domingo, 18 de agosto de 2019

Manifestantes de Hong Kong mostram força

Cerca de 1,7 milhão de pessoas do movimento pela democracia e a liberdade, 23% da população do território, saíram hoje às ruas de Hong Kong pela 11ª semana consecutiva, desafiando a polícia, a governadora regional e o regime comunista da China. 

A polícia afirmou que eram apenas 128 mil manifestantes. Em contraste com a violência das últimas semanas, o protesto foi pacífico e não houve repressão violenta.

Em dezenas de outras cidades, inclusive Londres, Melbourne, Nova York, Sídnei e Toronto, houve manifestações em apoio aos cidadãos de Hong Kong.

A polícia de Hong Kong tem usado força excessiva, gás lacrimogênio e balas de borracha. Depois que uma menina foi baleada no olho, vários manifestantes passaram a usar uma venda com uma mancha vermelha.

Até mesmo a tropa de choque das máfias locais foi acionada pela ditadura de Beijim para tentar esmagar o movimento. Sem sucesso.

A República Popular da China está aumentando a pressão sobre a classe empresarial para ficar ao lado do regime comunista, sob pena de ser excluído do mercado da China continental.

Na sexta-feira, a ditadura de Xi Jinping ordenou à companhia aérea Cathay Pacific que exclua dos seus voos para a China pilotos, comissários de bordo e aeromoças que participaram dos protestos.

Agora, pressiona as grandes empresas internacionais de contabilidade - PwC, KPMG, Deloitte e Ernst & Young - por causa de um anúncio de jornal publicado por funcionários destas companhias em apoio às manifestações.

O jornal chinês The Global Times, porta-voz da linha dura do regime comunista chinês, exigiu que as empresas "demitam empregados que adotaram uma posição errada diante da situação em Hong Kong".

Quando o Reino Unido devolveu a antiga colônia britânica à China, em 1997, o regime comunista prometeu manter o regime liberal durante 50 anos. A onda de manifestações começou em protesto contra um projeto de lei para autorizar a extradição de cidadãos de Hong Kong para responder a processos criminais na China continental.

A proposta acaba com a independência judiciária da suposta região administrativa especial e com a fórmula "um país, dois sistemas", criada tendo em vista também a reunificação com Taiwan.

sábado, 17 de agosto de 2019

EUA devem prorrogar licença para Huawei

O Departamento do Comércio dos Estados Unidos devem prorrogar por 90 dias uma "licença temporária geral" para a companhia chinesa fabricante de equipamentos de telecomunicações Huawei, noticiou a agência Reuters. A licença, que vence no dia 19, permite à Huawei comprar suprimentos de empresas americanas.

Em nome da segurança nacional, o presidente Donald Trump acusa a Huawei de ser ligada ao regime comunista chinês e de participar de esquemas de espionagem. Está pressionando os aliados a não contratarem a companhia chinesa para implantar a tecnologia de telecomunicação móvel de quinta geração (5G).

Depois de colocar a Huawei numa lista negra, o Departamento do Comércio permitiu em maio que a empresa comprasse alguns produtos americanos. O objetivo foi evitar prejuízos para companhias de alta tecnologia dos EUA que tem a Huawei como um de seus maiores consumidores.

Agora, apesar das supostas ameaças à segurança nacional, Trump está disposto a usar a Huawei como moeda de troca. A prorrogação de licença tenta ressuscitar as negociações sobre produtos agrícolas. Quando Trump anunciou a imposição de tarifas de 10% sobre US$ 300 bilhões em importações anuais da da China, o governo chinês parou de comprar produtos agrícolas dos EUA.

Os agricultores e fazendeiros são uma base política importante do Partido Republicano, hoje um partido forte nas pequenas cidades e nas zonas rurais. Se não houve avanço nas negociações com a China, a licença pode não ser prorrogada.

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Ultranacionalismo ameaça a maior democracia do mundo

A República da Índia, multiétnica, plurirreligosa e multicultural, é a maior democracia da Terra. O país realiza as maiores eleições do planeta. Em sete dias, durante sete semanas, cerca de 900 milhões de eleitores estão aptos a votar. Um em cada oito seres humanos. O Exército da Índia se desloca pelo país para garantir a segurança do pleito. Não teria condições se todos votassem no mesmo dia.

A Índia culturalmente diversa e plural é a obra do grande herói da independência, Mohandas Gandhi, o Mahatma, líder da luta pacífica contra o império, e do primeiro chefe de governo do país, Jawaharlal Nehru. Os fatos das últimas duas semanas abalam esta experiência formidável, que completou 72 anos no dia 15.

Ao acabar com a autonomia da Caxemira, o primeiro-ministro ultranacionalista hindu Narendra Modi rebaixa esta democracia, um verdadeiro milagre do pluralismo, observa o historiador Ramachandra Guha, em artigo publicado no jornal americano The New York Times. Meu comentário:

PetroChina suspende importação de petróleo da Venezuela

Para escapar da sanções impostas pelos Estados Unidos, a companhia estatal PetroChina parou de comprar petróleo da Venezuela, noticiou hoje a agência de notícias Bloomberg.

A China é a maior importadora de petróleo bruto da Venezuela, junto com a Índia. Em junho, comprou cerca de 275 mil barris por dia.

A decisão reduz o risco da PetroChina ser afetada pelas sanções cruzadas, embora possa tentar fazer isso indiretamente, através de outras empresas.

O presidente Donald Trump aumentou as sanções contra a ditadura de Nicolás Maduro e a companhia estatal Petróleos de Venezuela S. A. (PdVSA), com o objetivo de aumentar a pressão para derrubar o regime chavista.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Atual conflito na Caxemira tem primeiras mortes, a serem confirmadas

A anexação da Caxemira pode provocar uma nova guerra no Sul da Ásia. Oito soldados morreram no conflito entre Índia e Paquistão, que são potências nucleares. Uma troca de tiros ao longo da linha de controle deixou cinco soldados indianos e três paquistaneses mortos, afirmou hoje o porta-voz do Exército do Paquistão, general Assif Ghafoor. A Índia nega que suas forças tenham sofrido qualquer baixa. 

Já houve trocas de tiros desde que o governo nacionalista hindu do primeiro-ministro Narendra Modi anunciou o fim da autonomia da Caxemira e tomou medidas para integrá-la à união indiana.

As escaramuças ao longo da fronteira, chamada de linha de controle porque não é reconhecida, são comuns. Mas uma escalada na violência pode levar a retaliações mais fortes e a ataques de militantes muçulmanos ligados ao Paquistão, aumentando o risco de guerra entre as duas potências nucleares.Meu comentário:

Israel veta visita de deputadas americanas sob pressão de Trump

Sob pressão do presidente Donald Trump, o governo de Israel proibiu uma visita ao país e aos territórios árabes ocupados de duas deputadas muçulmanas de origem árabe da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.

O primeiro-ministro linha-dura de Israel, Benjamin Netanyahu, havia concordado com a visita por serem deputadas do Congresso dos EUA. Ao mudar de ideia, sob pressão de Trump, que alegou ser um sinal de fraqueza, Netanyahu declarou que "Israel está aberto a críticas, não a boicotes".

Seu ministro do Exterior, Israel Katz, justificou a medida "devido a seu flagrante apoio ao boicote ao Estado de Israel, ao terrorismo contra Israel e a minimizar o Holocausto." Omar, que reconhece Israel como a única democracia do Oriente Médio, considerou a decisão "arrepiante" e "antidemocrática".

As deputadas Ilhan Omar e Rashida Tlaib apoiam o movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções), que defende o fim da ocupação dos territórios árabes, igualdade entre cidadãos israelenses de origem árabe e de origem judaica, e o direito de retorno dos palestinos expulsos de suas terras desde a fundação de Israel, em 1948.

O principal grupo de pressão a favor dos interesses israelenses nos EUA, a AIPAC (Comitê de Assuntos Públicos EUA-Israel), criticou a decisão de Netanyahu, afirmando que, embora seja contra a atuação das deputadas, entende deveriam ter o direito de ver pessoalmente a situação.

Em campanha para as eleições de 17 de setembro e em empate técnico nas pesquisas de opinião, o primeiro-ministro israelense preferiu ficar ao lado do aliado Trump, que escolheu quatro deputadas da ala mais à esquerda do Partido Democrata como inimigas e tenta apresentá-las como a verdadeira face da oposição.

O apoio a Israel é uma das poucas causas que tem apoio dos dois grandes partidos dos EUA. Historicamente, o Partido Democrata era mais favorável a Israel. Isto começou a mudar quando o presidente Ronald Reagan (1981-89) atraiu os evangélicos pentecostalistas, que costumavam não votar, para o Partido Republicano forjando uma aliança da direita religiosa cristã com Israel.

Ao acusar o Partido Democrata de ser anti-israelense, Trump ameaça romper o consenso bipartidário dos EUA em apoio a Israel. O Estado de Israel sai perdendo.

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Risco de recessão mundial assusta mercados financeiros

A guerra comercial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a China ameaça provocar uma recessão mundial e causa pânico nos mercados do mundo inteiro. Aqui no Brasil, o dólar volta a passar dos R$ 4.

O dia começou com notícias de crescimento decepcionante da indústria e do varejo na China, a segunda maior economia do mundo. Com o recuo de 0,1 por cento no segundo trimestre do produto interno bruto da Alemanha, a maior economia da Europa e quarta do mundo, está à beira da recessão. O mesmo acontece com o Reino Unido, que não consegue resolver a saída da União Europeia e talvez já esteja em recessão. 

O medo de uma contração da economia mundial provocou uma fuga para aplicações mais seguras, especialmente títulos da dívida pública do governo dos Estados Unidos. 

Em consequência, o rendimento dos bônus de dez anos do Tesouro americano caiu abaixo do rendimento dos títulos de dois anos, o que não acontecia desde 2007. 

Além disso, há hoje 15 trilhões de dólares, 60 bilhões de reais investidos em títulos de dívida pública com rendimento negativo, ou seja, os investidores preferem perder dinheiro porque não veem boas opções para aplicar em empresas. Com tudo isso somado, o mercado viu um forte risco de recessão. Meu comentário:

Bolsa de Nova York desaba por medo de recessão e dólar sobe no Brasil

O Índice Dow Jones, da Bolsa de Valores de Nova York, sofreu hoje a maior queda do ano, de 800,49 pontos (-3,05%), depois que o rendimento dos títulos de 10 anos do Tesouro dos Estados Unidos caiu abaixo do rendimento dos títulos de 2 anos, o que não acontecia desde 2007, num sinal de grande risco de recessão.

Com o recuo de 0,1% do produto interno bruto da Alemanha, quarta maior economia do mundo e quarta da Europa, no segundo trimestre e indicadores decepcionantes também na China, segunda maior economia do mundo, onde o varejo e a indústria cresceram abaixo do previsto, o pessimismo tomou conta dos mercados financeiros. 

Além disso, há US$ 15 trilhões (R$ 60 trilhões) investidos em bônus de dívida pública com rendimento negativo, ou seja, os investidores aceitam perder dinheiro. Aqui no Brasil, a Bolsa de São Paulo chegou a cair abaixo de 100 mil pontos, mas teve uma pequena recuperação e fechou em 100.263 pontos (-2,94%). O dólar chegou a R$ 4,03.

Nos Estados Unidos, o índice amplo S&P perdeu 2,9%, com forte queda de ações do setor de energia. A bolsa eletrônica Nasdaq, de ações do setor de alta tecnologia, caiu pouco mais de 3%.

O presidente Donald Trump culpou o Conselho da Reserva Federal (Fed), o banco central americano, e sua política de juros, mas ele é o maior responsável pela crise, com sua guerra comercial com a China.

"Se estivermos ou não indo para a recessão não é um bom sinal", comentou Michael Farr, presidente da companhia de investimentos Farr, Miller & Washington.

Neste clima de incerteza, os investidores só querem aplicar em empresas com balanços sólidos, dinheiro em caixa e sem muitas dívidas. Ou fogem para companhias que não perdem na crise, como a empresa de bens de consumo pessoal Procter & Gamble e a Johnson & Johnson.

A queda nos preços das ações e nos rendimentos dos títulos da dívida pública acabaram com o otimismo gerado pelo adiamento de parte do tarifaço de Trump sobre as importações chinesas e a recente queda nas taxas básicas de juros nos EUA.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

Trump adia parte do tarifaço para não estragar Natal dos americanos

Num recuo significativo, o presidente Donald Trump anunciou ontem que vai suspender até dezembro o tarifaço de 25% sobre produtos importados da China num valor de US$ 156 bilhões no ano passado, inclusive computadores pessoais, telefones celulares, brinquedos e roupas, a pretexto de não estragar o Natal dos americanos. Na realidade, está preocupado com o impacto da guerra comerciais sobre o mercado financeiro e a economia como um todo.

Ao fazer isso, Trump reconhece implicitamente que quem paga pelos tarifaços é o consumidor americano, embora evidentemente as fábricas chinesas produzam menos sem a voracidade do consumismo dos Estados Unidos.

O recuo veio depois de uma conversa telefônica, na terça-feira, do vice-primeiro-ministro chinês encarregado das negociações, Liu He, com o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, e o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer.

Em entrevista em Nova Jérsei, Trump declarou ter adiado o tarifaço contra certos produtos para proteger os consumidores "na época do Natal". Acrescentou ser um sinal de que "eu realmente quero fazer um acordo".

Depois do fracasso de uma reunião dos mesmos negociadores em Xangai, na China, em 29 de julho, Trump revelou a intenção de aplicar tarifas de 10% sobre produtos importados chineses num valor de US$ 300 bilhões no ano passado, a partir de 1º de setembro.

Outros produtos fabricados na China, no valor de US$ 250 bilhões em importações dos EUA em 2018, já estão sujeitos a tarifas de 25%. Para agravar a crise, quando a moeda chinesa, o iuane ou yuan, caiu abaixo de sete iuanes por dólar, os EUA acusaram a China de manipular o câmbio.

A escalada na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo e o risco de uma guerra cambial abalaram os mercados financeiros. Numa fuga para papéis mais seguros, os investidores venderam ações e compraram títulos da dívida pública de países ricos, especialmente dos EUA. O ouro e o dólar subiram.

Se Trump está preocupado em reduzir o colossal déficit dos EUA no comércio de bens, que chegou a US$ 891 bilhões em 2018, as crises que produz acabam fortalecendo a moeda americana e diminuindo a competitividade internacional da indústria americana, que pretende restaurar.

Poder popular desafia ditaduras da China e da Rússia

Apesar da ascensão do populismo e do neofascismo em países com longa tradição democrática, a democracia liberal está viva. As duas grandes potências que desafiam a democracia liberal enfrentam revoltas nas ruas e não tem outra resposta a não ser a repressão violenta.

O grande dilema do século 21 não é mais entre direita e esquerda. Em todas as democracias, o espectro político vai da extrema direita à extrema esquerda. O dilema é entre sociedades abertas e regimes políticos fechados.

Em entrevista recente ao jornal inglês Financial Times, o ditador russo, Vladimir Putin, anunciou a morte da democracia liberal. Mas, enquanto a Rússia moderniza seu arsenal nuclear para manter o status de grande potência, a maior ameaça a Putin vem de seu próprio povo.

Em Hong Kong, são os chineses que lutam para manter o sistema liberal e a sociedade aberta na antiga colônia britânica diante da interferência cada vez maior do regime comunista da China. Meu comentário:

Explosão nuclear mata cinco cientistas no Norte da Rússia

A nova corrida armamentista nuclear já faz vítimas. Uma explosão no local de testes atômicos de Nyonoksa na quinta-feira passada aumentou os níveis de radiação na área. Como no acidente nuclear de Chernobil, na Ucrânia, na antiga União Soviética, em 26 de abril de 1986, o Kremlin nega tudo e insiste que nada aconteceu.

Desta vez, o vazamento de radioatividade foi muito menor. Não chegou a atingir as vizinhas Noruega e Finlândia. Enquanto a população da cidade russa de Severodvinsk, onde a radiação subiu a 18 vezes acima do normal, procurava pílulas de iodo, que protege a glândula tiróide de absorver a radiação, Moscou tirou as informações da página da Internet da prefeitura local.

A central nuclear de Sarov era uma instalação secreta onde a URSS mantinha um arsenal de bombas de hidrogênio, as mais poderosas, durante a Guerra Fria.

Na versão oficial da ditadura de Vladimir Putin, foi apenas um acidente com um motor de foguete de combustível líquido, descrito como um "risco normal". Os cinco cientistas mortos foram chamados de "grandes heróis". Serão condecorados depois da morte e as famílias indenizadas.

O texto russo é patético. A pesquisa envolvia "a criação de fontes de energia térmica ou elétrica usando materiais radioativos, inclusive materiais físseis e radioisótopos", sem dar detalhes mais específicos sobre o projeto em que os "grandes heróis" trabalhavam.

De acordo com os serviços secretos dos Estados Unidos, provavelmente era o projeto de desenvolvimento de um míssil de cruzeiro movido a energia nuclear capaz de dar a volta no planeta e de escapar dos sistemas de defesa antimísseis americanos. É chamado de Burevestnik na Rússia e de SSC-X-9 Skyfall (Queda do Céu) pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA.

Mas também poderia ser o míssil de cruzeiro hipersônico Zircon, capaz de voar a uma velocidade oito vezes superior à do som, conforme a propaganda russa, ou um novo drone submarino de longo alcance lançado por submarino chamado Posseidon.

Os especialistas consideram estas armas "apocalípticas". Só poderiam ser usadas numa guerra nuclear total. Um jornal oficial russo descreveu o Burevestnik como "uma arma de vingança" para atacar qualquer infraestrutura depois que os mísseis nucleares balísticos intercontinentais tivessem atingido o território inimigo.

A tragédia nuclear é mais um golpe na ditadura de Putin, que enfrenta uma onda de protestos em Moscou contra vetos e mais de dez candidatos de oposição às eleições de 8 de setembro para a Câmara Municipal da capital russa.

A verdadeira ameaça a Putin não vem de mísseis nucleares inimigos, mas de seu próprio povo, cansado do autoritarismo emanado no Kremlin.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Vitória do kirchnerismo leva pânico ao mercado financeiro na Argentina

O peronismo mostrou sua força e é franco favorito para vencer as eleições de 27 de outubro na Argentina. Hoje foi um dia de pânico no mercado financeiro argentino. O peso caiu a 60 por dólar, recorde histórico de baixa, e o Índice Merval, da Bolsa de Valores da Buenos Aires, desabou em 38%. 

O Banco Central vendeu US$ 100 milhões de dólares e aumentou a taxa básica de juros de 64% para 74% ao ano, a maior do mundo, para defender a moeda, subiu para 53 pesos por dólar para grandes negócios e 58 para o público.

Tudo por causa da fragorosa derrota sofrida pelo presidente Mauricio Macri nas eleições prévias realizadas ontem. A chapa da peronista Frente para Todos, formada pelo ex-chefe da Casa Civil Alberto Fernández e pela ex-presidente Cristina Kirchner, ganhou com mais de 47% dos votos contra 32% para Macri. 

Todas as pesquisas de opinião erraram. Elas previam a vitória do kirchnerismo, mas com vantagens muito menores, de meio a oito pontos percentuais. Isso daria uma chance a Macri de vitória no segundo turno.

Pela lei argentina, bastam 45% mais um voto válido para ganhar no primeiro turno, ou 40% e uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado. Como as intenções de voto não devem se alterar muito em dois meses e meio, até o primeiro turno, em 27 de outubro, a vitória de Alberto Fernández e Cristina Kirchner é dada como praticamente certa, o que explica o pânico no mercado.

A derrota do macrismo foi total. A governadora da província de Buenos Aires, María Eugenia Vidal, que era tida como muito popular, também teve apenas 32% dos votos, enquanto o ex-ministro da Economia de Cristina Kirchner, Axel Kicillof, chegou perto dos 50%. Meu comentário:
O presidente Macri atribuiu o pânico à falta de credibilidade do kirchnerismo no mercado financeiro internacional e prometeu lutar para dar a volta por cima em 27 de outubro para chegar ao segundo turno em 24 de novembro.

Peronismo obtém grande vitória em eleições prévias na Argentina

O candidato peronista Alberto Fernández, da Frente de Todos, que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como candidata a vice-presidente, conquistou mais de 47% dos votos na eleição prévia para a Presidência da Argentina realizada ontem, contra apenas 32% para o presidente Mauricio Macri, da aliança Juntos pela Mudança.

Pela lei do país, bastam 45% mais um dos votos válidos para ser eleito em primeiro turno. Fernández é assim o franco favorito para a eleição de 27 de outubro. A meta do kirchnerismo é ganhar no primeiro turno para evitar uma união contra si no segundo turno, previsto para 24 de novembro.

"Não viemos para restaurar nenhum regime e, sim, para criar uma nova Argentina em que se acabarão os rachas, as divisões e as vinganças", declarou Fernández diante de uma multidão eufórica. "Nunca fomos loucos governando. Vamos arrumar o que os outros estropiaram. Nosso objetivo é que os argentinos recuperem a felicidade."

Com a economia em profunda crise, a derrota do macrismo foi total. Na província de Buenos Aires, onde o governo contava com a popularidade da governadora María Eugenia Vidal, ela ficou nos mesmos 32% de Macri, enquanto o ex-ministro da Economia do governo Cristina Kirchner, Axel Kicillof, chegou perto dos 50%.

A grande expectativa é qual será a reação do mercado financeiro nesta segunda-feira. Como as últimas pesquisas se mostraram totalmente erradas e eram favoráveis a Macri, a Bolsa de Valores de Buenos Aires, os índices de confiança e os bônus da dívida pública se valorizaram, na expectativa de reeleição do presidente no segundo turno.

Macri tem o apoio dos Estados Unidos, do governo Jair Bolsonaro e do Fundo Monetário Internacional (FMI), que emprestou US$ 57 bilhões para conter a queda do peso. As pesquisas davam uma vantagem de 0,5 a 8 pontos percentuais a Fernández, o que colocaria o presidente como favorito no segundo turno.

A crise é brutal. O desemprego passa de 10%, o que não acontecia desde 2006. No ano passado, a inflação ficou em 47,6, a maior em 27 anos, e o produto interno bruto caiu 2,5%. Nos últimos 12 meses até junho, a inflação foi de 55,8%. No fim do primeiro trimestre, o PIB registrava baixa de 5,8%, depois da quatro trimestres em queda. A taxa básica de juros está em 64%.

O peso argentino caiu 51% em relação ao dólar em 2018 e mais 14% no início do ano.

Outra vítima da derrota de Macri pode ser o acordo de livre comércio da União Europeia com o Mercosul, que depende da aprovação pelos parlamentos de todos os países participantes. A oposição a Macri já se pronunciou contra o acordo, considerando-o lesivo aos interesses dos trabalhadores argentinos.

Alejandro Giammattei é eleito presidente da Guatemala

Na quarta tentativa, o médico conservador e ex-diretor do sistema penitenciário Alejandro Giammattei, do partido Vamos por uma Guatemala Diferente (Vamos), foi eleito ontem presidente da Guatemala no segundo turno de votação. Com mais de 95% das urnas apuradas, ele tinha 1.857.035 votos (59%) contra 1.297.703 (41%) para a ex-primeira-dama Sandra Torres, da Unidade Nacional da Esperança (UNE).

A participação foi fraca. Pouco mais de 40% dos eleitores guatemaltecos votaram no segundo turno. O novo presidente e seu vice, Guillermo Reyes, tomam posse em 14 de janeiro de 2020.

Giammattei é o segundo presidente da Guatemala a ganhar no segundo turno depois de ficar em segundo lugar no primeiro. O primeiro foi Jorge Serrano Elías, do Movimento de Ação Solidária (MAS), em 1990.

Conservador, Giammattei é contra o aborto, contra o casamento gay, a favor da pena de morte e do uso do Exército na segurança interna. Esta última é uma questão extremamente delicada por causa do papel do Exército na violenta repressão durante a Guerra Fria, quando se estima que entre 150 e 200 mil pessoas foram mortas desde o golpe militar de 1954, apoiado pela Agência Central de Inteligência (CIA) dos Estados Unidos, até o fim da guerra civil, em 1996.

Depois da Colômbia, a Guatemala é o país com o maior número de mortos na América Latina nas guerras civis da Guerra Fria. Como tem uma população muito menor, foi o palco da maior tragédia humanitária no continente durante a confrontação estratégica entre os EUA e a União Soviética.

O novo presidente guatemalteco prometeu renegociar o acordo feito pelo atual, Jimmy Morales, com os EUA para tornar a Guatemala um "terceiro país seguro". O objetivo do presidente Donald Trump é obrigar os candidatos a asilo político nos EUA a pedir para ficar na Guatemala ou no México.

Morales assinou o acordo, considerado inconstitucional pelo Tribunal Constitucional da Guatemala. Trump ameaça sobretaxar os produtos importados da Guatemala se o acordo for rompido.