quinta-feira, 7 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 7 de Maio

TEATRO REAL

    Em 1663, é aberto o Teatro Real, mais conhecido hoje como Teatro Drury Lane, construído pelo pelo dramaturgo Thomas Killigrew para sua companhia de teatro, é aberto em Londres durante o período da Restauração da monarquia depois de breve experiência republicana da Inglaterra (1649-60).

É o mais antigo teatro em uso na Inglaterra. Fecha em 1665 e 1666. É destruído pelo fogo em 1672 e reconstruído na atual localização, provavelmente pelo arquiteto Christopher Wren, responsável pelo projeto da Catedral de São Paulo.

NASCIMENTO DE TCHAIKOVSKY

    Em 1840, nasce em Votkinsk, na Rússia, Piotr Ilich Tchaikovsky, o compositor russo mais popular, autor de clássicos como O Lago dos CisnesSuíte Quebra Nozes e A Bela Adormecida.
Desde criança, Tchaikovsky revela talento para a música. Aos 4 anos, faz sua primeira composição. Aos 5 anos, começa a estudar piano. Como a música praticamente não existe como carreira na Rússia daquela época, ele é educado para ser funcionário público.

Quando finalmente o pai percebe o talento musical do filho, contrata um professor profissional. Tchaikovsky viaja pela Europa. Vai à Alemanha, à França e ao Reino Unido. Na volta, entra para o recém-fundado Conservatório de São Petersburgo, onde se forma em 1865.

Sua música mescla a tradição musical russa com a música clássica do Ocidente. Sua obra inclui 7 sinfonias, 11 óperas, 3 balés, 5 suítes, 3 concertos para piano, um concerto para violino, 11 aberturas, 4 cantatas, 20 canções para coral, 3 para quarteto de cordas, uma para um sexteto de cordas e mais de 100 músicas e peças para piano.

BATALHA DO ATLÂNTICO

    Em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), um submarino da Alemanha afunda o navio de passageiros britânico Lusitania. A guerra dos submarinos alemães contra o transporte marítimo no Oceano Atlântico é a principal causa da entrada dos Estados Unidos na guerra.
A Primeira Batalha do Atlântico é uma campanha naval entre o Império da Alemanha contra o Reino Unido e a França, aos quais os EUA se juntam em 1917. O principal objetivo da Alemanha é impedir a chegada de suprimentos aos inimigos.

Em resposta, a Marinha Real britânica bloqueia os portos alemães para impedir a entrada de suprimentos. A Alemanha tem uma frota maior de submarinos e bombardeia indiscriminadamente navios mercantes e de passageiros. Os navios vão em pequenas frotas e os aliados desenvolvem equipamentos como radar e sonar para se proteger.

O Lusitânia é o maior navio do mundo quando fabricado, em 1907. Tem o recorde de velocidade da travessia do Atlântico na época, 24 nós ou 44,45 km/h.

No ataque ao Lusitania, 1.198 das 1.959 pessoas a bordo morrem afogadas, inclusive 128 norte-americanos. É o sinal de que a Batalha do Atlântico vira uma guerra indiscriminada. Isto ajuda a virar a opinião pública dos EUA, que historicamente é contra o envolvimento do país em guerras na Europa.

Ao todo, cerca de 5 mil navios civis são atacados pela Alemanha no Oceano Atlântico. Cem navios de guerra dos aliados e 178 submarinos alemães vão a pique na guerra.

Outra causa importante da entrada dos EUA na guerra é o Telegrama Zimmermann, uma mensagem telegráfica secreta enviada em janeiro de 1917 pelo ministro do Exterior da Alemanha, Arthur Zimmermann, ao embaixador alemão na Cidade do México, Heinrich von Eckardt, propondo uma aliança com o México para ajudar o país a recuperar os territórios conquistados pelos EUA na Guerra Mexicano-Americana (1846-48). Em abril de 1917, os EUA declaram guerra à Alemanha.

A entrada dos EUA na guerra é decisiva para a vitória dos aliados. Em março de 1918, a Rússia, derrotada na frente oriental, está em revolução, e a Alemanha leva vantagem na frente ocidental até os EUA entrarem em combate.

NASCIMENTO DE EVITA

    Em 1919, nasce em Los Toldos, na Argentina, María Eva Duarte. Como segunda mulher do general Juan Domingo Perón, Eva Perón ou Evita se torna uma grande líder popular, a Mãe dos Pobres e dos Descamisados. Até hoje, o casal domina e assombra a política argentina.
Filha ilegítima de uma cozinheira, Evita nasce pobre no interior da província de Buenos Aires. Aos 16 anos, vai para a capital argentina, onde trabalha como modelo e atriz de teatro, cinema e radioteatro.

Ela conhece Perón num evento beneficente no ginásio de esportes Luna Park em 22 de janeiro de 1944, quando ele é vice-presidente, ministro do Trabalho e ministro da Guerra. 

Outra atriz sentada ao lado do coronel Perón se levanta e Evita não perde a oportunidade. Senta ao lado dele e diz uma frase histórica: "Coronel, obrigada por existir." Eles viram amantes.

Sob pressão da ala conservadora do Exército, Perón é demitido em 9 de outubro de 1945 e preso quatro dias depois. Uma onda de protestos populares organizados pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) com a participação de Evita, então apenas uma atriz, força a sua libertação em 17 de outubro, festejado como o Dia da Lealdade, a data magna do peronismo.

Naquele dia, Perón faz seu primeiro discurso triunfante na janela da Casa Rosada diante de uma multidão reunida na Praça de Maio, ao lado de Evita, com quem se casa quatro dias depois.

Com os votos de mais de 1,5 milhão de argentinos, 53% do eleitorado, Perón é eleito presidente da Argentina em 24 de fevereiro de 1946.

Evita cuida das obras sociais do governo. É ministra do Trabalho e do Bem-Estar Social e preside a Fundação Eva Perón, criada em 1948, com orçamento anual de US$ 50 milhões, que distribui generosamente dinheiro, empregos e moradia para os descamisados, os migrantes vindos do interior.

Em entrevista ao escritor Tomás Eloy Martínez, em 1970, Perón declara que “Evita foi uma criação minha”, negando que a imagem de sua segunda mulher tenha se tornado maior do que a dele. Essa posição é defendida hoje por peronistas que acusam a oligarquia argentina de inflar o mito de Evita para torná-la maior do que o caudilho.

A primeira-dama é fundamental na campanha para a introdução do voto feminino, em 1947. Chega a ser cotada como candidata a vice-presidente, mas enfrenta forte resistência dos conservadores e militares.

Um grande comício realizado pela CGT em 22 de agosto de 1951 é insuficiente para virar o jogo. Depois de uma tentativa de golpe em 28 de setembro, a candidatura Evita é abandonada.

SANTA EVITA
Uma espécie de Cinderela vingadora, Eva Perón morre de câncer no útero menos de um ano depois, em 26 de julho de 1952, no auge de sua popularidade. É convertida numa santa.

Seu funeral dura quatro dias para que todos possam dar adeus à mãe dos pobres. De maio de 1952 a julho de 1954, dois anos depois de sua morte, o Vaticano recebe mais de 40 mil cartas pedindo a canonização de Evita.

Mais da metade das meninas nascidas em algumas províncias argentinas naquela época foram batizadas Eva ou María Eva. As adolescentes pintavam o cabelo de louro. Evita ditava a moda.

DISPUTA PELO CADÁVER
Quando Evita morre, o plano é construir um memorial em sua homenagem. Ela seria enterrada na base de um monumento aos descamisados. Como o líder da revolução comunista na Rússia, Vladimir Lenin, seu corpo embalsamado ficaria em exposição ao público.

Antes da conclusão da obra, Perón é derrubado por golpe militar, a Revolução Libertadora de 16 de setembro de 1955. Foge sem se preocupar com a múmia de Evita, que desaparece da sede da CGT, em Buenos Aires, onde ficara. De 1955 a 1971, o peronismo é proscrito na Argentina. É proibido ter fotos de Eva e Juan Perón em casa e até mesmo citar seus nomes.

Em 1957, com a ajuda do Vaticano, o cadáver de Evita é retirado da Argentina e enterrado com nome falso na Itália.

Só em 1971 os militares revelam que a ex-primeira-dama está enterrada numa cripta em Milão, na Itália, com o nome de María Maggi. Naquele ano, o corpo é exumado e entregue ao general Perón no exílio na Espanha.

Depois da morte de Perón, em 1974, a terceira mulher do caudilho, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, assume o governo e repatria o cadáver de Evita, que fica um tempo ao lado dos restos de Perón na Quinta de Olivos, residência oficial dos presidentes da Argentina. Sem o talento político de EvitaIsabelita não se sustenta no cargo.

Com o golpe militar de março de 1976, mais uma vez os peronistas temem pelo destino dos restos mortais da grande líder de massas. Em outubro daquele ano, sob a supervisão da ditadura, o cadáver de Evita é levado de Olivos para o Cemitério da Recoleta, onde estão enterrados os grandes líderes da oligarquia argentina, e sepultado no mausoléu da família Duarte.

Até hoje, os dois cadáveres têm presença dominante. Ainda assombram e dominam a política argentina. O atual presidente, Javier Milei, de extrema direita, quer erradicar o peronismo, mas o aumento da desigualdade social joga a favor de Perón. 

RENDIÇÃO DA ALEMANHA

    Em 1945, uma delegação da Alemanha Nazista chefiada pelo general Alfred Jodl vai até quartel-general do comandante militar aliado, general Dwight Eisenhower, para assinar os documentos de rendição. A Segunda Guerra Mundial (1939-45) na Europa termina no dia seguinte.

A guerra começa com a invasão da Polônia por ordem do ditador nazista Adolf Hitler, em 1º de setembro de 1939. Dias antes, em 23 de agosto, Hitler faz um pacto de não agressão com o ditador soviético, Josef Stalin. Eles dividem a Polônia.

Depois da rendição da França, em 22 de junho de 1940, e da derrota na Batalha da Inglaterra, em outubro do mesmo ano, a Alemanha rompe o pacto e invade e União Soviética em 22 de junho de 1941.

Os Estados Unidos entram na guerra em 7 de dezembro de 1941, quando a Força Aérea do Japão bombardeia a Frota do Pacífico dos EUA, baseada em Pearl Harbor, no Havaí.

A Alemanha perde a Batalha de Moscou, travada de 2 de outubro de 1941 a 7 de janeiro de 1942, e seu Exército da África sofre uma grande derrota na Batalha de Al Alamein, no Egito, em 11 de novembro de 1942.

Na frente oriental, a ofensiva alemã na Europa Oriental é contida com a derrota na Batalha de Stalingrado, em 2 de fevereiro de 1943. A partir daí, o Exército Vermelho lança uma contraofensiva que vai até Berlim, em 8 de maio, Dia da Vitória na Europa.

Os aliados ocidentais invadem a Sicília, na Itália, em 9 de julho de 1943 e a Normandia, na França, em 6 de junho de 1944. Depois da Batalha de Ardenne, no Norte da França, de 16 de dezembro de 1944 a 25 de janeiro de 1945, o caminho está aberto na frente ocidental e os aliados convergem para a Alemanha.

FIM DA INDOCHINA FRANCESA

    Em 1954, depois de 57 dias de cerco, os guerrilheiros comunistas do Viet Minh, sob o comando do general Vo Nguyen Giap, obtém uma vitória decisiva contra a França na Batalha de Dien Bien Phu, no Nordeste do Vietnã, e acabam com a Indochina Francesa, fundada em 1887, que colonizava o Laos, o Camboja e o Vietnã.

Horas depois da rendição incondicional do Japão, fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), em 2 de setembro de 1945, o líder comunista Ho Chi Minh proclama a independência da República Democrática do Vietnã.

Em 1946, quando a França tenta reimpor o regime colonial, começa a Primeira Guerra da Indochina (1946-54). Quando termina, o acordo de paz mediado pelas Nações Unidas divide o Vietnã ao longo do paralelo 17º Norte em Vietnã do Norte e do Sul, e propõe a realização de eleições em dois anos para unificar o país.

Como os comunistas liderados por Ho Chi Minh são favoritos, os Estados Unidos, superpotência líder do mundo capitalista durante a Guerra Fria, herdam o espaço geopolítico dos decadentes impérios britânico e francês – e vetam as eleições. 

Em 1º de novembro de 1955, começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75), que termina em 30 de abril de 1975, com a queda de Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, e do regime-fantoche sustentado pelos EUA depois de milhões de mortes.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 6 de Maio

 EXCLUSÃO DOS CHINESES

    Em 1882, o presidente Chester Arthur sanciona a Lei de Exclusão dos Chineses, a primeira e única grande lei federal dos Estados Unidos suspendendo explicitamente a imigração de uma nacionalidade específica.

É o marco do início de uma era em que os EUA deixam de ser um país aberto a imigrantes de todas as nacionalidades. A Lei de Exclusão dos Chineses vigora por 10 anos e tem a vigência prorrogada por mais 10 anos pela Lei Geary, de 1892, que exige que os chineses tenham alguma forma da identidade. Se não apresentarem, estão sujeitos a deportação.

Os chineses só entram nos EUA se forem estudantes, professores, diplomatas ou turistas. A lei é prorrogada até 1902 e indefinidamente a partir de 1904. Só é revogada em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), quando os EUA e a China são aliados contra o Japão. 

NASCE ORSON WELLES

    Em 1915, o escritor, ator, produtor e diretor de cinema norte-americano Orson Welles, um dos artistas mais versáteis do século 20, do teatro ao rádio e ao cinema, nasce em Kenosha, em Wisconsin, nos Estados Unidos.

Com técnicas inovadoras de narrativa, fotografia e iluminação para criar um impacto acentuado pela música para dar um tom mais dramáticos, sua obra-prima, Cidadão Kane (1941), que Welles escreveu, roteirou, produziu e dirigiu, é considerado talvez o melhor filme da história do cinema.

"Um filme nunca é realmente bom a não ser que a câmera seja um olho na cabeça de um poeta", disse Orson Welles.

Em 30 de outubro de 1938, George Orson Welles apresenta um programa que faz radioteatro com clássicos da literatura, no dia, A Guerra dos Mundos, de Herbert George Wells, um livro de ficção sobre uma invasão de marcianos à Terra.

O programa não é líder da audiência no horário. A maioria dos ouvintes escuta primeiro outra emissora. Não ouve a explicação inicial de que se trata de uma obra de ficção e acredita que a Terra está sendo invadida por exércitos extraterrestres.

Foi um impacto tão grande que abriu as portas de Hollywood para Welles. Ele casa com Rita Haywort e tem a filha Rebecca. O casal se divorcia em 1948.

FIM DA ERA DOS ZEPELINS

    Em 1936, o dirigível Hindenburg, o maior de todos, explode em chamas em Lakehurst, no estado de Nova Jérsei, nos Estados Unidos, matando 13 passageiros e 22 tripulantes. É o fim da era dos zepelins.

O Hindenburg tem 245 metros de comprimento e 41,5 metros de diâmetro. Voa a 135 quilômetros por hora. É o fim de uma tarde chuvosa, 77 horas depois da decolagem em Frankfurt, na Alemanha. O vento forte obriga o capitão Max Pruss a sobrevoar o atracador duas vezes.

A bordo, há 97 pessoas, 61 tripulantes, 36 passageiros e 2 cachorros, além de bagagem, carga e correspondência. O dirigível está a 60 metros do chão, com a escada em posição de desembarque quando começa o incêndio na cauda. Meio minuto depois, o zepelim cai em chamas.

É o primeiro e último acidente do Hindenburg, depois de percorrer 2 milhões de quilômetros em 8 anos.

O zepelim veio ao Brasil em transporte transatlântico. Tem um hangar especial preservado até hoje na Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro. Fazia escala no Recife antes de atravessar o Oceano Atlântico.

EUA SE RENDEM AO JAPÃO NAS FILIPINAS

    Em 1942, depois de 27 dias, a guarnição das forças dos Estados Unidos, sob o comando do general Jonathan Wainwright se rendem ao general Homma Masaharu na invasão japonesa durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

A Ilha do Corregidor ou Corregedor é uma ilha rochosa situada estrategicamente na entrada da Baía de Manila, logo ao sul da província da Bataan, na ilha de Luzon, a maior das Filipinas. A Espanha fortifica a ilha no século 18 e ali instala um corregedor para fiscalizar a entrada e saída de navios.

Quando os EUA vencem a Espanha na Guerra Hispano-Americana (1898), há uma Batalha da Baía de Manila. As Filipinas declaram a independência, mas passam a ser uma colônia dos EUA até 1946. Quando o Japão invade, os EUA estão defendendo a colônia ao lado dos filipinos.

A Batalha de Retomada da Ilha do Corregidor é travada de 16 de fevereiro a 2 de março de 1945. A reconquista da ilha e as batalhas de Bataan e de Manila redimem os EUA da rendição no início da guerra.

terça-feira, 5 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 5 de Maio

MORTE DE NAPOLEÃO

    Em 1821, morre no exílio na ilha de Santa Helena, no Oceano Atlântico, uma possessão britânica, o imperador francês Napoleão Bonaparte, um dos maiores generais de todos os tempos.

Napoleão nasce em 15 de agosto de 1769 em Ajácio, a capital da ilha da Córsega, que dois anos antes se torna parte da França. Com a derrocada da aristocracia na Revolução Francesa de 1789, Napoleão ascende rapidamente na hierarquia do Exército, onde antes para ser general precisava ter quatro gerações de nobreza.

General aos 24 anos, depois da campanha do Egito, em 1798, Napoleão é nomeado cônsul em 1799 e acaba com a Revolução Francesa, enquanto seu exército cidadão luta contra as monarquias europeias. Em 1804, Napoleão se coroa imperador.

Ele não consegue invadir a Inglaterra por causa das derrotas para o almirante Horácio Nelson em Abukir (1799) e Trafalgar (1805). Mas controla maioria do continente, inclusive a Península Ibérica, o que provoca a fuga da família real portuguesa para o Brasil e a independência da América Latina.

Seu maior erro é a invasão da Rússia, em 24 de junho de 1812 com o Grande Exército, de 600 mil homens. Depois de uma vitória com enormes perdas na Batalha de Borodino, o Exército russo recua e incendeia Moscou, deixando os franceses sem abrigo e sem comida no início do outono no Hemisfério Norte. A fuga termina em 14 de dezembro. Napoleão nunca se recupera da Campanha da Rússia.

Em 1813, a Sexta Coligação contra Napoleão (Áustria, Prússia, Rússia, Reino Unido, Suécia e alguns estados alemães) o derrota na Batalha de Leipzig. No ano seguinte, seus inimigos invadem Paris. Em 11 de abril de 1814, Napoleão abdica e vai para o exílio na Ilha de Elba, no Mar Mediterrâneo.

O general foge de Elba em fevereiro de 1815 e retoma o poder em 20 de março, mas o segundo reinado dura apenas 110 dias. Um exército da Sétima Coligação (Reino Unido, Áustria, Prússia e Rússia), sob o comando do Duque de Wellington, vence Napoleão na Batalha de Waterloo, na Bélgica, em 18 de junho de 1815. Ele abdica em 22 de junho e vai preso para a Ilha de Santa Helena, onde morre seis anos depois.

BATALHA DE PUEBLA

    Em 1862, mesmo em desvantagem numérica, o Exército do México derrota uma poderosa força invasora da França na cidade de Puebla, uma grande vitória moral que mostra aos mexicanos que eles têm capacidade de defender sua soberania contra uma potência estrangeira, 14 anos depois de perder cerca de 40% de seu território para os Estados Unidos na Guerra Mexicano-Americana (1846-48).

Quando Benito Juárez, o primeiro indígena a governar um país da América Latina, vira presidente, em 1861, o México está falido. Não paga dívidas. A Espanha, a França e o Reino Unido mandam forças navais para Veracruz para cobrar.

A Espanha e o Reino Unido negociam, mas a França, governada pelo imperador Napoleão III, vê uma oportunidade de ampliar seu império, facilitada pelo início, em 12 de abril de 1861, da Guerra da Secessão (1861-65) nos EUA, cuja Doutrina Monroe se opunha a intervenções europeias no continente.

Em 8 de dezembro de 1861, a expedição tripartite chega a Veracruz. A França rompe a aliança em abril e decide recolonizar o México. Certo da vitória rápida, o Exército francês marcha com 6 mil homens rumo a Puebla de Los Angeles, a caminho da Cidade do México.

Sob o comando do general Ignacio Zaragoza, uma força de 2 a 5 mil mexicanos resiste até o general francês Charles de Lorencez retirar suas tropas derrotadas.

Os franceses dominam o país, mas os mexicanos travam uma guerra de guerrilhas, com o apoio dos EUA depois do fim da guerra civil norte-americana.

Napoleão III nomeia o arquiduque austríaco Maximiliano de Habsburgo imperador do México. Ele governa o país de 10 de abril de 1864 até ser capturado pelas forças de Juárez e fuzilado, em 19 de junho de 1867. Dois dias depois, a França se rende e o México restaura a república.

CHANEL Nº 5

    Em 1921, a butique de Coco Chanel na Rua Cambon, em Paris, lança o perfume Chanel Nº 5, que revoluciona a indústria da perfumaria e mantém o sucesso há mais de um século.

Quando perguntaram a Marylin Monroe o que ela usava para dormir, a superestrela de Hollywood, uma das mulheres mais lindas e sensuais da história do cinema, respondeu: "Chanel nº 5."

ALEMANHA OCIDENTAL SE ARMA

    Em 1955, a República Federal da Alemanha ou Alemanha Ocidental recupera parcialmente a soberania da Alemanha e o direito de ter um exército, mas o fim total da ocupação pelos aliados ocidentais – Estados Unidos, França e Reino Unido – no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45) só vem com a reunificação do país, em 3 de outubro de 1990, quando as forças da União Soviética saem da Alemanha Oriental.


A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) é criada em 1949 em reação ao Bloqueio de Berlim pelo ditador soviético Josef Stalin no ano anterior. A França aceita o armamento e a entrada da Alemanha Ocidental na OTAN desde que não haja um exército alemão independente.

A Alemanha Ocidental se arma e se associa à aliança militar ocidental que se opõe na Guerra Fria à União Soviética, que domina a Alemanha Oriental até a abertura do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989, o que abre caminho para a reunificação do país, em 3 de outubro de 1990..

CEM ANOS DE SOLIDÃO

    Em 1967, a Editorial Sudamericana lança em Buenos Aires a primeira edição, com tiragem de 8 mil exemplares, do romance Cem Anos de Solidão, do escritor colombiano Gabriel García Marquez, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1982.


O livro é considerado pelo jornal francês Le Monde um dos 100 melhores do século 20. Obra-prima do chamado realismo fantástico latino-americano, vende mais de 30 milhões de cópias em 35 idiomas.

Cem Anos de Solidão conta a história de sete gerações da família Buendía, personagens de ficção fundadores de Macondo, uma cidade imaginária praticamente isolada do mundo, mas atingida por novas tecnologias, a conturbada política colombiana como a Guerra dos Mil Dias (1899-1902) e a penetração de uma empresa estrangeira, a American Fruit Company, criada à imagem e semelhança da United Fruit, responsável por golpes e ditaduras na América Latina.

BOBBY SANDS MORRE

    Em 1981, depois de 66 dias de greve de fome para ser reconhecido como preso político e não como criminoso comum, o miliciano do Exército Repúblico Irlandês (IRA) Provisório Bobby Sands morre na prisão de Maze, deflagrando uma onda de protestos violentos e choques de jovens católicos, republicanos e nacionalistas irlandeses contra a polícia, grupos paramilitares e o Exército Real britânico na Irlanda do Norte.

Sands nasce em 1954 numa família católica que mora num bairro de maioria protestante de Belfast, a capital da Irlanda do Norte. Em 1972, no auge da guerra civil norte-irlandesa, a família se muda para um conjunto habitacional popular num bairro católico, onde ele é recrutado pelo IRA Provisório.

O IRA nasce em 1919 para lutar pela independência da Irlanda, conquistada em 1921, mas seis condados de maioria protestante da província do Úlster formam a Irlanda do Norte e permanecem no Reino Unido, o que os nacionalistas irlandeses nunca aceitam.

Como os católicos são discriminados, surge nos ano 1960 um movimento para acabar com o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte e reunificar a Irlanda. Em resposta à intervenção militar do Exército Real a partir de agosto de 1969, o IRA renasce como IRA Provisório. É o principal grupo armado dos católicos, republicanos e nacionalistas irlandeses na guerra civil na Irlanda do Norte. 

Em 1972, Bobby Sands é preso e condenado por participar de vários roubos atribuídos ao IRA. Vai para uma prisão que parece um campo para criminosos de guerra, onde tem liberdade de movimento e de se vestir como quiser. Ele fica quatro anos preso.

Menos de um ano depois de ser solto, Sands é preso em 1977 por estar armado perto do local de um atentado a bomba do IRA. Como desde 1976 o governo britânico criminaliza as ações violentas dos terroristas irlandeses, Sands vai para a prisão de segurança máxima de Maze, ao sul de Belfast.

Na cadeia, Sands se une a outros milicianos do IRA Provisório para exigir os direitos que tinham até 1976 como presos políticos. Em 1980, uma greve de fome dura 53 dias. É suspensa quando um dos prisioneiros entra em coma.

O governo conservador de Margaret Thatcher (1979-90) é intransigente. Faz pequenas concessões. Em 1º de março de 1981, no quinto aniversário da política de criminalização, Bobby Sands inicia nova greve de fome.

Em 9 de abril, Sands é eleito para uma cadeira vaga na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico. Os deputados do Sinn Féin nunca tomam posse porque se negam a jurar lealdade à coroa britânica. Mais tarde, o Parlamento aprova lei para proibir condenado cumprindo pena de ser deputado.

O papa João Paulo II faz um último apelo para que Sands volte a se alimentar. Ele se nega. Entra em coma em 3 de maio e morre na madrugada de 5 de maio.

Além de Sands, mais nove prisioneiros morrem até a greve ser encerrada, em 3 de outubro de 1981, sob pressão de parentes dos presos e da Igreja Católica.

Com o fim da greve de fome, o governo Thatcher restitui o direito de usar trajes civis, permite que os presos recebam visitas e cartas, tenham mais espaço para se movimentar e não sejam submetidos a punições severas por se negar a trabalhar na prisão. Mas não o status de prisioneiros políticos. Continuam sendo criminosos comuns.

Mais de 3,5 mil pessoas são mortas nos 30 anos da Guerra Civil da Irlanda do Norte (1968-98). O IRA se desmobiliza em 2005, com base no Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa (1998).

Nas últimas eleições, o Sinn Féin é o partido mais votado. Pela primeira vez, o SF lidera o governo de união nacional da Irlanda do Norte. A primeira-ministra é Michelle O'Neill.

HOMEM-ARANHA

    Em 2002, O Homem-Aranha torna-se o primeiro filme a faturar mais de US$ 100 milhões no fim de semana de estreia.

O filme leva para o cinema pela segunda o personagem da história em quadrinhos criado por Stan Lee para a Marvel Comics em 1962. Sob a direção de Sam Raimi, tem Tobby McGuire e Willem Dafoe nos papéis principais.

Peter Parker visita um laboratório de genética onde há uma exposição de aranhas. Picado por uma aranha geneticamente modificada, ele ganha poderes especiais, uma força descomunal e a capacidade de produzir teias. 

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segunda-feira, 4 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 4 de Maio

 CONSTRUÇÃO DO CANAL DO PANAMÁ

    Em 1905, os Estados Unidos iniciam a segunda tentativa de abrir um canal entre os oceanos Atlântico e Pacífico no Istmo do Panamá, depois do fracasso que companhia francesa que construiu o Canal de Suez.

O sonho de construir um canal através do Istmo do Panamá vem desde 1534, quando Carlos V, rei da Espanha e imperador do Sacro Império Romano-Germânico, fala na ideia. Em 14 de agosto de 1843, o Banco Barings, de Londres, fecha contrato com a República de Nova Granada para abrir um canal no Istmo da Darién (Panamá). Mas o projeto nunca sai do papel.

Em 1846, os EUA negociam com Nova Granada o direito de trânsito e intervenção militar no istmo. Quatro anos depois, começam a construção da Ferrovia do Panamá.

A obra é tentada para valer por Ferdinand de Lesseps, o construtor do Canal de Suez. Ele obtém permissão da Colômbia em 1878. O trabalho se inicia em 1880, mas o terreno, relevo e clima criam desafios formidáveis. Chuvas torrenciais, desmoronamentos e a alta incidência de doenças tropicais como malária e febre amarela levam a empresa à falência.

O presidente Theodore Roosevelt, considerado o pai do imperialismo norte-americano, decide concluir a obra. Em 1903, os EUA fecham o Tratado Hey-Herran, mas o Senado da Colômbia não o ratifica. Com a Colômbia fragilizada depois da Guerra dos Mil Dias (1899-1902), os EUA intervêm militarmente e promovem a independência do Panamá.

A construção termina em 10 de outubro de 1913, quando o presidente norte-americano Woodrow Wilson detona uma carga de dinamite para desobstruir o último obstáculo. A inauguração do canal de 82 quilômetros acontece em 14 de agosto de 1914.

Em 1977, o presidente Jimmy Carter faz um acordo com o ditador Omar Torrijos para devolver o canal ao Panamá em 1999, o que traz grande prosperidade do país.

Nos primeiros 100 anos, mais de 820 mil navios passaram pelo Canal do Panamá.

Desde que tomou posse para um segundo mandato, o presidente Donald Trump fala em retomar o controle do canal pelos EUA.

MOVIMENTO QUATRO DE MAIO

    Em 1919, manifestações de estudantes contra a decisão do Tratado de Versalhes de entregar ao Japão territórios chineses em Shandong antes ocupados pela Alemanha marcam o início de um movimento político e cultural anti-imperialista. O Partido Comunista da China, fundado em 1921, é filho do Movimento Quatro de Maio.

A China era o Império do Meio ou do Centro, o centro do mundo na Ásia desde sua unificação, em 221 antes de Cristo. O Império Chinês entra em declínio com a derrota para o Império Britânico nas Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60) e para o Japão na Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95), que acaba com a ordem sino-cêntrica e torna o Japão o país mais poderoso do Leste da Ásia. A China perde também a Guerra dos Boxers (1899-1901), uma luta anti-imperialista.

A Revolução Xinhai derruba o império em 1911. O início da era republicana é turbulento. A China é um dos países mais pobres do mundo, com renda média por pessoa de 100 dólares por ano. O interior do país é dominado por senhores da guerra. 

Nos anos 1920, começa uma guerra civil entre os comunistas e os nacionalistas do Kuomintang (KMT), liderado por Chiang Kai-shek, que é interrompida pela Segunda Guerra Mundial (1939-45) e recomeça depois da guerra até a vitória dos partidários de Mao Tsé-tung em 1º de outubro de 1949.

Com as reformas de Deng Xiaoping, a China passa pelo maior e mais rápido desenvolvimento econômico da história. Hoje é a segunda maior economia do mundo e disputa a liderança global com os Estados Unidos.

MORTE NO CAMPUS

    Em 1970, 28 soldados da Guarda Nacional disparam 67 vezes em 13 segundos contra manifestantes que protestam pacificamente contra a participação dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã na Universidade Estadual de Kent, em Ohio. Eles matam quatro estudantes e ferem outros oito, inclusive um que fica paraplégico.

O Massacre de 4 de Maio ou da Universidade Estadual de Kent é um marco na luta contra a participação dos EUA na Guerra do Vietnã e, no caso, também contra a presença da Guarda Nacional no campus. Os estudantes protestam contra a intensificação da guerra contra o Camboja, anunciada em 30 de abril pelo presidente Richard Nixon.

Mais de 4 milhões de estudantes de milhares de escolas e universidades participam de protestos nos dias seguinte. É um momento decisivo na virada da opinião pública contra a guerra. O cantor e compositor Neil Young compõe a música Ohio.

As manifestações contra a guerra de Israel na Faixa de Gaza depois do ataque terrorista do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) em 7 de outubro de 2023 são as maiores em universidades dos EUA desde a Guerra do Vietnã. Servem de pretexto para a ofensiva do governo Donald Trump às universidades sob a alegação de combater o antissemitismo.

THATCHER CHEGA AO PODER

    Em 1979, depois de uma onda de greves conhecida como inverno do descontentamento em que o lixo se acumulou nas ruas e cadáveres ficaram insepultos pela paralisação lixeiros e coveiros, o Partido Conservador vence as eleições no Reino Unido e sua líder, Margaret Thatcher se torna a primeira primeira-ministra da Europa.

A crise do petróleo deflagrada pelo embargo da venda do petróleo árabe a países que apoiam Israel na Guerra do Yom Kippur, em 1973, causa recessão, desemprego e grandes filas nos postos de gasolina na Europa e na América. É o fim da era do petróleo barato.

No Reino Unido, o Partido Trabalhista volta ao poder em 1974 sob a liderança de Harold Wilson, que havia governado o país de 1964 a 1970, nos gloriosos anos 1960, quando Londres era um centro da música popular, da moda e da cultura.

Wilson critica os termos do acordo para a entrada do Reino Unido na então Comunidade Econômica Europeia, em 1973. No poder, renegocia o acordo e consegue aprová-lo num referendo em 1975, mas a decisão divide o partido e ele renuncia em favor de James Callaghan, um líder trabalhista fraco.

Com a economia em crise, o Reino Unido pede ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para defender a outrora poderosa libra esterlina. A onda de greves do inverno do descontentamento e o desemprego desmoralizam o governo trabalhista e abrem o caminho para Margaret Thatcher.

Margaret Hilda Roberts nasce em 1925, filha de um dono de armazém e vereador que se tornaria prefeito. Ela se forma em química na Universidade de Oxford. É eleita para a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico pela primeira vez em 1959 pelo distrito de Finchley, no Norte de Londres. 

De 1970-74, Thatcher é ministra da Educação e da Ciência do governo Edward Heath. Após a derrota conservadora em 1974, Thatcher vence Heath na disputa pela liderança do partido no ano seguinte. É a primeira mulher a chefiar um grande partido britânico e a primeira primeira-ministra. Por suas posições conservadoras e seu anticomunismo, ganha a alcunha de Dama de Ferro da imprensa da União Soviética depois de um discurso como líder da oposição.

Além de cortar impostos, uma de suas principais bandeiras é a privatização de empresas estatais, que ela considera mais ineficientes do que o setor privado. Thatcher quer transformar a Grã-Bretanha num país de acionistas. Começa esse processo em 1981 sob forte oposição dos sindicados, ligados ao Partido Trabalhista.

Estão lançadas as bases do thatcherismo, que incluem recuo da máquina estatal, disciplina fiscal, cortes de impostos, privatizações, respeito à autoridade e à ordem pública, e um feroz anticomunismo. Poucos primeiros-ministros dão nome a uma filosofia política.

Em seu radicalismo, Margaret Thatcher chega a dizer: "Não existe isso que chamam de sociedade. Há homens, mulheres e famílias".

O total de desempregados no Reino Unido sobe para 3 milhões, e o número de pobres aumenta quatro vezes, aprofundando a desigualdade social, uma das marcas perversas do neoconservadorismo. Impopular, Thatcher conta com uma ajuda inesperada.

A invasão das Ilhas Malvinas pela ditadura militar da Argentina em 2 de abril de 1982 é um teste para sua determinação. Uma força-tarefa é enviada para a guerra a 10 mil quilômetros de distância da Inglaterra. Em 14 de junho, as ilhas são retomadas depois da morte de 649 argentinos e 258 britânicos.

Humilhada, a ditadura militar argentina cai. Fortalecida, Thatcher obtém em 1983 sua maior vitória eleitoral. Com maioria de 144 deputados no Parlamento Britânico, parte para o enfrentamento com os sindicatos para impor sua ideologia econômica neoliberal. Uma greve de 11 meses contra o fechamento de 20 minas estatais deficitárias deixa o Reino Unido sem carvão em 1984 e 1985.

Sem o apoio da opinião pública, a greve fracassa. Os mineiros e o sindicalismo em geral perdem força.

Também em 1984, Margaret Thatcher sobrevive a um atentado a bomba do Exército Republicano Irlandês (IRA) contra a convenção anual do Partido Conservador. É uma tentativa de vingar as mortes de 10 militantes republicanos irlandeses em greve fome que exigiam reconhecimento como presos políticos, em 1981. Inflexível, a Dama de Ferro os considerava criminosos comuns.

No mesmo ano, Thatcher convida o futuro líder soviético Mikhail Gorbachev para ir a Londres. É a primeira a identificá-lo no Ocidente como "alguém com quem se pode negociar".

Naquela época, ela considera o líder negro sul-africano Nelson Mandela, que ainda está preso, como "terrorista". Mais tarde, defende o amigo e admirador general Augusto Pinochet, o ditador preso em Londres em 1998 por crimes cometidos quando governou o Chile, de 1973 a 1990.

Sob Thatcher, amplos setores da economia britânica, aviação, metalurgia, telecomunicações, água, energia e o sistema ferroviário, são entregues à iniciativa privada. São mudanças permanentes, observa o jornal The New York Times. Modernizam a Grã-Bretanha, mas aprofundam a desigualdade.

A ex-primeira-ministra também é uma grande adversária do aumento dos poderes da Comunidade Europeia, hoje União Europeia. Chega a bater na mesa com sua bolsa para pedir a devolução de parte da contribuição britânica para a política comum de subsídios agrícolas do bloco europeu, já que o Reino Unido tem uma agricultura muito menor do que países como a França e a Alemanha.

"Não estou pedindo o dinheiro dos outros. Estou pedindo nosso dinheiro de volta", afirmou.

Em 1987, depois de sua terceira vitória eleitoral consecutiva, Thatcher se torna ainda mais antieuropeia, preocupando um de seus maiores aliados, o centro financeiro de Londres, que teme perder a primazia para Paris ou Frankfurt na união monetária europeia porque o Reino Unido não adota o euro.

Uma de suas principais bandeiras, entusiasticamente adotada pelo Partido Conservador, é repatriar poderes da UE para o Parlamento Britânico. Diante do avanço do euroceticismo e da crise da Zona do Euro, o atual primeiro-ministro e líder do partido, David Cameron, prometeu convocar um plebiscito sobre a permanência do país na UE até 2017. Por 52% a 48%, em 23 de junho de 2016, o Reino Unido decidiu sair da UE

O risco de isolamento na Europa e a substituição do imposto predial e territorial por um imposto por pessoa, independentemente da renda pessoal e do tamanho da propriedade, selam sua impopularidade. Em novembro de 1990, o ex-ministro Michel Heseltine, um europeísta, desafia a liderança da Margaret Thatcher.

Sem uma vitória consistente, com mais de dois terços dos votos da bancada do partido na Câmara dos Comuns, Thatcher pede demissão. Vira Baronesa Thatcher e vai para a Câmara dos Lordes. Enquanto sua saúde permite, influencia a vida política do país.

regicídio, como o episódio é conhecido na Grã-Bretanha, abre uma guerra interna de que o Partido Conservador não se recuperou até hoje e que levou ao plebiscito para sair da UE. O compromisso com a defesa de Londres como um dos maiores centros financeiros do mundo entra em choque com a rejeição à integração europeia.

Talvez seu maior legado seja a profunda reforma política e econômica, que vai muito além do Reino Unido. Antes de Thatcher, a maioria das companhias aéreas e as empresas telefônicas de fora dos EUA eram estatais.

Para voltar ao poder com Tony Blair, em 1997, o Partido Trabalhista faz uma ampla mudança, abrindo mão do socialismo e da estatização dos meios de produção, que são excluídos do programa partidário para reconquistar a classe média. Essa é a grande vitória ideológica de Thatcher, fazer o principal adversário abraçar a economia de mercado.

Do ponto de vista econômico, o neoliberalismo que defendeu com tanto vigor ao lado de Ronald Reagan é a ideologia dominante da economia internacional por quase três décadas. Com suas políticas de desregulamentação e redução da atividade do Estado, é a principal causa da grande crise econômico-financeira internacional de 2008-9 e da grande concentração da riqueza nas últimas décadas, em que surgem cada vez mais bilionários enquanto a renda das classes médias está estagnada.

Acima de tudo, Thatcher ajuda a acabar com a Guerra Fria, resgata o prestígio da economia de mercado e recupera o orgulho do Reino Unido, mas a um custo social elevado que divide o país, aumenta a desigualdade social e o afasta do resto da Europa.

ACORDOS DE OSLO

    Em 1994, o primeiro-ministro trabalhista de Israel, Yitzhak Rabin, e o presidente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, assinam no Cairo, a capital do Egito, o acordo que cria a Autoridade Nacional Palestina (ANP) e devolve aos árabes o controle parcial sobre a Faixa de Gaza e Jericó.

Quando a Assembleia Geral das Nações Unidas aprova a divisão do território histórico da Palestina entre um país árabe e um judeu, em 29 de novembro de 1947, os países árabes não aceitam. Com a fundação de Israel, em 14 de maio de 1948, os países árabes invadem o novo país, dando início a uma guerra sem fim.

O povo palestino é formado pelos árabes expulsos de suas terras quando Israel nasce e seus descendentes. A diáspora palestina fica ainda pior depois da Guerra dos Seis Dias (1967), quando Israel ocupa a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, do Egito; as Colinas do Golã, da Síria; e a Cisjordânia, inclusive o setor oriental da Jerusalém, da Jordânia.

O Egito recupera o Sinai com os Acordos de Camp David (1979) e a questão palestina fica para trás. As negociações árabe-israelenses recomeçam na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991, quando há uma atitude favorável a Israel por não ter reagido aos ataques de Saddam Hussein durante a Guerra do Golfo (1991) para expulsar os iraquianos do Kuwait.

As negociações não avançam. A cada reunião, os dois lados dão declarações acusatórias. Os palestinos não fazem nada sem consultar a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), de Yasser Arafat. Então, o governo trabalhista de Yitzhak Rabin e Shimon Peres decide fazer negociações secretas organizadas pela Noruega.

Esse processo leva à declaração de princípios e ao histórico aperto de mãos entre Rabin e Arafat na Casa Branca em 13 de setembro de 1993 e aos acordos de Oslo. O assassinato de Rabin por um extremista religioso judeu, em 4 de novembro de 1995, e a ascensão do primeiro-ministro conservador Benjamin Netanyahu ao poder no ano seguinte causam uma estagnação no processo de paz.

Historicamente, o Partido Likud, de Netanyahu, usa as negociações como uma forma de ganhar tempo enquanto amplia a colonização da Cisjordânia para criar uma política de fato consumado.

O general Ariel Sharon, um dos mais violentos da história de Israel, sai do Likud e funda o partido Kadima (Avante) para negociar a paz, mas sofre um AVC e não se recupera. Seu sucessor, Ehud Olmert, cai num escândalo de corrupção.

O Likud volta ao poder em 2009 com Netanyahu, o primeiro-ministro com mais tempo no poder em Israel, superando o fundador do país, David Ben Gurion. O resultado é esta guerra sem fim, agravada pela formação do governo mais extremista da história de Israel em dezembro de 2022 e especialmente pelo ataque terrorista do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e aliados em 7 de outubro de 2023.

A guerra sem fim passou de um conflito de baixa intensidade para uma guerra para valer, com o uso de todas as armas, menos as bombas atômicas, que Israel também tem. No momento, há uma trégua, a segunda parte do plano de paz, que prevê o desarmamento do Hamas e a retirada de Israel, não avança.

Com esta guerra total, Netanyahu cria um ambiente insuportável para que os palestinos aceitem a ideia ventilada pelo presidente Donald Trump de uma emigração voluntária para esvaziar o território numa limpeza étnica que acabaria com qualquer chance de fundação de um Estado palestino no território histórico da Palestina, como previa a resolução da ONU que cria Israel, em 29 de novembro de 1947.

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domingo, 3 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 3 de Maio

COLOMBO CHEGA À JAMAICA

    Em 1494, na sua segunda viagem à América, o navegador genovês Cristóvão Colombo chega à Jamaica, que batiza como Santiago.


Colombo nasce em Gênova, hoje parte da Itália, em 1451. Marinheiro e empreendedor naval, acredita que a Terra é redonda e sonha em chegar a Catai (China), à Índia e às Ilhas das Especiarias (Indonésia) navegando no rumo oeste. Os europeus desconhecem a América e o Oceano Pacífico.

Na época, o caminho para as Índias está bloqueado pela tomada de Constantinopla pelos turcos do Império Otomano, em 29 de maio de 1453. Os portugueses dobram o Cabo da Boa Esperança, no Sul da África, em 1488 e Vasco da Gama chega à Índia em 1498.

O descobridor apresenta seus planos ao rei Dom João II, de Portugal, que rejeita a ideia. Os reis da Espanha também não se interessam nas primeiras tentativas.

A vitória sobre os árabes com a conquista de Granada e o fim do Império Andaluz, em janeiro de 1492, dá um impulso ao colonialismo espanhol. Os reis Fernando e Isabel decidem bancar a viagem.

Três pequenos navios – Santa Maria, Pinta e Niña – saem do porto de Palos, perto de Cádiz, no Sul da Espanha, em 3 de agosto, e aportam nas Bahamas, provavelmente na ilha de Watling, em 12 de outubro.

No mesmo mês, Colombo chega a Cuba imaginando se tratar da China. Em dezembro, encontra Hispaniola, a ilha hoje dividida entre o Haiti e a República Dominicana, acreditando estar no Japão e funda uma colônia com 39 de seus homens.

Ao todo, Colombo faz quatro viagens ao Novo Mundo, mas morre em 1506 acreditando ter chegado às Índias. O continente se chama América em homenagem ao navegador florentino Américo Vespúcio, que participa das expedições exploradoras portuguesas de 1501 e 1503 na costa do Brasil e descreve o continente como Novo Mundo.

A segunda viagem de Colombo tem o objetivo de iniciar a colonização. Ele descobre a Jamaica e funda uma colônia em Hispaniola.

Por causa do genocídio dos índios e da escravidão, hoje em dia, Colombo está sendo cancelado e suas estátuas derrubadas em vários lugares, especialmente nos Estados Unidos. A data do "descobrimento" da América pelos europeus é comemorada hoje como Dia dos Povos Indígenas. Cerca de metade morreu até 1580, num choque de civilizações, genocídio e doenças para as quais os nativos não têm defesas.

Um novo estudo genético realizado por cientistas espanhóis conclui que Colombo era espanhol e judeu. 

TRIBUNAL DE TÓQUIO

    Em 1946, o Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente, mais conhecido como o Tribunal de Tóquio, começa a julgar 28 oficiais e altos funcionários do Japão acusados de crimes contra a paz, crimes de guerra e crimes contra a humanidade antes e durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a partir da invasão da Manchúria em 1931. Segue o modelo do Tribunal Militar Internacional de Nurembergue, na Alemanha, que julga os líderes nazistas.

Depois da derrota do Japão e da ocupação do arquipélago pelos Estados Unidos, o comandante supremo das Forças Aliadas, general Douglas MacArthur, cria o tribunal para julgar os crimes da Guerra do Pacífico.

Uma carta define a composição, a jurisdição e o procedimento do tribunal com base na corte de Nurembergue. Os juízes, procuradores e funcionários do Tribunal de Tóquio vêm dos 11 países que lutaram contra o Japão na guerra: Austrália, Canadá, China, EUA, Filipinas, França, Índia, Holanda, Nova Zelândia, Reino Unido e União Soviética.

Os réus são 28 líderes políticos e militares japoneses, inclusive ex-primeiros-ministros, ministros do Exterior e altos comandantes militares. Eles são alvo de 55 acusações de guerra de agressão, assassinato, vários crimes de guerra e crimes contra a humanidade, como a tortura e os trabalhos forçados de prisioneiros, detenção e internação de civis nos territórios ocupados.

Dois réus morrem durante o julgamento. A sentença sai em 12 de novembro de 1948. Shimei Okawa, é considerado incapaz de responder ao processo. Todos os demais réus são condenados. Sete pegam a pena de morte e 16 a prisão perpétua. Milhares de criminosos de patentes inferiores e colaboradores são julgados por tribunais locais na Ásia e no Pacífico até 1949.

PRIMEIRO SPAM

    Em 1978, usuários da ARPANET recebem um anúncio que é considerado o primeiro e-mail indesejado (spam).

A estimativa hoje é que 160 bilhões de e-mails de spam sejam enviados todo dia, 46% do total de 347 bilhões de e-mails enviados em média a cada dia.

ASCENSÃO DE THATCHER

    Em 1979, o Partido Conservador vence as eleições no Reino Unido. No dia seguinte, sua líder, Margaret Thatcher, se torna a primeira primeira-ministra da Europa.

Margaret Hilda Roberts nasce em 13 de outubro de 1925 em Grantham, na Inglaterra, filha de um dono de armazém e vereador que seria prefeito da cidade. É a primeira mulher a se tornar primeira-ministra britânica e a pessoa que chefia o governo do país por mais tempo desde 1827. Ela chega ao poder depois do chamado Inverno do Descontentamento, marcado por uma onda de greves, agitação social e desemprego resultantes da primeira crise do petróleo.

Dama de Ferro, apelido que ganha da imprensa soviética em 1976 depois de um discurso anticomunista como líder da oposição, promete resgatar a moralidade pública e reduzir a participação do Estado na economia.

Além de cortar impostos, uma de suas principais bandeiras é a privatização de empresas estatais, que ela considera mais ineficientes do que o setor privado. Thatcher quer transformar a Grã-Bretanha num país de acionistas. Começa esse processo em 1981 sob forte oposição dos sindicados, ligados ao Partido Trabalhista.

Estão lançadas as bases do thatcherismo, que incluem recuo da máquina estatal, disciplina fiscal, cortes de impostos, privatizações, respeito à autoridade e à ordem pública, e um feroz anticomunismo. Poucos primeiros-ministros dão nome a uma filosofia política.

Em seu radicalismo, Margaret Thatcher chega a dizer: "Não existe isso que chamam de sociedade. Há homens, mulheres e famílias".

O total de desempregados no Reino Unido sobe para 3 milhões, e o número de pobres aumenta quatro vezes, aprofundando a desigualdade social, uma das marcas perversas do neoconservadorismo. Impopular, Thatcher conta com uma ajuda inesperada.

A invasão das Ilhas Malvinas pela ditadura militar da Argentina em 2 de abril de 1982 é um teste para sua determinação. Uma força-tarefa é enviada para a guerra a 10 mil quilômetros de distância da Inglaterra. Em 14 de junho, as ilhas são retomadas depois da morte de 649 argentinos e 258 britânicos.

Humilhada, a ditadura militar argentina cai. Fortalecida, Thatcher obtém em 1983 sua maior vitória eleitoral. Com maioria de 144 deputados no Parlamento Britânico, parte para o enfrentamento com os sindicatos para impor sua ideologia econômica neoliberal. Uma greve de mineiros de  11 meses contra o fechamento de 20 minas estatais deficitárias deixa o Reino Unido sem carvão em 1984 e 1985.

Sem o apoio da opinião pública, a greve fracassa. Os mineiros e o sindicalismo em geral perdem força.

Também em 1984, Margaret Thatcher sobrevive a um atentado a bomba do Exército Republicano Irlandês (IRA) contra a convenção anual do Partido Conservador. É uma tentativa de vingar as mortes de 10 militantes republicanos irlandeses em greve fome por exigir reconhecimento como presos políticos, em 1981. Inflexível, a Dama de Ferro os considerava criminosos comuns.

No mesmo ano, Thatcher convida o futuro líder soviético Mikhail Gorbachev para ir a Londres. É a primeira a identificá-lo no Ocidente como "alguém com quem se pode negociar".

Naquela época, ela considera o líder negro sul-africano Nelson Mandela, que ainda estava preso, como "terrorista". Mais tarde, defende o amigo e admirador general Augusto Pinochet, o ditador preso em Londres em 1998 por crimes cometidos quando governou o Chile, de 1973 a 1990.

Sob Thatcher, amplos setores da economia britânica, aviação, metalurgia, telecomunicações, água, energia e o sistema ferroviário, são entregues à iniciativa privada. São mudanças permanentes, observa o jornal The New York Times. Modernizam a Grã-Bretanha, mas aprofundam a desigualdade.

A ex-primeira-ministra também é uma grande adversária do aumento dos poderes da Comunidade Europeia, hoje União Europeia. Chega a bater na mesa com sua bolsa para pedir a devolução de parte da contribuição britânica para a política agrícola comum de subsídios do bloco europeu, já que o Reino Unido tem uma agricultura muito menor do que países como a França e a Alemanha.

"Não estou pedindo o dinheiro dos outros. Estou pedindo nosso dinheiro de volta", afirma.

Em 1987, depois de sua terceira vitória eleitoral consecutiva, Thatcher se torna ainda mais antieuropeia, preocupando um de seus maiores aliados, o centro financeiro de Londres, que teme perder a primazia para Paris ou Frankfurt na união monetária europeia porque o Reino Unido não adota o euro.

Uma de suas principais bandeiras, entusiasticamente adotada pelo Partido Conservador, é repatriar poderes da UE para o Parlamento Britânico. Diante do avanço do euroceticismo e da crise da Zona do Euro, o primeiro-ministro e líder do partido, David Cameron, promete convocar um plebiscito sobre a permanência do país na UE até 2017. Por 52% a 48%, em 23 de junho de 2016, o Reino Unido decide sair da UE.

O risco de isolamento na Europa e a substituição do imposto predial e territorial por um imposto por pessoa, independentemente da renda pessoal e do tamanho da propriedade, selam sua impopularidade. Em novembro de 1990, o ex-ministro Michel Heseltine, um europeísta, desafia a liderança da Margaret Thatcher.

Sem uma vitória consistente, que exigiria mais de dois terços dos votos da bancada do partido na Câmara dos Comuns, Thatcher pede demissão. Vira Baronesa Thatcher e vai para a Câmara dos Lordes. Enquanto sua saúde permite, influencia a vida política do país.

regicídio, como o episódio é conhecido na Grã-Bretanha, abre uma guerra interna de que o Partido Conservador não se recupera até hoje e que leva ao plebiscito para sair da UE. O compromisso com a defesa de Londres como um dos maiores centros financeiros do mundo entra em choque com a rejeição à integração europeia.

Talvez seu maior legado seja a profunda reforma política e econômica, que vai muito além do Reino Unido. Antes de Thatcher, a maioria das companhias aéreas e as empresas telefônicas de fora dos EUA eram estatais.

Para voltar ao poder com Tony Blair, em 1997, o Partido Trabalhista faz uma ampla mudança, abrindo mão do socialismo e da estatização dos meios de produção, que são excluídos do programa partidário para reconquistar a classe média. Essa é a grande vitória ideológica de Thatcher, fazer o principal adversário abraçar a economia de mercado.

Do ponto de vista econômico, o neoliberalismo que defendeu com tanto vigor ao lado de Ronald Reagan é a ideologia dominante da economia internacional por quase três décadas. Com suas políticas de desregulamentação e redução da atividade do Estado, é a principal causa da grande crise econômico-financeira internacional de 2008-9.

Acima de tudo, Thatcher ajuda a acabar com a Guerra Fria, resgata o prestígio da economia de mercado e recupera o orgulho do Reino Unido, mas a um custo social elevado que divide o país, aumenta a desigualdade social e o afasta do resto da Europa.

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