quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Hoje na História do Mundo: 14 de Outubro

CONQUISTA NORMANDA

    Em 1066, o exército invasor de Guilherme, Duque da Normandia, vence o rei Haroldo II na Batalha de Hastings e conquista a Inglaterra.

Como não tem filhos, o rei Eduardo o Confessor (1042-66) barganha com a herança do trono. Em 1051, ao se desentender com Goduíno, Conde de Essex, o homem mais poderoso da Inglaterra, provavelmente oferece a coroa a seu primo Guilherme da Normandia.

Quando Goduíno morre, em 1053, seu filho Haroldo, novo Conde de Essex, começa a trabalhar para herdar o trono. Passa uma década consolidando seu poder junto à nobreza e ao clero. Mas seu reinado é curto. Vai de 5 de janeiro a 14 de outubro de 1066.

Guilherme o Conquistador mantém seus domínios na Normandia criando um país que atravessava o Canal da Mancha, o que está na origem de séculos de guerras entre Inglaterra e França até se tornarem aliadas na Entente Cordiale, em 1904.

REVOLTA EM SOBIBOR

    Em 1943, cerca de 300 funcionários judeus do campo de concentração e centro de extermínio de Sobibor, na Polônia ocupada pela Alemanha Nazista, se revoltam e matam vários guardas ucranianos e supervisores da SS, a organização paramilitar do Partido Nazista. Vários prisioneiros morrem ao tentar fugir durante a rebelião.

Sobibor é um dos três campos de concentração da Operação Reinhard, cuja meta é matar todos os judeus da Polônia depois que a Conferência do Lago Wannsee, em Berlim, aprova em 20 de janeiro de 1942 a "solução final" da questão judaica, o extermínio dos judeus da Europa.

De maio a julho de 1942, os nazistas levam para Sobibor judeus da Alemanha, da Áustria, da Eslováquia e da Polônia. 

Todos os presos sobreviventes da revolta são mortos no dia seguinte. Os nazistas desmontam o campo e plantam árvores no local. Só cerca de 50 prisioneiros sobrevivem à guerra. Pelo menos 170 mil pessoas, talvez 250 mil, morrem em Sobibor. É o quarto centro de extermínio nazista em número de mortes, atrás de Auschwitz, Treblinka e Belzec.

SUICÍDIO DA RAPOSA DO DESERTO

    Em 1944, o marechal de campo alemão Erwin Rommel, a Raposa do Deserto, um dos mais qualificados comandantes militares da Alemanha Nazista, ex-comandante do Exército da África, se suicida tomando veneno depois da descoberta de sua ligação com a Operação Walquíria, a conspiração para matar Adolf Hitler.

Johannes Erwin Eugen Rommel nasce em 15 de novembro de 1891 em Herrlingen. Ele serve como oficial na Primeira Guerra Mundial (1914-18). É condecorado por ações na frente italiana. No período entreguerras, escreve livros e progride na carreira militar.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), comanda a 7ª Divisão Panzer da Wehrmacht, o Exército nazista, na invasão à França, em maio e junho de 1940. Sua liderança no comando do Afrika Korps durante a campanha no Norte da África lhe dá o apelido de Raposa do Deserto.

Depois da derrota para forças do Império Britânico na Segunda Batalha de El Alamein, travada de 23 de outubro a 3 de novembro de 1942, ele é transferido para cuidar da Muralha do Atlântico que os nazistas constroem para tentar, sem sucesso, impedir a invasão da Normandia em 6 de junho de 1944.

CRISE DOS MÍSSEIS EM CUBA

    Em 1962, um avião-espião norte-americano U-2 fotografa a construção de silos para mísseis que a União Soviética está erguendo em Cuba, deflagrando a pior crise da Guerra Fria, que deixa o mundo mais perto do que nunca de uma guerra nuclear. 

A tensão entre os EUA e a URSS em torno de Cuba se agrava com a fracassada invasão da Baía dos Porcos, em abril de 1991, uma operação articulada pela Agência Central Inteligência (CIA) com refugiados cubanos, um projeto do vice-presidente Richard Nixon, um ferrenho anticomunista, no governo Dwight Eisenhower (1953-61). O presidente John Kennedy (1961-63) herda a operação.

Vitorioso, o comandante da Revolução Cubana, Fidel Castro, pede proteção à URSS. Em um ano, o número de assessores militares soviéticos em Cuba sobe para mais de 20 mil.

Fidel e o líder soviético, Nikita Kruschev, estão certos de que os EUA tentarão invadir de novo. Sob pressão da linha dura, Kruschev pensa em se fortalecer e neutralizar a presença de mísseis nucleares norte-americanos na Turquia, perto do território soviético.

Dois dias depois, devidamente analisadas por oficiais de inteligência, as fotos chegam à mesa do presidente Kennedy no Salão Oval da Casa Branca. Os mísseis dão à URSS a condição de lançar um primeiro ataque de uma distância de 140 quilômetros, podendo atingir quase todo o território dos EUA.

Kennedy cria um gabinete de guerra, onde pombas e falcões travam um duelo entre diplomacia e uso da força, e decide impor um bloqueio aeronaval a Cuba. Em 22 de outubro, Kennedy faz um pronunciamento na televisão comunicando ao povo norte-americano que a URSS está instalando mísseis nucleares em Cuba, o que considera inaceitável, e anuncia o que chamou de "quarentena", na verdade um bloqueio aeronaval.

Todo navio soviético que se aproximar de Cuba está sujeito a abordagem e inspeção dos EUA para não levar mais equipamentos nucleares à ilha. Kennedy exige a retirada dos mísseis e a destruição dos silos.

São os dias mais tensos da Guerra Fria. Nunca o mundo fica tão perto de uma guerra nuclear. Diante do impasse, os EUA se preparam para invadir Cuba. Um jornalista soviético, todo jornalista soviético era também agente secreto, estranha a ausência de jornalistas no café do Capitólio e comenta com um atendente que avisa: "Está todo o mundo indo para Cuba porque os EUA vão invadir.”,

Este jornalista liga para Moscou e Kruschev finalmente cede. Em 27 de outubro, a URSS anuncia a retirada dos mísseis de Cuba e os EUA se comprometem a remover os mísseis instalados na Turquia, que eram obsoletos e seriam retirados mesmo. Os dois países fazem um acordo tácito para os EUA não invadirem Cuba.

Depois desta crise, as superpotências instalam o telefone vermelho, uma linha direta entre o Kremlin e a Casa Branca para os líderes resolverem pessoalmente as crises mais graves. Enfraquecido, Kruschev cai dois anos depois por questões internas do regime comunista soviético.

LUTA PACÍFICA

    Em 1964, o pastor Martin Luther King Jr. ganha o Prêmio Nobel da Paz por sua luta pacífica pelos direitos civis e a justiça social para os negros dos Estados Unidos.

Sob a inspiração do líder pacifista da independência da Índia, o Mahatma Gandhi, Luther King adota a luta pacífica, com a desobediência civil criada por Henry David Thoreau, o naturalista e ativista norte-americano que se nega a pagar impostos para não financiar a Guerra Mexicano-Americana (1846-48). Thoreau é lido pelo escritor russo Leon Tolstói e suas ideias influenciam Gandhi, Nelson Mandela e Luther King.

Ele lidera o boicote dos negros ao sistema de ônibus de Montgomery, no estado do Alabama, em 1955, depois que a ativista Rosa Parker se nega a ceder o assento para um branco, e leva o movimento contra as leis de discriminação racial a Albany, na Geórgia, e a Birmingham, no Alabama.

Na Marcha sobre Washington, em 28 de agosto de 1963, Luther King faz no Memorial de Lincoln, na capital dos EUA, seu discurso mais importante, Eu Tenho um Sonho: "Eu tenho um sonho de que um dia meus filhos não sejam julgados pela cor da pele, mas pela nobreza do seu caráter."

O Dr. King, que é chamado nos EUA, é investigado pelo FBI, a polícia federal norte-americana, por supostas ligações com grupos esquerdistas. Em 1964, ganha o Prêmio Nobel da Paz e o governo Lyndon Johnson (1963-69), herdeiro de John Kennedy, aprova a Lei de Direitos Civis, dando finalmente igualdade de direitos aos pretos nos EUA.

Às 18h01 de 4 de abril de 1968, James Earl Ray mata Luther King atirando na varanda do segundo andar do hotel onde está hospedado em Memphis, no Tennessee, onde apoia uma greve dos trabalhadores de serviços sanitários negros discriminados.

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terça-feira, 13 de outubro de 2026

Hoje na História do Mundo: 13 de Outubro

 PEDRA FUNDAMENTAL DA CASA BRANCA

    Em 1792, é lançada a pedra fundamental da sede do governo dos Estados Unidos, em Washington, a nova cidade construída especialmente para ser capital do país, substituindo a Filadélfia.

O segundo presidente dos EUA, John Adams, é o primeiro a ocupar o prédio, que logo começa a ser chamado de Casa Branca, em contraste com os edifícios de tijolos vermelhos.

Os estados de Maryland e da Virgínia cedem os territórios para a fundação do Distrito de Colúmbia. As obras começam em 1791.

Em 1814, durante a Guerra de 1812, os soldados britânicos tocam fogo na Casa Branca e no Capitólio em retaliação pelo incêndio de prédios do governo colonial no Canadá.

CANADÁ SALVO DE INVASÃO

    Em 1812, durante a Guerra de 1812-15, em que o Reino Unido tenta recolonizar os Estados Unidos, forças britânicas sob o comando do general Sir Isaac Brock derrotam os norte-americanos na Batalha de Queenstown Heights e impedem a invasão do Canadá.

Brock, o melhor general britânico nesta guerra, morre em combate, assim como cerca de mil soldados. Os EUA desistem de tomar o Canadá.

MILAGRE NOS ANDES

    Em 1972, o voo 571 da Força Aérea do Uruguai começa a descida para o aeroporto de Santiago do Chile antes da hora, bate na Cordilheira dos Andes e os sobreviventes só são resgatados 72 dias depois.

O avião é fretado para levar o time do Old Christian Rugby Club de Montevidéu, a capital do Uruguai, para o Chile. Leva 45 pessoas a bordo; 19 jogadores, além parentes, amigos e tripulantes. 

Em meio às nuvens que escondem as montanhas, o piloto erra a manobra de descida e, de repente, se vê diante de um pico escuro. Tenta passar por cima, mas o avião bate na montanha, se espatifa e desliza pela encosta até parar numa geleira.

Doze pessoas morrem na hora, entre elas o piloto, e cinco pouco depois, inclusive o copiloto.

Uma hora depois do acidente, o Serviço de Busca e Salvamento Aéreo do Chile inicia a operação de resgate, mas os sobreviventes só são encontrados 72 dias depois.

Logo, eles ficam sem comida. No 11º dia na montanha, os sobreviventes ouvem num rádio que a busca é suspensa. O sobrevivente Roberto Canessa conta que eles têm a sensação de que os corpos estão se consumindo para sobreviver: "Sabíamos a resposta, mas era terrível demais."

Depois de rezar, eles decidem que só resta canibalizar os mortos. Provavelmente todos morreriam sem esta medida extrema. 

Uma avalanche no 17º dia mata oito sobreviventes e quase enterra os outros vivos. Em 15 de novembro, um grupo de quatro decide sair atrás de ajuda pensando em chegar a um vale próximo. Eles encontram os destroços da cauda do avião, onde acham remédios, alimentos e livros, mas não conseguem ajuda.

Três sobreviventes, Canessa, Nando Parrado e Antonio Vizintín, fazem nova tentativa. Sobem a montanha durante três dias. Quando chegam ao pico, percebem que estão mais longe do que pensavam. Canessa e Parrado caminham mais nove dias até atingir um rio e um vale onde conseguem ajuda.

Os outros sobreviventes são resgatados por helicópteros da Força Aérea do Chile em 22 e 23 de dezembro.

PALESTINOS SEQUESTRAM AVIÃO ALEMÃO

    Em 1977, quatro militantes da Frente Popular pela Libertação da Palestina (FPLP) sequestram um avião da companhia aérea alemã-ocidental Lufthansa e exigem a libertação de 11 prisioneiros do grupo terrorista Baader-Meinhof, também conhecido como Fração do Exército Vermelho. 

Durante três décadas, o grupo de ultraesquerda aterroriza a Alemanha Ocidental e mata mais de 30 políticos, militares e empresários.

Depois de passar por seis países, o avião pousa em Mogadíscio, a capital da Somália, em 17 de outubro, depois dos terroristas matarem o piloto. No dia seguinte, um comando de operações especiais do Exército da Alemanha Ocidental ataca o avião, mata três sequestradores e liberta os 86 reféns.

Na manhã seguinte, Andreas Baader é encontrado na cela da prisão de Stammheim morto por um tiro. Gudrun Ensslin está enforcada. Jan-Carl Rasper agoniza depois de levar um tiro e Irmgard Möller tem quatro marcas de facadas no pescoço e no peito. A versão oficial é suicídio coletivo. A única sobrevivente afirma que foram dopados e assassinados. 

RESGATE DE MINEIROS CHILENOS

    Em 2010, depois de 69 dias presos no subsolo a 800 metros da superfície, os últimos de 33 mineiros chilenos são salvos, depois de um tempo recorde de sobrevivência embaixo da terra.

O drama dos mineiros começa em 5 de agosto, quando a mina de ouro e cobre São José, situada a cerca de 800 quilômetros ao norte de Santiago, desaba. Os mineiros procuram um refúgio seguro dentro de mina e não tem contato com a superfície durante 17 dias.

Quando alguns mineiros já pensam em suicídio ou canibalismo, em 22 de agosto, uma sonda atinge a área onde estão os mineiros, que enviam uma nota dizendo que todos estão bem. Logo, eles passam a receber água, comida, cartas, outros suprimentos e câmeras de vídeo para monitorar a situação.

Para viabilizar o resgate, os engenheiros cavam um buraco e enfiam um tubo com espaço suficiente para passar uma pessoa. Cada um fica cerca de 15 minutos dentro da cápsula até chegar à superfície.

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segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Estabilidade macroeconômica rende Nobel de Economia

Os economistas norte-americanos Robert Hall, de 83 anos, da Universidade Stanford, e Mark Woodford, de 70 anos, da Universidade de Colúmbia, foram agraciados com o Prêmio Nobel de Economia de 2026. Seus estudos sobre os "fundamentos microeconômicos da estabilização macroeconômica" deixaram os formuladores de políticas "mais bem-equipados para lidar com os choques na economia como crises de energia e mudanças bruscas no consumo", anunciou hoje em Estocolmo John Hassler, presidente do Comitê do Nobel de Economia da Academia Real de Ciências da Suécia.

Ambos foram essenciais no desenvolvimento de estruturas que permitiram a políticos, bancos centrais e outras implementar medidas econômicas para suavizar os altos e baixos da economia. Esses avanços na ciência econômica ajudam a proteger as pessoas mais vulneráveis da sociedade a choques que causam aumentos de preços e do desemprego.

Hall desenvolveu seus modelos econômicos com pesquisas sobre demanda e gastos dos consumidores, enquanto Woodford examinou a economia pelo lado da oferta e do comportamento das empresas para determinar seus preços.

O reconhecimento desse trabalho vem num momento em que a economia mundial enfrenta uma série de choques como a pandemia do coronavírus de 2019, que causou choques de oferta e de procura, a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 e as guerras no Oriente Médio deflagradas pelo ataque terrorista do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) a Israel em 2023. Essas guerras causaram uma crise de energia com a alta dos preços do petróleo, hoje em torno de US$ 100 por barril.

Os laureados revitalizaram as políticas de estabilização, uma ideia inicial do economista britânico John Maynard Keynes. Diante da Grande Depressão (1929-39), com a produção e o consumo em queda forte, Keynes aconselhou os governos a aumentar os gastos públicos e a demanda agregada em momentos de contração e reduzir esses gastos em momentos de crescimento. 

As crises do petróleo nos anos 1970, com inflação e desemprego elevados, levaram a críticas à capacidade do Estado e à ascensão do neoliberalismo.

Com uma visão de baixo para cima, Hall e Woodford levaram em conta como as decisões individuais de famílias e empresas afetam a economia como um todo. Destacaram a importância do que acontece no mundo real. Seus modelos partem da ideia de que pessoas e empresas tomam decisões com base no que vai acontecer com sua renda no futuro.

Quando governos revelam planos econômicos, influenciam as expectativas das pessoas e empresas. Isso ajuda a orientar a economia rumo à estabilidade.

Hall e Woodford vão dividir o prêmio de 12 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 6 milhões.

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Hoje na História do Mundo: 12 de Outubro

COLOMBO DESCOBRE AMÉRICA

    Em 1492, o navegador genovês Cristóvão Colombo, a serviço da coroa da Espanha, chega às ilhas Bahamas pensando estar na Índia e reivindica as terras para os reis católicos, Fernando de Aragão e Isabel de Castela.

Colombo nasce em Gênova, hoje parte da Itália, em 1451. Marinheiro e empreendedor naval, acredita que a Terra é redonda e sonha em chegar a Catai (China), à Índia e às Ilhas das Especiarias (Indonésia) navegando no rumo oeste. Os europeus desconhecem a América e o Oceano Pacífico.

Na época, o caminho para as Índias está bloqueado pela tomada de Constantinopla pelos turcos do Império Otomano, em 29 de maio de 1453, que só dão passagem a mercadores de Veneza. Os portugueses dobram o Cabo da Boa Esperança, no Sul da África, em 1488 e Vasco da Gama chega à Índia em 1498.

O descobridor apresenta seus planos ao rei Dom João II, de Portugal, que rejeita a ideia. Os reis da Espanha também não se interessam nas primeiras tentativas.

A vitória sobre os árabes com a conquista de Granada e o fim do Império Andaluz, em 2 de janeiro de 1492, dá um impulso ao colonialismo espanhol. Os reis Fernando e Isabel decidem bancar a viagem.

Três pequenos navios – Santa Maria, Pinta e Niña – saem do porto de Palos, perto de Cádiz, no Sul da Espanha, em 3 de agosto, e aportam nas Bahamas, provavelmente na ilha de Watling, em 12 de outubro.

No mesmo mês, Colombo chega a Cuba imaginando se tratar da China. Em dezembro, encontra Hispaniola, a ilha hoje dividida entre o Haiti e a República Dominicana, acreditando estar no Japão e funda uma colônia com 39 de seus homens.

Ao todo, Colombo faz quatro viagens ao Novo Mundo, mas morre em 1506 acreditando ter chegado às Índias. O continente se chama América em homenagem ao navegador florentino Américo Vespúcio, que participa das expedições exploradoras portuguesas de 1501 e 1503, depois do Descobrimento do Brasil, e descreve o continente como Novo Mundo.

Por causa do genocídio dos índios e da escravidão, hoje em dia, Colombo está sendo cancelado e suas estátuas derrubadas em vários lugares, especialmente nos Estados Unidos. A data é comemorada como Dia dos Povos Indígenas.

PRIMEIRA OKTOBERFEST

    Em 1810, o príncipe herdeiro da Baviera, futuro rei Luís I, casa com a princesa Therese von Sachsen Hildburghausen e a família real convida o povo de Munique para a festa, que inclui corridas de cavalos.

A comemoração é repetida no ano seguinte, dando origem à Oktoberfest, celebrada anualmente do fim de setembro ao primeiro domingo de outubro, com consumo anual estimado de 3,79 milhões de litros de cerveja.

Blumenau, em Santa Catarina, faz a maior Oktoberfest fora da Alemanha.

URSS LIDERA CORRIDA ESPACIAL

    Em 1964, depois de lançar o primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik e de enviar o primeiro homem (Yuri Gagarin) e a primeira mulher ao espaço (Valentina Tereshkova), a União Soviética põe em órbita a primeira nave espacial, a Voshkod 1, com mais de uma pessoa a bordo: Vladimir Komarov, Konstantin Feoktistov e Boris Yegorov.

A missão dura dois dias e é a primeira realizada sem trajes espaciais. Komarov seria a primeira vítima da corrida espacial, em 24 de abril de 1967, quando o paraquedas principal de amortecimento da queda da Soyuz 1 não abre e a nave se espatifa no solo.

TERROR CONTRA O USS COLE

    Em 2000, dois terroristas suicidas ligados à rede Al Caeda vão numa lancha de borracha até o navio norte-americano USS Cole, ancorado no porto de Áden, no Iêmen, e detonam uma bomba que mata 17 marinheiros e deixa outros 38 feridos.

O Cole para em Áden, na ponta sul da  Península Arábica, para reabastecer e voltar a patrulhar as sanções contra o Iraque de Saddam Hussein. Fica apenas quatro horas no porto, o que indica que os terroristas tinham informações precisas sobre o navio.

Os peritos norte-americanos que investigam o atentado buscam ligações dos terroristas com Ossama ben Laden, acusado pelos Estados Unidos pelos atentados contra as embaixadas norte-americanas no Quênia e na Tanzânia, em agosto de 1998, que mataram 224 pessoas, inclusive 22 norte-americanos.

Em resposta aos atentados na África, o presidente Bill Clinton ordena os bombardeios de uma fábricas de remédios no Sudão e às bases d'al Caeda no Afeganistão, uma das causas dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA.

INFERNO NO PARAÍSO

    Em 2002, um ano, um mês e um dia depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, três bombas abalam a paz da paradisíaca ilha de Báli, na Indonésia, matando 202 pessoas e ferindo outras 200.

A primeira explosão, de uma bomba de 1,2 mil quilos, é diante da boate Sari Club. Aparentemente, tem como alvo turistas australianos. A Austrália forma a maioria da força de paz que garante a independência do Timor Leste da Indonésia em 1999, despertando a ira dos extremistas muçulmanos.

Outra bomba, escondida numa mochila, explode num bar. A terceira é detonada diante do consulado norte-americano.

O grupo terrorista Jemaah Islamiah reivindica autoria das três explosões. O mesmo grupo ataca o Hotel Marriott em Jacarta, a capital indonésia, em 2003, a Embaixada da Austrália na Indonésia em 2004 e faz atentados terroristas suicidas contra três restaurantes de Báli em 1º de outubro de 2005, quando morrem 22 pessoas.

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domingo, 11 de outubro de 2026

Hoje na História do Mundo: 11 de Outubro

VIET MINH TOMA VIETNÃ DO NORTE

    Em 1954, o Viet Minh, movimento comunista criado por Ho Chi Minh em resistência ao colonialismo francês e ao imperialismo japonês, assume o controle do Vietnã do Norte.

Quando termina a ocupação japonesa no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a França tenta reimpor o domínio colonial. O Viet Minh inicia uma guerra de guerrilhas conhecida como Primeira Guerra da Indochina (1946-54).

A resistência liderada pelo Viet Minh, sob o comando do general Vo Nguyen Giap, vence a guerra na Batalha de Dien Ben Phu, em maio de 1954. O armistício entra em vigor em 1º de agosto. O Viet Minh marcha sobre Hanói.

Pelo acordo firmado na Conferência de Genebra, o Vietnã é dividido temporariamente em duas metades iguais, com uma zona desmilitarizada ao longo do paralelo 17º Norte. 

O Norte seria a República Democrática do Vietnã, proclamada por Ho Chi Minh, e o Sul por Ngo Dinh Diem, católico e anticomunista.

Depois de eleições supervisionadas internacionalmente, o Vietnã seria reunificado em 1956. Quando os EUA cancelam as eleições que provavelmente seriam vencidas pelo Viet Minh, começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75), onde os EUA intervêm diretamente de 1964 a 1973. 

A guerra termina em 30 de abril de 1975 com a queda de Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, e uma fuga espetacular de helicóptero da embaixada norte-americana.

JOÃO XXIII ABRE CONCÍLIO

    Em 1962, o papa João XXIII (1958-63) abre o Concílio Vaticano II, o primeiro concílio ecumênico em 92 anos, para promover um renascimento espiritual e a unidade da Igreja Católica Apostólica Romana com outros ramos do cristianismo.

Angelo Giuseppe Roncalli nasce em 1881 e é ordenado padre em 1904. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), como enviado papal à Turquia, salva judeus ajudando-os a fugir para a Palestina.

Depois da guerra, é nomeado núncio apostólico (embaixador do Vaticano) na França, um posto difícil porque o anterior havia cooperado com o regime colaboracionista de Vichy durante a ocupação nazista. Em 1953, é consagrado cardeal.

Com a morte do papa Pio XII, o cardeal Roncalli é eleito papa João XXIII em 28 de outubro de 1958 aos 77 anos e promove uma revolução na Igreja Católica. Para começar, anda livremente, acabando com a ideia de que o papa é "um prisioneiro do Vaticano".

As grandes mudanças vêm com o Concílio Vaticano II, concluído por seu sucessor, Paulo VI, em 1965. A missa passa a ser rezada na língua local e não mais exclusivamente em latim. Há um aumento da liberdade religiosa e do ecumenismo, numa tentativa de se aproximar da Igreja Cristã Ortodoxa e das correntes protestantes do cristianismo, e maior tolerância em relação aos não cristãos.

LENNON LANÇA IMAGINE

    Em 1971, o ex-beatle John Lennon lança Imagine, considerada uma das músicas mais influentes do século 20 ao falar de um mundo utópico sem guerras nem conflitos nem religiões, com "todos os povos dividindo o mundo inteiro".

John começa a escrever Imagine no tempo dos Beatles e grava logo depois que a banda se separa, em 1970. Em contraste com as músicas mais políticas de Lennon como Give Peace a Chance, Power to the People e Merry Xmas (War is Over), Imagine não tem uma mensagem política explícita. É filosófica, utópica, poética e romântica.

BRUCE SPRINGSTEEN NAS PARADAS

    Em 1975, aos 26 anos, o roqueiro Bruce Springsteen, descrito como o "novo Elvis" ou o "novo Dylan", coloca seu primeiro compacto entre os 40 mais vendidos nas paradas de sucesso, Born to Run.

Springsteen nasce em Long Branch, em Nova Jérsei, em 1949, e cresce na era de ouro do rock'n'roll nos Estados Unidos.

Seu maior sucesso vem em 1985 com o álbum Born in the USA, quando faz turnê pelo país se apresentando em estádios e faturando mais de US$ 1 milhão por show, mais do que a legendária banda de rock de São Francisco The Grateful Dead, que tradicionalmente faturava mais de US$ 500 mil por concerto em suas turnês de verão.

CARTER GANHA NOBEL DA PAZ

    Em 2002, o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter (1977-81) é agraciado com o Prêmio Nobel da Paz "por décadas de esforços incansáveis para encontrar soluções pacíficas para problemas internacionais, promover a democracia, os direitos humanos e o desenvolvimento econômico e social."

Presidente de um só mandato, Carter media as negociações de paz de Camp David entre Israel e o Egito, e só manda os militares dos Estados Unidos para ação no exterior na fracassada tentativa de libertar os norte-americanos mantidos como reféns na embaixada em Teerã, ocupada em 4 de novembro de 1979 depois da Revolução Islâmica no Irã.

A crise dos reféns, a inflação e a recessão causadas pela crise do petróleo, agravada pela Revolução Iraniana de 1979, levam à vitória do republicano Ronald Reagan em 1980.

Depois de deixar o governo, em 1982, o ex-presidente cria o Centro Carter, uma organização sem fins lucrativos de promoção da democracia e dos direitos humanos que media crises, observa eleições e colabora no combate a doenças.

Outros três presidentes dos EUA ganham o Prêmio Nobel da Paz: Theodore Roosevelt (1906), Woodrow Wilson (1919) e Barack Obama (2009).

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sábado, 10 de outubro de 2026

Hoje na História do Mundo: 10 de Outubro

CARLOS MARTEL DETÉM INVASÃO MUÇULMANA

     Em 732, na Batalha de Tours, perto de Poitiers, na França, Carlos Martel derrota o exército árabe que invadira e tomara a Península Ibérica a partir de 711, parando a expansão muçulmana na Europa, onde os árabes criam o Império Al-Andaluz no que os mouros chamavam de "terra dos vândalos", referência às tribos germânicas que tomaram o continente depois da queda do Império Romano do Ocidente, em 476.

O governador muçulmano de Córdoba, Abd-ar-Rahman, morre em combate e as forças árabes recuam.

A vitória de Carlos Martel leva ao início da dinastia carolíngia, com seu filho Pepin. Seu neto, Carlos Magno, é coroado imperador do Sacro Império Romano-Germânico pelo papa Leão III no Natal do ano 800.

Os muçulmanos são expulsos da Península Ibérica depois da tomada de Granada, em 2 de janeiro de  1492, pelos reis católicos, Fernando de Aragão e Isabel de Castela. Portugal e a Espanha são frutos da Reconquista.

MENORES EXECUTADOS EM AUSCHWITZ

    Em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha Nazista executa 800 romenos menores de idade, inclusive mais de 100 com idades de 9 a 14 anos, no campo de concentração e centro de extermínio de Auschwitz, na Polônia.

Auschwitz, Oswiecim em polonês, fica num importante entroncamento ferroviário da Europa Oriental. Em 27 de abril de 1940, Heinrich Himmler, o comandante da SS, a organização paramilitar que era a tropa de choque do regime nazista, decide transformar um quartel do Exercito da Polônia em campo de concentração.

Dos 11 milhões de mortos no Holocausto, estima-se que 1,5 milhão morreram em Auschwitz-Birkenau, uma rede de campos de concentração. Dos 6 milhões de judeus mortos no Holocausto, 1,1 milhão teriam morrido em Auschwitz-Birkenau.

Depois dos judeus, os ciganos são o povo mais sacrificado pelos nazistas. Cerca de 1,5 milhão de ciganos morreram no Holocausto. Também morrem socialistas, comunistas, negros, homossexuais, deficientes e dissidentes políticos.

No ambiente mais opressivo e aterrorizante criado pelo homem, com o melhor da ciência e requintes de crueldade nunca vistos, há uma revolta em 7 de outubro de 1944. Centenas de prisioneiros judeus que carregam os corpos da câmara de gás para os fornos crematórios detonam explosivos trazidos por mulheres judias que trabalham numa fábrica de armamentos próxima.

Cerca 450 prisioneiros participam da rebelião e 250 conseguem fugir. Todos são capturados e executados, assim como cinco mulheres da fábrica de armas, não antes de serem torturadas para confessar detalhes, especialmente como conseguiram contrabandear explosivos para dentro do campo. Nenhuma das mulheres falou.

A execução em massa das crianças romenas e ciganas é parte da vingança nazista contra a revolta.

EUA PEDEM DESCULPAS A MINISTRO AFRICANO

    Em 1957, o presidente Dwight Eisenhower pede desculpas em nome do governo dos Estados Unidos ao ministro das Finanças de Gana, Komla Agbeli Gbedemah, que não é atendido num restaurante na cidade de Dover, no estado de Delaware, por causa da segregação racial.

É um dos muitos incidentes com autoridades e diplomatas africanos durante a segregação racial nos EUA, que só acaba nos anos 1960. O racismo estrutural e a discriminação persistem até hoje. 

VICE DE NIXON RENUNCIA

    Em 1973, um ano antes da renúncia do presidente Richard Nixon por causa do Escândalo da Watergate, Spiro Agnew cai em desgraça por corrupção e se torna o primeiro vice-presidente da história dos Estados Unidos a renunciar.

As duas denúncias levam à Casa Branca o presidente da Câmara dos Representantes, Gerald Ford, o único ocupante da Casa Branca não eleito para presidente nem vice-presidente.

No mesmo dia, Agnew admite a culpa numa acusação de evasão fiscal em troca da retirada de acusações de corrupção quando era governador do estado de Maryland. É condenado a três anos com direito a liberdade condicional e multa de US$ 10 mil.

RESGATE DO ACHILLE LAURO

    Em 1985, aviões de caça F-14 da Marinha dos Estados Unidos interceptam um avião de passageiros do Egito que levava quatro terroristas palestinos que haviam sequestrado o navio de cruzeiro italiano Achille Lauro e o obrigam a pousar numa base aérea da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em Sigonella, na Sicília.

Os quatro terroristas Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), um grupo dissidente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), tomam em 7 de outubro o navio com cerca de 80 passageiros e 320 tripulantes a bordo para exigir a libertação de 50 palestinos presos em Israel. Ameaçam explodir o navio e matar os 11 norte-americanos a bordo.

No dia seguinte, o navio chega ao porto de Tartus, na Síria, que se nega a recebê-los. Para aumentar a pressão, os terroristas matam o judeu norte-americano Leon Klinghoffer, de 69 anos, que andava em cadeira de rodas. Jogam o corpo e a cadeira no mar.

O presidente da OLP, Yasser Arafat, condena o sequestro e a OLP se junta às autoridades egípcias para negociar a crise. O Achille Lauro vai então para Porto Said, no Egito, onde os sequestradores entregam os reféns e se rendem em troca de livre passagem para um destino ignorado. Eles embarcam num Boeing 737 da Egypt Air com destino à Tunísia, mas o avião não recebe autorização de pouco e é localizado pelos caças norte-americanos a cerca de 130 quilômetros ao sul da ilha grega de Creta.

Em 10 de julho de 1986, a Justiça da Itália condena três terroristas a penas de 15 a 30 anos de cadeia. O outro, menor de idade, é julgado separadamente. Também é condenado, mas tem direito a liberdade condicional em 1991.

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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Ex-juíza que denunciou genocídio em Gaza ganha Nobel da Paz

A jurista sul-africana de origem indiana Navanethem Navy Pillay, de 85 ano, ex-juíza do Tribunal Penal Internacional (TPI) e ex-alta comissária das Nações Unidas para Direitos Humanos, ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 2026 por "seus esforços para promover a paz e o direito internacional", anunciou hoje em Oslo, na Noruega, o Comitê Norueguês do Nobel.

No ano passado, Pillay liderou uma investigação da ONU que concluiu que Israel cometeu genocídio na guerra contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) na Faixa de Gaza. O governo israelense rejeitou o relatório. A África do Sul denunciou Israel por genocídio perante a Corte Internacional de Justiça da ONU.

"Pillay responsabilizou países e líderes nacionais por suas ações, levou esperança às vítimas de violência e conflitos, e mostrou uma bússola moral sólida ao longo de sua extensa carreira", declarou o comitê ao justificar a premiação.

O secretário-geral da ONU, o ex-primeiro-ministro português António Guterres, cumprimentou Pillay e a elogiou como "uma campeã do direito internacional e dos direitos humanos, e uma voz independente e inabalável da justiça em alguns dos casos internacionais mais históricos do nosso tempo." 

Guterrres acrescentou que como mais alta autoridade da ONU para direitos humanos a laureada mostrou que o direito deve prevalecer sempre e que a defesa dos direitos humanos é a salvaguarda mais eficaz contra a injustiça. "O prêmio de hoje é um tributo a todos aqueles que trabalham para garantir e defender o direito internacional, o Estado de direito e os direitos humanos, e garantir a paz, a justiça e a dignidade humana", disse o secretário-geral da ONU.

Navi Pillay, de origem tâmil, nasceu num bairro pobre de Durban em 23 de setembro de 1941. Com a ajuda de doações da comunidade indiana, se formou em artes e em direito na Universidade de Natal.

Em 1967, tornou-se a primeira mulher a abrir seu próprio escritório de advocacia em Natal. Conta que não teve alternativa porque ninguém lhe daria emprego por causa da cor de pele.

Durante 28 anos como advogada na África do Sul, ela defendeu ativistas do movimento antiapartheid e revelou a tortura e as péssimas condições das prisões do regime segregacionista da minoria branca. Em 1973, conseguiu garantir aos presos políticos, inclusive Nelson Mandela, o direito de ter um advogado.

Nos anos 1980, Pillay fez mestrado e doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Em 1995, um ano depois que o Congresso Nacional Africano (CNA) chegou ao poder, Mandela a nomeou para ser a primeira juíza não branca da Suprema Corte da África do Sul.

Na carreira internacional, Pillay presidiu o tribunal internacional que julgou o genocídio de Ruanda. De 2003 a 2008, foi juíza do TPI. Em 2 de julho de 2008, o então secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, a nomeou alta comissária da ONU para Direitos Humanos, cargo que exerceu até 2014.

Com o prêmio a Navi Pillay, o comitê do Nobel reforça a importância direito internacional no momento em que está sob ataque de líderes de superpotências como o presidente dos EUA, Donald Trump, e o ditador da Rússia, Vladimir Putin. Ambos estão envolvidos em guerras que não conseguem ganhar apesar da superioridade militar de seus países e rejeitam a legitimidade do TPI.

"Ao dar o Prêmio Nobel deste ano, o Comitê Norueguês do Nobel quer lembrar o mundo que o Estado de direito – nacional e internacional – é o alicerce do sistema que criamos para garantir a paz e resolver conflitos de maneira não violenta", declarou o comitê. Fez a ressalva de que juízes de tribunais internacionais "guardam a tênue linha vermelha entre a ordem e o caos", são alvos de "sanções e suas instituições são atacadas."

Horas depois, o secretário de Estado, Marco Rubio, anunciou sanções ao TPI e afirmou que "o presidente Donald Trump nunca permitirá que o TPI processe norte-americanos." O tribunal apelou aos 125 países-membros para que o defendam.

De certa forma, o comitê se reabilita depois de dar o prêmio do ano passado a María Corina Machado, uma extremista de direita que lidera a oposição na Venezuela, foi a favor do golpe contra o presidente Hugo Chávez em 1992 e foi marginalizada por Trump depois do sequestro do ditador Nicolás Maduro por forças dos EUA em 3 de janeiro deste ano, apesar de dar a medalha do Nobel ao presidente norte-americano. Agora, ela pede realização de eleições no próximo ano.

Navi Pillay ganha um prêmio de 12 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 6 milhões. Na segunda-feira, será anunciado o ganhador do Prêmio Nobel de Economia, o último Nobel a ser atribuído neste ano.

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