NAPOLEÃO VAI PARA O EXÍLIO EM ELBA
Em 1814, o imperador Napoleão Bonaparte, um dos maiores generais de todos os tempos, abdica ao trono da França e vai para o exílio na Ilha de Elba, no Mar Mediterrâneo.
Napoleão nasce em Ajácio, na Córsega, em 15 de agosto de 1769, dois anos depois que a ilha passa ao domínio da França. Depois de fazer a escola militar, ele ascende nas Forças Armadas com a Revolução Francesa de 1789, que expurga os oficiais de origem aristocrática. Os generais precisavam ter quatro gerações de nobreza. Em 1795, Napoleão é promovido a general e leva o Exército da França a uma série de vitórias militares na Europa.
Ele toma um poder num golpe militar em 12 de dezembro de 1799. Torna-se primeiro cônsul da França, acaba com a revolução e vira ditador.
Em 1804, Napoleão obriga o papa a coroá-lo imperador. Com mais vitórias militares, conquista uma grande parte da Europa e promove reformas de longo impacto, impondo reformas judiciárias, constituições e o direito de voto para todos os homens, acabando com os resquícios de feudalismo.
No Código Napoleônico, até hoje a base do Direito Civil na França e nos países latinos, inclusive no Brasil, consolida as liberdades conquistadas pela Revolução Francesa como a tolerância religiosa.
Em 1812, comete seu maior erro estratégico. Invade a Rússia com o Grande Exército, de mais de 600 mil homens. A França vence a Batalha de Borodino, em 7 de setembro, mas é uma vitória de Pirro. As baixas francesas ficam perto das russas. Uma semana depois, Napoleão entra em Moscou.
Os russos abandonam e incendeiam Moscou, deixando os franceses sem comida e abrigo. A retirada, durante o outono no Hemisfério Norte, é catastrófica. Toda a Europa se une contra Napoleão. Ele se oferece para abdicar em favor de seu filho, mas a proposta é rejeitada.
Com 700 homens, Napoleão foge do exílio em 26 de fevereiro de 1815, volta a Paris, retoma o poder e reina por 110 dias, até a derrota final na Batalha de Waterloo, na Bélgica, em 18 de junho do mesmo ano. Em 22 de junho, abdica em favor de seu filho, sai de Paris e tenta fugir para os Estados Unidos, mas é capturado pela Marinha Real britânica.
No exílio na Ilha de Santa Helena, no Oceano Atlântico, Napoleão escreve um livro sobre Júlio César, um de seus grandes heróis, e aprende inglês para ler jornais, já que jornais franceses não chegam à ilha. Ele morre em 5 de maio de 1821.
JOSÉ MARTÍ INVADE CUBA
Em 1895, o poeta e ensaísta cubano José Martí, herói da independência de Cuba, entra em ilha como líder de uma força invasora que luta contra o colonialismo da Espanha.
José Julián Martí y Pérez nasce em Havana em 28 de janeiro de 1853. Cresce na capital cubana. Aos 15 anos, publica vários poemas. Aos 16 anos, funda o jornal La Patria Libre. Durante uma revolta nacionalista em 1868, fica do lado dos patriotas. É preso e condenado a seis meses de trabalhos forçados. Em 1871, é deportado para a Espanha.
Lá, continua seus estudos e se forma em direito na Universidade de Saragoça em 1874. Nos próximos anos, vive na França, no México e na Guatemala, onde escreve e trabalha como professor. Volta a Cuba em 1878.
Por causa das atividades políticas, é exilado mais uma vez na Espanha em 1879. Vai para a França, Nova York e a Venezuela, onde funda a Revista Venezolana em 1881. A publicação provoca a ira do ditador venezuelano Antonio Guzmán Blanco. No mesmo ano, volta para Nova York, onde continua escrevendo artigos, ensaios e poemas.
Sua coluna no jornal argentino La Nación o torna famoso em toda a América Latina. O livro Versos Libres mostra uma poética singular tendo como tema a liberdade. Nos ensaios Nuestra América (1881), Emerson (1882), Whitman (1887) e Bolívar (1893), expressa suas visões sobre a América Latina e os Estados Unidos.
Em 1892, Martí rejeita o título de presidente e é eleito delegado do Partido Revolucionário Cubano. Em Nova York, planeja a invasão de Cuba. Vai para São Domingos, capital da República Dominica, em 31 de janeiro de 1895. Junto com o líder revolucionário Máximo Gómez e outros patriotas, invade Cuba em 11 de abril.
José Martí morre numa batalha em Dois Rios, na província do Oriente, em 19 de maio, aos 42 anos. Cuba conquista a independência depois da Guerra Hispano-Americana (1898), em que os EUA derrotam a Espanha. É o fim do imperalismo espanhol, que começa com a Descoberta da América em 1492, e um marco do início do imperialismo norte-americano, Os EUA tomam as Filipinas e Porto Rico.
Depois da morte de Martí, são publicadas coletâneas de seus textos políticos: Dentro do Monstro: escritos sobre os EUA e o imperialismo norte-americano (1975), Nossa América: escritos sobre a América Latina e a luta pela independência de Cuba (1978) e Sobre a Educação (1979).
TRUMAN DEMITE GENERAL MacARTHUR
Em 1951, o presidente Harry Truman afasta o general Douglas MacArthur do comando das forças dos Estados Unidos e das Nações Unidas na Guerra da Coreia (1950-53) por insubordinação e por não querer travar uma guerra limitada. MacArthur queria usar armas nucleares.
MacArthur nasce em Little Rock, no Arkansas, em 26 de janeiro de 1880. Ele se forma na Academia Militar de West Point com distinção e louvor em 1903. Passa vários meses numa força dos EUA que ocupa Veracruz, no México, em 1914, durante a Revolução Mexicana. Comanda brigada e uma divisão em operações de combate na França da Primeira Guerra Mundial (1914-18).
Em 1930, MacArthur é nomeado comandante do Exército. Passa a Grande Depressão tentando evitar o sucateamento das Forças Armadas. Vai para a reserva em dezembro de 1937.
Um pouco antes da entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial, em julho de 1941, MacArthur é convocado. No dia do bombardeio a Pearl Harbor, 7 de dezembro de 1941, o Japão também ataca as Filipinas, na época uma colônia norte-americana. Vai para a Austrália em março de 1942 como comandante das forças aliadas no Sudoeste do Oceano Pacífico.
Os EUA atacam primeiro a Nova Guiné e Papua, também ocupadas pelo Império do Japão. Suas forças invadem as Filipinas no outono de 1944. Com a vitória, MacArthur é governador militar durante a ocupação do Japão pelos EUA (1945-51).
Quando começa a Guerra da Coreia, ele é nomeado comandante das forças da ONU. Como a União Soviética está boicotando a ONU em protesto contra a não admissão da República Popular da China (Taiwan ocupou a cadeira da China até 1971), não houve veto no Conselho de Segurança. Até hoje, os EUA tem um mandato da ONU para unificar à força a Península da Coreia. Por isso, a Coreia do Norte diz que os EUA são o verdadeiro inimigo e a Coreia do Sul apenas um país-fantoche.
Depois da invasão norte-coreana que dá início à guerra em 25 de junho de 1950, os EUA contra-atacam. As forças de MacArthur invadem o Norte. Aí o 4º Exército da China, sob o comando de Lin Piao, cruza o Rei Yalu, entra na guerra e empurra as forças lideradas pelos EUA para o sul do Paralelo 38º Norte, o marco da divisa entre as duas Coreias.
Há uma guerra entre os EUA e a China dentro da Guerra da Coreia, e a China vence no sentido de que obtém seu objetivo político, evitar que os EUA e aliados tenham forças junto a sua fronteira.
A guerra entra num impasse. MacArthur é afastado. Muito popular, em 1944, 1948 e 1952, conservadores do Partido Republicano tentam lançar a candidatura de MacArthur à Casa Branca. Ele Vira presidente do conselho da Remington Rand Corporation em 1952 e passa o resto da vida no setor privado. Morre aos 84 em Washington em 5 de abril de 1964.
JULGAMENTO DE EICHMANN
Em 1961, começa em Jerusalém o julgamento do carrasco nazista Adolf Eichmann, que dura oito meses e termina com a única sentença de morte imposta até hoje pela Justiça de Israel.
Eichmann nasce em Solingen, na Alemanha, em 19 de março de 1906. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), a família se muda para Linz, na Áustria. Ele trabalha como caixeiro viajante para uma companhia de petróleo e perde o emprego durante a Grande Depressão (1929-39).
Em abril de 1932, Eichmann entra para o Partido Nazista. Em novembro, se torna membro da SS, a força paramilitar do partido. De janeiro a outubro de 1934, ele serve na unidade da SS no campo de concentração de Dachau. Depois, vai para o escritório central do serviço secreto da SS, em Berlim, onde trabalha na seção encarregada da questão judaica.
Ele sobe na hierarquia da SS. Quando a Alemanha Nazista anexa a Áustria, em março de 1938, é enviado para livrar Viena de judeus. Um ano depois, com a anexação da Tcheco-Eslováquia, vai a Praga com a mesma missão.
Quando Heinrich Himmler cria o Escritório Central de Segurança do Reich, em 1939, Eichmann é transferido para sua seção de questões judaicas. Na Conferência do Lago Wannsee, em Berlim, em 20 de janeiro de 1942, os líderes nazistas aprovam a "solução final" para os judeus da Alemanha e dos países conquistados, o genocídio cometido no Holocausto. Eichmann é o principal executor.
Cabe a ele identificar, reunir e transportar todos os judeus da Europa ocupada para centros de extermínio como o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Seis milhões, 60% dos judeus da Europa, morrem no Holocausto.
No fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), os Estados Unidos prendem Eichmann, mas em 1946 ele consegue escapar. Depois de alguns anos vivendo na Alemanha com identidade falsa, ele foge para a Argentina em 1958 através da Áustria e da Itália.
Em 11 de maio de 1960, o serviço secreto de Israel sequestra Eichmann perto de Buenos Aires e nove dias depois o leva para Israel. O julgamento por juízes judeus num Estado judeu que não existia na época do Holocausto suscita dúvidas sobre legalidade e legitimidade. Há propostas para que Eichmann seja processado por um tribunal internacional, mas Israel faz questão de realizar o julgamento, inclusive como educação sobre o Holocausto.
No tribunal, ele alega que não é antissemita, mas apenas um burocrata obediente que cumpria rigorosamente as ordens. Em 15 de dezembro de 1961, o julgamento termina com a condenação de Eichmann, que é enforcado em 31 de maio de 1962.
Agora, por iniciativa do governo de extrema direita, a Knesset, o Parlamento de Israel, acaba de aprovar uma lei discriminatória que cria a pena de morte por terrorismo, mas só para palestinos. Israelenses condenados pelos mesmos delitos, como os colonos da Cisjordânia, não estão sujeitos à pena capital.
FUGA DE IDI AMIN
Em 1979, quando as forças da Tanzânia se aproximam de Kampala, Idi Amin Dada, o protótipo do ditador africano cruel e brutal, que se torna conhecido como o Carniceiro de Uganda, foge.
Idi Amin nasce em 1924 ou 1925 e tem pouca educação formal. Em 1946, ele entra para o exército colonial britânico como auxiliar de cozinheiro. Ele alega ter lutado na Birmânia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), mas só entra para o exército depois do fim da guerra. Luta contra a Revolta dos Mau Mau (1952-56) no Quênia, um episódio trágico da descolonização da África.
Quando Uganda se torna independente, em 1962, Idi Amin se aproxima do primeiro-ministro e presidente Milton Obote. Ele se torna comandante do Exército e da Força Aérea, dá um golpe em 25 de janeiro de 1971 e impõe uma tirania.
Em 1972, expulsa os asiáticos de Uganda, na maioria indianos, o que tem forte impacto negativo na economia. Muçulmano, hostiliza Israel, se aproxima da Líbia e dos palestinos. Envolve-se diretamente no sequestro de um avião francês desviado para Entebe, em 1976, quando comandos israelenses invadem o país para resgatar os reféns.
Cerca de 300 mil pessoas morrem sob a ditadura de Idi Amin, comparado pelo senador Paulo Brossard ao ditador brasileiro Ernesto Geisel (1974-79) no discurso Carranca não é autoridade.
Em outubro de 1978, Idi Amin ordena um ataque à vizinha Tanzânia. Com o apoio da oposição em Uganda, o Exército da Tanzânia vence a guerra. Quando as forças tanzanianas se aproximam de Kampala, a capital de Uganda, em 11 de abril de 1979, Idi Amin foge para a Líbia e depois para a Arábia Saudita, onde morre em 16 de agosto de 2003.






















