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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 9 de Setembro

EUA BATIZADOS 

   Em 1776, o Congresso Continental batiza o país, inicialmente chamado de Colônias Unidas, como Estados Unidos da América.

A ideia de União aparece num cartum de Benjamin Franklin, um dos pais da pátria, em 1754, Junte-se ou Morra

Outro fundador dos EUA, Thomas Jefferson, usa o nome ao redigir o projeto da Declaração da Independência: "Uma declaração dos representantes dos Estados Unidos da América, reunidos em Congresso Geral..."

Numa resolução do Congresso de junho de 1776, o deputado Richard Henry Lee usa Colônias Unidas.

O texto final proclamado em 4 de julho de 1776 fala na "declaração unânime dos Estados Unidos da América", com unidos grafado com letras minúsculas. No último parágrafo, diz que "estas Colônias Unidas são e por direito devem ser estados livres e independentes."

Em 9 de setembro, o Congresso Continental oficializa o nome. Decide que em todos os documentos oficiais o nome Colônias Unidas deve ser substituído por Estados Unidos.

JAPÃO BOMBARDEIA EUA

    Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), um hidroavião japonês joga bombas incendiárias numa floresta estadual da costa do Oregon, no primeiro ataque aéreo ao território continental dos Estados Unidos.


Os balões de fogo são balões de hidrogênio simples com várias bombas incendiárias fabricados no Japão a preços baixos. Precisam ser grandes para transportar 454 quilos. São feitos de washi, um papel extremamente resistente produzido com arbustos de amoreira por meninas adolescentes que trabalham como operárias no esforço de guerra.

As correntes de ar do Oceano Pacífico ajudam nos ataques aos EUA e o Canadá. Em três dias, levam os balões-bombas para a América do Norte.

Durante seis meses, de novembro de 1944 a abril de 1945, o Japão lança mais de 9,3 mil balões de fogo, 361 na América do Norte, atingindo praticamente a metade oeste dos territórios dos EUA e do Canadá. 

A Força Aérea tenta abater os balões-bomba, mas tem pouco sucesso por causa da altitude e da velocidade dos balões. Só consegue interceptar cerca de 20. Seis pessoas morrem no Oregon.  

ELVIS NO ED SULLIVAN SHOW

    Em 1956, o futuro Rei do Rock, Elvis Presley, o primeiro popstar global, faz sua primeira apresentação no programa de televisão Ed Sullivan Show.


 
Elvis nasce em 9 de janeiro de 1935 em Tupelo, no Mississípi. Quando tem 13 anos, a família se muda para Memphis, no Tennessee.

Sua carreira musical começa em 1954, quando grava para a Sun Recordafs. 

Por causa do rebolado sensual, Elvis é boicotado pelas TVs. Sullivan desafia outros produtores e contrata o cantor para três apresentações por US$ 50 mil.  

Com 60 milhões de telespectadores, 82,6% dos televisores ligados na hora, a apresentação têm a maior audiência de TV dos anos 1950. 

ENTERRO DE HO CHI MIHN

    Em 1969, o líder comunista vietnamita Ho Chi Minh, herói da independência do país, é enterrado em Hanói, a capital do Vietnã do Norte, durante a Guerra do Vietnã (1955-75).

Ho nasce em Kiem Lan em 19 de maio de 1890 com o nome de Nguyen Sinh Cung. Depois de viver em Londres, começa a se interessar em política quando mora na França, de 1919 a 1923, e é influenciado por ideias socialistas. Torna-se político, escritor, poeta, revolucionário e líder da luta pela independência do Vietnã.

De Paris, vai para Moscou, onde trabalha na Internacional Comunista (Comintern). Em novembro de 1924, se muda para Cantão, na China. Aos 36 anos, se casa no mesmo lugar onde Chu Enlai casara, com uma chinesa de 21 anos, Zeng Xueming, porque "preciso de uma mulher que me ensine a língua e cuide da casa".

Quando o líder nacionalista chinês Chiang Kai-shek dá um golpe e começa a perseguir os comunistas, em 1927, Ho volta a Moscou e vai para a Crimeia, onde se cura de uma tuberculose antes de voltar a Paris. Passa pela Bélgica, Alemanha, Suíça e Itália antes de ir para Bangkok, na Tailândia, como agente do Comintern no Sudeste Asiático, em julho de 1928.

No fim de 1929, vai para a Índia e da lá para Xangai, na China, e Hong Kong, onde funda, em 1930, o Partido Comunista do Vietnã e o Partido Comunista da Indochina. Preso em Hong Kong em junho de 1931, escapa de ser deportado para a Indochina Francesa com um advogado de defesa britânico, Frank Loseby.

Libertado, vai para Xangai e volta à União Soviética, onde estuda e leciona no Instituto Lenin. Sob a acusação de ter "tendências nacionalistas", é afastado da liderança do partido durante o Grande Expurso Stalinista (1936-38).

Em 1938, volta à China como assessor militar do Exército Vermelho Chinês. Vai para o Vietnã em 1941 para liderar o movimento de libertação nacional. Com a ocupação japonesa, conduz uma guerra de guerrilhas contra o governo colaboracionista francês de Vichy e o Império do Japão.

Depois da ocupação da França, a potência colonial, pela Alemanha Nazista, em junho de 1940, ele funda na China em 1941 o Viet Minh, a Liga pela Independência do Vietnã, para se contrapor também à invasão japonesa durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

No fim da guerra, em 2 de setembro de 1945, quando o Japão assina a rendição, proclama a independência do Vietnã. A França não aceita. Em 19 de dezembro de 1946, começa a Primeira Guerra da Indochina, que vai até 1º de agosto de 1954, depois da vitória vietnamita na Batalha de Bien Dien Phu.

Os Acordos de Paz de Genebra dividem o país em Vietnã do Norte, comunista, e o Vietnã do Sul, anticomunista, em 1954. As eleições de 1955 devem reunificar o país. Quando os Estados Unidos percebem que os comunistas venceriam, em plena Guerra Fria, suspendem as eleições.

Em 1º de novembro de 1955, começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75). O governo Dwight Eisenhower (1953-61) envia os primeiros assessores militares norte-americanos. No fim do governo John Kennedy (1961-63), há mais de 2,8 mil assessores, alguns participando de combates.

A intervenção militar dos EUA começa oficialmente depois do Incidente do Golfo de Tonquim, em 2 de agosto de 1964, forjado pelo governo Lyndon Johnson (1963-69) para obter a aprovação do Congresso para declarar guerra ao Vietnã do Norte.

No auge da intervenção, os EUA têm mais de 500 mil soldados no Vietnã. O fracasso na luta contra o Vietcongue, os guerrilheiros comunistas em ação no Vietnã do Sul, e a rejeição à guerra pela opinião pública levam o presidente Richard Nixon (1969-74) a acelerar as negociações de paz iniciadas em 1968.

Em 30 de agosto de 1969, a delegação dos EUA nas negociações recebem uma carta de Ho a Nixon. O líder vietnamita alerta que "quanto mais longa for a guerra maiores serão o ônus e os pesares para o povo norte-americano" e defende o plano de paz de 10 pontos da Frente de Libertação Nacional. Exige o "fim da guerra de agressão e a retirada das forças norte-americanas”. Morre dias depois.

Com o acordo paz, assinado em 27 de janeiro de 1973, os EUA retiram suas tropas de combate da guerra, que termina em 30 de abril de 1975 com uma fuga espetacular dos norte-americanos da embaixada em Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, quando os tanques norte-vietnamitas tomam a capital do Vietnã do Sul para reunificar o país.

Mais de 58 mil norte-americanos e cerca de 2 milhões de vietnamitas morrem na Guerra do Vietnã.

MORTE DE MAO

    Em 1976, morre o político, teórico e revolucionário Mao Tsé-Tung, que se torna líder do Partido Comunista da China depois da Longa Marcha (1934-35), fundador e chefe de Estado da República Popular da China com a vitória da Revolução Chinesa, em 1º de outubro de 1949. 

Com a Grande Fome causada pelo fracasso do Grande Salto para a Frente (1958-62) e o radicalismo da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), Mao é um dos ditadores mais criticados do século 20, acusado de 70 milhões de mortes.

Mao nasce em Shaoshan, na província de Hunan, em 26 de dezembro 1893. Seu pai é um dos agricultores mais ricos da aldeia. A mãe é budista. Na escola, é discriminado pela origem camponesa.

Leitor voraz, Mao se interessa por política ao saber do declínio do Império Chinês. Admira George Washington e Napoleão Bonaparte. Quando o Império cai, Mao se junta ao exército rebelde como soldado raso. Sun Yat-Sen funda a República em 1912.

Como autodidata, estuda livros clássicos como A Riqueza das Nações, de Adam Smith, o pai da ciência econômica, e O Espírito das Leis, do Barão de Montesquieu, Jean-Jacques Rousseau, Charles Darwin, John Stuart Mill e Herbert Spencer.

Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), interessa-se por técnicas de guerra. É eleito comandante do exército dos estudantes voluntários, que se opõem aos estudantes saqueadores.

Em 4 de maio de 1919, os estudantes chineses protestam na Praça da Paz Celestial contra o aumento da influência japonesa na Ásia e o resultado da Conferência de Paz de Versalhes, que dá ao Japão o controle de um território chinês que estava sob o domínio da Alemanha.

O Movimento Quatro de Maio está na origem do Partido Comunista da China, fundado dois anos depois, em 1921, sob a influência da Revolução Russa (1917). Mao participa do primeiro congresso do partido. É um dos 13 delegados.

A disputa política entre Leon Trotsky e Josef Stalin na União Soviética, depois da morte de Vladimir Lenin, em 1924, se reflete na China. Trotsky é a favor da revolução, aliás de uma revolução mundial. Stalin entende que a China não está preparada para a revolução por não ter operariado e, sim, campesinato.

Vitorioso, Stalin manda o PC chinês adotar uma política de frente popular em aliança com o partido nacionalista Koumintang (KMT) que se revela desastrosa. Os nacionalistas massacram os comunistas no início de uma longa guerra civil interrompida pela invasão japonesa em 1937 e retomada depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), com a vitória final dos comunistas em 1949.

O Grande Timoneiro assume o controle do partido na Longa Marcha e radicaliza o processo revolucionário várias vezes para manter o poder dentro do regime comunista. Lança a Campanha das Cem Flores para estimular a produção intelectual e a liberdade de expressão, encerrada por supostos desvios ideológicos burgueses.

Dentro de uma nova era de repressão, Mao propõe o Grande Salto para a Frente (1958-62), uma tentativa de descentralizar a produção industrial com a fabricação de aço em comunas e fazendas coletivas. É um total fracasso. O aço produzido no campo é de baixa qualidade e a produção alimentos desaba. A Grande Fome mata entre 15 e 45 milhões de pessoas.

Para se reafirmar no poder num mundo cada vez mais hostil, com a ruptura com a URSS e a crescente intervenção militar dos EUA na Guerra do Vietnã, Mao lança em 1966 a Revolução Cultural, uma era de total inversão de valores. 

Estudantes armados com o Livro Vermelho de Mao perseguindo professores e intelectuais, apontam desvios burgueses de supostos inimigos da revolução e destroem símbolos do período imperial, como obras de arte e arquitetura, pintura em nanquim. O trânsito anda no sinal vermelho e para no sinal verde.

Neste período de grande convulsão social, há escaramuças de fronteira entre China e URSS, em 1969, e os EUA iniciam uma aproximação com as visitas de Henry Kissinger e Richard Nixon em 1971 e 1972.

Com a morte de Mao, cai a Gangue dos Quatro, símbolo do extremismo da Revolução Cultural, de que participa a viúva de Mao, Jiang Ching, e abre-se o caminho para as reformas. A herança positiva de Mao é ter alimentado e alfabetizado a China.

No primeiro momento, o substituto Hua Guofeng adota a política dos Dois Quaisquer: "Vamos resolutamente manter quaisquer decisões políticas do Camarada Mao e seguir inabalavelmente quaisquer instruções dadas pelo Camarada Mao."

Hua quer mais do mesmo, mas o partido e o país, destroçados pela Revolução Cultural, querem mudança. Reabilitado, o ex-vice-primeiro-ministro Deng Xiaoping percebe que a modernização é a única ideia capaz de unir o PC. Propõe então, em 1977, a campanha das Quatro Modernizações: agricultura, indústria, defesa, e ciência e tecnologia. 

Em 13 de dezembro de 1978, na terceira sessão plenária da 11ª reunião do Comitê Central do PC, Deng lança as reformas que levam ao maior desenvolvimento econômica da história e transformam a China na segunda maior economia do mundo. 

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 7 de setembro

CRUZADA DOS REIS

    Em 1191, na Terceira Cruzada, o exército muçulmano do sultão Saladino ataca as forcas do rei Ricardo I, da Inglaterra, na Batalha de Arçufe, na Palestina, na marcha de Acre a Jafa. Ricardo Coração de Leão contra-ataca ao entardecer, mas sua marcha rumo a Jerusalém é retardada.

As Cruzadas são uma série de nove expedições militares dos cristãos para tentar reconquistar Jerusalém, tomada pelo califa Omar em 638. Depois do ano 1000, o patriarca da Igreja Ortodoxa de Constantinopla, capital do Império Bizantino, pede ajuda à Igreja Católica Romana.

Jesus Cristo pediu aos seres humanos para amarem uns aos outros. No Concílio de Clermont, em 27 de novembro de 1095, o papa Urbano II manda matar os infiéis e promete a remissão de todos os pecados para quem for voluntariamente para a guerra contra os muçulmanos.

A Primeira Cruzada (1096-99) é a única a conquistar Jerusalém. Funda em território da Palestina o Reino Cristão de Jerusalém (1099-1291). 

A Segunda Cruzada (1145-49), anunciada pela Papa Eugênio II, uma reação à queda de Edessa, é a primeira liderada por reis, Luís VII, da França, e Conrado III, do Sacro Império Romano-Germânico. Os dois exércitos marcham separadamente e são derrotados pelos turcos do Império Seljúcida.

A Terceira Cruzada (1189-92) é a Cruzada dos Reis, de Ricardo I, da Inglaterra, Felipe II, da França, e do sultão Saladino, líder dos muçulmanos. 

Depois da conquista de Acre, Ricardo I quer chegar até o mar, até o porto de Jafa. Em Arçufe, o exército cristão tem 10 mil infantes e 1,2 mil cavaleiros, organizados em 12 regimentos de cavalaria de 100 homens cada, com a infantaria guarnecendo os flancos e besteiros na linha de frente, com flechas muito mais poderosas do que as do inimigo. 

Estima-se que o exército muçulmano seja duas vezes maior, especialmente em cavalaria. O cavalo e o estribo formam a tecnologia militar dominante na Idade Média.

Ricardo resiste ao ataque de Saladino, quando suas forças iam de Acre para Jafa, até receber um reforço dos hospitalários. Ordena então um contra-ataque. Vence a batalha. Isso dá aos cristãos o dominío sobre a costa da região central da Palestina, inclusive o porto de Jafa.

CAMPANHA DA RÚSSIA

    Em 1812, o Grande Exército de Napoleão Bonaparte vence com muitas perdas a Batalha de Borodino contra o exército da Rússia sob o comando do general Mikhail Kutuzov a cerca de 110 quilômetros de Moscou.

Os russos recuam diante da invasão napoleônica, iniciada em 24 de junho, para evitar um confronto direto e se entrincheiram em Borodino para deter o avanço do inimigo rumo a Moscou. São 130 mil soldados de Napoleão com 500 tanques contra 120 mil russos com 600 canhões.

Napoleão faz um ataque frontal às seis da manhã. Até o meio-dia, os dois lados avançam e recuam na linha de frente, até que a artilharia dá vantagem à França, mas os russos resistem a sucessivas ofensivas.

O imperador francês não coloca em combate a Guarda Imperial, de 20 mil homens, e mais 10 mil soldados. Como Kutuzov não tem mais homens para entrar em ação, Napoleão perde a oportunidade de ter uma vitória decisiva. 

É uma vitória de Pirro, referência ao general que derrotou Roma duas vezes, em Heracleia (280 AC) e Ásculo (279 AC), mas suas forças sofreram tantas perdas que, ao andar pelo campo de batalha, vaticina: "Mais uma vitória destas e estou perdido." Perdeu em Malevento (275 AC), que os romanos rebatizaram de Benevento.

Com os soldados exaustos à tarde, a Batalha de Borodino continua até a noite com disparos de artilharia. À noite, Kutuzov recua. Napoleão entra em Moscou uma semana depois, em 14 de setembro, sem oposição. Os russos recuam e queimam a cidade para que o inimigo fique sem comida e sem abrigo.

Sem conseguir tomar o poder na Rússia, cinco semanas depois, Napoleão se retira, pega as chuvas e o frio do outono russo. É atacado à retaguarda pelos russos, na Batalha de Krasnol, de 15 a 18 de novembro de 1812. Sai da Rússia em 14 de dezembro.

A campanha da Rússia é a sua maior derrota. O Grande Exército de Napoleão invade a Rússia com algo entre 450 e 640 mil soldados, 150 mil cavalos e 1,4 mil peças de artilharia. Deixa a Rússia em 14 de dezembro. Pelo menos 380 mil morrem. Cerca de 120 mil sobrevivem, 50 mil austríacos, prussianos e outros alemães, 20 mil poloneses e 35 mil franceses. Muitos desertam.

 TIO SAM

    Em 1813, os Estados Unidos ganham seu apelido quando um jornal registra que os soldados que lutavam na Guerra de 1812 contra o Império Britânico chamam de Uncle Sam (Tio Sam) as embalagens de carne que o Exército recebe do comerciante William com US, de United States, escrito na caixa.

O desenho do Tio Sam aí em cima é feito pela primeira em 1870 pelo cartunista Thomas Nest em homenagem ao presidente Abraham Lincoln. É um senhor de cabelos brancos e barbicha vestido com as cores da bandeira, azul, vermelho e branco, e uma cartola adornada com uma faixa azul marinho e estrelas brancas.

A pedido das Forças Armadas, em 1917, com a intervenção dos EUA na Primeira Guerra Mundial (1914-18), a imagem é refeita com o slogan "eu quero você". O Tio Sam quer que os norte-americanos se alistem para lutar na Europa.

Desde então, a imagem é associada ao imperialismo e ao militarismo norte-americano. 

INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

    Em 1822, sob pressão das cortes portuguesas, que querem rebaixar o Brasil a colônia, o príncipe-regente Dom Pedro dá um grito às margens do Riacho Ipiranga, em São Paulo, e proclama: “Independência ou Morte!”

No fim do século 18, há cogitações em Lisboa sobre a conveniência de transferir a sede do governo para o Brasil a fim de não perder sua maior colônia. Isto acontece quando as forças do imperador francês Napoleão Bonaparte invadem Portugal em 1807. 

Por causa da aliança histórica com o Reino Unido, Portugal não adere ao Bloqueio Continental imposto por Napoleão ao comércio com os britânicos. A família real zarpa para o Brasil em 27 de novembro de 1807.

A chegada da família real chega a Salvador, em 22 de janeiro de 1808, e a abertura dos portos às nações amigas significam uma independência na prática. Em 1815, depois da derrota final de Napoleão, quando as monarquias europeias são restauradas, formam a Santa Aliança e o Concerto Europeu, o Brasil é elevado a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve porque a capital do Império Português não poderia ficar numa colônia.

O Rio de Janeiro é a única cidade do Hemisfério Sul que foi capital de um império que se estendia por quatro continentes: América, África, Europa e Ásia.

Com a Revolução do Porto, em 1820, o rei Dom João VI é pressionado a voltar para Lisboa com toda a máquina administrativa trazida para o Brasil. Volta no ano seguinte, deixando o filho como príncipe-regente. Aí começa a pressão da corte para cortar os privilégios que o país havia obtido como capital do império.

Em 9 de janeiro de 1822, o príncipe Dom Pedro comunica que vai descumprir a ordem da coroa de voltar imediatamente para Portugal. É o Dia do Fico, quando a ruptura com Lisboa se torna inevitável.

A crise se agrava. Com Dom Pedro em São Paulo, a princesa-regente, Dona Leopoldina, preside a uma reunião do Conselho de Estado no Palácio Imperial da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. A futura imperatriz e José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência, enviam cartas que Dom Pedro recebe em 7 de setembro às margens do Ipiranga e dá o grito.

O Brasil é um fenômeno único na história. O país se torna independente com a mesma família imperial que está no poder desde a Colônia. É um caso raro de conciliação das elites para manter tudo como está.

UNIFICAÇÃO DA ITÁLIA

    Em 1860, durante a luta pela unificação da Itália, Giuseppe Garibaldi entra em Nápoles e se declara "ditador das Duas Sicílias".

A Expedição dos Mil é um momento-chave da Segunda Guerra da Independência da Itália, quando os Camisas Vermelhas, sob o comando de Garibaldi, que luta na Revolução Farroupilha (1835-45) e no Uruguai, um especialista em guerra de guerrilhas, desembarcam na Sicília Ocidental e conquistam o Reino das Duas Sicílias, antes dominado pela Dinastia dos Bourbon.

Em 21 e 22 de julho de 1858, o imperador Napoleão III, da França, e o Reino da Sardenha fazem uma aliança contra o Império Austro-Húngaro pela independência do Norte da Itália.

Em março de 1859, as populações do Grão-Ducado da Toscana, do Ducado de Módena e do Ducado de Parma depõem seus governantes e pedem anexação ao Reino da Sardenha, enquanto a Úmbria e Marcas sofrem duram repressão dos Estados Pontifícios, do Vaticano ou Santa Sé.

O primeiro-ministro da Sardenha e futuro primeiro-ministro da Itália, Camillo Paolo Filipo Giulio Benso, Conde de Cavour, declara guerra à Áustria em 24 de abril de 1859. A Segunda Guerra da Independência da Itália termina em julho. 

Ninguém imagina que a Áustria entre em nova guerra menos de um ano depois da Batalha de Solferino, em 24 de junho de 1859, tão sangrenta que dá origem à Convenção de Genebra à Cruz Vermelha Internacional para socorrer feridos em guerra.

O Armistício de Villafranca reconhece o Reino da Sardenha e Lombardia, mas não o Vêneto. O Tratado de Turim, de 24 de março de 1860, cede a Saboia e Nice à França, enquanto o movimento nacional italiano ganha a anuência do imperador francês para a anexação da Toscana e da Romanha.

Em 11 de maio de 1860, Garibaldi e os Camisas Vermelhas invadem a Sicília. Três dias depois, ele se proclama ditador. Com a ajuda de uma insurreição popular, toma Palermo de 27 a 30 de maio.

Com o controle da Sicília, Garibaldi passa a planejar o ataque ao continente. Em 19 de agosto desembarca com 20 mil voluntários em Melito di Porto Salvo, na Calábria, no Sul da Itália. Como o rei Francisco II abandona Nápoles, o revolucionário de dois continentes, herói em três países, entra na cidade praticamente sem resistência.

Em 21 de outubro, um referendo aprova a anexação do Reino das Duas Sicílias ao Reino da Sardenha. A unificação da Itália acontece oficialmente em 17 de março de 1861, sob o rei da Sardenha, Vitor Emanuel II, da Dinastia de Saboia.

FIM DA GUERRA DOS BOXERS

    Em 1901, a assinatura de um protocolo acaba com a Guerra dos Boxers, uma revolta anti-imperialista que não consegue expulsar os estrangeiros da China.

A derrota na Guerra Sino-Japonesa de 1894-95 acaba com a milenar ordem sinocêntrica na Ásia. Marca o início da fase terminal do Império Chinês. No Norte, os chineses temem o aumento da influência estrangeira e se ressentem dos privilégios dos missionários cristãos. Em 1898, a região sofre várias catástrofes naturais, como seca e enchente do Rio Amarelo, aumentando o descontentamento.

A Guerra dos Boxers (1899-1901) é uma rebelião antiestrangeiros, anticolonial e anticristã no final da Dinastia Ching travada pela Sociedade dos Punhos Harmoniosos e Justiceiros, na maioria lutadores de kung fu sem armas de fogo.

A partir de 18 de outubro de 1899, os boxers destroem propriedades estrangeiras como as ferrovias e assassinam cristãos e missionários cristãos. Em junho de 1900, os boxers convergem para Beijim e cercam a cidade. Um exército formado por EUA, Reino Unido, França, Áustria-Hungria, Alemanha, Itália, Rússia e Japão invade a China em 17 de junho.

Em 21 de junho, a imperatriz Cixi baixa um decreto imperial declarando guerra às potências invasoras e manda matar todos os estrangeiros da capital chinesa, inclusive diplomatas. A aliança invasora rompe as defesas de Beijim em 14 de agosto. A cidade é saqueada e pilhada,

O Protocolo Boxer, de 7 de setembro 1901, prevê execução sumária de funcionários públicos que lutam pela rebelião, provisões para as tropas estrangeiras estacionadas em Beijim e 450 milhões de taéis de prata – mais do que a arrecadação anual do governo chinês – de indenização a serem pagos ao longo de 39 anos para as oito potências da aliança.

ENTREGA DO CANAL

   Em 1977, o presidente Jimmy Carter e o ditador Omar Torrijos assinam dois tratados para transferir o controle do Canal do Panamá dos Estados Unidos para o Panamá em 1999.

A companhia francesa que abre o Canal de Suez inicia a obra do canal para ligar os oceanos Atlântico e Pacífico em 1880. Quebra por problemas de engenharia e doenças tropicais. O trabalho do médico sanitarista brasileiro Oswaldo Cruz contra a febre amarela ajudaria a realizar a obra.

O Panamá pertence à Colômbia. Quando o governo colombiano, enfraquecido pela Guerra dos Mil Dias (1899-1902) entre liberais e conservadores, rejeita a proposta norte-americana, os EUA promovem a independência do Panamá, em 3 de novembro de 1903.

A construção do canal começa em 4 de maio de 1904 e termina em 1913. O canal é inaugurado oficialmente em 15 de agosto de 1914.

O coronel Omar Torrijos, um nacionalista, chega ao poder num golpe militar em 1968, mas conta com apoio popular e negocia a soberania do país sobre o canal e a Zona do Canal, um enclave dos EUA.

Dois tratados garantem a soberania sobre o canal. O primeiro é o Tratado sobre a Neutralidade Permanente e e Operação do Canal, mais conhecido como Tratado da Neutralidade. O segundo é o Tratado do Canal do Panamá, que estabelece que o Panamá assume o controle total do canal a partir do ano 2000.

Ambos foram ratificados por maiores de dois terços em referendo realizado no Panamá em 23 de outubro de 1977. Depois de assumir o controle do canal, o país vive uma era de prosperidade. Quando volta à Casa Branca, em janeiro de 2025, o presidente Donald Trump ameaça retomar o Canal do Panamá.

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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Zhu Rongji foi o grande executivo da reforma econômica da China

Se o supremo líder Deng Xiaoping foi o grande idealizador da abertura econômica da China, o grande responsável pela execução das reformas que transformaram o país na segunda maior economia do mundo disputando a supremacia mundial com os Estados Unidos foi o primeiro-ministro Zhu Rongji.

Zhu morreu em 12 de agosto aos 97 anos. Foi prefeito e líder do Partido Comunista em Xangai, onde a movimento dos estudantes por democracia e liberdade foi contido sem o massacre que houve em Beijim, presidente do Banco Popular da China, vice-primeiro-ministro e primeiro-ministro, encarregado da administração da economia de 1998 a 2003.

Além de ser decisivo para a China ser reconhecida como economia de mercado e entrar na Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001, elevou o crescimento chinês para dois dígitos. Em 2000, criou o Fórum de Desenvolvimento da China, onde os ministros do Conselho de Estado debatiam e defendiam a política econômica com especialista de fora do governo, acadêmicos, pesquisadores e líderes empresariais, inclusive dos EUA.

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terça-feira, 18 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 18 de Agosto

MORTE DE GÊNGIS KHAN

    Em 1227, o líder mongol Gêngis Khan, fundador do segundo maior império da história, morre no campo de batalha em combate contra o reino chinês de Xi Xia.

Com mais de 60 anos e a saúde abalada, talvez morra por causa de uma queda do cavalo no ano anterior.

Ele nasce com o nome de Temujin em 1162, filho de um chefe menor. O pai morre no início da adolescência. Temujin tem de se virar com a família na estepe selvagem. No fim da adolescência, é um grande guerreiro.

Quando uma tribo rival sequestra sua mulher, Temujin organiza uma força militar. Faz alianças e derrota tribos inimigas. A nobreza das tribos conquistadas é sumariamente executada. Os massacres lhe dão a fama de chefe cruel a impiedoso da “horda”.

Em 1206, líder de uma grande confederação mongol, recebe o título de Gêngis Khan, Chefe ou Líder Universal.

O Grande Khan organiza seu exército com o número 10 como base: 10 homens formam um esquadrão, 10 esquadrões formam uma companhia, 10 companhias foram um regimento e 10 regimentos formam uma força de 10 mil homens a cavalo, a metade de arqueiros.

Seu exército chega a ter 250 mil homens montados que usam catapultas e desviam rios para inundar o território inimigo. Os massacres eliminam qualquer resistência.

Sob seu comando, os mongóis conquistam o Norte da China até Beijim, a Ásia Central, a Índia, a Pérsia e a região central da Rússia. No auge, por volta de 1270, depois da morte de Gêngis Khan, o Império Mongol tem 24 milhões de quilômetros quadrados. É o segundo maior da história, atrás apenas do Império Britânico, que chega a 35,5 milhões de km2 em 1920.

MULHERES CONQUISTAM DIREITO A VOTO

    Em 1920, no fim de uma batalha política na Assembleia Legislativa do Tennessee, a Emenda nº 19 à Constituição dos Estados Unidos, que dá o direito de voto às mulheres, é ratificada.

A luta pelos direitos das mulheres começa em 1848, na Convenção das Cataratas de Sêneca, organizada por Elizabeth Cady Stanton e Lucretia Mott. Logo, o direito de voto se torna a principal reivindicação do movimento. As militantes são conhecidas como suffragettes. Lutam pelo sufrágio universal.

Mas a conquista não se estende às mulheres negras. Os homens e as mulheres negras enfrentam restrições, hostilidade e violência quando tentam se registrar para votar e na hora do voto até a aprovação da Lei de Direitos Civis, em 1964, e da Lei dos Direitos de Voto, em 1965. 

Recentemente, a supermaioria conservadora da Suprema Corte enfraquece essas leis sob o argumento de que não há mais discriminação racial nos EUA.

CHEIA DO YANGTZÉ MATA MILHÕES NA CHINA

    Em 1931, o Rio Yangtzé, o maior da China e terceiro do mundo, atinge o nível máximo, numa enchente que mata 3,7 milhões de pessoas. É a maior catástrofe natural do século 20.

Terceiro mais longo rio do mundo, depois do Nilo e do Amazonas, com 6,3 mil km, o Yangtzé atravessa o Sul da China, uma das regiões de maior densidade populacional da Terra, que depende do rio para se abastecer de água e irrigar o solo.

Chove muito acima do normal em abril. As chuvas torrenciais voltam em julho. No início de agosto, a área alagada tem 1.295 km2. A água continua subindo e mais chuva destrói as plantações de arroz, causando fome em cidades como Nanquim e Wuhan.

Com o rio poluído, há epidemias de tifo e desinteria. A maioria das mortes é resultado da fome e das doenças.

HITLER SUSPENDE PROGRAMA DE EUTANÁSIA

    Em 1941, diante de protestos na Alemanha, o ditador nazista Adolf Hitler suspende a execução sistemática de doentes mentais e deficientes.

O Dr. Viktor Brack, chefe do Departamento de Eutanásia do regime nazista, cria em 1939 o programa T.4. Começa matando sistematicamente crianças com alguma “deficiência mental”. Eles eram levadas para o Departamento Psiquiátrico Especial da Juventude e assassinadas.

Depois, passa a ser exigido um atestado de doença mental, esquizofrenia ou incapacidade para o trabalho de crianças não judias. As judias eram executadas sumariamente.

A matança provoca a revolta de médicos e religiosos, que escrevem a Hitler denunciando a barbárie. Depois de mais de 50 mil mortes, o Führer acaba com o programa de eutanásia na Alemanha. Ele é retomado na Polônia ocupada.

O carrasco nazista Heinrich Himmler, comandante da SS, a organização paramilitar do Partido Nazista, lamenta que a SS não execute. Seria o grande executor do Holocausto, o massacre de 11 milhões de pessoas na Segunda Guerra Mundial (1939-45), inclusive 6 milhões de judeus e 1,5 milhão de ciganos, além de comunistas, socialistas, negros, dissidentes do regime nazista e prisioneiros de guerra.

A tentativa de exterminar o povo judeu no Holocausto, com a morte de 6 milhões de judeus, mais de 60% dos judeus da Europa, gerou o conceito de genocídio, descrito na Convenção para Prevenção e Combate ao Crime de Genocídio, aprovada pela ONU em 9 de dezembro de 1948, como a tentativa de “destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso”. Não inclui grupo político porque o ditador soviético Josef Stalin veta.

Há outras questões como a fome ou tornar a vida de um grupo insuportável de modo que queira emigrar ou fugir dali que podem caracterizar crime de genocídio, o que se discute agora na guerra de Israel contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) na Faixa de Gaza.

GOLPE CONTRA GORBACHEV

    Em 1991, a linha-dura do Partido Comunista da União Soviética dá um golpe contra o presidente Mikhail Gorbachev, responsável pela abertura política (glasnost) e econômica (perestroika) do regime, que está de férias na sua dacha (casa de campo) na Crimeia.

Com a desculpa de que Gorbachev está doente, os golpistas, liderados pelo vice-presidente Guenadi Ianaiev, declaram estado de emergência e tentam assumir o controle do governo. Colocam o último líder soviético em prisão domiciliar e o pressionam a renunciar. Gorbachev se nega.

A luta contra o golpe é liderada por Boris Yeltsin, eleito presidente da Rússia diretamente em 12 de junho de 1991 com 57% dos votos. O golpe desaba em três dias. Gorbachev retoma o cargo com o poder abalado. Yeltsin se torna o líder mais poderoso do país. A URSS, pátria do comunismo, acaba no fim do ano.

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quarta-feira, 15 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 15 de Julho

ÚLTIMA OFENSIVA ALEMÃ NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

    Em 1918, a Alemanha lança perto do Rio Marne, na região de Champagne, na França, sua última ofensiva na Primeira Guerra Mundial (1914-18). É o começo da Segunda Batalha do Marne ou Batalha de Reims.

O general Erich Ludendorff está certo de que a vitória da Alemanha exige a conquista da região de Flandres, no Norte da França e na Bélgica. Decide atacar mais ao sul numa manobra diversionista para atrair os aliados e então abrir um flanco ao norte, mas os aliados lançam um grande contra-ataque sob a liderança da Franca.

Na manhã de 15 de julho, 23 divisões do 1º e 3º Exércitos da Alemanha atacam o 4º Exército da França a leste de Reims, enquanto 17 divisões do 7º Exército, apoiados pelo 9º Exército, investem contra o 6º Exército da França a oeste da cidade. Lutam ao lado dos franceses 85 mil soldados americanos e a Força Expedicionária Britânica.

Quando os alemães avançam, depois de um bombardeio de artilharia, percebem que bombardearam uma linha de trincheiras falsas criadas pelo comandante militar da França, general Philippe Pétain, que chefia um governo colaboracionista com os nazistas durante a ocupação da França pela Alemanha na Segunda Guerra Mundial (1939-45) e termina a vida como traidor.

Em 1918, Pétain consegue enganar os alemães. A linha de defesa aliada está muito atrás. Quando os alemães chegam na verdadeira frente de combate, enfrentam uma barragem de artilharia aliada. Com a emboscada, os alemães são cercados. Em 18 de julho, começa a contraofensiva de franceses, norte-americanos e britânicos.

A Segunda Batalha do Marne termina em 5 de agosto com uma grande vitória dos aliados, que lançam sua ofensiva rumo à vitória final e ao armistício, em 11 de novembro de 1918.

CANDIDATO EXTREMISTA

    Em 1964, o senador Barry Goldwater é nomeado oficialmente candidato do Partido Republicano à Presidência dos Estados Unidos.

Ao aceitar a indicação, Goldwater declara que "extremismo em defesa da liberdade não é um vício" e que "a moderação na busca da justiça não é uma virtude". Na campanha, ele promete fazer tudo o que for necessário para vencer a Guerra no Vietnã.

Esta postura belicista ajuda o Partido Democrata a caracterizá-lo como um extremista de direita e uma ameaça para o país em plena Guerra Fria. 

Em novembro, o presidente Lyndon Johnson (1963-69), que assumira depois do assassinato do presidente John Kennedy, em 22 de novembro de 1963, vence Goldwater por 61% a 39%. O republicano só vence no seu estado, o Arizona, e em cinco estados do Sul que estavam deixando de votar nos democratas porque estes apoiavam o movimento pelos direitos civis dos negros.

A esmagadora derrota republicana ajuda a aumentar a bancada democrata no Senado, que aprova a Lei dos Direitos Civis, a Lei dos Direitos de Voto e o projeto Grande Sociedade, marcos da política social de Johnson. 

A pregação de Goldwater está na origem do movimento conservador moderno dos EUA, que leva à Casa Branca Richard Nixon, Ronald Reagan, George Bush pai e filho e Donald Trump, e à emergência de extremistas como Pat Buchanan e Newt Gingrich. Eles empurraram o partido para a direita com um discurso radical e sem concessões e uma linguagem agressiva para destruir os adversário políticos, tratados como inimigos. São precursores de Donald Trump. Este ambiente político hostil onde o diálogo e os acordos são difíceis domina hoje a política dos EUA.

Como veterano líder do partido, por causa do Escândalo de Watergate, o senador Goldwater vai à Casa Branca e avisa a Nixon que a bancada republicana na Câmara e no Senado não vai mais apoiá-lo num iminente processo de impeachment, o que leva à única renúncia até hoje de um presidente dos EUA, em 9 de agosto de 1974.

NIXON NA CHINA

    Em 1971, o presidente Richard Nixon anuncia no rádio e na televisão que vai à China em 1972, numa verdadeira revolução nas relações entre os Estados Unidos e a China comunista e na política externa norte-americana.

Conservador e linha dura, Nixon faz carreira política como notório anticomunista. Apoia investigações sobre a ameaça vermelha, a suposta infiltração comunista no governo e na sociedade norte-americanas denunciada pelo senador Joe McCarthy. Como vice-presidente de Dwight Eisenhower (1953-61), articula a fracassada invasão da Baía dos Porcos, em Cuba, em abril de 1961, realizada no início do governo John Kennedy (1961-63). 

Várias vezes Nixon declara ser contra o estabelecimento de relações com a China. Desde a vitória da revolução comunista, em 1º de outubro de 1949, os EUA reconhecem a República da China em Taiwan como o governo legítimo chinês.

Um objetivo central de Nixon é acabar com a intervenção militar dos EUA na Guerra do Vietnã (1955-75), principal motivo da decisão do presidente Lyndon Johnson de não disputar a reeleição em 1968. Nixon se elege prometendo "paz com honra".

Ao mesmo tempo, seu assessor de Segurança Nacional e futuro secretário de Estado, Henry Kissinger, vê uma oportunidade em 1969, quando a União Soviética e a China travam um conflito de fronteiras durante sete meses, com a morte de pelo menos 60 soviéticos e 72 chineses.

A aproximação começa com a diplomacia do pingue-pongue, quando o ditador chinês Mao Tsé-tung convida, em 6 de abril de 1971, uma equipe de tênis de mesa dos EUA que disputava o campeonato mundial no Japão para jogar na China.

Desde o rompimento com a URSS, em 1964, a China busca aliados e parceiros comerciais. Para os EUA, além de afastar o risco de uma aliança entre as grandes potências comunistas, é uma chance de fazer a China pressionar seu aliado Vietnã do Norte a aceitar um acordo de paz nas negociações iniciadas em 10 de maio de 1968 em Paris.

Kissinger chega a Beijim em 9 de julho de 1971, numa visita até então secreta que abala o Japão, inimigo histórico da China e principal aliado dos EUA no Leste da Ásia. Em 25 de outubro, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprova uma moção da Albânia reconhecendo a República Popular da China como representante legítima do país, que toma o lugar até então ocupado por Taiwan no Conselho de Segurança.

Nixon passa uma semana na China, de 21 a 28 de fevereiro de 1972. De 22 a 30 de maio do mesmo, vai a Moscou onde assina o Primeiro Tratado de Limitação de Armas Estratégicas (SALT I) e o Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM), conhecido pela sigla MAD, que significa louco em inglês e, no caso, destruição mutuamente assegurada, garantindo o equilíbrio do terror nuclear.

Com a détente com as grandes potências comunistas, a Guerra do Vietnã perde o sentido para os EUA. Em 27 de janeiro de 1973, os EUA e o Vietnã do Norte assinam um acordo que viabiliza a retirada das forças norte-americanas do país do Sudeste Asiático, depois da morte de mais de 58,2 mil soldados americanos. Mas a guerra só termina em 30 de abril de 1975, quando o Vietnã do Norte toma Saigon, a capital do Vietnã do Sul, provocando uma fuga espetacular do pessoal da Embaixada dos EUA.

MORTE DE VERSACE

    Em 1997, o famoso estilista italiano Gianni Versace é morto com dois tiros na cabeça pelo assassino serial Andrew Cunanan na escadaria de sua mansão em Miami, nos EUA.

Cunanan não tem antecedentes criminais até 27 de abril daquele ano, quando espanca Jeffrey Trail até a morte em Mineápolis. Trail era amigo de David Madson, um ex-namorado que Cunanan mata em 3 de maio com um tiro na cabeça. Em seguida, joga o corpo num lago e foge num Jeep Cherokee da vítima.

Dois dias depois, em Chicago, entra na casa do empresário do ramo imobiliário Le Miglin, mata-o e rouba seu carro Lexus. Em 9 de maio, abandona o carro em Nova Jérsei e mata o coveiro William Reese para roubar mais um carro.

Alvo de uma caçada do FBI (Birô Federal de Investigação), a polícia federal dos EUA, Cunanan foge até a Flórida. Em 11 de julho, um funcionário de lanchonete reconhece o assassino, que havia visto na televisão no programa Mais Procurados dos EUA.

A polícia demora a encontrá-lo. Quatro dias depois de ser visto, ele mata Versace na sua mansão na South Beach. Em 23 de julho, Cunanan é encontrado morto num barco. Comete suicídio com o mesmo revólver que usou para matar duas de suas vítimas.

NASCE O TWITTER

    Em 2006, a empresa Odeo, de São Francisco da Califórnia, lança o serviço de mensagens curtas para pessoas ou grupos Twttr, que seis meses depois passa a se chamar Twitter. Inicialmente com um máximo de 140 caracteres, as mensagens foram ampliadas para até 280 toques.

A empresa chega em 2013 a 2 mil funcionários e 200 milhões de usuários. É avaliada em US$ 31 bilhões de dólares. Embora tenha menos usuários que o Facebook, que tinha mais de 2 bilhões em 2019, o Twitter é uma fonte essencial para últimas notícias até ser comprado pelo bilionário Elon Musk, que o transforma numa plataforma da extrema direita.

O ex-presidente Donald Trump (2017-21) governava pelo Twitter, disparando mensagens de madrugada e às vezes o dia todo. Muitas vezes seus ministros conheciam a vontade do presidente e sabiam de suas demissões pela rede social.

Trump foi banido da rede por usá-la para promover a insurreição e tentativa de golpe de 6 de janeiro contra sua derrota nas urnas e no Colégio Eleitoral e reabilitado por Musk. Antes, a Justiça dos EUA proibiu Trump de bloquear usuários do Twitter, como aliás fazia o ex-presidente Jair Bolsonaro, porque o presidente e o governo dos EUA não podem censurar ninguém. Se usa o Twitter para governar e fazer política, tem de aceitar as respostas do público.

No momento, o X enfrenta a concorrência do Threads, criado pelo grupo Meta, de Mark Zuckerberg, dono do Facebook, do Instagram e do WhatsApp. Desde que Musk comprou o Twitter por US$ 44 bilhões, toma várias medidas que causam uma saída de usuários. Threads já é o serviço que conquistou mais usuários em curto prazo.

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quarta-feira, 1 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 1º de Julho

 DIA DO CANADÁ

    Em 1867, o Império Britânico reconhece oficialmente o Canadá, uma confederação das províncias da Nova Escócia, Nova Brunswick e do Canadá, que seria dividida nas províncias de Ontário e do Quebec.

É o Dia do Canadá, a data nacional do país. A partir da união dessas províncias, o Canadá começa a conquistar autonomia dentro do Império Britânico e a ter seu próprio governo. O Parlamento Britânico e o governo do Reino Unido controlam as relações exteriores, a defesa nacional e as mudanças constitucionais.

O Canadá luta ao lado das forças britânicas em duas guerras mundiais, assim como australianos, indianos, paquistaneses e neozelandeses

Em 11 de dezembro de 1931, o Estatuto de Westminster, uma emenda do Parlamento Britânico, dá independência às ex-colônias britânicas da Austrália, do Canadá, da Zona Zelândia e da Irlanda. O governo irlandês ignora o estatuto por entender que o tratado da independência da Irlanda, de 1921, acabara com o direito do Parlamento de Westminster de legislar sobre seu país.

A Terra Nova também não adota o Estatuto de Westminster e se une ao Canadá em 1949, depois de um plebiscito realizado no ano anterior.

Com a aprovação da Lei de Constituição, em 1982, o Canadá se torna totalmente independente. 

INÍCIO DA BATALHA DO SOMME

    Em 1916, começa a Batalha do Somme, uma as maiores e mais importantes da Primeira Guerra Mundial (1914-18), travada pela França e o Império Britânico contra a Alemanha, que termina em 18 de novembro com a vitória dos aliados.


É o dia mais sangrento da história militar britânica, com 19.240 mortes.

Mais de 3 milhões de soldados lutam na Batalha do Somme. Entre mortos e feridos, o total de baixas é de mais de 1,1 milhão de homens, o que a torna uma das batalhas mais sangrentas da história.

NÃO PROLIFERAÇÃO NUCLEAR

    Em 1968, os Estados Unidos, a União Soviética, o Reino Unido e outros 59 países assinam o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) para conter a disseminação de armas atômicas pelo mundo. Entra em vigor em 5 de março de 1970. Hoje, tem 191 países signatários.

O TNP é controvertido desde o início porque cria duas categorias de países: as potências nucleares, que têm a bomba quando o acordo é fechado; e os países não nucleares, que recebem a promessa de receber ajuda para o uso pacífico da energia atômica e de que as potências nucleares se desarmariam, o que não é uma perspectiva realista. A Índia nunca assinou porque, como uma ex-colônia, não aceita acordos internacionais que a coloquem em inferioridade. 

Além das cinco potências nucleares que não por coincidência são os países com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, EUA, França, Reino Unido e Rússia), tem a bomba atômica hoje Israel, a Índia, o Paquistão e a Coreia do Norte. Esses quatro não fazem parte. A África do Sul democrática pós-apartheid abre mão do programa nuclear militar da ditadura da minoria branca. O Brasil e a Argentina aderem quando assinam um acordo nuclear.

Se o tratado tem um vício de origem, o regime de não proliferação nuclear contém até agora a proliferação de armas atômicas. O maior candidato para entrar no clube sem autorização no momento é o Irã, que pode já ter adquirido capacidade nuclear. Se o Irã tiver armas atômicas, isso poderá deflagrar uma corrida armamentista no Oriente Médio. Outros países com ambição a potência regional, a Arábia Saudita, o Egito, a Síria e a Turquia, também vão querer.

MORTE DE PERÓN

    Em 1974, morre em Buenos Aires o político e militar Juan Domingo Perón, figura dominante da política na Argentina, depois de um terceiro e breve governo de menos de 10 meses.

Em 4 de junho de 1943, o Grupo de Oficiais Unidos, uma sociedade secreta nacionalista, derruba o presidente Ramón Castillo a pretexto de acabar com as fraudes eleitorais da “década infame”.

Entre eles, destaca-se o coronel Juan Domingo Perón, que é subsecretário do Ministério da Guerra, vice-presidente e ministro do Trabalho, onde implanta uma legislação trabalhista que lhe dá grande prestígio popular e o apoio dos sindicatos.

Perón melhora as condições de trabalho, consegue um aumento real de 4% nos salários de 1943 e 1946, cria a indenização para acidentes de trabalho, a Justiça do Trabalho, a Previdência Social, o salário mínimo, pagamento de feriados e férias, o 13º salário (conhecido na Argentina como aguinaldo), garante férias e o direito de sindicalização de trabalhadores rurais, limita a jornada de trabalho e congela os preços dos arrendamentos de terras.

DIA DA LEALDADE
Sob pressão da oligarquia e da ala conservadora do Exército, Perón é demitido em 9 de outubro de 1945 e preso quatro dias depois. Uma onda de protestos populares organizados pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) força a sua libertação em 17 de outubro, festejado pelos peronistas como Dia da Lealdade.

Naquele dia, Perón faz seu primeiro discurso triunfante na janela da Casa Rosada diante de uma multidão reunida na Praça de Maio, ao lado de sua segunda mulher, a atriz Maria Eva Duarte de Perón, a Evita, com quem se casa quatro dias depois, formando o casal que até hoje, muito depois de suas mortes, ainda domina a política argentina.

Com os votos de mais de 1,5 milhão de argentinos, 53% do eleitorado, Perón é eleito presidente da Argentina em 24 de fevereiro de 1946.

PERONISMO
Exemplo típico do populismo latino-americano, o peronismo, na definição do cientista político argentino Torcuato di Tella, é “uma aliança de parte da elite, como militares e industriais nacionalistas, com os trabalhadores para enfrentar outro segmento da elite, o mais conservador”, no caso argentino a oligarquia latifundiária exportadora.

Para os militares argentinos, que alimentam o sonho de hegemonia na América do Sul, argumenta Di Tella, os Estados Unidos, a potência hegemônica no continente, não armariam a Argentina para atacar o Brasil, que tinha uma política de alinhamento automático com Washington. A Argentina precisa de um desenvolvimento industrial autônomo.

 PRIMEIRO GOVERNO PERÓN
Ao tomar posse em 4 de junho de 1946, Perón promete justiça social e independência nacional. Entre 1946 e 1949, os salários dos operários da indústria argentina sobem em média 53%. A participação da massa salarial no produto interno bruto passa de 40,1% para 49%.

De 1930-35 a 1945-49, a produção industrial dobra. O número de fábricas passa de 38 mil em 1935 para 86 mil. Nesse período, o operariado cresce de 436 mil para mais de um milhão. O total de sindicalizados pula de 500 mil em 1946 para 2 milhões em 1950, quando a força de trabalho tem 5 milhões.

As greves crescem na mesma medida, de 500 mil dias de trabalho perdidos em 1945 para 2 milhões em 1946 e mais de 3 milhões em 1947.

Nos seus dois primeiros anos de governo, Perón nacionaliza o Banco Central, paga uma dívida bilionária com o Banco da Inglaterra, estatiza as ferrovias, a marinha mercante, as universidades, os serviços e transportes públicos. Em 1949, lança a ideia de uma terceira via entre o capitalismo e o comunismo para manter distância da Guerra Fria.

EVITA
Filha ilegítima de uma cozinheira, a cantora, modelo e atriz de teatro e radioteatro María Eva Duarte era amante do coronel Perón. Eles se conhecem num evento beneficente em 22 de janeiro de 1944 no Luna Park, em Buenos Aires, e se casam quatro dias depois da volta triunfal de Perón ao poder, em 17 de outubro de 1945, formando um casal sem paralelo na história política da América Latina.

Evita cuida das obras sociais do governo. É ministra do Trabalho e do Bem-Estar Social e preside a Fundação Eva Perón, criada em 1948, com orçamento anual de US$ 50 milhões, que distribui generosamente dinheiro, empregos e moradia para os descamisados, os migrantes vindos do interior.

Em entrevista ao escritor Tomás Eloy Martínez, em 1970, Perón declara que “Evita foi uma criação minha”, negando que a imagem de sua segunda mulher tenha se tornado maior do que a dele. Essa posição é defendida hoje por peronistas que acusam a oligarquia argentina de inflar o mito de Evita para torná-la maior do que o caudilho.

A primeira-dama é fundamental na campanha para a introdução do voto feminino, em 1947. Chega a ser cotada como candidata a vice-presidente, mas enfrenta forte resistência dos conservadores e militares. Um grande comício realizado pela CGT em 22 de agosto de 1951 é insuficiente para virar o jogo. Depois de uma tentativa de golpe em 28 de setembro, a candidatura Evita foi abandonada.

SANTA EVITA
Uma espécie de Cinderela vingadora, Eva Perón morre de câncer no útero menos de um ano depois, em 26 de julho de 1952, no auge de sua popularidade. Vira uma santa.

Seu funeral dura quatro dias para que todos possam dar adeus à mãe dos pobres. De maio de 1952 a julho de 1954, dois anos depois de sua morte, o Vaticano recebe mais de 40 mil cartas pedindo a canonização de Evita.

Mais da metade das meninas nascidas em algumas províncias argentinas naquela época são batizadas Eva ou María Eva. As adolescentes pintam o cabelo de louro. Evita dita a moda.

DISPUTA PELO CADÁVER
Quando Evita morre, o plano é construir um memorial em sua homenagem. Ela seria enterrada na base de um monumento aos descamisados. Como o líder da revolução comunista na Rússia, Vladimir Lenin, seu corpo embalsamado ficaria em exposição ao público.

Antes da conclusão da obra, Perón é derrubado pelo golpe militar de 1955 e foge sem se preocupar com a múmia de Evita, que desaparece da sede da CGT, em Buenos Aires, onde ficara. De 1955 a 1971, o peronismo é proscrito na Argentina. É proibido ter fotos de Eva e Juan Perón em casa e até mesmo citar seus nomes.

Em 1957, com a ajuda do Vaticano, o cadáver de Evita é retirado da Argentina e enterrado com nome falso na Itália.

Só em 1971 os militares revelam que a ex-primeira-dama está enterrada numa cripta em Milão, na Itália, com o nome de María Maggi. Naquele ano, o corpo é exumado e entregue ao general Perón no exílio na Espanha.

Depois da morte de Perón, em 1974, a terceira mulher do caudilho, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, assume o governo e repatriou o cadáver de Evita, que fica um tempo ao lado dos restos de Perón na Quinta de Olivos, residência oficial dos presidentes da Argentina.

Com o golpe militar de março de 1976, mais uma vez os peronistas temem pelo destino dos restos mortais da grande líder de massas. Em outubro daquele ano, sob a supervisão da ditadura, o cadáver de Evita é levado de Olivos para o Cemitério da Recoleta, onde estão enterrados os grandes líderes da oligarquia argentina, e sepultado no mausoléu da família Duarte.

QUEDA DE PERÓN
As políticas econômicas de Perón dão certo até 1949 por causa do sucesso das exportações durante e logo após a Segunda Guerra Mundial. Mas o preço dos produtos primários exportados pela Argentina cai e o aumento das importações para suprir a indústria deixam a balança comercial negativa. Há queda nos salários reais.

Reeleito com 62,5% dos votos em 11 de novembro de 1951, Perón tem um segundo governo muito mais difícil. Com a crise econômica e sem a carismática e angelical Evita a seu lado, o caudilho enfrenta oposição crescente dos estudantes e da Igreja Católica. Isso levou ao golpe liderado pelo general Eduardo Lonardi, chamado de Revolução Libertadora, em 16 de setembro de 1955.

Lonardi, reconhecendo a força do peronismo, tenta fazer um acordo. É afastado e substituído pelo general linha-dura Pedro Aramburu por adiar a desperonização. O Partido Justicialista (peronista) é dissolvido e há intervenção nos sindicatos.

SUCESSÃO DE GOLPES
Os peronistas continuaram sendo a maior força política argentina. Em 1958, apoiam a candidatura do radical Arturo Frondizi, que promete trazê-los de volta à legalidade. Frondizi é derrubado em março de 1962.

Até outubro de 1963, a Argentina é governada interinamente pelo Presidente do Senado, José María Guido, enquanto duas facções militares disputam o poder: os vermelhos, favoráveis a adotar mais dureza contra o peronismo, e os azuis, mais moderados, que acabam prevalecendo.

Um novo acordo para tentar reinstitucionalizar o país depois do golpe contra Perón leva à eleição de 7 de julho de 1963, vencida por Arturo Illia, derrubado em junho de 1966 pelo comandante do Exército, general Juan Carlos Onganía, que desfilara com a faixa presidencial no dia da posse de Illia.

Os governos militares de 1966 a 1973 são marcados por uma explosão social, o Cordobazo, em maio de 1969, na segunda maior cidade argentina, e pelas atividades de grupos guerrilheiros como o Exército Revolucionário do Povo (ERP), trotskista, e os Montoneros, peronistas, que capturam a matam o ex-ditador Aramburu.

Onganía é derrubado em junho de 1970 pelo general Roberto Levingston, substituído em 1971 pelo general Alejandro Lanusse, que promete restabelecer a democracia.

Com a volta do peronismo à legalidade, Héctor Cámpora é eleito presidente em março de 1973. Ao assumir, em maio, deixa claro que está apenas preparando a volta de Perón.

BATALHA DE EZEIZA
Depois de 18 anos no exílio, Perón volta definitivamente em 20 de junho de 1973. É recebido com a Batalha de Ezeiza, travada perto do aeroporto internacional de Buenos Aires entre a direita peronista, que incluía a temida Aliança Anticomunista Argentina (AAA), e a extrema esquerda, representada pelos Montoneros.

Da plataforma de onde Perón discursaria, franco-atiradores disparam contra a Juventude Peronista e os Montoneros. Pelo menos 13 pessoas morrem e outras 365 saem feridas do Massacre de Ezeiza. O jornal Clarín diz que na época que os números reais devem ser muito maiores. Não há uma investigação oficial sobre essa suspeita.

Em 23 de setembro de 1973, o velho caudilho é eleito presidente da Argentina pela terceira vez, com 62% dos votos, desta vez tendo a mulher como vice. Só que não era mais Evita. Era María Estela Martínez de Perón, uma bailarina de cabaré que ele conhece no exílio no Panamá.

GUERRA SUJA
Com a morte do general, em 1º de julho de 1974, Isabelita toma posse, tornando-se a primeira mulher presidente no mundo inteiro. Mas a crise do peronismo se aprofunda, o terrorismo de direita e de esquerda piora.

O golpe de 24 de março de 1976, liderado pelo general Jorge Rafael Videla e o almirante Emilio Massera, marca o início do “processo de reorganização nacional”, a guerra suja contra a esquerda argentina. O total de mortos e desaparecidos é estimado entre 12 e 30 mil, o que a torna a pior ditadura da América do Sul durante a Guerra Fria.

A sina macabra da história política argentina volta a se manifestar em 29 de junho de 1987, quando o túmulo de Perón é profanado e suas mãos serradas e roubadas.

DEMOCRATIZAÇÃO
    A democratização vem em 1983 depois da derrota na Guerra das Malvinas (1982). Os peronistas perdem sua primeira eleição para o radical Raúl Alfonsín, em 1983. Voltam ao poder com Carlos Menem (1989-99), Eduardo Duhalde (2002-3), Néstor Kirchner (2003-7), Cristina Kirchner (2007-15) e Alberto Fernández (2019-23).

A corrupção e o fracasso total dos últimos governos do peronismo kirchnerista e a ascensão do anarcocapitalismo do presidente Javier Milei são o maior abalo ao movimento político do general.

PRIMEIRO WALKMAN

    Em 1979, a empresa eletroeletrônica japonesa Sony, a mesma que havia popularizado o rádio de pilha nos anos 1950, lança o primeiro Walkman. 

Os radinhos não tinham a qualidade do som estereofônico que as pessoas ouviam em casa. O Walkman, com uma fita cassete, melhora a qualidade de som e cria a primeira geração de pessoas que andam pelas ruas de fones de ouvido, imersas no seu próprio mundo.

No primeiro mês, a Sony só vende 3 mil aparelhos. Em agosto, a estratégia de marketing muda radicalmente. Agentes da Sony abordam transeuntes nas ruas de Tóquio para que experimentem o novo invento. Antes do fim de agosto, os estoques se esgotam.

A criação do iPod, lançado pela Apple em 23 de outubro de 2001, acaba com a era do Walkman. Permite armazenar mil canções com uma bateria de 10 horas de duração. Hoje a música está integrada aos telefones inteligentes.

DEVOLUÇÃO DE HONG KONG

    Em 1997, mais de um século e meio depois da Primeira Guerra do Ópio (1839-42), o Reino Unido devolve Hong Kong à China, que promete manter o regime político liberal durante pelo menos 50 anos dentro da fórmula "um país, dois sistemas", que o então líder Deng Xiaoping cria pensando também na reunificação com Taiwan.

Com a Lei de Segurança Nacional imposta em 2020 a Hong Kong, o regime comunista chinês acaba, na prática, com as liberdades democráticas no território, quebrando o compromisso de mantê-las durante pelo menos 50 anos.

Ao festejar o aniversário da devolução, o ditador Xi Jinping costuma citar várias vezes "um país, dois sistemas", a fórmula que enterra para submeter a ex-colônia britânica a seu poder absoluto.

TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL

    Em 2002, começa a funcionar em Haia, na Holanda, o Tribunal Penal Internacional (TPI), criado pelo Estatuto de Roma (1998) para investigar e processar indivíduos envolvidos em casos de genocídio, crimes de guerra, crimes de agressão e crimes contra a humanidade quando há omissão da Justiça dos países-membros e assim combater a impunidade. Para instalar o tribunal, pelo menos 60 países precisam ratificar o Estatuto de Roma, o que acontece em 11 de abril de 2002.

Como não tem competência retroativa, o tribunal julga os casos acontecidos a partir desta data. Os Estados Unidos e a Rússia assinam o tratado, mas nunca ratificam. Os EUA queriam submeter o procurador-geral ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. A China e a Índia nem assinam. Em princípio, estes países estão imunes em seus territórios nacionais, mas não seus agentes no exterior ou mesmo seus governantes por crimes cometidos no exterior.

A ideia de criar um tribunal internacional para crimes de guerra surge na Conferência de Paz de Versalhes (1919) depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18). A Liga das Nações realiza uma conferência em Genebra em 1937 para criar um tribunal internacional permanente para julgar atos de terrorismo internacional. Treze países assinam a convenção, mas nenhum a ratifica. Ela não entra em vigor.

Depois da Segunda Guerra Mundial, há a criação do Tribunal Militar Internacional de Nurembergue, na Alemanha, para julgar os criminosos nazistas, e o Tribunal Militar Internacional de Tóquio para julgar os japoneses, ambos temporários.

Durante a Guerra Fria entre EUA e União Soviética, a ideia de um tribunal penal internacional é inviável.

Nos anos 1990, há dois tribunais internacionais temporários para os crimes de guerra e contra a humanidade cometidos na Iugoslávia e em Ruanda. Em 1994, a Comissão de Direito Internacional apresenta o projeto do Tribunal Penal Internacional à Assembleia Geral da ONU e recomenda a realização de uma conferência internacional para aprová-lo.

Após várias reuniões preparatórias, a conferência é convocada para Roma. Em 17 de julho de 1998, 120 países aprovam o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional. Sete votam contra (Catar, China, EUA, Iêmen, Iraque, Israel e Líbia) e 21 se abstêm. Hoje 125 países são membros do tribunal.

Em 2009, o TPI decretou a prisão do ditador do Sudão, Omar Bachir, pelo genocídio da Darfur. Ele vai a uma reunião da União Africana na África do Sul. A Suprema Corte sul-africana manda prender, com base no compromisso do país como signatário do Estatuto de Roma, mas o governo não executa a ordem judicial.

Mesmo que a Rússia não seja parte do tribunal, em março de 2022, o tribunal emite uma ordem de prisão contra o ditador da Rússia, Vladimir Putin, por sequestro e deportação de menores ucranianos levados para russificação, o que configura crime de genocídio.

O TPI também investiga possíveis crimes de guerra cometidos por Israel e pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) na Guerra de Gaza mesmo Israel não sendo parte porque a Palestina é e os crimes de que Israel é acusado aconteceram principalmente na Faixa de Gaza. 

Em 2024, o procurador-geral pediu a prisão do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e do ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, e de três dirigentes do Hamas, o líder máximo, Ismail Haniya; o comandante do braço armado do grupo, Mohamed Deif; e do líder em Gaza, Yahya Sinwar, considerado o mentor do ataque terrorista de 7 de outubro de 2023. Um painel de três juízes aceita o pedido, mas os três líderes do Hamas são mortos na guerra.

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