quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 18 de Fevereiro

DESCOBERTA DE PLUTÃO

    Em 1930, o astrônomo norte-americano Clyde Tombaugh, do Laboratório Lowell, de Flagstaff, no Arizona, nos Estados Unidos, descobre o nono planeta do Sistema Solar.

A existência de um planeta desconhecido é proposta por Percival Lowell. Para explicar oscilações na órbita de Netuno e Urano, haveria uma força gravitacional.

Mas, em agosto de 2006, a União Astronômica Internacional decide que Plutão não é realmente um planeta. É um planeta-anão, o maior dos corpos celestes do Cinturão de Culper, que fica depois de Netuno. É uma mistura de rocha e gelo com um terço do volume da Lua.

CRIAÇÃO DA ALALC

    Em 1960, a Argentina, o Brasil, o Chile, o México, o Paraguai, o Peru e o Uruguai fundam a Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALALC), com o objetivo de criar um mercado comum. Em 1970, entram Bolívia, Colômbia, Equador e Venezuela.

A ideia de uma união da América Latina é tão antigo quando a independência. O libertador Simón Bolívar não era antinorte-americano nem socialista. Sonhava em criar uma confederação, uma espécie de Estados Unidos da América do Sul. Organizou a 1ª Conferência Pan-Americana, em 22 de junho de 1826, na Cidade do Panamá.

A ALALC nasce sob a influência da Comissão Econômica da ONU para a América Latina (Cepal) e a inspiração da Comunidade Econômica Europeia, criada pelo Tratado de Roma em 1957 e instalada em 1958. 

Na época, em plena Guerra Fria, a superpotência dominante do sistema capitalista, os EUA, são contra acordos comerciais regionais para evitar o protecionismo. A CEE é a exceção porque os EUA precisam de uma Europa Ocidental rica e próspera para se contrapor ao comunismo soviético da Europa Oriental.

Em 1980, o ALALC é sucedida pela ALADI (Associação Latino-Americana de Desenvolvimento e Integração), com a participação de Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela. Cuba entra em 1999.

Depois da redemocratização da América do Sul e da aproximação entre Brasil e Argentina, é no marco da ALADI que se negocia o Tratado de Assunção para criar o Mercosul (Mercado Comum do Sul) em 26 de março de 1991. 

VAZAMENTO DO WIKILEAKS

    Em 2010, o sítio WikiLeaks começa a divulgar centenas de milhares de documentos secretos pirateados pelo analista de inteligência do Exército dos Estados Unidos Bradley Manning, que depois muda de sexo e de nome para Chelsea Manning.

Manning entra para o Exército em 2007 e no ano seguinte faz um curso numa escola de inteligência do Arizona. Em outubro de 2009, ele é enviado ao Iraque, onde fica numa estação perto de Bagdá. No mês seguinte, entra em contato com Julian Assange, o fundador do WikiLeaks, para divulgar os arquivos secretos.

Nesta data, o WikiLeaks revela um memorando da Embaixada dos EUA na Islândia. Em abril de 2010, divulga um vídeo em que um helicóptero militar norte-americano ataca um grupo de jornalistas com câmeras no ombro, inclusive dois funcionários da agência de notícias Reuters. As câmeras teriam sido confundidas com lançadores de foguetes. Em novembro de 2010, o WikiLeaks divulga cerca de 250 mil memorandos do Departamento de Estado norte-americano e suas embaixadas.

Em maio de 2010, Manning confessa ao ciberpirata Adrian Lamo que roubou centenas de milhares de documentos secretos. Lamo o denuncia ao Exército. Manning é preso. Depois de mais mil dias preso antes do julgamento, em fevereiro de 2013, Manning admite a culpa em todas as 10 acusações.

Os procuradores do Departamento da Defesa decidem levar o caso adiante. Em julho de 2013, Manning é considerado inocente da acusação mais grave, colaborar com o inimigo, mas é condenado por várias acusações, inclusive espionagem e roubo. Pega 35 anos de prisão.

No dia seguinte à sentença, Manning declara que é mulher e pede autorização para fazer tratamento para mudar de sexo. Depois de 10 dias de greve de fome, em 2016, o Exército aceita que faça tratamento para mudar de sexo, inclusive cirurgia. No fim de seu governo, em janeiro de 2017, o presidente Barack Obama dá o perdão presidencial a Chelsea Manning, talvez por entender que ela revelou crimes cometidos pelas Forças Armadas dos EUA.

Quem pode arcar com a culpa é Assange, o hacker australiano que funda o WikiLeaks em 2006 inspirado pelo caso dos Papéis do Pentágono, em 1971, quando o jornalista Daniel Ellsberg precisou de dois anos para divulgar documentos secretos sobre a Guerra do Vietnã (1955-75). Na era eletrônica, Assange quer acelerar a divulgação de segredos de Estado.

Em novembro de 2010, a Suécia decreta a prisão de Assange por suspeita de crimes sexuais. Transar sem camisinha sem consentimento do parceiro é crime na Suécia. Assange nega as acusações e alega que a prisão na Suécia é o início de uma extradição para os EUA.

Assange se entrega no Reino Unido em 2010 para lutar contra a extradição. Dez dias depois, paga fiança e é libertado. Em junho de 2012, é acusado de violar os termos da fiança. Dois meses depois, ele pede asilo à Embaixada do Equador em Londres, onde fica até ser expulso, em abril de 2019. Ao sair, é preso.

Em 2016, antes da eleição de Donald Trump, o WikiLeaks revela e-mails pirateados da candidata democrata, Hillary Clinton, provavelmente pirateados pelos serviços secretos da Rússia. Assange nega qualquer ligação com a Rússia.

Em 24 de junho de 2024, Assange é libertado da prisão de Belmarsh, no Reino Unido, depois de um acordo com a Justiça dos EUA. Ele se declara culpado num tribunal norte-americano nas Ilhas Marianas do Norte por violar a lei de espionagem dos EUA ao divulgar mais de 700 mil documentos confidenciais, condenado a 5 anos e 2 meses de prisão e liberado por já ter cumprido 1.901 dias de prisão.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 17 de Fevereiro

JEFFERSON ELEITO PELA CÂMARA

    Em 1801, depois de um empate no Colégio Eleitoral, a Câmara dos Representantes elege Thomas Jefferson presidente dos Estados Unidos.

Jefferson nasce em 2 de abril (13 de abril pelo calendário atual) de 1743 em Shadwell, na colônia da Virgínia. Ele estuda grego e latim na adolescência e entra no College of William & Mary, em Williamburgo. Obsessivo, passa 15 horas por dia lendo livros e outras três horas tocando violino.

Principal autor da Declaração de Independência, ele é o primeiro secretário de Estado (1789-94), o segundo vice-presidente (1797-1801) e o terceiro presidente dos EUA (1801-9). Defede a separação total entre Igreja e Estado. 

Grande defensor da liberdade individual para ideia central da Revolução Americana, o que lhe valeu a alcunha de "apóstolo da liberdade", é importante na redação da Constituição dos EUA e das dez primeiras emendas, consideradas a declaração de direitos do país.

Durante seu governo, em 1803, os EUA compram por US$ 15 milhões a Louisiana da França de Napoleão Bonaparte, um território de mais de 2 milhões de quilômetros quadrados ao longo do Vale do Rio Mississípi, dobrando o tamanho do território na época, antes da vitória sobre o México na Guerra Mexicano-Americana (1846-48) e da Marcha para o Oeste

Sua reputação é abalada por ter escravos e ter a convicção de que os EUA deveriam ser governados por homens brancos. Em 1998, um exame de DNA comprova que teve um filho com Sally Hemings, uma escravizada de quem era dono. 

BOMBA H BRITÂNICA

    Em 1955, em plena Guerra Fria, o ministro da Defesa do Reino Unido, Harold Macmillan, futuro primeiro-ministro, anuncia a decisão de fazer a bomba atômica de hidrogênio.

A bomba H é mil vezes mais poderosa do que as bombas de urânio e plutônio jogadas pelos Estados Unidos em Hiroxima e Nagasáki, no Japão, no fim da Segunda Guerra Mundial, em 6 e 9 de agosto de 1945.

Em 29 de agosto de 1949, a União Soviética explode a bomba atômica. Na corrida armamentista nuclear da Guerra Fria, isso leva os EUA a investir na bomba H. Washington explode sua primeira bomba H em 1º de novembro de 1952.

O Reino Unido detona sua bomba atômica em 3 de outubro de 1952, tornando-se a terceira potência nuclear. Macmillan toma a decisão de fazer a bomba H antes da URSS testar sua bomba de hidrogênio, em 22 de novembro de 1955. 

A primeira bomba H britânica é detonada em 15 de maio de 1957. A França e a China também têm bombas de hidrogênio.

CHINA INVADE O VIETNÃ

    Em 1979, pouco menos de dois meses depois da invasão do Vietnã ao Camboja para derrubar o regime genocida do Khmer Vermelho, aliado de Beijim, o Exército Popular de Libertação da China invade o Vietnã, aliado da União Soviética, na primeira guerra aberta entre países comunistas.

As duas grandes potências comunistas, a China e a URSS, apoiam o Vietnã do Norte na guerra contra os Estados Unidos (1964-73) durante a Guerra Fria. Duas semanas antes do fim da Guerra do Vietnã com a queda de Saigon em 30 abril de 1975, o Khmer Vermelho toma o poder no Camboja e instaura seu reino do terror, com apoio chinês.

Diante da rivalidade entre China e URSS, o Vietnã unificado fortalece as relações com os soviéticos. A invasão do Camboja, no Natal de 1978, e a queda do ditador Pol Pot, em 9 de janeiro de 1979, levam à invasão chinesa.

Depois de nove dias de intensos combates, a invasão é repelida. A Guerra Sino-Vietnamita termina em 16 de março, mas as escaramuças na fronteira continuam até os anos 1980. O Vietnã vence porque a China se retira e o Vietnã mantém a ocupação do Camboja.

INDEPENDÊNCIA DO KOSSOVO

    Em 2008, a região do Kossovo declara independência da Sérvia, mas muitos países não a reconhecem até hoje. A Corte Internacional de Justiça decide que o Kossovo não violou o direito internacional.

Ao todo, 114 países reconhecem a independência do Kossovo, entre eles Estados Unidos e a maioria dos países da União Europeia, mas não a Rússia. Até hoje o Kossovo não faz parte das Nações Unidas por causa do veto da Rússia.

O Kossovo, onde a maioria da população tem origem albanesa, tinha o status de província autônoma da Sérvia dentro da Iugoslávia. Com o declínio do comunismo como ideologia, o líder sérvio Slobodan Milosevic apela para o nacionalismo sérvio para se manter no poder. Em 1987, faz um discurso em Pristina, a capital do Kossovo, dizendo que os sérvios nunca mais serão humilhados na sua própria terra.

É a senha para destampar os nacionalismos ferozes dos bálcãs. Em 1991, a Croácia e a Eslovênia declaram independência. A Sérvia, que domina o Exército Federal da Iugoslávia, não aceita e vai à guerra. Em 1992, a Bósnia-Herzegovina declara independência. É o início da mais brutal das guerras que dividem a Iugoslávia, com mais de 100 mil mortes em três anos, cerco de Sarajevo, massacres e campos de concentração como a Europa não via desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Em 1995, os acordos de Dayton, nos EUA, fazem a paz entre Bósnia, Croácia e Sérvia. No ano seguinte, Milosevic assenta 16 mil refugiados sérvios da Bósnia e da Croácia no Kossovo, muitos contra a vontade.

Diante da discriminação e da repressão contra a maioria albanesa, em 28 de fevereiro de 1998, começa a guerra entre a Sérvia e os rebeldes do Exército de Libertação do Kossovo. Em resposta aos massacres cometidos pelas forças de Milosevic, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) entra na guerra em 24 de março de 1999 com bombardeios aéreos maciços. A Sérvia se rende em 11 de junho, depois de 78 dias de ataques aéreos da OTAN. 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 16 de Fevereiro

 TUMBA DO FARAÓ MENINO

    Em 1923, o arqueólogo britânico Howard Carter tira o lacre no Vale dos Reis da câmara mortuária de Tutancâmon, o faraó menino, que governa o Egito de 1333-23 antes de Cristo e morre aos 19 anos.

Durante seu reinado, Tutancâmon restaura a arte e a religião tradicionais do Egito Antigo, marginalizadas por seu antecessor, Akhenaton, que venera o deus Aton. Mas Tutancâmon é conhecido pela preservação de sua tumba, que não é saqueada. Sua descoberta é uma grande contribuição à egiptologia.

PRIMEIRA KNESSET

    Em 1949, a Knesset (Assembleia, em hebraico), o parlamento unicameral de Israel, eleito em 25 de janeiro, realiza sua primeira sessão, em Jerusalém.

Israel não tem Constituição. A Knesset ratifica a Lei de Transição. Depois, aprova leis básicas sobre a própria Knesset (1958), sobre as terras de Israel (1960), sobre o presidente (1964), eleito indiretamente pelo parlamento para um mandato de cinco anos podendo ser reeleito uma vez, e sobre o governo (1968).

Antes do início da guerra contra o grupo terrorista Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tenta aprovar uma reforma judiciária para dar à Knesset o direito de anular decisões da Suprema Corte. Quer se livrar de três processos por corrupção que podem levá-lo para a cadeia. A Suprema Corte derruba a reforma em 1º de janeiro de 2024.

PRIMEIRO-MINISTRO FIDEL CASTRO

    Em 1959, um mês e meio depois da fuga do ditador Fulgencio Batista e da vitória da Revolução Cubana, o comandante Fidel Castro toma posse como primeiro-ministro, se torna presidente em 1976 e fica no poder em Havana até 2006, quando sofre uma hemorragia intestinal.

Fidel Alejandro Castro Ruz nasce em 13 de agosto de 1926. Filho de um fazendeiro, vira um esquerdista e anti-imperialista quando estuda direito na Universidade de Havana. Depois de participar de rebeliões contra governos de direita na Colômbia e na República, Fidel lança sua revolução no assalto ao Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953.

No julgamento, Fidel diz talvez sua frase mais célebre: "A história me absolverá." Preso durante um ano, ele sai e vai para o México onde forma o Movimento 26 de Julho com o irmão Raúl Castro e o médico e revolucionário argentino Ernesto Che Guevara.

Em 1956, um grupo de 82 guerrilheiros sai do México no navio Granma para desembarcar na Praya das Coloradas. Depois de fortes perdas nos primeiros combates, 21 guerrilheiros conseguem se refugiar na Sierra Maestra. Em fevereiro de 1958, já são 400 homens acantonados nas montanhas.

As forças do ditador Fulgencio Batista têm 50 mil, mas o governo cubano só consegue mobilizar 10 mil homens e lança uma ofensiva aérea e terrestre contra os guerrilheiros de abril a agosto de 1958. O fracasso desta ação militar é decisivo para a vitória da Revolução Cubana em 1º de janeiro de 1959.

No poder, sob pressão dos Estados Unidos, Fidel adota um regime socialista autoritário de caráter stalinista e se alia à União Soviética durante a Guerra Fria. Depois da fracassada tentativa de invasão da Baía dos Porcos, em abril de 1961, Cuba se aproxima ainda mais de Moscou. Isto leva à tentativa de instalar mísseis nucleares soviéticos na ilha, causa da Crise dos Mísseis, em outubro de 1962, no momento mais tenso da Guerra Fria. Nunca o mundo esteve tão perto de uma guerra nuclear. 

Ao transferir oficialmente por motivos de saúde os cargos de presidente e primeiro-ministro de Cuba ao irmão Raúl Castro, em 2008, 49 anos depois da posse, Fidel comenta que não pode se apegar a cargos. Ele morre aos 90 anos em 25 de novembro de 2016, em Havana.

PROTOCOLO DE QUIOTO

    Em 2005, entra em vigor o Protocolo de Quioto, um documento adicional à Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima para combater o aquecimento global diminuindo as emissões de 41 países desenvolvidos e da União Europeia. O objetivo é reduzir as emissões de seis gases que agravam o efeito estufa em 5,2% em relação a 1990. 

O acordo é fechado em Quioto, o antiga capital imperial do Japão, em 11 de dezembro de 1997. Um dos grandes negociadores é o então vice-presidente Al Gore, mas o Senado dos Estados Unidos, na época o maior poluidor mundial (hoje é a China), não ratifica o Protocolo de Quioto sob o argumento de que daria uma vantagem competitiva a países em desenvolvimento, não submetidos à mesma regra, no caso, a China.

O Protocolo de Quioto caduca em 2012. Para substituí-lo, as Conferências da ONU sobre Mudança do Clima aprovam o Acordo de Paris, em 2015. É o primeiro acordo em que todos os países se comprometem a estabelecer metas voluntárias de redução de emissões. O grande problema é que não existe nenhuma penalidade pelo não cumprimento das metas.

LÍDER DA OPOSIÇÃO RUSSA MORRE

    Em 2024, Alexei Navalny, o principal líder da oposição à ditadura de Vladimir Putin, morre aos 47 anos numa prisão do Arquipélago Gulag da era soviética situada ao norte do Círculo Polar Ártico, onde a temperatura nesta época do ano está abaixo de menos 20 graus. Agora, uma investigação de vários países europeus conclui que ele morre envenenado por um veveno de sapo que é considerado arma biológica e só pode ser manipulado por serviços secretos sofisticados.

Navalny nasce em Butin, na Rússia, em 4 de junho de 1976. Em 1998, se forma na Faculdade de Direito da Universidade Russa da Amizade entre os povos. Advogado, Ganha prestígio com um blogue em que denuncia a corrupção e a vida de luxo e riqueza da oligarquia que orbita ao redor do Kremlin. Um vídeo sobre um palacete de US$ 1 bilhão no Mar Negro que seria de Putin tem mais de 130 milhões de visualizações. 

Em 2010, Navalny consegue reunir 150 mil pessoas em Moscou na maior manifestação contra Putin. Essa mobilização ameaça Putin, na época primeiro-ministro.

O ano seguinte, 2011, é o ano da Primavera Árabe, uma onda de revoltas por democracia e liberdade no mundo árabe contra governos corruptos e ditatoriais. Com sua visão conspiratória do mundo, Putin vê a mão invisível do Ocidente por trás das revoltas, assim como havia visto nas "revoluções coloridas" nas ex-repúblicas soviéticas da Geórgia e da Ucrânia. 

Putin aumenta a repressão às manifestações antes das eleições parlamentares de 2011 e volta à Presidência em 2012 para não mais sair. 

Navalny é candidato a prefeito de Moscou em 2013, fica em segundo lugar, mas não pôde concorrer à Presidência da Rússia por força de condenação em 2014 por "fraude" e "desvio de recursos" num processo forjado em que pegou três anos e meio de prisão, mas teve direito a suspensão da pena. 

Em 20 de agosto de 2020, é envenado quando faz campanha eleitoral no interior da Rússia. Seu voo de Tomsk para Moscou é obrigado a fazer um pouso de emergência em Omsk para salvá-lo.

Sob pressão da Alemanha, dois dias depois a ditadura de Putin autoriza que ele seja levado para tratamento em Berlim. Os médicos alemães identificam a droga novichok, um agente nervoso, uma arma química desenvolvida pela União Soviética nos anos 1970. 

Ao voltar à Rússia, Navalny é preso sob a acusação de violar os termos de sua liberdade condicional, embora tenha saído da Rússia desacordado. A suspensão da pena é revogada e a sentença é de nove anos em regime fechado por "fraude" e "desacato ao tribunal".

Em agosto de 2023, Navalny é condenado de novo, desta vez a 19 anos de prisão por "extremismo" por criar sua fundação anticorrupção, na verdade, por fazer oposição à invasão da Ucrânia.

Em dezembro de 2023, Navalny desaparece por quase três semanas e reaparece numa nova prisão a 2 mil quilômetros de Moscou, ao norte do Círculo Polar Ártico, a Colônia Penal nº 3, mais conhecida como Lobo Polar, parte do Arquipélago Gulag, as prisões e campos de trabalhos forçados do stalinismo.

Como Navalny é silenciado, no fim do comentário, gravado há dois anos, cito suas propostas para o fim da guerra na Ucrânia.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 15 de Fevereiro

 USS MAINE EXPLODE EM HAVANA

    Em 1898, o navio de guerra encouraçado USS Maine explode no porto de Havana, onde protegia os interesses norte-americanos durante a luta pela independência de Cuba. Serve de pretexto para a Guerra Hispano-Americana, um marco na expansão imperialista dos Estados Unidos, que conquistam as Filipinas e Porto Rico e tornam Cuba num protetorado. É o fim do Império Espanhol, 406 anos depois de Descoberta da América pelos europeus.

O Maine era um navio de 6 mil toneladas e US$ 2 milhões. Um inquérito da Marinha dos EUA conclui que uma mina explodiu o encouraçado. Não responsabiliza a Espanha, mas o jornalismo amarelo (sensacionalista) do magnata da imprensa William Randolph Hearst convence a opinião pública e parte do Congresso.

Na Guerra da Independência de Cuba, surgem os campos de concentração para isolar as famílias camponesas. A indignação diante da violenta repressão espanhola e a manipulada explosão do Maine deflagram a guerra.

A Espanha anuncia uma trégua com os rebeldes em 9 de abril, mas o Congresso dos EUA reconhece o direito à independência de Cuba, exige a retirada das forças espanholas e autoriza o uso da força.

Em 24 de abril, a Espanha declara guerra aos EUA, que fazem o mesmo no dia seguinte. É uma guerra unilateral. Em 1º de maio, em duas horas, os norte-americanos vencem a Batalha da Baía de Manila. Em agosto, os EUA tomam a capital das Filipinas.

A frota espanhola em Cuba estava ancorada em Santiago. Os norte-americanos invadem por terra a pressionam a armada espanhola, sob o comando do almirante Pascual Cervera, a sair para o mar em 3 de julho, onde é destruída pela Marinha dos EUA. Em 17 de julho, a Espanha se rende.

No Tratado de Paris, assinado em 10 de dezembro de 1898, a Espanha reconhece a independência de Cuba e cede as Filipinas, Guam e Porto Rico aos EUA.

Em 1975, um inquérito da Marinha dos EUA conclui que o Maine explodiu acidentalmente por causa de um curto-circuito.

GAROTA IT

    Em 1927, o filme mudo It estreia nos cinemas dos Estados Unidos e lança Clara Bow como a primeira Garota It, a garota com algo mais, com carisma, personalidade e estilo próprios, capaz de influenciar o modo de vestir, pensar e agir, a primeira influenciadora da história do cinema.

Clara Bow nasce em 29 de julho de 1905 no bairro do Brooklyn, em Nova York, numa família pobre. É abusada sexualmente pelo pai e negligenciada pela mãe, que tem problemas mentais. É estudante do segundo grau quando se torna uma atriz de Hollywood. Começa com um papel pequeno em Além do Arco-Íris (1922) e faz outros filmes até estourar as bilheterias com Garota It.

Ela faz a transição para o cinema sonoro com The Wild Party (1929), o primeiro filme sonoro da Paramount. Ao todo, faz 46 filmes mudos e 11 sonoros. Campeã de bilheteria em 1928, recebe mais de 45 mil cartas em janeiro de 1929.

RETIRADA SOVIÉTICA

    Em 1989, a União Soviética, sob a presidência de Mikhail Gorbachev, retira suas últimas tropas do Afeganistão pouco mais de oito anos depois da invasão, no Natal de 1979.

A invasão do Afeganistão acaba com a détente, o degelo na Guerra Fria nos anos 1970 depois das visitas do presidente norte-americano Richard Nixon à China e à URSS, em 1972. Os EUA boicotam a Olimpíada de 1980 em Moscou e articulam uma aliança com a Arábia, Saudita, a China e o Paquistão para fazer do Afeganistão o Vietnã da URSS.

É o início da Segunda Guerra Fria, que vai até a ascensão do líder reformista Mikhail Gorbachev à Secretaria-Geral do Partido Comunista da URSS, em 11 de março de 1985.

Com lançadores portáteis de mísseis antiaéreos, guerrilheiros muçulmanos resistem aos soviéticos, que nunca controlam o Afeganistão muito além da capital, Cabul. A rede terrorista Al Caeda, fundada em 1988 pelo egípcio Ayman al-Zawahiri e o saudita Ossama ben Laden, é fruto da invasão soviética ao Afeganistão. 

Os Estados Unidos, a Arábia Saudita, a China e o Paquistão se unem para fazer do Afeganistão o Vietnã da URSS. Mais de 15 mil soviéticos morrem no Afeganistão, bem menos do que os 58,2 mil norte-americanos mortos no Vietnã.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 14 de Fevereiro

 DIA DE SÃO VALENTIM

    Em 270, o padre católico Valentim é morto e tem a cabeça decepada por ordem do imperador Cláudio II, o Cruel, que proíbe todos os noivados e casamentos em Roma por acreditar que os homens não estão entrando no Exército por apego a suas mulheres e famílias, e não porque suas guerras são impopulares e cruentas.

Valentim continua realizando casamentos em segredo. Quando descoberto, o imperador o condena à morte por espancamento e decapitação. Por isso, o Dia de São Valentim é o Dia dos Namorados em vários países.

PATENTE DO TELEFONE

    Em 1876, o inventor escocês naturalizado norte-americano Alexander Graham Bell pede o registro da patente do telefone. Ele não gostava da nova tecnologia. Não tinha um aparelho instalado em seu escritório.

Dentro dos próximos 20 anos, o telefone é aperfeiçoado até se transformar num instrumento fundamental à vida moderna. Com a invenção do transístor, em 1947, e a miniaturização dos circuitos, hoje temos telefones inteligentes que são computadores de mão, cada vez mais indispensáveis, embora possam ser substituídos em breve por instrumentos de realidade virtual.

MASSACRE DE SÃO VALENTIM

    Em 1928, a gangue de Al Capone massacra no Lincoln Park, em Chicago, sete pessoas da gangue rival de George Moran no Massacre de São Valentim ou o Massacre do Dia dos Namorados, na disputa pelo mercado negro de bebidas alcoólicas durante o Período da Lei Seca (1920-33) nos Estados Unidos.

Al Capone era líder da Turma da Zona Sul de Chicago. Moran comandava a máfia da Zona Norte. A quadrilha de Capone decide então eliminar o grupo inimigo.

Por volta das 10h30, quatro homens descem de dois carros e entram no armazém onde está a gangue de Moran. Dois gângsters estão fardados como policiais e dois em trajes civis. As sete vítimas concordam em elevar os mãos para o alto de frente para a parede, talvez imaginando que os inimigos sejam mesmo policiais.

Os assassinos fazem 70 disparos com metralhadoras Thompson. Os moradores chamam a polícia alertados pelo latido do cão de uma das vítimas.

Pior de todos os mafiosos do Período da Lei Seca, Al Capone é preso por sonegar imposto de renda, por sinais exteriores da riqueza e não por causa dos inúmeros assassinatos que ordenou.

A Lei Seca é imposta para combater a violência e a criminalidade associadas ao consumo de bebidas alcoólicas. Ao contrário dos objetivos, aumenta a criminalidade e a violência.

JURADO PARA MORRER

    Em 1989, o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica do Irã, aiatolá Ruhollah Khomeini, baixa um decreto religioso (fatwa) condenando à morte o escritor indo-britânico Salman Rushdie, autor do livro Os Versículos Satânicos, considerado uma blasfêmia pelos muçulmanos, e seus editores.

Quarto romance de Rushdie, Os Versículos Satânicos, publicado em 26 de setembro de 1988, faz uma revisão da vida do profeta Maomé, o fundador do islamismo.

Gibreel Frarishta, um ator de cinema de sucesso que teve um problema mental, conhece Saladin Chamcha, um dublador que brigou com o pai, num voo entre Bombaim, hoje Mumbai, e Londres. O avião é sequestrado por rebeldes hindus da seita sikh, que lutam pela independência do Calistão. Os terroristas explodem uma bomba a bordo sobre o Canal da Mancha.

O livro começa com Gibreel e Saladin, os únicos sobreviventes, caindo no Oceano Atlântico. Gibreel se transforma no anjo Gabriel e tem uma série de revelações que revisam mitos fundadores do islamismo. Saladin vira o próprio demônio, com chifres e pés de cabra.

Sob pressão, Rushdie alega que "o livro não é exatamente sobre o islã, mas sobre migração, metamorfose, pessoas divididas, amor, morte, Londres e Bombaim."

Durante anos, o escritor vive com identidade falsa sob a proteção do serviço secreto britânico antes de se mudar para os Estados Unidos. Em 1991, o tradutor japonês Hitoshi Igarashi é morto. Um tradutor italiano é esfaqueado em 1991, mas sobrevive. Em 1993, um editor norueguês é baleado, mas não morre.

No isolamento, Rushdie escreve um livro de memórias em terceira pessoa chamado de Joseph Anton, o nome falso que usa durante anos.

Em 2022, ao participar de um evento literário em Chautauqua, no estado de Nova York, Rushdie é esfaqueado várias vezes. Perde a visão de um olho, mas sobrevive. 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Grande vitória consolida poder da Takaichi no Japão

Menos de quatro meses depois de se tornar a primeira mulher a governar o Japão, a primeira-ministra Sanae Takaichi consolidou o poder no domingo com a maior vitória eleitoral do Partido Liberal-Democrata, que governa o país desde 1955 com duas breves interrupções. Motoqueira e baterista de heavy metal, ela quer restaurar o dinamismo da economia japonesa e remilitarizar o país para fazer frente ao crescente poderio chinês.

Com popularidade acima de 70%, Takaichi conquistou uma maioria de dois terços na Câmara só com os 316 deputados eleitos pelo PLD. A coalizão de governo tem agora 352 das 465 cadeiras da Câmara. Tem capital político e votos para levar adiante as reformas.

Ultradireitista, mandona e com opiniões fortes, Takaichi quer ser a Margaret Thatcher do Japão, uma sociedade extremamente conservadora. Ela não vai desafiar o patriarcado nem promover os direitos das mulheres. Seu foco será economia e defesa.

Em política externa, pretende acabar com as limitações da Constituição de 1947, imposta pelos Estados Unidos depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), que proíbe o Japão de projetar seu poderio militar no exterior. Um Japão mais assertivo tem o apoio dos países da Ásia que temem o crescente poderio militar da China e o abandono da região pelo neoisolacionismo dos EUA.

Hoje na História do Mundo: 13 de Fevereiro

 RAINHA DECAPITADA

    Em 1542, Catarina Howard, a quinta esposa do rei Henrique VIII da Inglaterra, é degolada na Torre de Londres aos 19 anos sob a acusação de adultério.

Filho de Henrique VII, vencedor da Guerra das Duas Rosas (1455-87), Henrique VIII tinha a obsessão de ter um filho homem para evitar as guerras entre príncipes que marcaram sucessões anteriores. Tem uma filha mulher, Maria Tudor, futura Maria I, com Catarina de Aragão.

O rei se divorcia, rompe com o Vaticano, faz a Reforma Protestante na Inglaterra, em 1534, e tem outra filha, Elizabeth Tudor, a futura Elizabeth I, com a segunda mulher, Ana Bolena, decapitada na Torre de Londres por suposta infidelidade.

A terceira mulher, Jane Seymour, lhe dá um filho homem, o futuro Eduardo VI, que é fraco e reina por apenas seis anos. Ela morre 12 dias após o parto.

No casamento com a quarta esposa, Ana de Cleves, o rei se encanta por uma das aias, Catarina Howard, prima de Ana Bolena, com quem começa uma relação amorosa. O casamento com Ana de Cleves é anulado por "falta de consumação" e Henrique VIII casa com Catherine. Ana aceita uma pensão e os títulos de princesa e "irmã do rei", e é poupada.

O casamento de Catarina dura um ano e quatro meses. Ela é acusado de adultério com Thomas Culpepper, com quem troca cartas comprometedoras. De início, o rei se recusa a aceitar. Quando surgem as cartas, os dois supostos amantes são presos, condenados e executados.

A última esposa de Henrique VIII, Catarina Parr, sobrevive ao rei e influencia o marido ao elaborar o Terceiro Ato de Sucessão, que recoloca as princesas Maria e Elizabeth na linha de sucessão ao trono.

REVOLUÇÃO GLORIOSA

    Em 1689, no fim da Revolução Gloriosa, Guilherme de Orange e Maria são proclamados reis da Inglaterra como Guilherme III e Maria II e reinam conjuntamente até a morte dela, em 1694. Ele continua reinando até morrer, em 8 de março de 1702.

A Revolução Gloriosa é o fim da longa Guerra Civil Inglesa entre católicos e protestantes no século 17, com a Dinastia Stuart, escocesa e católica, em conflito com o Parlamento Britânico, de maioria protestante.

O parlamento convida o príncipe holandês Guilherme de Orange a invadir o país. Para promover a reconciliação nacional, ele se casa com a filha do rei deposto, Jaime II.

A revolução estabelece a supremacia do parlamento sobre a coroa e produz a Declaração de Direitos de 1689, que entre outras medidas proíbe o rei de legislar, aumentar impostos e declarar guerra sem a aprovação do parlamento.

A declaração também garante eleições livres, sem a interferência da coroa, e ampla liberdade de expressão. Desde 1694, não existe censura prévia de publicações na Inglaterra. Em 1707, a Inglaterra e a Escócia se unem para formar o Reino Unido da Grâ-Bretanha.  

DRESDEN ARRASADA

    Em 1945, de madrugada, em 25 minutos, 800 aviões bombardeiros da Força Aérea Real (RAF) britânica jogam cerca de 2 mil toneladas de bombas em Dresden, na Alemanha, a capital barroca do estado da Saxônia, conhecida como a Florença do Rio Elba. Em três dias de ataque, com um total de 3,9 mil toneladas de bombas, com a participação dos Estados Unidos, a RAF matou 25 mil civis e deixou a cidade em ruínas e chamas, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O bombardeio aliado a várias cidades alemãs, além de Dresden, Berlim, Colônia, Frankfurt e Hamburgo, quando a guerra estava praticamente decidida, não tem sentido estratégico. É considerado uma vingança, especialmente do Reino Unido, que foi alvo de intensos bombardeios da Alemanha Nazista. O então primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, é acusado pelos alemães de crimes de guerra.

BOMBA FRANCESA

    Em 1960, a França detona na Argélia, no Deserto do Saara, sua primeira bomba atômica e se torna a quarta potência nuclear, depois dos Estados Unidos, da União Soviética e do Reino Unido. Até hoje, a Argélia sente os efeitos da radiação de 17 testes nucleares franceses, muitos realizados depois da independência do país africano, em 1962.

A decisão inicial de fazer a bomba atômica é tomada em Paris depois da Guerra de Suez (1956), quando o ditador egípcio Gamal Abdel Nasser nacionalizou o Canal de Suez e a França, o Reino Unido e Israel vão à guerra contra o Egito. Os EUA retiram o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) às economias francesa e britânica, ainda abaladas pela Segunda Guerra Mundial (1939-45)

Mesmo com a criação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), o presidente Charles de Gaulle teme que os EUA não socorram a Europa no caso de uma invasão soviética e decide que a França precisa ter seu próprio arsenal nuclear. 

A França não adere ao Tratado de Proibição Parcial de Testes Nucleares, de 1963. De 1966 a 1996, a França realiza testes nucleares na Polinésia Francesa, um arquipélago do Oceano Pacífico, inclusive sua primeira bomba de hidrogênio, Canopus, em 24 de agosto de 1968, tornando-se a quinta potência termonuclear, depois dos EUA, da URSS, do Reino Unido e da China.

Em 1985, o serviço secreto da França instalou duas bombas no navio Rainbow Warrior, do movimento ecológico Greenpeace, que atrapalhava os testes atômicos no atol de Muroroa. O navio vai a pique em 10 de julho de 1985 no porto de Auckland, na Nova Zelândia, e um fotógrafo português morre.

Diante da onda de protestos, a França assina em 1996 o Tratado sobre Proibição Completa de Testes Nucleares. 

Com cerca de 300 ogivas nucleares em condições operacionais, a França é a quarta maior potência nuclear do mundo, depois dos EUA, da Rússia e da China. É o único país do Ocidente com uma força nuclear independente.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 12 de Fevereiro

 EXECUÇÃO DE LADY JANE

    Em 1554, Lady Jane, rainha da Inglaterra por nove dias, é executada em Londres aos 16 anos a mando da rainha Maria I.

Lady Jane nasce em outubro de 1537 em Bradgate, no Condado de Leicester, na Inglaterra. É bisneta do rei Henrique VII e neta da irmã mais moça de Henrique VIII, pai de Maria I.

Linda e inteligente, tem excelentes tutores. Além de inglês, estuda e fala grego, latim, francês, italiano e hebreu. Seu protestantismo a torna a candidata ideal para assumir o trono com a morte aos 15 anos de Eduardo VI, o filho que Henrique VIII tanto lutou para ter, inclusive fazendo a Reforma Protestante na Inglaterra para poder se divorciar de sua primeira mulher, Catarina de Aragão.

John Dudley, Duque de Northumberland, casa seu filho, Lorde Guilford Dudley, com Lady Jane e convence Eduardo VI no leito de morte de afastar suas irmãs Maria e Elizabeth da linha sucessória.

Eduardo VI morre em 6 de julho de 1553. Lady Jane reluta em ser elevada ao trono num jogo político inescrupuloso. Mesmo assim, é proclamada rainha em 10 de julho. Mas Maria Tudor é a herdeira do trono com base numa lei aprovada pelo Parlamento em 1544. 

Lady Jane cai em 19 de julho. Ela e o pai são presos na Torre de Londres. Ele é perdoado, mas Lady Jane e o marido são acusados de alta traição em 14 de novembro de 1553. Ela confessa a culpa e é decapitada junto com o marido.

Sua execução por Maria, a Sanguinária, lhe angaria uma simpatia pelo resto do mundo. 

INDEPENDÊNCIA DO CHILE

    Em 1818, no primeiro aniversário da vitória na Batalha de Chacabuco, Bernardo O'Higgins proclama, jura e assina em Santiago a ata de independência do Chile do Império Espanhol, antes da vitória decisiva na Batalha de Maipú.

A conquista do Chile pela Espanha começa em 1536-37 com Diego de Almagro, associado e depois rival de Francisco Pizarro, o conquistador do Peru. Almagro vai em busca de "outro Peru", mas os espanhóis não encontram ouro nem uma grande civilização e voltam para o Peru.

A segunda tentativa de colonizar o Chile acontece em 1540-41, quando Pizarro autoriza Pedro de Valdivia a instalar um assentamento na área. Sem grandes riquezas, o Chile é uma província menor da do Império Espanhol.

Com a invasão de Napoleão Bonaparte à Península Ibérica, a Portugal em 1807 e à Espanha em 1808, as colônias da América Latina aproveitam a dissolução do poder central para proclamar a independência. A Argentina faz isso em 25 de maio de 1810. O México dá o Grito de Dolores em 16 de setembro do mesmo ano.

Dois dias depois, o Chile realiza um cabildo aberto, uma assembleia popular que aceita a renúncia do governador colonial e elege uma junta formada por líderes locais. De 1810 a 1813, eles mantêm autonomia em relação ao Vice-Reino do Peru.

Quando a Espanha e Portugal derrotam a França napoleônica com a ajuda do Reino Unido, em 1814, os governos da Península Ibérica são restaurados e a Espanha tenta reassumir o controle sobre suas colônias. No Chile, faz isso ao vencer a Batalha de Rancágua, em 1º e 2 de outubro de 1814.

Diante da derrota, os nacionalistas chilenos como O'Higgins, José Miguel Carranza e irmãos fogem para a Argentina, onde recebem o apoio do general José de San Martín, herói da independência da Argentina e um dos libertadores da América ao lado do venezuelano Simón Bolívar. 

San Martín apoia o governo revolucionário de Buenos Aires, que proclamara a independência das Províncias Unidas do Rio da Praia, e forma um exército para libertar o Chile e atacar o Peru pelo mar.

O exército de San Martín, tendo O'Higgins como um de seus comandantes, começa a atravessar a Cordilheira dos Andes em janeiro de 1817. Em 12 de fevereiro, derrota as forças imperiais e abre o caminho para Santiago. A independência é proclamada um ano depois.

ÚLTIMO IMPERADOR DA CHINA

    Em 1912, Puyi, o último imperador da China, abdica no fim da Revolução Chinesa, liderada por Sun Yat-sen. É o fim um império de mais de 2 mil anos e o início da República da China.

Puyi nasce em Beijim em 7 de fevereiro de 1906. É o último imperador da Dinastia Ching (1644-1912), que é manchu. Com a morte do tio, o imperador Guangxi, em 14 de novembro de 1908, ele ascende ao trono e reina três anos sob uma regência.

Quando o Império do Japão invade a Manchúria, em 1931, instala Puyi como um imperador-fantoche do reino de Manchukuo de 1934 a 1945, ampliado com a invasão do resto da China a partir de 1937, A invasão japonesa vai até a derrota para os Estados Unidos no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

INDEPENDÊNCIA DO SUDÃO

    Em 1953, o Egito faz um acordo com o Império Britânico para dar autonomia administrativa ao Sudão e, dentro de três anos, autodeterminação.

De 1955 a 1972, o Sudão vive sob guerra civil entre o Norte, muçulmano, e o Sul, cristão e animista. A guerra civil recomeça em 1983, vai até 2005 e as negociações de paz terminam com a independência, em 9 de julho de 2011, do Sudão do Sul, que fica anos sob guerra civil.

Durante uma onda de protestos, em abril de 2019, um golpe depõe o ditador Omar Bachir, mas um golpe contra a democratização em outubro de 2021 aborta o processo e leva a nova guerra civil entre o comandante do Exército, general Abdel Fattah al-Burhan, e o general Mohamed Dagalo, líder das Forças de Apoio Rápido, uma milícia acusada pelo genocídio de Darfur.

É uma das piores guerras em andamento hoje no mundo, com total de mortes estimado em até 150 mil pessoas e 25 milhões ameaçadas pela fome.

SLOBO EM JULGAMENTO

    Em 2002, o Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia começa a julgar em Haia, na Holanda, por 65 acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade, o principal responsável pela sangrenta divisão do país, o ditador sérvio Slobodan Milosevic, o Carniceiro dos Bálcãs, como o chamou em 1992 o jornal The New York Times.

Antes do veredito, em 11 de março de 2006, o réu é encontrado morto em sua cela aos 64 anos, supostamente por causa de um ataque cardíaco.

A Iugoslávia nasce em 1º de dezembro de 1918, logo depois do fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18), como o Reino dos Croatas, Sérvios e Eslovenos, rebatizado em 1929 como Reino da Iugoslávia.. 

Ocupada pela Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-45), quando é governada por um regime colaboracionista croata, a Iugoslávia renasce sob a liderança do líder da resistência, o croata Josip Broz Tito, como uma federação formada por Bósnia-Herzegovina, Croácia, Eslovênia, Macedônia, Montenegro e Sérvia. Como é comunista, Tito sufoca os nacionalismos para manter a unidade nacional.

Com a morte de Tito, em 1980, e o declínio do comunismo como ideologia, Milosevic, um líder comunista, apela para o nacionalismo sérvio para consolidar o poder. Em 1991, a Croácia e a Eslovênia declaram a independência. O governo central, dominado pelos sérvios, não aceita. Começa a guerra civil.

Em 6 de abril de 1992, a guerra civil chega à Bósnia-Herzegovina, uma república etnicamente dividida entre bósnios (44%), sérvios (31%) e croatas (16%), onde a guerra é mais sangrenta, com mais de 100 mil mortes. Estas guerras terminam em 1995 com o Acordo de Paz de Dayton, negociado pelos Estados Unidos.

Depois da perseguição e de massacres contra albaneses da província sérvia do Kossovo, em 24 de março de 1999, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar ocidental liderada pelos EUA, intervém militarmente e bombardeia a Sérvia, Montenegro e as forças sérvias no Kossovo.

Os sérvios se revoltam contra Milosevic, que rejeita a vitória de Vojislav Kostunica na eleição presidencial de 24 de setembro de 2000. Uma grande manifestação de massa em Belgrado sela seu destino em 5 de outubro. No dia seguinte, ele reconhece a derrota e deixa o poder em 7 de outubro.

Milosevic é preso em 1º de abril de 2001, sob acusações de abuso de poder e de corrupção. Em 28 de junho, é entregue a forças dos EUA em Tuzla, na Bósnia-Herzegovina, e de lá enviado para o tribunal de Haia.

MACEDÔNIA DO NORTE

    Em 2019, no Acordo de Prespa, a ex-república iugoslava da Macedônia muda de nome para República da Macedônia do Norte.

A mudança de nome é uma exigência da Grécia, que bloqueia o acesso da Macedônia à União Europeia e a outras organizações internacionais porque tem uma região chamada Macedônia e teme que o novo país reivindicasse soberania sobre a parte grega.