domingo, 8 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 8 de Fevereiro

 MARIA, RAINHA DA ESCÓCIA

    Em 1587, Maria Stuart, rainha da Escócia e rival de Elizabeth I, da Inglaterra, é decapitada no Castelo de Fotheringhay, no Condado de Northampton.  

Maria Stuart é a única filha do rei Jaime V e de sua mulher francesa, Maria de Guise. Seis dias depois de seu nascimento, em 1542, o pai morre e ela se torna Rainha da Escócia.

Na Inglaterra, com a morte de Henrique VIII, em 1547, seu filho Eduardo VI ascende ao trono aos nove anos. Doente, morre aos 15, abrindo uma luta pela sucessão entre suas duas irmãs, a católica Maria Tudor, filha do primeiro dos seis casamentos do rei, e a protestante Elizabeth Tudor, filha do segundo casamento.

Henrique VIII rompe com a Igreja Católica em 1534 depois de se divorciar de Catarina de Aragão, filha do rei Fernando II, da Espanha, e se casar com Ana Bolena, mãe de Elizabeth. Assim, elas iniciaram uma era de guerras religiosas que se arrasta até hoje na Irlanda do Norte.

Em 1553, com a morte de Eduardo VI, Maria Tudor (1553-58) assume o trono da Inglaterra, depois de uma breve tentativa de usurpação por Lady Jane Grey. Maria I entra para a história como Maria Sanguinária (Bloody Mary) por sua tenaz perseguição aos protestantes na tentativa de restaurar o catolicismo.

Com a morte de Maria I, em 1558, Elizabeth I (1558-1603) se torna uma das rainhas mais poderosas da História da Inglaterra. Durante o período elizabetano, época de florescimento da literatura de William Shakespeare, o país se torna uma grande potência, entra na era das grandes navegações e começa a construir o Império Britânico.

Sobrinha-neta de Henrique VIII e filha de Jaime V da Escócia, Maria Stuart é uma ameaça ao poder de Elizabeth I.É a primeira na linha de sucessão ao trono. Como os católicos consideram o divórcio e o segundo casamento de Henrique VIII ilegítimos, Elizabeth I seria uma filha bastarda e não teria direito ao trono.

Henrique II, da França, reivindica então a coroa para Maria Stuart, sua nora. Em 1559, com a morte de Henrique II, Maria vira Rainha da França, mas seu marido, o rei Francisco II, morre em 1560, deixando-a viúva aos 18 anos.

Ao voltar à Escócia, Maria Stuart não está preparada para os desafios da luta pelo poder. Elizabeth I não a aceita como sucessora. Acusada de assassinato, abdica ao trono da Escócia em favor de seu filho Jaime VI em 1567. É presa, condenada e executada na Inglaterra.

Por ironia da história, Maria Stuart está enterrada na Abadia de Westminster num túmulo do mesmo esplendor que o de sua arqui-inimiga Elizabeth I. Com a morte de Elizabeth I, que não deixa descendentes, o filho de Maria Stuart ascende ao trono da Inglaterra como Jaime I e resolve honrar a memória da mãe.

IMPÉRIO AUSTRO-HÚNGARO

    Em 1867, o Império da Áustria, herdeiro do Sacro Império Romano-Germânico, se une ao Reino da Hungria para formar o Império Austro-Húngaro ou a Monarquia Dual.

Com a derrota na Guerra Austro-Prussiana (1866), a Áustria se volta para o Leste e forma com a Hungria o segundo maior país de Europa, de 621.583 quilômetros quadrados, atrás apenas da Rússia, e o terceiro maior em população, depois da Rússia e da Alemanha.

O Império Austro-Húngaro tem a quarta maior indústria de fabricação de máquinas do mundo, depois dos Estados Unidos, da Alemanha e do Reino Unido. É o terceiro maior fabricante e exportador mundial de eletrodomésticos e equipamentos para usinas de energia elétrica. 

Em 1868, o Reino da Croácia-Eslavônia passa a integrar o império por causa do Acordo Croata-Húngaro. A partir de 1878, a Bósnia-Herzegovina fica sob o controle cívico-militar austro-húngaro até ser anexada em 1908, o que gera a Crise da Bósnia.

A Rússia e a Sérvia protestam contra a anexação da Bósnia, mas recuam quando a Alemanha anuncia o apoio à Áustria-Hungria. Essa rivalidade está na origem da Primeira Guerra Mundial (1914-18). Em 1892, a Alemanha, a Áustria-Hungria e a Itália criam a Tríplice Aliança, um pacto militar defensivo.

O assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, pelo estudante radical sérvio Gavrilo Princip em 28 de junho de 1914 em Sarajevo, a capital bósnia, é o estopim, a causa imediata da Grande Guerra, como é chamada na época.

No fim da Primeira Guerra Mundial, o Império Austro-Húngaro se dissolve. Parte de seu território passa a fazer parte da Polônia, cuja maior parte estava sob o controle da Rússia, a Tcheco-Eslováquia e o Reino Eslovaco-Sérvio-Croata, que em 1928 passa a se chamar Iugoslávia, se tornam independentes.

NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO

    Em 1915, estreia do filme mudo Nascimento de uma Nação, com direção de David Wark Griffith, a primeira produção de Hollywood a estourar as bilheterias.

É um filme épico em duas partes considerado extremamente racista. Exalta o movimento terrorista branco Ku Klux Klan como um grupo de salvadores heróicos que restauram a ordem no Sul dos EUA depois da Guerra da Secessão (1861-65) 

A primeira parte, sobre a Guerra da Secessão, a Guerra Civil Norte-Americana, vai até o assassinato do presidente Abraham Lincoln, em abril de 1865, logo após o fim do conflito armado. A segunda trata  da caótica Era da Reconstrução (1865-77) pós-guerra civil. 

Com base no livro The Clansman, de Thomas Dixon, é uma obra importante pelas inovações técnicas e dramáticas, o primeiro longa-metragem de sucesso, mas condenado pelo racismo e pela apologia da Ku Klux Klan. Tem um orçamento de US$ 110 mil e 1.544 tomadas de cena. Para comparar, o filme italiano Cabiria (1914), da mesma época, tem menos de 100.

VITÓRIA EM GUADALCANAL

    Em 1943, as forças do Império do Japão abandonam Guadalcanal, uma das Ilhas Salomão, no fim de uma batalha contra os Estados Unidos e aliados durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), uma operação de assalto anfíbio dos fuzileiros navais norte-americanos que marca uma virada na guerra no Oceano Pacífico.

Guadalcanal é a maior das Ilhas Salomão, um arquipélago de 922 ilhas e atóis, 347 habitadas. Ficam a nordeste da Austrália e abrigam povos que falam 87 línguas diferentes. O primeiro contato com europeus é com o espanhol Álvaro de Mendana de Meyra, em 1568.

Em 1893, o Império Britânico anexa Guadalcanal e algumas ilhas do Centro e do Sul do arquipélago. A A Alemanha ocupa ilhas do Norte em 1885 e as cede aos britânicos em 1900.

O Japão invade Guadalcanal em 1942 e começa a construir uma pista de pouso. Os fuzileiros navais dos EUA atacam a ilha em 7 de agosto de 1942. Entre 24 de agosto e 30 de novembro, há seis batalhas navais ao redor da ilha.

Durante a batalha, cerca de 1,6 mil soldados norte-americanos morrem em combate, 4 mil saem feridos e milhares morrem de doenças tropicais. O Japão perde 24 mil soldados. Em 31 de dezembro de 1942, o imperador Hiroíto autoriza as forças japonesas a se retirar. Cinco semanas depois, os EUA controlam a ilha.

Guadalcanal se torna independente do Império Britânico em 1978.

SÍNDROME DO VIETNÃ

    Em 1976, estreia um clássico da história do cinema, Motorista de Táxi, do diretor Martin Scorcese, com Robert de Niro como protagonista no papel de um motorista de táxi de Nova York perturbado mentalmente por lutar na Guerra do Vietnã (1955-75).

Travis Bickle é um jovem frustrado de 26 anos que alega ter sido dispensado do Corpo de Fuzileiros Navais. Como sofre de insônia, aceita trabalhar de noite. Assiste filmes pornográficos, vaga com seu táxi pelas ruas de Nova York na madrugada e ataca com violência o que considera a escória da cidade, incomodado com a decadência da moral e dos bons costumes.

Quando Iris (Jodie Foster), uma prostituta de 12 anos de idade, entra no seu carro para fugir de um cafetão, ele decide salvá-la, embora ela não mostre nenhuma intenção de mudar de vida. 

Travis começa um treinamento físico intensivo e compra quatro revólveres de um traficante de armas. Quando está numa loja durante um assalto, mata o bandido e o dono da loja assume a responsabilidade para evitar que ele seja preso por uso de armas ilegal.

Ao tentar resgatar Iris de um bordel, participa de um tiroteio e vira herói da imprensa sensacionalista por defender a menina prostituta. Depois, recebe uma carta do pai de Iris dizendo que ela voltou para casa em Pittsburgh, se regenerou e voltou para a escola.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 7 de Fevereiro

 DINASTIA DOS ROMANOV

    Em 1613, Miguel Romanov se torna czar da Rússia. É o primeiro da Dinastia Romanov, que governa a Rússia por três séculos, até a Revolução de Fevereiro de 1917.

Filho de Fiódor Nikitich Romanov, Miguel é parente do último czar da Dinastia Rurik, Fiódor I (1584-98). Seu avô Nikita Romanov era tio materno de Fiódor. Quando a Assembleia da Terra se reúne para escolher um novo czar depois de um período problemático, de caos, desordem interna, invasão estrangeira e uma troca de líderes, elege Miguel Romanov.

Quando seu pai, que é obrigado a se tornar um monge, fica livre, se torna patriarca da Igreja Ortodoxa e conselheiro do governo do filho. Até sua morte, em 1633, domina o governo Miguel Romanov. Amplia o contato econômico, diplomático e cultural com a Europa Ocidental. Usa a Assembleia da Terra como órgão consultivo. Reforma a estrutura dos governos locais para aumentar a autoridade do goveno central. E fortalece a instituição da servidão.

EMBARGO A CUBA

    Em 1962, o presidente John Kennedy decreta novas medidas de boicote à Revolução Cubana e impõe um embargo econômico total à ilha, que completa hoje 64 anos. O regime comunista cubano e aliados chamam de "bloqueio", mas não é um bloqueio naval como o que foi imposto durante a Crise dos Mísseis Nucleares Soviéticos em Cuba, em outubro do mesmo ano.

Logo após a vitória da revolução, em 1º de janeiro de 1959, o comandante Fidel Castro tenta uma aproximação e visita os Estados Unidos, mas em plena Guerra Fria é visto como esquerdista em Washington.

Quando o presidente Dwight Eisenhower proíbe as empresas norte-americanas de vender petróleo a Cuba, Fidel nacionaliza três refinarias sem compensação. Em 19 de outubro de 1960, Eisenhower proíbe exportações para Cuba, menos de alimentos e medicamentos. 

Três meses depois da posse de Kennedy, a fracassada tentativa de invasão da Baía dos Porcos, em abril 1961, afasta ainda mais os dois países. Cuba pede proteção à União Soviética.

Em 1962, Kennedy impõe um embargo total em fevereiro e ameaça invadir a ilha durante a Crise dos Mísseis Soviéticos em Cuba, de 14 a 27 de outubro.

Só em 1992, com a Lei da Democracia em Cuba, do deputado Robert Torricelli, o embargo é lei aprovada pelo Congresso. Assim, só pode ser revogado pelo Congresso. A Lei Helms-Burton, de 1996, aperta ainda mais o embargo e exige a realização de eleições democráticas para normalizar as relações entre os dois países.

BEATLEMANIA

    Em 1964, o voo 101 da companhia aérea PanAm chega ao Aeroporto John Kennedy, em Nova York, vindo de Londres com The Beatles a bordo, no início da primeira excursão aos Estados Unidos da banda, recebida por 3 mil fãs enlouquecidos. É o começo da Beatlemania e da Invasão Britânica, que continua com superbandas como The Rolling Stones, The Who, Pink Floyd e Led Zeppelin.

Dois dias depois, os Beatles se apresentam no programa Ed Sullivan Show para uma audiência de 73 milhões de telespectadores na televisão dos EUA. Imediatamente, são contratados para mais dois programas.

Os Beatles fazem um show no Coliseum, em Washington, em 11 de fevereiro, e dois no Carnagie Hall, em Nova York, onde a polícia tem de isolar a área por causa da histeria das fãs, antes de voltar a Londres em 22 de fevereiro.


REI DA JORDÂNIA

    Em 1999, poucas horas depois da morte do pai, o rei Abdula II ascende ao trono do Reino Hachemita da Jordânia. A palavra hachemita significa que supostamente a dinastia descende diretamente do profeta Maomé.

Filho mais velho do rei Hussein, Abdula nasce em Amã, a capital do país, em 30 de janeiro de 1962, e é considerado o príncipe herdeiro até os 3 anos de idade, quando, em meio a uma crise no Oriente Médio, Hussein nomeia o irmão, príncipe Hassan, como herdeiro do trono.

Abdula estuda nos Estados Unidos e no Reino Unido, onde se forma na prestigiada Academia Militar Real de Sandhurst. Em 1993, ele se casa com a palestina Rania al-Yassin. No ano seguinte, se torna comandante das Forças Especiais, posto que ocupa até se tornar rei. Semanas antes de morrer, seu pai o nomeia príncipe herdeiro.

MAIOR CESTINHA DA HISTÓRIA

    Em 2023, LeBron James, o Rei James, se torna o maior cestinha da história da NBA (Associação Nacional de Basquete dos Estados Unidos), superando o recorde de Kareem Abdul Jabbar (38.387).

LeBron Raymone James nasce em Akron, no estado de Ohio, em 30 de dezembro de 1984. É um prodígio do basquete desde a escola. Com a Saint Vincent–Saint Mary High School, é três vezes campeão em quatro anos do campeonato estadual de Ohio. Em 2003, é contratado pelo Cleveland Cavaliers.

Um dos maiores jogadores de basquete da história, LeBron conquista quatro títulos da NBA, com o Miami Heat (2012 e 2013), o Cleveland Cavaliers (2016) e o Los Angeles Lakers (2020). Em 2024, passa a marca de 40 mil pontos. A televisão ESPN o considera o segundo melhor da história, atrás apenas de Michael Jordan.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 6 de Fevereiro

 CÉSAR VENCE ÚLTIMAS FORÇAS DE POMPEU

    Em 46 antes de Cristo, o exército do general Caio Júlio César derrota as forças pompeianas na Batalha de Tapso, uma das principais da Segunda Guerra Civil da República Romana, onde hoje é a Tunísia, e assume o controle da África Romana.

Júlio César, Cneu Pompeu e o magnata Marco Licínio Crasso formam o Primeiro Triunvirato (60-53 AC). César e Crasso permanecem aliados, mas Pompeu e Crasso não se entendem. Crasso é nomeado governador da Síria e morre na Batalha de Carras contra o Império Parta. Deixa César e Pompeu lutando pelo poder.

A guerra civil começa em 49 AC, quando Júlio César desafia a ordem do Senado para desmobilizar seu exército depois das Guerras da Gália, atravessa o Rubicão e marcha rumo a Roma. Depois da derrota na Batalha de Dirráquio, César se recupera vence a Batalha de Farsalos. Pompeu foge para o Egito, onde é assassinado.

Quinto Metelo Cipião, sogro de Pompeu, e Márcio Pórcio Catão, o Jovem, assumem a liderança das forças de Pompeu. Metelo Cipião quer romper o cerco das forças de César a Tapso, um porto no Mar Mediterrâneo. Mobiliza 14 legiões, com cerca de 70 mil homens, e 15 cavaleiros contra cerca de 60 mil soldados do exército de César, que esmagam o inimigo e matam cerca de 10 mil pompeianos. Catão, que comanda as forças na cidade de Útica, se suicida para não se render.  

ERA DAS TELECOMUNICAÇÕES 

    Em 1838, Samuel Morse apresenta em Morristown, no estado de Nova Jérsei, o telégrafo, uma invenção que usa estímulos elétricos para transmitir mensagens codificadas por cabo e inicia uma revolução nas comunicações ao criar as telecomunicações.

Morse nasce em Boston, no estado de Massachusetts, em 27 de abril de 1791, e trabalha como pintor de retratos antes de desenvolver o telégrafo em 1832, criar o Código Morse e fazer de sua invenção um sucesso comercial.

TRATADO DE WAITANGI

    Em 1840, as tribos maoris da Ilha do Norte assinam o Tratado de Waitangi com o Império Britânico, um acordo supostamente destinado a proteger os direitos das nativos que imediatamente serve de base para a colonização da Nova Zelândia.

O tratado tem três artigos. No primeiro, os maoris aceitam a soberania da coroa britânica. No segundo, a coroa se declara protetora dos direitos dos maoris, com controles inclusive sobre a compra e venda de terras do povo maori. O terceiro artigo dá plenos direitos de súdito da coroa britânica a quem assinar o tratado.

REI DO REGGAE

    Em 1945, nasce o cantor e compositor jamaicano Bob Marley, que transforma o reggae numa música universal e é o primeiro popstar do Terceiro Mundo.

Robert Nesta Marley nasce em 6 de fevereiro de 1945 em Nine Miles, na Jamaica, filho de Norval Sinclair Marley e Cedella Booker. A mãe vai com o padrasto Toddy Livingston para Trenchtown, uma favela de Kingston, e leva Bob quando ele tem 10 anos.

Sua paixão pela música é embalada por ritmos como o afro-jamaico ska, o mento e o calipso caribenhos, o jazz e o rhythm'n'blues norte-americanos, que eram tocados nas ruas em sistemas de som improvisados.

No início dos anos 1960, Marley forma com o meio-irmão Bunny Livingston e Peter Tosh the Wailing Wailers. Eles cantam o sofrimento do gueto, num estilo chamado de rude boy.

Sob influência do percussionista rastafariano Alvin Patterson, Marley adota esta religião e a incorpora à produção musical. Os rastafarianos fumam maconha e reverenciam o imperador Hailé Salassié, um líder africano que sai pelo mundo pedindo ajuda depois que a Itália de Benito Mussolini ocupa a Etiópia, em 1935. Pregam a volta para a África como uma Terra Prometida.

O reggae nasce da fusão de ska, rocksteady, ragga, calipso e ritmos africanos. Está no disco Catch a Fire, de 1973, o primeiro dos Wailers lançado internacionalmente. Ele casa com Rita Marley, com quem tem três de seus 11 filhos.

Em 3 de novembro de 1976, durante uma campanha eleitoral acirrada, a casa de Marley é invadida por homens armados que atiram indiscriminadamente. Num concerto pela paz, faz os dois líderes políticos rivais, Michael Manley e Edward Seaga, se darem as mãos.

Com a ameaça da violência política na Jamaica, em 1977, Marley se muda para Londres, onde lança o álbum Exodus. Ele decide conhecer a África. Vai ao Quênia e à Etiópia, origem do movimento rasfatariano. É convidado para a festa da independência do Zimbábue.

Na volta, lança o disco Survival, com músicas sobre os problemas políticos e sociais da África: as guerras, a fome e a desigualdade. Em 1980, Bob Marley & The Wailers dão um show para 100 mil pessoas em Milão. Depois de apresentações em Nova York, surgem os sintomas do câncer.

Consciente de que a própria morte se aproxima, ele diz a um filho: "Não importa quanto dinheiro alguém tenha, o dinheiro não compra a vida."

 

RAINHA ELIZABETH II

Em 1952, depois de uma longa luta contra o câncer, o rei George VI, do Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte, morre na propriedade real de Sandrigham e sua filha mais velha ascende ao trono como a rainha Elizabeth II aos 25 anos e reina até a morte, em 8 de setembro de 2022, no mais longo reinado da história do Reino Unido.

Quando nasce, em 21 de abril de 1926, Elizabeth não é a primeira na linha de sucessão e tem pouca chance de se tornar rainha. Ela é filha de Albert, Duque de York, filho mais moço do rei George V. Tudo muda quando seu tio, o rei Eduardo VIII, abdica para se casar com Wallis Simpson, uma norte-americana divorciada.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), ela e a irmã, a princesa Margaret, passam a maior parte do tempo fora de Londres para serem protegidas dos bombardeios da Alemanha Nazista. Ficam no Castelo de Balmoral, na Escócia, ou no Castelo de Windsor, nos arredores da capital britânica.

Em 20 de novembro de 1947, ele se casa na Abadia de Westminster com um primo distante, Philip Mountbatten, príncipe da Grécia e da Dinamarca. Um ano depois, em 14 de novembro de 1948, nasce o príncipe Charles Philip Arthur George Mountbatten Windsor, o atual rei Carlos III ou Charles III.

O casal está em Sagana, no Quênia, então parte do Império Britânico, a caminho da Austrália e da Nova Zelândia, quando George VI morre. Elizabeth II é coroada na Abadia de Westminster em 2 de junho de 1953. 

Seu reinado, de 70 anos e 214 dias, é o mais longo da história do país, superando os 63 anos, 7 meses e 2 dias da rainha Vitória (1837-1901). É marcado pela descolonização do Império Britânico, especialmente da África, pela Guerra Fria, por um verdadeiro renascimento cultural do Reino Unido nos anos 1960, pela guerra civil na Irlanda do Norte, pela adesão e a saída da União Europeia, e pela crise da monarquia, evidente na morte da princesa Diana e na rebelião do príncipe Harry contra o pai (Carlos III) e o irmão mais velho, William, herdeiro do trono.

A rainha era vista como grande autoridade moral do país, mas o que aquela velhinha simpática representava, aquela vovozinha do mundo, era um império cruel e brutal construído pela diplomacia das canhoneiras da Marinha Real. No auge, em 1920, o Império Britânico domina 35,5 milhões de quilômetros quadrados, mais do quatro vezes o território brasileiro, 26,35% da superfície da Terra.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Último dos acordos do fim da Guerra Fria caduca

Pela primeira vez desde 1972, não há nenhum acordo nuclear em vigor entre as superpotências. O Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicos (Novo START ou START-3), assinado em 2010 pelos presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Rússia, Dimitri Medvedev, expirou hoje.

Este acordo foi prorrogado por cinco anos em 2021, por iniciativa do então presidente norte-americano, Joe Biden, para dar tempo a uma negociação. Agora, o ditador russo, Vladimir Putin, propôs uma extensão informal por mais um ano. O presidente Donald Trump declarou que prefere negociar um acordo "melhor".

O acordo mais antigo era o Tratado sobre Mísseis Antibalísticos (ABM, do inglês), assinado em 1972 pelo presidente Richard Nixon e o líder soviético Leonid Brejnev, para proibir o desenvolvimento e instalação de mísseis antimísseis, de defesa. Era conhecido como MAD, que significa louco em inglês e, no caso, Destruição Mutuamente Assegurada. Criou o equilíbrio do terror nuclear.

Em 2002, o presidente George Walker Bush retirou os EUA do ABM sob a alegação de ameaças a aliados dos EUA, citando o Irã, que acusara de fazer parte de um "eixo do mal" junto com o Iraque e a Coreia do Norte. Quando invadiu o Iraque, em 20 de março de 2003, a Coreia do Norte e o Irã aceleraram seus programas nucleares.

Em 8 de dezembro de 1987, o presidente Ronald Reagan e o líder soviético Mikhail Gorbachev, assinaram o primeiro acordo que abolia toda uma classe de armas atômicas. O Tratado sobre Forças Nucleares Intermediárias (INF) extinguiu os mísseis nucleares baseados em terra com alcance de 500 a 5,5 mil quilômetros.

Trump tirou os EUA do INF em 2 de fevereiro de 2019, sob a alegação de que a Rússia teria violado o acordo ao desenvolver um novo míssil, 9M729, chamado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar ocidental, de SSC-8.

O Tratado sobre Forças Convencionais na Europa (CFE) foi assinado em Paris em 19 de novembro de 1990 entre a OTAN e o Pacto de Varsóvia, a aliança militar do Bloco Soviético.

Putin anunciou que a Rússia não cumpriria mais o acordo em 2007 e saiu formalmente em 7 de novembro de 2023, oito meses e meio depois da invasão da Ucrânia. O acordo não permitiria a concentração de 200 mil soldados russos junto à fronteira ucraniana como Putin ordenou ao preparar a invasão de 24 de fevereiro de 2022, um marco importante no aumento do risco nuclear.

A Rússia e os EUA têm mais de 5 mil ogivas nucleares cada. O START-3 permitia que cada superpotência tivesse até 1.550 ogivas em condições operacionais, mais do que suficientes para extinguir a espécie humana.

Uma das dificuldades para uma nova negociação é que a China, vista hoje pelos EUA como a maior inimiga, precisa ser incluída. O regime comunista chinês tem hoje 600 ogivas nucleares e planos para chegar a mil. É a terceira maior potência nuclear.

Logo atrás, vem a França, com 290 ogivas, e o Reino Unido, com 255, nem todas em condições operacionais. Com a invasão da Ucrânia pela Rússia e a ameaça de Trump de não socorrer os aliados europeus em caso de guerra, a Europa está se rearmando. 

Se Trump mantivesse o compromisso com a OTAN, não precisaria tomar a Groenlândia como vem ameaçando. Poderia negociar com a Dinamarca a instalação de bases militares na ilha. A ocupação da Groenlândia destruiria a OTAN, cujo princípio básico é que um ataque contra é um ataque contra todos.

Essas cinco grandes potências com direito de veto na Organização das Nações Unidas são os únicos países com direito de possuir armas atômicas com base no Tratado de Não Proliferação Nuclear (NPT), de 1968. Mas não são as únicas.

A Índia e o Paquistão, inimigos históricos, desenvolvem armas nucleares desde os anos 1970. Em maio de 1998, assumiram o status de potências nucleares ao testar armas atômicas. Cada um tem pouco mais de 150 ogivas nucleares.

Israel nunca admitiu publicamente ser uma potência nuclear, mas tem a bomba atômica desde 1966 ou 1967. Teria hoje cerca de 90 ogivas nucleares.

A Coreia do Norte fez em 2006 seu primeiro teste nuclear de um total de seis até hoje. O ditador Kim Jong Un sucedeu o pai, Kim Jong Il, que explodiu a bomba, em dezembro de 2011, pouco depois da morte do ditador da Líbia, Muamar Kadafi, que abrira mão de suas armas de destruição em massa num acordo com o Ocidente em 2003. O terceiro Kim aposta nas armas nucleares como garantia de sobrevivência de seu regime, um dos mais fechados do mundo.

No seu primeiro governo, Trump encontrou Kim Jong Un três vezes depois de se ameaçarem com bombardeios nucleares, mas as negociações não evoluíram e a Coreia do Norte se aproximou da Rússia, enviando inclusive soldados para lutar ao lado das forças russas na guerra contra a Ucrânia.

O objetivo dessas negociações seria acabar com o programa nuclear da Coreia do Norte, que provavelmente exigiria em troca a retirada das forças que os EUA mantêm na Coreia do Sul desde a Guerra da Coreia (1950-53), na última fronteira da Guerra Fria. Pela estimativa do Instituto Internacional de Estudos da Paz de Estocolmo (SIPRI), a Coreia do Norte tem pelo menos 50 ogivas nucleares e urânio enriquecido e plutônio suficientes para chegar a 70 a 90 ogivas.

Outro foco de tensão nuclear é o Irã, que iniciou o programa nuclear em 1957, durante o regime do xá Reza Pahlevi. Em 1968, assinou o TNP, assumindo o compromisso de só usá-lo para gerar energia para fins pacíficos. 

O Supremo Líder da Revolução Iraniana, aiatolá Ruhollah Khomeini, considerava a bomba atômica uma arma não islâmica porque mata inocentes. Em 1987, durante bombardeios a cidades durante a Guerra Irã-Iraque (1980-88), autorizou o desenvolvimento de armas nucleares.

Em 2015, o governo Barack Obama (2009-17), as grandes potências do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha negociaram o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), um acordo para congelar por 10 anos o programa nuclear iraniano na expectativa de no fim desse prazo o regime iraniano fosse menos extremista. 

Sob pressão de Israel, Trump retirou os EUA do acordo em 8 de maio de 2018, ironicamente o Dia da Vitória na Europa na Segunda Guerra Mundial (1939-45) sob o argumento de que o acordo se baseava "numa grande ficção, que um regime assassino desejava um programa nuclear pacífico".

Em 22 de julho de 2025, os EUA fizeram um grande bombardeio às principais instalações nucleares do Irã. Trump declarou que o programa nuclear iraniano estava erradicado, mas ninguém acredito nisso. Caminhões foram vistos ao redor dos alvos antes do ataque, provavelmente para retirar o material nuclear. E a tecnologia, o conhecimento sobre como fazer a bomba, não pode ser destruída com ataques.

Neste momento, os EUA concentram uma grande frota de guerra perto do Irã e pressionam o regime a fazer um novo acordo que inclua o abandono do programa de armas atômicas, limites ao desenvolvimento de mísseis e o fim do apoio a milícias no Oriente Médio. O Irã só aceita negociar a questão nuclear.

A realidade é que o mundo se tornou um lugar mais perigoso desde a invasão da Ucrânia e muito mais a partir de hoje. O Relógio do Juízo Final, criado em 1947 pelo Boletim de Cientistas Nucleares, está mais perto do que nunca da meia-noite, a um minuto e 25 segundos da hora fatal.

Hoje na História do Mundo: 5 de Fevereiro

FIM DAS GUERRAS PÚNICAS

    Em 146 antes de Cristo, a República Romana finalmente vence Cartago depois de mais um século de guerra e se torna a potência dominante no Mar Mediterrâneo durante sete séculos.

As Guerras Púnicas são travadas entre Roma e Cartago, uma cidade situada onde hoje é a Tunísia, no Norte da África, entre 264 e 146 AC, num total de 43 anos de guerra.

O império cartaginês domina uma faixa do Norte da África junto ao mar, algumas ilhas do Mediterrâneo, inclusive partes da Sicília, da Córsega e da Sardenha. No momento de maior expansão, controla metade da Península Ibérica. É a maior potência mediterrânea.

A Primeira Guerra Púnica dura 23 anos. É travada em torno das ilhas da Sicília, da Córsega e da Sardenha, por causa do expansionismo romano. Termina com a vitória de Roma, que assume o controle das ilhas do Mediterrâneo.

Na Segunda Guerra Púnica, que começa em 218 AC, o grande general cartaginês Aníbal Barca atravessa a Cordilheira dos Alpes e invade a Itália, onde seu exército luta durante 14 anos até que Roma contra-ataca a cidade de Cartago, forçando Aníbal, que usa até elefantaria, a voltar para defender sua capital. Com a derrota na Batalha de Zama, em 202, Cartago se rende, perde os territórios na Europa e em parte da África, e fica proibido de ir à guerra.

A Terceira Guerra Púnica começa em 149 AC, depois que Cartago se defende invasões de numídios. Roma usa como pretexto para destruir o inimigo. A guerra é travada em território cartaginês, onde hoje é a Tunísia. Cartago é cercada, invadida, saqueada, arrasada e sua população é escravizada. As ruínas da cidade ficam a leste de Túnis.

CONSTITUIÇÃO MEXICANA

    Em 1917, depois da Revolução de 1910, o México adota uma nova Constituição, em vigor até hoje. É a primeira Constituição a reconhecer os direitos sociais.

A Assembleia Constituinte é convocada pelo presidente Venustiano Carranza para institucionalizar a Revolução Mexicana. Reúne-se em Querétaro de 1º de dezembro de 1916 a 31 de janeiro de 2017.

A Constituição Mexicana de 1917 encampa algumas ideias da Revolução. Tem 137 artigos que definem os direitos da cidadania e a estrutura do Estado, manda fazer a reforma agrária e protege os direitos humanos fundamentais dos mexicanos, inclusive direitos trabalhistas (salário mínimo, jornada de trabalho de 8 horas, direito de associação a sindicatos, direito de greve e limitação aos trabalhos feminino e infantil). 

ARMAS DE SADDAM

    Em 2003, numa apresentação patética diante do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o secretário de Estado norte-americano, general Colin Powell, afirma que o ditador do Iraque, Saddam Hussein, tem armas de destruição em massa que representam uma ameaça iminente para justificar a invasão de março do mesmo ano.

A CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) recebe em 18 de outubro de 2001, pouco depois dos atentados terroristas de 11 de setembro, um informe do serviço secreto militar da Itália, na época governada pela primeiro-ministro conservador Silvio Berlusconi, dizendo que o Iraque estava comprando torta amarela de urânio enriquecido do Níger.

Em fevereiro de 2002, os EUA enviam o embaixador Joseph Wilson ao Níger investigar a denúncia. Ele fala com o ex-primeiro-ministro nigerino Ibrahim Hassane Mayaki, que diz não saber de nenhum contato, a não ser de um empresário que recebe uma delegação iraquiana interessada em "expandir" as relações comerciais.

Wilson entrega seu relatório em março de 2002, concluindo que o informe italiano não tem fundamento.

Mesmo assim, em 28 de janeiro de 2003, um ano depois de declarar que o Irã, o Iraque e a Coreia do Norte formam um "eixo do mal", no Discurso sobre o Estado da União perante o Congresso, o presidente George Walker Bush alega que "o governo britânico soube que Saddam Hussein tentou comprar quantidades de urânio significativas na África."

Com a decisão de invadir o Iraque tomada, Colin Powell vai à ONU apresentar as justificativas dos EUA. Em 2016, reconhece que sua apresentação "foi um grande fracasso de inteligência". As alegações vêm do Conselho de Segurança Nacional e a conselheira na época, Condoleezza Rice, as atribui ao escritório do vice-presidente Dick Cheney, o grande defensor da guerra. Era secretário da Defesa em 1991, quando os EUA e aliados expulsam os iraquianos do Kuwait mas não marcham até Bagdá.

Powell declara que a Comissão de Desarmamento da ONU não conseguiu eliminar os programas de armas de destruição em massa de Saddam, que o Iraque amordaça seus cientistas, esconde armas proibidas, inclusive toneladas do agente biológico antraz, abriga terroristas ligados à rede Al Caeda, ainda tenta desenvolver armas nucleares e que Saddam se nega a se desarmar pacificamente.

Os EUA não conseguem convencer nem aliados como a Alemanha e a França, não propõem uma resolução para legalizar a guerra e invadem o Iraque em 20 de março sem a autorização da ONU.

CHANTAGEM À UCRÂNIA

    Em 2020, depois de ser denunciado pela Câmara dos Representantes por chantagear o presidente da Ucrânia, o presidente Donald Trump é absolvido no Senado com os votos da maioria republicana.

O processo é aberto pela maioria democrata na Câmara porque Trump pressiona, em conversa telefônica em 25 de julho de 2019, o presidente Volodymyr Zelenski a acusar Joe Biden e filhos de algum negócio ilícito na Ucrânia para usar isso na campanha eleitoral. Trump ameaça não liberar uma ajuda militar US$ 391 milhões à Ucrânia aprovada pelo Congreso. É denunciado por "abuso de poder" e "obstrução do Congresso".

No fim de seu primeiro governo (2017-21), Trump é submetido a um segundo processo de impeachment pelo assalto de seus partidários ao Capitólio em 6 de janeiro de 2001 para tentar impedir a certificação da vitória de Biden. É absolvido pela segunda vez. De volta à Casa Branca em 2025, usa o Departamento da Justiça para perseguir quem o acusou e investigou.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 4 de Fevereiro

  NASCE A CONFEDERAÇÃO

    Em 1861, dois meses antes do início da Guerra da Secessão (1861-65), delegados do Alabama, da Carolina do Sul, da Flórida, da Geórgia, da Lousiana e do Mississípi se reúnem em Montgomery, no Alabama, para criar os Estados Confederados da América, que tentam se separar da União para manter a escravatura.

Desde 1858, há um movimento separatista no Sul, agrário, dos Estados Unidos para discutir uma saída conjunta da União se o Norte, industrializado, quiser abolir a escravidão. Em 1860, a maioria dos estados escravistas do Sul ameaça claramente se separar.

Logo depois da vitória de Abraham Lincoln, do Partido Republicano, na eleição presidencial de novembro de 1860, a Carolina do Sul inicia preparativos para a secessão. Em 20 de dezembro, a Assembleia Legislativa estadual aprova a Ordenacão da Secessão, que declara que "a União que hoje existente entre a Carolina do Sul e outros estados, sob o nome de Estados Unidos da América, está dissolvida pelo presente documento."

Imediatamente, a Carolina do Sul toma fortes, quartéis, arsenais e locais estratégicos. Em seis semanas, outros cinco estados fazem o mesmo.

Em 8 de fevereiro de 1861, os seis estados citados acima e o Texas criam a Confederação. No dia 9, Jefferson Davies, do Mississípi, é eleito presidente.

Quando Lincoln toma posse, em 4 de março, os sulistas controlam quase todas as instalações militares nos estados confederados. A guerra civil começa em 12 de abril de 1861, com o ataque do Sul ao Forte Sumter, no porto de Charleston, na Carolina do Sul.

Dentro de dois meses, os estados da Virgínia, Arkansas, Carolina do Norte e Tennessee aderem à Confederação.

Lincoln vai á guerra para preservar a União. Em 1º de janeiro de 1863, faz a Proclamação de Emancipação libertando os escravos dos estados do Sul para que se juntem às forças do Norte. 

Ao transformar a guerra civil numa luta contra a escravidão, Lincoln evita que países europeus como o Reino Unido e a França, importadores de algodão do Sul para sua indústria nascente, reconheçam a independência da Confederação.

A 13ª Emenda à Constituição dos EUA, que acaba com a escravidão e a servidão involuntária, a não ser um caso de condenação por crime, é aprovada pela Câmara dos Representantes em 31 de janeiro de 1865 e ratificada até o fim daquele ano.

Com 620 mil mortes, de 360 mil nortistas e 260 mil sulistas, a Guerra da Secessão é a guerra mais sangrenta da história dos EUA.

CONFERÊNCIA DE IALTA

    Em 1945, começa a Conferência de Ialta, um encontro dos três grandes líderes da guerra contra o nazifascismo, o presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, o ditador da União Soviética, Josef Stalin, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Winston Churchill, para discutir o futuro diante da deerrota da Alemanha.

Os líderes dos aliados já haviam decidido dividir a Alemanha. Em Ialta, na Crimeia, até 11 de fevereiro, acertaram que não teriam responsabilidade alguma com os alemães, com a exceção de garantir um mínimo de subsistência, A indústria bélica da Alemanha será eliminada. A Alemanha será desmilitarizada e desnazificada. Os criminosos de guerra serão julgados num tribunal internacional. Uma comissão vai estudar reparações. Stalin promete colocar a URSS na ONU.

NASCE O FACEBOOK

    Em 2004, entra no ar o sítio TheFacebook.com, que se torna a maior rede social do mundo, com cerca de 3 bilhões de usuários em 2021.

O acesso é gratuito. O faturamento vem principalmente dos anúncios. Seu fundador, Mark Zuckerberg, vira um bilionário, um dos homens mais ricos do mundo. O Facebook chega a ter 3 bilhões de usuários em 2021. 

Nos últimos anos, a plataforma tem sido acusada de divulgar notícias falsas e discursos de ódio. Na semana passada, durante depoimento de diretores de redes sociais ao Congresso dos Estados Unidos, Zuckerberg pede desculpas a parentes de menores que se suicidaram pelo assédio sexual sofrido na rede social.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 3 de Fevereiro

 NASCIMENTO DE MANDELSSOHN

    Em 1809, nasce em Hamburgo, hoje parte da Alemanha, o compositor, pianista, maestro e professor Felix Mandelssohn, um dos expoentes do início do Período Romântico (1830-1910), que dá mais importância ao sentimento e à imaginação do que às regras rígidas do Período Clássico (1750-1830).

Jakob Ludwig Felix Mandelssohn Bartholdy nasce em uma família judaica que se converte ao cristianismo, ao protestantismo luterano, para se adaptar às ideias liberais do século 19. 

Em 1811, durante a ocupação de Hamburgo pela França, a família vai para Berlim, onde o jovem Mandelssohn estuda piano com Ludwig Berger e composição com Carl Friedrich Zelter. Aos 9 anos, ele faz a primeira apresentação em Berlim.

Ao todo, Mandelssohn compõe cerca de 750 músicas, incluindo sinfonias, óperas, concertos, sonatas, fugas e peças para orquestras de cordas. Talvez sua obra mais famosa seja Sonho de uma Noite de Verão, que inclui a famosa Marcha Nupcial.

DIREITO DE VOTO PARA NEGROS

    Em 1870, a 15ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos é ratificada para garantir o direito de voto para todos os homens adultos, independentemente da raça ou cor da pele. Junto com a 13ª e da 14ª Emendas, assegura os direitos civis dos antigos escravos depois da Guerra da Secessão (1861-65).

A 13ª Emenda abole a escravatura e a 14ª Emenda, conhecida como a emenda da Reconstrução pós-guerra civil, dá cidadania plena aos afroamericanos e a todos nascidos no país. A 15ª Emenda determina que o direito de voto não pode ser negado "com base na raça, cor ou prévia condição de servidão."

As mulheres só conquistam o direito de voto em 1920, com a 19ª Emenda à Constituição dos EUA.

EUA ROMPEM COM ALEMANHA

    Em 1917, antes de entrar na Primeira Guerra Mundial (1914-18), os Estados Unidos rompem relações com a Alemanha em protesto contra a decisão alemã de fazer ataques indiscriminados de submarinos no Oceano Atlântico e por causa do Telegrama Zimmermann, uma mensagem do ministro do Exterior alemão, Arthur Zimmermann, propondo uma aliança ao México com a promessa de ajuda o país a retomar o território conquistado pelos EUA na Guerra Mexicano-Americana (1846-48).

No Discurso de Despedida, em 1796, o primeiro presidente dos EUA, George Washington, recomenda que o país comercie com todos os países, mas não se envolva em guerras externas, especialmente com países europeus. É um dos documentos fundadores da política externa norte-americana. Está na origem da política externa isolacionista.

A economia dos EUA prospera com a neutralidade, embora a Alemanha ataque o comércio transatlântico, e o país tem uma grande população de origem britânica e alemã. 

Em fevereiro de 1915, os Estados Unidos alertam a Alemanha sobre o uso indevido de submarinos. Em 22 de abril, a Embaixada Imperial Alemã adverte os cidadãos norte-americanos contra o embarque em navios para o Reino Unido pelo risco de enfrentar um ataque alemão. 

Em 7 de maio de 1915, a Alemanha torpedeia e afunda o transatlântico britânico de passageiros Lusitania, matando 1.199 civis, inclusive 128 norte-americanos. A partir daí, a opinião pública dos EUA passa a ver a Alemanha como um país hostil, ainda que não a ponto de entrar na guerra. Mas o presidente Woodrow Wilson (1913-21), um idealista e um cristão devoto, acredita que Deus convoca os EUA a entrar na guerra. 

Em discurso no Congresso, em 3 de fevereiro de 1917, ele anuncia o rompimento com a Alemanha. Para convencer os norte-americanos a entrar na guerra, Wilson declara que "é a guerra para acabar com todas as guerras".

Wilson pede autorização ao Congresso para entrar na guerra em 2 de abril de 1917. Em 6 de abril, o Congresso aprova e os EUA se juntam aos aliados: França, Reino Unido, Rússia, Itália e Japão. Os primeiros soldados norte-americanos desembarcam na França em 26 de junho.

A participação dos EUA é decisiva para a vitória aliada. No fim da guerra, o presidente Wilson apresenta um plano de paz de 14 pontos que inclui a fundação da Liga das Nações, a primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial, mas o Senado dos EUA não ratifica a Convenção da Liga e a maior potência mundial fica fora da organização. 

A Conferência de Paz de Versalhes (1919) impõe exigências e indenizações pesadas à Alemanha. É a paz para acabar com todas as pazes. Incentiva o revanchismo alemão e a ascensão do Nazismo, o que leva à Segunda Guerra Mundial (1939-45).

EUA TOMAM ILHAS MARSHALL

    Em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), os Estados Unidos invadem e conquistam as Ilhas Marshall, ocupadas pelo Império do Japão na Primeira Guerra Mundial (1914-18).

O primeiro europeu a avistar as Ilhas Marshall é da frota espanhola de Alonso Salazar, em 1526. As ilhas viram colônia espanhola. O capitão John Charles Marshall chega em 1788. Por volta de 1820, o explorador russo Adam Johann von Krusenstern e o explorador francês Louis Isidore Duperrey passam a chamar o arquipélago de Ilhas Marshall.

As ilhas viram um protetorado alemão. No Tratado de Versalhes (1919), depois da Primeira Guerra Mundial, a Alemanha renuncia a todas suas possessões no Oceano Pacífico. Em 1920, o Conselho da Liga das Nações entrega as ilhas dominadas pela Alemanha acima da linha do Equador para o Japão.

Na Segunda Guerra Mundial, os EUA invadem e ocupam as Ilhas Marshall.

DOLCE VITA

    Em 1960, a comédia dramática La Dolce Vita, do diretor italiano Federico Fellini, com Marcello Mastroiani e Anita Ekberg, tem sua estréia mundial para se tornar um dos filmes mais importantes da história do cinema.

Mastroiani é um jornalista desiludido que escreve fofocas sobre a vida da alta burguesia, com vergonha da superficialidade do seu trabalho, mas fraco demais para além da vida fácil: bebida, mulheres e alegrias fugazes.

Fellini critica o consumismo e a decadência da vida burguesa. A cena inicial mostra uma estátua de Jesus Cristo em Roma misturada com mulheres de biquíni, num contraste da promiscuidade entre o sagrado e o profano. O Vaticano condena o filme.

Numa cena épica, Mastroiani e Ekberg flertam na Fontana di Trevi, um dos lugares mais famosos da capital da Itália.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 2 de Fevereiro

 TRATADO DE GUADALUPE HIDALGO

    Em 1848, os Estados Unidos e o México assinam um acordo de paz que acaba com a Guerra Mexicano-Americana (1846-48), que traça a fronteira entre os dois países no Rio Grande. Com um pagamento de US$ 15 milhões, os EUA tomam 1,36 milhão de quilômetros quadrados, 41% do território mexicano, onde ficam os estados da Califórnia, do Arizona, do Colorado, de Nevada, do Novo México, do Texas e de Utah.

Esta anexação praticamente completa a expansão territorial dos EUA e deflagra guerras civis nos dois países, no México em 1857 e nos EUA a Guerra da Secessão (1861-65).

O conflito começa com a Guerra da Independência do Texas ou Revolução Texana (1835-36) e com a disputa sobre onde fica a fronteira dos dois países, no Rio das Nozes, como queria o México, ou no Rio Grande, como reivindicam os EUA.

Pouco depois da anexação oficial do Texas, em 1845, o México corta relações com os EUA. Em setembro, o presidente James Polk manda John Slidell em missão secreta à Cidade do México para negociar a questão da fronteira e propor a compra da Califórnia e do Novo México por US$ 30 milhões.

Quando o presidente mexicano, José Joaquín Herrera, se nega a receber Slidell, o presidente Polk manda o general Zacharias Taylor ocupar o território entre os rios Grande e das Nozes.

Polk se prepara em 9 de maio para pedir autorização ao Congresso para declarar guerra sob a alegação de que o México se recusa a aceitar as reivindicações dos EUA, quando recebe a notícia de que o México cruzou o Rio Grande en 25 de abril e atacou as forças de Zacharias, matando ou ferindo 16 norte-americanos.

Em 11 de maio, o presidente pede que o Congresso aprove a guerra sob a alegação de que o México "invadiu nosso território e derramou sangue de norte-americanos em solo dos EUA." O Congresso autoriza a guerra em 13 de maio, mas o país se divide. Entre os mais agressivos desafiantes de Polk está o deputado e futuro presidente Abraham Lincoln.

Os abolicionistas veem na guerra uma tentativa dos estados escravagistas de ampliar a escravidão. Um dos abolicionistas é o escritor e naturalista Henry David Thoreau, preso em julho de 1846 por se negar a pagar impostos com o argumento de não querer financiar a guerra. Uma tia paga a dívida e ele é solto. Thoreau escreve o livro Desobediência Civil, em que propõe a legitimidade de revoltas pacíficas contra injustiças do governo.

No início da guerra, o general e ex-presidente mexicano Antonio López de Santa Anna entra em contato com Polk. O presidente dos EUA manda resgatá-lo do exílio em Cuba para negociar a paz. Santa Anna assume o comando militar mexicano.

As doenças matam pelo menos 10 mil soldados dos EUA, mais do que os 1,5 mil mortos em combate. Em 14 de setembro de 1847, as tropas do general Winfield Scott entram na Cidade do México. É o fim da fase militar da guerra.

FIM DA BATALHA DE STALINGRADO

    Em 1943, os últimos soldados da Alemanha Nazista se rendem em Stalingrado, na União Soviética, depois de cinco meses de uma batalha decisiva da Segunda Guerra Mundial (1939-45) e das mais sangrentas da história, com quase 2 milhões de mortos e feridos.

Nove dias antes do início da guerra, Alemanha e URSS assinam o Pacto Germano-Soviético, um acordo de não agressão que os nazistas precisam para invadir a Polônia e a Europa Ocidental. A URSS ocupa as repúblicas bálticas e o Leste da Polônia.

Depois da tomar a Europa Ocidental e não conseguir invadir o Reino Unido ao perder a Batalha da Inglaterra, uma batalha aérea, em outubro de 1940, a Alemanha invade a URSS em 22 de junho de 1941, no início do verão.

Os alemães atacaram em três frente, no Norte, rumo a Leningrado; no Centro, em direção a Moscou; e no Sul, em direção à Ucrânia e além, chegando a Stalingrado (hoje Volgogrado).

A Batalha de Stalingrado começa em 23 de agosto de 1942. É um momento de virada na guerra. A partir daí, o Exército Vermelho contra-ataca e inicia sua ofensiva rumo a Berlim, que cai em 8 de maio 1945, fim da Segunda Guerra Mundial na Europa.

CARNICEIRO DE UGANDA

    Em 1971, Idi Amin Dada se declara presidente de Uganda e impõe uma ditadura brutal pelos próximos oito anos.

Idi Amin nasce em 1924 ou 1925 e tem pouca educação formal. Em 1946, entra para o exército colonial britânico como auxiliar de cozinheiro. Ele alega ter lutado na Birmânia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), mas só entra para o exército depois do fim da guerra. Luta contra a Revolta dos Mau Mau (1952-56) no Quênia, um episódio trágico da descolonização da África.

Quando Uganda se torna independente, em 1962, Idi Amin se aproxima do primeiro-ministro e presidente Milton Obote. Ele se torna comandante do Exército e da Força Aérea. Dá um golpe em 25 de janeiro de 1971 e impõe uma tirania.

Em 1972, expulsa os asiáticos de Uganda, na maioria indianos, o que tem forte impacto negativo na economia. Muçulmano, hostiliza Israel, se aproxima da Líbia e dos palestinos. Envolve-se diretamente no sequestro de um avião francês desviado para Entebe, em 1976, quando comandos israelenses invadem o país para resgatar os reféns.

Cerca de 300 mil pessoas morrem sob a ditadura de Idi Amin, comparado pelo senador Paulo Brossard ao ditador brasileiro Ernesto Geisel (1974-79) no discurso Carranca não é autoridade.

Em outubro de 1978, Idi Amin ordena um ataque à vizinha Tanzânia. Com o apoio da oposição em Uganda, o Exército da Tanzânia vence a guerra. Quando as forças tanzanianas se aproximam de Kampala, a capital de Uganda, em 11 de abril de 1979, Idi Amin foge para a Líbia e depois para a Arábia Saudita, onde morre em 16 de agosto de 2003.

MORTE DE SID VICIOUS

    Em 1979, o baixista Sid Vicious, da banda Sex Pistols, pioneira do punk rock na Inglaterra, morre em Nova York de dose excessiva de heroína.

John Simon Ritchie nasce em Lewisham, na Inglaterra, em 10 de maio de 1957. Começa a carreira musical em 1976. No ano seguinte, com a saída de Glen Matlock dos Sex Pistols, ele vira baixista da banda, posição que ocupa até o fim da banda, em janeiro de 1978.

Durante sua experiência caótica nos Sex Pistols, Sid conhece Nancy Spungen, que se torna sua namorada e empresária. Os dois têm uma relação destrutiva com uso e abuso de heroína que termina com a morte de Nancy em 12 de outubro de 1978. Ele é preso sob a acusação de assassinato e solto em liberdade condicional.

Sua mãe dá uma festa para festejar a libertação. Ele usa heroína e é encontrado morto no dia seguinte.


LEGALIZAÇÃO DO CNA

    Em 1990, o último presidente branco da África do Sul, Frederik de Klerk, acaba com a proscrição do Congresso Nacional Africano (CNA), o principal partido da maioria negra, abrindo caminho para a libertação de Nelson Mandela em 11 de fevereiro daquele ano.

O CNA nasce em 1912 como Congresso Nacional dos Nativos Sul-Africanos. Em 1923, é rebatizado como Congresso Nacional Africano. Desde os anos 1940, é a ponta de lança da luta da maioria negra contra o regime do apartheid, a política de segregação racial da ditadura da minoria branca.

Sob a inspiração do naturalista norte-americano Henry David Thoreau, do escritor russo Leon Tolstoy e do líder da independência da Índia, Mohandas Gandhi, Mandela defende a luta pacífica. Depois da morte de 69 negros no Massacre de Sharpeville, em 21 de março de 1960, o CNA adere à luta armada e é proscrito.

Comandante do braço armado do CNA, Umkhonto we sizwe (Lança da Nação), Mandela é preso em 1962 e condenado à morte em 1964, pena comutada para prisão perpétua. Depois de 27 anos, sai da prisão para negociar o fim do apartheid e levar a maioria negra ao poder nas primeiras eleições democráticas, em 1994.