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sábado, 20 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 20 de Junho

TERCEIRO ESTADO REJEITA DISSOLUÇÃO 

   Em 1789, os deputados do Terceiro Estado, representantes dos comuns e do baixo clero, proibidos de se reunir em Versalhes, desafiam a ordem do rei Luís XVI para dissolver os Estados Gerais e se encontram no Jeu de Pomme, uma quadra de tênis coberta, onde fazem o Juramento da Quadra de Tênis. Prometem não se dispersar antes de mudar a Constituição da França.

Luís XVI ascende ao trono em 1774 e não consegue superar a crise financeira herdada do avô Luís XV, em parte resultante da derrota para o Império Britânico na Guerra dos Sete Anos (1756-63), quando a França perde as possessões na Índia e a maior parte do Canadá. Esta guerra é também uma das causas da independência dos Estados Unidos.

Sob intensa pressão popular depois de invernos rigorosos que causam quebras de safras, fome e queda nos impostos pagos pelos camponeses à aristocracia, em 24 de janeiro de 1789, Luís XVI convoca os Estados Gerais, a assembleia nacional onde estão representados os três estados da França (clero, nobreza e povo), que não se reunia desde 1614. A sociedade francesa mudara. O Terceiro Estado não é só o campesinato, inclui a burguesia em ascensão.

Diante de uma série de reivindicações de reformas, Luís XVI dissolve os Estados Gerais. Menos de um mês depois, em 14 de julho, os parisienses tomam a Bastilha, uma prisão-símbolo do regime. A Tomada da Bastilha marca o início da Revolução Francesa. Luís XVI e a rainha Maria Antonieta são guilhotinados em 1793, quando começa o Período do Terror.

RAINHA VITÓRIA

    Em 1837, com a morte do rei Guilherme IV, a rainha Vitória ascende ao trono do Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda. Durante seu reinado, de 63 anos e 216 dias, que vai até 1901, o Império Britânico se torna a maior potência mundial. A partir de 1876, Vitória é também imperatriz da Índia. É a última representante da Dinastia de Hannover e dá seu nome a uma era, a Era Vitoriana.

Alexandrina Vitória nasce no Palácio de Kensington, em Londres, em 24 de maio de 1819, filha do príncipe Eduardo, Duque de Kent e de Strathearn, quarto filho do rei George III, e da princesa Vitória de Saxe-Coburg-Saalfeld. Ela ascende ao trono aos 18 anos porque os três irmãos mais velhos do pai morrem sem deixar descendência legítima.

Monarca constitucional, Vitória tenta exercer influência política e se torna um ícone nacional associado a padrões rígidos de moralidade, a moral vitoriana.

Em 1840, Vitória se casa com o príncipe Albert de Saxe-Coburg e Gotha, que leva a tradição alemã do Natal para o Reino Unido. Seus nove filhos se casam com famílias reais e nobres do continente. Vitória é chamada de Avó da Europa.

Após a morte do marido, em 1861, Vitória se recolhe, mas depois reaparece e recupera a popularidade. Ela morre em 22 de janeiro de 1901 na Osborne House, na Ilha de Wight. É sucedida por seu filho Eduardo VII, primeiro rei da Dinastia de Saxe-Coburg e Gotha, a dinastia atual, que adota o nome de Windsor para tirar o sobrenome alemão durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18).

GUERRA DOS BOXERS

    Em 1900, começa na China a Guerra dos Boxers.

Cem mil nacionalistas, que se apresentam como I Ho Ch'uan (Sociedade dos Punhos Justos e Harmoniosos), na verdade praticantes de kung fu, invadem Beijim com o apoio da imperatriz Tzu'u Hzi ou Cixi e atacam o bairro diplomático, cercam representações de outros países, destroem igrejas e matam estrangeiros, inclusive o embaixador da Alemanha, Barão von Ketteller.

A China, o Império do Meio ou do Centro, há séculos era a potência dominante, o centro do mundo, na Ásia. Durante o século 19, o Império Britânico derrota o decadente Império Chinês nas Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60) para impor o livre comércio, inclusive de ópio, e o Japão acaba com a ordem sinocêntrica ao vencer a Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95). 

Os boxers se rebelam contra a crescente influência de potências estrangeiras, que dominavam a economia chinesa. Acreditam que poderiam vencer as armas de fogo com técnicas da arte marcial chinesa. É uma volta contra estrangeiros, anticolonialista e anticristã.

A imperatriz pass a apoiar o grupo em 1898. No ano seguinte, começam os ataques a estrangeiros e chineses cristãos. Em 14 de agosto de 1899, uma força internacional com soldados alemães, americanos, britânicos, franceses, japoneses e russos tomam a capital chinesa.

Em 18 de junho de 1900, a imperatriz Cixi manda matar todos os estrangeiros, inclusive diplomatas e suas famílias. A guerra começa dois dias depois.

O Protocolo de Beijim, de 7 de setembro de 1901, marca o fim da revolta. A China aceita acordos econômicos favoráveis às grandes potências, paga US$ 333 milhões em indenizações e forças estrangeiras ficam estacionadas permanentemente em território chinês.

ESTREIA DE TUBARÃO

    Em 1975, estreia nos Estados Unidos Tubarão, de Steven Spielberg, o filme que fez as pessoas terem medo de entrar no mar. É a história baseada num livro de sucesso de um grande tubarão branco que aterroriza uma cidade da Nova Inglaterra.

É o primeiro grande sucesso de Spielberg, que filmaria Contatos Imediatos do Terceiro Grau, Caçadores da Arca Perdida, ET: o Extraterrestre, Parque Jurássico, A Lista de Schindler, Salvando o Soldado Ryan e Lincoln. Tubarão, ET e Parque Jurássico estão entre as maiores bilheterias da história do cinema.

Quarenta e sete anos depois, Spielberg manifesta arrependimento por dirigir o filme que demonizou o tubarão branco, por causa do impacto ecológico. A população de tubarões caiu em 70% desde os anos 1970, em parte também por causa do crescimento econômico da China, onde a sopa de barbatana de tubarão é uma iguaria.

SEM PENA DE MORTE PARA DEFICIENTES MENTAIS

    Em 2002, no caso Atkins v. Virginia, por 6-3, a Suprema Corte considera que aplicar a pena de morte a pessoas com deficiência mental ou intelectual viola a Emenda nº 8 à Constituição dos Estados Unidos, que protege contra "punição cruel e incomum".

Por volta da meia-noite de 16 para 17 de agosto de 1996, depois de passar o dia bebendo e fumando maconha, Daril Atkins e um cúmplice, William Jones, assaltam e sequestram o soldado Eric Nesbitt, aviador da Base Aérea de Langley, no estado da Virgínia. 

Insatisfeitos com os US$ 60 que Nesbitt tem no bolso, eles vão até um caixa eletrônico, obrigam o militar a pegar mais US$ 200. Depois o levam para um local deserto e o assassinam com oito tiros. Os dois são presos rapidamente. Um acusa o outro, mas a polícia vê inconsistências nos depoimentos de Atkins, conclui que ele deu os tiros e faz um acordo com Jones para acusar o cúmplice e assim ser poupado da pena de morte.

Durante o julgamento em primeira instância, o advogado de Atkins apresenta o histórico escolar e um teste de inteligência do réu com QI (quociente intelectual) 59, que indica um "retardo mental leve". Mesmo assim, Atkins recebe uma sentença de pena de morte.

O Tribunal de Justiça da Virgínia confirma a condenação, mas anula a sentença. A procuradoria entra com dois agravantes: o "futuro perigo" que Atkins representa e pelo crime ter sido cometido de "maneira vil". O TJ da Virgínia confirma a sentença.

Quando a Suprema Corte decide este caso, apenas 18 dos 38 estados que aplicam a pena de morte isentam condenados com deficiência mental ou intelectual. A Suprema Corte aceita o caso para firmar jurisprudência.

A decisão diz que, ao contrário de outros pontos da Constituição, a Emenda nº 8 deve ser interpretada tendo em vista a "evolução dos padrões de decência que marcam o progresso de uma sociedade em amadurecimento".

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quinta-feira, 4 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 4 de junho

EUA APROVAM VOTO FEMININO

      Em 1919, o Congresso dos Estados Unidos aprova a Emenda Constitucional nº 19, dando o direito de voto às mulheres.

O movimento das sufragettes ou sufragistas começa em julho de 1848, com uma reunião de 200 mulheres em Seneca Falls, no estado de Nova York. A Guerra da Secessão (1861-65), o conflito Norte-Sul em torno da abolição da escravatura, esvazia o movimento. 

Quando os negros ganham o direito de voto, com a aprovação da Emenda nº 15 durante a Reconstrução pós-Guerra Civil, em 3 de fevereiro de 1870, o movimento sufragista tenta conquistar o mesmo direito, mas a maioria republicana no Congresso é contra.

A luta continua. Quase 50 anos depois, as mulheres conquistam o direito de voto nos EUA, muito depois da Nova Zelândia, o primeiro país a introduzir o voto feminino, em 18 de fevereiro de 1893.

CARRINHO DE COMPRAS

    Em 1937, a mercearia Humpty Dumpty, na Cidade de Oklahoma, introduz os primeiros carrinhos de compras.

De início, os consumidos ficam receosos. As mulheres estão cansadas de empurrar carrinhos de criança e os homens temem parecer afeminados. Logo a invenção se torna popular revolucionando as compras em mercearias, supermercados e mais tarde em outras lojas.

RETIRADA DE DUNQUERQUE

    Em 1940, termina a Operação Dínamo na Retirada de Dunquerque das forças do Reino Unido, depois que a Alemanha Nazista invade a França durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Com os exércitos aliados cercados desde 19 de maio, as Forças Expedicionárias Britânicas estudam a possibilidade de uma retirada. A Operação Dínamo começa em 26 de maio sob ataque das forças da Alemanha.

ANGELA DAVIS ABSOLVIDA

    Em 1972, a ativista negra e comunista Angela Yvonne Davis, ex-professora da Universidade da Califórnia em Los Angeles, é absolvida das acusações de conspiração, sequestro e homicídio por um tribunal do júri de São José, na Califórnia.

Angela Davis é presa em Nova York em outubro de 1970 por causa de um tiroteio ocorrido num tribunal de São Rafael. É denunciada por supostamente fornecer a arma usada por Jonathan Jackson, que ataca o fórum para libertar três presos e tentar tomar reféns para soltar seu irmão, George Jackson, um radical do movimento negro.

Ela é amiga de Jackson e faz campanha pela libertação de prisioneiros negros. O julgamento começa em março de 1972, sob o olhar atento da mídia internacional, que via um evidente viés político no processo. 

Com a falta de provas, Angela Davis, um ícone do movimento negro até hoje viva e atuante, é absolvida. Em 1980, é candidata a vice-presidente dos EUA pelo Partido Comunista. Em 1991, se torna professora de história da consciência da Universidade da Califórnia em Santa Cruz.

MASSACRE NA PRAÇA DA PAZ CELESTIAL

    Em 1989, o Exército Popular de Libertação da China esmaga o movimento pela democracia e a liberdade na China no Massacre na Praça Paz Celestial, em Beijim, e acaba com a possibilidade de uma reforma política no país.

O movimento começa em 15 de abril, com a morte do ex-secretário-geral do Partido Comunista Hu Yaobang, afastado dois anos antes sob pressão da velha guarda, e termina com a queda do secretário-geral Zhao Ziyang, ambos a favor de reformas liberalizantes.

Durante uma reunião decisiva na casa do líder supremo do regime, Deng Xiaoping, o arquiteto das reformas que modernizam a China e a transformam em superpotência, Zhao diz que tem 1,2 bilhão de pessoas a seu lado, toda a população do país.

Deng, cujo único cargo na época é presidente do Comitê Militar Central, responde: "Não tem, não, e eu tenho 3,2 milhões", o contingente do ELP. Com medo da dissolução do regime, Deng apoia a linha-dura do primeiro-ministro Li Peng, que decreta lei marcial e manda o Exército atacar a manifestação.

Agora, a China proíbe as manifestações em Hong Kong, que todos os anos fazia uma procissão luminosa em homenagem aos mortos. O número total é desconhecido, estimado entre centenas e 10 mil.

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quarta-feira, 3 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 3 de Junho

REI ABDICA POR AMOR

    Em 1937, o antigo rei Eduardo VIII, do Reino Unido, que abdica por amar uma divorciada e se torna Duque de Windsor, casa com a norte-americana Wallis Warfield no Castelo de Cande, em Monts, na França.

O amor abala a monarquia britânica. O casamento é modesto para os padrões da realeza, sem pompa nem festa popular. A lua de mel é no Castelo de Wasserloenburg, na Áustria.

Edward Albert Christian George Andrew Patrick David, filho mais velho do rei George V, nasce em 23 de julho de 1894 em Neilly-sur-Seine, na França, e ascende ao trono em 20 de janeiro de 1936 como Rei do Reino Unido e dos Domínios Britânicos e Imperador da Índia.

Meses depois, provoca uma crise constitucional ao pedir em casamento a socialite norte-americana Wallis Simpson, cujo sobrenome de solteira é Warfield. Ela se torna amante do rei em 1934, quando ele ainda é o príncipe de Gales e ela ainda está casada com o segundo marido, Ernest Aldrich Simpson.

Como rei e chefe da Igreja da Inglaterra, que proibia o casamento de divorciados com o ex-cônjuge ainda vivo, é uma união impossível. Em 11 de dezembro de 1936, Eduardo VIII abdica, abrindo mão do trono para si e seus descendentes e declara: "Descobri ser impossível carregar o pesado fardo de responsabilidade e desempenhar meus deveres como rei e imperador como gostaria de fazer sem a ajuda e o apoio da mulher que amo".

Eduardo VIII é sucedido pelo irmão mais novo, príncipe Albert, que adota o nome real de George VI e é pai da rainha Elizabeth II, que se torna herdeira do trono aos dez anos de idade.

PASSEIO NO ESPAÇO

    Em 1965, Edward White se torna o primeiro astronauta norte-americano a sair da nave e caminhar no espaço, depois do cosmonauta soviético Alexei Leonov. 

No início da corrida espacial, a União Soviética toma a frente. Lança o primeiro satélite artificial, o Sputnik, em 4 de outubro de 1957, envia o primeiro homem ao espaço, Yuri Gagarin, em 12 de abril de 1961, e o primeiro a passear no espaço, Alexei Leonov, em 18 de março de 1965.

Piloto e engenheiro aeroespecial, White é escolhido para ir ao espaço na nave Gemini 4, quando sai da nave. Voltaria ao espaço no primeiro voo do Projeto Apolo, que levou o homem à Lua, mas morre num incêndio na cabine da Apolo 1 com seus colegas Gus Grisson e Roger Chaffee na primeira morte de astronautas da era espacial.

O cosmonauta russo Vladimir Komarov é o primeiro a morrer numa missão espacial, em 24 de abril de 1967, quando o paraquedas não abre e a nave Soyuz 1 se espatifa no solo.

MASSACRE NA PRAÇA DA PAZ

     Em 1989, começa o Massacre na Praça da Paz Celestial, em Beijim, na China, quando o Exército Popular de Libertação (EPL) ataca um acampamento de estudantes e outros chineses que lutam por liberdade e democracia

O movimento se inicia em 15 de abril, deflagrado pela morte do ex-secretário-geral do Partido Comunista Hu Yaobang, e termina com a queda do secretário-geral Zhao Ziyang, ambos a favor de reformas liberalizantes.

Em 17 de abril, os estudantes começam a se reunir na praça central da capital chinesa. Nos dias seguintes, as manifestações se ampliaram para outras cidades e universidades. Em 22 de abril, mais de 100 mil estudantes se concentram diante do Grande Salão do Povo e pedem para falar com o primeiro-ministro linha-dura Li Peng, que não aparece.

Quando Zhao vai à Coreia do Norte, em 25 de abril, Li convoca uma reunião do Politburo e convence o supremo líder do regime, Deng Xiaoping, de que o objetivo dos estudantes é derrubar o regime comunista. Deng decide que a tolerância acabou.

No dia seguinte, o Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista, publica o editorial A Necessidade de Adotar uma Posição Clara contra a Agitação: "Esta é uma conspiração bem planejada...para confundir o povo e perturbar a nação...O objetivo real é rejeitar o PC e o sistema socialista".

A reação é mais protesto. Zhao defende a negociação e uma resposta às reclamações legítimas dos estudantes, inclusive uma reforma política. Li alega ser necessário primeiro restabelecer a estabilidade social.

Dezenas de milhares de estudantes se reúnem na praça para festejar os 70 anos do Movimento Quatro de Maio, um protesto contra o Tratado de Versalhes que está na origem do PC chinês. Em encontro com executivos financeiros, Zhao exalta o patriotismo dos estudantes.

Em 13 de maio, dois dias antes de uma visita do secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética, Mikhail Gorbachev, cerca de 160 estudantes entram em greve de fome e divulgam um manifesto: "A nação está em crise – assolada por uma inflação galopante, negócios ilegais com enriquecimento ilícito de funcionários, abuso de poder, burocratas corruptos, a fuga de gente boa para outros países e a deterioração da segurança pública. Compatriotas que dão valor à moralidade, ouçam nossas vozes!"

A greve de fome ganha força.

Gorbachev chega em 15 de maio para o primeiro encontro de cúpula sino-soviético desde 1959. Com a praça ocupada pelos estudantes, não pode ser recebido como é de praxe. Os líderes chineses, sabendo do que se passa na URSS com as reformas de Gorbachev, têm medo.

Mais de 3 mil chineses participam da greve de fome. Zhao insiste no diálogo com os estudantes e na necessidade de mais reformas: "A grande maioria dos estudantes é patriótica e e está sinceramente preocupada com o país. Podemos não aprovar todos os seus métodos, mas as exigências de promover a democracia, aprofundar as reformas e erradicar a corrupção são bastante razoáveis."

Li rejeita a proposta: "O objetivo é derrubar o PC chinês e repudiar totalmente a ditadura popular democrática."

Durante uma reunião decisiva na casa do líder supremo do regime, Deng Xiaoping, o arquiteto das reformas que modernizaram a China e a transformaram em superpotência, Zhao diz que tem 1,2 bilhão de pessoas a seu lado, toda a população do país.

Deng, cujo único cargo na época é presidente do Comitê Militar Central, responde: "Não tem, não, e eu tenho 3,2 milhões", o contingente do EPL. Com medo da dissolução do regime, Deng apoia Li Peng, que decreta lei marcial e manda o Exército atacar a manifestação.

Em 18 de maio, Zhao visita estudantes em greve de fome hospitalizados. Li se encontra com estudantes, mas o diálogo fracassa. Durante reunião de que Zhao não participa, a velha guarda e o Politburo aprovam a decretação de lei marcial.

Ao ficar sabendo, no dia seguinte, em vez de acabar com a greve de fome, os estudantes reúnem 1,2 milhão de pessoas na Praça da Paz Celestial. Zhao vai à praça falar com os estudantes. À noite, Li Peng anuncia a lei marcial na televisão.

Pela primeira vez em 40 anos de regime comunista, em 20 de maio, o EPL tenta ocupar Beijim, mas civis barram a passagem. Durante três dias, os soldados não conseguem nem chegar à praça nem sair da capital chinesa.

Em 2 de junho, a cúpula do partido decide mandar o EPL dispersar os estudantes. Na noite do dia seguinte, os primeiros tiros são disparados. O massacre vai até o dia 4.

Hoje, a China proíbe as manifestações em Hong Kong, que todos os anos fazia uma procissão luminosa em homenagem aos mortos. O número total de mortos é desconhecido, estimado entre centenas e 10 mil.

TERROR EM LONDRES

    Em 2017, terroristas muçulmanos matam oito pessoas e ferem outras 48 na Ponte de Londres. 

Depois de jogar uma caminhonete sobre pedestres na ponte e numa área de pedestres, três terroristas saem armados de facas, atacam pessoas que estão na área e são mortos pela Polícia Metropolitana. O grupo terrorista Estado Islâmico reivindica a responsabilidade pelo ataque.

Como as armas do fogo estão proibidas no Reino Unido por causa do massacre de 16 crianças e um professor numa escola primária de Dunblane, na Escócia, em 13 de março de 1996, os terroristas não conseguem armas de fogo, que tornariam a ação terrorista ainda mais trágica.

MORTE DE UMA LENDA

    EM 2017, Muhammad Ali, um dos maiores boxeadores de todos os tempos morre em Phoenix, no estado do Arizona, nos Estados Unidos, aos 74 anos.

Ali nasce em Louisville, no Kentucky, em 17 de janeiro de 1942. É batizado como Cassius Marcelus Clay Jr. Aos 22 anos, em 1964, surpreende o mundo ao vencer Sonny Liston e se tornar campeão mundial dos pesos pesados. 

Sob a influência do líder negro Malcolm-X, meses depois se converte ao Islã, muda de nome para Muhammad Ali. Não aceita o sobrenome herdado do senhor de escravos que era dono de sua família, como era o padrão nos EUA.

Aos 18 anos, ele ganha a medalha de ouro na Olimpíada de Roma. Até hoje, é o único peso-pesado a ser três vezes campeão, em 1964, 1974 e 1978.

Arrogante, pretensioso e cheio de si, Cassius Clay declara ao bater Liston pela primeira vez, em 1964: "Sou o maior do mundo." Na revanche contra Liston, promete um nocaute em 90 segundos e cumpre a promessa. Muita gente ainda está entrando no ginásio quando a luta acaba. Nasce uma lenda do esporte.


Ao descrever seu estilo, declara: "Flutuo como uma borboleta e ferro como uma abelha."

Politicamente consciente, Ali lutou contra o racismo e se recusou a lutar no Vietnã: "Nenhum vietcongue me chamou de crioulo para eu atirar nele." 

Como desertor, tem o título mundial cassado. Em 1971, a Suprema Corte aceita seu recurso. Todas as acusações e punições são anuladas. É um caso clássico de objeção de consciência.

Ao tentar reconquistar seu título, Ali perde por pontos uma luta memorável com Joe Frazier em que chega a cair na lona e dá vários socos curtos (jabs) na testa do adversário de menor estatura para mantê-lo à distância. É sua primeira derrota como profissional. Depois da luta, Frazier passa longo tempo hospitalizado. Mas Ali fica sem o título.

Ali voltaria a ser o maior do mundo na Luta do Século contra George Foreman realizada em 30 de setembro de 1974 em Kinshasa, a capital do Zaire, na África, e imortalizada no livro A Luta, do escritor americano Norman Mailer.

Ele chegou com todo o seu espírito e sua ironia: "Se você pensa que [o presidente americano Richard] Nixon surpreendeu o mundo ao renunciar, espere até eu esmagar Foreman."

Mais jovem e mais forte, Foreman tem 25 anos e Ali 32. O campeão submete o ex-campeão a uma saraivada de golpes desde o início da luta. Com toda sua técnica, talento e agilidade com os pés, Ali se defende como pode até dar o bote fatal no fim do oitavo assalto. Naquele momento, Ali já lidera na contagem de todos os jurados.

Em declínio, ele perde por pontos para Leon Spinks com os jurados divididos em fevereiro de 1978 em Las Vegas. Na revanche, em Nova Orleans, Ali ganha por decisão unânime dos jurados, tornando-se o único lutador até hoje a ser três vezes campeão mundial da categoria peso pesado.

Em 27 de julho de 1979, Ali anuncia sua aposentadoria. Ainda trava uma luta patética com Larry Holmes em outubro de 1980, que teria contribuído para o Mal de Parkinson, diagnosticado em 1984. A doença é atribuída às pancadas na cabeça que um boxer recebe, especialmente na categoria peso pesado.

Em 1996, Ali acende a pira da Olimpíada de Atlanta, nos EUA.

Aos 74 anos, Muhammad Ali fica internado dois dias num hospital de Phoenix, no Arizona, com problemas pulmonares. A causa da morte não é revelada. 

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sábado, 23 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 23 de Maio

PRISÃO DE JOANA D'ARC

    Em 1430, Joana d'Arc é capturada pelas forças de Borgonha, aliadas da Inglaterra na Guerra dos Cem Anos (1337-1453).

A Donzela de Orleans é uma guerreira, uma heroína e uma santa francesa, homenageada em 30 de maio, dia da sua morte. Aos 17 anos, lidera o Exército Real da França.

Joana d'Arc nasce em 1412 em Donrémy, no Nordeste da Franca, numa família camponesa e alega ter visões de São Miguel, Santa Catarina e Santa Margarida que a inspiram a se unir ao exército de Carlos VI para livrar a França do domínio da Inglaterra. Vira uma heroína ao entrar em combate no Cerco de Orleans, de 12 de outubro de 1428 a 8 de maio de 1429, a primeira grande vitória francesa depois da derrota na Batalha de Agincourt, em 25 de outubro de 1415.

A França obtém outras vitórias, mas o Cerco de Paris, de 3 a 8 de setembro, fracassa. Em 23 de maio de 1430, Joana d'Arc é capturada pelas forças de João, Duque de Borgonha, aliado da Inglaterra. É julgada pelo bispo Pierre Cauchon, que faz acusações de cunho religioso e a condena à morte na fogueira como uma bruxa.

Na História dos Povos da Língua Inglesa, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill considera um grande erro a execução na fogueira, em Ruan, em 30 de maio de 1341, que a transforma em mártir. Em 1456, um Tribunal da Inquisição autorizado pelo papa Calisto III a proclama inocente e mártir da Igreja.

Depois da Reforma Protestante, no século 16, Joana d'Arc vira um símbolo da Igreja Católica. Por decisão de Napoleão Bonaparte, em 1803, torna-se um símbolo nacional de França. É beatificada em 1909 e declarada Santa Joana d'Arc em 1920. Hoje é a heroína cultuada pela extrema direita francesa.

COMEÇA GUERRA DOS TRINTA ANOS

    Em 1618, a Terceira Defenestração de Praga, em que protestantes tchecos jogam dois representantes do imperador católico do Sacro Império Romano-Germânico pela janela do Castelo de Praga, dá início à Guerra dos Trinta Anos.

A defenestração é uma rejeição à tentativa do imperador de restringir a liberdade religiosa. A guerra causada pelo conflito entre católicos e protestantes se transforma numa grande disputa pelo poder na Europa.

É no início um conflito religioso que começa dentro do Sacro Império, com os católicos austríacos e espanhóis lutando contra os reinos e principados protestantes. Depois das intervenções da Dinamarca (1625-29) e da Suécia (1630-35) do lado dos protestantes, a França, apesar de majoritariamente católica, intervém ao lado dos protestantes em 1635 sob a liderança do Cardeal de Richelieu, primeiro-ministro do rei Luís XIII.

A Guerra dos Trinta Anos é o conflito que provoca as invasões holandesas no Nordeste do Brasil e o fim da União Ibérica, o período da história do Brasil conhecido como Domínio Espanhol (1580-1640), quando o rei da Espanha reina também em Portugal. Richelieu fomenta a Revolta de Lisboa, em 1º de maio de 1640, para Portugal recuperar a independência e enfraquecer a Espanha, o que acontece em 1º de dezembro do mesmo ano.

Cinco dias após a ascensão de Luís XIV ao trono da França com menos de cinco anos, a França quebra na Batalha de Rocroi o mito da invencibilidade espanhola nas guerras europeias. No fim da guerra, a França toma o lugar da Espanha como a maior potência da Europa continental.

A Paz da Vestfália, assinada em 24 de outubro de 1648, cria uma nova ordem internacional para acabar com as guerras religiosas na Europa. Consagra os princípios de soberania nacional e não intervenção nos assuntos internos de outros países como bases da sociedade internacional, embora sejam seguidamente violados.

GUERRA DA INDEPENDÊNCIA DOS EUA

    Em 1777, as forças do coronel Return Jonathan Meigs, do Exército Continental, capturam 24 navios britânicos e queimam suprimentos destinados aos casacas vermelhas (britânicos) em Sag Harbor, no estado de Nova York, durante a Guerra da Independência dos Estados Unidos (1775-83). 

Com baionetas, sem dar tiros para não chamar a atenção, os patriotas americanos tomam o forte britânico e prendem o comandante. Seis soldados britânicos são mortos e 90 capturados. É o único ataque bem-sucedido dos rebeldes a Long Island durante a guerra. 

ITÁLIA DECLARA GUERRA À ÁUSTRIA-HUNGRIA

    Em 1915, a Itália declara guerra ao Império Austro-Húngaro e entra na Primeira Guerra Mundial (1914-18) ao lado da Tríplice Entente (França, Reino Unido e Rússia). 

Quando a guerra começa, em julho e agosto de 1914, a Itália opta pela neutralidade, apesar de fazer parte da Tríplice Aliança, criada em 1882, ao lado da Alemanha e da Áustria-Hungria, sob a alegação de que a aliança é defensiva. Adere ao outro lado depois de receber, no Tratado de Londres, de abril de 1915, promessas de controle de sua fronteira com a Áustria-Hungria, parte da Dalmácia, da Albânia e de territórios do Império Otomano. 

Quando a guerra acaba, 615 mil italianos estão mortos. O país ganha o controle da região do Tirol, mas muito menos do que prometido em Londres. A delegação italiana chega a se retirar da Conferência de Paz de Versalhes, a paz para acabar com todas as pazes. 

O ressentimento italiano contribui para a ascensão do fascismo, que domina a Itália de 1922 até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). O futuro ditador Benito Mussolini era do Partido Socialista Italiano, a favor da neutralidade. Sua decisão de apoiar a Primeira Guerra Mundial (1914-18) leva à criação do Partido Revolucionário Fascista, em janeiro de 1915, antes mesmo de ser expulso do PSI, em 29 de novembro daquele ano. 

Mussolini seria o principal aliado do ditador alemão Adolf Hitler e do Nazismo na Segunda Guerra Mundial. 

MORTE DE BONNIE E CLYDE

    Em 1934, policiais do Texas e da Louisiana matam os lendários criminosos Bonnie e Clyde quando fogem num carro roubado da cidade de Sailes, na Louisiana, nos Estados Unidos.


Bonnie Parker tem 19 anos quando conhece Clyde Barrow, no Texas. Seu marido está preso por homicídio. Clyde é preso por roubo. Ela vai visitá-lo na cadeia e lhe entrega um revólver. Ele foge, mas é recapturado em Ohio. 

Quando consegue liberdade condicional, em 1932, Clyde vai atrás de Bonnie. Os dois iniciam uma carreira de crimes. Assaltam bancos e lojas em cinco estados: Texas, Lousiana, Missouri, Novo México e Oklahoma. 

Para a polícia, é um casal de criminosos frios e sem escrúpulos, capazes de matar quem cruza seu caminho, especialmente policiais. Ao todo, a gangue mata 13 pessoas, inclusive nove policiais. Mas uma visão romântica de que seriam um Robin Hood moderno cria uma aura de heróis populares, como aconteceu no Brasil com os cangaceiros. Esta fama é reforçada pelo filme Bonnie & Clyde, de 1967, com Faye Dunaway e Warren Beatty. 

SUICÍDIO DE HIMMLER

    Em 1945, o líder nazista Heinrich Himmler, comandante das tropas paramilitares do partido (SS) e subchefe da polícia política Gestapo, comete suicídio um dia após ser capturado pelos britânicos.


 
A SS (Schutzstaffel) era o braço armado do Partido Nazista. Himmler a transforma de um batalhão de 290 homens numa força paramilitar com um milhão. Como um dos homens mais poderosos da Alemanha, ministro do Interior de Adolf Hitler, ajuda a criar e instalar campos de concentração. É um dos principais responsáveis pelo Holocausto. 

Diante da derrota iminente, Himmler tenta iniciar negociações com as potências ocidentais sem o conhecimento de Hitler. Ao saber disso, o Führer o demite, em abril de 1945. Ele tenta fugir, mas é preso por soldados britânicos e se mata. 

ALEMANHA OCIDENTAL

    Em 1949, nasce a República Federal da Alemanha, mais conhecida como Alemanha Ocidental, consolidando a divisão da Alemanha.

No fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), as forças aliadas ocupam a Alemanha. Em 1949, a parte ocidental, tomada pelos Estados Unidos, o Reino Unido e a França forma a Alemanha Ocidental, enquanto a parte ocupada pela União Soviética vira a República Democrática da Alemanha (democrática só no nome), a Alemanha Oriental. Konrad Adenauer é o primeiro chanceler alemão-ocidental.

A capital da Alemanha é dividida em Berlim Ocidental e Berlim Oriental. Diante da fuga em massa para o Ocidente, de 12 para 13 de agosto de 1961, o regime comunista alemão-oriental ergue um muro dividindo a cidade, chamado de Muro da Vergonha. 

A abertura do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989, em meio a revoluções democráticas na Europa Oriental, é o início do fim da Alemanha Oriental. Em 3 de outubro de 1990, a República Federal da Alemanha é unificada.

CHINA ANEXA O TIBETE

    Em 1951, a República Popular da China anexa o Tibete, que era independente desde o fim do Império Chinês, em 1912. Nasce o movimento pela independência do Tibete sob a liderança do Dalai Lama, que fala em autonomia para não provocar o regime comunista chinês.

A China é durante 2 mil anos o Império do Meio, o centro do mundo na Ásia. Por se fechar ao mundo, entra em declínio na era industrial. É vencida pelo e humilhada Império Britânico nas Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60). A derrota para o Japão na Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95) acaba com a ordem sinocêntrica na Ásia.

Há uma última reação anti-imperialista na Guerra dos Boxers (1899-1901). Mais uma derrota, e o Império Chinês acaba. O Tibete, parte do império desde o século 13, se torna independente. 

Quando a revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung conquista o poder, em 1º de outubro de 1949, entre os objetivos centrais estão restaurar a dignidade do povo chinês, humilhado pelos imperialismos ocidental e japonês, e as fronteiras históricas da China.

Pouco depois, Mao manda invadir o Tibete. Como o acesso é difícil, o Exército Popular de Libertação (EPL) leva 11 meses para chegar lá, em 6 de outubro de 1950. Sete meses depois, a China toma conta do Tibete, que mantém a estrutura administrativa sob o controle chinês.

A crescente sinificação causa à Revolta Tibetana em 10 de março de 1959. Os. rebeldes tomam Lhaça. Com a derrota duas semanas depois, o Dalai Lama foge para o exílio no Norte da Índia e Beijim assume o controle sobre a região, aliás sobre todo o Grande Tibete, que inclui a província da Gansu e tem uma área superior a 1,1 milhão de quilômetros quadrados.  

ISRAEL PRENDE EICHMANN

    Em 1960, o fundador e primeiro-ministro de Israel, David ben Gurion, anuncia a captura do carrasco nazista Adolf Eichmann, dias antes, em San Fernando, nos arredores de Buenos Aires, na Argentina. 

Um dos articuladores da "solução final para a questão judaica", um plano para exterminar o povo judeu, ele é levado para julgamento em Israel, onde é condenado à morte e enforcado em 31 de maio de 1962.

Eichmann participa da Conferência de Wannsee, realizada em 20 de janeiro de 1942 num palacete à beira do Lago Wannsee, em Berlim, para planejar a "solução final". Fica encarregado de identificar, reunir e transportar os judeus da Europa tomada pela Alemanha nazista para campos de concentração. Pelo menos 4 milhões de judeus morrem em centros de extermínio e outros 2 milhões fora dos campos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

MAREMOTO MATA NO HAVAÍ 

    Em 1960, ondas de mais de 10 metros causadas por um terremoto no Chile atingem o Havaí e matam 61 pessoas na Baía de Hilo, na ilha do Havaí.

Na véspera, o Terremoto de Valdívia, de 9,5 graus na escala aberta de Richter, o mais violento registrado até hoje, mata entre mil e 6 mil pessoas pessoas no Chile. Outras 180 pessoas morrem nas ilhas de Honshu e Hokkaido, no Japão. Os prejuízos na costa oeste dos EUA são avaliados em US$ 1 milhão, mas ninguém morre. 

TOM PETTY DECLARA FALÊNCIA

Em 1979, o cantor e compositor americano Tom Petty declara falência para se livrar de um contrato com a gravadora Shelter Records.
 
A indústria da música costuma pagar um adiantamento aos músicos a ser descontado dos futuros ganhos com direitos autorais. Como as despesas de estúdio e distribuição dos discos, incluindo ações de marketing e turnê para promover a obra, são elevadas, muitos artistas nunca recuperam as perdas. 

Tom Petty decide bancar seu próprio disco. Com dívidas de US$ 500 mil, declara falência. A gravadora MCA, que controla a Shelter, cede, anula o contrato e o recontrata por US$ 3 milhões. 

Seu próximo álbum, Damn the Torpedoes, ganha um duplo disco de platina e transforma Tom Petty and the Heartbreakers em celebridades do rock. Ele vende 60 milhões de discos e morre em 2 de outubro de 2017 de uma dose excessiva de opioides, inclusive fentanil, considerada acidental.

IRLANDA LEGALIZA CASAMENTO GAY

    Em 2015, a Irlanda, um dos países mais católicos do mundo, é o primeiro a legalizar o casamento de pessoas do mesmo sexo num plebiscito, com 60,5% da participação e 62% dos votos a favor.

A vitória é esmagadora. O não só ganha em um dos 43 distritos eleitorais irlandeses. Quando a votação acaba, mais de 2 mil pessoas festejaram no Castelo de Dublin, iluminado com as cores da bandeira do arco-íris do movimento LGBTQ.

A Igreja Católica protesta. O cardeal Pietro Parolin descreve o resultado como uma "derrota para a humanidade".

É uma luta antiga. A homossexualidade era crime na Irlanda até 1993. Quando a data do plebiscito é marcada, em 19 de fevereiro de 2015, a campanha começa.

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sexta-feira, 22 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 22 de Maio

BATISMO DE CONSTANTINO

    Em 337, Constantino I, o Grande, que se converte ao cristianismo na juventude e promove sua expansão, torna-se no seu leito de morte o primeiro imperador romano batizado pela Igreja Católica.

Constantino nasce em Naisso, na Moésia, hoje Nis, na Sérvia, em 280 depois de Cristo, filho de um oficial do Exército, Flávio Valério Constâncio, e Helena, depois canonizada como Santa Helena, mas o casal se separa em 289. Em 293, seu pai é promovido a césar, posição logo abaixo de imperador. Constantino vai para o Império Romano do Oriente. É criado na corte do imperador Diocleciano em Nicomédia, hoje Izmir, na Turquia.

A perseguição aos cristãos por Diocleciano, a partir de 303, deixa uma profunda marca.

Em 305, os dois imperadores, Maximiano e Diocleciano, abdicam. Devem ser substituídos por seus vice-imperadores, Galério e Constâncio. Eles são substituídos por Galério Valério Maximino no Oriente e Flávio Valério Severo. Constâncio exige a presença do filho, que atravessa o território de Severo para encontrar o pai em Gesoriaco hoje Boulogne, na França.

Os dois cruzam o Canal da Mancha e entram na Inglaterra numa campanha militar que vai até a morte de Constâncio em Eboraco, hoje York, em 306. Imediatamente, Constantino é proclamado imperador pelo seu exército em meio a uma série de guerras civis no Império Romano. Ao vencer Licínio em 324, torna-se imperador do Ocidente e do Oriente.

Ao longo da vida, Constantino atribui seu sucesso à conversão ao cristianismo. Depois de vencer Maxêncio, Constantino, imperador do Ocidente, encontra Licínio, imperador do Oriente, em Mediolanum, hoje Milão, e baixa em 13 de junho de 313 o Édito de Milão, que acaba com a perseguição aos cristãos e devolve as propriedades confiscadas durante a perseguição. É um marco na história da liberdade religiosa.

No mesmo ano, ele dá à Igreja Católica uma propriedade em Latrão, onde é erguida uma catedral, a Basília Constantiniana, hoje Igreja de São João de Latrão, em Roma.

Outra contribuição importante de Constantino para o cristianismo e a história da Igreja é o Concílio de Niceia, aberto pelo imperador em 325, que estabelece a doutrina da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo) para evitar uma possível cisão entre aqueles que louvam Deus Pai e os que louvam Jesus Cristo.

Depois da vitória sobre Licínio, Constantino rebatiza Bizâncio como Constantinopla e a torna sua capital permanente, uma "segunda Roma", em 330. Isto marca um afastamento dos imperadores de Roma, uma cidade rica e famosa que perde importância política. 

Ele quer ser batizado no Rio Jordão. Talvez por falta de oportunidade, deixa para o fim da vida. Fica doente e acaba recebendo o sacramento no leito de morte.

GUERRA DAS DUAS ROSAS

    Em 1455, as forças da Dinastia de York vencem o exército do rei Henrique VI (1422-61 e 1470-71), da Dinastia de Lancaster, em Saint Albans, a pouco mais de 30 quilômetros de Londres, dando início à Guerra das Duas Rosas (1455-85), uma disputa entre os herdeiros do rei Eduardo III (1327-77) pelo trono da Inglaterra.

Muitos nobres da Dinastia de Lancaster morrem, inclusive Edmundo de Beaufort, Duque de Somerset, grande amigo da rainha Margaret de Anjou. O rei é preso por Ricardo Plantageneta, Terceiro Duque de York. A guerra entre as dinastias de York, cujo escudo tinha uma rosa branca, e de Lancaster, da rosa vermelha, dura 30 anos.

Quando Eduardo III morre, ascende ao trono seu neto Ricardo II (1377-99), de apenas 10 anos, porque o filho mais velho, Eduardo, conhecido como o Príncipe Negro, morre antes do pai. 

Seu reinado é marcado pela Revolta Camponesa, liderada por Wat Tyler, em 1381, que chega a tomar a Torre de Londres. Com o campo arrasado pela pandemia da peste bubônica, um imposto cobrado por pessoa deflagra a rebelião. 

Nos últimos anos do reinado, Ricardo II vira um tirano. Quando ele vai à guerra na Irlanda, é derrubado por Henrique IV (1399-1413). 

Henrique Bolinbroke é filho de João de Gaunt, filho de Eduardo III, e irmão de Dona Philippa de Lancastre, rainha de Portugal, casada com Dom João I e mãe do Infante Dom Henrique, que Fernando Pessoa chama de "divino ventre do império, madrinha de Portugal". Por parte de mãe, Henrique IV é neto de Felipe IV, da França. É o primeiro rei desde a Invasão Normanda, em 1066, a discursar em inglês na cerimônia de coroação.

Seu filho Henrique V (1413-22) invade a França, vence a Batalha de Agincourt e reivindica a coroa francesa. Henrique VI não tem as qualidades exigidas de um monarca. Perde quase tudo que o pai conquistara na França.

Em 1453, o rei dá sinais de insanidade. Ricardo, Duque de York, descendente do terceiro filho de Eduardo III, é nomeado Lorde Protetor. Henrique VI descende do quarto filho de Eduardo III. Quando o rei se recupera, em 1454, afasta o pessoal de York, que vê como ameaça a seu filho.

Com um exército de 3 mil homens, York marcha rumo a Londres, no início da guerra. Henrique VI consegue recuperar o trono, mas, com vitórias em 1459 e 1460, York ganha o direito de herdar a coroa. Lancaster reage a mata Ricardo, Duque de York, em dezembro de 1460.

Eduardo, filho de Ricardo de York, chega a Londres antes da rainha Margaret de Anjou e é coroado como Eduardo IV (1461-70 e 1471-83). Em seguida, consolida o poder com uma vitória decisiva em 29 de março de 1461, na Batalha de Towton, a mais sangrenta travada em solo inglês, quando cerca de 50 mil homens se enfrentam durante 10 horas sob a neve no Domingo de Ramos.

Henrique VI, Margaret de Anjou e o filho fogem para a Escócia. Termina a primeira parte da guerra.

Em 1470, Henrique VI recupera o trono. Eduardo IV volta do exílio no ano seguinte, derrota as forças de Margaret de Anjou, e mata o filho dela e de Henrique VI, que é preso e morre na Torre de Londres.

Eduardo IV governa até morrer. Seu filho mais velho é coroado como Eduardo V, mas seu tio Ricardo III, nomeado Lorde Protetor, usurpa o trono e prende os dois principezinhos na Torre de Londres, onde eles são mortos.

Em agosto de 1485, Henrique Tudor, à frente do exército de Lancaster, vence Ricardo III na Batalha de Bosworth. É o fim da Guerra das Duas Rosas e da Idade Média na Inglaterra. Sobe ao trono a Dinastia Tudor, que com Henrique VIII (1509-47) rompe com o Vaticano e cria a Igreja da Inglaterra em 1534 para se divorciar na busca de um filho homem para evitar uma guerra na sua sucessão, e começa a construir o Império Britânico sob Elizabeth I (1558-1603).

Henrique VIII quer um filho homem para evitar uma guerra entre príncipes pela sucessão. Mas a filha mais velha é católica e a segunda protestante. A reforma semeia o conflito religioso que leva à Guerra Civil Inglesa do século 17, que só acaba com a Revolução Gloriosa (1688-89).

PACTO DE AÇO

    Em 1939, meses antes do início da Segunda Guerra Mundial (1939-45), os ditadores da Alemanha Nazista, Adolf Hitler, e da Itália Fascista, Benito Mussolini, firmam o Pacto de Aço, uma aliança política e militar completa das potências do Eixo.

Por causa da afinidade dos dois regimes, Mussolini é inicialmente exemplo para Hitler, os dois ditadores proclamam em 25 de outubro de 1936 que um "eixo" une Roma e Berlim. Em 25 de dezembro do mesmo ano, a Alemanha e o Japão fazem o Pacto Anti-Comintern contra a União Soviética. A Itália adere em 6 de novembro de 1937, na expectativa de que vai haver guerra e a Alemanha vai ganhar.

Pouco mais de um ano depois do início da guerra, em 27 de setembro de 1940, Alemanha, Itália e Japão fecham o Pacto Tripartite. Durante a guerra, sob coerção ou promessa de ganho territorial, outros países se aliam ao Eixo: Hungria, Romênia, Eslováquia, Bulgária, Iugoslávia e depois a Croácia.

TERREMOTO DE VALDÍVIA

    Em 1960, o Terremoto de Valdívia, o sismo mais violento da história, com magnitude de 9,5 graus na escala abertura de Richter, abala a costa leste do Chile, mata cerca de 5,7 mil pessoas, fere mais de 2 milhões e provoca um maremoto que atinge lugares distantes no Oceano Pacífico como o Japão, o Havaí, onde morrem 62 pessoas, as Filipinas, onde morrem 31 pessoas, e a costa oeste dos Estados Unidos.

O Terremoto de Valdívia começa às 15h11 com a maior ruptura tectônica registrada até hoje, ao longo de mil quilômetros, entre a Placa de Nazca e a Placa Sul-Americana, na fossa oceânica Peru-Chile. Dura 10 minutos. O epicentro fica a 570km ao sul de Santiago e o hipocentro a 33km de profundidade. Uma onda de 8m atinge a costa chilena entre Concepción e Chiloé a 150 km/h de velocidade.

NIXON EM MOSCOU

    Em 1972, Richard Nixon é o primeiro presidente dos Estados Unidos a ir a Moscou e o segundo a visitar a União Soviética. (O presidente Franklin Roosevelt vai à Conferência de Ialta, na Crimeia, em 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial.)

As viagens do presidente Nixon, um anticomunista ferrenho, à China e à URSS em 1972 marcam o início de um período de degelo na Guerra Fria conhecido como détente, quando houve um diálogo entre as superpotências. Vai até a invasão do Afeganistão pela URSS no Natal de 1979.

Um marco inicial é a viagem secreta do então assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Henry Kissinger, grande articulador desta política, à China em julho de 1971 para preparar a visita de Nixon, que vai primeiro a Beijim e depois a Moscou. A aproximação à China e à URSS leva à retirada dos EUA dos Vietnã.

Numa reunião de cúpula, Nixon e o ditador Leonid Brejnev, secretário-geral do Partido Comunista da URSS, assinam acordos importantes como o Primeiro Tratado de Limitação de Armas Estratégicas (SALT-1), um acordo sobre incidentes no mar e o Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM), também conhecido pela slgla MAD (Destruição Mutuamente Assegurada, em inglês), que significa louco em inglês. 

Este tratado proíbe a instalação de defesas antimísseis. Em caso de guerra nuclear, os dois lados arrasariam um ao outro sem qualquer defesa. É o equilíbrio do terror nuclear. Mas começam a ser assinados os acordos que levam ao fim da Guerra Fria. Todos caducam. O último é o Terceiro Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START-3), prorrogado até 5 de fevereiro de 2026. 

No momento, com a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, que o ditador Vladimir Putin apresenta como um conflito com o Ocidente, não há a menor condição para negociar acordos de desarmamento e controle de armas, inclusive porque a China não pode ficar de fora e hoje tem um arsenal nuclear com 500 a 600 ogivas. Dentro de alguns anos, terá 1,5 mil ogivas nucleares operacionais como os EUA e a Rússia. 

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