STALIN VIRA SECRETÁRIO-GERAL
Em 1922, antes da morte de Lenin, Josef Stalin se torna secretário-geral do Partido Comunista do que no fim do ano seria a União Soviética, sua base para assumir o controle da máquina burocrática, vencer a luta pela sucessão e se transformar num ditador brutal e cruel.
Josef Vissarianovich Dzugachvili nasce em Góri, na Geórgia, em 18 de dezembro de 1878, e entra para a política como ativista do Partido Operário Social-Democrata Russo. Ele edita o jornal Pravda e comete roubos e sequestros para arrecadar dinheiro para a facção bolchevique, liderada por Vladimir Ilich Ulianov (Lenin). É preso várias vezes e enviado para o exílio interno na Sibéria.
Com a vitória da Revolução Comunista, em 1917, Stalin entra para o Politburo, o birô político do Comitê Central. É o comissário das nacionalidades no fim de 1922, quando nasce a Uniào Soviética.
Depois da morte de Lenin, em 1924, há uma luta pelo poder em que Stalin derrota o grande líder da revolução ao lado de Lenin, Leon Trotsky. A partir de 1927, Stalin conquista poderes absolutos, coletiviza a agricultura matando 3,9 milhões de ucranianos, a persegue inimigos com expurgos, prisão, processos forjados, tortura e morte.
O Grande Expurgo dura quatro anos. Milhões de pessoas são presas, exiladas ou mortas. Durante 1937 e 1938, a polícia secreta stalinista NKVD prende 1.548.366 pessoas; destas, 681 692 são executadas, numa média de mil execuções por dia.
Em comparação, a Rússia czarista executa 3.932 pessoas por crimes políticos de 1825 a 1910, numa média de menos de 1 execução por semana.
Stalin deixa a Secretaria-Geral do PC em 1952. De 1941 até a morte, em 5 de março de 1953, é primeiro-ministro da URSS.
Com a morte de Stalin, em 5 de março de 1953, Nikita Kruschev vence Georgy Malenkov na disputa pela liderança comunista, e afasta Laurenti Beria, o chefe da polícia política de Stalin, a NKVD.
Para consolidar o poder, Kruschev denuncia o culto da personalidade e os crimes do stalinismo no 20º Congresso do PCUS, em 25 de fevereiro de 1956, e anuncia um processo desestalinização.
MARCHA DA MORTE PUNIDA
Em 1946, o general do Exército Imperial do Japão Homma Masaharu é executado por obrigar os prisioneiros a fazer a Marcha de Morte de Bataan, nas Filipinas, em abril de 1942, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).
Horas depois do ataques do Japão à 7ª Frota dos Estados Unidos, com base em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, os japoneses invadem as Filipinas, que eram uma colônia norte-americana.
A Marcha da Morte de Battan é considerada um dos piores crimes da Guerra do Pacífico. Os japoneses forçam 76 mil prisioneiros de guerra, 66 mil filipinos e 10 mil norte-americanos, a marchar 106 quilômetros sob tortura e maus-tratos.
A marcha começa no fim da Batalha de Bataan, em 9 de abril em Mariveles, no extremo sul da Península de Bataan, quando um exército aliado de 75 mil filipinos e norte-americanos se rendem a 50 mil japoneses sob o comando do general Masaharu.
Os prisioneiros vão em marcha forçada rumo ao norte para San Fernando, de onde vão em trens insalubres e superlotados até Capas, mais ao norte. De lá, caminharam mais 11km até Camp O'Donnell, um antigo centro de treinamento do Exército das Filipinas usado pelos japoneses como campo de prisioneiros.
Durante a marcha, que durou de 5 a 10 dias, dependendo de onde os prisioneiros entraram, os prisioneiros são espancados, baleados, atacados com baionetas e alguns degolados. Só 54 mil prisioneiros chegam ao campo. Pelo menos 2,5 mil filipinos e 500 norte-americanos morrem no caminho. Muitos que chegam ao destino, 26 mil filipinos e 1,5 mil norte-americanos, morrem de fome e doenças.
TRUMAN SANCIONA PLANO MARSHALL
Em 1948, o presidente Harry Truman sanciona a Lei de Assistência Econômica, um programa para reconstruir e estabilizar a Europa depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45) conhecido como Plano Marshall.
O objetivo é fortalecer as economias capitalistas aliadas dos Estados Unidos e reduzir a atratividade dos partidos comunistas no início da Guerra Fria, a grande confrontação estratégica, política, militar, ideológica, econômica, científica, tecnológica e cultural com a União Soviética.
O secretário de Estado norte-americano, George Marshall, defende a ajuda dos EUA à Europa e pede aos países europeus que façam um plano em discurso na Universidade de Harvard, em Cambridge, no estado de Massachusetts, em 5 de junho de 1947.A França e o Reino Unido convidam os países do continente para uma reunião em Paris. A URSS boicota o encontro e pressiona a Hungria, a Tcheco-Eslováquia e a Polônia a fazer o mesmo.
O Congresso dos EUA aprova a proposta do Comitê de Cooperação Econômica da Europa em 2 de abril de 1948.
Durante quatro anos (1948-51), o Programa de Recuperação da Europa distribui US$ 13,4 bilhões (US$ 115 bilhões pela cotação de 2020) em ajuda direta e empréstimos a 18 países, inclusive Alemanha Ocidental, Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, Grécia, Holanda, Irlanda, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal e Suécia. Seus produtos internos brutos subiram de 15% a 25%.
Em resposta ao Plano Marshall, em 1949, a URSS cria o Conselho de Assistência Econômica Mútua (Comecon) com a Alemanha Oriental, a Bulgária, a Hungria, a Polônia, a Romênia e a Tcheco-Eslováquia.
ÚLTIMO DISCURSO DO DR. KING
Em 1968, durante uma greve de trabalhadores do setor de limpeza pública da cidade de Memphis, no estado do Tennessee, o líder do movimento pacífico pelos direitos civis dos negros, reverendo Martin Luther King Jr., faz seu último discurso, Estive no Topo da Montanha, na sede da Igreja Mundial Deus em Cristo, com um apelo à união e à luta pacífica. Horas depois, é assassinado.
Filho de um pastor batista de classe média abastada, o Luther King nasce em 15 de janeiro de 1929 em Atlanta, na Geórgia. Ele organiza a primeira grande manifestação contra a segregação racial no Sul dos EUA: o Boicote aos Ônibus de Montgomery, no Alabama, depois da prisão de Rosa Parks por se negar a ceder seu lugar, em 1º de dezembro de 1955.
Sob influência do líder da independência da Índia, Mohandas Gandhi, o Mahatma, cujas ideias conheceu num seminário onde estudou teologia por três anos (1948-51), Luther King defende a luta não violenta e a desobediência civil como instrumentos contra o racismo institucionalizado. Apesar da reação violenta da maioria branca, o movimento persiste, mas enfrenta oposição dos Panteras Negras como Stokely Carmichael e Louis Farrakhan, a favor do uso da força.
Grande orador, King apela aos valores cristãos e à democracia como base de sua campanha. Em 28 de agosto de 1963, lidera a Marcha sobre Washington e faz o famoso discurso Eu Tenho um Sonho: "Eu tenho um sonho de que um dia meus filhos serão julgados pela nobreza do seu caráter e não pela cor da sua pele."
A Lei de Direitos Civis, aprovada em 1964, proíbe a discriminação racial no emprego e na educação, e acaba com a segregação em locais públicos. Em outubro de 1965, Luther King ganha o Prêmio Nobel da Paz.
No último discurso, ele vai do Egito e da Grécia Antiga, passa em revista lugares e momentos importantes da história dizendo que esteve lá mas não parou, que o mundo assistia a uma redenção ainda maior com o movimento pelos direitos civis. Há uma peça de teatro, O Topo da Montanha, de Katari Hall, sobre esta última noite.
PAPÉIS DO PANAMÁ
Em 2016, mais de 11,5 milhões de documentos confidenciais do escritório de advocacia Mossack Fonseca, com sede no Panamá, originalmente vazados para um jornal da Alemanha, são divulgados depois de um ano de investigação pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos. Eles revelam como 214 mil empresas e 29 multimilionários e bilionários escondem sua riqueza para não pagar impostos.
São citados os chefes de Estado de cinco países (Arábia Saudita, Argentina, Emirados Árabes Unidos, Islândia e Ucrânia) e altos funcionários, parentes e assessores de líderes de Angola, Brasil, China, Coreia do Norte, França, Índia, Malásia, México, Paquistão, Reino Unido, Rússia e Síria.
Ter conta em paraísos fiscais não é um crime em si, mas deve ser declarado no país onde a empresa ou pessoa tem domicílio fiscal, mas as reportagens desmascaram empresas de fachada usadas para cometer crimes como fraude, evasão fiscal e tráfico de drogas,
Entre os políticos brasileiros, são citados o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, o ex-ministro Delfim Netto, ex-governador de Minas Gerais, Newton Cardoso, o ex-governador do Distrito Federal Paulo Octavio, o senador Edison Lobão, o ex-deputado federal João Lira e o ex-senador Sérgio Guerra. Da mídia, o apresentador Carlos Massa (Ratinho), o diretor da TV Globo Carlos Schroder, o jornalista José Roberto Guzzo, o diretor do Estado de São Paulo Ruy Mesquita Filho e Paula Marinho, da família dona do Grupo Globo.
Pelo menos 57 investigados na Operação Lava Jato tinham 100 empresas em paraísos fiscais.























