segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Doutrina Trump explica crise diplomática com o Brasil

Ao impor as maiores tarifas depois da China, enquadrar organizações criminosas como terroristas, tentar enviar diplomatas para questionar o sistema eleitoral brasileiro e cassar o visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, o governo Donald Trump deixa clara a intenção de interferir nas eleições brasileiras para apoiar a extrema direita.

A campanha eleitoral começa aqui oficialmente em 16 de agosto. Novas agressões de Washington, especialmente do secretário de Estado, Marco Rubio, devem marcar a tentativa de eleger um governo aliado e subserviente no maior e mais rico país da América Latina, o único pais importante da região governado pela esquerda.

Trump lidera um movimento neofascista. Seu guru, Steve Bannon, se apresenta como um "leninista de direita". Quer criar uma Internacional Neofascista com partidos de extrema direita da América e da Europa. O Brasil é no momento o principal alvo dessa estratégia. 


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Hoje na História do Mundo: 10 de agosto

REIS DA FRANÇA SÃO PRESOS

    Em 1792, a monarquia acaba na prática quando a Revolução Francesa prende o rei Luís XVI e a rainha Maria Antonieta. Ambos são guilhotinados em 1793.

Com a Tomada da Bastilha, em 14 de julho de 1789, o poder é transferido do rei para a Assembleia Nacional, que começa a abolir os privilégios feudais e o obriga a assinar a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, aprovada em 26 de agosto do mesmo ano. Seus 17 artigos são o preâmbulo da Constituição de 1791. O princípio básico é que "todos os homens nascem livres e com direitos iguais".

Os sinais de que Luís XVI está pronto para aceitar uma monarquia constitucional aumentam a popularidade do rei no fim de 1789, quando ele vai a Paris depois da Queda da Bastilha.

Inepto e incompetente, Luís XVI parece esperar que a revolução se dissipe. Com a relutância do rei em concordar com as demandas populares, em 1791, a família real é forçada a sair do Palácio de Versalhes e ir para o Palácio das Tulherias, no Centro de Paris, onde Luís XVI se sente como um prisioneiro.

O rei perde totalmente a credibilidade quando ele e a rainha tentam escapar na chamada Fuga de Varennes, na madrugada de 21 de junho de 1791. De manhã, a notícia se espalha em Paris. A Assembleia Constituinte hesita em falar em fuga e declara que o rei foi "raptado".

Antes da meia-noite, a caravana real é detida pela Guarda Nacional em Varennes. A Assembleia Nacional manda a família real voltar para Paris. Desmoralizado, Luís XVI passa a acreditar que só uma intervenção estrangeira contra a revolução pode salvá-lo politicamente.

Sob pressão da rainha, o rei não segue o conselho de aplicar a Constituição e prometer defendê-la. O início de uma guerra com a Áustria, onde nasceu Maria Antonieta, em abril de 1792, levanta suspeitas de conluio com uma potência estrangeira, especialmente depois que o comandante austríaco, Duque de Brunswick, ameaça destruir Paris se a família real estiver em perigo.

Em reação, a Comuna de Paris invade o Palácio das Tulherias em 10 de agosto de 1792 e prende a família real. A Assembleia Nacional suspende os poderes do rei e proclama a República em 21 de setembro. O rei é despojado de todos os títulos. Passa a ser chamado de cidadão Luís Capeto.

Diante da descoberta em novembro de provas da conspiração com contrarrevolucionários e com a Áustria, em 3 de dezembro a Convenção Nacional, que domina a segunda parte da Revolução Francesa (1792-95), decide processar o rei e a rainha por traição à França. Ele depõe duas vezes perante a Convenção, em 11 e 23 de dezembro.

Apesar das tentativas dos girondinos, os revolucionários mais moderados, de salvar o rei, Luís XVI é condenado à morte em 18 de janeiro de 1793 por 387 a 334 votos. O antigo Duque de Orleans, primo do rei, vota pela execução. Ainda há um debate sobre morte ou exílio. Na votação final, a execução vence por 380 a 310 votos.

Luís XVI morre na guilhotina na Praça da Revolução, hoje Praça da Concórdia, em 21 de janeiro de 1793. Frente ao cadafalso, Luís Capeto profere suas últimas palavras. "Povo, sou inocente!" Em seguida, se vira para os carrascos e completa: "Senhores, sou inocente de tudo o que me acusam. Espero que meu sangue possa cimentar a felicidade dos franceses."

Nove meses depois, em 16 de outubro de 1793, já no Período de Terror, Maria Antonieta é guilhotinada por traição na mesma Praça da Revolução. Ao todo, cerca de 50 mil pessoas morrem na Revolução Francesa de 1789.

REVOLUÇÃO CRIA MUSEU DO LOUVRE

    Em 1793, depois de dois séculos como palácio real, a Revolução Francesa transforma o Louvre em museu aberto ao público.

Hoje o Louvre é o museu mais visitado do mundo e o maior em área, com obras de arte e artefatos que contam 11 mil anos de história do homem, inclusive esculturas como a Vênus de Milo e a Vitória de Samotrácia, e o quadro mais famoso do mundo, a Gioconda ou Mona Lisa, de Leonardo da Vinci.

O rei Francisco I começa a construção do Louvre em 1546 no local onde estava o Castelo do Louvre, erguido nos séculos 12 e 13 por Felipe Augusto ou Felipe II. Ele é um grande colecionador de arte e usa o palácio como residência real. A obra continua nos reinados de Henrique II e Carlos IX. Depois de pronto, quase todo rei da França amplia o Louvre, especialmente Luís XIII e Luís XIV, no século 17.

Quando Carlos I da Inglaterra é decapitado na Guerra Civil Inglesa (1642-51), em 30 de janeiro de 1649 e o país se torna uma república até 1660, Luís XIV compra a coleção de arte do rei morto. Em 1682, Luís XIV se muda para o Palácio de Versalhes e o Louvre deixa de ser a residência real.

Durante as guerras napoleônicas, muitos tesouros capturados como troféus de guerra vão para o Museu do Louvre. Muitas peças são devolvidas depois da queda de Napoleão, em 1815, mas não, por exemplo, as coleções sobre o Egito Antigo.

FARMACÊUTICO ALEMÃO INVENTA ASPIRINA

    Em 1897, o farmacêutico Felix Hoffmann consegue sintetizar no laboratório Bayer, na Alemanha, o ácido acetilsalicílico de grande pureza, criando a aspirina.

Desde a Antiguidade, sabe-se que a casca do salgueiro tem propriedades medicinais. O reverendo anglicano Edward Stone apresenta relatório à Sociedade Real de Medicina da Inglaterra destacando sua ação contra a febre em 25 de abril de 1763.

Com o tempo, o ácido salicílico começa a ser usado como medicamento. Hoffmann usa a acetilação para inventar o remédio usado até hoje. Em 1971, o britânico John Robert Vane descobre um efeito anticoagulante. Por isso, a aspirina é usada na prevenção de infartos.

NASCE A GUITARRA ELÉTRICA

    Em 1937, George Delmetia Beauchamp patenteia nos Estados Unidos a primeira guitarra elétrica.


 O violão, a guitarra acústica, é um símbolo da música no interior dos EUA, mas seu som desaparece em orquestras, ao lado de instrumentos de sopro e de percussão.

Eletrificada, a guitarra transforma o som num sinal elétrico reconvertido em som e amplificado. É um instrumento versátil e relativamente fácil de tocar. Revoluciona o blues, o jazz, a música rural e cria o ambiente para o surgimento do rock and roll, em 1954. 

100 GRAUS FAHRENHEIT 

   Em 2003, durante uma onda de calor que mata mais de 35 mil pessoas na Europa, a temperatura no Reino Unido passa pela primeira vez de 100 graus Fahrenheit (37,8 graus centígrados).

A França é o país mais atingido, com 15 mil mortes, seguida pela Alemanha, com 7 mil mortes. Na Espanha e na Itália, também morrem milhares de pessoas.

Quando a temperatura do ar sobe acima da temperatura do corpo, de cerca de 37ºC (98,6ºF), o organismo tem dificuldade para se refrescar. Se a temperatura do corpo chegar a 104ºF (40ºC), órgãos vitais podem entrar em colapso e causar a morte.

Com o aquecimento global, a temperatura passou de 18ºC na Antártida no verão de 2020 no Hemisfério Sul e chegou a 49ºC no Canadá no verão de 2021 no Hemisfério Norte. Em 2022, chegou a 40ºC em Londres e Paris. Neste ano, a situação se agravou ainda mais.

A temperatura média do planeta ultrapassou o limite de um grau centígrado e meio acima da temperatura em 1750, quando começa a Revolução Industrial. Era a meta do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima para evitar um aumento ainda maior de eventos climáticos extremos.

O último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas adverte que já estamos assistindo aos efeitos trágicos do aquecimento global, como a enchente no Rio Grande do Sul em maio de 2024 e a onda de calor que atingiu a Europa neste verão no Hemisfério Norte, agravada pelo fenômeno El Niño. A situação tente a piorar muito se a humanidade não reduzir o uso de combustíveis fósseis

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domingo, 9 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 9 de Agosto

GUERRA CIVIL ROMANA

    Em 48 antes de Cristo, o exército de Caio Júlio César derrota Cneu Pompeu, que tem o apoio da maioria do Senado, na Batalha de Farsalos, na região da Tessália, na Grécia.

Os dois fazem parte do primeiro triunvirato da República Romana, ao lado do milionário Marco Licínio Crasso, o homem mais rico da história da Roma. Quando Crasso morre numa guerra contra o Império Parta, em 53 AC, a aliança se dissolve.

Vitorioso nas Guerras da Gália, César desafia o Senado, cruza o Rubicão e enfrenta Pompeu. A Batalha de Farsalos é decisiva na Segunda Guerra Civil Romana (49-45 AC).

Na versão de César, suas forças perdem 30 centuriões, 200 legionários e um total de 1.200 homens, enquanto no exército de Pompeu morrem mais de 15 mil soldados. Entre 23 e 24 mil se rendem no dia seguinte.

Pompeu foge para o Egito onde é morto pelo faraó Ptolomeu XIII, que manda sua cabeça para César, talvez com o interesse de forjar uma aliança. César fica indignado com o tratamento dado a um general romano.

Em certo sentido, a Batalha de Farsalos marca o fim da República e o início do Império Romano. César se torna um ditador e é assassinado em março de 44 AC. Cai morto no Senado aos pés da estátua de Pompeu.

Sua morte deflagra uma nova guerra civil. Surge o Segundo Triunvirato, formado por Marco Antônio, Otávio e Lépido. Vencidos os assassinos de César, Otávio e Marco Antônio entram em guerra. Vencedor depois da Batalha de Ácio, em 31 AC, Otávio César Augusto é proclamado imperador em 16 de janeiro de 27 AC.

VIDA NOS BOSQUES 

    Em 1854, o escritor e naturalista Henry David Thoreau, um pioneiro da ecologia, publica um clássico da literatura norte-americana, Walden: a Vida nos Bosques, que vende 300 cópias num ano.


 
É um relato em primeira pessoa de sua vida à beira do Lago Walden, em Massachusetts, durante dois anos e dois meses, a partir de 1845. Explora suas visões da natureza, políticas e filosóficas.

Thoreau é contra a Guerra Mexicano-Americana (1846-48), quando os EUA conquistam mais de um terço do território do México, e se nega a pagar impostos para evitar que seu dinheiro financie a guerra. É o pioneiro da desobediência civil e da resistência pacífica como formas de luta política.

Além de ser um pioneiro da luta pela preservação da natureza, suas ideias influenciam o escritor russo Leon Tolstói, o líder da independência da Índia, Mohandas Gandhi, e o grande herói da luta contra o regime segregacionista do apartheid na África do Sul, Nelson Mandela.

QUARTA MEDALHA DE OURO

    Em 1936, o atleta negro norte-americano Jesse Owens conquista sua quarta medalha de ouro na Olimpíada de Berlim, desta vez no revezamento 4x100, com novo recorde mundial (39,8 segundos) para a equipe dos Estados Unidos, demolindo o mito da superioridade da raça branca e ariana defendido pelo regime nazista da Alemanha de Adolf Hitler.

Owens nasce no Alabama em 1913. No ensino médio, desponta como talento para o atletismo. Na Universidade Estadual de Ohio, em 25 de maio de 1935, bate os recordes mundiais dos 200 metros rasos, 200 metros com barreiras e salto em distância, e iguala o das 100 jardas.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) dá à Alemanha em 1931 a organização da Olimpíada de 1936, com sede em Berlim. Em 1933, os nazistas chegam ao poder e Hitler decide fazer dos Jogos Olímpicos um espetáculo da superioridade branca.

Owens e outros 311 atletas norte-americanos, inclusive 17 negros, representam os EUA e ajudam a derrubar a tese nazista da superioridade racial ariana (branca) e da Alemanha. 

No primeiro dia de competição, 2 de agosto, Hitler cumprimenta todos os medalhistas de ouro alemães e alguns finlandeses. Deixa o Estádio Olímpico antes do salto do afro-americano Cornelius Johnson, campeão do salto em altura.

Na volta para casa, os negros norte-americanos continuam sendo discriminados por um regime de segregação racial.

BOMBA DE NAGASÁKI

     Em 1945, os Estados Unidos explodem a segunda bomba atômica, desta vez na cidade de Nagasáki, no Japão, matam pelo menos 40 mil pessoas na hora e outras 30 mil morrem até o fim do ano. O ataque leva à rendição incondicional do país e ao fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Naquela manhã de 9 de agosto, a União Soviética invade a Manchúria e a Ilha Sakalina, que estão sob controle do Japão. Stalin declara guerra ao Japão depois da bomba de Hiroxima.

Às 3h47, um bombardeiro B-29 decola de Tinian, nas Ilhas Marianas. A carga é Homem Gordo, uma bomba atômica de plutônio, semelhante à testada em 16 de julho em Alamogordo, no Novo México, mais poderosa do que a bomba de urânio jogada em Hiroxima.

O alvo é Kokura, onde o B-29 chega às 9h45, mas nuvens grossas e neblina cobrem a cidade, talvez com a ajuda do fogo de um ataque com bombas incendiárias a Yahata no dia anterior. Depois de sobrevoar Kokura três vezes, com o combustível perto do fim, sem conseguir ver o alvo, o grande arsenal da cidade, o major-aviador Charles Sweeney, decide ir para a segunda opção: Nagasáki.

Não é o alvo ideal. Hiroxima é uma cidade plana, onde a onda de choque se expande sem resistência. Nagasáki é uma cidade montanhosa dividida em dois vales com uma cadeia de colinas no meio. A capacidade de destruição da bomba é menor. O alvo é uma fábrica de armas da Mitsubishi.

Pouco antes das 11h, o B-29 chega a Nagasáki, que também está coberta de nuvens. Com pouco combustível, o piloto avisa à tripulação que só pode passar sobre a cidade uma vez. Diante de uma abertura entre as nuvens muito ao norte do alvo pretendido, o capitão Kermit Beahan dispara a bomba às 11h02.

Homem Gordo cai e explode a 500 metros do solo com a força equivalente a 21 mil toneladas de dinamite (21 quilotons). Cerca de 40% dos prédios de Nagasáki são arrasados, mas a área da sede do governo e a zona industrial do Sudeste da cidade sofrem poucos danos. Essa área é poupada por causa do relevo acidentado da cidade, em contraste com Hiroxima, que é uma cidade plana.

O bombardeiro sente as ondas de choque da bomba, mas consegue pousar com segurança na ilha de Okinawa, conquistada dois meses antes pelos EUA numa das batalhas mais sangrentas da guerra no Oceano Pacífico, com mais de 200 mil mortes.

As duríssimas batalhas de Iwo Jima e Okinawa levam o presidente Harry Truman a usar a bomba atômica porque o custo em vidas de uma invasão das quatro grandes ilhas do arquipélago japonês é estimado em um milhão de homens.

O Japão anuncia a rendição em 15 de agosto e se rende formalmente em 2 de setembro. Recupera sua independência política em 1952 sob uma Constituição pacifista imposta pelos EUA que impede o Japão de enviar forças militares ao exterior. Até hoje, há bases militares dos EUA no país, a maioria em Okinawa.

CULTO MACABRO NA CALIFÓRNIA

    Em 1969, membros de um culto macabro liderado por Charles Manson matam cinco pessoas na casa do cineasta Roman Polanski em Beverly Hills, na Califórnia, inclusive a atriz Sharon Tate, mulher de Polanski, que está grávida.

Dois dias depois, o grupo mata um diretor de supermercado e sua mulher na casa das vítimas. Os crimes bárbaros chocam os Estados Unidos e tornam Manson um dos criminosos mais odiados do país.

Manson nasce em Cincinnati, no estado de Ohio, em 1934, filho de mãe solteira. Passa grande parte da infância e da adolescência em reformatórios e o início da idade adulta na prisão. Quando é solto, em 1967, vai para a Califórnia, atrai uma turma de hippies e forma uma comuna onde orgias de sexo e drogas são frequentes. 

O guru cria seu próprio culto e chama o grupo de Família. Músico frustrado, Manson ataca a casa de Polanski porque lá morava um produtor musical que rejeitara seu trabalho. Manson não vai à casa do cineasta e não participa nem desses assassinatos nem nos do gerente de supermercado e esposa. É condenado como autor intelectual dos homicídios.

A polícia só desvenda o crime depois que um membro do culto é preso e conta vantagem na cadeia. Em 1971, Manson pega pena de morte, revogada para prisão perpétua em 1972, quando a Suprema Corte da Califórnia acaba com a pena de morte.

PRESIDENTE NÃO ELEITO

    Em 1974, Richard Nixon renuncia oficialmente, sob ameaça da impeachment por causa do Escândalo de Watergate, e Gerald Ford se torna o único presidente não eleito numa chapa presidencial da história dos Estados Unidos. 

Como presidente da Câmara, Ford vira vice-presidente meses antes, quando Spiro Agnew, eleito na chapa de Nixon, renuncia, em 10 de outubro de 1973 em meio a um escândalo de corrupção sem relação com Watergate. Fora denunciado por conspiração para cometer crimes, suborno, extorsão e fraude fiscal. Recebia propina desde quando era governador de Maryland e continuava como vice-presidente.

Nixon é o primeiro e único presidente dos EUA a renunciar, por causa do Escândalo de Watergate. Deixa a Casa Branca no dia da posse de Ford. Depois da posse, o novo presidente faz um pronunciamento na televisão: "Meus compatriotas americanos, nosso longo pesadelo nacional acabou."

Um mês depois, em 9 de setembro, Ford concede perdão total e incondicional a Nixon por quaisquer crimes cometidos enquanto presidente dos EUA.

JERRY GARCIA SE VAI

    Em 1995, Jerome John Garcia, mais conhecido como Jerry Garcia ou Capitão Barato, vocalista, guitarrista, compositor, letrista e líder da banda de rock californiana Grateful Dead, morre do coração dormindo aos 53 anos numa clínica para reabilitação de drogados em Forest Knolls, na Califórnia.

Ícone do rock ácido de São Francisco, Garcia cria a banda na comunidade hippie de Haight-Ashbury em plena era do amor e das flores no cabelo. O Grateful Dead forma uma legião de seguidores fanáticos, os dead heads, que afirmam que "não há nada como um concerto do Grateful Dead." 

Durante anos, é a banda que mais fatura nas turnês de verão nos EUA. Nos fins de ano, dá concertos grátis de 24 a 31 de dezembro em São Francisco. Vi um show espetacular de quatro horas em Ventura County Fairgrounds, perto de Los Angeles.

Mas a vida louca cobra seu preço. Jerry Garcia, o Capitão Barato, o homem de mil viagens de ácido, tem problemas com o vício em heroína, No último show que eu vi, em 1982, muitos anos antes da morte, estava mal. Não queria estar ali.

                                              

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sábado, 8 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 8 de Agosto

NASCIMENTO DE ZAPATA

    Em 1879, nasce em San Miguel Anenecuilco, no estado de Morelos, no México, Emiliano Zapata Salazar, o Caudilho do Sul ou o Átila do Sul, um camponês, chefe militar e herói nacional por ser um dos líderes da Revolução Mexicana (1910-17). 

Ideólogo, ativista político e revolucionário, Zapata participa de lutas sociais pela reforma agrária, justiça social, liberdade, igualdade e democracia social, com propriedade comunitária da terra e respeito a indígenas, camponeses e trabalhadores, vítimas da oligarquia e dos latifundiários durante o Porfiriato, a ditadura de Porfirio Díaz (1876-1911).

Aos nove anos, ao presenciar a expulsão de camponeses por grandes fazendeiros, jura que fará devolver as terras quando crescer. Em 1910, quando Francisco Madero apresenta o Plano de San Luis Potosí, que marca o início da Revolução Mexicana, gosta do artigo que promete devolver as terras aos posseiros e decide aderir à luta armada.

Em 29 de março de 1911, é eleito comandante da Junta Revolucionária do Sul. Sua principal reinvidicação é uma reforma agrária radical: "A terra é de quem trabalha."

Quando Madero se torna presidente, numa reunião no Palácio Nacional, o presidente lhe oferece uma fazenda no estado de Morelos. Zapata responde: "Não, Sr. Madero. Não me levantei em armas para conquistar terras e fazendas. Eu me levantei em armas para que ao povo de Morelos seja devolvido o que lhe foi roubado."

Durante o ano de 1912, Zapata enfrenta o Exército Federal do México. 

Com o assassinato de Madero em 23 de fevereiro de 1913 e a ascensão ao poder de Victoriano Huerta, a revolução se exacerba. O novo presidente envia uma comissão para negociar a paz com Zapata. Ele se nega a fazer acordo com "os assassinos de Madero" e fuzila um emissário de Huerta.

Na época, Zapata controla os estados de Morelos, Guerrero, Puebla, Tlaxcala e parte do estado do México. Torna-se o principal comandante do Exército Revolucionário do Sul. Em 4 de dezembro de 1914, Zapata se encontra em Xochimilco com o outro grande herói da revolução, Pancho Villa.

Com a renúncia de Huerta, toma o poder Venustiano Carranza, comandante do Exército Constitucional, que luta contra Villa e Zapata, e se torna presidente constitucional do México em 1917. Os dois heróis revolucionários são excluídos do Congresso Constituinte instalado naquele ano, mas o constitucionalismo social que defendem está expresso na Constituição, especialmente no artigo 27.

Por ordem de Carranza, Zapata é assassinado numa emboscada na Fazenda Chinameca, em Morelos, em 10 de abril de 1919.

JULGAMENTO DE NUREMBERGUE

    Em 1945, os Estados Unidos, a União Soviética, o Reino Unido e a França assinam o Acordo de Londres para processar os líderes da Alemanha Nazista no Julgamento de Nurembergue.

De 20 de novembro de 1945 a 1º de Outubro 1946, o Tribunal Militar Internacional julga, em Nurembergue, na Alemanha, 21 líderes nazistas que sobrevivem à Segunda Guerra Mundial (1939-45) por "guerra de agressão", crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Doze são condenados à morte: Hermann Göring, Martin Bormann, Joachim von Ribbentrop, Wilhelm Keitel, Ernst Kaltenbrunner, Alfred Rosenberg, Hans Frank, Wilhelm Frick, Julius Streicher, Alfred Jodl, Fritz Sauckel e Arthur Sayss-Inquart.

Dez são enforcados em 16 de outubro de 1946. Göring se suicida na véspera, ingerindo uma cápsula de cianeto de potássio. Bormann é condenado à revelia. Está desaparecido. Pode ter se matado ou morrido ao tentar fugir de Berlim em 2 de maio de 1945, no fim da guerra na Europa.

NIXON ANUNCIA RENUNCIA

    Em 1974, sob ameaça de impeachment, depois de perder o apoio do Partido Republicano no Congresso, Richard Nixon anuncia em rede nacional de televisão a renuncia à Presidência dos Estados Unidos por causa da invasão da sede do Partido Democrata em Washington durante a campanha eleitoral de 1972 e das manobras de obstrução de justiça no Escândalo de Watergate.


Nixon renuncia formalmente no dia seguinte. Seu sucessor, Gerald Ford, lhe concede o perdão presidencial por todos os crimes possivelmente cometidos no exercício da Presidência, sob a alegação de que era preciso pacificar o país. Todos os ministros condenados são presos.

Ford é o único presidente não eleito numa chapa presidencial da história dos EUA. Era presidente da Câmara. Antes da queda de Nixon, o vice-presidente Spiro Agnew renuncia em 10 de outubro de 1973, depois de ser alvo de inquérito por conspiração criminosa, suborno, extorsão e fraude por aceitar propina de empresas que tinham negócios com o estado de Maryland quando era governador.

Agnew nega todas essas acusações, mas admite evasão de impostos e deixa a vice-presidência. Assim, Ford sucede a Nixon e perde a eleição de 1976 para Jimmy Carter.

TIME DOS SONHOS

    Em 1992, o Time dos Sonhos dos Estados Unidos, com astros como Larry Bird, Michael Jordan e Magic Johnson (foto), vence a Croácia por 117-85 e conquista a medalha de ouro do basquete masculino na Olimpíada de Barcelona.

Os atletas profissionais não participam dos Jogos Olímpicos. Mesmo assim, os EUA têm ampla supremacia. Conquistam sete títulos sem perder um jogo de 1936 a 1968. Em 1972, perdem a final para a União Soviética por um ponto.

A revanche demora. Em 1976, a Iugoslávia vence a URSS na semifinal. Os EUA boicotam a Olimpíada de Moscou, em 1980, por causa da invasão soviética no Afeganistão. Em resposta, a URSS boicota a Olimpíada de 1984, em Los Angeles. Em 1988, em Atlanta, nos EUA, os norte-americanos perdem para os soviéticos na semifinal.

No ano seguinte, a Federação Internacional de Basquete (FIBA) decide autorizar a participação de profissionais nas olimpíadas. O Time dos Sonhos estreia no Torneio Pré-Olímpico, se classifica com vantagens de 38 a 79 pontos. Em Barcelona, é campeão invicto com vantagens de 27 a 68 pontos.

INCÊNDIOS SALVAGENS NO HAVAÍ

    Em 2023, um dos piores incêndios selvagens da história atinge a ilha de Maui, no Havaí, e mata mais de 100 pessoas.

O fogo começa aparentemente pela queda de linhas de energia elétrica causada por ventos fortes e dura oito dias.

 Uma em cada cinco pessoas na área atingida tem problemas pulmonares. Pelo menos metade tem sintomas de depressão. No mês do incêndio, houve 13 suicídios e mortes por excesso de drogas, quase o dobro da média. Mais da metade dos atingidos consegue residências permanentes.

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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 7 de Agosto

INDEPENDÊNCIA DE NOVA GRANADA

    Em 1819, rebeldes latino-americanos sob a liderança do libertador Simón Bolívar derrotam a Espanha na Batalha de Boyacá e conquistam a independência de Nova Granada (hoje Colômbia, Equador, Venezuela e Panamá).

Um exército rebelde de 3 mil homens, sob o comando dos generais Bolívar e Francisco de Paula Santander, surpreende e derrota os espanhóis em Gamezá (12 de julho) e Pantano de Vargas (25 de julho), e toma Tunja (5 de agosto).

Na batalha final, Santander corta o avanço das tropas espanholas perto de uma ponte sobre o Rio Boyacá, onde Bolívar ataca o núcleo da força inimiga e captura 1,8 mil soldados inimigos, inclusive o comandante espanhol.

A seguir, Bolívar captura Bogotá e em 10 de agosto e é aclamado como o libertador que acaba com o Vice-Reino de Nova Granada, criado em 1717. O libertador cria então um governo provisório com Santander como vice-presidente. Em seguida, vai para Angostura, na Venezuela, onde anuncia a intenção de fundar a República da Grã-Colômbia, que preside até sua morte, em 1830.

Bolívar tenta evitar a fragmentação da América Espanhola. Convoca a primeira conferência pan-americana, o Congresso do Panamá (1826). Sonha com nações livres e independentes política e economicamente, e com a união dos povos latino-americanos. Mas a Grã-Colômbia se dissolve em 1931 com a independência do Equador, da Venezuela e de Nova Granada (Colômbia e Panamá, que só se torna independente 1903, com uma intervenção militar dos Estados Unidos para abrir o Canal do Panamá).

Simón Bolívar não era socialista nem antinorte-americano. Foi duramente criticado por Karl Marx, o pai do comunismo. O bolivarismo propagandeado pelo caudilho venezuelano Hugo Chávez não tem nada a ver com as ideias do libertador. Melhor chamar de chavismo.

JACK, O ESTRIPADOR

    Em 1888, o primeiro homicídio cometido por Jack, o Estripador, acontece na região operária de East End, em Londres.

Entre agosto e novembro de 1888, pelo menos cinco mulheres são assassinadas no bairro de Whitechapel, em Londres. Esses crimes nunca esclarecidos são um grande mistério da história da Inglaterra.

De 1888 a 1892, dezenas de homicídios são atribuídos ao assassino em série Jack, o Estripador, mas a polícia britânica, a Scotland Yard, só liga cinco ao mesmo criminoso: Mary Ann Nichols, Annie Chapman, Elizabeth Stride, Catherine Eddowes e Mary Jane Kelly. Todas são tidas como prostitutas e estão na rua em busca de clientes na hora da morte, menos Kelly.

Em 2019, a historiadora social britânica Hallie Rubenhold publica o livro As Cinco: as vidas não contadas das mulheres mortas por Jack, o Estripador, onde alega que Nichols, Chapman e Eddowes não eram prostitutas. Stride se prostitui em momentos de miséria e desespero. Só Kelly seria prostituta.

Na visão da historiadora, a suposição de que são todas prostitutas se deve ao machismo, a preconceitos de classe social e ao moralismo hipócrita da Era Vitoriana, o auge do Império Britânico. A rainha Vitória chefia o Estado de 1837 a 1901.

Em todas as mortes, o assassino corta a garganta e mutila o corpo das vítimas de uma forma que sugere que tem noções de anatomia. Isso levanta a suspeita de que o homicida seja médico. A metade de um rim extraído de um das vítimas é enviada à polícia, que recebe várias mensagens escritas de Jack, o Estripador.

A onda de assassinatos provoca a demissão do ministro do Interior britânico e do chefe de política de Londres. 

Entre os principais suspeitos, está Montague Druitt, um advogado e professor interessado em cirurgia considerado mentalmente insano que desaparece depois dos assassinatos e é encontrado morto. Outro investigado é Michael Ostrog, um médico criminoso russo internado num hospício por tendências homicidas. Aaron Kosminski, um judeu polonês morador de Whitechapel conhecido pela animosidade em relação a mulheres, especialmente prostitutas, também é citado como o possível estripador.

Alguns notáveis da sociedade londrina na época também são mencionados, como o pintor Walter Sickert e o médico Sir William Gull. Os locais onde as mulheres são mortas viram atrações de um turismo macabro.

VW PARA PRODUÇÃO

    Em 1944, sob ameaça de bombardeio aliado durante a Segunda Guerra Mundial, a fábrica de automóveis alemã Volkswagen para a produção do Fusca.

Dez anos antes, o Terceiro Reich contrata o engenheiro Ferdinand Porsche para projetar um carro pequeno, de baixo custo para o povo alemão. O ditador nazista Adolf Hitler chama o carro de Força através da Alegria, mas Porsche prefere Carro do Povo (Volkswagen).

O regime nazista constrói a fábrica em 1938 na cidade de KdF e o Salão do Automóvel de Berlim lança o Fusca em 1939, meses antes do início da Segunda Guerra Mundial (1939-45), em 1º de setembro daquele ano. Durante o conflito, aumenta a demanda por utilitários, em vez de carros de passeio, mas a produção continua até 7 de agosto de 1944.

Depois da guerra, na Alemanha ocupada, Volfsburg, nome atual da cidade, fica no setor britânico. A produção do carrinho recomeça em dezembro de 1945. A fábrica volta ao controle alemão em 1949. Em 1972, o Fusca supera o Ford Modelo T e se torna o carro mais vendido da história do automóvel.

NORUEGUÊS ATRAVESSA PACÍFICO DE BALSA

    Em 1947, para provar que houve contato transpacífico 3 mil anos atrás, o antropólogo norueguês Thor Heyerdahl atravessa o Oceano Pacífico numa balsa madeira, numa jangada, percorrendo 6.880 quilômetros de Callao, no Peru, a Raroia, no Arquipélago Tuamotu, perto do Taiti, na Polinésia, em 101 dias.

JIHADISTAS ATACAM EMBAIXADAS DOS EUA

    Em 1998, às 10h30 pela hora local, um caminhão-bomba explode junto à Embaixada dos Estados Unidos em Nairóbi, no Quênia (foto), e, minutos depois, outro caminhão-bomba tem como alvo a Embaixada Norte-Americana em Dar es Salaam, capital da vizinha Tanzânia.

Os atentados, atribuídos à rede terrorista Al Caeda, liderada por Ossama ben Laden, matam 224 pessoas, inclusive 12 norte-americanos, e ferem mais de 4,5 mil. 

O presidente Bill Clinton ordena bombardeios retaliatórios a uma companhia farmacêutica do Sudão acusada pelos americanos de produzir armas químicas e a campos de treinamento d'al Caeda no Afeganistão. A resposta dos jihadistas vem nos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos EUA. 

ESQUERDA CHEGA AO PODER NA COLÔMBIA

    Em 2022, o economista, ecologista, ex-ativista da guerrilha e ex-prefeito de Bogotá Gustavo Petro toma posse como primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia, tendo como vice-presidente Francia Márquez, negra, feminista e ativista política.

Petro, da coalizão Pacto Histórico, vence o segundo turno com 50,5% dos votos contra 47,3% para o ex-prefeito de Bucaramanga Rodolfo Hernández, de extrema direita.

Num dos países mais violentos, conservadores e oligárquicos do continente, Gustavo Francisco Petro Urrego prega uma verdadeira revolução pelo voto. Promete combater a desigualdade, taxar os ricos, abrir empregos públicos para desempregados, realizar uma reforma agrária com aumento de impostos sobre latifúndios e terras improdutivas, criar um sistema público e universal de saúde pública, fazer a transição para um regime de previdência social, levar a Internet para todos e reduzir gradualmente o uso de combustíveis fósseis como carvão, gás e petróleo, importantes riquezas do país, substituindo-os por energias renováveis.

Quer acabar com o modelo extrativista, preservar a biodiversidade e investir em alta tecnologia. Alega que a América Latina precisa deixar de ser mera exportadora de produtos primários. 

Talvez a maior revolução seja a escolha de sua vice-presidente. Francia Elena Márquez Mina, de 40 anos, é uma líder social negra, feminista, defensora dos direitos humanos e ativista ambiental. Foi empregada doméstica. Apresenta-se como “uma das inexistentes” e dos excluídos.

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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 6 de Agosto

EUA DEBATEM CONSTITUIÇÃO

    Em 1787, a Convenção Constitucional começa a discutir o primeiro anteprojeto completo da Constituição dos Estados Unidos.

Meses antes da rendição do Império Britânico, em Yorktown, a ratificação dos Artigos da Confederação cria normas legais para os EUA. O Congresso tem amplos poderes para governar o país, mas não tem autoridade para pedir dinheiro e tropas aos estados. 

Para consolidar a União, em 25 de maio de 1787, a Convenção Constitucional se reúne pela primeira vez na Casa de Governo do Estado da Pensilvânia, na cidade da Filadélfia, onde fora escrita a Declaração da Independência.

INDEPENDÊNCIA DA BOLÍVIA

    Em 1825, a Bolívia conquista a independência do Império Espanhol.

A Bolívia é o centro da cultura tiahuanacota, que se espalha por Argentina, Bolívia, Chile e Peru. Tem como capital Tiahuanaco, hoje um dos principais sítios arqueológicos da Bolívia. Chega ao apogeu por volta do ano 800 e desaparece perto do ano 1000. Do século 15 ao início do século 16, é parte do Império Inca, a grande civilização pré-colombiana da América do Sul.

Com a conquista espanhola, que começa com a queda do imperador Ataualpa em 1532 numa guerra que vai até 1572, a Bolívia passa a ser parte do Vice-Reino do Peru, que no início inclui toda a parte espanhola da América do Sul.

Em 1545, um indígena faz uma fogueira para se proteger do frio da Cordilheira dos Andes. Uma pedra derrete e brilha à luz da Lua. É prata do Cerro Rico de Potosí, uma montanha de prata, a maior jazida de prata da história. De lá, saem 80% da prata de todo o planeta. Com 150 mil habitantes, Potosí é uma das maiores cidades do Novo Mundo. O mundo fica mais rico, mas a Bolívia continua pobre.

Com a criação do Vice-Reino do Prata, com capital em Buenos Aires, em 1776, a Bolívia passa a fazer parte. É chamada pelos platinos de Alto Peru.

A independência dos países da América Latina é consequência da invasão da França de Napoleão Bonaparte a Portugal (1807) e Espanha (1808). A Bolívia proclama a independência em 1809, mas só a conquista em 1825 com o nome de República de Bolívar, homenagem ao libertador Simón Bolívar, depois de vitória do general Antonio José de Sucre sobre os últimos monarquistas.

Apesar da riqueza da prata e também de estanho, explorado mais recentemente, a Bolívia se torna um dos países mais pobres da América. Seu exército, um dos mais incompetentes do mundo, perde todas as guerras. 

A Bolívia perde a saída para o mar na Guerra do Pacífico (1879-83) com o Chile. Perde o Acre na Guerra do Acre (1899-1902) com o Brasil e parte da província do Chaco para o Paraguai na Guerra do Chaco (1932-35). Os militares bolivianos dão um recorde de 194 golpes de Estado.

A eleição de Evo Morales como primeiro presidente indígena da Bolívia em dezembro de 2005 leva à transformação do país em "Estado plurinacional" num reconhecimento dos direitos dos povos originários e acelera o desenvolvimento econômico.

URSS ANEXA ESTÔNIA

    Em 1940, a União Soviética de Josef Stalin anexa a Estônia.

A primeira referência aos estonianos é do historiador romano Tácito no primeiro século da era cristã. Os vikings são os primeiros a invadir o país, no século 9, o que se repete ao longo da história. Nos séculos 11 e 12, os dinamarqueses e os suecos tentam impor o cristianismo. De 1030 a 1192, os russos invadem a Estônia 13 vezes sem conseguir dominar o país. Os alemães também invadem e dominam parte da Estônia.

No fim do século 15, duas potências emergem na região: a Comunidade Polaco-Lituana e o Principado de Moscou, embrião da Rússia. O czar Ivã IV, o Terrível, invade em 1558. Os russos são expulsos pelos suecos em 1581.

Em 1629, o Tratado de Altmark acaba com a guerra entre a Suécia e a Comunidade Polaco-Lituana, que cede a maior parte da Livônia. Todas as terras da Estônia passam ao controle sueco. 

Na Grande Guerra do Norte (1700-21), a Rússia, a Dinamarca-Noruega e a Saxônia-Polônia desafiam a supremacia da Suécia na região do Mar Báltico. A Suécia entra em declínio e a Rússia se torna a potência dominante na região. No tratado de paz de Nystad, a Suécia cede à Rússia todas as suas províncias bálticas.

O movimento nacionalista ressurge no fim do século 19 em resposta à russificação promovida pelo czar Alexandre III. A Revolução de 1905, depois da derrota da Rússia para o Japão na Guerra do Pacífico (1904-5), chega à Estônia. Jaan Tönisson funda o Partido Liberal Nacional. O partido se divide entre entre liberais e radicais. A Rússia impõe a lei marcial e executa 328 estonianos.

A Estônia conquista a independência com as revoluções de 1917 na Rússia. O Conselho Nacional Estoniano se reúne em 14 de julho e 12 de outubro, e forma um governo provisório com Konstantin Päts como primeiro-ministro.

Em 28 de novembro de 1917, depois do golpe de Estado dos bolcheviques (comunistas) contra o governo provisório de Alexander Kerenski na Rússia, o Parlamento da Estônia decide se separar da Rússia. Os comunistas do Conselho de Comissários do Povo da Rússia nomeiam o governo-fantoche de Jaan Anvelt. Ele toma o poder na capital, Tallinn, mas não consegue controlar todo o país.

A Alemanha invade a Estônia em fevereiro de 1918. Os comunistas fogem. Em 24 de fevereiro, o Conselho Nacional Estoniano proclama a independência. O domínio alemão acaba com a rendição da Alemanha e o fim a Primeira Guerra Mundial (1914-18), em 11 de novembro de 1918.

O Exército Vermelho da URSS invade a Estônia em 28 de novembro. O coronel Johan Laidoner lança uma contraofensiva em janeiro de 1919 com o apoio dos aliados, de uma esquadra britânica e de uma força de 2,7 mil voluntários finlandeses. No fim de fevereiro, todo o território da Estônia é recuperado.

Em 1º de dezembro de 1924, uma conspiração de 300 russos tenta submeter a Estônia. O Partido Comunista é colocado na ilegalidade.

O fim da independência é fruto do Pacto Germano-Soviético, um pacto de não agressão fechado por Adolf Hitler e Josef Stalin em 23 de agosto de 1939. Primeiro, a Alemanha e a URSS dividem a Polônia. Em 28 de setembro, Stalin impõe um acordo de "assistência recíproca" e ocupa várias bases militares estonianas. Em 6 de agosto de 1940, o Soviete Supremo da URSS anexa a Estônia como uma república soviética.

Depois que a Alemanha Nazista invade a URSS, em 22 de junho de 1941, a Estônia fica sob ocupação alemã até fevereiro de 1944, quando é invadida de novo pelo Exército Vermelho.

Com o declínio terminal da URSS, em março de 1990, os partidários da independência vencem as eleições legislativas, fruto das reformas do líder soviético Mikhail Gorbachev. A independência é declarada formalmente em agosto de 1991, quando a linha-dura soviética dá um golpe contra Gorbachev, e reconhecida no mês seguinte. 

BOMBA DE HIROXIMA 

    Em 1945, há 81 anos, às 8h15, o avião bombardeiro Enola Gay, dos Estados Unidos, joga a primeira bomba atômica, em Hiroxima, no Japão, e mata imediatamente pelo menos 80 mil pessoas, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

Três dias depois, os EUA jogam uma segunda bomba atômica, em Nagasáki, matando 40 mil pessoas na hora e 70 mil até o fim do ano. O Japão se rende em 15 de agosto. Com as vítimas que morrem até hoje de doenças causadas pela radiação, o total de mortes passa de 300 mil.

A justificativa do bombardeio nuclear é a necessidade de obrigar o Japão a se render incondicionalmente. A julgar pelas batalhas de Iwo Jima e Okinawa, a invasão das quatro principais ilhas do arquipélago japonês pode custar um milhão de vidas. Por outro lado, quem condena o ataque alega que o Japão já negociava a paz através da Suíça.

O plano para fazer uma bomba nuclear de urânio começa em 2 de agosto de 1939, quando Albert Einstein e outros cientistas enviam uma carta ao presidente Franklin Roosevelt advertindo para o risco de que uma reação nuclear descontrolada, em cadeia, tenha um grande potencial para ser a base de uma arma de destruição em massa e de que a Alemanha Nazista faça armas atômica. 

Pouco depois, o físico italiano Enrico Fermi se encontra na Universidade de Colúmbia com oficiais da Marinha dos EUA para discutir o uso militar da fissão nuclear. Daí, nasce o Projeto Manhattan, com objetivo de criar uma bomba atômica antes da Alemanha nazista. 

Na Alemanha, o projeto é chefiado por Werner von Heisenberg, um dos maiores físicos teóricos do século 20, formulador do Princípio de Incerteza. Felizmente, ele fracassa na prática ao não chegar ao conceito de massa crítica, a quantidade de material físsil necessária para manter uma reação nuclear em cadeia autossustentada, de 47 quilos para o urânio-235 e 10 kg para o plutônio-239, os explosivos nucleares usados em Hiroxima e Nagasáki. 

Falta apoio do Estado-Maior e da cúpula do Partido Nacional-Socialista Trabalhista Alemão (Nazista). Albert Speer, arquiteto-chefe e ministro dos Armamentos da Alemanha, se reúne cerca de 2,2 mil vezes com o ditador Adolf Hitler. Só em duas ocasiões, Hitler fala em armas nucleares. 

O Führer acredita que um dia haverá uma arma capaz de tocar fogo na terra, mas imagina que isso só acontecerá muito depois de sua morte. Comete suicídio em 30 de abril. Em 16 de julho, os EUA fazem o primeiro teste nuclear, em Alamogordo, no estado do Novo México. 

Apesar do sigilo que envolve o Projeto Manhattan, espiões conseguem roubar os segredos. Em 29 de agosto de 1949, a União Soviética faz seu primeiro teste nuclear. O Reino Unido explode a bomba em 3 de outubro de 1952. A França detona a primeira arma nuclear em 13 de fevereiro de 1960. E a China entra para o clube atômico em 16 de outubro de 1964. 

Pelo Tratado de Não Proliferação Nuclear, de 1968, só estas grandes potências podem ter armas nucleares. Não por coincidência são os cinco membros permanentes com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas. A Rússia herda o arsenal nuclear e a vaga da URSS. 

Israel fez a primeira arma nuclear operacional em dezembro de 1966, mas não admite publicamente que tenha um arsenal atômico. A Índia e o Paquistão assumem o status de potências nucleares com testes em maio de 1998. A África do Sul é o primeiro e único país e fabricar e abandonar as armas nucleares, desmanteladas a partir de 1989. A Coreia do Norte faz seu primeiro teste nuclear em 2006.

Na prática, por mais terríveis que sejam, as bombas atômicas evitam as guerras entre as grandes potência, que seriam destruição mutuamente assegurada. Com o abandono de tratados de controle de armas, a China construindo novos silos para se equiparar aos EUA e à Rússia, e novas potências nucleares como a Coreia do Norte, outros países com ambições nucleares como o Irã e a guerra da Rússia contra a Ucrânia, o risco de uma guerra atômica é o maior hoje desde o fim da Guerra Fria.

INDEPENDÊNCIA DA JAMAICA

    Em 1962, depois 300 anos de domínio pela Inglaterra e o Império Britânico, a Jamaica se torna um país independente e uma monarquia constitucional dentro da Comunidade (ex-Britânica) das Nações com um regime parlamentarista e o rei ou rainha do Reino Unido como chefe de Estado.

A Jamaica é a terceira maior ilha do Mar do Caribe, atrás de Cuba e de Hispaniola, a ilha dividida entre Haiti e a República Dominicana. O descobridor da América para os europeus, Cristóvão Colombo, chega à Jamaica em 1494, a descreve como "a ilha mais linda jamais vista" e a chama de Santiago. Mas o nome original dos povos indígenas, Jamaica ou Xaymaca, prevalece.

Em 1655, uma expedição inglesa sob o comando do almirante William Penn e do general Robert Venables toma a ilha e começa a expulsar os espanhóis. Com medo de ataques da Espanha, o governador militar convida os piratas a ir para a Jamaica, que se torna um refúgio seguro para eles.

Quando a Espanha aceita a reivindicação inglesa sobre a Jamaica no Tratado de Madri (1670), a Inglaterra começa a expulsar os piratas. Em 1672, nasce a Royal Africa Company, que tem o monopólio do tráfico de escravos para a Inglaterra. Logo o número de escravizados é cinco vezes maior do que o de europeus.

A Jamaica se torna uma das mais valiosas colônias inglesas para a produção agrícola de açúcar, algodão e cacau.  A produção de açúcar atinge o auge no século 18. No fim do século, o café começa a rivalizar com o açúcar.

Em 1782, uma grande esquadra da França tenta invadir a Jamaica com o apoio da Espanha, mas é repelida. Em 1806, o almirante John Duckworth derrota a última tentativa de invasão francesa. No ano seguinte, com a Revolução Industrial, o Parlamento Britânico proíbe o tráfico de escravos transatlântico e a escravidão no Reino Unido. 

A escravidão nas colônias só acaba em 1838, depois de uma grande revolta de escravos na Jamaica. No Natal de 1831, 60 dos 300 mil escravos da Jamaica se revoltam com o apoio da Igreja Batista para exigir liberdade e pagamento pela o trabalho. É a Guerra Batista ou Rebelião do Natal.

Quando a Jamaica se torna uma colônia real, em 1866, o governador John Peter Grant cria uma força policial, um serviço médico, um departamento de obras públicas e um banco público, e reforma o sistema judiciário. No fim do século 19, a banana se torna o principal produto de exportação da ilha.

Em 1914, o líder jamaicano Marcus Garvey funda a Associação Universal para Avanço Negro para defender o nacionalismo negro e o pan-africanismo. A deterioração da economia com a Grande Depressão (1929-39) gera revolta e motins em 1938. Surgem os primeiros sindicatos, que exigem autodeterminação.

A Jamaica é pouco afetada pela primeira e a segunda guerras mundiais. A Constituição de 1944 cria uma Câmara dos Representantes eleita pelo voto popular com um Conselho Legislativo nomeado como câmara revisora. Em 1959, a Jamaica conquista o direito de se autogovernar internamente, último passo antes da independência. 

DIREITO DE VOTO

    Em 1965, o presidente Lyndon Johnson sanciona a Lei dos Direitos de Voto, uma das mais importantes legislações de direitos civis dos Estados Unidos, aprovada para vencer barreiras impostas por governos estaduais e municipais ao voto dos negros.

Depois da Guerra da Secessão ou Guerra Civil Americana (1861-65), em que o Sul tenta se separar da União para manter a escravidão, o Congresso aprova as emendas constitucionais nº 14, ratificada em 1868, que dá cidadania a todas as pessoas nascidas ou naturalizadas nos EUA, inclusive ex-escravos, garantindo a todos "proteção igual perante a lei"; e a nº 15, ratificada em 1870, que dá direito de voto aos homens negros.

Há uma forte reação da maioria branca. Através de intimidação ou fraude, há várias tentativas de impedir os negros de se registrar e de votar. Testes de alfabetização, eleições primárias só para brancos e outras medidas também barram o acesso dos negros às urnas e aos cargos eletivos.

Em consequência, no início do século 20, a imensa maioria dos negros não vota. A Suprema Corte considera algumas medidas inconstitucionais, mas até o início dos anos 1960 os negros são marginalizados. O presidente John Kennedy se empenha em garantir os direitos dos negros. Depois de sua morte, o Congresso aprova a Lei dos Direitos Civis (1964) e a Lei dos Direitos de Voto (1965).

No século 21, a maioria conservadora da Suprema Corte enfraquece esses direitos sob a alegação de que a discriminação que havia nos anos 1960 está praticamente eliminada.

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