PRIMEIRO ELEVADOR
Aumenta a pressão sobre a URSS, o que leva a negociações de desarmamento e controle de armas depois da ascensão do reformista Mikhail Gorbachev à liderança do Partido Comunista, em 11 de março de 1985, e ao fim da Guerra Fria.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
PRIMEIRO ELEVADOR
Aumenta a pressão sobre a URSS, o que leva a negociações de desarmamento e controle de armas depois da ascensão do reformista Mikhail Gorbachev à liderança do Partido Comunista, em 11 de março de 1985, e ao fim da Guerra Fria.
MASSACRE DE JAMESTOWN
Em 1622, o cacique Opechancanough lidera um ataque-surpresa das tribos da Confederação Powhatan contra Jamestown, capital da colônia da Virgínia, e massacra 347 pessoas, um quarto da população dos colonos.
Jamestown, fundada em 14 de maio de 1607, é o primeiro assentamento inglês na América. É um empreendimento privado da Virginia Company com uma carta régia de Jaime I, da Inglaterra, para criar a empresa. Na época, toda a costa atlântica ao norte da Flórida é chamada de Virgínia, uma homenagem à rainha Elizabeth I, da Inglaterra, a Rainha Virgem, que não teve filhos. Sabia que um marido minaria seu poder.
As relações com os nativos inicialmente variam entre amizade e hostilidade. Na Primeira Guerra Powhatan (1609-14), o cacique Pownhatan tenta expulsar os europeus com a fome. Entre 1609 e 1611, a colônia quase é abandonada.
Com a introdução da cultura do tabaco, a partir de 1613, a colônia começa a prosperar. John Rolfe, o pioneiro da produção de tabaco, casa com a princesa Pocahontas, filha do cacique.
No verão de 1619, a colônia cria o primeiro governo representativo na América, com a eleição de uma Assembleia Geral de 22 burgueses e seis indicados pela companhia. Só os homens com propriedades têm direito de voto.
É em Jamestown que chegam os primeiros escravos africanos ao que hoje é os EUA. Em 20 de agosto de 1619, 20 dos 50 angolanos de um navio negreiro português atacado por dois navios piratas ingleses são vendidos em Jamestown. É o marco do início da escravidão no país.
Em 1620, a expansão da área agrícola para produzir tabaco e a infiltração dos colonos em regiões de caça dos indígenas provocam atritos na região da Baía de Chesapeke que explodem em 1622.
Os powhatans chegam desarmados a Jamestown, com veados, perus, frutas, peixes e outros mantimentos como se fossem para vender. Pegam todas as ferramentas e armas disponíveis e matam todos os colonos europeus, homens, mulheres e crianças de todas as idades. É o início da Segunda Guerra Powhatan (1622-32).
Na Terceira Guerra Powhatan (1644-46), Opechancanough é capturado e morto. Uma linha divisória, uma fronteira, é traçada entre a colônia e as terras indígenas. Exige autorização para ser cruzada.
LEI DO SELO
Em 1765, o Parlamento Britânico aprova uma lei para recuperar as finanças do Reino Unido, pagar as dívidas e defender os territórios tomados da França na Guerra dos Sete Anos (1756-63).
A Lei do Selo cria um imposto direto sobre todos os materiais impressos para uso legal ou comercial nas colônias britânicas na América do Norte, de jornais e panfletos a cartas de jogar.
Os colonos já pagam tarifas mais altas para importar têxteis, vinho, café e açúcar, por força da Lei do Açúcar (1764). A Lei da Moeda (1764) causa forte queda no valor do papel moeda usado nas colônias. A Lei do Aquartelamento (1765) obriga os colonos a dar casa e comida aos soldados britânicos em caso de necessidade.
Como haviam pago um preço alto em vidas e recursos durante a guerra, os colonos estão convencidos de que já deram sua cota de sacrifício ao Império Britânico. Como não têm direito de voto no Parlamento de Westminster, articulam o movimento "Não à taxação sem representação."
Em outubro de 1765, nove das 13 colônias mandam delegados para o Congresso da Lei do Selo, que produz a Declaração de Direitos e Reclamações. Sob pressão, o governo revoga a lei no ano seguinte. Mas a semente da rebeldia e da liberdade estava plantada. Em 4 de julho de 1776, os EUA declararam a independência, reconhecida em 1783 pelo Reino Unido e a França.
LIGA ÁRABE
Em 1945, a Arábia Saudita, o Egito, o Iêmen, o Iraque, o Líbano, a Síria e a Transjordânia (hoje Jordânia) fundam no Cairo a Liga Árabe, a organização regional dos países árabes e do pan-arabismo.
Desde então, entraram a Líbia (1953), o Sudão (1956), o Marrocos e a Tunísia (1958), o Kuwait (1961), a Argélia (1962), o Catar, os Emirados Árabes Unidos e Omã (1971), a Mauritânia (1973), a Somália (1974), a Organização para a Libertação da Palestina (1976), Djibúti (1977) e as Ilhas Comores (1993).
Os objetivos são fortalecer a cooperação em programas econômicos, políticos, sociais e culturais, e mediar conflitos entre os países árabes e com outros países. Cada país-membro tem um voto no Conselho da Liga. As decisões só são obrigatórias para quem vota a favor.
ISRAEL MATA LÍDER DO HAMAS
Em 2004, a Força Aérea de Israel mata com um ataque de míssil na Cidade de Gaza o fundador e líder do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), xeique Ahmed Yassin.
Ahmed Yassin Hassan Yassin nasce em Al-Jure, na Faixa de Gaza, em 1º de janeiro de 1937, ainda na época do mandato britânico sobre a Palestina. Quando estuda no Cairo, a capital do Egito, entra em contato com a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, fundado em 1928 no Egito por Hassan al-Bana.
O Hamas é filho da Irmandade Muçulmana. Nasce em 10 de dezembro de 1987, no início da Primeira Intifada, a revolta das pedras contra a ocupação israelense.
RÚSSIA APOIA TRUMP
Em 2019, o procurador especial Robert Mueller entrega ao procurador-geral e ministro da Justiça dos Estados Unidos, William Barr, seu relatório concluindo que a Rússia "interferiu sistemática e amplamente na eleição presidencial de 2016" para apoiar Donald Trump e declara que, "embora este relatório não conclua que o presidente cometeu crime, também não o exonera."
Mueller, ex-diretor do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal norte-americana, constata a interferência da Rússia, especialmente através de uma fábrica de mentiras do GRU (Departamento Central de Inteligência), o serviço de espionagem militar da Rússia, em São Petersburgo, e descobre contatos de membros da campanha de Trump com funcionários e espiões russos, mas não consegue provar que houve conluio entre a campanha de Trump e a Rússia.
O Departamento da Justiça divulga uma versão editada do relatório como uma "medida protetiva" com base nos privilégios do presidente.
Durante as investigações, num encontro com o ditador russo, Vladimir Putin, o então presidente Trump declara que acredita nas palavras de Putin de que não houve interferência, contrariando as conclusões dos serviços de inteligência dos EUA.
Trump simpatiza com Putin, ameaça não defender os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e a bancada trumpista na Câmara dos Representantes leva seis meses para aprovar um pedido de ajuda militar de US$ 61 bilhões à Ucrânia.
O primeiro-ministro de extrema direita da Hungria, Viktor Orbán, maior aliado de Putin na União Europeia (UE), sai de um encontro com Trump dizendo que, se for reeleito, Trump não dará um centavo a mais à Ucrânia. Reeleito, o presidente anuncia que pode dar empréstimos a juro zero, mas a Ucrânia terá de pagar pelas armas.
De volta à Casa Branca, Trump exige o direito de explorar a metade dos recursos minerais da Ucrânia, humilha publicamente o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky e faz vários concessões ao ditador russo antes do início das negociações. A Rússia rejeita sua proposta de trégua. As negociações não avançam. Mesmo que levem a um cessar-fogo, a paz está muito distante. Nenhum presidente ucraniano, nem de qualquer outro país, pode ceder 20% de seu território a um agressor, a não ser à força.
NASCIMENTO DE BACH
BOICOTE OLÍMPICO
Em 1980, o presidente Jimmy Carter anuncia que os Estados Unidos não vão participar da Olimpíada de Moscou em protesto contra a invasão da União Soviética no Afeganistão, em dezembro de 1979. Cerca de 60 países aderem ao boicote dos EUA. Na abertura dos Jogos, o urso Micha, mascote olímpico, chora.
INDEPENDÊNCIA DA NAMÍBIA
Em 1990, depois de 106 anos de colonização pela Alemanha e ocupação pela África do Sul, a Namíbia conquista a independência.
O navegador português Diogo Cão vai à costa da Namíbia em 1486 e 1488, mas os contatos com europeus são poucos até 1670, quando africâneres da África do Sul exploram o território. Por volta de 1790 comerciantes e colonos vão à região, mas não exercem uma influência importante até os anos 1860, quando são abertas rotas para o comércio de marfim e depois de gado.
Nos anos 1880, a Conferência de Berlim (1884-85) faz a partilha da África entre as potências imperiais da Europa e a Alemanha coloniza a África do Sudoeste e enfrenta resistência dos hererós.
Entre 1904 e 1907, durante uma revolta contra o domínio colonial, os alemães matam de 24 a 65 mil hererós, 50% a 70% da população da tribo, e 10 mil namaquas, 50% desta tribo, no que é considerado o primeiro genocídio do século 20.
Em 1914-15, com a eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914-18), a União Sul-Africana, parte do Império Britânico, invade e toma a África do Sudoeste. Depois da guerra, a Liga das Nações dá um mandato à União Sul-Africana para administrar a África do Sudoeste sem necessidade de preparar a independência do país.
Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a economia cresce rapidamente com exploração de diamantes e criação de gado. No fim dos anos 1970, a renda per capita sobe para US$ 1 mil por ano (US$ 20 mil para os brancos e US$ 150 para os negros).
Desde 1947, a Namíbia pede às Nações Unidas o fim da ocupação sul-africana. As igrejas apoiam a petição e começam a preparar a sociedade civil para a independência.
A Organização do Povo do Sudoeste da África (SWAPO) nasce em 1958 como o grande partido da maioria negra e adota a luta armada. Seus líderes são processados por terrorismo e encarcerados em 1968 na prisão da ilha de Robben, onde também estão Nelson Mandela e outros líderes do Congresso Nacional Africano (CNA), que luta contra o regime segregacionista do apartheid na África do Sul.
A partir de 1969, a SWAPO atua em toda a fronteira norte. Suas operações são facilitadas pela independência de Angola, em 1975.
Em 1971, a Corte Internacional de Justiça da ONU considera que o mandato sul-africano acabou e reconhece o direito à independência.
Com uma crise econômica, seis anos de seca, queda na produção de pescado por causa do excesso de captura, o impacto da guerra e a má administração, a Namíbia passa a ser um peso para a África do Sul.
O Conselho de Segurança da ONU aprova resoluções que exigem a independência da Namíbia, mas a África do Sul reluta. Durante a Guerra Fria, usa como desculpa uma intervenção militar de Cuba em Angola para repelir uma invasão sul-africana.
Em 1988, a invasão sul-africana a Angola é derrotada. A África do Sul se retira de Angola em junho daquele ano. Em dezembro, começa a negociar uma transição para a realização de eleições e a independência da Namíbia sob a supervisão da ONU.
A SWAPO vence as eleições de 1989 com 57% dos votos e conquista 60% das cadeiras no parlamento. Seu líder, Sam Nujoma, é o primeiro presidente da Namíbia independente.
Depois de 20 dias e mais de 15 mil ataques, a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã sofre uma nova escalada com bombardeios a instalações de petróleo e gás capazes de causar impacto sobre a economia mundial muito além do fim das hostilidades. A Agência Internacional de Energia declarou que é a pior crise energética da história.
É uma guerra ilegal porque não havia uma ameaça iminente aos EUA e não foi autorizada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.Mais de 3 mil pessoas morreram no Irã e mais de mil no Líbano, a segunda frente desta guerra, onde Israel enfrenta a milícia extremista xiita Hesbolá (Partido de Deus), financiada, treinada e armada pelo Irã. Mais de 70 pessoas morreram no Iraque e mais de 30 nas monarquias petroleiras do Golfo e 25 em Israel, além de 13 soldados norte-americanos.
Os EUA e Israel vencem militarmente, mas estão longe de atingir o principal objetivo político, derrubar a ditadura dos aiatolás e da Guarda Revolucionária. Se o regime sobreviver, ganhou politicamente.
Nos últimos dias, o presidente Donald Trump insultou aliados da Europa e o Japão por se negarem a garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo. Eles não foram consultados nem avisados. Não querem ser alvos fáceis em uma guerra que não apoiam.
Se o estreito ficar fechado por mais um mês, os preços do petróleo, que subiram mais de 80% neste ano, podem chegar a US$ 150 por barril ou até mais se o bloqueio iraniano se prolongar.
Uma derrota no Oriente Médio fatalmente levaria Trump a perder a maioria no Congresso nas eleições de 3 de novembro. Mau perdedor e enfraquecido, o presidente norte-americano pode abandonar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), retomar sua guerra comercial e até mesmo iniciar novas guerras ou aventuras militares.
PANDEMIA DA PESTE
Em 1345, professores da Universidade de Paris atribuem a pandemia da peste bubônica, a pior da história da humanidade, com total de mortes na Eurásia estimado entre 75 e 200 milhões de pessoas de 1346 a 1353, a "uma tripla conjunção de Saturno, Júpiter e Marte" ocorrida em 20 de março.
Os primeiros casos em seres humanos aparecem por volta de 1320 na Mongólia, mas pesquisas recentes sugerem que pode ter ocorrido séculos antes na Europa.
Os sintomas iniciais são dor de cabeça, febre e calafrios. A língua fica enbranquecida. As glândulas linfáticas incham com a reação do organismo. Surgem manchas pretas e vermelhas na pele. A morte vem uma semana depois.
Depois de dizimar as tribos nômades da Mongólia, a peste migra para o Leste e o Sul da China e a Índia. Chega à Europa em 1346.
Há um episódio em que os tártaros, um povo de origem turca, lutam contra italianos de Gênova no Oriente Médio quando um surto da peste atinge os tártaros. Eles catapultam os cadáveres pesteados no território sob o controle dos genoveses, que assim levariam a doença consigo no regresso à Europa.
Mesmo que esta história seja verdadeira, a hipótese mais provável é que a peste chegue à Europa levada por ratos nos porões dos navios. Inicialmente as cidades portuárias são as mais atingidas. Em Veneza, há 100 mil mortes e uma média de 600 por dia.
Em 1347, a peste chega a Paris, onde mata 50 mil pessoas. No ano seguinte, contamina a Grã-Bretanha. Um terço da população da Europa morre até a pandemia recuar, em 1352.
A culpa da desgraça não é atribuída aos astros. Judeus, ciganos e supostas bruxas são torturados e queimados na fogueira. Os religiosos a consideram um castigo divino pela imoralidade. Todos os remédios caseiros, inclusive banhos de urina e de sangue menstrual, fracassam.
Há outros surtos da peste até o século 18. No Brasil, só é controlada no século 20 com Oswaldo Cruz no Ministério da Saúde, quando a população chega a criar ratos porque o governo paga pela captura destes animais. Nunca mais houve uma pandemia como no século 14.
Ao suscitar dúvidas sobre o poder da Igreja e da religião, a pandemia da peste acelera o fim da Idade Média (476-1453).
HENRIQUE V
Em 1413, com a morte de Henrique IV, primeiro rei da Dinastia de Lancaster, seu filho mais velho ascende ao trono da Inglaterra como Henrique V durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), contra a França.
No trono, Henrique V retoma a reivindicação de seu bisavô Eduardo III pela coroa francesa. Em 1415, invade a França e vence a Batalha de Agincourt. A Inglaterra domina toda a Normandia em 1419.
Pelo acordo de Troyes, em 1420, Henrique V casa com Catarina de Valois, filha do rei Carlos VI, da França, é reconhecido como regente e herdeiro da coroa. Sua vitória dura pouco. Em 1422, Henrique V morre da chamada febre do acampamento, o tifo, comum na época em campanhas militares.
CEM DIAS
Em 1815, depois de onze meses de exílio na Ilha de Elba, Napoleão Bonaparte volta a Paris e reassume o poder nos Cem Dias, na verdade 110 dias, até a derrota final na Batalha de Waterloo, 18 de junho, e a restauração da dinastia real pré-Revolução Francesa com Luís XVIII.
Napoleão volta ao poder quando o Congresso de Viena já está reunido e a Santa Aliança decidida a restaurar a ordem monárquica anterior às guerras napoleônicas.
Em 25 de março, o Reino Unido, a Áustria, a Prússia e a Rússia, as grandes potências da Sétima Coalizão contra Napoleão formam um exército de 150 mil homens para acabar de vez com o imperador francês. Napoleão é preso e enviado ao exílio da Ilha de Santa Helena, uma possessão britânica no Oceano Atlântico a 1.950 quilômetros da costa do Sudoeste da África, onde morre de câncer no estômago em 5 de maio de 1821.
KRUSCHEV EM ASCENSÃO
Em 1953, 15 dias depois da morte do ditador Josef Stalin, o ucraniano Nikita Kruschev é um dos cinco indicados para o novo Secretariado do Partido Comunista da União Soviética. Em setembro, ele se torna secretário-geral do partido e, em 1958, primeiro-ministro.
Kruschev, membro ativo desde que entrou para o partido, em 1918. Sua lealdade a Stalin é total, inclusive durante o Holodomor, a morte de mais de 3,9 milhões de ucranianos no processo de coletivização da agricultura na URSS (1929-33), que causa uma grande fome, especialmente na Ucrânia. Assim, ele escapa dos expurgos dos anos 1930.
Depois da morte de Stalin, Kruschev derrota Malenkov para se tornar líder do partido em seis meses. Consolida o poder no 20º Congresso do PC da URSS. Em 25 de fevereiro de 1956, numa reunião de cinco horas a portas fechadas, denuncia os crimes do stalinismo.
É o primeiro-ministro soviético que tenta instalar mísseis nucleares em Cuba, mas acaba recuando diante da iminência de uma invasão dos EUA à ilha, na Crise dos Mísseis, em outubro de 1962. Nunca o mundo fica tão perto de uma guerra nuclear. Kruschev cai dois anos depois numa disputa interna de poder no partido.
INVASÃO DO IRAQUE
Em 2003, os Estados Unidos e aliados lançam uma invasão do Iraque para depor o ditador Saddam Hussein sob o falso pretexto de que o país tem um arsenal de armas químicas e biológicas e está desenvolvendo armas atômicas. Centenas de milhares de pessoas morreram.
A guerra destrói a promessa de uma nova ordem mundial com base no direito internacional, desestabiliza ainda mais o Oriente Médio, gera o Estado Islâmico, talvez o mais feroz dos grupos extremistas muçulmanos, fortalece o Irã e serve de desculpa para a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Depois de derrubar a milícia dos Talebã e não conseguir capturar o líder da rede terrorista Al Caeda, Ossama ben Laden, na Batalha de Tora Bora, no Afeganistão, em dezembro de 2001, no Discurso sobre o Estado da União de 29 de janeiro de 2002, o então presidente George Walker Bush acusa o Irã, o Iraque e a Coreia do Norte de serem um "eixo do mal".
Os EUA mudam seu foco na Guerra contra o Terror, deflagrada depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Como Saddam Hussein é um ditador secularista, inimigo dos terroristas muçulmanos, é preciso inventar uma alegação falsa para justificar a guerra. Mas o governo Bush não consegue convencer aliados europeus importantes como a Alemanha e a França, que estão prontas para votar contra a guerra no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Como a França tem poder de veto, assim como a China e a Rússia, que também votariam contra a guerra, os EUA não submetem uma nova resolução ao Conselho de Segurança, se valem de uma anterior que apertava o regime de sanções internacionais que desmantela o arsenal iraquiano.
A guerra é ilegal porque não é aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU e ilegítima porque jamais são encontradas as armas de destruição em massa que justificariam a invasão.
CONJURAÇÃO DE AMBOISE
Em 1560, uma conspiração de aristocratas huguenotes (protestantes) contra a poderosa família católica Guise fracassa na França.
Com a ascensão do rei Francisco II ao trono da França com apenas 14 anos, a família Guise se torna muito poderosa, o que gera inimizade dentro da própria nobreza.
A conspiração é articulada. A cara do movimento é um nobre huguenote conhecido como La Renaudie. Por trás, está Luís I de Bourbon, príncipe de Condé. Os Guise ficam sabendo quando a corte está em Blois e levam o rei para Amboise.
La Renaudie adia os planos. Os conspiradores se dividem em pequenos grupos e se infiltram na Floresta de Amboise. Como são traídos, o inimigo os espera. Em 19 de março, La Renaudie e outros conspiradores atacam o Castelo de Amboise. O assédio é repelido, La Renaudie morre e vários conspiradores são presos.
A vingança da família Guise é cruel e impiedosa. Por uma semana, há tortura, enforcamentos, esquartejamentos e corpos jogados no Rio Loire. Condé é condenado à morte, mas a morte do rei Francisco II, em dezembro, o salva.
NEVADA LEGALIZA O JOGO
Em 1931, o estado de Nevada legaliza o jogo e abre o caminho para a instalação de cassinos, especialmente na cidade de Las Vegas.
Única grande cidade do Oeste dos Estados Unidos fundada no século 20, Las Vegas evolui de uma cidadezinha construída ao redor de uma estação ferroviária no início do século passado para a cidade que mais crescia no país no fim do século, com seus cassinos e hotéis cinematográficos que atraem dezenas de milhões de turistas por ano.
Las Vegas é mais procurada do que atrações turísticas como o Grand Canyon e o Parque Nacional de Yellowstone.
Com uma população de 648 mil pessoas e mais de 2,8 milhões na região metropolitana, Las Vegas é a maior e mais rica cidade de Nevada. É a cidade de um milhão de luzes, com sua arquitetura exuberante e exagerada, de uma riqueza ostensiva e brega.
INDEPENDÊNCIA DA ARGÉLIA
Em 1962, autoridades da França e líderes da Frente de Libertação Nacional (FLN) da Argélia assinam os Acordos de Evian, que acabam com uma guerra de oito anos e dão independência ao país do Norte da África.
A Guerra da Independência da Argélia foi uma das principais guerra de descolonização da segunda metade do século 20, marcada por uma guerra de guerrilhas e crimes de guerra cometidos pelos dois lados. Começa em 1º de novembro de 1954, o Dia de Todos os Santos Vermelho.A brutalidade do Exército da França alienou os argelinos, que aderiram à revolução, acabou com o apoio à guerra colonial na França Metropolitana e abalou o prestígio internacional do país. A Quarta República (1946-58) acaba e dá lugar à Quinta República, sob a égide do general Charles de Gaulle.
Depois de uma onda de manifestações pela independência nas principais cidades argelinas, em 1960, e de uma resolução das Nações Unidas sobre o direito à independência, o então presidente De Gaulle inicia negociações com a FLN.
DYLAN LANÇA PRIMEIRO ÁLBUM
Em 1962, o cantor e compositor norte-americano Bob Dylan, que foi do folk ao rock e é considerado o maior poeta da história do rock, lança seu primeiro álbum, Bob Dylan. Ele ganha o Prêmio Nobel de Literatura de 2016.
Robert Allen Zimmerman nasce em Dulluth, no estado de Minnesota, nos Estados Unidos, em 24 de maio de 1941, numa família judaica. Ele cresce na cidade mineira de Hibbing, no mesmo estado.
Sob influência da música de Woodie Guthrie, Hank Williams, Little Richard, Elvis Presley e Johnny Ray, Bob compra seu primeiro violão aos 14 anos, em 1955. Antes de entrar para a Universidade de Minnesota em Mineápolis, em 1959, ele toca piano na banda do pop star Bobby Vee.
Quando está na faculdade, descobre o bairro boêmio de Mineápolis, Dinkytown. Fã da poesia beat e de Woodie Guthrie, toca música folclórica e adota o nome de Dylan em homenagem ao poeta galês Dylan Thomas.
Para encontrar Guthrie, que está hospitalizado em Nova Jérsei, Dylan se muda para Nova York em janeiro de 1961 e começa a tocar na noite no Greenwich Village, o bairro beat the Manhattan. Logo arregimenta um grupo de fãs e é contratado para tocar harmônica numa gravação de Harry Belafonte.
Uma crítica laudatória de Robert Shelton no jornal The New York Times de um show em setembro de 1961 rende um contrato com a Columbia Records. O primeiro álbum é recebido com críticas positivas e negativas, como o lamento de um caubói do Meio-Oeste com voz rouca.
O segundo álbum, Freewhelin' Bob Dylan, lançado em maio de 1963, o coloca como uma voz da contracultura, um rebelde com causa. Seu primeiro sucesso, Blowin' in the Wind, lhe dá o status de grande artista.
Em 1963, Dylan faz seu primeiro concerto em Nova York. Em maio, quando é proibido de tocar Talkin' John Birch Paranoid Blues no programa de televisão Ed Sullivan Show, onde os Beatles haviam aparecido pela primeira vez em rede nacional de televisão nos EUA, ele rejeita a censura e se retira, mas perde uma grande oportunidade.
No verão daquele ano, por indicação da cantora Joan Baez, que namora de 1961 a 1965, Dylan se apresenta no Newport Folk Festival e é coroado rei da música folclórica dos EUA.
Em 28 de agosto de 1963, Dylan e Joan Baez cantam na Marcha sobre Washington, em que o reverendo Martin Luther King Jr., líder da luta pacífica pelos direitos civis dos negros, faz o famoso discurso Eu Tenho um Sonho. Seu próximo álbum, The Times They Are A-Changin', de 1964, consolida sua fama de cantor rebelde de músicas de protesto. Em Another Side of Bob Dylan, ele começa a desafiar esse rótulo.
A grande mudança vem em Bringing It All Back Home (1965) quando Dylan introduz instrumentos elétricos para desesperdo dos puristas do folk. A banda de folk rock The Byrds chega ao topo das paradas de sucessos com uma versão de Mr. Tambourine Man com uma guitarra de 12 cordas.
Em junho de 1965, Dylan grava seu maior sucesso, Like a Rolling Stone, e se consolida como um dos maiores músicos e poetas da história do rock.
ARGENTINA SE MOBILIZA PARA TOMAR MALVINAS
Em 1982, depois de um conflito entre trabalhadores argentinos e cientistas britânicos na Ilha Geórgia do Sul, a Argentina mobiliza as Forças Armadas para invadir as Ilhas Malvinas, que os britânicos chamam de Falklands.
Durante a última ditadura militar (1976-83), em 2 de abril de 1982, a Argentina invade as Ilhas Malvinas. O ditador Leopoldo Galtieri supõe que o Reino Unido não vai lutar por "umas ilhotas". Mas a primeira-ministra Margaret Thatcher não aceita o que seria uma humilhação para uma grande potência e envia uma força-tarefa que retoma as ilhas.
A Argentina se rende em 14 de junho depois da morte de 649 argentinos e 258 britânicos. O tenente de navio Alfredo Astiz, torturador assassino acusado pela morte de duas freiras franceses e de Dagmar Hagelin, uma menina sueco-argentina de 17 anos morta com um tiro pelas costas, é o governador militar da Geórgia do Sul. Rende-se sem disparar um tiro. É preso pelos britânicos. Thatcher o entrega à Argentina, apesar dos pedidos de extradição da França e da Suécia.
Desmoralizada, a ditadura militar argentina cai em 1983.
COMUNA DE PARIS
Em 1871, depois da derrota da França na Guerra Franco-Prussiana (1870-71) e do colapso do Segundo Império, estoura a Comuna de Paris, a primeira insurreição que cria um governo popular proletário, expressão do crescimento das ideias socialistas entre o operariado europeu.
A Assembleia Popular eleita em fevereiro de 1871 para concluir um acordo de paz com a Alemanha recém-unificada tem uma maioria monarquista que reflete o conservadorismo das províncias.
Para garantir a ordem na capital francesa, o chefe do governo provisório, Adolphe Thiers, decide desarmar a Guarda Nacional, formada principalmente por trabalhadores que lutaram durante o cerco de Paris. Em 18 de março, essa força se revolta quando tentam tomar os canhões.
Em 26 de março, eleições organizadas pelo comitê central da guarda resulta na vitória dos revolucionários, que formam o governo da Comuna. Entre eles, estão os chamados jacobinos, que seguem as ideias radicais da segunda fase da Revolução Francesa de 1789 e querem que a Comuna controle a revolução; os proudhonistas, socialistas a favor de formar uma federação de comunas por toda a França; e os blanquistas, que defendem uma ação violenta.
O programa da Comuna defende algumas medidas de 1793 como o fim do apoio à Igreja e a adoção do calendário revolucionário, e medidas sociais como jornada de trabalho de no máximo 10 horas por dia e o fim do trabalho noturno dos padeiros.
Com a rápida derrota das comunas que surgem em Lyon, Saint-Étienne, Marselha e Toulouse, a Comuna de Paris fica sozinha na luta contra o governo instalado em Versalhes. Os fédérés, como são chamados os insurgentes, não conseguem se organizar militarmente e partir para a ofensiva. Em 21 de maio, tropas governamentais entram numa zona não defendida de Paris.
Durante a Semana Sangrenta, as forças do governo esmagam a Comuna de Paris. Os rebeldes de defendem armando barricadas com paralelepípedos e tocando fogo em prédios públicos como o Palácio das Tulherias e a Prefeitura. Cerca de 20 mil rebeldes e 750 soldados morrem. Depois do fim da rebelião, em 28 de maio, o governo prende cerca de 38 mil pessoas e deporta mais de 7 mil.
Na descrição de Karl Marx, o ideólogo do comunismo, em A Guerra Civil na França, “a Comuna era composta de vereadores eleitos por sufrágio universal nos diversos distritos da cidade. Eram responsáveis e substituíveis a qualquer momento.
"A Comuna deveria ser não um órgão parlamentar, mas uma corporação de trabalho, executiva e legislativa ao mesmo tempo. Em vez de continuar sendo um instrumento do governo central, a polícia foi imediatamente despojada de suas atribuições políticas e convertida num instrumento da Comuna, responsável diante dela e demissível a qualquer momento. O mesmo foi feito em relação aos funcionários dos demais ramos da administração. Todos que desempenhavam cargos públicos deviam receber salários de operários.
"Como é lógico, a Comuna de Paris seria o modelo para todos os grandes centros industriais da França. Uma vez estabelecido em Paris e nos centros secundários o regime comunal, o antigo governo centralizado teria que ceder lugar também nas províncias ao autogoverno dos produtores.
"No breve esboço de organização nacional que a Comuna não teve tempo de desenvolver, a Comuna deveria ser a forma política inclusive das menores aldeias do país e, nos distritos rurais, o exército permanente devia ser substituído por uma milícia popular com um tempo de serviço extraordinariamente curto. As comunas rurais de cada distrito administrariam seus assuntos coletivos por meio de uma assembleia de delegados na capital do distrito correspondente a essas assembleias, por sua vez, enviariam deputados à delegação nacional em Paris.”
Para Friedrich Engels, o outro autor do Manifesto Comunista, “só os operários de Paris tinham a intenção bem definida, ao derrubar o governo, de derrubar o regime da burguesia”, ainda que “nem o progresso econômico do país nem o desenvolvimento intelectual das massas operárias francesas, contudo, tinham atingido ainda o grau que teria tornado possível uma reconstrução social”.
PRIMEIRAS GRAVAÇÕES DE VOZ
Em 1902, o tenor italiano Enrico Caruso, um dos primeiros músicos a gravar sua voz, faz sua primeira gravação fonográfica.
Caruso, o mais admirado tenor italiano do início do século 20, nasce em Nápoles, na Itália, em 25 de fevereiro de 1873 numa família pobre. Ele canta músicas folclóricas napolitanas nas ruas e entra para o coral da igreja aos 9 anos, mas só começa a receber educação musical formal aos 18 anos com o professor Guglielmo Vergine.
Ele estreia como cantor de ópera em 1894 na peça L'amico Francesco, de Mario Morelli, no Teatro Novo, em Nápoles. Quatro anos depois, ele interpreta o personagem Loris na avant-première de Fedora, de Umberto Giordano, em Milão.
Seu sucesso o leva a se apresentar em Moscou, São Petersburgo e Buenos Aires. Caruso estreia em 1900 no famoso Teatro Scala, de Milão, com La Bohème. Em 1902, ele canta La Bohème em Mônaco e Rigoletto em Covent Garden, em Londres.
Em 23 de novembro de 1903, Caruso faz sua primeira apresentação nos Estados Unidos, cantando La Bohème na Ópera Metropolitana de Nova York. Nos próximos 17 anos, ele participa da abertura da temporada de ópera em Nova York interpretando 36 papéis.
Caruso faz sua última performance em público como Eléazar em La Juive na 607ª apresentação na Ópera Metropolitana de Nova York, em 24 de dezembro de 1920. Ele morre em 2 de agosto de 1921 em Nápoles aos 48 anos.
PRIMEIRO PASSEIO NO ESPAÇO
Em 1965, o cosmonauta soviético Alexei Leonov sai da nave espacial Voskhod 2 e se torna o primeiro homem a passear no espaço.
Leonov nasce em 30 de maio de 1934 em Listvyanka, na Rússia, então parte da União Soviética. Depois de cursar os ensinos fundamental e médio em Kaliningrado, ele entra para a Força Aérea em 1953. Quatro anos depois, conclui seu treinamento. Serve como piloto de 1957 a 1959, quando é selecionado para se tornar um cosmonauta.
A Voskhod 2 é lançada ao espaço em 18 de março com Leonov e Pavel Balvaiev a bordo. Na segunda volta em órbita da Terra, a 117 quilômetros da superfície da Crimeia, Leonov sai da nave preso por um cabo, faz observações, filma e faz algumas manobras por 10 minutos e volta quando a Voskhod 2 sobrevoa a Sibéria. A nave volta depois de dar 17 voltas na Terra em 26 horas.
Dez anos depois, ele comanda a Soyuz 19, que faz com uma nave Apollo o primeiro acoplamento espacial de espaçonaves dos Estados Unidos e da URSS, em 17 de julho de 1975.
Alexei Leonov se aposenta como cosmonauta em 1982 e trabalha até 1991 no Centro de Trenamento de Cosmonautas Yuri Gagarin, perto de Moscou. Em 2004, lança com o astronauta norte-americano David Scott o livro Duas Faces da Lua: nossa história da corrida espacial na Guerra Fria. Ele morre em 11 de outubro de 2019 em Moscou aos 85 anos.
EUA BOMBARDEIAM CAMBOJA
Em 1969, durante a Guerra do Vietnã (1955-75), aviões bombardeiros dos Estados Unidos deixam de lado seus alvos no Vietnã para atacar bases dos guerrilheiros comunistas do Viet Cong e a chamada Trilha de Ho Chi Minh, no Camboja, usada pelos rebeldes para ir do Vietnã do Norte para o Vietnã do Sul através do país vizinho, que estava fora da guerra.
Ao todo, 3.360 missões aéreas jogam 110 mil toneladas de bombas no Camboja durante um ano e dois meses, até 26 de maio de 1970. A Operação Menu é realizada em segredo. Nem o Congresso nem a opinião pública norte-americana é informada porque o Camboja é um país neutro.GOLPE NO CAMBOJA
Em 1970, o general e primeiro-ministro Lon Nol dá um golpe militar no Camboja, derruba o Príncipe Vermelho, Norodom Sihanouk, e instaura uma ditadura com o apoio dos EUA.
O Khmer Vermelho, apoiado pela China e inspirado pelo maoísmo e a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), instaura um dos regimes comunistas mais cruéis e brutais, talvez o pior de todos, um reino do terror que mata 1,5 a 2 milhões de pessoas até ser derrubado por uma invasão do Vietnã em 7 de janeiro de 1979.