segunda-feira, 13 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 13 de Abril

 MUSEU DE ARTE METROPOLITANO DE NY

    Em 1870, é fundado o Museu de Arte Metropolitano na Cidade de Nova York, que se torna um dos maiores e mais importantes museus do mundo.

O museu abre dois meses depois. A sede atual, no Central Park, é inaugurada em 1880. Desde 2016, este prédio principal, de frente para a 5ª Avenida, chama-se The Met Fifth Avenue.

O Metropolitan tem coleções do Egito, da Babilônia, da Assíria, da Grécia Antiga, do Império Romano, pré-colombianas, da Ásia, do Oriente Médio, islâmicas, da América do Norte e da Oceania. Tem arquitetura, pintura, desenhos, caligrafia, gravuras, fotografias, objetos de vidro, bronzes, cerâmicas, têxteis, metálicos, laqueados, móveis de todas essas culturas e civilizações.

A partir de 1948, o museu faz um baile de gala, The Met Gala, para ajudar a financiar a instituição. A Biblioteca Thomas J. Watson, aberta em 1964 para uso de funcionários do museu e pesquisadores visitantes, tem uma das mais completas coleções de referências sobre arte e arqueologia. É a maior de uma rede de bibliotecas de museus.

Os claustros do Met, The Met Cloisteres, apresentam uma coleção de arte da Idade Médio no Parque do Forte Tyron, no Norte da Ilha da Manhattan. 

PRESO NA ILHA DO DIABO

    Em 1895, o capitão do Exército da França Alfred Dreyfus, um judeu, é preso na Ilha do Diabo, na Guiana Francesa, depois de ser condenado como espião alemão num processo marcado por irregularidades e antissemitismo.

Filho de um rico industrial judeu do setor têxtil, Dreyfus nasce em 9 de outubro de 1859 em Mulhouse, na França. Em 1882, entra para a Escola Politécnica e depois decide fazer carreira militar. Promovido a capitão, vai para o Ministério da Guerra, onde, em 1894, é acusado de vender segredos militares à Alemanha.

Preso em 15 de outubro de 1894, é condenado por uma corte marcial à prisão perpétua em 22 de dezembro. Ele entra na colônia penal da Ilha do Diabo, na Guiana Francesa, em 13 de abril de 1895.

Quando surgem indícios de que o verdadeiro espião é o major Ferdinand Esterhazy, o Exército tenta esconder as provas. Esterhazy é levado à corte marcial e absolvido em uma hora num julgamento em janeiro de 1898.

Como as provas são suspeitas, jornalistas investigam o caso, inclusive Georges Clemenceau, futuro primeiro-ministro francês durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18). Quando as evidências apontam a culpa de Esterhazy, indignado, o escritor Émile Zola publica uma carta aberta chamada Eu Acuso no jornal Aurora, acusando os juízes, o Exército e o presidente da França:

"Acuso o comandante du Paty de Clam de ter sido o criador diabólico do erro judicial, inconscientemente, quero crer, e ter saído em defesa de sua obra nefasta, durante três anos, por maquinações as mais estapafúrdias e as mais culposas.

"Acuso o general Mercier de ter se tornado cúmplice, ainda que por franqueza de caráter, de uma das maiores iniqüidades do século.

"Acuso o general Billot de ter tido entre as mãos as provas indubitáveis da inocência de Dreyfus e de tê-las ocultado, tornando-se, pois, culpado de crime de lesa-humanidade e lesa-justiça, por motivos políticos e para livrar um Estado-Maior comprometido. 

"Acuso o general de Boisdeffre e o general Gonse de tornarem-se cúmplices do mesmo crime, um sem dúvida por paixão clerical, o outro por esse corporativismo que faz do Ministério da Guerra uma arca santa inatacável. 

"Acuso o general de Pellieux e o comandante Ravary de terem feito uma investigação criminosa, um inquérito da mais monstruosa parcialidade e do qual temos, no relatório do segundo, um monumento perene da mais ingênua audácia. 

"Acuso os três especialistas em grafologia, os senhores Belhomme, Varinard e Couard de terem emitido pareceres mentirosos e fraudulentos, a menos que um laudo médico os declare tomados por alguma patologia da vista e do juízo. 

"Acuso o Ministério da Guerra de ter promovido na imprensa, particularmente no L’éclair e no L’Écho de Paris, uma campanha abominável, para manipular a opinião pública e acobertar sua falha. 

"Acuso por fim o primeiro Conselho de Guerra de ter violado o direito, condenando um acusado com base em um documento secreto, e acuso o segundo Conselho de Guerra de ter encoberto essa ilegalidade, por ter recebido ordens, cometendo por sua vez o crime jurídico de absolver conscientemente um culpado. 

"Fazendo essas acusações, não ignoro enquadrar-me nos artigos 30 e 31 da lei de imprensa de 29 de julho de 1881, que pune os delitos de difamação. E é voluntariamente que eu me exponho.

"Quanto às pessoas que eu acuso, não as conheço, nunca as vi, não nutro por elas nem rancor nem ódio. Não passam para mim de entidades, de espíritos da malevolência social. O ato que aqui realizo não é nada além de uma ação revolucionária para apressar a explosão de verdade e justiça.

"Não tenho mais que uma paixão, uma paixão pela verdade, em nome da humanidade que tanto sofreu e que tem direito à felicidade. Meu protesto inflamado nada mais é que o grito da minha alma. Que ousem, portanto levar–me perante ao tribunal do júri e que o inquérito se dê à luz do dia! 

"É o que espero. 

"Receba, senhor Presidente, minhas manifestações de mais profundo respeito."

O jornal vende 200 mil exemplares num dia.

Zola é condenado por calúnia, mas consegue fugir para a Inglaterra. O escândalo divide a França. Enquanto nacionalistas e a Igreja Católica apoiam o Exército, republicanos, socialistas e defensores da liberdade religiosa defendem Dreyfus. 

Intelectuais, entre eles os escritores Anatole France e Marcel Proust, fazem um abaixo-assinado com mais de 3 mil assinaturas pedindo a reabertura do caso. Em 1898, o major Hubert Henry admite ter forjado provas contra Dreyfus e comete suicídio. Pouco depois, Esterhazy foge do país. 

Dreyfus é levado a novo julgamento em 1899 e condenado a 10 anos de prisão em outro processo forjado. O terceiro o julgamento começa em 1904. Um novo governo francês o perdoa.
Em julho de 1906, o Tribunal Superior de Recursos, uma corte civil, anula todas as condenações de Dreyfus.

O Caso Dreyfus provoca grande liberalização na França, reduz o poder dos militares e leva à separação formal entre Igreja e Estado.

O jornalista judeu austro-húngaro Theodor Herzl cobre o primeiro julgamento em 1894 e, diante da condenação sem provas e dos massacres de judeus no Império Russo, conclui que não há condições para os judeus viverem na Europa. Em 1896, ele publica O Estado Judeu, em defesa da fundação de uma pátria para o povo judeu e lança o moderno movimento sionista.

MASSACRE DE KATYN

    Em 1990, a União Soviética reconhece a responsabilidade pelo Massacre da Floresta de Katyn, em 1940, quando a polícia política do regime stalinista, o Comissariado do Povo para Assuntos Internos (NKVD), mata quase 22 mil pessoas, todo o oficialato do Exército, chefes de polícia, outros altos funcionários, professores, artistas e intelectuais da Polônia.

Oito dias antes do início da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Alemanha Nazista e a URSS assinaram o Pacto Germano-Soviético. Em 1º de setembro de 1939, as forças de Hitler invadem a Polônia e derrubam o governo em Varsóvia.

Em 17 de setembro, o ministro do Exterior soviético, Vyacheslav Molotov, declara que o governo polonês não existe mais. A URSS ocupa o Leste da Polônia. 

O diretor do NKVD, Laurenti Beria, pede autorização ao Politburo, o birô político do Comitê Central do Partido Comunista da URSS, para realizar a matança. As vítimas são assassinadas uma a uma com um tiro na nuca na Floresta de Katyn e em prisões em Cracóvia e Kaliningrado, a partir de 3 de abril.

Quando a Alemanha invade a URSS, em 22 de junho de 1941, e o governo Josef Stalin entra na guerra contra o nazifascismo, o governo polonês no exílio pede a libertação dos oficiais. A URSS ignora.

Em abril de 1943, os alemães revelam ter encontrado valas comuns cheias de restos mortais na Floresta de Katyn. O governo polonês no exílio, sediado em Londres, pede uma investigação. Stalin rompe com o governo da Polônia, mas a URSS nega qualquer responsabilidade pelo massacre.

Só em 1990, no governo Mikhail Gorbachev (1985-91), a URSS assume a autoria do Massacre de Katyn.

GOLPE CONTRA CHÁVEZ FRACASSA

    Em 2002, o golpe deflagrado em 11 de abril na Venezuela com o apoio dos Estados Unidos e da Espanha fracassa e na manhã seguinte o presidente Hugo Chávez é reinstalado no poder.

Chávez é eleito presidente em 1998, em meio a forte queda nos preços do petróleo por causa da Crise na Ásia, com a promessa de convocar uma Assembleia Constituinte. Em 15 de dezembro de 1999, a Constituição da República Bolivarista da Venezuela é aprovada em referendo com 71,78% dos votos.

Sob a nova Constituição, Chávez é reeleito em 2000 e assume o controle dos poderes Legislativo e Judiciário, com a nomeação de novos juízes para a Corte Suprema. 

O estilo autoritário, militarista e conflituoso do caudilho, e a aproximação com líderes autoritários e ditatorias como o cubano Fidel Castro, o líbio Muamar Kadafi, o iraquiano Saddam Hussein e iraniano Mohamed Khatami, derrubam sua popularidade para 30%.

Com um discurso agressivo, Chávez ataca empresários, a elite econômica, a mídia, a Igreja Católica, a classe média e até ex-aliados. A Venezuela se torna a maior parceira comercial de Cuba e o regime chavista forma grupos paramilitares, os Círculos Bolivaristas, no modelo dos Comitês de Defesa da Revolução Cubana. 

A aprovação de uma Lei Habilitante autoriza o presidente a governar por decretos sob a desculpa de melhorar a situação econômica dos pobres. Chávez aprova 49 leis que viram os líderes empresariais, religiosos e a mídia contra o regime.

Em 10 de dezembro de 2001, a maior greve da história da Venezuela para 90% da economia do país, maior do que a que derrubou a ditadura militar de Marcos Pérez Jiménez em 1958.

Um relatório da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) Condições Amadurecendo para Tentativa de Golpe conclui em 6 de abril: "Facções militares dissidentes, incluindo alguns oficiais superiores descontentes e um grupo de jovens oficiais radicais, estão intensificando esforços para organizar um golpe contra o Presidente Chávez, possivelmente já neste mês."

Em 7 de abril de 2002, Chávez demite o presidente da companhia estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA), Guaicaipuro Lameda Montero, e outros 5 dos 7 diretores para assumir o controle da empresa, responsável por 70% do ingresso de divisas no país.

A crise provoca a Marcha de 11 Abril. Centenas de milhares de venezuelanos vão até a sede da PdVSA protestar contra as demissões. Lá a multidão começa a gritar: "Para Miraflores", numa referência ao Palácio de Miraflores, sede do governo.

A Guarda Nacional e os Círculos Bolivaristas defendem o palácio. Há um conflito com troca de tiros, 19 mortos e mais de 150 feridos. A maioria dos mortos era chavista.

No fim da tarde, líderes empresarias e trabalhistas retiram o apoio ao presidente.  O comandante do Estado-Maior da Marinha, almirante Héctor Ramírez Pérez, e outros novos generais e almirantes tornam pública sua revolta. Às 19h30, a televisão mostra imagem de chavista numa ponte atirando em manifestantes oposicionistas. No início da noite, Chávez perde o controle do Exército.

O comandante do Estado-Maior do Exército, general Efraín Vázquez Velasco, diz a Chávez: "Sr. Presidente, fui leal até o fim, mas as mortes de hoje não podem ser toleradas." O general declara aos repórteres que nenhum golpe estava planejado até a matança. O almirante Ramírez afirma que "não podemos permitir que um tirano comande a República da Venezuela."

Em meio a boatos de que Chávez abandonou o cargo, o presidente cogita se matar. Conversa com Fidel Castro, que o aconselha a se entregar ao Exército. O caudilho faz quatro exigências para entregar o poder: renunciar perante a Assembleia Nacional, passar o poder ao vice-presidente, fazer num pronunciamento na televisão e fugir com a família para Cuba.

Vázquez rejeita as exigências e manda dois generais prender Chávez. Às 3h00, os rebeldes ameaçam bombardear o Palácio de Miraflores se o presidente não renunciar. Na manhã de 12 de abril, o comandante das Forças Armadas, general Lucas Rincón Romero, noticia a renúncia de Chávez.

Uma hora e meia depois, o empresário Pedro Carmona, presidente da federação empresarial Fedecámaras (Federação das Câmaras e Associações de Comércio e Produção da Venezuela), é nomeado presidente de um governo de transição. Chávez é levado do palácio para o quartel de Forte Tiuna.

Uma das exigências dos golpistas é que Carmona não seja candidato a presidente. Ele fora um dos líderes da greve de 10 de dezembro de 2001. Chávez o descreve como "direto e discreto até ser manipulado pelos conspiradores".

Carmona tira bolivarista do nome do país, que volta a ser apenas a República da Venezuela, dissolve a Assembleia Nacional e a Corte Suprema de Justiça, revoga a Constituição de 1999 e afasta o procurador-geral, todos os governadores e prefeitos eleitos no governo Chávez. Novas eleições parlamentares são previstas para dezembro de 2002.

A maneira intempestiva do novo governo ao dissolver todas as instituições da Venezuela é decisiva para o fracasso do golpe.  Mais tarde, em entrevista ao jornal Miami Herald, Carmona argumenta que "se o golpe tivesse sido planejado com antecedência, as decisões-chaves já teriam sido tomadas."

Surpresa, a oposição democrática acusa Carmona de ter sido "sequestrado" por direitistas. Os golpistas mais radicais impedem Chávez de deixar a Venezuela. Querem processá-lo pelas mortes na Marcha de 11 da Abril.

Sob a alegação de que Chávez não renunciou, os Círculos Bolivaristas protestam nas ruas. Com medo de uma ditadura de direita, altos comandantes militares retiram o apoio aos golpistas. 

O comandante da Brigada de Paraquedistas do Exército, general Raul Baduel, fala com o comandante da Guarda Presidencial, que mantém a lealdade a Chávez, e desencadeia a Operação Restituição da Dignidade Nacional.

No fim da manhã de 13 de abril, a Guarda Presidencial retoma o controle do Palácio de Miraflores e entrega o poder provisoriamente ao vice-presidente Diosdado Cabello. Baduel liberta Chávez da prisão e o presidente reassume o cargo em 14 de abril.

O general Baduel, decisivo para a derrota do golpe, critica a reforma constitucional de Chávez em 2007 e o controle do Estado sobre a economia. Em 2 de abril de 2009, é preso sob acusação de corrupção quando era ministro da Defesa, de julho de 2006 a julho de 2007, e condenado a 8 anos e 11 meses de detenção por corrupção.

Solto em 12 de agosto de 2015, Baduel é novamente preso pela ditadura de Nicolás Maduro, o sucessor de Chávez, em 12 de janeiro de 2017, sob a acusação de violar os termos da liberdade condicional e morre na prisão em 12 de outubro de 2021.

O grande herói da resistência ao golpe morre no cárcere da ditadura de Maduro, sequestrado por Donald Trump e levado para os EUA em 3 de janeiro de 2026.

IRÃ BOMBARDEIA ISRAEL

    Em 2024, a República Islâmica do Irã bombardeia Israel diretamente pela primeira vez, com cerca de 250 mísseis e drones, durante a guerra de Israel contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), responsável pelo ataque terrorista de 7 de outubro de 2013.

É uma resposta do Irã ao bombardeio israelense à Embaixada e ao Consulado do Irã em Damasco, a capital da Síria, dias antes. Como é uma instalação diplomática, o regime fundamentalista iraniano decide contra-atacar diretamente depois de décadas de guerra indireta através de grupos como o Hamas e a milícia extremista muçulmana xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus).

O ataque é mais simbólico para o regime iraniano dar uma satisfação a si mesmo, aos setores mais exaltados e à opinião pública. Duas pessoas morrem, um palestino e um judeu atingido por estilhaços.

Israel responde em 19 de abril com um ataque para destruir as defesas antiaéreas do inimigo e deixar claro que no futuro pode atacar sem que o inimigo possa se defender. O primeiro-ministro Benjamin Nentanyahu quer bombardear as instalações nucleares do Irã. 

O presidente Donald Trump pressiona o Irã a retomar as negociações para desarmar o programa nuclear, mas o regime iraniano não admite extingui-lo totalmente como quer Israel.

A tensão entre os dois países volta a explodir na Guerra dos Doze Dias, em junho de 2025, e na atual guerra dos EUA e de Israel contra o Irã iniciada em 28 de fevereiro deste ano. No momento, há uma trégua de duas semanas. Não houve acerto em negociações realizadas no sábado no Paquistão para um cessar-fogo definitivo entre o Irã e os EUA.

domingo, 12 de abril de 2026

Governo de extrema direita sofre ampla derrota na Hungria

Depois de 16 anos em que impôs um regime autoritário à Hungria, o primeiro-ministro neofascista Viktor Orbán reconheceu a derrota nas eleições parlamentares deste domingo. O comparecimento às urnas foi recorde: 77%.

O futuro chefe de governo será Péter Magyar (foto), que há dois anos deixou o partido governo. Seu Partido Respeito e Liberdade (Tisza), terá maioria de dois terços para reformar a Constituição, restabelecer a democracia plena no país, dinamizar a economia, melhorar as relações com a União Europeia e entrar para a Zona do Euro.

Durante a campanha, Orbán teve o apoio do presidente Donald Trump e dos ditadores da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping. O vice-presidente dos Estados Unidos, James Vance, foi a Budapeste na semana passada levar pessoalmente o apoio a Orbán. Todos viam no líder húngaro uma quinta coluna capaz de enfraquecer o bloco europeu.

Maior aliado de Putin na UE, Orbán bloqueava uma ajuda de 90 bilhões de euros à Ucrânia. Seus representantes diplomáticos passavam à Rússia o que era discutido nas reuniões de ministros da UE. É um modelo para a extrema direita neofascista nos EUA, na Europa e na América Latina, inclusive no Brasil.

Na política interna, Orbán seguiu a fórmula adotada por outros líderes autoritários como Vladimir Putin, Hugo Chávez na Venezuela, Recep Tayyip Erdogan na Turquia e os irmãos Kaczynski na Polônia: controlar o Poder Judiciário e os meios de comunicação, pedras fundamentais da democracia. 

Na democracia iliberal, os líderes chegam ao poder em eleições democráticas e usam os instrumentos da democracia para impor um regime iliberal, que alguns autores chamam de autoritarismo competitivo. Não chamam de neofascismo porque ainda pode ser derrotado pelo voto.

Viktor Orbán entra na política húngara ao fazer discursos em Budapeste nas revoluções que derrubaram o comunismo na Europa Oriental, em 1989. A Hungria é o primeiro país a abrir a cortina de ferro, em 2 de maio de 1989, permitindo que qualquer pessoas saísse do país. Tinha a economia mais aberta do Bloco Comunista.

Seu partido, Aliança dos Jovens Democratas (Fidesz), nascido do movimento estudantil, pertenceu à Internacional Liberal. Sob sua liderança, tornou-se mais conservador, nacionalista a antieuropeu. Orbán foi primeiro-ministro de 1998 a 2002. Fez um governo moderado. 

Depois de oito anos como líder da oposição, volta em 2010, faz reformas antidemocráticas para se eternizar no poder. Censurou a imprensa, acabou com a independência do Judiciário e enfraqueceu a democracia multipardária. Aproveitou a Crise dos Refugiados para aprovar leis anti-imigração. Empobreceu e corrompeu a Hungria.

O advogado e deputado do Parlamento Europeu Péter Magyar, de 45 anos, deixou o Fidesz em fevereiro de 2024, em protesto contra o indulto a condenados por crimes sexuais. No mês seguinte, assumiu a liderança do até então praticamente desconhecido Tisza com uma proposta voltada para cidadãos insatisfeitos tanto com o governo quanto com a oposição tradicional. Então, de certa forma, também surfa na onda da antipolítica.

Nas eleições para o Parlamento Europeu, em junho de 2024, o Tisza ficou em segundo lugar, atrás apenas do Fidesz, com cerca de 30% dos votos, a maior votação de um partido de oposição na Hungria desde 2006. Magyar se define como conservador nos costumes e politicamente, e liberal em economia, um europeu com uma visão crítica.

Hoje na História do Mundo: 12 de Abril

  INÍCIO DA GUERRA DA SECESSÃO

    Em 1861, o exército dos Estados Confederados da América bombardeia o Forte Sumter, em Charleston, na Carolina do Sul, um dos poucos quartéis do Sul dos Estados Unidos que ainda em poder da União, dando início à Guerra da Secessão ou Guerra Civil Norte-Americana (1861-65).

Desde 1858, há um movimento separatista no Sul, agrário, dos Estados Unidos para discutir uma saída conjunta da União se o Norte, industrializado, quiser abolir a escravidão. Em 1860, a maioria dos estados escravistas do Sul ameaçam claramente se separar.

Logo depois da vitória de Abraham Lincoln, do Partido Republicano, na eleição presidencial de novembro de 1860, a Carolina do Sul inicia preparativos para a secessão. Em 20 de dezembro, a Assembleia Legislativa estadual aprova a Ordenação da Secessão, que declara que "a União que hoje existente entre a Carolina do Sul e outros estados, sob o nome de Estados Unidos da América, está dissolvida pelo presente documento."

Imediatamente, a Carolina do Sul toma fortes, quartéis, arsenais e locais estratégicos. Em seis semanas, outros cinco estados fazem o mesmo.

Em 8 de fevereiro de 1861, os seis estados citados acima e o Texas criam a Confederação. No dia 9, Jefferson Davies, do Mississípi, é eleito presidente.

Quando Lincoln toma posse, em 4 de março, os sulistas controlam quase todas as instalações militares nos estados confederados. A guerra civil começa em 12 de abril de 1861, com o ataque do Sul ao Forte Sumter, no porto de Charleston, na Carolina do Sul.

Dentro de dois meses, os estados da Virgínia, Arkansas, Carolina do Norte e Tennessee aderem à Confederação.

Lincoln vai á guerra para preservar a União. Em 1º de janeiro de 1863, faz a Proclamação de Emancipação libertando os escravos dos estados do Sul para que se juntem às forças do Norte. 

Ao transformar a guerra civil numa luta contra a escravidão, Lincoln evita que países europeus como o Reino Unido e a França, importadores de algodão do Sul para sua indústria nascente, reconheçam a independência da Confederação.

A 13ª Emenda à Constituição dos EUA, que acaba com a escravidão e a servidão involuntária, a não ser um caso de condenação por crime, é aprovada pela Câmara dos Representantes em 31 de janeiro de 1865 e ratificada até o fim daquele ano.

Com 620 mil mortes, de 360 mil nortistas e 260 mil sulistas, a Guerra da Secessão é a guerra mais sangrenta da história dos EUA.

MÁQUINA DE ESCREVER

    Em 1892, a máquina de escrever portátil é patenteada nos Estados Unidos.

No século 19, são inventados vários tipos de máquinas de escrever, algumas semelhantes a um piano pelo tamanho e forma. Inicialmente, todas são mais lentas do que a escrita à mão. Em 1867, o inventor norte-americano Christopher Latham Sholes lê um artigo na revista Scientific American descrevendo uma nova máquina inventada na Inglaterra e cria a que seria na prática a primeira máquina de escrever.

Seu segundo modelo, patenteado em 23 de junho de 1868 escreve a uma velocidade muito superior à de uma caneta. Em 1873, Sholes fecha um contrato com Remington & Sons, uma empresa de Ilion, no estado de Nova York.

As primeiras máquinas de escrever começam a ser vendidas em 1874 e logo ficam associadas à marca Remington. Entre as novidades, há um cilindro por onde roda o papel para mudar de linha, um mecanismo para trazer o carro de volta no fim da linha e girar o cilindro para mudar de linha, um espaçador para abrir o espaço entre as letras, um arranjo de teclas para que todas batam sempre no ponto central do carro que se move sobre o papel, teclas numa disposição parece com os teclados de hoje e uma fita com a tinta.

Com a evolução, as máquinas diminuem de tamanho até a surgir a máquina portátil.

O escritor Mark Twain compra uma Remington. É o primeiro autor a entregar ao editor os originais de um livro datilografado.

VACINA SEGURA CONTRA PÓLIO

    Em 1955, os resultados de dois anos de testes em quase 2 milhões crianças confirmam que a vacina contra a poliomielite desenvolvida pelo Dr. Jonas Salk é "segura, efetiva e potente".

Em 80% a 90% dos casos, a vacina consegue prevenir a poliomielite. Nos outros casos, a doença é muito menos grave e nenhuma criança vacinada morre.

A vacina é licenciada no mesmo dia e a produção começa imediatamente. É o primeiro grande passo para erradicar uma doença que acometia a humanidade há milhares de anos.

A TERRA É AZUL

    Em 1961, o cosmonauta soviético Yuri Gagarin, o primeiro homem a viajar ao espaço, revela que "a Terra é azul."

A União Soviética sai na frente na corrida espacial. Em 4 de outubro de 1957, os soviéticos lançam o Sputnik, o primeiro satélite artificial da Terra.

Entre 20 candidatos, Gagarin é escolhido pelo condicionamento físico e a origem camponesa, que contava pontos sob o comunismo soviético.

A nave Vostok 1 parte às 9h07 pela hora de Moscou, viaja a 28 mil quilômetros por hora até uma altitude de 315 quilômetros e fica uma hora e 46 minutos no espaço. Gagarin declara: "Ao orbitar a Terra na espaçonave, vi como é lindo nosso planeta. Povo, vamos preservar e aumentar sua beleza, não destruí-la."

A URSS também envia a primeira mulher ao espaço, Valentina Tereshkova, em 16 de junho de 1963. O soviético Alexei Leonov é o primeiro humano a sair da nave e passear pelo espaço, em 18 de março de 1965. Mas os Estados Unidos correm atrás e passam à frente, mandando os primeiros homens a pisar na Lua, em 20 de junho de 1969.

ÔNIBUS ESPACIAIS

    Em 1981, a NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço) lança a nave Columbia na primeira missão do programa de ônibus espaciais dos Estados Unidos, com o objetivo transportar astronautas e carga em voos de ida e volta a estações espaciais.

Durante 30 anos, Atlantis, Challenger, Columbia, Discovery e Endeavour voam mais de 800 milhões de quilômetros em 135 viagens e transportam mais de 350 astronautas a um custo total de US$ 209 bilhões.

O presidente Richard Nixon lança o programa em janeiro de 1972, dois anos e meio depois que a Apolo 11 leva os primeiros homens à Lua. O primeiro voo é da nave Columbia, em 12 de abril de 1981, 20 anos depois do primeiro voo espacial tripulando, que mandou ao espaço o soviético Yuri Gagarin. Dura 54 horas e dá 37 voltas na Terra.

O segundo ônibus espacial, o Challenger, entra em atividade em 1983. Na sua décima missão, em 28 de janeiro de 1986, explode no ar pouco depois do lançamento matando as sete pessoas a bordo, inclusive a professora Christa McAullife, que vencera um concurso para ser a primeira civil a participar de uma missão espacial. O programa é suspenso por dois anos.

Outro grande acidente acontece em 1º de fevereiro de 2003, quando a nave Columbia explode na reentrada na atmosfera, matando os sete astronautas a bordo. 

A desintegração da Columbia acontece 22 anos depois da explosão da Challenger, pouco depois do lançamento, em 28 de janeiro de 1986. 

A investigação conclui que um minuto e 21 segundos depois do lançamento um pedaço de espuma isolante se solta do tanque de propulsão externo e atinge a borda da asa esquerda. Pedaços de espuma se soltaram em missões passadas sem problema grave.

Os engenheiros da NASA não pensam que a espuma tenha força suficiente para causar dano significativo. A espuma faz um grande buraco nas telhas de isolamento de carbono-carbono reforçado que protegem o nariz do ônibus espacial e as bordas da asa do calor extremo da reentrada atmosférica.

Embora alguns engenheiros quisessem câmeras terrestres para tirar fotos do ônibus orbital para procurar por danos, o pedido não chegou aos funcionários certos.

Durante a reentrada da Columbia na atmosfera, o momento mais crítico dos voos espaciais, gases quentes penetram na seção de azulejos danificados e derretem os principais elementos estruturais da asa, que eventualmente entram colapso.

Os dados do veículo mostram temperaturas crescentes dentro de seções da asa esquerda às 8:52. A tripulação só se dá conta um minuto antes da desintegração da nave.

O programa é suspenso por mais dois anos e meio.

O último voo da Atlantis decola em 8 de julho de 2011. Com quatro homens a bordo, leva toneladas de equipamentos e suprimentos à Estação Espacial Internacional. Conclui a missão depois de viajar 8 milhões de quilômetros e dar 200 voltas na Terra.

sábado, 11 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 11 de Abril

NAPOLEÃO VAI PARA O EXÍLIO EM ELBA

    Em 1814, o imperador Napoleão Bonaparte, um dos maiores generais de todos os tempos, abdica ao trono da França e vai para o exílio na Ilha de Elba, no Mar Mediterrâneo.

Napoleão nasce em Ajácio, na Córsega, em 15 de agosto de 1769, dois anos depois que a ilha passa ao domínio da França. Depois de fazer a escola militar, ele ascende nas Forças Armadas com a Revolução Francesa de 1789, que expurga os oficiais de origem aristocrática. Os generais precisavam ter quatro gerações de nobreza. Em 1795, Napoleão é promovido a general e leva o Exército da França a uma série de vitórias militares na Europa.

Ele toma um poder num golpe militar em 12 de dezembro de 1799. Torna-se primeiro cônsul da França, acaba com a revolução e vira ditador.

Em 1804, Napoleão obriga o papa a coroá-lo imperador. Com mais vitórias militares, conquista uma grande parte da Europa e promove reformas de longo impacto, impondo reformas judiciárias, constituições e o direito de voto para todos os homens, acabando com os resquícios de feudalismo.

No Código Napoleônico, até hoje a base do Direito Civil na França e nos países latinos, inclusive no Brasil, consolida as liberdades conquistadas pela Revolução Francesa como a tolerância religiosa.

Em 1812, comete seu maior erro estratégico. Invade a Rússia com o Grande Exército, de mais de 600 mil homens. A França vence a Batalha de Borodino, em 7 de setembro, mas é uma vitória de Pirro. As baixas francesas ficam perto das russas. Uma semana depois, Napoleão entra em Moscou.

Os russos abandonam e incendeiam Moscou, deixando os franceses sem comida e abrigo. A retirada, durante o outono no Hemisfério Norte, é catastrófica. Toda a Europa se une contra Napoleão. Ele se oferece para abdicar em favor de seu filho, mas a proposta é rejeitada.

Com 700 homens, Napoleão foge do exílio em 26 de fevereiro de 1815, volta a Paris, retoma o poder e reina por 110 dias, até a derrota final na Batalha de Waterloo, na Bélgica, em 18 de junho do mesmo ano. Em 22 de junho, abdica em favor de seu filho, sai de Paris e tenta fugir para os Estados Unidos, mas é capturado pela Marinha Real britânica.

No exílio na Ilha de Santa Helena, no Oceano Atlântico, Napoleão escreve um livro sobre Júlio César, um de seus grandes heróis, e aprende inglês para ler jornais, já que jornais franceses não chegam à ilha. Ele morre em 5 de maio de 1821.

JOSÉ MARTÍ INVADE CUBA

    Em 1895, o poeta e ensaísta cubano José Martí, herói da independência de Cuba, entra em ilha como líder de uma força invasora que luta contra o colonialismo da Espanha.

José Julián Martí y Pérez nasce em Havana em 28 de janeiro de 1853. Cresce na capital cubana. Aos 15 anos, publica vários poemas. Aos 16 anos, funda o jornal La Patria Libre. Durante uma revolta nacionalista em 1868, fica do lado dos patriotas. É preso e condenado a seis meses de trabalhos forçados. Em 1871, é deportado para a Espanha.

Lá, continua seus estudos e se forma em direito na Universidade de Saragoça em 1874. Nos próximos anos, vive na França, no México e na Guatemala, onde escreve e trabalha como professor. Volta a Cuba em 1878.

Por causa das atividades políticas, é exilado mais uma vez na Espanha em 1879. Vai para a França, Nova York e a Venezuela, onde funda a Revista Venezolana em 1881. A publicação provoca a ira do ditador venezuelano Antonio Guzmán Blanco. No mesmo ano, volta para Nova York, onde continua escrevendo artigos, ensaios e poemas.

Sua coluna no jornal argentino La Nación o torna famoso em toda a América Latina. O livro Versos Libres mostra uma poética singular tendo como tema a liberdade. Nos ensaios Nuestra América (1881), Emerson (1882), Whitman (1887) e Bolívar (1893), expressa suas visões sobre a América Latina e os Estados Unidos.

Em 1892, Martí rejeita o título de presidente e é eleito delegado do Partido Revolucionário Cubano. Em Nova York, planeja a invasão de Cuba. Vai para São Domingos, capital da República Dominica, em 31 de janeiro de 1895. Junto com o líder revolucionário Máximo Gómez e outros patriotas, invade Cuba em 11 de abril. 

José Martí morre numa batalha em Dois Rios, na província do Oriente, em 19 de maio, aos 42 anos. Cuba conquista a independência depois da Guerra Hispano-Americana (1898), em que os EUA derrotam a Espanha. É o fim do imperalismo espanhol, que começa com a Descoberta da América em 1492, e um marco do início do imperialismo norte-americano, Os EUA tomam as Filipinas e Porto Rico.

Depois da morte de Martí, são publicadas coletâneas de seus textos políticos: Dentro do Monstro: escritos sobre os EUA e o imperialismo norte-americano (1975), Nossa América: escritos sobre a América Latina e a luta pela independência de Cuba (1978) e Sobre a Educação (1979).

TRUMAN DEMITE GENERAL MacARTHUR

    Em 1951, o presidente Harry Truman afasta o general Douglas MacArthur do comando das forças dos Estados Unidos e das Nações Unidas na Guerra da Coreia (1950-53) por insubordinação e por não querer travar uma guerra limitada. MacArthur queria usar armas nucleares.

MacArthur nasce em Little Rock, no Arkansas, em 26 de janeiro de 1880. Ele se forma na Academia Militar de West Point com distinção e louvor em 1903. Passa vários meses numa força dos EUA que ocupa Veracruz, no México, em 1914, durante a Revolução Mexicana. Comanda brigada e uma divisão em operações de combate na França da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Em 1930, MacArthur é nomeado comandante do Exército. Passa a Grande Depressão tentando evitar o sucateamento das Forças Armadas. Vai para a reserva em dezembro de 1937.

Um pouco antes da entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial, em julho de 1941, MacArthur é convocado. No dia do bombardeio a Pearl Harbor, 7 de dezembro de 1941, o Japão também ataca as Filipinas, na época uma colônia norte-americana. Vai para a Austrália em março de 1942 como comandante das forças aliadas no Sudoeste do Oceano Pacífico.

Os EUA atacam primeiro a Nova Guiné e Papua, também ocupadas pelo Império do Japão. Suas forças invadem as Filipinas no outono de 1944. Com a vitória, MacArthur é governador militar durante a ocupação do Japão pelos EUA (1945-51). 

Quando começa a Guerra da Coreia, ele é nomeado comandante das forças da ONU. Como a União Soviética está boicotando a ONU em protesto contra a não admissão da República Popular da China (Taiwan ocupou a cadeira da China até 1971), não houve veto no Conselho de Segurança. Até hoje, os EUA tem um mandato da ONU para unificar à força a Península da Coreia. Por isso, a Coreia do Norte diz que os EUA são o verdadeiro inimigo e a Coreia do Sul apenas um país-fantoche.

Depois da invasão norte-coreana que dá início à guerra em 25 de junho de 1950, os EUA contra-atacam. As forças de MacArthur invadem o Norte. Aí o 4º Exército da China, sob o comando de Lin Piao, cruza o Rei Yalu, entra na guerra e empurra as forças lideradas pelos EUA para o sul do Paralelo 38º Norte, o marco da divisa entre as duas Coreias.

Há uma guerra entre os EUA e a China dentro da Guerra da Coreia, e a China vence no sentido de que obtém seu objetivo político, evitar que os EUA e aliados tenham forças junto a sua fronteira.

A guerra entra num impasse. MacArthur é afastado. Muito popular, em 1944, 1948 e 1952, conservadores do Partido Republicano tentam lançar a candidatura de MacArthur à Casa Branca. Ele Vira presidente do conselho da Remington Rand Corporation em 1952 e passa o resto da vida no setor privado. Morre aos 84 em Washington em 5 de abril de 1964.

JULGAMENTO DE EICHMANN

    Em 1961, começa em Jerusalém o julgamento do carrasco nazista Adolf Eichmann, que dura oito meses e termina com a única sentença de morte imposta até hoje pela Justiça de Israel.

Eichmann nasce em Solingen, na Alemanha, em 19 de março de 1906. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), a família se muda para Linz, na Áustria. Ele trabalha como caixeiro viajante para uma companhia de petróleo e perde o emprego durante a Grande Depressão (1929-39).

Em abril de 1932, Eichmann entra para o Partido Nazista. Em novembro, se torna membro da SS, a força paramilitar do partido. De janeiro a outubro de 1934, ele serve na unidade da SS no campo de concentração de Dachau. Depois, vai para o escritório central do serviço secreto da SS, em Berlim, onde trabalha na seção encarregada da questão judaica.

Ele sobe na hierarquia da SS. Quando a Alemanha Nazista anexa a Áustria, em março de 1938, é enviado para livrar Viena de judeus. Um ano depois, com a anexação da Tcheco-Eslováquia, vai a Praga com a mesma missão.

Quando Heinrich Himmler cria o Escritório Central de Segurança do Reich, em 1939, Eichmann é transferido para sua seção de questões judaicas. Na Conferência do Lago Wannsee, em Berlim, em 20 de janeiro de 1942, os líderes nazistas aprovam a "solução final" para os judeus da Alemanha e dos países conquistados, o genocídio cometido no Holocausto. Eichmann é o principal executor.

Cabe a ele identificar, reunir e transportar todos os judeus da Europa ocupada para centros de extermínio como o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Seis milhões, 60% dos judeus da Europa, morrem no Holocausto.

No fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), os Estados Unidos prendem Eichmann, mas em 1946 ele consegue escapar. Depois de alguns anos vivendo na Alemanha com identidade falsa, ele foge para a Argentina em 1958 através da Áustria e da Itália.

Em 11 de maio de 1960, o serviço secreto de Israel sequestra Eichmann perto de Buenos Aires e nove dias depois o leva para Israel. O julgamento por juízes judeus num Estado judeu que não existia na época do Holocausto suscita dúvidas sobre legalidade e legitimidade. Há propostas para que Eichmann seja processado por um tribunal internacional, mas Israel faz questão de realizar o julgamento, inclusive como educação sobre o Holocausto.

No tribunal, ele alega que não é antissemita, mas apenas um burocrata obediente que cumpria rigorosamente as ordens. Em 15 de dezembro de 1961, o julgamento termina com a condenação de Eichmann, que é enforcado em 31 de maio de 1962.

Agora, por iniciativa do governo de extrema direita, a Knesset, o Parlamento de Israel, acaba de aprovar uma lei discriminatória que cria a pena de morte por terrorismo, mas só para palestinos. Israelenses condenados pelos mesmos delitos, como os colonos da Cisjordânia, não estão sujeitos à pena capital.

FUGA DE IDI AMIN

    Em 1979, quando as forças da Tanzânia se aproximam de Kampala, Idi Amin Dada, o protótipo do ditador africano cruel e brutal, que se torna conhecido como o Carniceiro de Uganda, foge.

Idi Amin nasce em 1924 ou 1925 e tem pouca educação formal. Em 1946, ele entra para o exército colonial britânico como auxiliar de cozinheiro. Ele alega ter lutado na Birmânia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), mas só entra para o exército depois do fim da guerra. Luta contra a Revolta dos Mau Mau (1952-56) no Quênia, um episódio trágico da descolonização da África.

Quando Uganda se torna independente, em 1962, Idi Amin se aproxima do primeiro-ministro e presidente Milton Obote. Ele se torna comandante do Exército e da Força Aérea, dá um golpe em 25 de janeiro de 1971 e impõe uma tirania.

Em 1972, expulsa os asiáticos de Uganda, na maioria indianos, o que tem forte impacto negativo na economia. Muçulmano, hostiliza Israel, se aproxima da Líbia e dos palestinos. Envolve-se diretamente no sequestro de um avião francês desviado para Entebe, em 1976, quando comandos israelenses invadem o país para resgatar os reféns.

Cerca de 300 mil pessoas morrem sob a ditadura de Idi Amin, comparado pelo senador Paulo Brossard ao ditador brasileiro Ernesto Geisel (1974-79) no discurso Carranca não é autoridade.

Em outubro de 1978, Idi Amin ordena um ataque à vizinha Tanzânia. Com o apoio da oposição em Uganda, o Exército da Tanzânia vence a guerra. Quando as forças tanzanianas se aproximam de Kampala, a capital de Uganda, em 11 de abril de 1979, Idi Amin foge para a Líbia e depois para a Arábia Saudita, onde morre em 16 de agosto de 2003.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 10 de Abril

PIONEIRO DO DIREITO INTERNACIONAL

    Em 1583, nasce em Delft, nos Países Baixos, o jurista Hugo Grotius, um dos pioneiros do direito internacional, autor de O Direito da Guerra e da Paz, publicado em 1625.

O pai de Grotius foi burgomestre de Delft e curador da recém-fundada Universidade de Leiden. Menino-prodígio, com 8 anos, Hugo escreve elegias em Latin. Aos 11 anos, começa a estudar artes na Universidade de Leiden.

A pedido da Holanda, Grotius escreve uma história da Revolta das Províncias Unidas (Bélgica e Holanda) contra a Espanha, que tem um império europeu da qual fazem parte. O livro tem o estilo do historiador romano Tácito. Chama-se Anais e Histórias da Revolta dos Países Baixos.

No início do século 17, a União Ibérica de Portugal e Espanha reivindica o monopólio dos comércio com as Índias Orientais. Quando o navio português Santa Catarina captura um general holandês, em 1604, a Companhia Holandesa das Índias Orientais pede a Grotius a defesa do direito natural de comerciar. Em 1609, ele escreve A Liberdade dos Mares.

Sua maior obra é escrita sob o impacto da Guerra dos Trinta Anos (1618-48). Ele diz: "Estou totalmente convencido...de que existe um direito comum entre as nações, que é válido para a guerra e na guerra, tenho muitas e fortes razões para escrever sobre este assunto. Através do mundo cristão, observo uma falta de limites em relação à guerra da qual mesmo as nações bárbaras teriam vergonha."

O objetivo de Grotius é reduzir a carnificina das guerras ao criar uma teoria geral do direito para restringir e regulamentar as guerras. Com base no direito romano e na filosofia estoica, Grotius coloca a lei natural no centro de sua jurisprudência.

Grotius considera que a razão e a natureza humana são os fundamentos do direito natural e existiriam mesmo que Deus não exista. Acredita que o homem tem um desejo natural de viver em sociedade de forma pacífica e organizada. Ele defende um direito das nações para regular as relações das diferentes comunidades humanas soberanas.

O pai do direito internacional aproveitou o conceito de guerra justa, uma ideia originalmente de Santo Agostinho, em que a guerra só pode ser justificada como legítima defesa ou resposta a uma injustiça. Hoje se usa mais o conceito de guerra legítima ou ilegítima.

ZAPATA MORRE EM EMBOSCADA

     Em 1919, o Exército do México mata numa emboscada no estado de Morelos o líder indígena e camponês da Revolução Mexicana de 1910, Emiliano Zapata, o Caudilho do Sul, um herói popular imortalizado no cinema, onde foi encarnado por Marlon Brando.

Zapata nasce em uma família camponesa em 8 de agosto de 1879. Em 2008, é recrutado pelo Exército depois de tentar recuperar terras tomadas por grandes fazendeiros. Com a revolução e a queda do ditador Porfirio Díaz, cria um exército camponês com o slogan Terra e Liberdade.

Por reivindicar a reforma agrária, Zapata e sua guerrilha camponesa são contra os governos de Francisco Madero, Victoriano Huerta e Venustiano Carranza. Nunca chegam ao poder central, mas fazem a reforma agrária nas terras sob seu controle e ajudam agricultores pobres.

Sua luta pela terra vai muito além de sua morte. Em 1994, o Exército Zapatista de Libertação Nacional inicia uma rebelião no estado de Chiapas contra a participação do México no Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).

FIM DO SONHO

    Em 1970, pouco antes de lançar seu primeiro álbum solo, em nota à imprensa, o cantor, compositor e baixista Paul McCartney anuncia a separação dos Beatles para choque dos fãs no mundo inteiro.

Paul admite que é o início de uma carreira solo e explica a separação: "Diferenças pessoais, diferenças nas negócios, diferenças musicais, mas mais do que tudo porque tenho mais tempo para minha família. Temporária ou permanente? Realmente não sei."

Antes do fim do ano, Paul vai à Justiça para separar os Beatles legalmente. Todos eram brilhantes, mas as carreiras solo nunca superaram a banda.

DIPLOMACIA DO PINGUE-PONGUE

    Em 1971, uma equipe de tênis de mesa dos Estados Unidos inicia uma turnê de uma semana na China a convite do regime comunista, interessado em melhorar as relações com Washington, no que fica conhecido como diplomacia do pingue-pongue, que abre caminho para as visitas do assessor de Segurança Nacional, Henry Kissinger, e do presidente Richard Nixon a Beijim.

Os EUA não estabelecem relações com a República Popular da China depois da vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung, em 1º de outubro de 1949.

Durante a Guerra da Coreia (1950-53), há uma guerra entre EUA e China. Quando as forças internacionais sob a liderança dos EUA contra-atacam depois que a Coreia do Norte invade o Sul e cruzam o paralelo 38º Norte, o 4º Exército da China, sob o comando de Lin Piao, atravessa o Rio Yalu e empurra os EUA de volta para o Sul.

Na Guerra do Vietnã, China e EUA apoiam lados contrários. A reaproximação é resultado do rompimento entre a China e a União Soviética, a partir de 1964, que leva a escaramuças de fronteiras e quase à guerra em 1969. Os EUA veem uma oportunidade de obter o apoio da China na Guerra Fria contra a URSS. A China quer garantias de segurança e aumento do comércio.

ACORDO DE PAZ DA SEXTA-FEIRA SANTA

    Em 1998, os governos do Reino Unido e da Irlanda e três partidos da Irlanda do Norte, o Partido Unionista do Úlster (UUP), o Partido Social-Democrata e Trabalhista (SDLP) e o Sinn Féin (SF), ligado ao Exército Repúblico Irlandês (IRA), assinam o Acordo da Sexta-Feira Santa ou Acordo de Belfast. É o fim de uma guerra civil de 30 anos em que morrem mais de 3,5 mil pessoas.

A Inglaterra começa a intervir e dominar a Irlanda no século 12. O conflito se agrava com a Reforma Protestante na Inglaterra, em 1534, quando o rei Henrique VIII rompe com a Igreja Católica para se divorciar e casar de novo. A Irlanda é um dos países mais católicos do mundo.

Henrique VIII casa seis vezes na esperança de ter um filho homem que herde o trono para acabar com as lutas sucessórias entre os príncipes, como a Guerra das Duas Rosas (1455-87). Mas o filho homem é fraco e morre aos 15 anos. As duas irmãs, a católica Maria I, do primeiro casamento, e Elizabeth I, protestante, do segundo casamento, disputam o trono.

No século 16, há uma longa Guerra Civil Inglesa. O rei católico Carlos I entra em conflito com o Parlamento, de maioria protestante. É decapitado em 30 de janeiro de 1649. 

Durante o breve período republicano na história britânica (1649-60), o ditador Oliver Cromwell promove uma migração forçada de presbiterianos escoceses e cria um enclave protestante no Norte da Irlanda. A Irlanda continua católica.

Quando a Irlanda se torna independente, em 1922, seis dos nove condados da província do Úlster de maioria protestante formam a Irlanda do Norte, que continua fazendo parte do Reino Unido. Como são maioria, os protestantes dominam as instituições da Irlanda do Norte.

Os católicos sentem-se discriminados, inclusive economicamente. Nos anos 1960, surge um movimento católico, nacionalista e republicano por direitos iguais, reprimido com violência. Em agosto de 1969, o Exército Real britânico intervém militarmente na Irlanda do Norte. Em dezembro do mesmo ano, o IRA Provisório entra na luta e ataca não somente na Irlanda do Norte, mas também na Inglaterra.

No início dos anos 1980, durante o governo da primeira-ministra linha-dura Margaret Thatcher (1979-90), os presos do IRA fazem uma greve de fome na prisão de Maze, na Irlanda do Norte, para exigir tratamento de prisioneiros políticos. Thatcher não cede. Pelo menos dez guerrilheiros do IRA morrem na greve de fome.

A resposta mais contundente vem num atentado terrorista contra a Convenção Anual do Partido Conservador realizada em Brighton, na Inglaterra, em 12 de outubro de 1984. O objetivo é matar Thatcher, mas ela escapa.

Naquela época, o deputado John Hume, do SDLP, o braço do Partido Trabalhista britânico na Irlanda do Norte, começa a manter contato com o presidente do SF, Gerry Adams, para explorar a possibilidade de negociações de paz. Em 1985, o Acordo Anglo-Irlandês autoriza a Irlanda do Norte a ter um papel consultivo nas questões norte-irlandesas.

Na Declaração da Downing Street, de 15 de dezembro de 1993, os governos do Reino Unido e da Irlanda afirmam que o povo irlandês tem direito à autodeterminação, mas a Irlanda do Norte só será integrada à República da Irlanda se a maioria da população assim o decidir. Os dois governos se propõem a organizar negociações de paz em que os partidos ligados a grupos paramilitares podem participar desde que abandonem a violência.

O IRA anuncia um cessar-fogo em 31 de agosto de 1994, seguido pelo Comando Militar Conjunto dos Legalistas em 13 de outubro. A exigência dos protestantes de um desarmamento do IRA como precondição para negociar causa uma estagnação no processo de paz. 

Com um atentado terrorista na Ilha dos Cães, em Londres, em 9 de fevereiro de 1996, o IRA rompe a trégua e acusa o governo britânico de John Major e os protestantes do Úlster de "agir de má fé". Duas pessoas morrem e mais de 100 saem feridas. O prejuízo é estimado em 150 milhões de libras. Major se preparava para receber a liderança do SF.

O IRA restaura o cessar-fogo em 20 de julho de 1997. As negociações multipartidárias são retomadas em setembro.

Pelo Acordo da Sexta-Feira Santa, a Irlanda abre mão da reivindicação constitucional de soberania sobre a Irlanda do Norte e o Reino Unido da reivindicação de soberania sobre toda a Irlanda. Os dois governos e os partidos envolvidos reconhecem que a maioria dos norte-irlandeses quer ficar no Reino Unido, enquanto uma parte substancial dos norte-irlandeses e a população irlandesa querem a unificação da Irlanda. 

A Irlanda do Norte passa a ter uma Assembleia Nacional com 108 deputados e um governo autônomo com a participação das comunidades católica e protestante, com direito de veto de uma minoria 40% para impedir o domínio de uma pela outra. É criado um conselho interministerial das duas Irlandas e um Conselho das Ilhas Britânicas, que nunca foi instalado por causa da resistência dos republicanos, católicos e nacionalistas irlandeses.

Em maio de 1998, em dois plebiscitos independentes, os eleitores da República da Irlanda e da Irlanda do Norte ratificam o acordo de paz.

O conflito não termina aí. Em 14 de agosto de 1998, um ataque em Omagh mata 29 pessoas, o maior número de mortes num incidente isolado da história dos Problemas, como a guerra civil é chamada. Um grupo católico dissidente, o IRA Real (Verdadeiro), assume a responsabilidade pelo atentado. Mas a guerra acaba.

Em 7 de agosto de 2001, o IRA concorda com um método para entregar as armas. A Comissão de Desarmamento entrega seu relatório final em 26 de setembro de 2005, anunciando que o processo está encerrado.

A saída do Reino Unido da União Europeia cria um problema ao exigir a instalação de uma fronteira entre as duas Irlandas. A solução foi criar um controle aduaneiro no Mar da Irlanda. Os produtos que vão para a Irlanda do Norte não são taxados. Os que entram na UE pagam imposto de importação.

Revoltados os unionistas boicotam o governo de união nacional durante dois anos. Em 30 de janeiro do ano passado, o DUP, sob a liderança de Jeffrey Donaldson, volta à Assembleia de Stormont com a condição de que o Reino Unido aprove leis que garantam os laços com a Irlanda do Norte.

Isto permite que pela primeira vez o SF lidere o governo da Irlanda do Norte com a primeira-ministra Michelle O'Neill.