quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 23 de Setembro

DESCOBERTA DE NETUNO

    Em 1846, o astrônomo Johann Gottfried Galle é o primeiro ser humano a observar o planeta Netuno, cuja existência havia sido matematicamente prevista por Urban-Jean-Joseph Le Verrier e John Couch Adams.


O planeta é batizado com o nome do deus romano do mar, Netuno (Poseidon na mitologia grega), filho de Cronos, o Tempo (Saturno para os romanos), e irmão de Zeus, Júpiter na mitologia romana. Júpiter, deus do céu e da terra, Netuno, rei dos mares, e Plutão, o deus dos infernos, governam o mundo.

Netuno é o oitavo e último planeta do Sistema Solar desde que Plutão foi rebaixado a planeta-anão. Está a 4,5 bilhões de quilômetros do Sol. Com 50 mil km de diâmetro, é um dos quatro planetas-gigantes, ao lado de Júpiter, Saturno e Urano. Com densidade 25% maior, tem mais massa do que Urano. Tem 14 luas, mas só duas são conhecidas antes da missão da Voyager 2, em 1989.

É mais um planeta azul, formado principalmente por hidrogênio, hélio, água e compostos voláteis. Não tem superfície sólida. O calor que vem do interior deixa a temperatura um pouco mais alta do que em Urano. Talvez isso seja responsável por fenômenos atmosféricos. Os ventos de Netuno são os mais velozes do Sistema Solar. Por causa da distância, só pode ser observado por telescópio.

A órbita de Netuno é um círculo quase perfeito. Assim, a distância em relação ao Sol praticamente não varia ao longo da revolução em torno do Sol, que leva quase 164 anos.

BILLY THE KID PRESO

    Em 1875, Billy the Kid, um dos mais famosos pistoleiros do Faroeste dos Estados Unidos, é preso pela primeira vez, por furtar roupas de uma lavanderia.

Ele foge da cadeia e vira uma lenda no Velho Oeste, onde ganha a reputação de marginal e assassino, acusado por 21 homicídios.

William Henry McCarty nasce por volta de 1860 em Indiana ou Nova York. Não se sabe ao certo nem quando nem onde. Ele não se relaciona com o pai. Mora com a mãe em Indiana, no Kansas, no Colorado e no Novo México.

Depois de morte da mãe, em 1864, começa uma vida de crimes que termina em 14 de julho de 1881, quando o xerife Pat Garrett o mata em Forte Summer, no Novo México.

REINO DA ARÁBIA SAUDITA

    Em 1932, por decreto real do sultão Abdulaziz ben Abdul Rahman, os reinos de Hejaz e Nadj e dependências se unem para formar o Reino da Arábia Saudita.

A região de Hejaz, no Oeste do país, ao longo do Mar Vermelho, é o berço do Islã. É onde ficam as cidades sagradas de Meca e Medina. A Hégira, a fuga de Maomé de Meca para Medina, em 622, é o marco de fundação do islamismo. Essas duas cidades são as mais importantes da religião muçulmana.

Do outro lado do país, no Leste, ao longo do Golfo Pérsico, estão os campos de petróleo que fazem da Arábia Saudita o segundo maior produtor mundial e o maior exportador de petróleo.

A Dinastia Saud tem uma ligação histórica com o wahabismo, uma versão puritana e ultraconservadora do Islã dominante na Arábia Saudita. Com a riqueza do petróleo, a partir dos anos 1970, os sauditas exportam sua ideologia, que serve de base o jihadismo sunita d'al Caeda e do Estado Islâmico.

O regime é feudal. Não há Constituição escrita. A família real manda em tudo. A religião tem um papel importante no controle social. Há uma polícia religiosa.

Hoje, o país é governado pelo príncipe herdeiro Mohamed ben Salman, acusado de mandar esquartejar o jornalista saudita Jamal Khashoggi, que morava em Washington, no Consulado Saudita em Istambul, na Turquia, em 2 de outubro de 2018. 

É o homem que quer modernizar o país. Deixou as mulheres dirigir, mas aumentou a repressão contra as mulheres. Está investindo uma fortuna no futebol, atraindo craques como Cristiano Ronaldo e Neymar. Se suceder o pai, será o primeiro rei saudita que não é filho de Abdulaziz. 

MORTE DE FREUD

    Em 1939, morre em Londres o Dr. Sigmund Freud, neuropsiquiatra, fundador da psicanálise, um dos pensadores mais influentes do século 20.

Filho do segundo casamento de Jakob, um comerciante judeu, Freud nasce em 6 de maio de 1856 em Freiburgo, na Morávia, na época parte do Império Austro-Húngaro, hoje território da República Tcheca.

Em 1859, por razões econômicas, a família se muda para Leipzig e no ano seguinte para Viena, onde Freud vive por 78 anos até fugir da anexação da Áustria pela Alemanha Nazista, em 1938. Não gosta do antissemitismo da capital imperial, mas reconhece sua importância política, histórica e cultural.

Sob a inspiração de uma leitura pública de um texto do escritor alemão Wolfgang Goethe, Freud estuda medicina na Universidade de Viena e, em 1882, faz residência no Hospital Geral de Viena. Em 1885, é nomeado professor assistente de neuropatologia. 

Nesta época, se interessa pelos efeitos farmacológicos da cocaína, mas as experiências fracassam.

Seu Projeto para uma Psicologia Científica, texto de 1895, mostra a intenção de encontrar bases fisiológicas e materiais para suas teorias da mente. A obra de Freud inclui teorias da mente humana, uma terapia para tratar os problemas mentais, e uma interpretação da cultura e da sociedade. Em 1896, cria o termo psicanálise.

Freud se associa ao Dr. Josef Breuer, que ao tratar de um caso de histeria, em vez de usar a hipnose, deixa a paciente falar livremente para tentar extrair algo útil ao diagnóstico e percebe que o simples ato de falar dava um certo alívio à paciente. Um ato catártico gera uma descarga e afrouxa os bloqueios emocionais que estão na raiz do comportamento patológico.

Só dez anos depois, ao examinar a livre associação de ideias, Freud se dá conta da importância de estimular esse fluxo do pensamento para tentar chegar às raízes inconscientes dos distúrbios mentais.

Com base em sua experiência clínica no tratamento da histeria, Freud conclui que os sentimentos recalcados têm natureza sexual. Trazer estes conflitos internos à consciência através da livre associação de ideias é a maneira de aliviar os sintomas, vistos como uma reação adaptativa do paciente à repressão dos desejos diante da realidade.

Em julho de 1897, Freud começa a desenvolver outro método: a interpretação dos sonhos, que considera "a estrada real para o conhecimento do inconsciente". O livro A Interpretação dos Sonhos, publicado em 1899, é uma de suas obras-primas. 

A partir de 1902, começa a se reunir na antessala do consultório de Freud o grupo que depois forma a Sociedade Psicanalística de Viena, com Carl Gustav Jung, Otto Rank, Ernest Jones, Alfred Adler, entre outros.

Em 1904, Freud lança Psicopatologia da Vida Cotidiana, uma exame sobre como erros comuns, esquecimentos, trocas de nome, geralmente têm um significado mais profundo. No ano seguinte, publica um ensaio sobre as relações do riso com o inconsciente.

Mas são os estudos de sexologia que dão projeção a Freud e provocam as reações mais fortes, como a existência de uma sexualidade infantil desde o nascimento, a começar pela fase oral, quando o bebê mama nos seios da mãe. Daí vem o conceito do Complexo de Édipo, o personagem do escritor grego Sófocles que mata o pai. A criança gostaria de se livrar do pai para ficar com a mãe só para ela.

Na teoria freudiana, a mente humana é formada pelo id, o substrato instintivo da psique, onde estão os desejos, os instintos de vida e de morte, o amor e a agressividade; o ego é a parte consciente, responsável por interpretar a realidade, a memória, as emoções e as percepções, pelas relações do indivíduo com o ambiente; o superego é o princípio do dever, desenvolvido a partir de 5 ou 6 anos, quando a criança começa a internalizar as normas e as obrigações sociais e aprende a se autorreprimir.

Freud também escreveu sobre cultura, a civilização e a religião. Considera Deus uma criação mítica com a sensação de fragilidade e desamparo das crianças em busca de um protetor onipotente. Civilização e seus Descontentes, escrito durante a ascensão do nazifascismo na Europa e do início de sua luta contra um câncer na garganta, é um livro declaradamente pessimista, que vê a repressão como elemento central da civilização.

Em Eros e Civilização: una interpretação filosófica do pensamento de Freud, tendo observado os movimentos jovens dos anos 1960, o filósofo marxista Herbert Marcuse argumenta, reexaminando a obra de Freud, que é possível criar uma civilização não repressiva, uma sociedade não alienada, um princípio da realidade que não esteja em conflito permanente com o princípio do prazer.

TERCEIRA ELEIÇÃO DE PERÓN

    Em 1973, 18 anos depois de ser deposto por um golpe militar e fugido da Argentina e três meses depois de voltar ao país, com 62% dos votos, aos 67 anos, o general e líder populista Juan Domingo Perón é eleito presidente pela terceira vez, com sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, como vice-presidente.

O caos que tomava conta da Argentina fica evidente Batalha de Ezeiza, quando grupos armados da direita e da esquerda peronistas se enfrentaram no aeroporto internacional de Buenos Aires, com 13 mortes, no dia da volta do caudilho à Argentina, 20 de junho de 1973, quase 18 anos depois do golpe que o depôs, em 16 de setembro de 1955.

No peronismo, cabiam correntes ideológicas da Aliança Anticomunista Argentina (AAA), a temida Triple A, de extrema direita, aos Montoneros, um grupo guerrilheiro de extrema esquerda.

Perón morre em 1º de julho de 1974 e Isabelita o sucede. Mas ela não era nem de longe a carismática María Eva Duarte de Perón, a Evita, segunda mulher do caudilho, que não foi candidata a vice na primeira reeleição, em 1951, por pressão dos militares e conservadores.

Outro golpe militar depõe Isabelita em 24 de março de 1976, início da ditadura mais sangrenta da história recente argentina, com total de mortes na guerra suja estimado em 12 mil, que só acaba 1983, depois da humilhante derrota para o Reino Unido na Guerra das Malvinas (1982).

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terça-feira, 22 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 22 de Setembro

ESPIÃO ENFORCADO

    Em 1776, o revolucionário norte-americano Nathan Hale morre na forca sob a acusação de traição um dia depois de ser preso pelos britânicos durante a Guerra da Independência dos Estados Unidos (1775-83).

Hale nasce em 6 de junho de 1755 em Coventry, em Connecticut. Ele estuda na Universidade de Yale e se torna professor. Em 1775, entra para um regimento em Connecticut. Serve no cerco de Boston e é promovido a capitão.

Nathan Hale vai para Nova York com a brigada de William Heath e participa da captura de um navio de suprimentos. Depois de penetrar as linhas britânicas em Long Island, é preso em 21 de setembro de 1776 ao tentar voltar para seu regimento e executado sumariamente no dia seguinte.

Herói e mártir da independência, declara antes de morrer: "Só lamento ter apenas uma vida para dar pelo meu país."

ABOLIÇÃO NOS EUA

    Em 1862, o presidente Abraham Lincoln anuncia que fez um projeto de Declaração de Emancipação para acabar com a escravatura nos Estados Unidos e reorienta a Guerra da Secessão (1861-65) para uma luta contra a escravidão.

O objetivo inicial do presidente é defender a União, a unidade nacional, contra o separatismo dos 11 Estados Confederados da América, que querem dividir o país para manter a escravidão

Lincoln faz a Declaração de Emancipação em 1º de janeiro de 1863, libertando os escravos dos estados do Sul na expectativa de que se juntem às forças da União, o que acontece em grande escala. Mas o Congresso só aprova a Emenda nº 13 à Constituição dos EUA, que acaba com a escravatura, em janeiro de 1865. 

O comandante militar do Sul, general Robert Lee, se rende ao comandante militar do Norte, general Ulysses Grant, em 9 de abril de 1865, mas a notícia só chega a Galveston, no Texas, em 19 de junho, dia em que os norte-americanos comemoram o fim da escravidão. 

Para entrar em vigor, uma emenda constitucional nos EUA  precisa ser aprovada por dois terços da Câmara e do Senado, e ratificada por pelo menos três quartos dos estados. A Emenda nº 13 entra em vigor em 6 de dezembro de 1865. 

Seu texto diz que "nem a escravidão nem a servidão involuntária, exceto como punição por crime pelo qual a parte tenha sido devidamente condenada, deve existir dentro dos EUA ou em qualquer lugar sob sua jurisdição."

FORD ESCAPA DE ATENTADO

    Em 1975, Sara Jane Moore aponta uma arma para o presidente Gerald Ford quando ele sai do Hotel Saint Francis, em São Francisco, mas a arma é desviada por um popular, 17 dias depois que ele escapou de outra tentativa de assassinato, também de uma mulher, Lynette Fromme.

Ambas são perturbadas mentalmente. Logo, o Serviço Secreto prende Sara Moore, que é condenada e cumpre pena até receber liberdade condicional em 31 de dezembro de 2007.

GUERRA IRÃ-IRAQUE

    Em 1980, por ordem do ditador Saddam Hussein, o Iraque invade a província iraniana do Cuzistão, rica em petróleo, dando início à Guerra Irã-Iraque, dura oito anos e mata um milhão de muçulmanos.

Por causa da Revolução Islâmica liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini no Irã, os Estados Unidos, a União Soviética e os países árabes apoiam o Iraque de Saddam Hussein, mas os iranianos resistem e o conflito termina num impasse.

Dentro da Guerra Irã-Iraque, há uma guerra dos petroleiros, quando os dois lados atacavam os navios-tanques do outro, e uma guerra das cidades, com intenso bombardeio de zonas urbanas. Em 20 de agosto de 1988, o aiatolá Khomeini aceita a proposta de cessar-fogo do Iraque. Os últimos prisioneiros de guerra são trocados em 2003.

Com a economia iraquiana arrasada pela guerra, Saddam pressiona os vizinhos Kuwait e Arábia Saudita, acusando-os de roubar petróleo de campos compartilhados, e invade o Kuwait em 2 de agosto de 1990. Os EUA reagem e, à frente de uma aliança militar de mais de 30 países, expulsam os iraquianos do Kuwait na Guerra do Golfo (1991).

SINDICATO SOLIDARIEDADE

    Em 1980, os delegados de 36 sindicatos de trabalhadores fundam, sob a liderança de Lech Walesa, o Solidariedade, o sindicato que virou partido e está no centro da luta pela democracia na Polônia.

O Solidariedade tem origem no Comitê de Defesa dos Trabalhadores (KOR), criado em 1976 depois de milhares de prisões de grevistas, para dar assistência às famílias dos presos, ajuda em saúde e educação e distribuir notícias clandestinamente. Em 1979, o KOR divulga a Carta dos Direitos dos Trabalhadores.

Em 1980, uma onda de greves tem o Estaleiro Lenin, em Gdansk, como centro. Um acordo com o governo, em 31 de agosto, dá o direito de criar sindicatos livres e independentes.

Com o golpe do general Wojciech Jaruzelski, em 13 de dezembro de 1981, o Solidariedade é proscrito até abril de 1989, quando sai da clandestinidade para conquistar a vitória sobre o regime comunista nas primeiras eleições democráticas no Bloco Soviético desde os anos 1940.

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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 21 de Setembro

TRAIÇÃO AOS EUA

    Em 1780, durante a Guerra da Independência (1775-83), o general norte-americano Benedict Arnold encontra o major britânico John Andre para discutir a entrega do forte de West Point, no estado de Nova York, ao inimigo em troca de um alto posto no Exército Real e uma grande soma em dinheiro.

 

A conspiração é descoberta. Andre é preso e executado. Arnold foge para o Reino Unido, onde nunca recebe o que fora prometido, e morre em 14 de junho de 1801.

REVOLUÇÃO ABOLE A MONARQUIA

    Em 1792, durante a segunda fase da Revolução Francesa (1789-99), a Convenção Nacional (1792-95) acaba com a monarquia e funda a Primeira República.

O rei Luís XVI e a rainha Maria Antonieta, presos em agosto de 1792, são executados na guilhotina em 1793. Luís XVI ascende ao trono em 1774. A França está exaurida e humilhada pela derrota para o Império Britânico na Guerra dos Sete Anos (1756-63), quando perde a maioria das possessões na América do Norte e na Índia.

A quebra de safras em invernos rigorosos causam fome, agravam a crise econômica e criam o ambiente para a revolução, que estoura em 14 de julho de 1789, com a tomada da prisão da Bastilha, em Paris, símbolo da opressão do antigo regime.

O Período da Convenção Nacional (1792-95) é o segunda fase da Revolução Francesa e inclui o Período do Terror (1793-94), quando cerca de 10 mil pessoas são mortas. Ao todo, por volta de 50 mil pessoas morrem na revolução.

FOTOGRAFIA EM PAPEL

    Em 1840, durante experiências com ácido gálico, William Henry Fox Talbot descobre que o ácido pode ser usado para revelar uma imagem latente em papel sensível à luz, numa revolução na fotografia.

O princípio da câmara escura, que uma sala fechada com um pequeno orifício para entrada de luz consegue projetar uma imagem na parede oposta, é testado e comprovado pelo cientista italiano Giambattista de la Porta no século 16.

Em 1727, o professor de anatomia alemão Johan Heinrich Schulze descobre que sais de prata escurecem sob efeito da luz, mas não consegue preservar as imagens por um longo tempo.

Nicéphore Niépce, um inventor francês, se interessa pela litografia, um processo no qual uma gravura ou imagem é entalhada ou copiada numa pedra para depois ser impressa com tinta. Ele desenvolve um método para usar a luz para fazer desenhos.

Niépce põe uma gravura numa chapa coberta por uma solução de betume da Judeia. Após algumas horas, a solução sob as águas claras endurece, enquanto a parte embaixo de áreas escuras amolece e pode ser removida com água, deixando uma cópia permanente. Em 1822, chama o processo de heliografia, desenhar com o Sol.

Em 1826 ou 1827, Niépce consegue fazer a primeira foto da natureza com uma exposição de oito horas em que o Sol se moveu iluminando o objeto da foto por diferentes ângulos.

Louis-Jacques-Mandé Daguerre, um pintor de cenários para teatro, tenta reduzir o tempo de exposição. Em 1835, ele descobre que imagens latentes gravadas numa chapa com prata iodada podem ser reveladas com exposição a vapor de mercúrio. Em 1837, Daguerre consegue fixar a imagem usando sal de cozinha para remover os sais de prata não expostos. Inventa a daguerreotipia.

Talbot, cientista formado na Universidade de Cambridge, torna o papel sensível à luz banhando-o alternadamente com soluções de sal e de nitrato de prata. Consegue assim uma imagem em negativo, clara onde é escuro e escura onde seria claro, a partir da qual pode imprimir vários positivos.

Em fevereiro de 1839, o astrônomo John Herschel sugere que as imagens sejam fixadas com uma solução de hipossulfito de sódio.

Quando as notícias da daguerreotipia chegam ao Reino Unido, Talbot apresenta sua técnica de "desenho fotogênico". 

PADRÃO-OURO

    Em 1931, no início da Grande Depressão (1929-39), o Banco da Inglaterra abandona o padrão-ouro e a libra esterlina cai 28%, abalando a solvência de países da América Latina e da Europa Oriental.

O padrão-ouro faz com que um país mantenha a cotação de sua moeda fixa em relação ao ouro, servindo assim como âncora do sistema financeiro internacional. Exige que um país tenha grandes reservas am ouro.

No período entre guerras, a economia britânica, que perde a primeira posição para os EUA em 1890 e é ultrapassada pela Alemanha no fim do século 19, não tem mais a força do passado.

A Grande Depressão é a principal causa econômica da Segunda Guerra Mundial. Em 1932, com o índice de desemprego na Alemanha em 40%, o Partido Nazista vence duas eleições sem conseguir maioria absoluta; consegue 38% e 32% dos votos. Em 30 de janeiro de 1933, Adolf Hitler é nomeado chanceler (primeiro-ministro) da Alemanha.

FIM DA NEUTRALIDADE

    Em 1939, o presidente Franklin Delano Roosevelt vai ao Capitólio e pede ao Congresso que altere as Leis da Neutralidade, aprovadas naquela década, para que os Estados Unidos enviem ajuda militar aos países da Europa ameaçados pela Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-45).

No discurso, Roosevelt adverte que países como a Alemanha constroem "grandes exércitos, marinhas e arsenais com grande rapidez e intensidade", enquanto os EUA tentavam ficar neutros e usar "todo seu poder para encorajar soluções negociadas".

Com o início da guerra, o presidente americano vê necessidade de apoiar a luta das nações democráticas contra o Nazifascismo e afirma que a passividade "ajuda o agressor". O Congresso aprova as mudanças em 4 de novembro.

Depois a ocupação da França pelos nazistas em maio e junho de 1940, Roosevelt e o primeiro-ministro o Reino Unido, Winston Churchill, assinam a Carta do Atlântico em 14 de agosto de 1941, uma declaração de princípios sobre como deveria ser o mundo no pós-guerra.

Os EUA entram na guerra em 7 de dezembro de 1941, quando o Japão bombardeia a 7ª Frota Norte-Americana, estacionada em Pearl Harbor, no Havaí.

SUPERBOMBARDEIRO DECOLA

    Em 1942, a superfortaleza voadora B-29, fabricada pela Boeing, faz seu primeiro voo, em Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos.

O superbombardeiro é projetado em 1939 pelo general Arnold Hap. Ele teme que a conquista da Europa pela Alemanha Nazista deixe os EUA sem bases do outro lado do Oceano Atlântico. Precisariam de um avião capaz de voar mais alto, mais rápido e em distância mais longa.

A companhia aeronáutica Boeing desenvolve então um bombardeiro pesado com quatro motores com o primeiro sistema de ataque a radares de um avião de guerra americano.

Seu primeiro ataque acontece em 5 de junho de 1944, em Bangkok, na Tailândia, preparando a libertação da Birmânia, hoje Mianmar, ocupada pelo Império do Japão.

Os B-29 participam dos ataques a Tóquio com bombas incendiárias que matam 100 mil japoneses em março de 1945. Sua principal missão é transportar as bombas atômicas que explodem em Hiroxima, em 6 de agosto, e em Nagasaki, em 9 de agosto de 1945, matando 140 mil pessoas na hora e pondo fim à Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

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domingo, 20 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 20 de Setembro

PRIMEIRA VIAGEM AO REDOR DA TERRA

     Em 1519, a serviço da coroa espanhola, o navegador português Fernão de Magalhães sai de Sanlúcar de Barrameda com cinco navios e 234 homens em busca de uma passagem no sul do Oceano Atlântico para chegar às Ilhas das Especiarias, hoje Indonésia.

A frota faz escala no Rio de Janeiro em 13 de dezembro e segue rumo ao sul. Explora o Rio da Prata, mas não encontra saída para o Mar do Sul, nome dado por Vasco Núñez de Balboa quando descobre para os europeus, em 1513, o maior oceano no planeta.

Ao chegar a Porto São Julião, no Sul da Argentina, Magalhães espera cinco meses. Em 21 de outubro de 1520, descobre o estreito batizado com seu nome e entra no oceano que chamou de Pacífico, em contraste com o Atlântico, que os marinheiros chamavam de Mar Tenebroso. O Pacífico está calmo por causa do fenômeno El Niño.

Magalhães morre em combate em Mactán, na região de Cebu, nas Filipinas, em 27 de abril de 1521. O subcomandante, o espanhol Juan Sebastián Elcano completa a viagem na nau Vitória e aporta em Sanlúcar de Barrameda em 8 de setembro de 1522.

BATALHA DE EUROPEUS NA AMÉRICA

    Em 1565, forças da Espanha sob o comando de Pedro Menéndez de Avilés tomam a colônia de protestantes huguenotes da França em Forte Caroline, perto de onde hoje é a cidade de Jacksonville, na Flórida, e matam 135 franceses, na primeira batalha travada por europeus em solo americano. 

A maioria dos mortos é massacrada por ordem de Menéndez sob o pretexto de se tratar de hereges por serem protestantes. O comandante René Goulaine de Laudonnière e outros 40 huguenotes escapam.

Os huguenotes fundam a colônia em 1564 num ponto estratégico da costa da Flórida. O rei Felipe II (imagem), talvez o mais poderoso da história da Espanha, considera um desafio à autoridade do país sobre o Novo Mundo. Envia Menéndez de Avilés para destruir o assentamento francês e criar uma colônia espanhola.

No início de setembro de 1565, o conquistador espanhol funda a primeira cidade europeia na América do Norte. Duas semanas depois, derrota os franceses se e torna o primeiro governador europeu da Flórida. Volta à Espanha em 1567 e é nomeado governador de Cuba.

PORTUGAL EXECUTA JESUÍTA

    Em 1761, Portugal executa o jesuíta Gabriel Malagrida na fogueira por envolvimento na Conspiração dos Távora, um acontecimento da história do país que permite ao poderoso Marquês do Pombal, Sebastião José de Carvalho e Mello, primeiro-ministro do rei José I, esmagar a parte da nobreza que se opõe a ele e a expulsar os jesuítas do Império Português.

Na noite de 3 de setembro de 1758, três homens armados atacam a carruagem real. Em dezembro, começa uma investigação com plenos poderes, inclusive de torturar suspeitos. O Marquês de Távora, a mulher e os dois filhos e 12 jesuítas são presos.

O Duque de Aveiro, que confessa sob tortura, e os quatro Távora são executados cruelmente em 12 de janeiro de 1579. Os jesuítas suspeitos são condenados e todos os outros expulsos do Império Português, inclusive do Brasil, em 3 de setembro, um ano depois do ataque ao rei. Malagrida é considerado culpado de heresia e traição. Pega pena de morte.

Até o fim do reinado de Dom José I (1750-77), o Marquês do Pombal, um déspota esclarecido, é a figura dominante da política em Portugal. É o período em que o Brasil se torna Vice-Reino, em 1763, quando a capital é transferida de Salvador para o Rio de Janeiro. A descoberta de ouro em Minas Gerais muda o eixo econômico do país para o Sudeste.

Quando Dona Maria I (1777-1816), a Rainha Louca, ascende ao trono com a morte do pai, o caso é reaberto. Pombal é acusado de abuso de poder por impor um reino do terror sem precedentes, com práticas extrajudiciais. Como já é idoso, a única punição é ser banido de Lisboa.

CONVENÇÃO NACIONAL

    Em 1792, durante a Revolução Francesa (1789-99), a Convenção Nacional substitui a Assembleia Legislativa, num marco do início da Primeira República. Suas primeiras decisões são proclamar a República e promulgar uma nova Constituição.

A revolta popular começa depois da derrota da França para o Império Britânico na Guerra dos Sete Anos (1756-63) e de invernos rigorosos que causam quebras de safra e fome. O marco do início da revolução é a tomada da Bastilha, a prisão que é um símbolo do antigo regime, em 14 de julho de 1789.

O Período da Convenção é o segundo da Revolução Francesa. Vai até 26 de outubro de 1795. Os girondinos, moderados, dominam a primeira parte, mas perdem a força com derrotas nas guerras contrarrevolucionárias de outros países europeus.

De 31 de maio a 2 de junho de 1793, uma insurreição popular leva a um expurgo dos girondinos. Os jacobinos, muito mais radicais, tomam o poder sob a liderança de Jean-Paul Marat, Georges-Jacques Danton e Maximiliano Robespierre.

Os jacobinos comandam o Período de Terror, de 5 de setembro de 1793 a 27 de julho de 1794, quando o Comitê de Salvação Pública e os tribunais revolucionários condenam milhares à morte. Até ser deposto e guilhotinado, Maximiliano de Robespierre mandava mais do o rei.

Das 50 mil mortes estimadas em dez anos de Revolução Francesa, cerca de 10 mil são durante o Período do Terror. O rei Luís XVI e rainha Maria Antonieta são guilhotinados em 1793.

GUERRA DA CRIMEIA

    Em 1854, o Reino Unido e a França vencem a Rússia na Batalha do Rio Alma. Isto ameaça a base naval russa de Sebastopol e toda a estratégia da Rússia na Guerra da Crimeia (1853-56).

A guerra tem origem no conflito entre grandes potências no Oriente Médio. A Rússia exige o direito de proteger cristãos ortodoxos dentro do Império Otomano, muçulmano. Quando os turcos tomam Constantinopla, em 29 de maio de 1453, no fim da Idade Média, Moscou se apresenta como terceira Roma e o chefe do Principado ou Ducado de Moscou passa a se chamar czar (césar).

O Reino Unido e a França apoiam o Império Otomano, que rejeita a pressão da Rússia. Esta por sua vez ocupa principados no Rio Danúbio. Em 4 de outubro de 1853, a Turquia declara guerra à Rússia. As esquadras britânica e francesa entram no Mar Negro em 3 de janeiro de 1854.

As tropas aliadas desembarcam na Crimeia em setembro de 1854 e impõem um cerco de um ano até a queda de Sebastopol. Quando a Áustria ameaça entrar na guerra, a Rússia aceita as exigências dos aliados.

O Tratado de Paris, de 30 de março de 1856, garante a integridade do Império Otomano. A Rússia é obrigada a ceder o Sul da Bessarábia, na foz do Rio Danúbio. O Mar Negro é declarado neutro e o Danúbio é aberto à navegação de todos os países.

Por causa da derrota, o czar Alexandre II (1855-81) sente a necessidade de fazer reformas para modernizar a Rússia. Em 1861, acaba com a servidão.

A Áustria-Hungria fica mais dependente da França e do Reino Unido, que não a socorrem em 1859 e 1866, em guerras que levam às unificações, respectivamente, da Itália e da Alemanha 

ROMA INCORPORADA À ITÁLIA

    Em 1870, as forças do Reino da Itália, unificado em 1861, tomam e anexam Roma, e limitam a autoridade do Papa ao Vaticano. É o fim dos Estados Pontifícios.

O revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi, que luta na Revolução Farroupilha (1835-45), tenta tomar Roma em 1862 e 1867. A retirada de uma guarnição francesa que protege o papa Pio IX permite a conquista da cidade em 1870. 

Cerca de 50 mil italianos enfrentam 13.157 soldados papais. Num combate na Porta Pia, uma das antigas entradas da cidade, morrem 49 soldados italianos e 19 da força papal.

O ataque começa às cinco da manhã. Um hora depois, os primeiros emissários chegam à residência papel para negociar os termos da rendição  Pio IX se recusa a aceitar os termos e se entrincheira como um prisioneiro no Vaticano. Ordena aos católicos que rejeitem o novo Estado italiano e excomunga o rei Vítor Emanuel II.

Em outubro, um plebiscito decide que Roma será a capital da Itália.

PRIMEIRO FESTIVAL DE CANNES

    Em 1946, começa o primeiro Festival de Cinema de Cannes, uma cidade praiana da Riviera Francesa, no Mar Mediterrâneo. Deveria ter sido em 1939, mas a Segunda Guerra Mundial (1939-45) adia os planos.

O primeiro festival internacional de cinema é realizado em Veneza, na Itália, em 1932. Com a ascensão do Nazifascismo, em 1938, os ditadores italiano Benito Mussolini e alemão Adolf Hitler interferem na escolha e premiação dos filmes. 

A França decide, então, organizar seu próprio festival, que começa em 1º de setembro de 1939, dia do início da guerra, com a invasão da Polônia pela Alemanha. Só um filme é apresentado, O Corcunda de Notre Dame, do diretor americano William Dieterle. Dois dias depois, a França e o Reino Unido declaram guerra à Alemanha.

Quando finalmente o festival é realizado, em 1946, participam filmes como Farrapo Humano, do austríaco-americano Billy Wilder; Cidade Aberta, do italiano Roberto Rosselini; A Batalha dos Trilhões, do francês René Clement; e Desencanto, do inglês David Lean.

Como o objetivo maior é estimular a criatividade, nove filmes ganham o grande prêmio.

BILLIE JEAN VENCE A BATALHA DOS SEXOS

    Em 1973, aos 29 anos, a tenista americana Billie Jean King vence o ex-número um do mundo Bobby Riggs, de 55 anos, por 3-0 (6-4, 6-3, 6-3) no Astródomo de Houston, no Texas, na Batalha dos Sexos.

Apesar da idade, Riggs, machista assumido, está convencido de que ainda é capaz de vencer qualquer mulher. Mais de 30 mil pessoas assistem ao jogo no estádio e 50 milhões pela televisão.

Billie Jean entra no estádio no estilo de Cleópatra, a rainha do Egito que foi amante dos generais romanos Júlio César e Marco Aurélio, numa liteira dourada carregada por homens vestidos como os escravos da Antiguidade. Riggs chega num riquixá puxado por modelos femininas.

Uma das maiores tenistas da história, Billie Jean ganha aos 17 anos o torneio de duplas femininas do Campeonato de Wimbledon, o primeiro de seus 20 títulos na mais tradicional competição do tênis. Em 1971, é a primeira atleta mulher a ganhar mais de US$ 100 mil em prêmios num ano.

"NÃO PERGUNTE, NÃO CONTE"

    Em 2011, termina a política adotada em 1º de outubro de 1993, no governo Bill Clinton (1993-2001), para permitir a participação de LGBTs nas Forças Armadas dos Estados Unidos de nome Não pergunte, não conte. pela qual os gays podem servir como militares desde que mantenham a privacidade de sua vida sexual.

O veto a militares gays nos EUA é imposto durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Clinton promete resolver o problema. Enfrenta forte oposição no Congresso, dentro de seu próprio partido, e entre os militares. A exigência de privacidade é a maneira de obter a aprovação da proposta.

Em dezembro de 2010, a Câmara de Representantes e o Senado dos EUA repeliram a política, dando plena liberdade aos LGBTs+ nas Forças Armadas. No segundo governo Donald Trump, há claramente uma política antigays e antitransgêneros.

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sábado, 19 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 19 de Setembro

DUCADO DA PRÚSSIA

    Em 1657, João II Casimiro Vasa, rei da Polônia e Grão-Duque da Lituânia, renuncia no Tratado de Wehlau à suserania sobre o Ducado da Prússia e nomeia Frederico Guilherme, Grande Eleitor de Brandemburgo desde 1640, como governante soberano do ducado, que fica na Prússia Oriental, hoje dividida entre Polônia, Lituânia e Rússia.

As partes no tratado são a Suécia, de um lado, e a Comunidade Polaco-Lituânia, do outro. Em troca da ajuda militar na Segunda Guerra Nórdica (1655-60) e da devolução de Vármia à Polônia, o rei polonês dá à Dinastina Hohenzollern de Brandemburgo a soberania hereditária sobre o Ducado da Prússia.

A dinastia reconstrói Brandemburgo depois da Guerra dos Trinta Anos (1618-48), mas não tem como manter um exército capaz de garantir a independência. Precisa de aliados, no caso, da Polônia. No fim da guerra, a Polônia conserva Elbing, mas Lauemburgo, Bütow e Draheim vão para Brandemburgo-Prússia.

O Tratado de Wehlau fica em vigor até 18 de setembro de 1773, quando é substituído pelo Tratado de Varsóvia, depois da primeira divisão da Polônia. É um dos maiores erros de política externa da história polonesa. 

Em 5 de agosto de 1772, a Áustria, a Prússia e a Rússia tomam um terço do território e a metade da população da Polônia. A segunda divisão da Polônia acontece em 1793. A terceira divisão, em 1795, acaba com a Comunidade Polaco-Lituana, que foi um dos maiores países da Europa em área. 

Com a unificação da Alemanha, sob o primeiro-minnistro Otto von Bismarck, o Marechal de Ferro, em 1871, depois de vitórias militares sobre a Áustria, a Dinamarca e a França, a Prússia é o estado mais poderoso do Império Alemão.

A Polônia só recupera a independência no fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18), em 1918. A Segunda Guerra Mundial (1939-45) começa com a invasão da Alemanha Nazista na Polônia, em 1º de setembro de 1939. 

A União Soviética mata todo o oficialato polonês no Massacre da Floresta de Katyn, cerca de 22 mil pessoas, em abril de 1940, ocupa a Europa Oriental no fim da guerra e impõe regimes comunistas que duram até 1989, quando abrem-se a Cortina de Ferro e o Muro de Berlim, marcos da divisão do mundo na Guerra Fria. 

DESPEDIDA DE WASHINGTON

    Em 1796, o jornal American Daily Advertiser, publica na Filadélfia o Discurso de Despedida do primeiro presidente dos Estados Unidos, George Washington (1789-97). Num dos documentos fundadores da política externa do país, Washington recusa uma segunda reeleição e apela a seus compatriotas para manter a neutralidade e evitar o envolvimento em conflitos e alianças com a Europa.

O texto é atribuído a três país da pátria; além de Washington, a James Madison e Alexander Hamilton. Madison prepara a versão inicial em 1792, no fim do primeiro mandato de Washington. Hamilton aproveita os primeiros parágrafos de Madison, reescreve e amplia o discurso. Washington revisa e faz a edição final.

No início, o presidente explica a decisão de não concorrer a um terceiro mandato. Diz que queria ter saído no fim do primeiro mandato, mas a conjuntura internacional era perigosa, com a tensão com o Reino Unido, a Revolução Francesa e as guerras na Europa.

Ao futuro presidente, que ainda não está eleito, e à população em geral, Washington lembra que a liberdade e a prosperidade dos EUA dependem da União. Para manter a república e a federação, o país precisa se manter unido.

Em seguida, Washington chama a atenção para as forças capazes de destruir aos EUA: regionalismo, partidarismo e engajamentos no exterior. Ele teme que partidos regionais fortes destruam o país, que o faccionalismo leve os eleitores a votar com base na lealdade a um partido e não ao bem comum, e que o partidarismo alimente um "espírito de vingança" entre os derrotados. Note-se que estes problemas estão presentes hoje na política dos EUA e de outros países democráticos.

George Washington adverte o povo estar alerta contra déspotas em potencial capazes de usar os partidos como "máquinas poderosas para subverter o poder popular e usurpar para si as rédeas do governo".

A maior ameaça é o faccionalismo, a divisão interna, combinada com uma invasão estrangeira, que o partidarismo "abra a porta para a influência externa e a corrupção". Em vez de escolher o melhor candidato, os eleitores tomam suas decisões com base em "ciúmes infundados e alarmes falsos". A difusão de notícias falsas e mentirosas é antiga.

Para evitar intervenções militares estrangeiras, Washington defende uma política externa baseada na neutralidade e no comércio com todos os países, sem aliados nem inimigos permanentes

Washington também destaca a importância da educação para a democracia ao alertar que são "objeto de uma importância primária instituições para a difusão geral do conhecimento. Na proporção em que a estrutura do governo dá força à opinião pública, é essencial que a opinião pública seja iluminada."

No fim, ao falar de seu legado, menciona "a influência benigna de boas leis sob um governo livre".

PIONEIRISMO DO VOTO FEMININO

    Em 1893, com a assinatura da Lei Eleitoral pelo governador-geral, Lorde Glasgow, representante da rainha Vitória, a Nova Zelândia se torna o primeiro país do mundo a dar o direito de voto para as mulheres, depois de anos de movimento sufragista.

As neozelandesas votam e podem ser candidatas pela primeira vez nas eleições de 28 de novembro de 1893. Elizabeth Yates é eleita prefeita de Onehunga. É a primeira mulher a ocupar este cargo no Império Britânico, cuja rainha era mulher, Vitória, e começa no reinado de Elizabeth I (1558-1603).

Nos Estados Unidos, as mulheres conquistam o direito de voto em 1920, no Reino Unido em 1928 e no Brasil em 1934.

NAZISTAS BOMBARDEIAM LENINGRADO

    Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Alemanha Nazista rompe o Pacto Germano-Soviético, assinado em 23 de agosto de 1939, nove dias antes do início da guerra, e invade a União Soviética em 22 de junho, cerca Leningrado a partir de 8 de setembro e bombardeia a cidade no dia 19, matando mais de mil russos.

Ao entrar na URSS, o Exército nazista avança em três direções: no Sul, rumo à Ucrânia e ao Vale do Rio Volga; no Centro, em direção a Moscou: e no Norte, rumo a Leningrado (hoje São Petersburgo). O ditador Adolf Hitler pretende arrasar a cidade e entregá-la à Finlândia, que era aliada e atacava a URSS pelo norte.

"O Führer decidiu varrer São Petersburgo da face da Terra", declarou Hitler a seus generais.

Uma tentativa de tomar a cidade com divisões de tanques fracassa em agosto. O Cerco de Leningrado é um dos episódios mais brutais da Segunda Guerra Mundial. Dura 872 dias, até 27 de janeiro de 1944, mata cerca de 800 mil e tenta submeter a cidade pela fome. Os pais proíbem os filhos jovens de sair de casa porque há um mercado negro de carne humana.

TERREMOTO ABALA MÉXICO

    Em 1985, um terremoto de 8,1 graus na escala aberta de Richter atinge a Cidade do México às 7h18min, mata 10 mil pessoas, fere outras 30 mil e deixa dezenas de milhares sem casa.

A capital do México fica num planalto cercado de montanhas e vulcões que antigamente era coberto de lagos. Fica em cima de um aquífero e de areia muito menos estável do que uma rocha que pode se mover rapidamente durante um tremor de terra.

Três mil prédios têm de ser demolidos e 100 mil sofrem danos graves.

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