domingo, 30 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 30 de Agosto

WASHINGTON REJEITA RECONCILIAÇÃO

    Em 1776, o comandante do Exército Continental, George Washington, recusa uma segunda proposta de reconciliação com o Império Britânico enviada através de carta do general William Howe.

Howe desembarca em Long Island com uma força superior à dos rebeldes americanos e conquista uma grande vitória na Batalha de Brooklyn Heights, em 27 de agosto. Entre outras razões, Washington rejeita a proposta porque a carta não o chama de general. 

As negociações são retomadas em 11 de setembro por Benjamin Franklin e John Adams. São rompidas quando os britânicos se negam a aceitar a independência dos EUA. Os rebeldes tomam Nova York em 15 de setembro e mantêm o controle sobre a cidade até o fim da Guerra da Independência (1775-83).

PRIMEIRA REVOLTA DE ESCRAVOS

    Em 1800, um escravo chamado Gabriel mobiliza mil homens nos arredores de Richmond, na Virgínia, na primeira grande rebelião de escravizados nos Estados Unidos.

Seis dias antes, o escravo Ben Woolfolk se encontra com outros escravizados na Ponte Littlepage para recrutar aliados para a revolta. O líder é Gabriel, um escravo de Henry Thomas Prosser. O plano é marchar até Richmond, capturar o governador James Monroe e outros líderes brancos e forçá-los a aceitar a igualdade política, econômica e social.

Fortes chuvas adiam o início da rebelião. Dois escravizados, Tom e Pharoak, denunciam a conspiração a Mosby Sheppard, que avisa o governador. Monroe convoca uma milícia que prende muitos rebeldes. Vários julgamentos levam à execução de Gabriel e pelo menos outros 25 escravos.

LENIN BALEADO

    Em 1918, durante um comício numa fábrica em Moscou, Fanya Kaplan, do Partido Social Revolucionário, atira três vezes no líder comunista Vladimir Illitch Ulianov (Lenin), que é ferido gravemente por duas balas, mas sobrevive.

Lenin nasce em Ulianovsk em 22 de abril de 1870. Filho de uma família da classe média, vira revolucionário após a execução do irmão mais velho, Alexander Ulianov, em 8 de maio de 1887, sob a acusação de participar de uma conspiração do grupo Vontade Popular para assassinar o czar Alexandre III.

Expulso da Universidade Imperial de Kazan por participar de protestos contra o regime czarista, em 1893, Lenin entra para o Partido Operário Social-Democrata Russo. Preso por sedição em 1897, é condenado a três anos de exílio interno em Shushenskoye, onde se casa na igreja com Nádia Krupskaya em 10 de julho de 1898.

Depois do exílio, vai em julho de 1900 para a Suíça, onde se torna um teórico marxista. Adota o pseudônimo de Lenin em dezembro de 1901. No ano seguinte, lança o panfleto Que Fazer?, em que defende a necessidade de criar um partido de vanguarda para fazer a revolução proletária. Em abril de 1902, foge para Londres, onde conhece Leon Trotsky, o outro grande líder da Revolução Comunista.

Em 1903, com uma divisão no partido, passa a liderar a facção bolchevique (maioria), a ala mais radical do partido, em oposição aos mencheviques, mais moderados, liderados por Julius Martov, embora na verdade os bolcheviques sejam minoria. 

Martov defende o direito dos militantes de se expressar contra a direção do partido, enquanto Lenin é a favor de uma liderança forte, com controle total sobre a base. É o princípio do centralismo democrático, que ajuda no futuro a ascensão de Josef Stalin. Uma vez tomada uma decisão, a discussão acaba e todos os membros do partido são obrigados a segui-la.

Com a derrota da Rússia para o Japão na Guerra do Pacífico (1904-5), 1,5 milhão de manifestantes marcham pacificamente até o palácio imperial em São Petersburgo para exigir reformas como o voto direto. São rechaçados a bala. Pelo menos 930 pessoas são mortas, 4 mil de acordo com os rebeldes.

O Domingo Sangrento, 22 de janeiro de 1905, deflagra a Revolução de 1905, a primeira grande revolta popular contra o czar Nicolau II, o Sanguinário. Mais de 2 milhões de operários entram em guerra. Durante a revolução, são organizados conselhos operários, os sovietes. Trotsky volta do exílio e lidera o Soviete de São Petersburgo. Lenin também regressa.

Nicolau II cede. No Manifesto de Outubro, autoriza o funcionamento de partidos políticos e cria um parlamento, a Duma. Com o fim da guerra contra o Japão, as tropas voltam e reprimem violentamente o movimento. Muitos rebeldes são presos ou exilados. Os sovietes são declarados ilegais. A maior parte das reformas é abandonada, mas a Duma sobrevive.

Lenin vai para o Grão-Ducado da Finlândia, parte do império czarista. Quando o czar dissolve a Segunda Duma e manda a Okrana, a polícia política, prender os revolucionários, foge para a Suíça. Os bolcheviques mudam a sede da facção para Paris. Lenin se muda para lá em dezembro de 1908, mas não gosta da capital francesa, que descreve como "um buraco sujo".

Quando estoura a Primeira Guerra Mundial (1914-18), em 28 de julho de 1914, Lenin está em Cracóvia, na Galícia, uma região polonesa do Império Austro-Húngaro, inimigo da Rússia. É preso e solto por ser anticzarista. Vai então para a Suíça, onde faz campanha em 1916 para que os socialistas repudiem a "guerra imperialista" e a transformem numa "guerra civil" continental dos trabalhadores contra a aristocracia e a a burguesia.

Em 1917, lança sua grande obra sobre relações internacionais, Imperialismo: última etapa do capitalismo, em que defende a tese do elo mais fraco. O sistema capitalista não se romperia nos países mais industrializados como a França, como previa Karl Marx, mas na parte mais fraca. Assim, justifica a revolução na Rússia, um país de industrialização tardia.

Com a queda do czarismo na Revolução de Fevereiro (março pelo calendário atual), Lenin recebe autorização da Alemanha para cruzar seu território e voltar à Rússia. Isto o leva a ser acusado de ser agente alemão porque os comunistas assinam a Paz de Brest-Litovsk, em 3 de março de 1918, depois da Revolução Bolchevique, a Revolução de Outubro.

Ao chegar à Estação Finlândia de Petrogrado, rebatizada porque São Petersburgo é um nome de origem alemã, Lenin repudia o governo provisório e defende uma revolução proletária continental. Em seguida, lança as Teses de Abril, com três palavras-chaves: paz, terra e pão. Paz para acabar com "a guerra burguesa do capitalismo", reforma agrária e alimentos para todos.

Os preparativos finais da Revolução Comunista são realizados no Instituto Smolny, sede do Comitê Militar Revolucionário, onde estudei. Na madrugada de 25 de outubro de 1917 (7 de novembro pelo calendário atual), os bolcheviques invadem o Palácio de Inverno, derrubam o governo provisório de Alexander Kerensky e tomam o poder. 

No dia seguinte à tomada do poder, Lenin se torna presidente do Conselho dos Comissários do Povo da República Socialista Federativa Soviética da Rússia. Em janeiro de 1918, Lenin dissolve a Assembleia Constituinte, onde os bolcheviques não têm maioria. 

Em março, Lenin expulsa os mencheviques e muda o nome do partido para Partido Comunista. No ano seguinte, funda a Terceira Internacional, a Internacional Comunista (Comintern), para promover uma revolução mundial.

Com a proibição dos outros partidos políticos e a dissolução da Constituinte, Fanya Kaplan considera Lenin um traidor da revolução. Na saída de um comício do líder comunista na fábrica de armas Foice e Martelo, ela dispara três tiros e acerta dois. Presa, é executada em 3 de setembro de 1918 pela Cheka (Comissão Extraordinária de Todas as Rússias), a polícia política do novo regime.

A tentativa de assassinato deflagra uma onda de retaliações dos bolcheviques contra os sociais-revolucionários e outros partidos, aprofundando a guerra civil que acontece depois das revoluções de 1917.

Com a fundação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, em 30 de dezembro de 1922, Lenin se torna presidente do Comissariado do Povo da URSS, cargo que ocupa até a morte, em 21 de janeiro de 1924.

PRIMEIRO JUIZ NEGRO NA SUPREMA CORTE

    Em 1967, Thurgood Marshall é confirmado como o primeiro juiz negro do supremo tribunal dos Estados Unidos.


Marshall nasce em 2 de julho de 1908 em Baltimore, no estado de Maryland. Sob influência do pai, estuda direito na Universidade Lincoln e na Faculdade de Direito da Universidade Howard, em Washington, a primeira a admitir negros.

Como advogado, se especializa em defender causas envolvendo a questão racial. Torna-se conhecido como Sr. Direitos Humanos em tribunais federais e na Suprema Corte durante o movimento pelos direitos civis dos negros. No caso mais famoso, Brown versus Board of Education, a Suprema Corte acaba com a segregação racial nas escolas, em 1955.

Em 1961, o presidente John Kennedy o nomeia juiz do Tribunal Federal de Recursos da Segunda Região, que inclui os estados de Nova York, Connecticut e Vermont. Depois da morte de Kennedy, o presidente Lyndon Johnson o nomeia advogado-geral da União, em 1965.

Thurgood Marshall chega à Suprema Corte com um longo histórico de luta pelos direitos dos negros. Durante 24 anos, até se aposentar por motivos de saúde, amplia o legado de luta pelos direitos civis.

HO CHI MINH RESPONDE A NIXON

    Em 1969, chega a Paris, onde se realizam as negociações de paz sobre a Guerra do Vietnã (1955-75), uma carta do líder comunista Ho Chi Minh ao presidente Richard Nixon acusando os Estados Unidos de travar uma "guerra de agressão" contra o Vietnã do Norte "violando nossos direitos nacionais". 


Ho nasce em Kiem Lan em 19 de maio de 1890 com o nome de Nguyen Sinh Cung. Depois de viver em Londres, começa a se interessar em política quando mora na França, de 1919 a 1923, e é influenciado por ideias socialistas. Torna-se político, escritor, poeta, revolucionário e líder da luta pela independência do Vietnã.

De Paris, vai para Moscou, onde trabalha na Internacional Comunista (Comintern). Em novembro de 1924, se muda para Cantão, na China. Aos 36 anos, se casa no mesmo lugar onde Chu Enlai casara, com uma chinesa de 21 anos, Zeng Xueming, porque "preciso de uma mulher que me ensine a língua e cuide da casa".

Quando o líder nacionalista chinês Chiang Kai-shek dá um golpe e começa a perseguir os comunistas, em 1927, Ho volta a Moscou e vai para a Crimeia, onde se cura de uma tuberculose antes de voltar a Paris. Passa pela Bélgica, Alemanha, Suíça e Itália antes de ir para Bangkok, na Tailândia, como agente do Comintern no Sudeste Asiático, em julho de 1928.

No fim de 1929, vai para a Índia e da lá para Xangai, na China, e Hong Kong, onde funda, em 1930, o Partido Comunista do Vietnã e o Partido Comunista da Indochina. Preso em Hong Kong em junho de 1931, escapa de ser deportado para a Indochina Francesa com um advogado de defesa britânico, Frank Loseby.

Libertado, vai para Xangai e volta à União Soviética, onde estuda e leciona no Instituto Lenin. Sob a acusação de ter "tendências nacionalistas", é afastado da liderança do partido durante o Grande Expurso Stalinista (1936-38).

Em 1938, volta à China como assessor militar do Exército Vermelho Chinês. Vai para o Vietnã em 1941 para liderar o movimento de libertação nacional. Com a ocupação japonesa a partir de setembro de 1940, conduz uma guerra de guerrilhas contra o governo colaboracionista francês de Vichy e o Império do Japão.

Depois da ocupação da França, a potência colonial, pela Alemanha Nazista, em junho de 1940, ele funda na China em 1941 o Viet Minh, a Liga pela Independência do Vietnã, para se contrapor também à invasão japonesa durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

No fim da guerra, em 2 de setembro de 1945, quando o Japão assina a rendição, Ho Chi Minh proclama a independência do Vietnã. A França não aceita. Em 19 de dezembro de 1946, começa a Primeira Guerra da Indochina, que termina em 1º de agosto de 1954 com a vitória vietnamita na Batalha de Bien Dien Phu.

Os Acordos de Paz de Genebra dividem o país em Vietnã do Norte, comunista, e o Vietnã do Sul, anticomunista, em 1954. As eleições de 1955 devem reunificar o país. Quando os Estados Unidos percebem que os comunistas venceriam, em plena Guerra Fria, suspendem as eleições.

Em 1º de novembro de 1955, começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75). O governo Dwight Eisenhower (1953-61) envia os primeiros assessores militares norte-americanos. No fim do governo John Kennedy (1961-63), há mais de 2,8 mil assessores, alguns participando de combates.

A intervenção militar dos EUA começa oficialmente depois do Incidente do Golfo de Tonquim, em 2 de agosto de 1964, forjado pelo governo Lyndon Johnson (1963-69) para obter autorização do Congresso para declarar guerra ao Vietnã do Norte.

No auge da intervenção, os EUA têm mais de 500 mil soldados no Vietnã. O fracasso na luta contra o Vietcongue, os guerrilheiros comunistas em ação no Vietnã do Sul, e a rejeição à guerra pela opinião pública levam o presidente Richard Nixon (1969-74) a acelerar as negociações de paz iniciadas em 1968. 

Na resposta a Nixon, Ho Chi Minh diz que, "na sua carta, você expressa o desejo de agir por uma paz justa. Para isto, os EUA devem parar com a guerra de agressão e retirar suas tropas do Vietnã do Sul, respeitar o direito da população do Sul e da nação vietnamita de decidir por elas mesmo, sem interferência estrangeira." 

Ho alerta que "quanto mais longa for a guerra maiores serão o ônus e os pesares para o povo norte-americano" e defende o plano de paz de 10 pontos da Frente de Libertação Nacional. Exige o "fim da guerra de agressão e a retirada das forças norte-americanas”.

Com o acordo paz, assinado em 27 de janeiro de 1973, os EUA retiram suas tropas de combate da guerra, que termina em 30 de abril de 1975 com uma fuga espetacular dos norte-americanos da embaixada em Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, quando os tanques norte-vietnamitas tomavam a capital do Vietnã do Sul para reunificar o país.

Mais de 58,2 mil norte-americanos e cerca de 2 milhões de vietnamitas morrem na Guerra do Vietnã.

PRIMEIRO ASTRONAUTA NEGRO

    Em 1983, Guion Bluford Jr. se torna o primeiro astronauta de origem africana ao participar de uma missão do ônibus espacial Challenger.

Bluford Jr. nasce na Filadélfia em 22 de novembro de 1942 e se forma em engenharia aeroespacial na Universidade Estadual da Pensilvânia. Ele entra para a Força Aérea e se torna piloto em janeiro de 1966. Faz parte de mais três missões no espaço, todas do ônibus espacial Discovery, em 1985, 1991 e 1992. Ao todo, fica 28 dias no espaço.

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sábado, 29 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 29 de Agosto

FIM DO IMPÉRIO INCA

    Em 1533, o conquistador espanhol do Peru, Francisco Pizarro, executa o 13º e último imperador inca, Ataualpa, marco do fim de 300 anos da maior civilização pré-colombiana da América do Sul. Os incas ergueram um império com 14 milhões de súditos que, no seu auge, ia do Sul da Colômbia ao Norte do Chile.

Eles constroem sua civilização, o Império Inca ou Tahuantinsuyo, seu nome na língua quêchua, no altiplano da Cordilheira dos Andes, inicialmente no Peru. Não têm escrita, mas criam um governo sofisticado, com método estatístico, um sistema agrícola brilhante, grandes obras públicas e construções monumentais. Até hoje, a engenharia não explica como moveram pedras de toneladas.

Cinco anos antes de chegada dos conquistadores, uma disputa pela sucessão causa uma guerra civil ruinosa. Em 1532, Ataualpa vence o irmão Huáscar numa batalha perto de Cusco, a capital do império. Está consolidando o poder quando Pizarro chega com 180 homens.

Filho da aristocracia espanhola, Pizarro trabalha como criador de porcos quando jovem. Em 1502, se torna um soldado e vai para Hispaniola, a ilha hoje dividida entre Haiti e República Dominicana, onde Cristóvão Colombo começa a colonização da América em 1492.

Pizarro serve ao conquistador Alejandro de Ojeda na expedição à Colômbia, em 1510, e a Vasco Núñez Balboa quando este descobre o Oceano Pacífico, no Panamá, em 1513. 

Ao saber da grande riqueza do Império Inca, Pizarro se une a Diego de Almagro. Em 1524, eles saem do atual Panamá, mas só vão até onde hoje é o Equador. Na segunda expedição, entram no que hoje é território peruano, batizam a terra de Peru e a reivindicam para a coroa espanhola.

De volta ao Panamá, Pizarro planeja conquistar o Peru, mas não tem o apoio do governo colonial espanhol na América. Depois da conquista do México por Hernán Cortez, em 1521, Pizarro vai à Espanha em 1528 e consegue apoio do imperador Carlos I da Espanha e Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico, que sonha em criar uma monarquia universal.

Em 15 de dezembro de 1532, o pequeno exército de Pizarro, com 180 soldados, chega a Cajamarca, onde Ataualpa relaxa em águas termais antes de marchar rumo a Cusco, a capital do irmão. O conquistador convida o imperador para uma festa.

Com um exército de 30 mil homens, logo depois de vencer a maior batalha da história inca, Ataualpa não teme os homens de Pizarro. É alvo de uma emboscada.

Ataualpa vai ao local do encontro com um séquito de milhares de homens aparentemente desarmados. Pizarro envia um padre como emissário e intima Ataualpa a aceitar a soberania do imperador Carlos V e o cristianismo. 

Quando o imperador inca rejeita e joga a Bíblia no chão, Pizarro ordena o ataque com arcabuzes, canhões e cavalaria, armas que os incas desconhecem. Milhares de incas são massacrados e Ataualpa é preso.

Mesmo pagando o maior resgate da história, Ataualpa é processado pela morte do irmão, por conspirar contra a coroa espanhola e outros delitos menores. Amarrado a um poste, tem a última escolha: ser queimado vivo ou se converter ao cristianismo e morrer pelo garrote vil. Na esperança de preservar seu corpo para mumificação, escolhe o garrote.

INÍCIO DA GUERRA DOS SETE ANOS

    Em 1756, a tentativa do Império Austríaco dos Habsburgo de reconquistar a Silésia, uma província oriental alemã tomada por Frederico II, da Prússia, na Guerra da Sucessão Austríaca (1740-48), dá início à Guerra dos Sete Anos (1756-63).

É a última grande guerra na Europa antes da Revolução Francesa. A Áustria, a França, a Rússia, a Saxônia e a Suécia enfrentam a Prússia, o Reino Unido, Portugal e Hanôver, que saem vencedores. Na América do Norte, a Guerra Franco-Indígena (1754-63) começa dois anos antes com uma guerra indígena em que algonquinos e hurões se aliam aos franceses e os iroqueses aos britânicos.

Em consequência da derrota, o Império Francês perde suas possessões na Índia e a maior parte das colônias na América do Norte para o Império Britânico. É uma guerra mundial, assim como a Guerra dos Trinta Anos (1618-48), quando a Holanda invade o Nordeste do Brasil.

A Guerra dos Sete Anos é uma das causas da independência dos Estados Unidos (1776) e da Revolução Francesa de 1789. Quando a coroa britânica aumenta impostos para recuperar as finanças abaladas pela guerra, os colonos norte-americanos, que sustentaram o esforço de guerra do Império Britânico com vidas e recursos materiais, se rebelam. Na França, além do custo econômico da guerra, invernos rigorosos reduzem a produção de alimentos e provocam fome. 

CHINA CEDE HONG KONG

    Em 1842, no fim da Primeira Guerra do Ópio (1839-42), no Tratado de Nanquim, o imperador Dauguang, da Dinastia Ching (manchu), cede Hong Kong e paga indenização de US$ 21 milhões ao Império Britânico pelas vidas perdidas, abre cinco portos ao comércio, limita as tarifas de importação e exportação, e dá aos britânicos que cometam crimes em território chinês o direito de serem julgados por tribunais do Reino Unido.

É a primeira derrota e o primeiro tratado desigual do que os chineses chamam de "século da humilhação" diante dos imperialismos ocidental e japonês.

O tratado é assinado pelos cônsules negociadores Henry Pottinger, Chi Ying e Yi Libu a bordo do navio Cornwallis. As negociações começam depois que os britânicos tomam o porto de Zhenjiang em 23 de junho de 1839. São rápidas por causa da pouca experiência dos chineses em política externa e acordos comerciais. As cidades abertas a súditos da rainha Vitória são Cantão, Fuzhou, Ningbo, Xangai e Xiamei.

A China perde a Segunda Guerra do Ópio (1856-60) e a Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95) para o Japão, que invade a Manchúria em 1931 e as principais cidades da China em 1937 na Segunda Guerra Sino-Japonesa. A ocupação vai até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O "século da humilhação" termina com a vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung em 1º de outubro de 1949. Mao vai a Moscou assinar o Tratado de Aliança, Cooperação e Amizade com a União Soviética, em 14 de fevereiro de 1950, mas precisa esperar 50 dias no gelado inverno russo para ser recebido por Josef Stalin, que dita os termos do acordo.

Em 1º de julho de 1997, o Reino Unido devolve Hong Kong à China com a promessa de que o regime chinês manteria a autonomia do território durante 50, mas o ditador Xi Jinping rompe o compromisso ao impor uma Lei de Segurança Nacional draconiana em 30 de junho de 2020. Acaba assim com a fórmula "um país, dois sistemas", criada pelo então líder supremo Deng Xiaoping tendo em vista também a reunificação com Taiwan.

BOMBA NUCLEAR SOVIÉTICA

    Em 1949, a União Soviética explode sua primeira bomba atômica, chamada de Primeiro Raio, num remoto campo de testes em Semipalatinisk, no Casaquistão, acabando com o monópolio dos Estados Unidos em armas nucleares.

Desde 1939, o físico soviético Gueorgui Flyorov suspeita que as potências ocidentais estão desenvolvendo uma superbomba. Ele escreve uma carta ao ditador Josef Stalin propondo que a URSS faça a bomba atômica. O projeto é adiado pela invasão da Alemanha Nazista à URSS, em 22 de junho de 1941. No início, se limita a espionagem do Projeto Manhattan nos EUA.

Com a explosão das bombas de Hiroxima e Nagasáki pelos EUA no Japão em 6 a 9 de agosto de 1945, a URSS acelera o projeto com a captura de cientistas ligados ao projeto da bomba atômica da Alemanha e a espionagem nos EUA.

Para avaliar o impacto da explosão atômica de plutônio, feita com base na bomba de Nagasáki (Homem Gordo), os cientistas soviéticos constroem edifícios, pontes e outras estruturas urbanas. Também colocam mamíferos perto do local da explosão para ver o efeito da radiação. 

A bomba tem a força de 20 quilotons (20 mil toneladas de dinamite), mas ou menos a mesma potência da Trinity (Trindade), a primeira bomba detonada experimentalmente pelos EUA, em Alamogordo, no Novo México, em 16 de julho de 1945.

Começa o equilíbrio do terror nuclear.

FURACÃO KATRINA ARRASA

    Em 2005, o furacão de Katrina, de categoria 5 sobre o Oceano Atlântico e 3 ao chegar em terra, arrasa uma região do Sul dos Estados Unidos, especialmente a cidade de Nova Orleans, que é alagada em 80% de sua área, causando a morte de 1.836 pessoas, principalmente nos estados da Louisiana e do Mississípi, e prejuízos de mais de US$ 125 bilhões.

Outras 135 pessoas estão desaparecidas até hoje. Mesmo sendo apenas o terceiro furacão mais forte da temporada, é o terceiro pior da história dos EUA. Com a enchente, Nova Orleans vira uma terra sem lei. Gangues invadem casas abandonadas para roubar e atacam moradores que ficam na cidade.

Diante da omissão do governo George W. Bush com uma população flagelada majoritariamente negra, o jovem senador Barack Obama se destaca na linha de frente da ajuda às vítimas.

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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 28 de Agosto

ÚLTIMOS DIAS DO IMPÉRIO ROMANO DO OCIDENTE

    Em 476, o chefe bárbaro Flávio Odoacro captura e executa Orestes, pai do último imperador romano do Ocidente, Rômulo Augústulo.

Um ano antes, Orestes promete terras a seus mercenários e proclama o filho imperador. Como não cumpre a promessa, é alvo de uma revolta liderada por Odoacro. 

Em 23 de agosto de 476, Orestes foge para Pávia, onde recebe refúgio do arcebispo de cidade. Quando Odoacro invade e saqueia Pávia, Orestes foge para Piacenza, onde é preso e morto. Seu filho Rômulo Augústulo cai em 4 de setembro. Odoacro se torna rei da Itália.

É o fim do Império Romano do Ocidente e da Antiguidade. O Império Romano do Oriente ou Império Bizantino sobrevive por mais dez séculos, até a tomada de Constantinopla pelos turcos do Império Otomano, em 29 de maio de 1453, marco do fim da Idade Média.

CERCO DE TOULON

    Em 1793, durante as Guerras Revolucionárias da França, começa o Cerco de Toulon, em que o jovem oficial de artilharia Napoleão Bonaparte obtém sua primeira glória ao forçar a retirada de uma frota anglo-espanhola que captura Toulon e suas fortes em apoio à monarquia e ao Antigo Regime.

Na primavera de 1793, uma série de derrotas militares fortalece os extremistas dentro da Revolução Francesa (1789-99). Os girondinos são expulsos da Convenção Nacional e os montanhases tomam o poder com o apoio dos sanculottes (trabalhadores, artesãos e pequenos comerciantes) de Paris.

Os montanheses são tão burgueses quanto os girondinos, mas, para atender às necessidades da defesa, adota políticas econômicas e sociais radicais que provocam reações violentas: a Guerra da Vendeia, os levantes "federalistas" na Normandia e na Provença, os revoltas de Lyon, de Bordeaux e de Chouans, na Bretanha.

Toulon tem uma base naval e um arsenal importantes. Contrarrevolucionários monarquistas se aliam ao vice-almirante britânico Lorde Hood. Concordam em entregar Toulon a Hood se ele se comprometer a preservar a cidade e seus navios.

Em 27 de agosto, uma frota anglo-espanhola sob o comando de Lorde Hood e Juan de Lángara tomam a cidade e seus fortes em nome do rei Luís XVII, filho de Luís XVI, guilhotinado em 21 de janeiro de 1793. O plano é restaurar a Constituição de 1791. A frota britânica captura mais de 70 navios, quase a metade da Marinha da França e a maior parte de sua frota mediterrânea.

Tanto pela importância estratégica da base naval quanto pelo prestígio da Revolução Francesa, Toulon precisa ser retomada.

O cerco de Toulon começa sob o comando do general Jean-François Carteaux sem grande vigor nos primeiros dois meses. Quando o comandante da artilharia francesa é ferido, Napoleão é nomeado por indicação do comissário do Exército, Antoine Saliceti, um deputado montanhês da Córsega amigo da família Bonaparte.

Napoleão é promovido a major em setembro e a general adjunto em outubro. No início de novembro, o general Carteaux é nomeado comandante do Exército francês na Itália. Seu substituto, general Jacques Dugommier logo percebe o talento de Napoleão. Os dois juntos traçam a estratégia para expulsar os invasores de Tulum. 

REI ZULU CAPTURADO

    Em 1879, o Império Britânico captura o rei Cetshwayo kaMpande, último grande líder da Zululândia, no fim da Guerra Britânico-Zulu. Cetshwayo é exilado.

Os britânicos tomam em 1843 a província de Natal dos bôeres, os descendentes dos colonos holandeses que povoam o que hoje é a África do Sul a partir da fundação da Cidade do Cabo por Jan van Riebeeck, em 1652.

Cetshwayo desafia o domínio colonial. Em 1879, os britânicos invadem a Zululândia e sofrem grandes perdas na Batalha de Isandlwana, quando têm 1,3 mil baixas, e na Batalha do Monte Hoblane. São as únicas vitórias militares de um exército armado com lanças e escudos contra um exército moderno com armas de fogo.

Na Batalha de Khambula, em 29 de março, o império vence. Capturado, Cetshwayo vai para o exílio. Volta em 1883 e retoma o controle de parte da Zululândia, mas sua liderança está abalada pela derrota. Cai de novo, volta para o exílio e morre no ano seguinte.

Diante da revolta zulu, em 1887, o Império Britânico anexa a Zululândia, que em 1897 passa a fazer parte da província de Natal, que em 1910 forma a União Sul-Africana junto com a província do Cabo e outras.

"EU TENHO UM SONHO"

    Em 1963, no fim da Marcha sobre Washington, o reverendo Martin Luther King Jr., líder da luta pacífica pelos civis dos negros nos Estados Unidos, faz no Memorial de Lincoln, diante de 250 mil pessoas, seu discurso mais importante, Eu Tenho um Sonho: "Eu tenho um sonho de que um dia meus quatro filhos vão viver num país onde não serão julgados pela cor da sua pele, mas pela nobreza de seu caráter."

Os manifestantes se reúnem na luta por liberdade e oportunidades iguais de trabalho para a minoria de origem africana. Nos degraus do monumento em homenagem a Abraham Lincoln, o presidente que aboliu a escravatura, o Dr. King afirma em linguagem direta: "O negro ainda não é livre."

Além do discurso mais importante de Luther King, a Marcha sobre Washington teve música, com Bob Dylan e Joan Baez.

FIM DE UM SONHO

    Em 1996, quatro anos depois da separação, os príncipes de Gales, Charles e Diana, se divorciam oficialmente, pondo fim ao que no primeiro momento parecia um conto de fadas, com o herdeiro da coroa do Reino Unido casando com uma linda princesa na Catedral de São Paulo, em Londres, em 29 de julho de 1981.

Diana Frances Spencer, filha de John e Frances Spencer, Visconde e Viscondessa de Althorp, nasce em 1º de julho de 1961 na nobreza britânica. Está lavando o chão da cozinha do apartamento que ganha da mãe em Earl's Court, em Londres, quando ouve no rádio que é a favorita para casar com Charles, o Príncipe da Gales, filho mais velho da Rainha Elizabeth II e do Príncipe Philip, hoje Rei Carlos III ou Charles III.

Philip está preocupado porque o herdeiro do trono é solteiro. Na época, só mulheres virgens podem casar com o Príncipe de Gales, o que é dispensado da Princesa Kate Middleton, mulher do Príncipe William, o atual herdeiro do trono. Para casar com Charles, Diana é submetida a um exame de virgindade pelo ginecologista da rainha.

O casamento de contos de fada é transmitido ao vivo pela televisão para o mundo inteiro, mas a jovem princesa não se adapta ao rigor e à frieza da vida da família real britânica, que a obriga, por exemplo, a trocar de roupa pelo menos três vezes por dia. Não pode usar o mesmo traje no café da manhã, no almoço ou no jantar.

A relação fracassa pela incompatibilidade de gênios e os casos extraconjugais dos dois. Os dois travam uma verdadeira guerra dos príncipes nas páginas da feroz imprensa sensacionalista briânica.

Em 1992, depois de ter dois filhos, William e Henry, o casal se separa. É o que a rainha chama de "ano horrível" porque o Castelo de Windsor, sua residência favorita, pega fogo. Eles se divorciam em 1996. Diana morre no ano seguinte, num acidente de trânsito em Paris, quando o carro do namorado Jodi Fayed, foge de fotógrafos em Paris, em 31 de agosto de 1997.

Carlos III, agora casado com a ex-amante Camilla Parker-Bowles, ascende ao trono com a morte da mãe, em 8 de setembro de 2022.

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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Zhu Rongji foi o grande executivo da reforma econômica da China

Se o supremo líder Deng Xiaoping foi o grande idealizador da abertura econômica da China, o grande responsável pela execução das reformas que transformaram o país na segunda maior economia do mundo disputando a supremacia mundial com os Estados Unidos foi o primeiro-ministro Zhu Rongji.

Zhu morreu em 12 de agosto aos 97 anos. Foi prefeito e líder do Partido Comunista em Xangai, onde a movimento dos estudantes por democracia e liberdade foi contido sem o massacre que houve em Beijim, presidente do Banco Popular da China, vice-primeiro-ministro e primeiro-ministro, encarregado da administração da economia de 1998 a 2003.

Além de ser decisivo para a China ser reconhecida como economia de mercado e entrar na Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001, elevou o crescimento chinês para dois dígitos. Em 2000, criou o Fórum de Desenvolvimento da China, onde os ministros do Conselho de Estado debatiam e defendiam a política econômica com especialista de fora do governo, acadêmicos, pesquisadores e líderes empresariais, inclusive dos EUA.

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Hoje na História do Mundo: 27 de Agosto

VULCÃO KRAKATOA EXPLODE

    Em 1883, na maior erupção vulcânica da história, uma explosão do vulcão da ilha de Krakatoa, na Indonésia, na época Índias Orientais Holandesas, ouvida a 5 mil quilômetros de distância, joga lama e lava a uma altura de 80 km, causa um maremoto com ondas gigantes de 40 metros e mata 36.417 mil pessoas.

Depois de mais de 200 anos adormecido, o vulcão Krakatoa dá os primeiros sinais de atividade em 20 de maio. Tripulantes de um navio alemão relatam ter visto uma coluna de fumaça e poeira vulcânica de mais de 11 km de altura.

Nos dois meses seguintes, navios e habitantes das ilhas vizinhas de Java e Sumatra veem pequenas explosões. A população local festeja até que uma explosão destrói dois terços da ilha no dia 26. 

Ao desabar no Estreito de Sunda, que fica entre Java e Sumatra, a montanha causa uma série de catástrofes ambientais sentidas durante anos no mundo inteiro, a começar por um maremoto com ondas gigantescas.

Quatro erupções a partir das 5h30 de 27 de agosto são cataclísmicas, ouvidas a 5 mil km de distância, e projetam uma maré de uma lava vulcânica de gás, cinza e rocha fundida a mais de 60 km do Krakatoa. Dos 36 mil mortos, as tsunames matam 31 mil. Outros 4,5 mil são vítimas da lava incandescente.

Uma nuvem de cinza e poeira vulcânica fina envolve o planeta e reduz a temperatura da Terra durante anos.

Além do Krakatoa, ativo até hoje, a Indonésia tem mais 130 vulcões em atividade, mais do que qualquer outro país. Fica no Círculo de Fogo do Oceano Pacífico.

ROMÊNIA ENTRA NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

    Em 1916, depois de declarar guerra ao Império Austro-Húngaro, a Romênia entra na Primeira Guerra Mundial (1914-18) e invade a região da Transilvânia, um território de maioria romena pertencente à Hungria cuja soberania reivindica.

Ao observar o sucesso da Rússia contra a Áustria-Hungria na frente oriental no verão de 1916, a Romênia decide entrar na guerra. Em 18 de agosto, fecha um acordo secreto com os aliados e, no dia 27, lança o ataque.

Enquanto a Romênia invade a Transilvânia, os britânicos pressionam os alemães na Batalha do Somme e a Áustria-Hungria cai diante da Rússia no Leste. O kaiser Guilherme II, da Alemanha, chega a dizer que “a guerra está perdida”.

Numa reunião que incluiu ainda a Turquia e a Bulgária, os Poderes Centrais criam um comando militar supremo entregue ao general Paul Hindenburg, comandante em chefe das Forças Armadas da Alemanha.

O general que deixa o comando geral, Erich von Falkenhayn, assume o comando da guerra contra a Romênia. Junto com o general August von Mackensen, eles derrotam a Romênia e tomam Bucareste em 9 de dezembro de 1916.

A Rússia vem em socorro, mas as revoluções de 1917, a queda do império czarista e a ascensão do comunismo tiram o país da guerra. Com a saída da Rússia, a Ucrânia se rende em maio de 1918. No Tratado de Bucareste (1918), perde parte do litoral para a Bulgária e o controle sobre a Foz do Rio Danúbio. No Tratado de Versalhes (1919), recupera estas perdas e ganha a soberania sobre a Transilvânia.

AVIÃO A JATO

    Em 1939, o primeiro avião a jato, o He 178, projetado e construído pelo engenheiro alemão Ernst Heinrich Heinkel, voa pela primeira vez.

Heinkel nasce em 24 de janeiro de 1888 em Grunbach. Seu primeiro avião, construído em 1910, cai e pega fogo. Antes do início da Primeira Guerra Mundial (1914-18), ele se torna projetista chefe da Companhia Aeronáutica Albatros, em Berlim.

Depois da guerra, em 1922, Heinkel cria a empresa Flugzeugwerke (Fábrica de Aeronaves), onde constrói o He 70, que bate oito recordes mundiais de velocidade nos anos 1930. O He 111, o He 162 e o He 178 são usados pela Luftwaffe, a Força Aérea da Alemanha Nazista, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

LANÇADO O LIVRO DOS RECORDES

    Em 1955, sai a primeira edição do Guinness - o Livro dos Recordes, uma publicação anual com feitos da humanidade e do mundo animal.

A ideia nasce em 1951, quando Sir Hugh Beaver, diretor-executivo da Cervejaria Guinness, fundada em 1759 em Dublin, na Irlanda, participa de uma caçada. Depois de não conseguir alvejar uma tarambola dourada, ele quis saber quais eram os pássaros de caça mais rápidos da Europa, mas não encontrou nenhum livro com a resposta.

Pensando que os donos dos pubs britânicos e irlandeses gostariam de ter um livro capaz de dirimir as dúvidas dos clientes, Beaver contratou dois irmãos donos de uma agência que vendia dados estatísticos para jornais e agência de propaganda, Norris e Ross McWhirter.

A proposta inicial é distribuir o livro de graça nos pubs para promover a cerveja Guinness. Diante do sucesso, passa a ser vendido. A primeira edição norte-americana sai em 1956.

Ross trabalha no livro até ser morto pelo Exército Republicano Irlandês (IRA), em 1975. Norris continua sendo editor até 1986.

IRA MATA LORDE MOUNTBATTEN

    Em 1979, na luta armada para acabar com o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte, o Exército Republicano Irlandês (IRA) mata o lorde Louis Mountbatten, herói de guerra, último vice-rei da Índia e primo segundo da rainha Elizabeth II, com a explosão de uma bomba de pouco mais de 20 quilos no seu barco.

Mountbatten passa o dia com a família na Baía de Donegal, na Irlanda, onde é atacado. Outras três pessoas morrem na explosão, inclusive um neto de 14 anos, Nicholas. No mesmo dia, outro atentado do IRA mata 18 paraquedistas britânicos.

A violência destes ataques leva a primeira-ministra Margaret Thatcher, eleita pela primeira vez em maio de 1979, a endurecer a política em relação ao IRA, radicalizando ainda mais o conflito na Irlanda do Norte. 

Em 1981, depois de 66 dias de greve, morre na prisão de Maze o deputado eleito para o Parlamento Britânico Bobby Sands, que nunca tomou posse porque o Sinn Féin, partido político do IRA, sempre se nega a jurar lealdade à coroa britânica.

A própria Thatcher é alvo de um atentado em 1984 num hotel em em Brighton, na Inglaterra, durante a Convenção Anual do Partido Conservador, em que morrem cinco pessoas, inclusive um deputado da Câmara dos Comuns.

A partir daí, o deputado John Hume, do Partido Trabalhista e Social-Democrata, o braço do Partido Trabalhista britânico na Irlanda do Norte, começa um diálogo secreto para tentar atrair o Sinn Féin para a negociação. 

Em 1985, o Reino Unido e a Irlanda assinam o Acordo Anglo-Irlandês para encaminhar o fim do conflito. A Declaração de Downing Street, em 1993, estabelece as bases para as negociações, que exigem um cessar-fogo do IRA, anunciado em 6 de abril de 1994.

Diante da estagnação das negociações, o IRA rompe a trégua num atentado na Ilha dos Cães, em Londres, em 9 de fevereiro de 1996. Um novo cessar-fogo, em 1997, permite a retomada das negociações para o Acordo da Sexta-Feira Santa, de abril de 1998, que acaba com quase 30 anos de uma guerra civil em que 3,5 mil pessoas morrem.

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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 26 de Agosto

BATALHA DE CRÉCY

    Em 1346, durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), o exército do rei Eduardo III, da Inglaterra, aniquila as forças de Felipe VI, da França, na Batalha de Crécy ou Batalha da Normandia, o primeiro grande combate da guerra. É uma das primeiras em que os ingleses usam arcos de longo alcance e a primeira em que usam um pequeno canhão.

Eduardo III invade a Normandia em 12 de julho de 1346 com uma força de 14 mil homens e marcha em direção ao norte saqueando o interior da França. Para contra-atacar, Felipe VI mobiliza um exército de 12 mil homens, 8 mil cavaleiros armados e 4 mil arqueiros genoveses.

O exército inglês estaciona em Crécy à espera dos franceses, que chegam no dia 26 e tomam a iniciativa de atacar com seus arqueiros. Mas, do outro lado, há 10 mil arqueiros armados com grandes arcos com alcance muito maior.

Quando os cavaleiros armados franceses tentam avançar, são atingidos por uma chuva impiedosa de flechas. No início da noite, os franceses recuam depois de perder um terço de seus soldados, inclusive Carlos II de Alencon, irmão de Felipe VI, do rei João da Boêmia e de Luís II de Nevers, aliados do rei da França.

Os arqueiros ingleses são decisivos na Batalha de Aljubarrota, em 14 de agosto de 1385, uma das mais importantes da Idade Média, quando lutam ao lado das forças de Dom João I, rei de Portugal, contra o rei João I de Castela, fruto do Tratado Anglo-Português, de 1373, que cria a mais antiga aliança militar existente até hoje.

A aliança é consolidada pelo Tratado de Windsor, de 9 de maio de 1386, e o casamento de Dom João I, fundador de Dinastia de Avis, com Dona Filipa de Lancaster, filha de João de Gante e neta de Eduardo III da Inglaterra. 

Mãe do infante Dom Henrique, Dona Filipa é chamada de "divino ventre do império, madrinha de Portugal" pelo poeta Fernando Pessoa. Ela morre de peste bubônica em 19 de julho de 1415, seis dias antes da partida da expedição que toma Ceuta, no Marrocos, em 21 e 22 de agosto, marco inicial do Império Português, que acaba no fim de 1999 com a devolução de Macau à China..

JOANA D'ARC SE APROXIMA DE PARIS

    Em 1429, durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), na campanha para expulsar os ingleses da França, Joana d'Arc chega aos arredores de Paris, mas a ofensiva fracassa.

Joana d'Arc nasce em 1412 em Donrémy, no Nordeste da Franca, numa família camponesa e alega ter visões de São Miguel, Santa Catarina e Santa Margarida que a inspiram a se unir ao exército de Carlos VI para livrar a França do domínio da Inglaterra. Vira uma heroína ao entrar em combate no Cerco de Orleans, de 12 de outubro de 1428 a 8 de maio de 1429, a primeira grande vitória francesa depois da derrota na Batalha de Agincourt, em 25 de outubro de 1415.

A França obtém outras vitórias, mas o Cerco de Paris, de 3 a 8 de setembro, fracassa. Em 23 de maio de 1430, Joana d'Arc é capturada pelas forças de João, Duque de Borgonha, aliado da Inglaterra. É julgada pelo bispo Pierre Cauchon, que faz acusações de cunho religioso e a condena à morte na fogueira como uma bruxa.

Na História dos Povos da Língua Inglesa, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill considera um grande erro a execução na fogueira, em Ruan, em 30 de maio de 1341, que a transforma em mártir. Em 1456, um Tribunal da Inquisição autorizado pelo papa Calisto III a proclama inocente e mártir da Igreja.

Depois da Reforma Protestante, no século 16, Joana d'Arc vira um símbolo da Igreja Católica. Por decisão de Napoleão Bonaparte, em 1803, torna-se um símbolo nacional de França. É beatificada em 1909 e declarada Santa Joana d'Arc em 1920. Hoje é a heroína cultuada pela extrema direita francesa.

REBELIÃO DO UÍSQUE 

    Em 1794, o presidente George Washington escreve ao governador da Virgínia, Henry Lee, um ex-general, para avisar que vai enfrentar a Rebelião do Uísque (1791-94), o primeiro desafio ao governo federal dos Estados Unidos, por temer que “abale os alicerces” da República.

A Rebelião do Uísque é fruto do descontentamento dos produtores de grãos com os impostos federais cobrados sobre bebidas destiladas. Quando os ruralistas ameaçam fisicamente os coletores de impostos federais, o governo apela à Justiça.

Em agosto de 1974, 6 mil rebeldes se reunem num campo perto de Pittsburgh, na Pensilvânia, com guilhotinas falsas e desafiam o governo a dispersá-los. No dia 7, Washington encarrega o secretário do Tesouro, Alexander Hamilton, seu ajudante de ordens na Guerra da Independência dos EUA (1775-83), de organizar uma força para subjugar os insurgentes.

Aos 62 anos, Washington monta num cavalo à frente de uma tropa de 13 mil homens, tornando-se o único presidente dos EUA a comandar uma força militar no campo de batalha, em 30 de setembro de 1794. Logo, cede o comando a Hamilton.

Diante das tropas federais, os rebeldes se dispersam. Não há derramamento de sangue. Ao prestar contas ao Congresso, Washington admite que reprimir a revolta foi uma decisão angustiante. Ele declara ser a favor do direito do cidadão de protestar contra impostos que considere injustos, uma das causas da Guerra da Independência, mas teme pela jovem democracia.

A revolta revela uma divisão em Washington entre defensores dos direitos dos agricultores, como os futuros presidentes Thomas Jefferson e James Madison, e defensores dos interesses urbanos e industriais, como Hamilton e John Adams.

VOTO FEMININO

    Em 1920, com a ratificação por 75% dos estados, a Emenda nº 19 é incorporada à Constituição dos Estados Unidos dando o direito de voto às mulheres depois de 70 anos de luta do movimento das sufragistas.

O texto é simples e direto: "O direito de voto dos cidadãos dos Estados Unidos não será negado ou cerceado em nenhum Estado em razão do sexo. O Congresso terá competência para, mediante legislação adequada, executar este artigo." 

As mulheres passam a votar e exercer cargos públicos, mas vários estados aprovam leis discriminatórias. As mulheres negras só conquistam definitivamente este direito com a aprovação da Lei dos Direitos de Voto, sancionada pelo presidente Lyndon Johnson em 6 de agosto 1965.

PAPA SORRISO

    Em 1978, o conclave do Sacro Colégio Cardinalício elege em terceira votação o cardeal Albino Luciani como novo papa. Ele é o primeiro chefe da Igreja Católica a adotar um nome duplo, João Paulo I, em homenagem a seus antecessores, João XXIII e Paulo VI. Mas seu papado dura apenas 33 dias e termina com uma morte suspeita, em 28 de setembro.

Luciani nasce em Forno di Canale, no Norte da Itália, em 17 de outubro de 1912. O pai, Giovanni, socialista, é obrigado a procurar emprego fora da Itália durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18). O futuro papa decide entrar para a Igreja aos 10 anos, quando um frade vai a sua aldeia na Quaresma pregar sermões.

O pai concorda e aconselha: "Espero que quando sacerdote estejas ao lado dos trabalhadores, porque o próprio Cristo estaria." Ele é ordenado padre em 7 de julho de 1935 e vira pároco de sua cidade natal antes de tornar, em 1937, professor e vice-reitor do seminário de Belluno. Em 1941, começa o Doutorado em Teologia na Pontifícia Universidade Gregoriana.

Luciani é nomeado bispo por João XXIII e participa do Concílio Vaticano II (1962-65), que moderniza a Igreja Católica, permite que a missa seja rezada nas línguas nacionais, e não apenas em latim, aceita a liberdade religiosa e o ecumenismo, com tolerância aos não cristãos. Estas reformas levam ao desenvolvimento, na América Latina, da Teologia da Libertação, da opção preferencial pelos pobres

É Patriarca de Veneza quando é eleito papa vencendo o ultraconservador Giuseppe Siri, considerado favorito, por 99 a 11. É o primeiro papa que recusa uma cerimônia formal de coroação.

Numa premonição da morte, teria dito: "Alguém mais forte do que eu e que merecia estar neste lugar estava sentado na minha frente durante o conclave." Era o cardeal polonês Karol Woytila, arcebispo de Varsóvia, que seria o papa João Paulo II. "Ele virá porque eu me vou."

João Paulo II, um conservador, é um personagem importante na luta contra o comunismo na Europa Oriental no fim da Guerra Fria. Quando criticado pela Santa Sé, o ditador soviético Josef Stalin desprezou o poder da Igreja com a frase: "Quantas divisões tem o Vaticano?" Mas, ao olhar a multidão que recebe João Paulo II na Polônia em 1989, o presidente norte-americano Ronald Reagan vê um aliado.

Na noite de 27 de setembro de 1978, João Paulo I sente fortes dores no peito, mas não chama o médico. Na manhã seguinte, está morto por um ataque cardíaco. Como era filho de socialista, tinha dito "onde está Lenin também está Jerusalém" e não houve autópsia, surgem teorias conspiratórias sobre sua morte.

No livro Em Nome de Deus, de 1984, o jornalista britânico David Yallop afirma que é morto por estar prestes a descobrir escândalos financeiros que realmente houve no Instituto de Obras Religiosas, o banco do Vaticano, chefiado pelo arcebispo norte-americano Paul Marcinkus. Outro envolvido no escândalo é Roberto Calvi, diretor do Banco Ambrosiano, é encontrado enforcado numa ponte de Londres. Também é suspeito Licio Gelli, mafioso da loja maçônica P2.

Quando investiga a morte do papa, Yallop é alvo de um atentado a bomba que mata seu motorista e lhe tira o paladar. Em 1987, outro jornalista britânico, John Cornwell, supostamente ligado à Cúria Romana, refuta esta tese no livro Um Ladrão na Noite

Quarenta anos depois da morte, em suas memórias, o mafioso italiano Antoni Raimondi, sobrinho de Lucky Luciano, afirma que matou o Papa Breve. Teria ficado na porta do quarto do papa enquanto Marcinkus aplicava o veneno. O papa Francisco beatifica João Paulo I em 4 de setembro de 2022.

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