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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Guerra contra Irã muda geopolítica do Oriente Médio

Depois de seis meses e mais de 10 mil mortes, a guerra que os Estados Unidos e Israel esperavam vencer em semanas se arrasta sem expectativa de paz, o Estreito de Ormuz continua fechado e o petróleo está perto de US$ 100 por barril. Para o regime fundamentalista iraniano, a sobrevivência é uma vitória.


Se o principal objetivo dos EUA e da Israel era derrubar o regime iraniano, ele está mais forte e a linha-dura está mais decidida do que nunca de que desenvolver armas nucleares é grande garantia de sobrevivência.

Com a derrota política, os EUA e Israel não atingiram nenhum de seus objetivos, e o impacto da guerra, inclusive sobre a inflação, o presidente Donald Trump deve perder pelo menos a maioria na Câmara nas eleições de 3 de novembro. E o governo de extrema direita do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu deve cair nas eleições previstas para 27 de outubro.

Ao mesmo tempo, três potências médias autoritárias aliadas dos EUA, Arábia Saudita, Paquistão e Turquia, formaram uma aliança, num sinal de que não confiam mais em Washington para garantir sua proteção.

Mas o grande derrotado é o povo iraniano, massacrado pelo regime no início do ano, bombardeado pelos EUA e Israel, e vítima de uma ditadura ainda mais radical.

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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Trump amplia guerra comercial contra Brasil e outros países

Um novo tarifaço de 10% a 12,5% entrou em vigor hoje contra 59 países, inclusive o Brasil, e a União Europeia sob a alegação de que exportam para os Estados Unidos produtos feitos com trabalhos forçados. Somando com o tarifaço de 25% anunciado na semana passada, muitos produtos brasileiros vão ser taxados em 37,5% para entrar no mercado norte-americano.

Sob a alegação de combater o trabalho escravo, na verdade, Trump tenta recompor o caixa do Tesouro depois que a Suprema Corte dos EUA considerou ilegais tarifas que arrecadaram US$ 166 bilhões no ano passado.

Como Trump só respeita quem o desafia e nunca quem se submete, o Brasil tem a obrigação de retaliar, mas deve agir com inteligência, com foco nas isenções, que são produtos que os EUA não fabricam e que dependem da importação.

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quinta-feira, 16 de julho de 2026

Tarifaço de Trump é interferência direta nas eleições no Brasil

Ao aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos importados do Brasil a partir de 22 de julho, o governo Donald Trump toma mais uma medida para interferir diretamente no resultado das eleições. Como os Estados Unidos têm saldo positivo no comércio com o Brasil, não há razões econômicas para o tarifaço. É uma jogada política para ajudar candidatura de extrema direita do senador Flávio Bolsonaro, o tariflávio.


Há mais de 2.100 produtos isentos, especialmente o que os EUA não produzem ou não produzem em quantidade suficiente para suprir o consumo interno, entre eles carnes, café, suco de laranja e partes para fabricar aviões. Serão atingidos mais de 4 mil produtos, 18% das exportações brasileiras para os EUA, inclusive calçados, móveis e máquinas.

Desde o início da guerra comercial de Trump no ano passado, as exportações para os EUA caíram de 11% para 9% das vendas ao exterior do Brasil, enquanto subiram 17% as vendas para a China. 

Assim, se o objetivo central de Trump é reduzir a influência chinesa na América Latina, o tarifaço é totalmente contraproducente. Mesmo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não ganhe as eleições, os empresários que fazem negócios com a China vão continuar fazendo negócios com o Brasil.

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sábado, 4 de julho de 2026

EUA fazem 250 anos com ameaça de Trump à democracia

 Os Estados Unidos completam 250 desde a Declaração de Independência sob a maior ameaça à democracia desde a Guerra da Secessão (1861-65), quando o Sul tentou se separar para manter a escravidão.

A ameaça hoje é o extremista de direita encarnado por Donald Trump, o único presidente que se recusou a reconhecer o resultado de uma eleição e até hoje insiste que ganhou. Trump é racista e tem uma polícia de imigração assassina. Ataca as instituições fundamentais da democracia como a liberdade de imprensa e a independência do Judiciário.

É claro que a democracia norte-americana tem muitos problemas: a escravidão, que o presidente Barack Obama chamou de pecado original da União; a segregação racial e o racismo que persistem até hoje; o imperialismo, o apoio a ditaduras e as intervenções militares; um sistema político desmobilizante, que tenta suprimir o voto das minorias; e, no momento, um Congresso e uma Suprema Corte subservientes à Casa Branca.

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domingo, 14 de junho de 2026

Acordo consolida derrota estratégica de Trump no Irã

Um mês depois que o presidente Donald Trump anunciou que um acordo entre os Estados Unidos e o Irã era iminente, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, principal mediador, finalmente confirmou que as duas partes chegaram a um acerto para prorrogar em 60 dias a trégua frágil em vigor desde 8 de abril e reabrir o Estreito de Ormuz, com a expectativa de acabar com a guerra. 

O acordo deve ser assinado na sexta-feira em Genebra, na Suíça. É uma derrota estratégica para Trump, que não atingiu nenhum de seus objetivos políticos. Não tem vitória para cantar, embora alegue que conseguiu sucesso onde "todos os presidentes falharam."

Todas as ações militares devem cessar, inclusive os ataques de Israel ao Líbano. O Irã vai reabrir gradualmente o Estreito de Ormuz, que estava aberto antes da guerra, e os EUA vão suspender o bloqueio a portos iranianos. Trump previu que a reabertura total vai levar cinco dias. Será necessário remover minas colocadas pelo Irã, que promete não cobrar pedágio durante a extensão da trégua, o que também não fazia antes da guerra. 

Os preços do petróleo caíram em média 5%. A normalização do tráfego de navios vai depender da reação das seguradoras. Pode levar meses. E não há garantia nenhuma de que o estreito não será fechado de novo se as negociações fracassarem.

Mais de 6 mil pessoas morreram nesta guerra inútil, quase todas no Irã e no Líbano, mas também no Iraque, em Israel e nas monarquias petroleiras do Golfo Pérsico, além de pelo menos 13 militares norte-americanos. A economia mundial fui abalada pela queda na oferta de petróleo, com grande impacto sobre os países em desenvolvimento. E Trump sai desmoralizado. A guerra mostrou que o uso da força não basta para resolver questões internacionais complexas como os conflitos no Oriente Médio e pode ser contraproducente.
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quinta-feira, 11 de junho de 2026

Trump e Infantino fazem Copa da exclusão e da vergonha

A maior de todas as Copas do Mundo de futebol começou hoje com as marcas do racismo, da discriminação, da exclusão e dos ingressos a preços astronômicos. Várias delegações e torcedores enfrentam dificuldades para entrar nos Estados Unidos, onde serão realizados 78 dos 104 jogos. O melhor juiz da África, um somaliano, foi barrado no aeroporto de Miami e mandado de volta para casa. Este é o exemplo mais gritante.

Um país em guerra não deveria ter o direito de organizar um evento criado para celebrar o congraçamento de países e povos, mas o presidente da FIFA (Federação Internacional de Futebol Associativo), Gianni Infantino, quer mesmo é fazer bons negócios. Elevou o puxa-saquismo e um nível sem precedentes ao dar um prêmio da paz ao presidente Donald Trump, que bombardeou sete países desde que voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025.

Infantino afirmou que não haveria problemas para jogadores, torcedores e delegações. Depois, mudou de ideia e disse que a FIFA não interfere em questões de soberania e segurança nacionais. A realidade é que para as torcidas as ditaduras da Rússia e do Catar, que organizaram as duas últimas Copas, foram muito mais acolhedoras do que os EUA de Trump.

Os torcedores locais de origem estrangeira temem a truculenta e fascistoide polícia de imigração e de fronteiras. Como a FIFA adotou a "tarifa dinâmica", os preços dos ingressos são até 118 vezes acima do valor oficial. Podem chegar até perto de R$ 1 milhão.

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quinta-feira, 28 de maio de 2026

Governo Trump inicia interferência nas eleições no Brasil

Ao enquadrar máfias do tráfico de drogas como organizações terroristas a pedido do pré-candidato Flávio Bolsonaro, o governo Donald Trump dá início a uma intervenção direta dos Estados Unidos nas eleições de 2026 no Brasil.

O Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) foram declarados hoje "terroristas globais" e "organizações terroristas estrangeiras", embora o crime organizado vise o lucro. Esses grupos não têm objetivos políticos, a não ser comprar acesso e benesses do Estado via corrupção de autoridades.

Trump, que recebeu e elogiou Lula, pode até não estar envolvido diretamente. Mas o movimento MAGA (Make America Great Again) tem como ideólogo Steve Bannon, que se apresenta como um leninista de direita e pretende criar uma Internacional Neofascista com os partidos de extrema direita da América Latina e da Europa. 

Com a candidatura do senador Flávio Bolsonaro abalada pelo escândalo do Banco Master, em que se declarou irmão do banqueiro corrupto Daniel Vorcaro, a visita à Casa Branca e esta medida tentam melhor a imagem do pré-candidato e mostram sua total subserviência ao presidente dos EUA.

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quinta-feira, 21 de maio de 2026

China consolida liderança global com visita de Putin

Ao receber o ditador russo, Vladimir Putin, quatro dias depois da visita do presidente Donald Trump, o ditador Xi Jinping reafirma a posição da China como superpotência candidata a líder mundial e reforça a parceria desigual com uma Rússia cada vez mais dependente de Beijim.

Por ironia da história, a reaproximação entre os Estados Unidos e a China foi uma iniciativa de Henry Kissinger, então assessor de segurança nacional do governo Richard Nixon (1969-74). Em 1969, as duas grandes potências comunistas, a União Soviética e a China, quase foram à guerra depois de vários incidentes na fronteira. Kissinger viu uma oportunidade para atrair a China e torná-la uma aliada informal dos EUA durante a Guerra Fria.

Agora, ao contrário, a invasão da Ucrânia fortaleceu a parceria entre a China e a Rússia, que virou na prática um país-vassalo. Xi e Putin assinaram 40 acordos, mas não o que o russo mais queria: a construção de um gasoduto transiberiano. A Rússia é a segunda maior produtora mundial de gás natural, atrás apenas dos EUA, mas seus gasodutos estão orientados para a Europa. Mas será praticamente impossível para os EUA atrair a Rússia para seu lado numa possível guerra fria com a China que muitos analistas entendem que já começou.

O grande problema nas relações entre a China e os EUA é Taiwan, a pequena ilha que o regime comunista chinês considera uma província rebelde.

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domingo, 17 de maio de 2026

Xi Jinping chama EUA de império decadente

A primeira viagem do presidente Donald Trump à China no segundo mandato foi adiada em um mês por causa da guerra no Irã. Os Estados Unidos chegaram enfraquecidos pelo fracasso da guerra contra o Irã e da guerra comercial. O ditador Xi Jinping colocou a questão de Taiwan, a ilha que a China considera uma província rebelde como o maior problema entre os dois países e chamou os EUA de império decadente.

O diálogo dos líderes mais poderosos do mundo em si é importante, mas não houve avanços significativos nos problemas que dividem as grandes potências. Há uma trégua na guerra comercial. Trump pediu ajuda para acabar com a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã e reabrir o Estreito de Ormuz. 

A China tem interesse no fim da guerra e na liberação do estreito, mas não em livrar o rival estratégico de problemas. Xi cobrou em troca um compromisso dos EUA de que não vão interferir na reintegração de Taiwan mesmo se Beijim usar a força.

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quarta-feira, 13 de maio de 2026

Trump vai à China fragilizado pelo fracasso no Irã

Diante do fracasso na guerra contra o Irã, o presidente Donald Trump chega nesta quinta-feira a Beijim para discutir com o ditador Xi Jinping a relação bilateral mais importante do mundo, entre os Estados Unidos e a China, enfraquecido por não conseguir impor sua vontade à força a um país muito mais pobre economicamente e fraco militarmente.

A China foi o único país que reagiu à altura quando Trump aplicou seu tarifaço numa guerra comercial contra quase todo o mundo, inclusive ilhas só habitadas por focas e pinguins. Segunda maior economia do mundo e maior potência industrial, com 36% da produção manufatureira, a China controla setores estratégicos como os elementos conhecidos como terras raras.

O presidente dos EUA tem todo o interesse em acabar com a guerra no Oriente Médio, que pesa na inflação e torna cada vez mais provável a derrota do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro deste ano. Já o Irã tem interesse em prolongar o impasse nas negociações para infligir uma derrota humilhante a Trump.

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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Trump busca acordo para dar à derrota aparência de vitória

Depois de vários ultimatos sem consequências, o presidente Donald Trump se rendeu à realidade e admitiu que não tem condições de decidir quando termina a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. No momento há uma trégua, uma guerra econômica em torno do bloqueio do Estreito de Ormuz, sem perspectivas de paz.

Trump perdeu a guerra, no sentido de que não atingiu nenhum de seus objetivos políticos, mas quer sair cantando vitória. O regime teocrático iraniano não caiu e está mais determinado do que nunca a fazer armas nucleares. O Irã ainda tem a metade de seu arsenal de mísseis e as milícias aliadas no Oriente Médio resistem.

A guerra elevou os preços internacionais do petróleo para um patamar de mais de US$ 100 por barril com forte impacto sobre a economia mundial, especialmente para os países em desenvolvimento da África e da Ásia. Além do petróleo e do gás natural, passam pelo Estreito de Ormuz fertilizantes e outros produtos essenciais. Mais de 700 milhões de pessoas sofrem de desnutrição crônica. Com esta guerra, outras 45 milhões devem ter fome aguda.
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quarta-feira, 8 de abril de 2026

EUA e Irã acertam trégua e reabertura do Estreito de Ormuz

Na penúltima hora, o presidente Donald Trump recuou da ameaça genocida de destruir a civilização iraniana. Com mediação do Paquistão e da China, os Estados Unidos e o Irã acertaram um cessar-fogo de duas semanas. 

Os EUA param de bombardear o Irã, e o regime iraniano para de atacar os navios que atravessam o Estreito de Ormuz, por onde passavam 20% do petróleo consumido no mundo. As negociações para uma paz definitiva serão realizadas a partir de sábado no Paquistão.

"Toda uma civilização vai morrer nesta noite para nunca mais voltar. Não quero que isto aconteça, mas provavelmente vá. No entanto, agora que temos uma mudança de regime total e completa em que mentes diferentes, mais espertas e menos radicais prevalecem, talvez algo maravilhoso possa acontecer revolucionariamente. QUEM SABE? Vamos descobrir nesta noite, um dos momentos mais importantes da complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte vão acabar finalmente. Deus abençoe o grande povo do Irã˜, escreveu o presidente dos EUA na sua rede social na manhã de ontem. É uma declaração de genocídio.

Israel aceitou a trégua, mas declarou que não vale no Líbano, onde enfrenta milícia xiita Hesbolá (Partido de Deus).

Com a expectativa do fim da guerra que causou a pior crise energética da história, o preço do barril de petróleo do tipo Brent, padrão da Bolsa de Mercadorias de Londres, caiu para US$ 95, uma baixa de quase 13%. As principais bolsas de valores da Ásia abriram em alta.

O acordo, mediado pelo Paquistão com o apoio da Arábia Saudita, da China, do Egito e da Turquia, se baseia na proposta de 10 pontos apresentada pelo Irã. Apesar de massacrado por um bombardeio impiedoso dos EUA e de Israel, o regime iraniano sai vitorioso. 

Mais linha-dura, mais radicalizado e mais determinado a fazer bomba atômica, mantém os programas nuclear, de mísseis e o apoio a milícias. Está vendendo mais petróleo a preços mais altos. Exige reparações e quer cobrar pela passagem pelo Estreito de Ormuz.

Perdem o presidente Donald Trump, que não atingiu nenhum de seus objetivos políticos, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que não conseguiu derrubar o regime iraniano e parece precisar de uma guerra eterna para se legitimar. Em outubro, terá de passar pelo teste das urnas em novas eleições. Trump será julgado nas urnas nas eleições intermediárias de 3 de novembro, quando deve perder a maioria na Câmara e talvez no Senado.

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quarta-feira, 1 de abril de 2026

Trump tenta justificar a guerra e promete fim em semanas

Num pronunciamento sem grandes novidades dirigido aos norte-americanos, o presidente Donald Trump defendeu hoje à a noite a necessidade de ir à guerra contra o Irã, insistiu em que está perto de atingir seus objetivos e prometeu mais uma vez acabar com o conflito armado em duas a três semanas. Tenta transformar um fracasso geopolítico retumbante numa vitória.

Trump começou exaltando o suposto sucesso dos militares dos Estados Unidos em pouco mais de um mês de guerra. Mais cedo, declarou que o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu um cessar-fogo. O regime extremista iraniano negou e a Guarda Revolucionária afirmou que o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo, não será reaberto com as "diatribes ridículas" do presidente norte-americano.

Para justificar a guerra, Trump lembrou que o regime ameaça os EUA desde a vitória da Revolução Islâmica em 1979. Citou dos ataques às forças norte-americanas no Líbano nos anos 1980 ao terrorismo do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) a Israel em 7 de outubro de 2023 para reiterar que o Irã jamais poderá ter armas nucleares. Recordou a morte do general Qassem Soleimani, comandante do braço da Guarda Revolucionária Iraniana para ações no exterior, morto por um drone dos EUA perto do aeroporto de Bagdá em 3 de janeiro de 2020, no seu primeiro governo.

Se não tivesse matado Soleimani e acabado, em maio de 2018, com o "acordo desastroso" negociado pelo governo Barack Obama junto com as outras grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidos, a situação seria muito pior, gabou-se Trump. Com seu estilo hiperbólico, alegou que "seria um mundo muito diferente: não haveria Israel nem Oriente Médio."

"Outros presidentes erraram. Estou corrigindo os erros", prosseguiu. "Em junho, ordenei o ataque às principais instalações nucleares na Operação Martelo da Meia-Noite." Na época, afirmou que o programa nuclear do Irã teria sido "completamente obliterado". Neste caso, não haveria necessidade de uma nova guerra. 

"O regime tentou então reconstruir o programa em locais totalmente diferentes, deixando claro que queria fazer armas nucleares. (...) Ao mesmo tempo, desenvolveu mísseis capazes de atingir praticamente o mundo inteiro." Mais um exagero. O Irã disparou um míssil contra uma base aérea na ilha de Diego Garcia, no Oceano Índico, a 4 mil quilômetros de distância, mas as estimativas são de que levaria 10 anos para ameaçar o território dos EUA.

Ao contrário do que diz a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), "estavam perto de fabricar armas nucleares", argumentou. "Há anos, eu disse que o Irã não poderia ter armas nucleares, mas falar não basta. Estou fazendo o que outros presidentes não tiveram coragem de fazer. Eliminei a Marinha, a Força Aérea, o programa de mísseis e a indústria bélica. Isso vai impedir o Irã de ameaçar os vizinhos. Esses objetivos estão perto da conclusão. Vamos terminar o trabalho em breve."

Desde o início da guerra, Trump cantou vitória mais de 20 vezes. Hoje, mentiu que a produção de petróleo dos EUA é maior do que as da Arábia Saudita e da Rússia juntas para afirmar que "não precisamos do petróleo do Estreito de Ormuz. Os países que recebem petróleo por lá devem proteger a rota de que tanto dependem. O Estreito de Ormuz será reaberto naturalmente quando a guerra acabar e os preços do petróleo vão cair."

Os preços da gasolina para o consumidor norte-americano vão ser decisivos nas eleições parlamentares de 3 de novembro nos EUA, quando Trump deve perder a maioria na Câmara e talvez também no Senado. Como o discurso de Trump decepcionou, os mercados abriram em queda na Ásia e o petróleo em alta.

Aos países abalados pela alta nos preços do petróleo para um patamar de US$ 100 por barril na pior crise energética da história, o presidente sugeriu: "Comprem dos EUA ou tenham uma coragem tardia e tomem o estreito", o que ele não tem coragem de fazer porque morreriam muitos soldados norte-americanos.

Trump criticou os aliados europeus por negar o uso de suas bases para ações de ataques e por não se oferecerem para reabrir o Estreito de Ormuz. Praticamente não falou das monarquias petroleiras do Golfo Pérsico e dos outros aliados asiáticos, que tiveram enormes prejuízos com a guerra. Nem em Israel, que tem interesse numa guerra longa capaz de minar as bases econômicas e militares do Irã para levar o regime ao colapso.

"Vamos continuar a Operação Fúria Épica até atingir nossos objetivos, até daqui a pouco, muito pouco, os levamos de volta à Idade da Pedra", continuou Trump. Mais uma vez, prometeu atacam duramente o Irã nas próximas semanas, inclusive as usinas elétricas se o regime iraniano não fizer um acordo, uma contradição para quem garante que a guerra está ganha.

O presidente comparou a duração desta guerra com a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Guerra da Coreia (1950-53), a Guerra do Vietnã (1955-75) e a Guerra do Iraque (2003-11) para alegar que foi curta. Está no 32º dia.

Outra mentira: "Nunca falamos em mudança de regime." No início da guerra, era claro que esse era o principal objetivo dos EUA e de Israel. Agora, Trump alega que o regime mudou porque vários líderes foram mortos, mas o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, foi substituído pelo filho, o líder mais pragmático, Ari Larijani, o principal negociador iraniano, foi morto. 

O homem-forte do regime hoje aparentemente é o presidente do Majlis, o Parlamento do Irã, Mohammad Ghalibaf, ex-prefeito de Teerã, ex-comandante da Força Aérea da Guarda Revolucionária e ex-candidato a presidente. Ele rejeita qualquer negociação, embora o presidente Masoud Pezeshkian tenha dito em carta aberta ao povo norte-americano que o povo iraniano não é inimigo dos EUA e da Europa.

A Guarda Revolucionária está no controle, mais radicalizada e mais determinada a fabricar armas atômicas como garantia de sobrevivência do regime. Trump não falou em apreender os 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, a meio caminho para chegar a 90%, o teor necessário para fazer, com esta quantidade de urânio, até 10 armas nucleares.

Esta é a grande preocupação de Israel e dos analistas militares. Trump quer declarar vitória e ir embora deixando no poder uma ditadura mais extremista com capacidade de fabricar armas atômicas.

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segunda-feira, 30 de março de 2026

Trump está entre a fuga e uma escalada na guerra

Depois de um mês da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o presidente Donald Trump está encurralado, sem uma saída fácil. Se negociar o fim do conflito, vai obter um acordo pior do que conseguiria antes da guerra. Se enviar forças terrestres, muitos soldados norte-americanos vão morrer e o preço do petróleo vai subir ainda mais antes das eleições parlamentares de 3 de novembro, quando deve perder a maioria na Câmara e talvez no Senado.
Trump adiou até 6 de abril o ultimato para o Irã reabrir o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo. Se o regime iraniano continuar impedindo a circulação de navios, ameaça destruir as centrais elétricas, as instalações de petróleo e as usinas de dessalinização de água do Irã. Se isto acontecer, os iranianos afirmam que todas as instalações de gás e petróleo do Oriente Médio serão alvos da retaliação, o que pode agravar a pior crise energética da história.

O presidente dos EUA têm interesse em sair logo da guerra, enquanto o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, quer uma guerra longa que desgaste o regime iraniano militar e economicamente para deixá-lo à beira de um colapso.

Com seu discurso errático, em um mês de guerra, Trump já cantou vitória várias vezes, mas alterna declarações de que as negociações estão bem encaminhadas com ameaças de intensificar a guerra e lançar uma operação terrestre. Nesta segunda-feira, admitiu que quer controlar o petróleo do Irã como fez na Venezuela.

Enquanto isso, a economia mundial corre o risco de estagflação e a inflação nos preços dos alimentos ameaça deixar mais 45 milhões de pessoas em fome extrema.
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domingo, 22 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 22 de Março

MASSACRE DE JAMESTOWN

    Em 1622, o cacique Opechancanough lidera um ataque-surpresa das tribos da Confederação Powhatan contra Jamestown, capital da colônia da Virgínia, e massacra 347 pessoas, um quarto da população dos colonos.

Jamestown, fundada em 14 de maio de 1607, é o primeiro assentamento inglês na América. É um empreendimento privado da Virginia Company com uma carta régia de Jaime I, da Inglaterra, para criar a empresa. Na época, toda a costa atlântica ao norte da Flórida é chamada de Virgínia, uma homenagem à rainha Elizabeth I, da Inglaterra, a Rainha Virgem, que não teve filhos. Sabia que um marido minaria seu poder.

As relações com os nativos inicialmente variam entre amizade e hostilidade. Na Primeira Guerra Powhatan (1609-14), o cacique Pownhatan tenta expulsar os europeus com a fome. Entre 1609 e 1611, a colônia quase é abandonada.

Com a introdução da cultura do tabaco, a partir de 1613, a colônia começa a prosperar. John Rolfe, o pioneiro da produção de tabaco, casa com a princesa Pocahontas, filha do cacique.

No verão de 1619, a colônia cria o primeiro governo representativo na América, com a eleição de uma Assembleia Geral de 22 burgueses e seis indicados pela companhia. Só os homens com propriedades têm direito de voto.

É em Jamestown que chegam os primeiros escravos africanos ao que hoje é os EUA. Em 20 de agosto de 1619, 20 dos 50 angolanos de um navio negreiro português atacado por dois navios piratas ingleses são vendidos em Jamestown. É o marco do início da escravidão no país.

Em 1620, a expansão da área agrícola para produzir tabaco e a infiltração dos colonos em regiões de caça dos indígenas provocam atritos na região da Baía de Chesapeke que explodem em 1622.

Os powhatans chegam desarmados a Jamestown, com veados, perus, frutas, peixes e outros mantimentos como se fossem para vender. Pegam todas as ferramentas e armas disponíveis e matam todos os colonos europeus, homens, mulheres e crianças de todas as idades. É o início da Segunda Guerra Powhatan (1622-32).

Na Terceira Guerra Powhatan (1644-46), Opechancanough é capturado e morto. Uma linha divisória, uma fronteira, é traçada entre a colônia e as terras indígenas. Exige autorização para ser cruzada.

LEI DO SELO

    Em 1765, o Parlamento Britânico aprova uma lei para recuperar as finanças do Reino Unido, pagar as dívidas e defender os territórios tomados da França na Guerra dos Sete Anos (1756-63).

A Lei do Selo cria um imposto direto sobre todos os materiais impressos para uso legal ou comercial nas colônias britânicas na América do Norte, de jornais e panfletos a cartas de jogar.

Os colonos já pagam tarifas mais altas para importar têxteis, vinho, café e açúcar, por força da Lei do Açúcar (1764). A Lei da Moeda (1764) causa forte queda no valor do papel moeda usado nas colônias. A Lei do Aquartelamento (1765) obriga os colonos a dar casa e comida aos soldados britânicos em caso de necessidade.

Como haviam pago um preço alto em vidas e recursos durante a guerra, os colonos estão convencidos de que já deram sua cota de sacrifício ao Império Britânico. Como não têm direito de voto no Parlamento de Westminster, articulam o movimento "Não à taxação sem representação." 

Em outubro de 1765, nove das 13 colônias mandam delegados para o Congresso da Lei do Selo, que produz a Declaração de Direitos e Reclamações. Sob pressão, o governo revoga a lei no ano seguinte. Mas a semente da rebeldia e da liberdade estava plantada. Em 4 de julho de 1776, os EUA declararam a independência, reconhecida em 1783 pelo Reino Unido e a França.

LIGA ÁRABE

    Em 1945, a Arábia Saudita, o Egito, o Iêmen, o Iraque, o Líbano, a Síria e a Transjordânia (hoje Jordânia) fundam no Cairo a Liga Árabe, a organização regional dos países árabes e do pan-arabismo.

Desde então, entraram a Líbia (1953), o Sudão (1956), o Marrocos e a Tunísia (1958), o Kuwait (1961), a Argélia (1962), o Catar, os Emirados Árabes Unidos e Omã (1971), a Mauritânia (1973), a Somália (1974), a Organização para a Libertação da Palestina (1976), Djibúti (1977) e as Ilhas Comores (1993).

Os objetivos são fortalecer a cooperação em programas econômicos, políticos, sociais e culturais, e mediar conflitos entre os países árabes e com outros países. Cada país-membro tem um voto no Conselho da Liga. As decisões só são obrigatórias para quem vota a favor. 

ISRAEL MATA LÍDER DO HAMAS

    Em 2004, a Força Aérea de Israel mata com um ataque de míssil na Cidade de Gaza o fundador e líder do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), xeique Ahmed Yassin.

Ahmed Yassin Hassan Yassin nasce em Al-Jure, na Faixa de Gaza, em 1º de janeiro de 1937, ainda na época do mandato britânico sobre a Palestina. Quando estuda no Cairo, a capital do Egito, entra em contato com a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, fundado em 1928 no Egito por Hassan al-Bana.

O Hamas é filho da Irmandade Muçulmana. Nasce em 10 de dezembro de 1987, no início da Primeira Intifada, a revolta das pedras contra a ocupação israelense.

RÚSSIA APOIA TRUMP

    Em 2019, o procurador especial Robert Mueller entrega ao procurador-geral e ministro da Justiça dos Estados Unidos, William Barr, seu relatório concluindo que a Rússia "interferiu sistemática e amplamente na eleição presidencial de 2016" para apoiar Donald Trump e declara que, "embora este relatório não conclua que o presidente cometeu crime, também não o exonera."

Mueller, ex-diretor do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal norte-americana, constata a interferência da Rússia, especialmente através de uma fábrica de mentiras do GRU (Departamento Central de Inteligência), o serviço de espionagem militar da Rússia, em São Petersburgo, e descobre contatos de membros da campanha de Trump com funcionários e espiões russos, mas não consegue provar que houve conluio entre a campanha de Trump e a Rússia. 

O Departamento da Justiça divulga uma versão editada do relatório como uma "medida protetiva" com base nos privilégios do presidente.

Durante as investigações, num encontro com o ditador russo, Vladimir Putin, o então presidente Trump declara que acredita nas palavras de Putin de que não houve interferência, contrariando as conclusões dos serviços de inteligência dos EUA.

Trump simpatiza com Putin, ameaça não defender os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e a bancada trumpista na Câmara dos Representantes leva seis meses para aprovar um pedido de ajuda militar de US$ 61 bilhões à Ucrânia. 

O primeiro-ministro de extrema direita da Hungria, Viktor Orbán, maior aliado de Putin na União Europeia (UE), sai de um encontro com Trump dizendo que, se for reeleito, Trump não dará um centavo a mais à Ucrânia. Reeleito, o presidente anuncia que pode dar empréstimos a juro zero, mas a Ucrânia terá de pagar pelas armas. 

De volta à Casa Branca, Trump exige o direito de explorar a metade dos recursos minerais da Ucrânia, humilha publicamente o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky e faz vários concessões ao ditador russo antes do início das negociações. A Rússia rejeita sua proposta de trégua. As negociações não avançam. Mesmo que levem a um cessar-fogo, a paz está muito distante. Nenhum presidente ucraniano, nem de qualquer outro país, pode ceder 20% de seu território a um agressor, a não ser à força.

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sexta-feira, 20 de março de 2026

Ataques à produção de petróleo e gás escalam guerra no Oriente Médio

Depois de 20 dias e mais de 15 mil ataques, a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã sofre uma nova escalada com bombardeios a instalações de petróleo e gás capazes de causar impacto sobre a economia mundial muito além do fim das hostilidades. A Agência Internacional de Energia declarou que é a pior crise energética da história.

É uma guerra ilegal porque não havia uma ameaça iminente aos EUA e não foi autorizada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Mais de 3 mil pessoas morreram no Irã e mais de mil no Líbano, a segunda frente desta guerra, onde Israel enfrenta a milícia extremista xiita Hesbolá (Partido de Deus), financiada, treinada e armada pelo Irã. Mais de 70 pessoas morreram no Iraque e mais de 30 nas monarquias petroleiras do Golfo e 25 em Israel, além de 13 soldados norte-americanos.

Os EUA e Israel vencem militarmente, mas estão longe de atingir o principal objetivo político, derrubar a ditadura dos aiatolás e da Guarda Revolucionária. Se o regime sobreviver, ganhou politicamente.

Nos últimos dias, o presidente Donald Trump insultou aliados da Europa e o Japão por se negarem a garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo. Eles não foram consultados nem avisados. Não querem ser alvos fáceis em uma guerra que não apoiam.

Se o estreito ficar fechado por mais um mês, os preços do petróleo, que subiram mais de 80% neste ano, podem chegar a US$ 150 por barril ou até mais se o bloqueio iraniano se prolongar.

Uma derrota no Oriente Médio fatalmente levaria Trump a perder a maioria no Congresso nas eleições de 3 de novembro. Mau perdedor e enfraquecido, o presidente norte-americano pode abandonar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), retomar sua guerra comercial e até mesmo iniciar novas guerras ou aventuras militares.

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segunda-feira, 9 de março de 2026

Irã resiste e se radicaliza com guerra de EUA e Israel

Depois de mais de 5 mil ataques em 10 dias, diante da disparada nos preços do petróleo, o presidente Donald Trump declarou hoje que a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã está "praticamente concluída". Mas a ditadura teocrática iraniana está determinada a resistir. Se sobreviver, terá ganho.

A eleição de Mojtaba Khamenei (foto), de 56 anos, para substituir o pai, morto no primeiro dia da guerra, como Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, é um sinal de endurecimento do regime, da rejeição à exigência de rendição total feita por Trump. O turbante preto significa que ele se apresenta como descendente direto do profeta Maomé.

O barril de petróleo chegou a US$ 119,50 nesta segunda-feira, a maior cotação em quase quatro anos. Recuou para menos de US$ 90 porque Trump acenou com a possibilidade de um fim rápido da guerra, "mas não nesta semana". Se o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo, continuar fechado, o banco Goldman Sachs prevê que o barril chegue a US$ 150. Seria a maior cotação nominal da história.

Ao mesmo tempo em que abala a economia mundial, o Irã ataca os países árabes onde há bases dos EUA para pressionar esses países a convencer Trump a parar com a guerra. Mas a expectativa é de um conflito prolongado. E sempre há o risco de terrorismo.
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sábado, 28 de fevereiro de 2026

EUA e Israel bombardeiam Irã para derrubar o regime

 Apesar das negociações em andamento dois dias atrás, Israel e os Estados Unidos lançaram hoje um ataque coordenado ao Irã, que reagiu bombardeando Israel e países árabes com bases militares norte-americanas. O presidente Donald Trump conclamou o povo iraniano a derrubar o regime fundamentalista, mas será difícil fazer isso sem uma operação terrestre.

A Operação Fúria Épica é a maior ofensiva militar no Oriente Médio desde a invasão do Iraque pelos EUA em março de 2003. O Crescente Vermelho, a Cruz Vermelha dos países muçulmanos, declarou que pelo menos 201 pessoas foram mortas e 747 feridas no Irã. 

Pelo menos 35 mísseis balísticos foram disparados contra Israel. A resposta iraniana não se limitou a Israel e a bases militares norte-americanas. Atingiu áreas civis de países vizinhos como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Jordânia e Kuwait.

O Departamento da Defesa anunciou que os alvos foram bases militares, os líderes e o sistema de defesa do regime fundamentalista iraniano. Desde que Israel e os EUA bombardearam o Irã na Guerra dos Doze Dias, em junho do ano passado, o Supremo Líder Espiritual da Revolução Iraniana, aiatolá Ali Khamenei, teria indicado prováveis sucessores.

Em pronunciamento agora na televisão, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que chegou a hora de derrubar o regime, o que consolidaria a hegemonia israelense no Oriente Médio. Também anunciou a morte do Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei.

Mais tarde, o governo iraniano confirmou as mortes de Khamanei, do ministro da Defesa, general Aziz Nassirzadeh; do comandante do Estado-Maior das Forças Armadas, general Abdolrahim Mussavi; do comandante em chefe dos Guardiões da Revolução, general Mahammad Pakpur; e do almirante Ali Shamkhani, assessor do Líder Supremo e secretário do Conselho de Defesa. 

Sem uma invasão terrestre, o sucesso da operação depende da capacidade de uma revolta interna derrubar a ditadura dos aiatolás. Trump prometeu nove vezes ajudar uma insurreição, mas palavras não bastam. No primeiro momento, o mais provável é que a Guarda Revolucionária Iraniana recomponha sua cadeia de comando e assuma o controle. 

Uma onda de protestos deflagrada em 28 de dezembro no Grande Bazar de Teerã foi duramente reprimida pelo regime e suas milícias. O governo iraniano admitiu 3.117 mortes. A Agência de Notícias Ativistas dos Direitos Humanos (HRANA), com sede nos EUA, citada pelo jornal britânico The Guardian, afirma ter confirmado 6 mil mortes e estar investigando outras 16 mil. Uma estimativa baseada em relatos médicos eleva esse total 33 mil. 

De modo geral, bombardeios aéreos não são suficientes para vencer guerras. Durante a Segunda Guerra Mundial, a blitz da Alemanha Nazista contra Londres fortaleceu a determinação dos britânicos. Na Guerra do Vietnã, os EUA bombardearam intensamente o Vietnã do Norte e perderam. 

Uma exceção foi a Guerra do Kosovo, em 1999. Depois de 78 dias de ataques aéreos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a Sérvia abandonou o controle da província, mas o ditador Slobodan Milosevic só caiu em 5 de outubro de 2000 numa revolta popular contra fraude eleitoral.

Nos últimos dias, houve especulações sobre quais seriam os objetivos de uma ação militar dos EUA no Irã. Poderia ser uma demonstração de força para forçar o regime dos aiatolás a aceitar as condições impostas por Trump na mesa de negociações, uma nova tentativa de destruir o programa nuclear iraniano, ou de matar Khamenei numa estratégia de cortar cabeças e decapitar a liderança, ou de derrubar o regime. Sob pressão de Israel, Trump optou por acabar com o regime.

Em 14 de junho 2015, no governo Barack Obama, as cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha fecharam um acordo com o Irã para congelar por 10 anos a parte militar do programa nuclear iraniano, sob fiscalização da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Sob pressão de Israel, Trump retirou os EUA do acordo em 8 de maio de 2018. 

No governo Joe Biden (2021-25), os EUA se propuseram a retomar as negociações, mas incluíram limitações ao programa de mísseis do Irã e o fim do apoio iraniano a milícias no Oriente Médio. 

Agora, nas negociações realizadas até quinta-feira passada, Trump fazia as mesmas exigências de Biden. O Irã só aceitava discutir a questão nuclear, não os mísseis nem o apoio a milícias. Um nova rodada de negociações indiretas mediadas pelo Catar estava prevista para segunda-feira em Viena, a capital da Áustria, sede da AIEA. Como no ataque de junho passado, Trump usou a tática de enganar o inimigo ao sugerir que as negociações estavam em andamento.

A meta dos bombardeios é acabar com a Revolução Islâmica, que tomou o poder no Irã em fevereiro de 1979 após derrubar o xá Reza Pahlevi, um ditador aliado do Ocidente e de Israel. O xá estava no poder desde agosto de 1953, quando o primeiro golpe militar articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) durante a Guerra Fria derrubou o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh, que havia nacionalizado o petróleo, a grande riqueza natural do país.

Desde o início, os EUA (Grande Satã) e Israel (Pequeno Satã) foram declarados os principais inimigos do regime fundamentalista iraniano. Em 4 de novembro de 1979, guardas revolucionários invadiram a Embaixada dos EUA em Teerã e tomaram diplomatas e funcionários como reféns.

A ocupação da embaixada durou 444 dias, até a posse de Ronald Reagan, em 20 de janeiro de 1981. Só aí foram soltos os últimos 52 reféns. Os dois países não reataram as relações diplomáticas.

Nesta guerra, uma das ameaças de retaliação do Irã é fechar o Estreito de Ormuz, a saída do Golfo Pérsico, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo, inclusive da Arábia Saudita, maior exportador mundial, e das outras monarquias petroleiras da região. No momento, há petroleiros parados dos dois lados do estreito. O preço do barril de petróleo tipo Murban, de Abu Dhabi, subiu 4% para US$ 74,24.

Como os rebeldes hutis do Iêmen são aliados do Irã, também pode haver ataques a navios no Estreito de Bab al-Mandabe (Portão das Lágrimas, em árabe), que é a saída do Mar Vermelho para o Golfo de Áden e o Oceano Índico, como aconteceu durante a guerra na Faixa de Gaza.

A previsão é que não seja uma guerra curta como quer Trump. O poder de retaliação do Irã, mas o regime tem amplo controle de seu território e pode fechar o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo, e recorrer a ações terroristas no exterior. Ao longo de sua história, tem sido cruel com rebeldes e dissidentes.

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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Rússia fracassa em quatro anos de invasão da Ucrânia

Quatro anos depois da invasão da Ucrânia, a Rússia, considerada a segunda maior superpotência militar do planeta, não conquistou seus objetivos políticos. O ditador Vladimir Putin depende do presidente Donald Trump para obter na mesa de negociações o que não conseguiu no campo de batalha. É uma guerra que mudou o mundo. Trouxe de volta o risco nuclear com a chantagem atômica de Putin para pressionar o Ocidente a não apoiar a Ucrânia. Os dividendos da paz do fim da Guerra Fria acabaram.
É o pior conflito armado na Europa depois da Segundo Guerra Mundial e a mais longa guerra no continente em séculos. O total de mortos, feridos e desaparecidos é estimado pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) de Washington em 1,8 milhão de militares (1,2 milhão russos e 600 mil ucranianos) com pelo menos 325 mil soldados russos e 140 mil soldados ucranianos mortos. As Nações Unidas estimam que pelo menos 15 mil civis ucranianos foram mortos, mas se acredita que o verdadeiro número seja muito maior, da ordem de dezenas de milhares.

Além disso, 9,6 milhões de ucranianos fugiram do país ou foram deslocados internamente. A Ucrânia perdeu até agora 20% de seu território  25% de sua economia e cerca de 20% de sua população. Quando a União Soviética acabou, em 1991, a Ucrânia tinha cerca de 50 milhões de habitantes. No começo desta guerra, era 44 milhões. Hoje a população é estimada em 35 milhões.

O presidente Volodymyr Zelensky declarou ontem que Putin não atingiu seus objetivos: "Defendemos nossa independência. Não perdemos nosso Estado. Preservamos a Ucrânia e vamos fazer de tudo para garantir a paz e a justiça."

Em Moscou, o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, admitiu que a Rússia "não atingiu plenamente seus objetivos ainda, tanto que a operação militar continua."

Como Putin se nega a fazer qualquer concessão e Zelensky exige garantias de segurança e se nega a ceder territórios, as negociações não avançam. Trump, que sonha em ganhar o Prêmio Nobel da Paz, precisa entender que para acabar com a guerra é necessário conter o agressor e não a vítima.
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Trump tenta convencer norte-americanos de que a economia vai bem

Num momento de grande impopularidade, com a aprovação de apenas 36%, a menor de seu segundo governo, o presidente Donald Trump fez hoje o Discurso sobre o Estado da União, a prestação de contas anual do presidente dos Estados Unidos ao Congresso, tentando convencer a nação de que vai tudo bem. Repete o erro de Joe Biden, ao ignorar as dificuldades econômicas da maioria da população.

Foi o mais longo Discurso sobre o Estado da União da história: uma hora e 47 minutos de insultos, mentiras, falsidades e autocongratulação com escassa relação com a verdade e uma postura mussolinesca de cabeça para trás e queixo empinado. 

"Nossa nação está de volta, maior, melhor e mais forte do que nunca", gabou-se Trump.

Como de costume, afirmou que recebeu o país em péssimas condições de Joe Biden e fez a maior reviravolta em apenas um ano. Mente que a inflação era a maior da história, que o país estava invadido por imigrantes ilegais e com dificuldade para recrutar militares.

"Agora, temos a fronteira mais segura da história dos EUA", afirmou, acrescentando que nos últimos 12 meses não entrou nenhum imigrante ilegal no país. "A entrada de fentanil caiu 56% e o índice de homicídios caiu como nunca, desde que meu pai nasceu. O governo Biden e seus aliados no Congresso nos legou a pior inflação da história", o que é mentira.

Em seguida, declarou que o país está recebendo investimentos de US$ 18 bilhões, o que ninguém acredita. "Recebemos de nossa nova aliada Venezuela 8 milhões de barris". Acrescentou que a produção dos EUA aumentou em 600 mil barris diários porque ele cumpriu a promessa de mandar "perfurar, perfurar e perfurar" novos poços de petróleo.

"Acabamos com [as políticas de] DEI (diversidade, equidade e inclusão) nos EUA", um sinal evidente de seu racismo e desprezo pelas minorias. Antes de Trump começar a falar, o deputado federal pelo Texas Al Green foi expulso do plenário por apresentar um cartaz com as palavras: "Negros não são macacos", uma referência ao vídeo divulgado pela Casa Branca em que o ex-presidente Barack Obama e sua mulher, Michelle Obama, eram retratados como macacos.

"Estamos ganhando como nunca", falou ao convocar o time de hóquei sobre o gelo dos EUA, que conquistou a medalha de ouro na Olimpíada de Inverno de Milão e Cortina d'Ampezzo, na Itália. O time feminino de hóquei também ganhou ouro, mas se recusou a participar do evento de hoje no Congresso alegando problema de agenda.

Trump acusou os democratas de votar contra seu corte de impostos para ricos e grandes empresas como se beneficiasse o cidadão comum. Também criticou a Suprema Corte por ter derrubado o tarifaço de sua guerra comercial. Mentiu mais uma vez ao dizer que são os estrangeiros que pagam pelas tarifas de exportação. A delegacia do banco central em Nova York estimou que 90% das tarifas são pagas por consumidores e empresas norte-americanas.

O presidente culpou os democratas pelo alto custo de vida, um dos grandes problemas deste governo: "Os preços estão desabando. O preço dos ovos caiu 60%. Mesmo a carne, que estava muito cara, está caindo. A energia caiu a números que ninguém acredita." 

Ele responsabilizou o programa de saúde do governo Barack Obama de enriquecer as empresas de seguro-saúde. Mais uma falsidade. Até hoje, Trump não apresentou uma proposta para a saúde. Também alegou que está baixando os preços dos medicamentos como nunca. "Os outros presidentes prometeram, falaram, mas não agiram. Hoje, pagamos os menores preços do mundo por medicamentos." Falso. Falou em quedas de 400%, 500% e 600%, mas 100% seriam suficientes para zerar os preços.

Em mais um desafio à Constituição, citou a possibilidade de exercer um terceiro mandato.

Não há nenhum indício de fraude em massa em eleições nos EUA, mas Trump insiste que "a fraude é desenfreada em nossa eleições... Eles querem trapacear. Eles têm trapaceado. E suas políticas são tão ruins que a única maneira de serem eleitos é trapaceando e vamos acabar com isso." Mais um insulto à oposição.

Até hoje, Trump não reconheceu a derrota para Biden em 2020. Seus advogados e aliados fizeram 61 reclamações à Justiça. Em todos os casos, os juízes não viram elementos suficientes para abrir um processo.

Ele pede que todos os eleitores provem que não são imigrantes ilegais. Um estudo de seu Departamento de Segurança Interna, entre 49,5 milhões de eleitores, foram identificados cerca de 10 mil casos para maior investigação, 0,02% to total. Trump prepara maneiras de interferir nas eleições de meio de mandato marcadas para 3 de novembro, quando deve perder a maioria na Câmara e talvez também no Senado.

A seguir, inventou que um estado tentou mudar o sexo de uma menina na plateia. "Os democratas estavam destruindo nosso país, mas os paramos em cima da hora."

Trump se vangloriou de reduzir a violência nos EUA com sua política anti-imigrantes: "Deportamos imigrantes ilegais criminosos em número recorde", disse Trump. Na verdade, a maioria das pessoas detidas por agentes de imigração não têm condenação criminal. Seu governo deportou muito menos do que o governo Obama, com a diferença de que o democrata deportou criminosos.

Para defender a atuação de sua política de imigração fascistoide, apresenta família que perderam parentes em crimes cometidos por imigrantes. Mas a realidade é que imigrantes cometem muito menos crimes proporcionalmente do que cidadãos norte-americanos.

Quando Trump defendia sua política anti-imigração, a deputada federal por Minnesota Ilhan Omar, de origem somaliana, disparou: "Você matou norte-americanos", numa referência às mortes de Renne Good e Alex Pretti, baleados pela polícia de imigração em Mineápolis em janeiro.

O presidente se congratulou por acabar com oito guerras. Não acabou com nenhuma. No máximo, intermediou um acordo de paz entre Armênia e Azerbaijão sem resolver os problemas históricos entre os dois países.

Às vésperas de um possível bombardeio ao Irã, Trump acusou o regime dos aiatolás de terrorismo e de ter matado 32 mil iranianos na onda de protestos recentes. Insistiu na mentira de que erradicou o programa nuclear do Irã. Declarou que o Irã nunca poderá ter armas nucleares nem mísseis capazes de atingir a Europa e as bases dos EUA no Oriente Médio.

"Minha preferência é resolver o problema diplomaticamente. Mas não se enganem, o maior patrocinador de terrorismo jamais poderá ter armas nucleares", ameaçou, ao defender sua estratégia de "paz através da força". Não revelou qual o objetivo de um possível ataque: acabar com o programa nuclear? Derrubar o regime? Proteger os manifestantes?

Ao falar dos "aliados e amigos" da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), citou o compromisso assumido de que cada país gaste 5% do produtos interno bruto com defesa a partir de 2035, o que exigiu para não retirar as forças dos EUA da Europa. Também se vangloriou de não mandar mais dinheiro para a Ucrânia: "Tudo o que estamos enviando para a Ucrânia fazemos através da OTAN e eles nos pagam." Os europeus compram armas e munições dos EUA.

Não esqueceu de falar do Hemisfério Ocidental, nome que usa para se referir à América, dizendo que garantiu a segurança e acabou com o tráfico de drogas através do mar. Em seu tom hiperbólico, chamou a captura e o sequestro do ditador venezuelano Nicolás Maduro para levá-lo para julgamento nos EUA uma das operações militares mais espetaculares da história.

"Estamos trabalhando com a nova presidente Delcy Rodríguez para gerar ganhos extraordinários para os dois países". O futuro da Venezuela é incerto. Por enquanto, Trump conchava com o regime em troca de petróleo.

Em outro momento, convoca a primeira-dama Melanie Trump para condecorar um aviador que teria enfrentado aviões da União Soviética durante a Guerra da Coreia (1950-53).

A resposta democrata foi feita pela governadora da Virgínia, Abigail Spanberger. Ela declarou que Trump não se preocupa com a segurança e a situação econômica do cidadão comum, que nunca se viu tanta corrupção. Citou o enriquecimento de um presidente e sua família, inclusive com criptomoedas e outros negócios suspeitos, e o escândalo sexual de Jeffrey Epstein. 

A governadora lembrou sua eleição e outras que o Partido Republicano perdeu desde a posse de Trump e afirmou que o Partido Democrata vai ganhar as eleições intermediárias de 3 de novembro porque "nós trabalhamos para o povo."

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