MORTE DE COPÉRNICO
Em 1543, morre em Frombork, hoje parte da Polônia, o astrônomo polonês Nicolau Copérnico.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
MORTE DE COPÉRNICO
Em 1543, morre em Frombork, hoje parte da Polônia, o astrônomo polonês Nicolau Copérnico.
PRISÃO DE JOANA D'ARC
A França obtém outras vitórias, mas o Cerco de Paris, de 3 a 8 de setembro, fracassa. Em 23 de maio de 1430, Joana d'Arc é capturada pelas forças de João, Duque de Borgonha, aliado da Inglaterra. É julgada pelo bispo Pierre Cauchon, que faz acusações de cunho religioso e a condena à morte na fogueira como uma bruxa.
Na História dos Povos da Língua Inglesa, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill considera um grande erro a execução na fogueira, em Ruan, em 30 de maio de 1341, que a transforma em mártir. Em 1456, um Tribunal da Inquisição autorizado pelo papa Calisto III a proclama inocente e mártir da Igreja.
Depois da Reforma Protestante, no século 16, Joana d'Arc vira um símbolo da Igreja Católica. Por decisão de Napoleão Bonaparte, em 1803, torna-se um símbolo nacional de França. É beatificada em 1909 e declarada Santa Joana d'Arc em 1920. Hoje é a heroína cultuada pela extrema direita francesa.
COMEÇA GUERRA DOS TRINTA ANOS
Em 1618, a Terceira Defenestração de Praga, em que protestantes tchecos jogam dois representantes do imperador católico do Sacro Império Romano-Germânico pela janela do Castelo de Praga, dá início à Guerra dos Trinta Anos.
A defenestração é uma rejeição à tentativa do imperador de restringir a liberdade religiosa. A guerra causada pelo conflito entre católicos e protestantes se transforma numa grande disputa pelo poder na Europa.
É no início um conflito religioso que começa dentro do Sacro Império, com os católicos austríacos e espanhóis lutando contra os reinos e principados protestantes. Depois das intervenções da Dinamarca (1625-29) e da Suécia (1630-35) do lado dos protestantes, a França, apesar de majoritariamente católica, intervém ao lado dos protestantes em 1635 sob a liderança do Cardeal de Richelieu, primeiro-ministro do rei Luís XIII.
A Guerra dos Trinta Anos é o conflito que provoca as invasões holandesas no Nordeste do Brasil e o fim da União Ibérica, o período da história do Brasil conhecido como Domínio Espanhol (1580-1640), quando o rei da Espanha reina também em Portugal. Richelieu fomenta a Revolta de Lisboa, em 1º de maio de 1640, para Portugal recuperar a independência e enfraquecer a Espanha, o que acontece em 1º de dezembro do mesmo ano.
Cinco dias após a ascensão de Luís XIV ao trono da França com menos de cinco anos, a França quebra na Batalha de Rocroi o mito da invencibilidade espanhola nas guerras europeias. No fim da guerra, a França toma o lugar da Espanha como a maior potência da Europa continental.
A Paz da Vestfália, assinada em 24 de outubro de 1648, cria uma nova ordem internacional para acabar com as guerras religiosas na Europa. Consagra os princípios de soberania nacional e não intervenção nos assuntos internos de outros países como bases da sociedade internacional, embora sejam seguidamente violados.
CHINA ANEXA O TIBETE
Em 1951, a República Popular da China anexa o Tibete, que era independente desde o fim do Império Chinês, em 1912. Nasce o movimento pela independência do Tibete sob a liderança do Dalai Lama, que fala em autonomia para não provocar o regime comunista chinês.
A China é durante 2 mil anos o Império do Meio, o centro do mundo na Ásia. Por se fechar ao mundo, entra em declínio na era industrial. É vencida pelo e humilhada Império Britânico nas Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60). A derrota para o Japão na Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95) acaba com a ordem sinocêntrica na Ásia.Há uma última reação anti-imperialista na Guerra dos Boxers (1899-1901). Mais uma derrota, e o Império Chinês acaba. O Tibete, parte do império desde o século 13, se torna independente.
Quando a revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung conquista o poder, em 1º de outubro de 1949, entre os objetivos centrais estão restaurar a dignidade do povo chinês, humilhado pelos imperialismos ocidental e japonês, e as fronteiras históricas da China.
Pouco depois, Mao manda invadir o Tibete. Como o acesso é difícil, o Exército Popular de Libertação (EPL) leva 11 meses para chegar lá, em 6 de outubro de 1950. Sete meses depois, a China toma conta do Tibete, que mantém a estrutura administrativa sob o controle chinês.
IRLANDA LEGALIZA CASAMENTO GAY
Em 2015, a Irlanda, um dos países mais católicos do mundo, é o primeiro a legalizar o casamento de pessoas do mesmo sexo num plebiscito, com 60,5% da participação e 62% dos votos a favor.
A Igreja Católica protesta. O cardeal Pietro Parolin descreve o resultado como uma "derrota para a humanidade".
É uma luta antiga. A homossexualidade era crime na Irlanda até 1993. Quando a data do plebiscito é marcada, em 19 de fevereiro de 2015, a campanha começa.
BATISMO DE CONSTANTINO
Em 337, Constantino I, o Grande, que se converte ao cristianismo na juventude e promove sua expansão, torna-se no seu leito de morte o primeiro imperador romano batizado pela Igreja Católica.
Constantino nasce em Naisso, na Moésia, hoje Nis, na Sérvia, em 280 depois de Cristo, filho de um oficial do Exército, Flávio Valério Constâncio, e Helena, depois canonizada como Santa Helena, mas o casal se separa em 289. Em 293, seu pai é promovido a césar, posição logo abaixo de imperador. Constantino vai para o Império Romano do Oriente. É criado na corte do imperador Diocleciano em Nicomédia, hoje Izmir, na Turquia.
A perseguição aos cristãos por Diocleciano, a partir de 303, deixa uma profunda marca.
Em 305, os dois imperadores, Maximiano e Diocleciano, abdicam. Devem ser substituídos por seus vice-imperadores, Galério e Constâncio. Eles são substituídos por Galério Valério Maximino no Oriente e Flávio Valério Severo. Constâncio exige a presença do filho, que atravessa o território de Severo para encontrar o pai em Gesoriaco hoje Boulogne, na França.
Os dois cruzam o Canal da Mancha e entram na Inglaterra numa campanha militar que vai até a morte de Constâncio em Eboraco, hoje York, em 306. Imediatamente, Constantino é proclamado imperador pelo seu exército em meio a uma série de guerras civis no Império Romano. Ao vencer Licínio em 324, torna-se imperador do Ocidente e do Oriente.
Ao longo da vida, Constantino atribui seu sucesso à conversão ao cristianismo. Depois de vencer Maxêncio, Constantino, imperador do Ocidente, encontra Licínio, imperador do Oriente, em Mediolanum, hoje Milão, e baixa em 13 de junho de 313 o Édito de Milão, que acaba com a perseguição aos cristãos e devolve as propriedades confiscadas durante a perseguição. É um marco na história da liberdade religiosa.
No mesmo ano, ele dá à Igreja Católica uma propriedade em Latrão, onde é erguida uma catedral, a Basília Constantiniana, hoje Igreja de São João de Latrão, em Roma.
Outra contribuição importante de Constantino para o cristianismo e a história da Igreja é o Concílio de Niceia, aberto pelo imperador em 325, que estabelece a doutrina da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) para evitar uma possível cisão entre aqueles que louvam Deus Pai e os que louvam Jesus Cristo.
Depois da vitória sobre Licínio, Constantino rebatiza Bizâncio como Constantinopla e a torna sua capital permanente, uma "segunda Roma", em 330. Isto marca um afastamento dos imperadores de Roma, uma cidade rica e famosa que perde importância política.
Ele quer ser batizado no Rio Jordão. Talvez por falta de oportunidade, deixa para o fim da vida. Fica doente e acaba recebendo o sacramento no leito de morte.
GUERRA DAS DUAS ROSAS
Em 1455, as forças da Dinastia de York vencem o exército do rei Henrique VI (1422-61 e 1470-71), da Dinastia de Lancaster, em Saint Albans, a pouco mais de 30 quilômetros de Londres, dando início à Guerra das Duas Rosas (1455-85), uma disputa entre os herdeiros do rei Eduardo III (1327-77) pelo trono da Inglaterra.
Muitos nobres da Dinastia de Lancaster morrem, inclusive Edmundo de Beaufort, Duque de Somerset, grande amigo da rainha Margaret de Anjou. O rei é preso por Ricardo Plantageneta, Terceiro Duque de York. A guerra entre as dinastias de York, cujo escudo tinha uma rosa branca, e de Lancaster, da rosa vermelha, dura 30 anos.Quando Eduardo III morre, ascende ao trono seu neto Ricardo II (1377-99), de apenas 10 anos, porque o filho mais velho, Eduardo, conhecido como o Príncipe Negro, morre antes do pai.
Seu reinado é marcado pela Revolta Camponesa, liderada por Wat Tyler, em 1381, que chega a tomar a Torre de Londres. Com o campo arrasado pela pandemia da peste bubônica, um imposto cobrado por pessoa deflagra a rebelião.
Nos últimos anos do reinado, Ricardo II vira um tirano. Quando ele vai à guerra na Irlanda, é derrubado por Henrique IV (1399-1413).
Henrique Bolinbroke é filho de João de Gaunt, filho de Eduardo III, e irmão de Dona Philippa de Lancastre, rainha de Portugal, casada com Dom João I e mãe do Infante Dom Henrique, que Fernando Pessoa chama de "divino ventre do império, madrinha de Portugal". Por parte de mãe, Henrique IV é neto de Felipe IV, da França. É o primeiro rei desde a Invasão Normanda, em 1066, a discursar em inglês na cerimônia de coroação.
Seu filho Henrique V (1413-22) invade a França, vence a Batalha de Agincourt e reivindica a coroa francesa. Henrique VI não tem as qualidades exigidas de um monarca. Perde quase tudo que o pai conquistara na França.
Em 1453, o rei dá sinais de insanidade. Ricardo, Duque de York, descendente do terceiro filho de Eduardo III, é nomeado Lorde Protetor. Henrique VI descende do quarto filho de Eduardo III. Quando o rei se recupera, em 1454, afasta o pessoal de York, que vê como ameaça a seu filho.
Com um exército de 3 mil homens, York marcha rumo a Londres, no início da guerra. Henrique VI consegue recuperar o trono, mas, com vitórias em 1459 e 1460, York ganha o direito de herdar a coroa. Lancaster reage a mata Ricardo, Duque de York, em dezembro de 1460.
Eduardo, filho de Ricardo de York, chega a Londres antes da rainha Margaret de Anjou e é coroado como Eduardo IV (1461-70 e 1471-83). Em seguida, consolida o poder com uma vitória decisiva em 29 de março de 1461, na Batalha de Towton, a mais sangrenta travada em solo inglês, quando cerca de 50 mil homens se enfrentam durante 10 horas sob a neve no Domingo de Ramos.
Henrique VI, Margaret de Anjou e o filho fogem para a Escócia. Termina a primeira parte da guerra.
Em 1470, Henrique VI recupera o trono. Eduardo IV volta do exílio no ano seguinte, derrota as forças de Margaret de Anjou, e mata o filho dela e de Henrique VI, que é preso e morre na Torre de Londres.
Eduardo IV governa até morrer. Seu filho mais velho é coroado como Eduardo V, mas seu tio Ricardo III, nomeado Lorde Protetor, usurpa o trono e prende os dois principezinhos na Torre de Londres, onde eles são mortos.
Em agosto de 1485, Henrique Tudor, à frente do exército de Lancaster, vence Ricardo III na Batalha de Bosworth. É o fim da Guerra das Duas Rosas e da Idade Média na Inglaterra. Sobe ao trono a Dinastia Tudor, que com Henrique VIII (1509-47) rompe com o Vaticano e cria a Igreja da Inglaterra em 1534 para se divorciar na busca de um filho homem para evitar uma guerra na sua sucessão, e começa a construir o Império Britânico sob Elizabeth I (1558-1603).
Henrique VIII quer um filho homem para evitar uma guerra entre príncipes pela sucessão. Mas a filha mais velha é católica e a segunda protestante. A reforma semeia o conflito religioso que leva à Guerra Civil Inglesa do século 17, que só acaba com a Revolução Gloriosa (1688-89).
PACTO DE AÇO
Em 1939, meses antes do início da Segunda Guerra Mundial (1939-45), os ditadores da Alemanha Nazista, Adolf Hitler, e da Itália Fascista, Benito Mussolini, firmam o Pacto de Aço, uma aliança política e militar completa das potências do Eixo.
Por causa da afinidade dos dois regimes, Mussolini é inicialmente exemplo para Hitler, os dois ditadores proclamam em 25 de outubro de 1936 que um "eixo" une Roma e Berlim. Em 25 de dezembro do mesmo ano, a Alemanha e o Japão fazem o Pacto Anti-Comintern contra a União Soviética. A Itália adere em 6 de novembro de 1937, na expectativa de que vai haver guerra e a Alemanha vai ganhar.
Pouco mais de um ano depois do início da guerra, em 27 de setembro de 1940, Alemanha, Itália e Japão fecham o Pacto Tripartite. Durante a guerra, sob coerção ou promessa de ganho territorial, outros países se aliam ao Eixo: Hungria, Romênia, Eslováquia, Bulgária, Iugoslávia e depois a Croácia.
TERREMOTO DE VALDÍVIA
Em 1960, o Terremoto de Valdívia, o sismo mais violento da história, com magnitude de 9,5 graus na escala abertura de Richter, abala a costa leste do Chile, mata cerca de 5,7 mil pessoas, fere mais de 2 milhões e provoca um maremoto que atinge lugares distantes no Oceano Pacífico como o Japão, o Havaí, onde morrem 62 pessoas, as Filipinas, onde morrem 31 pessoas, e a costa oeste dos Estados Unidos.
O Terremoto de Valdívia começa às 15h11 com a maior ruptura tectônica registrada até hoje, ao longo de mil quilômetros, entre a Placa de Nazca e a Placa Sul-Americana, na fossa oceânica Peru-Chile. Dura 10 minutos. O epicentro fica a 570km ao sul de Santiago e o hipocentro a 33km de profundidade. Uma onda de 8m atinge a costa chilena entre Concepción e Chiloé a 150 km/h de velocidade.
NIXON EM MOSCOU
Em 1972, Richard Nixon é o primeiro presidente dos Estados Unidos a ir a Moscou e o segundo a visitar a União Soviética. (O presidente Franklin Roosevelt vai à Conferência de Ialta, na Crimeia, em 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial.)
As viagens do presidente Nixon, um anticomunista ferrenho, à China e à URSS em 1972 marcam o início de um período de degelo na Guerra Fria conhecido como détente, quando houve um diálogo entre as superpotências. Vai até a invasão do Afeganistão pela URSS no Natal de 1979.
Um marco inicial é a viagem secreta do então assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Henry Kissinger, grande articulador desta política, à China em julho de 1971 para preparar a visita de Nixon, que vai primeiro a Beijim e depois a Moscou. A aproximação à China e à URSS leva à retirada dos EUA dos Vietnã.
Numa reunião de cúpula, Nixon e o ditador Leonid Brejnev, secretário-geral do Partido Comunista da URSS, assinam acordos importantes como o Primeiro Tratado de Limitação de Armas Estratégicas (SALT-1), um acordo sobre incidentes no mar e o Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM), também conhecido pela slgla MAD (Destruição Mutuamente Assegurada, em inglês), que significa louco em inglês.
Este tratado proíbe a instalação de defesas antimísseis. Em caso de guerra nuclear, os dois lados arrasariam um ao outro sem qualquer defesa. É o equilíbrio do terror nuclear. Mas começam a ser assinados os acordos que levam ao fim da Guerra Fria. Todos caducam. O último é o Terceiro Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START-3), prorrogado até 5 de fevereiro de 2026.
No momento, com a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, que o ditador Vladimir Putin apresenta como um conflito com o Ocidente, não há a menor condição para negociar acordos de desarmamento e controle de armas, inclusive porque a China não pode ficar de fora e hoje tem um arsenal nuclear com 500 a 600 ogivas. Dentro de alguns anos, terá 1,5 mil ogivas nucleares operacionais como os EUA e a Rússia.
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Ao receber o ditador russo, Vladimir Putin, quatro dias depois da visita do presidente Donald Trump, o ditador Xi Jinping reafirma a posição da China como superpotência candidata a líder mundial e reforça a parceria desigual com uma Rússia cada vez mais dependente de Beijim.
Por ironia da história, a reaproximação entre os Estados Unidos e a China foi uma iniciativa de Henry Kissinger, então assessor de segurança nacional do governo Richard Nixon (1969-74). Em 1969, as duas grandes potências comunistas, a União Soviética e a China, quase foram à guerra depois de vários incidentes na fronteira. Kissinger viu uma oportunidade para atrair a China e torná-la uma aliada informal dos EUA durante a Guerra Fria.
Agora, ao contrário, a invasão da Ucrânia fortaleceu a parceria entre a China e a Rússia, que virou na prática um país-vassalo. Xi e Putin assinaram 40 acordos, mas não o que o russo mais queria: a construção de um gasoduto transiberiano. A Rússia é a segunda maior produtora mundial de gás natural, atrás apenas dos EUA, mas seus gasodutos estão orientados para a Europa. Mas será praticamente impossível para os EUA atrair a Rússia para seu lado numa possível guerra fria com a China que muitos analistas entendem que já começou.
O grande problema nas relações entre a China e os EUA é Taiwan, a pequena ilha que o regime comunista chinês considera uma província rebelde.
SEMANA SANGRENTA EM PARIS
Em 1871, a Comuna de Paris, uma revolta popular contra o governo provisório de Adolphe Tiers que tenta instaurar um regime revolucionário na França, é alvo de uma onda de repressão violenta conhecida como Semana Sangrenta.
A Comuna de Paris é uma insurreição contra o governo francês para criar um regime socialista com governo dos trabalhadores. Deflagrada em 18 de março, vai até 28 de maio. É resultado da derrota para a Alemanha na Guerra Franco-Prussiana (1870-71), do Cerco de Paris e do colapso do Segundo Império (1852-70) sob Napoleão III.
A Assembleia Nacional eleita em fevereiro de 1871 para fazer a paz com a Alemanha tem uma maioria monarquista que reflete o conservadorismo das províncias. Os republicanos de Paris temem que a assembleia reunida em Versalhes restaure a monarquia.
Os revolucionários ganham as eleições municipais de 26 de março. O programa radical da comuna é adotado. Mas comunas de Marselha, Lyon, Saint-Étienne e Toulouse são rapidamente derrotadas. E os fédérés não tem organização militar para enfrentar uma máquina de guerra.
Em 21 de maio, as tropas do governo entram numa região não defendida de Paris. Na Semana Sangrenta, esmagam a comuna, que se defende com barricadas nas ruas da capital francesa e incêndios em prédios públicos.
Pelo menos 877 soldados morrem e outros 187 desaparecem nesta guerra civil. Do lado da Comuna de Paris, são 6.667 mortes confirmadas.
PRIMEIRA AVIADORA A CRUZAR O ATLÂNTICO
Em 1932, a norte-americana Amelia Earhart se torna a primeira mulher a pilotar um avião sozinha e atravessar o Oceano Atlântico.
Amelia Mary Earhart nasce em Atchison, no estado do Kansas, em 24 de julho de 1897, filha de um advogado de companhia ferroviária e de uma mãe de família rica, mas o alcoolismo do pai complica a vida. Durante ou uma visita a uma irmã no Canadá, Amelia resolve cuidar de soldados feridos na Primeira Guerra Mundial (1914-18).
Depois da guerra, ela entra para a Universidade de Colúmbia, em Nova York, mas larga porque a família insiste que vá morar na Califórnia. Lá, em 1920, voa pela primeira vez e começa a receber lições de pilotagem. Em 1921, compra seu primeiro avião e dois anos depois consegue a licença para pilotar.
Nos anos 1920, ela se muda para Massachusetts, onde trabalha como agente social numa casa para imigrantes em Boston, mas não perde a interessa na aviação.
Em 17 de junho de 1928, ela embarca como passageira num voo da Terra Nova, no Canadá, para Burry Port, no País de Gales. Vira celebridade e escreve um livro sobre a experiência, 20 horas e 40 minutos.
A viagem a estimula a organizar seu próprio voo solo. Ela sai em 20 de maio de 1932 de Harbour Grace, na Terra Nova, num Lockheed Vega e chega a Londonderry, na Irlanda do Norte no dia seguinte no tempo recorde de 14 horas e 56 minutos.
Além do sucesso como aviadora, Earhart é conhecida por encorajar as mulheres e desafiar as normas sociais que limitam suas oportunidades.
Em 1935, Amelia Earhart voa sozinha do Havaí à Califórnia num viagem de 3.875 quilômetros, cerca de 800km a mais do que o sobrevoo ao Atlântico. Ela sai de Honolulu, no Havaí, em 11 de janeiro e chega a Oakland, na Califórnia, 17 horas e 7 minutos.
O próximo desafio é dar a volta ao mundo. Em 1º de junho de 1937, ela sai de Miami num avião bimotor Lockheed Electra com Fred Noonon como navegador. Depois de várias escalas para reabastecer, pousam em Lae, na Nova Guiné, em 29 de junho, tendo percorrido 35 mil quilômetros.
Em 2 de julho, eles partem em direção à Ilha Howland a 4,2 mil km de distância. Dois navios dos Estados Unidos ajudam na navegação. Na sua última mensagem pelo rádio, ela avisa que estão ficando sem combustível. O avião desaparece a cerca de 160km do destino.
BOMBA DE HIDROGÊNIO EM BIKINI
Em 1956, um avião bombardeiro dos Estados Unidos joga uma bomba de hidrogênio sobre a ilha de Namu, no Atol de Bikini, no Oceano Pacífico, mostrando que a bomba H pode ser transportada de avião, num novo salto na corrida armamentista nuclear.
Os EUA testam armas nucleares em Bikini desde 1946, com explosões terrestres. Neste teste, um bombardeiro B-52 joga a bomba a uma altitude de mais de 15 mil metros. A explosão acontece a cerca de 4,6 quilômetros do solo, com uma energia de 15 megatons, equivalente a 15 milhões de toneladas de dinamite.
ASSASSINATO DE RAJIV GANDHI
Em 1991, o ex-primeiro-ministro indiano Rajiv Gandhi é assassinado num atentado terrorista suicida em Sriperumbudur, no estado de Tamil Nadu, na Índia.
Rajiv Ratna Gandhi nasce em Bombaim, hoje Mumbai, em 20 de agosto de 1944, filho da futura primeira-ministra Indira Gandhi e neto de Jawaharlal Hehru, o primeiro chefe de governo da Índia independente. Ele estuda no Imperial College de Londres e se forma em engenharia na Universidade de Cambridge, na Inglaterra.
O herdeiro político de Indira é outro filho, Sanjay Gandhi, que morre em acidente aéreo em 23 de junho de 1980.
Outra tragédia, a morte da mãe e primeira-ministra Indira Gandhi, assassinada por um guarda-costas da seita sikh em 31 de outubro de 1984 em Nova Déli, leva Rajiv à chefia do governo e à liderança do Partido do Congresso.
No governo, Rajiv desburocratiza e liberaliza a economia do país. É o reformista que começa a abrir a economia da Índia, hoje a grande economia que mais cresce no mundo, em 6% a 7% ao ano. Deve passar o Japão neste ano para se tornar a quarta maior economia do mundo.
Sem sucesso, tenta pacificar as revoltas dos sikhs do Punjab, que lutam pela independência do Calistão, e dos muçulmanos da Caxemira, que gostariam de se unir ao Paquistão. Depois de escândalos financeiros e da derrota do Partido de Congresso nas eleições de 1989, Rajiv renuncia.
Em maio de 1991, Rajiv está em campanha eleitoral em Tamil Nadu, no Sul da Índia, ele e outras 16 pessoas morrem com a explosão de uma bomba escondida numa cesta de flores carregada por uma mulher ligada aos Tigres da Libertação do Ilam Tamil, um movimento separatista do vizinho Sri Lanka.
É uma vingança. Em 1987, Rajiv envia tropas da Índia para impor um cessar-fogo na guerra civil do país vizinho.
A Justiça da Índia condena em 1998 26 pessoas pelo assassinato de Rajiv Gandhi, tamis do Sri Lanka e seus aliados indianos.
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VASCO DA GAMA CHEGA À ÍNDIA
Em 1498, o navegador português Vasco da Gama chega a Calicute, tornando-se o primeiro europeu a chegar à Índia pelos oceanos Atlântico e Índico, contornando a costa da África.
Em Calicute, Vasco da Gama enfrenta a hostilidade de mercadores muçulmanos e tem de lutar para voltar a Portugal, onde chega em setembro de 1499. Ele volta à Índia em 1502 para vingar um massacre de portugueses. Em 1524, é enviado como vice-rei da Índia, onde contrai malária e morre na cidade de Cochim, em 24 de dezembro de 1524.
MORTE DE COLOMBO
Em 1506, o navegador genovês Cristóvão Colombo, primeiro europeu a explorar a América desde que os vikings estabeleceram colônias na Groenlândia e no Canadá, no século 10, morre em Valladolid, na Espanha, sem saber que descobrira um novo continente. Ele acredita ter chegado às Índias.
Depois de ser rejeitado uma vez pelo rei Dom João II, de Portugal, e duas vezes pelos reis da Espanha, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, na terceira tentativa, os reis católicos, fortalecidos pela conquista de Granada e a expulsão dos mouros da Península Ibérica em 2 de janeiro de 1492, decidem bancar a viagem.
Em 3 de agosto do mesmo ano, Colombo sai de Palos com três pequenos navios, Santa Maria, Pinta e Niña, e chega à América em 12 de outubro, provavelmente a uma das ilhas Bahamas. No mês seguinte, vai a Cuba. Em dezembro funda uma pequena colônia na ilha de Hispaniola, hoje dividida entre Haiti e República Dominica.
Ao todo, Colombo faz quatro viagens à América sem se dar conta de que não está na Ásia. Em 1507, um ano após sua morte, é publicado o primeiro mapa múndi com o novo continente, batizado como América em homenagem ao navegador florentino Américo Vespúcio, que a chamara de Novo Mundo.
LEI DE TERRAS
Em 1862, o presidente Abraham Lincoln sanciona a Lei de Propriedade Rural dos Estados Unidos, que garante a propriedade de até 160 acres (64 hectares) de terras públicas sem qualquer ônus para quem vive na terra e a cultiva por pelo menos 5 anos.
Assim, o acesso à terra nos EUA se dá através da posse. No Brasil, em contraste, a lei de terras é de 1850 e estabelece como princípio de acesso à terra a propriedade.
TRÍPLICE ALIANÇA
Em 1882, a Alemanha, a Áustria-Hungria e a Itália formam a Tríplice Aliança, um acordo militar defensivo para se proteger de ataques de outras potências europeias. Com o início da Primeira Guerra Mundial (1914-18), a Itália deixa a aliança em 1915 sob a alegação de que é só para defesa.
A Alemanha e a Áustria-Hungria são estreitamente ligadas desde 1879. A Itália busca apoio contra a França, inimiga histórica da Alemanha, que se unifica depois da Guerra Franco-Prussiana (1870-71).
O principal responsável pela Tríplice Aliança é o chanceler (primeiro-ministro) alemão, Otto von Bismarck, o Chanceler de Ferro, interessado em preservar o status quo na Europa para evitar que a França tente reconquistar a Alsácia e a Lorena.
Como a Primeira Guerra Mundial começa com uma declaração de guerra da Áustria-Hungria à Sérvia em 28 de julho de 1914, um mês depois do assassinato do herdeiro do trono austro-húngaro, arquiduque Francisco Ferdinando, em Sarajevo, na Bósnia, a Itália inicialmente não entra na guerra sob a alegação de que a Áustria é agressora.
Em 1915, a Itália abandona a Tríplice Aliança e entra na guerra ao lado da Tríplice Entente (Reino Unido, França e Rússia), formada em 1907, na esperança de ganhar territórios da Áustria com isso.
No fim da guerra, com a derrota da Tríplice Aliança, desaparecem os impérios Alemão, Austro-Húngaro e Otomano (Turco), que também adere às potências centrais. Também acaba o Império Russo, que perde a guerra para a Alemanha antes da derrota final alemã em 11 de novembro de 1918.
PRIMEIRO VOO TRANSATLÂNTICO
Em 1926, o aviador norte-americano Charles Lindbergh parte para o primeiro voo sem parar através do Oceano Atlântico. Vai de Nova York a Paris no avião monomotor Espírito de São Luís em 33 horas e meia.
O jovem Lindbergh deixa a Universidade de Wisconsin em Madison no segundo ano para se dedicar à aviação. Entra para uma escola em Lincoln, em Nebraska, e compra um avião Jenny da Primeira Guerra Mundial para viajar pelo Sul e o Meio-Oeste dos EUA.
Depois de ficar um ano numa escola de pilotos do Exército, Lindbergh vai ser piloto do correio aéreo. Em 1926, faz a rota de São Luís, no Missouri, a Chicago, em Illinois. Aí surge a ideia de concorrer ao Prêmio Orteig, de US$ 25 mil, oferecido a quem primeiro cruzar o Atlântico sem parar.
De 10 a 12 de maio de 1926, LIndbergh leva o Espírito de São Luís de São Diego para Nova York com escala em São Luís.
Depois de dias de atraso por causa do meu tempo, ele decola do Campo Roosevelt, em Long Island, ao lado de Nova York, às 7h52 de 20 de maio. Pouco antes do anoitecer, sobrevoa a Terra Nova, no Canadá, e se aventura em mar aberto. Chega ao aeroporto de Le Bourget, perto de Paris, 33 horas e meia e 5,8 mil km depois, às 22h21 de 21 de maio.
A vida do herói é tumultuosa. Em março de 1932, Charles Augustus Jr., filho de Charles e Anne Lindbergh, é sequestrado e encontrado morto.
O casal sai dos EUA e vai para a Europa em dezembro de 1935, primeiro para a Inglaterra e depois para a Alemanha, onde Lindbergh claramente flerta com as ideias de supremacia racial do nazismo, que vê como única força capaz de conter o comunismo da União Soviética, a maior ameaça em sua opinião.
De volta aos EUA, Lindbergh defende a neutralidade dos EUA na Segunda Guerra Mundial (1939-45) e trava um debate com o presidente Franklin Roosevelt em 1941, quando a intervenção militar norte-americana parece inevitável mesmo antes do ataque japonês a Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941. Lindbergh tem um comício do grupo América Primeiro (o mesmo slogan de Donald Trump) em dezembro, que é cancelado.
Durante a guerra, Lindbergh é enviado para a Guerra no Pacífico em abril de 1944 e participa de 50 mísseis de combate como tripulante que arma e dispara bombas e tiros de artilharia. Mas é acima de tudo um técnico. Reduz o consumo de combustível dos aviões P-38, aumentando a autonomia de voo e o alcance dos ataques.
Depois da guerra, o casal leva uma vida tranquila em Connecticut e no Havaí, onde Charles Lindbergh morre em 26 de agosto de 1974 aos 72 anos.
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