Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Diante do fracasso na guerra contra o Irã, o presidente Donald Trump chega nesta quinta-feira a Beijim para discutir com o ditador Xi Jinping a relação bilateral mais importante do mundo, entre os Estados Unidos e a China, enfraquecido por não conseguir sua vontade pela força a um país muito mais pobre economicamente e fraco militarmente.
A China foi o único país que reagiu à altura quando Trump aplicou seu tarifaço numa guerra comercial contra quase todo o mundo, inclusive ilhas só habitadas por focas e pinguins. Segunda maior economia do mundo e maior potência industrial, com 36% da produção manufatureira, a China controla setores estratégicos como os elementos conhecidos como terras raras.
O presidente dos EUA tem todo o interesse em acabar com a guerra no Oriente Médio, que pesa na inflação e torna cada vez mais provável a derrota do Partido Republicano nas eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro deste ano. Já o Irã tem interesse em prolongar o impasse nas negociações para infligir uma derrota humilhante a Trump.
ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37
Em 1637, o primeiro-ministro da França, Armand-Jean du Plessis, o Cardeal de Richelieu, inventa a faca de mesa de ponta redonda, supostamente para evitar que seus convidados usem a faca para remover restos de comida presos entre os dentes.
Du Plessis nasce em Poitou em 9 de setembro de 1585 e entra para a Igreja porque a família precisa de um bispo. É o primeiro bispo da França a implementar as reformas decretadas pelo Concílio de Trento. É o primeiro teólogo a escrever em francês. Em 1614, é eleito representante do clero nos Estados Gerais.
De 1624 a 1642, Richelieu é primeiro-ministro do rei Luís XIII. No poder, luta para impor o absolutismo monárquico e para acabar com a supremacia da Espanha e da Dinastia de Habsburgo, que domina o Sacro Império Romano-Germânico.
Durante a Guerra dos Trinta Anos (1618-48), quando a França supera a Espanha e se torna a maior potência do continente europeu, Richelieu fomenta a Revolta de Lisboa em 1º de maio de 1640, que acaba com a União Ibérica e o Domínio Espanhol sobre Portugal, que começa em 1580, dois anos após a morte na África do jovem rei Dom Sebastião, que não deixa herdeiros do trono.
CONGRESSO DOS EUA DECLARA GUERRA AO MÉXICO
Em 1846, o Congresso dos Estados Unidos aprova o pedido do presidente James Polk (1845-49) para declarar guerra ao México num conflito em torno do Texas, que havia se tornado independente do México em 1836.
O presidente anterior, John Tyler (1841-45), negocia a anexação do Texas, rejeitada por pequena margem no Senado em 1844. No fim do governo, com o apoio do presidente eleito, Tyler consegue a aprovação em 1º de março de 1845. O Texas entra para a União em 29 de dezembro de 1845.
Um pouco antes, em julho de 1845, o presidente Polk manda o diplomata John Slidell à Cidade do México para negociar a nova fronteira e fazer uma oferta de compra pela Califórnia e o Novo México.
Com o fracasso da missão. Polk manda tropas sob o comando do general Zachary Taylor para as terras em disputa, ampliando o território dos EUA até o Rio Grande, que o Texas considera sua fronteira.
O México, que reconhece a fronteira anterior, no Rio Nozes, considera o envio de tropas uma invasão e manda o Exército cruzar o Rio Grande em abril de 1846. Em 11 de maio, James Polk pede autorização ao Congresso para declarar guerra ao México.
Depois de quase dois anos de guerra, pelo Tratado de Guadalupe Hidalgo, assinado em 2 de fevereiro de 1848, o Rio Grande se torna a fronteira entre EUA e México.
O México cede o Texas, a Califórnia, Nevada e Utah, e parte do Arizona, Colorado, Novo México e Wyoming, num total de 1,36 milhões de quilômetros quadrados, cerca de 41% de seu território. Os EUA pagam US$ 15 milhões como indenização pelos danos causados pela guerra e assumem uma dívida de US$ 3,25 milhões de mexicanos com cidadãos norte-americanos.
"SANGUE, SUOR E LÁGRIMAS"
Em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), o recém-nomeado primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, faz seu primeiro pronunciamento como chefe de governo do Reino Unido e avisa aos deputados da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico que "não tenho nada a oferecer, a não ser sangue, trabalho, suor e lágrimas".
Churchill substitui Neville Chamberley, que tentara apaziguar o ditador da Alemanha Nazista, Adolf Hitler, com os Acordos de Munique, em 30 de setembro de 1938. Assume quando os nazistas estão travando a Batalha da Bélgica, parte da ofensiva alemã para conquistar a França.
Depois de salvar parte do Exército Real britânico com a Retirada de Dunquerque, na França, o Reino Unido impede a invasão nazista ao vencer a Batalha da Inglaterra, um combate aéreo travado de julho a outubro de 1940.
Até a entrada da União Soviética na guerra com a invasão nazista de 22 de junho de 1941 e dos Estados Unidos depois do ataque do Japão a Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941, o Reino Unido é a única grande potência a desafiar a Alemanha. A primeira grande vitória em terra vem na Batalha de El-Alamein, no Egito, em novembro de 1942, com a derrota do Afrika Korps, o exército de Hitler no Norte da África.
NASCE STEVIE WONDER
Em 1950, nasce em Saginaw, no estado de Michigan, o cantor, compositor e multi-instrumentista Stevie Wonder, um menino-prodígio que se torna um dos músicos mais importantes e criativos do fim do século 20.
Cego de nascença, aos 8 anos o Pequeno Stevie tem o talento musical reconhecido. Canta em igrejas. Aos 12 anos, faz sua primeira gravação. Ele sofre grande influência do álbum What's Going On, de Marvin Gaye, e assimila todos os estilos da música negra dos Estados Unidos, do blues e rhythm and blues ao jazz, soul e rock and roll. Em 1989, ele entra para o Rock and Roll Hall of Fame.
ATENTADO CONTRA O PAPA
Em 1981, o papa João Paulo II sobrevive a uma tentativa de assassinato na Praça de São Pedro, na Cidade do Vaticano, em Roma, ao ser baleado pelo terrorista turco Mehmet Ali Agca.
João Paulo II é alvejado duas vezes no abdome ao entrar na praça para fazer um discurso. Com perfurações nos intestinos grosso e delgado, perde muito sangue. Passa por uma cirurgia de seis horas.
Agca usa uma pistola Browning semiautomática de 9mm. É um exímio atirador. Faz parte do grupo fascista Lobos Cinzentos. Preso imediatamente, é condenado à prisão perpétua por um tribunal italiano.
O papa perdoa o terrorista e pede ao presidente da Itália, Carlo Azeglio Ciampi, que faça o mesmo. Em junho de 2000, Agca é deportado para a Turquia depois de passar 19 anos em prisões italianas. Lá é condenado à prisão perpétua por assalto a banco e assassinato de um jornalista nos anos 1970, pena depois comutada para 10 anos de cadeia.
Em 2 de março de 2006, no governo Silvio Berlusconi, uma comissão de inquérito do Congresso da Itália conclui que a União Soviética estava por trás do atentado ao papa em retaliação pelo apoio dado por João Paulo II ao sindicato independente Solidariedade na sua nativa Polônia. Agca teria sido usado pelo serviço secreto da Bulgária a mando de Moscou para despistar os investigadores.
O relatório acusa a inteligência militar, GRU (Diretoria Principal de Inteligência das Forças Armadas), e não a polícia política KGB (Comitê de Defesa do Estado) da URSS.
ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37
Em 1926, o explorador norueguês Roald Amundsen, o cientista norte-americano Lincoln Ellsworth e o engenheiro italiano Umberto Nobile fazem a bordo do dirigível Norge o primeiro voo comprovado sobre o Polo Norte.
Maior explorador polar da história, Amundsen nasce em Borge, perto de Oslo, em 16 de julho de 1872. É o primeiro homem a chegar ao Polo Sul, a cruzar a Passagem do Noroeste entre o Norte do Canadá, o Alasca e a Rússia do Oceano Atlântico para o Pacífico e a sobrevoar o Polo Norte.
Em 1903, ele parte para navegar entre as ilhas do Norte do Canadá para chegar ao Estreito de Bering. O gelo bloqueia sua passagem em agosto de 1905. Amundsen retoma a jornada em agosto de 1906 e chega a Nome, no Alasca.
O desbravador dos polos sai da Noruega em junho de 1910. Vai da Ilha da Madeira à Baia das Baleias, no Mar de Ross, na Antártida. Sua base fica 100 quilômetros mais perto do Polo Sul do que a base do explorador inglês Robert Falcon Scott, que tenta realizar a mesma proeza.
Com 4 companheiros, 52 cachorros e 4 trenós, Amundsen parte em 19 de outubro de 1911. Com bom tempo, atinge o Polo Sul em 14 de dezembro e volta à base com segurança em 25 de janeiro de 1912. Scott chega ao polo em 17 de janeiro, mas sua equipe enfrenta tempestades no retorno e todos morrem.
Em 1925, Amundsen tenta com Ellsworth sobrevoar o Polo Norte, mas fica a 150 km de distância. Consegue realizar a façanha em 1926, quando vai de Svalbard, no Norte da Noruega, ao Alasca.
FIM DO BLOQUEIO DE BERLIM
Em 1949, a União Soviética suspende um bloqueio de 11 meses ao acesso por terra a Berlim Ocidental, um enclave capitalista na futura Alemanha Oriental que precisou ser reabastecido pela maior ponte aérea da história.
No fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), os aliados ocupam a Alemanha e dividem o país em quatro setores, administrados pelos Estados Unidos, o Reino Unido, a França e a URSS. A capital alemã, também dividida, fica no meio da parte soviética.
Em maio de 1948, os três aliados ocidentais decidem unir suas partes para formar a Alemanha Ocidental. Num passo decisivo para criar o novo país, em 20 de junho, o lado ocidental adota o marco alemão como moeda.
A URSS reage. Em 24 de junho, bloqueia ferrovias, rodovias e hidrovias que ligam Berlim Ocidental à Alemanha Ocidental. A ditadura de Josef Stalin tenta sufocar Berlim Ocidental, deixando a cidade sem água, comida, combustíveis e outros suprimentos para que se submeta a Moscou.
Os EUA e o Reino Unido respondem com a maior ponte aérea da história. Durante um ano e dois meses, 278.288 missões aéreas de apoio levam 2.326.406 toneladas de suprimentos. Os voos são realizados 24 horas por dia. Em abril de 1949, os aviões pousavam a cada minuto. A ponte aérea vai até 30 de setembro de 1949, alguns meses depois do fim do bloqueio.
Em resposta ao Bloqueio de Berlim, o Tratado de Washington cria em 4 abril de 1949 a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA, que tem como base o princípio de que um ataque contra um é um ataque contra todos.
Quando o bloqueio acaba, comboios percorrem imediatamente os 176 quilômetros que separam Berlim Ocidental do lado ocidental. Em 23 de maio de 1949, nasce a República Federal da Alemanha, a Alemanha Ocidental. A República Democrática da Alemanha, mais conhecida como Alemanha Oriental, é fundada em 7 de outubro de 1949.
A tensão continua até a construção do Muro de Berlim, na noite de 12 para 13 de agosto de 1961, para evitar a fuga em massa para o Ocidente. A antiga capital da Alemanha se torna um foco central da Guerra Fria. Em 27 de outubro de 1961, tanques norte-americanos e soviéticos ficam frente a frente no ponto de cruzamento da Friedrichstrasse, o Checkpoint Charlie.
A abertura do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989, e a reunificação da Alemanha, em 3 de outubro de 1990, são marcos do fim da Guerra Fria.
Com a invasão da Ucrânia pela Rússia, a Finlândia entra para a OTAN em 12 de maio do ano passado e é seguida pela Suécia. Como a manobra agressiva de Stalin contra Berlim, a guerra do ditador Vladimir Putin une e fortalecer a aliança ocidental pelo menos até a volta de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro deste ano.
EXÍLIO NA RUA PRINCIPAL
Em 1972, os Rolling Stones lançam Exile on Main Street, um álbum duplo que é considerado um dos melhores de sua longa carreira de mais de 60 anos rocking and rolling.
É o décimo álbum dos Stones gravado em estúdio e o último da sequência dos melhores discos da banda, Beggars Banquet (1968), Let it Bleed (1969) e Sticky Fingers (1971).
As gravações começam em 1969 nos Olympic Studios, em Londres, continuam numa casa de campo alugada no Sul da França em 1971, quando os Stones se tornam "exilados fiscais" para não pagar impostos no Reino Unido, e terminam em Los Angeles em 1972.
O disco mescla as influências características da música dos Rolling Stones, rock, blues, swing, country e gospel. Como Sticky Fingers, é uma espécie de volta às origens em relação a álbuns mais instrumentais. Inicialmente, recebe críticas positivas e negativas. No fim dos anos 1970, está consagrado. É o primeiro álbum dos Rolling Stones na lista de melhores discos de rock da revista norte-americana Rolling Stone.
TERREMOTO DE SICHUAN
Em 2008, às 14h28 pela hora local, um terremoto de 7,9 graus na escala aberta de Richter abala a região de Wenchuan, na província de Sichuan, no Centro da China, mata cerca de 90 mil pessoas e fere outras 358 mil.
A causa do terremoto é a colisão das placas tectônicas eurasiana e indiano-australiana, que empurra o Planalto do Tibete para o leste ao longo da Falha de Longmenshan, de 249 quilômetros.
O abalo sísimico é sentido de Beijim a Xangai, no Paquistão, na Tailândia e no Vietnã. A maior cidade próxima do epicentro, Chengdu, capital de Sichuã, fica a 80 quilômetros de distância.
O regime comunista chinês mobiliza 150 mil soldados do Exército Popular de Libertação para a operação de resgate e socorro às vítimas.
Um dos problemas é a má qualidade da construção de escolas; 7.444 entram em colapso. Num país onde os casais só podiam ter um filho por força de uma política de controle da natalidade, a morte do filho único é uma tragédia familiar. Os pais que tentam responsabilizar as autoridades são perseguidos pelo regime comunista.
ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37
Em 330, o imperador romano Constantino I, o Grande, proclama Bizâncio, depois Constantinopla e hoje Istambul, como a Nova Roma, capital do Império Romano do Oriente, o que a transforma numa das cidades mais importantes do mundo, uma ponte entre a Europa e a Ásia.
Como Constantino faz do cristianismo a religião oficial do Império Romano, a cidade tem a religião cristã, a organização romana e o grego como língua. O conceito do direito divino dos reis como guardiães da fé nasce lá.
Com a queda do Império Romano do Ocidente em 476, Constantinopla vira a principal cidade do império e um centro de preservação da cultura greco-romana durante a Idade Média. O auge é sob o imperador Justiniano I (527-565).
Até a ascensão das cidades-estado italianas durante o Renascimento, Constantinopla é o principal centro comercial do Mar Mediterrâneo.
Em abril de 1204, a cidade é saqueada durante a Quarta Cruzada, o que aprofunda o Cisma do Oriente entre a Igreja Católica e a Igreja Cristã Ortodoxa. Os cavalos de bronze que ornamentam o hipódromo vão parar na Basílica de São Marcos, em Veneza, onde estão hoje.
Quando os turcos invadem a Europa no século 14, o destino da cidade está selado. A tomada de Constantinopla pelos turcos do Império Otomano sob a liderança do imperador Mehmet II, em 29 de maio de 1453, marca o fim da Idade Média. Em 1547, a cidade de torna capital do Império Otomano. A Basílica de Santa Sofia e outras igrejas bizantinas são convertidas em mesquitas.
O Império Otomano se expande pela Europa e cerca Viena, a capital do Sacro Império Romano-Germânico, duas vezes, em 1529 e 1683, quando começa o recuo otomano.
A primeira ponte ligando a Ásia à Europa é construída em 1838. A presença em Constantinopla de forças britânicas e francesas, aliadas dos otomanos durante a Guerra da Crimeia (1853-56) contra a Rússia, acelera a ocidentalização da cidade. Nos anos 1870, a ferrovia europeia do Expresso do Oriente chega até lá.
O início do século 20 é o fim do Império Otomano. Em 1908, os Jovens Turcos ocupam a cidade e depõe o odiado sultão Abdulhamid II. Nas Guerras dos Bálcãs (1912-13), os búlgaros quase tomam a cidade.
Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), o Império Otomano se alia aos Poderes Centrais, os impérios Alemão e Austro-Húngaro. A cidade é cercada e, no fim da guerra, ocupada por britânicos, franceses e italianos até 1923, quando os nacionalistas liderados por Mustafá Kemal abolem o Califado do Império Otomano e proclamam a República da Turquia.
O nome muda oficialmente de Constantinopla para Istambul, como os turcos a chamam há mais tempo, em 1930.
GUERRA MEXICANO-AMERICANA
Em 1846, o presidente James Polk, que se elege prometendo ampliar o território dos Estados Unidos, pede autorização ao Congresso para declarar guerra ao México.
O México corta relações com os EUA em março de 1845, depois da anexação do Texas. Há uma disputa sobre onde o Texas termina, no Rio das Nozes, como quer o México, ou no Rio Grande, como entendem os EUA.
Em setembro de 1845, o presidente Polk envia John Slidell ao México para negociar a fronteira e outras questões pendentes, e propor a compra do Novo México e da Califórnia por US$ 30 milhões (US$ 750 milhões pela cotação atual). O presidente mexicano, José Joaquín Herrera, sabendo das intenções norte-americanas, nem o recebe.
Irritado, em janeiro de 1846, Polk manda o general Zachary Taylor ocupar a área em litígio, entre o Rio Grande e o Rio das Nozes.
Quando está preparando a mensagem ao Congresso, em 9 de maio, o presidente dos EUA recebe a informação de que os mexicanos atravessam o Rio Grande em 25 de abril, no início da guerra, atacam as tropas do general Taylor e ferem ou matam 16 soldados norte-americanos. Polk muda a mensagem e acusa o México de "invadir nosso território e derramar sangue americano em solo americano."
O Congresso aprova a declaração de guerra em 13 de maio, mas os EUA entram no conflito divididos. Os democratas do Sul são a favor da guerra. Os whigs veem uma tentativa indevida e inescrupulosa de apropriação de terras e fazem oposição durante toda a guerra.
Em dezembro de 1846, Polk acusa os whigs de traição. Como eles são maioria na Câmara dos Representantes, censuram Polk por 85 a 81 votos por iniciar uma guerra com o México "desnecessária e inconstitucionalmente".
Entre as vozes mais agressivas contra a guerra de Polk, está o jovem deputado e futuro presidente Abraham Lincoln (1861-65). Os abolicionistas também são contra a guerra, entre eles, o escritor e naturalista Henry David Thoreau, preso em julho de 1846 por se negar a pagar impostos sob o argumento de que financiariam a guerra.
Thoreau passa só uma noite na cadeia porque uma tia paga os impostos. Em 1849, ele publica o livro Desobediência Civil, em que defende a resistência pacífica quando a injustiça do governo "é de tal natureza" que exige que "se descumpra a lei" para criar um atrito que pare a máquina estatal.
Suas ideias influenciam o escritor e pacifista russo Leon Tolstoy, o líder da independência da Índia, Mohandas Gandhi, e o grande herói da luta contra o regime segregacionista do apartheid na África do Sul, Nelson Mandela.
Quando a guerra começa, Polk envia um navio para resgatar o ex-presidente mexicano Antonio López de Santa Ana, o vencedor da Batalha do Álamo (1836), no início da Guerra da Independência do Texas, que está no exílio em Cuba. Polk espera negociar a paz. Mas Santa Ana assume o comando do Exército do México.
Polk manda o general Taylor, que está no Rio Grande, invadir a região central do México, enquanto forças do coronel Stephen Kearny ocupam o Novo México e a Califórnia sem encontrar grande resistência. Taylor trava várias batalhas no Rio Grande e toma Monterrey, mas não invade a região central do México.
O presidente manda então o general Winfield Scott levar um exército de navio até o porto de Veracruz. Depois de três semanas de cerco, ele toma a cidade e avança rumo à Cidade do México. Scott entra na capital mexicana em 14 de setembro de 1847. É o fim da fase militar do conflito.
Ao todo, 1.733 soldados norte-americanos morrem em combate e pelo menos 10 mil de doenças, principalmente da febre amarela, de varíola, cachumba e sarampo. Cerca de 5 mil mexicanos morrem em ação.
A guerra termina em 2 de fevereiro de 1848 com o Tratado de Guadalupe Hidalgo. O México cede o Texas, a Califórnia, Nevada e Utah, e parte do Arizona, Colorado, Novo México e Wyoming, num total de 1,36 milhões de quilômetros quadrados, cerca de 41% de seu território. Os EUA pagam US$ 15 milhões como indenização pelos danos causados pela guerra e assumem uma dívida de US$ 3,25 milhões de mexicanos com cidadãos norte-americanos.
A Guerra Mexicano-Americana é uma precursora da Guerra da Secessão (1861-65), a pior guerra da história dos EUA, com 620 mil mortes, não só porque estimula o debate sobre a escravidão, que não deveria existir nos territórios conquistados. Vários militares com experiência no campo de batalha são líderes nos dois lados da Guerra Civil.
PRISÃO DE EICHMANN
Em 1960, quase 14 anos depois de fugir de um campo de prisioneiros da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o carrasco nazista Adolf Eichmann é capturado pelo serviço secreto de Israel perto de Buenos Aires, na Argentina. Ele é levado para Israel e julgado como um dos executores do Holocausto, condenado e executado.
Eichmann nasce em Solingen em 19 de março de 1906. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), a família se muda para Linz, na Áustria. Antes de entrar para o Partido Nazista, ele leva uma vida desinteressante. Trabalha como vendedor em uma companhia de petróleo e perde o emprego na Grande Depressão (1929-39).
Ele entra para o Partido Nazista em abril de 1932 em Linz e sobe rapidamente na hierarquia. Em novembro, se torna membro da SS, a força paramilitar do partido, sob o comando de Heinrich Himmler. Em 1933, Eichmann sai de Linz para a escola de terrorismo da Legião Austríaca em Lechfeld, na Alemanha.
De janeiro a outubro de 1934, ele serve na unidade da SS no campo de concentração de Dachau. De lá vai para o escritório central da SS em Berlim, onde trabalha para o serviço secreto na seção de assuntos judaicos.
Depois da anexação da Áustria pela Alemanha Nazista, em março de 1938, Eichmann é enviado para Viena para "livrar" a cidade de judeus. Um ano depois, vai para Praga cumprir a mesma missão na Tcheco-Eslováquia. Ao criar o Escritório Central de Segurança do Reich, Himmler nomeia Eichmann para a seção sobre judeus em Berlim.
Quando os nazistas aprovam a "solução final da questão judaica", o extermínio dos judeus da Europa, na Conferência de Wannsee, in Berlim, em 20 de janeiro de 1942, Eichmann é o grande executor. Coordena a prisão e a deportação de judeus para campos de concentração e centros de extermínio.
No fim da guerra, Eichmann é capturado, mas consegue fugir de um campo de prisioneiros em 1946 e vai para a Áustria e a Espanha até se fixar na Argentina em 1958. Ele é localizado e preso perto de Buenos Aires em 11 de maio de 1960, retirado secretamente do país e levado para Israel nove dias depois.
Seu julgamento pelo Estado de Israel, fundado em 1948, três anos depois do fim da guerra, recebe crítica de ser Justiça pós-fato, porque as leis e a Justiça de Israel não existem quando os crimes são cometidos. Há apelos para que o julgamento seja na Alemanha ou num tribunal internacional. Mas Israel insiste em julgar Eichmann. Vê uma oportunidade de educar as novas gerações sobre o Holocausto.
Eichmann alega não ser antissemita, mas apenas um burocrata que cumpriu rigorosamente as ordens. Diz que leu O Estado Judeu, de Theodor Herzl, livro que lança o moderno sionismo, o movimento nacional do povo judeu, e não Minha Luta, de Adolf Hitler, que apresenta as ideias do Nazismo. Nega até mesmo que seu escritório tivesse responsabilidade pelo extermínio dos judeus.
Seis milhões de judeus morrem no Holocausto, 60% da população de judeus da Europa, no que é considerado o pior genocídio da história, além de 1,5 milhão e meio de ciganos, e ainda socialistas, comunistas, anarquistas, negros e oposicionistas do regime nazista, num total estimado em até 11 milhões de pessoas.
O julgamento vai de 11 de abril a 15 de dezembro de 1961, quando Eichmann é condenado à morte na forca. É a única condenação à pena da morte da história de Israel.
BOB MARLEY MORRE
Em 1981, o músico, compositor e cantor jamaicano Bob Marley, o rei do reggae, morre num hospital em Miami, na Flórida, aos 36 anos. Dias depois de shows espetaculares em Nova York no ano anterior, Marley sofre um colapso durante uma corrida no Central Park. Um câncer surgido num dedão do pé machucado num jogo de futebol leva a metástase no cérebro, fígado e pulmões. O primeiro astro pop global do Terceiro Mundo morre menos de oito meses depois.
Robert Nesta Marley nasce em 6 de fevereiro de 1945 em Nine Miles, na Jamaica, filho de Norval Sinclair Marley e Cedella Booker. A mãe vai com o padrasto Toddy Livingston para Trenchtown, uma favela de Kingston, a capital jamaicana, e leva Bob quando ele tem 10 anos.
Sua paixão pela música é embalada por ritmos como o afro-jamaicano ska, o mento e o calipso caribenhos, o jazz e o rhythm and blues norte-americanos, tocados nas ruas em sistemas de som improvisados.
No início dos anos 1960, Marley forma com o meio-irmão Bunny Livingston e Peter Tosh the Wailing Wailers. Eles cantam o sofrimento do gueto, num estilo chamado de rude boy.
Sob influência do percussionista rastafariano Alvin Patterson, Marley adota esta religião e a incorpora à produção musical. Os rastafarianos fumam maconha e reverenciam o imperador Hailé Salassié, um líder africano que sai pelo mundo pedindo ajuda depois que a Itália de Benito Mussolini ocupa a Etiópia, em 1935. Pregam a volta para a África como uma Terra Prometida.
O reggae nasce da fusão de ska, rocksteady, ragga, calipso e ritmos africanos. Está no disco Catch a Fire, de 1973, o primeiro dos Wailers lançado internacionalmente. Ele casa com Rita Marley, com quem tem três de seus 11 filhos.
Em 3 de novembro de 1976, durante uma campanha eleitoral acirrada, a casa de Marley é invadida por homens armados que atiram sem controle. Num concerto pela paz, Marley faz os dois líderes políticos rivais, Michael Manley e Edward Seaga, se darem as mãos.
Com a ameaça da violência política na Jamaica, em 1977, Marley se muda para Londres, onde lança o álbum Exodus. Ele decide conhecer a África. Vai ao Quênia e à Etiópia, origem do movimento rasfatariano. É convidado para a festa da independência do Zimbábue.
Na volta, lança o disco Survival, com músicas sobre os problemas políticos e sociais da África: as guerras, a fome e a desigualdade. Em 1980, Bob Marley & The Wailers dão um show para 100 mil pessoas em Milão. Depois de apresentações em Nova York, surgem os sintomas do câncer.
Consciente de que a própria morte se aproxima, ele diz a um filho: "Não importa quanto dinheiro alguém tenha, o dinheiro não compra a vida."
ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37
Em 1774, Luís XVI e Maria Antonieta, os reis que seriam guilhotinados pela Revolução Francesa de 1789, ascendem ao trono da França.
O reino está envididado depois da derrota na Guerra dos Sete Anos (1756-63), quando a França perde suas possessões na Índia e quase todas na América do Norte para o Império Britânico.
Uma onda de frio, com vários invernos rigorosos, destrói as safras agrícolas, e alimenta a revolta popular contra um rei inepto, sem apetite pelo poder.
A revolução começa com a tomada da Bastilha, uma prisão real, em 14 de junho de 1789. Luís XVI preso na insurreição de 10 de agosto de 1792 e deposto em 21 de setembro de 1792. Num julgamento realizado pela Convenção Nacional, é condenado à morte por alta traição e executado na guilhotina em 21 de janeiro de 1793.
Único rei da França executado, é o último de mais de mil anos de monarquia no país. O general Napoleão Bonaparte funda o Primeiro Império ao se coroar embaixador em 2 de dezembro de 1804. Depois das guerras napoleônicas, a monarquia é restaurada. Ascende ao trono Luís XVIII, neto de Luís XV.
A monarquia é abolida mais uma vez em 24 de fevereiro de 1848 e restaurada de novo por Napoleão III, sobrinho de Napoleão Bonaparte, que funda o Segundo Império (1852-70), que acaba com a derrota na Guerra Franco-Prussiana (1870-71).
TREM DE COSTA A COSTA
Em 1869, os presidentes das companhias ferroviárias Union Pacific e Central Pacific se encontram em Promontory, no estado de Utah, numa cerimônia para marcar a conclusão da estrada de ferro transcontinental, que pela primeira vez permite viajar de costa a costa nos Estados Unidos.
Desde 1832, os norte-americanos do Leste e do Oeste veem a necessidade de unir os dois lados do país. O Congresso aprova a primeira verba em 1853, mas a tensão entre Norte e Sul que leva à Guerra da Secessão (1861-65) atrasa o início da obra por causa da discussão sobre onde passaria.
A ferrovia de 3.075 quilômetros é construída de 1863 a 1869. Faz conexão coma a rede ferroviária existente no Leste na cidade de Council Bluffs, no estado de Iowa, e vai até o porto de Oakland, na Califórnia, do lado leste da Baía de São Francisco.
ALEMANHA NAZISTA INVADE
Em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Alemanha Nazista invade a Bélgica, a Holanda e Luxemburgo.
A guerra começa em 1º de setembro de 1939, quando o ditador nazista Adolf Hitler ordena a invasão da Polônia depois de fazer um pacto de não agressão com o ditador da União Soviética, Josef Stalin, que invade o Leste da Polônia em 17 de setembro. Varsóvia se rende aos nazistas em 27 de setembro.
Em 13 de dezembro, o Reino Unido vence a Batalha do Rio da Prata, o primeiro grande confronto naval da guerra.
Na Europa, a Alemanha invade a Noruega em 8 de abril de 1940. A invasão da Bélgica, da Holanda e de Luxemburgo faz parte de uma estratégia maior dos nazistas para dominar a França. A conquista da Bélgica inclui o primeiro duelo de tanques da guerra, a Batalha de Hannut. Depois de 18 dias, em 28 de maio, o Exército da Bélgica se rende.
ASCENSÃO DE CHURCHILL
Em 1940, o primeiro-ministro do Reino Unido, Neville Chamberlain, perde o apoio de parte da bancada do Partido Conservador e é substituído por Winston Churchill.
Chamberlain tenta apaziguar Adolf Hitler com os Acordos de Munique, de 30 de setembro de 1938, quando a França e o Reino Unido entregam à Alemanha os Sudetos, uma região da Tcheco-Eslováquia com a maioria da população de origem alemã.
No poder, Churchill se nega a fazer qualquer concessão a Hitler. Consegue salvar parte do Exército Real britânico na Retirada de Dunquerque, na França, de 26 de maio a 4 de junho de 1940. A primeira grande vitória vem na Batalha da Inglaterra, um combate aéreo travado de 10 de julho a 31 de outubro de 1940 que impede a Alemanha da invadir o Reino Unido.
Churchill é o grande líder da resistência a Hitler até a invasão da União Soviética pela Alemanha Nazista, em 22 de junho de 1941, e a entrada dos Estados Unidos na guerra depois do ataque aérea do Japão à Frota do Pacífico dos EUA, baseada em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941.
O ditador soviético Josef Stalin observou que na Segunda Guerra Mundial "os britânicos deram tempo, os norte-americanos deram dinheiro e os soviéticos deram sangue."
MAIORIA NEGRA ASSUME O PODER
Em 1994, com a posse de Nelson Mandela como presidente da África do Sul, a maioria negra chega ao poder depois de mais de três séculos da dominação colonial e pelo regime segregacionista do apartheid.
Rolihlahla Nelson Mandela nasce em 18 de julho de 1918 na nobreza da tribo xhoza. Estudo direito e, Influenciado pelas ideias do líder pacifista da independência da Índia, o Mahatma Gandhi, nos anos 1940s, entra para a Liga Jovem do Congresso Nacional Africano (CNA).
Depois da morte de 69 negros no Massacre de Sharpeville, em 1960, o CNA decide aderir à luta armada. Mandela vira líder do braço armado do CNA, Umkhonto we Sizwe (Lança da Nação).
Quando volta de treinamento militar no exterior, é preso, em 1962, e condenado à morte em 1964. A sentença depois é reformada para prisão perpétua. Durante o julgamento, ele diz que está lutando contra a ditadura da minoria branca e promete lutar contra uma ditadura da maioria negra.
Nos momentos mais violentos da guerra civil não declarada da África do Sul, o regime racista apela a Mandela, que sempre insiste que presos não podem negociar.
Mandela passa 27 anos preso até ser libertado em 11 de fevereiro de 1990 para negociar com o regime que o encarcerou. Até sua imagem era proibida no país. A pneumonia que o mata é resultado das condições desumanas na prisão da ilha de Robben, onde fica 16 anos.
Diante da grande pressão internacional, do boicote internacional à economia sul-africana e do fim da Guerra Fria, ao tomar posse, em 1989, o presidente branco Frederik de Klerk anuncia a intenção de libertar Mandela e negociar o fim do apartheid. Ambos dividem o Prêmio Nobel da Paz em 1993.
Depois de negociações tensas e difíceis, o CNA vence as eleições de 27 de abril de 1994 e Mandela assume em 10 de maio como o primeiro presidente eleito democraticamente da África do Sul. Convida para a posse um de seus carcereiros. Fiel à democracia, ao contrário da maioria dos líderes africanos, deixa o governo depois do primeiro mandato.
ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37
Em 1502, Cristóvão Colombo, parte de Cádiz, na Espanha, para sua quarta e última viagem à América, o continente que descobriu para os europeus pensando haver chegado à Índia.
Colombo nasce em Gênova, na Itália, que na época não era unificada, em 1451. Ele apresenta o projeto de chegar à Ásia navegando rumo ao oeste a Portugal, que o rejeita, porque está tentando chegar dando a volta pelo Sul da África.
Depois de convencer os reis católicos da Espanha, Fernando de Aragão e Isabel de Castela, Colombo parte de Palos com três caravelas – Santa Maria, Pinta e Niña – em 3 de agosto de 1942 e chega a Guanahani, que batiza como São Salvador, hoje parte das Bahamas, em 12 de outubro. Também vai a Cuba e a Hispaniola, a ilha hoje dividida entre Haiti e República Dominicana, antes de voltar à Espanha.
Na segunda viagem (1493-96), com 3 naus e 14 caravelas, Colombo vai às Antilhas, à Martinica, a Porto Rico e depois a Hispaniola, onde os índios haviam destruído a colônia instalada na primeira viagem. Funda São Domingos, a primeira povoação europeia na América, hoje capital da República Dominica. Também vai à Jamaica.
Na terceira viagem (1498-1500), com 6 naus, chega a Trinidad e ao Delta do Rio Orinoco, hoje parte da Venezuela.
Na quarta viagem (1502-4), com quatro naus, Colombo busca encontrar uma passagem para o Oriente. Vai ao que hoje é a América Central, a Honduras, Nicarágua, Costa Rica e Panamá. Ao voltar a Hispaniola, com as naus em péssimo estado, é obrigado a voltar à Espanha. Morre em 20 de maio de 1506 em Valladolid, na Espanha, sem saber que havia encontrado o Novo Mundo.
ÁFRICA ORIENTAL ITALIANA
Em 1936, sete meses depois de invadir a Abissínia e da fuga do imperador Hailé Salassié para o exílio, o ditador fascista Benito Mussolini anexa a Abissínia ou Etiópia e cria a África Oriental Italiana, que também inclui a Eritreia e a Somália.
Mussolini funda o Partido Fascista em 1919 e é nomeado primeiro-ministro da Itália em 1922. Sua ambição de restaurar a glória do Império Romano o leva a tomar a Abissínia. Deposto Salassié, o fascismo quer destruir o Império da Etiópia.
A África Oriental Italiana marca o período de maior expansão do fascismo. Em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Itália anexa a Somália Britânica, hoje Somalilândia. Numa luta que vai de janeiro a novembro de 1941, o Exército Real britânico vence os italianos e acaba com a África Oriental Italiana.
FDA APROVA PÍLULA
Em 1960, a agência de Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA), órgão regulador dos Estados Unidos, aprova a primeira pílula anticoncepcional comercial, Enovid-10, deflagrando a revolução sexual ao liberar as mulheres do risco de uma gravidez indesejada.
O desenvolvimento da pílula foi feito pelo bioquímico Gregory Pincus, da Fundação Worcester para Biologia Experimental, e o ginecologista John Rock, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard, a partir do início dos anos 1950.
CÂMARA INVESTIGA NIXON
Em 1974, a Comissão de Justiça da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos começa as audiências que levam à abertura de um processo de impeachment contra o presidente Richard Nixon por causa do Escândalo de Watergate.
Na madrugada de 17 de junho de 1972, a polícia de Washington prende cinco arrombadores por invadir a sede do diretório nacional do Partido Democrata, no Edifício Watergate. Quatro trabalharam como agentes da CIA (Agência Central de Inteligência) contra o regime comunista de Fidel Castro em Cuba. Três são cubanos.
Quando o repórter Carl Bernstein, do jornal The Washington Post, vai ao tribunal, desconfia porque alguns dos advogados mais caros da capital dos EUA não defenderiam cinco ladrõezinhos ou criminosos comuns. Era o grupo de encanadores da Casa Branca.
Aí começa uma das mais importantes investigações jornalísticas da história. Com a ajuda de uma fonte citada como Garganta Profunda (título de um filme pornô da época), que muitos anos depois se revelou como Mark Felt, subdiretor do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, Carl Berstein e Bob Woodward, os dois do Post, descobrem uma conspiração que leva até o presidente dos EUA.
O sistema de gravação de conversas é instalado no Salão Oval, o gabinete do presidente dos EUA, em fevereiro de 1971 e desativado em 18 de julho de 1973, dois dias depois da revelação de sua existência na comissão parlamentar de inquérito do Senado sobre o Escândalo de Watergate por Alexander Butterfield, um assessor da Casa Branca.
Nixon não é o primeiro presidente dos EUA a gravar suas reuniões. Começa com Franklin Delano Roosevelt em 1940. A recusa de Nixon em aceitar a intimação do Congresso para entregar as fitas é uma das bases do processo de impeachment que causa a renúncia do presidente em 9 de agosto de 1974. A Suprema Corte manda Nixon entregar as fitas. O presidente está liquidado.
O Senado encaminha o inquérito à Câmara, que acusa Nixon de abuso de poder, obstrução de justiça e desacato ao Congresso, mas ele renuncia antes da votação, quando um grupo de deputados e senadores republicanos vai até a Casa Branca para avisar que ele não tem mais o apoio do partido e que só 4 ou 5 senadores.
Todos os envolvidos no Escândalo de Watergate são condenados e presos, menos Nixon, que recebe o perdão presidencial de seu sucessor, Gerald Ford.
Em 19 de agosto de 2013, a Biblioteca Presidencial Richard Nixon divulga as últimas 340 horas das gravações, de 9 de abril a 12 de julho de 1973. Elas revelam que logo depois de prometer à população que não acobertaria o escândalo ele pressiona o ministro da Justiça a não indicar um procurador especial para o caso e instrui um ex-assessor a se esquivar de perguntas alegando razões de segurança nacional.
ALDO MORO ENCONTRADO MORTO
Em 1978, o cadáver do ex-primeiro-ministro italiano Aldo Moro, sequestrado em 16 de março pelo grupo terrorista Brigadas Vermelhas, é encontrado crivado de balas no porta-malas de um carro no centro histórico da Roma.
Cinco vezes chefe de governo, Moro, da Democracia Cristã, é um dos políticos mais importantes da Itália depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), favorito para a eleição presidencial de 1978 quando é capturado durante um tiroteio.
Conciliador, no seu primeiro governo, em 1963, Moro se alia ao Partido Socialista (PS). Em 11 de março de 1978, negocia uma grande coalizão com o Partido Comunista Italiano (PCI), o maior partido comunista da Europa Ocidental, o chamado "compromisso histórico".
Cinco dias depois, seu carro é atacado por mais de 10 terroristas. Seus cinco guarda-costas morrem e Moro vira refém. Em 18 de março, as Brigadas Vermelhas reivindicam a autoria do sequestro e avisam que o ex-primeiro-ministro será submetido a um "julgamento popular".
As Brigadas Vermelhas, fundadas em 1970 por Renato Curzio, são um grupo terrorista que realiza atentados a bomba, assassinatos, sequestros e assaltos a banco para deflagrar uma revolução comunista na Itália. O PCI, segundo maior partido do país, defende a democracia parlamentar e condena a luta armada.
O governo italiano se nega a negociar com terroristas. Centenas de suspeitos são presos, mas o "cárcere do povo" não é descoberto. Cartas de Aldo Moro de 19 de março e 4 de abril apelam ao governo para que negocie.
Quando começam negociações secretas, as Brigadas Vermelhas rompem o diálogo em 15 de abril e anunciam que o tribunal popular julgou Moro culpado e o sentenciou à morte. Em 24 de abril, os terroristas exigem a libertação de 13 milicianos do grupo presos.
Em 9 de maio, Moro envia uma carta de despedida à mulher: "Eles disseram que vão me matar logo, beijo você pela última vez." A pedido dele, nenhum político italiano participou do funeral.
No ano seguinte, as Brigadas Vermelhas matam o ativista sindical Guido Rossa. Durante os anos 1980, a polícia italiana prende 12 mil extremistas de esquerda e 600 saem do país. De 1974 a 1988, o grupo terrorista mata cerca de 50 pessoas.
ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37