segunda-feira, 11 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 11 de Maio

NOVA ROMA

    Em 330, o imperador romano Constantino I, o Grande, proclama Bizâncio, depois Constantinopla e hoje Istambul, como a Nova Roma, capital do Império Romano do Oriente, o que a transforma numa das cidades mais importantes do mundo, uma ponte entre a Europa e a Ásia.

Como Constantino faz do cristianismo a religião oficial do Império Romano, a cidade tem a religião cristã, a organização romana e o grego como língua. O conceito do direito divino dos reis como guardiães da fé nasce lá.

Com a queda do Império Romano do Ocidente em 476, Constantinopla vira a principal cidade do império e um centro de preservação da cultura greco-romana durante a Idade Média. O auge é sob o imperador Justiniano I (527-565).

Até a ascensão das cidades-estado italianas durante o Renascimento, Constantinopla é o principal centro comercial do Mar Mediterrâneo. 

Em abril de 1204, a cidade é saqueada durante a Quarta Cruzada, o que aprofunda o Cisma do Oriente entre a Igreja Católica e a Igreja Cristã Ortodoxa. Os cavalos de bronze que ornamentam o hipódromo vão parar na Basílica de São Marcos, em Veneza, onde estão hoje.

Quando os turcos invadem a Europa no século 14, o destino da cidade está selado. A tomada de Constantinopla pelos turcos do Império Otomano sob a liderança do imperador Mehmet II, em 29 de maio de 1453, marca o fim da Idade Média. Em 1547, a cidade de torna capital do Império Otomano. A Basílica de Santa Sofia e outras igrejas bizantinas são convertidas em mesquitas.

O Império Otomano se expande pela Europa e cerca Viena, a capital do Sacro Império Romano-Germânico, duas vezes, em 1529 e 1683, quando começa o recuo otomano.

A primeira ponte ligando a Ásia à Europa é construída em 1838. A presença em Constantinopla de forças britânicas e francesas, aliadas dos otomanos durante a Guerra da Crimeia (1853-56) contra a Rússia, acelera a ocidentalização da cidade. Nos anos 1870, a ferrovia europeia do Expresso do Oriente chega até lá.

O início do século 20 é o fim do Império Otomano. Em 1908, os Jovens Turcos ocupam a cidade e depõe o odiado sultão Abdulhamid II. Nas Guerras dos Bálcãs (1912-13), os búlgaros quase tomam a cidade.

Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), o Império Otomano se alia aos Poderes Centrais, os impérios Alemão e Austro-Húngaro. A cidade é cercada e, no fim da guerra, ocupada por britânicos, franceses e italianos até 1923, quando os nacionalistas liderados por Mustafá Kemal abolem o Califado do Império Otomano e proclamam a República da Turquia.

O nome muda oficialmente de Constantinopla para Istambul, como os turcos a chamam há mais tempo, em 1930.

GUERRA MEXICANO-AMERICANA

    Em 1846, o presidente James Polk, que se elege prometendo ampliar o território dos Estados Unidos, pede autorização ao Congresso para declarar guerra ao México.

O México corta relações com os EUA em março de 1845, depois da anexação do Texas. Há uma disputa sobre onde o Texas termina, no Rio das Nozes, como quer o México, ou no Rio Grande, como entendem os EUA.

Em setembro de 1845, o presidente Polk envia John Slidell ao México para negociar a fronteira e outras questões pendentes, e propor a compra do Novo México e da Califórnia por US$ 30 milhões (US$ 750 milhões pela cotação atual). O presidente mexicano, José Joaquín Herrera, sabendo das intenções norte-americanas, nem o recebe.

Irritado, em janeiro de 1846, Polk manda o general Zachary Taylor ocupar a área em litígio, entre o Rio Grande e o Rio das Nozes. 

Quando está preparando a mensagem ao Congresso, em 9 de maio, o presidente dos EUA recebe a informação de que os mexicanos atravessam o Rio Grande em 25 de abril, no início da guerra, atacam as tropas do general Taylor e ferem ou matam 16 soldados norte-americanos. Polk muda a mensagem e acusa o México de "invadir nosso território e derramar sangue americano em solo americano."

O Congresso aprova a declaração de guerra em 13 de maio, mas os EUA entram no conflito divididos. Os democratas do Sul são a favor da guerra. Os whigs veem uma tentativa indevida e inescrupulosa de apropriação de terras e fazem oposição durante toda a guerra.

Em dezembro de 1846, Polk acusa os whigs de traição. Como eles são maioria na Câmara dos Representantes, censuram Polk por 85 a 81 votos por iniciar uma guerra com o México "desnecessária e inconstitucionalmente".

Entre as vozes mais agressivas contra a guerra de Polk, está o jovem deputado e futuro presidente Abraham Lincoln (1861-65). Os abolicionistas também são contra a guerra, entre eles, o escritor e naturalista Henry David Thoreau, preso em julho de 1846 por se negar a pagar impostos sob o argumento de que financiariam a guerra.

Thoreau passa só uma noite na cadeia porque uma tia paga os impostos. Em 1849, ele publica o livro Desobediência Civil, em que defende a resistência pacífica quando a injustiça do governo "é de tal natureza" que exige que "se descumpra a lei" para criar um atrito que pare a máquina estatal.

Suas ideias influenciam o escritor e pacifista russo Leon Tolstoy, o líder da independência da Índia, Mohandas Gandhi, e o grande herói da luta contra o regime segregacionista do apartheid na África do Sul, Nelson Mandela.

Quando a guerra começa, Polk envia um navio para resgatar o ex-presidente mexicano Antonio López de Santa Ana, o vencedor da Batalha do Álamo (1836), no início da Guerra da Independência do Texas, que está no exílio em Cuba. Polk espera negociar a paz. Mas Santa Ana assume o comando do Exército do México.

Polk manda o general Taylor, que está no Rio Grande, invadir a região central do México, enquanto forças do coronel Stephen Kearny ocupam o Novo México e a Califórnia sem encontrar grande resistência. Taylor trava várias batalhas no Rio Grande e toma Monterrey, mas não invade a região central do México.

O presidente manda então o general Winfield Scott levar um exército de navio até o porto de Veracruz. Depois de três semanas de cerco, ele toma a cidade e avança rumo à Cidade do México. Scott entra na capital mexicana em 14 de setembro de 1847. É o fim da fase militar do conflito.

Ao todo, 1.733 soldados norte-americanos morrem em combate e pelo menos 10 mil de doenças, principalmente da febre amarela, de varíola, cachumba e sarampo. Cerca de 5 mil mexicanos morrem em ação.

A guerra termina em 2 de fevereiro de 1848 com o Tratado de Guadalupe Hidalgo. O México cede o Texas, a Califórnia, Nevada e Utah, e parte do Arizona, Colorado, Novo México e Wyoming, num total de 1,36 milhões de quilômetros quadrados, cerca de 41% de seu território. Os EUA pagam US$ 15 milhões como indenização pelos danos causados pela guerra e assumem uma dívida de US$ 3,25 milhões de mexicanos com cidadãos norte-americanos.

A Guerra Mexicano-Americana é uma precursora da Guerra da Secessão (1861-65), a pior guerra da história dos EUA, com 620 mil mortes, não só porque estimula o debate sobre a escravidão, que não deveria existir nos territórios conquistados. Vários militares com experiência no campo de batalha são líderes nos dois lados da Guerra Civil.

PRISÃO DE EICHMANN

    Em 1960, quase 14 anos depois de fugir de um campo de prisioneiros da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o carrasco nazista Adolf Eichmann é capturado pelo serviço secreto de Israel perto de Buenos Aires, na Argentina. Ele é levado para Israel e julgado como um dos executores do Holocausto, condenado e executado.

Eichmann nasce em Solingen em 19 de março de 1906. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), a família se muda para Linz, na Áustria. Antes de entrar para o Partido Nazista, ele leva uma vida desinteressante. Trabalha como vendedor em uma companhia de petróleo e perde o emprego na Grande Depressão (1929-39).

Ele entra para o Partido Nazista em abril de 1932 em Linz e sobe rapidamente na hierarquia. Em novembro, se torna membro da SS, a força paramilitar do partido, sob o comando de Heinrich Himmler. Em 1933, Eichmann sai de Linz para a escola de terrorismo da Legião Austríaca em Lechfeld, na Alemanha.

De janeiro a outubro de 1934, ele serve na unidade da SS no campo de concentração de Dachau. De lá vai para o escritório central da SS em Berlim, onde trabalha para o serviço secreto na seção de assuntos judaicos.

Depois da anexação da Áustria pela Alemanha Nazista, em março de 1938, Eichmann é enviado para Viena para "livrar" a cidade de judeus. Um ano depois, vai para Praga cumprir a mesma missão na Tcheco-Eslováquia. Ao criar o Escritório Central de Segurança do Reich, Himmler nomeia Eichmann para a seção sobre judeus em Berlim.

Quando os nazistas aprovam a "solução final da questão judaica", o extermínio dos judeus da Europa, na Conferência de Wannsee, in Berlim, em 20 de janeiro de 1942, Eichmann é o grande executor. Coordena a prisão e a deportação de judeus para campos de concentração e centros de extermínio.

No fim da guerra, Eichmann é capturado, mas consegue fugir de um campo de prisioneiros em 1946 e vai para a Áustria e a Espanha até se fixar na Argentina em 1958. Ele é localizado e preso perto de Buenos Aires em 11 de maio de 1960, retirado secretamente do país e levado para Israel nove dias depois.

Seu julgamento pelo Estado de Israel, fundado em 1948, três anos depois do fim da guerra, recebe crítica de ser Justiça pós-fato, porque as leis e a Justiça de Israel não existem quando os crimes são cometidos. Há apelos para que o julgamento seja na Alemanha ou num tribunal internacional. Mas Israel insiste em julgar Eichmann. Vê uma oportunidade de educar as novas gerações sobre o Holocausto.

Eichmann alega não ser antissemita, mas apenas um burocrata que cumpriu rigorosamente as ordens. Diz que leu O Estado Judeu, de Theodor Herzl, livro que lança o moderno sionismo, o movimento nacional do povo judeu, e não Minha Luta, de Adolf Hitler, que apresenta as ideias do Nazismo. Nega até mesmo que seu escritório tivesse responsabilidade pelo extermínio dos judeus.

Seis milhões de judeus morrem no Holocausto, 60% da população de judeus da Europa, no que é considerado o pior genocídio da história, além de 1,5 milhão e meio de ciganos, e ainda socialistas, comunistas, anarquistas, negros e oposicionistas do regime nazista, num total estimado em até 11 milhões de pessoas.

O julgamento vai de 11 de abril a 15 de dezembro de 1961, quando Eichmann é condenado à morte na forca. É a única condenação à pena da morte da história de Israel.

BOB MARLEY MORRE

    Em 1981, o músico, compositor e cantor jamaicano Bob Marley, o rei do reggae, morre num hospital em Miami, na Flórida, aos 36 anos. Dias depois de shows espetaculares em Nova York no ano anterior, Marley sofre um colapso durante uma corrida no Central Park. Um câncer surgido num dedão do pé machucado num jogo de futebol leva a metástase no cérebro, fígado e pulmões. O primeiro astro pop global do Terceiro Mundo morre menos de oito meses depois.

Robert Nesta Marley nasce em 6 de fevereiro de 1945 em Nine Miles, na Jamaica, filho de Norval Sinclair Marley e Cedella Booker. A mãe vai com o padrasto Toddy Livingston para Trenchtown, uma favela de Kingston, a capital jamaicana, e leva Bob quando ele tem 10 anos.

Sua paixão pela música é embalada por ritmos como o afro-jamaicano ska, o mento e o calipso caribenhos, o jazz e o rhythm and blues norte-americanos, tocados nas ruas em sistemas de som improvisados.

No início dos anos 1960, Marley forma com o meio-irmão Bunny Livingston e Peter Tosh the Wailing Wailers. Eles cantam o sofrimento do gueto, num estilo chamado de rude boy.

Sob influência do percussionista rastafariano Alvin Patterson, Marley adota esta religião e a incorpora à produção musical. Os rastafarianos fumam maconha e reverenciam o imperador Hailé Salassié, um líder africano que sai pelo mundo pedindo ajuda depois que a Itália de Benito Mussolini ocupa a Etiópia, em 1935. Pregam a volta para a África como uma Terra Prometida.

O reggae nasce da fusão de ska, rocksteady, ragga, calipso e ritmos africanos. Está no disco Catch a Fire, de 1973, o primeiro dos Wailers lançado internacionalmente. Ele casa com Rita Marley, com quem tem três de seus 11 filhos.

Em 3 de novembro de 1976, durante uma campanha eleitoral acirrada, a casa de Marley é invadida por homens armados que atiram sem controle. Num concerto pela paz, Marley faz os dois líderes políticos rivais, Michael Manley e Edward Seaga, se darem as mãos.

Com a ameaça da violência política na Jamaica, em 1977, Marley se muda para Londres, onde lança o álbum Exodus. Ele decide conhecer a África. Vai ao Quênia e à Etiópia, origem do movimento rasfatariano. É convidado para a festa da independência do Zimbábue.

Na volta, lança o disco Survival, com músicas sobre os problemas políticos e sociais da África: as guerras, a fome e a desigualdade. Em 1980, Bob Marley & The Wailers dão um show para 100 mil pessoas em Milão. Depois de apresentações em Nova York, surgem os sintomas do câncer.

Consciente de que a própria morte se aproxima, ele diz a um filho: "Não importa quanto dinheiro alguém tenha, o dinheiro não compra a vida."

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domingo, 10 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 10 de Maio

REI QUE PERDE A CABEÇA

    Em 1774, Luís XVI e Maria Antonieta, os reis que seriam guilhotinados pela Revolução Francesa de 1789, ascendem ao trono da França.

O reino está envididado depois da derrota na Guerra dos Sete Anos (1756-63), quando a França perde suas possessões na Índia e quase todas na América do Norte para o Império Britânico.

Uma onda de frio, com vários invernos rigorosos, destrói as safras agrícolas, e alimenta a revolta popular contra um rei inepto, sem apetite pelo poder.

A revolução começa com a tomada da Bastilha, uma prisão real, em 14 de junho de 1789. Luís XVI preso na insurreição de 10 de agosto de 1792 e deposto em 21 de setembro de 1792. Num julgamento realizado pela Convenção Nacional, é condenado à morte por alta traição e executado na guilhotina em 21 de janeiro de 1793.

Único rei da França executado, é o último de mais de mil anos de monarquia no país. O general Napoleão Bonaparte funda o Primeiro Império ao se coroar embaixador em 2 de dezembro de 1804. Depois das guerras napoleônicas, a monarquia é restaurada. Ascende ao trono Luís XVIII, neto de Luís XV. 

A monarquia é abolida mais uma vez em 24 de fevereiro de 1848 e restaurada de novo por Napoleão III, sobrinho de Napoleão Bonaparte, que funda o Segundo Império (1852-70), que acaba com a derrota na Guerra Franco-Prussiana (1870-71).

TREM DE COSTA A COSTA

    Em 1869, os presidentes das companhias ferroviárias Union Pacific e Central Pacific se encontram em Promontory, no estado de Utah, numa cerimônia para marcar a conclusão da estrada de ferro transcontinental, que pela primeira vez permite viajar de costa a costa nos Estados Unidos.

Desde 1832, os norte-americanos do Leste e do Oeste veem a necessidade de unir os dois lados do país. O Congresso aprova a primeira verba em 1853, mas a tensão entre Norte e Sul que leva à Guerra da Secessão (1861-65) atrasa o início da obra por causa da discussão sobre onde passaria.

A ferrovia de 3.075 quilômetros é construída de 1863 a 1869. Faz conexão coma a rede ferroviária existente no Leste na cidade de Council Bluffs, no estado de Iowa, e vai até o porto de Oakland, na Califórnia, do lado leste da Baía de São Francisco.

ALEMANHA NAZISTA INVADE

    Em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Alemanha Nazista invade a Bélgica, a Holanda e Luxemburgo.

A guerra começa em 1º de setembro de 1939, quando o ditador nazista Adolf Hitler ordena a invasão da Polônia depois de fazer um pacto de não agressão com o ditador da União Soviética, Josef Stalin, que invade o Leste da Polônia em 17 de setembro. Varsóvia se rende aos nazistas em 27 de setembro.

Em 13 de dezembro, o Reino Unido vence a Batalha do Rio da Prata, o primeiro grande confronto naval da guerra.

Na Europa, a Alemanha invade a Noruega em 8 de abril de 1940. A invasão da Bélgica, da Holanda e de Luxemburgo faz parte de uma estratégia maior dos nazistas para dominar a França. A conquista da Bélgica inclui o primeiro duelo de tanques da guerra, a Batalha de Hannut. Depois de 18 dias, em 28 de maio, o Exército da Bélgica se rende.

ASCENSÃO DE CHURCHILL

    Em 1940, o primeiro-ministro do Reino Unido, Neville Chamberlain, perde o apoio de parte da bancada do Partido Conservador e é substituído por Winston Churchill.

Chamberlain tenta apaziguar Adolf Hitler com os Acordos de Munique, de 30 de setembro de 1938, quando a França e o Reino Unido entregam à Alemanha os Sudetos, uma região da Tcheco-Eslováquia com a maioria da população de origem alemã.

No poder, Churchill se nega a fazer qualquer concessão a Hitler. Consegue salvar parte do Exército Real britânico na Retirada de Dunquerque, na França, de 26 de maio a 4 de junho de 1940. A primeira grande vitória vem na Batalha da Inglaterra, um combate aéreo travado de 10 de julho a 31 de outubro de 1940 que impede a Alemanha da invadir o Reino Unido.

Churchill é o grande líder da resistência a Hitler até a invasão da União Soviética pela Alemanha Nazista, em 22 de junho de 1941, e a entrada dos Estados Unidos na guerra depois do ataque aérea do Japão à Frota do Pacífico dos EUA, baseada em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941.

O ditador soviético Josef Stalin observou que na Segunda Guerra Mundial "os britânicos deram tempo, os norte-americanos deram dinheiro e os soviéticos deram sangue."

MAIORIA NEGRA ASSUME O PODER

    Em 1994, com a posse de Nelson Mandela como presidente da África do Sul, a maioria negra chega ao poder depois de mais de três séculos da dominação colonial e pelo regime segregacionista do apartheid.

Rolihlahla Nelson Mandela nasce em 18 de julho de 1918 na nobreza da tribo xhoza. Estudo direito e, Influenciado pelas ideias do líder pacifista da independência da Índia, o Mahatma Gandhi, nos anos 1940s, entra para a Liga Jovem do Congresso Nacional Africano (CNA). 

Depois da morte de 69 negros no Massacre de Sharpeville, em 1960, o CNA decide aderir à luta armada. Mandela vira líder do braço armado do CNA, Umkhonto we Sizwe (Lança da Nação). 

Quando volta de treinamento militar no exterior, é preso, em 1962, e condenado à morte em 1964. A sentença depois é reformada para prisão perpétua. Durante o julgamento, ele diz que está lutando contra a ditadura da minoria branca e promete lutar contra uma ditadura da maioria negra.

Nos momentos mais violentos da guerra civil não declarada da África do Sul, o regime racista apela a Mandela, que sempre insiste que presos não podem negociar.

Mandela passa 27 anos preso até ser libertado em 11 de fevereiro de 1990 para negociar com o regime que o encarcerou. Até sua imagem era proibida no país. A pneumonia que o mata é resultado das condições desumanas na prisão da ilha de Robben, onde fica 16 anos.

Diante da grande pressão internacional, do boicote internacional à economia sul-africana e do fim da Guerra Fria, ao tomar posse, em 1989, o presidente branco Frederik de Klerk anuncia a intenção de libertar Mandela e negociar o fim do apartheid. Ambos dividem o Prêmio Nobel da Paz em 1993.

Depois de negociações tensas e difíceis, o CNA vence as eleições de 27 de abril de 1994 e Mandela assume em 10 de maio como o primeiro presidente eleito democraticamente da África do Sul. Convida para a posse um de seus carcereiros. Fiel à democracia, ao contrário da maioria dos líderes africanos, deixa o governo depois do primeiro mandato. 

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sábado, 9 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 9 de Maio

QUARTA VIAGEM À AMÉRICA

    Em 1502, Cristóvão Colombo, parte de Cádiz, na Espanha, para sua quarta e última viagem à América, o continente que descobriu para os europeus pensando haver chegado à Índia.

Colombo nasce em Gênova, na Itália, que na época não era unificada, em 1451. Ele apresenta o projeto de chegar à Ásia navegando rumo ao oeste a Portugal, que o rejeita, porque está tentando chegar dando a volta pelo Sul da África. 

Depois de convencer os reis católicos da Espanha, Fernando de Aragão e Isabel de Castela, Colombo parte de Palos com três caravelas – Santa Maria, Pinta e Niña – em 3 de agosto de 1942 e chega a Guanahani, que batiza como São Salvador, hoje parte das Bahamas, em 12 de outubro. Também vai a Cuba e a Hispaniola, a ilha hoje dividida entre Haiti e República Dominicana, antes de voltar à Espanha.

Na segunda viagem (1493-96), com 3 naus e 14 caravelas, Colombo vai às Antilhas, à Martinica, a Porto Rico e depois a Hispaniola, onde os índios haviam destruído a colônia instalada na primeira viagem. Funda São Domingos, a primeira povoação europeia na América, hoje capital da República Dominica. Também vai à Jamaica.

Na terceira viagem (1498-1500), com 6 naus, chega a Trinidad e ao Delta do Rio Orinoco, hoje parte da Venezuela.

Na quarta viagem (1502-4), com quatro naus, Colombo busca encontrar uma passagem para o Oriente. Vai ao que hoje é a América Central, a Honduras, Nicarágua, Costa Rica e Panamá. Ao voltar a Hispaniola, com as naus em péssimo estado, é obrigado a voltar à Espanha. Morre em 20 de maio de 1506 em Valladolid, na Espanha, sem saber que havia encontrado o Novo Mundo.

ÁFRICA ORIENTAL ITALIANA

    Em 1936, sete meses depois de invadir a Abissínia e da fuga do imperador Hailé Salassié para o exílio, o ditador fascista Benito Mussolini anexa a Abissínia ou Etiópia e cria a África Oriental Italiana, que também inclui a Eritreia e a Somália.

Mussolini funda o Partido Fascista em 1919 e é nomeado primeiro-ministro da Itália em 1922. Sua ambição de restaurar a glória do Império Romano o leva a tomar a Abissínia. Deposto Salassié, o fascismo quer destruir o Império da Etiópia.

A África Oriental Italiana marca o período de maior expansão do fascismo. Em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Itália anexa a Somália Britânica, hoje Somalilândia. Numa luta que vai de janeiro a novembro de 1941, o Exército Real britânico vence os italianos e acaba com a África Oriental Italiana.

FDA APROVA PÍLULA

    Em 1960, a agência de Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA), órgão regulador dos Estados Unidos, aprova a primeira pílula anticoncepcional comercial, Enovid-10, deflagrando a revolução sexual ao liberar as mulheres do risco de uma gravidez indesejada.

O desenvolvimento da pílula foi feito pelo bioquímico Gregory Pincus, da Fundação Worcester para Biologia Experimental, e o ginecologista John Rock, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard, a partir do início dos anos 1950.

CÂMARA INVESTIGA NIXON
    Em 1974, a Comissão de Justiça da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos começa as audiências que levam à abertura de um processo de impeachment contra o presidente Richard Nixon por causa do Escândalo de Watergate.
Na madrugada de 17 de junho de 1972, a polícia de Washington prende cinco arrombadores por invadir a sede do diretório nacional do Partido Democrata, no Edifício Watergate. Quatro trabalharam como agentes da CIA (Agência Central de Inteligência) contra o regime comunista de Fidel Castro em Cuba. Três são cubanos.

Quando o repórter Carl Bernstein, do jornal The Washington Post, vai ao tribunal, desconfia porque alguns dos advogados mais caros da capital dos EUA não defenderiam cinco ladrõezinhos ou criminosos comuns. Era o grupo de encanadores da Casa Branca.

Aí começa uma das mais importantes investigações jornalísticas da história. Com a ajuda de uma fonte citada como Garganta Profunda (título de um filme pornô da época), que muitos anos depois se revelou como Mark Felt, subdiretor do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, Carl Berstein e Bob Woodward, os dois do Post, descobrem uma conspiração que leva até o presidente dos EUA.

O sistema de gravação de conversas é instalado no Salão Oval, o gabinete do presidente dos EUA, em fevereiro de 1971 e desativado em 18 de julho de 1973, dois dias depois da revelação de sua existência na comissão parlamentar de inquérito do Senado sobre o Escândalo de Watergate por Alexander Butterfield, um assessor da Casa Branca.

Nixon não é o primeiro presidente dos EUA a gravar suas reuniões. Começa com Franklin Delano Roosevelt em 1940. A recusa de Nixon em aceitar a intimação do Congresso para entregar as fitas é uma das bases do processo de impeachment que causa a renúncia do presidente em 9 de agosto de 1974. A Suprema Corte manda Nixon entregar as fitas. O presidente está liquidado.

O Senado encaminha o inquérito à Câmara, que acusa Nixon de abuso de poder, obstrução de justiça e desacato ao Congresso, mas ele renuncia antes da votação, quando um grupo de deputados e senadores republicanos vai até a Casa Branca para avisar que ele não tem mais o apoio do partido e que só 4 ou 5 senadores.

Todos os envolvidos no Escândalo de Watergate são condenados e presos, menos Nixon, que recebe o perdão presidencial de seu sucessor, Gerald Ford.

Em 19 de agosto de 2013, a Biblioteca Presidencial Richard Nixon divulga as últimas 340 horas das gravações, de 9 de abril a 12 de julho de 1973. Elas revelam que logo depois de prometer à população que não acobertaria o escândalo ele pressiona o ministro da Justiça a não indicar um procurador especial para o caso e instrui um ex-assessor a se esquivar de perguntas alegando razões de segurança nacional.

ALDO MORO ENCONTRADO MORTO

    Em 1978, o cadáver do ex-primeiro-ministro italiano Aldo Moro, sequestrado em 16 de março pelo grupo terrorista Brigadas Vermelhas, é encontrado crivado de balas no porta-malas de um carro no centro histórico da Roma.

Cinco vezes chefe de governo, Moro, da Democracia Cristã, é um dos políticos mais importantes da Itália depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), favorito para a eleição presidencial de 1978 quando é capturado durante um tiroteio.

Conciliador, no seu primeiro governo, em 1963, Moro se alia ao Partido Socialista (PS). Em 11 de março de 1978, negocia uma grande coalizão com o Partido Comunista Italiano (PCI), o maior partido comunista da Europa Ocidental, o chamado "compromisso histórico".

Cinco dias depois, seu carro é atacado por mais de 10 terroristas. Seus cinco guarda-costas morrem e Moro vira refém. Em 18 de março, as Brigadas Vermelhas reivindicam a autoria do sequestro e avisam que o ex-primeiro-ministro será submetido a um "julgamento popular".

As Brigadas Vermelhas, fundadas em 1970 por Renato Curzio, são um grupo terrorista que realiza atentados a bomba, assassinatos, sequestros e assaltos a banco para deflagrar uma revolução comunista na Itália. O PCI, segundo maior partido do país, defende a democracia parlamentar e condena a luta armada.

O governo italiano se nega a negociar com terroristas. Centenas de suspeitos são presos, mas o "cárcere do povo" não é descoberto. Cartas de Aldo Moro de 19 de março e 4 de abril apelam ao governo para que negocie. 

Quando começam negociações secretas, as Brigadas Vermelhas rompem o diálogo em 15 de abril e anunciam que o tribunal popular julgou Moro culpado e o sentenciou à morte. Em 24 de abril, os terroristas exigem a libertação de 13 milicianos do grupo presos.

Em 9 de maio, Moro envia uma carta de despedida à mulher: "Eles disseram que vão me matar logo, beijo você pela última vez." A pedido dele, nenhum político italiano participou do funeral.

No ano seguinte, as Brigadas Vermelhas matam o ativista sindical Guido Rossa. Durante os anos 1980, a polícia italiana prende 12 mil extremistas de esquerda e 600 saem do país. De 1974 a 1988, o grupo terrorista mata cerca de 50 pessoas.

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sexta-feira, 8 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 8 de Maio

BATALHA DO MAR DE CORAL

    Em 1942, o Lexington é o primeiro porta-aviões norte-americano a ir a pique durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), mas os Estados Unidos vencem o Japão na Batalha do Mar de Coral.

No fim de abril de 1942, o Império do Japão avança para assumir o controle do Mar de Coral, que fica entre a Austrália e a Nova Caledônia. O plano é instalar bases em Porto Moresby, na Nova Guiné, e em Tulagi, nas Ilhas Salomão.

A inteligência ocidental descobre a manobra e mobiliza todas as forças aeronavais disponíveis na área. Quando os japoneses desembarcam em Tulagi, em 3 de maio, aviões de uma força-tarefa de porta-aviões dos EUA sob o comando do contra-almirante Frank Fletcher bombardeiam os invasores. Afundam um contratorpedeiro, navios caça-minas e barcaças para assalto anfíbio.

Em 7 de maio, caças japoneses baseados em porta-aviões põem a pique um contratorpedeiro e um navio-tanque dos EUA. A força-tarefa de Fletcher afunda o pequeno porta-aviões Shoho e um cruzador. No dia 8 de maio, os aviões japoneses afundam o porta-aviões Lexington e danificam o Yorktown, enquanto o maior porta-aviões do Japão, o Shokaku, é retirado de combate.

O Japão perde tantos aviões que a força invasora de Porto Moresby, na Nova Guiné, fica sem cobertura aérea e é obrigada a se retirar. É uma vitória estratégica dos aliados.

É uma batalha aeronaval, na observação almirante norte-americano Ernest King, "a primeira grande batalha naval da história em que os navios na superfície não disparam um tiro." A guerra de porta-aviões é uma característica da Guerra do Pacífico.

DIA DA VITÓRIA NA EUROPA

    Em 1945, o Exército Vermelho vence a Batalha de Berlim e crava a bandeira da União Soviética no Reichstag enquanto os aliados ocidentais avançam pelo oeste, e a Alemanha Nazista se rende incondicionalmente acabando com a Segunda Guerra Mundial (1939-45) na Europa.

A guerra começa em 1º de setembro de 1939, quando a Alemanha de Adolf Hitler invade a Polônia, dias depois de firmar o Pacto Germano-Soviético, um acordo de não agressão com a União Soviética de Josef Stalin.

Antes, o Japão invade a Manchúria em 1931 e o Leste da China em 1937, a Itália ocupa a Etiópia em 1935 e a Alemanha anexa a Áustria em 1938 e a Tcheco-Eslováquia em 1938-9, sem que a Liga das Nações tome qualquer medida.

A Alemanha, aliada à Itália de Benito Mussolini, conquista o Norte da África e a Europa Ocidental. A França se rende em junho de 1940. A rendição é assinada no mesmo vagão onde a Alemanha capitula na Primeira Guerra Mundial (1914-18). Hitler faz questão de demonstrar que uma guerra era a continuação da outra.

Com a derrota na Batalha da Inglaterra, uma batalha aérea travada de julho a outubro de 1940, a Alemanha não consegue invadir o Reino Unido, que resiste. É sede dos governos da França e da Polônia no exílio.

Em 22 de junho de 1941, a Alemanha rompe o pacto de não agressão e invade a URSS em três frentes: rumo a São Petersburgo, no Norte; rumo a Moscou, no Centro; e rumo à Ucrânia, no Sul. Perde a Batalha de Moscou, que vai de 2 de outubro de 1941 a 7 de janeiro de 1942.

No Sul, os nazistas avançam até a Batalha de Stalingrado, talvez a mais importante da história, travada de 23 de agosto de 1942 a 2 de fevereiro de 1943, com quase 2 milhões de mortes. De Stalingrado, o Exército Vermelho inicia a contraofensiva rumo a Berlim.

Os EUA entram na guerra com o ataque do Império do Japão à Frota do Pacífico, baseada em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, e apoiam ao esforço aliado, inclusive dando apoio logístico à URSS através do Irã durante a Batalha de Stalingrado.

A vitória do Exército Real britânico na Batalha de El-Alamein, no Egito, em 3 de novembro de 1942, sobre o poderoso Afrika Korps, ajuda a mudar o rumo da guerra. O primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, comenta: "Este não é o fim, nem o começo do fim, mas é talvez o fim do começo."

Anos depois, Churchill escreve: "Antes de El-Alamein, nunca tivemos uma vitória; depois de El-Alamein, nunca tivemos uma derrota."

Os aliados ocidentais invadem a Itália em 3 de setembro de 1943 e a Normandia, no Norte da França, em 6 de junho de 1944. Paris é libertada em 25 de agosto. Eles avançam e ocupam o Oeste da Alemanha, que depois da guerra se torna Alemanha Ocidental, enquanto os soviéticos ocupam o Leste, a futura Alemanha Oriental, e libertam, no caminho sobreviventes de campos de concentração como Auschwitz-Birkenau, em 27 de janeiro de 1945.

Mussolini é executado em 28 de abril de 1945 pelos guerrilheiros comunistas da resistência Italiana. Hitler se suicida em 30 de abril.

A Alemanha assina a rendição aos aliados ocidentais em 7 de maio em Reims, na França. Ela entra em vigor no dia seguinte. A URSS faz questão de negociar outro documento, assinado em Moscou em 8 de maio. Por isso, a URSS e agora a Rússia festejam o fim da guerra na Europa em 9 de maio.

A Segunda Guerra Mundial termina com a rendição do Japão, anunciada pelo imperador Hiroíto em 15 de agosto de 1945, depois do país ser alvo das bombas atômicas de Hiroxima, em 6 de agosto, e Nagasaki, em 9 de agosto. O Japão se rende oficialmente em 2 de setembro.

DEIXA ESTAR

    Em 1970, um mês depois de Paul McCartney anunciar o fim da banda, The Beatles lançam seu último álbum, Let it be.

Let it be é gravado no início de 1969, antes de Abbey Road, que é lançado antes, no fim de 1969. Há um filme documentando a gravação. 

A música-título do álbum sai como compacto simples em 6 de março de 1970. Escrita e cantada por Paul McCartney, é uma busca de esperança em meio à resignação, é sobre aceitar uma realidade que se impõe e deixar a vida correr.

VARÍOLA ERRADICADA

    Em 1980, depois de uma campanha de vacinação global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declara que a varíola está erradicada depois de séculos. É uma das piores doenças infecto-contagiosas agudas. Matava 30% dos doentes.

A varíola é uma doença infecciosa aguda. Começa com febre alta, dor de cabeça e dor nas costas. Provoca erupções de pele no rosto e no corpo. Os sobreviventes não correm risco de ter a doença, mas podem sofrer com sequelas para toda a vida, de marcas na pele até a cegueira.

É uma das primeiras doenças controladas por vacinas. As primeiras experiências são feitas pelo médico inglês Edward Jenner em 1796.

A OMS lança o programa global de vacinação contra a varíola em 1967. Em 1980, declara a doença erradicada. O vírus não circula mais na natureza. Só existe em laboratórios nos EUA e na Rússia. Como a varíola está erradicada, não há mais necessidade de campanhas de vacinação em massa.

Hoje em dia, a erradicação de doenças está ameaçada pela insanidade dos movimentos antivacina.

PAPA NORTE-AMERICANO

    Em 2025, o cardeal Robert Francis Prevost é o primeiro norte-americano a ser eleito papa e adota o nome de Leão XIV, numa homenagem a Leão XIII, pioneiro da doutrina social da Igreja Católica. Ele substitui o papa Francisco, falecido no mês anterior.

O papa Leão XIII é conhecido por lançar a doutrina social da Igreja Católica com a encíclica Rerum Novarum, publicada em 15 de maio de 1891, sobre as condições sociais dos trabalhadores e em defesa dos sindicatos. O chamado socialismo cristão é uma reação à difusão do socialismo e do comunismo na Europa.

O conclave de 2025 é o maior e o mais diverso da história, com 133 cardeais eleitores, dos quais mais de 40 de países que nunca haviam participado como o Haiti, Bangladesh, Mianmar e a Malásia. Como nas eleições dos papas Francisco e Bento XVI, a escolha sai no segundo dia de votação, com a fumaça branca escapando da chaminé instalada na Capela Sistina.

A votação mais longa durou mais de mil dias, de 1268 até 1271, quando foi eleito o papa Gregório X. A longa vacância do trono de São Pedro levou à criação do conclave, em que os cardeais ficam isolados para afastar influências externas.

Prevost, de 70 anos, nasce em Chicago em 14 de setembro de 1955 numa família de origem francesa, italiana e espanhola. De 1985 a 1999, é missionário no Peru e se naturaliza peruano. Assim, tem dupla nacionalidade e uma forte ligação com a América Latina. 

Aos 27 anos, vai para Roma estudar Direito Canônico. É um cardeal da Cúria Romana, visto como uma alternativa "equilibrada" entre os setores conservador e progressista da Igreja. Era prefeito do Dicastério para os Bispos, a órgão que supervisiona a indicação dos bispos, e presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina. Também foi líder de sua ordem, dos agostinianos.

Pode ser também mais uma reação às políticas do presidente Donald Trump. O novo papa criticou os ataques de Trump e do vice-presidente James David Vance aos imigrantes.

No seu primeiro pronunciamento, Leão XIV elogia o trabalho de Francisco. Em 2023, Prevost é acusado por três religiosas peruanas de acobertar dois agostinianos denunciados por elas de abusos sexuais. A Diocese de Chiclayo o defende alegando que Prevost levou o caso para Roma e aconselhou as mulheres a recorrer às autoridades civis. O fim do processo canônico seria resultado do arquivamento do processo na Justiça do Peru por prescrição do prazo de punibilidade, já que os abusos teriam acontecido nas décadas de 1980 e 1990.

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quinta-feira, 7 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 7 de Maio

TEATRO REAL

    Em 1663, é aberto o Teatro Real, mais conhecido hoje como Teatro Drury Lane, construído pelo pelo dramaturgo Thomas Killigrew para sua companhia de teatro, é aberto em Londres durante o período da Restauração da monarquia depois de breve experiência republicana da Inglaterra (1649-60).

É o mais antigo teatro em uso na Inglaterra. Fecha em 1665 e 1666. É destruído pelo fogo em 1672 e reconstruído na atual localização, provavelmente pelo arquiteto Christopher Wren, responsável pelo projeto da Catedral de São Paulo.

NASCIMENTO DE TCHAIKOVSKY

    Em 1840, nasce em Votkinsk, na Rússia, Piotr Ilich Tchaikovsky, o compositor russo mais popular, autor de clássicos como O Lago dos CisnesSuíte Quebra Nozes e A Bela Adormecida.
Desde criança, Tchaikovsky revela talento para a música. Aos 4 anos, faz sua primeira composição. Aos 5 anos, começa a estudar piano. Como a música praticamente não existe como carreira na Rússia daquela época, ele é educado para ser funcionário público.

Quando finalmente o pai percebe o talento musical do filho, contrata um professor profissional. Tchaikovsky viaja pela Europa. Vai à Alemanha, à França e ao Reino Unido. Na volta, entra para o recém-fundado Conservatório de São Petersburgo, onde se forma em 1865.

Sua música mescla a tradição musical russa com a música clássica do Ocidente. Sua obra inclui 7 sinfonias, 11 óperas, 3 balés, 5 suítes, 3 concertos para piano, um concerto para violino, 11 aberturas, 4 cantatas, 20 canções para coral, 3 para quarteto de cordas, uma para um sexteto de cordas e mais de 100 músicas e peças para piano.

BATALHA DO ATLÂNTICO

    Em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), um submarino da Alemanha afunda o navio de passageiros britânico Lusitania. A guerra dos submarinos alemães contra o transporte marítimo no Oceano Atlântico é a principal causa da entrada dos Estados Unidos na guerra.
A Primeira Batalha do Atlântico é uma campanha naval entre o Império da Alemanha contra o Reino Unido e a França, aos quais os EUA se juntam em 1917. O principal objetivo da Alemanha é impedir a chegada de suprimentos aos inimigos.

Em resposta, a Marinha Real britânica bloqueia os portos alemães para impedir a entrada de suprimentos. A Alemanha tem uma frota maior de submarinos e bombardeia indiscriminadamente navios mercantes e de passageiros. Os navios vão em pequenas frotas e os aliados desenvolvem equipamentos como radar e sonar para se proteger.

O Lusitânia é o maior navio do mundo quando fabricado, em 1907. Tem o recorde de velocidade da travessia do Atlântico na época, 24 nós ou 44,45 km/h.

No ataque ao Lusitania, 1.198 das 1.959 pessoas a bordo morrem afogadas, inclusive 128 norte-americanos. É o sinal de que a Batalha do Atlântico vira uma guerra indiscriminada. Isto ajuda a virar a opinião pública dos EUA, que historicamente é contra o envolvimento do país em guerras na Europa.

Ao todo, cerca de 5 mil navios civis são atacados pela Alemanha no Oceano Atlântico. Cem navios de guerra dos aliados e 178 submarinos alemães vão a pique na guerra.

Outra causa importante da entrada dos EUA na guerra é o Telegrama Zimmermann, uma mensagem telegráfica secreta enviada em janeiro de 1917 pelo ministro do Exterior da Alemanha, Arthur Zimmermann, ao embaixador alemão na Cidade do México, Heinrich von Eckardt, propondo uma aliança com o México para ajudar o país a recuperar os territórios conquistados pelos EUA na Guerra Mexicano-Americana (1846-48). Em abril de 1917, os EUA declaram guerra à Alemanha.

A entrada dos EUA na guerra é decisiva para a vitória dos aliados. Em março de 1918, a Rússia, derrotada na frente oriental, está em revolução, e a Alemanha leva vantagem na frente ocidental até os EUA entrarem em combate.

NASCIMENTO DE EVITA

    Em 1919, nasce em Los Toldos, na Argentina, María Eva Duarte. Como segunda mulher do general Juan Domingo Perón, Eva Perón ou Evita se torna uma grande líder popular, a Mãe dos Pobres e dos Descamisados. Até hoje, o casal domina e assombra a política argentina.
Filha ilegítima de uma cozinheira, Evita nasce pobre no interior da província de Buenos Aires. Aos 16 anos, vai para a capital argentina, onde trabalha como modelo e atriz de teatro, cinema e radioteatro.

Ela conhece Perón num evento beneficente no ginásio de esportes Luna Park em 22 de janeiro de 1944, quando ele é vice-presidente, ministro do Trabalho e ministro da Guerra. 

Outra atriz sentada ao lado do coronel Perón se levanta e Evita não perde a oportunidade. Senta ao lado dele e diz uma frase histórica: "Coronel, obrigada por existir." Eles viram amantes.

Sob pressão da ala conservadora do Exército, Perón é demitido em 9 de outubro de 1945 e preso quatro dias depois. Uma onda de protestos populares organizados pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) com a participação de Evita, então apenas uma atriz, força a sua libertação em 17 de outubro, festejado como o Dia da Lealdade, a data magna do peronismo.

Naquele dia, Perón faz seu primeiro discurso triunfante na janela da Casa Rosada diante de uma multidão reunida na Praça de Maio, ao lado de Evita, com quem se casa quatro dias depois.

Com os votos de mais de 1,5 milhão de argentinos, 53% do eleitorado, Perón é eleito presidente da Argentina em 24 de fevereiro de 1946.

Evita cuida das obras sociais do governo. É ministra do Trabalho e do Bem-Estar Social e preside a Fundação Eva Perón, criada em 1948, com orçamento anual de US$ 50 milhões, que distribui generosamente dinheiro, empregos e moradia para os descamisados, os migrantes vindos do interior.

Em entrevista ao escritor Tomás Eloy Martínez, em 1970, Perón declara que “Evita foi uma criação minha”, negando que a imagem de sua segunda mulher tenha se tornado maior do que a dele. Essa posição é defendida hoje por peronistas que acusam a oligarquia argentina de inflar o mito de Evita para torná-la maior do que o caudilho.

A primeira-dama é fundamental na campanha para a introdução do voto feminino, em 1947. Chega a ser cotada como candidata a vice-presidente, mas enfrenta forte resistência dos conservadores e militares.

Um grande comício realizado pela CGT em 22 de agosto de 1951 é insuficiente para virar o jogo. Depois de uma tentativa de golpe em 28 de setembro, a candidatura Evita é abandonada.

SANTA EVITA
Uma espécie de Cinderela vingadora, Eva Perón morre de câncer no útero menos de um ano depois, em 26 de julho de 1952, no auge de sua popularidade. É convertida numa santa.

Seu funeral dura quatro dias para que todos possam dar adeus à mãe dos pobres. De maio de 1952 a julho de 1954, dois anos depois de sua morte, o Vaticano recebe mais de 40 mil cartas pedindo a canonização de Evita.

Mais da metade das meninas nascidas em algumas províncias argentinas naquela época foram batizadas Eva ou María Eva. As adolescentes pintavam o cabelo de louro. Evita ditava a moda.

DISPUTA PELO CADÁVER
Quando Evita morre, o plano é construir um memorial em sua homenagem. Ela seria enterrada na base de um monumento aos descamisados. Como o líder da revolução comunista na Rússia, Vladimir Lenin, seu corpo embalsamado ficaria em exposição ao público.

Antes da conclusão da obra, Perón é derrubado por golpe militar, a Revolução Libertadora de 16 de setembro de 1955. Foge sem se preocupar com a múmia de Evita, que desaparece da sede da CGT, em Buenos Aires, onde ficara. De 1955 a 1971, o peronismo é proscrito na Argentina. É proibido ter fotos de Eva e Juan Perón em casa e até mesmo citar seus nomes.

Em 1957, com a ajuda do Vaticano, o cadáver de Evita é retirado da Argentina e enterrado com nome falso na Itália.

Só em 1971 os militares revelam que a ex-primeira-dama está enterrada numa cripta em Milão, na Itália, com o nome de María Maggi. Naquele ano, o corpo é exumado e entregue ao general Perón no exílio na Espanha.

Depois da morte de Perón, em 1974, a terceira mulher do caudilho, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, assume o governo e repatria o cadáver de Evita, que fica um tempo ao lado dos restos de Perón na Quinta de Olivos, residência oficial dos presidentes da Argentina. Sem o talento político de EvitaIsabelita não se sustenta no cargo.

Com o golpe militar de março de 1976, mais uma vez os peronistas temem pelo destino dos restos mortais da grande líder de massas. Em outubro daquele ano, sob a supervisão da ditadura, o cadáver de Evita é levado de Olivos para o Cemitério da Recoleta, onde estão enterrados os grandes líderes da oligarquia argentina, e sepultado no mausoléu da família Duarte.

Até hoje, os dois cadáveres têm presença dominante. Ainda assombram e dominam a política argentina. O atual presidente, Javier Milei, de extrema direita, quer erradicar o peronismo, mas o aumento da desigualdade social joga a favor de Perón. 

RENDIÇÃO DA ALEMANHA

    Em 1945, uma delegação da Alemanha Nazista chefiada pelo general Alfred Jodl vai até quartel-general do comandante militar aliado, general Dwight Eisenhower, para assinar os documentos de rendição. A Segunda Guerra Mundial (1939-45) na Europa termina no dia seguinte.

A guerra começa com a invasão da Polônia por ordem do ditador nazista Adolf Hitler, em 1º de setembro de 1939. Dias antes, em 23 de agosto, Hitler faz um pacto de não agressão com o ditador soviético, Josef Stalin. Eles dividem a Polônia.

Depois da rendição da França, em 22 de junho de 1940, e da derrota na Batalha da Inglaterra, em outubro do mesmo ano, a Alemanha rompe o pacto e invade e União Soviética em 22 de junho de 1941.

Os Estados Unidos entram na guerra em 7 de dezembro de 1941, quando a Força Aérea do Japão bombardeia a Frota do Pacífico dos EUA, baseada em Pearl Harbor, no Havaí.

A Alemanha perde a Batalha de Moscou, travada de 2 de outubro de 1941 a 7 de janeiro de 1942, e seu Exército da África sofre uma grande derrota na Batalha de Al Alamein, no Egito, em 11 de novembro de 1942.

Na frente oriental, a ofensiva alemã na Europa Oriental é contida com a derrota na Batalha de Stalingrado, em 2 de fevereiro de 1943. A partir daí, o Exército Vermelho lança uma contraofensiva que vai até Berlim, em 8 de maio, Dia da Vitória na Europa.

Os aliados ocidentais invadem a Sicília, na Itália, em 9 de julho de 1943 e a Normandia, na França, em 6 de junho de 1944. Depois da Batalha de Ardenne, no Norte da França, de 16 de dezembro de 1944 a 25 de janeiro de 1945, o caminho está aberto na frente ocidental e os aliados convergem para a Alemanha.

FIM DA INDOCHINA FRANCESA

    Em 1954, depois de 57 dias de cerco, os guerrilheiros comunistas do Viet Minh, sob o comando do general Vo Nguyen Giap, obtém uma vitória decisiva contra a França na Batalha de Dien Bien Phu, no Nordeste do Vietnã, e acabam com a Indochina Francesa, fundada em 1887, que colonizava o Laos, o Camboja e o Vietnã.

Horas depois da rendição incondicional do Japão, fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), em 2 de setembro de 1945, o líder comunista Ho Chi Minh proclama a independência da República Democrática do Vietnã.

Em 1946, quando a França tenta reimpor o regime colonial, começa a Primeira Guerra da Indochina (1946-54). Quando termina, o acordo de paz mediado pelas Nações Unidas divide o Vietnã ao longo do paralelo 17º Norte em Vietnã do Norte e do Sul, e propõe a realização de eleições em dois anos para unificar o país.

Como os comunistas liderados por Ho Chi Minh são favoritos, os Estados Unidos, superpotência líder do mundo capitalista durante a Guerra Fria, herdam o espaço geopolítico dos decadentes impérios britânico e francês – e vetam as eleições. 

Em 1º de novembro de 1955, começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75), que termina em 30 de abril de 1975, com a queda de Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, e do regime-fantoche sustentado pelos EUA depois de milhões de mortes.

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