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quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Eleições britânicas tentam resolver impasse em relação à Europa

O Parlamento Britânico antecipa eleições para tentar romper o impasse em torno da saída do Reino Unido da União Europeia. Será que vão resolver? Com o país e os partidos radicalmente divididos, há o risco de uma Câmara dos Comuns dividida, sem maioria absoluta para nenhum partido.

Foram apenas quatro votos a mais do que o mínimo necessário, de dois terços dos deputados. Por 438 a 20, a Câmara dos Comuns aprovou ontem a convocação de eleições gerais para 12 de dezembro. O projeto foi para a Câmara dos Lordes, mas é mera formalidade.

O objetivo do primeiro-ministro conservador Boris Johnson é conquistar um mandato popular para negociar a saída da União Europeia nos seus termos. Corre o risco de uma vitória dos adversários da Brexit, a saída britânica da União Europeia.

Cerca de 200 deputados se abstiveram, a maioria do Partido Trabalhista. Uns têm medo de uma derrota fragorosa. Outros preferiam a realização de uma segunda consulta popular, de um referendo sobre a saída ou não da União Europeia, antes de novas eleições gerais.

Serão as terceiras eleições em três anos e as primeiras realizadas em dezembro desde 1923. Dezembro é o mês da entrada do inverno no Hemisfério Norte. Faz frio, chove muito, às quatro da tarde é noite e os estudantes iniciam as férias de Natal no fim de semana anterior. O risco de abstenção é enorme, assim como a eleição de uma Câmara dividida, sem maioria absoluta para nenhum partido. Meu comentário:
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terça-feira, 29 de outubro de 2019

Parlamento Britânico antecipa eleições para 12 de dezembro

Por 438 a 20, com quatro votos acima do mínimo necessário, a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico aprovou hoje a antecipação das eleições gerais para 12 de dezembro. O projeto segue agora para a Câmara dos Lordes, mas é mera formalidade.

A medida foi proposta pelo primeiro-ministro Boris Johnson para obter um mandato renovado para negociar a saída da União Europeia nos seus termos. Mas há o risco de que uma vitória dos adversários da saída acabe com a Brexit.

Cerca de 200 deputados se abstiveram, a maioria do Partido Trabalhista, por temer uma derrota fragorosa e preferir realizar uma segunda consulta popular, um referendo para aprovar o acordo de saída da UE negociado por Johnson, antes das próximas eleições gerais.

Serão as primeiras eleições em dezembro desde 1923. É o mês da entrada do inverno no Hemisfério Norte. Faz frio, chove, anoitece às 16 horas e os estudantes iniciam as férias de Natal no fim de semana anterior. O risco de abstenção elevada aumenta e os conservadores se beneficiam disso.

Enquanto o Partido Conservador virou um partido radical de direita nacionalista com foco na Brexit, o Partido Trabalhista também está dividido pela questão europeia. Seu líder, Jeremy Corbyn, um radical de esquerda que promete estatizar serviços públicos privatizados, é o líder de oposição mais impopular da história recente do Reino Unido.

Johnson chegou ao poder ao ser eleito líder do Partido Conservador por seus 160 mil filiados, sem um mandato popular conquistado nas urnas em eleições gerais. Com ampla vantagem nas pesquisas de opinião, insiste em antecipar as eleições para tentar quebrar o impasse em torno da saída da UE.

Depois de expulsar 21 deputados conservadores que votaram contra a orientação do governo sobre a saída da UE, Johnson trouxe 10 rebeldes de volta para aprovar as eleições. Como o país está radicalmente dividido e fraturado pelas relações com a Europa, serão as eleições da Brexit.

Na média, as últimas pesquisas dão 36% aos conservadores, 25% aos trabalhistas, 18% aos liberais-democratas e 11% ao Partido da Brexit.

A grande preocupação do Partido Conservador é com o Partido da Brexit, o antigo Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), liderado pelo neofascista Nigel Farage, que foi o mais votado nas eleições para o Parlamento Europeu em maio deste ano, com 34% dos votos.

O Partido Liberal-Democrata, o terceiro maior do país, tem hoje apenas 19 deputados por causa do sistema eleitoral britânico, de voto distrital em turno único. Ganha o mais votado, sem necessidade de maioria, o que forçaria a realização de um segundo turno, como acontece na França. Também abre a possibilidade de ter ampla maioria no Parlamento sem ter a maioria absoluta no voto popular.

Na prática, isto cria quase um bipartidarismo em que conservadores e trabalhistas se revezam no poder e os partidos menores são marginalizados. Os liberais-democratas participaram do primeiro governo David Cameron, o primeiro e único governo de coalizão no Reino Unido depois da Segunda Guerra Mundial. O desgaste no poder de um governo dominado por outros pesou para reduzir sua bancada.

Hoje, o Partido Liberal-Democrata é o partido da permanência do Reino Unido na UE. Esta bandeira lhe valeu o segundo lugar nas eleições europeias, à frente de trabalhistas, verdes e conservadores. Ficar na Europa será o tema central de sua campanha.

Em 1997, quando o governo Tony Blair foi eleito, os trabalhistas fizeram uma aliança informal com os sociais-democratas para concentrar os votos no candidato com melhores chances dos dois partidos em cada distrito eleitoral do país. Foi a maneira de derrotar os conservadores depois de 18 anos de thatcherismo.

Agora, sob a liderança radical de Corbyn, inimigo jurado do neotrabalhismo de Blair, dificilmente haverá um acordo deste natureza, a não ser que o Partido Trabalhista abrace a defesa da permanência na UE. Depois de tanta hesitação de Corbyn, é improvável.

Com o caos em torno da UE, o Partido Nacional Escocês tenta ampliar seu domínio sobre a política da Escócia para preparar um novo plebiscito sobre a independência. Se o Reino Unido sair mesmo da UE, a Escócia deve declarar a independência e se reintegrar à Europa.

sábado, 4 de maio de 2019

Conservadores e trabalhistas perdem eleições municipais no Reino Unido

Os dois maiores partidos do Reino Unido perderam vereadores nas eleições municipais de quinta-feira, 2 de maio de 2019, por causa da indefinição quanto à saída do país da União Europeia (UE). Os liberais-democratas e os verdes, a favor de continuar fazendo parte da Europa unida, foram os maiores vencedores.

A maior derrota foi do Partido Conservador, da primeira-ministra Theresa May, grande responsável pelo plebiscito e toda a confusão em torno das relações com a Europa. Os tories perderam 1.332 nas câmaras municipais de todo o país. Foi seu pior desempenho em eleições municipais desde 1995, quando o Reino Unido se preparava para eleger Tony Blair em 1997.

Com o domínio dos grandes partidos por causa do sistema de eleição distrital em turno único, era de se esperar que a derrota conservadora levasse à vitória do Partido Trabalhista, liderado por Jeremy Corbyn. Ele é considerado um radical de esquerda indeciso em relação à Brexit e à convocação de uma segunda consulta popular. Os trabalhistas elegeram 81 vereadores a menos.

O Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), grande defensor da Brexit, perdeu 145 cadeiras em relação a 2015, seu melhor resultado em eleições municipais anteriores.

Com um ganho de 700 vereadores, o Partido Liberal-Democrata, centrista e pró-europeu, ressurge depois de sofrer uma grande derrota nas eleições gerais de 2015, pagando o preço de ser o parceiro menor da coalizão com o Partido Conservador no primeiro governo David Cameron (2010-15).

Os Verdes ganharam 194 cadeiras e foram eleitos 615 vereadores independentes.

"Foi um voto para barrar a Brexit", declarou o líder liberal-democrata, Vince Cable, punindo conservadores e trabalhistas pela total incapacidade de chegar a um consenso mínimo para sair da UE ou convocar uma segunda consultar popular, um referendo sobre o acordo de divórcio ou a anulação do resultado do plebiscito de 23 de junho de 2016.

Nos dois casos, o desgaste para os grandes partidos será enorme. A questão europeia dividiu o país, provocando sua pior crise política depois da Segunda Guerra Mundial.

Cameron convocou o plebiscito depois de sua segunda vitória na expectativa de pacificar o partido, radicalmente dividido em torno da Europa desde a queda da primeira-ministra Margaret Thatcher, em 1990. Estendeu a divisão interna do partido a todo o país.

Como em tantos outros países, o eleitorado britânico está insatisfeito.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

May deve formar governo britânico com unionistas da Irlanda do Norte

Com a perda do deputado do aristocrático bairro londrino de Kensington, considerada uma das cadeiras mais seguras para os conservadores no Reino Unido, o partido perdeu a maioria absoluta na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.

Serão apenas 318 conservadores entre os 650 deputados eleitos. A primeira-ministra Theresa May deve se aliar ao Partido Unionista Democrático (DUP) da Irlanda do Norte para ter maioria, noticiou a televisão pública britânica BBC.

Os trabalhistas conquistaram 262 cadeiras. Mesmo assim, o resultado é uma derrota para Theresa May. Ela convocou eleições antecipadas para ampliar sua maioria, que era de apenas cinco deputados, e assim ter um mandato forte para negociar a saída do Reino Unido da União Europeia.

Fragilizada, sob pressão para pedir demissão, antes de ir ao Palácio de Buckingham pedir permissão à rainha Elizabeth II para formar um novo governo, May anunciou a recondução aos cargos dos ministros das Finanças, Philip Hammond; do Exterior, Boris Johnson; do Interior, Amber Rudd; das negociações com a UE, David Davis; e da Defesa, Michael Fallon.

As negociações da Brexit (British exit = saída britânica, do inglês) começam daqui a dez dias. May insinuou que o resultado aumenta a responsabilidade dos outros partidos nas negociações. Na prática, complica a estratégia da primeira-ministra de sair do mercado comum europeu.

O líder trabalhista, Jeremy Corbin, também deixou claro que não pretende deixar a liderança do partido: "Qualquer que seja o resultado final, nossa campanha positiva mudou a política para melhor", gabou-se Corbyn. O partido saiu melhor do que esperado. Ganhou 30 cadeiras. A expectativa era de um fracasso total por causa de sua liderança radical.

A terceira força no Palácio de Westminster é o Partido Nacional Escocês, que perdeu 21 deputados, mas manteve 35. Está mais interessado na independência da Escócia, especialmente se o Reino Unido deixar mesmo a UE.

Só um partido defendeu a realização de um novo referendo sobre a Europa. O Partido Liberal-Democrata não conseguiu atrair o voto dos 48% que preferiam ficar na UE. Ganhou quatro cadeiras e terá 12 deputados.

Os unionistas democráticos da Irlanda do Norte, defensores da manutenção da província do Ulster no Reino Unido, elegeram dez deputados. Com os 318 conservadores, tem uma maioria apertada de 328 cadeiras, duas a mais do que a maioria absoluta.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Theresa May pode perder maioria absoluta no Parlamento Britânico

Parecia um golpe de mestre. Pode acabar sendo um tiro no pé. Às vésperas de iniciar as negociações para a saída do Reino Unido da União Europeia, a primeira-ministra Theresa May pode perder a maioria na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico e ter dificuldades para formar um novo governo.

Quando Theresa May convocou eleições antecipadas no Reino Unido para 8 de junho de 2017, o Partido Conservador tinha uma vantagem nas pesquisas de 20 pontos percentuais sobre o Partido Trabalhista. Caiu para 5 pontos e estaria em 7, de acordo com o instituto YouGov.

Na última pesquisa deste instituto, os conservadores ficaram estacionados em 43% das preferências, enquanto os trabalhistas caíram dois pontos para 36% e os liberais-democratas perderam um ponto e agora tem 9%. O Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), muito ativo na campanha do plebiscito para deixar a UE, ficou estagnado em 4%.

A Câmara dos Comuns tem 650 deputados eleitos por voto distrital em turno único. Assim, um candidato com 35% a 40% votos tem grande chance de ser eleito. Um partido pode ter ampla maioria no Parlamento Britânico sem obter a maioria absoluta dos votos. Foi o caso dos primeiros-ministros trabalhista Tony Blair e conservador Margaret Thatcher. Ambos não chegaram a 50% e tiveram maiorias de mais de cem deputados.

May tinha uma maioria de 17 deputados na Câmara dissolvida. Pelo modelo do YouGov, pela última pesquisa, perderia 20 deputados. Se ela convocou as eleições para fortalecer sua posição negociadora, pode sair enfraquecida.

Nesta reta final da campanha, os conservadores abandonaram o discurso em torno da Brexit (saída britânica, do inglês) e se concentram na comparação das personalidades e das qualidades de liderança de May com o líder trabalhista, o esquerdista Jeremy Corbin, considerado radical demais para chefiar o governo.

É uma aposta arriscada. Corbyn deu uma guinada à esquerda, prometendo estatizar o sistema ferroviário, as companhias de água e esgotos e a rede nacional de eletricidade, e oferecer universidade gratuita.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Conservadores ampliam vantagem no Reino Unido

O Partido Conservador, da primeira-ministra Theresa May, aumentou sua vantagem sobre o Partido Trabalhista, o maior da oposição, nas pesquisas sobre as eleições parlamentares de 8 de junho de 2017, indica uma pesquisa divulgada ontem pelo instituto Kantar Public.

Enquanto os conservadores ganharam três pontos percentuais, chegando a 47% das preferências do eleitorado, os trabalhistas caíram um ponto para 29%. O Partido Liberal-Democrata perdeu três pontos e tem agora 8%, e o Partido da Independência do Reino Unido (UKIP) baixou dois pontos para 6%.

May chegou ao poder depois do plebiscito que aprovou a saída do país da União Europeia, em 23 de junho de 2015, e derrubou o então primeiro-ministro David Cameron. Com a divisão fratricida entre os partidários da Brexit (saída britânica), May, que apoiaria Cameron por lealdade, ascendeu à liderança do partido.

Sua principal missão é negociar o divórcio com a UE. Desde então, a líder conservadora mostrou estar pronta para aceitar uma "saída dura", que incluiria a retirada do Reino Unido do mercado comum europeu.

A convocação de eleições antecipadas foi uma tentativa de consolidar o poder internamente, já que May virou primeira-ministra vem passar pelo teste de eleições gerais, e de fortalecer sua posição negociadora na Brexit.

Para ficar no mercado comum, os sócios europeus exigem que o Reino Unido mantenha a livre circulação de bens, capitais e pessoas. Uma das principais razões da vitória do não à Europa foi o desejo de recuperar o controle total sobre as fronteiras e a imigração.

A primeira-ministra não quer abrir mão do controle sobre a imigração. Serão negociações difíceis, como ficou claro num encontro com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. Os britânicos não querem pagar pelos compromissos assumidos, uma conta estimada em 60 a 100 bilhões de euros.

Outra pesquisa, divulgada anteontem pelo instituto Panelbase, mostrou uma pequena redução da vantagem conservadora depois da divulgação do manifesto de campanha do Partido Trabalhista, mas ainda é confortável, de 13 pontos. Os conservadores teriam 41% dos votos contra 29% para os trabalhistas.

O manifesto trabalhista é o mais à esquerda desde 1983, quando o partido fazia oposição à primeira-ministra Margaret Thatcher. Sob intensa pressão por causa da perspectiva de uma derrota esmagadora, o líder Jeremy Corbyn optou por ir mais para a esquerda.

Corbyn prometeu não aumentar o imposto de renda, a não ser para os 5% mais ricos, reestatizar o transporte ferroviário e empresas de serviços públicos como água e energia elétrica, construir 1 milhão de novas residências, limitar o reajuste dos aluguéis com base na inflação, acabar com a cobrança de anuidade nas universidades e reduzir as dívidas do crédito educativo.

Apesar da expectativa de uma vitória avassaladora, May não deve melhorar sua posição negociadora diante da UE. A Alemanha e outros países europeus estão determinados a deixar claro que o Reino Unido não terá relações melhores com a Europa fora do bloco. Corbyn está decidido a manter a liderança da oposição mesmo com uma derrota arrasadora.

Até hoje, só três líderes trabalhistas conseguiram vitórias que dessem ao partido maioria absoluta na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.

Clement Atlee derrotou o primeiro-ministro Winston Churchill, líder heróico do país na Segunda Guerra Mundial, logo depois do fim da guerra, em 1945, prometendo um Estado do bem-estar social.

Harold Wilson foi a estrela do partido nos anos 1960s, mas é acusado pela derrocada que levou a uma onda de greves no "inverno do descontentamento", inclusive de lixeiros e coveiros, abrindo caminho para a ascensão de Thatcher, em 1979.

Tony Blair levou os trabalhistas de volta ao poder em 1997 depois de 18 anos de governos conservadores. Ele levou o partido para o centro, abolindo a cláusula do estatuto que previa a estatização dos meios de produção, mas desagradou à esquerda e ao eleitorado como um todo ao apoiar a invasão do Iraque pelos EUA em 2003.

Com a queda de Blair, o fracasso de seu sucessor, Gordon Brown, e a crise econômica de 2008, os conservadores voltaram ao poder com David Cameron. Ele convocou o plebiscito sobre a UE para tentar acabar com a guerra interna do Partido Conservador, iniciada com a queda de Thatcher, em 1990. Acabou dividindo o país, ameaçado de fragmentação com a possível independência da Escócia. Perdeu o poder não pacificou o partido nem o país, que se prepara para uma turbulenta saída da UE.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Líderes de partidos derrotados renunciam no Reino Unido

Depois da uma expressiva vitória do Partido Conservador, que elegeu 331 dos 650 deputados da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, o líder da oposição, Ed Miliband, renunciou hoje de manhã à liderança do Partido Trabalhista. O ex-vice-primeiro-ministro Nick Clegg deixou a liderança do Partido Liberal-Democrata e o mesmo fez Nigel Farage, do ultradireitista Partido da Independência do Reino Unido (UKIP).

No discurso da vitória, o primeiro-ministro David Cameron acenou com uma "Grã-Bretanha ainda maior", mas a realidade é outra. Sob pressão do UKIP e da ala eurocética do Partido Conservador, se fosse reeleito, Cameron prometeu convocar até 2017 um referendo sobre a saída do país da União Europeia. Se o sentimento antieuropeu insuflada pela imprensa sensacionalista ganhar, será desastroso para a economia do país, hoje a quinta maior do mundo.

Com a eleição de apenas 232 deputados, o Partido Trabalhista teve seu pior resultado desde 1987, na última eleição de Margaret Thatcher. O vice-líder do partido e ministro das Finanças do governo paralelo da oposição, Ed Balls, perdeu sua cadeira.

Miliband declarou ter feito o melhor possível nos últimos cinco anos, sem sucesso: "Chegou a hora de outra pessoa assumir a liderença deste partido", declarou, insistindo em que "o trabalhismo voltará".

A dúvida é qual trabalhismo, o neotrabalhismo de Tony Blair, que levou o partido para o centro ao aceitar a economia de mercado e abandonar as ambições socialistas - e ganhou três eleições consecutivas, ou o antigo trabalhismo apoiado nos sindicatos que Miliband tentou ressuscitar. Uma das bases do partido, de onde saíram alguns fundadores e o primeiro líder, a Escócia, desapareceu.

Muito abatido, o ex-vice-primeiro-ministro Nick Clegg admitiu que o desempenho do PLD ficou "muito abaixo das piores expectativas", mas insistiu que ainda há espaço no país para ideias políticas liberais. Ele salvou sua cadeira.

Na extrema direita, depois de vencer as eleições para o Parlamento Europeu no ano passado, Farage pretendia formar uma pequena bancada do UKIP. Só elegeu um deputado. Ele ameaçava abandonar a política se não conseguisse uma vaga no Parlamento Britânico. Com medo de um possível governo trabalhista, a direita concentrou o voto no Partido Conservador.

Outra novidade é a eleição de 187 mulheres, um terço da Câmara dos Comuns.

Além da inesperada vitória conservadora e do avanço feminino, o grande fenômeno dessas eleições foi o crescimento espetacular do Partido Nacional Escocês, sob a liderança de Nicola Sturgeon. Sete meses depois de perder por 55% a 45% o referendo sobre a independência, os nacionalistas elegeram 56 dos 59 deputados da Escócia no Parlamento de Westminster, que querem abandonar.

Se o primeiro-ministro mantiver a promessa e convocar o referendo sobre a UE, há uma grande chance de que os eurocéticos saudosos do passado de glória do Império Britânico votem a favor da retirada. Neste caso, é provável que a Escócia queira continuar sendo parte da Europa unida.

O maior império que o mundo já viu ficaria reduzido à pequena Inglaterra e ao País de Gales. Durante o governo Cameron, o Reino Unido recuou de seu papel de potência mundial.

Quando o ditador Bachar Assad usou armas químicas na guerra civil da Síria apesar de uma ameaça de bombardeios dos Estados Unidos e aliados, havia a expectativa de que o Reino Unido o acompanhasse como um aliado fiel e incondicional desde que os EUA entraram na Segunda Guerra Mundial, em 1942. O Parlamento Britânico negou autorização a Cameron.

Como o ex-primeiro-ministro Tony Blair saiu do governo desmoralizado em 2007, depois de apoiar a invasão ilegal do Iraque por George W. Bush, em 2003, Cameron rompeu na prática a "relação especial" com os EUA. Se o Reino Unido deixar a UE, perderá a importante função de ponte entre EUA e Europa.

Setenta anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, em que o país resistiu heroicamente aos bombardeios e à expansão da Alemanha nazista antes que a União Soviética e os EUA entrassem na guerra, o Reino Unido está deixando de ser uma potência mundial.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Conservadores abrem vantagem em pesquisa eleitoral no Reino Unido

O Partido Conservador, do primeiro-ministro David Cameron, abriu uma vantagem de seis pontos percentuais sobre o Partido Trabalhista sobre as eleições parlamentares de 7 de maio de 2015 no Reino Unido, indica uma pesquisa do instituto ICM para o jornal The Guardian.

A maioria das pesquisas recentes dava uma pequena vantagem à oposição trabalhista ou um empate técnico entre os dois grandes partidos britânicos. Nesta, os conservadores subiram três pontos para 39%, enquanto os trabalhistas caíram dois pontos para 33%.

O Partido Liberal-Democrata, que sofre o desgaste de ser o parceiro menor na coligação de governo ficou estacionado em 8%, enquanto o Partido da Independência do Reino Unido, de ultradireita, perdeu dois pontos. Está empatado com o Partido Verde, que subiu três pontos, em 7%.

Para melhorar suas chances e tentar conquistar o eleitorado de centro, o líder da oposição trabalhista, Ed Miliband, lançou hoje o manifesto do partido prometendo manter o equilíbrio nas contas públicas sem sacrificar as camadas mais pobres.

A propaganda conservadora acusa os outros partidos de planejar aumentos de impostos e gastos capazes de desequilibrar a economia e prejudicar a recuperação pós-crise de 2008.

terça-feira, 31 de março de 2015

Reino Unido fará eleições mais imprevisíveis da história recente

A pedido do primeiro-ministro conservador David Cameron, a rainha Elizabeth II dissolveu ontem a Câmara dos Comuns e convocou para 7 de maio de 2015 as eleições gerais mais imprevisíveis da história do Reino Unido depois do fim da Segunda Guerra Mundial.

O bipartidarismo clássico do modelo de Westminster está em xeque. Como o país adota o sistema de voto distrital em turno único, um candidato pode se eleger com pouco mais de 30% dos votos. Margaret Thatcher e Tony Blair nunca obtiveram maioria absoluta de votos, mas tinham maiorias de mais de cem deputados na Câmara dos Comuns.

Nas últimas eleições, em 2010, o líder conservador Cameron conseguiu derrotar o Partido Trabalhista do então primeiro-ministro Gordon Brown, mas não conseguiu maioria absoluta no Parlamento. Governou em aliança com o Partido Liberal-Democrata, do vice-primeiro-ministro Nick Clegg.

Esse terceiro partido historicamente sempre foi prejudicado pelo sistema eleitoral britânico, que favorece o voto útil. O líder do terceiro partido não tem chance de ser primeiro-ministro. Seu percentual de deputados na Câmara é sempre muito inferior ao percentual de votos. Com o desgaste de governar sem ter a chefia do governo, os liberais-democratas devem perder espaço.

Há novos atores em jogo na política britânica. O Partido da Independência do Reino Unido, de ultradireita, favorável a sair da União Europeia, foi o mais votado nas eleições para o Parlamento Europeu no ano passado. Sob a liderança de Nigel Farage, este partido fundado em 1993 e até há pouco marginal vai tomar votos à direita dos conservadores.

Por outro lado, o Partido Trabalhista, liderado por Ed Miliband, que não é considerado muito confiável nas pesquisas de opinião depende da bancada da Escócia para ter maioria no Parlamento de Westminster. O Partido Nacional Escocês perdeu o plebiscito sobre a independência no ano passado, mas, sob a nova liderança de Nicola Sturgeon, deve tomar cadeiras dos trabalhistas, que defenderam a União.

E o Partido Verde, que sempre obtém melhores resultados nas eleições para o Parlamento Europeu, também são uma força importante na nova situação política no Reino Unido, sob a liderança de Natalie Bennett.

Assim, em vez de três partidos maiores, serão seis a embaralhar a política britânica na disputa pelas 650 cadeiras da Câmara dos Comuns do Parlamento de Westminster, que se orgulha de ser o mais antigo ainda em atividade.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Partidos pró-Europa formam governo na Moldova

Três partidos favoráveis à aproximação com o Ocidente e à adesão à União Europeia - o Partido Liberal-Democrata, o Partido Democrata e o Partido Liberal - aliaram-se ontem para formar o próximo governo da ex-república soviética da Moldávia, que mudou de nome para Moldova, anunciou a televisão estatal.

A coalizão terá 55 deputados, 23 do PLD, 19 do PD e 13 do PL, garantindo maioria no Parlamento. Uma comissão está preparando um programa de governo para os próximos quatro anos.

Como a Ucrânia, a Geórgia e outras ex-repúblicas soviéticas, a Moldova sofre intensa pressão da Rússia para manter a dependência em relação a Moscou. Ainda há tropas russas estacionadas na província da Transnístria, onde a população de origem russa luta pela independência, enquanto o país como um todo se identifica mais com a Romênia.

Por isso, os partidos da nova coalizão de governo ampliar o acordo de associação firmado com a UE rumo a uma adesão definitiva. Foi justamente isso que levou à intervenção militar ordenada pelo protoditador russo Vladimir Putin na ex-república soviética da Ucrânia.

Ontem, ao prestar contas ao Parlamento, Putin atribuiu a crise a uma reação negativa dos Estados Unidos e da Europa ao "ressurgimento da Rússia", e não a seus próprios erros como a anexação ilegal e ilegítima da região ucraniana da Crimeia, sem esquecer a violação do Memorando de Budapeste (1994), acordo pelo qual a Ucrânia entregou as armas nucleares que herdou da União Soviética a Moscou em troca de garantias de segurança.

Na televisão governista Russia Today, a queda do rublo se deve à baixa nos preços internacionais do petróleo e não às sanções impostas pelo Ocidente.

Quanto mais a Rússia ameaça, maior é o risco de isolamento. Com a crise econômica, a pressão sobre o Kremlin só tende a aumentar. A tendência de um líder autoritário como Putin é reagir atacando.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Governo perde eleições municipais no Reino Unido

Ao comemorar a vitória nas eleições municipais realizadas ontem no Reino Unido, o líder da oposição, deputado Ed Miliband, declarou hoje que "o Partido Trabalhista está reconquistando a confiança do povo".

Com 38% dos votos, o Partido Trabalhista assumiu o controle de 32 das 181 câmaras municipais e elegeu 823 vereadores a mais do que tinha, enquanto os 31% do Partido Conservador levaram a uma perda de 406 cadeiras e os 16% do Partido Liberal-Democrata custaram 335 cadeiras, informa a TV pública britânica BBC.

Os dois partidos derrotados formam o governo, que impôs o mais severo programa de ajuste das contas públicas da história recente do país, jogando-o de volta na recessão. "Este é um momento difícil", admitiu o primeiro-ministro conservador David Cameron ao agradecer aos militantes do partido na sede central da campanha, em Londres.

É normal a derrota do governo em eleições intermediárias. O ministro do Interior, William Hague, tentou minimizar a importância da vitória trabalhista: "Estes resultados - embora nunca seja bom perder vereadores - estão dentro do que se pode considerar normal para eleições no meio ao mandato. Não são tão bons assim para a oposição, que não conquistou 40% dos votos".

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Cameron é acusado de isolar o Reino Unido

Ao defender hoje no Parlamento Britânico sua decisão de ficar fora do acordo dos líderes da União Europeia para salvar o euro, o primeiro-ministro conservador David Cameron foi acusado de isolar o Reino Unido ao excluir o país das grandes decisões econômicas do maior bloco econômico do planeta.

"Vetar significa impedir que aconteça algo que você não quer. Seu veto na reunião de cúpula europeia só serviu para excluir o Reino Unido da mesa onde serão tomadas as grandes decisões", alfinetou o líder da oposição trabalhista, Ed Miliband.

A decisão agrada a bancada conservadora, cada vez mais eurocética, mas divide o governo. O Partido Liberal-Democrata, parceiro menor na coligação governista, é claramente europeísta. Acredita que o futuro do país é na UE.

Seu líder, o vice-primeiro-ministro Nick Clegg, criticou duramente a posição de Cameron, mas admitiu que uma ruptura agora seria desastrosa para a economia britânica, que luta contra a recessão sob o peso de cortes de gastos de 83 bilhões de libras em quatro anos.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Empresas britânicas criticam restrições à imigração de profissionais qualificados

LONDRES - O empresariado britânico é contra a proposta do governo de coalizão conservador-liberal-democrata de limitar a imigração mesmo de profissionais altamente qualificados.

Algumas empresas seriam impedidas de contratar não europeus, o que foi descrito como uma "insanidade econômica" por Jo Valentine, da London First, uma empresa que representa muitas companhias do Índice Financial Times 100, o principal da Bolsa de Valores de Londres.

"Uma série de empresas do setor financeiro teve sua alocação reduzida a zero", confirmou o chefe da imigração em Clifford Chance, John Skitt, em entrevista ao FT.

Menos de três meses depois das eleições, a coligação de governo enfrenta sérias divisões marcadas pelas posições políticas dos dois partidos.

Há uma revolta na bancada conservadora contra a convocação de um plebiscito para mudar o sistema eleitoral, introduzindo o voto proporcional, uma exigência dos liberais-democratas para participar do governo. Cerca de 55 deputados ameaçam votar contra.

O Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte adota o voto distrital em turno único. Vai para o parlamento o mais votado em cada um dos 645 distritos eleitorais em que se divide o país.

Sem segundo turno que permitiria aos partidos menores participar de coligações, esse sistema cria um bipartidarismo. Na última hora, peso o voto útil.

Como o ministério paralelo da oposição trabalhista decidiu rejeitar a proposta de reforma do sistema de votação, a direita conservadora já tem um aliado para bagunçar o primeiro governo de coalizão na Grã-Bretanha em 36 anos.

Na questão migratória, são os conservadores que exigem medidas para aplacar sua fúria contra os estrangeiros. É o falso nacionalismo dos velhacos.

Durante a campanha, o líder liberal-democrata e agora vice-primeiro-ministro Nick Clegg, disse ao primeiro-ministro conservador David Cameron que mais de 80% dos imigrantes não podem ser impedidos de entrar no país por serem cidadãos da Unão Europeia.

O europeísmo e a liberalidade com a imigração sempre foram temas centrais da plataforma do Partido Liberal Democrata britânico, exatamente o contrário do que defendem as bases do Partido Conservador.

Por isso, a direita conservadora já apelidou o governo de coalizão de Brokeback, numa referência ao filme que contava a história de dois cowboys gays.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Trabalhistas e liberais não chegam a acordo

As negociações entre os trabalhistas e os liberais-democratas não avançaram no Reino Unido, informa a rádio e televisão pública BBC. O anúncio de um governo liberal-conservador estaria mais próximo.

Os grandes partidos não abrem mão do sistema de votação que até agora manteve um virtual bipartidarismo. Os liberais reclamam que os grandes partidos se comportam como se tivessem ganho as eleições de 6 de maio de 2010.

Brown renuncia para manter partido no poder

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, anunciou hoje que vai deixar o cargo até setembro, numa manobra para tentar manter o Partido Trabalhista no poder, apesar da derrota nas eleições parlamentares de 6 de maio de 2010.

Depois de três dias de negociações sem sucesso entre o Partido Conservador, que conseguiu mais votos e deputados, com o Partido Liberal-Democrata, que ficou em terceiro lugar, Brown anunciou hoje ter sido convidado pelo líder liberal-democrata, Nick Clegg, para iniciar negociações.

Uma aliança liberal-conservadora teria ampla maioria na Câmara dos Comuns, somando os 307 deputados conservadores com os 57 liberais-democratas. Mas o programa dos liberais está muito mais próximo das ideias do governo trabalhistas.

Clegg está sob pressão tanto da bancada quanto do eleitorado para fazer uma aliança com os trabalhistas, embora esses dois partidos juntos não tenham maioria absoluta de 326 cadeiras na Câmara.

Seria um governo instável, de curta duração. Provavelmente haverá eleições antecipadas em pouco tempo. Mas é a chance dos liberais-democratas de promover uma reforma do sistema eleitoral para introduzir algum tipo de representação proporcional.

O PLD teve 23% do voto popular, mas terá menos de 9% das cadeiras no parlamento. Desde o início, Brown acenou com a possibilidade de reforma o sistema de votação.

Ao anunciar hoje que vai deixar a liderança do Partido Trabalhista até a convenção nacional do partido, em setembro, Brown disse que antes disso vai tentar formar uma "aliança progressista" para "recolocar o país na trilha do crescimento econômico" e promover a reforma eleitoral.

Durante a campanha, Clegg deixou claro que não formaria governo sob a liderança de Brown se os trabalhistas não ganhassem as eleições no voto popular.

No fim da tarde, o principal negociar dos conservadores, o ex-líder William Hague, cedeu num ponto em que até agora seu partido era irredutível, admitindo submeter a plebiscito a proposta de mudar o sistema de votação.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Eleições britânicas ainda estão indefinidas

Já são 7h de 7 de maio de 2010 em Londres e o Reino Unido não sabe quem vai formar o governo depois das eleições de ontem. A expectativa é que nenhum partido consiga maioria absoluta na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, de 650 cadeiras.

No momento, os conservadores lideram com 285 deputados, seguidos do Partido Trabalhista, com 231, os liberais-democratas com 50. Os pequenos partidos já elegeram 27 deputados.

Falta os resultados de apenas 57 distritos, então é improvável que o Partido Conservador chegue à maioria absoluta de 326 deputados.

Com as eleições mais disputadas dos últimos 36 anos, o comparecimento foi de 70%. A votação foi até 22h pela hora de Londres. Mas muita gente que deixou para votar à noite em Londres, em Birmingham e em Leeds não conseguiu.

O cenário político é confuso. Como primeiro-ministro, Brown só é obrigado a renunciar se a oposição conservadora obtiver maioria absoluta na Câmara. Cabe ao primeiro-ministro a iniciativa de articular um novo governo.

Grande sensação da campanha na mídia, mas derrotado nas urnas, o Partido Liberal-Democrata não tem o cacife que sonhava ter para barganhar a formação de uma coalizão de governo. Sua votação está em 23%. Deve eleger 55 deputados, menos de 10% da Câmara.

Para o líder conservador, David Cameron, "os trabalhistas perderam a autoridade para governar o país". O governo responde que os conservadores também não receberam um mandato popular para governar o país.

Os conservadores conquistaram 37% dos votos. Só para comparar, nas eleições de 2005, o Partido Trabalhista, então sob a liderança do primeiro-ministro Tony Blair, abalado por levar o país à guerra no Iraque, teve 36% dos votos e fez uma maioria de 67 deputados.

Durante a campanha, quando estava por cima na mídia, o líder liberal-democrata, Nick Clegg, declarou que não formaria governo com Brown. Mas é isto que deve estar na cabeça do primeiro-ministro.

Uma coligação liberal-trabalhista criaria um governo fraco, de derrotados. O Partido Trabalhista recebeu 29% dos votos. Juntos, eles devem fazer uma bancada menor do que os conservadores, mas podem alegar que têm a maioria no voto popular.

Alguns analistas consideram mais provável e mais estável a formação de um governo conservador apoiado por pequenos partidos como os protestantes da Irlanda do Norte.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Trabalhistas sofrem pior derrota em 40 anos

O Partido Trabalhista britânico sofreu sua maior derrota eleitoral em 40 anos nas eleições municipais realizadas na quinta-feira no interior e hoje em Londres. Perdeu 331 vereadores, colocando em questão a liderança do primeiro-ministro Gordon Brown e sua capacidade de levar o partido à vitória nas eleições gerais, que ele pode convocar quando quiser até 2010.

Na contagem geral dos votos, o Partido Conservador teve 44%, o Partido Liberal-Democrata ficou em segundo com 25% e os trabalhistas tiveram apenas 24%.

Brown era ministro das Finanças do Reino Unido no governo Tony Blair. Herdou a liderança do partido e a chefia do governo sem se submeter a eleições, quando Blair saiu, em junho de 2007, desgastado pelo apoio incondicional aos Estados Unidos na Guerra do Iraque.

Como todo-poderoso ministro da economia, Brown conquistou fama por levado o país a seu mais longo período de crescimento. Mas é criticado pela maneira como enfrenta a atual crise financeira e imobiliária, que levou à falência um banco britânico, o Northern Rock,

Esse descontentamento foi refletido nas urnas.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Conservadores britânicos ampliam vantagem

O Partido Conservador britânico obteve uma vantagem de 13 pontos percentuais, a maior em 19 anos, sobre o Partido Trabalhista, no poder desde 1997, em pesquisa divulgada ontem.

Apesar de cair um ponto em relação à sondagem anterior, a oposição conservadora teria hoje 40% dos votos, contra 27% para os trabalhistas. Estes perderam seis pontos por causa dos problemas enfrentados pelo novo primeiro-ministro, Gordon Brown, que substituiu Tony Blair no final de junho. Os liberais-democratas subiram dois pontos, para 18%, e os outros partidos quatro pontos, chegando a 14%.

Brown foi abalado por duas más notícias arrasadoras:
• o Imposto de Renda admitiu ter deixado vazar dados de 25 milhões de britânicos; e
• o falido banco Northern Rock não tem como pagar uma dívida de 24 bilhões de libras (mais de US% 50 bilhões) ao Banco da Inglaterra.

Leia mais no jornal The Independent.