sexta-feira, 19 de abril de 2019

Estado Islâmico reivindica ataque na República Democrática do Congo

Com o fim do califado no Oriente Médio, o Estado Islâmico tenta expandir suas atividades para outras regiões da Terra, inclusive no Centro da África. Ontem, a Amaq, agência oficial de propaganda da organização terrorista, reivindicou a responsabilidade por uma ação na província de Kivu do Norte, na República Democrática do Congo.

Pelo relato da Amaq, militantes da Província do Estado Islâmico na África Central atacaram soldados do Exército do Congo, matando três e ferindo outros cinco, na localidade de Kamango. Militantes islamitas atacam a região há muitos anos, mas foi a primeira vez que a agência do Estado Islâmico assumiu a responsabilidade por uma ação armada no Congo.

As Forças Democráticas Aliadas (ADF, do inglês), um grupo jihadista da vizinha Uganda, são mais ativas na região e têm adotado palavras de ordem e bandeiras do Estado Islâmico.

Ao perder os territórios que havia conquistado na Síria e no Iraque, uma área do tamanho do Reino Unido, o Estado Islâmico regrediu, voltando a ser apenas um grupo terrorista clandestino, sem uma base territorial. Os atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris foram um sinal de que o projeto original do califado estava destinado ao fracasso.

A expansão internacional é a tentativa de conter o declínio. A própria Amaq admite que a série de ataques em outros países, inclusive no Congo, faz parte da Campanha de Vingança pela Abençoada Província do Levante.

Desde 1996, as ADF lideram uma revolta na fronteira entre o Congo e Uganda com o objetivo de impor a lei islâmica e sucesso limitado a algumas vilas remotas perdidas em meio à floresta tropical africana. A aliança com o Estado Islâmico não aumentou sua capacidade militar.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Candidato da oposição é diplomado como prefeito de Istambul

Apesar dos protestos e recursos do governista Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), Ekrem Imamoglu, do oposicionista Partido Popular Republicano (CHP), foi diplomado ontem pelo Supremo Conselho Eleitoral como prefeito eleito de Istambul, a antiga Constantinopla, maior cidade da Turquia.

Há 25 anos, o AKP governava Istambul. É um alerta para o desgaste do partido do presidente Recep Tayyip Erdogan, que assumiu poderes ditatoriais depois de uma tentativa de golpe em 2016.

A eleição para prefeito de Istambul foi uma disputa apertada. Imamoglu ganhou por 13 mil votos num eleitorado de 8 milhões. O AKP ainda contesta o resultado oficial.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Ex-presidente do Peru se mata para não ser preso por corrupção

O ex-presidente peruano Alan García Pérez se suicidou com um tiro na cabeça hoje para não ser preso por corrupção num desdobramento da Operação Lava Jato no país vizinho. 

Outros dois ex-presidentes do Peru, Ollanta Humala e Pedro Pablo Kuczynski, foram presos por receber suborno da construtora Odebrecht. Alejandro Toledo está refugiado nos Estados Unidos. 

Uma candidata derrotada, Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, condenado por corrupção e violação dos direitos humanos, está em prisão preventiva por receber dinheiro sujo da Odebrecht para a campanha eleitoral de 2011.

Ao ser interpelado pela polícia em sua casa, no aristocrático bairro de Miraflores, em Lima, hoje de manhã, García pediu para ir até o quarto telefonar para seu advogado e se deu um tiro na cabeça, contou o ministro do Interior do Peru, Carlos Morán, citado pelo jornal La República.

García foi levado para o Hospital Casimiro Ulloa. Horas depois, a ministra da Saúde, Zulema Tomás Gonzáles, anunciou a morte depois de três paradas cardíacas.

A Odebrecht depositou o dinheiro sujo na conta de Miguel Atala e de lá foi para Chalán, apelido de Luis Nava, ex-secretário particular de García. O ex-presidente negava ter conhecimento do depósito e da ilegalidade das transações.

Alan García era da Aliança Popular Revolucionária Americana (APRA), o principal partido populista da esquerda do Peru, fundado por Víctor Raúl Haya de la Torre. Do ponto de vista político e ideológico, era uma espécie de Leonel Brizola peruano.

García governou o Peru duas vezes. Na primeira, de 1985 a 1990, fez uma administração desastrosa, marcada pela hiperinflação de 7.694% em 1990 e a rebelião armada do grupo terrorista de esquerda Sendero Luminoso.

A crise profunda levou à eleição em 1990 de Alberto Fujimori, de origem japonesa, que deu um golpe de Estado em 1992, fechando o Congresso e a Corte Suprema. Mesmo assim, García, convertido à economia de mercado, foi reeleito em 2006 para um segundo mandato. Nessa campanha, teria recebido dinheiro ilícito da Odebrecht.

Seu ex-secretário Luis Nava e o ex-ministro Enrique Cornejo foram presos nas atuais diligências. Depois do Brasil, o Peru foi o país mais atingido pela Lava Jato. García tentou pedir asilo político ao Uruguai, mas foi rejeitado.

Parlamento do Egito prorroga para seis anos o mandato do ditador Al-Sissi

A Assembleia Nacional do Egito aprovou ontem uma série de emendas constitucionais , inclusive a ampliação para seis anos do mandato presidencial. Assim, o mandato do ditador Abdel Fattah al-Sissi vai até 2024, quando ele terá direito de concorrer à reeleição, ficando no poder até 2030.

Outras emendas criam o cargo de vice-presidente e restabelecem o Conselho da Shura (Conselho Consultivo), um órgão de assessoramento com funções de câmara alta, de um Senado. Também impõem quotas para a representação de mulheres e minorias na Assembleia Nacional.

Todas estas emendas precisam ser aprovadas em referendo. Talvez a mais importante seja a que dá ao Conselho Supremo das Forças Armadas a palavra final sobre a nomeação do ministro da Defesa do Egito, que tem o maior Exército do mundo árabe.

O mandato das Forças Armadas ficou mais fortes, com a definição como "uma instituição do povo com a missão de garantir o território, a Constituição, a democracia, os direitos individuais, o Estado, o governo civil e os ganhos do povo." Não há nenhuma supervisão do poder civil sobre os militares. É o contrário.

Qualquer ação militar está justificada para salvaguardar o Egito. As Forças Armadas governam o país desde o golpe militar de 1952, que derrubou o rei Faruk. Houve um breve período em que os militares se afastaram, da queda de Hosni Mubarak em 11 de fevereiro de 2011, à queda de Mohamed Mursi, o presidente eleito democraticamente pela Irmandade Muçulmana.

Em 3 de julho de 2013, Al-Sissi deu o golpe e retomou o controle da política do Egito para os militares. Desde o tempo de Gamal Abdel Nasser (1956-70), o grande líder do nacionalismo árabe nos anos 1950s e 1960s, o Egito tem um Estado centralizado e autoritário, no modelo soviético.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Cientistas de Israel imprimem coração usando células de paciente

Uma equipe da Universidade de Telavive, em Israel, criou um coração com uma impressora em três dimensões usando células e material biológico de um paciente. Até agora, só tinha sido possível imprimir tecidos sem vasos sanguíneos, noticiou o jornal The Times of Israel.

"É a primeira vez que alguém conseguiu engenhar e imprimir um coração inteiro, com células, vasos sanguíneos, aurículas e ventrículos", declarou o professor Tal Dvir, da Escola de Biologia Celular Molecular e de Biotecnologia, do Departamento de Engenharia e Ciência dos Materiais do Centro de Nanociência e Nanotecnologia, e do centro Sagol para Biotecnologia Regenerativa, que chefiou a pesquisa.

Ele trabalhou com o professor Assaf Shapira, da Faculdade de Ciências da Vida da Universidade de Telavive, e com o doutorando Nadav Moor. A pesquisa foi publicada na revista científica Advanced Science.

O coração impresso tem o tamanho de um coração de coelho, mas os pesquisadores acreditam que será possível produzir um coração humano com a mesma tecnologia. A esperança é que "dentro de 10 anos haja impressoras de órgãos nos melhores hospitais do mundo e que estes procedimentos possam ser realizados rotineiramente", acrescentou o professor Dvir.

As doenças cardíacas são a maior causa de mortes nos Estados Unidos. Em Israel, são a segunda maior causa de mortes, depois do câncer. Em 2013, os problemas do coração foram responsáveis por 16% das mortes em Israel.

domingo, 14 de abril de 2019

Paraguai defende isolamento total da Venezuela para derrubar Maduro

O ministro do Exterior do Paraguai, Luis Alberto Castiglioni, declarou ontem ser a favor de uma política de total isolamento da Venezuela para forçar a queda do ditador Nicolás Maduro. Mais de 50 países, inclusive o Brasil e o Paraguai, reconheceram o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, como o presidente legítimo da Venezuela.

"Nossa intenção é continuar com o trabalho de isolar o regime tão completamente para que não tenha nenhum oxigênio sobrando", afirmou Castiglioni, depois de receber o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, em Assunção.

Para o chanceler paraguaio, Maduro usa o pouco oxigênio que lhe resta para "consolidar a repressão política" e "fazer as pessoas sofrerem".

Com a economia venezuelana em colapso e a queda na produção de petróleo, surpreende que Maduro ainda esteja no Palácio de Miraflores: "Ele não será capaz de se sustentar por muito tempo e vai cair inevitavelmente. Aquele regime vai ciar porque será impossível se manter", previu Castiglioni.

O chefe da diplomacia dos Estados Unidos esteve ontem com o presidente Mario Abdo Benítez e seu chanceler numa gira pela América do Sul que incluiu também visitas à Colômbia, ao Peru e ao Chile. O tema central da viagem foi a Venezuela.

sábado, 13 de abril de 2019

Espanha prende ex-chefe da inteligência da Venezuela a pedido dos EUA

A Justiça da Espanha ordenou ontem que Hugo Carvajal, ex-chefe do serviço secreto da Venezuela no governo Hugo Chávez, aguarde na prisão o julgamento de um pedido de extradição feito pelos Estados Unidos sob a acusação de tráfico de drogas. Ele foi detido anteontem.

Sua prisão deixa claro que não basta aderir à oposição para se livrar de possíveis processos. Em fevereiro, Carvajal deu seu apoio ao autoproclamado presidente interino, Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional dominada pela oposição.

Altos funcionários dos EUA disseram que ele tem informações valiosas sobre a ditadura de Nicolás Maduro e está disposto a cooperar. Carvajal era assessor de Chávez. Ele nega ligações com o tráfico de drogas e pretende contestar a extradição alegando ter família residente na Espanha.

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Ditador deposto será julgado no Sudão, promete junta militar

A junta militar que derrubou ontem o ditador Omar Bachir, que estava no poder havia 30 anos, anunciou hoje que ele será julgado no Sudão e não extraditado para responder a processo no Tribunal Penal Internacional, em Haia, na Holanda, onde foi denunciado por crimes contra a humanidade e crimes de guerra por causa do genocídio de Darfur.

Sob pressão das ruas, o novo homem-forte do país, general Omar Zain al-Abidin, prometeu realizar eleições em dois anos. Ele afirmou que os militares que derrubaram Bachir "não têm fome de poder" e serão "guardiães das demandas do povo".

Em entrevista coletiva nesta sexta-feira, o general convocou ao diálogo todos os partidos do Sudão, menos o Congresso Nacional, de Bachir, acusando-se de ser "responsável pelo que aconteceu".

A Associação dos Profissionais Sudaneses, uma das organizações da sociedade civil organizadora das manifestações de rua, rejeitou o convite ao diálogo alegando que a junta militar "não é capaz de promover a mudança".

O porta-voz da associação, Rachid Said, disse: "Fomos enganados por uma grupo de pessoas que tomou o poder do Exército. Este é um pequeno grupo ligado ao regime de Bachir. Tomaram o poder com a concordândia de Bachir."

Como várias facções do Exército, várias milícias e o poderoso Serviço Nacional de Segurança e Inteligência estavam comprometidos com o antigo regime, há fortes suspeitas em relação ao diálogo e a uma mudança efetiva.

Pelo menos 11 pessoas foram mortas ontem, sendo oito na província de Darfur, no Leste do Sudão, local de um genocídio no início do século. O total de mortes desde que os protestos começaram, em dezembro, chegou a 90.

O TPI denunciou Bachir por cinco acusações de crimes contra a humanidade, duas de crimes de guerra e três de genocídio supostamente ocorridos em Darfur entre 2003 e 2008.

A crise econômica, agravada pelas sanções impostas pelos Estados Unidos, e a perda da renda do petróleo com a independência do Sudão do Sul, em 2011, contribuíram para o fim da ditadura de Bachir.

Com a queda do ditador sudanês e de Abdelaziz Bouteflika, que estava no poder há 20 anos na Argélia, fica no ar a dúvida de estar ocorrendo uma segunda Primavera Árabe como a de 2011, quando caíram ditaduras na Tunísia, no Egito, na Líbia e no Iêmen, e teve início a guerra civil na Síria.