sexta-feira, 22 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 22 de Maio

BATISMO DE CONSTANTINO

    Em 337, Constantino I, o Grande, que se converte ao cristianismo na juventude e promove sua expansão, torna-se no seu leito de morte o primeiro imperador romano batizado pela Igreja Católica.

Constantino nasce em Naisso, na Moésia, hoje Nis, na Sérvia, em 280 depois de Cristo, filho de um oficial do Exército, Flávio Valério Constâncio, e Helena, depois canonizada como Santa Helena, mas o casal se separa em 289. Em 293, seu pai é promovido a césar, posição logo abaixo de imperador. Constantino vai para o Império Romano do Oriente. É criado na corte do imperador Diocleciano em Nicomédia, hoje Izmir, na Turquia.

A perseguição aos cristãos por Diocleciano, a partir de 303, deixa uma profunda marca.

Em 305, os dois imperadores, Maximiano e Diocleciano, abdicam. Devem ser substituídos por seus vice-imperadores, Galério e Constâncio. Eles são substituídos por Galério Valério Maximino no Oriente e Flávio Valério Severo. Constâncio exige a presença do filho, que atravessa o território de Severo para encontrar o pai em Gesoriaco hoje Boulogne, na França.

Os dois cruzam o Canal da Mancha e entram na Inglaterra numa campanha militar que vai até a morte de Constâncio em Eboraco, hoje York, em 306. Imediatamente, Constantino é proclamado imperador pelo seu exército em meio a uma série de guerras civis no Império Romano. Ao vencer Licínio em 324, torna-se imperador do Ocidente e do Oriente.

Ao longo da vida, Constantino atribui seu sucesso à conversão ao cristianismo. Depois de vencer Maxêncio, Constantino, imperador do Ocidente, encontra Licínio, imperador do Oriente, em Mediolanum, hoje Milão, e baixa em 13 de junho de 313 o Édito de Milão, que acaba com a perseguição aos cristãos e devolve as propriedades confiscadas durante a perseguição. É um marco na história da liberdade religiosa.

No mesmo ano, ele dá à Igreja Católica uma propriedade em Latrão, onde é erguida uma catedral, a Basília Constantiniana, hoje Igreja de São João de Latrão, em Roma.

Outra contribuição importante de Constantino para o cristianismo e a história da Igreja é o Concílio de Niceia, aberto pelo imperador em 325, que estabelece a doutrina da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) para evitar uma possível cisão entre aqueles que louvam Deus Pai e os que louvam Jesus Cristo.

Depois da vitória sobre Licínio, Constantino rebatiza Bizâncio como Constantinopla e a torna sua capital permanente, uma "segunda Roma", em 330. Isto marca um afastamento dos imperadores de Roma, uma cidade rica e famosa que perde importância política. 

Ele quer ser batizado no Rio Jordão. Talvez por falta de oportunidade, deixa para o fim da vida. Fica doente e acaba recebendo o sacramento no leito de morte.

GUERRA DAS DUAS ROSAS

    Em 1455, as forças da Dinastia de York vencem o exército do rei Henrique VI (1422-61 e 1470-71), da Dinastia de Lancaster, em Saint Albans, a pouco mais de 30 quilômetros de Londres, dando início à Guerra das Duas Rosas (1455-85), uma disputa entre os herdeiros do rei Eduardo III (1327-77) pelo trono da Inglaterra.

Muitos nobres da Dinastia de Lancaster morrem, inclusive Edmundo de Beaufort, Duque de Somerset, grande amigo da rainha Margaret de Anjou. O rei é preso por Ricardo Plantageneta, Terceiro Duque de York. A guerra entre as dinastias de York, cujo escudo tinha uma rosa branca, e de Lancaster, da rosa vermelha, dura 30 anos.

Quando Eduardo III morre, ascende ao trono seu neto Ricardo II (1377-99), de apenas 10 anos, porque o filho mais velho, Eduardo, conhecido como o Príncipe Negro, morre antes do pai. 

Seu reinado é marcado pela Revolta Camponesa, liderada por Wat Tyler, em 1381, que chega a tomar a Torre de Londres. Com o campo arrasado pela pandemia da peste bubônica, um imposto cobrado por pessoa deflagra a rebelião. 

Nos últimos anos do reinado, Ricardo II vira um tirano. Quando ele vai à guerra na Irlanda, é derrubado por Henrique IV (1399-1413). 

Henrique Bolinbroke é filho de João de Gaunt, filho de Eduardo III, e irmão de Dona Philippa de Lancastre, rainha de Portugal, casada com Dom João I e mãe do Infante Dom Henrique, que Fernando Pessoa chama de "divino ventre do império, madrinha de Portugal". Por parte de mãe, Henrique IV é neto de Felipe IV, da França. É o primeiro rei desde a Invasão Normanda, em 1066, a discursar em inglês na cerimônia de coroação.

Seu filho Henrique V (1413-22) invade a França, vence a Batalha de Agincourt e reivindica a coroa francesa. Henrique VI não tem as qualidades exigidas de um monarca. Perde quase tudo que o pai conquistara na França.

Em 1453, o rei dá sinais de insanidade. Ricardo, Duque de York, descendente do terceiro filho de Eduardo III, é nomeado Lorde Protetor. Henrique VI descende do quarto filho de Eduardo III. Quando o rei se recupera, em 1454, afasta o pessoal de York, que vê como ameaça a seu filho.

Com um exército de 3 mil homens, York marcha rumo a Londres, no início da guerra. Henrique VI consegue recuperar o trono, mas, com vitórias em 1459 e 1460, York ganha o direito de herdar a coroa. Lancaster reage a mata Ricardo, Duque de York, em dezembro de 1460.

Eduardo, filho de Ricardo de York, chega a Londres antes da rainha Margaret de Anjou e é coroado como Eduardo IV (1461-70 e 1471-83). Em seguida, consolida o poder com uma vitória decisiva em 29 de março de 1461, na Batalha de Towton, a mais sangrenta travada em solo inglês, quando cerca de 50 mil homens se enfrentam durante 10 horas sob a neve no Domingo de Ramos.

Henrique VI, Margaret de Anjou e o filho fogem para a Escócia. Termina a primeira parte da guerra.

Em 1470, Henrique VI recupera o trono. Eduardo IV volta do exílio no ano seguinte, derrota as forças de Margaret de Anjou, e mata o filho dela e de Henrique VI, que é preso e morre na Torre de Londres.

Eduardo IV governa até morrer. Seu filho mais velho é coroado como Eduardo V, mas seu tio Ricardo III, nomeado Lorde Protetor, usurpa o trono e prende os dois principezinhos na Torre de Londres, onde eles são mortos.

Em agosto de 1485, Henrique Tudor, à frente do exército de Lancaster, vence Ricardo III na Batalha de Bosworth. É o fim da Guerra das Duas Rosas e da Idade Média na Inglaterra. Sobe ao trono a Dinastia Tudor, que com Henrique VIII (1509-47) rompe com o Vaticano e cria a Igreja da Inglaterra em 1534 para se divorciar na busca de um filho homem para evitar uma guerra na sua sucessão, e começa a construir o Império Britânico sob Elizabeth I (1558-1603).

Henrique VIII quer um filho homem para evitar uma guerra entre príncipes pela sucessão. Mas a filha mais velha é católica e a segunda protestante. A reforma semeia o conflito religioso que leva à Guerra Civil Inglesa do século 17, que só acaba com a Revolução Gloriosa (1688-89).

PACTO DE AÇO

    Em 1939, meses antes do início da Segunda Guerra Mundial (1939-45), os ditadores da Alemanha Nazista, Adolf Hitler, e da Itália Fascista, Benito Mussolini, firmam o Pacto de Aço, uma aliança política e militar completa das potências do Eixo.

Por causa da afinidade dos dois regimes, Mussolini é inicialmente exemplo para Hitler, os dois ditadores proclamam em 25 de outubro de 1936 que um "eixo" une Roma e Berlim. Em 25 de dezembro do mesmo ano, a Alemanha e o Japão fazem o Pacto Anti-Comintern contra a União Soviética. A Itália adere em 6 de novembro de 1937, na expectativa de que vai haver guerra e a Alemanha vai ganhar.

Pouco mais de um ano depois do início da guerra, em 27 de setembro de 1940, Alemanha, Itália e Japão fecham o Pacto Tripartite. Durante a guerra, sob coerção ou promessa de ganho territorial, outros países se aliam ao Eixo: Hungria, Romênia, Eslováquia, Bulgária, Iugoslávia e depois a Croácia.

TERREMOTO DE VALDÍVIA

    Em 1960, o Terremoto de Valdívia, o sismo mais violento da história, com magnitude de 9,5 graus na escala abertura de Richter, abala a costa leste do Chile, mata cerca de 5,7 mil pessoas, fere mais de 2 milhões e provoca um maremoto que atinge lugares distantes no Oceano Pacífico como o Japão, o Havaí, onde morrem 62 pessoas, as Filipinas, onde morrem 31 pessoas, e a costa oeste dos Estados Unidos.

O Terremoto de Valdívia começa às 15h11 com a maior ruptura tectônica registrada até hoje, ao longo de mil quilômetros, entre a Placa de Nazca e a Placa Sul-Americana, na fossa oceânica Peru-Chile. Dura 10 minutos. O epicentro fica a 570km ao sul de Santiago e o hipocentro a 33km de profundidade. Uma onda de 8m atinge a costa chilena entre Concepción e Chiloé a 150 km/h de velocidade.

NIXON EM MOSCOU

    Em 1972, Richard Nixon é o primeiro presidente dos Estados Unidos a ir a Moscou e o segundo a visitar a União Soviética. (O presidente Franklin Roosevelt vai à Conferência de Ialta, na Crimeia, em 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial.)

As viagens do presidente Nixon, um anticomunista ferrenho, à China e à URSS em 1972 marcam o início de um período de degelo na Guerra Fria conhecido como détente, quando houve um diálogo entre as superpotências. Vai até a invasão do Afeganistão pela URSS no Natal de 1979.

Um marco inicial é a viagem secreta do então assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Henry Kissinger, grande articulador desta política, à China em julho de 1971 para preparar a visita de Nixon, que vai primeiro a Beijim e depois a Moscou. A aproximação à China e à URSS leva à retirada dos EUA dos Vietnã.

Numa reunião de cúpula, Nixon e o ditador Leonid Brejnev, secretário-geral do Partido Comunista da URSS, assinam acordos importantes como o Primeiro Tratado de Limitação de Armas Estratégicas (SALT-1), um acordo sobre incidentes no mar e o Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM), também conhecido pela slgla MAD (Destruição Mutuamente Assegurada, em inglês), que significa louco em inglês. 

Este tratado proíbe a instalação de defesas antimísseis. Em caso de guerra nuclear, os dois lados arrasariam um ao outro sem qualquer defesa. É o equilíbrio do terror nuclear. Mas começam a ser assinados os acordos que levam ao fim da Guerra Fria. Todos caducam. O último é o Terceiro Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START-3), prorrogado até 5 de fevereiro de 2026. 

No momento, com a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, que o ditador Vladimir Putin apresenta como um conflito com o Ocidente, não há a menor condição para negociar acordos de desarmamento e controle de armas, inclusive porque a China não pode ficar de fora e hoje tem um arsenal nuclear com 500 a 600 ogivas. Dentro de alguns anos, terá 1,5 mil ogivas nucleares operacionais como os EUA e a Rússia. 

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quinta-feira, 21 de maio de 2026

China consolida liderança global com visita de Putin

Ao receber o ditador russo, Vladimir Putin, quatro dias depois da visita do presidente Donald Trump, o ditador Xi Jinping reafirma a posição da China como superpotência candidata a líder mundial e reforça a parceria desigual com uma Rússia cada vez mais dependente de Beijim.

Por ironia da história, a reaproximação entre os Estados Unidos e a China foi uma iniciativa de Henry Kissinger, então assessor de segurança nacional do governo Richard Nixon (1969-74). Em 1969, as duas grandes potências comunistas, a União Soviética e a China, quase foram à guerra depois de vários incidentes na fronteira. Kissinger viu uma oportunidade para atrair a China e torná-la uma aliada informal dos EUA durante a Guerra Fria.

Agora, ao contrário, a invasão da Ucrânia fortaleceu a parceria entre a China e a Rússia, que virou na prática um país-vassalo. Xi e Putin assinaram 40 acordos, mas não o que o russo mais queria: a construção de um gasoduto transiberiano. A Rússia é a segunda maior produtora mundial de gás natural, atrás apenas dos EUA, mas seus gasodutos estão orientados para a Europa. Mas será praticamente impossível para os EUA atrair a Rússia para seu lado numa possível guerra fria com a China que muitos analistas entendem que já começou.

O grande problema nas relações entre a China e os EUA é Taiwan, a pequena ilha que o regime comunista chinês considera uma província rebelde.

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Hoje na História do Mundo: 21 de Maio

 SEMANA SANGRENTA EM PARIS

    Em 1871, a Comuna de Paris, uma revolta popular contra o governo provisório de Adolphe Tiers que tenta instaurar um regime revolucionário na França, é alvo de uma onda de repressão violenta conhecida como Semana Sangrenta.

A Comuna de Paris é uma insurreição contra o governo francês para criar um regime socialista com governo dos trabalhadores. Deflagrada em 18 de março, vai até 28 de maio. É resultado da derrota para a Alemanha na Guerra Franco-Prussiana (1870-71), do Cerco de Paris e do colapso do Segundo Império (1852-70) sob Napoleão III.

A Assembleia Nacional eleita em fevereiro de 1871 para fazer a paz com a Alemanha tem uma maioria monarquista que reflete o conservadorismo das províncias. Os republicanos de Paris temem que a assembleia reunida em Versalhes restaure a monarquia.

Os revolucionários ganham as eleições municipais de 26 de março. O programa radical da comuna é adotado. Mas comunas de Marselha, Lyon, Saint-Étienne e Toulouse são rapidamente derrotadas. E os fédérés não tem organização militar para enfrentar uma máquina de guerra.

Em 21 de maio, as tropas do governo entram numa região não defendida de Paris. Na Semana Sangrenta, esmagam a comuna, que se defende com barricadas nas ruas da capital francesa e incêndios em prédios públicos.

Pelo menos 877 soldados morrem e outros 187 desaparecem nesta guerra civil. Do lado da Comuna de Paris, são 6.667 mortes confirmadas.

PRIMEIRA AVIADORA A CRUZAR O ATLÂNTICO

    Em 1932, a norte-americana Amelia Earhart se torna a primeira mulher a pilotar um avião sozinha e atravessar o Oceano Atlântico.

Amelia Mary Earhart nasce em Atchison, no estado do Kansas, em 24 de julho de 1897, filha de um advogado de companhia ferroviária e de uma mãe de família rica, mas o alcoolismo do pai complica a vida. Durante ou uma visita a uma irmã no Canadá, Amelia resolve cuidar de soldados feridos na Primeira Guerra Mundial (1914-18). 

Depois da guerra, ela entra para a Universidade de Colúmbia, em Nova York, mas larga porque a família insiste que vá morar na Califórnia. Lá, em 1920, voa pela primeira vez e começa a receber lições de pilotagem. Em 1921, compra seu primeiro avião e dois anos depois consegue a licença para pilotar.

Nos anos 1920, ela se muda para Massachusetts, onde trabalha como agente social numa casa para imigrantes em Boston, mas não perde a interessa na aviação.

Em 17 de junho de 1928, ela embarca como passageira num voo da Terra Nova, no Canadá, para Burry Port, no País de Gales. Vira celebridade e escreve um livro sobre a experiência, 20 horas e 40 minutos.

A viagem a estimula a organizar seu próprio voo solo. Ela sai em 20 de maio de 1932 de Harbour Grace, na Terra Nova, num Lockheed Vega e chega a Londonderry, na Irlanda do Norte no dia seguinte no tempo recorde de 14 horas e 56 minutos.

Além do sucesso como aviadora, Earhart é conhecida por encorajar as mulheres e desafiar as normas sociais que limitam suas oportunidades. 

Em 1935, Amelia Earhart voa sozinha do Havaí à Califórnia num viagem de 3.875 quilômetros, cerca de 800km a mais do que o sobrevoo ao Atlântico. Ela sai de Honolulu, no Havaí, em 11 de janeiro e chega a Oakland, na Califórnia, 17 horas e 7 minutos.

O próximo desafio é dar a volta ao mundo. Em 1º de junho de 1937, ela sai de Miami num avião bimotor Lockheed Electra com Fred Noonon como navegador. Depois de várias escalas para reabastecer, pousam em Lae, na Nova Guiné, em 29 de junho, tendo percorrido 35 mil quilômetros.

Em 2 de julho, eles partem em direção à Ilha Howland a 4,2 mil km de distância. Dois navios dos Estados Unidos ajudam na navegação. Na sua última mensagem pelo rádio, ela avisa que estão ficando sem combustível. O avião desaparece a cerca de 160km do destino.

BOMBA DE HIDROGÊNIO EM BIKINI

    Em 1956, um avião bombardeiro dos Estados Unidos joga uma bomba de hidrogênio sobre a ilha de Namu, no Atol de Bikini, no Oceano Pacífico, mostrando que a bomba H pode ser transportada de avião, num novo salto na corrida armamentista nuclear.

Os EUA testam armas nucleares em Bikini desde 1946, com explosões terrestres. Neste teste, um bombardeiro B-52 joga a bomba a uma altitude de mais de 15 mil metros. A explosão acontece a cerca de 4,6 quilômetros do solo, com uma energia de 15 megatons, equivalente a 15 milhões de toneladas de dinamite. 

 

ASSASSINATO DE RAJIV GANDHI

    Em 1991, o ex-primeiro-ministro indiano Rajiv Gandhi é assassinado num atentado terrorista suicida em Sriperumbudur, no estado de Tamil Nadu, na Índia.

Rajiv Ratna Gandhi nasce em Bombaim, hoje Mumbai, em 20 de agosto de 1944, filho da futura primeira-ministra Indira Gandhi e neto de Jawaharlal Hehru, o primeiro chefe de governo da Índia independente. Ele estuda no Imperial College de Londres e se forma em engenharia na Universidade de Cambridge, na Inglaterra.

O herdeiro político de Indira é outro filho, Sanjay Gandhi, que morre em acidente aéreo em 23 de junho de 1980. 

Outra tragédia, a morte da mãe e primeira-ministra Indira Gandhi, assassinada por um guarda-costas da seita sikh em 31 de outubro de 1984 em Nova Déli, leva Rajiv à chefia do governo e à liderança do Partido do Congresso.

No governo, Rajiv desburocratiza e liberaliza a economia do país. É o reformista que começa a abrir a economia da Índia, hoje a grande economia que mais cresce no mundo, em 6% a 7% ao ano. Deve passar o Japão neste ano para se tornar a quarta maior economia do mundo.

Sem sucesso, tenta pacificar as revoltas dos sikhs do Punjab, que lutam pela independência do Calistão, e dos muçulmanos da Caxemira, que gostariam de se unir ao Paquistão. Depois de escândalos financeiros e da derrota do Partido de Congresso nas eleições de 1989, Rajiv renuncia.

Em maio de 1991, Rajiv está em campanha eleitoral em Tamil Nadu, no Sul da Índia, ele e outras 16 pessoas morrem com a explosão de uma bomba escondida numa cesta de flores carregada por uma mulher ligada aos Tigres da Libertação do Ilam Tamil, um movimento separatista do vizinho Sri Lanka.

É uma vingança. Em 1987, Rajiv envia tropas da Índia para impor um cessar-fogo na guerra civil do país vizinho.

A Justiça da Índia condena em 1998 26 pessoas pelo assassinato de Rajiv Gandhi, tamis do Sri Lanka e seus aliados indianos.

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quarta-feira, 20 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 20 de Maio

 VASCO DA GAMA CHEGA À ÍNDIA

    Em 1498, o navegador português Vasco da Gama chega a Calicute, tornando-se o primeiro europeu a chegar à Índia pelos oceanos Atlântico e Índico, contornando a costa da África.

A frota de Vasco da Gama sai de Lisboa em 8 de julho de 1497 e dá a volta no Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, dobrado por Bartolomeu Dias em 1488. Em Malinde, na costa oriental da África, encontra um mercador indiano que a  guia até a Índia.

Em Calicute, Vasco da Gama enfrenta a hostilidade de mercadores muçulmanos e tem de lutar para voltar a Portugal, onde chega em setembro de 1499. Ele volta à Índia em 1502 para vingar um massacre de portugueses. Em 1524, é enviado como vice-rei da Índia, onde contrai malária e morre na cidade de Cochim, em 24 de dezembro de 1524.

MORTE DE COLOMBO

    Em 1506, o navegador genovês Cristóvão Colombo, primeiro europeu a explorar a América desde que os vikings estabeleceram colônias na Groenlândia e no Canadá, no século 10, morre em Valladolid, na Espanha, sem saber que descobrira um novo continente. Ele acredita ter chegado às Índias.

Colombo se convence de que a Terra é redonda, mas não sabe da existência do Oceano Pacífico e estima que o planeta seja muito menor.

Depois de ser rejeitado uma vez pelo rei Dom João II, de Portugal, e duas vezes pelos reis da Espanha, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, na terceira tentativa, os reis católicos, fortalecidos pela conquista de Granada e a expulsão dos mouros da Península Ibérica em 2 de janeiro de 1492, decidem bancar a viagem.

Em 3 de agosto do mesmo ano, Colombo sai de Palos com três pequenos navios, Santa Maria, Pinta e Niña, e chega à América em 12 de outubro, provavelmente a uma das ilhas Bahamas. No mês seguinte, vai a Cuba. Em dezembro funda uma pequena colônia na ilha de Hispaniola, hoje dividida entre Haiti e República Dominica.

Ao todo, Colombo faz quatro viagens à América sem se dar conta de que não está na Ásia. Em 1507, um ano após sua morte, é publicado o primeiro mapa múndi com o novo continente, batizado como América em homenagem ao navegador florentino Américo Vespúcio, que a chamara de Novo Mundo.

LEI DE TERRAS

    Em 1862, o presidente Abraham Lincoln sanciona a Lei de Propriedade Rural dos Estados Unidos, que garante a propriedade de até 160 acres (64 hectares) de terras públicas sem qualquer ônus para quem vive na terra e a cultiva por pelo menos 5 anos.

Assim, o acesso à terra nos EUA se dá através da posse. No Brasil, em contraste, a lei de terras é de 1850 e estabelece como princípio de acesso à terra a propriedade. 

Desta maneira, os grandes fazendeiros compram terras para seus descendentes, enquanto a maioria não tem acesso à terra e trabalha como agregado às grandes propriedades.

TRÍPLICE ALIANÇA

    Em 1882, a Alemanha, a Áustria-Hungria e a Itália formam a Tríplice Aliança, um acordo militar defensivo para se proteger de ataques de outras potências europeias. Com o início da Primeira Guerra Mundial (1914-18), a Itália deixa a aliança em 1915 sob a alegação de que é só para defesa.

A Alemanha e a Áustria-Hungria são estreitamente ligadas desde 1879. A Itália busca apoio contra a França, inimiga histórica da Alemanha, que se unifica depois da Guerra Franco-Prussiana (1870-71).

O principal responsável pela Tríplice Aliança é o chanceler (primeiro-ministro) alemão, Otto von Bismarck, o Chanceler de Ferro, interessado em preservar o status quo na Europa para evitar que a França tente reconquistar a Alsácia e a Lorena.

Como a Primeira Guerra Mundial começa com uma declaração de guerra da Áustria-Hungria à Sérvia em 28 de julho de 1914, um mês depois do assassinato do herdeiro do trono austro-húngaro, arquiduque Francisco Ferdinando, em Sarajevo, na Bósnia, a Itália inicialmente não entra na guerra sob a alegação de que a Áustria é agressora.

Em 1915, a Itália abandona a Tríplice Aliança e entra na guerra ao lado da Tríplice Entente (Reino Unido, França e Rússia), formada em 1907, na esperança de ganhar territórios da Áustria com isso.

No fim da guerra, com a derrota da Tríplice Aliança, desaparecem os impérios Alemão, Austro-Húngaro e Otomano (Turco), que também adere às potências centrais. Também acaba o Império Russo, que perde a guerra para a Alemanha antes da derrota final alemã em 11 de novembro de 1918.

PRIMEIRO VOO TRANSATLÂNTICO

    Em 1926, o aviador norte-americano Charles Lindbergh parte para o primeiro voo sem parar através do Oceano Atlântico. Vai de Nova York a Paris no avião monomotor Espírito de São Luís em 33 horas e meia.

Lindbergh nasce em Detroit, no estado de Michigan, em 4 de fevereiro de 1902. É criado em Little Falls, em Minnesota, e em Washington, a capital dos Estados Unidos. Seu pai é deputado eleito para a Câmara dos Representantes pelo 6º distrito de Minnesota.

O jovem Lindbergh deixa a Universidade de Wisconsin em Madison no segundo ano para se dedicar à aviação. Entra para uma escola em Lincoln, em Nebraska, e compra um avião Jenny da Primeira Guerra Mundial  para viajar pelo Sul e o Meio-Oeste dos EUA.

Depois de ficar um ano numa escola de pilotos do Exército, Lindbergh vai ser piloto do correio aéreo. Em 1926, faz a rota de São Luís, no Missouri, a Chicago, em Illinois. Aí surge a ideia de concorrer ao Prêmio Orteig, de US$ 25 mil, oferecido a quem primeiro cruzar o Atlântico sem parar.

De 10 a 12 de maio de 1926, LIndbergh leva o Espírito de São Luís de São Diego para Nova York com escala em São Luís. 

Depois de dias de atraso por causa do meu tempo, ele decola do Campo Roosevelt, em Long Island, ao lado de Nova York, às 7h52 de 20 de maio. Pouco antes do anoitecer, sobrevoa a Terra Nova, no Canadá, e se aventura em mar aberto. Chega ao aeroporto de Le Bourget, perto de Paris, 33 horas e meia e 5,8 mil km depois, às 22h21 de 21 de maio.

A vida do herói é tumultuosa. Em março de 1932, Charles Augustus Jr., filho de Charles e Anne Lindbergh, é sequestrado e encontrado morto.

O casal sai dos EUA e vai para a Europa em dezembro de 1935, primeiro para a Inglaterra e depois para a Alemanha, onde Lindbergh claramente flerta com as ideias de supremacia racial do nazismo, que vê como única força capaz de conter o comunismo da União Soviética, a maior ameaça em sua opinião. 

De volta aos EUA, Lindbergh defende a neutralidade dos EUA na Segunda Guerra Mundial (1939-45) e trava um debate com o presidente Franklin Roosevelt em 1941, quando a intervenção militar norte-americana parece inevitável mesmo antes do ataque japonês a Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941. Lindbergh tem um comício do grupo América Primeiro (o mesmo slogan de Donald Trump) em dezembro, que é cancelado.

Durante a guerra, Lindbergh é enviado para a Guerra no Pacífico em abril de 1944 e participa de 50 mísseis de combate como tripulante que arma e dispara bombas e tiros de artilharia. Mas é acima de tudo um técnico. Reduz o consumo de combustível dos aviões P-38, aumentando a autonomia de voo e o alcance dos ataques.

Depois da guerra, o casal leva uma vida tranquila em Connecticut e no Havaí, onde Charles Lindbergh morre em 26 de agosto de 1974 aos 72 anos.

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terça-feira, 19 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 19 de Maio

 ANA BOLENA DECAPITADA

    Em 1536, condenada por adultério, Ana Bolena, a segunda das seis mulheres do rei Henrique VIII (1509-47), da Inglaterra, e mãe da futura rainha Elizabeth I (1558-1603), é decapitada na Torre de Londres.

Henrique VIII nasce em Greenwich em 28 de junho de 1991. É filho de Henrique Tudor, que derrota o rei usurpador Ricardo III na Batalha de Bosworth, em 22 de agosto de 1485, e vence a Guerra das Duas Rosas (1455-1487), a guerra entre as dinastias de Lancaster e York, herdeiras de Eduardo III, e se torna Henrique VII, o primeiro rei da dinastia Tudor.

A grande preocupação de Henrique VIII é ter um filho homem para evitar uma guerra de príncipes pela sucessão. Mas Catarina de Aragão, filha dos reis católicos da Espanha, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, lhe dá uma filha mulher, Maria Tudor, futura Maria I (1553-58).

Desde 1527, Henrique VIII pressiona o papa Clemente VII a anular o casamento. Seu rival, o rei Carlos V, da Espanha, imperador do Sacro Império Romano-Germânico e neto dos reis católicos, o mais poderoso rei da Europa naquela época, que sonha com uma "monarquia universal", faz pressão em sentido contrário.

Filha de Tomás Bolena e Elizabeth Howard, Ana Bolena é educada na Holanda, na corte de Margarida, arquiduquesa da Áustria, e depois vai para a França ser dama de companhia da rainha Cláudia de Valois, esposa de Francisco I. Ela volta à Inglaterra em 1522.

Dois anos e meio depois, Ana conhece Henrique VIII e resiste às investidas do rei para se tornar seu amante como a irmã Maria Bolena. Em 1532, em Calais, os dois se tornam amantes.

Ele se divorcia de Catarina de Aragão, motivo do rompimento com a Igreja Católica em 1534, depois de se casar secretamente em 25 de janeiro de 1533 com Ana Bolena, que em setembro lhe dá outra filha mulher, a futura Elizabeth I, a mulher mais poderosa da história da Inglaterra.

O casamento com Catarina de Aragão é anulado 23 de maio de 1533. Pouco depois, Henrique VIII e o arcebispo de York, Thomas Wolsey, são excomungados. 

Em 3 de novembro de 1534, Henrique VIII cria a Igreja da Inglaterra e se torna seu primeiro chefe. Até hoje, o rei da Inglaterra é o chefe da Igreja Anglicana. Na coroação de Carlos III, houve cerimônia em várias religiões para reconhecer a diversidade cultural do Reino Unido hoje.

Ao todo, Henrique VIII casa com seis mulheres. A terceira, Jane Seymour, lhe dá o filho homem, Eduardo VI (1547-53), fraco e doente.

Ana Bolena é presa em 2 de maio de 1536 sob acusações de adultério, incesto e traição, e decapitada na Torre de Londres. 

Quando Henrique VIII morre, em 28 de janeiro de 1547, o único filho legítimo homem, Eduardo VI, ascende ao trono com nove anos. Com a saúde frágil, morre aos 15 nos, em 6 de julho de 1553. É sucedido por Lady Jane Gray, filha de uma irmã de Henrique VIII, a Rainha dos Nove Dias, presa e executada como usurpadora do trono.

Quem herda o trono é Maria I, a primeira mulher a reivindicar com sucesso o trono da Inglaterra. Ela se casa com Felipe II, da Espanha, filho de Carlos V, do Sacro Império Romano-Germânico, mas não tem filhos. Católica, tenta reverter a Reforma Protestante na Inglaterra. 

Maria I morre em 17 de novembro de 1558. É sucedida por Elizabeth I, filha de Ana Bolena,  que retoma a Reforma Protestante e começa a construir o Império Britânico. Conhecida como a Rainha Virgem, morre sem deixar filhos em 1603. 

Elizabeth I é sucedida por Jaime I da Inglaterra e Jaime VI da Escócia, católico, filho de sua inimiga Maria Stuart, que manda construir um túmulo para a mãe na Abadia de Westminster do mesmo nível do de Elizabeth I.

O conflito entre católicos e protestantes leva à Guerra Civil Inglesa do século 17. Carlos I, filho de Jaime I, é decapitado em 30 de janeiro de 1649, início de um breve período republicano na história da Inglaterra. A guerra só termina a Revolução Gloriosa 1688, que produz a Declaração de Direitos de 1689, estabelece a supremacia do Parlamento e torna a Inglaterra numa monarquia constitucional.

GUERRA DOS TRINTA ANOS

    Em 1643, durante a Guerra dos Trinta Anos (1618-48), o Exército da França, sob o comando de Luís II de Bourbon, vence a Espanha na Batalha de Rocroi, na região francesa de Ardennes, e acaba com a supremacia militar espanhola na Europa depois de 120 anos. No fim da guerra, a França se torna a maior potência militar do continente.

A guerra começa com a Terceira Defenestração de Praga. em 23 de maio de 1618, quando protestantes jogam três altos funcionários católicos do Reino da Boêmia de uma janela do Castelo de Praga, em revolta contra uma proibição à construção de igrejas protestantes no Sacro Império Romano-Germânico.

É no início um conflito religioso que começa dentro do Sacro Império, com os católicos austríacos e espanhóis lutando contra os reinos e principados protestantes. Depois das intervenções da Dinamarca (1625-29) e da Suécia (1630-35) do lado dos protestantes, a França, embora seja católica, intervém ao lado dos protestantes em 1635 sob a liderança do Cardeal de Richelieu, primeiro-ministro do rei Luís XIII.

A Guerra dos Trinta Anos é o conflito que provoca as invasões holandesas no Nordeste do Brasil e o fim da União Ibérica, o período da história do Brasil conhecido como Domínio Espanhol (1580-1640), quando o rei da Espanha reina também em Portugal. Richelieu fomenta a Revolta de Lisboa, em 1º de maio de 1640, para Portugal recuperar a independência e enfraquecer a Espanha.

Cinco dias após a ascensão de Luís XIV (1643-1715) ao trono da França com menos de cinco anos, a França quebra em Rocroi o mito da invencibilidade espanhola nas guerras europeias.

NASCIMENTO DE HO CHI MINH

    Em 1890, nasce em Hoang Tru, no Vietnã, na época parte da Indochina Francesa, Ho Chi Minh, fundador do Partido Comunista da Indochina (1930) e de seu sucessor, o Viet Minh (1941) e presidente do Vietnã do Norte (1945-69), o grande herói da independência do Vietnã e da reunificação do país.

Ho Chi Minh declara a independência do Vietnã em 2 de setembro de 1945, data oficial da rendição japonesa e do fim da Segunda Guerra Mundial na Ásia, quando a França tenta restabelecer a administração colonial. A vitória do general Vo Nguyen Giap sobre a França na Batalha de Dien Bien Phu é decisiva na Guerra da Indochina (1946-54).

Em 1938, na iminência da invasão japonesa, Ho Chi Minh e Giap fogem para a China. No exílio, Giap organiza um exército guerrilheiro para combater o Exército Imperial do Japão, seguindo uma tradição milenar que vem da luta contra o Império Chinês e continua no pós-guerra na luta contra a França e depois contra os EUA.

BATALHA DE DIEN BIEN PHU
De 13 de março a 7 de maio de 1954, com cerca de 80 mil homens, o Exército vietnamita perde 7,9 mil soldados para acabar com o colonialismo francês no Sudeste Asiático na Batalha de Dien Bien Phu, um pequeno planalto no Nordeste do Vietnã, perto das fronteiras com o Laos e a China.

Da força expedicionária da França, 2.293 soldados são mortos e 5.193 feridos em combate em Dien Bien Phu. Dos 11.721 franceses presos, a maioria morre no cativeiro. Só 3.290 são repatriados.

Como os comunistas liderados por Ho obteriam uma expressiva vitória nas eleições, elas são canceladas em 1955 pelos EUA, que exigem a divisão do país na paz negociada nas Nações Unidas e instalam um regime-fantoche no Vietnã do Sul.

GUERRA DO VIETNÃ
A divisão do país causa a Guerra do Vietnã (1955-75), que tem uma intervenção militar direta dos EUA de 1964-73, com a morte de 58,2 mil americanos. O general Giap supervisiona a Ofensiva do Tet, a maior batalha da guerra, decisiva para minar o apoio da opinião pública americana à guerra.

A Guerra do Vietnã ou Segunda Guerra da Indochina, travada no Vietnã, no Camboja e no Laos, é uma tentativa de impedir que o comunismo tome conta de todo o Vietnã. De acordo com a teoria do dominó, poderia derrubar outros países do Sudeste Asiático.

Há medo de que países vizinhos como a Malásia e a Indonésia, com recursos estratégicos como borracha, estanho e petróleo, virem comunistas.

Em 1956, o Vietnã do Norte autoriza seu aliados do Vietcongue a iniciar atividades guerrilheiras contra o regime-fantoche sustentado pelos EUA.

Em 1959, o Partido Comunista do Vietnã do Norte decide promover uma “guerra popular” no Sul. O primeiro envio de armas pela Trilha de Ho Chi Minh, através do Camboja, é concluído em agosto de 1959.

A Frente de Libertação Nacional do Vietnã do Sul é fundada em 1960.

INTERVENÇÃO AMERICANA
O envolvimento dos EUA começa no governo Dwight Eisenhower (1953-61), que manda 900 assessores militares. No fim do governo Kennedy (1961-63), há 16,7 mil militares norte-americanos no Vietnã. Alguns entram em combate. O economista John Kenneth Galbraith adverte para o risco “de substituir a França como potência colonial e sangrar como a França”.

Como o Exército do Vietnã do Sul é muito incompetente no campo de batalha, militares norte-americanos passam a assessorar as forças sul-vietnamitas em todas as frentes sem entender direito a natureza política da insurgência.

INCIDENTE DO GOLFO DE TONKIN
Depois de dois falsos ataques contra navios norte-americanos em incidentes forjados pelos EUA em 2 e 4 de agosto de 1964 no Golfo de Tonkin, o presidente Lyndon Johnson declara guerra ao Vietnã do Norte.

Documentos desclassificados em 2005 mostram que, no primeiro caso, o navio norte-americano deu tiros de advertência a pesqueiros vietnamitas, que não responderam. No segundo caso, não houve ataque. Em nenhum dos dois, havia embarcações militares do Vietnã do Norte na área. O governo Johnson fabrica sua versão em Washington.

VIETCONGUE
De 5 mil rebeldes em 1959, quando é criado, o grupo guerrilheiro Vietcongue cresce para 1 milhão de homens em armas.

Em 2 de março de 1965, os EUA começam uma campanha de intensos bombardeios aéreos que dura três anos. Com 3 mil fuzileiros navais enviados em 8 de março de 1965, os EUA entram em combate em terra na linha de frente pela primeira vez.

Ho Chi Minh alerta: “Se os norte-americanos querem 20 anos de guerra, devemos lutar por 20 anos. Se eles querem paz, devemos fazer as pazes e convidá-los para tomar chá.”

O governo de Hanói declara não ter a intenção de expandir sua revolução pelos países vizinhos, mas documentos secretos do Pentágono, revelados em 1971 pelo jornalista Jack Anderson no jornal The New York Times, falam num “perigoso período de expansionismo vietnamita” citando expressamente o Laos e o Camboja como alvos fáceis e talvez também a Tailândia, a Malásia, Cingapura e a Indonésia.

OFENSIVA DO TET
Durante os feriados do Ano Novo Lunar (Tet), em 30 de janeiro de 1968, o Vietcongue lança uma de suas maiores ofensivas. Cerca de 84 mil guerrilheiros atacam 155 cidades, entre elas 36 das 44 capitais provinciais e a capital do Vietnã do Sul, Saigon, inclusive a Embaixada dos EUA e o comando militar norte-americano.

1968 é o pior ano para as tropas americanas: dos 58,2 mil americanos mortos na guerra, 16.592 soldados morrem naquele ano.

Com o fracasso da guerra, Johnson não concorre à reeleição em 1968. Richard Nixon ganha com a promessa de negociar a paz e tirar os soldados norte-americanos do Vietnã. Para isso, o assessor de Segurança Nacional, Henry Kissinger inicia uma aproximação com a China e a União Soviética.

Ho Chi Minh morre em Hanói, a capital do Vietnã do Norte, em 2 de setembro de 1969. A guerra termina em 30 de abril de 1975 com a tomada de Saigon, a capital do Vietnã do Sul e capital econômica do país reunificado, rebatizada como Cidade de Ho Chi Minh.

PAZ QUE NÃO HOUVE
A paz entre EUA e Vietnã é assinada em 27 de janeiro de 1973, mas a guerra continua até a queda de Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, em 30 de abril de 1975, quando há uma fuga espetacular de helicóptero da Embaixada dos EUA. O total de mortos vietnamitas é estimado pelo governo nacional em 2 milhões de civis e 1,1 milhões de soldados e guerrilheiros.

Duas semanas antes, em 17 de abril de 1975, o grupo guerrilheiro Khmer Vermelho, outro subproduto da Guerra do Vietnã, toma o poder no vizinho Camboja, dando início a um reino de terror com mais de 2 milhões de mortes que acabaria em 8 de janeiro de 1979 com uma invasão vietnamita.

O regime comunista interna mais de 1 milhão de pessoas em campos de reeducação, onde 165 mil vietnamitas morrem. A repressão de caráter stalinista provoca a fuga em massa de mais de 1,5 milhão de pessoas em barcos precários criando uma das grandes crises humanitárias dos anos 1980, o povo dos barcos

O Alto Comissariado da ONU para Refugiados estima que 200 a 400 mil pessoas morrem nessa fuga sem destino pelo mar porque ninguém quer recebê-los.

LAWRENCE DA ARÁBIA MORRE EM ACIDENTE DE MOTO

    Em 1935, seis dias depois de um acidente de motocicleta numa estrada em Dorset, no interior da Inglaterra, morre aos 46 anos Thomas Edward Lawrence, mais conhecido como Lawrence da Arábia, o oficial de inteligência britânico que aderiu à Revolta Árabe (1916-18) para vencer o Império Otomano (turco) na Primeira Guerra Mundial (1914-18).

T. E. Lawrence nasce em Tremadog, na País de Gales, em 16 de agosto de 1888. Em 1896, sua família se muda para Oxford, onde ele estuda arquitetura e arqueologia. Em 1909, ele faz viagem de estudo à Palestina e à Síria, então partes do Império Otomano.

Dois anos depois, Lawrence consegue uma bolsa para uma expedição arqueológica que escava um assentamento hitita no Rio Eufrates durante três anos. Ele aprende árabe e viaja pelo Oriente Médio.

Em 1914, explora a Península do Sinai, no Egito, na época controlado pelo Império Britânico, na fronteira com o Império Otomano. Com seu conhecimento sobre o Oriente Médio, Lawrence se alista como oficial de inteligência quando começa a guerra. Fica baseado no Cairo como analista de informações.

Quando o emir de Meca, Hussein Ibn Ali, proclama a Revolta Árabe contra a dominação turca, em 1916, vai numa missão diplomática britânica à Arábia, convence seus superiores a apoiar a rebelião e se torna oficial de ligação com o exército de Hussein.

Sob a liderança de Lawrence, os árabes lançam uma guerra de guerrilhas. Em julho de 1917, eles tomam Ácaba, junto ao Sinai, onde se juntam às forças britânicas e marcham para Jerusalém. Lawrence é promovido a coronel.

Em novembro, é capturado como agente secreto em território inimigo, preso, torturado e abusado sexualmente pelos turcos. Ele consegue escapar a se junta ao exército árabe na tomada de Damasco, em outubro de 1918, a vitória final sobre os turcos.

Depois da guerra, Lawrence espera que a Arábia se una num grande país cobrindo toda a península. Decepcionado com a divisão fomentada pelo Império Britânico e o tribalismo árabe, volta para o Reino Unido.

"HAPPY BIRTHDAY, MR. PRESIDENT"

    Em 1962, a atriz Marylin Monroe canta uma das mais famosas interpretação de Parabéns a Você em inglês, durante uma festa de gala no Madison Square Garden, em Nova York, para festejar os 45 anos do presidente John Kennedy, com quem teria um caso.

Marylin usa um vestido cor da pele coberto de cristais e canta numa voz sussurrada num tom carinhoso e sensual.

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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 18 de Maio

FUNDAÇÃO DE MONTREAL

    Em 1642, Paul de Chomodey, Senhor de Maisonneuve, funda a cidade de Montreal, hoje parte do Canadá froncófono.

A cidade ocupa três quartos da Ilha de Montreal, a maior das 234 ilhas do Arquipélago Hochelaga, um dos três próximos à confluência dos rios Ottawa e São Lourenço.

O lugar onde está é conhecido como Hochelaga pelo povo huron quando chega o explorador francês Jacques Cartier na sua segunda viagem ao Novo Mundo (1535-36). Mais de mil nativos o recebem ao pé da montanha que ele batiza como Mont Réal.

Mais de 50 anos passam até que os franceses voltem. Samuel de Champlain funda Quebec e pensa em criar um ponto do comércio de peles no que chama de Praça Real, mas seu sonho não se materializa.

Montreal não nasce como um entreposto do comércio de peles. É um centro missionário que seu fundador, Paul de Chomodey, batiza como Vila Maria. Ele constrói casas, uma capela, um hospital e outras estruturas.

Em 1644, o Rei Sol, Luís XIV, dá uma carta régia para Montreal e Chomodey se torna o primeiro governador.

A povoação está sob constante ameaça dos índios iroqueses, aliados do Império Britânico, até um tratado de paz de 1701. 

SUPREMA CORTE LEGITIMA SEGREGAÇÃO

    Em 1896, no caso Plessy x Ferguson, a Suprema Corte dos Estados Unidos legitima a segregação racial com uma doutrina chamada de "separados, mas iguais".

A ação questiona a cláusula da 14ª Emenda à Constituição, aprovada no período da Restauração depois da Guerra da Secessão (1861-65), que garante "proteção igual perante a lei" a qualquer pessoa em qualquer lugar.

O caso é um desafio à Lei dos Vagões Separados do estado da Louisiana, que obriga da companhias ferroviárias a oferecer "acomodações iguais mas separadas" para pretos e brancos. 

Homer Plessy, que tem muito mais antepassados brancos do que pretos, compra uma passagem no vagão dos brancos. Quando se nega a ir para o vagão dos pretos, é preso.

No julgamento em primeira instância, o juiz John Ferguson rejeita a alegação de que a lei é inconstitucional e o caso vai até a Suprema Corte.

A decisão sanciona a segregação ao pressupor que os serviços e as instalações oferecidas ao negros são iguais às dos brancos. Vira jurisprudência até ser derrubada em 17 de maio de 1954 pelo caso Brown x Conselho de Educação de Topeka, que proíbe a segregação racial nas escolas. 

CONFERÊNCIA DE HAIA

    Em 1899, começa a Primeira Conferência Internacional de Haia, na Holanda, um passo rumo à formação das organizações internacionais de caráter universal dedicadas à paz mundial.

A conferência é convocada pelo ministro do Exterior da Rússia, Mikhail Nikolaievich Muraviov, durante o reinado de Nicolau II (1894-1917), que propõe três questões:

  1.  limitar a expansão das Forças Armadas e o uso de novas armas;
  2. aplicar os princípios da Convenção de Genebra de 1864 à guerra naval;
  3. e revisar a Declaração de Bruxelas de 1874 sobre as leis e os costumes da guerra em terra.
Até 29 de julho, os representantes de 26 países debatem a paz mundial em Haia. O Brasil não participa. Da América, só vão os Estados Unidos e o México.

A Primeira Convenção de Haia é um conjunto de três tratados internacionais, a Convenção para a Solução Pacífica de Disputas Internacionais, que cria o Tribunal Permanente de Arbitragem;, a Convenção sobre as Leis e os Costumes da Guerra em Terra; e a Convenção para Adaptação da Guerra Naval aos Princípios da Convenção de Genebra de 22 de agosto de 1864.

A Segunda Conferência de Haia é proposta pelo presidente norte-americano Theodore Roosevelt e convocada pelo czar Nicolau II, da Rússia, e realizada de 15 de junho a 18 de outubro de 1907. Participam 44 países, inclusive o Brasil, representado por Rui Barbosa, que faz um discurso brilhante. Mais uma vez, a limitação de armas de guerra é rejeitada.

Uma terceira conferência seria realizada em 1914. É adiada para 1915 e suspensa com o início da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Depois da guerra, a Conferência de Paz de Versalhes (1919) cria a Liga das Nações, a primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial, que fracassa ao não evitar a Segunda Guerra Mundial (1939-45) e é substituída pela Organização das Nações Unidas (ONU).

BOMBA ATÔMICA INDIANA

    Em 1974, na Operação Buda Sorridente ou Krishna Feliz, a Índia testa no deserto do Rajastão sua primeira bomba atômica e chama de "explosão nuclear pacífica". É o sexto país a fabricar armas nucleares.

O programa nuclear da Índia começa em 1944, antes da independência. A perda de território numa breve greve de fronteira com a China nas montanhas do Himalaia, em 1962, leva à decisão de desenvolver armas nucleares. A explosão usa plutônio produzido no reator canadense CIRUS.

A Índia assume abertamente o status de potência nuclear com uma série de cinco explosões realizadas de 11 a 13 de maio de 1998. O arqui-inimigo Paquistão, que tinha a bomba secretamente desde 1975, responde com cinco explosões em 28 de maio. Hoje estima-se que cada um tenha cerca de 170 ogivas nucleares.

MOVIMENTO PELA DEMOCRACIA NA CHINA

    Em 1989, um milhão de pessoas marcham pelas ruas de Beijim num movimento pela liberdade e a democracia para liberalizar o regime comunista da China. A revolta é esmagada no Massacre na Praça da Paz Celestial na noite de 3 para 4 de junho.

As reformas anunciadas pelo líder Deng Xiaoping em 13 de dezembro de 1978 abrem a economia e liberalizaram o regime depois do longo trauma da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76).

O movimento iniciado por estudantes sai às ruas em 15 de abril, quando morre o ex-secretário-geral do Partido Comunista Hu Yaobang (1981-87), um grande responsável pelas reformas políticas e econômicas sob a liderança de Deng, favorável a liberalizar o regime.

Quando o movimento cresce, apresenta suas demandas:

  1. Reconhecer como corretas as visões de Hu Yaobang sobre democracia e liberdade.
  2. Admitir que as campanhas contra a "poluição espiritual" e a "liberalização burguesa" são erradas.
  3. Publicar informações sobre a renda dos altos dirigentes e de suas famílias.
  4. Acabar com a censura e autorizar a publicação de jornais de grupos privados.
  5. Mais dinheiro para a educação e aumento dos salários dos intelectuais.
  6. Fim das restrições a manifestações em Beijim.
  7. Fazer uma cobertura objetiva do movimento estudantil na mídia oficial.

O então secretário-geral do PC, Zhao Ziyang, defende o diálogo com os estudantes, enquanto o primeiro-ministro linha-dura Li Peng exige uma condenação oficial das manifestações. Quando Zhao viaja à Coreia do Norte, em 23 de abril, Li toma a iniciativa.

Em 25 de abril, o primeiro-ministro e o presidente Yang Shangkun se reúnem na casa de Deng, que aprova a linha dura. No dia seguinte, o Diário do Povo, jornal oficial do PC, publica editorial de primeira página de lavra de Li sob o título: "É preciso adotar uma posição clara contra os distúrbios". Descreve o movimento como contra o partido e contra o governo.

Com a volta de Zhao, o governo retoma a tolerância. Em 13 de maio, dois dias antes do início de uma visita do líder soviético Mikhail Gorbachev, os estudantes começam uma greve de fome. Quando Zhao diz a Gorbachev que o líder supremo é Deng, este toma como uma tentativa de lhe atribuir toda a responsabilidade pela revolta dos estudantes.

Numa reunião do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central na casa de Deng, em 17 de maio, a alta cúpula do regime comunista chinês decide decretar lei marcial e convocar o Exército para tomar a capital. 

No dia 18, quando um milhão saem às ruas da capital, Li encontra os estudantes numa reunião marcada pela confrontação, sem qualquer avanço. Diante das câmeras, o primeiro-ministro mostra mais preocupação com a saúde dos estudantes em greve de fome.

A última aparição de Zhao é na madrugada do dia 19, quando ele fala com os estudantes ao lado de Wen Jiabao, que seria primeiro-ministro de Hu Jintao (2003-13). À noite, numa reunião da alta cúpula, Deng declara ter se arrependido de nomear Hu e Zhao para a liderança do partido. Zhao cai e passa o resto da vida em prisão domiciliar.

Em 20 de maio, o governo decreta lei marcial e convoca 30 divisões, num total de 250 mil soldados, para ocupar Beijim. Em 3 de junho, autoriza a ação para retirar os estudantes acampados na praça central da capital centenas. O total de mortes é estimado entre centenas e 10 mil.

As reformas políticas são enterradas definitivamente. A ascensão de Xi Jinping, em 2012, torna a ditadura mais personalista e contrária a qualquer dissidência. A liberdade acadêmica daquele período não existe mais. 

Com a imposição de uma Lei de Segurança Nacional, o fim da autonomia regional e das liberdades democráticas em Hong Kong, todos os livros e publicações sobre o movimento pela liberdade e democracia, que era lembrado com vigílias no território, desaparecem das livrarias e bibliotecas.

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