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segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Primeiro-ministro Justin Trudeau renuncia no Canadá

 Sob ameaça de uma guerra comercial de Donald Trump e pressão dentro do seu próprio Partido Liberal, que está 26 pontos percentuais atrás dos conservadores nas pesquisas sobre as eleições a serem realizadas até outubro, o primeiro-ministro Justin Trudeau anunciou hoje sua demissão da liderança do partido e da chefia do governo do Canadá. Ele fica nos cargos até o partido eleger um novo líder.

"É hora de um reinício", declarou Trudeau em frente de sua casa em Ottawa. "Este país merece fazer uma verdadeira escolha nas próximas eleições. (...) Se tenho de travar batalhas internas, não posso ser a melhor opção para as próximas eleições." É mais um líder progressista que cai neste momento em que eleitores insatisfeitos derrubam governos no mundo inteiro.

Sua queda fortalece Trump e enfraquece líderes progressistas em temas como o combate à fome e ao aquecimento global e na defesa dos direitos, propostos propostos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20) realizada em novembro no Rio de Janeiro.

Trudeau suspendeu o Parlamento, que disse estar "totalmente paralisado por obstrução e total falta de produtividade", até 24 de março. Evita assim um voto de desconfiança que anteciparia as eleições enquanto os liberais escolhem um novo líder. Só então vai renunciar oficialmente à chefia do governo. As eleições podem ser antecipadas para maio.

Segundo primeiro-ministro mais jovem da história do Canadá, Justin Pierre James Trudeau, hoje com 53 anos, é filho do ex-primeiro-ministro Pierre Elliott Trudeau e de Margaret Trudeau. O casal tinha uma diferença de idade de 30 anos e se divorciou quando Margaret foi suspeita de ter um caso com Mick Jagger, o líder dos Rolling Stones.

No poder desde 4 de novembro de 2015, Trudeau conquistou a maior vitória eleitoral da história do país. Com votos da classe trabalhadora, dos indígenas e dos jovens, tirou o Partido Liberal de uma década na oposição e do terceiro lugar a que foi relegado em 2011 pela liderança de Michael Ignatieff, um jornalista e escritor que passara boa parte da vida no exterior.

Logo se tornou um ícone do progressismo liberal com políticas inspiradas em parte pelo então presidente dos Estados Unidos Barack Obama. Entre outras medidas, protegeu os povos indígenas, defendeu os direitos humanos no mundo, foi a favor da imigração e do acolhimento a refugiados, celebrou a diversidade, fez do combate ao aquecimento global uma prioridade, criou um imposto sobre combustíveis fósseis que desagradou os estados produtores de petróleo, proibiu os fuzis de assalto e legalizou o uso recreativo da maconha.

Em política externa, Trudeau renegociou o Acordo de Livre Comércio da América do Norte com os EUA e o México, aproximou-se da Europa e começou a desengajar o Canadá dos conflitos no Oriente Médio. Segundo maior país do mundo, com quase 10 milhões de quilômetros quadrados, o Canadá tem apenas 40 milhões de habitantes. É a nona maior economia do mundo, com produto interno bruto estimado em US$ 2,33 trilhões, e a 18ª maior renda per capita (US$ 53.834).

Seu governo foi abalado por sucessivos escândalos, mas Trudeau não foi alvo de nenhuma sanção. O combate à pandemia foi um sucesso, mas as famílias da baixa renda foram afetadas pelo fechamento da economia, o que abalou sua popularidade. Foi reeleito em 2019 e 2021, com bancadas menores.

A pandemia causou inflação e o influxo de refugiados de imigrantes e refugiados foi responsabilizado pela falta de moradia. Nos últimos 12 meses, cinco ministros pediram demissão.

O problema se agravou com a reeleição de Trump para a Presidência dos EUA. Trump acusa os países vizinhos pela entrada de drogas e imigrantes ilegais. Em retaliação ou para negociar, ameaça impor tarifas de 25% sobre a importação de produtos do Canadá e do México. Seria um duro golpe. O Canadá envia 75% de suas exportações para os EUA, com destaque para petróleo e automóveis, e não tem muitas opções para retaliar.

Em novembro, Trudeau foi à residência de Trump no clube Mar-a-Lago discutir a segurança na fronteira para tentar evitar um tarifaço que jogaria a economia canadense em recessão. Mas o presidente norte-americano o tem depreciado. Chama o primeiro-ministro de governador e diz que o Canadá teria grandes vantagens em se tornar o 51º estado dos EUA.

Um golpe fatal em Trudeau foi a demissão surpreendente em 16 de dezembro da vice-primeira-ministra e ministra das Finanças Chrystia Freeland, uma ex-jornalista do Financial Times que foi ministra do Comércio Internacional e ministra do Exterior.

Na carta de demissão, publicada no X, Freeland revelou que Trudeau lhe pediu o cargo de ministra das Finanças, num sinal de que não tinha mais confiança nela. As principais divergências são sobre como enfrentar a crise econômica e o "grave desafio" da guerra comercial de Trump.

"Precisamos levar essa ameaça extremamente a sério", escreveu Freeland. "Isso significa manter nossa pólvora fiscal seca hoje para que tenhamos as reservas que podemos precisar numa guerra tarifária. Isso significa evitar truques políticos caros que não podemos pagar e que fazem os canadenses duvidar de que reconhecemos a gravidade do momento."

O jornal Globe and Mail citou como "truques políticos caros" uma isenção do imposto sobre circulação de mercadorias e serviços e o envio de cheques no valor de US$ 175 (R$ 1.069) para todos os canadenses que ganham menos de US$ 105 mil (R$ 642 mil) por ano.

Chrystia Freeland é uma das prováveis candidatas à liderança do Partido Liberal. Outros nomes cotados são Mark Carney, ex-presidente do Banco do Canadá e do Banco da Inglaterra; a ministra do Exterior, Mélanie Joly; e o novo ministro das Finanças, Dominic LeBlanc.

Quem quer que seja o vencedor terá de enfrentar o franco favorito para as próximas eleições, o deputado Pierre Poilievre, líder do Partido Conservador, que na última pesquisa tem 47% das preferências contra 21% dos liberais. Diante da queda de Trudeau, seu rival divulgou um vídeo nas redes sociais prometendo acabar com o impopular imposto sobre carbono, construir casas, equilibrar o orçamento e combater a criminalidade.

quinta-feira, 4 de julho de 2024

Partido mais bem-sucedido do Ocidente sofre maior derrota

Depois de 14 anos na oposição, o Partido Trabalhista, de centro-esquerda, vai voltar a governar o Reino Unido com seu líder Keir Starmer como primeiro-ministro. 

Com o resultado das eleições desta quinta-feira, os trabalhistas elegeram 412 dos 650 deputados da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico. Ganharam 211 cadeiras.

O Partido Conservador, o partido que ficou mais tempo no poder no Ocidente nos últimos 190 anos, sofre sua maior derrota. Perdeu 251 cadeiras, elegendo 121     deputados.

Em terceiro lugar, ficou o Partido Liberal-Democrata, que se recuperou do desgaste de formar coalizão com os conservadores no primeiro governo Cameron (2010-15) e terá sua maior bancada, passando de 8 para 72 deputados, superando o Partido Nacional Escocês (SNP), que caiu de 48 para 10 cadeiras. 

O Partido Nacional Escocês, que defende a independência da Escócia, teve menos votos do que o partido Reforma Reino Unido (RUK), o antigo Partido da Independência do Reino Unido e Partido da Brexit, conservador e eurocético, liderado por Nigel Farage, que tirou votos dos conservadores e chegou a 15%, mas só elegeu 5 deputados. 

O Sinn Féin (SF), o partido católico, republicano e nacionalista irlandês que luta pela reunificação da Irlanda, ganhou 7 cadeiras na Irlanda do Norte. Ficou na frente do Partido Unionista Democrático, o maior da comunidade protestante, que elegeu 5 deputados e perdeu 3. Os deputados do SF nunca assumem seus mandatos no Parlamento Britânico porque se negam a jurar lealdade à coroa britânica. 

O Plaid Cymru, partido nacionalista do País de Gales, elegeu 4 deputados e o Partido Verde 4.

Esta maioria formidável conquistada pelos trabalhistas se deve ao sistema eleitoral britânico, que adota o voto distrital num turno único. Como vários partidos disputam cada distrito, o vencedor às vezes tem em torno de 30%.

Na contagem nacional de votos, os trabalhistas tiveram apenas 2% votos a mais do que na eleição anterior e chegaram a 35% contra 24% para os conservadores, 15% para Reform UK, que mesmo assim só terá 5 deputados, e 13% para os liberais-democratas, que elegeram 71 deputados. 

Em 1983, depois da Guerra das Malvinas, o Partido Conservador teve 46% dos votos com Margaret Thatcher. O neotrabalhismo de Tony Blair foi eleito com 43% do voto popular em 1997. Com o sistema eleitoral britânico, ambos tiveram maiorias de mais de 100 deputados.

A vitória esmagadora, a avalanche trabalhista, é resultado em parte da volta do domínio do Partido Trabalhista na Escócia às custas do SNP, que perdeu 38 cadeiras, e da votação do partido Reform UK, responsável por um terço das 122 derrotas conservadoras. Somando a votação dos conservadores com o partido Reforma, dá 39%, mais do que os 35% dos trabalhistas.

Os conservadores deixam como herança maldita a saída do Reino Unido da União Europeia, uma crise econômica com queda de produtividade e alta do custo de vida, e uma queda na qualidade dos serviços públicos que vem desde que o primeiro-ministro David Cameron (2010-16) adotou uma política de austeridade fiscal, uma das razões de sua derrota no plebiscito sobre a UE. 

Desde 2010, o Reino Unido teve cinco primeiros-ministros conservadores, só dois eleitos, pelo voto popular, Cameron e Boris Johnson. Enfrentou duas crises financeiras, austeridade fiscal, Brexit e a pandemia.

O último primeiro-ministro foi Rishi Sunak, um multimilionário de origem indiana com patrimônio de 730 milhões de libras (R$ 5,111 bilhões). Foi o primeiro primeiro-ministro não cristão. Fez seu primeiro juramento como deputado sobre o Bhagavad Gita, um livro sagrado do hinduísmo. Não adiantou..

Diante da queda da inflação e de outros indicadores econômicos positivos, Sunak decidiu antecipar as eleições, que precisavam ser realizadas até janeiro de 2025. Foi um erro comparável aos de Cameron com a Brexit e do presidente da França, Emmanuel Macron. Mas alguns meses a mais não melhorariam a sorte dos conservadores.

Pelo ritual da monarquia constitucional britânica, Sunak vai ao Palácio de Buckingham nesta sexta-feira pedir demissão. Em seguida, o líder trabalhista vai pedir a autorização do rei Carlos III para formar o novo governo, que será aprovado pela nova maioria parlamentar.

Keir Starmer, de 61 anos, foi advogado defensor dos direitos humanos. Em 2002, foi nomeado conselheiro da rainha. De 2008 a 2013, foi procurador-geral do Reino Unido. Entrou na Câmara dos Comuns em 2015, na segunda eleição de Cameron, como representante de um distrito do Centro de Londres. Foi porta-voz para imigração do governo paralelo da oposição, uma tradição britânica para fazer sombra ao governo e preparar um possível futuro ministério.

Ele saiu do governo paralelo em 2016 por discordar da liderança de Corbyn. Depois da derrota trabalhistas nas eleições de 2019, Starmer foi eleito líder do partido em abril de 2020.

Suas principais promessas de campanha são aumentar os investimentos no setor público, especialmente no Serviço Nacional de Saúde (NHS), acabando com a austeridade fiscal dos conservadores, o fim do pagamento de anuidade nas universidades, aumento de impostos para os ricos, combate à evasão fiscal das empresas, à desigualdade social, à falta de moradia e ao aquecimento global.

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Liz Truss é primeira-ministra que fica menos tempo no poder no Reino Unido

 A líder conservadora Liz Truss anunciou sua demissão hoje depois de apenas 44 dias na chefia do governo do Reino Unido. É a primeira-ministra que ficou menos tempo no cargo na história britânica. Cai por causa um plano econômico com corte de impostos e aumento de gastos rejeitado pelo mercado, que derrubou a libra até chegar perto da paridade com o dólar. 
O Banco da Inglaterra chegou a comprar títulos públicos para sustentar a libra. O impacto sobre a economia e sobre o Partido Conservador foi arrasador. As pesquisas davam uma vantagem de 30 pontos ao Partido Trabalhista. O líder da oposição, Kier Starmer, pediu a convocação de eleições gerais antecipadas.

A crise da economia britânica é consequência direta da saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit). Em 2016, quando foi realizado o plebiscito, a economia do país era 90% da economia da Alemanha. Hoje, é 70%.

Imaginar que seria possível substituir como parceiros comerciais ricos com que fazia negócios há quase 50 anos por países do antigo Império Britânico foi um delírio nacionalista da ala mais à direita, antieuropeísta, do Partido Conservador.

Os brexiteiros elegeram Boris Johnson e ele venceu as últimas eleições. Caiu há três meses, depois de uma série de escândalos. Volta a ser cotado nas bolsas de apostas.

Liz Truss foi contra sair da UE, mas mudou de lado. Como ministra do Exterior do governo Johnson, teve destaque na Guerra da Ucrânia.. Foi apoiada, na reta final da disputa pela liderança conservadora pela ala mais radical do partido.

Para se legitimar, apresentou um plano econômico de um thatcherismo tardio, com os maiores cortes de impostos desde o governo Margaret Thatcher (1979-90) acompanhado de aumento de gas públicas, inclusive subsídio para as contas de energia elétrica,

O miniorçamento apresentado pelo ministro das Finanças Kwasi Kwarteng, o primeiro negro a ocupar o cargo, provocou uma reação negativa do mercado financeiro, que concluiu que a conta não fecha depois do endividamento recente para enfrentar a pandemia. Estimou o rombo em 45 bilhões de libras (R$ 262,6 bilhões).

A libra caiu à menor cotação em relação ao dólar, cotada a US$ 1,03. O Banco da Inglaterra entrou no mercado vendendo títulos para sustentar a moeda.

Há uma semana, Kwarteng abandonou a reunião anual do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial, em Washington, e voltou a Londres para ser demitido,

Na segunda-feira, Truss anunciou Jeremy Hunt como novo ministro das Finanças. Imediatamente, ele anunciou a revogação das medidas do miniorçamento. A autoridade da primeira-ministra estava mortalmente ferida. Ontem, a ministra do Interior pediu demissão selando o destino de Truss.

Depois que a revista The Economist disse que o poder de Liz Truss duraria tanto quando um pé de alface, uma semana, um jornal popular resolveu publicar a imagem da deterioração do alface.

Hoje de manhã, Liz Truss alegou que seu plano foi feito “aproveitando a liberdade dada pela Brexit”. Levou ao caos econômico, a um governo breve e a uma saída humilhante.

O Partido Conservador britânico, que se orgulha de ser o partido que ficou mais tempo no poder numa democracia, fará a segunda eleição de um líder desde que Boris Johnson anunciou sua demissão, em 7 de julho.

Johnson é o deputado mais popular do partido, considerado o melhor para levar os conservadores à vitória nas próximas eleições. Em 12 de dezembro de 2019, levou o partido uma vitória com a conquista de 365 das 650 cadeiras da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.

O ex-ministro das Finanças Rishi Sunak, que perdeu a disputa com Truss na votação final de todos os filiados ao partido, é outro favorito, mas sua demissão seguida por vários ministros, secretários e diretores de órgãos governamentais deflagrou a queda de Johnson.

Na política britânica, há uma máxima: “Quem mata o rei não ascende ao trono.” A ala mais à direita, que domina o partido na era pós-Brexit, vê uma traição de Sunak a Boris Johnson.

A terceira candidata mais cotada é Penny Mordaunt, ex-ministra da Defesa, ex-ministra do Desenvolvimento Internacional e ex-secretário da Mulher e da Igualdade, hoje líder da bancada conservadora na Câmara dos Comuns.

Também foram citados o novo ministro das Finanças, Jeremy Hunt, que declarou não estar interessado, e o ministro da Defesa, Ben Wallace, que era o favorito das casas de apostas no início da sucessão de Johnson, mas não quis concorrer.

O novo líder conservador será automaticamente nomeado primeiro-ministro britânico. O partido tem maioria na Câmara dos Comuns e será fragorosamente derrotado se as eleições forem agora. Pretende indicar um novo líder até a sexta-feira da próxima semana.

Mas a questão central das relações com o resto da Europa não está resolvida. Líderes europeus já falaram que o Reino Unido sempre pode voltar. Meu comentário:

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Liz Truss é a terceira primeira-ministra do Reino Unido

 O país de mulheres poderosas como a rainha Elizabeth I (1558-1603) e a primeira-ministra Margaret Thatcher (1979-90) tem uma nova mulher no poder. A ministra do Exterior, Liz Truss, foi eleita líder do Partido Conservador. 

Nesta terça-feira, a rainha Elizabeth II a convida a formar um novo governo, como manda o ritual da monarquia constitucional do Reino Unido. Ela chega ao poder sem a legitimidade do voto popular.

Liz Truss substitui o demissionário Boris Johnson (2019-22), desmoralizado por suas mentiras e festinhas na residência oficial e sede do governo durante a pandemia, na chefia do partido e do governo depois de uma longa batalha pela liderança conservadora. 

Amanhã, Johnson vai ao Castelo de Balmoral, na Escócia, onde a rainha passa o verão, pedir demissão. Truss se apresenta em seguida. Elizabeth II vai encarregá-la de formar um novo governo.

Na última etapa da disputa pela liderança conservadora, com apenas dois candidatos, depois da eliminação do menos votado em várias rodadas dentro da bancada, votaram todos os membros do Partido Conservador. Truss conquistou 81.326 votos (57,4%) contra 60.399 (42,6%) do ministro das Finanças, Rishi Sunak, cuja renúncia foi decisiva para a queda de Johnson.

Leia mais em Quarentena News.

sexta-feira, 8 de julho de 2022

Cai o grande bufão da política britânica

Primeiro-ministro Boris Johnson está completamente desmoralizado

Ele usou a irreverência e a palhaçada para conquistar popularidade, e a desonestidade, a trapaça, a traição e o oportunismo político para chegar ao poder na era da pós-verdade. Sonhava em ser um novo Winston Churchill, o primeiro-ministro britânico durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), um dos maiores heróis do país. 

Nesta quinta-feira, Johnson pediu demissão do que chamou de “melhor emprego do mundo.” Vai para a lata de lixo da história antes que o impacto de seu erro mais catastrófico, a saída do Reino Unido da União Europeia, seja plenamente percebido.

O novo líder do partido e. do governo deve ser escolhido em 5 de setembro.

 Leia mais em Quarentena News ou veja no meu canal no YouTube.

quarta-feira, 4 de maio de 2022

Hoje na História do Mundo: 4 de Maio

CONSTRUÇÃO DO CANAL DO PANAMÁ

    Em 1905, os Estados Unidos iniciam a segunda tentativa de abrir um canal entre os oceanos Atlântico e Pacífico no istmo do Panamá, depois do fracasso que companhia francesa que construiu o Canal de Suez.

MORTE NO CAMPUS

    Em 1970, 28 soldados da Guarda Nacional atiram contra manifestantes que protestam contra a participação dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã na Universidade Estadual de Kent, em Ohio, matam quatro estudantes e ferem outros oito, inclusive um que ficou paraplégico.

THATCHER CHEGA AO PODER

    Em 1979, depois de uma onda de greves conhecida como inverno do descontentamento em que o lixo se acumulou nas ruas e cadáveres ficaram insepultos pela paralisação dos coveiros, o Partido Conservador vence as eleições no Reino Unido e sua líder, Margaret Thatcher se torna a primeira primeira-ministra britânica.

ACORDOS DE OSLO

    Em 1994, o primeiro-ministro trabalhista de Israel, Yitzhak Rabin, e o presidente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, assinam no Cairo, a capital do Egito, o acordo que cria a Autoridade Nacional Palestina (ANP) e devolve aos árabes o controle parcial sobre a Faixa de Gaza e Jericó.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Reino Unido deixa a UE depois de 47 anos e entra em era de incerteza

Depois de 47 anos e três anos e meio depois do plebiscito que aprovou a saída, o Reino Unido deixa hoje a União das Comunidades Europeias, num duro golpe contra o projeto de integração da Europa e entra numa era de incerteza.

Hoje é um dia histórico. A Europa unida perde sua segunda maior economia. É a primeira vez que um país-membro pede para sair do bloco criado em 1957 por apenas seis países (Alemanha Ocidental, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo) para fortalecer a economia da Europa Ocidental e servir de contraponto aos países comunistas do Bloco Soviético.

Na verdade, a integração foi lançada pelo Plano Schuman, nome de um ministro do Exterior da França, em 9 de maio de 1950, cinco anos depois da rendição da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial, para garantir a paz e a prosperidade no continente. Em 1951, foi fundada a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço para controlar a produção e o comércio destas substâncias essenciais à indústria bélica e assim controlar a remilitarização da Alemanha.

A Comunidade Econômica Europeia foi criada pelo Tratado de Roma, em 1957, que entrou em vigor em 1958. Depois de dois vetos do presidente francês, Charles de Gaulle, nos anos 1960, o Reino Unido entrou para a Comunidade Europeia em 1973, no governo conservador de Edward Heath. Meu comentário:

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Vitória conservadora não tira incerteza sobre futuro do Reino Unido

O primeiro-ministro conservador Boris Johnson obteve uma grande vitória nas eleições de ontem para retirar o Reino Unido da União Europeia em 31 de janeiro, mas o futuro do país é incerto e perigoso. O Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte terá de se reinventar e pode perder a Escócia.

Triunfante, o primeiro-ministro Boris Johnson declarou diante da residência oficial que o resultado deve encerrar o debate em torno da saída britânica do bloco europeu e que é hora de curar as feridas causadas pela profunda divisão do país nos últimos anos.

Johnson prometeu restaurar o passado de glória. Mas pode ser uma vitória de Pirro, um general que derrotou o Império Romano duas vezes, mas sofreu tantas perdas que declarou: “Mais uma vitória dessas e estou perdido.” Na terceira batalha, foi derrotado.

O desafio de Johnson é reacomodar o país que um dia comandou o maior império da história num mundo globalizado, definir seu futuro a partir de uma negociação com a União Europeia que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fará tudo para boicotar.

A Escócia já manifestou a intenção de convocar um novo plebiscito sobre a independência para sair do Reino Unido e voltar à União Europeia. O país pode ficar reduzido à pequena Inglaterra e ao País de Gales. Meu comentário:

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Pesquisa de boca de urna indica vitória conservadora no Reino Unido

A julgar pela pesquisa de boca de urna, o Partido Conservador obteve uma ampla vitória nas eleições gerais de hoje, dando um mandato ao primeiro-ministro Boris Johnson para retirar o Reino Unido da União Europeia em 31 de janeiro.

De acordo com a pesquisa feita com 22 mil eleitores em 144 dos 650 distritos eleitorais do país, os conservadores ganharam 50 cadeiras e devem eleger 368 deputados contra 191 da oposição trabalhista, que perdeu 71 cadeiras sob a liderança de Jeremy Corbyn, um radical de esquerda.

Se as pesquisas forem confirmadas, será o pior resultado dos trabalhistas desde 1935, superando a derrota de outro radical de esquerda, Michael Foot, para a primeira-ministra conservadora Margaret Thatcher em 1983 e a maior vitória conservadora desde as últimas eleições sob a liderança de Thatcher, em 1987.

Com 55 deputados, 20 a mais do que nas últimas eleições, o Partido Nacional Escocês consolida seu domínio sobre a Escócia e se prepara para convocar um novo plebiscito sobre a independência com grandes chances de ser aprovada.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Eleições britânicas tentam resolver impasse em relação à Europa

O Parlamento Britânico antecipa eleições para tentar romper o impasse em torno da saída do Reino Unido da União Europeia. Será que vão resolver? Com o país e os partidos radicalmente divididos, há o risco de uma Câmara dos Comuns dividida, sem maioria absoluta para nenhum partido.

Foram apenas quatro votos a mais do que o mínimo necessário, de dois terços dos deputados. Por 438 a 20, a Câmara dos Comuns aprovou ontem a convocação de eleições gerais para 12 de dezembro. O projeto foi para a Câmara dos Lordes, mas é mera formalidade.

O objetivo do primeiro-ministro conservador Boris Johnson é conquistar um mandato popular para negociar a saída da União Europeia nos seus termos. Corre o risco de uma vitória dos adversários da Brexit, a saída britânica da União Europeia.

Cerca de 200 deputados se abstiveram, a maioria do Partido Trabalhista. Uns têm medo de uma derrota fragorosa. Outros preferiam a realização de uma segunda consulta popular, de um referendo sobre a saída ou não da União Europeia, antes de novas eleições gerais.

Serão as terceiras eleições em três anos e as primeiras realizadas em dezembro desde 1923. Dezembro é o mês da entrada do inverno no Hemisfério Norte. Faz frio, chove muito, às quatro da tarde é noite e os estudantes iniciam as férias de Natal no fim de semana anterior. O risco de abstenção é enorme, assim como a eleição de uma Câmara dividida, sem maioria absoluta para nenhum partido. Meu comentário:
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terça-feira, 22 de outubro de 2019

Parlamento Britânico aprova Brexit em primeira votação mas adia saída da UE

A Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico aprovou hoje, em primeira votação, o acordo negociado pelo primeiro-ministro Boris Johnson para retirar o Reino Unido da União Europeia, mas rejeitou a saída em 31 de outubro, que exigiria uma segunda votação até 25 de outubro.

Em mais um dia dramático no Palácio de Westminster, por 329 a 299 votos, os deputados aprovaram pela primeira vez um acordo para o divórcio da União Europeia. Por coincidência, o resultado de 52% a 48% foi o mesmo do plebiscito que aprovou a Brexit em 23 de junho de 2016.

Dezenove deputados da oposição trabalhista aprovaram a proposta. Foram decisivos para a vitória do primeiro-ministro conservador Boris Johnson. 

Mas a Câmara dos Comuns rejeitou a tentativa de Johnson de aprovar em três dias a legislação necessária para uma saída no Dia das Bruxas, obrigando o governo a pedir uma extensão de três meses aos sócios europeus. A maioria dos deputados britânicos entende que o acordo de 110 páginas exige mais tempo para ser examinado. Meu comentário:

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Justin Trudeau é reeleito no Canadá sem maioria absoluta

O Partido Liberal, do primeiro-ministro Justin Trudeau, venceu hoje as eleições gerais no Canadá, mas não deve ter maioria absoluta no Parlamento, de acordo com duas pesquisas de boca de urna de televisões canadenses. Vai depender de outros partidos para aprovar seus projetos.

Pelos resultados preliminares, os liberais terão 144 deputados no Parlamento. A maioria absoluta é 170. Antes da dissolução do Parlamento, há 40 dias, havia 177 deputados liberais. O Partido Conservador, liderado por Andrew Scheer, deve conquistar pelo menos 96 cadeiras.

A reeleição de Justin Trudeau foi ameaçada por dois escândalos: a pressão sobre o procurador-geral num caso envolvendo a empresa de engenharia SNC-Lavalin e a divulgação de fotos do tempo da faculdade em que o jovem estudante aparece com a cara pintada de preto, o que é considerado racista.

Justin alegou que estava fantasiado de Aladim numa festa que tinha como tema as Mil e Uma Noites, um clássico da literatura árabe, e que não sabia do caráter racista.

Para recuperar o prestígio, Justin Trudeau prometeu leis mais duras de controle de armas, cortes de impostos e aumenta da proteção ambiental. Como o Partido Conservador acenou com o fim de um imposto sobre emissões de gases carbônicos, Trudeau o acusou a oposição querer adotar uma política de "não fazer nada" em relação ao aquecimento global. Na Austrália, a direita ganhou com esta proposta.

O pai de Justin, Pierre Elliot Trudeau, foi um dos chefes de governo mais importantes da história do Canadá. Sob sua liderança, os liberais ganharam quatro eleições (1968,1972, 1974 e 1980). Na segunda, em 1972, ficaram em minoria no Parlamento. Depois de um governo curto, ele voltou a governar com maioria absoluta.

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Canadá convoca eleições gerais para 21 de outubro

O primeiro-ministro liberal Justin Trudeau dissolveu hoje o Parlamento do Canadá e convocou eleições gerais para 21 de outubro. As pesquisas indicam uma disputa apertada entre liberais e conservadores.

A liderança de Trudeau foi abalada por um relatório do comissário de ética, Mario Dion, que acusou o primeiro-ministro de violar a ética e de conflito de interesses ao pressionar o Ministério Público no processo sobre o escândalo de corrupção SNC-Lavalin.

Se o Partido Conservador voltar ao poder, é provável que tente melhorar as relações com a Arábia Saudita e se alie aos Estados Unidos para enfrentar a China. Mas há o risco de eleição de um Parlamento dividido e a formação de um governo instável que pode não chegar ao fim do mandato.

A Arábia Saudita reagiu furiosamente a críticas da vice-primeira-ministra e ministra do Exterior canadense, Chrystia Freeland, ao desrespeito aos direitos humanos no reino. Ela defendia Ensaf Haidar, mulher do blogueiro Raif Badawi, preso por ser liberal politicamente num reino medieval.

"Ensaf é cidadã canadense", declarou a ministra na época, em agosto de 2018. "Ela e sua família merecem atenção especial do governo canadense."

Por ordem do príncipe-herdeiro e homem-forte da monarquia absolutista saudita, Mohamed ben Salman, todo o comércio bilateral foi rompido e cerca de 16 mil sauditas que estudavam no Canadá saíram do país.

Com a China, a questão é outra. A pedido dos Estados Unidos, o Canadá prendeu em 1º de dezembro do ano passado Meng Wanzhou, diretora financeira e filha do fundador da maior empresa privada da China, Huawei, maior fabricante mundial de equipamentos de telecomunicações.

Em 28 de janeiro de 2019, o Departamento da Justiça dos EUA a denunciou por fraude financeira ao violar as sanções econômicas impostas pelo governo Donald Trump ao Irã. A China retaliou mais o Canadá, prendendo dois empresários canadenses, do que os EUA. Está em guerra comercial com os EUA e a Huawei pode ser objeto de barganha.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Primeiro-ministro Boris Johnson perde maioria no Parlamento Britânico

O primeiro-ministro Boris Johnson perde a maioria de um deputado que tinha na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, sofre uma fragorosa derrota e deve convocar eleições antecipadas para outubro.

Três anos e meio depois do plebiscito que aprovou a saída da União Europeia, o Reino Unido afunda no caos. O Parlamento Britânico não consegue chegar a um consenso mínimo nem sobre a saída, quanto mais sobre a futura relação com a União Europeia, o maior mercado para os produtos britânicos.

Autoritário, arrogante e palhaço, o primeiro-ministro está determinado a sair do bloco europeu em 31 de outubro, com ou sem acordo. 

Os estudos indicam que sem acordo seria catastrófico para a economia do país, capaz de perder 10% do produto interno bruto em 5 anos, de acordo com o Banco da Inglaterra. Meu comentário:

terça-feira, 23 de julho de 2019

Comédia de erros levou bufão Boris Johnson ao poder no Reino Unido

A vitória de Boris Johnson na disputa pela liderança do Partido Conservador é mais uma desgraça para o Reino Unido. Ele promete tirar o país da União Europeia em 31 de outubro, com ou sem acordo. Sem acordo, será um desastre. 

Nesta quarta-feira, o bobo da corte vai ao Palácio de Buckingham e deve ser encarregado pela rainha Elizabeth II de formar o próximo governo do Reino Unido. Pode ser o fim do país na sua forma atual, que existe desde 1922, quando a República da Irlanda se tornou independente. 

Se o Reino Unido sair mesmo da União Europeia, a Escócia deve convocar um novo plebiscito sobre a independência para sair do Reino Unido e voltar à Europa. 

Depois de uma longa agonia que vem desde que o eleitorado votou por 52% a 48% a favor da saída do Reino Unido da União Europeia, em 23 de junho de 2016, Johnson foi eleito líder do Partido Conservador para concluir o divórcio com a Europa. O resultado foi anunciado hoje

O problema é que Boris Johnson é um palhaço e um bufão conhecido como desonesto, mentiroso, preguiçoso e racista. Seu único objetivo na vida é sua própria fama e fortuna. Nem um verdadeiro eurocético ele é.

Antes da campanha para o referendo, Johnson escreveu um texto a favor da permanência na União Europeia e outro a favor da saída. Como grande oportunista, na última hora, decidiu apoiar a saída na esperança de realizar seu maior sonho: virar primeiro-ministro do Reino Unido. Meu comentário:

Boris Johnson é eleito líder do Partido Conservador britânico

Como previsto pelas pesquisas de opinião, o ex-prefeito de Londres e ex-ministro do Exterior Boris Johnson foi eleito novo líder do Partido Conservador britânico e deve ser nomeado amanhã primeiro-ministro do Reino Unido, noticiou o jornal The Guardian

Sua vitória foi recebida com ceticismo pelos dirigentes da União Europeia em Bruxelas, que rejeitam seus planos de retirar o país da União Europeia em 31 de outubro com ou sem acordo.

Na votação final entre os filiados ao partido, Johnson obteve 92.153 votos contra 46.656 votos para o ministro da Defesa, Jeremy Hunt. Sua principal tarefa será resolver os problemas criados pela Brexit (saída britânica).

Em Bruxelas, a futura presidente da Comissão Europeia, órgão executivo da UE, a alemã Ursula von der Leyen, declarou que "há muitas questões difíceis para resolver juntos. "É importante construirmos uma forte relação de trabalho porque temos o dever de entregar algo que seja bom para o povo da Europa e do Reino Unido."

Johnson é hoje o grande palhaço da política britânica, um bufão disposto a fazer qualquer coisa para se tornar chefe de governo. Ele não era a favor da saída da UE. Durante a campanha para o plebiscito de 23 de junho de 2016, chegou a escrever duas declarações. Na última hora, optou pela saída, numa traição ao então primeiro-ministro David Cameron.

Cameron convocou o plebiscito para tentar pacificar o Partido Conservador, dividido em torno da questão da Europa desde a queda da primeira-ministra Margaret Thatcher, em 1990. Acabou dividindo ainda mais o partido e o país, e renunciou ao cargo.

Como na política britânica, há uma regra não escrita de que quem mata o rei não ascende ao trono, Johnson perdeu a disputa pela liderança conservadora em 2016. Venceu a primeira-ministra Theresa May, que ficara ao lado de Cameron, votando pela permanência na UE.

May passou anos negociando um acordo de saída da UE, rejeitado três vezes pela Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico. Sem condições de cumprir a missão mais importante de seu mandato, May caiu, abrindo caminho para o bufão carismático.

Uma saída dura da UE será um desastre para o Reino Unido, com queda de mais de 10% do produto interno bruto em cinco anos, de acordo com estudo do Banco da Inglaterra. Se a Brexit for confirmada, a Escócia deve convocar um novo plebiscito sobre a independência e sair do Reino Unido para voltar à Europa.

Amanhã, May vai apresentar seu pedido de demissão à rainha Elizabeth II. Pouco depois, Johnson vai ao Palácio de Buckingham, onde vai receber a incumbência de formar um novo governo.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Oposição britânica defende segunda consulta popular sobre saída da UE

Depois de muita hesitação, o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, finalmente abraçou a proposta de convocação de uma segunda consulta popular sobre a saída do Reino Unido da União Europeia. Talvez seja tarde demais.

Os dois candidatos à liderança do Partido Conservador e à chefia do governo britânico realizaram ontem o primeiro debate ao vivo na televisão. Ambos são a favor da Brexit, a saída britânica. O favorito é o ex-ministro do Exterior e ex-prefeito de Londres, Boris Johnson, que promete retirar o país da União Europeia com ou sem acordo, em 31 de outubro. Seu adversário, o ministro da Defesa, Jeremy Hunt, o desafiou a renunciar se não cumprir a promessa.

O novo líder conservador será conhecido em 23 de julho, depois de uma eleição direta com a participação de todos os cerca de 160 mil filiados ao partido, que estão votando pelo correio. No dia seguinte, deve ser eleito primeiro-ministro. Imediatamente, a oposição trabalhista deve propor um voto de desconfiança que não tem chance de dar certo.

Até 31 de outubro, não haverá tempo para renegociar o acordo com a Europa. De qualquer maneira, os outros líderes europeus avisaram que a renegociação não será reaberta.

Johnson é um bufão, um palhaço. É considerado pelo jornal Financial Times o candidato a primeiro-ministro mais despreparado das últimas décadas. As relações com os sócios europeus são péssimas. Uma saída dura da União Europeia será catastrófica para a economia britânica, com sério risco de divisão do país com a independência da Escócia. Meu comentário:

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Johnson e Hunt disputam chefia do partido e do governo britânico

O ex-ministro do Exterior Boris Johnson e o ministro da Defesa, Jeremy Hunt, foram os escolhidos pela bancada para disputar a liderança do Partido Conservador numa votação em que podem participar todos os filiados ao partido. Como os conservadores têm maioria na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, ele será o próximo primeiro-ministro do Reino Unido.

Na quinta votação da bancada parlamentar conservadora, de 313 deputados, Johnson obteve 160 votos e Hunt 77. O ministro do Meio Ambiente, Michael Gove, recebeu apenas 75 votos. Foi eliminado.

O próximo líder conservador e primeiro-ministro terá um papel decisivo na definição do futuro das relações do país com a União Europeia. Johnson promete retirar o Reino Unido do bloco europeu em 31 de outubro com ou sem acordo. Hunt quer pedir mais tempo para renegociar a saída britânica.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Boris Johnson é favorito para primeiro-ministro do Reino Unido

O ex-prefeito de Londres e ex-ministro do Exterior Boris Johnson, ganhou com ampla vantagem a primeira votação para escolha do próximo líder do Partido Conservador e futuro primeiro-ministro britânico. Aumenta o risco de uma saída dura da União Europeia, sem qualquer acordo.

Na primeira votação, Johnson teve 114 votos, mais do que os dois outros fortes candidatos somados. O ministro da Defesa, Jeremy Hunt, foi o segundo, com 43, seguido pelo ministro do Meio Ambiente, abalado pela confissão de que cheirou cocaína quando jovem, com 37.

A segunda votação será realizada na próxima terça-feira, 18 de junho, uma terceira na quarta-feira e depois na quinta-feira. Os dois mais votados serão submetidos a uma eleição em que todos os filiados do Partido Conservador podem participar votando pelo correio. O resultado sai no dia 22.

Dos dez candidatos, oito estão defendendo uma ruptura total com a UE, especialmente Johnson, que não admite novo adiamento além do prazo atual, 31 de outubro. Até lá, não haveria tempo para renegociar o acordo.

Os outros 27 países da UE já rejeitaram a renegociação do acordo negociado pela ex-primeira-ministra Theresa May, derrotado três vezes em votações na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.

Uma ruptura total pode ser catastrófica para a quinta maior economia do mundo. De acordo com o Banco da Inglaterra, o produto interno bruto pode cair até 10% em cinco anos. Meu comentário:

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Theresa May cai sob pressão do Partido Conservador

Sem apoio no Parlamento Britânico para aprovar o acordo que negociou para a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), sob pressão da ala mais extremista do Partido Conservador, a primeira-ministra Theresa May anunciou hoje de manhã que deixa o cargo em 7 de junho.

Segunda mulher a ocupar o cargo, sai como uma das piores governantes da história do país. O favorito para sucedê-la na liderança do partido e do governo é o ex-prefeito de Londres e ex-ministro do Exterior, Boris Johnson, um grande bufão da política britânica.

Por três vezes, a Câmara dos Comuns rejeitou o acordo fechado em novembro do ano passado por May com os outros 27 países-membros da UE. Também não houve maioria parlamentar para nenhuma das propostas alternativas, deixando o país no limbo. A saída da UE foi adiada duas vezes, até 31 de outubro.

Theresa May chorou ao se despedir diante da residência oficial do primeiro-ministro britânico em 10 Downing Street. Ela era contra a saída da UE, aprovada em plebiscito por 52% a 48% em 23 de junho de 2016.

A primeira-ministra venceu os eurocéticos quando o primeiro-ministro derrotado, David Cameron, pediu demissão, por causa de uma regra não escrita da política britânica: quem mata o rei (ou a rainha) não ascende ao trono.

Johnson e outro ministro eurocético importante, Michael Gove, não tiveram o apoio do partido para substituir Cameron. Foram vistos como traidores.

May se tornou a segunda mulher eleita primeira-ministra britânica, depois de Margaret Thatcher (1979-90), numa votação interna pela liderança conservadora, sem vencer eleições gerais. Na expectativa de ganhar força para negociar a saída da UE, convocou eleições antecipadas para 8 de junho de 2017 e perdeu a maioria absoluta que o Partido Conservador tinha na Câmara dos Comuns.

A maior parte de seus quase três anos de governo foi consumida na tentativa frustrada de tirar o Reino Unido da UE. Menos de uma semana depois das eleições, houve ainda uma tragédia: o incêndio na Torre Grenfell, em Londres, um edifício de habitação popular onde 72 pessoas morreram, em 14 de junho de 2017.

No fim de dois anos de negociações, em novembro de 2018, o governo May fechou um acordo com a UE que estabelecia uma série de obrigações para o Reino Unido até 2065, como o pagamento de pensões a ex-funcionários. Os eurocéticos nunca aceitaram este acordo, nem a oposição trabalhista. Por mais que May tenha insistido, o acordo nunca teve chance de ser aprovado no Palácio de Westminster.

Depois de agradecer "com enorme gratidão por ter tido a oportunidade de servir o país que amo", May apontou como sucessos de seu governo a redução do déficit público e do desemprego, e o aumento dos gastos com saúde mental. Mas admitiu que "é e sempre será matéria para profundo pesar não ter sido capaz de fazer a Brexit", a saída britânica da UE.

Sua última cartada foi "um novo acordo para a Brexit" de dez pontos anunciado na terça-feira. Enfureceu a bancada conservadora ao sugerir a realização de um referendo para aprovação do divórcio com a UE que permitiria superar a falta de consenso na Câmara dos Comuns.

Uma segunda consulta popular seria a saída mais democrática para resolver o impasse no Parlamento Britânico. Conta com o apoio da maioria da oposição trabalhista, embora seu líder, Jeremy Corbyn, hesite. Mas os deputados conservadores antieuropeus temem a anulação do resultado do plebiscito de 2016 e a manutenção do país na UE.

Corbyn parece mais interessado em eleições gerais antecipadas, em que seria o favorito para chefiar o futuro governo, do que numa segunda consulta popular para ficar na Europa. Mas os conservadores, que têm maioria na Câmara, não vão correr o risco de antecipar eleições em que seriam trucidados.

Nas eleições para o Parlamento Europeu, realizadas ontem, a expectativa é de uma queda dos conservadores abaixo de 10%, enquanto o Partido de Brexit, do antigo líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), Nigel Farage, deve ganhar com mais de 30%, enquanto os trabalhistas ficam com 18% e os liberais-democratas com 16%, se as pesquisas estiverem corretas.

Até 31 de julho, o Reino Unido terá um novo primeiro-ministro escolhido sem o aval de eleições gerais. Ele será escolhido em 7 de julho, na disputa pela liderança do Partido Conservador. Sua principal tarefa será resolver a questão europeia, mas nada vai mudar além da chefia de governo.

Por ironia da história, May herdou a guerra civil interna do Partido Conservador em torno da Europa da primeira primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, a principal líder do partido desde Winston Churchill.

Cameron convocou o plebiscito para pacificar o partido e acabou dividindo o país. Se o Reino Unido sair da UE, é provável que a Escócia convoque um novo plebiscito sobre a independência, acabando com uma união que vem desde 1707.

Além de Johnson, há 23 candidatos à liderança do partido e do governo, entre eles o atual ministro do Exterior, Jeremy Hunt, e os deputados Graham Brady e Steve Barker. Como os conservadores estão decididos a eleger um líder a favor de deixar a UE, aumenta o risco de uma "saída dura", sem acordo com os sócios europeus, que poderia ser catastrófica para a economia britânica.

De acordo com estudo do Banco da Inglaterra, sem acordo com a UE, um mercado responsável pela metade do comércio exterior britânico, a economia do Reino Unido pode encolher mais de 10% em cinco anos.

A tendência é de radicalização: ou haverá uma saída dura ou não haverá saída alguma, previu o jornalista Jonathan Freedland, do jornal The Guardian.