domingo, 24 de junho de 2018

López Obrador está perto da vitória com maioria no Congresso

A uma semana das eleições para 3 mil cargos, as maiores da história do México, o candidato esquerdista Andrés Manuel López Obrador, do Movimento de Renovação Nacional (Morena) é o franco favorito para presidente. 

AMLO aumentou para 23 pontos sua vantagem sobre o direitista Ricardo Anaya, do Partido de Ação Nacional (PAN). A aliança que o apoia pode obter maioria absoluta na Câmara e no Senado.

Na média das pesquisas, López Obrador tem 49,6% das preferências do eleitorado, com 27% para Anaya e 20,4% para José Antonio Meade, do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México desde sua fundação, em 1929, até o ano 2000 e voltou ao poder com o atual presidente Ernesto Peña Nieto.

Como no México não há segundo turno, o jornal espanhol El País dá a AMLO, como é conhecido popularmente, 95% de chance de conquistar a Presidência.

Em aliança com o Partido do Trabalho (PT) e o Partido do Encontro Social (PES), o Morena pode ter maioria absoluta na Câmara e no Senado. Isso daria a AMLO o direito de aplicar seu programa de reformas radicais.

Com 159 deputados do Morena, 51 do PT e 47 do PES, a aliança governista teria, na média das pesquisas, 258 das 500 cadeiras da Câmara dos Deputados. Por causa da imprecisão de pesquisas anteriores e do sistema eleitoral, a margem de erro é de mais ou menos 40 deputados.

Dos 500 deputados, 300 são eleitos por maioria relativa em distritos uninominais, o que leva as coalizões a apresentar um candidato único. Os outros 200 são eleitos pelo voto proporcional.

Pelo artigo 54 da Constituição do México, para evitar o poder exagerado que o PRI teve no passado, nenhum partido pode ter mais de 300 deputados na Câmara nem uma porcentagem de deputados oito pontos percentuais maior do que o percentual de votos.

Para o Senado, a aliança de esquerda tem 46% dos votos contra 33% do PAN e 21% do PRI.

sábado, 23 de junho de 2018

México bate novo recorde de assassinatos

A oito dias da eleição presidencial, o México fica sabendo que bateu mais um triste recorde. Em maio, o total de homicídios dolosos, com a intenção de matar, chegou a 2.890, uma média de 93 assassinatos por dia e quatro mortos por hora, revelou ontem o Sistema Nacional de Segurança Pública.

Maio foi o mês com o maior número de homicídios desde que as autoridades federais começaram a compilar estatísticas. Até agora, era março de 2017, com 2.746 assassinatos.

De janeiro a maio de 2018, o total de assassinatos foi de 13.298 mortes, 21% a mais do que no mesmo período no ano passado. Os estados mexicanos com as maiores índice de homicídios são Colima, Baixa Califórnia, Guerreiro, Chihuahua e Guanajuato.

No ritmo atual de violência assassina, este ano deve superar o recorde de 28.710 de 2017. A expectativa do diretor-geral do Observatório Nacional Cidadão, Francisco Rivas, é e um aumento de 5,5% nos homicídios e de 15% nos casos de feminicídio em 2018.

O aumento da violência no México nas últimas décadas está ligado ao poder crescente das máfias do tráfico de drogas para os Estados Unidos, que agem com grande impunidade. "Há uma série de negócios ilícitos que seguem prosperando, uma falta de ações contundentes e uma carência importante de Estado. Um delito que não se pune é um delito destinado a crescer", afirmou Rivas.

Ele não vê no líder das pesquisas, o esquerdista Andrés Manuel López Obrador, do Movimento de Regeneração Nacional (Morena), que hoje tem uma vantagem de 23 pontos percentuais sobre o segundo colocado, Ricardo Anaya, do Partido de Ação Nacional (PAN), "clareza em uma proposta de segurança pública. Sua proposta é extremamente ingênua e contraditória que não leva a pensar que vá melhorar as condições de segurança."

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Suprema Corte dos EUA exige ordem judicial para polícia rastrear celulares

Em uma vitória do direito à privacidade, por 5 a 4, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que a polícia precisa de um mandado judicial para rastrear o registro de informações sobre a localização de telefones celulares.

Na sentença, o presidente do supremo tribunal americano, ministro John Roberts, declarou que a decisão reflete a realidade de que as novas tecnologias criaram novos meios para a polícia vigiar os cidadãos. Seu voto se baseou na 4ª Emenda à Constituição dos EUA, que protege os cidadãos contra buscas e apreensões arbitrárias como as feitas pelo governo colonial britânico.

"A tecnologia fortaleceu a capacidade do governo de invadir áreas normalmente guardadas de olhos inquisidores", notou, acrescentando que os registros de telefonia celular permitem ao governo fazer "uma vigilância quase perfeita, como se tivesse colocado uma tornozeleira eletrônica no usuário do telefone."

Para a Fundação Fronteira Eletrônica, foi uma "grande vitória" e fez outra leitura da sentença: "Igualmente importante, eles rejeitaram o surrado argumento do governo de que dados sensíveis guardados por terceiros como empresas privadas estão automaticamente fora da proteção constitucional."

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Irã exige fim do apoio a Israel e retirada do Afeganistão para negociar com EUA

Diante das 12 exigências dos Estados Unidos, inclusive abandonar o programa nuclear e parar de influenciar outros países do Oriente Médio, o primeiro-ministro Mohamed Javad Zarif apresentou uma lista de 15 demandas do Irã para reabrir as negociações entre os dois países. A República Islâmica exige o fim da venda de armas à região, do apoio a Israel e a retirada das tropas americanas do Afeganistão.

O presidente Donald Trump retirou em 8 de maio os EUA do acordo negociado pelos grandes potências do Conselho de Segurança e a Alemanha para congelar por 10 anos programa nuclear militar do Irã, evitando que a República Islâmica faça a bomba atômica.

Tanto os EUA quanto o Irã afirmam que as novas exigências são inaceitáveis. Trump alegou que o acordo não era suficientemente amplo por não limitar o programa de mísseis e a interferência iraniana em outros países do Oriente Médio

Deputados dos EUA pedem ao Google fim da parceria com a chinesa Huawei

Em carta ao diretor-geral do Google, Sundar Pichai, cinco deputados da Câmara dos Representantes pressionaram a empresa a romper a parceria com a companhia chinesa de equipamentos de telecomunicações Huawei Tecnologias, considerada uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos, noticiou ontem a agência Reuters.

O Google e a Huawei têm fazer projetos conjuntos importantes. A Huawei é hoje a terceira maior fabricante de telefones inteligentes, depois da Apple e da Samsung. Os telefones da marca Nexus foram desenvolvidos em parceria.

A Huawei está sob investigação do Departamento da Justiça dos EUA por violar as sanções que proíbem a exportação de produtos americanos para o Irã. Em 2016, os EUA vetaram as exportações para a maior rival da Huawei na China, a ZTE.

O presidente Donald Trump suspendeu o veto a pedido do ditador da China, Xi Jinping, com quem acredita haver estabelecido boas relações pessoais, mas há resistência no Congresso dos EUA por causa da ligação das empresas de alta tecnologia com o Exército Popular de Libertação da China.

Trump fez um apelo aos deputados e senadores americanos, alegando que a ajuda à ZTE faz parte de sua estratégia global de negociações comerciais. Sem componentes e equipamentos importados dos EUA, a ZTE seria inviável.

Este é um dos problemas do protecionismo de Trump. No mundo globalizado, a fabricação às vezes se estende por vários países. Os microchips fabricados nos EUA são testados e embalados na China. Se a guerra comercial de Trump começar para valer, os chips serão sobretaxados na volta aos EUA.

quarta-feira, 20 de junho de 2018

Masaya se declara "cidade livre da ditadura" de Ortega na Nicarágua

A cidade de Masaya, berço da revolução que levou ao poder em julho de 1979 a Frente Sandinista de Libertação Nacional e seu comandante, Daniel Ortega, agora lidera a luta para se livrar de sua ditadura na Nicarágua. 

Há dois meses, a cidade resiste à reação do governo contra a onda de manifestações de protesto contra seu autoritarismo. Agora, proclamou-se "cidade livre da ditadura".

A chefe da polícia de Masaya, comissário Ramón Avellán, chegou a ficar encurralado na chefiatura de polícia durante 13 dias. Todas as noites a população ia até lá às 22h e pressionava o comissário a se entregar. Foi resgatado ontem numa operação policial que deixou pelo menos três mortos e mais de 30 feridos.

Pelo menos 180 pessoas foram mortas desde abril, quando os nicaraguenses se revoltaram contra uma reforma da Previdência Social que aumentava as contribuições e reduzia pensões e aposentadorias. É a pior crise do país.

"Estamos armados com a razão", declarou a Resistência Cívica de Masaya. "Estamos nos auxiliando com barricadas, pedras e morteiros, em desigualdade evidente e notória com as tropas covardes e assassinas da ditadura", explicou a nota.

"O ditador Ortega e [a vice-presidente e sua mulher Rosario] Murillo não cumpriram a promessa de desarmar as forças parapoliciais, ao contrário, convocou velhos combatentes, ex-reservistas e sua militância sandinista, que fortemente armados impõe o terror e a morte em todo o território nacional",  acrescentam os rebeldes.

A Resistência Cívica de Masaya exige o fim do regime: "A única maneira de recuperar a confiança e a  segurança dos cidadãos é com a renúncia do casal presidencial, que exigimos imediatamente. Exigimos também que se forme uma junta de salvação nacional de cinco membros dos setores beligerantes e representativos da nação que faça reformas institucionais e legislativas que permitam organizar eleições livres e transparentes em 180 dias."

Ontem, o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o ex-chanceler uruguaio Luis Almagro, deu sua solidariedade aos rebeldes: "O povo de Masaya demonstrou seu heroísmo nas páginas mais escuras da história da Nicarágua. Condenamos qualquer tipo de ataque que atente contra a vida e a segurança dos habitantes de Masaya."

Ortega governou a Nicarágua, primeiro como um dos nove comandantes, em 1979, depois da vitória da revolução. Foi eleito presidente em 1984 em eleição boicotada pela oposição sob pressão do então presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, e derrotado por Violeta Chamorro em 1990.

Voltou ao poder pelo voto em 2007 em aliança com a oligarquia somozista que um dia combateu, mudou as leis e a composição do supremo tribunal para aprovar a reeleição sem limites e se eternizar no poder. Por alguns anos, contou com o petróleo subsidiado da Venezuela de Hugo Chávez. Com o colapso econômico sob Nicolás Maduro, a fonte secou.

A repressão violenta desde abril suscitou comparações com o ditador Anastasio Somoza Debayle, derrubado pela FSLN em 17 de julho de 1979. Mais uma vez, não será suficiente para sustentar o ditador da vez.

O diálogo nacional intermediado pela Igreja Católica entrou em crise na segunda-feira, quando a Aliança Cívica, que reúne estudantes, acadêmicos, camponeses, empresários e representantes da sociedade civil, denunciou que o governo não enviou cartas convidando a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), o Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos e a União Europeia para investigar os crimes cometidos na repressão às manifestações de protesto.

Enquanto as cartas não forem enviadas, o diálogo nacional está suspenso.

Trump recua e decreta fim da separação de famílias de imigrantes ilegais

Sob intensa pressão externa e interna, inclusive dentro do próprio Partido Republicano, o presidente Donald Trump recuou hoje pela primeira vez e baixou um decreto suspendendo a separação de menores dos pais que entram ilegalmente nos Estados Unidos. As famílias terão o direito de ficar juntas mesmo quando os pais forem presos por entrar no país sem autorização.

Nos últimos dias, o mundo ouviu o choro de bebês e de crianças de dois, quatro anos ou mais anos de idade aterrorizadas por serem separadas de seus pais por uma política desumana e cruel de "tolerância zero" do governo Trump contra a imigração ilegal. Como os imigrantes ilegais devem ser processados e a lei dos EUA não permite a prisão de crianças inocentes, o governo alegou os filhos não poderiam ficar juntos com os país.

A separação de filhos dos pais, a não ser em casos de condenação destes, é um princípio fundamental da democracia liberal. As imagens da fronteira com o México lembraram os regimes nazistas e comunistas.

Desde abril, cerca de 2,3 mil crianças foram separadas dos pais, o que causar danos psicológicos permanentes. Trump faz chantagem para pressionar o Congresso a aprovar uma lei de imigração linha-dura e destinar US$ 20 bilhões para construir um muro na fronteira com o México. No fundo, está de olho nas eleições de meio de mandato, em novembro deste ano, quando o Partido Republicano corre o risco de perder a maioria na Câmara e no Senado.

Por que Trump voltou atrás pela primeira vez sob pressão da opinião pública? O jornal The Washington Post aponta três razões. Quando perdeu o apoio do senador ultraconservador Ted Cruz, o presidente sentiu que ficaria isolado. Os deputados e senadores republicanos estavam envergonhados e constrangidos com o choro de bebês.

A demonização dos imigrantes faz parte da estratégia eleitoral de Trump para novembro, aliás desde o lançamento da candidatura, quando chamou os mexicanos de traficantes, assassinos e estupradores. Mas a prisão de crianças enfrentou forte oposição do eleitorado, a começar pelas mulheres.

Cerca de 70% das mulheres repudiam a separação de mães e filhos. É uma parcela muito importante do eleitorado. A própria mulher do presidente, Melania Trump, e a primeira-filha, Ivanka Trump, passaram os últimos dias tentando persuadir Trump a recuar, acrescenta The Washington Post.

Melania Trump e a ex-primeira-dama Laura Bush, moradora do Texas, protestaram publicamente. Ivanka se manifestou hoje, agradecendo ao pai por "resolver o problema". É um problema que ele próprio criou.

terça-feira, 19 de junho de 2018

Trump retira EUA do Conselho de Direitos Humanos da ONU

Os Estados Unidos anunciaram hoje em Washington sua saída do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, que acusa de discriminação contra Israel e de ter entre os atuais países-membros violadores contumazes dos direitos humanos. É mais um sinal do crescente isolacionismo americano no governo Donald Trump.

Há duas semanas, a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, deu um ultimato. Ameaçou com a retirada dos EUA se o conselho admitisse regimes autoritários que não respeitam os direitos humanos. Ela citou Arábia Saudita, China, Cuba e Venezuela como países que não merecem um assento no Conselho de Direitos Humanos.

Ao lado do secretário de Estado, Mike Pompeo, Haley acusou o órgão da ONU de haver se tornado "protetor de violadores dos direitos humanos e uma fossa de distorções políticas". A embaixadora citou a admissão da República Democrática do Congo e o erro de não coibir os abusos dos direitos humanos no Irã e na Venezuela.

"Quero deixar claro que este passo não é uma retirada do nosso compromisso com os direitos humanos", afirmou Haley. "Ao contrário, damos este passo porque nosso compromisso nos nos permite fazer parte da uma organização hipócrita e egoísta que despreza os direitos humanos."

Suas tentativas de reformar o conselho foram inúteis: "Quando deixamos claro que iríamos procurar com firmeza fazer uma reforma do conselho, alguns países se opuseram", acrescentou a embaixadora. "A Rússia, a China, Cuba e o Egito tentaram minar nossos esforços nos últimos 12 meses."

É mais uma retirada dos EUA de um acordo ou órgão internacional. Trump retirou os EUA do Acordo do Clima, em 1º de junho de 2017. Em 8 de maio de 2018, abandonou o acordo nuclear com  o Irã. Também ataca a ONU, o sistema multilateral de comércio e a ordem internacional liberal criada pelos EUA no pós-guerra.

Na questão dos direitos humanos, Trump não toca no assunto com seus líderes autoritários favoritos, os ditadores da China, Xi Jinping, da Rússia, Vladimir Putin, e agora da Coreia do Norte, Kim Jong Un. Os EUA sempre defenderam regimes autoritários aliados, como a monarquia absolutista da Arábia Saudita, mas não é um dos temas favoritos do presidente, que no momento separa famílias e tortura crianças na fronteira com o México para pressionar o Congresso e ganhar votos nas eleições de novembro.

segunda-feira, 18 de junho de 2018

Trump ameaça impor tarifas sobre US$ 200 bilhões em importações da China

Numa ameaça de escalada rumo a uma guerra comercial, o presidente Donald Trump pediu a assessores que identifiquem uma lista de produtos chineses importados no valor de US$ 200 bilhões para aplicar tarifas de 10%, se a China não aceitar sua exigência de reduzir o déficit dos Estados Unidos no comércio bilateral, de US$ 375 bilhões no ano passado.

O governo Trump anunciou em 15 junho que os EUA passarão a cobrar tarifas de 25% sobre produtos chineses importados no valor de US$ 34 bilhões por ano a partir de 6 de julho e que estudam uma lista com produtos no valor US$ 16 bilhões. Prometeu assim sobretaxar um total de US$ 50 bilhões em importações anuais da China.

Imediatamente, a China prometeu fazer exatamente o mesmo nos mesmos valores e nas mesmas datas, para fúria de Trump: "Desafortunadamente, a China decidiu aumentar as tarifas sobre US$ 50 bilhões em importações dos EUA", declarou o presidente na mensagem em que pediu ao representante comercial do país, Robert Lighthizer, a nova lista de US$ 200 bilhões.

"Se a China aumentar suas tarifas de novo, vamos responder com tarifas adicionais sobre US$ 200 bilhões em bens", advertiu Trump. Mais uma vez, o governo chinês alerta: vai responder na mesma moeda.