segunda-feira, 8 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 8 de junho

PROFETA MAOMÉ MORRE

     Em 632, o profeta Maomé morre em Medina nas braços de sua terceira mulher, Aicha, a favorita.

Fundador do islamismo, é um dos líderes políticos e religiosos mais importantes da história. De origem humilde, Maomé nasce em Meca por volta do ano 570. Aos 25 anos, casa com uma viúva rica. Durante 15 anos, é um simples mercador.

Numa caverna do Monte Hira, em 610, Maomé tem uma visão em que o anjo Gabriel fala com ele em nome de Deus e o orienta a criar a "verdadeira religião". Começa aí uma era 22 anos de revelações em que pela tradição islâmica o anjo Gabriel dita para o profeta o Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, que é considerado pelos fiéis como a palavra de Alá (Deus em árabe).

Maomé se considera o último profeta da tradição judaico-cristã, o último profeta de Abraão, depois do próprio Abraão, de seus filhos Isaac e Ismael, de Davi, Moisés e Jesus. Usa a teologia das religiões anteriores para unir as tribos árabes, que vivem em estado de anarquia.

Por isso, desde sua origem, o islamismo tem um projeto político, um modelo de sociedade que o cristianismo, nascido numa pequena província do grande Império Romano, não tinha. Quando convidaram Jesus para participar de uma revolta contra os impostos cobrados por Roma, ele disse: "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus." A frase sugere uma separação entre Igreja e Estado.

Sob ameaça de morte, em 21 de junho de 622, Maomé foge de Meca para Medina, onde chega em 2 de julho. A Hégira, a fuga de Meca para Medina, é o marco inicial do islamismo. 

Em Medina, ele cria um Estado teocrático e começa a construir um império que, em menos de 100 anos, domina a Arábia, boa parte do Oriente Médio, o Norte da África e a Península Ibérica, invadida em 711. A expansão na Europa é contida por Carlos Martel em 732 em Poitiers, hoje parte da França.

O islamismo é hoje a segunda maior religião do mundo, com 1,9 bilhão de seguidores, quase 25% da população mundial.

DAVID DE MICHELANGELO

    Em 1504, a estátua de David do escultor italiano Michelangelo Buonarroti, um símbolo do ideal de beleza do Renascimento, é instalada na Catedral de Florença.

O escultor, pintor, arquiteto, poeta e anatomista Michelangelo di Lodovico Buonarroti Simoni nasce em Caprese, na Toscana, em 6 de março de 1475 e se torna um dos maiores artistas da história, um dos maiores escultores, um dos maiores criadores, responsável pelos afrescos da Capela Sistina, no Vaticano, entre outras obras espetaculares.

Por mais de 70 anos, ele desenvolve seu trabalho entre Roma e Florença, onde estão seus grandes mecenas, os papas e a família Medici. 

HERÓI DA RESISTÊNCIA

    Em 1874, morre de causa natural, provavelmente câncer, no Novo México o cacique apache Cochise, da tribo chiricahua, que vivia na região do Deserto de Sonora, no Nordeste do México, no Arizona e no Novo México, tomados pelos EUA na Guerra Mexicano-Americana (1846-48).

Cochise nasce em 1805 no Vice-Reino da Nova Espanha, que se torna independente como México. Ele resiste à invasão dos europeus e lidera seu povo em guerras contra mexicanos e norte-americanos.

ISRAEL ATACA NAVIO DOS EUA

    Em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, Israel ataca o navio de inteligência norte-americano USS Liberty em águas internacionais diante da Faixa de Gaza.

Como só tem armamento leve, o Liberty tenta pedir ajuda pelo rádio, mas a Força Aérea de Israel bloqueia a transmissão. Depois, o Liberty consegue contato com o Saratoga, que envia um esquadrão aéreo com 12 caças-bombardeiros. Ao saber da operação, o secretário da Defesa dos EUA, Robert McNamara, manda suspender a resposta norte-americana.

Depois do bombardeio aéreo, lanchas torpedeiras israelenses atacam o Liberty. Em duas horas de ataque, 34 norte-americanos morrem e outros 171 saem feridos. Israel pede desculpas. Afirma ter confundido o Liberty com um navio egípcio. Sobreviventes norte-americanos duvidam da versão israelense por entender que sofreram o ataque para encobrir a conquista por Israel das Colinas do Golã, da Síria.

PRESO ASSASSINO DE LUTHER KING

    Em 1968, James Earl Ray, assassino do líder do movimento pelos direitos civis dos negros dos Estados Unidos Martin Luther King Jr., é preso em Londres, na Inglaterra.

Luther King é morto por um atirador quando está na varanda de seu quarto no Hotel Lorraine, em Memphis, no Tennessee, em 4 de abril de 1968. 

Na mesma noite, a polícia encontra a arma do crime, uma espingarda de caça. A perícia na arma, com impressões digitais, e depoimentos de testemunhas levam a Ray, um condenado por assalto à mão armada que fugira da prisão.

O FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, inicia uma grande caçada ao fugitivo e descobre que ele tem um passaporte canadense falso. A polícia britânica, a Scotland Yard prende Ray no Aeroporto de Heathrow, em Londres.

Ray pretendia ir para a Bélgica e da lá para a Rodésia, hoje Zimbábue, na época governada por um regime segregacionista da minoria branca semelhante ao apartheid da África do Sul. Extraditado para os EUA, confessa o crime para escapar da pena de morte na cadeira elétrica e é condenado a 99 anos de cadeia. Morre na prisão em 1998.

DEPUTADA NEGRA VISITA GOVERNADOR RACISTA

    Em 1972, a deputada Shirley Chisholm, primeira mulher negra eleita para o Congresso dos Estados Unidos, visita no hospital o então governador do Alabama, George Wallace, talvez o maior segregacionista da história recente do país, que se recupera de uma tentativa de assassinato. Ambos disputam a candidatura do Partido Democrata à Casa Branca.

Wallace é eleito governador com uma plataforma que promete "segregação agora, segregação amanhã, segregação para sempre". Em 1963, vai pessoalmente impedir o acesso de negros à Universidade do Alabama. Como candidato de um terceiro partido à Casa Branca, ganha em cinco estados do Sul prometendo acabar com as iniciativas do governo federal para acabar com a segregação racial.

Chisholm quer abrir espaço para a mulher negra e acredita nunca ter sido levada a sério pelo partido. Wallace está na disputa até ser baleado cinco vezes em Laurel, no estado de Maryland, em 15 de maio de 1972, o que o deixa paralítico.

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domingo, 7 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 7 de Junho

 TRATADO DE TORDESILHAS

    Em 1494, no início da Era dos Descobrimentos do resto do mundo pelos europeus, com a bênção do Papa Alexandre VI, Portugal e Espanha assinam o Tratado de Tordesilhas, que divide o planeta entre os dois.

Depois da Descoberta da América por Cristóvão Colombo, em 12 de outubro de 1492, os reis católicos da Espanha, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, recorrem ao papa para consolidar a posse das novas terras.

Através de uma bula papal, Alexandre VI coloca a linha divisória a 100 léguas (512 quilômetros) a oeste das ilhas de Cabo Verde. A oeste da linha, a Espanha tem direitos exclusivos por terras descobertas e não descoberta; Portugal fica com o outro lado. O meridiano dá a volta ao mundo.

Num encontro em Tordesilhas, embaixadores portugueses e espanhóis confirmam a decisão papal, mas mudam a linha, o Meridiano de Tordesilhas, para 370 léguas (1.896 km) a oeste de Cabo Verde, o que só é sancionado pelo Papa Júlio II em 1506, o que permite a Portugal reivindicar a costa do Brasil da Ilha de Marajó até Cananeia ou Laguna.

Durante a União Ibérica ou o Domínio Espanhol (1580-1640), quando o rei da Espanha é o mesmo de Portugal, os portugueses entram além da linha de Tordesilhas na Amazônia, no Mato Grosso e no Sul do Brasil. Portugal alega que a Espanha violou o tratado primeiro ao colonizar as Filipinas, em 1565.

No Tratado de Madri (1750), o Brasil assume os contornos que têm hoje, com a exceção do Acre, que pertencia à Bolívia, e do Rio Grande do Sul, onde a fronteira definitiva é traçada com a independência do Uruguai, em 1828. 

MORTE DO CACIQUE SEATTLE

    Em 1866, o cacique Seattle morre perto da cidade fundada 13 anos antes e batizada com seu nome, no que é hoje o estado de Washington, no Noroeste dos EUA.

Seattle nasce por volta de 1870. Chefia as tribos duwamish e suquamish, que vivam na costa do Oceano Pacífico num lugar hoje chamado de Enseada Puget.

Com a Marcha para o Oeste, no início dos anos 1850, os americanos de origem europeia começam a chegar à região e são bem recebidos. Em 1853, vários colonos decidem fundar uma cidade na Baía de Elliott e a chamam de Seattle em homenagem ao cacique.

Nem todos os indígenas aceitam o estabelecimento de colonos brancos na região. A guerra estoura em 1855, quando os índios do Vale do Rio Branco, ao sul de Seattle, atacam a aldeia. Mesmo prevendo que o homem branco levaria seu povo à extinção, Seattle argumenta que a resistência só apressaria o fim dos indígenas. Em 1856, os iindígenas concordam e fazem a paz.

GANDHI EXPULSO DO TREM

    Em 1893, o futuro herói da independência da Índia, o jovem advogado Mohandas Gandhi, realiza, na África do Sul, seu primeiro ato de desobediência civil, recusando-se a cumprir as regras de segregação racial, e é jogado para fora de um vagão de trem de primeira classe só para brancos em Pietermaritzburgo.

Gandhi nasce em 2 de outubro de 1869 em Porbandar, na Índia, na época uma colônia do Império Britânico, e é educado na Inglaterra. Em 1893, formado em direito, consegue um contrato de um ano na África do Sul, onde defende trabalhadores da Índia e funda o Congresso Nacional Indiano para lutar pelo direito de voto dos indianos na África do Sul. 

Em 1906, sob a inspiração das ideias do naturalista americano Henry David Thoreau, cujo pensamento conhece através do escritor russo Leon Tolstoy, organiza a primeira campanha de satyagraha, a desobediência civil. Thoreau cria o conceito ao se negar a pagar impostos durante a Guerra Mexicano-Americana (1846-48), quando os EUA tomam 41% do território do México.

Ao voltar à Índia, em 1914, Gandhi se dedica à espiritualidade. Na Primeira Guerra Mundial (1914-18), apoia o Reino Unido, mas, em 1919, lança uma campanha de desobediência civil contra o serviço militar obrigatório dos indianos. Isto o torna líder do movimento pacífico pela independência da Índia, conquistada em 1947, com a divisão do país em Índia, de maioria hindu, e Paquistão, de maioria muçulmana, contra sua vontade.

Mais de 2 milhões de pessoas morrem na divisão do país. Índia e Paquistão entram em guerra por causa da região da Caxemira, de maioria muçulmana, cujo governador imperial, o marajá Hari Singh, adere à Índia. Ao todo, travam quatro guerras.

Em 30 de janeiro de 1948, o Mahatma (Grande Alma) Gandhi é assassinado pelo extremista hindu Nathuram Godse, membro da organização paramilitar ultranacionalista Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS), à qual pertenceu o atual primeiro-ministro da extrema direita da Índia, Narendra Modi, reeleito no ano passado para um terceiro mandato, mas sem maioria absoluta.

CONQUISTA DO MONTE McKINLEY

    Em 1913, o missionário Hudson Stuck lidera a primeira escalada até o cume do Monte Denali, na época Monte McKinley, no Alasca, a maior montanha da América do Norte, com 6.190 metros de altura.

Stuck, um alpinista amador, nasce em Londres. Depois de se mudar para os EUA, vira arquidiácono da Igreja Episcopal em Yukon. Em 1917, é criado o Parque Nacional do Monte McKinley. Hoje, mais de mil alpinistas tentam a escalada a cada ano. Cerca de metade chega ao topo. Trump restaura o nome de McKinley.

 REI NOS EUA

    Em 1939, George VI se torna o primeiro rei da Inglaterra a visitar os EUA.

Durante a viagem, o casal real pede maior envolvimento norte-americano na solução da crise da Europa, onde a Segunda Guerra Mundial começa menos de dois meses depois, em 1º de setembro, quando a Alemanha Nazista invade a Polônia.

Jorge VI é o segundo filho do rei Jorge V. Ascende ao trono depois que o irmão mais velho, Eduardo VIII, abdica em 1936 para se casar com Wallis Simpson, uma norte-americana divorciada. Com a morte de Jorge VI, ascende ao trono a rainha, Elizabeth II, em 1952, substituída após sua morte pelo rei atual, Charles III.

BATALHA DE MIDWAY

    Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), depois de quatro dias de combates, os Estados Unidos vencem o Japão na Batalha de Midway, uma batalha aeronaval.

Seis meses depois do ataque japonês ao porto de Pearl Harbor, na ilha de Oahu, no Havaí, quartel-general da Frota do Oceano Pacífico dos EUA, a guerra no Pacífico começa a virar a favor dos norte-americanos. 

A Segunda Guerra Mundial acaba em agosto de 1945, na Ásia, com os bombardeios nucleares a Hiroxima e Nagasaki, no Japão.

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sábado, 6 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 6 de Junho

MUSEU EM OXFORD

     Em 1683, a Universidade de Oxford abre o Museu Ashmoleum, a primeiro de uma universidade.

Durante a Restauração da monarquia, a partir de 1660, quando termina o breve período republicano da história da Inglaterra, iniciado em 1649, Oxford é o centro da atividade científica no país. 

Em 1677, o biólogo Elias Ashmoleum doa sua coleção à universidade, que contrata o arquiteto Sir Christopher Wren, o mesmo da Catedral de São Paulo, em Londres, para construir o prédio.

Inicialmente usado exclusivamente por alunos e professores, o museu é aberto ao público em 1845. Tem hoje desde artefatos humanos de 500 mil anos atrás a obras de arte do século 20.

EUA ENTRAM NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

    Em 1918, começa a Batalha do Bosque de Belleau, a primeira importante com a participação de forças dos Estados Unidos durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18). 

Em maio, na sua terceira ofensiva naquele ano na Frente Ocidental, a Alemanha chega a 72 quilômetros de Paris. Sob o comando do general John Pershing, os americanos, britânicos e franceses contêm o avanço alemão na estrada Paris-Metz e lançam uma contraofensiva para desalojar o inimigo do Bosque de Belleau.

Os EUA declaram guerra à Alemanha em 6 de abril de 1917, depois de vários ataques contra navios mercantes no Oceano Atlântico. Como não têm tropas nem equipamentos militares na Europa, são necessários meses para entrar em combate.

DIA D

   Em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), as forças aliadas invadem a região da Normandia, no Noroeste da França, sob o comando do general Dwight Eisenhower, na maior operação de assalto anfíbio da história, com mais de 150 mil soldados. É o Dia D.

Antes de amanhecer, mais de 18 mil paraquedistas dos Estados Unidos e do Reino Unido saltam como força de vanguarda do ataque. Os primeiros são todos mortos. 

A frota tem cerca de 7 mil navios. Cerca de 13 mil aviões dão cobertura aérea. Às seis e meia da manhã, começa o desembarque de 155 mil soldados para romper a Muralha do Atlântico, uma série de fortificações erguidas pela Alemanha Nazista, que invadira a França em maio de 1940.

Pouco mais de dois meses e meio depois do Dia D, em 25 de agosto, Paris é libertada. O ditador Adolf Hitler manda o comandante militar alemão, Dietrich von Choltitz, destruir a capital da França. Nas suas memórias, Choltitz reivindica o crédito por poupar a cidade, mas talvez tenha perdido o controle da situação.

A Segunda Guerra Mundial termina na Europa em 8 de maio de 1945, quando o Exército Vermelho da União Soviética toma Berlim. A Guerra do Pacífico termina em 15 de agosto com a rendição do Japão depois de ser atacado com bombas atômicas em Hiroxima e Nagasáki.

PRIMEIRO UNIVERSITÁRIO NEGRO MORRE

    Em 1966, James Meredith, o primeiro negro a entrar na Universidade do Mississípi, é baleado mortalmente no segundo dia da sua solitária Marcha contra o Medo.

Meredith é admitido pela universidade em 1962 e barrado quando sabem sua cor. Recorre à Justiça Federal. Mesmo assim, o governador tenta impedi-lo. Ele entra na universidade escoltado pela polícia. O fato provoca protestos e choques em que dois estudantes morrem.

Quando Meredith é morto, outros líderes do movimento negro como Martin Luther King Jr. e Stokely Carmichael aparecem para completar a Marcha contra o Medo. Durante a caminhada, Carmichael fala pela primeira vez em "poder negro", sua proposta na luta pelos direitos civis nos EUA, que inclui o uso da força.

ÍNDIA ATACA TEMPLO SAGRADO

    Em 1984, o Exército da Índia invade o Templo Dourado de Amritsar, depois de dois anos luta contra separatistas da seita sikh, que sonham com a independência do Calistão, e mata pelo menos 500 rebeldes.

Também morrem mais de 100 soldados, além de civis da seita sikh. O Exército ainda cerca guerrilheiros sikhs em cerca de 30 templos e santuários no estado do Punjab. O governo apresenta a operação como uma vitória definitiva sobre a revolta sikh.

O siquismo ou sikhismo é uma religião criada no século 15 por Guru Nanak. Combina elementos do hinduísmo e do islamismo, as duas religiões dominantes na Índia. Nos anos 1970, o Punjab torna-se um dos estados mais prósperos da Índia, o que alimenta o sonho de autonomia. A luta armada pela independência para criar o Calistão, a terra os puros, começa em 1982.

Meses depois da invasão ao lugar mais sagrado do siquismo, em 31 de outubro, dois guarda-costas sikhs assassinam a primeira-ministra Indira Gandhi. Em retaliação, hindus matam milhares de sikhs até que o filho e herdeiro político de Indira, o primeiro-ministro Rajiv Gandhi, manda o Exército intervir para parar com a matança.

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sexta-feira, 5 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 5 de Junho

EUA DEIXAM PADRÃO-OURO

     Em 1933, durante a Grande Depressão (1929-39), o presidente Franklin Delano Roosevelt retira os Estados Unidos do padrão-ouro.

O padrão-ouro é um sistema no qual a moeda de um país é lastreada por ouro e tem cotação fixa em ouro. O país precisa ter ouro para emitir moeda. A qualquer momento, a moeda pode ser trocada por ouro. Nos EUA, acaba quando o Congresso aprova uma resolução que extingue o direito dos credores de exigir pagamento em ouro.

Roosevelt é eleito em 1932, no auge da Grande Depressão (1929-39), a crise deflagrada pelo colapso da Bolsa de Valores de Nova York em 28 de outubro de 1929, com queda de 13% num dia. Erros de política econômica como o aumento do protecionismo agravam a situação. O índice de desemprego chega a 25%.

No discurso de posse, em 4 de março de 1933, o novo presidente declara: "Não temos nada a temer, a não ser o próprio medo." Ele anuncia uma série de medidas num plano de 100 dias para recuperar a confiança dos norte-americano em si mesmos e cria a Previdência Social. 

É o início do Estado do bem-estar social, que é atacado pelo Partido Republicano e o neoliberalismo, especialmente a partir da eleição do presidente Ronald Reagan (1981-89) em 1980.

Em 20 de abril de 1933, Roosevelt pede ao Congresso o fim do padrão-ouro.

PLANO MARSHALL

    Em 1947, em discurso na Universidade de Harvard, em Cambridge, no estado de Massachusetts, o secretário de Estado norte-americano, George Marshall, lança o Plano Marshall, um programa de recuperação da Europa depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45) financiado pelos Estados Unidos no início da Guerra Fria.

O objetivo é fortalecer as economias capitalistas aliadas dos EUA e reduzir a atratividade dos partidos comunistas no início da Guerra Fria, a grande confrontação estratégica, política, ideológica, econômica, científica, tecnológica, militar e cultural com a União Soviética.

Marshall defende a ajuda dos EUA à Europa e pede aos países europeus que façam um plano no discurso em Harvard. A França e o Reino Unido convidam os países do continente para uma reunião em Paris. A URSS boicota o encontro e pressiona a Hungria, a Tcheco-Eslováquia e a Polônia a fazer o mesmo.

O Congresso dos EUA aprova a proposta do Comitê de Cooperação Econômica da Europa em 2 de abril de 1948.

Durante quatro anos (1948-51), o Programa de Recuperação da Europa distribui US$ 13,4 bilhões (US$ 115 bilhões pela cotação de 2020) em ajuda direta e empréstimos a 18 países, inclusive Alemanha Ocidental, Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, Grécia, Holanda, Irlanda, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal e Suécia. Seus produtos internos brutos crescem de 15% a 25%.

Em  resposta ao Plano Marshall, em 1949, a URSS cria o Conselho de Assistência Econômica Mútua (Comecon) com a Alemanha Oriental, a Bulgária, a Hungria, a Polônia, a Romênia e a Tcheco-Eslováquia. 

GUERRA DOS SEIS DIAS

   Em 1967, Israel toma a iniciativa na Guerra dos Seis Dias, bombardeia e destrói em terra 400 a 500 aviões das forças aéreas dos países árabes.

Quando o Estado de Israel é fundado, em 14 de maio de 1948, os países árabes não aceitam e atacam o novo país no dia seguinte. Israel vence a Guerra da Independência (1948-49), a Primeira Guerra Árabe-Israelense, mas o conflito não acaba até hoje.

Em 26 de julho de 1956, o ditador egípcio, Gamal Abdel Nasser, nacionaliza o Canal de Suez. Israel, o Reino Unido e a França invadem o Egito, na Segunda Guerra Árabe-Israelense, para retomar o canal e depor Nasser.

Os Estados Unidos, a União Soviética e as Nações Unidas pressionam os países invasores a se retirar. O presidente norte-americano Dwight Eisenhower teme a intervenção soviética no conflito contra seus aliados na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), o que colocaria as duas superpotências em guerra. 

Washington retira o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) à França e o Reino Unido, que ainda sofrem o impacto econômico da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Nasser sai mais forte.

Os invasores afundam 40 navios para bloquear o canal, mas são forçados a se retirar. Suez fica fechado de outubro de 1956 e março de 1957. Israel conquista o direito de navegação pelo Estreito de Tiran, fechado pelo Egito para navios israelenses desde a guerra de 1948.

Israel adverte o Egito de que vai à guerra se o estreito for fechado de novo. Em maio de 1967, Nasser ameaça fechar e mobiliza as Forças Armadas. Quando o ditador egípcio pede a retirada da Força de Emergência das Nações Unidas que garantia a paz na Península do Sinai, Israel entende que é uma preparação final para a guerra, decide atacar primeiro e surpreende os inimigos árabes.

Com superioridade aérea, Israel derrota os inimigos e ocupa a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, que pertenciam ao Egito; a Cisjordânia, inclusive o Leste de Jerusalém, da Jordânia; e as Colinas do Golã, da Síria.

É a mais rápida e decisiva vitória de Israel, mas é uma guerra que não termina até hoje. Em 1977, depois da derrota na Guerra do Yom Kippur (1973), a maior empreitada militar árabe da era moderna, o líder egípcio Anuar Sadat se afasta dos EUA e assina um acordo de paz paz com Israel dois anos depois para recuperar o Sinai. 

O movimento nacional palestino sonha em criar um país independente na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. O processo de paz está estagnado desde 2014. Israel se retira em 2005 da Faixa de Gaza, dominada desde 2007 pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), o que leva a várias guerras com Israel, especialmente a atual, deflagrada em 7 de outubro de 2023, enquanto amplia pouco a pouco a colonização da Cisjordânia para criar uma política de fato consumado.

A guerra atual é resultado da estagnação no processo de paz. Ao mesmo tempo, cria a oportunidade de um acordo de paz definitivo com a criação de um Estado Nacional para o povo palestino, mas o governo de extrema direita de Bibi Netanyahu não aceita. Israel precisa realizar eleições até outubro. A expectativa é de que um novo governo construa a paz que o país não tem desde a fundação.

BOB KENNEDY BALEADO

     Em 1968, o palestino Sirhan Bishara Sirhan baleia mortalmente o senador Robert Fitzgerald Kennedy, que acaba de ganhar a eleição primária da Califórnia e de garantir a candidatura do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos naquele ano.

Bob Kennedy morre no dia seguinte. Era herdeiro político do irmão, o presidente John Fitzgerald Kennedy, assassinado em 22 de novembro de 1963 em Dallas, no Texas.

Como ministro da Justiça do governo JFK e membro do gabinete de guerra durante a Crise dos Mísseis em Cuba, em outubro de 1962, Bob Kennedy é uma das pombas que evitam um conflito capaz de levar a uma guerra nuclear com a União Soviética.

1968 é um ano sangrento na política dos EUA, marcado por ofensivas dos vietcongues na Guerra do Vietnã e violência política no país. O pastor Martin Luther King Jr., maior ativista pelos direitos civis dos negros, é morto em Memphis, no Tennessee, em 4 de abril, quando Bob Kennedy faz um discurso pregando a paz e a reconciliação.

PRIMEIRO RELATÓRIO SOBRE AIDS

    Em 1981, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos publica o primeiro relatório científico sobre a síndrome de deficiência imunológica adquirida (aids). Descreve cinco casos de uma infecção pulmonar complicada em pacientes gays de Los Angeles sem outros problemas de saúde.

Os primeiros casos da doença depois identificada como aids acontecem nos EUA, no Haiti e na África Central em 1977. Em 1980, o jornal The New York Times reporta que uma nova doença inicialmente descrita como um câncer raro está matando gays nova-iorquinos como moscas. Depois, descobre-se que a doença transmitida sexualmente também atinge mulheres.

Desde o início da pandemia, 85 a 90 milhões de pessoas pegam o vírus da imunodeficiência humana (HIV) e 40 a 45 milhões morrem. O uso de preservativos, as camisas de vênus ou camisinhas, nas relações sexuais, é a melhor maneira de evitar o contágio. Com o uso de medicamentos antirretrovirais, a doença deixa de ser uma morte certa. Hoje, estima-se que entre 39 e 40 milhões de pessoas vivam com o HIV; 53% são meninas e mulheres.

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quinta-feira, 4 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 4 de junho

EUA APROVAM VOTO FEMININO

      Em 1919, o Congresso dos Estados Unidos aprova a Emenda Constitucional nº 19, dando o direito de voto às mulheres.

O movimento das sufragettes ou sufragistas começa em julho de 1848, com uma reunião de 200 mulheres em Seneca Falls, no estado de Nova York. A Guerra da Secessão (1861-65), o conflito Norte-Sul em torno da abolição da escravatura, esvazia o movimento. 

Quando os negros ganham o direito de voto, com a aprovação da Emenda nº 15 durante a Reconstrução pós-Guerra Civil, em 3 de fevereiro de 1870, o movimento sufragista tenta conquistar o mesmo direito, mas a maioria republicana no Congresso é contra.

A luta continua. Quase 50 anos depois, as mulheres conquistam o direito de voto nos EUA, muito depois da Nova Zelândia, o primeiro país a introduzir o voto feminino, em 18 de fevereiro de 1893.

CARRINHO DE COMPRAS

    Em 1937, a mercearia Humpty Dumpty, na Cidade de Oklahoma, introduz os primeiros carrinhos de compras.

De início, os consumidos ficam receosos. As mulheres estão cansadas de empurrar carrinhos de criança e os homens temem parecer afeminados. Logo a invenção se torna popular revolucionando as compras em mercearias, supermercados e mais tarde em outras lojas.

RETIRADA DE DUNQUERQUE

    Em 1940, termina a Operação Dínamo na Retirada de Dunquerque das forças do Reino Unido, depois que a Alemanha Nazista invade a França durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Com os exércitos aliados cercados desde 19 de maio, as Forças Expedicionárias Britânicas estudam a possibilidade de uma retirada. A Operação Dínamo começa em 26 de maio sob ataque das forças da Alemanha.

ANGELA DAVIS ABSOLVIDA

    Em 1972, a ativista negra e comunista Angela Yvonne Davis, ex-professora da Universidade da Califórnia em Los Angeles, é absolvida das acusações de conspiração, sequestro e homicídio por um tribunal do júri de São José, na Califórnia.

Angela Davis é presa em Nova York em outubro de 1970 por causa de um tiroteio ocorrido num tribunal de São Rafael. É denunciada por supostamente fornecer a arma usada por Jonathan Jackson, que ataca o fórum para libertar três presos e tentar tomar reféns para soltar seu irmão, George Jackson, um radical do movimento negro.

Ela é amiga de Jackson e faz campanha pela libertação de prisioneiros negros. O julgamento começa em março de 1972, sob o olhar atento da mídia internacional, que via um evidente viés político no processo. 

Com a falta de provas, Angela Davis, um ícone do movimento negro até hoje viva e atuante, é absolvida. Em 1980, é candidata a vice-presidente dos EUA pelo Partido Comunista. Em 1991, se torna professora de história da consciência da Universidade da Califórnia em Santa Cruz.

MASSACRE NA PRAÇA DA PAZ CELESTIAL

    Em 1989, o Exército Popular de Libertação da China esmaga o movimento pela democracia e a liberdade na China no Massacre na Praça Paz Celestial, em Beijim, e acaba com a possibilidade de uma reforma política no país.

O movimento começa em 15 de abril, com a morte do ex-secretário-geral do Partido Comunista Hu Yaobang, afastado dois anos antes sob pressão da velha guarda, e termina com a queda do secretário-geral Zhao Ziyang, ambos a favor de reformas liberalizantes.

Durante uma reunião decisiva na casa do líder supremo do regime, Deng Xiaoping, o arquiteto das reformas que modernizam a China e a transformam em superpotência, Zhao diz que tem 1,2 bilhão de pessoas a seu lado, toda a população do país.

Deng, cujo único cargo na época é presidente do Comitê Militar Central, responde: "Não tem, não, e eu tenho 3,2 milhões", o contingente do ELP. Com medo da dissolução do regime, Deng apoia a linha-dura do primeiro-ministro Li Peng, que decreta lei marcial e manda o Exército atacar a manifestação.

Agora, a China proíbe as manifestações em Hong Kong, que todos os anos fazia uma procissão luminosa em homenagem aos mortos. O número total é desconhecido, estimado entre centenas e 10 mil.

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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 3 de Junho

REI ABDICA POR AMOR

    Em 1937, o antigo rei Eduardo VIII, do Reino Unido, que abdica por amar uma divorciada e se torna Duque de Windsor, casa com a norte-americana Wallis Warfield no Castelo de Cande, em Monts, na França.

O amor abala a monarquia britânica. O casamento é modesto para os padrões da realeza, sem pompa nem festa popular. A lua de mel é no Castelo de Wasserloenburg, na Áustria.

Edward Albert Christian George Andrew Patrick David, filho mais velho do rei George V, nasce em 23 de julho de 1894 em Neilly-sur-Seine, na França, e ascende ao trono em 20 de janeiro de 1936 como Rei do Reino Unido e dos Domínios Britânicos e Imperador da Índia.

Meses depois, provoca uma crise constitucional ao pedir em casamento a socialite norte-americana Wallis Simpson, cujo sobrenome de solteira é Warfield. Ela se torna amante do rei em 1934, quando ele ainda é o príncipe de Gales e ela ainda está casada com o segundo marido, Ernest Aldrich Simpson.

Como rei e chefe da Igreja da Inglaterra, que proibia o casamento de divorciados com o ex-cônjuge ainda vivo, é uma união impossível. Em 11 de dezembro de 1936, Eduardo VIII abdica, abrindo mão do trono para si e seus descendentes e declara: "Descobri ser impossível carregar o pesado fardo de responsabilidade e desempenhar meus deveres como rei e imperador como gostaria de fazer sem a ajuda e o apoio da mulher que amo".

Eduardo VIII é sucedido pelo irmão mais novo, príncipe Albert, que adota o nome real de George VI e é pai da rainha Elizabeth II, que se torna herdeira do trono aos dez anos de idade.

PASSEIO NO ESPAÇO

    Em 1965, Edward White se torna o primeiro astronauta norte-americano a sair da nave e caminhar no espaço, depois do cosmonauta soviético Alexei Leonov. 

No início da corrida espacial, a União Soviética toma a frente. Lança o primeiro satélite artificial, o Sputnik, em 4 de outubro de 1957, envia o primeiro homem ao espaço, Yuri Gagarin, em 12 de abril de 1961, e o primeiro a passear no espaço, Alexei Leonov, em 18 de março de 1965.

Piloto e engenheiro aeroespecial, White é escolhido para ir ao espaço na nave Gemini 4, quando sai da nave. Voltaria ao espaço no primeiro voo do Projeto Apolo, que levou o homem à Lua, mas morre num incêndio na cabine da Apolo 1 com seus colegas Gus Grisson e Roger Chaffee na primeira morte de astronautas da era espacial.

O cosmonauta russo Vladimir Komarov é o primeiro a morrer numa missão espacial, em 24 de abril de 1967, quando o paraquedas não abre e a nave Soyuz 1 se espatifa no solo.

MASSACRE NA PRAÇA DA PAZ

     Em 1989, começa o Massacre na Praça da Paz Celestial, em Beijim, na China, quando o Exército Popular de Libertação (EPL) ataca um acampamento de estudantes e outros chineses que lutam por liberdade e democracia

O movimento se inicia em 15 de abril, deflagrado pela morte do ex-secretário-geral do Partido Comunista Hu Yaobang, e termina com a queda do secretário-geral Zhao Ziyang, ambos a favor de reformas liberalizantes.

Em 17 de abril, os estudantes começam a se reunir na praça central da capital chinesa. Nos dias seguintes, as manifestações se ampliaram para outras cidades e universidades. Em 22 de abril, mais de 100 mil estudantes se concentram diante do Grande Salão do Povo e pedem para falar com o primeiro-ministro linha-dura Li Peng, que não aparece.

Quando Zhao vai à Coreia do Norte, em 25 de abril, Li convoca uma reunião do Politburo e convence o supremo líder do regime, Deng Xiaoping, de que o objetivo dos estudantes é derrubar o regime comunista. Deng decide que a tolerância acabou.

No dia seguinte, o Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista, publica o editorial A Necessidade de Adotar uma Posição Clara contra a Agitação: "Esta é uma conspiração bem planejada...para confundir o povo e perturbar a nação...O objetivo real é rejeitar o PC e o sistema socialista".

A reação é mais protesto. Zhao defende a negociação e uma resposta às reclamações legítimas dos estudantes, inclusive uma reforma política. Li alega ser necessário primeiro restabelecer a estabilidade social.

Dezenas de milhares de estudantes se reúnem na praça para festejar os 70 anos do Movimento Quatro de Maio, um protesto contra o Tratado de Versalhes que está na origem do PC chinês. Em encontro com executivos financeiros, Zhao exalta o patriotismo dos estudantes.

Em 13 de maio, dois dias antes de uma visita do secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética, Mikhail Gorbachev, cerca de 160 estudantes entram em greve de fome e divulgam um manifesto: "A nação está em crise – assolada por uma inflação galopante, negócios ilegais com enriquecimento ilícito de funcionários, abuso de poder, burocratas corruptos, a fuga de gente boa para outros países e a deterioração da segurança pública. Compatriotas que dão valor à moralidade, ouçam nossas vozes!"

A greve de fome ganha força.

Gorbachev chega em 15 de maio para o primeiro encontro de cúpula sino-soviético desde 1959. Com a praça ocupada pelos estudantes, não pode ser recebido como é de praxe. Os líderes chineses, sabendo do que se passa na URSS com as reformas de Gorbachev, têm medo.

Mais de 3 mil chineses participam da greve de fome. Zhao insiste no diálogo com os estudantes e na necessidade de mais reformas: "A grande maioria dos estudantes é patriótica e e está sinceramente preocupada com o país. Podemos não aprovar todos os seus métodos, mas as exigências de promover a democracia, aprofundar as reformas e erradicar a corrupção são bastante razoáveis."

Li rejeita a proposta: "O objetivo é derrubar o PC chinês e repudiar totalmente a ditadura popular democrática."

Durante uma reunião decisiva na casa do líder supremo do regime, Deng Xiaoping, o arquiteto das reformas que modernizaram a China e a transformaram em superpotência, Zhao diz que tem 1,2 bilhão de pessoas a seu lado, toda a população do país.

Deng, cujo único cargo na época é presidente do Comitê Militar Central, responde: "Não tem, não, e eu tenho 3,2 milhões", o contingente do EPL. Com medo da dissolução do regime, Deng apoia Li Peng, que decreta lei marcial e manda o Exército atacar a manifestação.

Em 18 de maio, Zhao visita estudantes em greve de fome hospitalizados. Li se encontra com estudantes, mas o diálogo fracassa. Durante reunião de que Zhao não participa, a velha guarda e o Politburo aprovam a decretação de lei marcial.

Ao ficar sabendo, no dia seguinte, em vez de acabar com a greve de fome, os estudantes reúnem 1,2 milhão de pessoas na Praça da Paz Celestial. Zhao vai à praça falar com os estudantes. À noite, Li Peng anuncia a lei marcial na televisão.

Pela primeira vez em 40 anos de regime comunista, em 20 de maio, o EPL tenta ocupar Beijim, mas civis barram a passagem. Durante três dias, os soldados não conseguem nem chegar à praça nem sair da capital chinesa.

Em 2 de junho, a cúpula do partido decide mandar o EPL dispersar os estudantes. Na noite do dia seguinte, os primeiros tiros são disparados. O massacre vai até o dia 4.

Hoje, a China proíbe as manifestações em Hong Kong, que todos os anos fazia uma procissão luminosa em homenagem aos mortos. O número total de mortos é desconhecido, estimado entre centenas e 10 mil.

TERROR EM LONDRES

    Em 2017, terroristas muçulmanos matam oito pessoas e ferem outras 48 na Ponte de Londres. 

Depois de jogar uma caminhonete sobre pedestres na ponte e numa área de pedestres, três terroristas saem armados de facas, atacam pessoas que estão na área e são mortos pela Polícia Metropolitana. O grupo terrorista Estado Islâmico reivindica a responsabilidade pelo ataque.

Como as armas do fogo estão proibidas no Reino Unido por causa do massacre de 16 crianças e um professor numa escola primária de Dunblane, na Escócia, em 13 de março de 1996, os terroristas não conseguem armas de fogo, que tornariam a ação terrorista ainda mais trágica.

MORTE DE UMA LENDA

    EM 2017, Muhammad Ali, um dos maiores boxeadores de todos os tempos morre em Phoenix, no estado do Arizona, nos Estados Unidos, aos 74 anos.

Ali nasce em Louisville, no Kentucky, em 17 de janeiro de 1942. É batizado como Cassius Marcelus Clay Jr. Aos 22 anos, em 1964, surpreende o mundo ao vencer Sonny Liston e se tornar campeão mundial dos pesos pesados. 

Sob a influência do líder negro Malcolm-X, meses depois se converte ao Islã, muda de nome para Muhammad Ali. Não aceita o sobrenome herdado do senhor de escravos que era dono de sua família, como era o padrão nos EUA.

Aos 18 anos, ele ganha a medalha de ouro na Olimpíada de Roma. Até hoje, é o único peso-pesado a ser três vezes campeão, em 1964, 1974 e 1978.

Arrogante, pretensioso e cheio de si, Cassius Clay declara ao bater Liston pela primeira vez, em 1964: "Sou o maior do mundo." Na revanche contra Liston, promete um nocaute em 90 segundos e cumpre a promessa. Muita gente ainda está entrando no ginásio quando a luta acaba. Nasce uma lenda do esporte.


Ao descrever seu estilo, declara: "Flutuo como uma borboleta e ferro como uma abelha."

Politicamente consciente, Ali lutou contra o racismo e se recusou a lutar no Vietnã: "Nenhum vietcongue me chamou de crioulo para eu atirar nele." 

Como desertor, tem o título mundial cassado. Em 1971, a Suprema Corte aceita seu recurso. Todas as acusações e punições são anuladas. É um caso clássico de objeção de consciência.

Ao tentar reconquistar seu título, Ali perde por pontos uma luta memorável com Joe Frazier em que chega a cair na lona e dá vários socos curtos (jabs) na testa do adversário de menor estatura para mantê-lo à distância. É sua primeira derrota como profissional. Depois da luta, Frazier passa longo tempo hospitalizado. Mas Ali fica sem o título.

Ali voltaria a ser o maior do mundo na Luta do Século contra George Foreman realizada em 30 de setembro de 1974 em Kinshasa, a capital do Zaire, na África, e imortalizada no livro A Luta, do escritor americano Norman Mailer.

Ele chegou com todo o seu espírito e sua ironia: "Se você pensa que [o presidente americano Richard] Nixon surpreendeu o mundo ao renunciar, espere até eu esmagar Foreman."

Mais jovem e mais forte, Foreman tem 25 anos e Ali 32. O campeão submete o ex-campeão a uma saraivada de golpes desde o início da luta. Com toda sua técnica, talento e agilidade com os pés, Ali se defende como pode até dar o bote fatal no fim do oitavo assalto. Naquele momento, Ali já lidera na contagem de todos os jurados.

Em declínio, ele perde por pontos para Leon Spinks com os jurados divididos em fevereiro de 1978 em Las Vegas. Na revanche, em Nova Orleans, Ali ganha por decisão unânime dos jurados, tornando-se o único lutador até hoje a ser três vezes campeão mundial da categoria peso pesado.

Em 27 de julho de 1979, Ali anuncia sua aposentadoria. Ainda trava uma luta patética com Larry Holmes em outubro de 1980, que teria contribuído para o Mal de Parkinson, diagnosticado em 1984. A doença é atribuída às pancadas na cabeça que um boxer recebe, especialmente na categoria peso pesado.

Em 1996, Ali acende a pira da Olimpíada de Atlanta, nos EUA.

Aos 74 anos, Muhammad Ali fica internado dois dias num hospital de Phoenix, no Arizona, com problemas pulmonares. A causa da morte não é revelada. 

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