terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 3 de Fevereiro

 NASCIMENTO DE MANDELSSOHN

    Em 1809, nasce em Hamburgo, hoje parte da Alemanha, o compositor, pianista, maestro e professor Felix Mandelssohn, um dos expoentes do início do Período Romântico (1830-1910), que dá mais importância ao sentimento e à imaginação do que às regras rígidas do Período Clássico (1750-1830).

Jakob Ludwig Felix Mandelssohn Bartholdy nasce em uma família judaica que se converte ao cristianismo, ao protestantismo luterano, para se adaptar às ideias liberais do século 19. 

Em 1811, durante a ocupação de Hamburgo pela França, a família vai para Berlim, onde o jovem Mandelssohn estuda piano com Ludwig Berger e composição com Carl Friedrich Zelter. Aos 9 anos, ele faz a primeira apresentação em Berlim.

Ao todo, Mandelssohn compõe cerca de 750 músicas, incluindo sinfonias, óperas, concertos, sonatas, fugas e peças para orquestras de cordas. Talvez sua obra mais famosa seja Sonho de uma Noite de Verão, que inclui a famosa Marcha Nupcial.

DIREITO DE VOTO PARA NEGROS

    Em 1870, a 15ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos é ratificada para garantir o direito de voto para todos os homens adultos, independentemente da raça ou cor da pele. Junto com a 13ª e da 14ª Emendas, assegura os direitos civis dos antigos escravos depois da Guerra da Secessão (1861-65).

A 13ª Emenda abole a escravatura e a 14ª Emenda, conhecida como a emenda da Reconstrução pós-guerra civil, dá cidadania plena aos afroamericanos e a todos nascidos no país. A 15ª Emenda determina que o direito de voto não pode ser negado "com base na raça, cor ou prévia condição de servidão."

As mulheres só conquistam o direito de voto em 1920, com a 19ª Emenda à Constituição dos EUA.

EUA ROMPEM COM ALEMANHA

    Em 1917, antes de entrar na Primeira Guerra Mundial (1914-18), os Estados Unidos rompem relações com a Alemanha em protesto contra a decisão alemã de fazer ataques indiscriminados de submarinos no Oceano Atlântico e por causa do Telegrama Zimmermann, uma mensagem do ministro do Exterior alemão, Arthur Zimmermann, propondo uma aliança ao México com a promessa de ajuda o país a retomar o território conquistado pelos EUA na Guerra Mexicano-Americana (1846-48).

No Discurso de Despedida, em 1796, o primeiro presidente dos EUA, George Washington, recomenda que o país comercie com todos os países, mas não se envolva em guerras externas, especialmente com países europeus. É um dos documentos fundadores da política externa norte-americana. Está na origem da política externa isolacionista.

A economia dos EUA prospera com a neutralidade, embora a Alemanha ataque o comércio transatlântico, e o país tem uma grande população de origem britânica e alemã. 

Em fevereiro de 1915, os Estados Unidos alertam a Alemanha sobre o uso indevido de submarinos. Em 22 de abril, a Embaixada Imperial Alemã adverte os cidadãos norte-americanos contra o embarque em navios para o Reino Unido pelo risco de enfrentar um ataque alemão. 

Em 7 de maio de 1915, a Alemanha torpedeia e afunda o transatlântico britânico de passageiros Lusitania, matando 1.199 civis, inclusive 128 norte-americanos. A partir daí, a opinião pública dos EUA passa a ver a Alemanha como um país hostil, ainda que não a ponto de entrar na guerra. Mas o presidente Woodrow Wilson (1913-21), um idealista e um cristão devoto, acredita que Deus convoca os EUA a entrar na guerra. 

Em discurso no Congresso, em 3 de fevereiro de 1917, ele anuncia o rompimento com a Alemanha. Para convencer os norte-americanos a entrar na guerra, Wilson declara que "é a guerra para acabar com todas as guerras".

Wilson pede autorização ao Congresso para entrar na guerra em 2 de abril de 1917. Em 6 de abril, o Congresso aprova e os EUA se juntam aos aliados: França, Reino Unido, Rússia, Itália e Japão. Os primeiros soldados norte-americanos desembarcam na França em 26 de junho.

A participação dos EUA é decisiva para a vitória aliada. No fim da guerra, o presidente Wilson apresenta um plano de paz de 14 pontos que inclui a fundação da Liga das Nações, a primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial, mas o Senado dos EUA não ratifica a Convenção da Liga e a maior potência mundial fica fora da organização. 

A Conferência de Paz de Versalhes (1919) impõe exigências e indenizações pesadas à Alemanha. É a paz para acabar com todas as pazes. Incentiva o revanchismo alemão e a ascensão do Nazismo, o que leva à Segunda Guerra Mundial (1939-45).

EUA TOMAM ILHAS MARSHALL

    Em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), os Estados Unidos invadem e conquistam as Ilhas Marshall, ocupadas pelo Império do Japão na Primeira Guerra Mundial (1914-18).

O primeiro europeu a avistar as Ilhas Marshall é da frota espanhola de Alonso Salazar, em 1526. As ilhas viram colônia espanhola. O capitão John Charles Marshall chega em 1788. Por volta de 1820, o explorador russo Adam Johann von Krusenstern e o explorador francês Louis Isidore Duperrey passam a chamar o arquipélago de Ilhas Marshall.

As ilhas viram um protetorado alemão. No Tratado de Versalhes (1919), depois da Primeira Guerra Mundial, a Alemanha renuncia a todas suas possessões no Oceano Pacífico. Em 1920, o Conselho da Liga das Nações entrega as ilhas dominadas pela Alemanha acima da linha do Equador para o Japão.

Na Segunda Guerra Mundial, os EUA invadem e ocupam as Ilhas Marshall.

DOLCE VITA

    Em 1960, a comédia dramática La Dolce Vita, do diretor italiano Federico Fellini, com Marcello Mastroiani e Anita Ekberg, tem sua estréia mundial para se tornar um dos filmes mais importantes da história do cinema.

Mastroiani é um jornalista desiludido que escreve fofocas sobre a vida da alta burguesia, com vergonha da superficialidade do seu trabalho, mas fraco demais para além da vida fácil: bebida, mulheres e alegrias fugazes.

Fellini critica o consumismo e a decadência da vida burguesa. A cena inicial mostra uma estátua de Jesus Cristo em Roma misturada com mulheres de biquíni, num contraste da promiscuidade entre o sagrado e o profano. O Vaticano condena o filme.

Numa cena épica, Mastroiani e Ekberg flertam na Fontana di Trevi, um dos lugares mais famosos da capital da Itália.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 2 de Fevereiro

 TRATADO DE GUADALUPE HIDALGO

    Em 1848, os Estados Unidos e o México assinam um acordo de paz que acaba com a Guerra Mexicano-Americana (1846-48), que traça a fronteira entre os dois países no Rio Grande. Com um pagamento de US$ 15 milhões, os EUA tomam 1,36 milhão de quilômetros quadrados, 41% do território mexicano, onde ficam os estados da Califórnia, do Arizona, do Colorado, de Nevada, do Novo México, do Texas e de Utah.

Esta anexação praticamente completa a expansão territorial dos EUA e deflagra guerras civis nos dois países, no México em 1857 e nos EUA a Guerra da Secessão (1861-65).

O conflito começa com a Guerra da Independência do Texas ou Revolução Texana (1835-36) e com a disputa sobre onde fica a fronteira dos dois países, no Rio das Nozes, como queria o México, ou no Rio Grande, como reivindicam os EUA.

Pouco depois da anexação oficial do Texas, em 1845, o México corta relações com os EUA. Em setembro, o presidente James Polk manda John Slidell em missão secreta à Cidade do México para negociar a questão da fronteira e propor a compra da Califórnia e do Novo México por US$ 30 milhões.

Quando o presidente mexicano, José Joaquín Herrera, se nega a receber Slidell, o presidente Polk manda o general Zacharias Taylor ocupar o território entre os rios Grande e das Nozes.

Polk se prepara em 9 de maio para pedir autorização ao Congresso para declarar guerra sob a alegação de que o México se recusa a aceitar as reivindicações dos EUA, quando recebe a notícia de que o México cruzou o Rio Grande en 25 de abril e atacou as forças de Zacharias, matando ou ferindo 16 norte-americanos.

Em 11 de maio, o presidente pede que o Congresso aprove a guerra sob a alegação de que o México "invadiu nosso território e derramou sangue de norte-americanos em solo dos EUA." O Congresso autoriza a guerra em 13 de maio, mas o país se divide. Entre os mais agressivos desafiantes de Polk está o deputado e futuro presidente Abraham Lincoln.

Os abolicionistas veem na guerra uma tentativa dos estados escravagistas de ampliar a escravidão. Um dos abolicionistas é o escritor e naturalista Henry David Thoreau, preso em julho de 1846 por se negar a pagar impostos com o argumento de não querer financiar a guerra. Uma tia paga a dívida e ele é solto. Thoreau escreve o livro Desobediência Civil, em que propõe a legitimidade de revoltas pacíficas contra injustiças do governo.

No início da guerra, o general e ex-presidente mexicano Antonio López de Santa Anna entra em contato com Polk. O presidente dos EUA manda resgatá-lo do exílio em Cuba para negociar a paz. Santa Anna assume o comando militar mexicano.

As doenças matam pelo menos 10 mil soldados dos EUA, mais do que os 1,5 mil mortos em combate. Em 14 de setembro de 1847, as tropas do general Winfield Scott entram na Cidade do México. É o fim da fase militar da guerra.

FIM DA BATALHA DE STALINGRADO

    Em 1943, os últimos soldados da Alemanha Nazista se rendem em Stalingrado, na União Soviética, depois de cinco meses de uma batalha decisiva da Segunda Guerra Mundial (1939-45) e das mais sangrentas da história, com quase 2 milhões de mortos e feridos.

Nove dias antes do início da guerra, Alemanha e URSS assinam o Pacto Germano-Soviético, um acordo de não agressão que os nazistas precisam para invadir a Polônia e a Europa Ocidental. A URSS ocupa as repúblicas bálticas e o Leste da Polônia.

Depois da tomar a Europa Ocidental e não conseguir invadir o Reino Unido ao perder a Batalha da Inglaterra, uma batalha aérea, em outubro de 1940, a Alemanha invade a URSS em 22 de junho de 1941, no início do verão.

Os alemães atacaram em três frente, no Norte, rumo a Leningrado; no Centro, em direção a Moscou; e no Sul, em direção à Ucrânia e além, chegando a Stalingrado (hoje Volgogrado).

A Batalha de Stalingrado começa em 23 de agosto de 1942. É um momento de virada na guerra. A partir daí, o Exército Vermelho contra-ataca e inicia sua ofensiva rumo a Berlim, que cai em 8 de maio 1945, fim da Segunda Guerra Mundial na Europa.

CARNICEIRO DE UGANDA

    Em 1971, Idi Amin Dada se declara presidente de Uganda e impõe uma ditadura brutal pelos próximos oito anos.

Idi Amin nasce em 1924 ou 1925 e tem pouca educação formal. Em 1946, entra para o exército colonial britânico como auxiliar de cozinheiro. Ele alega ter lutado na Birmânia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), mas só entra para o exército depois do fim da guerra. Luta contra a Revolta dos Mau Mau (1952-56) no Quênia, um episódio trágico da descolonização da África.

Quando Uganda se torna independente, em 1962, Idi Amin se aproxima do primeiro-ministro e presidente Milton Obote. Ele se torna comandante do Exército e da Força Aérea. Dá um golpe em 25 de janeiro de 1971 e impõe uma tirania.

Em 1972, expulsa os asiáticos de Uganda, na maioria indianos, o que tem forte impacto negativo na economia. Muçulmano, hostiliza Israel, se aproxima da Líbia e dos palestinos. Envolve-se diretamente no sequestro de um avião francês desviado para Entebe, em 1976, quando comandos israelenses invadem o país para resgatar os reféns.

Cerca de 300 mil pessoas morrem sob a ditadura de Idi Amin, comparado pelo senador Paulo Brossard ao ditador brasileiro Ernesto Geisel (1974-79) no discurso Carranca não é autoridade.

Em outubro de 1978, Idi Amin ordena um ataque à vizinha Tanzânia. Com o apoio da oposição em Uganda, o Exército da Tanzânia vence a guerra. Quando as forças tanzanianas se aproximam de Kampala, a capital de Uganda, em 11 de abril de 1979, Idi Amin foge para a Líbia e depois para a Arábia Saudita, onde morre em 16 de agosto de 2003.

MORTE DE SID VICIOUS

    Em 1979, o baixista Sid Vicious, da banda Sex Pistols, pioneira do punk rock na Inglaterra, morre em Nova York de dose excessiva de heroína.

John Simon Ritchie nasce em Lewisham, na Inglaterra, em 10 de maio de 1957. Começa a carreira musical em 1976. No ano seguinte, com a saída de Glen Matlock dos Sex Pistols, ele vira baixista da banda, posição que ocupa até o fim da banda, em janeiro de 1978.

Durante sua experiência caótica nos Sex Pistols, Sid conhece Nancy Spungen, que se torna sua namorada e empresária. Os dois têm uma relação destrutiva com uso e abuso de heroína que termina com a morte de Nancy em 12 de outubro de 1978. Ele é preso sob a acusação de assassinato e solto em liberdade condicional.

Sua mãe dá uma festa para festejar a libertação. Ele usa heroína e é encontrado morto no dia seguinte.


LEGALIZAÇÃO DO CNA

    Em 1990, o último presidente branco da África do Sul, Frederik de Klerk, acaba com a proscrição do Congresso Nacional Africano (CNA), o principal partido da maioria negra, abrindo caminho para a libertação de Nelson Mandela em 11 de fevereiro daquele ano.

O CNA nasce em 1912 como Congresso Nacional dos Nativos Sul-Africanos. Em 1923, é rebatizado como Congresso Nacional Africano. Desde os anos 1940, é a ponta de lança da luta da maioria negra contra o regime do apartheid, a política de segregação racial da ditadura da minoria branca.

Sob a inspiração do naturalista norte-americano Henry David Thoreau, do escritor russo Leon Tolstoy e do líder da independência da Índia, Mohandas Gandhi, Mandela defende a luta pacífica. Depois da morte de 69 negros no Massacre de Sharpeville, em 21 de março de 1960, o CNA adere à luta armada e é proscrito.

Comandante do braço armado do CNA, Umkhonto we sizwe (Lança da Nação), Mandela é preso em 1962 e condenado à morte em 1964, pena comutada para prisão perpétua. Depois de 27 anos, sai da prisão para negociar o fim do apartheid e levar a maioria negra ao poder nas primeiras eleições democráticas, em 1994.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 1º de Fevereiro

 DICIONÁRIO DE OXFORD

    Em 1884, o primeiro volume do Dicionário Inglês de Oxford (OED), o maior e melhor dicionário da língua inglesa, é publicado. Hoje, contém o significado, a origem, a pronúncia e citações de mais de meio milhão de palavras.

Os planos para produzir um dicionário inglês atualizado e sem erros começam em 1857 na Sociedade Filológica de Londres. A ideia é cobrir toda a linguagem utilizada desde 1150, no período anglo-saxão, em quatro volumes com um total de 6.400 páginas, um projeto a ser realizado em 10 anos.

Na realidade, leva mais do que 40 anos até que o 125º e último fascículo é publicado, em abril de 1928. Enfim, o Dicionário Inglês de Oxford está pronto, com 10 volumes e mais de 400 mil verbetes, Assim que sai, começa a ser atualizado. Hoje tem 20 volumes e está a venda no Brasil.

Desde o ano 2000, a Editora da Universidade de Oxford oferece uma versão on-line.

MILÍCIA FASCISTA OFICIALIZADA

    Em 1923, os Camisas-Negras, o exército privado que leva o ditador Benito Mussolini ao poder na Itália, é transformado na Milícia Voluntária Fascista para a Segurança Nacional.

A primeira tropa de choque do fascismo , o Esquadrão de Ação, é formado em março de 1919 para destruir organizações socialistas. No fim de 1920, os Camisas-Negras estão atacando comunistas, republicanos, católicos, sindicalistas, cooperativistas e governos locais para impedir que esquerdistas cheguem ao poder. Centenas de pessoas são mortas.

No fim de 1921, os fascistas controlam grande parte da Itália. A esquerda está perto de um colapso e os liberais que dominam o governo não combatem a violência da extrema direita, inclusive pela vontade de derrotar a classe trabalhadora de esquerda.

Uma convenção do Partido Nacional Fascista realizada em Nápoles em 24 de outubro de 1922 serve de pretexto para uma concentração de camisas-negras de todo o país para preparar a Marcha sobre Roma, realizada em 28 de outubro. O primeiro-ministro tenta decretar lei marcial, mas o rei Vítor Emanuel III não deixa e nomeia Mussolini chefe de governo no dia seguinte.

DANIEL PEARL ASSASSINADO

    Em 2002, meses depois dos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos, o jornalista norte-americano Daniel Pearl, é sequestrado e morto por um grupo terrorista no Paquistão. Semanas depois, os terroristas divulgam um vídeo da execução por degola que choca o mundo.

 Como chefe do escritório do Sudeste Asiático do jornal The Wall Street Journal, Pearl investiga o extremismo muçulmano e o jihadismo. É sequestrado em Karáchi, a maior e mais rica cidade paquistanesa, quando tentava entrevistar um líder religioso muçulmano.

Os sequestradores o acusam de espionagem. Fazem parte do grupo Movimento Nacional para Restaurar a Soberania Paquistanesa. Exigem a libertação de todos os paquistaneses presos por terrorismo. Mandam fotos de Pearl algemado com uma arma na cabeça e com o jornal paquistanês Dawn para mostrar que está vivo. 

Em 2002, a Justiça do Paquistão condena o britânico Ahmed Omar Saïd Sheikh pela morte de Pearl. Cinco anos depois, Khaked Sheikh Mohammed, da rede terrorista Al Caeda, considerado um dos idealizadores dos aviões-bomba do 11 de Setembro, assume a responsabilidade pelo assassinato. Afirma ter degolado Daniel Pearl pessoalmente.

ACIDENTE DA COLUMBIA

    Em 2003, a nave ou ônibus espacial Columbia explode ao voltar a Terra no fim da missão a 60 quilômetros de altitude, matando os sete tripulantes.

A Columbia faz em 1981 o primeiro voo do programa de ônibus espaciais da NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos). Em 16 de janeiro de 2003, parte para a 28ª missão, dedicada a fazer experiências com microgravidade.

A desintegração da Columbia acontece 22 anos depois da explosão da Challenger pouco depois do lançamento, em 28 de janeiro de 1986. 

A investigação conclui que um minuto e 21 segundos depois do lançamento um pedaço de espuma isolante solta-se do tanque de propulsão externo e atinge a borda da asa esquerda. Pedaços de espuma se soltaram em missões passadas sem problema grave.

Os engenheiros da NASA não acreditam que a espuma tenha força suficiente para causar dano significativo. A espuma faz um grande buraco nas telhas de isolamento de carbono-carbono reforçado que protegem o nariz do ônibus espacial e as bordas da asa do calor extremo da reentrada atmosférica.

Embora alguns engenheiros quisessem câmeras terrestres para tirar fotos do ônibus orbital para procurar por danos, o pedido não chega aos funcionários certos.

Durante a reentrada da Columbia na atmosfera, o momento mais crítico dos voos espaciais, gases quentes penetram na seção de azulejos danificados e derretem os principais elementos estruturais da asa, que entram colapso.

Os dados do veículo mostram temperaturas crescentes dentro de seções da asa esquerda às 8:52. A tripulação só se dá conta um minuto antes da desintegração da nave.

Em consequência do acidente, os outros ônibus espaciais – Atlantis, Discovery e Endeavour – ficam em Terra até que a NASA e empresas contratadas desenvolvam meios de evitar esses acidentes, inclusive instrumentos para fazer reparos em órbita.

A Discovery volta ao espaço em 26 de julho de 2006. A última missão do programa é realizada pela Atlantis em julho de 2011.

GOLPE EM MIANMAR

        Em 2021, um junta militar toma o poder em Mianmar em golpe contra o governo civil liderado por Aung San Suu Kyu, filha do herói da independência do país, então chamado de Birmânia.

A União da Birmânia se torna independente do Império Britânico em 4 de janeiro de 1948. Os militares assumem o controle do país num golpe militar do general Ne Win em 1962, que impõe um regime socialista.

Em 1988, há uma onda de protestos contra o regime, que em 1989 muda o nome do país, batizado pelo Império Britânico como Birmânia em 1885, para Mianmar. A ditadura convoca eleições em 1990, perde e não entrega o poder à Liga Nacional pela Democracia (LND), liderada por Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 1991.

Quando 100 mil pessoas protestam em Rangum, em 2007, o governo mata 31 manifestantes e prende 6 mil. Em 2008, o país é arrasado pelo ciclone Nargis, que mata 134 mil pessoas e deixa 2,4 milhões de desabrigados.

Em novembro de 2010, são realizadas as primeiras eleições em 20 anos. Suu Kyu sai da prisão domiciliar. Em 8 de novembro de 2015, acontecem as primeiras eleições democráticas desde 1990. A LND obtém uma ampla vitória, mas Suu Kyu é impedida de ser presidente por ter sido casada com um britânico.

Em 15 de março de 2016, o parlamento elege Htyn Kiaw como primeiro presidente civil desde 1962. Suu Kyi ocupa o cargo de conselheira do Estado, uma espécie de primeira-ministra. É muito criticada por ficar do lado dos militares durante a perseguição aos muçulmanos da minoria roinga em 2012 e 2013, quando 140 mil muçulmanos fogem.

Com o golpe de Estado de 2021, Suu Kyi e o então presidente, Win Myint, são presos sob a acusação de fraude eleitoral. Os militares prometem devolver o poder aos civis dentro de um ano, mas estão no poder até hoje. Começa uma guerra civil que ainda não acabou. Mais de 73 mil pessoas morrem no conflito.

sábado, 31 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 31 de Janeiro

 ENFORCADO POR TENTAR EXPLODIR O PARLAMENTO

    Em 1606, Guy Fawkes é executado em Londres por tentar explodir o Parlamento da Inglaterra na Conspiração da Pólvora, que também pretende matar o rei Jaime I por causa da repressão aos católicos.

Fawkes nasce em York em 13 de abril de 1570. Aos 8 anos, o pai morre. A mãe casa de novo com um católico de um movimento chamado Recusa, de pessoas que se negam a aceitar os rituais da Igreja Anglicana. 

Ele se converte ao catolicismo e vai para o continente, onde luta ao lado da Espanha católica contra os Países Baixos protestantes na Guerra dos Oitenta Anos (1568-1648). Na Espanha, busca sem sucesso apoio para uma revolta católica na Inglaterra.

Robert e Thomas Wintour o apresentam a Robert Catesby, que planeja matar Jaime I para colocar um rei católico no trono. Eles alugam um espaço no porão do Palácio de Westminter, a sede do Parlamento, para onde levam barris de pólvora.

Uma carta anônima denuncia a Conspiração da Pólvora. Por volta da meia-noite de 4 para 5 de novembro, o juiz de paz Sir Thomas Knyvet encontra Guy Fawkes no porão do Palácio de Westminster em atitude suspeita e manda revistar o local. A polícia encontra 20 barris de pólvora.

Guy Fawkes é preso. Sob tortura, confessa fazer parte de uma conspiração católica e é condenado à morte na forca. 

Por ironia da história, os ingleses festejam com fogos o Dia de Guy Fawkes porque ele tentou explodir o Parlamento como uma revolta contra os poderes constituídos. A máscara com a imagem estilizada de Fawkes virou símbolo de movimentos anarquistas.

NASCIMENTO DE SCHUBERT

    Em 1797, nasce em Himmelpfortgrund, perto de Viena, a capital da Áustria, o compositor clássico e romântico Franz Schubert, conhecido pela melodia e harmonia de suas músicas e suas composições de música de câmera.

Seu pai, Franz Theodor Schubert, é diretor de escola e chefe de uma família musical que forma um quarteto de cordas em casa. O futuro compositor toca viola e recebe educação musical do pai e do irmão Ignaz. Em 1808, ele ganha uma bolsa e um lugar no coro da capela da corte imperial.

Tímido, Schubert reluta em apresentar suas primeiras composições. Entre elas, está Fantasia para um Dueto de Piano. Talvez sua música mais conhecida seja a Sinfonia nº 8 em Si Menor, a Inacabada.

TRUMAN INVESTE NA BOMBA H

    Em 1950, cinco meses depois da explosão da primeira bomba atômica da União Soviética, o presidente Harry Truman anuncia aos Estados Unidos a decisão de desenvolver a bomba de hidrogênio, mil vezes mais poderosa do que as bombas jogadas em Hiroxima e Nagasaki em 6 e 9 de agosto de 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Os EUA testam sua primeira bomba de hidrogênio, chamada Mike, em 1º de novembro de 1952 no atol de Eniwetok, nas ilhas Marshall, no Oceano Pacífico.

As primeiras armas atômicas são de fissão nuclear de átomos pesados, o urânio-235 e o plutônio. Sua energia vem da divisão do núcleo de átomos pesados. 

A bomba de hidrogênio ou bomba termonuclear é resultado da fusão nuclear de átomos leves. Dois átomos de hidrogênio pesado e mais do que pesado se fundem a uma temperatura altíssima. É a reação que produz a energia do sol e das estrelas. O gatilho da bomba de hidrogênio é uma explosão nuclear de urânio para gerar a temperatura de 100 milhões de graus centígrados necessária à fusão nuclear.

No processo de fusão, as partículas subatômicas perdem 0,63% da massa, que se converte numa enorme quantidade de energia medida pela famosa fórmula de Albert Einstein: E = mc2, em que c é uma constante que representa a velocidade da luz no vácuo: 300 mil quilômetros por segundo.

Houve bombas de hidrogênio de mais de 50 megatons, com o poder de destruição de mais de 50 milhões de toneladas de dinamite. As instaladas em mísseis têm geralmente até 1,5 megaton.

A União Soviética testa sua primeira bomba de hidrogênio em 12 de agosto de 1953, elevando a corrida armamentista nuclear a outro patamar. O Reino Unido (1957), a China (1967) e a França (1968) também fazem a bomba H.

CENTRO POMPIDOU

    Em 1977, a França inaugura o Centro Nacional de Arte e Cultura Georges Pompidou, um complexo cultural batizado com o nome do presidente Pompidou (1696-74), que encomenda o projeto aos arquitetos italianos Renzo Piano e Gianfranco Franchini e aos britânicos Richard Rogers e Su Rogers.

O Centro Pompidou fica na área do Beauborg, como também é conhecido. O largo na sua frente é um local de debates políticos. Fica no 4º distrito de Paris, no bairro do Marais, perto de Les Halles, um centro comercial subterrâneo.

No complexo, ficam o Museu Nacional de Arte Moderna, a Biblioteca Pública da Informação, um centro para música e pesquisas acústicas, um centro de desenho industrial, um museu do cinema e o Atelier Brancusi, com esculturas do artista romeno Constantin Brancusi.

BREXIT

    Em 2020, três anos e meio depois de um plebiscito, o Reino Unido deixa oficialmente a União Europeia.

O processo de integração europeia começa com o Plano Schuman, anunciado em 9 de maio de 1950 pelo ministro das Relações Exteriores da França, Robert Schuman, para acabar com as guerras na Europa e promover o desenvolvimento econômico e social do continente.

A Comunidade Econômica Europeia é criada pelo Tratado de Roma, assinado em 25 de março de 1957 pela Alemanha Ocidental, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo, que entra em vigor em 1º de janeiro de 1958.

Em 1963 e 1967, o então presidente da França, general Charles de Gaulle, veta a entrada do Reino Unido, que adere ao bloco europeu em 1º de janeiro de 1973. Na época, o Partido Conservador era a favor por representar as classes empresariais. O Partido Trabalhista era contra.

Por causa da insularidade e do passado imperial, o Reino Unido sempre mantém uma relação ambivalente. A primeira-ministra Margaret Thatcher (1979-90) luta pela criação do mercado único europeu, mas é contra a união política, uma das causas de sua queda, um regicídio que divide profundamente o Partido Conservador.

Quando o Tratado de Maastricht cria a União das Comunidades Europeias ou União Europeia, em 1991, o primeiro-ministro John Major (1990-97) deixa o Reino Unido fora da união monetária e econômica. No governo trabalhista de Tony Blair (1997-2007), um europeísta, o país não adere ao euro.

Na campanha de reeleição, o primeiro-ministro conservador David Cameron (2010-16) promete convocar um plebiscito para o eleitorado britânico decidir se quer ou não fazer parte da UE. Seu objetivo é acabar com a guerra civil interna do partido que vem desde a queda de Thatcher. A campanha é marcada por promessas e notícias falsas. 

O líder da campanha para sair, o deputado conservador Boris Johnson, faz um manifesto contra e outro a favor. Opta pela saída porque considera melhor para sua pretensão de governar o país. Entre suas mentiras, afirma que os 350 milhões de libras que o país economizaria por semana não tendo de contribuir para o orçamento comunitário seriam investidos no Serviço Nacional de Saúde (NHS), que dá assistência médica de graça a todos os habitantes do Reino Unido.

Em 23 de junho de 2016, por 52% a 48%, o Reino Unido decide sair da UE. Londres, a Escócia e a Irlanda da Norte votam para ficar.

É uma das decisões econômicas mais inconsequentes e estúpidas de qualquer economia moderna. Imaginar que é bom negócio abandonar parceiros comerciais vizinhos e ricos com que se tem um mercado comum há mais de 40 anos e substituí-los por ex-colônias não faz sentido. O Reino Unido acaba de abandonar negociações de livre comércio com o Canadá porque só conseguiu condições piores do que tinha como membro da UE. 

Cameron pede demissão e é substituído pela primeira-ministra Theresa May (2016-19), que votou a favor de ficar e nunca é aceita pelos eurocéticos. Suas propostas de acordo de divórcio com a UE são rejeitadas pela Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.

Johnson consegue derrubar May e vence as eleições parlamentares de 12 de dezembro de 2019 com a promessa de concluir a saída da UE.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 30 de Janeiro

 CARLOS I EXECUTADO

    Em 1649neva em Whitehall, no centro de Londres, quando o rei Carlos I é decapitado por traição durante a Guerra Civil Inglesa (1642-51).

A execução é o ápice de uma crise entre os monarquistas católicos e o Parlamento de maioria protestante durante a Guerra Civil Inglesa.

Em 27 de janeiro de 1649, a Alta Corte ou Tribunal Superior de Justiça condena Carlos I, rei da Inglaterra, da Escócia e da Irlanda, por "deter um poder tirânico e ilimitado para governar por sua vontade e por negar os direitos e liberdades do povo". A pena é a morte por degola.

Carlos I é decapitado numa estrutura armada na frente da Banquet House, em Whitehall, diante de uma multidão que enfrenta o frio para ver o regicídio. O rei faz um discurso final declarando-se inocente e um "mártir do povo", mas só quem está perto dele ouve.

Com a execução do rei, começa o breve período da República na história da Inglaterra, sob a liderança tirânica de Oliver Cromwell. Com a morte de Cromwell, em 1658, seu filho o substitui, mas a monarquia é restaurada em 1660, com a ascensão ao trono de Carlos II, filho de Carlos I.

HITLER CHANCELER

    Em 1933, depois da vitória do Partido Nazista sem maioria absoluta, o presidente Paul von Hindenburg nomeia Adolf Hitler chanceler (primeiro-ministro) da Alemanha, cargo que ocupa até a morte, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Hitler nasce em 20 de abril de 1898 em Braunau, na Áustria. Pintor medíocre, luta na Primeira Guerra Mundial (1914-18) como cabo do Exército da Alemanha. Em 1919, entra para o Partido Trabalhista Alemão, que no ano seguinte muda de nome para Partido Nacional-Socialista Trabalhista Alemão.

Em 8 a 9 de novembro de 1923, os nazistas tentam o Golpe da Cervejaria de Munique para tomar o poder na Baviera. Hitler é preso, mas o julgamento o transforma em celebridade. Num ano de cadeia, ele escreve Mein Kampf (Minha Luta), o grande manual do nazismo.

Decidido a chegar ao poder pela via democrática, Hitler faz uma vigorosa campanha ultranacionalista, denunciando a injustiça do Tratado de Versalhes (1919), antissemita e anticomunista.

O colapso da Bolsa de Nova York, em outubro de 1929, também atinge a economia alemã. Se o desemprego chega a 25% nos Estados Unidos em 1932, na Alemanha vai a quase 30% Enquanto os norte-americanos elegem Franklin Roosevelt e seu New Deal (Novo Pacto), nas eleições de 31 de julho de 1932, os nazistas conquistam o maior número de cadeiras no Reichstag, 230 de 585, com 37% dos votos.

Em 6 de novembro de 1932, há outra eleição antecipada. Com 33% dos votos, os nazistas elegem 196 deputados, mas continuaram sendo o maior partido no Parlamento. São as últimas eleições livres na Alemanha.

Um mês depois de Hitler ser nomeado primeiro-ministro, em 27 de fevereiro, os nazistas tocam fogo no Parlamento e acusam os comunistas. É o grande golpe de Hitler. Ele aproveita o episódio para obter poderes especiais, perseguir adversários políticos e conquistar maioria absoluta na Câmara.

Com a morte de Hindenburg, em 2 de agosto de 1934, Hitler acumula os dois cargos, de presidente e primeiro-ministro, chefe de Estado e de governo. Em 19 de agosto, com quase 90% dos votos, um referendo o transforma no Führer, um ditador com poderes absolutos.

PIOR NAUFRÁGIO DA HISTÓRIA

    Em 1945, um submarino soviético põe a pique o navio alemão Wilhelm Gustloff matando quase 9 mil pessoas no pior desastre marítimo da história.

O Gustloff é fabricado para o programa Força através da Alegria, que promove atividades de lazer para os trabalhadores alemães. Tem 208,5 metros e pesa mais de 25 mil toneladas. É batizado em homenagem ao líder do Partido Nazista da Suíça, assassinado em 4 de fevereiro de 1936. O ditador nazista Adolf Hitler participa do lançamento, em 5 de maio de 1937.

Em 10 de maio de 1938, serve como local de votação para alemães e austríacos residentes no Reino Unido participarem do referendo sobre a anexação da Áustria pela Alemanha. Faz parte da frota que leva soldados da Legião do Condor de volta à Alemanha no fim da Guerra Civil Espanhola (1936-39), em maio de 1939.

No começo da Segunda Guerra Mundial (1939-45), é um navio-hospital no Mar Báltico. A partir de novembro de 1940, serve como quartel da 2ª Divisão de Treinamento de Submarinos.

Quando o Exército Vermelho da União Soviética avança pela Prússia Oriental, o almirante Karl Dönitz prepara a evacuação de 2 milhões de alemães na Operação Hannibal, muito maior do que a Retirada de Dunquerque, quando os britânicos fogem da França para fugir do avanço das forças alemães de 26 de maio a 4 de junho de 1940.

O navio começa a embarcar refugiados em 25 de janeiro. Em 29 de janeiro, há 7.956 refugiados registrados. A estimativa é que mais 2 mil pessoas embarcam. O Gustloff zarpa em 30 de janeiro. Por medo de que os motores do navio, parado há anos, tenham problemas, o capitão Friedrich Petersen decide viajar a no máximo 10 nós por hora (22 km/h). Ele ignora o conselho do comandante da 2ª Divisão de Treinamento de Submarinos para ir a 15 nós por hora (28 km/h) para escapar dos submarinos inimigos.

Apesar do grande número de civis, o Gustloff leva cerca de mil soldados e equipamentos militares, o que o torna um alvo de guerra. Às 21h16 pela hora local, três torpedos do submarino soviético S-13 atingem o Gustloff, que afunda em uma hora. O navio tem barcos salva-vidas para 5 mil pessoas, mas um torpedo atinge o local onde está a tripulação, encarregada de realizar o salvamento. Nove navios resgatam 1.239 sobreviventes. 

ASSASSINATO DA GRANDE ALMA

    Em 1948, um fundamentalista hindu mata o herói da independência da Índia, Mohandas Karamchand Gandhi, o Mahatma (Grande Alma), aos 78 anos.

Advogado nacionalista e anti-imperialista, Gandhi lidera a luta pela independência da Índia com uma campanha não violenta de resistência e desobediência civil contra o Império Britânico.

Gandhi nasce em Porbandar, na Índia, em 2 de outubro de 1869, estuda direito em Londres e vai para a África do Sul, onde a comunidade indiana luta por direitos civis e ele aplica pela primeira vez os princípios da resistência não violenta do norte-americano Henry David Thoreau, que conhece através do escritor russo Leon Tolstoy. De volta à Índia, em 1921, vira líder do Congresso Nacional Indiano.

Apesar de defender o pluralismo religioso, Gandhi não consegue evitar a divisão do subcontinente indiano entre Índia e Paquistão, em agosto de 1947, quando ambos se tornam independentes do Império Britânico.

Mahatma acaba de fazer suas orações quando é morto por Nathuram Vinayak Godse, um ultranacionalista hindu membro da organização paramilitar Rashtryia Swayamsevak Sangh (RSS) em que o atual primeiro-ministro Narendra Modi inicia sua atividade política.

Modi está acabando com o legado de Gandhi de uma Índia pluralista com 900 povos que falam línguas diferentes e professam uma enorme variedade de religiões.

DOMINGO SANGRENTO

    Em 1972, atiradores de elite do Exército do Reino Unido atiram contra uma manifestação pacífica em Londonderry de católicos nacionalistas e republicanos contra o domínio britânico da Irlanda do Norte e matam 13 pessoas desarmadas (outra morre meses depois), no Domingo Sangrento ou Massacre de Bogside, o pior em 30 anos de guerra civil.

Quando a República da Irlanda se torna independente, em 1922, seis dos nove condados da província do Úlster, de maioria protestante, formam a Irlanda do Norte, que permanece sendo parte do Reino Unido.

A minoria católica e republicana sente-se discriminada dentro do Reino Unido. Quer fazer parte da Irlanda. A revolta aumenta na onda dos movimentos de libertação nacional dos anos 1960 e leva à guerra civil na Irlanda do Norte e à intervenção militar britânica em 1969.

O Exército Republicano Irlandês (IRA) Provisório é a maior força do lado católico, republicano e nacionalista irlandês na guerra contra o Reino Unido. 

O serviço secreto militar britânico suspeita que o IRA vai se infiltrar na manifestação em Bogside e pode usar a multidão como escudo humano para atacar as forças de segurança. Atiradores de elite da força de paraquedistas do Exército Real vão para o alto dos prédios em missão especial que não é do conhecimento de agentes que estão policiando a manifestação no solo.

A marcha encontra vários bloqueios armados pelos soldados britânicos. Jovens manifestantes jogam pedras nos soldados, que respondem com balas de borracha, gás lacrimogênio e canhões d'água. Quando a multidão vê os paraquedistas no alto dos prédios, ataca com pedradas.

No meio da confusão, com tiros de balas de borracha disparados em terra, os atiradores disparam contra a multidão com munição letal. Os primeiros inquéritos acobertam o crime, alegando que os soldados atiraram em manifestantes armados que jogavam bombas.

Depois de 12 anos de investigação presidida por Lorde Mark Oliver Saville, o Relatório Saville conclui em 2010 que as mortes foram "injustas" e "injustificáveis". Nenhuma vítima estava armada nem representava qualquer perigo e nenhuma bomba foi jogada. 

O então primeiro-ministro britânico, David Cameron, pede desculpas. Ninguém nunca é punido pelo Domingo Sangrento da Irlanda do Norte.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Trump quer criar ordem mundial paralela

Ao anunciar a criação de um Conselho da Paz, um clube privado sob seu controle, o presidente Donald Trump trabalha para criar um sistema internacional paralelo à Organização das Nações Unidas (ONU). Nenhuma democracia importante aceitou o convite até agora.

A proposta original era criar um conselho para supervisionar a paz e a reconstrução da Faixa de Gaza, arrasada por Israel na guerra contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas). Trump depois passou a falar como se fosse um instrumento permanente. É o antigo sonho de criar uma monarquia universal para ser rei ou imperador do mundo. 

O Brasil tem várias razões para não aderir à proposta megalomaníaca do presidente dos Estados Unidos. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi convidado e desconversou. Sugeriu a Trump que o conselho se limite a Gaza e inclua os palestinos.

A nova ameaça de Trump de atacar o Irã causou uma alta de 6% nos preços do petróleo. O barril do tipo Brent, padrão da Bolsa de Mercadorias de Londres, subiu para US$ 70,86. Se o Irã bloquear o Estreito de Ormuz, por onde passa o petróleo do Golfo Pérsico, 20% do consumo mundial, os preços disparam.