sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 14 de Agosto

RÚSSIA COLONIZA O ALASCA

     Em 1784, o comerciante de peles russo Grigory Chelikhov funda na ilha de Kodiak a Baía de Três Santos, o primeiro assentamento permanente da Rússia no Alasca. 

Chelikhov mora lá dois anos com a mulher e cerca de 200 homens. Os índios aleutas sofrem com as doenças transmitidas pelos eurasianos.

Os europeus descobrem o Alasca em 1741, quando uma expedição da Rússia sob o comando do navegador dinamarquês Vitus Bering avista a parte continental do Alasca. A colônia fundada em 1784 serve de base para a exploração e os negócios com peles.

Quando Chelikhov volta à Rússia, em 1786, envia Alexander Baranov em 1790 para cuidar dos negócios no Alasca. Baranov cria em 1799 a Companhia Russo-Americana e amplia a área de atuação da empresa em 1812 até o que hoje é o Norte da Califórnia. Diante da reação de norte-americanos e britânicos, recua até a atual fronteira sul do Alasca.

Depois da derrota na Guerra da Crimeia (1853-56) para uma aliança da França, do Reino Unido, da Sardenha e do Império Otomano, a Rússia está quebrada e decide vender o território. Oferece ao presidente James Buchanan (1857-61), mas o início da Guerra da Secessão (1861-65) paralisa as negociações com os Estados Unidos.

Com o fim da guerra civil, em 30 de março de 1867, o secretário de Estado norte-americano, William Seward, compra o Alasca por US$ 7,2 milhões de dólares, cerca de oito décimos de centavo por hectare. Apesar do preço irrisório, Seward é ridiculizado no Congresso. O Senado aprova o negócio em abril por apenas um voto.

A descoberta de ouro em 1896 provoca uma onda migratória. Desde a maior corrida do ouro da história da América, o Alasca, rico em recursos naturais, contribui para a prosperidade dos EUA.

CATEDRAL DE COLÔNIA

    Em 1880, a construção da Catedral de Colônia, na Alemanha, um dos maiores exemplos da arquitetura gótica, iniciada em 1248, finalmente chega ao fim.

Quando o imperador alemão Frederico Barba Ruiva saqueia Milão, em 1164, leva para Colônia o que seriam os restos mortais dos Reis Magos: Baltazar, Gaspar e Melchior. Colônia vira um local de peregrinação. A catedral anterior se torna pequena para tantos fiéis.

A obra começa no século 13 e leva mais de 600 anos para ser concluída. Quando fica pronta, é o prédio mais alto do mundo. Hoje, é a quinta igreja mais alta do mundo. As duas torres têm 157 metros de altura. A nave tem 144m de comprimento. A largura máxima é de 86 metros. 

EUA CRIAM PREVIDÊNCIA SOCIAL

    Em 1935, durante a Grande Depressão (1929-39), o presidente Franklin Delano Roosevelt sanciona a Lei da Seguridade Social, que cria a previdência social nos Estados Unidos  garantindo pensão aos aposentados e uma renda mínima para desempregados.

Roosevelt é eleito em 1932, no auge da Depressão, quando o desemprego nos EUA chega a 25%, com a promessa do New Deal, um novo pacto social para amenizar o impacto da crise e recuperar a economia do país.

Ao assinar a lei, FDR manifesta "preocupação com os jovens que se perguntam qual será seu quinhão quando envelhecerem". Mesmo reconhecendo que "não podemos nunca proteger 100% dos cidadãos contra 100% dos riscos e vicissitudes", Roosevelt quer garantir uma velhice sem miséria. 

A previdência social cria uma rede de proteção social para aposentados e deficientes, além de auxílios e benefícios sociais. Com a ascensão do neoliberalismo econômico a partir do governo Ronald Reagan (1981-89), a direita conservadora passa a atacar a previdência social como fonte de acomodação e desestímulo aos trabalhadores.

CARTA DO ATLÂNTICO

    Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), o presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, e o primeiro-ministro do Império Britânico, Winston Churchill, lançam a Carta do Atlântico, uma declaração conjunta com os princípios da ordem internacional que desejam construir no pós-guerra. Entre eles, está a proibição de conquista territorial e mudança de fronteiras sem o consentimento dos povos.

A carta é escrita durante a Conferência do Atlântico, quando Churchill e Roosevelt se encontram a bordo do navio britânico Príncipe de Gales, em Argentina, na Terra Nova, no Canadá. Os EUA ainda não estão em guerra. A União Soviética, invadida pela Alemanha Nazista em 22 de junho de 1941, não participa. 

Os principais pontos da carta são:

  1. Os EUA e o Reino não buscam nenhum ganho territorial.
  2. As mudanças territoriais devem ter o consentimento dos povos envolvidos.
  3. Todos os povos têm direito à autodeterminação.
  4. As barreiras comerciais devem ser eliminadas.
  5. É necessária uma cooperação econômica global para promover o bem-estar social.
  6. Deve haver garantia de viver livre de medo e de privações.
  7. Deve haver liberdade de navegação nos mares.
  8. Depois da guerra, as nações agressoras serão desarmadas.
Quando os EUA entram na guerra, com o ataque do Japão a Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, a Conferência de Arcádia aprova em 1º de janeiro de 1942 a Declaração das Nações Unidas, assinada pelos quatro grandes aliados (EUA, URSS, Reino Unido e China), nove aliados dos EUA na América Central e no Caribe, quatro domínios britânicos, a Índia Britânica e oito governos aliados no exílio, num total de 26 países. O Brasil assina em 1943.

A Declaração das Nações Unidas, precursora da Carta das Nações Unidos, que cria a Organização das Nações Unidas no pós-guerra, em 1945, inclui no preâmbulo uma adesão aos princípios da Carta do Atlântico.

Todos os signatários se comprometem a "empregar todos os seus recursos militares e econômicos contra os membros do Pacto Tripartite [Alemanha, Itália e Japão] e seus adeptos" e "a cooperar com os governos signatários deste acordo e a não fazer um armistício ou paz com o inimigos separadamente."

PRESO CARLOS, O CHACAL 

   Em 1994, o serviço secreto da França prende em Cartum, a capital do Sudão, o terrorista venezuelano Illich Ramírez Sánchez, mais conhecido como Carlos, o Chacal.

Como o país não tem tratado de extradição com a França, os agentes sedam e sequestram Carlos. O governo sudanês alega que ajudou e pede para ser excluído pelos Estados Unidos da lista de países que apoiam o terrorismo.

Carlos é ligado à Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), à Organização Árabe para a Luta Armada e ao Exército Vermelho. É acusado de uma série de atentados realizados entre 1973 e 1992. Em 1974, toma o embaixador da França e outras 10 pessoas como reféns em Haia, na Holanda, para exigir a libertação de Yutaka Furuya, do Exército Vermelho Japonês.

Em 27 de junho de 1975, cercado pela polícia francesa em Paris, Carlos mata dois policiais e um informante, e consegue fugir. Julgado à revelia, é condenado à prisão perpétua por estes assassinatos em junho de 1992.

Sua ação mais espetacular acontece em 21 de dezembro de 1975, quando toma 70 altos funcionários como reféns durante uma reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) em Viena, a capital da Áustria. Carlos e seu grupo recebem um resgate estimados em US$ 25 milhões a US$ 50 milhões e escapam, depois de matar três reféns.

Na prisão, Carlos pega mais uma pena de prisão perpétua em 2011, por ataques que mataram 11 pessoas e feriram outras 150 na França, e uma terceira em 2017.

HOMEM-RELÂMPAGO

    Em 2016, na Olimpíada do Rio de Janeiro, o atleta jamaicano Usain Bolt torna-se o primeiro corredor a vencer a prova dos 100 metros rasos em três olimpíadas. Nos mesmos Jogos, Bolt é tricampeão olímpico dos 200m, outro feito sem precedentes.

Em 2009, Bolt reduz seu próprio recorde mundial nos 100 metros em rasos em 11 décimos de segundo, com o tempo de 9,58seg, no Estádio Olímpico de Berlim, onde na Olimpíada de 1936 o negro americano Jesse Owens conquista quatro medalhas de ouro e destrói o mito nazista da superioridade da raça ariana (branca).

Bolt bate o recorde mundial na Olimpíada de 2008, em Beijim, na China, com o tempo de 9,69seg. É o primeiro homem a correr 100m em menos de 9,7seg. Em Berlim, é o primeiro a baixar a marca para menos de 9,6seg.

O homem mais rápido da história promete reduzir o tempo para 9,4seg. Deixa as pistas no Campeonato Mundial de Atletismo de 2017 sem conseguir, mas o recorde mundial é seu até hoje.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 13 de Agosto

CONQUISTA DO MÉXICO

    Em 1521, com a ajuda de uma epidemia de varíola, depois de um cerco de 93 dias, o conquistador espanhol Hernán Cortez toma Tenochtitlán, a capital do Império Asteca, e submete ao domínio da Espanha uma das três grandes civilizações pré-colombianas.

Tenochtitlán, fundada em 1325, era a segunda maior cidade do mundo e provavelmente a mais bela, com seus canais construídos sobre o Lago Texcoco.

O Império Asteca domina a região central do México. No momento de maior extensão, em 1502, ano da coroação de Montezuma II, vai até o Norte da Nicarágua. Para tanto, submete várias tribos inimigas que se aliam ao conquistador.

Filho da nobreza espanhola, Cortez visita Hispaniola, a ilha hoje dividida entre o Haiti e a República Dominicana. Em 1511, participa da conquista de Cuba com Diego Velázquez. É eleito duas vezes prefeito de Santiago, capital de Hispaniola.

Em 1518, Cortez é nomeado capitão-geral de uma expedição espanhola ao continente, mas Velázquez, governador de Cuba, rescinde a ordem. Cortez zarpa sem permissão e desembarca na Baía de Campeche em 1519, com 500 soldados, 100 marinheiros e 16 cavalos, um animal que não existia na América.

Logo, Cortez se alia a indígenas e recebe uma escrava mulher, Malinche, que se torna sua amante e lhe dá um filho. Ele funda a cidade de Veracruz, na expectativa de criar uma nova colônia e responder diretamente a Carlos V, e não a Diego Velázquez.

A primeira tentativa de conquistar a capital asteca fracassa. Diante de uma revolta indígena, Cortez foge de Tenochtitlán na Noite Triste, de 30 de junho para 1º de julho de 1520.

TOMADA DO PORTO DE MANILA

    Em 1898, durante a Guerra Hispano-Americana, os Estados Unidos assumem o controle do porto da capital das Filipinas.

A guerra é um marco do fim do Império Espanhol, com a perda de Cuba, que se torna independente; de Porto Rico, que é associado aos EUA; e das Filipinas, que viram colônia dos EUA. É também um marco do imperialismo norte-americano.

NASCIMENTO DE FIDEL

    Em 1926, nasce perto de Birán, em Cuba, o líder político e ditador que desafia os Estados Unidos durante a Guerra Fria e implanta o primeiro regime comunista no Hemisfério Ocidental.

Grande herói da esquerda latino-americana durante a Guerra Fria, cria um regime comunista a 144 quilômetros da Flórida, fomenta guerrilhas anticapitalistas e ajuda a gerar a maior ameaça de guerra nuclear da história.

Em 14 de outubro de 1962, um avião espião U-2, dos EUA, fotografa a construção de silos para abrigar mísseis nucleares soviéticos em Cuba. Isso neutralizaria a superioridade norte-americana em mísseis de longo alcance e daria à União Soviética a capacidade de lançar um primeiro ataque.

O presidente John Kennedy impõe um bloqueio naval a Cuba em 22 de outubro e ameaça abordar os navios soviéticos que entrem na área. Em 27 de outubro, quando os EUA se preparavam para invadir a ilha, a URSS recua e concorda em retirar os mísseis nucleares de Cuba. Em troca, os EUA removem mísseis de curto alcance já obsoletos da Turquia e assumem o compromisso informal de não invadir Cuba.

Fidel começa a entrar para a história anos antes, com o assalto ao Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953, início de sua luta contra a ditadura de Fulgêncio Batista. A operação fracassa. Fidel é preso e condenado.

Durante o julgamento, ao fazer sua própria defesa, Fidel profere uma de suas frases célebres: "A história me absolverá." Não é original. Adolf Hitler diz isso em sua defesa no julgamento do putsch da cervejaria de Munique em 1923 na Alemanha.

Depois de um ano e 10 meses de prisão, Fidel é beneficiado por uma anistia geral em maio de 1955. Meses depois, ele se asila nos EUA e depois no México, onde conhece o médico argentino Ernesto Che Guevara, que já tinha ideias marxistas.

Em 2 de dezembro de 1956, com 83 homens, o Movimento 26 de Julho desembarca em Cuba para retomar seu projeto revolucionário. Surpreendido dias depois, é dizimado pelo Exército. Os 18 sobreviventes, entre eles os irmãos Castro e Che Guevara, se refugiam na Sierra Maestra e iniciaram uma guerra de guerrilhas contra a ditadura de Batista, que tem 40 mil homens nas forças de segurança.

No ano seguinte, Fidel divulga o Manifesto da Sierra Maestra, prometendo convocar eleições diretas depois da vitória da revolução e entregar o poder ao eleito. Jamais cumpre a promessa. Mas consegue formar um exército rebelde de 800 homens.

Com o avanço dos guerrilheiros, o general Eulogio Cantillo propõe uma aliança aos rebeldes para dar um golpe de Estado contra Batista. Fidel imagina que é apenas um pretexto para a fuga de Batista. O golpe é dado em 30 de dezembro de 1958. Batista foge, mas Fidel não abandona a luta.

Em 1º de janeiro de 1959, os revolucionários tomam Havana. Fidel entra triunfante na capital cubana em 8 de janeiro e declara: "A tirania foi derrotada. A alegria é imensa. E, no entanto, ainda há muito a fazer. Não nos enganamos em acreditar que adiante tudo será fácil; quem sabe tudo seja mais difícil. Dizer a verdade é o primeiro dever de todo revolucionário. Enganar o povo, despertar-lhe ilusões enganosas, sempre trará as piores consequência. E estimo que há que alertar o povo sobre o excesso de otimismo."

Fidel é nomeado primeiro-ministro em 16 de fevereiro de 1959, rompe com os revolucionários mais liberais, fuzila os inimigos no paredón e impõe um regime autoritário, acusado pela morte de pelo menos 8,2 mil pessoas pelo Arquivo de Cuba, nos EUA.

Em 3 de dezembro de 1976, Fidel Castro é eleito presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros acumulando os cargos de presidente, primeiro-ministro e líder do Partido Comunista até 24 de fevereiro de 2008. Na prática, depois de uma hemorragia intestinal que quase o mata, passa o poder ao irmão Raúl em 31 de julho de 2006, mantendo apenas a liderança do partido.

O conflito com os EUA começa com a aprovação da primeira Lei de Reforma Agrária, estatizando as propriedades de americanos na ilha. Em outubro de 1959, o presidente Dwight Eisenhower ordena as primeiras ações secretas dos EUA contra o regime revolucionário cubano.

Em fevereiro de 1960, a União Soviética dá um crédito de US$ 100 milhões a Cuba e fecha contratos para comprar açúcar e vender petróleo à ilha. Em junho daquele ano, a revolução confisca as refinarias das companhias de petróleo Esso, Shell e Texaco.

Durante a reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas de setembro de 1960, Fidel vai a Nova York, onde se encontra com o primeiro-ministro soviético, Nikita Kruschev; o presidente do Egito, Gamal Abdel Nasser; o primeiro-ministro da Índia, Jawaharlal Nehru; e o líder negro norte-americano Malcolm X.

Quando perguntam a Kruschev se Fidel era comunista, o líder soviético responde:  "Não sei se Fidel é comunista. Eu sou fidelista."

De volta a Cuba, Fidel cria os Comitês de Defesa da Revolução, em 28 de setembro de 1960. Em 15 de outubro, confisca as propriedades urbanas dos americanos em Cuba.

Quatro dias depois, começa o embargo econômico dos EUA. Washington proíbe as exportações a Cuba, com a exceção de alimentos, medicamentos e alguns suprimentos médicos. Em 16 de dezembro, Eisenhower zerou a cota de açúcar importado da ilha.

Em 3 de janeiro de 1961, 17 dias antes da posse de Kennedy, os EUA rompem as relações diplomáticas com Cuba, reatadas pelo presidente Barack Obama em 2014. Há um recuo na reaproximação nos governos
Donald Trump.

Kennedy herda um plano de invasão de Cuba preparado pelo vice-presidente de Eisenhower, Richard Nixon, um notório anticomunista. Em 15 de abril de 1961, oito aviões americanos bombardeiam aeroportos militares em Cuba.

No discurso em homenagem às vítimas, no dia seguinte, Fidel proclama o caráter socialista da revolução cubana: "Isso é o que não podem perdoar, que estejamos aqui em seus narizes e tenhamos feito uma revolução socialista."

Na madrugada de 17 de abril, cerca de 1,5 mil homens desembarcaram na Baía dos Porcos. A contraofensiva cubana é dirigida pessoalmente pelo comandante. A invasão fracassa em 72 horas; 1.197 invasores foram presos, condenados e devolvidos aos EUA em troca de remédios e alimentos. O episódio ficou conhecido como a troca de "compotas por mercenários".

Em 30 de novembro de 1961, Kennedy autoriza um programa de guerra subversiva contra a revolução cubana. A partir de 7 de fevereiro de 1962, os EUA impõem um embargo comercial, econômico e financeiro total a Cuba.

Desde 1992, o embargo é lei aprovada pelo Congresso dos EUA. Assim, só pode ser revogada pelo Poder Legislativo. Obama defende o fim do embargo, mas a maioria do Partido Republicano na Câmara e no Senado inviabiliza isso.

A Lei Helms-Burton, de 1996, endurece ainda mais o embargo. Para acabar com as sanções, exige a dissolução dos serviços secretos, a libertação de todos os presos políticos, a realização de eleições livres, democráticas e multipartidárias, e proíbe o reconhecimento de qualquer governo com a participação dos irmãos Castro.

Depois da invasão da Baía dos Porcos, Fidel pede garantias de segurança à URSS, que decide instalar mísseis nucleares em Cuba. O projeto fracassa por causa de erros da burocracia soviética.

Quando a URSS lança o primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik, em 4 de outubro de 1957, os EUA ficam alarmados com o risco de um ataque nuclear com foguetes. Em 1962, os EUA têm ampla superioridade em mísseis nucleares de longo alcance, capazes de atacar diretamente o inimigo.

A URSS perde a supremacia prometida pelo Sputnik porque as Forças de Foguetes Estratégicos estão subordinadas ao Exército Vermelho, mais preocupado com uma guerra na Europa, mas mais eficiente que outros setores da burocracia soviética.

Antes de construir os silos para abrigar os mísseis, os soviéticos deveriam instalar mísseis antiaéreos. Como não fazem isso, porque o Exército Vermelho foi mais eficiente do que a Força Aérea, em 14 de outubro de 1962, um avião espião norte-americano U-2 fotografa os mísseis.

Durante o bloqueio, um oficial soviético chega a preparar um ataque para romper o cerco americano à ilha. O capitão e oficial político do submarino querem disparar o míssil, mas a doutrina nuclear soviética exige unanimidade dos oficiais a bordo. Ao não consentir com o disparo, o subcomandante Vassili Arkhipov salva o mundo de uma guerra nuclear entre as superpotências.

Os EUA estão prestes a invadir Cuba quando um jornalista dublê de agente secreto estranha a falta de colegas norte-americanos na cafeteria do Congresso. Um funcionário desavisado revela que estão todos indo para Cuba cobrir a invasão norte-americana. O agente liga para o Kremlin, Kruschev recua e o mundo é poupado de uma guerra potencialmente devastadora.

Em 27 de outubro de 1962, às 9h a Rádio Moscou anuncia que o governo soviético fará um pronunciamento. Às 11h, anuncia o acordo. Ao meio-dia, as baterias antiaéreas derrubam um avião espião U-2, mas naquele momento a solução está negociada. Um erro da burocracia soviética leva a um recuo humilhante. A ordem de derrubar o U-2 parte de Raúl Castro.

Dois anos depois, Kruschev cai por outros motivos numa disputa de poder dentro do regime comunista. É substituído por Leonid Brejnev (1964-82), que lidera uma era de estagnação da economia soviética que abre caminho para as reformas de Mikhail Gorbachev.

Se os EUA assumem um compromisso informal de não invadir Cuba, intensificam as ações secretas para tentar matar o ditador cubano. Foram 638 tentativas até 2007, a maioria em governos de presidentes conservadores como Richard Nixon e Ronald Reagan. Fidel sempre viajava com seu próprio cozinheiro e sua própria comida. Até de charutos envenenados foi alvo.

Sob o cerco dos EUA, do embargo e com a aliança com a URSS como boia de salvação do regime, a revolução cubana torna-se cada vez mais uma ditadura. Vendo o que acontece com o governo socialista de Salvador Allende, eleito democraticamente no Chile, dá para supor que a revolução cubana não sobreviveria a uma abertura democrática durante a Guerra Fria.

O regime comunista cubano treina e financia movimentos guerrilheiros de esquerda na América Latina, inclusive no Brasil. Em novembro de 1975, entra na guerra civil que se segue à independência de Angola ao lado do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder até hoje, em resposta a uma intervenção militar do regime segregacionista branco da África do Sul em apoio aos grupos direitistas Frente Nacional de Libertação de Angola (FPLA) e União Nacional pela Independência Total de Angola (Unita).

Em 1977, Cuba entra na Guerra de Ogaden, na Etiópia, em apoio a um governo africano aliado da URSS.

Durante uma crise econômica grave, em 1980, depois do segundo choque do petróleo, causado pela Revolução Islâmica no Irã em 1979, para pressionar os EUA e sua política de receber exilados cubanos, Fidel libera a emigração através de Porto Mariel. Mais de 120 mil marielitos fogem do país.

Com a ascensão de Mikhail Gorbachev a líder do Partido Comunista da URSS e sua abertura política e econômica, a partir de 1985, o regime comunista cubano, fiel à tradição stalinista, começa a perder o apoio de seu patrocinador histórico.

O colapso do comunismo a partir da queda do Muro de Berlim, em novembro de 1989, e do fim da URSS, em dezembro de 1991, provoca a pior crise do regime comunista, levando ao "período especial", de um racionamento extremo. Apesar do sol, da água e do solo fértil, o paraíso comunista de Fidel nunca é capaz de produzir comida farta.

Uma nova boia de salvação é lançada com a ascensão de Hugo Chávez à Presidência da Venezuela, em 1999. Cuba volta a receber petróleo subsidiado em troca de uma ajuda com médicos, professores, assessores militares e de segurança.

Quando a doença o abate, em 2006, Fidel tem a cara de pau de dizer, depois de 47 anos no poder, que não se apegaria a cargos. Seu irmão, Raúl, promove uma abertura econômica moderada, autorizando a criação de pequenas empresas para combater o desemprego crônico na ilha e manter o regime.

Esta brecha estimula o presidente Barack Obama a reatar as relações entre os EUA e Cuba, com a ajuda do Vaticano e do papa Francisco. Em dezembro de 2014, Obama e Raúl anunciaram o reatamento simultaneamente. O embargo permanece. O presidente Donald Trump acaba com a reaproximação iniciada por Obama.

Fidel disputa com o Che a posição de maior líder revolucionário da América Latina no século 20. É o maior símbolo da resistência da região ao imperialismo americano, mas a revolução fracassa em criar uma nação independente.

A economia estatizada não funciona. Sempre depende de ajuda externa. Mas a vida em Cuba para o cidadão comum era muito melhor do que em outros países da América Central e do Caribe. Quando os europeus-orientais olhavam para o mundo do outro lado do Muro de Berlim, viam a prosperidade da Europa Ocidental. Os cubanos viam miséria e exploração a seu redor.

As grandes conquistas da revolução foram os avanços em saúde e educação, oferecidos gratuitamente. Mas uma sociedade onde um garçom e uma prostituta ganham num dia, em dólares, mais do que um médico ou professor é uma sociedade inviável.

MURO DA VERGONHA

   Em 1961, pouco depois da meia-noite, o regime comunista da Alemanha Oriental começa a construir um muro para isolar Berlim Ocidental e evitar a fuga em massa para o lado capitalista da antiga capital da Alemanha.

No fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Alemanha é ocupada e dividida entre os Estados Unidos, a França, o Reino Unido e a União Soviética. Em 1949, as partes norte-americana, francesa e britânica formam a Alemanha Ocidental, e o lado soviético, a Alemanha Oriental. Berlim também é dividida e a parte ocidental vira um enclave em território alemão-oriental.

Com o Bloqueio de Berlim, o ditador soviético Josef Stalin tenta isolar Berlim Ocidental em 1948, mas os aliados ocidentais fazem a maior ponte aérea da história e abastecem a cidade com 2,3 mil toneladas de suprimentos. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA durante a Guerra, fundada em 1949, é uma reação ao Bloqueio de Berlim.

Em junho de 1953, há uma revolta que começa com uma greve de trabalhadores da construção civil, duramente reprimida pela URSS.

A fronteira aberta permite que os alemães-orientais "votem com os pés", atravessando para Berlim Ocidental. O líder do Partido Socialista Unificado, Walter Ulbricht, nega em 15 de junho que planeje erguer um muro. A obra começa madrugada de 13 de agosto de 1961.

O Muro de Berlim é um símbolo, a cicatriz viva da Guerra Fria entre EUA e a URSS, que domina a política internacional na segunda metade do século 21. Sua abertura, em 9 de novembro de 1989, é um marco do fim do conflito e leva à reunificação da Alemanha, em 3 de outubro de 1990.

A fronteira de Berlim Ocidental com a Alemanha Oriental tem 156 quilômetros, 112 km com a muralha. A última das quatro versões do muro é feita de placas de concreto de 4,2 metros de altura. Cerca de 5 mil pessoas tentam escapar através do muro e cerca de 200 são mortas dentro da política de atirar para matar da Alemanha Oriental.

SOPRANDO AO VENTO

    Em 1963, o cantor, compositor, poeta e guitarrista norte-americano Bob Dylan lança em compacto simples um de seus maiores sucessos, Blowin' in the Wind, com Don't Think Twice, It's All Right no lado B.

Judeu norte-americano, Robert Allen Zimmerman nasce em 24 de maio de 1941 em Duluth, no estado de Minnesota. Sob influência do poeta galês Dylan Thomas, ele adota o nome artístico de Bob Dylan. Começa sua carreira musical na tradição da música popular do interior dos Estados Unidos sob a inspiração de músicos como Woody Guthrie, que canta a miséria do país durante a Grande Depressão (1929-39).

Ao longo da carreira, Dylan lança 37 álbuns gravados em estúdios, 11 álbuns gravados ao vivo, 58 compactos simples e mais 12 álbuns das bootleg series, com gravações não aproveitadas em outros discos.

Quando lança o LP The Times They Are a-Changing, em 1964, tem uma das músicas entre as dez mais vendidas nas paradas de sucesso. As outras nove eram da banda inglesa The Beatles. "O que eles têm que eu não tenho?", pergunta-se Dylan. Guitarras elétricas.

Apesar do protesto dos tradicionalistas da música folclórica do interior dos EUA, Dylan eletrifica sua música, forma uma parceria com o conjunto The Band e se torna o maior nome da música popular dos Estados Unidos nas últimas décadas e o maior da história para seus fãs.

Dylan vem várias vezes no Brasil. Em 1998, participa de um show dos Rolling Stones no Sambódromo, no Rio de Janeiro. Juntos, eles fazem uma interpretação antológica de Like a rolling stone, talvez o maior sucesso do poeta e compositor. Em 2016, Bob Dylan ganha o Prêmio Nobel de Literatura.


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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 12 de Agosto

MORTE DE CLEÓPATRA: SUICÍDIO OU ASSASSINATO?

    Em 30 antes de Cristo, Cleópatra, rainha do Egito e amante de dois generais romanos, Caio Júlio César e Marco Antônio, se mata com uma picada de cobra diante da derrota de seu exército para Otávio, que três anos depois vira imperador romano com o nome de Otávio César Augusto, ou é assassinada por agentes de Otávio.

Filha de Ptolomeu XII, Cleópatra nasce em 69 AC e se torna a rainha Cleópatra VII, do Egito, quando o pai morre, em 51 AC. Eles fazem parte de uma dinastia macedônia que assume o poder no Egito depois da morte de Alexandre o Grande, da Macedônia, em 323 AC.

Em 47 AC, começa uma guerra civil entre ela e o irmão. Roma, a maior potência da Europa na época, também está em guerra civil entre Júlio César e Cneu Pompeu, ambos membros do primeiro triunvirato. Vencido por César na Grécia, Pompeu foge para o Egito, mas é morto por agentes do rei Ptolomeu XIII.

César vai para Alexandria e decide impor a Pax Romana ao Egito. Cleópatra se alia a César para consolidar o poder no Egito. É entregue ao general romano enrolada num tapete. Linda e fascinante, ela seduz César e torna-se sua amante. Tem um filho com César, Cesarion.

Quando César volta para Roma, Cleópatra e Cesarion vão junto. Ela vive discretamente numa casa de campo que o general tem perto da Cidade Eterna. Com a morte de César, em 44 AC, Cleópatra volta para o Egito e Roma cai em nova guerra civil, que termina em 43 AC com a formação do segundo triunvirato: Otávio, sobrinho e sucessor designado de Júlio César, o general Marco Antônio e Lépido.

Marco Antônio, encarregado das províncias orientais de Roma, na época ainda uma república, convoca Cleópatra para um encontro em Tarso, na Ásia Menor, em 41 AC. Ela chega numa balsa magnífica fantasiada de Vênus, a deusa do amor, e seduz mais um general romano.

Em 40 AC, para emendar as relações, Antônio volta a Roma e casa com Otávia, irmã de Otávio. Em 37 AC, ele se separa e encontra Cléopatra, que lhe dá dois gêmeos, na Síria. Partidários de Otávio o acusam de se casar com uma estrangeira, o que é proibido pela lei romana.

Uma derrota militar em Pártia, hoje parte do Irã, em 36 AC reduz o prestígio de Marco Antônio. Ele se reabilita ao vencer na Armênia em 34 AC, quando faz uma marcha triunfal em Alexandria ao lado da rainha, de Cesarion e de seus filhos. Em Roma, é acusado de querer entregar Roma nas mãos de estrangeiros.

Otávio declara guerra a Cleópatra, e indiretamente a Marco Antônio, em 31 AC. Eles se enfrentam na Batalha do Ácio, uma batalha naval, na Grécia, em 31 AC. Uma semana depois, as forças terrestres de Marco Antônio se rendem, mas Otávio leva quase um ano para chegar a Alexandria e vencer Marco Antônio mais uma vez.

Cleópatra se refugia no mausoléu que mandara construir para si mesma. Ao ser informado erradamente da morte da rainha, Marco Antônio se suicida se jogando sobre sua espada, mas fica sabendo que ela está viva e é levado para morrer nos braços da amada. 

A rainha do Egito não consegue seduzir mais um general romano e morre no mausoléu, oficialmente por suicídio, mordida por uma cobra, mas o historiador romano Plutarco, quem mais escreveu sobre Cleópatra, disse: "O que aconteceu naquele mausoléu ninguém realmente sabe."

EDISON INVENTA FONÓGRAFO

    Em 1877, o norte-americano Thomas Alva Edison, o maior inventor de todos os tempos, com mais de 2 mil patentes, faz uma de suas invenções mais importantes, o fonógrafo, que faz as primeiras gravações numa folha de estanho com uma caneta vibratória.

Edison nasce em Milan, no estado de Ohio, em 1847, e recebe pouca educação formal, como acontece com a maioria dos norte-americanos na época. Com problemas de audição desde a infância, ele começa a trabalhar como operador de telégrafo aos 16 anos e logo usa sua engenhosidade para aperfeiçoar o sistema.

A partir de 1869, Edison torna-se inventor em tempo integral. Em 1876, ele se muda para um laboratório em Menlo Park, em Nova Jérsei, onde inventa o fonógrafo no ano seguinte tentando criar uma máquina para gravar conversas telefônicas.  Passa a ser conhecido como o Gênio de Menlo Park.

É o primeiro grande sucesso. Edison e sua equipe inventam a lâmpada de filamento incandescente em 1879, precursores da câmera e do projetor de cinema nos anos 1880.

Sua maior contribuição é no campo da eletricidade. Edison desenvolve um sistema de distribuição de luz e energia, cria em Nova York a primeira usina de energia elétrica, inventa a bateria alcalina e o trem movido a energia elétrica. Ao todo, registra 1.093 patentes nos EUA e mais de 2 mil contando as invenções patenteadas no exterior.

O fonógrafo vai sendo aperfeiçoado na maneira de gravar e reproduzir até o surgimento disco musical de 78 rotações por minuto em 1915. Cada lado toca por 4 minutos e 30 segundos em média. 

Em 1948, a Columbia Records lança o LP (long playing) de 33,3 rpm, com cerca de 30 minutos de gravação de cada lado. 

A gravação estereofônica, em dois canais de som distintos, surge em 1958 e cria o som de alta fidelidade.  

MORTE DE THOMAS MANN

    Em 1955, o escritor Thomas Mann, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1929, considerado o maior autor alemão do século 20, morre perto de Zurique, na Suíça.

Thomas Mann nasce em Lubeck em 6 de junho de 1875. Quando o pai morre, em 1891, ele vai para Munique, a capital da Baviera, um importante centro econômico, artístico e cultural, onde vive até 1933. Seus livros de maior sucesso são Morte em Veneza (1912) e A Montanha Mágica (1924), que lhe valhem o Nobel em 1929.

MURO DE BERLIM

    Em 1961, a Alemanha Oriental ultima os preparativos para a construção do Muro de Berlim, símbolo da divisão do mundo durante a Guerra Fria até sua abertura, em 9 de novembro de 1989. A obra começa na madrugada do dia 13.

No fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Alemanha é ocupada e dividida pela União Soviética, que toma Berlim, os Estados Unidos, o Reino Unido e a França. Em 1949, as partes sob o controle dos aliados ocidentais formam a Alemanha Ocidental, e a parte soviética, a Alemanha Oriental, sob um regime comunista. Berlim fica do lado oriental e é dividida em Berlim Ocidental e Berlim Oriental.

Quando os aliados ocidentais revelam a intenção de unir suas partes, o ditador soviético Josef Stalin decreta o Bloqueio de Berlim, proibindo o acesso por terra ao lado ocidental da cidade de 24 de junho de 1948 a 12 de maio de 1949. Os aliados fazem a maior ponte aérea militar da história e transportam 2,3 milhões de toneladas de suprimentos ao lado ocidental da antiga capital da Alemanha.

A fundação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) pelo Tratado de Washington, em 4 de abril de 1949, é uma reação ao Bloqueio de Berlim.

Em 1949, as partes sob o controle dos aliados ocidentais formam a Alemanha Ocidental, e a parte soviética, a Alemanha Oriental, sob um regime comunista. Berlim fica do lado oriental e é dividida em Berlim Ocidental e Berlim Oriental. 

Com a reconstrução do pós-guerra, a prosperidade e a liberdade do lado ocidental, logo os alemães-orientais começam a fugir para o Ocidente. Depois de fuga de 2,5 milhões, a Alemanha Oriental decide erguer um muro ao redor de Berlim Ocidental e a proibir seus cidadãos de sair do país.

Desde que o muro é erguido, cerca de 5 mil alemães-orientais escapam e cerca de 200 são mortos na fuga. Em 1987, em discurso diante do Portão de Brandemburgo, o então presidente norte-americano fez um apelo ao secretário-geral do Partido Comunista da URSS, Mikhail Gorbachev, para "derrubar este muro". Dois anos depois, em 9 de novembro de 1989, o muro é aberto em meio a uma onda de revoluções democráticas na Europa Oriental.

MAIS POPULARES DO QUE JESUS?

    Em 1966, entrevista coletiva, o beatle John Lennon pede desculpas por ter declarado em março daquele ano que para alguns jovens os Beatles "são mais populares do que Jesus Cristo".

A declaração provoca grandes protestos, especialmente nos Estados Unidos, onde religiosos fanáticos convocam manifestações para destruir, quebrar e queimar coletivamente discos e cartazes da banda, e rádios passam a boicotá-los.

"Eu não estava dizendo o que quer que eles disseram que eu estava dizendo. Lamento realmente o que disse. Nunca quis que fosse uma coisa ruim e antirreligiosa. Peço desculpas se isso vai deixá-los felizes. Ainda não sei bem o que eu fiz. Tentei dizer para vocês o que eu fiz, mas se querem que eu peça desculpas, se isso vai deixá-los felizes, então está ok, eu peço", declarou Lennon, no que foi considerado pelos cristãos um pedido de desculpas pela metade.

TIRANOSSAURO-REI

    Em 1990, o mais completo e bem-preservado esqueleto de um tiranossauro-rei é encontrado na Reserva Indígena do Rio Cheyenne, no estado de Dakota do Sul, nos Estados Unidos, e batizado de Sue, em homenagem a Susan Hendrickson, a paleontóloga responsável pela descoberta.

O fóssil de 67 milhões de anos tem 12,8 metros de comprimento. Só a cabeça tem 1,5 m e pesa 272 quilos. O Museu de História Natural de Chicago o compra por US$ 8,362 milhões num leilão em 1997 depois de anos de batalhas judiciais em torno de sua propriedade. Está em exposição no museu desde 17 de maio de 2000. 

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terça-feira, 11 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 11 de Agosto

PRISÃO DE SEGURANÇA MÁXIMA 

    Em 1934, o primeiro grupo de prisioneiros perigosos chega à Ilha de Alcatraz, na Baía de São Francisco, na Califórnia, convertida de prisão militar em prisão federal de segurança máxima dos Estados Unidos.

Os primeiros seres humanos chegam à Baía de São Francisco entre 20 e 10 mil anos antes de Cristo. Quando os europeus a descobrem, há cerca de 10 mil indígenas entre Point Sur, hoje um parque nacional perto de Carmel, e a Baía de São Francisco.

Alcatraz é um lugar de isolamento e ostracismo para quem viola as leis de tribo. É também um local de pesca e coleta de frutos do mar e ovos de aves. Também é refúgio para indígenas que não se submetem ao sistema de missões do início da colonização da Califórnia.

Quando a Califórnia pertence ao México, a ilha é cedida a John Workman para a construção de um farol. Com a Guerra Mexicano-Americana (1846-48) e a conquista de cerca de 40% do território mexicano pelos EUA, há uma preocupação em defender a Baía de São Francisco, especialmente porque em 24 de janeiro de 1848 começa a Corrida do Ouro na Califórnia.

Em 1853, Alcatraz é fortificada por uma guarnição para 200 soldados. A partir de 1868, as instalações passam a ser usadas como prisão para bandoleiros e indígenas rebeldes. Durante as guerras indígenas, muitos índios são confinados na ilha. No século 20, Alcatraz recebe uma quantidade expressiva de presos. É ampliada.

Durante a Grande Depressão (1929-39), uma crise econômica brutal que é a principal causa econômica da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a criminalidade aumenta nos EUA. Aquela pequena ilha rochosa de 8,9 quilômetros quadrados que fica a 2,4 km da cidade de São Francisco é um bom lugar para assustar qualquer bandido.

De 1934 a 1963, Alcatraz é uma das prisões mais seguras do planeta. Por lá, passam Robert Stroud, James Whitey Bulger e o mais famoso dos mafiosos, Al Capone.

JACKSON POLLOCK MORRE EM ACIDENTE

    Em 1956, morre aos 44 anos em acidente de automóvel em Springs, no estado de Nova York, quando dirigia alcoolizado, o pintor Jackson Pollock, um expoente do expressionismo abstrato, um movimento caracterizado pela livre associação de gestos num método conhecido como "pintura em ação". Ele andava sobre as telas salpicando-as com gotas de tinta.

Paul Jackson Pollock nasce em Cody, no estado de Wyoming, nos Estados Unidos, em 28 de janeiro de 1912. É o mais novo de cinco filhos de Stella May McClure, de origem escocesa, e de LeRoy Pollock, de origem escocesa e irlandesa. O sobrenome original do pai era McCoy, antes de ser adotado por em 1890 pela família Pollock depois da morte de seus pais.

Quando ele tem 11 meses, a família sai de Cody e passa 18 anos na Califórnia e no Arizona. Em 1928, eles vão para Los Angeles, onde Pollock se matricula na Escola Secundária de Artes Manuais e sofre influência de Frederick John de St. Vrain Schwankovsky, um pintor e ilustrador membro da Sociedade Teosófica, uma seita que promove a espiritualidade oculta e metafísica.

Schwankovsky ensina desenho e pintura a Pollock, e o apresenta aos movimentos da arte moderna da Europa e à literatura teosófica. Esta experiência o prepara para seguir a teoria do psicanalista suíço Carl Jung e a explora as imagens do inconsciente na pintura.

Em 1930, Jackson Pollock segue o irmão Charles e vai para Nova York, onde entra para a Liga dos Estudantes de Arte. Depois de alguns anos na miséria durante a Grande Depressão (1929-39), ele consegue um emprego no Projeto de Arte Federal. Isto lhe dá segurança e oportunidade para desenvolver sua arte.

Com problema de alcoolismo, Pollock começa um tratamento psiquiátrico em 1937. No ano seguinte, tem uma crise de saúde mental. É hospitalizado durante quatro meses. Depois deste problema, sua arte se torna semiabstrata e mostra influência dos pintores espanhóis Pablo Picasso e Joan Miró e do muralista mexicano José Clemente Orozco.

Depois do fim do Projeto de Arte Federal, Peggy Guggenheim o contrata em julho de 1943 para sua galeria Arte deste Século, em Nova York, onde ele desenvolve seu estilo totalmente pessoal. Ele pinta Mural para a entrada da casa de Guggenheim. Por sugestão do amigo Marcel Duchamp, Pollock pinta uma tela para ser portátil. O crítico Clement Greenberg observa: "Isto é uma arte extraordinária. Pollock é o maior pintor que este país já produziu."

Em 1947, Pollock usa pela primeira vez a técnica de gotejamento sobre a tela criada por Max Ernst. Coloca a tela no chão e não usa pincéis. 

É descrito por seus contemporâneos como gentil e contemplativo cquando sóbrio e violento quando bebia. A morte vem num acidente quando Pollock dirigia embriagado. Seu conversível sai da estrada, fere uma passageira, Ruth Kligman, com quem tem um caso, e mata sua amiga Edith Metzger.

INDEPENDÊNCIA DO CHADE

    Em 1960, o Chade se torna independente da França sob a liderança de François Tombalbaye, primeiro presidente, mas não consegue paz e estabilidade, e enfrenta cerca de 40 anos de guerra civil e violência, além de um conflito com a vizinha Líbia de 1978 a 1987.


O Chade vira uma república autônoma dentro da Comunidade Francesa em novembro de 1958 e consegue a independência total em agosto de 1960. É um dos países mais pobres do mundo até se tornar um grande produtor de petróleo, em 2003.

É também o berço da humanidade. O primeiro hominídeo, o Sahelanthropus tchadensis, surgiu lá há 7 milhões de anos.

REIS DO IÊ IÊ IÊ

    Em 1964, o primeiro filme dos Beatles, A Hard Day's Night (Os Reis do Iê Iê Iê), tem avant-première em Nova York no auge da Beatlemania.

É uma comédia musical em que John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr enfrentam produtores nervosos, fãs histéricas e parentes problemáticos tentando equilibrar os compromissos profissionais e se divertir com sua arte.

O filme é um dos musicais mais influentes de todos os tempos, um precursor dos videoclipes feito com orçamento baixo.

REVOLTA EM LOS ANGELES

    Em 1965, a tensão racial explode no bairro de maioria negra Watts, em Los Angeles, quando dois policiais brancos lutam para submeter e prender um motorista negro suspeito de dirigir bêbado.

Uma multidão se reúne na esquina do Avalon Boulevard com a Rua 116 para ver o que acontece e se revolta. Vê a cena como mais um abuso de poder de caráter racista.

A rebelião se espalha por uma área de 130 quilômetros quadrados no Centro-Sul da segunda maior cidade dos Estados Unidos em população e a maior em área, com saques de lojas, incêndio de prédios e tiroteios com a polícia. Com a intervenção da Guarda Nacional, a violência é controlada em 16 de agosto.

Em cinco dias, 34 pessoas são mortas, 1.032 feridas e cerca de 4 mil presas. O prejuízo material é de US$ 40 milhões.

RETIRADA DO VIETNÃ

    Em 1972, a última unidade de combate terrestre dos Estados Unidos, que defendia a base de Da Nang, deixa o Vietnã do Sul, como parte do acordo de paz com o regime comunista do Vietnã do Norte. 

A Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75) começa quando os EUA suspendem as eleições para unificar o país, dividido depois da derrota da potência colonial, a França, na Primeira Guerra da Indochina (1946-54), porque os comunistas do Vietnã do Norte liderados por Ho Chi Minh são favoritos.

Os EUA começam a enviar assessores militares ao Vietnã do Sul nos governos Harry Truman (1945-53) e Dwight Eisenhower (1953-61). No fim do governo John Kennedy (1961-63), são mais de 2,8 mil. Alguns atuam em combate.

Depois de forjar o Incidente do Golfo de Tonkin, um ataque falso a navios contratorpedeiros norte-americanos, em 4 de agosto de 1964, o presidente Lyndon Johnson declara guerra ao Vietnã do Norte. Em 1968, os EUA tem 548 mil soldados na Guerra do Vietnã e mais de 30 mil perdas.

Impopular por causa da guerra, Johnson desiste da reeleição em 1968. O presidente Richard Nixon, do Partido Republicano, se elege prometendo acabar com a guerra e ameaça usar armas nucleares. Depois de visitar a China e a União Soviética em 1972, na chamada détente, um período de degelo na Guerra Fria nos anos 1970, a Guerra do Vietnã, com forte oposição interna, perde o sentido para os EUA. Ao todo, mais de 58,2 mil soldados norte-americanos morrem no Vietnã.

Ainda ficam no país 43,5 mil assessores militares, aviadores e tropas de apoio dos EUA. Este número não inclui os marinheiros da 7ª Frota estacionados no Mar do Sul da China nem o pessoal das bases aéreas na Tailândia e na ilha de Guam.

A Guerra do Vietnã termina em 30 de abril de 1975, quando o Vietnã do Norte toma Saigon, a capital do Vietnã do Sul, hoje Cidade de Ho Chi Minh, e reunifica o país sob um regime comunista no poder até hoje. 

Mais de 3 milhões de vietnamitas morrem na Guerra do Vietnã (1955-75). Desde 1986, o Vietnã introduz reformas econômicas no modelo chinês, Doi Moi, que significa Renovação. Em 1995, estabelece relações diplomáticas com os EUA.

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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Doutrina Trump explica crise diplomática com o Brasil

Ao impor as maiores tarifas depois da China, enquadrar organizações criminosas como terroristas, tentar enviar diplomatas para questionar o sistema eleitoral brasileiro e cassar o visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, o governo Donald Trump deixa clara a intenção de interferir nas eleições brasileiras para apoiar a extrema direita.

A campanha eleitoral começa aqui oficialmente em 16 de agosto. Novas agressões de Washington, especialmente do secretário de Estado, Marco Rubio, devem marcar a tentativa de eleger um governo aliado e subserviente no maior e mais rico país da América Latina, o único pais importante da região governado pela esquerda.

Trump lidera um movimento neofascista. Seu guru, Steve Bannon, se apresenta como um "leninista de direita". Quer criar uma Internacional Neofascista com partidos de extrema direita da América e da Europa. O Brasil é no momento o principal alvo dessa estratégia. 


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