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terça-feira, 21 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 21 de Abril

FUNDAÇÃO DE ROMA

    Em 753 antes da Cristo, de acordo com a lenda, os gêmeos Rômulo e Remo, alimentados por uma loba depois de serem abandonados, fundam Roma.

O jornalista e historiador Indro Montanelli disse que a Loba era Acca Larentia, uma prostituta.

Os irmãos se desentendem. Rômulo mata Remo e se torna o primeiro dos sete reis de Roma. Em 509 AC, Roma se torna uma república. Em 27 AC, Otávio César Augusto é coroado imperador.

O Império Romano do Ocidente cai em 4 de setembro de 476, quando o rei bárbaro Flávio Odoacro derruba o imperador Rômulo Augusto.

O Império Romano do Oriente ou Império Bizantino cai em 29 de maio de 1453, quando o sultão Mehmet II, do Império Otomano (turco), conquista Constantinopla.

INDEPENDÊNCIA DO TEXAS

    Em 1836, o general Sam Houston leva 800 texanos à vitória contra 1,5 mil soldados do Exército do México sob o comando do general Antonio López de Santa Anna na Batalha de São Jacinto, garantindo a independência do Texas.

A colonização do Texas começa depois que o presidente Thomas Jefferson compra em 1803 da França de Napoleão Bonaparte o território da Louisiana, que se estendia ao longo do Vale do Rio Mississípi. 

Moses Austin consegue autorização do governo imperial espanhol para assentar 300 famílias numa área de 81 mil hectares no Tejas. Quando o México se torna independente da Espanha, em 1821, Stephen Austin renova a autorização com o novo governo.

Em 1832, a população de colonos norte-americanos na região chega a 20 mil. A instabilidade política no México leva a um golpe do general Santa Anna em 1833. Stephen Austin vai à Cidade do México apresentar as reivincações dos colonos. É preso sob a acusação de fomentar uma rebelião.

Libertado em 1835, Austin volta ao Texas, que forma um governo provisório e declara independência do México em 1836. David Burnet é o presidente interino, Sam Houston o comandante militar e Stephen Austin o embaixador nos EUA, encarregado de obter apoio estratégico e recrutar voluntários.

O Cerco do Álamo, perto de Santo Antônio, pelo Exército do México de 23 de fevereiro a 6 de março de 1836 é uma das batalhas marcantes da Guerra da Independência do Texas. Entre 180 e 250 defensores do Álamo morrem na batalha. Sobrevivem as mulheres, as crianças, os escravizados e funcionários não combatentes.

"Relembrem o Álamo!", passa a ser o grito de guerra dos rebeldes texanos. Os inimigos se encontram junto ao Rio São Jacinto, perto de onde hoje fica Houston, a quarta maior cidade dos EUA. Houston lança um ataque de surpresa e conquista a vitória em 18 minutos.

A Revolução Texana é mais do que uma guerra entre colonos anglo-europeus e soldados mexicanos. É uma luta contra um governo central distante, corrupto e tirânico. Sam Houston é o primeiro presidente da República do Texas e Stephen Austin é secretário de Estado. Hoje os dois são homenageados como nomes de cidades. Houston é a capital até 1839, quando Austin passa a ser.

MORTE DO BARÃO VERMELHO

    Em 1918, a Força Aérea Real britânica abate e mata numa batalha perto de Amiens, na França, Manfred, Barão de Richthofen, mais conhecido como o Barão Vermelho, considerado o melhor piloto da Primeira Guerra Mundial (1914-18), com 80 vitórias.

Manfred Alfred Freiherr von Richthofen nasce em Breslau em 2 de maio de 1892. Ele começa a carreira militar na cavalaria. Em 1915, passa à força aérea do Exército Imperial da Alemanha e, no ano seguinte, da esquadrilha Jasta 2. Seu sucesso como piloto de avião de caça o leva a comandar uma unidade de caças em 1917.

O Barão Vermelho é um herói nacional na Alemanha temido pelos inimigos quando perde a última batalha.

EXTREMA DIREITA NO SEGUNDO TURNO

    Em 2002, o candidato da Frente Nacional, de extrema direita, Jean-Marie Le Pen, conquista 16,86% dos votos, supera o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, que recebe 16,18% dos votos, fica em segundo lugar e vai para o segundo turno da eleição presidencial na França com o presidente Jacques Chirac.

Filho de um marinheiro, Jean-Marie nasce 20 de junho de 1928 em Trinité-sur-Mer, uma cidade litorânea da região da Bretanha. Ele estuda direito na Universidade de Paris. Em 1954, entra para a Legião Estrangeira e serve nas guerras da independência da Argélia e da Indochina Francesa, hoje dividida em Camboja, Laos e Vietnã.

Em 1956, Le Pen é o mais jovem deputado eleito para a Assembleia Nacional da França. Um dos fundadores da Frente Nacional, em 1972, lidera o partido até 2011 com um discurso ultranacionalista e antissemita. Chega a dizer que as câmaras de gás dos campos de concentração nazistas na Segunda Guerra Mundial (1939-45) são um episódio menor da história. É condenado por negar o Holocausto.

Com estas ideias extremistas, a Frente Nacional é marginalizada dentro do sistema político francês. No segundo turno das eleições legislativas, todos os partidos, da direita republicana representada pelo gaullismo até a esquerda, se unem para barrar o acesso da extrema direita à Assembleia Nacional.

A naturalização, a aceitação da extrema direita como parte do sistema político francês, começa com a chegada de Le Pen ao segundo turno em 2002. Mais uma vez, quase todos os partidos, inclusive o Partido Socialista (PS) e o Partido Comunista Francês (PCF), apoiam o presidente Chirac, reeleito no segundo turno com 82,21% dos votos contra 17,79% para Jean-Marie Le Pen. Mas um tabu é quebrado.

Em 2007, o gaulista Nicolas Sarkozy vence a socialista Ségolène Royal no segundo turno. Em 2012, o socialista François Hollande derrota Sarkozy. Mas em 2017 e 2022, o atual presidente Emmanuel Macron, enfrenta no segundo turno Marine Le Pen, filha de Jean-Marie, que hoje é a favorita para as próximas eleições presidenciais, em 2027.

A Frente Nacional, rebatizada como Reunião ou Reagrupamento Nacional (RN), conquista 18,68% dos votos nas eleições parlamentares de 2022. Sua bancada na Assembleia Nacional cresce de 8 para 89 deputados. Fica atrás da bancada governista (245 cadeiras) e da Nova União Popular Ecológica e Social (NUPES), uma aliança esquerdista da França Insubmissa com o PS, o PCF e a Europa Ecologia-Os Verdes (131 cadeiras).

Nas eleições legislativas de junho e julho de 2024, antecipadas depois do bom desempenho da extrema direita nas eleições para o Parlamento Europeu em junho do ano passado, o bloco centrista aliado do presidente Emmanuel Macron fez um acordo informal com a Nova Frente Popular (NFP), de esquerda, para barrar a ascensão da extrema direita ao poder, mas não fizeram aliança para governar.

A NFP fez a maior bancada na Assembleia Nacional (180 cadeiras), à frente da bancada macronista (159) e da RN (142). Como são 577 deputados, todas ficaram longe da maioria absoluta (289). 

O resultado é um governo fraco e indeciso, o que aumenta as chances da extrema direita na eleição presidencial de 2027. Sua líder, Marine Le Pen, está inelegível, condenada por corrupção ao desviar 4,4 milhões de euros do Parlamento Europeu. O Tribunal de Recursos de Paris promete julgar o caso em 2026. No momento, Le Pen lidera as pesquisas.

MORTE DO PRÍNCIPE DO ROCK

    Em 2016, o genial cantor, compositor, guitarrista, baterista, tecladista, produtor e bailarino Prince Nelson Rogers, que cria um gênero inovador com a fusão do funk, rhythm and blues, soul, jazz, rock and roll e pop, uma das maiores estrelas da música popular nos anos 1980 e 1990, morre acidentalmente de uma dose excessiva de fentanil, um poderoso opioide, a droga que mais mata hoje nos Estados Unidos.

Prince nasce em Mineápolis, no estado de Minnesota, em 7 de junho de 1958 e se torna uma dos músicos mais talentosos de sua geração. Como o cantor e compositor Steve Wonder, é um dos poucos músicos com excelente desempenho em todos os instrumentos que tocava, gravando discos com vários instrumentos tocados por ele. Aos 7 anos, aprende a tocar piano. Aos 14 anos, entra na primeira banda.

Seu estilo absolutamente original, andrógino e sensual mistura a arte de Jimi Hendrix, Little Richard e Michael Jackson. Ele começa a carreira com funk e soul para o mercado afro-americano sob o impacto da música para discoteca. Depois incorpora elementos do jazz, punk, heavy metal, dos Beatles e do hip-hop.

O álbum Purple Rain (1984), o mais vendido de seus 39 discos, com mais de 21 milhões de cópias, o torna um ícone da música dos anos 1980 e lhe dá um Oscar de melhor trilha sonor e um Grammy. Em 2004, ele entra para o Rock and Roll Hall of Fame.

Em 21 de abril de 2016, Prince é encontrado morto em sua mansão em Paisley Park, em Chanhassem, em Minnesota. Como não deixa descendentes, sua fortuna de US$ 400 milhões é dividida entre os seis irmãos.

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domingo, 12 de abril de 2026

Extrema direita sofre ampla derrota na Hungria

Depois de 16 anos em que impôs um regime autoritário à Hungria, o primeiro-ministro neofascista Viktor Orbán reconheceu a derrota nas eleições parlamentares deste domingo. O comparecimento às urnas foi recorde: 79% do eleitorado.

O futuro chefe de governo será Péter Magyar (foto), que há dois anos deixou o partido governo. Seu Partido Respeito e Liberdade (Tisza), terá maioria de dois terços para reformar a Constituição, restabelecer a democracia plena no país, dinamizar a economia, melhorar as relações com a União Europeia e entrar para a Zona do Euro.

Durante a campanha, Orbán teve o apoio do presidente Donald Trump e dos ditadores da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping. O vice-presidente dos Estados Unidos, James Vance, foi a Budapeste na semana passada levar pessoalmente o apoio a Orbán. Todos viam no líder húngaro uma quinta coluna capaz de enfraquecer o bloco europeu.

Maior aliado de Putin na UE, Orbán bloqueava uma ajuda de 90 bilhões de euros à Ucrânia. Seus representantes diplomáticos passavam à Rússia o que era discutido nas reuniões de ministros da UE. É um modelo para a extrema direita neofascista nos EUA, na Europa e na América Latina, inclusive no Brasil.

Na política interna, Orbán seguiu a fórmula adotada por outros líderes autoritários como Vladimir Putin, Hugo Chávez na Venezuela, Recep Tayyip Erdogan na Turquia e os irmãos Kaczynski na Polônia: controlar o Poder Judiciário e os meios de comunicação, pedras fundamentais da democracia. 

Na democracia iliberal, os líderes chegam ao poder em eleições democráticas e usam os instrumentos da democracia para impor um regime iliberal, que alguns autores chamam de autoritarismo competitivo. Não chamam de neofascismo porque ainda pode ser derrotado pelo voto.

Viktor Orbán entra na política húngara ao fazer discursos em Budapeste nas revoluções que derrubaram o comunismo na Europa Oriental, em 1989. A Hungria é o primeiro país a abrir a cortina de ferro, em 2 de maio de 1989, permitindo que qualquer pessoas saísse do país. Tinha a economia mais aberta do Bloco Comunista.

Seu partido, a União Cívica Húngara (Fidesz) nasceu do movimento estudantil, da Aliança dos Jovens Democratas e pertenceu à Internacional Liberal. Sob sua liderança, tornou-se mais conservador, nacionalista a antieuropeu. Orbán foi primeiro-ministro de 1998 a 2002. Fez um governo moderado. 

Depois de oito anos como líder da oposição, volta em 2010, faz reformas antidemocráticas para se eternizar no poder. Censurou a imprensa, acabou com a independência do Judiciário e enfraqueceu a democracia multipardária. Aproveitou a Crise dos Refugiados para aprovar leis anti-imigração. Empobreceu e corrompeu a Hungria.

O advogado e deputado do Parlamento Europeu Péter Magyar, de 45 anos, deixou o Fidesz em fevereiro de 2024, em protesto contra o indulto a condenados por crimes sexuais. No mês seguinte, assumiu a liderança do até então praticamente desconhecido Tisza com uma proposta voltada para cidadãos insatisfeitos tanto com o governo quanto com a oposição tradicional. Então, de certa forma, também surfa na onda da antipolítica.

Nas eleições para o Parlamento Europeu, em junho de 2024, o Tisza ficou em segundo lugar, atrás apenas do Fidesz, com cerca de 30% dos votos, a maior votação de um partido de oposição na Hungria desde 2006. Magyar se define como conservador nos costumes e politicamente, e liberal em economia, um europeu com uma visão crítica.

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terça-feira, 16 de setembro de 2025

Charlie Kirk não é mártir nem herói

Todo assassinato político é inaceitável. É terrorismo político. É a barbárie. Mas o ativista político de extrema direita e influenciador digital Charlie Kirk semeou com discursos de ódio a violência que o abateu com um tiro certeiro em 10 de setembro na Universidade do Vale de Utah.

A violência é uma marca da política dos Estados Unidos, um país onde quatro presidentes foram mortos e muitos outros escaparam de atentados. O Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) de Washington percebe um aumento da violência política nos últimos anos.

domingo, 18 de maio de 2025

Candidato pró-Europa vence na Romênia em derrota do trumpismo

Numa grande reviravolta na eleição mais importante na Romênia desde a queda do comunismo, em 1989, com mais de 90% das urnas apuradas, o prefeito centrista de Bucareste, Nicusor Dan, foi eleito presidente hoje no segundo turno. 

Por 54% a 46% dos votos válidos, ele venceu o candidato ultranacionalista George Simion, que saiu na frente no primeiro turno e agora denuncia fraude. A participação do eleitorado foi de 65%, em contraste com 53% no primeiro turno duas semanas atrás.

É mais um extremista de direita que perde sob a sombra do presidente dos Estados Unidos. Grande admirador de Donald Trump, Simion ganhou o primeiro turno com 41% dos votos e dava a vitória como certa.

Quando terminou a votação, às 21h (15h em Brasília), os dois candidatos cantaram vitória. Dan atribuiu o resultado "à comunidade de romenos que desejam uma mudança profunda" e prometeu: "A partir de amanhã, vamos reconstruir a Romênia." Seus partidários gritavam "Europa" e "unidade", contra o divisionismo e os discursos de ódio e antieuropeus da extrema direita.

No primeiro momento, Simion também declarou vitória diante de seus partidários dizendo ser "o novo presidente da Romênia". Mais tarde, reconheceu a derrota no Facebook e prometeu "continuar a luta".

Nicosur Dan nasceu em Fagaras, na província de Brasov, em 20 de dezembro de 1969. É matemático. Na juventude, ganhou duas vezes medalha de ouro nas Olimpíadas Internacionais de Matemática com notas perfeitas em 1987 e 1988. Doutor pela Escola Normal Superior de Paris em 1998, fundou uma faculdade de mesmo nome ao voltar à Romênia.

Em 2015, ele fundou a União Salve Bucareste para lutar contra a corrupção e pela preservação da capital romena, o que o lançou na política. Dan foi eleito deputado em 2016 e prefeito de Bucareste em 2020 e 2024. Venceu a eleição presidencial por ser considerado um bom prefeito.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, cumprimentou "calorosamente" o presidente eleito: "Os romenos foram às urnas em massa. Eles escolheram a promessa de uma Romênia aberta e próspera numa Europa forte."

Na vizinha Ucrânia, o presidente Volodymyr Zelensky também festejou o resultado "histórico" e destacou "a importância de ter na Romênia uma parceira confiável". Antieuropeu, o candidato derrotado é contra a ajuda à Ucrânia. Na campanha, defendeu a neutralidade.

Esta eleição presidencial romena foi bastante controvertida. Em 6 de dezembro de 2024, dois dias antes da data marcada para o segundo turno, o Tribunal Constitucional, a corte suprema do país, anulou o primeiro turno vencido pelo ultradireitista Calin Georgescu com 23% votos sob a alegação de que houve interferência externa significativa, principalmente da Rússia, e violação da lei eleitoral.

Além de ataques cibernéticos e notícias falsas atribuídas à Rússia, as investigações descobriram que a campanha Georgescu recebeu pelo menos um milhão de euros de financiamento ilegal.

A anulação do primeiro turno foi uma das razões que levou o vice-presidente dos EUA, James David Vance, a acusar a Europa de retrocesso na democracia ao censurar a liberdade de expressão e de tentar suprimir uma corrente de pensamento ignorando parte de seu eleitorado, em discurso na 61ª Conferência de Segurança de Munique. Estava defendendo a extrema direita em todo o continente e alienando aliados históricos. 

segunda-feira, 21 de abril de 2025

Hoje na História do Mundo: 21 de Abril

 FUNDAÇÃO DE ROMA

    Em 753 antes da Cristo, de acordo com a lenda, os gêmeos Rômulo e Remo, alimentados por uma loba depois de serem abandonados, fundam Roma.

O jornalista e historiador Indro Montanelli disse que a Loba era Acca Larentia, uma prostituta.

Os irmãos se desentendem. Rômulo mata Remo e se torna o primeiro dos sete reis de Roma. Em 509 AC, Roma se torna uma república. Em 27 AC, Otávio César Augusto é coroado imperador.

O Império Romano do Ocidente cai em 4 de setembro de 476, quando o rei bárbaro Flávio Odoacro derruba o imperador Rômulo Augusto.

O Império Romano do Oriente ou Império Bizantino cai em 29 de maio de 1453, quando o sultão Mehmet II, do Império Otomano (turco), conquista Constantinopla.

INDEPENDÊNCIA DO TEXAS

    Em 1836, o general Sam Houston leva 800 texanos à vitória contra 1,5 mil soldados do Exército do México sob o comando do general Antonio López de Santa Anna na Batalha de São Jacinto, garantindo a independência do Texas.

A colonização do Texas começa depois que o presidente Thomas Jefferson compra em 1803 da França de Napoleão Bonaparte o território da Louisiana, que se estendia ao longo do Rio Mississípi. 

Moses Austin consegue autorização do governo imperial espanhol para assentar 300 famílias numa área de 81 mil hectares no Tejas. Quando o México se torna independente da Espanha, em 1821, Stephen Austin renova a autorização com o novo governo.

Em 1832, a população de colonos norte-americanos na região chega a 20 mil. A instabilidade política no México leva a um golpe do general Santa Anna em 1833. Stephen Austin vai à Cidade do México apresentar as reivincações dos colonos. É preso sob a acusação de fomentar uma rebelião.

Libertado em 1835, Austin volta ao Texas, que forma um governo provisório e declara independência do México em 1836. David Burnet é o presidente interino, Sam Houston o comandante militar e Stephen Austin o embaixador nos EUA, encarregado de obter apoio estratégico e recrutar voluntários.

O Cerco do Álamo, perto de Santo Antônio, pelo Exército do México de 23 de fevereiro a 6 de março de 1836 é uma das batalhas marcantes da Guerra da Independência do Texas. Entre 180 e 250 defensores do Álamo morrem na batalha. Sobrevivem as mulheres, as crianças, os escravizados e funcionários não combatentes.

"Relembrem o Álamo!", passa a ser o grito de guerra dos rebeldes texanos. Os inimigos se encontram junto ao Rio São Jacinto, perto de onde hoje fica Houston, a quarta maior cidade dos EUA. Houston lança um ataque de surpresa e conquista a vitória em 18 minutos.

A Revolução Texana é mais do que uma guerra entre colonos anglo-europeus e soldados mexicanos. É uma luta contra um governo central distante, corrupto e tirânico. Sam Houston é o primeiro presidente da República do Texas e Stephen Austin é secretário de Estado. Hoje os dois são homenageados como nomes de cidades. Houston é a capital até 1839, quando Austin é aprovada.

MORTE DO BARÃO VERMELHO

    Em 1918, a Força Aérea Real britânica abate e mata numa batalha perto de Amiens, na França, Manfred, Barão de Richthofen, mais conhecido como o Barão Vermelho, considerado o melhor piloto da Primeira Guerra Mundial (1914-18), com 80 vitórias.


 
Manfred Alfred Freiherr von Richthofen nasce em Breslau em 2 de maio de 1892. Ele começa a carreira militar na cavalaria. Em 1915, passa à força aérea do Exército Imperial da Alemanha e, no ano seguinte, da esquadrilha Jasta 2. Seu sucesso como piloto de avião de caça o leva a comandar uma unidade de caças em 1917.

O Barão Vermelho é um herói nacional na Alemanha temido pelos inimigos quando perde a última batalha.

EXTREMA DIREITA NO SEGUNDO TURNO

    Em 2002, o candidato da Frente Nacional, de extrema direita, Jean-Marie Le Pen, conquista 16,86% dos votos, supera o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, que recebe 16,18% dos votos, fica em segundo lugar e vai para o segundo turno da eleição presidencial na França com o presidente Jacques Chirac.

Filho de um marinheiro, Jean-Marie nasce 20 de junho de 1928 em Trinité-sur-Mer, uma cidade litorânea da região da Bretanha. Ele estuda direito na Universidade de Paris. Em 1954, entra para a Legião Estrangeira e serve nas guerras da independência da Argélia e da Indochina Francesa, hoje dividida em Camboja, Laos e Vietnã.

Em 1956, Le Pen é o mais jovem deputado eleito para a Assembleia Nacional da França. Um dos fundadores da Frente Nacional, em 1972, lidera o partido até 2011 com um discurso ultranacionalista e antissemita. Chega a dizer que as câmaras de gás dos campos de concentração nazistas na Segunda Guerra Mundial (1939-45) são um episódio menor da história. É condenado por negar o Holocausto.

Com estas ideias extremistas, a Frente Nacional é marginalizada dentro do sistema político francês. No segundo turno das eleições legislativas, todos os partidos, da direita republicana representada pelo gaullismo até a esquerda, se unem para barrar o acesso da extrema direita à Assembleia Nacional.

A naturalização, a aceitação da extrema direita como parte do sistema político francês, começa com a chegada de Le Pen ao segundo turno em 2002. Mais uma vez, quase todos os partidos, inclusive o Partido Socialista (PS) e o Partido Comunista Francês (PCF), apoiam o presidente Chirac, reeleito no segundo turno com 82,21% dos votos contra 17,79% para Jean-Marie Le Pen. Mas um tabu é quebrado.

Em 2007, o gaulista Nicolas Sarkozy vence a socialista Ségolène Royal no segundo turno. Em 2012, o socialista François Hollande derrota Sarkozy. Mas em 2017 e 2022, o atual presidente Emmanuel Macron, enfrenta no segundo turno Marine Le Pen, filha de Jean-Marie, que hoje é a favorita para as próximas eleições presidenciais, em 2027.

A Frente Nacional, rebatizada como Reunião ou Reagrupamento Nacional (RN), conquista 18,68% dos votos nas eleições parlamentares de 2022. Sua bancada na Assembleia Nacional cresce de 8 para 89 deputados. Fica atrás da bancada governista (245 cadeiras) e da Nova União Popular Ecológica e Social (NUPES), uma aliança esquerdista da França Insubmissa com o PS, o PCF e a Europa Ecologia-Os Verdes (131 cadeiras).

Nas eleições legislativas de junho e julho de 2024, antecipadas depois do bom desempenho da extrema direita nas eleições para o Parlamento Europeu em junho do ano passado, o bloco centrista aliado do presidente Emmanuel Macron fez um acordo informal com a Nova Frente Popular (NFP), de esquerda, para barrar a ascensão da extrema direita ao poder, mas não fizeram aliança para governar.

A NFP fez a maior bancada na Assembleia Nacional (180 cadeiras), à frente da bancada macronista (159) e da RN (142). Como são 577 deputados, todas ficaram longe da maioria absoluta (289). 

O resultado é um governo fraco e indeciso, o que aumenta as chances da extrema direita na eleição presidencial de 2027. Mas sua líder, Marine Le Pen, está inelegível, condenada por corrupção ao desviar 4,4 milhões de euros do Parlamento Europeu. O Tribunal de Recursos de Paris promete julgar o caso em 2026. No momento, Le Pen lidera as pesquisas.

MORTE DO PRÍNCIPE DO ROCK

    Em 2016, o genial cantor, compositor, guitarrista, baterista, tecladista, produtor e bailarino Prince Nelson Rogers, que cria um gênero inovador com a fusão do funk, rhythm and blues, soul, jazz, rock and roll e pop, uma das maiores estrelas da música popular nos anos 1980 e 1990, morre acidentalmente de uma dose excessiva de fentanil, um poderoso opioide, a droga que mais mata hoje nos Estados Unidos.

Prince nasce em Mineápolis, no estado de Minnesota, em 7 de junho de 1958 e se torna uma dos músicos mais talentosos de sua geração. Como o cantor e compositor Steve Wonder, é um dos poucos músicos com excelente desempenho em todos os instrumentos que tocava, gravando discos com vários instrumentos tocados por ele. Aos 7 anos, aprende a tocar piano. Aos 14 anos, entra na primeira banda.

Seu estilo absolutamente original, andrógino e sensual mistura a arte de Jimi Hendrix, Little Richard e Michael Jackson. Ele começa a carreira com funk e soul para o mercado afro-americano sob o impacto da música para discoteca. Depois incorpora elementos do jazz, punk, heavy metal, dos Beatles e do hip-hop.

O álbum Purple Rain (1984), o mais vendido de seus 39 discos, com mais de 21 milhões de cópias, o torna um ícone da música dos anos 1980 e lhe dá um Oscar de melhor trilha sono e um Grammy. Em 2004, ele entra para o Rock and Roll Hall of Fame.

Em 21 de abril de 2016, Prince é encontrado morto em sua mansão em Paisley Park, em Chanhassem, em Minnesota. Como não deixa descendentes, sua fortuna de US$ 400 milhões é dividida entre os seis irmãos.

terça-feira, 1 de abril de 2025

Condenação de Le Pen é exemplo para Brasil e EUA

A líder da extrema direita na França, Marine Le Pen, foi condenada ontem a quatro anos de prisão, sendo dois em regime fechado, multa de 100 mil euros e cinco anos de inelegibilidade por desviar 4,4 milhões de euros de fundos do Parlamento Europeu para usar na política francesa. Outros 21 membros da seu partido, a Reunião ou Reagrupamento Nacional (RN), também foram punidos.

Em entrevista à televisão francesa TF1, Marine Le Pen protestou, alegando que foi um "julgamento político" típico de regime autoritários para afastá-la da eleição presidencial de 2027. No momento, ela lidera as pesquisas. Ela pode recorrer, mas a pena de inelegibilidade é de cumprimento imediato. 

O Tribunal de Recursos de Paris prometeu tomar uma decisão no verão de 2026, bem antes da eleição. Se perder, como último recurso, Le Pen pode apelar ao Tribunal Constitucional com o argumento de que a decisão viola os direitos do eleitorado francês.

Vários líderes de extrema direita, entre eles o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, o bilionário sul-africano-norte-americano Elon Musk, o homem mais rico do mundo, e o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, criticaram a sentença.

Le Pen adotou a mesma postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em vez de apresentar argumentos de defesa, atacou a Justiça. A França dá um exemplo ao Brasil e aos EUA de como tratar esses extremistas num momento de ascensão do neofascismo em escala global.

segunda-feira, 30 de setembro de 2024

Extrema direita vence na Áustria

 Com 29,2% dos votos, o Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ), de extrema direita, venceu pela primeira vez as eleições parlamentares austríacas, realizadas no domingo, mas pode ter dificuldade para formar o novo governo. O primeiro-ministro conservador, os sociais-democratas, os liberais e os verdes se negam a fazer aliança com os neonazistas.

O líder da ultradireita, Herbert Kickl (foto), quer liderar o novo governo. Mas, ao se apresentar como "chanceler do povo", expressão usada por Adolf Hitler, suscita grandes suspeitas. O FPÖ já fez parte do governo da Áustria, como parceiro menor dos conservadores.

Em segundo lugar, ficou o Partido Popular da Áustria (ÖVP), conservador, do atual chanceler (primeiro-ministro) Karl Nehammer, com 26,5%. O Partido Social-Democrata da Áustria (SPÖ) caiu para 21%. Os liberais da Nova Áustria e Fórum Liberal (NEOS) ficaram com 9,1% e os Verdes, que faziam parte do governo, 8,3%.

Nehammer declarou que "é impossível formar governo com quem adora teorias conspiratórias", mas alguns membros de seu partido querem negociar com Kickl. Ele chegou ao poder sem passar pelo escrutínio das urnas em 2021, substituindo o chanceler Sebastian Kurz, investigado por corrupção.

A ultradireita chegou à vitória explorando o descontentamento com dois anos de recessão, o aumento do custo de vida e a imigração. Kickl prometeu transformar o país na Fortaleza Áustria para barrar a entrada de imigrantes e restaurar a segurança, a prosperidade e a paz.

No plano internacional, ele pretende se aliar ao primeiro-ministro neofascista da Hungria, Viktor Orbán, no que já está sendo chamado de "novo império austro-húngaro", agora de extrema direita. Ambos são favoráveis à Rússia e contra a ajuda à Ucrânia, que consideram inútil.

O FPÖ foi fundado por ex-nazistas nos anos 1950. Em 1999, com o falecido líder Jörg Haider, ficou em segundo com 26,9% dos votos. Sofreu um duro golpe com denúncias de corrupção contra o então líder, Heinz-Christian Strache, e caiu para 16,2%. 

Dois dias antes destas eleições, membros do partido foram flagrados em vídeo cantando músicas da SS, a força paramilitar do Partido Nazista. Depois do anúncio dos resultados, manifestantes antinazistas protestaram diante do Parlamento, em Viena.

A extrema direita governa a Itália, a Hungria e a Eslováquia, faz parte do governo da Finlândia, da Holanda, da Suécia e da Suíça, teve o partido mais votado nas eleições parlamentares na França e está em segundo lugar nas pesquisas na Alemanha.

segunda-feira, 2 de setembro de 2024

Extrema direita vence primeira eleição na Alemanha no pós-guerra

 Como era temido, o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) ficou em primeiro lugar nas eleições no estado da Turíngia e em segundo lugar na Saxônia. Este resultado é consequência dos problemas da reintegração da antiga Alemanha Oriental, da Crise de Refugiados e da impopularidade do atual governo federal do país. É improvável que os neonazistas consigam formar governo. O chanceler (primeiro-ministro) social-democrata Olaf Scholz pediu aos outros partidos que não formem governo com a ultradireita.

Na Turíngia, um pequeno estado de apenas 2 milhões de habitantes, a extrema direita conquistou 32,8% dos votos, batendo a União Democrata-Cristã (CDU), o maior partido de oposição da direita conservadora, que teve 23,6%

Na Saxônia, a AfD (30,6%) ficou logo atrás da CDU (31,9%). Em ambos estados, a Aliança Sarah Wagennecht (BSW) ficou em terceiro lugar, com 15,8% na Turíngia e 11,8% na Saxônia. É um partido nacionalista e populista de extrema esquerda, eurocético e socialmente conservador, mas a favor do Estado do bem-estar social. A CDU terá problemas para formar governo com a BSW porque discordam em quase tudo, da questão social ao apoio à Ucrânia.

O comparecimento às urnas, de 74% na média dos dois estados, é um sinal que os alemães do Leste queriam punir o governo federal.

A coalizão de governo, chamada de sinal de trânsito, vermelho do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), amarelo do Partido Democrático Liberal (FDP) e Os Verdes, foi fragorosamente derrotada. Os três partidos do governo vivem brigando entre si. Raramente chegam a consensos. Scholz é um líder fraco. Deve cair nas próximas eleições gerais, daqui a um ano.

domingo, 9 de junho de 2024

Extrema direita avança nas eleições para o Parlamento Europeu

 Os partidos tradicionais mantêm o controle sobre o Parlamento Europeu pelos próximos cinco anos, apesar do avanço da extrema direita nas eleições iniciadas na quinta-feira. Os resultados preliminares foram anunciados neste domingo. 

A ultradireita venceu na França e na Áustria, ficou em segundo na Alemanha e consolidou a posição da primeira-ministra Giorgia Meloni na Itália. Deve ter pelo menos 169 das 720 cadeiras, mais de um quarto.

A presidente da Comissão Europeia, o órgão executivo da União Europeia, a alemã Ursula von der Leyen, saudou a vitória dos partidos de centro, mas o centro de gravidade do Parlamento Europeu se moveu para a direita.

Na França, a Reunião Nacional, liderada por Marine Le Pen e nesta eleição por Jordan Bardella, ganhou com 31,5% dos votos, derrotando o partido Renascença, do presidente Emmanuel Macron, de centro-direita, que teve 14,6% dos votos, e o Partido Socialista, que chegou 13,8% com o Raphael Gluksmann como líder da lista de candidatos a eurodeputado.

Diante da derrota, o presidente francês dissolveu a Assembleia Nacional convocou eleições legislativas antecipadas para 30 de junho e 7 de julho, sob o argumento de que "a França precisa de uma maioria clara". O governo não tem maioria na Assembleia Nacional desde as eleições de 2022.

A direita conservadora venceu na Alemanha com 30,3% dos votos para a aliança entre a União Democrata-Cristã (CDU) e a União Social-Cristã (CSU), que terá 29 eurodeputados. A Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema direita, ficou em segundo lugar com 15,6% e 15 cadeiras, à frente dos partidos do governo. É forte especialmente na antiga Alemanha Oriental. 

Entre os governistas, o Partido Social-Democrata (SPD), do primeiro-ministro Olaf Scholz, teve 14,6% dos votos e terá 14 eurodeputados. Os Verdes ficaram com 12% e 12 cadeiras, e o Partido Liberal-Democrata (FDP) com 5,3% e 5 cadeiras.

Os Irmãos da Itália (FdI), partido da primeira-ministra da extrema direita Giorgia Meloni, ganhou na Itália com 28,6% dos votos e levou 24 cadeiras, batendo o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, o maior da oposição, com 25,6% dos votos e 22 deputados. 

O Movimento 5 Estrelas (M5E), anarquista, ficou em terceiro, com 9,7% e 8 deputados e a Liga, também de extrema direita, foi o quarto partido mais votado, com 8,8% e 8 deputados. Perdeu 14 cadeiras, enquanto os Irmãos da Itália ganharam 14 deputados.

Na Espanha, o conservador Partido Popular (PP) teve 34% dos votos elegeu 22 eurodeputados e o Partido Socialista Operário Espanhol 30% recebeu 30% dos votos e conquistou 20 cadeiras; 64% dos espanhóis são europeístas. O partido de extrema direita Vox teve 9,6% dos votos e elegeu 6 eurodeputados. Um novo partido de extrema direita, Se Acabó la Fiesta (A Festa Acabou) elegeu mais três.

Uma observação importante é que a extrema direita não trabalha unida no Parlamento Europeu. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, se aproximou da presidente da Comissão Europeia, da CDU alemã, que faz parte do Partido Popular Europeu, o maior bloco do parlamento, com 184 deputados, que reúne partidos da direita tradicional, conservadores e democratas-cristãos.

Meloni não faz parte do bloco Identidade e Democracia, liderado por Le Pen, nem do bloco dos Conservadores e Reformistas Europeus. Le Pen se afasta da AfD. Então, apesar do crescimento, a ultradireita ainda não se entendeu para atuar em conjunto.

A UE sofreu desde a crise financeira internacional de 2008 com a Crise do Euro, um aumento da imigração por causa das guerras no Oriente Médio e na África, e com a guerra da Rússia contra a Ucrânia. A necessidade de socorrer economias em crise, a rejeição aos imigrantes e os bilhões de euros dados à Ucrânia alimentam a ascensão da extrema direita, que também recebeu o apoio da máquina de propaganda e notícias falsas do Kremlin.

domingo, 21 de abril de 2024

Hoje na História do Mundo: 21 de Abril

 FUNDAÇÃO DE ROMA

    Em 753 antes da Cristo, de acordo com a lenda, os gêmeos Rômulo e Remo, alimentados por uma loba depois de serem abandonados, fundam Roma.

O jornalista e historiador Indro Montanelli disse que a Loba era Acca Larentia, uma prostituta.

Os irmãos se desentendem. Rômulo mata Remo e se torna o primeiro dos sete reis de Roma. Em 509 AC, Roma se torna uma república. Em 27 AC, Otávio César Augusto é coroado imperador.

O Império Romano do Ocidente cai em 4 de setembro de 476, quando o rei bárbaro Flávio Odoacro derruba o imperador Rômulo Augusto.

O Império Romano do Oriente ou Império Bizantino cai em 29 de maio de 1453, quando Mehmet II, do Império Otomano (turco), conquista Constantinopla.

EXTREMA DIREITA NO SEGUNDO TURNO

    Em 2002, o candidato da Frente Nacional, de extrema direita, Jean-Marie Le Pen, conquista 16,86% dos votos, supera o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, que recebe 16,18% dos votos, fica em segundo lugar e vai para o segundo turno da eleição presidencial na França com o presidente Jacques Chirac.

Filho de um marinheiro, Jean-Marie nasce em La Trinité, uma cidade litorânea da região da Bretanha. Ele estuda direito na Universidade de Paris. Em 1954, entra para a Legião Estrangeira e serve na Argélia e na Indochina Francesa, hoje dividida em Camboja, Laos e Vietnã.

Em 1956, Le Pen é o mais jovem deputado eleito para a Assembleia Nacional da França. Um dos fundadores da Frente Nacional, em 1972, lidera o partido até 2011 com um discurso ultranacionalista e antissemita. Chega a dizer que as câmaras de gás dos campos de concentração nazistas na Segunda Guerra Mundial (1939-45) são um episódio menor da história. É condenado por negar o Holocausto.

Com estas ideias extremistas, a Frente Nacional é marginalizada dentro do sistema político francês. No segundo turno das eleições legislativas, todos os partidos, da direita republicana representada pelo gaullismo até a esquerda, se unem para barrar o acesso da extrema direita à Assembleia Nacional.

A naturalização, a aceitação da extrema direita como parte do sistema político francês, começa com a chegada de Le Pen ao segundo turno em 2002. Mais uma vez, quase todos os partidos, inclusive o Partido Socialista (PS) e o Partido Comunista Francês (PCF), apoiaram o presidente Chirac, reeleito no segundo turno com 82,21% dos votos contra 17,79% para Jean-Marie Le Pen. Mas um tabu é quebrado.

Em 2007, o gaulista Nicolas Sarkozy vence a socialista Ségolène Royal no segundo turno. Em 2012, o socialista François Hollande derrota Sarkozy. Mas em 2017 e 2022, o atual presidente Emmanuel Macron, enfrentou no segundo turno Marine Le Pen, filha de Jean-Marie, que hoje é a favorita para as próximas eleições presidenciais, em 2027.

A Frente Nacional, rebatizada como Reunião ou Reagrupamento Nacional, conquista 18,68% dos votos nas eleições parlamentares de 2022. Sua bancada na Assembleia Nacional cresce de 8 para 89 deputados. Fica atrás da bancada governista (245 cadeiras) e da Nova União Popular Ecológica e Social (NUPES), uma aliança esquerdista da França Insubmissa com o PS, o PCF e a Europa Ecologia-Os Verdes (131 cadeiras).

MORTE DO PRÍNCIPE DO ROCK

    Em 2016, o genial cantor, compositor, guitarrista, baterista, tecladista, produtor e bailarino Prince Nelson Rogers, que criou um gênero inovador com a fusão do funk, rhythm and blues, soul, jazz, rock'n'roll e pop, uma das maiores estrelas da música popular nos anos 1980 e 1990, morre acidentalmente de uma dose excessiva de fentanil, um poderoso opioide, a droga que mais mata hoje nos EUA.

Prince nasce em Mineápolis, no estado de Minnesota, em 7 de junho de 1958 e se torna uma dos músicos mais talentosos de sua geração. Como o cantor e compositor Steve Wonder, é um dos poucos músicos com excelente desempenho em todos os instrumentos que tocava, gravando discos com vários instrumentos tocados por ele. Aos 7 anos, aprende a tocar piano. Aos 14 anos, entra na primeira banda.

Seu estilo absolutamente original, andrógino e sensual mistura a arte de Jimi Hendrix, Little Richard e Michael Jackson. Ele começa a carreira com funk e soul para o mercado afro-americano sob o impacto da música para discoteca. Depois incorpora elementos do jazz, punk, heavy metal, dos Beatles e do hip-hop.

O álbum Purple Rain (1984), o mais vendido de seus 39 discos, com mais de 21 milhões de cópias, o torna um ícone da música dos anos 1980 e lhe dá um Oscar de melhor trilha sono e um Grammy. Em 2004, ele entra para o Rock and Roll Hall of Fame.

Em 21 de abril de 2016, Prince é encontrado morto em sua mansão em Paisley Park, em Chanhassem, em Minnesota. Como não deixa descendentes, sua fortuna de US$ 400 milhões é dividida entre os seis irmãos.

segunda-feira, 11 de março de 2024

Direita vence eleições marcadas por avanço da ultradireita em Portugal

A Aliança Democrática (AD), de centro-direita, venceu as eleições parlamentares antecipadas realizadas no domingo em Portugal com uma pequena vantagem sobre o Partido Socialista (PS), que governava o país há nove anos, mas a grande novidade foi o crescimento do partido Chega, de extrema direita, anti-imigrantes. Como o líder da AD se nega a fazer aliança com a ultradireita, uma Assembleia da República mais fragmentada aponta para um aumento da instabilidade política. 

Com 99% das urnas apuradas, a Aliança Democrática teve 29,49% dos votos e elegeu 79 deputados, dois a mais do que o Partido Socialista, que teve 28,66% dos votos. O Chega conquistou pouco mais de 18% dos votos. Quadruplicou a bancada de 12 para 48 deputados. A extrema direita passou a ser a terceira maior força política do país.

Nos próximos dias, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa deve convidar o líder da Aliança Democrática, Luís Montenegro, para formar o próximo governo. Sem a extrema direita, será impossível formar um governo com maioria na Assembleia da República, de 230 deputados, a não ser que direita e esquerda se unem numa grande coalizão para barrar o neofascismo.

Se não houver acordo, os portugueses terão de voltar às urnas em breve.

A ascensão do neofascismo é um fenômeno global alimentado pela crise da democracia em garantir o bem-estar das classes médias na era da globalização. Portugal é apenas um entre tantos exemplos.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2022

Alemanha prende radicais de ultradireita suspeitos de golpe

Mais de 3 mil policiais participaram de uma megaoperação em 11 dos 16 estados da Alemanha para prender nessa quarta-feira 25 extremistas de direita de um grupo chamado Cidadãos do Reich, que fazia planos para derrubar o governo republicano e democrático, e restaurar a monarquia sob a liderança de um aristocrata de 71 anos, um candidato a rei que se apresenta como Heinrich ou Henrique XIII.

"Nosso Estado constitucional é forte. Sabemos nos defender com todas as nossas forças contra os inimigos da democracia", declarou a ministra do Interior, Nancy Faeser.

O grupo, considerado pelo governo alemão uma organização terrorista, acredita em teorias conspiratórias como a existência de um "Estado profundo" que governaria a Alemanha de fato. Anda armado e tentou invadir o Parlamento Federal em agosto de 2020. Rejeita totalmente as instituições estatais e o regime democrático da República Federal da Alemanha.

A Procuradoria o acusa de planejar a tomada do poder por "meios militares" com assalto armado ao Bundestag como os partidários de Donald Trump tentaram fazer em 6 de janeiro de 2001 no Capitólio para impedir a certificação da vitória de Joe Biden. Os Cidadãos do Reich pediriam ajuda à Rússia para tomar o poder na Alemanha.

Entre os presos, há ex-militares, um ex-policial e uma ex-deputada do partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD), Birgit Malsack-Winkemann, que trabalhava como juíza do Tribunal Regional de Berlim. Além do príncipe, líder político vigiado há anos pelos serviços secretos alemães, o coronel reformado Rüdiger von P. é apontado como comandante militar dos Cidadãos do Reich.

A rede terrorista começou a ser articulada no fim de novembro de 2021 com o objetivo de "derrubar a ordem estatal existente na Alemanha e substituí-la por uma forma de governo própria", nas palavras de um comunicado da Procuradoria. Seus membros sabem que isto só pode ser feito com o uso da força, o que "inclui cometer homicídios".

Os extremistas tentaram atrair soldados e policiais, e organizaram treinamentos de tiro para preparar o ataque. Até agora, foram identificados 51 suspeitos. A operação está em andamento e pode realizar novas prisões.

As autoridades alemãs alertam que o terrorismo de extrema direita aumentou com a onda de refugiados e se tornou ainda pior durante a pandemia.

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Extrema direita leva Netanyahu de volta ao poder em Israel

 Nas quintas eleições gerais em quatro anos, o ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o chefe de governo com mais tempo no poder na história de Israel, prepara sua volta, mas a grande vencedora é extrema direita, que deve pular de 6 para 14 cadeiras e ter a terceira maior bancada na Knesset, o Parlamento de Israel. Será o governo mais à direita de história do país.

Líder do partido direitista Likud, Netanyahu governou Israel de 1996-97 e de 2009-21, superando o fundador de Israel, David Ben-Gurion. É o principal responsável pela estagnação e o fracasso do processo de paz com os palestinos.

No ano passado, caiu diante de uma coalizão ampla e frágil articulada pelo primeiro-ministro derrotado hoje, o centrista Yair Lapid, que reunia partidos de direita, centro, esquerda e árabes. Lapid defendia a paz com a criação de um Estado palestino. 

O novo governo fará o que puder para consolidar a ocupação e enterrar a solução com dois países, um árabe e um judeu, divindido o território histórico da Palestina, nos termos da decisão da ONU que criou o Estado de Israel, em 1947.

Para formar um governo, é necessária uma aliança com pelo menos 61 dos 120 deputados da Knesset. O Likud é o partido mais votado. Conquistou 32 cadeiras. Em segundo, ficou Yesh Atid (Há Futuro), de Lapid, com 24, seguido pela aliança Sionismo Religioso-Poder Judaico, com 14.

A Unidade Nacional, do ministro da Defesa Benny Gantz, aliado de Lapid, elegeu 12 deputados. Logo atrás, vem dois partidos religiosos da coligação de Netanyahu, Shas (11 cadeiras) e Judaísmo Unido da Torá (8). 

Yisrael Beiteinu (Israel Nossa Casa), do ex-ministro da Defesa linha-dura Avigor Lieberman, fundado por imigrantes da antiga União Soviética. Perdeu dois deputados e agora tem cinco.

A Lista Árabe Unida deve eleger cinco deputados, assim como a coalizão Hadash-Ta'al (Frente Democrática pela Paz e Igualdade, que inclui o Partido Comunista, e Movimento de Renovação Árabe), um a mais do que o Partido Trabalhista.

O partido que fundou e governou Israel nos primeiros 29 anos de sua história, e foi o grande responsável pelo processo de paz com os palestinos, perdeu três cadeiras e pode ter apenas quatro representantes no parlamento. O social-democrata Meretz não venceu a cláusula de barreira de 3,25% dos votos. Teve apenas 3,14% e ficou fora da Knesset.

Com 32 deputados do Likud, 14 da aliança Sionismo Religioso-Poder Judeu, 11 do Shas e 8 do Judaísmo Unido da Torá, Netanyahu pode formar um governo com uma maioria de 65 cadeira. Mas corre o risco de ficar refém de uma extrema direita supremacista, racista, xenófoba, misógina e homofóbica que defende a anexação da Cisjordânia ocupada e a expulsão de todos os árabes, que são cerca de 21% dos 9,6 milhões de israelenses.

O líder do Poder Judeu, Itamar Ben-Gvir, é discípulo de Meir Kahane, um rabino ultradireitista e deputado cujo partido Kach (Assim) foi banido por ser antidemocrático e racista. Os EUA o consideravam uma organização terrorista. Kahane foi assassinado em Nova York em 1990. Na sua sala, há uma foto do terrorista israelense Baruch Goldstein, que matou 29 palestinos num ataque à Tumba do Patriarca (Abraão), em Hebron, na Cisjordânia, em 1994.

Ben-Gvir defende a pena de morte para terroristas, pediu para as forças de segurança atirarem em palestinos que jogavam pedras e chegou a dizer que o resto da humanidade existe para "servir os judeus". É um discurso tão extremista que um deputado, respeitosamente, alegando não querer comparar com o supremacismo ariano do Nazismo, acabou comparando.

domingo, 24 de julho de 2022

Trump nada fez por mais de três horas durante ataque ao Congresso

A comissão especial da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos que investiga o ataque ao Congresso em 6 de janeiro do ano passado fez o que o jornal francês Libération chamou de anatomia de um golpe, a fracassada tentativa de golpe do então presidente Donald Trump para ficar no poder por mais quatro anos. 

Na última quinta-feira, os deputados se concentraram na omissão de Trump durante três horas e sete minutos, até divulgar uma gravação pedindo a seus seguidores fanáticos que fossem para casa. 

A conclusão inevitável é que o presidente concordava com a insurreição violenta para impedir o Congresso de certificar a vitória de Joe Biden na eleição de 3 de novembro de 2020 e decidiu não fazer nada, como observou o deputado Adam Kinzinger, um dos dois únicos republicanos na comissão.

Trump rejeitou uma ligação telefônica do Departamento da Defesa, não ligou para o Departamento de Segurança Interna nem para a Guarda Nacional, acionada a pedido do vice-presidente Mike Pence, alvo da ira da insurreição. Os seguranças de Pence temeram pela vida. Veja mais no meu canal no YouTube. Meu comentário:

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Brasil chega a 9 milhões de casos e 220 mil mortes por Covid-19

Com mais 1.319 mortes e 64.895 casos novos da doença do coronavírus de 2019 notificados hoje, o Brasil soma agora 220.237 mortes e 9.000.485 casos confirmados. A média diária de mortes dos últimos sete dias está em 1.059.

Mais uma vez, os Estados Unidos registraram mais de 4 mil mortes em 24 horas. O contágio caiu 34% em duas semanas, mas isso ainda não se reflete no número de mortes, estável perto do nível máximo da pandemia.

O confinamento começa a dar resultado na Inglaterra. A taxa de transmissão caiu para 0,98, em ritmo lento, informou o Imperial College de Londres.

No mundo inteiro, já foram aplicadas mais de 87 milhões de doses de vacinas, sendo 1,327 milhão no Brasil. O Reino Unido já deu uma dose para 11% da população.

O trabalho em casa e a digitalização levaram a Apple e ter faturamento e lucro recordes no último trimestre de 2020, puxados por um aumento de 57% nas vendas na Grande China.

Uma semana depois de voltar ao Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, foi dia do meio ambiente na Casa Branca. O presidente Joe Biden assinou uma série de decretos, elevou o combate ao aquecimento global a prioridade da política externa e da segurança nacional dos EUA e acabou com os subsídios a combustíveis fósseis.

O Departamento de Segurança Interna dos EUA advertiu para o risco de atentados terroristas de extrema direita. Meu comentário:

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Biden enfrenta desafios sem precedentes na terra arrasada por Trump

Ao tomar posse amanhã ao meio-dia em Washington (14h em Brasília) como 46º presidente dos Estados Unidos, Joseph Robinette Biden Jr. terá pela frente uma série de desafios sem precedentes: 

• uma pandemia que matou mais de 400 mil americanos,

• a crise econômica causada pelo novo coronavírus,

• a polarização política do país, onde a maioria dos republicanos rejeita sua vitória,

• a ameaça do terrorismo de extrema direita,

• o racismo institucionalizado,

• a desigualdade social,

• o aquecimento global,

• a perda de prestígio internacional dos EUA,

• o afastamento do país das instituições multilaterais,

• a desconfiança dos aliados,

• as guerras sem fim no Iraque e no Afeganistão,

• a ameaça nuclear da Coreia do Norte e do Irã,

• e o crescente poderio da China. 

Mais detalhes em Quarentena News. Meu comentário:

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

Neofascismo americano é alerta para o Brasil

 Presidente Jair Bolsonaro e seguidores apoiam o golpismo de Donald Trump

As cenas de quarta-feira em Washington foram um assalto ao Congresso dos Estados Unidos e à democracia - e um alerta para o Brasil. 

O presidente brasileiro deixou claro mais uma vez que acredita nas falsas alegações de fraude feitas pelo presidente americano, rejeitadas na Justiça, e até mesmo na sua própria eleição, em 2018, que afirma ter ganho no primeiro turno.

Leia mais em Quarentena News

domingo, 27 de dezembro de 2020

Terrorista de Nashville morreu na explosão

 A polícia de Nashville, no estado do Tennessee, identificou hoje como Anthony Quinn Warner o terrorista suicida que explodiu um trêiler-bomba às 6h30 da manhã de Natal no centro da cidade. Os agentes ainda investigam as motivações do atentado. Mais de dois terços das ações terroristas nos últimos nos Estados Unidos foram cometidas por extremistas de direita.

Antes da explosão, uma voz que a princípio se supunha ser de uma gravação advertiu as pessoas a se afastarem do veículo. Três pedestres saíram feridos e mais de 40 lojas foram danificadas pela explosão. A polícia chegou a suspeitar de alguma ligação internacional, mas a pacata Nashville, centro da música sertaneja nos EUA, não parece um lugar para grandes atentados.

As imagens, divulgadas hoje pela polícia, foram publicadas no jornal venezuelano El Diario. No primeiro momento, as autoridades acreditavam que ninguém havia morrido. Depois, descobriu entre os escombros os restos mortais de Warner e fez um exame de DNA (ácido desoxirribonucleico) para confirmar sua identidade.

Vários vizinhos do terrorista na cidade de Antioch, no Tennessee, situada a 16 quilômetros a sudeste do local da explosão, o descreveram como uma pessoa reclusa. Ele era solteiro e raramente saía de casa. Morou anos com os pais e depois vivia sozinho. Foi dono de uma companhia de alarmes, protegia sua casa com várias câmeras de segurança e não aceitou um convite para participar de uma ceia de Natal na vizinhança. Não respondia nem a acenos dos vizinhos.

Como o pai, "ele gostava de fones e de eletrônica", contou o primo Robert Warner, que declarou não falar com o terrorista há dez anos. Depois que o pai morreu, em 2011, Anthony passou a morar sozinho.

Steve Schmoldt, morador da casa ao lado, falou que ele tinha cachorros e uma ou outra vez conversaram sobre animais de estimação. Sua mulher levou uma ceia de Natal a Warner, mas ele não abriu a porta. Três semanas atrás, viu o vizinho subir numa escada para trabalhar numa grande antena que tinha em casa.

Uma imobiliária de Nashville revelou que Warner trabalhou para ela durante 15 anos como assessor de segurança eletrônica. No início do mês, anunciou sua aposentadoria. "O Tony Warner que eu conheci era gente boa e nunca teve qualquer comportamento que não fosse profissional", declarou Steve Fridrich, sócio da empresa.

sábado, 22 de agosto de 2020

Ex-marqueteiro de Trump foi preso por desviar dinheiro do muro

Líder de movimento internacional de extrema direita, tem relações com os Bolsonaro

De marqueteiro, chefe da campanha de Donald Trump em 2016, estrategista da Casa Branca, guru do neopopulismo de extrema direita e líder de uma internacional do neofascismo a acusado de roubar US$ 1 milhão, cerca de R$ 5,61 milhões, de uma vaquinha de eleitores de Trump para construir um muro na fronteira com o México. Este é Steve Bannon, amigo do deputado Eduardo Bolsonaro, a quem nomeou representante do movimento no Brasil.

Leia mais em Quarentena News.

quarta-feira, 13 de maio de 2020

Tribunal Constitucional da Alemanha ameaça a União Europeia

Ao decidir que o banco central alemão (Bundesbank) não deve seguir a determinação da presidente do Banco Central Europeu (BCE) de comprar tantos títulos de divida pública de países da Zona do Euro quanto for necessário para sustentar a economia em tempos de pandemia, o Tribunal Constitucional da Alemanha ameaça o projeto de integração da Europa.

Em 1963, uma sentença da Corte Europeia de Justiça estabeleceu que a legislação europeia tem precedência sobre as leis nacionais. Ao contrariar esta decisão, o tribunal de Karlsruhe ameaça derrubar um dos pilares da União Europeia, que nasceu em 1958 como Comunidade Econômica Europeia, criada pelo Tratado de Roma, de 1957.

A Polônia, um dos países que mais se beneficiou da integração à UE depois da queda dos regimes comunistas na Europa Oriental, tem hoje um governo extremista de direita que mina a independência do Poder Judiciario. Aplaudiu a posição do Tribunal Constitucional da Alemanha.

Se outros países fizerem o mesmo em meio a uma emergência de saúde pública e uma crise econômica como não se vê desde a Grande Depressão (1929-39), todo o projeto construído no pós-guerra para garantir a paz e a prosperidade na Europa corre o risco de desabar.

Em entrevista ao jornal francês Libération, o franco-alemão Daniel Cohn-Bendit, Dani Le Rouge, líder da Revolução dos Estudantes de maio de 1968, hoje um deputado da bancada verde do Parlamento Europeu, declarou que, "se a Europa desabar, será um suicídio alemão." O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, já advertiu que a falta de solidariedade nesta hora será um golpe fatal na UE.

Maior economia do continente e quarta do mundo, a Alemanha é o país que mais se beneficia do mercado único europeu. Ao reafirmar a primazia das leis nacionais, o tribunal coloca em risco a reconstrução econômica da Europa depois da pandemia.

A Itália e a Espanha, os países da UE mais abalados pelo novo coronavírus, pediram a demissão de um bônus pan-europeu para o financiamento conjunto da retomada do crescimento. Como aconteceu na Crise do Euro, depois da Grande Recessão, quando Grécia, Espanha, Portugal e Irlanda não conseguiram honrar suas dívidas, países ricos do Norte da Europa, como a Alemanha, a Finlândia e a Holanda, se negaram a mutualizar a dívida.

Nessa crise anterior, com o veto à emissão de bônus pan-europeus, o então presidente do BCE, o italiano Mario Draghi, prometeu em 2015 comprar tantos títulos de dívida pública dos países da Eurozona quantos fossem necessários para sustentar as economias endividadas e a união monetária europeia.

Agora, a nova presidente do BCE, Christine Lagarde, ex-ministra das Finanças da França e ex-diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), tomou a mesma decisão e promete mantê-la apesar da decisão da Justiça alemã. Mas os ministros do tribunal de Karlsruhe vetaram a participação do Bundesbank.

Mais uma vez, a solidariedade econômica e financeira é fundamental para manter em pé o projeto de integração da Europa, ameaçado pelo ultranacionalismo de extrema direita dos governos periféricos da Hungria e da Polônia e de partidos como a Reunião Nacional, na França, a Liga, na Itália, a Alternativa para a Alemanha e a pequena Vox, na Espanha.

Se a Alemanha se recusar a contribuir para superar o impacto econômico do Grande Confinamento, as consequências serão terríveis. No início do ano, a Comissão Europeia esperava um crescimento de 1,1% para a Eurozona em 2020. Com a pandemia, a expectativa é de uma recessão de 7,4% na UE e de 7,75% na Europa. O BCE admite que possa chegar a uma queda de 12%.

O risco é que os países do Sul da Europa, a Grécia, a Itália e a Espanha, que devem perder perto de 10% do produto interno bruto, e também Portugal e até a França não consigam arcar com as despesas de reconstrução, aprofundando o fosso com os países do Norte.

A união monetária e o mercado único, que pressupõem uma convergência econômica, sofreriam um golpe potencialmente fatal. A França e uma dezena de países propuseram criar um fundo de recuperação de um a um trilhão e meio de euros com um grande empréstimo tomado pela Comissão Europeia com o aval dos 27 países-membros da UE. Isto permitiria obter taxas de juros muito inferiores às que seriam cobradas dos países em maiores dificuldades.

Diante desta bomba jurídica, a chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, está entre o dilema de enfrentar a "bomba jurídica" dos juízes de Karlsruhe, o que deflagaria uma crise política e institucional na Alemanha, ou recusar a solidariedade. Nesta hipótese, o sonho de uma Europa unida pode virar pesadelo e fragmentar o continente.