domingo, 12 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 12 de Julho

RÁPIDO NO GATILHO

    Em 1861, Wild Bill Hickok começa a criar fama como um dos pistoleiros mais rápidos do Oeste dos Estados Unidos ao balear três homens num tiroteio no estado de Nebraska.

James Butler Hickok nasce em Homer, no estado de Illinois. Aos 18 anos, em 1855, se muda para o Kansas. Sua fama é ampliada por um perfil publicado em 1867 na revista Harper's Monthly Magazine dizendo que ele matou nove homens sozinho, um evidente exagero.

Wild Bill morre aos 39 anos, em 1876, com um tiro pelas costas.

NASCE NERUDA

    Em 1904, o escritor, diplomata e político Pablo Neruda, talvez o poeta mais importante da América Latina no século 20, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1971, nasce em Parral, no Chile.

Seu verdadeiro nome é Ricardo Eliécer Naftalí Reyes Basoalto, filho do ferroviário José del Carmen Reyes e de Rosa Basoalto. A mãe morre pouco depois de seu nascimento. Dois anos depois, a família de muda para Temuco, mais ao sul.

Neruda é um menino precoce. Aos 10 anos, começa a escrever poesia. O pai o desencoraja. Não dá importância aos poemas do filho. Talvez por isso o jovem poeta passa a assinar com o pseudônimo de Pablo Neruda, que adota legalmente como nome em 1946.

Tímido e solitário, Neruda se torna um leitor voraz e é estimulado a escrever pela diretora da escola feminina de Temuco, a poetisa Gabriela Mistral, ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura de 1945. Ele publica seus poemas em jornais e até em revistas da capital chilena.

Em 1921, ele se muda para Santiago, onde se torna professor de francês. Seu primeiro livro de poemas, Crepusculário, sai em 1923, no estilo do simbolismo e do modernismo espanhol. Seu segundo livro, Vinte Poemas de Amor e uma Canção Desesperada, é resultado de uma decepção amorosa.

Aos 20 anos, com dois livros publicados, Neruda é um dos poetas mais importantes do Chile. Decide largar o francês e se dedicar integralmente à poesia. Publica mais três livros, mas a poesia não lhe dá dinheiro para viver. Ele consegue ser nomeado cônsul honorário em Rangum, a capital da Birmânia, hoje Yangun e Mianmar.

Durante cinco anos, Neruda representa o Chile na Ásia. De Rangum, vai para Colombo, a capital do Ceilão, hoje Sri Lanka, uma ilha ao sul da Índia. Em 1930, é nomeado para Batávia, hoje Jacarta, capital das Índias Orientais Holandesas, hoje Indonésia. Lá, ele se casa com a holandesa Maria Antonieta Hagenaar.

Em 1933, Neruda é nomeado cônsul em Buenos Aires, onde conhece o poeta espanhol Federico García Lorca, um admirador de sua poesia. Eles se tornam grandes amigos. 

Quando Neruda é nomeado cônsul em Barcelona e em seguida Madri, em 1934, García Lorca o apresenta a grandes escritores espanhóis, entre eles Rafael Alberti e Miguel Hernández, militantes do Partido Comunista Espanhol, que influenciam Neruda politicamente.

Na segunda edição ampliada de Residência, Residência na terra: 1925-35, publicada em dois volumes em 1935, Neruda sai da poesia altamente pessoal e às vezes hermética para uma linguagem mais clara e acessível que reflete suas preocupações sociais.

Com o fim do primeiro casamento, em 1936, ele se casa com a jovem argentina Delia del Carril. No mesmo ano, começa a Guerra Civil Espanhola (1936-39). García Lorca é executado pelos franquistas em 19 de agosto de 1936. Alberti e Hernández vão para a guerra. Neruda deixa a Espanha e tenta arrecadar dinheiro para os republicanos. Ele publica Espanha em meu coração para levantar dinheiro para a luta.

De volta a Santiago em 1937, Neruda entra na vida pública. Dá aulas, faz recitais de poesia, defende os republicanos na Espanha e apoia o governo de centro-esquerda do Chile. Em 1939, é nomeado cônsul em Paris, onde ajuda exilados espanhóis a procurar asilo na América Latina.

Em 1940, vai para a Cidade do México, onde começa a escrever Canto Geral. Neruda tinha ido a Machu Picchu e escrito Alturas de Machu Picchu em homenagem à cidade sagrada e perdida da civilização inca. Canto Geral celebra a América Latina, sua natureza, história, luta pela liberdade e a civilização pré-colombiana, mas também o ditador soviético Josef Stalin, de quem os comunistas eram fiéis seguidores.

O poeta volta ao Chile em 1943. Em 1945, entra para o Partido Comunista e é eleito senador. Em 1946, apoia Gabriel González Videla, candidato de esquerda que no poder dá uma guinada à direita. Sentindo-se traído, Neruda publica carta aberta criticando o presidente. É expulso do Senado e foge para não ser preso. Em fevereiro de 1948, atravessa a Cordilheira dos Andes a cavalo durante a noite com o manuscrito de Canto Geral na sela.

No exílio, Neruda visita a União Soviética, a Polônia, a Hungria e o México. onde encontra Matilde Urrutia, uma chilena que conhecera em 1946 e seria sua mulher até o fim da vida. Ela inspirou alguns dos mais lindos poemas de amor do século 20.

Ele volta ao Chile em 1952 e tem um período de grande produção literária. Em 1970, apoia a candidatura de Salvador Allende pela Frente Popular. É nomeado embaixador em Paris. Descobre um câncer na próstata antes de receber o Nobel de Literatura de 1971 por "uma poesia que, com ação de uma força elementar, dá vida ao destino e aos sonhos de um continente."

Oficialmente Neruda morreu em consequência do câncer, mas, em 2023, uma investigação concluiu que ele foi envenenado pela ditadura militar chilena em 23 de setembro de 1973, dias depois do golpe do general Augusto Pinochet, em 11 de setembro, e do suicídio de Allende.

Suas memórias estão em Confesso que vivi, publicado em 1974.

HELICÓPTERO PRESIDENCIAL  

    Em 1957, Dwight Eisenhower é o primeiro presidente dos Estados Unidos a usar uma nova tecnologia da aviação: o helicóptero.

Os helicópteros começam a ser testados em 1947. São necessários dez anos para começarem a ser usados pelo presidente para pequenas viagens oficiais. Eisenhower sugere ao Serviço Secreto, que considera o helicóptero mais seguro do que uma caravana de automóveis.

PRIMEIRO SHOW DOS STONES

    Em 1962, um grupo de garotos ingleses inspirados por rock e blues fazem no Marquee Club, em Londres, seu primeiro show como Rollin' Stones, com Mick Jagger, Keith Richards, Brian Jones, Ian Stewart e Dick Taylor.

Depois de deixar o grupo Blues Incorporated, Brian Jones bota um anúncio na revista Jazz Weekly de 2 de maio de 1962 em busca de músicos para formar uma nova banda. Stewart é o primeiro a responder. Em junho, Jagger, Richards e Taylor se juntam a eles.

No primeiro ensaio, Geoff Bradford e Brian Knight decidem não fazer parte do grupo por não querer tocar as músicas de Chuck Berry e Bo Didley de preferência de Mick e Keith.

Bill Wyman faz um teste num pub do bairro londrino de Chelsea em 7 de dezembro de 1962 para substituir Dick Taylor. A formação clássica (foto), com Wyman, Jagger, Jones, Charlie Watts e Richards na bateria toca junto pela primeira vez em 12 de janeiro de 1963 no Ealing Jazz Club.

No início, o líder da banda é Brian Jones. Richards conta que ele escolheu o nome da banda. Durante entrevista telefônica à revista Jazz News, o repórter pergunta: "Qual o nome da banda?" Jones olha para um disco de Muddy Waters jogado no chão. Uma das musicas é Rollin' Stone. Ele responde: "The Rolling Stones."

PRIMEIRA MULHER CANDIDATA

    Em 1984, a deputada federal Geraldine Ferraro é indicada candidata a vice-presidente na chapa de Walter Mondale, do Partido Democrata. Torna-se a primeira mulher a fazer parte de uma chapa de um grande partido em uma eleição presidencial nos Estados Unidos.

Quatro dias antes, ao abrir a Convenção Nacional Democrata, o governador de Nova York, Mario Cuomo, ataca a descrição que o presidente Ronald Reagan (1981-89) fazia dos EUA como "uma cidade brilhante no alto de uma colina", citando a pobreza e o conflito racial. A candidatura feminina não salva a chapa.

Mondale, vice-presidente no governo Jimmy Carter (1977-81), e Ferraro perdem a eleição para Reagan e George Bush em todos os estados, menos em Minnesota, o estado natal do candidato.

Em 2021, a senadora Kamala Harris se torna a primeira mulher vice-presidente. A ex-secretária de Estado e ex-senadora Hillary Clinton disputa a Casa Branca em 2016. Favorita nas pesquisas, ganha por 2,8 milhões no voto popular, mas perde para Donald Trump no Colégio Eleitoral. 

sábado, 11 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 11 de Julho

QUAKERS CHEGAM A BOSTON

     Em 1656, as inglesas Ann Austin e Mary Fischer, as primeiras quakers a emigrar para as colônias norte-americanas, chegam a Boston, na Baía de Massachusetts. Elas vêm de Barbados, onde criaram um centro missionário.

A Sociedade dos Amigos, uma entidade religiosa, é fundada na Inglaterra por George Fox. O nome deriva do tremor causado pelo fervor religioso de seus membros, que são contra a violência e a guerra, e se dedicam à educação e à caridade. São contra a escravidão e a favor da igualdade entre os sexos.

Sua pregação liberal contraria o puritanismo de Massachusetts. Elas são presas e deportadas para Barbados cinco anos depois. Em 1658, o grupo é banido da colônia sob ameaça de pena de morte. Mais tarde, estas leis são revogadas.

No século 18, o quaker John Woolman viaja pelas colônias americanas pregando a religião e o abolicionismo. Ele promove boicotes aos produtos fabricados por escravos e tenta convencer as comunidades quakers a aderir à campanha abolicionista. 

A quaker Lucretia Mott é uma abolicionista importante no século 19. Trabalha na Estrada de Ferro Subterrânea, um movimento clandestino para ajudar na fuga de escravos para a liberdade. Também é pioneira da luta pelos direitos das mulheres.

HAMILTON MORRE EM DUELO

    Em 1804, o vice-presidente Aaron Burr, acerta seu inimigo político Alexander Hamilton, que foi o primeiro secretário do Tesouro dos Estados Unidos, num dos duelos mais famosos da história do país. O líder do Partido Federalista e o principal arquiteto da ordem da econômica dos EUA morre no dia seguinte.

Hamilton nasce na ilha caribenha de Névis e emigra para os EUA em 1773. Durante a Guerra da Independência dos EUA (1775-83), entra para o Exército Continental e chama a atenção do comandante, general George Washington, que o nomeia assessor.

Dez anos depois, é delegado na Convenção Constitucional que redige a Constituição dos EUA e luta por sua ratificação por criar um um governo central forte como ele queria.

Quando Washington é eleito primeiro presidente dos EUA, em 1788, convida Hamilton para o governo. Em 1789, ele se torna o primeiro secretário do Tesouro.

Burr nasce numa família de elite da colônia de Nova Jérsei em 1756. Adere ao Exército Continental 1775. É deputado estadual e procurador-geral de Nova York. Em 1796, disputa a eleição presidencial na chapa de Thomas Jefferson, quando é atacado por Hamilton. John Adams vence. 

Na época, cada eleitor votava em dois candidatos e o Colégio Eleitoral num só. O segundo mais votado era eleito vice-presidente.

Em 1800, de novo, a chapa Jefferson-Burr concorre pelo Partido Democrata-Republicano, o futuro Partido Democrata. Burr divulga um documento em que Hamilton critica Adams, o que divide os federalistas. Jefferson e Burr vencem.

No Colégio Eleitoral, há  empate em 73 votos. A eleição vai para a Câmara dos Representantes e os federalistas apoiam Burr. Depois de 35 empates, parte dos federalistas muda da lado sob a influência de Hamilton e Jefferson ganha, uma das razões do duelo.

Em 1804, Jefferson não indica Burr para vice. Este tenta entrar no Partido Federalista. É barrado numa campanha inflamada de Hamilton, que continua quando ele se lança como candidato independente. No mesmo ano, o Congresso aprova a 12ª Emenda à Constituição dos EUA, estabelecendo votações distintas para presidente e vice.

ATAQUE À TOCA DO LOBO

Em 1944, o Conde Claus von Stauffenberg, coronel do Exército da Alemanha, vai com uma bomba até o quartel-general de Adolf Hitler em Berchtesgaden, na Baviera, com a intenção de assassinar o Führer.

O atentado seria em 15 de julho, mas Hitler é chamado ao quartel-general de Rastenburg, na Prússia Oriental, hoje parte da Polônia, conhecido como Toca do Lobo.

Desde o início da Segunda Guerra Mundial (1939-45), as atrocidades do nazismo provocam a indignação de alemães e, com o tempo, de conspirações para derrubar Hitler. A maior reúne cerca de 500 oficiais alemães.

Stauffenberg serve o Exército alemão desde 1926. Durante a guerra, participa da invasão à União Soviética, onde judeus e prisioneiros soviéticos são sumariamente eliminados. Transferido para o Norte da África, perde um olho, a mão direita e dois dedos da mão esquerda. Como comandante das Forças da Reserva, tem acesso direto a Hitler.

Líder da conspiração, chamada de Operação Valquíria, ele recebe a bomba do major Helmuth Stieff em 3 de julho. Com a viagem de Hitler e o adiamento do ataque, ele sabe em 16 de julho, num encontro com o coronel Cæsar von Hofacker, que a Muralha do Atlântico entrara em colapso na Normandia e que a guerra havia mudado na frente ocidental. É chegado o momento de se livrar de Hitler e negociar a paz.

O atentado fica para 20 de julho. Como Hitler vai receber Mussolini, a reunião é antecipada em uma hora. Stauffenberg tem pouco tempo para armar as duas bombas escondidas numa pasta. Ele só consegue preparar uma, a aciona e deixa a reunião. 

O coronel Heinz Brandt chuta acidentalmente a pasta de Stauffenberg, que fica do outro lado do grosso pé da mesa de carvalho. No momento da explosão, Hitler está do outro lado da mesa e não morre.

Do lado de fora da cabana, Stauffenberg e outros conspiradores saem convencidos da morte do Führer. Horas depois, o coronel anuncia que está tomando o poder na Alemanha. 

A proposta da conspiração é assinar um cessar-fogo com os aliados ocidentais, numa rendição incondicional, e concentrar esforços na guerra contra a URSS na frente oriental para impedir o Exército Vermelho de tomar a Europa Oriental e chegar a Berlim.

Com o fracasso do atentado, 5 mil pessoas são presas e 200 executadas, inclusive Stauffenberg.

FIM DO SKYLAB

    Em 1979, a estação espacial norte-americana Skylab cai na Terra, na Austrália e no Oceano Índico, cinco anos do fim da última missão tripulada nela realizada.

A Skylab, lançada em 1973, é a primeira estação espacial bem-sucedida, depois do fracasso da soviética Salyut. Com 36 metros de altura, é cilíndrica e pesa 77 toneladas. É capaz de abrigar até três tripulações de três astronautas.

Os tripulantes a Skylab passam mais de 700 horas observando o Sol e tiram mais de 175 mil fotos da nossa estrela. Realizam estudos para examinar os efeitos biológicos da longa permanência no espaço. Com o desgate prematuro causado por radiação solar acima do esperado, a estação especial é desativada e cai na Terra.

EUA REATAM COM VIETNÃ

    Em 1995, duas décadas depois da queda de Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, e do fim da guerra entre os dois países, os Estados Unidos estabelecem relações diplomáticas com o Vietnã, citando a cooperação do regime comunista vietnamita na busca pelos restos mortais de 2.238 desaparecidos em ação durante a intervenção militar norte-americana (1964-73) na Guerra do Vietnã (1955-75).

A normalização das relações com o inimigo que derrota a superpotência começam em 1994, quando o presidente democrata Bill Clinton suspende o embargo comercial. O senador republicano John McCain, um ex-piloto da Força Aérea que fica cinco anos e meio como prisioneiro de guerra no Vietnã, é importante no reatamento.

O envolvimento dos EUA na guerra aumenta de mil assessores militares em 1959 para pelo menos 2,8 mil na época do assassinato do presidente John Kennedy (1961-63). Depois do Incidente do Golfo de Tonkin, forjado para justificar a entrada direta dos EUA no conflito, em agosto de 1964, o presidente Lyndon Johnson declara guerra ao Vietnã do Norte.

Em abril de 1969, os EUA chegam a um máximo de 543 mil soldados no Vietnã, mas a erosão do apoio político interno por causa das 58.281 mortes minam o esforço de guerra. Cerca de 2 milhões de vietnamitas morrem na Guerra do Vietnã, que deflagra guerras civis no Laos e no Camboja. Em 1975, os três países da antiga Indochina Francesa se tornam comunistas.

MASSACRE DE SREBRENICA

    Em 1995, o exército da autointitulada a não reconhecida República Sérvia da Bósnia-Herzegovina toma a cidade de Srebrenica e mata em duas semanas 8.373 muçulmanos bósnios, praticamente toda a população adulta masculina da cidade.

É o maior massacre nas guerras que destroem a Iugoslávia. Uma força de paz das Nações Unidas formada por militares holandeses não reage. Centenas de homens buscam refúgio no quartel da ONU quando as forças sérvias ocupam Srebrenica, que tinha sido declarada "zona de segurança". As Mães de Srebrenica afirmam que "a Holanda é responsável por todas as mortes".

Os dois principais acusados, o líder sérvio na Bósnia, Radovan Karadzic, e o comandante militar sérvio-bósnio, general Ratko Mladic, são condenados anos mais tarde pelo Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia. Karadzic é sentenciado a 40 anos de prisão e Mladic, o Carniceiro da Bósnia, à prisão perpétua. Em 2004, antes dos dois serem presos, o tribunal considera o massacre um genocídio.

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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 10 de Julho

JULGAMENTO DO DARWINISMO

    Em 1925, começa em Dayton, no estado do Tennessee, nos Estados Unidos, o Julgamento do Macaco. John Thomas Scopes, um jovem professor de ciências do ensino médio, é denunciado por ensinar a Teoria da Evolução das Espécies, do naturalista inglês Charles Darwin, que afirma que o homem descende do macaco.

Uma lei estadual do Tennessee aprovada em março daquele ano considera contravenção penal punível com multa "ensinar qualquer teoria que negue a história da criação divina do homem como ensinada pela Bíblia e que ensine, em vez disso, que o homem descende de animais inferiores."

A União Americana das Liberdades Civis (ACLU) oferece ajuda à defesa e o fundamentalista cristão William Jennings Bryan, três vezes candidato a presidente, à acusação. Depois de oito minutos de deliberações, o júri condena Scopes a pagar de multa de US$ 100.

Em 1927, o Tribunal de Justiça do Estado do Tennessee anula a decisão. A questão constitucional só é resolvida em 1968, quando a Suprema Corte derruba uma lei similar do Arkansas por violar a Emenda nº 1, que garante plena liberdade de expressão, entre outros direitos.

BATALHA HEROICA

    Em 1940, começa a Batalha da Inglaterra, um combate aéreo em que a Força Aérea Real (RAF) britânica vence a Luftwaffe, a Força Aérea da Alemanha, na Segunda Guerra Mundial (1939-45), impedindo que os nazistas invadam o Reino Unido.


A guerra começa com a invasão da Polônia pela Alemanha Nazista, em 1º de setembro de 1939. Em 1940, o ditador Adolf Hitler se volta para o oeste. A Alemanha invade a Noruega em 9 de abril e Luxemburgo, a Holanda, a Bélgica e a França em 10 de maio.

Sem condições de enfrentar a blitzkrieg alemã, baseada em força aérea e tanques de alta velocidade, mais de 300 mil soldados franceses e britânicos deixam a França sob ataque na Retirada de Dunquerque, de 25 de maio a 4 de junho. A Itália Fascista de Benito Mussolini entra na guerra em 10 de junho. A França assina o armistício com os nazistas no mesmo vagão de trem onde a Alemanha assinara a rendição no fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

O primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, rejeita qualquer negociação de paz com Adolf Hitler e prepara o país para resistir ao nazifascismo. A batalha aérea dura 3 meses e 3 semanas até 31 de outubro. A RAF, onde também há australianos, canadenses e poloneses, perde 1.542 soldados e 1.963 aviões, e os nazifascistas 2.585 homens e 2.550 aeronaves.

"Nunca tantos deveram tanto a tão poucos", comenta o primeiro-ministro Winston Churchill ao elogiar os 1,5 mil pilotos da RAF que impedem Hitler de tomar o Reino Unido.

No meio da Batalha da Inglaterra, a Alemanha começa o bombardeio maciço a cidades britânicas conhecido como Blitz, que vai de 7 de setembro de 1940 a 11 de maio de 1941. A Batalha da Inglaterra termina em 31 de outubro de 1940.

ALIADOS INVADEM SICÍLIA

    Em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, os aliados invadem a Europa continental pela Sicília, na Itália.


 O marechal britânico Bernard Montgomery, que vence em 1942 o Afrika Corps (Exército da África) do marechal alemão Erwin von Rommel na Batalha de El-Alamein, no Egito, desembarca no Sudeste da Sicília e o 7º Exército dos Estados Unidos, sob o comando do general George Patton, entra pelo Sul. 

Em três dias, 150 mil soldados aliados estão na Itália. Em 22 de julho, Patton toma Palermo, a capital da Sicília.

A invasão aliada provoca a queda do ditador fascista Benito Mussolini, o Duce, em 25 de julho. O novo governo, do marechal Pietro Badoglio, negocia secretamente com os aliados, apesar da grande presença de tropas alemãs na Itália.

O governo Badoglio declara guerra à Alemanha em outubro de 1943, mas os nazistas libertam Mussolini antes disso, em setembro, e criam a República Social Italiana numa área que ainda controlam, no Norte da Itália.
 
Roma cai em junho de 1944, quando os EUA e o Reino Unido concentram suas forças na invasão da Normandia, no Noroeste da França, em 6 de junho de 1944, o Dia D. A Força Expedicionária Brasileira (FEB) entra na campanha da Itália em 2 de julho de 1944.

Uma nova ofensiva aliada é lançada no fim da guerra, em abril de 1945. Em 28 de abril, Mussolini é capturado pela resistência e morto. Adolf Hitler comete suicídio dois dias depois. Em 8 de maio, a Alemanha nazista se rende. É o fim da guerra na Europa. O Japão se rende em 15 de agosto, depois das bombas atômicas jogadas pelos EUA em Hiroxima e Nagasaki e assina a rendição em 2 de setembro de 1945.

COMUNICAÇÃO VIA SATÉLITE

    Em 1962, os Estados Unidos lançam sobre o Oceano Atlântico o Telstar 1, o primeiro satélite de comunicação para transmitir conversas telefônicas e programas de televisão ao vivo. É o início de uma nova era nas telecomunicações.

O primeiro satélite experimental de comunicação é testado em 1960 por John Robertson Pierce, da empresa Bell Telephone Laboratories. O Echo 1 é um balão coberto de alumínio que refletia os sinais de telefonia de volta para a Terra. 

Muito mais sofisticado, o Telstar 1 amplifica o sinal até 10 mil vezes antes de rebatê-lo para outra estação terrestre. Pesa 77 quilos e funciona com a energia de baterias de níquel e cádmio recarregadas pelo Sol por 3,6 mil células fotoelétricas.

Quando o satélite se acomoda na sua órbita, com apogeu (quando está mais afastado da Terra) de 5,6 mil km, uma gigantesca antena instalada perto de Andover, no estado do Maine, começa a emitir sinais para o satélite. Minutos depois, televisores da França e do Reino Unido começam a receber uma transmissão de televisão dos EUA.

O Telstar 1 também envia mensagens de telefone, telégrafo, dados, telefotos e fac-símiles. Ele funciona com sucesso até fevereiro de 1963, quando para, talvez em consequência de testes nucleares dos EUA. Em 7 de maio de 1963, os EUA lançam o Telstar 2, mais pesado e mais alto no espaço, com apogeu de 10.720 km.

Os sucessores dos Telstars ficam em órbitas circulares mais altas e mantêm uma posição fixa em relação à Terra. Desta maneira, com três satélites é possível atingir todo o planeta.

NO SATISFACTION

    Em 1965, a banda de rock britânica The Rolling Stones chega pela primeira vez ao primeiro lugar nas paradas de sucesso nos Estados Unidos com a música (I Can Get No) Satisfaction. É um dos maiores sucessos do grupo, que até hoje a toca no encerramento de seus concertos.

Nenhuma banda se mantém em atividade por tanto tempo quanto os Stones, um grupo de garotos da Grande Londres formado em 1962 com grande influência do blues que se apresentam como maus rapazes em contraste com The Beatles. A formação original tem, na ordem da foto, Bill Wyman, Mick Jagger, Brian Jones, Charlie Watts e Keith Richards.

Jagger e Richards fizeram 80 anos em 2023, mas continuam rocking and rolling.

TERRORISMO FRANCÊS

    Em 1985, um atentado terrorista cometido pela França afunda o navio Rainbow Warrior, do grupo ecológico Greenpeace, no porto de Auckland, na Nova Zelândia.

O navio participa de protestos contra os testes nucleares franceses no Atol de Mururoa, no Oceano Pacífico. O fotógrafo e ativista português Fernando Pereira morre ao tentar salvar seu trabalho.

O ataque provoca grande repúdio internacional e leva ao fim dos testes nucleares da França, a única potência nuclear declarada que ainda fazia explosões nucleares experimentais, ao contrário dos EUA, da União Soviética, da China e do Reino Unido.

Em maio de 1998, a Índia e o Paquistão assumem a condição de potências nucleares com testes de bombas e mísseis. A Coreia do Norte faz a primeira explosão experimental em 9 de outubro de 2006 e mais cinco testes nucleares até hoje. Israel tem armas nucleares pelo menos desde 1967.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 9 de Julho

CATARINA A GRANDE, CZARINA DA RÚSSIA

    Em 1762, Catarina II, a Grande, se torna czarina depois de dar um golpe contra o marido, Pedro III. Ela governa até a morte, em 17 de novembro de 1796, num despotismo iluminado, um reinado inspirado pelo Iluminismo, de expansão do império e renascimento da cultura, da ciência e das artes.

A princesa Sophie Friederike Auguste von Anhalt Zerbst Dornburg nasce em 2 de maio de 1729 em Stettin, na Província da Pomerânia, no Reino da Prússia, parte do Sacro Império Romano-Germânico. Dois primos, Gustavo III e Carlos XIII se tornam reis da Suécia.

Ela adota o nome de Catarina quando se converte à Igreja Cristã Ortodoxa Russa, em 28 de junho de 1744. No ano seguinte, em 21 de agosto de 1745, Catarina se casa com o príncipe Pedro. O casamento leva anos a se consumar. Isto a faz se aproximar de nobres e grupos políticos que não gostam de seu marido.

Leitora ávida de livros, especialmente em francês, Catarina conhece as ideias do filósofo liberal francês Voltaire, uma de suas grandes influências, futuro conselheiro da Imperatriz de Todas as Rússias. Nos Anais, do historiador romano Tácito, ela aprende que o poder não se exerce por idealismo, mas por "motivos e interesses secretos".

Catarina confessa em suas memórias que perde a virgindade com Serguei Saltikov e diz que seu filho é dele, mas na versão final, para evitar problemas na sucessão, afirma que o futuro czar Paulo I, é filho de Pedro III. Ela tem casos amorosos escandalosos com vários nobres da corte: Stanislaus Augustus Toniakowski, Grigory Orlov, Alexander Vasilchikov, Grigory Potenkim e Ivan Korsakov, entre outros.

Com a morte da imperatriz Elizabeth, em 5 de janeiro de 1762, seu marido ascende ao trono como Pedro III. Apesar da má reputação, em seu curto reinado de seis meses, o czar faz reformas importantes: instaura a liberdade religiosa, incentiva a educação, tenta reformar o Exército, abole a polícia secreta, conhecida por sua violência extrema, e proíbe os proprietários de terras de matar servos sem julgamento.

A mulher o considera "bêbado" e "idiota". Diz que "não há nada pior do que ter um marido infantil". Diante da ameaça de golpe, ele tenta fugir, mas é preso e forçado a abdicar em 9 de julho de 1762, depois que o Exército, a Marinha e o Senado declaram apoio a Catarina. Peter III morre, provavelmente assassinado, mas não se conhecem os detalhes de sua morte.

O czar Pedro I, o Grande, considerado o fundador do Império Russo, chega até o Mar Negro, com as campanhas de Azov (1695-96), durante a Guerra Russo-Turca (1686-1700). A Rússia se torna a potência dominante nos Bálcãs em outra Guerra Russo-Turca (1768-74), quando o país se torna "protetor do cristãos ortodoxos" no Império Otomano.

No fim desta guerra, estoura a Guerra Camponesa, Rebelião dos Cossacos ou Rebelião de Pugachev (1773-75), liderada por Yemelian Pugachev, que anuncia a formação de um governo paralelo em nome do czar Pedro III e proclama o fim da servidão. Depois de uma reação inicial fraca, a revolta é esmagada no fim de 1774. Pugachev é preso e executado em 21 de janeiro de 1775 em Moscou.

Outra marca do reinado de Catarina II é a divisão da Polônia, que acontece em três etapas, em 1774, 1792, quando a Comunidade Polaco-Lituana é dividida entre Rússia e Prússia, e em 1795, quando o país é dividido entre Áustria, Rússia e Prússia. A Polônia e a Lituânia deixam de existir como países independentes por 123 anos, até o fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Fã da ciência e do Iluminismo, a imperatriz se vacina contra a varíola para dar o exemplo a seus súditos. A retrógrada rainha portuguesa Dona Maria I, a Louca, não faz isso e perde o primogênito para a doença.

Duante o reinado de Catarina a Grande, o Império Russo conquista 520 mil quilômetros quadrados, inclusive a Crimeia, a Nova Rússia (nome que o ditador Vladimir Putin usa para falar da Ucrânia), a Rússia Branca, a Lituânia e a Curlândia, e funda cidades como Odessa, Sebastopol e Kherson. A colonização do Alasca, vendido aos Estados Unidos em 30 de março de 1867, começa sob Catarina II.

INDEPENDÊNCIA DA ARGENTINA

      Em 1816, o Congresso Geral Constituinte, reunido em San Miguel de Tucumán, proclama a independência da Argentina. A declaração não define um sistema de governo, se será uma monarquia ou república.

A América Latina se torna independente em consequência da invasão de Napoleão Bonaparte à Península Ibérica, sob a inspiração da independência dos Estados Unidos e da Revolução Francesa, mas o Congresso de Viena (1815) restaura as monarquias europeias depois do fim das guerras napoleônicas. Então, há dúvidas.

As vitórias da resistência crioula às invasões britânicas de 1806 e 1807 acendem a chama da independência nos países do Rio do Prata. As invasões napoleônicas acabam com o poder imperial da Espanha e seu representante, o vice-rei em Buenos Aires. 

Em 13 de maio de 1810, chega a Buenos Aires a notícia de que Sevilha caíra em poder de Napoleão. Era o último bastião da monarquia espanhola. A Revolução de Maio vai de 18 a 25 de maio. É a primeira revolta bem-sucedida na independência da América do Sul. O movimento pela independência convoca o Cabildo Aberto, destitui o vice-rei em 22 de maio e cria uma junta de governo sob a presidência de Cornelio Saavedra.

Quando o Congresso se reúne em Tucumán, as Províncias Unidas do Prata estão divididas por causa da posição hegemônica assumida por Buenos Aires desde a Revolução de Maio, com resistência de outras províncias, especialmente de José Artigas, o grande herói do Uruguai, que quer criar uma federação platina.

Além do risco de guerra civil, há a ameaça de uma invasão da Espanha, que recupera a soberania com o fim da Guerra Peninsular (1808-14) contra Napoleão Bonaparte. É preciso organizar o país e o apresentar ao mundo como uma sociedade civilizada. Declarar a independência e redigir uma Constituição são fundamentais.

PRIMEIRO TORNEIO DE WIMBLEDON

    Em 1877, começa em Londres o primeiro Campeonato de Wimbledon, o mais tradicional torneio de tênis do mundo. 

A primeira edição tem 21 tenistas amadores que disputam o título de campeão masculino de simples, a única categoria em disputa. Na final, Spencer Gore vence William Marshall por 3-0 (6-1, 6-2, 6-4) com um jogo forte na rede. No ano seguinte, perde para Frank Hadow, especialista numa nova técnica: o lobe.

O tênis tem origem num jogo francês do século 13, jeu de paume, o jogo da palma, que evolui para um esporte de bolinha e raquete disputado em quadra fechada, o tênis real. Por fim, se transforma no tênis na grama.

O All England Croquet and Lawn Tennis Club, fundado em 1868, organiza o torneio desde 1877. A grama sagrada de Wimbledon é sede do único torneio importante disputado hoje na grama.

CEM METROS NADO LIVRE EM MENOS DE UM MINUTO

    Em 1922, o norte-americano Johnny Weissmüller nada 100 metros em menos de um minuto. O tempo de 58,6 segundos é o novo recorde mundial.

Janus Peter Weissmüller nasce em Szabadfalva, hoje parte da Romênia, no então Império Austro-Húngaro, em 2 de junho de 1904. No ano seguinte, seu pai e sua mãe emigram para os Estados Unidos. A família chega ao Nova York, vai para Windbar, na Pensilvânia, e depois para Chicago. Na praia de Fullerton, no Lago Michigan, Johnny recebe as primeiras aulas de natação.

Além de recordes, conquista cinco medalhes de ouro. Ganha os 100 metros nado livre e o revezamento 4 x 200 m nas olimpíadas de Paris, em 1924, e Amsterdã, em 1928. Em Paris, também ganha o ouro nos 400 m nado livre e uma medalha de bronze no polo aquático.

Depois da carreira de nadador, Johnny Weissmüller entra para o cinema. Seu grande papel foi como Tarzan – o homem macaco, no primeiro filme de uma série em que um super-herói branco faz proezas na África, personagem criado pelo escritor norte-americano Edgar Rice Burroughs. 

Na mesmo linha, de um super-herói branco mais forte, mais inteligente e mais eficiente do que os nativos e não europeus (há indianos), estrela mais tarde o seriado de televisão Jim das Selvas.

FIM DO GRATEFUL DEAD

    Em 1995, a banda de rock psicodélico Grateful Dead, nascida na comunidade hippie de Haight-Ashbury, em São Francisco da Califórnia, faz em Chicago seu último show. O cantor, compositor, guitarrista e líder da banda, Jerry Garcia, o Capitão Barato, morre no mês seguinte.

O Grateful Dead toma este nome no fim de 1965. A formação original tem Jerry Garcia, Bob Weir (guitarra e voz), Ron Pigpen McKernan (teclados), Phil Lesh (baixo) e Bill Kreutzmann (bateria). Depois, entram Mickey Hart (bateria), Tom Constanten (teclado), Keith Godchaux (teclado), Donna Godchaux (voz) e Brent Mydland (teclado e voz).

Uma das grandes bandas do rock ácido de São Francisco, ao lado do Jefferson Airplane, o Grateful Dead mistura rock, jazz, bluegrass, blues e folk music – e se torna uma das bandas de maior sucesso da história apresentações ao vivo. De 24 a 31 de dezembro, o Dead faz concertos grátis em São Francisco. Suas turnês de verão nos Estados Unidos faturam em média mais de US$ 500 mil por show.

Como uma banda contracultural, o Dead sempre autoriza e estimula seus fãs, inclusive uma legião de seguidores fanáticos, a gravar seus concertos. Seus discos de estúdio nunca tiveram o mesmo sucesso dos shows. "Não há nada como um concerto do Grateful Dead", afirmam os fãs.

Tive a oportunidade assistir a um show memorável de quatro horas do Grateful Dead no Ventura County Fairgrounds, perto de Los Angeles, em julho de 1982, que terminou com It's All Over Now, de Bob Dylan.

UNIÃO AFRICANA

   Em 2002, nasce a União Africana (UA), sucessora da Organização de Unidade Africana (OUA), numa conferência em Durban, na África do Sul, com o objetivo é promover a cooperação, a integração e o desenvolvimento econômico dos 55 países do continente.

A OUA é fundada em 25 de maio de 1963, em Adis Abeba, na Etiópia, pelo imperador Hailé Salassié. Na época, os 32 países fundadores decidem não discutir as fronteiras traçadas pelo imperialismo por duas razões: seria motivo para guerras sem fim e o objetivo maior era integrar o continente.

Em quase 40 anos, a OUA não consegue cumprir seus objetivos, como evitar guerra, porque opera por consenso, o que gera uma paralisia. A UA é criada numa conferência realizada em Adis Abeba, em 26 de maio de 2001.

O modelo da UA é a União Europeia, para criar "uma África integrada, próspera e pacífica". Em 2018, 45 dos 55 países-membros assinam o Acordo de Livre Comércio Continental Africano. A área de livre comércio começa a funcionar em 1º de janeiro de 2021.

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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 8 de Julho

CAMINHO DAS ÍNDIAS

    Em 1497, o navegador português Vasco da Gama zarpa de Lisboa com uma frota de quatro navios em busca do caminho marítimo para a Índia contornando o Sul da África.

A frota de Vasco da Gama dá a volta no Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, dobrado por Bartolomeu Dias, em 1488. Em Malinde, na costa oriental da África, encontra um mercador indiano que a guia até a Índia, onde chega em 20 de maio de 1498. 

Durante a viagem, ao se afastar da costa da África para evitar as calmarias, Vasco da Gama teria visto aves e plantas aquáticas num sinal de que haveria terra por perto e teria dito isto a Pedro Álvares Cabral, que em 1500 descobre o Brasil para os portugueses.

Em Calicute, Vasco da Gama enfrenta a hostilidade de mercadores muçulmanos e tem de lutar para voltar a Portugal, onde chega em setembro de 1499. Ele volta à Índia em 1502 para vingar um massacre de portugueses. Em 1524, é enviado como vice-rei da Índia, onde contrai malária e morre na cidade de Cochim, em 24 de dezembro de 1524.

ALMIRANTE PERRY AMEAÇA O JAPÃO

    Em 1853, o almirante norte-americano Matthew Perry entra na Baía de Tóquio com uma esquadra de quatro navios e ameaça bombardear a cidade para abrir o Japão ao comércio internacional.


 
Depois de dar um tempo para as autoridades japonesas examinarem o assunto, Perry volta em março de 1854 com nove navios.

Sem condições de reagir, os japoneses aceitam certas exigências do presidente Millard Fillmore (1853-50). Os Estados Unidos se tornam o primeiro país a estabelecer relações com o Japão depois de dois séculos em que o país se fecha para estrangeiros.

Desde 1639, só a China e a Holanda comerciavam com o Japão e apenas na ilha de Dejima, em Nagasáki, a segunda cidade bombardeada com uma bomba atômica, em 9 de agosto de 1945.

Em 31 de março de 1854, o almirante assina o Tratado de Kanagawa, pelo qual o Japão abre os portos de Shimoda e Hakodate, e permite a instalação de um consulado norte-americano no país.

A pressão dos EUA acaba com o xogunato. É o fim da Idade Média japonesa, em 1868, com a Restauração Meiji, que restitui os poderes do imperador. 

Para não ser colonizado pelo Ocidente, o Império do Japão se ocidentaliza e se torna uma potência que vence a China na Guerra Sino-Japonesa (1894-95), a Rússia na Guerra do Pacífico (1904-5) e enfrenta os EUA e o colonialismo ocidental na Ásia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

MacARTHUR COMANDA GUERRA DA COREIA

    Em 1950, o presidente Harry Truman nomeia o general Douglas MacArthur comandante militar dos Estados Unidos na Guerra da Coreia (1950-53), um dia depois que o Conselho de Segurança das Nações Unidas recomenda que as forças internacionais sejam colocadas sob o comando militar norte-americano.

A Coreia é ocupada pelo Japão em 1910. Com a derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial, os EUA ocupam o Sul da Península Coreana. A União Soviética declara guerra ao Japão em 9 de agosto de 1945, dia da explosão da bomba atômica em Nagasáki, e invade o Norte da Coreia.

A península é dividida oficialmente em 1948, quando nascem a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. Em 25 de junho de 1950, o Norte, comunista, invade o Sul para tentar reunificar a Coreia. Como a União Soviética está boicotando a ONU por causa da não admissão da República Popular da China, os EUA obtêm um mandato do Conselho de Segurança valido até hoje para reunificar a Península Coreana.

A Guerra da Coreia termina em 27 de julho de 1953. Até hoje, não foi assinado um acordo de paz. Desde 2006, a Coreia do Norte tem armas nucleares.

GOLPE NA GUATEMALA

    Em 1954, o coronel Carlos Castillo Armas toma o poder na Guatemala no segundo golpe de Estado articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) durante a Guerra Fria, o primeiro na América Latina. 

A história é contada no livro de ficção Weekend in Guatemala, do escritor guatemalteco Miguel Ángel Asturias, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1967.

O golpe derruba o presidente nacionalista Jacobo Árbenz, que faz uma reforma agrária e estatiza propriedades da companhia bananeira United Fruit, que muda de nome para Chiquita Brands para tentar apagar a imagem associada a golpes de Estado.

Depois da Colômbia, a Guatemala é o país com o maior número de mortos na América Latina durante a Guerra Fria, entre 150 e 200 mil. A democracia só é restaurada plenamente no país em 1984, mas a corrupção é endêmica até hoje.

O primeiro golpe militar apoiado pelos EUA na Guerra Fria é em 1953, no Irã, contra o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh, que nacionalizara o petróleo iraniano.

Ao falar sobre o golpe militar de 1964 no Brasil num curso sobre a história da política externa brasileira no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), o embaixador Gélson Fonseca disse acreditar que a principal causa do apoio dos EUA foi econômica. Os EUA temeriam especialmente Leonel Brizola, que havia estatizado empresas transnacionais quando era governador do Rio Grande do Sul.

MORTE DO GRANDE LÍDER

    Em 1994, morre o Grande Líder Kim Il Sung, fundador da Coreia do Norte.


Kim luta nos anos 1930 contra a ocupação japonesa e é escolhido pela União Soviética, onde faz treinamento político e militar. Ele luta pelo Exército Vermelho na Segunda Guerra Mundial (1939-45), funda a Coreia do Norte em 1948 e inicia a Guerra da Coreia, em 25 de junho de 1950, tentando reunificar o país sob o regime comunista.

Com a intervenção militar dos Estados Unidos e depois da China, a guerra termina num impasse, sem mudar a divisão da Coreia. Nas próximas quatro décadas, Kim isola o país com sua política de autossuficiência (Juche), causando fome e falta de energia, problemas que o país tem até hoje.

Depois da morte, numa sucessão dinástica num regime comunista, é sucedido pelo filho e Querido Líder Kim Jong Il, que explode a primeira bomba atômica do país em 2006. Ao morrer, em 2011, ascende ao poder seu filho Kim Jong Un, neto do Grande Líder, que acelera os programas de mísseis e de armas nucleares – e ameaça bombardear os EUA.

O presidente Donald Trump faz três encontros de cúpula com o jovem Kim. Legitima o ditador na expectativa de desnuclearizar a Península Coreana, mas as negociações não avançam. 

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