quarta-feira, 1 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 1º de Julho

 DIA DO CANADÁ

    Em 1867, o Império Britânico reconhece oficialmente o Canadá, uma confederação das províncias da Nova Escócia, Nova Brunswick e do Canadá, que seria dividida nas províncias de Ontário e do Quebec.

É o Dia do Canadá, a data nacional do país. A partir da união dessas províncias, o Canadá começa a conquistar autonomia dentro do Império Britânico e a ter seu próprio governo. O Parlamento Britânico e o governo do Reino Unido controlam as relações exteriores, a defesa nacional e as mudanças constitucionais.

O Canadá luta ao lado das forças britânicas em duas guerras mundiais, assim como australianos, indianos, paquistaneses e neozelandeses

Em 11 de dezembro de 1931, o Estatuto de Westminster, uma emenda do Parlamento Britânico, dá independência às ex-colônias britânicas da Austrália, do Canadá, da Zona Zelândia e da Irlanda. O governo irlandês ignora o estatuto por entender que o tratado da independência da Irlanda, de 1921, acabara com o direito do Parlamento de Westminster de legislar sobre seu país.

A Terra Nova também não adota o Estatuto de Westminster e se une ao Canadá em 1949, depois de um plebiscito realizado no ano anterior.

Com a aprovação da Lei de Constituição, em 1982, o Canadá se torna totalmente independente. 

INÍCIO DA BATALHA DO SOMME

    Em 1916, começa a Batalha do Somme, uma as maiores e mais importantes da Primeira Guerra Mundial (1914-18), travada pela França e o Império Britânico contra a Alemanha, que termina em 18 de novembro com a vitória dos aliados.


É o dia mais sangrento da história militar britânica, com 19.240 mortes.

Mais de 3 milhões de soldados lutam na Batalha do Somme. Entre mortos e feridos, o total de baixas é de mais de 1,1 milhão de homens, o que a torna uma das batalhas mais sangrentas da história.

NÃO PROLIFERAÇÃO NUCLEAR

    Em 1968, os Estados Unidos, a União Soviética, o Reino Unido e outros 59 países assinam o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) para conter a disseminação de armas atômicas pelo mundo. Entra em vigor em 5 de março de 1970. Hoje, tem 191 países signatários.

O TNP é controvertido desde o início porque cria duas categorias de países: as potências nucleares, que têm a bomba quando o acordo é fechado; e os países não nucleares, que recebem a promessa de receber ajuda para o uso pacífico da energia atômica e de que as potências nucleares se desarmariam, o que não é uma perspectiva realista. A Índia nunca assinou porque, como uma ex-colônia, não aceita acordos internacionais que a coloquem em inferioridade. 

Além das cinco potências nucleares que não por coincidência são os países com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, EUA, França, Reino Unido e Rússia), tem a bomba atômica hoje Israel, a Índia, o Paquistão e a Coreia do Norte. Esses quatro não fazem parte. A África do Sul democrática pós-apartheid abre mão do programa nuclear militar da ditadura da minoria branca. O Brasil e a Argentina aderem quando assinam um acordo nuclear.

Se o tratado tem um vício de origem, o regime de não proliferação nuclear contém até agora a proliferação de armas atômicas. O maior candidato para entrar no clube sem autorização no momento é o Irã, que pode já ter adquirido capacidade nuclear. Se o Irã tiver armas atômicas, isso poderá deflagrar uma corrida armamentista no Oriente Médio. Outros países com ambição a potência regional, a Arábia Saudita, o Egito, a Síria e a Turquia, também vão querer.

MORTE DE PERÓN

    Em 1974, morre em Buenos Aires o político e militar Juan Domingo Perón, figura dominante da política na Argentina, depois de um terceiro e breve governo de menos de 10 meses.

Em 4 de junho de 1943, o Grupo de Oficiais Unidos, uma sociedade secreta nacionalista, derruba o presidente Ramón Castillo a pretexto de acabar com as fraudes eleitorais da “década infame”.

Entre eles, destaca-se o coronel Juan Domingo Perón, que é subsecretário do Ministério da Guerra, vice-presidente e ministro do Trabalho, onde implanta uma legislação trabalhista que lhe dá grande prestígio popular e o apoio dos sindicatos.

Perón melhora as condições de trabalho, consegue um aumento real de 4% nos salários de 1943 e 1946, cria a indenização para acidentes de trabalho, a Justiça do Trabalho, a Previdência Social, o salário mínimo, pagamento de feriados e férias, o 13º salário (conhecido na Argentina como aguinaldo), garante férias e o direito de sindicalização de trabalhadores rurais, limita a jornada de trabalho e congela os preços dos arrendamentos de terras.

DIA DA LEALDADE
Sob pressão da oligarquia e da ala conservadora do Exército, Perón é demitido em 9 de outubro de 1945 e preso quatro dias depois. Uma onda de protestos populares organizados pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) força a sua libertação em 17 de outubro, festejado pelos peronistas como Dia da Lealdade.

Naquele dia, Perón faz seu primeiro discurso triunfante na janela da Casa Rosada diante de uma multidão reunida na Praça de Maio, ao lado de sua segunda mulher, a atriz Maria Eva Duarte de Perón, a Evita, com quem se casa quatro dias depois, formando o casal que até hoje, muito depois de suas mortes, ainda domina a política argentina.

Com os votos de mais de 1,5 milhão de argentinos, 53% do eleitorado, Perón é eleito presidente da Argentina em 24 de fevereiro de 1946.

PERONISMO
Exemplo típico do populismo latino-americano, o peronismo, na definição do cientista político argentino Torcuato di Tella, é “uma aliança de parte da elite, como militares e industriais nacionalistas, com os trabalhadores para enfrentar outro segmento da elite, o mais conservador”, no caso argentino a oligarquia latifundiária exportadora.

Para os militares argentinos, que alimentam o sonho de hegemonia na América do Sul, argumenta Di Tella, os Estados Unidos, a potência hegemônica no continente, não armariam a Argentina para atacar o Brasil, que tinha uma política de alinhamento automático com Washington. A Argentina precisa de um desenvolvimento industrial autônomo.

 PRIMEIRO GOVERNO PERÓN
Ao tomar posse em 4 de junho de 1946, Perón promete justiça social e independência nacional. Entre 1946 e 1949, os salários dos operários da indústria argentina sobem em média 53%. A participação da massa salarial no produto interno bruto passa de 40,1% para 49%.

De 1930-35 a 1945-49, a produção industrial dobra. O número de fábricas passa de 38 mil em 1935 para 86 mil. Nesse período, o operariado cresce de 436 mil para mais de um milhão. O total de sindicalizados pula de 500 mil em 1946 para 2 milhões em 1950, quando a força de trabalho tem 5 milhões.

As greves crescem na mesma medida, de 500 mil dias de trabalho perdidos em 1945 para 2 milhões em 1946 e mais de 3 milhões em 1947.

Nos seus dois primeiros anos de governo, Perón nacionaliza o Banco Central, paga uma dívida bilionária com o Banco da Inglaterra, estatiza as ferrovias, a marinha mercante, as universidades, os serviços e transportes públicos. Em 1949, lança a ideia de uma terceira via entre o capitalismo e o comunismo para manter distância da Guerra Fria.

EVITA
Filha ilegítima de uma cozinheira, a cantora, modelo e atriz de teatro e radioteatro María Eva Duarte era amante do coronel Perón. Eles se conhecem num evento beneficente em 22 de janeiro de 1944 no Luna Park, em Buenos Aires, e se casam quatro dias depois da volta triunfal de Perón ao poder, em 17 de outubro de 1945, formando um casal sem paralelo na história política da América Latina.

Evita cuida das obras sociais do governo. É ministra do Trabalho e do Bem-Estar Social e preside a Fundação Eva Perón, criada em 1948, com orçamento anual de US$ 50 milhões, que distribui generosamente dinheiro, empregos e moradia para os descamisados, os migrantes vindos do interior.

Em entrevista ao escritor Tomás Eloy Martínez, em 1970, Perón declara que “Evita foi uma criação minha”, negando que a imagem de sua segunda mulher tenha se tornado maior do que a dele. Essa posição é defendida hoje por peronistas que acusam a oligarquia argentina de inflar o mito de Evita para torná-la maior do que o caudilho.

A primeira-dama é fundamental na campanha para a introdução do voto feminino, em 1947. Chega a ser cotada como candidata a vice-presidente, mas enfrenta forte resistência dos conservadores e militares. Um grande comício realizado pela CGT em 22 de agosto de 1951 é insuficiente para virar o jogo. Depois de uma tentativa de golpe em 28 de setembro, a candidatura Evita foi abandonada.

SANTA EVITA
Uma espécie de Cinderela vingadora, Eva Perón morre de câncer no útero menos de um ano depois, em 26 de julho de 1952, no auge de sua popularidade. Vira uma santa.

Seu funeral dura quatro dias para que todos possam dar adeus à mãe dos pobres. De maio de 1952 a julho de 1954, dois anos depois de sua morte, o Vaticano recebe mais de 40 mil cartas pedindo a canonização de Evita.

Mais da metade das meninas nascidas em algumas províncias argentinas naquela época são batizadas Eva ou María Eva. As adolescentes pintam o cabelo de louro. Evita dita a moda.

DISPUTA PELO CADÁVER
Quando Evita morre, o plano é construir um memorial em sua homenagem. Ela seria enterrada na base de um monumento aos descamisados. Como o líder da revolução comunista na Rússia, Vladimir Lenin, seu corpo embalsamado ficaria em exposição ao público.

Antes da conclusão da obra, Perón é derrubado pelo golpe militar de 1955 e foge sem se preocupar com a múmia de Evita, que desaparece da sede da CGT, em Buenos Aires, onde ficara. De 1955 a 1971, o peronismo é proscrito na Argentina. É proibido ter fotos de Eva e Juan Perón em casa e até mesmo citar seus nomes.

Em 1957, com a ajuda do Vaticano, o cadáver de Evita é retirado da Argentina e enterrado com nome falso na Itália.

Só em 1971 os militares revelam que a ex-primeira-dama está enterrada numa cripta em Milão, na Itália, com o nome de María Maggi. Naquele ano, o corpo é exumado e entregue ao general Perón no exílio na Espanha.

Depois da morte de Perón, em 1974, a terceira mulher do caudilho, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, assume o governo e repatriou o cadáver de Evita, que fica um tempo ao lado dos restos de Perón na Quinta de Olivos, residência oficial dos presidentes da Argentina.

Com o golpe militar de março de 1976, mais uma vez os peronistas temem pelo destino dos restos mortais da grande líder de massas. Em outubro daquele ano, sob a supervisão da ditadura, o cadáver de Evita é levado de Olivos para o Cemitério da Recoleta, onde estão enterrados os grandes líderes da oligarquia argentina, e sepultado no mausoléu da família Duarte.

QUEDA DE PERÓN
As políticas econômicas de Perón dão certo até 1949 por causa do sucesso das exportações durante e logo após a Segunda Guerra Mundial. Mas o preço dos produtos primários exportados pela Argentina cai e o aumento das importações para suprir a indústria deixam a balança comercial negativa. Há queda nos salários reais.

Reeleito com 62,5% dos votos em 11 de novembro de 1951, Perón tem um segundo governo muito mais difícil. Com a crise econômica e sem a carismática e angelical Evita a seu lado, o caudilho enfrenta oposição crescente dos estudantes e da Igreja Católica. Isso levou ao golpe liderado pelo general Eduardo Lonardi, chamado de Revolução Libertadora, em 16 de setembro de 1955.

Lonardi, reconhecendo a força do peronismo, tenta fazer um acordo. É afastado e substituído pelo general linha-dura Pedro Aramburu por adiar a desperonização. O Partido Justicialista (peronista) é dissolvido e há intervenção nos sindicatos.

SUCESSÃO DE GOLPES
Os peronistas continuaram sendo a maior força política argentina. Em 1958, apoiam a candidatura do radical Arturo Frondizi, que promete trazê-los de volta à legalidade. Frondizi é derrubado em março de 1962.

Até outubro de 1963, a Argentina é governada interinamente pelo Presidente do Senado, José María Guido, enquanto duas facções militares disputam o poder: os vermelhos, favoráveis a adotar mais dureza contra o peronismo, e os azuis, mais moderados, que acabam prevalecendo.

Um novo acordo para tentar reinstitucionalizar o país depois do golpe contra Perón leva à eleição de 7 de julho de 1963, vencida por Arturo Illia, derrubado em junho de 1966 pelo comandante do Exército, general Juan Carlos Onganía, que desfilara com a faixa presidencial no dia da posse de Illia.

Os governos militares de 1966 a 1973 são marcados por uma explosão social, o Cordobazo, em maio de 1969, na segunda maior cidade argentina, e pelas atividades de grupos guerrilheiros como o Exército Revolucionário do Povo (ERP), trotskista, e os Montoneros, peronistas, que capturam a matam o ex-ditador Aramburu.

Onganía é derrubado em junho de 1970 pelo general Roberto Levingston, substituído em 1971 pelo general Alejandro Lanusse, que promete restabelecer a democracia.

Com a volta do peronismo à legalidade, Héctor Cámpora é eleito presidente em março de 1973. Ao assumir, em maio, deixa claro que está apenas preparando a volta de Perón.

BATALHA DE EZEIZA
Depois de 18 anos no exílio, Perón volta definitivamente em 20 de junho de 1973. É recebido com a Batalha de Ezeiza, travada perto do aeroporto internacional de Buenos Aires entre a direita peronista, que incluía a temida Aliança Anticomunista Argentina (AAA), e a extrema esquerda, representada pelos Montoneros.

Da plataforma de onde Perón discursaria, franco-atiradores disparam contra a Juventude Peronista e os Montoneros. Pelo menos 13 pessoas morrem e outras 365 saem feridas do Massacre de Ezeiza. O jornal Clarín diz que na época que os números reais devem ser muito maiores. Não há uma investigação oficial sobre essa suspeita.

Em 23 de setembro de 1973, o velho caudilho é eleito presidente da Argentina pela terceira vez, com 62% dos votos, desta vez tendo a mulher como vice. Só que não era mais Evita. Era María Estela Martínez de Perón, uma bailarina de cabaré que ele conhece no exílio no Panamá.

GUERRA SUJA
Com a morte do general, em 1º de julho de 1974, Isabelita toma posse, tornando-se a primeira mulher presidente no mundo inteiro. Mas a crise do peronismo se aprofunda, o terrorismo de direita e de esquerda piora.

O golpe de 24 de março de 1976, liderado pelo general Jorge Rafael Videla e o almirante Emilio Massera, marca o início do “processo de reorganização nacional”, a guerra suja contra a esquerda argentina. O total de mortos e desaparecidos é estimado entre 12 e 30 mil, o que a torna a pior ditadura da América do Sul durante a Guerra Fria.

A sina macabra da história política argentina volta a se manifestar em 29 de junho de 1987, quando o túmulo de Perón é profanado e suas mãos serradas e roubadas.

DEMOCRATIZAÇÃO
    A democratização vem em 1983 depois da derrota na Guerra das Malvinas (1982). Os peronistas perdem sua primeira eleição para o radical Raúl Alfonsín, em 1983. Voltam ao poder com Carlos Menem (1989-99), Eduardo Duhalde (2002-3), Néstor Kirchner (2003-7), Cristina Kirchner (2007-15) e Alberto Fernández (2019-23).

A corrupção e o fracasso total dos últimos governos do peronismo kirchnerista e a ascensão do anarcocapitalismo do presidente Javier Milei são o maior abalo ao movimento político do general.

PRIMEIRO WALKMAN

    Em 1979, a empresa eletroeletrônica japonesa Sony, a mesma que havia popularizado o rádio de pilha nos anos 1950, lança o primeiro Walkman. 

Os radinhos não tinham a qualidade do som estereofônico que as pessoas ouviam em casa. O Walkman, com uma fita cassete, melhora a qualidade de som e cria a primeira geração de pessoas que andam pelas ruas de fones de ouvido, imersas no seu próprio mundo.

No primeiro mês, a Sony só vende 3 mil aparelhos. Em agosto, a estratégia de marketing muda radicalmente. Agentes da Sony abordam transeuntes nas ruas de Tóquio para que experimentem o novo invento. Antes do fim de agosto, os estoques se esgotam.

A criação do iPod, lançado pela Apple em 23 de outubro de 2001, acaba com a era do Walkman. Permite armazenar mil canções com uma bateria de 10 horas de duração. Hoje a música está integrada aos telefones inteligentes.

DEVOLUÇÃO DE HONG KONG

    Em 1997, mais de um século e meio depois da Primeira Guerra do Ópio (1839-42), o Reino Unido devolve Hong Kong à China, que promete manter o regime político liberal durante pelo menos 50 anos dentro da fórmula "um país, dois sistemas", que o então líder Deng Xiaoping cria pensando também na reunificação com Taiwan.

Com a Lei de Segurança Nacional imposta em 2020 a Hong Kong, o regime comunista chinês acaba, na prática, com as liberdades democráticas no território, quebrando o compromisso de mantê-las durante pelo menos 50 anos.

Ao festejar o aniversário da devolução, o ditador Xi Jinping costuma citar várias vezes "um país, dois sistemas", a fórmula que enterra para submeter a ex-colônia britânica a seu poder absoluto.

TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL

    Em 2002, começa a funcionar em Haia, na Holanda, o Tribunal Penal Internacional (TPI), criado pelo Estatuto de Roma (1998) para investigar e processar indivíduos envolvidos em casos de genocídio, crimes de guerra, crimes de agressão e crimes contra a humanidade quando há omissão da Justiça dos países-membros e assim combater a impunidade. Para instalar o tribunal, pelo menos 60 países precisam ratificar o Estatuto de Roma, o que acontece em 11 de abril de 2002.

Como não tem competência retroativa, o tribunal julga os casos acontecidos a partir desta data. Os Estados Unidos e a Rússia assinam o tratado, mas nunca ratificam. Os EUA queriam submeter o procurador-geral ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. A China e a Índia nem assinam. Em princípio, estes países estão imunes em seus territórios nacionais, mas não seus agentes no exterior ou mesmo seus governantes por crimes cometidos no exterior.

A ideia de criar um tribunal internacional para crimes de guerra surge na Conferência de Paz de Versalhes (1919) depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18). A Liga das Nações realiza uma conferência em Genebra em 1937 para criar um tribunal internacional permanente para julgar atos de terrorismo internacional. Treze países assinam a convenção, mas nenhum a ratifica. Ela não entra em vigor.

Depois da Segunda Guerra Mundial, há a criação do Tribunal Militar Internacional de Nurembergue, na Alemanha, para julgar os criminosos nazistas, e o Tribunal Militar Internacional de Tóquio para julgar os japoneses, ambos temporários.

Durante a Guerra Fria entre EUA e União Soviética, a ideia de um tribunal penal internacional é inviável.

Nos anos 1990, há dois tribunais internacionais temporários para os crimes de guerra e contra a humanidade cometidos na Iugoslávia e em Ruanda. Em 1994, a Comissão de Direito Internacional apresenta o projeto do Tribunal Penal Internacional à Assembleia Geral da ONU e recomenda a realização de uma conferência internacional para aprová-lo.

Após várias reuniões preparatórias, a conferência é convocada para Roma. Em 17 de julho de 1998, 120 países aprovam o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional. Sete votam contra (Catar, China, EUA, Iêmen, Iraque, Israel e Líbia) e 21 se abstêm. Hoje 125 países são membros do tribunal.

Em 2009, o TPI decretou a prisão do ditador do Sudão, Omar Bachir, pelo genocídio da Darfur. Ele vai a uma reunião da União Africana na África do Sul. A Suprema Corte sul-africana manda prender, com base no compromisso do país como signatário do Estatuto de Roma, mas o governo não executa a ordem judicial.

Mesmo que a Rússia não seja parte do tribunal, em março de 2022, o tribunal emite uma ordem de prisão contra o ditador da Rússia, Vladimir Putin, por sequestro e deportação de menores ucranianos levados para russificação, o que configura crime de genocídio.

O TPI também investiga possíveis crimes de guerra cometidos por Israel e pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) na Guerra de Gaza mesmo Israel não sendo parte porque a Palestina é e os crimes de que Israel é acusado aconteceram principalmente na Faixa de Gaza. 

Em 2024, o procurador-geral pediu a prisão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e do ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, e de três dirigentes do Hamas, o líder máximo, Ismail Haniya; o comandante do braço armado do grupo, Mohamed Deif; e do líder em Gaza, Yahya Sinwar, considerado o mentor do ataque terrorista de 7 de outubro de 2023. Um painel de três juízes aceita o pedido, mas os três líderes do Hamas são mortos na guerra.

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terça-feira, 30 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 30 de Junho

CORTEZ FOGE

     Em 1520, diante de uma revolta dos astecas, as forças do conquistador espanhol Hernán Cortez se retiram de Tecnochtitlán, a capital do Império Asteca, hoje Cidade do México, e fogem para Tlaxcala.

Na Noite Triste, há uma batalha em que os astecas derrotam os espanhóis, que fogem. Muitos soldados morrem afogados quando um navio que leva os espanhóis e os tesouros recebidos e roubados naufraga no Lago Texcoco. O imperador Montezuma II também morre na revolta.

Cortez volta a atacar a capital do Império Asteca em maio de 1521. Depois de três meses de cerco, com a ajuda de uma epidemia de varíola, toma Tenochtitlán para a coroa espanhola, que rebatizaria o país como Vice-Reino da Nova Espanha.

HITLER EXPURGA NAZISTAS

    Em 1934, na Noite das Facas Longas, Adolf Hitler promove um expurgo dentro do Partido Nacional-Socialista Trabalhista da Alemanha (Nazista).


Centenas de nazistas que o Führer teme que possam virar inimigos são assassinados. Entre os principais alvos, estão as tropas de choque do Partido Nazista, a SA (Sturmabeitlung), a Divisão de Assalto, os camisas-marrons que o ajudaram a chegar ao poder em 1933.

Sob a alegação de que o comandante da SA, Ernst Röhm, planeja um golpe de Estado, Hitler ordena o massacre. A SS (Schutzstaffeln), Esquadrão de Proteção, sob o comando de Heinrich Himmler, mata Röhm e outros chefes da SA.

Outros inimigos de Hitler são mortos, inclusive o último chanceler (primeiro-ministro) da República de Weimar, Kurt von Schleicher; Gregor Strasser, que até 1932 era o vice-líder do Partido Nazista; o ex-separatista da Baviera Gustav von Kahr; Edgar Jung, um conservador crítico do nazismo; e o professor católico Erich Klausener. O vice-chanceler Franz von Papen escapa do massacre, mas é demitido três dias depois.

LUMUMBA PROCLAMA INDEPENDÊNCIA DO CONGO

    Em 1960, depois de 75 anos de um colonialismo brutal, o Congo declara independência da Bélgica sob a liderança do primeiro-ministro Patrice Lumumba.

Líder do Movimento Nacional Congolês, Lumumba é um pan-africanista que defende a luta pacífica pela independência e a solidariedade dos povos da África contra o imperialismo.

Logo depois da independência, começa uma guerra civil com a tentativa de separação das províncias de Catanga e Cassai do Sul. Lumumba pede ajuda aos Estados Unidos e às Nações Unidas. Diante da recusa, recorre à URSS. É deposto em 14 de setembro de 1960 por um golpe liderado por Joseph-Desiré Mobutu, um medíocre ex-sargento do exército colonial belga, e é executado por um pelotão de fuzilamento em Lubumbashi em 17 de janeiro de 1961.

A ONU manda sua primeira grande missão de paz ao país, com cerca de 20 mil soldados. Pela primeira vez, soldados da ONU entram em combate. O sueco Dag Hammarskjöld torna-se o único secretário-geral a morrer no exercício do cargo, num acidente de avião suspeito, provavelmente abatido pelos rebeldes e aliados durante visita para tratar da guerra civil, em 18 de setembro de 1961, na Rodésia do Norte, hoje Zâmbia.

Riquíssimo em minerais, o Congo tem uma das histórias mais trágicas da África. A Primeira Guerra Civil do Congo vai até 1965 e termina com a ascensão ao poder de Mobutu, que muda o nome do país para Zaire em 1971 governa até 16 de maio de 1997, quando é derrubado por Laurent Kabila, que luta ao lado de Ernesto Che Guevara, quando o guerrilheiro argentino tenta levar a revolução à África, de abril e novembro de 1965.

Em 1996, depois do genocídio de Ruanda, em 1994, e da fuga de ruandeses para o Leste do então Zaire, Kabila deixa seu refúgio nas Montanhas da Luta e marcha até Kinshasa para depor Mobutu. Um dia depois, em 17 de maio de 1997, muda o nome do país para República Democrática do Congo.

A queda de Mobutu deflagra a Primeira Guerra Mundial Africana, com a participação de nove exércitos nacionais e cerca de 300 grupos armados irregulares. Até 2002, estima-se que mais de 5 milhões de africanos tenham morrido em combate, de fome e de doenças causadas pela guerra.

BARYSHNIKOV FOGE PARA A LIBERDADE

    Em 1964, aos 26 anos, o bailarino soviético Mikhail Baryshnikov pede asilo ao Canadá durante uma turnê do Balé Kirov, de Leningrado, hoje São Petersburgo.

Depois de uma articulação com amigos, no fim de uma apresentação em Toronto, antes de entrar no ônibus, o bailarino para para dar autógrafos a um grupo de fãs e sai correndo. O carro de resgate está a quadras de distância. Os fãs saem atrás, ajudando-o a escapar da polícia política da União Soviética, o Comitê de Defesa do Estado (KGB).

TRUMP NA COREIA DO NORTE

    Em 2019, num encontro com o ditador Kim Jong na zona desmilitarizada entre as duas Coreias, o presidente Donald Trump cruza a fronteira, tornando-se o primeiro presidente em exercício dos Estados Unidos a ir à Coreia do Norte.

Em 15 de junho de 1994, o ex-presidente Jimmy Carter vai à Coreia do Norte e se reúne com o ditador Kim Il Sung, fundador do país, para tentar aliviar a tensão na última fronteira da Guerra Fria gerada pelo programa nuclear norte-coreano e reduzir o risco de guerra com a aliada da China. Mas a distensão não progride.

Depois de Trump ameaçar destruir a Coreia do Norte com um ataque que só poderia ser feito com armas nucleares, na mensagem de Ano Novo de 2018, Kim propõe negociações para enviar uma delegação norte-coreana aos Jogos Olímpicos de Inverno realizados na Coreia do Sul em 2018. Por iniciativa do presidente da Coreia do Sul, Moon Jae In, Trump se encontra com Kim em Cingapura em 12 de junho daquele ano.

Logo após o encontro, Trump anuncia o fim das manobras militares conjuntas "provocativas" dos EUA com a Coreia do Sul e declara a intenção de retirar as forças norte-americanas que estão no país desde a Guerra da Coreia (1950-53), hoje cerca de 28,5 mil soldados. 

Em 1º de agosto, o Congresso aprova um orçamento militar e proíbe a redução do número de militares na Coreia do Sul para menos de 22 mil. O recado é que a retirada dos EUA não pode ser usada como instrumento de barganha nas negociações para acabar com o programa nuclear norte-coreano.

A Coreia do Norte explode a bomba em 9 de outubro de 2006. Desde então, faz um total de seis testes nucleares, o último em 3 de setembro de 2017. O arsenal do país teria entre 40 e 70 ogivas nucleares.

Trump e Kim voltam a se encontrar em Hanói, a capital do Vietnã, em 27 e 28 de fevereiro de 2019, mas não há avanço nas negociações para desnuclearizar a Coreia do Norte e reduzir ou suspender as sanções ao país.

O terceiro encontro de cúpula entre Trump e Kim é realizado na zona desmilitarizada em 30 de junho de 2019 com a presença do líder sul-coreano. A conversa dura quase uma hora, mais do que previsto. Trump convida Kim para ir à Casa Branca, mas isto não acontece. Os dois líderes trocam o que Trump descreve como "cartas de amor", mas as negociações não avançam.

Kim volta a usar uma linguagem agressiva. No fim de 2024, 10 a 12 mil soldados norte-coreanos são enviados para lutar na província russa de Kursk, invadida pela Ucrânia na guerra de agressão do Kremlin contra o país vizinho. No início de 2025, mais 3 a 4 mil soldados do Coreia do Norte reforçam o contingente que luta ao lado da Rússia. Pelo menos 300 norte-coreanos foram mortos e 2,7 mil feridos nesta guerra até janeiro de 2025.

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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 29 de Junho

ALEMANHA TOMA RIGA E CERCA MINSK

     Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Alemanha Nazista invade a União Soviética em três frentes, toma Riga, a capital da Letônia, no Norte, e cerca o exército inimigo em Minsk, a capital da Bielorrússia.

Apesar do Pacto Germano-Soviético, um tratado de não agressão assinado em 23 de agosto de 1939 para adiar um confronto direto, dividir a Polônia e deixar a URSS tomar as repúblicas bálticas (Estônia, Letônia e Lituânia), o ditador Josef Stalin considera inevitável a guerra contra a Alemanha por causa da incompatibilidade ideológica entre comunismo e nazismo. Mas acredita que Adolf Hitler não ordenaria a invasão antes de conquistar o Reino Unido. É surpreendido.

Depois de perder a Batalha da Inglaterra, uma batalha aérea travada de 10 de julho a 31 de outubro de 1940, com o resto da Europa Ocidental sob seu controle, Hitler se volta para a frente oriental. Ao invadir a URSS, comete seu maior erro, que custa a derrota e a vida. Como Napoleão Bonaparte em 1812, subestima a capacidade de resistência e luta do povo russo.

Em 22 de junho de 1941, 150 divisões alemãs entram na pátria do comunismo com a cobertura da Luftwaffe, a Força Aérea nazista, que tem superioridade aérea, e avançam em três frentes: ao norte, rumo a Leningrado, hoje São Petersburgo; no centro, em direção a Moscou; ao sul, para Kiev, a capital da Ucrânia.

Com a ajuda de seus aliados finlandeses e romenos, a blitzkrieg, a guerra-relâmpago baseada na aviação e em tanques de alta velocidade, logo conquista uma grande área do território soviético. Em 29 de junho, caem Riga e Ventspils, na Letônia, 200 aviões soviéticos são abatidos e os alemães fecham o cerco a três exércitos inimigos.

É um duelo entre os maiores ditadores da história. De um lado, os generais alemães advertem Hitler de que não têm condições de cuidar de prisioneiros durante a invasão da URSS. Os inimigos presos seriam sumariamente executados. Por outro lado, Stalin não aceita a rendição nem o recuo. Quem recua é executado.

Em meados de outubro, Moscou e Leningrado estão sitiadas. O Cerco de Leningrado é uma das grandes batalhas da Segunda Guerra Mundial. Dura quase 900 dias, de 8 de Setembro de 1941 a 27 de Janeiro de 1944. A cidade passa fome. Os pais não deixam os filhos saírem de casa porque há um mercado negro de carne humana. 

A perda da Batalha de Moscou, travada de 30 de setembro de 1941 a 20 de abril de 1942, é a primeira derrota alemã na guerra.

A ofensiva nazista é contida na frente sul, na Batalha de Stalingrado, talvez a mais importante da história, travada de 23 de agosto de 1942 a 2 de fevereiro de 1943, com quase 2 milhões de mortes. A partir daí, o Exército Vermelho lança a contraofensiva que termina em Berlim em 8 de maio de 1945, fim da guerra na Europa.

BRASIL CAMPEÃO DO MUNDO

    Em 1958, a seleção brasileira conquista sua primeira Copa do Mundo ao vencer a Suécia em Estocolmo por 5-2, com craques como Pelé, de apenas 17 anos, Garrincha, Didi, eleito o melhor da Copa, e Nílton Santos. Com 6 gols, Pelé é a revelação.

Na estreia, em 8 de junho, o Brasil vence a Áustria por 3-0, com dois gols de Mazzola e um de Nílton Santos. O segundo jogo, em 11 de junho, é um empate de 0-0 com a Inglaterra. O terceiro adversário é a União Soviética, com seu "futebol científico".

Em conversa com Didi no hotel o técnico Vicente Feola aparenta tranquilidade. Didi não tem a mesma segurança e adverte: "Está todo o mundo com medo. Se o senhor não botar o Mané e o Pelé, será muito difícil." O Brasil precisa da vitória.

Ao dar as instruções no hotel, Garrincha disse sua frase mais famosa: "O senhor combinou com os russos?" Não precisa. O jogo, disputado em 15 de junho, revela Pelé e Garrincha ao mundo. Garrincha acaba com seu marcador, Kusnetsov e é chamado de "melhor reserva do mundo".

Com três minutos, talvez os mais eletrizantes da história do futebol, o Brasil chuta duas bolas na trave e abre o placar. No final, ganha por 2-0.

Contra o País de Gales, em 19 de junho, Pelé marca o gol mais importante de sua carreira, furando uma retranca obstinada: 1-0.

No Dia de São João, 24 de junho, o Brasil vence a semifinal contra a favorita França por 5-2, com dois gols anulados, de Zagallo e Garrincha, pelo juiz Benjamin Griffiths, do País de Gales, muito criticado pela imprensa brasileira. É o jogo do melhor ataque contra a melhor defesa. O Brasil leva seus primeiros gols. Vavá, Didi e Pelé (3) marcam para o Brasil. Just Fontaine, o maior artilheiro de uma Copa do Mundo, com 13 gols, e Roger Piantoni, descontam para a França.

A final é disputada no Dia de São Pedro, 29 de junho. A Suécia sai na frente aos 4 minutos, com gol de Nils Liedholm, de 35 anos, o jogador mais velho a marcar numa final de Copa do Mundo. Didi, o líder da equipe, pega a bola no fundo da rede e caminha até o centro do campo com uma ideia na cabeça: passar a bola para o Mané.

Com dois gols de Vavá em cruzamentos de Garrincha, o Brasil vira no primeiro tempo. Aos 10 minutos do segundo tempo, Pelé dá um chapéu num zagueiro se torna o jogador mais jovem a marcar numa final de Copa. Zagallo aumenta para 4-1. Simonsen desconta para a Suécia e Pelé fecha o placar de cabeça no último lance do jogo. Brasil 5-2.  

MICK E KEITH NO BANCO DOS RÉUS

    Em 1967, Mick Jagger e Keith Richards, os líderes dos Rolling Stones, são levados a julgamento por uso de drogas depois de uma batida policial numa casa de Richards.


A promotora atribui o fato de Marianne Faithful, namorada de Jagger, vestir apenas uma pele de urso ao uso de maconha. Keith considera normal e responde: "Não somos velhos. Não estamos preocupados com um moralismo mesquinho." Vira um dos porta-vozes da geração rebelde dos anos 1960.

Mick é preso com quatro comprimidos de anfetamina que havia comprado na Itália. É condenado a três meses de cadeia com direito a recorrer em liberdade. 

O caso de Keith é mais grave. Ele é acusado de deixar usarem sua casa para consumo de drogas. É condenado e sentenciado a um ano de prisão. 

No dia da sentença, sai direto do tribunal para a prisão de Wormwood Scrubs. É recebido pelos outros presos como um astro do rock. E só fica uma noite. No dia seguinte, consegue liberdade mediante pagamento de fiança.

Mais tarde, o caso é anulado porque a tentativa de associar a seminudez de Marianne Faithful ao consumo de drogas é considerada preconceituosa.

Anos depois, ao falar sobre o consumo de substâncias ilícitas, Keith declara: "Nunca tive problemas com drogas. Tive problemas com a polícia."

PUNIÇÃO CRUEL E INCOMUM

    Em 1972, por 5 a 4, a Suprema Corte considera inconstitucional a pena de morte do jeito em que é aplicada, por violar a Emenda nº 8 à Constituição dos Estados Unidos como "punição cruel e incomum".

Não é uma vitória dos defensores da abolição da pena capital. O supremo tribunal federal norte-americano sugere que pode aceitá-la se houver padrões uniformes para júris e juízes decidirem e métodos menos cruéis de execução.

Com 66% dos americanos a favor da pena de morte na época, em 1976, a Suprema Corte restabelece a pena morte. O primeiro executado, no ano seguinte, é Gary Gilmore, condenado no ultraconservador estado de Utah por matar um casal de idosos que se nega a lhe emprestar um carro.

ISABELITA ASSUME A PRESIDÊNCIA

    Em 1974, a vice-presidente María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, assume a Presidência da Argentina diante do estado terminal do marido Juan Domingo Perón, o líder populista que até hoje, 51 anos depois de sua morte, em 1º de julho daquele ano, domina a política do país.

O coronel Perón participa de um golpe militar em 1943. Vira ministro do Trabalho e depois vice-presidente e ministro da Guerra. Afastado em 9 de outubro de 1945 num golpe dentro do golpe, volta nos braços do povo (sonho de todo populista) sob pressão dos sindicatos e de sua carismática amante, a atriz María Eva Duarte, a Evita. 

Em 17 de outubro, a data magna do peronismo, o Dia da Lealdade, Perón é solto e faz seu primeiro discurso do balcão da Casa Rosada para uma multidão estimada em 300 mil pessoas. Quatro dias depois, Perón, que é viúvo, casa com Evita, formando o casal que até hoje domina a política argentina.

Com a promessa de um salariaço aos trabalhadores, Perón é eleito presidente com 52,4% dos votos em 1946. O aumento no salário salarial deflagra uma grande alta no consumo: as vendas de fogões aumentam 106%, de geladeiras 218%, de calçados 133%, de discos fonográficos 200% e de rádios 600%, incentivadas por programas de redistribuição da renda e de crédito barato. Entre 1945 e 1948, a economia cresce a um recorde de 8,5% ao ano, enquanto os salários reais aumentam 46%.

Perón é reeleito com 62% votos em 1951. Evita chega a ser cotada para vice. Sob pressão conservadora, não é indicada. Ela morre aos 33 anos, em 26 de julho de 1952, de câncer de útero, como a primeira mulher de Perón, Aurelia Tizón.

A terceira mulher de Perón, Isabelita, 35 anos mais moça do que ele, é bailarina no Panamá quando conhece o general, no Natal de 1955. Perón está exilado depois do golpe militar de 16 de setembro daquele ano, que os golpistas chamam de Revolução Libertadora.

Atraído por sua beleza, o general vê nela a companheira de que sente falta desde a morte da segunda mulher, sua grande paixão. Perón volta à Argentina em 1973 e ganha a eleição para um terceiro governo de menos de nove meses em meio a uma crise econômica e política, com uma guerra civil entre grupos guerrilheiros de esquerda e grupos paramilitares de extrema direita.

A tentativa de transformar Isabelita numa segunda Evita, dando-lhe a vice-presidência e o governo quando Perón morre, leva a uma tragédia, ao golpe militar de 24 de março de 1976 e à ditadura sanguinária que mata 30 mil argentinos até ser derrotada e humilhada pelos britânicos na Guerra das Malvinas (1982). A democracia volta à Argentina com a eleição de Raúl Alfonsín, empossado em 10 de dezembro de 1983.

ATLANTIS SE ACOPLA À ESTAÇÃO MIR

    Em 1995, a nave espacial norte-americana Atlantis se acopla à estação espacial russa Mir para formar o maior satélite artificial da Terra. É um momento histórico de cooperação entre os antigos inimigos da Guerra Fria.


São seis da manhã pelo horário da costa leste dos Estados Unidos quando a nave com seis tripulantes se aproxima da estação espacial a cerca de 392 quilômetros da Terra, na altura da fronteira entre a Rússia e a Mongólia. Os três cosmonautas russos transmitem canções folclóricas da Rússia como um gesto de boas-vindas.

O comandante da Atlantis, Robert Gibson, manobra durante duas horas para realizar o acoplamento. Tem de aproximar a nave de 100 toneladas até uma distância de menos de três polegadas (7,62 centímetros) a uma velocidade de não mais do que 3 cm/seg.

Na época, o diretor da NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos EUA), Daniel Goldin, saúda o encontro no espaço como marco do "início de uma nova era de cooperação e amizade" entre a Rússia e os EUA. O projeto tem mais 11 missões. É decisivo para a construção da Estação Espacial Internacional que está em órbita hoje.

CALIFADO UNIVERSAL

    Em 2014, o líder da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Abu Baker al-Baghdadi, proclama na Grande Mesquita de Mossul, no Iraque, a fundação de um califado com jurisdição universal baseado inicialmente nos territórios conquistados pelo grupo na Síria e no Iraque, mas destinado a converter o mundo inteiro ao fundamentalismo islâmico sunita, ao salafismo. Muda o nome do grupo terrorista para Estado Islâmico.

O Estado Islâmico é filho da rede Al Caeda no Iraque, fruto da infiltração do grupo terrorista de Ossama ben Laden no país depois da invasão norte-americana de março de 2003. Em 15 de outubro de 2006, vira Estado Islâmico do Iraque. Com a guerra civil iniciada em março de 2011 na Síria e a expansão de sua área de atuação, em 8 de abril de 2013, torna-se Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

A conquista de Mossul, a terceira maior cidade do Iraque e origem da palavra muçulmano, em 10 de junho de 2014, leva o califado a sua maior expansão, com controle de uma área com pelo menos 8 milhões de pessoas na Síria e no Iraque, onde implanta um reino do terror, com escravização de mulheres, execução sumária de homossexuais e soldados inimigos.

Em agosto de 2014, quando o Estado Islâmico comete genocídio contra o povo yazidi no Iraque e degola o norte-americano James Foley, o presidente Barack Obama declara guerra ao grupo terrorista. Sob pressão de bombardeios dos Estados Unidos, da Rússia, da França e do Reino Unido, em 13 de novembro de 2015, os jihadistas aterrorizam Paris e matam 130 pessoas.

O último bastião do Estado Islâmico é derrotado em 23 de março de 2019 na Batalha de Baghuz Fauqani. Al-Baghdadi é morto em 27 de outubro de 2019 numa operação militar de forças especiais dos EUA. Mas o Estado Islâmico sobrevive nas prisões, na clandestinidade e em outros países como o Afeganistão, na Rússia e na África.

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domingo, 28 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 28 de Junho

MONARQUIA UNIVERSAL

     Em 1519, o rei Carlos I, da Espanha, é eleito imperador do Sacro Império Romano-Germânico como Carlos V.

Carlos, neto dos reis católicos Fernando II e Isabel, suborna príncipes germânicos para que votam nele. Assim, vence Henrique VIII, da Inglaterra, e Francisco I, da França, e Frederico, o Sábio, Duque da Saxônia. Um dos homens mais poderosos de seu tempo, sonha em criar uma "monarquia universal".

TIROS MUDAM A HISTÓRIA

    Em 1914, o estudante radical sérvio Gavrilo Princip mata o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, e sua mulher, Sophia, durante uma visita a Sarajevo, capital da Bósnia-Herzegovina. São tiros que mudam a história.

Um mês depois, a Áustria-Hungria declara guerra à Sérvia, aliada do Reino Unido, da França e da Rússia, que formam a Triplice Entente. 

Por outro lado, a Alemanha apoia a Áustria. A Alemanha, a Áustria-Hungria e a Itália foram a Tríplice Aliança dem 1892. Começa a Primeira Guerra Mundial (1914-18), o conflito que forja o século 20. A Itália não entra, sob a alegação de que a aliança é defensiva. Mais tarde, a partir de 1915, luta ao lado da Entente.

PAZ PARA ACABAR COM TODAS AS PAZES

    Em 1919, o economista britânico John Maynard Keynes adverte que o Tratado de Versalhes, assinado neste dia pela Alemanha, causaria o caos econômico.

Keynes abandona a conferência de paz, realizada no Palácio de Versalhes, perto de Paris, em protesto contra as cláusulas punitivas do acordo.

Se o presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson, convence os norte-americanos a entrar na Primeira Guerra Mundial (1914-18) afirmando que é "a guerra para acabar com todas as guerras", o Tratado de Versalhes é descrito como a paz para acabar com todas as guerras.

A humilhação imposta à Alemanha leva à ascensão do Nazismo e ao revanchismo de Adolf Hitler, que inicia a Segunda Guerra Mundial (1939-45) ao invadir a Polônia em 1º de setembro de 1939. Quando a França se rende, em junho de 1940, Hitler faz questão que a capitulação seja assinada no mesmo vagão em que a Alemanha se rendeu no fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18) para indicar que uma guerra é a continuação da outra.

OFENSIVA NO VIETNÃ

    Em 1965, os Estados Unidos lançam sua primeira grande ofensiva na Guerra do Vietnã (1955-75). 

Três mil soldados americanos da 173ª Brigada Aerotransportada, 800 soldados da Austrália e uma unidade aerotransportada do Vietnã do Sul participam do ataque a guerrilheiros do Vietcongue numa floresta a pouco mais de 30 quilômetros de Saigon, a capital sul-vietnamita. 

A operação é suspensa três dias depois por não ter encontrado uma quantidade significativa de inimigos.

GRANDE REVOLTA GAY

  Em 1969, começa a Rebelião de Stonewall, em reação a uma invasão violenta da polícia ao bar gay Stonewall Inn, no Greenwich Village, em Nova York.

A revolta dura cinco dias. É o marco do início da luta pelos direitos dos homossexuais nos Estados Unidos, hoje celebrado como Dia do Orgulho Gay.

As primeiras paradas do orgulho gay são realizadas um ano depois em Nova York, São Francisco, Los Angeles e Chicago.

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sábado, 27 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 27 de Junho

MÓRMONS  

   Em 1844, uma multidão invade uma prisão em Cartago, no estado de Illinois, nos Estados Unidos, e mata Joseph Smith, fundador da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (mórmon), e seu irmão Hyrum.

Smith nasce em Vermont em 1805. Aos 18 anos, conta ter recebido a visita de um anjo chamado Moroni que lhe revela um texto sagrado desaparecido que teria sido escrito e gravado em placas de ouro por nativos americanos no século 4, com relato sobre uma colônia israelita que teria existido na América em tempos ancestrais.

Durante anos, Smith dita o texto para sua mulher e outros escribas. Em 1830, é publicado o Livro de Mórmon. No mesmo ano, ele funda a Igreja de Cristo, que depois muda de nome para Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

A religião logo atrai devotos, mas provoca críticas por adotar práticas como a poligamia. Em 1844, Smith anuncia sua candidatura à Presidência dos EUA, o que aumenta a reação contra a seita. Depois de destruir a gráfica de um jornal crítico de sua religião, Smith convoca uma milícia para defendê-lo na cidade de Nauvu, em Illinois.

Acusados de traição e conspiração, ele e o irmão são presos e mortos pela malta que invade a prisão. Dois anos depois, seu sucessor, Brigham Young, lidera uma fuga para o Oeste para escapar da perseguição. Em julho de 1847, 148 pioneiros chegam ao Lago Salgado de Utah, refundam a religião e se preparam para receber dezenas de milhares de migrantes atraídos pela fé.

MOEDA NACIONAL DO JAPÃO

    Em 1871, o iene, que circula desde 1869, se torna a moeda oficial do Japão, substituindo as notas emitidas pelos senhores feudais, que circulavam desde o século 16, no tempo de uma guerra civil em que não havia um governo que controlasse todo ou quase todo o território japonês.

No início do Xogunato Tokugawa (1603-1868), o Japão se fecha para o mundo exterior, só faz comércio em dois portos até o almirante norte-americano Matthew Parry ameaçar bombardear o porto de Tóquio em 1853 e 1854 para abrir o país ao comércio internacional.

Para não ser colonizado pelas potências ocidentais, o Japão percebe que precisa se modernizar. Em 1868, acaba o xogunato. Começa a era da Restauração Meiji, a restauração do poder do imperador.

Entre as reformas para a modernização do país, o iene é adotado como moeda nacional.

ENIGMA

    Em 1940, a Alemanha Nazista usa pela primeira vez a máquina de codificação Enigma para proteger as comunicações por rádio com a França ocupada.


Os alemães instalam estações de rádio em Brest e no porto de Cherbourg para melhorar a comunicação com seus aviões de combate durante a Batalha da Inglaterra, vencida pela Força Aérea Real britânica.

A máquina Enigma é criada em 1919 pelo holandês Hugo Koch para uso em negócios. Os alemães a adaptam para a guerra e consideram seus códigos secretos indecifráveis. Mas os britânicos descobrem os códigos e decifram todas as mensagens alemãs.

EUA ENTRAM NA GUERRA DA COREIA

    Em 1950, o presidente Harry Truman manda as forças dos Estados Unidos na Coreia do Sul entrar na guerra contra a Coreia do Norte, que invadira o Sul dois dias antes, no início da Guerra da Coreia (1950-53).

No fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), os EUA e a União Soviética ocupam a Coreia, que era dominada pelo Japão desde 1910. Em 1948, a divisão é oficializada com a fundação da Coreia do Norte e da Coreia do Sul.

A guerra começa quando 90 mil soldados norte-coreanos cruzam o paralelo 38º Norte e invadem o Sul com o objetivo de reunificar a Península Coreana sob o regime comunista. Como estava boicotando o Conselho de Segurança das Nações Unidas por causa de exclusão da República Popular da China (comunista), a URSS não veta a resolução que autoriza o uso da força, em 28 de junho. Até hoje, os EUA tem um mandato da ONU para reunificar a Coreia.

Em 30 de junho, Truman anuncia o envio de mais soldados para a Coreia do Sul. Uma semana depois, o Conselho de Segurança da ONU coloca a força internacional sob o comando dos EUA.

Quando a aliança liderada pelos EUA invade o Norte, o 4º Exército da China cruza o Rio Yalu, em outubro de 1950. Há uma guerra entre os EUA e a China dentro da Guerra da Coreia – e a China vence ao forçar os norte-americanos e aliados a recuar para o sul do do paralelo 38º N e restaurar a situação anterior à guerra, evitando a presença de um aliado dos EUA junto a sua fronteira.

Depois de anos de impasse de cerca de 5 milhões de mortes, um cessar-fogo acaba com a Guerra da Coreia em 27 de julho de 1953. Até hoje, não assinado um acordo de paz. O desenvolvimento de armas nucleares pelo Norte voltou a tornar a última fronteira da Guerra Fria num dos lugares mais perigosos do mundo.

BANDEIRA DA CONFEDERAÇÃO

    Em 2015, a ativista negra Brittany Bree Newsome escala o mastro e retira a bandeira da Confederação que tremula diante do palácio do governo do estado da Geórgia.

Até 2001, a bandeira dos Estados Confederados da América (Sul), que queriam se separar da União por não aceitar o abolição da escravatura, é a bandeira do estado da Geórgia. A tentativa de separação causa a Guerra da Secessão (1861-65), a pior guerra da história dos EUA.

Bree é presa ao descer. O jogador de basquete Dwayne Wade e o cineasta Michael Moore pagam a fiança. O gesto de desobediência civil – um protesto contra o massacre de nove negros numa igreja em Charleston, na Carolina do Sul, dez dias antes – provoca uma discussão sobre a manutenção dos símbolos da Confederação. Em 9 de julho, a Assembleia Legislativa aprova lei para remover definitivamente a bandeira.

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