quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Fed se divide mas aprova corte de juros sob pressão de Trump

Por 7 a 3, o Conselho da Reserva Federal (Fed), a cúpula do banco central dos Estados Unidos, decidiu hoje cortar a taxa básica de juros de curto prazo em 0,25 ponto percentual para uma faixa de 1,75% a 2% ao ano. Foi a segunda redução neste ano, depois de dez anos de juros baixos para enfrentar a Grande Recessão de 2008-9.

Dois votos contra foram a favor de manter a taxa inalterada. O outro membro do Comitê de Mercado Aberto queria um corte de meio ponto percentual. O presidente Donald Trump, que pediu uma redução para zero, criticou o Fed, acusando seus membros de não terem "estômago" nem "visão".

A média das previsões dos membros do comitê é que não serão necessários mais cortes de juros até o fim de 2020. Os investidores e analistas de mercado esperavam dois cortes até lá.

Se a economia estivesse tão bem quanto Trump apregoa, não seriam necessários cortes de juros, mas os cálculos de especialistas do Congresso indicam que a guerra comercial com a China tirou 0,9 ponto percentual do crescimento dos EUA.

Trump teme uma recessão que atrapalhe seus planos de reeleição no próximo ano. O sucesso da economia é seu principal tema para a campanha eleitoral.

Arábia Saudita anuncia retomada da produção para acalmar mercado

O ministro da Energia da Arábia Saudita, príncipe Abdulaziz ben Salman, declarou ontem que a companhia estatal Saudi Aramco retomou a metade da produção perdida com o ataque de 14 de setembro à maior refinaria do mundo e ao segundo maior campo de exploração petróleo do país. 

A produção deve voltar ao normal até o fim do mês. Mas o bombardeio revelou a fragilidade da grande região produtora de petróleo do Leste da Arábia Saudita, que está sujeita a novos ataques. Seria um alvo de retaliação se os Estados Unidos bombardearem o Irã em represália.

Ontem, a refinaria de Abkaik processou 2 milhões de barris, anunciou o diretor-geral da Saudi Aramco, Amin Nasser. Antes do ataque, eram 4,9 milhões de barris por dia. Abkaik tem uma capacidade máxima de refinar até 13 milhões de barris por dia. Como só cinco das 18 torres foram danificadas pelo ataque, o volume de exportações deve ser mantido.

O príncipe Abdulaziz acrescentou que o país pretende aumentar a produção para 11 milhões de barris por dia até o fim de setembro e para 12 milhões por dia até o fim de novembro.

Enquanto as instalações petrolíferas atingidas estiverem sendo reparadas, o governo saudita vai usar seus estoques estratégicos para cumprir os contratos de exportação e manter a estabilidade do mercado, já que responde por 10% da produção mundial.

O barril de petróleo do tipo Brent, padrão do mercado londrino, caiu 6,5% para US$ 64,55 e o West Texas Intermediate, do Golfo do México, baixou 5,7% para US$ 59,34, maiores quedas em um mês e meio.

Como aumentaram a tensão com o Irã aumentou e o risco de um bombardeio americano em retaliação à alegada responsabilidade da República Islâmica ou seus aliados pela ataque, o risco de mais ataques à indústria saudita de gás e petróleo não pode ser descartada.

A relutância saudita em acusar diretamente o Irã, limitando-se a dizer que as armas eram de fabricação iraniana, indicam uma intenção de não escalar o conflito por medo de novos ataques à sua maior riqueza.

No primeiro momento, o bombardeio reduziu a produção de petróleo saudita, que estava em 9,8 milhões de barris por dia, em 5,7 milhões de barris. Novos ataques poderiam ser ainda mais arrasadores.

terça-feira, 17 de setembro de 2019

Ataque a petróleo saudita desmoraliza política de Trump para Oriente Médio

A forte suspeita de que o Irã está por trás dos ataques a instalações petrolíferas da Arábia Saudita coloca os Estados Unidos num dilema: responder militarmente ou não ao desafio da República Islâmica. Deputados e senadores do Partido Republicano pediram calma ao presidente Donald Trump. 

Depois de dizer que as armas dos EUA estavam carregadas e engatilhadas no domingo, Trump recuou e disse que quer negociar. 

Este recuo mostra mais uma vez que o presidente americano não quer uma guerra que atrapalhe sua reeleição no próximo ano – e o bombardeio pode ter sido um sinal de ousadia do Irã diante da postura de Trump ou uma tentativa de minar um possível encontro com o presidente iraniano, Hassan Rouhani.

Desde que os Estados Unidos intensificaram a campanha de pressão máxima para obrigar o Irã a renegociar o acordo nuclear de 2015, abandonado por Trump, a Guarda Revolucionária Iraniana fez vários ataques a navios petroleiros no Golfo Pérsico. Quando derrubou um drone americano, em junho, Trump chegou a ordenar um ataque, abortado quando os aviões estavam no ar. Meu comentário:

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Ataque a petróleo saudita aumenta risco de guerra no Oriente Médio

Um ataque de drones a instalações petrolíferas da Arábia Saudita inflama o Oriente Médio. Os Estados Unidos acusam o Irã. E a República Islâmica afasta qualquer possibilidade de um encontro entre os presidentes Donald Trump e Hassan Rouhani na próxima semana, durante a reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. 

Quando Estados Unidos e Irã pareciam próximos da retomada do diálogo, um ataque com pelo menos dez drones atingiu a maior refinaria de petróleo do mundo e um campo de petróleo no Oeste da Arábia Saudita. O país é o segundo maior produtor mundial e o maior exportador mundial de petróleo. 

A produção da companhia estatal de petróleo saudita, a Aramco, caiu de 9 milhões e 800 mil barris por dia para 4 milhões e 100 mil barris por dia. Inicialmente, o governo saudita falou em restaurar um terço da capacidade perdida até hoje e toda até o fim da semana, mas admite que os danos foram maiores do que na avaliação inicial. Os especialistas estimam que serão necessárias semanas e talvez meses para retomar a produção anterior.

Os preços internacionais do petróleo subiram 10 por cento na abertura dos negócios de hoje para 71 dólares por barril do tipo Brent, o maior aumento em quase 30 anos. Depois, caíram para cerca de 65 dólares. Ainda estão abaixo dos 80 dólares do ano passado. Meu comentário:

Candidatos independentes vão para o segundo turno na Tunísia

Dois candidatos "antissistema", o professor universitário independente Kaïs Saïed e o empresário e publicitário preso Nabil Karoui devem disputar o segundo turno da eleição para presidente da Tunísia. De acordo com pesquisas de boca de urna de institutos locais, eles foram os mais votados no primeiro turno, realizado ontem, noticiou o jornal francês Le Monde.

Sete milhões de eleitores foram às urnas no domingo, na segunda eleição presidencial livre na Tunísia depois da Revolução de Jasmin, que derrubou o ditador Zine Ben Ali em fevereiro de 2011. É a única democracia que nasceu da chamada Primavera Árabe.

O resultado oficial será conhecido na terça-feira. As sondagens indicam descontentamento com a classe política e a derrota dos partidos que dominaram a política tunisiana desde a revolução.

As pesquisas dão 19% a Saïed e 15% a Karoui. O candidato do partido islamista Nahda, Abdelfattah Mourou, é o terceiro com 11%. O primeiro-ministro Youssef Chahed está em quarto com 8%. O comparecimento às urnas foi de 45%. Se estes números forem confirmados, será mais uma rebelião de eleitores contra a política tradicional.

Saïed, de 61 anos, é professor de direito constitucional na Universidade de Túnis. Foi diretor da Faculdade de Direito da Universidade de Sousse e secretário-geral e vice-presidente da Associação Tunisiana de Direito Constitucional.

Na campanha, Saïed tentou captar o voto dos jovens. Prometeu introduzir o referendo revogatório para os eleitores possam tirar os mandatos de políticos que não os representem como esperado.

Aos 56 anos, Karoui é um dos reis da publicidade na Tunísia, diretor-presidente do grupo Karoui & Karoui World, com filiais no Marrocos, na Mauritânia, na na Líbia, no Sudão e na Arábia Saudita, e da rede de televisão Nessma.

Quando começou a revolta popular contra Ben Ali, em 30 de dezembro de 2010, Karoui abriu seus canais de televisão ao debate político. A partir da revolução seu jornalismo se tornou referências. As TVs atraíram a ira dos salafistas, os fundamentalistas muçulmanos sunitas que querem viver como no tempo de Maomé.

Em 2016, Nabil e o irmão Ghazi foram acusados de lavagem de dinheiro. Eles foram denunciados criminalmente em 8 de julho. Tiveram os bens congelados e foram proibidos de sair do país.

O candidato foi preso em 23 de agosto, a pedido da procuradoria do Tribunal de Recursos de Túnis. Seu partido No Coração da Tunísia chamou a medida de "fascista", de um "sequestro" realizado por uma "milícia governamental".

domingo, 15 de setembro de 2019

Petróleo sobe 20% com ataques e queda da produção saudita

O preço do barril de petróleo do tipo Brent, padrão do centro financeiro de Londres, subiu 20%, de US$ 60 para US$ 71, na reabertura dos negócios depois dos ataques de drones ontem contra um campo de exploração de petróleo e a maior refinaria do mundo, na Arábia Saudita, segundo maior produtor e maior exportador mundial. 

Com os ataques, a produção saudita caiu pela metade. O empresa estatal de petróleo Aramco promete restaurar na segunda-feira um terço da capacidade perdida, de 5,7 milhões de barris por dia, 6% da produção mundial. Seriam 2 milhões de barris por dia de volta ao mercado. Antes, falara em retomar toda a produção no início da semana.

"Foi definitivamente pior do que avaliamos nas primeiras horas depois do ataque, mas vamos assegurar que o mercado não enfrente nenhuma escassez até que estejamos plenamente de volta", declarou um alto funcionário saudita. Os Estados Unidos podem usar seus estoques para evitar um choque maior no mercado.

O ataque foi reivindicado pelos rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã que lutam na guerra civil do Iêmen contra o presidente deposto, Abed Rabbo Mansur Hadi. O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, acusou o Irã, dizendo não haver certeza que os drones saíram do Iêmen.

Em pronunciamento na televisão, o presidente Hassan Rouhani negou qualquer responsabilidade do Irã. Ele acusou os EUA, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos de armar e financiar o outro lado na guerra civil do Iêmen, a pior tragédia humanitária hoje no mundo.

Uma investigação recente das Nações Unidas constatou que os hutis têm drones com alcance de quase 1,5 quilômetro. Portanto, poderiam ter atingido as instalações petrolíferas sauditas, que ficam a 800 km da fronteira iemenita.

De acordo com a televisão americana CNN, pelo ângulo do ataque, os EUA acreditam que possa ter partido do Irã ou do Iraque. O governo iraquiano negou que seu território tenha sido usado para lançar a revoada de drones.

O incidente atinge em cheio, tornando mais difícil um possível encontro entre os presidentes Donald Trump e Hassan Rouhani durante a reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, no fim deste mês. Trump declarou que os EUA estão "carregados e engatilhados" para responder ao ataque militarmente.

sábado, 14 de setembro de 2019

Rebeldes xiitas atacam instalações de petróleo na Arábia Saudita

Um bombardeio de drones atingiu hoje duas grandes instalações de petróleo, inclusive a maior refinaria do mundo, paralisando metade da produção da Arábia Saudita, segundo maior produtor e maior exportador mundial, com 10% do mercado. Os rebeldes hutis, do Iêmen, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã, reivindicaram a autoria do ataque. 

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, acusou o Irã pelo que chamou de "um ataque sem precedentes contra o suprimento mundial de energia" e alegou que "não há evidências de que os ataques vieram do Iêmen". A Arábia Saudita não responsabilizou o Irã.

As instalações atacadas têm capacidade de processar 8,45 milhões de barris de petróleo bruto por dia. A empresa estatal Aramco, maior companhia de petróleo do mundo, anunciou um corte de produção de 5,7 milhões de barris por dia. Os Estados Unidos podem usar suas reservas para estabilizar o mercado.

Se realmente foram os hutis, será o maior ataque ao reino desde a intervenção militar saudita na guerra civil do Iêmen em favor do presidente deposto Abed Rabbo Mansur Hadi, iniciada em 25 de março de 2015.

Os bombardeios aéreos dos sauditas e seus aliados do Conselho de Cooperação do Golfo arrasaram o mais pobre dos países árabes. Com um bloqueio naval, provocou a pior crise humanitária hoje no mundo, com milhões ameaçados pela fome.

A milícia huti faz parte de uma rede de grupos xiitas alinhados ao Irã, que disputa a liderança regional e do islamismo com Arábia Saudita, sunita. Os EUA e a Arábia Saudita acusam o Irã de enviar técnicos para treinar os hutis em tecnologias de mísseis e de drones.

Um inquérito das Nações Unidas constatou que os hutis têm drones com raio de ação de quase 1,5 quilômetro. Os alvos atingidos na Arábia Saudita estão a cerca de 800 km da fronteira iemenita. Os hutis atacaram a infraestrutura saudita anteriormente, mas com mísseis balísticos de pouca precisão.

EUA confirmam morte de filho e herdeiro de Ossama ben Laden

O presidente Donald Trump confirmou hoje que uma operação militar realizada pelos Estados Unidos  na "região do Afeganistão e Paquistão" matou Hamza ben Laden, filho e herdeiro político do terrorista saudita Ossama ben Laden, fundador da rede terrorista Al Caeda, responsável pelos atentados de 11 de setembro de 2001.

"A perde de Hamza ben Laden não só priva Al Caeda de uma liderança importante e da conexão simbólica com seu pai, também mina importantes atividades operacionais do grupo", declarou em nota a Casa Branca.

Hamza teria cerca de 30 anos. Estava ao lado do pai no Afeganistão na data dos grandes atentados e também no Paquistão, depois que a invasão americana ao Afeganistão pressionou Ossama a fugir para o país vizinho, onde foi morto por um comando de elite da Marinha dos EUA em 2 de maio de 2011 na cidade de Abotabade.

Em 2017, o Departamento de Estado americano o acusou de terrorismo depois que ele incitou à realização de atentados contra capitais de países ocidentais para vingar a morte do pai. A Arábia Saudita cassou sua cidadania por decreto real em novembro do ano passado.

A morte de Hamza foi noticiada em 31 de julho pela agência Reuters. Na época, Trump evitou comentar o assunto. Em fevereiro, o Departamento de Estado havia oferecido uma recompensa de US$ 1 milhão, mais de R$ 4 milhões, pela "identificação ou localização" do "filho do xeique", como era conhecido entre seus seguidores.

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Verdadeiro desafio chinês aos EUA é científico e tecnológico

A China excluiu alguns produtos agrícolas dos Estados Unidos, como carne de porco e soja, da lista de produtos sobretaxados depois que o presidente Donald Trump adiou o tarifaço de 1º de outubro. São gestos de boa vontade para as duas maiores economias do mundo voltarem a negociar o fim de sua guerra comercial. Mas o verdadeiro desafio chinês é científico e tecnológico.

O governo chinês está reagindo positivamente à recente decisão dos EUA de adiar de 1º para 15 de outubro a entrada em vigor do novo tarifaço decreto pelo presidente Donald Trump. Foram gestos de boa vontade das duas partes para facilitar a retomada das negociações.

Em 11 de setembro, o presidente americano anunciou o adiamento de 15 dias para entrada em vigor do aumento de 25 para 30 por cento no imposto de importação sobre produtos chineses importados num valor anual de 250 bilhões, mais de 1 trilhão de reais. 

A compra de produtos agrícolas agrada diretamente aos agricultores e fazendeiros americanos, uma importante base eleitoral de Trump atingida pela retaliação chinesa. Nos últimos dias, o presidente americano acenou com a possibilidade de um acordo provisório.

O presidente Trump parece mais preocupado com o déficit comercial dos EUA, de US$ 891 bilhões, equivalentes a R$ 3,639 bilhões, no ano passado. Só com a China, o déficit americano em 2018 foi de US$ 419 bilhões, R$ 1,711 trilhão.

Mas, em artigo na revista Foreign Affairs, Jonathan Gruber e Simon Johnson argumentam que a guerra comercial de Trump ignora a verdadeira ameaça da China.

De 1990 a 2010, o número de graduados em universidades aumentou dez vezes para 3 milhões por ano. Em 2010, a China diplomou 29 mil doutores em engenharia e ciências, enquanto os Estados Unidos graduavam 25 mil. 

Em 2017, 8 milhões de estudantes se formaram em universidades chinesas. Nos Estados Unidos, foram 3 milhões de novos graduados. Hoje, a China tem seis universidades entre as 100 melhores do mundo.

Em 2015, US$ 2 trilhões de dólares foram investidos em desenvolvimento científico e tecnológico no mundo inteiro. Os Estados Unidos foram responsáveis por 25 por cento do total; a China, por 21 por cento, com um aumento de 12 vezes em 15 anos. Meu comentário:

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Casa Branca articula encontro entre presidentes dos EUA e do Irã

O presidente Donald Trump está disposto a aceitar uma proposta da França para abrir uma linha de crédito de US$ 15 bilhões para aliviar as sanções a que a República Islâmica está submetida pelos Estados Unidos. O Japão colaboraria no relaxamento das sanções. Isto viabilizaria um encontro de Trump com o presidente do Irã, aiatolá Hassan Rouhani, durante a reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, no fim do deste mês.

Em troca, o Irã voltaria a cumprir o acordo nuclear assinado em 2015 com o governo Barack Obama, as outras grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar o programa nuclear militar iraniano e evitar que o país fabrique armas atômicas.

O acordo foi uma das grandes realizações de política externa de Obama. Afinal, os Estados Unidos e o Irã não mantêm relações diplomáticas desde a ocupação da embaixada americana em Teerã por 444 dias, a partir de 4 de novembro de 1979, nove meses depois da revolução islâmica, que derrubou o xá Reza Pahlevi, aliado de Washington, e levou o regime dos aiatolás ao poder.

Sob protesto do Irã, Trump abandonou o acordo em 8 de maio de 2018, sob a orientação do então conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, o advogado e embaixador linha-dura John Bolton, que caiu há dois dias. 

Bolton queria mudança de regime em Teerã. Chegou a defender um bombardeio ao Irã depois de um ataque a um drone americano no Golfo Pérsico. Também era a favor do uso da força na Coreia do Norte e na Venezuela. Meu comentário:

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Canadá convoca eleições gerais para 21 de outubro

O primeiro-ministro liberal Justin Trudeau dissolveu hoje o Parlamento do Canadá e convocou eleições gerais para 21 de outubro. As pesquisas indicam uma disputa apertada entre liberais e conservadores.

A liderança de Trudeau foi abalada por um relatório do comissário de ética, Mario Dion, que acusou o primeiro-ministro de violar a ética e de conflito de interesses ao pressionar o Ministério Público no processo sobre o escândalo de corrupção SNC-Lavalin.

Se o Partido Conservador voltar ao poder, é provável que tente melhorar as relações com a Arábia Saudita e se alie aos Estados Unidos para enfrentar a China. Mas há o risco de eleição de um Parlamento dividido e a formação de um governo instável que pode não chegar ao fim do mandato.

A Arábia Saudita reagiu furiosamente a críticas da vice-primeira-ministra e ministra do Exterior canadense, Chrystia Freeland, ao desrespeito aos direitos humanos no reino. Ela defendia Ensaf Haidar, mulher do blogueiro Raif Badawi, preso por ser liberal politicamente num reino medieval.

"Ensaf é cidadã canadense", declarou a ministra na época, em agosto de 2018. "Ela e sua família merecem atenção especial do governo canadense."

Por ordem do príncipe-herdeiro e homem-forte da monarquia absolutista saudita, Mohamed ben Salman, todo o comércio bilateral foi rompido e cerca de 16 mil sauditas que estudavam no Canadá saíram do país.

Com a China, a questão é outra. A pedido dos Estados Unidos, o Canadá prendeu em 1º de dezembro do ano passado Meng Wanzhou, diretora financeira e filha do fundador da maior empresa privada da China, Huawei, maior fabricante mundial de equipamentos de telecomunicações.

Em 28 de janeiro de 2019, o Departamento da Justiça dos EUA a denunciou por fraude financeira ao violar as sanções econômicas impostas pelo governo Donald Trump ao Irã. A China retaliou mais o Canadá, prendendo dois empresários canadenses, do que os EUA. Está em guerra comercial com os EUA e a Huawei pode ser objeto de barganha.

Terror islâmico ainda ameaça 18 anos após atentados de 11 de setembro

O número de mortes e de atentados cometidos por extremistas muçulmanos caiu nos últimos anos, mas o fantasma do terrorismo jihadista ainda assombra os países muçulmanos, o Ocidente e especialmente a África.

Era uma manhã linda de verão, com sol e céu azul, quando dois aviões de passageiros atingiram as Torres Gêmeas do World Trade Center, o Centro Mundial de Comércio, em Nova York, que desabaram meia hora depois do segundo ataque. 

Outro avião foi jogado contra o Pentágono, a sede do Departamento da Defesa dos Estados Unidos, nos arredores de Washington. Um quarto avião foi derrubado pelos passageiros que souberam dos outros ataques. Seu alvo poderia ser a Casa Branca ou o Capitólio, a sede do Congresso dos Estados Unidos. 

No fim do dia, os piores atentados terroristas da história haviam deixado 2 mil 996 mortos, incluindo os 19 terroristas suicidas.

Foi a globalização do terrorismo. Sob a liderança do saudita Ossama bem Laden, a rede terrorista Al Caeda levou as guerras do Oriente Médio para dentro do território americano.

Os efeitos são sentidos até hoje nas guerras do Afeganistão e do Iraque, na desestabilização do Oriente Médio, em inúmeros atentados, na proliferação de grupos jihadistas e no reforço sem precedentes à segurança, especialmente da aviação comercial. Meu comentário:

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Netanyahu promete anexar colônias e o Vale do Rio Jordão

Em situação difícil às vésperas das eleições de 17 de setembro em Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu prometeu hoje anexar o Vale do Rio Jordão e todos os assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada, noticiou hoje o jornal The Times of Israel. É quase um terço do território.

Depois de vários escândalos de corrupção, com quatro processos em andamento, Netanyahu e seu partido Likud estão em empate técnico ou atrás, em algumas pesquisa, do partido Azul e Branco, liderado por Benny Gantz, comandante-em-chefe das Forças de Defesa de Israel de 2011 a 2015.

A oposição propõe limitar o número de mandatos do primeiro-ministro, proibir políticos denunciados de servir na Knesset, o Parlamento de Israel, mudar a lei que considera não judeus cidadãos de segunda classe, investir no ensino básico e na saúde pública, e reiniciar as negociações de paz com a Autoridade Nacional Palestina (ANP).

Antes das eleições de 9 de abril, que Netanyahu venceu, mas não conseguiu formar um governo, o presidente Donald Trump reconheceu a soberania de Israel sobre as Colinas do Golã, ocupadas da Síria na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e anexadas em 1981. Abriu um precedente para os Estados Unidos reconhecerem anexações de território, numa violação da Carta das Nações Unidas, que proíbe a guerra de conquista.

Na mesma guerra, Israel também ocupou a Península do Sinai, devolvida ao Egito pelo acordo de paz de Camp David, em 1979, a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém. Israel se retirou da Faixa de Gaza em agosto de 2005.

Historicamente o Likud prolongou as negociações de paz com os palestinos para tornar a ocupação da Cisjordânia um fato consumado. As colônias ocupam locais estratégicos. Hoje o projeto da direita israelense é anexar a Cisjordânia.

Ao anexar as colônias, Netanyahu inviabilizaria a criação de um Estado nacional para o povo palestino na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. É a receita para uma guerra sem fim. É uma jogada política para fidelizar suas bases eleitorais, construir uma coalizão majoritária na Knesset e escapar da prisão.

Com base nos acordos de Oslo, a Cisjordânia está dividida em áreas A, administradas pela Autoridade Nacional Palestina; áreas B, onde a administração é dividida; e áreas C, controladas por Israel, onde estão as colônias israelenses. O Vale do Rio Jordão é uma região fértil onde vivem 50 mil palestinos e 11 mil israelenses.

Coreia do Norte faz décimo teste de mísseis do ano

A ditadura comunista da Coreia do Norte disparou hoje dois foguetes teleguiados em direção ao Mar do Japão. Os mísseis chegaram a uma altitude de 50 a 60 quilômetros e a uma distância de pouco mais de 330 km, noticiou a agência sul-coreana Yonhap citando como fonte o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas da Coreia do Sul, que seria o principal alvo destes mísseis.

Como os nove testes anteriores, este parece ter ficado dentro do limite prometido ao presidente Donald Trump, que reagiria se fosse um míssil de longo alcance, capaz de atingir o território continental dos Estados Unidos.

O teste foi realizado horas depois de um anúncio do regime stalinista de Pyongyang de que está aberto a retomar o diálogo com Washington ainda neste mês. É uma demonstração de força e de que o país melhora sua defesa e aumenta o poder de barganha.

Trump e Kim se encontraram três vezes desde o ano passado e decidiram iniciar negociações para eliminar as armas nucleares e chegar a um acordo de paz que ponha fim à Guerra da Coreia (1950-53). Mas não houve avanço desde então. Estima-se que a Coreia do Norte tenha entre 20 e 60 ogivas nucleares.

Queda de Bolton sinaliza política externa mais moderada nos EUA

A queda do advogado linha-dura John Bolton do cargo de conselheiro de segurança nacional da Casa Branca sinaliza uma mudança na política externa dos Estados Unidos para uma orientação mais pragmática, com mais diplomacia e menos ameaças de uso da força. 

O próprio presidente Donald Trump admitiu que várias precisou conter Bolton, que já defendeu bombardeios contra o Irã e a Coreia do Norte para evitar que estes países tenham armas nucleares e uma intervenção militar para derrubar o regime chavista na Venezuela. 

“Eu discordava fortemente de muitas sugestões dele, assim como outras pessoas da administração e, por isso, pedi a John que renunciasse ao cargo”, escreveu o presidente no Twitter.

Com a saída do terceiro assessor de segurança nacional, o governo Trump pode ter uma política mais flexível em relação a estes países e nas negociações de paz com a milícia dos Talebã no Afeganistão.

Afinal, Trump precisa evitar novas guerras de sucessos em política externa para apresentar ao eleitorado na campanha da reeleição em 2020. Meu comentário:

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Boris Johnson perde mais duas e não consegue antecipar eleições

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, perdeu mais duas votações hoje à noite no Parlamento Britânico. Foram seis derrotas em seis dias. 

Com 293 votos a favor e 46 contra, a Câmara dos Comuns rejeitou a antecipação das eleições para 15 de outubro, o que exige o apoio de dois terços dos deputados. 

Por 311 a 302, os comuns exigiram que o governo publique os textos da Operação Martelo Amarelo para preparar o Reino Unido para sair da União Europeia sem acordo.

Agora, as eleições só podem ser realizadas em novembro. A dúvida é se Johnson vai cumprir a lei sancionada hoje pela rainha Elizabeth II que o proíbe de sair da UE sem acordo e a pedir uma prorrogação de mais três meses na data de saída, marcada para 31 de outubro.

Em desafio ao Parlamento, Johnson repetiu que não vai pedir prorrogação do prazo. O primeiro-ministro venceu a eleição interna para se tornar líder do Partido Conservador prometendo deixar a UE na data prevista com ou sem acordo. Pode até ser preso. Posaria como um mártir da saída britânica (Brexit) nas próximas eleições.

Ao expulsar deputados moderados e europeístas que votaram contra o governo para impedir uma ruptura com a Europa, Johnson tornou o partido menor, mais sectário, mais direitista e mais nacionalista.

No Reino Unido, um país multinacional dominado pela Inglaterra, centro do maior império que o mundo jamais viu, o nacionalismo britânico foi sempre menos exacerbado do que o de irlandeses e escoceses porque representaria uma ameaça à unidade do país

Quantos aos riscos de uma saída dura, sem acordo com os outros 27 países da União Europeia, o governo estudo medidas legais para não dar publicidade a comunicações internas sobre possíveis problemas decorrentes de uma ruptura total com o bloco europeu. Alguns documentos vazados em agosto falavam no perigo de escassez de alimentos e medicamentos.

Partido de Putin sofre grandes perdas nas eleições municipais em Moscou

O partido governista Rússia Unida deve eleger 25 dos 45 vereadores da Câmara Municipal de Moscou nas eleições realizadas ontem. Tinha 38 cadeiras. A ditadura de Vladimir Putin ganhou todas as 16 eleições para governadores regionais, mas perdeu espaço na capital da Rússia.

Apesar da vitória, a queda no número de vereadores da Rússia Unida indica que as semanas de protestos de grupos oposicionistas contra o veto a seus candidatos se refletiram nas urnas. Perdeu um terço dos vereadores, que são eleitos por voto distrital, com a cidade dividida em distritos. Cada um elege seu vereador.

Depois de cinco anos de crise e queda de renda, com uma reforma da previdência que aumentou a idade para aposentadoria, o descontentamento popular beneficiou sobretudo o Partido Comunista, que sonha com uma volta ao passado.

O porta-voz do Kremlin, Dimitri Peskov apresentou o resultado geral como vitória do governo, mesmo com o fraco desempenho em Moscou: "O partido mostrou liderança política."

Proibidos de concorrer, o advogado e blogueiro anticorrupção Alexei Naval e outros líderes da oposição indicaram candidatos que serão suas vozes na Câmara Municipal de Moscou. Eles defenderam um voto tático para derrotar os candidatos da Rússia Unida.

Mais uma negociação internacional de Trump fracassa

O presidente Donald Trump rompeu as negociações de paz com a milícia fundamentalista muçulmana dos Talebã sob o argumento de que mais um soldado americano foi morto, mas a verdadeira razão é outra: a milícia exige a retirada total das forças estrangeiras do Afeganistão e os Estados Unidos pretendem manter uma força antiterrorista de 8,6 mil homens no país.

Depois de um ano de negociações de paz e do quinto encontro em Doha, no Catar, representantes do governo americano e da milícia fundamentalista sunita que governou o Afeganistão como um emirado islâmico de 1996 a 2001 estavam perto de um acordo. 

Uma reunião secreta estava marcada para sábado na casa de campo da Presidência dos Estados Unidos em Camp David entre Trump, o presidente afegão, Achraf Ghani Ahmadzai, e delegados dos Talebã. 

O objetivo é acabar com a guerra que já dura quase 18 anos e é a mais longa da história dos Estados Unidos. Começou em 7 de outubro de 2001 em resposta aos atentados terroristas de 11 de setembro daquele ano nos Estados Unidos. 

O regime fundamentalista dos Talebã dava refúgio à rede terrorista Al Caeda, responsável pelo pior atentado terrorista da história dos Estados Unidos. Meu comentário:

domingo, 8 de setembro de 2019

Trump suspende encontro com Talebã e é criticado pelo convite inicial

O presidente Donald Trump está sendo duramente criticado por ter convidado terroristas para negociações de paz que seriam realizadas neste domingo na casa de campo da Presidência dos Estados Unidos, em Camp David. Trump cancelou o encontro até então secreto sob a alegação que a milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes) matou um soldado americano no Afeganistão.

Em uma série de mensagens pelo Twitter no sábado à noite, o presidente americano anunciou que não haveria o encontro porque os Talebã assumiram a responsabilidade por atentado com carro-bomba em Cabul com 12 mortos, inclusive um soldado americano, na quinta-feira.

Foi o 16º militar americano morto neste ano na Guerra do Afeganistão, que completa 18 anos em outubro e é a mais longa da história dos EUA. As outras 15 mortes não mereceram a mesma reação.

"Que tipo de gente mata tantos para, aparentemente, fortalecer seu poder de barbanha?", indagou Trump. "Se não podem concordar com um cessar-fogo durante negociações tão importantes, e até mesmo matam 12 pessoas inocentes, então provavelmente nem tenham poder para negociar um acordo significativo."

A Milícia dos Talebã lamentou o cancelamento da reunião, que também incluiria o presidente afegão, Achraf Ghani Ahmadzai, dias depois que o enviado especial dos EUA, o embaixador americano Zalmy Khalilzad, ter anunciado que chegou a um esboço de acordo de paz. O encontro em Camp David serviria para Trump aprovar o acordo.

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, defendeu o convite ao grupo terrorista sob o argumento de que "temos a obrigação de fazer tudo o que pudermos", mas afirmou que as negociações estão paralisadas "no momento".

sábado, 7 de setembro de 2019

Rússia e Ucrânia trocam prisioneiros em sinal de melhora nas relações

 As ex-repúblicas soviéticas da Rússia e da Ucrânia trocaram hoje 35 prisioneiros para cada lado. Foram libertados 24 soldados da Marinha ucraniania e Volodymyr Tsemakh, que está sendo investigado pelo abate de um avião de passageiros Boeing 777 da companhia aérea Malaysia Airlines em que as 298 pessoas a bordo morreram, em 2014.

As negociações delicadas e a cerimônia de troca de presos cuidadosamente coreografada indicam um avanço nas relações bilaterais e devem marcar o fim da guerra civil fomentada pelo Kremlin no Leste da Ucrânia no início de abril de 2014, embora um acordo de paz ainda pareça distante.

Em fevereiro de 2014, depois da queda do presidente Viktor Yanukovich, aliado de Moscou, soldados russos da Frota do Mar Negro baseados na cidade ucraniana de Sebastopol ocuparam a península da Crimeia, anexada ilegalmente pela Rússia no mês seguinte.

Mais de 13 mil pessoas morreram no conflito deflagrado pelo ditador russo, Vladimir Putin, como resposta à queda de Yanukovich. O novo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, eleito em abril, colocou o fim do conflito como prioridade.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Morte de Mugabe é o fim de mais uma tragédia africana

De revolucionário, herói da independência e pai da pátria, Robert Mugabe se tornou um tirano implacável. Arruinou a economia do Zimbábue e é acusado por milhões de mortes. Sua morte aos 95 anos hoje num hospital de Cingapura é o fim de mais uma história trágica na África.

Nacionalista pan-africano, Robert Gabriel Mugabe aderiu ao socialismo e ao marxismo-leninismo na luta contra o colonialismo europeu nos anos 1960s. Acusado de sedição, ficou preso de 1964 a 1974. 

Livre, foi para Moçambique, onde assumiu a liderança da União Nacional Africana do Zimbábue, ZANU, da sigla em inglês, na luta contra o regime segregacionista da minoria branca, semelhante ao apartheid da África do Sul, chefiado por Ian Smith. 

Na época, o país se chamava Rodésia. Antes, fora a Rodésia do Sul, nomes derivados de Cecil Rhodes, um empresário do imperialismo britânico do século 19. 

Antes da libertação de Nelson Mandela na África do Sul, em fevereiro de 1991, Mugabe, como um dos pais da pátria, era uma das vozes mais fortes em defesa do ideal de unidade do continente, do pan-africanismo, um sonho dos heróis da independência. Mas Mugabe não era Mandela. Meu comentário: