sexta-feira, 10 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 10 de Abril

PIONEIRO DO DIREITO INTERNACIONAL

    Em 1583, nasce em Delft, nos Países Baixos, o jurista Hugo Grotius, um dos pioneiros do direito internacional, autor de O Direito da Guerra e da Paz, publicado em 1625.

O pai de Grotius foi burgomestre de Delft e curador da recém-fundada Universidade de Leiden. Menino-prodígio, com 8 anos, Hugo escreve elegias em Latin. Aos 11 anos, começa a estudar artes na Universidade de Leiden.

A pedido da Holanda, Grotius escreve uma história da Revolta das Províncias Unidas (Bélgica e Holanda) contra a Espanha, que tem um império europeu da qual fazem parte. O livro tem o estilo do historiador romano Tácito. Chama-se Anais e Histórias da Revolta dos Países Baixos.

No início do século 17, a União Ibérica de Portugal e Espanha reivindica o monopólio dos comércio com as Índias Orientais. Quando o navio português Santa Catarina captura um general holandês, em 1604, a Companhia Holandesa das Índias Orientais pede a Grotius a defesa do direito natural de comerciar. Em 1609, ele escreve A Liberdade dos Mares.

Sua maior obra é escrita sob o impacto da Guerra dos Trinta Anos (1618-48). Ele diz: "Estou totalmente convencido...de que existe um direito comum entre as nações, que é válido para a guerra e na guerra, tenho muitas e fortes razões para escrever sobre este assunto. Através do mundo cristão, observo uma falta de limites em relação à guerra da qual mesmo as nações bárbaras teriam vergonha."

O objetivo de Grotius é reduzir a carnificina das guerras ao criar uma teoria geral do direito para restringir e regulamentar as guerras. Com base no direito romano e na filosofia estoica, Grotius coloca a lei natural no centro de sua jurisprudência.

Grotius considera que a razão e a natureza humana são os fundamentos do direito natural e existiriam mesmo que Deus não exista. Acredita que o homem tem um desejo natural de viver em sociedade de forma pacífica e organizada. Ele defende um direito das nações para regular as relações das diferentes comunidades humanas soberanas.

O pai do direito internacional aproveitou o conceito de guerra justa, uma ideia originalmente de Santo Agostinho, em que a guerra só pode ser justificada como legítima defesa ou resposta a uma injustiça. Hoje se usa mais o conceito de guerra legítima ou ilegítima.

ZAPATA MORRE EM EMBOSCADA

     Em 1919, o Exército do México mata numa emboscada no estado de Morelos o líder indígena e camponês da Revolução Mexicana de 1910, Emiliano Zapata, o Caudilho do Sul, um herói popular imortalizado no cinema, onde foi encarnado por Marlon Brando.

Zapata nasce em uma família camponesa em 8 de agosto de 1879. Em 2008, é recrutado pelo Exército depois de tentar recuperar terras tomadas por grandes fazendeiros. Com a revolução e a queda do ditador Porfirio Díaz, cria um exército camponês com o slogan Terra e Liberdade.

Por reivindicar a reforma agrária, Zapata e sua guerrilha camponesa são contra os governos de Francisco Madero, Victoriano Huerta e Venustiano Carranza. Nunca chegam ao poder central, mas fazem a reforma agrária nas terras sob seu controle e ajudam agricultores pobres.

Sua luta pela terra vai muito além de sua morte. Em 1994, o Exército Zapatista de Libertação Nacional inicia uma rebelião no estado de Chiapas contra a participação do México no Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).

FIM DO SONHO

    Em 1970, pouco antes de lançar seu primeiro álbum solo, em nota à imprensa, o cantor, compositor e baixista Paul McCartney anuncia a separação dos Beatles para choque dos fãs no mundo inteiro.

Paul admite que é o início de uma carreira solo e explica a separação: "Diferenças pessoais, diferenças nas negócios, diferenças musicais, mas mais do que tudo porque tenho mais tempo para minha família. Temporária ou permanente? Realmente não sei."

Antes do fim do ano, Paul vai à Justiça para separar os Beatles legalmente. Todos eram brilhantes, mas as carreiras solo nunca superaram a banda.

DIPLOMACIA DO PINGUE-PONGUE

    Em 1971, uma equipe de tênis de mesa dos Estados Unidos inicia uma turnê de uma semana na China a convite do regime comunista, interessado em melhorar as relações com Washington, no que fica conhecido como diplomacia do pingue-pongue, que abre caminho para as visitas do assessor de Segurança Nacional, Henry Kissinger, e do presidente Richard Nixon a Beijim.

Os EUA não estabelecem relações com a República Popular da China depois da vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung, em 1º de outubro de 1949.

Durante a Guerra da Coreia (1950-53), há uma guerra entre EUA e China. Quando as forças internacionais sob a liderança dos EUA contra-atacam depois que a Coreia do Norte invade o Sul e cruzam o paralelo 38º Norte, o 4º Exército da China, sob o comando de Lin Piao, atravessa o Rio Yalu e empurra os EUA de volta para o Sul.

Na Guerra do Vietnã, China e EUA apoiam lados contrários. A reaproximação é resultado do rompimento entre a China e a União Soviética, a partir de 1964, que leva a escaramuças de fronteiras e quase à guerra em 1969. Os EUA veem uma oportunidade de obter o apoio da China na Guerra Fria contra a URSS. A China quer garantias de segurança e aumento do comércio.

ACORDO DE PAZ DA SEXTA-FEIRA SANTA

    Em 1998, os governos do Reino Unido e da Irlanda e três partidos da Irlanda do Norte, o Partido Unionista do Úlster (UUP), o Partido Social-Democrata e Trabalhista (SDLP) e o Sinn Féin (SF), ligado ao Exército Repúblico Irlandês (IRA), assinam o Acordo da Sexta-Feira Santa ou Acordo de Belfast. É o fim de uma guerra civil de 30 anos em que morrem mais de 3,5 mil pessoas.

A Inglaterra começa a intervir e dominar a Irlanda no século 12. O conflito se agrava com a Reforma Protestante na Inglaterra, em 1534, quando o rei Henrique VIII rompe com a Igreja Católica para se divorciar e casar de novo. A Irlanda é um dos países mais católicos do mundo.

Henrique VIII casa seis vezes na esperança de ter um filho homem que herde o trono para acabar com as lutas sucessórias entre os príncipes, como a Guerra das Duas Rosas (1455-87). Mas o filho homem é fraco e morre aos 15 anos. As duas irmãs, a católica Maria I, do primeiro casamento, e Elizabeth I, protestante, do segundo casamento, disputam o trono.

No século 16, há uma longa Guerra Civil Inglesa. O rei católico Carlos I entra em conflito com o Parlamento, de maioria protestante. É decapitado em 30 de janeiro de 1649. 

Durante o breve período republicano na história britânica (1649-60), o ditador Oliver Cromwell promove uma migração forçada de presbiterianos escoceses e cria um enclave protestante no Norte da Irlanda. A Irlanda continua católica.

Quando a Irlanda se torna independente, em 1922, seis dos nove condados da província do Úlster de maioria protestante formam a Irlanda do Norte, que continua fazendo parte do Reino Unido. Como são maioria, os protestantes dominam as instituições da Irlanda do Norte.

Os católicos sentem-se discriminados, inclusive economicamente. Nos anos 1960, surge um movimento católico, nacionalista e republicano por direitos iguais, reprimido com violência. Em agosto de 1969, o Exército Real britânico intervém militarmente na Irlanda do Norte. Em dezembro do mesmo ano, o IRA Provisório entra na luta e ataca não somente na Irlanda do Norte, mas também na Inglaterra.

No início dos anos 1980, durante o governo da primeira-ministra linha-dura Margaret Thatcher (1979-90), os presos do IRA fazem uma greve de fome na prisão de Maze, na Irlanda do Norte, para exigir tratamento de prisioneiros políticos. Thatcher não cede. Pelo menos dez guerrilheiros do IRA morrem na greve de fome.

A resposta mais contundente vem num atentado terrorista contra a Convenção Anual do Partido Conservador realizada em Brighton, na Inglaterra, em 12 de outubro de 1984. O objetivo é matar Thatcher, mas ela escapa.

Naquela época, o deputado John Hume, do SDLP, o braço do Partido Trabalhista britânico na Irlanda do Norte, começa a manter contato com o presidente do SF, Gerry Adams, para explorar a possibilidade de negociações de paz. Em 1985, o Acordo Anglo-Irlandês autoriza a Irlanda do Norte a ter um papel consultivo nas questões norte-irlandesas.

Na Declaração da Downing Street, de 15 de dezembro de 1993, os governos do Reino Unido e da Irlanda afirmam que o povo irlandês tem direito à autodeterminação, mas a Irlanda do Norte só será integrada à República da Irlanda se a maioria da população assim o decidir. Os dois governos se propõem a organizar negociações de paz em que os partidos ligados a grupos paramilitares podem participar desde que abandonem a violência.

O IRA anuncia um cessar-fogo em 31 de agosto de 1994, seguido pelo Comando Militar Conjunto dos Legalistas em 13 de outubro. A exigência dos protestantes de um desarmamento do IRA como precondição para negociar causa uma estagnação no processo de paz. 

Com um atentado terrorista na Ilha dos Cães, em Londres, em 9 de fevereiro de 1996, o IRA rompe a trégua e acusa o governo britânico de John Major e os protestantes do Úlster de "agir de má fé". Duas pessoas morrem e mais de 100 saem feridas. O prejuízo é estimado em 150 milhões de libras. Major se preparava para receber a liderança do SF.

O IRA restaura o cessar-fogo em 20 de julho de 1997. As negociações multipartidárias são retomadas em setembro.

Pelo Acordo da Sexta-Feira Santa, a Irlanda abre mão da reivindicação constitucional de soberania sobre a Irlanda do Norte e o Reino Unido da reivindicação de soberania sobre toda a Irlanda. Os dois governos e os partidos envolvidos reconhecem que a maioria dos norte-irlandeses quer ficar no Reino Unido, enquanto uma parte substancial dos norte-irlandeses e a população irlandesa querem a unificação da Irlanda. 

A Irlanda do Norte passa a ter uma Assembleia Nacional com 108 deputados e um governo autônomo com a participação das comunidades católica e protestante, com direito de veto de uma minoria 40% para impedir o domínio de uma pela outra. É criado um conselho interministerial das duas Irlandas e um Conselho das Ilhas Britânicas, que nunca foi instalado por causa da resistência dos republicanos, católicos e nacionalistas irlandeses.

Em maio de 1998, em dois plebiscitos independentes, os eleitores da República da Irlanda e da Irlanda do Norte ratificam o acordo de paz.

O conflito não termina aí. Em 14 de agosto de 1998, um ataque em Omagh mata 29 pessoas, o maior número de mortes num incidente isolado da história dos Problemas, como a guerra civil é chamada. Um grupo católico dissidente, o IRA Real (Verdadeiro), assume a responsabilidade pelo atentado. Mas a guerra acaba.

Em 7 de agosto de 2001, o IRA concorda com um método para entregar as armas. A Comissão de Desarmamento entrega seu relatório final em 26 de setembro de 2005, anunciando que o processo está encerrado.

A saída do Reino Unido da União Europeia cria um problema ao exigir a instalação de uma fronteira entre as duas Irlandas. A solução foi criar um controle aduaneiro no Mar da Irlanda. Os produtos que vão para a Irlanda do Norte não são taxados. Os que entram na UE pagam imposto de importação.

Revoltados os unionistas boicotam o governo de união nacional durante dois anos. Em 30 de janeiro do ano passado, o DUP, sob a liderança de Jeffrey Donaldson, volta à Assembleia de Stormont com a condição de que o Reino Unido aprove leis que garantam os laços com a Irlanda do Norte.

Isto permite que pela primeira vez o SF lidere o governo da Irlanda do Norte com a primeira-ministra Michelle O'Neill.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 9 de Abril

 LOUISIANA FRANCESA 

    Em 1682, René-Robert Cavelier, Senhor de La Salle, reinvindica para a França a soberania sobre a Bacia do Rio de Mississípi, chamando-a de Louisiana em homenagem a Luís XIV (1638-1716), o Rei Sol.

O primeiro europeu a explorar a região é o espanhol Hernando de Soto em 1541. Depois da reivindicação de La Salle, a França começa a colonizar a Louisiana em 1702 com os irmãos Pierre La Moyne d'Iberville e Jean-Baptiste La Moyne de Bienville. Este último funda Nova Orleans em 1718.

Nova Orleans e a Louisiana são cedidas à Espanha por um tratado secreto em 1762. A região volta ao controla francês em 1800. Três anos depois, o presidente Thomas Jefferson compra o território de 2,14 milhões de quilômetros quadrados, incluindo toda a bacia do Missouri-Mississípi, do ditador francês Napoleão Bonaparte por US$ 15 milhões.

Em 1812, a Louisiana passa a ser o 18º estado da União.

NASCIMENTO DE BAUDELAIRE

    Em 1821, nasce em Paris o poeta, tradutor, ensaísta e crítico de arte e literatura Charles-Pierre Baudelaire, autor de As Flores do Mal, talvez o mais importante livro de poesia publicado na Europa no século 19.

Um dos precursores do simbolismo, Baudelaire é considerado o criador da poesia moderna ao lado do norte-americano Walt Whitman.

Ele estuda no Colégio Real de Lyon e no Liceu Louis-le-Grand, de onde é expulso por não revelar o conteúdo de um bilhete passado por um colega. Rebelde, é enviado à Índia pelo padrasto em 1840. Vai até a Ilha da Reunião e volta. Por dois anos, vive com Jeane Duval e abusa de drogas e álcool, o que leva a mãe a acionar a Justiça para que a herança do pai seja controlada por um notário.

Em 1857, lança As Flores do Mal, com 100 poemas. Por causa de seis, a Justiça considera o livro um ultraje à moral pública. A obra é aprendida. O autor é multado em 300 francos e a editora em 100. Baudelaire aceita a sentença e escreve seis poemas que descreve como "mais belos do que os censurados".

Durante uma visita à Igreja de St. Loup, em Namur, na Bélgica, Baudelaire sofre um colapso. Desde março de 1866, sofre de hemiplegia, uma paralisia da metade do corpo. Ele morre de sífilis em Paris em 31 de agosto de 1867.

NORTE VENCE GUERRA DA SECESSÃO

    Em 1865, o general Robert Lee, comandante das forças dos Estados Confederados da América, e 28 mil soldados do Sul se rendem ao general Ulysses Grant, comandante militar da União, no Tribunal de Justiça de Appomattox, na Virgínia, pondo fim à Guerra da Secessão (1861-65). É o conflito mais sangrento da história dos Estados Unidos. Mais de 620 mil pessoas morrem porque estados sulistas não aceitam a abolição da escravatura e tentam se separar.

Depois de ser obrigado a deixar a capital da Confederação, Richmond, na Virgínia, impedido de se reagrupar com o que resta do exército do Sul na Carolina do Norte e acossado pela cavalaria da União, Lee não tem saída.

As deserções aumentam. Em 8 de abril, os confederados estão totalmente cercados. No dia seguinte, Lee envia mensagem de rendição a Grant. Os dois generais se encontram às 13h na sala de visitas da casa de Wilmer McLean. Veteranos da Guerra Mexicano-Americana (1846-48), quando os EUA tomam mais de 40% do território mexicano, já se conhecem.

Grant chega com seu fardamento de guerra embarrado, enquanto Lee usa a farda de gala completa, com faixa e espada. Nos termos da proposta do Norte, todos os oficiais e soldados são perdoados e voltam para casa com seus bens, principalmente os cavalos, que podem ser usados para um plantio tardio na primavera. Os famintos soldados do Sul recebem comida.

QUEDA DE SADDAM HUSSEIN

    Em 2003, três semanas depois da invasão do Iraque, os Estados Unidos derrubam o ditador Saddam Hussein, que estava no poder desde 1979.

No Discurso sobre o Estado da União de 2002, meses depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, o presidente George Walker Bush acusa a Coreia do Norte, o Irã e o Iraque de fazer parte de um "eixo do mal".

Com a fuga de Ossama ben Laden e da liderança da rede terrorista Al Caeda, responsável pelos atentatos, para o Paquistão depois da Batalha de Tora Bora, em dezembro de 2001, os neoconservadores do governo Bush buscam outro país muçulmano para atacar. O escolhido é o Iraque de Saddam Hussein, derrotado na Primeira Guerra do Golfo (1991) pelo governo de George Herbert Walker Bush, o pai.

A alegação para justificar a guerra é que Saddam está desenvolvendo armas de destruição em massa (quimícas, biológicas ou nucleares). O governo italiano de Silvio Berlusconi divulga um informe falso afirmando que o Iraque tentara comprar urânio no Níger para fazer armas nucleares.

Sob um duro regime de inspeções imposto pelas Nações Unidas depois da guerra de 1991, o Iraque nega que tenha as armas proibidas. Os EUA levam a questão ao Conselho de Segurança da ONU, onde o secretário de Estado norte-americano, general Colin Powell, não consegue convencer os outros países. 

Sem votos suficientes e sob o risco de veto da França, aliada na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), os EUA não colocam a proposta de uso da força em votação e invadem o Iraque em 20 de março de 2003, numa guerra ilegal, porque não é aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU, e ilegítima, porque a alegação para justificar a guerra é falsa.

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quarta-feira, 8 de abril de 2026

EUA e Irã acertam trégua e reabertura do Estreito de Ormuz

Na penúltima hora, o presidente Donald Trump recuou da ameaça genocida de destruir a civilização iraniana. Com mediação do Paquistão e da China, os Estados Unidos e o Irã acertaram um cessar-fogo de duas semanas. 

Os EUA param de bombardear o Irã, e o regime iraniano para de atacar os navios que atravessam o Estreito de Ormuz, por onde passavam 20% do petróleo consumido no mundo. As negociações para uma paz definitiva serão realizadas a partir de sábado no Paquistão.

"Toda uma civilização vai morrer nesta noite para nunca mais voltar. Não quero que isto aconteça, mas provavelmente vá. No entanto, agora que temos uma mudança de regime total e completa em que mentes diferentes, mais espertas e menos radicais prevalecem, talvez algo maravilhoso possa acontecer revolucionariamente. QUEM SABE? Vamos descobrir nesta noite, um dos momentos mais importantes da complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte vão acabar finalmente. Deus abençoe o grande povo do Irã˜, escreveu o presidente dos EUA na sua rede social na manhã de ontem. É uma declaração de genocídio.

Israel aceitou a trégua, mas declarou que não vale no Líbano, onde enfrenta milícia xiita Hesbolá (Partido de Deus).

Com a expectativa do fim da guerra que causou a pior crise energética da história, o preço do barril de petróleo do tipo Brent, padrão da Bolsa de Mercadorias de Londres, caiu para US$ 95, uma baixa de quase 13%. As principais bolsas de valores da Ásia abriram em alta.

O acordo, mediado pelo Paquistão com o apoio da Arábia Saudita, da China, do Egito e da Turquia, se baseia na proposta de 10 pontos apresentada pelo Irã. Apesar de massacrado por um bombardeio impiedoso dos EUA e de Israel, o regime iraniano sai vitorioso. 

Mais linha-dura, mais radicalizado e mais determinado a fazer bomba atômica, mantém os programas nuclear, de mísseis e o apoio a milícias. Está vendendo mais petróleo a preços mais altos. Exige reparações e quer cobrar pela passagem pelo Estreito de Ormuz.

Perdem o presidente Donald Trump, que não atingiu nenhum de seus objetivos políticos, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que não conseguiu derrubar o regime iraniano e parece precisar de uma guerra eterna para se legitimar. Em outubro, terá de passar pelo teste das urnas em novas eleições. Trump será julgado nas urnas nas eleições intermediárias de 3 de novembro, quando deve perder a maioria na Câmara e talvez no Senado.

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Hoje na História do Mundo: 8 de Abril

NASCIMENTO DE BUDA

    Neste dia, os budistas de alguns países, entre eles o Japão, comemoram o nascimento do príncipe Sidarta Gautama, o fundador do budismo, que teria vivido na Índia de 563 a 483 antes de Cristo.

Originalmente os budistas festejavam o aniversário de Buda no século 11 AC. Na era moderna, os estudiosos concluíram que provavelmente ele nasceu em maio de 6 AC. 

Quando Sidarta nasce, os brahmas, membros da casta superior do hinduísmo, preveem que ele será um grande rei ou um professor iluminado, se crescer isolado do mundo exterior. O rei Sudodana tenta proteger o filho de todas formas. O príncipe casa e tem um filho.

Aos 29 anos, Sidarta resolve conhecer o mundo e começa a fazer excursões de carruagem. Numa delas, ele viu um idoso, um homem doente e um cadáver. Como era protegido dos males do mundo, o cocheiro teve de explicar o que significavam.

Sidarta então conhece um monge. Fica impressionado ao ver um homem sereno e em paz num mundo conturbado e se interessa pela espiritualidade.

JOMO KENYATTA PRESO

    Em 1953, durante a Revolta dos Mau Mau (1952-60), a maior da descolonização do Império Britânico, as autoridades coloniais prendem Jomo Kenyatta, que sai da cadeia em 1961 para liderar a independência do Quênia em 1963.

O grupo Mau Mau é uma organização clandestina criada pela tribo kikuyu, a mais importante do Quênia, que domina a política do país até hoje. Com as tribos meru e embu, e unidades dos povos kamba e massai, os kikuyus formam o Exército por Terra e Liberdade do Quênia.

A revolta é marcada pela brutalidade dos dois lados, que não aceitam a neutralidade e tratam quem não adere como inimigo. Poucos anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), um juiz de Nairóbi denuncia a existência de campos de concentração no Quênia. Os rebeldes, por sua vez, atacam mulheres, crianças e idosos africanos, não somente as forças imperiais.

A captura do líder rebelde, marechal Dedan Kimathi, em 21 de outubro de 1956, acaba praticamente com a revolta e marca o fim das operações militares britânicas, mas os merus mantêm a resistência.

 Ao todo, cerca de 3 mil soldados e policiais quenianos e 20 mil civis quenianos, 200 soldados britânicos e 32 colonos brancos morrem na rebelião.

MORTE DE PABLO PICASSO

    Em 1973, morre aos 91 anos em Mougins, na França, o pintor, escultor, ceramista, cenógrafo, poeta e dramaturgo espanhol Pablo Ruiz Picasso, o maior artista plástico do século 20.


Picasso nasce em Málaga, na Andaluzia, em 25 de outubro de 1881. A família se muda para Corunha, capital da Galícia, e depois para Barcelona. Em 1897, ele vai para Madri, onde se matricula na Academia Real de Belas Artes de São Fernando, mas uma doença, a escarlatina, o faz voltar para Barcelona,

Em 1900, Picasso faz a primeira visita a Paris, a capital cultural da Europa, onde conhece os poetas André Breton e Guillaume Apolinaire e a escritora Gertrud Stein. Em 1904, muda-se para lá.

Seu talento explode na fase azul (1901-5), seguida da rosa (1905-6). Em 1906, inicia uma nova fase, o protocubismo, antecedente do cubismo, sob a influência das artes grega, ibérica e africana. Aliás, cubismo é um termo pejorativo usado por críticos que não gostam de sua obra.

 A Guerra Civil Espanhola (1936-39) o politiza. Picasso entra para o Partido Comunista e cria uma de uma de suas obras-primas, o mural Guernica, sobre o bombardeio da Força Aérea da Alemanha Nazista, a Luftwaffe, que destrói a cidade Guernica, no País Basco em 26 de abril de 1937. Em três horas de ataque, morrem 1.645 pessoas.

O mural, hoje em exposição num pavilhão anexo ao Museu do Prado, em Madri, fica em Paris. Só vai para a Espanha depois da redemocratização do país.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), Picasso fica em Paris durante a ocupação nazista. Quando um oficial alemão revista seu apartamento e vê uma foto do mural Guernica, pergunta: "Foi você que fez isto?" Depois de pensar rapidamente, o artista responde: "Não. Foram vocês."

MORTE DE MARGARET THATCHER

    Em 2013, morre Margaret Hilda Thatcher, a primeira primeira-ministra britânica, líder da uma revolução ou contrarrevolução conservadora que acaba com o consenso social-democrata do pós-guerra e, ao lado do presidente norte-americano Ronald Reagan, impõe o neoliberalismo e adota uma política de linha dura durante a Guerra Fria que lhe vale a alcunha de Dama de Ferro.

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Filha de um dono de armazém, Margaret Hilda Roberts nasce em Grantham, na Inglaterra, em 13 de outubro de 1925. Ela se forma em química na Universidade de Oxford e entra para o Partido Conservador. 

Em 1959, é eleita pela primeira vez para a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, pelo distrito de Finchley, no Norte de Londres. Em 1970, Thatcher é nomeada ministra da Educação do governo Edward Heath (1970-74). 

Com a derrota conservadora nas eleições de 1974, Thatcher desafia Heath e se torna líder do partido e da oposição em 1975. Por criticar a União Soviética, um artigo no jornal Estrela Vermelha, do Exército Vermelho, lhe dá o apelido de Dama de Ferro.

Depois de uma profunda crise econômica causada pelos dois choques nos preços do petróleo, e uma onda de greves no Inverno do Descontentamento, os conservadores vencem as eleições. 

Em 4 de maio de 1979, ela torna a primeira primeira-ministra do Reino Unido e declara, parafraseando uma oração de São Francisco de Assis: "Onde houver discórdia, que eu leve a união. Onde houver dúvida, que eu leve a fé. Onde houver erro, que eu leve a verdade. Onde houver desespero, que eu leve a esperança."

Faz o contrário, em larga medida. Em 1980 e 1981, os prisioneiros do Exército Republicano Irlandês (IRA), que lutavam contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte, se rebelam para exigir tratamento de presos políticos. Dez morrem durante uma greve de fome.

Thatcher promete fazer recuar as fronteiras do Estado, ou seja, diminuir a intervenção governamental na economia. Ela começa o programa de privatizações no início dos anos 1980, mas é a vitória contra a Argentina na Guerra das Malvinas, em 1982, que lhe dá a maior vitória eleitoral, em 1983.

Dama de Ferro acelera o programa de privatizações, sobrevive a uma tentativa de assassinato num atentado do IRA durante a Convenção Anual do Partido Conservador realizada em Brighton, no Sul da Inglaterra, em 12 de outubro de 1984.

De 6 de março de 1984 a 3 de março de 1985, decidida a reduzir o poder dos sindicatos, Thatcher enfrenta e vence uma greve de mineiros contra o fechamento de minas de carvão, a maior paralisação de trabalhadores no Reino Unido desde a greve geral de 1926.

A primeira-ministra obtém sua terceira vitória eleitoral em 1987. No terceiro mandato, se torna cada vez mais eurocética e perde prestígio ao substituir o imposto predial por um imposto comunitário cobrado de acordo com o número de pessoas numa residência e não pelo valor do imóvel. Em novembro de 1990, uma rebelião na bancada conservadora a derruba.

O Partido Conservador nunca se recupera desse regicídio. A ala eurocética, à direita do partido, inicia uma campanha para retirar o país da União Europeia. Isto finalmente acontece no plebiscito de 23 de junho de 2016, uma catástrofe para o Reino Unido cujas consequências nefastas são cada vez mais evidentes.

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terça-feira, 7 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 7 de Abril

NASCE BILLIE HOLIDAY

    Em 1915, Eleanora Fagan Gough, mais conhecida pelo nome artístico Billie Holiday, uma das maiores cantoras de jazz e blues da história, nasce na Filadélfia.

Negra e pobre, abandonada pelos pais que eram adolescentes quando ela nasceu, violentada por um vizinho aos 10 anos e aos 14 pelo dono de um prostíbulo onde lava o chão para sobreviver, agredida física e psicologicamente num asilo para meninas abusadas sexualmente, moradora de rua e prostituta, tem uma vida trágica. 

Aos 15 anos, engravida sem saber de quem e a mãe, com quem volta a viver, a obriga a fazer um aborto aos três meses de gestação. Deprimida, recorre a drogas e álcool e faz várias tentativa de suicídio.

Em 1930, procura emprego como dançarina no Harlem, o bairro negro de Nova York, mas não agrada ao público. Com pena dela, o pianista pergunta se sabe cantar. Ela diz que não, mas que é seu sonho. Aplaudida de pé, consegue um emprego nos fins de semana. Para complementar a renda, continua se prostituindo.

Billie Holiday nunca recebe educação formal como música. Autodidata, aprende ouvindo Louis Armstrong e Bessie Smith. Depois de três anos cantando no Harlem, chama a atenção do crítico musical John Hammond, que a leva a uma gravadora.

Seu primeiro disco, com a banda de Benny Goodman, é um sucesso. Ela compra um apartamento e abandona a vida de garota de programa. Passa a cantar nas melhoras casas noturnas de Nova York. Sua voz levemente rouca e sensual expressa uma profunda emoção.

Nos anos 1940, apesar do sucesso, a depressão que a atormenta desde a infância a conduz ao vício de cigarros, álcool, maconha e heroína, que injeta na veia. Seus relacionamentos amorosos fracassam e terminam com violência e abuso. Ela cogita abandonar a carreira para não ter a vida exposta.

Em 1947, é presa com uma quantidade de heroína que caracteriza tráfico, mas fica poucos dias na cadeia, paga fiança e é solta.

Três anos antes de morrer, em 1956, ela publica uma autobiografia, Lady Sings the Blues, que vira filme com Diana Ross no papel principal. Billie Holiday morre aos 44 anos em Nova York em 17 de julho de 1959 de edema pulmonar, cirrose hepática e insuficiência cardíaca.

CERVEJA LIBERADA

    Em 1933, oito meses antes do fim da Lei Seca, a cerveja de baixo teor alcoólico é liberada nos Estados Unidos. A data vira Dia Nacional da Cerveja.

O movimento contra as bebidas alcoólicas começa no início do século 19 e ganha força no fim do século 19. A Emenda nº 18 é aprovada em dezembro de 1917 e ratificada por três quartos dos estados, como exige a Constituição dos EUA, em janeiro de 1919.

Nove meses depois, a Lei Volstead regulamenta sua aplicação, inclusive a criação de uma unidade especial do Departamento do Tesouro para fiscalizar sua aplicação. A Lei Seca entra em vigor em 17 de janeiro de 1920. A proibição não funciona e cria um mercado negro em que prospera o crime organizado.

Em 1933, a 21ª Emenda acaba com a proibição a partir de 5 de dezembro de 1933.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE

    Em 1948, a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma agência das Nações Unidas, é instalada em Genebra, na Suíça, onde fica a segunda maior sede da ONU.

A OMS herda funções específicas de controle de epidemias, medidas de quarentena e padronização de medicamentos do Escritório Internacional de Saúde Pública, instalado em 1907 em Paris, e da Organização de Saúde da Liga das Nações, precursora da ONU, instalada em 1923. Mas tem um mandato maior para promover "o padrão de saúde mais alto possível para todos os povos".

A definição de saúde inclui o aspecto positivo. É "um estado de bem-estar físico, mental e social completo, e não apenas a ausência de doenças e enfermidades".

A Assembleia Mundial da Saúde reúne anualmente delegações dos 194 países-membros para traçar as políticas de saúde a serem implementadas pelo Secretariado sob a liderança de um diretor-geral nomeado pelo comitê executivo. Abaixo dele, há um subdiretor-geral e diretores-gerais adjuntos para cada área de atuação.

As prioridades da OMS são:

  1. Auxiliar os países a progredir rumo à cobertura universal de saúde.
  2. Ajudar os países a ter capacidade de aderir às Regulamentações de Saúde Internacional.
  3. Aumentar o acesso a produtos médicos essenciais e de alta qualidade
  4. Abordar o papel dos fatores sociais, econômicos e ambientais na saúde pública.
  5. Coordenar as respostas a doenças não transmissíveis.
  6. Promover a saúde pública e o bem-estar de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela Assembleia Geral da ONU.

GENOCÍDIO EM RUANDA

    Em 1994, no dia seguinte à morte do presidente Juvenal Habyarimana num avião abatido pela Frente Patriótica de Ruanda (FPR), o Exército dominado pela maioria hutu e milícias aliadas, em fuga, iniciam um genocídio em que 800 mil tútsis, tuás e hutus moderados são mortos até 15 de julho. 

O genocídio é cometido principalmente com facões pelas milícias. A principal é Interahamwe (os que lutam juntos). Quem queria uma morte mais rápida e menos dolorosa tinha de pagar a bala.

Os hutus fogem para o Leste do Zaire, onde entram em conflito com os baniamulengues, que são etnicamente tútsis. Começa uma guerra civil que leva o guerrilheiro Laurent Kabila, que lutara no Congo nos anos 1960 com Ernesto Che Guevara, que o chamou de bêbado e mulherengo, "incapaz de fazer uma revolução", a sair de seu refúgio nas Montanhas da Lua, no coração da África, marchar até Kinshasa e derrubar, em 1997, o ditador Joseph Mobutu, que estava no poder desde aquela época.

No poder, Kabila muda o nome do país para República Democrática do Congo. A revolta contra Mobutu deflagra a Primeira Guerra Mundial Africana (1997-2002) com o envolvimento de nove exércitos interessados em pilhar as riquezas minerias do Congo e centenas de grupos armados irregulares. É o conflito armado mais violento depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Cerca de 5 milhões de pessoas morrem em combate e de fome e doenças causadas pela guerra.

ODISSEIA EM MARTE

    Em 2001, os Estados Unidos lançam a nave espacial Odisseia em Marte, que entra na órbita do Planeta Vermelho em outubro e envia fotos e dados à Terra.

A sonda sai da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, na Flórida, a bordo de um foguete Delta II. Seus principais objetivos são usar espectômetros e imagens térmicas para detectar a presença de água e gelo, estudar a geologia e a radiação em Marte. Atua também como uma estação de satélite que envia à Terra as imagens e mensagens de outros instrumentos de exploração espacial.

O custo do projeto é avaliado em US$ 297 milhões. O nome da nave é uma homenagem ao filme 2001: Uma Odisseia Espacial, de Stanley Kubrick, com base no livro do mesmo nome escrito por Arthur Clarke.

A missão descobre grande quantidade de hidrogênio e gelo em Marte, indicando que o planeta tem muito mais água do que se pensava. Também detecta a presença de ferro, potássio, silício e tório. Mapeia, vulcões, derramamentos de lava, desfiladeiros e crateras abertas por impacto. A radiação elevada exige que os astronautas que um dia cheguem lá usem trajes protetores.

O presidente Donald Trump anunciou a intenção de enviar uma missão tripulada a morte. O bilionário Elon Musk, o homem mais rico do mundo, assessor de Trump, sonha em criar colônias no planeta.

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segunda-feira, 6 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 6 de Abril

 NORTE VENCE SUL NOS EUA

    Em 1862, começa nos Estados Unidos a Batalha de Shiloh ou Pittsburg Landing, no Tennessee, a segunda maior da Guerra da Secessão (1861-65), que termina no dia seguinte com a vitória das forças da União (Norte) sobre a Confederação (Sul).

O comandante militar da União, general Ulysses Grant, toma o Forte Henry, no Rio Tennessee, e o Forte Donelson, no Rio Cumberland, em fevereiro. Os confederados abandonam uma posição forte em Columbus, no Kentucky, e recuam para Nashville, no Tennessee, para contra-atacar.

Os próximos objetivos de Grant são Memphis, no Tennessee, e a Ferrovia Charleston. Ele acampa com o Exército do Tennessee em Pittsburg Landing à espera de reforços quando é atacado pelo Exército do Mississípi, confederado, sob o comando dos generais Albert Sidney Johnston e Pierre Gustave Beauregard, que comandara o bombardeio ao Forte Sumter, na Carolina do Sul, iniciando a guerra, em 12 de abril de 1861.

Como as tropas da União preparam uma ofensiva, não fortificam o acampamento para se defender. Johnston toma a iniciativa, mas morre na primeira tarde. A batalha é travada numa floresta por soldados inexperientes dos dois lados. Com a chegada dos reforços do Exército de Ohio, sob o comando do general Dom Carlos Buell, a situação muda.

O Norte retoma o acampamento que perde no primeiro dia e o Sul recua para Corinth, no Mississípi. Cerca de 10 mil soldados morrem de cada lado. Ambos os lados cantam vitória, mas a derrota é da Confederação.

A Guerra da Secessão, travada para impedir a separação dos estados do Sul dos EUA, que não aceitam a abolição da escravatura, vai até 9 de abril de 1865 e termina com a vitória do Norte. Com 620 mil mortes, é a pior guerra da história dos EUA.

RESTAURAÇÃO MEIJI

    Em 1868, o Imperador Meiji promulga a Carta de Juramento ou o Juramento em Cinco Artigos, na tradução literal, uma declaração de princípios sobre a modernização do Japão depois da queda do Xogunato Tokugawa (1603-1868).

Desde 1639, o Japão se fecha para o mundo. Só faz negócios com a China e a Holanda e só na Ilha de Dejima, em Nagasáki, a segunda cidade japonesa atacada com a bomba atômica, em 9 de agosto de 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

Em 8 de julho de 1853, o almirante norte-americano Matthew Perry invade a Baía de Tóquio com uma esquadra de quatro navios de guerra, ameaça bombardear a cidade e intima o Japão a se abrir.

Depois de dar um tempo para as autoridades japonesas examinarem o assunto, Perry volta em fevereiro de 1854 com nove navios. Sem condições de reagir, os japoneses aceitam as condições do presidente Millard Fillmore. 

Em 31 de março de 1854, o almirante assina o Tratado de Kanagawa, pelo qual o Japão abre os portos de Shimoda e Hakodate, e permite a abertura de um consulado norte-americano no país. Os EUA se tornam o primeiro país a estabelecer relações com o Japão depois de dois séculos em que o país se fechou para estrangeiros.

A pressão dos EUA acaba com  o xogunato, terminando com a Idade Média japonesa em 1868, com a Restauração Meiji, que restitui os poderes do imperador.

Os cinco artigos são os seguintes:

  1. "Assembleia deliberativas devem ser estabelecidas em grande escala."
  2. "Todas as classes, altas e baixas, devem se unir para realizar vigorosamente os planos do governo."
  3. "Todas as classes serão autorizadas a atingir suas justas aspirações para que não haja descontentamento."
  4. "Os maus costumes do passado devem ser abandonados e os novos costumes serão baseados nas leis justas da natureza."
  5. "O conhecimento deve ser buscado em todo o mundo a fim de promover o bem-estar do Império."  

Para não ser colonizado pelo Ocidente, o Império do Japão se ocidentaliza e se torna uma potência que vence a China na Guerra Sino-Japonesa (1894-95), a Rússia na Guerra do Pacífico (1904-5) e enfrenta o colonialismo ocidental na Ásia durante a Segunda Guerra Mundial.

OLIMPÍADAS DA ERA MODERNA

    Em 1896, graças à determinação do Barão Pierre de Coubertin, fundador e presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI) de 1896 a 1925, começa em Atenas, na Grécia, a primeira olimpíada da era moderna.

Os Jogos Olímpicos começam em 776 antes de Cristo a cada quatro anos em Olímpia em homenagem ao deus Zeus. Tornam-se importantes na Grécia no fim do século 6 AC. Perdem popularidade quando Roma conquista a Grécia, no século 2 AC e são oficialmente abolidos por volta de 400 depois de Cristo, quando o cristianismo é a religião oficial do Império Romano, por sua associação ao paganismo.

Coubertin nasce em 1º de janeiro de 1863. Pela tradição familiar, deve fazer carreira política ou militar, mas decide se dedicar à educação física. Em 1890, vai à Inglaterra para encontrar William Penny Brookes, que tenta reviver as olimpíadas.

Brooks inspira-se nas Olimpíadas Gregas realizadas em Atenas desde 1859 por iniciativa de Evangelis Zappas a partir de uma proposta do poeta grego Panagiotis Soutsos, que defende a ideia desde 1833. Ele organiza a primeira Olimpíada Britânica em 1866.

A partir dos anos 1880, Brooks se empenha na realização de uma olimpíada internacional em Atenas. No encontro com Coubertin, fala mais sobre os jogos do que sobre educação física em geral.

Em 25 de dezembro de 1892, numa reunião da União dos Esportes Atléticos, em Paris, Coubertin propõe a realização dos jogos. Em junho de 1894, 79 delegados de 49 organizações de 9 países, decidem realizar os jogos. 

A primeira olimpíada da era moderna seria em Paris em 1900, mas seis anos é um longo prazo, assim o projeto foi antecipado para Atenas em 1896. A partir de 1924, também são realizados os Jogos Olímpicos de Inverno.

EUA ENTRAM NA GRANDE GUERRA

    Em 1917, por 373 a 50, a Câmara dos Representantes aprova a declaração de guerra à Alemanha, aprovada dois dias antes pelo Senado por 82 a 6, e os Estados Unidos entram oficialmente na Primeira Guerra Mundial (1914-18), "a guerra para acabar com todas as guerras", como afirma a propaganda do governo Woodrow Wilson (1913-21).

Quando a guerra começa, em 28 de julho de 1914, os EUA ficam neutros. Mas o Reino Unido, um parceiro comercial importante, forma com França e Rússia a Tríplice Entente, que luta contra as potências centrais, a Alemanha e o Império Austro-Húngaro.

Em fevereiro de 1915, a Alemanha anuncia uma guerra contra os navios, neutros ou não, que entrem na zona de guerra ao redor das Ilhas Britânicas. Na Batalha do Atlântico, os submarinos alemães afundam vários navios, inclusive do Brasil, que também entra na guerra em 1917.

Em 7 de maio de 1915, o navio britânico Lusitania é torpedeado perto da costa da Irlanda. Morrem 1.198 passageiros, entre eles 128 norte-americanos. A Alemanha alega que o navio transportava armas e munição.

Os EUA exigem reparações e o fim dos ataques. Em novembro, os alemães afundam um navio italiano e matam 272 pessoas, inclusive 27 norte-americanos. A opinião pública dos EUA começa a virar.

No início de 1917, a Alemanha intensifica a guerra naval no Atlântico e um submarino alemão põe a pique um navio de passageiros dos EUA. Em 16 de janeiro, o ministro do Exterior da Alemanha, Arthur Zimmermann, envia telegrama ao embaixador no México propondo uma aliança com a promessa de ajudar o país a recuperar os territórios tomados pelos EUA na Guerra da Independência do Texas e na Guerra Mexicano-Americana (1846-48).

Em março, a Alemanha afunda mais quatro navios mercantes norte-americanos. Em 2 de abril, Wilson pede autorização ao Congresso para declarar guerra à Alemanha.

As primeiras 14 mil tropas dos EUA desembarcam na França em 26 de junho. Na primavera de 1918, a Alemanha lança sua última ofensiva na frente ocidental. A participação dos EUA é decisiva para a vitória aliada, em 11 de novembro de 1918.

Mais de 2 milhões de soldados norte-americanos servem nos campos de batalha da Europa Ocidental. Cerca de 50 mil morrem.

Wilson apresenta um plano de paz de 14 pontos que serve de base para a Conferência de Versalhes, em 1919, onde é criada a Liga das Nações, a primeira organização internacional de caráter universal dedicada a manter a paz mundial. Mas o isolacionismo dos EUA prevalece. 

O Senado dos EUA não aprova a Convenção da Liga das Nações e as condições humilhantes impostas à Alemanha alimentam o revanchismo que contribui para a ascensão do nazismo e a Segunda Guerra Mundial. A Paz de Versalhes é a paz para acabar com todas as pazes.

PRÊMIOS TONY

    Em 1947, os Prêmios Tony são criados para agraciar os melhores do teatro na Broadway, em Nova York. Entre os primeiros ganhadores, estão a atriz Ingrid Bergman (foto), o dramaturgo Arthur Miller e o diretor Elia Kazan.

O Tony é batizado em homenagem a Antoinette Perry, uma atriz e diretora que funda a American Theatre Wing, a organização responsável pela premiação. 

Atualmente é dividido em 27 categorias, inclusive melhor drama, melhor musical e melhor atriz e melhor ator em drama e musical. O maior ganhador é o diretor e produtor Harold Prince, com 22 tonys.

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