domingo, 14 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 14 de junho

LISTRAS E ESTRELAS

    Em 1777, durante a Guerra da Independência dos Estados Unidos (1775-83), o Congresso Continental aprova uma resolução definindo que a bandeira nacional terá treze listras horizontais alternando vermelho e branco, numa referência às 13 colônias que formam o país e, num canto superior, 13 estrelas brancas sobre um fundo azul.

O desenho com listras é inspirado na bandeira da Grande União empunhada pelo Exército Continental em 1776, ano da declaração de independência. Quando novos estados aderem à União, são acrescentadas estrelas e listras. Em 1818, o Congresso decide que as listras voltam a ser 13 e uma estrela branca é acrescentada a cada novo estado.

O primeiro Dia da Bandeira é festejado cem anos depois da adoção da bandeira, em 14 de junho de 1877.

MOTIM NO BOUNTY

    Em 1789, o capitão William Bligh e outros 18 sobreviventes do Motim do Bounty abandonados num barco aberto à deriva sete semanas antes chegam ao Timor depois de uma viagem de 6 mil quilômetros.

O Bounty leva mudas de fruta-pão a serem plantadas nas colônias britânicas no Mar do Caribe, quando a tripulação se rebela sob a liderança do imediato Fletcher Christian e toma o navio, em 28 de abril.

Bligh vai para o Reino União e volta ao Oceano Pacífico. Christian e os amotinados resolvem colonizar a Ilha de Tubuai. Com o fracasso da empreitada, o Bounty vai para o Taiti, onde 16 ficam marinheiros. São capturados pelas autoridades, levados para a Inglaterra e quatro são enforcados. 

Christian, oito amotinados, seis homens taitianos, 12 mulheres taitianas e uma criança vão no Bounty para Pitcairn, uma ilha deserta a mais de 1,6 mil quilômetros a leste do Taiti. 

Em 1808, um navio baleeiro americano descobre uma comunidade liderada por John Adams, o único sobrevivente do grupo que se instalou na ilha.

O Motim do Bounty vira filme de Hollywood, com Marlon Branco no papel de Christian. Durante a filmagem, ele se apaixona por uma taitiana com quem se casa.

HITLER TOMA PARIS

    Em 1940, as tropas da Alemanha Nazista ocupam Paris durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, pressiona a França a resistir dizendo que os Estados Unidos entrariam na guerra. O presidente Franklin Roosevelt congela os bens das potências do Eixo nos EUA e oferece ajuda à França, mas, a conselho do secretário de Estado, Cordell Hull, evita fazer uma declaração porque seria vista como um prelúdio de uma declaração de guerra.

Quando as tropas nazistas entram na cidade, 2 milhões de pessoas haviam fugido. Os EUA entram na guerra em 7 de dezembro de 1941, quando o Japão bombardeia a Frota Americana do Pacífico em Pearl Harbor, no Havaí. Paris é libertada em 25 de agosto de 1944, depois da Invasão da Normandia pelos aliados ocidentais em 6 de junho daquele ano.

PRIMEIROS PRESOS EM AUSCHWITZ

    Em 1940, os primeiros prisioneiros políticos poloneses chegam a Auschwitz, um antigo quartel do Exército da Polônia convertido pela Alemanha Nazista no pior campo de concentração e de trabalhos forçados e principal centro de extermínio do Holocausto, onde cerca de 1,5 milhão de pessoas foram mortas, sendo 1,1 milhão de judeus.

Auschwitz fica num importante entroncamento ferroviário da Europa Oriental. Para lá, os nazistas deportaram os judeus, especialmente depois que a Conferência do Lago Wannsee, em Berlim, aprova em janeiro de 1942 a "solução final da questão judaica". Em Auschwitz, os prisioneiros morrem em câmaras de gás e seus corpos são queimados em fornos crematórios.

Cerca de 6 milhões de judeus, 60% da população dos judeus da Europa antes da Segunda Guerra Mundial (1939-45)’ morrem no Holocausto. Na entrada de Auschwitz, a expressão de toda hipocrisia criminosa do nazismo: "O trabalho liberta."

FIM DA GUERRA DAS MALVINAS

    Em 1982, depois de dez semanas, as forças da Argentina se rendem ao Reino Unido, no fim da Guerra das Malvinas, que os britânicos chamam de Falklands.

A ditadura militar argentina invade, em 2 de abril, as ilhas reivindicadas historicamente pela Argentina, em poder do Império Britânico desde 1833, supondo que os britânicos não iriam à guerra por "umas ilhotas", como disse o ditador Leopoldo Fortunato Galtieri.

A primeira-ministra Margaret Thatcher não deixa por menos. Manda uma força-tarefa recuperar as ilhas. Na guerra, morrem 255 britânicos e 649 argentinos. A mais sangrenta das ditaduras militares argentinas cai no ano seguinte.

Galtieri teria prometido tomar as Malvinas para obter o apoio da Marinha, a mais poderosa das Forças Armadas argentinas, para dar um golpe dentro do golpe. Cai com a derrota. A ditadura devolve o poder aos civis em 10 de dezembro de 1983, depois da eleição de Raúl Alfonsín. 

Os nove comandantes das juntas militares que desgraçaram a Argentina são julgados e cinco condenados, mas recebem indulto do presidente Carlos Menem (1989-99) em 1990. No governo Néstor Kirchner (2003-7), a anistia e as leis de Obediência Devida e Juízo Final são revogadas e os repressores punidos. 

sábado, 13 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 13 de Junho

MORTE DE ALEXANDRE O GRANDE

    Em 323 antes de Cristo, morre aos 33 anos na Babilônia, hoje parte do Iraque, Alexandre, o Grande, da Macedônia, um dos maiores generais de todos os tempos.

Filho de Felipe II, da Macedônia, Alexandre é discípulo do filósofo Aristóteles. 

Aos 16 anos, Alexandre Magno lidera as primeiras tropas em combate. Depois da morte do pai, invade o Oriente Médio. Em 330 antes de Cristo, derrota o Império Persa e conquista todo o Oriente Médio. Em 327 AC, tomara o Afeganistão, a Ásia Central e o Norte da Índia.

REVOLTA CAMPONESA SAQUEIA LONDRES

     Em 1381, durante a Revolta Camponesa, um exército camponês liderado por Wat Tyler invade, saqueia e incendeia Londres. Vários prédios públicos são destruídos, prisioneiros libertados e um juiz decapitado.

A Revolta Camponesa tem sua origem na pior pandemia da história, a Peste Negra (1346-53), segunda pandemia da peste bubônica, quando morrem 30% a 60% da população da Europa, com estimativas de mortes variando de 70 a 200 milhões de pessoas. 

A escassez de mão de obra força uma alta de salários, mas o Parlamento Britânico resiste à mudança do sistema feudal, aprova leis para conter os salários e estimula os proprietários de terra a exercer seus direitos de senhorio e manter a servidão. Quando o Parlamento aprova uma lei restringindo o direito de voto ao aumentar o valor de um imposto cobrado por pessoa, em 30 de maio de 1381, estoura a Revolta Camponesa.

Wat Tyler, líder rebelde do Condado de Kent, marcha sobre Londres com seu exército camponês. No caminho, toma Maidstone, Rochester e a Cantuária depois que a corte rejeita seu pedido de uma audiência com o rei Ricardo II.

No dia seguinte, o rei, de apenas 14 anos, se reúne com líderes camponeses em Mile End e aceita acabar com a servidão e com as restrições no mercado de trabalho. Mas a revolta prossegue. Tyler toma a Torre de Londres, na única vez que a fortaleza é conquistada, e executa o arcebispo da Cantuária.

Quando o rei encontra Tyler em Smithfield, em 15 de junho, o líder rebelde faz novas exigências, inclusive confiscar as propriedades da Igreja. Irritado com a arrogância de Tyler, o prefeito de Londres, William Walworth, o ataca e mata a golpes de espada.

O rei suspende as concessões, mobiliza um exército de 4 mil homens e derrota a rebelião. Até novembro, pelo menos 1,5 mil rebeldes são mortos.

PRIMEIRO JUIZ NEGRO DA SUPREMA CORTE 

   Em 1967, o presidente Lyndon Johnson nomeia o juiz federal Thurgood Marshall como primeiro ministro negro da Suprema Corte dos Estados Unidos. O Senado aprova a indicação por 69 a 11.

Bisneto de escravos, Marshall nasce em Baltimore, no estado de Maryland, em 2 de julho de 1908. Ele se forma em direito em 1933, sob a tutela do advogado defensor dos direitos civis Charles Houston. 

Três anos depois, começa a trabalhar no setor jurídico da Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP). De 1938 a 1961, como principal advogado da NAACP, ele defende 32 causas junto à Suprema Corte.

NY TIMES PUBLICA PAPÉIS DO PENTÁGONO 

   Em 1971, o jornal The New York Times publica os Papéis do Pentágono, ou A História do Processo de Tomada de Decisões dos EUA sobre o Vietnã, uma análise sobre o envolvimento do país na Guerra do Vietnã.

Os documentos dos governos John Kennedy (1961-63) e Lyndon Johnson (1963-69) são furtados por Daniel Ellsberg, um ex-analista do Departamento da Defesa que vira ativista contra a guerra. O governo Richard Nixon (1969-74) tenta proibir a publicação. Em 30 de junho, a Suprema Corte decide que o jornal tem o direito de publicar.

CÚPULA DAS COREIAS

    No ano 2000, o presidente da Coreia do Sul, Kim Dae Jung, se encontra com ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Il, na primeira reunião de cúpula dos dois países.

O Japão ocupa a Coreia de 1910 até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). A União Soviética declara guerra ao Japão em 9 de agosto de 1945, dia em que os Estados Unidos jogam a bomba atômica em Nagasáki, invade o Norte da Península Coreana e as Ilhas Kurilas do Sul. Os EUA, que derrotam o Japão, ocupam o Sul.

Com o país dividido no início da Guerra Fria, o Norte se transforma na República Popular Democrática da Coreia, comunista, aliada da URSS, sob a liderança de Kim il Sung, líder da guerrilha comunista contra a ocupação japonesa. O Sul vira a República da Coreia, capitalista, aliada dos EUA. Ambas reivindicam a soberania sobre toda a Península Coreana.

Em 25 de junho de 1950, a Coreia do Norte invade o Sul e começa a Guerra da Coreia (1950-53), que termina com a restauração do status quo anterior à guerra, sem que nenhum dos lados consiga unificar o país. A guerra acaba com um armistício. Até hoje, não há um acordo de paz definitivo.

Kim Dae Jung é o grande líder da democratização da Coreia do Sul, sequestrado pela ditadura militar num plano para matá-lo e condenado à morte por traição. Com a redemocratização, é o primeiro líder da oposição eleito presidente, em 1998.

Sua política do Brilho do Sul, uma tentativa de melhorar as relações entre as duas Coreias, leva à reunião de cúpula com Kim Jong Il.

Em 2006, sob Kim Jong Il, a Coreia do Norte faz sua primeira explosão atômica e vira uma potência nuclear, agravando ainda mais a situação na Península Coreana, a última fronteira da Guerra Fria. Desde então, o país faz ao todo seis testes nucleares e desenvolve mísseis de longo. Tem hoje entre 50 a 60 ogivas nucleares. O atual ditador, Kim Jong Un, que sucede o pai em 2011, anuncia que pretende ampliar significativamente o arsenal nuclear.

sexta-feira, 12 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 12 de Junho

PROCLAMAÇÃO DE INDEPENDÊNCIA DAS FILIPINAS

    Em 1898, durante a Guerra Hispano-Americana, os rebeldes liderados por Emilio Aguinaldo proclamam a independência das Filipinas depois de mais de 300 anos de colonização pelo Império Espanhol, mas os Estados Unidos promovem a independência de Cuba e anexam as Filipinas e Porto Rico ao vencer a Espanha.

A ocupação das Filipinas pelos espanhóis em 1565 é a primeira violação do Tratado de Tordesilhas (1494), antes de Portugal avançar na América para conquistar a Amazônia, o Mato Grosso e a maior parte do que é hoje o Sul do Brasil.

CHICK COREA NASCE

    Em 1941, o pianista de jazz com formação clássica, tecladista, compositor e líder de banda Chick Corea nasce em Chelsea, no estado de Massachusetts.


Armando Anthony Chick Corea desenvolve seu estilo de tocar piano sob a influência de Bill Evans, Horace Silver, Herbie Hancock e McCoy Tyner. Ele toca com Stan Getz e Miles Davis, entre outros músicos, antes de formar suas próprias bandas.

INDIANA JONES ESTREIA

    Em 1981, o filme de ação e aventura Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida, dirigido por Steven Spielberg, com produção de George Lucas e Harrison Ford no papel principal, estreia e faz um estrondoso sucesso de bilheteria, o que leva a uma série de filmes com o personagem.

Indiana Jones é um arqueólogo. Precisa encontrar a Arca da Aliança, uma relíquia bíblica que guarda os Dez Mandamentos. Como a arca torna as pessoas invencíveis, os nazistas entram na luta para assumir o controle de objeto tão precioso.

O filme fatura mais de US$ 384 milhões na bilheteria. Ganha Óscars de direção de arte, sonoplastia, edição de som e efeitos especiais.

REAGAN LANÇA REPTO A GORBACHEV

    Em 1987, diante do Muro de Berlim, o presidente norte-americano Ronald Reagan desafia o líder soviético Mikhail Gorbachev a derrubar o grande símbolo da divisão do mundo durante a Guerra Fria.
Na frente do muro, em discurso no Portão de Brandemburgo, em Berlim Ocidental, Reagan pede a queda do muro erguido pelo regime comunista da Alemanha Oriental na noite de 12 para 13 de agosto de 1961 e reconstruído várias vezes para torná-lo mais sólido e inexpugnável.

No fim da Segunda Guerra Mundial, as forças aliadas ocupam a Alemanha. As partes tomadas pelos EUA, a França e o Reino Unido formam a Alemanha Ocidental, capitalista e democrática. A União Soviética impõe o stalinismo aos países da Europa Oriental e transforma sua parte da Alemanha em Alemanha Oriental.

Com o desenvolvimento do lado ocidental e a estagnação e repressão do lado oriental, os alemães-orientais começaram a "votar com os pés", fugindo para a Alemanha Ocidental até a construção do muro. Durante décadas, o Muro de Berlim foi a cicatriz viva da Guerra Fria. 

Em 9 de novembro de 1989, em meio às revoluções liberais na Europa Oriental, permitidas pela abertura democrática de Gorbachev no Bloco Soviético, o muro é aberto e depois demolido. Em 3 de outubro de 1990, a Alemanha é reunificada.

TERROR EM BOATE GAY

    Em 2016, um terrorista ataca a boate gay Pulse, na cidade de Orlando, na Flórida, com uma arma de guerra matando 49 pessoas e ferindo outras 53.
 
Na época, é a pior matança da história dos EUA. Omar Mateen, de 29 anos, muçulmano, alega agir em nome da organização terrorista Estado Islâmico. É cercado, baleado e morto pela polícia.

DEVOLVIDO EM COMA

    Em 2017, o estudante norte-americano Otto Wambier, de 22 anos, preso um ano e cinco meses antes na Coreia do Norte, é devolvido aos EUA em estado de coma e morre dias depois.
 
Wambier fazia uma excursão à Coreia do Norte. É detido por roubar um cartaz de propaganda da ditadura no corredor de um hotel. Num julgamento de apenas uma hora, é condenado pelo regime comunista norte-coreano a 15 anos de trabalhos forçados.

Quando Wambier entra em coma por causa da tortura, a Coreia do Norte entra em contato com os EUA. De volta aos EUA, é hospitalizado no Centro Médico da Universidade de Cincinnati, no estado de Ohio. Exames de imagem mostram grandes lesões no cérebro.

Os norte-coreanos alegam que ele contraiu botulismo e tomava remédios para dormir. Uma semana depois, Otto Wambier morre. Um mês depois da morte, os norte-americanos são proibidos de viajar à Coreia do Norte.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

quinta-feira, 11 de junho de 2026

Trump e Infantino fazem Copa da exclusão e da vergonha

A maior de todas as Copas do Mundo de futebol começou hoje com as marcas do racismo, da discriminação, da exclusão e dos ingressos a preços astronômicos. Várias delegações e torcedores enfrentam dificuldades para entrar nos Estados Unidos, onde serão realizados 78 dos 104 jogos. O melhor juiz da África, um somaliano, foi barrado no aeroporto de Miami e mandado de volta para casa. Este é o exemplo mais gritante.

Um país em guerra não deveria ter o direito de organizar um evento criado para celebrar o congraçamento de países e povos, mas o presidente da FIFA (Federação Internacional de Futebol Associativo), Gianni Infantino, quer mesmo é fazer bons negócios. Elevou o puxa-saquismo e um nível sem precedentes ao dar um prêmio da paz ao presidente Donald Trump, que bombardeou sete países desde que voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025.

Infantino afirmou que não haveria problemas para jogadores, torcedores e delegações. Depois, mudou de ideia e disse que a FIFA não interfere em questões de soberania e segurança nacionais. A realidade é que para as torcidas as ditaduras da Rússia e do Catar, que organizaram as duas últimas Copas, foram muito mais acolhedoras do que os EUA de Trump.

Os torcedores locais de origem estrangeira temem a truculenta e fascistoide polícia de imigração e de fronteiras. Como a FIFA adotou a "tarifa dinâmica", os preços dos ingressos são até 118 vezes acima do valor oficial. Podem chegar até perto de R$ 1 milhão.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

Hoje na História do Mundo: 11 de Junho

PRIMEIRO DE SEIS CASAMENTOS REAIS

    Em 1509, Henrique VIII, da Inglaterra, se casa com a primeira de suas seis mulheres, Catarina de Aragão, filha dos reis católicos da Espanha, Fernando de Aragão e Isabel de Castela.

Henrique VIII é filho de Henrique VII, que ascende ao trono depois de derrotar Ricardo III na Batalha de Bosworth, em 1485, no fim da Guerra das Duas Rosas (1455-87), marco do fim da Idade Média na Inglaterra. Quer um filho homem para herdar o trono e acabar com as guerras de príncipes pretendentes à coroa.

Como Catarina tem uma filha mulher, Maria Tudor, a futura Maria I, Henrique VIII se divorcia para se casar com Ana Bolena. Para isso, rompe com o Vaticano e faz a reforma protestante na Inglaterra, em 1534. Ana Bolena lhe dá outra filha, a futura Elizabeth I, a rainha mais poderosa da história do país.

A terceira mulher, Jane Seymour, tem um filho homem. Mas Eduardo VI é fraco e morre antes de completar 16 anos, depois de 6 anos no trono. Maria I e Elizabeth I disputam o trono, numa guerra civil entre católicos e protestantes, reiniciada o século 17 na Guerra Civil Inglesa.

TRATADO DE BRESLAU

    Em 1742, a imperatriz Maria Teresa da Áustria decide entregar quase toda a região da Silésia à Prússia para acabar com a Primeira Guerra da Silésia e fazer a paz com o rei Frederico II, o Grande, no Tratado de Breslau.

Filha mais velha do imperador Carlos VI, do Sacro Império Romano-Germânico, Maria Teresa nasce no Palácio Imperial de Hofburg, em Viena, na Áustria, em 13 de maio de 1717. É a única mulher a reinar na Dinastia dos Habsburgo. Como perde o único filho homem, Carlos VI aplica a Sanção Pragmática  para permitir que uma mulher ascenda ao trono, o que é proibido pela Lei Sálica.

Arquiduquesa da Áustria, rainha da Hungria, da Boêmia, da Croácia, de Mântua, de Milão, da Galícia e Lodomeria, de Parma e dos Países Baixos Austríacos de 1740 até a morte, em 1780. Ao se casar com Francisco Estêvão da Lorena, torna-se Duquesa da Lorena, Grã-Duquesa da Toscana e imperatriz consorte de Francisco I no Sacro Império Romano-Germânico.

O casal tem 16 filhos. Dez se tornam adultos, entre eles as rainhas Maria Antonieta da França e Maria Carolina das Duas Sicílias e os imperadores do Sacro Império José II e Leopoldo II, avô da imperatriz Leopoldina, primeira mulher do imperador Dom Pedro I, do Brasil..

Com a morte de Carlos VI, a França, a Baviera, a Saxônia e a Prússia não reconhecem mais a Sanção Pragmática. A Prússia invade a Silésia, iniciando um conflito de nove anos, a Guerra da Sucessão Austríaca (1740-48). Inicialmente, ela se nega a negociar com Frederico II.

Depois de várias tentativas frustradas de expulsar o invasor, a imperatriz cede. Apesar do Tratado de Breslau, a Guerra da Sucessão Austríaca continua e termina com a Silésia sob o controle da Prússia, Maria Teresa confirmada no trono da Áustria e seu marido como imperador do Sacro Império. 

Ela tenta recuperar a Silésia na Guerra dos Sete Anos (1956-63), que opõe a França, o Império dos Habsburgo, a Rússia, a Suécia, a Espanha e a Saxônia ao Reino Unido, Portugal, à Prússia e a Hanôver. Mas não consegue. A Guerra dos Sete Anos é uma causa da Guerra da Independência dos EUA (1775-83) e da Revolução Francesa de 1789.

BATALHA DO RIACHUELO

    Em 1865, durante a Guerra do Paraguai, a Marinha do Brasil, sob o comando do almirante Francisco Manuel Barroso da Silva, o Barão do Amazonas, vence a força naval paraguaia no arroio Riachuelo, afluente do Rio Paraná, na província de Corrientes, na Argentina. É a maior batalha da história naval brasileira.

A navegação na Bacia do Prata é uma das causas da Guerra do Paraguai ou a Guerra da Tríplice Aliança (Argentina, Brasil e Uruguai), conhecida no Paraguai como a Guerra Grande. As forças aliadas estão sob o comando do presidente da Argentina, Bartolomeu Mitre, mas a Marinha do Brasil não está subordinada a ele.

O comandante da Marinha do Brasil é o almirante Joaquim Marques Lisboa, o Visconde e futuro Marquês de Tamandaré, que manda Barroso, o chefe do Estado-Maior, comandar a força naval brasileira. Sua frota sai de Montevidéu em 28 de abril, ataca a cidade argentina de Corrientes, que está sob controle paraguaio, vence a batalha, mas não consegue manter a ocupação.

Como o ataque detém o avanço do Paraguai pelo Rio Paraná, o ditador Francisco Solano López decide atacar a frota do Brasil. A esquadra paraguaia sai de Humaitá no dia 10 para encontrar a força naval brasileira na madrugada do dia 11. Uma avaria no navio Iberá atrasa os paraguaios. 

As duas esquadras se avistam às nove da manhã de 11 de junho. A esquadra brasileira estaciona a 25 quilômetros ao sul de Corrientes. Tem nove navios com um total de 59 canhões, 1.113 fuzileiros navais e 1.174 soldados do Exército Imperial. A Marinha do Paraguai tem 8 navios com 38 canhões mais 7 chatas, cada uma com um canhão.

Às 9h25, o almirante Barroso iça uma faixa dizendo: "O Brasil espera que cada um cumpra seu dever." Traduz a frase do almirante inglês Horace Nelson na Batalha de Trafalgar, em 1805, considerada uma das mais importantes batalhas navais da história, que impede o imperador francês Napoleão Bonaparte de invadir a Inglaterra.

O Brasil faz três cargas. O Paraguai perde quatro navios e quatro chatas. O resto da frota foge rio acima. Às 17h30, a batalha está terminada com uma vitória decisiva do Brasil. 

A partir daí, a Tríplice Aliança controla a Bacia do Prata até a fronteira do Paraguai. Não só pode fornecer apoio logístico às forças terrestres como impede o Paraguai de ter contato com o exterior.

Em 1866, Solano López tenta negociar a paz com o comandante dos aliados, o presidente argentino Bartolomeu Mitre, que exige sua renúncia como previsto no Tratado da Tríplice Aliança. Não há acordo e a guerra se arrasta até a morte do ditador paraguaio, em 1º de março de 1870, com o sacrifício de 90% da população masculina adulta do Paraguai.

GUARDA NACIONAL PROTEGE NEGROS EM UNIVERSIDADE

    Em 1963, por ordem do presidente John Kennedy, a Guarda Nacional rompe o bloqueio imposto pelo governador George Wallace na Universidade do Alabama em Tuscaloosa e garante o acesso de dois jovens negros, James Hood e Vivian Malone.

Wallace, um dos mais notórios supremacistas brancos da história recente dos Estados Unidos, é eleito em 1962 com uma plataforma claramente racista: "Segragação agora! Segregação amanhã! Segregação para sempre!" Vai pessoalmente à universidade para impedir a entrada dos negros.

A Suprema Corte decide em 1954 que a segregação racial é inconstitucional. Kennedy está determinado a aplicar a decisão. Em 10 de junho, federaliza a Guarda Nacional do Alabama. No dia seguinte, manda garantir o acesso dos negros à universidade. Wallace acaba aceitando.

FIM DA GUERRA COM OCUPAÇÕES QUE PERSISTEM ATÉ HOJE

    Em 1967, termina a Guerra dos Seis Dias com ampla vitória de Israel sobre o Egito, a Síria e a Jordânia, e a ocupação da Península do Sinai e da Faixa de Gaza, do Egito; da Cisjordânia, inclusive do setor oriental (árabe) de Jerusalém, parte da Jordânia; e das Colinas do Golã, da Síria.

Cessam as hostilidades, mas o conflito subsiste até hoje com a questão dos territórios árabes ocupados. Depois da Guerra do Yom Kippur (1973), a maior empreitada militar árabe da era moderna, o novo ditador do Egito, Anuar Sadat, abandona a aliança com a União Soviética em 1977, se alia aos EUA e faz a paz com Israel nos Acordos de Camp David, em 1979, para recuperar o Sinai.

Há um ditado no Oriente Médio que diz: "Não há guerra sem o Egito [maior exército do mundo árabe] nem paz sem a Síria." Nunca mais os países árabes se unem contra Israel, que anexa as Colinas do Golã em 1981, inviabilizando a paz com a Síria.

O Egito e a Jordânia abrem mão da Faixa de Gaza e da Cisjordânia, onde seria criado um país para os palestinos. Isso não aconteceu até hoje.

Israel se retira de Gaza em 2005, mas mantém o controle do espaço aéreo e do mar, e no momento trava uma guerra brutal contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), a quinta e mais violenta desde que o grupo fundamentalista muçulmano assumiu o controle do território numa guerra civil palestina, em 2007.

Na Cisjordânia, há 100 colônias ilegais à luz do direito internacional onde vivem 470 mil israelenses, além de 220 mil no setor oriental de Jerusalém, anexado ilegalmente por Israel em 1980, quando a Knesset, o parlamento israelense, declara que a cidade unificada é a capital indivisível de Israel.

TERRORISTA NORTE-AMERICANO EXECUTADO

    Em 2001, o terrorista Timothy McVeigh, condenado por um atentado contra um edifício do governo dos Estados Unidos na Cidade de Oklahoma com 168 mortes, é executado com injeção letal num complexo penitenciário federal em Terre Haute, no estado de Indiana.

McVeigh nasce em Lockport, no estado de Nova York, em 23 de abril de 1868. Menino tímido e retraído, sofre bullying na escola. Na adolescência, começa a se interessar por armas e entra para a Escola da Infantaria do Exército em Forte Benning, na Geórgia, onde se forma aos 20 anos.

No Exército, é advertido por comprar uma camiseta do Poder Branco em manifestação do grupo supremacista branco Ku Klux Klan contra militantes negros com camisetas do Poder Negro.

Ele vira artilheiro de elite de um canhão de 25 mm, é promovido a sargento e enviado ao Oriente Médio na Operação Tempestade do Deserto, a guerra de 1991 para expulsar o Exército do Iraque, que invadira o Kuwait em 2 de agosto de 1990.

Ao falar da experiência na guerra, McVeigh conta que no primeiro dia decapita um soldado iraniano com um tiro de canhão. Fica chocado com a ordem de executar prisioneiros rendidos e com a carnificina quando os EUA bombardeiam as tropas iraquianas em fuga na saída da Cidade do Kuwait.

De volta aos EUA, McVeigh tenta entrar para as forças especiais, mas é eliminado no processo de seleção. Consegue um emprego ruim em Decker, no estado de Michigan. Não consegue comprar casa nem arrumar namorada. Começa a jogar e contrai dívidas que não consegue pagar.

Sua situação financeira alimenta o ressentimento contra o governo. Quando o FBI (Federal Bureau of Investigation) cerca a sede do culto Ramo Davidiano, em Waco, no Texas, de 28 de fevereiro a 19 de abril de 1993, McVeigh vai para lá panfletar em defesa do direito de portar armas.

O cerco termina num confronto chamado de Massacre de Waco, com a morte de 76 davidianos e 3 agentes do FBI. Outros 6 membros do culto morrem no início do cerco, em 28 de fevereiro.

A atentado em Oklahoma é a vingança de McVeigh contra o governo federal dos EUA. Depois do Massacre de Waco, ele e Terry Nichols começam a planejar o ataque terrorista, realizado exatamente dois anos depois da tragédia no Texas.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37 

quarta-feira, 10 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 10 de Junho

IMPERADOR SE AFOGA

    Em 1190, o imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Frederico I ou Frederico Barbarossa ou Barba Ruiva, morre afogado ao tentar cruzar o Rio Saleph, no reino armênio da Cilícia, hoje Rio Goksu, no Sul da Turquia, quando vai para a Terceira Cruzada, a Cruzada dos Reis.

Frederico nasce em dezembro de 1122 em Haguenau, na França. Em 4 de março de 1152, é eleito rei da Alemanha em Frankfurt e coroado cinco dias depois em Aachen. Ele se torna rei da Itália em 1155 e é coroado pelo Papa Adriano IV imperador do Sacro Império.

Muitos historiadores o consideram o imperador mais importante do Sacro Império na Idade Média, combinando longevidade, ambição, capacidade de organização e inteligência política.

SUPOSTA FEITICEIRA ENFORCADA

    Em 1692, Bridget Bishop é a primeira das "feiticeiras de Salém", na Colônia da Baía de Massachusetts, a ser enforcada depois de ser condenada por "certas artes detestáveis chamadas de feitiçaria e bruxaria".

A Inquisição ou o Santo Ofício persegue, condena e executa supostos hereges desde 1184. A Caça às Bruxas começa na Europa por volta de 1300.

No século 14, já no fim da Idade Média, o medo da heresia e do satanismo aumentam o número de acusações de cometer atos diabólicos e geram uma caça às bruxas, agravada pela pandemia da peste, a pior da história, que mata 40% a 60% da população da Europa de 1346 a 1353.

Em 1484, o Papa Inocêncio VIII condena a bruxaria numa bula papal e envia inquisidores para perseguir e processar bruxas.

As bruxas são consideradas inimigas de Deus e aliadas do demônio, com quem fariam orgias sexuais durante a noite. Elas teriam a capacidade de se transformar de seres humanos em animais e depois em outros animais e humanos diferentes.

Entre 1400 e 1775, um período que inclui a Contrarreforma e a Guerra dos Trinta Anos (1618-48), estima-se que 110 mil pessoas sejam processadas por bruxaria na Europa e na América, e 40 a 60 mil executadas. A última execução acontece na Suíça em 1758.

Em Salém, 200 pessoas são processadas de fevereiro de 1693 a maio de 1694. Trinta são condenadas, mas só 20 executadas; 19 morrem na forca (14 mulheres e 5 homens) e uma mulher idosa é esmagada com pedras. Outros 5 réus morrem na prisão.

ORIGEM DO PARA-RAIOS

  Em 1752, Benjamin Franklin, um dos fundadores dos Estados Unidos, inventor do para-raio, empina um papagaio (pandorga ou pipa) durante uma tempestade para provar a ligação entre os raios e a eletricidade.

Cientista, escritor, político e diplomata, Franklin usa um fio metálico para empinar uma pandorga de papel preso a uma chave de metal manipulada através de um fio de seda. Ao lado do filho, observa a carga elétrica do raio descer até a terra.

Para dar utilidade prática à descoberta, usa hastes de ferro ligadas à terra colocadas ao lado ou no teto de edificações para desviar as cargas elétricas dos raios para o solo com segurança. Cria o para-raios.

ESTREIA TRISTÃO E ISOLDA

    Em 1865, estreia Tristão e Isolda, o primeiro exemplo do que o compositor Richard Wagner chama de "drama musical", que se torna a ópera mais importante da Alemanha do fim do século 19.

A ópera se baseia num romance medieval com origem numa lenda celta. Tristão é encarregado de pedir a mão de Isolda em casamento em nome do seu tio, o rei Marco, da Cornualha. Consegue, mas os dois acabam tomando por engano uma poção de amor, o que os torna apaixonados um pelo outro.

O romance é cheio de dificuldades e perigos porque ambos tentam manter a lealdade ao rei. Durante a maior parte da ópera, o rei e seus cortesões tentam armar uma cilada para os amantes. Preso e condenado à morte na fogueira, Tristão salta de um penhasco e resgata Isolda, que o rei entrega a um bando de leprosos.

Eles fogem para a floresta de Morrois e ficam lá até serem descobertos pelo rei Marco, com quem fazem um acordo de paz que restaura o casamento de Marco e Isolda. Tristão vai para a Bretanha, onde se casa com Isolda das Mãos Brancas, mas não consuma o casamento. Ferido por uma arma envenenada, ele procura a outra Isolda, a única capaz de curá-lo.

Se Isolda concordar, ela vai chegar num navio com vela branca; se recusar, irá um navio com vela preta. A mulher de Tristão descobre e diz ao marido que o navio tem a vela negra. Isolda chega tarde demais para salvar o amante e entrega sua vida num abraço final.

Depois das mortes, há um milagre. Duas árvores brotam de seus túmulos e seus galhos e ramos se entrelaçam para que nunca mais eles sejam separados. 

ITÁLIA VAI À GUERRA

    Em 1940, nove meses depois do início da Segunda Guerra Mundial, o ditador italiano Benito Mussolini declara guerra ao Reino Unido e à França, esta última invadida em maio daquele ano pela Alemanha Nazista, aliada da Itália.

Quando a Alemanha invade a Polônia, em 1º de setembro de 1939, marco do início do maior conflito armado da história, a Itália não está preparada. Com o colapso da França, o líder fascista decide que chega a hora de aplicar o Pacto de Aço firmado com o ditador nazista Adolf Hitler e entrar na guerra.

Os nazistas entram em Paris em 14 de junho. A França assina a rendição em 22 de junho. Hitler retira de um museu o trem onde a Alemanha se rendera no fim da Primeira Guerra Mundial, e faz do acontecimento uma espécie de redenção pela derrota em 1918.

Um dia depois do ataque japonês a Pearl Harbor, no Havaí, em 8 de dezembro de 1941, Mussolini declara guerra aos Estados Unidos, aliando-se também ao Império do Japão.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37 

terça-feira, 9 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 9 de Junho

 FRANCÊS NO QUEBEC

     Em 1534, o navegador francês Jacques Cartier torna-se o primeiro europeu a encontrar o Rio São Lourenço, no que hoje é a província do Quebec, a região francófona do Canadá.

Cartier é enviado pelo rei Francisco I, da França, para explorar a América do Norte em busca de riquezas naturais. É uma região inóspita e gelada. A descoberta de um vale fértil e quente perto do Golfo de São Lourenço estimula o rei a mandar nova expedição exploradora no ano seguinte. Em 1535, Cartier vai até onde hoje fica a cidade de Montreal.

NAZISTAS AVANÇAM RUMO AO ATLÂNTICO

    Em 1940, as forças da Alemanha Nazista sob o comando do general Erwin Rommel cruzam o Rio Sena e avançam em direção ao Oceano Atlântico.
Rommel nasce em Heideinheim, na Alemanha, em 15 de novembro de 1891, filho de um professor e da filha de um alto oficial. Ele entra para o Regime de Infantaria de Württemberg em 1910. Na Primeira Guerra Mundial (1914-18), luta na França, na Romênia e na Itália, onde se destaca por coragem e bravura.

Depois da anexação da Áustria pela Alemanha, março de 1938, Rommel é nomeado diretor de uma escola para oficiais em Wiener Neustadt, perto de Viena.

Quando começa a Segunda Guerra Mundial (1939-45), ele se torna comandante das forças que protegem o quartel-general de Hitler e se aproxima pessoalmente do Führer. Depois da invasão da Polônia, marco do início da guerra, em 1º de setembro de 1939, há uma relativa trégua até a Alemanha lançar sua ofensiva na frente ocidental com a invasão da Noruega em 9 de abril de 1940.

Em seguida, os nazistas invadem a Holanda, a Bélgica e a França, em maio. Como comandante da 7ª Divisão de Tanques Panzer, Rommel recebe a missão de avançar até o Atlântico. Sem condições de defender a França, o Reino Unido recua com a Retirada de Dunquerque.

Menos de um ano depois, em fevereiro de 1941, Rommel é nomeado comandante do Afrika Korps, o exército africano de Hitler. Ele fica conhecido como a Raposa do Deserto, vira herói e é promovido a marechal de campo.

No verão de 1942, Hitler ordena um ataque ao Cairo e ao Canal de Suez, mas o Afrika Korps é derrotado pelo Exército Real britânico na Segunda Batalha de El-Alamein, a cerca de 100 quilômetros de Alexandria. Em 1943, ele é chamado de volta para a Alemanha.

Em 1944, Rommel é encarregado pela Muralha do Atlântico, a série defesas construídas pela Alemanha para proteger o litoral da França da invasão aliada que acaba acontecendo em 6 de junho, o Dia D.

McCARTHY DESMORALIZADO    

    Em 1954, num debate dramático, o advogado do Exército dos Estados Unidos Joseph Welch pergunta ao senador republicano Joseph McCarthy, durante uma audiência sobre uma suposta infiltração comunista nas Forças Armadas: "O Sr. não tem senso de decência?"

McCarthy fica famoso ao denunciar, em fevereiro de 1950, a infiltração de "centenas de notórios comunistas no Departamento de Estado".

Sua campanha contra a Ameaça Vermelha, no início da Guerra Fria, denuncia a suposta infiltração comunista em todos os setores da vida pública dos EUA, do governo federal a Hollywood. A confrontação com Welch diante das câmeras da televisão, que transmitem a audiência, é a desmoralização final do macartismo.

O senador lança sua campanha no governo democrata de Harry Truman (1945-53). Com a posse do republicano Dwight Eisenhower (1953-61), o comandante militar aliado na Segunda Guerra Mundial (1939-45), McCarthy se torna um estorvo para o partido. Os ataques contra a CIA e o Exército o desmoralizam totalmente.

ISRAEL OCUPA TERRITÓRIOS ÁRABES

    Em 1967, Israel captura a Península do Sinai, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém, e as Colinas do Golã numa vitória esmagadora sobre o Egito, a Síria e a Jordânia na Guerra dos Seis Dias.

Gaza e o Sinai pertenciam ao Egito, a Cisjordânia à Jordânia e as Colinas do Golã à Síria. A guerra termina no dia seguinte, mas a questão dos territórios árabes ocupados continua até hoje. É um dos principais obstáculos à paz entre árabes e israelenses.

Depois de nova derrota na Guerra do Yom Kippur (1973), a maior empreitada militar árabe da era moderna, o presidente do Egito, Anuar Sadat, rompe a aliança com a União Soviética e se aproxima dos Estados Unidos para fazer a paz com Israel, em 1979, e recuperar o Sinai.

O Egito e a Jordânia abrem mão da Faixa de Gaza e da Cisjordânia para que seja criada uma pátria para o povo palestino. As Colinas do Golã são anexadas ilegalmente por Israel em 1981, o que só é reconhecido pelos EUA, no primeiro governo Donald Trump, em 25 de março de 2019.

O atual governo de extrema direita de Israel tem a clara intenção de anexar a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, enterrando de vez a proposta de criação de uma pátria independente para o povo palestino.

GRANDE VITÓRIA DE THATCHER

    Em 1983, um ano depois da ganhar a Guerra das Malvinas contra a ditadura militar da Argentina, com a oposição dividida, a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher obtém sua maior vitória eleitoral e começa a radicalizar seu programa de reformas neoliberais.

Margaret Hilda Thatcher é a primeira mulher a se tornar primeira-ministra britânica e a pessoa que chefia o governo do país por mais tempo no século 20. Ela chega ao poder em maio de 1979, depois do chamado Inverno do Descontentamento, marcado por uma série de greves, agitação social e desemprego resultantes da primeira crise do petróleo.

A Dama de Ferro, apelido que ganha da imprensa soviética em 1976 depois de um discurso anticomunista como líder da oposição, promete resgatar a moralidade pública e reduzir a participação do Estado na economia.

Além de cortar impostos, uma de suas principais bandeiras é a privatização de empresas estatais, que ela considera mais ineficientes do que o setor privado. Thatcher quer transformar a Grã-Bretanha num país de acionistas. Começa esse processo em 1981 sob forte oposição dos sindicados, ligados ao Partido Trabalhista.

Estão lançadas as bases do thatcherismo, que incluem recuo da máquina estatal, disciplina fiscal, cortes de impostos, privatizações, respeito à autoridade e à ordem pública, e um feroz anticomunismo. Poucos primeiros-ministros dão nome a uma filosofia política.

Em seu radicalismo, Margaret Thatcher chegou a dizer: "Não existe isso que chamam de sociedade. Há homens, mulheres e famílias".

O total de desempregados no Reino Unido sobe para 3 milhões, e o número de pobres aumenta quatro vezes, aprofundando a desigualdade social, uma das marcas perversas do neoconservadorismo. Impopular, Thatcher conta com uma ajuda inesperada.

A invasão das Ilhas Malvinas pela ditadura militar da Argentina em 2 de abril de 1982 é um teste decisivo para sua determinação. Uma força-tarefa é deslocada para a guerra a 10 mil quilômetros de distância da Inglaterra. Em 14 de junho, as ilhas são retomadas depois da morte de 649 argentinos e 258 britânicos.

Humilhada, a ditadura militar argentina cai. Fortalecida, Thatcher obtém sua maior vitória eleitoral wn 1983. Com maioria de 144 deputados na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, parte para o enfrentamento com os sindicatos para impor sua ideologia econômica neoliberal. Uma greve de 11 meses contra o fechamento de 20 minas estatais deficitárias deixa o Reino Unido sem carvão em 1984 e 1985.

Sem o apoio da opinião pública, a greve fracassa. Os mineiros e o sindicalismo em geral perdem força.

Também em 1984, Margaret Thatcher sobrevive a um atentado a bomba do Exército Republicano Irlandês (IRA) contra a convenção anual do Partido Conservador. É uma tentativa de vingar as mortes de 10 militantes republicanos irlandeses em greve fome que exigiam reconhecimento como presos políticos, em 1981. Inflexível, a Dama de Ferro os considera criminosos comuns.

No mesmo ano, Thatcher convida o futuro líder soviético Mikhail Gorbachev para ir a Londres. É a primeira a identificá-lo no Ocidente como "alguém com quem se pode negociar".

Naquela época, ela considera o líder negro sul-africano Nelson Mandela, que ainda estava preso, como "terrorista". Mais tarde, viria a defender o amigo e admirador general Augusto Pinochet, o ditador   preso em Londres em 1998 por crimes cometidos quando governa o Chile, de 1973 a 1990.

Sob Thatcher, amplos setores da economia britânica, aviação, metalurgia, telecomunicações, água, energia e o sistema ferroviário, foram entregues à iniciativa privada. São mudanças permanentes, observa o jornal The New York Times. Modernizam a Grã-Bretanha, mas aprofundam a desigualdade.

A ex-primeira-ministra também é uma grande adversária do aumento dos poderes da Comunidade Europeia, hoje União Europeia. Chega a bater na mesa com sua bolsa para pedir a devolução de parte da contribuição britânica para a política comum de subsídios agrícolas do bloco europeu, já que o Reino Unido tem uma agricultura muito menor do que países como a França e a Alemanha.

"Não estou pedindo o dinheiro dos outros. Estou pedindo nosso dinheiro de volta", afirmou.

Em 1987, depois de sua terceira vitória eleitoral consecutiva, Thatcher se torna ainda mais antieuropeia, preocupando um de seus maiores aliados, o centro financeiro de Londres, que temia perder a primazia para Paris ou Frankfurt na união monetária europeia porque o Reino Unido não adotaria o euro.

Uma de suas principais bandeiras, entusiasticamente adotada pelo Partido Conservador, é repatriar poderes da UE para o Parlamento Britânico. Diante do avanço do euroceticismo e da crise da Zona do Euro, o primeiro-ministro e líder do partido, David Cameron, promete convocar um plebiscito sobre a permanência do país na UE até 2017. Convoca e perde em 23 de junho de 2016, o que leva o Reino Unido a deixar a UE.

O risco de isolamento na Europa e a substituição do imposto predial e territorial por um imposto por pessoa, independentemente da renda pessoal e do tamanho da propriedade, sela sua impopularidade. Em novembro de 1990, o ex-ministro Michel Heseltine, um europeísta, desafia a liderança da Margaret Thacher.

Sem conseguir uma vitória consistente, com mais de dois terços dos votos da bancada do partido na Câmara dos Comuns, Thatcher pede demissão. Vira Baronesa Thatcher e vai para a Câmara dos Lordes. Enquanto sua saúde permite, influencia a vida política do país.

O regicídio, como o episódio é conhecido na Grã-Bretanha, abre uma guerra interna de que o Partido Conservador não se recuperou até hoje. O compromisso com a defesa de Londres como um dos maiores centros financeiros do mundo entra em choque com a rejeição à integração europeia.

Talvez seu maior legado seja a profunda reforma política e econômica, que vai muito além do Reino Unido. Antes de Thatcher, a maioria das companhias aéreas e as empresas telefônicas de fora dos EUA eram estatais.

Para voltar ao poder com Tony Blair, em 1997, o Partido Trabalhista faz uma ampla mudança, abrindo mão do socialismo e da estatização dos meios de produção, que são excluídos do programa partidário para reconquistar a classe média. Essa é a grande vitória ideológica de Thatcher, fazer o principal adversário abraçar a economia de mercado.

Do ponto de vista econômico, o neoliberalismo que defende com tanto vigor ao lado de Reagan é a ideologia dominante da economia internacional por quase três décadas. Com suas políticas de desregulamentação e redução da atividade do Estado, é a principal causa da grande crise econômico-financeira internacional de 2008-9.

Acima de tudo, Thatcher ajuda a acabar com a Guerra Fria, resgata o prestígio da economia de mercado e recupera o orgulho do Reino Unido, mas a um custo social elevado que divide o país, aumenta a desigualdade social e o afasta do resto da Europa.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37