terça-feira, 28 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 28 de Abril

MOTIM NO BOUNTY

    Em 1789, durante uma viagem do Taiti para o Caribe, um motim liderado pelo capitão Flechter Christian toma o navio britânico Bounty, deixa o capitão William Bligh, autoritário e opresssor, e 18 marinheiros leais a ele num pequeno barco à deriva no Oceano Pacífico, e segue para Tubuai, ao sul do Taiti.

O Bounty sai do Taiti em 4 de abril com uma carga de fruta-pão. Perto de Tonga, Christian e outros 28 marinheiros se amotinam. No pequeno barco de 7 metros, Bligh e seus homens chegam ao Timor em 14 de junho depois de uma viagem de 5.750 quilômetros em mar aberto.

Com o fracasso da colônia que tentam criar, em janeiro de 1790, os rebeldes do Bounty vão para o Taiti, onde 16 resolvem ficar. Christian e outros oito amotinados, seis homens taitianos e pelo menos 12 mulheres e uma criança vão para Pitcairn, uma ilha vulcânica desabitada a mais de 1,6 mil km do Taiti.

Os amotinados que ficam no Taiti são presos. Três são enforcados. 

Em 1808, um navio baleeiro norte-americano vê fumaça no ar e descobre uma comunidade liderada por John Adams, único sobrevivente do motim do Bounty. Um navio britânico lhe concede anistia em 1825.

A história é contada no filme Motim no Bounty, com Marlon Brando como Fletcher Christian.

LIGA DAS NAÇÕES

    Em 1919, a Conferência de Versalhes decide criar a Sociedade das Nações ou Liga das Nações, a primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial. É uma das propostas do plano de 14 pontos do presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson (1913-21), para acabar com a Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Os EUA historicamente não se envolviam em guerras na Europa. Para convencer os norte-americanos da necessidade de entrar na guerra, Wilson afirma que é "a guerra para acabar com todas as guerras". Em 8 de janeiro de 1918, ele apresenta o plano de paz de 14 pontos ao Congresso dos EUA.

A participação dos EUA é decisiva para a derrota da Alemanha pelos aliados, Reino Unido e França. Com a derrota, desaparecem os impérios Alemão, Austro-Húngaro, Russo e Otomano (turco). A conferência de paz, dominada pelos vencedores, é conhecida como "a paz para acabar com todas as pazes".

Quando o Tratado de Versalhes, que impõe pesadas indenizações à Alemanha, é assinado, em 28 de junho de 1919, 44 países assinam junto a Convenção da Liga das Nações, instalada em 20 de janeiro de 1920.

Wilson ganha o Prêmio Nobel da Paz de 2019 por criar a Liga das Nações, mas o Senado dos EUA não ratifica a Convenção da Liga das Nações. Assim, o país fica fora. O Brasil sai em 1925, em protesto por não fazer parte do conselho.

A Liga dá mandatos aos impérios Britânico e Francês para administrar o Oriente Médio depois da dissolução do Império Otomano, em tese, para preparar os países árabes para a independência. O moderno Oriente Médio surge daí e sofre até hoje da Síndrome Pós-Otomana.

Mas a Liga não cria uma estrutura para garantir a paz. Todos os países têm o mesmo voto. Quando o Japão invade a Manchúria, em 1931, e o Leste da China, em 1937; a Itália Fascista de Benito Mussolini ocupa a Etiópia, em 1935; e a Alemanha Nazista de Adolf Hitler anexa a Áustria e a Tcheco-Eslováquia, em 1938 e 1939; a Liga não reage. Não consegue evitar a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

A Liga das Nações faz sua última reunião em abril de 1946.

Outro presidente dos EUA, Franklin Delano Roosevelt (1933-45), articula durante a guerra a criação da Organização das Nações Unidas (ONU), que autoriza o uso da força com a aprovação do Conselho de Segurança. Como os cinco grandes vencedores da guerra (EUA, França, Reino Unido, URSS e China) têm direito de veto, o sistema ONU cria um condomínio de grandes potências com recursos e capacidade militar para intervir. 

O veto causa uma paralisia do sistema. Raramente há um consenso para usar a força. As grandes potências se dão o direito de ir à guerra e de vetar qualquer resposta da ONU, e ainda protegem aliados.

MUSSOLINI E AMANTE EXECUTADOS

    Em 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o líder fascista e ditador da Itália, Benito Mussolini, o Duce, e sua amante, Clara Petacci, presos no dia anterior, são fuzilados por guerrilheiros comunistas da resistência antifascista quando tentam fugir para a Suíça.

Fundador do fascismo, Mussolini vira primeiro-ministro da Itália em 31 de outubro de 1922, mais de 10 anos antes de Adolf Hitler na Alemanha, seu grande aliado na guerra em que entrou em 10 de junho de 1940.

Cai pela primeira vez em 25 de julho de 1943, quando é deposto pelo Grande Conselho por levar a Itália a uma derrota militar desastrosa, nomear incompetentes para altos cargos e alienar grande parte da população.

Preso no mesmo dia, ao sair de uma audiência de rotina com o rei Vítor Emanuel III para fazer um relato sobre a guerra, Mussolini é resgatado por forças especiais da Alemanha. Até a derrota final, chefia um governo, a República Social Italiana, nas regiões da Itália sob o controle dos nazifascistas.

FIM DA OCUPAÇÃO DO JAPÃO

    Em 1952, termina a única ocupação da história do Japão, que começa com a rendição do país na Segunda Guerra Mundial (1939-45), mas até hoje os Estados Unidos mantêm forças em território japonês. 

O Império do Japão invade a província chinesa da Manchúria em 1931 e as principais cidades da China em 1937. 

Depois do início da Segunda Guerra Mundial na Europa, em 1º de setembro de 1939, o Japão invade o Vietnã, então parte da Indochina Francesa, em setembro de 1940, sob o pretexto de liberar países asiáticos do colonialismo europeu.

Em 7 de dezembro de 1941, a Força Aérea do Japão faz um ataque de surpresa contra a Frota do Pacífico dos EUA, estacionada em Pearl Harbor, no Havaí. Os EUA entram na guerra. O Japão se rende em 2 de setembro de 1945, depois de ser atacado com bombas atômicas em Hiroxima, em 6 de agosto, e Nagasáki, em 9 de agosto daquele ano.

Os EUA preservam o imperador Hiroíto, mas impõem uma Constituição pacifista em 1947, que proíbe o Japão de projetar seu poderio militar no exterior. Em 8 de setembro de 1951, 49 países assinam o Tratado de São Francisco, que entra em vigor em 28 de abril de 1952. Shigeru Yoshida, que colabora com o general Douglas MacArthur, comandante da ocupação, se torna primeiro-ministro do Japão.

ALI REJEITA CONVOCAÇÃO

    Em 1967, o campeão mundial de boxe peso-pesado, Muhammad Ali, recusa a convocação do Exército dos Estados Unidos para lutar na Guerra do Vietnã e perde o título. Anos depois, a condenação é revogada pela Suprema Corte e Ali recupera o título duas vezes. Até hoje, é o único peso-pesado a ser três vezes campeão, em 1964, 1974 e 1978.

Um dos maiores boxeadores de todos os tempos, Ali nasce em Louisville, no Kentucky, em 17 de janeiro de 1942. É batizado como Cassius Marcelus Clay Jr. Aos 18 anos, ganha a medalha de ouro na Olimpíada de Roma. 

Aos 22 anos, surpreende o mundo ao vencer Sonny Liston e se tornar campeão mundial dos pesos pesados em 1964. No mesmo ano, converte-se ao Islã e muda de nome para Muhammad Ali. Rejeita o sobrenome herdado do senhor de escravos que era dono de sua família, como era o padrão nos EUA.

Arrogante, pretensioso e cheio de si, Cassius Clay declara ao bater Liston pela primeira vez, em 1964: "Sou o maior do mundo." Na revanche contra Liston, promete um nocaute em 90 segundos e cumpre a promessa. Muita gente ainda está entrando no ginásio quando a luta acaba. Nasce uma lenda do esporte.

Ao descrever seu estilo, declara: "Flutuo como uma borboleta e ferro como uma abelha."

Politicamente consciente, Ali luta contra o racismo e se recusa a ir para o Vietnã: "Nenhum vietcongue me chamou de crioulo para eu atirar nele."

Como desertor, tem o título mundial cassado. Em 1971, a Suprema Corte aceita seu recurso. Todas as acusações e punições são anuladas. É um caso clássico de objeção de consciência.

Ao tentar reconquistar seu título, Ali perde por pontos uma luta memorável com Joe Frazier em que chega a cair na lona e dá vários socos curtos (jabs) na testa do adversário de menor estatura para mantê-lo à distância. É sua primeira derrota como profissional. Depois da luta, Frazier passa longo tempo hospitalizado, mas Ali fica sem o título.

Ali voltaria a ser o maior do mundo na Luta do Século contra George Foreman realizada em 30 de setembro de 1974 em Kinshasa, a capital do Zaire, na África, e imortalizada no livro A Luta, do escritor americano Norman Mailer.

Ele chega com todo o seu espírito e sua ironia: "Se você pensa que [o presidente norte-americano Richard] Nixon surpreendeu o mundo ao renunciar, espere até eu esmagar Foreman."

Mais jovem e mais forte, Foreman tem 25 anos e Ali 32. O campeão submete o ex-campeão a uma saraivada de golpes desde o início da luta. Com toda sua técnica e talento, Ali se defende como pode até dar o bote fatal no fim do oitavo assalto. Naquele momento, Ali já lidera na contagem de pontos de todos os jurados.

Em declínio, ele perde por pontos para Leon Spinks com os jurados divididos em fevereiro de 1978 em Las Vegas. Na revanche, em Nova Orleans, Ali ganha por decisão unânime dos jurados, tornando-se o único lutador até hoje a ser três vezes campeão mundial da categoria peso pesado.

Em 27 de julho de 1979, Ali anuncia sua aposentadoria. Ainda trava uma luta patética com Larry Holmes em outubro de 1980, que teria contribuído para o Mal de Parkinson, diagnosticado em 1984. A doença é atribuída às pancadas na cabeça que um boxer recebe, especialmente na categoria peso pesado.

Em 1996, Ali acende a pira da Olimpíada de Atlanta, nos EUA.

Aos 74 anos, Muhammad Ali é internado num hospital de Phoenix, no Arizona, com problemas pulmonares e morre em 3 de junho de 2016.

DE GAULLE RENUNCIA

    Em 1969, o general Charles de Gaulle, líder do governo francês no exílio durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), renuncia à Presidência da França.

Charles André Joseph Marie de Gaulle nasce em Lille, no Norte da França, em 22 de novembro de 1890 e se torna militar, político, estadista, escritor e fundador da 5ª República. Preso na Batalha de Verdun durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), é prisioneiro de guerra por dois anos e oito meses. 

Nos anos 1920 e 1930, defende a guerra de blindados e a aviação militar, que vê como maneira de superar o impasse da guerra de trincheiras que caracterizou a Primeira Guerra Mundial.

Quando a Alemanha Nazista ocupa a França na Segunda Guerra Mundial, De Gaulle foge para o exílio na Inglaterra e se torna o líder da França Livre, o governo no exílio. Com a libertação da França em 1944, ele forma o governo provisório que dura até 1946.

Em 1958, é nomeado primeiro-ministro e reescreve a Constituição da França, fundando a 5ª República. É eleito presidente no fim do ano e toma posse em 8 de janeiro de 1959. Governa a França por 10 anos, inclusive durante a Revolução dos Estudantes de maio de 1968, quando sai do país. Volta com o apoio do Exército e amplia a maioria na Assembleia Nacional, mas renuncia ao perder um referendo que propõe a descentralização do Estado francês.

Os partidos gaullistas, da direita conservadora e republicana, presidem a França com Georges Pompidou (1969-74), Jacques Chirac (1995-2007) e Nicolas Sarkozy (2007-12), mas sua posição é abalada pela ascensão de Emmanuel Macron, que atrai eleitores do Partido Socialista e do gaullismo.

EUA TORTURAM NO IRAQUE

    Em 2004, a rede de televisão norte-americana CBS (Columbia Broadcasting System) mostra fotos da tortura a iraquianos na prisão de Abu Ghraib, perto de Badgá, durante a invasão dos Estados Unidos ao Iraque para derrubar o ditador Saddam Hussein.

A prisão era mal-afamada na ditadura de Saddam por ser um centro de detenção e tortura de prisioneiros políticos. Os EUA a fecham após a queda do ditador, em abril de 2003, e a reabrem em agosto do mesmo ano.

O tratamento cruel e desumano de presos é proibido pela 8ª Emenda à Constituição dos EUA, mas é autorizada no governo George Walker Bush (2001-9) na Guerra contra o Terror deflagrada pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. 

No começo de 2002, o governo Bush começa a enviar presos na luta contra o terrorismo dos extremistas muçulmanos para uma prisão em Guantânamo, uma parte do território de Cuba ocupado pelos EUA para lhes negar os direitos que teriam em julgamentos nos EUA e até mesmo os conferidos pela Convenção de Genebra sobre Prisioneiros de Guerra, sob a alegação de que não pertencem a um exército regular nem obedecem a uma cadeia do comando.

A tortura é uma prática corriqueira em Guantânamo e o mesmo acontece no Iraque. Aliás, os EUA usam outros países, inclusive a Líbia do ditador Muamar Kadafi, para prender e torturar suspeitos de terrorismo.

As fotos de Abu Ghraib confirmam os abusos, a tortura e a morte de prisioneiros nas mãos do Exército dos EUA. As denúncias começam logo depois da invasão do Iraque, em 20 de março de 2003. Em novembro de 2003, a agência de notícias Associated Press. Quando o programa 60 Minutes, da CBS, divulga as fotos, é um escândalo.

A invasão do Iraque sob o falso pretexto de que Saddam tinha armas de destruição em massa desmoralizou os EUA e sua pregação de que o fim da Guerra Fria traria uma nova ordem internacional baseada na democracia e nos direitos. Acabou com a solidariedade internacional que o país recebeu depois do ataque às Torres Gêmeas do Centro Mundial de Comércio de Nova York.

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 27 de Abril

 PEDRA DA COROAÇÃO

    Em 1296, o rei Eduardo I, da Inglaterra, na tentativa de submeter a Escócia a sua suserania, rouba a Pedra da Coroação ou Pedra de Scone, usada na coroação dos reis escoceses e a leva para a Abadia de Westminster, em Londres, local da coroação dos reis ingleses.

A pedra, de pedra-sabão, tem 66 cm x 41cm x 28 cm e pesa 152 quilos. Tem uma incisão na forma de uma cruz na parte de cima e duas alças de ferro para facilitar o transporte. De acordo com a tradição celta, a pedra um dia foi o travesseiro onde o patriarca Jacó repousava na cidade bíblica de Betel quando teve visões de anjos.

Da Terra Santa, diz a tradição, a pedra viaja ao Egito, à Sicília e à Espanha. Chega à Irlanda por volta de 700 antes de Cristo e é colocada na colina de Tara, onde os reis da Irlanda são coroados. Depois que os celtas invadem a Escócia, por volta do ano 840 da era cristã, Kenneth MacAlpin leva a pedra para a cidade de Scone, onde é encaixada na trono da coroação.

Em 1292, João Balliol é o último rei da Escócia coroado com a pedra sob o trono. Eduardo I a leva para Londres em 1296. Ela é instalada na Cadeira da Coroação, na Abadia de Westminster, em 1307. É um símbolo de que os reis da Inglaterra seriam também coroados reis da Escócia.

VOLTA AO MUNDO PELA METADE

    Em 1521, o navegador português Fernão de Magalhães, que dava a volta ao mundo a serviço da Espanha, morre em combate com os habitantes da Ilha de Mactã, nas Filipinas, na primeira viagem de circunavegação da Terra.

Fernão de Magalhães zarpa de Sanlúcar de Barrameda, na Espanha, em 20 de setembro de 1519 com cinco navios e 270 homens para procurar uma rota pelo oeste para chegar as Ilhas das Especiarias (Indonésia).

A expedição entra no Rio da Prata. Sem sucesso, segue para o sul. Em março de 1520, a expedição para em Porto de São Julião, na Patagônia, onde Magalhães enfrenta uma revolta dos capitães espanhóis. Controla o motim executando um capitão rebelde e deixando outro em terra.

Em 21 de outubro de 1520, a frota finalmente descobre o Estreito de Magalhães, que separa a Terra do Fogo do continente. Só três navios entram na passagem: um afunda antes e outro deserta. Eles levam 38 dias para atravessar o estreito.

Ao ver o oceano do outro lado, Magalhães chora de alegria. A frota leva 99 dias para cruzar este oceano de águas tão calmas que dão o nome de Pacífico, provavelmente por causa do fenômeno El Niño, um aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial. É um contraste com o Oceano Atlântico, que os marinheiros chamam de Mar Tenebroso.

Como o Pacífico é muito maior, a comida acaba. Os marinheiros chegam à Ilha de Guam em 6 de março de 1521 mastigando peças de couro para tentar enganar o estômago.

Dez dias depois, a frota ancora na ilha de Cebu, nas Filipinas, onde o chefe local se converte ao cristianismo e pede ajuda na guerra contra a ilha vizinha de Mactã, onde em 27 de abril Magalhães é ferido mortalmente por uma flecha envenenada e morre.

A expedição vai para as Ilhas Molucas, onde pega um carregamento de especiarias. Com apenas dois navios, sob o comando do espanhol Juan Sebastián Elcano, atravessa o Oceano Índico, dá a volta no Cabo da Boa Esperança (que os marinheiros ainda chamam pelo antigo nome de Cabo das Tormentas) e chega a Sanlúcar de Barrameda em 6 de setembro de 1522, completando a façanha.

ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA NA FRANÇA

    Em 1848, a escravidão é definitivamente abolida na França, um processo que começa na Revolução Francesa de 1789 e leva décadas para se consolidar.

A Convenção Nacional decreta o fim da escravidão nas colônias francesas em 4 de fevereiro de 1794. É uma das primeiras abolições. 

O Comitê de Salvação Pública, um grupo de 12 homens que manda de fato na revolução, sob a liderança de Maximiliano Robespierre, manda uma força de 1.200 homens às colônias do Mar do Caribe para aplicar a lei.

Em 1802, o ditador Napoleão Bonaparte reintroduz a escravidão nas colônias. O Congresso de Viena, que tenta restaurar o status quo na Europa depois da derrota de Napoleão, em 1815, declara oposição ao tráfico de escravizados. Em 1818, o rei Luís XVIII proíbe o tráfico.

A abolição definitiva vem durante a Segunda República Francesa, depois da Revolução de 1848.

FIM DO APARTHEID

    Em 1994, a África do Sul realiza suas primeiras eleições livres para enterrar o regime segregacionista do apartheid, que impunha uma ditadura cruel e brutal da minoria branca. Mais de 22 milhões de pessoas votam e dão ampla maioria de 62,7% dos votos ao Congresso Nacional Africano (CNA). 

Seu líder, Nelson Mandela, torna-se o primeiro presidente negro da África do Sul. Ele forma um governo de coalizão com o Partido Nacional, chefiado pelo ex-presidente Frederik de Klerk, que mandava no tempo do apartheid; e o Partido da Liberdade Inkhata, liderado por Mangosuthu Buthelezi, que alimentava o sonho de ser o primeiro presidente negro.

Mandela nasce em 18 de julho de 1918 em Mzevo, uma pequena aldeia, numa família da nobreza da tribo xhosa. É sobrinho do rei Jongintaba. Estuda direito e, em 1944, entra para o CNA, partido que luta pelos direitos da maioria negra desde 1912.

Em 1952, é eleito vice-presidente nacional. Sob a inspiração do herói da independência da Índia, Mohandas Gandhi, defende uma resistência e uma luta pacífica contra o apartheid

Gandhi tem a influência do escritor e pacifista russo Leon Tolstoy, que lhe apresenta as ideias de Henry David Thoreau, o naturalista norte-americano que cria o conceito de desobediência civil ao se negar a pagar impostos para não financiar guerra contra o México (1846-48), quando os EUA tomam cerca de 40% do território mexicano.

Depois do Massacre de Sharpeville, em 1960, quando a polícia atira contra uma multidão de manifestantes e mata 69 pessoas, o CNA abandona o pacifismo e parte para a luta armada. Mandela é o organizador e comandante do braço armado do partido, Umkhonto we sizwe (Lança da Nação).

Preso em 1962, Mandela é condenado à morte, mas tem a pena comutada para prisão perpétua. Junto com outros companheiros, vai para a prisão da ilha Robben e mais tarde para as prisões de Pollsmoor e Victor Verster.

É solto 27 anos depois, em 11 de fevereiro de 1990 para negociar uma transição pacífica para a democracia. Vira presidente, mas não se apega ao cargo. Ao contrário dos líderes autoritários que desgraçaram a África independente, transfere o poder a seu sucessor na liderança do partido, Thabo Mbeki, vai para casa e continua sendo a referência moral da nação até a morte, em 5 de dezembro de 2013.

MORTE DE ROSTROPOVICH

    Em 2007, morre em Moscou aos 80 anos o instrumentista e maestro russo Mstislav Rostropovich, um dos melhores violoncelistas do século 20, diretor da Orquestra Sinfônica Nacional dos Estados Unidos.  

Rostropovich nasce em 27 de março de 1927, em Baku, capital do Azerbaijão, uma das repúblicas da União Soviética. Ainda criança, a família se muda para Moscou. Ele recebe educação musical dos pais, um violoncelista e uma pianista, e estuda no Conservatório de Moscou, onde tem como professores músicos como Dimitri Shostakovich e Serguei Prokofiev, e depois se torna professor.

Nos anos 1950, Rostropovich começa a se apresentar no exterior. Em 1970, quando ele apoia o escritor dissidente Alexander Soljenítsin, o regime comunista reduz as permissões para tocar no exterior. Depois de sair da URSS com a mulher em 1974, Rostropovich anuncia em a decisão de não voltar.

Em 1977, ele se torna diretor musical da Orquestra Sinfônica Nacional dos EUA, em Washington. A URSS cassa a cidadania do casal em 1978 e só a restitui em 1990, na Era Gorbachev (1985-91). Rostropovich morre em Moscou aos 80 anos em 27 de abril de 2007.


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domingo, 26 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 26 de Abril

 POLÍCIA NAZISTA

    Em 1933, o líder nazista Hermann Göring forma a Gestapo, a polícia política do regime de Adolf Hitler, que elimina a oposição sem quaisquer escrúpulos e se envolve na captura de judeus deportados para campos de concentração e centros de extermínio no Holocausto.

Em abril de 1934, Göring passa o comando da Gestapo a Heinrich Himmler. A polícia política nazista não tem limites. Pode "prender preventivamente" e seus atos não estão sujeitos a revisão judiciária. Milhares de artistas, intelectuais, sindicalistas e homossexuais "desaparecem". 

BOMBARDEIO DE GUERNICA

    Em 1937, durante a Guerra Civil Espanhola (1936-39), 50 bombardeiros da Legião Condor da Força Aérea da Alemanha Nazista (Luftwaffe) arrasam a cidade basca de Guernica em apoio aos rebeldes nacionalistas liderados pelo generalíssimo Francisco Franco.

A Alemanha Nazista testa seu poderio aéreo antes da Segunda Guerra Mundial (1939-45). O ataque aéreo de três horas mata 1.645 pessoas. Ao todo, 22 mil toneladas de explosivos são jogadas em Guernica, de pequenos artefatos a bombas de 250 quilos.

O pintor espanhol Pablo Picasso, o maior artista plástico do século 20, transforma o horror do ataque no mural Guernica (foto), uma de suas obras-primas. 

SETE SAMURAIS

    Em 1954, estreia no Japão um dos melhores e mais influentes filmes de todos os tempos, os Sete Samurais, de Akira Kurosawa.

O fim do século 16 é uma era de grande turbulência e guerra civil entre samurais que termina em 1603, com a vitória de Ieyasu Tokugawa, o primeiro xogum do Xogunato Tokugawa (1603-1868). 

Nesta terra sem lei, uma pequena vila pobre vive sob a ameaça de bandidos que saqueiam as colheitas e roubam a comida. Os saqueadores esperam até a próxima safra para fazer novo ataque. A aldeia decide então contratar sete samurais para defendê-la.

Há um clima de tensão por causa da imagem de violência e abuso sexual associada aos samurais. Mas eles são a única salvação.

O filme era apresentado no Museu da Imagem em Movimento, o museu do cinema e da TV, em Londres, como o melhor dos anos 1950.

REPÚBLICA DA TANZÂNIA

    Em 1964, com a fusão entre Tanganica e Zanzibar, nasce no Leste da África a República Unida da Tanzânia, com Julius Nyerere como primeiro presidente.

Uma Constituição provisória é adotada em 1965. A atual Constituição é aprovada em 1977 e emendada em 1984 para incluir uma lista de direitos fundamentais. A principal cidade é Dar es Salaam, um porto no Oceano Índico e antiga capital. Desde 1974, a capital é Dodoma.

A Garganta de Olduvai, no Grande Vale da África, na região do Serengueti, na Tanzânia, é um dos berços da humanidade. Os fósseis de mais de 60 hominídeos que viveram até 2,3 milhões de anos atrás são descobertos em Olduvai. É o mais longo registro contínuo da evolução da espécie humana. 

ACIDENTE NUCLEAR DE CHERNÓBIL

    Em 1986, o reator número 4 da Central Nuclear de Chernóbil, situada em Pripiat, na república soviética da Ucrânia, explode de madrugada durante um teste de segurança e causa o maior acidente nuclear da história. Durante 9 dias, o reator emite uma coluna de material radioativo até o incêndio ser controlado, em 4 de maio.

O teste simula uma falta de energia elétrica na central atômica. Os sistemas de segurança de emergência e de controle são desligados intencionalmente. Por uma falha no projeto do reator e erros de operação, a água usada para resfriar o reator se superaquece, se transforma em vapor e explode o reator, projetando grafite no ar.

Como a União Soviética impõe uma rigorosa censura, a dimensão da tragédia só é revelada quando a nuvem radioativa chega à Europa Ocidental. 

Pelo menos 31 pessoas morrem em 3 meses em consequência do contato direto com a explosão, inclusive bombeiros e funcionários da usina nuclear. Em 2005, as Nações Unidas divulgam uma estimativa de 4 mil mortes em consequência da radiação. 

Cerca de 600 mil pessoas trabalham na descontaminação. O governo ucraniano paga pensão a 36 mil viúvas de maridos mortos por causa do acidente nuclear. O reator acidentado é encapsulado por um sarcófago de concreto armado concluído em dezembro de 1986.

Para o último líder soviético, Mikhail Gorbachev, o acidente de Chernóbil é fator mais importante para o fim da URSS do que sua abertura política e econômica. 

Com a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022, a usina nuclear de Chernóbil e depois a central nuclear de Zaporíjia, a maior da Europa, são ocupadas pela Rússia.

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sábado, 25 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 25 de Abril

PRIMEIRA GUILHOTINA

    Em 1792, durante a Revolução Francesa (1789-99), a primeira guilhotina é instalada na Praça de Greve, em Paris, para executar um ladrão.

É uma máquina de matar, supostamente com menos sofrimento. Tem duas hastes de madeira por onde cai uma lâmina metálica pesada que corta o pescoço da vítima. Antes da Revolução Francesa, é usada na Inglaterra, na Escócia e em outros países europeus para executar nobres condenados.

A degola por espada ou facão muitas vezes exigia vários golpes, aumentando o martírio da vítima. A revolução visava a criar um mundo moderno com base na ciência. Em 1789, o médico e deputado da Assembleia Nacional Joseph-Ignace Guilhotin defende um projeto de lei para que todas as execuções sejam feitas por máquina para torná-las mais humanas, com menos sofrimento.

Depois de algumas experiências com cadáveres, a guilhotina é usada pela primeira vez em 25 de abril de 1792. Em 1793, o rei Luís XVI e a rainha Maria Antonieta, e os líderes do Período do Terror, Georges-Jacques Danton e Maximiliano Robespierre, são guilhotinados. Ao todo, cerca de 16 mil pessoas morrem na guilhotina durante a revolução.

A maneira científica de matar evolui para as armas químicas, usadas na Primeira Guerra Mundial (1914-18), e nucleares na Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Na França, a guilhotina é usada pela última vez em 1977. Em setembro de 1981, o país abole a pena de morte e aposenta definitivamente a guilhotina.

TELÉGRAFO SEM FIO

    Em 1874, nasce em Bolonha, na Itália, o físico Guglielmo Marconi, inventor do telegrafo sem fio em 1896 e depois do rádio, que ganha o Prêmio Nobel de Física de 1909.

Filho de pai italiano e mãe irlandesa, Marconi estuda física e concentra suas pesquisas nas ondas eletromagnéticas a partir dos ensinamentos de James Clerk Maxwell e Heinrich Hertz, e consegue fazer transmissão de sinal sem fios a curta distância.

Quando descobre que usando uma antena de metal com um prato ou cilindro na ponta conectada a outra igual a uma distância de 2,4 km, se convence do potencial do novo sistema de comunicação. 

Em 1896, Marconi registra uma patente em Londres. Três anos depois, consegue transmitir sinais do Código Morse através do Canal da Mancha. É o telégrafo sem fio. Em setembro de 1918, ele faz a primeira transmissão de rádio da Inglaterra para a Austrália.

O sociólogo canadense Marshall McLuhan, o papa da comunicação, o pensador que mais previu a revolução tecnológica atual, chama o mundo eletroeletrônico criado pelas telecomunicações de Galáxia de Marconi, em contraste com a Galáxia de Gutenberg, o mundo criado pela tecnologia da imprensa.

TURANDOT POR TOSCANINI

    Em 1926, a ópera Turandot, do compositor italiano Giacomo Puccini, incompleta, é apresentada postumamente no Teatro La Scala, em Milão, sob a direção do maestro Arturo Toscanini.

Puccini nasce em 22 de dezembro de 1858 em Luca, na Toscana, onde por dois séculos sua família dá o diretor musical da Catedral de São Martinho. Fica órgão da pai aos 5 anos. O governo municipal ajuda sua família.

Ao assistir a uma apresentação da ópera Aída, de Giuseppe Verdi, em 1876, em Pisa, Puccini decide que sua principal vocação é a ópera. Em 1880, ele vai estudar no Conservatório de Milão.

Sua primeira ópera, La Villi, é rejeitada num concurso, mas seus amigos bancam a estreia no Teatro Verme, em Milão, em 31 de maio de 1884. É um sucesso. O produtor musical Giulio Ricordi, que se torna um grande amigo, compra os direitos e encomenda uma segunda ópera. Edgar é apresentada no Scala, em Milão, em 1889 e fracassa.

Ricordi o manda para Bayreuth, na Alemanha, estudar a obra do compositor alemão Richard Wagner. Na volta à Itália, Puccini compõe suas maiores óperas: La Bohème (1896), Tosca (1900), Madame Butterfly (1904) e Turandot, que não termina.

LIBERTAÇÃO DA ITÁLIA

    Em 1945, o Comitê de Libertação da Alta Itália proclama a insurreição em Milão e Turim, que ainda estão sob ocupação nazifascista. É o feriado em homenagem à resistência nacional contra duas décadas de ditadura fascista de Benito Mussolini.

O Duce chega ao poder com a Marcha sobre Roma em outubro de 1922, faz uma aliança com a Alemanha Nazista de Adolf Hitler, chega a ser modelo para Hitler, e leva a Itália à Segunda Guerra Mundial.

Quando os aliados invadem a Itália, em 1943, Mussolini cai e é preso, mas os nazistas o resgatam e o instalam no poder na República Social Italiana numa área do Norte do país sob seu controle. Mussolini é executado pela resistência e pendura de cabeça para baixo em Milão em 28 de abril de 1945.

REVOLUÇÃO DOS CRAVOS

    Em 1974, o Movimento das Forças Armadas, formado por oficiais que lutaram nas guerras coloniais na África, deflagra a Revolução dos Cravos ou Revolução de Abril, depõe a ditadura do Estado Novo, instaurada por António Oliveira Salazar em 1933, e inicia o processo de democratização em Portugal. Uma nova Constituição, de orientação socialista, entra em vigor em 25 de abril de 1976.


Com a adesão em massa da população, o regime praticamente não resiste. Há quatro mortes e 45 saem feridos pelos tiros da Diretoria Geral de Segurança (DGS), a polícia política da ditadura.

O governo é entregue à Junta de Salvação Nacional. Em 15 de maio de 1974, o general Antônio de Spínola assume a Presidência da República. É o autor do livro Portugal e o Futuro, sobre a obsolescência das guerras coloniais na África, um debate que esteve no centro da revolução portuguesa.

É um período de grande agitação civil, política e militar conhecido como Processo Revolucionário em Curso (PREC), marcado por manifestações, ocupações, governos provisórios, nacionalizações e confrontos armados. Vai até 25 de novembro de 1975.

Quando a situação se acalma, uma Assembleia Constituinte aprova uma nova Constituição, que entra em vigor em 25 de abril de 1976, data das primeiras eleições parlamentares da nova república.

TELESCÓPIO ESPACIAL

    Em 1990, o Telescópio Espacial Hubble, um sofiscado observatório ótico fabricado nos Estados Unidos sob a orientação da NASA (Aministração Nacional de Aeronáutica e Espaço), entra em operação, acionado pela tripulação do ônibus espacial Discovery, numa órbita a 600 quilômetros de distância da Terra.

A atmosfera da Terra gera uma névoa que ofusca a observação do Universo. Por estar em órbita, o telescópio espacial dá uma visão mais clara, mais brilhante e mais detalhada. Pode captar a luz visível, os raios ultravioleta e infravermelhos.


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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Trump busca acordo para dar à derrota aparência de vitória

Depois de vários ultimatos sem consequências, o presidente Donald Trump se rendeu à realidade e admitiu que não tem condições de decidir quando termina a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. No momento há uma trégua, uma guerra econômica em torno do bloqueio do Estreito de Ormuz, sem perspectivas de paz.

Trump perdeu a guerra, no sentido de que não atingiu nenhum de seus objetivos políticos, mas quer sair cantando vitória. O regime teocrático iraniano não caiu e está mais determinado do que nunca a fazer armas nucleares. O Irã ainda tem a metade de seu arsenal de mísseis e as milícias aliadas no Oriente Médio resistem.

A guerra elevou os preços internacionais do petróleo para um patamar de mais de US$ 100 por barril com forte impacto sobre a economia mundial, especialmente para os países em desenvolvimento da África e da Ásia. Além do petróleo e do gás natural, passam pelo Estreito de Ormuz fertilizantes e outros produtos essenciais. Mais de 700 milhões de pessoas sofrem de desnutrição crônica. Com esta guerra, outras 45 milhões devem ter fome aguda.
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Hoje na História do Mundo: 24 de Abril

BIBLIOTECA DO CONGRESSO

    Em 1800, a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos é fundada oficialmente quando o presidente John Adams destina uma verba de US$ 5 mil para a compra de livros que "possam ser necessários para uso no Congresso".

 
A Biblioteca do Congresso é a maior do mundo. Recebe todos os livros publicados nos EUA. Seu acervo chega a 170 milhões de itens em 2020.

Durante a Guerra de 1812, em 24 de agosto de 1814, quando as forças britânicas incendeiam a Casa Branca e o Capitólio, destroem a coleção original de 3 mil volumes.

GUERRA HISPANO-AMERICANA

    Em 1898, a Espanha declara guerra aos Estados Unidos, que termina com a independência de Cuba e o controle norte-americano sobre Porto Rico e as Filipinas.

É um marco do começo do imperialismo dos EUA e o fim do imperialismo da Espanha, que vinha desde a Descoberta da América pelos europeus em 1492.

A principal causa da guerra é o movimento pela independência de Cuba. Jornais sensacionalista dirigidos por Joseph Pulitzer e William Randolph Hearst fomentam um sentimento antiespanhol na opinião pública dos EUA, que vê os cubanos oprimidos pelo colonialismo espanhol.

Depois do naufrágio misterioso do couraçado norte-americano USS Maine no porto de Havana, o Partido Democrata pressiona o presidente republicano William McKinley. A Espanha tenta um acordo, mas os EUA rejeitam e enviam um ultimato para que a Espanha entregue o controle de Cuba.

Quando Madri recusa, os EUA declaram guerra em 21 de abril. A Espanha declara guerra três dias depois. A guerra dura 10 semanas, até 13 de agosto de 1898.

GENOCÍDIO ARMÊNIO

    Em 1915, o Império Otomano prende em Constantinopla e executa cerca de 250 intelectuais e líderes da comunidade armênia no Domingo Vermelho, marco do início de grandes perseguições e massacres que causam a morte de 800 mil a 1,8 milhão de pessoas no Genocídio Armênio.

O genocídio é realizado em duas etadas: primeiro, matando a população masculina adulta; e depois deportando mulheres, crianças, idosos e doentes em marchas da morte que levam ao deserto da Síria sem água e comida, sujeitas a roubos, estupros e massacres. Outros grupos étnicos e religiosos, como os cristãos, os assírios e os gregos, também são perseguidos.

Quando Raphael Lemkin cria a palavra genocídio em 1943 pensa muito no caso armênio. É o segundo genocídio mais estudado, depois do Holocausto cometido pela Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-45).

A Turquia, herdeira do Império Otomano, dissolvido depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18), nega o Genocídio Armênio.

REVOLTA DA PÁSCOA

    Em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), a Irmandade Republicana Irlandesa, uma sociedade secreta de nacionalistas da Irlanda liderada por Patrick Pearse, lança, com o apoio dos socialistas irlandeses chefiados por James Connolly, a Revolta da Páscoa, uma rebelião armada contra séculos de dominação inglesa e britânica, na segunda-feira da Semana Santa.

Os rebeldes atacam a sede do governo britânico, tomam a sede central do correio em Dublin e proclamam a independência da Irlanda. Na manhã seguinte, dominam boa parte da capital irlandesa. À noite, em 25 de abril, as autoridades do Reino Unido reagem.

A revolta é esmagada até 29 de abril e termina no dia seguinte. Pelo menos 500 pessoas morrem na rebelião: 54% eram civis, 30% soldados britânicos e policiais legalistas e 16% eram rebeldes. Pearse e outros 14 nacionalistas são executados.

Em 21 de janeiro de 1919, deputados do Sinn Féin (SF) eleitos em 1918 convocam o Primeiro Dáil, a primeira sessão do Parlamento irlandês e fundam a República da Irlanda. O Reino Unido não aceita. Começa a Guerra da Independência da Irlanda, travada entre o Exército Republicano Irlandês (IRA) e o Exército Real Britânico.

A guerra dura 2 anos, 5 meses, 2 semanas e 6 dias. Termina em 11 de julho de 1921, com 2,3 mil mortos. Pelo Tratado Anglo-Irlandês, a partir de 1º de janeiro de 1922, 26 dos 32 condados da ilha formam o Estado Livre Irlandês. Os outros seis, de maioria protestante, viram a Irlanda do Norte, que continua fazendo parte do Reino Unido e não é reconhecida pelo SF.

A discriminação aos católicos, nacionalistas e republicanos irlandeses na Irlanda do Norte gera uma onda de protestos nos anos 1960 que leva a uma guerra civil em que 3,5 mil pessoas morrem entre 1969 e 1998, quando é assinado o Acordo Paz da Sexta-Feira Santa, no qual as comunidades católica e protestante se comprometem a dividir o poder.

Com a saída do Reino Unido da União Europeia, a instalação de uma fronteira entre a Irlanda e a Irlanda do Norte reacendeu o conflito. No acordo do divórcio, as duas partes decidiram não criar uma "fronteira dura", mas os protestantes da Irlanda do Norte também não querem uma fronteira no mar com o Reino Unido. O impasse não é resolvido.

O governo britânico aponta uma solução em que há dois controles aduaneiros entre a Grã-Bretanha e a Irlanda do Norte: um para produtos que vão ficar dentro do Reino Unido, mais rápido; e outro para produtos que sigam para a República da Irlanda, que fez parte da União Europeia. 

A manobra evita a fronteira dura capaz de reacender o conflito e os protestantes da Irlanda do Norte aceitaram formar o governo de união nacional liderado pelo SF, o partido mais votado nas últimas eleições norte-irlandesas.

PRIMEIRO ASTRONAUTA MORRE NO ESPAÇO

    Em 1967, o cosmonauta soviético Vladimir Komarov morre ao voltar à Terra. Sua espaçonave se enreda no principal paraquedas a vários quilômetros de altitude e se choca com violência contra o solo.

Vladimir Mikhailovich Komarev nasce em Moscou em 16 de março de 1927. Ele entra para a Força Aérea aos 15 anos e se torna um piloto em 1949. Dez anos depois, Komarev se forma na Academia de Engenharia Militar da Força Aérea em Jukovsky, na Grande Moscou.

Em 12 e 13 de outubro de 1964, Komarev pilota a nave Voskhod 1 na primeira missão especial com mais de um homem a bordo. Em 23 de abril de 1967, Komarov se torna o primeiro cosmonauta russo a subir ao espaço. Na 18ª volta ao redor da Terra, ele tenta pousar e morre na queda.

 RESGATE FRACASSADO

    Em 1980, o governo Jimmy Carter envia uma missão para resgatar os reféns sequestrados na embaixada dos Estados Unidos no Irã em 4 de novembro de 1979, em plena Revolução Islâmica. A operação militar fracassa e oito soldados norte-americanos morrem.

O antiamericanismo da Revolução Iraniana tem origem na revolta contra o golpe que derruba o governo nacionalista de Mohamed Mossadegh em 1953, que planeja estatizar o petróleo. É o primeiro golpe articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) na Guerra Fria.

Em 1957, com a ajuda dos serviços secretos dos EUA e de Israel, o xá cria sua temida polícia, a Savak, acusada pelas oposições por até 100 mil mortes. Era uma sombra permanente na vida do cidadão iraniano durante a ditadura. É outro motivo importante para a Revolução Islâmica.

No caos pós-revolucionário, em 4 de novembro de 1979, guardas revolucionários invadem a Embaixada dos EUA em Teerã e sequestram os 66 funcionários e diplomatas. 

O governo Jimmy Carter autoriza uma operação para libertar os norte-americanos, que fracassa e ajuda a eleger Ronald Reagan. Carter é o único presidente que não manda tropas realizarem intervenções militares na História dos EUA. Sua única tentativa é essa operação de comandos da Força Delta no Irã.

A Operação Garra de Águia tenta resgatar os reféns em 24 de abril de 1980. Só cinco dos oito helicópteros enviados chegam à base de apoio, no meio do deserto, em condições técnicas. Um tem problemas hidráulicos. Outro é danificado por uma tempestade de areia fina. 

Durante o planejamento, fica decidido que a missão seria abortada se menos de seis helicópteros estivessem em condições, embora fossem necessários apenas quatro. Numa decisão discutida até hoje, os comandantes pediram autorização para abandonar a missão. Carter concordou. 

Quando a força estava se retirando, um helicóptero bateu num avião de transporte com soldados e combustível, que explodiu em chamas e matou oito soldados. Um fracasso total. 
A ocupação da embaixada dura 444 dias, até a posse de Ronald Reagan, em 20 de janeiro de 1979. Só aí são soltos os últimos 52 reféns.

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