sábado, 25 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 25 de Abril

PRIMEIRA GUILHOTINA

    Em 1792, durante a Revolução Francesa (1789-99), a primeira guilhotina é instalada na Praça de Greve, em Paris, para executar um ladrão.

É uma máquina de matar, supostamente com menos sofrimento. Tem duas hastes de madeira por onde cai uma lâmina metálica pesada que corta o pescoço da vítima. Antes da Revolução Francesa, é usada na Inglaterra, na Escócia e em outros países europeus para executar nobres condenados.

A degola por espada ou facão muitas vezes exigia vários golpes, aumentando o martírio da vítima. A revolução visava a criar um mundo moderno com base na ciência. Em 1789, o médico e deputado da Assembleia Nacional Joseph-Ignace Guilhotin defende um projeto de lei para que todas as execuções sejam feitas por máquina para torná-las mais humanas, com menos sofrimento.

Depois de algumas experiências com cadáveres, a guilhotina é usada pela primeira vez em 25 de abril de 1792. Em 1793, o rei Luís XVI e a rainha Maria Antonieta, e os líderes do Período do Terror, Georges-Jacques Danton e Maximiliano Robespierre, são guilhotinados. Ao todo, cerca de 16 mil pessoas morrem na guilhotina durante a revolução.

A maneira científica de matar evolui para as armas químicas, usadas na Primeira Guerra Mundial (1914-18), e nucleares na Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Na França, a guilhotina é usada pela última vez em 1977. Em setembro de 1981, o país abole a pena de morte e aposenta definitivamente a guilhotina.

TELÉGRAFO SEM FIO

    Em 1874, nasce em Bolonha, na Itália, o físico Guglielmo Marconi, inventor do telegrafo sem fio em 1896 e depois do rádio, que ganha o Prêmio Nobel de Física de 1909.

Filho de pai italiano e mãe irlandesa, Marconi estuda física e concentra suas pesquisas nas ondas eletromagnéticas a partir dos ensinamentos de James Clerk Maxwell e Heinrich Hertz, e consegue fazer transmissão de sinal sem fios a curta distância.

Quando descobre que usando uma antena de metal com um prato ou cilindro na ponta conectada a outra igual a uma distância de 2,4 km, se convence do potencial do novo sistema de comunicação. 

Em 1896, Marconi registra uma patente em Londres. Três anos depois, consegue transmitir sinais do Código Morse através do Canal da Mancha. É o telégrafo sem fio. Em setembro de 1918, ele faz a primeira transmissão de rádio da Inglaterra para a Austrália.

O sociólogo canadense Marshall McLuhan, o papa da comunicação, o pensador que mais previu a revolução tecnológica atual, chama o mundo eletroeletrônico criado pelas telecomunicações de Galáxia de Marconi, em contraste com a Galáxia de Gutenberg, o mundo criado pela tecnologia da imprensa.

TURANDOT POR TOSCANINI

    Em 1926, a ópera Turandot, do compositor italiano Giacomo Puccini, incompleta, é apresentada postumamente no Teatro La Scala, em Milão, sob a direção do maestro Arturo Toscanini.

Puccini nasce em 22 de dezembro de 1858 em Luca, na Toscana, onde por dois séculos sua família dá o diretor musical da Catedral de São Martinho. Fica órgão da pai aos 5 anos. O governo municipal ajuda sua família.

Ao assistir a uma apresentação da ópera Aída, de Giuseppe Verdi, em 1876, em Pisa, Puccini decide que sua principal vocação é a ópera. Em 1880, ele vai estudar no Conservatório de Milão.

Sua primeira ópera, La Villi, é rejeitada num concurso, mas seus amigos bancam a estreia no Teatro Verme, em Milão, em 31 de maio de 1884. É um sucesso. O produtor musical Giulio Ricordi, que se torna um grande amigo, compra os direitos e encomenda uma segunda ópera. Edgar é apresentada no Scala, em Milão, em 1889 e fracassa.

Ricordi o manda para Bayreuth, na Alemanha, estudar a obra do compositor alemão Richard Wagner. Na volta à Itália, Puccini compõe suas maiores óperas: La Bohème (1896), Tosca (1900), Madame Butterfly (1904) e Turandot, que não termina.

REVOLUÇÃO DOS CRAVOS

    Em 1974, o Movimento das Forças Armadas, formado por oficiais que lutaram nas guerras coloniais na África, deflagra a Revolução dos Cravos ou Revolução de Abril, depõe a ditadura do Estado Novo, instaurada por António Oliveira Salazar em 1933, e inicia o processo de democratização em Portugal. Uma nova Constituição, de orientação socialista, entra em vigor em 25 de abril de 1976.


Com a adesão em massa da população, o regime praticamente não resiste. Há quatro mortes e 45 saem feridos pelos tiros da Diretoria Geral de Segurança (DGS), a polícia política da ditadura.

O governo é entregue à Junta de Salvação Nacional. Em 15 de maio de 1974, o general Antônio de Spínola assume a Presidência da República. É o autor do livro Portugal e o Futuro, sobre a obsolescência das guerras coloniais na África, um debate que esteve no centro da revolução portuguesa.

É um período de grande agitação civil, política e militar conhecido como Processo Revolucionário em Curso (PREC), marcado por manifestações, ocupações, governos provisórios, nacionalizações e confrontos armados. Vai até 25 de novembro de 1975.

Quando a situação se acalma, uma Assembleia Constituinte aprova uma nova Constituição, que entra em vigor em 25 de abril de 1976, data das primeiras eleições parlamentares da nova república.

TELESCÓPIO ESPACIAL

    Em 1990, o Telescópio Espacial Hubble, um sofiscado observatório ótico fabricado nos Estados Unidos sob a orientação da NASA (Aministração Nacional de Aeronáutica e Espaço), entra em operação, acionado pela tripulação do ônibus espacial Discovery, numa órbita a 600 quilômetros de distância da Terra.

A atmosfera da Terra gera uma névoa que ofusca a observação do Universo. Por estar em órbita, o telescópio espacial dá uma visão mais clara, mais brilhante e mais detalhada. Pode captar a luz visível, os raios ultravioleta e infravermelhos. 

sexta-feira, 24 de abril de 2026

Trump busca acordo para dar à derrota aparência de vitória

Depois de vários ultimatos sem consequências, o presidente Donald Trump se rendeu à realidade e admitiu que não tem condições de decidir quando termina a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. No momento há uma trégua, uma guerra econômica em torno do bloqueio do Estreito de Ormuz, sem perspectivas de paz.

Trump perdeu a guerra, no sentido de que não atingiu nenhum de seus objetivos políticos, mas quer sair cantando vitória. O regime teocrático iraniano não caiu e está mais determinado do que nunca a fazer armas nucleares. O Irã ainda tem a metade de seu arsenal de mísseis e as milícias aliadas no Oriente Médio resistem.

A guerra elevou os preços internacionais do petróleo para um patamar de mais de US$ 100 por barril com forte impacto sobre a economia mundial, especialmente para os países em desenvolvimento da África e da Ásia. Além do petróleo e do gás natural, passam pelo Estreito de Ormuz fertilizantes e outros produtos essenciais. Mais de 700 milhões de pessoas sofrem de desnutrição crônica. Com esta guerra, outras 45 milhões devem ter fome aguda.
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Hoje na História do Mundo: 24 de Abril

BIBLIOTECA DO CONGRESSO

    Em 1800, a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos é fundada oficialmente quando o presidente John Adams destina uma verba de US$ 5 mil para a compra de livros que "possam ser necessários para uso no Congresso".

 
A Biblioteca do Congresso é a maior do mundo. Recebe todos os livros publicados nos EUA. Seu acervo chega a 170 milhões de itens em 2020.

Durante a Guerra de 1812, em 24 de agosto de 1814, quando as forças britânicas incendeiam a Casa Branca e o Capitólio, destroem a coleção original de 3 mil volumes.

GUERRA HISPANO-AMERICANA

    Em 1898, a Espanha declara guerra aos Estados Unidos, que termina com a independência de Cuba e o controle norte-americano sobre Porto Rico e as Filipinas.

É um marco do começo do imperialismo dos EUA e o fim do imperialismo da Espanha, que vinha desde a Descoberta da América pelos europeus em 1492.

A principal causa da guerra é o movimento pela independência de Cuba. Jornais sensacionalista dirigidos por Joseph Pulitzer e William Randolph Hearst fomentam um sentimento antiespanhol na opinião pública dos EUA, que vê os cubanos oprimidos pelo colonialismo espanhol.

Depois do naufrágio misterioso do couraçado norte-americano USS Maine no porto de Havana, o Partido Democrata pressiona o presidente republicano William McKinley. A Espanha tenta um acordo, mas os EUA rejeitam e enviam um ultimato para que a Espanha entregue o controle de Cuba.

Quando Madri recusa, os EUA declaram guerra em 21 de abril. A Espanha declara guerra três dias depois. A guerra dura 10 semanas, até 13 de agosto de 1898.

GENOCÍDIO ARMÊNIO

    Em 1915, o Império Otomano prende em Constantinopla e executa cerca de 250 intelectuais e líderes da comunidade armênia no Domingo Vermelho, marco do início de grandes perseguições e massacres que causam a morte de 800 mil a 1,8 milhão de pessoas no Genocídio Armênio.

O genocídio é realizado em duas etadas: primeiro, matando a população masculina adulta; e depois deportando mulheres, crianças, idosos e doentes em marchas da morte que levam ao deserto da Síria sem água e comida, sujeitas a roubos, estupros e massacres. Outros grupos étnicos e religiosos, como os cristãos, os assírios e os gregos, também são perseguidos.

Quando Raphael Lemkin cria a palavra genocídio em 1943 pensa muito no caso armênio. É o segundo genocídio mais estudado, depois do Holocausto cometido pela Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-45).

A Turquia, herdeira do Império Otomano, dissolvido depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18), nega o Genocídio Armênio.

REVOLTA DA PÁSCOA

    Em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), a Irmandade Republicana Irlandesa, uma sociedade secreta de nacionalistas da Irlanda liderada por Patrick Pearse, lança, com o apoio dos socialistas irlandeses chefiados por James Connolly, a Revolta da Páscoa, uma rebelião armada contra séculos de dominação inglesa e britânica, na segunda-feira da Semana Santa.

Os rebeldes atacam a sede do governo britânico, tomam a sede central do correio em Dublin e proclamam a independência da Irlanda. Na manhã seguinte, dominam boa parte da capital irlandesa. À noite, em 25 de abril, as autoridades do Reino Unido reagem.

A revolta é esmagada até 29 de abril e termina no dia seguinte. Pelo menos 500 pessoas morrem na rebelião: 54% eram civis, 30% soldados britânicos e policiais legalistas e 16% eram rebeldes. Pearse e outros 14 nacionalistas são executados.

Em 21 de janeiro de 1919, deputados do Sinn Féin (SF) eleitos em 1918 convocam o Primeiro Dáil, a primeira sessão do Parlamento irlandês e fundam a República da Irlanda. O Reino Unido não aceita. Começa a Guerra da Independência da Irlanda, travada entre o Exército Republicano Irlandês (IRA) e o Exército Real Britânico.

A guerra dura 2 anos, 5 meses, 2 semanas e 6 dias. Termina em 11 de julho de 1921, com 2,3 mil mortos. Pelo Tratado Anglo-Irlandês, a partir de 1º de janeiro de 1922, 26 dos 32 condados da ilha formam o Estado Livre Irlandês. Os outros seis, de maioria protestante, viram a Irlanda do Norte, que continua fazendo parte do Reino Unido e não é reconhecida pelo SF.

A discriminação aos católicos, nacionalistas e republicanos irlandeses na Irlanda do Norte gera uma onda de protestos nos anos 1960 que leva a uma guerra civil em que 3,5 mil pessoas morrem entre 1969 e 1998, quando é assinado o Acordo Paz da Sexta-Feira Santa, no qual as comunidades católica e protestante se comprometem a dividir o poder.

Com a saída do Reino Unido da União Europeia, a instalação de uma fronteira entre a Irlanda e a Irlanda do Norte reacendeu o conflito. No acordo do divórcio, as duas partes decidiram não criar uma "fronteira dura", mas os protestantes da Irlanda do Norte também não querem uma fronteira no mar com o Reino Unido. O impasse não é resolvido.

O governo britânico aponta uma solução em que há dois controles aduaneiros entre a Grã-Bretanha e a Irlanda do Norte: um para produtos que vão ficar dentro do Reino Unido, mais rápido; e outro para produtos que sigam para a República da Irlanda, que fez parte da União Europeia. 

A manobra evita a fronteira dura capaz de reacender o conflito e os protestantes da Irlanda do Norte aceitaram formar o governo de união nacional liderado pelo SF, o partido mais votado nas últimas eleições norte-irlandesas.

PRIMEIRO ASTRONAUTA MORRE NO ESPAÇO

    Em 1967, o cosmonauta soviético Vladimir Komarov morre ao voltar à Terra. Sua espaçonave se enreda no principal paraquedas a vários quilômetros de altitude e se choca com violência contra o solo.

Vladimir Mikhailovich Komarev nasce em Moscou em 16 de março de 1927. Ele entra para a Força Aérea aos 15 anos e se torna um piloto em 1949. Dez anos depois, Komarev se forma na Academia de Engenharia Militar da Força Aérea em Jukovsky, na Grande Moscou.

Em 12 e 13 de outubro de 1964, Komarev pilota a nave Voskhod 1 na primeira missão especial com mais de um homem a bordo. Em 23 de abril de 1967, Komarov se torna o primeiro cosmonauta russo a subir ao espaço. Na 18ª volta ao redor da Terra, ele tenta pousar e morre na queda.

 RESGATE FRACASSADO

    Em 1980, o governo Jimmy Carter envia uma missão para resgatar os reféns sequestrados na embaixada dos Estados Unidos no Irã em 4 de novembro de 1979, em plena Revolução Islâmica. A operação militar fracassa e oito soldados norte-americanos morrem.

O antiamericanismo da Revolução Iraniana tem origem na revolta contra o golpe que derruba o governo nacionalista de Mohamed Mossadegh em 1953, que planeja estatizar o petróleo. É o primeiro golpe articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) na Guerra Fria.

Em 1957, com a ajuda dos serviços secretos dos EUA e de Israel, o xá cria sua temida polícia, a Savak, acusada pelas oposições por até 100 mil mortes. Era uma sombra permanente na vida do cidadão iraniano durante a ditadura. É outro motivo importante para a Revolução Islâmica.

No caos pós-revolucionário, em 4 de novembro de 1979, guardas revolucionários invadem a Embaixada dos EUA em Teerã e sequestram os 66 funcionários e diplomatas. 

O governo Jimmy Carter autoriza uma operação para libertar os norte-americanos, que fracassa e ajuda a eleger Ronald Reagan. Carter é o único presidente que não manda tropas realizarem intervenções militares na História dos EUA. Sua única tentativa é essa operação de comandos da Força Delta no Irã.

A Operação Garra de Águia tenta resgatar os reféns em 24 de abril de 1980. Só cinco dos oito helicópteros enviados chegam à base de apoio, no meio do deserto, em condições técnicas. Um tem problemas hidráulicos. Outro é danificado por uma tempestade de areia fina. 

Durante o planejamento, fica decidido que a missão seria abortada se menos de seis helicópteros estivessem em condições, embora fossem necessários apenas quatro. Numa decisão discutida até hoje, os comandantes pediram autorização para abandonar a missão. Carter concordou. 

Quando a força estava se retirando, um helicóptero bateu num avião de transporte com soldados e combustível, que explodiu em chamas e matou oito soldados. Um fracasso total. 
A ocupação da embaixada dura 444 dias, até a posse de Ronald Reagan, em 20 de janeiro de 1979. Só aí são soltos os últimos 52 reféns.

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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 23 de Abril

VIKINGS MATAM REI DA IRLANDA

    Em 1014, um grupo de vikings em retirada depois de uma derrota mata o rei da Irlanda, Brian Boru.

O príncipe Brian toma o poder em Dal Cais em 963. Em 1002, estende seus domínios por todo o Sul da Irlanda e resiste ao invasores nórdicos que ocupam o Norte da ilha. 

Em 1013, o rei viking Sitric forma uma aliança contra Brian com guerreiros vikings da Irlanda, das Ilhas Hébridas e da Islândia.

Na Sexta-Feira Santa, 23 de abril de 1014, as forças sob o comando de Murchad, filho de Brian, aniquilam a aliança viking na Batalha de Clontarf, perto de Dublin. Durante a fuga, um grupo de vikings se defronta com a barraca onde está o rei Brian, ataca os guarda-costas e mata velho rei.

A vitória em Clontarf acaba com a invasão viking à Irlanda, mas a morte de Brian marca o início de uma era de anarquia.

NASCIMENTO DE SHAKESPEARE

    Em 1564, de acordo com a tradição, o escritor, poeta e dramaturgo William Shakespeare, considerado um dos maiores autores de todos os tempos, de clássicos como Hamlet – o príncipe da DinamarcaMacbeth Romeu e Julieta, nasce em Stratford-upon-Avon, no interior da Inglaterra. A cidade é uma atração turística por causa do filho ilustre.


Shakespeare é considerado o poeta nacional da Inglaterra. Ele cresce em Stratford-upon-Avon na era elizabetana, de grande efervescência cultural no país. Aos 18 anos, ele se casa com Anne Hathaway. Entre 1585 e 1892, Shakespeare faz carreira de sucesso em Londres como autor, ator e dono de uma companhia de teatro. Escreve a maior parte de sua produção literária de 1590 a 1613.

De sua obra, ficam 38 peças e 154 sonetos. Suas peças são traduzidas nas principais línguas modernas e são mais encenadas do que as de qualquer outro dramaturgo. Estão sempre no teatro, no cinema e na televisão. Ele volta para sua cidade natal três anos antes de morrer, em 23 de abril de 1616.

ENSINO PÚBLICO

    Em 1635, a Escola de Gramática de Boston (futura Escola Latina de Boston) é inaugurada e aberta a todas as classes sociais como a primeira escola pública do que seriam os Estados Unidos, criando um precedente para a educação pública financiada pelo contribuinte.
Ela se baseia nas escolas de gramática da Inglaterra, que davam uma educação clássica para preparar jovens do sexo masculino para a universidade. Em 1877, 242 anos depois, surge uma escola para meninas. Só se torna escola mista em 1972.

É uma escola preparatória clássica para alunos do 7º ao 12º anos. Tem uma reputação de excelência acadêmica, com forte tradição e rigor.

INDEPENDÊNCIA DA ERITREIA

    Em 1993, depois de décadas de dominação estrangeira e guerra, a Eritreia, um pequeno país da região do Chifre da África com costa no Mar Vermelho, começa uma votação de três dias num referendo para oficializar a independência em relação à Etiópia.
O Mar Vermelho é uma rota comercial importante desde a Antiguidade. E o nome Eritreia vem de Mare Erythraeum, Mar Vermelho em latim. Assim, os portos da costa da Eritreia são historicamente alvos da cobiça de potências como o Egito, a Itália e a Turquia.

A Eritreia é um país de 121,3 mil quilômetros quadrados e 5 milhões de habitantes. A aspiração à independência vem desde a derrota do colonialismo italiano em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial. Ela passa à administração militar britânica por 10 anos. Em 1952, a Eritreia forma uma federação com a Etiópia com seu próprio governo e parlamento por 10 anos.

Em 1962, a Etiópia anexa a Eritreia. A Frente Nacional de Libertação da Eritreia, fundada em 1960 entra em guerra com a Etiópia. Depois de 30 anos de guerra, 99,8% votam a favor da independência no referendo. A Eritreia é reconhecida oficialmente como país independente em 24 de maio de 1993.

NASCE O YOUTUBE

    Em 2005, o primeiro vídeo é divulgado no YouTube. É uma visita do cofundador Jawed Karim ao Jardim Zoológico de São Diego, na Califórnia. Um ano depois, há cerca de 100 milhões de vídeos no YouTube.
Hoje, são mais de 5,1 bilhões de vídeos, dos quais 1,1 bilhão são vídeos curtos, ou até 14 milhões de acordo com outras estimativas. A cada minuto, 360 horas de gravação são lançadas na rede via YouTube. São cerca de 2,6 milhões de vídeos por dia, num total de cerca de 946 milhões de vídeos num ano.
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quarta-feira, 22 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 22 de Abril

NASCIMENTO DE KANT

    Em 1724, nasce em Königsberg, na Prússia (hoje Kalingrado, na Rússia), o filósofo alemão Immanuel Kant, um dos maiores pensadores da história da humanidade.

Seus estudos amplos, abrangentes e sistemáticos sobre epistemologia (teoria do conhecimento), metafísica, ética e estética o tornam um dos expoentes do Iluminismo, do idealismo e da filosofia ocidental moderna. No seu pensamento, convergem o racionalismo de René Descartes e o empirismo de Francis Bacon.

Em 1740, Kant entra para a Universidade de Königsberg para estudar teologia, mas se interessa mais por matemática e física. Passa a ler a obra do físico inglês Isaac Newton. A morte do pai e o fracasso em obter um emprego como subtutor numa escola  o obrigam a deixar os estudos.

Durante 15 anos, Kant trabalha como tutor de famílias, como um docente privado, aperfeiçoando suas qualidades como professor e escritor. Logo, está lecionando muitas disciplinas além de física e matemática, inclusive lógica, metafísica e filosofia moral.

Em contraste com seus livros, as aulas são vívidas e bem-humoradas, cheias de citações das literatura inglesa e francesa, geografia, ciências e filosofia.

Nos anos 1760, Kant se torna um crítico das ideias de Leibiniz, entre elas que a filosofia deve usar a matemática como modelo e tentar construir uma corrente de verdades comprováveis baseadas em premissas autoevidentes. Kant contrapõe que a matemática realiza operações claramente definidas com base em conceitos que podem ser apresentados de forma concreta. 

Já a filosofia parte de conceitos confusos ou insuficientemente determinados. Assim, os filósofos precisam se encerrar num círculo de palavras. Ao contrário da matemática, a filosofia não pode ser sintética. Precisa analisar e esclarecer.

A importância da ordem moral, que Kant aprende com o filósofo político franco-suíço Jean-Jacques Rousseau, considerado o pai da democracia, reforça uma convicção de Kant de que uma filosofia sintética é falsa e vazia.

Depois de 15 anos como professor particular, em 1770 Kant é nomeado catedrático de lógica e metafísica na Universidade de Königsberg, posição que ocupa até pouco antes da morte aos 79 anos, em 12 de fevereiro de 1804. Nesta época como professor universitário, escreve a Crítica da Razão Pura e a Crítica da Razão Prática.

Crítica da Razão Pura (1781) é resultado de anos de reflexão e meditação. É um livro denso, impenetrável para a grande maioria. Depois de uma introdução, é dividido em duas partes: a Doutrina Transcendental dos Elementos e a Doutrina Transcendental do Método. Os elementos examinam as fontes do conhecimento humano, enquanto o método traça a metodologia para usar a "razão pura".

No prefácio à primeira edição, Kant explica o que ele quer dizer por crítica da razão pura: "Eu entendo aqui, contudo, não uma crítica dos livros e sistemas, mas sim da faculdade da razão em geral, com vistas a todos os conhecimentos que ela pode tentar atingir independentemente de toda a experiência."
O filósofo alemão distingue duas formas de saber: O conhecimento empírico tem a ver com as percepções dos sentidos, isto é, posteriores à experiência. E o conhecimento puro, aquele que não depende dos sentidos, independente da experiência, ou seja, a priori, universal, e necessário. O conhecimento verdadeiro só é possível pela conjunção entre matéria, proveniente dos sentidos, e as categorias do entendimento.
Depois, Kant lança a Crítica da Razão Prática (1788), a Crítica do Juízo (1790), a Religião nos Limites da Simples Razão, Tratado por uma Paz Perpétua (1795) e a Metafísica dos Costumes (1797).

Kant acreditava que a razão também é a fonte da moralidade e que a estética surge de uma faculdade de julgamento desinteressado. Ele foi um expoente da ideia de que a paz perpétua poderia ser assegurada por meio da democracia universal e da cooperação internacional, e que talvez este pudesse ser o estágio culminante da história mundial.

NASCIMENTO DE LENIN

    Em 1870, nasce Vladimir Illich Ulianov, que adotaria o sobrenome Lenin, um dos políticos mais influentes do século 20, líder da facção bolchevique do Partido Operário Social-Democrata, da Revolução Comunista na Rússia e da União Soviética.

Vladimir Illich Ulianov nasce em Simbirsk, na Rússia. Numa família de seis irmãos, todos entram em movimentos revolucionários. Ele se destaca como estudante de grego e latim. Parece destinado a uma carreira acadêmica.

Um marco trágico na vida de Lenin é a morte do irmão mais velho, Alexander Ulianov, enforcado em 1887 por conspirar para matar o czar Alexandre III como parte do grupo rebelde Vontade Popular. 

No mesmo ano, Lenin entra para a Universidade de Kazan. É expulso três meses depois por participar de uma assembleia. Preso e banido de Kazan, ele vai para a fazenda de um avô em Kokuchkino. Em 1888, ele é autorizado a voltar para Kazan, mas não para a universidade.

Nesta época, conhece revolucionários e lê O Capital, a obra-prima de Karl Marx, o pai do comunismo. Em janeiro de 1889, torna-se marxista. Ele se muda com a família para Samara, onde conclui o curso de direito.

A advocacia dá cobertura legal às atividades revolucionárias. Em agosto de 1893, Lenin se muda para São Petersburgo, na época a capital da Rússia, onde trabalha como defensor público. Ele viaja ao exterior em 1895 para manter contato com russos exilados, em especial Georgy Plekhanov, o grande pensador marxista russo.

De volta à Rússia, consegue unificar os marxistas ao fundar a União de Luta pela Libertação da Classe Trabalhadora. Em dezembro de 1895, os líderes do grupo são presos. Lenin fica um ano e três meses na cadeia. Depois, vai para o exílio interno em Chuchenskoye, na Sibéria.

Sua noiva, Nadia Krupskaya, o segue. Eles se casam na Sibéria e ela se torna sua secretária. Em janeiro de 1900, Lenin deixa a Rússia. No exterior, ele escreve uma série da panfletos. Critica a veneração dos trabalhadores russos pelo czar e os marxistas que se concentram na luta por salários e redução da jornada de trabalho, deixando a política em segundo plano.

O grande debate intelectual dos marxistas russos é se o comunismo seria viável num país atrasado, de industrialização tardia, com mais camponeses que detém propriedade coletiva da terra do que proletários. 

Plekhanov defende a ideia de que a Rússia já é capitalista, mas precisa primeiro de uma revolução burguesa para impulsionar o desenvolvimento capitalista. 

No livro Desenvolvimento Capitalista na Rússia, Lenin conclui que o campesinato está longe de ser uma classe social homogênea. Observa uma estratificação social no campo, com uma burguesa rural, um campesinato de classe média e um proletariado e semiproletariado rural empobrecido. Neste último, vê um aliado do pequeno proletariado industrial da Rússia.

Em 1902, Lenin publica O Que Fazer? Rejeita a ideia de que o capitalismo está levando o proletariado espontaneamente ao socialismo revolucionário, cabendo ao partido apenas coordenar a luta. Na sua visão, o capitalismo predispõe os trabalhadores a aceitar o socialismo, mas a derrubada do sistema capitalista e a construção do socialismo dependem de uma consciência de classe induzida pelo partido.

O papel do partido é central no chamado marxismo-leninismo. É a vanguarda do proletariado. Deve ser mentor, líder e guia altamente disciplinado, mostrando constantemente ao proletariado onde estão os interesses da classe trabalhador. Daí vem a ideia do "centralismo democrático". Uma vez que o partido tome uma decisão, cessa o debate interno e todos os membros devem seguir a orientação da cúpula.

Outros companheiros, como Plekhanov, Julius Martov e Leon Trotsky, temem que esta organização e disciplina partidárias levem ao jacobinismo, suprimam a liberdade de discussão dentro do partido, crie uma ditadura sobre o proletariado em vez da ditadura do proletariado e estabeleça a ditadura de um homem só, como aconteceria sob Josef Stalin.

No segundo congresso do Partido Operário Social-Democrata da Rússia, Lenin está em minoria. Mas a retirada dos judeus social-democratas deixa a facção leninista em maioria e ela a chama de bolchevique (maioria), em oposição a ala menchevique (minoria) de Martov.

A divisão entre bolcheviques e mencheviques se aprofunda com a Revolução de 1905, deflagrada pela derrota da Rússia na Guerra Russo-Japonesa (1904-5).

Ambas as alas seguem a proposta de Plekhanov de que são necessárias duas revoluções, uma burguesa e depois a proletária. Mas os mencheviques entendem que a burguesia deve liderar a revolução burguesa, enquanto Lenin quer a hegemonia do proletariado na revolução democrática.

Lenin volta à Rússia no fim de 1905, mas é forçado a se exilar de novo em 1907. As reformas do czar Nicolau II, o Sanguinário, e a violenta repressão reduzem a adesão do partido. Para manter a coesão dos bolcheviques diante do fortalecimento crescente dos mencheviques, Lenin convoca uma conferência do Partido Bolchevique em 1912 em Praga. É a divisão definitiva do Partido Operário Social-Democrata.

Quando estoura a Primeira Guerra Mundial (1914-18), em julho e agosto de 1914, os partidos social-democratas ignoram as resoluções anteriores da Segunda Internacional e apoiam seus países. Lenin chama os socialistas a favor da guerra de "social-chauvinistas", traidores da classe operária que apoiavam regimes imperialistas.

Ele declara que a Segunda Internacional está morta. Defende a criação da Terceira Internacional e a transformação da guerra em guerras civis em que trabalhadores e soldados virariam suas armas contra as classes dominantes.

Exilado na Suíça, Lenin escreve sua principal obra sobre relações internacionais, Imperialismo: Estágio Superior do Capitalismo, em que propõe a teoria do elo mais fraco para justificar a revolução comunista na Rússia: a ruptura do sistema capitalista não aconteceria nos países mais industrializados, mas nos elos mais fracos. A guerra seria resultado do insaciável caráter expansionista do capitalismo.

"A derrota na guerra é a vitória da revolução", previu Lenin ao discutir a questão com Trotsky. A humilhação do Exército czarista diante da Alemanha leva ao fim da monarquia na Revolução de Fevereiro de 1917. Lenin obtém um salvo-conduto para atravessar a Alemanha, o que leva seus detratores a acusá-lo de ser um agente alemão.

De volta à Rússia, ele lança as Teses de Abril, em que rejeita a democracia parlamentar e prepara a Revolução de Outubro, quando os comunistas depõe o governo provisário do menchevique Alexander Kerensky e tomam o poder. Em 3 de março de 1918, a Rússia assina o Tratado de Brest-Litovsky, uma "paz vergonhosa", nas palavras do próprio Lenin. Abre mãe da Finlândia, da Polônia, dos países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia), da Ucrânia e da Bielorrússia, e sai da Primeira Guerra Mundial.

ARMAS QUÍMICAS

    Em 1915, a Alemanha usa armas químicas em grande escala pela primeira vez na Segunda Batalha de Ypres, na Bélgica, com um ataque de cloro que mata 5 mil soldados franceses e argelinos durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Durante a guerra, a Alemanha, a França, o Reino Unido e a Rússia desenvolvem uma ampla variedade de armas químicas e usam mais de 20 tipos diferentes. Há um total de 1,3 milhão de baixas em consequência de armas químicas, inclusive 91 mil mortes.

A Rússia sofre 500 mil baixas e o Reino Unido, 180 mil. Um terço das baixas dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial é causada por gás mostarda e outros agentes químicos.

As consequências terríveis levam a negociações para acabar com este tipo de arma de destruição em massa. Em 1925, o Protocolo de Genebra proíbe o uso de armas químicas e biológicas, mas não proíbe a produção, a aquisição, a estocagem e o transporte dessas armas e não cria mecanismos de fiscalização para garantir sua aplicação.

A primeira geração de armas químicas surge na Primeira Guerra Mundial. A segunda geração é usada na Segunda Guerra Mundial. E a terceira na Guerra Fria.

Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o uso mais intenso de armas químicas é na Guerra Irã-Iraque (1980-88). São decisivas para o Iraque evitar a derrota. O ataque mais notório parte das forças de Saddam Hussein contra seu próprio povo em março de 1988 em Halabja, a Hiroxima curda. Pelo menos 5 mil pessoas são mortas por bombas jogadas de helicóptero.

Com a ascensão de Mikhail Gorbachev à líderança do Partido Comunista da União Soviética, em 11 de março de 1985, as negociações que acabam com a Guerra Fria favorecem o desarmamento.

A Conferência das Nações Unidas sobre Desarmamento aprova em 3 de setembro de 1992 a Convenção sobre Armas Químicas, que entra em vigor 29 de abril de 1993, depois da ratificação por 65 países. 

No século 21, as armas químicas são usadas pela ditadura de Bachar Assad na guerra civil da Síria nas cidades de Alepo e Homs no início de 2013. O ataque mais violento é num subúrbio de Damasco, a capital síria, em 21 de agosto de 2013, quando morrem 1.114 pessoas.

O presidente Barack Obama declara que o uso de armas químicas cruza uma linha vermelha, mas não age.  

ASSALTO À RESIDÊNCIA DO EMBAIXADOR

    Em 1997, o presidente Alberto Fujimori ordena um ataque de forças especiais à residência do embaixador do Japão no Peru, tomada por guerrilheiros do Movimento Revolucionário Tupac Amaru (MRTA), no qual morrem os 14 rebeldes, dois comandos e um ministro da Corte Suprema, Carlos Giusti.

Quatorze guerrilheiros invadem a casa do embaixador japonês, Morihisha Aoki, em 17 de dezembro de 1996, e tomam como reféns centenas de diplomatas, empresários, altos funcionários públicos civis e militares que participam de uma festa de fim de ano.

As mulheres estrangeiras são libertadas na primeira noite e a maioria dos estrangeiros depois de cinco dias em que sofrem repetidas ameaças de mortes. Depois de 126 dias, as forças especiais de Fujimori atacam a casa. 

Fujimori ganha pontos com a ação. Mais tarde, há alegações de que vários terroristas foram sumariamente executados depois de se render. 

Parentes dos guerrilheiros entram na Justiça do Peru. Um diplomata japonês, Hidetaka Ogura, declara em depoimento que três rebeldes foram torturados. Dois soldados admitem ter visto Eduardo Tito Cruz vivo antes dele morrer com uma bala na nuca. 

A denúncia é retirada no Peru, mas a Corte InterAmericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José, na Costa Rica, decide em 2015 que Cruz foi vítima de uma "execução extrajudicial" e que os direitos humanos de Victor Peceros e Herma Meléndez foram violados.

ACORDO DE PARIS SOBRE CLIMA

    Em 2016, mais de 170 países assinam o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, que tenta controlar a emissão dos gases que agravam o efeito estufa e causam o aquecimento global. O acordo entra em vigor em novembro de 2016.

O Acordo de Paris é resultado de um processo que começa na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), a Cúpula da Terra, realizada no Rio de Janeiro em junho de 1992, quando 179 países aprovam a Convenção ou Acordo-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima.

A 1ª Conferência das Partes do Acordo do Clima (CoP-1), é realizada em Berlim na Alemanha, em 1995, e desde então acontece todos os anos. Em 1997, a CoP-3 aprova no Japão o Protocolo de Quioto, que exige de 37 países desenvolvidos e da União Europeia a redução das emissões em cerca de 5% abaixo do nível de 1990.

O vice-presidente norte-americano Al Gore é um dos grandes negociadores do Protocolo de Quioto, mas o Senado dos EUA nunca ratifica o acordo internacional sob a alegação de que criaria uma concorrência desleal para produtos norte-americanos em relação a países como a China, que não precisa reduzir as emissões.

Quando o Protocolo de Quioto está prestas a caducar, em 2012, há necessidade de negociar um acordo inclusivo, em que todos os países se comprometam a reduzir as emissões de gases carbônicos. Para que todos façam parte, o Acordo de Paris (2015) estabelece que cada país apresente sua própria proposta de redução das emissões. Não há qualquer tipo de fiscalização ou punição para quem não cumprir suas metas voluntárias de diminuir emissões.

É um avanço, mas insuficiente para atingir a meta de manter o aquecimento global em 1,5ºC, com tolerância de até 2ºC, acima da temperatura anterior à Revolução Industrial, que começa no Reino Unido por volta de 1750. 

A CoP-30 será realizada em Belém do Pará, no Brasil, em novembro de 2025. Será uma nova chance de discutir o financiamento das políticas de adaptação e mitigação das mudanças do clima, desta vez sem a participação dos EUA. 

Mais uma vez, o presidente Donald Trump retirou os EUA do Acordo de Paris. Os países ricos ofereceram na CoP-29 US$ 300 bilhões por ano, os países em desenvolvimento querem US$ 1,3 trilhão por ano e Trump não quer dar nada.

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terça-feira, 21 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 21 de Abril

FUNDAÇÃO DE ROMA

    Em 753 antes da Cristo, de acordo com a lenda, os gêmeos Rômulo e Remo, alimentados por uma loba depois de serem abandonados, fundam Roma.

O jornalista e historiador Indro Montanelli disse que a Loba era Acca Larentia, uma prostituta.

Os irmãos se desentendem. Rômulo mata Remo e se torna o primeiro dos sete reis de Roma. Em 509 AC, Roma se torna uma república. Em 27 AC, Otávio César Augusto é coroado imperador.

O Império Romano do Ocidente cai em 4 de setembro de 476, quando o rei bárbaro Flávio Odoacro derruba o imperador Rômulo Augusto.

O Império Romano do Oriente ou Império Bizantino cai em 29 de maio de 1453, quando o sultão Mehmet II, do Império Otomano (turco), conquista Constantinopla.

INDEPENDÊNCIA DO TEXAS

    Em 1836, o general Sam Houston leva 800 texanos à vitória contra 1,5 mil soldados do Exército do México sob o comando do general Antonio López de Santa Anna na Batalha de São Jacinto, garantindo a independência do Texas.

A colonização do Texas começa depois que o presidente Thomas Jefferson compra em 1803 da França de Napoleão Bonaparte o território da Louisiana, que se estendia ao longo do Vale do Rio Mississípi. 

Moses Austin consegue autorização do governo imperial espanhol para assentar 300 famílias numa área de 81 mil hectares no Tejas. Quando o México se torna independente da Espanha, em 1821, Stephen Austin renova a autorização com o novo governo.

Em 1832, a população de colonos norte-americanos na região chega a 20 mil. A instabilidade política no México leva a um golpe do general Santa Anna em 1833. Stephen Austin vai à Cidade do México apresentar as reivincações dos colonos. É preso sob a acusação de fomentar uma rebelião.

Libertado em 1835, Austin volta ao Texas, que forma um governo provisório e declara independência do México em 1836. David Burnet é o presidente interino, Sam Houston o comandante militar e Stephen Austin o embaixador nos EUA, encarregado de obter apoio estratégico e recrutar voluntários.

O Cerco do Álamo, perto de Santo Antônio, pelo Exército do México de 23 de fevereiro a 6 de março de 1836 é uma das batalhas marcantes da Guerra da Independência do Texas. Entre 180 e 250 defensores do Álamo morrem na batalha. Sobrevivem as mulheres, as crianças, os escravizados e funcionários não combatentes.

"Relembrem o Álamo!", passa a ser o grito de guerra dos rebeldes texanos. Os inimigos se encontram junto ao Rio São Jacinto, perto de onde hoje fica Houston, a quarta maior cidade dos EUA. Houston lança um ataque de surpresa e conquista a vitória em 18 minutos.

A Revolução Texana é mais do que uma guerra entre colonos anglo-europeus e soldados mexicanos. É uma luta contra um governo central distante, corrupto e tirânico. Sam Houston é o primeiro presidente da República do Texas e Stephen Austin é secretário de Estado. Hoje os dois são homenageados como nomes de cidades. Houston é a capital até 1839, quando Austin passa a ser.

MORTE DO BARÃO VERMELHO

    Em 1918, a Força Aérea Real britânica abate e mata numa batalha perto de Amiens, na França, Manfred, Barão de Richthofen, mais conhecido como o Barão Vermelho, considerado o melhor piloto da Primeira Guerra Mundial (1914-18), com 80 vitórias.

Manfred Alfred Freiherr von Richthofen nasce em Breslau em 2 de maio de 1892. Ele começa a carreira militar na cavalaria. Em 1915, passa à força aérea do Exército Imperial da Alemanha e, no ano seguinte, da esquadrilha Jasta 2. Seu sucesso como piloto de avião de caça o leva a comandar uma unidade de caças em 1917.

O Barão Vermelho é um herói nacional na Alemanha temido pelos inimigos quando perde a última batalha.

EXTREMA DIREITA NO SEGUNDO TURNO

    Em 2002, o candidato da Frente Nacional, de extrema direita, Jean-Marie Le Pen, conquista 16,86% dos votos, supera o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, que recebe 16,18% dos votos, fica em segundo lugar e vai para o segundo turno da eleição presidencial na França com o presidente Jacques Chirac.

Filho de um marinheiro, Jean-Marie nasce 20 de junho de 1928 em Trinité-sur-Mer, uma cidade litorânea da região da Bretanha. Ele estuda direito na Universidade de Paris. Em 1954, entra para a Legião Estrangeira e serve nas guerras da independência da Argélia e da Indochina Francesa, hoje dividida em Camboja, Laos e Vietnã.

Em 1956, Le Pen é o mais jovem deputado eleito para a Assembleia Nacional da França. Um dos fundadores da Frente Nacional, em 1972, lidera o partido até 2011 com um discurso ultranacionalista e antissemita. Chega a dizer que as câmaras de gás dos campos de concentração nazistas na Segunda Guerra Mundial (1939-45) são um episódio menor da história. É condenado por negar o Holocausto.

Com estas ideias extremistas, a Frente Nacional é marginalizada dentro do sistema político francês. No segundo turno das eleições legislativas, todos os partidos, da direita republicana representada pelo gaullismo até a esquerda, se unem para barrar o acesso da extrema direita à Assembleia Nacional.

A naturalização, a aceitação da extrema direita como parte do sistema político francês, começa com a chegada de Le Pen ao segundo turno em 2002. Mais uma vez, quase todos os partidos, inclusive o Partido Socialista (PS) e o Partido Comunista Francês (PCF), apoiam o presidente Chirac, reeleito no segundo turno com 82,21% dos votos contra 17,79% para Jean-Marie Le Pen. Mas um tabu é quebrado.

Em 2007, o gaulista Nicolas Sarkozy vence a socialista Ségolène Royal no segundo turno. Em 2012, o socialista François Hollande derrota Sarkozy. Mas em 2017 e 2022, o atual presidente Emmanuel Macron, enfrenta no segundo turno Marine Le Pen, filha de Jean-Marie, que hoje é a favorita para as próximas eleições presidenciais, em 2027.

A Frente Nacional, rebatizada como Reunião ou Reagrupamento Nacional (RN), conquista 18,68% dos votos nas eleições parlamentares de 2022. Sua bancada na Assembleia Nacional cresce de 8 para 89 deputados. Fica atrás da bancada governista (245 cadeiras) e da Nova União Popular Ecológica e Social (NUPES), uma aliança esquerdista da França Insubmissa com o PS, o PCF e a Europa Ecologia-Os Verdes (131 cadeiras).

Nas eleições legislativas de junho e julho de 2024, antecipadas depois do bom desempenho da extrema direita nas eleições para o Parlamento Europeu em junho do ano passado, o bloco centrista aliado do presidente Emmanuel Macron fez um acordo informal com a Nova Frente Popular (NFP), de esquerda, para barrar a ascensão da extrema direita ao poder, mas não fizeram aliança para governar.

A NFP fez a maior bancada na Assembleia Nacional (180 cadeiras), à frente da bancada macronista (159) e da RN (142). Como são 577 deputados, todas ficaram longe da maioria absoluta (289). 

O resultado é um governo fraco e indeciso, o que aumenta as chances da extrema direita na eleição presidencial de 2027. Sua líder, Marine Le Pen, está inelegível, condenada por corrupção ao desviar 4,4 milhões de euros do Parlamento Europeu. O Tribunal de Recursos de Paris promete julgar o caso em 2026. No momento, Le Pen lidera as pesquisas.

MORTE DO PRÍNCIPE DO ROCK

    Em 2016, o genial cantor, compositor, guitarrista, baterista, tecladista, produtor e bailarino Prince Nelson Rogers, que cria um gênero inovador com a fusão do funk, rhythm and blues, soul, jazz, rock and roll e pop, uma das maiores estrelas da música popular nos anos 1980 e 1990, morre acidentalmente de uma dose excessiva de fentanil, um poderoso opioide, a droga que mais mata hoje nos Estados Unidos.

Prince nasce em Mineápolis, no estado de Minnesota, em 7 de junho de 1958 e se torna uma dos músicos mais talentosos de sua geração. Como o cantor e compositor Steve Wonder, é um dos poucos músicos com excelente desempenho em todos os instrumentos que tocava, gravando discos com vários instrumentos tocados por ele. Aos 7 anos, aprende a tocar piano. Aos 14 anos, entra na primeira banda.

Seu estilo absolutamente original, andrógino e sensual mistura a arte de Jimi Hendrix, Little Richard e Michael Jackson. Ele começa a carreira com funk e soul para o mercado afro-americano sob o impacto da música para discoteca. Depois incorpora elementos do jazz, punk, heavy metal, dos Beatles e do hip-hop.

O álbum Purple Rain (1984), o mais vendido de seus 39 discos, com mais de 21 milhões de cópias, o torna um ícone da música dos anos 1980 e lhe dá um Oscar de melhor trilha sonor e um Grammy. Em 2004, ele entra para o Rock and Roll Hall of Fame.

Em 21 de abril de 2016, Prince é encontrado morto em sua mansão em Paisley Park, em Chanhassem, em Minnesota. Como não deixa descendentes, sua fortuna de US$ 400 milhões é dividida entre os seis irmãos.

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