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sexta-feira, 31 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 31 de julho

 MORRE FUNDADOR DA ORDEM DOS JESUÍTAS

    Em 1556, morre em Roma, na Itália, Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, a ordem dos jesuítas, que congrega missionários e educadores, dentro da Contrarreforma, a reação da Igreja Católica Apostólica Romana à Reforma Protestante, e tem papel fundamental na colonização da América Latina.

Inácio nasce no castelo da família Loyola em 1491. Treinado como cavaleiro, é ferido nas duas pernas durante o cerco de Pamplona pela França em maio de 1521. Durante a convalescença, lê a Bíblia e histórias de santos. Decide então levar uma vida austera como os santos católicos.

Em 1522, Inácio de Loyola peregrina a Montserrat, onde há uma escultura da Virgem Maria e do Menino Jesus supostamente esculpida por São Lucas. No ano seguinte, vive como um mendigo e reza sete horas por dia. Em 1523, vai a Jerusalém.

De volta à Espanha, em 1524, decida-se aos estudos em Barcelona e na Universidade de Alcalá para preparar sua missão espiritual. O movimento jesuíta nasce em 1534, quando Inácio de Loyola e seguidores fazem votos de pobreza e castidade, e fazem planos para ir a Jerusalém converter os muçulmanos.

Como as guerras do Império Otomano tornam inviável a missão em Jerusalém, eles vão a Roma e pedem permissão ao papa para criar uma ordem religiosa. Em setembro de 1540, o papa Paulo III aprova o projeto. Quando o fundador morre, a ordem tem mais de mil padres.

A Igreja Católica canoniza Santo Inácio de Loyola em 1622. Durante a onda nacionalista do século 18, vários países proíbem a atuação da Companhia de Jesus, inclusive Portugal, em 1579, por ordem do então primeiro-ministro, o Marquês do Pombal.

Sob pressão da Dinastia de Bourbon, o papa Clemente XVI extingue a ordem dos jesuítas em 1773. Em 1814, o papa Pio VII reabilita os jesuítas.

FIM DA SEGUNDA GUERRA ANGLO-HOLANDESA

    Em 1667, o Tratado de Breda acaba com a Segunda Guerra Anglo-Holandesa (1665-67) e transfere o controle da Nova Holanda para a Inglaterra, que a transforma em Nova Jérsei e Nova York.

O acordo de paz é assinado entre a Inglaterra, de um lado, e a Holanda, a França e a Dinamarca, do outro. A Holanda tem vantagem na guerra, travada sobretudo no mar. É forçada a negociar a paz quando a França de Luís XIV, o Rei Sol, invade os Países Baixos Espanhóis, hoje Bélgica e Luxemburgo, na Guerra da Devolução (1667-68).

Sob pressão da Holanda, a Inglaterra muda as leis de navegação para permitir que navios holandeses transportem produtos ingleses no Rio Reno e incorporar vários aspectos das regras holandesas de comércio, inclusive o conceito de contrabando.

A posição dominante da Holanda no comércio internacional não é abalada. Os ingleses não conseguem conquistar parte do comércio de especiarias (cravo, canela, noz moscada e pimenta do reino). Mas recebem a Nova Holanda (Nova Jérsei e Nova York) e retomam da França as ilhas de Antigua, Montserrat e São Cristóvão, no Mar do Caribe. 

A Holanda fica com a Guiana Holandesa e as Índias Orientais Holandesas (hoje Indonésia). A França mantém a Guiana Francesa e retoma da Inglaterra a região da Acádia, que incluía o que hoje são as províncias canadenses do Quebec, da Nova Escócia, da Nova Brunswick, a ilha Príncipe Eduardo e parte do estado do Maine, hoje território dos Estados Unidos.

FURACÕES AFUNDAM GALÕES CHEIOS DE OURO 

    Em 1715, um furacão arrasa a costa da Flórida e afunda onze galeões da Frota da Prata da Espanha carregados de tesouros da América.

Cerca de mil pessoas morrem. O ouro e a prata só são recuperados 250 anos mais tarde.

Desde a descoberta de metais preciosos na América, a Espanha manda ao Novo Mundo navios fortificados para resistir à pirataria, mas eles pouco podem fazer contra as tempestades.

A frota espanhola zarpa de Cuba sete dias antes. Quando está na costa da Flórida, entre Cabo Canaveral e Forte Pierce, o furacão ganha força e destrói 11 dos 12 navios.

FIDEL TRANSFERE PODERES AO IRMÃO

    Em 2006, o ditador cubano Fidel Castro sofre uma hemorragia intestinal, vai para o hospital e transfere os poderes a seu irmão, o vice-presidente Raúl Castro.


Fidel deixa oficialmente a Presidência em 24 de fevereiro de 2008 e a liderança do Partido Comunista em 19 de abril de 2011, cinco anos e meio antes de morrer, em 25 de novembro de 2016.

Fidel é um jovem advogado quando assalta o Quartel Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1952. Preso, ao se defender, pronuncia uma frase histórica: "A história me absolverá."

Anistiado, ele foge para o México e volta com um grupo de rebeldes que inicia uma guerrilha na Sierra Maestra que marcha até Havana e toma o poder em 1º de janeiro de 1959. Fidel implanta o regime comunista e fica no poder por cinco décadas. Ao sair, diz que não pode se apegar a cargos.

ASSASSINADO LÍDER DO HAMAS

    Em 2024, o dirigente máximo do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), Ismail Haniya, morre atentado em Teerã, onde era hóspede oficial da República Islâmica do Irã para assistir à posse do presidente Masoud Pezeshkian. O regime fundamentalista iraniano acusa Israel, que está em guerra com o Hamas desde o ataque terrorista do grupo em 7 de outubro de 2023.

Em 24 horas, Israel ataca dois líderes de grupos do chamado Eixo da Resistência apoiados, financiados e armados pelo Irã. Fuad Chukr é descrito pelas Forças Armadas israelenses o como "principal comandante militar" da milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus). Morre em bombardeio no bairro de Dahiya, um reduto do Hesbolá no Sul de Beirute. Ao que tudo indica, Israel também mata o líder supremo do Hamas na capital do Irã, mas não assume a autoria.

Desde o ataque terrorista de 7 de outubro de 2023, Israel jura de morte e mata os principais líderes do Hamas: Haniya, o líder máximo; Mohamed Deif, o comandante militar do grupo, morto em bombardeio na Faixa de Gaza; e Yahya Sinwar, o líder do Hamas em Gaza, considerado o principal responsável pelo 7 de outubro, também em Gaza.

Os três líderes do Hamas tinham ordem de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o então ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, ainda têm, pelo mesmo motivo.

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domingo, 26 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 26 de Julho

NASCE UM REI DO ROCK

    Em 1943, nasce em Dartford, Kent, na Inglaterra, Michael Philip Jagger, mais conhecido como Mick Jagger, cantor, compositor e líder dos Rolling Stones, que faz 82 anos rocking and rolling.

A banda inspirada pelo blues dos Estados Unidos nasce em 1962, batizada por Brian Jones, rivaliza com os Beatles e bate todos os recordes de longevidade do rock.


 
SEGURANÇA NACIONAL NA GUERRA FRIA

    Em 1947, o presidente Harry Truman sanciona a Lei de Segurança Nacional dos Estados Unidos criando a Força Aérea, o Conselho de Segurança Nacional e a CIA (Agência Central de Inteligência).

No início da Guerra Fria contra a União Soviética, os EUA reforçam o aparelho de segurança nacional, com uma estrutura que seria copiada pela ditadura militar brasileira com o CSN e o SNI (Serviço Nacional de Informações).

MORTE DE EVITA

    Em 1952, María Eva Duarte de Perón, a Evita, a mulher mais importante da história argentina, segunda esposa do caudilho Juan Domingo Perón, morre de câncer aos 33 anos e é mitificada como a mãe dos pobres e descamisados. Os dois são até hoje as personagens dominantes da política argentina.

Filha ilegítima de uma cozinheira, Evita nasce pobre em 1919 em Los Toldos, no interior da província de Buenos Aires. Aos 16 anos, vai para a capital argentina, onde trabalha como modelo, atriz de teatro, cinema e radioteatro.

Ela conhece Perón num evento beneficente no Luna Park em 22 de janeiro de 1944, quando ele era vice-presidente, ministro do Trabalho e ministro da Guerra. 

Outra atriz sentada ao lado do coronel Perón se levanta e Evita não perde a oportunidade. Senta ao lado dele e diz uma frase histórica: "Coronel, obrigada por existir." Eles viram amantes.

Sob pressão da ala conservadora do Exército, Perón é demitido em 9 de outubro de 1945 e preso quatro dias depois. Uma onda de protestos populares organizados pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) com a participação de Evita, então apenas uma atriz, força a sua libertação em 17 de outubro, festejado como o Dia da Lealdade, uma data magna do peronismo.

Naquele dia, Perón faz seu primeiro discurso triunfante na janela da Casa Rosada diante de uma multidão reunida na Praça de Maio, ao lado de Evita, com quem se casa quatro dias depois.

Com os votos de mais de 1,5 milhão de argentinos, 53% do eleitorado, Perón é eleito presidente da Argentina em 24 de fevereiro de 1946.

Evita cuida das obras sociais do governo. É ministra do Trabalho e do Bem-Estar Social e preside a Fundação Eva Perón, criada em 1948, com orçamento anual de US$ 50 milhões, que distribui generosamente dinheiro, empregos e moradia para os descamisados, os migrantes vindos do interior.

Em entrevista ao escritor Tomás Eloy Martínez, em 1970, Perón declara que “Evita foi uma criação minha”, negando que a imagem de sua segunda mulher tenha se tornado maior do que a dele. Essa posição é defendida hoje por peronistas que acusam a oligarquia argentina de inflar o mito de Evita para torná-la maior do que o caudilho.

A primeira-dama é fundamental na campanha para a introdução do voto feminino, em 1947. Chega a ser cotada como candidata a vice-presidente, mas enfrenta forte resistência dos conservadores e militares.

Um grande comício realizado pela CGT em 22 de agosto de 1951 é insuficiente para virar o jogo. Depois de uma tentativa de golpe em 28 de setembro, a candidatura de Evita é abandonada. Em 11 de novembro de 1951, Perón é reeleito com 63,5% dos votos.

SANTA EVITA
Uma espécie de cinderela vingadora, Eva Perón morre de câncer no útero menos de um ano depois, em 26 de julho de 1952, no auge de sua popularidade. É convertida numa santa.

Seu funeral dura quatro dias para que todos possam dar adeus à mãe dos pobres. De maio de 1952 a julho de 1954, dois anos depois de sua morte, o Vaticano recebe mais de 40 mil cartas pedindo a canonização de Evita.

Mais da metade das meninas nascidas em algumas províncias argentinas naquela época foram batizadas Eva ou María Eva. As adolescentes pintavam o cabelo de louro. Evita ditava a moda.

DISPUTA PELO CADÁVER
Quando Evita morre, o plano é construir um memorial em sua homenagem. Ela seria enterrada na base de um monumento aos descamisados. Como o líder da revolução comunista na Rússia, Vladimir Lenin, seu corpo embalsamado ficaria em exposição ao público.

Antes da conclusão da obra, Perón é derrubado por golpe militar, a Revolução Libertadora de 16 de setembro de 1955. Foge sem se preocupar com a múmia de Evita, que desaparece da sede da CGT, em Buenos Aires, onde ficara. De 1955 a 1971, o peronismo é proscrito na Argentina. É proibido ter fotos de Eva e Juan Perón em casa e até mesmo citar seus nomes.

Em 1957, com a ajuda do Vaticano, o cadáver de Evita é retirado da Argentina e enterrado com nome falso na Itália.

Só em 1971 os militares revelam que a ex-primeira-dama está enterrada numa cripta em Milão, na Itália, com o nome de María Maggi. Naquele ano, o corpo é exumado e entregue ao general Perón no exílio na Espanha.

Depois da morte de Perón, em 1974, a terceira mulher do caudilho, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, assume o governo e repatria os restos mortais de Evita, que fica um tempo ao lado dos restos de Perón na Quinta de Olivos, residência oficial dos presidentes da Argentina. Sem o talento político de Evita, Isabelita não se sustenta no cargo.

Com o golpe militar de março de 1976, mais uma vez os peronistas temem pelo destino dos restos mortais da grande líder de massas. Em outubro daquele ano, sob a supervisão da ditadura, o cadáver de Evita é levado de Olivos para o Cemitério da Recoleta, onde estão enterrados os grandes líderes da oligarquia argentina, e sepultado no mausoléu da família Duarte.

Até hoje, os dois cadáveres assombram e dominam a política argentina.

ASSALTO AO QUARTEL DE MONCADA

    Em 1953, o jovem advogado Fidel Castro e outros 165 homens assaltam o Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, no primeiro salvo a Revolução Cubana. A maioria dos rebeldes morre.

Fidel é preso e condenado a 15 anos de prisão. Durante o julgamento, profere uma frase famosa: "A história me absolverá."

Anistiado em 1955, Fidel vai para o México, de onde volta no iate Granma com 83 homens e inicia, em 2 de dezembro de 1956, e inicia na Sierra Maestra uma guerrilha contra a ditadura de Fulgencio Batista, vitoriosa em 1º de janeiro de 1959.

Em abril de 1961, exilados cubanos tentam a Invasão da Baía dos Porcos, com o apoio da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA). O fracasso aproxima ainda mais Cuba da União Soviética, que tenta instalar mísseis nucleares na ilha.

A Crise dos Mísseis em Cuba, de 14 a 27 de outubro de 1962, é o momento mais tenso da Guerra Fria. Nunca o mundo fica tão perto de uma guerra nuclear entre as duas superpotências. 

Os EUA estão prestes a invadir Cuba quando o líder soviético, Nikita Kruschev, aceita retirar os mísseis. Em troca, o presidente norte-americano, John Kennedy, retira mísseis obsoletos da Turquia e faz um acordo tácito para não invadir a ilha, que deixa de servir de base para ataques aos EUA.

Com o fim da URSS, em 1991, Cuba passa anos de grave crise econômica até receber o apoio da Venezuela de Hugo Chávez (1999-2013). Hoje, com o declínio do regime chavista sob Nicolás Maduro, enfrenta séria crise, com escassez de remédios e alimentos em plena pandemia, que seca o setor de turismo, uma das principais fontes de moedas fortes em Cuba.

Fidel fica no poder até 31 de julho de 2006, quando sofre uma grave hemorragia intestinal e transfere o comando da revolução para seu irmão Raúl Castro, que por sua vez é sucedido por Miguel Díaz Canel, presidente desde 19 de abril de 2018 e líder do Partido Comunista desde 19 de abril de 2021.

EGITO TOMA CANAL DE SUEZ

    Em 1956, o ditador do Egito, Gamal Abdel Nasser, ocupa e nacionaliza a empresa que opera o Canal de Suez, torna-se o líder do pan-arabismo e provoca uma guerra em que Israel, a França e o Reino Unido invadem partes do território egípcio.

O canal de 163 quilômetros ligando o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho é construído entre 1859 e 1869. Tem importância estratégica porque permite que embarcações vão da Europa à Ásia sem ter de contornar a África pelo Cabo da Boa Esperança. 

No fim da obra, que custa a vida de 125 mil egípcios, o canal é propriedade do Egito e da França. A dívida externa do Egito força o país a vender sua parte do canal ao Reino Unido. Tropas britânicas se instalam na região em 1882 para proteger a nova propriedade.

A Crise de Suez começa quando os Estados Unidos e o Reino Unido se negam a financiar a construção da Barragem de Assuã porque Nasser se aproxima da União Soviética e da Tcheco-Eslováquia para comprar as armas que o Ocidente não quis lhe vender e reconhece a República Popular da China, a China Comunista.

O ditador egípcio toma o canal por acreditar que a cobrança de pedágio dos navios que o atravassem dará o dinheiro necessário para construir a barragem. Anuncia a nacionalização do canal num discurso em Alexandria em 26 de julho de 1956. Também fecha o Estreito de Tiran e o Golfo de Ácaba.

Em 29 de outubro, Israel invade o canal com o apoio da França e do Reino Unido para reabrir o estreito e o golfo, cujo fechamento isola o porto israelense de Eilat. Forças britânicas e francesas também entram na região ao lado de Israel.

Sob pressão dos EUA, da URSS e das Nações Unidas, os três invasores se retiram e a guerra acaba em 7 de novembro. Em plena Revolução Húngara de 1956 contra a dominação soviética, o governo Dwight Eisenhower não quer outro conflito. Retira o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) às economias da França e do Reino Unido, ainda abaladas pela Segunda Guerra Mundial (1939-45). É uma humilhação e um marco da derrocada final dos impérios Britânico e Francês.

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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 1º de Maio

DIA DO TRABALHO 

    Em 1886, os trabalhadores iniciam uma greve geral em Chicago, nos Estados Unidos, exigindo uma redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas por dia. Em 4 de maio, quando a polícia parte para dispersar a manifestação, alguém joga uma bomba. A polícia atira nos grevistas. Quatro civis e sete policiais morrem, e pelo menos 60 policiais e 115 civis saem feridos. O Massacre no Haymarket é a origem do Dia Internacional do Trabalho ou do Trabalhador.

Centenas de líderes sindicais e ativistas de esquerda são presos. Oito líderes grevistas são processados e sete condenados à forca num julgamento visto como parcial. Dois têm a pena de morte comutada, um se suicida na prisão e quatro são enforcados.

No primeiro congresso da Segunda Internacional, realizado em Paris em 1889, o sindicalista francês Raymond Lavigne convoca uma série de manifestações em 1º de maio 1890 para homenagear os grevistas de 1886 em Chicago. Há protestos nos EUA, na Europa, no Chile e no Peru.

O segundo congresso da Segunda Internacional decide tornar o 1º de Maio um evento anual. Em 1904, a Segunda Internacional, reunida em Amsterdã, na Holanda, convoca "todos os partidos social-democratas e todos os sindicatos de todos os países se manifestar energicamente em 1º de Maio pelo estabelecimento legal da jornada de oito horas de trabalho por dia, pelas demandas de classe do proletariado e a paz universal."

A data se transforma num dia de grandes manifestações que se tornaram oficiais em vários países, especialmente nos regimes comunistas. Os EUA, o Canadá e o Reino Unido festejam o Dia do Trabalho na primeira sexta-feira de setembro. 

BATALHA DA BAÍA DE MANILA

    Em 1898, a Marinha dos Estados Unidos derrota a Frota do Oceano Pacífico da Espanha na Batalha da Baía de Manila ou Batalha de Cavite. O resultado é a queda das Filipinas e a vitória dos EUA na Guerra Hispano-Americana, que também leva à independência de Cuba e ao domínio de Porto Rico por Washington. Esta guerra é um marco do fim do imperialismo espanhol e do início do imperialismo norte-americano.

A origem da guerra é o movimento pela independência de Cuba iniciado em 1895. A guerra começa depois da explosão e naufrágio do encouraçado norte-americano USS Maine, um navio de US$ 6 mil toneladas e US$ 2 milhões no porto de Havana em 15 de fevereiro. 

Pode ser um acidente ou um ato de sabotagem da Espanha, de dissidentes espanhóis ou dos rebeldes que lutam pela independência de Cuba. O secretário adjunto da Marinha, Theodore Roosevelt, futuro presidente dos EUA, acusa a Espanha.

Quando o secretário da Marinha, John Long, deixa o governo, em 25 de fevereiro, Roosevelt assume interinamente. Em 25 de março, um relatório enviado ao presidente William McKinley afirma que uma mina afundou o USS Maine.

O inquérito da Marinha dos EUA conclui que uma mina explodiu o encouraçado. Não responsabiliza a Espanha, mas o jornalismo amarelo (sensacionalista) do magnata da imprensa William Randolph Hearst e de James Pulitzer, que há anos fazem campanha contra os últimos resquícios do colonialismo espanhol na América, convence a opinião pública e parte do Congresso.

A Espanha anuncia uma trégua com os rebeldes em 9 de abril, mas, em 19 de abril, o Congresso dos EUA reconhece o direito à independência de Cuba, exige a retirada das forças espanholas e autoriza o uso da força. McKinley ordena um bloqueio naval a Cuba. Em 24 de abril, a Espanha declara guerra aos EUA.

Como o Reino Unido é neutro, em 24 de abril, a Esquadra Asiática dos EUA tem de deixar o porto de Hong Kong, parte do Império Britânico desde a Primeira Guerra do Ópio (1839-42). Sai sob aplausos da Marinha Real, com bandas militares embarcadas nos navios britânicos tocando o hino dos EUA.

Seu comandante, comodoro George Dewey, um veterano da Guerra da Secessão (1861-65), estaciona a frota a 50 quilômetros de distância ao largo da costa da China a noroeste de Hong Kong e aguarda instruções. Em 25 de abril, recebe ordens para capturar ou destruir a Frota do Oceano Pacífico da Espanha, baseada nas Filipinas, então uma colônia espanhola.

Dewey tem quatro cruzadores, duas canhoneiras, um navio da guarda costeira alfandegária e dois navios a vapor comprados dos britânicos para carregar suprimentos. Reúne suas forças na Baía de Mirs, perto de Dapeng Novo, e zarpa em 27 de abril. Três dias depois, chega a Luzón, nas Filipinas.

Ao cair da tarde de 30 de abril, Dewey passa por Boca Grande, um canal de acesso à Baía de Manila menos usado do que a Boca Chica. Em 1º de maio, os EUA entram na Baía de Manila. Às 5h40, estão a 5 quilômetros da frota espanhola, comandada pelo almirante Patricio Montojo. Dewey diz ao capitão Chalres Gridley, do cruzador USS Olympia, que vai na frente: "Pode atirar quando estiver pronto Gridley." 

Os norte-americanos passam várias vezes no sentido leste-oeste bombardeando a frota espanhola e chegam a menos de 2 quilômetros de distância. Os espanhóis tentam sair para o combate em mar aberto, mas são repelidos pela artilharia dos EUA.

Às 7h35, Dewey recua, serve o café da manhã a seus marinheiros e reúne os comandantes para traçar o plano final. Dois navios espanhóis, Castilla e Reina Cristina, pegam fogo antes que os EUA reentrem em combate às 11h16 da manhã. Resta subjugar as baterias terrestres de Cavite e destruir o resto da frota espanhola, reduzida a pequenos navios, de que se encarregou o cruzador USS Petrel.

Os EUA têm total superioridade em homens e armas. Sofrem 11 baixas. Derrotado, Montojo preserva dois cruzadores. A Batalha da Baía de Manila é uma das mais importantes da história naval dos EUA.

EDIFÍCIO MAIS ALTO DO MUNDO

    Em 1931, Nova York inaugura o Empire State Building, que durante quatro décadas é o edifício mais alto do mundo.

O arranha-céu de 102 andares é o edifício mais alto do mundo de 1931 a 1971. Fica em Midtown, na ilha de Manhattan, na esquina da 5ª Avenida com a Rua 34. É um dos prédios mais famosos dos EUA e um dos melhores exemplos da arquitetura moderna Art Deco.

É o edifício mais alto do mundo até 1970, quando é superado pela Torre Norte do World Trade Center, atacada e destruída nos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

CIDADÃO KANE

    Em 1941, pré-estreia em Nova York Cidadão Kane, de Orson Welles, considerado por muitos críticos o melhor filme da história do cinema.

O filme produzido e dirigido por Welles aos 25 anos usa técnicas revolucionárias de câmera e iluminação, com uma edição dramática de Robert Wise. Histórica, cultural e esteticamente importante, é um dos primeiros a entrar para o acervo da Biblioteca do Congresso dos EUA.

O personagem principal é Charles Foster Kane, um magnata parecido com William Randolph Hearst, que tenta várias vezes proibir o filme. 

URSS ABATE U-2

    Em 1960, a União Soviética derruba um avião-espião norte-americano U-2 perto de Sverdlovsk, hoje Ecaterimburgo, e prende o piloto Francis Gary Powers. O Incidente do U-2 é um dos fatos marcantes da Guerra Fria.

Francis Gary Powers nasce em 17 de agosto de 1929 em Jenkins, no Kentucky. Entra para a Força Aérea. É alvejado quando pilota o mesmo avião que descobriria os mísseis soviéticos em Cuba em 14 de outubro de 1962. Ele sai de Peshawar, no Paquistão, e o U-2 é abatido em Sverdlovsk.

O ditador soviético Nikita Kruschev está no palanque na Praça Vermelha assistindo ao desfile do Dia Trabalho quando o ministro da Defesa dá a notícia ao pé do ouvido e Kruschev sorri. Em 5 de maio, ele comunica oficialmente ao povo soviético o "grave incidente". 

Condenado a 10 anos de prisão por espionagem, Powers sai em 1962 numa troca de prisioneiros, no caso, pelo espião britânico Rudolf Abel, condenado em 1957 nos EUA para passar informações à URSS.

Livre, Powers volta para os EUA, onde escreve sua própria versão do voo abatido no livro Operation Overflight (Operação Sobrevoo). Ele morre em acidente de helicóptero em 1º de agosto de 1977, enquanto faz uma reportagem para um canal de televisão de Los Angeles.

SEQUESTRO AÉREO

    Em 1961, acontece o primeiro grande sequestro aéreo nos Estados Unidos, quando o voo 337, da companhia aérea National Airlines, que iria de Key West, no extremo sul da Flórida, para Miami, é desviado para Cuba.

Antulio Ramírez Ortiz, um cidadão norte-americano de 35 anos nascido em Porto Rico, se tranca num banheiro de um Convair 440 e passa uma nota à tripulação por baixo da porta. Ameaça explodir uma bomba se o voo não for desviado para Havana.

A tripulação cede. Ramírez Ortiz desembarca na capital cubana e imediatamente recebe asilo político, mas é processado quando tenta sair de Cuba em 1962, sob a alegação de que a Crise dos Mísseis Soviéticos acabara com sua simpatia pela ditadura de Fidel Castro. Condenado duas vezes, fica 6 anos na prisão em Cuba antes de voltar para os EUA, onde também é julgado.

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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 24 de Abril

BIBLIOTECA DO CONGRESSO

    Em 1800, a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos é fundada oficialmente quando o presidente John Adams destina uma verba de US$ 5 mil para a compra de livros que "possam ser necessários para uso no Congresso".

 
A Biblioteca do Congresso é a maior do mundo. Recebe todos os livros publicados nos EUA. Seu acervo chega a 170 milhões de itens em 2020.

Durante a Guerra de 1812, em 24 de agosto de 1814, quando as forças britânicas incendeiam a Casa Branca e o Capitólio, destroem a coleção original de 3 mil volumes.

GUERRA HISPANO-AMERICANA

    Em 1898, a Espanha declara guerra aos Estados Unidos, que termina com a independência de Cuba e o controle norte-americano sobre Porto Rico e as Filipinas.

É um marco do começo do imperialismo dos EUA e o fim do imperialismo da Espanha, que vinha desde a Descoberta da América pelos europeus em 1492.

A principal causa da guerra é o movimento pela independência de Cuba. Jornais sensacionalista dirigidos por Joseph Pulitzer e William Randolph Hearst fomentam um sentimento antiespanhol na opinião pública dos EUA, que vê os cubanos oprimidos pelo colonialismo espanhol.

Depois do naufrágio misterioso do couraçado norte-americano USS Maine no porto de Havana, o Partido Democrata pressiona o presidente republicano William McKinley. A Espanha tenta um acordo, mas os EUA rejeitam e enviam um ultimato para que a Espanha entregue o controle de Cuba.

Quando Madri recusa, os EUA declaram guerra em 21 de abril. A Espanha declara guerra três dias depois. A guerra dura 10 semanas, até 13 de agosto de 1898.

GENOCÍDIO ARMÊNIO

    Em 1915, o Império Otomano prende em Constantinopla e executa cerca de 250 intelectuais e líderes da comunidade armênia no Domingo Vermelho, marco do início de grandes perseguições e massacres que causam a morte de 800 mil a 1,8 milhão de pessoas no Genocídio Armênio.

O genocídio é realizado em duas etadas: primeiro, matando a população masculina adulta; e depois deportando mulheres, crianças, idosos e doentes em marchas da morte que levam ao deserto da Síria sem água e comida, sujeitas a roubos, estupros e massacres. Outros grupos étnicos e religiosos, como os cristãos, os assírios e os gregos, também são perseguidos.

Quando Raphael Lemkin cria a palavra genocídio em 1943 pensa muito no caso armênio. É o segundo genocídio mais estudado, depois do Holocausto cometido pela Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-45).

A Turquia, herdeira do Império Otomano, dissolvido depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18), nega o Genocídio Armênio.

REVOLTA DA PÁSCOA

    Em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), a Irmandade Republicana Irlandesa, uma sociedade secreta de nacionalistas da Irlanda liderada por Patrick Pearse, lança, com o apoio dos socialistas irlandeses chefiados por James Connolly, a Revolta da Páscoa, uma rebelião armada contra séculos de dominação inglesa e britânica, na segunda-feira da Semana Santa.

Os rebeldes atacam a sede do governo britânico, tomam a sede central do correio em Dublin e proclamam a independência da Irlanda. Na manhã seguinte, dominam boa parte da capital irlandesa. À noite, em 25 de abril, as autoridades do Reino Unido reagem.

A revolta é esmagada até 29 de abril e termina no dia seguinte. Pelo menos 500 pessoas morrem na rebelião: 54% eram civis, 30% soldados britânicos e policiais legalistas e 16% eram rebeldes. Pearse e outros 14 nacionalistas são executados.

Em 21 de janeiro de 1919, deputados do Sinn Féin (SF) eleitos em 1918 convocam o Primeiro Dáil, a primeira sessão do Parlamento irlandês e fundam a República da Irlanda. O Reino Unido não aceita. Começa a Guerra da Independência da Irlanda, travada entre o Exército Republicano Irlandês (IRA) e o Exército Real Britânico.

A guerra dura 2 anos, 5 meses, 2 semanas e 6 dias. Termina em 11 de julho de 1921, com 2,3 mil mortos. Pelo Tratado Anglo-Irlandês, a partir de 1º de janeiro de 1922, 26 dos 32 condados da ilha formam o Estado Livre Irlandês. Os outros seis, de maioria protestante, viram a Irlanda do Norte, que continua fazendo parte do Reino Unido e não é reconhecida pelo SF.

A discriminação aos católicos, nacionalistas e republicanos irlandeses na Irlanda do Norte gera uma onda de protestos nos anos 1960 que leva a uma guerra civil em que 3,5 mil pessoas morrem entre 1969 e 1998, quando é assinado o Acordo Paz da Sexta-Feira Santa, no qual as comunidades católica e protestante se comprometem a dividir o poder.

Com a saída do Reino Unido da União Europeia, a instalação de uma fronteira entre a Irlanda e a Irlanda do Norte reacendeu o conflito. No acordo do divórcio, as duas partes decidiram não criar uma "fronteira dura", mas os protestantes da Irlanda do Norte também não querem uma fronteira no mar com o Reino Unido. O impasse não é resolvido.

O governo britânico aponta uma solução em que há dois controles aduaneiros entre a Grã-Bretanha e a Irlanda do Norte: um para produtos que vão ficar dentro do Reino Unido, mais rápido; e outro para produtos que sigam para a República da Irlanda, que fez parte da União Europeia. 

A manobra evita a fronteira dura capaz de reacender o conflito e os protestantes da Irlanda do Norte aceitaram formar o governo de união nacional liderado pelo SF, o partido mais votado nas últimas eleições norte-irlandesas.

PRIMEIRO ASTRONAUTA MORRE NO ESPAÇO

    Em 1967, o cosmonauta soviético Vladimir Komarov morre ao voltar à Terra. Sua espaçonave se enreda no principal paraquedas a vários quilômetros de altitude e se choca com violência contra o solo.

Vladimir Mikhailovich Komarev nasce em Moscou em 16 de março de 1927. Ele entra para a Força Aérea aos 15 anos e se torna um piloto em 1949. Dez anos depois, Komarev se forma na Academia de Engenharia Militar da Força Aérea em Jukovsky, na Grande Moscou.

Em 12 e 13 de outubro de 1964, Komarev pilota a nave Voskhod 1 na primeira missão especial com mais de um homem a bordo. Em 23 de abril de 1967, Komarov se torna o primeiro cosmonauta russo a subir ao espaço. Na 18ª volta ao redor da Terra, ele tenta pousar e morre na queda.

 RESGATE FRACASSADO

    Em 1980, o governo Jimmy Carter envia uma missão para resgatar os reféns sequestrados na embaixada dos Estados Unidos no Irã em 4 de novembro de 1979, em plena Revolução Islâmica. A operação militar fracassa e oito soldados norte-americanos morrem.

O antiamericanismo da Revolução Iraniana tem origem na revolta contra o golpe que derruba o governo nacionalista de Mohamed Mossadegh em 1953, que planeja estatizar o petróleo. É o primeiro golpe articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) na Guerra Fria.

Em 1957, com a ajuda dos serviços secretos dos EUA e de Israel, o xá cria sua temida polícia, a Savak, acusada pelas oposições por até 100 mil mortes. Era uma sombra permanente na vida do cidadão iraniano durante a ditadura. É outro motivo importante para a Revolução Islâmica.

No caos pós-revolucionário, em 4 de novembro de 1979, guardas revolucionários invadem a Embaixada dos EUA em Teerã e sequestram os 66 funcionários e diplomatas. 

O governo Jimmy Carter autoriza uma operação para libertar os norte-americanos, que fracassa e ajuda a eleger Ronald Reagan. Carter é o único presidente que não manda tropas realizarem intervenções militares na História dos EUA. Sua única tentativa é essa operação de comandos da Força Delta no Irã.

A Operação Garra de Águia tenta resgatar os reféns em 24 de abril de 1980. Só cinco dos oito helicópteros enviados chegam à base de apoio, no meio do deserto, em condições técnicas. Um tem problemas hidráulicos. Outro é danificado por uma tempestade de areia fina. 

Durante o planejamento, fica decidido que a missão seria abortada se menos de seis helicópteros estivessem em condições, embora fossem necessários apenas quatro. Numa decisão discutida até hoje, os comandantes pediram autorização para abandonar a missão. Carter concordou. 

Quando a força estava se retirando, um helicóptero bateu num avião de transporte com soldados e combustível, que explodiu em chamas e matou oito soldados. Um fracasso total. 
A ocupação da embaixada dura 444 dias, até a posse de Ronald Reagan, em 20 de janeiro de 1979. Só aí são soltos os últimos 52 reféns.

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sexta-feira, 17 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 17 de Abril

MARTINHO LUTERO SE DEFENDE

    Em 1521, o monge alemão Martinho Lutero depõe na Dieta (assembleia) do Sacro Império Romano-Germânico, reunida em Worms, para responder à acusação de heresia depois de pregar suas 95 Teses sobre o poder e a eficiência das indulgências, criticando a corrupção na Igreja Católica, na porta da igreja do Castelo de Wittemberg em 31 de outubro de 1517, marco do início da Reforma Protestante.

O papa Leão X condena 41 teses em junho de 1520, mas dá a Lutero a chance de se arrepender e se retratar. Em resposta, Lutero queima a bula papal e se nega a retirar suas acusações. Ele é excomungado em 3 de janeiro de 1521.

O imperador deveria prender e executar Lutero. Ele é salvo pela intervenção de seu príncipe, Frederico III, o Sábio, eleitor (líder) da Saxônia. Por causa da confusão ou promiscuidade entre política e religião, Lutero é convocado pelas autoridades políticas e não pelo papa ou por um conselho da Igreja. Ele recebe um salvo-conduto do imperador para depor na Dieta de Worms.

No depoimento, em 17 de abril, Lutero admite a autoria de vários livros expostos. Sob pressão para repudiar suas ideias, pede mais um dia para pensar. No dia seguinte, se nega mais uma vez a repudiar sua obra, a não ser que seja convencido "pelas Escrituras ou pela razão". Alega que sua consciência está submetida à "palavra de Deus".

Em maio, uma nova dieta presidida pelo imperador Carlos V, do Sacro Império, aprova o Édito de Worms, que proíbe os escritos de Martinho Lutero e o declara "inimigo do Estado". Ele deveria ser preso e entregue ao imperador, mas a pena nunca é aplicada. A decisão limita as viagens de Lutero, que depende da proteção do príncipe da Saxônia até sua morte, em 18 de fevereiro de 1546.

PRIMEIRA GUERRA SINO-JAPONESA

    Em 1895, o Tratado de Shimonoseki acaba com a Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95) com a vitória do Japão. A China é obrigada a reconhecer a independência da Coreia, que dominava historicamente; cede Taiwan, as Ilhas Pescadores e a Península de Liaodong, no Sul da Manchúria, ao Japão; paga uma indenização de 200 milhões de taéis de prata ao Japão. Sob pressão da Alemanha, da França, do Reino Unido e da Rússia, o Japão devolde Liaodong em troca de mais 30 milhões de taéis.

A China e o Japão tinham uma tradição de isolamento que termina sob pressão do colonialismo ocidental. Com as Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60), o Reino Unido abre a China ao livre comércio, inclusive de ópio. Em 1854, o almirante norte-americano Matthew Perry rompe o fechamento de mais de dois séculos do Japão meses depois de ameaçar bombardear o porto de Tóquio.

A Restauração Meiji (1868) acaba com o xogunato e restaura o poder do imperador. É o fim da Idade Média no Japão, que se ocidentaliza e desenvolve a indústria para não se submeter ao colonialismo e preservar sua independência. A China, o Império do Meio, centro do mundo na Ásia há quase 2 mil anos, entra em decadência.

Em 1874, um navio japonês naufraga na costa sudoeste de Taiwan e a população local mata a tripulação. A China rejeita o pedido de indenização sob o argumento de que é uma tribo rebelde que não se submete ao imperador. Uma expedição punitiva japonesa força a China a pagar.

A grande causa da guerra é o conflito sobre a Coreia. O conselheiro militar alemão Klemens Meckel, que participa da modernização do Exército japonês, considera a Coreia "uma adaga apontada para o coração do Japão".

Em 27 de fevereiro de 1876, o Japão impõe o Tratado de Ganghwa. Obriga a Coreia a se abrir ao comércio e proclamar independência da China. Para neutralizar a influência japonesa, a China pressiona a Coreia a se aproximar das potências ocidentais.

Sob influência do Japão, os reformistas coreanos tentam derrubar o governo conservador aliado à China num golpe sangrento em 1884, mas tropas chinesas sob o comando do general Yuan Shikai dão um contragolpe igualmente sangrento, com a morte de vários japoneses. Pela Convenção de Li-Ito, os dois países concordam em retirar suas forças da Península Coreana para evitar a guerra.

Em 28 de março de 1894, o líder do golpe de 1884, Kim Ok Kyun, é atraído para Xangai e assassinado, provavelmente por agentes de Yuan Shikai. Seu corpo é enviado de navio à Coreia, onde é esquartejado e exposto ao público.

Quando estoura o Levante de Tonghak, uma revolta camponesa marcha rumo a Seul em 1º de junho de 1894. A pedido do rei coreano, a China envia Yuan Shikai com 2,8 mil soldados. O Japão considera a intervenção chinesa uma violação da Convenção de Li-Ito e manda 8 mil militares à Coreia. A China tenta enviar reforços, mas o Japão afunda o navio britânico Kowshing, que os transporta.

O Japão toma o palácio real em Seul, captura o imperador em 8 de junho de 1894 e instala um governo de coreanos aliados. A rebelião acaba em 11 de junho, mas o Japão manda o general Otori Keisuke ficar na Coreia e envia mais soldados.

Em 23 de julho, o Japão marcha sobre Seul, captura o imperador e reinstala um governo colaboracionista que rompe todos os acordos com a China e autoriza o Exército Imperial Japonês a expulsar os militares chineses.

O general japonês Oshima Yoshimasa avança rumo a Seul com 4 mil homens para enfrentar 3,5 mil soldados da guarnição chinesa. O combate acontece em 28 de julho. Cerca 500 chineses e 92 japoneses são mortos ou feridos. Os chineses recuam para Pyongyang, que hoje é a capital da Coreia do Norte.

A guerra começa oficialmente em 1º de agosto de 1894. Os analistas militares estrangeiros esperam uma vitória rápida da China, mas a modernização do Japão se impõe. A China tem entre 13 a 15 mil soldados em Pyongyang, para onde as forças japonesas convergem em 15 de setembro e invadem a cidade no dia seguinte. Dois mil chineses morrem e 4 mil saem feridos, em contraste com 102 japoneses mortos, 433 feridos e 33 desaparecidos.

A Marinha Imperial Japonesa destrói 8 dos 10 navios da frota chinesa perto da foz do Rio Yalu e assume o controle do mar. A China abandona o Norte da Coreia. Em 24 de outubro, o Japão cruza o Rio Yalu e invade a Manchúria. Toma Lushunkou (Port Arthur) em 21 de novembro, onde massacra milhares de civis, e Kaipeng em 10 de dezembro.

Em março de 1895, o Japão domina a província de Shandong e a Manchúria. No dia 23 de março, ataca as Ilhas Pescadores. A China pede negociações de paz.

Com a derrota, acaba a ordem sinocêntrica em vigor há quase 2 mil anos no Leste da Ásia. Mesmo durante a era do Império Mongol criado por Gengis Khan, a cultura chinesa se impunha por ser superior à dos conquistadores.

Outra derrota, na Guerra dos Boxers (1899-1901), quando Beijim é ocupada por forças estrangeiras da Aliança de Oito Nações, abala definitivamente a monarquia. Com a revolução de 1911, liderada por Sun Yat-Sen, acaba o Império e nasce a República da China, em 1912.

 INVASÃO DA BAÍA DOS PORCOS

    Em 1961, começa a invasão da Baía dos Porcos, quando refugiados cubanos financiados e treinados pela CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) desembarcam em Cuba e tentam derrubar o regime comunista de Fidel Castro, que vence, consolida o poder e pede proteção da União Soviética, o que leva à Crise dos Mísseis em outubro de 1962, quando o mundo esteve mais perto do que nunca de uma guerra nuclear.

A revolução liderada por Fidel Castro toma o poder em Havana em 1º de janeiro de 1959, após a fuga do ditador Fulgencio Batista. Quando a revolução nacionaliza as empresas norte-americanas na ilha, bancos, refinarias de petróleo, plantações de café e de cana-de-açúcar, entre outras medidas, o governo Dwight Eisenhower (1953-61) destina US$ 13,1 milhões para a CIA usar contra Fidel e impõe as primeiras sanções.

O plano é do vice-presidente Richard Nixon, notório anticomunista e candidato a presidente em 1960 contra o senador John Kennedy, que na campanha é mais anticomunista do que Nixon para não passar a imagem de jovem inseguro, incapaz de enfrentar o desafio soviético na Guerra Fria.

Ao tomar posse, em 20 de janeiro de 1961, o presidente Kennedy herda a operação. O Partido Democrata é acusado de "perder a China". Estava no poder com Harry Truman (1945-53) quando os comunistas tomaram o poder em Beijim, em 1º de outubro de 1949.

Em 15 de abril, aviões bombardeiros B-26 pilotados por exilados atacam três pistas de pouso em Cuba, mas não conseguem aniquilar a Força Aérea Cubana. Pelo menos seis aviões ficam intactos. 

Quando Kennedy suspende a segunda onda de bombardeio aéreo, em 16 de abril, a operação está condenada ao fracasso. O sucesso do desembarque depende do controle do espaço aéreo. A Força Aérea Cubana ataca os barcos.

Mais de 1,4 mil homens, divididos em cinco batalhões de infantaria e um de paraquedistas, tentam desembarcar na praia Girón, em Cuba, onde encontam forte resistência e são derrotados. Mais de 100 invasores e 176 soldados cubanos morrem. Cerca de 1,2 mil invasores são presos.

Fidel pede proteção à URSS. O líder soviético Nikita Kruschev aproveita para tentar equilibrar a corrida armamentista. Apesar de lançar o primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik, a URSS fica atrás no desenvolvimento de mísseis nucleares e tenta instalar mísseis em Cuba. Os EUA reagem, bloqueiam Cuba e ameaçam invadir a ilha na Crise dos Mísseis, de 14 a 27 de outubro de 1962. A URSS recua e retira os mísseis num acordo tácito em que os EUA prometem não invadir Cuba.

VITÓRIA DO KHMER VERMELHO

   Em 1975, os guerrilheiros maoístas do Khmer Vermelho, liderados por Pol Pot, entram em Phnom Penh, derrubam a ditadura do general Lon Nol e impõem ao Camboja um regime genocida acusado pela morte de 1,5 milhão a 2 milhões de pessoas com perseguições políticas, tortura, assassinatos em massa e fome, tendo como principal alvo a elite educada e intelectualizada. Como a população do país tinha pouco mais de 7,3 milhões de habitantes, é considerado o regime mais assassino do século 20.

A vitória do Khmer Vermelho é resultado da intervenção militar dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã (1955-75). Como os guerrilheiros vietcongues e os soldados norte-vietnamitas usam o Camboja para ir do Vietnã do Norte para o Vietnã do Sul pela chamada Trilha de Ho Chi Minh, os EUA bombardeiam intensamente o Camboja.

Diante da intervenção norte-americana no Vietnã, o chefe de Estado do Camboja, Norodom Sihanouk, o Príncipe Vermelho, declara neutralidade. Durante uma viagem de Sihanouk a Moscou e Beijim, em 18 de março de 1970, a Assembleia Nacional do Camboja derruba o príncipe e entrega o poder ao general e primeiro-ministro Lon Nol, aliado dos EUA.

A Força Aérea dos EUA começa a bombardear zonas rurais cambojanas em 1965. Os ataques aéreos ganham maior intensidade com a Operação Menu, de 18 de março de 1969 a 26 de maio de 1970. De maio de 1970 até 15 de agosto de 1973, a Operação Freedom Deal continua os bombardeios. 

Entre 1969 e 1973, os EUA jogam 500 mil toneladas de bombas no Camboja contra 113.716 alvos, matando centenas de milhares de pessoas. O assessor de Segurança Nacional do governo Richard Nixon, Henry Kissinger, é considerado criminoso de guerra pelo bombardeio estratégico ao Camboja.

A campanha aérea retarda, mas não impede a vitória do Khmer Vermelho, que tenta fazer uma grande engenharia social com uma política de Ano Zero para impor uma sociedade comunista puramente agrária que considera o campesinato a verdadeira classe revolucionária e não o proletariado urbano e industrial, como previra Karl Marx, o pai do comunismo.

O objetivo da ditadura do Khmer Vermelho é eliminar qualquer pessoa suspeita de exercer atividades de livre mercado. Isto inclui profissionais, todas as pessoas com alguma educação formal ou ligadas de alguma forma a países estrangeiros. Seus líderes são influenciados pelo stalinismo radical do Partido Comunista Francês no início dos anos 1950 e pelo pensamento do líder da revolução comunista na China, Mao Tsé-tung.

A ditadura polpotiana fecha escolas, hospitais e fábricas, abole o sistema bancário, as finanças e a moeda, proíbe todas as religiões, confisca todas as propriedades privadas e transfere populações urbanas para fazendas coletivas onde fazem trabalhos forçados.

O dinheiro é abolido, livros são queimados, professores, comerciantes e quase toda a elite intelectual cambojana é assassinada para fundar uma nova sociedade pura, livre dos males do capitalismo, a partir do Ano Zero. 

Como os pais são vistos como envenenados pelo capitalismo, os filhos são separados dos pais e internados em centros de reeducação onde sofrem uma lavagem cerebral. Os jovens aprendem métodos de tortura com animais e recebem papéis de liderança em torturas e execuções.

Sua reforma agrária causa uma fome generalizada. A pretensão de autossuficiência destrói os serviços públicos. Milhares de cambojanos morrem de doenças curáveis como a malária.

A ditadura do Khmer Vermelho cai em 7 de janeiro de 1979, depois de uma invasão vietnamita no Camboja apoiada pela União Soviética no Natal de 1978. Em resposta, a China invade o Vietnã em 17 de fevereiro de 1979, na primeira guerra aberta entre países comunistas. (Em 1969, a China e a URSS travam uma série de escaramuças na longa fronteira comum.)

O Vietnã repele a invasão. A China se retira em 16 de março, mas continua apoiando o deposto regime genocida do Khmer Vermelho como representante do Camboja na ONU, assim como os EUA e o Reino Unido, por causa de sua oposição à URSS.

MORTE DE GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ

    Em 2014, morre na Cidade do México o escritor colombiano Gabriel García Márquez, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1982, considerado um dos autores mais importantes do século 20.

García Márquez nasce em Aracataca em 6 de março de 1927. Nos primeiros oito anos de sua vida, seus pais moram com seus avós, o coronel Nicolás Márquez, veterano da Guerra dos Mil Dias (1899-1902) e Tranquilina Iguarán de Márquez. Após a morte do avô, a família se muda para Barraquilla. Ele recebe uma educação de qualidade, mas mais tarde atribui ao avô e às histórias de Aracataca as grandes fontes de sua literatura.

Ele estuda direito, mas se torna um jornalista, profissão que abraça até se tornar um escritor de sucesso. García Márquez aperfeiçoa sua educação como correspondente em Paris. Também trabalha como jornalista em Bogotá e em Nova York antes de ir para o México, onde escreve Cem Anos de Solidão, o romance que lhe dá fama e dinheiro.

O livro conta a história de Macondo, uma cidadezinha que reflete a história da América Latina, a truculência, o autoritarismo e a desigualdade social. É o expoente de uma literatura latino-americana descrita como "realismo mágico", que mistura fatos históricos com ficção sob a inspiração de escritores como o cubano Alejo Carpentier, pioneiro do gênero. Os habitantes de Macondo são movidos por paixões como desejo, cobiça, ganância e sede de poder, mas esbarram na realidade política..

A obra é lançada em 1967 por uma editora argentina e alcança sucesso universal. Já vendeu mais de 50 milhões de cópias em 46 idiomas. É um dos livros mais lidos e influentes do século 20.

De 1967 a 1975, ele mora na Espanha. Depois, tem uma casa na Cidade do México e um apartamento em Paris. Também passa um tempo em Havana, a convite de Fidel Castro, a quem apoia. Como escritor de sucesso, García Márquez lança O Outono do Patriarca (1975), Crônica de uma Morte Anunciada (1981), Do Amor e Outros Demônios (1981), O Amor nos Tempos de Cólera (1985), O General em seu Labirinto (1989), sobre os últimos dias do libertador Simón Bolívar, e Notícia de um Sequestro (1996).

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