Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Em 1681, o quaker William Penn recebe uma carta com autorização do rei Carlos II, da Inglaterra, para criar uma comunidade em terras não ocupadas da colônia da Pensilvânia, em pagamento por uma dívida do rei com o almirante Sir William Penn, pai do quaker.
O plano é criar um refúgio seguro grupos religiosos perseguidos, inclusive os quakers, com plena liberdade religiosa. Seu primo William Markham vai antes e estabelece os limites do que seria a cidade da Filadélfia.
Penn chega em 1682 e convoca uma Assembleia Geral para criar a estrutura do governo e a Grande Lei da comunidade, com garantias de liberdade de consciência e de religião. O tratamento amistoso cria laços de amizade com os índios.
A Comunidade da Pensilvânia tem uma grande expansão no próximo século, o que leva a conflitos com a França, que reinvidica o vale do Rio Ohio. Muitas batalhas da Guerra dos Sete Anos (1756-63) e da guerra indígena que a precede são travadas na Pensilvânia.
Em 1753, o Império Britânico tem 13 colônias que vão até os Montes Apalaches. Do outro lado, há uma possessão francesa chamada Louisiana que vai da Foz do Mississípi, em Nova Orleans, e segue pela Bacia do Missouri-Mississípi até a região dos Grandes Lagos, na fronteira com o Canadá.
No fim da Guerra dos Sete Anos, o Império Britânico toma a maior parte das possessões britânicas no Canadá e na Índia. A guerra é uma das causas da independência dos EUA, em 1776, e da Revolução Francesa de 1789. A Louisiana, com 1,7 milhão de quilômetros quadrados, é vendida por Napoleão Bonaparte em 1803 por US$ 15 milhões.
POSSE DE LINCOLN
Em 1861, Abraham Lincoln assume a Presidência dos Estados Unidos com uma mensagem de paz aos sete estados confederados do Sul (Alabama, Carolina do Sul, Flórida, Geórgia, Louisiana, Mississípi e Texas) que haviam deixado a União em 4 de fevereiro, depois de sua eleição, em novembro de 1860, por serem contra a abolição da escravatura, e adverte que vai aplicar as leis federais para impedir a secessão.
Para manter a União, Lincoln rejeita a separação dos Estados Confederados da América. Com cerca de 620 mil mortes, a Guerra da Secessão (1861-65) é a pior guerra da história dos EUA. Lincoln é assassinado em 15 de abril, seis dias depois do fim da guerra, no início de seu segundo mandato.
NASCE A MAMA AFRIKA
Em 1932, nasce em Prospect, perto de Joanesburgo, na África do Sul, a cantora, compositora e atriz Miriam Makeba, conhecida como Mama Afrika, uma das músicas africanas mais importantes do século 20.
Filha de mãe suázi e pai xhosa, Zenzile Miriam Makeba cresce na segregada Cidade de Sofia, na Grande Joanesburgo. Quando criança, começa a cantar no coral da escola. Em 1954, se torna cantora profissional. Em 1958, o regime segregacionsta do apartheid impõe uma lei que proíbe artistas negros de se apresentar em cidades.
O produtor e diretor de cinema norte-americano Lionel Rogosin a descobre e a convida cantar duas no filme Come Back, Africa (1959), um documentário sobre o apartheid. Isso chama a atenção do músico e produtor norte-americano Harry Belafonte.
Em 1959, Makeba vai morar nos Estados Unidos, onde canta músicas nas línguas xhosa e zulu, inclusive canções de protesto contra o regime segragacionista do apartheid. Em 1960, o governo da minoria branca cancela seu passaporte e a proíbe de entrar na África do Sul.
Miriam Makeba se casa em 1964 com o trumpetista Hugh Masekela. O casamento dura apenas dois anos. Em 1965, ela ganha um Prêmio Grammy com Belafonte. Seu casamento em 1968 com o pantera-negra Stokely Carmichael, que defende a violência na luta contra o racismo, prejudica sua carreira nos EUA. Em 1967, ela grava seu maior sucesso, Pata Pata, que significa "toque toque" em xhosa.
Carmichael se afasta dos Panteras Negras e o casal se muda para a Guiné em 1969. Eles se separam em 1979. Quando o líder negro Nelson Mandela sai da prisão, em 1990, incentiva Makeba a voltar para a África do Sul. Depois de 31 anos, ela se apresenta no país em 1991 e continua a carreira até morrer de ataque cardíaco em Castel Volturno, perto de Nápoles, na Itália, em 10 de novembro de 2008.
POSSE DE FRANKLIN ROOSEVELT
Em 1933, em plena Grande Depressão, Franklin Delano Roosevelt, toma posse como presidente dos Estados Unidos, diz que "a única coisa de que devemos ter medo é do medo" e anuncia o New Deal, um novo pacto social com o aumento de gastos e das ações do governo federal para gerar empregos e promover o bem-estar social.
Roosevelt é reeleito três vezes, em 1936, 1940 e 1944. Não só tira o país da Grande Depressão como lidera os aliados na luta contra o nazifascismo na Segunda Guerra Mundial (1939-45) depois do ataque do Japão a Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, e desenvolve a bomba atômica.
FACE DO NEW DEAL
Em 1933, a socióloga Frances Perkins toma posse como secretária do Trabalho do governo Franklin Roosevelt (1933-45). A primeira mulher indicada para um cargo de ministra nos Estados Unidos se torna a face do New Deal, o novo pacto social lançado por FDR para combater a Grande Depressão (1929-39), e fica no cargo até o fim do governo.
Como aliada e amiga da primeira-dama, Eleanor Roosevelt, Frances Perkins ajuda a levar o movimento trabalhista para a coalizão do New Deal. É decisiva na criação do Corpo Civil de Conservação, a Agência Federal do Trabalho e a Administração da Recuperação Nacional.
Com a Lei de Seguridade Social, de 1935, Perkins cria a Previdência Social nos EUA, o seguro-desemprego e a aposentadoria. Também é importante na aprovação das leis do trabalho, inclusive na prevenção de acidentes de trabalho e no combate ao trabalho infantil.
A Lei dos Padrões Justos de Trabalho introduz o salário mínimo, o pagamento de horas extras e a jornada semanal de trabalho de 40 horas nos EUA.
Em 1671, a Ópera de Paris é inaugurada com a apresentação de Pomone, do compositor Robert Cambert, com texto do poeta Pierre Perrin.
A Ópera é criada em 1669 como Academia Real de Música com base numa patente outorgada por Luís XIV, o Rei Sol. Em 1672, há uma fusão com a Academia Real de Dança.
Com a Revolução Francesa de 1789, a Ópera passa a apresentar peças revolucionárias. De 1875 a 1990, a Ópera funciona no Teatro Nacional da Ópera, o Palácio Garnier, um prédio histórico no centro de Paris. Desde então, está na Ópera da Bastilha.
EMANCIPAÇÃO DOS SERVOS
Em 1861, depois da derrota na Guerra da Crimeia (1853-56), o czar reformista Alexandre II proclama o Manifesto de Emancipação e liberta todos os servos.
A servidão tem origem no século 12 e se torna a relação dominante entre os camponeses e a aristocracia rural na Rússia no século 17. No rigoroso inverno, grande parte das terras é coberta de neve e gelo. O solo congelado não permite o cultivo. A servidão é uma maneira de prender os trabalhadores rurais para que não abandonem a terra.
A derrota na guerra muda a opinião pública na Rússia. A percepção é que sem reformar a estrutura social arcaica a Rússia não estará ao nível das potências ocidentais (França e Reino Unido) que a vencem em aliança com o Império Otomano (turco).
O czar anuncia a intenção da acabar com a servidão em discurso à nobreza em abril de 1856. No ano seguinte, pede a comitês provinciais que apresentem propostas. No fim de 1859, esses comitês fazem suas sugestões. O Conselho de Estado finaliza o projeto em janeiro de 1861 e o encaminha a Alexandre II.
O édito final tenta equilibrar os interesses de liberais, conservadores, burocratas e da aristocracia rural. Ninguém fica muito satisfeito, especialmente os camponeses. Eles conseguem a liberdade e recebem promessas de que vão ganhar terras, mas o processo é lento, burocrático e caro.
Durante o processo, os camponeses continuam servindo aos senhores enquanto é feito um inventário dos bens, calculado o tamanho e o preço do lote, que legalmente pertence aos senhores. Os camponeses tomam empréstimos do governo a serem pagos em 49 anos. Em 1881, 85% têm sua própria terra.
PAZ DE BREST-LITOVSK
Em 1918, no fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18), o Segundo Tratado de Brest-Litovsk acaba com as hostilidades entre a Rússia Soviética e os Poderes Centrais (Alemanha, Áustria-Hungria, Bulgária e Império Otomano).
A guerra começa em 28 de julho de 1914, quando a Áustria-Hungria ataca a Sérvia um mês depois do assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, pelo estudante radical sérvio Gabrilo Princip, em Sarajevo, na Bósnia.
A Alemanha apoia a Áustria, com que tinha um acordo defensivo, a Tríplice Aliança, que incluía também a Itália. A Tríplice Entente (França, Reino Unido e Rússia) entra na guerra ao lado da Sérvia.
O líder comunista russo Vladimir Lenin passa a guerra no exílio na neutra Suíça fazendo campanha contra a guerra em que, na sua visão, soldados das classes baixas se metam num conflito de interesse das burguesias nacionais. Lenin repudia a adesão à guerra de partidos social-democratas como o da Alemanha.
Quando a Revolução de Fevereiro derruba o czar Nicolau II e a monarquia na Rússia, a Alemanha autoriza Lenin a atravessar o país para voltar à Rússia. Logo, ele lança as Teses de Abril, em que repudia a guerra e a república parlamentar, defende a revolução proletária, todo o poder aos sovietes (assembleias populares) e a criação de uma nova internacional dos trabalhadores que exclua os sociais-democratas.
A Revolução Bolchevique (Comunista) toma o poder na Revolução de Outubro, na noite de 24 para 25 de outubro, 6 e 7 de novembro pelo calendário gregoriano, adotado depois da revolução. Em 8 de novembro, o governo soviético pede negociações de paz à Alemanha. A Rússia perde 4 milhões de pessoas na guerra. Um armistício é firmado em 15 de dezembro. As negociações de paz começam em 22 de dezembro.
A Alemanha tem todo o interesse na paz com a Rússia para concentrar o esforço de guerra na frente ocidental, onde leva vantagem até os Estados Unidos entrarem na guerra. O líder comunista Leon Trotsky, comissário de relações exteriores do novo regime, lidera a delegação bolchevique.
É uma "paz vergonhosa", admite Lenin. A Rússia abre mão do controle sobre a Finlândia, a Polônia, os países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia), a Bielorrússia, a Ucrânia, os distritos turcos de Ardaham e Kars, e a região georgiana de Batumi. Perde um milhão de quilômetros quadrados e 56 milhões de habitantes.
Com a revolução que derruba a monarquia alemã em 9 de novembro de 1918 e a rendição da Alemanha em 11 de novembro, no fim da guerra, a Finlândia, a Estônia, a Letônia, a Lituânia, a Polônia conseguem a independência. Na guerra civil que se segue à Revolução Comunista na Rússia, os bolcheviques assumem o controle da Bielorrússia e Ucrânia, que se tornam repúblicas da União Soviética, fundada em 1922.
BANDEIRA SALPICADA DE ESTRELAS
Em 1931, o poema The Star-Spangled Banner(Bandeira Salpicada de Estrela), escrito por Francis Scott Key depois de assistir ao ataque ao Forte McHenry em Maryland, em 1814, durante a Guerra de 1812 contra o Império Britânico, é adotado oficialmente como Hino Nacional dos Estados Unidos.
A partir de 1889, a música passa a ser tocada pela Marinha dos EUA nas cerimônias de hasteamento e descida da bandeira. Em 1916, o presidente Woodrow Wilson a proclama hino das Forças Armadas. Em 1931, passa a ser o hino nacional dos EUA.
RACISMO E VIOLÊNCIA POLICIAL
Em 1991,a polícia de Los Angeles espanca o negro Rodney King, um condenado por roubo que está em liberdade condicional, depois de uma perseguição de 13 quilômetros de carro e helicóptero porque ele dirigia em velocidade excessiva. A cena é gravada em vídeo.
Os policiais mandam King e dois amigos deitar no chão. Os amigos obedecem, mas ele fica de quatro. Quando os agentes tentam forçá-lo, King resiste e leva dois tiros de armas de choque, que disparam dardos com potência de 50 mil volts.
Neste momento, da varanda de seu apartamento do outro lado da rua, George Holliday começa a gravar. O vídeo de um minuto e 29 segundos torna King num personagem da história dos Estados Unidos. Ele levanta e corre em direção ao policial Laurence Powell, que o ataca com um cassetete.
Rodney King cai e entre 18 e 51 segundos do vídeo, leva cacetadas de Powell e de Timothy Wind. Aos 55 segundos, Powell desfere um golpe que faz King rolar e ficar de bruços. Dez segundos depois, o terceiro agente, Ted Briseno, pisa do alto das costas da vítima.
Dois segundos depois, Powell e Wind voltam a dar cacetadas, e Wind chuta o pescoço de King quatro vezes. Aos 89 segundos, depois de 56 cacetadas, ele põe as mãos nas costas e é algemado. O sargento Stacey Koon, o oficial responsável, não fez nada para impedir a agressão.
Uma ambulância o leva para o hospital com uma perna quebrada, várias fraturas no rosto, hematomas e contusões. Sem saber que haviam sido filmados, os policiais declaram em relatório que não usaram muita força e que o preso sofreu apenas cortes e lesões "de menor natureza".
Quando os policiais são absolvidos por um júri popular em Simi Valley, no condado de Ventura, há uma explosão de violência. Em dias, 60 pessoas são mortas e 2 mil saem feridas. Os danos à propriedade chegam a US$ 1 bilhão, nos distúrbios mais destrutivos do século 20 nos EUA.
Em 1º de maio, o presidente George W. Bush manda tropas federais e policiais especializados na contenção de distúrbios para controlar a situação.
Os policiais são processados de novo pela Justiça Federal por violar os direitos de King ao empregar força irrazoável. Koon e Powell são condenados a dois anos e meio de prisão. Na Justiça Civil, King recebe US$ 3,8 milhões em ação contra o Departamento de Polícia de Los Angeles.
Em 1498, o navegador português Vasco da Gama chega à ilha de Moçambique, na costa oriental da África, na primeira viagem marítima de europeus à Índia.
Ao cruzar o Cabo da Boa Esperança, no Sul da África, a frota de Vasco da Gama entra em mares nunca antes navegados por europeus. Os portugueses avançam lentamente ao longo da costa da Zululândia. O objetivo é encontrar cidades ou povoações onde possam se reabastecer de água e saber qual a distância para a Índia, talvez até conseguir um piloto que os guiasse até o destino.
Depois de uma tempestade, a frota explora a costa do que hoje é Moçambique até chegar à ilha do mesmo nome. Logo, percebem que é um lugar diferente dos que vêm encontrando, com uma cultura muçulmana, um povo que entende árabe, veste roupas coloridas de linho e algodão, usa touca e é formado por mercadores.
Há desconfiança mútua. O sultão local promete ajudar, mas dá informações erradas e não fornece um piloto. A frota tem problemas também em Mombaça, hoje parte do Quênia. Só em Melinde consegue um piloto que os guia até a Índia.
Depois de 20 mil quilômetros de viagem, os portugueses chegam em Calicute em 20 de maio de 1498.
INDEPENDÊNCIA DO MARROCOS
Em 1956, o Marrocos, um país que ao longo da história é colonizado por Portugal, Espanha e França, declara independência da França. O rei Muhammad V forma o governo do novo país.
A expansão árabe no fim do século 7 toma o Norte da África, a região do Magrebe. Em 1415, Portugal conquista Ceuta, marco inicial do Império Português. Nos próximos séculos, o país vive sob dominação europeia.
Com a Revolução Industrial na Europa, a colonização da África se aprofunda. Em 1830, a França mostra interesse no Marrocos para proteger sua fronteira na Argélia. O Tratado de Fez, de 1912, transforma o Marrocos num protetorado francês. A Espanha mantém seu protetorado.
Pela proximidade com a Europa, o Marrocos se envolve na Primeira Guerra Mundial (1914-18), na Guerra civil Espanhola (1936-39) e na Segunda Guerra Mundial (1939-45).
Depois da Segunda Guerra Mundial, com base na Carta do Atlântico, assinada em 1941 pelo presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Winston Churchill, o povo marroquino pede a volta do rei Mohammad V.
Como enfrenta a Guerra da Independência da Argélia (1954-62), a França decide ceder. Em 1955, aceita a independência do Marrocos.
RECORDE DE PONTOS NO BASQUETE
Em 1962, Wilt Chamberlain estabelece um recorde de 200 pontos num jogo de basquete, não superado até hoje.
O Philadelphia Warriors, de Chamberlain, hoje Golden State Warriors, vence o New York Knicks por 169-147. Ele é o primeiro jogador a marcar mais de 4 mil pontos numa temporada e também detém até hoje o recorde de rebotes na carreira.
CHINA x URSS
Em 1969,de manhã, cerca de 30 soldados da República Popular da China andam sobre as águas congeladas do Rio Ussúri e enfrentam 70 guardas de fronteira da União Soviética perto de uma ilha reivindicada pelos chineses. A escaramuça termina com dezenas de mortos e feridos, confirmando o cisma entre as duas grandes potências comunistas, que continuaria até o fim da Guerra Fria.
Pelo Tratado de Beijim de 1860, a fronteira ficava na margem chinesa do rio, e não no meio. A disputa da ilha de Zhenbao ou Damansky, próxima da margem chinesa, deflagra o conflito fronteiriço sino-soviético, seis meses de uma guerra não declarada.
Pelos dados oficiais dos regimes, 58 soldados da URSS e 72 da China morreram. Os soviéticos afirmam que mataram cerca de 800 chineses.
Os Estados Unidos aproveitam o conflito sino-soviético para se reaproximar da China e fazer a détente com a URSS, com viagens do assessor de Segurança Nacional, Henry Kissinger, e do presidente Richard Nixon a Beijim e Moscou. A China vira uma virtual aliada não sócia da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) no fim da Guerra Fria.
A demarcação da fronteira só é realizada depois do fim de URSS, em 1991, como resultado de vários acordos. O último, assinado em 14 de outubro de 2003, dá centenas de ilhas nos rios fronteiriços à China, inclusive Zhenbao.
Em 1692, Sarah Goode, Sarah Osbornee e Tituba, uma escrava de Barbados, são acusadas de bruxaria na vila de Salém, na Colônia da Baía de Massachusetts, parte do Império Britânico. No mesmo dia, Tituba, provavelmente sob tortura confessa o crime, o que leva as autoridades a iniciar uma caça às "feiticeiras" de Salém.
O problema começou um mês antes, quando Elizabeth Parris, de 9 anos, e Abigail Williams, de 11 anos, filha e sobrinha do reverendo Samuel Parris, começam a sofrer distúrbios e doenças misteriosas. Um médico atribui os problemas a bruxaria.
Sob pressão dos adultos, as duas crianças e outros residentes de Salém acusam mais de 150 homens e mulheres de práticas satânicas.
NASCIMENTO DE CHOPIN
Em 1810, o músico polonês radicado na França Frédéric François Chopin, um dos maiores compositores de todos os tempos, o poeta do piano, nasce em Zelazowa Mola, filho de um imigrante francês que trabalha como tutor da aristocracia na Polônia.
Quando Frédéric tem oito meses, o pai, Nicholas, se torna professor de francês do Liceu de Varsóvia. Chopin estuda no liceu de 1823 a 1826.
Sempre muito atento quando a mãe ou a irmã toca piano, aos seis anos ele tenta reproduzir o que ouve. No ano seguinte, começa a estudar piano. Aos oito anos, faz a primeira apresentação em público num concerto beneficente. Três anos depois, toca para o czar Alexandre I, da Rússia, que vai à abertura do Parlamento em Varsóvia.
Na segunda metade do século 18, há três divisões da Polônia entre a Rússia, a Prússia e a Áustria. Em 1795, a Polônia deixa de existir. Só recupera a independência em 1918, depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18). É nessa Polônia ocupada que Chopin nasce e cresce.
O menino-prodígio também compõe. Aos sete anos, escreve a primeira Polonaise. Aos 16 anos, Chopin entra para o recém-criado Conservatório de Varsóvia, sob a direção do compositor polonês Joseph Elsner, com quem Chopin havia estudado.
Elsner compreende que precisa lhe dar total liberdade de criação, em vez de submetê-lo ao rigor acadêmico. Chopin estuda harmonia e composição, e tem ampla liberdade para se desenvolver como pianista.
Chopin vai a Berlim em 1828 e se apresenta pela primeira vez em Viena, capital do Império Austríaco, um dos grandes centros culturais do mundo, especialmente para música clássica, em 1829. Quando sai da Polônia, em 1830, para estudar na Alemanha e na Itália, estoura uma revolta polonesa contra a Rússia. Ele está em Viena quando recebe a notícia.
Em julho de 1831, Chopin vai para Paris, onde encontra o ambiental ideal para o florescimento de sua arte. Logo estabelece ligações com os imigrantes e refugiados poloneses e com compositores como Franz Liszt, Hector Berlioz, Vincenzo Bellini e Felix Mendelssohn.
Também conhece Aurora Dudevant, uma escritora que usa o pseudônimo de George Sand, com quem começa um relacionamento amoroso em 1838. Eles alugam uma casa em Mayorca, uma das Ilhas Baleares, da Espanha, onde Chopin fica doente. Quando o dono da casa ouve rumores de tuberculose, manda eles saírem.
Durante 10 anos, Chopin luta contra a tuberculose. Faz a última apresentação no Guildhall, em Londres, em 16 de novembro de 1848, para arrecadar dinheiro para os exilados poloneses. Morre em Paris em 17 de outubro de 1849.
FIM DA GUERRA DO PARAGUAI
Em 1870, com a morte do ditador Francisco Solano López na Batalha de Cerro Corá, termina a Guerra do Paraguai ou a Guerra da Tríplice Aliança de Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai, que a chama de Guerra Grande.
Maior conflito armado internacional da história da América Latina, a Guerra do Paraguai começa em 12 de outubro de 1864. Neste ano, o Brasil invade o Uruguai, intervém na Guerra do Uruguai, uma guerra civil, ao lado do Partido Colorado na luta contra o Partido Blanco. Cai o presidente Bernardo Berro, alvo da Cruzada Libertadora lançada no ano anterior pelo líder colorado, general Venancio Flores.
Berro é aliado de Solano López e dos federalistas argentinos. Além do Brasil, Flores tem o apoio de Bartolomeu Mitre, presidente da Argentina, um unitário que se opõe aos federalistas.
Em 11 de novembro, o Paraguai apreende o navio brasileiro Marquês de Olinda. Ele transporta o presidente da província do Mato Grosso, que morre numa prisão paraguaia. Um mês depois, em 14 de dezembro, o Paraguai invade o Sul do Mato Grosso.
López sonha em criar um Grande Paraguai, conquistando o Uruguai, o Mato Grosso, o Rio Grande do Sul e as províncias argentinas de Missiones e Corrientes. Em 1865, o Paraguai invade Corrientes e o Rio Grande do Sul, e a Argentina entra na guerra.
O Paraguai invade Corrientes em 13 de abril. A Argentina, o Brasil e o Uruguai firmam o Tratado da Tríplice Aliança em 1º de maio de 1865. O tratado prevê que "o Paraguai deve ser responsabilizado por todas as consequências do conflito, pagar todas as dívidas de guerra" e "ficar sem qualquer fortaleza e força militar".
Solano López conta com o apoio do general federalista Justo José de Urquiza, inimigo de Mitre na política argentina, mas Urquiza prefere apoiar seu país a um líder estrangeiro.
Em 11 de junho de 1865, uma esquadra brasileira sob o comando do almirante Francisco Manuel Barroso, destrói a poderosa marinha paraguaia na Batalha Naval do Riachuelo e impede o Paraguai de ocupar permanentemente o território argentino.
Ao dar o controle da navegação na Bacia do Rio da Prata aos aliados, é a batalha decisiva da guerra. Os paraguaios avançam até o Rio Grande do Sul. Tomam São Borja, Itaqui e Uruguaiana. O Barão de Porto Alegre sai da capital da província para enfrentar o inimigo. Em 18 de setembro de 1865, a guarnição paraguaia se rende.
Em 16 de abril de 1866, os aliados invadem o Paraguai. Depois de duas vitórias do general brasileiro Manuel Luís Osório, os paraguaios contêm a contraofensiva na primeira grande batalha terrestre da guerra, em Estero Bellaco, em 2 de maio.
Vitorioso, Solano López aposta numa vitória na Batalha de Tuiuti. Em 24 de maio de 1866, 25 mil paraguaios enfrentam 35 mil aliados no combate mais sangrento da guerra, que termina com 6 mil vítimas entre os aliados e 12 mil entre os paraguaios.
O Paraguai se recupera e vence as forças de Mitre e Flores na Batalha do Boqueirão, mas perde a Batalha do Curuzu para o general brasileiro Porto Alegre.
Em 12 de setembro de 1866, depois de perder a Batalha do Curuzu, Solano López convida Mitre e Flores para uma conferência de paz em Yatayty Cora. Há uma "discussão acalorada". Percebendo que a guerra está perdida, Solano López quer negociar a paz. Mitre exige que ele cumpra o que está no Tratado da Tríplice Aliança, que inviabiliza a paz com Solano López no poder. Ele não aceita.
Dias depois, na Batalha de Curupaiti, em 22 de setembro de 1866, os aliados atacam as forças paraguaias frontalmente e sofrem sua maior derrota, o que atrasa a ofensiva por 10 meses, até 18 de julho de 1867.
O Brasil decide então criar um comando unificado das forças brasileiras. O imperador nomeia o general Luís Alves de Lima e Silva, o Marquês e futuro Duque de Caxias, como comandante em 10 de outubro de 1866. Com a saída de Mitre em fevereiro de 1867, Caxias se torna o comandante geral aliado. Obtém vitórias decisivas como em Humaitá. Em 1869, passa o comando para o Conde d'Eu, marido da Princesa Isabel.
Ao todo, o Império do Brasil manda 150 mil homens para a guerra, dos quais 50 mil morrem. Com mais 10 mil civis mortos, 60 mil brasileiros morrem na Guerra do Paraguai. A Argentina e o Uruguai perdem a metade de suas tropas, e o Paraguai 300 mil pessoas entre mortos em combate, de fome e de doenças causadas pela guerra. Só 10% da população adulta masculina do Paraguai sobrevivem.
Por causa da invasão e tentativa de conquistar o território brasileiro, o imperador Dom Pedro II só aceita a rendição incondicional de Solano López. A Guerra do Paraguai marca a entrada dos militares na política brasileira.
PRIMEIRO PARQUE NACIONAL
Em 1872, o Congresso dos Estados Unidos aprova a criação do Parque Nacional de Yellowstone, o primeiro parque nacional do país e talvez do mundo, dividido entre os estados de Montanha, Wyoming e Idaho.
Com quase 9 mil quilômetros quadrados, Yellowstone não é só o mais antigo e mais conhecido parque nacional dos EUA. É também o maior. Alguns naturalistas alegam que não é o mais antigo do mundo por causa do Parque Nacional Bogd Khan, na Mongólia, que seria de 1778.
Yellowstone é declarado reserva da biosfera em 1976 pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) e patrimônio da humanidade em 1978. Fica numa região com atividade sísmica e geológica há dezenas de milhares de ano. Tem a maior quantidade de fontes geotérmicas do mundo.
PROIBIDA EXECUÇÃO DE MENORES
Em 2005, por 5-4, a Suprema Corte dos Estados Unidos decide que é inconstitucional executar condenados que cometeram crimes antes dos 18 anos de idade.
O tribunal considera que a execução de menores viola das emendas nºs 8 e 14 à Constituição dos EUA. A Emenda nº 8 proíbe a "punição cruel e incomum". A Emenda nº 14 garante a proteção igual para todos.
No voto vencedor, o ministro-relator Anthony Kennedy escreve que, "quando um jovem criminoso comete um crime odioso, o Estado pode tirar algumas liberdades básicas, mas não pode extinguir sua vida e o potencial de alcançar uma compreensão madura de sua própria humanidade."
Apesar das negociações em andamento dois dias atrás, Israel e os Estados Unidos lançaram hoje um ataque coordenado ao Irã, que reagiu bombardeando Israel e países árabes com bases militares norte-americanas. O presidente Donald Trump conclamou o povo iraniano a derrubar o regime fundamentalista, mas será difícil fazer isso sem uma operação terrestre.
A Operação Fúria Épica é a maior ofensiva militar no Oriente Médio desde a invasão do Iraque pelos EUA em março de 2003. O Crescente Vermelho, a Cruz Vermelha dos países muçulmanos, declarou que pelo menos 201 pessoas foram mortas e 747 feridas no Irã.
Pelo menos 35 mísseis balísticos foram disparados contra Israel. A resposta iraniana não se limitou a Israel e a bases militares norte-americanas. Atingiu áreas civis de países vizinhos como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Jordânia e Kuwait.
O Departamento da Defesa anunciou que os alvos foram bases militares, os líderes e o sistema de defesa do regime fundamentalista iraniano. Desde que Israel e os EUA bombardearam o Irã na Guerra dos Doze Dias, em junho do ano passado, o Supremo Líder Espiritual da Revolução Iraniana, aiatolá Ali Khamenei, teria indicado prováveis sucessores.
Em pronunciamento agora na televisão, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que chegou a hora de derrubar o regime, o que consolidaria a hegemonia israelense no Oriente Médio. Também anunciou a morte do Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei.
Mais tarde, o governo iraniano confirmou as mortes de Khamanei, do ministro da Defesa, general Aziz Nassirzadeh; do comandante do Estado-Maior das Forças Armadas, general Abdolrahim Mussavi; do comandante em chefe dos Guardiões da Revolução, general Mahammad Pakpur; e do almirante Ali Shamkhani, assessor do Líder Supremo e secretário do Conselho de Defesa.
Sem uma invasão terrestre, o sucesso da operação depende da capacidade de uma revolta interna derrubar a ditadura dos aiatolás. Trump prometeu nove vezes ajudar uma insurreição, mas palavras não bastam. No primeiro momento, o mais provável é que a Guarda Revolucionária Iraniana recomponha sua cadeia de comando e assuma o controle.
Uma onda de protestos deflagrada em 28 de dezembro no Grande Bazar de Teerã foi duramente reprimida pelo regime e suas milícias. O governo iraniano admitiu 3.117 mortes. A Agência de Notícias Ativistas dos Direitos Humanos (HRANA), com sede nos EUA, citada pelo jornal britânico The Guardian, afirma ter confirmado 6 mil mortes e estar investigando outras 16 mil. Uma estimativa baseada em relatos médicos eleva esse total 33 mil.
De modo geral, bombardeios aéreos não são suficientes para vencer guerras. Durante a Segunda Guerra Mundial, a blitz da Alemanha Nazista contra Londres fortaleceu a determinação dos britânicos. Na Guerra do Vietnã, os EUA bombardearam intensamente o Vietnã do Norte e perderam.
Uma exceção foi a Guerra do Kosovo, em 1999. Depois de 78 dias de ataques aéreos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a Sérvia abandonou o controle da província, mas o ditador Slobodan Milosevic só caiu em 5 de outubro de 2000 numa revolta popular contra fraude eleitoral.
Nos últimos dias, houve especulações sobre quais seriam os objetivos de uma ação militar dos EUA no Irã. Poderia ser uma demonstração de força para forçar o regime dos aiatolás a aceitar as condições impostas por Trump na mesa de negociações, uma nova tentativa de destruir o programa nuclear iraniano, ou de matar Khamenei numa estratégia de cortar cabeças e decapitar a liderança, ou de derrubar o regime. Sob pressão de Israel, Trump optou por acabar com o regime.
Em 14 de junho 2015, no governo Barack Obama, as cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha fecharam um acordo com o Irã para congelar por 10 anos a parte militar do programa nuclear iraniano, sob fiscalização da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Sob pressão de Israel, Trump retirou os EUA do acordo em 8 de maio de 2018.
No governo Joe Biden (2021-25), os EUA se propuseram a retomar as negociações, mas incluíram limitações ao programa de mísseis do Irã e o fim do apoio iraniano a milícias no Oriente Médio.
Agora, nas negociações realizadas até quinta-feira passada, Trump fazia as mesmas exigências de Biden. O Irã só aceitava discutir a questão nuclear, não os mísseis nem o apoio a milícias. Um nova rodada de negociações indiretas mediadas pelo Catar estava prevista para segunda-feira em Viena, a capital da Áustria, sede da AIEA. Como no ataque de junho passado, Trump usou a tática de enganar o inimigo ao sugerir que as negociações estavam em andamento.
A meta dos bombardeios é acabar com a Revolução Islâmica, que tomou o poder no Irã em fevereiro de 1979 após derrubar o xá Reza Pahlevi, um ditador aliado do Ocidente e de Israel. O xá estava no poder desde agosto de 1953, quando o primeiro golpe militar articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) durante a Guerra Fria derrubou o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh, que havia nacionalizado o petróleo, a grande riqueza natural do país.
Desde o início, os EUA (Grande Satã) e Israel (Pequeno Satã) foram declarados os principais inimigos do regime fundamentalista iraniano. Em 4 de novembro de 1979, guardas revolucionários invadiram a Embaixada dos EUA em Teerã e tomaram diplomatas e funcionários como reféns.
A ocupação da embaixada durou 444 dias, até a posse de Ronald Reagan, em 20 de janeiro de 1981. Só aí foram soltos os últimos 52 reféns. Os dois países não reataram as relações diplomáticas.
Nesta guerra, uma das ameaças de retaliação do Irã é fechar o Estreito de Ormuz, a saída do Golfo Pérsico, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo, inclusive da Arábia Saudita, maior exportador mundial, e das outras monarquias petroleiras da região. No momento, há petroleiros parados dos dois lados do estreito. O preço do barril de petróleo tipo Murban, de Abu Dhabi, subiu 4% para US$ 74,24.
Como os rebeldes hutis do Iêmen são aliados do Irã, também pode haver ataques a navios no Estreito de Bab al-Mandabe (Portão das Lágrimas, em árabe), que é a saída do Mar Vermelho para o Golfo de Áden e o Oceano Índico, como aconteceu durante a guerra na Faixa de Gaza.
A previsão é que não seja uma guerra curta como quer Trump. O poder de retaliação do Irã, mas o regime tem amplo controle de seu território e pode recorrer a ações terroristas no exterior. Ao longo de sua história, tem sido cruel com rebeldes e dissidentes.
Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), o Japão invade Java, a ilha que é o centro do poder político na Indonésia, e ocupa a então colônia holandesa até o fim da guerra.
O Japão é um país com escassez de recursos energéticos. Ocupa a região da Manchúria, no Norte da China, em 1931, para explorar as reservas de carvão para sua indústria. Em 1937, o Império do Japão invade o resto da China, não todo o país, o que seria impossível por causa do tamanho, mas as principais cidades próximas da costa.
Para cortar o fornecimento dos EUA à China de armamentos, combustível e outros materiais, o Japão invade, em 22 de setembro de 1940, a Indochina Francesa, que inclui o Vietnã, o Laos e o Camboja. Em resposta, os EUA impõe um embargo à venda de petróleo ao Japão.
Em plena guerra, o Japão precisa de petróleo. O ataque de surpresa à Frota do Pacífico dos EUA, baseada em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, é a reação japonesa ao boicote à venda de petróleo e leva os EUA a entrar na guerra. O Japão precisa de mais petróleo ainda.
A Indonésia, grande produtora de petróleo, passa a ser um objetivo. Em março de 1942, os japoneses assumem o controle do país.
Até o fim da guerra, ocupam todas as colônias europeias no Sudeste Asiático, até a Birmânia, mas não a Tailândia, que não era colônia, com extrema crueldade e ainda tem o desplante de afirmar que estão libertando os países asiáticos do colonialismo europeu.
No fim da guerra, começa a luta desses países pela independência.
TERROR BRANCO
Em 1947, um dia depois que um vendedor é atacado por um agente do governo do Kuomintang (Partido Nacionalista) em Taipé, uma revolta se espalha por Taiwan. O chamado Incidente 228 (28 de fevereiro) é violentamente reprimido, com milhares de morte e décadas de lei marcial.
A era do Terror Branco se torna ainda mais autoritária e repressiva a partir de 1949, quando o KMT perde a Guerra Civil Chinesa e se refugia em Taiwan. O governo persegue civis, especialmente dissidentes políticos. Prende, mata e desaparece com pessoas.
A lei marcial dura até 1992. O total de mortes é estimado entre 10 e 30 mil.
ESTRUTURA DO DNA
Em 1953, os cientistas James Watson e Francis Crick, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, anunciam a descoberta da estrutura da molécula do ácido desoxirribonucleico (DNA), que compõe o código genético da humanidade, em forma de uma escada torcida como uma hélice dupla.
O DNA é descoberto em 1869 pelo bioquímico suíço Johann Friedrich Miescher, mas só em 1943 se entende sua importância na transmissão da herança genética. Através da difração, Watson e Crick revelam a estrutura molecular do DNA. Eles dividem o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia em 1962 com Maurice Wilkins.
ASSASSINATO DE OLOF PALME
Em 1986, o primeiro-ministro sueco Olof Palme, um pacifista que se opôs à Guerra do Vietnã, é assassinado em Estocolmo.
Olaf nasce em 30 de janeiro de 1927 numa família rica. Ele estuda nos Estados Unidos e se forma em direito na Universidade de Estocolmo em 1951. Ativista do Partido Social-Democrata, torna-se secretário pessoal do primeiro-ministro Tage Erlander em 1953 e é eleito deputado em 1958.
Palme entra para o governo como ministro sem pasta em 1963 e ministro da Comunicação em 1965. Vira ministro da Educação e de Assuntos Eclesiásticos em 1967. Vira líder do partido e primeiro-ministro em 1969.
Por ser contra a intervenção militar dos EUA no Vietnã, acolhe jovens norte-americanos que se negam a ir para a guerra. Em 1976, cai quando os sociais-democratas perdem as primeiras eleições na Suécia em 44 anos.
Depois do acidente nuclear da usina de Three Mile Island, nos EUA, faz campanha bem-sucedida para fechar as usinas nucleares da Suécia. Volta ao poder em 1982 e governa o país até sua morte.
Christer Pettersson é condenado em julho de 1989 e sentenciado a prisão perpétua. A condenação é anulada em outubro do mesmo sob a alegação de que não é descoberta nenhuma arma nem motivo para o crime, Em 2020, um procurador sueco afirma ter "provas razoáveis" para acusar Stig Engström, que estava presente na cena do crime e tinha acesso ao tipo de arma usada no assassinato, mas Engström estava morto desde 2000, antes de ser denunciado.
RENÚNCIA DO PAPA
Em 2013, Bento XVI se torna o primeiro papa a renunciar desde Gregório XII, em 1415.
O cardeal Joseph Ratzinger representa a ala conservadora da Igreja Católica. Como prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, a antiga Inquisição, impõe o silêncio ao frei brasileiro Leonardo Boff e a outras vozes do setor mais progressista.
Como papa, é acusado de leniência diante dos escândalo de abusos sexuais cometidos dentro da Igreja. Com a saúde debilitada, Bento XVI decide renunciar e se torna papa emérito quando o Papa Francisco assume o comando do Vaticano.
Em 1827, um grupo de estudantes fantasiados e mascarados dança e desfila pelas ruas de Nova Orleans, na Louisiana na primeira celebração da Mardi Gras (Terça-Feira Gorda) nos Estados Unidos.
O Carnaval, a festa da carne que antecede à Quaresma, é uma tradição pagã incorporada pelo cristianismo ocidental que se propagou de Roma para a Europa e o resto do mundo.
INCÊNDIO DO REICHSTAG
Em 1933, os nazistas tocam fogo no Parlamento da Alemanha (Reichstag), acusam os comunistas e o chanceler (primeiro-ministro) Adolf Hitler pede poderes especiais. É o grande golpe da ascensão do Nazismo.
O Partido Nacional-Socialista Trabalhista Alemão (Nazista) é o mais votado em duas eleições em 1932, no auge da Grande Depressão, quando o desemprego na Alemanha chega a 30%. Conquista 37% dos votos em 31 de julho e 33% em 6 de novembro.
Hitler é nomeado primeiro-ministro em 30 de janeiro de 1933. Quatro semanas depois, o Reichstag pega fogo. Os nazistas pressionam o presidente Paul Hindenberg, que baixa o Decreto do Incêndio do Reichstag, que suspende o direito de reunião, a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa e outras proteções constitucionais. Elimina todas as restrições a investigações policiais. Permite ao regime prender e encarcerar oposicionistas sem acusação formal. dissolver partidos políticos e confiscar propriedade privada.
Este decreto, que fica em vigor até a derrota da Alemanha Nazista, em 8 de maio de 1945, abre o caminho para a ditadura de Adolf Hitler, sacramentada no referendo de 19 de agosto de 1934, depois da morte do presidente Hindenburg, quando ele acumula os títulos e funções de chefe de Estado e chefe de governo e se torna o Führer. Sob intimidação, quase 90% votam para dar poderes absolutos a Hitler.
BRITÂNICO DESCOBRE RADIAÇÃO SOLAR
Em 1942, o físico britânico James Stanley Hey nota uma estranha interferência ao operar radares do Reino Unido durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Primeiro, acredita que são os alemães, mas depois percebe que começam ao amanhecer e param no pôr do Sol. Acidentalmente, descobre a radiação solar.
Astrônomos do Observatório Real confirmam que uma mancha solar está em atividade na superfície do Sol. Hey sabe que manchas solares são fontes de grande atividade magnética e que produzem ondas de radiação. Surge um novo campo de estudos, a astronomia das radiações solares.
A radiação solar interfere nos sistemas de satélites artificiais que cercam a Terra.
ATOLEIRO DO VIETNÃ
Em 1968, durante o telejornal em horário nobre, o jornalista Walter Cronkite, considerado "o homem mais confiável dos Estados Unidos", abandona o tom imparcial em que apresenta as notícias para prever que a Guerra do Vietnã deve se prolongar com um impasse no campo de batalha. Seu comentário de que é uma luta invencível é decisivo na virada da opinião pública norte-americana contra a guerra.
Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), com a descolonização da África e da Ásia por movimentos de libertação nacional, os EUA, superpotência dominante do mundo capitalista, herdam como zonas de influência econômica dos antigos Impérios Britânico e Francês.
O Vietnã, declara independência quando o Império do Japão, que o ocupa durante a guerra, se rende, em 2 de setembro de 1945. A França, potência colonial da Indochina Francesa, resiste. Começa a Guerra da Indochina (1946-54), que termina com a derrota da França para os guerrilheiros comunistas do Viet Minh, sob a liderança de Ho Chi Minh, na Batalha de Dien Bien Phu, em 7 de maio de 1954.
Nas negociações de paz, em Genebra, na Suíça, o país é dividido em Vietnã do Norte, comunista, e Vietnã do Sul, capitalista, apoiado pelo Ocidente na Guerra Fria. Para reunificar o país, são previstas eleições em 1955. Diante da expectativa de vitória de Ho Chi Minh, os EUA suspendem as eleições.
Em 1º de novembro de 1955, começa a Segunda Guerra da Indochina, Guerra do Vietnã ou Guerra da Resistência Antiamericana, como é chamada lá. Os EUA inicialmente, no governo Dwight Eisenhower (1953-61), mandam assessores militares. No fim do governo John Kennedy (1961-63), há 2.800 assessores militares norte-americanos no Vietnã e alguns entram em combate.
O governo Lyndon Johnson forja o Incidente do Golfo de Tonkin para pôr os EUA na guerra. Em 2 de agosto de 1964, dois contratorpedeiros norte-americanos que estão no golfo enviam mensagem de rádio dizendo que foram atacados por forças do Vietnã do Norte. Johnson aproveita a história mentirosa para pedir autorização do Congresso para ir à guerra.
Os EUA não perdem a Guerra do Vietnã no campo de batalha. Perdem a batalha política na frente interna. A Ofensiva do Tet, no Ano Novo Lunar, a partir de 30 de janeiro de 1968, é um momento decisivo na guerra. É um ataque em três fases do Exército Popular do Vietnã do Norte e dos guerrilheiros do Vietcong contra as forças dos EUA e do Vietnã do Sul. Vai até 23 de setembro e revela a capacidade dos norte-vietnamitas e vietcongues de fazer ataques profundos no Vietnã do Sul.
Cronkite fala sob o impacto da Ofensiva do Tet.
FIM DA TEMPESTADE DO DESERTO
Em 1991, o presidente George Herbert Walker Bush anuncia vitória na Guerra do Golfo e um cessar-fogo definitivo à meia noite pela hora de Washington, manhã do dia seguinte no Iraque e no Kuwait, onde a guerra é travada.
O ditador Saddam Hussein tem amplo apoio, dos Estados Unidos, da União Soviética e dos países árabes, na Guerra Irã-Iraque (1980-88) contra a Revolução Islâmica liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, mas não consegue vencer e sai da guerra com graves prejuízos econômicos.
Saddam então chantageia a Arábia Saudita e o Kuwait, acusando-os de roubar petróleo de campos de petróleo em comum. Sem sucesso, em 2 de agosto de 1990, o Iraque invade o Kuwait. Saddam declara que o Kuwait é a 19ª província do Iraque.
Por medo de que o ditador iraquiano vá em frente e tome a Arábia Saudita, o que lhe daria 40% das reservas mundiais de petróleo, o presidente Bush manda soldados dos EUA para proteger a Arábia Saudita, na Operação Escudo no Deserto. Ao mesmo tempo, exige a retirada incondicional dos iraquianos e a restauração do governo do Kuwait.
Os EUA formar uma ampla aliança de mais de 30 países e nove resoluções no Conselho de Segurança das Nações Unidas. A última autoriza o uso da força. É a primeira vez depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45) que um país soberano invade outro e declara que o vizinho menor não tem o direito de existir.
Como Saddam não recua, os EUA vão à guerra em 17 de janeiro de 1991, na Operação Tempestade no Deserto. A guerra começa um intenso bombardeio aéreo, inclusive com as chamadas bombas inteligentes. São mais de 100 mil ataques com 88.500 toneladas de bombas.
A invasão terrestre começa em 24 de fevereiro. Em 100 horas, 41 divisões do Exército do Iraque são aniquiladas e o resto se rende ou foge, tocando fogo nos campos de petróleo do kuwaitiano, usando uma arma ambiental na retirada.
O comandante militar norte-americano, general Norman Schwarzkopf, quer marchar até Bagdá e depor Saddam Hussein, mas o presidente da França, François Mitterrand, é contra porque não está no mandato conferido pelo Conselho de Segurança da ONU. A guerra é para expulsar os iraquianos e restaurar o governo do Kuwait. Bush opta por não romper a coalizão e anuncia o fim da guerra.