sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 7 de Agosto

INDEPENDÊNCIA DE NOVA GRANADA

    Em 1819, rebeldes latino-americanos sob a liderança do libertador Simón Bolívar derrotam a Espanha na Batalha de Boyacá e conquistam a independência de Nova Granada (hoje Colômbia, Equador, Venezuela e Panamá).

Um exército rebelde de 3 mil homens, sob o comando dos generais Bolívar e Francisco de Paula Santander, surpreende e derrota os espanhóis em Gamezá (12 de julho) e Pantano de Vargas (25 de julho), e toma Tunja (5 de agosto).

Na batalha final, Santander corta o avanço das tropas espanholas perto de uma ponte sobre o Rio Boyacá, onde Bolívar ataca o núcleo da força inimiga e captura 1,8 mil soldados inimigos, inclusive o comandante espanhol.

A seguir, Bolívar captura Bogotá e em 10 de agosto e é aclamado como o libertador que acaba com o Vice-Reino de Nova Granada, criado em 1717. O libertador cria então um governo provisório com Santander como vice-presidente. Em seguida, vai para Angostura, na Venezuela, onde anuncia a intenção de fundar a República da Grã-Colômbia, que preside até sua morte, em 1830.

Bolívar tenta evitar a fragmentação da América Espanhola. Convoca a primeira conferência pan-americana, o Congresso do Panamá (1826). Sonha com nações livres e independentes política e economicamente, e com a união dos povos latino-americanos. Mas a Grã-Colômbia se dissolve em 1931 com a independência do Equador, da Venezuela e de Nova Granada (Colômbia e Panamá, que só se torna independente 1903, com uma intervenção militar dos Estados Unidos para abrir o Canal do Panamá).

Simón Bolívar não era socialista nem antinorte-americano. Foi duramente criticado por Karl Marx, o pai do comunismo. O bolivarismo propagandeado pelo caudilho venezuelano Hugo Chávez não tem nada a ver com as ideias do libertador. Melhor chamar de chavismo.

JACK, O ESTRIPADOR

    Em 1888, o primeiro homicídio cometido por Jack, o Estripador, acontece na região operária de East End, em Londres.

Entre agosto e novembro de 1888, pelo menos cinco mulheres são assassinadas no bairro de Whitechapel, em Londres. Esses crimes nunca esclarecidos são um grande mistério da história da Inglaterra.

De 1888 a 1892, dezenas de homicídios são atribuídos ao assassino em série Jack, o Estripador, mas a polícia britânica, a Scotland Yard, só liga cinco ao mesmo criminoso: Mary Ann Nichols, Annie Chapman, Elizabeth Stride, Catherine Eddowes e Mary Jane Kelly. Todas são tidas como prostitutas e estão na rua em busca de clientes na hora da morte, menos Kelly.

Em 2019, a historiadora social britânica Hallie Rubenhold publica o livro As Cinco: as vidas não contadas das mulheres mortas por Jack, o Estripador, onde alega que Nichols, Chapman e Eddowes não eram prostitutas. Stride se prostitui em momentos de miséria e desespero. Só Kelly seria prostituta.

Na visão da historiadora, a suposição de que são todas prostitutas se deve ao machismo, a preconceitos de classe social e ao moralismo hipócrita da Era Vitoriana, o auge do Império Britânico. A rainha Vitória chefia o Estado de 1837 a 1901.

Em todas as mortes, o assassino corta a garganta e mutila o corpo das vítimas de uma forma que sugere que tem noções de anatomia. Isso levanta a suspeita de que o homicida seja médico. A metade de um rim extraído de um das vítimas é enviada à polícia, que recebe várias mensagens escritas de Jack, o Estripador.

A onda de assassinatos provoca a demissão do ministro do Interior britânico e do chefe de política de Londres. 

Entre os principais suspeitos, está Montague Druitt, um advogado e professor interessado em cirurgia considerado mentalmente insano que desaparece depois dos assassinatos e é encontrado morto. Outro investigado é Michael Ostrog, um médico criminoso russo internado num hospício por tendências homicidas. Aaron Kosminski, um judeu polonês morador de Whitechapel conhecido pela animosidade em relação a mulheres, especialmente prostitutas, também é citado como o possível estripador.

Alguns notáveis da sociedade londrina na época também são mencionados, como o pintor Walter Sickert e o médico Sir William Gull. Os locais onde as mulheres são mortas viram atrações de um turismo macabro.

VW PARA PRODUÇÃO

    Em 1944, sob ameaça de bombardeio aliado durante a Segunda Guerra Mundial, a fábrica de automóveis alemã Volkswagen para a produção do Fusca.

Dez anos antes, o Terceiro Reich contrata o engenheiro Ferdinand Porsche para projetar um carro pequeno, de baixo custo para o povo alemão. O ditador nazista Adolf Hitler chama o carro de Força através da Alegria, mas Porsche prefere Carro do Povo (Volkswagen).

O regime nazista constrói a fábrica em 1938 na cidade de KdF e o Salão do Automóvel de Berlim lança o Fusca em 1939, meses antes do início da Segunda Guerra Mundial (1939-45), em 1º de setembro daquele ano. Durante o conflito, aumenta a demanda por utilitários, em vez de carros de passeio, mas a produção continua até 7 de agosto de 1944.

Depois da guerra, na Alemanha ocupada, Volfsburg, nome atual da cidade, fica no setor britânico. A produção do carrinho recomeça em dezembro de 1945. A fábrica volta ao controle alemão em 1949. Em 1972, o Fusca supera o Ford Modelo T e se torna o carro mais vendido da história do automóvel.

NORUEGUÊS ATRAVESSA PACÍFICO DE BALSA

    Em 1947, para provar que houve contato transpacífico 3 mil anos atrás, o antropólogo norueguês Thor Heyerdahl atravessa o Oceano Pacífico numa balsa madeira, numa jangada, percorrendo 6.880 quilômetros de Callao, no Peru, a Raroia, no Arquipélago Tuamotu, perto do Taiti, na Polinésia, em 101 dias.

JIHADISTAS ATACAM EMBAIXADAS DOS EUA

    Em 1998, às 10h30 pela hora local, um caminhão-bomba explode junto à Embaixada dos Estados Unidos em Nairóbi, no Quênia (foto), e, minutos depois, outro caminhão-bomba tem como alvo a Embaixada Norte-Americana em Dar es Salaam, capital da vizinha Tanzânia.

Os atentados, atribuídos à rede terrorista Al Caeda, liderada por Ossama ben Laden, matam 224 pessoas, inclusive 12 norte-americanos, e ferem mais de 4,5 mil. 

O presidente Bill Clinton ordena bombardeios retaliatórios a uma companhia farmacêutica do Sudão acusada pelos americanos de produzir armas químicas e a campos de treinamento d'al Caeda no Afeganistão. A resposta dos jihadistas vem nos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos EUA. 

ESQUERDA CHEGA AO PODER NA COLÔMBIA

    Em 2022, o economista, ecologista, ex-ativista da guerrilha e ex-prefeito de Bogotá Gustavo Petro toma posse como primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia, tendo como vice-presidente Francia Márquez, negra, feminista e ativista política.

Petro, da coalizão Pacto Histórico, vence o segundo turno com 50,5% dos votos contra 47,3% para o ex-prefeito de Bucaramanga Rodolfo Hernández, de extrema direita.

Num dos países mais violentos, conservadores e oligárquicos do continente, Gustavo Francisco Petro Urrego prega uma verdadeira revolução pelo voto. Promete combater a desigualdade, taxar os ricos, abrir empregos públicos para desempregados, realizar uma reforma agrária com aumento de impostos sobre latifúndios e terras improdutivas, criar um sistema público e universal de saúde pública, fazer a transição para um regime de previdência social, levar a Internet para todos e reduzir gradualmente o uso de combustíveis fósseis como carvão, gás e petróleo, importantes riquezas do país, substituindo-os por energias renováveis.

Quer acabar com o modelo extrativista, preservar a biodiversidade e investir em alta tecnologia. Alega que a América Latina precisa deixar de ser mera exportadora de produtos primários. 

Talvez a maior revolução seja a escolha de sua vice-presidente. Francia Elena Márquez Mina, de 40 anos, é uma líder social negra, feminista, defensora dos direitos humanos e ativista ambiental. Foi empregada doméstica. Apresenta-se como “uma das inexistentes” e dos excluídos.

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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 6 de Agosto

EUA DEBATEM CONSTITUIÇÃO

    Em 1787, a Convenção Constitucional começa a discutir o primeiro anteprojeto completo da Constituição dos Estados Unidos.

Meses antes da rendição do Império Britânico, em Yorktown, a ratificação dos Artigos da Confederação cria normas legais para os EUA. O Congresso tem amplos poderes para governar o país, mas não tem autoridade para pedir dinheiro e tropas aos estados. 

Para consolidar a União, em 25 de maio de 1787, a Convenção Constitucional se reúne pela primeira vez na Casa de Governo do Estado da Pensilvânia, na cidade da Filadélfia, onde fora escrita a Declaração da Independência.

INDEPENDÊNCIA DA BOLÍVIA

    Em 1825, a Bolívia conquista a independência do Império Espanhol.

A Bolívia é o centro da cultura tiahuanacota, que se espalha por Argentina, Bolívia, Chile e Peru. Tem como capital Tiahuanaco, hoje um dos principais sítios arqueológicos da Bolívia. Chega ao apogeu por volta do ano 800 e desaparece perto do ano 1000. Do século 15 ao início do século 16, é parte do Império Inca, a grande civilização pré-colombiana da América do Sul.

Com a conquista espanhola, que começa com a queda do imperador Ataualpa em 1532 numa guerra que vai até 1572, a Bolívia passa a ser parte do Vice-Reino do Peru, que no início inclui toda a parte espanhola da América do Sul.

Em 1545, um indígena faz uma fogueira para se proteger do frio da Cordilheira dos Andes. Uma pedra derrete e brilha à luz da Lua. É prata do Cerro Rico de Potosí, uma montanha de prata, a maior jazida de prata da história. De lá, saem 80% da prata de todo o planeta. Com 150 mil habitantes, Potosí é uma das maiores cidades do Novo Mundo. O mundo fica mais rico, mas a Bolívia continua pobre.

Com a criação do Vice-Reino do Prata, com capital em Buenos Aires, em 1776, a Bolívia passa a fazer parte. É chamada pelos platinos de Alto Peru.

A independência dos países da América Latina é consequência da invasão da França de Napoleão Bonaparte a Portugal (1807) e Espanha (1808). A Bolívia proclama a independência em 1809, mas só a conquista em 1825 com o nome de República de Bolívar, homenagem ao libertador Simón Bolívar, depois de vitória do general Antonio José de Sucre sobre os últimos monarquistas.

Apesar da riqueza da prata e também de estanho, explorado mais recentemente, a Bolívia se torna um dos países mais pobres da América. Seu exército, um dos mais incompetentes do mundo, perde todas as guerras. 

A Bolívia perde a saída para o mar na Guerra do Pacífico (1879-83) com o Chile. Perde o Acre na Guerra do Acre (1899-1902) com o Brasil e parte da província do Chaco para o Paraguai na Guerra do Chaco (1932-35). Os militares bolivianos dão um recorde de 194 golpes de Estado.

A eleição de Evo Morales como primeiro presidente indígena da Bolívia em dezembro de 2005 leva à transformação do país em "Estado plurinacional" num reconhecimento dos direitos dos povos originários e acelera o desenvolvimento econômico.

URSS ANEXA ESTÔNIA

    Em 1940, a União Soviética de Josef Stalin anexa a Estônia.

A primeira referência aos estonianos é do historiador romano Tácito no primeiro século da era cristã. Os vikings são os primeiros a invadir o país, no século 9, o que se repete ao longo da história. Nos séculos 11 e 12, os dinamarqueses e os suecos tentam impor o cristianismo. De 1030 a 1192, os russos invadem a Estônia 13 vezes sem conseguir dominar o país. Os alemães também invadem e dominam parte da Estônia.

No fim do século 15, duas potências emergem na região: a Comunidade Polaco-Lituana e o Principado de Moscou, embrião da Rússia. O czar Ivã IV, o Terrível, invade em 1558. Os russos são expulsos pelos suecos em 1581.

Em 1629, o Tratado de Altmark acaba com a guerra entre a Suécia e a Comunidade Polaco-Lituana, que cede a maior parte da Livônia. Todas as terras da Estônia passam ao controle sueco. 

Na Grande Guerra do Norte (1700-21), a Rússia, a Dinamarca-Noruega e a Saxônia-Polônia desafiam a supremacia da Suécia na região do Mar Báltico. A Suécia entra em declínio e a Rússia se torna a potência dominante na região. No tratado de paz de Nystad, a Suécia cede à Rússia todas as suas províncias bálticas.

O movimento nacionalista ressurge no fim do século 19 em resposta à russificação promovida pelo czar Alexandre III. A Revolução de 1905, depois da derrota da Rússia para o Japão na Guerra do Pacífico (1904-5), chega à Estônia. Jaan Tönisson funda o Partido Liberal Nacional. O partido se divide entre entre liberais e radicais. A Rússia impõe a lei marcial e executa 328 estonianos.

A Estônia conquista a independência com as revoluções de 1917 na Rússia. O Conselho Nacional Estoniano se reúne em 14 de julho e 12 de outubro, e forma um governo provisório com Konstantin Päts como primeiro-ministro.

Em 28 de novembro de 1917, depois do golpe de Estado dos bolcheviques (comunistas) contra o governo provisório de Alexander Kerenski na Rússia, o Parlamento da Estônia decide se separar da Rússia. Os comunistas do Conselho de Comissários do Povo da Rússia nomeiam o governo-fantoche de Jaan Anvelt. Ele toma o poder na capital, Tallinn, mas não consegue controlar todo o país.

A Alemanha invade a Estônia em fevereiro de 1918. Os comunistas fogem. Em 24 de fevereiro, o Conselho Nacional Estoniano proclama a independência. O domínio alemão acaba com a rendição da Alemanha e o fim a Primeira Guerra Mundial (1914-18), em 11 de novembro de 1918.

O Exército Vermelho da URSS invade a Estônia em 28 de novembro. O coronel Johan Laidoner lança uma contraofensiva em janeiro de 1919 com o apoio dos aliados, de uma esquadra britânica e de uma força de 2,7 mil voluntários finlandeses. No fim de fevereiro, todo o território da Estônia é recuperado.

Em 1º de dezembro de 1924, uma conspiração de 300 russos tenta submeter a Estônia. O Partido Comunista é colocado na ilegalidade.

O fim da independência é fruto do Pacto Germano-Soviético, um pacto de não agressão fechado por Adolf Hitler e Josef Stalin em 23 de agosto de 1939. Primeiro, a Alemanha e a URSS dividem a Polônia. Em 28 de setembro, Stalin impõe um acordo de "assistência recíproca" e ocupa várias bases militares estonianas. Em 6 de agosto de 1940, o Soviete Supremo da URSS anexa a Estônia como uma república soviética.

Depois que a Alemanha Nazista invade a URSS, em 22 de junho de 1941, a Estônia fica sob ocupação alemã até fevereiro de 1944, quando é invadida de novo pelo Exército Vermelho.

Com o declínio terminal da URSS, em março de 1990, os partidários da independência vencem as eleições legislativas, fruto das reformas do líder soviético Mikhail Gorbachev. A independência é declarada formalmente em agosto de 1991, quando a linha-dura soviética dá um golpe contra Gorbachev, e reconhecida no mês seguinte. 

BOMBA DE HIROXIMA 

    Em 1945, há 81 anos, às 8h15, o avião bombardeiro Enola Gay, dos Estados Unidos, joga a primeira bomba atômica, em Hiroxima, no Japão, e mata imediatamente pelo menos 80 mil pessoas, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

Três dias depois, os EUA jogam uma segunda bomba atômica, em Nagasáki, matando 40 mil pessoas na hora e 70 mil até o fim do ano. O Japão se rende em 15 de agosto. Com as vítimas que morrem até hoje de doenças causadas pela radiação, o total de mortes passa de 300 mil.

A justificativa do bombardeio nuclear é a necessidade de obrigar o Japão a se render incondicionalmente. A julgar pelas batalhas de Iwo Jima e Okinawa, a invasão das quatro principais ilhas do arquipélago japonês pode custar um milhão de vidas. Por outro lado, quem condena o ataque alega que o Japão já negociava a paz através da Suíça.

O plano para fazer uma bomba nuclear de urânio começa em 2 de agosto de 1939, quando Albert Einstein e outros cientistas enviam uma carta ao presidente Franklin Roosevelt advertindo para o risco de que uma reação nuclear descontrolada, em cadeia, tenha um grande potencial para ser a base de uma arma de destruição em massa e de que a Alemanha Nazista faça armas atômica. 

Pouco depois, o físico italiano Enrico Fermi se encontra na Universidade de Colúmbia com oficiais da Marinha dos EUA para discutir o uso militar da fissão nuclear. Daí, nasce o Projeto Manhattan, com objetivo de criar uma bomba atômica antes da Alemanha nazista. 

Na Alemanha, o projeto é chefiado por Werner von Heisenberg, um dos maiores físicos teóricos do século 20, formulador do Princípio de Incerteza. Felizmente, ele fracassa na prática ao não chegar ao conceito de massa crítica, a quantidade de material físsil necessária para manter uma reação nuclear em cadeia autossustentada, de 47 quilos para o urânio-235 e 10 kg para o plutônio-239, os explosivos nucleares usados em Hiroxima e Nagasáki. 

Falta apoio do Estado-Maior e da cúpula do Partido Nacional-Socialista Trabalhista Alemão (Nazista). Albert Speer, arquiteto-chefe e ministro dos Armamentos da Alemanha, se reúne cerca de 2,2 mil vezes com o ditador Adolf Hitler. Só em duas ocasiões, Hitler fala em armas nucleares. 

O Führer acredita que um dia haverá uma arma capaz de tocar fogo na terra, mas imagina que isso só acontecerá muito depois de sua morte. Comete suicídio em 30 de abril. Em 16 de julho, os EUA fazem o primeiro teste nuclear, em Alamogordo, no estado do Novo México. 

Apesar do sigilo que envolve o Projeto Manhattan, espiões conseguem roubar os segredos. Em 29 de agosto de 1949, a União Soviética faz seu primeiro teste nuclear. O Reino Unido explode a bomba em 3 de outubro de 1952. A França detona a primeira arma nuclear em 13 de fevereiro de 1960. E a China entra para o clube atômico em 16 de outubro de 1964. 

Pelo Tratado de Não Proliferação Nuclear, de 1968, só estas grandes potências podem ter armas nucleares. Não por coincidência são os cinco membros permanentes com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas. A Rússia herda o arsenal nuclear e a vaga da URSS. 

Israel fez a primeira arma nuclear operacional em dezembro de 1966, mas não admite publicamente que tenha um arsenal atômico. A Índia e o Paquistão assumem o status de potências nucleares com testes em maio de 1998. A África do Sul é o primeiro e único país e fabricar e abandonar as armas nucleares, desmanteladas a partir de 1989. A Coreia do Norte faz seu primeiro teste nuclear em 2006.

Na prática, por mais terríveis que sejam, as bombas atômicas evitam as guerras entre as grandes potência, que seriam destruição mutuamente assegurada. Com o abandono de tratados de controle de armas, a China construindo novos silos para se equiparar aos EUA e à Rússia, e novas potências nucleares como a Coreia do Norte, outros países com ambições nucleares como o Irã e a guerra da Rússia contra a Ucrânia, o risco de uma guerra atômica é o maior hoje desde o fim da Guerra Fria.

INDEPENDÊNCIA DA JAMAICA

    Em 1962, depois 300 anos de domínio pela Inglaterra e o Império Britânico, a Jamaica se torna um país independente e uma monarquia constitucional dentro da Comunidade (ex-Britânica) das Nações com um regime parlamentarista e o rei ou rainha do Reino Unido como chefe de Estado.

A Jamaica é a terceira maior ilha do Mar do Caribe, atrás de Cuba e de Hispaniola, a ilha dividida entre Haiti e a República Dominicana. O descobridor da América para os europeus, Cristóvão Colombo, chega à Jamaica em 1494, a descreve como "a ilha mais linda jamais vista" e a chama de Santiago. Mas o nome original dos povos indígenas, Jamaica ou Xaymaca, prevalece.

Em 1655, uma expedição inglesa sob o comando do almirante William Penn e do general Robert Venables toma a ilha e começa a expulsar os espanhóis. Com medo de ataques da Espanha, o governador militar convida os piratas a ir para a Jamaica, que se torna um refúgio seguro para eles.

Quando a Espanha aceita a reivindicação inglesa sobre a Jamaica no Tratado de Madri (1670), a Inglaterra começa a expulsar os piratas. Em 1672, nasce a Royal Africa Company, que tem o monopólio do tráfico de escravos para a Inglaterra. Logo o número de escravizados é cinco vezes maior do que o de europeus.

A Jamaica se torna uma das mais valiosas colônias inglesas para a produção agrícola de açúcar, algodão e cacau.  A produção de açúcar atinge o auge no século 18. No fim do século, o café começa a rivalizar com o açúcar.

Em 1782, uma grande esquadra da França tenta invadir a Jamaica com o apoio da Espanha, mas é repelida. Em 1806, o almirante John Duckworth derrota a última tentativa de invasão francesa. No ano seguinte, com a Revolução Industrial, o Parlamento Britânico proíbe o tráfico de escravos transatlântico e a escravidão no Reino Unido. 

A escravidão nas colônias só acaba em 1838, depois de uma grande revolta de escravos na Jamaica. No Natal de 1831, 60 dos 300 mil escravos da Jamaica se revoltam com o apoio da Igreja Batista para exigir liberdade e pagamento pela o trabalho. É a Guerra Batista ou Rebelião do Natal.

Quando a Jamaica se torna uma colônia real, em 1866, o governador John Peter Grant cria uma força policial, um serviço médico, um departamento de obras públicas e um banco público, e reforma o sistema judiciário. No fim do século 19, a banana se torna o principal produto de exportação da ilha.

Em 1914, o líder jamaicano Marcus Garvey funda a Associação Universal para Avanço Negro para defender o nacionalismo negro e o pan-africanismo. A deterioração da economia com a Grande Depressão (1929-39) gera revolta e motins em 1938. Surgem os primeiros sindicatos, que exigem autodeterminação.

A Jamaica é pouco afetada pela primeira e a segunda guerras mundiais. A Constituição de 1944 cria uma Câmara dos Representantes eleita pelo voto popular com um Conselho Legislativo nomeado como câmara revisora. Em 1959, a Jamaica conquista o direito de se autogovernar internamente, último passo antes da independência. 

DIREITO DE VOTO

    Em 1965, o presidente Lyndon Johnson sanciona a Lei dos Direitos de Voto, uma das mais importantes legislações de direitos civis dos Estados Unidos, aprovada para vencer barreiras impostas por governos estaduais e municipais ao voto dos negros.

Depois da Guerra da Secessão ou Guerra Civil Americana (1861-65), em que o Sul tenta se separar da União para manter a escravidão, o Congresso aprova as emendas constitucionais nº 14, ratificada em 1868, que dá cidadania a todas as pessoas nascidas ou naturalizadas nos EUA, inclusive ex-escravos, garantindo a todos "proteção igual perante a lei"; e a nº 15, ratificada em 1870, que dá direito de voto aos homens negros.

Há uma forte reação da maioria branca. Através de intimidação ou fraude, há várias tentativas de impedir os negros de se registrar e de votar. Testes de alfabetização, eleições primárias só para brancos e outras medidas também barram o acesso dos negros às urnas e aos cargos eletivos.

Em consequência, no início do século 20, a imensa maioria dos negros não vota. A Suprema Corte considera algumas medidas inconstitucionais, mas até o início dos anos 1960 os negros são marginalizados. O presidente John Kennedy se empenha em garantir os direitos dos negros. Depois de sua morte, o Congresso aprova a Lei dos Direitos Civis (1964) e a Lei dos Direitos de Voto (1965).

No século 21, a maioria conservadora da Suprema Corte enfraquece esses direitos sob a alegação de que a discriminação que havia nos anos 1960 está praticamente eliminada.

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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Governo Trump revoga visto de embaixadora em apoio ao neofascismo

Ao revogar o visto da embaixadora Maria Luiza Ribeiro Viotti, o governo Donald Trump ataca o Brasil mais uma vez, numa interferência direta no processo eleitoral para ajudar o candidato da extrema direita.

A medida vem depois do enquadramento do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos terroristas, dos novos tarifaços que deixam o Brasil atrás apenas da China na guerra comercial de Trump e da tentativa de enviar representantes do Departamento de Estado norte-americano para questionar o sistema eleitoral brasileiro.

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Hoje na História do Mundo: 5 de Agosto

DIVISÃO DA POLÔNIA

    Em 1772, a Rússia, a Prússia e a Áustria assinam um tratado que divide a Polônia e toma a metade de sua população e um terço das terras.

A Primeira Divisão da Polônia acontece depois que a Rússia, sob o reinado de Catarina II, a Grande, obtém importantes vitórias na Guerra Russo-Turca (1768-74) contra o Império Otomano e ameaça chegar até principados do Rio Danúbio, o que alarma a Áustria e a Prússia.

Para pacificar as relações entre Áustria, Rússia e Prússia, o rei Frederico II, o Grande, da Prússia, decide desviar as ambições imperiais russas das províncias turcas para a Polônia, que tinha um Estado fraco e estava em guerra civil. Sob intervenção militar das três potências europeias, o parlamento polonês aprova a divisão do país em 1773.

A Segunda Divisão da Polônia, desta vez entre Rússia e Prússia, ocorre em 1793. Na Terceira Divisão, em 1795, entre Rússia, Áustria e Prússia, o Estado polonês deixa de existir. É o fim da Comunidade Polaco-Lituana ou República das Duas Nações, fundada em 1569, um dos maiores e mais populosos países da Europa nos séculos 16 e17. A  Polônia renasce em 1918, depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

A Segunda Guerra Mundial (1939-45) começa com a invasão da Polônia pela Alemanha Nazista em 1º de setembro de 1939. Por causa do Pacto Germano-Soviético, firmado em 23 de agosto de 1939, a União Soviética logo ocupa o Leste da Polônia. 

A polícia política de Josef Stalin, o Comissariado do Povo para Assuntos Internos (NKVD), o ministério do interior do regime stalinista, mata no Massacre da Floresta de Katyn, em abril e maio de 1940, todo o oficialato do Exército, policiais, intelectuais, professores, artistas, prisioneiros de guerra e cidadãos comuns da Polônia acusados de espionagem, num total de quase 22 mil pessoas.

A Polônia renasce com o fim de guerra, em 1945. É o 51º país da Organização das Nações Unidas (ONU). Não existe quando a Carta da ONU é assinada, em 26 de julho, mas faz parte quando a Carta é ratificada e a ONU é criada, em 24 de outubro de 1945.

Com a abertura do Muro de Berlim, em 1989, o fim do comunismo na Europa Oriental e sua entrada na União Europeia, em 2004, a Polônia pacifica a relação com a Alemanha. O medo da Rússia a leva a entrar para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em 1999. E a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 mostra que tem razão.

CABO TELEGRÁFICO TRANSATLÂNTICO

    Em 1858, após várias tentativas frustradas, termina a instalação do primeiro cabo telegráfico submarino ligando a América do Norte e a Europa através do Oceano Atlântico.

O artista e inventor americano Samuel Morse começa a desenvolver o telégrafo em 1832. Ele cria o Código Morse e, em 1844, lança o telégrafo comercial, enviando uma mensagem do Capitólio para uma estação de trens de Baltimore.

Dez anos depois, há mais de 30 mil quilômetros de cabos telegráficos nos EUA. A revolução nas comunicações marca o início da era da eletricidade. É um grande estímulo ao desenvolvimento dos EUA. Ajuda muito na expansão e conquista do Oeste.

Em 1854, o empresário Cyrus West Field decide instalar o cabo transatlântico. Com a ajuda de navios americanos e britânicos, faz quatro tentativas. Na quarta, em 29 de julho de 1858, o Niágara e o Gorgon saem da Baía da Trindade, no Canadá, e se encontram no meio do oceano com o Agammenon e o Valorous, que partem de Valentia, na Irlanda, então parte do Reino Unido.

O cabo de cerca de 3,2 mil km é lançado no fundo do mar, a uma profundidade de até mais de 3 mil metros em 5 de agosto. Onze dias depois, o presidente James Buchanan e a rainha Vitória trocam as primeiras mensagens, mas o cabo é fraco e para de funcionar em setembro. A primeira ligação telegráfica permanente entre a América do Norte e a Europa é finalmente instalada em 1866.

Cyrus Field promove outras ligações telegráficas transoceânicas, inclusive do Havaí para a Ásia e a Austrália.

LINCOLN CRIA IMPOSTO DE RENDA FEDERAL

    Em 1861, o presidente Abraham Lincoln impõe a cobrança de um imposto de renda federal para financiar a União (Norte) durante a Guerra da Secessão (1861-65), quando os estados do Sul tentam se separar por discordar da abolição da escravatura.

O Congresso aprova uma alíquota de 3% sobre rendimentos a partir de US$ 800, equivalentes a US$ 16 mil de 2003. Desde março, Lincoln se preocupa com o financiamento da guerra. Envia cartas a vários ministros para saber se entendem que a Constituição autoriza o presidente a coletar impostos. Ele teme que os rebeldes fiquem com o dinheiro dos impostos cobrados nos portos do Sul.

Durante a Reconstrução pós-Guerra Civil, em 1871, o Congresso revoga a lei de impostos de Lincoln. Em 1909, aprova a 16ª Emenda, ratificada em 1913, e cria o sistema federal de impostos existente hoje.

FRIEDRICH ENGELS MORRE

    Em 1895, morre em Londres o empresário e teórico da revolução Friedrich Engels, que lança o Manifesto Comunista com Karl Marx em 1848.

Engels nasce em Barmen, na Prússia, numa família da burguesia industrial, de onde observa de perto as difíceis condições de vida do operariado e conclui que precisa lutar pela emancipação. Ele conhece Marx em Paris em 1844 e expõe suas acusações ao capitalismo no livro A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra, publicado em 1845.

Os dois lançam o Manifesto do Partido Comunista, onde afirmam que "a história da humanidade é a história da luta de classes", em 21 de fevereiro de 1848, um ano de revoluções na França, no que seria a Alemanha (unificada em 1871) e no Império Austro-Húngaro

Com a derrota das revoluções, Marx se refugia na Inglaterra, no seio de sociedade liberal, onde escreve sua grande obra, O Capital. Depois da morte de Marx, em 14 de março de 1883, Engels conclui e publica o segundo e o terceiro volumes da bíblia do comunismo.

ALEMANHA ATACA BÉLGICA NA GRANDE GUERRA

    Em 1914, o assalto da Alemanha a Liège viola a neutralidade da Bélgica e marca o início da primeira batalha da Primeira Guerra Mundial (1914-18). O Reino Unido entra na guerra contra a Alemanha.

Na véspera, sete exércitos alemães, com 1,5 milhão de soldados, se concentram nas fronteiras com a França e a Bélgica. É o Plano Schlieffen, formulado pelo general Alfred von Schlieffen para tomar a Bélgica e invadir a França.

Com 12 fortes, Liège é uma das cidades mais protegidas da Europa. No fim do dia, todos estão sob controle belga. A cidade cai em 15 de agosto, depois que os alemães trazem seus supercanhões de 305 e 420 milímetros para a Batalha de Liège.

Três dias depois, a brutal ofensiva da Alemanha invade a França. Ao todo, nesta ofensiva, os alemães matam 5.521 civis na Bélgica e 895 na França.

MARYLIN SE SUICIDA

     Em 1962, Norma Jeane Mortenson, mais conhecida pelo nome artístico de Marylin Monroe, é encontrada morta em casa em Los Angeles, nua, caída de bruços sobre a cama, com um telefone na mão. Embalagens vazias de antidepressivos se espalham pelo chão.

Ao fim de um inquérito rápido, a polícia de Los Angeles, nos Estados Unidos, conclui que a atriz, uma das mais lindas da história do cinema, morreu "por causa de uma dose excessiva auto-administrada de sedativos" num "provável suicídio".

PROIBIÇÃO DE TESTES NUCLEARES

    Em 1963, durante a Guerra Fria, os Estados Unidos, o Reino Unido e a União Soviética assinam o Tratado de Proibição Parcial de Testes Nucleares, proibindo a realização de explosões atômicas acima da superfície da Terra.

Os EUA fazem seu primeiro teste nuclear em Alamogordo em 16 de julho e lançam as bombas atômicas de Hiroxima e Nagasaki em 6 e 9 de agosto de 1945. A URSS faz seu primeiro teste nuclear em 29 de agosto de 1949. 

O Reino Unido explode sua bomba em 3 de outubro de 1952. A França fez sua primeira explosão atômica em 13 de fevereiro de 1960. E a China, em 16 de outubro de 1964. Israel tem armas nucleares desde 1966 ou 1967, mas não admite publicamente.

Em maio de 1998, a Índia e o Paquistão realizam testes para comprovar sua capacidade nuclear. A África do Sul pós-apartheid abre mão de suas armas nucleares. A Coreia do Norte detona sua bomba em 3 de outubro de 2006.

INCIDENTE DO GOLFO DE TONKIN

    Em 1964, os Estados Unidos alegam falsamente que um de seus contratorpedeiros é atacado sem provocação na costa do Vietnã do Norte e o Congresso aprova a Resolução do Golfo de Tonkin, usando o incidente forjado para autorizar o presidente Lyndon Johnson a entrar na Guerra do Vietnã (1955-75).

O Vietnã, parte da Indochina Francesa desde o fim do século 19, é ocupado pelo Japão em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Quando o Japão se rende e a guerra acaba, em 2 de setembro de 1945, o líder comunista Ho Chi Minh declara a independência.

A França, antiga potência colonial, não aceita e inicia a Primeira Guerra da Indochina (1946-54). Com a derrota dos franceses, o país é dividido entre o Vietnã do Norte, comunista, e o Vietnã do Sul, capitalista. As eleições para unificar o país são suspensas sobre pressão dos EUA em 1955, porque os comunista são favoritos, o que dá origem à Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75).

Desde o início, no governo Dwight Eisenhower (1953-61), os EUA se envolvem na guerra sem entrar em combate. No fim do governo John Kennedy (1961-63), há mais de 2,8 mil assessores militares dos EUA e alguns entram em combate, mas oficialmente o país não está em guerra com o Vietnã do Norte.

Em 2 de agosto de 1964, o contratorpedeiro norte-americano USS Maddox cumpre uma missão clandestina de espionagem eletrônica quando fica sob ataque de três lanchas torpedeiras da Marinha do Vietnã do Norte e reage com o apoio de três aviões da força-tarefa de que fazia parte.

Dois dias depois, ao navegar pelas mesmas água ao lado do contratorpedeiro USS Turner Joy, o Maddox relata a presença de lanches torpedeiras que avançam em sua direção e entram em combate. Na versão dos EUA, os dois ataques não são provocados.

O incidente forjado leva o Congresso dos EUA a aprovar em 5 de agosto a Resolução do Golfo de Tonkin, autorizando o presidente Lyndon Johnson a declarar guerra ao Vietnã do Norte. No pico, em abril de 1969, há 543 mil soldados dos EUA no Vietnã. Entre 1 a 2 milhões de vietnamitas e 58.281 norte-americanos morrem na Guerra do Vietnã.

Em 24 de junho de 1970, por 81 votos a 10, o Senado revoga a Resolução do Golfo de Tonkin.

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terça-feira, 4 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 4 de Agosto

FIM DOS PRIVILÉGIOS FEUDAIS

    Em 1789, no início da Revolução Francesa, a nobreza reunida na Assembleia Nacional da França renuncia a seus privilégios.

O marco do início da revolução é a Tomada da Bastilha, a prisão de Paris que vira símbolo da opressão do regime monárquico, em 14 de julho. Ao abrir mão de seus privilégios, a aristocracia tenta chegar a uma acomodação com a nova ordem emergente. 

EUA FICAM NEUTROS NO INÍCIO DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

    Em 1914, os Estados Unidos declaram sua neutralidade diante do começo da guerra na Europa opondo França, Reino Unido, Rússia e Sérvia, de um lado; e a Alemanha e a Áustria-Hungria, do outro.

Os EUA entram na guerra em 1917, depois de vários ataques de submarinos alemães ao comércio transatlântico. 

Para justificar a intervenção militar na Europa, o presidente Woodrow Wilson declara aos norte-americanos que "é a guerra para acabar com todas as guerras." Mas a Conferência de Paz de Versalhes é conhecida como a paz para acabar com todas as pazes.

JESSE OWENS DESTRÓI MITO DA SUPERIORIDADE ARIANA

    Em 1936, o atleta negro norte-americano Jesse Owens, conquista a segunda de quatro medalhas de ouro ao vencer a prova de salto em distância na Olimpíada de Berlim, organizada pelo regime nazista para comprovar a tese da superioridade da raça branca e ariana.

O salto campeão tem 8,06 metros. Owens bate o recorde em 1935 com 8,13m, marca que só é superada 25 anos depois, em 1960.

Ao ganhar quatro medalhas de ouro, Owens destrói o mito fundador do Nazismo. No primeiro dia de competição, 2 de agosto, Hitler cumprimenta todos os medalhistas de ouro alemães e alguns finlandeses. Deixa o Estádio Olímpico antes do salto do afro-americana Cornelius Johnson, campeão do salto em altura.

Owens volta como herói aos EUA, onde os negros enfrentam a segregação racial, que só acaba com a aprovação da Lei dos Direitos Civis, em 1964. Chega a dizer que foi mais bem tratado pelos nazistas.

EUA ATRAEM BRACEROS DO MÉXICO PARA AGRICULTURA

    Em 1942, com medo de uma falta de mão de obra no campo durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), os Estados Unidos fazem um acordo sobre trabalho agrícola com o México para atrair mexicanos para a lavoura.

O Programa Bracero, como fica conhecido, dura até 1964. É o maior programa de trabalhadores convidados da história dos EUA. 

Os mexicanos têm direito a um salário mínimo, segurança, casa e comida. Muitos patrões desrespeitam o acordo, ao pagar abaixo do mínimo ou não pagar e oferecer casa e comida ruins. Isso gera greves, protestos e processos.

Como os trabalhadores mexicanos se tornam importante para a economia de estados como a Califórnia, o programa sobrevive à guerra. Em 22 anos, são mais de 4,6 milhões de contratos de trabalho. Até hoje, os imigrantes latino-americanos são parte importante da mão de obra do Sudoeste dos EUA.

NAZISTAS PRENDEM ANNE FRANK

    Em 1944, a Gestapo, a polícia política do regime nazista, prende a jovem judia alemã Anne Frank, de 15 anos, escondida com a família e outros judeus desde 1942 num anexo secreto de uma casa em Amsterdã, na Holanda ocupada pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O Diário de Anne Frank, um relato da vida nesta reclusão voluntária para tentar escapar do terror nazista, é um dos livros mais importantes do século 20. Ela e a irmã morrem num surto de tifo no campo de concentração de Bergen Belsen, em Hanôver, na Alemanha, pouco antes do fim da guerra, em fevereiro ou março de 1945.

Onze milhões de pessoas morrem no Holocausto, entre as quais 6 milhões de judeus, 1,5 milhão de ciganos, comunistas, socialistas, homossexuais, dissidentes e quem quer que o Nazismo considere inimigo.

NASCE BARACK OBAMA

    Em 1961, Barack Hussein Obama, o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos, nasce em Honolulu, no Havaí, filho de pai queniano e mãe norte-americana.

Durante seus dois governos (2009-17), supremacistas brancos como Donald Trump questionam sua nacionalidade, insinuando que Obama não nasceu nos EUA. Sendo assim, não poderia ser presidente.

Obama é editor da revista acadêmica da Faculdade de Direito da Universidade de Harvard, ativista social e organizador comunitário em Chicago antes de se eleger senador estadual do estado de Illinois, senador federal e presidente dos EUA.

CENTENÁRIO DA RAINHA-MÃE

    Em 2000, o Reino Unido festeja os 100 anos de Elizabeth, a rainha-mãe. 

Mãe da rainha Elizabeth II e avó de Carlos III, ela reina ao lado do marido, o rei George VI, inclusive durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), quando o país é bombardeado pela Alemanha Nazista.

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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 3 de Agosto

COLOMBO ZARPA PARA A AMÉRICA

     Em 1492, o navegador genovês Cristóvão Colombo sai do porto de Palos, na Espanha, com três caravelas – Santa María, Pinta e Niña – tentando chegar às Índias e acaba descobrindo a América para os europeus. 

Em 12 de outubro, a expedição ancora na ilha de Guanahani. Depois, chega a Cuba em 28 de outubro e a Hispaniola, a ilha dividida hoje entre Haiti e República Dominicana, em 6 de dezembro.

A Santa Maria encalha em 24 de dezembro. Colombo e seus homens erguem então o Forte da Natividade, a primeira fortaleza da América, e criam uma pequena colônia com 39 homens. Em 16 de janeiro, eles partem de volta à Europa, mas uma tempestade afasta as caravelas. 

A Pinta chega à Espanha no fim de fevereiro e dá a notícia a Fernando de Aragão e Isabel de Castela, que recebem o título de Reis Católicos do papa Alexandre VI por expandir a fé. Colombo volta na Niña, que para na ilha portuguesa de Santa Maria, no Arquipélago dos Açores, e atraca em Lisboa em 4 de março.

Depois de sete meses e 23 dias de viagem, o navegador regressa a Palos. No mês seguinte, é recebido pelos reis da Espanha em Badalona.

Ao todo, Colombo vem quatro vezes à América. Ao morrer aos 55 anos, em 20 de maio de 1506, em Valladolid, na Espanha, ainda acredita ter chegado às Índias, Por isso, o continente é batizado em homenagem ao navegador florentino Américo Vespúcio, um dos primeiros a descrevê-lo como o Novo Mundo.

TERRA NOVA PARA A RAINHA

    Em 1583, o navegante inglês Humphrey Gilbert chega a São João, na Terra Nova, hoje parte do Canadá, e reivindica a posse do território para a rainha Elizabeth I da Inglaterra.

O lugar é batizado por João Cabot, um navegador italiano, um dos primeiros a chegar à América, sob patrocínio do rei Henrique VII da Inglaterra, em 1497.

Meio-irmão de Sir Walter Raleigh e primo de Sir Richard Grenville, Gilbert nasce em 1539, estuda navegação e ciências militares na Universidade de Oxford e entra para o Exército Real. Em 1566, ele propõe uma viagem em busca da Passagem do Noroeste, que permita chegar à Ásia pelo Norte do Oceano Atlântico. 

A rainha Elizabeth I não aceita a sugestão e o envia em 1567 à Irlanda, onde Gilbert reprime brutalmente uma revolta e faz planos para criar colônias protestantes na província de Munster, no Sul da Irlanda. Como recompensa, ganha o título de cavaleiro em 1570.

Em 1572, Gilbert comanda uma força de 1,5 mil voluntários que luta ao lado da revolta holandesa contra a Espanha.

Na sua última viagem, ele sai de Plymouth em 11 de junho de 1583, chega a São João em 3 de agosto. Ao navegar rumo ao sul, perde um navio em 29 de agosto e naufraga na volta à Europa perto do Arquipélago dos Açores em setembro, durante uma tempestade no Oceano Atlântico.

LA SCALA DE MILÃO

    Em 1778, o teatro de ópera La Scala é aberto em Milão com a apresentação de Europa riconosciuta, de Antonio Salieri.

Uma das mais famosas casas de ópera do mundo, o Teatro Scala é construído por ordem da imperatriz Maria Teresa da Áustria, que na época domina o Norte da Itália, para substituir o Teatro Regio Ducale. O projeto é do arquiteto italiano Giuseppe Piermarini.

Lá se apresentam óperas de Gioachino Rossini, Giuseppe Verdi, Giacomo Puccini, Richard Wagner, Richard Strauss, Igor Stravinsky e Claude Debussy, entre outros.

ALEMANHA E FRANÇA DECLARAM GUERRA UMA À OUTRA

    Em 1914, dois dias depois de declarar guerra à Rússia, a Alemanha declara guerra à França, que faz o mesmo três horas depois e prepara a invasão das províncias da Alsácia e da Lorena, tomadas pela Alemanha na Guerra Franco-Prussiana (1870-71).

A Primeira Guerra Mundial (1914-18) é provocada pelo assassinato do herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, arquiduque Francisco Ferdinando, em Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina, pelo estudante radical sérvio Gavrilo Princip.

Um mês depois, a Áustria-Hungria, aliada da Alemanha, declara guerra e ataca a Sérvia, aliada da Rússia, da França e do Reino Unido.

Horas depois das declarações de guerra entre Alemanha e França, o secretário do Exterior britânico, Edward Gray, vai ao Parlamento Britânico defender a entrada do Reino Unido na guerra, se a Alemanha violar a neutralidade da Bélgica, o que acontece no dia seguinte, 4 de agosto.

EX-DIPLOMATA É ENFORCADO NO REINO UNIDO

    Em 1916, Sir Roger Casement, um diploma britânico nascido na Irlanda e condecorado como cavaleiro pelo rei George V, é enforcado sob a acusação de traição por apoiar a Revolta da Páscoa na Irlanda.

Casement, um irlandês protestante, fica famoso ao denunciar a escravidão no Congo e na Amazônia, inclusive no Brasil. 

Apesar da origem no Úlster protestante, se torna partidário do movimento pela independência da Irlanda. Depois do início da Primeira Guerra Mundial (1914-18), vai à Alemanha e aos Estados Unidos em busca de ajuda para o movimento nacionalista irlandês.

A Alemanha, que está em guerra com o Reino Unido, promete uma ajuda limitada. Casement volta à Irlanda levado por um submarino alemão. É preso em 21 de abril de 1916, dias antes do início, em Dublin, na Revolta da Páscoa. No fim do mês, a rebelião é derrotada.

O ex-diplomata é condenado à morte em 29 de julho de 1916 e enforcado cinco dias depois.

ATLETA NEGRO DERRUBA MITO DA SUPERIORIDADE ARIANA

    Em 1936, o atleta negro norte-americano Jesse Owens vence a prova dos 100 metros rasos na Olimpíada de Berlim. 

É seu primeiro ouro olímpico. Com quatro medalhas de ouro ao todo, Owens derruba o mito de superioridade ariana, uma das fundações ideológicas do regime nazista que domina a Alemanha até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

No primeiro dia de competição, 2 de agosto, Hitler cumprimenta todos os medalhistas de ouro alemães e alguns finlandeses. Deixa o Estádio Olímpico antes do salto do afro-americano Cornelius Johnson, campeão do salto em altura.

Na volta aos EUA, onde há segregação racial, Owens afirma que é mais maltratado nos EUA do que na Alemanha Nazista.

SUBMARINO NUCLEAR PASSA SOB O POLO NORTE

    Em 1958, o Nautilus, primeiro submarino nuclear da história, faz a primeira viagem sob o Polo Norte.

Com 116 pessoas a bordo, inclusive quatro cientistas, o Nautilus submerge em Point Barrow, no Alasca, e anda cerca de 1,6 mil quilômetros sob a calota polar do Ártico, a uma profundidade de 150 metros até chegar ao Polo Norte.

O submarino nuclear é construído sob o comando do capitão Hyman Rickover, um brilhante engenheiro nascido na Rússia que adere ao programa nuclear dos Estados Unidos em 1946. Ele começa a tocar o projeto no ano seguinte.

A primeira-dama Mamie Eisenhower lança a embarcação quebrando uma garrafa de champanha no casco do Nautilus em 30 de setembro de 1954 no Rio Tâmisa em Groton, no estado de Connecticut. Em 17 de janeiro de 1955, o Nautilus usa pela primeira vez a propulsão nuclear.

Muito maior do que os submarinos anteriores, o Nautilus tem 97 metros de comprimento, desloca 3,18 toneladas de água e pode ficar longos períodos submerso porque o motor usa pequenas quantidades de urânio e não precisa de ar. Pode navegar debaixo d'água a uma velocidade superior a 20 nós, cerca de 37 quilômetros por hora.

Depois de viajar 800 mil quilômetros em 25 anos, o Nautilus é desativado em 3 de março de 1980. Está em exposição no Museu da Força Submarina, em Groton, em Connecticut.

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