sexta-feira, 3 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 3 de Abril

STALIN VIRA SECRETÁRIO-GERAL

    Em 1922, antes da morte de Lenin, Josef Stalin se torna secretário-geral do Partido Comunista do que no fim do ano seria a União Soviética, sua base para assumir o controle da máquina burocrática, vencer a luta pela sucessão e se transformar num ditador brutal e cruel.

Josef Vissarianovich Dzugachvili nasce em Góri, na Geórgia, em 18 de dezembro de 1878, e entra para a política como ativista do Partido Operário Social-Democrata Russo. Ele edita o jornal Pravda e comete roubos e sequestros para arrecadar dinheiro para a facção bolchevique, liderada por Vladimir Ilich Ulianov (Lenin). É preso várias vezes e enviado para o exílio interno na Sibéria.

Com a vitória da Revolução Comunista, em 1917, Stalin entra para o Politburo, o birô político do Comitê Central. É o comissário das nacionalidades no fim de 1922, quando nasce a Uniào Soviética.

Depois da morte de Lenin, em 1924, há uma luta pelo poder em que Stalin derrota o grande líder da revolução ao lado de Lenin, Leon Trotsky. A partir de 1927, Stalin conquista poderes absolutos, coletiviza a agricultura matando 3,9 milhões de ucranianos, a persegue inimigos com expurgos, prisão, processos forjados, tortura e morte.

O Grande Expurgo dura quatro anos. Milhões de pessoas são presas, exiladas ou mortas. Durante 1937 e 1938, a polícia secreta stalinista NKVD prende 1.548.366 pessoas; destas, 681 692 são executadas, numa média de mil execuções por dia. 

Em comparação, a Rússia czarista executa 3.932 pessoas por crimes políticos de 1825 a 1910, numa média de menos de 1 execução por semana.

Stalin deixa a Secretaria-Geral do PC em 1952. De 1941 até a morte, em 5 de março de 1953, é primeiro-ministro da URSS.

Com a morte de Stalin, em 5 de março de 1953, Nikita Kruschev vence Georgy Malenkov na disputa pela liderança comunista, e afasta Laurenti Beria, o chefe da polícia política de Stalin, a NKVD.

Para consolidar o poder, Kruschev denuncia o culto da personalidade e os crimes do stalinismo no 20º Congresso do PCUS, em 25 de fevereiro de 1956, e anuncia um processo desestalinização.

MARCHA DA MORTE PUNIDA

    Em 1946, o general do Exército Imperial do Japão Homma Masaharu é executado por obrigar os prisioneiros a fazer a Marcha de Morte de Bataan, nas Filipinas, em abril de 1942, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Horas depois do ataques do Japão à 7ª Frota dos Estados Unidos, com base em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, os japoneses invadem as Filipinas, que eram uma colônia norte-americana.

A Marcha da Morte de Battan é considerada um dos piores crimes da Guerra do Pacífico. Os japoneses forçam 76 mil prisioneiros de guerra, 66 mil filipinos e 10 mil norte-americanos, a marchar 106 quilômetros sob tortura e maus-tratos.

 A marcha começa no fim da Batalha de Bataan, em 9 de abril em Mariveles, no extremo sul da Península de Bataan, quando um exército aliado de 75 mil filipinos e norte-americanos se rendem a 50 mil japoneses sob o comando do general Masaharu. 

Os prisioneiros vão em marcha forçada rumo ao norte para San Fernando, de onde vão em trens insalubres e superlotados até Capas, mais ao norte. De lá, caminharam mais 11km até Camp O'Donnell, um antigo centro de treinamento do Exército das Filipinas usado pelos japoneses como campo de prisioneiros.

Durante a marcha, que durou de 5 a 10 dias, dependendo de onde os prisioneiros entraram, os prisioneiros são espancados, baleados, atacados com baionetas e alguns degolados. Só 54 mil prisioneiros chegam ao campo. Pelo menos 2,5 mil filipinos e 500 norte-americanos morrem no caminho. Muitos que chegam ao destino, 26 mil filipinos e 1,5 mil norte-americanos, morrem de fome e doenças. 

TRUMAN SANCIONA PLANO MARSHALL

    Em 1948, o presidente Harry Truman sanciona a Lei de Assistência Econômica, um programa para reconstruir e estabilizar a Europa depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45) conhecido como Plano Marshall. 

O objetivo é fortalecer as economias capitalistas aliadas dos Estados Unidos e reduzir a atratividade dos partidos comunistas no início da Guerra Fria, a grande confrontação estratégica, política, militar, ideológica, econômica, científica, tecnológica e cultural com a União Soviética.

O secretário de Estado norte-americano, George Marshall, defende a ajuda dos EUA à Europa e pede aos países europeus que façam um plano em discurso na Universidade de Harvard, em Cambridge, no estado de Massachusetts, em 5 de junho de 1947.

A França e o Reino Unido convidam os países do continente para uma reunião em Paris. A URSS boicota o encontro e pressiona a Hungria, a Tcheco-Eslováquia e a Polônia a fazer o mesmo.

O Congresso dos EUA aprova a proposta do Comitê de Cooperação Econômica da Europa em 2 de abril de 1948.

Durante quatro anos (1948-51), o Programa de Recuperação da Europa distribui US$ 13,4 bilhões (US$ 115 bilhões pela cotação de 2020) em ajuda direta e empréstimos a 18 países, inclusive Alemanha Ocidental, Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, Grécia, Holanda, Irlanda, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal e Suécia. Seus produtos internos brutos subiram de 15% a 25%.

Em  resposta ao Plano Marshall, em 1949, a URSS cria o Conselho de Assistência Econômica Mútua (Comecon) com a Alemanha Oriental, a Bulgária, a Hungria, a Polônia, a Romênia e a Tcheco-Eslováquia.

ÚLTIMO DISCURSO DO DR. KING

    Em 1968, durante uma greve de trabalhadores do setor de limpeza pública da cidade de Memphis, no estado do Tennessee, o líder do movimento pacífico pelos direitos civis dos negros, reverendo Martin Luther King Jr., faz seu último discurso, Estive no Topo da Montanha, na sede da Igreja Mundial Deus em Cristo, com um apelo à união e à luta pacífica. Horas depois, é assassinado.

Filho de um pastor batista de classe média abastada, o Luther King nasce em 15 de janeiro de 1929 em Atlanta, na Geórgia. Ele organiza a primeira grande manifestação contra a segregação racial no Sul dos EUA: o Boicote aos Ônibus de Montgomery, no Alabama, depois da prisão de Rosa Parks por se negar a ceder seu lugar, em 1º de dezembro de 1955.

Sob influência do líder da independência da Índia, Mohandas Gandhi, o Mahatma, cujas ideias conheceu num seminário onde estudou teologia por três anos (1948-51), Luther King defende a luta não violenta e a desobediência civil como instrumentos contra o racismo institucionalizado. Apesar da reação violenta da maioria branca, o movimento persiste, mas enfrenta oposição dos Panteras Negras como Stokely Carmichael e Louis Farrakhan, a favor do uso da força.

Grande orador, King apela aos valores cristãos e à democracia como base de sua campanha. Em 28 de agosto de 1963, lidera a Marcha sobre Washington e faz o famoso discurso Eu Tenho um Sonho: "Eu tenho um sonho de que um dia meus filhos serão julgados pela nobreza do seu caráter e não pela cor da sua pele."

A Lei de Direitos Civis, aprovada em 1964, proíbe a discriminação racial no emprego e na educação, e acaba com a segregação em locais públicos. Em outubro de 1965, Luther King ganha o Prêmio Nobel da Paz.

No último discurso, ele vai do Egito e da Grécia Antiga, passa em revista lugares e momentos importantes da história dizendo que esteve lá mas não parou, que o mundo assistia a uma redenção ainda maior com o movimento pelos direitos civis. Há uma peça de teatro, O Topo da Montanha, de Katari Hall, sobre esta última noite.

PAPÉIS DO PANAMÁ

    Em 2016, mais de 11,5 milhões de documentos confidenciais do escritório de advocacia Mossack Fonseca, com sede no Panamá, originalmente vazados para um jornal da Alemanha, são divulgados depois de um ano de investigação pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos. Eles revelam como 214 mil empresas e 29 multimilionários e bilionários escondem sua riqueza para não pagar impostos.

São citados os chefes de Estado de cinco países (Arábia Saudita, Argentina, Emirados Árabes Unidos, Islândia e Ucrânia) e altos funcionários, parentes e assessores de líderes de Angola, Brasil, China, Coreia do Norte, França, Índia, Malásia, México, Paquistão, Reino Unido, Rússia e Síria.

Ter conta em paraísos fiscais não é um crime em si, mas deve ser declarado no país onde a empresa ou pessoa tem domicílio fiscal, mas as reportagens desmascaram empresas de fachada usadas para cometer crimes como fraude, evasão fiscal e tráfico de drogas,

Entre os políticos brasileiros, são citados o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, o ex-ministro Delfim Netto, ex-governador de Minas Gerais, Newton Cardoso, o ex-governador do Distrito Federal Paulo Octavio, o senador Edison Lobão, o ex-deputado federal João Lira e o ex-senador Sérgio Guerra. Da mídia, o apresentador Carlos Massa (Ratinho), o diretor da TV Globo Carlos Schroder, o jornalista José Roberto Guzzo, o diretor do Estado de São Paulo Ruy Mesquita Filho e Paula Marinho, da família dona do Grupo Globo.

Pelo menos 57 investigados na Operação Lava Jato tinham 100 empresas em paraísos fiscais.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 2 de Abril

PRIMEIRO EUROPEU NA FLÓRIDA

    Em 1513, o explorador espanhol Juan Ponce de León é o primeiro europeu a desembarcar na costa da Flórida.

Ponce de León nasce em Santervás de Campos em 8 de abril de 1460 numa família nobre. Ele serve o Exército da Espanha. Chega à América pela primeira vez na segunda viagem de Cristóvão Colombo. Depois de descobrir a América com uma flotilha de três navios, Colombo sai de Cádiz em 24 de setembro de 1493 com 17 navios e cerca de 1,5 mil homens.

No início do século 16, Ponce de León é um alto funcionário militar do governo de Hispaniola, a ilha hoje dividida entre Haiti e República Dominica, a primeira colônia espanhola na América. Em 1509, é nomeado o primeiro governador de Porto Rico, mas perde o cargo dois anos depois para Diego Colón, filho de Colombo.

Ele explora a costa da Flórida, batiza o atual estado norte-americano e mapeia a costa até os caios no extremo sul, o ponto mais ao sul do território continental dos Estados Unidos, e depois segue em rumo norte pela costa oeste da Flórida até a Baía Apalache.

De volta à Espanha em 1514, Ponce de León é renomeado governador de Porto Rico com autorização para explorar a Flórida. Em 1521, ele faz a primeira tentativa de colonização europeia de um território que hoje faz parte dos EUA. O projeto é abandonado pela violenta reação dos índios calusas.

Ferido, ele vai para Cuba, onde morre em Havana em julho de 1521. Ponce de León está enterrado na Catedral de San Juan Bautista, em São João de Porto Rico.

CAPITAL DO SUL CAI

    Em 1865, diante do avanço das forças da União (Norte), as tropas do Sul se retiram de Richmond, na Virgínia, capital dos Estados Confederados da América, que se rendem em 9 de abril, no fim da Guerra da Secessão (1861-65).

A Guerra Civil norte-americana começa em 12 de abril de 1861, depois que vários estados do Sul deixam a União e formam a Confederação em 8 de fevereiro de 1861, antes da posse em março do presidente Abraham Lincoln, que é a favor de abolir a escravatura. Com 620 mil mortes, é a mais sangrenta das guerras da história dos EUA.

Richmond se torna capital da Confederação em 8 de maio de 1861. Antes, era Montgomery, no Alabama. A União faz várias tentativas de capturar a capital inimiga. 

Em 1862, o general George McClellan sobe o Rio James até os subúrbios da cidade, mas é repelido pelo comandante militar do Sul, general Robert Lee, na Batalha dos Sete Dias, de 25 de junho a 1º de julho.

O general Ulysses Grant, o comandante militar do Norte, cerca a vizinha Petersburgo em 1864-5. No início da abril de 1865, os sulistas fogem de Richmond e tocam fogo nos suprimentos para que nào caiam nas mãos do inimigo.

WILSON DECLARA GUERRA

    Em 1917, o presidente Woodrow Wilson pede ao Congresso dos Estados Unidos que declare guerra à Alemanha para entrar na Primeira Guerra Mundial (1914-18), o que é fundamental para a vitória dos aliados ocidentais.

Duas questões levam os EUA à guerra: os ataques de submarinos alemães ao comércio transatlântico e o Telegrama Zimmermann, de 16 de janeiro de 1917, em que o ministro do Exterior alemão, Arthur Zimmermann, oferece ajuda para o México reconquistar os territórios tomados pelos EUA na Guerra Mexicano-Americana (1846-48), que junto com o Texas eram mais de 40% do território mexicano, em troca da aliança na guerra.

Para romper o isolacionismo dos EUA e a decisão histórica de não se envolver em guerras no exterior, especialmente na Europa, como queria o primeiro presidente, George Washington, Wilson argumenta que "é a guerra para acabar com todas as guerras".

No fim da guerra, Wilson apresenta seu plano de paz de 14 pontos, que serve de base para a Conferência de Paz de Versalhes, em 1919, conhecida como "a paz para acabar com todas as pazes" por causa das exigências exageradas de reparação e da humilhação da Alemanha, o que alimenta o revanchismo nazista e causa a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Como o Senado dos EUA não ratifica a Convenção da Liga das Nações, por acreditar que a participação afetaria a soberania do país, a primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial nasce sem o país mais importante e não consegue evitar invasão da China pelo Japão, a invasão da Etiópia pela Itália Fascista e a anexação da Áustria e da Tcheco-Eslováquia pela Alemanha Nazista. 

MALVINAS ARGENTINAS

    Em 1982, em meio à guerra suja contra as esquerdas, sob pressão internacional por causa das violações dos direitos humanos, a ditadura militar da Argentina invade as Ilhas Malvinas, que os ingleses chamam de Falklands, uma colônia do Império Britânico desde 1833, perdida no Sul do Oceano Atlântico.

Nos anos 1970, há uma possibilidade de negociação de soberania, a exemplo do acertado em 1984 pelo Reino Unido para devolver Hong Kong à China, mas a violência do regime militar instalado em Buenos Aires em 24 de março de 1976, acusado da morte de até 30 mil pessoas, inibe qualquer iniciativa.

A Argentina proclama a independência em 1816. Quatro anos depois, reivindica a soberania sobre as Malvinas. Chega a erguer um forte na Ilha do Leste, em 1832, destruído pela Marinha Real.

Em 1981, em plebiscito, os 1,8 mil kelpers, nome dos colonos britânicos, decidem manter o vínculo com a coroa britânica. No mesmo ano, em 22 de dezembro, o comandante do Exército, general Leopoldo Fortunato Galtieri, assume a Presidência da Argentina.

Para dar um golpe dentro do golpe e se tornar ditador, Galtieri promete à Marinha, a mais poderosa força armada argentina, tomar as Malvinas, pressupondo que o Império Britânico não iria à guerra por "umas ilhotas". 

As forças de assalto anfíbio da Argentina logo dominam a pequena guarnição de fuzileiros navais britânicos em Porto Stanley, a capital das Falklands. No dia seguinte, tomam as ilhas Sanduíche e a Geórgia do Sul. 

Mas grandes potências não costumam ser humilhadas. A primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, envia uma força-tarefa de 30 navios de guerra, que percorrem 13 mil quilômetros para chegar às Malvinas.

Em 25 de abril, os britânicos reconquistam a Geórgia do Sul e prendem o governador militar argentino, o capitão Alfredo Astiz, mais conhecido como o Anjo da Morte, um notório torturador e assassino, responsável pela morte de Dagmar Hagelin, uma adolescente sueco-argentina de 17 anos, e de freiras francesas, quando servia na Escola Superior de Mecânica da Armada (ESMA), o pior centro de detenção e tortura da ditadura militar. 

Depois da guerra, Thatcher ignora os pedidos de extradição da Suécia e solta o Anjo da Morte, processado e condenado na Argentina quando os processos sào reabertos, a partir de 2005, no governo Néstor Kirchner (2003-7).

As tropas britânicas desembarcam na Malvina do Leste em 21 de maio. Os argentinos se rendem em 14 de junho. Ao todo, 649 argentinos, 255 militares e três civis britânicos morrem na Guerra das Malvinas. Desmoralizada, a junta militar argentina convoca eleições e devolve o poder aos civis em 10 de dezembro de 1983.

Thatcher obtém, em 1983, sua maior vitória eleitoral e a mais ampla maioria na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico desde 1935. A partir daí, adota suas medidas mais radicais, enfrenta e derrota uma grave de mineiros de um ano e amplia o programa de privatização.

MORTE DE JOÃO PAULO II

    Em 2005, João Paulo II, o papa que mais viajou na história e o primeiro não italiano desde o século 16, morre no fim de um pontificado de 26 anos e meio em que fez história ao lutar contra o comunismo na Europa Oriental e na sua nativa Polônia. 

Karol Jozef Wojtila nasce em Wadowice em 18 de maio de 1920. É arcebispo de Cracóvia, uma capital imperial polonesa, quando ascende ao trono de São Pedro. Por não ser italiano, tem a missão de levar a mensagem da Igreja Católica pelo mundo, o que explica o grande número de viagens a 129 países.

João Paulo II é um papa conservador que alinha claramente a Igreja Católica ao Ocidente na reta final da Guerra Fria e combate a "opção preferencial sobre os pobres" da Teologia da Libertação na América Latina. Ele se aproxima de outras igrejas, mas é contra métodos anticoncepcionais e a ordenação de mulheres, além de ser considerado leniente na investigação sobre os abusos sexuais cometidos dentro da Igreja.

Seis dias depois de sua morte, dois milhões de pessoas participam do funeral, um dos maiores da história, na Cidade do Vaticano.
 
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quarta-feira, 1 de abril de 2026

Trump tenta justificar a guerra e promete fim em semanas

Num pronunciamento sem grandes novidades dirigido aos norte-americanos, o presidente Donald Trump defendeu hoje à a noite a necessidade de ir à guerra contra o Irã, insistiu em que está perto de atingir seus objetivos e prometeu mais uma vez acabar com o conflito armado em duas a três semanas. Tenta transformar um fracasso geopolítico retumbante numa vitória.

Trump começou exaltando o suposto sucesso dos militares dos Estados Unidos em pouco mais de um mês de guerra. Mais cedo, declarou que o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu um cessar-fogo. O regime extremista iraniano negou e a Guarda Revolucionária afirmou que o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo, não será reaberto com as "diatribes ridículas" do presidente norte-americano.

Para justificar a guerra, Trump lembrou que o regime ameaça os EUA desde a vitória da Revolução Islâmica em 1979. Citou dos ataques às forças norte-americanas no Líbano nos anos 1980 ao terrorismo do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) a Israel em 7 de outubro de 2023 para reiterar que o Irã jamais poderá ter armas nucleares. Recordou a morte do general Qassem Soleimani, comandante do braço da Guarda Revolucionária Iraniana para ações no exterior, morto por um drone dos EUA perto do aeroporto de Bagdá em 3 de janeiro de 2020, no seu primeiro governo.

Se não tivesse matado Soleimani e acabado, em maio de 2018, com o "acordo desastroso" negociado pelo governo Barack Obama junto com as outras grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidos, a situação seria muito pior, gabou-se Trump. Com seu estilo hiperbólico, alegou que "seria um mundo muito diferente: não haveria Israel nem Oriente Médio."

"Outros presidentes erraram. Estou corrigindo os erros", prosseguiu. "Em junho, ordenei o ataque às principais instalações nucleares na Operação Martelo da Meia-Noite." Na época, afirmou que o programa nuclear do Irã teria sido "completamente obliterado". Neste caso, não haveria necessidade de uma nova guerra. 

"O regime tentou então reconstruir o programa em locais totalmente diferentes, deixando claro que queria fazer armas nucleares. (...) Ao mesmo tempo, desenvolveu mísseis capazes de atingir praticamente o mundo inteiro." Mais um exagero. O Irã disparou um míssil contra uma base aérea na ilha de Diego Garcia, no Oceano Índico, a 4 mil quilômetros de distância, mas as estimativas são de que levaria 10 anos para ameaçar o território dos EUA.

Ao contrário do que diz a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), "estavam perto de fabricar armas nucleares", argumentou. "Há anos, eu disse que o Irã não poderia ter armas nucleares, mas falar não basta. Estou fazendo o que outros presidentes não tiveram coragem de fazer. Eliminei a Marinha, a Força Aérea, o programa de mísseis e a indústria bélica. Isso vai impedir o Irã de ameaçar os vizinhos. Esses objetivos estão perto da conclusão. Vamos terminar o trabalho em breve."

Desde o início da guerra, Trump cantou vitória mais de 20 vezes. Hoje, mentiu que a produção de petróleo dos EUA é maior do que as da Arábia Saudita e da Rússia juntas para afirmar que "não precisamos do petróleo do Estreito de Ormuz. Os países que recebem petróleo por lá devem proteger a rota de que tanto dependem. O Estreito de Ormuz será reaberto naturalmente quando a guerra acabar e os preços do petróleo vão cair."

Os preços da gasolina para o consumidor norte-americano vão ser decisivos nas eleições parlamentares de 3 de novembro nos EUA, quando Trump deve perder a maioria na Câmara e talvez também no Senado. Como o discurso de Trump decepcionou, os mercados abriram em queda na Ásia e o petróleo em alta.

Aos países abalados pela alta nos preços do petróleo para um patamar de US$ 100 por barril na pior crise energética da história, o presidente sugeriu: "Comprem dos EUA ou tenham uma coragem tardia e tomem o estreito", o que ele não tem coragem de fazer porque morreriam muitos soldados norte-americanos.

Trump criticou os aliados europeus por negar o uso de suas bases para ações de ataques e por não se oferecerem para reabrir o Estreito de Ormuz. Praticamente não falou das monarquias petroleiras do Golfo Pérsico e dos outros aliados asiáticos, que tiveram enormes prejuízos com a guerra. Nem em Israel, que tem interesse numa guerra longa capaz de minar as bases econômicas e militares do Irã para levar o regime ao colapso.

"Vamos continuar a Operação Fúria Épica até atingir nossos objetivos, até daqui a pouco, muito pouco, os levamos de volta à Idade da Pedra", continuou Trump. Mais uma vez, prometeu atacam duramente o Irã nas próximas semanas, inclusive as usinas elétricas se o regime iraniano não fizer um acordo, uma contradição para quem garante que a guerra está ganha.

O presidente comparou a duração desta guerra com a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Guerra da Coreia (1950-53), a Guerra do Vietnã (1955-75) e a Guerra do Iraque (2003-11) para alegar que foi curta. Está no 32º dia.

Outra mentira: "Nunca falamos em mudança de regime." No início da guerra, era claro que esse era o principal objetivo dos EUA e de Israel. Agora, Trump alega que o regime mudou porque vários líderes foram mortos, mas o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, foi substituído pelo filho, o líder mais pragmático, Ari Larijani, o principal negociador iraniano, foi morto. 

O homem-forte do regime hoje aparentemente é o presidente do Majlis, o Parlamento do Irã, Mohammad Ghalibaf, ex-prefeito de Teerã, ex-comandante da Força Aérea da Guarda Revolucionária e ex-candidato a presidente. Ele rejeita qualquer negociação, embora o presidente Masoud Pezeshkian tenha dito em carta aberta ao povo norte-americano que o povo iraniano não é inimigo dos EUA e da Europa.

A Guarda Revolucionária está no controle, mais radicalizada e mais determinada a fabricar armas atômicas como garantia de sobrevivência do regime. Trump não falou em apreender os 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, a meio caminho para chegar a 90%, o teor necessário para fazer, com esta quantidade de urânio, até 10 armas nucleares.

Esta é a grande preocupação de Israel e dos analistas militares. Trump quer declarar vitória e ir embora deixando no poder uma ditadura mais extremista com capacidade de fabricar armas atômicas.

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Hoje na História do Mundo: 1º de Abril

 DIA DOS BOBOS

    Por volta de 1700, na Inglaterra, o Dia dos Bobos ou Dia da Mentira se torna popular com malandros e espertinhos fazendo troça dos outros, o que vira uma tradição galhofeira com que os jornais do país brincam até hoje.

A origem histórica da brincadeira é incerta. Alguns historiadores acreditam que a tradição remonta a 1582, quando a França mudou do Calendário Juliano para o Calendário Gregoriano, como determinou o Concílio de Trento, em 1563.

O início do ano passa a ser em 1º de janeiro e não na última semana de março até 1º de abril, no início da primavera. Quem não percebe que o ano começa em janeiro e ainda segue a antiga data, em 1º de abril, é considerado tolo ou atrasado.

FORÇA AÉREA REAL

    Em 1918, a fusão da Corpo Real de Voo (RFC) e do Serviço Aéreo da Marinha Real (RNAS) cria a Força Aérea Real britânica (RAF), que se torna uma nova força armada do Reino Unido, ao lado do Exército Real e da Marinha Real.

O Reino Unido forma o batalhão de Engenheiros Reais, com aviões e balões, em abril de 1911. Em dezembro do mesmo ano, a Marinha cria a Escola de Voo da Marinha Real. Em maio de 1912, os dois são integrados ao RFC. O RNAS surge em julho de 1914.

Em 4 de agosto de 1914, o Reino Unido declara guerra à Alemanha e entra na Primeira Guerra Mundial (1914-18). Na época, o RFC tem 84 aeronaves e o RNAS 71.

Nos primeiros dois anos da guerra, a Alemanha usa melhor a aviação. Pilotos alemães como Manfred von Richthofen, o Barão Vermelho, bombardeiam a Inglaterra, o que leva à criação da RAF para realizar bombardeios estratégicos ao inimigo.

HITLER SENTENCIADO

    Em 1924, Adolf Hitler é sentenciado a cinco anos de confinamento pelo Golpe da Cervejaria, uma tentativa fracassada de tomar o poder iniciada em Munique, na Alemanha, por militares e membros do Partido Nazista em 8 de novembro de 1923. Dois dias depois, Hitler é preso.

A Alemanha enfrenta uma crise séria depois da derrota na Primeira Guerra Mundial (1914-18) e das humilhações impostas pelo Tratado de Versalhes, a paz para acabar com todas as pazes, com hiperinflação de 30.000% ao ano.

O governo derrota o golpe, mas Hitler vence politicamente. Milhares de pessoas no mundo inteiro, inclusive jornalistas, acompanham o processo. 

Hitler parte para o ataque. Nos 25 dias do julgamento, acusa a França, os judeus e o marxismo pelos problemas da Alemanha. Os juízes conservadores deixam que ele tire o foco do golpe e os promotores são intimidados por militantes nazistas.

Na sua declaração final, Hitler anuncia que vai ignorar o veredito porque será absolvido pelo "tribunal eterno da história". Durante a prisão, o líder nazista escreve seu manifesto Mein Kampf (Minha Luta). Sai mais popular do que antes. 

Em 30 de janeiro de 1933, Hitler é nomeado chanceler (primeiro-ministro) da Alemanha. Em 19 de agosto de 1934, depois da morte do presidente Paul Hindenburg, com quase 90% dos votos num referendo, unifica os cargos de presidente e primeiro-ministro como o Führer (Líder) cargo que ocupa até a morte por suicídio em 30 de abril de 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

DESEMBARQUE EM OKINAWA

    Em 1945, depois de perder 116 aviões e ter três porta-aviões danificados, 50 mil fuzileiros navais dos Estados Unidos desembarcam no Sudoeste da ilha de Okinawa, que fica a 560 quilômetros ao sul da Kyushu, a mais próxima das quatro maiores ilhas do Japão.

Mais de 1,3 mil navios dos EUA convergem para Okinawa, que os norte-americanos pretendem usar como base para atacar as grandes ilhas do arquipélago japonês. Logo, eles tomam duas pistas de pouso e avançam para enfrentar 120 mil japoneses.

A Batalha de Okinawa dura 2 meses e 3 semanas. Vai até 22 de junho de 1945. É a última grande batalha da guerra. Entre 14 e 20 mil norte-americanos e 110 mil japoneses morrem. Diante do número de baixas nas batalhas de Iwo Jima e Okinawa, os EUA decidem usar a bomba atômica para evitar a invasão das quatro grandes ilhas do Japão, que poderia custar 1 milhão de vidas.

MORTE DE MARVIN GAYE

    Em 1984, o cantor e compositor de soul e rhythm & blues, multi-instrumentista, arranjador e produtor norte-americano Marvin Gaye é baleado e morto pelo pai, supostamente por ser gay.

Gaye nasce em 2 de abril de 1939 em Washington. Seu pai é um pregador e a mãe, empregada doméstica. Aos quatro anos, ele começa a cantar na igreja evangélica do pai. Na adolescência, entra para um grupo chamado Moonglows. 

Aos 20 anos, Gaye vai para Detroit levado pela gravadora Motown. O plano é transformá-lo num cantor como Nat King Cole ou Frank Sinatra. Não dá certo. 

O sucesso vem em 1962 com Stubborn Kinda Fellow. Outras grandes sucessos são I heard it through the grapevine (1986) e What's Going On (1971), um compacto que acabou virando LP, talvez seu trabalho mais importante porque é quando prova a capacidade de compor.

CASAMENTO GAY

    Em 2001, a Holanda se torna o primeiro país a dar direitos iguais para casais do mesmo sexo.

Os direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBTs) nos Países Baixos estão entre os mais avançados do mundo. As relações sexuais entre as pessoas do mesmo sexo são legais desde 1811, quando a França invade o país e impõe o Código Civil Napoleônico e revoga as leis contra a sodomia. 

Desde 1971, a idade de consentimento é a mesma para todos. Mas só em 1973 a homossexualidade deixa de ser considerada doença mental. A união estável é reconhecida em 1998. Os casais LGBTs podem adotar filhos e usar métodos de concepção artificial. A discriminação sexual é proibida pela Constituição.

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terça-feira, 31 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 31 de Março

 REIS CATÓLICOS EXPULSAM JUDEUS

    Em 1492, depois de libertar a Espanha, em 2 de janeiro, de quase 800 anos de invasão muçulmana, os reis católicos, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, baixam o Decreto de Alhambra, expulsando todos os judeus do reino.

Por mais de um século antes do Decreto de Alhambra, há massacres e atos de violência individual contra judeus e leis antissemitas na Espanha católica. Muitos judeus se convertem ao cristianismo. São os cristãos novos. A conversão e as mortes reduzem a população judaica.

Em 1478, Fernando e Isabel introduzem a Inquisição, sob o pretexto de livrar a Espanha dos hereges. Além de forçar as conversões, a Igreja persegue quem continua praticando o judaísmo em segredo com grande violência.

A pedido do grande inquisidor Tomás de Torquemada, o mais notório torturador e assassino do Santo Ofício, depois de anos de pressão, os monarcas decidem expulsar os judeus da Espanha e dão prazo até o fim de julho para que saiam do país.

Muitos se convertem. Pelo menos 40 mil fogem da Espanha. Algumas estimativas falam em centenas de milhares. Muitos pagam passagens de navio e são jogados no mar por capitães espanhóis.

O Império Otomano recebe os judeus da Espanha, mas outros países da Europa os tratam com a mesma crueldade dos espanhóis. Muitos vão para Portugal, onde o rei Dom João II cobra dois escudos de cada imigrante. 

Um novo rei, Dom Manuel I, ascende ao trono em 1495 e se casa com a princesa Isabel de Castela, filha dos reis católicos, que exigem a expulsão de todos os hereges (muçulmanos e judeus). Em 5 de dezembro de 1496, o rei expulsa os judeus e dá prazo até 31 de outubro de 1497 para que deixem Portugal.

Como precisa do capital e do conhecimento técnico dos judeus, quase todos alfabetizados e com conhecimento de matemática, Dom Manuel tenta promover uma conversão em massa, mas a maioria dos judeus decide sair do país.

O rei fecha todos os portos, menos Lisboa, onde se concentram 20 mil judeus à espera de um navio. Dom Manuel manda sequestrar todas as crianças judias de menos de 14 anos para serem educadas por famílias cristãs.

Quando o prazo se esgota, os judeus que ficam são arrastados por multidões insufladas por fanáticos religiosos até pias batismais.

Destes batismos forçados, surgem os marranos ou criptojudeus, que praticam o judaísmo clandestinamente e em público professam a fé católica. Os cristãos novos nunca são bem aceitos.

Em 1506, durante um surto da peste bubônica, há o Pogrom de Lisboa, um massacre de judeus com mais de 2 mil mortes, seguido de nova fuga em massa, principalmente para a Holanda e a Alemanha, e também para o Sul da França, a Inglaterra e o Oriente Médio.

NASCIMENTO DE DESCARTES

    Em 1596, nasce em Le Haye, na França, o matemático, cientista e filósofo René Descartes, mestre do racionalismo, considerado e fundador da filosofia moderna, autor da frase "penso, logo existo."

Descartes abandona a escolástica aristotélica, formula uma versão moderna do dualismo entre corpo e mente, e defende o desenvolvimento de uma nova ciência baseada na observação e experimentação. No Discurso do Método, ele propõe a "dúvida metódica" como meio de chegar à verdade.

Em 1604, René vai para um colégio jesuíta em La Flèche, onde 1,2 mil jovens do sexo masculino recebem educação para carreiras como engenharia militar, direito e administração pública. Além de ciências, matemática e metafísica, o estudo inclui música, poesia, dança, esgrima e andar a cavalo.

Dez anos depois, Descartes vai para Poitiers, onde se forma em direito em 1616, em meio à revolta dos huguenotes contra o rei Luís XIII. O pai quer que ele seja membro do Parlamento, mas a idade mínima é 27 anos e ele tem apenas 20.

Em 1618, vai para Breda, na Holanda, Descartes estuda ciência e matemática, e escreve o Compêndio de Música. Quando está na Boêmia, em 1619, inventa a geometria analítica, um ramo da matemática que usa a álgebra para resolver problemas geométricos e a geometria para resolver problemas de álgebra.

De 1619 a 1628, ele viaja pelo Sul da Europa, onde diz ter aprendido "o livro da vida". Em 1637, ele formula o Discurso do Método, com quatro regras básicas:

  • Não tomar como verdade nada que não seja evidente.
  • Dividir os problemas em partes mais simples.
  • Começar a resolver problemas das partes mais simples para as mais complexas.
  • Reavaliar o raciocínio.
Ele morre em Estocolmo, na Suécia, em 11 de fevereiro de 1650, aos 53 anos.

NASCIMENTO DE HAYDN

    Em 1732, o compositor Franz Joseph Haydn, um dos nomes mais importantes da música clássica no século 18, nasce em Rohrau, na Áustria.

A família é humilde. O pai é um marceneiro fabricante de rodas. A mãe cozinha para os senhores da cidade. Desde criança, Haydn revela talento para a música. Aos seis anos, um primo que é diretor de escola e mestre do coro o leva para a igreja, onde o pequeno Franz Joseph canta no coral e aprende vários instrumentos.

Aos 8 anos, o diretor musical da Catedral de Santo Estêvão, em Viena, o convida para ser corista da igreja mais importante da capital austríaca e do Sacro Império Romano-Germânico. Quando a voz muda na adolescência, Haydn é demitido. Aos 17 anos, está na miséria.

Enquanto sobrevive conseguindo bicos como músico, Haydn estuda e conhece o compositor e professor de canto italiano Nicola Porpora, que lhe dá aulas de voz e corrige suas composições. Faz contato com a nobreza ao tocar para a aristocracia. 

Em 1758, Haydn se torna diretor musical do Conde Ferdinando Maximilian von Morzin. da Boêmia. À frente de uma orquestra de 16 músicos, Haydn compõe sua primeira sinfonia. Sua carreira decola quando ele vai trabalhar para o Príncipe Pal Antal Esterhazy. A família Esterhazy é uma das mais poderosas do Sacro Império. Até a morte, Haydn trabalha para eles.

Numa das viagens a Viena, Haydn conhece Wolfgang Amadeus Mozart. Os dois ficam amigos e se influenciam. Mozart aprende a compor quartetos com Haydn.

Haydn chega à Inglaterra no Ano Novo de 1791 para um ano e meio de grande produção. Ele compõe em Londres 12 sinfonias que são suas melhores obras para orquestra. Em junho de 1792, vai para a Alemanha. Conhece em Bonn o jovem Ludwig van Beethoven, de 22 anos, e o leva para ser seu aluno. Numa carta ao preceptor de Beethoven, o prefeito de Colônia, Haydn escreve: "Beethoven um dia será considerado um dos maiores compositores da Europa e terei orgulho de ser chamado de seu professor."


ABERTURA DO JAPÃO

    Em 1854, sob pressão do almirante Matthew Parry, que ameaça bombardear o porto de Tóquio, o Japão assina o Tratado de Kanagawa e se abre ao comércio com os Estados Unidos depois de 215 anos de fechamento durante o Xogunato Tokugawa (1603-1868).

O almirante Perry entra na Baía de Tóquio em julho de 1853 com uma frota de navios de guerra e exige a abertura do Japão. Volta em fevereiro para negociar o tratado. Tenta falar com o imperador, mas acaba negociando com o xogum Ieyoshi Tokugawa. Com o tratado, o Japão abre os portos de Shimoda e Hakodate aos navios dos EUA.

Em 1858, os EUA e o Japão assinam um Tratado de Amizade e Comércio. Essa abertura comercial feita com a diplomacia das canhoneiras causa uma revolução. É o fim da Idade Média no Japão. Em 1868, acaba o xogunato. Vem a Restauração Meiji, que restitui o poder ao imperador.

Para não ser dominado pelo colonialismo, o Japão se ocidentaliza e se industrializa. Ao vencer a China na Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95), acaba com a ordem sinocêntrica de 2 mil anos no Leste da Ásia. Derrota a Rússia na Guerra do Pacífico ou Guerra Russo-Japonesa (1904-5).

INAUGURAÇÃO DA TORRE EIFFEL

    Em 1889, para festejar o centenário da Revolução Francesa de 1789, a Torre Eiffel, obra do engenheiro Gustav Eiffel, é inaugurada em Paris. 


Mais de 100 projetos são apresentados quando a França prepara as festividades. O vencedor é uma torre de 300 metros quase toda construída com ferro forjado de malha aberta. Várias críticas são feitas do ponto de vista estético. O arco serve de portão de entrada da Exposição Internacional de 1889.

É a construção mais alta do mundo na época, duas vezes mais alta do que a Basílica de São Pedro, no Vaticano, e do que a Pirâmide de Quéops, no Egito.

HORÁRIO DE VERÃO

    Em 1918, para economizar energia, os Estados Unidos adiantam os relógios em uma hora e adotam o horário de verão.

A medida é sugerida pela primeira vez pelo político e cientista norte-americano Benjamin Franklin, um dos fundadores dos EUA. Vários países, entre eles a Alemanha, a Austrália, os EUA e o Reino Unido adotam a medida para poupar combustível durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Hoje, os países do Hemisfério Norte usam o horário de verão do fim de março ou início de abril até o fim de setembro ou outubro. Fazem a mudança de madrugada para não alterar a data.

LYNDON JOHNSON DESISTE DA REELEIÇÃO

    Em 1968, sob pressão por causa do descontentamento com a intervenção dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã, o presidente Lyndon Johnson surpreende os norte-americanos ao anunciar que não será candidato à reeleição.

Lyndon Baynes Johnson nasce no condado de Gillespie, no Texas, em 27 de agosto de 1908. Um moderado dentro do Partido Democrata, se destaca como líder do Senado e é indicado como candidato a vice-presidente na chapa de John Kennedy, em 1960.

Com o assassinato de Kennedy, em 22 de novembro de 1963, Johnson assume a Presidência e obtém uma grande vitória na eleição de 1964 contra o segregacionista Barry Goldwater.

Johnson luta pela aprovação de propostas de Kennedy como a Lei dos Direitos Civis (1964) e a Lei dos Direitos de Voto (1965), ambas para acabar com a discriminação racial que os negros ainda sofriam, especialmente no Sul dos EUA, um século depois do fim da Guerra da Secessão (1861-65). Também lança o projeto Grande Sociedade para eliminar a pobreza, reduzir a desigualdade e a criminalidade, proteger o meio ambiente e melhorar a educação e a saúde.

Ao mesmo tempo, em agosto de 1964, seu governo forja o Incidente do Golfo de Tonquim para conseguir a aprovação do Congresso para declarar guerra ao Vietnã do Norte, depois de Kennedy enviar mais de 2,8 mil assessores militares para o Sudeste Asiático.

Quando o Vietnã do Norte e seus guerrilheiros aliados do Viet Cong fazem a Ofensiva do Tet, no Ano Novo Lunar chinês, a partir de 30 de janeiro de 1968, fica evidente que os EUA não têm como ganhar a guerra e a opinião pública se volta contra a intervenção militar.

Diante da impopularidade do presidente, os senadores Eugene McCarthy e Robert Kennedy lançam suas candidaturas e decidem disputar as eleições primárias. Johnson desiste de tentar a reeleição.

O assassinato do líder do movimento negro pacífico, Martin Luther King Jr., em 4 de abril de 1968, deflagra uma onda de protestos no país. Dois meses depois, Bob Kennedy é baleado no dia em que vence a eleição primária da Califórnia, praticamente garantindo a candidatura democrata, e morre no dia seguinte.

Numa convenção nacional democrata tumultuada em Chicago, em agosto, o partido nomeia o vice-presidente Hubert Humphrey como candidato do partido. Johnson anuncia o fim dos bombardeios e o início de negociações de paz com o Vietnã do Norte, mas é tarde demais. Richard Nixon, o ex-vice-presidente derrotado por John Kennedy em 1960, vence Humphrey por 31,7 a 30,9 milhões de votos.

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segunda-feira, 30 de março de 2026

Trump está entre a fuga e uma escalada na guerra

Depois de um mês da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o presidente Donald Trump está encurralado, sem uma saída fácil. Se negociar o fim do conflito, vai obter um acordo pior do que conseguiria antes da guerra. Se enviar forças terrestres, muitos soldados norte-americanos vão morrer e o preço do petróleo vai subir ainda mais antes das eleições parlamentares de 3 de novembro, quando deve perder a maioria na Câmara e talvez no Senado.
Trump adiou até 6 de abril o ultimato para o Irã reabrir o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo. Se o regime iraniano continuar impedindo a circulação de navios, ameaça destruir as centrais elétricas, as instalações de petróleo e as usinas de dessalinização de água do Irã. Se isto acontecer, os iranianos afirmam que todas as instalações de gás e petróleo do Oriente Médio serão alvos da retaliação, o que pode agravar a pior crise energética da história.

O presidente dos EUA têm interesse em sair logo da guerra, enquanto o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, quer uma guerra longa que desgaste o regime iraniano militar e economicamente para deixá-lo à beira de um colapso.

Com seu discurso errático, em um mês de guerra, Trump já cantou vitória várias vezes, mas alterna declarações de que as negociações estão bem encaminhadas com ameaças de intensificar a guerra e lançar uma operação terrestre. Nesta segunda-feira, admitiu que quer controlar o petróleo do Irã como fez na Venezuela.

Enquanto isso, a economia mundial corre o risco de estagflação e a inflação nos preços dos alimentos ameaça deixar mais 45 milhões de pessoas em fome extrema.
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