sábado, 22 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 22 de Agosto

BATALHA DE BOSWORTH

    Em 1485, na última grande batalha da Guerra das Duas Rosas (1455-85), Henrique Tudor, Conde de Richmond, vence o rei yorkista Ricardo III, que morre no campo de Bosworth, e é coroado rei da Inglaterra como Henrique VII.

A Guerra das Duas Rosas é uma luta pelo poder travada na Inglaterra pelos descendentes do rei Eduardo III (1327-77), pelas dinastias de Lancaster (rosa vermelha) e de York (rosa branca), alimentada pelas ideias do Renascimento na Itália e pela violência herdada da Guerra dos Cem Anos (1337-1453).

A Dinastia de Lancaster ascende ao trono quando Henrique de Bolinbroke invade o país em 1399 e depõe Ricardo II (1377-99), sucessor de Eduardo III, tornando-se o rei Henrique IV (1399-1413), e continua sob Henrique V (1413-22) e Henrique VI (1422-61 e 1470-71).

A guerra começa no reinado de Henrique VI, um rei inseguro, manipulado pela mulher, Margaret de Anjou, a Loba da França. Isto leva parte da nobreza a conspirar para levar a Dinastia de York de volta ao trono. 

Em 1453, abalado por uma depressão, ele indica Ricardo, Duque de York, como sucessor. Quando se sente melhor, em 1455, retira todos os cargos de Ricardo de York, o que provoca o início do conflito. 

Os yorkistas vencem as forças reais na Primeira Batalha de Saint Albans, em 1455, e conquistam Londres em 4 de março de 1461, depois da Batalha de Mortimer's Cross. Derrubam Henrique VI, preso na Torre de Londres, e o substituem pelo primo Eduardo de York, o rei Eduardo IV. 

Em 30 de outubro de 1470, Henrique VI é libertado e reassume o trono, mas não por muito tempo. Com o apoio de Carlos I, de Borgonha, também conhecido como Carlos, o Audaz, ou Carlos, o Temerário, Eduardo IV recupera a coroa depois da Batalha de Tewkesbury, em 4 de maio de 1471, onde morre o príncipe de Gales, Eduardo de Westminster, deixando a Dinastia de Lancaster sem sucessor.

Eduardo IV reina em relativa paz até a morte, em 9 de abril de 1483. Seu filho Eduardo V, de 12 anos, reina por 78 dias até ser deposto pelo tio, Ricardo III, que era o Lorde Protetor dos dois principezinhos, Eduardo V e o irmão, Ricardo, desaparecidos e provavelmente mortos na Torre de Londres.

O desaparecimento dos principezinhos alimenta a revolta contra Ricardo III e a Dinastia de Lancaster apoia os Tudor contra ele. Em 1485, Henrique Tudor sai da Bretanha e invade a Inglaterra com 5 mil soldados. Mesmo tendo um exército duas vezes maior, os yorkistas perdem a Batalha de Bosworth. Ricardo III morre. 

A famosa frase "Um cavalo! Um cavalo! Meu reino por um cavalo!" não é dita por Ricardo III. É criada por William Shakespeare para a peça teatral A Vida e Morte do Rei Ricardo III.

Para acabar com a guerra, Henrique VII (1485-1509) se casa com Elizabeth de York.

É o fim da Idade Média na Inglaterra e o início da poderosa Dinastia Tudor, que governaria o país até 1603, com o próprio Henrique VII, Henrique VIII (1509-47), que rompe com a Igreja Católica e funda a Igreja da Inglaterra para se divorciar porque queria ter um filho homem para evitar novas guerras pelo trono, Eduardo VI (1547-53), Maria I (1553-58) e Elizabeth I (1558-1603), período em que começa a construção do Império Britânico.

Ao romper com o Vaticano e fundar a Igreja Anglicana, Henrique VIII divide o país entre católicos e protestantes, o que deflagra uma guerra entre suas filhas Maria I, católica, filha de Fernando II de Aragão e Isabel I, de Castela, os reis católicos da Espanha, e a Elizabeth I, protestante, filha de Ana Bolena, a segunda das seis mulheres de Henrique VIII.

A rivalidade entre Maria I e Elizabeth I gera os conflitos religiosos que causam a longa Guerra Civil Inglesa (1630-89). A guerra só termina com a Revolução Gloriosa (1688-89), que estabelece a supremacia do Parlamento. Entre outras coisas, a Declaração de Direitos proíbe o rei de aumentar impostos e declarar guerra sem o consentimento do Parlamento, e até mesmo de manter um exército permanente.

FUNDAÇÃO DA CRUZ VERMELHA

    Em 1864, na Suíça, 12 países adotam a Convenção de Genebra para Melhorar a Condição dos Feridos e Doentes de Exércitos no Campo de Batalha e criam a Cruz Vermelha Internacional.

A fundação da Cruz Vermelha é uma resposta à violência da Batalha de Solferino, um combate decisivo na Segunda Guerra da Independência da Itália, travada em 24 de junho de 1859, que termina com a vitória da França de imperador Napoleão III, aliado a um exército da Sardenha e do Piemonte, sobre a Áustria do imperador Francisco José I.

Cerca de 300 mil soldados lutaram na Batalha de Solferino, a maior desde a Batalha de Leipzig, de 16 a 19 de outubro de 1813, quando uma aliança da Aústria, Prússia, Rússia e Suécia vence o Grande Exército de Napoleão Bonaparte, a maior das guerras napoleônicas e da Europa antes da Primeira Guerra Mundial (1914-18). Cerca de 560 mil homens lutam em Leipzig com 2,2 mil peças de artilharia que fazem 133 mil disparos e deixam 133 mil mortos e feridos.

Ao percorrer o campo de batalha em Solferino, no Reino da Lombardia e Veneza, hoje parte da Itália, e testemunhar o sofrimento dos feridos em combate, o suíço Jean-Henri Dunant escreve o livro Uma Memória de Solferino e inicia uma campanha para criar uma organização capaz de proteger as vítimas da guerra. 

As demais Convenções de Genebra são aprovadas em 1949, depois dos horrores da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

MICHAEL COLLINS ASSASSINADO

    Em 1922, o líder revolucionário Michael Collins, político do partido Sinn Féin e herói da independência da Irlanda do Reino Unido, é morto em emboscada no condado de Cork, no Oeste da Irlanda.

Collins nasce em 16 de outubro de 1890 em Woodfield, no condado de Cork, então parte do Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda. Em 1906, ele vai para Londres, onde trabalha como funcionário do Banco de Poupança do Correio. Volta em janeiro de 1916 para a Irlanda e luta na Revolta da Páscoa, em abril do mesmo ano. É preso e libertado em dezembro.

Logo, ascende na hierarquia dos Voluntários Irlandeses e no Sinn Féin (Nós Mesmos). Em 1918, é eleito deputado pelo distrito de Cork Sul. Os deputados do Sinn Féin, que conquistam uma grande vitória nas eleições na Irlanda, formam em janeiro de 1919 um parlamento irlandês, o Primeiro Dáil, e declaram a independência da Irlanda. 

Na primeira sessão, em 21 de janeiro, o Primeiro Dáil proclama a independência e deflagra a Guerra Anglo-Irlandesa, a Guerra de Independência da Irlanda, que vai até 11 de julho de 1921. Collins é nomeado ministro das Finanças.

Durante a guerra, Collins é diretor de inteligência do Exército Republicano Irlandês (IRA), general adjunto dos Voluntários Irlandeses e o principal responsável pela estratégia de guerrilha. Depois do cessar-fogo, é um dos cinco enviados pelo presidente irlandês, Éamon de Valera, para negociar a paz com o Reino Unido.

O tratado de paz, assinado em 6 de dezembro de 1921, cria o Estado Livre Irlandês em 26 dos 32 condados da Irlanda. Os outros seis, parte da província do Úlster, formam a Irlanda do Norte, que continua sendo parte do Reino Unido. Mas o acordo depende de um juramento de lealdade à coroa, o que desagrada aos revolucionários. 

Michael Collins considera uma concessão aceitável para garantir a independência e consegue obter a aprovação do parlamento irlandês em 7 de janeiro de 1922, pondo fim a oito séculos de dominação inglesa. Em 16 de janeiro, ele se torna chefe do governo provisório. Secretamente, apoia uma ofensiva do IRA na Irlanda do Norte.

Quando estoura a Guerra Civil Irlandesa, em 28 de junho de 1922, Collins é o líder do Exército Nacional. Em 22 de agosto, morre numa emboscada dos inimigos do tratado de paz.

LUTA CONTRA RACISMO NO ESPORTE

    Em 1950, a tenista Althea Gibson é a primeira pessoa de origem africana a ser aceita pela Associação de Tênis na Grama dos Estados Unidos para disputar o Torneio de Forest Hills, que no futuro evolui para Aberto dos EUA. É a primeira tenista negra a ganhar os torneios de Roland Garros, na França, em 1956, de Wimbledon, na Inglaterra, e de Forest Hills, em 1957.

Althea Gibson nasce no Condado de Clarendon, na Carolilna do Sul, em 25 de agosto de 1927. Seus pais são meeiros numa plantação de algodão. Podem cultivar uma pequena parte das terras de um fazendeiro em troca de trabalhar na colheita.

Com a Grande Depressão (1929-39), as fazendas do Sul são duramente atingidas. Em 1930, como parte da Grande Migração, a família se muda para o bairro negro do Harlem, em Nova York. Ela larga a escola aos 13 anos. Encara a dura vida das ruas com técnicas de boxe que aprende com o pai e joga basquete. Para escapar da violência do pai, passa algum tempo num educandário católico para crianças vítimas de abuso.

Em 1940, tem as primeiras aulas de tênis, mas a princípio não gosta do esporte: "Queria brigar com a outra jogadora todas as vezes que começava a perder uma partida." No ano seguinte, entra no seu primeiro torneio e ganha o Campeonato Estadual de Nova York da Associação Americana de Tênis. Em 1944 e 1945, vence os campeonatos nacionais para meninas. 

Em 1947, ganha o primeiro de 10 títulos nacionais para mulheres, mas só em 1950, aos 23 anos, é convidada para Forest Hills. No ano seguinte, ganha o primeiro torneio internacional, o Campeonato Caribenho, na Jamaica, e é a primeira pessoa negra a disputar o Campeonato de Wimbledon, onde nunca é admitida como sócia.

Ela ganha três dos quatro torneios do Grand Slam, conquista um total de cinco títulos de simples e cinco de duplas e quatro de vice-campeã dos torneios mais importantes do mundo. Com a brasileira Maria Esther Buenos como parceira, vence Wimbledon e é vice em Forest Hills em 1958. 

No mesmo ano, se torna profissional. Em 1964, aos 37 anos, é a primeira mulher negra aceita na Associação Profissional de Golfe para Mulheres. Mais tarde, é treinadora das irmãs Serena e Venus Williams.

SANDINISTAS TOMAM PALÁCIO NACIONAL

    Em 1978, durante a guerra contra a ditadura de Anastasio Somoza Debayle, um grupo de 26 guerrilheiros da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) toma o Palácio Nacional, em Manágua, sede da Assembleia Nacional da Nicarágua. Sob o comando de Edén Pastora, o Comandante Zero, faz cerca de mil reféns, inclusive 49 deputados, e exige a libertação de todos os presos políticos.

O movimento guerrilheiro é inspirado em Augusto César Sandino, o "general de homens livres", que resiste durante seis anos a uma intervenção militar dos Estados Unidos iniciada em 1912, dentro da Guerra das Bananas.

Os fuzileiros navais norte-americanos deixam o país em 1933. No ano seguinte, durante as negociações de paz, Anastasio Somoza García ordena o assassinato de Sandino, em 21 de fevereiro de 1934. Seus seguidores são fuzilados.

O ditador se torna oficialmente presidente da Nicarágua em 1º de janeiro de 1937. Governa até ser assassinado em 29 de setembro de 1956 pelo poeta Rigoberto López Pérez, numa ação de que participam Carlos Fonseca Amador e Tomás Borge Martínez, futuros comandantes da FSLN.. 

Somoza García é sucedido pelo filho Luis Somoza Debayle, ditador até a morte por ataque cardíaco em 13 de abril de 1967. Durante seu governo, permite que rebeldes cubanos apoiados pelos EUA usem o porto de Porto Cabeças para a invasão da Baía dos Porcos, em Cuba, em abril de 1961, derrotada por Fidel Castro.

A FSLN é fundada em 19 de julho de 1961, sob inspiração da Revolução Cubana, que toma o poder em Havana em 1º de janeiro de 1959, antes da posse de Anastasio Somoza Debayle, em 1º de maio de 1967.

Nos anos 1970, os sandinistas conquistam amplo apoio popular, de setores econômicos e da Igreja Católica e intensificam a atividade guerrilheira. O comandante Carlos Fonseca morre em 8 de novembro de 1976.

Um marco da Revolução Sandinista é a morte, em 10 de janeiro de 1978, do jornalista Pedro Joaquín Chamorro, visto como o principal líder da oposição capaz de assumir a Presidência da Nicarágua. A tomada espetacular do Palácio Nacional é outro momento-chave, com a libertação de presos políticos e a divulgação de manifestos.

Em março de 1979, a FSLN convoca uma greve geral e lança a ofensiva final. Somoza foge em 17 de julho e os sandinistas tomam Manágua em 19 de julho. O ditador foge para o Paraguai, onde é morto por um bazucaço em 17 de setembro de 1980.

Com a vitória da revolução, toma o poder uma junta de nove comandantes e Daniel Ortega se torna presidente até 25 de abril de 1990, depois de perder uma eleição para Violeta Chamorro, a mulher de Pedro Joaquín Chamorro, em 26 de fevereiro de 1990.

Ortega volta ao poder em 2007 com apoio do ex-presidente Arnoldo Alemán, um somozista, e governa até hoje, assumindo poderes ditatoriais. Em 2018, esmaga uma revolta popular iniciada com protestos contra uma reforma da previdência, com total de mortes estimado entre 325 e 568.

Depois de prender os principais candidatos da oposição, Ortega, o novo Somoza, é reeleito em 2021. Em 9 de fevereiro de 2023, a ditadura liberta e expulsa 222 oposicionistas. Dentro de sua guerra contra a Igreja Católica, em 15 de agosto, fecha a Universidade Centro-Americana, uma instituição dos jesuítas, acusando-a de ser um antro de terroristas. 

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 21 de Agosto

REVOLTA DE ESCRAVOS NOS EUA

    Em 1831, Nat Turner, que se considera enviado por Deus para libertar seu povo, inicia um sangrenta revolta de escravos que mata 60 pessoas no estado da Virgínia.

Com sete aliados, Turner mata seu dono, Joseph Travis, e família. O plano é tomar o arsenal do condado, na cidade de Jerusalém, e fugir por 50 quilômetros até um pântano onde pretendia enganar seus perseguidores.

Durante dois dias e duas noites, os rebeldes atacam fazendas e arregimentam seus escravos para a luta. Cerca de 75 rebeldes matam 60 moradores brancos do Condado de Southampton.

Uma milícia estadual de 3 mil homens esmaga a rebelião quando Turner e os escravos rebelados estão a poucos quilômetros de Jerusalém. O líder escapa. É preso em outubro e enforcado em 11 de novembro em Jerusalém.

Em reação à maior revolta de escravos da história dos EUA, muitos negros inocentes são chacinados e uma série de leis repressivas proíbe o movimento negro, a reunião e a educação de escravos.

ROUBO DA MONA LISA

    Em 1911, um funcionário italiano do Museu do Louvre, em Paris, rouba o quadro mais famoso do mundo, a Gioconda ou Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, pintado em 1503.

Vincenzo Peruggia aproveita o fechamento do museu numa segunda-feira e o sono de um porteiro para arrancar o quadro da moldura e carregá-lo escondido numa jaqueta. 

Depois de deixar a Mona Lisa escondida debaixo da cama por 28 dias, o ladrão leva o quadro para a Itália por acreditar que a pintura fora roubada numa invasão de Napoleão Bonaparte, que teve a obra pendurada em seu quarto. Na verdade, o rei Francisco I comprou o quadro de Leonardo da Vinci.

Na Itália, Peruggia entra em contato com o florentino Alfredo Geri, dono de um antiquário, e pede 500 mil liras, equivalentes a R$ 440 mil ao câmbio atual, pela pintura célebre. Os dois se encontram no Hotel La Cerratani, hoje Hotel La Gioconda, em Florença. Geri leva junto Giovanni Poggio, diretor da Galeria dos Ofícios, o principal museu da cidade.

Como há muitas falsificações de obras famosas, os dois decidem verificar a autenticidade da obra. Quando veem que é autêntica, denunciam à polícia, que prende Peruggia e recupera o quadro dois anos depois do furto. Antes de voltar a Paris, a Mona Lisa é exposta na Galeria dos Ofícios, em Florença, e no Palácio Farnese e na Galeria Borghese, em Roma.

Desde então, o sorriso da Mona Lisa só saiu do Louvre para ser exposto no Museu de Arte Metropolitano, em Nova York, nos EUA, em 1963, e na Rússia e no Japão, em 1974. Desde 2005, uma caixa de vidro especial protege a obra-prima de Da Vinci, vista por uma média de 30 mil pessoas por dia.

MORTE DE TROTSKY

    Em 1940, morre o líder revolucionário comunista Leon Davidovich Bronstein, mais conhecido como Leon Trotsky, atacado na véspera na sua casa no exílio na Cidade do México pelo agente stalinista espanhol Jaime Ramón Mercader com uma picareta de alpinismo.

Trotsky nasce na Ucrânia numa família judaica. Vira marxista na adolescência e larga a Universidade de Odessa para organizar o Sindicato dos Trabalhadores do Sul da Rússia. Em 1898, é preso por suas atividades políticas. Dois anos depois, é enviado para a Sibéria. Em 1902, foge usando um passaporte falso em nome de Leon Trotsky.

Ele volta à Rússia para participar da Revolução de 1905. É preso e enviado de novo à Sibéria. Em 1907, escapa mais uma vez. Em mais uma década no exílio, Trotsky vive na Suíça, na França, na Espanha e em Nova York antes de voltar à Rússia em 1917, depois que a Revolução de Fevereiro derruba a monarquia.

Como líder do Soviete de Petrogrado, Trotsky tem um papel decisivo na Revolução de Outubro, que leva os bolcheviques ao poder. Nomeado comissário de Relações Exteriores, negocia a paz de Brest-Litovsk com a Alemanha para tirar a Rússia da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Comissário do Povo para Assuntos Militares e Navais, cria e chefia o Exército Vermelho durante a guerra civil que se segue à Revolução Comunista. Também funda o Politburo do Comitê Central do Partido Comunista e se torna um de seus sete membros.

Depois da morte de Lenin, em janeiro de 1924, Trotsky perde a disputa pelo poder com Josef Stalin. Em 1925, deixa de ser comissário da Guerra e, em 1927, é afastado do Politburo.

Expulso da União Soviética em fevereiro de 1929, torna-se o maior crítico do stalinismo até ser morto por Mercader, um agente internacional do Comissariado do Povo para Assuntos Internos (NKVD), a polícia política da URSS no período stalinista. 

HAVAÍ VIRA ESTADO DOS EUA

    Em 1959, o presidente Dwight Eisenhower assina a proclamação que torna o Havaí o 50º estado dos Estados Unidos.

Os primeiros seres humanos chegam ao Arquipélago do Havaí no século 8 da era cristã. Os comerciantes norte-americanos começam a extrair o sândalo, uma madeira muito apreciada na China. A indústria açucareira é introduzida nos anos 1830 e se torna importante na metade do século 19. 

A presença de agricultores e missionários americanos muda a história do Havaí. Em 1893, um grupo de americanos expatriados e plantadores de açúcar depõe a monarquia. No ano seguinte, o Havaí vira protetorado dos EUA.

Depois do uso da base naval de Pearl Harbor durante a Guerra Hispano-Americana, em 1898, quando os EUA tomaram as Filipinas e a ilha de Guam, a anexação formal é aprovada. O ataque do Japão à 7ª Frota Americana em Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941 faz os EUA entrar na Segunda Guerra Mundial (1939-45).

LÍDER DA INDEPENDÊNCIA DO QUÊNIA SOLTO

    Em 1961, depois de nove anos de prisão, as autoridades coloniais britânicas libertam Jomo Kenyatta, líder do movimento pela independência do Quênia.


 Menos de dois anos depois, em 1º de junho de 1963, o Quênia conquista a independência e Kenyatta se torna primeiro-ministro e, a partir de 1964, presidente até sua morte, em 22 de agosto de 1978.

Sob Kenyatta, o Quênia adere à Organização de Unidade Africana (OUA) e à Comunidade das Nações, a antiga Comunidade Britânica, e se alia ao Ocidente durante a Guerra Fria. 

Seu governo é acusado de ditatorial, autoritário, corrupto e neocolonial ao privilegiar os kikuyos sobre outras etnias, mantendo a hierarquia social imposta pelo Império Britânico.

INDEPENDÊNCIA DA LETÔNIA

    Em 1991, no dia do colapso do golpe da linha-dura contra o presidente Mikhail Gorbachev, a Letônia declara independência da União Soviética.

A República da Letônia proclama a independência em 18 de novembro de 1918, depois da derrota da Rússia para a Alemanha na Primeira Guerra Mundial (1914-18), em meio ao caos da guerra civil deflagrada pela Revolução Bolchevique.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a União Soviética de Josef Stalin invade e anexa a Letônia em 1940 com base no Pacto Germano-Soviético, assinado em 23 de agosto de 1939, dias antes do início do conflito. Milhares de letões são presos, assassinados ou deportados. 

Para consolidar a anexação, a URSS promove uma migração em massa de russos, que são hoje cerca de 27% da população de 1,8 milhão de habitantes, o que gera um risco de invasão da Rússia.

Com a abertura política promovida por Gorbachev na URSS, a Frente Popular da Letônia é fundada em Riga em 8 de outubro de 1988 para lutar pela independência.  

A Letônia entra para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em 29 de março de 2004 e para a União Europeia em 1º de maio do mesmo ano. 

É um dos países mais determinados da aliança militar liderada pelos Estados Unidos no apoio contra a invasão da ex-república soviética da Ucrânia pela Rússia.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 20 de Agosto

INÍCIO DA ESCRAVIDÃO NOS EUA

     Em 1619, os primeiros escravos africanos são vendidos na colônia de Jamestown, na Virgínia, no início da escravidão no que hoje são os Estados Unidos.


São mais de 20 angolanos capturados por traficantes de escravos portugueses atacados por piratas em busca de ouro. Quando os piratas veem que são escravos, os vendem aos colonos norte-americanos.

A colônia de Jamestown, fundada em 1607 e batizada em homenagem ao rei Jaime I da Inglaterra e Jaime VI na Escócia, tem cerca de 700 habitantes em 1619.

Os escravos são capturados pelos traficantes portugueses nos reinos africanos do Kongo e de Ndongo e embarcados no navio San Juan Bautista, que os levaria a Veracruz, na colônia espanhola da Nova Espanha, hoje México.

Na travessia do Oceano Atlântico, cerca de 150 dos 350 escravos morrem. Dois navios piratas, o Leão Branco e o Tesoureiro, atacam o navio negreiro e tomam 60 escravos. O Leão Branco troca-os por comida em Jamestown.

O tráfico de escravos captura mais de 12 milhões de africanos. A maior parte (5 milhões) vem para o Brasil, outros 3 milhões para a região do Mar do Caribe e 600 mil para os EUA.

DESCOBERTA DO ALASCA

    Em 1741, em viagem a serviço da Rússia, o explorador dinamarquês Vitus Bering encontra  o Alasca.

Bering nasce em Horsens, na Dinamarca, em 1681. Depois de uma viagem às Índias Orientais, ele entra para a frota do czar Pedro I, o Grande, como subtenente.

Em 1724, o czar o nomeia capitão de uma expedição para determinar se a Ásia está ligada à América do Norte ou se existe uma passagem que permita chegar a China contornando os limites da Sibéria.

A expedição parte da Península de Kamchatka em 13 de julho de 1728. Em agosto, passa pelo Estreito de Bering e chega ao Oceano Glacial Ártico. O mau tempo não deixa avistar a América do Norte, mas ele conclui que os dois continentes não estão ligados por terra.

Durante o reinado da imperatriz Ana, Bering integra a Grande Expedição do Norte (1733-43), que mapeia a costa ártica da Sibéria. Em 4 de junho de 1741, ele zarpa de Kamchatka com o navio Saint Peter, enquanto Alexei Chirikov comanda o Saint Paul. Uma tempestade afasta os dois navios. 

Chirikov descobre várias Ilhas Aleutas e Bering chega ao Golfo do Alasca em 20 de agosto. Com escorbuto, Bering perde a capacidade de comandar o navio, destruído durante uma tempestade no porto da Ilha de Bering em novembro. Ele morre em 19 de dezembro de 1741 na Ilha de Bering, batizada em sua homenagem, assim como o estreito por onde se acredita que o homem chegou à America há 24 mil anos. Os sobreviventes conseguem chegar à Sibéria e falar das possibilidades do comércio de peles do Alasca e das Aleutas.

Em 1784, o comerciante de peles russo Grigory Chelikhov funda na ilha de Kodiak a Baía de Três Santos, o primeiro assentamento permanente da Rússia no Alasca. Depois da derrota na Guerra da Crime (1853-56), a Rússia vende o Alasca para os Estados Unidos em 1867.

O negócio é defendido pelo secretário de Estado, William Seward, que enfrenta forte oposição por se tratar de um deserto gelado.

Seward oferece US$ 7,2 milhões e os EUA assumem o controle do território em 18 de outubro de 1867. O negócio é chamado de "loucura de Seward".

A descoberta de ouro no Território de Yukon, no Canadá, em 16 de agosto de 1896 deflagra uma corrida do ouro que inclui o Alasca, a maior da história da América. Cerca de 100 mil garimpeiros vão para a região. A "loucura de Seward" se paga com alto lucro.

QUEDA DE BRUXELAS

    Em 1914, a Alemanha toma Bruxelas, a capital da Bélgica, na invasão inicial da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Com a Europa em crise depois do assassinato do herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, Francisco Ferdinando, em Sarajevo, na Bósnia-Herzegovina, em 28 de junho, a Bélgica reafirma sua neutralidade em 24 de agosto.

A guerra começa em 28 de julho, quando a Áustria-Hungria ataca a Sérvia. A Alemanha, aliada da Áustria-Hungria, invade Luxemburgo em 2 de agosto e exige passagem livre para suas tropas pelo território belga para atacar a França.

Diante da recusa, a Alemanha declara guerra à Belgica e invade o país em 4 de agosto, Começa a Batalha de Liège, que cai em 7 de agosto. Depois das batalhas de Mons e de Charleroi, os exércitos alemães seguem em marcha rumo à França. 

ASSASSINATO DE TROTSKY

    Em 1940, o agente stalinista Jaime Ramón Mercader ataca com uma picareta de alpinismo o líder revolucionário comunista Leon Davidovich Bronstein, mais conhecido como Leon Trotsky, que morre no dia seguinte, na sua casa no exílio na Cidade do México.

Trotsky nasce em Ianovka, na Ucrânia, numa família judaica em 7 de novembro de 1879. Vira marxista na adolescência e larga a Universidade de Odessa para organizar o Sindicato dos Trabalhadores do Sul da Rússia. 

Em 1898, é preso por suas atividades políticas. Dois anos depois, é enviado para a Sibéria. Em 1902, foge usando um passaporte falso em nome de Leon Trotsky.

Ele volta à Rússia para participar da Revolução de 1905. É preso e enviado de novo à Sibéria. Em 1907, escapa mais uma vez. Em mais uma década no exílio, Trotsky vive na Suíça, na França, na Espanha e em Nova York antes de voltar à Rússia em 1917, depois que a Revolução de Fevereiro derruba a monarquia.

Como líder do Soviete de Petrogrado, Trotsky tem um papel decisivo na Revolução de Outubro, que leva os bolcheviques ao poder. Nomeado comissário de Relações Exteriores, negocia a paz de Brest-Litovsk com a Alemanha para tirar a Rússia da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Comissário do Povo para Assuntos Militares e Navais, cria e chefia o Exército Vermelho durante a guerra civil que se segue à Revolução Comunista. Também funda o Politburo do Comitê Central do Partido Comunista e se torna um de seus sete membros.

Depois da morte de Lenin, em 21 de janeiro de 1924, Trotsky perde a disputa pelo poder com Josef Stalin. Em 1925, deixa de ser comissário da Guerra e, em 1927, é afastado do Politburo.

Expulso da União Soviética em fevereiro de 1929, torna-se o maior crítico do stalinismo até ser morto pelo comunista espanhol Ramón Mercader, um agente internacional do Comissariado do Povo para Assuntos Internos (NKVD), a polícia política da URSS no período stalinista.

INDEPENDÊNCIA DO SENEGAL

    Em 1960, a República do Senegal se separa da Federação do Mali e se torna totalmente independente.

No fim do século 19, o que hoje é o Senegal é integrado à África Ocidental Francesa. Em 1946, o país é elevado à categoria de território ultramarino francês. A antiga colônia se torna uma república autônoma em 1958. 

Um ano depois, adere ao Sudão Francês, hoje Mali, para formar a Federação do Mali, que proclama a independência em junho de 1960. Em 20 de agosto, o Senegal se separa e Leopold Sédar Senghor (foto) se torna seu primeiro presidente.

INVASÃO DA TCHECO-ESLOVÁQUIA

    Em 1968, 200 mil soldados e 5 mil tanques do Pacto de Varsóvia, a aliança militar liderada pela União Soviética, invadem a Tcheco-Eslováquia e acabam com a Primavera de Praga, uma tentativa do líder Alexander Dubcek de humanizar o regime comunista.

Os comunistas tomam o poder na Tcheco-Eslováquia em 1948, num golpe apoiado pelo ditador soviético Josef Stalin, e impõem um regime stalinista, padrão na Europa Oriental, ocupada pelo Exército Vermelho no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

A linha dura domina o país até os anos 1960, quando há uma liberalização do regime que atinge o auge sob Dubcek, eleito primeiro-secretário do Partido Comunista em 5 de janeiro de 1968. As tentativas de descentralizar a administração e a economia, e de democratizar o regime criando um "socialismo com face humana" desagradam ao Kremlin.

Os tcheco-eslovacos protestam e resistem à invasão. Vários jovens se autoimolam e morrem queimados na luta pela liberdade, mas são impotentes contra os tanques soviéticos. 

A Tcheco-Eslováquia permanece sob o controle da URSS até a queda do regime comunista na Revolução de Veludo, em novembro de 1989. Os tanques soviéticos só deixam o país em 1991, quando acaba a URSS.

No Divórcio de Veludo, em 1º de janeiro de 1993, o país se divide em República Tcheca e Eslováquia.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 19 de Agosto

FRAGATA CONSTITUTION VENCE A MARINHA REAL

    Em 1812, durante a Guerra de 1812-15, em que o Império Britânico tenta recolonizar os EUA, a fragata USS Constitution ganha uma batalha naval contra a fragata Guerrière na costa da Nova Escócia, hoje parte do Canadá.

Feito de aço, o navio Constitution resiste ao bombardeio da Marinha Real. É uma das sete fragatas encomendadas em 1794 para proteger a marinha mercante norte-americana dos piratas do Oceano Atlântico. Com 62 metros e 50 canhões, é lançado ao mar em 21 de outubro de 1797.

Quando começa a Guerra de 1812-15, seis navios britânicos cercam o Constitution, que consegue escapar e encontra o Guerrière num confronto mano a mano a uns mil quilômetros de Boston. 

A batalha dura duas horas. O Constitution sai quase ileso, enquanto o navio inimigo perde o mastro e fica fora de combate. A vitória estimula a jovem república a enfrentar o maior império que o mundo já viu.

PRIMEIRA CORRIDA DE INDIANÁPOLIS

    Em 1909, é realizada a primeira corrida de automóveis no Autódromo de Indianápolis, onde é disputada uma das provas mais famosas do mundo, as 500 Milhas de Indianápolis.

O autódromo é construído numa área de 131 hectares situada a 8 km da capital do estado de Indiana para ser uma pista de provas da nascente indústria automobilística. A corrida cria uma competição direta entre diferentes marcas para ver qual é o melhor carro.

A primeira corrida, de apenas 8 km, é vencida pelo engenheiro austríaco Louis Schwitzer a uma velocidade média de 91,8 km/h, diante de 12 mil espectadores.

A pista, de pedregulhos e piche, revela-se um desastre. Rachada em alguns trechos, provoca acidentes que causam a morte de dois pilotos, dois mecânicos e dois espectadores.

Para atrair mais público, em 1911, os organizadores decidem realizar uma corrida longa, de 500 milhas (800 km). Desde então, as 500 Milhas de Indianápolis são disputadas todos os anos, menos em 1917-18 e 1942-45, quando os EUA estavam nas guerras mundiais.

TODO PODER A HITLER

    Em 1934, com quase 90% dos votos num referendo, Adolf Hitler confirma a unificação dos cargos de presidente e chanceler (primeiro-ministro) da Alemanha e assume poderes absolutos como Führer (Guia).

Artista plástico fracassado, Hitler luta como cabo na Primeira Guerra Mundial (1914-18). Sobrevive a bombardeios e a um ataque com armas químicas. Ao recobrar a consciência, no hospital, sabe que a Alemanha perdeu a guerra.

Líder do Partido Nacional-Socialista Trabalhista Alemão (Nazista), Hitler tenta dar um golpe de Estado na Baviera, o Golpe da Cervejaria, em 1923, em Munique. Preso, por sugestão de Rudolf Hess, escreve na cadeia o livro Mein Kampf (Minha Luta), seu manifesto político.

Os nazistas chegam ao poder em 30 de janeiro de 1933. Em 27 de fevereiro, incendeiam o Reichstag, o parlamento alemão, e acusam os comunistas. Hitler pede poderes especiais e ataca todas as outras correntes políticas.

Com a morte do presidente alemão, o marechal Paul von Hindenburg, em 2 de agosto de 1934, Hitler  unifica a chefia do Estado com a chefia de governo e convoca um plebiscito para confirmar seu poder absoluto.

GRANDE EXPURGO STALINISTA

    Em 1936, começa o primeiro julgamento do Grande Expurgo de velhos bolcheviques vistos pelo ditador Josef Stalin como críticos e rivais reais ou em potencial, em que seria condenado Lev Kamenev, que forma com Stalin e Grigory Zinoviev a primeira troika quando Vladimir Lenin fica doente em 1922.

O assassinato do rival e possível sucessor Serguei Kirov, em 1º de dezembro de 1934, serve de pretexto para o ditador iniciar a perseguição sistemática em grande escala a seus possíveis inimigos. Ao todo, pelo menos 750 mil pessoas são mortas no Grande Expurgo.

GOLPE CONTRA MOSSADEGH

    Em 1953, no primeiro golpe articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) durante a Guerra Fria, os militares do Irã derrubam o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh, um nacionalista de esquerda que estatiza a companhia petrolífera Anglo-Iranian Oil, e restauram o poder do xá Reza Pahlevi.

Mossadegh, nomeado primeiro-ministro em 28 de abril de 1951, ataca as companhias britânicas que exploram o petróleo iraniano. Defende a expropriação e a nacionalização dos campos de petróleo. Isso o coloca em choque com a elite. Em 16 de julho de 1952, o xá o demite, mas é forçado a recuar sob pressão popular. Cinco dias depois, Mossadegh reassume a chefia do governo.

Com o golpe, o Irã passa a ser um firme aliado dos EUA na Guerra Fria, uma república secularista e ocidentalizada. É o país que mais recebe ajuda militar norte-americana até a Revolução Islâmica, em 1979, causada por um longo descontentamento contra a ditadura do xá, cuja polícia política, a Savak, é acusada por dezenas de milhares de mortes.

URSS CONDENA PILOTO ESPIÃO DOS EUA 

    Em 1960, a União Soviética condena a 10 anos de prisão o piloto norte-americano Francis Gary Powers, abatido ao fazer um voo de espionagem num avião U-2.

Powers sai do Paquistão em 1º de maio a bordo de um avião espião sofisticado U-2, fabricado pela Lockheed, uma grande empresa do complexo industrial militar. Pretende sobrevoar a URSS por mais de 3 mil quilômetros até a Noruega. É abatido no meio do caminho, em Sverdlovsk. Consegue saltar de paraquedas, mas é capturado ao chegar ao solo.

O líder soviético, Nikita Kruschev, anuncia em 5 de maio o abate do avião dos EUA. Dois dias depois, revela que o piloto sobreviveu. Em 16 de maio, os líderes dos EUA, da URSS, do Reino Unido e da França fazem uma reunião de cúpula em Paris com foco na redução da tensão entre as duas Alemanhas.

A cúpula fracassa na primeira sessão, quando o presidente Dwight Eisenhower se nega a pedir desculpas pela espionagem de Powers. Kruschev retira o convite para Eisenhower visitar a URSS.

Um ano e meio depois da condenação, Powers é libertado numa troca de prisioneiros de guerra realizada numa ponte sobre o Lago Wannsee, na fronteira entre Berlim Ocidental e Berlim Oriental. Os EUA soltam Rudolf Abel, agente do KGB (Comitê de Defesa do Estado), a polícia política soviética, condenado cinco anos antes por espionagem.

BEATLES INICIAM TURNÊ NOS EUA

    Em 1964, seis meses depois de conquistar os Estados Unidos com uma apresentação no programa de televisão Ed Sullivan Show, The Beatles começam a primeira turnê no país por São Francisco da Califórnia.

O empresário Brian Epstein subestima o apelo do grupo. Em vez do estádio Candlestick Park, faz o show no Cow Palace, um ginásio de esportes para 17 mil pessoas. 

Às 21h, os quatro fabulosos garotos de Liverpool entram no palco com Twist and Shout. Depois, tocam You Can’t Do That, All My Loving, She Loves You, Things We Said Today, Roll Over Beethoven, Can’t Buy me Love, If I Fell, I Want to Hold Your Hand, Boys, A Hard Day’s Night, Long Tall Sally.

O público lota o local acanhado. Há tumulto. A polícia intervém. Com a limusine cercada de fãs em histeria, John, Paul, George e Ringo saem escondidos numa ambulância. É o início da Beatlemania. O último show dos Beatles acontece em São Francisco em 29 de fevereiro de 1966 no Candlestick Park.

YELTSIN DESAFIA O GOLPE

    Em 1991, o primeiro presidente eleito da história da Rússia, Boris Yeltsin, sobe num tanque em Moscou e desafia o golpe da velha guarda do Partido Comunista contra Mikhail Gorbachev, que fracassa dois dias depois e provoca o fim da União Soviética.

Veja o que ele disse: "Cidadãos da Rússia, na noite de 18 para 19 de agosto de 1991, o presidente legalmente eleito do país foi removido do poder. 

"Independentemente das razões dadas para seu afastamento, estamos lidando com um golpe direitista, reacionário e inconstitucional. Apesar de todas as dificuldades e graves provações que estão sendo experimentadas pelo povo, o processo democrático no país está adquirindo um alcance cada vez maior e um caráter irreversível. 

"Os povos da Rússia estão se tornando senhores do seu destino. Os poderes incontroláveis dos órgãos constitucionais têm sido consideravelmente limitados, e isto inclui os órgãos do partido. 

"A liderança da Rússia adotou uma posição resoluta em relação ao Tratado da União em busca da unidade da União Soviética e da unidade da Rússia. Nossa posição nesta questão permitiu uma aceleração considerável na preparação deste tratado, para coordená-lo com todas as repúblicas e marcar a data de assinatura para 20 de agosto. A assinatura de amanhã foi cancelada.

"Estes acontecimentos geraram o levante de forças reacionárias ameaçadoras, levando-as a tentativas irresponsáveis e aventureiras de resolver os problemas políticos e econômicos mais complicados pelo uso da força. Tentativas de golpe foram tentadas antes. 

"Nós consideramos que tais métodos de uso da força são inaceitáveis. Eles desacreditam a União perante olhos do mundo inteiro, minam nosso prestígio na comunidade internacional e nos levam de volta à Guerra Fria e ao isolamento internacional da União Soviética. Tudo isto nos força a proclamar que a ascensão ao poder do assim chamado comitê é ilegal.

"Em consequência, nós proclamamos que todas as decisões e instruções deste comitê são ilegais. Temos a confiança de que os órgãos do poder local vão inabalavelmente aderir às leis constitucionais e aos decretos do presidente da Rússia. Apelamos a todos os cidadãos da Rússia a dar a rejeição apropriada e exigir o retorno do país à normalidade constitucional.

"Sem dúvida, é essencial dar ao presidente do país, Gorbachev, uma oportunidade de se dirigir ao povo. Hoje ele foi proibido. Eu não consegui me comunicar com ele. Nós exigimos a convocação imediata de uma sessão extraordinária do Congress dos Deputados do Povo da União. Estamos absolutamente confiantes de que nossos concidadãos não vão sancionar a tirania e a ilegalidade dos golpistas, que perderam toda vergonha e consciência. Fazemos um apelo aos militares para que manifestem elevado dever cívico e não tomem parte no golpe reacionário.

"Até que estas exigências sejam atendidas, apelamos a uma greve geral ilimitada."