Os economistas norte-americanos Robert Hall, de 83 anos, da Universidade Stanford, e Mark Woodford, de 70 anos, da Universidade de Colúmbia, foram agraciados com o Prêmio Nobel de Economia de 2026. Seus estudos sobre os "fundamentos microeconômicos da estabilização macroeconômica" deixaram os formuladores de políticas "mais bem-equipados para lidar com os choques na economia como crises de energia e mudanças bruscas no consumo", anunciou hoje em Estocolmo John Hassler, presidente do Comitê do Nobel de Economia da Academia Real de Ciências da Suécia.
Ambos foram essenciais no desenvolvimento de estruturas que permitiram a políticos, bancos centrais e outras implementar medidas econômicas para suavizar os altos e baixos da economia. Esses avanços na ciência econômica ajudam a proteger as pessoas mais vulneráveis da sociedade a choques que causam aumentos de preços e do desemprego.
Hall desenvolveu seus modelos econômicos com pesquisas sobre demanda e gastos dos consumidores, enquanto Woodford examinou a economia pelo lado da oferta e do comportamento das empresas para determinar seus preços.
O reconhecimento desse trabalho vem num momento em que a economia mundial enfrenta uma série de choques como a pandemia do coronavírus de 2019, que causou choques de oferta e de procura, a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 e as guerras no Oriente Médio deflagradas pelo ataque terrorista do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) a Israel em 2023. Essas guerras causaram uma crise de energia com a alta dos preços do petróleo, hoje em torno de US$ 100 por barril.
Os laureados revitalizaram as políticas de estabilização, uma ideia inicial do economista britânico John Maynard Keynes. Diante da Grande Depressão (1929-39), com a produção e o consumo em queda forte, Keynes aconselhou os governos a aumentar os gastos públicos e a demanda agregada em momentos de contração e reduzir esses gastos em momentos de crescimento.
As crises do petróleo nos anos 1970, com inflação e desemprego elevados, levaram a críticas à capacidade do Estado e à ascensão do neoliberalismo.
Com uma visão de baixo para cima, Hall e Woodford levaram em conta como as decisões individuais de famílias e empresas afetam a economia como um todo. Destacaram a importância do que acontece no mundo real. Seus modelos partem da ideia de que pessoas e empresas tomam decisões com base no que vai acontecer com sua renda no futuro.
Quando governos revelam planos econômicos, influenciam as expectativas das pessoas e empresas. Isso ajuda a orientar a economia rumo à estabilidade.
Hall e Woodford vão dividir o prêmio de 12 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 6 milhões.

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