quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Insatisfação social explode na França

A seis meses da eleição presidencial, uma onda de manifestações abala a França. No sábado passado, 500 a 800 mil pessoas protestaram nas principais cidades francesas. Mais de 3,5 mil lojas foram saqueadas e pelo menos 2,4 mil pessoas foram presas. O governo promete reforçar o dispositivo policial para as manifestações do próximo fim de semana e ameaça decretar estado de emergência.

Os protestos também atingem outros países da Europa. Revelam uma profunda insatisfação popular com os governos que favorece a radicalização e a ascensão de partidos de extrema direita em todo o continente. Na França, há um colapso do centro representado pelo presidente Emmanuel Macron, que hoje só tem o apoio de 15% da população.

Essa revolta começou em 21 de setembro como um protesto de estudantes secundaristas contra o sucateamento do ensino público. Logo, incluiu novos temas como o alta do custo de vida e o orçamento de 2027, que prevê o congelamento dos salários do funcionalismo.

Enquanto a extrema direita e a extrema esquerda, favoritas na eleição presidencial de abril de 2027, acusam o governo de fracassar na segurança, o primeiro-ministro Sébastian Lecornu convocou os sindicatos para uma reunião hoje e os partidos políticos para um encontro amanhã. Deve receber líderes estudantis na próxima semana.

Nova manifestação está convocada para sábado, desta vez pelos coletes amarelos, que protestam contra o aumento nos preços dos combustíveis. Desta vez, o governo promete reforçar a segurança. 

Quando a França disputou a semifinal da Copa do Mundo contra a Espanha e perdeu, o governo mobilizou 89 mil policiais para evitar atos de violência. No fim de semana passado, foram apenas 60 mil. O governo subestimou a manifestação. Mas não é a polícia que vai resolver problemas políticos e sociais.

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Hoje na História do Mundo: 21 de Outubro

VITÓRIA E MORTE DE NELSON

    Em 1805, numa das batalhas navais mais decisivas da história, a Marinha Real britânica, sob o comando do almirante Horatio Nelson, vence uma frota da França e da Espanha perto do Cabo de Trafalgar, na costa espanhola, impedindo o imperador Napoleão Bonaparte de invadir a Inglaterra. Nelson é ferido e morre horas depois.

Nelson derrota a Marinha da França pela primeira vez na Batalha de Abukir, no Mar Mediterrâneo, perto da costa do Egito, de 1º a 3 de agosto de 1798. 

A frota de Nelson sai do Rio Tejo, em Portugal, e persegue durante dois meses a armada francesa, que vai de Toulon, na França, para Alexandria, no Egito, levando uma força expedicionária de Napoleão. Depois de desembarcar as tropas do Exército, a frota francesa ancora na Baía de Abukir, a 32 quilômetros a noroeste de Alexandria.

Entre 2 e 5 mil franceses morrem em combate e mais de 3 mil são capturados. Os britânicos perdem 218 homens, mas nenhum navio. Destroem quatro navios e capturam outros nove. A vitória de Nelson estimula os países europeus a formar a segunda coalizão contra Napoleão.

Sete anos depois, na Batalha de Trafalgar, Nelson comanda 27 navios contra uma esquadra franco-espanhola de 33 e bota um lema na nau-capitânia, Vitória: "A Inglaterra espera que cada um cumpra o seu dever."

O almirante Francisco Manuel Barroso da Silva usaria o lema de Nelson para estimular seus comandados na Batalha do Riachuelo, em 11 de junho de 1865, na Guerra do Paraguai (1964-70): "O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever."

Na Batalha de Trafalgar, em cinco horas, os britânicos arrasam a frota inimiga destruindo 19 navios, mas sofrem 1,5 mil baixas, inclusive seu comandante heróico. Um atirador francês atinge Nelson no ombro e no peito. O almirante morre meia hora antes do fim da batalha, sabendo da vitória iminente. Suas últimas palavras são: "Agora, estou satisfeito. Graças a Deus, cumpri minha missão.”

LINCHAMENTO DE NEGROS

    Em 1921, em discurso no estado do Alabama, o presidente Warren Harding condena o linchamento de negros, muitas vezes enforcados em árvores, por supremacistas brancos no Sul Profundo dos Estados Unidos. São dois por dia, em média.

O governo Harding (1921-23), um conservador progressista defensor do voto feminino e de plenos direitos civis para os negros, é marcado por escândalos de corrupção e considerado um dos piores da história dos EUA. 

Na campanha eleitoral, Harding apoia a Lei Antilinchamento, que passa na Câmara, mas morre no Senado. Harding é acusado de ligações com o movimento supremacista branco Ku Klux Klan, mas o vínculo jamais é comprovado.

A Lei dos Direitos Civis só é aprovada no governo Lyndon Johnson (1963-69), em 1964.

NAZISTAS MASSACRAM IUGOSLAVOS

    Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), soldados da Alemanha Nazista matam milhares de iugoslavos, homens, mulheres e crianças, inclusive aulas inteiras de estudantes.

A Iugoslávia tenta manter a neutralidade no início da guerra, mas em 1940 firma um "tratado de amizade" com a Alemanha e em 1941 adere ao Eixo Tripartite (Alemanha, Itália e Japão).

Milhares de iugoslavos protestam nas ruas e a frágil aliança que criara o país em 1918, no fim da Primeira Guerra Mundial, se dissolve. Os sérvios dão um golpe liderado pelo rei Peter, que rejeita a aliança com os nazistas.

A retaliação vem com um bombardeio da Luftwaffe, a Força Aérea da Alemanha, a Belgrado, que mata 17 mil iugoslavos.

O líder nazista Adolf Hitler divide a Iugoslávia e faz uma aliança com parte da Croácia. Os sérvios resistem e são massacrados. Em 21 de outubro, 7 mil homens são mortos em Kraljevo, 6 mil homens, mulheres e crianças em Macva e 2,3 mil homens e meninos em Kragujevac.

Ao todo, cerca de 700 mil sérvios morrem sob o regime fantoche dos nazifascistas croatas, liderado por Ante Pavelic, com sua tropa de choque, os ustaches. 

INAUGURAÇÃO DO GUGGENHEIM

    Em 1959, é aberto na 5ª Avenida, em Nova York, o Museu Guggenheim, projetado pelo arquiteto Frank Lloyd Wright.

Solomon Guggenheim, uma magnata do setor de mineração, começa a colecionar obras de arte nos anos 1930 e faz sua primeira exposição em 1939 numa antiga revendedora de automóveis, com obras de Marc Chagall, Vassily Kandinsky e Paul Klee, entre outros.

Logo o espaço fica pequeno. Em 1943, a baronesa e artista alemã Hilla Rebay pede ao arquiteto que faça um projeto não só de um museu, mas "um templo do espírito". Wright trabalha 16 anos e morre seis meses antes da inauguração do museu.

O Guggenheim parece uma grande concha, com uma rampa circular de acesso aos andares superiores, com uma rotunda no meio e telhado de vidro. A espaço para exposições tem 50 mil metros quadrados. Mais de 900 mil pessoas visitam o museu por ano.

MARCHA PELA PAZ

    Em 1967, cerca de 100 mil pessoas protestam em Washington contra a Guerra do Vietnã e 50 mil marcham até o Pentágono, sede do Departamento da Defesa dos Estados Unidos, para pedir paz.

Quando Johnson anuncia um aumento de impostos de 10% para financiar a guerra, cresce o ceticismo da opinião pública e o movimento pacifista aproveita para se fortalecer. A Marcha sobre Washington é uma mostra do crescimento.

Johnson reage com uma campanha de propaganda. Chama o comandante militar no Vietnã, general William Westmoreland, para depor no Congresso. A jogada dá certo por alguns meses.

A Ofensiva do Tet, de 31 da janeiro a 23 de setembro de 1968, quando norte-vietnamitas e vietcongues atacam em três frentes, mina definitivamente o apoio à guerra dentro dos EUA e coloca em xeque a política externa norte-americana na Guerra Fria.

Com a popularidade arruinada pela guerra, Johnson não concorre à reeleição. O candidato democrata, senador Robert Kennedy, é baleado em 5 de junho de 1968 e morre no dia seguinte. O Partido Republicano vence a eleição com Richard Nixon, que faz um acordo de paz com o Vietnã do Norte em 27 de janeiro de 1973.

A Guerra do Vietnã termina em 30 abril de 1975 com a vitória dos comunistas e uma fuga espetacular da Embaixada dos EUA em Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh.

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terça-feira, 20 de outubro de 2026

Hoje na História do Mundo: 20 de Outubro

FIM DA LONGA MARCHA

    Em 1935, depois de 368 dias em fuga por 9 mil quilômetros para escapar dos nacionalistas do Kuomintang (KMT), 4 mil comunistas chineses sobreviventes liderados por Mao Tsé-tung chegam a Xansi, no Noroeste da China, pondo fim à Longa Marcha.

A China é um dos temas do debate entre Leon Trotsky e Josef Stalin na luta pelo poder dentro do Partido Comunista da União Soviética depois de morte de Vladimir Lenin, em 1924. Como a China não tem indústria nem operariado, Stalin, vencedor na disputa, manda o Partido Comunista chinês fazer uma política de frente popular em aliança com a burguesia, representada pelo KMT.

A guerra civil chinesa começa em 1927, quando Stalin consolida o poder em Moscou, o que leva os comunistas chineses a proclamar em 1931 a fundação da República Soviética da China, com base província Jiangxi, sob a liderança de Mao Tsé-tung.

O KMT lança então uma campanha implacável, com cinco cercos à área controlada pelos comunistas, e causa morte de fome de centenas de milhares de camponeses.

Aos comunistas, só resta a fuga. Eles rompem o cerco num ponto mais fraco e iniciam a Longa Marcha, que termina em 20 de outubro de 1935 diante da Grande Muralha.

Em 1937, o Japão, que já ocupava a Manchúria desde 1931, invade as principais cidades da China e assume o controle do país. Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a guerra civil civil chinesa recomeça. 

Os comunistas, fortalecidos pela guerra de guerrilhas travada contra o Império do Japão, tomam o poder em 1º de outubro de 1949 e, sob a liderança de Mao, fundam a República Popular da China. Os nacionalistas do KMT fogem para Taiwan, que os comunistas ameaçam invadir.

COMUNISTAS EM HOLLYWOOD

    Em 1947, com a histeria anticomunista da Ameaça Vermelha no início da Guerra Fria, em sua caça às bruxas, a Comissão de Atividades Antiamericanas do Congresso dos Estados Unidos começa a investigar a infiltração comunista num dos lugares mais ricos e charmosos do mundo: a indústria cinematográfica de Hollywood.

Entre os suspeitos, estão o compositor Aaron Copland, os escritores Dashiell Hammett, Dorothy Parker e Lillian Hellman, o dramaturgo Arthur Miller, o diretor Orson Welles e o ator Charles Chaplin.

Do outro lado, entre os dedos-duros, o diretor Elia Kazan, os atores Gary Cooper e Robert Taylor, e os chefões Walt Disney e Jack Warner.

ABERTA ÓPERA DE SÍDNEI

    Em 1973, depois de 15 anos de construção, o teatro da Ópera de Sídnei, uma obra de US$ 80 milhões do arquiteto dinamarquês Jorn Utzon financiada com dinheiro de loteria que vira o símbolo da principal cidade da Austrália.

Com seu teto de conchas concêntricas, a Ópera de Sídnei tem vários auditórios e realiza cerca de 3 mil espetáculos por ano. A primeira apresentação é uma montagem de Guerra e Paz, do compositor russo Serguei Prokofiev, pela Ópera da Austrália. 

MASSACRE DE SÁBADO À NOITE

    Em 1973, o advogado-geral da União dos Estados Unidos, Robert Bork, demite o procurador-especial Archibald Cox, que investiga o Escândalo de Watergate. 

O ministro da Justiça e procurador-geral, Elliot Richardson, e o subprocurador-geral, William Ruckelshaus se negam a demitir Cox e pedem demissão em protesto.

O procurador especial investiga a invasão da sede do Partido Democrata no Edifício Watergate, em 17 junho de 1972, que vira um escândalo com reportagens de Bob Woodward e Carl Bernstein no jornal The Washington Post. Eles revelam que os supostos ladrões faziam parte do grupo de encanadores da Casa Branca e botariam equipamentos de escuta no diretório nacional do partido adversário.

O rastro do dinheiro os leva ao comitê da campanha de reeleição do presidente Richard Nixon (1969-74) e à Casa Branca. O Massacre de Sábado à Noite é um momento decisivo para a perda de credibilidade de Nixon, acusado de abuso de poder e obstrução de justiça num inquérito de um processo de impeachment.

Outro golpe decisivo é a decisão de Suprema Corte de obrigar Nixon a entregar ao Congresso as fitas das gravações feitas pelo governo das reuniões no Salão Oval da Casa Branca.

Com a perda do apoio do Partido Republicano, Nixon renuncia em 9 de agosto e um mês depois recebe o perdão do novo presidente, Gerald Ford. Mas todos os ministros envolvidos vão para a cadeia.

KADAFI ASSASSINADO

   Em 2011, o coronel Muamar Kadafi, o ditador há mais tempo no poder na África e no mundo árabe, desde 1969, é capturado e morto por rebeldes perto de Sirte, sua cidade natal. 

Kadafi nasce em junho de 1942 numa família de beduínos. Faz a Academia Militar Real em Bengázi e um breve treinamento no Reino Unido. 

Em 1º de setembro de 1969, derruba o rei ''Ídris, aliado do Ocidente, num golpe branco, proclama uma revolução, fecha bases militares norte-americanas e britânicas na Líbia, assume o controle do petróleo, a grande riqueza do país, prende, tortura e mata dissidentes políticos. Seu manifesto político é o Livro Verde.

O coronel financia grupos guerrilheiros e terroristas como o Exército Republicano Irlandês (IRA), que luta contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte, e a Facção do Exército Vermelho, também conhecida como grupo Baaden-Meinhof, na Alemanha. Vira inimigo das potências ocidentais.

Depois de um atentado contra uma discoteca frequentada por soldados norte-americanos em Berlim Ocidental, em abril de 1986, o presidente Ronald Reagan ordena um bombardeio contra o palácio do ditador líbio, que sobrevive.

Um atentado contra um Boeing 747 da PanAm na rota Londres-Nova York mata todas as 259 pessoas a bordo e 11 no solo em Lockerbie, na Escócia, em 21 de dezembro de 1988. Há suspeitas de um atentado de grupos palestinos a serviço do Irã, numa vingança contra o abate de um Airbus iraniano com 290 pessoas a bordo por um navio dos Estados Unidos em 3 de julho de 1980, no fim da Guerra Irã-Iraque (1980-88).

Os EUA acusam dois agentes líbios. Outro atentado, contra um avião de passageiros companhia francesa UTA, em 19 de setembro de 1989, no Níger, mata as 170 pessoas abordo, é atribuído a líbios. Nos dois casos, inicialmente Kadafi se nega a entregar os suspeitos.

Sob pressão dos EUA e da França, as Nações Unidas impõe sanções à Líbia em 1992. Kadafi entrega os suspeitos do atentado de Lockerbie em 1999. Um é condenado. O outro é absolvido.

Com a guerra contra o terrorismo e a invasão do Iraque, Kadafi e o Ocidente têm um inimigo comum, o extremismo muçulmano, e o ditador teme uma invasão norte-americana. Em dezembro de 2003, o dirigente líbio faz um acordo com as potências ocidentais e concorda em desmantelar todos os programas de armas de destruição em massa.

Durante a Guerra contra o Terror, depois dos atentados de 11 de setembro de 2001 contra Nova York e o Pentágono, a Líbia é usada para sessões de tortura pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA).

Diante do refluxo do pan-arabismo, Kadafi decide assumir sua identidade africana. É um dos grandes incentivadores da transformação da Organização para Unidade Africana (OAU) em União Africana, em 2001 e 2002.

O fim vem com a Primavera Árabe. Depois da queda de Zine ben Ali, na Tunísia, e de Hosni Mubarak, no Egito, em 17 de fevereiro de 2011 começa a revolta na Líbia. Os rebeldes tomam Bengázi, a segunda maior cidade do país, situada no Leste da Líbia. Kadafi ameaça esmagar a rebelião e matar os revoltosos como se fossem "ratos e baratas".

Em 17 de março de 2011, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprova a criação de uma zona de exclusão áerea, proibindo Kadafi de bombardear os rebeldes. No dia seguinte, o presidente Barack Obama ordena os primeiros ataques dos EUA às forças do ditador, que promete uma trégua, mas continua atacando os rebeldes.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) assume em 25 de março o comando militar da operação contra Kadafi, aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Em 16 de maio, o procurador-geral do Tribunal Penal Internacional, Luis Moreno Ocampo, pede a prisão do líder líbio por "crimes contra a humanidade".

Quando os rebeldes tomam Trípoli, a capital líbia, em 20 de agosto, Kadafi foge. Com poucas cidades ainda em poder de seus aliados, ele se refugia em Sirte, sua terra natal. Ainda tenta negociar uma transição pacífica do poder, mas a proposta é rejeitada.

Em 20 de outubro, ele sai de Sirte e tenta entrar num comboio militar em fuga para o Vale Jarref. A OTAN bombardeia o comboio. Destrói 14 veículos e mata 53 pessoas. Kadafi e um pequeno grupo fogem para uma vila próxima bombardeada pela milícia de Missurata.

No fim, cercados pela milícia, Kadafi e seus guarda-costas se refugiam num local em obras. O ditador se esconde dentro de grandes tubos de concreto de uma obra. Morre com a explosão de uma granada.

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segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Hoje na História do Mundo: 19 de Outubro

VITÓRIA DECISIVA PELA INDEPENDÊNCIA

    Em 1781, com a rendição do general Lorde Cornwallis e de 8 mil soldados do Império Britânico, as forças dos Estados Unidos apoiadas pela França obtêm na Batalha de Yorktown, na Virgínia, uma vitória decisiva na Guerra da Independência (1775-83).

Lorde Cornwallis é um dos melhores generais britânicos na guerra. Em 1776, ele expulsa de Nova Jérsei as forças do general George Washington, comandante do Exército Continental. Em 1780, conquista uma vitória espetacular contra o general Horatio Gates em Camden, na Carolina do Sul.

Depois de invadir sem sucesso a Carolina do Norte, Cornwallis leva suas tropas para o litoral da Virgínia. Washington pede, então, ao Marquês de Lafayette, um dos generais enviados pela França para apoiar a rebelião dos colonos norte-americanos, para bloquear a fuga de Yorktown por terra. Lafayette comanda 5 mil soldados americanos.

Com os 2,5 mil homens em armas que Washington tem em Nova York, um exército de 4 mil franceses sob o comando do Conde de Rochambeau e uma grande esquadra francesa chefiada pelo Conde de Grasse, eles planejam atacar as forças britânicas.

Em 21 de agosto, as tropas de Washington e Rochambeau cruzam o Rio Hudson rumo a Yorktown. Avançam mais de 300 quilômetros em 15 dias e chegam à Baía de Chesapeake, perto de onde fica hoje a capital dos EUA, no início de setembro.

Como a esquadra britânica sob o comando do almirante Thomas Graves perde a Batalha de Chesapeake em 5 de setembro, Cornwallis fica sem reforços.

A partir de 14 de setembro, a frota de De Grasse transporta os soldados de Washington e Rochambeau para a Virgínia através da Baía de Chesapeake, onde se encontram com as tropas de Lafayette e fecham o cerco ao redor de Yorktown.

Os 14 mil homens da força franco-norte-americana atacam as posições britânicas com o apoio da frota de De Grasse. Em 19 de outubro, Cornwallis se rende com seus 7.087 soldados, 900 marinheiros, 114 canhões, 15 galeões, uma fragata e 30 navios de transporte.

É a última grande batalha da Guerra da Independência. As negociações de paz começam no início de 1782. Em 3 de setembro de 1783, no Tratado de Paris, a França e o Reino Unido reconhecem a independência dos EUA.

JEFFERSON ACUSADO DE CASO COM ESCRAVA

    Em 1796, um artigo publicado no jornal Gazette of the United States, escrito pelo ex-secretário do Tesouro Alexander Hamilton sob o pseudônimo de Phocion, acusa Thomas Jefferson, candidato à Presidência dos Estados Unidos, de manter relações íntimas com uma escrava.

O texto é um exemplo de baixaria e da natureza pessoal dos ataques políticos no início da história independente dos EUA. Hamilton se refere Sally Hemings, uma afro-americana mestiça e provavelmente meia-irmã da falecida mulher de Jefferson, Martha. 

Jefferson disputa a Casa Branca com o vice-presidente John Adams. Hamilton, um dos líderes do movimento federalista, apoia Adams. Com o pseudônimo, escreve 25 artigos contra Jefferson de 15 de outubro a 24 de novembro.

Adams vence em 1796, mas perde a reeleição para Jefferson em 1800.

No ano 2000, a Fundação Thomas Jefferson revela que testes de DNA comprovam que ele era pai de Eston e provavelmente de outros filhos de Sally. Ele é um dos alvos da cultura do cancelamento.

NAPOLEÃO SE RETIRA DE MOSCOU

    Em 1812, exausto e faminto, o Grande Exército de Napoleão Bonaparte deixa Moscou e bate em retirada depois de ficar 36 dias na maior cidade da Rússia, evacuada e incendiada pelos russos para negar a vitória aos franceses.

Com o Grande Exército de 612 mil homens, Napoleão invade a Rússia em 24 de junho de 1812, seu maior erro, que seria repetido por Adolf Hitler na Segunda Guerra Mundial (1939-45), depois que o imperador Alexandre I se recusa a aderir ao Bloqueio Continental contra o Reino Unido.

Napoleão entra em Moscou em 14 de setembro, depois da vitória indecisiva na Batalha de Borodino, em 7 de setembro.

Borodino é a mais sangrenta batalha da campanha da Rússia, com pelo menos 30 mil baixas do lado francês e 40 mil do russo. A França vence com grandes perdas. Napoleão perde a oportunidade de perseguir e destruir o Exército da Rússia, que recua e evita novo confronto direto deixando de defender Moscou.

Os russos fogem e incendeiam a cidade, que arde durante seis dias e deixa os franceses sem abrigo nem suprimentos. Depois de um mês esperando a rendição do czar, que não acontece, diante da primeira nevada do inverno russo, a França se retira, agora com 110 mil soldados, e é atacada por cossacos na retirada e por uma tempestade de neve em 6 de novembro.

O General Inverno é impiedoso. Em 12 de novembro, o Grande Exército está reduzido a 55 mil homens e enfrenta geadas e degelos na fuga. Sai da Rússia em 14 de dezembro, antes do início oficial do inverno no Hemisfério Norte.

BOLSA DE NY SOFRE MAIOR QUEDA

      Em 1987, na Segunda-Feira Negra, por uma conjunção de fatores negativos, a Bolsa de Valores de Nova York sofre sua maior queda percentual num dia, com baixa de 22,6% ou 508 pontos no Índice Dow Jones.

O mercado financeiro vive a euforia do neoliberalismo econômico do governo Ronald Reagan (1981-89). Em 1987, depois de cinco anos, há sinais de que o ciclo de alta está no fim. O governo anuncia um aumento do déficit comercial, deflagrando uma queda do dólar. E o Congresso examina tapar furos na lei sobre fusão de empresas para cobrar mais impostos.

No plano internacional, o Irã ataca dois navios petroleiros perto da costa do Kuwait durante a guerra contra o Iraque e uma tempestade no Reino Unido obriga o mercado a fechar antes da hora na sexta-feira, último dia útil antes do crash.

Apesar do medo de uma nova Grande Depressão, como ocorreu depois do colapso da bolsa em 1929, o governo toma medidas para "corrigir as falhas do mercado" e o preço das ações volta a subir, mas não resolve o problema central da falta de regulamentação, que leva ao colapso do banco Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008, e à Grande Recessão (2007-9), quando o centro financeiro de Wall Street quase fale o mundo.

QUATRO DE GUILFORD ABSOLVIDOS

    Em 1989, depois de quase 15 anos de prisão, quatro condenados pelos atentados cometidos pelo Exército Republicano Irlandês (IRA) em 1975 contra pubs em Guilford e Woolwich, na Inglaterra, são declarados inocentes pela Justiça do Reino Unido.

Um atentado do IRA mata quatro pessoas em 5 de setembro de 1974 num pub frequentado por soldados britânicos em Guilford e outras quatro num pub em Woolwich.

Gerry Conlon e Paul Hill, dois moradores da Irlanda do Norte com pequenos delitos na ficha criminal que estão na área, são detidos como suspeitos. Com base na nova Lei de Prevenção do Terrorismo, podem ficar presos e ser interrogados por até cinco dias sem que haja fortes indícios.

Neste período, a polícia forja provas de que seriam ligados ao IRA, que luta contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte, e implica amigos e parentes dos dois. Sob tortura física e psicológica, eles assinam confissões dos crimes que não cometeram.

Quatro – Gerry Conlon, Paul Hill, Paddy Armstrong e Carole Richardson – são sentenciados à prisão perpétua. Outros pegam penas menores. Diante da pressão popular e depois da confissão de um guerrilheiro do IRA, em 1989, finalmente, os processos são anulados.

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domingo, 18 de outubro de 2026

Hoje na História do Mundo: 18 de Outubro

CASAMENTO DOS REIS CATÓLICOS

    Em 1469, Fernando de Aragão e Isabel de Castela, os Reis Católicos, se casam em Valladolid durante a Reconquista da Península Ibérica depois da invasão muçulmana de 711, que termina com a conquista de Granada, em 1492, mesmo ano do Descobrimento da América. Eles unem os reinos de Leão, Castela, Navarra e Aragão para formar a Espanha e transformar o país numa potência mundial.

Na Reconquista, Fernando e Isabel anexam várias regiões. Em 1478, começa a Inquisição, o Santo Ofício, uma maneira brutal de unificar e homogeneizar o país. 

Fernando II ascende ao trono em 1479 e promove a união com Castela, onde sua mulher reinava como Isabel I. 

Em 1492, o ano do fim da Reconquista e do Descobrimento da América por Cristóvão Colombo a serviço da coroa espanhola, os judeus são obrigados a se converter ao cristianismo ou deixar a Espanha, sob pressão do Grande Inquisidor Tomás de Torquemada. 

Quatro anos depois, o mesmo acontece com os muçulmanos. O Império Andaluz, muçulmano, tolerava outras religiões.

PALÁCIO DE VERÃO DESTRUÍDO

    Em 1860, durante a Segunda Guerra do Ópio (1856-60), soldados britânicos que ocupam Beijim destroem o Palácio de Verão, construído no século 18 pela Dinastia Qing ou Ching, a dinastia manchu que governa a China de 1644 a 1912.

Pouco depois, a China se rende à força expedicionária franco-britânica, uma humilhação internacional que o regime comunista que toma o poder em 1949 promete nunca mais deixar que se repita.

Nos anos 1870, a imperatriz regente Cixi reconstrói o palácio e seus magnífico jardim, batizando de Jardim da Boa Saúde da Harmonia.

Durante a Guerra dos Boxers (1899-1901), uma revolta contra o imperialismo, em 1900, soldados ocidentais incendeiam o Palácio de Verão. Ele só é reconstruído nos anos 1950, depois da tomada do poder pelos comunistas e da fundação da República Popular da China.

EUA TOMAM POSSE DO ALASCA

    Em 1867, os Estados Unidos tomam posse do Alasca depois de comprar o território da Rússia, num total de 1,519 milhão de quilômetros quadrados, por US$ 7,2 milhões, menos de cinco centavos por hectare, o que seria pago com sobras pela descoberta de ouro no fim do século 19.

Duas vezes maior do que o Texas, o Alasca é um projeto de William Seward, secretário de Estado expansionista do governo Andrew Johnson (1865-69). A Rússia considera difícil de defender. Teme que seja tomado pelo Império Britânico.

As negociações com o embaixador russo Eduard de Stockel começam em março de 1867, sem apoio popular. A opinião pública norte-americana critica a ideia. Considera o Alasca um território frio e barrento, sem valor, uma "loucura do Seward" ou "o jardim de ursos polares de Johnson".

Os norte-americanos só concordam quando começa a Corrida do Ouro do Klondike, no Noroeste do Canadá, em 1896, e da descoberta de ouro no Oeste do Alasca, em 1899. O Alasca vira o 49º estado da União em 3 de janeiro de 1959.

EUA OCUPAM PORTO RICO

    Em 1898, um ano depois que a Espanha dá autonomia a Porto Rico, tropas dos Estados Unidos assumem o controle e hasteiam a bandeira norte-americana no território de 1 milhão de habitantes, que hoje é um "Estado livre associado" aos EUA.

Perto do fim da Guerra Hispano-Americana, em julho de 1898, fuzileiros navais norte-americanos invadem Porto Rico. A ilha de 173 quilômetros de extensão por 64 de largura nas dimensões máximas era a segunda maior possessão espanhola no Mar do Caribe, depois de Cuba.

A guerra é um marco do início do imperialismo dos EUA, que também colonizam as Filipinas, até então uma colônia espanhola no Sudeste Asiático. Cuba e Porto Rico viram satélites dos EUA. Em 1959, a vitória da revolução liderada por Fidel Castro derruba Fulgencio Batista, o último ditador apoiado por Washington.

MORTE DE EDISON

    Em 1931, Thomas Alva Edison, um dos maiores inventores de todos os tempos, com mais de mil patentes registradas, morre aos 84 anos em West Orange, no estado de Nova Jérsei.

Edison nasce em Milan, no estado de Ohio, em 1847, e recebe pouca educação formal, como acontecia com a maioria dos norte-americanos na época. Com problemas de audição desde a infância, ele começa a trabalhar como operador de telégrafo aos 16 anos e logo usa sua engenhosidade para aperfeiçar o sistema.

A partir de 1869, Edison torna-se inventor em tempo integral. Em 1876, ele se muda para um laboratório em Menlo Park, em Nova Jérsei, onde inventa o fonógrafo no ano seguinte tentando criar uma máquina para gravar conversas telefônicas.  Passa a ser conhecido como o Gênio de Menlo Park.

É o primeiro grande sucesso. Edison e sua equipe inventam a lâmpada de filamento incandescente em 1879, precursores da câmera e do projetor de cinema nos anos 1880.

Sua maior contribuição foi o campo da eletricidade. Edison desenvolve um sistema de distribuição de luz e energia, cria em Nova York a primeira usina de energia elétrica, inventa a bateria alcalina e o trem movido a energia elétrica. Ao todo, registrou 1.093 patentes nos EUA e mais de 2 mil no mundo inteiro..

JOHN E YOKO PRESOS

    Em 1968, o beatle John Lennon e Yoko Ono são presos por posse de drogas em sua casa na Praça Montagu, em Londres, num momento tempestuoso da vida do casal. 

Os dois ainda são casados com outras pessoas e, dias antes, sai a notícia de que ela está grávida.

Enquanto Lennon tenta jogar as drogas fora, o sargento e detetive Norman Pilcher lê o mandado de busca através de uma janela do banheiro e arromba a porta a frente.

Cães farejadores encontram 200 gramas de haxixe, uma máquina de enrolar baseados com traços da maconha e meia grama de morfina. O casal nega que as drogas sejam dele.

Quando o processo está perto do julgamento, com medo que Yoko seja deportada, John assume a responsabilidade. Paga multa de 150 libras e recebe uma advertência: em caso de reincidência, pegaria um ano de cadeia.

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sábado, 17 de outubro de 2026

Hoje na História do Mundo: 17 de Outubro

AL CAPONE NA CADEIA

    Em 1931, o gângster Al Capone é sentenciado a 11 anos de prisão e multa de US$ 80 mil, no fim de uma carreira de crimes como o mafioso mais famoso da história dos Estados Unidos.

Filho de imigrantes italianos, Alphonse Gabriel Capone nasce no Brooklyn, em Nova York, em 1899. Expulso da escola aos 14 anos, entra para uma gangue e recebe o apelido de Scarface (Cicatriz na face) depois de sofrer um corte no queixo numa briga.

Em 1920, Capone se muda para Chicago, onde administra os negócios do mafioso Johnny Torrio, que incluem jogo, prostituição e contrabando de álcool durante a Lei Seca (1920-33). Quando Torrio deixa os negócios depois ser alvo de uma tentativa de homicídio, Capone toma conta a organização mafiosa.

A Lei Seca, que proíbe a fabricação, distribuição e venda de bebidas alcoólicas, cria um negócio clandestino que rende milhões de dólares de lucro para o crime organizado.

Ao eliminar seus adversários numa série de batalhas de gangues e assassinatos, entre eles o Massacre do Dia de São Valentin, em 14 de fevereiro de 1929, quando seus capangas matam sete rivais, Al Capone torna-se o poderoso chefão da máfia de Chicago.

Em 1930, Capone está no topo da lista de procurados pelo FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, mas consegue ficar livre por subornar policiais, intimidar testemunhas e mudar de esconderijo.

Seu maior inimigo é o policial federal Elliot Ness, líder de um grupo de agentes conhecidos como Intocáveis. Eles acabam com o negócio de bebidas alcoólicas do chefão, mas só conseguem uma condenação por evasão fiscal.

Al Capone começa a cumprir pena numa penitenciária federal de Atlanta, na Geórgia. Sob suspeita de manipular o sistema, é transferido para a prisão de segurança máxima da Ilha de Alcatraz, em São Francisco da Califórnia.

Ele é solto em 1939 por bom comportamento depois de ficar um ano num hospital com sífilis e morre em 1947 aos 48 anos em Palm Islands, na Flórida, sem pagar por todos os seus crimes.

PERÓN VOLTA NOS BRAÇOS DO POVO

    Em 1945, nove dias depois de ser demitido e preso num golpe militar, sob intensa pressão popular liderada pelos sindicatos, o vice-presidente e ministro do Trabalho, coronel Juan Domingo Perón, reassume os cargos e faz seu primeiro discurso na sacada da Casa Rosada, sede do governo da República Argentina, diante de 300 mil pessoas, com transmissão de rádio para todo o país, ao lado de sua segunda mulher, María Eva Duarte de Perón, a Evita.

É o Dia da Lealdade, marco fundador do movimento peronista. Quatro meses depois, em 24 de fevereiro de 1946, Perón é eleito com 52,5% dos votos para um mandato de seis anos. Reeleito em 11 de novembro de 1951 com 62% dos votos, quando as mulheres votam pela primeira vez na Argentina, tem o mandato interrompido por um golpe militar em 16 de setembro de 1955.

Perón vai para o exílio e só volta em 20 de junho de 1973 para ser eleito para um terceiro mandato em 23 de setembro, tendo como vice sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita. 

Ele toma posse em 12 de outubro e governa até a morte, em 1º de julho de 1974. Deixa o país no caos, à beira da guerra civil, com uma presidente fraca, derrubada pelo golpe de 24 de março de 1976, marco do início da guerra suja da ditadura militar contra as esquerdas, em que morrem 30 mil argentinos .

OPEP EMBARGA PETRÓLEO

    Em 1973, sob a liderança da Arábia Saudita, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) decide parar de exportar petróleo para os Estados Unidos e outros países que apoiaram Israel na Guerra do Yom Kippur, deflagrando a primeira crise do petróleo.

A proposta é reduzir a venda em 5% ao mês até a retirada total dos territórios árabes ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967: a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, do Egito; a Cisjordânia, da Jordânia; e as Colinas do Golã, da Síria.

Em dezembro, a OPEP impõe um embargo total aos EUA e outros aliados de Israel, agravando a situação dos países dependentes do petróleo importado, inclusive o Brasil.

A OPEP é fundada em 1960 pela Arábia Saudita, o Irã, o Iraque, o Kuwait e a Venezuela para aumentar os preços do petróleo, mas tem pouca influência no preço, que fica entre 2 e 3 dólares por barril. Quando começa a Guerra do Yom Kippur, com uma invasão dos territórios ocupados por Israel no Egito e na Síria, a OPEP está reunida em Viena, na Áustria.

Os EUA, principais aliados de Israel, fazem então a maior ponte aérea militar da história. Entregam 22.325 toneladas de equipamentos, armas e munições às forças israelenses no campo de batalha. O ditador do Egito, Anuar Sadat, desabafa: "Posso entrar em guerra contra Israel, mas não contra os EUA."

Com a vitória de Israel praticamente assegurada, os países árabes decidem usar o petróleo como arma de guerra. Em dezembro, impõem um embargo total aos EUA. Os preços do petróleo quadruplicam para US$ 12 por barril, causando escassez, racionamento e fila nos postos de gasolina.

Este aumento de preços viabiliza a exploração de petróleo no mar e a Petrobrás se torna uma das empresas mais eficientes na tecnologia de produção offshore. 

Mesmo assim, como o Brasil na época importa 75% do petróleo que consome, a crise do petróleo acaba com o modelo econômico da ditadura militar, com o milagre econômico que faz a economia do país crescer acima de 10% no início dos anos 1970, no período mais duro da repressão.

Em 1974, o ditador Ernesto Geisel anuncia a "distensão, lenta, gradual e segura", que leva ao fim do Ato Institucional nº 5 (AI-5) em 1978 e à anistia parcial em 1979.

A Revolução Islâmica no Irã, em fevereiro de 1979, gera uma segunda crise do petróleo. As sucessivas crises do petróleo estão na origem da hiperinflação brasileira, que só é debelada em 1994 com o Plano Real.

FORD EXPLICA PERDÃO A NIXON

    Em 1974, o presidente Gerald Ford justifica perante o Congresso a decisão de perdoar o ex-presidente Richard Nixon por quaisquer crimes cometidos no exercício da Presidência dos Estados Unidos.

Ao assumir a presidência em 9 de agosto de 1974, no dia da renúncia de Nixon, Ford declara que "o longo pesadelo nacional acabou". Fala do Escândalo de Watergate, uma invasão da sede do Partido Democrata em Washington pela equipe de encanadores da Casa Branca para instalar equipamentos de escuta durante a campanha eleitoral de 1972, o que implica o presidente e seus principais assessores.

Diante da iminência de um processo de impeachment por abuso de poder e obstrução de justiça, depois de perder o apoio do Partido Republicano quando gravações provam as tentativas de atrapalhar as investigações, Nixon renuncia, mas isso não acaba com os inquéritos abertos no Congresso, que podem resultar em processos criminais.

Ford é o único presidente não eleito numa chapa presidencial da história dos EUA. O vice-presidente Spiro Agnew havia renunciado em meio a escândalos de corrupção. Ford era o presidente da Câmara e, por isso, o primeiro na linha sucessória.

Um mês depois de assumir, em 8 de setembro, Ford perdoa Nixon. Ao se explicar, alega que é importante para pacificar o país e enterrar de vez Watergate, com o propósito de "mudar o foco nacional... para desviar nossa atenção de um presidente que caiu para as necessidades urgentes da nação".

"As paixões geradas" por um processo contra Nixon, acrescenta Ford, "perturbariam seriamente a cicatrização das feridas do passado".

O novo presidente afirma que, "em geral, o povo americano quer poupar o ex-presidente de um processo criminal" e que livrar Nixon "não vai causar o esquecimento do mal dos crimes cometidos em Watergate nem das lições que aprendemos."

TERREMOTO ABALA SÃO FRANCISCO

    Em 1989, o Terremoto de Loma Prieta, de 7,1 graus de magnitude na escala aberta de Richter, um dos mais destrutivos da história dos EUA, atinge a área da Baía de São Francisco, mata 67 pessoas e deixa prejuízos de US$ 5 bilhões.

São Francisco fica perto da Falha de Santo André, que corre ao longo da costa da Califórnia, no encontro das placas tectônicas do Pacífico e da América do Norte.

Uma das partidas das finais do campeonato nacional de beisebol dos EUA, entre San Francisco Giants e Oakland Athletics, está prestes a começar quando a terra treme, com epicentro nas Montanhas de Santa Cruz. O estádio de Candlestick Park resiste, mas o resto da cidade sofre.

Na Ponte da Baía, entre São Francisco e Oakland, e na Via Expressa Nimitz, uma pista desaba sobre a outra. Das 67 mortes, 41 ocorrem na Via Expressa Nimitz. A destruição também é grande em Watsonville, onde mais de 10% das casas são totalmente destruídas, Palo Alto e Daly City.

O terremoto contribui para a profunda recessão que atinge a Califórnia, uma das maiores economias do mundo, nos anos 1990. A cidade havia passado pelo Grande Terremoto de São Francisco, de 7,9 graus na escala Richter, em 18 de abril de 1906, quando mais de 3 mil pessoas morrem, 80% da cidade são arrasados e 225 mil ficam sem teto.

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