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terça-feira, 21 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 21 de Abril

FUNDAÇÃO DE ROMA

    Em 753 antes da Cristo, de acordo com a lenda, os gêmeos Rômulo e Remo, alimentados por uma loba depois de serem abandonados, fundam Roma.

O jornalista e historiador Indro Montanelli disse que a Loba era Acca Larentia, uma prostituta.

Os irmãos se desentendem. Rômulo mata Remo e se torna o primeiro dos sete reis de Roma. Em 509 AC, Roma se torna uma república. Em 27 AC, Otávio César Augusto é coroado imperador.

O Império Romano do Ocidente cai em 4 de setembro de 476, quando o rei bárbaro Flávio Odoacro derruba o imperador Rômulo Augusto.

O Império Romano do Oriente ou Império Bizantino cai em 29 de maio de 1453, quando o sultão Mehmet II, do Império Otomano (turco), conquista Constantinopla.

INDEPENDÊNCIA DO TEXAS

    Em 1836, o general Sam Houston leva 800 texanos à vitória contra 1,5 mil soldados do Exército do México sob o comando do general Antonio López de Santa Anna na Batalha de São Jacinto, garantindo a independência do Texas.

A colonização do Texas começa depois que o presidente Thomas Jefferson compra em 1803 da França de Napoleão Bonaparte o território da Louisiana, que se estendia ao longo do Vale do Rio Mississípi. 

Moses Austin consegue autorização do governo imperial espanhol para assentar 300 famílias numa área de 81 mil hectares no Tejas. Quando o México se torna independente da Espanha, em 1821, Stephen Austin renova a autorização com o novo governo.

Em 1832, a população de colonos norte-americanos na região chega a 20 mil. A instabilidade política no México leva a um golpe do general Santa Anna em 1833. Stephen Austin vai à Cidade do México apresentar as reivincações dos colonos. É preso sob a acusação de fomentar uma rebelião.

Libertado em 1835, Austin volta ao Texas, que forma um governo provisório e declara independência do México em 1836. David Burnet é o presidente interino, Sam Houston o comandante militar e Stephen Austin o embaixador nos EUA, encarregado de obter apoio estratégico e recrutar voluntários.

O Cerco do Álamo, perto de Santo Antônio, pelo Exército do México de 23 de fevereiro a 6 de março de 1836 é uma das batalhas marcantes da Guerra da Independência do Texas. Entre 180 e 250 defensores do Álamo morrem na batalha. Sobrevivem as mulheres, as crianças, os escravizados e funcionários não combatentes.

"Relembrem o Álamo!", passa a ser o grito de guerra dos rebeldes texanos. Os inimigos se encontram junto ao Rio São Jacinto, perto de onde hoje fica Houston, a quarta maior cidade dos EUA. Houston lança um ataque de surpresa e conquista a vitória em 18 minutos.

A Revolução Texana é mais do que uma guerra entre colonos anglo-europeus e soldados mexicanos. É uma luta contra um governo central distante, corrupto e tirânico. Sam Houston é o primeiro presidente da República do Texas e Stephen Austin é secretário de Estado. Hoje os dois são homenageados como nomes de cidades. Houston é a capital até 1839, quando Austin passa a ser.

MORTE DO BARÃO VERMELHO

    Em 1918, a Força Aérea Real britânica abate e mata numa batalha perto de Amiens, na França, Manfred, Barão de Richthofen, mais conhecido como o Barão Vermelho, considerado o melhor piloto da Primeira Guerra Mundial (1914-18), com 80 vitórias.

Manfred Alfred Freiherr von Richthofen nasce em Breslau em 2 de maio de 1892. Ele começa a carreira militar na cavalaria. Em 1915, passa à força aérea do Exército Imperial da Alemanha e, no ano seguinte, da esquadrilha Jasta 2. Seu sucesso como piloto de avião de caça o leva a comandar uma unidade de caças em 1917.

O Barão Vermelho é um herói nacional na Alemanha temido pelos inimigos quando perde a última batalha.

EXTREMA DIREITA NO SEGUNDO TURNO

    Em 2002, o candidato da Frente Nacional, de extrema direita, Jean-Marie Le Pen, conquista 16,86% dos votos, supera o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, que recebe 16,18% dos votos, fica em segundo lugar e vai para o segundo turno da eleição presidencial na França com o presidente Jacques Chirac.

Filho de um marinheiro, Jean-Marie nasce 20 de junho de 1928 em Trinité-sur-Mer, uma cidade litorânea da região da Bretanha. Ele estuda direito na Universidade de Paris. Em 1954, entra para a Legião Estrangeira e serve nas guerras da independência da Argélia e da Indochina Francesa, hoje dividida em Camboja, Laos e Vietnã.

Em 1956, Le Pen é o mais jovem deputado eleito para a Assembleia Nacional da França. Um dos fundadores da Frente Nacional, em 1972, lidera o partido até 2011 com um discurso ultranacionalista e antissemita. Chega a dizer que as câmaras de gás dos campos de concentração nazistas na Segunda Guerra Mundial (1939-45) são um episódio menor da história. É condenado por negar o Holocausto.

Com estas ideias extremistas, a Frente Nacional é marginalizada dentro do sistema político francês. No segundo turno das eleições legislativas, todos os partidos, da direita republicana representada pelo gaullismo até a esquerda, se unem para barrar o acesso da extrema direita à Assembleia Nacional.

A naturalização, a aceitação da extrema direita como parte do sistema político francês, começa com a chegada de Le Pen ao segundo turno em 2002. Mais uma vez, quase todos os partidos, inclusive o Partido Socialista (PS) e o Partido Comunista Francês (PCF), apoiam o presidente Chirac, reeleito no segundo turno com 82,21% dos votos contra 17,79% para Jean-Marie Le Pen. Mas um tabu é quebrado.

Em 2007, o gaulista Nicolas Sarkozy vence a socialista Ségolène Royal no segundo turno. Em 2012, o socialista François Hollande derrota Sarkozy. Mas em 2017 e 2022, o atual presidente Emmanuel Macron, enfrenta no segundo turno Marine Le Pen, filha de Jean-Marie, que hoje é a favorita para as próximas eleições presidenciais, em 2027.

A Frente Nacional, rebatizada como Reunião ou Reagrupamento Nacional (RN), conquista 18,68% dos votos nas eleições parlamentares de 2022. Sua bancada na Assembleia Nacional cresce de 8 para 89 deputados. Fica atrás da bancada governista (245 cadeiras) e da Nova União Popular Ecológica e Social (NUPES), uma aliança esquerdista da França Insubmissa com o PS, o PCF e a Europa Ecologia-Os Verdes (131 cadeiras).

Nas eleições legislativas de junho e julho de 2024, antecipadas depois do bom desempenho da extrema direita nas eleições para o Parlamento Europeu em junho do ano passado, o bloco centrista aliado do presidente Emmanuel Macron fez um acordo informal com a Nova Frente Popular (NFP), de esquerda, para barrar a ascensão da extrema direita ao poder, mas não fizeram aliança para governar.

A NFP fez a maior bancada na Assembleia Nacional (180 cadeiras), à frente da bancada macronista (159) e da RN (142). Como são 577 deputados, todas ficaram longe da maioria absoluta (289). 

O resultado é um governo fraco e indeciso, o que aumenta as chances da extrema direita na eleição presidencial de 2027. Sua líder, Marine Le Pen, está inelegível, condenada por corrupção ao desviar 4,4 milhões de euros do Parlamento Europeu. O Tribunal de Recursos de Paris promete julgar o caso em 2026. No momento, Le Pen lidera as pesquisas.

MORTE DO PRÍNCIPE DO ROCK

    Em 2016, o genial cantor, compositor, guitarrista, baterista, tecladista, produtor e bailarino Prince Nelson Rogers, que cria um gênero inovador com a fusão do funk, rhythm and blues, soul, jazz, rock and roll e pop, uma das maiores estrelas da música popular nos anos 1980 e 1990, morre acidentalmente de uma dose excessiva de fentanil, um poderoso opioide, a droga que mais mata hoje nos Estados Unidos.

Prince nasce em Mineápolis, no estado de Minnesota, em 7 de junho de 1958 e se torna uma dos músicos mais talentosos de sua geração. Como o cantor e compositor Steve Wonder, é um dos poucos músicos com excelente desempenho em todos os instrumentos que tocava, gravando discos com vários instrumentos tocados por ele. Aos 7 anos, aprende a tocar piano. Aos 14 anos, entra na primeira banda.

Seu estilo absolutamente original, andrógino e sensual mistura a arte de Jimi Hendrix, Little Richard e Michael Jackson. Ele começa a carreira com funk e soul para o mercado afro-americano sob o impacto da música para discoteca. Depois incorpora elementos do jazz, punk, heavy metal, dos Beatles e do hip-hop.

O álbum Purple Rain (1984), o mais vendido de seus 39 discos, com mais de 21 milhões de cópias, o torna um ícone da música dos anos 1980 e lhe dá um Oscar de melhor trilha sonor e um Grammy. Em 2004, ele entra para o Rock and Roll Hall of Fame.

Em 21 de abril de 2016, Prince é encontrado morto em sua mansão em Paisley Park, em Chanhassem, em Minnesota. Como não deixa descendentes, sua fortuna de US$ 400 milhões é dividida entre os seis irmãos.

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segunda-feira, 21 de abril de 2025

Hoje na História do Mundo: 21 de Abril

 FUNDAÇÃO DE ROMA

    Em 753 antes da Cristo, de acordo com a lenda, os gêmeos Rômulo e Remo, alimentados por uma loba depois de serem abandonados, fundam Roma.

O jornalista e historiador Indro Montanelli disse que a Loba era Acca Larentia, uma prostituta.

Os irmãos se desentendem. Rômulo mata Remo e se torna o primeiro dos sete reis de Roma. Em 509 AC, Roma se torna uma república. Em 27 AC, Otávio César Augusto é coroado imperador.

O Império Romano do Ocidente cai em 4 de setembro de 476, quando o rei bárbaro Flávio Odoacro derruba o imperador Rômulo Augusto.

O Império Romano do Oriente ou Império Bizantino cai em 29 de maio de 1453, quando o sultão Mehmet II, do Império Otomano (turco), conquista Constantinopla.

INDEPENDÊNCIA DO TEXAS

    Em 1836, o general Sam Houston leva 800 texanos à vitória contra 1,5 mil soldados do Exército do México sob o comando do general Antonio López de Santa Anna na Batalha de São Jacinto, garantindo a independência do Texas.

A colonização do Texas começa depois que o presidente Thomas Jefferson compra em 1803 da França de Napoleão Bonaparte o território da Louisiana, que se estendia ao longo do Rio Mississípi. 

Moses Austin consegue autorização do governo imperial espanhol para assentar 300 famílias numa área de 81 mil hectares no Tejas. Quando o México se torna independente da Espanha, em 1821, Stephen Austin renova a autorização com o novo governo.

Em 1832, a população de colonos norte-americanos na região chega a 20 mil. A instabilidade política no México leva a um golpe do general Santa Anna em 1833. Stephen Austin vai à Cidade do México apresentar as reivincações dos colonos. É preso sob a acusação de fomentar uma rebelião.

Libertado em 1835, Austin volta ao Texas, que forma um governo provisório e declara independência do México em 1836. David Burnet é o presidente interino, Sam Houston o comandante militar e Stephen Austin o embaixador nos EUA, encarregado de obter apoio estratégico e recrutar voluntários.

O Cerco do Álamo, perto de Santo Antônio, pelo Exército do México de 23 de fevereiro a 6 de março de 1836 é uma das batalhas marcantes da Guerra da Independência do Texas. Entre 180 e 250 defensores do Álamo morrem na batalha. Sobrevivem as mulheres, as crianças, os escravizados e funcionários não combatentes.

"Relembrem o Álamo!", passa a ser o grito de guerra dos rebeldes texanos. Os inimigos se encontram junto ao Rio São Jacinto, perto de onde hoje fica Houston, a quarta maior cidade dos EUA. Houston lança um ataque de surpresa e conquista a vitória em 18 minutos.

A Revolução Texana é mais do que uma guerra entre colonos anglo-europeus e soldados mexicanos. É uma luta contra um governo central distante, corrupto e tirânico. Sam Houston é o primeiro presidente da República do Texas e Stephen Austin é secretário de Estado. Hoje os dois são homenageados como nomes de cidades. Houston é a capital até 1839, quando Austin é aprovada.

MORTE DO BARÃO VERMELHO

    Em 1918, a Força Aérea Real britânica abate e mata numa batalha perto de Amiens, na França, Manfred, Barão de Richthofen, mais conhecido como o Barão Vermelho, considerado o melhor piloto da Primeira Guerra Mundial (1914-18), com 80 vitórias.


 
Manfred Alfred Freiherr von Richthofen nasce em Breslau em 2 de maio de 1892. Ele começa a carreira militar na cavalaria. Em 1915, passa à força aérea do Exército Imperial da Alemanha e, no ano seguinte, da esquadrilha Jasta 2. Seu sucesso como piloto de avião de caça o leva a comandar uma unidade de caças em 1917.

O Barão Vermelho é um herói nacional na Alemanha temido pelos inimigos quando perde a última batalha.

EXTREMA DIREITA NO SEGUNDO TURNO

    Em 2002, o candidato da Frente Nacional, de extrema direita, Jean-Marie Le Pen, conquista 16,86% dos votos, supera o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, que recebe 16,18% dos votos, fica em segundo lugar e vai para o segundo turno da eleição presidencial na França com o presidente Jacques Chirac.

Filho de um marinheiro, Jean-Marie nasce 20 de junho de 1928 em Trinité-sur-Mer, uma cidade litorânea da região da Bretanha. Ele estuda direito na Universidade de Paris. Em 1954, entra para a Legião Estrangeira e serve nas guerras da independência da Argélia e da Indochina Francesa, hoje dividida em Camboja, Laos e Vietnã.

Em 1956, Le Pen é o mais jovem deputado eleito para a Assembleia Nacional da França. Um dos fundadores da Frente Nacional, em 1972, lidera o partido até 2011 com um discurso ultranacionalista e antissemita. Chega a dizer que as câmaras de gás dos campos de concentração nazistas na Segunda Guerra Mundial (1939-45) são um episódio menor da história. É condenado por negar o Holocausto.

Com estas ideias extremistas, a Frente Nacional é marginalizada dentro do sistema político francês. No segundo turno das eleições legislativas, todos os partidos, da direita republicana representada pelo gaullismo até a esquerda, se unem para barrar o acesso da extrema direita à Assembleia Nacional.

A naturalização, a aceitação da extrema direita como parte do sistema político francês, começa com a chegada de Le Pen ao segundo turno em 2002. Mais uma vez, quase todos os partidos, inclusive o Partido Socialista (PS) e o Partido Comunista Francês (PCF), apoiam o presidente Chirac, reeleito no segundo turno com 82,21% dos votos contra 17,79% para Jean-Marie Le Pen. Mas um tabu é quebrado.

Em 2007, o gaulista Nicolas Sarkozy vence a socialista Ségolène Royal no segundo turno. Em 2012, o socialista François Hollande derrota Sarkozy. Mas em 2017 e 2022, o atual presidente Emmanuel Macron, enfrenta no segundo turno Marine Le Pen, filha de Jean-Marie, que hoje é a favorita para as próximas eleições presidenciais, em 2027.

A Frente Nacional, rebatizada como Reunião ou Reagrupamento Nacional (RN), conquista 18,68% dos votos nas eleições parlamentares de 2022. Sua bancada na Assembleia Nacional cresce de 8 para 89 deputados. Fica atrás da bancada governista (245 cadeiras) e da Nova União Popular Ecológica e Social (NUPES), uma aliança esquerdista da França Insubmissa com o PS, o PCF e a Europa Ecologia-Os Verdes (131 cadeiras).

Nas eleições legislativas de junho e julho de 2024, antecipadas depois do bom desempenho da extrema direita nas eleições para o Parlamento Europeu em junho do ano passado, o bloco centrista aliado do presidente Emmanuel Macron fez um acordo informal com a Nova Frente Popular (NFP), de esquerda, para barrar a ascensão da extrema direita ao poder, mas não fizeram aliança para governar.

A NFP fez a maior bancada na Assembleia Nacional (180 cadeiras), à frente da bancada macronista (159) e da RN (142). Como são 577 deputados, todas ficaram longe da maioria absoluta (289). 

O resultado é um governo fraco e indeciso, o que aumenta as chances da extrema direita na eleição presidencial de 2027. Mas sua líder, Marine Le Pen, está inelegível, condenada por corrupção ao desviar 4,4 milhões de euros do Parlamento Europeu. O Tribunal de Recursos de Paris promete julgar o caso em 2026. No momento, Le Pen lidera as pesquisas.

MORTE DO PRÍNCIPE DO ROCK

    Em 2016, o genial cantor, compositor, guitarrista, baterista, tecladista, produtor e bailarino Prince Nelson Rogers, que cria um gênero inovador com a fusão do funk, rhythm and blues, soul, jazz, rock and roll e pop, uma das maiores estrelas da música popular nos anos 1980 e 1990, morre acidentalmente de uma dose excessiva de fentanil, um poderoso opioide, a droga que mais mata hoje nos Estados Unidos.

Prince nasce em Mineápolis, no estado de Minnesota, em 7 de junho de 1958 e se torna uma dos músicos mais talentosos de sua geração. Como o cantor e compositor Steve Wonder, é um dos poucos músicos com excelente desempenho em todos os instrumentos que tocava, gravando discos com vários instrumentos tocados por ele. Aos 7 anos, aprende a tocar piano. Aos 14 anos, entra na primeira banda.

Seu estilo absolutamente original, andrógino e sensual mistura a arte de Jimi Hendrix, Little Richard e Michael Jackson. Ele começa a carreira com funk e soul para o mercado afro-americano sob o impacto da música para discoteca. Depois incorpora elementos do jazz, punk, heavy metal, dos Beatles e do hip-hop.

O álbum Purple Rain (1984), o mais vendido de seus 39 discos, com mais de 21 milhões de cópias, o torna um ícone da música dos anos 1980 e lhe dá um Oscar de melhor trilha sono e um Grammy. Em 2004, ele entra para o Rock and Roll Hall of Fame.

Em 21 de abril de 2016, Prince é encontrado morto em sua mansão em Paisley Park, em Chanhassem, em Minnesota. Como não deixa descendentes, sua fortuna de US$ 400 milhões é dividida entre os seis irmãos.

domingo, 21 de abril de 2024

Hoje na História do Mundo: 21 de Abril

 FUNDAÇÃO DE ROMA

    Em 753 antes da Cristo, de acordo com a lenda, os gêmeos Rômulo e Remo, alimentados por uma loba depois de serem abandonados, fundam Roma.

O jornalista e historiador Indro Montanelli disse que a Loba era Acca Larentia, uma prostituta.

Os irmãos se desentendem. Rômulo mata Remo e se torna o primeiro dos sete reis de Roma. Em 509 AC, Roma se torna uma república. Em 27 AC, Otávio César Augusto é coroado imperador.

O Império Romano do Ocidente cai em 4 de setembro de 476, quando o rei bárbaro Flávio Odoacro derruba o imperador Rômulo Augusto.

O Império Romano do Oriente ou Império Bizantino cai em 29 de maio de 1453, quando Mehmet II, do Império Otomano (turco), conquista Constantinopla.

EXTREMA DIREITA NO SEGUNDO TURNO

    Em 2002, o candidato da Frente Nacional, de extrema direita, Jean-Marie Le Pen, conquista 16,86% dos votos, supera o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, que recebe 16,18% dos votos, fica em segundo lugar e vai para o segundo turno da eleição presidencial na França com o presidente Jacques Chirac.

Filho de um marinheiro, Jean-Marie nasce em La Trinité, uma cidade litorânea da região da Bretanha. Ele estuda direito na Universidade de Paris. Em 1954, entra para a Legião Estrangeira e serve na Argélia e na Indochina Francesa, hoje dividida em Camboja, Laos e Vietnã.

Em 1956, Le Pen é o mais jovem deputado eleito para a Assembleia Nacional da França. Um dos fundadores da Frente Nacional, em 1972, lidera o partido até 2011 com um discurso ultranacionalista e antissemita. Chega a dizer que as câmaras de gás dos campos de concentração nazistas na Segunda Guerra Mundial (1939-45) são um episódio menor da história. É condenado por negar o Holocausto.

Com estas ideias extremistas, a Frente Nacional é marginalizada dentro do sistema político francês. No segundo turno das eleições legislativas, todos os partidos, da direita republicana representada pelo gaullismo até a esquerda, se unem para barrar o acesso da extrema direita à Assembleia Nacional.

A naturalização, a aceitação da extrema direita como parte do sistema político francês, começa com a chegada de Le Pen ao segundo turno em 2002. Mais uma vez, quase todos os partidos, inclusive o Partido Socialista (PS) e o Partido Comunista Francês (PCF), apoiaram o presidente Chirac, reeleito no segundo turno com 82,21% dos votos contra 17,79% para Jean-Marie Le Pen. Mas um tabu é quebrado.

Em 2007, o gaulista Nicolas Sarkozy vence a socialista Ségolène Royal no segundo turno. Em 2012, o socialista François Hollande derrota Sarkozy. Mas em 2017 e 2022, o atual presidente Emmanuel Macron, enfrentou no segundo turno Marine Le Pen, filha de Jean-Marie, que hoje é a favorita para as próximas eleições presidenciais, em 2027.

A Frente Nacional, rebatizada como Reunião ou Reagrupamento Nacional, conquista 18,68% dos votos nas eleições parlamentares de 2022. Sua bancada na Assembleia Nacional cresce de 8 para 89 deputados. Fica atrás da bancada governista (245 cadeiras) e da Nova União Popular Ecológica e Social (NUPES), uma aliança esquerdista da França Insubmissa com o PS, o PCF e a Europa Ecologia-Os Verdes (131 cadeiras).

MORTE DO PRÍNCIPE DO ROCK

    Em 2016, o genial cantor, compositor, guitarrista, baterista, tecladista, produtor e bailarino Prince Nelson Rogers, que criou um gênero inovador com a fusão do funk, rhythm and blues, soul, jazz, rock'n'roll e pop, uma das maiores estrelas da música popular nos anos 1980 e 1990, morre acidentalmente de uma dose excessiva de fentanil, um poderoso opioide, a droga que mais mata hoje nos EUA.

Prince nasce em Mineápolis, no estado de Minnesota, em 7 de junho de 1958 e se torna uma dos músicos mais talentosos de sua geração. Como o cantor e compositor Steve Wonder, é um dos poucos músicos com excelente desempenho em todos os instrumentos que tocava, gravando discos com vários instrumentos tocados por ele. Aos 7 anos, aprende a tocar piano. Aos 14 anos, entra na primeira banda.

Seu estilo absolutamente original, andrógino e sensual mistura a arte de Jimi Hendrix, Little Richard e Michael Jackson. Ele começa a carreira com funk e soul para o mercado afro-americano sob o impacto da música para discoteca. Depois incorpora elementos do jazz, punk, heavy metal, dos Beatles e do hip-hop.

O álbum Purple Rain (1984), o mais vendido de seus 39 discos, com mais de 21 milhões de cópias, o torna um ícone da música dos anos 1980 e lhe dá um Oscar de melhor trilha sono e um Grammy. Em 2004, ele entra para o Rock and Roll Hall of Fame.

Em 21 de abril de 2016, Prince é encontrado morto em sua mansão em Paisley Park, em Chanhassem, em Minnesota. Como não deixa descendentes, sua fortuna de US$ 400 milhões é dividida entre os seis irmãos.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Morre ex-presidente francês Jacques Chirac

O ex-presidente conservador da França Jacques René Chirac morreu hoje de manhã aos 86 anos, anunciou a família. Numa carreira política de 40 anos, foi secretário de Estado do Emprego em 1967, eleito deputado nove vezes e ministro sete vezes, inclusive da Agricultura, do Interior e para Relações com o Parlamento, prefeito de Paris por 18 anos, duas vezes primeiro-ministro e presidente da República por dois mandatos, de 1995 a 2007.

Chirac foi o último grande líder do gaullismo, a corrente política liderada pelo general Charles de Gaulle, grande herói da França na Segunda Guerra Mundial e principal líder político do país na segunda metade do século 20. O presidente Emmanuel Macron o descreveu como um grande homem que levava no coração um grande amor pela França.

Com sua grande longevidade política, foi produtivista no Ministério da Agricultura, chefe de um governo ultraliberal, defensor do desenvolvimento sustentável, do movimento antiglobalização e da luta contra o aquecimento global: "Nossa casa está pegando fogo e olhamos para o outro lado."

Também foi o primeiro presidente a reconhecer a responsabilidade do Estado francês pelo Holocausto, especialmente pela chamada Rusga do Velódromo de Inverno, durante a ocupação da França pela Alemanha nazista.

Em 16 e 17 de julho de 1942, 13.152 judeus, um terço deles crianças, foram detidos em Paris e arredores. Destes, 8.160 foram levados para o Velódromo de Inverno. Ao todo, menos de cem sobreviveram à deportação para campos de concentração.

Só em 16 de julho de 1995, o presidente Chirac decidiu que era hora da França reconhecer sua participação. Afinal, admitiu Chirac, "450 policiais franceses, autorizados por seus chefes, atenderam às exigências dos nazistas". Ao todo, 76 mil judeus foram enviados da França para campos de concentração durante a Segunda Guerra Mundial.

No mesmo Velódromo de Inverno, em 16 de julho de 2017, o atual presidente francês, Emmanuel Macron, denunciou o revisionismo histórico que tenta eximir a França de responsabilidade pelos atos cometidos pelo governo colaboracionista de Vichy (1940-44), sob a chefia do marechal Philippe Pétain.

Em 1967, Chirac foi nomeado secretário do Emprego do primeiro-ministro Georges Pompidou, sob a presidência de De Gaulle. Depois de romper com os caciques do gaullismo e apoiar o liberal Valéry Giscard d'Estaing contra o socialista François Mitterrand no segundo turno, em 1974, tornou-se o mais jovem primeiro-ministro da França, cargo que ocupou até 1976.

Ele voltaria a chefiar o governo de 1986 a 1988 com a vitória da centro-direita durante a presidência de Mitterrand, inaugurando a chamada coabitação entre um presidente de esquerda e um primeiro-ministro de direita. Repetiria a experiência como presidente com o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin de 1997 a 2002.

Naquele ano, assediado por denúncias de corrupção, Chirac se reelegeu presidente com 80% dos votos porque foi para o segundo turno contra o neofascista Jean-Marie Le Pen, da Frente Nacional. Numa supresa para o mundo inteiro, Le Pen vencera no primeiro turno o primeiro-ministro Jospin, desgastado pelas políticas de austeridade fiscal introduzidas para qualificar a França para a união monetária europeia.

No ano seguinte, a França e a Alemanha lideraram a resistência no Conselho de Segurança das Nações Unidas contra a invasão dos Estados Unidos ao Iraque para derrubar Saddam Hussein.

Vítima de um acidente vascular cerebral em setembro de 2005, Chirac perdeu a liderança do movimento gaullista para seu ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, que seria seu sucessor na Presidência da França, de 2007 a 2012.

Em dezembro de 2011, no fim de um processo em que não foi aos tribunais por motivo de saúde, foi condenado a dois anos de prisão com direito a suspensão da pena num escândalo de emprego de funcionários-fantasmas na Prefeitura de Paris.

Jacques Chirac foi "um espelho das contradições francesas", afirmou em editorial o jornal francês Le Monde. Sua morte marca o fim de uma era na história da França, da guerra e do pós-guerra, do gaullismo triunfante e declinante, da descolonização, da coabitação de presidentes de um partido com primeiro-ministro de outro, da globalização e do desemprego em massa, da aventura da integração da Europa ao desprestígio da União Europeia, da França que era o paraíso da política hoje convertida em purgatório pelo cerco do movimento dos coletes amarelos ao governo Macron.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Marine Le Pen desculpa governo francês que colaborou com nazismo

A menos de duas semanas do primeiro turno da eleição presidencial na França, a líder da neofascista Frente Nacional, Marine Le Pen, negou a responsabilidade do país na prisão em massa de judeus, levados para o Velódromo de Inverno de Paris e depois deportados para campos de concentração onde a maioria morreu.

Em 16 de julho de 1942, 4,5 mil policiais franceses prenderam 13.142 judeus em Paris e arredores, a pedido da Alemanha nazista, que ocupara a França em maio de 1940, colocando no poder o governo colaboracionista de Vichy.

"A França não é responsável pelo Velódromo de Inverno", declarou Le Pen no domingo, 22 dois anos depois que o presidente Jacques Chirac reconheceu oficialmente a responsabilidade do país pela deportação de judeus, lembrou o jornal francês Le Monde.

"Se há responsáveis, foram aqueles que estavam no poder na época, não a França. A França é maltratada nesta questão há anos", reclamou Marine Le Pen no Grande Júri, um programa de televisão. "Ensinamos a nossas crianças que elas têm todas as razões para criticá-la, de não ver os aspectos históricos, a não ser os mais sombrios. Quero que voltem a ter orgulho de serem francesas."

Foi uma declaração chocante. Nos últimos anos, Marine se esforçou para limpar a imagem neonazista da Frente Nacional criada por seu pai, Jean-Marie Le Pen, que nega o Holocausto e chegou a dizer que "as câmaras de gás eram uma nota de rodapé da história".

"Ao negar a responsabilidade da França pelo Velódromo de Inverno, Marine Le Pen se junta a seu pai no banco da indignidade e do rejeicionismo", criticou o governador regional da Provença-Alpes-Costa Azul, Christian Estrosi, do partido de centro-direita Os Republicanos.

O candidato independente Emmanuel Macron, que disputa com Le Pen a liderança nas pesquisas sobre o primeiro turno, marcado para 23 de abril, não perdeu a oportunidade: "Algumas pessoas haviam esquecido que Marine Le Pen é filha de Jean-Marie Le Pen. Foi uma falta grave", acrescentou, elogiando Chirac por "ter assumido sua responsabilidade num gesto de coragem".

Macron e Le Pen lideram as pesquisas com 24% das preferências. Devem disputar o segundo turno em 7 de maio. Em pesquisa divulgada ontem, a surpresa foi o avanço do candidato Jean-Luc Mélenchon, do Partido de Esquerda, candidato da França Insubmissa, com 18%, à frente do ex-primeiro-ministro François Fillon, dos Republicanos, o grande partido conservador de centro-direita, herdeiro das ideias políticas do general Charles de Gaulle, grande herói da França na Segunda Guerra Mundial.

Fillon era o favorito até ser revelado que empregou a mulher e os filhos como funcionários-fantasmas do Senado. Está agora para o quarto lugar. O outro grande partido que governou a França na 5ª República, fundada por De Gaulle em 1958, o Partido Socialista, representado pelo ex-ministro da Educação Benoît Hamon, caiu para quinto lugar com apenas 9% das intenções de voto.

sábado, 18 de junho de 2016

Partido Socialista convoca eleição primária na França

Em acordo com o Palácio do Eliseu, o Conselho Nacional do Partido Socialista convocou hoje a realização de uma eleição primária da coalizão Bela Aliança para escolher o candidato à eleição presidencial de 2017. Para o jornal Le Monde, é uma "manobra tática" feita sob medida para legitimar a candidatura à reeleição do presidente François Hollande.

Com apenas 14% de popularidade, Hollande teria assim uma oportunidade de entrar logo na campanha. A Frente de Esquerda já relançou Jean-Luc Mélenchon para tentar galvanizar as forças de esquerda anti-Hollande e anti-PS.

Ao fazer o anúncio, o primeiro-secretário do PS, Jean-Christophe Cambadélis, observou que comunistas e parte dos verdes se recusaram a participar de uma eleição prévia com o presidente da República. A coligação governista Bela Aliança reúne socialistas, o Partido Radical de Esquerda e a União dos Democratas e Ecologistas.

As candidaturas devem ser oficializadas de 1º a 15 de dezembro de 2016. A eleição primária será realizada em dois turnos, em 22 e 29 de janeiro de 2017.

A eleição presidencial está marcada para 23 de abril e 7 de maio. No momento, as pesquisas indicam que o PS ficaria fora do segundo turno, como aconteceu em 21 de abril de 2002, quando o líder da extrema direita, Jean-Marie Le Pen, superou o então primeiro-ministro socialista Lionel Jospin e foi para o segundo turno com o então presidente Jacques Chirac.

Agora, a neofascista Marina Le Pen, filha de Jean-Marie, iria para o segundo turno contra o candidato do partido Os Republicanos, de centro-direita, onde os favoritos são o ex-primeiro-ministro Alain Juppé e o ex-presidente Nicolas Sarkozy. Se a líder da Frente Nacional chegar na frente, será mais um choque na política francesa.

Na última pesquisa sobre a eleição primária republicana, marcada para 20 e 27 de novembro de 2016, publicada pela revista Paris Match, Sarkozy liderava com 54% contra 28% para Juppé, 9% para o ex-primeiro-ministro François Fillon e 7% para Bruno Le Maire.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Hollande tem só 14% em pesquisa sobre eleição de 2017 na França

O presidente François Hollande larga mal na luta pela reeleição na França. Em sondagem feita pelo Centro de Pesquisas Políticas da Sciences Po, a faculdade de ciências políticas e sociais de Paris, Hollande tem a preferência de apenas 14% do eleitorado contra 41% para o ex-primeiro-ministro conservador Alain Juppé e 28% para a candidata da extrema direita, Marine Le Pen.

Com estes números, Hollande seria eliminado no primeiro turno da eleição presidencial, em 23 de abril de 2017. Não chegaria ao segundo turno, em 7 de maio, a exemplo do que aconteceu em 21 de abril de 2002, quando o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin teve 16,11% dos votos e perdeu a vaga no segundo turno para o neofascista Jean-Marie Le Pen, pai de Marine, que conquistou 16,86% dos votos. O presidente Jacques Chirac foi reeleito no segundo turno.

Só 4% dos franceses estão "muito satisfeitos" com o atual presidente. Apesar de uma aceleração do crescimento para 0,6% no primeiro trimestre do ano e de uma pequena queda no desemprego por dois meses consecutivos, 53% dos franceses não estão "nada satisfeitos" com Hollande.

O fantasma de um novo 21 de abril assombra o Partido Socialista. A pesquisa eleitoral reflete a impopularidade de Hollande. Sua aprovação caiu a 13%, a pior de um presidente francês até hoje.

Se o candidato do partido de centro-direita Os Republicanos for o ex-presidente Nicolas Sarkozy, teria 27%. Poderia ficar atrás de Marine Le Pen, que aparece com 28% sejam quem forem os adversários.

Os atentados terroristas de janeiro e novembro de 2015 em Paris criaram um sentimento de união nacional em torno do presidente. Mas a atual onda de greves contra a reforma trabalhista, que atinge sobretudo os setores de transportes e energia, desgasta ainda mais o PS.

Sob pressão da globalização e do desemprego elevado, a nova lei trabalhista facilita as demissões. Na prática, poucos franceses conseguem hoje um contrato de prazo indeterminado (CDI). As empresas só querem fazer contratos de prazo determinado (CDD) por causa das dificuldades para demitir.

É um sistema que dá muitas garantias a quem está empregado, mas dificulta o acesso ao mercado de trabalho, especialmente dos jovens. Com desemprego acima de 10%, muito acima da Alemanha e do Reino Unido, o governo socialista do primeiro-ministro Manuel Valls decidiu flexibilizar a lei trabalhista.

A maior central sindical, a Confederação Geral do Trabalho (CGT), e a trotskista Luta Operária (LO) lideram os protestos que paralisaram refinarias, usinas nucleares, ferrovias e aeroportos. A greve ameaça a Euro 2016, a copa europeia de seleções, marcada para começar em 10 de junho.

Hollande prometeu não ceder. Valls admite negociar, mas não os pontos centrais da reforma. A CGT e a LO exigem a retirada do projeto de lei, aprovado por uma manobra constitucional do primeiro-ministro Valls, sem votação na Assembleia Nacional.

Além disso, o governo dos Estados Unidos fez um alerta a cidadãos americanos sobre o risco de atentados terroristas na Europa, especialmente na França durante a Euro 2016.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Justiça da França suspende assembleia da Frente Nacional

O Tribunal de Justiça de Nanterre, na França, cancelou a realização de uma assembleia geral do partido de extrema direita Frente Nacional destinada a extinguir o cargo de presidente de honra, ocupado por seu fundador, Jean-Marie Le Pen, pai e antecessor da líder atual, Marine Le Pen.

A Justiça exigiu a convocação de um congresso do partido para modificar os estatutos e não apenas uma votação pelo correio.

Marine Le Pen herdou a FN do pai decidida a torná-la um partido aceitável pelo eleitorado volátil do centro do espectro sem filiação partidária. Para fazer do discurso antieuropeu e anti-imigrantes algo mais palatável, suprimiu a retórica neonazista e antissemita. Afinal, os alvos agora são os muçulmanos.

Sem se intimidar, Jean-Marie voltou a minimizar o Holocausto ao insistir em entrevista a uma revista de ultradireita que as câmaras de gás foram um detalhe menor da história da Segunda Guerra Mundial. Censurado e afastado pela filha, o pai foi à Justiça.

Em 21 de abril de 2002, Le Pen, o pai, surpreendeu o mundo ao bater o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin e chegar ao segundo turno com o presidente conservador Jacques Chirac, que se reelegeu com facilidade.

No primeiro turno de 2012, Marine obteve 17,9% dos votos, acima dos 16,9% do pai dez anos antes. Em 2014, a Frente Nacional foi o partido mais votado da França nas eleições para o Parlamento Europeu.

Neste ano, Marine não conseguiu transformar a FN no "maior partido da França". Ficou em segundo nas eleições departamentais, atrás da União por um Movimento Popular (UMP), rebatizada como Os Republicanos pelo ex-presidente Nicolas Sarkozy, que sonha em voltar ao Palácio do Eliseu.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Justiça da França anula suspensão de Jean-Marie Le Pen

Na guerra entre pai e filha pela liderança da extrema direita, a Justiça de França anulou hoje a suspensão de Jean-Marie Le Pen. Ele volta a ser presidente de honra da Frente Nacional, partido que fundou e chefiou de 1972 a 2011 até ser substituído pela filha Marine Le Pen, que o afastou.

O Tribunal de Justiça de Nanterre revogou a punição imposta pela cúpula do partido em 4 de maio de 2015. A FN declarou que "a suspensão era provisória", até uma assembleia geral extraordinária do partido a ser realizada daqui a uma semana para suprimir a presidência de honra, e ainda prometeu recorrer.

"Sou presidente de honra perpétuo", afirmou Jean-Marie Le Pen.

Em 21 de abril de 2002, Jean-Marie surpreendeu o mundo ao bater o primeiro-ministro Lionel Jospin no primeiro turno da eleição presidencial francesa. Pela primeira vez, a ultradireita chegava ao segundo, quando o então presidente conservador Jacques Chirac obteve uma ampla vitória, inesperada antes do primeiro turno.

Marine herdou o controle da FN em plena crise econômica da Zona do Euro determinada a torná-la o maior partido da França e conquistar a Presidência da República. Ela obteve 18% dos votos na eleição presidencial de 2012, mas o presidente François Hollande e o então presidente Nicolas Sarkozy foram para o segundo turno.

A FN foi o partido mais votado nas eleições para o Parlamento Europeu em 2015, com 25% dos votos, mas não repetiu o desempenho nas eleições departamentais deste ano. A União por um Movimento Popular (UMP), rebatizada por Sarkozy como Os Republicanos para isolar a FN como antirrepublicana, é o maior partido da França.

Uma das guinadas ideológicas para tornar a ultradireita neofascista aceitável pelo eleitor sem partido foi erradicar o discurso antissemita e a negação do Holocausto, um dos temas preferidos de seu pai, que descreveu as câmaras de gás nazistas como "um detalhe menor da história". Afinal, os alvos de Marine são os imigrantes em geral e os muçulmanos.

Quando Jean-Marie não se conteve, em entrevista a uma revista de extrema direita, foi punido com a suspensão.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Guerra em família ameaça Frente Nacional na França

Suspenso do partido que ajudou a fundar em 1972 e ameaçado a perder o cargo de presidente de honra, Jean-Marie Le Pen declarou guerra à sua filha e sucessora no comando da extrema direita francesa, Marine Le Pen. Um comitê disciplinar está analisando suas declarações racistas contra judeus e sua negação Holocausto. Deve tomar uma decisão em dois a três meses.

Furioso, considerando-se "traído", Le Pen ameaçar deserdar a filha e negar-lhe o sobrenome que virou marca registrada da Frente Nacional.

Em declarações à revista de ultradireita Rivarol, Jean-Marie ignorou a orientação da filha de evitar o antissemitismo e as desculpas ao nazismo, preferindo concentrar seu discurso de ódio contra os muçulmanos e os imigrantes. Voltou a dizer que as câmaras de gás foram "um detalhe" na história da Segunda Guerra Mundial.

Todo o esforço de Marine visa a apresentar a FN como um partido confiável, capaz de presidir a França, seu grande sonho pessoal. Em 2002, seu pai chegou ao segundo turno com 17% dos votos, batendo o primeiro-ministro socialista, Lionel Jospin, no primeiro turno, mas perdeu para o presidente Jacques Chirac no segundo turno.

Em 2014, a FN foi o partido mais votado na França nas eleições para o Parlamento Europeu, com 25%. Nas eleições departamentais de 2015, pretendia se tornar o partido mais votado do país. Chegou a 26% no primeiro turno, mas ficou atrás da União por um Movimento Popular (UMP), de centro-direita, liderada pelo ex-presidente Nicolas Sarkozy.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Pai e filha brigam na extrema direita da França

A guerra no seio da família dirigente da extrema direita da França virou um conflito aberto sem misericórdia, observou o jornal francês Le Monde. A atual presidente da Frente Nacional, Marine Le Pen, está pressionando o pai, Jean-Marie Le Pen, a deixar o partido fundado por ele em 1972.

"Decidi abrir um procedimento disciplinar", declarou Marine Le Pen à televisão francesa TF1 depois de uma controvertida entrevista do pai ao semanário de ultradireita Rivarol repetindo a pregação neonazista que já lhe valeu uma condenação.

Desde que assumiu o comando do partido, substituindo o pai, Marine tenta desdemonizar a FN para torná-la tolerável ao eleitorado de centro e aumentar assim suas chances de chegar à Presidência da França em 2017. Ela pediu ao pai que "prove sua sabedoria, assuma as consequências do problema criado por ele mesmo e talvez pare de ter responsabilidades políticas", ou seja, se aposente.

Para tornar a FN elegível, Marine Le Pen tenta combater o antissemitismo da extrema direita francesa, dirigindo o ódio para imigrantes, muçulmanos e a União Europeia. Por isso, viu o pai "dentro de uma verdadeira espiral descendente entre a política de terra arrasada e o suicídio político".

Aos 86 anos, Jean-Marie Le Pen, um veterano da Guerra da Independência da Argélia que nunca aceitou o fim do império colonial francês, repetiu suas declarações sobre a Segunda Guerra Mundial que lhe deram problemas com a Justiça em 1987.

Na sua opinião, as câmaras de gás em que os nazistas incineraram judeus, ciganos, comunistas e outros inimigos políticos foram apenas um "detalhe" na história da guerra. Para Le Pen, o marechal Phillipe Pétain, que dirigiu o governo francês submisso à ocupação nazista, não foi um traidor da pátria.

O rude neofascista francês atropelou a estratégia eleitoral da própria filha.

Em 2014, a Frente Nacional foi o partido mais votado nas eleições para o Parlamento Europeu na França, com 25% dos votos. No mês passado, esperava se tornar o maior partido do país nas eleições departamentais. Cresceu para 26%, mas ficou atrás da União por um Movimento Popular (UMP), do ex-presidente Nicolas Sarkozy, e aliados, com 30%.

Com o desgaste do Partido Socialista, do presidente François Hollande, por causa da crise econômica e do desemprego, Marine Le Pen sonha em chegar ao segundo turno em 2017, a exemplo do que seu pai conseguiu em 2002, tirando o então primeiro-ministro socialista Lionel Jospin do segundo turno.

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Extrema direita vence eleição cantonal na França

O candidato Laurent Lopez, da Frente Nacional, neofascista, ganhou ontem a eleição cantonal de Brignole com 53,9% dos votos no segundo turno contra Catherine Delzers, da centro-direitista União por um Movimento Popular (UMP), que só recebeu 46,1% dos votos, apesar do apoio de todos os chamados "partidos republicanos", que costumam se unir para barrar o acesso da ultradireita ao poder.

Sob o comando de Marine Le Pen, filha de seu líder histórico Jean-Marie Le Pen, a Frente Nacional reformulou sua imagem para se apresentar como um partido moderno e arejado, disfarçado seu caráter racista, anti-imigrantes e antimuçulmano.

Nas últimas pesquisas nacionais, a FN aparece com 25% das preferências. Diante do desgaste do Partido Socialista do presidente François Hollande e da luta interna da UMP para ver quem vai liderar a oposição - o ex-primeiro-ministro François Fillon, Jean-François Copé ou o ex-presidente Nicolas Sarkozy -, a Frente pode se tornar o maior partido da França.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Marine Le Pen recomenda voto em branco

Num comício em que declarou que a Frente Nacional, de extrema direita, venceu a batalha ideológica na França, a líder do partido, Marine Le Pen, rejeitou as tentativas do presidente Nicolas Sarkozy de atrair o voto dos radicais de direita: "No domingo, votarei em branco", afirmou a filha do neonazista Jean-Marie Le Pen, que chegou ao segundo turno da eleição presidencial de 2002.

Com 6,4 milhões de votos, cerca de 18% do eleitorado, Marine se tornou a grande eleitora do segundo turno deste ano, quando Sarkozy enfrenta no domingo o candidato socialista, François Hollande, com as pesquisas dando vantagem ao opositor de seis pontos percentuais.

Tanto Marine Le Pen quanto o centrista François Bayrou têm interesse na derrota do presidente Sarkozy, que poderia levar à ruptura de seu partido, a União por um Movimento Popular (MP).

Na sua lepenização em busca dos votos da extrema direita, em seu comício de 1º de maio, o presidente afirmou que "a França tem imigrantes demais" e que os mecanismos de integração "não estão funcionando".

Seu adversário, o candidato socialista, François Hollande, aproveitou o Dia do Trabalho para prometer políticas que aumentem a geração de empregos.

domingo, 22 de abril de 2012

Estimativas confirmam pesquisas na França: Hollande e Sarkozy disputam segundo turno em 6 de maio

O candidato socialista François Hollande ganhou o primeiro turno da eleição presidencial da França, com 28,4% dos votos, estimou agora há pouco a TV5 Monde, que transmite ao vivo. Ele disputa o segundo turno em 6 de maio de 2012 contra o presidente Nicolas Sarkozy, que teve 25,5%.

Outra projeção, divulgada pelo jornal Libération, dá 28,8% ao socialista e 27% ao presidente. É a primeira eleição desde 1958 em que o presidente em exercício não sai na frente no primeiro turno. Hollande conseguiu o segundo melhor resultado do Partido Socialista, informa o jornal Le Monde.

A grande surpresa foi Marine Le Pen, da Frente Nacional, de extrema direita. Com 20% dos votos, ela supera a votação do pai, Jean-Marie Le Pen, que chegou ao segundo turno em 2002, com 17%. O ministro do Exterior, Alain Juppé, atribuiu essa votação à crise econômica.

Uma decepção foi Jean-Luc Mélenchon, da Frente de Esquerda, talvez o candidato que mais tenha empolgado nos comícios, com 11,7%. Alguns analistas chegaram a supor que ele disputaria o terceiro lugar com Marine Le Pen. Em mais um discurso inflamado, ele acaba de pedir a seu eleitorado que ajude a derrotar Sarkozy no segundo turno.

Com a desilusão e a crise de identidade dos franceses diante da crise econômica mundial, os dois principais candidatos extremistas chegaram a obter quase um terço dos votos.

O centrista François Bayrou, ex-ministro de Sarkozy também, decepcionou, com 8,5%. Ao reconhecer a derrota, a ecologista Eva Joly pediu a seu eleitorado de 2% para votar contra Sarkozy no segundo turno.

Entre os outros nanicos, Nicolas Dupont-Aignan, do partido Primeiro a República, que sonhava em ser o primeiro entre os pequenos, teve 1,8%; Philippe Poutou, do Novo Partido Anticapitalista (NPA), herdeiro de Olivier Besancenot, 1,2%; a trotskista Nathalie Arthaud, 0,7%; e Jacques Cheminade, 0,2%.

As pesquisas sobre o segundo turno dão pelo menos 54% para Hollande e no máximo 46% para Sarkozy. O presidente tem duas semanas para virar o jogo.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Filha de Le Pen lidera ultradireita na França

Marine Le Pen herdou do país a liderança da Frente Nacional e da extrema direita francesa. Dias depois que Jean-Marie Le Pen saiu de cena, sua filha conquistou a liderança do partido.

O pai chegou a disputar o segundo turno da eleição presidencial de 2002 contra o então presidente Jacques Chirac, num terremoto na política francesa.

Neonazista convicto e incorrigível, Le Pen negava o Holocausto e o uso de câmaras de gás pela Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

Sua filha segue sua orientação política, lutando contra os imigrantes, especialmente muçulmanos, a integração europeia e a globalização. Boa parte do operariado que um dia votou no antes poderoso Partido Comunista Francês hoje apoio a FN.