terça-feira, 15 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 15 de Setembro

INDEPENDÊNCIA DA AMÉRICA CENTRAL

    Em 1821, líderes da América Central aceitam um plano do caudilho mexicano Agustín Iturbide para a independência da Costa Rica, da Nicarágua, de El Salvador e da Guatemala do Império Espanhol.

Apesar da revitalização da economia e das Forças Armadas da Espanha sob a Dinastia de Bourbon depois da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-14), o Império Espanhol declina com a Revolução Francesa de 1789 e as guerras napoleônicas.

Quando as forças de Napoleão Bonaparte tomam a Península Ibérica (1807-8), a família real portuguesa foge para o Brasil sob a proteção da Marinha Real britânica e as colônias da América Espanhola começam a proclamar a independência.

A Constituição de Cádiz, de 1812, tenta manter as colônias latino-americanas. Dá representação no Parlamento e institui eleções municipais e provinciais, o que aumenta a agitação política pela independência.

Na América Central, um capitão-general forte, José de Bustamente Y Guerra, e o medo da população crioula de uma revolta indígena adiaram a onda de independências que varria o Império Espanhol na América do Sul.

O governo colonial, com sede na Cidade da Guatemala, reprime revoltas na Guatemala, na Nicarágua e em San Salvador, que só passa a ser El Salvador em 1841. Quando Fernando VII retoma a coroa espanhola, em 1814, suspende a Constituição de Cádiz. A restauração da constituição, em 1820, deflagra um debate político que leva à formação dos partidos conservadores e liberais que mandariam nos países da região por 100 anos.

Um conselho de notáveis reunido na Guatemala aprova o plano de Iturbide para a independência da América Central. Alguns queriam independência da Espanha e do México, e algumas províncias queriam independência da Guatemala, que era sede do governo colonial na região.

Os conservadores da Guatemala conseguem aderir ao império mexicano de Iturbide, mas isto causa uma guerra civil na América Central. San Salvador e Granada não aceitam. Depois de um longo cerco, forças guatemaltecas e mexicanas tomam El Salvador. Mas o império de Iturbide entra em colapso. É substituído por uma república liberal no México, que dá independência à América Central.

Em 1º de julho de 1823, uma assembleia com representantes de todas as províncias declara independência sob o nome de Províncias Unidas da América Central. No ano seguinte, é adotada a Constituição da República Federal da América Central, formada por Costa Rica, Nicarágua, Honduras, San Salvador e Guatemala. Chiapas escolhe se unir ao México e o Panamá vira parte da Colômbia.

As Províncias Unidas se separam em 1840. Até o fim do século 19, há 25 tentativas da Guatemala de restaurar a União. Só terminam em 1885, quando o presidente Justo Rufino Barrios (1873-85) invade El Salvador e morre na Batalha de Chalchuapa.

GUERRA DE TRINCHEIRAS

    Em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), depois da Batalha do Marne, em que os aliados detém a ofensiva da Alemanha na frente ocidental, na França e na Bélgica, os dois lados começam a cavar as primeiras trincheiras na frente ocidental. 

A guerra que todos esperam que seja breve se arrasta por quatro anos.

No momento de maior extensão, as trincheiras vão da costa da Bélgica no Mar do Norte até a região da Alsácia, na fronteira da França com a Suíça. A disputa pela região da Alsácia-Lorena, tomada da França pela Alemanha na Guerra Franco Prussiana (1870-71), é uma das causas da guerra, que termina com a rendição da Alemanha em 11 de novembro de 1918.

TANQUES EM GUERRA

    Em 1916, na Batalha do Somme, o tanque de guerra entra em combate pela primeira vez, como parte do Exército Real britânico.

Desde o início da guerra de trincheiras, o Exército Real pensa em desenvolver um veículo blindado capaz de transportar soldados e passar por cima de buracos de bombas e barreiras de arame farpado. No início de 1915, Winston Churchill cria uma comissão que faz um protótipo.

Quando é aprovado nos testes, o governo britânico encomenda 100 tanques. Eles são enviados à França em agosto de 1916; 49 são usados em 15 de setembro de 1916. São lentos, complicados e inconfiáveis. Só meia dúzia consegue mesmo penetrar em território alemão.

LEIS DO HOLOCAUSTO

    Em 1935, a Alemanha Nazista aprova as Leis de Nurembergue, que dão base legal ao Holocausto. A iniciativa de Adolf Hitler tira dos judeus o direito à cidadania alemã e proíbe relações sexuais e o casamento entre judeus e cidadãos alemães.

São duas leis. A Lei do Cidadão do Reich tira a cidadania alemã dos judeus, que não podem nem desfraldar a bandeira da Alemanha. E a Lei de Proteção do Sangue Alemão e da Honra Alemã proíbe sexo, casamento e até mesmo a contratação da empregadas domésticas judias de menos de 45 anos, em idade reprodutiva. Estão entre as primeiras medidas discriminatórias que causam o Holocausto.

Um decreto complementar de 14 de novembro de 1935 define como judeu alguém que tenha pelo menos um avô judeu e diz expressamente: "Um judeu não pode ser cidadão do Reich. Não pode exercer o direito de voto nem ocupar cargo público."

Logo, os passaportes dos judeus são marcados com um J. Em 29 de março de 1938, os judeus são proibidos de exercer a medicina.

Quando os alemães invadem e anexam outros países, aplicam as Leis de Nurembergue nas regiões ocupadas. Em 20 de janeiro de 1942, na Conferência de Wannsee, em Berlim, os líderes nazistas aprovam a "solução final", o extermínio dos judeus da Europa.

Cerca de 11 milhões de pessoas morrem no Holocausto, sendo 6 milhões de judeus, 1,5 milhão de ciganos, comunistas, socialistas, nacionalistas dos países ocupados, negros e membros da resistência antinazista.

Por causa das leis discriminatórias, o tribunal de crimes de guerra para julgar 24 líderes nazistas é instalado em Nurembergue. É o Julgamento de Nurembergue. Doze são condenados à morte na forca.

BATALHA DA INGLATERRA

    Em 1940, a Força Aérea Real derruba 46 aviões da Luftwaffe que invadem o espaço aéreo britânico, se impondo sobre a Alemanha na Batalha da Inglaterra, uma batalha aérea decisiva para impedir a invasão da Grã-Bretanha pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Depois da invasão da Polônia em 1º de setembro de 1939, no início da guerra, em 1940, Hitler ataca a Europa Ocidental, a Noruega, Holanda, Bélgica e ocupa a França em junho. O próximo alvo é o Reino Unido.

A batalha aérea mais importante da história começa em 10 de julho e vai até 31 de outubro de 1940, na visão britânica, e 11 de maio de 1941, na versão alemã.

“Nunca tantos deveram tanto a tão poucos”, declarou o primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, numa referência aos cerca de 1,5 mil pilotos da Força Aérea Real (RAF) que defenderam o Reino Unido no que ele chamou de "nossa melhor hora".

EUA CONTRA-ATACAM NA COREIA

    Em 1950, sob o comando do general  Douglas McArthur, fuzileiros navais dos Estados Unidos desembarcam na Península de Inchon, na Coreia do Sul, e conquistam uma vitória decisiva para rechaçar a invasão norte-coreana na Guerra da Coreia (1950-53).

A Coreia é ocupada pelo Japão em 1910. Com a derrota iminente do Japão para os EUA, em 9 de agosto de 1945, quando os norte-americanos jogam a segunda bomba atômica, em Nagasaki, a União Soviética declara guerra ao Japão e invade o Norte da Península Coreana. Os EUA tomam o Sul, dividindo o país ao longo do paralelo 38º Norte.

Com a Guerra Fria, em 1948, nascem a República Popular Democrática da Coreia (Coreia do Norte), comunista, e a República da Coreia (Coreia do Sul). Ambas reivindicam a soberania sobre toda a península.

Em 25 de junho de 1950, o ditador comunista norte-coreano, o Grande Líder Kim Il Sung, manda invadir o Sul para reunificar o país. Os EUA intervêm em apoio à Coreia do Sul.

Com um mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas, boicotado pela URSS por causa da não inclusão da República Popular da China (comunista), os EUA e aliados contra-atacam e tentam reunificar a Península Coreana. A China entra na guerra e empurra os norte-americanos de volta para baixo do paralelo 38º N.

A Guerra da Coreia termina em 27 de julho de 1953 com um armistício. Até hoje, não foi assinado um acordo de paz. Desde 2006, a Coreia do Norte tem armas nucleares.

ALI TRÊS VEZES CAMPEÃO MUNDIAL

    Em 1978, Muhammad Ali vence Leon Spinks e se torna campeão mundial de boxe na categoria peso-pesado pela terceira vez.

Cassius Marcellus Clay Jr. ganha a medalha de ouro do boxe na categoria peso meio-pesado na Olimpíada de Roma, em 1960, e o título mundial dos pesos pesados ao vencer Sonny Liston surpreendentemente em 25 de janeiro de 1964. 

Naquele ano, ele se converte ao islamismo e muda o nome para Muhammad Ali, alegando que usava o sobrenome do senhor de escravos que um dia foi dono de sua família.

Em 1966, Ali rejeita a convocação para o serviço militar por ser contra a Guerra do Vietnã e perde o título mundial. 

Quando a Suprema Corte anula sua condenação, ele volta a lutar. Faz a Luta do Século  e perde para Joe Frazier por pontos em 8 de março de 1971. Recupera o título numa luta mais espetacular ainda, ao vencer George Foreman em Kinshasa, no Zaire, em 30 de outubro de 1974. E ganha uma inédita terceira vez ao vencer Leon Spinks.

GRANDE RECESSÃO

    Em 2008, o banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers declara falência, deflagrando uma crise econômico-financeira que seria conhecida como Grande Recessão (2007-9), com impacto no mundo inteiro.


É o dia em que Wall Street, o centro financeiro de Nova York, fale o mundo, destruindo o mito neoliberal de que o mercado é capaz de se autorregulamentar.

Quando estoura a bolha especulativa das empresas ponto.com, em maio de 2000, o Conselho da Reserva Federal (Fed), o banco central dos Estados Unidos, baixa a taxa básica de juros para 1% ao ano. A recessão acaba em março de 2001, mas isto não fica claro imediatamente.

Por medo do impacto econômico dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, o Fed mantém as taxas de juros baixas. Na prática, distribui dinheiro aos bancos, que financiam a casa própria a juros baixos. Emprestam primeiro para quem pode pagar, mas também para os clientes de segunda linha (subprime), com problemas de crédito no passado.

Para não ficar com o risco, os bancos emitem títulos da dívida hipotecária. Vindo de uma economia sólida como os EUA, com um grande mercado imobiliário, a dívida é terceirizada. Quando o Fed sobe a taxa básica de juros, que chega a 5,25% ao ano em junho de 2006, os juros dos financiamentos sobem na mesma medida e vários mutuários, especialmente os de segunda linha, começam a não pagar.

O problema das hipotecas gera uma crise financeira global a partir de Wall Street. O sistema financeiro, o sangue da economia capitalista, funciona porque os bancos emprestam dinheiro e fazem transferências entre si. Isto exige uma confiança de que o negócio será pago. Chega um momento em que nenhuma instituição financeira sabe com certeza da saúde financeiras das outras. Há uma paralisia no mercado de crédito porque ninguém sabe se vai receber.

A falência do Lehman Brothers, depois que o governo dos EUA não encontra um comprador e não quer intervir no banco, é o início. Mais greve é a situação da maior seguradora do mundo, AIG (America International Group), que tinha desde seguros de carros e imóveis a seguros de grandes empresas e até credit default swaps (obrigações colateralizadas de crédito), um seguro de operações financeiras.

Com dívidas de US$ 180 bilhões, a seguradora AIG é considerada grandes demais para quebrar. Haveria um choque sistêmico na economia dos EUA, com um setor de seguros desenvolvidos.

O presidente George W. Bush lança o Programa de Alívio de Ativos Tóxicos (TARP), de US$ 750 bilhões, e convoca uma reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20), que reúne as 19 maiores economias do mundo e a União Europeia (UE) em busca de uma solução. Os bancos centrais dos países ricos mobilizam US$ 5 trilhões em garantias de crédito e o sistema voltar a funcionar. O Estado salva o mercado.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 14 de Setembro

ALELUIA, HÄNDEL!

    Em 1741, o compositor alemão Georg Friederic Händel, radicado na Inglaterra, completa sua obra-prima, O Messias.

Em 1741, o Lorde Tenente da Irlanda, o governador britânico da Irlanda, pede ajuda a Händel para arrecadar dinheiro para três instituições de caridade em Dublin com apresentações de música. Mesmo doente, Händel está determinado a compor um oratório para a ocasião

Messias é um oratório de cerca de duas horas e meia com 51 movimentos divididos em três partes. O mais famoso é o 42º (Aleluia). A estreia é em Dublin em 13 de abril de 1742. O texto causa polêmica na época. Sofre acusações de blasfêmia.

O tema é Jesus Cristo, o Messias, desde o anúncio profético de seu nascimento ao nascimento, vida, morte, ressurreição e ascensão aos céus. (Os dois últimos são mitos do cristianismo sem comprovação histórica.)

CAMPANHA DA RÚSSIA

    Em 1812, depois de uma vitória de Pirro na Batalha de Borodino, em 7 de setembro, o imperador francês Napoleão Bonaparte entra em Moscou naquela que seria sua maior derrota: a campanha da Rússia.


Com a cidade evacuada e o recuo do Exército russo, Moscou está deserta. Não há oficiais do regime czarista para assinar a rendição nem comida e suprimentos. Os russos tocam fogo em dois terços da cidade, deixando os franceses sem abrigo e víveres para enfrentar o inverno que se aproxima.

Cinco semanas depois, o Grande Exército deixa Moscou sem conseguir tomar o poder na Rússia e inicia uma longa retirada por um solo enlameado pelas chuvas do outono, um prelúdio do inverno russa.

O Grande Exército de Napoleão, com 685 mil homens, perde 400 mil na campanha da Rússia, de onde sai em 14 de dezembro. Seus inimigos se unem e o derrotam na Batalha de Leipzig, de 16 a 19 de outubro de 1813. Napoleão abdica em 4 de abril de 1814 vai para o exílio na Ilha de Elba, na costa da Toscana. Em 26 de fevereiro de 1815, ele foge da ilha com 700 homens, volta e reina por 100 dias até a derrota final, na Batalha de Waterloo, na Bélgica, em 18 de junho daquele ano.

Vencido, Napoleão é preso na Ilha de Santa Helena, no Oceano Atlântico, onde morre em 5 de maio de 1821.

HINO DOS EUA

    Em 1814, Francis Scott escreve o poema A Defesa do Forte M'Henry, letra do Hino dos Estados Unidos, depois de assistir ao bombardeio do forte de Maryland na Guerra de 1812, quando o Império Britânico tenta reassumir o controle sobre a ex-colônia.

Mais tarde, o poema é musicado e, em 1931, se torna o Hino dos EUA, Star-Spangled Banner (Bandeira Salpicada de Estrelas). A letra diz que, apesar das bombas e foguetes explodindo no ar durante a noite, quando amanheceu, "nossa bandeira ainda estava lá" e várias vezes que ela deve "tremular sobre a terra dos [homens] livres e lar dos bravos".

No encerramento do Festival de Woodstock, Jimi Hendrix, o maior guitarrista da história e único virtuose da história do rock, apresentou sua versão do hino marcada por distorções para lembrar os bombardeios da Guerra do Vietnã.

GUERRA MEXICANO-AMERICANA

    Em 1847, o general Winfield Scott entra na Cidade do México e hasteia a bandeira dos Estados Unidos, no final de uma ofensiva iniciada seis meses antes com um desembarque em Vera Cruz, durante a Guerra Mexicano-Americana (1846-48).

No Tratado de Guadalupe Hidalgo, os EUA ficam com mais de 40% do território mexicano, partes dos estados do Texas, Novo México, Arizona, Nevada, Utah e Califórnia.

O escritor e naturalista Henry David Thoreau, em protesto contra a guerra, se nega a pagar impostos, se refugia no Lago de Walden, em Massachusetts, e cria o conceito de desobediência civil.

Com suas ideias de luta pacífica, Thoreau influencia o escritor russo Leon Tolstói, o líder da independência da Índia, Mohandas Gandhi, que troca cartas com Tolstoy sobre as ideias de Thoreau, e o líder da luta contra o regime segregacionista do apartheid na África do Sul, Nelson Mandela.

PRESIDENTE McKINLEY MORRE BALEADO

    Em 1901, o presidente William McKinley morre depois de ser baleado por um anarquista na Exposição Pan-Americana em Buffalo, no estado de Nova York.

McKinley é eleito deputado aos 34 anos e passa 14 anos na Câmara. Depois de perder a eleição em 1890, ele se elege governador de Ohio. Em 1896, vence a eleição presidencial pelo Partido Republicano.

Seu governo privilegia as grandes empresas, que têm grande crescimento. Os EUA superam o Reino Unido em 1890 para se tornar a maior economia do mundo. É o início do imperialismo norte-americano.

Em abril de 1898, pressionado pela opinião pública e pelo Congresso, os EUA intervêm na luta de Cuba pela independência. Em três meses, derrotam a Espanha, promovem a independência de Cuba e anexam Porto Rico, as Filipinas e a ilha de Guam, no Oceano Pacífico. É o fim do imperialismo espanhol.

Com crescente interesse na Ásia, em 1900, McKinley manda milhares de soldados para a China na Guerra dos Boxers (1899-1901), uma revolta contra o colonialismo ocidental.

Reeleito em 1900, vai à Exposição Pan-Americana em 6 de setembro de 1901, quando o anarquista de origem polonesa Leon Czolgosz se aproxima e dispara dois tiros com um revólver calibre 32. Uma bala desvia num botão, mas a outra penetra no estômago, atravessa um rim e se aloja nas costas.

Os médicos não conseguem extrair a bala. O ferimento gangrena e causa uma infecção generalizada. McKinley morre oito dias depois. É um dos quatro presidentes dos EUA assassinados no exercício do cargo, ao lado de Abraham Lincoln, James Garfield e John Kennedy.

ISADORA DUNCAN MORRE EM ACIDENTE

    Em 1927, a bailarina Isadora Duncan morre num acidente de trânsito, estrangulada por um lenço de seda preso nas calotas das rodas traseiras de um carro conversível em Nice, na França.

Isadora Duncan nasce em 1877 em São Francisco da Califórnia. Nos seus 20 anos, vai para a Europa para se tornar bailarina. Mais do que uma bailarina clássica, tem um estilo livre e boêmio baseado na emoção e no improviso. Ela dança de pés no chão, com togas e lenços.

Ao saber da morte trágica enforcada no lenço de pescoço, a escritora norte-americana Gertrude Stein comenta: “A afetação pode ser perigosa.”

 

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domingo, 13 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 13 de Setembro

BATALHA DO QUEBEC

    Em 1759, as forças do Império Britânico vencem a França na Batalha do Quebec durante a Guerra dos Sete Anos (1756-63), em que os britânicos tomam as possessões francesas na Índia e quase todas na América do Norte.

O conflito começa dois anos antes, com uma disputa entra os impérios Francês e Britânico sobre o controle do alto Rio Ohio, se é parte da colônia da Virgínia ou não, seria parte de Louisiana Francesa, que seria vendida por Napoleão Bonaparte em 30 de abril de 1803, no governo Thomas Jefferson, por US$ 15 milhões. É uma disputa pelo coração da América do Norte.

No Quebec, na Batalha da Planície de Abraham, o general James Wolf lidera os britânicos e o Marquês de Montcalm os franceses. Os dois comandantes morrem de ferimentos sofridos na batalha. 

Dentro de um ano, o Canadá Francês capitula diante das forças britânicas. Com o fim da guerra, em 1763, a França cede praticamente todas as suas possessões no Canadá, menos o Quebec, hoje a única província do Canadá onde a maioria da população população (75%) fala francês como primeira língua.

A Guerra dos Sete Anos é uma das causas da independência dos EUA e da Revolução Francesa.

FASCISTAS INVADEM EGITO

    Em 1940, a Itália Fascista do ditador Benito Mussolini cruza a fronteira da Líbia, uma colônia italiana na época, e ataca o Egito na Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

Na sua expansão econômica imperialista, a Itália ocupa a Líbia em 1912. Mussolini chega ao poder em 1922. A partir de 1935, ano em que invade a Etiópia, Mussolini envia camponeses para a Líbia para reduzir a superpopulação italiana. Quando a guerra começa, a Itália tem bastante gente no Norte da África.

O delírio de grandeza do fascismo é resgatar a glória do Império Romano. A invasão do Egito se insere neste contexto. A estratégia italiana é avançar ao longo da costa da Líbia e do Egito para tomar o Canal de Suez. No caminho, há forças do Império Britânico e da França Livre.

O 10º Exército da Itália avança 105 quilômetros no território egípcio. Enfrenta a 7ª Divisão de Blindados do Exército Real britânico. Em 16 de setembro, a ofensiva para e os italianos decidem se entrincheirar no porto de Sidi Barrani.

Antes que os italianos recuperem as forças para retomar o ataque, em 8 de dezembro de 1940,  os britânicos atacam os acampamentos italianos fora de Sidi Barrani, na Operação Compasso, de cinco dias, desarticulam o exército fascista e perseguem os remanescentes em fuga dentro de território da Líbia, em Bardia, Tobruk, Dema, Mechvili e no Golfo de Sirte.

MASSACRE NA PRISÃO

    Em 1971, a polícia de Nova York ataca a Instituição Correcional Attica para controlar um motim de presos que tomam 40 reféns. Pelo menos 29 presos e 10 reféns morrem.

A prisão de Attica, de 1931, é uma das últimas grandes prisões construídas nos Estados Unidos. Tem paredes de 60 centímetros de espessura e 9 metros de altura. Os apenados passam 14 horas por dia em celas superlotadas e insanas, não recebem atendimento de saúde, a comida é ruim e falta recreação.

Em 9 de setembro de 1971, dois agentes tentam disciplinar dois presos que estariam brigando. No dia seguinte, os presos se rebelam e tomam 40 agentes penitenciários como reféns. Quando o governador Nelson Rockefeller manda a polícia de Nova York invadir, acontece o massacre.

ACIDENTE NUCLEAR EM GOIÂNIA

    Em 1987uma cápsula do elemento radioativo césio-137 abandonada em Goiânia, a capital do estado de Goiás, é vendida por catadores a um ferro-velho, onde é aberta cinco dias depois por trabalhadores que ficam maravilhados com o conteúdo de um azul radiante que chega a ser esfregado em uma menina como se fosse decorativo e é distribuído entre amigos e parentes.

Seis pessoas morrem e 1,6 mil são afetadas.

A cápsula usada em tratamentos de medicina nuclear é abandonada dentro de uma máquina obsoleta pelo Instituto de Radiologia de Goiânia quando muda de sede, em 1985, sem observar as medidas cautelares previstas em lei. Vai parar no ferro-velho e causa a tragédia.

PROCESSO DE PAZ

    Em 1993, o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, e o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, dão um histórico aperto de mãos nos jardins da Casa Branca, ao lado do presidente Bill Clinton, e anunciam um acordo para iniciar um processo de paz com o objetivo de acabar com o conflito árabe-israelense.

A ideia de criar uma pátria para o povo judeu ganha força no fim do século 19 com os pogroms (massacres) na Europa Oriental e o caso Alfred Dreifus, um capitão do Exército da França acusado de ser espião para a Alemanha, condenado e enviado para a prisão da Ilha do Diabo, na Guiana Francesa.

Em 2 de novembro de 1917, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), na Declaração de Balfour, em carta ao Barão de Rothschild, líder da comunidade judaica no Reino Unido, o ministro do Exterior britânico, Arthur James Balfour, promete fundar uma pátria para os judeus no território histórico da Palestina, se o Império Otomano for derrotado.

A promessa estimula a migração de judeus para a Palestina. O conflito com os árabes começa nos anos 1920 e se intensifica com a ascensão do nazismo ao poder na Alemanha, em 1933, e da imigração de judeus. Isso leva à Revolta Árabe (1936-39).

Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Assembleia Geral das Nações Unidas, sob a presidência do chanceler brasileiro, Oswaldo Aranha, aprova a divisão da Palestina e a criação do Estado Nacional judaico. 

Quando Israel é fundada, em 14 de maio de 1948, os vizinhos árabes rejeitam o Estado judaico e entram numa guerra vencida por Israel no início de 1949. Cerca de 750 mil árabes são expulsos, dando origem ao movimento nacional palestino.

A Guerra dos Seis Dias, de 5 a 10 de junho de 1967, termina com uma vitória-relâmpago de Israel e a ocupação da Faixa de Gaza e da Península do Sinai, que eram parte do Egito; das Colinas do Golã, da Síria; e da Cisjordânia, que era parte da Jordânia, inclusive o setor árabe de Jerusalém.

Com mais uma derrota árabe na Guerra do Yom Kippur, em outubro de 1973, o ditador do Egito, Anuar Sadat, se aproxima dos Estados Unidos, vai a Israel e negocia a paz em troca da devolução do Sinai. Sadat paga com a vida, é assassinado oito anos depois do início da guerra, em 6 de outubro de 1981. A paz entre árabes e judeus depende de mais negociações, que não acontecem.

O processo de paz entre Israel e os palestinos começa na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991, depois da guerra para expulsar os iraquianos do Kuwait, quando Israel é atacado e não retalia para manter a unidade da aliança liderada pelos Estados Unidos contra o Iraque de Saddam Hussein.

Sem sucesso no início, o processo de paz anda com negociações secretas em Oslo, a capital da Noruega, que resultam em 1993 no acordo anunciado na Casa Branca e na criação da Autoridade Nacional Palestina (ANP). O assassinato do primeiro-ministro Rabin, em 4 de novembro de 1995, por um ultradireitista israelense é um golpe na paz.

No ano seguinte, chega ao poder o primeiro-ministro direitista Benjamin Netanyahu, que arrasta as negociações enquanto amplia a colonização da Cisjordânia ocupada para criar uma política de fato consumado, origem da atual estagnação no processo de paz. 

Bibi Netanyahu perde as eleições de 1999 e o primeiro-ministro Ehud Barak tenta negociar um acordo definitivo no fim do governo Bill Clinton, no ano 2000, mas Arafat rejeita a proposta apostando que um governo republicano seria menos a favor de Israel.

Barak é sucedido em 2001 pelo linha-dura Ariel Sharon, o general mais violento da história de Israel, que entende a necessidade de negociar a paz para acabar com a guerra. Sharon sai do Likud, funda o partido Kadima (Avante) e retira as colônias israelenses da Faixa de Gaza, mas sofre um acidente vascular cerebral que o inabilita. É sucedido em 2006 por Ehud Olmert, do mesmo partido, que cai num escândalo de corrupção em 2009, quando Netanyahu volta ao poder.

Desde então, Bibi domina a política israelense. Mesmo no breve período em que Netanyahu não lidera o governo, as negociações com os palestinos não avançam. O ataque terrorista do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que sempre boicotou o processo de paz, agrava ainda mais a situação. 

No momento, colonos israelenses atacam palestinos na Cisjordânia com a cumplicidade do governo na expectativa de provocar uma reação capaz de levar à vitória da extrema direita nas eleições de 27 de outubro. 

O ministro da Segurança Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, que já foi chamado de nazista na Knesset, o parlamento de Israel, condiciona o apoio a um futuro governo à adoção de uma política de "emigração voluntária" dos palestinos da Faixa de Gaza.

Desde as guerras entre países árabes e Israel, a paz nunca esteve tão distante. A alternativa é esta guerra sem fim. 

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sábado, 12 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 12 de Setembro

FIM DO CERCO DE VIENA

    Em 1683, o cerco de Viena, capital da Áustria e do Sacro Império Romano-Germânico, termina quando uma força sob o comando de João III Sobieski, da Polônia e da Lituânia, vence os turcos do Império Otomano.

A Batalha de Viena, travada no Monte Kahlenberg, põe fim a dois meses de cerco meses da cidade e consolida a hegemonia da Dinastia de Habsburgo sobre a Europa Central. O rei da Polônia e da Lituânia lidera um exército de 84.450 soldados de uma aliança de austríacos, alemães e poloneses.

O cerco começa em 14 de julho de 1683, quando um exército de 90 mil turcos tenta tomar Viena. É um momento decisivo em 300 anos de guerras entre os reinos da Europa Central e o Império Otomano. Nos próximos 16 anos, os Habsburgo tomam gradualmente o Sul da Hungria e a Transilvânia, hoje parte da Romênia.

PINTURA RUPESTRE

    Em 1940, quatro adolescentes que entram numa passagem estreita atrás de seu cachorro descobrem a Caverna de Lascaux, perto de Montignac, na França, que guarda uma das maiores e mais lindas coleções de arte pré-histórica.

A Gruta de Lescaux, de 20 metros de largura e pouco menos de 5 m de altura, abriga 600 desenhos  pinturas de animais nas paredes e 1,5 mil entalhes produzidos de 17 a 15 mil anos atrás, durante o período Paleolítico Superior, numa das maiores coleções de arte rupestre.

Há apenas uma figura humana, com cabeça de pássaro e pênis ereto. Os arqueólogos acreditam que eram usados em rituais religiosos para melhorar a caça. Não é uma arte para exibir publicamente.

MUSSOLINI LIBERTADO

    Em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), forças especiais da Alemanha Nazista libertam o líder fascista Benito Mussolini da prisão na região das montanhas do Gran Sasso.

O ditador fascista chega ao poder em 31 de outubro de 1922, três dias depois da Marcha sobre Roma, e faz aliança com Adolf Hitler, ditador da Alemanha Nazista, formando o Eixo, ao qual depois se junta o Japão, formando o Pacto Tripartite que combate os aliados na Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Quando os aliados invadem a Itália, Mussolini é deposto, em 25 de julho de 1943. É libertado pelos alemães e volta ao poder na República Social Italiana, proclamada em 23 de setembro nos territórios ainda dominados pelo nazifascismo no Norte da Itália.

Com a invasão da Normandia, na França, em 6 de junho de 1944, os aliados ocidentais deslocam o foco da guerra para a França e a Alemanha. 

No fim da guerra, os aliados retomam a ofensiva na Itália. Em 28 de abril de 1945, Mussolini é preso e executado junto com a amante, Clara Petacci, por guerrilheiros comunistas da resistência italiana e pendurado de cabeça para baixo em Milão.

KRUSCHEV SUCEDE STALIN

    Em 1953, seis meses depois da morte do ditador Josef Stalin (1927-54), o russo Nikita Kruschev é eleito secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética.

Kruschev nasce Kilinovka, na Rússia, perto da fronteira com a Ucrânia, em 1894, numa família de camponeses e trabalha como mecânico em minas antes de entrar para o partido em 1918, depois da Revolução Bolchevique.

Em 1929, Kruschev vai para Moscou, onde está durante o Holodomor, o genocídio dos camponeses da Ucrânia que resistem à coletivização da agricultura sob Stalin, o que provoca uma grande fome. Pelo menos 3,9 milhões de ucranianos morrem em 1933 e 1934.

Leal a Stalin, Kruschev sobe no PC em plena era de expurgos e processos forjados. Em 1938, é nomeado primeiro-secretário do Partido Comunista da Ucrânia.

Com a morte de Stalin, em 5 de março de 1953, Kruschev vence Georgy Malenkov na disputa pela liderança comunista, e afasta Laurenti Beria, o chefe da polícia política de Stalin, a NKVD.

Para consolidar o poder, Kruschev denuncia o culto da personalidade e os crimes do stalinismo no 20º Congresso do PCUS, em 25 de fevereiro de 1956, e anuncia um processo desestalinização. Em 1937 e 1938, no auge do Grande expurgo stalinista, 1,5 milhão de pessoas são presas, a grande maioria filiada ao partido, e 680,5 mil são mortas pela repressão política na URSS.

Nikita Kruschev é o líder soviético do início da corrida espacial, quando a URSS sai na frente, autoriza a construção do Muro de Berlim e a instalação de mísseis nucleares soviéticos em Cuba, causa da Crise dos Mísseis, o momento de maior risco de guerra nuclear da Guerra Fria e da história.

A coexistência pacífica, que depois da Revolução Comunista era para evitar por ora um conflito considerado inevitável com as grandes potências capitalistas, passa a ser um elemento central das políticas externas dos EUA e da URSS.

Kruschev cai em 14 de outubro de 1964 numa disputa pelo poder dentro do regime comunista. É substituído por uma troika formada por Leonid Brejnev, Alexei Kossiguin e Nicolai Podgorny. Depois, Brejnev, secretário-geral do partido, se torna líder supremo e governa a URSS até a morte, em 1982. É um período de estagnação do regime que abre o caminho para as reformas de Mikhail Gorbachev, a partir de 1985.

Gorbachev é um social-democrata, um menchevique. Tenta reformar o regime comunista soviético, que se mostra irreformável e entra em colapso.

QUEDA DO IMPERADOR ETÍOPE

    Em 1974, o imperador Hailé Selassié, da Etiópia, é deposto por um comitê militar revolucionário.

Ele nasce em 23 de julho de 1892 em Ejersa Gore e é batizado como Tafari Makkonen, herdeiro de uma dinastia que vem do século 13 e traça suas origens no mítico rei bíblico Salomão. Símbolo religioso, é considerado um Deus vivo pelo movimento rastafári, que tem entre 600 e 800 mil seguidores em 2005.

Quando a Itália fascista de Benito Mussolini invade a Etiópia em 1935, Selassié vai para o exílio e percorre o mundo fazendo campanha para recuperar seu reino. Torna-se um símbolo da África, um jovem rei viajando pelo mundo para lutar pela independência de seu país, o que aumenta a idolatria. Volta à Etiópia em 1941, depois que os britânicos derrotam os italianos na Campanha da África Oriental.

No poder, anexa a Eritreia e reprime com violência os conflitos étnicos dentro da Etiópia. Uma grande fome, em 1972 e 1973, aumenta a oposição a seu governo, deposto por um golpe militar de inspiração marxista.

BIKO ASSASSINADO

    Em 1977, o médico e ativista político negro Steve Biko, fundador do Movimento da Consciência Negra, morre em Pretória, a capital da África do Sul, depois de várias sessões de tortura, e se torna um mártir e símbolo da luta contra o regime segregacionista do apartheid e a ditadura da minoria branca.


Stephen Bantu Biko nasce em 18 de dezembro de 1946 em Tarkastad. Líder estudantil, cria o Movimento da Consciência Negra para mobilizar a maioria sul-africana a lutar contra o apartheid. Uma de suas frases famosas é "preto é lindo", para fortalecer a autoestima: "Você esta bem como é. Comece a olhar para si mesmo como um ser humano."

Expulso da Universidade de Natal em 1972, é banido pela ditadura dos brancos em 1973. Mesmo assim, é um dos articuladores da Revolta de Soweto, em 16 de junho de 1976, e vira ainda mais um alvo das autoridades. Preso em 18 de agosto de 1977 numa barreira policial, é torturado repetidas vezes até a morte.

HARLEM GLOBETROTTERS PERDEM

    Em 1995, depois de 24 anos invictos e 8.829 vitórias, o time de basquete de exibição americano Harlem Globetrotters perde em Viena, na Áustria, para o time de veteranos Todas as Estrelas de Kareem Abdul-Jabbar por 91-85.


Aos 48 anos, Abdul-Jabbar, que era maior cestinha da história da NBA (Associação Nacional de Basquete dos Estados Unidos até ser superado em 2023 por Lebron James, faz 34 pontos.

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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 11 de Setembro

GUERRA DA SUCESSÃO ESPANHOLA

    Em 1709, o Duque de Marlborough e o príncipe Engênio, de Saboia, lideram uma força de 100 mil britânicos, holandeses e austríacos contra um exército de 90 mil franceses sob o comando do general Claude-Louis-Hector, Duque de Villers, e do marechal Louis-François, Duque de Boufflers, na Batalha de Malplaquet, uma das mais sangrentas da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-14).

A guerra começa após a morte de Carlos II, da Espanha, que não deixa sucessores. Sobe ao trono o Duque de Anjou, Felipe de Anjou, da Dinastia de Bourbon, neto de Luís XIV, da França, como Felipe V. Na prática, a sucessão joga a Espanha nos braços da França. Isto provoca a reação do Reino Unido, da Holanda, da Prússia, de Portugal, de Saboia e da Áustria, onde Leopoldo I quer unir as coroas espanhola e austríaca com seu filho Carlos.

Os aliados cercam o forte de Mons em 4 de setembro e atacam Malplaquet pelos flancos para obrigar os defensores franceses a enfraquecer a resistência no centro, onde avançam com uma cavalaria de 30 mil homens O plano de ataque funciona, com altas perdas. Pelo menos 22 mil aliados e 12 mil franceses são mortos ou feridos.

A França se retira e os aliados continuam o avanço até tomar Mons em 26 de outubro. Há várias negociações. A guerra deveria acabar com o Tratado de Utrecht (1713), mas vai até 1714. Felipe V mantém a coroa e as colônias da Espanha, mas abre mão de se candidatar ao trono da França. A Áustria não participa das negociações de Utrecht, mas não tem como continuar a guerra sem os aliados.

QUEDA DE BARCELONA

    Em 1714, depois de 14 meses de cerco, o Exército de Felipe V, da Espanha, toma Barcelona na Guerra da Sucessão Espanhola. É o fim das leis e instituições catalãs. É a data nacional da Catalunha.

O Cerco da Barcelona é uma das últimas operações militares da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-14). Quando morre Carlos II, da Espanha, que não deixa herdeiros, é o fim da dinastia austríaca, do ramo espanhol do Império dos Habsburgo. 

Ascende ao trono o Duque de Anjou, Felipe de Anjou, neto de Luís XIV, como Felipe V. Isto fortaleceria a relação entre Espanha e França, mudando a relação de forças no continente. A França, por sua vez, teme uma união entre Espanha e Áustria.  A Holanda e o Reino Unido se opõe à França, com que disputam a supremacia na Europa.

Durante a guerra, portugueses e espanhóis se enfrentam na América do Sul na luta pelo controle da Colônia do Sacramento. O Reino Unido toma o Estreito de Gibraltar, reclamado até agora pela Espanha.

No fim da guerra, Felipe V, da Dinastia de Bourbon, aproveita a resistência dos catalães em Barcelona para derrubar os muros das cidades que se opõem a seu Exército. O cerco começa em 25 de julho de 1714, com um número de soldados muito superior aos dos defensores de Barcelona. 

A data nacional da Catalunha é celebrada desde 11 de setembro de 1886. É proibida nas ditaduras de Miguel Primo de Rivera (1923-30) e Francisco Franco (1939-75).

GUERRA DA CRIMEIA

    Em 1855, durante a Guerra da Crimeia (1853-56), depois de onze meses de cerco, a França e o Reino Unido tomam Sebastopol, onde fica a principal base da Frota do Mar Negro da Rússia.

É uma das maiores operações militares da guerra. Cerca de 50 mil soldados britânicos e franceses, e 10 mil piemonteses, sob o comando de Lorde Raglan e do general francês François Conrobert, cercam Sebastopol a partir de 17 de outubro de 1854. O príncipe Alexander Menshikov comanda as forças da Rússia.

A batalha dura 11 meses porque os aliados não têm artilharia pesada para quebrar a resistência da cidade, enquanto os russos não conseguem romper o cerco. Em 8 de setembro, os franceses tomam Malakhov, no Sudeste da cidade. Os russos afundam os navios, explodem as fortificações e fogem em 11 de setembro.

A Guerra da Crimeia termina em 1º de fevereiro de 1856 com a derrota da Rússia. Isto leva o novo czar, Alexandre II, que sucede a Nicolau I em março de 1855, a fazer reformas como o fim da servidão, em 1861. No mesmo ano, começa a Guerra da Secessão (1861-65) em torno da abolição da escravatura nos Estados Unidos.

A Áustria, que se alia à França e ao Reino Unido, perde o apoio da Rússia, e sofre derrotas em 1859 e 1866 que levam às unificações da Itália (1861) e da Alemanha (1871).

GOLPE NO CHILE

    Em 1973, um golpe militar apoiado pelos Estados Unidos na Guerra Fria derruba o presidente socialista Salvador Allende e dá início à ditadura do general Augusto Pinochet, que mata 3.216 pessoas.

Allende é eleito em 1970 por uma aliança de socialistas e comunistas, com 36% dos votos, 39 mil a mais do que um candidato conservador. Sua eleição precisa ser referendada pelo Congresso, onde o Partido Democrata-Cristão vota a favor.

Em plena Guerra Fria, os EUA sabotam Allende desde a campanha. Fomentam uma revolta para impedir a posse. A CIA (Agência Central de Inteligência) dá US$ 8 milhões a grupos de oposição, como o sindicato dos caminhoneiros, que para o país, 

Sem maioria no Congresso do Chile, o governo da Unidade Popular enfrenta forte da oposição da direita e depois dos democratas-cristãos, que apoiam o golpe e são perseguidos pela ditadura pinochetista. Mais de 40 mil pessoas são torturadas e 200 mil fogem do Chile.

Um plebiscito, em 5 de outubro de 1988, rejeita a a prorrogação do mandato do tirano. Em 1989, o democrata-cristão Patricio Aylwin é eleito pela Concertação, uma aliança de 16 partidos liderada por democratas-cristãos e socialistas.

Aylwin toma posse em 11 de março de 1990, pondo fim à ditadura. Pinochet permanece no comando do Exército até 1998. Depois de deixar o cargo, é preso em Londres em 16 de outubro de 1998 por ordem do juiz de instrução espanhol Baltasar Garzón sob as acusações de genocídio, tortura, terrorismo internacional e desaparecimento de pessoas.

Quando o governo conservador espanhol de José María Aznar deixa claro que não vai pedir a extradição, o Reino Unido faz um acordo com o Chile para liberar Pinochet com a desculpa de que ele sofreria sérios problemas de saúde. 

No Chile, o ex-ditador é processado por 18 sequestros e 57 assassinatos. Chega a ficar em prisão domiciliar, mas nunca é condenado definitivamente. Impune, Pinochet morre do coração em 10 de dezembro de 2006.

Como consequência do golpe no Chile, a maioria dos países da América Latina hoje faz eleição presidencial em dois turnos quando o primeiro colocado não consegue a maioria absoluta dos votos válidos ou uma ampla vantagem sobre o segundo em alguns países que não exigem 50% dos votos válidos mais um. Assim, o presidente chega ao poder com o apoio da maioria.

TERROR NOS EUA

    Em 2001, no pior atentado terrorista da história, a rede Al Caeda transforma aviões de passageiros em mísseis guiados por pilotos suicidas, derruba as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York, e ataca o Pentágono, sede do Departamento da Defesa dos Estados Unidos, perto de Washington. Causa a morte 2.977 pessoas em Nova York, 125 no Pentágono e 69 num quarto voo, derrubado pelos passageiros, que iria para a Casa Branca ou o Capitólio.

O ataque provoca uma reação dos EUA: a Guerra contra o Terror, um equívoco desde o nome porque o terrorismo é uma tática de guerra, não é um inimigo em si. O inimigo, no caso, é o jihadismo, o terrorismo dos fundamentalistas islâmicos que pregam a guerra santa. 

É de certa forma um populismo político que pesca no mar do Corão para criar sua ideologia sanguinária. É uma ideologia e uma guerra ideológica é uma batalha de ideias. Antes de mais nada, é uma guerra civil dentro do Islã sobre qual é a verdadeira interpretação do Corão. 

O movimento jihadista tem uma base religiosa, sonha em recriar o mundo à imagem da Arábia no século 7, no tempo de Maomé, mas ao mesmo tempo usa os recursos tecnológicos do século 21. Cria um califado digital que recruta voluntários para o martírio. Na verdade, é um movimento político extremista surgido em lugares onde não há liberdade política, então eles se encontram nas mesquitas.

Depois de atacar o Afeganistão em 7 de outubro de 2001 e derrubar o regime fundamentalista dos Talebã em três semanas, os EUA conseguem cercar a liderança d'al Caeda na Batalha de Tora Bora, mas Ossama ben Laden foge para o Paquistão.

Em 2003, o então presidente George W. Bush resolve invadir o Iraque do ditador Saddam Hussein, que não tem relação alguma com os atentados, provocando uma revolta dos muçulmanos sunitas de que Al Caeda se aproveita para entrar no Iraque.

Al Caeda no Iraque se torna Estado Islâmico do Iraque em 15 de outubro de 2006 e, na guerra civil da Síria, em 8 de abril de 2013, Estado Islâmico do Iraque e do Levante. A partir de 29 de junho de 2014, vira Estado Islâmico.

Depois de retirar as forças dos EUA em 2011, o presidente Barack Obama declara em agosto de 2014 guerra ao Estado Islâmico, que proclama a fundação de um califado nas regiões que ocupava no Iraque e na Síria com jurisdição universal. Seu objetivo é impor sua ideologia assassina ao mundo inteiro.

A Guerra do Afeganistão, a mais longa da história dos Estados Unidos, acaba de maneira humilhante para os norte-americanos, com a volta imediata dos talebã ao poder, em 15 de agosto de 2021, e caos no aeroporto de Cabul, inclusive um atentado terrorista cometido pelo Estado Islâmico. 

A vitória dos jihadistas empolga os extremistas do mundo inteiro e certamente ajuda a recrutar mais voluntários para o martírio. O Afeganistão volta a ser solo fértil para grupos jihadistas que fazem terrorismo internacional. 

Os talebã prometem no acordo com os EUA não deixar usar o território afegão para desfechar ataques aos americanos e aliados, mas não controlam totalmente o país para garantir isso.

A Guerra contra o Terror não termina. Pelos dados oficiais morreram 6.892 soldados dos EUA nas guerras do Afeganistão, do Iraque e na Síria e no Iraque contra o Estado Islâmico. Ao todo, a Guerra contra o Terror custa aos EUA US$ 8 trilhões. Estima-se que 900 mil pessoas morrem nesta guerra.

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