terça-feira, 18 de junho de 2019

Trump anuncia encontro longo com Xi no Japão

O presidente Donald Trump anunciou hoje que terá um longo encontro com o ditador Xi Jinping durante a reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20) em Osaka, no Japão, nos dias 28 e 29 de junho, para tentar negociar o fim da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China.

"Tive uma conversa telefônica muito boa com o presidente da China", escreveu Trump no Twitter. "Teremos um longo encontro na próxima semana no G-20 no Japão. Nossas equipes vão iniciar as negociações antes do encontro."

Em maio, Trump aumentou para 25% a tarifa de importação sobre produtos chineses importados pelos EUA no valor de US$ 200 bilhões anuais. A China retaliou impondo tarifas de 25% sobre produtos americanos importados no valor anual de US$ 60 bilhões.

Para pressionar a China, o Tesouro dos EUA iniciou consultas para aumentar para 25% as tarifas sobre outros produtos chineses importados no valor anual de US$ 300 bilhões, o que cobriria todas as exportações para China para os EUA.

Xi confirmou o encontro em entrevista à televisão estatal chinesa: "Como as duas maiores economias do mundo, a China e os EUA devem desempenhar um papel principal na promoção de resultados positivos na Cúpula de Osaka do G-20 e injetar confiança e vitalidade ao mercado global. (...) Gostaria de trocar visões sobre questões fundamentais relacionados ao desenvolvimento das relações EUA-China."

Antes, na quinta e na sexta-feira desta semana, Xi vai a Pyongyang. Será sua primeira visita à Coreia do Norte, num sinal de prestígio ao ditador Kim Jong Un. As negociações para desnuclearizar a Península Coreana estão estagnadas desde o fracasso do encontro de cúpula entre Kim e Trump em 27 e 28 de fevereiro, em Hanói no Vietnã.

As bolsas de valores subiram com a expectativa de uma solução para o conflito comercial entre EUA e China.

Atentado suicida do Boko Haram mata 30 pessoas na Nigéria

O governador do estado de Borno, Babagana Umara, prometeu ontem fortalecer o sistema de saúde pública para melhorar a resposta a emergências, um dia depois que um triplo atentado terrorista suicida matou 30 pessoas e feriu outras 42 em Mandari, na região de Konduga, no Nordeste da Nigéria, o país mais rico e mais populoso da África.

Eram por volta de oito horas da noite pelo hora local (4h10) quando os terroristas se explodiram. Umara visitou o setor de emergência do hospital local, consolou os feridos e famílias - e pediu à direção do hospital para apresentar um plano de expansão do setor de emergência. As obras seriam iniciadas imediatamente.

Umara doou uma quantia não revelada para as vítimas e prometeu ajuda do governo para pagar todas as despesas de tratamento médico dos feridos.

Desde que aderiu à luta armada para impor uma versão extremista e puritana do Alcorão, a guerra ao Boko Haram, cujo nome significa "não à educação ocidental", matou entre 14 e 20 mil pessoas.

À medida que aumenta o radicalismo islâmico na África Subsaariana, especialmente na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara, aumenta o desafio nesta nova frente da guerra contra o terrorismo dos extremistas muçulmanos.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Morte na prisão de presidente eleito do Egito é sinal do fracasso da Primavera Árabe

O ex-presidente Mohamed Mursi, o único eleito democraticamente na história do Egito morreu hoje num tribunal onde era processado por espionagem. Ele foi eleito em 2012 e deposto em 3 de junho de 2015, depois de pouco mais de um ano no cargo.

Sua morte é um bom momento para fazer um balanço da Primavera Árabe, uma tentativa frustrada de democratizar os países árabes que enfrentou forte resistência das monarquias absolutistas como a Arábia Saudita. Meu comentário:


Morre na prisão o único presidente eleito da história do Egito

O ex-presidente do Egito Mohamed Mursi, derrubado por um golpe militar em 3 de julho de 2013, morreu aos 67 hoje num tribunal do Cairo. Mursi, da Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, foi eleito em 2012, depois da queda do ditador Hosni Mubarak na Primavera Árabe, em 11 de fevereiro de 2011. Sua morte deve provocar protestos dos islamistas.

Mursi sofria de diabetes e teve um colapso cardíaco depois de uma audiência no tribunal, onde respondia a processos. Sua deposição pelo atual ditador, marechal Abdel Fattah al-Sissi, marcou o fim da breve experiência democrática do Egito.

Depois da queda, o ex-presidente foi condenado a 45 anos de prisão, a 20 anos por incitar as forças de segurança a atacar manifestantes em 2012 e a 25 anos por espionagem a favor do Catar, aliado da Irmandade Muçulmana, declarada grupo terrorista pelo novo governo egípcio.

Um de seus maiores aliados, o ditador da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, o chamou de mártir: "Que Alá dê a nosso mártir, nosso irmão Mursi, sua misericórdia. Outro aliado importante, o emir do Catar, xeque Tamin ben Hamad al-Thani, manifestou "profunda tristeza".

Com o golpe, mais de 1,4 mil manifestantes da Irmandade Muçulmana foram mortos e 15 mil presos. Centenas de islamistas foram condenados nos últimos anos sob acusação de terrorismo. Os mesmos ativistas que derrubaram Mubarak na esperança de democratizar o país saíram às ruas para denunciar o autoritarismo de Mursi e da Irmandade Muçulmana, convidando os militares a dar o golpe de 2013.

O regime hoje é ainda mais repressivo do que no tempo de Mubarak. A Primavera Árabe só democratizou a Tunísia. A Líbia, a Síria e o Iêmen estão até hoje em guerra civil.

domingo, 16 de junho de 2019

Super-ricos ganharam mais de US$ 21 trilhões em 30 anos nos EUA

O 1% mais rico da população dos Estados Unidos ganhou mais de US$ 21 trilhões desde 1989, enquanto a metade mais pobre perdeu US$ 900 bilhões, revelou a Contabilidade Financeira Distributiva, uma nova série de dados divulgada pela Reserva Federal (Fed), o banco central do país.

Junto com as Contas Financeiras e a Sondagem das Finanças do Consumo, estes dados estimam a distribuição da riqueza e revelam uma brutal concentração da renda nas últimas três décadas.

No mundo, havia 226.560 super-ricos, em 2017, definidos como quem tem uma riqueza de US$ 30 milhões ou mais. Eles têm juntos US$ 27 trilhões.

O Brasil é o 14º país em número de super-ricos. Eram 3.570 em 2017, quando foi registrada uma queda de 9,6% na sua renda por causa da recessão econômica.

sábado, 15 de junho de 2019

Governadora de Hong Kong suspende tramitação da lei de extradição

Sob pressão de uma onda de manifestações populares, a governadora Carrie Lam suspendeu hoje a tramitação de um projeto de lei que autorizaria a extradição para a China de pessoas detidas no território. A governadora declarou que a proposta não havia sido apresentada de maneira "adequada".

Mais de um milhão de pessoas marcharam pelas ruas de Hong Kong e enfrentaram a polícia em 9 de junho para repudiar a lei, que acabaria com a independência judiciária do território, que tem o status de uma região administrativa especial.

Horas depois do anúncio de hoje, já no domingo pela hora local centenas de milhares de chineses de Hong Kong festejaram a vitória e marcharam pelas ruas da cidade em protesto contra a interferência cada vez maior de Beijim nos assuntos do território. Os cartazes diziam "Não à extradição para a China" e exigiam a renúncia da governadora aliada ao regime comunista.

Quando negociou a devolução da colônia tomada pelo Império Britânico nas Guerras do Ópio, no século 19, o regime comunista chinês prometeu manter o sistema capitalista e as liberdades democráticas em Hong Kong durante 50 anos.

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Boris Johnson é favorito para primeiro-ministro do Reino Unido

O ex-prefeito de Londres e ex-ministro do Exterior Boris Johnson, ganhou com ampla vantagem a primeira votação para escolha do próximo líder do Partido Conservador e futuro primeiro-ministro britânico. Aumenta o risco de uma saída dura da União Europeia, sem qualquer acordo.

Na primeira votação, Johnson teve 114 votos, mais do que os dois outros fortes candidatos somados. O ministro da Defesa, Jeremy Hunt, foi o segundo, com 43, seguido pelo ministro do Meio Ambiente, abalado pela confissão de que cheirou cocaína quando jovem, com 37.

A segunda votação será realizada na próxima terça-feira, 18 de junho. Os dois mais votados serão submetidos a uma eleição em que todos os filiados do Partido Conservador podem participar votando pelo correio. O resultado sai no dia 22.

Dos dez candidatos, oito estão defendendo uma ruptura total com a UE, especialmente Johnson, que não admite novo adiamento além do prazo atual, 31 de outubro. Até lá, não haveria tempo para renegociar o acordo e os outros 27 países da UE já rejeitaram a renegociação do acordo negociado pela ex-primeira-ministra Theresa May, derrotado três vezes em votações na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.

Uma ruptura total pode ser catastrófica para a quinta maior economia do mundo. De acordo com o Banco da Inglaterra, o produto interno bruto pode cair até 10% em cinco anos. Meu comentário:

Crescimento industrial da China é o menor em 17 anos

Sob o impacto da guerra comercial deflagrada pelos Estados Unidos, a produção industrial da China registrou em maio o menor ritmo de crescimento em 17 anos, de 5% ao ano. Setores importantes como automóveis, produtos médicos e equipamentos de informáticas tiveram fortes desacelerações, noticiou o jornal inglês Financial Times.

As negociações com os EUA se estagnaram em maio, quando o presidente Donald Trump aumentou para 25% as tarifas sobre produtos importados da China com valor anual de US$ 200 bilhões e colocou a maior fabricante mundial de equipamentos de telecomunicações, a Huawei, numa lista de empresas que ameaçam a segurança nacional.

Há uma esperança de que o impasse seja superado num encontro de Trump com o ditador Xi Jinping durante a reunião de cúpula do Grupo dos 20 em Osaka, no Japão, em 28 e 29 de junho.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

EUA acusam Irã por ataques a petroleiros no Golfo de Omã


O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, responsabilizou o Irã pelos ataques contra dois petroleiros hoje no Golfo de Omã, depois de ataques contra quatro navios-tanques num porto dos Emirados Árabes Unidos no mês passado. 

Há duas semanas, em visita aos Emirados Árabes Unidos, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, o linha-dura John Bolton, declarou estar “quase certo” de que foi o Irã ou aliados.

Pompeo afirmou hoje que esses ataques não provocados são uma clara ameaça à paz e à segurança internacionais e um assalto à liberdade de navegação. Meu comentário:

Ataque a dois navios petroleiros aumenta tensão no Oriente Médio

Dois navios-tanque foram alvo de bombas hoje no Golfo de Omã perto do Estreito de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico, forçando suas tripulações a abandoná-los, um mês depois de ataques a quatro petroleiros num porto dos Emirados Árabes Unidos. 

Aumenta a tensão entre Estados Unidos e Arábia Saudita, de um lado, e do Irã, do outro, que já estava em alta com um ataque de míssil de rebeldes apoiados pelo Irã contra um aeroporto saudita, e o risco de guerra no Oriente Médio, adverte o jornal The New York Times.

Ainda não se sabe quem foram os responsáveis pelos ataques de hoje e do mês passado. Há duas semanas, em visita aos Emirados Árabes Unidos, aliados da Arábia Saudita, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, afirmou estar "quase certo" de que foi o Irã ou aliados.

Um dos navios atacados pertence à empresa norueguesa Frontline e estava fretado pela companhia estatal de petróleo de Taiwan para transportar nafta. Todos os 23 tripulantes foram resgatados.

O outro navio era do Panamá e transportava metanol do porto de Jubail, na Arábia Saudita, para Cingapura. Os 21 tripulantes eram filipinos. Eles deixaram o navio e foram resgatados por um barco que passava.

Ontem, o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, foi a Teerã, onde se reuniu com o presidente Hassan Rouhani. Hoje, encontra-se com o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, para tentar intermediar um alívio de tensão entre EUA e Irã - e reduzir o risco de guerra.

Khamenei, o homem-forte da ditadura teocrática iraniana, rejeitou qualquer possibilidade de diálogo com o governo Donald Trump. O ministro do Exterior do Irã, Mohamed Javad Zarif, declarou que os ataques são uma jogada para impedir o diálogo e provocar uma agressão.

No mês passado, o ministro da Defesa do Reino Unido, Jeremy Hunt, candidato a líder do Partido Conservador e próximo primeiro-ministro britânico, declarou estar "preocupado com o risco de um conflito deflagrado por acidente".

Os rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã na guerra civil do Iêmen fizeram ataques recentes a alvos sauditas, inclusive oleodutos. Ontem, bombardearam o aeroporto de Abba, no Sudoeste da Arábia Saudita, com um míssil de cruzeiro, ferindo 26 pessoas.

Em 8 de maio de 2018, o presidente Trump retirou os EUA de um acordo negociado pelas cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas, a Alemanha e o Irã para congelar por dez anos o programa nuclear militar iraniano.

Meses depois, o governo Trump reimpôs duras sanções econômicas para tentar impedir o Irã de exportar petróleo. No mês passado, os EUA enviaram um grupo naval liderado por um porta-aviões e mais 1,5 mil soldados para a região do Golfo Pérsico.

Trump alega não querer guerra com o Irã, mas sua estratégia de "pressão máxima" cria uma situação de altíssimo risco.

Um terço do petróleo exportado no mundo passa pelo Estreito de Ormuz. Os preços do petróleo subiram hoje mais de 3%.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Epidemia de ebola no Congo se alastra para Uganda

A avó e um irmão de uma criança de cinco anos morta pelo vírus ebola em Uganda foram contaminados pela doença, confirmando a propagação da epidemia que começou na República Democrática do Congo, noticiou hoje a televisão pública britânica BBC.

Os conflitos no Congo, que causaram ataques contra clínicas e equipes de combate à doença, impediram o controle da epidemia até agora, ao contrário do que aconteceu na Nigéria no surto epidêmico anterior na África, que deixou milhares de mortos na Guiné, na Libéria e em Serra Leoa.

Aquela epidemia começou na Guiné em dezembro de 2013 e só foi declarada extinta pela Organização Mundial da Saúde em janeiro de 2016, depois de contaminar 26.683 pessoas e matar 11.022.

O primeiro caso no Congo foi registrado em 24 de agosto de 2014. O surto atual, na região central da África, não tem relação com o anterior, ocorrido na África Ocidental, e já é o segundo maior da história, com 1.931 casos e 1.263 mortes confirmadas.

A região atingida em Uganda é remota, mas perto há áreas densamente povoadas. Se forem afetadas, a epidemia se alastra e vai exigir mais tempo e mais recursos para ser controlada.

Hong Kong adia debate sobre lei de extradição para a China

Diante de uma onda de protestos populares, o Conselho Legislativo de Hong Kong adiou hoje o debate sobre um projeto de lei que permite a extradição para a República Popular da China, onde a Justiça é controlada pelo regime comunista.

Centenas de milhares de pessoas saíram às ruas da ex-colônia britânica e enfrentaram a polícia hoje, depois de uma manifestação de cerca de 1 milhão no domingo passado, 9 de junho, quando também houve protestos na Alemanha, na Austrália, no Canadá, nos Estados Unidos e no Reino Unido.

Apesar das manifestações, o governo regional pretende retomar a tramitação do projeto e realizar a votação nas próximas semanas. Mas os protestos devem continuar. Desta vez, não são apenas estudantes. Empresários e profissionais liberais também não querem o fim da independência do Judiciário de Hong Kong.

Como o regime comunista chinês se nega a ceder sob pressão, já acusou estrangeiros pela onda de protestos e tem maioria no parlamento local, a lei deve ser aprovada, mesmo contrariando o acordo assinado com o Reino Unido em 1984 para a devolução da colônia à China, em 1997.

A governadora Carrie Lam, subserviente a Beijim, quer marcar a votação para quinta-feira da próxima semana. O projeto amplia a lei de extradição, que hoje tem 20 países, para incluir a República Popular da China, Macau e Taiwan.

A partir de 1º de julho de 1997, Hong Kong passou a ser uma região administrativa especial em que a China prometeu manter o sistema capitalista e as liberdades democráticas por 50 anos, na fórmula "um país, dois sistemas", que gostaria de aplicar também a Taiwan. Está ignorando o acordo.

Rebeldes do Iêmen apoiados pelo Irã atacam aeroporto saudita com míssil


O ataque com míssil de cruzeiro hoje ao aeroporto internacional de Abba, no Sudoeste da Arábia Saudita, mostra o aumento da capacidade ofensiva dos rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã na guerra civil do Iêmen. Mísseis de cruzeiro são mais precisos do que mísseis balísticos e os sistema de lançamento têm maior mobilidade.

Vai aumentar a tensão entre a Arábia Saudita e o Irã e entre os Estados Unidos e o Irã, que é grande desde que o presidente Trump rompeu o acordo nuclear com o regime fundamentalista iraniano e reimpôs duras sanções econômicas para pressionar os aiatolás a negociar. Meu comentário: