sexta-feira, 17 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 17 de Abril

MARTINHO LUTERO SE DEFENDE

    Em 1521, o monge alemão Martinho Lutero depõe na Dieta (assembleia) do Sacro Império Romano-Germânico, reunida em Worms, para responder à acusação de heresia depois de pregar suas 95 Teses sobre o poder e a eficiência das indulgências, criticando a corrupção na Igreja Católica, na porta da igreja do Castelo de Wittemberg em 31 de outubro de 1517, marco do início da Reforma Protestante.

O papa Leão X condena 41 teses em junho de 1520, mas dá a Lutero a chance de se arrepender e se retratar. Em resposta, Lutero queima a bula papal e se nega a retirar suas acusações. Ele é excomungado em 3 de janeiro de 1521.

O imperador deveria prender e executar Lutero. Ele é salvo pela intervenção de seu príncipe, Frederico III, o Sábio, eleitor (líder) da Saxônia. Por causa da confusão ou promiscuidade entre política e religião, Lutero é convocado pelas autoridades políticas e não pelo papa ou por um conselho da Igreja. Ele recebe um salvo-conduto do imperador para depor na Dieta de Worms.

No depoimento, em 17 de abril, Lutero admite a autoria de vários livros expostos. Sob pressão para repudiar suas ideias, pede mais um dia para pensar. No dia seguinte, se nega mais uma vez a repudiar sua obra, a não ser que seja convencido "pelas Escrituras ou pela razão". Alega que sua consciência está submetida à "palavra de Deus".

Em maio, uma nova dieta presidida pelo imperador Carlos V, do Sacro Império, aprova o Édito de Worms, que proíbe os escritos de Martinho Lutero e o declara "inimigo do Estado". Ele deveria ser preso e entregue ao imperador, mas a pena nunca é aplicada. A decisão limita as viagens de Lutero, que depende da proteção do príncipe da Saxônia até sua morte, em 18 de fevereiro de 1546.

PRIMEIRA GUERRA SINO-JAPONESA

    Em 1895, o Tratado de Shimonoseki acaba com a Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95) com a vitória do Japão. A China é obrigada a reconhecer a independência da Coreia, que dominava historicamente; cede Taiwan, as Ilhas Pescadores e a Península de Liaodong, no Sul da Manchúria, ao Japão; paga uma indenização de 200 milhões de taéis de prata ao Japão. Sob pressão da Alemanha, da França, do Reino Unido e da Rússia, o Japão devolde Liaodong em troca de mais 30 milhões de taéis.

A China e o Japão tinham uma tradição de isolamento que termina sob pressão do colonialismo ocidental. Com as Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60), o Reino Unido abre a China ao livre comércio, inclusive de ópio. Em 1854, o almirante norte-americano Matthew Perry rompe o fechamento de mais de dois séculos do Japão meses depois de ameaçar bombardear o porto de Tóquio.

A Restauração Meiji (1868) acaba com o xogunato e restaura o poder do imperador. É o fim da Idade Média no Japão, que se ocidentaliza e desenvolve a indústria para não se submeter ao colonialismo e preservar sua independência. A China, o Império do Meio, centro do mundo na Ásia há quase 2 mil anos, entra em decadência.

Em 1874, um navio japonês naufraga na costa sudoeste de Taiwan e a população local mata a tripulação. A China rejeita o pedido de indenização sob o argumento de que é uma tribo rebelde que não se submete ao imperador. Uma expedição punitiva japonesa força a China a pagar.

A grande causa da guerra é o conflito sobre a Coreia. O conselheiro militar alemão Klemens Meckel, que participa da modernização do Exército japonês, considera a Coreia "uma adaga apontada para o coração do Japão".

Em 27 de fevereiro de 1876, o Japão impõe o Tratado de Ganghwa. Obriga a Coreia a se abrir ao comércio e proclamar independência da China. Para neutralizar a influência japonesa, a China pressiona a Coreia a se aproximar das potências ocidentais.

Sob influência do Japão, os reformistas coreanos tentam derrubar o governo conservador aliado à China num golpe sangrento em 1884, mas tropas chinesas sob o comando do general Yuan Shikai dão um contragolpe igualmente sangrento, com a morte de vários japoneses. Pela Convenção de Li-Ito, os dois países concordam em retirar suas forças da Península Coreana para evitar a guerra.

Em 28 de março de 1894, o líder do golpe de 1884, Kim Ok Kyun, é atraído para Xangai e assassinado, provavelmente por agentes de Yuan Shikai. Seu corpo é enviado de navio à Coreia, onde é esquartejado e exposto ao público.

Quando estoura o Levante de Tonghak, uma revolta camponesa marcha rumo a Seul em 1º de junho de 1894. A pedido do rei coreano, a China envia Yuan Shikai com 2,8 mil soldados. O Japão considera a intervenção chinesa uma violação da Convenção de Li-Ito e manda 8 mil militares à Coreia. A China tenta enviar reforços, mas o Japão afunda o navio britânico Kowshing, que os transporta.

O Japão toma o palácio real em Seul, captura o imperador em 8 de junho de 1894 e instala um governo de coreanos aliados. A rebelião acaba em 11 de junho, mas o Japão manda o general Otori Keisuke ficar na Coreia e envia mais soldados.

Em 23 de julho, o Japão marcha sobre Seul, captura o imperador e reinstala um governo colaboracionista que rompe todos os acordos com a China e autoriza o Exército Imperial Japonês a expulsar os militares chineses.

O general japonês Oshima Yoshimasa avança rumo a Seul com 4 mil homens para enfrentar 3,5 mil soldados da guarnição chinesa. O combate acontece em 28 de julho. Cerca 500 chineses e 92 japoneses são mortos ou feridos. Os chineses recuam para Pyongyang, que hoje é a capital da Coreia do Norte.

A guerra começa oficialmente em 1º de agosto de 1894. Os analistas militares estrangeiros esperam uma vitória rápida da China, mas a modernização do Japão se impõe. A China tem entre 13 a 15 mil soldados em Pyongyang, para onde as forças japonesas convergem em 15 de setembro e invadem a cidade no dia seguinte. Dois mil chineses morrem e 4 mil saem feridos, em contraste com 102 japoneses mortos, 433 feridos e 33 desaparecidos.

A Marinha Imperial Japonesa destrói 8 dos 10 navios da frota chinesa perto da foz do Rio Yalu e assume o controle do mar. A China abandona o Norte da Coreia. Em 24 de outubro, o Japão cruza o Rio Yalu e invade a Manchúria. Toma Lushunkou (Port Arthur) em 21 de novembro, onde massacra milhares de civis, e Kaipeng em 10 de dezembro.

Em março de 1895, o Japão domina a província de Shandong e a Manchúria. No dia 23 de março, ataca as Ilhas Pescadores. A China pede negociações de paz.

Com a derrota, acaba a ordem sinocêntrica em vigor há quase 2 mil anos no Leste da Ásia. Mesmo durante a era do Império Mongol criado por Gengis Khan, a cultura chinesa se impunha por ser superior à dos conquistadores.

Outra derrota, na Guerra dos Boxers (1899-1901), quando Beijim é ocupada por forças estrangeiras da Aliança de Oito Nações, abala definitivamente a monarquia. Com a revolução de 1911, liderada por Sun Yat-Sen, acaba o Império e nasce a República da China, em 1912.

 INVASÃO DA BAÍA DOS PORCOS

    Em 1961, começa a invasão da Baía dos Porcos, quando refugiados cubanos financiados e treinados pela CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) desembarcam em Cuba e tentam derrubar o regime comunista de Fidel Castro, que vence, consolida o poder e pede proteção da União Soviética, o que leva à Crise dos Mísseis em outubro de 1962, quando o mundo esteve mais perto do que nunca de uma guerra nuclear.

A revolução liderada por Fidel Castro toma o poder em Havana em 1º de janeiro de 1959, após a fuga do ditador Fulgencio Batista. Quando a revolução nacionaliza as empresas norte-americanas na ilha, bancos, refinarias de petróleo, plantações de café e de cana-de-açúcar, entre outras medidas, o governo Dwight Eisenhower (1953-61) destina US$ 13,1 milhões para a CIA usar contra Fidel e impõe as primeiras sanções.

O plano é do vice-presidente Richard Nixon, notório anticomunista e candidato a presidente em 1960 contra o senador John Kennedy, que na campanha é mais anticomunista do que Nixon para não passar a imagem de jovem inseguro, incapaz de enfrentar o desafio soviético na Guerra Fria.

Ao tomar posse, em 20 de janeiro de 1961, o presidente Kennedy herda a operação. O Partido Democrata é acusado de "perder a China". Estava no poder com Harry Truman (1945-53) quando os comunistas tomaram o poder em Beijim, em 1º de outubro de 1949.

Em 15 de abril, aviões bombardeiros B-26 pilotados por exilados atacam três pistas de pouso em Cuba, mas não conseguem aniquilar a Força Aérea Cubana. Pelo menos seis aviões ficam intactos. 

Quando Kennedy suspende a segunda onda de bombardeio aéreo, em 16 de abril, a operação está condenada ao fracasso. O sucesso do desembarque depende do controle do espaço aéreo. A Força Aérea Cubana ataca os barcos.

Mais de 1,4 mil homens, divididos em cinco batalhões de infantaria e um de paraquedistas, tentam desembarcar na praia Girón, em Cuba, onde encontam forte resistência e são derrotados. Mais de 100 invasores e 176 soldados cubanos morrem. Cerca de 1,2 mil invasores são presos.

Fidel pede proteção à URSS. O líder soviético Nikita Kruschev aproveita para tentar equilibrar a corrida armamentista. Apesar de lançar o primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik, a URSS fica atrás no desenvolvimento de mísseis nucleares e tenta instalar mísseis em Cuba. Os EUA reagem, bloqueiam Cuba e ameaçam invadir a ilha na Crise dos Mísseis, de 14 a 27 de outubro de 1962. A URSS recua e retira os mísseis num acordo tácito em que os EUA prometem não invadir Cuba.

VITÓRIA DO KHMER VERMELHO

   Em 1975, os guerrilheiros maoístas do Khmer Vermelho, liderados por Pol Pot, entram em Phnom Penh, derrubam a ditadura do general Lon Nol e impõem ao Camboja um regime genocida acusado pela morte de 1,5 milhão a 2 milhões de pessoas com perseguições políticas, tortura, assassinatos em massa e fome, tendo como principal alvo a elite educada e intelectualizada. Como a população do país tinha pouco mais de 7,3 milhões de habitantes, é considerado o regime mais assassino do século 20.

A vitória do Khmer Vermelho é resultado da intervenção militar dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã (1955-75). Como os guerrilheiros vietcongues e os soldados norte-vietnamitas usam o Camboja para ir do Vietnã do Norte para o Vietnã do Sul pela chamada Trilha de Ho Chi Minh, os EUA bombardeiam intensamente o Camboja.

Diante da intervenção norte-americana no Vietnã, o chefe de Estado do Camboja, Norodom Sihanouk, o Príncipe Vermelho, declara neutralidade. Durante uma viagem de Sihanouk a Moscou e Beijim, em 18 de março de 1970, a Assembleia Nacional do Camboja derruba o príncipe e entrega o poder ao general e primeiro-ministro Lon Nol, aliado dos EUA.

A Força Aérea dos EUA começa a bombardear zonas rurais cambojanas em 1965. Os ataques aéreos ganham maior intensidade com a Operação Menu, de 18 de março de 1969 a 26 de maio de 1970. De maio de 1970 até 15 de agosto de 1973, a Operação Freedom Deal continua os bombardeios. 

Entre 1969 e 1973, os EUA jogam 500 mil toneladas de bombas no Camboja contra 113.716 alvos, matando centenas de milhares de pessoas. O assessor de Segurança Nacional do governo Richard Nixon, Henry Kissinger, é considerado criminoso de guerra pelo bombardeio estratégico ao Camboja.

A campanha aérea retarda, mas não impede a vitória do Khmer Vermelho, que tenta fazer uma grande engenharia social com uma política de Ano Zero para impor uma sociedade comunista puramente agrária que considera o campesinato a verdadeira classe revolucionária e não o proletariado urbano e industrial, como previra Karl Marx, o pai do comunismo.

O objetivo da ditadura do Khmer Vermelho é eliminar qualquer pessoa suspeita de exercer atividades de livre mercado. Isto inclui profissionais, todas as pessoas com alguma educação formal ou ligadas de alguma forma a países estrangeiros. Seus líderes são influenciados pelo stalinismo radical do Partido Comunista Francês no início dos anos 1950 e pelo pensamento do líder da revolução comunista na China, Mao Tsé-tung.

A ditadura polpotiana fecha escolas, hospitais e fábricas, abole o sistema bancário, as finanças e a moeda, proíbe todas as religiões, confisca todas as propriedades privadas e transfere populações urbanas para fazendas coletivas onde fazem trabalhos forçados.

O dinheiro é abolido, livros são queimados, professores, comerciantes e quase toda a elite intelectual cambojana é assassinada para fundar uma nova sociedade pura, livre dos males do capitalismo, a partir do Ano Zero. 

Como os pais são vistos como envenenados pelo capitalismo, os filhos são separados dos pais e internados em centros de reeducação onde sofrem uma lavagem cerebral. Os jovens aprendem métodos de tortura com animais e recebem papéis de liderança em torturas e execuções.

Sua reforma agrária causa uma fome generalizada. A pretensão de autossuficiência destrói os serviços públicos. Milhares de cambojanos morrem de doenças curáveis como a malária.

A ditadura do Khmer Vermelho cai em 7 de janeiro de 1979, depois de uma invasão vietnamita no Camboja apoiada pela União Soviética no Natal de 1978. Em resposta, a China invade o Vietnã em 17 de fevereiro de 1979, na primeira guerra aberta entre países comunistas. (Em 1969, a China e a URSS travam uma série de escaramuças na longa fronteira comum.)

O Vietnã repele a invasão. A China se retira em 16 de março, mas continua apoiando o deposto regime genocida do Khmer Vermelho como representante do Camboja na ONU, assim como os EUA e o Reino Unido, por causa de sua oposição à URSS.

MORTE DE GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ

    Em 2014, morre na Cidade do México o escritor colombiano Gabriel García Márquez, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1982, considerado um dos autores mais importantes do século 20.

García Márquez nasce em Aracataca em 6 de março de 1927. Nos primeiros oito anos de sua vida, seus pais moram com seus avós, o coronel Nicolás Márquez, veterano da Guerra dos Mil Dias (1899-1902) e Tranquilina Iguarán de Márquez. Após a morte do avô, a família se muda para Barraquilla. Ele recebe uma educação de qualidade, mas mais tarde atribui ao avô e às histórias de Aracataca as grandes fontes de sua literatura.

Ele estuda direito, mas se torna um jornalista, profissão que abraça até se tornar um escritor de sucesso. García Márquez aperfeiçoa sua educação como correspondente em Paris. Também trabalha como jornalista em Bogotá e em Nova York antes de ir para o México, onde escreve Cem Anos de Solidão, o romance que lhe dá fama e dinheiro.

O livro conta a história de Macondo, uma cidadezinha que reflete a história da América Latina, a truculência, o autoritarismo e a desigualdade social. É o expoente de uma literatura latino-americana descrita como "realismo mágico", que mistura fatos históricos com ficção sob a inspiração de escritores como o cubano Alejo Carpentier, pioneiro do gênero. Os habitantes de Macondo são movidos por paixões como desejo, cobiça, ganância e sede de poder, mas esbarram na realidade política..

A obra é lançada em 1967 por uma editora argentina e alcança sucesso universal. Já vendeu mais de 50 milhões de cópias em 46 idiomas. É um dos livros mais lidos e influentes do século 20.

De 1967 a 1975, ele mora na Espanha. Depois, tem uma casa na Cidade do México e um apartamento em Paris. Também passa um tempo em Havana, a convite de Fidel Castro, a quem apoia. Como escritor de sucesso, García Márquez lança O Outono do Patriarca (1975), Crônica de uma Morte Anunciada (1981), Do Amor e Outros Demônios (1981), O Amor nos Tempos de Cólera (1985), O General em seu Labirinto (1989), sobre os últimos dias do libertador Simón Bolívar, e Notícia de um Sequestro (1996). 

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 16 de Abril

PRIMEIRA MULHER SOBREVOA A MANCHA

    Em 1912, a aviadora norte-americana Harriet Quimby torna-se a primeira mulher a sobrevoar o Canal da Mancha ao pilotar o monomotor francês Blériot em meio a forte neblina de Dover, na Inglaterra, a Hardelot, na França.

Ela nasce provavemente em 1º de maio de 1875 em Coldwater, no estado de Michigan, e começa a se interessar por aviação em outubro de 1910. Depois de visitar uma feira em Belmont Park, decide aprender a pilotar.

Harriet Quimby estuda na Escola de Aviação Moisant, em Hempstead, Long Island, na primavera de 1911. Em 1º de agosto, recebe a licença número 37, a primeira de uma mulher, do Aero Clube da América, o braço da Federação Aeronáutica Internacional nos Estados Unidos.

É a segunda pilota do mundo, depois da francesa Baronesa de la Roche. Depois de um mês de preparação, Quimby sobrevoa a Mancha, mas em 1º de julho de 1912 ela e uma passageira caem durante uma manobra de seu Blériot e morrem.

LENIN VOLTA À RÚSSIA

    Em 1917, o líder comunista Vladimir Lenin volta à Rússia depois de 17 anos no exílio para preparar a Revolução Bolchevique e tomar o poder.

Vladimir Illich Ulianov nasce em Simbirsk, na Rússia, em 22 de abril de 1870. Numa família de seis irmãos, todos entram em movimentos revolucionários. Ele se destaca como estudante de grego e latim. Parece destinado a uma carreira acadêmica.

Um marco trágico na vida de Lenin é a morte do irmão mais velho, Alexander Ulianov, enforcado em 1887 por conspirar para matar o czar Alexandre III como parte do grupo rebelde Vontade Popular. 

No mesmo ano, Lenin entra para a Universidade de Kazan. É expulso três meses depois por participar de uma assembleia. Preso e banido de Kazan, ele vai para a fazenda de um avô em Kokuchkino. Em 1888, ele é autorizado a voltar para Kazan, mas não para a universidade.

Nesta época, conhece revolucionários e lê O Capital, a obra-prima de Karl Marx, o pai do comunismo. Em janeiro de 1889, torna-se marxista. Ele se muda com a família para Samara, onde conclui o curso de direito.

A advocacia dá cobertura legal às atividades revolucionárias. Em agosto de 1893, Lenin se muda para São Petersburgo, na época a capital da Rússia, onde trabalha como defensor público. Ele viaja ao exterior em 1895 para manter contato com russos exilados, em especial Georgy Plekhanov, o grande pensador marxista russo.

De volta à Rússia, consegue unificar os marxistas ao fundar a União de Luta pela Libertação da Classe Trabalhadora. Em dezembro de 1895, os líderes do grupo são presos. Lenin fica um ano e três meses na cadeia. Depois, vai para o exílio interno em Chuchenskoye, na Sibéria.

Sua noiva, Nadia Krupskaya, o segue. Eles se casam na Sibéria e ela se torna sua secretária. Em janeiro de 1900, Lenin deixa a Rússia. No exterior, ele escreve uma série da panfletos. Critica a veneração dos trabalhadores russos pelo czar e os marxistas que se concentram na luta por salários e redução da jornada de trabalho, deixando a política em segundo plano.

O grande debate intelectual dos marxistas russos é se o comunismo seria viável num país atrasado, de industrialização tardia, com mais camponeses que detém propriedade coletiva da terra do que proletários. 

Plekhanov defende a ideia de que a Rússia já é capitalista, mas precisa primeiro de uma revolução burguesa para impulsionar o desenvolvimento capitalista. 

No livro Desenvolvimento Capitalista na Rússia, Lenin conclui que o campesinato está longe de ser uma classe social homogênea. Observa uma estratificação social no campo, com uma burguesa rural, um campesinato de classe média e um proletariado e semiproletariado rural empobrecido. Neste último, vê um aliado do pequeno proletariado industrial da Rússia.

Em 1902, Lenin publica O Que Fazer? Rejeita a ideia de que o capitalismo está levando o proletariado espontaneamente ao socialismo revolucionário, cabendo ao partido apenas coordenar a luta. Na sua visão, o capitalismo predispõe os trabalhadores a aceitar o socialismo, mas a derrubada do sistema capitalista e a construção do socialismo dependem de uma consciência de classe induzida pelo partido.

O papel do partido é central no chamado marxismo-leninismo. É a vanguarda do proletariado. Deve ser mentor, líder e guia altamente disciplinado, mostrando constantemente ao proletariado onde estão os interesses da classe trabalhadora. Daí vem a ideia do "centralismo democrático". Uma vez que o partido tome uma decisão, cessa o debate interno e todos os membros devem seguir a orientação da cúpula.

Outros companheiros, como Plekhanov, Julius Martov e Leon Trotsky, temem que esta organização e disciplina partidárias levem ao jacobinismo, suprimam a liberdade de discussão dentro do partido, criem uma ditadura sobre o proletariado em vez da ditadura do proletariado e estabeleçam a ditadura de um homem só, como aconteceria sob Josef Stalin.

No segundo congresso do Partido Operário Social-Democrata da Rússia, Lenin está em minoria. Mas a retirada dos judeus social-democratas deixa a facção leninista em maioria e ele a chama de bolchevique (maioria), em oposição à ala menchevique (minoria) de Martov.

A divisão entre bolcheviques e mencheviques se aprofunda com a Revolução de 1905, deflagrada pela derrota da Rússia na Guerra Russo-Japonesa (1904-5).

Ambas as alas seguem a proposta de Plekhanov de que são necessárias duas revoluções, uma burguesa e depois a proletária. Mas os mencheviques entendem que a burguesia deve liderar a revolução burguesa, enquanto Lenin quer a hegemonia do proletariado na revolução democrática.

Lenin volta à Rússia no fim de 1905, mas é forçado a se exilar de novo em 1907. As reformas do czar Nicolau II, o Sanguinário, e a violenta repressão reduzem a adesão ao partido. Para manter a coesão dos bolcheviques diante do fortalecimento crescente dos mencheviques, Lenin convoca uma conferência do Partido Bolchevique em 1912 em Praga. É a divisão definitiva do Partido Operário Social-Democrata.

Quando estoura a Primeira Guerra Mundial (1914-18), em julho e agosto de 1914, os partidos social-democratas ignoram as resoluções anteriores da Segunda Internacional e apoiam seus países. Lenin chama os socialistas a favor da guerra de "social-chauvinistas", traidores da classe operária que apoiam regimes imperialistas.

Ele declara que a Segunda Internacional está morta. Defende a criação da Terceira Internacional e a transformação da guerra em guerras civis em que trabalhadores e soldados virariam suas armas contra as classes dominantes.

Exilado na Suíça, Lenin escreve sua principal obra sobre relações internacionais, Imperialismo: Estágio Superior do Capitalismo, em que propõe a teoria do elo mais fraco para justificar a revolução comunista na Rússia: a ruptura do sistema capitalista não aconteceria nos países mais industrializados, mas nos elos mais fracos. A guerra seria resultado do insaciável caráter expansionista do capitalismo.

"A derrota na guerra é a vitória da revolução", previu Lenin ao discutir a questão com Trotsky. A humilhação do Exército czarista diante da Alemanha leva ao fim da monarquia na Revolução de Fevereiro de 1917. Lenin obtém um salvo-conduto para atravessar a Alemanha, o que leva seus detratores a acusá-lo de ser um agente alemão.

De volta à Rússia, ele lança as Teses de Abril, em que rejeita a democracia parlamentar e prepara a Revolução de Outubro, quando os comunistas depõe o governo provisório do menchevique Alexander Kerensky e tomam o poder. Em 3 de março de 1918, a Rússia assina o Tratado de Brest-Litovsky, uma "paz vergonhosa", nas palavras do próprio Lenin. Abre mão da Finlândia, da Polônia, dos países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia), da Ucrânia e da Bielorrússia, e sai da Primeira Guerra Mundial.

GUERRA FRIA

    Em 1947, ao discursar na cerimônia de descerramento de seu retrato na Assembleia Legislativa da Carolina do Sul, o financista multimilionário Bernard Baruch usa pela primeira vez a expressão guerra fria para se referir à confrontação estratégica entre os Estados Unidos e a União Soviética.

Baruch trabalha como assessor presidencial em economia e política externa desde o governo Woodrow Wilson (1913-21). Depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18), participa da Conferência de Paz de Versalhes.

Nos anos 1930, assessora o presidente Franklin Roosevelt (1933-45) e membros do Congresso. Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), é conselheiro do presidente Harry Truman (1945-53).

Durante a cerimônia, Baruch lança um duro ataque contra os conflitos trabalhistas. Afirma que só com a união entre capital e trabalho os EUA serão capazes de se tornar uma grande força num "mundo que se renova física e espiritualmente."

Ele propõe semanas de trabalho mais longas, acordos com os sindicatos para prevenir greves e com as empresas para evitar demissões: "Não nos enganemos – estamos hoje no meio de uma guerra fria. Nossos inimigos estão no exterior e em casa. Não nos esqueçamos nunca: nossa inquietação é o coração de nosso sucesso. A paz no mundo é a esperança e a meta do nosso sistema político; é o desespero e a derrota daqueles que se erguem contra nós. Só podemos depender de nós mesmos."

COOPERAÇÃO ECONÔMICA

    Em 1948, 16 países europeus reunidos em Paris criam a Organização para a Cooperação Econômica na Europa (OCEE) para coordenar a reconstrução do continente através do Programa de Recuperação Europeia, mais conhecido como o Plano Marshall, uma proposta do secretário de Estado norte-americano George Marshall.

O Plano Marshall investe cerca de US$ 14 bilhões na reconstrução da Europa e contribue para evitar a expansão do comunismo na Europa Ocidental durante a Guerra Fria. Pelas cotações de hoje, seria o equivalente a mais de US$ 132 bilhões.

Em 1961, a OCEE passa a se chamar Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e passa a aceitar países não europeus. É um clube de países ricos com alguns em desenvolvimento como Chile, Colômbia, Costa Rica, México e Turquia. 

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 15 de Abril

NASCE LEONARDO DA VINCI

    Em 1452, nasce em Anchiano, perto de Vinci, na República de Florença, o desenhista, pintor, escultor, arquiteto, engenheiro, cientista, inventor, anatomista, botânico, poeta e músico Leonardo da Vinci, o artista que melhor encarna o Renascimento, um dos maiores e mais completos da história.

Seus quadros A Última Ceia (foto) Mona Lisa estão entre as pinturas mais populares e influentes do Renascimento e da história.

Filho ilegítimo do notário Piero da Vince e da camponesa Caterina, é criado pelo pai e estuda no ateliê do renomado artista florentino Verrocchio. No início da vida profissional Da Vinci trabalha para Ludovico Sforza, governante e Duque de Milão. Depois, vai para Veneza, Roma e Bolonha, e finalmente para a França, onde morre aos 67 anos em Amboise, numa casa doada pelo rei Francisco I, em 2 de maio de 1519.

NAUFRÁGIO DO TITANIC

    Em 1912, às 2h20, duas horas e meia depois de bater num iceberg, o navio transatlântico Titanic afunda no Norte do Oceano Atlântico a cerca de 640 quilômetros da Terra Nova, no Canadá. Cerca de 1,5 mil pessoas morrem no naufrágio mais famoso da história; 710 sobrevivem. 

O Titanic, um dos maiores e mais luxuosos navios de passageiros da história, é um projeto do construtor de navios William Pirrie fabricado em Belfast, hoje capital da Irlanda do Norte, com 270 metros de comprimento.

O casco é dividido em 16 compartimentos estanques. Como quatro destes compartimentos poderiam se encher d'água sem desestabilizar o navio, o Titanic é considerado insubmersível.

Ao sair do porto de Southampton, na Inglaterra, em 10 de abril, na sua primeira viagem transatlântica, o Titanic passa perto do navio New York, dando um susto nos passageiros que estão no convés.

Depois de escalas em Cherbourg, na França, e em Queenstown, na Irlanda, com 2.224 passageiros e tripulantes a bordo, segue a todo o vapor rumo a Nova York. Pouco antes da meia-noite de 14 de abril, o Titanic bate num iceberg que rompe cinco compartimentos do casco, que se enchem d'água e desestabilizam o navio.

Como os compartimentos não são fechados em cima, os outros compartimentos se enchem d'água. A proa afunda e ergue a popa até uma posição quase vertical. O Titanic se parte ao meio e afunda às 2h20. Cerca de 1,5 mil pessoas afundam junto ou morrem de frio nas águas geladas do Atlântico Norte.

Uma hora e 20 minutos depois, o navio Carpathia resgata os sobreviventes que estão em botes salva-vidas. Outro navio, o Californian, está a cerca de 30 km do Titanic na hora do acidente, mas não ouve os pedidos de socorro porque o operador do rádio não está trabalhando.

Em reação aos naufrágios, hoje há a Convenção Internacional para Salvaguarda da Vida no Mar. As regras exigem que todo navio tenha botes salva-vidas para todas as pessoas a bordo e faça rádio-escuta 24 horas por dia. Uma Patrulha Internacional do Gelo passa a monitorar os icebergs no Atlântico Norte.

TRAGÉDIA DE HILLSBOROUGH

    Em 1989, durante a semifinal da Copa da Inglaterra entre Liverpool e Nottingham Forest no Estádio de Hillsborough, em Sheffield, 97 torcedores morrem e 766 saem feridos, quando parte da torcida é esmagada junto a um portão de entrada que é aberto na última hora. A partida é suspensa e adiada. É o maior desastre envolvendo esportes na história do Reino Unido.

A polícia local alimenta a imprensa sensacionalista com notícias falsas atribuindo a tragédia a arruaceiros da torcida do Liverpool, mal-afamada por causa dos hooligans. Mas as investigações concluem que o maior problema é a falta de capacidade de Scotland Yard, a polícia britânica, no controle da multidão.

A Inglaterra discute a violência relacionada ao futebol e toma medidas para garantir a segurança nos estádios. Todos os ingressos têm assentos marcados e a cerca entre a torcida e o campo é removida.

O Reino Unido ensina com controlar a violência no futebol e as brigas de torcida. Toda torcida que recebe algum dinheiro do clube precisa registrar e dar carteira de sócio a todos os seus membros. Um policial da delegacia do bairro frequenta treinos e jogos, e viaja com a delegação. Em coordenação com as torcidas, que não são gangues como algumas no Brasil, a polícia faz uma lista de elementos suspeitos que podem estar indo ao jogo, descobre a que horas vai, em que trem.

É um trabalho de inteligência policial, um ação coordenada dos clubes, das torcidas e da polícia. Numa sociedade democrática, a polícia não prende por suspeita, mas pode vigiar suspeitos. No momento em que cometem um delito, são presos. Com mais de 4 mil prisões por ano em média, a Inglaterra acaba com a violência ligada ao futebol.

A receita está dada. É proibido, por exemplo, assistir ao jogo bêbado. Se alguém beber, sentar no seu lugar e dormir, provavelmente não será importunado. Se arrumar confusão, a bebida é motivo suficiente para justificar a prisão.

ATENTADO À MARATONA

    Em 2013, duas bombas caseiras feitas com panelas de pressão explodem num intervalo de 12 segundos a uma distância de 170 metros uma da outra perto da linha de chegada da Maratona de Boston, nos Estados Unidos, quatro horas depois do início da prova, quando estão chegando corredores amadores festejados por parentes e amigos. Três pessoas morrem e mais de 260 saem feridas.

Três horas depois, o presidente Barack Obama faz um pronunciamento à nação e promete que os responsáveis "vão sentir todo o peso da Justiça". 

A investigação aponta dois suspeitos, os irmãos da origem chechena Tamerlan e Djokhar Tsarnaev, nascidos na ex-república soviética do Quirguistão. Em 18 de abril, o FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, divulga fotos e um vídeo dos suspeitos. 

Pouco depois, eles matam um guarda do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), roubam um veículo utilitário esportivo e trocam tiros em Watertown, uma cidade-satélite de Boston. Um policial é ferido. Tamerlan é baleado duas vezes e, na versão da polícia, atropelado pelo irmão em fuga. Morre na hora.

No início da noite de 19 de abril, um morador de Watertown descobre Djokhar escondido num barco em seu quintal e chama a polícia. O terrorista é baleado e preso. No hospital, Djokhar acusa o irmão de planejar o atentado e declara que os dois foram atraídos pelo extremismo muçulmano pelas guerras no Afeganistão e no Iraque.

Em 10 de julho de 2013, Djokhar é denunciado num tribunal federal em Boston com 30 acusações, quatro de homicídio. Ele nega tudo e atribui os crimes ao irmão morto, mas é considerado culpado de todas as acusações em 8 de abril de 2015. Em 15 de maio, o júri recomenda a pena de morte com execução por injeção letal.

O estado de Massachusetts abole a pena de morte em 1984, mas Djokhar é condenado por crimes federais. Os recursos contra a execução podem durar anos.

INCÊNDIO DA NOTRE-DAME

    Em 2019, um incêndio atinge a Catedral de Notre-Dame de Paris e destrói a maior parte do telhado e da estrutura da abóbada, e uma agulha do século 19. O presidente Emmanuel Macron promete restaurar a igreja a um custo de 700 milhões de euros e a reabre em 8 de dezembro de 2024.

Uma das mais importantes igrejas góticas da Idade Média, a Catedral de Nossa Senhora de Paris começa a ser construída em 1163 por iniciativa do bispo Maurice de Sully na Ilha da Cidade, o centro da capital da França, sobre as ruínas de duas igrejas cristãs e de um templo da Gália Romana em homenagem ao deus Júpiter. 

O Papa Alexandre III lança a pedra fundamental em 1163. O altar-mor é consagrado em 1189. O coro, a fachada oeste e a nave são concluídas em 1250. Os pórticos, as capelas e outros adornos são acrescentados ao longo de mais um século. A obra termina em 1345.

A arquitetura gótica substitui as paredes grossas das construções românicas por colunas altas e arcos botantes capazes de sustentar o peso dos telhados. Isto dá às edificações mais altura e uma aparência mais leve, com janelas mais amplas e altas decoradas com magníficos vitrais coloridos que filtram a luz natural.

Lá é coroado o imperador Napoleão Bonaparte em 2 de dezembro de 1804, na presença do Papa Pio VII. A Notre-Dame é restaurada e reaberta (fotos) no fim de 2024.


terça-feira, 14 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 14 de Abril

EDUARDO IV RECONQUISTA TRONO DA INGLATERRA

    Em 1471, durante a Guerra das Duas Rosas (1455-87), o rei deposto Eduardo IV, da Dinastia de York, vence o rei Henrique VI, da Dinastia de Lancaster, na Batalha de Barnet, perto de Londres, e retoma a coroa da Inglaterra.

Eduardo IV é rei da Inglaterra em dois períodos, De 4 de março de 1461 a 3 de outubro de 1470 e de 1471 até a morte, em 8 de abril de 1483.

A Batalha de Barnet é travada em Hadley Green, no Leste de Barnet, ao norte de Londres. Eduardo IV e seu irmão Ricardo, Duque de Gloucester, futuro rei Ricardo III, chegam tarde e atacam de madrugada.

Um mês depois, a derrota de um exército liderado pela mulher de Henrique VI, a rainha Margaret de Anjou, e a morte de Henrique VI na prisão deixam Eduardo seguro no trono até a morte.

LINCOLN BALEADO

    Em 1865, cinco dias depois do fim da Guerra da Secessão (1861-65), o ator John Wilkes Booth dá um tiro na cabeça do presidente Abraham Lincoln no Teatro Ford, em Washington, por volta das 22h, o chama de tirano e grita que "o Sul está vingado". Lincoln morre no dia seguinte às 7h22.

Booth apoia os Estados Confederados da América (Sul), mas fica no Norte durante a guerra civil. Planeja capturar o presidente e levá-lo para Richmond, na Virgínia, a capital da Confederação. Mas, em 20 de março de 1865, a data do sequestro, Lincoln não vai ao local onde Booth e outros seis conspiradores o aguardam.

Dois dias depois, Richmond cai ante as forças da União (Norte). Booth não aceita a derrota. Conspira para matar Lincoln, o vice-presidente Andrew Johnson e o secretário de Estado, William Seward. Ao matar o presidente e dois possíveis sucessores, queria provocar o caos no governo dos Estados Unidos.

Sabendo que Lincoln ia ao Teatro Ford ver Nosso Primo Americano, Booth prepara a ação. Na mesma noite, Lewis Powell invade a casa do secretário, ferindo-o gravemente. George Atzerodt, que atacaria o vice-presidente, entra em pânico e foge.

Booth foge. É cercado no celeiro de uma fazenda. Não se rende. O celeiro pega fogo. Ao tentar escapar, é baleado mortalmente pelo cabo Boston Corbett.

BOMBARDEIO AÉREO A KADAFI

    Em 1986, um esquadrão aérea dos Estados Unidos com base no Reino Unido bombardeia vários palácios na Líbia e mata uma filha adotiva do coronel Muamar Kadafi, que escapa por pouco.

O objetivo da Operação El Dorado Canyon, ordenada pelo presidente Ronald Reagan, é desestabilizar o governo de Kadafi em resposta a um ataque terrorista a uma discoteca em Berlim frequentada por soldados dos EUA estacionados na Europa.

Sob o governo da primeira-ministra Margaret Thatcher, o Reino Unido apoia e cede suas bases para uso pelos EUA, enquanto a França, a Itália e a Espanha não apoiam. Os EUA apresentam o bombardeio como um sucesso ao atingir postos de comando e controle, centros de treinamento naval e uma base aérea.

O atentado que derruba um Jumbo da companhia norte-americana PanAm em 21 de dezembro de 1988, matando as 259 pessoas a bordo e 11 no solo, pode ter sido uma resposta líbia ao bombardeio de 1986.

VULCÃO PARA AVIAÇÃO NA EUROPA

    Em 2010, o vulcão Eyjafjallajökull entra em erupção no Sul da Islândia e joga no ar nuvens de cinzas que param o tráfego aéreo em 19 países da Europa.

A erupção começa com uma série de pequenos terremotos em janeiro e vai até maio. Os gases e cinzas podem turvar a visão dos pilotos e paralisar os motores. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) estima o prejuízo do setor em 148 milhões de euros por dia.

BOKO HARAM SEQUESTRA CENTENAS DE MENINAS

    Em 2014, o grupo terrorista muçulmano Boko Haram sequestra 276 estudantes de um internato em Chibok, no Nordeste da Nigéria.

Boko Haram, que significa "educação ocidental é pecaminosa", é fundado em 2002 por Mohammed Yussuf em Maiduguri, no estado de Borno, para erradicar a corrupção e a injustiça na Nigéria, que atribui ao imperialismo ocidental, e impor a charia, a lei islâmica.

Desde 2009, o grupo adere à luta armada. Em 2015, declara aliança ao Estado Islâmico e adota o nome de Província do Estado Islâmico na África Ocidental. No ano seguinte, o grupo se divide. Uma parte mantém o nome de Província do Estado Islâmico, enquanto a outra volta a usar o nome antigo.

Das meninas sequestradas, 57 fogem imediatamente saltando dos caminhões que as levam. Muitas outras são resgatadas em ações do Exército, negociações e troca de prisioneiros. Ao todo, 180 a 190 são libertadas, enquanto 80 a 100 estão desaparecidas, ainda estão cativas ou morrem.

segunda-feira, 13 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 13 de Abril

 MUSEU DE ARTE METROPOLITANO DE NY

    Em 1870, é fundado o Museu de Arte Metropolitano na Cidade de Nova York, que se torna um dos maiores e mais importantes museus do mundo.

O museu abre dois meses depois. A sede atual, no Central Park, é inaugurada em 1880. Desde 2016, este prédio principal, de frente para a 5ª Avenida, chama-se The Met Fifth Avenue.

O Metropolitan tem coleções do Egito, da Babilônia, da Assíria, da Grécia Antiga, do Império Romano, pré-colombianas, da Ásia, do Oriente Médio, islâmicas, da América do Norte e da Oceania. Tem arquitetura, pintura, desenhos, caligrafia, gravuras, fotografias, objetos de vidro, bronzes, cerâmicas, têxteis, metálicos, laqueados, móveis de todas essas culturas e civilizações.

A partir de 1948, o museu faz um baile de gala, The Met Gala, para ajudar a financiar a instituição. A Biblioteca Thomas J. Watson, aberta em 1964 para uso de funcionários do museu e pesquisadores visitantes, tem uma das mais completas coleções de referências sobre arte e arqueologia. É a maior de uma rede de bibliotecas de museus.

Os claustros do Met, The Met Cloisteres, apresentam uma coleção de arte da Idade Médio no Parque do Forte Tyron, no Norte da Ilha da Manhattan. 

PRESO NA ILHA DO DIABO

    Em 1895, o capitão do Exército da França Alfred Dreyfus, um judeu, é preso na Ilha do Diabo, na Guiana Francesa, depois de ser condenado como espião alemão num processo marcado por irregularidades e antissemitismo.

Filho de um rico industrial judeu do setor têxtil, Dreyfus nasce em 9 de outubro de 1859 em Mulhouse, na França. Em 1882, entra para a Escola Politécnica e depois decide fazer carreira militar. Promovido a capitão, vai para o Ministério da Guerra, onde, em 1894, é acusado de vender segredos militares à Alemanha.

Preso em 15 de outubro de 1894, é condenado por uma corte marcial à prisão perpétua em 22 de dezembro. Ele entra na colônia penal da Ilha do Diabo, na Guiana Francesa, em 13 de abril de 1895.

Quando surgem indícios de que o verdadeiro espião é o major Ferdinand Esterhazy, o Exército tenta esconder as provas. Esterhazy é levado à corte marcial e absolvido em uma hora num julgamento em janeiro de 1898.

Como as provas são suspeitas, jornalistas investigam o caso, inclusive Georges Clemenceau, futuro primeiro-ministro francês durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18). Quando as evidências apontam a culpa de Esterhazy, indignado, o escritor Émile Zola publica uma carta aberta chamada Eu Acuso no jornal Aurora, acusando os juízes, o Exército e o presidente da França:

"Acuso o comandante du Paty de Clam de ter sido o criador diabólico do erro judicial, inconscientemente, quero crer, e ter saído em defesa de sua obra nefasta, durante três anos, por maquinações as mais estapafúrdias e as mais culposas.

"Acuso o general Mercier de ter se tornado cúmplice, ainda que por franqueza de caráter, de uma das maiores iniqüidades do século.

"Acuso o general Billot de ter tido entre as mãos as provas indubitáveis da inocência de Dreyfus e de tê-las ocultado, tornando-se, pois, culpado de crime de lesa-humanidade e lesa-justiça, por motivos políticos e para livrar um Estado-Maior comprometido. 

"Acuso o general de Boisdeffre e o general Gonse de tornarem-se cúmplices do mesmo crime, um sem dúvida por paixão clerical, o outro por esse corporativismo que faz do Ministério da Guerra uma arca santa inatacável. 

"Acuso o general de Pellieux e o comandante Ravary de terem feito uma investigação criminosa, um inquérito da mais monstruosa parcialidade e do qual temos, no relatório do segundo, um monumento perene da mais ingênua audácia. 

"Acuso os três especialistas em grafologia, os senhores Belhomme, Varinard e Couard de terem emitido pareceres mentirosos e fraudulentos, a menos que um laudo médico os declare tomados por alguma patologia da vista e do juízo. 

"Acuso o Ministério da Guerra de ter promovido na imprensa, particularmente no L’éclair e no L’Écho de Paris, uma campanha abominável, para manipular a opinião pública e acobertar sua falha. 

"Acuso por fim o primeiro Conselho de Guerra de ter violado o direito, condenando um acusado com base em um documento secreto, e acuso o segundo Conselho de Guerra de ter encoberto essa ilegalidade, por ter recebido ordens, cometendo por sua vez o crime jurídico de absolver conscientemente um culpado. 

"Fazendo essas acusações, não ignoro enquadrar-me nos artigos 30 e 31 da lei de imprensa de 29 de julho de 1881, que pune os delitos de difamação. E é voluntariamente que eu me exponho.

"Quanto às pessoas que eu acuso, não as conheço, nunca as vi, não nutro por elas nem rancor nem ódio. Não passam para mim de entidades, de espíritos da malevolência social. O ato que aqui realizo não é nada além de uma ação revolucionária para apressar a explosão de verdade e justiça.

"Não tenho mais que uma paixão, uma paixão pela verdade, em nome da humanidade que tanto sofreu e que tem direito à felicidade. Meu protesto inflamado nada mais é que o grito da minha alma. Que ousem, portanto levar–me perante ao tribunal do júri e que o inquérito se dê à luz do dia! 

"É o que espero. 

"Receba, senhor Presidente, minhas manifestações de mais profundo respeito."

O jornal vende 200 mil exemplares num dia.

Zola é condenado por calúnia, mas consegue fugir para a Inglaterra. O escândalo divide a França. Enquanto nacionalistas e a Igreja Católica apoiam o Exército, republicanos, socialistas e defensores da liberdade religiosa defendem Dreyfus. 

Intelectuais, entre eles os escritores Anatole France e Marcel Proust, fazem um abaixo-assinado com mais de 3 mil assinaturas pedindo a reabertura do caso. Em 1898, o major Hubert Henry admite ter forjado provas contra Dreyfus e comete suicídio. Pouco depois, Esterhazy foge do país. 

Dreyfus é levado a novo julgamento em 1899 e condenado a 10 anos de prisão em outro processo forjado. O terceiro o julgamento começa em 1904. Um novo governo francês o perdoa.
Em julho de 1906, o Tribunal Superior de Recursos, uma corte civil, anula todas as condenações de Dreyfus.

O Caso Dreyfus provoca grande liberalização na França, reduz o poder dos militares e leva à separação formal entre Igreja e Estado.

O jornalista judeu austro-húngaro Theodor Herzl cobre o primeiro julgamento em 1894 e, diante da condenação sem provas e dos massacres de judeus no Império Russo, conclui que não há condições para os judeus viverem na Europa. Em 1896, ele publica O Estado Judeu, em defesa da fundação de uma pátria para o povo judeu e lança o moderno movimento sionista.

MASSACRE DE KATYN

    Em 1990, a União Soviética reconhece a responsabilidade pelo Massacre da Floresta de Katyn, em 1940, quando a polícia política do regime stalinista, o Comissariado do Povo para Assuntos Internos (NKVD), mata quase 22 mil pessoas, todo o oficialato do Exército, chefes de polícia, outros altos funcionários, professores, artistas e intelectuais da Polônia.

Oito dias antes do início da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Alemanha Nazista e a URSS assinaram o Pacto Germano-Soviético. Em 1º de setembro de 1939, as forças de Hitler invadem a Polônia e derrubam o governo em Varsóvia.

Em 17 de setembro, o ministro do Exterior soviético, Vyacheslav Molotov, declara que o governo polonês não existe mais. A URSS ocupa o Leste da Polônia. 

O diretor do NKVD, Laurenti Beria, pede autorização ao Politburo, o birô político do Comitê Central do Partido Comunista da URSS, para realizar a matança. As vítimas são assassinadas uma a uma com um tiro na nuca na Floresta de Katyn e em prisões em Cracóvia e Kaliningrado, a partir de 3 de abril.

Quando a Alemanha invade a URSS, em 22 de junho de 1941, e o governo Josef Stalin entra na guerra contra o nazifascismo, o governo polonês no exílio pede a libertação dos oficiais. A URSS ignora.

Em abril de 1943, os alemães revelam ter encontrado valas comuns cheias de restos mortais na Floresta de Katyn. O governo polonês no exílio, sediado em Londres, pede uma investigação. Stalin rompe com o governo da Polônia, mas a URSS nega qualquer responsabilidade pelo massacre.

Só em 1990, no governo Mikhail Gorbachev (1985-91), a URSS assume a autoria do Massacre de Katyn.

GOLPE CONTRA CHÁVEZ FRACASSA

    Em 2002, o golpe deflagrado em 11 de abril na Venezuela com o apoio dos Estados Unidos e da Espanha fracassa e na manhã seguinte o presidente Hugo Chávez é reinstalado no poder.

Chávez é eleito presidente em 1998, em meio a forte queda nos preços do petróleo por causa da Crise na Ásia, com a promessa de convocar uma Assembleia Constituinte. Em 15 de dezembro de 1999, a Constituição da República Bolivarista da Venezuela é aprovada em referendo com 71,78% dos votos.

Sob a nova Constituição, Chávez é reeleito em 2000 e assume o controle dos poderes Legislativo e Judiciário, com a nomeação de novos juízes para a Corte Suprema. 

O estilo autoritário, militarista e conflituoso do caudilho, e a aproximação com líderes autoritários e ditatorias como o cubano Fidel Castro, o líbio Muamar Kadafi, o iraquiano Saddam Hussein e iraniano Mohamed Khatami, derrubam sua popularidade para 30%.

Com um discurso agressivo, Chávez ataca empresários, a elite econômica, a mídia, a Igreja Católica, a classe média e até ex-aliados. A Venezuela se torna a maior parceira comercial de Cuba e o regime chavista forma grupos paramilitares, os Círculos Bolivaristas, no modelo dos Comitês de Defesa da Revolução Cubana. 

A aprovação de uma Lei Habilitante autoriza o presidente a governar por decretos sob a desculpa de melhorar a situação econômica dos pobres. Chávez aprova 49 leis que viram os líderes empresariais, religiosos e a mídia contra o regime.

Em 10 de dezembro de 2001, a maior greve da história da Venezuela para 90% da economia do país, maior do que a que derrubou a ditadura militar de Marcos Pérez Jiménez em 1958.

Um relatório da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) Condições Amadurecendo para Tentativa de Golpe conclui em 6 de abril: "Facções militares dissidentes, incluindo alguns oficiais superiores descontentes e um grupo de jovens oficiais radicais, estão intensificando esforços para organizar um golpe contra o Presidente Chávez, possivelmente já neste mês."

Em 7 de abril de 2002, Chávez demite o presidente da companhia estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA), Guaicaipuro Lameda Montero, e outros 5 dos 7 diretores para assumir o controle da empresa, responsável por 70% do ingresso de divisas no país.

A crise provoca a Marcha de 11 Abril. Centenas de milhares de venezuelanos vão até a sede da PdVSA protestar contra as demissões. Lá a multidão começa a gritar: "Para Miraflores", numa referência ao Palácio de Miraflores, sede do governo.

A Guarda Nacional e os Círculos Bolivaristas defendem o palácio. Há um conflito com troca de tiros, 19 mortos e mais de 150 feridos. A maioria dos mortos era chavista.

No fim da tarde, líderes empresarias e trabalhistas retiram o apoio ao presidente.  O comandante do Estado-Maior da Marinha, almirante Héctor Ramírez Pérez, e outros novos generais e almirantes tornam pública sua revolta. Às 19h30, a televisão mostra imagem de chavista numa ponte atirando em manifestantes oposicionistas. No início da noite, Chávez perde o controle do Exército.

O comandante do Estado-Maior do Exército, general Efraín Vázquez Velasco, diz a Chávez: "Sr. Presidente, fui leal até o fim, mas as mortes de hoje não podem ser toleradas." O general declara aos repórteres que nenhum golpe estava planejado até a matança. O almirante Ramírez afirma que "não podemos permitir que um tirano comande a República da Venezuela."

Em meio a boatos de que Chávez abandonou o cargo, o presidente cogita se matar. Conversa com Fidel Castro, que o aconselha a se entregar ao Exército. O caudilho faz quatro exigências para entregar o poder: renunciar perante a Assembleia Nacional, passar o poder ao vice-presidente, fazer num pronunciamento na televisão e fugir com a família para Cuba.

Vázquez rejeita as exigências e manda dois generais prender Chávez. Às 3h00, os rebeldes ameaçam bombardear o Palácio de Miraflores se o presidente não renunciar. Na manhã de 12 de abril, o comandante das Forças Armadas, general Lucas Rincón Romero, noticia a renúncia de Chávez.

Uma hora e meia depois, o empresário Pedro Carmona, presidente da federação empresarial Fedecámaras (Federação das Câmaras e Associações de Comércio e Produção da Venezuela), é nomeado presidente de um governo de transição. Chávez é levado do palácio para o quartel de Forte Tiuna.

Uma das exigências dos golpistas é que Carmona não seja candidato a presidente. Ele fora um dos líderes da greve de 10 de dezembro de 2001. Chávez o descreve como "direto e discreto até ser manipulado pelos conspiradores".

Carmona tira bolivarista do nome do país, que volta a ser apenas a República da Venezuela, dissolve a Assembleia Nacional e a Corte Suprema de Justiça, revoga a Constituição de 1999 e afasta o procurador-geral, todos os governadores e prefeitos eleitos no governo Chávez. Novas eleições parlamentares são previstas para dezembro de 2002.

A maneira intempestiva do novo governo ao dissolver todas as instituições da Venezuela é decisiva para o fracasso do golpe.  Mais tarde, em entrevista ao jornal Miami Herald, Carmona argumenta que "se o golpe tivesse sido planejado com antecedência, as decisões-chaves já teriam sido tomadas."

Surpresa, a oposição democrática acusa Carmona de ter sido "sequestrado" por direitistas. Os golpistas mais radicais impedem Chávez de deixar a Venezuela. Querem processá-lo pelas mortes na Marcha de 11 da Abril.

Sob a alegação de que Chávez não renunciou, os Círculos Bolivaristas protestam nas ruas. Com medo de uma ditadura de direita, altos comandantes militares retiram o apoio aos golpistas. 

O comandante da Brigada de Paraquedistas do Exército, general Raul Baduel, fala com o comandante da Guarda Presidencial, que mantém a lealdade a Chávez, e desencadeia a Operação Restituição da Dignidade Nacional.

No fim da manhã de 13 de abril, a Guarda Presidencial retoma o controle do Palácio de Miraflores e entrega o poder provisoriamente ao vice-presidente Diosdado Cabello. Baduel liberta Chávez da prisão e o presidente reassume o cargo em 14 de abril.

O general Baduel, decisivo para a derrota do golpe, critica a reforma constitucional de Chávez em 2007 e o controle do Estado sobre a economia. Em 2 de abril de 2009, é preso sob acusação de corrupção quando era ministro da Defesa, de julho de 2006 a julho de 2007, e condenado a 8 anos e 11 meses de detenção por corrupção.

Solto em 12 de agosto de 2015, Baduel é novamente preso pela ditadura de Nicolás Maduro, o sucessor de Chávez, em 12 de janeiro de 2017, sob a acusação de violar os termos da liberdade condicional e morre na prisão em 12 de outubro de 2021.

O grande herói da resistência ao golpe morre no cárcere da ditadura de Maduro, sequestrado por Donald Trump e levado para os EUA em 3 de janeiro de 2026.

IRÃ BOMBARDEIA ISRAEL

    Em 2024, a República Islâmica do Irã bombardeia Israel diretamente pela primeira vez, com cerca de 250 mísseis e drones, durante a guerra de Israel contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), responsável pelo ataque terrorista de 7 de outubro de 2013.

É uma resposta do Irã ao bombardeio israelense à Embaixada e ao Consulado do Irã em Damasco, a capital da Síria, dias antes. Como é uma instalação diplomática, o regime fundamentalista iraniano decide contra-atacar diretamente depois de décadas de guerra indireta através de grupos como o Hamas e a milícia extremista muçulmana xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus).

O ataque é mais simbólico para o regime iraniano dar uma satisfação a si mesmo, aos setores mais exaltados e à opinião pública. Duas pessoas morrem, um palestino e um judeu atingido por estilhaços.

Israel responde em 19 de abril com um ataque para destruir as defesas antiaéreas do inimigo e deixar claro que no futuro pode atacar sem que o inimigo possa se defender. O primeiro-ministro Benjamin Nentanyahu quer bombardear as instalações nucleares do Irã. 

O presidente Donald Trump pressiona o Irã a retomar as negociações para desarmar o programa nuclear, mas o regime iraniano não admite extingui-lo totalmente como quer Israel.

A tensão entre os dois países volta a explodir na Guerra dos Doze Dias, em junho de 2025, e na atual guerra dos EUA e de Israel contra o Irã iniciada em 28 de fevereiro deste ano. No momento, há uma trégua de duas semanas. Não houve acerto em negociações realizadas no sábado no Paquistão para um cessar-fogo definitivo entre o Irã e os EUA.