Mostrando postagens com marcador Colômbia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Colômbia. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 7 de Agosto

INDEPENDÊNCIA DE NOVA GRANADA

    Em 1819, rebeldes latino-americanos sob a liderança do libertador Simón Bolívar derrotam a Espanha na Batalha de Boyacá e conquistam a independência de Nova Granada (hoje Colômbia, Equador, Venezuela e Panamá).

Um exército rebelde de 3 mil homens, sob o comando dos generais Bolívar e Francisco de Paula Santander, surpreende e derrota os espanhóis em Gamezá (12 de julho) e Pantano de Vargas (25 de julho), e toma Tunja (5 de agosto).

Na batalha final, Santander corta o avanço das tropas espanholas perto de uma ponte sobre o Rio Boyacá, onde Bolívar ataca o núcleo da força inimiga e captura 1,8 mil soldados inimigos, inclusive o comandante espanhol.

A seguir, Bolívar captura Bogotá e em 10 de agosto e é aclamado como o libertador que acaba com o Vice-Reino de Nova Granada, criado em 1717. O libertador cria então um governo provisório com Santander como vice-presidente. Em seguida, vai para Angostura, na Venezuela, onde anuncia a intenção de fundar a República da Grã-Colômbia, que preside até sua morte, em 1830.

Bolívar tenta evitar a fragmentação da América Espanhola. Convoca a primeira conferência pan-americana, o Congresso do Panamá (1826). Sonha com nações livres e independentes política e economicamente, e com a união dos povos latino-americanos. Mas a Grã-Colômbia se dissolve em 1931 com a independência do Equador, da Venezuela e de Nova Granada (Colômbia e Panamá, que só se torna independente 1903, com uma intervenção militar dos Estados Unidos para abrir o Canal do Panamá).

Simón Bolívar não era socialista nem antinorte-americano. Foi duramente criticado por Karl Marx, o pai do comunismo. O bolivarismo propagandeado pelo caudilho venezuelano Hugo Chávez não tem nada a ver com as ideias do libertador. Melhor chamar de chavismo.

JACK, O ESTRIPADOR

    Em 1888, o primeiro homicídio cometido por Jack, o Estripador, acontece na região operária de East End, em Londres.

Entre agosto e novembro de 1888, pelo menos cinco mulheres são assassinadas no bairro de Whitechapel, em Londres. Esses crimes nunca esclarecidos são um grande mistério da história da Inglaterra.

De 1888 a 1892, dezenas de homicídios são atribuídos ao assassino em série Jack, o Estripador, mas a polícia britânica, a Scotland Yard, só liga cinco ao mesmo criminoso: Mary Ann Nichols, Annie Chapman, Elizabeth Stride, Catherine Eddowes e Mary Jane Kelly. Todas são tidas como prostitutas e estão na rua em busca de clientes na hora da morte, menos Kelly.

Em 2019, a historiadora social britânica Hallie Rubenhold publica o livro As Cinco: as vidas não contadas das mulheres mortas por Jack, o Estripador, onde alega que Nichols, Chapman e Eddowes não eram prostitutas. Stride se prostitui em momentos de miséria e desespero. Só Kelly seria prostituta.

Na visão da historiadora, a suposição de que são todas prostitutas se deve ao machismo, a preconceitos de classe social e ao moralismo hipócrita da Era Vitoriana, o auge do Império Britânico. A rainha Vitória chefia o Estado de 1837 a 1901.

Em todas as mortes, o assassino corta a garganta e mutila o corpo das vítimas de uma forma que sugere que tem noções de anatomia. Isso levanta a suspeita de que o homicida seja médico. A metade de um rim extraído de um das vítimas é enviada à polícia, que recebe várias mensagens escritas de Jack, o Estripador.

A onda de assassinatos provoca a demissão do ministro do Interior britânico e do chefe de política de Londres. 

Entre os principais suspeitos, está Montague Druitt, um advogado e professor interessado em cirurgia considerado mentalmente insano que desaparece depois dos assassinatos e é encontrado morto. Outro investigado é Michael Ostrog, um médico criminoso russo internado num hospício por tendências homicidas. Aaron Kosminski, um judeu polonês morador de Whitechapel conhecido pela animosidade em relação a mulheres, especialmente prostitutas, também é citado como o possível estripador.

Alguns notáveis da sociedade londrina na época também são mencionados, como o pintor Walter Sickert e o médico Sir William Gull. Os locais onde as mulheres são mortas viram atrações de um turismo macabro.

VW PARA PRODUÇÃO

    Em 1944, sob ameaça de bombardeio aliado durante a Segunda Guerra Mundial, a fábrica de automóveis alemã Volkswagen para a produção do Fusca.

Dez anos antes, o Terceiro Reich contrata o engenheiro Ferdinand Porsche para projetar um carro pequeno, de baixo custo para o povo alemão. O ditador nazista Adolf Hitler chama o carro de Força através da Alegria, mas Porsche prefere Carro do Povo (Volkswagen).

O regime nazista constrói a fábrica em 1938 na cidade de KdF e o Salão do Automóvel de Berlim lança o Fusca em 1939, meses antes do início da Segunda Guerra Mundial (1939-45), em 1º de setembro daquele ano. Durante o conflito, aumenta a demanda por utilitários, em vez de carros de passeio, mas a produção continua até 7 de agosto de 1944.

Depois da guerra, na Alemanha ocupada, Volfsburg, nome atual da cidade, fica no setor britânico. A produção do carrinho recomeça em dezembro de 1945. A fábrica volta ao controle alemão em 1949. Em 1972, o Fusca supera o Ford Modelo T e se torna o carro mais vendido da história do automóvel.

NORUEGUÊS ATRAVESSA PACÍFICO DE BALSA

    Em 1947, para provar que houve contato transpacífico 3 mil anos atrás, o antropólogo norueguês Thor Heyerdahl atravessa o Oceano Pacífico numa balsa madeira, numa jangada, percorrendo 6.880 quilômetros de Callao, no Peru, a Raroia, no Arquipélago Tuamotu, perto do Taiti, na Polinésia, em 101 dias.

JIHADISTAS ATACAM EMBAIXADAS DOS EUA

    Em 1998, às 10h30 pela hora local, um caminhão-bomba explode junto à Embaixada dos Estados Unidos em Nairóbi, no Quênia (foto), e, minutos depois, outro caminhão-bomba tem como alvo a Embaixada Norte-Americana em Dar es Salaam, capital da vizinha Tanzânia.

Os atentados, atribuídos à rede terrorista Al Caeda, liderada por Ossama ben Laden, matam 224 pessoas, inclusive 12 norte-americanos, e ferem mais de 4,5 mil. 

O presidente Bill Clinton ordena bombardeios retaliatórios a uma companhia farmacêutica do Sudão acusada pelos americanos de produzir armas químicas e a campos de treinamento d'al Caeda no Afeganistão. A resposta dos jihadistas vem nos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos EUA. 

ESQUERDA CHEGA AO PODER NA COLÔMBIA

    Em 2022, o economista, ecologista, ex-ativista da guerrilha e ex-prefeito de Bogotá Gustavo Petro toma posse como primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia, tendo como vice-presidente Francia Márquez, negra, feminista e ativista política.

Petro, da coalizão Pacto Histórico, vence o segundo turno com 50,5% dos votos contra 47,3% para o ex-prefeito de Bucaramanga Rodolfo Hernández, de extrema direita.

Num dos países mais violentos, conservadores e oligárquicos do continente, Gustavo Francisco Petro Urrego prega uma verdadeira revolução pelo voto. Promete combater a desigualdade, taxar os ricos, abrir empregos públicos para desempregados, realizar uma reforma agrária com aumento de impostos sobre latifúndios e terras improdutivas, criar um sistema público e universal de saúde pública, fazer a transição para um regime de previdência social, levar a Internet para todos e reduzir gradualmente o uso de combustíveis fósseis como carvão, gás e petróleo, importantes riquezas do país, substituindo-os por energias renováveis.

Quer acabar com o modelo extrativista, preservar a biodiversidade e investir em alta tecnologia. Alega que a América Latina precisa deixar de ser mera exportadora de produtos primários. 

Talvez a maior revolução seja a escolha de sua vice-presidente. Francia Elena Márquez Mina, de 40 anos, é uma líder social negra, feminista, defensora dos direitos humanos e ativista ambiental. Foi empregada doméstica. Apresenta-se como “uma das inexistentes” e dos excluídos.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

domingo, 21 de junho de 2026

Extrema direita vence por um ponto na Colômbia

Por menos de um ponto percentual, o candidato de extrema direita Abelardo de la Espriella, apoiado pelo governo Donald Trump, venceu o segundo turno da eleição presidencial na Colômbia ao derrotar o senador Iván Cepeda, apadrinhado pelo presidente esquerdista Gustavo Petro. Se o resultado oficial confirmar a vitória, vai governar o país por quatro anos a partir de 7 de agosto.


Com 99,99% das urnas apuradas, de acordo com a contagem preliminar, De la Espriella (na foto indo para a festa da vitória em veículo blindado) soma 12.959.515 votos (49,66%) contra 12.708.695 (48,70%) de Cepeda, pouco mais de 250 mil. É o segundo resultado mais apertado da história da Colômbia. O comparecimento às urnas foi de 63,6%, o maior desde 1998.

O presidente e seu candidato não reconheceram a derrota. Querem esperar o resultado oficial a ser divulgado nesta semana e tentam impugnar 33 mil urnas. O Ministério do Interior recebeu mais de 2,6 mil denúncias de irregularidades

No discurso da vitória, De la Espriella, do movimento Defensores da Pátria, declarou, em tom ultranacionalista: "A Colômbia nunca esteve vencida, a Colômbia estava apenas esperar o movimento de se levantar e esse momento chegou hoje para toda a pátria. Queridos reservistas e militares e da polícia, de suas casas, me ajudem a recitar a oração pátria: Colômbia, minha pátria, te levo com amor, Colômbia no meu coração, creio em teu destino e esperar te er sempre grande, respeitada e livre. Em ti, Colômbia, amo todo o que me é querido, tuas glórias, tua beleza, meu lar, a tumba dos meus antepassados, o fruto de meus esforços e a realização de meus sonhos."

Também bateu no peito e estendeu o braço direito numa saudação militar nazifascistoide. Ao mesmo tempo em que defendeu a reconciliação, De la Espriella fez uma advertência à oposição: "Terá todas as garantias para fazer oposição, sempre que for pelo marco constitucional e legal. Mas deixo muito claro, senador Iván Cepeda, que não lhe ocorra estimular a violência. Abstenha-se de semear o terror."

A esquerda defende uma política de pacificação com os últimos grupos guerrilheiros e inclusive com os cartéis do tráfico de drogas, enquanto a ultradireita aposta no uso da força contra guerrilheiros e criminosos comuns. A segurança pública foi tema central da campanha de De la Espriella, que promete construir dez prisões de segurança máxima sob a inspiração do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, liberalizar a economia e se aproximar dos Estados Unidos.

Na campanha do Pacto Histórico, a frase mais ouvida é: "Aqui ninguém se rende." Como outros países do continente, a Colômbia está dividida. Petro, o primeiro presidente de esquerda da história do país, termina o mandato com 50% de aprovação e 44,5% de reprovação. Mas não conseguiu eleger o sucessor.

A questão é se a onda de direita e extrema direita é uma guinada ideológica baseada no conservadorismo social da América Latina ou apenas um reflexo do descontentamento popular  com os governos do dia que leva a uma alternância no poder entre direita e esquerda.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

domingo, 31 de maio de 2026

Extrema direita e esquerda vão ao segundo turno na Colômbia

O advogado Abelardo de la Espriella, do movimento de ultradireita Defensores da Pátria, venceu o primeiro turno da eleição presidencial na Colômbia com mais de 670 mil votos de vantagem e é favorito para o segundo turno, marcado para 21 de junho. É uma derrota para o presidente Gustavo Petro, o primeiro esquerdista a governar o país, que rejeitou o que chamou de "resultados preliminares".

Com todas as urnas apuradas, De la Espriella conquistou 10.361.499 votos (43,7%) contra 9.688.361 votos (40,9%) do filósofo Ivan Cepeda, do Movimento Político Pacto Histórico, do presidente Petro. Havia uma expectativa de que Cepeda sairia na frente no primeiro turno.

A terceira colocada foi Paloma Valencia Laserna, do Partido Centro Democrático, do ex-presidente Álvaro Uribe, com 1.639.685 votos (6,9%). Ela anunciou apoio a De la Espriella no segundo turno. Seus eleitores de direita tendem apoiar o vencedor do primeiro turno.

De la Espriella, de 47 anos, é admirador do presidente neofascista de El Salvador, Nayib Bukele – que conseguiu resultados expressivos no combate à criminalidade com políticas autoritárias e ditatoriais de um Estado policial –, e dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei. 

Foi advogado de Alex Saab, um empresário colombiano naturalizado venezuelano que foi ministro da Indústria e da Produção Nacional da Venezuela e é apontado como operador do dinheiro sujo do ex-ditador Nicolás Maduro. Saab foi preso e extraditado para os Estados Unidos, onde é acusado de lavar US$ 350 milhões.

Sua campanha prometeu reformas radicais. Teve como principais temas a segurança pública, o combate à corrupção, a defesa da livre iniciativa. De la Espriella propõe o fortalecimento das Forças Armadas, uma ofensiva militar contra grupos armados ilegais da guerrilha e do narcotráfico e um crescimento econômico de 5% ao ano, sua fórmula para reduzir a pobreza e a desigualdade social, com programas de educação, saúde, habitação e geração de empregos.

Cepeda, de 63 anos, liderava a maioria das pesquisas desde o lançamento de sua candidatura sete meses atrás. Filho do líder comunista Manuel Cepeda Vargas, assassinado em 1994 por paramilitares aliados ao governo na luta contra a esquerda e a guerrilha, viveu anos no exílio. Estudou filosofia na Bulgária, mas adotou ideias socialistas reformistas e democráticas, na contramão do stalinismo que dominava o Bloco Soviético.

Desde 2010, Cepeda se dedica a preservar a memória das vítimas da longa guerra civil colombiana, de 500 mil mortes, que começa com o assassinato do candidato liberal à Presidência Jorge Eliécer Gaitán, em 9 de abril de 1948, e a negociações de paz com grupos armados. Ele colaborou nas negociações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e defende a política de "paz total" do presidente Petro, com grupos guerrilheiros e máfias do narcotráfico.

Seu programa prevê a continuidade das reformas sociais do governo atual, maior participação do Estado na economia, combate à corrupção, luta contra a desigualdade com subsídios para os pobres, universidade gratuita, melhoria na cobertura de saúde e paz através do diálogo. Enfrenta a oposição dos que são contra negociações com grupos armados e dos empresários que criticam os gastos sociais, o desequilíbrio nas contas públicas e a intervenção estatal na economia.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 17 de Abril

MARTINHO LUTERO SE DEFENDE

    Em 1521, o monge alemão Martinho Lutero depõe na Dieta (assembleia) do Sacro Império Romano-Germânico, reunida em Worms, para responder à acusação de heresia depois de pregar suas 95 Teses sobre o poder e a eficiência das indulgências, criticando a corrupção na Igreja Católica, na porta da igreja do Castelo de Wittemberg em 31 de outubro de 1517, marco do início da Reforma Protestante.

O papa Leão X condena 41 teses em junho de 1520, mas dá a Lutero a chance de se arrepender e se retratar. Em resposta, Lutero queima a bula papal e se nega a retirar suas acusações. Ele é excomungado em 3 de janeiro de 1521.

O imperador deveria prender e executar Lutero. Ele é salvo pela intervenção de seu príncipe, Frederico III, o Sábio, eleitor (líder) da Saxônia. Por causa da confusão ou promiscuidade entre política e religião, Lutero é convocado pelas autoridades políticas e não pelo papa ou por um conselho da Igreja. Ele recebe um salvo-conduto do imperador para depor na Dieta de Worms.

No depoimento, em 17 de abril, Lutero admite a autoria de vários livros expostos. Sob pressão para repudiar suas ideias, pede mais um dia para pensar. No dia seguinte, se nega mais uma vez a repudiar sua obra, a não ser que seja convencido "pelas Escrituras ou pela razão". Alega que sua consciência está submetida à "palavra de Deus".

Em maio, uma nova dieta presidida pelo imperador Carlos V, do Sacro Império, aprova o Édito de Worms, que proíbe os escritos de Martinho Lutero e o declara "inimigo do Estado". Ele deveria ser preso e entregue ao imperador, mas a pena nunca é aplicada. A decisão limita as viagens de Lutero, que depende da proteção do príncipe da Saxônia até sua morte, em 18 de fevereiro de 1546.

PRIMEIRA GUERRA SINO-JAPONESA

    Em 1895, o Tratado de Shimonoseki acaba com a Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95) com a vitória do Japão. A China é obrigada a reconhecer a independência da Coreia, que dominava historicamente; cede Taiwan, as Ilhas Pescadores e a Península de Liaodong, no Sul da Manchúria, ao Japão; paga uma indenização de 200 milhões de taéis de prata ao Japão. Sob pressão da Alemanha, da França, do Reino Unido e da Rússia, o Japão devolde Liaodong em troca de mais 30 milhões de taéis.

A China e o Japão tinham uma tradição de isolamento que termina sob pressão do colonialismo ocidental. Com as Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60), o Reino Unido abre a China ao livre comércio, inclusive de ópio. Em 1854, o almirante norte-americano Matthew Perry rompe o fechamento de mais de dois séculos do Japão meses depois de ameaçar bombardear o porto de Tóquio.

A Restauração Meiji (1868) acaba com o xogunato e restaura o poder do imperador. É o fim da Idade Média no Japão, que se ocidentaliza e desenvolve a indústria para não se submeter ao colonialismo e preservar sua independência. A China, o Império do Meio, centro do mundo na Ásia há quase 2 mil anos, entra em decadência.

Em 1874, um navio japonês naufraga na costa sudoeste de Taiwan e a população local mata a tripulação. A China rejeita o pedido de indenização sob o argumento de que é uma tribo rebelde que não se submete ao imperador. Uma expedição punitiva japonesa força a China a pagar.

A grande causa da guerra é o conflito sobre a Coreia. O conselheiro militar alemão Klemens Meckel, que participa da modernização do Exército japonês, considera a Coreia "uma adaga apontada para o coração do Japão".

Em 27 de fevereiro de 1876, o Japão impõe o Tratado de Ganghwa. Obriga a Coreia a se abrir ao comércio e proclamar independência da China. Para neutralizar a influência japonesa, a China pressiona a Coreia a se aproximar das potências ocidentais.

Sob influência do Japão, os reformistas coreanos tentam derrubar o governo conservador aliado à China num golpe sangrento em 1884, mas tropas chinesas sob o comando do general Yuan Shikai dão um contragolpe igualmente sangrento, com a morte de vários japoneses. Pela Convenção de Li-Ito, os dois países concordam em retirar suas forças da Península Coreana para evitar a guerra.

Em 28 de março de 1894, o líder do golpe de 1884, Kim Ok Kyun, é atraído para Xangai e assassinado, provavelmente por agentes de Yuan Shikai. Seu corpo é enviado de navio à Coreia, onde é esquartejado e exposto ao público.

Quando estoura o Levante de Tonghak, uma revolta camponesa marcha rumo a Seul em 1º de junho de 1894. A pedido do rei coreano, a China envia Yuan Shikai com 2,8 mil soldados. O Japão considera a intervenção chinesa uma violação da Convenção de Li-Ito e manda 8 mil militares à Coreia. A China tenta enviar reforços, mas o Japão afunda o navio britânico Kowshing, que os transporta.

O Japão toma o palácio real em Seul, captura o imperador em 8 de junho de 1894 e instala um governo de coreanos aliados. A rebelião acaba em 11 de junho, mas o Japão manda o general Otori Keisuke ficar na Coreia e envia mais soldados.

Em 23 de julho, o Japão marcha sobre Seul, captura o imperador e reinstala um governo colaboracionista que rompe todos os acordos com a China e autoriza o Exército Imperial Japonês a expulsar os militares chineses.

O general japonês Oshima Yoshimasa avança rumo a Seul com 4 mil homens para enfrentar 3,5 mil soldados da guarnição chinesa. O combate acontece em 28 de julho. Cerca 500 chineses e 92 japoneses são mortos ou feridos. Os chineses recuam para Pyongyang, que hoje é a capital da Coreia do Norte.

A guerra começa oficialmente em 1º de agosto de 1894. Os analistas militares estrangeiros esperam uma vitória rápida da China, mas a modernização do Japão se impõe. A China tem entre 13 a 15 mil soldados em Pyongyang, para onde as forças japonesas convergem em 15 de setembro e invadem a cidade no dia seguinte. Dois mil chineses morrem e 4 mil saem feridos, em contraste com 102 japoneses mortos, 433 feridos e 33 desaparecidos.

A Marinha Imperial Japonesa destrói 8 dos 10 navios da frota chinesa perto da foz do Rio Yalu e assume o controle do mar. A China abandona o Norte da Coreia. Em 24 de outubro, o Japão cruza o Rio Yalu e invade a Manchúria. Toma Lushunkou (Port Arthur) em 21 de novembro, onde massacra milhares de civis, e Kaipeng em 10 de dezembro.

Em março de 1895, o Japão domina a província de Shandong e a Manchúria. No dia 23 de março, ataca as Ilhas Pescadores. A China pede negociações de paz.

Com a derrota, acaba a ordem sinocêntrica em vigor há quase 2 mil anos no Leste da Ásia. Mesmo durante a era do Império Mongol criado por Gengis Khan, a cultura chinesa se impunha por ser superior à dos conquistadores.

Outra derrota, na Guerra dos Boxers (1899-1901), quando Beijim é ocupada por forças estrangeiras da Aliança de Oito Nações, abala definitivamente a monarquia. Com a revolução de 1911, liderada por Sun Yat-Sen, acaba o Império e nasce a República da China, em 1912.

 INVASÃO DA BAÍA DOS PORCOS

    Em 1961, começa a invasão da Baía dos Porcos, quando refugiados cubanos financiados e treinados pela CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) desembarcam em Cuba e tentam derrubar o regime comunista de Fidel Castro, que vence, consolida o poder e pede proteção da União Soviética, o que leva à Crise dos Mísseis em outubro de 1962, quando o mundo esteve mais perto do que nunca de uma guerra nuclear.

A revolução liderada por Fidel Castro toma o poder em Havana em 1º de janeiro de 1959, após a fuga do ditador Fulgencio Batista. Quando a revolução nacionaliza as empresas norte-americanas na ilha, bancos, refinarias de petróleo, plantações de café e de cana-de-açúcar, entre outras medidas, o governo Dwight Eisenhower (1953-61) destina US$ 13,1 milhões para a CIA usar contra Fidel e impõe as primeiras sanções.

O plano é do vice-presidente Richard Nixon, notório anticomunista e candidato a presidente em 1960 contra o senador John Kennedy, que na campanha é mais anticomunista do que Nixon para não passar a imagem de jovem inseguro, incapaz de enfrentar o desafio soviético na Guerra Fria.

Ao tomar posse, em 20 de janeiro de 1961, o presidente Kennedy herda a operação. O Partido Democrata é acusado de "perder a China". Estava no poder com Harry Truman (1945-53) quando os comunistas tomaram o poder em Beijim, em 1º de outubro de 1949.

Em 15 de abril, aviões bombardeiros B-26 pilotados por exilados atacam três pistas de pouso em Cuba, mas não conseguem aniquilar a Força Aérea Cubana. Pelo menos seis aviões ficam intactos. 

Quando Kennedy suspende a segunda onda de bombardeio aéreo, em 16 de abril, a operação está condenada ao fracasso. O sucesso do desembarque depende do controle do espaço aéreo. A Força Aérea Cubana ataca os barcos.

Mais de 1,4 mil homens, divididos em cinco batalhões de infantaria e um de paraquedistas, tentam desembarcar na praia Girón, em Cuba, onde encontam forte resistência e são derrotados. Mais de 100 invasores e 176 soldados cubanos morrem. Cerca de 1,2 mil invasores são presos.

Fidel pede proteção à URSS. O líder soviético Nikita Kruschev aproveita para tentar equilibrar a corrida armamentista. Apesar de lançar o primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik, a URSS fica atrás no desenvolvimento de mísseis nucleares e tenta instalar mísseis em Cuba. Os EUA reagem, bloqueiam Cuba e ameaçam invadir a ilha na Crise dos Mísseis, de 14 a 27 de outubro de 1962. A URSS recua e retira os mísseis num acordo tácito em que os EUA prometem não invadir Cuba.

VITÓRIA DO KHMER VERMELHO

   Em 1975, os guerrilheiros maoístas do Khmer Vermelho, liderados por Pol Pot, entram em Phnom Penh, derrubam a ditadura do general Lon Nol e impõem ao Camboja um regime genocida acusado pela morte de 1,5 milhão a 2 milhões de pessoas com perseguições políticas, tortura, assassinatos em massa e fome, tendo como principal alvo a elite educada e intelectualizada. Como a população do país tinha pouco mais de 7,3 milhões de habitantes, é considerado o regime mais assassino do século 20.

A vitória do Khmer Vermelho é resultado da intervenção militar dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã (1955-75). Como os guerrilheiros vietcongues e os soldados norte-vietnamitas usam o Camboja para ir do Vietnã do Norte para o Vietnã do Sul pela chamada Trilha de Ho Chi Minh, os EUA bombardeiam intensamente o Camboja.

Diante da intervenção norte-americana no Vietnã, o chefe de Estado do Camboja, Norodom Sihanouk, o Príncipe Vermelho, declara neutralidade. Durante uma viagem de Sihanouk a Moscou e Beijim, em 18 de março de 1970, a Assembleia Nacional do Camboja derruba o príncipe e entrega o poder ao general e primeiro-ministro Lon Nol, aliado dos EUA.

A Força Aérea dos EUA começa a bombardear zonas rurais cambojanas em 1965. Os ataques aéreos ganham maior intensidade com a Operação Menu, de 18 de março de 1969 a 26 de maio de 1970. De maio de 1970 até 15 de agosto de 1973, a Operação Freedom Deal continua os bombardeios. 

Entre 1969 e 1973, os EUA jogam 500 mil toneladas de bombas no Camboja contra 113.716 alvos, matando centenas de milhares de pessoas. O assessor de Segurança Nacional do governo Richard Nixon, Henry Kissinger, é considerado criminoso de guerra pelo bombardeio estratégico ao Camboja.

A campanha aérea retarda, mas não impede a vitória do Khmer Vermelho, que tenta fazer uma grande engenharia social com uma política de Ano Zero para impor uma sociedade comunista puramente agrária que considera o campesinato a verdadeira classe revolucionária e não o proletariado urbano e industrial, como previra Karl Marx, o pai do comunismo.

O objetivo da ditadura do Khmer Vermelho é eliminar qualquer pessoa suspeita de exercer atividades de livre mercado. Isto inclui profissionais, todas as pessoas com alguma educação formal ou ligadas de alguma forma a países estrangeiros. Seus líderes são influenciados pelo stalinismo radical do Partido Comunista Francês no início dos anos 1950 e pelo pensamento do líder da revolução comunista na China, Mao Tsé-tung.

A ditadura polpotiana fecha escolas, hospitais e fábricas, abole o sistema bancário, as finanças e a moeda, proíbe todas as religiões, confisca todas as propriedades privadas e transfere populações urbanas para fazendas coletivas onde fazem trabalhos forçados.

O dinheiro é abolido, livros são queimados, professores, comerciantes e quase toda a elite intelectual cambojana é assassinada para fundar uma nova sociedade pura, livre dos males do capitalismo, a partir do Ano Zero. 

Como os pais são vistos como envenenados pelo capitalismo, os filhos são separados dos pais e internados em centros de reeducação onde sofrem uma lavagem cerebral. Os jovens aprendem métodos de tortura com animais e recebem papéis de liderança em torturas e execuções.

Sua reforma agrária causa uma fome generalizada. A pretensão de autossuficiência destrói os serviços públicos. Milhares de cambojanos morrem de doenças curáveis como a malária.

A ditadura do Khmer Vermelho cai em 7 de janeiro de 1979, depois de uma invasão vietnamita no Camboja apoiada pela União Soviética no Natal de 1978. Em resposta, a China invade o Vietnã em 17 de fevereiro de 1979, na primeira guerra aberta entre países comunistas. (Em 1969, a China e a URSS travam uma série de escaramuças na longa fronteira comum.)

O Vietnã repele a invasão. A China se retira em 16 de março, mas continua apoiando o deposto regime genocida do Khmer Vermelho como representante do Camboja na ONU, assim como os EUA e o Reino Unido, por causa de sua oposição à URSS.

MORTE DE GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ

    Em 2014, morre na Cidade do México o escritor colombiano Gabriel García Márquez, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1982, considerado um dos autores mais importantes do século 20.

García Márquez nasce em Aracataca em 6 de março de 1927. Nos primeiros oito anos de sua vida, seus pais moram com seus avós, o coronel Nicolás Márquez, veterano da Guerra dos Mil Dias (1899-1902) e Tranquilina Iguarán de Márquez. Após a morte do avô, a família se muda para Barraquilla. Ele recebe uma educação de qualidade, mas mais tarde atribui ao avô e às histórias de Aracataca as grandes fontes de sua literatura.

Ele estuda direito, mas se torna um jornalista, profissão que abraça até se tornar um escritor de sucesso. García Márquez aperfeiçoa sua educação como correspondente em Paris. Também trabalha como jornalista em Bogotá e em Nova York antes de ir para o México, onde escreve Cem Anos de Solidão, o romance que lhe dá fama e dinheiro.

O livro conta a história de Macondo, uma cidadezinha que reflete a história da América Latina, a truculência, o autoritarismo e a desigualdade social. É o expoente de uma literatura latino-americana descrita como "realismo mágico", que mistura fatos históricos com ficção sob a inspiração de escritores como o cubano Alejo Carpentier, pioneiro do gênero. Os habitantes de Macondo são movidos por paixões como desejo, cobiça, ganância e sede de poder, mas esbarram na realidade política..

A obra é lançada em 1967 por uma editora argentina e alcança sucesso universal. Já vendeu mais de 50 milhões de cópias em 46 idiomas. É um dos livros mais lidos e influentes do século 20.

De 1967 a 1975, ele mora na Espanha. Depois, tem uma casa na Cidade do México e um apartamento em Paris. Também passa um tempo em Havana, a convite de Fidel Castro, a quem apoia. Como escritor de sucesso, García Márquez lança O Outono do Patriarca (1975), Crônica de uma Morte Anunciada (1981), Do Amor e Outros Demônios (1981), O Amor nos Tempos de Cólera (1985), O General em seu Labirinto (1989), sobre os últimos dias do libertador Simón Bolívar, e Notícia de um Sequestro (1996).

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 2 de Dezembro

 NAPOLEÃO SE COROA IMPERADOR

    Em 1804, o general Napoleão Bonaparte se coroa imperador na Catedral de Notre-Dame, em Paris, onze anos depois que a Revolução Francesa executa o rei Luís XVI e a rainha Maria Antonieta na guilhotina. O papa Pio VII não quer coroar Napoleão. Entrega a coroa ao general, que a coloca sobre a cabeça.

Um dos maiores generais de todos os tempos, Napoleão nasce em 15 de agosto de 1769 em Ajácio, a capital da Córsega, dois anos depois que a ilha passa a pertencer à França. 

Com a Revolução Francesa de 1789, o oficialato do Exército francês, vindo da aristocracia, é dizimado e Napoleão sobe rapidamente na hierarquia militar. É general aos 24 anos.

Em 1799, a França está em guerra com várias monarquias europeias que não aceitam a revolução e a execução de Luís XVI e de Maria Antonieta, guilhotinados em 1793. Na volta de uma campanha no Egito, Napoleão dá um golpe em novembro e é nomeado primeiro cônsul da França em 12 de dezembro de 1799. É o fim da revolução.

Napoleão derrota a Áustria em fevereiro de 1800. Ele decreta em 1802 o Código Napoleônico, modelo para o direito civil adotado nos países latinos, inclusive no Brasil. Em 1804, cria o império que, em 1807, vai dos Pirineus à costa da Dalmácia no sentido Leste-Oeste e do Rio Elba, no Norte, à Itália, no Sul.

Sua grande derrota é o fracassso da invasão da Rússia, em 1812, com um Grande Exército de 600 mil homens. Depois da desastrosa Batalha de Borodino, que a França vence com grandes perdas, em 7 de setembro de 1812, o Exército da Rússia recua e incendeia Moscou para que o invasor não tenha comida nem abrigo.

Na retirada, o Grande Exército é dizimado pelo inverno que se aproxima e atacado pelos russos na retaguarda. Em 1814, Napoleão perde a Guerra Peninsular para o Duque de Wellington, que restaura os governos de Portugal e Espanha, sofre uma derrota total para os aliados, abdica ao trono da França em 6 de abril e vai para o exílio na Ilha de Elba.

Ele volta em 20 de março de 1815, recupera o trono e governa por 100 dias até ser derrotado por uma aliança de Áustria, Prússia, Rússia e Reino Unido liderada por Wellington na Batalha de Waterloo, na Bélgica, em 18 de junho. 

Quatro dias depois, abdica pela segunda vez. Vencido, vai preso para um exílio forçado na Ilha de Santa Helena, uma possessão britânica no Oceano Atlântico, onde morre em 5 de maio de 1821.

DOUTRINA MONROE

    Em 1823, o presidente James Monroe declara que os Estados Unidos não vão interferir em questões europeias, mas não aceitam interferência da Europa na América nem que algum país seja recolonizado, no que é conhecido como Doutrina Monroe: "A América é para os americanos." Ou, na versão da esquerda latino-americana: "A América é para os norte-americanos."

A Doutrina Monroe e a crença no Destino Manifesto, de que os brancos norte-americanos são superiores e receberam a missão divina de se expandir e civilizar a América, são a base ideológica do expansionismo dos EUA no século 19 e do imperialismo norte-americano no século 20.

Durante a Guerra da Secessão (1861-65), a França e o Reino Unido ameaçam apoiar o Sul, de onde a Europa compra algodão para sua indústria, para dividir os EUA. A França intervém no México em 1861 e nomeia Maximiliano de Habsburgo imperador do México. Depois da guerra civil, os EUA apoiam as forças de Benito Juárez, que expulsam os franceses e executam Maximiliano em 1867.

REAÇÃO NUCLEAR EM CADEIA

    Em 1942, cientistas liderados pelo físico italiano Enrico Fermi realizam na Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, a primeira reação nuclear controlada.

Fermi nasce em Roma em 29 de setembro de 1901, filho de uma professora e de um inspetor de ferrovias. Depois de fazer doutorado, em 1922, ele vai para a Alemanha e a Holanda. De volta à Itália, se torna professor da Universidade de Florença. Suas pesquisas se concentram na relatividade geral e na mecânica quântica.

Em 1929, o ditador fascista Benito Mussolini o nomeia para a Academia da Itália. Fermi não se interessa em política. Como sua mulher é judia, quando o Duce adota leis antissemitas, a família decide fugir. Com o dinheiro do Prêmio Nobel de Física de 1938, eles migram para os EUA.

Semanas depois que ele chega aos EUA, a fissão nuclear é descoberta e assim a capacidade de geração de energia elétrica através de uma reação controlada e de uma reação em cadeia numa bomba atômica, uma explosão como o mundo jamais vira. Fermi constrói o primeiro reator nuclear.

Cabe a Albert Einstein escrever uma carta ao presidente Franklin Delano Roosevelt em 2 de agosto de 1939 alertando para o risco de que a Alemanha Nazista faça a bomba atômica. Daí nasce o Projeto Manhanttan, que desenvolve as bombas atômicas jogadas em Hiroxima e Nagasáki, no Japão, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

PROTEÇÃO AMBIENTAL

    Em 1970, começa a funcionar a Agência de Proteção Ambiental (EPA), um novo órgão do governo federal dos Estados Unidos criado para enfrentar as consequências negativas da atividade humana sobre a natureza, no momento totalmente esvaziado pelo presidente Donald Trump.

A preocupação com a poluição e as agressões ao meio ambiente, a consciência ecológica, começa a se formar nos EUA nos anos 1950, em plena era do automóvel, que o sociólogo canadense Marshall McLuhan definiu como a "noiva mecânica" dos norte-americanos.

Um marco é a publicação do livro Primavera Silenciosa, de Rachel Carson, em 1962, denunciando a redução do número de pássaros por causa do uso de agrotóxicos.

Um vazamento de petróleo que polui as praias da Califórnia e outros acidentes ecológicos levam o Congresso a aprovar, em 1969, a Lei da Política Ambiental Nacional. Em julho de 1970, o presidente Richard Nixon decide criar uma agência específica para o meio ambiente.

A EPA nasce com 5,8 mil funcionários e um orçamento anual de US$ 1,4 bilhão, sob a direção de William Ruckelshaus, um advogado que trabalha no Departamento da Justiça. Ele age rapidamente para aplicar a Lei da Água Pura, proibir o pesticida DDT e processar as empresas responsáveis pelo acidente ecológico no Rio Cuyahoga, no estado de Ohio.

No governo primeiro Donald Trump (2017-21), sob pressão da Casa Branca, a EPA retira de seu sítio na Internet todas as referência à crise do clima. Trump é um negacionista do clima que apoia as indústrias de carvão, gás e petróleo. No atual governo, a agência perdeu ainda mais poder,

EMIRADOS ÁRABES UNIDOS

    Em 1971, seis pequenos emirados (principados) da Península Arábica (Abu Dhabi, Dubai, Sharjah, Ajman, Umm al-Qwain e Ras al-Khaima) formam os Emirados Árabes Unidos. Um sétimo (Fujairah) entra em fevereiro de 1972.

Hoje, os EAU são uma mistura de costumes tradicionais com moderna tecnologia, um exemplo de modernização conservadora que o príncipe-herdeiro Mohamed ben Salman, o ditador saudita, quer imitar com o plano Arábia Saudita 2030 para preparar o país para a era pós-petróleo. 

Sua área é um pouco menor do que Portugal. Faz fronteira com a Arábia Saudita e Omã. Em renda per capita, é o 23º país mais rico do mundo, com renda média de US$ 552,4 mil por ano.

Quase todo país é um deserto. Algumas das dunas mais altas do mundo ficam lá. O clima é quente e úmido na costa e quente e seco no interior, onde a temperatura chega a 49 graus centígrados no verão.

MORTE DO BANDIDO MAIS RICO DO MUNDO

    Em 1993, a Polícia Nacional da Colômbia mata Pablo Escobar, talvez o traficante de drogas mais famoso da história, que cria uma milícia que mata um candidato à Presidência entre outras autoridades, tem torneiras de ouro no banheiro e importa animais da África para seu zoológico particular.

Pablo Escobar Gaviria nasce em Rionegro em 1º de dezembro de 1949, mas é criado em Medelim. Estuda na Universidade Autônoma Latino-Americana de Medelim. Não se forma e logo entra no mundo do crime. Vende cigarros contrabandeados, bilhetes de loteria falsos e carros roubados.

Em 1976, Escobar funda o Cartel de Medelim, que se torna o principal fornecedor de cocaína para os Estados Unidos nos anos 1980, algo em torno de 70 a 80 toneladas da droga por mês. Logo se torna o criminoso mais rico da história com fortuna estimada em US$ 30 bilhões, mais de US$ 70 bilhões pelas cotações atuais.

Quando o governo da Colômbia aprova um tratado de extradição para enviar para os EUA traficantes que nunca pisaram em território norte-americano, Escobar funda seu grupo paramilitar Los Extraditabeles. Seu lema era: "Preferimos um túmulo na Colômbia do que a prisão nos EUA." Chegou a ser eleito suplente de deputado em 1982. 

Escobar se rende em 1991. Faz um acordo com o governo Cesar Gaviria para não ser extraditado e vai para uma prisão construída por ele, La Catedral. Quando as autoridades tentam levá-lo para uma prisão comum, em 1992, Escobar foge e vira alvo de uma caçada policial que termina com sua morte, o fim do Cartel de Medelim e de Los Extraditables.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37 

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 13 de Novembro

 MASSACRE DO DIA DE SÃO BRICE

    Em 1002, acontece um massacre de dinamarqueses na Inglaterra ordenado pelo rei Etelredo II, também conhecido como Etelredo, o Despreparado. Em resposta à invasão e aos frequentes ataques dos vikings, o rei ordena a execução de todos os dinamarqueses que vivem no país.

Etelredo nasce em 968, filho do rei Edgar (959-975). Ascende ao trono em 978 com o assassinato de seu meio-irmão, o rei Eduardo, o Mártir. Sob suspeita de ter participado da morte do irmão, é alvo de desconfiança e deslealdade que minam sua autoridade. Assim, quando os vikings dinamarqueses invadem, em 980, não há uma defesa unificada do país.

Com quase todo o país arrasado, seus esforços de paz fracassam e o invasor cada mais mais feroz e ousado, Etelredo ordena o massacre. No fim de 1013, o rei dinamarquês Sweyn I é reconhecido como rei da Inglaterra. Etelredo foge para a Normandia. Ele recupera o trono em 1014 e governa até a morte, em 23 de abril de 1016.

Etelredo tem 16 filhos de dois casamentos, com Elgiva de York e Ema da Normandia, tia-avó de Guilherme, Duque da Normandia, que reivindica a coroa, invade a Inglaterra em 1066 e entra para a história como Guilherme I, o Conquistador.

A Conquista Normanda é um marco na história da Inglaterra. Está na origem de séculos de guerras e reivindicações de soberania entre a França e a Inglaterra que só acabam com a aliança na Entente Cordiale, em 1904, para fazer frente à ascensão da Alemanha.

ILHA DO TESOURO

    Em 1850, nasce em Edimburgo, na Escócia, o escritor, poeta e ensaísta Robert Louis Stevenson, autor de clássicos da literatura como  A Ilha do Tesouro O Médico e o Monstro.

Um dos escritores britânicos mais importantes do século 19 e um dos autores mais traduzidos do mundo, é também um ativista político, crítico social e humanista.

Filho de um engenheiro civil de sucesso, ele tem problemas de saúde. Aos 17 anos, entra para a Universidade de Edimburgo para estudar direito. Depois de se formar, em 1873, ele se muda para Londres para fugir do círculo familiar e da moral puritana.

Em 1876, Stevenson conhece na França uma norte-americana 10 anos mais velha, Fany Van de Grift Osbourne, com quem se casa em São Francisco da Califórnia em 1880. Publica sem primeiro livro, uma narrativa de viagem, em 1878.

Com tuberculose, é internado em 1881 em Davos, na Suíça. O sucesso vem em 1886, com o lançamento de O Médico e o Monstro. Em 1888, aventura-se com a mulher e o enteado numa viagem de veleiro pelo Sul do Oceano Pacífico, onde se apaixona pela natureza tropical e decide morar em Apia, nas Ilhas Samoa. Em 1894, publica Noites das Ilhas, um de meus livros favoritos, e morre prematuramente em 3 de dezembro.

ERUPÇÃO DO NEVADO DEL RUIZ

    Em 1985, uma erupção do Nevado del Ruiz, o vulcão mas ativo da Cordilheira dos Andes na Colômbia, gera uma avalanche de lava, lama e gelo da neve do topo da montanha que vai até 100 quilômetros de distância e mata mais de 23 mil pessoas. É a segunda erupção vulcânica mais mortal do século 20.

Uma chuva torrencial piora a situação e causa enchentes. A cidade mais atingida é Armero, onde morrem três quartos dos 28,7 mil habitantes.

O Nevado del Ruiz, de 5.370 metros de altura, dá os primeiros sinais de que vai entrar em erupção um ano antes. A maioria dos moradores dos vales sobreviveria se morasse em lugares mais altos.

QUEDA DE CABUL

    Em 2001, depois da invasão do Afeganistão pelos Estados Unidos para punir os responsáveis pelos atentados terroristas de 11 de setembro, a Aliança do Norte toma o poder em Cabul.

Quando fica evidente que a rede terrorista Al Caeda é responsável pelos ataques ao World Trade Center, em Nova York, e ao Pentágono, a sede do Departamento da Defesa dos EUA, com o aval do Conselho de Segurança das Nações Unidas e o apoio dos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), os EUA atacam o Afeganistão, a partir de 7 de outubro de 2001. 

Os objetivos são caçar os terroristas d'al Caeda e derrubar o regime da milícia fundamentalista dos Talebã, que acolhia os campos de treinamento do terror. O regime cai em 28 de ourubro. A Aliança do Norte, inimiga dos Talebã, é usada como força terrestre aliada para tomar Cabul.

TERROR EM PARIS

    Em 2015, o grupo terrorista Estado Islâmico comete uma série de atentados que matam 132 pessoas e ferem outras 416 em Paris e na cidade-satélite de St.-Denis, no maior ataque à França depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Às 21h15 pela hora local, três terroristas suicidas se detonam do lado de fora depois de não conseguir entrar no Estádio da França, em St.-Denis, onde jogam Alemanha e França, com o presença do presidente francês, François Hollande.

Outro grupo ataca bares, cafés e restaurantes, enquanto um terceiro comando terrorista invade o teatro Bataclan, onde há um concerto de rock. Os jihadistas tomam reféns, enfrentam a polícia e se explodem como homens-bomba, matando 90 pessoas.

O Estado Islâmico nasce como Al Caeda no Iraque, depois da intervenção militar dos Estados Unidos para derrubar Saddam Hussein, em 2003, e da alienação da minoria sunita. Na guerra civil da Síria, vira Estado Islâmico do Iraque e do Levante, rompe com a rede terrorista Al Caeda, toma Mossul, uma das maiores cidades iraquianas, e proclama a fundação de um califado de jurisdição universal, em 2014.

Quando o Estado Islâmico começa a matar reféns ocidentais, os EUA, a França e o Reino Unido passam a bombardear o califado. Os atentados em Paris são a retaliação dos jihadistas.

A capital francesa é alvo do terrorismo de extremistas muçulmanos em 7 de janeiro de 2015, quando é atacado o jornal satírico Charlie Hebdo, que publicara caricaturas do profeta Maomé, e mais ações nos dias seguintes, com um total de 16 mortes. Esses ataques são de jihadistas ligada a Al Caeda.

Desde então, a França, que tem a maior população muçulmana da Europa depois da Rússia, cerca de 5 milhões de habitantes, é alvo de atentados terroristas. Em outubro de 2020, três pessoas, inclusive a brasileira Simone Barreto Silva, são mortas num ataque a uma igreja. Em 2022, o professor Samuel Paty é degolado depois de ser acusado de islamofobia por uma estudante de 13 anos que depois confessa a mentira.

ESTE BLOG DEPENDE DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37