quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 9 de Setembro

EUA BATIZADOS 

   Em 1776, o Congresso Continental batiza o país, inicialmente chamado de Colônias Unidas, como Estados Unidos da América.

A ideia de União aparece num cartum de Benjamin Franklin, um dos pais da pátria, em 1754, Junte-se ou Morra

Outro fundador dos EUA, Thomas Jefferson, usa o nome ao redigir o projeto da Declaração da Independência: "Uma declaração dos representantes dos Estados Unidos da América, reunidos em Congresso Geral..."

Numa resolução do Congresso de junho de 1776, o deputado Richard Henry Lee usa Colônias Unidas.

O texto final proclamado em 4 de julho de 1776 fala na "declaração unânime dos Estados Unidos da América", com unidos grafado com letras minúsculas. No último parágrafo, diz que "estas Colônias Unidas são e por direito devem ser estados livres e independentes."

Em 9 de setembro, o Congresso Continental oficializa o nome. Decide que em todos os documentos oficiais o nome Colônias Unidas deve ser substituído por Estados Unidos.

JAPÃO BOMBARDEIA EUA

    Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), um hidroavião japonês joga bombas incendiárias numa floresta estadual da costa do Oregon, no primeiro ataque aéreo ao território continental dos Estados Unidos.


Os balões de fogo são balões de hidrogênio simples com várias bombas incendiárias fabricados no Japão a preços baixos. Precisam ser grandes para transportar 454 quilos. São feitos de washi, um papel extremamente resistente produzido com arbustos de amoreira por meninas adolescentes que trabalham como operárias no esforço de guerra.

As correntes de ar do Oceano Pacífico ajudam nos ataques aos EUA e o Canadá. Em três dias, levam os balões-bombas para a América do Norte.

Durante seis meses, de novembro de 1944 a abril de 1945, o Japão lança mais de 9,3 mil balões de fogo, 361 na América do Norte, atingindo praticamente a metade oeste dos territórios dos EUA e do Canadá. 

A Força Aérea tenta abater os balões-bomba, mas tem pouco sucesso por causa da altitude e da velocidade dos balões. Só consegue interceptar cerca de 20. Seis pessoas morrem no Oregon.  

ELVIS NO ED SULLIVAN SHOW

    Em 1956, o futuro Rei do Rock, Elvis Presley, o primeiro popstar global, faz sua primeira apresentação no programa de televisão Ed Sullivan Show.


 
Elvis nasce em 9 de janeiro de 1935 em Tupelo, no Mississípi. Quando tem 13 anos, a família se muda para Memphis, no Tennessee.

Sua carreira musical começa em 1954, quando grava para a Sun Recordafs. 

Por causa do rebolado sensual, Elvis é boicotado pelas TVs. Sullivan desafia outros produtores e contrata o cantor para três apresentações por US$ 50 mil.  

Com 60 milhões de telespectadores, 82,6% dos televisores ligados na hora, a apresentação têm a maior audiência de TV dos anos 1950. 

ENTERRO DE HO CHI MIHN

    Em 1969, o líder comunista vietnamita Ho Chi Minh, herói da independência do país, é enterrado em Hanói, a capital do Vietnã do Norte, durante a Guerra do Vietnã (1955-75).

Ho nasce em Kiem Lan em 19 de maio de 1890 com o nome de Nguyen Sinh Cung. Depois de viver em Londres, começa a se interessar em política quando mora na França, de 1919 a 1923, e é influenciado por ideias socialistas. Torna-se político, escritor, poeta, revolucionário e líder da luta pela independência do Vietnã.

De Paris, vai para Moscou, onde trabalha na Internacional Comunista (Comintern). Em novembro de 1924, se muda para Cantão, na China. Aos 36 anos, se casa no mesmo lugar onde Chu Enlai casara, com uma chinesa de 21 anos, Zeng Xueming, porque "preciso de uma mulher que me ensine a língua e cuide da casa".

Quando o líder nacionalista chinês Chiang Kai-shek dá um golpe e começa a perseguir os comunistas, em 1927, Ho volta a Moscou e vai para a Crimeia, onde se cura de uma tuberculose antes de voltar a Paris. Passa pela Bélgica, Alemanha, Suíça e Itália antes de ir para Bangkok, na Tailândia, como agente do Comintern no Sudeste Asiático, em julho de 1928.

No fim de 1929, vai para a Índia e da lá para Xangai, na China, e Hong Kong, onde funda, em 1930, o Partido Comunista do Vietnã e o Partido Comunista da Indochina. Preso em Hong Kong em junho de 1931, escapa de ser deportado para a Indochina Francesa com um advogado de defesa britânico, Frank Loseby.

Libertado, vai para Xangai e volta à União Soviética, onde estuda e leciona no Instituto Lenin. Sob a acusação de ter "tendências nacionalistas", é afastado da liderança do partido durante o Grande Expurso Stalinista (1936-38).

Em 1938, volta à China como assessor militar do Exército Vermelho Chinês. Vai para o Vietnã em 1941 para liderar o movimento de libertação nacional. Com a ocupação japonesa, conduz uma guerra de guerrilhas contra o governo colaboracionista francês de Vichy e o Império do Japão.

Depois da ocupação da França, a potência colonial, pela Alemanha Nazista, em junho de 1940, ele funda na China em 1941 o Viet Minh, a Liga pela Independência do Vietnã, para se contrapor também à invasão japonesa durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

No fim da guerra, em 2 de setembro de 1945, quando o Japão assina a rendição, proclama a independência do Vietnã. A França não aceita. Em 19 de dezembro de 1946, começa a Primeira Guerra da Indochina, que vai até 1º de agosto de 1954, depois da vitória vietnamita na Batalha de Bien Dien Phu.

Os Acordos de Paz de Genebra dividem o país em Vietnã do Norte, comunista, e o Vietnã do Sul, anticomunista, em 1954. As eleições de 1955 devem reunificar o país. Quando os Estados Unidos percebem que os comunistas venceriam, em plena Guerra Fria, suspendem as eleições.

Em 1º de novembro de 1955, começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75). O governo Dwight Eisenhower (1953-61) envia os primeiros assessores militares norte-americanos. No fim do governo John Kennedy (1961-63), há mais de 2,8 mil assessores, alguns participando de combates.

A intervenção militar dos EUA começa oficialmente depois do Incidente do Golfo de Tonquim, em 2 de agosto de 1964, forjado pelo governo Lyndon Johnson (1963-69) para obter a aprovação do Congresso para declarar guerra ao Vietnã do Norte.

No auge da intervenção, os EUA têm mais de 500 mil soldados no Vietnã. O fracasso na luta contra o Vietcongue, os guerrilheiros comunistas em ação no Vietnã do Sul, e a rejeição à guerra pela opinião pública levam o presidente Richard Nixon (1969-74) a acelerar as negociações de paz iniciadas em 1968.

Em 30 de agosto de 1969, a delegação dos EUA nas negociações recebem uma carta de Ho a Nixon. O líder vietnamita alerta que "quanto mais longa for a guerra maiores serão o ônus e os pesares para o povo norte-americano" e defende o plano de paz de 10 pontos da Frente de Libertação Nacional. Exige o "fim da guerra de agressão e a retirada das forças norte-americanas”. Morre dias depois.

Com o acordo paz, assinado em 27 de janeiro de 1973, os EUA retiram suas tropas de combate da guerra, que termina em 30 de abril de 1975 com uma fuga espetacular dos norte-americanos da embaixada em Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, quando os tanques norte-vietnamitas tomam a capital do Vietnã do Sul para reunificar o país.

Mais de 58 mil norte-americanos e cerca de 2 milhões de vietnamitas morrem na Guerra do Vietnã.

MORTE DE MAO

    Em 1976, morre o político, teórico e revolucionário Mao Tsé-Tung, que se torna líder do Partido Comunista da China depois da Longa Marcha (1934-35), fundador e chefe de Estado da República Popular da China com a vitória da Revolução Chinesa, em 1º de outubro de 1949. 

Com a Grande Fome causada pelo fracasso do Grande Salto para a Frente (1958-62) e o radicalismo da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), Mao é um dos ditadores mais criticados do século 20, acusado de 70 milhões de mortes.

Mao nasce em Shaoshan, na província de Hunan, em 26 de dezembro 1893. Seu pai é um dos agricultores mais ricos da aldeia. A mãe é budista. Na escola, é discriminado pela origem camponesa.

Leitor voraz, Mao se interessa por política ao saber do declínio do Império Chinês. Admira George Washington e Napoleão Bonaparte. Quando o Império cai, Mao se junta ao exército rebelde como soldado raso. Sun Yat-Sen funda a República em 1912.

Como autodidata, estuda livros clássicos como A Riqueza das Nações, de Adam Smith, o pai da ciência econômica, e O Espírito das Leis, do Barão de Montesquieu, Jean-Jacques Rousseau, Charles Darwin, John Stuart Mill e Herbert Spencer.

Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), interessa-se por técnicas de guerra. É eleito comandante do exército dos estudantes voluntários, que se opõem aos estudantes saqueadores.

Em 4 de maio de 1919, os estudantes chineses protestam na Praça da Paz Celestial contra o aumento da influência japonesa na Ásia e o resultado da Conferência de Paz de Versalhes, que dá ao Japão o controle de um território chinês que estava sob o domínio da Alemanha.

O Movimento Quatro de Maio está na origem do Partido Comunista da China, fundado dois anos depois, em 1921, sob a influência da Revolução Russa (1917). Mao participa do primeiro congresso do partido. É um dos 13 delegados.

A disputa política entre Leon Trotsky e Josef Stalin na União Soviética, depois da morte de Vladimir Lenin, em 1924, se reflete na China. Trotsky é a favor da revolução, aliás de uma revolução mundial. Stalin entende que a China não está preparada para a revolução por não ter operariado e, sim, campesinato.

Vitorioso, Stalin manda o PC chinês adotar uma política de frente popular em aliança com o partido nacionalista Koumintang (KMT) que se revela desastrosa. Os nacionalistas massacram os comunistas no início de uma longa guerra civil interrompida pela invasão japonesa em 1937 e retomada depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), com a vitória final dos comunistas em 1949.

O Grande Timoneiro assume o controle do partido na Longa Marcha e radicaliza o processo revolucionário várias vezes para manter o poder dentro do regime comunista. Lança a Campanha das Cem Flores para estimular a produção intelectual e a liberdade de expressão, encerrada por supostos desvios ideológicos burgueses.

Dentro de uma nova era de repressão, Mao propõe o Grande Salto para a Frente (1958-62), uma tentativa de descentralizar a produção industrial com a fabricação de aço em comunas e fazendas coletivas. É um total fracasso. O aço produzido no campo é de baixa qualidade e a produção alimentos desaba. A Grande Fome mata entre 15 e 45 milhões de pessoas.

Para se reafirmar no poder num mundo cada vez mais hostil, com a ruptura com a URSS e a crescente intervenção militar dos EUA na Guerra do Vietnã, Mao lança em 1966 a Revolução Cultural, uma era de total inversão de valores. 

Estudantes armados com o Livro Vermelho de Mao perseguindo professores e intelectuais, apontam desvios burgueses de supostos inimigos da revolução e destroem símbolos do período imperial, como obras de arte e arquitetura, pintura em nanquim. O trânsito anda no sinal vermelho e para no sinal verde.

Neste período de grande convulsão social, há escaramuças de fronteira entre China e URSS, em 1969, e os EUA iniciam uma aproximação com as visitas de Henry Kissinger e Richard Nixon em 1971 e 1972.

Com a morte de Mao, cai a Gangue dos Quatro, símbolo do extremismo da Revolução Cultural, de que participa a viúva de Mao, Jiang Ching, e abre-se o caminho para as reformas. A herança positiva de Mao é ter alimentado e alfabetizado a China.

No primeiro momento, o substituto Hua Guofeng adota a política dos Dois Quaisquer: "Vamos resolutamente manter quaisquer decisões políticas do Camarada Mao e seguir inabalavelmente quaisquer instruções dadas pelo Camarada Mao."

Hua quer mais do mesmo, mas o partido e o país, destroçados pela Revolução Cultural, querem mudança. Reabilitado, o ex-vice-primeiro-ministro Deng Xiaoping percebe que a modernização é a única ideia capaz de unir o PC. Propõe então, em 1977, a campanha das Quatro Modernizações: agricultura, indústria, defesa, e ciência e tecnologia. 

Em 13 de dezembro de 1978, na terceira sessão plenária da 11ª reunião do Comitê Central do PC, Deng lança as reformas que levam ao maior desenvolvimento econômica da história e transformam a China na segunda maior economia do mundo. 

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 8 de Setembro

JOANA D'ARC ATACA PARIS

    Em 1429, durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), Joana d'Arc, a maior heroína da história da França, tenta derrubar o Duque da Borgonha, aliado de Henrique VI, da Inglaterra, e tomar Paris para o recém-coroado rei Carlos VII.

O conflito entre França e Inglaterra tem origem na invasão normanda de Guillherme, o Conquistador, que conquista Londres em 1066. Seu reino ia da Normandia, no Norte da França, ao Sul da Inglaterra. Esta reivindicação de soberania de um país sobre o outro perdura séculos, até as guerras napoleônicas, quando o Reino Unido abre mão da soberania por medo de que Napoleão reivindique a coroa britânica.

A Guerra dos Cem Anos começa quando Eduardo III, da Inglaterra, reivindica a coroa francesa depois da morte de seu tio Carlos IV, da França. Em 1415, Henrique V, da Inglaterra, ganha a Batalha de Agincourt e conquista a coroa da França. É nesta fase que Joana d'Arc, uma jovem camponesa, entra em ação. 

Ela ganha fama no Cerco de Orleans, de 12 de outubro de 1428 a 8 de maio de 1429. Fica conhecida como a Donzela de Orleans. Chega a Saint-Denis, nos arredores de Paris, em 26 de agosto de 1429, e quer atacar a capital francesa. 

Carlos VII chega no dia 7 de setembro e o combate começa no dia seguinte, com ataques às portas de Saint-Honoré e Saint-Denis. Ela tenta retomar a ofensiva no dia 9, mas o rei ordena o recuo. A derrota em Paris reduz seu prestígio com a aristocracia francesa.

Joana d'Arc é capturada pelas forças de Borgonha em 23 de maio de 1430 e queimada na fogueira pelos ingleses em 30 de maio de 1431, o que o primeiro-ministro britânico Winston Churchill viria a considerar um grande erro porque a torna em mártir.

Na era napoleônica, ela passa a ser cultuada. É beatificada 1909 e vira Santa Joana d'Arc em 1920. Hoje é um ícone da extrema direita.

DAVID DE MICHELANGELO

    Em 1504, uma das esculturas mais famosas do mundo, o David, de Michelangelo Buonarroti, é apresentada ao público pela primeira vez, em Florença, na Itália.

Michelangelo Buonarroti nasce em 6 de março de 1475 em Caprese Michelangelo, no período da Renascença. Gênio das artes plásticas, vira pintor, poeta, escultor, anatomista e arquiteto. Entre seus grandes mecenas estão a família Medici, de Florença, e os papas. Suas obras mais famosas são as esculturas de David e a Pietà, e a pintura do teto da Capela Sistina, no Vaticano.

O David é esculpido em mármore de 1501 a 1504 e colocado na frente do Palazzo Vecchio (Palácio Velho). A obra original está hoje na Academia. Há cópias em duas praças de Florença.

NOVA AMSTERDÃ VIRA NOVA YORK

    Em 1664, o governador da Nova Holanda, Peter Stuyvesant, se rende em Nova Amsterdã para uma esquadra da Inglaterra sob o comando do coronel Richard Nicolls, que muda o nome da cidade para Nova York em homenagem ao Duque de York, o futuro rei Jaime II, que organizara a expedição.

A Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, a mesma que invade o Nordeste do Brasil compra em 1624 a ilha de Manhattan da tribo local pelo equivalente a 24 dólares para fundar Nova Amsterdã. Quando acaba a Segunda Invasão Holandesa no Brasil (1630-54), os judeus do Recife fogem para lá.

Com a expansão da Nova Holanda para o que hoje são parte de Long Island e dos estados de Connecticut e Nova Jérsei, há conflitos com os nativos. Em 1641, começa uma longa guerra entre os colonos e os índios Manhattan, com mais de mil mortos.

CERCO DE LENINGRADO

    Em 1941, a Alemanha Nazista começa o Cerco de Leningrado, hoje São Petersburgo, a segunda maior cidade da União Soviética, berço da Revolução Comunista. É um dos episódios marcantes da Segunda Guerra Mundial (1939-45). O cerco dura 872 dias (2 anos, 4 meses, 2 semanas e 5 dias) em que morrem pelo menos 800 mil, talvez 1 milhão de pessoas.

As forças alemãs recebem o apoio do Exército da Finlândia, que chega pelo istmo da Karélia, região que havia sido tomada pela URSS no início da guerra. Leningrado resiste com 200 mil soldados do Exército Vermelho.

No primeiro dia, os alemães bombardeiam os depósitos de comida para a cidade se render pela fome, que chega num inverno rigoroso, com temperaturas de menos 40 graus centígrados. As pessoas queimam móveis e livros para se aquecer. 

Com a escassez de comida, surge um mercado de carne humana. Os pais proíbem os filhos jovens de sair de casa. A polícia cria uma divisão de canibalismo.

Toda a população é convocada a erguer barreira nos limites da cidade para barrar o avanço do inimigo. No início de novembro, o cerco ao redor de São Petersburgo se fecha. O único acesso é pelo Lago Ladoga. A ração diária para os civis é reduzida a 125 gramas de pão por dia.

O Cerco de Leningrado dura até 27 de janeiro de 1944, quando o avanço do Exército Vermelho rompe as linhas alemãs. Depois do Holocausto, é considerado o pior caso de genocídio da Segunda Guerra Mundial.

ALTHEA GIBSON GANHA CAMPEONATO DOS EUA

    Em 1957, Althea Gibson é a primeira pessoa de origem africana a ganhar o Campeonato Nacional de Tênis dos Estados Unidos (hoje Torneio Aberto dos EUA), com a vitória por 2-0 (6-3, 6-2) sobre Louise Brough. Recebe o troféu do vice-president Richard Nixon.


Dois meses antes, Gibson se tornara a primeira pessoas de origem africana a vencer o Campeonato de Wimbledon, diante a rainha Elizabeth II. Um ano antes, ganhara na França como primeira tenista de origem africana a triunfar em torneio do Grand Slam.

Ao todo, ela ganha 11 torneios do Grand Slam, 5 de simples, de 5 de duplas femininas, inclusive ao lado da brasileira Maria Esther Bueno, e um de duplas mistas.

FORD PERDOA NIXON

    Em 1974, o presidente Gerald Ford (1974-77) perdoa o ex-presidente Richard Nixon (1969-74) por todos os crimes que possa ter cometido quando governava os Estados Unidos.


Nixon é vice-presidente de Dwight Eisenhower (1953-61) e perde a eleição de 1960 para John Kennedy. Com a desmoralização de Lyndon Johnson (1963-69), vice-presidente e sucessor de Kennedy, por causa da Guerra do Vietnã, chega a Casa Branca em 1969.

A invasão de sede do diretório nacional do Partido Democrata pelo grupo de encanadores da Casa Branca durante a campanha eleitoral, em 16 de junho de 1972, causa o Escândalo de Watergate. Nixon se reelege com facilidade, mas a descoberta do envolvimento direto do governo e as tentativas de obstruir a investigação levam à abertura de um processo de impeachment. Quando perde o apoio do Partido Republicano, renuncia, em 9 de agosto de 1974. É perdoado um mês depois.

Ford se justifica perante a Comissão de Justiça da Câmara dos Representantes com o argumento de que quer acabar com a divisão nacional em torno do Escândalo de Watergate.

Único presidente não eleito da história dos EUA, Ford preside a Câmara e se torna presidente quando o vice eleito com Nixon, Spiro Agnew, é afastado por corrupção.

Em 2001, Ford recebe o Prêmio Perfil de Coragem da Fundação Biblioteca John F. Kennedy por perdoar Nixon. Ao justificar o prêmio, a fundação declarou que Ford colocou o amor ao país acima da carreira política.

Depois de perder a eleição de 1976, Ford abandona a política. Morre aos 93 anos em 2006.

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 7 de setembro

CRUZADA DOS REIS

    Em 1191, na Terceira Cruzada, o exército muçulmano do sultão Saladino ataca as forcas do rei Ricardo I, da Inglaterra, na Batalha de Arçufe, na Palestina, na marcha de Acre a Jafa. Ricardo Coração de Leão contra-ataca ao entardecer, mas sua marcha rumo a Jerusalém é retardada.

As Cruzadas são uma série de nove expedições militares dos cristãos para tentar reconquistar Jerusalém, tomada pelo califa Omar em 638. Depois do ano 1000, o patriarca da Igreja Ortodoxa de Constantinopla, capital do Império Bizantino, pede ajuda à Igreja Católica Romana.

Jesus Cristo pediu aos seres humanos para amarem uns aos outros. No Concílio de Clermont, em 27 de novembro de 1095, o papa Urbano II manda matar os infiéis e promete a remissão de todos os pecados para quem for voluntariamente para a guerra contra os muçulmanos.

A Primeira Cruzada (1096-99) é a única a conquistar Jerusalém. Funda em território da Palestina o Reino Cristão de Jerusalém (1099-1291). 

A Segunda Cruzada (1145-49), anunciada pela Papa Eugênio II, uma reação à queda de Edessa, é a primeira liderada por reis, Luís VII, da França, e Conrado III, do Sacro Império Romano-Germânico. Os dois exércitos marcham separadamente e são derrotados pelos turcos do Império Seljúcida.

A Terceira Cruzada (1189-92) é a Cruzada dos Reis, de Ricardo I, da Inglaterra, Felipe II, da França, e do sultão Saladino, líder dos muçulmanos. 

Depois da conquista de Acre, Ricardo I quer chegar até o mar, até o porto de Jafa. Em Arçufe, o exército cristão tem 10 mil infantes e 1,2 mil cavaleiros, organizados em 12 regimentos de cavalaria de 100 homens cada, com a infantaria guarnecendo os flancos e besteiros na linha de frente, com flechas muito mais poderosas do que as do inimigo. 

Estima-se que o exército muçulmano seja duas vezes maior, especialmente em cavalaria. O cavalo e o estribo formam a tecnologia militar dominante na Idade Média.

Ricardo resiste ao ataque de Saladino, quando suas forças iam de Acre para Jafa, até receber um reforço dos hospitalários. Ordena então um contra-ataque. Vence a batalha. Isso dá aos cristãos o dominío sobre a costa da região central da Palestina, inclusive o porto de Jafa.

CAMPANHA DA RÚSSIA

    Em 1812, o Grande Exército de Napoleão Bonaparte vence com muitas perdas a Batalha de Borodino contra o exército da Rússia sob o comando do general Mikhail Kutuzov a cerca de 110 quilômetros de Moscou.

Os russos recuam diante da invasão napoleônica, iniciada em 24 de junho, para evitar um confronto direto e se entrincheiram em Borodino para deter o avanço do inimigo rumo a Moscou. São 130 mil soldados de Napoleão com 500 tanques contra 120 mil russos com 600 canhões.

Napoleão faz um ataque frontal às seis da manhã. Até o meio-dia, os dois lados avançam e recuam na linha de frente, até que a artilharia dá vantagem à França, mas os russos resistem a sucessivas ofensivas.

O imperador francês não coloca em combate a Guarda Imperial, de 20 mil homens, e mais 10 mil soldados. Como Kutuzov não tem mais homens para entrar em ação, Napoleão perde a oportunidade de ter uma vitória decisiva. 

É uma vitória de Pirro, referência ao general que derrotou Roma duas vezes, em Heracleia (280 AC) e Ásculo (279 AC), mas suas forças sofreram tantas perdas que, ao andar pelo campo de batalha, vaticina: "Mais uma vitória destas e estou perdido." Perdeu em Malevento (275 AC), que os romanos rebatizaram de Benevento.

Com os soldados exaustos à tarde, a Batalha de Borodino continua até a noite com disparos de artilharia. À noite, Kutuzov recua. Napoleão entra em Moscou uma semana depois, em 14 de setembro, sem oposição. Os russos recuam e queimam a cidade para que o inimigo fique sem comida e sem abrigo.

Sem conseguir tomar o poder na Rússia, cinco semanas depois, Napoleão se retira, pega as chuvas e o frio do outono russo. É atacado à retaguarda pelos russos, na Batalha de Krasnol, de 15 a 18 de novembro de 1812. Sai da Rússia em 14 de dezembro.

A campanha da Rússia é a sua maior derrota. O Grande Exército de Napoleão invade a Rússia com algo entre 450 e 640 mil soldados, 150 mil cavalos e 1,4 mil peças de artilharia. Deixa a Rússia em 14 de dezembro. Pelo menos 380 mil morrem. Cerca de 120 mil sobrevivem, 50 mil austríacos, prussianos e outros alemães, 20 mil poloneses e 35 mil franceses. Muitos desertam.

 TIO SAM

    Em 1813, os Estados Unidos ganham seu apelido quando um jornal registra que os soldados que lutavam na Guerra de 1812 contra o Império Britânico chamam de Uncle Sam (Tio Sam) as embalagens de carne que o Exército recebe do comerciante William com US, de United States, escrito na caixa.

O desenho do Tio Sam aí em cima é feito pela primeira em 1870 pelo cartunista Thomas Nest em homenagem ao presidente Abraham Lincoln. É um senhor de cabelos brancos e barbicha vestido com as cores da bandeira, azul, vermelho e branco, e uma cartola adornada com uma faixa azul marinho e estrelas brancas.

A pedido das Forças Armadas, em 1917, com a intervenção dos EUA na Primeira Guerra Mundial (1914-18), a imagem é refeita com o slogan "eu quero você". O Tio Sam quer que os norte-americanos se alistem para lutar na Europa.

Desde então, a imagem é associada ao imperialismo e ao militarismo norte-americano. 

INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

    Em 1822, sob pressão das cortes portuguesas, que querem rebaixar o Brasil a colônia, o príncipe-regente Dom Pedro dá um grito às margens do Riacho Ipiranga, em São Paulo, e proclama: “Independência ou Morte!”

No fim do século 18, há cogitações em Lisboa sobre a conveniência de transferir a sede do governo para o Brasil a fim de não perder sua maior colônia. Isto acontece quando as forças do imperador francês Napoleão Bonaparte invadem Portugal em 1807. 

Por causa da aliança histórica com o Reino Unido, Portugal não adere ao Bloqueio Continental imposto por Napoleão ao comércio com os britânicos. A família real zarpa para o Brasil em 27 de novembro de 1807.

A chegada da família real chega a Salvador, em 22 de janeiro de 1808, e a abertura dos portos às nações amigas significam uma independência na prática. Em 1815, depois da derrota final de Napoleão, quando as monarquias europeias são restauradas, formam a Santa Aliança e o Concerto Europeu, o Brasil é elevado a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve porque a capital do Império Português não poderia ficar numa colônia.

O Rio de Janeiro é a única cidade do Hemisfério Sul que foi capital de um império que se estendia por quatro continentes: América, África, Europa e Ásia.

Com a Revolução do Porto, em 1820, o rei Dom João VI é pressionado a voltar para Lisboa com toda a máquina administrativa trazida para o Brasil. Volta no ano seguinte, deixando o filho como príncipe-regente. Aí começa a pressão da corte para cortar os privilégios que o país havia obtido como capital do império.

Em 9 de janeiro de 1822, o príncipe Dom Pedro comunica que vai descumprir a ordem da coroa de voltar imediatamente para Portugal. É o Dia do Fico, quando a ruptura com Lisboa se torna inevitável.

A crise se agrava. Com Dom Pedro em São Paulo, a princesa-regente, Dona Leopoldina, preside a uma reunião do Conselho de Estado no Palácio Imperial da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. A futura imperatriz e José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência, enviam cartas que Dom Pedro recebe em 7 de setembro às margens do Ipiranga e dá o grito.

O Brasil é um fenômeno único na história. O país se torna independente com a mesma família imperial que está no poder desde a Colônia. É um caso raro de conciliação das elites para manter tudo como está.

UNIFICAÇÃO DA ITÁLIA

    Em 1860, durante a luta pela unificação da Itália, Giuseppe Garibaldi entra em Nápoles e se declara "ditador das Duas Sicílias".

A Expedição dos Mil é um momento-chave da Segunda Guerra da Independência da Itália, quando os Camisas Vermelhas, sob o comando de Garibaldi, que luta na Revolução Farroupilha (1835-45) e no Uruguai, um especialista em guerra de guerrilhas, desembarcam na Sicília Ocidental e conquistam o Reino das Duas Sicílias, antes dominado pela Dinastia dos Bourbon.

Em 21 e 22 de julho de 1858, o imperador Napoleão III, da França, e o Reino da Sardenha fazem uma aliança contra o Império Austro-Húngaro pela independência do Norte da Itália.

Em março de 1859, as populações do Grão-Ducado da Toscana, do Ducado de Módena e do Ducado de Parma depõem seus governantes e pedem anexação ao Reino da Sardenha, enquanto a Úmbria e Marcas sofrem duram repressão dos Estados Pontifícios, do Vaticano ou Santa Sé.

O primeiro-ministro da Sardenha e futuro primeiro-ministro da Itália, Camillo Paolo Filipo Giulio Benso, Conde de Cavour, declara guerra à Áustria em 24 de abril de 1859. A Segunda Guerra da Independência da Itália termina em julho. 

Ninguém imagina que a Áustria entre em nova guerra menos de um ano depois da Batalha de Solferino, em 24 de junho de 1859, tão sangrenta que dá origem à Convenção de Genebra à Cruz Vermelha Internacional para socorrer feridos em guerra.

O Armistício de Villafranca reconhece o Reino da Sardenha e Lombardia, mas não o Vêneto. O Tratado de Turim, de 24 de março de 1860, cede a Saboia e Nice à França, enquanto o movimento nacional italiano ganha a anuência do imperador francês para a anexação da Toscana e da Romanha.

Em 11 de maio de 1860, Garibaldi e os Camisas Vermelhas invadem a Sicília. Três dias depois, ele se proclama ditador. Com a ajuda de uma insurreição popular, toma Palermo de 27 a 30 de maio.

Com o controle da Sicília, Garibaldi passa a planejar o ataque ao continente. Em 19 de agosto desembarca com 20 mil voluntários em Melito di Porto Salvo, na Calábria, no Sul da Itália. Como o rei Francisco II abandona Nápoles, o revolucionário de dois continentes, herói em três países, entra na cidade praticamente sem resistência.

Em 21 de outubro, um referendo aprova a anexação do Reino das Duas Sicílias ao Reino da Sardenha. A unificação da Itália acontece oficialmente em 17 de março de 1861, sob o rei da Sardenha, Vitor Emanuel II, da Dinastia de Saboia.

FIM DA GUERRA DOS BOXERS

    Em 1901, a assinatura de um protocolo acaba com a Guerra dos Boxers, uma revolta anti-imperialista que não consegue expulsar os estrangeiros da China.

A derrota na Guerra Sino-Japonesa de 1894-95 acaba com a milenar ordem sinocêntrica na Ásia. Marca o início da fase terminal do Império Chinês. No Norte, os chineses temem o aumento da influência estrangeira e se ressentem dos privilégios dos missionários cristãos. Em 1898, a região sofre várias catástrofes naturais, como seca e enchente do Rio Amarelo, aumentando o descontentamento.

A Guerra dos Boxers (1899-1901) é uma rebelião antiestrangeiros, anticolonial e anticristã no final da Dinastia Ching travada pela Sociedade dos Punhos Harmoniosos e Justiceiros, na maioria lutadores de kung fu sem armas de fogo.

A partir de 18 de outubro de 1899, os boxers destroem propriedades estrangeiras como as ferrovias e assassinam cristãos e missionários cristãos. Em junho de 1900, os boxers convergem para Beijim e cercam a cidade. Um exército formado por EUA, Reino Unido, França, Áustria-Hungria, Alemanha, Itália, Rússia e Japão invade a China em 17 de junho.

Em 21 de junho, a imperatriz Cixi baixa um decreto imperial declarando guerra às potências invasoras e manda matar todos os estrangeiros da capital chinesa, inclusive diplomatas. A aliança invasora rompe as defesas de Beijim em 14 de agosto. A cidade é saqueada e pilhada,

O Protocolo Boxer, de 7 de setembro 1901, prevê execução sumária de funcionários públicos que lutam pela rebelião, provisões para as tropas estrangeiras estacionadas em Beijim e 450 milhões de taéis de prata – mais do que a arrecadação anual do governo chinês – de indenização a serem pagos ao longo de 39 anos para as oito potências da aliança.

ENTREGA DO CANAL

   Em 1977, o presidente Jimmy Carter e o ditador Omar Torrijos assinam dois tratados para transferir o controle do Canal do Panamá dos Estados Unidos para o Panamá em 1999.

A companhia francesa que abre o Canal de Suez inicia a obra do canal para ligar os oceanos Atlântico e Pacífico em 1880. Quebra por problemas de engenharia e doenças tropicais. O trabalho do médico sanitarista brasileiro Oswaldo Cruz contra a febre amarela ajudaria a realizar a obra.

O Panamá pertence à Colômbia. Quando o governo colombiano, enfraquecido pela Guerra dos Mil Dias (1899-1902) entre liberais e conservadores, rejeita a proposta norte-americana, os EUA promovem a independência do Panamá, em 3 de novembro de 1903.

A construção do canal começa em 4 de maio de 1904 e termina em 1913. O canal é inaugurado oficialmente em 15 de agosto de 1914.

O coronel Omar Torrijos, um nacionalista, chega ao poder num golpe militar em 1968, mas conta com apoio popular e negocia a soberania do país sobre o canal e a Zona do Canal, um enclave dos EUA.

Dois tratados garantem a soberania sobre o canal. O primeiro é o Tratado sobre a Neutralidade Permanente e e Operação do Canal, mais conhecido como Tratado da Neutralidade. O segundo é o Tratado do Canal do Panamá, que estabelece que o Panamá assume o controle total do canal a partir do ano 2000.

Ambos foram ratificados por maiores de dois terços em referendo realizado no Panamá em 23 de outubro de 1977. Depois de assumir o controle do canal, o país vive uma era de prosperidade. Quando volta à Casa Branca, em janeiro de 2025, o presidente Donald Trump ameaça retomar o Canal do Panamá.

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domingo, 6 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 6 de Setembro

FROTA DE MAGALHÃES TERMINA VOLTA AO MUNDO

    Em 1522, Victoria, o último navio da frota de Fernão de Magalhães chega a Sanlúcar de Barrameda, na Espanha, sob o comando de Juan Sebastián Elcano, com 18 homens a bordo completando a primeira viagem de circunavegação da Terra, a serviço da coroa espanhola.

O objetivo de Magalhães não é dar a volta ao mundo. Quer descobrir um caminho marítimo para as Ilhas Molucas ou Ilhas das Especiarias, hoje parte da Indonésia, encontrar o caminho das Índias pelo oeste como quis Cristóvão Colombo. Portugal domina a rota pelo Sul da África, pelo Cabo da Boa Esperança.

Magalhães estuda vários mapas e decide apostar numa passagem pelo sul da América do Sul para chegar ao Oceano Pacífico, descoberto por Vasco Núñez Balboa em 25 de setembro de 1513, ao atravessar o Istmo do Panamá.

O rei Dom Manuel I, o Venturoso, de Portugal, rejeita o projeto. Como domina a rota pela África, não se interessa, mas o rei Carlos I, da Espanha, Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico, provavelmente o homem mais poderoso do mundo no seu tempo, decide patrocinar a empreitada.

A frota de cinco navios com 250 homens a bordo zarpa de Sanlúcar de Barrameda em 20 de setembro de 1519. Magalhães comanda Trinidad, a nau-capitânia. Sai da Espanha rumo as Ilhas Canárias e passa pelo Arquipélago de Cabo Verde antes de cruzar o Oceano Atlântico e chegar ao Rio de Janeiro em dezembro de 1519.

Daí em diante, a situação piora. A primeira viagem de circunavegação do planeta é um ato heroico, um inferno de doenças, fome e violência, observa o historiador britânico Jerry Brotton. 

Magalhães fica meses explorando a costa da América do Sul em busca de uma passagem para o Pacífico sem sucesso. A expedição enfrenta um inverno rigoroso, os marinheiros passam fome e frio. As rações diminuem. Um navio naufraga em meio a uma tempestade e o maior, San Antonio, que tem mais comida, deserta e volta para a Espanha.

Entre motins, rebeliões, fome e sede, a expedição perde muitos homens nos primeiros seis meses. Em 28 de novembro de 1520, Magalhães atravessa o estreito batizado em seu nome. Chega ao oceano que chama de Pacífico porque suas águas parecem mais tranquilas, talvez por causa do fenômeno El Niño, enquanto o Atlântico é conhecido como Mar Tenebroso.

Mas os primeiros europeus a singrar aqueles mares não tem noção do tamanho do Pacífico, que cobre um terço da superfície do planeta, quase duas vezes o tamanho do Atlântico. Mapas errados e erros de cálculo transformam o trecho da viagem até as Molucas num pesadelo de mais de 100 dias de fome, escorbuto e mortes, comenta Braulio Vázquez, arquivista do Arquivo Geral das Índias, em Sevilha, na Espanha..

"Durante três meses e 20 dias, não conseguimos comida fresca", conta Antonio Pigaffeta em seu relato da viagem. "Comíamos bolo, embora não fosse bolo, mas poeira misturada com minhocas e o que restava cheirava a urina de rato.

"Bebíamos água amarela, que estava podre, por muitos dias. Também comemos algumas peles de boi que cobriam a parte superior do pátio principal."

Quando se dá conta do tamanho do Pacífico, Magalhães percebe que as Molucas não estão na metade da Terra destinada à Espanha pelo Tratado de Tordesilhas com Portugal, em 1494, aprovado pelo papa Alexandre VI (Alexandre Bórgia). Vai então para as Filipinas, onde faz contato com os chefes locais e vê que têm ouro.

Magalhães não completa a viagem. Tenta fazer uma política de alianças com os chefes locais. O rei da iIha de Mactán, na região de Cebu, nas Filipinas, não aceita. Magalhães e 40 espanhóis decidem invadir a ilha e enfrentam uma reação violenta. Ele morre em 27 de abril de 1521 em Mactán. 

Com a morte, Juan Sebastián Elcano assume o comando da frota, que chega às Ilhas Molucas, objetivo inicial da viagem, em 20 de novembro de 1521. Como acreditam não estar na parte espanhola do Tratado de Tordesilhas, carregam às pressas os dois últimos navios e tentam voltar à Espanha.

A dúvida é que caminho seguir. Trinidad, o navio comandado por Magalhães escolhe a rota pelo Pacífico. É capturado por navios portugueses. O navio Victoria, de Elcano, toma o caminho do Oceano Índico e contorna o Cabo da Boa Esperança, que os marujos chamam pelo nome antigo, Cabo das Tormentas. Do Timor até as Ilhas de Cabo Verde, eles não chegam a terra,

São obrigados a atracar em Cabo Verde, uma possessão portuguesa. Treze tripulantes são presos. Dos 250 marinheiros, só 18 voltam à Espanha quase três anos depois, com apenas um navio.

PRESIDENTE ASSASSINADO

    Em 1901, o anarquista Leon Czolgozn atira no presidente norte-americano William McKinley (1897-1901) na Exposição Pan-Americana, realizada em Buffalo, no estado de Nova York. McKinley morre oito dias depois.

McKinley é o último presidente a lutar na Guerra da Secessão. Vai de soldado a major no Exército da União (Norte). 

No poder, leva os Estados Unidos à vitória na Guerra Hispano-Americana (1898), um golpe final no Império Espanhol, com a independência de Cuba, a colonização das Filipinas e a ocupação de Porto Rico, que hoje tem status de "Estado livre associado aos EUA", não é independente. Em 1898, os EUA também anexam a República do Havaí.

É uma época de grande crescimento econômico. Os EUA se tornam no fim do século 19 na maior economia do mundo ultrapassando o Reino Unido. Em 1900, McKinley introduz o padrão-ouro para controlar a inflação e consegue se reeleger.

Na época, é o terceiro presidente dos EUA assassinado no exercício do cargo, depois das mortes de Abraham Lincoln por John Wilkes Booth (1865) e de James Garfield por Charles Guiteau (1881). John Kennedy seria morto por Lee Oswald em 22 de novembro de 1963, em Dallas, no Texas. Com a morte de McKinley, assume a Presidência o vice-presidente Theodore Roosevelt, considerado um dos presidentes mais importantes da história dos EUA, pai do imperialismo norte-americano.

PRIMEIRO TANQUE DE GUERRA

    Em 1915, um protótipo de tanque de guerra chamado Little Willie sai da linha de montagem na Inglaterra. Não é um sucesso no primeiro momento.


Ele pesa 14 toneladas, para nas trincheiras e se arrasta sobre terreno acidentado a uma velocidade de 2 km/h, mas o tanque de guerra evolui e se torna um elemento decisivo do campo de batalha.

O tanque é desenvolvido em resposta à guerra de trincheiras que marca a Primeira Guerra Mundial (1914-18). Entra em combate na Batalha do Somme, em 15 de setembro de 1916. 

Na Segunda Guerra Mundial (1939-45), o tanque exerce um papel dominante no campo de batalha. É um elemento central na blitzkrieg, a guerra-relâmpago em alta velocidade da Alemanha Nazista, com aviação e tanques de alta velocidade para romper as linhas de defesa do inimigo.

Depois da Batalha de Stalingrado (1942-43), talvez a mais importante da história, e da Batalha de Kursk, a maior batalha de tanques da história, com 7.360 tanques soviéticos e 3.253 tanques alemães, o Exército Vermelho da União Soviética inicia uma contraofensiva que termina em Berlim com a vitória sobre o Nazifascismo, em 8 de maio de 1945.

ALEMANHA LANÇA BOMBA V-2

    Em 1944, a Alemanha Nazista dispara pela primeira o míssil V-2, uma bomba voadora, contra um alvo aliado, na Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O foguete ou bomba voadora V-2 (Vergeltungswaffen-2 ou Bomba da Vingança-2) é um míssil balístico desenvolvido pelo cientista alemão Werner von Braun. Tem 14 metros de comprimento, pesa cerca de 13 toneladas no lançamento, viaja a até 80 quilômetros de altitude e tem um alcance de 320 km.

Paris é o primeiro alvo. Dois dias depois, as V-2 são lançadas contra Antuérpia e Liège, na Bélgica. Londres é impiedosamente bombardeada, 1.358 vezes, atrás apenas de Antuérpia com 1.610. Em 20 de junho de 1944, a V-2 atinge uma altitude de 175 km. É o primeiro foguete a atingir o espaço sideral.

Mais de 3 mil mísseis V-2 são disparados até o fim da guerra e matam cerca de 9 mil pessoas. O último ataque é ao Reino Unido em 27 de março de 1945. Pelo menos 10 mil presos em campos de concentração de Mittelbau-Dora morrem em trabalhos forçados para fabricar as bombas voadoras na fábrica subterrânea de Mittelwerk. 

CRIADOR DO APARTHEID MORRE

    Em 1966, o primeiro-ministro da África do Sul Hendrik Verwoerd, que cria e implementa o regime segregacionista do apartheid, é esfaqueado mortalmente por um funcionário temporário do Parlamento considerado insano.

Verwoerd nasce em Amsterdã, na Holanda, em 8 de setembro de 1901. Quando tem dois anos, a família emigra para a África do Sul. Ele fica um tempo na Rodésia do Sul e depois volta para o Estado Livre de Orange, então parte da União Sul-Africana, um reino sob a coroa britânica.

Aluno brilhante da Universidade de Stellenbosch, se forma em psicologia e faz doutorado em sociologia na África do Sul. Vai para universidades alemãs em Hamburgo, Berlim e Leipzig. De volta ao país, em 1937, é contratado como editor-chefe de um jornal diário africâner, Die Transvaler, de Joanesburgo, no Transval, terra do ouro na África do Sul, uma grande riqueza do país desde o século 19.

Ele deixa o jornal com a vitória do Partido Nacional nas eleições só para brancos de 1948, quando se elege senador. Em 1950, se torna ministros dos Assuntos Nativos e passa a criar a doutrina do "desenvolvimento separado" mais conhecida como apartheid por segregar a maioria negra e aplicá-la em todos os aspectos da vida sul-africana.

Em 31 de maio de 1961, Wervoerd proclama a República Sul-Africana, rompendo o último vínculo do país com o Império Britânico.

Alvo de dois atentados a tiros em 16 de abril de 1960, em Joanesburgo, e o fatal em com facadas na Assembleia Nacional por Dimitri Tsafendas, um imigrante moçambicano revoltado com as políticas do apartheid que trabalha como carteiro temporariamente no parlamento e é declarado insano, mas cumpre a maior pena da história da África do Sul.

O apartheid só acaba em abril e maio de 1994, com a vitória do Congresso Nacional Africano (CNA) e do líder histórico da luta contra a segregação, Nelson Mandela.

NAVRATILOVA PEDE ASILO

    Em 1975, a tenista tcheco-eslovaca Martina Navratilova, uma das maiores jogadoras da história, pede asilo político aos Estados Unidos.

Martina nasce em Praga em 18 de outubro de 1956, capital da Tcheco-Eslováquia, na época sob um rígido regime comunista de inspiração stalinista, e se torna a tenista mais vencedora da história antes de Steffi Graf e Serena Williams, com 167 títulos, 18 grand-slams de simples, um recorde 31 de duplas femininas e 10 de duplas mistas.

Depois de perder a final do Torneio Aberto dos EUA de 1975 para sua amiga e rival Chris Evert, Navratilova pede asilo político. Em 1981, depois de ter a cidadania cassada pelo regime comunista, ela se torna cidadã norte-americana.

Lésbica assumida, é uma voz importante na luta pelos direitos da comunidade LGBTQIAP+.

FUNERAL DA PRINCESA

    Em 1997, poucos dias depois de sua morte, o funeral da princesa Diana, com discurso do irmão, Conde Charles Spencer, contra a família real britânica e participação do cantor e compositor Elton John, um amigo da princesa, na Abadia de Westminster, é uma cerimônia assistida na televisão por 2,5 bilhões de pessoas no mundo inteiro.

A princesa seduz o mundo com sua beleza e sensibilidade um tanto estranha para a família real do Reino Unido. O casamento de contos de fadas na Catedral de São Paulo, em 28 de julho de 1981, ela casa virgem, vira um pesadelo na vida real. Lady Di se sente uma prisioneira de palácios frios onde tem de obedecer a uma disciplina rígida.

Com a crise do casamento, a princesa arruma outros namorados, seu instrutor de equitação, um médico paquistanês e o playboy egípcio Dodi al-Fayed, filho do dono da loja de departamentos Harrod's, uma das melhores do Reino Unido.

A princesa morre como uma cinderela moderna, com sua carruagem virando abóbora na noite de Paris, a cidade mais romântica do mundo, como vê a crítica literária e intelectual norte-americana Camille Paglia.

Dodi pressiona o motorista e segurança Henry Paul, que está de folga e bebeu muito antes, a correr em seu Mercedes-Benz W140 para fugir dos paparazzi, os fotógrafos que perseguem a princesa em busca de fotos exclusivas. Ele perde o controle do carro e bate em alta velocidade. É considerado o único responsável pelo acidente. Só o segurança da princesa sobrevive.

Diana e Charles se separam em 1992 e formalizam o divórcio em 1996. Então, quando morre, em 31 de agosto de 1997, Diana não tem mais nenhum vínculo legal com a família real britânica. Em nome da tradição, a rainha Elizabeth II e o príncipe Philip não querem lhe dar um enterro com as honras da monarquia.

A comoção popular é enorme. "Ela era o princesa do povo", declara o primeiro-ministro Tony Blair, consagrando a expressão criada por seu assessor de imprensa, Alastair Campbell. O primeiro-ministro e o então príncipe Charles, hoje rei Charles III, tentam convencer a rainha, que está no Castelo Balmoral, na Escócia, em férias de verão. 

Milhares de pessoas. depositam flores, brinquedos e fotos de Diana nas grades do Palácio de Buckingham, em Londres, A população e os jornais populares esperam uma palavra do trono que só vem quando a rainha autoriza que o funeral seja realizado na Abadia de Westminster com todas as honras da famílias real. Como estrela da mídia, Diana muda a monarquia, trazendo-a para a realidade do fim de século. A mulher de seu filho William, herdeiro do trono, a princesa Kate Middleton, não casa virgem.

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