PIONEIRO DO DIREITO INTERNACIONAL
Em 1583, nasce em Delft, nos Países Baixos, o jurista Hugo Grotius, um dos pioneiros do direito internacional, autor de O Direito da Guerra e da Paz, publicado em 1625.
O pai de Grotius foi burgomestre de Delft e curador da recém-fundada Universidade de Leiden. Menino-prodígio, com 8 anos, Hugo escreve elegias em Latin. Aos 11 anos, começa a estudar artes na Universidade de Leiden.
A pedido da Holanda, Grotius escreve uma história da Revolta das Províncias Unidas (Bélgica e Holanda) contra a Espanha, que tem um império europeu da qual fazem parte. O livro tem o estilo do historiador romano Tácito. Chama-se Anais e Histórias da Revolta dos Países Baixos.
No início do século 17, a União Ibérica de Portugal e Espanha reivindica o monopólio dos comércio com as Índias Orientais. Quando o navio português Santa Catarina captura um general holandês, em 1604, a Companhia Holandesa das Índias Orientais pede a Grotius a defesa do direito natural de comerciar. Em 1609, ele escreve A Liberdade dos Mares.
Sua maior obra é escrita sob o impacto da Guerra dos Trinta Anos (1618-48). Ele diz: "Estou totalmente convencido...de que existe um direito comum entre as nações, que é válido para a guerra e na guerra, tenho muitas e fortes razões para escrever sobre este assunto. Através do mundo cristão, observo uma falta de limites em relação à guerra da qual mesmo as nações bárbaras teriam vergonha."
O objetivo de Grotius é reduzir a carnificina das guerras ao criar uma teoria geral do direito para restringir e regulamentar as guerras. Com base no direito romano e na filosofia estoica, Grotius coloca a lei natural no centro de sua jurisprudência.
Grotius considera que a razão e a natureza humana são os fundamentos do direito natural e existiriam mesmo que Deus não exista. Acredita que o homem tem um desejo natural de viver em sociedade de forma pacífica e organizada. Ele defende um direito das nações para regular as relações das diferentes comunidades humanas soberanas.
O pai do direito internacional aproveitou o conceito de guerra justa, uma ideia originalmente de Santo Agostinho, em que a guerra só pode ser justificada como legítima defesa ou resposta a uma injustiça. Hoje se usa mais o conceito de guerra legítima ou ilegítima.
ZAPATA MORRE EM EMBOSCADA
Em 1919, o Exército do México mata numa emboscada no estado de Morelos o líder indígena e camponês da Revolução Mexicana de 1910, Emiliano Zapata, o Caudilho do Sul, um herói popular imortalizado no cinema, onde foi encarnado por Marlon Brando.
Zapata nasce em uma família camponesa em 8 de agosto de 1879. Em 2008, é recrutado pelo Exército depois de tentar recuperar terras tomadas por grandes fazendeiros. Com a revolução e a queda do ditador Porfirio Díaz, cria um exército camponês com o slogan Terra e Liberdade.
Por reivindicar a reforma agrária, Zapata e sua guerrilha camponesa são contra os governos de Francisco Madero, Victoriano Huerta e Venustiano Carranza. Nunca chegam ao poder central, mas fazem a reforma agrária nas terras sob seu controle e ajudam agricultores pobres.
Sua luta pela terra vai muito além de sua morte. Em 1994, o Exército Zapatista de Libertação Nacional inicia uma rebelião no estado de Chiapas contra a participação do México no Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).
FIM DO SONHO
Em 1970, pouco antes de lançar seu primeiro álbum solo, em nota à imprensa, o cantor, compositor e baixista Paul McCartney anuncia a separação dos Beatles para choque dos fãs no mundo inteiro.
Paul admite que é o início de uma carreira solo e explica a separação: "Diferenças pessoais, diferenças nas negócios, diferenças musicais, mas mais do que tudo porque tenho mais tempo para minha família. Temporária ou permanente? Realmente não sei."
Antes do fim do ano, Paul vai à Justiça para separar os Beatles legalmente. Todos eram brilhantes, mas as carreiras solo nunca superaram a banda.
DIPLOMACIA DO PINGUE-PONGUE
Em 1971, uma equipe de tênis de mesa dos Estados Unidos inicia uma turnê de uma semana na China a convite do regime comunista, interessado em melhorar as relações com Washington, no que fica conhecido como diplomacia do pingue-pongue, que abre caminho para as visitas do assessor de Segurança Nacional, Henry Kissinger, e do presidente Richard Nixon a Beijim.
Os EUA não estabelecem relações com a República Popular da China depois da vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung, em 1º de outubro de 1949.
Durante a Guerra da Coreia (1950-53), há uma guerra entre EUA e China. Quando as forças internacionais sob a liderança dos EUA contra-atacam depois que a Coreia do Norte invade o Sul e cruzam o paralelo 38º Norte, o 4º Exército da China, sob o comando de Lin Piao, atravessa o Rio Yalu e empurra os EUA de volta para o Sul.
Na Guerra do Vietnã, China e EUA apoiam lados contrários. A reaproximação é resultado do rompimento entre a China e a União Soviética, a partir de 1964, que leva a escaramuças de fronteiras e quase à guerra em 1969. Os EUA veem uma oportunidade de obter o apoio da China na Guerra Fria contra a URSS. A China quer garantias de segurança e aumento do comércio.
ACORDO DE PAZ DA SEXTA-FEIRA SANTA
Em 1998, os governos do Reino Unido e da Irlanda e três partidos da Irlanda do Norte, o Partido Unionista do Úlster (UUP), o Partido Social-Democrata e Trabalhista (SDLP) e o Sinn Féin (SF), ligado ao Exército Repúblico Irlandês (IRA), assinam o Acordo da Sexta-Feira Santa ou Acordo de Belfast. É o fim de uma guerra civil de 30 anos em que morrem mais de 3,5 mil pessoas.
A Inglaterra começa a intervir e dominar a Irlanda no século 12. O conflito se agrava com a Reforma Protestante na Inglaterra, em 1534, quando o rei Henrique VIII rompe com a Igreja Católica para se divorciar e casar de novo. A Irlanda é um dos países mais católicos do mundo.
Henrique VIII casa seis vezes na esperança de ter um filho homem que herde o trono para acabar com as lutas sucessórias entre os príncipes, como a Guerra das Duas Rosas (1455-87). Mas o filho homem é fraco e morre aos 15 anos. As duas irmãs, a católica Maria I, do primeiro casamento, e Elizabeth I, protestante, do segundo casamento, disputam o trono.
No século 16, há uma longa Guerra Civil Inglesa. O rei católico Carlos I entra em conflito com o Parlamento, de maioria protestante. É decapitado em 30 de janeiro de 1649.
Durante o breve período republicano na história britânica (1649-60), o ditador Oliver Cromwell promove uma migração forçada de presbiterianos escoceses e cria um enclave protestante no Norte da Irlanda. A Irlanda continua católica.
Quando a Irlanda se torna independente, em 1922, seis dos nove condados da província do Úlster de maioria protestante formam a Irlanda do Norte, que continua fazendo parte do Reino Unido. Como são maioria, os protestantes dominam as instituições da Irlanda do Norte.
Os católicos sentem-se discriminados, inclusive economicamente. Nos anos 1960, surge um movimento católico, nacionalista e republicano por direitos iguais, reprimido com violência. Em agosto de 1969, o Exército Real britânico intervém militarmente na Irlanda do Norte. Em dezembro do mesmo ano, o IRA Provisório entra na luta e ataca não somente na Irlanda do Norte, mas também na Inglaterra.
No início dos anos 1980, durante o governo da primeira-ministra linha-dura Margaret Thatcher (1979-90), os presos do IRA fazem uma greve de fome na prisão de Maze, na Irlanda do Norte, para exigir tratamento de prisioneiros políticos. Thatcher não cede. Pelo menos dez guerrilheiros do IRA morrem na greve de fome.
A resposta mais contundente vem num atentado terrorista contra a Convenção Anual do Partido Conservador realizada em Brighton, na Inglaterra, em 12 de outubro de 1984. O objetivo é matar Thatcher, mas ela escapa.
Naquela época, o deputado John Hume, do SDLP, o braço do Partido Trabalhista britânico na Irlanda do Norte, começa a manter contato com o presidente do SF, Gerry Adams, para explorar a possibilidade de negociações de paz. Em 1985, o Acordo Anglo-Irlandês autoriza a Irlanda do Norte a ter um papel consultivo nas questões norte-irlandesas.
Na Declaração da Downing Street, de 15 de dezembro de 1993, os governos do Reino Unido e da Irlanda afirmam que o povo irlandês tem direito à autodeterminação, mas a Irlanda do Norte só será integrada à República da Irlanda se a maioria da população assim o decidir. Os dois governos se propõem a organizar negociações de paz em que os partidos ligados a grupos paramilitares podem participar desde que abandonem a violência.
O IRA anuncia um cessar-fogo em 31 de agosto de 1994, seguido pelo Comando Militar Conjunto dos Legalistas em 13 de outubro. A exigência dos protestantes de um desarmamento do IRA como precondição para negociar causa uma estagnação no processo de paz.
Com um atentado terrorista na Ilha dos Cães, em Londres, em 9 de fevereiro de 1996, o IRA rompe a trégua e acusa o governo britânico de John Major e os protestantes do Úlster de "agir de má fé". Duas pessoas morrem e mais de 100 saem feridas. O prejuízo é estimado em 150 milhões de libras. Major se preparava para receber a liderança do SF.
O IRA restaura o cessar-fogo em 20 de julho de 1997. As negociações multipartidárias são retomadas em setembro.
Pelo Acordo da Sexta-Feira Santa, a Irlanda abre mão da reivindicação constitucional de soberania sobre a Irlanda do Norte e o Reino Unido da reivindicação de soberania sobre toda a Irlanda. Os dois governos e os partidos envolvidos reconhecem que a maioria dos norte-irlandeses quer ficar no Reino Unido, enquanto uma parte substancial dos norte-irlandeses e a população irlandesa querem a unificação da Irlanda.
A Irlanda do Norte passa a ter uma Assembleia Nacional com 108 deputados e um governo autônomo com a participação das comunidades católica e protestante, com direito de veto de uma minoria 40% para impedir o domínio de uma pela outra. É criado um conselho interministerial das duas Irlandas e um Conselho das Ilhas Britânicas, que nunca foi instalado por causa da resistência dos republicanos, católicos e nacionalistas irlandeses.
Em maio de 1998, em dois plebiscitos independentes, os eleitores da República da Irlanda e da Irlanda do Norte ratificam o acordo de paz.
O conflito não termina aí. Em 14 de agosto de 1998, um ataque em Omagh mata 29 pessoas, o maior número de mortes num incidente isolado da história dos Problemas, como a guerra civil é chamada. Um grupo católico dissidente, o IRA Real (Verdadeiro), assume a responsabilidade pelo atentado. Mas a guerra acaba.
Em 7 de agosto de 2001, o IRA concorda com um método para entregar as armas. A Comissão de Desarmamento entrega seu relatório final em 26 de setembro de 2005, anunciando que o processo está encerrado.
A saída do Reino Unido da União Europeia cria um problema ao exigir a instalação de uma fronteira entre as duas Irlandas. A solução foi criar um controle aduaneiro no Mar da Irlanda. Os produtos que vão para a Irlanda do Norte não são taxados. Os que entram na UE pagam imposto de importação.
Revoltados os unionistas boicotam o governo de união nacional durante dois anos. Em 30 de janeiro do ano passado, o DUP, sob a liderança de Jeffrey Donaldson, volta à Assembleia de Stormont com a condição de que o Reino Unido aprove leis que garantam os laços com a Irlanda do Norte.
Isto permite que pela primeira vez o SF lidere o governo da Irlanda do Norte com a primeira-ministra Michelle O'Neill.






















