domingo, 19 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 19 de Abril

INÍCIO DA GUERRA DA INDEPENDÊNCIA DOS EUA

    Em 1775, por volta das 5h, 700 soldados britânicos que tentam capturar colonos rebeldes e apreender armas entram na cidade de Lexington, onde são esperados por 77 patriotas armados sob o comando do capitão John Parker, e travam a primeira batalha da Guerra da Independência dos Estados Unidos.

Com superioridade numérica, o capitão britânico John Pitcairn manda os patriotas norte-americanos se dispersarem, mas um tiro de canhão deflagra o combate. Quando a batalha termina, oito colonos e um britânico estão mortos.

É o início da Revolução Norte-Americana. A independência não está nos planos iniciais dos colonos. Em 10 de janeiro de 1776, o revolucionário britânico Tom Paine publica Senso Comum, um panfleto contra a monarquia. A independência é declarada seis meses depois, em 4 de julho de 1776. 

Os rebeldes ganham a guerra com a vitória na Batalha de Yorktown, em 19 de outubro de 1781. A independência é reconhecida pela França e o Reino Unido no Tratado de Paris, assinado em 3 de setembro de 1783.

LEVANTE DO GUETO DE VARSÓSIA

    Em 1943, a Alemanha Nazista começa o ataque à rebelião dos judeus poloneses confinados no Gueto de Varsóvia. É a revolta mais importante do povo judeu contra o Holocausto cometido pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Como parte do genocídio, os nazistas confinam os judeus em guetos. Em Varsóvia, onde antes moravam 100 mil pessoas, havia 400 mil. De julho a setembro de 1942, 300 mil moradores do gueto são enviados para a morte imediata no campo de concentração de Treblinka. Diante da morte certa, quem sobrevive decide resistir.

A resistência une a Organização Judaica de Combate, da esquerda, e a União Militar Judaica, de direita. Os grandes heróis são Mordechai Anielewicz, do movimento jovem judaico de esquerda Hashomer Hatzair, e Pawel Frenkel, do movimento jovem de direita Betar.

Em 18 de janeiro de 1943, eles atacam vários batalhões da SS, a organização paramilitar que é a tropa de choque do Partido Nazista. Os alemães fogem. Na Batalha da Rua Niska, em 21 de janeiro, doze soldados nazistas morrem. A resistência assume o controle do gueto.

Durante três meses, os judeus se preparam para a batalha final. Sem condições de libertar o gueto, esperam uma morte digna, na luta. O líder nazista Heinrich Himmler ordena a destruição do Gueto de Varsóvia. 

Em 19 de abril, 3 mil nazistas enfrentam 1,5 mil judeus. Cercam cada quadra e destroem casa por casa, matando todos os judeus que encontram. Mulheres saltam de andares altos de edifícios com os filhos nos braços para evitar a captura e morte. Na noite de 16 de maio, com a destruição da sinagoga, acaba o Levante do Gueto de Varsóvia.

Pelo menos 13 mil judeus morrem na revolta. Os 50 mil sobreviventes são enviados para os campos de concentração de Maydanek e Treblinka.

PRIMEIRA VIAGEM DE ÁCIDO

    Em 1943, dias depois de descobrir acidentalmente os efeitos psicodélicos da dietilamida do ácido lisérgico (LSD), o cientista Albert Hofmann decide tomar a droga intencionalmente no seu laboratório na Suíça. É a primeira viagem de ácido.
Hofmann sintetiza o LSD em 1938, mas seus efeitos psicoativos só são descobertos cinco anos depois

Quarenta minutos depois de tomar ácido, sem condições de trabalhar, Hofmann pega sua bicicleta e vai para casa. A data é festejada como o Dia da Bicicleta.

MASSACRE DE WACO

    Em 1993, depois de um mês e 20 dias de cerco, a polícia federal dos Estados Unidos, o FBi (Federal Bureau of Investigation), o Escritório de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos do Departamento da Justiça (ATF), a polícia estadual e a Guarda Nacional do Texas atacam a sede da seita Ramo Davidiano, liderada por David Koresh, a Comunidade do Monte Carmelo, suspeita de estocar armas. Quatro agentes federais e 82 membros da seita morrem, inclusive 28 crianças.
O ATF tem um mandado judicial para entrar no local. A ideia é fazer uma operação rápida à luz do dia para cumprir a ordem do juiz, mas um repórter pede informações a um porteiro que é cunhado de Koresh. Assim, os membros da seita se entrincheiram com grande quantidade de armas para resistir.

O Departamento da Justiça admite que seus agentes lançam bombas de gás lacrimogênio na sede da seita, mas acusam os davidianos pelo incêndio, citando gravações de conversas do líder com membros da seita mandando jogar combustível em montes de feno e o fato de que três incêndios teriam iniciado ao mesmo tempo.

O FBI alega em sua defesa que seus agentes não dispararam um tiro no dia do incêndio. Os tiros teriam partido da polícia estadual.

TERRORISMO INTERNO NOS EUA

    Em 1995, o veterano de guerra Timothy McVeigh explode um caminhão-bomba diante do Edifício Federal Alfred Murrah, na Cidade de Oklahoma, mata 168 pessoas e fere outras 500. É o pior atentado terrorista da história dos Estados Unidos até os ataques de 11 de setembro de 2001.
A bomba instalada num caminhão alugado tem mais de duas toneladas de nitrato de amônia, um fertilizante, e óleo combustível.

Apesar da suspeita inicial sobre extremistas muçulmanos ligados às guerras do Oriente Médio, a investigação logo se concentra em McVeigh, preso pouco depois da explosão por uma infração de trânsito, e seu amigo Terry Nichols. Os dois ex-soldados do Exército dos EUA simpatizam com movimentos patrióticos de extrema direita. Mesmo não sendo filiados a nenhum grupo, seguem sua ideologia e sua visão paranoica de que o governo federal é um inimigo manipulador da realidade.

Um de seus objetivos seria vingar o Massacre de Waco, no Texas. Em 19 de abril de 1993, depois de um mês e vinte dias de cerco, o Escritório de Armas, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivo do Departamento da Justiça, o FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal do país a polícia estadual e a Guarda Nacional do Texas atacam a sede da seita Ramo Davidiano, liderada por David Koresh, que pega fogo.

Ao todo, quatro agentes federais e 82 membros da seita, inclusive 28 crianças, morrem no confronto. McVeigh e Nichols veem no caso um abuso de poder do governo federal e decidem atacar o edifício-sede das agências federais em Oklahoma. 19 de abril é o dia do início da Guerra da Independência dos EUA e do ataque ao Ramo Davidiano.

McVeigh é condenado por 11 acusações de assassinato, conspiração e uso de uma arma de destruição em massa e é executado em 2001. É a primeira pessoa executada por crime federal nos EUA desde 1963. Como não participa diretamente da execução do atentado, Nichols é condenado por conspiração e oito acusações de homicídio culposo. Pega prisão perpétua.

sábado, 18 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 18 de Abril

BASÍLICA DE SÃO PEDRO

    Em 1506, o Papa Júlio II lança a pedra fundamental da Basílica de São Pedro, na Cidade do Vaticano, um enclave em Roma. A obra é concluída em 1615, no papado de Paulo V.

A Basílica de São Pedro é uma das mais importantes obras de arquitetura do Renascimento e muitos elementos do barroco, o estilo arquitetônico da Contrarreforma, que busca afirmar a superioridade da Igreja Católica sobre as correntes protestantes. De 1546 até sua morte em 1564, Michelangelo Buonarotti é o principal arquiteto.

Ao lado da Basílica de São João Latrão, a Basília de Santa Maria Maior e a Basílica de São Paulo Extramuros, todas em Roma, a Basílica de São Pedro é uma das quatro grandes basílicas. É a maior igreja cristã do mundo até a inauguração da Basílica de Yasmousoukro, na Costa do Marfim.

CAVALGADA NOTURNA DE PAUL REVERE

    Em 1775, o ourives Paul Revere entra para a história por sair a cavalo à noite para alertar os moradores da região de Boston para um ataque das forças do Império Britânico no início da Guerra da Independência dos EUA.

"Às armas! Às armas! Os casacas vermelhas vêm aí", brada Revere, advertindo os rebeldes norte-americanos.

Paul Revere nasce em Boston em 1º de janeiro de 1735. Seu pai é um refugiado huguenote que chega a Boston como criança e aprende o ofício da ouriversaria, que passa para o filho. Paul se torna um dos grandes artistas da produção de artigos de prata.

Entusiasta da luta pela independência, doa trajes indígenas e participa da Festa do Chá de Boston, em 16 de dezembro de 1773m quando manifestantes fantasiados de indígenas jogam no mar uma carga de chá da Companhia das Índias Orientais para protestar contra os impostos cobrados pela coroa britânica.

Na noite de 16 para 17 de abril, Revere vai a cavalo até Concord para mobilizar os patriotas enquanto as forças imperiais avançam na busca de líderes revolucionários como John Hancock e Samuel Adams. Graças à cavalgada de Paul Revere, os minutemen estão prontos para a histórica Batalha de Lexington, no início da Guerra da Independência dos EUA, tem o apoio da França, da Espanha e da Holanda, rivais do Império Britânico.

Os EUA proclamam a independência em 4 de julho de 1776 e obtém reconhecimento da França e do Reino Unido no Tratado de Paris, em 1783.

GRANDE TERREMOTO DE SÃO FRANCISCO

    Em 1906, às 5h13, um tremor de terra de 7,9 graus na escala aberta de Richter ao longo de 440 quilômetros da Falha de Santo André com 45 a 60 segundos de duração sentido do Sul do estado do Oregon até Los Angeles abala São Francisco, na Califórnia, provoca uma série de incêndios, mata cerca de 3 mil pessoas e destrói 80% da cidade.

Como a rede de encanamentos se rompe, falta água para combater o fogo, que arde até o dia 20. Entre 227 e 300 mil pessoas da cidade de 410 mil habitantes na época ficam ao relento. A metade da população é retirada para as cidades de Berkeley e Oakland, do outro lado da Baía de São Francisco. O Golden Gate Park e o Panhandle viram acampamentos que duram mais de dois anos.

São Francisco se reconstrói rapidamente, mas parte da população, do comércio e da indústria migram para Los Angeles, que se torna a maior cidade da Califórnia e a segunda maior dos EUA no século 20. São Francisco renasce com a revolução da tecnologia da informação como parte do Vale do Silício, que concentra as principais empresas do setor.

INDEPENDÊNCIA DO ZIMBÁBUE

    Em 1980, o Zimbábue, antiga Rodésia do Sul e Rodésia, conquista a independência do Reino Unido depois de um longo período colonial sob o Império Britânico e 15 anos de dominação pela minoria branca num regime segregacionista semelhante ao apartheid da África do Sul.

A colonização é uma iniciativa de Cecil Rhodes, o empresário do imperialismo, que recebe em 1889 autorização para construir uma estrada de ferro da África do Sul até o Rio Zambeze, estimular a imigração e a colonização, promover o comércio e garantir direitos de exploração mineral. No ano seguinte, a Companhia Britânica da África do Sul, de Rhodes, demarca o território.

Em 1895, a região antes conhecida como Zambézia passa a ser chamada de Rodésia. A ferrovia chega às Cataratas de Vitória em 1904 e com ela os colonos, que no ano seguinte são 12,5 mil. Em 1909, as exportações de ouro somam 2,5 milhões de libras.

A Rodésia do Norte e a Rodésia do Sul viram colônias britânicas autônomas em 1923. Em 1953, as duas se juntam à Niassalândia, hoje Maláui, na Federação da Rodésia e Niassalândia, que dura até 1963. Em 24 de outubro de 1964, a Rodésia do Norte se torna independente com o nome de Zâmbia.

A Rodésia do Sul passa a se chamar de Rodésia. Em 1965, o governo da minoria branca declara independência unilateralmente com o apoio da África do Sul. Sofre isolamento internacional e enfrenta durante 15 anos movimentos guerrilheiros da maioria negra que conquistam a independência em 1980.

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 17 de Abril

MARTINHO LUTERO SE DEFENDE

    Em 1521, o monge alemão Martinho Lutero depõe na Dieta (assembleia) do Sacro Império Romano-Germânico, reunida em Worms, para responder à acusação de heresia depois de pregar suas 95 Teses sobre o poder e a eficiência das indulgências, criticando a corrupção na Igreja Católica, na porta da igreja do Castelo de Wittemberg em 31 de outubro de 1517, marco do início da Reforma Protestante.

O papa Leão X condena 41 teses em junho de 1520, mas dá a Lutero a chance de se arrepender e se retratar. Em resposta, Lutero queima a bula papal e se nega a retirar suas acusações. Ele é excomungado em 3 de janeiro de 1521.

O imperador deveria prender e executar Lutero. Ele é salvo pela intervenção de seu príncipe, Frederico III, o Sábio, eleitor (líder) da Saxônia. Por causa da confusão ou promiscuidade entre política e religião, Lutero é convocado pelas autoridades políticas e não pelo papa ou por um conselho da Igreja. Ele recebe um salvo-conduto do imperador para depor na Dieta de Worms.

No depoimento, em 17 de abril, Lutero admite a autoria de vários livros expostos. Sob pressão para repudiar suas ideias, pede mais um dia para pensar. No dia seguinte, se nega mais uma vez a repudiar sua obra, a não ser que seja convencido "pelas Escrituras ou pela razão". Alega que sua consciência está submetida à "palavra de Deus".

Em maio, uma nova dieta presidida pelo imperador Carlos V, do Sacro Império, aprova o Édito de Worms, que proíbe os escritos de Martinho Lutero e o declara "inimigo do Estado". Ele deveria ser preso e entregue ao imperador, mas a pena nunca é aplicada. A decisão limita as viagens de Lutero, que depende da proteção do príncipe da Saxônia até sua morte, em 18 de fevereiro de 1546.

PRIMEIRA GUERRA SINO-JAPONESA

    Em 1895, o Tratado de Shimonoseki acaba com a Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95) com a vitória do Japão. A China é obrigada a reconhecer a independência da Coreia, que dominava historicamente; cede Taiwan, as Ilhas Pescadores e a Península de Liaodong, no Sul da Manchúria, ao Japão; paga uma indenização de 200 milhões de taéis de prata ao Japão. Sob pressão da Alemanha, da França, do Reino Unido e da Rússia, o Japão devolde Liaodong em troca de mais 30 milhões de taéis.

A China e o Japão tinham uma tradição de isolamento que termina sob pressão do colonialismo ocidental. Com as Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60), o Reino Unido abre a China ao livre comércio, inclusive de ópio. Em 1854, o almirante norte-americano Matthew Perry rompe o fechamento de mais de dois séculos do Japão meses depois de ameaçar bombardear o porto de Tóquio.

A Restauração Meiji (1868) acaba com o xogunato e restaura o poder do imperador. É o fim da Idade Média no Japão, que se ocidentaliza e desenvolve a indústria para não se submeter ao colonialismo e preservar sua independência. A China, o Império do Meio, centro do mundo na Ásia há quase 2 mil anos, entra em decadência.

Em 1874, um navio japonês naufraga na costa sudoeste de Taiwan e a população local mata a tripulação. A China rejeita o pedido de indenização sob o argumento de que é uma tribo rebelde que não se submete ao imperador. Uma expedição punitiva japonesa força a China a pagar.

A grande causa da guerra é o conflito sobre a Coreia. O conselheiro militar alemão Klemens Meckel, que participa da modernização do Exército japonês, considera a Coreia "uma adaga apontada para o coração do Japão".

Em 27 de fevereiro de 1876, o Japão impõe o Tratado de Ganghwa. Obriga a Coreia a se abrir ao comércio e proclamar independência da China. Para neutralizar a influência japonesa, a China pressiona a Coreia a se aproximar das potências ocidentais.

Sob influência do Japão, os reformistas coreanos tentam derrubar o governo conservador aliado à China num golpe sangrento em 1884, mas tropas chinesas sob o comando do general Yuan Shikai dão um contragolpe igualmente sangrento, com a morte de vários japoneses. Pela Convenção de Li-Ito, os dois países concordam em retirar suas forças da Península Coreana para evitar a guerra.

Em 28 de março de 1894, o líder do golpe de 1884, Kim Ok Kyun, é atraído para Xangai e assassinado, provavelmente por agentes de Yuan Shikai. Seu corpo é enviado de navio à Coreia, onde é esquartejado e exposto ao público.

Quando estoura o Levante de Tonghak, uma revolta camponesa marcha rumo a Seul em 1º de junho de 1894. A pedido do rei coreano, a China envia Yuan Shikai com 2,8 mil soldados. O Japão considera a intervenção chinesa uma violação da Convenção de Li-Ito e manda 8 mil militares à Coreia. A China tenta enviar reforços, mas o Japão afunda o navio britânico Kowshing, que os transporta.

O Japão toma o palácio real em Seul, captura o imperador em 8 de junho de 1894 e instala um governo de coreanos aliados. A rebelião acaba em 11 de junho, mas o Japão manda o general Otori Keisuke ficar na Coreia e envia mais soldados.

Em 23 de julho, o Japão marcha sobre Seul, captura o imperador e reinstala um governo colaboracionista que rompe todos os acordos com a China e autoriza o Exército Imperial Japonês a expulsar os militares chineses.

O general japonês Oshima Yoshimasa avança rumo a Seul com 4 mil homens para enfrentar 3,5 mil soldados da guarnição chinesa. O combate acontece em 28 de julho. Cerca 500 chineses e 92 japoneses são mortos ou feridos. Os chineses recuam para Pyongyang, que hoje é a capital da Coreia do Norte.

A guerra começa oficialmente em 1º de agosto de 1894. Os analistas militares estrangeiros esperam uma vitória rápida da China, mas a modernização do Japão se impõe. A China tem entre 13 a 15 mil soldados em Pyongyang, para onde as forças japonesas convergem em 15 de setembro e invadem a cidade no dia seguinte. Dois mil chineses morrem e 4 mil saem feridos, em contraste com 102 japoneses mortos, 433 feridos e 33 desaparecidos.

A Marinha Imperial Japonesa destrói 8 dos 10 navios da frota chinesa perto da foz do Rio Yalu e assume o controle do mar. A China abandona o Norte da Coreia. Em 24 de outubro, o Japão cruza o Rio Yalu e invade a Manchúria. Toma Lushunkou (Port Arthur) em 21 de novembro, onde massacra milhares de civis, e Kaipeng em 10 de dezembro.

Em março de 1895, o Japão domina a província de Shandong e a Manchúria. No dia 23 de março, ataca as Ilhas Pescadores. A China pede negociações de paz.

Com a derrota, acaba a ordem sinocêntrica em vigor há quase 2 mil anos no Leste da Ásia. Mesmo durante a era do Império Mongol criado por Gengis Khan, a cultura chinesa se impunha por ser superior à dos conquistadores.

Outra derrota, na Guerra dos Boxers (1899-1901), quando Beijim é ocupada por forças estrangeiras da Aliança de Oito Nações, abala definitivamente a monarquia. Com a revolução de 1911, liderada por Sun Yat-Sen, acaba o Império e nasce a República da China, em 1912.

 INVASÃO DA BAÍA DOS PORCOS

    Em 1961, começa a invasão da Baía dos Porcos, quando refugiados cubanos financiados e treinados pela CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) desembarcam em Cuba e tentam derrubar o regime comunista de Fidel Castro, que vence, consolida o poder e pede proteção da União Soviética, o que leva à Crise dos Mísseis em outubro de 1962, quando o mundo esteve mais perto do que nunca de uma guerra nuclear.

A revolução liderada por Fidel Castro toma o poder em Havana em 1º de janeiro de 1959, após a fuga do ditador Fulgencio Batista. Quando a revolução nacionaliza as empresas norte-americanas na ilha, bancos, refinarias de petróleo, plantações de café e de cana-de-açúcar, entre outras medidas, o governo Dwight Eisenhower (1953-61) destina US$ 13,1 milhões para a CIA usar contra Fidel e impõe as primeiras sanções.

O plano é do vice-presidente Richard Nixon, notório anticomunista e candidato a presidente em 1960 contra o senador John Kennedy, que na campanha é mais anticomunista do que Nixon para não passar a imagem de jovem inseguro, incapaz de enfrentar o desafio soviético na Guerra Fria.

Ao tomar posse, em 20 de janeiro de 1961, o presidente Kennedy herda a operação. O Partido Democrata é acusado de "perder a China". Estava no poder com Harry Truman (1945-53) quando os comunistas tomaram o poder em Beijim, em 1º de outubro de 1949.

Em 15 de abril, aviões bombardeiros B-26 pilotados por exilados atacam três pistas de pouso em Cuba, mas não conseguem aniquilar a Força Aérea Cubana. Pelo menos seis aviões ficam intactos. 

Quando Kennedy suspende a segunda onda de bombardeio aéreo, em 16 de abril, a operação está condenada ao fracasso. O sucesso do desembarque depende do controle do espaço aéreo. A Força Aérea Cubana ataca os barcos.

Mais de 1,4 mil homens, divididos em cinco batalhões de infantaria e um de paraquedistas, tentam desembarcar na praia Girón, em Cuba, onde encontam forte resistência e são derrotados. Mais de 100 invasores e 176 soldados cubanos morrem. Cerca de 1,2 mil invasores são presos.

Fidel pede proteção à URSS. O líder soviético Nikita Kruschev aproveita para tentar equilibrar a corrida armamentista. Apesar de lançar o primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik, a URSS fica atrás no desenvolvimento de mísseis nucleares e tenta instalar mísseis em Cuba. Os EUA reagem, bloqueiam Cuba e ameaçam invadir a ilha na Crise dos Mísseis, de 14 a 27 de outubro de 1962. A URSS recua e retira os mísseis num acordo tácito em que os EUA prometem não invadir Cuba.

VITÓRIA DO KHMER VERMELHO

   Em 1975, os guerrilheiros maoístas do Khmer Vermelho, liderados por Pol Pot, entram em Phnom Penh, derrubam a ditadura do general Lon Nol e impõem ao Camboja um regime genocida acusado pela morte de 1,5 milhão a 2 milhões de pessoas com perseguições políticas, tortura, assassinatos em massa e fome, tendo como principal alvo a elite educada e intelectualizada. Como a população do país tinha pouco mais de 7,3 milhões de habitantes, é considerado o regime mais assassino do século 20.

A vitória do Khmer Vermelho é resultado da intervenção militar dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã (1955-75). Como os guerrilheiros vietcongues e os soldados norte-vietnamitas usam o Camboja para ir do Vietnã do Norte para o Vietnã do Sul pela chamada Trilha de Ho Chi Minh, os EUA bombardeiam intensamente o Camboja.

Diante da intervenção norte-americana no Vietnã, o chefe de Estado do Camboja, Norodom Sihanouk, o Príncipe Vermelho, declara neutralidade. Durante uma viagem de Sihanouk a Moscou e Beijim, em 18 de março de 1970, a Assembleia Nacional do Camboja derruba o príncipe e entrega o poder ao general e primeiro-ministro Lon Nol, aliado dos EUA.

A Força Aérea dos EUA começa a bombardear zonas rurais cambojanas em 1965. Os ataques aéreos ganham maior intensidade com a Operação Menu, de 18 de março de 1969 a 26 de maio de 1970. De maio de 1970 até 15 de agosto de 1973, a Operação Freedom Deal continua os bombardeios. 

Entre 1969 e 1973, os EUA jogam 500 mil toneladas de bombas no Camboja contra 113.716 alvos, matando centenas de milhares de pessoas. O assessor de Segurança Nacional do governo Richard Nixon, Henry Kissinger, é considerado criminoso de guerra pelo bombardeio estratégico ao Camboja.

A campanha aérea retarda, mas não impede a vitória do Khmer Vermelho, que tenta fazer uma grande engenharia social com uma política de Ano Zero para impor uma sociedade comunista puramente agrária que considera o campesinato a verdadeira classe revolucionária e não o proletariado urbano e industrial, como previra Karl Marx, o pai do comunismo.

O objetivo da ditadura do Khmer Vermelho é eliminar qualquer pessoa suspeita de exercer atividades de livre mercado. Isto inclui profissionais, todas as pessoas com alguma educação formal ou ligadas de alguma forma a países estrangeiros. Seus líderes são influenciados pelo stalinismo radical do Partido Comunista Francês no início dos anos 1950 e pelo pensamento do líder da revolução comunista na China, Mao Tsé-tung.

A ditadura polpotiana fecha escolas, hospitais e fábricas, abole o sistema bancário, as finanças e a moeda, proíbe todas as religiões, confisca todas as propriedades privadas e transfere populações urbanas para fazendas coletivas onde fazem trabalhos forçados.

O dinheiro é abolido, livros são queimados, professores, comerciantes e quase toda a elite intelectual cambojana é assassinada para fundar uma nova sociedade pura, livre dos males do capitalismo, a partir do Ano Zero. 

Como os pais são vistos como envenenados pelo capitalismo, os filhos são separados dos pais e internados em centros de reeducação onde sofrem uma lavagem cerebral. Os jovens aprendem métodos de tortura com animais e recebem papéis de liderança em torturas e execuções.

Sua reforma agrária causa uma fome generalizada. A pretensão de autossuficiência destrói os serviços públicos. Milhares de cambojanos morrem de doenças curáveis como a malária.

A ditadura do Khmer Vermelho cai em 7 de janeiro de 1979, depois de uma invasão vietnamita no Camboja apoiada pela União Soviética no Natal de 1978. Em resposta, a China invade o Vietnã em 17 de fevereiro de 1979, na primeira guerra aberta entre países comunistas. (Em 1969, a China e a URSS travam uma série de escaramuças na longa fronteira comum.)

O Vietnã repele a invasão. A China se retira em 16 de março, mas continua apoiando o deposto regime genocida do Khmer Vermelho como representante do Camboja na ONU, assim como os EUA e o Reino Unido, por causa de sua oposição à URSS.

MORTE DE GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ

    Em 2014, morre na Cidade do México o escritor colombiano Gabriel García Márquez, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1982, considerado um dos autores mais importantes do século 20.

García Márquez nasce em Aracataca em 6 de março de 1927. Nos primeiros oito anos de sua vida, seus pais moram com seus avós, o coronel Nicolás Márquez, veterano da Guerra dos Mil Dias (1899-1902) e Tranquilina Iguarán de Márquez. Após a morte do avô, a família se muda para Barraquilla. Ele recebe uma educação de qualidade, mas mais tarde atribui ao avô e às histórias de Aracataca as grandes fontes de sua literatura.

Ele estuda direito, mas se torna um jornalista, profissão que abraça até se tornar um escritor de sucesso. García Márquez aperfeiçoa sua educação como correspondente em Paris. Também trabalha como jornalista em Bogotá e em Nova York antes de ir para o México, onde escreve Cem Anos de Solidão, o romance que lhe dá fama e dinheiro.

O livro conta a história de Macondo, uma cidadezinha que reflete a história da América Latina, a truculência, o autoritarismo e a desigualdade social. É o expoente de uma literatura latino-americana descrita como "realismo mágico", que mistura fatos históricos com ficção sob a inspiração de escritores como o cubano Alejo Carpentier, pioneiro do gênero. Os habitantes de Macondo são movidos por paixões como desejo, cobiça, ganância e sede de poder, mas esbarram na realidade política..

A obra é lançada em 1967 por uma editora argentina e alcança sucesso universal. Já vendeu mais de 50 milhões de cópias em 46 idiomas. É um dos livros mais lidos e influentes do século 20.

De 1967 a 1975, ele mora na Espanha. Depois, tem uma casa na Cidade do México e um apartamento em Paris. Também passa um tempo em Havana, a convite de Fidel Castro, a quem apoia. Como escritor de sucesso, García Márquez lança O Outono do Patriarca (1975), Crônica de uma Morte Anunciada (1981), Do Amor e Outros Demônios (1981), O Amor nos Tempos de Cólera (1985), O General em seu Labirinto (1989), sobre os últimos dias do libertador Simón Bolívar, e Notícia de um Sequestro (1996). 

quinta-feira, 16 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 16 de Abril

PRIMEIRA MULHER SOBREVOA A MANCHA

    Em 1912, a aviadora norte-americana Harriet Quimby torna-se a primeira mulher a sobrevoar o Canal da Mancha ao pilotar o monomotor francês Blériot em meio a forte neblina de Dover, na Inglaterra, a Hardelot, na França.

Ela nasce provavemente em 1º de maio de 1875 em Coldwater, no estado de Michigan, e começa a se interessar por aviação em outubro de 1910. Depois de visitar uma feira em Belmont Park, decide aprender a pilotar.

Harriet Quimby estuda na Escola de Aviação Moisant, em Hempstead, Long Island, na primavera de 1911. Em 1º de agosto, recebe a licença número 37, a primeira de uma mulher, do Aero Clube da América, o braço da Federação Aeronáutica Internacional nos Estados Unidos.

É a segunda pilota do mundo, depois da francesa Baronesa de la Roche. Depois de um mês de preparação, Quimby sobrevoa a Mancha, mas em 1º de julho de 1912 ela e uma passageira caem durante uma manobra de seu Blériot e morrem.

LENIN VOLTA À RÚSSIA

    Em 1917, o líder comunista Vladimir Lenin volta à Rússia depois de 17 anos no exílio para preparar a Revolução Bolchevique e tomar o poder.

Vladimir Illich Ulianov nasce em Simbirsk, na Rússia, em 22 de abril de 1870. Numa família de seis irmãos, todos entram em movimentos revolucionários. Ele se destaca como estudante de grego e latim. Parece destinado a uma carreira acadêmica.

Um marco trágico na vida de Lenin é a morte do irmão mais velho, Alexander Ulianov, enforcado em 1887 por conspirar para matar o czar Alexandre III como parte do grupo rebelde Vontade Popular. 

No mesmo ano, Lenin entra para a Universidade de Kazan. É expulso três meses depois por participar de uma assembleia. Preso e banido de Kazan, ele vai para a fazenda de um avô em Kokuchkino. Em 1888, ele é autorizado a voltar para Kazan, mas não para a universidade.

Nesta época, conhece revolucionários e lê O Capital, a obra-prima de Karl Marx, o pai do comunismo. Em janeiro de 1889, torna-se marxista. Ele se muda com a família para Samara, onde conclui o curso de direito.

A advocacia dá cobertura legal às atividades revolucionárias. Em agosto de 1893, Lenin se muda para São Petersburgo, na época a capital da Rússia, onde trabalha como defensor público. Ele viaja ao exterior em 1895 para manter contato com russos exilados, em especial Georgy Plekhanov, o grande pensador marxista russo.

De volta à Rússia, consegue unificar os marxistas ao fundar a União de Luta pela Libertação da Classe Trabalhadora. Em dezembro de 1895, os líderes do grupo são presos. Lenin fica um ano e três meses na cadeia. Depois, vai para o exílio interno em Chuchenskoye, na Sibéria.

Sua noiva, Nadia Krupskaya, o segue. Eles se casam na Sibéria e ela se torna sua secretária. Em janeiro de 1900, Lenin deixa a Rússia. No exterior, ele escreve uma série da panfletos. Critica a veneração dos trabalhadores russos pelo czar e os marxistas que se concentram na luta por salários e redução da jornada de trabalho, deixando a política em segundo plano.

O grande debate intelectual dos marxistas russos é se o comunismo seria viável num país atrasado, de industrialização tardia, com mais camponeses que detém propriedade coletiva da terra do que proletários. 

Plekhanov defende a ideia de que a Rússia já é capitalista, mas precisa primeiro de uma revolução burguesa para impulsionar o desenvolvimento capitalista. 

No livro Desenvolvimento Capitalista na Rússia, Lenin conclui que o campesinato está longe de ser uma classe social homogênea. Observa uma estratificação social no campo, com uma burguesa rural, um campesinato de classe média e um proletariado e semiproletariado rural empobrecido. Neste último, vê um aliado do pequeno proletariado industrial da Rússia.

Em 1902, Lenin publica O Que Fazer? Rejeita a ideia de que o capitalismo está levando o proletariado espontaneamente ao socialismo revolucionário, cabendo ao partido apenas coordenar a luta. Na sua visão, o capitalismo predispõe os trabalhadores a aceitar o socialismo, mas a derrubada do sistema capitalista e a construção do socialismo dependem de uma consciência de classe induzida pelo partido.

O papel do partido é central no chamado marxismo-leninismo. É a vanguarda do proletariado. Deve ser mentor, líder e guia altamente disciplinado, mostrando constantemente ao proletariado onde estão os interesses da classe trabalhadora. Daí vem a ideia do "centralismo democrático". Uma vez que o partido tome uma decisão, cessa o debate interno e todos os membros devem seguir a orientação da cúpula.

Outros companheiros, como Plekhanov, Julius Martov e Leon Trotsky, temem que esta organização e disciplina partidárias levem ao jacobinismo, suprimam a liberdade de discussão dentro do partido, criem uma ditadura sobre o proletariado em vez da ditadura do proletariado e estabeleçam a ditadura de um homem só, como aconteceria sob Josef Stalin.

No segundo congresso do Partido Operário Social-Democrata da Rússia, Lenin está em minoria. Mas a retirada dos judeus social-democratas deixa a facção leninista em maioria e ele a chama de bolchevique (maioria), em oposição à ala menchevique (minoria) de Martov.

A divisão entre bolcheviques e mencheviques se aprofunda com a Revolução de 1905, deflagrada pela derrota da Rússia na Guerra Russo-Japonesa (1904-5).

Ambas as alas seguem a proposta de Plekhanov de que são necessárias duas revoluções, uma burguesa e depois a proletária. Mas os mencheviques entendem que a burguesia deve liderar a revolução burguesa, enquanto Lenin quer a hegemonia do proletariado na revolução democrática.

Lenin volta à Rússia no fim de 1905, mas é forçado a se exilar de novo em 1907. As reformas do czar Nicolau II, o Sanguinário, e a violenta repressão reduzem a adesão ao partido. Para manter a coesão dos bolcheviques diante do fortalecimento crescente dos mencheviques, Lenin convoca uma conferência do Partido Bolchevique em 1912 em Praga. É a divisão definitiva do Partido Operário Social-Democrata.

Quando estoura a Primeira Guerra Mundial (1914-18), em julho e agosto de 1914, os partidos social-democratas ignoram as resoluções anteriores da Segunda Internacional e apoiam seus países. Lenin chama os socialistas a favor da guerra de "social-chauvinistas", traidores da classe operária que apoiam regimes imperialistas.

Ele declara que a Segunda Internacional está morta. Defende a criação da Terceira Internacional e a transformação da guerra em guerras civis em que trabalhadores e soldados virariam suas armas contra as classes dominantes.

Exilado na Suíça, Lenin escreve sua principal obra sobre relações internacionais, Imperialismo: Estágio Superior do Capitalismo, em que propõe a teoria do elo mais fraco para justificar a revolução comunista na Rússia: a ruptura do sistema capitalista não aconteceria nos países mais industrializados, mas nos elos mais fracos. A guerra seria resultado do insaciável caráter expansionista do capitalismo.

"A derrota na guerra é a vitória da revolução", previu Lenin ao discutir a questão com Trotsky. A humilhação do Exército czarista diante da Alemanha leva ao fim da monarquia na Revolução de Fevereiro de 1917. Lenin obtém um salvo-conduto para atravessar a Alemanha, o que leva seus detratores a acusá-lo de ser um agente alemão.

De volta à Rússia, ele lança as Teses de Abril, em que rejeita a democracia parlamentar e prepara a Revolução de Outubro, quando os comunistas depõe o governo provisório do menchevique Alexander Kerensky e tomam o poder. Em 3 de março de 1918, a Rússia assina o Tratado de Brest-Litovsky, uma "paz vergonhosa", nas palavras do próprio Lenin. Abre mão da Finlândia, da Polônia, dos países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia), da Ucrânia e da Bielorrússia, e sai da Primeira Guerra Mundial.

GUERRA FRIA

    Em 1947, ao discursar na cerimônia de descerramento de seu retrato na Assembleia Legislativa da Carolina do Sul, o financista multimilionário Bernard Baruch usa pela primeira vez a expressão guerra fria para se referir à confrontação estratégica entre os Estados Unidos e a União Soviética.

Baruch trabalha como assessor presidencial em economia e política externa desde o governo Woodrow Wilson (1913-21). Depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18), participa da Conferência de Paz de Versalhes.

Nos anos 1930, assessora o presidente Franklin Roosevelt (1933-45) e membros do Congresso. Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), é conselheiro do presidente Harry Truman (1945-53).

Durante a cerimônia, Baruch lança um duro ataque contra os conflitos trabalhistas. Afirma que só com a união entre capital e trabalho os EUA serão capazes de se tornar uma grande força num "mundo que se renova física e espiritualmente."

Ele propõe semanas de trabalho mais longas, acordos com os sindicatos para prevenir greves e com as empresas para evitar demissões: "Não nos enganemos – estamos hoje no meio de uma guerra fria. Nossos inimigos estão no exterior e em casa. Não nos esqueçamos nunca: nossa inquietação é o coração de nosso sucesso. A paz no mundo é a esperança e a meta do nosso sistema político; é o desespero e a derrota daqueles que se erguem contra nós. Só podemos depender de nós mesmos."

COOPERAÇÃO ECONÔMICA

    Em 1948, 16 países europeus reunidos em Paris criam a Organização para a Cooperação Econômica na Europa (OCEE) para coordenar a reconstrução do continente através do Programa de Recuperação Europeia, mais conhecido como o Plano Marshall, uma proposta do secretário de Estado norte-americano George Marshall.

O Plano Marshall investe cerca de US$ 14 bilhões na reconstrução da Europa e contribue para evitar a expansão do comunismo na Europa Ocidental durante a Guerra Fria. Pelas cotações de hoje, seria o equivalente a mais de US$ 132 bilhões.

Em 1961, a OCEE passa a se chamar Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e passa a aceitar países não europeus. É um clube de países ricos com alguns em desenvolvimento como Chile, Colômbia, Costa Rica, México e Turquia. 

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 15 de Abril

NASCE LEONARDO DA VINCI

    Em 1452, nasce em Anchiano, perto de Vinci, na República de Florença, o desenhista, pintor, escultor, arquiteto, engenheiro, cientista, inventor, anatomista, botânico, poeta e músico Leonardo da Vinci, o artista que melhor encarna o Renascimento, um dos maiores e mais completos da história.

Seus quadros A Última Ceia (foto) Mona Lisa estão entre as pinturas mais populares e influentes do Renascimento e da história.

Filho ilegítimo do notário Piero da Vince e da camponesa Caterina, é criado pelo pai e estuda no ateliê do renomado artista florentino Verrocchio. No início da vida profissional Da Vinci trabalha para Ludovico Sforza, governante e Duque de Milão. Depois, vai para Veneza, Roma e Bolonha, e finalmente para a França, onde morre aos 67 anos em Amboise, numa casa doada pelo rei Francisco I, em 2 de maio de 1519.

NAUFRÁGIO DO TITANIC

    Em 1912, às 2h20, duas horas e meia depois de bater num iceberg, o navio transatlântico Titanic afunda no Norte do Oceano Atlântico a cerca de 640 quilômetros da Terra Nova, no Canadá. Cerca de 1,5 mil pessoas morrem no naufrágio mais famoso da história; 710 sobrevivem. 

O Titanic, um dos maiores e mais luxuosos navios de passageiros da história, é um projeto do construtor de navios William Pirrie fabricado em Belfast, hoje capital da Irlanda do Norte, com 270 metros de comprimento.

O casco é dividido em 16 compartimentos estanques. Como quatro destes compartimentos poderiam se encher d'água sem desestabilizar o navio, o Titanic é considerado insubmersível.

Ao sair do porto de Southampton, na Inglaterra, em 10 de abril, na sua primeira viagem transatlântica, o Titanic passa perto do navio New York, dando um susto nos passageiros que estão no convés.

Depois de escalas em Cherbourg, na França, e em Queenstown, na Irlanda, com 2.224 passageiros e tripulantes a bordo, segue a todo o vapor rumo a Nova York. Pouco antes da meia-noite de 14 de abril, o Titanic bate num iceberg que rompe cinco compartimentos do casco, que se enchem d'água e desestabilizam o navio.

Como os compartimentos não são fechados em cima, os outros compartimentos se enchem d'água. A proa afunda e ergue a popa até uma posição quase vertical. O Titanic se parte ao meio e afunda às 2h20. Cerca de 1,5 mil pessoas afundam junto ou morrem de frio nas águas geladas do Atlântico Norte.

Uma hora e 20 minutos depois, o navio Carpathia resgata os sobreviventes que estão em botes salva-vidas. Outro navio, o Californian, está a cerca de 30 km do Titanic na hora do acidente, mas não ouve os pedidos de socorro porque o operador do rádio não está trabalhando.

Em reação aos naufrágios, hoje há a Convenção Internacional para Salvaguarda da Vida no Mar. As regras exigem que todo navio tenha botes salva-vidas para todas as pessoas a bordo e faça rádio-escuta 24 horas por dia. Uma Patrulha Internacional do Gelo passa a monitorar os icebergs no Atlântico Norte.

TRAGÉDIA DE HILLSBOROUGH

    Em 1989, durante a semifinal da Copa da Inglaterra entre Liverpool e Nottingham Forest no Estádio de Hillsborough, em Sheffield, 97 torcedores morrem e 766 saem feridos, quando parte da torcida é esmagada junto a um portão de entrada que é aberto na última hora. A partida é suspensa e adiada. É o maior desastre envolvendo esportes na história do Reino Unido.

A polícia local alimenta a imprensa sensacionalista com notícias falsas atribuindo a tragédia a arruaceiros da torcida do Liverpool, mal-afamada por causa dos hooligans. Mas as investigações concluem que o maior problema é a falta de capacidade de Scotland Yard, a polícia britânica, no controle da multidão.

A Inglaterra discute a violência relacionada ao futebol e toma medidas para garantir a segurança nos estádios. Todos os ingressos têm assentos marcados e a cerca entre a torcida e o campo é removida.

O Reino Unido ensina com controlar a violência no futebol e as brigas de torcida. Toda torcida que recebe algum dinheiro do clube precisa registrar e dar carteira de sócio a todos os seus membros. Um policial da delegacia do bairro frequenta treinos e jogos, e viaja com a delegação. Em coordenação com as torcidas, que não são gangues como algumas no Brasil, a polícia faz uma lista de elementos suspeitos que podem estar indo ao jogo, descobre a que horas vai, em que trem.

É um trabalho de inteligência policial, um ação coordenada dos clubes, das torcidas e da polícia. Numa sociedade democrática, a polícia não prende por suspeita, mas pode vigiar suspeitos. No momento em que cometem um delito, são presos. Com mais de 4 mil prisões por ano em média, a Inglaterra acaba com a violência ligada ao futebol.

A receita está dada. É proibido, por exemplo, assistir ao jogo bêbado. Se alguém beber, sentar no seu lugar e dormir, provavelmente não será importunado. Se arrumar confusão, a bebida é motivo suficiente para justificar a prisão.

ATENTADO À MARATONA

    Em 2013, duas bombas caseiras feitas com panelas de pressão explodem num intervalo de 12 segundos a uma distância de 170 metros uma da outra perto da linha de chegada da Maratona de Boston, nos Estados Unidos, quatro horas depois do início da prova, quando estão chegando corredores amadores festejados por parentes e amigos. Três pessoas morrem e mais de 260 saem feridas.

Três horas depois, o presidente Barack Obama faz um pronunciamento à nação e promete que os responsáveis "vão sentir todo o peso da Justiça". 

A investigação aponta dois suspeitos, os irmãos da origem chechena Tamerlan e Djokhar Tsarnaev, nascidos na ex-república soviética do Quirguistão. Em 18 de abril, o FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, divulga fotos e um vídeo dos suspeitos. 

Pouco depois, eles matam um guarda do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), roubam um veículo utilitário esportivo e trocam tiros em Watertown, uma cidade-satélite de Boston. Um policial é ferido. Tamerlan é baleado duas vezes e, na versão da polícia, atropelado pelo irmão em fuga. Morre na hora.

No início da noite de 19 de abril, um morador de Watertown descobre Djokhar escondido num barco em seu quintal e chama a polícia. O terrorista é baleado e preso. No hospital, Djokhar acusa o irmão de planejar o atentado e declara que os dois foram atraídos pelo extremismo muçulmano pelas guerras no Afeganistão e no Iraque.

Em 10 de julho de 2013, Djokhar é denunciado num tribunal federal em Boston com 30 acusações, quatro de homicídio. Ele nega tudo e atribui os crimes ao irmão morto, mas é considerado culpado de todas as acusações em 8 de abril de 2015. Em 15 de maio, o júri recomenda a pena de morte com execução por injeção letal.

O estado de Massachusetts abole a pena de morte em 1984, mas Djokhar é condenado por crimes federais. Os recursos contra a execução podem durar anos.

INCÊNDIO DA NOTRE-DAME

    Em 2019, um incêndio atinge a Catedral de Notre-Dame de Paris e destrói a maior parte do telhado e da estrutura da abóbada, e uma agulha do século 19. O presidente Emmanuel Macron promete restaurar a igreja a um custo de 700 milhões de euros e a reabre em 8 de dezembro de 2024.

Uma das mais importantes igrejas góticas da Idade Média, a Catedral de Nossa Senhora de Paris começa a ser construída em 1163 por iniciativa do bispo Maurice de Sully na Ilha da Cidade, o centro da capital da França, sobre as ruínas de duas igrejas cristãs e de um templo da Gália Romana em homenagem ao deus Júpiter. 

O Papa Alexandre III lança a pedra fundamental em 1163. O altar-mor é consagrado em 1189. O coro, a fachada oeste e a nave são concluídas em 1250. Os pórticos, as capelas e outros adornos são acrescentados ao longo de mais um século. A obra termina em 1345.

A arquitetura gótica substitui as paredes grossas das construções românicas por colunas altas e arcos botantes capazes de sustentar o peso dos telhados. Isto dá às edificações mais altura e uma aparência mais leve, com janelas mais amplas e altas decoradas com magníficos vitrais coloridos que filtram a luz natural.

Lá é coroado o imperador Napoleão Bonaparte em 2 de dezembro de 1804, na presença do Papa Pio VII. A Notre-Dame é restaurada e reaberta (fotos) no fim de 2024.