quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Rosenstein defende investigação sobre Trump como adequada

Israel ataca Faixa de Gaza em resposta a foguete e guerra é iminente

Depois que um foguete destruiu uma casa em Beersheba, Israel acusou o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e bombardeou 20 alvos na Faixa de Gaza, informou o jornal digital The Times of Israel. 

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reuniu o gabinete de guerra. O ministro da Defesa, Avigdor Lieberman, afirmou nos últimos dias que não haveria trégua antes de dar uma resposta dura ao Hamas.

Para Israel, o ataque a Beersheba é uma escalada no conflito com o Hamas, que não para. Apesar dos esforços das Nações Unidas e do Egito, não há trégua.

Toda sexta-feria, desde 30 de março, há manifestações violentas na fronteira. Foguetes palestinos atacam o Sul de Israel e bombardeios israelenses respondem em Gaza.


Quatro suspeitos do assassinato são ligados a príncipe saudita

Um dos 15 agentes da Arábia Saudita que mataram o jornalista dissidente Jamal Khashoggi no consulado do país em Istambul, na Turquia, foi visto com frequência na equipe de segurança do príncipe-herdeiro Mohamed ben Salman, principal suspeito de ser o mandante do assassinato político. Outros três foram apontados por testemunhas como parte do esquema de segurança do princípe, revelou o jornal The New York Times.

Mohamed ben Salman, o homem-forte da monarquia absolutista saudita, guardiã das cidades sagradas de Meca e Medina, nega ter qualquer conhecimento prévio da operação, mas num regime ditatorial desta natureza nada acontece sem o conhecimento dos donos do poder.

Khashoggi desapareceu em 2 de outubro, depois de entrar no Consulado Saudita em Istambul para pegar um documento para se casar. Ex-assessor da família real, ele era contra uma mudança de regime. Defendia uma liberalização. Seu último artigo, em defesa da liberdade de expressão no mundo árabe, foi publicado hoje no jornal The Washington Post.

Um quinto suspeito é um médico forense que faz parte do alto escalão do Ministério do Interior.

MbS, como o príncipe é chamado popularmente, tornou-se o homem-forte do reino ao atropelar a linha sucessória. Ele se apresentava como um reformista com um programa amplo para modernizar o país, moderar o islamismo radical e preparar o país para a era pós-petróleo com o plano Arábia Saudita 2030. Para tanto, precisa atrair capital estrangeiro.

O príncipe enfrentou o clérigo ultraconservador, uma das bases do regime saudita, que segue o wahabismo, a corrente ultraconservadora do islamismo que inspirou Ossama ben Laden e a organização terrorista Estado Islâmico. Em junho deste ano, finalmente, as mulheres sauditas foram autorizadas a dirigir.

Ele também lançou uma campanha anticorrupção que prendeu príncipes e magnatas, vista como um abuso de poder para consolidar seu golpe palaciano.

Na política externa, seu maior erro foi a intervenção militar na guerra civil do Iêmen, hoje o pior conflito do mundo, com milhões de pessoas ameaçadas de morrer de fome porque sauditas e aliados bloqueiam o porto de Hodeida.

Ainda liderou um boicote ao Catar, acusando-o de fazer negócios com o Irã, grande rival da Arábia Saudita na disputa pela liderança regional no Oriente Médio.

Por verem o Irã como inimigo, tanto os Estados Unidos quanto Israel abraçaram o novo príncipe-herdeiro como uma esperança de reforma no mundo árabe, esquecendo o papel ativo da Arábia Saudita e aliados como os Emirados Árabes Unidos na sabotagem da chamada Primavera Árabe, que acabou só levando a democracia à Tunísia.

A Arábia Saudita foi o primeiro país a ser visitado por Donald Trump como presidente dos EUA. Por si só, isso revelou a admiração de Trump por líderes autoritários. Até o momento, o presidente americano tem feito tudo para contemporizar. Nega-se a cancelar contratos de vendas de armas que afirma que podem chegar a US$ 110 bilhões.

Se o crime for confirmado, o governo dos EUA tem a obrigação legal de aplicar sanções à Arábia Saudita. A estratégia de Trump e Israel para isolar o Irã fica prejudicada. O petróleo saudita é fundamental para manter a estabilidade do mercado sem o petróleo do Irã.

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Inflação no atacado cai para 3,6% ao ano na China

O índice de preços ao produtor registrou em setembro a menor alta anual em cinco meses, de 3,6%, revelou hoje o Escritório Nacional de Estatísticas da China. A taxa mensal subiu 0,6%. Embora mais baixa, em 2,5%, a inflação no varejo teve o maior aumento em sete meses.

A principal causa foi uma aumento de 3,6% nos preços dos alimentos, com alta nos preços de hortaliças, enquanto a carne de porco, principal fonte de proteína animal dos chineses, baixou 2,4%.

Diante do conflito comercial com os Estados Unidos, em agosto, a China reduziu em US$ 6 bilhões a quantidade de títulos da dívida pública americana que mantém como reservas cambiais. Elas estão hoje em US$ 1,165 trilhão, abaixo do US$ 1,2 trilhão de um ano antes.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Arábia Saudita deve admitir que jornalista morreu sob tortura

Em conversa telefônica com o presidente Donald Trump, o sultão da Arábia Saudita, Salman ben Abdul Aziz al-Saud, negou hoje ter qualquer conhecimento da morte do jornalista saudita Jamal Khashoggi, assassinado durante uma visita ao Consulado Saudita em Istambul, na Turquia, em 2 de outubro. Horas depois, a CNN noticiou que o reino prepara um relatório para admitir que ele morreu durante o interrogatório.

Desde o início do caso, uma das explicações possíveis é que uma equipe de 15 agentes sauditas foi à Turquia naquele dia para tentar prender Khashoggi e levá-lo para a Arábia Saudita. Como ele resistiu, pode ter sido morto quando era torturado.

Ex-assessor da família real, Khashoggi se tornou um dos maiores críticos do príncipe-herdeiro Mohamed ben Salman. No ano passado, foi para o autoexílio nos Estados Unidos, onde era colaborador do jornal The Washington Post.

Para desculpar a monarquia absolutista saudita, conhecida por ser um reino medieval sem o menor respeito pelos direitos humanos, Trump disse hoje que podem ser "assassinos vagabundos", sem ligação com a Arábia Saudita.

É difícil imaginar como 15 agentes tenham ido a Turquia numa operação desses sem a autorização da família real. A desculpa oficial pode ser que eles não tinham autorização superior para fazer o que fizeram.

Trump enviou o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, a Riade para conversar com o sultão.

domingo, 14 de outubro de 2018

Senadora democrata faz campanha para concorrer à Casa Branca em 2020

Nos últimos seis meses, a senadora Elizabeth Warren, uma das maiores adversárias políticas do presidente Donald Trump, armou uma estrutura para impulsionar as campanhas do Partido Democrata em 50 estados que parece uma articulação para disputar a Presidência dos Estados Unidos em 2020, noticiou hoje o jornal The Washington Post.

Warren está em contato com mais de 150 campanhas às eleições intermediárias de meio de mandato, em 6 de novembro, quando os democratas esperam retomar a maioria na Câmara dos Representantes, perdida em 2010, dois anos depois da eleição de Barack Obama.

"Sinto a urgência do momento nacionalmente", declarou a senadora pelo estado de Massachusetts. "Tem duas partes: responsabilizar Donald Trump pelo que faz e melhorar o país para famílias que trabalham duramente."

Isso revela uma descentralização partido, "com a maior parte da energia é gerada por indivíduos que constroem suas próprias operação", acrescenta o Post.

Em média, os democratas arrecadaram US$ 1 milhão a mais do que os republicanos em cada uma das 435 cadeiras da Câmara. Warren distribuiu US$ 100 milhões a candidatos democratas.

A senadora é um dos principais alvos democratas de Trump, que a chama pejorativamente de Pocahontas, nome de uma princesa indígena, porque Warren alegou ter antecedentes indígenas ao entrar na Universidade de Harvard. Ela divulgou um teste de DNA para sustentar a alegação.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Turquia liberta pastor americano condenado por espionagem

Para melhorar as relações com os Estados Unidos no momento em que denuncia o assassinato de um jornalista dentro do Consulado da Arábia Saudita em Istambul, a Turquia libertou hoje o pastor americano Andrew Brunson, condenado a três anos de prisão por espionagem e apoio a grupo terrorista por supostas ligações com o movimento gulenista.

O governo cada vez mais autoritário do presidente Recep Tayyip Erdogan acusa o clérigo muçulmano Fethullah Gulen, exilado nos EUA, pelo fracassado golpe de Estado de 15 de julho. Cerca de 400 pessoas foram mortas e quase 16 mil foram presas. Mais de 48 mil trabalhadores e funcionários públicos foram demitidos.

A Turquia pediu oficialmente a extradição de Gülen, mas a Justiça dos EUA não viu indícios suficientes de envolvimento do clérigo na conspiração golpista. Os EUA entendem que a punição ao pastor é uma retaliação de Erdogan.

Irritado, o presidente Donald Trump ameaçou impor sanções, o que agravou a difícil situação econômica da Turquia.

Hoje, depois do assassinato político do jornalista Jamal Khashoggi no consulado em Istambul por um esquadrão da morte saudita, a Justiça da Turquia confirmou a condenação de Brunson, mas ordenou sua libertação por causa do tempo que ele já passou na prisão.

O pastor já seguiu viagem para os EUA. Trump festejou no Twitter e negou ter feito qualquer concessão a Erdogan. A rede de televisão americana ABC disse que houve acordo.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Turquia tem gravações que comprovam morte do jornalista saudita

O governo da Turquia revelou aos Estados Unidos ter gravações de som e imagem que comprovam que o jornalista Jamal Khashoggi foi detido, assassinado e esquartejado por um esquadrão da morte dentro do Consulado da Arábia Saudita em Istambul, onde entrou em 2 de outubro atrás de um documento para se casar, noticiou o jornal The Washington Post.

"A gravação das vozes dentro do consulado mostra o que aconteceu depois que Jamal entrou", contou uma fonte que teve acesso ao material do serviço secreto turco. "Você pode ouvir a voz dele e as vozes de outros homens falando árabe. Pode ouvir ele sendo interrogado, torturado e morto."

Outro alto funcionário americano confirmou ter ouvido na gravação os agentes sauditas torturando Khashoggi. O jornalista foi assessor da família real saudita, mas deixou o país no ano passado, foi para um autoexílio nos EUA e se tornou um grande crítico do príncipe-herdeiro Mohamed ben Salman, o homem-forte da monarquia absolutista.

A Turquia reluta em apresentar estas provas porque desmascaram a espionagem a representações estrangeiras no país. O Post não diz se funcionários americanos chegaram a ver os vídeos e ouvir os áudio ou se os turcos fizeram descrições. A Arábia Saudita afirma que Khashoggi saiu do consulado no mesmo dia.

Os EUA estão investigando o caso. Pela lei americana, o governo tem a obrigação de impor sanções à Arábia Saudita se o assassinato político for confirmado. Mas o presidente Donald Trump declarou hoje ser contra. O governo saudita comprou US$ 110 bilhões em armas dos EUA e prometeu comprar um total de US$ 350 bilhões em dez anos.

Com sua visão negocista da política internacional, Trump não quer abrir mão deste dinheiro.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

EUA vão investigar desaparecimento de jornalista saudita

Um grupo de senadores dos dois partidos com representação no Congresso dos Estados Unidos enviou mensagem ao presidente Donald Trump pedindo uma investigação sobre o jornalista saudita Jamal Khashoggi, desaparecido desde que entrou no Consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, em 2 de outubro. Trump prometeu "ir fundo" para descobrir a verdade.

Crítico da monarquia absolutista saudita, especialmente do novo príncipe-herdeiro, Mohamed ben Salman, Khashoggi vivia há dois anos num autoexílio nos EUA. Foi ao consulado em Istambul para resolver um problema burocrático relativo à sua vida no exterior.

Em 6 de outubro, sábado passado, o serviço secreto da Turquia deixou vazar a notícia de que provavelmente ele tenha sido assassinado por um grupo de agentes especiais. Seu corpo teria sido esquartejado para remoção de dentro do consulado.

No dia 2, quando Khashoggi desapareceu, 15 agentes especiais da Arábia Saudita entraram na Turquia. Fariam parte de um esquadrão da morte. Eles foram ao bazar, o mercado público de Istambul, onde compraram várias malas. Teriam levado uma serra capaz de serrar ossos humanos para esquartejar o jornalista. À noite, o grupo saiu da Turquia em dois jatinhos e voltou à Arábia Saudita.

Se o assassinato político for confirmado, os EUA devem aplicar sanções à Arábia Saudita, adverte a Comissão de Relações Exteriores do Senado, que apoia a investigação, a ser realizada pelos serviços secretos dos EUA e seus aliados no Oriente Médio.

Como Trump fez da Arábia Saudita a maior aliada dos EUA no mundo árabe, o pedido de investigação pode criar atrito entre a Casa Branca e o Capitólio sobre como proceder em caso de confirmação do crime.

A aliança histórica com a Arábia Saudita ajuda os EUA a controlar o mercado internacional do petróleo. No governo Trump, virou peça-chave na política americana para o Oriente Médio, de isolar o Irã. Prometeu comprar US$ 110 bilhões em armas imediatamente e US$ 350 bilhões em 10 anos. Foi o primeiro país visitado pelo presidente americano depois da posse.

Trump e seu genro Jared Kushner tentaram criar uma relação pessoal com o príncipe-herdeiro Mohamed ben Salman, que atropelou a linha sucessória para se tornar o homem-forte do reino e lançou o plano Arábia Saudita 2030, para modernizar a economia do país e prepará-la para a era pós-petróleo.

MbS, como é conhecido, lançou uma campanha anticorrupção que prendeu magnatas e príncipes e autorizou as mulheres a dirigir. Ao mesmo tempo, cometeu graves erros de política externa, como a intervenção na guerra civil do Iêmen em apoio ao governo deposto de Abed Rabbo Mansur Hadi contra os rebeldes hutis, apoiados pelo Irã, e a tentativa de isolar o Catar por causa de suas relações com a ditadura teocrática xiita iraniana.

Também criou uma crise diplomática com o Canadá ao reagir furiosamente a críticas ao tratamento da mulher do jornalista liberal Raif Badawi, prisioneiro político da monarquia absolutista.

Ao matar, ao que tudo indica, um dissidente no exterior, provoca uma crise internacional com a Turquia com impacto no mundo inteiro e deixa seu grande aliado na Casa Branca em posição constrangedora.

Trump declarou hoje que é "uma situação ruim" e que "vamos ao fundo", prometendo investigar o desaparecimento de Khashoggi.  Mas não quer suspender a venda de armas ao regime assassino.

Coreia do Sul admite suspender sanções à Coreia do Norte

O governo da Coreia do Sul está reexaminando as sanções adotadas unilateralmente contra a Coreia do Norte para ver se remove algumas, admitiu hoje o ministro do Exterior sul-coreano, Kang Kyung Wha, citado pela agência de notícias Yonhap.

Será mais um gesto simbólico de boa vontade para consolidar a reaproximação entre as duas Coreias, promovida ativamente pelo presidente sul-coreano, Moon Jae In, numa tentativa de pacificar a Península Coreana.

Depois de 35 anos de ocupação japonesa, a Coreia foi dividida em 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial, quando os Estados Unidos ocuparam o Sul e a União Soviética o Norte. Em 1948, no início da Guerra Fria, nascem a República da Coreia, no Sul, e a República Popular Democrática da Coreia, no Norte.

Ambas reivindicavam a soberania sobre toda a península, o que levou à Guerra da Coreia (1950-53), quando a Coreia do Norte invadiu a do Sul e uma força internacional liderada pelos EUA obteve um mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas para reunificar a Península Coreana. Quando as tropas dos EUA invadiram o Norte, a China interveio e conseguiu restaurar o status quo anterior à guerra.

Até hoje, não foi assinado um acordo de paz, hoje um objetivo das duas Coreias. O fim de algumas sanções abre a possibilidade de aumentar a cooperação econômica além do complexo industrial de Kaesong, na Coreia do Norte, onde empresas sul-coreanas empregam mão de obra norte-coreana.

O degelo começou no início do ano, depois de intenso tiroteio verbal entre o ditador norte-coreano, Kim Jong Un, e o presidente Donald Trump ao longo de 2017. Desde então, Kim se encontrou três vezes com o presidente sul-coreano e uma com o presidente americano.

O próximo encontro de cúpula com Moon será em Seul, na primeira visita à Coreia do Sul de um dirigente máximo do regime stalinista de Pyongyang.

Kim e Trump realizaram um encontro de cúpula histórico em 12 de junho, em Cingapura, o primeiro de um presidente dos EUA no exercício do cargo com um líder da Coreia do Norte, em que assinaram uma carta de intenções prometendo desnuclearizar a Península Coreana.

Como as negociações diretas estagnaram, Moon entrou na jogada como mediador entre os EUA e a Coreia do Norte, que insiste sempre na suspensão das sanções. O presidente americano exige a entrega das armas nucleares como precondição para levantar as sanções.

Em quatro visitas a Pyongyang, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, exigiu da Coreia do Norte um cronograma de desarmamento nuclear. O regime stalinista precisa apresentar um inventário das armas atômicas e entregar 60% para destruição em seis a nove meses.

A Coreia do Norte rejeita o desarmamento unilateral. Exige a assinatura de um acordo de paz pondo fim à Guerra da Coreia, que pode incluir uma retirada total das forças dos EUA da Coreia do Sul.