quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 2 de Setembro

BATALHA DO ÁCIO

    Em 31 antes de Cristo, na Batalha do Ácio, na Grécia, as forças de Otávio conquistam uma vitória decisiva na guerra contra o general romano Marco Antônio, que foge para o Egito, onde comete suicídio no ano seguinte.


Filha de Ptolomeu XII, Cleópatra nasce em 69 AC e se torna a rainha Cleópatra VII, do Egito, quando o pai morre, em 51 AC. Eles fazem parte de uma dinastia macedônia que assume o poder no Egito depois da morte de Alexandre, o Grande, em 323 AC. 

 Em 47 AC, começa uma guerra civil entre ela e o irmão. Roma, a maior potência da Europa na época, também está em guerra civil entre Júlio César e Cneu Pompeu, ambos membros do Primeiro Triunvirato. Vencido por César na Grécia, Pompeu foge para o Egito, mas é morto por agentes do rei Ptolomeu XIII. 

César vai para Alexandria e decide impor a Pax Romana ao Egito. Cleópatra se alia a César para consolidar o poder no Egito. É entregue ao general romano enrolada num tapete. Linda e fascinante, ela seduz César e torna-se sua amante. Tem um filho com César, Cesarion. 

Quando César volta para Roma, Cleópatra e Cesarion vão junto. Ela vive discretamente numa casa de campo que o general tem perto da Cidade Eterna. Com a morte de César, em 44 AC, Cleópatra volta para o Egito e Roma cai em nova guerra civil, que termina em 43 AC com a formação do Segundo Triunvirato: Otávio, sobrinho e sucessor designado de Júlio César, o general Marco Antônio e Lépido. 

Marco Antônio, encarregado das províncias orientais do Império Romano, convoca Cleópatra para um encontro em Tarso, na Ásia Menor, em 41 AC. Ela chega numa balsa magnífica fantasiada de Vênus, a deusa do amor, e seduz mais um general romano. 

Em 40 AC, para emendar as relações Antônio volta a Roma e casa com Otávia, irmã de Otávio. Em 37 AC, ele se separa e encontra Cléopatra, que lhe dá dois gêmeos, na Síria. Partidários de Otávio o acusam de se casar com uma estrangeira, o que é proibido pela lei romana. 

Uma derrota militar em Pártia, hoje parte do Irã, em 36 AC, reduz o prestígio de Marco Antônio. Ele se reabilita ao vencer na Armênia em 34 AC, quando faz uma marcha triunfal em Alexandria ao lado da rainha, de Cesarion e de seus filhos. 

Em Roma, Marco Antônio é acusado de querer entregar o país nas mãos de estrangeiros. Otávio declara guerra a Cleópatra, e indiretamente a Marco Antônio, em 31 AC. Eles se enfrentam na Batalha do Ácio, uma batalha naval, na Grécia, em 31 AC. 

Uma semana depois, as forças terrestres de Marco Antônio se rendem, mas Otávio leva quase um ano para chegar a Alexandria e vencer Marco Antônio mais uma vez. Cleópatra se refugia no mausoléu que mandara construir para si mesmo. 

Ao ser informado erradamente da morte da rainha, Marco Antônio se suicida se jogando sobre sua espada, mas fica sabendo que ela está viva e é levado para morrer nos braços da amada. 

 A rainha do Egito não consegue seduzir mais um general romano e morre no mausoléu, oficialmente por suicídio, mordida por uma cobra, mas o historiador romano Plutarco, quem mais escreve sobre Cleópatra, diz: "O que aconteceu naquele mausoléu ninguém realmente sabe."

GRANDE INCÊNDIO DE LONDRES

    Em 1666, um incêndio na casa do padeiro do rei Carlos II, Thomas Farrinor, que esquece de desligar o forno, na Pudding Lane (Travessa da Sobremesa), atinge a Rua Tâmisa, onde há depósitos de combustível que explodem e transformam a cidade num inferno com a ajuda de um forte vento leste.


Quando o Grande Incêndio de Londres acaba, quatro dias depois, 80% da capital britânica estão destruídos, inclusive 13 mil casas e a antiga Catedral de São Paulo. Por milagre, há apenas 16 mortes.

Na época, Londres é uma cidade medieval de casas de madeira. As casas dos pobres são vedadas contra a chuva por materiais inflamáveis como carvão, óleo para lâmpadas, bebidas alcoólicas e banha. As ruas são estreitas e as casas amontoadas. Tudo contribui para propagar o fogo.

MASSACRES DE SETEMBRO

    Em 1792, durante a Revolução Francesa (1789-99), começam os massacres de prisioneiros em Paris por medo de que os presos políticos se revoltem e se juntem às forças inimigas nas guerras contrarrevolucionárias.

A revolução começa em 14 de julho de 1789, com a tomada da Bastilha, uma prisão que é um símbolo do antigo regime. De 20 a 26 de agosto, a Assembleia Nacional aprova a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão.

Em 10 de agosto de 1792, depois que o rei Luís XVI veta várias decisões da Assembleia Nacional, a Guarda Nacional da Comuna de Paris e federados da Bretanha e de Marselha assaltam a residência real no Palácio das Tulherias, que é defendido pela Guarda Suíça. O rei e a rainha se refugiam na Assembleia Nacional. Centenas de guardas e 400 revolucionários morrem na batalha.

Os massacres de 2 a 6 de setembro em Paris são a primeira onda de terror da revolução. A matança começa em 2 de setembro, quando um grupo armado ataca presos que estão sendo transferidos para a Prisão da Abadia, perto de Saint-Germain-des-Près. Em cinco dias, 1,2 mil prisioneiros são mortos, a maioria depois de julgamentos sumários num "tribunal popular".

A monarquia acaba formalmente em 21 de setembro, numa das primeiras decisões da Convenção Nacional (1792-95), a primeira assembleia eleita sem distinção de classe social, que funda a República no dia seguinte. O Período do Terror propriamente dito vai de 5 de setembro de 1793 a 27 de julho de 1794, quando cerca de 17 mil pessoas são executadas, inclusive os líderes revolucionários Georges-Jacques Danton e Maximiliano Robespierre.

Luís XVI é guilhotinado em 21 de janeiro de 1793 e a rainha Maria Antonieta em 16 de outubro do mesmo ano. Ao todo, cerca de 50 mil pessoas morrem na Revolução Francesa.

GRANDE PORRETE

    Em 1901, o vice-presidente Theodore Roosevelt, um pioneiro do imperialismo norte-americano, diz a frase que o caracterizou, tirada de um provérbio africano: "Fale suavemente e carregue um grande porrete. Você vai longe."

Doze dias depois, o presidente William McKinley é assassinado e Theodore Roosevelt  se torna o 26º presidente dos Estados Unidos (1901-9) aos 42 anos. É o presidente mais jovem da história do país. 

Durante seu governo, os EUA intervém militarmente em 1903 no Panamá, então parte da Colômbia, enfraquecida pela Guerra dos Mil Dias (1899-1902) entre conservadores e liberais, promovem a independência do Panamá e, em 1904, começam a construção do canal que liga os oceanos Atlântico e Pacífico.

FIM DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

    Em 1945, a bordo do navio de guerra americano USS Missouri, o ministro do Exterior, Mamoru Shigemitsu, e o general Yoshijiro Umezu assinam a rendição do Japão, formalizando o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Ambos são condenados por crimes de guerra pelo Tribunal de Tóquio.

Os países do Sudeste Asiático colonizados pelo Ocidente invadidos pelo Japão na guerra começam a declarar a independência, a Indonésia em 17 de agosto e o Vietnã em 2 de setembro.

Antes das bombas atômicas de Hiroxima e Nagasáki, o Japão negocia a rendição através da Suíça. Por causa do ataque japonês à 7ª Frota Americana em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, os EUA exigem a rendição incondicional do Japão.

Diante do custo em vidas dos assaltos anfíbios às ilhas de Ivo Jima e Okinawa, o comando militar norte-americano estima que um ataque às quatro maiores ilhas japonesas custe 1 milhão de vidas. 

O presidente Harry Truman decide, então, usar uma nova arma, a bomba atômica, jogada em 6 de agosto em Hiroxima e em 9 de agosto em Nagasaki, onde 140 mil pessoas morrem nos dias das explosões e mais de 300 mil até hoje de doenças causadas pela radiação. Em 15 de agosto, o imperador Hiroíto anuncia a rendição incondicional do Japão.

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terça-feira, 1 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 1º de Setembro

QUEDA DO SEGUNDO IMPÉRIO

    Em 1870, durante a Guerra Franco-Prussiana (1870-71), a França sofre uma derrota decisiva na Batalha de Sedan, que leva à queda do Segundo Império (1852-70) e ao fim da Dinastia Bonaparte. Dá início à Terceira República (1870-1940), o mais longo período de estabilidade política no país desde a Revolução Francesa de 1789.

A batalha é travada por 120 mil franceses sob o comando do marechal Patrice de Mac-Mahon e 200 mil alemães sob a liderança do general Helmuth von Moltke na fortaleza francesa de Sedan, junto à fronteira do Rio Meuse. 

Depois das derrotas em Mars-la-tour e Gravelotte, só resta à França o exército de Mac-Mahon. Em vez de recuar para defender Paris, Mac-Mahon tenta furar o cerco de Metz para apoiar o marechal Achille-François Bazaine.

Cerca de 3 mil franceses morrem, 14 mil saem feridos e 103 mil são presos na Batalha de Sedan. Do lado alemão, são 2.330 mortos, 5.980 feridos e 700 desaparecidos.

A vitória na Guerra Franco-Prussiana leva à unificação da Alemanha sob a liderança do Chanceler de Ferro, Otto von Bismarck. 

 INÍCIO DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

    Em 1939, a Alemanha Nazista bombardeia o porto de Gdansk (Danzig para os alemães) e invade a Polônia com sua blitzkrieg, um ataque-relâmpago com aviação e tanques de alta velocidade, dando início à Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Hitler quer recuperar territórios com base na tese nazista de que onde tem alemães é Alemanha. No Brasil, o comentário na época é que assim acabaria em São Leopoldo e Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul. Alega que os alemães são discriminados e atacados na Polônia.

O Exército da Polônia tem mais de 1 milhão de soldados, mas não tem condições de competir tecnologicamente com a Alemanha, e o Pacto Germano-Soviético, assinado nove dias antes, deixa a União Soviética neutra. O ditador Josef Stalin quer mais tempo para preparar a guerra contra Hitler, que considera inevitável.

Em 3 de setembro, em resposta à invasão da Polônia, a França e o Reino Unido declaram guerra à Alemanha. Depois de conquistar a Europa Ocidental, menos o Reino Unido, em 1940, Hitler invade a URSS em 22 de junho de 1941, seu maior erro, que o levaria à derrota. Mais de 80% das tropas alemãs são derrotadas na frente oriental.

Depois da vitória na Batalha de Stalingrado, em 2 de fevereiro de 1943, o Exército Vermelho da URSS avança em direção a Berlim, que toma em 8 de maio de 1945, fim da Segunda Guerra Mundial na Europa. O Japão se rende na Guerra do Pacífico em 15 de agosto, depois das bombas atômicas jogadas pelos EUA em Hiroxima e Nagasáki.

O VELHO E O MAR

    Em 1952, a revista Life começa a publicar a última grande obra de ficção do escritor norte-americano Ernest Hemingway, O Velho e o Mar. É história de Santiago, um velho pescador sem fisgar um peixe há 84 dias que pega seu maior peixe, um espadarte que não cabe no barco e é devorado pelos tubarões na volta à terra. O Velho e o Mar também é publicado em livro e recebe o Prêmio Pulitzer em 1953. Hemingway ganha o Prêmio Nobel de Literatura em 1954.

É um drama sobre a luta do homem com a natureza selvagem, que se mostra invencível. Santiago prova seu valor ao pegar um peixão daquela tamanho, mas morre na volta para casa.

Ernest Miller Hemingway nasce em 21 de julho de 1899 em Cicero, hoje Oak Park, um subúrbio de Chicago, no estado de Illinois, nos Estados Unidos. Ele começa a escrever quando está no ensino médio e não entra na faculdade. Vai para Kansas City trabalhar como repórter.

Por deficiência de visão, Hemingway é rejeitado pelo serviço militar, mas participa da Primeira Guerra Mundial (1914-18) como motorista da Cruz Vermelha. Ferido na frente austro-italiana em Fossalta di Piave, é condecorado por heroísmo e hospitalizado em Milão, onde se apaixona pela enfermeira Agnes von Kurowsky, que rejeita seus pedidos de casamento.

Depois de se recuperar, Hemingway vai para a França como correspondente do jornal canadense Toronto Star, onde entra para o grupo de escritores norte-americanos radicados em Paris, F. Scott Fitzgerald, Gertrude Stein, Ezra Pound, que o incentivam a escrever literatura de ficção. Seu primeiro livro importante, No Nosso Tempo, é lançado em Paris em 1924.

Em 1928, Hemingway publica O Sol Também se Levanta, o primeiro grande sucesso. Adeus às Armas (1929) supera as obras anteriores. É uma história de amor em meio à guerra baseada em sua experiência na Primeira Guerra Mundial. Depois de um safári, escreve As Verdes Colinas da África (1935).

Nesta época, compra uma casa em Key West, na Flórida, o extremo sul da parte continental dos EUA, onde escreve Ter e Não Ter (1937), um livro sobre a violência da classe baixa e a decadência da classe alta em Key West durante a Grande Depressão (1929-39).

Sua paixão pela Espanha, era apreciador de touradas, o envolve na Guerra Civil Espanhola (1936-39). Hemingway arrecada dinheiro para os republicanos que lutam contra os nacionalistas liderados pelo general Francisco Franco e escreve A Quinta Coluna, que se passa na Madri sitiada pelos falangistas de Franco.

Depois da sair da Espanha em guerra, Hemingway compra uma propriedade rural em Cuba perto de Havana, mas sai para cobrir outra guerra, a invasão da China pelo Japão. Sua experiência na Guerra Civil Espanhola o leva a escrever Por Quem os Sinos Dobram, considerada sua maior obra. É a história de um norte-americano que entra para as Brigadas Internacionais que apoiam os republicanos.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), Hemingway vai para Londres como jornalista. Acompanha várias missões da Força Aérea Real britânica. Atravessa o Canal da Mancha com as forças dos EUA na Invasão da Normandia, em 6 de junho de 1944. Participa da libertação da Paris, em 25 de agosto. E cobre a Batalha de Ardenne ou Ardenas, a contraofensiva da Alemanha Nazista na frente ocidental para tentar conter o avanço dos norte-americanos no fim de 1944 e início de 1945.

Além de demonstrar coragem no campo de batalha, Hemingway se torna um especialista em questões militares, táticas de guerrilha e coleta de inteligência.

Com o fim da guerra, ele volta a Cuba, onde escreve O Velho e o Mar. Em 1960, Hemingway deixa Cuba e vai para Ketchum, no estado de Idaho, nos EUA. Depressivo, é internado duas vezes na Clínica Mayo, em Rochester, em Minnesota, onde recebe eletrochoque.

Dois dias depois de voltar para casa, em 2 de julho de 1961, ele se suicida.

KADAFI DÁ GOLPE NA LÍBIA

    Em 1969, o coronel Muamar Kadafi derruba o rei Idris I, se torna ditador da Líbia e impõe uma regime supostamente socialista que dura até a chamada Primavera Árabe, em 2011, quando é deposto e morto pelos rebeldes apoiados por uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A descoberta de grandes jazidas de petróleo, em 1959, permitem ao Reino da Líbia se transformar de uma das nações mais pobres do mundo num país rico, mas a riqueza é concentrada pelo rei Ídris e sua corte.

O descontentamento aumenta com a ascensão do ditador egípcio Gamal Abdel Nasser, líder do nacionalismo pan-árabe, e da revolução socialista na vizinha Argélia, que se torna independente da França em 1962 no fim de uma guerra sangrenta.

A Revolução de 1º de Setembro é realizada pelo Movimento dos Oficiais Livres, uma facção jovem, esquerdista e revolucionária liderada pelo coronel Kadafi, que funda a República Árabe Popular Socialista Líbia com o apoio de Nasser.

Kadafi se torna um dos grandes inimigos do Ocidente durante a Guerra Fria. Com seus petrodólares, financia grupos terroristas palestinos e até o Exército Republicano Irlandês (IRA) na luta contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte. Fracassa em guerras contra os vizinhos Chade e Egito.

Em 21 de dezembro de 1988, um Boeing 747 da companhia aérea norte-americana PanAm explode no ar sobre Lockerbie, na Escócia, matando todas as 259 pessoas a bordo e 11 no solo. Dois agentes líbios são acusados. Sob pressão internacional, Kadafi os entrega para julgamento na Holanda.

Durante a guerra do governo George W. Bush contra o terrorismo dos extremistas muçulmanos, um inimigo comum, em 2003, Kadafi faz um acordo com as potências ocidentais e entrega suas armas de destruição em massa.

Na Primavera Árabe, os protestos populares começam em 13 de fevereiro de 2011. Dois dias depois, o ditador inicia uma repressão violenta. Os rebeldes tomam Bengázi, a segunda maior cidade líbia. Quando Kadafi ameaça esmagar a revolta, o Conselho de Segurança da ONU aprova, em 17 de março, uma intervenção militar na Líbia. Kadafi cai em agosto e é assassinado em 20 de outubro.

FISCHER É CAMPEÃO MUNDIAL DE XADREZ

    Em 1972, Bobby Fischer vence o russo Boris Spassky em Reikjavik, na Islândia, e se torna o primeiro norte-americano a ganhar o campeonato mundial de xadrez, acabando com o virtual monopólio da União Soviética.

Em plena Guerra Fria, o embate é enquadrado na grande competição estratégica entre os EUA e a URSS na segunda metade do século 20. Fischer não vai à cerimônia de abertura em 1º de julho. Exige mais dinheiro. Muda de ideia ao receber um telefonema do assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Henry Kissinger, que lhe diz: "Os EUA querem que você vá lá e bata os russos."

A primeira partida é disputada em 11 de julho. A última, em 31 de agosto, é suspensa depois de 40 jogadas. No dia seguinte, Spassky abandona.

Fischer perde o título em 1975 para o soviético Anatoli Karpov por se negar a disputar as partidas depois de fazer exigências não atendidas.

URSS ABATE JUMBO SUL-COREANO

    Em 1983, a Força Aérea da União Soviética derruba um Boeing 747 da companhia aérea sul-coreana Korean Air, matando as 269 pessoas a bordo, inclusive um deputado federal dos Estados Unidos, Larry McDonald, vice-presidente da conservadora Sociedade John Birch. É o auge da Segunda Guerra Fria, que começa com a invasão do Afeganistão pelos soviéticos, em 24 de dezembro de 1979.

O Jumbo vai de Anchorage, no Alasca, para Seul, na Coreia do Sul, por uma rota via Polo Norte e entra no espaço aéreo soviético. Outro deputado e dois senadores dos EUA deveriam embarcar no mesmo voo 007. Iam festejar os 30 anos do fim da Guerra da Coreia (1950-53). 

A URSS acusava os EUA de enviar aviões-espiões, as versões militares do Boeing, atrás de voos comerciais para iludir os radares. 

O piloto do avião de caça soviético consulta os superiores, mas não consegue contato com o comando central em Moscou. O oficial com quem fala aconselha: "Na dúvida, use o manual." E o manual manda abater aviões suspeitos.

Na época, os EUA estão prestes a instalar mísseis de curto e médio alcances na Europa Ocidental, em 1º de novembro, reduzindo o tempo de reação dos soviéticos. A Segunda Guerra Fria acaba com a ascensão do líder reformista Mikhail Gorbachev à chefia do Partido Comunista da URSS, em 11 de março de 1985.

RESTOS DO TITANIC

    Em 1985, 73 anos depois do naufrágio mais famoso da história, os restos do Titanic são localizados a cerca de 640 quilômetros da costa da Terra Nova, no Canadá, a uma profundidade de quase 4 mil metros.

O megatranstlântico, maior navio do mundo na época, considerado insubmersível, bate num iceberg em sua viagem inaugural, entre Southampton, na Inglaterra, e Nova York, e afunda na noite de 14 para 15 de abril de 1912. Mais de 1,5 mil pessoas morrem.

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segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 31 de Agosto

SHERMAN TOMA ATLANTA

    Em 1864, durante a Guerra da Secessão (1861-65), a mais sangrenta da história dos Estados Unidos, as forças da Confederação (Sul) iniciam a retirada de Atlanta, a capital da Geórgia, depois da vitória das tropas da União (Norte) chefiadas por William Tecumseh Sherman.

Entre 1815 e 1861, o Norte dos EUA se industrializa rapidamente e diversifica sua economia. A agricultura ainda é o setor mais forte, mas se baseia em pequenas propriedades com trabalhadores livres, enquanto o Sul é dominado por grandes fazendeiros que exportam algodão produzido por mão de obra escrava para a Revolução Industrial no Reino Unido e em outros países da Europa.

Em 1860, 84% do capital investido na indústria são do Norte, mas a renda média dos brancos sulistas, que investem principalmente em escravos, é duas vezes maior. Cerca de 60% dos ricos dos EUA vivem no Sul.

Quando o presidente abolicionista Abraham Lincoln é eleito, em novembro de 1860, sete estados do Sul (Alabama, Carolina do Sul, Flórida, Geórgia, Louisiana, Mississípi e Texas) formam os Estados Confederados da América para deixar a União. 

A Guerra Civil Americana começa em 12 de abril de 1861, com o ataque rebelde ao Forte Sumter, em Charleston, na Carolina do Sul. Depois de 34 horas de bombardeio, o major Robert Anderson e 85 homens se rendem ao cerco de 5,5 mil sulistas sob o comando de Pierre Beauregard.

Mais quatro estados (Arkansas, Carolina do Norte, Tennessee e Virgínia) aderem à Confederação. Lincoln convoca 75 mil milicianos e decreta um bloqueio naval aos estados do Sul.

Cerca de 21 milhões de pessoas vivem no Norte e 9 milhões no Sul, sendo 4 milhões de escravizados. O Norte tem mais de 100 mil fábricas, em contraste com apenas 18 mil instaladas ao sul do Rio Potomac. A produção de armas no Norte é 30 vezes maior. 

Mas o Sul tem 6,5 mil quilômetros de costa, o que torna um bloqueio naval impossível, e o presidente da Confederação, Jefferson Davis, um herói da Guerra Mexicano-Americana (1846-48), tem mais experiência militar do que Lincoln e pede ajuda à França e ao Reino Unido.

No verão de 1862, o Norte destrói as forças navais do Sul.

Em 1º de janeiro de 1863, Lincoln faz a Proclamação da Abolição nos estados do Sul, na expectativa de que os escravos libertos se juntem às forças da União, mas a notícia só chega a Galveston, no longínquo estado do Texas em 19 de junho de 1865, depois da rendição do general Robert Lee, comandante militar da Confederação, em 9 de abril daquele ano.

O general Sherman é um dos precursores da guerra total. Na opinião do capitão e historiador mililtar britânico Basil Liddell Hart, é "o primeiro general moderno". 

A Doutrina Sherman ainda é uma das bases da estratégia militar dos EUA. Consiste em destruir tudo o que possa ser útil ao inimigo, inclusive fontes de água e comida, o que os EUA fizeram nas guerras do Iraque, com grandes danos à população civil. Mas, até agora, não se fala em derrubar a estátua de Sherman no canto sudeste do Central Park, em Nova York, na esquina da 5ª Avenida e da Rua 59.

A tomada de Atlanta é importante para a reeleição de Lincoln, em 1864. A subsequente Marcha para o Mar, até a conquista do porto de Savannah, em 21 de dezembro daquele ano, adota uma estratégia de terra arrasada, que destrói a infraestrutura e abala a força moral dos sulistas.

Com mais de 620 mil mortes, a Guerra da Secessão é a pior da história dos EUA. 

A 13ª Emenda à Constituição dos EUA, que acaba com a escravidão e os trabalhos forçados, a não ser por força de sentença judicial, é aprovada no Senado em 8 de abril de 1864 e na Câmara em 31 de janeiro de 1865 depois de uma tramitação tumultuada que aparece no filme Lincoln, de Steven Spielberg. Com a ratificação por pelo menos 75% dos estados, como exige a Constituição, entra em vigor em 6 de dezembro de 1865.

Começa o período da Reconstrução, em que os EUA se tornam em 1890 na maior economia do mundo, superando o Império Britânico. Em 1866, surge o grupo terrorista branco Ku Klux Klan, que persegue e assassina negros. Vários estados adotam políticas discriminatórias. Os negros só conquistam a liberdade plena um século depois, com a Lei dos Direitos Civis (1964) e a Lei do Direito de Voto (1965).

JACK, O ESTRIPADOR

    Em 1888, os restos mortais mutilados da prostituta Mary Ann Nichols, a primeira vítima do assassino em série chamado de Jack, o Estripador, são encontrados no bairro de Whitechapel, em Londres.

Mais quatro vítimas são mortas nos meses seguintes. Na Inglaterra vitoriana do fim do século 19, período áureo do Império Britânico, a região do East End, em Londres, é um favelão com cerca de um milhão de miseráveis. A prostituição é um meio de sobrevivência para mais de mil mulheres de Whitechapel.

A polícia britânica, a Scotland Yard, descobre o método do assassino. Ele promete pagar por sexo e atrai as prostitutas para praças ou ruas escuras, onde corta a garganta com uma faca de 15 centímetros. Em seguida, usa a mesma faca para estripá-las. Nenhum suspeito foi preso e muito menos punido.

EDISON PATENTEIA CINEMATÓGRAFO

    Em 1897, um dos maiores inventores de todos os tempos, o norte-americano Thomas Alva Edison, com mais de 2,3 mil patentes, registra sua câmera de cinema, o cinematógrafo, usando o filme de rolo, inventado em 1893 por George Eastman.

Edison, o Feiticeiro de Menlon Park, nasce em Milan, no estado de Ohio, em 11 de fevereiro de 1847, filho de pais canadenses. Mau aluno, se recusa a fazer as lições e abandona a escola. A mãe o educa em casa. Ávido leitor, devora todos os livros da mãe sobre ciência e monta um laboratório químico no sótão da casa.

Quando aprende o Código Morse, Edison começa a fabricar telégrafos artesanais. Aos 21 anos, registra sua primeira invenção, uma máquina de votar pela qual ninguém se interessa. Em 1869, se muda para Nova York, onde cria um indicador automático de cotação da bolsa de valores que vende por US$ 40 mil.

Ao todo, registra 1.093 patentes nos Estados Unidos e, somando com as de outros países, 2.332. Entre suas principais invenções, estão a lâmpada elétrica incandescente, o fonógrafo, o cinescópio, o ditafone e o microfone de grânulos de carvão, que aperfeiçoa o telefone.

LEI DE NEUTRALIDADE NOS EUA

    Em 1935, diante da ascensão do nazifascismo na Europa, o presidente Franklin Delano Roosevelt sanciona a Lei da Neutralidade "para evitar qualquer ação que possa envolver [os Estados Unidos] na guerra".

É uma reação ao anúncio da Alemanha Nazista, em março daquele ano, de que não respeitaria mais o Tratado de Versalhes, assinado em 1919, depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Com o início da Segunda Guerra Mundial (1939-45), em 14 de agosto de 1941, Roosevelt assina a Carta do Atlântico com o primeiro-ministro do Reino Unido, Winston Churchill, lançando as bases da ordem mundial do pós: proibição da guerra de conquista, soberania nacional, integridade territorial, direito de autodeterminação dos povos, liberdade de navegação nos mares e livre comércio. Começa a forjar a aliança que derrotaria Adolf Hitler e lança as bases da ordem internacional do pós-guerra..

Os EUA entram na guerra em 7 de dezembro de 1941, com o ataque do Japão à base naval de Pearl Harbor, no Havaí.

GREVE NA POLÔNIA

    Em 1980, o regime comunista da Polônia cede diante da greve dos 17 mil metalúrgicos do estaleiro de Gdansk, liderada por Lech Walesa.

A vitória dos trabalhadores leva à formação do Solidariedade, o primeiro sindicato livre num país do Bloco Soviético.

Sob pressão da União Soviética, as conquistas são revogadas por um golpe dado pelo general Wojciech Jaruzelski em 13 de dezembro (dia do AI-5) de 1981. Walesa ganha o Prêmio Nobel da Paz em 1983.

O movimento oposicionista ganha força com a ascensão em 1985 do líder reformista Mikhail Gorbachev ao cargo de secretário-geral do Partido Comunista da URSS e suas políticas de abertura política (glasnost) e reestruturação econômica (perestroika).

Em 4 e 18 de junho de 1989, a Polônia realiza as primeiras eleições democráticas no Bloco Soviético, que levam à queda do regime. Walesa é eleito presidente em 1990 e fica no cargo até 1995.

MORTE DA PRINCESA

    Em 1997, a princesa Diana morre num acidente de automóvel em Paris quando o motorista e segurança Henry Paul, totalmente embriagado, perde o controle do carro em alta velocidade ao fugir de paparazzi, fotógrafos que tentavam tirar fotos da princesa.


O motorista e o namorado da princesa e dono do Mercedes, o playboy egípcio Dodi al-Fayed, também morrem. Diana vira uma Cinderela moderna em busca do amor com seu carro de luxo virando abóbora na noite de Paris, uma das cidades mais românticas do mundo.

A morte provoca grande consternação no Reino Unido, especialmente por causa da falta de reação da rainha Elizabeth II, que está no Castelo de Balmoral, na Escócia, onde a família real britânica passa as férias de verão.

Sob pressão do primeiro-ministro Tony Blair e do príncipe Charles, ex-marido de Diana, cinco dias depois a rainha volta a Londres com o príncipe Philip e cumprimenta a multidão que ficava até 12 horas na fila para assinar o livro de condolências e depositar flores diante do Palácio de Buckingham, a residência real em Londres.

Famoso por suas gafes, Philip pergunta: "Vocês estão aqui há muito tempo?"

Como Diana se divorciou de Charles, oficialmente não pertencia mais à família real. Não teria direito a um funeral com honras de Estado na Abadia de Westminster. Mas era a "princesa do povo", como definiu o assessor de imprensa de Blair, Alastair Campbell. O clamor popular vence a tradição e garante todas as honrarias.

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domingo, 30 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 30 de Agosto

WASHINGTON REJEITA RECONCILIAÇÃO

    Em 1776, o comandante do Exército Continental, George Washington, recusa uma segunda proposta de reconciliação com o Império Britânico enviada através de carta do general William Howe.

Howe desembarca em Long Island com uma força superior à dos rebeldes americanos e conquista uma grande vitória na Batalha de Brooklyn Heights, em 27 de agosto. Entre outras razões, Washington rejeita a proposta porque a carta não o chama de general. 

As negociações são retomadas em 11 de setembro por Benjamin Franklin e John Adams. São rompidas quando os britânicos se negam a aceitar a independência dos EUA. Os rebeldes tomam Nova York em 15 de setembro e mantêm o controle sobre a cidade até o fim da Guerra da Independência (1775-83).

PRIMEIRA REVOLTA DE ESCRAVOS

    Em 1800, um escravo chamado Gabriel mobiliza mil homens nos arredores de Richmond, na Virgínia, na primeira grande rebelião de escravizados nos Estados Unidos.

Seis dias antes, o escravo Ben Woolfolk se encontra com outros escravizados na Ponte Littlepage para recrutar aliados para a revolta. O líder é Gabriel, um escravo de Henry Thomas Prosser. O plano é marchar até Richmond, capturar o governador James Monroe e outros líderes brancos e forçá-los a aceitar a igualdade política, econômica e social.

Fortes chuvas adiam o início da rebelião. Dois escravizados, Tom e Pharoak, denunciam a conspiração a Mosby Sheppard, que avisa o governador. Monroe convoca uma milícia que prende muitos rebeldes. Vários julgamentos levam à execução de Gabriel e pelo menos outros 25 escravos.

LENIN BALEADO

    Em 1918, durante um comício numa fábrica em Moscou, Fanya Kaplan, do Partido Social Revolucionário, atira três vezes no líder comunista Vladimir Illitch Ulianov (Lenin), que é ferido gravemente por duas balas, mas sobrevive.

Lenin nasce em Ulianovsk em 22 de abril de 1870. Filho de uma família da classe média, vira revolucionário após a execução do irmão mais velho, Alexander Ulianov, em 8 de maio de 1887, sob a acusação de participar de uma conspiração do grupo Vontade Popular para assassinar o czar Alexandre III.

Expulso da Universidade Imperial de Kazan por participar de protestos contra o regime czarista, em 1893, Lenin entra para o Partido Operário Social-Democrata Russo. Preso por sedição em 1897, é condenado a três anos de exílio interno em Shushenskoye, onde se casa na igreja com Nádia Krupskaya em 10 de julho de 1898.

Depois do exílio, vai em julho de 1900 para a Suíça, onde se torna um teórico marxista. Adota o pseudônimo de Lenin em dezembro de 1901. No ano seguinte, lança o panfleto Que Fazer?, em que defende a necessidade de criar um partido de vanguarda para fazer a revolução proletária. Em abril de 1902, foge para Londres, onde conhece Leon Trotsky, o outro grande líder da Revolução Comunista.

Em 1903, com uma divisão no partido, passa a liderar a facção bolchevique (maioria), a ala mais radical do partido, em oposição aos mencheviques, mais moderados, liderados por Julius Martov, embora na verdade os bolcheviques sejam minoria. 

Martov defende o direito dos militantes de se expressar contra a direção do partido, enquanto Lenin é a favor de uma liderança forte, com controle total sobre a base. É o princípio do centralismo democrático, que ajuda no futuro a ascensão de Josef Stalin. Uma vez tomada uma decisão, a discussão acaba e todos os membros do partido são obrigados a segui-la.

Com a derrota da Rússia para o Japão na Guerra do Pacífico (1904-5), 1,5 milhão de manifestantes marcham pacificamente até o palácio imperial em São Petersburgo para exigir reformas como o voto direto. São rechaçados a bala. Pelo menos 930 pessoas são mortas, 4 mil de acordo com os rebeldes.

O Domingo Sangrento, 22 de janeiro de 1905, deflagra a Revolução de 1905, a primeira grande revolta popular contra o czar Nicolau II, o Sanguinário. Mais de 2 milhões de operários entram em guerra. Durante a revolução, são organizados conselhos operários, os sovietes. Trotsky volta do exílio e lidera o Soviete de São Petersburgo. Lenin também regressa.

Nicolau II cede. No Manifesto de Outubro, autoriza o funcionamento de partidos políticos e cria um parlamento, a Duma. Com o fim da guerra contra o Japão, as tropas voltam e reprimem violentamente o movimento. Muitos rebeldes são presos ou exilados. Os sovietes são declarados ilegais. A maior parte das reformas é abandonada, mas a Duma sobrevive.

Lenin vai para o Grão-Ducado da Finlândia, parte do império czarista. Quando o czar dissolve a Segunda Duma e manda a Okrana, a polícia política, prender os revolucionários, foge para a Suíça. Os bolcheviques mudam a sede da facção para Paris. Lenin se muda para lá em dezembro de 1908, mas não gosta da capital francesa, que descreve como "um buraco sujo".

Quando estoura a Primeira Guerra Mundial (1914-18), em 28 de julho de 1914, Lenin está em Cracóvia, na Galícia, uma região polonesa do Império Austro-Húngaro, inimigo da Rússia. É preso e solto por ser anticzarista. Vai então para a Suíça, onde faz campanha em 1916 para que os socialistas repudiem a "guerra imperialista" e a transformem numa "guerra civil" continental dos trabalhadores contra a aristocracia e a a burguesia.

Em 1917, lança sua grande obra sobre relações internacionais, Imperialismo: última etapa do capitalismo, em que defende a tese do elo mais fraco. O sistema capitalista não se romperia nos países mais industrializados como a França, como previa Karl Marx, mas na parte mais fraca. Assim, justifica a revolução na Rússia, um país de industrialização tardia.

Com a queda do czarismo na Revolução de Fevereiro (março pelo calendário atual), Lenin recebe autorização da Alemanha para cruzar seu território e voltar à Rússia. Isto o leva a ser acusado de ser agente alemão porque os comunistas assinam a Paz de Brest-Litovsk, em 3 de março de 1918, depois da Revolução Bolchevique, a Revolução de Outubro.

Ao chegar à Estação Finlândia de Petrogrado, rebatizada porque São Petersburgo é um nome de origem alemã, Lenin repudia o governo provisório e defende uma revolução proletária continental. Em seguida, lança as Teses de Abril, com três palavras-chaves: paz, terra e pão. Paz para acabar com "a guerra burguesa do capitalismo", reforma agrária e alimentos para todos.

Os preparativos finais da Revolução Comunista são realizados no Instituto Smolny, sede do Comitê Militar Revolucionário, onde estudei. Na madrugada de 25 de outubro de 1917 (7 de novembro pelo calendário atual), os bolcheviques invadem o Palácio de Inverno, derrubam o governo provisório de Alexander Kerensky e tomam o poder. 

No dia seguinte à tomada do poder, Lenin se torna presidente do Conselho dos Comissários do Povo da República Socialista Federativa Soviética da Rússia. Em janeiro de 1918, Lenin dissolve a Assembleia Constituinte, onde os bolcheviques não têm maioria. 

Em março, Lenin expulsa os mencheviques e muda o nome do partido para Partido Comunista. No ano seguinte, funda a Terceira Internacional, a Internacional Comunista (Comintern), para promover uma revolução mundial.

Com a proibição dos outros partidos políticos e a dissolução da Constituinte, Fanya Kaplan considera Lenin um traidor da revolução. Na saída de um comício do líder comunista na fábrica de armas Foice e Martelo, ela dispara três tiros e acerta dois. Presa, é executada em 3 de setembro de 1918 pela Cheka (Comissão Extraordinária de Todas as Rússias), a polícia política do novo regime.

A tentativa de assassinato deflagra uma onda de retaliações dos bolcheviques contra os sociais-revolucionários e outros partidos, aprofundando a guerra civil que acontece depois das revoluções de 1917.

Com a fundação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, em 30 de dezembro de 1922, Lenin se torna presidente do Comissariado do Povo da URSS, cargo que ocupa até a morte, em 21 de janeiro de 1924.

PRIMEIRO JUIZ NEGRO NA SUPREMA CORTE

    Em 1967, Thurgood Marshall é confirmado como o primeiro juiz negro do supremo tribunal dos Estados Unidos.


Marshall nasce em 2 de julho de 1908 em Baltimore, no estado de Maryland. Sob influência do pai, estuda direito na Universidade Lincoln e na Faculdade de Direito da Universidade Howard, em Washington, a primeira a admitir negros.

Como advogado, se especializa em defender causas envolvendo a questão racial. Torna-se conhecido como Sr. Direitos Humanos em tribunais federais e na Suprema Corte durante o movimento pelos direitos civis dos negros. No caso mais famoso, Brown versus Board of Education, a Suprema Corte acaba com a segregação racial nas escolas, em 1955.

Em 1961, o presidente John Kennedy o nomeia juiz do Tribunal Federal de Recursos da Segunda Região, que inclui os estados de Nova York, Connecticut e Vermont. Depois da morte de Kennedy, o presidente Lyndon Johnson o nomeia advogado-geral da União, em 1965.

Thurgood Marshall chega à Suprema Corte com um longo histórico de luta pelos direitos dos negros. Durante 24 anos, até se aposentar por motivos de saúde, amplia o legado de luta pelos direitos civis.

HO CHI MINH RESPONDE A NIXON

    Em 1969, chega a Paris, onde se realizam as negociações de paz sobre a Guerra do Vietnã (1955-75), uma carta do líder comunista Ho Chi Minh ao presidente Richard Nixon acusando os Estados Unidos de travar uma "guerra de agressão" contra o Vietnã do Norte "violando nossos direitos nacionais". 


Ho nasce em Kiem Lan em 19 de maio de 1890 com o nome de Nguyen Sinh Cung. Depois de viver em Londres, começa a se interessar em política quando mora na França, de 1919 a 1923, e é influenciado por ideias socialistas. Torna-se político, escritor, poeta, revolucionário e líder da luta pela independência do Vietnã.

De Paris, vai para Moscou, onde trabalha na Internacional Comunista (Comintern). Em novembro de 1924, se muda para Cantão, na China. Aos 36 anos, se casa no mesmo lugar onde Chu Enlai casara, com uma chinesa de 21 anos, Zeng Xueming, porque "preciso de uma mulher que me ensine a língua e cuide da casa".

Quando o líder nacionalista chinês Chiang Kai-shek dá um golpe e começa a perseguir os comunistas, em 1927, Ho volta a Moscou e vai para a Crimeia, onde se cura de uma tuberculose antes de voltar a Paris. Passa pela Bélgica, Alemanha, Suíça e Itália antes de ir para Bangkok, na Tailândia, como agente do Comintern no Sudeste Asiático, em julho de 1928.

No fim de 1929, vai para a Índia e da lá para Xangai, na China, e Hong Kong, onde funda, em 1930, o Partido Comunista do Vietnã e o Partido Comunista da Indochina. Preso em Hong Kong em junho de 1931, escapa de ser deportado para a Indochina Francesa com um advogado de defesa britânico, Frank Loseby.

Libertado, vai para Xangai e volta à União Soviética, onde estuda e leciona no Instituto Lenin. Sob a acusação de ter "tendências nacionalistas", é afastado da liderança do partido durante o Grande Expurso Stalinista (1936-38).

Em 1938, volta à China como assessor militar do Exército Vermelho Chinês. Vai para o Vietnã em 1941 para liderar o movimento de libertação nacional. Com a ocupação japonesa a partir de setembro de 1940, conduz uma guerra de guerrilhas contra o governo colaboracionista francês de Vichy e o Império do Japão.

Depois da ocupação da França, a potência colonial, pela Alemanha Nazista, em junho de 1940, ele funda na China em 1941 o Viet Minh, a Liga pela Independência do Vietnã, para se contrapor também à invasão japonesa durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

No fim da guerra, em 2 de setembro de 1945, quando o Japão assina a rendição, Ho Chi Minh proclama a independência do Vietnã. A França não aceita. Em 19 de dezembro de 1946, começa a Primeira Guerra da Indochina, que termina em 1º de agosto de 1954 com a vitória vietnamita na Batalha de Bien Dien Phu.

Os Acordos de Paz de Genebra dividem o país em Vietnã do Norte, comunista, e o Vietnã do Sul, anticomunista, em 1954. As eleições de 1955 devem reunificar o país. Quando os Estados Unidos percebem que os comunistas venceriam, em plena Guerra Fria, suspendem as eleições.

Em 1º de novembro de 1955, começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75). O governo Dwight Eisenhower (1953-61) envia os primeiros assessores militares norte-americanos. No fim do governo John Kennedy (1961-63), há mais de 2,8 mil assessores, alguns participando de combates.

A intervenção militar dos EUA começa oficialmente depois do Incidente do Golfo de Tonquim, em 2 de agosto de 1964, forjado pelo governo Lyndon Johnson (1963-69) para obter autorização do Congresso para declarar guerra ao Vietnã do Norte.

No auge da intervenção, os EUA têm mais de 500 mil soldados no Vietnã. O fracasso na luta contra o Vietcongue, os guerrilheiros comunistas em ação no Vietnã do Sul, e a rejeição à guerra pela opinião pública levam o presidente Richard Nixon (1969-74) a acelerar as negociações de paz iniciadas em 1968. 

Na resposta a Nixon, Ho Chi Minh diz que, "na sua carta, você expressa o desejo de agir por uma paz justa. Para isto, os EUA devem parar com a guerra de agressão e retirar suas tropas do Vietnã do Sul, respeitar o direito da população do Sul e da nação vietnamita de decidir por elas mesmo, sem interferência estrangeira." 

Ho alerta que "quanto mais longa for a guerra maiores serão o ônus e os pesares para o povo norte-americano" e defende o plano de paz de 10 pontos da Frente de Libertação Nacional. Exige o "fim da guerra de agressão e a retirada das forças norte-americanas”.

Com o acordo paz, assinado em 27 de janeiro de 1973, os EUA retiram suas tropas de combate da guerra, que termina em 30 de abril de 1975 com uma fuga espetacular dos norte-americanos da embaixada em Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, quando os tanques norte-vietnamitas tomavam a capital do Vietnã do Sul para reunificar o país.

Mais de 58,2 mil norte-americanos e cerca de 2 milhões de vietnamitas morrem na Guerra do Vietnã.

PRIMEIRO ASTRONAUTA NEGRO

    Em 1983, Guion Bluford Jr. se torna o primeiro astronauta de origem africana ao participar de uma missão do ônibus espacial Challenger.

Bluford Jr. nasce na Filadélfia em 22 de novembro de 1942 e se forma em engenharia aeroespacial na Universidade Estadual da Pensilvânia. Ele entra para a Força Aérea e se torna piloto em janeiro de 1966. Faz parte de mais três missões no espaço, todas do ônibus espacial Discovery, em 1985, 1991 e 1992. Ao todo, fica 28 dias no espaço.

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