quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Último dos acordos do fim da Guerra Fria caduca

Pela primeira vez desde 1972, não há nenhum acordo nuclear em vigor entre as superpotências. O Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicos (Novo START ou START-3), assinado em 2010 pelos presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Rússia, Dimitri Medvedev, expirou hoje.

Este acordo foi prorrogado por cinco anos em 2021, por iniciativa do então presidente norte-americano, Joe Biden, para dar tempo a uma negociação. Agora, o ditador russo, Vladimir Putin, propôs uma extensão informal por mais um ano. O presidente Donald Trump declarou que prefere negociar um acordo "melhor".

O acordo mais antigo era o Tratado sobre Mísseis Antibalísticos (ABM, do inglês), assinado em 1972 pelo presidente Richard Nixon e o líder soviético Leonid Brejnev, para proibir o desenvolvimento e instalação de mísseis antimísseis, de defesa. Era conhecido como MAD, que significa louco em inglês e, no caso, Destruição Mutuamente Assegurada. Criou o equilíbrio do terror nuclear.

Em 2002, o presidente George Walker Bush retirou os EUA do ABM sob a alegação de ameaças a aliados dos EUA, citando o Irã, que acusara de fazer parte de um "eixo do mal" junto com o Iraque e a Coreia do Norte. Quando invadiu o Iraque, em 20 de março de 2003, a Coreia do Norte e o Irã aceleraram seus programas nucleares.

Em 8 de dezembro de 1987, o presidente Ronald Reagan e o líder soviético Mikhail Gorbachev, assinaram o primeiro acordo que abolia toda uma classe de armas atômicas. O Tratado sobre Forças Nucleares Intermediárias (INF) extinguiu os mísseis nucleares baseados em terra com alcance de 500 a 5,5 mil quilômetros.

Trump tirou os EUA do INF em 2 de fevereiro de 2019, sob a alegação de que a Rússia teria violado o acordo ao desenvolver um novo míssil, 9M729, chamado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar ocidental, de SSC-8.

O Tratado sobre Forças Convencionais na Europa (CFE) foi assinado em Paris em 19 de novembro de 1990 entre a OTAN e o Pacto de Varsóvia, a aliança militar do Bloco Soviético.

Putin anunciou que a Rússia não cumpriria mais o acordo em 2007 e saiu formalmente em 7 de novembro de 2023, oito meses e meio depois da invasão da Ucrânia. O acordo não permitiria a concentração de 200 mil soldados russos junto à fronteira ucraniana como Putin ordenou ao preparar a invasão de 24 de fevereiro de 2022, um marco importante no aumento do risco nuclear.

A Rússia e os EUA têm mais de 5 mil ogivas nucleares cada. O START-3 permitia que cada superpotência tivesse até 1.550 ogivas em condições operacionais, mais do que suficientes para extinguir a espécie humana.

Uma das dificuldades para uma nova negociação é que a China, vista hoje pelos EUA como a maior inimiga, precisa ser incluída. O regime comunista chinês tem hoje 600 ogivas nucleares e planos para chegar a mil. É a terceira maior potência nuclear.

Logo atrás, vem a França, com 290 ogivas, e o Reino Unido, com 255, nem todas em condições operacionais. Com a invasão da Ucrânia pela Rússia e a ameaça de Trump de não socorrer os aliados europeus em caso de guerra, a Europa está se rearmando. 

Se Trump mantivesse o compromisso com a OTAN, não precisaria tomar a Groenlândia como vem ameaçando. Poderia negociar com a Dinamarca a instalação de bases militares na ilha. A ocupação da Groenlândia destruiria a OTAN, cujo princípio básico é que um ataque contra é um ataque contra todos.

Essas cinco grandes potências com direito de veto na Organização das Nações Unidas são os únicos países com direito de possuir armas atômicas com base no Tratado de Não Proliferação Nuclear (NPT), de 1968. Mas não são as únicas.

A Índia e o Paquistão, inimigos históricos, desenvolvem armas nucleares desde os anos 1970. Em maio de 1998, assumiram o status de potências nucleares ao testar armas atômicas. Cada um tem pouco mais de 150 ogivas nucleares.

Israel nunca admitiu publicamente ser uma potência nuclear, mas tem a bomba atômica desde 1966 ou 1967. Teria hoje cerca de 90 ogivas nucleares.

A Coreia do Norte fez em 2006 seu primeiro teste nuclear de um total de seis até hoje. O ditador Kim Jong Un sucedeu o pai, Kim Jong Il, que explodiu a bomba, em dezembro de 2011, pouco depois da morte do ditador da Líbia, Muamar Kadafi, que abrira mão de suas armas de destruição em massa num acordo com o Ocidente em 2003. O terceiro Kim aposta nas armas nucleares como garantia de sobrevivência de seu regime, um dos mais fechados do mundo.

No seu primeiro governo, Trump encontrou Kim Jong Un três vezes depois de se ameaçarem com bombardeios nucleares, mas as negociações não evoluíram e a Coreia do Norte se aproximou da Rússia, enviando inclusive soldados para lutar ao lado das forças russas na guerra contra a Ucrânia.

O objetivo dessas negociações seria acabar com o programa nuclear da Coreia do Norte, que provavelmente exigiria em troca a retirada das forças que os EUA mantêm na Coreia do Sul desde a Guerra da Coreia (1950-53), na última fronteira da Guerra Fria. Pela estimativa do Instituto Internacional de Estudos da Paz de Estocolmo (SIPRI), a Coreia do Norte tem pelo menos 50 ogivas nucleares e urânio enriquecido e plutônio suficientes para chegar a 70 a 90 ogivas.

Outro foco de tensão nuclear é o Irã, que iniciou o programa nuclear em 1975, durante o regime do xá Reza Pahlevi, em princípio para geração de energia para fins pacíficos. O Supremo Líder da Revolução Iraniana, aiatolá Ruhollah Khomeini, considerava a bomba uma arma não islâmica porque matar inocentes. Em 1987, durante bombardeios a cidades durante a Guerra Irã-Iraque (1980-88).

Em 2015, o governo Barack Obama (2009-17), as grandes potências do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha negociaram o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), um acordo para congelar por 10 anos o programa nuclear iraniano na expectativa de no fim desse prazo o regime iraniano fosse menos extremista. 

Sob pressão de Israel, Trump retirou os EUA do acordo em 8 de maio de 2018, ironicamente o Dia da Vitória na Europa na Segunda Guerra Mundial (1939-45) sob o argumento de que o acordo se baseava "numa grande ficção, que um regime assassino desejava um programa nuclear pacífico".

Em 22 de julho de 2025, os EUA fizeram um grande bombardeio às principais instalações nucleares do Irã. Trump declarou que o programa nuclear iraniano estava erradicado, mas ninguém acredito nisso. Caminhões foram vistos ao redor dos alvos antes do ataque, provavelmente para retirar o material nuclear. E a tecnologia, o conhecimento sobre como fazer a bomba, não pode ser destruída com ataques.

Neste momento, os EUA concentram uma grande frota de guerra perto do Irã e pressionam o regime a fazer um novo acordo que inclua o abandono do programa de armas atômicas, limites ao desenvolvimento de mísseis e o fim do apoio a milícias no Oriente Médio. O Irã só aceita negociar a questão nuclear.

A realidade é que o mundo se tornou um lugar mais perigoso desde a invasão da Ucrânia e muito mais a partir de hoje. O Relógio do Juízo Final, criado em 1947 pelo Boletim de Cientistas Nucleares, está mais perto do que nunca da meia-noite, a um minuto e 25 segundos da hora fatal.

Hoje na História do Mundo: 5 de Fevereiro

FIM DAS GUERRAS PÚNICAS

    Em 146 antes de Cristo, a República Romana finalmente vence Cartago depois de mais um século de guerra e se torna a potência dominante no Mar Mediterrâneo durante sete séculos.

As Guerras Púnicas são travadas entre Roma e Cartago, uma cidade situada onde hoje é a Tunísia, no Norte da África, entre 264 e 146 AC, num total de 43 anos de guerra.

O império cartaginês domina uma faixa do Norte da África junto ao mar, algumas ilhas do Mediterrâneo, inclusive partes da Sicília, da Córsega e da Sardenha. No momento de maior expansão, controla metade da Península Ibérica. É a maior potência mediterrânea.

A Primeira Guerra Púnica dura 23 anos. É travada em torno das ilhas da Sicília, da Córsega e da Sardenha, por causa do expansionismo romano. Termina com a vitória de Roma, que assume o controle das ilhas do Mediterrâneo.

Na Segunda Guerra Púnica, que começa em 218 AC, o grande general cartaginês Aníbal Barca atravessa a Cordilheira dos Alpes e invade a Itália, onde seu exército luta durante 14 anos até que Roma contra-ataca a cidade de Cartago, forçando Aníbal, que usa até elefantaria, a voltar para defender sua capital. Com a derrota na Batalha de Zama, em 202, Cartago se rende, perde os territórios na Europa e em parte da África, e fica proibido de ir à guerra.

A Terceira Guerra Púnica começa em 149 AC, depois que Cartago se defende invasões de numídios. Roma usa como pretexto para destruir o inimigo. A guerra é travada em território cartaginês, onde hoje é a Tunísia. Cartago é cercada, invadida, saqueada, arrasada e sua população é escravizada. As ruínas da cidade ficam a leste de Túnis.

CONSTITUIÇÃO MEXICANA

    Em 1917, depois da Revolução de 1910, o México adota uma nova Constituição, em vigor até hoje. É a primeira Constituição a reconhecer os direitos sociais.

A Assembleia Constituinte é convocada pelo presidente Venustiano Carranza para institucionalizar a Revolução Mexicana. Reúne-se em Querétaro de 1º de dezembro de 1916 a 31 de janeiro de 2017.

A Constituição Mexicana de 1917 encampa algumas ideias da Revolução. Tem 137 artigos que definem os direitos da cidadania e a estrutura do Estado, manda fazer a reforma agrária e protege os direitos humanos fundamentais dos mexicanos, inclusive direitos trabalhistas (salário mínimo, jornada de trabalho de 8 horas, direito de associação a sindicatos, direito de greve e limitação aos trabalhos feminino e infantil). 

ARMAS DE SADDAM

    Em 2003, numa apresentação patética diante do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o secretário de Estado norte-americano, general Colin Powell, afirma que o ditador do Iraque, Saddam Hussein, tem armas de destruição em massa que representam uma ameaça iminente para justificar a invasão de março do mesmo ano.

A CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) recebe em 18 de outubro de 2001, pouco depois dos atentados terroristas de 11 de setembro, um informe do serviço secreto militar da Itália, na época governada pela primeiro-ministro conservador Silvio Berlusconi, dizendo que o Iraque estava comprando torta amarela de urânio enriquecido do Níger.

Em fevereiro de 2002, os EUA enviam o embaixador Joseph Wilson ao Níger investigar a denúncia. Ele fala com o ex-primeiro-ministro nigerino Ibrahim Hassane Mayaki, que diz não saber de nenhum contato, a não ser de um empresário que recebe uma delegação iraquiana interessada em "expandir" as relações comerciais.

Wilson entrega seu relatório em março de 2002, concluindo que o informe italiano não tem fundamento.

Mesmo assim, em 28 de janeiro de 2003, um ano depois de declarar que o Irã, o Iraque e a Coreia do Norte formam um "eixo do mal", no Discurso sobre o Estado da União perante o Congresso, o presidente George Walker Bush alega que "o governo britânico soube que Saddam Hussein tentou comprar quantidades de urânio significativas na África."

Com a decisão de invadir o Iraque tomada, Colin Powell vai à ONU apresentar as justificativas dos EUA. Em 2016, reconhece que sua apresentação "foi um grande fracasso de inteligência". As alegações vêm do Conselho de Segurança Nacional e a conselheira na época, Condoleezza Rice, as atribui ao escritório do vice-presidente Dick Cheney, o grande defensor da guerra. Era secretário da Defesa em 1991, quando os EUA e aliados expulsam os iraquianos do Kuwait mas não marcham até Bagdá.

Powell declara que a Comissão de Desarmamento da ONU não conseguiu eliminar os programas de armas de destruição em massa de Saddam, que o Iraque amordaça seus cientistas, esconde armas proibidas, inclusive toneladas do agente biológico antraz, abriga terroristas ligados à rede Al Caeda, ainda tenta desenvolver armas nucleares e que Saddam se nega a se desarmar pacificamente.

Os EUA não conseguem convencer nem aliados como a Alemanha e a França, não propõem uma resolução para legalizar a guerra e invadem o Iraque em 20 de março sem a autorização da ONU.

CHANTAGEM À UCRÂNIA

    Em 2020, depois de ser denunciado pela Câmara dos Representantes por chantagear o presidente da Ucrânia, o presidente Donald Trump é absolvido no Senado com os votos da maioria republicana.

O processo é aberto pela maioria democrata na Câmara porque Trump pressiona, em conversa telefônica em 25 de julho de 2019, o presidente Volodymyr Zelenski a acusar Joe Biden e filhos de algum negócio ilícito na Ucrânia para usar isso na campanha eleitoral. Trump ameaça não liberar uma ajuda militar US$ 391 milhões à Ucrânia aprovada pelo Congreso. É denunciado por "abuso de poder" e "obstrução do Congresso".

No fim de seu primeiro governo (2017-21), Trump é submetido a um segundo processo de impeachment pelo assalto de seus partidários ao Capitólio em 6 de janeiro de 2001 para tentar impedir a certificação da vitória de Biden. É absolvido pela segunda vez. De volta à Casa Branca em 2025, usa o Departamento da Justiça para perseguir quem o acusou e investigou.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 4 de Fevereiro

  NASCE A CONFEDERAÇÃO

    Em 1861, dois meses antes do início da Guerra da Secessão (1861-65), delegados do Alabama, da Carolina do Sul, da Flórida, da Geórgia, da Lousiana e do Mississípi se reúnem em Montgomery, no Alabama, para criar os Estados Confederados da América, que tentam se separar da União para manter a escravatura.

Desde 1858, há um movimento separatista no Sul, agrário, dos Estados Unidos para discutir uma saída conjunta da União se o Norte, industrializado, quiser abolir a escravidão. Em 1860, a maioria dos estados escravistas do Sul ameaça claramente se separar.

Logo depois da vitória de Abraham Lincoln, do Partido Republicano, na eleição presidencial de novembro de 1860, a Carolina do Sul inicia preparativos para a secessão. Em 20 de dezembro, a Assembleia Legislativa estadual aprova a Ordenacão da Secessão, que declara que "a União que hoje existente entre a Carolina do Sul e outros estados, sob o nome de Estados Unidos da América, está dissolvida pelo presente documento."

Imediatamente, a Carolina do Sul toma fortes, quartéis, arsenais e locais estratégicos. Em seis semanas, outros cinco estados fazem o mesmo.

Em 8 de fevereiro de 1861, os seis estados citados acima e o Texas criam a Confederação. No dia 9, Jefferson Davies, do Mississípi, é eleito presidente.

Quando Lincoln toma posse, em 4 de março, os sulistas controlam quase todas as instalações militares nos estados confederados. A guerra civil começa em 12 de abril de 1861, com o ataque do Sul ao Forte Sumter, no porto de Charleston, na Carolina do Sul.

Dentro de dois meses, os estados da Virgínia, Arkansas, Carolina do Norte e Tennessee aderem à Confederação.

Lincoln vai á guerra para preservar a União. Em 1º de janeiro de 1863, faz a Proclamação de Emancipação libertando os escravos dos estados do Sul para que se juntem às forças do Norte. 

Ao transformar a guerra civil numa luta contra a escravidão, Lincoln evita que países europeus como o Reino Unido e a França, importadores de algodão do Sul para sua indústria nascente, reconheçam a independência da Confederação.

A 13ª Emenda à Constituição dos EUA, que acaba com a escravidão e a servidão involuntária, a não ser um caso de condenação por crime, é aprovada pela Câmara dos Representantes em 31 de janeiro de 1865 e ratificada até o fim daquele ano.

Com 620 mil mortes, de 360 mil nortistas e 260 mil sulistas, a Guerra da Secessão é a guerra mais sangrenta da história dos EUA.

CONFERÊNCIA DE IALTA

    Em 1945, começa a Conferência de Ialta, um encontro dos três grandes líderes da guerra contra o nazifascismo, o presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, o ditador da União Soviética, Josef Stalin, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Winston Churchill, para discutir o futuro diante da deerrota da Alemanha.

Os líderes dos aliados já haviam decidido dividir a Alemanha. Em Ialta, na Crimeia, até 11 de fevereiro, acertaram que não teriam responsabilidade alguma com os alemães, com a exceção de garantir um mínimo de subsistência, A indústria bélica da Alemanha será eliminada. A Alemanha será desmilitarizada e desnazificada. Os criminosos de guerra serão julgados num tribunal internacional. Uma comissão vai estudar reparações. Stalin promete colocar a URSS na ONU.

NASCE O FACEBOOK

    Em 2004, entra no ar o sítio TheFacebook.com, que se torna a maior rede social do mundo, com cerca de 3 bilhões de usuários em 2021.

O acesso é gratuito. O faturamento vem principalmente dos anúncios. Seu fundador, Mark Zuckerberg, vira um bilionário, um dos homens mais ricos do mundo. O Facebook chega a ter 3 bilhões de usuários em 2021. 

Nos últimos anos, a plataforma tem sido acusada de divulgar notícias falsas e discursos de ódio. Na semana passada, durante depoimento de diretores de redes sociais ao Congresso dos Estados Unidos, Zuckerberg pede desculpas a parentes de menores que se suicidaram pelo assédio sexual sofrido na rede social.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 3 de Fevereiro

 NASCIMENTO DE MANDELSSOHN

    Em 1809, nasce em Hamburgo, hoje parte da Alemanha, o compositor, pianista, maestro e professor Felix Mandelssohn, um dos expoentes do início do Período Romântico (1830-1910), que dá mais importância ao sentimento e à imaginação do que às regras rígidas do Período Clássico (1750-1830).

Jakob Ludwig Felix Mandelssohn Bartholdy nasce em uma família judaica que se converte ao cristianismo, ao protestantismo luterano, para se adaptar às ideias liberais do século 19. 

Em 1811, durante a ocupação de Hamburgo pela França, a família vai para Berlim, onde o jovem Mandelssohn estuda piano com Ludwig Berger e composição com Carl Friedrich Zelter. Aos 9 anos, ele faz a primeira apresentação em Berlim.

Ao todo, Mandelssohn compõe cerca de 750 músicas, incluindo sinfonias, óperas, concertos, sonatas, fugas e peças para orquestras de cordas. Talvez sua obra mais famosa seja Sonho de uma Noite de Verão, que inclui a famosa Marcha Nupcial.

DIREITO DE VOTO PARA NEGROS

    Em 1870, a 15ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos é ratificada para garantir o direito de voto para todos os homens adultos, independentemente da raça ou cor da pele. Junto com a 13ª e da 14ª Emendas, assegura os direitos civis dos antigos escravos depois da Guerra da Secessão (1861-65).

A 13ª Emenda abole a escravatura e a 14ª Emenda, conhecida como a emenda da Reconstrução pós-guerra civil, dá cidadania plena aos afroamericanos e a todos nascidos no país. A 15ª Emenda determina que o direito de voto não pode ser negado "com base na raça, cor ou prévia condição de servidão."

As mulheres só conquistam o direito de voto em 1920, com a 19ª Emenda à Constituição dos EUA.

EUA ROMPEM COM ALEMANHA

    Em 1917, antes de entrar na Primeira Guerra Mundial (1914-18), os Estados Unidos rompem relações com a Alemanha em protesto contra a decisão alemã de fazer ataques indiscriminados de submarinos no Oceano Atlântico e por causa do Telegrama Zimmermann, uma mensagem do ministro do Exterior alemão, Arthur Zimmermann, propondo uma aliança ao México com a promessa de ajuda o país a retomar o território conquistado pelos EUA na Guerra Mexicano-Americana (1846-48).

No Discurso de Despedida, em 1796, o primeiro presidente dos EUA, George Washington, recomenda que o país comercie com todos os países, mas não se envolva em guerras externas, especialmente com países europeus. É um dos documentos fundadores da política externa norte-americana. Está na origem da política externa isolacionista.

A economia dos EUA prospera com a neutralidade, embora a Alemanha ataque o comércio transatlântico, e o país tem uma grande população de origem britânica e alemã. 

Em fevereiro de 1915, os Estados Unidos alertam a Alemanha sobre o uso indevido de submarinos. Em 22 de abril, a Embaixada Imperial Alemã adverte os cidadãos norte-americanos contra o embarque em navios para o Reino Unido pelo risco de enfrentar um ataque alemão. 

Em 7 de maio de 1915, a Alemanha torpedeia e afunda o transatlântico britânico de passageiros Lusitania, matando 1.199 civis, inclusive 128 norte-americanos. A partir daí, a opinião pública dos EUA passa a ver a Alemanha como um país hostil, ainda que não a ponto de entrar na guerra. Mas o presidente Woodrow Wilson (1913-21), um idealista e um cristão devoto, acredita que Deus convoca os EUA a entrar na guerra. 

Em discurso no Congresso, em 3 de fevereiro de 1917, ele anuncia o rompimento com a Alemanha. Para convencer os norte-americanos a entrar na guerra, Wilson declara que "é a guerra para acabar com todas as guerras".

Wilson pede autorização ao Congresso para entrar na guerra em 2 de abril de 1917. Em 6 de abril, o Congresso aprova e os EUA se juntam aos aliados: França, Reino Unido, Rússia, Itália e Japão. Os primeiros soldados norte-americanos desembarcam na França em 26 de junho.

A participação dos EUA é decisiva para a vitória aliada. No fim da guerra, o presidente Wilson apresenta um plano de paz de 14 pontos que inclui a fundação da Liga das Nações, a primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial, mas o Senado dos EUA não ratifica a Convenção da Liga e a maior potência mundial fica fora da organização. 

A Conferência de Paz de Versalhes (1919) impõe exigências e indenizações pesadas à Alemanha. É a paz para acabar com todas as pazes. Incentiva o revanchismo alemão e a ascensão do Nazismo, o que leva à Segunda Guerra Mundial (1939-45).

EUA TOMAM ILHAS MARSHALL

    Em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), os Estados Unidos invadem e conquistam as Ilhas Marshall, ocupadas pelo Império do Japão na Primeira Guerra Mundial (1914-18).

O primeiro europeu a avistar as Ilhas Marshall é da frota espanhola de Alonso Salazar, em 1526. As ilhas viram colônia espanhola. O capitão John Charles Marshall chega em 1788. Por volta de 1820, o explorador russo Adam Johann von Krusenstern e o explorador francês Louis Isidore Duperrey passam a chamar o arquipélago de Ilhas Marshall.

As ilhas viram um protetorado alemão. No Tratado de Versalhes (1919), depois da Primeira Guerra Mundial, a Alemanha renuncia a todas suas possessões no Oceano Pacífico. Em 1920, o Conselho da Liga das Nações entrega as ilhas dominadas pela Alemanha acima da linha do Equador para o Japão.

Na Segunda Guerra Mundial, os EUA invadem e ocupam as Ilhas Marshall.

DOLCE VITA

    Em 1960, a comédia dramática La Dolce Vita, do diretor italiano Federico Fellini, com Marcello Mastroiani e Anita Ekberg, tem sua estréia mundial para se tornar um dos filmes mais importantes da história do cinema.

Mastroiani é um jornalista desiludido que escreve fofocas sobre a vida da alta burguesia, com vergonha da superficialidade do seu trabalho, mas fraco demais para além da vida fácil: bebida, mulheres e alegrias fugazes.

Fellini critica o consumismo e a decadência da vida burguesa. A cena inicial mostra uma estátua de Jesus Cristo em Roma misturada com mulheres de biquíni, num contraste da promiscuidade entre o sagrado e o profano. O Vaticano condena o filme.

Numa cena épica, Mastroiani e Ekberg flertam na Fontana di Trevi, um dos lugares mais famosos da capital da Itália.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 2 de Fevereiro

 TRATADO DE GUADALUPE HIDALGO

    Em 1848, os Estados Unidos e o México assinam um acordo de paz que acaba com a Guerra Mexicano-Americana (1846-48), que traça a fronteira entre os dois países no Rio Grande. Com um pagamento de US$ 15 milhões, os EUA tomam 1,36 milhão de quilômetros quadrados, 41% do território mexicano, onde ficam os estados da Califórnia, do Arizona, do Colorado, de Nevada, do Novo México, do Texas e de Utah.

Esta anexação praticamente completa a expansão territorial dos EUA e deflagra guerras civis nos dois países, no México em 1857 e nos EUA a Guerra da Secessão (1861-65).

O conflito começa com a Guerra da Independência do Texas ou Revolução Texana (1835-36) e com a disputa sobre onde fica a fronteira dos dois países, no Rio das Nozes, como queria o México, ou no Rio Grande, como reivindicam os EUA.

Pouco depois da anexação oficial do Texas, em 1845, o México corta relações com os EUA. Em setembro, o presidente James Polk manda John Slidell em missão secreta à Cidade do México para negociar a questão da fronteira e propor a compra da Califórnia e do Novo México por US$ 30 milhões.

Quando o presidente mexicano, José Joaquín Herrera, se nega a receber Slidell, o presidente Polk manda o general Zacharias Taylor ocupar o território entre os rios Grande e das Nozes.

Polk se prepara em 9 de maio para pedir autorização ao Congresso para declarar guerra sob a alegação de que o México se recusa a aceitar as reivindicações dos EUA, quando recebe a notícia de que o México cruzou o Rio Grande en 25 de abril e atacou as forças de Zacharias, matando ou ferindo 16 norte-americanos.

Em 11 de maio, o presidente pede que o Congresso aprove a guerra sob a alegação de que o México "invadiu nosso território e derramou sangue de norte-americanos em solo dos EUA." O Congresso autoriza a guerra em 13 de maio, mas o país se divide. Entre os mais agressivos desafiantes de Polk está o deputado e futuro presidente Abraham Lincoln.

Os abolicionistas veem na guerra uma tentativa dos estados escravagistas de ampliar a escravidão. Um dos abolicionistas é o escritor e naturalista Henry David Thoreau, preso em julho de 1846 por se negar a pagar impostos com o argumento de não querer financiar a guerra. Uma tia paga a dívida e ele é solto. Thoreau escreve o livro Desobediência Civil, em que propõe a legitimidade de revoltas pacíficas contra injustiças do governo.

No início da guerra, o general e ex-presidente mexicano Antonio López de Santa Anna entra em contato com Polk. O presidente dos EUA manda resgatá-lo do exílio em Cuba para negociar a paz. Santa Anna assume o comando militar mexicano.

As doenças matam pelo menos 10 mil soldados dos EUA, mais do que os 1,5 mil mortos em combate. Em 14 de setembro de 1847, as tropas do general Winfield Scott entram na Cidade do México. É o fim da fase militar da guerra.

FIM DA BATALHA DE STALINGRADO

    Em 1943, os últimos soldados da Alemanha Nazista se rendem em Stalingrado, na União Soviética, depois de cinco meses de uma batalha decisiva da Segunda Guerra Mundial (1939-45) e das mais sangrentas da história, com quase 2 milhões de mortos e feridos.

Nove dias antes do início da guerra, Alemanha e URSS assinam o Pacto Germano-Soviético, um acordo de não agressão que os nazistas precisam para invadir a Polônia e a Europa Ocidental. A URSS ocupa as repúblicas bálticas e o Leste da Polônia.

Depois da tomar a Europa Ocidental e não conseguir invadir o Reino Unido ao perder a Batalha da Inglaterra, uma batalha aérea, em outubro de 1940, a Alemanha invade a URSS em 22 de junho de 1941, no início do verão.

Os alemães atacaram em três frente, no Norte, rumo a Leningrado; no Centro, em direção a Moscou; e no Sul, em direção à Ucrânia e além, chegando a Stalingrado (hoje Volgogrado).

A Batalha de Stalingrado começa em 23 de agosto de 1942. É um momento de virada na guerra. A partir daí, o Exército Vermelho contra-ataca e inicia sua ofensiva rumo a Berlim, que cai em 8 de maio 1945, fim da Segunda Guerra Mundial na Europa.

CARNICEIRO DE UGANDA

    Em 1971, Idi Amin Dada se declara presidente de Uganda e impõe uma ditadura brutal pelos próximos oito anos.

Idi Amin nasce em 1924 ou 1925 e tem pouca educação formal. Em 1946, entra para o exército colonial britânico como auxiliar de cozinheiro. Ele alega ter lutado na Birmânia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), mas só entra para o exército depois do fim da guerra. Luta contra a Revolta dos Mau Mau (1952-56) no Quênia, um episódio trágico da descolonização da África.

Quando Uganda se torna independente, em 1962, Idi Amin se aproxima do primeiro-ministro e presidente Milton Obote. Ele se torna comandante do Exército e da Força Aérea. Dá um golpe em 25 de janeiro de 1971 e impõe uma tirania.

Em 1972, expulsa os asiáticos de Uganda, na maioria indianos, o que tem forte impacto negativo na economia. Muçulmano, hostiliza Israel, se aproxima da Líbia e dos palestinos. Envolve-se diretamente no sequestro de um avião francês desviado para Entebe, em 1976, quando comandos israelenses invadem o país para resgatar os reféns.

Cerca de 300 mil pessoas morrem sob a ditadura de Idi Amin, comparado pelo senador Paulo Brossard ao ditador brasileiro Ernesto Geisel (1974-79) no discurso Carranca não é autoridade.

Em outubro de 1978, Idi Amin ordena um ataque à vizinha Tanzânia. Com o apoio da oposição em Uganda, o Exército da Tanzânia vence a guerra. Quando as forças tanzanianas se aproximam de Kampala, a capital de Uganda, em 11 de abril de 1979, Idi Amin foge para a Líbia e depois para a Arábia Saudita, onde morre em 16 de agosto de 2003.

MORTE DE SID VICIOUS

    Em 1979, o baixista Sid Vicious, da banda Sex Pistols, pioneira do punk rock na Inglaterra, morre em Nova York de dose excessiva de heroína.

John Simon Ritchie nasce em Lewisham, na Inglaterra, em 10 de maio de 1957. Começa a carreira musical em 1976. No ano seguinte, com a saída de Glen Matlock dos Sex Pistols, ele vira baixista da banda, posição que ocupa até o fim da banda, em janeiro de 1978.

Durante sua experiência caótica nos Sex Pistols, Sid conhece Nancy Spungen, que se torna sua namorada e empresária. Os dois têm uma relação destrutiva com uso e abuso de heroína que termina com a morte de Nancy em 12 de outubro de 1978. Ele é preso sob a acusação de assassinato e solto em liberdade condicional.

Sua mãe dá uma festa para festejar a libertação. Ele usa heroína e é encontrado morto no dia seguinte.


LEGALIZAÇÃO DO CNA

    Em 1990, o último presidente branco da África do Sul, Frederik de Klerk, acaba com a proscrição do Congresso Nacional Africano (CNA), o principal partido da maioria negra, abrindo caminho para a libertação de Nelson Mandela em 11 de fevereiro daquele ano.

O CNA nasce em 1912 como Congresso Nacional dos Nativos Sul-Africanos. Em 1923, é rebatizado como Congresso Nacional Africano. Desde os anos 1940, é a ponta de lança da luta da maioria negra contra o regime do apartheid, a política de segregação racial da ditadura da minoria branca.

Sob a inspiração do naturalista norte-americano Henry David Thoreau, do escritor russo Leon Tolstoy e do líder da independência da Índia, Mohandas Gandhi, Mandela defende a luta pacífica. Depois da morte de 69 negros no Massacre de Sharpeville, em 21 de março de 1960, o CNA adere à luta armada e é proscrito.

Comandante do braço armado do CNA, Umkhonto we sizwe (Lança da Nação), Mandela é preso em 1962 e condenado à morte em 1964, pena comutada para prisão perpétua. Depois de 27 anos, sai da prisão para negociar o fim do apartheid e levar a maioria negra ao poder nas primeiras eleições democráticas, em 1994.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 1º de Fevereiro

 DICIONÁRIO DE OXFORD

    Em 1884, o primeiro volume do Dicionário Inglês de Oxford (OED), o maior e melhor dicionário da língua inglesa, é publicado. Hoje, contém o significado, a origem, a pronúncia e citações de mais de meio milhão de palavras.

Os planos para produzir um dicionário inglês atualizado e sem erros começam em 1857 na Sociedade Filológica de Londres. A ideia é cobrir toda a linguagem utilizada desde 1150, no período anglo-saxão, em quatro volumes com um total de 6.400 páginas, um projeto a ser realizado em 10 anos.

Na realidade, leva mais do que 40 anos até que o 125º e último fascículo é publicado, em abril de 1928. Enfim, o Dicionário Inglês de Oxford está pronto, com 10 volumes e mais de 400 mil verbetes, Assim que sai, começa a ser atualizado. Hoje tem 20 volumes e está a venda no Brasil.

Desde o ano 2000, a Editora da Universidade de Oxford oferece uma versão on-line.

MILÍCIA FASCISTA OFICIALIZADA

    Em 1923, os Camisas-Negras, o exército privado que leva o ditador Benito Mussolini ao poder na Itália, é transformado na Milícia Voluntária Fascista para a Segurança Nacional.

A primeira tropa de choque do fascismo , o Esquadrão de Ação, é formado em março de 1919 para destruir organizações socialistas. No fim de 1920, os Camisas-Negras estão atacando comunistas, republicanos, católicos, sindicalistas, cooperativistas e governos locais para impedir que esquerdistas cheguem ao poder. Centenas de pessoas são mortas.

No fim de 1921, os fascistas controlam grande parte da Itália. A esquerda está perto de um colapso e os liberais que dominam o governo não combatem a violência da extrema direita, inclusive pela vontade de derrotar a classe trabalhadora de esquerda.

Uma convenção do Partido Nacional Fascista realizada em Nápoles em 24 de outubro de 1922 serve de pretexto para uma concentração de camisas-negras de todo o país para preparar a Marcha sobre Roma, realizada em 28 de outubro. O primeiro-ministro tenta decretar lei marcial, mas o rei Vítor Emanuel III não deixa e nomeia Mussolini chefe de governo no dia seguinte.

DANIEL PEARL ASSASSINADO

    Em 2002, meses depois dos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos, o jornalista norte-americano Daniel Pearl, é sequestrado e morto por um grupo terrorista no Paquistão. Semanas depois, os terroristas divulgam um vídeo da execução por degola que choca o mundo.

 Como chefe do escritório do Sudeste Asiático do jornal The Wall Street Journal, Pearl investiga o extremismo muçulmano e o jihadismo. É sequestrado em Karáchi, a maior e mais rica cidade paquistanesa, quando tentava entrevistar um líder religioso muçulmano.

Os sequestradores o acusam de espionagem. Fazem parte do grupo Movimento Nacional para Restaurar a Soberania Paquistanesa. Exigem a libertação de todos os paquistaneses presos por terrorismo. Mandam fotos de Pearl algemado com uma arma na cabeça e com o jornal paquistanês Dawn para mostrar que está vivo. 

Em 2002, a Justiça do Paquistão condena o britânico Ahmed Omar Saïd Sheikh pela morte de Pearl. Cinco anos depois, Khaked Sheikh Mohammed, da rede terrorista Al Caeda, considerado um dos idealizadores dos aviões-bomba do 11 de Setembro, assume a responsabilidade pelo assassinato. Afirma ter degolado Daniel Pearl pessoalmente.

ACIDENTE DA COLUMBIA

    Em 2003, a nave ou ônibus espacial Columbia explode ao voltar a Terra no fim da missão a 60 quilômetros de altitude, matando os sete tripulantes.

A Columbia faz em 1981 o primeiro voo do programa de ônibus espaciais da NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos). Em 16 de janeiro de 2003, parte para a 28ª missão, dedicada a fazer experiências com microgravidade.

A desintegração da Columbia acontece 22 anos depois da explosão da Challenger pouco depois do lançamento, em 28 de janeiro de 1986. 

A investigação conclui que um minuto e 21 segundos depois do lançamento um pedaço de espuma isolante solta-se do tanque de propulsão externo e atinge a borda da asa esquerda. Pedaços de espuma se soltaram em missões passadas sem problema grave.

Os engenheiros da NASA não acreditam que a espuma tenha força suficiente para causar dano significativo. A espuma faz um grande buraco nas telhas de isolamento de carbono-carbono reforçado que protegem o nariz do ônibus espacial e as bordas da asa do calor extremo da reentrada atmosférica.

Embora alguns engenheiros quisessem câmeras terrestres para tirar fotos do ônibus orbital para procurar por danos, o pedido não chega aos funcionários certos.

Durante a reentrada da Columbia na atmosfera, o momento mais crítico dos voos espaciais, gases quentes penetram na seção de azulejos danificados e derretem os principais elementos estruturais da asa, que entram colapso.

Os dados do veículo mostram temperaturas crescentes dentro de seções da asa esquerda às 8:52. A tripulação só se dá conta um minuto antes da desintegração da nave.

Em consequência do acidente, os outros ônibus espaciais – Atlantis, Discovery e Endeavour – ficam em Terra até que a NASA e empresas contratadas desenvolvam meios de evitar esses acidentes, inclusive instrumentos para fazer reparos em órbita.

A Discovery volta ao espaço em 26 de julho de 2006. A última missão do programa é realizada pela Atlantis em julho de 2011.

GOLPE EM MIANMAR

        Em 2021, um junta militar toma o poder em Mianmar em golpe contra o governo civil liderado por Aung San Suu Kyu, filha do herói da independência do país, então chamado de Birmânia.

A União da Birmânia se torna independente do Império Britânico em 4 de janeiro de 1948. Os militares assumem o controle do país num golpe militar do general Ne Win em 1962, que impõe um regime socialista.

Em 1988, há uma onda de protestos contra o regime, que em 1989 muda o nome do país, batizado pelo Império Britânico como Birmânia em 1885, para Mianmar. A ditadura convoca eleições em 1990, perde e não entrega o poder à Liga Nacional pela Democracia (LND), liderada por Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 1991.

Quando 100 mil pessoas protestam em Rangum, em 2007, o governo mata 31 manifestantes e prende 6 mil. Em 2008, o país é arrasado pelo ciclone Nargis, que mata 134 mil pessoas e deixa 2,4 milhões de desabrigados.

Em novembro de 2010, são realizadas as primeiras eleições em 20 anos. Suu Kyu sai da prisão domiciliar. Em 8 de novembro de 2015, acontecem as primeiras eleições democráticas desde 1990. A LND obtém uma ampla vitória, mas Suu Kyu é impedida de ser presidente por ter sido casada com um britânico.

Em 15 de março de 2016, o parlamento elege Htyn Kiaw como primeiro presidente civil desde 1962. Suu Kyi ocupa o cargo de conselheira do Estado, uma espécie de primeira-ministra. É muito criticada por ficar do lado dos militares durante a perseguição aos muçulmanos da minoria roinga em 2012 e 2013, quando 140 mil muçulmanos fogem.

Com o golpe de Estado de 2021, Suu Kyi e o então presidente, Win Myint, são presos sob a acusação de fraude eleitoral. Os militares prometem devolver o poder aos civis dentro de um ano, mas estão no poder até hoje. Começa uma guerra civil que ainda não acabou. Mais de 73 mil pessoas morrem no conflito.

sábado, 31 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 31 de Janeiro

 ENFORCADO POR TENTAR EXPLODIR O PARLAMENTO

    Em 1606, Guy Fawkes é executado em Londres por tentar explodir o Parlamento da Inglaterra na Conspiração da Pólvora, que também pretende matar o rei Jaime I por causa da repressão aos católicos.

Fawkes nasce em York em 13 de abril de 1570. Aos 8 anos, o pai morre. A mãe casa de novo com um católico de um movimento chamado Recusa, de pessoas que se negam a aceitar os rituais da Igreja Anglicana. 

Ele se converte ao catolicismo e vai para o continente, onde luta ao lado da Espanha católica contra os Países Baixos protestantes na Guerra dos Oitenta Anos (1568-1648). Na Espanha, busca sem sucesso apoio para uma revolta católica na Inglaterra.

Robert e Thomas Wintour o apresentam a Robert Catesby, que planeja matar Jaime I para colocar um rei católico no trono. Eles alugam um espaço no porão do Palácio de Westminter, a sede do Parlamento, para onde levam barris de pólvora.

Uma carta anônima denuncia a Conspiração da Pólvora. Por volta da meia-noite de 4 para 5 de novembro, o juiz de paz Sir Thomas Knyvet encontra Guy Fawkes no porão do Palácio de Westminster em atitude suspeita e manda revistar o local. A polícia encontra 20 barris de pólvora.

Guy Fawkes é preso. Sob tortura, confessa fazer parte de uma conspiração católica e é condenado à morte na forca. 

Por ironia da história, os ingleses festejam com fogos o Dia de Guy Fawkes porque ele tentou explodir o Parlamento como uma revolta contra os poderes constituídos. A máscara com a imagem estilizada de Fawkes virou símbolo de movimentos anarquistas.

NASCIMENTO DE SCHUBERT

    Em 1797, nasce em Himmelpfortgrund, perto de Viena, a capital da Áustria, o compositor clássico e romântico Franz Schubert, conhecido pela melodia e harmonia de suas músicas e suas composições de música de câmera.

Seu pai, Franz Theodor Schubert, é diretor de escola e chefe de uma família musical que forma um quarteto de cordas em casa. O futuro compositor toca viola e recebe educação musical do pai e do irmão Ignaz. Em 1808, ele ganha uma bolsa e um lugar no coro da capela da corte imperial.

Tímido, Schubert reluta em apresentar suas primeiras composições. Entre elas, está Fantasia para um Dueto de Piano. Talvez sua música mais conhecida seja a Sinfonia nº 8 em Si Menor, a Inacabada.

TRUMAN INVESTE NA BOMBA H

    Em 1950, cinco meses depois da explosão da primeira bomba atômica da União Soviética, o presidente Harry Truman anuncia aos Estados Unidos a decisão de desenvolver a bomba de hidrogênio, mil vezes mais poderosa do que as bombas jogadas em Hiroxima e Nagasaki em 6 e 9 de agosto de 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Os EUA testam sua primeira bomba de hidrogênio, chamada Mike, em 1º de novembro de 1952 no atol de Eniwetok, nas ilhas Marshall, no Oceano Pacífico.

As primeiras armas atômicas são de fissão nuclear de átomos pesados, o urânio-235 e o plutônio. Sua energia vem da divisão do núcleo de átomos pesados. 

A bomba de hidrogênio ou bomba termonuclear é resultado da fusão nuclear de átomos leves. Dois átomos de hidrogênio pesado e mais do que pesado se fundem a uma temperatura altíssima. É a reação que produz a energia do sol e das estrelas. O gatilho da bomba de hidrogênio é uma explosão nuclear de urânio para gerar a temperatura de 100 milhões de graus centígrados necessária à fusão nuclear.

No processo de fusão, as partículas subatômicas perdem 0,63% da massa, que se converte numa enorme quantidade de energia medida pela famosa fórmula de Albert Einstein: E = mc2, em que c é uma constante que representa a velocidade da luz no vácuo: 300 mil quilômetros por segundo.

Houve bombas de hidrogênio de mais de 50 megatons, com o poder de destruição de mais de 50 milhões de toneladas de dinamite. As instaladas em mísseis têm geralmente até 1,5 megaton.

A União Soviética testa sua primeira bomba de hidrogênio em 12 de agosto de 1953, elevando a corrida armamentista nuclear a outro patamar. O Reino Unido (1957), a China (1967) e a França (1968) também fazem a bomba H.

CENTRO POMPIDOU

    Em 1977, a França inaugura o Centro Nacional de Arte e Cultura Georges Pompidou, um complexo cultural batizado com o nome do presidente Pompidou (1696-74), que encomenda o projeto aos arquitetos italianos Renzo Piano e Gianfranco Franchini e aos britânicos Richard Rogers e Su Rogers.

O Centro Pompidou fica na área do Beauborg, como também é conhecido. O largo na sua frente é um local de debates políticos. Fica no 4º distrito de Paris, no bairro do Marais, perto de Les Halles, um centro comercial subterrâneo.

No complexo, ficam o Museu Nacional de Arte Moderna, a Biblioteca Pública da Informação, um centro para música e pesquisas acústicas, um centro de desenho industrial, um museu do cinema e o Atelier Brancusi, com esculturas do artista romeno Constantin Brancusi.

BREXIT

    Em 2020, três anos e meio depois de um plebiscito, o Reino Unido deixa oficialmente a União Europeia.

O processo de integração europeia começa com o Plano Schuman, anunciado em 9 de maio de 1950 pelo ministro das Relações Exteriores da França, Robert Schuman, para acabar com as guerras na Europa e promover o desenvolvimento econômico e social do continente.

A Comunidade Econômica Europeia é criada pelo Tratado de Roma, assinado em 25 de março de 1957 pela Alemanha Ocidental, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo, que entra em vigor em 1º de janeiro de 1958.

Em 1963 e 1967, o então presidente da França, general Charles de Gaulle, veta a entrada do Reino Unido, que adere ao bloco europeu em 1º de janeiro de 1973. Na época, o Partido Conservador era a favor por representar as classes empresariais. O Partido Trabalhista era contra.

Por causa da insularidade e do passado imperial, o Reino Unido sempre mantém uma relação ambivalente. A primeira-ministra Margaret Thatcher (1979-90) luta pela criação do mercado único europeu, mas é contra a união política, uma das causas de sua queda, um regicídio que divide profundamente o Partido Conservador.

Quando o Tratado de Maastricht cria a União das Comunidades Europeias ou União Europeia, em 1991, o primeiro-ministro John Major (1990-97) deixa o Reino Unido fora da união monetária e econômica. No governo trabalhista de Tony Blair (1997-2007), um europeísta, o país não adere ao euro.

Na campanha de reeleição, o primeiro-ministro conservador David Cameron (2010-16) promete convocar um plebiscito para o eleitorado britânico decidir se quer ou não fazer parte da UE. Seu objetivo é acabar com a guerra civil interna do partido que vem desde a queda de Thatcher. A campanha é marcada por promessas e notícias falsas. 

O líder da campanha para sair, o deputado conservador Boris Johnson, faz um manifesto contra e outro a favor. Opta pela saída porque considera melhor para sua pretensão de governar o país. Entre suas mentiras, afirma que os 350 milhões de libras que o país economizaria por semana não tendo de contribuir para o orçamento comunitário seriam investidos no Serviço Nacional de Saúde (NHS), que dá assistência médica de graça a todos os habitantes do Reino Unido.

Em 23 de junho de 2016, por 52% a 48%, o Reino Unido decide sair da UE. Londres, a Escócia e a Irlanda da Norte votam para ficar.

É uma das decisões econômicas mais inconsequentes e estúpidas de qualquer economia moderna. Imaginar que é bom negócio abandonar parceiros comerciais vizinhos e ricos com que se tem um mercado comum há mais de 40 anos e substituí-los por ex-colônias não faz sentido. O Reino Unido acaba de abandonar negociações de livre comércio com o Canadá porque só conseguiu condições piores do que tinha como membro da UE. 

Cameron pede demissão e é substituído pela primeira-ministra Theresa May (2016-19), que votou a favor de ficar e nunca é aceita pelos eurocéticos. Suas propostas de acordo de divórcio com a UE são rejeitadas pela Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.

Johnson consegue derrubar May e vence as eleições parlamentares de 12 de dezembro de 2019 com a promessa de concluir a saída da UE.