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quarta-feira, 11 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 11 de Março

GRIPE ESPANHOLA

    Em 1918, são diagnosticados os primeiros casos da gripe espanhola nos Estados Unidos. É a maior pandemia do século 20 e uma das maiores da história, com total de mortes estimado em 50 milhões em dois anos.

Não se sabe a origem exata da gripe espanhola. Como a doença é propagada pela movimentação de soldados no fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18), os países que estão em guerra, como Alemanha, EUA, França e Reino Unido, censuram a notícia. Na Espanha, que não está em guerra, não há censura. Isso passa a impressão de que é um dos países mais atingidos, daí o nome.

A primeira onda é registrada em março de 1918. A segunda, em agosto de 1918, é muito mais forte e mais letal. É uma gripe que evolui para pneumonia e mata às vezes em apenas dois dias.

Pelo menos 12,5 milhões de indianos, 550 mil norte-americanos e 35 mil brasileiros morrem de gripe espanhola.

GORBACHEV LÍDER COMUNISTA

    Em 1985, Mikhail Gorbachev é eleito secretário-geral do Partido Comunista da União Sovíetica e inicia uma abertura política (glasnost) e uma reforma econômica (perestroika) que acabam por destruir a pátria do comunismo.

Gorbachev é comissário da agricultura antes de virar chefe do partido. Durante visita ao Canadá em 1983, um país com o mesmo inverno rigoroso, mas nível de desenvolvimento muito maior, ele percebe a necessidade de mudar o sistema para recuperar a economia soviética.

Como parte de suas reformas, está o degelo na Guerra Fria, a necessidade de parar a corrida armamentista nuclear para que a URSS possa se concentrar em seus problemas internos. Gorbachev leva liberdade, democracia e eleições como a Rússia e as outras repúblicas soviéticas nunca tiveram. Mas não basta.

O regime comunista se mostra irreformável. Uma tentativa de golpe da linha dura, em agosto de 1991, afasta Gorbachev do poder por três dias. A resistência é liderada pelo primeiro presidente eleito democraticamente da história da Rússia, Boris Yeltsin, que ao mesmo tempo toma o poder de Gorbachev e coloca o Partido Comunista na ilegalidade.

Pelo Acordo de Minsk, em 8 de dezembro de 1991, as três repúblicas do núcleo eslavo da URSS, Rússia, Ucrânia e Bielorrússia, decidem deixar a União e formar a Comunidade de Estados Independentes (CEI). No Natal, Gorbachev anuncia o fim da URSS. Em 31 de dezembro, a bandeira vermelha da URSS è arriada no Kremlin e substituída pela tricolor da Rússia.

INDEPENDÊNCIA DA LITUÂNIA

    Em 1990, depois de votação no Parlamento, a Lituânia torna-se a primeira república soviética a proclamar a independência.

A Lituânia é o maior dos países bálticos e o que fica mais ao sul. Entre os séculos 12 a 14, a Lituânia é um importante império da Europa Oriental. Em seguida, forma com a Polônia a Comunidade Polaco-Lituana. Em 1795, é ocupada pela Rússia.

Depois das revoluções de 1917 na Rússia, a Lituânia se torna um país independente de 1918 e 1940, quando é invadida pela União Soviética durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Com o fim da URSS, recupera sua independência.

Em 2004, a Lituânia entra para a União Europeia (UE) e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

TERROR NA ESPANHA

    Em 2004, um atentado reivindicado pela rede terrorista Al Caeda contra a estação de Atocha do sistema de transportes de Madri mata 192 pessoas e deixa 17 mil feridos na capital da Espanha.

Pouco depois das 7h30, dez bombas explodem em quatro trens do metrô de Madri. No mesmo dia, Al Caeda assume a responsabilidade. A três dias das eleições de 14 de março, o primeiro-ministro conservador José María Aznar acusa o grupo terrorista basco ETA (Euskadi ta Askatasuna, Pátria Basca e Liberdade).

A Espanha faz parte da aliança liderada pelos Estados Unidos que invade o Iraque em 20 de março de 2003. O atentado é uma retaliação terrorista. Antes da era dos telefones inteligentes, que são computadores de bolso, os espanhóis se comunicam por mensagens de texto para denunciar a mentira do governo Aznar.

Nas eleições de 2004, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) vence o Partido Popular (PP). O novo primeiro-ministro, José Luis Rodríguez Zapatero, retira as tropas espanholas da Guerra do Iraque.

TERREMOTO DE FUKUXIMA

    Em 2011, o maior terremoto da história do Japão e o quarto maior desde 1900, de 9,1 graus na escala aberta de Richter, provoca um maremoto que causa ainda mais destruição na região de Tohoku, no Nordeste da ilha de Honshu, inclusive um acidente nuclear na central atômica de Fukuxima, matando 19.747 pessoas.

Mais de 100 mil pessoas são retiradas da área. Durante a emergência, todos os três reatores operacionais se desligam automaticamente, mas, com a falta de energia elétrica, o sistema de resfriamento dos reatores para de funcionar.

O Reator nº 1 explode no dia 12 e o nº 3 no dia 14. O governo manda evacuar todo o mundo dentro de um raio de 20 quilômetros da central nuclear. Este raio é ampliado para 30 km. Cerca de 154 mil pessoas saem da região.

A maioria volta para casa, mas uma área de 371 km2 fica isolada até 2021 e pode ficar contaminada por décadas. O acidente nuclear de Fukuxima é o segundo pior da história, atrás apenas do acidente de Chernobil, na Ucrânia, na época parte da União Soviética, em 26 de abril de 1986.

PANDEMIA DO CORONAVÍRUS

    Em 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declara que a doença do coronavírus de 2019 causa uma pandemia, uma epidemia de escala global.

A covid-19 surge na cidade de Wuhan, na China. O primeiro caso foi diagnosticado em 17 de novembro de 2019, de acordo com o jornal South China Morning Post, de Hong Kong. Em 3 de janeiro, a China confirma à OMS que há um novo coronavírus que causa uma pneumonia aguda que resiste a todos os tratamentos. Em 19 de janeiro, a China confirma a transmissão entre seres humanos. 

Quatro anos depois, são 695.781.740 casos confirmados e 6.919.573 mortes. Um estudo publicado na revista médica britânica The Lancet com base no excesso de mortes em comparação com anos anteriores estima que o verdadeiro número de mortes seja três vezes maior, cerca de 20 milhões. Ao todo, mais de 13,4 bilhões de doses de vacina foram aplicadas no mundo inteiro.

O Brasil registra 38.592.310 casos confirmados e perde pelo menos 740.427 vidas na pandemia. Tem a 20º maior taxa de mortalidades entre 228 países e territórios. Com 2,7% da população mundial, o Brasil tem mais de 10% das mortes na pandemia.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 1º de Fevereiro

 DICIONÁRIO DE OXFORD

    Em 1884, o primeiro volume do Dicionário Inglês de Oxford (OED), o maior e melhor dicionário da língua inglesa, é publicado. Hoje, contém o significado, a origem, a pronúncia e citações de mais de meio milhão de palavras.

Os planos para produzir um dicionário inglês atualizado e sem erros começam em 1857 na Sociedade Filológica de Londres. A ideia é cobrir toda a linguagem utilizada desde 1150, no período anglo-saxão, em quatro volumes com um total de 6.400 páginas, um projeto a ser realizado em 10 anos.

Na realidade, leva mais do que 40 anos até que o 125º e último fascículo é publicado, em abril de 1928. Enfim, o Dicionário Inglês de Oxford está pronto, com 10 volumes e mais de 400 mil verbetes, Assim que sai, começa a ser atualizado. Hoje tem 20 volumes e está a venda no Brasil.

Desde o ano 2000, a Editora da Universidade de Oxford oferece uma versão on-line.

MILÍCIA FASCISTA OFICIALIZADA

    Em 1923, os Camisas-Negras, o exército privado que leva o ditador Benito Mussolini ao poder na Itália, é transformado na Milícia Voluntária Fascista para a Segurança Nacional.

A primeira tropa de choque do fascismo , o Esquadrão de Ação, é formado em março de 1919 para destruir organizações socialistas. No fim de 1920, os Camisas-Negras estão atacando comunistas, republicanos, católicos, sindicalistas, cooperativistas e governos locais para impedir que esquerdistas cheguem ao poder. Centenas de pessoas são mortas.

No fim de 1921, os fascistas controlam grande parte da Itália. A esquerda está perto de um colapso e os liberais que dominam o governo não combatem a violência da extrema direita, inclusive pela vontade de derrotar a classe trabalhadora de esquerda.

Uma convenção do Partido Nacional Fascista realizada em Nápoles em 24 de outubro de 1922 serve de pretexto para uma concentração de camisas-negras de todo o país para preparar a Marcha sobre Roma, realizada em 28 de outubro. O primeiro-ministro tenta decretar lei marcial, mas o rei Vítor Emanuel III não deixa e nomeia Mussolini chefe de governo no dia seguinte.

DANIEL PEARL ASSASSINADO

    Em 2002, meses depois dos atentados de 11 de setembro nos Estados Unidos, o jornalista norte-americano Daniel Pearl, é sequestrado e morto por um grupo terrorista no Paquistão. Semanas depois, os terroristas divulgam um vídeo da execução por degola que choca o mundo.

 Como chefe do escritório do Sudeste Asiático do jornal The Wall Street Journal, Pearl investiga o extremismo muçulmano e o jihadismo. É sequestrado em Karáchi, a maior e mais rica cidade paquistanesa, quando tentava entrevistar um líder religioso muçulmano.

Os sequestradores o acusam de espionagem. Fazem parte do grupo Movimento Nacional para Restaurar a Soberania Paquistanesa. Exigem a libertação de todos os paquistaneses presos por terrorismo. Mandam fotos de Pearl algemado com uma arma na cabeça e com o jornal paquistanês Dawn para mostrar que está vivo. 

Em 2002, a Justiça do Paquistão condena o britânico Ahmed Omar Saïd Sheikh pela morte de Pearl. Cinco anos depois, Khaked Sheikh Mohammed, da rede terrorista Al Caeda, considerado um dos idealizadores dos aviões-bomba do 11 de Setembro, assume a responsabilidade pelo assassinato. Afirma ter degolado Daniel Pearl pessoalmente.

ACIDENTE DA COLUMBIA

    Em 2003, a nave ou ônibus espacial Columbia explode ao voltar a Terra no fim da missão a 60 quilômetros de altitude, matando os sete tripulantes.

A Columbia faz em 1981 o primeiro voo do programa de ônibus espaciais da NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos). Em 16 de janeiro de 2003, parte para a 28ª missão, dedicada a fazer experiências com microgravidade.

A desintegração da Columbia acontece 22 anos depois da explosão da Challenger pouco depois do lançamento, em 28 de janeiro de 1986. 

A investigação conclui que um minuto e 21 segundos depois do lançamento um pedaço de espuma isolante solta-se do tanque de propulsão externo e atinge a borda da asa esquerda. Pedaços de espuma se soltaram em missões passadas sem problema grave.

Os engenheiros da NASA não acreditam que a espuma tenha força suficiente para causar dano significativo. A espuma faz um grande buraco nas telhas de isolamento de carbono-carbono reforçado que protegem o nariz do ônibus espacial e as bordas da asa do calor extremo da reentrada atmosférica.

Embora alguns engenheiros quisessem câmeras terrestres para tirar fotos do ônibus orbital para procurar por danos, o pedido não chega aos funcionários certos.

Durante a reentrada da Columbia na atmosfera, o momento mais crítico dos voos espaciais, gases quentes penetram na seção de azulejos danificados e derretem os principais elementos estruturais da asa, que entram colapso.

Os dados do veículo mostram temperaturas crescentes dentro de seções da asa esquerda às 8:52. A tripulação só se dá conta um minuto antes da desintegração da nave.

Em consequência do acidente, os outros ônibus espaciais – Atlantis, Discovery e Endeavour – ficam em Terra até que a NASA e empresas contratadas desenvolvam meios de evitar esses acidentes, inclusive instrumentos para fazer reparos em órbita.

A Discovery volta ao espaço em 26 de julho de 2006. A última missão do programa é realizada pela Atlantis em julho de 2011.

GOLPE EM MIANMAR

        Em 2021, um junta militar toma o poder em Mianmar em golpe contra o governo civil liderado por Aung San Suu Kyu, filha do herói da independência do país, então chamado de Birmânia.

A União da Birmânia se torna independente do Império Britânico em 4 de janeiro de 1948. Os militares assumem o controle do país num golpe militar do general Ne Win em 1962, que impõe um regime socialista.

Em 1988, há uma onda de protestos contra o regime, que em 1989 muda o nome do país, batizado pelo Império Britânico como Birmânia em 1885, para Mianmar. A ditadura convoca eleições em 1990, perde e não entrega o poder à Liga Nacional pela Democracia (LND), liderada por Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 1991.

Quando 100 mil pessoas protestam em Rangum, em 2007, o governo mata 31 manifestantes e prende 6 mil. Em 2008, o país é arrasado pelo ciclone Nargis, que mata 134 mil pessoas e deixa 2,4 milhões de desabrigados.

Em novembro de 2010, são realizadas as primeiras eleições em 20 anos. Suu Kyu sai da prisão domiciliar. Em 8 de novembro de 2015, acontecem as primeiras eleições democráticas desde 1990. A LND obtém uma ampla vitória, mas Suu Kyu é impedida de ser presidente por ter sido casada com um britânico.

Em 15 de março de 2016, o parlamento elege Htyn Kiaw como primeiro presidente civil desde 1962. Suu Kyi ocupa o cargo de conselheira do Estado, uma espécie de primeira-ministra. É muito criticada por ficar do lado dos militares durante a perseguição aos muçulmanos da minoria roinga em 2012 e 2013, quando 140 mil muçulmanos fogem.

Com o golpe de Estado de 2021, Suu Kyi e o então presidente, Win Myint, são presos sob a acusação de fraude eleitoral. Os militares prometem devolver o poder aos civis dentro de um ano, mas estão no poder até hoje. Começa uma guerra civil que ainda não acabou. Mais de 73 mil pessoas morrem no conflito.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 7 de Janeiro

 LUAS DE JÚPITER

    Em 1610, o filósofo, astrônomo e matemático italiano Galileu Galilei, inventor do telescópio, descobre quatro luas de Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar, e muito mais estrelas do que era visível a olho nu.

Galileu nasce em Pisa em 15 de fevereiro de 1564, filho mais velho do músico Vincenzo Galilei. Nos anos 1570, a família vai para Florença. Em 1581, ele entra para a Universidade de Pisa para estudar medicina, mas se apaixona por matemática. Sai em 1585 sem se formar.

Durante anos, dá aulas particulares de matemática em Florença e Siena. Nesta época, ele pensa numa nova forma de equilíbrio hidrostático, entre a força da gravidade que atrai para dentro de uma estrela e força resultante da diferença de massa e começa a estudar o movimento. Em 1588, candidata-se a professor de matemática na Universidade de Bolonha, mas não consegue a vaga. Em 1589, vira professor da Universidade de Pisa.

Ao jogar objetos de pesos diferentes da Torre Inclinada, derruba a tese de Aristóteles de que a velocidade de queda dos corpos depende do peso. Acredita mais nas ideias de Arquimedas. As críticas a Arquimedes o tornam impopular entre os colegas e seu contrato não é renovado em 1592. Vai então para a Universidade de Pádua, onde leciona de 1592 a 1610.

Suas descobertas com o telescópio levam à aceitação da teoria heliocêntrica do astrônomo polonês Nicolau Copérnico de que o Sol é o centro do Sistema Solar e a Terra orbita ao redor do Sol. Por ir contra a teoria geocêntrica de Ptolomeu, é processado pela Inquisição.

Em 1613, hierarcas da Igreja Católica começam a ficar alarmados pelo apoio de Galileu às ideias de Copérnico. No primeiro julgamento, em 1616, Galileu é condenado a "abster-se completamente de ensinar, defender ou discutir sua doutrina" e a "abandonar completamente a opinião de que o Sol fica parado no centro do mundo e a Terra se move e, doravante, não deve mantê-la, ensiná-la ou defendê-la, oralmente ou por escrito."

Em 1624, o papa Urbano VIII o autoriza a escrever suas teses, mas alerta para pegar leve com a teoria de Copérnico.

Com a públicação de Diálogo a Respeito dos Dois Principais Sistemas Mundiais, Ptolomaico e Copernicano, em 1632, Galileu é processado por heresia pela Inquisição e condenado à prisão perpétua em 1633. A pena é comutada para prisão domiciliar, em que ele fica até a morte, em 8 de janeiro de 1642.

Ele teria se retratado ao falar sobre a Terra, "no entanto, ela se move", mas não há comprovação histórica.

O Papa João Paulo II reabre a questão em 1979, mas a Igreja Católica reluta em aceitar a verdade científica. Em 15 de fevereiro de 1990, em pronunciamento na Universidade La Sapienza, em Roma, o cardeal Joseph Ratzinger, futuro Papa Bento XVI, cita teólogos para dizer: "A Igreja no tempo de Galileu esteve mais perto da razão do que o próprio Galileu, e levou em consideração também as consequências éticas e sociais dos ensinamentos de Galileu. Seu veredito contra Galileu foi racional e justo, e a revisão deste veredito só pode ser justificada com base no que é politicamente oportuno."

Na época, o cardeal Ratzinger era prefeito da Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé, o departamento mais antigo da Cúria Romana, a antiga Inquisição.

Em artigo no jornal oficial do Vaticano, L'Osservatore Romano, em 4 de novembro de 1992, João Paulo II admite o erro da Igreja: "Graças a sua intuição como um físico brilhante, e com base em diferentes argumentos, Galileu, que praticamente inventou o método experimental, entendeu por que o Sol poderia funcionar como centro do mundo como era conhecido então, isto é, do sistema planetário. O erro dos teólogos daquele tempo, quando mantiveram a centralidade da Terra, foi pensar que nosso conhecimento da estrutura física do mundo era, de alguma forma, imposto pelo sentido literal da Sagrada Escritura." 

CAI REINO DO TERROR DE POL POT

    Em 1979, dias depois da uma invasão vietnamita, cai o regime terrorista do ditador Pol Pot, do Khmer Vermelho, responsável pela morte de 1,5 a 2 milhões de pessoas desde que toma o poder no Camboja, em 16 de abril de 1975, duas semanas antes do fim da Guerra do Vietnã, durante a qual o país é bombardeado pelos Estados Unidos.

Desde os anos 1960, o Khmer Vermelho sonha em criar uma sociedade comunista primitiva, um maoísmo radical, uma sociedade agrária sem qualquer resquício do colonialismo ocidental, a partir de um Ano Zero.

Em 1970, um golpe militar apoiado pelos EUA derruba o rei Norodom Sihanouk, o Príncipe Vermelho, e leva ao poder o general Lon Nol, que governa até o Khmer Vermelho tomar o poder.

Durante a Guerra do Vietnã, os EUA bombardeiam sistematicamente a Trilha de Ho Chi Minh, usada por guerrilheiros e soldados do Vietnã do Norte para atacar o Sul passando por território cambojano. Os ataques aéreos com bombas incendiárias e armas químicas desfolhantes desestabilizam o Camboja e levam à vitória do Khmer Vermelho.

ATAQUE AO CHARLIE HEBDO

    Em 2015, extremistas muçulmanos atacam a redação do jornal satírico Charlie Hebdo, em Paris, e matam 11 jornalistas, em protesto contra a publicação de caricaturas do profeta Maomé, e um policial que atende à ocorrência é fuzilado pelos terroristas em fuga.

O Charlie Hebdo tem um histórico de desafio à religião na França, que é um Estado laico desde o início do século passado. Em 2006, republica as caricaturas do profeta que saem no jornal dinamarquês Jyllands-Posten. É alvo de um ataque a bomba em 2011 depois de publicar uma edição com o título Sharia Hebdo, ironizando a charia, a lei corânica.

O diretor do jornal, Stéphane Charbonnie, grande crítico da religião e do fundamentalismo islâmico, entra na lista de alvos da rede terrorista Al Caeda em 2013.

Dois irmãos franceses de origem argelina, Chérif e Saïd Kouachi, ligados à rede terrorista Al Caeda, cometem o atentado, fogem e morrem em tiroteio com a polícia nos arredores de Paris dois dias depois. Uma policial negra é morta no mesmo dia na capital francesa.

Três dias depois do ataque ao jornal, Ahmed Coulibaly, que jura lealdade à organização terrorista Estado Islâmico, toma um supermercado de comida kosher em Paris e mata quatro pessoas, todas judias, antes de ser morto pela polícia.

INCÊNDIOS ARRASAM PARTES DE LOS ANGELES

    Em 2025, começam os incêncios de Palisades, Eaton e Hurst, que queimam 20,2 mil hectares e são apenas alguns dos incêndios selvagens que destruíram parte de Los Angeles, a segunda maior cidade dos Estados Unidos, matam pelo menos 30 pessoas, levam 180 mil a fugir de casa e deixa prejuízos estimados em 76 a 131 bilhões de dólares.

Os incêndios são atribuídos a múltiplas causas. Há suspeita de que fogos de artifício de Ano Novo tenham começado o maior incêndio, de Palisades. O incêndio de Kenneth pode ter sido criminoso.

A tragédia é agravada pelo clima seco e os ventos de Santa Ana, que chegam a 160 quilômetros por hora. Em 2023 e 2024, a mudança do clima provoca chuvas fortes que estimulam o crescimento da vegetação rasteira. O clima mais seco do fim do ano aumenta o risco de incêndio em 35%. A vegetação rasteira seca serve como combustível para os incêndios.

Para combater o fogo, os bombeiros usam aviões e helicópteros que jogam água e substâncias para reduzir as chamas. Drones equipados com câmeras e sensores de raios infravermelhos orientados por inteligência artificial indicam a localização dos incêndios.

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domingo, 12 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 12 de Outubro

 COLOMBO DESCOBRE AMÉRICA

    Em 1492, o navegador genovês Cristóvão Colombo, a serviço da coroa a Espanha, chega às ilhas Bahamas pensando estar na Índia e reivindica as terras para os reis católicos, Fernando de Aragão e Isabel de Castela.

Colombo nasce em Gênova, hoje parte da Itália, em 1451. Marinheiro e empreendedor naval, acredita que a Terra é redonda e sonha em chegar a Catai (China), à Índia e às Ilhas das Especiarias (Indonésia) navegando no rumo oeste. Os europeus desconhecem a América e o Oceano Pacífico.

Na época, o caminho para as Índias está bloqueado pela tomada de Constantinopla pelos turcos do Império Otomano, em 29 de maio de 1453. Os portugueses dobram o Cabo da Boa Esperança, no Sul da África, em 1488 e Vasco da Gama chega à Índia em 1498.

O descobridor apresenta seus planos ao rei Dom João II, de Portugal, que rejeita a ideia. Os reis da Espanha também não se interessam nas primeiras tentativas.

A vitória sobre os árabes com a conquista de Granada e o fim do Império Andaluz, em janeiro de 1492, dá um impulso ao colonialismo espanhol. Os reis Fernando e Isabel decidem bancar a viagem.

Três pequenos navios – Santa Maria, Pinta e Niña – saem do porto de Palos, perto de Cádiz, no Sul da Espanha, em 3 de agosto, e aportam nas Bahamas, provavelmente na ilha de Watling, em 12 de outubro.

No mesmo mês, Colombo chega a Cuba imaginando se tratar da China. Em dezembro, encontra Hispaniola, a ilha hoje dividida entre o Haiti e a República Dominicana, acreditando estar no Japão e funda uma colônia com 39 de seus homens.

Ao todo, Colombo faz quatro viagens ao Novo Mundo, mas morre em 1506 acreditando ter chegado às Índias. O continente se chama América em homenagem ao navegador florentino Américo Vespúcio, que participa das expedições exploradoras portuguesas de 1501 e 1503, depois do Descobrimento do Brasil, e descreve o continente como Novo Mundo.

Por causa do genocídio dos índios e da escravidão, hoje em dia, Colombo está sendo cancelado e suas estátuas derrubadas em vários lugares, especialmente nos Estados Unidos. A data é comemorada como Dia dos Povos Indígenas.

Um novo estudo genético realizado por cientistas espanhóis concluiu que Colombo era espanhol e judeu.

PRIMEIRA OKTOBERFEST

    Em 1810, o príncipe herdeiro da Baviera, futuro rei Luís I, casa com a princesa Therese von Sachsen Hildburghausen e a família real convida o povo de Munique para a festa, que inclui corridas de cavalos.

A comemoração é repetida no ano seguinte, dando origem à Oktoberfest, celebrada anualmente do fim de setembro ao primeiro domingo de outubro, com consumo anual estimado de 3,79 milhões de litros de cerveja.

Blumenau, em Santa Catarina, faz a maior Oktoberfest fora da Alemanha.

URSS LIDERA CORRIDA ESPACIAL

    Em 1964, depois de lançar o primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik e de enviar o primeiro homem (Yuri Gagarin) e a primeira mulher ao espaço (Valentina Tereshkova), a União Soviética põe em órbita a primeira nave espacial, a Voshkod 1, com mais de uma pessoa a bordo: Vladimir Komarov, Konstantin Feoktistov e Boris Yegorov.

A missão dura dois dias e é a primeira realizada sem trajes espaciais. Komarov seria a primeira vítima da corrida espacial, em 24 de abril de 1967, quando o paraquedas principal de amortecimento da queda da Soyuz 1 não abre e a nave se espatifa no solo.

TERROR CONTRA O USS COLE

    Em 2000, dois terroristas suicidas ligados à rede Al Caeda vão numa lancha de borracha até o navio norte-americano USS Cole, ancorado no porto de Áden, no Iêmen, e detonam uma bomba que mata 17 marinheiros e deixa outros 38 feridos.

O Cole para em Áden, na ponta sul da  Península Arábica, para reabastecer e voltar a patrulhar as sanções contra o Iraque de Saddam Hussein. Fica apenas quatro horas no porto, o que indica que os terroristas tinham informações precisas sobre o navio.

Os peritos norte-americanos que investigam o atentado buscam ligações dos terroristas com Ossama ben Laden, acusado pelos Estados Unidos pelos atentados contra as embaixadas norte-americanas no Quênia e na Tanzânia, em agosto de 1998, que mataram 224 pessoas, inclusive 22 norte-americanos.

Em resposta aos atentados na África, o presidente Bill Clinton ordena os bombardeios de uma fábricas de remédios no Sudão e as bases d'al Caeda no Afeganistão, uma das causas dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA.

INFERNO NO PARAÍSO

    Em 2002, um ano, um mês e um dia depois dos atentados terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos, três bombas abalam a paz da paradisíaca ilha de Báli, na Indonésia, matando 202 pessoas e ferindo outras 200.

A primeira explosão, de uma bomba de 1,2 mil quilos, é diante da boate Sari Club. Aparentemente, tem como alvo turistas australianos. A Austrália deu a maioria da força de paz que garantiu a independência do Timor Leste da Indonésia em 1999, despertando a ira dos extremistas muçulmanos.

Outra bomba, escondida numa mochila, explode num bar. A terceira é detonada diante do consulado norte-americano.

O grupo terrorista Jemaah Islamiah reivindica autoria das três explosões. O mesmo grupo ataca o Hotel Marriott em Jacarta, a capital indonésia, em 2003, a Embaixada da Austrália na Indonésia em 2004 e faz atentados terroristas suicidas contra três restaurantes de Báli em 1º de outubro de 2005, quando morrem 22 pessoas.

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quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 11 de Setembro

 GUERRA DA SUCESSÃO ESPANHOLA

    Em 1709, o Duque de Marlborough e o príncipe Engênio, de Saboia, lideram uma força de 100 mil britânicos, holandeses e austríacos contra um exército de 90 mil franceses sob o comando do general Claude-Louis-Hector, Duque de Villers, e do marechal Louis-François, Duque de Boufflers, na Batalha de Malplaquet, uma das mais sangrentas da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-14).

A guerra começa após a morte de Carlos II, da Espanha, que não deixa sucessores. Sobe ao trono o Duque de Anjou, Felipe de Anjou, da Dinastia de Bourbon, neto de Luís XIV, da França, como Felipe V. Na prática, a sucessão joga a Espanha nos braços da França. Isto provoca a reação do Reino Unido, da Holanda, da Prússia, de Portugal, de Saboia e da Áustria, onde Leopoldo I quer unir as coroas espanhola e austríaca com seu filho Carlos.

Os aliados cercam o forte de Mons em 4 de setembro e atacam Malplaquet pelos flancos para obrigar os defensores franceses a enfraquecer a resistência no centro, onde avançam com uma cavalaria de 30 mil homens O plano de ataque funciona, com altas perdas. Pelo menos 22 mil aliados e 12 mil franceses são mortos ou feridos.

A França se retira e os aliados continuam o avanço até tomar Mons em 26 de outubro. Há várias negociações. A guerra deveria acabar com o Tratado de Utrecht (1713), mas vai até 1714. Felipe V mantém a coroa e as colônias da Espanha, mas abre mão de se candidatar ao trono da França. A Áustria não participa das negociações de Utrecht, mas não tem como continuar a guerra sem os aliados.

QUEDA DE BARCELONA

    Em 1714, depois de 14 meses de cerco, o Exército de Felipe V, da Espanha, toma Barcelona na Guerra da Sucessão Espanhola. É o fim das leis e instituições catalãs. É a data nacional da Catalunha.

O Cerco da Barcelona é uma das últimas operações militares da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-14). Quando morre Carlos II, da Espanha, que não deixa herdeiros, é o fim da dinastia austríaca, do ramo espanhol do Império dos Habsburgo. 

Ascende ao trono o Duque de Anjou, Felipe de Anjou, neto de Luís XIV, como Felipe V. Isto fortaleceria a relação entre Espanha e França, mudando a relação de forças no continente. A França, por sua vez, teme uma união entre Espanha e Áustria.  A Holanda e o Reino Unido se opõe à França, com que disputam a supremacia na Europa.

Durante a guerra, portugueses e espanhóis se enfrentam na América do Sul na luta pelo controle da Colônia do Sacramento. O Reino Unido toma o Estreito de Gibraltar, reclamado até agora pela Espanha.

No fim da guerra, Felipe V, da Dinastia de Bourbon, aproveita a resistência dos catalães em Barcelona para derrubar os muros das cidades que se opõem a seu Exército. O cerco começa em 25 de julho de 1714, com um número de soldados muito superior aos dos defensores de Barcelona. 

A data nacional da Catalunha é celebrada desde 11 de setembro de 1886. É proibida nas ditaduras de Miguel Primo de Rivera (1923-30) e Francisco Franco (1939-75).

GUERRA DA CRIMEIA

    Em 1855, durante a Guerra da Crimeia (1853-56), depois de onze meses de cerco, a França e o Reino Unido tomam Sebastopol, onde fica a principal base da Frota do Mar Negro da Rússia.

É uma das maiores operações militares da guerra. Cerca de 50 mil soldados britânicos e franceses, e 10 mil piemonteses, sob o comando de Lorde Raglan e do general francês François Conrobert, cercam Sebastopol a partir de 17 de outubro de 1854. O príncipe Alexander Menshikov comanda as forças da Rússia.

A batalha dura 11 meses porque os aliados não têm artilharia pesada para quebrar a resistência da cidade, enquanto os russos não conseguem romper o cerco. Em 8 de setembro, os franceses tomam Malakhov, no Sudeste da cidade. Os russos afundam os navios, explodem as fortificações e fogem em 11 de setembro.

A Guerra da Crimeia termina em 1º de fevereiro de 1856 com a derrota da Rússia. Isto leva o novo czar, Alexandre II, que sucede a Nicolau I em março de 1855, a fazer reformas como o fim da servidão, em 1861. No mesmo ano, começa a Guerra da Secessão (1861-65) em torno da abolição da escravatura nos Estados Unidos.

A Áustria, que se alia à França e ao Reino Unido, perde o apoio da Rússia, e sofre derrotas em 1859 e 1866 que levam às unificações da Itália (1861) e da Alemanha (1871).

GOLPE NO CHILE

    Em 1973, um golpe militar apoiado pelos Estados Unidos na Guerra Fria derruba o presidente socialista Salvador Allende e dá início à ditadura do general Augusto Pinochet, que mata 3.216 pessoas.

Allende é eleito em 1970 por uma aliança de socialistas e comunistas, com 36% dos votos, 39 mil a mais do que um candidato conservador. Sua eleição precisa ser referendada pelo Congresso, onde o Partido Democrata-Cristão vota a favor.

Em plena Guerra Fria, os EUA sabotam Allende desde a campanha. Fomentam uma revolta para impedir a posse. A CIA (Agência Central de Inteligência) dá US$ 8 milhões a grupos de oposição, como o sindicato dos caminhoneiros, que para o país, 

Sem maioria no Congresso do Chile, o governo da Unidade Popular enfrenta forte da oposição da direita e depois dos democratas-cristãos, que apoiam o golpe e são perseguidos pela ditadura pinochetista. Mais de 40 mil pessoas são torturadas e 200 mil fogem do Chile.

Um plebiscito, em 5 de outubro de 1988, nega a prorrogação do mandato do tirano. Em 1989, o democrata-cristão Patricio Aylwin é eleito pela Concertação, uma aliança de 16 partidos liderada por democratas-cristãos e socialistas.

Aylwin toma posse em 11 de março de 1990, pondo fim à ditadura. Pinochet permanece no comando do Exército até 1998. Depois de deixar o cargo, é preso em Londres em 16 de outubro de 1998 por ordem do juiz de instrução espanhol Baltasar Garzón sob as acusações de genocídio, tortura, terrorismo internacional e desaparecimento de pessoas.

Quando o governo conservador espanhol de José María Aznar deixa claro que não vai pedir a extradição, o Reino Unido faz um acordo com o Chile para liberar Pinochet com a desculpa de que ele sofreria sérios problemas de saúde. 

No Chile, o ex-ditador é processado por 18 sequestros e 57 assassinatos. Chega a ficar em prisão domiciliar, mas nunca é condenado definitivamente. Impune, Pinochet morre do coração em 10 de dezembro de 2006.

Como consequência do golpe no Chile, a maioria dos países da América Latina hoje faz eleição presidencial em dois turnos quando o primeiro colocado não consegue a maioria absoluta dos votos válidos ou uma ampla vantagem sobre o segundo em alguns países que não exigem 50% dos votos válidos mais um. Assim, o presidente chega ao poder com o apoio da maioria.

TERROR NOS EUA

    Em 2001, no pior atentado terrorista da história, a rede Al Caeda transforma aviões de passageiros em mísseis guiados por pilotos suicidas, derruba as Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova York, e ataca o Pentágono, sede do Departamento da Defesa dos Estados Unidos, perto de Washington. Causa a morte 2.977 pessoas em Nova York, 125 no Pentágono e 69 num quarto voo, derrubado pelos passageiros, que iria para a Casa Branca ou o Capitólio.

O ataque provoca uma reação dos EUA: a Guerra contra o Terror, um equívoco desde o nome porque o terrorismo é uma tática de guerra, não é um inimigo em si. O inimigo, no caso, é o jihadismo, o terrorismo dos fundamentalistas islâmicos que pregam a guerra santa. 

É de certa forma um populismo político que pesca no mar do Corão para criar sua ideologia sanguinária. É uma ideologia e uma guerra ideológica é uma batalha de ideias. Antes de mais nada, é uma guerra civil dentro do Islã sobre qual é a verdadeira interpretação do Corão. 

O movimento jihadista tem uma base religiosa, sonha em recriar o mundo à imagem da Arábia no século 7, no tempo de Maomé, mas ao mesmo tempo usa os recursos tecnológicos do século 21. Cria um califado digital que recruta voluntários para o martírio. Na verdade, é um movimento político extremista surgido em lugares onde não há liberdade política, então eles se encontram nas mesquitas.

Depois de atacar o Afeganistão em 7 de outubro de 2001 e derrubar o regime fundamentalista dos Talebã em três semanas, os EUA conseguem cercar a liderança d'al Caeda na Batalha de Tora Bora, mas Ossama ben Laden foge para o Paquistão.

Em 2003, o então presidente George W. Bush resolve invadir o Iraque do ditador Saddam Hussein, que não tem relação alguma com os atentados, provocando uma revolta dos muçulmanos sunitas de que Al Caeda se aproveita para entrar no Iraque.

Al Caeda do Iraque se torna Estado Islâmico do Iraque e, na guerra civil da Síria, Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Depois de retirar as forças dos EUA em 2011, o presidente Barack Obama declara em agosto de 2014 guerra ao Estado Islâmico, que proclama a fundação de um califado nas regiões que ocupava no Iraque e na Síria.

A Guerra do Afeganistão, a mais longa da história dos Estados Unidos, acaba de maneira humilhante para os norte-americanos, com a volta imediata dos talebã ao poder e caos no aeroporto de Cabul, inclusive um atentado terrorista cometido pelo Estado Islâmico. 

A vitória dos jihadistas empolga os extremistas do mundo inteiro e certamente ajuda a recrutar mais voluntários para o martírio. O Afeganistão volta a ser solo fértil para grupos jihadistas que fazem terrorismo internacional. 

Os talebã prometem no acordo com os EUA não deixar usar o território afegão para desfechar ataques aos americanos e aliados, mas não controlam totalmente o país para garantir isso.

A Guerra contra o Terror não termina. Pelos dados oficiais morreram 6.892 soldados dos EUA nas guerras do Afeganistão, do Iraque e na Síria e no Iraque contra o Estado Islâmico. Ao todo, a Guerra contra o Terror custa aos EUA US$ 8 trilhões. Estima-se que 900 mil pessoas morrem nesta guerra.

quinta-feira, 7 de agosto de 2025

Hoje na História do Mundo: 7 de Agosto

 INDEPENDÊNCIA DE NOVA GRANADA

    Em 1819, rebeldes latino-americanos sob a liderança do libertador Simón Bolívar derrotam a Espanha na Batalha de Boyacá e conquistam a independência de Nova Granada (hoje Colômbia, Equador, Venezuela e Panamá).

Um exército rebelde de 3 mil homens, sob o comando dos generais Bolívar e Francisco de Paula Santander, surpreende e derrota os espanhóis em Gamezá (12 de julho) e Pantano de Vargas (25 de julho), e tomam Tunja (5 de agosto).

Na batalha final, Santander corta o avanço das tropas espanholas perto de uma ponte sobre o Rio Boyacá, onde Bolívar ataca o núcleo da força inimiga e captura 1,8 mil soldados inimigos, inclusive o comandante espanhol.

A seguir, Bolívar captura Bogotá e em 10 de agosto e é aclamado como o libertador que acaba com o Vice-Reino de Nova Granada, criado em 1717. O libertador cria então um governo provisório com Santander como vice-presidente. Em seguida, vai para Angostura, na Venezuela, onde anuncia a intenção de fundar a República da Grã-Colômbia, que preside até sua morte, em 1830.

Bolívar tenta evitar a fragmentação da América Espanhola. Convoca a primeira conferência pan-americana, o Congresso do Panamá (1826). Sonha com nações livres e independentes política e economicamente, e com a união dos povos latino-americanos. Mas a Grã-Colômbia se dissolve em 1931 com a independência do Equador, da Venezuela e de Nova Granada (Colômbia e Panamá, que só se torna independente 1903, com uma intervenção militar dos Estados Unidos para abrir o Canal do Panamá).

Simón Bolívar não era socialista nem antinorte-americano. Foi duramente criticado por Karl Marx, o pai do comunismo. O bolivarismo propagandeado pelo caudilho venezuelano Hugo Chávez não tem nada a ver com as ideias do libertador. Melhor chamar de chavismo.

JACK, O ESTRIPADOR

    Em 1888, o primeiro homicídio cometido por Jack, o Estripador, acontece na região operária de East End, em Londres.

Entre agosto e novembro de 1888, pelo menos cinco mulheres são assassinadas no bairro de Whitechapel, em Londres. Esses crimes nunca resolvidos são um grande mistério da história da Inglaterra.

De 1888 a 1892, dezenas de homicídios são atribuídos ao assassino em série Jack, o Estripador, mas a polícia britânica, a Scotland Yard, só liga cinco ao mesmo criminoso: Mary Ann Nichols, Annie Chapman, Elizabeth Stride, Catherine Eddowes e Mary Jane Kelly. Todas são tidas como prostitutas e estão na rua em busca de clientes na hora da morte, menos Kelly.

Em 2019, a historiadora social britânica Hallie Rubenhold publica o livro As Cinco: as vidas não contadas das mulheres mortas por Jack, o Estripador, onde alega que Nichols, Chapman e Eddowes não eram prostitutas. Stride se prostitui em momentos de miséria e desespero. Só Kelly seria prostituta.

Na visão da historiadora, a suposição de que são todas prostitutas se deve ao machismo, a preconceitos de classe social e ao moralismo hipócrita da Era Vitoriana, o auge do Império Britânico. A rainha Vitória chefiou o Estado de 1837 a 1901.

Em todas as mortes, o assassino corta a garganta e mutila o corpo das vítimas de uma forma que sugere que tem noções de anatomia. Isso levanta a suspeita de que o homicida seja médico. A metade de um rim extraído de um das vítimas é enviada à polícia, que recebe várias mensagens escritas de Jack, o Estripador,

A onda de assassinatos provoca a demissão do ministro do Interior britânico e do chefe de política de Londres. 

Entre os principais suspeitos, está Montague Druitt, um advogado e professor interessado em cirurgia considerado mentalmente insano que desaparece depois dos assassinatos e é encontrado morto. Outro investigado é Michael Ostrog, um médico criminoso russo internado num hospício por tendência homicidas. Aaron Kosminski, um judeu polonês morador de Whitechapel conhecido pela animosidade em relação a mulheres, especialmente prostitutas, também é citado como o possível estripador.

Alguns notáveis da sociedade londrina na época também são mencionados, como o pintor Walter Sickert e o médico Sir William Gull. Os locais onde as mulheres são mortas viram atrações de um turismo macabro.

VW PARA PRODUÇÃO

    Em 1944, sob ameaça de bombardeio aliado durante a Segunda Guerra Mundial, a fábrica de automóveis alemã Volkswagen para a produção do Fusca.

Dez anos antes, o Terceiro Reich contrata o engenheiro Ferdinand Porsche para projetar um carro pequeno, de baixo custo para o povo alemão. O ditador nazista Adolf Hitler chama o carro de Força através da Alegria, mas Porsche prefere Carro do Povo (Volkswagen).

O regime nazista constrói a fábrica em 1938 na cidade de KdF e o Salão do Automóvel de Berlim lança o Fusca em 1939, meses antes do início da Segunda Guerra Mundial (1939-45), em 1º de setembro daquele ano. Durante o conflito, aumenta a demanda por utilitários, em vez de carros de passeio, mas a produção continua até 7 de agosto de 1944.

Depois da guerra, na Alemanha ocupada, Volfsburg, nome atual da cidade, fica no setor britânico. A produção do carrinho recomeça em dezembro de 1945. A fábrica volta ao controle alemão em 1949. Em 1972, o Fusca supera o Ford Modelo T e se torna o carro mais vendido da história do automóvel.

NORUEGUÊS ATRAVESSA PACÍFICO DE BALSA

    Em 1947, para provar que houve contato transpacífico 3 mil anos atrás, o antropólogo norueguês Thor Heyerdahl atravessa o Oceano Pacífico numa balsa madeira, numa jangada, percorrendo 6.880 quilômetros de Callao, no Peru, a Raroia, no Arquipélago Tuamotu, perto do Taiti, na Polinésia, em 101 dias.

JIHADISTAS ATACAM EMBAIXADAS DOS EUA

    Em 1998, às 10h30 pela hora local, um caminhão-bomba explode junto à Embaixada dos Estados Unidos em Nairóbi, no Quênia (foto), e, minutos depois, outro caminhão-bomba tem como alvo a Embaixada Norte-Americana em Dar es Salaam, capital da vizinha Tanzânia.

Os atentados, atribuídos à rede terrorista Al Caeda, liderada por Ossama ben Laden, matam 224 pessoas, inclusive 12 norte-americanos, e ferem mais de 4,5 mil. 

O presidente Bill Clinton ordena bombardeios retaliatórios a uma companhia farmacêutica do Sudão acusada pelos americanos de produzir armas químicas e a campos de treinamento d'al Caeda no Afeganistão. A resposta dos jihadistas vem nos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos EUA. 

ESQUERDA CHEGA AO PODER NA COLÔMBIA

    Em 2022, o economista, ecologista, ex-ativista da guerrilha e ex-prefeito de Bogotá Gustavo Petro toma posse como primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia, tendo como vice-presidente Francia Márquez, negra, feminista e ativista política.

Petro, da coalizão Pacto Histórico, vence o segundo turno com 50,5% dos votos contra 47,3% para o ex-prefeito de Bucaramanga Rodolfo Hernández, de extrema direita.

Num dos países mais violentos, conservadores e oligárquicos do continente, Gustavo Francisco Petro Urrego prega uma verdadeira revolução pelo voto. Promete combater a desigualdade, taxar os ricos, abrir empregos públicos para desempregados, realizar uma reforma agrária com aumento de impostos sobre latifúndios e terras improdutivas, criar um sistema público e universal de saúde pública, fazer a transição para um regime de previdência social, levar a Internet para todos e reduzir gradualmente o uso de combustíveis fósseis como carvão, gás e petróleo, importantes riquezas do país, substituindo-os por energias renováveis.

Quer acabar com o modelo extrativista, preservar a biodiversidade e investir em alta tecnologia. Alega que a América Latina precisa deixar de ser mera exportadora de produtos primários. 

Talvez a maior revolução seja a escolha de sua vice-presidente. Francia Elena Márquez Mina, de 40 anos, é uma líder social negra, feminista, defensora dos direitos humanos e ativista ambiental. Foi empregada doméstica. Apresenta-se como “uma das inexistentes” e dos excluídos.