compra uma passagem no vagão dos brancos. Quando se nega a ir para o vagão dos pretos, é preso.

No julgamento em primeira instância, o juiz John Ferguson rejeita a alegação de que a lei é inconstitucional e o caso vai até a Suprema Corte.

A decisão sanciona a segregação ao pressupor que os serviços e as instalações oferecidas ao negros são iguais às dos brancos. Vira jurisprudência até ser derrubada em 17 de maio de 1954 pelo caso Brown x Conselho de Educação de Topeka, que proíbe a segregação racial nas escolas. 

CONFERÊNCIA DE HAIA

    Em 1899, começa a Primeira Conferência Internacional de Haia, na Holanda, um passo rumo à formação das organizações internacionais de caráter universal dedicadas à paz mundial.

A conferência é convocada pelo ministro do Exterior da Rússia, Mikhail Nikolaievich Muraviov, durante o reinado de Nicolau II (1894-1917), que propõe três questões:

  1.  limitar a expansão das Forças Armadas e o uso de novas armas;
  2. aplicação dos princípios da Convenção de Genebra de 1864 à guerra naval;
  3. e a revisão da Declaração de Bruxelas de 1874 sobre as leis e os costumes da guerra em terra.
Até 29 de julho, os representantes de 26 países debatem a paz mundial em Haia. O Brasil não participa. Da América, só vão os Estados Unidos e o México.

A Primeira Convenção de Haia é um conjunto de três tratados internacionais, a Convenção para a Solução Pacífica de Disputas Internacionais, que cria o Tribunal Permanente de Arbitragem;, a Convenção sobre as Leis e os Costumes da Guerra em Terra; e a Convenção para Adaptação da Guerra Naval aos Princípios da Convenção de Genebra de 22 de agosto de 1864.

A Segunda Conferência de Haia é proposta pelo presidente norte-americano Theodore Roosevelt e convocada pelo czar Nicolau II, da Rússia, e realizada de 15 de junho a 18 de outubro de 1907. Participam 44 países, inclusive o Brasil, representado por Rui Barbosa, que faz um discurso brilhante. Mais uma vez, a limitação de armas de guerra é rejeitada.

Uma terceira conferência seria realizada em 1914. É adiada para 1915 e suspensa com o início da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Depois da guerra, a Conferência de Paz de Versalhes (1919) cria a Liga das Nações, a primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial, que fracassa ao não evitar a eclosão da Segunda Guerra Mundial (1939-45) e é substituída pela Organização das Nações Unidas (ONU).

BOMBA ATÔMICA INDIANA

    Em 1974, na Operação Buda Sorridente ou Krishna Feliz, a Índia testa no deserto do Rajastão sua primeira bomba atômica e chama de "explosão nuclear pacífica". É o sexto país a fabricar armas nucleares.

O programa nuclear da Índia começa em 1944, antes da independência. A perda de território numa breve greve de fronteira com a China nas montanhas do Himalaia, em 1962, levou à decisão de desenvolver armas nucleares. A explosão usa plutônio produzido no reator canadense CIRUS.

A Índia assume abertamente o status de potência nuclear com uma série de cinco explosões realizadas de 11 a 13 de maio de 1998. O arqui-inimigo Paquistão, que tinha a bomba secretamente desde 1975, responde com cinco explosões em 28 de maio. Hoje estima-se que cada um tenha 170 ogivas nucleares.

MOVIMENTO PELA DEMOCRACIA NA CHINA

    Em 1989, um milhão de pessoas marcham pelas ruas de Beijim num movimento pela liberdade e a democracia para liberalizar o regime comunista da China. A revolta é esmagada no Massacre na Praça da Paz Celestial na noite de 3 para 4 de junho.

As reformas anunciadas pelo líder Deng Xiaoping em 13 de dezembro de 1978 abrem a economia e liberalizaram o regime depois do longo trauma que foi a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76).

O movimento iniciado por estudantes sai às ruas em 15 de abril, quando morre o ex-secretário-geral do Partido Comunista Hu Yaobang (1981-87), um grande responsável pelas reformas políticas e econômicas sob a liderança de Deng, favorável a liberalizar o regime.

Quando o movimento cresce, apresenta suas demandas:

  1. Reconhecer como corretas as visões de Hu Yaobang sobre democracia e liberdade.
  2. Admitir que as campanhas contra a "poluição espiritual" e a "liberalização burguesa" são erradas.
  3. Publicar informações sobre a renda dos altos dirigentes e de suas famílias.
  4. Acabar com a censura e autorizar a publicação de jornais de grupos privados.
  5. Mais dinheiro para a educação e aumento dos salários dos intelectuais.
  6. Fim das restrições a manifestações em Beijim.
  7. Fazer uma cobertura objetiva do movimento estudantil na mídia oficial.

O então secretário-geral do PC, Zhao Ziyang, defende o diálogo com os estudantes, enquanto o primeiro-ministro linha-dura Li Peng exige uma condenação oficial das manifestações. Quando Zhao viaja à Coreia do Norte, em 23 de abril, Li toma a iniciativa.

Em 25 de abril, o primeiro-ministro e o presidente Yang Shangkun se reúnem na casa de Deng, que aprova a linha dura. No dia seguinte, o Diário do Povo, jornal oficial do PC, publica editorial de primeira página de lavra de Li sob o título: "É preciso adotar uma posição clara contra os distúrbios". Descreve o movimento como contra o partido e contra o governo.

Com a volta de Zhao, o governo retoma a tolerância. Em 13 de maio, dois dias antes do início de uma visita do líder soviético Mikhail Gorbachev, os estudantes começam uma greve de fome. Quando Zhao diz a Gorbachev que o líder supremo é Deng, este toma como uma tentativa de lhe atribuir toda a responsabilidade pela revolta dos estudantes.

Numa reunião do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central na casa de Deng, em 17 de maio, a alta cúpula do regime comunista chinês decide decretar lei marcial e convocar o Exército para tomar a capital. 

No dia 18, quando um milhão saem às ruas da capital, Li encontra os estudantes numa reunião marcada pela confrontação, sem qualquer avanço. Diante das câmeras, o primeiro-ministro mostra mais preocupação com a saúde dos estudantes em greve de fome.

A última aparição de Zhao é na madrugada do dia 19, quando ele fala com os estudantes ao lado de Wen Jiabao, que seria primeiro-ministro de Hu Jintao (2003-13). À noite, numa reunião da alta cúpula, Deng declara ter se arrependido de nomear Hu e Zhao para a liderança do partido. Zhao cai e passa o resto da vida em prisão domiciliar.

Em 20 de maio, o governo decreta lei marcial e convoca 30 divisões, num total de 250 mil soldados, para ocupar Beijim. Em 3 de junho, autoriza a ação para retirar os estudantes acampados na praça central da capital centenas. O total de mortes é estimado entre centenas e 10 mil.

As reformas políticas são enterradas definitivamente. A ascensão de Xi Jinping, em 2012, torna a ditadura mais personalista e contrária a qualquer dissidência. A liberdade acadêmica daquele período não existe mais. 

Com a imposição de uma Lei de Segurança Nacional, o fim da autonomia regional e das liberdades democráticas em Hong Kong, todos os livros e publicações sobre o movimento pela liberdade e democracia, que era lembrado com vigílias no território, desaparecem das livrarias e bibliotecas. 

sábado, 29 de março de 2025

Hoje na História do Mundo: 29 de Março

 GUERRA DAS DUAS ROSAS

    Em 1461, na Batalha de Towton, a mais sangrenta da Guerra das Duas Rosas (1455-85), o rei Eduardo IV, da Dinastia de York, vence Henrique VI, da Dinastia de Lancaster, que foge para a Escócia.

A Guerra das Duas Rosas é o conflito entre os descendentes do rei Eduardo III, das dinastias de Lancaster (rosa vermelha) e de York (rosa branca) que reivindicam a coroa da Inglaterra. É uma guerra civil inglesa. Começa logo após o fim da Guerra dos Cem Anos (1337-1453), que cria um ambiente de violência política.

A guerra termina com a vitória de Henrique Tudor sobre Ricardo III, de York, na Batalha de Bosworth, em 22 de agosto de 1485. Henrique Tudor ascende ao trono como Henrique VII. É o marco do fim da Idade Média na Inglaterra.

DOMÍNIO DO CANADÁ

    Em 1867, com a Lei da América do Norte Britânica, as colônias da Nova Escócia, Nova Brunswick e Canadá se unem no Domínio do Canadá, e a província do Canadá é dividida em Quebec e Ontário.

A Lei da América do Norte Britânica, aprovada pelo Parlamento do Reino Unido, é a base da Lei da Constituição, de 1982, quando a autoridade é oficialmente transferida ao Parlamento do Canadá. É primeira Constituição do país. 

O Poder Executivo é conferido à rainha Vitória, O Poder Legislativo é formado por um Senado com membros vitalícios representantes das regiões do Canadá e uma Câmra eleita nas províncias representando o povo. A lei penal é federal e a legislação civil provincial. O governo federal nomeia os juízes e as províncias administram a Justiça e mantêm os tribunais.

ESPIÕES NUCLEARES

    Em 1951, o casal de judeus nova-iorquinos Julius e Ethel Rosenberg é condenado por espionagem e sentenciados à morte por passar segredos militares dos Estados Unidos, inclusive sobre armas nucleares, à União Soviética.

Ethel Greenglass nasce em Nova York em 28 de setembro de 1915. Sonha em ser atriz e cantora, mas, depois de concluir o ensino médio, trabalha como secretária numa companhia de navegação.

Julius Rosenberg nasce em Nova York em 12 de maio de 1918. Na adolescência, entra para a Juventude Comunista, onde conhece Ethel, em 1936. Eles se casam em 1939, ano em que ele se forma em engenharia elétrica. No ano seguinte, Julius vai trabalhar no Exército como técnico em radares e o casal começa a procurar segredos militares para passar à URSS.

O irmão de Ethel, David Greenglass, consegue emprego como maquinista do Projeto Manhattan, que desenvolve a bomba atômica, e obtém informações sobre o projeto nuclear. Os Rosenberg passaram essas informações ao suíço Harry Gold, o pombo-correio deste grupo de espiões, que as entrega a Anatoly Yakovlev, vice-cônsul soviético em Nova York.

Julius é demitido do Exército em 1945 por ter omitido que era membro do Partido Comunista e detido em 23 de maio de 1950 em consequência da prisão de Klaus Fuchs, preso por passar segredos nucleares dos EUA e do Reino Unido à URSS.

O casal vai a julgamento em 6 de março de 1951. É condenado em 29 de março e recebe a pena de morte em 5 de abril. Os dois são executados na cadeira elétrica na Prisão de Sing Sing, em Ossining, no estado de Nova York, em 19 de junho de 1953.

EUA SE RETIRAM DO VIETNÃ

    Em 1973, dois meses depois de assinar um acordo de paz com o Vietnã do Norte,  o Vietnã do Sul e os guerrilheiros do Viet Cong, os Estados Unidos retiram suas últimas forças de combate do Vietnã do Sul, pondo fim a uma intervenção militar de 12 anos em que morreram 58.220 norte-americanos.

Com a descolonização da África e da Ásia depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), os EUA herdam como esfera de influência as regiões dos antigos impérios Britânico e Francês.

No fim da guerra, o líder comunista Ho Chi Minh proclama a independência do Vietnã. A França, antiga potência colonial, não aceita. Começa a Primeira Guerra da Indochina (1946-54), vencida pelos vietnamitas na Batalha de Dien Bien Phu.

O Vietnã é dividido e um processo de paz conduzido pelas Nações Unidas deve levar à realização de eleições para unificar o país. Quando os EUA percebem que os comunistas venceriam, em plena Guerra Fria, impedem a realização de eleições. Começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75).

Depois de mais de uma década de ajuda militar indireta, em 1961, o presidente John Kennedy envia 2,8 mil assessores militares para ajudar a ditadura corrupta do Vietnã do Sul na guerra contra o Vietnã do Norte, comunista.

Três anos depois, o presidente Lyndon Johnson manda bombardear o Norte e forja o Incidente do Golfo de Tonquim para obter autorização do Congresso para declarar guerra ao regime norte-vietnamita.

Diante da ofensiva do Norte e dos guerrilheiros aliados do Viet Cong, Johnson aumenta gradualmente a presença militar dos EUA.

O grande número de baixas, os crimes de guerra como o Massacre de My Lai e a Ofensiva de Tet, no Ano Novo Lunar chinês em 1968, mostram que a vitória será penosa. Nos EUA, a opinião pública se volta contra a guerra . 

Em março de 1968, Johnson desiste de concorrer à reeleição, vencida pelo republicano e oposicionista Richard Nixon com a promessa de acabar com a participação norte-americana na Guerra do Vietnã (1955-75). 

Ao todo, 2,7 milhões de norte-americanos servem na Guerra do Vietnã (1955-75). Na primavera de 1969, o total de soldados dos EUA na guerra chega a 543 mil. Nixon amplia e intensifica os bombardeios aéreos, atacando os vizinhos Laos e Camboja.

Em 27 de janeiro de 1973, é assinado em Paris o Acordo para Acabar com a Guerra e Restaurar a Paz no Vietnã. A guerra recomeça em 1974 e só acaba em 30 de abril de 1975, quando as forças do Norte tomam a capital do Vietnã do Sul, Saigon, rebatizada como Cidade de Ho Chi Minh, o comunista que liderou a luta pela independência do país. Cerca de 2 milhões de vietnamitas morreram na guerra.

Ao aceitar a rendição do Sul, o coronel nortista Bui Tin declara: "Vocês não têm nada a temer. Entre os vietnamitas, não há vencedores nem vencidos. Só os americanos foram derrotados."

Mais de 130 mil sul-vietnamitas que trabalhavam para o regime sul-vietnamita saem do país depois da intervenção norte-americana. De 1975 a 1995, cerca de 800 mil vietnamitas fogem de barco e conseguem chegar a outro país em segurança, mas o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados estima que entre 200 e 400 mil pessoas do povo dos barcos, como são chamados, morrem no mar.

EXÉRCITO DE TERRACOTA

    Em 1974, agricultores que escavam um poço de água perto da cidade de Xian, a antiga capital da China, descobrem uma câmara subterrânea que leva à descoberta do Exército de Terracota, com as esculturas em tamanho real de 8 mil soldados, 130 carruagens e 520 cavalos na tumba do imperador Chin Shi Huang, que unifica a China ao vencer a Guerra dos Sete Reinos em 221 antes de Cristo.

As esculturas do final do século 3 AC são enterradas junto com o imperador para protegê-lo. Outras esculturas encontradas em lugares próximos incluem funcionários, acrobatas e músicos.

O imperador é enterrado em 210 AC junto com grandes tesouros e objetos artísticos, inclusive uma réplica do mundo onde pedras preciosas representam os astros, pérolas os planetas e lagos de mercúrio os mares.