quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Conflito em Gaza ameaça deflagar nova guerra no Oriente Médio

A morte de um comandante do grupo terrorista Jihad Islâmica para a Libertação da Palestina, Baha Abu al-Hata, deflagra uma nova onda de foguetes contra o Sul de Israel e aumenta o risco de uma nova guerra na Faixa de Gaza.

Um bombardeio aéreo israelense matou ontem Baha Abu al-Ata em sua em Gaza. Em resposta, os grupos armados palestinos baseados no território dispararam pelo menos 360 foguetes contra o território israelense, ferindo pelo menos 63 pessoas, quase todas levemente. 
Pela primeira vez desde a guerra contra o Movimento de Resistência Islâmica, o Hamas, na Faixa de Gaza, em 2014, lojas foram fechadas em Telavive, a capital econômica de Israel. A Força Aérea de Israel contra-atacou. 

Nos últimos dois dias, Israel lançou 11 ondas de ataque. Pelo menos 24 palestinos foram mortos. As autoridades israelenses devem restringir temporariamente as viagens, os transportes públicos, as escolas e o comércio na região. 

Amanhã, todas as escolas numa distância de até 40 quilômetros da Faixa de Gaza vão ficar fechadas. Meu comentário:

Segunda vice-presidente do Senado assume Presidência da Bolívia

Mesmo sem quórum, a senadora da oposição Jeanine Áñez, vice-presidente do Senado assumiu ontem as presidências do Senado, da Assembleia Legislativa e interina da República da Bolívia, prometendo convocar nova eleição presidencial dentro de três meses para superar a crise que levou à renúncia do presidente Evo Morales depois de quase 14 anos no poder.

A Igreja Católica tenta mediar o conflito, assegura que não haverá perseguições políticas e dá garantias aos deputados e senadores do Movimento ao Socialismo (MaS) para que participem das sessões da Assembleia Legislativa Plurinacional, o parlamento boliviano.

O ex-presidente chegou hoje à Cidade do México com o ex-vice-presidente Álvaro García Linera num voo que se abasteceu no Paraguai depois que o Peru negou acesso e obteve autorização do Brasil e do Peru para passar por seus espaços aéreos. 

Como disse ontem à noite antes de sair da Bolívia, Morales prometeu voltar com mais força. Talvez consiga, especialmente por que o próximo governo dificilmente conseguirá manter a média de crescimento econômico, de quase 5 por cento sob Morales. Mas terá de esperar anos.

Em La Paz, a oposição a Morales tentou reunir a Assembleia Legislativa para aceitar oficialmente a renúncia do presidente e indicar um sucessor. Não houve quórum porque deputados e senadores do Movimento ao Socialismo não apareceram. Os partidários de Morales disseram que pretendiam comparecer, mas não tinham condições de segurança.

O centro de La Paz está tomado por apoiadores de Morales e também da oposição, especialmente do grupo mais extremista, liderado por Luis Fernando Macho Camacho, presidente do Comitê Cívico pró Santa Cruz. Os dois grupos se enfrentaram durante o dia.Meu comentário: 

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Morales vai para o México deixando vácuo de poder na Bolívia

O presidente Evo Morales aceitou asilo político do México e deixou hoje a Bolívia depois de renunciar ontem, junto com o vice-presidente Álvaro García Linera, o presidente da Câmara, Victor Borda, e a presidente do Senado, Adriana Salvatierra. Esta renúncia coletiva deixou o país acéfalo e um vácuo de poder. Foi uma aposta no caos.

Depois de 13 anos e 10 meses no poder, Juan Evo Morales Ayma, o primeiro presidente indígena da história da Bolívia, um país com maioria de índios e mestiços, renunciou ontem sob pressão de 20 dias de manifestações de protestos contra uma fraude eleitoral e um empurrão final do comandante das Forças Armadas, general Williams Kaliman.

Hoje à tarde, o ministro das Relações do Exteriores do México, Marcelo Ebrard, anunciou que o país vai receber Evo Morales como asilado político. O chanceler mexicano justificou a decisão alegando que a vida e a integridade de Morales correm perigo e que ele renunciou para evitar uma guerra civil na Bolívia. 

Ebrard afirmou que “houve um golpe porque o comandante do Exército pediu a renúncia do presidente.” Meu comentário:

México anuncia que Evo Morales pediu asilo político

Um dia depois de renunciar à Presidência da Bolívia sob pressão das Forças Armadas em meio a uma revolta popular contra uma fraude eleitoral, o ex-presidente Evo Morales pediu asilo político ao México, anunciou o ministro mexicano das Relações Exteriores, Marcelo Ebrard.

"Informamos que há alguns momentos recebemos uma chamada do presidente Evo Morales em que respondeu a nosso convite e solicitou verbal e formalmente o asilo em nosso país", declarou o chanceler mexicano em entrevista coletiva.

Ebrard justificou a decisão por "razões humanitárias" alegando que sua vida e sua integridade correm perigo" e acrescentou que "houve um golpe de Estado porque o Exército pediu a renúncia do presidente."

Morales e seus aliados, inclusive o ex-presidente Lula, o presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, sua vice-presidente Cristina Kirchner e o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, denunciam um golpe, enquanto a oposição boliviana fala em revolta popular contra a fraude eleitoral apontada pela Organização dos Estados Americanos (OEA).

A renúncia coletiva do presidente, do vice e dos presidentes da Câmara e do Senado foi uma manobra para criar um vácuo de poder, uma aposta no caos. A segunda vice-presidente do Senado, Jeanine Áñez, deve assumir amanhã a Presidência da Bolívia interinamente até a realização de novas eleições dentro de 90 dias.

O líder rebelde Luis Fernando Macho Camacho, presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, exige a renúncia de todos os deputados do Movimento ao Socialismo (MaS), o partido de Morales. Como eles ocupam dois terços das cadeiras da Assembleia Legislativa Plurinacional, se renunciarem, n!ao haverá quórum para eleger a presidente interina.

A senadora Jeanine Áñez foi levada hoje de helicóptero até a sede da Assembleia, onde convocou a sessão de amanhã e ofereceu garantias aos representantes do MaS. Em seguida, ela foi retirada do local por medo de que os partidários de Morales tomem o centro de La Paz.

Amanhã, a OEA realiza uma reunião de emergência em Washington para discutir a crise boliviana.

domingo, 10 de novembro de 2019

Novas eleições mantêm impasse político na Espanha

O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), do primeiro-ministro Pedro Sánchez, venceu as eleições deste domingo na Espanha com 28% dos votos, mas perdeu três cadeiras. Terá 120 deputados no Congresso dos Deputados, de 350 cadeiras, muito abaixo da maioria absoluta. Isto mantém a dificuldade de formar um novo governo. 

O Partido Popular, conservador, conquistou 20,8% cresceu de 66 para 88 cadeiras. A grande novidade foi o avanço do partido Vox, de extrema direita. Com 15%, sua bancada passou de 24 para 52 deputados. É o terceiro maior da Espanha. Sua ascensão é atribuída à crise econômica e ao movimento pela independência da Catalunha.

Dois partidos nascidos durante a Grande Recessão, que na Espanha foi de 2008 a 2014 e deixou mais de 25% dos trabalhadores sem emprego, tiveram mau desempenho desta vez.

O Podemos agora faz parte da coalizão Unidas Podemos com o Partido Comunista e outros grupos de esquerda tradicional, da antiga Esquerda Unida. A aliança teve 12,8% dos votos e elegeu 35 deputados. Perdeu sete cadeiras.

A maior queda foi dos Cidadãos, de centro-direita. Com apenas 6,8% dos votos, perdeu 47 cadeiras, elegendo apenas 10 deputados.

Foram as quartas eleições em quatro anos, todas inconclusivas, incapazes de levar à formação de um governo estável na Espanha. Desta vez, houve um colapso do centro e uma ascensão da direita, insuficiente para formar uma coalizão direitista como as que governam a Andaluzia e Madri.

Um bloco de centro-esquerda teria 160 deputados contra 150 para um bloco de direita. O líder do PP, Pablo Casado, pediu a renúncia do primeiro-ministro Sánchez, alegando que "perdeu seu referendo e foi o grande derrotado de hoje".

Depois das eleições de abril, Sánchez negociou longamente com Pablo Iglesias, da coalizão Unidas Podemos, sem chegar a um acordo. As conversas acabaram em 24 de julho, quando Iglesias rejeitou a oferta de um cargo de vice-primeiro-ministro e três ministérios. Nunca foram retomadas.

Assim, não existe a menor garantia de que a Espanha tenha um governo de coalizão de esquerda, o que não acontece desde a Guerra Civil (1936-39), mesmo que seja minoritário.

Na Catalunha, os grupos nacionalistas mais radicais avançaram, mas os partidos secessionistas estão longe dos 50% dos votos de que precisam para vencer um possível plebiscito sobre a independência.

Evo Morales renuncia à Presidência da Bolívia

Depois de quase 14 anos no poder, o líder indígena e sindical Juan Evo Morales Ayma, do Movimento ao Socialismo (MAS), renunciou hoje à Presidência da Bolívia, sob pressão do comandante das Forças Armadas, general Williams Kaliman, em meio a uma onda de três semanas de manifestações de protesto contra uma possível fraude na eleição de 20 de outubro.

"Mandei minha carta de renúncia à Assembleia Legislativa Plurinacional", anunciou Morales em pronunciamento na televisão, alegando ter sido vítima de um "golpe cívico, político e policial": "Houve um golpe", denunciou.

O vice-presidente Álvaro García e os presidentes da Câmara, Victor Borda, e do Senado, Adriana Salvatierra, também renunciaram, deixando um vácuo no poder. A Assembleia Legislativa terá de aceitar a renúncia do presidente e indicar um presidente interino até a realização de eleições, que precisam ocorrer em três meses. O nome mais cotado é da segunda vice-presidente do Senado, Jeanine Áñez.

"Meu pecado foi ser indígena, sindicalista e produtor de coca", lamentou Morales. "Vamos cumprir a promessa de Túpac Katari. Voltaramos e seremos milhões", acrescentou García, referindo-se ao líder aimará que liderou uma revolta contra a dominação espanhola no século 18.

"Quero dizer a meus irmãos e irmãs que a luta não termina aqui. Vamos continuar a luta pela paz e pela igualdade", despediu-se o presidente.

Hoje de manhã, Morales havia anunciado a realização de nova eleição presidencial com novas autoridades eleitorais "para baixar a tensão e pacificar" a Bolívia, como exigiu a Organização dos Estados Americanos (OEA) ao antecipar o resultado de uma auditoria sobre o processo eleitoral "por causa da gravidade das denúncias". A oposição exigiu que Morales não fosse candidato.

Depois disso, as Forças Armadas, a Polícia e a poderosa Central Operária Boliviana (COB) pediram a saída de Morales. O Exército havia avisado que não enfrentaria os manifestantes. Em pronunciamento na televisão, o general Kaliman sugeriu a renúncia "para o bem da Bolívia".

"Diante da escalada no conflito por que passa o país, velando pela vida, a segurança da população e a garantia do império da Constituição Política do Estado, em conformidade com o artigo 20 da Lei Orgânica das Forças Armadas e depois de analisar a situação conflituosa interna, sugerimos ao chefe de Estado que renuncie a seu mandato", declarou o general.

A seu lado, estavam outros comandantes militares e o chefe da Polícia, general Yuri Calderón, que apoiou a recomendação "para pacificar o povo da Bolívia". O comunicado do comandante das Forças Armadas terminou com um pedido "ao povo boliviano e aos setores mobilizados para depor as atitudes de violência e a desordem entre irmãos para não manchar nossas famílias com sangue, dor e luto."

Pelo menos três pessoas foram mortas e 300 saíram feridas durante as três semanas de protestos. Uma greve geral iniciada no departamento de Santa Cruz, dominado pela oposição, já dura 20 dias.

Quando o avião presidencial decolou do aeroporto de El Alto, por volta das 17 horas em Brasília, gerou especulações de que Morales poderia fugir do país. O presidente do México, o esquerdista Andrés Manuel López Obrador, lhe ofereceu asilo político. Pelo menos 20 políticos pediram asilo à embaixada mexicana em La Paz, informou na Cidde do México o chanceler Marcelo Ebrard.

O ex-presidente foi para a região do Chapare, um reduto eleitoral no departamento de Cochabamba onde ele iniciou a carreira política como líder dos cocaleros, os agricultores que cultivam a coca.

Evo Morales era o presidente que estava há mais tempo no poder na América, desde 22 de janeiro de 2006. Fora eleito em dezembro de 2005 com quase 54% dos votos depois de um período turbulento da história da Bolívia em que dois presidentes renunciaram, Gonzalo Sánchez de Losada em 2003 e Carlos Mesa Gisbert em 2005, sob pressão das ruas e do movimento indígena liderado por ele.

Sob seu governo, a Bolívia, um dos países mais pobres do continente, cresceu em média quase 5% ao ano. A pobreza caiu de 60% para 34% e a pobreza absoluta de 38% para 15%. Morales convocou uma Assembleia Constituinte que transformou o país num Estado plurinacional, reconhecendo os direitos povos indígenas.

Em 6 de dezembro de 2009, Morales foi reeleito com 64% dos votos válidos. Como a lei só autoriza uma reeleição, para concorrer a um terceiro mandato, o presidente alegou que a primeira eleição havia sido sob a Constituição anterior. Em 12 de outubro de 2014, ganhou de novo, com 63% dos votos válidos.

Para obter um quarto mandato, Morales convocou um referendo constitucional para acabar com limites à reeleição e perdeu. Em 21 de fevereiro de 2016, 51,3% dos eleitores disseram não à reeleição ilimitada.

Mesmo assim, o presidente recorreu à Corte Suprema com base em decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José da Costa Rica, que considerou em outro caso que votar e ser candidato são direitos fundamentais. E tentou um quarto mandato.

Na noite de 20 de outubro, com 83% das urnas escrutinadas, a contagem preliminar indicava que haveria segundo turno. Morales tinha 45% contra 38% do ex-presidente Carlos Mesa. Pela lei boliviana, ganha quem conquistar mais da metade dos votos válidos ou 40% e uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado.

Naquele momento, o Tribunal Supremo Eleitoral suspendeu a apuração preliminar. No dia seguinte, quando a apuração manual voto a voto dava 42% a cada candidato, com ligeira vantagem para Mesa, a Justiça parou com a apuração manual, retomou a contagem rápida e anunciou a vitória de Morales, que no final teria recebido 47,01% dos votos contra 36,51% para Mesa.

O oposicionista rejeitou o resultado e convocou seu eleitorado a sair às ruas para impedir a fraude. A interrupção abrupta da contagem e o reinício com um resultado diferente, como aconteceu na eleição de Carlos Salinas de Gortari no México, em 1988, foi um dos pontos centrais do relatório da auditoria da OEA, que apontou "denúncias de irregularidades graves".

Assim que a OEA denunciou a fraude, o Ministério Público abriu inquérito. A presidente do Tribunal Supremo Eleitoral, María Eugenia Choque, e o vice-presidente, Antonio Costas, foram presos.

As acusações da OEA foram decisivas para minar de vez o poder de Morales. O presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, sua vice, Cristina Kirchner, o ex-presidente Lula e o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, chamam a queda de Morales de golpe de Estado.

A oposição boliviana argumenta que fez apenas uma resistência democrática contra a fraude eleitoral, mas o jornal La Razón noticia de ataques a casas de políticos ligados ao governo socialista, inclusive do ex-presidente.

O presidente da Câmara, Victor Borda, e o ministro das Minas, César Navarro, denunciaram ataques a suas casas e famílias com bombas incendiárias. Eles responsabilizam o ex-presidente Mesa e o presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, Luis Fernando Macho Camacho, pela violência.

Houve saques, violência e depredação de lojas em várias cidades, inclusive à casa de Morales. Em La Paz, pelo menos 64 ônibus foram incendiados por partidários do ex-presidente.

Morales recua e convoca nova eleição na Bolívia

Depois de três semanas de protestos violentos contra uma suposta fraude eleitoral que deixaram três mortos e mais de 300 feridos, o presidente Evo Morales anunciou hoje a realização de nova eleição presidencial e mudanças na autoridade eleitoral da Bolívia.

Morales vinha denunciando um "golpe de Estado". Recuou diante de um pedido de anulação da eleição feito pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o ex-ministro do Exterior uruguaio Luis Almagro, com base em uma auditoria.

Até ontem, o presidente boliviano propunha um diálogo à oposição, mas seu principal adversário na eleição de 20 de outubro, o ex-presidente Carlos Mesa, declarou "não ter nada a negociar" com Morales.

No sábado, várias unidades policiais se rebelaram em quatro departamentos do país e o Exército da Bolívia alertou que não iria enfrentar os manifestantes.

As conclusões da auditoria da OEA seriam divulgadas no dia 13. Almagro antecipou o resultado "por conta da gravidade das denúncias" e pediu a realização de novo pleito "assim que existam condições", inclusive "uma nova composição do órgão eleitoral".

Pela lei boliviana, vence a eleição presidencial quem conquistar mais da metade dos votos válidos ou 40% e uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado.

Em 20 de outubro, com mais de 80% das urnas apuradas, o resultado indicava um segundo turno entre Morales e Mesa quando a contagem preliminar foi suspensa. No dia seguinte, na apuração voto a voto, os dois estavam praticamente empatados.

Então, a apuração voto a voto foi suspensa e retomada a contagem preliminar e Morales conseguiu a vantagem de 10% necessária para evitar um segundo turno, chegando a 47,08% contra 36,51% para Mesa. A interrupção abrupta da apuração suscitou suspeitas de fraude. Foi citada pela OEA como uma das irregularidades.

Morales tenta um quarto mandato, apesar da restrição constitucional e mais de uma reeleição. Na eleição anterior, o presidente alegou que o primeiro mandato havia sido obtido sob a Constituição anterior. Por isso, ele teria direito a mais um.

Em 2016, Morales perdeu um referendo constitucional para aprovar a reeleição sem limites. Para disputar um quarto mandato, recorreu à Corte Suprema invocando uma decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José da Costa Rica, que considerou o direito à candidatura um direito fundamental.

Primeiro presidente indígena da Bolívia, o aimará Morales chegou ao poder em 2006, depois de uma série de governos que não chegaram ao fim, derrubados por revoltas populares liderados por ele. Sob seu governo, o país cresceu em média 5% ao ano. A pobreza caiu de 60% para 34% da população e a extrema pobreza, de 38% para 15%.

A dúvida agora é se a oposição vai aceitar a solução apresentada pelo presidente ou se vai manter o movimento para forçar sua queda.

sábado, 9 de novembro de 2019

Oposição rejeita diálogo e unidades policiais se amotinam na Bolívia

Várias unidades policiais de quatro departamentos da Bolívia aderiram hoje à revolta popular contra o presidente Evo Morales, acusado de fraude eleitoral para se reeleger para um quarto mandato, o que a rigor é proibido pela Constituição. A oposição rejeitou a proposta de diálogo do governo e o Exército avisou que não vai enfrentar a população. Quer uma solução pacífica.

"Não tenho nada a negociar com Evo Morales e seu governo", afirmou o ex-vice-presidente Carlos Mesa, candidato derrotado na apuração oficial das eleições de 20 de outubro e líder da oposição. A declaração acirrou ainda mais os ânimos e as manifestações de rua.

Partidários do governo bloquearam o acesso à cidade de El Alto para impedir que manifestantes de oposição fossem até La Paz, onde fica a sede do governo. Os policiais exigem os mesmos salários e regime de aposentadoria que os militares.

Como a polícia de La Paz aderiu à revolta, o regime militar Colorados de Bolívia estão garantindo a segurança do presidente. Sem acesso ao Palácio Queimado, Morales despacha no aeroporto da cidade vizinha de El Alto.

Milhares de camponeses produtores de coca estão marchando de Cochabamba em direção a La Paz. Eles atendem à convocação de Morales, que denuncia um "golpe de Estado" com o apoio do exterior, que ele não identificou. O presidente iniciou sua carreira política como líder do sindicato dos produtores de coca.

Pela lei boliviana, ganha no primeiro turno quem receber mais de metade dos votos válidos ou mais de 40% e uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado. Uma apuração preliminar realizada na noite do dia da eleição indicava que haveria segundo quando foi suspensa sem maiores explicações.

No dia seguinte, a apuração manual voto a voto dava mais ou menos o mesmo percentual aos dois principais candidatos quando foi suspensa. Recomeçou então a contagem preliminar e o presidente obteve a vantagem de dez pontos percentuais, confirmada dias depois pela contagem mais lenta.

A interrupção abrupta da contagem despertou suspeitas, inclusive da missão observadora da Organização dos Estados Americanos (OEA), que defendeu uma recontagem e revisão geral dos votos. Desde o início, Morales alegou que as acusações eram parte de um golpe de Estado. Sua situação é cada vez mais difícil.

Proibido pela Constituição de se reeleger pela segunda vez, o presidente argumentou que o primeiro mandato havia sido sob a Constituição anterior. Depois de perder em 2016 um plebiscito que autorizaria a reeleição sem limites, apelou à Corte Suprema tendo por base uma decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José da Costa Rica, que entende que ser candidato é um direito fundamental.

Justiça da Índia autoriza construção de templo onde havia mesquita

Numa decisão capaz de deflagrar uma onda de violência, por unanimidade, a Suprema Corte da Índia autorizou a construção de um templo hindu no local onde havia uma mesquita do século 16 destruída em 6 de dezembro de 1992, na cidade de Ayodhya, no estado de Uttar Predesh, reverenciada como lugar de nascimento do deus Rama.

A destruição da Mesquita de Babri por uma multidão, em 1992, provocou uma onda de violência em que cerca de 2 mil pessoas foram mortas. Agora, o tribunal autorizou a construção da mesquita em outro local da cidade. Para garantir a calma, 4 mil policiais foram enviados à região.

Foi mais uma vitória para o primeiro-ministro Narendra Modi e seu projeto de reconstruir a Índia com base no nacionalismo hindu, minando o secularismo dos líderes da independência do país, Mohandas Gandhi e Jawaharlal Nehru.

Modi e o Partido Bharatiya Janata (BJP) venceram as eleições parlamentares de abril e maio com uma plataforma nacionalista hindu. Reeleito para um segundo mandato, Modi acabou com a autonomia regional que a região da Caxemira, de maioria muçulmana, tinha desde a independência da Índia do Império Britânico e da divisão do país entre Índia e Paquistão, em 1947.

O fim da autonomia da Caxemira provocou grandes protestos do Paquistão, que defende a realização de um plebiscito para que a população local decida se quer ficar na Índia ou aderir ao Paquistão. A questão da Caxemira é a mais explosiva entre os dois inimigos históricos, que possuem armas nucleares e já travaram quatro guerras, três delas pela Caxemira.

A ala mais extremista do movimento nacionalista hindu considera a construção do templo no local de nascimento do deus Rama uma etapa fundamental da conversão da Índia num país hindu depois do que descrevem como séculos de opressão do Império Mughal e do Império Britânico. O Império Mughal destruiu um templo que havia no local para construir a Mesquita de Babri em 1528-29.

O processo judicial estava em andamento desde os anos 1950. Em 2010, chegou à Suprema Corte.

Para a minoria de mais de 200 milhões de muçulmanos (14%), a mudança de status da Caxemira e a decisão da Suprema Corte indicam que eles estão sendo rebaixados a cidadãos de segunda classe na Índia. Os indus são 80% da população do país, que tem 1,371 milhões de habitantes.

"Hoje é mensagem é unir, se associar e viver junto", declarou o primeiro-ministro, tentando acalmar a situação. "Na nova Índia, o medo, a animosidade e a negatividade não têm lugar."

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Queda do Muro de Berlim há 30 anos trouxe esperança de paz

Amanhã faz 30 anos que o mundo mudou. Em 9 de novembro de 1989, era aberto o Muro de Berlim, símbolo da divisão do planeta durante a Guerra Fria entre Ocidente e Oriente, capitalismo e comunismo, liberdade e tirania. Mas a promessa de paz e prosperidade se desfez com o tempo.

Em junho de 1989, o regime comunista da China massacrou o movimento pela liberdade e democracia na Praça da Paz Celestial em Beijim, matando centenas, talvez milhares de pessoas. Mas uma onda de revoluções democráticas derrubou os regimes comunistas dos países da Europa Oriental dominados pela União Soviética.

Por ironia da história, a revolução liberal começou no seio do Partido Comunista da União Soviética, que em 11 de março de 1985 elegeu o reformista Mikhail Gorbachov como secretário-geral. Gorbachov estava convencido de que a estagnação econômica comprometida o futuro da pátria do comunista. 

Com sua abertura política, a glasnost, que significa transparência, e uma reforma econômica, a perestroika, que significa reestruturação, Gorbachov tentou modernizar o sistema. A burocracia comunista se mostrou irreformável. Mas os outros países do Bloco Soviético aproveitaram a liberalização do comunismo para se livrar do jugo de Moscou.Meu comentário:
 

quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Crise das redes sociais ameaça futuro da liberdade na Internet

A desinformação, a censura, a manipulação e a perseguição política nas redes sociais ameaçam o futuro da liberdade de expressão na Internet, adverte um relatório divulgado ontem pela organização não governamental americana Freedom House. Pelo nono ano consecutivo, houve declínio da liberdade na rede mundial de computadores.

Dos 65 países onde a pesquisa foi realizada, em 33 houve declínio da liberdade na Internet. O recuo foi maior no Brasil, em Bangladesh, no Casaquistão e no Zimbábue. 

A revolução tecnológica gerou um autoritarismo digital. Governos autoritários vigiam os cidadãos nas redes sociais. 

Em 47 dos 65 países examinados, houve prisões por divulgar “conteúdo político, social ou religioso” que desagradou aos donos do poder. 

O mundo tem hoje 7 bilhões 742 milhões de pessoas. Quase metade, 3 bilhões e 800 milhões, tem acesso à Internet. Mas isto não as torna mais livres. Do universo da pesquisa:

• 71% vivem em países onde pessoas foram presas por divulgar conteúdo político, social ou religioso;
• 65% vivem em países onde pessoas foram atacadas e até mortas por suas atividades on-line;
• 59% vivem em países onde autoridades usaram comentaristas a favor do governo para manipular as discussões;
• 56% vivem em países onde existe censura na rede;
• 46% vivem em países onde governos desligaram a Internet e cortaram as telecomunicações por telefone por motivos políticos; e
• 46% vivem em países onde o acesso às redes sociais é restrito temporária ou permanentemente.

A desinformação sempre foi uma arma da luta política, mas o impacto hoje é muitíssimo maior. Em 38 dos 65 países estudados, líderes políticos empregam indivíduos para formar sub-repticiamente a opinião na rede. 

Em muitos países, a ascensão do populismo e do extremismo de extrema direita coincidiu com o surgimento de matilhas virtuais hiperpartidárias que incluem tanto usuários autênticos quando contas falsas e robôs, constata o relatório intitulado A Crise das Redes Sociais. Meu comentário:

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Liberdade está em declínio na Internet

De 65 países examinados, em 33 houve um declínio da liberdade na Internet desde junho de 2018, constatou um estudo da organização americana Freedom House. Entre os países com maior recuo citados no relatório A Crise das Redes Sociais, estão o Brasil, Bangladesh, o Casaquistão e o Zimbábue.

Com o autoritarismo digital e a vigilância aos cidadãos, em 47 dos 65 países houve prisões por "conteúdo político, religioso ou social" na rede mundial de computadores.

Dos 7,742 bilhões de seres humanos, 3,8 bilhões têm acesso à Internet.
• 71% vivem em países onde pessoas foram presas por divulgarem conteúdo político, social ou religioso;
• 65% vivem em países onde pessoas foram atacadas e até mortas por suas atividades on-line;
• 59% vivem em países onde autoridades usaram comentaristas a favor do governo para manipular as discussões;
• 56% vivem em países onde conteúdo político, social ou religioso on-line é censurado;
• 46% vivem em países onde as autoridades desligaram a internet ou as telecomunicações por telefone por motivos políticos;
• 46% vivem em países onde o acesso às plataformas das redes sociais é temporária ou permanentemente restrito.

A desinformação está em alta: "Líderes políticos empregam indivíduos para formar subrepticiamente a opinião na rede em 38 dos 65 países estudados neste relatório. (...) Em muitos países, a ascensão do populismo e do extremismo de ultradireita coincidiu com o crescimento de matilhas virtuais hiperpartidárias que incluem tanto usuários autênticos quanto fradulentos e contas automáticas", de robôs.

É a crise das redes sociais, nome do estudo. As plataformas que prometiam abertura e liberdade de expressão estão sendo usadas para vigiar, reprimir e confundir.

"A liberdade na Internet é crescentemente ameaçada pelos instrumentos e táticas do autoritarismo digital, que se espalhou rapidamente pelo globo. Regimes repressivos, governantes eleitos com ambições autoritárias e operadores partidários inescrupulosos exploram espaços não regulamentados das plataformas das redes sociais, convertendo-as em instrumentos para a distorção da política e o controle da sociedade", advertem os autories, Adrian Shahbaz e Allie Funk.

"Embora as redes sociais tenham às vezes servido de campo nivelado para a discussão cívica, elas estão agora se inclinando perigosamente para o iliberalismo, expondo os cidadãos a uma repressão sem precedentes de suas liberdades fundamentais. Pior ainda, uma alarmante variedade de governos está instalando instrumentos avançados para identificar e monitorar usuários numa escala imensa. Como resultado desta tendência, a liberdade na Internet global caiu pelo nono ano consecutivo em 2019", afirma o relatório.

O estudo acrescenta que "as redes sociais permitem que pessoas comuns, grupos sociais e jornalistas tenham acesso a uma vasta audiência a baixo ou nenhum custo, mas também oferecem uma plataforma útil e barata para operações de influência maligna de agentes do país ou do exterior."

"Além de facilitar a disseminação de propaganda e desinformação durante campanhas eleitorais, as redes sociais permitem a coleta e a análise de vasta quantidade de dados sobre populações inteiras. A vigilância sofisticada em massa, antes possível apenas para as agências de inteligência das grandes potências, agora é acessível a ampla variedade de países", alerta a Freedom House.

"Agentes estatais e não estatais empregaram técnicas informacionais para distorcer o ambiente da mídia durante eleições em 24 países no ano passado, tornando-a de longe a tática mais popular. A Freedom House lista cinco grandes métodos de manipulação: notícias que são propagandas, notícias totalmente falsas, comentaristas pagos, robôs e o sequestro de contas reais nas redes sociais.

"Neste ano, populistas e líderes de extrema direita se tornaram não só adeptos de criar uma desinformação viral, mas também de cultivar redes que as disseminem. Algumas destas redes são explicitamente dirigidas pelo Estado ou por funcionários do partido, enquanto outras são semiautônomas, dão apoio a seus ídolos políticos e recebem em troca encorajamento e aprovação", comenta o estudo, ao tentar explicar a redução da liberdade em 2019.

"Estas redes trabalham em conjunto com personalidades da mídia e magnatas do mundo dos negócios aliados ao governo. Estas matilhas virtuais amplificam teorias conspiratórias, visões inflamatórias e memes enganosos de pequenas câmaras de eco digital para a realidade política", argumentam os autores.

"Grupos de extrema-direita podem ter mais sucesso porque - como mostram estudos - conteúdos falsos, chocantes, negativos, exagerados e emocionalmente carregados tendem a se propagar mais depressa e mais amplamente em plataformas de redes sociais do que outros tipos de conteúdo", nota o relatório, acrescentando que as autoridades eleitorais da maioria dos países não estão preparadas para controlar este tipo de campanha eleitoral.

A pesquisa indica que "governos repressivos estão adquirindo instrumentos de vigilância nas redes sociais que empregam inteligência artificial para identificar possíveis ameaças e silenciar manifestações indesejadas. Mesmo nas democracias esta vigilância em massa está se espalhando pelas agências governamentais e sendo usada para outros propósitos sem as salvaguardas adequadas.
Se a China isola sua Internet para evitar a entrada de ideias indesejáveis para o regime comunista e a Rússia marcha na mesma direção, as grandes plataformas das redes sociais estão nos Estados Unidos e "sua exploração por forças antidemocráticas é em parte produto da negligência americana", continua o relatório.

"A vitória de Jair Bolsonaro na eleição presidencial de outubro de 2018 no Brasil provou ser um divisor de águas para a interferência digital nas eleições do país. Atores não identificados montaram ataques contra jornalistas, entidades governamentais e usuários politicamente engajados, enquanto a manipulação das redes sociais atingia novos picos. Partidários de Bolsonaro e de sua coalizão de extrema direita Brasil acima de Todos, Deus acima de Tudo divulgaram rumores homofóbicos e imagens manipuladas no YouTube e no WhatsApp. No governo, Bolsonaro contratou consultores de comunicação a quem se credita uma campanha sofisticada de desinformação", diz o parágrafo sobre o Brasil.

"O futuro da liberdade na Internet depende de corrigir as redes sociais", propõem os autores. "Não há tempo a perder. Novas tecnologias como biométrica, inteligência artificial e redes de telecomunicações de quinta geração (5G) vão oferecer novas oportunidades para o desenvolvimento humano, mas também apresentam, sem dúvida, uma nova série de desafios aos direitos humanos.

"São necessárias proteções fortes às liberdades democráticas para garantir que a Internet não se transforme num Cavalo de Troia da tirania e da opressão. O futuro da privacidade, da liberdade de expressão e da governança democrática está nas decisões que tomamos hoje."

Mundo entra em era de espionagem sem precedentes

Foi-se o tempo em que os espiões se encontravam no Parque Gorki, em Moscou, ou deixavam dossiês em insuspeitas latas de lixo. Depois de uma trégua no fim da Guerra Fria, a competição estratégica está de volta e é cada vez maior entre os Estados Unidos, a China e a Rússia.

Com a proliferação de instrumentos como a Internet e os aparelhos móveis, a espionagem cresce na mesma medida e a ameaça não vem apenas das grandes potências. Entre os principais alvos, estão as grandes empresas ocidentais e seus segredos industriais.

As novas tecnologias permitem invadir à distância os sistemas de computadores de empresas e piratear quantidades de dados formidáveis. Os avanços tecnológicos deixaram as empresas muito mais vulneráveis. 

Mesmo funcionários de baixo escalão podem ter motivos e acesso a meios capazes de roubar informações em grande escala. Hoje em dia, se um agente estiver interessado em obter dados específicos, deve-se presumir que pode ter condições de fazer isso. Meu comentário:

terça-feira, 5 de novembro de 2019

Onze mil cientistas advertem que crise do clima virou emergência

Um dia depois que o presidente Donald Trump formalizou a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, cerca de 11 mil cientistas de 153 países divulgaram um relatório. Eles advertem que o aquecimento global virou uma situação de emergência capaz de provocar um "sofrimento humano inimaginável", noticiou a televisão pública britânica BBC.

Ao analisar dados de 40 anos, os cientistas acusaram os governos de fracassarem ao enfrentar a crise do clima, deixando que a situação se transformasse em emergência, mas observam o surgimento de um forte movimento cidadão, da sociedade civil, com manifestações públicas, greves de estudantes secundaristas, passeatas e ações judiciais.

Os dados coletados indicam que o mês passado foi o mais quente da história, e os pesquisadores entendem que simplesmente medir a temperatura da superfície da Terra não basta para avaliar os riscos do agravamento do efeito estufa.

Para examinar os sinais vitais da mudança do clima, é importante, dizem os cientistas, observar o crescimento das populações humanas e de animais, o desflorestamento, o consumo de combustíveis fósseis como carvão e petróleo, e o consumo de carne por pessoa.Meu comentário:

Irã inaugura centrífugas no aniversário da tomada da embaixada dos EUA

A República Islâmica do Irã acionou ontem uma cadeia de 30 centrífugas avançadas capazes de enriquecer urânio numa velocidade dez vezes maior do que antes, anunciou o chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Ali Akbar Salehi.

É mais um desafio iraniano ao acordo assinado em 2015 com todas as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações (Estados Unidos, China, França, Reino Unido e Rússia) e mais a Alemanha para congelar a parte militar do programa nuclear do Irã por dez anos.

O presidente Donald Trump abandonou o acordo em 8 de maio de 2018 e declarou uma guerra econômica tentando sufocar a economia iraniana e impedir o país de exportar petróleo. As exportações de petróleo iranianas caíram de 3 milhões para 600 mil barris por dia. A moeda iraniana, o rial, perdeu metade do valor. 

Para pressionar os outros países a aliviar de alguma forma a pressão sobre a economia do Irã, o regime fundamentalista iraniano voltou a enriquecer urânio além dos limites previstos no acordo. 

Desde maio, a Guarda Revolucionária atacou pelo menos seis navios no Golfo Pérsico, uma milícia do Iêmen financiada pelo Irã assumiu a responsabilidade por um ataque contra instalações de petróleo da Arábia Saudita. O objetivo é romper o cerco da guerra econômica de Trump.

O novo desafio é lançado em 4 de novembro, quando faz 40 anos da ocupação da embaixada dos Estados Unidos em Teerã por guardas revolucionários, que tomaram 52 americanos como reféns por 444 dias. 

O então presidente americano, Jimmy Carter, autorizou uma operação de resgate. A Operação Garra de Águia fracassou com areia do deserto entrando em helicópteros dos Estados Unidos e a morte de oito soldados americanos e um civil iraniano. 

A crise dos reféns no Irã foi um fator importante para a derrota de Carter para Ronald Reagan, em novembro de 1980. Eles foram libertados minutos depois da posse de Reagan. Meu comentário:

domingo, 3 de novembro de 2019

Estatal de petróleo saudita anuncia primeira venda de ações

Depois de três anos de expectativa, a maior empresa do mundo, a companhia estatal de petróleo saudita Saudi Aramco, anunciou hoje a abertura do capital. A monarquia absolutista da Arábia Saudita pretende vender 5% das ações e levantar US$ 100 bilhões, o que deixaria o valor total da empresa em US$ 2 trilhões.

O preço final de lançamento deve ser definido em 4 de dezembro. A Saudi Aramco estreia na Tadawul, a bolsa de valores saudita, em 11 de dezembro. A empresa é responsável por toda a produção de petróleo da Arábia Saudita, cerca de 10 milhões de barris por dia, e por 11% da produção mundial.

Hoje a maior empresa cotada em bolsa é a Apple, que vale cerca de US$ 1 trilhão. No ano passado, a Saudi Aramco teve um lucro líquido de US$ 111 bilhões, mais do que o dobro da Apple. Neste ano, lucrou US$ 86 bilhões nos primeiros nove meses do ano.

Assim, a expectativa é que seja a maior oferta inicial de ações da história e supere os US$ 22 bilhões levantados pela Alibaba, a gigante chinesa de comércio eletrônico. O dinheiro levantado pela monarquia saudita vai para o Fundo de Investimento Público (FIP). A meta é preparar o país para a era pós-petróleo com o programa Arábia Saudita 2030.

Além de investir em empresas como o serviço de motoristas Uber, o FIP aplica seus fundos em energias alternativas e grandes projetos habitacionais para gerar empregos no reino. Só em Neom, uma cidade futurística a ser erguida no Noroeste do país, será gasto meio trilhão de dólares.

Os projetos faraônicos, o lançamento de ações e o programa de modernização são propostas do príncipe-herdeiro, Mohamed ben Salman, o ditador de fato, o homem-forte do regime saudita. Ele é acusado pelo assassinato brutal do jornalista Jamal Khashoggi, e por crimes de guerra cometidos durante a intervenção militar da Arábia Saudita e aliados na guerra civil do Iêmen, em apoio ao presidente deposto, Abed Rabbo Mansur Hadi, contra os rebeldes hutis, apoiados pelo Irã.

Em 14 de setembro, mísseis e bombas atingiram campos de petróleo sauditas, reduzindo temporariamente a capacidade de produção da Saudi Aramco. Pior do que isso foi a demonstração de fraqueza e vulnerabilidade das instalações de petróleo sauditas.

Os hutis reivindicaram a autoria do ataque, mas também há suspeitas sobre outras milícias aliadas ao Irã no Iraque e a Guarda Revolucionária Iraniana, tropa de choque do regime dos aiatolás. A Arábia Saudita, Israel e os Estados Unidos acusaram o Irã, mas não houve retaliação direta por medo de novos ataques à indústria do petróleo saudita.

sábado, 2 de novembro de 2019

Jihadistas matam 53 soldados do Exército do Mali

Pelo menos 53 soldados e um civil foram mortos num ataque de terroristas muçulmanos na sexta-feira à noite a um posto militar no Nordeste do Mali, um país da África Ocidental sem saída para o mar onde atuam várias milícias jihadistas, especialmente na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara.

"A situação agora está sob controle", declarou o ministro da Comunicação, Yaya Sangare. Os jihadistas, armados com armas pesadas, chegaram em motocicletas e caminhonetes, divididos em três grupos que iniciaram o ataque de três pontos diferentes.

O Exército do Mali precisou de várias horas para retomar o controle do posto militar depois da chegada de reforços. Este tipo de ataque tem sido comum no país. Os milicianos tomam instalações militares em operações de guerrilha e recuam horas depois.

Com as derrotas da rede Al Caeda e do Estado Islâmico, o jihadismo tenta se estabelecer em outras regiões do planeta como o Sahel, onde ficam países pobres com milhões de miseráveis que podem ser recrutados para sua "guerra santa".

O ataque foi atribuído à Província do Estado Islâmico na África Ocidental, uma dissidência do grupo terrorista nigeriano Boko Haram.

sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Segurança nacional e direitos humanos complicam negociação EUA-China

O governo Donald Trump inclui a segurança nacional e direitos humanos nas negociações para acabar com a guerra comercial com a China. Mas estas questões podem acirrar ainda mais o conflito, parte de uma competição estratégica pela supremacia mundial, observa a empresa de consultoria e análise estratégica Stratfor.

Os Estados Unidos e China procuram um novo lugar para o presidente Donald Trump e o ditador Xi Jinping assinarem um acordo preliminar, depois que o Chile desistiu de realizar a reunião de cúpula do fórum de Cooperação da Ásia e do Pacífico, a APEC, antes marcada para 16 e 17 de novembro. Uma das principais dúvidas é se o governo Trump vai incluir questões não econômicas na barganha.

O caso mais notório é o da companhia chinesa Huawei, a maior fabricante mundial de equipamentos de telecomunicações, acusada pela Casa Branca de fazer espionagem para o regime comunista chinês. Há uma concorrência tecnológica no meio da guerra comercial e acusações de que empresas chinesas e ocidentais colaboram com o autoritarismo digital da ditadura militar da China.

De Hong Kong, onde há cinco meses manifestações de rua defendem a liberdade e a democracia, à província de Xinjiang, onde o regime comunista mantém um milhão de muçulmanos em campos de reeducação, as questões políticas reduzem a margem de manobra dos negociadores e alimentam os falcões das duas partes.

Com esta politização do comércio entre as duas maiores economias do mundo, pode aumentar a lista negra de companhias chinesas de alta tecnologia proibidas de fazer negócios com os EUA. Meu comentário:

EUA geram mais empregos do que previsto

A economia dos Estados Unidos abriu 128 mil postos de trabalho e mais do que fechou em outubro de 2019, superando a expectativa dos economistas, que era de cerca de 90 mil vagas. O dado de setembro foi revisado de 136 para 180 mil e o de agosto de 168 para 219 mil, reafirmando o vigor do mercado de trabalho americano.

O índice de desemprego, medido em outra pesquisa, subiu de 3,5%, o mais baixo desde dezembro de 1969, a 3,6%. Os salários subiram numa média de 3% ao ano.

Com a greve na General Motors, já encerrada, com prejuízo de US$ 3 bilhões para a empresa, o emprego na indústria manufatureira registrou queda de 36 mil vagas em outubro e de 42 mil no setor automobilístico.

O consumo, responsável por mais de dois terços da maior economia do mundo, levou à criação de 48 mil empregos em bares e restaurantes.

O presidente Donald Trump festejou: "Isto supera em muito as expectativas."

Estado Islâmico noticia morte do líder e anuncia sucessor

Cinco dias depois do ataque de forças de operações especiais dos Estados Unidos, a organização terrorista Estado Islâmico confirmou ontem a morte de seu líder Abu Baker al-Baghdadi e apresentou Abu Ibrahim al-Hachimi al-Kurachi como novo "comandante dos crentes" e novo "califa dos muçulmanos".

Pouco conhecido dos serviços secretos ocidental, o novo líder era o principal juiz do califado proclamado por Al-Baghdadi em 29 de junho de 2014, que chegou a ter uma área do tamanho do Reino Unido (245 mil quilômetros quadrados) e 10 milhões de habitantes. Al Kurachi era o responsável pela Autoridade da Charia, encarregada de aplicar a lei islâmica com um rigor medieval.

"Ó, muçulmanos, ó mujahedin, soldados do Estado Islâmico, nós choramos pelo comandante dos crentes Abu Baker al-Baghdadi", declarou a organização terrorista em gravação de som de sete minutos divulgada pelo aplicativo Telegram.

Na gravação, o Estado Islâmico apela aos seguidores para vinguem a morte do líder e ameaça especificamente os EUA, que o caçavam há nove anos, desde que se tornou líder do Estado Islâmico do Iraque. Durante a guerra civil da Síria, o grupo terrorista passou a se chamar Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Ontem, o Pentágono, sede do Departamento da Defesa dos EUA, divulgou as primeiras imagens da operação. Mostram os soldados chegando e cercando o complexo onde Al-Baghdadi estava refugiado, na vila de Bericha, no Nordeste da Síria.

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Rússia reforça defesa antimísseis em Kaliningrado

A Rússia reforçou sua defesa antiaérea em Kaliningrado com mísseis terra-ar de curto alcance em resposta ao aumento da presença da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos Estados Unidos, na Polônia e nas repúblicas bálticas da antiga União Soviética, noticiou a agência russa Interfax citando como fonte a Frota do Mar Báltico.

O presidente Vladimir Putin visitou a região, um enclave russo entre a Lituânia e a Polônia, fundado por cavaleiros teutônicos (germânicos) em 1255 com o nome de Königsberg. Lá, nasceu e viveu o filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804).

Em 1945, passou a se chamar Kaliningrado como uma província russa dentro da União Soviética, que na época dominava as repúblicas bálticas e a Europa Oriental depois da vitória do Exército Vermelho sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial.

Kaliningrado é o centro nevrálgico do fortalecimento da Rússia diante da expansão da OTAN até suas fronteiras na era pós-soviética. Diante do colapso do Tratado sobre Forças Nucleares Intermediárias, assinado em 1987 pelos EUA e a URSS para acabar com os mísseis nucleares de curto e médio alcances, os dois lados vão instalar mais mísseis na região.

Putin foi inspecionar o desenvolvimento de um novo míssil teleguiado disparado de corveta que deve entrar em operação até o fim do ano.

A anexação ilegal da península da Crimeia, que pertencia à Ucrânia, pela Rússia em 2014 rebaixou as relações do Kremlin com o Ocidente ao nível mais baixo desde o degelo na Guerra Fria, promovido pelo presidente americano Ronald Reagan e o líder soviético Mikhail Gorbachev, que negociaram o acordo de desarmamento rompido em agosto.

Câmara dos EUA abre inquérito para o impeachment de Trump

Por 232 a 196 votos, uma Câmara de Representantes dividida ao longo de linhas partidárias aprovou hoje a abertura oficial do inquérito sobre possíveis crimes capazes de justificar a abertura de um processo de impeachment do presidente Donald Trump. Todos os republicanos e dois democratas votaram contra.

Dentro de duas semanas, as audiências devem passar a ser televisionadas. A comissão parlamentar de inquérito também poderá divulgar os depoimentos realizados em sessões secretas, motivo de protestos do Partido Republicano. 

Logo depois da votação, o presidente Trump foi para o Twitter alegar que é a maior caça às bruxas da história dos Estados Unidos. A bancada republicana repudiou a decisão, alegando ser uma tentativa de mudar o resultado da eleição de 2016. 

Os deputados governistas chegaram a citar a resistência da presidente da Câmara, a deputada democrata Nancy Pelosi, em abrir o processo de impeachment. Desde o início do ano, a oposição tem maioria na Câmara dos Estados Unidos e a ala mais radical do partido pedia a abertura do processo.

Tudo mudou quando um oficial de informações revelou que Trump havia pressionado o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a investigar os negócios ucranianos de Hunter Biden, filho do ex-vice-presidente Joe Biden, principal adversário de Trump nas eleições do ano que vem. 

O presidente americano segurou uma ajuda militar de 391 milhões de dólares à Ucrânia e abusou do poder, usando a política externa dos Estados Unidos para forçar um chefe de Estado estrangeiro a investigar um adversário político, numa interferência direta na eleição presidencial americana. Meu comentário:

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Eleições britânicas tentam resolver impasse em relação à Europa

O Parlamento Britânico antecipa eleições para tentar romper o impasse em torno da saída do Reino Unido da União Europeia. Será que vão resolver? Com o país e os partidos radicalmente divididos, há o risco de uma Câmara dos Comuns dividida, sem maioria absoluta para nenhum partido.

Foram apenas quatro votos a mais do que o mínimo necessário, de dois terços dos deputados. Por 438 a 20, a Câmara dos Comuns aprovou ontem a convocação de eleições gerais para 12 de dezembro. O projeto foi para a Câmara dos Lordes, mas é mera formalidade.

O objetivo do primeiro-ministro conservador Boris Johnson é conquistar um mandato popular para negociar a saída da União Europeia nos seus termos. Corre o risco de uma vitória dos adversários da Brexit, a saída britânica da União Europeia.

Cerca de 200 deputados se abstiveram, a maioria do Partido Trabalhista. Uns têm medo de uma derrota fragorosa. Outros preferiam a realização de uma segunda consulta popular, de um referendo sobre a saída ou não da União Europeia, antes de novas eleições gerais.

Serão as terceiras eleições em três anos e as primeiras realizadas em dezembro desde 1923. Dezembro é o mês da entrada do inverno no Hemisfério Norte. Faz frio, chove muito, às quatro da tarde é noite e os estudantes iniciam as férias de Natal no fim de semana anterior. O risco de abstenção é enorme, assim como a eleição de uma Câmara dividida, sem maioria absoluta para nenhum partido. Meu comentário:
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Fed reduz taxa básica de juros e indica que será último corte neste ciclo

Sob pressão do presidente Donald Trump, o Conselho da Reserva Federal (Fed), a direção do banco central dos Estados Unidos, baixou hoje a taxa básica de juros da maior economia do mundo em 0,25 ponto percentual para uma faixa de 1,5% a 1,75%.

Apesar do desemprego baixo, de aumento dos salários e de consumo pessoal em bom nível, o Fed cortou três vezes sua taxa básica desde julho, numa redução de 0,75 ponto percentual. Mas indicou que deve ser o último corte neste ciclo.

Quando o Comitê de Mercado Aberto se reuniu ontem, o Departamento do Comércio revelou que o investimento das empresas caiu 3% em 12 meses, o pior índice desde a recessão industrial de 2015 e 2016 nos EUA. O aumento do consumo pessoal se desacelerou, mas registrou alta de 2,9% num ano.

Hoje o Departamento do Comércio anunciou que o produto interno bruto americano cresceu no terceiro trimestre deste ano num ritmo anual de 1,9%. No segundo trimestre, a expansão foi de 2% ao ano.

"O PIB do terceiro trimestre reafirma a visão do Fed de que, enquanto o mercado de trabalho e o consumo continuam fortes, o investimento e as exportações permanecem fracos e continuam a representar risco de baixa para a perspectiva econômica", comentou a economista Ellen Zentner, do banco Morgan Stanley.

Trump está pressionando o Fed a baixar os juros para compensar o impacto de sua guerra comercial com a China, numa interferência sem precedentes na história recente sobre uma instituição com independência operacional.

Para o analista Brian Coulton, da agência de classificação de risco Fitch, "os danos da guerra comercial estão claramente visíveis nos números dos investimentos das empresas, que mostraram uma queda consecutiva, em dois trimestres, em ritmo de 3% ao ano, mas os indicadores do consumo estão bem melhores.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Parlamento Britânico antecipa eleições para 12 de dezembro

Por 438 a 20, com quatro votos acima do mínimo necessário, a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico aprovou hoje a antecipação das eleições gerais para 12 de dezembro. O projeto segue agora para a Câmara dos Lordes, mas é mera formalidade.

A medida foi proposta pelo primeiro-ministro Boris Johnson para obter um mandato renovado para negociar a saída da União Europeia nos seus termos. Mas há o risco de que uma vitória dos adversários da saída acabe com a Brexit.

Cerca de 200 deputados se abstiveram, a maioria do Partido Trabalhista, por temer uma derrota fragorosa e preferir realizar uma segunda consulta popular, um referendo para aprovar o acordo de saída da UE negociado por Johnson, antes das próximas eleições gerais.

Serão as primeiras eleições em dezembro desde 1923. É o mês da entrada do inverno no Hemisfério Norte. Faz frio, chove, anoitece às 16 horas e os estudantes iniciam as férias de Natal no fim de semana anterior. O risco de abstenção elevada aumenta e os conservadores se beneficiam disso.

Enquanto o Partido Conservador virou um partido radical de direita nacionalista com foco na Brexit, o Partido Trabalhista também está dividido pela questão europeia. Seu líder, Jeremy Corbyn, um radical de esquerda que promete estatizar serviços públicos privatizados, é o líder de oposição mais impopular da história recente do Reino Unido.

Johnson chegou ao poder ao ser eleito líder do Partido Conservador por seus 160 mil filiados, sem um mandato popular conquistado nas urnas em eleições gerais. Com ampla vantagem nas pesquisas de opinião, insiste em antecipar as eleições para tentar quebrar o impasse em torno da saída da UE.

Depois de expulsar 21 deputados conservadores que votaram contra a orientação do governo sobre a saída da UE, Johnson trouxe 10 rebeldes de volta para aprovar as eleições. Como o país está radicalmente dividido e fraturado pelas relações com a Europa, serão as eleições da Brexit.

Na média, as últimas pesquisas dão 36% aos conservadores, 25% aos trabalhistas, 18% aos liberais-democratas e 11% ao Partido da Brexit.

A grande preocupação do Partido Conservador é com o Partido da Brexit, o antigo Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), liderado pelo neofascista Nigel Farage, que foi o mais votado nas eleições para o Parlamento Europeu em maio deste ano, com 34% dos votos.

O Partido Liberal-Democrata, o terceiro maior do país, tem hoje apenas 19 deputados por causa do sistema eleitoral britânico, de voto distrital em turno único. Ganha o mais votado, sem necessidade de maioria, o que forçaria a realização de um segundo turno, como acontece na França. Também abre a possibilidade de ter ampla maioria no Parlamento sem ter a maioria absoluta no voto popular.

Na prática, isto cria quase um bipartidarismo em que conservadores e trabalhistas se revezam no poder e os partidos menores são marginalizados. Os liberais-democratas participaram do primeiro governo David Cameron, o primeiro e único governo de coalizão no Reino Unido depois da Segunda Guerra Mundial. O desgaste no poder de um governo dominado por outros pesou para reduzir sua bancada.

Hoje, o Partido Liberal-Democrata é o partido da permanência do Reino Unido na UE. Esta bandeira lhe valeu o segundo lugar nas eleições europeias, à frente de trabalhistas, verdes e conservadores. Ficar na Europa será o tema central de sua campanha.

Em 1997, quando o governo Tony Blair foi eleito, os trabalhistas fizeram uma aliança informal com os sociais-democratas para concentrar os votos no candidato com melhores chances dos dois partidos em cada distrito eleitoral do país. Foi a maneira de derrotar os conservadores depois de 18 anos de thatcherismo.

Agora, sob a liderança radical de Corbyn, inimigo jurado do neotrabalhismo de Blair, dificilmente haverá um acordo deste natureza, a não ser que o Partido Trabalhista abrace a defesa da permanência na UE. Depois de tanta hesitação de Corbyn, é improvável.

Com o caos em torno da UE, o Partido Nacional Escocês tenta ampliar seu domínio sobre a política da Escócia para preparar um novo plebiscito sobre a independência. Se o Reino Unido sair mesmo da UE, a Escócia deve declarar a independência e se reintegrar à Europa.

Volta do peronismo renova dúvidas sobre a economia da Argentina

O peronismo volta ao poder na Argentina num momento de crise econômica e turbulência política na América Latina, com protestos violentos no Chile, no Equador, no Haiti, na Nicarágua e na Venezuela. Em princípio, o governo terá de ser mais pragmático do que ideológico. A grande dúvida é como a esquerda vai enfrentar a situação econômica.

A vitória da chapa peronista, formada por Alberto Fernández e Cristina Fernández de Kirchner, que não são parentes, era mais do que esperada desde as eleições primárias de 11 de agosto. A vantagem de apenas sete pontos percentuais ficou muito abaixo dos 15 pontos da primária.

O presidente Mauricio Macri conseguiu reduzir a dimensão da derrota. Sua aliança elegeu apenas um deputado a menor do que a coalizão vencedora, a Frente para Todos. Isso o qualifica como líder da oposição. 

Mas Macri foi o grande perdedor no último domingo. As reformas que propôs para, nas suas palavras, transformar a Argentina num país normal, fracassaram. O atual presidente entrega o país, em 10 de dezembro, em situação muito pior do que recebeu.

A inflação anual ronda os 60%, a economia recuou 3,8% em 12 meses, a taxa básica de juros está em 70% ao ano, o peso argentino caiu 80% durante o governo Macri, o desemprego passa de 10% ao ano, 35,4% dos argentinos vivem na miséria e agora ainda têm mais uma dívida de 57 bilhões de dólares com o Fundo Monetário Internacional, o FMI. Com estes números, nenhum governo se reelege em país democrático.

Alberto Fernández recebe uma das piores heranças econômicas do mundo. Em situação pior, só consigo pensar na Venezuela e no Zimbábue. Meu comentário:

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

UE prorroga o prazo para saída do Reino Unido até 31 de outubro

A União Europeia aceitou hoje uma "extensão flexível" do prazo de saída do Reino Unido do bloco europeu, que passa de 31 de outubro de 2019 para 31 de janeiro de 2020 e pode ser antecipado se o Parlamento Britânico aprovar o acordo negociado pelo primeiro-ministro conservador Boris Johnson com os sócios europeus.

Johnson sofreu mais uma derrota na Câmara dos Comuns hoje ao tentar antecipar as próximas eleições gerais britânicas para 12 de dezembro. A proposta recebeu 299 votos favoráveis. Com a abstenção da oposição trabalhista, ficou muito abaixo dos dois terços ou 434 votos necessários para aprovar a dissolução do Parlamento e convocar novas eleições.

Uma vitória eleitoral daria a Johnson o mandato para negociar o divórcio com a UE nos seus termos. Hoje, seu governo tem minoria na Câmara. Ele foi eleito líder do Partido Conservador com os votos dos filiados ao partido, cerca de 160 mil pessoas. Sonha em conquistar um mandato nas urnas.

A oposição trabalhista se nega a aceitar uma saída da UE sem acordo, uma saída dura, como queria Johnson, que chegou a dizer que sairia em 31 de outubro, preferindo cair "morto dentro de uma vala" a pedir a prorrogação do prazo.

O Partido Trabalhista, liderado pelo esquerdista radical Jeremy Corbyn, deve propor uma emenda exigindo que o Reino Unido mantenha a união aduaneira com a UE, o maior mercado, que respondeu no ano passado por 44% das exportações e 55% das exportações britânicas.

Com a união aduaneira, o Reino Unido manteria o acesso ao mercado comum europeu, mas perderia o direito de decidir suas regras. A ala mais radical dos brexiteiros quer total liberdade para fazer acordos comerciais com outros países.

Outros deputados devem propor que o texto final do acordo seja submetido a uma segunda consulta popular, a um referendo. A alternativa seria a permanência do país na UE.

Os partidários da saída afirmam que seria uma traição da vontade popular manifestada no plebiscito de 23 de junho de 2016. Mas a realidade é que a maioria dos eleitores não sabia exatamente em que estava votando.

Além das promessas genéricas de retomar o controle das leis, das fronteiras, da imigração e do comércio internacional, havia o compromisso de investir 350 milhões de libras, quase R$ 1,8 bilhão, a mais por semana no Serviço Nacional de Saúde, uma grande mentira.

Direita pode vencer Frente Ampla no Uruguai

Além da Argentina, o Uruguai realizou eleições presidenciais no último domingo. E pode fazer o contrário do que fez o país vizinho, que trocou o presidente direitista Mauricio Macri pelo esquerdista Alberto Fernáncez. Depois de 15 anos de governos da esquerdista Frente Ampla, o Uruguai pode dar uma guinada à direita no segundo turno, em 24 de novembro.

O candidato da esquerda, Daniel Martínez, obteve 39,17% dos votos ontem no primeiro turno, contra 28,59% para Luis Alberto Lacalle Pou, do Partido Nacional (blanco). Mas o terceiro colocado, Ernesto Talvi (12,32%), do Partido Colorado, e o quarto, Guido Manini Ríos (10,88%), do Cabildo Aberto, anunciaram o apoio a Lacalle Pou no segundo turno.

Desde 1999, um candidato da Frente Ampla não tinha uma votação tão fraca no primeiro turno. Será um segundo turno difícil para Martínez contra Lacalle Pou, filho do ex-presidente Luis Alberto Lacalle (1990-95). Em 2014, Lacalle Pou perdeu para o atual presidente, Tabaré Vázquez.

A estagnação econômica com as crises no Brasil e na Argentina e um aumento da criminalidade abalaram o prestígio da Frente Ampla. A situação hoje é mais favorável à oposição.

Líder do Estado Islâmico sonhava em criar um império do terror

Os Estados Unidos anunciaram ontem a morte do líder da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que pretendia criar um império do terror e submeter o mundo inteiro à sua visão extremista e medieval do islamismo, onde mulheres eram escravizadas sexualmente e homossexuais executados brutalmente.

Depois de cinco meses de coleta de informações, um comando de elite de operações especiais das Forças Armadas dos Estados Unidos chegou sábado à noite de helicóptero à casa onde Abu Baker al-Baghdadi, de 48 anos, estava escondido, na província de Idlibe, no Noroeste da Síria.

De acordo com a versão do presidente Donald Trump, que assistiu à operação na sala de comando da Casa Branca, acuado, Al-Baghdadi tentou fugir, mas entrou num túnel sem saída. Encurralado por soldados e cães dos Estados Unidos, detonou explosivos que trazia junto ao corpo, suicidando-se e matando três crianças que seria seus filhos.

Ao contrário do presidente Barack Obama, que nunca revelou as imagens da operação que matou o líder da rede terrorista Al Caeda, Ossama ben Laden, em Abotabade, no Paquistão, em 2 de maio de 2011, Trump quer divulgar as cenas do ataque ao líder do Estado Islâmico para mostrar seu destino a milhares de seguidores de sua ideologia assassina: “Ele morreu como um cão, como um covarde, gritando, gemendo e chorando”, descreveu o presidente americano.

As informações decisivas para a caçada de Baghdadi seriam de um dissidente do Estado Islâmico que se aliou às Forças Democráticas Sírias, uma milícia árabe-curda que fez a operação terrestre na guerra dos Estados Unidos e aliados contra a organização terrorista, mas foi traída por Trump. Meu comentário:

domingo, 27 de outubro de 2019

EUA anunciam a morte do líder do Estado Islâmico

O líder supremo da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Abu Baker al-Baghdadi, o Califa Ibrahim de um califado que ele proclamou em 29 de junho de 2014, foi morto aos 48 anos durante a noite de ontem, na Síria, numa operação especial de um comando de elite das Forças Armadas dos Estados Unidos, anunciou neste domingo o presidente Donald Trump.

De acordo com a versão americana, quando as tropas de elite dos EUA chegaram em helicópteros, Al-Baghdadi teria tentado fugir, mas entrou num túnel sem saída. Cercado, detonou explosivos que trazia junto ao corpo matando também três crianças que o acompanhavam, afirmou Trump.

No seu momento de maior expansão, em 2014, o Estado Islâmico controlava uma área do tamanho do Reino Unido onde viviam 10 milhões de pessoas. Ao proclamar a fundação do califado, Al-Baghdadi se outorgou uma jurisdição universal, não só sobre todos os muçulmanos, como sobre toda a humanidade, a ser convertida à sua versão do islamismo.

Em 5 de agosto de 2014, diante do genocídio do povo yazidi no Iraque e da degola de reféns americanos, o presidente Barack Obama declarou guerra ao grupo terrorista e iniciou uma guerra área com aliados como o Reino Unido e a França.

Os agentes de inteligência encontraram o veterano jihadista e ex-acadêmico, radicalizado ainda mais numa prisão americana no Iraque na província de Idlibe, no Noroeste da Síria, uma área próxima à fronteira da Turquia.

As informações decisivas para localizá-lo seriam de um dissidente do Estado Islâmico que se aliou às Forças Democráticas Sírias (FDS), a milícia árabe-curda que fez a operação terrestre para a aliança liderada pelos EUA na guerra contra o Estado Islâmico e foi traída por Trump. Esta fase de coleta de informações com a colaboração dos curdos durou cinco meses.

O Estado Islâmico é resultado da revolta sunita depois da queda de Saddam Hussein na invasão americana ao Iraque de 2003, que permitiu em 2004 a infiltração no país da rede terrorista Al Caeda, liderada por Ossama ben Laden. Em 2006. Al Caeda no Iraque virou Estado Islâmico do Iraque,

Com a guerra civil na Síria, o Estado Islâmico do Iraque se transformou em 8 de abril de 2013 no Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Al Baghdadi rejeitou as ordens do sucessor de Ben Laden, o médico egícpio Ayman al-Zawahiri, de lutar num país só. Rompeu com Al Caeda.

Depois de tomar o Nordeste da Síria, a grande vitória militar dos jihadistas foi a tomada de Mossul, no Iraque, em 10 de junho de 2014, depois de horas de combate, com a deserção dos soldados do Exército do Iraque, que abandonaram equipamentos militares americanos.

A morte de Al-Baghdadi não significa o fim do Estado Islâmico, assim como Al Caeda sobreviveu à morte do xeique Ossama ben Laden. Suas ideias políticas estão infiltradas nos movimentos extremistas muçulmanos do Oriente Médio.

Alberto Fernández é eleito presidente da Argentina no primeiro turno

Com 98% das urnas apuradas, a chapa peronista da Frente para Todos, formada pelo ex-ministro Alberto Fernández e a ex-presidente Cristina Kirchner, ganhou a eleição presidencial deste domingo na Argentina com 48,1% contra 40,38% para o atual presidente, Mauricio Macri e a coalizão Juntos pela Mudança, noticiaram os jornais argentinos Clarín e La Nación.

A margem da vitória ficou bem abaixo dos 49,5% a 33% registrados em 11 de agosto nas eleições primárias abertas, simultâneas a obrigatórias (PASO), que davam poucas esperanças de reeleição de Macri. Pela singular lei eleitoral argentina, ganha no primeiro turno quem obtiver mais de 45% dos votos ou mais de 40% e uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado.

Axel Kicillof, ex-ministro da Economia de Cristina Kirchner, venceu a eleição para governador da província de Buenos Aires com 52,07% dos votos contra 38,63% para a governadora María Eugenia Vidal, uma das estrelas do macrismo.

A grande vitória do macrismo foi para a Prefeitura de Buenos Aires, onde Horacio Rodríguez Larreta obteve uma ampla vitória de 55% a 35,46% sobre o peronista Matías Lammens. Sua grande derrota foi na Grande Buenos Aires, na região metropolitana da capital argentina, onde Fernández tirou quase toda sua vantagem.

Com o fracasso de suas propostas políticas liberais, Macri entrega a Argentina em situação pior do que recebeu, com inflação de 60% ao ano, queda no produto interno bruto de 3,8% em 12 meses, desvalorização do peso em 50% neste ano, uma dívida de US$ 57 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e 35,4% dos argentinos vivendo na miséria, 15 milhões a mais do que no ano passado.

A expectativa agora se volta para a reação do mercado. Há uma possibilidade de que amanhã seja feriado bancário para evitar a especulação financeiras em cima dos resultados. Fernández tem fama de ser mais pragmático do que Cristina.

Uma das questões é se Fernández vai conseguir se descolar da liderança da Cristina, se vai usar a cadeira presidencial na Casa Rosada para assumir o controle do peronista.

A história política do país registra várias traições do gênero, inclusive de Néstor Kirchner a Eduardo Duhalde, o presidente interino que bancou a candidatura do marido da Cristina pela ala esquerdista do peronismo, em 2003.

Outra é o que o governo Fernández vai propor para renegociar a dívida sem trair sua promessa de campanha de não infligir mais sacrifícios ao povo argentino nem alienar seu eleitores.

Nos discurso da vitória, Cristina saudou a reeleição de Evo Morales na Bolívia e Fernández pediu "Lula livre", descrevendo-o como um preso político.

Amanhã, Fernández toma o café da manhã com Macri para discutir a transição, especialmente como evitar o agravamento da crise econômica. Cristina não ajudou muito. Há pouco a vice-presidente eleita declarou que os presidentes governam do primeiro ao último dia. Tenta assim se eximir de responsabilidade por uma provável reação negativa do mercado com a volta do kirchnerismo ao poder. Na prática, sabota a transição.

Para evitar a especulação, o Banco Central da República Argentina limitou temporariamente em US$ 200 por mês a quantidade de dólares que se pode comprar legalmente.

sábado, 26 de outubro de 2019

Johnson quer convocar eleições na segunda-feira

O primeiro-ministro conservador Boris Johnson quer convocar nesta segunda-feira eleições antecipadas para 12 de dezembro no Reino Unido. O problema é que precisa de dois terços dos votos da Câmara dos Comuns e o governo não tem maioria.

A oposição trabalhista só aceitar antecipar eleições depois que a União Europeia aceitar um adiamento da  Brexit, a saída britânica do bloco europeu.

Em princípio, a UE aceita a prorrogação, mas só vai tomar a decisão em 28 ou 29 de outubro. Isto inviabiliza a intenção do primeiro-ministro de antecipar as eleições gerais no Reino Unido.

Johnson espera receber um mandato para negociar a saída britânica da UE nos seus termos.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Iraque e Líbano se rebelam contra sectarismo religioso

Além da estagnação econômica, da miséria e do desemprego, as manifestações de protestos das últimas semanas em países árabes querem mudar sistemas constitucionais que institucionalizam o sectarismo religioso.

No Iraque, as manifestações de massa das últimas semanas partiram principalmente da classe operária num país onde um quarto da população vive na miséria. No Líbano, os protestos começaram pela classe média alta. No centro de Beirute na semana passada, havia mulheres com óculos e roupas de grife. 

Apesar deste contraste evidente, há algo em comum além da questão econômica. O Iraque e o Líbano enfrentam a paralisia, a corrupção e a incompetência de sistemas políticos que dividem o poder entre os principais grupos étnico-religiosos, observa um artigo de Anchal Vohra na revista Foreign Policy.

Os protestos no Líbano começaram em dezembro do ano passado. Com a paralisia do sistema político, o país estava sem governo enquanto as condições de vida da população pioravam. Faltam empregos, faltam 100 milhões de empregos nos países árabes, os cortes de energia elétrica são frequentes e a dívida pública chegou a 150% do produto interno bruto. Proporcionalmente, é a terceira maior do mundo. O Líbano está falido.

Desde que tomou posse, o atual primeiro-ministro, o sunita Saad Hariri, tentou cortar gastos, mas recuou diante de greves. Quando o governo anunciou a cobrança de impostos pelo uso do WhatsApp, uma multidão de até 1 milhão de pessoas, um sexto da população total do Líbano, saiu às ruas.Meu comentário:

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Ditadura de Daniel Ortega sufoca imprensa livre na Nicarágua

Sob pressão de um ano e meio de protestos populares, o ditador Daniel Ortega Saavedra tenta calar a imprensa livre e independente, ignorando as lições de história da Nicarágua. Naquele país, o oprimido de ontem é o opressor de hoje.

Quarenta anos depois da queda do ditador Anastasio Somoza Debayle, o atual ditador, Daniel Ortega, eleito pelo voto popular, é chamado nas ruas de o novo Somoza. 

Em dezembro do ano passado, a alta comissária das Nações Unidas para direitos humanos, a ex-presidente do Chile Michelle Bachelet, denunciou o governo Ortega, exigindo “a suspensão imediata de perseguição a defensores dos direitos humanos, organizações da sociedade civil, jornalistas e empresas jornalísticas”. 

Ortega foi chefe da junta de governo depois da vitória da Revolução Sandinista, em 1979. Em 1984, foi eleito presidente em eleição boicotada pela oposição. Em 1990, perdeu para Violeta Chamorro, viúva do jornalista Pedro Joaquín Chamorro, assassinado pela ditadura somozista. 

Desde que voltou ao poder democraticamente, em 2007, Ortega se tornou cada vez mais autoritário, especialmente nos últimos dois anos.Meu comentário:

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Evo Morales, acusado de fraude, denuncia tentativa de golpe na Bolívia

Sob suspeita de fraude, depois de violar a Constituição para concorrer à terceira reeleição, o presidente Evo Morales denuncia uma ameaça de golpe e decreta estado de emergência na Bolívia.

No domingo à noite, com 83% das urnas apuradas, os resultados preliminares indicavam que seria necessário um segundo turno, previsto para 15 de dezembro. Morales tinha 45% dos votos válidos contra 38% do ex-presidente Carlos Mesa, derrubado em 2005 por uma onda de protestos liderada por Morales, na época um líder indígena e sindical. 

Pela lei boliviana, vence no primeiro turno quem conseguir mais da metade dos votos válidos ou 40% dos votos e uma vantagem de pelo menos dez pontos percentuais sobre o segundo colocado.


Mas, no fim da noite de domingo, o Tribunal Supremo Eleitoral suspendeu a apuração preliminar. Na segunda-feira, quando a contagem manual voto a voto mostrava os dois candidatos com 42% dos votos e uma pequena vantagem para Mesa, a Justiça parou com a apuração voto a voto, retomou a apuração preliminar e anunciou a vitória do atual presidente com 46,86% dos votos válidos contra 36,73% com 95% das urnas apuradas. 


Imediatamente, Mesa rejeitou o resultado oficial e convocou a população boliviana à “resistência democrática”. Manifestantes oposicionistas saíram às ruas para denunciar uma fraude eleitoral. Meu comentário:

terça-feira, 22 de outubro de 2019

Parlamento Britânico aprova Brexit em primeira votação mas adia saída da UE

A Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico aprovou hoje, em primeira votação, o acordo negociado pelo primeiro-ministro Boris Johnson para retirar o Reino Unido da União Europeia, mas rejeitou a saída em 31 de outubro, que exigiria uma segunda votação até 25 de outubro.

Em mais um dia dramático no Palácio de Westminster, por 329 a 299 votos, os deputados aprovaram pela primeira vez um acordo para o divórcio da União Europeia. Por coincidência, o resultado de 52% a 48% foi o mesmo do plebiscito que aprovou a Brexit em 23 de junho de 2016.

Dezenove deputados da oposição trabalhista aprovaram a proposta. Foram decisivos para a vitória do primeiro-ministro conservador Boris Johnson. 

Mas a Câmara dos Comuns rejeitou a tentativa de Johnson de aprovar em três dias a legislação necessária para uma saída no Dia das Bruxas, obrigando o governo a pedir uma extensão de três meses aos sócios europeus. A maioria dos deputados britânicos entende que o acordo de 110 páginas exige mais tempo para ser examinado. Meu comentário:

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Justin Trudeau é reeleito no Canadá sem maioria absoluta

O Partido Liberal, do primeiro-ministro Justin Trudeau, venceu hoje as eleições gerais no Canadá, mas não deve ter maioria absoluta no Parlamento, de acordo com duas pesquisas de boca de urna de televisões canadenses. Vai depender de outros partidos para aprovar seus projetos.

Pelos resultados preliminares, os liberais terão 144 deputados no Parlamento. A maioria absoluta é 170. Antes da dissolução do Parlamento, há 40 dias, havia 177 deputados liberais. O Partido Conservador, liderado por Andrew Scheer, deve conquistar pelo menos 96 cadeiras.

A reeleição de Justin Trudeau foi ameaçada por dois escândalos: a pressão sobre o procurador-geral num caso envolvendo a empresa de engenharia SNC-Lavalin e a divulgação de fotos do tempo da faculdade em que o jovem estudante aparece com a cara pintada de preto, o que é considerado racista.

Justin alegou que estava fantasiado de Aladim numa festa que tinha como tema as Mil e Uma Noites, um clássico da literatura árabe, e que não sabia do caráter racista.

Para recuperar o prestígio, Justin Trudeau prometeu leis mais duras de controle de armas, cortes de impostos e aumenta da proteção ambiental. Como o Partido Conservador acenou com o fim de um imposto sobre emissões de gases carbônicos, Trudeau o acusou a oposição querer adotar uma política de "não fazer nada" em relação ao aquecimento global. Na Austrália, a direita ganhou com esta proposta.

O pai de Justin, Pierre Elliot Trudeau, foi um dos chefes de governo mais importantes da história do Canadá. Sob sua liderança, os liberais ganharam quatro eleições (1968,1972, 1974 e 1980). Na segunda, em 1972, ficaram em minoria no Parlamento. Depois de um governo curto, ele voltou a governar com maioria absoluta.

Justiça Eleitoral anuncia reeleição de Evo Morales na Bolívia

Com 95% dos votos apurados, o Tribunal Supremo Eleitoral da Bolívia anunciou há pouco a reeleição do presidente Evo Morales para um quarto mandato consecutivo. Morales tem 46,86% dos votos válidos contra 36,73% para o ex-presidente Carlos Mesa, que denuncia fraude e não reconhece o resultado oficial, noticiou o jornal boliviano La Razón.

Pela lei boliviana, um candidato vence a eleição presidencial no primeiro turno se tiver mais da metade dos votos ou mais de 40% e uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado.

Ontem, durante uma apuração preliminar, tudo apontava para um segundo turno. Com 83% dos votos apurados, Morales, do Movimento ao Socialismo (MAS) liderava com 45,28%, enquanto Mesa, da Comunidade Cidadã, tinha 38,16%. Isso forçaria a realização de um segundo turno em 15 de dezembro.

Naquela altura da contagem, ao TSE suspendeu a contagem rápida. Quando começaram protestos de rua, a apuração foi suspensa em três departamentos (Laz Paz, Chuquisaca e Oruro).

Hoje, a contagem manual voto a voto dava uma ligeira vantagem a Mesa, com ambos um pouco acima de 42% dos votos válidos. Sem maiores explicações, o TSE voltou à contagem rápida e às 21h30 anunciou a vitória de Morales, alimentando as suspeitas de fraude.

A missão observadores internacionais da Organização dos Estados Americanos (OEA), manifestou "sua profunda preocupação e surpresa com a mudança drástica e difícil de justificar na tendência dos resultados preliminares".

Os observadores pediram calma à população depois de atos de violência de partidários dos dois principais candidatos. Revoltado, Mesa declarou que o eleitorado não vai aceitar o resultado e prometeu uma "resistência democrática".