quinta-feira, 26 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 26 de Março

LEI DO ASSASSINATO

     Em 1752, entra em vigor no Reino Unido a Lei do Assassinato, que impõe penas rigorosas para condenados por homicídio, inclusive o uso de seus cadáveres para dissecação.

Os legisladores esperam que isto ajude a atender à necessidade de cadáveres para estudo e treinamento de cirurgiões. Na época, ladrões roubavam corpos para vender.

A Lei do Assassinato fracassa e é substituída em 1832 pela Lei da Anatomia,

VACINA CONTRA PÓLIO

    Em 1953, o médico norte-americano Jonas Salk anuncia que testou com sucesso uma vacina contra a poliomielite, doença causadora da paralisia infantil.

No ano anterior, uma epidemia de pólio atinge 58 mil pessoas e causa 3 mil mortes nos Estados Unidos.

O primeiro grande surto de poliomielite nos EUA é registrado no estado de Vermont, em 1894. No início do século 20, há milhares de casos por ano, principalmente em crianças, mas também em adultos.

O futuro presidente Franklin Delano Roosevelt teve pólio aos 39 anos, em 1921, e ficou parcialmente paralítico.

Depois, o dr. Albert Sabin cria a vacina oral contra a poliomielite e campanhas de vacinação erradicam a doença em praticamente todo o mundo. Os únicos países onde há focos importantes da doença são o Afeganistão e o Paquistão, onde os Estados Unidos usaram campanhas de vacinação para descobrir o esconderijo do terrorista Ossama ben Laden.

Com as campanhas antivacinas, hoje há um sério risco de volta da doença.

INDEPENDÊNCIA DE BANGLADESH

    Em 1971, a Liga Awami forma um governo no exílio em Calcutá, hoje Kolkota, na Índia, e proclama a independência de Bangladesh, na época conhecido como Paquistão Oriental.

O futuro país passa a fazer parte do Império Britânico em 1858, quando este assume o controle da Índia. Quando a Índia e o Paquistão conquistam a independência, em 1947, vira o Paquistão Oriental. 

A declaração de independência marca o início de uma guerra civil de nove meses em que recebe o apoio da Índia, inimiga histórica do Paquistão, o que deflagra a Guerra Indo-Paquistanesa de 1971. A vitória vem em 16 de dezembro, depois de 3 milhões de mortes, da fuga de 8 a 10 milhões de pessoas para a Índia e do estupro de 200 mil mulheres.

A guerra leva à fome de grande parte da população de um dos países mais pobres do mundo, levando o ex-beatle George Harrison a organizar o Concerto para Bangladesh para arrecadar dinheiro para as vítimas da guerra.

Com cerca de 171,5 milhões de habitantes, Bangladesh é o oitavo maior país do mundo em população e o quarto com maior número de muçulmanos depois da Indonésia, do Paquistão e da Índia.

ACORDOS DE CAMP DAVID

    Em 1979, o presidente do Egito, Anuar Sadat, e o primeiro-ministro de Israel, Menachem Begin, assinam os Acordos de Camp David, mediados pelo presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter.

Quando as Nações Unidas aprovam a criação do Estado de Israel, em 29 de novembro de 1947, e o país é fundado, em 14 de maio de 1948, os países árabes não aceitam. A Guerra da Independência de Israel vai até 10 março de 1949.

A derrota árabe humilhante causa a Revolução dos Coronéis e a queda do rei Faruk no Egito. Ascende ao poder no Cairo o coronel Gamal Abdel Nasser, que se torna o grande líder do nacionalismo pan-árabe ao enfrentar as potências coloniais europeias e nacionalizar o Canal de Suez.

Com o apoio da França e do Reino Unido, em 19 de outubro de 1956, Israel declara guerra ao Egito. Em plena crise internacional porque a União Soviética ataca a Hungria para acabar com uma revolta contra o regime stalinista, os Estados Unidos suspendem o apoio do Fundo Monetário Internacional às economias britânica e francesa, ainda abaladas pela Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Os invasores se retiram. O Egito fica com o Canal de Suez e Nasser sai fortalecido.

Em 1967, Nasser fecha o Estreito de Tiran aos navios israelenses. Quando manda a força de paz da ONU sair da Península do Sinai, Israel vê o risco de uma guerra iminente e ataca as forças aéreas do Egito, da Jordânia e da Síria em terra, deflagrando a Guerra dos Seis Dias.

De 5 a 10 de junho de 1967, Israel obtém uma vitória esmagadora e ocupa a Faixa de Gaza e a Península o Sinai, que pertenciam ao Egito; as Colinas do Golã, da Síria; e a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém, que eram parte da Jordânia.

Para tentar retomar os territórios ocupados, a Guerra do Yom Kippur começa, em 6 de outubro de 1973, com a maior empreitada militar árabe da era moderna. Mais de 100 mil soldados egípcios cruzam o Canal de Suez para entrar no Sinai.

Na época, Israel tem o apoio incondicional dos EUA, que fazem a maior ponte aérea militar da história. Entregam 22,325 mil toneladas de equpamento militar, armas e munições a Israel diretamente no campo de batalha.

Quando Israel cerca o 3º Exército do Egito no Sinai e está prestes a destruí-lo, a URSS ameaça entrar na guerra e entra em alerta nuclear.

Mesmo assim, a conselho do secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger, para recuperar o Sinai, Sadat abandona a aliança com a URSS, que deixa de ser uma grande potência no Oriente Médio. O líder egípcio se aproxima dos EUA e faz uma visita de surpresa a Israel de 19 a 21 de novembro da 1977, a primeira de um líder árabe, e discursa no Parlamento para promover a paz.

Os acordos de paz são negociados em Camp David, na casa de campo da Presidência dos EUA, de 5 a 17 de setembro de 1978. O tratado de paz entre Israel e o Egito é assinado formalmente em Washington em 26 de março de 1979.

NASCE O MERCOSUL

    Em 1991, os presidentes do Brasil, Fernando Collor de Mello; do Paraguai, general Andrés Rodríguez; da Argentina, Carlos Menem; e do Uruguai, Luis Alberto Lacalle; assinam o Tratado de Assunção, que cria o Mercado Comum do Sul (Mercosul).

A reaproximação entre Brasil e Argentina começa antes mesmo da redemocratização dos países. Durante o governo do general João Figueiredo, os dois países chegam a um acordo sobre a exploração energética da Bacia do Prata. Os argentinos temem que a Hidrelétrica de Itaipu esgote o potencial energético do Rio Paraná.

A integração regional do Cone Sul da América Latina avança com os encontros de cúpula dos presidentes José Sarney e Raúl Alfonsín depois da redemocratização do Brasil e da Argentina. Em 1985, eles assinam o Tratado de Iguaçu. 

O diálogo leva a um acordo nuclear para evitar uma corrida armamentista na região. Em 18 de julho de 1991, é assinado o Acordo de Guadalajara, pelo qual Brasil e Argentina se comprometem a usar a energia nuclear somente para fins pacíficos.

Com a crise da dívida externa e a hiperinflação que atinge os dois países nos anos 1980, quando a Argentina lança o Plano Austral e o Brasil o Plano Cruzado, a integração regional é vista como uma maneira de aumentar o poder de barganha em negociações internacionais. Não melhora as condições de renegociação das dívidas, mas fortalece o comércio regional, que sobe em cinco anos de US$ 1 bilhão para US$ 20 bilhões. Os presidentes Fernando Collor de Mello e Carlos Menem aproveitam o acordo para baixar tarifas de importação e promover a abertura comercial.

A meta de zerar as tarifas de importações e eliminar as barreiras não tarifárias até 31 de dezembro de 1994 nunca foi atingida. A Bolívia (1996), o Chile (1996), o Peru (2003), a Colômbia (2004), o Equador (2004), a Guiana (2013), e o Suriname (2013) são países associados. Fazem parte da zona de livre comércio, mas não da união aduaneira, que pressupõe a aplicação de uma tarifa externa comum na compra de produtos de fora do bloco.

A entrada da Venezuela como membro pleno em 31 de julho de 2012, sem adotar previamente as regras do bloco, criou um Mercosul mais político, menos voltado para a integração econômica. Em dezembro de 2016, a Venezuela é suspensa sob a acusação de violar a cláusula democrática do bloco.

Em julho de 2024, a Bolívia passa a ser membro pleno. Tem um prazo de quatro anos para se adequar à legislação do Mercosul.

MIKE TYSON SENTENCIADO

    Em 1992, o boxeador peso-pesado Mike Tyson é sentenciado a seis anos de prisão após ser condenado por crime de estupro em Indianápolis, no estado de Indiana.

Tyson nasce no Brooklyn, em Nova York, em 30 de junho de 1966, e desde muito cedo passa a fazer parte de gangues de rua. Em 1978, com 12 anos, 80 quilos e uma musculatura formidável, é enviado para o reformatório, onde o aficcionado de boxe Bobby Stewart vê potencial para uma carreira no boxe. 

Aos 20 anos, em 22 de novembro de 1986, ele se torna o mais jovem campeão mundial da categoria peso-pesado com um estilo extremamente agressivo em que avança em linha reta e tenta demolir o adversário no primeiro assalto.

Em 1988, Tyson casa com a atriz Robin Givens. Ela o acusa de abuso e o casal se divorcia no ano seguinte. Uma série de acusações de assédio e violência sexual é apresentada contra o boxeador.

Contra todas as expectativas, em 11 de fevereiro de 1990, ele perde o título mundial para James Buster Douglas. Em 1991, Tyson é acusado de estuprar uma candidata a miss. É condenado e preso em 1992.

Três anos depois, Tyson sai da prisão e recupera dois títulos de campeão mundial com vitórias fáceis sobre Frank Bruno e Bruce Seldon. Em 9 de novembro de 1996, sofre sua segunda derrota, desta vez para Evander Holyfield, duas vezes campeão mundial, por nocaute técnico no 11º assalto. 

Na revanche, em 28 de junho de 1997, Tyson é desclassificado depois de morder duas vezes a orelha  de Holyfield e perde a licença para boxear. Ele volta a lutar e a vencer em 16 de janeiro de 1999. Em 7 de fevereiro do mesmo ano, é condenado a um ano de prisão, dois de liberdade condicional, 200 horas de serviço comunitário e multa de US$ 2,5 mil por agredir dois idosos depois de um acidente de automóvel em 1998.

Sua última vitória como lutador profissional acontece em 2003 em apenas 49 segundos. No fim daquele ano, Tyson declara falência com dívidas de US$ 34 milhões depois de ganhar US$ 400 milhões na carreira.

PUTIN ELEITO PRESIDENTE

    Em 2000, Vladimir Putin é eleito presidente da Rússia pela primeira vez, depois de se tornar primeiro-ministro de Boris Yeltsin em 9 de agosto de 1999 e de substituir Yeltsin, que renuncia em 31 de dezembro do mesmo ano.

Putin nasce em Leningrado, hoje São Petersburgo, em 7 de outubro de 1952. Ele estuda direito na Universidade de Leningrado e trabalha durante 15 anos como agente da polícia política soviética KGB (Comitê de Defesa do Estado). Serve 6 anos em Dresden, na Alemanha Oriental.

Quando as revoluções democráticas acabam com o comunismo na Europa Oriental, a sede do escritório em Dresden é cercada. Putin ameaça atirar nos manifestantes e pede ajuda ao governo alemão-oriental, que responde: "Só podemos agir com autorização de Moscou, e Moscou está em silêncio."

Mais tarde, no poder, faz questão de que Moscou nunca fique em silêncio.

Essa frase marca sua vida política. De volta a Leningrado, Putin trabalha com Anatoly Sobchak, prefeito de São Petersburgo. Em 1994, numa conferência internacional, declara que o fim da União Soviética é "a maior tragédia geopolítica da segunda metade do século 20."

Quando Sobchak perde a reeleição, em 1996, Putin profere outra de suas máximas: "Não se deve realizar uma eleição sem antes saber o resultado."

Putin vai então para Moscou e trabalha com Anatoli Chubais, vice-primeiro-ministro responsável pelas privatizações. De 25 de julho de 1998 a 29 de março de 1999, dirige o Serviço Federal de Segurança, herdeiro do KGB, seu último trampolim para o poder.

Assim que ascende ao poder, ainda como primeiro-ministro, depois de ações de extremistas muçulmanos na república russa do Daguestão e de atentados terroristas mal esclarecidos atribuídos a rebeldes chechenos. Putin inicia a Segunda Guerra da Chechênia (1999-2009) para consolidar o poder.

O presidente russo começa a se afastar do Ocidente na Conferência de Segurança de Munique, em 2007. No ano seguinte, invade a ex-república soviética da Geórgia e assume o controle das regiões da Abecásia e da Ossétia do Sul, anexações não reconhecidas internacionalmente.

Depois de ser primeiro-ministro de Dimitri Medvedev (2008-12), Putin volta à Presidência com a convicção de que as revoluções coloridas na antiga URSS e a Primavera Árabe são conspirações do Ocidente das quais pode ser o próximo alvo.

Quando o presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, cai numa revolta popular contra o rompimento de negociações com a União Europeia, em fevereiro de 2014, a Rússia ocupa a Península da Crimeia, anexada ilegalmente no mês seguinte.

Em 6 de abril de 2014, começa uma revolta fomentada pelo Kremlin no Leste da Ucrânia. Após anos de impasse, em 24 de fevereiro de 2022, Putin inicia uma guerra total contra a Ucrânia que espera ganhar em uma semana e já tem mais de 4 anos. A estimativa é que 1,8 milhão de pessoas tenham sido mortas ou feridas nesta guerra.

quarta-feira, 25 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 25 de Março

FUNDAÇÃO DE VENEZA

 
    Em 451, é fundada a cidade de Veneza, capital da Província de Veneza e da Região do Vêneto. Situada sobre 117 ilhas ligadas por pontes e separadas por canais, é centro de uma república voltada para o mar, a República Sereníssima de Veneza, uma potência naval, e o principal porto da Europa no fim da Idade Média, uma ponte cultural e comercial com a Ásia.

Famosa pela arquitetura e pelas obras de arte, a cidade antiga é patrimônio histórico, artístico e cultural da humanidade. É a Rainha do Adriático, a Cidade da Água, a Cidade Flutuante, a Cidade dos Canais. uma cidade sem automóveis. Construída sobre ilhas e um solo instável, fica ao abrigo dos exércitos de cavalaria, a tecnologia militar dominante da Idade Média.

A República de Veneza (810-1797), uma potência marítima no fim da Idade Média e durante o Renascimento, ponto de parada nas Cruzadas (1095-1291) e na Batalha de Lepanto (1591), quando a Liga Santa Católica Italiana, com a participação da Espanha, de Veneza, dos Estados Pontifícios, de Gênova, da Toscana, da Saboia e dos Cavaleiros de Malta, vence o Império Otomano e acaba com a expansão turca no Mar Mediterrâneo.

Depois das guerras napoleônicas e do Congresso de Viena (1814-15), Veneza é anexada pelo Império Austríaco até se tornar parte do Reino da Itália após a Terceira Guerra da Independência da Itália, em 1866.

CAPELA ARENA

    Em 1305, a Capela Arena, com afrescos do pintor florentino Giotto, é consagrada em Pádua, na região do Vêneto, na Itália.

A capela é construída no início do século 14 pelo rico banqueiro Enrico Scrovegni num local com acesso direto do palácio da família e decorada no interior com pinturas de Giotto. 

O Juízo Final ocupa toda a parede do lado oeste. As outras pinturas representam a vida e a paixão de Jesus Cristo, a vida da Virgem Maria, de São Joaquim e de Santa Ana, a Anunciação Pentecostes

A Capela Arena fica ao lado de um mosteiro agostiniano, o Mosteiro dos Eremitas. Ambos fazem parte dos Museus Cívicos de Pádua, onde se obtêm informações sobre visitação.

REI DA ESCÓCIA

    Em 1306, Roberto de Bruce é coroado em Scone rei da Escócia como Roberto I.

Descendente de anglo-normandos e gaélicos, Roberto nasce em 11 de julho de 1274, provavelmente no Castelo de Turnberry. Seu avô paterno, Roberto de Brus, reivindica o trono da Escócia depois da morte do rei Alexandre III. 

Roberto de Bruce, Conde de Carrick, apoia a reivindicação da família ao trono e luta ao lado de William Wallace contra o domínio pela Inglaterra do rei Eduardo I. Em 1298, é nomeado Guardião Supremo da Escócia junto com João III Comyn e Guilherme Lamberton, bispo de São André.

Em fevereiro de 1306, Roberto de Bruce mata Lorde Comyn. É excomungado pelo papa, mas aproveita para ocupar o trono. As forças de Eduardo I avançam e derrotam Roberto I na Batalha de Methven. Ele foge para as Ilhas Hébridas e a Irlanda.

Roberto I volta, vence os ingleses na Batalha de Loudoun Hill, em maio de 1307, e inicia uma guerra de guerrilhas bem-sucedida contra os ingleses, mas também precisa enfrentar rivais escoceses para estabilizar a situação e convocar o primeiro Parlamento da Escócia, em 1309.

Depois de uma série de vitórias contra os ingleses, Roberto I conquista uma vitória decisiva contra Eduardo II, da Inglaterra, na Batalha de Bannockburn, em junho de 1314, e restabelece a independência do Reino da Escócia, confirmada pelo Tratado de Northampton, em 1327, quando o rei Eduardo III renuncia à reivindicação de soberania sobre o território escocês

FIM DO TRÁFICO DE ESCRAVOS

    Em 1807, o Parlamento Britânico aprova uma lei para acabar com o tráfico de escravos do continente africano, mas a escravidão continua nas colônias do Mar do Caribe, conhecidas como Índias Ocidentais Britânicas.

A escravidão é declarada ilegal no Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda no Caso Somerset, em 22 de junho de 1772, por decisão de Lorde Mansfield, William Murray, Conde de Mainsfield, a maior autoridade judiciária do país, no início da Revolução Industrial, que precisa de consumidores e não mais de escravos.

James Somerset é um escravo de James Stewart, um comerciante escocês que tem negócios com tabaco em Norfolk, na colônia da Virgínia, e depois em Boston, na colônia de Massachusetts, hoje partes dos Estados Unidos. Quando eles voltam para a Inglaterra e Somerset fica doente, é abandonado na rua.

O caso chama a atenção de Granville Sharp, o pai do nascente movimento abolicionista no Reino Unido. Quando Somerset recupera a saúde sob os cuidados de Sharp, Stewart manda prendê-lo com a intenção de negociá-lo na Jamaica.

Quando descobre a intenção de Stewart de vender o escravo, Sharp entra com um pedido de habeas corpus. Em sua decisão, o chefe do Poder Judiciário declara que "o estado de escravidão é de tal natureza que é incapaz de ser introduzido por quaisquer razões, morais ou políticas, mas apenas pelo direito positivo que preserva sua força muito depois das razões, ocasião e o tempo em que foi criado se apagaram da memória. É tão odioso que nada pode ser tolerado para apoiá-lo, a não ser o direito positivo. Quaisquer que sejam os inconvenientes, portanto, que possam resultar de uma decisão, eu não posso dizer que este caso é permitido ou autorizado pela lei da Inglaterra e, portanto, o negro deve libertado."

Lorde Mansfield atua como um chefe do Judiciário liberal até a morte em 1793. O movimento abolicionista cresce partir de sua decisão e ganha força em 1783. Uma tentativa de um norte-americano de levar um escravo para o Canadá leva à primeira lei contra a escravidão no Império Britânico, em 1793. 

O tráfico é abolido em 1807. De 1808 a 1860, a Esquadra do Oeste da África da Marinha Real resgata 150 mil africanos transportados em navios negreiros no Oceano Atlântico.

A escravidão é totalmente abolida no Império Britânico em 1838. A Lei da Abolição da Escravatura recebe a sanção real em 28 de agosto de 1833 e entrar em vigor em 1º de agosto de 1834. Sob pressão do Parlamento de Westminster, as assembleias de todas as colônias são forçadas a acabar com a escravidão a partir de 1º de agosto de 1838, o que em muitos casos é atrasado pela necessidade de indenizar os senhores, não os escravizados. 

MERCADO COMUM EUROPEU

    Em 1957, a Alemanha, a Bélgica, a França, a Holanda, a Itália e Luxemburgo assinam o Tratado de Roma e criam a Comunidade Econômica Europeia (CEE) e a Comunidade Europeia de Energia Atômica (Euratom) para promover a integração, a paz e o desenvolvimento na Europa depois de duas guerras mundiais.

 

A integração europeia começa com o Plano Schuman. Em 9 de maio de 1950, cinco anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o ministro das Relações Exteriores da França, Robert Schuman, propõe a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) para controlar a produção de matérias-primas essenciais à indústria bélica e assim garantir a paz na Europa. A CECA nasce no ano seguinte, com os mesmos países que formariam a CEE.

A Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido entram em 1973. Depois da democratização nos 1970, é a vez de Grécia em 1981, e Portugal e Espanha em 1986. É a Europa dos 12. Neste mesmo ano, é assinado o Ato Único Europeu, que cria o mercado único, abolindo as restrições à circulação de mercadorias e cidadãos.

Em 1992, o Tratado de Maastricht, cria a União das Comunidades Europeias ou União Europeia (UE), o nome atual do bloco. Com o fim da Guerra Fria, em 1995, aderem três países neutros: Áustria, Finlândia e Suécia. 

No mesmo ano, é assinado o Acordo de Schengen, que abole as fronteiras internas, com a exceção de Reino Unido e Irlanda por causa da guerra civil na Irlanda do Norte e do terrorismo do Exército Republicano Irlandês (IRA).

Outro marco importante da integração é a adoção de uma moeda comum, o euro, que entra em circulação em 1º de janeiro de 2002, depois de ser usado por três anos como moeda contábil.

Como havia o compromisso histórico de integrar os países da Europa Oriental quando se tornassem democracias com economia de mercado, em 2004, houve uma grande ampliação, com a entrada de Polônia, Hungria, República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Letônia, Lituânia, Chipre e Malta. Bulgária e Romênia aderem em 2007.

Hoje, Albânia, Macedônia do Norte, Montenegro e Sérvia estão negociando o acesso ao bloco. Bósnia-Herzegovina, Moldova e Ucrânia são candidatas.

FIM DA MARCHA DE SELMA

    Em 1965, sob a proteção do Exército dos Estados Unidos e do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal norte-americana, o líder negro Martin Luther King Jr. e outros ativistas do movimento pelos direitos civis completam a marcha de Selma a Montgomery, no estado do Alabama, duas vezes interrompida com violência pela polícia estadual.

A marcha de 86 quilômetros ia de Selma até Montgomery, a capital do Alabama, um dos estados mais pobres, conservadores e racistas dos EUA. 

Quando os manifestantes cruzam a ponte Edmund Pettus, nos arredores de Selma, em 7 de março, recebem a ordem de se dispersar. Momentos depois, a polícia ataca com chicotes, cassetetes e gás lacrimogêneo. Dezessete manifestantes são hospitalizados. É o Domingo Sangrento da luta contra a segregação racial nos EUA.

A violência sai na televisão e na imprensa, gerando manifestações de protesto em 80 cidades. Em 9 de março, o reverendo Martin Luther King Jr. lidera um marcha de 2 mil pessoas na mesma ponte.

Em 15 de março, o presidente Lyndon Johnson fala na necessidade de reformar a lei eleitoral para dar o direito de voto aos negros. A Lei dos Direitos de Voto é aprovada cinco meses depois.

Luther King e 25 mil pessoas completam a marcha em 25 de março, sob a proteção do Exército dos EUA e do FBI, a polícia federal norte-americana.

Em 2020 e 2023, o presidente Joe Biden participa da manifestação em Selma, como parte da campanha e tendo em vista o lançamento da candidatura à reeleição, abandonada depois do fracasso no primeiro debate contra Donald Trump.

De volta à Casa Branca, Trump, supremacista branco e fascista, tenta apagar todas as manifestações da cultura negra nos EUA.

terça-feira, 24 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 24 de Março

 NAT KING COLE EM PRIMEIRO

    Em 1945, a revista norte-americana Billboard lança sua lista de álbuns mais vendidos e o cantor e pianista Nat King Cole é o primeiro a ficar em primeiro lugar.

Cole nasce em 17 de março de 1919 em Montgomery, no estado do Alabama, e cresce em Chicago. Aos 12 anos, toca órgão e canta na igreja onde o pai é pastor. Cinco anos depois, ele cria seu primeiro grupo de jazz.

Em 1937, começa a tocar em grupo de jazz de Los Angeles. Logo, forma o Nat King Cole Trio. A popularidade de Cole o torna o primeiro negro norte-americano a apresentar um programa de televisão. 

O Nat King Cole Show estreia na rede NBC em 1956, mas é cancelado um ano depois por falta de patrocinadores porque as empresas não querem associar suas marcas a um negro. O racismo da época o impede de ter um sucesso ainda maior, mas não evita que trabalhe em vários filmes de Hollywood.

GUERRA SUJA ARGENTINA

    Em 1976, um golpe militar derruba a presidente María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, viúva de Juan Domingo Perón, e dá início ao "Processo de Reorganização Nacional", uma guerra suja contra a esquerda na Argentina que mata um total de mais de 8,9 mil pessoas.

A primeira junta militar é formada pelo general Jorge Rafael Videla, comandante do Exército; almirante Emilio Eduardo Massera, comandante da Marinha; e general-brigadeiro Orlando Ramón Agosti, comandante da Força Aérea. A desculpa para a repressão é o combate à guerrilha.

Depois da morte de Perón por causas naturais em 1º de julho de 1974, ele é sucedido por Isabelita, que não tem o carisma nem o talento político de sua segunda mulher, María Eva Duarte de Perón, a Evita.

Fraca politicamente, Isabelita é assessorada por um grupo de assessores militares que lança, em 5 de fevereiro de 1975, a Operação Independência, de combate às guerrilhas esquerdistas. Eles dividem o país em cinco regiões militares e dão autonomia aos comandantes para desencadear a repressão e eliminar os guerrilheiros.

A repressão vai muito além dos guerrilheiros. Tenta eliminar toda uma corrente de pensamento, num politicídio, com prisões ilegais, sequestros, desaparecimento de pessoas e execuções sumárias, inclusive os voos da morte, em que opositores são drogados e jogados no mar.

Pela Escola de Mecânica da Armada (ESMA), o principal centro de detenção e tortura, passam 5 mil pessoas que são mortas. Cerca de 500 bebês filhos de presos assassinados são sequestrados e adotados por famílias ligadas ao regime.

Em 30 de abril de 1977, Azucena Villaflor e outras mães de desaparecidos protestam na Plaza de Mayo, diante da Casa Rosada, a sede do governo. Nasce o movimento das Mães da Praça de Maio, que dá origem ao movimento das Avós da Praça de Maio, que consegue recuperar mais de 130 netos.

A ditadura sanguinária começa a cair em 2 de abril de 1982, quando o general-presidente Leopoldo Fortunato Galtieri, que dera um golpe dentro do golpe, manda invadir as Ilhas Malvinas, possessão do Império Britânico, que as chama de Falklands.

O general delinquente não imagina que a primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, envie uma força-tarefa que derrota e humilha os militares argentinos. Eles massacram seu próprio povo, mas fracassam em sua aventura militar.

Depois de 10 semanas e das mortes de 649 argentinos e 258 britânicos (3 civis), a Argentina se rende em 14 de junho. Os militares continuam no poder até 10 de dezembro de 1983, quando entregam o poder ao presidente democraticamente eleito Raúl Alfonsín (1983-89).

Alfonsín manda investigar o desaparecimento de pessoas e o relatório enviado à Justiça serve de ponto de partida para o Julgamento das Juntas, dos nove comandantes das três juntas militares que governaram a Argentina depois do golpe, concluído em 1985.

Sob a pressão de revoltas de militares de baixo escalão, o governo Alfonsín cede e aprova as leis Ponto Final e de Obediência Devida, para julgar somente as juntas pelos crimes da ditadura. Em 8 de outubro de 1989, assume o presidente Carlos Menem (1989-99), que indulta os comandantes no fim de dezembro de 1990.

Em 2003, no governo Néstor Kirchner (2003-7), as leis que acabam com os processos e os indultos são anulados e as investigações reabertas. Desde então, mais de 1,7 mil repressores são condenados.

No 50º aniversário do golpe, o presidente neofascista Javier Milei tenta apagar a memória e responsabilizar os guerrilheiros de esquerda pela guerra suja argentina. Pode dar indulto a repressores.

ARCEBISPO ASSASSINADO

    Em 1980, Dom Óscar Romero, arcebispo de San Salvador, um crítico das violações dos direitos humanos pela ditadura e os grupos paramilitares de El Salvador durante a guerra civil contra a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), é assassinado durante a missa de domingo. Ele é canonizado em 2018.

Óscar Arnulfo Romero Galdámez é considerado conservador antes de ser nomeado arcebispo, em 1977, mas denuncia a ditadura do general Carlos Humberto Romero, que não tinha relação de parentesco com ele, e se nega a apoiar a junta militar que substitui o general deposto.

Sua defesa dos pobres, as grandes vítimas da violência política, provoca ameaças de morte. Sua defesa dos direitos humanos vale a indicação de deputados dos Estados Unidos e do Reino Unido ao Prêmio Nobel da Paz de 1979.

Depois do fim da Guerra Civil Salvadorenha (1979-92), a Comissão da Verdade de El Salvador conclui que Dom Romero foi morto por um esquadrão da morte liderado pelo ex-major Roberto D'Aubuisson.

PETRÓLEO NO MAR DO ALASCA

    Em 1989, o navio-tanque Exxon Valdez, da companhia petrolífera Exxon, bate num recife na Enseada Príncipe William, no sul do estado do Alasca, e derrama 41,6 milhões de litros de petróleo no mar, no pior acidente da indústria petrolífera na história dos Estados Unidos.

As tentativas de conter o vazamento são inúteis. O petróleo bruto se espalha até uma distância de 160 quilômetros, poluindo mais de 1,1 mil km de costa e matando milhares de aves e mamíferos.

Mais tarde, sabe-se que o capitão Joseph Hazelwood está bebendo na hora do acidente e manda um marinheiro sem qualificação pilotar o petroleiro. 

Em março de 1990, ele é condenado por contravenção penal a mil horas de trabalho comunitário e multa de US$ 50 mil. A pena é anulada em julho de 1992 com base numa lei federal que livra de processo quem relatar um vazamento de petróleo.

O Serviço Nacional de Segurança dos Transportes dos EUA impõe à Exxon uma multa de US$ 100 milhões e US$ 1 bilhão a serem pagos em 10 anos para despoluir o meio ambiente. A Exxon e o estado do Alasca rejeitam o acordo e a questão é encerrada com o pagamento pela empresa de apenas US$ 25 milhões.

GUERRA DO KOSSOVO

    Em 1999, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) inicia uma campanha de bombardeios aéreos de 78 dias contra a Iugoslávia, reduzida a Sérvia e Montenegro, e a posições militares sérvias que perseguem a maioria de origem albanesa na província do Kossovo.

A região ocupa um lugar especial da história da Sérvia. Na Batalha do Kossovo, em 15 de junho de 1389, o Império Otomano derrota o rei Lazar e conquista a Sérvia, que só recupera a independência em 1867. Quando retoma o Kossovo, em 1913, a província é povoada por albaneses.

Em 1974, o ditador da Iugoslávia, Josip Broz Tito, dá autonomia ao Kossovo dentro da Sérvia. Com a morte de Tito, em 1980, e o declínio da ideologia comunista, em 1987, Slobodan Milosevic é eleito líder da Liga Comunista da Sérvia com a promessa de restaurar o controle sobre o Kossovo.

Eleito presidente da Sérvia em 1989, Milosevic acaba com a autonomia do Kossovo em 1990. Com o renascimento do nacionalismo sérvio, a Croácia e a Eslovênia declaram independência em 1991. O Exército Federal da Iugoslávia intervém. A guerra da Eslovênia acaba logo, mas a da Croácia se arrasta por anos.

Em 1992, a independência da Bósnia-Herzegovina deflagra a pior das guerras que dividem a Iugoslávia, que dura mais de três anos e mata mais de 100 mil pessoas. A Iugoslávia fica reduzida a Sérvia e Montenegro.

O Exército de Libertação do Kossovo nasce em 1996 para lutar contra a dominação sérvia. Chega a controlar a metade da província quando a Sérvia reage e inicia uma campanha de purificação étnica que leva à intervenção da OTAN, a aliança militar liderada pelos EUA, que não perde nenhum soldado em combate durante a campanha aérea.

Milosevic cai em 5 de outubro de 2000 numa revolta popular na Sérvia. É preso e entregue ao Tribunal Penal Internacional para Crimes de Guerra na Antiga Iugoslávia. Morre em 11 de março de 2006, antes do fim do processo em que era acusados de mais de 60 crimes de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

GENOCIDA DA BÓSNIA

    Em 2016, o Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia, com sede em Haia, na Holanda, condena a 40 anos de prisão por crimes de guerra, inclusive genocídio, o psiquiatra Radovan Karadzic, líder da autoproclamada República Sérvia durante a Guerra da Independência da Bósnia-Herzegovina (1992-95). Em 2019, a pena é ampliada para prisão perpétua.

A Bósnia tem a população mais dividida religiosa etnicamente da antiga Iugoslávia: 44% bósnios muçulmanos; 31% sérvios, que são cristãos ortodoxos; e 16% croatas, que são católicos. 

Com o apoio do presidente da Sérvia, Slobodan Milosevic, do Exército Federal da Iugoslávia e do comandante militar sérvio-bósnio, general Ratko Mladic, os sérvios cercam Sarajevo, a capital do país, e fazem uma campanha de "limpeza étnica" para expulsar quem não é sérvio das áreas sob seu controle.

Em 1995, o tribunal o acusa crimes guerra e crimes contra a vida, inclusive genocídio, assassinato, tortura, estupro e limpeza étnica. O caso mais notório foi o Massacre de Srebrenica, de 11 a 25 de julho de 1995, quando pelo menos 8.373 bósnios muçulmanos, toda a população masculina adulta da cidade, morre.

Karadzic foge para a Sérvia depois da guerra e trabalha numa clínica de medicina alternativa em Belgrado até ser preso em julho de 2008 e enviado ao tribunal de Haia.

segunda-feira, 23 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 23 de Março

PRIMEIRO ELEVADOR

    Em 1857, o inventor norte-americano Elisha Otis instala a primeiro elevador em prédio comercial numa loja de departamentos em Nova York.

Otis, descendente de imigrantes ingleses, nasce em Halifax, no estado de Vermont, em 3 de agosto de 1811. De 1838 a 1845, ele constrói navios e carruagens. Em 1852, Otis é enviado para dirigir uma nova fábrica e instalar o maquinário em Yonkers, no estado de Nova York.

Lá, Otis projeta e constrói o primeiro elevador com uma trava de segurança para evitar a queda se a corrente ou corda que o puxa se romper. No ano seguinte, ele pede demissão e abre sua própria loja em Yonkers. A demanda é pequena.

Em 1854, uma demonstração no Chrystal Palace em Nova York atrai a atenção. O primeiro elevador em prédio comercial é instalado na empresa E. V. Haughwout & Co.

FUNDAÇÃO DO PARTIDO FASCISTA

   Em 1922, um grupo de pouco mais de 100 pessoas, veteranos de guerra, sindicalistas e intelectuais futuristas liderados por Benito Mussolini, se reúne na Aliança Industrial e Comercial de Milão, na Praça do Santo Sepulcro, para fundar o Partido Nacional Fascista com o objetivo de "declarar guerra ao socialismo por ser contra o nacionalismo".

Inicialmente, Mussolini chama do grupo de Fasci de Combatimento, algo como Fraternidade de Combate. Três anos e meio mais tarde, dois dias depois da Marcha sobre Roma, realizada em 28 de outubro de 1922, o rei Vítor Emanuel III nomeia Mussolini primeiro-ministro da Itália.

Em 3 de janeiro de 1925, Mussolini se declara ditador da Itália e adota o título de Duce (Líder). O Fascismo se alia ao Nazismo de Adolf Hitler, que leva o mundo à Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Mussolini cai quando os aliados invadem a Itália, mas é libertado pelos nazistas e forma a República Social Italiana na região do Norte do país sob o controle do nazifascismo. É executado pela resistência italiana no fim da guerra, em 28 de abril de 1945, e pendurado de cabeça para baixo em Milão.

O partido Irmãos da Itália, da primeira-ministra Giorgia Meloni, é herdeiro político do Fascismo. Seu símbolo é uma chama tricolor nas cores da Itália. É o mesmo símbolo do Movimento Social Italiano, fundado em 1946 pelos herdeiros de Mussolini. 

PODERES ESPECIAIS PARA HITLER

    Em 1933, o Reichstag, o parlamento da Alemanha, aprova a Lei Habilitante, também chamada de Lei de Concessão de Poderes Especiais ou Lei para Sanar a Aflição do Povo e da Nação, seu verdadeiro nome. A lei dá poderes especiais a Adolf Hitler para reagir a uma suposta conspiração comunista que seria responsável pelo incêndio do Reichstag em 27 de fevereiro.

Depois de eleições em que o Partido Nacional-Socialista Trabalhista da Alemanha (Nazista) conquista 33% dos votos em 6 de novembro de 1932, Hitler é nomeado chanceler (primeiro-ministro). Menos de um mês depois, há o incêndio do parlamento. Os nazistas são suspeitos e acusam os comunistas. É o grande golpe da ascensão de Hitler ao poder total.

A Lei Habilitante é aprovada pelo Partido Nazista, pelo Partido Nacional Popular da Alemanha e pelo Partido de Centro. Dá os primeiros poderes ditatoriais a Hitler, permitindo que o governo prenda sem autorização judicial, proíba partidos políticos, censure a imprensa, crie leis sem aprovação do Parlamento e assine tratados com outros países sem a aprovação do Reichstag.

Com a morte do presidente Paul von Hindenburg, em 2 de agosto de 1934, o regime nazista convoca um plebiscito para unificar os cargos de presidente e primeiro-ministro na figura do Führer (Líder). Em 19 de agosto, os alemães aprovam a ditadura de Adolf Hitler com quase 90% dos votos.

DIREITOS HUMANOS

    Em 1976, entra em vigor a Convenção ou Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, que incorpora os direitos consagrados pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pelas Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948.

A convenção é aberta para adesões em 19 de dezembro de 1966. Reconhece o direito à vida; a não ser submetido a tortura ou penas ou tratamentos cruéis, desumanos e degradantes; a não ser submetido à escravidão ou ao tráfico de escravos; à liberdade e à segurança pessoal; à livre circulação; à igualdade perante tribunais e cortes de justiça; à liberdade de pensamento, de consciência, de religião e de expressão; e de não ser discriminado por raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, situação econômica, nascimento ou qualquer condição.

GUERRA NAS ESTRELAS

    Em 1983, durante a Guerra Fria, o presidente Ronald Reagan anuncia que os Estados Unidos vão desenvolver a Iniciativa de Defesa Estratégica, um programa de tecnologia antimísseis para proteger o país de ataques de mísseis nucleares.

O projeto é logo chamado de Guerra nas Estrelas, referência à série de filmes de grande sucesso dos anos 1970. A União Soviética, que não consegue competir com os EUA em tecnologia da informação. protesta.

A iniciativa viola o Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM), de 1972, que proíbe o desenvolvimento e a instalação de sistemas de defesa antimísseis. Também é conhecido como "destruição mutuamente assegurada" (MAD, que significa louco em inglês), a garantia do equilíbrio do terror nuclear na Guerra Fria.

Aumenta a pressão sobre a URSS, o que leva a negociações de desarmamento e controle de armas depois da ascensão do reformista Mikhail Gorbachev à liderança do Partido Comunista, em 11 de março de 1985, e ao fim da Guerra Fria.  

PRIMEIRA ELEIÇÃO DIRETA EM TAIWAN

    Em 1996, Lee Teng-hui vence a primeira eleição presidencial direta em Taiwan e recebe um mandato para democratizar a ilha que a China considera uma província rebelde e ameaça invadir.
Lee nasce em 15 de janeiro de 1923 perto de Tan-shui, em Taiwan. Ele estuda na Universidade de Quioto, no Japão, e na Universidade Nacional de Taiwan, fez mestrado economia agrícola na Universidade Estadual de Iowa e doutorado na Universidade Cornell, nos Estados Unidos.

Em 1978, Lee é eleito prefeito de Taipé. Depois, é governador da província de Taiwan (1981-84) antes de se tornar vice-presidente de Chiang Ching-kuo, em 1984. Depois da morte de Chiang, em 1988, Lee assume a presidência do país e do partido do governo, o Kuomintang (KMT), que trava uma guerra civil contra o Partido Comunista até a vitória da revolução liderada por Mao Tsé-tung, em 1º de outubro de 1949, quando o então líder do KMT, Chiang Kai-shek, foge para Taiwan.

Durante a campanha eleitoral, a República Popular da China faz testes de mísseis para intimidar a democracia taiwanesa. O regime comunista chinês ameaça invadir a ilha se Taiwan declarar a independência. Lee adota uma política de "diplomacia flexível" em relação à China continental e levanta as restrições de viagem e comércio.

A tensão nas relações bilaterais continua e se agrava em 1999, quando Lee anuncia que os contatos serão feito de Estado para Estado. O mandato de Lee termina em 2000, quando o KMT perde as eleições e o controle de Taiwan pela primeira vez para o Partido Democrático Progressista (PDP), mais favorável à independência, que está no poder atualmente.

O KMT segue a política dos Três Nãos: não à guerra, não à independência e não à unificação.

domingo, 22 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 22 de Março

MASSACRE DE JAMESTOWN

    Em 1622, o cacique Opechancanough lidera um ataque-surpresa das tribos da Confederação Powhatan contra Jamestown, capital da colônia da Virgínia, e massacra 347 pessoas, um quarto da população dos colonos.

Jamestown, fundada em 14 de maio de 1607, é o primeiro assentamento inglês na América. É um empreendimento privado da Virginia Company com uma carta régia de Jaime I, da Inglaterra, para criar a empresa. Na época, toda a costa atlântica ao norte da Flórida é chamada de Virgínia, uma homenagem à rainha Elizabeth I, da Inglaterra, a Rainha Virgem, que não teve filhos. Sabia que um marido minaria seu poder.

As relações com os nativos inicialmente variam entre amizade e hostilidade. Na Primeira Guerra Powhatan (1609-14), o cacique Pownhatan tenta expulsar os europeus com a fome. Entre 1609 e 1611, a colônia quase é abandonada.

Com a introdução da cultura do tabaco, a partir de 1613, a colônia começa a prosperar. John Rolfe, o pioneiro da produção de tabaco, casa com a princesa Pocahontas, filha do cacique.

No verão de 1619, a colônia cria o primeiro governo representativo na América, com a eleição de uma Assembleia Geral de 22 burgueses e seis indicados pela companhia. Só os homens com propriedades têm direito de voto.

É em Jamestown que chegam os primeiros escravos africanos ao que hoje é os EUA. Em 20 de agosto de 1619, 20 dos 50 angolanos de um navio negreiro português atacado por dois navios piratas ingleses são vendidos em Jamestown. É o marco do início da escravidão no país.

Em 1620, a expansão da área agrícola para produzir tabaco e a infiltração dos colonos em regiões de caça dos indígenas provocam atritos na região da Baía de Chesapeke que explodem em 1622.

Os powhatans chegam desarmados a Jamestown, com veados, perus, frutas, peixes e outros mantimentos como se fossem para vender. Pegam todas as ferramentas e armas disponíveis e matam todos os colonos europeus, homens, mulheres e crianças de todas as idades. É o início da Segunda Guerra Powhatan (1622-32).

Na Terceira Guerra Powhatan (1644-46), Opechancanough é capturado e morto. Uma linha divisória, uma fronteira, é traçada entre a colônia e as terras indígenas. Exige autorização para ser cruzada.

LEI DO SELO

    Em 1765, o Parlamento Britânico aprova uma lei para recuperar as finanças do Reino Unido, pagar as dívidas e defender os territórios tomados da França na Guerra dos Sete Anos (1756-63).

A Lei do Selo cria um imposto direto sobre todos os materiais impressos para uso legal ou comercial nas colônias britânicas na América do Norte, de jornais e panfletos a cartas de jogar.

Os colonos já pagam tarifas mais altas para importar têxteis, vinho, café e açúcar, por força da Lei do Açúcar (1764). A Lei da Moeda (1764) causa forte queda no valor do papel moeda usado nas colônias. A Lei do Aquartelamento (1765) obriga os colonos a dar casa e comida aos soldados britânicos em caso de necessidade.

Como haviam pago um preço alto em vidas e recursos durante a guerra, os colonos estão convencidos de que já deram sua cota de sacrifício ao Império Britânico. Como não têm direito de voto no Parlamento de Westminster, articulam o movimento "Não à taxação sem representação." 

Em outubro de 1765, nove das 13 colônias mandam delegados para o Congresso da Lei do Selo, que produz a Declaração de Direitos e Reclamações. Sob pressão, o governo revoga a lei no ano seguinte. Mas a semente da rebeldia e da liberdade estava plantada. Em 4 de julho de 1776, os EUA declararam a independência, reconhecida em 1783 pelo Reino Unido e a França.

LIGA ÁRABE

    Em 1945, a Arábia Saudita, o Egito, o Iêmen, o Iraque, o Líbano, a Síria e a Transjordânia (hoje Jordânia) fundam no Cairo a Liga Árabe, a organização regional dos países árabes e do pan-arabismo.

Desde então, entraram a Líbia (1953), o Sudão (1956), o Marrocos e a Tunísia (1958), o Kuwait (1961), a Argélia (1962), o Catar, os Emirados Árabes Unidos e Omã (1971), a Mauritânia (1973), a Somália (1974), a Organização para a Libertação da Palestina (1976), Djibúti (1977) e as Ilhas Comores (1993).

Os objetivos são fortalecer a cooperação em programas econômicos, políticos, sociais e culturais, e mediar conflitos entre os países árabes e com outros países. Cada país-membro tem um voto no Conselho da Liga. As decisões só são obrigatórias para quem vota a favor. 

ISRAEL MATA LÍDER DO HAMAS

    Em 2004, a Força Aérea de Israel mata com um ataque de míssil na Cidade de Gaza o fundador e líder do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), xeique Ahmed Yassin.

Ahmed Yassin Hassan Yassin nasce em Al-Jure, na Faixa de Gaza, em 1º de janeiro de 1937, ainda na época do mandato britânico sobre a Palestina. Quando estuda no Cairo, a capital do Egito, entra em contato com a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, fundado em 1928 no Egito por Hassan al-Bana.

O Hamas é filho da Irmandade Muçulmana. Nasce em 10 de dezembro de 1987, no início da Primeira Intifada, a revolta das pedras contra a ocupação israelense.

RÚSSIA APOIA TRUMP

    Em 2019, o procurador especial Robert Mueller entrega ao procurador-geral e ministro da Justiça dos Estados Unidos, William Barr, seu relatório concluindo que a Rússia "interferiu sistemática e amplamente na eleição presidencial de 2016" para apoiar Donald Trump e declara que, "embora este relatório não conclua que o presidente cometeu crime, também não o exonera."

Mueller, ex-diretor do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal norte-americana, constata a interferência da Rússia, especialmente através de uma fábrica de mentiras do GRU (Departamento Central de Inteligência), o serviço de espionagem militar da Rússia, em São Petersburgo, e descobre contatos de membros da campanha de Trump com funcionários e espiões russos, mas não consegue provar que houve conluio entre a campanha de Trump e a Rússia. 

O Departamento da Justiça divulga uma versão editada do relatório como uma "medida protetiva" com base nos privilégios do presidente.

Durante as investigações, num encontro com o ditador russo, Vladimir Putin, o então presidente Trump declara que acredita nas palavras de Putin de que não houve interferência, contrariando as conclusões dos serviços de inteligência dos EUA.

Trump simpatiza com Putin, ameaça não defender os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e a bancada trumpista na Câmara dos Representantes leva seis meses para aprovar um pedido de ajuda militar de US$ 61 bilhões à Ucrânia. 

O primeiro-ministro de extrema direita da Hungria, Viktor Orbán, maior aliado de Putin na União Europeia (UE), sai de um encontro com Trump dizendo que, se for reeleito, Trump não dará um centavo a mais à Ucrânia. Reeleito, o presidente anuncia que pode dar empréstimos a juro zero, mas a Ucrânia terá de pagar pelas armas. 

De volta à Casa Branca, Trump exige o direito de explorar a metade dos recursos minerais da Ucrânia, humilha publicamente o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky e faz vários concessões ao ditador russo antes do início das negociações. A Rússia rejeita sua proposta de trégua. As negociações não avançam. Mesmo que levem a um cessar-fogo, a paz está muito distante. Nenhum presidente ucraniano, nem de qualquer outro país, pode ceder 20% de seu território a um agressor, a não ser à força.