sexta-feira, 10 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 10 de Julho

JULGAMENTO DO DARWINISMO

    Em 1925, começa em Dayton, no estado do Tennessee, nos Estados Unidos, o Julgamento do Macaco. John Thomas Scopes, um jovem professor de ciências do ensino médio, é denunciado por ensinar a Teoria da Evolução das Espécies, do naturalista inglês Charles Darwin, que afirma que o homem descende do macaco.

Uma lei estadual do Tennessee aprovada em março daquele ano considera contravenção penal punível com multa "ensinar qualquer teoria que negue a história da criação divina do homem como ensinada pela Bíblia e que ensine, em vez disso, que o homem descende de animais inferiores."

A União Americana das Liberdades Civis (ACLU) oferece ajuda à defesa e o fundamentalista cristão William Jennings Bryan, três vezes candidato a presidente, à acusação. Depois de oito minutos de deliberações, o júri condena Scopes a pagar de multa de US$ 100.

Em 1927, o Tribunal de Justiça do Estado do Tennessee anula a decisão. A questão constitucional só é resolvida em 1968, quando a Suprema Corte derruba uma lei similar do Arkansas por violar a Emenda nº 1, que garante plena liberdade de expressão, entre outros direitos.

BATALHA HEROICA

    Em 1940, começa a Batalha da Inglaterra, um combate aéreo em que a Força Aérea Real (RAF) britânica vence a Luftwaffe, a Força Aérea da Alemanha, na Segunda Guerra Mundial (1939-45), impedindo que os nazistas invadam o Reino Unido.


A guerra começa com a invasão da Polônia pela Alemanha Nazista, em 1º de setembro de 1939. Em 1940, o ditador Adolf Hitler se volta para o oeste. A Alemanha invade a Noruega em 9 de abril e Luxemburgo, a Holanda, a Bélgica e a França em 10 de maio.

Sem condições de enfrentar a blitzkrieg alemã, baseada em força aérea e tanques de alta velocidade, mais de 300 mil soldados franceses e britânicos deixam a França sob ataque na Retirada de Dunquerque, de 25 de maio a 4 de junho. A Itália Fascista de Benito Mussolini entra na guerra em 10 de junho. A França assina o armistício com os nazistas no mesmo vagão de trem onde a Alemanha assinara a rendição no fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

O primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, rejeita qualquer negociação de paz com Adolf Hitler e prepara o país para resistir ao nazifascismo. A batalha aérea dura 3 meses e 3 semanas até 31 de outubro. A RAF, onde também há australianos, canadenses e poloneses, perde 1.542 soldados e 1.963 aviões, e os nazifascistas 2.585 homens e 2.550 aeronaves.

"Nunca tantos deveram tanto a tão poucos", comenta o primeiro-ministro Winston Churchill ao elogiar os 1,5 mil pilotos da RAF que impedem Hitler de tomar o Reino Unido.

No meio da Batalha da Inglaterra, a Alemanha começa o bombardeio maciço a cidades britânicas conhecido como Blitz, que vai de 7 de setembro de 1940 a 11 de maio de 1941. A Batalha da Inglaterra termina em 31 de outubro de 1940.

ALIADOS INVADEM SICÍLIA

    Em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial, os aliados invadem a Europa continental pela Sicília, na Itália.


 O marechal britânico Bernard Montgomery, que vence em 1942 o Afrika Corps (Exército da África) do marechal alemão Erwin von Rommel na Batalha de El-Alamein, no Egito, desembarca no Sudeste da Sicília e o 7º Exército dos Estados Unidos, sob o comando do general George Patton, entra pelo Sul. 

Em três dias, 150 mil soldados aliados estão na Itália. Em 22 de julho, Patton toma Palermo, a capital da Sicília.

A invasão aliada provoca a queda do ditador fascista Benito Mussolini, o Duce, em 25 de julho. O novo governo, do marechal Pietro Badoglio, negocia secretamente com os aliados, apesar da grande presença de tropas alemãs na Itália.

O governo Badoglio declara guerra à Alemanha em outubro de 1943, mas os nazistas libertam Mussolini antes disso, em setembro, e criam a República Social Italiana numa área que ainda controlam, no Norte da Itália.
 
Roma cai em junho de 1944, quando os EUA e o Reino Unido concentram suas forças na invasão da Normandia, no Noroeste da França, em 6 de junho de 1944, o Dia D. A Força Expedicionária Brasileira (FEB) entra na campanha da Itália em 2 de julho de 1944.

Uma nova ofensiva aliada é lançada no fim da guerra, em abril de 1945. Em 28 de abril, Mussolini é capturado pela resistência e morto. Adolf Hitler comete suicídio dois dias depois. Em 8 de maio, a Alemanha nazista se rende. É o fim da guerra na Europa. O Japão se rende em 15 de agosto, depois das bombas atômicas jogadas pelos EUA em Hiroxima e Nagasaki e assina a rendição em 2 de setembro de 1945.

COMUNICAÇÃO VIA SATÉLITE

    Em 1962, os Estados Unidos lançam sobre o Oceano Atlântico o Telstar 1, o primeiro satélite de comunicação para transmitir conversas telefônicas e programas de televisão ao vivo. É o início de uma nova era nas telecomunicações.

O primeiro satélite experimental de comunicação é testado em 1960 por John Robertson Pierce, da empresa Bell Telephone Laboratories. O Echo 1 é um balão coberto de alumínio que refletia os sinais de telefonia de volta para a Terra. 

Muito mais sofisticado, o Telstar 1 amplifica o sinal até 10 mil vezes antes de rebatê-lo para outra estação terrestre. Pesa 77 quilos e funciona com a energia de baterias de níquel e cádmio recarregadas pelo Sol por 3,6 mil células fotoelétricas.

Quando o satélite se acomoda na sua órbita, com apogeu (quando está mais afastado da Terra) de 5,6 mil km, uma gigantesca antena instalada perto de Andover, no estado do Maine, começa a emitir sinais para o satélite. Minutos depois, televisores da França e do Reino Unido começam a receber uma transmissão de televisão dos EUA.

O Telstar 1 também envia mensagens de telefone, telégrafo, dados, telefotos e fac-símiles. Ele funciona com sucesso até fevereiro de 1963, quando para, talvez em consequência de testes nucleares dos EUA. Em 7 de maio de 1963, os EUA lançam o Telstar 2, mais pesado e mais alto no espaço, com apogeu de 10.720 km.

Os sucessores dos Telstars ficam em órbitas circulares mais altas e mantêm uma posição fixa em relação à Terra. Desta maneira, com três satélites é possível atingir todo o planeta.

NO SATISFACTION

    Em 1965, a banda de rock britânica The Rolling Stones chega pela primeira vez ao primeiro lugar nas paradas de sucesso nos Estados Unidos com a música (I Can Get No) Satisfaction. É um dos maiores sucessos do grupo, que até hoje a toca no encerramento de seus concertos.

Nenhuma banda se mantém em atividade por tanto tempo quanto os Stones, um grupo de garotos da Grande Londres formado em 1962 com grande influência do blues que se apresentam como maus rapazes em contraste com The Beatles. A formação original tem, na ordem da foto, Bill Wyman, Mick Jagger, Brian Jones, Charlie Watts e Keith Richards.

Jagger e Richards fizeram 80 anos em 2023, mas continuam rocking and rolling.

TERRORISMO FRANCÊS

    Em 1985, um atentado terrorista cometido pela França afunda o navio Rainbow Warrior, do grupo ecológico Greenpeace, no porto de Auckland, na Nova Zelândia.

O navio participa de protestos contra os testes nucleares franceses no Atol de Mururoa, no Oceano Pacífico. O fotógrafo e ativista português Fernando Pereira morre ao tentar salvar seu trabalho.

O ataque provoca grande repúdio internacional e leva ao fim dos testes nucleares da França, a única potência nuclear declarada que ainda fazia explosões nucleares experimentais, ao contrário dos EUA, da União Soviética, da China e do Reino Unido.

Em maio de 1998, a Índia e o Paquistão assumem a condição de potências nucleares com testes de bombas e mísseis. A Coreia do Norte faz a primeira explosão experimental em 9 de outubro de 2006 e mais cinco testes nucleares até hoje. Israel tem armas nucleares pelo menos desde 1967.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 9 de Julho

CATARINA A GRANDE, CZARINA DA RÚSSIA

    Em 1762, Catarina II, a Grande, se torna czarina depois de dar um golpe contra o marido, Pedro III. Ela governa até a morte, em 17 de novembro de 1796, num despotismo iluminado, um reinado inspirado pelo Iluminismo, de expansão do império e renascimento da cultura, da ciência e das artes.

A princesa Sophie Friederike Auguste von Anhalt Zerbst Dornburg nasce em 2 de maio de 1729 em Stettin, na Província da Pomerânia, no Reino da Prússia, parte do Sacro Império Romano-Germânico. Dois primos, Gustavo III e Carlos XIII se tornam reis da Suécia.

Ela adota o nome de Catarina quando se converte à Igreja Cristã Ortodoxa Russa, em 28 de junho de 1744. No ano seguinte, em 21 de agosto de 1745, Catarina se casa com o príncipe Pedro. O casamento leva anos a se consumar. Isto a faz se aproximar de nobres e grupos políticos que não gostam de seu marido.

Leitora ávida de livros, especialmente em francês, Catarina conhece as ideias do filósofo liberal francês Voltaire, uma de suas grandes influências, futuro conselheiro da Imperatriz de Todas as Rússias. Nos Anais, do historiador romano Tácito, ela aprende que o poder não se exerce por idealismo, mas por "motivos e interesses secretos".

Catarina confessa em suas memórias que perde a virgindade com Serguei Saltikov e diz que seu filho é dele, mas na versão final, para evitar problemas na sucessão, afirma que o futuro czar Paulo I, é filho de Pedro III. Ela tem casos amorosos escandalosos com vários nobres da corte: Stanislaus Augustus Toniakowski, Grigory Orlov, Alexander Vasilchikov, Grigory Potenkim e Ivan Korsakov, entre outros.

Com a morte da imperatriz Elizabeth, em 5 de janeiro de 1762, seu marido ascende ao trono como Pedro III. Apesar da má reputação, em seu curto reinado de seis meses, o czar faz reformas importantes: instaura a liberdade religiosa, incentiva a educação, tenta reformar o Exército, abole a polícia secreta, conhecida por sua violência extrema, e proíbe os proprietários de terras de matar servos sem julgamento.

A mulher o considera "bêbado" e "idiota". Diz que "não há nada pior do que ter um marido infantil". Diante da ameaça de golpe, ele tenta fugir, mas é preso e forçado a abdicar em 9 de julho de 1762, depois que o Exército, a Marinha e o Senado declaram apoio a Catarina. Peter III morre, provavelmente assassinado, mas não se conhecem os detalhes de sua morte.

O czar Pedro I, o Grande, considerado o fundador do Império Russo, chega até o Mar Negro, com as campanhas de Azov (1695-96), durante a Guerra Russo-Turca (1686-1700). A Rússia se torna a potência dominante nos Bálcãs em outra Guerra Russo-Turca (1768-74), quando o país se torna "protetor do cristãos ortodoxos" no Império Otomano.

No fim desta guerra, estoura a Guerra Camponesa, Rebelião dos Cossacos ou Rebelião de Pugachev (1773-75), liderada por Yemelian Pugachev, que anuncia a formação de um governo paralelo em nome do czar Pedro III e proclama o fim da servidão. Depois de uma reação inicial fraca, a revolta é esmagada no fim de 1774. Pugachev é preso e executado em 21 de janeiro de 1775 em Moscou.

Outra marca do reinado de Catarina II é a divisão da Polônia, que acontece em três etapas, em 1774, 1792, quando a Comunidade Polaco-Lituana é dividida entre Rússia e Prússia, e em 1795, quando o país é dividido entre Áustria, Rússia e Prússia. A Polônia e a Lituânia deixam de existir como países independentes por 123 anos, até o fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Fã da ciência e do Iluminismo, a imperatriz se vacina contra a varíola para dar o exemplo a seus súditos. A retrógrada rainha portuguesa Dona Maria I, a Louca, não faz isso e perde o primogênito para a doença.

Duante o reinado de Catarina a Grande, o Império Russo conquista 520 mil quilômetros quadrados, inclusive a Crimeia, a Nova Rússia (nome que o ditador Vladimir Putin usa para falar da Ucrânia), a Rússia Branca, a Lituânia e a Curlândia, e funda cidades como Odessa, Sebastopol e Kherson. A colonização do Alasca, vendido aos Estados Unidos em 30 de março de 1867, começa sob Catarina II.

INDEPENDÊNCIA DA ARGENTINA

      Em 1816, o Congresso Geral Constituinte, reunido em San Miguel de Tucumán, proclama a independência da Argentina. A declaração não define um sistema de governo, se será uma monarquia ou república.

A América Latina se torna independente em consequência da invasão de Napoleão Bonaparte à Península Ibérica, sob a inspiração da independência dos Estados Unidos e da Revolução Francesa, mas o Congresso de Viena (1815) restaura as monarquias europeias depois do fim das guerras napoleônicas. Então, há dúvidas.

As vitórias da resistência crioula às invasões britânicas de 1806 e 1807 acendem a chama da independência nos países do Rio do Prata. As invasões napoleônicas acabam com o poder imperial da Espanha e seu representante, o vice-rei em Buenos Aires. 

Em 13 de maio de 1810, chega a Buenos Aires a notícia de que Sevilha caíra em poder de Napoleão. Era o último bastião da monarquia espanhola. A Revolução de Maio vai de 18 a 25 de maio. É a primeira revolta bem-sucedida na independência da América do Sul. O movimento pela independência convoca o Cabildo Aberto, destitui o vice-rei em 22 de maio e cria uma junta de governo sob a presidência de Cornelio Saavedra.

Quando o Congresso se reúne em Tucumán, as Províncias Unidas do Prata estão divididas por causa da posição hegemônica assumida por Buenos Aires desde a Revolução de Maio, com resistência de outras províncias, especialmente de José Artigas, o grande herói do Uruguai, que quer criar uma federação platina.

Além do risco de guerra civil, há a ameaça de uma invasão da Espanha, que recupera a soberania com o fim da Guerra Peninsular (1808-14) contra Napoleão Bonaparte. É preciso organizar o país e o apresentar ao mundo como uma sociedade civilizada. Declarar a independência e redigir uma Constituição são fundamentais.

PRIMEIRO TORNEIO DE WIMBLEDON

    Em 1877, começa em Londres o primeiro Campeonato de Wimbledon, o mais tradicional torneio de tênis do mundo. 

A primeira edição tem 21 tenistas amadores que disputam o título de campeão masculino de simples, a única categoria em disputa. Na final, Spencer Gore vence William Marshall por 3-0 (6-1, 6-2, 6-4) com um jogo forte na rede. No ano seguinte, perde para Frank Hadow, especialista numa nova técnica: o lobe.

O tênis tem origem num jogo francês do século 13, jeu de paume, o jogo da palma, que evolui para um esporte de bolinha e raquete disputado em quadra fechada, o tênis real. Por fim, se transforma no tênis na grama.

O All England Croquet and Lawn Tennis Club, fundado em 1868, organiza o torneio desde 1877. A grama sagrada de Wimbledon é sede do único torneio importante disputado hoje na grama.

CEM METROS NADO LIVRE EM MENOS DE UM MINUTO

    Em 1922, o norte-americano Johnny Weissmüller nada 100 metros em menos de um minuto. O tempo de 58,6 segundos é o novo recorde mundial.

Janus Peter Weissmüller nasce em Szabadfalva, hoje parte da Romênia, no então Império Austro-Húngaro, em 2 de junho de 1904. No ano seguinte, seu pai e sua mãe emigram para os Estados Unidos. A família chega ao Nova York, vai para Windbar, na Pensilvânia, e depois para Chicago. Na praia de Fullerton, no Lago Michigan, Johnny recebe as primeiras aulas de natação.

Além de recordes, conquista cinco medalhes de ouro. Ganha os 100 metros nado livre e o revezamento 4 x 200 m nas olimpíadas de Paris, em 1924, e Amsterdã, em 1928. Em Paris, também ganha o ouro nos 400 m nado livre e uma medalha de bronze no polo aquático.

Depois da carreira de nadador, Johnny Weissmüller entra para o cinema. Seu grande papel foi como Tarzan – o homem macaco, no primeiro filme de uma série em que um super-herói branco faz proezas na África, personagem criado pelo escritor norte-americano Edgar Rice Burroughs. 

Na mesmo linha, de um super-herói branco mais forte, mais inteligente e mais eficiente do que os nativos e não europeus (há indianos), estrela mais tarde o seriado de televisão Jim das Selvas.

FIM DO GRATEFUL DEAD

    Em 1995, a banda de rock psicodélico Grateful Dead, nascida na comunidade hippie de Haight-Ashbury, em São Francisco da Califórnia, faz em Chicago seu último show. O cantor, compositor, guitarrista e líder da banda, Jerry Garcia, o Capitão Barato, morre no mês seguinte.

O Grateful Dead toma este nome no fim de 1965. A formação original tem Jerry Garcia, Bob Weir (guitarra e voz), Ron Pigpen McKernan (teclados), Phil Lesh (baixo) e Bill Kreutzmann (bateria). Depois, entram Mickey Hart (bateria), Tom Constanten (teclado), Keith Godchaux (teclado), Donna Godchaux (voz) e Brent Mydland (teclado e voz).

Uma das grandes bandas do rock ácido de São Francisco, ao lado do Jefferson Airplane, o Grateful Dead mistura rock, jazz, bluegrass, blues e folk music – e se torna uma das bandas de maior sucesso da história apresentações ao vivo. De 24 a 31 de dezembro, o Dead faz concertos grátis em São Francisco. Suas turnês de verão nos Estados Unidos faturam em média mais de US$ 500 mil por show.

Como uma banda contracultural, o Dead sempre autoriza e estimula seus fãs, inclusive uma legião de seguidores fanáticos, a gravar seus concertos. Seus discos de estúdio nunca tiveram o mesmo sucesso dos shows. "Não há nada como um concerto do Grateful Dead", afirmam os fãs.

Tive a oportunidade assistir a um show memorável de quatro horas do Grateful Dead no Ventura County Fairgrounds, perto de Los Angeles, em julho de 1982, que terminou com It's All Over Now, de Bob Dylan.

UNIÃO AFRICANA

   Em 2002, nasce a União Africana (UA), sucessora da Organização de Unidade Africana (OUA), numa conferência em Durban, na África do Sul, com o objetivo é promover a cooperação, a integração e o desenvolvimento econômico dos 55 países do continente.

A OUA é fundada em 25 de maio de 1963, em Adis Abeba, na Etiópia, pelo imperador Hailé Salassié. Na época, os 32 países fundadores decidem não discutir as fronteiras traçadas pelo imperialismo por duas razões: seria motivo para guerras sem fim e o objetivo maior era integrar o continente.

Em quase 40 anos, a OUA não consegue cumprir seus objetivos, como evitar guerra, porque opera por consenso, o que gera uma paralisia. A UA é criada numa conferência realizada em Adis Abeba, em 26 de maio de 2001.

O modelo da UA é a União Europeia, para criar "uma África integrada, próspera e pacífica". Em 2018, 45 dos 55 países-membros assinam o Acordo de Livre Comércio Continental Africano. A área de livre comércio começa a funcionar em 1º de janeiro de 2021.

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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 8 de Julho

CAMINHO DAS ÍNDIAS

    Em 1497, o navegador português Vasco da Gama zarpa de Lisboa com uma frota de quatro navios em busca do caminho marítimo para a Índia contornando o Sul da África.

A frota de Vasco da Gama dá a volta no Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, dobrado por Bartolomeu Dias, em 1488. Em Malinde, na costa oriental da África, encontra um mercador indiano que a guia até a Índia, onde chega em 20 de maio de 1498. 

Durante a viagem, ao se afastar da costa da África para evitar as calmarias, Vasco da Gama teria visto aves e plantas aquáticas num sinal de que haveria terra por perto e teria dito isto a Pedro Álvares Cabral, que em 1500 descobre o Brasil para os portugueses.

Em Calicute, Vasco da Gama enfrenta a hostilidade de mercadores muçulmanos e tem de lutar para voltar a Portugal, onde chega em setembro de 1499. Ele volta à Índia em 1502 para vingar um massacre de portugueses. Em 1524, é enviado como vice-rei da Índia, onde contrai malária e morre na cidade de Cochim, em 24 de dezembro de 1524.

ALMIRANTE PERRY AMEAÇA O JAPÃO

    Em 1853, o almirante norte-americano Matthew Perry entra na Baía de Tóquio com uma esquadra de quatro navios e ameaça bombardear a cidade para abrir o Japão ao comércio internacional.


 
Depois de dar um tempo para as autoridades japonesas examinarem o assunto, Perry volta em março de 1854 com nove navios.

Sem condições de reagir, os japoneses aceitam certas exigências do presidente Millard Fillmore (1853-50). Os Estados Unidos se tornam o primeiro país a estabelecer relações com o Japão depois de dois séculos em que o país se fecha para estrangeiros.

Desde 1639, só a China e a Holanda comerciavam com o Japão e apenas na ilha de Dejima, em Nagasáki, a segunda cidade bombardeada com uma bomba atômica, em 9 de agosto de 1945.

Em 31 de março de 1854, o almirante assina o Tratado de Kanagawa, pelo qual o Japão abre os portos de Shimoda e Hakodate, e permite a instalação de um consulado norte-americano no país.

A pressão dos EUA acaba com o xogunato. É o fim da Idade Média japonesa, em 1868, com a Restauração Meiji, que restitui os poderes do imperador. 

Para não ser colonizado pelo Ocidente, o Império do Japão se ocidentaliza e se torna uma potência que vence a China na Guerra Sino-Japonesa (1894-95), a Rússia na Guerra do Pacífico (1904-5) e enfrenta os EUA e o colonialismo ocidental na Ásia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

MacARTHUR COMANDA GUERRA DA COREIA

    Em 1950, o presidente Harry Truman nomeia o general Douglas MacArthur comandante militar dos Estados Unidos na Guerra da Coreia (1950-53), um dia depois que o Conselho de Segurança das Nações Unidas recomenda que as forças internacionais sejam colocadas sob o comando militar norte-americano.

A Coreia é ocupada pelo Japão em 1910. Com a derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial, os EUA ocupam o Sul da Península Coreana. A União Soviética declara guerra ao Japão em 9 de agosto de 1945, dia da explosão da bomba atômica em Nagasáki, e invade o Norte da Coreia.

A península é dividida oficialmente em 1948, quando nascem a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. Em 25 de junho de 1950, o Norte, comunista, invade o Sul para tentar reunificar a Coreia. Como a União Soviética está boicotando a ONU por causa da não admissão da República Popular da China, os EUA obtêm um mandato do Conselho de Segurança valido até hoje para reunificar a Península Coreana.

A Guerra da Coreia termina em 27 de julho de 1953. Até hoje, não foi assinado um acordo de paz. Desde 2006, a Coreia do Norte tem armas nucleares.

GOLPE NA GUATEMALA

    Em 1954, o coronel Carlos Castillo Armas toma o poder na Guatemala no segundo golpe de Estado articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) durante a Guerra Fria, o primeiro na América Latina. 

A história é contada no livro de ficção Weekend in Guatemala, do escritor guatemalteco Miguel Ángel Asturias, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1967.

O golpe derruba o presidente nacionalista Jacobo Árbenz, que faz uma reforma agrária e estatiza propriedades da companhia bananeira United Fruit, que muda de nome para Chiquita Brands para tentar apagar a imagem associada a golpes de Estado.

Depois da Colômbia, a Guatemala é o país com o maior número de mortos na América Latina durante a Guerra Fria, entre 150 e 200 mil. A democracia só é restaurada plenamente no país em 1984, mas a corrupção é endêmica até hoje.

O primeiro golpe militar apoiado pelos EUA na Guerra Fria é em 1953, no Irã, contra o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh, que nacionalizara o petróleo iraniano.

Ao falar sobre o golpe militar de 1964 no Brasil num curso sobre a história da política externa brasileira no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), o embaixador Gélson Fonseca disse acreditar que a principal causa do apoio dos EUA foi econômica. Os EUA temeriam especialmente Leonel Brizola, que havia estatizado empresas transnacionais quando era governador do Rio Grande do Sul.

MORTE DO GRANDE LÍDER

    Em 1994, morre o Grande Líder Kim Il Sung, fundador da Coreia do Norte.


Kim luta nos anos 1930 contra a ocupação japonesa e é escolhido pela União Soviética, onde faz treinamento político e militar. Ele luta pelo Exército Vermelho na Segunda Guerra Mundial (1939-45), funda a Coreia do Norte em 1948 e inicia a Guerra da Coreia, em 25 de junho de 1950, tentando reunificar o país sob o regime comunista.

Com a intervenção militar dos Estados Unidos e depois da China, a guerra termina num impasse, sem mudar a divisão da Coreia. Nas próximas quatro décadas, Kim isola o país com sua política de autossuficiência (Juche), causando fome e falta de energia, problemas que o país tem até hoje.

Depois da morte, numa sucessão dinástica num regime comunista, é sucedido pelo filho e Querido Líder Kim Jong Il, que explode a primeira bomba atômica do país em 2006. Ao morrer, em 2011, ascende ao poder seu filho Kim Jong Un, neto do Grande Líder, que acelera os programas de mísseis e de armas nucleares – e ameaça bombardear os EUA.

O presidente Donald Trump faz três encontros de cúpula com o jovem Kim. Legitima o ditador na expectativa de desnuclearizar a Península Coreana, mas as negociações não avançam. 

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terça-feira, 7 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 7 de Julho

EUA ANEXAM O HAVAÍ

    Em 1898, uma resolução do Congresso dos Estados Unidos assinada pelo presidente William McKinley anexa o arquipélago do Havaí, que se torna um território em 1900 e um estado em 1959.

O rei Kamehameha I unifica as ilhas e forma o Reino do Havaí em 1810, reconhecido internacionalmente por vários países, inclusive os EUA, a França e o Reino Unido.

No século 19, vários norte-americanos se mudam para o Havaí, principalmente missionários e empresários produtores de açúcar. No fim do século, os EUA são a potência dominante no arquipélago.

Em janeiro de 1893, colonos norte-americanos apoiados por fuzileiros navais depõem a rainha Lili'uokalani. Ela propõe uma nova Constituição para tirar o poder dos colonos, que formam um governo provisório liderado por Sanford Dole com o objetivo de anexar o Havaí aos EUA.

O presidente Grover Cleveland condena a participação dos EUA no golpe e pede a restauração da monarquia. Em 1898, durante a Guerra Hispano-Americana, o presidente McKinley vê a importância estratégica do Havaí por causa da base naval de Pearl Harbor, que seria atacada pelo Japão em 7 de dezembro de 1941, causando a entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial.

Então, o Congresso aprova a Resolução Newlands e anexa o arquipélago sem qualquer tratado, ignorando os interesses da população nativa.

MULHERES VÃO À GUERRA

    Em 1917, o Conselho Militar Britânico cria o Corpo Auxiliar de Exército Feminino, autorizando voluntárias a servir no Exército Real na França durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18).

As mulheres já contribuem para o esforço de guerra trabalhando em fábricas de armas e munições; 61 morrem envenenadas nas fábricas e 81 em acidentes de trabalho.

No corpo auxiliar, exercem atividades como cozinhar, datilografar, fazer reparos mecânicos, prestar serviços religiosos ou qualquer coisa que libere os soldados para a guerra nas trincheiras. Até o fim de guerra, 80 mil mulheres servem às Forças Armadas britânicas.

MULHERES EM WEST POINT

    Em 1976, pela primeira vez, mulheres podem se matricular na Academia Militar de West Point, nos Estados Unidos.


 Em 28 de maio de 1980, 62 se formam e são admitidas nas Forças Armadas como segundas-tenentes.

A Academia Militar de West Point é fundada em 1802 no local de um forte construído durante a Guerra da Independência (1775-83) para defender Nova York e o Vale do Rio Hudson de ataques britânicos. Na época, havia o temor de uma segunda guerra contra o Império Britânico, que começaria em 1812 e iria até 1815.

Atualmente, West Point tem 4 mil alunos. O primeiro afro-americano se formou em 1877.

 PRIMEIRA MULHER NA SUPREMA CORTE

   Em 1981, o presidente Ronald Reagan nomeia a juíza Sandra Day O'Connor para ser a primeira ministra da Suprema Corte dos Estados Unidos. Ela é aprovada por unanimidade pelo Senado em 21 de setembro e toma posse em 25 de setembro.

Sandra Day nasce em El Paso, no Texas, e é criada na fazenda da família no Arizona. Ela estuda economia na Universidade Stanford, em Palo Alto, na Califórnia. 

Uma questão legal envolvendo a fazenda a leva de volta a Stanford para estudar direito. Quando se forma pela segunda vez, casa com o colega Jay O'Connor, que vai servir o Exército dos EUA na Alemanha Ocidental, onde ela trabalha como advogada do Exército.

Como mulher, não consegue emprego em empresas de advocacia. Ao voltar da Europa, cria sua própria firma. Em 1965, ela se torna subprocuradora-geral do Arizona. 

Em 1969, é indicada para uma vaga aberta no Senado. Depois, é eleita e reeleita. É a primeira mulher a liderar a maioria no Senado. Em 1979, é nomeada para o Tribunal de Recursos do Arizona pelo governador democrata Bruce Babitt e dois anos depois para o supremo tribunal americano.

Na Corte, foi uma juíza conservadora moderada e pragmática que votava com frequência ao lado dos ministros liberais em questões sociais. Várias vezes votou para manter o direito ao aborto. Quando se aposenta, em 2005, o presidente George W. Bush a substitui por Samuel Alito, hoje um dos ministros mais conservadores do tribunal.

TERROR EM LONDRES

    Em 2005, terroristas ligados à rede Al Caeda (A Base) explodem quatro bombas no sistema de transportes de Londres, três no metrô e uma num ônibus, matando 52 pessoas.

A rede terrorista liderada pelo saudita Ossama ben Laden começa a fazer grandes atentados no Ocidente em 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, levando o conflito do Oriente Médio para o território norte-americano. 

Em 12 de outubro de 2002, Al Caeda ataca jovens australianos e ocidentais num bar e boate em Báli na Indonésia, em retaliação contra a presença de uma força da paz liderada pela Austrália no Timor Leste, que volta a ser um país cristão ao se separar da muçulmana Indonésia.

No Reino Unido, o primeiro-ministro Tony Blair apoia incondicionalmente os EUA desde os atentados de 11 de setembro e marcha ao lado dos norte-americanos na guerra contra a rede Al Caeda e a milícia fundamentalista dos Talebã, no Afeganistão, e na invasão do Iraque, em 2003.

Em 21 de julho de 2005, há uma tentativa de atentado frustrada. No dia seguinte, a polícia britânica mata o brasileiro Jean Charles de Menezes, confundindo-o com um suspeito de terrorismo. A comandante da operação, comissária Cressida Dick, não é punida. Vira comandante da Polícia Metropolitana da Grande Londres.

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segunda-feira, 6 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 6 de Julho

LEALDADE AO REI E ÀS ARMAS

    Em 1775, um dia depois de reiterar sua lealdade ao rei George III, desejando-lhe "um longo e próspero reinado" na Petição do Ramo de Oliveira, o Congresso Continental estabelece "as causas e a necessidade de pegar em armas" contra a autoridade colonial britânica na América.


Os primeiros tiros da Guerra da Independência haviam sido disparados em abril em Lexington e Concord, mas os colonos mantêm a lealdade ao rei. 

Só em 1776 a ideia da independência ganha força, com a publicação do livro Senso Comum, do revolucionário britânico Tom Paine, que luta pela independência dos EUA e pela Revolução Francesa de 1789.

VACINA ANTIRRÁBICA 

    Em 1885, o Dr. Louis Pasteur aplica a primeira vacina contra a raiva, que ainda está em testes e só havia sido inoculada em animais, em um menino, Joseph Meister, mordido por um cão raivoso.


 Como não é médico, Pasteur pode ter problemas legais. Não está habilitado para aplicar vacinas em seres humanos. Se não o fizesse, o menino morreria.

A raiva é uma doença viral que ataca o sistema nervoso central. Naquela época, a letalidade era de quase 100%.

Pasteur obtém a licenciatura em matemática em 1842, com medíocre resultado em química. Depois, faz doutorado em Física e Química e é nomeado professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lille. Mais tarde, torna-se diretor de ciências da Escola Normal de Paris.

ANNE FRANK SE ESCONDE

    Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, a família de Anne Frank vai para um esconderijo em Amsterdã, na Holanda ocupada pela Alemanha Nazista. Com seu diário, que sobrevive à guerra, ela se torna um símbolo da inocência perdida, roubada de uma adolescente pelo terrorismo do Holocausto, simplesmente por ser judia. 

Anne Frank nasce em Frankfurt, na Alemanha, em 12 de junho de 1929. Ela ganha o diário no aniversário de 13 anos e escreve nele regularmente durante dois anos, descrevendo a vida cotidiana no esconderijo, um anexo de três andares acima do armazém de seu pai na Prinsengracht 263, em Amsterdã. 

Há mais sete pessoas no esconderijo: seus pais, Otto e Edith; o sócio de seu pai, Herman van Pels, sua mulher, Auguste, e o filho Peter; e o dentista Fritz Pfeffer.

Em 1º de agosto de 1944, Anne Frank escreve pela última vez no diário. Três dias depois, ela e a família são presas pelos nazistas. Os pais vão para o campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, onde o pai sobrevive. 

Ela e a irmã, Margot Frank, são enviadas para o campo de concentração de Bergen Belsen, em Hanôver, na Alemanha, onde morrem numa epidemia de tifo em em fevereiro ou março de 1945.

Desde 1960, o museu Casa de Anne Frank é uma das principais atrações turísticas de Amsterdã, visitada por 1,2 milhão de pessoas em média por ano. A revista Time a considera uma das pessoas mais importantes do século 20. 

PRIMEIRA TENISTA NEGRA GANHA WIMBLEDON

    Em 1957, a norte-americana Althea Gibson é a primeira pessoa negra a vencer o Campeonato de Wimbledon, na Inglaterra, o torneio de tênis mais tradicional do mundo.

Gibson nasce em Silver, na Carolina do Sul, e cresce no bairro do Harlem, em Nova York. Começa a jogar tênis quando adolescente. Num país segregado, é duas vezes campeã nacional negra até ser convidada, em 1950, para disputar o Campeonato Nacional dos Estados Unidos, hoje Torneio Aberto dos EUA.

Em 1956, ela ganha o Campeonato da França, hoje Torneio Aberto da França. No ano seguinte, Wimbledon, derrotando Darlene Hard por 2-0 (6-3, 6-2) e o Aberto dos EUA. É a Atleta do Ano em 1957 e 1958. Ao todo, ganha 56 títulos de simples e duplas na carreira, sendo 11 grandes torneios.

JOHN E PAUL SE CONHECEM

    Em 1957, John Lennon e Paul McCartney se conhecem em Liverpool, na Inglaterra.


 A banda de Lennon, the Quarry Men Skiffle Group, toca numa festa no jardim da Igreja de São Pedro, em Woolton, em Liverpool. É o acontecimento do ano num sonolento bairro da cidade. O grupo chega na caçamba de um caminhão e toca ali mesmo.

McCartney estreia no grupo em 18 de outubro daquele ano.


SERENA VENCE WIMBLEDON

    Em 2002, ao vencer a irmã mais velha, a bicampeã Venus Williams, por 2-0 (7-6, 6-3), a tenista Serena Williams, uma das maiores atletas de todos os tempos, ganha seu primeiro título no Campeonato de Wimbledon, em Londres, o mais tradicional dos torneios do Grand Slam.
 

Serena nasce em Saginaw, no estado de Michigan, em 26 de setembro de 1981, Treinada desde menina pelo pai, ela conquista o primeiro troféu do Grand Slam no Torneio Aberto da França em 2002. No mesmo ano, ganha em Wimbledon e o Torneio Aberto dos EUA. Em 2003, vence o Torneio Aberto da Austrália. São os quatro torneios mais importantes do tênis. Quem ganha os quatro, faz o Grand Slam.

Ao todo, Serena vence 23 títulos de simples em torneios do Grand Slam, um recorde na era aberta. É a segunda maior vencedora, atrás apenas da australiana Margaret Smith Court, rival de Maria Esther Bueno, com 24 títulos.

Eu estava lá e participei da entrevista coletiva da campeã depois do jogo. Serena disse: "Sou campeã, sou linda e sou sexy." Atrás de mim, um jornalista do jornal inglês The Guardian, comentou com um sorriso: "Nunca vi uma campeã de Wimbledon declarar que é sexy."

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domingo, 5 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 5 de Julho

PRIMEIRO BIQUÍNI

     Em 1946, o estilista francês Louis Réard apresenta numa piscina popular de Paris, no corpo da dançarina Micheline Bernardini, um ousado maiô de duas peças que chama de "biquíni" inspirado pelo Atol de Bikíni, no Oceano Pacífico, onde os Estados Unidos testavam bombas atômicas.

As mulheres europeias começam a usar maiôs de duas peças nos anos 1930, mas eles só mostram um pedaço da barriga e cobrem o umbigo. Nos EUA, eles aparecem durante a Segunda Guerra Mundial, quando há racionamento de tecidos no país e as praias europeias são zonas de guerra.

No primeiro ano do pós-guerra, os estilistas franceses produzem roupas que refletem o espírito de alegria da libertação, inclusive "os menores trajes de banho do mundo". O biquíni de Réard era um sutiã na parte de cima e dois triângulos unidos por um cordão.

Para apresentar sua criação, o estilista não consegue nenhuma modelo profissional. Recorre, então, a Micheline Bernardini, uma dançarina do Cassino de Paris que não tinha escrúpulos para aparecer nua em público.

O biquíni é um sucesso, especialmente entre os homens. Micheline recebe cerca de 50 mil cartas de fãs. Logo, as mulheres mais ousadas adotam o biquíni nas praias do Mar Mediterrâneo. A Itália e a Espanha proíbem até os anos 1950, quando o biquíni toma conta das praias europeias.

Com o puritanismo americano, nos EUA, o biquíni só emplaca com o espírito rebelde dos jovens dos anos 1960 e é imortalizado na música pop, especialmente da Califórnia.

No Brasil, uma das medidas medidas moralistas do presidente Jânio Quadros, em seu breve governo de sete meses, em 1961, é proibir o uso de biquínis nas praias, além de corridas de cavalo em dias de semana e outras bizarrices.

ASHE É PRIMEIRO HOMEM NEGRO A GANHAR WIMBLEDON

    Em 1975, o americano Arthur Ashe vence o compatriota Jimmy Connors, que era o favorito, e se torna o primeiro e único homem negro a ganhar o Campeonato de Wimbledon, o mais tradicional torneio de tênis do mundo. A primeira mulher negra foi a norte-americana Althea Gibson, em 1957.

Ashe começa a jogar tênis na sua cidade natal, Richmond, na Virgínia, e ganha uma bolsa de estudos para a Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA). Em 1968, é o primeiro negro a vencer o Torneio Aberto dos EUA. Dois anos depois, ganha o Aberto a Austrália.

Nos próximos sete anos, não ganha mais nenhum torneio do Grand Slam (Austrália, França, Inglaterra e EUA). Aos 31 anos, chega à final de Wimbledon contra o jovem Connors, de 22. Nunca passara da semifinal em Londres.

Connors defende o título, tem três vitórias sobre Ashe e passa por Roscoe Tanner, um dos saques mais poderosos da história de Wimbledon. Mas era o dia de Ashe, que vence por 3-1 (6-1, 6-1, 5-7, 6-4).

Depois de sofrer um ataque cardíaco, Ashe deixa o tênis em 1980. Ele escreve o livro de três volumes Um Duro Caminho para a Glória, sobre a luta dos atletas negros nos EUA. Ashe morre em fevereiro de 1993 de aids, contraída numa transfusão de sangue. Em 1997, uma nova quadra onde se joga o Torneio Aberto dos EUA é batizada com seu nome.

NASCE OVELHA CLONADA

    Em 1996, nasce no Instituto Roslin, na Escócia, a ovelha Dolly, o primeiro mamífero clonado a partir de uma célula adulta. O líder do grupo de pesquisadores é o biólogo Ian Wilmut.

É batizada em homenagem à cantora e atriz americana Dolly Parton. O nome é sugerido por uma pessoa ao saber que a clonagem partiu de uma célula mamária.

As células mamárias saem do ubre de uma ovelha de seis anos e são cultivadas em laboratório com técnicas desenvolvidas para tratamentos de fertilidade humana nos anos 1970. Depois de produzir um certo número de ovos, eles são implantados no útero de outras ovelhas, que fazem o papel de barrigas de aluguel. Dolly nasce 148 dias depois.

É uma revolução. Os defensores da experiência argumentam que a clonagem pode ser um avanço extraordinário da medicina, permitindo produzir tecidos e órgãos humanos sem rejeição para transplantes e tratar deficiências e doenças degenerativas. Os críticos advertem para as questões éticas suscitadas pela possibilidade de clonar seres humanos para eliminar doenças e criar seres humanos biologicamente superiores.

Sua vida é curta. Dolly cruza com um carneiro chamado David e tem quatro cordeirinhos. Em janeiro de 2002, é diagnosticada com artrite, levantando dúvidas sobre anomalias genéticas causadas pela clonagem. Com uma doença respiratória, Dolly é sacrificada aos seis anos em 14 de fevereiro de 2003. É empalhada. Está em exposição no Museu Nacional da Escócia, em Edimburgo.

SARS SOB CONTROLE

    Em 2003, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declara que a epidemia da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, do inglês) está sob controle, depois de matar 11% de um total de 8.422 casos confirmados.

Com uma taxa de letalidade tão elevada, por sorte, ou talvez por isso mesmo, pela letalidade, o coronavírus causador da SARS (SARS-CoV-1) não se propaga como o SARS-CoV-2, causa da doença do coronavírus de 2019 (Covid-19).

Os primeiros casos da SARS, uma pneumonia aguda grave, aparecem na China em novembro de 2002. Em 15 de fevereiro de 2003, a China registrara 305 casos. O regime comunista chinês é criticado por demorar a comunicar a doença à Organização Mundial da Saúde (OMS). Naquela época, é criada a regra de que surtos desta gravidade precisam ser avisados à OMS em 24 horas, o que mais uma vez a China não fez com a covid-19.

A SARS  chega a Hong Kong, Taiwan e Vietnã, e viaja pelo mundo de avião. Em março, uma mulher idosa que fora a Hong Kong morre de SARS em Toronto, no Canadá. Há um surto na maior cidade canadense, com 44 mortes. Em 12 de março de 2003, a OMS faz um alerta de saúde global.

Na China, morrem cerca de 350 pessoas. A Copa do Mundo de futebol feminino de 2003 é transferida para os Estados Unidos. O Campeonato Mundial Feminino de Hóquei no Gelo, que seria realizado em Beijim, é cancelado, entre tantas conferências, convenções e reuniões de negócios, com perdas de milhões de dólares. Até os restaurantes chineses sofreram.

Os principais sintomas da SARS são de início semelhantes aos de uma gripe: febre alta, tosse seca e, em alguns casos, dor de cabeça, diarreia, rigidez muscular, alergia, confusão e perda de apetite. Os problemas respiratórios surgiu entre 2 e 10 dias. Os últimos quatro casos foram diagnosticados na China em abril de 2004.

TRABALHISTAS VOLTAM AO PODER

    Em 2024, Keir Starmer, líder do Partido Trabalhista, se torna primeiro-ministro do Reino Unido depois de 14 anos de governos conservadores.

Starmer nasce em 2 de setembro de 1962 em Londres. Ele estuda direito e é procurador-geral do país de 2008 a 2013 antes de se eleger deputado da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico em 2015. No ano seguinte, é nomeado ministro da Imigração do governo paralelo da oposição, uma tradição do sistema político do país para preparar o futuro governo. Os ministros do governo paralelo fazem sombra aos ministros no poder.

Ele é eleito líder trabalhista em 4 de abril de 2020 e se torna primeiro-ministro depois de uma grande vitória do partido nas eleições de 4 de julho de 2024, quando os trabalhistas conquistam 33,7% dos votos e elegem 411 dos 650 deputados da Câmara dos Comuns contra 121 do Partido Conservador, liderado pelo então primeiro-ministro Rishi Sunak, o primeiro chefe de governo britânico de origem indiana, que sofreu a pior derrota da história.

Esta maioria avassaladora é fruto do sistema político britânico, de voto distrital com turno único, que permite a formação de grandes maiorias no Parlamento sem maioria absoluta dos votos.

Keir Starmer defende maior investimentos públicos, especialmente no Serviço Nacional de Saúde (NHS), que dá cobertura universal sem custo para os pacientes, o fim do pagamento de anuidades nas universidades, aumento de impostos para os mais ricos e medidas mais duras contra a evasão fiscal de empresas.

No poder, ele corta auxílio para aquecimento durante o inverno, uma medida impopular, e liberta milhares de presos para reduzir a superlotação das prisões. Em política externa, apoia a Ucrânia contra a invasão da Rússia e o direito de Israel de ir à guerra depois do ataque terrorista do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), o que gera muito repúdio dentro da própria esquerda, mas critica a condução da guerra por Israel.

Um ano depois, Starmer enfrenta uma revolta da esquerda do partido e é obrigado a recuar numa reforma da Previdência Social. Isto suscita dúvidas sobre a capacidade de governar o país num momento em que o partido de extrema direita Reforma do Reino Unido, liderado pelo neofascista Nigel Farage, um dos líderes do movimento pela saída da União Europa (U), está na frente nas pesquisas de opinião.

Em 19 de maio de 2025, Starmer faz um acordo para melhorar as relações comerciais com a UE. Com o afastamento dos Estados Unidos da Europa no segundo governo Donald Trump, especialmente em questões comerciais e de segurança, o Reino Unido se reaproxima da UE.

Com a derrota do Partido Trabalhista nas eleições municipais e a liderança do partido de extrema direita Reforma UK nas pesquisas, há um movimento dentro do partido para substituir Starmer. Ele anuncia que vai sair. O próximo líder trabalhista e primeiro-ministro deve ser Andy Burnham, prefeito da Grande Manchester, que acaba de ser eleito deputado da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.

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