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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 5 de Agosto

DIVISÃO DA POLÔNIA

    Em 1772, a Rússia, a Prússia e a Áustria assinam um tratado que divide a Polônia e toma a metade de sua população e um terço das terras.

A Primeira Divisão da Polônia acontece depois que a Rússia, sob o reinado de Catarina II, a Grande, obtém importantes vitórias na Guerra Russo-Turca (1768-74) contra o Império Otomano e ameaça chegar até principados do Rio Danúbio, o que alarma a Áustria e a Prússia.

Para pacificar as relações entre Áustria, Rússia e Prússia, o rei Frederico II, o Grande, da Prússia, decide desviar as ambições imperiais russas das províncias turcas para a Polônia, que tinha um Estado fraco e estava em guerra civil. Sob intervenção militar das três potências europeias, o parlamento polonês aprova a divisão do país em 1773.

A Segunda Divisão da Polônia, desta vez entre Rússia e Prússia, ocorre em 1793. Na Terceira Divisão, em 1795, entre Rússia, Áustria e Prússia, o Estado polonês deixa de existir. É o fim da Comunidade Polaco-Lituana ou República das Duas Nações, fundada em 1569, um dos maiores e mais populosos países da Europa nos séculos 16 e17. A  Polônia renasce em 1918, depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

A Segunda Guerra Mundial (1939-45) começa com a invasão da Polônia pela Alemanha Nazista em 1º de setembro de 1939. Por causa do Pacto Germano-Soviético, firmado em 23 de agosto de 1939, a União Soviética logo ocupa o Leste da Polônia. 

A polícia política de Josef Stalin, o Comissariado do Povo para Assuntos Internos (NKVD), o ministério do interior do regime stalinista, mata no Massacre da Floresta de Katyn, em abril e maio de 1940, todo o oficialato do Exército, policiais, intelectuais, professores, artistas, prisioneiros de guerra e cidadãos comuns da Polônia acusados de espionagem, num total de quase 22 mil pessoas.

A Polônia renasce com o fim de guerra, em 1945. É o 51º país da Organização das Nações Unidas (ONU). Não existe quando a Carta da ONU é assinada, em 26 de julho, mas faz parte quando a Carta é ratificada e a ONU é criada, em 24 de outubro de 1945.

Com a abertura do Muro de Berlim, em 1989, o fim do comunismo na Europa Oriental e sua entrada na União Europeia, em 2004, a Polônia pacifica a relação com a Alemanha. O medo da Rússia a leva a entrar para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em 1999. E a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 mostra que tem razão.

CABO TELEGRÁFICO TRANSATLÂNTICO

    Em 1858, após várias tentativas frustradas, termina a instalação do primeiro cabo telegráfico submarino ligando a América do Norte e a Europa através do Oceano Atlântico.

O artista e inventor americano Samuel Morse começa a desenvolver o telégrafo em 1832. Ele cria o Código Morse e, em 1844, lança o telégrafo comercial, enviando uma mensagem do Capitólio para uma estação de trens de Baltimore.

Dez anos depois, há mais de 30 mil quilômetros de cabos telegráficos nos EUA. A revolução nas comunicações marca o início da era da eletricidade. É um grande estímulo ao desenvolvimento dos EUA. Ajuda muito na expansão e conquista do Oeste.

Em 1854, o empresário Cyrus West Field decide instalar o cabo transatlântico. Com a ajuda de navios americanos e britânicos, faz quatro tentativas. Na quarta, em 29 de julho de 1858, o Niágara e o Gorgon saem da Baía da Trindade, no Canadá, e se encontram no meio do oceano com o Agammenon e o Valorous, que partem de Valentia, na Irlanda, então parte do Reino Unido.

O cabo de cerca de 3,2 mil km é lançado no fundo do mar, a uma profundidade de até mais de 3 mil metros em 5 de agosto. Onze dias depois, o presidente James Buchanan e a rainha Vitória trocam as primeiras mensagens, mas o cabo é fraco e para de funcionar em setembro. A primeira ligação telegráfica permanente entre a América do Norte e a Europa é finalmente instalada em 1866.

Cyrus Field promove outras ligações telegráficas transoceânicas, inclusive do Havaí para a Ásia e a Austrália.

LINCOLN CRIA IMPOSTO DE RENDA FEDERAL

    Em 1861, o presidente Abraham Lincoln impõe a cobrança de um imposto de renda federal para financiar a União (Norte) durante a Guerra da Secessão (1861-65), quando os estados do Sul tentam se separar por discordar da abolição da escravatura.

O Congresso aprova uma alíquota de 3% sobre rendimentos a partir de US$ 800, equivalentes a US$ 16 mil de 2003. Desde março, Lincoln se preocupa com o financiamento da guerra. Envia cartas a vários ministros para saber se entendem que a Constituição autoriza o presidente a coletar impostos. Ele teme que os rebeldes fiquem com o dinheiro dos impostos cobrados nos portos do Sul.

Durante a Reconstrução pós-Guerra Civil, em 1871, o Congresso revoga a lei de impostos de Lincoln. Em 1909, aprova a 16ª Emenda, ratificada em 1913, e cria o sistema federal de impostos existente hoje.

FRIEDRICH ENGELS MORRE

    Em 1895, morre em Londres o empresário e teórico da revolução Friedrich Engels, que lança o Manifesto Comunista com Karl Marx em 1848.

Engels nasce em Barmen, na Prússia, numa família da burguesia industrial, de onde observa de perto as difíceis condições de vida do operariado e conclui que precisa lutar pela emancipação. Ele conhece Marx em Paris em 1844 e expõe suas acusações ao capitalismo no livro A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra, publicado em 1845.

Os dois lançam o Manifesto do Partido Comunista, onde afirmam que "a história da humanidade é a história da luta de classes", em 21 de fevereiro de 1848, um ano de revoluções na França, no que seria a Alemanha (unificada em 1871) e no Império Austro-Húngaro

Com a derrota das revoluções, Marx se refugia na Inglaterra, no seio de sociedade liberal, onde escreve sua grande obra, O Capital. Depois da morte de Marx, em 14 de março de 1883, Engels conclui e publica o segundo e o terceiro volumes da bíblia do comunismo.

ALEMANHA ATACA BÉLGICA NA GRANDE GUERRA

    Em 1914, o assalto da Alemanha a Liège viola a neutralidade da Bélgica e marca o início da primeira batalha da Primeira Guerra Mundial (1914-18). O Reino Unido entra na guerra contra a Alemanha.

Na véspera, sete exércitos alemães, com 1,5 milhão de soldados, se concentram nas fronteiras com a França e a Bélgica. É o Plano Schlieffen, formulado pelo general Alfred von Schlieffen para tomar a Bélgica e invadir a França.

Com 12 fortes, Liège é uma das cidades mais protegidas da Europa. No fim do dia, todos estão sob controle belga. A cidade cai em 15 de agosto, depois que os alemães trazem seus supercanhões de 305 e 420 milímetros para a Batalha de Liège.

Três dias depois, a brutal ofensiva da Alemanha invade a França. Ao todo, nesta ofensiva, os alemães matam 5.521 civis na Bélgica e 895 na França.

MARYLIN SE SUICIDA

     Em 1962, Norma Jeane Mortenson, mais conhecida pelo nome artístico de Marylin Monroe, é encontrada morta em casa em Los Angeles, nua, caída de bruços sobre a cama, com um telefone na mão. Embalagens vazias de antidepressivos se espalham pelo chão.

Ao fim de um inquérito rápido, a polícia de Los Angeles, nos Estados Unidos, conclui que a atriz, uma das mais lindas da história do cinema, morreu "por causa de uma dose excessiva auto-administrada de sedativos" num "provável suicídio".

PROIBIÇÃO DE TESTES NUCLEARES

    Em 1963, durante a Guerra Fria, os Estados Unidos, o Reino Unido e a União Soviética assinam o Tratado de Proibição Parcial de Testes Nucleares, proibindo a realização de explosões atômicas acima da superfície da Terra.

Os EUA fazem seu primeiro teste nuclear em Alamogordo em 16 de julho e lançam as bombas atômicas de Hiroxima e Nagasaki em 6 e 9 de agosto de 1945. A URSS faz seu primeiro teste nuclear em 29 de agosto de 1949. 

O Reino Unido explode sua bomba em 3 de outubro de 1952. A França fez sua primeira explosão atômica em 13 de fevereiro de 1960. E a China, em 16 de outubro de 1964. Israel tem armas nucleares desde 1966 ou 1967, mas não admite publicamente.

Em maio de 1998, a Índia e o Paquistão realizam testes para comprovar sua capacidade nuclear. A África do Sul pós-apartheid abre mão de suas armas nucleares. A Coreia do Norte detona sua bomba em 3 de outubro de 2006.

INCIDENTE DO GOLFO DE TONKIN

    Em 1964, os Estados Unidos alegam falsamente que um de seus contratorpedeiros é atacado sem provocação na costa do Vietnã do Norte e o Congresso aprova a Resolução do Golfo de Tonkin, usando o incidente forjado para autorizar o presidente Lyndon Johnson a entrar na Guerra do Vietnã (1955-75).

O Vietnã, parte da Indochina Francesa desde o fim do século 19, é ocupado pelo Japão em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Quando o Japão se rende e a guerra acaba, em 2 de setembro de 1945, o líder comunista Ho Chi Minh declara a independência.

A França, antiga potência colonial, não aceita e inicia a Primeira Guerra da Indochina (1946-54). Com a derrota dos franceses, o país é dividido entre o Vietnã do Norte, comunista, e o Vietnã do Sul, capitalista. As eleições para unificar o país são suspensas sobre pressão dos EUA em 1955, porque os comunista são favoritos, o que dá origem à Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75).

Desde o início, no governo Dwight Eisenhower (1953-61), os EUA se envolvem na guerra sem entrar em combate. No fim do governo John Kennedy (1961-63), há mais de 2,8 mil assessores militares dos EUA e alguns entram em combate, mas oficialmente o país não está em guerra com o Vietnã do Norte.

Em 2 de agosto de 1964, o contratorpedeiro norte-americano USS Maddox cumpre uma missão clandestina de espionagem eletrônica quando fica sob ataque de três lanchas torpedeiras da Marinha do Vietnã do Norte e reage com o apoio de três aviões da força-tarefa de que fazia parte.

Dois dias depois, ao navegar pelas mesmas água ao lado do contratorpedeiro USS Turner Joy, o Maddox relata a presença de lanches torpedeiras que avançam em sua direção e entram em combate. Na versão dos EUA, os dois ataques não são provocados.

O incidente forjado leva o Congresso dos EUA a aprovar em 5 de agosto a Resolução do Golfo de Tonkin, autorizando o presidente Lyndon Johnson a declarar guerra ao Vietnã do Norte. No pico, em abril de 1969, há 543 mil soldados dos EUA no Vietnã. Entre 1 a 2 milhões de vietnamitas e 58.281 norte-americanos morrem na Guerra do Vietnã.

Em 24 de junho de 1970, por 81 votos a 10, o Senado revoga a Resolução do Golfo de Tonkin.

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terça-feira, 2 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 2 de Junho

 ÚLTIMO EXÉRCITO SULISTA

     Em 1865, depois da rendição do general Edmund Kirby Smith, comandante das forças dos Estados Confederados do Sul a oeste do Rio Mississípi, em 26 de maio, mais de um mês depois do fim da Guerra da Secessão ou Guerra Civil Norte-Americana, em 19 de abril, o último exército sulista abandona a luta. É o fim definitivo da guerra mais mortal da história dos EUA, com um total de mortos estimado em 620 mil.

A Guerra da Secessão começa em 12 de abril de 1861, quando as forças do Sul, que era contra a abolição da escravatura e queria se separar da União, sob o comando do general Pierre Beauregard, bombardeiam o Forte Sumter no porto de Charleston, na Carolina do Sul. Durante 34 horas, 50 canhões e morteiros do Sul disparam mais de 4 mil vezes contra o forte. No dia seguinte, o comandante nortista, major Robert Anderson, se rende.

Dois dias depois, o presidente Abraham Lincoln convoca 75 mil voluntários para deter a insurreição sulista. Depois de quatro anos de guerra, o comandante militar do Sul, general Robert Lee, se rende ao comandante militar do Norte, general Ulysses Grant, em 19 de abril, mas alguns focos de resistência subsistem.

CIDADANIA INDÍGENA

   Em 1924, o Congresso aprova a Lei de Cidadania Indígena, dando cidadania a todos os índios nascidos em território americano.

Antes da Guerra da Secessão (1861-65), a cidadania é limitada a mestiços. Com a emancipação, os negros ganham este direito, que só seria completado um século depois com a Lei de Direitos Civis.

REPÚBLICA ITALIANA

    Em 1946, depois da queda do Fascismo e da derrota na Segunda Guerra Mundial (1939-45), os italianos votam em plebiscito para tornar o país, que era uma monarquia desde a unificação, numa república.

Ao todo, 12.718.641 (54,3%) votam na república e 10.718.502 (45,7%) na monarquia. Com este resultado, o rei Umberto II, que ascende ao trono um mês antes, vai para o exílio em 13 de junho.

A Itália torna-se oficialmente uma república em 18 de junho e a data do plebiscito (2 de junho) é declarada Dia da República.

COROAÇÃO DE ELIZABETH II

    Em 1953, Elizabeth II é coroada rainha da Inglaterra e do Reino Unido. 

Mais de mil dignatários e convidados assistem à cerimônia de coroação na Abadia de Westminster, em Londres. Ao nascer, em 1926, Elizabeth é a primeira filha do príncipe Albert Frederick Arthur George, segundo filho do rei George V. Quando o rei morre, em 1936, ascende ao trono o rei Eduardo VIII, que abdica para se casar com Wallis Simpson, uma norte-americana divorciada.

O pai de Elizabeth é coroado como George VI, que reina durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), quando o Reino Unido é bombardeado impiedosamente. Elizabeth torna-se a herdeira do trono. Seu reinado é o mais longo da história, superando os de Luís XIV, na França (1643-1715), e da rainha Vitória, na Inglaterra (1837-1901).

CAÇA ÀS BRUXAS

    Em 1954, o senador republicano Joseph McCarthy denuncia a infiltração comunista na Agência Central de Inteligência (CIA) e na indústria nuclear dos Estados Unidos. As acusações são logo desconsideradas como sensacionalismo barato.

McCarthy fica conhecido em 1950, quando lança sua cruzada contra a Ameaça Vermelha, a suposta infiltração esquerdista nos EUA alegando há mais de 200 "notórios comunistas" no Departamento de Estado. Nos anos seguintes, amplia sua campanha a todos os órgãos do governo dos EUA e a outros setores, como o cultural. Até Charles Chaplin, considerado o melhor ator da história do cinema, entra nas suas listas negras.

Mesmo sem descobrir nenhum comunista enrustido, o macartismo provoca uma histeria anticomunista e a perseguição política de supostos esquerdistas. Em 1954, McCarthy está marginalizado. Quando faz acusações durante o governo democrata de Harry Truman (1945-53), os republicanos o usam como arma política. Depois da vitória e da posse de Dwight Eisenhower (1953-61), vira um estorvo para o Partido Republicano.

Com o seu poder desvanecendo, em 1954, McCarthy inicia investigações sobre infiltração comunista no Exército dos EUA. Como as audiências são televisionadas, pela primeira vez o povo americano vê o senador McCarthy em ação. Seu estilo agressivo e histérico desagrada.

Em uma última e desesperada tentativa de se reabilitar, McCarthy denuncia a infiltração na CIA, mas ninguém o leva a sério. O presidente Eisenhower, o secretário de Estado, John Foster Dulles, e o diretor-geral da CIA, Allen Dulles, irmão do secretário, rejeitam as acusações como temerárias e sem fundamento.

TERRORISMO DOMÉSTICO

    Em 1997, o terrorista de extrema direita Timothy McVeigh, ex-soldado do Exército dos EUA, é condenado por 15 acusações de assassinato e conspiração por causa do atentado com caminhão-bomba contra um prédio do governo federal na Cidade de Oklahoma em 19 de abril de 1995.

A operação de resgate dura duas semanas. O total de mortos é 168, inclusive 19 crianças pequenas que estavam na creche do edifício.

O ataque acontece dois anos depois de uma operação do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, contra a seita davidiana, em que morrem cerca de 80 pessoas. McVeigh é condenado à morte e executado em junho de 2001. 

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sexta-feira, 17 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 17 de Abril

MARTINHO LUTERO SE DEFENDE

    Em 1521, o monge alemão Martinho Lutero depõe na Dieta (assembleia) do Sacro Império Romano-Germânico, reunida em Worms, para responder à acusação de heresia depois de pregar suas 95 Teses sobre o poder e a eficiência das indulgências, criticando a corrupção na Igreja Católica, na porta da igreja do Castelo de Wittemberg em 31 de outubro de 1517, marco do início da Reforma Protestante.

O papa Leão X condena 41 teses em junho de 1520, mas dá a Lutero a chance de se arrepender e se retratar. Em resposta, Lutero queima a bula papal e se nega a retirar suas acusações. Ele é excomungado em 3 de janeiro de 1521.

O imperador deveria prender e executar Lutero. Ele é salvo pela intervenção de seu príncipe, Frederico III, o Sábio, eleitor (líder) da Saxônia. Por causa da confusão ou promiscuidade entre política e religião, Lutero é convocado pelas autoridades políticas e não pelo papa ou por um conselho da Igreja. Ele recebe um salvo-conduto do imperador para depor na Dieta de Worms.

No depoimento, em 17 de abril, Lutero admite a autoria de vários livros expostos. Sob pressão para repudiar suas ideias, pede mais um dia para pensar. No dia seguinte, se nega mais uma vez a repudiar sua obra, a não ser que seja convencido "pelas Escrituras ou pela razão". Alega que sua consciência está submetida à "palavra de Deus".

Em maio, uma nova dieta presidida pelo imperador Carlos V, do Sacro Império, aprova o Édito de Worms, que proíbe os escritos de Martinho Lutero e o declara "inimigo do Estado". Ele deveria ser preso e entregue ao imperador, mas a pena nunca é aplicada. A decisão limita as viagens de Lutero, que depende da proteção do príncipe da Saxônia até sua morte, em 18 de fevereiro de 1546.

PRIMEIRA GUERRA SINO-JAPONESA

    Em 1895, o Tratado de Shimonoseki acaba com a Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95) com a vitória do Japão. A China é obrigada a reconhecer a independência da Coreia, que dominava historicamente; cede Taiwan, as Ilhas Pescadores e a Península de Liaodong, no Sul da Manchúria, ao Japão; paga uma indenização de 200 milhões de taéis de prata ao Japão. Sob pressão da Alemanha, da França, do Reino Unido e da Rússia, o Japão devolde Liaodong em troca de mais 30 milhões de taéis.

A China e o Japão tinham uma tradição de isolamento que termina sob pressão do colonialismo ocidental. Com as Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60), o Reino Unido abre a China ao livre comércio, inclusive de ópio. Em 1854, o almirante norte-americano Matthew Perry rompe o fechamento de mais de dois séculos do Japão meses depois de ameaçar bombardear o porto de Tóquio.

A Restauração Meiji (1868) acaba com o xogunato e restaura o poder do imperador. É o fim da Idade Média no Japão, que se ocidentaliza e desenvolve a indústria para não se submeter ao colonialismo e preservar sua independência. A China, o Império do Meio, centro do mundo na Ásia há quase 2 mil anos, entra em decadência.

Em 1874, um navio japonês naufraga na costa sudoeste de Taiwan e a população local mata a tripulação. A China rejeita o pedido de indenização sob o argumento de que é uma tribo rebelde que não se submete ao imperador. Uma expedição punitiva japonesa força a China a pagar.

A grande causa da guerra é o conflito sobre a Coreia. O conselheiro militar alemão Klemens Meckel, que participa da modernização do Exército japonês, considera a Coreia "uma adaga apontada para o coração do Japão".

Em 27 de fevereiro de 1876, o Japão impõe o Tratado de Ganghwa. Obriga a Coreia a se abrir ao comércio e proclamar independência da China. Para neutralizar a influência japonesa, a China pressiona a Coreia a se aproximar das potências ocidentais.

Sob influência do Japão, os reformistas coreanos tentam derrubar o governo conservador aliado à China num golpe sangrento em 1884, mas tropas chinesas sob o comando do general Yuan Shikai dão um contragolpe igualmente sangrento, com a morte de vários japoneses. Pela Convenção de Li-Ito, os dois países concordam em retirar suas forças da Península Coreana para evitar a guerra.

Em 28 de março de 1894, o líder do golpe de 1884, Kim Ok Kyun, é atraído para Xangai e assassinado, provavelmente por agentes de Yuan Shikai. Seu corpo é enviado de navio à Coreia, onde é esquartejado e exposto ao público.

Quando estoura o Levante de Tonghak, uma revolta camponesa marcha rumo a Seul em 1º de junho de 1894. A pedido do rei coreano, a China envia Yuan Shikai com 2,8 mil soldados. O Japão considera a intervenção chinesa uma violação da Convenção de Li-Ito e manda 8 mil militares à Coreia. A China tenta enviar reforços, mas o Japão afunda o navio britânico Kowshing, que os transporta.

O Japão toma o palácio real em Seul, captura o imperador em 8 de junho de 1894 e instala um governo de coreanos aliados. A rebelião acaba em 11 de junho, mas o Japão manda o general Otori Keisuke ficar na Coreia e envia mais soldados.

Em 23 de julho, o Japão marcha sobre Seul, captura o imperador e reinstala um governo colaboracionista que rompe todos os acordos com a China e autoriza o Exército Imperial Japonês a expulsar os militares chineses.

O general japonês Oshima Yoshimasa avança rumo a Seul com 4 mil homens para enfrentar 3,5 mil soldados da guarnição chinesa. O combate acontece em 28 de julho. Cerca 500 chineses e 92 japoneses são mortos ou feridos. Os chineses recuam para Pyongyang, que hoje é a capital da Coreia do Norte.

A guerra começa oficialmente em 1º de agosto de 1894. Os analistas militares estrangeiros esperam uma vitória rápida da China, mas a modernização do Japão se impõe. A China tem entre 13 a 15 mil soldados em Pyongyang, para onde as forças japonesas convergem em 15 de setembro e invadem a cidade no dia seguinte. Dois mil chineses morrem e 4 mil saem feridos, em contraste com 102 japoneses mortos, 433 feridos e 33 desaparecidos.

A Marinha Imperial Japonesa destrói 8 dos 10 navios da frota chinesa perto da foz do Rio Yalu e assume o controle do mar. A China abandona o Norte da Coreia. Em 24 de outubro, o Japão cruza o Rio Yalu e invade a Manchúria. Toma Lushunkou (Port Arthur) em 21 de novembro, onde massacra milhares de civis, e Kaipeng em 10 de dezembro.

Em março de 1895, o Japão domina a província de Shandong e a Manchúria. No dia 23 de março, ataca as Ilhas Pescadores. A China pede negociações de paz.

Com a derrota, acaba a ordem sinocêntrica em vigor há quase 2 mil anos no Leste da Ásia. Mesmo durante a era do Império Mongol criado por Gengis Khan, a cultura chinesa se impunha por ser superior à dos conquistadores.

Outra derrota, na Guerra dos Boxers (1899-1901), quando Beijim é ocupada por forças estrangeiras da Aliança de Oito Nações, abala definitivamente a monarquia. Com a revolução de 1911, liderada por Sun Yat-Sen, acaba o Império e nasce a República da China, em 1912.

 INVASÃO DA BAÍA DOS PORCOS

    Em 1961, começa a invasão da Baía dos Porcos, quando refugiados cubanos financiados e treinados pela CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) desembarcam em Cuba e tentam derrubar o regime comunista de Fidel Castro, que vence, consolida o poder e pede proteção da União Soviética, o que leva à Crise dos Mísseis em outubro de 1962, quando o mundo esteve mais perto do que nunca de uma guerra nuclear.

A revolução liderada por Fidel Castro toma o poder em Havana em 1º de janeiro de 1959, após a fuga do ditador Fulgencio Batista. Quando a revolução nacionaliza as empresas norte-americanas na ilha, bancos, refinarias de petróleo, plantações de café e de cana-de-açúcar, entre outras medidas, o governo Dwight Eisenhower (1953-61) destina US$ 13,1 milhões para a CIA usar contra Fidel e impõe as primeiras sanções.

O plano é do vice-presidente Richard Nixon, notório anticomunista e candidato a presidente em 1960 contra o senador John Kennedy, que na campanha é mais anticomunista do que Nixon para não passar a imagem de jovem inseguro, incapaz de enfrentar o desafio soviético na Guerra Fria.

Ao tomar posse, em 20 de janeiro de 1961, o presidente Kennedy herda a operação. O Partido Democrata é acusado de "perder a China". Estava no poder com Harry Truman (1945-53) quando os comunistas tomaram o poder em Beijim, em 1º de outubro de 1949.

Em 15 de abril, aviões bombardeiros B-26 pilotados por exilados atacam três pistas de pouso em Cuba, mas não conseguem aniquilar a Força Aérea Cubana. Pelo menos seis aviões ficam intactos. 

Quando Kennedy suspende a segunda onda de bombardeio aéreo, em 16 de abril, a operação está condenada ao fracasso. O sucesso do desembarque depende do controle do espaço aéreo. A Força Aérea Cubana ataca os barcos.

Mais de 1,4 mil homens, divididos em cinco batalhões de infantaria e um de paraquedistas, tentam desembarcar na praia Girón, em Cuba, onde encontam forte resistência e são derrotados. Mais de 100 invasores e 176 soldados cubanos morrem. Cerca de 1,2 mil invasores são presos.

Fidel pede proteção à URSS. O líder soviético Nikita Kruschev aproveita para tentar equilibrar a corrida armamentista. Apesar de lançar o primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik, a URSS fica atrás no desenvolvimento de mísseis nucleares e tenta instalar mísseis em Cuba. Os EUA reagem, bloqueiam Cuba e ameaçam invadir a ilha na Crise dos Mísseis, de 14 a 27 de outubro de 1962. A URSS recua e retira os mísseis num acordo tácito em que os EUA prometem não invadir Cuba.

VITÓRIA DO KHMER VERMELHO

   Em 1975, os guerrilheiros maoístas do Khmer Vermelho, liderados por Pol Pot, entram em Phnom Penh, derrubam a ditadura do general Lon Nol e impõem ao Camboja um regime genocida acusado pela morte de 1,5 milhão a 2 milhões de pessoas com perseguições políticas, tortura, assassinatos em massa e fome, tendo como principal alvo a elite educada e intelectualizada. Como a população do país tinha pouco mais de 7,3 milhões de habitantes, é considerado o regime mais assassino do século 20.

A vitória do Khmer Vermelho é resultado da intervenção militar dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã (1955-75). Como os guerrilheiros vietcongues e os soldados norte-vietnamitas usam o Camboja para ir do Vietnã do Norte para o Vietnã do Sul pela chamada Trilha de Ho Chi Minh, os EUA bombardeiam intensamente o Camboja.

Diante da intervenção norte-americana no Vietnã, o chefe de Estado do Camboja, Norodom Sihanouk, o Príncipe Vermelho, declara neutralidade. Durante uma viagem de Sihanouk a Moscou e Beijim, em 18 de março de 1970, a Assembleia Nacional do Camboja derruba o príncipe e entrega o poder ao general e primeiro-ministro Lon Nol, aliado dos EUA.

A Força Aérea dos EUA começa a bombardear zonas rurais cambojanas em 1965. Os ataques aéreos ganham maior intensidade com a Operação Menu, de 18 de março de 1969 a 26 de maio de 1970. De maio de 1970 até 15 de agosto de 1973, a Operação Freedom Deal continua os bombardeios. 

Entre 1969 e 1973, os EUA jogam 500 mil toneladas de bombas no Camboja contra 113.716 alvos, matando centenas de milhares de pessoas. O assessor de Segurança Nacional do governo Richard Nixon, Henry Kissinger, é considerado criminoso de guerra pelo bombardeio estratégico ao Camboja.

A campanha aérea retarda, mas não impede a vitória do Khmer Vermelho, que tenta fazer uma grande engenharia social com uma política de Ano Zero para impor uma sociedade comunista puramente agrária que considera o campesinato a verdadeira classe revolucionária e não o proletariado urbano e industrial, como previra Karl Marx, o pai do comunismo.

O objetivo da ditadura do Khmer Vermelho é eliminar qualquer pessoa suspeita de exercer atividades de livre mercado. Isto inclui profissionais, todas as pessoas com alguma educação formal ou ligadas de alguma forma a países estrangeiros. Seus líderes são influenciados pelo stalinismo radical do Partido Comunista Francês no início dos anos 1950 e pelo pensamento do líder da revolução comunista na China, Mao Tsé-tung.

A ditadura polpotiana fecha escolas, hospitais e fábricas, abole o sistema bancário, as finanças e a moeda, proíbe todas as religiões, confisca todas as propriedades privadas e transfere populações urbanas para fazendas coletivas onde fazem trabalhos forçados.

O dinheiro é abolido, livros são queimados, professores, comerciantes e quase toda a elite intelectual cambojana é assassinada para fundar uma nova sociedade pura, livre dos males do capitalismo, a partir do Ano Zero. 

Como os pais são vistos como envenenados pelo capitalismo, os filhos são separados dos pais e internados em centros de reeducação onde sofrem uma lavagem cerebral. Os jovens aprendem métodos de tortura com animais e recebem papéis de liderança em torturas e execuções.

Sua reforma agrária causa uma fome generalizada. A pretensão de autossuficiência destrói os serviços públicos. Milhares de cambojanos morrem de doenças curáveis como a malária.

A ditadura do Khmer Vermelho cai em 7 de janeiro de 1979, depois de uma invasão vietnamita no Camboja apoiada pela União Soviética no Natal de 1978. Em resposta, a China invade o Vietnã em 17 de fevereiro de 1979, na primeira guerra aberta entre países comunistas. (Em 1969, a China e a URSS travam uma série de escaramuças na longa fronteira comum.)

O Vietnã repele a invasão. A China se retira em 16 de março, mas continua apoiando o deposto regime genocida do Khmer Vermelho como representante do Camboja na ONU, assim como os EUA e o Reino Unido, por causa de sua oposição à URSS.

MORTE DE GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ

    Em 2014, morre na Cidade do México o escritor colombiano Gabriel García Márquez, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1982, considerado um dos autores mais importantes do século 20.

García Márquez nasce em Aracataca em 6 de março de 1927. Nos primeiros oito anos de sua vida, seus pais moram com seus avós, o coronel Nicolás Márquez, veterano da Guerra dos Mil Dias (1899-1902) e Tranquilina Iguarán de Márquez. Após a morte do avô, a família se muda para Barraquilla. Ele recebe uma educação de qualidade, mas mais tarde atribui ao avô e às histórias de Aracataca as grandes fontes de sua literatura.

Ele estuda direito, mas se torna um jornalista, profissão que abraça até se tornar um escritor de sucesso. García Márquez aperfeiçoa sua educação como correspondente em Paris. Também trabalha como jornalista em Bogotá e em Nova York antes de ir para o México, onde escreve Cem Anos de Solidão, o romance que lhe dá fama e dinheiro.

O livro conta a história de Macondo, uma cidadezinha que reflete a história da América Latina, a truculência, o autoritarismo e a desigualdade social. É o expoente de uma literatura latino-americana descrita como "realismo mágico", que mistura fatos históricos com ficção sob a inspiração de escritores como o cubano Alejo Carpentier, pioneiro do gênero. Os habitantes de Macondo são movidos por paixões como desejo, cobiça, ganância e sede de poder, mas esbarram na realidade política..

A obra é lançada em 1967 por uma editora argentina e alcança sucesso universal. Já vendeu mais de 50 milhões de cópias em 46 idiomas. É um dos livros mais lidos e influentes do século 20.

De 1967 a 1975, ele mora na Espanha. Depois, tem uma casa na Cidade do México e um apartamento em Paris. Também passa um tempo em Havana, a convite de Fidel Castro, a quem apoia. Como escritor de sucesso, García Márquez lança O Outono do Patriarca (1975), Crônica de uma Morte Anunciada (1981), Do Amor e Outros Demônios (1981), O Amor nos Tempos de Cólera (1985), O General em seu Labirinto (1989), sobre os últimos dias do libertador Simón Bolívar, e Notícia de um Sequestro (1996).

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sábado, 14 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 14 de Março

NASCIMENTO DE EINSTEIN

    Em 1879, nasce em Ulm, na região de Württemberg, na Alemanha, o físico Albert Einstein, uma das mentes mais brilhantes da história da humanidade, que formula a Teoria Geral da Relatividade e ganha o Prêmio Nobel de Física em 1921 por descrever o efeito fotoelétrico. É considerado o maior cientista do século 20.

Mais tarde, Einstein conta que duas "maravilhas" o atraíram na infância. Aos 5 anos, ele conhece uma bússola e fica intrigado com as forças invisíveis que movem a agulha. Durante toda a vida, tem uma fascinação por forças invisíveis. Aos 12 anos, descobre um livro de geometria.

Nessa idade, Einstein é profundamente religioso. Compõe músicas que exaltam Deus e canta músicas sacras a caminho da escola. Quando lê livros científicos que questionam suas convicções religiosas, fica impressionado com o desafio à autoridade estabelecida.

No Ginásio Luitpold, o sistema educacional prussiano o incomoda e inibe sua criatividade. Um professor lhe diz que nunca será ninguém na vida. Uma influência importante é Max Talmud, um estudante de medicina que frequenta sua casa e vira um tutor informal, introduzindo Einstein no estudo de filosofia e matemática superior. Talmud lhe mostra uma coleção, Livros Populares sobre Ciência Física, de Aaron Bernstein.

As sucessivas falências do pai atrapalham sua educação. Em 1894, depois de perder um contrato para a eletrificação de Munique, Hermann Einstein se muda para Milão, na Itália. O jovem Einstein fica num pensionato. Sozinho e com medo de ser recrutado para o serviço militar obrigatório, ele foge e vai encontrar os pais em Milão seis meses depois.

Mesmo sem diploma de ensino médio, Einstein se candidata ao Instituto de Politécnica de Zurique. Pode ser admitido se passar num vestibular rigoroso. Obtém excelentes resultados em matemática e física, mas não passa em francês, química e biologia. Por causa do resultado excepcional em matemática, é aceito sob a condição de terminar primeiro o ensino secundário. Ele se forma em 1896 e renuncia à cidadania alemã. Em 1901, obtém a cidadania suíça.

Ao se formar, em 1900, enfrenta uma crise. Como estuda vários temas por contra própria, falta a várias aulas, o que provoca a animosidade de professores como Heinrich Weber, a quem pede uma carta de recomendação com a qual não consegue nenhuma das posições acadêmicas a que se candidata. 

O pai de seu amigo Marcel Grossmann o indica para o escritório de patentes da Suíça, em Berna. Pouco antes de morrer, seu pai dá o consentimento para o casamento com Maric, uma cristã ortodoxa de origem sérvia a quem a família antes se opõe. Eles se casam em 6 de janeiro de 1903. 

Em 1905, que descreve como "ano milagroso", Einstein publica quatro ensaios nos Anais da Física, todos revolucionários. Em Um Ponto de Vista Heurístico sobre a Produção e a Transformação da Luz, ele aplica a Teoria Quântica à luz para explicar o efeito fotoelétrico. 

Em Sobre o Movimento de Pequenas Partículas Suspensas em Líquidos Estacionários Previstos pela Teoria Cinética-Molecular do Calor, apresenta a primeira prova experimental da existência de átomos.

Em Sobre a Eletrodinâmica de Corpos em Movimento, lança a teoria matemática da relatividade especial.

Em A Inércia de um Corpo Depende da Energia que Contém?, mostra que a Teoria da Relatividade leva à equação E = mc², em que E é energia, m massa e c uma constante equivalente à velocidade da luz no vácuo, 300.000 km/seg. A equação mostra que a transformação de massa em energia libera uma quantidade enorme de energia como nas armas nucleares. É a primeira explicação sobre a fonte de energia do Sol e das outras estrelas.

A princípio, as teorias de Einstein são ignoradas pela comunidade científica, mas atraem a atenção de um dos físicos mais famosos da época, Max Planck, criador da Teoria Quântica. Mas a Teoria da Relatividade tem lacunas. Não menciona gravidade nem aceleração. Em 1915, Einstein complementa a Teoria Geral da Relatividade.

Seu trabalho não é interrompido durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18). Pacifista, ele é um dos quatro intelectuais alemães que assina um manifesto contra a guerra. Chama o nacionalismo de "sarampo da humanidade".

Einstein lança uma nova ciência, a cosmologia. Suas equações preveem que o Universo é dinâmico, se expande ou contrai. Em 1929, o astrônomo Edwin Hubble descobre que o Universo está em expansão.

Durante uma visita à Califórnia, em 1930, Einstein participa do lançamento do filme Luzes da Cidade, de Charles Chaplin, e comenta: "O que mais admiro na sua arte é a universalidade. Você não diz uma palavra e ainda assim o mundo te entende." Chaplin respondeu: "Mas sua fama é ainda maior. O mundo te admira e, ao mesmo tempo, ninguém te entende."

Com a ascensão do nazismo, Einstein deixa a Alemanha em dezembro de 1932 e vai para os Estados Unidos, onde trabalha no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Princeton, em Nova Jérsei. Abandona o pacifismo para defender a guerra contra Adolf Hitler.

No fim dos anos 1930, os físicos percebem que a equação E = mc² indica que é possível a fabricação de uma bomba atômica. Em julho de 1939, o físico Leo Szilard o convence a enviar uma carta ao presidente Franklin Roosevelt alertando para o risco de que a Alemanha Nazista faça a bomba atômica. Einstein assina a carta em 2 de agosto de 1939. Roosevelt a recebe em 11 de outubro. No dia 19, avisa Einstein que criou um Comitê do Urânio para estudar o assunto. Daí nasce o Projeto Manhattan.

Como Einstein era ligado a organizações pacifistas e socialistas, é excluído do projeto. O diretor ultrarreacionário do FBI (Federal Bureau of Investigation), John Edgar Hoover, recomenda que seja expulso dos EUA. Quando sabe da bomba de Hiroxima, forma o Comitê de Emergência de Cientistas Atômicos para tentar controlar o uso da bomba. Ele tem o apoio do diretor científico do Projeto Manhattan, John Robert Oppenheimer, que se opõe à fabricação da bomba de hidrogênio, mil vezes mais poderosa do que as bombas de urânio e plutônio.

Einstein
 ainda trabalha com outras ideias revolucionárias como a possibilidade de viajar no tempo e a existência de buracos negros. Morre em 18 de abril de 1955 em Princeton aos 76 anos.

MORTE DE MARX

    Em 1883, o sociólogo, economista e revolucionário alemão Karl Marx, pai do comunismo, morre em Londres aos 64 anos.

Marx nasce em Trier, na Prússia, em 1818, filho de um advogado judeu convertido ao protestantismo. Ele estuda filosofia e direito em Berlim e Jena. Vira seguidor das ideias do filósofo alemão Georg Wilhelm Fridriech Hegel, que cria a dialética sob a inspiração do filósofo chinês Lao Tsé e sua Teoria do Princípio Único, baseada no contraste e complementaridade do yin e yang.

Em 1843, depois do fechamento do jornal onde trabalhava em Colônia, Marx vai para Paris, onde conhece Engels. Expulso da França, vai em 1845 para a Bélgica, onde durante dois anos desenvolve com Engels a doutrina comunista.

O Manifesto Comunista é escrito em janeiro e publicado em fevereiro de 1848: "Um espectro assombra a Europa - o espectro do comunismo", começa o panfleto. No fim, convoca para a revolução: "Os proletários não tem nada a perder, a não ser suas correntes. Trabalhadores do mundo, uni-vos!"

No dia seguinte, começa uma revolução na França em protesto contra proibição de reuniões dos socialistas. Em 24 de fevereiro, o rei Luís Felipe abdica, mas logo a burguesia europeia esmaga as revoluções de 1848.

Procurado na Alemanha e na França, Marx se refugia no Reino Unido, onde funda em 1864 a Associação Internacional dos Trabalhadores, a Primeira Internacional, e em 1867 lança o primeiro volume de O Capital.

Quando Marx morre, em 1883, a doutrina comunista está disseminada pela Europa. Trinta e quatro anos depois de sua morte, a Revolução Bolchevique liderada por Vladimir Lenin e Leon Trotsky toma o poder na Rússia, em 1917. Em 1950, mais da metade da humanidade vive sob regimes autodeclarados marxistas, embora um rebelde como Marx dificilmente se enquadraria na disciplina partidária dos partidos comunistas.

Com o fim da Guerra Fria e a dissolução da União Soviética, em 1991, este número diminuiu consideravelmente, mas a China, com mais de 1,4 bilhão de habitantes, o segundo maior país do mundo em população, mantém o regime comunista como sistema político, embora hoje a economia seja capitalista, um capitalismo orientado pelo Estado..

BALÃO NAVEGÁVEL

    Em 1899, o oficial alemão Ferdinand von Zeppelin recebe a patente nos Estados Unidos para fabricar um "balão navegável". O primeiro dirigível zeppelin voa em 2 de julho de 1900.

Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), a Alemanha usa zeppelins para matar mais de 500 pessoas só no Reino Unido. Depois, os zeppelins realizam voos transatlânticos regulares. Vêm várias vezes ao Brasil.

A tragéda do Hindenburg, a maior aeronave já construída, em 6 de março de 1937, com a morte de 35 pessoas em Lakehurst, perto de Nova York, é o fim da era dos zeppelins.  

RETOMADA DE SEUL

    Em 1951, durante a Guerra da Coreia (1950-53), as forças das Nações Unidas, sob o comando dos Estados Unidos, reconquistam a capital da Coreia do Sul, tomada na ofensiva inicial da Coreia do Norte.

A Coreia é dominada pelo Japão de 1910 até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Em 9 de agosto de 1945, quando os EUA jogam a bomba atômica em Nagasáki, a União Soviética de Josef Stalin declara guerra ao Japão e ocupa o Norte da Península Coreana e as Ilhas Kurilas do Sul, que os japoneses chamam de Territórios do Norte. Os EUA vencem o Japão e invadem o Sul da Coreia.

Com a divisão do mundo pela Guerra Fria, surgem a República Popular Democrática da Coreia, a Coreia do Norte, comunista, aliada da URSS e da República Popular da China, e a República da Coreia, a Coreia do Sul, capitalista, aliada dos EUA. Como os nomes oficiais indicam, os dois países reivindicam a soberania sobre toda a Península Coreana..

Em 25 de junho de 1950, o ditador norte-coreano, o Grande Líder Kim Il Sung, ordena a invasão do Sul, sob o pretexto de violação de seu território por soldados sul-coreanos, dando início à Guerra da Coreia. Na época, a URSS está boicotando a ONU em protesto porque a China Comunista não é admitida (só seria em 1971). 

Então, pela Resolução nº 83 do Conselho de Segurança da ONU, aprovada em 27 de junho, os EUA e aliados conseguem um mandato válido até hoje autorizando o uso da força para reunificar a Coreia.

No mesmo dia, diante da ofensiva do Norte, o ditador Syngman Rhee, manda evacuar Seul e matar 100 mil supostos suspeitos de simpatizar com o regime comunista.

Em 28 de julho, o Sul dinamita pontes, mas não consegue barrar o avanço das forças do Norte, que conquistam Seul e chegam a ocupar 90% do território sul-coreano. A reconquista de Seul começa em setembro de 1950 a março de 1951.

Quando a guerra começa, o presidente Harry Truman manda a 7ª Frota dos EUA, a Frota do Pacífico, para o Estreito de Taiwan para impedir uma invasão de Taiwan pelo regime comunista de Mao Tsé-tung.

A China não quer uma Coreia com forças dos EUA junto à sua fronteira. Em 18 de outubro de 1950, o 4º Exército da China, sob o comando de Lin Piao, cruza o Rio Yalu e entra na guerra.

Há uma guerra entre EUA e China dentro da Guerra da Coreia. A China vence no sentido de que obtém seu objetivo político de evitar a presença militar norte-americana junto à sua fronteira, empurrando as forças dos EUA e aliados para baixo do paralelo 38º Norte.

Depois de mais dois anos de impasse no campo de batalha, a Guerra da Coreia chega ao fim em 27 de julho de 1953. Há um armistício. Até hoje, não há um acordo de paz definitivo. O ditador norte-coreano Kim Jong Un, neto do Grande Líder Kim Il Sung, está mobilizando o país para a guerra. Desde 2006, a Coreia do Norte tem armas nucleares.

PRESIDENTE GORBACHEV

    Em 1990, o Congresso dos Deputados do Povo elege Mikhail Gorbachev para presidente da União Soviética, cinco anos e três dias depois de ele se tornar o secretário-geral do Partido Comunista e iniciar a abertura política e a reforma econômica que acabaram com o regime e com a URSS, em dezembro de 1991.

No poder desde 1985, Gorbachev promove a glasnost (transparência) e a perestroika (reestruturação econômica). Acaba com o poder absoluto do PC e convoca eleições parlamentares. Mas a burocracia do partido é refratária às reformas e a economia acelera o declínio.

Naquele ano, Gorbachev está sob ataque tanto da velha guarda comunista quanto da vanguarda reformista liderada por Boris Yeltsin, que é eleito na primeira eleição presidencial direta da história da Rússia, em 12 de junho de 1991, resiste ao golpe da linha-dura comunista contra Gorbachev, em agosto de 1991, e lidera o processo de dissolução da URSS, em dezembro do mesmo ano.