Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Em 1802, nasce em Besançon, na França, o poeta, romancista, dramaturgo, ensaísta e ativista pelos direitos humanos Victor Hugo, um dos maiores nomes da literatura francesa.
Victor é o terceiro filho do major Joseph-Léopold-Sigisbert Hugo, que seria general de Napoleão Bonaparte, e de mãe monarquista. A lealdade do pai a sucessivos governos franceses o leva a viajar pela Europa numa vida caótica.
Com a queda de Napoleão, em 1815, Victor Hugo fica alguns anos em Paris, onde se forma em direito. Antes de se formar, em 1816, decide ser escritor. Já tem cadernos com poemas, traduções, especialmente de Virgílio, e uma peça de teatro.
A mãe o aconselha a criar uma revista, Conservateur Littéraire, onde Victor Hugo publica uma aclamada crítica ao poeta francês Alphonse de Lamartine. Em 1822, ele lança seu primeiro livro, Odes e Poesias Diversas.
Suas obras mais conhecidas são Notre-Dame de Paris (1831) e Os Miseráveis (1862).
FUGA DE NAPOLEÃO
Em 1815, o imperador Napoleão Bonaparte foge do exílio na Ilha de Elba, para onde vai em 1814 depois de ser forçado a abdicar, retoma o poder ao voltar para Paris e governa a França pelo período conhecido como os Cem Dias até ser derrotado definitivamente na Batalha de Waterloo, na Bélgica, em 18 de junho de 1815, por uma aliança de Reino Unido, Áustria, Prússia e Rússia sob o comando do Duque de Wellington. Cai em 22 de junho.
Um dos maiores generais de todos os tempos, Napoleão Bonaparte chega ao posto com 24 anos porque a Revolução Francesa de 1789 acaba com a aristocracia e os generais do Exército da França precisavam ter quatro gerações de nobreza.
Em 1798, ele faz a campanha do Egito. Nas palavras do escritor russo Leon Tolstoy, em Guerra e Paz, sobre a fracassada campanha da Rússia, "resolveu matar africanos e matou tantos que quando voltou foi nomeado chefe de governo".
Num golpe em 9 de novembro de 1799, Napoleão torna-se primeiro cônsul da França e acaba na prática com a Revolução Francesa. Começa a era das guerras napoleônicas.
Depois da derrota do Grande Exército, de 600 mil homens, na campanha da Rússia, em 1812, Napoleão perde a Batalha de Leipzig em 19 de outubro 1813 para uma aliança de Áustria, Prússia, Rússia, Reino Unido e Suécia. Em 1814, os aliados invadem Paris. Napoleão é forçado a abdicar em 6 de abril e enviado para o exílio em Elba, onde chega em 4 de maio.
NASCE FATS DOMINO
Em 1928, nasce em Nova Orleans, nos Estados Unidos, o cantor, compositor e pianista Fats Domino, um astro do rhythm and blues e do jazz, e um dos primeiros roqueiros. Vende 65 milhões de discos.
Filho de uma família musical, Antoine Dominique Domino aprende com o cunhado, o guitarrista Harrison Verrett. Ele começa a tocar em clubes na adolescência. Em 1949, é descoberto por Dave Bartholomew, um compositor, produtor musical e líder de banda, destaque da música de Nova Orleans, que se torna o arranjador de Domino.
Sua primeira gravação, Fat Man (1950), é o primeiro de uma série de sucessos que inclui Ain't That a Shame (1955), Blueberry Hill (1956), I'm Walkin' (1957) e Walking to New Orleans (1960). Ele entra para o Rock and Roll Hall of Fame em 1986.
ATENTADO AO WORLD TRADE CENTER
Em 1993, extremistas muçulmanos ligados à rede terrorista Al Caeda explodem um caminhão-bomba no estacionamento da Torre Norte do World Trade Center, em Nova York, matando seis pessoas e ferindo mais de mil.
Os terroristas usam como explosivo 606 quilos de nitrato de ureia. O plano é abalar os alicerces da Torre Norte para fazê-la cair sobre a Torre Sul derrubando as duas.
Quatro extremistas são condenados pelo atentado em março de 1994: Mahmud Abouhalima, Nidal Ayyad, Ahmed Ajaj e Muhammad Salameh. Em novembro de 1997, mais dois são condenados: Ramzi Yousef, considerado o idealizador do ataque, e Eyad Ismoil, o motorista do caminhão.
O dinheiro veio do tio de Yousef, Khaled Cheikh Mohammed, acusado de ser o mentor do ataque de 11 de setembro de 2001 às Torres Gêmeas do World Trade Center, o maior atentado terrorista da história, em que 2.977 pessoas morreram, 2.606 em Nova York.
VIDAS PRETAS IMPORTAM
Em 2012, o adolescente negro desarmado Trayvon Martin, de 17 anos, é morto num condomínio em Sanford, na Flórida,pelo vigilante voluntário George Zimmerman, que alega legítima defesa e é absolvido.
A expressão "vidas pretas importam", que vira lema universal da luta contra o racismo e a violência policial, é usado pela primeira vez pela ativista Alicia Garza em 13 de julho de 2013 ao comentar a absolvição de Zimmerman.
Quatro anos depois da invasão da Ucrânia, a Rússia, considerada a segunda maior superpotência militar do planeta, não conquistou seus objetivos políticos. O ditador Vladimir Putin depende do presidente Donald Trump para obter na mesa de negociações o que não conseguiu no campo de batalha. É uma guerra que mudou o mundo. Trouxe de volta o risco nuclear com a chantagem atômica de Putin para pressionar o Ocidente a não apoiar a Ucrânia. Os dividendos da paz do fim da Guerra Fria acabaram.
É o pior conflito armado na Europa depois da Segundo Guerra Mundial e a mais longa guerra no continente em séculos. O total de mortos, feridos e desaparecidos é estimado pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) de Washington em 1,8 milhão de militares (1,2 milhão russos e 600 mil ucranianos) com pelo menos 325 mil soldados russos e 140 mil soldados ucranianos mortos. As Nações Unidas estimam que pelo menos 15 mil civis ucranianos foram mortos, mas se acredita que o verdadeiro número seja muito maior, da ordem de dezenas de milhares.
Além disso, 9,6 milhões de ucranianos fugiram do país ou foram deslocados internamente. A Ucrânia perdeu até agora 20% de seu território 25% de sua economia e cerca de 20% de sua população. Quando a União Soviética acabou, em 1991, a Ucrânia tinha cerca de 50 milhões de habitantes. No começo desta guerra, era 44 milhões. Hoje a população é estimada em 35 milhões.
O presidente Volodymyr Zelensky declarou ontem que Putin não atingiu seus objetivos: "Defendemos nossa independência. Não perdemos nosso Estado. Preservamos a Ucrânia e vamos fazer de tudo para garantir a paz e a justiça."
Em Moscou, o porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov, admitiu que a Rússia "não atingiu plenamente seus objetivos ainda, tanto que a operação militar continua."
Como Putin se nega a fazer qualquer concessão e Zelensky exige garantias de segurança e se nega a ceder territórios, as negociações não avançam. Trump, que sonha em ganhar o Prêmio Nobel da Paz, precisa entender que para acabar com a guerra é necessário conter o agressor e não a vítima.
Em 1570, o Papa Pio V excomunga a rainha Elizabeth I, da Inglaterra, e absolve seus súditos de qualquer juramento de lealdade que tenham feito a ela.
Elizabeth Tudor nasce em 7 de setembro de 1533 em Greenwich, na Inglaterra, filha de Henrique VIII e Ana Bolena, sua segunda esposa. Para casar pela segunda vez, o rei rompe com a Igreja Católica e faz a Reforma Protestante na Inglaterra, criando a Igreja Anglicana em 1534. Assim, Elizabeth é protestante.
Quando Ana Bolena é acusada de adultério e executada na Torre de Londres, o casamento é anulado e Elizabeth vira filha bastarda do rei, mas a sexta e última esposa de Henrique VIII, Catherine Parr, a acolhe de volta na corte.
Depois da morte de Henrique VIII, seu filho homem, Eduardo VI, reina por seis anos, e Maria I, que é católica, por cinco anos. Logo depois de ascender ao trono, Elizabeth I reinstaura o protestantismo na Inglaterra e reverte as medidas da meia-irmã para reimpor o catolicismo.
Em 1559, Elizabeth I baixa o Ato de Supremacia, que declara que a rainha é a chefe da Igreja da Inglaterra, e o Ato de Uniformidade, que estabelece as regras de liturgia da Igreja. Pastores e funcionários públicos são obrigados a jurar lealdade à rainha como chefe da Igreja.
Muitos nobres e aristocratas, e a maioria dos cidadãos comuns, mantêm lealdade à antiga fé, mas todos os cargos importantes no governo e na Igreja são ocupados por protestantes.
Como a Igreja Anglicana mantém os rituais da Igreja Católica, muitos protestantes, como por exemplo os calvinistas, consideram a Reforma na Inglaterra aquém do necessário e pressionam por mudanças mais profundas na hierarquia e nos tribunais religiosos.
Em 1569, o Exército de Elizabeth I esmaga uma revolta de nobres católicos no Norte da Inglaterra. Maria Stuart, rainha da Escócia, que desde 1568 está exilada na Inglaterra, mais presa do que convidada, é acusada de ligação com a revolta e executada.
A prisão e morte da rainha que católicos ingleses consideram a legítima herdeira do trono da Inglaterra aumenta a tensão religiosa e leva o papa a excomungar Elizabeth I.
É uma era de conflitos religiosos na Europa pós-Reforma Protestante. Na Noite de São Bartolomeu, em 24 de agosto de 1572, os católicos franceses massacram os protestantes huguenotes. Só em Paris, são 3 mil mortos. Muitos protestantes franceses se refugiam na Inglaterra.
Os conflitos religiosos só terminam no continente em 1648, com o fim da Guerra dos Trinta Anos, e na Inglaterra em 1689, com a vitória da Revolução Gloriosa.
NASCIMENTO DE GEORGE HARRISON
Em 1943, nasce em Liverpool, na Inglaterra, o guitarrista, cantor, compositor e produtor musical George Harrison, o solista de guitarra dos Beatles, a mais importante banda de rock and roll de todos os tempos.
O beatle quieto e discreto, como era conhecido, adere ao hinduísmo e amplia os horizontes musicais dos outros membros da banda ao introduzir instrumentos musicais indianos. A maioria das canções dos Beatles são composições de John Lennon e Paul McCartney, mas George é autor de grandes sucessos como Taxman, While My Guitar Gently Weeps, Here Comes the Sun e Something, a segunda música mais regravada dos Beatles, depois de Yesterday.
Depois da dissolução da banda, George lança um aclamado álbum triplo, All Things Must Pass, e organiza com o citarista indiano Ravi Shankar o Concerto para Bangladesh para arrecadar dinheiro para o povo miserável do novo país, o antigo Paquistão Oriental, no fim de uma guerra entre Índia e Paquistão.
Em 1988, ele funda o supergrupo Traveling Wilburys com Bob Dylan, Jeff Lynne, Roy Orbison e Tom Petty. Fumante, George morre aos 58 anos de câncer de pulmão em Los Angeles em 29 de novembro de 2001.
DENUNCIA DO STALINISMO
Em 1956, no encerramento do 20º Congresso do Partido Comunista da União Soviética, o líder do partido, Nikita Kruschev, denuncia os crimes de Josef Stalin.
Numa sessão fechada do primeiro congresso do PC desde a morte do grande ditador soviético em 5 de março de 1953, cerca de 1.500 delegados ouvem o discurso O Culto da Personalidade e Suas Consequências.
Durante quatro horas, Kruschev acusa Stalin de "graves abusos de poder", de "prisões em massa e deportações de milhares e milhares de pessoas, de execuções sumárias sem investigação nem julgamento", o que gerou "insegurança, medo e desespero".
"Em toda uma série de casos", afirma Kruschev, Stalin "mostrou sua intolerância, sua brutalidade, seu abuso de poder. (...) Com frequência, escolheu o caminho da repressão e da aniquilação física não apenas contra verdadeiros inimigos, mas também contra pessoas que não haviam cometido nenhum crime contra o partido ou contra o governo soviético."
Pessoas inocentes foram forçadas a confessar crimes "por causa de métodos físicos de pressão, tortura, reduzindo-os à inconsciência, privando-os de julgamento, tirando-lhes a dignidade humana".
Stalin "chamou pessoalmente o interrogador, deu-lhe instruções e disse-lhe quais métodos usar, métodos que eram simples – bater, bater e, mais uma vez, bater".
Kruschev também ataca o desempenho "incompetente" de Stalin na guerra e a deportação "monstruosa" dos povos caucasianos. Stalin foi responsável pela ruína da agricultura e por promover seu próprio culto "nauseantemente falso" da personalidade.
Stalin traiu as ideias e o legado de Lenin, proclama Kruschev. Sua condenação foi limitada. Enquanto 'trotskistas' e 'bukharinistas' oposicionistas a Stalin não mereciam "aniquilação física", eles eram "inimigos ideológicos e políticos".
Em sua defesa, Kruschev alega que ele e outros colaboradores do Politburo de Stalin só estavam agindo agora porque "viam essas questões de forma diferente em momentos diferentes". Ele alega que eles não sabiam o que Stalin fez em seu nome e, quando descobriram, era tarde demais.
Kruschev também diz que Stalin tinha planos de acabar com seus camaradas do Politburo, para "destruí-los de modo a esconder os atos vergonhosos sobre os quais agora estamos relatando". Supostamente, os líderes e antigos aliados de Stalin, Viacheslav Molotov, Georgy Malenkov, Lazar Kaganovich e Kliment Voroshilov, ficam extasiados.
O conteúdo do "discurso secreto" logo se espalha. Os delegados da Europa Oriental são autorizados a ouvi-lo na noite seguinte. Até 5 de março, cópias são enviadas a toda a União Soviética. Uma tradução oficial aparece dentro de um mês na Polônia, onde 12 mil cópias são impressas, uma das quais chega ao Ocidente.
Ao denunciar Stalin, Kruschev não procura mudar a sociedade soviética fundamentalmente. Quer mais consolidar o poder, mas seu discurso tem efeitos amplos e de longo prazo. É um golpe arrasador para os regimes stalinistas em todos os lugares e um fator para desencadear uma revolta na Polônia e a Revolução Húngara de 1956.
Décadas depois, Mikhail Gorbachev, o último líder da URSS, elogia Kruschev como "um homem moral, apesar de tudo".
CASSIUS CLAY CAMPEÃO MUNDIAL
Em 1964,aos 22 anos, com excelentes esquivas e jogo de pernas, saltitante, Cassius Marcellus Clay vence o campeão Sonny Liston, muito mais forte fisicamente, por nocaute técnico no sétimo assalto e toma o título mundial de boxe da categoria peso-pesado. É o início de uma carreira brilhante em que se torna campeão mundial três vezes.
Liston ganha o título ao nocautear duas vezes o campeão mundial anterior, Floyd Patterson, no primeiro assalto. É o favorito nas casas de apostas a 8 por 1.
Falastrão, Clay promete ganhar a luta por nocaute no oitavo assalto "flutuando como uma borboleta e ferrando como uma abelha". No fim do sétimo assalto, Liston se queixa de uma dor no ombro. Com uma luxação na clavícula, Liston não volta mais e Clay é proclamado campeão.
Meses depois, ele abandona o nome de batismo porque os negros norte-americanos tinham o sobrenome das famílias que escravizavam seus avós. Muçulmano, passa a se chamar Muhammad Ali.
Ele nasce em Louisville, no estado do Kentucky, em 1942. Começa no boxe aos 12 anos. Ao 18 anos, completa 100 vitórias no boxe amador. Em 1960, ganha uma medalha de ouro na Olimpíada de Roma. Quando tenta festejar o título tomando café no centro de sua cidade natal, não é atendido por ser negro.
Por rejeitar a convocação para a Guerra do Vietnã, Ali perde o título em 1967. Ele alega objeção de consciência: "Por que me pedem para botar um uniforme e ir a 10 mil milhas de casa jogar bombas em pessoas morenas no Vietnã quando as pessoas chamadas de negros no Kentucky são tratadas como cães e não têm os mínimos direitos humanos? Nenhum vietnamita me chamou de crioulo."
Ali volta ao boxe em 1970. No ano seguinte, a Suprema Corte anula a condenação por se negar a servir o Exército em plena guerra. Em 8 de março de 1971, no Madison Square Garden, em Nova York, ele perde por pontos a Luta do Século em 15 assaltos contra Joe Frazier, nocauteado por George Foreman em dois assaltos em 22 de janeiro de 1973, em Kingston, na Jamaica.
Isto abre caminho para outra luta do século, Ali x Foreman, em Kinshasa, no Zaire (hoje República Democrática do Congo), em 30 de outubro de 1974. Depois de resistir à saraivada de golpes do adversário, Ali conquista o título mundial de boxe peso-pesado pela segunda vez.
Em 1978, Leon Spinks o vence e conquista o título, mas Ali ganha a revanche e se torna o único peso-pesado a ganhar o título três vezes. Em 1984, é diagnosticado com mal de Parkinson por causa dos golpes recebidos na cabeça quando era boxeador. Ele acende a pira na Olimpíada de Atlanta, em 1996. Vive até 3 de junho de 2016.
QUEDA DE FERDINAND MARCOS
Em 1986, sob pressão dos Estados Unidos, que durante décadas apoia sua ditadura, o ditador Ferdinand Marcos foge das Filipinas para o Havaí e a oposicionista Corazón Aquino, derrotada em eleição fraudulenta, assume a Presidência.
Ferdinand Emmanuel Edralín Marcos nasce em Sarrat, nas Filipinas, em 11 de setembro de 1917, filho de Mariano Marcos, um advogado e congressista de Ilocos Norte executado por guerrilheiros em 1945 por ter colaborado com o Japão durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Depois da guerra, as Filipinas se tornam independentes dos EUA.
Ferdinand estuda direito na Universidade das Filipinas. Em 1933, é acusado de matar um adversário político do pai. Condenado em novembro de 1939, é absolvido no ano seguinte pela Suprema Corte. É eleito deputado em 1949, para o Senado em 1959 e para a Presidência em 1965.
Em 1969, Marcos torna-se o primeiro presidente reeleito da história das Filipinas. Três anos depois, em 21 de setembro de 1972, invocando a ameaça comunista, decreta lei marcial e vira um ditador. Seu governo é marcado pela brutalidade, a corrupção e a extravagância.
Marcos vai de advogado e político a ditador e cleptocrata. Quando cai, descobre-se a coleção de 1.200 pares de sapato da primeira-dama, Imelda Marcos, que vira um símbolo da ostentação e da corrupção.
A lei marcial é ratificada num plebiscito fraudulento em 1973. Sob a censura, a violência e a repressão, dois grupos guerrilheiros lutam contra a ditadura de Ferdinand Marcos, um maoísta e outro muçulmano.
Depois de uma terceira reeleição em 1981, as Filipinas enfrentam uma crise econômica que atinge mercados emergentes com a Crise da Dívida da América Latina, em 1982. Com a economia em colapso, Marcos comete um erro fatal.
Ao voltar ao país, o líder da oposição, Benigno Aquino, é assassinado no aeroporto de Manila em 23 de agosto de 1983. A oposição ressurge com força nas eleições parlamentares de 1984 e a viúva de Benigno Aquino se apresenta como candidata para desafiar o ditador.
Diante da fraude, uma onda de protestos populares toma conta das ruas e derruba Marcos. Durante sua cleptocracia, a família rouba entre 5 a 10 bilhões de dólares do Banco Central das Filipinas. Seu filho, Ferdinand Marcos Jr., preside as Filipinas desde 30 de junho de 2022.
VITÓRIA DE VIOLETA CHAMORRO
Em 1990, num resultado surpreendente, com 54% dos votos, a candidata da oposição, Violeta Chamorro, vence a eleição presidencial na Nicarágua, derrotando o presidente Daniel Ortega, da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), que derrubara a ditadura de Anastasio Somoza em 19 de julho de 1979.
Violeta Barrios de Chamorro é outra viúva que entra na política como herdeira do marido assassinado. Pedro Joaquín Chamorro era um jornalista de oposição, diretor do jornal La Prensa, visto como a melhor alternativa à dinastia de ditadores da família Somoza, que mandava na Nicarágua desde 1933. Seu assassinato, em 10 de janeiro de 1978, mata a última chance de uma transição negociada com a ditadura de Tachito Somoza.
Com o assassinato de Pedro Joaquín Chamorro, a luta armada ganha mais força e os EUA abandonam o ditador, que cai em julho de 1979. A FSLN se instala no poder com uma junta de nove comandantes, chamados de nueve fidelitos, entre eles dois Ortegas, que tinham perdido um irmão considerado herói da revolução. Daniel Ortega se torna presidente e Humberto Ortega, ministro da Defesa.
Daniel Ortega vence a eleição de 1984, que a oposição boicota sob pressão do governo Ronald Reagan nos Estados Unidos, que financia os rebeldes contrarrevolucionários e a campanha de Violeta Chamorro. Ela chega a fazer parte do governo revolucionário em 1979-80, mas se desilude com o esquerdismo da FSLN, assume a direção do jornal La Prensa e se torna a principal voz da oposição.
Sua vitória leva ao fim da guerra civil e ao desarmamento dos contras, como eram conhecidos os rebeldes. No poder, Violeta Chamorro adota uma política econômica neoliberal, desvaloriza a córdoba em 400%, privatiza empresas, fecha a companhia estatal de trens e corta benefícios sociais. O desemprego chega a 24%. Também abre mão de uma multa de US$ 17 bilhões que a Corte Internacional de Justiça impõe aos EUA por apoiar os contras e minar portos nicaraguenses.
Ortega volta ao poder em 2007, com o apoio do somozismo, do ex-presidente Arnoldo Alemán, preso por corrupção, para nunca mais sair. Nomeia juízes amigos para a Corte Suprema ignora as restrições à reeleição e impõe uma ditadura, ao lado da mulher e vice-presidente Rosario Murillo, que prende todos os candidatos da oposição na eleição de 2021, expulsa mais de 200 oposicionistas e persegue até a Igreja Católica, hoje a principal voz dissidente na Nicarágua.
Num momento de grande impopularidade, com a aprovação de apenas 36%, a menor de seu segundo governo, o presidente Donald Trump fez hoje o Discurso sobre o Estado da União, a prestação de contas anual do presidente dos Estados Unidos ao Congresso, tentando convencer a nação de que vai tudo bem. Repete o erro de Joe Biden, ao ignorar as dificuldades econômicas da maioria da população.
Foi o mais longo Discurso sobre o Estado da União da história: uma hora e 47 minutos de insultos, mentiras, falsidades e autocongratulação com escassa relação com a verdade e uma postura mussolinesca de cabeça para trás e queixo empinado.
"Nossa nação está de volta, maior, melhor e mais forte do que nunca", gabou-se Trump.
Como de costume, afirmou que recebeu o país em péssimas condições de Joe Biden e fez a maior reviravolta em apenas um ano. Mente que a inflação era a maior da história, que o país estava invadido por imigrantes ilegais e com dificuldade para recrutar militares.
"Agora, temos a fronteira mais segura da história dos EUA", afirmou, acrescentando que nos últimos 12 meses não entrou nenhum imigrante ilegal no país. "A entrada de fentanil caiu 56% e o índice de homicídios caiu como nunca, desde que meu pai nasceu. O governo Biden e seus aliados no Congresso nos legou a pior inflação da história", o que é mentira.
Em seguida, declarou que o país está recebendo investimentos de US$ 18 bilhões, o que ninguém acredita. "Recebemos de nossa nova aliada Venezuela 8 milhões de barris". Acrescentou que a produção dos EUA aumentou em 600 mil barris diários porque ele cumpriu a promessa de mandar "perfurar, perfurar e perfurar" novos poços de petróleo.
"Acabamos com [as políticas de] DEI (diversidade, equidade e inclusão) nos EUA", um sinal evidente de seu racismo e desprezo pelas minorias. Antes de Trump começar a falar, o deputado federal pelo Texas Al Green foi expulso do plenário por apresentar um cartaz com as palavras: "Negros não são macacos", uma referência ao vídeo divulgado pela Casa Branca em que o ex-presidente Barack Obama e sua mulher, Michelle Obama, eram retratados como macacos.
"Estamos ganhando como nunca", falou ao convocar o time de hóquei sobre o gelo dos EUA, que conquistou a medalha de ouro na Olimpíada de Inverno de Milão e Cortina d'Ampezzo, na Itália. O time feminino de hóquei também ganhou ouro, mas se recusou a participar do evento de hoje no Congresso alegando problema de agenda.
Trump acusou os democratas de votar contra seu corte de impostos para ricos e grandes empresas como se beneficiasse o cidadão comum. Também criticou a Suprema Corte por ter derrubado o tarifaço de sua guerra comercial. Mentiu mais uma vez ao dizer que são os estrangeiros que pagam pelas tarifas de exportação. A delegacia do banco central em Nova York estimou que 90% das tarifas são pagas por consumidores e empresas norte-americanas.
O presidente culpou os democratas pelo alto custo de vida, um dos grandes problemas deste governo: "Os preços estão desabando. O preço dos ovos caiu 60%. Mesmo a carne, que estava muito cara, está caindo. A energia caiu a números que ninguém acredita."
Ele responsabilizou o programa de saúde do governo Barack Obama de enriquecer as empresas de seguro-saúde. Mais uma falsidade. Até hoje, Trump não apresentou uma proposta para a saúde. Também alegou que está baixando os preços dos medicamentos como nunca. "Os outros presidentes prometeram, falaram, mas não agiram. Hoje, pagamos os menores preços do mundo por medicamentos." Falso. Falou em quedas de 400%, 500% e 600%, mas 100% seriam suficientes para zerar os preços.
Em mais um desafio à Constituição, citou a possibilidade de exercer um terceiro mandato.
Não há nenhum indício de fraude em massa em eleições nos EUA, mas Trump insiste que "a fraude é desenfreada em nossa eleições... Eles querem trapacear. Eles têm trapaceado. E suas políticas são tão ruins que a única maneira de serem eleitos é trapaceando e vamos acabar com isso." Mais um insulto à oposição.
Até hoje, Trump não reconheceu a derrota para Biden em 2020. Seus advogados e aliados fizeram 61 reclamações à Justiça. Em todos os casos, os juízes não viram elementos suficientes para abrir um processo.
Ele pede que todos os eleitores provem que não são imigrantes ilegais. Um estudo de seu Departamento de Segurança Interna, entre 49,5 milhões de eleitores, foram identificados cerca de 10 mil casos para maior investigação, 0,02% to total. Trump prepara maneiras de interferir nas eleições de meio de mandato marcadas para 3 de novembro, quando deve perder a maioria na Câmara e talvez também no Senado.
A seguir, inventou que um estado tentou mudar o sexo de uma menina na plateia. "Os democratas estavam destruindo nosso país, mas os paramos em cima da hora."
Trump se vangloriou de reduzir a violência nos EUA com sua política anti-imigrantes: "Deportamos imigrantes ilegais criminosos em número recorde", disse Trump. Na verdade, a maioria das pessoas detidas por agentes de imigração não têm condenação criminal. Seu governo deportou muito menos do que o governo Obama, com a diferença de que o democrata deportou criminosos.
Para defender a atuação de sua política de imigração fascistoide, apresenta família que perderam parentes em crimes cometidos por imigrantes. Mas a realidade é que imigrantes cometem muito menos crimes proporcionalmente do que cidadãos norte-americanos.
Quando Trump defendia sua política anti-imigração, a deputada federal por Minnesota Ilhan Omar, de origem somaliana, disparou: "Você matou norte-americanos", numa referência às mortes de Renne Good e Alex Pretti, baleados pela polícia de imigração em Mineápolis em janeiro.
O presidente se congratulou por acabar com oito guerras. Não acabou com nenhuma. No máximo, intermediou um acordo de paz entre Armênia e Azerbaijão sem resolver os problemas históricos entre os dois países.
Às vésperas de um possível bombardeio ao Irã, Trump acusou o regime dos aiatolás de terrorismo e de ter matado 32 mil iranianos na onda de protestos recentes. Insistiu na mentira de que erradicou o programa nuclear do Irã. Declarou que o Irã nunca poderá ter armas nucleares nem mísseis capazes de atingir a Europa e as bases dos EUA no Oriente Médio.
"Minha preferência é resolver o problema diplomaticamente. Mas não se enganem, o maior patrocinador de terrorismo jamais poderá ter armas nucleares", ameaçou, ao defender sua estratégia de "paz através da força". Não revelou qual o objetivo de um possível ataque: acabar com o programa nuclear? Derrubar o regime? Proteger os manifestantes?
Ao falar dos "aliados e amigos" da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), citou o compromisso assumido de que cada país gaste 5% do produtos interno bruto com defesa a partir de 2035, o que exigiu para não retirar as forças dos EUA da Europa. Também se vangloriou de não mandar mais dinheiro para a Ucrânia: "Tudo o que estamos enviando para a Ucrânia fazemos através da OTAN e eles nos pagam." Os europeus compram armas e munições dos EUA.
Não esqueceu de falar do Hemisfério Ocidental, nome que usa para se referir à América, dizendo que garantiu a segurança e acabou com o tráfico de drogas através do mar. Em seu tom hiperbólico, chamou a captura e o sequestro do ditador venezuelano Nicolás Maduro para levá-lo para julgamento nos EUA uma das operações militares mais espetaculares da história.
"Estamos trabalhando com a nova presidente Delcy Rodríguez para gerar ganhos extraordinários para os dois países". O futuro da Venezuela é incerto. Por enquanto, Trump conchava com o regime em troca de petróleo.
Em outro momento, convoca a primeira-dama Melanie Trump para condecorar um aviador que teria enfrentado aviões da União Soviética durante a Guerra da Coreia (1950-53).
A resposta democrata foi feita pela governadora da Virgínia, Abigail Spanberger. Ela declarou que Trump não se preocupa com a segurança e a situação econômica do cidadão comum, que nunca se viu tanta corrupção. Citou o enriquecimento de um presidente e sua família, inclusive com criptomoedas e outros negócios suspeitos, e o escândalo sexual de Jeffrey Epstein.
A governadora lembrou sua eleição e outras que o Partido Republicano perdeu desde a posse de Trump e afirmou que o Partido Democrata vai ganhar as eleições intermediárias de 3 de novembro porque "nós trabalhamos para o povo."
Em 1525, as forças do imperador Carlos V, do Sacro Império Romano-Germânico, impõe uma derrota decisiva ao exército do rei Francisco I da França.
No fim de 1524, a França invade a Lombardia, toma Milão e cerca Pávia, 25 quilômetros ao sul, controlada pelo Sacro Império. Carlos V manda então um exército sob o comando do Marquês de Pescara, que aniquila o exército francês.
Francisco I é capturado em Mirabello e levado para Madri, onde um ano depois assina um tratado de paz renunciando as reivindicações da França sobre a Itália, que fica sob o domínio da Dinastia dos Habsburgo.
Arqui-inimigos, Carlos I da Espanha e Francisco I da França disputam a eleição para imperador do Sacro Império. Carlos I compra votos e vira o imperador Carlos V do império fundado por Carlos Magno em 800.
A vitória consolida o poder dos Habsburgo na Europa e do Império Espanhol na América.
REVOLUÇÃO ANTIMONÁRQUICA NA FRANÇA
Em 1848, uma onda de revoluções contra a monarquia que varre a Europa chega à França, único país onde a revolta é bem-sucedida, criando a Segunda República, que vai até 1852, quando Luís Napoleão Bonaparte, sobrinho do imperador Napoleão I, se proclama imperador Napoleão III, dando início ao Segundo Império.
A primeira revolução começa em janeiro na Sicília. Depois da França, chega à Itália, à Prússia, ao Império Austríaco e ao resto do continente. Só a Espanha, a Rússia e os países da Escandinávia ficam fora.
No Reino Unido, é uma pequena manifestação do cartismo, um movimento de 1838 liderado pelo radical William Lovett, que defende uma Carta do Povo com sufrágio universal para os homens, distritos eleitorais iguais, voto secreto, eleição anual do Parlamento, pagamento aos parlamentares e fim da exigência de ser proprietário para ser deputado. Na Irlanda, há uma agitação republicana.
Na Bélgica, na Holanda e na Dinamarca, há manifestações pacíficas por reformas das instituições. As grandes insurreições pela democracia acontecem em Paris, Viena e Berlim, mas só tem sucesso na França, onde a Segunda República introduz o sufrágio universal para os homens.
O príncipe Luís Napoleão é o primeiro presidente da França eleito pelo voto popular. Dá um golpe contra a Assembleia Nacional em 2 de dezembro de 1851 e funda no ano seguinte o Segundo Império. Ele acaba com a derrota para a Prússia na Guerra Franco-Prussiana (1870-71), o que leva à unificação da Alemanha.
CÂMARA DENUNCIA PRESIDENTE
Em 1868, por 126-47, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos decide abrir um processo de impeachment do presidente Andrew Johnson (1865-69), cuja leniência em relação ao Sul no período da Reconstrução irrita a ala radical do Partido Republicano.
Johnson é vice-presidente de Abraham Lincoln (1861-65), o presidente durante a Guerra da Secessão (1861-65), que vai à guerra contra os estados do Sul para manter a União e abolir a escravidão.
Depois da guerra civil, Johnson autoriza a rápida reintegração dos estados do Sul à União sem garantias de proteção aos escravos libertos. Durante seu governo, os EUA compram o Alasca da Rússia.
Com conflito entre o Legislativo e o Executivo, o Congresso aprova a Lei de Posse do Cargo (1867), que limita a capacidade do presidente de nomear e demitir assessores. Quando Johnson demite o secretário da Guerra, Edwin Stanton, a Câmara vota o impeachment. Ele é salvo no Senado. Falta um voto para a maioria de dois terços necessária para afastar o presidente dos EUA.
PRIMEIRA ELEIÇÃO DE PERÓN
Em 1946, o vice-presidente e ministro da Guerra Juan Domingo Perón é eleito presidente da Argentina pela primeira vez, funda o peronismo e se torna o político dominante do país até os dias de hoje, mais de 50 anos depois de sua morte.
O coronel Perón é nomeado secretário do Trabalho e da Seguridade Social de um governo militar em dezembro de 1943. Com o apoio do movimento sindical, cria a Justiça do Trabalho, escolas técnicas e um hospital e policlínica para ferroviários. Vira o herói dos descamisados.
Destituído e preso num golpe em 9 de outubro de 1945, sob pressão dos sindicatos e de sua segunda mulher, Maria Eva Duarte de Perón, a Evita, volta nos braços do povo. Em 17 de outubro daquele ano, o Dia da Lealdade para os peronistas, faz seu primeiro discurso triunfal na sacada da Casa Rosada.
Eleito com 52,4% dos votos, Perón nacionaliza os bancos e ferrovias, o Banco Central e algumas companhias de eletricidade. Dá vários benefícios aos trabalhadores: aumento do salário mínimo, 13º salário, folgas semanais, redução da jornada de trabalho, aposentadoria, férias remuneradas, seguro-saúde e cobertura para acidentes de trabalho. Entre 1945 e 1948, a economia argentina cresce a um ritmo recorde de 8,5% ao ano, enquanto os salários reais aumentam 46%.
Reeleito em 11 de novembro de 1951 com 63,5%, depois de uma campanha pelo voto feminino liderada por Evita, Perón governa até 16 de setembro de 1955, quando é deposto por um golpe militar e foge para o exílio.
Perón volta à Argentina em 1973, é reeleito para um terceiro mandato e governa o país até morrer, em 1º de julho de 1974, deixando no poder sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, que não tem o carisma de Evita e é deposta num golpe militar em 24 de março de 1976, início de uma ditadura cruel acusada de matar 30 mil argentinos.
INVASÃO DA UCRÂNIA
Em 2022, oito anos depois de anexar ilegalmente a Crimeia, a Rússia do ditador Vladimir Putin invade a ex-república soviética da Ucrânia a pretexto de "desmilitarizar" e "desnazificar" o país como se ameaçasse a Rússia.
Os EUA se oferecem para retirar do país o presidente Volodymyr Zelensky, acusado de ser nazista, apesar de ser judeu, mas ele pede dinheiro e armas para resistir. Um mês depois, a Rússia abandona a região de Kiev e concentra a ofensiva no Leste e no Sul da Ucrânia.
Contra todas as previsões, a Ucrânia resiste há quatro anos, com o apoio dos EUA e da Europa. Não se sabe o número de mortos nesta guerra, mas seriam centenas de milhares de resto. De acordo com o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), de Washington, o total de baixas militares está em torno de 1,8 milhão, com 325 mil soldos russos e 140 mil ucranianos mortos. Com a fadiga do apoio internacional e a maior capacidade russa de repor homens, armas e munições no campo de batalho, no momento, a Rússia parece mais perto da vitória. Mas não ter conseguido vencer um inimigo menor e mais fraco é uma derrota em si.
Com a reeleição de Donald Trump, que promete na campanha acabar com a guerra em 24 horas, há uma ameaça de que os EUA abandonem a Ucrânia. Antes da abertura de negociações, Trump cede a várias exigências de Putin e exige um acordo para explorar a metade dos recursos naturais ucranianos, no valor de US$ 500 bilhões, que Zelensky rejeita inicialmente, mas depois aceita porque não pode abrir mão do apoio de Washington.
Após quatro anos de guerra, as negociações continuam num impasse. Putin exige o controle total sobre quatro províncias ucranianas que não consegue tomar no campo de batalha, rejeita a presença de tropas de países da Europa e mantém a chantagem nuclear. Zelensky rejeita as concessões territoriais e exige amplas garantias de segurança contra um futuro ataque russo.
O Exército do México matou no domingo o traficante Nemesio Rubén Oseguera Cervantes, mais conhecido como El Mencho, o poderoso-chefão do Cartel de Jalisco Nova Geração, a mais violenta máfia do narcotráfico no país. A morte deflagrou uma onda de violência que atingiu 20 dos 31 estados mexicanos e causou a morte de pelo menos 75 pessoas, entre as quais 25 agentes das forças de segurança.
Os Estados Unidos ofereciam uma recompensa de US$ 15 milhões por informações que levassem a sua prisão. Teriam colaborado com ações de inteligência, mas não participado diretamente da operação que causou sua morte, de acordo com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, que está sob pressão do presidente Donald Trump para desmantelar as máfias do tráfico.
Sua morte "fecha um ciclo de extrema violência, mas abre outro também muito delicado. A questão não é saber se um líder tombou, mas se o Estado será capaz de impedir a recomposição operacional, financeira e territorial de sua organização", comentou o jornal El Heraldo de México.
A história ensina que cortar cabeças não costuma ser suficiente para acabar com cartéis de drogas ou grupos terroristas. Enquanto não mudar o ambiente que os gerou, a tendência é que outro líder tome o lugar. Neste caso, a expectativa é de uma guerra interna pelo controle do grupo opondo parentes de El Mencho e os militares e policiais que aderiram à organização criminosa.
Para o jornal El Universal, a operação marca "a verdadeira tomada do controle" do país pela presidente Sheinbaum, eleita em 2024, que ainda estaria à sombra de seu predecessor e padrinho político, Andrés Manuel López Obrador.
Na visão do jornal norte-americano The New York Times, Sheinbaum enfrentava o dilema de eliminar El Mencho e "abrir potencialmente um novo capítulo de violência a quatro meses da abertura da Copa do Mundo de futebol, que neste ano será realizada pela primeira vez em três países: EUA, Canadá e México. "Ou não fazer nada para manter o status quo." Ela preferiu enfrentar o narcotráfico.
Por 6 a 3, a Suprema Corte dos Estados Unidos restaurou em parte na sexta-feira a ordem constitucional e o equilíbrio entre os poderes ao decidir que o presidente Donald Trump não poderia deflagrar sua guerra comercial com base na Lei de Poderes de Emergência Econômica Internacional. Criar impostos e impor tarifas de importação são da competência do Congresso.
Ao reagir à decisão do supremo tribunal dos EUA, Trump insultou os ministros, falou em "desgraça para a nação" e anunciou um aumento da tarifa mínima para importações para o país de 10% para 15%. Sua política econômica foi derrubada e ele usava as tarifas como instrumento de política externa para outras questões.
Trump deflagrou sua guerra comercial contra o resto do mundo (foto), inclusive ilhas habitadas só por focas e pinguins, em 2 de abril, que chamou de Dia da Libertação. Agora, terá de renegociar os acordos fechados nos últimos meses e possivelmente devolver o dinheiro a empresas e consumidores norte-americanos.
Um estudo publicado no jornal inglês Financial Timesaponta o Brasil como maior beneficiário da decisão da Suprema. Calcula que a tarifa média sobre importações brasileiras vai cair 13,6 pontos percentuais.
Em 1685, o compositor e instrumentista Georg Friedrich Händel, um dos gênios da música barroca, nasce em Halle, no Eleitorado de Brandemburgo, hoje parte da Alemanha.
Desde menino, Händel revela um grande talento musical. Ele estuda em Halle com o compositor Friedrich Zachow, que lhe ensina composição e instrumentos com teclados. Aos 9 anos, é um bom tecladista.
Händel vira organista da Catedral de Halle, uma igreja protestante calvinista. Fica só um ano e vai para Hamburgo, onde toca violino na orquestra da ópera. Também toca cravo.
Ele viaja de 1706 a 1710 pela Itália, onde conhece grandes músicos italianos como Arcangelo Corelli e Alessandro Scarlatti e sofre influências que marcam sua carreira musical.
Em 1710, Händel é nomeado maestro pelo eleitor de Hanôver, o futuro rei George I, do Reino Unido. Naquele ano, vai para a Inglaterra, onde faz grande sucesso. Quando a rainha Ana morre, em 1714, George I ascende ao trono. Em 1718, ele vai para a Inglaterra, onde fica até o fim da vida. Morre em Londres em 14 de abril de 1759 e está enterrado na Abadia de Westminster.
Sua obra inclui óperas, oratórios e composições instrumentais, inclusive o mais famoso de todos os oratórios, Messias (1741), uma das obras mais importantes da história da música.
CERCO DO ÁLAMO
Em 1836, durante a Guerra da Independência do Texas ou Revolução Texana, o Exército do México, com 1,8 a 6 mil soldados, sob o comando do general Antonio López de Santa Anna, cerca o forte do Álamo, que cai 13 dias depois e vira um símbolo de resistência heroica.
A edificação é a antiga capela da Missão Santo Antônio de Valero, fundada por frades franciscanos entre 1716 e 1718. No fim do século 18, a missão é abandonada. A partir de 1801, a capela é usada por tropas espanholas. Nesta época, o lugar ganha o nome de El Álamo.
Quando começa a Revolução Texana, em dezembro de 1835, um grupo de voluntários, muitos recém-chegados aos Estados Unidos, expulsa as forças do México de Santo Antônio e ocupa o Álamo.
Alguns líderes texanos, entre eles Sam Houston, são a favor de abandonar as posições, impossíveis de defender com poucos soldados, mas os voluntários do Álamo decidem não recuar.
Quando o Exército mexicano chega, há entre 183 e 189 homens no Álamo. O comandante, coronel William Travis, manda uma carta pedindo ajuda. A resistência dura 13 dias. Em 6 de março, os mexicanos invadem por uma brecha na parede externa e subjugam as forças norte-americanas.
O general Santa Anna adota uma política de não prender os inimigos. Manda executar todos. Só 15 pessoas sobrevivem, quase todas mulheres e crianças.
Em 21 de abril de 1836, uma força de 900 homens sob o comando de Houston derrota o Exército de Santa Anna, de 1,2 a 1,3 mil soldados, na Batalha de São Jacinto, com o grito de guerra: "Lembrem-se do Álamo!"
Depois de 1845, quando os EUA anexam o Texas, o Álamo é usado pelo Exército dos EUA. O grito de guerra "Lembrem-se do Álamo!" é repetido pelos soldados na Guerra Mexicano-Americana (1846-48). Ao todo, os EUA tomam mais de 40% do México, desgraçado ainda mais pela ditadura do general Santa Anna. Depois dos atentados de terroristas de 11 de setembro de 2001, o então presidente, George W. Bush, que foi governador do Texas, lembrou do Álamo.
BANDEIRA EM IWO JIMA
Em 1945, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), seis soldados norte-americanos cravam a bandeira dos Estados Unidos pela primeira vez em solo do Japão, no Monte Suribachi, na Ilha de Iwo Jima.
Iwo Jima é uma batalha épica e feroz que dura um mês e uma semana, até 26 de março, e termina com a morte de mais de 6 mil soldados norte-americanos e 18 mil japoneses.
A fotografia dos fuzileiros navais cravando a bandeira dos EUA no topo do Monte Suribachi é uma das imagens-símbolo da Segunda Guerra Mundial. É reencenada para fotos oficiais e há uma batalha sobre que etnias seriam representadas que desmascara o racismo nos EUA, que usam negros e indígenas na guerra.
É o tema do filme A Conquista da Honra, de Clint Eastwood, com o lado norte-americano da Batalha de Iwo Jima, enquanto Cartas de Iwo Jima dá a versão japonesa através das cartas dos soldados do Japão.
PRIMEIRA VACINA CONTRA PÓLIO
Em 1954,alunos da Escola Primária Arsenal, em Pittsburgh, na Pensilvânia, recebem as primeiras doses da vacina contra a poliomielite do Dr. Jonas Salk.
Logo, o Dr. Albert Sabin faria uma nova vacina, aplicada por via oral. Graças às vacinas, os casos foram reduzidos em 99%. Só no Afeganistão e no Paquistão havia incidência da doença, que causa paralisia infantil com sequelas para toda a vida. Mas a situação piora por causa dos movimentos antivacinas.
CAMPEÕES DO GRAMMY
Em 2000, o músico mexicano-norte-americano Carlos Santana ganha oito Prêmios Grammy pelo álbum Supernatural, igualando o recorde de Michael Jackson.
Santana nasce em Autlán de Navarro, no México, em 20 de julho de 1947. Começa a tocar violino aos 5 anos. Aos 8 anos, mudara para a guitarra. Na adolescência, toca em bandas de Tijuana, na fronteira com os Estados Unidos.
Nos anos 1960, a família migra para os EUA. Sob influência da florescente cena de rock de São Francisco, ele forma em 1966 a Santana Blues Band. Quando faz contrato com a gravadora Columbia Records, o grupo vira apenas Santana.
Com um estilo singular que mistura rock, jazz, blues, ritmos afro-cubanos e latinos, Santana é um dos destaques do Festival de Woodstock, em agosto de 1969. Nas décadas seguintes, a banda segue uma linha de fusão entre rock e jazz que reflete a admiração de Santana por Miles Davis e John Coltrane. Faz colaborações com estrelas do jazz como Buddy Miles, Stanley Clarke e John McLaughlin.
O álbum Supernatural(1999) tem a colaboração da cantora Lauryn Hill e o superguitarrista Eric Clapton. Confira o show.