Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Ao impor as maiores tarifas depois da China, enquadrar organizações criminosas como terroristas, tentar enviar diplomatas para questionar o sistema eleitoral brasileiro e cassar o visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, o governo Donald Trump deixa clara a intenção de interferir nas eleições brasileiras para apoiar a extrema direita.
A campanha eleitoral começa aqui oficialmente em 16 de agosto. Novas agressões de Washington, especialmente do secretário de Estado, Marco Rubio, devem marcar a tentativa de eleger um governo aliado e subserviente no maior e mais rico país da América Latina, o único pais importante da região governado pela esquerda.
Trump lidera um movimento neofascista. Seu guru, Steve Bannon, se apresenta como um "leninista de direita". Quer criar uma Internacional Neofascista com partidos de extrema direita da América e da Europa. O Brasil é no momento o principal alvo dessa estratégia.
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Ao revogar o visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti, o governo Donald Trump ataca o Brasil mais uma vez, numa interferência direta no processo eleitoral para ajudar o candidato da extrema direita.
A medida vem depois da visita do candidato Flávio Bolsonaro à Casa Branca, do enquadramento do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos terroristas, dos novos tarifaços que deixam o Brasil atrás apenas da China na guerra comercial de Trump e da tentativa de enviar representantes do Departamento de Estado norte-americano para questionar o sistema eleitoral brasileiro.
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Em 1296, o rei Eduardo I, da Inglaterra, na tentativa de submeter a Escócia a sua suserania, rouba a Pedra da Coroação ou Pedra de Scone, usada na coroação dos reis escoceses e a leva para a Abadia de Westminster, em Londres, local da coroação dos reis ingleses.
A pedra, de pedra-sabão, tem 66 cm x 41cm x 28 cm e pesa 152 quilos. Tem uma incisão na forma de uma cruz na parte de cima e duas alças de ferro para facilitar o transporte. De acordo com a tradição celta, a pedra um dia foi o travesseiro onde o patriarca Jacó repousava na cidade bíblica de Betel quando teve visões de anjos.
Da Terra Santa, diz a tradição, a pedra viaja ao Egito, à Sicília e à Espanha. Chega à Irlanda por volta de 700 antes de Cristo e é colocada na colina de Tara, onde os reis da Irlanda são coroados. Depois que os celtas invadem a Escócia, por volta do ano 840 da era cristã, Kenneth MacAlpin leva a pedra para a cidade de Scone, onde é encaixada na trono da coroação.
Em 1292, João Balliol é o último rei da Escócia coroado com a pedra sob o trono. Eduardo I a leva para Londres em 1296. Ela é instalada na Cadeira da Coroação, na Abadia de Westminster, em 1307. É um símbolo de que os reis da Inglaterra seriam também coroados reis da Escócia.
VOLTA AO MUNDO PELA METADE
Em 1521, o navegador português Fernão de Magalhães, que dava a volta ao mundo a serviço da Espanha, morre em combate com os habitantes da Ilha de Mactã, nas Filipinas, na primeira viagem de circunavegação da Terra.
Fernão de Magalhães zarpa de Sanlúcar de Barrameda, na Espanha, em 20 de setembro de 1519 com cinco navios e 270 homens para procurar uma rota pelo oeste para chegar as Ilhas das Especiarias (Indonésia).
A expedição entra no Rio da Prata. Sem sucesso, segue para o sul. Em março de 1520, a expedição para em Porto de São Julião, na Patagônia, onde Magalhães enfrenta uma revolta dos capitães espanhóis. Controla o motim executando um capitão rebelde e deixando outro em terra.
Em 21 de outubro de 1520, a frota finalmente descobre o Estreito de Magalhães, que separa a Terra do Fogo do continente. Só três navios entram na passagem: um afunda antes e outro deserta. Eles levam 38 dias para atravessar o estreito.
Ao ver o oceano do outro lado, Magalhães chora de alegria. A frota leva 99 dias para cruzar este oceano de águas tão calmas que dão o nome de Pacífico, provavelmente por causa do fenômeno El Niño, um aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial. É um contraste com o Oceano Atlântico, que os marinheiros chamam de Mar Tenebroso.
Como o Pacífico é muito maior, a comida acaba. Os marinheiros chegam à Ilha de Guam em 6 de março de 1521 mastigando peças de couro para tentar enganar o estômago.
Dez dias depois, a frota ancora na ilha de Cebu, nas Filipinas, onde o chefe local se converte ao cristianismo e pede ajuda na guerra contra a ilha vizinha de Mactã, onde em 27 de abril Magalhães é ferido mortalmente por uma flecha envenenada e morre.
A expedição vai para as Ilhas Molucas, onde pega um carregamento de especiarias. Com apenas dois navios, sob o comando do espanhol Juan Sebastián Elcano, atravessa o Oceano Índico, dá a volta no Cabo da Boa Esperança (que os marinheiros ainda chamam pelo antigo nome de Cabo das Tormentas) e chega a Sanlúcar de Barrameda em 6 de setembro de 1522, completando a façanha.
ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA NA FRANÇA
Em 1848, a escravidão é definitivamente abolida na França, um processo que começa na Revolução Francesa de 1789 e leva décadas para se consolidar.
A Convenção Nacional decreta o fim da escravidão nas colônias francesas em 4 de fevereiro de 1794. É uma das primeiras abolições.
O Comitê de Salvação Pública, um grupo de 12 homens que manda de fato na revolução, sob a liderança de Maximiliano Robespierre, manda uma força de 1.200 homens às colônias do Mar do Caribe para aplicar a lei.
Em 1802, o ditador Napoleão Bonaparte reintroduz a escravidão nas colônias. O Congresso de Viena, que tenta restaurar o status quo na Europa depois da derrota de Napoleão, em 1815, declara oposição ao tráfico de escravizados. Em 1818, o rei Luís XVIII proíbe o tráfico.
A abolição definitiva vem durante a Segunda República Francesa, depois da Revolução de 1848.
FIM DO APARTHEID
Em 1994, a África do Sul realiza suas primeiras eleições livres para enterrar o regime segregacionista do apartheid, que impunha uma ditadura cruel e brutal da minoria branca. Mais de 22 milhões de pessoas votam e dão ampla maioria de 62,7% dos votos ao Congresso Nacional Africano (CNA).
Seu líder, Nelson Mandela, torna-se o primeiro presidente negro da África do Sul. Ele forma um governo de coalizão com o Partido Nacional, chefiado pelo ex-presidente Frederik de Klerk, que mandava no tempo do apartheid; e o Partido da Liberdade Inkhata, liderado por Mangosuthu Buthelezi, que alimentava o sonho de ser o primeiro presidente negro.
Mandela nasce em 18 de julho de 1918 em Mzevo, uma pequena aldeia, numa família da nobreza da tribo xhosa. É sobrinho do rei Jongintaba. Estuda direito e, em 1944, entra para o CNA, partido que luta pelos direitos da maioria negra desde 1912.
Em 1952, é eleito vice-presidente nacional. Sob a inspiração do herói da independência da Índia, Mohandas Gandhi, defende uma resistência e uma luta pacífica contra o apartheid.
Gandhi tem a influência do escritor e pacifista russo Leon Tolstoy, que lhe apresenta as ideias de Henry David Thoreau, o naturalista norte-americano que cria o conceito de desobediência civil ao se negar a pagar impostos para não financiar guerra contra o México (1846-48), quando os EUA tomam cerca de 40% do território mexicano.
Depois do Massacre de Sharpeville, em 1960, quando a polícia atira contra uma multidão de manifestantes e mata 69 pessoas, o CNA abandona o pacifismo e parte para a luta armada. Mandela é o organizador e comandante do braço armado do partido, Umkhonto we sizwe (Lança da Nação).
Preso em 1962, Mandela é condenado à morte, mas tem a pena comutada para prisão perpétua. Junto com outros companheiros, vai para a prisão da ilha Robben e mais tarde para as prisões de Pollsmoor e Victor Verster.
É solto 27 anos depois, em 11 de fevereiro de 1990 para negociar uma transição pacífica para a democracia. Vira presidente, mas não se apega ao cargo. Ao contrário dos líderes autoritários que desgraçaram a África independente, transfere o poder a seu sucessor na liderança do partido, Thabo Mbeki, vai para casa e continua sendo a referência moral da nação até a morte, em 5 de dezembro de 2013.
MORTE DE ROSTROPOVICH
Em 2007, morre em Moscou aos 80 anos o instrumentista e maestro russo Mstislav Rostropovich, um dos melhores violoncelistas do século 20, diretor da Orquestra Sinfônica Nacional dos Estados Unidos.
Rostropovich nasce em 27 de março de 1927, em Baku, capital do Azerbaijão, uma das repúblicas da União Soviética. Ainda criança, a família se muda para Moscou. Ele recebe educação musical dos pais, um violoncelista e uma pianista, e estuda no Conservatório de Moscou, onde tem como professores músicos como Dimitri Shostakovich e Serguei Prokofiev, e depois se torna professor.
Nos anos 1950, Rostropovich começa a se apresentar no exterior. Em 1970, quando ele apoia o escritor dissidente Alexander Soljenítsin, o regime comunista reduz as permissões para tocar no exterior. Depois de sair da URSS com a mulher em 1974, Rostropovich anuncia em a decisão de não voltar.
Em 1977, ele se torna diretor musical da Orquestra Sinfônica Nacional dos EUA, em Washington. A URSS cassa a cidadania do casal em 1978 e só a restitui em 1990, na Era Gorbachev (1985-91). Rostropovich morre em Moscou aos 80 anos em 27 de abril de 2007.
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Um ano depois de ser amplamente derrotado por Donald Trump, o Partido Democrata venceu várias eleições realizadas hoje nos Estados Unidos por causa do fracasso e da impopularidade do presidente. É um mau presságio para o Partido Republicano tendo em vista as eleições de meio de mandato, daqui a um ano, quando deve perder a maioria na Câmara dos Representantes.
A eleição com maior visibilidade e impacto foi para prefeito de Nova York, vencida pelo deputado estadual Zohran Mamdani, um imigrante muçulmano social-democrata, representante de tudo o que Trump mais detesta. Na sua rede social, Trump acusou Mamdani de ser comunista e ameaçou não dar dinheiro público federal à Cidade de Nova York durante seu governo.
Os democratas também venceram as eleições para governador nos estados de Nova Jérsei, tradicionalmente democrata, e da Virgínia, que era governada pelo Partido Republicano e tem um histórico de alternância entre os dois grandes partidos norte-americanos.
Mamdani, de 34 anos, será o prefeito mais jovem da cidade em 133 anos. Ele venceu pela segunda vez o ex-governador de Nova York Andrew Cuomo, que caiu em desgraça e renunciou em agosto de 2021 depois de ser acusado de assédio sexual por 12 mulheres. O socialista ganhou de Cuomo a eleição primária do Partido Democrata e bateu o mesmo adversário hoje.
Cuomo concorreu como independente. Teve o apoio dos magnatas da cidade mais rica dos EUA porque o adversário é socialista e da maioria dos judeus porque Mamdani é muçulmano e crítico do Estado de Israel, que acusa de ser um projeto colonialista e etnonacionalista.
Mais de 2 milhões de nova-iorquinos votaram, a maior participação desde 1969. Com 90% dos votos apurados, Mamdani tem mais de 1 milhão de votos, pouco mais da metade, contra 41,6% para Cuomo. Na campanha, ele teve o apoio do senador Bernie Sanders e da deputada federal Alexandria Ocasio-Cortez, ambos socialistas, e prometeu reduzir o custo de vida na maior e mais rica cidade dos EUA.
Na Virgínia, Abigail Spanberger vence com 57% contra 43% da republicana Winsome Earle-Sears, uma vitória esmagadora num estado onde Trump venceu. Será a primeira mulher a governar o estado. No discurso da vitória, ela prometeu fazer um governo suprapartidário e atacar os problemas criados pelas políticas da Trump.
A Virgínia faz divisa com o Distrito de Colúmbia. O Departamento da Defesa (Pentágono) fica na Virgínia. O estado tem muitos funcionários públicos federais que foram atingidos pelas demissões realizadas pelo Departamento de Eficiência Governamental (Doge).
Em Nova Jérsei, a deputada federal democrata Mikie Sherrill, ex-pilota de helicóptero da Marinha e ex-procuradora federal, será a segunda mulher a governar o estado. Com quase 90% dos votos apurados, ela tem 56% contra 43% para o republicano Jack Ciattarelli, ex-deputado da Assembleia Legislativa estadual. Durante a campanha, ele pediu o fim do casamento de pessoas do mesmo sexo.
Na Califórnia, mais de 60% votaram a favor de um redesenho dos distritos eleitorais do estado para dar mais cinco cadeiras de deputados federais aos democratas para neutralizar o que está sendo feito no Texas e em outros estados governados por republicanos.
Também contribuiu para a derrota republicana o fechamento há mais de um mês das atividades não essenciais do governo dos EUA porque os dois partidos não chegaram a um acordo sobre o orçamento. Cerca de 42 milhões de norte-americanos não receberam os cupons de alimentação de que dependem para nutrição.
Uma pesquisa do jornal The Washington Post, da rede de televisão ABC e do instituto Ipsos sobre a avaliação do governo Trump ajuda a explicar a derrota republicana.
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Com 47% dos votos, a aliança Força Pátria, liderada pelo governador Axel Kicillof, obteve uma ampla vitória nas eleições de domingo na Província de Buenos Aires, a maior e mais importante da Argentina. O coligação entre A Liberdade Avança, do presidente Javier Milei, e a Proposta Republicana (Pro), do ex-presidente Mauricio Macri, ficou num segundo lugar distante, com pouco menos de 34% da votação.
Um ano e meio depois de chegar à Casa Rosada com uma promessa radical de acabar com a inflação com cortes drásticos nos gastos públicos e grande liberdade para os mercados, Milei enfrenta os mesmos problemas que desmoralizaram o peronismo em sua versão mais recente, o kirchnerismo: a inflação e a corrupção.
O resultado das urnas foi inesperado. Esperava-se uma vitória apertada do peronismo, que tem sua grande base eleitoral na Província de Buenos Aires, onde vivem 14,38 dos 35,4 eleitores argentinos, mais de 40% do total. Kicillof desponta como principal candidato da oposição à Presidência em 2027.
Em consequência, o Índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires, caiu 13%. O dólar subiu 7% de manhã depois de se estabilizar com uma alta de 4,25% no dia, num momento em que o governo intervém no mercado de câmbio para conter a inflação, que voltou a subir. Ficou em 1,9% ao mês em julho. As previsões para agosto apontam 2% a 2,1%.
Sob ameaça de uma nova disparada do dólar, Milei e o ministro da Economia, Luis Caputo, fizeram uma reunião de emergência na sede do governo com o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ilan Goldfajn, ex-presidente do Banco Central do Brasil (foto), que prometeu apoiar o programa de recuperação da economia argentina.
Talvez o que mais tenha pesado na decisão dos eleitores foi um escândalo de corrupção envolvendo a irmã do presidente, Karina Milei (foto), secretária-geral da Presidência, considerada hoje a pessoa mais poderosa do país, logo abaixo do irmão. Karina chefiou a campanha de Javier Milei, que a chama de "o chefe".
Em 19 de agosto, gravações de som atribuídas a Diego Spagnuolo, ex-diretor da Agência Nacional para Deficientes (Andis), denunciaram um esquema de propinas na compra de medicamentos. Os laboratórios interessados em contratos estatais deveriam pagar até 8% a mais para uma drogaria chamada Suizo Argentina; 3% iriam para Karina Milei. O desvio de dinheiro público seria de 500 a 800 mil dólares por mês.
A Justiça ordenou investigação e busca na Andis e em propriedades da Suizo Argentina. Mais de US$ 266 mil em espécie foram encontrados na casa de um dos donos da drogaria suspeita.
O mileísmo sofre assim dos mesmos males que derrotaram o kirchnerismo: inflação e corrupção. No seu pior momento, terá de enfrentar em 26 de outubro as eleições parlamentares de meio de mandato. Serão renovadas a metade da Câmara e um terço do Senado.
Com a derrota nas eleições de ontem para o Senado, o Partido Liberal-Democrata (PLD), que governa o Japão há 70 anos com breves interrupções, e seu aliado Komeito (Partido do Governo LImpo) ficam sem maioria nas duas casas do Congresso pela primeira vez.
É a terceira derrota consecutiva do primeiro-ministro Shigeru Ishiba. Ele perdeu a maioria na Câmara em outubro do ano passado, quando assumiu a liderança do PLD, e as eleições municipais em Tóquio em janeirpo deste ano. Por enquanto, resiste às pressões para renunciar e não quer ampliar a coalizão de governo.
A derrota enfraquece o Japão no momento de negociações delicadas com os Estados Unidos para escapar da ameaça do presidente Donald Trump de um tarifaço de 25% capaz de abalar as exportações japonesas, especialmente de automóveis, carro-chefe da indústria do país. Nas primeiras rodadas de negociação, os EUA quiseram impor exigências de abertura de mercado sem contrapartida e o Japão não aceitou.
Se o governo japonês resistir às ameaças de Trump, a situação econômica, que já é difícil, vai piorar. Se ceder, Ishiba será visto como um primeiro-ministro ainda mais fraco. A dívida pública pode chegar neste ano a 272% do produto interno bruto (PIB). É proporcionalmente a maior do mundo. Segunda maior economia do mundo até ser superado pela China em 2010, o Japão foi ultrapassado pela Alemanha e neste ano deve ficar atrás da Índia. Depois de décadas de deflação, a inflação foi de 3,2% ano em junho e o aumento dos preços dos alimentos de 7,1%, gerando insatisfação. O preço do arroz, base da alimentação japonesa, dobrou em um ano.
O Senado do Japão tem 248 cadeiras. Faltaram três para a coalizão governista manter a maioria absoluta. Os maiores avanços foram do Partido Democrático para o Povo (PDP), que cresceu de 9 para 22 senadores, e o partido de extrema direita Sanseito (Partido da Participação Popular), antiestrangeiros, que passou de 2 para 15 senadores.
São dois partidos populistas que usam as redes sociais para angariar prestígio junto aos jovens, cada vez mais preocupados com o futuro do Japão. Sua ascensão indica uma fragmentação do sistema político japonês e consequente aumento da instabilidade.
De centro-direita, o PDP nasceu em 2018 da fusão entre o Partido Democrático (PD) e o Partido da Esperança (PE) com as promessas de revitalizar a economia, reforma do setor de energia e aumentar a prontidão para a guerra diante da ascensão da China e do isolamento crescente dos EUA. Está entre o conservador PLD e o Partido Democrático Constitucional do Japão (PDCJ), de centro-esquerda, o maior da oposição, antimilitarista e contra a energia nuclear, que pode ser convidado para integrar o governo para formar maioria.
O programa do PDP defende o crescimento com maior distribuição da renda, estímulo estatal à economia, investimento em inovação e aumento da produtividade, parceria público-privada para modernizar a infraestrutura e a indústria, aumento salarial, igualdade de gênero no mercado de trabalho, assistência à infância para aumentar a natalidade e conter a queda na população, reforma constitucional e reforma tributária para fortalecer os trabalhadores e a classe média.
No setor de energia, o PDP quer a eliminação gradual da energia nuclear, transição para energia de fontes renováveis, liberalização do mercado de energia, autossuficiência e sustentabilidade ambiental.
Depois do acidente nuclear de Fukushima, causado pelo terremoto e maremoto de 11 de março de 2011, o Japão desligou em 2013 todas as 48 usinas atômicas. Elas eram responsáveis por mais de 25% da energia elétrica do país; 94% passaram a ser gerados por combustíveis fósseis e 6% por fontes renováveis.
Em 2015, duas usinas nucleares foram religadas. Doze reatores voltaram a funcionar até fevereiro deste ano e outros 15 pediram licença para funcionar. A energia atômica é considerada essencial para que o país cumpra as metas de redução de emissões de combustíveis fósseis prometidas com base no Acordo de Paris sobre Mudança do Clima.
Na política externa e em defesa, o PDP quer fortalecer a capacidade militar mantendo a aliança com os EUA como base da segurança nacional. Defende uma revisão moderada do artigo 9 da Constituição imposta pelos EUA em 1947, depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45). O art. 9 proíbe o Japão de ir à guerra e de projetar seu poderio militar no exterior.
O Sanseito é um partido de extrema direita fundado em 2020. Tem várias semelhanças ao trumpismo, como o slogan "primeiro, os japoneses", o gosto por teorias conspiratórias, cortes de impostos, e a rejeição a imigrantes e estrangeiros. Difundiu notícias falsas contra vacinas e sobre a pandemia da covid-19 (doença do coronavírus de 2019). Ao mesmo tempo, defende a espiritualidade e a alimentação natural, com produtos orgânicos.
Em maio de 2025, seu secretário-geral, Sohei Kamiya foi acusado de revisionismo histórico ao afirmar que durante a Batalha de Okinawa, no fim da guerra, os okinawenses foram mortos apenas por soldados norte-americanos e não pelo Exército Imperial Japonês, notório por seus crimes de guerra.
Em 1296, o rei Eduardo I, da Inglaterra, na tentativa de submeter a Escócia a sua suserania, rouba a Pedra da Coroação ou Pedra de Scone, usada na coroação dos reis escoceses e a leva para a Abadia de Westminster, em Londres, local da coroação dos reis ingleses.
A pedra, de pedra-sabão, tem 66 cm x 41cm x 28 cm e pesa 152 quilos. Tem uma incisão na forma de uma cruz na parte de cima e duas alças de ferro para facilitar o transporte. De acordo com a tradição celta, a pedra um dia foi o travesseiro onde o patriarca Jacó repousava na cidade bíblica de Betel quando teve visões de anjos.
Da Terra Santa, diz a tradição, a pedra viaja ao Egito, à Sicília e à Espanha. Chega à Irlanda por volta de 700 antes de Cristo e é colocada na colina de Tara, onde os reis da Irlanda são coroados. Depois que os celtas invadem a Escócia, por volta do ano 840 da era cristã, Kenneth MacAlpin leva a pedra para a cidade de Scone, onde é encaixada na trono da coroação.
Em 1292, João Balliol é o último rei da Escócia a ser coroado com a pedra sob o trono. Eduardo I a leva para Londres em 1296. Ela é instalada na Cadeira da Coroação, na Abadia de Westminster, em 1307. É um símbolo de que os reis da Inglaterra seriam também coroados reis da Escócia.
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Em 1521, o navegador português Fernão de Magalhães, que dava a volta ao mundo a serviço da Espanha, morre em combate com os habitantes da Ilha de Mactã, nas Filipinas, na primeira viagem de circunavegação da Terra.
Fernão de Magalhães zarpa de Sanlúcar de Barrameda, na Espanha, em 20 de setembro de 1519 com cinco navios e 270 homens para procurar uma rota pelo oeste para chegar as Ilhas das Especiariais (Indonésia).
A expedição entra no Rio da Prata. Sem sucesso, segue para o sul. Em março de 1520, a expedição para em Porto de São Julião, na Patagônia, onde Magalhães enfrenta uma revolta dos capitães espanhóis. Controla o motim executando um capitão rebelde e deixando outro em terra.
Em 21 de outubro de 1520, a frota finalmente descobre o Estreito de Magalhães, que separa a Terra do Fogo do continente. Só três navios entram na passagem: um afunda antes e outro deserta. Eles levam 38 dias para atravessar o estreito.
Ao ver o oceano do outro lado, Magalhães chora de alegria. A frota leva 99 dias para cruzar este oceano de águas tão calmas que deram o nome de Pacífico, provavelmente por causa do fenômeno El Niño, um aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial. É um contraste com o Oceano Atlântico, que os marinheiros chamam de Mar Tenebroso.
Como o Pacífico é muito maior, a comida acaba. Os marinheiros chegam à Ilha de Guam em 6 de março de 1521 mastigando peças de couro para tentar enganar o estômago.
Dez dias depois, a frota ancora na ilha de Cebu, nas Filipinas, onde o chefe local se converte ao cristianismo e pede ajuda na guerra contra a ilha vizinha de Mactã, onde em 27 de abril Magalhães é ferido mortalmente por uma flecha envenenada e morre.
A expedição vai para as Ilhas Molucas, onde pega um carregamento de especiarias. Com apenas dois navios, sob o comando do espanhol Juan Sebastián Elcano, atravessa o Oceano Índico, dá a volta no Cabo da Boa Esperança (que os marinheiros ainda chamam pelo antigo nome de Cabo das Tormentas) e chega a Sanlúcar de Barrameda em 6 de setembro de 1522, completando a façanha.
ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA NA FRANÇA
Em 1848, a escravatura é definitivamente abolida na França, um processo que começa na Revolução Francesa de 1789 e leva décadas para se consolidar.
A Convenção Nacional decreta o fim da escravidão nas colônias francesas em 4 de fevereiro de 1794. É uma das primeiras abolições.
O Comitê de Salvação Pública, um grupo de 12 homens que manda de fato na revolução, sob a liderança de Maximiliano Robespierre, manda uma força de 1.200 homens às colônias do Mar do Caribe para aplicar a lei.
Em 1802, o ditador Napoleão Bonaparte reintroduz a escravidão nas colônias. O Congresso de Viena, que tenta restaurar o status quo na Europa depois da derrota de Napoleão, em 1815, declara oposição ao tráfico de escravizados. Em 1818, o rei Luís XVIII proíbe o tráfico.
A abolição definitiva vem durante a Segunda República Francesa, depois da Revolução de 1848.
FIM DO APARTHEID
Em 1994, a África do Sul realiza suas primeiras eleições livres para enterrar o regime segregacionista do apartheid, que impunha uma ditadura cruel e brutal da minoria branca. Mais de 22 milhões de pessoas votam e dão ampla maioria de 62,7% dos votos ao Congresso Nacional Africano (CNA).
Seu líder, Nelson Mandela, torna-se o primeiro presidente negro da África do Sul. Ele forma um governo de coalizão com o Partido Nacional, chefiado pelo ex-presidente Frederik de Klerk, que mandava no tempo do apartheid; e o Partido da Liberdade Inkhata, liderado por Mangosuthu Buthelezi, que alimentava o sonho de ser o primeiro presidente negro.
Mandela nasce em 18 de julho de 1918 em Mzevo, uma pequena aldeia, numa família da nobreza da tribo xhosa. É sobrinho do rei Jongintaba. Estuda direito e, em 1944, entra para o CNA, partido que luta pelos direitos da maioria negra desde 1912.
Em 1952, é eleito vice-presidente nacional. Sob a inspiração do herói da independência da Índia, Mohandas Gandhi, defende uma resistência e uma luta pacífica contra o apartheid.
Gandhi tem a influência do escritor e pacifista russo Leon Tolstoy, que lhe apresenta as ideias de Henry David Thoreau, o naturalista norte-americano que cria o conceito de desobediência civil ao se negar a pagar impostos para não financiar guerra contra o México (1846-48), quando os EUA tomam cerca de 40% do território mexicano.
Depois do Massacre de Sharpeville, em 1960, quando a polícia atira contra uma multidão de manifestantes e mata 69 pessoas, o CNA abandona o pacifismo e parte para a luta armada. Mandela é o organizador e comandante do braço armado do partido, Umkhonto we sizwe (Lança da Nação).
Preso em 1962, Mandela é condenado à morte, mas tem a pena comutada para prisão perpétua. Junto com outros companheiros, vai para a prisão da ilha Robben e mais tarde para as prisões de Pollsmoor e Victor Verster.
É solto 27 anos depois, em 11 de fevereiro de 1990 para negociar uma transição pacífica para a democracia. Vira presidente, mas não se apega ao cargo. Ao contrário dos líderes autoritários que desgraçaram a África independente, transfere o poder a seu sucessor na liderança do partido, Thabo Mbeki.
MORTE DE ROSTROPOVICH
Em 2007, morre em Moscou aos 80 anos o instrumentista e maestro russo Mstislav Rostropovich, um dos melhores violoncelistas do século 20, diretor da Orquestra Sinfônica Nacional dos Estados Unidos.
Rostropovich nasce em 27 de março de 1927, em Baku, capital do Azerbaijão, uma das repúblicas da União Soviética. Ainda criança, a família se muda para Moscou. Ele recebe educação musical dos pais, um violoncelista e uma pianista, e estuda no Conservatório de Moscou, onde tem como professores músicos como Dimitri Shostakovich e Serguei Prokofiev, e depois se torna professor.
Nos anos 1950, Rostropovich começa a se apresentar no exterior. Em 1970, quando ele apoia o escritor dissidente Alexander Soljenítsin, o regime comunista reduz as permissões para tocar no exterior. Depois de sair da URSS com a mulher em 1974, Rostropovich anuncia em a decisão de não voltar.
Em 1977, ele se torna diretor musical da Orquestra Sinfônica Nacional dos EUA, em Washington. A URSS cassa a cidadania do casal em 1978 e só a restitui em 1990, na Era Gorbachev (1985-91). Rostropovich morre em Moscou aos 80 anos.
Sob ameaça de uma guerra comercial de Donald Trump e pressão dentro do seu próprio Partido Liberal, que está 26 pontos percentuais atrás dos conservadores nas pesquisas sobre as eleições a serem realizadas até outubro, o primeiro-ministro Justin Trudeau anunciou hoje sua demissão da liderança do partido e da chefia do governo do Canadá. Ele fica nos cargos até o partido eleger um novo líder.
"É hora de um reinício", declarou Trudeau em frente de sua casa em Ottawa. "Este país merece fazer uma verdadeira escolha nas próximas eleições. (...) Se tenho de travar batalhas internas, não posso ser a melhor opção para as próximas eleições." É mais um líder progressista que cai neste momento em que eleitores insatisfeitos derrubam governos no mundo inteiro.
Sua queda fortalece Trump e enfraquece líderes progressistas em temas como o combate à fome e ao aquecimento global e na defesa dos direitos, propostos propostos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20) realizada em novembro no Rio de Janeiro.
Trudeau suspendeu o Parlamento, que disse estar "totalmente paralisado por obstrução e total falta de produtividade", até 24 de março. Evita assim um voto de desconfiança que anteciparia as eleições enquanto os liberais escolhem um novo líder. Só então vai renunciar oficialmente à chefia do governo. As eleições podem ser antecipadas para maio.
Segundo primeiro-ministro mais jovem da história do Canadá, Justin Pierre James Trudeau, hoje com 53 anos, é filho do ex-primeiro-ministro Pierre Elliott Trudeau e de Margaret Trudeau. O casal tinha uma diferença de idade de 30 anos e se divorciou quando Margaret foi suspeita de ter um caso com Mick Jagger, o líder dos Rolling Stones.
No poder desde 4 de novembro de 2015, Trudeau conquistou a maior vitória eleitoral da história do país. Com votos da classe trabalhadora, dos indígenas e dos jovens, tirou o Partido Liberal de uma década na oposição e do terceiro lugar a que foi relegado em 2011 pela liderança de Michael Ignatieff, um jornalista e escritor que passara boa parte da vida no exterior.
Logo se tornou um ícone do progressismo liberal com políticas inspiradas em parte pelo então presidente dos Estados Unidos Barack Obama. Entre outras medidas, protegeu os povos indígenas, defendeu os direitos humanos no mundo, foi a favor da imigração e do acolhimento a refugiados, celebrou a diversidade, fez do combate ao aquecimento global uma prioridade, criou um imposto sobre combustíveis fósseis que desagradou os estados produtores de petróleo, proibiu os fuzis de assalto e legalizou o uso recreativo da maconha.
Em política externa, Trudeau renegociou o Acordo de Livre Comércio da América do Norte com os EUA e o México, aproximou-se da Europa e começou a desengajar o Canadá dos conflitos no Oriente Médio. Segundo maior país do mundo, com quase 10 milhões de quilômetros quadrados, o Canadá tem apenas 40 milhões de habitantes. É a nona maior economia do mundo, com produto interno bruto estimado em US$ 2,33 trilhões, e a 18ª maior renda per capita (US$ 53.834).
Seu governo foi abalado por sucessivos escândalos, mas Trudeau não foi alvo de nenhuma sanção. O combate à pandemia foi um sucesso, mas as famílias da baixa renda foram afetadas pelo fechamento da economia, o que abalou sua popularidade. Foi reeleito em 2019 e 2021, com bancadas menores.
A pandemia causou inflação e o influxo de refugiados de imigrantes e refugiados foi responsabilizado pela falta de moradia. Nos últimos 12 meses, cinco ministros pediram demissão.
O problema se agravou com a reeleição de Trump para a Presidência dos EUA. Trump acusa os países vizinhos pela entrada de drogas e imigrantes ilegais. Em retaliação ou para negociar, ameaça impor tarifas de 25% sobre a importação de produtos do Canadá e do México. Seria um duro golpe. O Canadá envia 75% de suas exportações para os EUA, com destaque para petróleo e automóveis, e não tem muitas opções para retaliar.
Em novembro, Trudeau foi à residência de Trump no clube Mar-a-Lago discutir a segurança na fronteira para tentar evitar um tarifaço que jogaria a economia canadense em recessão. Mas o presidente norte-americano o tem depreciado. Chama o primeiro-ministro de governador e diz que o Canadá teria grandes vantagens em se tornar o 51º estado dos EUA.
Um golpe fatal em Trudeau foi a demissão surpreendente em 16 de dezembro da vice-primeira-ministra e ministra das Finanças Chrystia Freeland, uma ex-jornalista do Financial Times que foi ministra do Comércio Internacional e ministra do Exterior.
Na carta de demissão, publicada no X, Freeland revelou que Trudeau lhe pediu o cargo de ministra das Finanças, num sinal de que não tinha mais confiança nela. As principais divergências são sobre como enfrentar a crise econômica e o "grave desafio" da guerra comercial de Trump.
"Precisamos levar essa ameaça extremamente a sério", escreveu Freeland. "Isso significa manter nossa pólvora fiscal seca hoje para que tenhamos as reservas que podemos precisar numa guerra tarifária. Isso significa evitar truques políticos caros que não podemos pagar e que fazem os canadenses duvidar de que reconhecemos a gravidade do momento."
O jornal Globe and Mail citou como "truques políticos caros" uma isenção do imposto sobre circulação de mercadorias e serviços e o envio de cheques no valor de US$ 175 (R$ 1.069) para todos os canadenses que ganham menos de US$ 105 mil (R$ 642 mil) por ano.
Chrystia Freeland é uma das prováveis candidatas à liderança do Partido Liberal. Outros nomes cotados são Mark Carney, ex-presidente do Banco do Canadá e do Banco da Inglaterra; a ministra do Exterior, Mélanie Joly; e o novo ministro das Finanças, Dominic LeBlanc.
Quem quer que seja o vencedor terá de enfrentar o franco favorito para as próximas eleições, o deputado Pierre Poilievre, líder do Partido Conservador, que na última pesquisa tem 47% das preferências contra 21% dos liberais. Diante da queda de Trudeau, seu rival divulgou um vídeo nas redes sociais prometendo acabar com o impopular imposto sobre carbono, construir casas, equilibrar o orçamento e combater a criminalidade.
Mais da metade da população mundial pôde votar em 2024, o maior ano eleitoral da história. Houve eleições em 74 países. Em 80% dessas votações, os partidos de governos foram punidos pelos eleitores. Alguns governos sobreviventes perderam a maioria absoluta.
A eleição mais importante foi nos Estados Unidos, com a vitória de Donald Trump mesmo depois de ser condenado criminalmente por fraude e falsificação, e de ser acusado de fascista por historiadores eminentes. A extrema direita também avançou na Europa e a instabilidade política abala a Alemanha e a França, eixo central da União Europeia.
Com as vitórias sobre os grupos terroristas Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e Hesbolá (Partido de Deus), e a queda ditador sírio Bachar Assad, Israel se tornou uma superpotência regional no Oriente Médio. Pela primeira vez depois de décadas de guerra indireta, o Irã bombardeou Israel, que contra-atacou destruindo as defesas antiaéreas da República Islâmica, que está mais vulnerável do que nunca.
A Ucrânia entrou na província de Kursk, na primeira invasão do território da Rússia desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45), mas a Rússia avança lentamente no Leste da Ucrânia. Está mais perto da vitória numa guerra cada vez mais insustentável para a Ucrânia.
O aumento da tensão geopolítica e o enfraquecimento da liderança do Ocidente com a reeleição de Trump e o declínio da Europa abalam a cooperação internacional, como ficou evidente com o fracasso da 29ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CoP-29), realizada em Baku, no Azerbaijão.
O presidente Frank-Walter Steinmeier dissolveu hoje o Parlamento Federal da Alemanha. As eleições gerais foram antecipadas em sete meses depois da queda do chanceler (primeiro-ministro) social-democrata Olaf Scholz. Serão realizadas em 23 de fevereiro de 2025, em meio a uma crise do modelo econômico alemão e de ascensão da extrema direita. A favorita é a União Democrata-Cristão (CDU), o partido tradicional da direita conservadora, liderado por Friedrich Merz, que deve ser o próximo chefe de governo.
Maior economia da Europa e terceira do mundo, a Alemanha enfrenta uma crise de seu modelo econômico por causa da concorrência dos países da Ásia, especialmente da China, e do fim da energia barata da Rússia. O governo Scholz caiu por causa da discordância dos liberais-democratas sobre a recuperação da economia.
A CDU de Merz faz campanha com a defesa do neoliberalismo econômico, com cortes de impostos e gastos públicos, e contra a imigração. A onda de refugiados que entrou no governo Angela Merkel (2005-21) é a principal causa do surgimento e ascensão do partido neonazista Alternativa para a Alemanha (AfD), que está em segundo lugar nas pesquisas.
Com o fragmentação do sistema política e a recusa dos partidos tradicionais de formar governo com a extrema direita, há uma expectativa de que sejam necessários meses após as eleições até a Alemanha ter um novo governo. Como a França também está em crise, com um governo sem maioria na Assembleia Nacional, o eixo central da União Europeia está enfraquecido no momento da volta do presidente Donald Trump à Casa Branca.
Como era temido, o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) ficou em primeiro lugar nas eleições no estado da Turíngia e em segundo lugar na Saxônia. Este resultado é consequência dos problemas da reintegração da antiga Alemanha Oriental, da Crise de Refugiados e da impopularidade do atual governo federal do país. É improvável que os neonazistas consigam formar governo. O chanceler (primeiro-ministro) social-democrata Olaf Scholz pediu aos outros partidos que não formem governo com a ultradireita.
Na Turíngia, um pequeno estado de apenas 2 milhões de habitantes, a extrema direita conquistou 32,8% dos votos, batendo a União Democrata-Cristã (CDU), o maior partido de oposição da direita conservadora, que teve 23,6%.
Na Saxônia, a AfD (30,6%) ficou logo atrás da CDU (31,9%). Em ambos estados, a Aliança Sarah Wagennecht (BSW) ficou em terceiro lugar, com 15,8% na Turíngia e 11,8% na Saxônia. É um partido nacionalista e populista de extrema esquerda, eurocético e socialmente conservador, mas a favor do Estado do bem-estar social. A CDU terá problemas para formar governo com a BSW porque discordam em quase tudo, da questão social ao apoio à Ucrânia.
O comparecimento às urnas, de 74% na média dos dois estados, é um sinal que os alemães do Leste queriam punir o governo federal.
A coalizão de governo, chamada de sinal de trânsito, vermelho do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), amarelo do Partido Democrático Liberal (FDP) e Os Verdes, foi fragorosamente derrotada. Os três partidos do governo vivem brigando entre si. Raramente chegam a consensos. Scholz é um líder fraco. Deve cair nas próximas eleições gerais, daqui a um ano.
Trinta anos depois do fim da ditadura da minoria branca e do regime segregacionista do apartheid, o Congresso Nacional Africano (CNA), o partido de Nelson Mandela, responsável por esta transformação, perdeu a maioria na Assembleia Nacional da África do Sul e terá de negociar com outros partidos para governar.
Nas eleições de 29 de maio, o CNA obteve 40,18% dos votos e elegeu 159 deputados, 71 a menos do que nas eleições anteriores. Como o parlamento sul-africanos tem 400 cadeiras, a maioria é 201.
Em segundo lugar, ficou o principal partido de oposição, a Aliança Democrática (AD), liderada por um branco, John Steenhuisen, com 21,82% e 87 deputados, 3 a mais do que tinha.
A grande novidade foi um novo partido fundado pelo ex-presidente Jacob Zuma, condenado por corrupção, que está proibido de se candidatar. uMkhonto weSizwe (MK) era o nome do braço armado do CNA, criado em resposta ao Massacre de Sharpeville, quando o regime do apartheid matou 69 manifestantes desarmados.
Mandela era o comandante militar do grupo e por isso foi preso em 1962. Então, MK tem um simbolismo muito forte na história e na política sul-africanas. Zuma se apropriou desta bandeira para conquistar 14,58% dos votos e 58 cadeiras no parlamento. Com seus votos, sem sua dissidência, o CNA manteria a maioria absoluta.
Em 1296, o rei Eduardo I, da Inglaterra, na tentativa de submeter a Escócia a sua suserania, rouba a Pedra da Coroação ou Pedra de Scone, usada na coroação dos reis escoceses e a leva para a Abadia de Westminster, em Londres, local da coroação dos reis ingleses.
A pedra, de pedra-sabão, tem 66 cm x 41cm x 28 cm e pesa 152 quilos. Tem uma incisão na forma de uma cruz na parte de cima e duas alças de ferro para facilitar o transporte. De acordo com a tradição celta, a pedra um dia foi o travesseiro onde o patriarca Jacó na cidade bíblica de Betel quando ele teve visões de anjos.
Da Terra Santa, teria viajado ao Egito, à Sicília e à Espanha, chegado à Irlanda por volta de 700 antes de Cristo e colocada na colina de Tara, onde os reis da Irlanda eram coroados. Depois que os celtas invadiram a Escócia, por volta do ano 840 da era cristã, Kenneth MacAlpin leva a pedra para a cidade de Scone, onde é encaixada na trono da coroação.
Em 1292, João Balliol é o último rei da Escócia a ser coroado com a pedra sobre o trono. Eduardo I a leva para Londres em 1296. Ela é instalada na Cadeira da Coroação, na Abadia de Westminster, em 1307. É um símbolo de que os reis da Inglaterra seriam também coroados reis da Escócia.
VOLTA AO MUNDO PELA METADE
Em 1521, o navegador português Fernão de Magalhães, que dava a volta ao mundo a serviço da Espanha, morre em combate com os habitantes da Ilha de Mactã, nas Filipinas, na primeira viagem de circunavegação da Terra.
Fernão de Magalhães zarpa de Sanlúcar de Barrameda, na Espanha, em 20 de setembro de 1519 com cinco navios e 270 homens para procurar uma rota pelo oeste para chegar as Ilhas das Especiariais (Indonésia).
A expedição entra no Rio da Prata. Sem sucesso, vai segue para o sul. Em março de 1520, a expedição para em Porto de São Julião, na Patagônia, onde Magalhães enfrenta uma revolta dos capitães espanhóis. Controla o motim executando um capitão rebelde e deixando outro em terra.
Em 21 de outubro de 1520, a frota finalmente descobre o Estreito de Magalhães, que separa a Terra do Fogo do continente. Só três navios entram na passagem: um afunda antes e outro deserta. Eles levam 38 dias para atravessar o estreito.
Ao ver o oceano do outro lado, Magalhães chora de alegria. A frota leva 99 dias para cruzar este oceano de águas tão calmas que deram o nome de Pacífico, provavelmente por causa do fenômeno El Niño, um aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial. É um contraste com o Oceano Atlântico, que os marinheiros chamam de Mar Tenebroso.
Como o Pacífico é muito maior, a comida acaba. Os marinheiros chegam à Ilha de Guam em 6 de março de 1521 mastigando peças de couro para tentar enganar o estômago.
Dez dias depois, a frota ancora na ilha de Cebu, nas Filipinas, onde o chefe local se converte em cristianismo e pede ajuda na guerra contra a ilha vizinha de Mactã, onde em 27 de abril Magalhães é ferido mortalmente por uma flecha envenenada e morre.
A expedição vai para as Ilhas Molucas, onde pega um carregamento de especiarias. Com apenas dois navios, sob o comando do espanhol Juan Sebastián Elcano, atravessa o Oceano Índico, dá a volta no Cabo da Boa Esperança (que os marinheiros ainda chamam pelo antigo nome de Cabo das Tormentas) e chega a Sanlúcar de Barrameda em 6 de setembro de 1522, completando a façanha.
ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA NA FRANÇA
Em 1848, a escravatura é definitivamente abolida na França, um processo que começa na Revolução Francesa de 1789 e leva décadas para se consolidar.
A Convenção Nacional decreta o fim da escravidão nas colônias francesas em 4 de fevereiro de 1794. É uma das primeiras abolições.
O Comitê de Salvação Pública, um grupo de 12 homens que manda de fato na revolução, sob a liderança de Maximiliano Robespierre, manda uma força de 1.200 homens às colônias do Mar do Caribe para aplicar a lei.
Em 1802, o ditador Napoleão Bonaparte reintroduz a escravidão nas colônias. O Congresso de Viena, que tenta restaurar o status quo na Europa depois da derrota de Napoleão, em 1815, declara oposição ao tráfico de escravos. Em 1818, o rei Luís XVIII proíbe o tráfico.
A abolição definitiva vem durante a Segunda República Francesa, depois da Revolução de 1848.
FIM DO APARTHEID
Em 1994, a África do Sul realiza suas primeiras eleições livres para enterrar o regime segregacionista do apartheid, que impunha uma ditadura cruel e brutal da minoria branca. Mais de 22 milhões de pessoas votam e dão ampla maioria de 62,7% dos votos ao Congresso Nacional Africano.
Seu líder, Nelson Mandela, torna-se o primeiro presidente negro da África do Sul. Ele forma um governo de coalizão com o Partido Nacional, chefiado pelo ex-presidente Frederik de Klerk, que mandava no tempo do apartheid; e o Partido da Liberdade Inkhata, liderado por Mangosuthu Buthelezi, que alimentava o sonho de ser o primeiro presidente negro.
Mandela nasce em 18 de julho de 1918 em Mzevo, uma pequena aldeia, numa família da nobreza da tribo xhosa. É sobrinho do rei Jongintaba. Estuda direito e, em 1944, entra para o CNA, partido que luta pelos direitos da maioria negra desde 1912.
Em 1952, é eleito vice-presidente nacional. Sob a inspiração do herói da independência da Índia, Mohandas Gandhi, defende uma resistência e uma luta pacífica contra o apartheid.
Gandhi teve a influência do escritor e pacifista russo Leon Tolstoy, que lhe apresentou as ideias de Henry David Thoreau, o naturalista norte-americano que criou o conceito de desobediência civil ao se negar a pagar impostos para não financiar guerra contra o México de 1846-48, quando os EUA tomaram 37% do território mexicano.
Depois do Massacre de Sharpeville, em 1960, quando a polícia atira contra uma multidão de manifestantes e mata 69 pessoas, o CNA abandona o pacifismo e parte para a luta armada. Mandela é o organizador e comandante do braço armado do partido, Umkhonto we sizwe (Lança da Nação).
Preso em 1962, Mandela é condenado à morte, mas tem a pena comutada para prisão perpétua. Junto com outros companheiros, vai para a prisão da ilha Robben e mais tarde para as prisões de Pollsmoor e Victor Verster.
É solto 27 anos depois, em 11 de fevereiro de 1990 para negociar uma transição pacífica para a democracia. Vira presidente, mas não se apega ao cargo. Ao contrário dos líderes autoritários que desgraçaram a África independente, transfere o poder a seu sucessor na liderança do partido, Thabo Mbeki.
Um bombardeio de Israel a Damasco, a capital da Síria, matou no sábado cinco membros da Guarda Revolucionária do Irã, inclusive o chefe e o subchefe de inteligência para ações no exterior. Israel não negou nem confirmou, como costuma fazer nestes casos.
O presidente iraniano, Ebrahim Raïsi, prometeu vingança e ela veio logo. Um ataque de mísseis contra uma base aérea em Faluja, no Iraque, feriu levemente dois soldados norte-americanos e um iraquiano.
Além da Síria, onde apoia a ditadura de Bachar Assad, comandantes Guarda Revolucionária Iraniana, braço armado da ditadura dos aiatolás, estão no Iêmen apoiando e supervisionando os ataques a navios da milícia huti no Mar Vermelho, capazes de abalar a economia mundial.
Um ataque de drones israelenses matou dois oficiais da milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus). Mais de 200 pessoas morreram no Sul do Líbano desde o início da guerra. Pelo menos 160 eram combatentes do Hesbolá, que por sua vez matou 15 pessoas no Norte de Israel.
Durante a noite, Israel voltou a bombardear as cidades de Rafá e Khan Yunes, no Sul da Faixa de Gaza, e os campos de refugiados de Jabália, no Norte, e El Bureij, no Centro do território palestino, Com 165 mortes em 24 horas, o total de palestinos mortos em Gaza na guerra chegou a 24.927.
Em uma reunião de cúpula do Movimento dos Países Não Alinhados, em Kampala, em Uganda, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, declarou que "o direito do povo palestino de construir seu próprio Estado deve ser reconhecido por todos." Mas o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, desmentiu o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, para reafirmar a determinação de impedir a criação de uma Palestina independente.
Milhares de pessoas protestaram desde quinta-feira em Telavive e Haifa pedindo o fim da guerra, a libertação de todos os reféns e a realização de novas eleições para substituir Netanyahu.
Depois da invasão da Ucrânia pela Rússia em 2002, que acabou com os dividendos da paz do mundo pós-Guerra Fria, a guerra de Israel contra o grupo terrorista Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) perturbou em 2023 ainda mais um mundo já conturbado, sem esquecer da guerra civil no Sudão e na epidemia de golpes militares na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara, na África. Na América Latina, uma zona de paz internacional, o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, ameaça anexar a maior parte do território da vizinha Guiana.
Tanto o ditador da Rússia, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, têm interesse em prolongar as guerras para enfraquecer o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e auxiliar a volta à Casa Branca do ex-presidente Donald Trump, golpista, corrupto e fascista, aliado incondicional de Netanyahu e quase aliado de Putin.
Será um ano de eleições importantes, a começar em 13 de janeiro por Taiwan, a ilha que a China considera uma província rebelde e ameaça invadir se proclamar a independência. Na Rússia, Putin sobreviveu ao maior desafio em 23 anos no poder com a rebelião do mercenário Yevgueni Progojin, que morreu na explosão de um avião a mando do ditador, deve ser reeleito sem problemas em março.
As três maiores democracias do mundo realizam eleições em 2024. Na Indonésia, que vota em 14 de fevereiro, não há muita diferença programática entre os principais candidatos. Com 950 milhões de eleitores, a Índia divide a votação em vários dias. Deve reeleger o primeiro-ministro Narendra Modi, um extremista de direita e ultranacionalista hindu que persegue muçulmanos e cristãos, numa ameaça à maior democracia do mundo.
A eleição mais importante será em 5 de novembro nos EUA, uma reedição da disputa entre Biden e Trump, o que a maioria do eleitorado não quer. Apesar de quatro processos criminais com um total de 91 acusações, Trump é o franco favorito nas eleições primárias do Partido Republicano.
Aos 81 anos, Biden é considerado velho demais e perdeu prestígio em setores importantes do eleitorado do Partido Democrata pelo apoio incondicional a Israel. A eleição deve ser decidida pela economia, que está crescendo, com desemprego de apenas 3,7%, mas a inflação pós-pandemia reduziu o poder aquisitivo.
Na América Latina, o México deve eleger a primeira mulher para a Presidência em 2 de junho. A favorita é a ex-prefeita da Cidade do México, Claudia Sheinbaum. Na Argentina, o ultradireitista Javier Milei baixou um "decreto de necessidade e urgência" com mais de 600 medidas que tiram a proteção do Estado e entregam a economia ao setor privado, além de uma reforma política que nada tem a ver com o combate à inflação, que promete debelar em dois anos. Vai enfrentar uma forte resistência, com uma greve geral convocada para 24 de janeiro.
2023 foi um ano de catástrofes climáticas que deixaram evidentes as consequência do aquecimento global causado pelo homem. A 28ª Conferência da ONU sobre mudança do clima aprovou medidas importantes mas insuficientes para conter o aumento da temperatura em até dois graus centígrados.
Talvez a novidade mais importante do ano tenha sido a popularização da inteligência artificial, que suscita debates sobre implicações e se as máquinas um dia vão suplantar os seres humanos e dominar o mundo como alertaram obras de ficção científica.