sábado, 5 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 5 de Setembro

 CONGRESSO CONTINENTAL

    Em 1774, em resposta a leis coercitivas impostas pelo Parlamento Britânico aos colonos norte-americanos, o Congresso Continental se reúne na Filadélfia com 56 delegados de todas as colônias, menos da Geórgia, e redige um projeto de declaração de direitos.

A rebelião que leva à independência dos Estados Unidos começa em 1765, quando o Parlamento Britânico impõe a Lei do Selo, criando um imposto para financiar o exército colonial na América. As finanças do Reino Unido estão abaladas pela Guerra dos Sete Anos (1756-63), um conflito em quatro continentes entre os impérios britânico e francês, cada um com seus aliados. O Reino Unido vence.

Os colonos norte-americanos, que contribuem com recursos e vidas humanas para o esforço de guerra do Império Britânico, não aceitam os aumentos de impostos aprovados em Londres. A sessão do Primeiro Congresso Continental termina em 26 de outubro de 1774 com uma declaração de direitos dos colonos e ameaça de boicote econômico.

Seis meses depois, em 19 de abril de 1775, começa a Guerra da Independência (1775-83), com as batalhas de Lexington e Concord, na colônia de Massachusetts. Os britânicos atacam as duas cidades para confiscar as armas dos colonos e sufocar uma possível revolta. Ao contrário do pretendem, deflagram a guerra.

Por ironia da história, a Guerra dos Sete Anos também é uma causas da Revolução Francesa de 1789. A independência dos EUA é reconhecida pelo Tratado de Paris em 1783.

PERÍODO DO TERROR

    Em 1793, com exércitos hostis cercando a França, começa o Período do Terror da Revolução Francesa (1789-99), quando os jacobinos adotam medidas drásticas e fazem execuções em massa contra os supostos inimigos do novo regime, especialmente nobres e clérigos, que eles acreditam que possam apoiar as forças contrarrevolucionárias.

É a fase da Convenção Nacional (1792-95), a segunda da Revolução Francesa. Durante o Período do Terror, o Comitê de Salvação Pública, de 12 membros, liderado por Maximiliano Robespierre, exerce um poder ditatorial. Manda muito mais do que o rei durante a monarquia. 

Até a primavera de 1794, o comitê elimina os inimigos de esquerda, os hebertistas, e de direita, os indulgentes, liderados por George-Jacques Danton. Em 10 de junho de 1794, aprova uma lei que suspende os direitos a um julgamento público e de assistência jurídica. O júri passa a ter apenas duas opções: absolvição ou morte. Cerca de 1,4 mil pessoas são executadas sob esta lei.

O radicalismo leva à queda de Robespierre, o Incorruptível, em 27 de julho de 1794, marco do fim do Período do Terror. Ele é guihotinado no dia seguinte.

Ao todo, 16.594 pessoas são executadas depois de processos em tribunais revolucionários durante o Período do Terror, sendo 2.639 em Paris, inclusive a rainha Maria Antonieta, guilhotinada em 16 de outubro de 1793 na Praça da Concórdia. Entre 10 e 12 mil pessoas são executas sem julgamento, 10 mil morrem na prisão e outras em massacres promovidos por cidadãos. 

O total de mortes no Período do Terror pode chegar a 50 mil. Em toda a revolução, cerca de 100 mil pessoas são mortas.

MORTE DE CAVALO DOIDO

    Em 1877, um soldado do Exército dos Estados Unidos mata com uma baioneta em Forte Robinson, no estado de Nebraska, o cacique Cavalo Doido, grande líder da resistência da tribo sioux, que se nega a ser confinado numa prisão militar.


Depois do Massacre de Sand Creek, em 1864, os sioux da tribo lakota se juntam aos cheyennes. Em 2 de agosto de 1867, Cavalo Doido ataca Wagon Box Fight na guerra do chefe Nuvem Vermelha. Quando os mineiros de Black Hill desrespeitam o Tratado de Forte Laramie (1868) e matam o índio Pequeno Falcão, Touro Sentado e Cavalo Doido fazem o primeiro grande ataque ao Exército dos Estados Unidos na Batalha de Arrow Creek, em agosto de 1872.

Em 17 de junho de 1876, Cavalo Doido chefia 1,5 mil índios em ataque às forças do general George Crook, na Batalha de Rosebud. É o início da Guerra Sioux.

Um ano antes de sua morte, em 25 de junho de 1876, ao lado de Touro Sentado, Cavalo Doido lidera os indígenas na maior vitória dos nativos contra o Exército nas Guerras Indígenas dos EUA, quando o general George Custer ataca acampamentos indígenas na Batalha de Little Big Horn. Morrem 265 homens do 7º Regimento de Cavalaria, inclusive Custer.

A maior batalha contra a cavalaria acontece em 8 de janeiro de 1877, em Wolf Mountain, no estado de Montana. Com seu povo esgotado e faminto, Cavalo Doido se rende ao general Crook em 5 de maio de 1877. Morre numa suposta tentativa de fuga.

NA ESTRADA

    Em 1957, é lançado o livro On The Road (Na Estrada), do escritor norte-americano Jack Kerouac, um clássico da literatura beat.

É o segundo romance de Kerouac, considerado sua obra-prima. Mistura a filosofia da transgressão, lirismo, amor por viagens e pela estrada como universo da aventura, liberdade sexual e loucura induzida por drogas. Tem grande influência na contracultura dos anos 1960.

O livro autobiográfico relata as viagens de carro pelos Estados Unidos de Dean Moriarty (Neal Cassidy) e Sal Paradise (Jack Kerouac), com uma incursão ao México, numa prosa espontânea escrita num fluxo de consciência, entorpecido por benzedrina e café, em abril de 1951, em apenas três semanas. Para não trocar o papel da máquina, Kerouac escreve num rolo de telex.

Com tradução do jornalista e escritor Eduardo Bueno, o livro é publicado no Brasil com o ridículo nome de Pé na Estrada, exigência do editor Caio Graco Prado.

MASSACRE EM MUNIQUE

    Em 1972, durante a Olimpíada de Munique, terroristas do grupo palestino Setembro Negro atacam a delegação de Israel na vila olímpica, matam dois atletas e tomam outros nove como reféns.

Os sequestradores exigem a libertação de dois terroristas alemães e de 230 árabes detidos em prisões israelenses.

Num tiroteio no aeroporto de Munique, morrem os nove reféns israelenses, cinco terroristas palestinos e um policial alemão-ocidental. 

Depois de uma homenagem aos mortos, o Comitê Olímpico Internacional (COI) decide prosseguir com os Jogos para não dar uma vitória aos terroristas do grupo Setembro Negro, cujo nome evoca um massacre de palestinos na Jordânia em 1970, quando a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) tenta tomar o poder no país e é derrotada pelo rei Hussein.

FORD NA MIRA 

   Em 1975, Gerald Ford sobrevive a uma tentativa de assassinato quando agentes do serviço secreto dominam Lynette Fromme, uma mulher que puxa um revólver perto do presidente dos Estados Unidos, em Sacramento, a capital da Califórnia.

Fromme faz parte da gangue de Charles Manson, que matou a atriz Sharon Tate. Pega prisão perpétua.


sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 4 de Setembro

QUEDA DO IMPÉRIO ROMANO DO OCIDENTE

    No ano 476 da era cristã, Flávio Odoacro, rei dos hérulos, uma tribo bárbara germânica, depõe Rômulo Augusto, último imperador do Império Romano do Oriente, pondo fim ao maior império do Ocidente na Antiguidade, que chegou a ter mais de 60 milhões de habitantes.

O imperador Teodósio divide o Império Romano em 393 depois de Cristo em Império Romano do Ocidente, com capital em Roma, e Império Romano do Oriente, com capital em Bizâncio. A partir de 410, Roma é saqueada três vezes, a primeira pelos visigodos sob o rei Alarico; a segunda em 455 pelos vândalos, quando o papa Leão I apela ao rei Genserico para que não destrua e cidade e não mate seus habitantes; e a terceira por Odoacro. 

Depois da queda de Roma, o Império do Oriente (Bizantino) sobrevive até 29 de maio de 1453, quando é derrotado pelo Império Otomano (turco).

QUEDA DE NAPOLEÃO III

    Em 1870, depois da derrota na Batalha de Sedan, na Guerra Franco-Prussiana (1870-71), dois dias antes, o imperador Napoleão III cai, é preso pela Alemanha e vai para o exílio no Reino Unido. É o fim do Segundo Império (1852-70) e o início da Terceira República da França (1870-1940).

Carlos Luís Napoleão Bonaparte nasce em Paris em 20 de abril de 1808, filho de Luís I da Holanda, irmão de Napoleão Bonaparte. Com a queda do tio, em 1815, passa a juventude exilado na Alemanha e na Suíça. Vira herdeiro do trono após as mortes do irmão mais velho, Napoleão Luís, e de Napoleão Francisco, o Rei de Roma, filho de Napoleão I.

Depois da Revolução de 1848, Luís Napoleão se elege deputado. No mesmo ano, se torna o primeiro presidente da República Francesa eleito pelo voto direto. Como a Constituição Francesa de 1848 não permite a reeleição, dá um golpe de 2 de dezembro de 1851 e vira imperador em 2 de dezembro de 1852.

Seu reinado enfrenta forte hostilidade do escritor francês Vítor Hugo e do filósofo e economista alemão Karl Marx, que escreve O 18 Brumário de Luís Napoleão, um clássico de análise política.

Para recuperar a hegemonia francesa na Europa, entra na Guerra da Crimeia (1853-56) ao lado do Reino Unido e do Império Otomano (turco) contra a Rússia, que perde, e manda tropas com o Reino Unido para a Segunda Guerra do Ópio (1856-60) contra a China.

Napoleão III apoia a Segunda Guerra da Independência da Itália (1859) contra o Império Austríaco, o que leva à criação do Reino da Itália em 1861. De 1859 a 1862, ele toma a Cochinchina, o sul do que hoje é o Vietnã, que passa a ser colônia francesa.

Ele aproveita a Guerra da Secessão (1861-65) nos Estados Unidos, para intervir militarmente no México, que tem dívidas com a Espanha, a França e o Reino Unido. Derruba o presidente Benito Juárez, domina o país de 8 de dezembro de 1861 a 21 de junho de 1867 e envia Maximiliano da Áustria, irmão mais novo do imperador Francisco José e primo de Dom Pedro II, como imperador do México.

Com o fim da Guerra Civil Americana, os EUA apoiam Juárez. Maximilano é deposto e fuzilado em 19 de junho de 1867.

Seu último erro é subestimar o primeiro-ministro da Prússia, Otto von Bismarck, o Chanceler de Ferro, que vence a Dinamarca (1864), Áustria (1866) e a França (1870-71), e unifica a Alemanha em 1871, tornando-se o primeiro chefe de governo do novo país.

Com a derrota em Sedan, Napoleão III é preso no Castelo de Wilhelmshöhe de 5 de setembro de 1870 a 19 de março de 1871, quando vai para o exílio na Inglaterra, onde morre em Chislehurst em 9 de janeiro de 1873.

GERÔNIMO SE RENDE

    Em 1886, depois de 30 anos de resistência à invasão de suas terras, o cacique apache Gerônimo se entrega ao Exército dos Estados Unidos, no fim das guerras indígenas no Sudoeste do país.

Gerônimo nasce em 16 de junho de 1829 em Bedonkohe, hoje parte do Novo México, na época parte do território mexicano, e se torna líder dos apaches chiricahua, que durante décadas guerreiam para resistir à internação dos indígenas em reservas. Ganha o apelido provavelmente dos mexicanos.

De 1858 a 1886, enfrenta repetidas vezes os exércitos do México e dos EUA. Quando se rende ao general Nelson Miles, em Skeleton Canion, no Arizona, seu bando tem apenas 38 pessoas, contando mulheres e crianças. É o fim das guerras dos apaches. Gerônimo fica preso durante 22 anos até morrer em 17 de fevereiro de 1909, no Forte Sill.

TV DE COSTA A COSTA

    Em 1951, o presidente Harry Truman participa da primeira transmissão de televisão de costa a costa nos Estados Unidos para anunciar a assinatura de um tratado com o Japão para acabar com a ocupação iniciada no fim da Segunda Guerra Mundial e restaurar a independência japonesa.

No pronunciamento, transmitido por 87 estações de 47 cidades, Truman declara que o acordo vai ajudar "a construir um mundo onde nossos filhos possam viver em paz". Com o início da Guerra Fria contra a União Soviética, a vitória da revolução de Mao Tsé-tung na China e a Guerra da Coreia (1950-53), Truman destaca a necessidade de um Japão forte e democrático.

O Congresso dos EUA aprova o tratado de paz em 20 de março de 1952.

MORTE DE HO CHI MINH

    Em 1969, a Rádio Hanói anuncia a morte do líder comunista Ho Chi Minh, o grande herói da luta pela independência do Vietnã. A Frente de Libertação Nacional suspende os combates da Guerra do Vietnã (1955-75) por três dias.

Ho nasce em Kiem Lan em 19 de maio de 1890 com o nome de Nguyen Sinh Cung. Depois de viver em Londres, começa a se interessar em política quando mora na França, de 1919 a 1923, e é influenciado por ideias socialistas. Torna-se político, escritor, poeta, revolucionário e líder da luta pela independência do Vietnã.

De Paris, vai para Moscou, onde trabalha na Terceira Internacional Comunista (Comintern). Em novembro de 1924, se muda para Cantão, na China. Aos 36 anos, se casa no mesmo lugar onde Chu Enlai casara, com uma chinesa de 21 anos, Zeng Xueming, porque "preciso de uma mulher que me ensine a língua e cuide da casa".

Quando o líder nacionalista chinês Chiang Kai-shek dá um golpe e começa a perseguir os comunistas, em 1927, Ho volta a Moscou e vai para a Crimeia, onde se cura de uma tuberculose antes de voltar a Paris. Passa pela Bélgica, Alemanha, Suíça e Itália antes de ir para Bangkok, na Tailândia, como agente do Comintern no Sudeste Asiático, em julho de 1928.

No fim de 1929, vai para a Índia e da lá para Xangai, na China, e Hong Kong, onde funda, em 1930, o Partido Comunista do Vietnã e o Partido Comunista da Indochina. Preso em Hong Kong em junho de 1931, escapa de ser deportado para a Indochina Francesa com um advogado de defesa britânico, Frank Loseby.

Libertado, vai para Xangai e volta à União Soviética, onde estuda e leciona no Instituto Lenin. Sob a acusação de ter "tendências nacionalistas", é afastado da liderança do partido durante o Grande Expurso Stalinista (1936-38).

Em 1938, volta à China como assessor militar do Exército Vermelho Chinês. Vai para o Vietnã em 1941 para liderar o movimento de libertação nacional. Com a ocupação japonesa, conduz uma guerra de guerrilhas contra o governo colaboracionista francês de Vichy e o Império do Japão.

Depois da ocupação da França, a potência colonial, pela Alemanha Nazista, em junho de 1940, ele funda na China em 1941 o Viet Minh, a Liga pela Independência do Vietnã, para se contrapor também à invasão japonesa durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

No fim da guerra, em 2 de setembro de 1945, quando o Japão assina a rendição, proclama a independência do Vietnã. A França não aceita. Em 19 de dezembro de 1946, começa a Primeira Guerra da Indochina, que vai até 1º de agosto de 1954, depois da vitória vietnamita na Batalha de Bien Dien Phu.

Os Acordos de Paz de Genebra dividem o país em Vietnã do Norte, comunista, e o Vietnã do Sul, anticomunista, em 1954. As eleições de 1955 devem reunificar o país. Quando os Estados Unidos percebem que os comunistas venceriam, em plena Guerra Fria, suspendem as eleições.

Em 1º de novembro de 1955, começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75). O governo Dwight Eisenhower (1953-61) envia os primeiros assessores militares norte-americanos. No fim do governo John Kennedy (1961-63), há mais de 2,8 mil assessores, alguns participando de combates.

A intervenção militar dos EUA começa oficialmente depois do Incidente do Golfo de Tonquim, em 2 de agosto de 1964, forjado pelo governo Lyndon Johnson (1963-69) para obter a aprovação do Congresso para declarar guerra ao Vietnã do Norte.

No auge da intervenção, os EUA têm mais de 500 mil soldados no Vietnã. O fracasso na luta contra o Vietcongue, os guerrilheiros comunistas em ação no Vietnã do Sul, e a rejeição à guerra pela opinião pública levam o presidente Richard Nixon (1969-74) a acelerar as negociações de paz iniciadas em 1968.

Em 30 de agosto de 1969, a delegação dos EUA nas negociações recebem uma carta de Ho a Nixon. O líder vietnamita alerta que "quanto mais longa for a guerra maiores serão o ônus e os pesares para o povo norte-americano" e defende o plano de paz de 10 pontos da Frente de Libertação Nacional. Exige o "fim da guerra de agressão e a retirada das forças norte-americanas”. Morre dias depois.

Com o acordo paz, assinado em 27 de janeiro de 1973, os EUA retiram suas tropas de combate da guerra, que termina em 30 de abril de 1975 com uma fuga espetacular dos norte-americanos da embaixada em Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, quando os tanques norte-vietnamitas tomam a capital do Vietnã do Sul para reunificar o país.

Mais de 58,2 mil norte-americanos e mais de 2 milhões de vietnamitas morrem na Guerra do Vietnã. 

MARK SPITZ CONQUISTA SÉTIMO OURO

    Em 1972, o nadador americano Mark Spitz vence a prova de de 400 metros quatro estilos, conquistando sua sétima medalha de ouro com o sétimo recorde mundial na Olimpíada de Munique, na Alemanha.

Spitz nasce em Modesto, na Califórnia, em 10 de fevereiro de 1950. Aos dois anos de idade, a família se muda para o Havaí, onde ele aprende a nadar. Quatro anos mais tarde, Spitz volta para a Califórnia, onde é treinado por Sherm Chavoor, seu grande mentor. Aos 10 anos, mostra seu talento ao bater 17 recordes nacionais e um mundial para sua faixa de idade.

Em apenas cinco anos como profissional, conquistou 11 medalhas olímpicas: 9 de ouro, 1 de prata e uma de bronze. É o segundo maior nadador olímpico e o segundo em medalhas de ouro numa olimpíada (7), superado 36 anos depois por Michael Phelps, que conquistou oito ouros na Olimpíada de Beijim, na China, em 2008.

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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 3 de Setembro

RIO HUDSON

    Em 1609, em busca de uma passagem para a Ásia a serviço da Companhia Holandesa das Índias Orientais, o navegador inglês Henry Hudson entra no que hoje é o porto de Nova York e sobe o rio batizado com seu nome.

Na sua última viagem, também em busca de um caminho marítimo para a Ásia, é o primeiro europeu a chegar ao Estreito de Hudson e à Baía de Hudson, no que hoje é o Canadá. 

Em 1611, passa o inverno na Baía de São Jaime e tenta seguir no rumo oeste. Alvo de um motim da tripulação, é abandonado à deriva na região ártica com o filho e outros sete marujos e nunca mais é visto.

MORTE DE CROMWELL

    Em 1658, morre em Londres aos 59 anos Oliver Cromwell, o Eleito de Deus, líder da Revolução Puritana e do breve período republicano da história da Inglaterra.

Cromwell nasce em Huntingdon numa família da nobreza rural. As primeiras décadas de sua vida são pouco conhecidas. Nos anos 1630, ele se converte ao protestantismo e se torna um homem profundamente religioso. Acredita que Deus o guia em suas vitórias.

É eleito para a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico em 1628 pelo distrito de Huntingdon e por Cambridge para o Pequeno Parlamento (1640) e para o Longo Parlamento (1640-1649).

Na Guerra Civil, Cromwell se torna um militar e estadista, comandante das forças do Parlamento Britânico na Guerra Civil Inglesa contra o rei Carlos I (1625-49) e derruba a Dinastia Stuart. Um dos signatários da sentença de morte de Carlos I, executado em 30 de janeiro de 1649, vira Lorde Protetor (1853-58) da Commonwealth, como é chamado o governo republicano, e restaura o poderio do país, abalado desde a morte da rainha Elizabeth I (1558-1603).

Durante as Guerras Confederadas Irlandesas ou Guerra dos Onze Anos (1641-53), parte da Guerra dos Três Reinos (1639-53), travada entre Inglaterra, Escócia e Irlanda, Cromwell lidera as forças protestantes contra os monarquistas e a Confederação dos Católicos da Irlanda. Ele impõe uma série de leis penais contra os católicos, que são minoria na Inglaterra e na Escócia, mas ampla maioria na Irlanda, para onde faz uma imigração forçada de presbiterianos escoceses que viram maioria no que hoje é a Irlanda do Norte.

Cromwell morre de malária no Palácio de Whitehall e é enterrado como herói na Abadia de Westminster. Com a restauração da monarquia, em 1660, seu cadáver é exumado, pendurado em correntes e decapitado.

Por seu radicalismo político, é comparado ao líder revolucionário francês Maximiliano Robespierre e ao ditador soviético Josef Stalin.

LISTRAS E ESTRELAS

    Em 1777, a bandeira dos Estados Unidos é usada pela primeira vez no campo de batalha, numa escaramuça com as tropas britânicas na ponte de Cooch, em Delaware, durante a Guerra da Independência (1775-83).

O general William Maxwell manda erguer a bandeira quando a infantaria e a cavalaria enfrentam uma força do Império Britânico. Os rebeldes perdem e se retiram até encontrar as tropas do general George Washington, comandante do Exército Continental.

A bandeira original, aprovada pelo Congresso Continental em 14 de junho de 1777, tem 13 listras horizontais, sete vermelhas e seis brancas, e 13 estrelas de cinco pontas contra um fundo azul no canto superior esquerdo. Cada listra e cada estrela representa uma das 13 colônias que formavam os EUA no momento da independência.

Com a entrada na União dos estados de Kentucky e Vermont, a bandeira passa a ter 15 listras e 15 estrelas. Depois, volta a ter apenas 13 listras e uma estrela para cada estado.

A bandeira atual, com 50 estrelas, depois da inclusão do Havai como 50º estado, é hasteada pela primeira vez à zero hora de 4 de julho de 1960 em Baltimore, no estado de Maryland.

INDEPENDÊNCIA DOS EUA

    Em 1783, os Estados Unidos, o Reino Unido, a Espanha e a França assinam o Tratado de Paris reconhecendo a independência dos EUA.

A guerra começa em 19 de abril 1775, em Lexington, na colônia de Massachusetts, quando os colonos norte-americanos não aceitam a recusa o rei George III de lhes dar mais autonomia econômica e administrativa. Mais de um ano depois, em 4 de julho de 1776, os norte-americanos declaram independência.

A última grande batalha é travada em outubro de 1781 em Yorktown, na Virgínia. A paz começa a ser negociada por Benjamin Franklin, John Adams e John Jay em setembro de 1782. Franklin pede que o Canadá seja entregue aos colonos americanos. Não consegue, mas com a guerra as 13 Colônias dobram o tamanho de seu território.

INVASÃO DA ITÁLIA

    Em 1943, sob o comando do marechal Bernard Montgomery, o 8º Exército Britânico cruza da ilha da Sicília para o território continental da Itália, iniciando a invasão aliada da Europa ocupada pelas potências do Eixo (Alemanha e Itália) durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O governo que derruba o regime fascista de Benito Mussolini se rende imediatamente, mas a rendição fica em segredo até 8 de setembro. Mussolini sonha em reconstruir o poder e a glória do Império Romano, mas uma série de derrotas o deixa totalmente dependente da Alemanha Nazista de Adolf Hitler.

Em 10 de julho de 1943, os aliados invadem a Sicília. Quando a notícia chega a Roma, em 25 de julho, o Grande Conselho Fascista depõe Mussolini. No dia seguinte, assume o poder o marechal Pietro Badoglio, que negocia em segredo com os aliados.

Os alemães libertam Mussolini en 12 de setembro de 1943 e vão à guerra contra o governo Badoglio. Roma cai de novo em junho de 1944, quando os aliados se concentram na invasão da Normandia, no Norte da França.

Uma nova ofensiva aliada começa em abril de 1945. Mussolini é capturado, executado e pendurado de cabeça para baixo em 28 de abril, dias antes da rendição da Alemanha e do fim da guerra na Europa, em 8 de maio.

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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Guerra contra Irã muda geopolítica do Oriente Médio

Depois de seis meses e mais de 10 mil mortes, a guerra que os Estados Unidos e Israel esperavam vencer em semanas se arrasta sem expectativa de paz, o Estreito de Ormuz continua fechado e o petróleo está perto de US$ 100 por barril. Para o regime fundamentalista iraniano, a sobrevivência é uma vitória.


Se o principal objetivo dos EUA e da Israel era derrubar o regime iraniano, ele está mais forte e a linha-dura está mais decidida do que nunca de que desenvolver armas nucleares é grande garantia de sobrevivência.

Com a derrota política, os EUA e Israel não atingiram nenhum de seus objetivos, e o impacto da guerra, inclusive sobre a inflação, o presidente Donald Trump deve perder pelo menos a maioria na Câmara nas eleições de 3 de novembro. E o governo de extrema direita do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu deve cair nas eleições previstas para 27 de outubro.

Ao mesmo tempo, três potências médias autoritárias aliadas dos EUA, Arábia Saudita, Paquistão e Turquia, formaram uma aliança, num sinal de que não confiam mais em Washington para garantir sua proteção.

Mas o grande derrotado é o povo iraniano, massacrado pelo regime no início do ano, bombardeado pelos EUA e Israel, e vítima de uma ditadura ainda mais radical.

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Hoje na História do Mundo: 2 de Setembro

BATALHA DO ÁCIO

    Em 31 antes de Cristo, na Batalha do Ácio, na Grécia, as forças de Otávio conquistam uma vitória decisiva na guerra contra o general romano Marco Antônio, que foge para o Egito, onde comete suicídio no ano seguinte.


Filha de Ptolomeu XII, Cleópatra nasce em 69 AC e se torna a rainha Cleópatra VII, do Egito, quando o pai morre, em 51 AC. Eles fazem parte de uma dinastia macedônia que assume o poder no Egito depois da morte de Alexandre, o Grande, em 323 AC. 

 Em 47 AC, começa uma guerra civil entre ela e o irmão. Roma, a maior potência da Europa na época, também está em guerra civil entre Júlio César e Cneu Pompeu, ambos membros do Primeiro Triunvirato. Vencido por César na Grécia, Pompeu foge para o Egito, mas é morto por agentes do rei Ptolomeu XIII. 

César vai para Alexandria e decide impor a Pax Romana ao Egito. Cleópatra se alia a César para consolidar o poder no Egito. É entregue ao general romano enrolada num tapete. Linda e fascinante, ela seduz César e torna-se sua amante. Tem um filho com César, Cesarion. 

Quando César volta para Roma, Cleópatra e Cesarion vão junto. Ela vive discretamente numa casa de campo que o general tem perto da Cidade Eterna. Com a morte de César, em 44 AC, Cleópatra volta para o Egito e Roma cai em nova guerra civil, que termina em 43 AC com a formação do Segundo Triunvirato: Otávio, sobrinho e sucessor designado de Júlio César, o general Marco Antônio e Lépido. 

Marco Antônio, encarregado das províncias orientais do Império Romano, convoca Cleópatra para um encontro em Tarso, na Ásia Menor, em 41 AC. Ela chega numa balsa magnífica fantasiada de Vênus, a deusa do amor, e seduz mais um general romano. 

Em 40 AC, para emendar as relações Antônio volta a Roma e casa com Otávia, irmã de Otávio. Em 37 AC, ele se separa e encontra Cléopatra, que lhe dá dois gêmeos, na Síria. Partidários de Otávio o acusam de se casar com uma estrangeira, o que é proibido pela lei romana. 

Uma derrota militar em Pártia, hoje parte do Irã, em 36 AC, reduz o prestígio de Marco Antônio. Ele se reabilita ao vencer na Armênia em 34 AC, quando faz uma marcha triunfal em Alexandria ao lado da rainha, de Cesarion e de seus filhos. 

Em Roma, Marco Antônio é acusado de querer entregar o país nas mãos de estrangeiros. Otávio declara guerra a Cleópatra, e indiretamente a Marco Antônio, em 31 AC. Eles se enfrentam na Batalha do Ácio, uma batalha naval, na Grécia, em 31 AC. 

Uma semana depois, as forças terrestres de Marco Antônio se rendem, mas Otávio leva quase um ano para chegar a Alexandria e vencer Marco Antônio mais uma vez. Cleópatra se refugia no mausoléu que mandara construir para si mesmo. 

Ao ser informado erradamente da morte da rainha, Marco Antônio se suicida se jogando sobre sua espada, mas fica sabendo que ela está viva e é levado para morrer nos braços da amada. 

 A rainha do Egito não consegue seduzir mais um general romano e morre no mausoléu, oficialmente por suicídio, mordida por uma cobra, mas o historiador romano Plutarco, quem mais escreve sobre Cleópatra, diz: "O que aconteceu naquele mausoléu ninguém realmente sabe."

GRANDE INCÊNDIO DE LONDRES

    Em 1666, um incêndio na casa do padeiro do rei Carlos II, Thomas Farrinor, que esquece de desligar o forno, na Pudding Lane (Travessa da Sobremesa), atinge a Rua Tâmisa, onde há depósitos de combustível que explodem e transformam a cidade num inferno com a ajuda de um forte vento leste.


Quando o Grande Incêndio de Londres acaba, quatro dias depois, 80% da capital britânica estão destruídos, inclusive 13 mil casas e a antiga Catedral de São Paulo. Por milagre, há apenas 16 mortes.

Na época, Londres é uma cidade medieval de casas de madeira. As casas dos pobres são vedadas contra a chuva por materiais inflamáveis como carvão, óleo para lâmpadas, bebidas alcoólicas e banha. As ruas são estreitas e as casas amontoadas. Tudo contribui para propagar o fogo.

MASSACRES DE SETEMBRO

    Em 1792, durante a Revolução Francesa (1789-99), começam os massacres de prisioneiros em Paris por medo de que os presos políticos se revoltem e se juntem às forças inimigas nas guerras contrarrevolucionárias.

A revolução começa em 14 de julho de 1789, com a tomada da Bastilha, uma prisão que é um símbolo do antigo regime. De 20 a 26 de agosto, a Assembleia Nacional aprova a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão.

Em 10 de agosto de 1792, depois que o rei Luís XVI veta várias decisões da Assembleia Nacional, a Guarda Nacional da Comuna de Paris e federados da Bretanha e de Marselha assaltam a residência real no Palácio das Tulherias, que é defendido pela Guarda Suíça. O rei e a rainha se refugiam na Assembleia Nacional. Centenas de guardas e 400 revolucionários morrem na batalha.

Os massacres de 2 a 6 de setembro em Paris são a primeira onda de terror da revolução. A matança começa em 2 de setembro, quando um grupo armado ataca presos que estão sendo transferidos para a Prisão da Abadia, perto de Saint-Germain-des-Près. Em cinco dias, 1,2 mil prisioneiros são mortos, a maioria depois de julgamentos sumários num "tribunal popular".

A monarquia acaba formalmente em 21 de setembro, numa das primeiras decisões da Convenção Nacional (1792-95), a primeira assembleia eleita sem distinção de classe social, que funda a República no dia seguinte. O Período do Terror propriamente dito vai de 5 de setembro de 1793 a 27 de julho de 1794, quando cerca de 17 mil pessoas são executadas, inclusive os líderes revolucionários Georges-Jacques Danton e Maximiliano Robespierre.

Luís XVI é guilhotinado em 21 de janeiro de 1793 e a rainha Maria Antonieta em 16 de outubro do mesmo ano. Ao todo, cerca de 50 mil pessoas morrem na Revolução Francesa.

GRANDE PORRETE

    Em 1901, o vice-presidente Theodore Roosevelt, um pioneiro do imperialismo norte-americano, diz a frase que o caracterizou, tirada de um provérbio africano: "Fale suavemente e carregue um grande porrete. Você vai longe."

Doze dias depois, o presidente William McKinley é assassinado e Theodore Roosevelt  se torna o 26º presidente dos Estados Unidos (1901-9) aos 42 anos. É o presidente mais jovem da história do país. 

Durante seu governo, os EUA intervém militarmente em 1903 no Panamá, então parte da Colômbia, enfraquecida pela Guerra dos Mil Dias (1899-1902) entre conservadores e liberais, promovem a independência do Panamá e, em 1904, começam a construção do canal que liga os oceanos Atlântico e Pacífico.

FIM DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

    Em 1945, a bordo do navio de guerra americano USS Missouri, o ministro do Exterior, Mamoru Shigemitsu, e o general Yoshijiro Umezu assinam a rendição do Japão, formalizando o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Ambos são condenados por crimes de guerra pelo Tribunal de Tóquio.

Os países do Sudeste Asiático colonizados pelo Ocidente invadidos pelo Japão na guerra começam a declarar a independência, a Indonésia em 17 de agosto e o Vietnã em 2 de setembro.

Antes das bombas atômicas de Hiroxima e Nagasáki, o Japão negocia a rendição através da Suíça. Por causa do ataque japonês à 7ª Frota Americana em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, os EUA exigem a rendição incondicional do Japão.

Diante do custo em vidas dos assaltos anfíbios às ilhas de Ivo Jima e Okinawa, o comando militar norte-americano estima que um ataque às quatro maiores ilhas japonesas custe 1 milhão de vidas. 

O presidente Harry Truman decide, então, usar uma nova arma, a bomba atômica, jogada em 6 de agosto em Hiroxima e em 9 de agosto em Nagasaki, onde 140 mil pessoas morrem nos dias das explosões e mais de 300 mil até hoje de doenças causadas pela radiação. Em 15 de agosto, o imperador Hiroíto anuncia a rendição incondicional do Japão.

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terça-feira, 1 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 1º de Setembro

QUEDA DO SEGUNDO IMPÉRIO

    Em 1870, durante a Guerra Franco-Prussiana (1870-71), a França sofre uma derrota decisiva na Batalha de Sedan, que leva à queda do Segundo Império (1852-70) e ao fim da Dinastia Bonaparte. Dá início à Terceira República (1870-1940), o mais longo período de estabilidade política no país desde a Revolução Francesa de 1789.

A batalha é travada por 120 mil franceses sob o comando do marechal Patrice de Mac-Mahon e 200 mil alemães sob a liderança do general Helmuth von Moltke na fortaleza francesa de Sedan, junto à fronteira do Rio Meuse. 

Depois das derrotas em Mars-la-tour e Gravelotte, só resta à França o exército de Mac-Mahon. Em vez de recuar para defender Paris, Mac-Mahon tenta furar o cerco de Metz para apoiar o marechal Achille-François Bazaine.

Cerca de 3 mil franceses morrem, 14 mil saem feridos e 103 mil são presos na Batalha de Sedan. Do lado alemão, são 2.330 mortos, 5.980 feridos e 700 desaparecidos.

A vitória na Guerra Franco-Prussiana leva à unificação da Alemanha sob a liderança do Chanceler de Ferro, Otto von Bismarck. 

 INÍCIO DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

    Em 1939, a Alemanha Nazista bombardeia o porto de Gdansk (Danzig para os alemães) e invade a Polônia com sua blitzkrieg, um ataque-relâmpago com aviação e tanques de alta velocidade, dando início à Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Hitler quer recuperar territórios com base na tese nazista de que onde tem alemães é Alemanha. No Brasil, o comentário na época é que assim acabaria em São Leopoldo e Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul. Alega que os alemães são discriminados e atacados na Polônia.

O Exército da Polônia tem mais de 1 milhão de soldados, mas não tem condições de competir tecnologicamente com a Alemanha, e o Pacto Germano-Soviético, assinado nove dias antes, deixa a União Soviética neutra. O ditador Josef Stalin quer mais tempo para preparar a guerra contra Hitler, que considera inevitável.

Em 3 de setembro, em resposta à invasão da Polônia, a França e o Reino Unido declaram guerra à Alemanha. Depois de conquistar a Europa Ocidental, menos o Reino Unido, em 1940, Hitler invade a URSS em 22 de junho de 1941, seu maior erro, que o levaria à derrota. Mais de 80% das tropas alemãs são derrotadas na frente oriental.

Depois da vitória na Batalha de Stalingrado, em 2 de fevereiro de 1943, o Exército Vermelho da URSS avança em direção a Berlim, que toma em 8 de maio de 1945, fim da Segunda Guerra Mundial na Europa. O Japão se rende na Guerra do Pacífico em 15 de agosto, depois das bombas atômicas jogadas pelos EUA em Hiroxima e Nagasáki.

O VELHO E O MAR

    Em 1952, a revista Life começa a publicar a última grande obra de ficção do escritor norte-americano Ernest Hemingway, O Velho e o Mar. É história de Santiago, um velho pescador sem fisgar um peixe há 84 dias que pega seu maior peixe, um espadarte que não cabe no barco e é devorado pelos tubarões na volta à terra. O Velho e o Mar também é publicado em livro e recebe o Prêmio Pulitzer em 1953. Hemingway ganha o Prêmio Nobel de Literatura em 1954.

É um drama sobre a luta do homem com a natureza selvagem, que se mostra invencível. Santiago prova seu valor ao pegar um peixão daquela tamanho, mas morre na volta para casa.

Ernest Miller Hemingway nasce em 21 de julho de 1899 em Cicero, hoje Oak Park, um subúrbio de Chicago, no estado de Illinois, nos Estados Unidos. Ele começa a escrever quando está no ensino médio e não entra na faculdade. Vai para Kansas City trabalhar como repórter.

Por deficiência de visão, Hemingway é rejeitado pelo serviço militar, mas participa da Primeira Guerra Mundial (1914-18) como motorista da Cruz Vermelha. Ferido na frente austro-italiana em Fossalta di Piave, é condecorado por heroísmo e hospitalizado em Milão, onde se apaixona pela enfermeira Agnes von Kurowsky, que rejeita seus pedidos de casamento.

Depois de se recuperar, Hemingway vai para a França como correspondente do jornal canadense Toronto Star, onde entra para o grupo de escritores norte-americanos radicados em Paris, F. Scott Fitzgerald, Gertrude Stein, Ezra Pound, que o incentivam a escrever literatura de ficção. Seu primeiro livro importante, No Nosso Tempo, é lançado em Paris em 1924.

Em 1928, Hemingway publica O Sol Também se Levanta, o primeiro grande sucesso. Adeus às Armas (1929) supera as obras anteriores. É uma história de amor em meio à guerra baseada em sua experiência na Primeira Guerra Mundial. Depois de um safári, escreve As Verdes Colinas da África (1935).

Nesta época, compra uma casa em Key West, na Flórida, o extremo sul da parte continental dos EUA, onde escreve Ter e Não Ter (1937), um livro sobre a violência da classe baixa e a decadência da classe alta em Key West durante a Grande Depressão (1929-39).

Sua paixão pela Espanha, era apreciador de touradas, o envolve na Guerra Civil Espanhola (1936-39). Hemingway arrecada dinheiro para os republicanos que lutam contra os nacionalistas liderados pelo general Francisco Franco e escreve A Quinta Coluna, que se passa na Madri sitiada pelos falangistas de Franco.

Depois da sair da Espanha em guerra, Hemingway compra uma propriedade rural em Cuba perto de Havana, mas sai para cobrir outra guerra, a invasão da China pelo Japão. Sua experiência na Guerra Civil Espanhola o leva a escrever Por Quem os Sinos Dobram, considerada sua maior obra. É a história de um norte-americano que entra para as Brigadas Internacionais que apoiam os republicanos.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), Hemingway vai para Londres como jornalista. Acompanha várias missões da Força Aérea Real britânica. Atravessa o Canal da Mancha com as forças dos EUA na Invasão da Normandia, em 6 de junho de 1944. Participa da libertação da Paris, em 25 de agosto. E cobre a Batalha de Ardenne ou Ardenas, a contraofensiva da Alemanha Nazista na frente ocidental para tentar conter o avanço dos norte-americanos no fim de 1944 e início de 1945.

Além de demonstrar coragem no campo de batalha, Hemingway se torna um especialista em questões militares, táticas de guerrilha e coleta de inteligência.

Com o fim da guerra, ele volta a Cuba, onde escreve O Velho e o Mar. Em 1960, Hemingway deixa Cuba e vai para Ketchum, no estado de Idaho, nos EUA. Depressivo, é internado duas vezes na Clínica Mayo, em Rochester, em Minnesota, onde recebe eletrochoque.

Dois dias depois de voltar para casa, em 2 de julho de 1961, ele se suicida.

KADAFI DÁ GOLPE NA LÍBIA

    Em 1969, o coronel Muamar Kadafi derruba o rei Idris I, se torna ditador da Líbia e impõe uma regime supostamente socialista que dura até a chamada Primavera Árabe, em 2011, quando é deposto e morto pelos rebeldes apoiados por uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

A descoberta de grandes jazidas de petróleo, em 1959, permitem ao Reino da Líbia se transformar de uma das nações mais pobres do mundo num país rico, mas a riqueza é concentrada pelo rei Ídris e sua corte.

O descontentamento aumenta com a ascensão do ditador egípcio Gamal Abdel Nasser, líder do nacionalismo pan-árabe, e da revolução socialista na vizinha Argélia, que se torna independente da França em 1962 no fim de uma guerra sangrenta.

A Revolução de 1º de Setembro é realizada pelo Movimento dos Oficiais Livres, uma facção jovem, esquerdista e revolucionária liderada pelo coronel Kadafi, que funda a República Árabe Popular Socialista Líbia com o apoio de Nasser.

Kadafi se torna um dos grandes inimigos do Ocidente durante a Guerra Fria. Com seus petrodólares, financia grupos terroristas palestinos e até o Exército Republicano Irlandês (IRA) na luta contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte. Fracassa em guerras contra os vizinhos Chade e Egito.

Em 21 de dezembro de 1988, um Boeing 747 da companhia aérea norte-americana PanAm explode no ar sobre Lockerbie, na Escócia, matando todas as 259 pessoas a bordo e 11 no solo. Dois agentes líbios são acusados. Sob pressão internacional, Kadafi os entrega para julgamento na Holanda.

Durante a guerra do governo George W. Bush contra o terrorismo dos extremistas muçulmanos, um inimigo comum, em 2003, Kadafi faz um acordo com as potências ocidentais e entrega suas armas de destruição em massa.

Na Primavera Árabe, os protestos populares começam em 13 de fevereiro de 2011. Dois dias depois, o ditador inicia uma repressão violenta. Os rebeldes tomam Bengázi, a segunda maior cidade líbia. Quando Kadafi ameaça esmagar a revolta, o Conselho de Segurança da ONU aprova, em 17 de março, uma intervenção militar na Líbia. Kadafi cai em agosto e é assassinado em 20 de outubro.

FISCHER É CAMPEÃO MUNDIAL DE XADREZ

    Em 1972, Bobby Fischer vence o russo Boris Spassky em Reikjavik, na Islândia, e se torna o primeiro norte-americano a ganhar o campeonato mundial de xadrez, acabando com o virtual monopólio da União Soviética.

Em plena Guerra Fria, o embate é enquadrado na grande competição estratégica entre os EUA e a URSS na segunda metade do século 20. Fischer não vai à cerimônia de abertura em 1º de julho. Exige mais dinheiro. Muda de ideia ao receber um telefonema do assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Henry Kissinger, que lhe diz: "Os EUA querem que você vá lá e bata os russos."

A primeira partida é disputada em 11 de julho. A última, em 31 de agosto, é suspensa depois de 40 jogadas. No dia seguinte, Spassky abandona.

Fischer perde o título em 1975 para o soviético Anatoli Karpov por se negar a disputar as partidas depois de fazer exigências não atendidas.

URSS ABATE JUMBO SUL-COREANO

    Em 1983, a Força Aérea da União Soviética derruba um Boeing 747 da companhia aérea sul-coreana Korean Air, matando as 269 pessoas a bordo, inclusive um deputado federal dos Estados Unidos, Larry McDonald, vice-presidente da conservadora Sociedade John Birch. É o auge da Segunda Guerra Fria, que começa com a invasão do Afeganistão pelos soviéticos, em 24 de dezembro de 1979.

O Jumbo vai de Anchorage, no Alasca, para Seul, na Coreia do Sul, por uma rota via Polo Norte e entra no espaço aéreo soviético. Outro deputado e dois senadores dos EUA deveriam embarcar no mesmo voo 007. Iam festejar os 30 anos do fim da Guerra da Coreia (1950-53). 

A URSS acusava os EUA de enviar aviões-espiões, as versões militares do Boeing, atrás de voos comerciais para iludir os radares. 

O piloto do avião de caça soviético consulta os superiores, mas não consegue contato com o comando central em Moscou. O oficial com quem fala aconselha: "Na dúvida, use o manual." E o manual manda abater aviões suspeitos.

Na época, os EUA estão prestes a instalar mísseis de curto e médio alcances na Europa Ocidental, em 1º de novembro, reduzindo o tempo de reação dos soviéticos. A Segunda Guerra Fria acaba com a ascensão do líder reformista Mikhail Gorbachev à chefia do Partido Comunista da URSS, em 11 de março de 1985.

RESTOS DO TITANIC

    Em 1985, 73 anos depois do naufrágio mais famoso da história, os restos do Titanic são localizados a cerca de 640 quilômetros da costa da Terra Nova, no Canadá, a uma profundidade de quase 4 mil metros.

O megatranstlântico, maior navio do mundo na época, considerado insubmersível, bate num iceberg em sua viagem inaugural, entre Southampton, na Inglaterra, e Nova York, e afunda na noite de 14 para 15 de abril de 1912. Mais de 1,5 mil pessoas morrem.

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