quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Terror mata 71 soldados em ataque a base militar no Níger

Pelo menos 71 soldados do Exército do Níger, um país muito pobre do Leste da África, foram mortos num ataque terrorista atribuído a um grupo ligado à organização terrorista Estado Islâmico. É mais um sinal de que a região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara, se tornou o principal foco da guerra contra o terrorismo dos extremistas muçulmanos.

Outros 12 soldados saíram feridos. Até agora, nenhum grupo reivindicou a responsabilidade pelo ataque. Milícias ligadas à rede terrorista Al Caeda e ao Estado Islâmico se beneficiaram do tráfico de armas na guerra civil da Líbia e são muito ativas na região do Sahel.

A insurgência em Burkina Fasso, no Mali e no Níger, países miseráveis, cresceu muito nos últimos anos. O ministro da Defesa do Níger, Issoufou Katambe, declarou à televisão pública britânica BBC que "um grande número de terroristas" morreu na ação.

A França, antiga potência colonial, e os Estados Unidos ajudam os governos locais a combater o terrorismo.

Pesquisa de boca de urna indica vitória conservadora no Reino Unido

A julgar pela pesquisa de boca de urna, o Partido Conservador obteve uma ampla vitória nas eleições gerais de hoje, dando um mandato ao primeiro-ministro Boris Johnson para retirar o Reino Unido da União Europeia em 31 de janeiro.

De acordo com a pesquisa feita com 22 mil eleitores em 144 dos 650 distritos eleitorais do país, os conservadores ganharam 50 cadeiras e devem eleger 368 deputados contra 191 da oposição trabalhista, que perdeu 71 cadeiras sob a liderança de Jeremy Corbyn, um radical de esquerda.

Se as pesquisas forem confirmadas, será o pior resultado dos trabalhistas desde 1935, superando a derrota de outro radical de esquerda, Michael Foot, para a primeira-ministra conservadora Margaret Thatcher em 1983 e a maior vitória conservadora desde as últimas eleições sob a liderança de Thatcher, em 1987.

Com 55 deputados, 20 a mais do que nas últimas eleições, o Partido Nacional Escocês consolida seu domínio sobre a Escócia e se prepara para convocar um novo plebiscito sobre a independência com grandes chances de ser aprovada.

Reino Unido vota para romper impasse em torno da saída da UE

Três anos e cinco meses depois do plebiscito que aprovou um divórcio com a Europa, os eleitores britânicos vão às urnas para quarta vez em menos de cinco anos em busca de uma solução para a crise do sistema político do país.

A saída da União Europeia está marcada agora para 31 de janeiro depois de ter sido adiada três vezes porque a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico não aprovou o acordo negociado pela ex-primeira-ministra Theresa May com os sócios europeus nem propôs qualquer alternativa viável.

Apesar do frio e da chuva, a expectativa é de uma participação elevada mesmo que o voto não seja obrigatório. Estas são as eleições mais importantes em uma geração. Em jogo, o futuro do país que um dia liderou o maior império que o mundo jamais viu e hoje se encolhe para ficar reduzido provavelmente à pequena Inglaterra e ao País de Gales.

Se o Reino Unido sair mesma da União Europeia, é provável que a Escócia convoque um novo plebiscito sobre a independência e saia do reino para ficar na Europa.Meu comentário:

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Índia aprova nova lei de nacionalidade de caráter fascistoide

Em mais uma jogada do governo nacionalista hindu para acabar com a Índia pluralista, secular e multicultural criada pelos heróis da independência, até agora um exemplo de democracia para o mundo, o Parlamento indiano aprovou hoje uma lei de nacionalidade que facilita a naturalização de estrangeiros de seis religiões, mas exclui os muçulmanos.

O primeiro-ministro Narendra Modi leva adiante o projeto de transformar a Índia na pátria dos hindus, no Hindustão contrariando a proposta original dos fundadores do país, Mohandas Gandhi, o Mahatma, e Jawaharlal Nehru.

É a primeira vez que a Índia estabelece critérios religiosos para cidadania. O processo de naturalização dará preferência a hindus e a outros religiões do chamado Sul da Ásia. É um claro sinal de marginalização dos muçulmanos, uma minoria de 201 milhões de pessoas.

A lei reabre as feridas e os traumas da independência da Índia do Império Britânico, em 1947, quando o país se dividiu em dois, a Índia, de maioria hindu, e o Paquistão, de maioria muçulmana. Na época, mais de 10 milhões migraram e cerca de dois milhões de pessoas foram mortas. Meu comentário:

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Fernández assume pedindo unidade e mais prazo para pagar dívida

Ao tomar posse hoje como presidente de uma Argentina profundamente abalada por mais uma crise econômica, o peronista Alberto Fernández fez um apelo à união nacional e pediu mais prazo aos credores para saldar as dívidas do país, alegando não ter condições de fazê-lo sem a retomada do crescimento.

"Venho convocar à unidade de toda a Argentina em prol da construção de um novo contrato social cidadão", declarou o novo presidente no início do discurso de posse, esclarecendo que este contrato social deve ser "fraterno e solidário": "Fraterno porque chegou a hora de abraçar o diferente. Solidário porque nessa emergência social é tempo de começar pelos últimos para depois chegar a todos. Este é o espírito do tempo que hoje inauguramos...para pôr a Argentina de pé."

Para isto, acrescentou, é preciso "recuperar uma série de equilíbrios sociais, econômicos e produtivos que hoje não temos."

Uma prioridade será um programa de combate à fome. "Sem pão, na vida só se padece. Sem pão, não há democracia nem liberdade." Outra será recuperar as economias familiares, as pequenas empresas e as fábricas endividadas.

A inflação de mais de 50% ao ano é a maior desde 1991. O índice de desemprego passa de 10%. É o maior desde 2006. Há mais de 1,2 milhão de jovens que não estudam nem trabalham. O desemprego entre os jovens é de 30%. O dólar passou de 9,60 a 63 pesos nos quatro anos do governo Mauricio Macri. E a economia não para de encolher e 40,8% dos moradores de cidades estão na pobreza.

"Vamos encarar o problema da dívida externa. Não há pagamentos de dívida sustentáveis se o país não cresce, é simples assim. Para poder pagar, é preciso crescer primeiro", discursou Fernández. Durante a campanha, o ministro da Economia, Daniel Martínez, acenou com a expectativa de pedir uma moratória de dois anos para pagar a dívida.

"Buscaremos uma relação construtiva e cooperativa com o FMI (Fundo Monetário Internacional) e com nossos credores. Resolver o problema da dívida insustentável que a Argentina tem hoje não é uma questão de ganhar uma disputa. O país tem vontade de pagar, mas carece de capacidade para fazê-lo. O governo que sai tomou uma enorme dívida sem gerar mais produção para obter os dólares para pagá-la", criticou o novo líder argentino.

Fernández também prometeu uma ação de emergência na saúde pública.

O Índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, terminou o dia em queda de 4,81%.

Câmara dos EUA denuncia Trump por abuso de poder e obstrução do Congresso

Os líderes do Partido Democrata na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos formalizaram hoje duas acusações ao presidente Donald Trump num processo de impeachment por "ignorar e ferir os interesses da nação. A votação final na Câmara deve acontecer antes do Natal.

A denúncia tem nove páginas. Acusa Trump de corrupção ao pedir ao governo da Ucrânia que iniciasse investigações para atingir adversários políticos, especialmente o ex-vice-presidente Joe Biden, favorito no momento para ser o principal candidato da oposição na eleição presidencial de novembro de 2020. 

Para pressionar o novo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, Trump usou dois instrumentos de seu poder como presidente dos Estados Unidos: segurou uma ajuda militar de 391 milhões de dólares, mais de 1 bilhão 621 milhões de reais, e barganhou com uma visita oficial de Zelensky à Casa Branca.

“Em tudo isto”, diz a denúncia, “o presidente Trump abusou dos poderes da Presidência ignorando e ferindo a segurança nacional e outros interesses nacionais vitais para obter benefício político pessoal impróprio". Ele também é acusado de trair a nação ao "aliciar uma potência estrangeira a corromper eleições democráticas.” Meu comentário:

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Presidente argentino aposta em diálogo com credores sem abandonar política social

O peronista de esquerda toma posse amanhã, 10 de dezembro, como presidente da Argentina para um mandato de quatro anos com a ex-presidente Cristina Kirchner como vice. Assim, as duas perguntas que os argentinos, os economistas e os analistas internacionais se fizeram nos últimos meses foram: quem vai mandar e qual será a política econômica?


A Argentina vai voltar ao populismo demagógico e fiscal de Cristina ou Fernández será mais pragmático? Terá de ser para enfrentar a crise econômica legada pelo governo Maurício Macri, quando o índice de pobreza entre os argentinos urbanos subiu de 30 para 40,8 por cento. 

O país está em recessão, a inflação anual ronda 70% e os juros, a pedido de Fernández foram reduzidos para 68% ao ano. Meu comentário:

domingo, 8 de dezembro de 2019

Hong Kong faz maior manifestação em meses

Centenas de milhares de pessoas marcharam pacificamente neste domingo pelas ruas do centro de Hong Kong. Foi o segundo maior protesto dos últimos seis meses e a a primeira manifestação autorizada pela polícia no centro da cidade desde meados de agosto.

A onda de protestos começou em 9 de junho contra um projeto de lei para autorizar a extradição de residentes no território para responder a processos criminais na República Popular da China, onde a Justiça não é independente, está subordinada ao regime comunista.

Apesar do recuo da governadora Carrie Lam, indicada por Beijim, as manifestações cresceram e passaram a exigir eleições diretas para governador e para o Conselho Legislativo de Hong Kong, o parlamento do território, que é uma região administrativa especial dentro da China.

Na maior manifestação, 2 milhões de pessoas saíram às ruas de Hong Kong. Houve uma série de confrontos violentos e pedidos da linha dura do Partido Comunista de uma repressão maior. A esmagadora vitória dos partidos que não apoiam a interferência de Beijim no território nas eleições locais confirmou o apoio popular ao movimento pela liberdade e a democracia.

Hoje os organizadores falaram em 800 mil pessoas. Seria a segunda maior de 900 manifestações realizadas desde junho. A estimativa da polícia ficou em menos de 200 mil. Pelo menos 11 pessoas foram presas. A polícia anunciou a apreensão de "grande quantidade de armas", inclusive uma pistola e 100 balas. Desde o início dos protestos, cerca de 6 mil pessoas foram presas.

O protesto de massa é um desafio ao ditador chinês, Xi Jinping, que "indicou decididamente que não haverá qualquer liberdade política, ao contrário", comentou o cientista político Willy Lam, professor da Universidade Chinesa de Hong Kong. "O cenário para a confrontação está armado."

Quando o Reino Unido devolveu Hong Kong à China, em 1º de julho de 1997, havia o compromisso de manter as liberdades democráticas no território por 50 anos, dentro da fórmula um país dois sistemas, formulada pelo líder Deng Xiaoping pensando também na reintegração de Taiwan.

Se o regime comunista chinês reprimir com violência o movimento pela democracia em Hong Kong, estará não só comprometendo a autonomia do território, um dos principais centros financeiros da Ásia. Será o fracasso da fórmula um país, dois sistemas. A reunificação com Taiwan fica ainda mais difícil.

sábado, 7 de dezembro de 2019

Ex-presidente Evo Morales viaja a Cuba e deve morar na Argentina

O ex-presidente da Bolívia Evo Morales viajou ontem para Cuba e pode deixar o México, onde recebeu asilo político depois de renunciar em 10 de novembro sob pressão de uma revolta popular e das forças de segurança em razão de uma fraude na eleição presidencial de 20 de outubro de 2019, e se instalar na Argentina, noticiou hoje o jornal espanhol El País.

Morales se declara vítima de um golpe de Estado. Ele deixou a Cidade do México num voo comercial e disse ao governo mexicano se tratar de uma viagem temporária. A ex-ministra da Saúde Gabriela Montaño, que acompanha o ex-presidente, informou que Morales vai consultar médicos cubanos que o atenderam na Bolívia.

Com a nova eleição presidencial ainda sem data marcada na Bolívia, Morales pretende ir para a vizinha Argentina, onde terá melhores condições de articular a candidatura do Movimento ao Socialismo (MAS).

Seu plano seria ir para Buenos Aires a tempo de assistir à posse do presidente peronista Alberto Fernández e da vice-presidente Cristina Kirchner em 10 de dezembro. O próprio Fernández teria recomendado a Evo Morales que espere a posse do novo governo para poder lhe dar garantias de segurança.

O ex-vice-presidente Álvaro García Linera, que também obteve asilo do governo esquerdista mexicano de Andrés Manuel López Obrador, recebeu vários convites para dar aulas em universidades. Pode ficar no México.

EUA e Irã trocam prisioneiros

Em um momento de alta tensão entre os dois países, o Irã libertou hoje o acadêmico americano Xiyue Wang, preso há mais de três anos na República Islâmica sob acusação de espionagem. Em troca, os Estados Unidos soltaram o respeitado cientista iraniano Massoud Soleimani, denunciado por violar o embargo econômico ao Irã.

Wang, de 38 anos, fazia doutorado na Universidade de Princeton. Foi preso em agosto de 2016, quando estudava a língua persa e pesquisava documentos históricos para sua tese. Os EUA sempre negaram que fosse um espião.

Mesmo assim, Wang foi condenado a dez anos de prisão. Um avião do governo da Suíça o levou de Teerã para Zurique, onde ele foi entregue ao representante especial para o Irã do Departamento de Estado americano, Brian Hook.

Nos EUA, o Departamento da Justiça retirou a denúncia contra o professor Soleimani, preso no ano passado no aeroporto de Chicago por tentar entrar no país com "material biológico" numa violação das sanções impostas pelo governo Donald Trump contra o programa nuclear do Irã. Ele seria libertado em janeiro de 2020 depois de fazer um acordo com a Justiça.

Ao comentar a troca de prisioneiros, o presidente Trump declarou ser um sinal de que os dois países podem negociar. Não há nada concreto a indicar uma ampliação do diálogo, mas fica uma esperança.

Em 8 de maio de 2018, o presidente americano rompeu o acordo nuclear com o Irã negociado pelo governo Barack Obama e as outras grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Seis meses depois, reimpôs duras sanções econômicas numa verdadeira guerra econômica contra o Irã.

Trump quer renegociar um acordo mais amplo, que inclua, além das armas nucleares, os mísseis de médio e longo alcances e a interferência política do regime fundamentalista iraniano em outros países do Oriente Médio, onde Teerã se apresenta como líder das populações muçulmanas xiitas.

No momento, a ditadura dos aiatolás está diante de grandes pressão das ruas. Desde 15 de novembro, os iranianos protestam nas grandes cidades contra um aumento de 300% no preço da gasolina. A repressão violenta matou pelo menos 300 pessoas.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

China isenta parte das importações de soja e carne de porco dos EUA

Num gesto de trégua na guerra comercial, a China decidiu isentar de tarifas parte das importações de soja e de carne de porco dos Estados Unidos. A medida é anunciada a pouco mais de uma semana da entrada em vigor de tarifas de 15% impostas pelo governo Donald Trump a exportações anuais no valor de US$ 160 bilhões, mais de R$ 660 bilhões.

O anúncio foi feito na manhã desta sexta-feira na China com o objetivo de acelerar as negociações de um acordo preliminar depois de Trump falar que talvez só haja acordo entre as duas maiores economias do mundo depois das eleições americanas de 2020.

A Comissão de Tarifas de Importação do Conselho de Estado comunicou numa pequena nota que parte das compras dos dois produtos não estarão sujeitas às tarifas punitivas adotadas em retaliação aos tarifaços de Donald Trump que deflagraram a guerra comercial. O tarifaço de 15 por cento anunciado por Trump deveria entrar em vigor em 15 de dezembro.

Em entrevista coletiva ontem em Beijim, o porta-voz do Ministério do Comércio da China, Gao Feng, declarou que, se os dois países chegarem a um acordo preliminar, as tarifas devem ser reduzidas apropriadamente.” Meu comentário:

EUA criam mais 266 mil empregos e desemprego cai para 3,5%

Em mais uma grande notícia econômica para o presidente Donald Trump, a economia dos Estados Unidos gerou 266 mil empregos a mais do fechou em novembro, superando a expectativa dos analistas, que era de um ganho de 180 mil vagas, revelou hoje o relatório mensal de emprego do Departamento do Trabalho. A taxa de desemprego, medida em outra pesquisa, caiu para um mínimo histórico de 3,5%.

Os salários subiram 3,1% em 12 meses, ligeiramente acima da previsão dos economistas, que ficou na média de 3%. Esses números tranquilizam o Conselho de Reserva Federal (Fed), o banco central dos EUA, que baixou a taxa de juros três neste ano sob pressão de Trump.

Sob pressão de um processo de impeachment, o presidente festejou no Twitter: "Grande relatório de emprego!"

Com a volta ao trabalho dos funcionários da General Motors que estavam em greve, a indústria acrescentou 54 mil empregos. O setor de lazer e hospitalidade criou mais 45 mil empregos, num sinal de que os americanos estão confiantes para gastar dinheiro em bares e restaurantes.

De acordo com uma pesquisa da Universidade de Michigan, a confiança do consumidor está no nível mais alto em sete meses. Mais empregos no setor de transporte e armazenamento confirmam isso.

"A não desaceleração do mercado de trabalho é surpreendente, dadas as preocupações e todas as conversas sobre recessão", comentou o analista Ethan Harris, diretor de pesquisas sobre a economia global do Bank of America Merrill Lynch. "Mesmo olhando para a média em três meses, são dados excelentes."

Harris admite que a "a economia está em dois ritmos. Temos uma recessão suave no setor manufatureiro, os investimentos das empresas numa recessão suave e o comércio exterior está fraco, mas o resto está ótimo. O mercado de trabalho está forte, o setor de serviços está forte e o comércio está forte."