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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 25 de Setembro

BALBOA DESCOBRE O PACÍFICO

    Em 1513, em silêncio, no alto de uma montanha do Estreito de Darién, hoje território do Panamá, o navegador espanhol Vasco Núñez de Balboa é o primeiro europeu a avistar o Oceano Pacífico.

Balboa vem para a América em 1500, explora a costa do que hoje é a Colômbia e se estabelece na Hispaniola, a ilha hoje dividida entre o Haiti e a República Dominicana. Seus negócios fracassam. Ele volta para a Colômbia e leva um grupo de colonos para a região de Darién.

Em 1511, o rei Fernando II o nomeia governador interino e capitão-general de Darién. Balboa organiza expedições atrás de ouro e para escravizar indígenas. Os índios contam aos espanhóis que ao sul há muito ouro, provavelmente se referindo ao Império Inca.

A conquista daquelas terras exige pelo menos mil homens. Balboa envia um emissário a Madri para pedir reforços. Uma expedição de 2 mil homens é organizada, sob o comando de Pedro Arias Dávila, conhecido como Pedrarias, que se torna um rival.

Ao explorar ao sul, Balboa chega ao lugar mais estreito do Istmo do Panamá. Com 190 espanhóis e centenas de indígenas, vai na direção sul, sobe a cordilheira e avista o Pacífico, que batiza como Oceano do Sul, em 25 ou 27 de setembro de 1513.

Dias depois, Balboa chega ao Golfo de São Miguel e reivindica as terras para a coroa espanhola. Isto melhora sua imagem perante o rei. É nomeado governador das províncias do Panamá e de Coiba, mas submetido a Pedrarias.

Quando Pedrarias vai ser substituído e sua administração submetida a uma investigação, ele resolve se livrar de Balboa, que seria testemunha contra ele. Balboa é preso sob acusações de rebelião, de alta traição e maltratar os indígenas. Num processo forjado, é condenado e executado com quatro supostos cúmplices em 15 de janeiro de 1519.

CONGRESSO APROVA DIREITOS FUNDAMENTAIS

    Em 1789, o Congresso aprova as 12 primeiras emendas à Constituição dos Estados Unidos, inspiradas pela Lei de Direitos de 1689 na Inglaterra e consideradas uma declaração de direitos fundamentais: liberdade de imprensa, liberdade religiosa, liberdade de associação, direito de processar o Estado, direito de portar armas, direito de ficar em silêncio para não se incriminar, direito a um julgamento justo, direito de não ser submetido a tratamento ou punição cruéis e desumanas, entre outros.

Como a Constituição exige ratificação por 75% dos estados, as emendas são encaminhadas para ratificação, processo concluído em dezembro de 1791. Duas emendas não são ratificadas.

Emenda nº 1 (liberdade de religião, de expressão, de imprensa, de associação e de processar o governo): “O Congresso não legislará a respeito do estabelecimento de uma religião, ou proibindo seu livre exercício; ou abreviando a liberdade de expressão ou de imprensa; ou do direito de associação para fins pacíficos, e de peticionar o governo para reparar danos.”

Emenda nº 2 (direito de portar armas): “Uma milícia bem regulada, sendo necessária para a segurança de um Estado livre, e o direito das pessoas de possuir e portar armas não devem ser penalizadas.

Emenda nº 3 (abrigo a soldados): “Nenhum soldado deve, em tempo de paz, ser aquartelado em nenhuma casa sem o consentimento do dono, nem em tempo de guerra, a não ser em maneira prevista em lei.

Emenda nº 4 (mandados de busca e prisão): “O direito das pessoas à proteção pessoal, de suas casas, documentos e bens contra buscas e apreensões irrazoáveis não deve ser violado, e nenhum mandado deve ser emitido sem uma causa provável, apoiada por um juramento ou afirmação, e especialmente descrevendo o local a ser revistado e as pessoas e coisas a serem apreendidas.

Emenda nº 5 (direitos em casos criminais): “Nenhuma pessoa deve responder por um crime capital, ou infame de outra sorte, a não ser na presença ou sob denúncia de um Grande Júri, à exceção de casos surgidos nas forças terrestres ou navais, ou numa milícia, quando em serviço em tempo de guerra ou diante de grave ameaça; nenhuma pessoa deve ser julgada duas vezes pela mesma ofensa; nem deve ser compelida em nenhum processo criminal a ser testemunha contra si mesma, nem privada de sua vida, liberdade ou propriedade sem o devido processo legal; nem a propriedade privada deve ser tomada para uso público sem a devida compensação.

Emenda nº 6 (direito a um julgamento justo): “Em processos criminais, o acusado deve ter direito a um julgamento público e rápido, por um júri estadual ou distrital onde o crime foi cometido, distrito previamente definido por lei, e de ser informado sobre a natureza e a causa da acusação; de ser confrontando com as testemunhas contra ele; de apresentar testemunhas em seu favor, e de ter a assistência de um advogado de defesa.

Emenda nº 7 (direitos em casos civis): “Em casos de direito consuetudinário onde o valor da controvérsia exceda vinte dólares, o direito de julgamento por júri deve ser preservado, e nenhum caso julgado por júri deverá ser reexaminado por qualquer tribunal dos EUA, a não ser nos termos da lei.

Emenda nº 8 (fiança, multas e punições): “Não devem ser exigidas finanças excessivas, nem impostas multas excessivas, nem infligidas punições cruéis e incomuns.

Emenda nº 9 (direitos devidos ao povo): “A enumeração de certos direitos pela Constituição não deve ser interpretada para negar ou depreciar outros direitos devidos ao povo.”

Emenda nº 10 (poderes dos estados e do povo): “Os poderes não delegados aos EUA, nem proibidos aos estados, estão reservados respectivamente aos estados ou ao povo.”

CÚPULA EUA-URSS

    Em 1959, durante a Guerra Fria, no fim de uma visita aos Estados Unidos, o líder da União Soviética, Nikita Kruschev (1954-64), faz uma reunião de dois dias com o presidente Dwight Eisenhower (1953-61). 

Os dois dirigentes se entendem sobre uma série de questões, mas a espionagem e o abate de um avião-espião americano U-2, em 1º de maio de 1960, acabam com a esperança de melhora nas relações entre as duas superpotências.

Os EUA e a URSS chegam ao momento mais tenso e perigoso de 14 a 27 de outubro de 1962, na Crise dos Mísseis em Cuba, quando o governo John Kennedy (1961-63) impõe um bloqueio aeronaval à ilha e ameaça invadir o país para impedir a instalação de mísseis nucleares soviéticos.

Os mísseis só são descobertos por um U-2 porque estão expostos antes da instalação do sistema de defesa antiaérea que permitiria derrubar o avião-espião. Em 27 de outubro, quando a URSS cede e Kruschev faz um acordo com Kennedy, Cuba derruba um U-2, mas a crise está desarmada. 

IRA SE DESARMA

    Em 2005, sete anos depois do Acordo de Paz na Sexta-Feira Santa e dois dois anos depois de anunciar a intenção de se desarmar, o Exército Republicano Irlandês (IRA) entrega armas escondidas em locais secretos a uma comissão independente de desarmamento.

Quando a Irlanda se torna independente do Reino Unido, em 1922, seis condados da Província do Úlster continuam sob o domínio britânico. Formam a Irlanda do Norte. O IRA, fundado em 1917, mantém a determinação de lutar pela libertação total e a reunificação do país.

A discriminação dos católicos, republicanos e nacionalistas irlandeses na Irlanda do Norte pega fogo nos anos 1960. Com o aumento da agitação social e da violência política, o Exército Real britânico intervém na Irlanda do Norte em agosto de 1969.

O IRA então se divide e o IRA provisório volta à luta armada, iniciando a guerra civil na Irlanda do Norte, que mataria 3,5 mil pessoas nos próximos 30 anos. As conversações de paz começam em 1984, mas as negociações mesmo demoraram mais por causa das armas do IRA, que declara um cessar-fogo em 1994, rompe em 1996 e depois restaura para negociar o acordo de paz, assinado em 10 de abril de 1998.

A demora em entregar as armas depois do acordo de 1998 retarda a implementação do plano de paz.

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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 7 de Agosto

INDEPENDÊNCIA DE NOVA GRANADA

    Em 1819, rebeldes latino-americanos sob a liderança do libertador Simón Bolívar derrotam a Espanha na Batalha de Boyacá e conquistam a independência de Nova Granada (hoje Colômbia, Equador, Venezuela e Panamá).

Um exército rebelde de 3 mil homens, sob o comando dos generais Bolívar e Francisco de Paula Santander, surpreende e derrota os espanhóis em Gamezá (12 de julho) e Pantano de Vargas (25 de julho), e toma Tunja (5 de agosto).

Na batalha final, Santander corta o avanço das tropas espanholas perto de uma ponte sobre o Rio Boyacá, onde Bolívar ataca o núcleo da força inimiga e captura 1,8 mil soldados inimigos, inclusive o comandante espanhol.

A seguir, Bolívar captura Bogotá e em 10 de agosto e é aclamado como o libertador que acaba com o Vice-Reino de Nova Granada, criado em 1717. O libertador cria então um governo provisório com Santander como vice-presidente. Em seguida, vai para Angostura, na Venezuela, onde anuncia a intenção de fundar a República da Grã-Colômbia, que preside até sua morte, em 1830.

Bolívar tenta evitar a fragmentação da América Espanhola. Convoca a primeira conferência pan-americana, o Congresso do Panamá (1826). Sonha com nações livres e independentes política e economicamente, e com a união dos povos latino-americanos. Mas a Grã-Colômbia se dissolve em 1931 com a independência do Equador, da Venezuela e de Nova Granada (Colômbia e Panamá, que só se torna independente 1903, com uma intervenção militar dos Estados Unidos para abrir o Canal do Panamá).

Simón Bolívar não era socialista nem antinorte-americano. Foi duramente criticado por Karl Marx, o pai do comunismo. O bolivarismo propagandeado pelo caudilho venezuelano Hugo Chávez não tem nada a ver com as ideias do libertador. Melhor chamar de chavismo.

JACK, O ESTRIPADOR

    Em 1888, o primeiro homicídio cometido por Jack, o Estripador, acontece na região operária de East End, em Londres.

Entre agosto e novembro de 1888, pelo menos cinco mulheres são assassinadas no bairro de Whitechapel, em Londres. Esses crimes nunca esclarecidos são um grande mistério da história da Inglaterra.

De 1888 a 1892, dezenas de homicídios são atribuídos ao assassino em série Jack, o Estripador, mas a polícia britânica, a Scotland Yard, só liga cinco ao mesmo criminoso: Mary Ann Nichols, Annie Chapman, Elizabeth Stride, Catherine Eddowes e Mary Jane Kelly. Todas são tidas como prostitutas e estão na rua em busca de clientes na hora da morte, menos Kelly.

Em 2019, a historiadora social britânica Hallie Rubenhold publica o livro As Cinco: as vidas não contadas das mulheres mortas por Jack, o Estripador, onde alega que Nichols, Chapman e Eddowes não eram prostitutas. Stride se prostitui em momentos de miséria e desespero. Só Kelly seria prostituta.

Na visão da historiadora, a suposição de que são todas prostitutas se deve ao machismo, a preconceitos de classe social e ao moralismo hipócrita da Era Vitoriana, o auge do Império Britânico. A rainha Vitória chefia o Estado de 1837 a 1901.

Em todas as mortes, o assassino corta a garganta e mutila o corpo das vítimas de uma forma que sugere que tem noções de anatomia. Isso levanta a suspeita de que o homicida seja médico. A metade de um rim extraído de um das vítimas é enviada à polícia, que recebe várias mensagens escritas de Jack, o Estripador.

A onda de assassinatos provoca a demissão do ministro do Interior britânico e do chefe de política de Londres. 

Entre os principais suspeitos, está Montague Druitt, um advogado e professor interessado em cirurgia considerado mentalmente insano que desaparece depois dos assassinatos e é encontrado morto. Outro investigado é Michael Ostrog, um médico criminoso russo internado num hospício por tendências homicidas. Aaron Kosminski, um judeu polonês morador de Whitechapel conhecido pela animosidade em relação a mulheres, especialmente prostitutas, também é citado como o possível estripador.

Alguns notáveis da sociedade londrina na época também são mencionados, como o pintor Walter Sickert e o médico Sir William Gull. Os locais onde as mulheres são mortas viram atrações de um turismo macabro.

VW PARA PRODUÇÃO

    Em 1944, sob ameaça de bombardeio aliado durante a Segunda Guerra Mundial, a fábrica de automóveis alemã Volkswagen para a produção do Fusca.

Dez anos antes, o Terceiro Reich contrata o engenheiro Ferdinand Porsche para projetar um carro pequeno, de baixo custo para o povo alemão. O ditador nazista Adolf Hitler chama o carro de Força através da Alegria, mas Porsche prefere Carro do Povo (Volkswagen).

O regime nazista constrói a fábrica em 1938 na cidade de KdF e o Salão do Automóvel de Berlim lança o Fusca em 1939, meses antes do início da Segunda Guerra Mundial (1939-45), em 1º de setembro daquele ano. Durante o conflito, aumenta a demanda por utilitários, em vez de carros de passeio, mas a produção continua até 7 de agosto de 1944.

Depois da guerra, na Alemanha ocupada, Volfsburg, nome atual da cidade, fica no setor britânico. A produção do carrinho recomeça em dezembro de 1945. A fábrica volta ao controle alemão em 1949. Em 1972, o Fusca supera o Ford Modelo T e se torna o carro mais vendido da história do automóvel.

NORUEGUÊS ATRAVESSA PACÍFICO DE BALSA

    Em 1947, para provar que houve contato transpacífico 3 mil anos atrás, o antropólogo norueguês Thor Heyerdahl atravessa o Oceano Pacífico numa balsa madeira, numa jangada, percorrendo 6.880 quilômetros de Callao, no Peru, a Raroia, no Arquipélago Tuamotu, perto do Taiti, na Polinésia, em 101 dias.

JIHADISTAS ATACAM EMBAIXADAS DOS EUA

    Em 1998, às 10h30 pela hora local, um caminhão-bomba explode junto à Embaixada dos Estados Unidos em Nairóbi, no Quênia (foto), e, minutos depois, outro caminhão-bomba tem como alvo a Embaixada Norte-Americana em Dar es Salaam, capital da vizinha Tanzânia.

Os atentados, atribuídos à rede terrorista Al Caeda, liderada por Ossama ben Laden, matam 224 pessoas, inclusive 12 norte-americanos, e ferem mais de 4,5 mil. 

O presidente Bill Clinton ordena bombardeios retaliatórios a uma companhia farmacêutica do Sudão acusada pelos americanos de produzir armas químicas e a campos de treinamento d'al Caeda no Afeganistão. A resposta dos jihadistas vem nos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos EUA. 

ESQUERDA CHEGA AO PODER NA COLÔMBIA

    Em 2022, o economista, ecologista, ex-ativista da guerrilha e ex-prefeito de Bogotá Gustavo Petro toma posse como primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia, tendo como vice-presidente Francia Márquez, negra, feminista e ativista política.

Petro, da coalizão Pacto Histórico, vence o segundo turno com 50,5% dos votos contra 47,3% para o ex-prefeito de Bucaramanga Rodolfo Hernández, de extrema direita.

Num dos países mais violentos, conservadores e oligárquicos do continente, Gustavo Francisco Petro Urrego prega uma verdadeira revolução pelo voto. Promete combater a desigualdade, taxar os ricos, abrir empregos públicos para desempregados, realizar uma reforma agrária com aumento de impostos sobre latifúndios e terras improdutivas, criar um sistema público e universal de saúde pública, fazer a transição para um regime de previdência social, levar a Internet para todos e reduzir gradualmente o uso de combustíveis fósseis como carvão, gás e petróleo, importantes riquezas do país, substituindo-os por energias renováveis.

Quer acabar com o modelo extrativista, preservar a biodiversidade e investir em alta tecnologia. Alega que a América Latina precisa deixar de ser mera exportadora de produtos primários. 

Talvez a maior revolução seja a escolha de sua vice-presidente. Francia Elena Márquez Mina, de 40 anos, é uma líder social negra, feminista, defensora dos direitos humanos e ativista ambiental. Foi empregada doméstica. Apresenta-se como “uma das inexistentes” e dos excluídos.

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quinta-feira, 21 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 21 de Maio

 SEMANA SANGRENTA EM PARIS

    Em 1871, a Comuna de Paris, uma revolta popular contra o governo provisório de Adolphe Tiers que tenta instaurar um regime revolucionário na França, é alvo de uma onda de repressão violenta conhecida como Semana Sangrenta.

A Comuna de Paris é uma insurreição contra o governo francês para criar um regime socialista com governo dos trabalhadores. Deflagrada em 18 de março, vai até 28 de maio. É resultado da derrota para a Alemanha na Guerra Franco-Prussiana (1870-71), do Cerco de Paris e do colapso do Segundo Império (1852-70) sob Napoleão III.

A Assembleia Nacional eleita em fevereiro de 1871 para fazer a paz com a Alemanha tem uma maioria monarquista que reflete o conservadorismo das províncias. Os republicanos de Paris temem que a assembleia reunida em Versalhes restaure a monarquia.

Os revolucionários ganham as eleições municipais de 26 de março. O programa radical da comuna é adotado. Mas comunas de Marselha, Lyon, Saint-Étienne e Toulouse são rapidamente derrotadas. E os fédérés não tem organização militar para enfrentar uma máquina de guerra.

Em 21 de maio, as tropas do governo entram numa região não defendida de Paris. Na Semana Sangrenta, esmagam a comuna, que se defende com barricadas nas ruas da capital francesa e incêndios em prédios públicos.

Pelo menos 877 soldados morrem e outros 187 desaparecem nesta guerra civil. Do lado da Comuna de Paris, são 6.667 mortes confirmadas.

PRIMEIRA AVIADORA A CRUZAR O ATLÂNTICO

    Em 1932, a norte-americana Amelia Earhart se torna a primeira mulher a pilotar um avião sozinha e atravessar o Oceano Atlântico.

Amelia Mary Earhart nasce em Atchison, no estado do Kansas, em 24 de julho de 1897, filha de um advogado de companhia ferroviária e de uma mãe de família rica, mas o alcoolismo do pai complica a vida. Durante ou uma visita a uma irmã no Canadá, Amelia resolve cuidar de soldados feridos na Primeira Guerra Mundial (1914-18). 

Depois da guerra, ela entra para a Universidade de Colúmbia, em Nova York, mas larga porque a família insiste que vá morar na Califórnia. Lá, em 1920, voa pela primeira vez e começa a receber lições de pilotagem. Em 1921, compra seu primeiro avião e dois anos depois consegue a licença para pilotar.

Nos anos 1920, ela se muda para Massachusetts, onde trabalha como agente social numa casa para imigrantes em Boston, mas não perde a interessa na aviação.

Em 17 de junho de 1928, ela embarca como passageira num voo da Terra Nova, no Canadá, para Burry Port, no País de Gales. Vira celebridade e escreve um livro sobre a experiência, 20 horas e 40 minutos.

A viagem a estimula a organizar seu próprio voo solo. Ela sai em 20 de maio de 1932 de Harbour Grace, na Terra Nova, num Lockheed Vega e chega a Londonderry, na Irlanda do Norte no dia seguinte no tempo recorde de 14 horas e 56 minutos.

Além do sucesso como aviadora, Earhart é conhecida por encorajar as mulheres e desafiar as normas sociais que limitam suas oportunidades. 

Em 1935, Amelia Earhart voa sozinha do Havaí à Califórnia num viagem de 3.875 quilômetros, cerca de 800km a mais do que o sobrevoo ao Atlântico. Ela sai de Honolulu, no Havaí, em 11 de janeiro e chega a Oakland, na Califórnia, 17 horas e 7 minutos.

O próximo desafio é dar a volta ao mundo. Em 1º de junho de 1937, ela sai de Miami num avião bimotor Lockheed Electra com Fred Noonon como navegador. Depois de várias escalas para reabastecer, pousam em Lae, na Nova Guiné, em 29 de junho, tendo percorrido 35 mil quilômetros.

Em 2 de julho, eles partem em direção à Ilha Howland a 4,2 mil km de distância. Dois navios dos Estados Unidos ajudam na navegação. Na sua última mensagem pelo rádio, ela avisa que estão ficando sem combustível. O avião desaparece a cerca de 160km do destino.

BOMBA DE HIDROGÊNIO EM BIKINI

    Em 1956, um avião bombardeiro dos Estados Unidos joga uma bomba de hidrogênio sobre a ilha de Namu, no Atol de Bikini, no Oceano Pacífico, mostrando que a bomba H pode ser transportada de avião, num novo salto na corrida armamentista nuclear.

Os EUA testam armas nucleares em Bikini desde 1946, com explosões terrestres. Neste teste, um bombardeiro B-52 joga a bomba a uma altitude de mais de 15 mil metros. A explosão acontece a cerca de 4,6 quilômetros do solo, com uma energia de 15 megatons, equivalente a 15 milhões de toneladas de dinamite. 

 

ASSASSINATO DE RAJIV GANDHI

    Em 1991, o ex-primeiro-ministro indiano Rajiv Gandhi é assassinado num atentado terrorista suicida em Sriperumbudur, no estado de Tamil Nadu, na Índia.

Rajiv Ratna Gandhi nasce em Bombaim, hoje Mumbai, em 20 de agosto de 1944, filho da futura primeira-ministra Indira Gandhi e neto de Jawaharlal Hehru, o primeiro chefe de governo da Índia independente. Ele estuda no Imperial College de Londres e se forma em engenharia na Universidade de Cambridge, na Inglaterra.

O herdeiro político de Indira é outro filho, Sanjay Gandhi, que morre em acidente aéreo em 23 de junho de 1980. 

Outra tragédia, a morte da mãe e primeira-ministra Indira Gandhi, assassinada por um guarda-costas da seita sikh em 31 de outubro de 1984 em Nova Déli, leva Rajiv à chefia do governo e à liderança do Partido do Congresso.

No governo, Rajiv desburocratiza e liberaliza a economia do país. É o reformista que começa a abrir a economia da Índia, hoje a grande economia que mais cresce no mundo, em 6% a 7% ao ano. Deve passar o Japão neste ano para se tornar a quarta maior economia do mundo.

Sem sucesso, tenta pacificar as revoltas dos sikhs do Punjab, que lutam pela independência do Calistão, e dos muçulmanos da Caxemira, que gostariam de se unir ao Paquistão. Depois de escândalos financeiros e da derrota do Partido de Congresso nas eleições de 1989, Rajiv renuncia.

Em maio de 1991, Rajiv está em campanha eleitoral em Tamil Nadu, no Sul da Índia, ele e outras 16 pessoas morrem com a explosão de uma bomba escondida numa cesta de flores carregada por uma mulher ligada aos Tigres da Libertação do Ilam Tamil, um movimento separatista do vizinho Sri Lanka.

É uma vingança. Em 1987, Rajiv envia tropas da Índia para impor um cessar-fogo na guerra civil do país vizinho.

A Justiça da Índia condena em 1998 26 pessoas pelo assassinato de Rajiv Gandhi, tamis do Sri Lanka e seus aliados indianos.

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sexta-feira, 1 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 1º de Maio

DIA DO TRABALHO 

    Em 1886, os trabalhadores iniciam uma greve geral em Chicago, nos Estados Unidos, exigindo uma redução da jornada de trabalho de 13 para 8 horas por dia. Em 4 de maio, quando a polícia parte para dispersar a manifestação, alguém joga uma bomba. A polícia atira nos grevistas. Quatro civis e sete policiais morrem, e pelo menos 60 policiais e 115 civis saem feridos. O Massacre no Haymarket é a origem do Dia Internacional do Trabalho ou do Trabalhador.

Centenas de líderes sindicais e ativistas de esquerda são presos. Oito líderes grevistas são processados e sete condenados à forca num julgamento visto como parcial. Dois têm a pena de morte comutada, um se suicida na prisão e quatro são enforcados.

No primeiro congresso da Segunda Internacional, realizado em Paris em 1889, o sindicalista francês Raymond Lavigne convoca uma série de manifestações em 1º de maio 1890 para homenagear os grevistas de 1886 em Chicago. Há protestos nos EUA, na Europa, no Chile e no Peru.

O segundo congresso da Segunda Internacional decide tornar o 1º de Maio um evento anual. Em 1904, a Segunda Internacional, reunida em Amsterdã, na Holanda, convoca "todos os partidos social-democratas e todos os sindicatos de todos os países se manifestar energicamente em 1º de Maio pelo estabelecimento legal da jornada de oito horas de trabalho por dia, pelas demandas de classe do proletariado e a paz universal."

A data se transforma num dia de grandes manifestações que se tornaram oficiais em vários países, especialmente nos regimes comunistas. Os EUA, o Canadá e o Reino Unido festejam o Dia do Trabalho na primeira sexta-feira de setembro. 

BATALHA DA BAÍA DE MANILA

    Em 1898, a Marinha dos Estados Unidos derrota a Frota do Oceano Pacífico da Espanha na Batalha da Baía de Manila ou Batalha de Cavite. O resultado é a queda das Filipinas e a vitória dos EUA na Guerra Hispano-Americana, que também leva à independência de Cuba e ao domínio de Porto Rico por Washington. Esta guerra é um marco do fim do imperialismo espanhol e do início do imperialismo norte-americano.

A origem da guerra é o movimento pela independência de Cuba iniciado em 1895. A guerra começa depois da explosão e naufrágio do encouraçado norte-americano USS Maine, um navio de US$ 6 mil toneladas e US$ 2 milhões no porto de Havana em 15 de fevereiro. 

Pode ser um acidente ou um ato de sabotagem da Espanha, de dissidentes espanhóis ou dos rebeldes que lutam pela independência de Cuba. O secretário adjunto da Marinha, Theodore Roosevelt, futuro presidente dos EUA, acusa a Espanha.

Quando o secretário da Marinha, John Long, deixa o governo, em 25 de fevereiro, Roosevelt assume interinamente. Em 25 de março, um relatório enviado ao presidente William McKinley afirma que uma mina afundou o USS Maine.

O inquérito da Marinha dos EUA conclui que uma mina explodiu o encouraçado. Não responsabiliza a Espanha, mas o jornalismo amarelo (sensacionalista) do magnata da imprensa William Randolph Hearst e de James Pulitzer, que há anos fazem campanha contra os últimos resquícios do colonialismo espanhol na América, convence a opinião pública e parte do Congresso.

A Espanha anuncia uma trégua com os rebeldes em 9 de abril, mas, em 19 de abril, o Congresso dos EUA reconhece o direito à independência de Cuba, exige a retirada das forças espanholas e autoriza o uso da força. McKinley ordena um bloqueio naval a Cuba. Em 24 de abril, a Espanha declara guerra aos EUA.

Como o Reino Unido é neutro, em 24 de abril, a Esquadra Asiática dos EUA tem de deixar o porto de Hong Kong, parte do Império Britânico desde a Primeira Guerra do Ópio (1839-42). Sai sob aplausos da Marinha Real, com bandas militares embarcadas nos navios britânicos tocando o hino dos EUA.

Seu comandante, comodoro George Dewey, um veterano da Guerra da Secessão (1861-65), estaciona a frota a 50 quilômetros de distância ao largo da costa da China a noroeste de Hong Kong e aguarda instruções. Em 25 de abril, recebe ordens para capturar ou destruir a Frota do Oceano Pacífico da Espanha, baseada nas Filipinas, então uma colônia espanhola.

Dewey tem quatro cruzadores, duas canhoneiras, um navio da guarda costeira alfandegária e dois navios a vapor comprados dos britânicos para carregar suprimentos. Reúne suas forças na Baía de Mirs, perto de Dapeng Novo, e zarpa em 27 de abril. Três dias depois, chega a Luzón, nas Filipinas.

Ao cair da tarde de 30 de abril, Dewey passa por Boca Grande, um canal de acesso à Baía de Manila menos usado do que a Boca Chica. Em 1º de maio, os EUA entram na Baía de Manila. Às 5h40, estão a 5 quilômetros da frota espanhola, comandada pelo almirante Patricio Montojo. Dewey diz ao capitão Chalres Gridley, do cruzador USS Olympia, que vai na frente: "Pode atirar quando estiver pronto Gridley." 

Os norte-americanos passam várias vezes no sentido leste-oeste bombardeando a frota espanhola e chegam a menos de 2 quilômetros de distância. Os espanhóis tentam sair para o combate em mar aberto, mas são repelidos pela artilharia dos EUA.

Às 7h35, Dewey recua, serve o café da manhã a seus marinheiros e reúne os comandantes para traçar o plano final. Dois navios espanhóis, Castilla e Reina Cristina, pegam fogo antes que os EUA reentrem em combate às 11h16 da manhã. Resta subjugar as baterias terrestres de Cavite e destruir o resto da frota espanhola, reduzida a pequenos navios, de que se encarregou o cruzador USS Petrel.

Os EUA têm total superioridade em homens e armas. Sofrem 11 baixas. Derrotado, Montojo preserva dois cruzadores. A Batalha da Baía de Manila é uma das mais importantes da história naval dos EUA.

EDIFÍCIO MAIS ALTO DO MUNDO

    Em 1931, Nova York inaugura o Empire State Building, que durante quatro décadas é o edifício mais alto do mundo.

O arranha-céu de 102 andares é o edifício mais alto do mundo de 1931 a 1971. Fica em Midtown, na ilha de Manhattan, na esquina da 5ª Avenida com a Rua 34. É um dos prédios mais famosos dos EUA e um dos melhores exemplos da arquitetura moderna Art Deco.

É o edifício mais alto do mundo até 1970, quando é superado pela Torre Norte do World Trade Center, atacada e destruída nos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

CIDADÃO KANE

    Em 1941, pré-estreia em Nova York Cidadão Kane, de Orson Welles, considerado por muitos críticos o melhor filme da história do cinema.

O filme produzido e dirigido por Welles aos 25 anos usa técnicas revolucionárias de câmera e iluminação, com uma edição dramática de Robert Wise. Histórica, cultural e esteticamente importante, é um dos primeiros a entrar para o acervo da Biblioteca do Congresso dos EUA.

O personagem principal é Charles Foster Kane, um magnata parecido com William Randolph Hearst, que tenta várias vezes proibir o filme. 

URSS ABATE U-2

    Em 1960, a União Soviética derruba um avião-espião norte-americano U-2 perto de Sverdlovsk, hoje Ecaterimburgo, e prende o piloto Francis Gary Powers. O Incidente do U-2 é um dos fatos marcantes da Guerra Fria.

Francis Gary Powers nasce em 17 de agosto de 1929 em Jenkins, no Kentucky. Entra para a Força Aérea. É alvejado quando pilota o mesmo avião que descobriria os mísseis soviéticos em Cuba em 14 de outubro de 1962. Ele sai de Peshawar, no Paquistão, e o U-2 é abatido em Sverdlovsk.

O ditador soviético Nikita Kruschev está no palanque na Praça Vermelha assistindo ao desfile do Dia Trabalho quando o ministro da Defesa dá a notícia ao pé do ouvido e Kruschev sorri. Em 5 de maio, ele comunica oficialmente ao povo soviético o "grave incidente". 

Condenado a 10 anos de prisão por espionagem, Powers sai em 1962 numa troca de prisioneiros, no caso, pelo espião britânico Rudolf Abel, condenado em 1957 nos EUA para passar informações à URSS.

Livre, Powers volta para os EUA, onde escreve sua própria versão do voo abatido no livro Operation Overflight (Operação Sobrevoo). Ele morre em acidente de helicóptero em 1º de agosto de 1977, enquanto faz uma reportagem para um canal de televisão de Los Angeles.

SEQUESTRO AÉREO

    Em 1961, acontece o primeiro grande sequestro aéreo nos Estados Unidos, quando o voo 337, da companhia aérea National Airlines, que iria de Key West, no extremo sul da Flórida, para Miami, é desviado para Cuba.

Antulio Ramírez Ortiz, um cidadão norte-americano de 35 anos nascido em Porto Rico, se tranca num banheiro de um Convair 440 e passa uma nota à tripulação por baixo da porta. Ameaça explodir uma bomba se o voo não for desviado para Havana.

A tripulação cede. Ramírez Ortiz desembarca na capital cubana e imediatamente recebe asilo político, mas é processado quando tenta sair de Cuba em 1962, sob a alegação de que a Crise dos Mísseis Soviéticos acabara com sua simpatia pela ditadura de Fidel Castro. Condenado duas vezes, fica 6 anos na prisão em Cuba antes de voltar para os EUA, onde também é julgado.

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 19 de Fevereiro

EDISON PATENTEIA O FONÓGRAFO

    Em 1878, o norte-americano Thomas Alva Edison, o maior inventor de todos os tempos, com mais de 2 mil patentes, patenteia o fonógrafo.

Thomas Alva Edison nasce em Milan, no estado de Ohio, em 11 de fevereiro de 1847. Ele recebe pouca educação formal, como acontece com a maioria dos norte-americanos na época. Com problemas de audição desde a infância, começa a trabalhar como operador de telégrafo aos 16 anos e logo usa sua engenhosidade para aperfeiçoar o sistema.

A partir de 1869, Edison torna-se inventor em tempo integral. Em 1876, ele se muda para um laboratório em Menlo Park, em Nova Jérsei, onde inventa o fonógrafo no ano seguinte tentando criar uma máquina para gravar conversas telefônicas.  Passa a ser conhecido como o Gênio de Menlo Park.

O fonógrafo ou toca-discos é um instrumento que reproduz sons captando a vibração de uma agulha no sulco de um disco em rotação.

Os primeiros tipos aparecem nos anos 1850, mas a invenção é creditada a Edison. É o primeiro grande sucesso. Edison e sua equipe inventam a lâmpada de filamento incandescente em 1879, precursores da câmera e do projetor de cinema nos anos 1880.

Sua maior contribuição é no campo da eletricidade. Edison desenvolve um sistema de distribuição de luz e energia, criou em Nova York a primeira usina de energia elétrica, inventou a bateria alcalina e o trem movido a energia elétrica. Ao todo, registra 1.093 patentes nos EUA e mais de 2 mil contando as invenções patenteadas no exterior.

O fonógrafo vai sendo aperfeiçoado na maneira de gravar e reproduzir até o surgimento disco musical de 78 rotações por minutos em 1915. Cada lado toca por 4 minutos e 30 segundos em média. 

Em 1948, a Columbia Records lança o LP (long playing) de 33,3 rpm, com cerca de 30 minutos de gravação de cada lado. 

A gravação estereofônica, em dois canais de som distintos, surge em 1958 e cria o som de alta fidelidade.

JAPONESES INTERNADOS

    Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, o presidente Franklin Delano Roosevelt baixa o Decreto 9.066, autorizando a internação de pessoas de origem japonesa nos Estados Unidos.

Milhares de japoneses se apresentam às autoridades e são enviados para 14 áreas restritas, centros de detenção ou campos de concentração. A medida é resultado de mais de um século de racismo e discriminação de asiáticos e do bombardeio aéreo japonês à Frota do Pacífico dos EUA, baseada em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de setembro de 1941, que leva os EUA a entrar na guerra.

Com a guerra contra o Japão, o Departamento da Guerra teme que os japoneses-norte-americanos cometam atos de sabotagem. Há uma divergência com o Departamento da Justiça, que é contra a remoção de civis inocentes.

Logo depois do ataque a Pearl Harbor, 1.200 líderes da comunidade japonesa são presos e suas contas bancárias congeladas. Há na época, 125 mil pessoas de origem japonesa no território continental dos EUA e 200 mil imigrantes no Havaí, muitos chegados há pouco. Cerca de 80 mil nascidos nos EUA se consideram norte-americanos.

ASSALTO A IWO JIMA

    Em 1945, depois de 74 dias de bombardeio aéreo às posições do Japão, fuzileiros navais dos Estados Unidos lançam uma operação de assalto anfíbio à ilha de Iwo Jima, no Oceano Pacífico, dando início a uma batalha épica e feroz que dura um mês e uma semana, até 26 de março, e termina com a morte de mais de 6 mil soldados norte-americanos e 18 mil japoneses.

A fotografia dos fuzileiros navais cravando a bandeira dos EUA pela primeira vez em território do Japão, no topo do Monte Suribachi, é uma das imagens-símbolo da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Foi tema do filme A Conquista da Honra, de Clinton Eastwood, com o lado norte-americano na Batalha de Iwo Jima, enquanto Cartas de Iwo Jima dá a versão japonesa através das cartas dos soldados.

MORRE O PEQUENO TIMONEIRO

    Em 1997, morre o líder comunista reformista Deng Xiaoping, maior responsável pelas reformas econômicas que transformam a China numa superpotência e na segunda maior economia do mundo.

Filho de um proprietário rural, Deng nasceu em Guang'an, na província de Sichuã, em 22 de agosto de 1904. Ele estuda na França (1920-24), onde começa a militância comunista, e na União Soviética (1925-27).

De volta à China, entra para a luta armada. É um líder político e militar do Soviete de Jiangxi, um enclave comunista criado por Mao em 1931. Quando os nacionalistas do Kuomintang (KMT) massacram e perseguem os comunistas, Deng participa da Longa Marcha (1934-35).

Durante a resistência à invasão japonesa (1937-45), é comissário político junto a um dos exércitos guerrilheiros dos comunistas e comissário-chefe do 2º Exército durante a Guerra Civil Chinesa, que termina em 1º de outubro de 1949 com a vitória da revolução comunista.

Deng vira líder regional do partido no Sudoeste. Em 1952, é nomeado vice-primeiro-ministro e depois ministro das Finanças (1953-54), membro do Politburo (1955) e secretário-geral do Partido Comunista (1956-67). Mas cai em desgraça durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76) e é enviado para reeducação no interior.

A Guarda Vermelha de Mao persegue seu filho Deng Pufang, o prende, tortura e o joga pela janela do terceiro andar de um prédio da Universidade de Beijim. Durante muito tempo, depois de reabilitado, ele preside a Associação de Deficientes e Amputados da China.

Depois da Revolução Cultural, reabilitado, Deng Xiaoping vira comandante do Exército Popular de Libertação (EPL). Com o país e o partido destroçados, Deng entende que a única ideia capaz de unir o partido é modernização. Ele lança a política das quatro modernizações: agricultura, indústria, defesa, e ciência e tecnologia.

Em 13 de dezembro de 1978, Deng faz o grande discurso lançando as reformas econômicas que abrem mão da ortodoxia marxista para introduzir elementos da economia de mercado, a "economia de mercado socialista", inclusive com um de seus lemas: "Enriquecer é a glória". Outra de suas frases célebres é "não importa a cor do gato, desde que cace os ratos".

Esse pragmatismo reformista estimulou o debate interno no partido e na academia. Os anos 1980 são uma época de um renascimento cultural. 

A chance de uma abertura política é enterrada por Deng quando ele derruba o secretário-geral do PC Zhao Ziyang e apoia o primeiro-ministro linha-dura Li Peng ao autorizar o EPL a acabar à força com o movimento dos estudantes por liberdade e democracia no Massacre da Praça da Paz Celestial, em 4 de junho de 1989.

Com sanções internacionais, a economia sofre com esse terremoto político. Deng visita Shenzen, a cidade-símbolo dos reformas econômicas. em 1992, para relançar seu programa de modernização da China. Ele morre antes de ver o crescimento extraordinário chinês do início do século 21, com taxas acima de 10% ao ano que transformam a China na superpotência econômica que é hoje.

FIDEL CASTRO RENUNCIA

    Em 2008, Fidel Castro renuncia formalmente à Presidência de Cuba e é substituído pelo irmão, Raúl Castro.


 Fidel Alejandro Castro Ruz nasce em 13 de agosto de 1926. Filho de um fazendeiro, vira um esquerdista e anti-imperialista quando estuda direito na Universidade de Havana. Depois de participar de rebeliões contra governos de direita na Colômbia e na República Dominicana, Fidel lança sua revolução no assalto ao Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953.

No julgamento, Fidel diz talvez sua frase mais célebre: "A história me absolverá." Preso durante um ano, ele sai e vai para o México onde forma o Movimento 26 de Julho com o irmão Raúl Castro e o médico e revolucionário argentino Ernesto Che Guevara.

Em 1956, um grupo de 82 guerrilheiros sai do México no navio Granma para desembarcar na Praya das Coloradas. Depois de fortes perdas nos primeiros combates, 21 guerrilheiros conseguem se refugiar na Sierra Maestra. Em fevereiro de 1958, já são 400 homens acantonados nas montanhas.

As forças do ditador Fulgencio Batista têm 50 mil, mas o governo cubano só consegue mobilizar 10 mil homens e lança uma ofensiva aérea e terrestre contra os guerrilheiros de abril a agosto de 1958. O fracasso desta ação militar é decisivo para a vitória da Revolução Cubana em 1º de janeiro de 1959.

No poder, sob pressão dos Estados Unidos, Fidel adota um regime socialista autoritário de caráter stalinista e se alia à União Soviética durante a Guerra Fria. Depois da fracassada tentativa de invasão da Baía dos Porcos, em abril de 1961, Cuba se aproxima ainda mais de Moscou. Isto leva à tentativa de instalar mísseis nucleares soviéticos na ilha, causa da Crise dos Mísseis, em outubro de 1962, no momento mais tenso da Guerra Fria. Nunca o mundo esteve tão perto de uma guerra nuclear. 

Ao transferir oficialmente por motivos de saúde os cargos de presidente e primeiro-ministro de Cuba ao irmão Raúl Castro, em 2008, 49 anos depois da posse, Fidel comenta que não pode se apegar a cargos. Ele morre aos 90 anos em 25 de novembro de 2016, em Havana.

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 28 de Novembro

 MAGALHÃES CHEGA AO PACÍFICO

    Em 1520, a serviço da coroa da Espanha, o navegador português Fernão de Magalhães conclui a travessia do estreito batizado com seu nome e atinge o Oceano Pacífico com três navios, na primeira viagem de circunavegação da Terra.

Fernão de Magalhães zarpa de Sanlúcar de Barrameda, na Espanha, em 20 de setembro de 1519 com cinco navios e 270 homens para procurar uma rota pelo oeste para chegar as Ilhas das Especiariais (Indonésia).

A expedição entra no Rio da Prata. Sem sucesso, segue para o sul. Em março de 1520, a expedição para em Porto de São Julião, na Patagônia, onde Magalhães enfrenta uma revolta dos capitães espanhóis. Controla o motim executando um capitão rebelde e deixando outro em terra.

Em 21 de outubro de 1520, a frota finalmente descobre o Estreito de Magalhães, que separa a Terra do Fogo do continente. Só três navios entram na passagem: um afunda antes e outro deserta. Eles levam 38 dias para atravessar o estreito.

Ao ver o oceano do outro lado, Magalhães chora de alegria. A frota leva 99 dias para cruzar este oceano de águas tão calmas que recebe o nome de Pacífico, provavelmente por causa do fenômeno El Niño, um aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial. É um contraste com o Oceano Atlântico, que os marinheiros chamam de Mar Tenebroso.

Como o Pacífico é muito maior, a comida acaba. Os marinheiros chegam à Ilha de Guam em 6 de março de 1521 mastigando peças de couro para tentar enganar o estômago.

Dez dias depois, a frota ancora na ilha de Cebu, nas Filipinas, onde o chefe local se converte ao cristianismo e pede ajuda na guerra contra a ilha vizinha de Mactan, onde em 27 de abril Magalhães é ferido por uma flecha envenenada e morre.

A expedição vai para as Ilhas Molucas, onde pega um carregamento de especiarias. Com apenas dois navios, sob o comando do espanhol Juan Sebastián Elcano, atravessa o Oceano Índico, dá a volta no Cabo da Boa Esperança (que os marinheiros ainda chamam pelo antigo nome de Cabo das Tormentas) e chega a Sanlúcar de Barrameda em 6 de setembro de 1522, completando a façanha.

SHAKESPEARE APAIXONADO

    Em 1582, aos 18 anos, o ator, poeta e dramaturgo William Shakespeare, um dos maiores escritores da história da humanidade, se casa em Stratford-upon-Avon, com Anne Hathaway, de 26 anos.

Dez anos depois, Shakespeare é um ator e dramaturgo renomado da cena teatral de Londres, um sucesso consolidado pelo lançamento de Romeu e Julieta (1595), O Mercador de Veneza (1597), Hamlet (1601), Otelo (1605), Rei Lear (1606) e Macbeth (1606).

Shakespeare se aposenta em 1610 e volta para Stratford, onde escreve suas últimas peças de teatro, inclusive A Tempestade (1611).

INDEPENDÊNCIA DA ALBÂNIA

    Em 1912, 83 delegados de todas as regiões albanesas liderados por Ismail Kemal fazem a Proclamação de Vlorë ou Valona, que declara a independência da Albânia.

Os ilírios chegam à região onde hoje fica a Albânia por volta de 2 mil antes de Cristo. No século 2 AC, Roma conquista a Ilíria. No fim do século 4 depois de Cristo, o controle passa ao Império Bizantino ou Império Romano do Oriente.

Há invasões dos visigodos, hunos, búlgaros e eslavos até que o Império Otomano conquista a região no século 15. Durante séculos, os turcos isolam a Albânia da civilização ocidental, até o fim do século 19.

De 1909 a 1912, há uma série de revoltas pela independência. Durante as negociações com os turcos, a Liga Balcânica (Bulgária, Grécia, Sérvia e Montenegro) declara guerra ao Império Otomano em 8 outubro de 1912.

A Primeira Guerra dos Bálcãs vai até 30 de maio de 1913. A maioria dos albaneses luta ao lado dos otomanos para preservar seus territórios. A independência é declarada quando tropas gregas, sérvias e montenegrinas ocupam a Albânia.

Com a vitória, a Liga Balcânica toma quase todos os territórios otomanos na Europa. Sob pressão das grandes potências europeias, sobretudo do Império Austro-Húngaro e do Reino da Itália, a independência da Albânia é reconhecida em 29 de julho de 1913, mas num território menor do que os albaneses reivindicam.

PRIMEIRA DEPUTADA BRITÂNICA

    Em 1919, Lady Astor, Nancy Astor, nascida nos Estados Unidos, é eleita com ampla maioria para a vaga do marido na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico e se torna a primeira deputada do Reino Unido.

O movimento pelo voto feminino no Reino Unido começa em 1872, com a fundação da Sociedade Nacional pelo Sufrágio das Mulheres. A luta é suspensa durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), quando as mulheres exercem várias atividades em fábricas, substituindo os homens que vão para a guerra, e em apoio às tropas.

No fim da guerra, em 1918, o Parlamento Britânico aprova a Lei de Representação Popular, dando voto aos homens a partir dos 21 anos e de mulheres a partir dos 30 anos.

O marido da primeira deputada, Waldorf Astor, vai para uma vaga hereditária na Câmara dos Lordes. Em 1928, o voto é estendido às mulheres a partir de 21 anos.

CONFERÊNCIA DE TEERÃ

    Em 1943, o presidente norte-americano Franklin Roosevelt, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill e o ditador soviético Josef Stalin se reúnem em Teerã, a capital do Irã, para discutir a estratégia conjunta para derrotar o nazifascismo na Segunda Guerra Mundial (1939-45) e o mundo do pós-guerra.

O Irã tem importância estratégica na guerra. É por lá que os aliados, especialmente os Estados Unidos, dão armas e apoio logístico à União Soviética para a luta na frente oriental quando a Alemanha Nazista ocupava a Europa, inclusive durante a Batalha de Stalingrado, a mais importante da história.

É o primeiro encontro entre Roosevelt e Stalin. Os Três Grandes concordam em invadir a Normandia, Em troca do apoio contra a Alemanha na frente oriental, a URSS promete ajudar os EUA na guerra contra o Japão. Churchill não confia em Stalin e entende que Roosevelt faz demais para cativar o líder comunista, que pretende criar uma zona de segurança entre a URSS e a Alemanha.

Em declaração conjunta em 1º de dezembro, os Três Grandes reconhecem "a suprema responsabilidade que pesa sobre nós e as Nações Unidas, fazer uma paz que tenha a boa vontade da esmagadora maioria dos povos da Terra e acabe com o flagelo e o terror da guerra por muitas gerações."

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