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domingo, 31 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 31 de Maio

NASCE WALT WHITMAN 

    Em 1819, nasce Walt Whitman, um dos maiores poetas da literatura norte-americana, autor de Folhas das Folhas da Relva.

FIM DA GUERRA DOS BÔERES

    Em 1902, com a assinatura do Tratado de Vereeniging, termina a Segunda Guerra dos Bôeres, na África do Sul, com a vitória do Império Britânico.

A maior e mais custosa guerra do Reino Unido desde as guerras napoleônicas começa em 11 de novembro de 1899 e é travada por exércitos desiguais. Os britânicos tem 500 mil homens contra 88 mil mil bôeres, os camponeses que origem holandesa e francesa que formam o povo africâner.

A principal causa da guerra é a ambição imperial de assumir o controle sobre as minas de ouro de Witwatersrand, que ficam na República Sul-Africana, na região do Transvaal, aliada do Estado Livre de Orange. Os britânicos alegam estar exercendo sua suserania estabelecida nas convenções de Pretória (1881) e de Londres (1885).

Apesar da vantagem no número de homens, os britânicos lutam num país hostil com terreno acidentado. Em posição defensiva, os bôeres usam rifles modernos para conter o avanço inimigo. É uma prévia da guerra de trincheiras da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Mais de 22 mil britânicos morrem e 934 desaparecem, e 6.189 boêres são mortos. Os britânicos chamam os boêres de "tribo branca da África" e os internam em campos de concentração, que haviam sido usados pela Espanha contra a luta contra a independência de Cuba.

BATALHA DE JUTLÂNDIA

    Em 1916, começa a maior batalha naval da Primeira Guerra Mundial, a Batalha da Jutlândia, travada no Mar do Norte, perto da Dinamarca, pela Grande Frota da Marinha Real Britânica, sob o comando do almirante John Jellicoe, e a Frota de Alto Mar do Império Alemão, sob a liderança do vice-almirante Reinhard Scheer.

As duas armadas evitam o confronto no início da guerra. O Reino Unido tem a maior marinha de guerra do mundo e quer manter o inimigo longe das Ilhas Britânicas e das rotas de navegação do Oceano Atlântico, mas a Alemanha tem submarinos, que usa para tentar reduzir o tamanho da frota britânica até ter condições de vencê-las.

Na tarde de 31 de maio, as esquadras de cruzadores do vice-almirante britânico David Beatty encontram os cinco cruzadores do grupo de reconhecimento rápido do vice-almirante Franz Hipper muito antes do que os alemães esperam. Mas os alemães conseguem atrair os britânicos para a rota da Frota de Alto Mar.

Ao avistar a esquadra alemã, que os britânicos não sabem que está em mar aberto, Beatty recua e as forças da Alemanha saem em perseguição. À noite, as duas frotas, com um total de 250 navios, se enfrentam duas vezes; 14 navios britânicos e 11 alemães vão a pique.

Durante a noite, Jellicoe tenta afastar os alemães de suas bases, mas Scheer rompe o cerco e volta para o porto. Os dois lados cantam vitória, mas o resultado é inconclusivo. Os britânicos perdem 6.094 soldados, 28 couraçados, 9 cruzadores de batalha, 8 cruzadores blindados, 26 cruzadores rápidos, 78 contratorpedeiros, 1 navio lança-minas e 1 porta-aviões. Os alemães, 22 couraçados, 5 cruzadores de batalha, 11 cruzadores rápidos e 61 contratorpedeiros. 

MASSACRE DE TULSA 

    Em 1921, começa o Massacre de Tulsa, em Oklahoma, o maior ataque isolado contra negros da história dos Estados Unidos.

Uma malta de supremacistas brancos ataca uma delegacia onde está preso Dick Rowland, acusado de agressão contra uma jovem ascensorista branca. Os negros ajudam a polícia a defender a delegacia. 

A malta branca segue então para Greenwood, o bairro negro da cidade, na época chamada de "capital mundial do petróleo", onde fica a Wall Street Negra, referência ao centro financeiro de Nova York. Durante 18 horas, os terroristas brancos arrasam o bairro negro, destruindo casas, lojas, hotéis e hospitais. Cerca de 300 negros são mortos.

EICHMANN ENFORCADO

    Em 1962, o carrasco nazista Adolf Eichmann, um dos criminosos de guerra do Holocausto, é enforcado em Telavive, depois de fugir em 1946 de um campo de prisioneiros da Segunda Guerra Mundial (1939-45) e viver clandestinamente por 14 anos até ser preso na Argentina em 11 de maio de 1960 e levado secretamente para julgamento em Israel.

Eichmann nasce em Solingen em 19 de março de 1906. Durante a Primeira Guerra Mundial, a família se muda para Linz, na Áustria. Antes de entrar para o Partido Nazista, ele leva uma vida desinteressante. Trabalha como vendedor em uma companhia de petróleo e perde o emprego na Grande Depressão (1929-39).

Ele entra para o Partido Nazista em abril de 1932 em Linz e sobe rapidamente na hierarquia. Em novembro, se torna membro da SS, a força paramilitar do partido, sob o comando de Heinrich Himmler. Em 1933, Eichmann sai de Linz para a escola de terrorismo da Legião Austríaca em Lechfeld, na Alemanha.

De janeiro a outubro de 1934, ele serve na unidade da SS no campo de concentração de Dachau. De lá vai para o escritório central da SS em Berlim, onde trabalha para o serviço secreto na seção de assuntos judaicos.

Depois da anexação da Áustria pela Alemanha Nazista, em março de 1938, Eichmann é enviado para Viena para "livrar" a cidade de judeus. Um ano depois, vai para Praga cumprir a mesma missão na Tcheco-Eslováquia. Ao criar o Escritório Central de Segurança do Reich, Himmler nomeia Eichmann para a seção sobre judeus em Berlim.

Quando os nazistas aprovam a "solução final da questão judaica", o extermínio dos judeus da Europa, na Conferência de Wannsee, in Berlim, em 20 de janeiro de 1942, Eichmann é o grande executor. Coordena a prisão e a deportação de judeus para campos de concentração e centros de extermínio.

No fim da guerra, Eichmann é capturado, mas consegue fugir de um campo de prisioneiros em 1946 e vai para a Áustria e a Espanha até se fixar na Argentina em 1958. Ele é localizado e preso perto de Buenos Aires em 11 de maio de 1960 e retirada secretamente do país e levado para Israel nove dias depois.

Seu julgamento pelo Estado de Israel, fundado em 1948, três anos depois do fim da guerra, recebe crítica de ser Justiça pós-fato, porque as leis e a Justiça de Israel não existem quando os crimes são cometidos. Há apelos para que o julgamento seja na Alemanha ou num tribunal internacional. Mas Israel insiste em julgar Eichmann. Vê uma oportunidade de educar as novas gerações sobre o Holocausto.

Eichmann alega não ser antissemita, mas apenas um burocrata que cumpriu rigorosamente as ordens. Diz que leu O Estado Judeu, de Theodor Herzl, livro que lança o moderno sionismo, o movimento nacional do povo judeu, e não Minha Luta, de Adolf Hitler. Nega até mesmo que seu escritório tivesse responsabilidade pelo extermínio dos judeus.

Seis milhões de judeus morrem no Holocausto, 60% da população de judeus da Europa, no que é considerado o pior genocídio da história, além de 1,5 milhão e meio de ciganos, e ainda socialistas, comunistas, anarquistas, negros e oposicionistas do regime nazista.

O julgamento vai de 11 de abril a 15 de dezembro de 1961, quando Eichmann é condenado à morte na forca.

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sábado, 23 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 23 de Maio

PRISÃO DE JOANA D'ARC

    Em 1430, Joana d'Arc é capturada pelas forças de Borgonha, aliadas da Inglaterra na Guerra dos Cem Anos (1337-1453).

A Donzela de Orleans é uma guerreira, uma heroína e uma santa francesa, homenageada em 30 de maio, dia da sua morte. Aos 17 anos, lidera o Exército Real da França.

Joana d'Arc nasce em 1412 em Donrémy, no Nordeste da Franca, numa família camponesa e alega ter visões de São Miguel, Santa Catarina e Santa Margarida que a inspiram a se unir ao exército de Carlos VI para livrar a França do domínio da Inglaterra. Vira uma heroína ao entrar em combate no Cerco de Orleans, de 12 de outubro de 1428 a 8 de maio de 1429, a primeira grande vitória francesa depois da derrota na Batalha de Agincourt, em 25 de outubro de 1415.

A França obtém outras vitórias, mas o Cerco de Paris, de 3 a 8 de setembro, fracassa. Em 23 de maio de 1430, Joana d'Arc é capturada pelas forças de João, Duque de Borgonha, aliado da Inglaterra. É julgada pelo bispo Pierre Cauchon, que faz acusações de cunho religioso e a condena à morte na fogueira como uma bruxa.

Na História dos Povos da Língua Inglesa, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill considera um grande erro a execução na fogueira, em Ruan, em 30 de maio de 1341, que a transforma em mártir. Em 1456, um Tribunal da Inquisição autorizado pelo papa Calisto III a proclama inocente e mártir da Igreja.

Depois da Reforma Protestante, no século 16, Joana d'Arc vira um símbolo da Igreja Católica. Por decisão de Napoleão Bonaparte, em 1803, torna-se um símbolo nacional de França. É beatificada em 1909 e declarada Santa Joana d'Arc em 1920. Hoje é a heroína cultuada pela extrema direita francesa.

COMEÇA GUERRA DOS TRINTA ANOS

    Em 1618, a Terceira Defenestração de Praga, em que protestantes tchecos jogam dois representantes do imperador católico do Sacro Império Romano-Germânico pela janela do Castelo de Praga, dá início à Guerra dos Trinta Anos.

A defenestração é uma rejeição à tentativa do imperador de restringir a liberdade religiosa. A guerra causada pelo conflito entre católicos e protestantes se transforma numa grande disputa pelo poder na Europa.

É no início um conflito religioso que começa dentro do Sacro Império, com os católicos austríacos e espanhóis lutando contra os reinos e principados protestantes. Depois das intervenções da Dinamarca (1625-29) e da Suécia (1630-35) do lado dos protestantes, a França, apesar de majoritariamente católica, intervém ao lado dos protestantes em 1635 sob a liderança do Cardeal de Richelieu, primeiro-ministro do rei Luís XIII.

A Guerra dos Trinta Anos é o conflito que provoca as invasões holandesas no Nordeste do Brasil e o fim da União Ibérica, o período da história do Brasil conhecido como Domínio Espanhol (1580-1640), quando o rei da Espanha reina também em Portugal. Richelieu fomenta a Revolta de Lisboa, em 1º de maio de 1640, para Portugal recuperar a independência e enfraquecer a Espanha, o que acontece em 1º de dezembro do mesmo ano.

Cinco dias após a ascensão de Luís XIV ao trono da França com menos de cinco anos, a França quebra na Batalha de Rocroi o mito da invencibilidade espanhola nas guerras europeias. No fim da guerra, a França toma o lugar da Espanha como a maior potência da Europa continental.

A Paz da Vestfália, assinada em 24 de outubro de 1648, cria uma nova ordem internacional para acabar com as guerras religiosas na Europa. Consagra os princípios de soberania nacional e não intervenção nos assuntos internos de outros países como bases da sociedade internacional, embora sejam seguidamente violados.

GUERRA DA INDEPENDÊNCIA DOS EUA

    Em 1777, as forças do coronel Return Jonathan Meigs, do Exército Continental, capturam 24 navios britânicos e queimam suprimentos destinados aos casacas vermelhas (britânicos) em Sag Harbor, no estado de Nova York, durante a Guerra da Independência dos Estados Unidos (1775-83). 

Com baionetas, sem dar tiros para não chamar a atenção, os patriotas americanos tomam o forte britânico e prendem o comandante. Seis soldados britânicos são mortos e 90 capturados. É o único ataque bem-sucedido dos rebeldes a Long Island durante a guerra. 

ITÁLIA DECLARA GUERRA À ÁUSTRIA-HUNGRIA

    Em 1915, a Itália declara guerra ao Império Austro-Húngaro e entra na Primeira Guerra Mundial (1914-18) ao lado da Tríplice Entente (França, Reino Unido e Rússia). 

Quando a guerra começa, em julho e agosto de 1914, a Itália opta pela neutralidade, apesar de fazer parte da Tríplice Aliança, criada em 1882, ao lado da Alemanha e da Áustria-Hungria, sob a alegação de que a aliança é defensiva. Adere ao outro lado depois de receber, no Tratado de Londres, de abril de 1915, promessas de controle de sua fronteira com a Áustria-Hungria, parte da Dalmácia, da Albânia e de territórios do Império Otomano. 

Quando a guerra acaba, 615 mil italianos estão mortos. O país ganha o controle da região do Tirol, mas muito menos do que prometido em Londres. A delegação italiana chega a se retirar da Conferência de Paz de Versalhes, a paz para acabar com todas as pazes. 

O ressentimento italiano contribui para a ascensão do fascismo, que domina a Itália de 1922 até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). O futuro ditador Benito Mussolini era do Partido Socialista Italiano, a favor da neutralidade. Sua decisão de apoiar a Primeira Guerra Mundial (1914-18) leva à criação do Partido Revolucionário Fascista, em janeiro de 1915, antes mesmo de ser expulso do PSI, em 29 de novembro daquele ano. 

Mussolini seria o principal aliado do ditador alemão Adolf Hitler e do Nazismo na Segunda Guerra Mundial. 

MORTE DE BONNIE E CLYDE

    Em 1934, policiais do Texas e da Louisiana matam os lendários criminosos Bonnie e Clyde quando fogem num carro roubado da cidade de Sailes, na Louisiana, nos Estados Unidos.


Bonnie Parker tem 19 anos quando conhece Clyde Barrow, no Texas. Seu marido está preso por homicídio. Clyde é preso por roubo. Ela vai visitá-lo na cadeia e lhe entrega um revólver. Ele foge, mas é recapturado em Ohio. 

Quando consegue liberdade condicional, em 1932, Clyde vai atrás de Bonnie. Os dois iniciam uma carreira de crimes. Assaltam bancos e lojas em cinco estados: Texas, Lousiana, Missouri, Novo México e Oklahoma. 

Para a polícia, é um casal de criminosos frios e sem escrúpulos, capazes de matar quem cruza seu caminho, especialmente policiais. Ao todo, a gangue mata 13 pessoas, inclusive nove policiais. Mas uma visão romântica de que seriam um Robin Hood moderno cria uma aura de heróis populares, como aconteceu no Brasil com os cangaceiros. Esta fama é reforçada pelo filme Bonnie & Clyde, de 1967, com Faye Dunaway e Warren Beatty. 

SUICÍDIO DE HIMMLER

    Em 1945, o líder nazista Heinrich Himmler, comandante das tropas paramilitares do partido (SS) e subchefe da polícia política Gestapo, comete suicídio um dia após ser capturado pelos britânicos.


 
A SS (Schutzstaffel) era o braço armado do Partido Nazista. Himmler a transforma de um batalhão de 290 homens numa força paramilitar com um milhão. Como um dos homens mais poderosos da Alemanha, ministro do Interior de Adolf Hitler, ajuda a criar e instalar campos de concentração. É um dos principais responsáveis pelo Holocausto. 

Diante da derrota iminente, Himmler tenta iniciar negociações com as potências ocidentais sem o conhecimento de Hitler. Ao saber disso, o Führer o demite, em abril de 1945. Ele tenta fugir, mas é preso por soldados britânicos e se mata. 

ALEMANHA OCIDENTAL

    Em 1949, nasce a República Federal da Alemanha, mais conhecida como Alemanha Ocidental, consolidando a divisão da Alemanha.

No fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), as forças aliadas ocupam a Alemanha. Em 1949, a parte ocidental, tomada pelos Estados Unidos, o Reino Unido e a França forma a Alemanha Ocidental, enquanto a parte ocupada pela União Soviética vira a República Democrática da Alemanha (democrática só no nome), a Alemanha Oriental. Konrad Adenauer é o primeiro chanceler alemão-ocidental.

A capital da Alemanha é dividida em Berlim Ocidental e Berlim Oriental. Diante da fuga em massa para o Ocidente, de 12 para 13 de agosto de 1961, o regime comunista alemão-oriental ergue um muro dividindo a cidade, chamado de Muro da Vergonha. 

A abertura do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989, em meio a revoluções democráticas na Europa Oriental, é o início do fim da Alemanha Oriental. Em 3 de outubro de 1990, a República Federal da Alemanha é unificada.

CHINA ANEXA O TIBETE

    Em 1951, a República Popular da China anexa o Tibete, que era independente desde o fim do Império Chinês, em 1912. Nasce o movimento pela independência do Tibete sob a liderança do Dalai Lama, que fala em autonomia para não provocar o regime comunista chinês.

A China é durante 2 mil anos o Império do Meio, o centro do mundo na Ásia. Por se fechar ao mundo, entra em declínio na era industrial. É vencida pelo e humilhada Império Britânico nas Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60). A derrota para o Japão na Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95) acaba com a ordem sinocêntrica na Ásia.

Há uma última reação anti-imperialista na Guerra dos Boxers (1899-1901). Mais uma derrota, e o Império Chinês acaba. O Tibete, parte do império desde o século 13, se torna independente. 

Quando a revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung conquista o poder, em 1º de outubro de 1949, entre os objetivos centrais estão restaurar a dignidade do povo chinês, humilhado pelos imperialismos ocidental e japonês, e as fronteiras históricas da China.

Pouco depois, Mao manda invadir o Tibete. Como o acesso é difícil, o Exército Popular de Libertação (EPL) leva 11 meses para chegar lá, em 6 de outubro de 1950. Sete meses depois, a China toma conta do Tibete, que mantém a estrutura administrativa sob o controle chinês.

A crescente sinificação causa à Revolta Tibetana em 10 de março de 1959. Os. rebeldes tomam Lhaça. Com a derrota duas semanas depois, o Dalai Lama foge para o exílio no Norte da Índia e Beijim assume o controle sobre a região, aliás sobre todo o Grande Tibete, que inclui a província da Gansu e tem uma área superior a 1,1 milhão de quilômetros quadrados.  

ISRAEL PRENDE EICHMANN

    Em 1960, o fundador e primeiro-ministro de Israel, David ben Gurion, anuncia a captura do carrasco nazista Adolf Eichmann, dias antes, em San Fernando, nos arredores de Buenos Aires, na Argentina. 

Um dos articuladores da "solução final para a questão judaica", um plano para exterminar o povo judeu, ele é levado para julgamento em Israel, onde é condenado à morte e enforcado em 31 de maio de 1962.

Eichmann participa da Conferência de Wannsee, realizada em 20 de janeiro de 1942 num palacete à beira do Lago Wannsee, em Berlim, para planejar a "solução final". Fica encarregado de identificar, reunir e transportar os judeus da Europa tomada pela Alemanha nazista para campos de concentração. Pelo menos 4 milhões de judeus morrem em centros de extermínio e outros 2 milhões fora dos campos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

MAREMOTO MATA NO HAVAÍ 

    Em 1960, ondas de mais de 10 metros causadas por um terremoto no Chile atingem o Havaí e matam 61 pessoas na Baía de Hilo, na ilha do Havaí.

Na véspera, o Terremoto de Valdívia, de 9,5 graus na escala aberta de Richter, o mais violento registrado até hoje, mata entre mil e 6 mil pessoas pessoas no Chile. Outras 180 pessoas morrem nas ilhas de Honshu e Hokkaido, no Japão. Os prejuízos na costa oeste dos EUA são avaliados em US$ 1 milhão, mas ninguém morre. 

TOM PETTY DECLARA FALÊNCIA

Em 1979, o cantor e compositor americano Tom Petty declara falência para se livrar de um contrato com a gravadora Shelter Records.
 
A indústria da música costuma pagar um adiantamento aos músicos a ser descontado dos futuros ganhos com direitos autorais. Como as despesas de estúdio e distribuição dos discos, incluindo ações de marketing e turnê para promover a obra, são elevadas, muitos artistas nunca recuperam as perdas. 

Tom Petty decide bancar seu próprio disco. Com dívidas de US$ 500 mil, declara falência. A gravadora MCA, que controla a Shelter, cede, anula o contrato e o recontrata por US$ 3 milhões. 

Seu próximo álbum, Damn the Torpedoes, ganha um duplo disco de platina e transforma Tom Petty and the Heartbreakers em celebridades do rock. Ele vende 60 milhões de discos e morre em 2 de outubro de 2017 de uma dose excessiva de opioides, inclusive fentanil, considerada acidental.

IRLANDA LEGALIZA CASAMENTO GAY

    Em 2015, a Irlanda, um dos países mais católicos do mundo, é o primeiro a legalizar o casamento de pessoas do mesmo sexo num plebiscito, com 60,5% da participação e 62% dos votos a favor.

A vitória é esmagadora. O não só ganha em um dos 43 distritos eleitorais irlandeses. Quando a votação acaba, mais de 2 mil pessoas festejaram no Castelo de Dublin, iluminado com as cores da bandeira do arco-íris do movimento LGBTQ.

A Igreja Católica protesta. O cardeal Pietro Parolin descreve o resultado como uma "derrota para a humanidade".

É uma luta antiga. A homossexualidade era crime na Irlanda até 1993. Quando a data do plebiscito é marcada, em 19 de fevereiro de 2015, a campanha começa.

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sábado, 11 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 11 de Abril

NAPOLEÃO VAI PARA O EXÍLIO EM ELBA

    Em 1814, o imperador Napoleão Bonaparte, um dos maiores generais de todos os tempos, abdica ao trono da França e vai para o exílio na Ilha de Elba, no Mar Mediterrâneo.

Napoleão nasce em Ajácio, na Córsega, em 15 de agosto de 1769, dois anos depois que a ilha passa ao domínio da França. Depois de fazer a escola militar, ele ascende nas Forças Armadas com a Revolução Francesa de 1789, que expurga os oficiais de origem aristocrática. Os generais precisavam ter quatro gerações de nobreza. Em 1795, Napoleão é promovido a general e leva o Exército da França a uma série de vitórias militares na Europa.

Ele toma um poder num golpe militar em 12 de dezembro de 1799. Torna-se primeiro cônsul da França, acaba com a revolução e vira ditador.

Em 1804, Napoleão obriga o papa a coroá-lo imperador. Com mais vitórias militares, conquista uma grande parte da Europa e promove reformas de longo impacto, impondo reformas judiciárias, constituições e o direito de voto para todos os homens, acabando com os resquícios de feudalismo.

No Código Napoleônico, até hoje a base do Direito Civil na França e nos países latinos, inclusive no Brasil, consolida as liberdades conquistadas pela Revolução Francesa como a tolerância religiosa.

Em 1812, comete seu maior erro estratégico. Invade a Rússia com o Grande Exército, de mais de 600 mil homens. A França vence a Batalha de Borodino, em 7 de setembro, mas é uma vitória de Pirro. As baixas francesas ficam perto das russas. Uma semana depois, Napoleão entra em Moscou.

Os russos abandonam e incendeiam Moscou, deixando os franceses sem comida e abrigo. A retirada, durante o outono no Hemisfério Norte, é catastrófica. Toda a Europa se une contra Napoleão. Ele se oferece para abdicar em favor de seu filho, mas a proposta é rejeitada.

Com 700 homens, Napoleão foge do exílio em 26 de fevereiro de 1815, volta a Paris, retoma o poder e reina por 110 dias, até a derrota final na Batalha de Waterloo, na Bélgica, em 18 de junho do mesmo ano. Em 22 de junho, abdica em favor de seu filho, sai de Paris e tenta fugir para os Estados Unidos, mas é capturado pela Marinha Real britânica.

No exílio na Ilha de Santa Helena, no Oceano Atlântico, Napoleão escreve um livro sobre Júlio César, um de seus grandes heróis, e aprende inglês para ler jornais, já que jornais franceses não chegam à ilha. Ele morre em 5 de maio de 1821.

JOSÉ MARTÍ INVADE CUBA

    Em 1895, o poeta e ensaísta cubano José Martí, herói da independência de Cuba, entra em ilha como líder de uma força invasora que luta contra o colonialismo da Espanha.

José Julián Martí y Pérez nasce em Havana em 28 de janeiro de 1853. Cresce na capital cubana. Aos 15 anos, publica vários poemas. Aos 16 anos, funda o jornal La Patria Libre. Durante uma revolta nacionalista em 1868, fica do lado dos patriotas. É preso e condenado a seis meses de trabalhos forçados. Em 1871, é deportado para a Espanha.

Lá, continua seus estudos e se forma em direito na Universidade de Saragoça em 1874. Nos próximos anos, vive na França, no México e na Guatemala, onde escreve e trabalha como professor. Volta a Cuba em 1878.

Por causa das atividades políticas, é exilado mais uma vez na Espanha em 1879. Vai para a França, Nova York e a Venezuela, onde funda a Revista Venezolana em 1881. A publicação provoca a ira do ditador venezuelano Antonio Guzmán Blanco. No mesmo ano, volta para Nova York, onde continua escrevendo artigos, ensaios e poemas.

Sua coluna no jornal argentino La Nación o torna famoso em toda a América Latina. O livro Versos Libres mostra uma poética singular tendo como tema a liberdade. Nos ensaios Nuestra América (1881), Emerson (1882), Whitman (1887) e Bolívar (1893), expressa suas visões sobre a América Latina e os Estados Unidos.

Em 1892, Martí rejeita o título de presidente e é eleito delegado do Partido Revolucionário Cubano. Em Nova York, planeja a invasão de Cuba. Vai para São Domingos, capital da República Dominica, em 31 de janeiro de 1895. Junto com o líder revolucionário Máximo Gómez e outros patriotas, invade Cuba em 11 de abril. 

José Martí morre numa batalha em Dois Rios, na província do Oriente, em 19 de maio, aos 42 anos. Cuba conquista a independência depois da Guerra Hispano-Americana (1898), em que os EUA derrotam a Espanha. É o fim do imperalismo espanhol, que começa com a Descoberta da América em 1492, e um marco do início do imperialismo norte-americano, Os EUA tomam as Filipinas e Porto Rico.

Depois da morte de Martí, são publicadas coletâneas de seus textos políticos: Dentro do Monstro: escritos sobre os EUA e o imperialismo norte-americano (1975), Nossa América: escritos sobre a América Latina e a luta pela independência de Cuba (1978) e Sobre a Educação (1979).

TRUMAN DEMITE GENERAL MacARTHUR

    Em 1951, o presidente Harry Truman afasta o general Douglas MacArthur do comando das forças dos Estados Unidos e das Nações Unidas na Guerra da Coreia (1950-53) por insubordinação e por não querer travar uma guerra limitada. MacArthur queria usar armas nucleares.

MacArthur nasce em Little Rock, no Arkansas, em 26 de janeiro de 1880. Ele se forma na Academia Militar de West Point com distinção e louvor em 1903. Passa vários meses numa força dos EUA que ocupa Veracruz, no México, em 1914, durante a Revolução Mexicana. Comanda brigada e uma divisão em operações de combate na França da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Em 1930, MacArthur é nomeado comandante do Exército. Passa a Grande Depressão tentando evitar o sucateamento das Forças Armadas. Vai para a reserva em dezembro de 1937.

Um pouco antes da entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial, em julho de 1941, MacArthur é convocado. No dia do bombardeio a Pearl Harbor, 7 de dezembro de 1941, o Japão também ataca as Filipinas, na época uma colônia norte-americana. Vai para a Austrália em março de 1942 como comandante das forças aliadas no Sudoeste do Oceano Pacífico.

Os EUA atacam primeiro a Nova Guiné e Papua, também ocupadas pelo Império do Japão. Suas forças invadem as Filipinas no outono de 1944. Com a vitória, MacArthur é governador militar durante a ocupação do Japão pelos EUA (1945-51). 

Quando começa a Guerra da Coreia, ele é nomeado comandante das forças da ONU. Como a União Soviética está boicotando a ONU em protesto contra a não admissão da República Popular da China (Taiwan ocupou a cadeira da China até 1971), não houve veto no Conselho de Segurança. Até hoje, os EUA tem um mandato da ONU para unificar à força a Península da Coreia. Por isso, a Coreia do Norte diz que os EUA são o verdadeiro inimigo e a Coreia do Sul apenas um país-fantoche.

Depois da invasão norte-coreana que dá início à guerra em 25 de junho de 1950, os EUA contra-atacam. As forças de MacArthur invadem o Norte. Aí o 4º Exército da China, sob o comando de Lin Piao, cruza o Rei Yalu, entra na guerra e empurra as forças lideradas pelos EUA para o sul do Paralelo 38º Norte, o marco da divisa entre as duas Coreias.

Há uma guerra entre os EUA e a China dentro da Guerra da Coreia, e a China vence no sentido de que obtém seu objetivo político, evitar que os EUA e aliados tenham forças junto a sua fronteira.

A guerra entra num impasse. MacArthur é afastado. Muito popular, em 1944, 1948 e 1952, conservadores do Partido Republicano tentam lançar a candidatura de MacArthur à Casa Branca. Ele Vira presidente do conselho da Remington Rand Corporation em 1952 e passa o resto da vida no setor privado. Morre aos 84 em Washington em 5 de abril de 1964.

JULGAMENTO DE EICHMANN

    Em 1961, começa em Jerusalém o julgamento do carrasco nazista Adolf Eichmann, que dura oito meses e termina com a única sentença de morte imposta até hoje pela Justiça de Israel.

Eichmann nasce em Solingen, na Alemanha, em 19 de março de 1906. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), a família se muda para Linz, na Áustria. Ele trabalha como caixeiro viajante para uma companhia de petróleo e perde o emprego durante a Grande Depressão (1929-39).

Em abril de 1932, Eichmann entra para o Partido Nazista. Em novembro, se torna membro da SS, a força paramilitar do partido. De janeiro a outubro de 1934, ele serve na unidade da SS no campo de concentração de Dachau. Depois, vai para o escritório central do serviço secreto da SS, em Berlim, onde trabalha na seção encarregada da questão judaica.

Ele sobe na hierarquia da SS. Quando a Alemanha Nazista anexa a Áustria, em março de 1938, é enviado para livrar Viena de judeus. Um ano depois, com a anexação da Tcheco-Eslováquia, vai a Praga com a mesma missão.

Quando Heinrich Himmler cria o Escritório Central de Segurança do Reich, em 1939, Eichmann é transferido para sua seção de questões judaicas. Na Conferência do Lago Wannsee, em Berlim, em 20 de janeiro de 1942, os líderes nazistas aprovam a "solução final" para os judeus da Alemanha e dos países conquistados, o genocídio cometido no Holocausto. Eichmann é o principal executor.

Cabe a ele identificar, reunir e transportar todos os judeus da Europa ocupada para centros de extermínio como o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Seis milhões, 60% dos judeus da Europa, morrem no Holocausto.

No fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), os Estados Unidos prendem Eichmann, mas em 1946 ele consegue escapar. Depois de alguns anos vivendo na Alemanha com identidade falsa, ele foge para a Argentina em 1958 através da Áustria e da Itália.

Em 11 de maio de 1960, o serviço secreto de Israel sequestra Eichmann perto de Buenos Aires e nove dias depois o leva para Israel. O julgamento por juízes judeus num Estado judeu que não existia na época do Holocausto suscita dúvidas sobre legalidade e legitimidade. Há propostas para que Eichmann seja processado por um tribunal internacional, mas Israel faz questão de realizar o julgamento, inclusive como educação sobre o Holocausto.

No tribunal, ele alega que não é antissemita, mas apenas um burocrata obediente que cumpria rigorosamente as ordens. Em 15 de dezembro de 1961, o julgamento termina com a condenação de Eichmann, que é enforcado em 31 de maio de 1962.

Agora, por iniciativa do governo de extrema direita, a Knesset, o Parlamento de Israel, acaba de aprovar uma lei discriminatória que cria a pena de morte por terrorismo, mas só para palestinos. Israelenses condenados pelos mesmos delitos, como os colonos da Cisjordânia, não estão sujeitos à pena capital.

FUGA DE IDI AMIN

    Em 1979, quando as forças da Tanzânia se aproximam de Kampala, Idi Amin Dada, o protótipo do ditador africano cruel e brutal, que se torna conhecido como o Carniceiro de Uganda, foge.

Idi Amin nasce em 1924 ou 1925 e tem pouca educação formal. Em 1946, ele entra para o exército colonial britânico como auxiliar de cozinheiro. Ele alega ter lutado na Birmânia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), mas só entra para o exército depois do fim da guerra. Luta contra a Revolta dos Mau Mau (1952-56) no Quênia, um episódio trágico da descolonização da África.

Quando Uganda se torna independente, em 1962, Idi Amin se aproxima do primeiro-ministro e presidente Milton Obote. Ele se torna comandante do Exército e da Força Aérea, dá um golpe em 25 de janeiro de 1971 e impõe uma tirania.

Em 1972, expulsa os asiáticos de Uganda, na maioria indianos, o que tem forte impacto negativo na economia. Muçulmano, hostiliza Israel, se aproxima da Líbia e dos palestinos. Envolve-se diretamente no sequestro de um avião francês desviado para Entebe, em 1976, quando comandos israelenses invadem o país para resgatar os reféns.

Cerca de 300 mil pessoas morrem sob a ditadura de Idi Amin, comparado pelo senador Paulo Brossard ao ditador brasileiro Ernesto Geisel (1974-79) no discurso Carranca não é autoridade.

Em outubro de 1978, Idi Amin ordena um ataque à vizinha Tanzânia. Com o apoio da oposição em Uganda, o Exército da Tanzânia vence a guerra. Quando as forças tanzanianas se aproximam de Kampala, a capital de Uganda, em 11 de abril de 1979, Idi Amin foge para a Líbia e depois para a Arábia Saudita, onde morre em 16 de agosto de 2003.

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segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 15 de Dezembro

 MORTE DE TOURO SENTADO

    Em 1890, a polícia mata numa reserva do estado de Dakota do Sul o cacique sioux Touro Sentado, um dos maiores símbolos da resistência indígena à colonização dos Estados Unidos por imigrantes europeus e seus descendentes.

Sua recusa em levar a tribo para uma reserva indígena leva à Batalha de Little Big Horn, em 25 de junho de 1876, quando sioux e cheienes liderados por Touro Sentado e Cavalo Doido derrotam o 7º Regimento de Cavalaria, comandado pelo general George Custer. É a última grande vitória dos índios nas Guerras Indígenas dos EUA.

EICHMANN CONDENADO

    Em 1961, o carrasco nazista Adolf Eichmann, um oficial da SS, a milícia do Partido Nazista, encarregado da "solução final da questão judaica" no Holocausto, é condenado à morte em Telavive por um tribunal de crimes de guerra de Israel.

Eichmann nasce em Solingen, na Alemanha, em 19 de março de 1906. Em novembro de 1932, entra para a SS, encarregada de policiamento, inteligência e aplicação das políticas antissemitas. Ele sobe rapidamente na hierarquia.

Com a anexação da Áustria em 12 e 13 de março de 1938, Eichmann vai para Viena com a missão de livrar a cidade de judeus. Cria uma deportação. Em 1939, vai para a Tcheco-Eslováquia ocupada com a mesma missão e é indicado para a seção judaica do escritório central da SS, em Berlim.

Em 20 de janeiro de 1942, Eichmann participa da Conferência de Wannsee, em Berlim, que adota a "solução final" para exterminar os judeus da Europa. Cerca de 6 milhões, 60% dos judeus da Europa, são mortos até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Ele é capturado pelos Estados Unidos, mas consegue fugir de um campo de prisioneiros e escapa do julgamento no Tribunal de Crimes de Guerra de Nurembergue, na Alemanha. Com falsa identidade, viaja pela Europa e o Oriente Médio até chegar em 1950 à Argentina, onde se refugiam vários nazistas.

Em 1957, um procurador alemão informa Israel que Eichmann está na Argentina. O Mossad, serviço secreto de Israel, envia agentes que localizam o genocida em San Fernando, na Grande Buenos Aires. Como Israel supõe que a Argentina não vai aceitar um pedido de extradição, decide sequestrar o carrasco nazista.

Israel aproveita o grande fluxo de turistas para a Argentina em 1960 para a festa dos 150 anos da revolução que leva à independência do país. Em 11 de maio, o Mossad prende Eichmann quando caminha para a casa depois de descer de um ônibus. A família o procura em hospitais, mas não avisa a polícia.

Em 20 de maio, drogado, Eichmann é embarcado num avião disfarçado como um aeronauta israelense que teria sofrido um trauma na cabeça num acidente. Três dias depois, o primeiro-ministro David Ben Gurion revela que Eichmann está sob custódia em Israel.

A Argentina exige a devolução, mas Israel argumenta que é um criminoso de guerra com crimes contra a humanidade. O primeiro julgamento televisionado da história começa em 11 de abril de 1961.

Eichmann é alvo de 15 acusações de crimes de guerra, crimes contra a humanidade e crimes contra o povo judeu. Em sua defesa, ele alega que apenas cumpria ordens, mas é condenado por todas as acusações em 15 de dezembro e enforcado perto de Telavive em 31 de maio de 1962.

REVOLUÇÃO ROMENA

    Em 1989, a polícia abre fogo contra uma grande manifestação de protesto na cidade de Timissoara, onde a maioria étnica é de húngaros, e deflagra a revolução que derruba a ditadura comunista de Nicolae Ceausescu na Romênia.

Ceausescu é o ditador mais brutal dos regimes comunistas da Europa Oriental. No poder desde 1965,  ele retira a Romênia do Pacto de Varsóvia, a aliança militar liderada pela União Soviética. Condena das invasões de Tcheco-Eslováquia (1968) e do Afeganistão (1979).

Se adota uma política externa independente, internamente não tolera oposição ou qualquer dissenso. Para aumentar a taxa de natalidade, em 1966, proíbe o aborto e os anticoncepcionais. Em 1982, manda exportar grande parte das produções agrícola e industrial, o que causa escassez de alimentos, medicamentos, combustíveis, reduzindo o nível de vida da população. Ele também incentiva um culto da personalidade dele e de sua mulher, Elena.

Quando a polícia atira nos manifestantes em Timissoara, uma pessoa morre, mas um repórter da Agência de Notícias da Alemanha Oriental, que tinha feita sua revolução com a queda do Muro de Berlim em 9 de novembro, reporta que 10 mil morreram.

Em 22 de dezembro, quando Ceausescu faz um comício em Bucareste, é vaiado pela multidão e os militares romenos aderem à rebelião. O ditador e sua mulher são presos. Depois de um julgamento sumário, são executados em 25 de dezembro.

REABERTA TORRE DE PISA

    Em 2001, a Torre Inclinada de Pisa, na Itália, é reaberta ao público depois de 11 anos de obras no valor de US$ 27 milhões para estabilizar a estrutura. Tem 56 metros de altura. É feita de mármore.

A construção da torre do sino começa em 1173 como terceira estrutura da catedral da cidade. Quando a obra está no terceiro dos oito andares, o solo começa a ceder, levando a uma inclinação da torre em 5,5 graus ou 4,5 metros. As obras conseguem reduzir a inclinação para menos de 4 graus.

FIM DA INVASÃO DO IRAQUE

    Em 2011, o presidente Barack Obama, que sempre foi contra a invasão, retira as forças dos Estados Unidos e acaba com a guerra no Iraque.

A invasão do Iraque em 20 de março de 2003 é ordenada pelo presidente George Walker Bush sob o falso pretexto de que a ditadura de Saddam Hussein desenvolve armas de destruição em massa. O ditador cai em 9 de abril e Bush declara "missão cumprida" em 1º de maio de 2003.

Os EUA cometem vários erros, a começar pela invasão em si, inclusive a dissolução das forças de segurança do Iraque e de toda a máquina do Estado, dominada pelo partido Baath. Como o Iraque não resiste, as forças de Saddam vão para a clandestinidade com suas armas.

A alienação da minoria árabe sunita, que mandava no Iraque desde que o Império Otomano toma conta da região séculos atrás, provoca uma revolta contra o invasor, e a infiltração da rede terrorista Al Caeda agrava a situação, levando o presidente Bush a enviar um reforço de tropas em 2007.

Obama se elege em 2009 prometendo acabar com as guerras no Afeganistão e no Iraque. Ao não conseguir apoio do primeiro-ministro Nuri al-Maliki para garantir a impunidade dos soldados dos EUA, Obama decide retirar as forças norte-americanas do Iraque.

No segundo governo Obama (2013-17), a ameaça do grupo terrorista Estado Islâmico, antiga Al Caeda no Iraque, depois Estado Islâmico do Iraque, Estado Islâmico do Iraque e do Levante e Estado Islâmico, leva os militares dos EUA de volta ao Iraque em agosto de 2014.

Os EUA encerram suas missões de combate em 9 de dezembro de 2021, mas ainda mantém 2,5 mil soldados no Iraque. Suas bases militares são alvo de milícias apoiadas pelo Irã desde o início da atual guerra entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).

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sábado, 31 de maio de 2025

Hoje na História do Mundo: 31 de Maio

  NASCE WALT WHITMAN 

    Em 1819, nasce Walt Whitman, um dos maiores poetas da literatura americana, autor de Folhas das Folhas da Relva.

FIM DA GUERRA DOS BÔERES

    Em 1902, com a assinatura do Tratado de Vereeniging, termina a Segunda Guerra dos Bôeres, na África do Sul, com a vitória do Império Britânico.

A maior e mais custosa guerra do Reino Unido desde as guerras napoleônicas começa em 11 de novembro de 1899 e é travada por exércitos desiguais. Os britânicos tem 500 mil homens contra 88 mil mil bôeres, os camponeses que origem holandesa e francesa que formam o povo africâner.

A principal causa da guerra é a ambição imperial de assumir o controle sobre as minas de ouro de Witwatersrand, que ficam na República Sul-Africana, na região do Transvaal, aliada do Estado Livre de Orange. Os britânicos alegam estar exercendo sua suserania estabelecida nas convenções de Pretória (1881) e de Londres (1885).

Apesar da vantagem no número de homens, os britânicos lutam num país hostil com terreno acidentado. Em posição defensiva, os bôeres usam rifles modernos para conter o avanço inimigo. É uma prévia da guerra de trincheiras da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Mais de 22 mil britânicos morrem e 934 desaparecem, e 6.189 boêres são mortos. Os britânicos chamam os boêres de "tribo branca da África" e os internam em campos de concentração, que haviam sido usados pela Espanha contra a luta contra a independência de Cuba.

BATALHA DE JUTLÂNDIA

    Em 1916, começa a maior batalha naval da Primeira Guerra Mundial, a Batalha da Jutlândia, travada no Mar do Norte, perto da Dinamarca, pela Grande Frota da Marinha Real Britânica, sob o comando do almirante John Jellicoe, e a Frota de Alto Mar do Império Alemão, sob a liderança do vice-almirante Reinhard Scheer.

As duas armadas evitam o confronto no início da guerra. O Reino Unido tem a maior marinha de guerra do mundo e quer manter o inimigo longe das Ilhas Britânicas e das rotas de navegação do Oceano Atlântico, mas a Alemanha tem submarinos, que usa para tentar reduzir o tamanho da frota britânica até ter condições de vencê-las.

Na tarde de 31 de maio, as esquadras de cruzadores do vice-almirante britânico David Beatty encontram os cinco cruzadores do grupo de reconhecimento rápido do vice-almirante Franz Hipper muito antes do que os alemães esperam. Mas os alemães conseguem atrair os britânicos para a rota da Frota de Alto Mar.

Ao avistar a esquadra alemã, que os britânicos não sabem que está em mar aberto, Beatty recua e as forças da Alemanha saem em perseguição. À noite, as duas frotas, com um total de 250 navios, se enfrentam duas vezes; 14 navios britânicos e 11 alemães vão a pique.

Durante a noite, Jellicoe tenta afastar os alemães de suas bases, mas Scheer rompe o cerco e volta para o porto. Os dois lados cantam vitória, mas o resultado é inconclusivo. Os britânicos perdem 6.094 soldados, 28 couraçados, 9 cruzadores de batalha, 8 cruzadores blindados, 26 cruzadores rápidos, 78 contratorpedeiros, 1 navio lança-minas e 1 porta-aviões. Os alemães, 22 couraçados, 5 cruzadores de batalha, 11 cruzadores rápidos e 61 contratorpedeiros. 

MASSACRE DE TULSA 

    Em 1921, começa o Massacre de Tulsa, em Oklahoma, o maior ataque isolado contra negros da história dos Estados Unidos.

Uma malta de supremacistas brancos ataca uma delegacia onde está preso Dick Rowland, acusado de agressão contra uma jovem ascensorista branca. Os negros ajudam a polícia a defender a delegacia. 

A malta branca segue então para Greenwood, o bairro negro da cidade, na época chamada de "capital mundial do petróleo", onde fica a Wall Street Negra, referência ao centro financeiro de Nova York. Durante 18 horas, os terroristas brancos arrasam o bairro negro, destruindo casas, lojas, hotéis e hospitais. Cerca de 300 negros são mortos.

EICHMANN ENFORCADO

    Em 1962, o carrasco nazista Adolf Eichmann, um dos criminosos de guerra do Holocausto, é enforcado em Telavive, depois de fugir em 1946 de um campo de prisioneiros da Segunda Guerra Mundial (1939-45) e viver clandestinamente por 14 anos até ser preso na Argentina em 11 de maio de 1960 e levado secretamente para julgamento em Israel.

Eichmann nasce em Solingen em 19 de março de 1906. Durante a Primeira Guerra Mundial, a família se muda para Linz, na Áustria. Antes de entrar para o Partido Nazista, ele leva uma vida desinteressante. Trabalha como vendedor em uma companhia de petróleo e perde o emprego na Grande Depressão (1929-39).

Ele entra para o Partido Nazista em abril de 1932 em Linz e sobe rapidamente na hierarquia. Em novembro, se torna membro da SS, a força paramilitar do partido, sob o comando de Heinrich Himmler. Em 1933, Eichmann sai de Linz para a escola de terrorismo da Legião Austríaca em Lechfeld, na Alemanha.

De janeiro a outubro de 1934, ele serve na unidade da SS no campo de concentração de Dachau. De lá vai para o escritório central da SS em Berlim, onde trabalha para o serviço secreto na seção de assuntos judaicos.

Depois da anexação da Áustria pela Alemanha Nazista, em março de 1938, Eichmann é enviado para Viena para "livrar" a cidade de judeus. Um ano depois, vai para Praga cumprir a mesma missão na Tcheco-Eslováquia. Ao criar o Escritório Central de Segurança do Reich, Himmler nomeia Eichmann para a seção sobre judeus em Berlim.

Quando os nazistas aprovam a "solução final da questão judaica", o extermínio dos judeus da Europa, na Conferência de Wannsee, in Berlim, em 20 de janeiro de 1942, Eichmann é o grande executor. Coordena a prisão e a deportação de judeus para campos de concentração e centros de extermínio.

No fim da guerra, Eichmann é capturado, mas consegue fugir de um campo de prisioneiros em 1946 e vai para a Áustria e a Espanha até se fixar na Argentina em 1958. Ele é localizado e preso perto de Buenos Aires em 11 de maio de 1960 e retirada secretamente do país e levado para Israel nove dias depois.

Seu julgamento pelo Estado de Israel, fundado em 1948, três anos depois do fim da guerra, recebe crítica de ser Justiça pós-fato, porque as leis e a Justiça de Israel não existem quando os crimes são cometidos. Há apelos para que o julgamento seja na Alemanha ou num tribunal internacional. Mas Israel insiste em julgar Eichmann. Vê uma oportunidade de educar as novas gerações sobre o Holocausto.

Eichmann alega não ser antissemita, mas apenas um burocrata que cumpriu rigorosamente as ordens. Diz que leu O Estado Judeu, de Theodor Herzl, livro que lança o moderno sionismo, o movimento nacional do povo judeu, e não Minha Luta, de Adolf Hitler. Nega até mesmo que seu escritório tivesse responsabilidade pelo extermínio dos judeus.

Seis milhões de judeus morrem no Holocausto, 60% da população de judeus da Europa, no que é considerado o pior genocídio da história, além de 1,5 milhão e meio de ciganos, e ainda socialistas, comunistas, anarquistas, negros e oposicionistas do regime nazista.

O julgamento vai de 11 de abril a 15 de dezembro de 1961, quando Eichmann é condenado à morte na forca.