segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 7 de setembro

CRUZADA DOS REIS

    Em 1191, na Terceira Cruzada, o exército muçulmano do sultão Saladino ataca as forcas do rei Ricardo I, da Inglaterra, na Batalha de Arçufe, na Palestina, na marcha de Acre a Jafa. Ricardo Coração de Leão contra-ataca ao entardecer, mas sua marcha rumo a Jerusalém é retardada.

As Cruzadas são uma série de nove expedições militares dos cristãos para tentar reconquistar Jerusalém, tomada pelo califa Omar em 638. Depois do ano 1000, o patriarca da Igreja Ortodoxa de Constantinopla, capital do Império Bizantino, pede ajuda à Igreja Católica Romana.

Jesus Cristo pediu aos seres humanos para amarem uns aos outros. No Concílio de Clermont, em 27 de novembro de 1095, o papa Urbano II manda matar os infiéis e promete a remissão de todos os pecados para quem for voluntariamente para a guerra contra os muçulmanos.

A Primeira Cruzada (1096-99) é a única a conquistar Jerusalém. Funda em território da Palestina o Reino Cristão de Jerusalém (1099-1291). 

A Segunda Cruzada (1145-49), anunciada pela Papa Eugênio II, uma reação à queda de Edessa, é a primeira liderada por reis, Luís VII, da França, e Conrado III, do Sacro Império Romano-Germânico. Os dois exércitos marcham separadamente e são derrotados pelos turcos do Império Seljúcida.

A Terceira Cruzada (1189-92) é a Cruzada dos Reis, de Ricardo I, da Inglaterra, Felipe II, da França, e do sultão Saladino, líder dos muçulmanos. 

Depois da conquista de Acre, Ricardo I quer chegar até o mar, até o porto de Jafa. Em Arçufe, o exército cristão tem 10 mil infantes e 1,2 mil cavaleiros, organizados em 12 regimentos de cavalaria de 100 homens cada, com a infantaria guarnecendo os flancos e besteiros na linha de frente, com flechas muito mais poderosas do que as do inimigo. 

Estima-se que o exército muçulmano seja duas vezes maior, especialmente em cavalaria. O cavalo e o estribo formam a tecnologia militar dominante na Idade Média.

Ricardo resiste ao ataque de Saladino, quando suas forças iam de Acre para Jafa, até receber um reforço dos hospitalários. Ordena então um contra-ataque. Vence a batalha. Isso dá aos cristãos o dominío sobre a costa da região central da Palestina, inclusive o porto de Jafa.

CAMPANHA DA RÚSSIA

    Em 1812, o Grande Exército de Napoleão Bonaparte vence com muitas perdas a Batalha de Borodino contra o exército da Rússia sob o comando do general Mikhail Kutuzov a cerca de 110 quilômetros de Moscou.

Os russos recuam diante da invasão napoleônica, iniciada em 24 de junho, para evitar um confronto direto e se entrincheiram em Borodino para deter o avanço do inimigo rumo a Moscou. São 130 mil soldados de Napoleão com 500 tanques contra 120 mil russos com 600 canhões.

Napoleão faz um ataque frontal às seis da manhã. Até o meio-dia, os dois lados avançam e recuam na linha de frente, até que a artilharia dá vantagem à França, mas os russos resistem a sucessivas ofensivas.

O imperador francês não coloca em combate a Guarda Imperial, de 20 mil homens, e mais 10 mil soldados. Como Kutuzov não tem mais homens para entrar em ação, Napoleão perde a oportunidade de ter uma vitória decisiva. 

É uma vitória de Pirro, referência ao general que derrotou Roma duas vezes, em Heracleia (280 AC) e Ásculo (279 AC), mas suas forças sofreram tantas perdas que, ao andar pelo campo de batalha, vaticina: "Mais uma vitória destas e estou perdido." Perdeu em Malevento (275 AC), que os romanos rebatizaram de Benevento.

Com os soldados exaustos à tarde, a Batalha de Borodino continua até a noite com disparos de artilharia. À noite, Kutuzov recua. Napoleão entra em Moscou uma semana depois, em 14 de setembro, sem oposição. Os russos recuam e queimam a cidade para que o inimigo fique sem comida e sem abrigo.

Sem conseguir tomar o poder na Rússia, cinco semanas depois, Napoleão se retira, pega as chuvas e o frio do outono russo. É atacado à retaguarda pelos russos, na Batalha de Krasnol, de 15 a 18 de novembro de 1812. Sai da Rússia em 14 de dezembro.

A campanha da Rússia é a sua maior derrota. O Grande Exército de Napoleão invade a Rússia com algo entre 450 e 640 mil soldados, 150 mil cavalos e 1,4 mil peças de artilharia. Deixa a Rússia em 14 de dezembro. Pelo menos 380 mil morrem. Cerca de 120 mil sobrevivem, 50 mil austríacos, prussianos e outros alemães, 20 mil poloneses e 35 mil franceses. Muitos desertam.

 TIO SAM

    Em 1813, os Estados Unidos ganham seu apelido quando um jornal registra que os soldados que lutavam na Guerra de 1812 contra o Império Britânico chamam de Uncle Sam (Tio Sam) as embalagens de carne que o Exército recebe do comerciante William com US, de United States, escrito na caixa.

O desenho do Tio Sam aí em cima é feito pela primeira em 1870 pelo cartunista Thomas Nest em homenagem ao presidente Abraham Lincoln. É um senhor de cabelos brancos e barbicha vestido com as cores da bandeira, azul, vermelho e branco, e uma cartola adornada com uma faixa azul marinho e estrelas brancas.

A pedido das Forças Armadas, em 1917, com a intervenção dos EUA na Primeira Guerra Mundial (1914-18), a imagem é refeita com o slogan "eu quero você". O Tio Sam quer que os norte-americanos se alistem para lutar na Europa.

Desde então, a imagem é associada ao imperialismo e ao militarismo norte-americano. 

INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

    Em 1822, sob pressão das cortes portuguesas, que querem rebaixar o Brasil a colônia, o príncipe-regente Dom Pedro dá um grito às margens do Riacho Ipiranga, em São Paulo, e proclama: “Independência ou Morte!”

No fim do século 18, há cogitações em Lisboa sobre a conveniência de transferir a sede do governo para o Brasil a fim de não perder sua maior colônia. Isto acontece quando as forças do imperador francês Napoleão Bonaparte invadem Portugal em 1807. 

Por causa da aliança histórica com o Reino Unido, Portugal não adere ao Bloqueio Continental imposto por Napoleão ao comércio com os britânicos. A família real zarpa para o Brasil em 27 de novembro de 1807.

A chegada da família real chega a Salvador, em 22 de janeiro de 1808, e a abertura dos portos às nações amigas significam uma independência na prática. Em 1815, depois da derrota final de Napoleão, quando as monarquias europeias são restauradas, formam a Santa Aliança e o Concerto Europeu, o Brasil é elevado a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve porque a capital do Império Português não poderia ficar numa colônia.

O Rio de Janeiro é a única cidade do Hemisfério Sul que foi capital de um império que se estendia por quatro continentes: América, África, Europa e Ásia.

Com a Revolução do Porto, em 1820, o rei Dom João VI é pressionado a voltar para Lisboa com toda a máquina administrativa trazida para o Brasil. Volta no ano seguinte, deixando o filho como príncipe-regente. Aí começa a pressão da corte para cortar os privilégios que o país havia obtido como capital do império.

Em 9 de janeiro de 1822, o príncipe Dom Pedro comunica que vai descumprir a ordem da coroa de voltar imediatamente para Portugal. É o Dia do Fico, quando a ruptura com Lisboa se torna inevitável.

A crise se agrava. Com Dom Pedro em São Paulo, a princesa-regente, Dona Leopoldina, preside a uma reunião do Conselho de Estado no Palácio Imperial da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. A futura imperatriz e José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência, enviam cartas que Dom Pedro recebe em 7 de setembro às margens do Ipiranga e dá o grito.

O Brasil é um fenômeno único na história. O país se torna independente com a mesma família imperial que está no poder desde a Colônia. É um caso raro de conciliação das elites para manter tudo como está.

UNIFICAÇÃO DA ITÁLIA

    Em 1860, durante a luta pela unificação da Itália, Giuseppe Garibaldi entra em Nápoles e se declara "ditador das Duas Sicílias".

A Expedição dos Mil é um momento-chave da Segunda Guerra da Independência da Itália, quando os Camisas Vermelhas, sob o comando de Garibaldi, que luta na Revolução Farroupilha (1835-45) e no Uruguai, um especialista em guerra de guerrilhas, desembarcam na Sicília Ocidental e conquistam o Reino das Duas Sicílias, antes dominado pela Dinastia dos Bourbon.

Em 21 e 22 de julho de 1858, o imperador Napoleão III, da França, e o Reino da Sardenha fazem uma aliança contra o Império Austro-Húngaro pela independência do Norte da Itália.

Em março de 1859, as populações do Grão-Ducado da Toscana, do Ducado de Módena e do Ducado de Parma depõem seus governantes e pedem anexação ao Reino da Sardenha, enquanto a Úmbria e Marcas sofrem duram repressão dos Estados Pontifícios, do Vaticano ou Santa Sé.

O primeiro-ministro da Sardenha e futuro primeiro-ministro da Itália, Camillo Paolo Filipo Giulio Benso, Conde de Cavour, declara guerra à Áustria em 24 de abril de 1859. A Segunda Guerra da Independência da Itália termina em julho. 

Ninguém imagina que a Áustria entre em nova guerra menos de um ano depois da Batalha de Solferino, em 24 de junho de 1859, tão sangrenta que dá origem à Convenção de Genebra à Cruz Vermelha Internacional para socorrer feridos em guerra.

O Armistício de Villafranca reconhece o Reino da Sardenha e Lombardia, mas não o Vêneto. O Tratado de Turim, de 24 de março de 1860, cede a Saboia e Nice à França, enquanto o movimento nacional italiano ganha a anuência do imperador francês para a anexação da Toscana e da Romanha.

Em 11 de maio de 1860, Garibaldi e os Camisas Vermelhas invadem a Sicília. Três dias depois, ele se proclama ditador. Com a ajuda de uma insurreição popular, toma Palermo de 27 a 30 de maio.

Com o controle da Sicília, Garibaldi passa a planejar o ataque ao continente. Em 19 de agosto desembarca com 20 mil voluntários em Melito di Porto Salvo, na Calábria, no Sul da Itália. Como o rei Francisco II abandona Nápoles, o revolucionário de dois continentes, herói em três países, entra na cidade praticamente sem resistência.

Em 21 de outubro, um referendo aprova a anexação do Reino das Duas Sicílias ao Reino da Sardenha. A unificação da Itália acontece oficialmente em 17 de março de 1861, sob o rei da Sardenha, Vitor Emanuel II, da Dinastia de Saboia.

FIM DA GUERRA DOS BOXERS

    Em 1901, a assinatura de um protocolo acaba com a Guerra dos Boxers, uma revolta anti-imperialista que não consegue expulsar os estrangeiros da China.

A derrota na Guerra Sino-Japonesa de 1894-95 acaba com a milenar ordem sinocêntrica na Ásia. Marca o início da fase terminal do Império Chinês. No Norte, os chineses temem o aumento da influência estrangeira e se ressentem dos privilégios dos missionários cristãos. Em 1898, a região sofre várias catástrofes naturais, como seca e enchente do Rio Amarelo, aumentando o descontentamento.

A Guerra dos Boxers (1899-1901) é uma rebelião antiestrangeiros, anticolonial e anticristã no final da Dinastia Ching travada pela Sociedade dos Punhos Harmoniosos e Justiceiros, na maioria lutadores de kung fu sem armas de fogo.

A partir de 18 de outubro de 1899, os boxers destroem propriedades estrangeiras como as ferrovias e assassinam cristãos e missionários cristãos. Em junho de 1900, os boxers convergem para Beijim e cercam a cidade. Um exército formado por EUA, Reino Unido, França, Áustria-Hungria, Alemanha, Itália, Rússia e Japão invade a China em 17 de junho.

Em 21 de junho, a imperatriz Cixi baixa um decreto imperial declarando guerra às potências invasoras e manda matar todos os estrangeiros da capital chinesa, inclusive diplomatas. A aliança invasora rompe as defesas de Beijim em 14 de agosto. A cidade é saqueada e pilhada,

O Protocolo Boxer, de 7 de setembro 1901, prevê execução sumária de funcionários públicos que lutam pela rebelião, provisões para as tropas estrangeiras estacionadas em Beijim e 450 milhões de taéis de prata – mais do que a arrecadação anual do governo chinês – de indenização a serem pagos ao longo de 39 anos para as oito potências da aliança.

ENTREGA DO CANAL

   Em 1977, o presidente Jimmy Carter e o ditador Omar Torrijos assinam dois tratados para transferir o controle do Canal do Panamá dos Estados Unidos para o Panamá em 1999.

A companhia francesa que abre o Canal de Suez inicia a obra do canal para ligar os oceanos Atlântico e Pacífico em 1880. Quebra por problemas de engenharia e doenças tropicais. O trabalho do médico sanitarista brasileiro Oswaldo Cruz contra a febre amarela ajudaria a realizar a obra.

O Panamá pertence à Colômbia. Quando o governo colombiano, enfraquecido pela Guerra dos Mil Dias (1899-1902) entre liberais e conservadores, rejeita a proposta norte-americana, os EUA promovem a independência do Panamá, em 3 de novembro de 1903.

A construção do canal começa em 4 de maio de 1904 e termina em 1913. O canal é inaugurado oficialmente em 15 de agosto de 1914.

O coronel Omar Torrijos, um nacionalista, chega ao poder num golpe militar em 1968, mas conta com apoio popular e negocia a soberania do país sobre o canal e a Zona do Canal, um enclave dos EUA.

Dois tratados garantem a soberania sobre o canal. O primeiro é o Tratado sobre a Neutralidade Permanente e e Operação do Canal, mais conhecido como Tratado da Neutralidade. O segundo é o Tratado do Canal do Panamá, que estabelece que o Panamá assume o controle total do canal a partir do ano 2000.

Ambos foram ratificados por maiores de dois terços em referendo realizado no Panamá em 23 de outubro de 1977. Depois de assumir o controle do canal, o país vive uma era de prosperidade. Quando volta à Casa Branca, em janeiro de 2025, o presidente Donald Trump ameaça retomar o Canal do Panamá.

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domingo, 6 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 6 de Setembro

FROTA DE MAGALHÃES TERMINA VOLTA AO MUNDO

    Em 1522, Victoria, o último navio da frota de Fernão de Magalhães chega a Sanlúcar de Barrameda, na Espanha, sob o comando de Juan Sebastián Elcano, com 18 homens a bordo completando a primeira viagem de circunavegação da Terra, a serviço da coroa espanhola.

O objetivo de Magalhães não é dar a volta ao mundo. Quer descobrir um caminho marítimo para as Ilhas Molucas ou Ilhas das Especiarias, hoje parte da Indonésia, encontrar o caminho das Índias pelo oeste como quis Cristóvão Colombo. Portugal domina a rota pelo Sul da África, pelo Cabo da Boa Esperança.

Magalhães estuda vários mapas e decide apostar numa passagem pelo sul da América do Sul para chegar ao Oceano Pacífico, descoberto por Vasco Núñez Balboa em 25 de setembro de 1513, ao atravessar o Istmo do Panamá.

O rei Dom Manuel I, o Venturoso, de Portugal, rejeita o projeto. Como domina a rota pela África, não se interessa, mas o rei Carlos I, da Espanha, Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico, provavelmente o homem mais poderoso do mundo no seu tempo, decide patrocinar a empreitada.

A frota de cinco navios com 250 homens a bordo zarpa de Sanlúcar de Barrameda em 20 de setembro de 1519. Magalhães comanda Trinidad, a nau-capitânia. Sai da Espanha rumo as Ilhas Canárias e passa pelo Arquipélago de Cabo Verde antes de cruzar o Oceano Atlântico e chegar ao Rio de Janeiro em dezembro de 1519.

Daí em diante, a situação piora. A primeira viagem de circunavegação do planeta é um ato heroico, um inferno de doenças, fome e violência, observa o historiador britânico Jerry Brotton. 

Magalhães fica meses explorando a costa da América do Sul em busca de uma passagem para o Pacífico sem sucesso. A expedição enfrenta um inverno rigoroso, os marinheiros passam fome e frio. As rações diminuem. Um navio naufraga em meio a uma tempestade e o maior, San Antonio, que tem mais comida, deserta e volta para a Espanha.

Entre motins, rebeliões, fome e sede, a expedição perde muitos homens nos primeiros seis meses. Em 28 de novembro de 1520, Magalhães atravessa o estreito batizado em seu nome. Chega ao oceano que chama de Pacífico porque suas águas parecem mais tranquilas, talvez por causa do fenômeno El Niño, enquanto o Atlântico é conhecido como Mar Tenebroso.

Mas os primeiros europeus a singrar aqueles mares não tem noção do tamanho do Pacífico, que cobre um terço da superfície do planeta, quase duas vezes o tamanho do Atlântico. Mapas errados e erros de cálculo transformam o trecho da viagem até as Molucas num pesadelo de mais de 100 dias de fome, escorbuto e mortes, comenta Braulio Vázquez, arquivista do Arquivo Geral das Índias, em Sevilha, na Espanha..

"Durante três meses e 20 dias, não conseguimos comida fresca", conta Antonio Pigaffeta em seu relato da viagem. "Comíamos bolo, embora não fosse bolo, mas poeira misturada com minhocas e o que restava cheirava a urina de rato.

"Bebíamos água amarela, que estava podre, por muitos dias. Também comemos algumas peles de boi que cobriam a parte superior do pátio principal."

Quando se dá conta do tamanho do Pacífico, Magalhães percebe que as Molucas não estão na metade da Terra destinada à Espanha pelo Tratado de Tordesilhas com Portugal, em 1494, aprovado pelo papa Alexandre VI (Alexandre Bórgia). Vai então para as Filipinas, onde faz contato com os chefes locais e vê que têm ouro.

Magalhães não completa a viagem. Tenta fazer uma política de alianças com os chefes locais. O rei da iIha de Mactán, na região de Cebu, nas Filipinas, não aceita. Magalhães e 40 espanhóis decidem invadir a ilha e enfrentam uma reação violenta. Ele morre em 27 de abril de 1521 em Mactán. 

Com a morte, Juan Sebastián Elcano assume o comando da frota, que chega às Ilhas Molucas, objetivo inicial da viagem, em 20 de novembro de 1521. Como acreditam não estar na parte espanhola do Tratado de Tordesilhas, carregam às pressas os dois últimos navios e tentam voltar à Espanha.

A dúvida é que caminho seguir. Trinidad, o navio comandado por Magalhães escolhe a rota pelo Pacífico. É capturado por navios portugueses. O navio Victoria, de Elcano, toma o caminho do Oceano Índico e contorna o Cabo da Boa Esperança, que os marujos chamam pelo nome antigo, Cabo das Tormentas. Do Timor até as Ilhas de Cabo Verde, eles não chegam a terra,

São obrigados a atracar em Cabo Verde, uma possessão portuguesa. Treze tripulantes são presos. Dos 250 marinheiros, só 18 voltam à Espanha quase três anos depois, com apenas um navio.

PRESIDENTE ASSASSINADO

    Em 1901, o anarquista Leon Czolgozn atira no presidente norte-americano William McKinley (1897-1901) na Exposição Pan-Americana, realizada em Buffalo, no estado de Nova York. McKinley morre oito dias depois.

McKinley é o último presidente a lutar na Guerra da Secessão. Vai de soldado a major no Exército da União (Norte). 

No poder, leva os Estados Unidos à vitória na Guerra Hispano-Americana (1898), um golpe final no Império Espanhol, com a independência de Cuba, a colonização das Filipinas e a ocupação de Porto Rico, que hoje tem status de "Estado livre associado aos EUA", não é independente. Em 1898, os EUA também anexam a República do Havaí.

É uma época de grande crescimento econômico. Os EUA se tornam no fim do século 19 na maior economia do mundo ultrapassando o Reino Unido. Em 1900, McKinley introduz o padrão-ouro para controlar a inflação e consegue se reeleger.

Na época, é o terceiro presidente dos EUA assassinado no exercício do cargo, depois das mortes de Abraham Lincoln por John Wilkes Booth (1865) e de James Garfield por Charles Guiteau (1881). John Kennedy seria morto por Lee Oswald em 22 de novembro de 1963, em Dallas, no Texas. Com a morte de McKinley, assume a Presidência o vice-presidente Theodore Roosevelt, considerado um dos presidentes mais importantes da história dos EUA, pai do imperialismo norte-americano.

PRIMEIRO TANQUE DE GUERRA

    Em 1915, um protótipo de tanque de guerra chamado Little Willie sai da linha de montagem na Inglaterra. Não é um sucesso no primeiro momento.


Ele pesa 14 toneladas, para nas trincheiras e se arrasta sobre terreno acidentado a uma velocidade de 2 km/h, mas o tanque de guerra evolui e se torna um elemento decisivo do campo de batalha.

O tanque é desenvolvido em resposta à guerra de trincheiras que marca a Primeira Guerra Mundial (1914-18). Entra em combate na Batalha do Somme, em 15 de setembro de 1916. 

Na Segunda Guerra Mundial (1939-45), o tanque exerce um papel dominante no campo de batalha. É um elemento central na blitzkrieg, a guerra-relâmpago em alta velocidade da Alemanha Nazista, com aviação e tanques de alta velocidade para romper as linhas de defesa do inimigo.

Depois da Batalha de Stalingrado (1942-43), talvez a mais importante da história, e da Batalha de Kursk, a maior batalha de tanques da história, com 7.360 tanques soviéticos e 3.253 tanques alemães, o Exército Vermelho da União Soviética inicia uma contraofensiva que termina em Berlim com a vitória sobre o Nazifascismo, em 8 de maio de 1945.

ALEMANHA LANÇA BOMBA V-2

    Em 1944, a Alemanha Nazista dispara pela primeira o míssil V-2, uma bomba voadora, contra um alvo aliado, na Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O foguete ou bomba voadora V-2 (Vergeltungswaffen-2 ou Bomba da Vingança-2) é um míssil balístico desenvolvido pelo cientista alemão Werner von Braun. Tem 14 metros de comprimento, pesa cerca de 13 toneladas no lançamento, viaja a até 80 quilômetros de altitude e tem um alcance de 320 km.

Paris é o primeiro alvo. Dois dias depois, as V-2 são lançadas contra Antuérpia e Liège, na Bélgica. Londres é impiedosamente bombardeada, 1.358 vezes, atrás apenas de Antuérpia com 1.610. Em 20 de junho de 1944, a V-2 atinge uma altitude de 175 km. É o primeiro foguete a atingir o espaço sideral.

Mais de 3 mil mísseis V-2 são disparados até o fim da guerra e matam cerca de 9 mil pessoas. O último ataque é ao Reino Unido em 27 de março de 1945. Pelo menos 10 mil presos em campos de concentração de Mittelbau-Dora morrem em trabalhos forçados para fabricar as bombas voadoras na fábrica subterrânea de Mittelwerk. 

CRIADOR DO APARTHEID MORRE

    Em 1966, o primeiro-ministro da África do Sul Hendrik Verwoerd, que cria e implementa o regime segregacionista do apartheid, é esfaqueado mortalmente por um funcionário temporário do Parlamento considerado insano.

Verwoerd nasce em Amsterdã, na Holanda, em 8 de setembro de 1901. Quando tem dois anos, a família emigra para a África do Sul. Ele fica um tempo na Rodésia do Sul e depois volta para o Estado Livre de Orange, então parte da União Sul-Africana, um reino sob a coroa britânica.

Aluno brilhante da Universidade de Stellenbosch, se forma em psicologia e faz doutorado em sociologia na África do Sul. Vai para universidades alemãs em Hamburgo, Berlim e Leipzig. De volta ao país, em 1937, é contratado como editor-chefe de um jornal diário africâner, Die Transvaler, de Joanesburgo, no Transval, terra do ouro na África do Sul, uma grande riqueza do país desde o século 19.

Ele deixa o jornal com a vitória do Partido Nacional nas eleições só para brancos de 1948, quando se elege senador. Em 1950, se torna ministros dos Assuntos Nativos e passa a criar a doutrina do "desenvolvimento separado" mais conhecida como apartheid por segregar a maioria negra e aplicá-la em todos os aspectos da vida sul-africana.

Em 31 de maio de 1961, Wervoerd proclama a República Sul-Africana, rompendo o último vínculo do país com o Império Britânico.

Alvo de dois atentados a tiros em 16 de abril de 1960, em Joanesburgo, e o fatal em com facadas na Assembleia Nacional por Dimitri Tsafendas, um imigrante moçambicano revoltado com as políticas do apartheid que trabalha como carteiro temporariamente no parlamento e é declarado insano, mas cumpre a maior pena da história da África do Sul.

O apartheid só acaba em abril e maio de 1994, com a vitória do Congresso Nacional Africano (CNA) e do líder histórico da luta contra a segregação, Nelson Mandela.

NAVRATILOVA PEDE ASILO

    Em 1975, a tenista tcheco-eslovaca Martina Navratilova, uma das maiores jogadoras da história, pede asilo político aos Estados Unidos.

Martina nasce em Praga em 18 de outubro de 1956, capital da Tcheco-Eslováquia, na época sob um rígido regime comunista de inspiração stalinista, e se torna a tenista mais vencedora da história antes de Steffi Graf e Serena Williams, com 167 títulos, 18 grand-slams de simples, um recorde 31 de duplas femininas e 10 de duplas mistas.

Depois de perder a final do Torneio Aberto dos EUA de 1975 para sua amiga e rival Chris Evert, Navratilova pede asilo político. Em 1981, depois de ter a cidadania cassada pelo regime comunista, ela se torna cidadã norte-americana.

Lésbica assumida, é uma voz importante na luta pelos direitos da comunidade LGBTQIAP+.

FUNERAL DA PRINCESA

    Em 1997, poucos dias depois de sua morte, o funeral da princesa Diana, com discurso do irmão, Conde Charles Spencer, contra a família real britânica e participação do cantor e compositor Elton John, um amigo da princesa, na Abadia de Westminster, é uma cerimônia assistida na televisão por 2,5 bilhões de pessoas no mundo inteiro.

A princesa seduz o mundo com sua beleza e sensibilidade um tanto estranha para a família real do Reino Unido. O casamento de contos de fadas na Catedral de São Paulo, em 28 de julho de 1981, ela casa virgem, vira um pesadelo na vida real. Lady Di se sente uma prisioneira de palácios frios onde tem de obedecer a uma disciplina rígida.

Com a crise do casamento, a princesa arruma outros namorados, seu instrutor de equitação, um médico paquistanês e o playboy egípcio Dodi al-Fayed, filho do dono da loja de departamentos Harrod's, uma das melhores do Reino Unido.

A princesa morre como uma cinderela moderna, com sua carruagem virando abóbora na noite de Paris, a cidade mais romântica do mundo, como vê a crítica literária e intelectual norte-americana Camille Paglia.

Dodi pressiona o motorista e segurança Henry Paul, que está de folga e bebeu muito antes, a correr em seu Mercedes-Benz W140 para fugir dos paparazzi, os fotógrafos que perseguem a princesa em busca de fotos exclusivas. Ele perde o controle do carro e bate em alta velocidade. É considerado o único responsável pelo acidente. Só o segurança da princesa sobrevive.

Diana e Charles se separam em 1992 e formalizam o divórcio em 1996. Então, quando morre, em 31 de agosto de 1997, Diana não tem mais nenhum vínculo legal com a família real britânica. Em nome da tradição, a rainha Elizabeth II e o príncipe Philip não querem lhe dar um enterro com as honras da monarquia.

A comoção popular é enorme. "Ela era o princesa do povo", declara o primeiro-ministro Tony Blair, consagrando a expressão criada por seu assessor de imprensa, Alastair Campbell. O primeiro-ministro e o então príncipe Charles, hoje rei Charles III, tentam convencer a rainha, que está no Castelo Balmoral, na Escócia, em férias de verão. 

Milhares de pessoas. depositam flores, brinquedos e fotos de Diana nas grades do Palácio de Buckingham, em Londres, A população e os jornais populares esperam uma palavra do trono que só vem quando a rainha autoriza que o funeral seja realizado na Abadia de Westminster com todas as honras da famílias real. Como estrela da mídia, Diana muda a monarquia, trazendo-a para a realidade do fim de século. A mulher de seu filho William, herdeiro do trono, a princesa Kate Middleton, não casa virgem.

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sábado, 5 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 5 de Setembro

 CONGRESSO CONTINENTAL

    Em 1774, em resposta a leis coercitivas impostas pelo Parlamento Britânico aos colonos norte-americanos, o Congresso Continental se reúne na Filadélfia com 56 delegados de todas as colônias, menos da Geórgia, e redige um projeto de declaração de direitos.

A rebelião que leva à independência dos Estados Unidos começa em 1765, quando o Parlamento Britânico impõe a Lei do Selo, criando um imposto para financiar o exército colonial na América. As finanças do Reino Unido estão abaladas pela Guerra dos Sete Anos (1756-63), um conflito em quatro continentes entre os impérios britânico e francês, cada um com seus aliados. O Reino Unido vence.

Os colonos norte-americanos, que contribuem com recursos e vidas humanas para o esforço de guerra do Império Britânico, não aceitam os aumentos de impostos aprovados em Londres. A sessão do Primeiro Congresso Continental termina em 26 de outubro de 1774 com uma declaração de direitos dos colonos e ameaça de boicote econômico.

Seis meses depois, em 19 de abril de 1775, começa a Guerra da Independência (1775-83), com as batalhas de Lexington e Concord, na colônia de Massachusetts. Os britânicos atacam as duas cidades para confiscar as armas dos colonos e sufocar uma possível revolta. Ao contrário do pretendem, deflagram a guerra.

Por ironia da história, a Guerra dos Sete Anos também é uma causas da Revolução Francesa de 1789. A independência dos EUA é reconhecida pelo Tratado de Paris em 1783.

PERÍODO DO TERROR

    Em 1793, com exércitos hostis cercando a França, começa o Período do Terror da Revolução Francesa (1789-99), quando os jacobinos adotam medidas drásticas e fazem execuções em massa contra os supostos inimigos do novo regime, especialmente nobres e clérigos, que eles acreditam que possam apoiar as forças contrarrevolucionárias.

É a fase da Convenção Nacional (1792-95), a segunda da Revolução Francesa. Durante o Período do Terror, o Comitê de Salvação Pública, de 12 membros, liderado por Maximiliano Robespierre, exerce um poder ditatorial. Manda muito mais do que o rei durante a monarquia. 

Até a primavera de 1794, o comitê elimina os inimigos de esquerda, os hebertistas, e de direita, os indulgentes, liderados por George-Jacques Danton. Em 10 de junho de 1794, aprova uma lei que suspende os direitos a um julgamento público e de assistência jurídica. O júri passa a ter apenas duas opções: absolvição ou morte. Cerca de 1,4 mil pessoas são executadas sob esta lei.

O radicalismo leva à queda de Robespierre, o Incorruptível, em 27 de julho de 1794, marco do fim do Período do Terror. Ele é guihotinado no dia seguinte.

Ao todo, 16.594 pessoas são executadas depois de processos em tribunais revolucionários durante o Período do Terror, sendo 2.639 em Paris, inclusive a rainha Maria Antonieta, guilhotinada em 16 de outubro de 1793 na Praça da Concórdia. Entre 10 e 12 mil pessoas são executas sem julgamento, 10 mil morrem na prisão e outras em massacres promovidos por cidadãos. 

O total de mortes no Período do Terror pode chegar a 50 mil. Em toda a revolução, cerca de 100 mil pessoas são mortas.

MORTE DE CAVALO DOIDO

    Em 1877, um soldado do Exército dos Estados Unidos mata com uma baioneta em Forte Robinson, no estado de Nebraska, o cacique Cavalo Doido, grande líder da resistência da tribo sioux, que se nega a ser confinado numa prisão militar.


Depois do Massacre de Sand Creek, em 1864, os sioux da tribo lakota se juntam aos cheyennes. Em 2 de agosto de 1867, Cavalo Doido ataca Wagon Box Fight na guerra do chefe Nuvem Vermelha. Quando os mineiros de Black Hill desrespeitam o Tratado de Forte Laramie (1868) e matam o índio Pequeno Falcão, Touro Sentado e Cavalo Doido fazem o primeiro grande ataque ao Exército dos Estados Unidos na Batalha de Arrow Creek, em agosto de 1872.

Em 17 de junho de 1876, Cavalo Doido chefia 1,5 mil índios em ataque às forças do general George Crook, na Batalha de Rosebud. É o início da Guerra Sioux.

Um ano antes de sua morte, em 25 de junho de 1876, ao lado de Touro Sentado, Cavalo Doido lidera os indígenas na maior vitória dos nativos contra o Exército nas Guerras Indígenas dos EUA, quando o general George Custer ataca acampamentos indígenas na Batalha de Little Big Horn. Morrem 265 homens do 7º Regimento de Cavalaria, inclusive Custer.

A maior batalha contra a cavalaria acontece em 8 de janeiro de 1877, em Wolf Mountain, no estado de Montana. Com seu povo esgotado e faminto, Cavalo Doido se rende ao general Crook em 5 de maio de 1877. Morre numa suposta tentativa de fuga.

NA ESTRADA

    Em 1957, é lançado o livro On The Road (Na Estrada), do escritor norte-americano Jack Kerouac, um clássico da literatura beat.

É o segundo romance de Kerouac, considerado sua obra-prima. Mistura a filosofia da transgressão, lirismo, amor por viagens e pela estrada como universo da aventura, liberdade sexual e loucura induzida por drogas. Tem grande influência na contracultura dos anos 1960.

O livro autobiográfico relata as viagens de carro pelos Estados Unidos de Dean Moriarty (Neal Cassidy) e Sal Paradise (Jack Kerouac), com uma incursão ao México, numa prosa espontânea escrita num fluxo de consciência, entorpecido por benzedrina e café, em abril de 1951, em apenas três semanas. Para não trocar o papel da máquina, Kerouac escreve num rolo de telex.

Com tradução do jornalista e escritor Eduardo Bueno, o livro é publicado no Brasil com o ridículo nome de Pé na Estrada, exigência do editor Caio Graco Prado.

MASSACRE EM MUNIQUE

    Em 1972, durante a Olimpíada de Munique, terroristas do grupo palestino Setembro Negro atacam a delegação de Israel na vila olímpica, matam dois atletas e tomam outros nove como reféns.

Os sequestradores exigem a libertação de dois terroristas alemães e de 230 árabes detidos em prisões israelenses.

Num tiroteio no aeroporto de Munique, morrem os nove reféns israelenses, cinco terroristas palestinos e um policial alemão-ocidental. 

Depois de uma homenagem aos mortos, o Comitê Olímpico Internacional (COI) decide prosseguir com os Jogos para não dar uma vitória aos terroristas do grupo Setembro Negro, cujo nome evoca um massacre de palestinos na Jordânia em 1970, quando a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) tenta tomar o poder no país e é derrotada pelo rei Hussein.

FORD NA MIRA 

   Em 1975, Gerald Ford sobrevive a uma tentativa de assassinato quando agentes do serviço secreto dominam Lynette Fromme, uma mulher que puxa um revólver perto do presidente dos Estados Unidos, em Sacramento, a capital da Califórnia.

Fromme faz parte da gangue de Charles Manson, que matou a atriz Sharon Tate. Pega prisão perpétua.

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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 4 de Setembro

QUEDA DO IMPÉRIO ROMANO DO OCIDENTE

    No ano 476 da era cristã, Flávio Odoacro, rei dos hérulos, uma tribo bárbara germânica, depõe Rômulo Augusto, último imperador do Império Romano do Oriente, pondo fim ao maior império do Ocidente na Antiguidade, que chegou a ter mais de 60 milhões de habitantes.

O imperador Teodósio divide o Império Romano em 393 depois de Cristo em Império Romano do Ocidente, com capital em Roma, e Império Romano do Oriente, com capital em Bizâncio. A partir de 410, Roma é saqueada três vezes, a primeira pelos visigodos sob o rei Alarico; a segunda em 455 pelos vândalos, quando o papa Leão I apela ao rei Genserico para que não destrua e cidade e não mate seus habitantes; e a terceira por Odoacro. 

Depois da queda de Roma, o Império do Oriente (Bizantino) sobrevive até 29 de maio de 1453, quando é derrotado pelo Império Otomano (turco).

QUEDA DE NAPOLEÃO III

    Em 1870, depois da derrota na Batalha de Sedan, na Guerra Franco-Prussiana (1870-71), dois dias antes, o imperador Napoleão III cai, é preso pela Alemanha e vai para o exílio no Reino Unido. É o fim do Segundo Império (1852-70) e o início da Terceira República da França (1870-1940).

Carlos Luís Napoleão Bonaparte nasce em Paris em 20 de abril de 1808, filho de Luís I da Holanda, irmão de Napoleão Bonaparte. Com a queda do tio, em 1815, passa a juventude exilado na Alemanha e na Suíça. Vira herdeiro do trono após as mortes do irmão mais velho, Napoleão Luís, e de Napoleão Francisco, o Rei de Roma, filho de Napoleão I.

Depois da Revolução de 1848, Luís Napoleão se elege deputado. No mesmo ano, se torna o primeiro presidente da República Francesa eleito pelo voto direto. Como a Constituição Francesa de 1848 não permite a reeleição, dá um golpe de 2 de dezembro de 1851 e vira imperador em 2 de dezembro de 1852.

Seu reinado enfrenta forte hostilidade do escritor francês Vítor Hugo e do filósofo e economista alemão Karl Marx, que escreve O 18 Brumário de Luís Napoleão, um clássico de análise política.

Para recuperar a hegemonia francesa na Europa, entra na Guerra da Crimeia (1853-56) ao lado do Reino Unido e do Império Otomano (turco) contra a Rússia, que perde, e manda tropas com o Reino Unido para a Segunda Guerra do Ópio (1856-60) contra a China.

Napoleão III apoia a Segunda Guerra da Independência da Itália (1859) contra o Império Austríaco, o que leva à criação do Reino da Itália em 1861. De 1859 a 1862, ele toma a Cochinchina, o sul do que hoje é o Vietnã, que passa a ser colônia francesa.

Ele aproveita a Guerra da Secessão (1861-65) nos Estados Unidos, para intervir militarmente no México, que tem dívidas com a Espanha, a França e o Reino Unido. Derruba o presidente Benito Juárez, domina o país de 8 de dezembro de 1861 a 21 de junho de 1867 e envia Maximiliano da Áustria, irmão mais novo do imperador Francisco José e primo de Dom Pedro II, como imperador do México.

Com o fim da Guerra Civil Americana, os EUA apoiam Juárez. Maximilano é deposto e fuzilado em 19 de junho de 1867.

Seu último erro é subestimar o primeiro-ministro da Prússia, Otto von Bismarck, o Chanceler de Ferro, que vence a Dinamarca (1864), Áustria (1866) e a França (1870-71), e unifica a Alemanha em 1871, tornando-se o primeiro chefe de governo do novo país.

Com a derrota em Sedan, Napoleão III é preso no Castelo de Wilhelmshöhe de 5 de setembro de 1870 a 19 de março de 1871, quando vai para o exílio na Inglaterra, onde morre em Chislehurst em 9 de janeiro de 1873.

GERÔNIMO SE RENDE

    Em 1886, depois de 30 anos de resistência à invasão de suas terras, o cacique apache Gerônimo se entrega ao Exército dos Estados Unidos, no fim das guerras indígenas no Sudoeste do país.

Gerônimo nasce em 16 de junho de 1829 em Bedonkohe, hoje parte do Novo México, na época parte do território mexicano, e se torna líder dos apaches chiricahua, que durante décadas guerreiam para resistir à internação dos indígenas em reservas. Ganha o apelido provavelmente dos mexicanos.

De 1858 a 1886, enfrenta repetidas vezes os exércitos do México e dos EUA. Quando se rende ao general Nelson Miles, em Skeleton Canion, no Arizona, seu bando tem apenas 38 pessoas, contando mulheres e crianças. É o fim das guerras dos apaches. Gerônimo fica preso durante 22 anos até morrer em 17 de fevereiro de 1909, no Forte Sill.

TV DE COSTA A COSTA

    Em 1951, o presidente Harry Truman participa da primeira transmissão de televisão de costa a costa nos Estados Unidos para anunciar a assinatura de um tratado com o Japão para acabar com a ocupação iniciada no fim da Segunda Guerra Mundial e restaurar a independência japonesa.

No pronunciamento, transmitido por 87 estações de 47 cidades, Truman declara que o acordo vai ajudar "a construir um mundo onde nossos filhos possam viver em paz". Com o início da Guerra Fria contra a União Soviética, a vitória da revolução de Mao Tsé-tung na China e a Guerra da Coreia (1950-53), Truman destaca a necessidade de um Japão forte e democrático.

O Congresso dos EUA aprova o tratado de paz em 20 de março de 1952.

MORTE DE HO CHI MINH

    Em 1969, a Rádio Hanói anuncia a morte do líder comunista Ho Chi Minh, o grande herói da luta pela independência do Vietnã. A Frente de Libertação Nacional suspende os combates da Guerra do Vietnã (1955-75) por três dias.

Ho nasce em Kiem Lan em 19 de maio de 1890 com o nome de Nguyen Sinh Cung. Depois de viver em Londres, começa a se interessar em política quando mora na França, de 1919 a 1923, e é influenciado por ideias socialistas. Torna-se político, escritor, poeta, revolucionário e líder da luta pela independência do Vietnã.

De Paris, vai para Moscou, onde trabalha na Terceira Internacional Comunista (Comintern). Em novembro de 1924, se muda para Cantão, na China. Aos 36 anos, se casa no mesmo lugar onde Chu Enlai casara, com uma chinesa de 21 anos, Zeng Xueming, porque "preciso de uma mulher que me ensine a língua e cuide da casa".

Quando o líder nacionalista chinês Chiang Kai-shek dá um golpe e começa a perseguir os comunistas, em 1927, Ho volta a Moscou e vai para a Crimeia, onde se cura de uma tuberculose antes de voltar a Paris. Passa pela Bélgica, Alemanha, Suíça e Itália antes de ir para Bangkok, na Tailândia, como agente do Comintern no Sudeste Asiático, em julho de 1928.

No fim de 1929, vai para a Índia e da lá para Xangai, na China, e Hong Kong, onde funda, em 1930, o Partido Comunista do Vietnã e o Partido Comunista da Indochina. Preso em Hong Kong em junho de 1931, escapa de ser deportado para a Indochina Francesa com um advogado de defesa britânico, Frank Loseby.

Libertado, vai para Xangai e volta à União Soviética, onde estuda e leciona no Instituto Lenin. Sob a acusação de ter "tendências nacionalistas", é afastado da liderança do partido durante o Grande Expurso Stalinista (1936-38).

Em 1938, volta à China como assessor militar do Exército Vermelho Chinês. Vai para o Vietnã em 1941 para liderar o movimento de libertação nacional. Com a ocupação japonesa, conduz uma guerra de guerrilhas contra o governo colaboracionista francês de Vichy e o Império do Japão.

Depois da ocupação da França, a potência colonial, pela Alemanha Nazista, em junho de 1940, ele funda na China em 1941 o Viet Minh, a Liga pela Independência do Vietnã, para se contrapor também à invasão japonesa durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

No fim da guerra, em 2 de setembro de 1945, quando o Japão assina a rendição, proclama a independência do Vietnã. A França não aceita. Em 19 de dezembro de 1946, começa a Primeira Guerra da Indochina, que vai até 1º de agosto de 1954, depois da vitória vietnamita na Batalha de Bien Dien Phu.

Os Acordos de Paz de Genebra dividem o país em Vietnã do Norte, comunista, e o Vietnã do Sul, anticomunista, em 1954. As eleições de 1955 devem reunificar o país. Quando os Estados Unidos percebem que os comunistas venceriam, em plena Guerra Fria, suspendem as eleições.

Em 1º de novembro de 1955, começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75). O governo Dwight Eisenhower (1953-61) envia os primeiros assessores militares norte-americanos. No fim do governo John Kennedy (1961-63), há mais de 2,8 mil assessores, alguns participando de combates.

A intervenção militar dos EUA começa oficialmente depois do Incidente do Golfo de Tonquim, em 2 de agosto de 1964, forjado pelo governo Lyndon Johnson (1963-69) para obter a aprovação do Congresso para declarar guerra ao Vietnã do Norte.

No auge da intervenção, os EUA têm mais de 500 mil soldados no Vietnã. O fracasso na luta contra o Vietcongue, os guerrilheiros comunistas em ação no Vietnã do Sul, e a rejeição à guerra pela opinião pública levam o presidente Richard Nixon (1969-74) a acelerar as negociações de paz iniciadas em 1968.

Em 30 de agosto de 1969, a delegação dos EUA nas negociações recebem uma carta de Ho a Nixon. O líder vietnamita alerta que "quanto mais longa for a guerra maiores serão o ônus e os pesares para o povo norte-americano" e defende o plano de paz de 10 pontos da Frente de Libertação Nacional. Exige o "fim da guerra de agressão e a retirada das forças norte-americanas”. Morre dias depois.

Com o acordo paz, assinado em 27 de janeiro de 1973, os EUA retiram suas tropas de combate da guerra, que termina em 30 de abril de 1975 com uma fuga espetacular dos norte-americanos da embaixada em Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, quando os tanques norte-vietnamitas tomam a capital do Vietnã do Sul para reunificar o país.

Mais de 58,2 mil norte-americanos e mais de 2 milhões de vietnamitas morrem na Guerra do Vietnã. 

MARK SPITZ CONQUISTA SÉTIMO OURO

    Em 1972, o nadador americano Mark Spitz vence a prova de de 400 metros quatro estilos, conquistando sua sétima medalha de ouro com o sétimo recorde mundial na Olimpíada de Munique, na Alemanha.

Spitz nasce em Modesto, na Califórnia, em 10 de fevereiro de 1950. Aos dois anos de idade, a família se muda para o Havaí, onde ele aprende a nadar. Quatro anos mais tarde, Spitz volta para a Califórnia, onde é treinado por Sherm Chavoor, seu grande mentor. Aos 10 anos, mostra seu talento ao bater 17 recordes nacionais e um mundial para sua faixa de idade.

Em apenas cinco anos como profissional, conquistou 11 medalhas olímpicas: 9 de ouro, 1 de prata e uma de bronze. É o segundo maior nadador olímpico e o segundo em medalhas de ouro numa olimpíada (7), superado 36 anos depois por Michael Phelps, que conquistou oito ouros na Olimpíada de Beijim, na China, em 2008.

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