quarta-feira, 10 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 10 de Junho

IMPERADOR SE AFOGA

    Em 1190, o imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Frederico I ou Frederico Barbarossa ou Barba Ruiva, morre afogado ao tentar cruzar o Rio Saleph, no reino armênio da Cilícia, hoje Rio Goksu, no Sul da Turquia, quando vai para a Terceira Cruzada, a Cruzada dos Reis.

Frederico nasce em dezembro de 1122 em Haguenau, na França. Em 4 de março de 1152, é eleito rei da Alemanha em Frankfurt e coroado cinco dias depois em Aachen. Ele se torna rei da Itália em 1155 e é coroado pelo Papa Adriano IV imperador do Sacro Império.

Muitos historiadores o consideram o imperador mais importante do Sacro Império na Idade Média, combinando longevidade, ambição, capacidade de organização e inteligência política.

SUPOSTA FEITICEIRA ENFORCADA

    Em 1692, Bridget Bishop é a primeira das "feiticeiras de Salém", na Colônia da Baía de Massachusetts, a ser enforcada depois de ser condenada por "certas artes detestáveis chamadas de feitiçaria e bruxaria".

A Inquisição ou o Santo Ofício persegue, condena e executa supostos hereges desde 1184. A Caça às Bruxas começa na Europa por volta de 1300.

No século 14, já no fim da Idade Média, o medo da heresia e do satanismo aumentam o número de acusações de cometer atos diabólicos e geram uma caça às bruxas, agravada pela pandemia da peste, a pior da história, que mata 40% a 60% da população da Europa de 1346 a 1353.

Em 1484, o Papa Inocêncio VIII condena a bruxaria numa bula papal e envia inquisidores para perseguir e processar bruxas.

As bruxas são consideradas inimigas de Deus e aliadas do demônio, com quem fariam orgias sexuais durante a noite. Elas teriam a capacidade de se transformar de seres humanos em animais e depois em outros animais e humanos diferentes.

Entre 1400 e 1775, um período que inclui a Contrarreforma e a Guerra dos Trinta Anos (1618-48), estima-se que 110 mil pessoas sejam processadas por bruxaria na Europa e na América, e 40 a 60 mil executadas. A última execução acontece na Suíça em 1758.

Em Salém, 200 pessoas são processadas de fevereiro de 1693 a maio de 1694. Trinta são condenadas, mas só 20 executadas; 19 morrem na forca (14 mulheres e 5 homens) e uma mulher idosa é esmagada com pedras. Outros 5 réus morrem na prisão.

ORIGEM DO PARA-RAIOS

  Em 1752, Benjamin Franklin, um dos fundadores dos Estados Unidos, inventor do para-raio, empina um papagaio (pandorga ou pipa) durante uma tempestade para provar a ligação entre os raios e a eletricidade.

Cientista, escritor, político e diplomata, Franklin usa um fio metálico para empinar uma pandorga de papel preso a uma chave de metal manipulada através de um fio de seda. Ao lado do filho, observa a carga elétrica do raio descer até a terra.

Para dar utilidade prática à descoberta, usa hastes de ferro ligadas à terra colocadas ao lado ou no teto de edificações para desviar as cargas elétricas dos raios para o solo com segurança. Cria o para-raios.

ESTREIA TRISTÃO E ISOLDA

    Em 1865, estreia Tristão e Isolda, o primeiro exemplo do que o compositor Richard Wagner chama de "drama musical", que se torna a ópera mais importante da Alemanha do fim do século 19.

A ópera se baseia num romance medieval com origem numa lenda celta. Tristão é encarregado de pedir a mão de Isolda em casamento em nome do seu tio, o rei Marco, da Cornualha. Consegue, mas os dois acabam tomando por engano uma poção de amor, o que os torna apaixonados um pelo outro.

O romance é cheio de dificuldades e perigos porque ambos tentam manter a lealdade ao rei. Durante a maior parte da ópera, o rei e seus cortesões tentam armar uma cilada para os amantes. Preso e condenado à morte na fogueira, Tristão salta de um penhasco e resgata Isolda, que o rei entrega a um bando de leprosos.

Eles fogem para a floresta de Morrois e ficam lá até serem descobertos pelo rei Marco, com quem fazem um acordo de paz que restaura o casamento de Marco e Isolda. Tristão vai para a Bretanha, onde se casa com Isolda das Mãos Brancas, mas não consuma o casamento. Ferido por uma arma envenenada, ele procura a outra Isolda, a única capaz de curá-lo.

Se Isolda concordar, ela vai chegar num navio com vela branca; se recusar, irá um navio com vela preta. A mulher de Tristão descobre e diz ao marido que o navio tem a vela negra. Isolda chega tarde demais para salvar o amante e entrega sua vida num abraço final.

Depois das mortes, há um milagre. Duas árvores brotam de seus túmulos e seus galhos e ramos se entrelaçam para que nunca mais eles sejam separados. 

ITÁLIA VAI À GUERRA

    Em 1940, nove meses depois do início da Segunda Guerra Mundial, o ditador italiano Benito Mussolini declara guerra ao Reino Unido e à França, esta última invadida em maio daquele ano pela Alemanha Nazista, aliada da Itália.

Quando a Alemanha invade a Polônia, em 1º de setembro de 1939, marco do início do maior conflito armado da história, a Itália não está preparada. Com o colapso da França, o líder fascista decide que chega a hora de aplicar o Pacto de Aço firmado com o ditador nazista Adolf Hitler e entrar na guerra.

Os nazistas entram em Paris em 14 de junho. A França assina a rendição em 22 de junho. Hitler retira de um museu o trem onde a Alemanha se rendera no fim da Primeira Guerra Mundial, e faz do acontecimento uma espécie de redenção pela derrota em 1918.

Um dia depois do ataque japonês a Pearl Harbor, no Havaí, em 8 de dezembro de 1941, Mussolini declara guerra aos Estados Unidos, aliando-se também ao Império do Japão.

terça-feira, 9 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 9 de Junho

 FRANCÊS NO QUEBEC

     Em 1534, o navegador francês Jacques Cartier torna-se o primeiro europeu a encontrar o Rio São Lourenço, no que hoje é a província do Quebec, a região francófona do Canadá.

Cartier é enviado pelo rei Francisco I, da França, para explorar a América do Norte em busca de riquezas naturais. É uma região inóspita e gelada. A descoberta de um vale fértil e quente perto do Golfo de São Lourenço estimula o rei a mandar nova expedição exploradora no ano seguinte. Em 1535, Cartier vai até onde hoje fica a cidade de Montreal.

NAZISTAS AVANÇAM RUMO AO ATLÂNTICO

    Em 1940, as forças da Alemanha Nazista sob o comando do general Erwin Rommel cruzam o Rio Sena e avançam em direção ao Oceano Atlântico.
Rommel nasce em Heideinheim, na Alemanha, em 15 de novembro de 1891, filho de um professor e da filha de um alto oficial. Ele entra para o Regime de Infantaria de Württemberg em 1910. Na Primeira Guerra Mundial (1914-18), luta na França, na Romênia e na Itália, onde se destaca por coragem e bravura.

Depois da anexação da Áustria pela Alemanha, março de 1938, Rommel é nomeado diretor de uma escola para oficiais em Wiener Neustadt, perto de Viena.

Quando começa a Segunda Guerra Mundial (1939-45), ele se torna comandante das forças que protegem o quartel-general de Hitler e se aproxima pessoalmente do Führer. Depois da invasão da Polônia, marco do início da guerra, em 1º de setembro de 1939, há uma relativa trégua até a Alemanha lançar sua ofensiva na frente ocidental com a invasão da Noruega em 9 de abril de 1940.

Em seguida, os nazistas invadem a Holanda, a Bélgica e a França, em maio. Como comandante da 7ª Divisão de Tanques Panzer, Rommel recebe a missão de avançar até o Atlântico. Sem condições de defender a França, o Reino Unido recua com a Retirada de Dunquerque.

Menos de um ano depois, em fevereiro de 1941, Rommel é nomeado comandante do Afrika Korps, o exército africano de Hitler. Ele fica conhecido como a Raposa do Deserto, vira herói e é promovido a marechal de campo.

No verão de 1942, Hitler ordena um ataque ao Cairo e ao Canal de Suez, mas o Afrika Korps é derrotado pelo Exército Real britânico na Segunda Batalha de El-Alamein, a cerca de 100 quilômetros de Alexandria. Em 1943, ele é chamado de volta para a Alemanha.

Em 1944, Rommel é encarregado pela Muralha do Atlântico, a série defesas construídas pela Alemanha para proteger o litoral da França da invasão aliada que acaba acontecendo em 6 de junho, o Dia D.

McCARTHY DESMORALIZADO    

    Em 1954, num debate dramático, o advogado do Exército dos Estados Unidos Joseph Welch pergunta ao senador republicano Joseph McCarthy, durante uma audiência sobre uma suposta infiltração comunista nas Forças Armadas: "O Sr. não tem senso de decência?"

McCarthy fica famoso ao denunciar, em fevereiro de 1950, a infiltração de "centenas de notórios comunistas no Departamento de Estado".

Sua campanha contra a Ameaça Vermelha, no início da Guerra Fria, denuncia a suposta infiltração comunista em todos os setores da vida pública dos EUA, do governo federal a Hollywood. A confrontação com Welch diante das câmeras da televisão, que transmitem a audiência, é a desmoralização final do macartismo.

O senador lança sua campanha no governo democrata de Harry Truman (1945-53). Com a posse do republicano Dwight Eisenhower (1953-61), o comandante militar aliado na Segunda Guerra Mundial (1939-45), McCarthy se torna um estorvo para o partido. Os ataques contra a CIA e o Exército o desmoralizam totalmente.

ISRAEL OCUPA TERRITÓRIOS ÁRABES

    Em 1967, Israel captura a Península do Sinai, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém, e as Colinas do Golã numa vitória esmagadora sobre o Egito, a Síria e a Jordânia na Guerra dos Seis Dias.

Gaza e o Sinai pertenciam ao Egito, a Cisjordânia à Jordânia e as Colinas do Golã à Síria. A guerra termina no dia seguinte, mas a questão dos territórios árabes ocupados continua até hoje. É um dos principais obstáculos à paz entre árabes e israelenses.

Depois de nova derrota na Guerra do Yom Kippur (1973), a maior empreitada militar árabe da era moderna, o presidente do Egito, Anuar Sadat, rompe a aliança com a União Soviética e se aproxima dos Estados Unidos para fazer a paz com Israel, em 1979, e recuperar o Sinai.

O Egito e a Jordânia abrem mão da Faixa de Gaza e da Cisjordânia para que seja criada uma pátria para o povo palestino. As Colinas do Golã são anexadas ilegalmente por Israel em 1981, o que só é reconhecido pelos EUA, no primeiro governo Donald Trump, em 25 de março de 2019.

O atual governo de extrema direita de Israel tem a clara intenção de anexar a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, enterrando de vez a proposta de criação de uma pátria independente para o povo palestino.

GRANDE VITÓRIA DE THATCHER

    Em 1983, um ano depois da ganhar a Guerra das Malvinas contra a ditadura militar da Argentina, com a oposição dividida, a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher obtém sua maior vitória eleitoral e começa a radicalizar seu programa de reformas neoliberais.

Margaret Hilda Thatcher é a primeira mulher a se tornar primeira-ministra britânica e a pessoa que chefia o governo do país por mais tempo no século 20. Ela chega ao poder em maio de 1979, depois do chamado Inverno do Descontentamento, marcado por uma série de greves, agitação social e desemprego resultantes da primeira crise do petróleo.

A Dama de Ferro, apelido que ganha da imprensa soviética em 1976 depois de um discurso anticomunista como líder da oposição, promete resgatar a moralidade pública e reduzir a participação do Estado na economia.

Além de cortar impostos, uma de suas principais bandeiras é a privatização de empresas estatais, que ela considera mais ineficientes do que o setor privado. Thatcher quer transformar a Grã-Bretanha num país de acionistas. Começa esse processo em 1981 sob forte oposição dos sindicados, ligados ao Partido Trabalhista.

Estão lançadas as bases do thatcherismo, que incluem recuo da máquina estatal, disciplina fiscal, cortes de impostos, privatizações, respeito à autoridade e à ordem pública, e um feroz anticomunismo. Poucos primeiros-ministros dão nome a uma filosofia política.

Em seu radicalismo, Margaret Thatcher chegou a dizer: "Não existe isso que chamam de sociedade. Há homens, mulheres e famílias".

O total de desempregados no Reino Unido sobe para 3 milhões, e o número de pobres aumenta quatro vezes, aprofundando a desigualdade social, uma das marcas perversas do neoconservadorismo. Impopular, Thatcher conta com uma ajuda inesperada.

A invasão das Ilhas Malvinas pela ditadura militar da Argentina em 2 de abril de 1982 é um teste decisivo para sua determinação. Uma força-tarefa é deslocada para a guerra a 10 mil quilômetros de distância da Inglaterra. Em 14 de junho, as ilhas são retomadas depois da morte de 649 argentinos e 258 britânicos.

Humilhada, a ditadura militar argentina cai. Fortalecida, Thatcher obtém sua maior vitória eleitoral wn 1983. Com maioria de 144 deputados na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, parte para o enfrentamento com os sindicatos para impor sua ideologia econômica neoliberal. Uma greve de 11 meses contra o fechamento de 20 minas estatais deficitárias deixa o Reino Unido sem carvão em 1984 e 1985.

Sem o apoio da opinião pública, a greve fracassa. Os mineiros e o sindicalismo em geral perdem força.

Também em 1984, Margaret Thatcher sobrevive a um atentado a bomba do Exército Republicano Irlandês (IRA) contra a convenção anual do Partido Conservador. É uma tentativa de vingar as mortes de 10 militantes republicanos irlandeses em greve fome que exigiam reconhecimento como presos políticos, em 1981. Inflexível, a Dama de Ferro os considera criminosos comuns.

No mesmo ano, Thatcher convida o futuro líder soviético Mikhail Gorbachev para ir a Londres. É a primeira a identificá-lo no Ocidente como "alguém com quem se pode negociar".

Naquela época, ela considera o líder negro sul-africano Nelson Mandela, que ainda estava preso, como "terrorista". Mais tarde, viria a defender o amigo e admirador general Augusto Pinochet, o ditador   preso em Londres em 1998 por crimes cometidos quando governa o Chile, de 1973 a 1990.

Sob Thatcher, amplos setores da economia britânica, aviação, metalurgia, telecomunicações, água, energia e o sistema ferroviário, foram entregues à iniciativa privada. São mudanças permanentes, observa o jornal The New York Times. Modernizam a Grã-Bretanha, mas aprofundam a desigualdade.

A ex-primeira-ministra também é uma grande adversária do aumento dos poderes da Comunidade Europeia, hoje União Europeia. Chega a bater na mesa com sua bolsa para pedir a devolução de parte da contribuição britânica para a política comum de subsídios agrícolas do bloco europeu, já que o Reino Unido tem uma agricultura muito menor do que países como a França e a Alemanha.

"Não estou pedindo o dinheiro dos outros. Estou pedindo nosso dinheiro de volta", afirmou.

Em 1987, depois de sua terceira vitória eleitoral consecutiva, Thatcher se torna ainda mais antieuropeia, preocupando um de seus maiores aliados, o centro financeiro de Londres, que temia perder a primazia para Paris ou Frankfurt na união monetária europeia porque o Reino Unido não adotaria o euro.

Uma de suas principais bandeiras, entusiasticamente adotada pelo Partido Conservador, é repatriar poderes da UE para o Parlamento Britânico. Diante do avanço do euroceticismo e da crise da Zona do Euro, o primeiro-ministro e líder do partido, David Cameron, promete convocar um plebiscito sobre a permanência do país na UE até 2017. Convoca e perde em 23 de junho de 2016, o que leva o Reino Unido a deixar a UE.

O risco de isolamento na Europa e a substituição do imposto predial e territorial por um imposto por pessoa, independentemente da renda pessoal e do tamanho da propriedade, sela sua impopularidade. Em novembro de 1990, o ex-ministro Michel Heseltine, um europeísta, desafia a liderança da Margaret Thacher.

Sem conseguir uma vitória consistente, com mais de dois terços dos votos da bancada do partido na Câmara dos Comuns, Thatcher pede demissão. Vira Baronesa Thatcher e vai para a Câmara dos Lordes. Enquanto sua saúde permite, influencia a vida política do país.

O regicídio, como o episódio é conhecido na Grã-Bretanha, abre uma guerra interna de que o Partido Conservador não se recuperou até hoje. O compromisso com a defesa de Londres como um dos maiores centros financeiros do mundo entra em choque com a rejeição à integração europeia.

Talvez seu maior legado seja a profunda reforma política e econômica, que vai muito além do Reino Unido. Antes de Thatcher, a maioria das companhias aéreas e as empresas telefônicas de fora dos EUA eram estatais.

Para voltar ao poder com Tony Blair, em 1997, o Partido Trabalhista faz uma ampla mudança, abrindo mão do socialismo e da estatização dos meios de produção, que são excluídos do programa partidário para reconquistar a classe média. Essa é a grande vitória ideológica de Thatcher, fazer o principal adversário abraçar a economia de mercado.

Do ponto de vista econômico, o neoliberalismo que defende com tanto vigor ao lado de Reagan é a ideologia dominante da economia internacional por quase três décadas. Com suas políticas de desregulamentação e redução da atividade do Estado, é a principal causa da grande crise econômico-financeira internacional de 2008-9.

Acima de tudo, Thatcher ajuda a acabar com a Guerra Fria, resgata o prestígio da economia de mercado e recupera o orgulho do Reino Unido, mas a um custo social elevado que divide o país, aumenta a desigualdade social e o afasta do resto da Europa.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 8 de junho

PROFETA MAOMÉ MORRE

     Em 632, o profeta Maomé morre em Medina nas braços de sua terceira mulher, Aicha, a favorita.

Fundador do islamismo, é um dos líderes políticos e religiosos mais importantes da história. De origem humilde, Maomé nasce em Meca por volta do ano 570. Aos 25 anos, casa com uma viúva rica. Durante 15 anos, é um simples mercador.

Numa caverna do Monte Hira, em 610, Maomé tem uma visão em que o anjo Gabriel fala com ele em nome de Deus e o orienta a criar a "verdadeira religião". Começa aí uma era 22 anos de revelações em que pela tradição islâmica o anjo Gabriel dita para o profeta o Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, que é considerado pelos fiéis como a palavra de Alá (Deus em árabe).

Maomé se considera o último profeta da tradição judaico-cristã, o último profeta de Abraão, depois do próprio Abraão, de seus filhos Isaac e Ismael, de Davi, Moisés e Jesus. Usa a teologia das religiões anteriores para unir as tribos árabes, que vivem em estado de anarquia.

Por isso, desde sua origem, o islamismo tem um projeto político, um modelo de sociedade que o cristianismo, nascido numa pequena província do grande Império Romano, não tinha. Quando convidaram Jesus para participar de uma revolta contra os impostos cobrados por Roma, ele disse: "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus." A frase sugere uma separação entre Igreja e Estado.

Sob ameaça de morte, em 21 de junho de 622, Maomé foge de Meca para Medina, onde chega em 2 de julho. A Hégira, a fuga de Meca para Medina, é o marco inicial do islamismo. 

Em Medina, ele cria um Estado teocrático e começa a construir um império que, em menos de 100 anos, domina a Arábia, boa parte do Oriente Médio, o Norte da África e a Península Ibérica, invadida em 711. A expansão na Europa é contida por Carlos Martel em 732 em Poitiers, hoje parte da França.

O islamismo é hoje a segunda maior religião do mundo, com 1,9 bilhão de seguidores, quase 25% da população mundial.

DAVID DE MICHELANGELO

    Em 1504, a estátua de David do escultor italiano Michelangelo Buonarroti, um símbolo do ideal de beleza do Renascimento, é instalada na Catedral de Florença.

O escultor, pintor, arquiteto, poeta e anatomista Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni nasce em Caprese, na Toscana, em 6 de março de 1475 e se torna um dos maiores artistas da história, um dos maiores escultores, um dos maiores criadores, responsável pelos afrescos da Capela Sistina, no Vaticano, entre outras obras espetaculares.

Por mais de 70 anos, ele desenvolve seu trabalho entre Roma e Florença, onde estão seus grandes mecenas, os papas e a família Medici. 

HERÓI DA RESISTÊNCIA

    Em 1874, morre de causa natural, provavelmente câncer, no Novo México o cacique apache Cochise, da tribo chiricahua, que vivia na região do Deserto de Sonora, no Nordeste do México, no Arizona e no Novo México, tomados pelos EUA na Guerra Mexicano-Americana (1846-48).

Cochise nasce em 1805 no Vice-Reino da Nova Espanha, que se torna independente como México. Ele resiste à invasão dos europeus e lidera seu povo em guerras contra mexicanos e norte-americanos.

ISRAEL ATACA NAVIO DOS EUA

    Em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, Israel ataca o navio de inteligência norte-americano USS Liberty em águas internacionais diante da Faixa de Gaza.

Como só tem armamento leve, o Liberty tenta pedir ajuda pelo rádio, mas a Força Aérea de Israel bloqueia a transmissão. Depois, o Liberty consegue contato com o Saratoga, que envia um esquadrão aéreo com 12 caças-bombardeiros. Ao saber da operação, o secretário da Defesa dos EUA, Robert McNamara, manda suspender a resposta norte-americana.

Depois do bombardeio aéreo, lanchas torpedeiras israelenses atacam o Liberty. Em duas horas de ataque, 34 norte-americanos morrem e outros 171 saem feridos. Israel pede desculpas. Afirma ter confundido o Liberty com um navio egípcio. Sobreviventes norte-americanos duvidam da versão israelense por entender que sofreram o ataque para encobrir a conquista por Israel das Colinas do Golã, da Síria.

PRESO ASSASSINO DE LUTHER KING

    Em 1968, James Earl Ray, assassino do líder do movimento pelos direitos civis dos negros dos Estados Unidos Martin Luther King Jr., é preso em Londres, na Inglaterra.

Luther King é morto por um atirador quando está na varanda de seu quarto no Hotel Lorraine, em Memphis, no Tennessee, em 4 de abril de 1968. 

Na mesma noite, a polícia encontra a arma do crime, uma espingarda de caça. A perícia na arma, com impressões digitais, e depoimentos de testemunhas levam a Ray, um condenado por assalto à mão armada que fugira da prisão.

O FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, inicia uma grande caçada ao fugitivo e descobre que ele tem um passaporte canadense falso. A polícia britânica, a Scotland Yard prende Ray no Aeroporto de Heathrow, em Londres.

Ray pretendia ir para a Bélgica e da lá para a Rodésia, hoje Zimbábue, na época governada por um regime segregacionista da minoria branca semelhante ao apartheid da África do Sul. Extraditado para os EUA, confessa o crime para escapar da pena de morte na cadeira elétrica e é condenado a 99 anos de cadeia. Morre na prisão em 1998.

DEPUTADA NEGRA VISITA GOVERNADOR RACISTA

    Em 1972, a deputada Shirley Chisholm, primeira mulher negra eleita para o Congresso dos Estados Unidos, visita no hospital o então governador do Alabama, George Wallace, talvez o maior segregacionista da história recente do país, que se recupera de uma tentativa de assassinato. Ambos disputam a candidatura do Partido Democrata à Casa Branca.

Wallace é eleito governador com uma plataforma que promete "segregação agora, segregação amanhã, segregação para sempre". Em 1963, vai pessoalmente impedir o acesso de negros à Universidade do Alabama. Como candidato de um terceiro partido à Casa Branca, ganha em cinco estados do Sul prometendo acabar com as iniciativas do governo federal para acabar com a segregação racial.

Chisholm quer abrir espaço para a mulher negra e acredita nunca ter sido levada a sério pelo partido. Wallace está na disputa até ser baleado cinco vezes em Laurel, no estado de Maryland, em 15 de maio de 1972, o que o deixa paralítico.

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domingo, 7 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 7 de Junho

 TRATADO DE TORDESILHAS

    Em 1494, no início da Era dos Descobrimentos do resto do mundo pelos europeus, com a bênção do Papa Alexandre VI, Portugal e Espanha assinam o Tratado de Tordesilhas, que divide o planeta entre os dois.

Depois da Descoberta da América por Cristóvão Colombo, em 12 de outubro de 1492, os reis católicos da Espanha, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, recorrem ao papa para consolidar a posse das novas terras.

Através de uma bula papal, Alexandre VI coloca a linha divisória a 100 léguas (512 quilômetros) a oeste das ilhas de Cabo Verde. A oeste da linha, a Espanha tem direitos exclusivos por terras descobertas e não descoberta; Portugal fica com o outro lado. O meridiano dá a volta ao mundo.

Num encontro em Tordesilhas, embaixadores portugueses e espanhóis confirmam a decisão papal, mas mudam a linha, o Meridiano de Tordesilhas, para 370 léguas (1.896 km) a oeste de Cabo Verde, o que só é sancionado pelo Papa Júlio II em 1506, o que permite a Portugal reivindicar a costa do Brasil da Ilha de Marajó até Cananeia ou Laguna.

Durante a União Ibérica ou o Domínio Espanhol (1580-1640), quando o rei da Espanha é o mesmo de Portugal, os portugueses entram além da linha de Tordesilhas na Amazônia, no Mato Grosso e no Sul do Brasil. Portugal alega que a Espanha violou o tratado primeiro ao colonizar as Filipinas, em 1565.

No Tratado de Madri (1750), o Brasil assume os contornos que têm hoje, com a exceção do Acre, que pertencia à Bolívia, e do Rio Grande do Sul, onde a fronteira definitiva é traçada com a independência do Uruguai, em 1828. 

MORTE DO CACIQUE SEATTLE

    Em 1866, o cacique Seattle morre perto da cidade fundada 13 anos antes e batizada com seu nome, no que é hoje o estado de Washington, no Noroeste dos EUA.

Seattle nasce por volta de 1870. Chefia as tribos duwamish e suquamish, que vivam na costa do Oceano Pacífico num lugar hoje chamado de Enseada Puget.

Com a Marcha para o Oeste, no início dos anos 1850, os americanos de origem europeia começam a chegar à região e são bem recebidos. Em 1853, vários colonos decidem fundar uma cidade na Baía de Elliott e a chamam de Seattle em homenagem ao cacique.

Nem todos os indígenas aceitam o estabelecimento de colonos brancos na região. A guerra estoura em 1855, quando os índios do Vale do Rio Branco, ao sul de Seattle, atacam a aldeia. Mesmo prevendo que o homem branco levaria seu povo à extinção, Seattle argumenta que a resistência só apressaria o fim dos indígenas. Em 1856, os iindígenas concordam e fazem a paz.

GANDHI EXPULSO DO TREM

    Em 1893, o futuro herói da independência da Índia, o jovem advogado Mohandas Gandhi, realiza, na África do Sul, seu primeiro ato de desobediência civil, recusando-se a cumprir as regras de segregação racial, e é jogado para fora de um vagão de trem de primeira classe só para brancos em Pietermaritzburgo.

Gandhi nasce em 2 de outubro de 1869 em Porbandar, na Índia, na época uma colônia do Império Britânico, e é educado na Inglaterra. Em 1893, formado em direito, consegue um contrato de um ano na África do Sul, onde defende trabalhadores da Índia e funda o Congresso Nacional Indiano para lutar pelo direito de voto dos indianos na África do Sul. 

Em 1906, sob a inspiração das ideias do naturalista americano Henry David Thoreau, cujo pensamento conhece através do escritor russo Leon Tolstoy, organiza a primeira campanha de satyagraha, a desobediência civil. Thoreau cria o conceito ao se negar a pagar impostos durante a Guerra Mexicano-Americana (1846-48), quando os EUA tomam 41% do território do México.

Ao voltar à Índia, em 1914, Gandhi se dedica à espiritualidade. Na Primeira Guerra Mundial (1914-18), apoia o Reino Unido, mas, em 1919, lança uma campanha de desobediência civil contra o serviço militar obrigatório dos indianos. Isto o torna líder do movimento pacífico pela independência da Índia, conquistada em 1947, com a divisão do país em Índia, de maioria hindu, e Paquistão, de maioria muçulmana, contra sua vontade.

Mais de 2 milhões de pessoas morrem na divisão do país. Índia e Paquistão entram em guerra por causa da região da Caxemira, de maioria muçulmana, cujo governador imperial, o marajá Hari Singh, adere à Índia. Ao todo, travam quatro guerras.

Em 30 de janeiro de 1948, o Mahatma (Grande Alma) Gandhi é assassinado pelo extremista hindu Nathuram Godse, membro da organização paramilitar ultranacionalista Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS), à qual pertenceu o atual primeiro-ministro da extrema direita da Índia, Narendra Modi, reeleito no ano passado para um terceiro mandato, mas sem maioria absoluta.

CONQUISTA DO MONTE McKINLEY

    Em 1913, o missionário Hudson Stuck lidera a primeira escalada até o cume do Monte Denali, na época Monte McKinley, no Alasca, a maior montanha da América do Norte, com 6.190 metros de altura.

Stuck, um alpinista amador, nasce em Londres. Depois de se mudar para os EUA, vira arquidiácono da Igreja Episcopal em Yukon. Em 1917, é criado o Parque Nacional do Monte McKinley. Hoje, mais de mil alpinistas tentam a escalada a cada ano. Cerca de metade chega ao topo. Trump restaura o nome de McKinley.

 REI NOS EUA

    Em 1939, George VI se torna o primeiro rei da Inglaterra a visitar os EUA.

Durante a viagem, o casal real pede maior envolvimento norte-americano na solução da crise da Europa, onde a Segunda Guerra Mundial começa menos de dois meses depois, em 1º de setembro, quando a Alemanha Nazista invade a Polônia.

Jorge VI é o segundo filho do rei Jorge V. Ascende ao trono depois que o irmão mais velho, Eduardo VIII, abdica em 1936 para se casar com Wallis Simpson, uma norte-americana divorciada. Com a morte de Jorge VI, ascende ao trono a rainha, Elizabeth II, em 1952, substituída após sua morte pelo rei atual, Charles III.

BATALHA DE MIDWAY

    Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), depois de quatro dias de combates, os Estados Unidos vencem o Japão na Batalha de Midway, uma batalha aeronaval.

Seis meses depois do ataque japonês ao porto de Pearl Harbor, na ilha de Oahu, no Havaí, quartel-general da Frota do Oceano Pacífico dos EUA, a guerra no Pacífico começa a virar a favor dos norte-americanos. 

A Segunda Guerra Mundial acaba em agosto de 1945, na Ásia, com os bombardeios nucleares a Hiroxima e Nagasaki, no Japão.

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sábado, 6 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 6 de Junho

MUSEU EM OXFORD

     Em 1683, a Universidade de Oxford abre o Museu Ashmoleum, a primeiro de uma universidade.

Durante a Restauração da monarquia, a partir de 1660, quando termina o breve período republicano da história da Inglaterra, iniciado em 1649, Oxford é o centro da atividade científica no país. 

Em 1677, o biólogo Elias Ashmoleum doa sua coleção à universidade, que contrata o arquiteto Sir Christopher Wren, o mesmo da Catedral de São Paulo, em Londres, para construir o prédio.

Inicialmente usado exclusivamente por alunos e professores, o museu é aberto ao público em 1845. Tem hoje desde artefatos humanos de 500 mil anos atrás a obras de arte do século 20.

EUA ENTRAM NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

    Em 1918, começa a Batalha do Bosque de Belleau, a primeira importante com a participação de forças dos Estados Unidos durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18). 

Em maio, na sua terceira ofensiva naquele ano na Frente Ocidental, a Alemanha chega a 72 quilômetros de Paris. Sob o comando do general John Pershing, os americanos, britânicos e franceses contêm o avanço alemão na estrada Paris-Metz e lançam uma contraofensiva para desalojar o inimigo do Bosque de Belleau.

Os EUA declaram guerra à Alemanha em 6 de abril de 1917, depois de vários ataques contra navios mercantes no Oceano Atlântico. Como não têm tropas nem equipamentos militares na Europa, são necessários meses para entrar em combate.

DIA D

   Em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), as forças aliadas invadem a região da Normandia, no Noroeste da França, sob o comando do general Dwight Eisenhower, na maior operação de assalto anfíbio da história, com mais de 150 mil soldados. É o Dia D.

Antes de amanhecer, mais de 18 mil paraquedistas dos Estados Unidos e do Reino Unido saltam como força de vanguarda do ataque. Os primeiros são todos mortos. 

A frota tem cerca de 7 mil navios. Cerca de 13 mil aviões dão cobertura aérea. Às seis e meia da manhã, começa o desembarque de 155 mil soldados para romper a Muralha do Atlântico, uma série de fortificações erguidas pela Alemanha Nazista, que invadira a França em maio de 1940.

Pouco mais de dois meses e meio depois do Dia D, em 25 de agosto, Paris é libertada. O ditador Adolf Hitler manda o comandante militar alemão, Dietrich von Choltitz, destruir a capital da França. Nas suas memórias, Choltitz reivindica o crédito por poupar a cidade, mas talvez tenha perdido o controle da situação.

A Segunda Guerra Mundial termina na Europa em 8 de maio de 1945, quando o Exército Vermelho da União Soviética toma Berlim. A Guerra do Pacífico termina em 15 de agosto com a rendição do Japão depois de ser atacado com bombas atômicas em Hiroxima e Nagasáki.

PRIMEIRO UNIVERSITÁRIO NEGRO MORRE

    Em 1966, James Meredith, o primeiro negro a entrar na Universidade do Mississípi, é baleado mortalmente no segundo dia da sua solitária Marcha contra o Medo.

Meredith é admitido pela universidade em 1962 e barrado quando sabem sua cor. Recorre à Justiça Federal. Mesmo assim, o governador tenta impedi-lo. Ele entra na universidade escoltado pela polícia. O fato provoca protestos e choques em que dois estudantes morrem.

Quando Meredith é morto, outros líderes do movimento negro como Martin Luther King Jr. e Stokely Carmichael aparecem para completar a Marcha contra o Medo. Durante a caminhada, Carmichael fala pela primeira vez em "poder negro", sua proposta na luta pelos direitos civis nos EUA, que inclui o uso da força.

ÍNDIA ATACA TEMPLO SAGRADO

    Em 1984, o Exército da Índia invade o Templo Dourado de Amritsar, depois de dois anos luta contra separatistas da seita sikh, que sonham com a independência do Calistão, e mata pelo menos 500 rebeldes.

Também morrem mais de 100 soldados, além de civis da seita sikh. O Exército ainda cerca guerrilheiros sikhs em cerca de 30 templos e santuários no estado do Punjab. O governo apresenta a operação como uma vitória definitiva sobre a revolta sikh.

O siquismo ou sikhismo é uma religião criada no século 15 por Guru Nanak. Combina elementos do hinduísmo e do islamismo, as duas religiões dominantes na Índia. Nos anos 1970, o Punjab torna-se um dos estados mais prósperos da Índia, o que alimenta o sonho de autonomia. A luta armada pela independência para criar o Calistão, a terra os puros, começa em 1982.

Meses depois da invasão ao lugar mais sagrado do siquismo, em 31 de outubro, dois guarda-costas sikhs assassinam a primeira-ministra Indira Gandhi. Em retaliação, hindus matam milhares de sikhs até que o filho e herdeiro político de Indira, o primeiro-ministro Rajiv Gandhi, manda o Exército intervir para parar com a matança.

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sexta-feira, 5 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 5 de Junho

EUA DEIXAM PADRÃO-OURO

     Em 1933, durante a Grande Depressão (1929-39), o presidente Franklin Delano Roosevelt retira os Estados Unidos do padrão-ouro.

O padrão-ouro é um sistema no qual a moeda de um país é lastreada por ouro e tem cotação fixa em ouro. O país precisa ter ouro para emitir moeda. A qualquer momento, a moeda pode ser trocada por ouro. Nos EUA, acaba quando o Congresso aprova uma resolução que extingue o direito dos credores de exigir pagamento em ouro.

Roosevelt é eleito em 1932, no auge da Grande Depressão (1929-39), a crise deflagrada pelo colapso da Bolsa de Valores de Nova York em 28 de outubro de 1929, com queda de 13% num dia. Erros de política econômica como o aumento do protecionismo agravam a situação. O índice de desemprego chega a 25%.

No discurso de posse, em 4 de março de 1933, o novo presidente declara: "Não temos nada a temer, a não ser o próprio medo." Ele anuncia uma série de medidas num plano de 100 dias para recuperar a confiança dos norte-americano em si mesmos e cria a Previdência Social. 

É o início do Estado do bem-estar social, que é atacado pelo Partido Republicano e o neoliberalismo, especialmente a partir da eleição do presidente Ronald Reagan (1981-89) em 1980.

Em 20 de abril de 1933, Roosevelt pede ao Congresso o fim do padrão-ouro.

PLANO MARSHALL

    Em 1947, em discurso na Universidade de Harvard, em Cambridge, no estado de Massachusetts, o secretário de Estado norte-americano, George Marshall, lança o Plano Marshall, um programa de recuperação da Europa depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45) financiado pelos Estados Unidos no início da Guerra Fria.

O objetivo é fortalecer as economias capitalistas aliadas dos EUA e reduzir a atratividade dos partidos comunistas no início da Guerra Fria, a grande confrontação estratégica, política, ideológica, econômica, científica, tecnológica, militar e cultural com a União Soviética.

Marshall defende a ajuda dos EUA à Europa e pede aos países europeus que façam um plano no discurso em Harvard. A França e o Reino Unido convidam os países do continente para uma reunião em Paris. A URSS boicota o encontro e pressiona a Hungria, a Tcheco-Eslováquia e a Polônia a fazer o mesmo.

O Congresso dos EUA aprova a proposta do Comitê de Cooperação Econômica da Europa em 2 de abril de 1948.

Durante quatro anos (1948-51), o Programa de Recuperação da Europa distribui US$ 13,4 bilhões (US$ 115 bilhões pela cotação de 2020) em ajuda direta e empréstimos a 18 países, inclusive Alemanha Ocidental, Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, Grécia, Holanda, Irlanda, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal e Suécia. Seus produtos internos brutos crescem de 15% a 25%.

Em  resposta ao Plano Marshall, em 1949, a URSS cria o Conselho de Assistência Econômica Mútua (Comecon) com a Alemanha Oriental, a Bulgária, a Hungria, a Polônia, a Romênia e a Tcheco-Eslováquia. 

GUERRA DOS SEIS DIAS

   Em 1967, Israel toma a iniciativa na Guerra dos Seis Dias, bombardeia e destrói em terra 400 a 500 aviões das forças aéreas dos países árabes.

Quando o Estado de Israel é fundado, em 14 de maio de 1948, os países árabes não aceitam e atacam o novo país no dia seguinte. Israel vence a Guerra da Independência (1948-49), a Primeira Guerra Árabe-Israelense, mas o conflito não acaba até hoje.

Em 26 de julho de 1956, o ditador egípcio, Gamal Abdel Nasser, nacionaliza o Canal de Suez. Israel, o Reino Unido e a França invadem o Egito, na Segunda Guerra Árabe-Israelense, para retomar o canal e depor Nasser.

Os Estados Unidos, a União Soviética e as Nações Unidas pressionam os países invasores a se retirar. O presidente norte-americano Dwight Eisenhower teme a intervenção soviética no conflito contra seus aliados na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), o que colocaria as duas superpotências em guerra. 

Washington retira o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) à França e o Reino Unido, que ainda sofrem o impacto econômico da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Nasser sai mais forte.

Os invasores afundam 40 navios para bloquear o canal, mas são forçados a se retirar. Suez fica fechado de outubro de 1956 e março de 1957. Israel conquista o direito de navegação pelo Estreito de Tiran, fechado pelo Egito para navios israelenses desde a guerra de 1948.

Israel adverte o Egito de que vai à guerra se o estreito for fechado de novo. Em maio de 1967, Nasser ameaça fechar e mobiliza as Forças Armadas. Quando o ditador egípcio pede a retirada da Força de Emergência das Nações Unidas que garantia a paz na Península do Sinai, Israel entende que é uma preparação final para a guerra, decide atacar primeiro e surpreende os inimigos árabes.

Com superioridade aérea, Israel derrota os inimigos e ocupa a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, que pertenciam ao Egito; a Cisjordânia, inclusive o Leste de Jerusalém, da Jordânia; e as Colinas do Golã, da Síria.

É a mais rápida e decisiva vitória de Israel, mas é uma guerra que não termina até hoje. Em 1977, depois da derrota na Guerra do Yom Kippur (1973), a maior empreitada militar árabe da era moderna, o líder egípcio Anuar Sadat se afasta dos EUA e assina um acordo de paz paz com Israel dois anos depois para recuperar o Sinai. 

O movimento nacional palestino sonha em criar um país independente na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. O processo de paz está estagnado desde 2014. Israel se retira em 2005 da Faixa de Gaza, dominada desde 2007 pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), o que leva a várias guerras com Israel, especialmente a atual, deflagrada em 7 de outubro de 2023, enquanto amplia pouco a pouco a colonização da Cisjordânia para criar uma política de fato consumado.

A guerra atual é resultado da estagnação no processo de paz. Ao mesmo tempo, cria a oportunidade de um acordo de paz definitivo com a criação de um Estado Nacional para o povo palestino, mas o governo de extrema direita de Bibi Netanyahu não aceita. Israel precisa realizar eleições até outubro. A expectativa é de que um novo governo construa a paz que o país não tem desde a fundação.

BOB KENNEDY BALEADO

     Em 1968, o palestino Sirhan Bishara Sirhan baleia mortalmente o senador Robert Fitzgerald Kennedy, que acaba de ganhar a eleição primária da Califórnia e de garantir a candidatura do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos naquele ano.

Bob Kennedy morre no dia seguinte. Era herdeiro político do irmão, o presidente John Fitzgerald Kennedy, assassinado em 22 de novembro de 1963 em Dallas, no Texas.

Como ministro da Justiça do governo JFK e membro do gabinete de guerra durante a Crise dos Mísseis em Cuba, em outubro de 1962, Bob Kennedy é uma das pombas que evitam um conflito capaz de levar a uma guerra nuclear com a União Soviética.

1968 é um ano sangrento na política dos EUA, marcado por ofensivas dos vietcongues na Guerra do Vietnã e violência política no país. O pastor Martin Luther King Jr., maior ativista pelos direitos civis dos negros, é morto em Memphis, no Tennessee, em 4 de abril, quando Bob Kennedy faz um discurso pregando a paz e a reconciliação.

PRIMEIRO RELATÓRIO SOBRE AIDS

    Em 1981, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos publica o primeiro relatório científico sobre a síndrome de deficiência imunológica adquirida (aids). Descreve cinco casos de uma infecção pulmonar complicada em pacientes gays de Los Angeles sem outros problemas de saúde.

Os primeiros casos da doença depois identificada como aids acontecem nos EUA, no Haiti e na África Central em 1977. Em 1980, o jornal The New York Times reporta que uma nova doença inicialmente descrita como um câncer raro está matando gays nova-iorquinos como moscas. Depois, descobre-se que a doença transmitida sexualmente também atinge mulheres.

Desde o início da pandemia, 85 a 90 milhões de pessoas pegam o vírus da imunodeficiência humana (HIV) e 40 a 45 milhões morrem. O uso de preservativos, as camisas de vênus ou camisinhas, nas relações sexuais, é a melhor maneira de evitar o contágio. Com o uso de medicamentos antirretrovirais, a doença deixa de ser uma morte certa. Hoje, estima-se que entre 39 e 40 milhões de pessoas vivam com o HIV; 53% são meninas e mulheres.

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