terça-feira, 16 de julho de 2019

Parlamento Europeu aprova nova presidente da Comissão Europeia

Em votação apertada, o Parlamento Europeu aprovou hoje a indicação da ministra da Defesa da Alemanha, Ursula von der Leyen para próxima presidente da Comissão Europeia, o órgão executivo da União Europeia (UE).

Documento revela presença de armas nucleares dos EUA na Europa

Um documento divulgado por engano mostrou que os Estados Unidos mantêm 150 armas nucleares na Europa, em países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar ocidental. E a Coreia do Norte ameaça reiniciar os testes nucleares e de mísseis de longo alcance.  

A ditadura comunista da Coreia do Norte advertiu hoje que as manobras militares conjuntas dos Estados Unidos com a Coreia do Sul prejudicam as negociações de desarmamento – e indicou que pode responder retomando os testes nucleares e de mísseis de longo alcance. 

Em nota, o Ministério do Exterior norte-coreano acusou os Estados Unidos de violar o espírito das negociações iniciadas em 12 de junho do ano passado em Cingapura entre o presidente Donald Trump e o ditador Kim Jong Un. 

Depois daquele encontro, Trump suspendeu as manobras para não provocar o regime stalinista de Pyongyang, que parou de testar bombas atômicas e mísseis capazes de atingir o território continental dos Estados Unidos. 

O último teste nuclear norte-coreano foi realizado em setembro de 2017 e o último teste de mísseis de longo alcance, capazes de atingir os Estados Unidos, foi em novembro de 2017, quando Kim e Trump trocavam ameaças de começar uma guerra nuclear.Meu comentário:

Tribunal Constitucional da Guatemala veta acordo sobre imigração com EUA

O Tribunal Constitucional da Guatemala proibiu o presidente Jimmy Morales de assinar um acordo sobre imigração com os Estados Unidos chamado de "terceiro país seguro" para obrigar os refugiados a pedir asilo no primeiro país de trânsito. É mais uma jogada do presidente Donald Trump para tentar conter o fluxo migratório para os EUA.

Trump quer que os hondurenhos e salvadorenhos peçam asilo na Guatemala e que os guatemaltecos peçam asilo no México. Assim, só os mexicanos poderiam chegar até a fronteira dos EUA. Hoje, a maioria vem do Triângulo do Norte da América Central, da Guatemala, de Honduras e de El Salvador.

A designação da Guatemala como país um "terceiro país seguro" é impopular no país, que como o México sofre grande pressão do presidente americano. Trump está em campanha para a reeleição em 2020 e manipula o fantasma da imigração ilegal, um de seus temas favoritos para mobilizar o eleitorado branco sem curso superior.

O México está sob a ameaça permanente de um tarifaço de Trump, que não parece realmente interessado em resolver o problema da imigração, mas, sim, de usar a questão para manipular o eleitorado.

Em Honduras, há uma onda de protestos contra o presidente conservador Juan Orlando Hernández para marcar o aniversário de dez anos do golpe militar contra o presidente José Manuel Zelaya, em 28 de junho. Em dois de junho, manifestantes tocaram fogo em 62 caminhões e contêineres que iam para Porto Castela, noticiou o jornal hondurenho La Prensa.

Antes, em 31 de maio, os manifestantes queimaram pneus diante da entrada do setor de vistos da Embaixada dos EUA em Tegucigalpa. O incêndio chamuscou o muro externo da representação americana, mas logo foi apagado e não causou grandes danos.

As manifestações recomeçaram em 5 de junho em várias cidades hondurenhas, principalmente em Tegucigalpa e San Pedro Sula, a capital e o principal centro econômico do país. Em 2011, San Pedro Sula era responsável por dois terços do produto interno bruto de Honduras, estimado em US$ 45 bilhões.

No meio do fogo cruzado de gangues do tráfico de drogas para os EUA que o Estado hondurenho não tem poder para enfrentar, em 2015, San Pedro Sula foi considerada a cidade mais violenta do mundo, com um índice de homicídios de 187 para cada 100 mil habitantes.

Com crises econômica, política e de segurança pública, a tendência é que mais imigrantes saiam do país para tentar a sorte nos EUA.

Para ajudar a Guatemala, Honduras e El Salvador a enfrentar seus problemas, a Câmara dos Representantes dos EUA aprovou por unanimidade um projeto bipartidário para dar uma ajuda de US$ 577 milhões, informou o jornal guatemalteco Prensa Libre.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Sociedade civil luta pela democracia liberal na Europa Central e Oriental

A defesa do liberalismo político vem de onde não se esperava: 30 anos depois da queda do Muro de Berlim e do fim do comunismo, uma nova revolução defende a democracia e a liberdade na Europa Central e Oriental. Movimentos da sociedade civil rejeitam a volta do autoritarismo.

Mesmo quando fracassarem, esses grupos se tornarão uma força política que os governos da região terão de levar em conta. Ao mesmo tempo, a emergência de novas forças de oposição vai contribuir para a instabilidade política crescente e o risco político na região.

Na República Tcheca, na Eslováquia, na Romênia e na Albânia, multidões estão saindo às ruas para exigir transparência dos governos, observa a empresa de consultoria e análise estratégica americana Stratfor.

Os resultados ainda são poucos. Os governos, especialmente da Hungria e da Polônia, adotaram discursos e política ultranacionalistas, de extrema direita, atacam a independência do Poder Judiciário e as liberdades públicas. 

A União Europeia advertiu a Hungria, a Polônia e a Romênia a respeitar as liberdades democráticas, a parar de sufocar a mídia crítica aos governos, e a respeitar a independência do Judiciário – e ameaçou tomar medidas punitivas. 

Enquanto a União Europeia se preocupa, a sociedade civil luta para garantir as conquistas das revoluções liberais que abriram a Cortina de Ferro e derrubaram o comunismo em 1989. Será um elemento importante para evitar o aprofundamento do fosso entre as Europas Ocidental e Oriental. Meu comentário:

Trump faz ataque racista contra deputadas da esquerda democrata

Em mais um de seus tuítes raivosos, o presidente Donald Trump mandou quatro deputadas federais da ala mais à esquerda da oposição democrata "voltem aos lugares totalmente quebrados e infestados pelo crime de onde vieram e ajudem a melhorar a situação". 

Três nasceram nos Estados Unidos e a outra é uma refugiada da Somália que vive no país desde a adolescência e recebeu a cidadania americana. Mais uma vez, o presidente está sendo acusado de racismo, noticia o jornal inglês The Guardian.

Trump não citou os nomes das quatro deputadas. Falou no esquadrão, como é chamado o grupo formado pelas jovens radicais eleitas em novembro do ano passado, quando o Partido Democrata reconquistou a maioria na Câmara dos Representantes com aumento da presença feminina. É esquadrão por causa de sua combatividade.

Alexandria Ocasio Cortez, filha de porto-riquenhos, foi eleita por Nova York; Ayanna Pressley, de origem africano, por Massachusetts; Rashida Tlaib, filha de imigrantes palestinos, por Michigan; e Ilhan Omar, a somaliana naturalizada americana, por Minnesota.

"O país de onde eu veio e ao qual jurei lealdade é os EUA", respondeu AOC, como é conhecida a deputada mais jovem e mais popular da nova Câmara. Tlaib declarou que Trump "precisa ser impedido" num processo de impeachment.

Omar descreveu Trump como "o pior, mais corrupto e mais inepto presidente que já vimos", enquanto Pressley foi direta: "Isto parece com racismo. Nós parecemos a democracia."

Em campanha para disputar mais uma vez a candidatura democrata à Casa Branca, o senador Bernie Sanders não perdeu a oportunidade para atacar Trump: "Quando eu chamo o presidente de racista, é disto que estou falando."

O presidente voltou ao Twitter para contra-atacar: "Tão triste ver os democratas ficaram ao lado de pessoas que falam tão mal do nosso país e que, além do mais, odeiam Israel com uma paixão verdadeira e sem limites. Quando confrontados, eles chamam seus adversários, inclusive Pelosi, de racista."

A deputada Nancy Pelosi, presidente da Câmara, tenta controlar o ímpeto das deputadas mais radicais, que Trump usa como fantasmas para apresentar o Partido Democrata como radical de esquerda e socialista. Ela denunciou o tuitaço como "comentários xenofóbicos para dividir a nação". Ele queria explorar o conflito interno da oposição. Acabou provocando a união dos democratas.

"Sua linguagem desagradável e as coisas que dizem sobre os EUA não podem passar sem um desafio. Se o Partido Democrata quer continuar a desculpar este comportamento vergonhoso, então vamos nos ver nas urnas em 2020", arrematou o presidente.

Trump entrou na política acusando o presidente Barack Obama de não ter nascido nos EUA. Lançou sua candidatura à Casa Branca, em junho de 2016, chamando os mexicanos de assassinos, traficantes, ladrões e estupradores.

Ao discutir a reforma da imigração com deputados e senadores democratas, perguntou "por que temos de receber gente de países que são buracos de merda?", como Nigéria e Haiti, e "por que não recebemos mais gente da Noruega?"

Quando os neonazistas marcharam em Charlottesville, na Virgínia, em 12 de agosto de 2017, na manifestação União da Direita, para impedir a remoção da estátua do comandante militar do Sul escravocrata na Guerra Civil (1861-65), Trump afirmou que "havia gente boa dos dois lados".

Irã admite negociar se EUA suspenderem sanções

A República Islâmica do Irã está disposta a negociar com os Estados Unidos, se as sanções econômicas impostas pelo governo Donald Trump forem suspensas, declarou ontem o presidente Hassan Rouhani em pronunciamento na televisão iraniana.

"Nós sempre acreditamos em negociações", afirmou Rouhani. "Se suspenderem as sanções, acabarem com a pressão econômica e voltarem ao acordo, estamos dispostos a conversar com os EUA, agora e em qualquer lugar."

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, desprezou a proposta iraniana, alegando que é o mesmo que ofereceram ao governo Barack Obama. Mas as grandes nações da Europa estão preocupadas.

Em uma declaração conjunta no domingo, a Alemanha, a França e o Reino Unido fizeram um apelo à calma. Querem reduzir a tensão no Oriente Médio e preservar o acordo nuclear assinado em 2015, no governo Obama, pelas grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia), a Alemanha e o Irã para congelar o programa nuclear militar iraniano por dez anos. Os grandes países da Europa disseram que isso "depende do pleno respeito pelo Irã de suas obrigações."

Na semana passada, a ditadura teocrática iraniana anunciou a decisão de enriquecer urânio acima do limite permitido pelo acordo. A Marinha britânica apreendeu um navio petroleiro iraniano com destino à Síria por força das sanções da União Europeia contra o regime de Bachar Assad por causa da guerra civil.

Dias depois, barcos e lanchas da Guarda Revolucionária Iraniana tentaram impedir a passagem de um petroleiro britânico pelo Estreito de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico, e foram repelidos por uma fragata da Marinha Real que escoltava o navio-tanque.

O conflito entre EUA e Irã tem origem no golpe de Estado de 1953 articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência) contra o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh, que nacionalizara o petróleo. Ascendeu ao poder o xá Reza Pahlevi, aliado de Washington.

Em fevereiro de 1979, uma revolução que começou com greves no setor de petróleo acabou entregando o poder ao clero muçulmano xiita e ao aiatolá Ruhollah Khomeini. Em novembro daquele ano, guardas revolucionários ocuparam a embaixada americana em Teerã e tomaram reféns.

Desde então, as relações entre os dois países estão rompidas. Mesmo assim, o governo Barack Obama negociou junto com as outras e o Irã um acordo assinado em 2015 para congelar o aspecto militar do programa nuclear iraniano por 10 anos.

Trump retirou os EUA do acordo e meses depois impôs duras sanções com o objetivo de impedir o regime dos aiatolás de exportar petróleo para sufocar a economia iraniana, numa verdadeira guerra econômica. A inflação ronda os 50% ao ano e o produto interno bruto do Irã deve cair 6% neste ano.

Ontem, o jornal inglês Mail on Sunday divulgou novos documentos sigilosos observações do embaixador Ken Darroch sobre o governo Trump. O abandono do acordo nuclear com o Irã foi descrito pelo embaixador como "vandalismo diplomático" por "razões ideológicas ou personalistas", porque era um acordo negociado por Obama.

China cresce menos por causa da guerra comercial de Trump

Sob pressão dos tarifaços do presidente Donald Trump, a China, segunda maior economia do mundo, cresceu no segundo semestre de 2019 num ritmo anual de 6,2%. É o mais fraco desde o início dos anos 1990s. 

A última taxa anual inferior foi 3,9% em 1990. A taxa para o trimestre é a menor desde que a pesquisa começou, há 27 anos. Caiu em relação aos 6,4% ao ano do primeiro trimestre, que já estavam abaixo dos 6,6% do ano passado como um todo.

As negociações entre os Estados Unidos e a China tiveram seu pior momento em maio, quando Trump impôs tarifa de 25% sobre exportações chinesas no valor de US$ 200 bilhões anuais. O clima melhorou quando o presidente americano se encontrou com o ditador Xi Jinping durante a reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20), em Osaka, no Japão, em 28 e 29 de junho.

Com medo de que a guerra comercial prejudique o que é hoje o maior parque industrial do mundo, o governo chinês ampliou o crédito e adotou medidas para estimular o investimento. A indústria manufatureira cresceu em ritmo anual de 6,3% em junho, superando os 5% de maio.

Em dólar, o valor das exportações recuou 1,3% em junho. O investimento em propriedades imóveis avançou em ritmo de 10,9% ao ano no primeiro semestre, caindo em comparação com maio, quando estava em 11,2%.

As vendas no varejo subiram num ritmo anual de 9,8% em junho, superando os 8,6% de maio. É sinal de que o consumo interno é robusto. A inflação está sob controle. Em junho, foi de 2,7%.

Os analistas entendem que o governo chinês não vai correr o risco de uma desaceleração maior. Quer manter a taxa de crescimento no fim do ano em 6%. Com certeza, vai adotar novas medidas de estímulo.

domingo, 14 de julho de 2019

Depressão e ansiedade custam US$ 1 trilhão por ano

O estresse, a depressão e a ansiedade atingem 615 milhões de pessoas, provocam suicídio e causam um prejuízo anual estimado em US$ 1 trilhão (R$ 3,736 trilhões), revelou um estudo recente da Organização Mundial da Saúde (OMS).

As doenças crônicas respondem por 86% dos gastos com saúde nos Estados Unidos, de US$ 2,7 trilhões (R$ 10 trilhões) por ano. Muitas são causadas por problemas relacionados ao estresse.

No Reino Unido, são responsáveis por 44% das doenças profissionais e 57% das faltas ao trabalho por razões de saúde, de acordo com as estatísticas oficiais, noticiou o jornal inglês Financial Times.

Mais de 450 pessoas de 43 países foram entrevistas na reportagem. A maioria sentiu falta de apoio, abandono ou discriminação por causa de problemas mentais.

Dois terços acreditam que o trabalho tem um impacto extremamente negativo sobre a saúde e 44% disseram que a saúde mental não é levada a sério na empresa ou organização onde trabalham. A metade declarou não saber aonde ir nem a quem recorrer.

Enquanto as empresas hoje enfrentam a discriminação racial e sexual e o assédio sexual, a saúde mental ainda é um tabu. O problema é realmente grave em setores altamente competitivos como finanças, consultoria e escritórios de advocacia.

"Existe uma cultura profundamente arraigada de que os locais de trabalho são bons", observa Donna Hardaker, especialista em recursos humanos e saúde mental no trabalho na organização beneficente Sutter Health, de Sacramento, na Califórnia. "Os empregados são o problema. Mas os empregadores tem a responsabilidade social de não prejudicar as pessoas que trabalham entre suas paredes."

Se um funcionário tem uma doença grave como câncer ou problemas cardíacos, a normalmente empresa vai oferecer apoio e aceitar o afastamento temporário do trabalho. No caso de problemas mentais, a atitude costuma ser negativa.

sábado, 13 de julho de 2019

Terroristas muçulmanos matam 26 pessoas em hotel na Somália

A milícia extremista muçulmana Al Chababe (A Juventude) explodiu um carro-bomba diante de um hotel no porto de Kismayo, no Sul da Somália. Em seguida, tomou o edifício por mais de 14 horas e matou 26 pessoas antes que as forças de segurança assumissem o controle da situação, noticiou hoje a agência Associated Press (AP).

Entre os mortos, há dois americanos, um britânico, um político local e um jornalista somaliano naturalizado canadense.

O grupo jihadista, ligado à rede terrorista Al Caeda, tenta derrubar o governo provisório da Somália reconhecido pelas Nações Unidas. É mais um golpe nos esforços do governo para realizar em 2020 as primeiras eleições diretas em 50 anos. Antes disso, estavam marcadas eleições regionais neste verão no Hemisfério Norte.

Em 2012, o Exército do Quênia expulsou Al Chababe de Kismayo, mas a milícia continua sendo uma grande ameaça à segurança, com ataques na Somália e no vizinho Quênia.

A Somália vive em estado de anarquia, sem um governo que controle o território nacional, desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 1991.

sexta-feira, 12 de julho de 2019

França aprova imposto digital e EUA reagem

A União Europeia pode ser o próximo alvo das guerras comerciais do presidente Donald Trump. A França aprovou nesta semana um imposto sobre serviços digitais que atinge as megaempresas americanas da Internet.

A economia digital revolucionou a maneira como bens e serviços são comprados e se movem através das fronteiras. Isto é ainda mais evidente no setor de serviços, onde megaempresas dos Estados Unidos como Amazon, Apple, Google e Microsoft têm um acesso sem precedentes a dados de pessoas e empresas do mundo inteiro.

Este oligopólio e o poder de mercado das gigantes da Internet dificulta a cobrança de impostos. Agora, a França aprovou uma lei para taxar as megaempresas digitais.

O projeto foi aprovado pela Assembleia Nacional na semana passada e pelo Senado da França em 11 de julho. Para serem taxadas, as empresas precisam ter um faturamento global de pelo menos 750 milhões de euros, cerca de 3 bilhões 160 milhões de reais, e na França de pelo menos 25 milhões de euros, cerca de 105 milhões de reais.

Com estes limites, só companhias americanas têm de pagar o imposto digital. Nenhuma empresa francesa e europeia será taxada. Por isso, o governo Donald Trump vê uma discriminação.

Em 10 de julho, o Escritório de Representação Comercial dos EUA anunciou a abertura de uma investigação, a pedido do presidente, sobre o imposto digital da França com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana.

A lei autoriza o presidente americano a tomar medidas, inclusive de retaliação, para acabar com atos, políticas e práticas de governos estrangeiros que violem acordos de comércio internacional ou sejam injustificadas, não razoáveis ou discriminatórias e imponha ônus ou restrições ao comércio dos EUA. Meu comentário:
Nos EUA, a Comissão Federal de Comércio multou o Facebook em US$ 5 bilhões, cerca de R$ 18,7 bilhões, por violação de privacidade ao vender seus dados para a empresa Cambridge Analytica durante a campanha eleitoral de Donald Trump.

Em suas contradições, ao comentar as processos europeus contra megaempresas americanas por monopólio, Trump observou no passado que caberia ao governo dos EUA fazer isso. O presidente suspeita das megaempresas da Internet por acreditar que são liberais, a favor do Partido Democrata. 

Trump desiste da questão sobre cidadania no Censo dos EUA

Num recuo, depois de perder na Suprema Corte e insistir no assunto, o presidente Donald Trump anunciou ontem que desistiu de incluir uma pergunta sobre nacionalidade no Censo de 2020 nos Estados Unidos. Ele determinou que os dados sobre cidadania sejam compilados com base nos documentos e registros do governo federal.

Ao rejeitar a inclusão da pergunta "você é cidadão?", o presidente da Suprema Corte, ministro John Roberts, declarou que o presidente pode fazer isso, mas precisa justificar. A justificativa inicial era que o Departamento da Justiça precisava dos dados para aplicar a Lei do Direito de Voto.

O verdadeiro objetivo ao compilar esses dados é eliminar quem não tem cidadania americana do cálculo da população para o fim de redesenhar os distritos eleitorais, um antigo sonho do Partido Republicano.

Os imigrantes ilegais costumam viver em grandes cidades e em bairros onde a maioria vota no Partido Democrata. A lei manda contar toda a população.

Trump já está em campanha para a reeleição em 2020. A demonização dos imigrantes é um elemento central do discurso do presidente para mobilizar seu eleitorado. Assim, os imigrantes intimidados tendem a não responder ao Censo.

Se parte da população não é contada, será sub-representada nas assembleias legislativas estaduais e na Câmara dos Representantes, em Washington. É isto que o presidente e seu partido querem.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

AIEA iencontra material radioativo em instalação nuclear clandestina do Irã


A Agência Internacional de Energia Atômica encontrou traços de material radioativo numa instalação nuclear descoberta pelo Mossad, o serviço de espionagem de Israel, uma violação do acordo de 2015, noticiou hoje o Canal 13 da televisão israelense. A agência das Nações Unidas não divulgou a informação.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, revelou a existência de uma instalação nuclear em Turcuzabade em discurso na Assembleia Geral da ONU em setembro do ano passado. Fiscais da Agência Internacional de Energia Atômica inspecionaram o local em abril. Havia uma expectativa de que contassem o que viram em junho, mas não mencionaram a central de Turcuzabade.

Como a fiscalização demorou, havia o temor de que a República Islâmica houvesse limpado o sítio, eliminando indícios comprometedores. Em ocasiões anteriores, o regime teocrático iraniano deixou vestígios. Se a notícia for confirmada, dará razão aos Estados Unidos, que no governo Donald Trump rompeu o acordo nuclear de 2015 e impôs sanções severas que estão sufocando a economia iraniana.

O produto interno bruto caiu 6% e a inflação passa de 50% ao ano. Em reação, o Irã ameaçou fechar o Estreito de Ormuz, entrada do Golfo Pérsico, por onde passa um quinto do petróleo exportado no mundo, atacou seis navios petroleiros em maio e junho, e derrubou uma aeronave não tripulada dos Estados Unidos.

Além do mais, o Irã voltou a enriquecer urânio, o estoque de urânio enriquecido passa do limite de 300 quilos estabelecido pelo acordo e o teor do urânio enriquecido passou dos 3,67% autorizados pelo acordo. Está em 4,5% e o governo iraniano anunciou a intenção de chegar a 20%, o teor usado em equipamentos de medicina nuclear.

Para ser usado como explosivo em armas atômicas, o urânio precisa ser enriquecido a 90%. O Irã ainda estaria longe de fabricar uma bomba, mas poderia fazer isso em um ano, estimam os especialistas. Com 250 quilos de urânio enriquecido a 20%, o Irã pode produzir 25 quilos de urânio enriquecido a 90%, suficiente para fabricar a bomba nuclear. Meu comentário:

Irã tenta interceptar petroleiro britânico no Estreito de Ormuz

Uma flotilha de cinco barcos e lanchas da Guarda Revolucionária Iraniana tentou tomar um navio-tanque britânico que atravessava o Estreito de Ormuz para entrar no Golfo Pérsico, noticiou a agência Reuters citando fontes militares dos Estados Unidos, que monitoraram o incidente.

O navio britânico era escoltado pela fragata da Marinha Real HMS Montrose, que advertiu os iranianos pelo rádio e disparou tiros de advertência.

Antes, o presidente do Irã, Hassan Rouhani, criticou o Reino Unido por ter apreendido um petroleiro iraniano que levava petróleo bruto pela Síria através do Estreito de Gibraltar, um enclave britânico no Sul da Espanha, violando sanções internacionais contra o regime sírio.

"Vocês iniciaram esta situação de insegurança e vão ver as consequências mais tarde", advertiu o aiatolá, sabendo da operação.

Ontem, a revista Foreign Policy noticiou que o Reino Unido e a França manifestaram interesse em participar com os EUA da Operação Sentinela para proteger a navegação no Estreito de Ormuz diante das ameaças iranianas. O incidente de hoje só reforça o interesse britânico.

Dois ataques contra petroleiros em junho no Estreito de Ormuz e o abate de um avião não tripulado dos EUA são sinais da crescente revolta do Irã em face da guerra econômica deflagrada pelo presidente Donald Trump depois de retirar, em 8 de maio de 2018, os EUA do acordo nuclear assinado em 2015 pelo governo Barack Obama para congelar por dez anos o programa nuclear militar iraniano.

Esta campanha de "pressão máxima" está sufocando a economia iraniana. O objetivo de Trump é renegociar o acordo para incluir a proibição do Irã de desenvolver mísseis de médio e longo alcances e de interferir em outros países do Oriente Médio.

A República Islâmica considera estas exigências equivalem a uma rendição. No mês passado, um ano depois da retirada dos EUA do acordo, o Irã anunciou a intenção de retomar o enriquecimento de urânio. Já ultrapassou o limite de 300 quilos previsto no acordo e, desde segunda-feira, aumentou o teor do urânio enriquecido de 3,67% para 4,5%. Ainda está longe dos 90% necessários para uma bomba atômica, mas está no caminho.

O presidente Emmanuel Macron tentou convencer o regime teocrático iraniano a não abandonar totalmente o acordo. O Irã agradeceu à França pela iniciativa, mas a Europa não consegue romper o cerco econômico dos EUA. As empresas europeias não querem correr o risco de serem excluídas do mercado americano e dos negócios em dólares.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Oposição britânica defende segunda consulta popular sobre saída da UE

Depois de muita hesitação, o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, finalmente abraçou a proposta de convocação de uma segunda consulta popular sobre a saída do Reino Unido da União Europeia. Talvez seja tarde demais.

Os dois candidatos à liderança do Partido Conservador e à chefia do governo britânico realizaram ontem o primeiro debate ao vivo na televisão. Ambos são a favor da Brexit, a saída britânica. O favorito é o ex-ministro do Exterior e ex-prefeito de Londres, Boris Johnson, que promete retirar o país da União Europeia com ou sem acordo, em 31 de outubro. Seu adversário, o ministro da Defesa, Jeremy Hunt, o desafiou a renunciar se não cumprir a promessa.

O novo líder conservador será conhecido em 23 de julho, depois de uma eleição direta com a participação de todos os cerca de 160 mil filiados ao partido, que estão votando pelo correio. No dia seguinte, deve ser eleito primeiro-ministro. Imediatamente, a oposição trabalhista deve propor um voto de desconfiança que não tem chance de dar certo.

Até 31 de outubro, não haverá tempo para renegociar o acordo com a Europa. De qualquer maneira, os outros líderes europeus avisaram que a renegociação não será reaberta.

Johnson é um bufão, um palhaço. É considerado pelo jornal Financial Times o candidato a primeiro-ministro mais despreparado das últimas décadas. As relações com os sócios europeus são péssimas. Uma saída dura da União Europeia será catastrófica para a economia britânica, com sério risco de divisão do país com a independência da Escócia. Meu comentário:

terça-feira, 9 de julho de 2019

Ministro da Fazenda do México sai citando diferenças com presidente

O ministro da Fazenda e Crédito Público do México, Carlos Manuel Urzúa Macías, pediu demissão citando diferenças de posição em relação ao presidente Andrés Manuel López Obrador, "muitos" conflitos dentro do governo e a "imposição de funcionários que não entendem de finanças públicas", noticiou o jornal inglês Financial Times. 

Professor de economia com mestrado e doutorado nos Estados Unidos, Urzúa era visto como uma espécie de avalista da prudência fiscal do governo esquerdista junto ao empresariado e o mercado financeiro.

É o maior golpe em sete meses de governo López Obrador, um populista de esquerda que adotou políticas como cancelar o projeto do novo aeroporto da Cidade do México, de US$ 13 bilhões, que estava em construção.

O peso mexicano caiu 1,4% para 19,17 por dólar e a Bolsa da Cidade do México perdeu 1,5%.

Ao aceitar a demissão, o presidente declarou: "Ele não concorda com decisões que estamos tomando. Temos o compromisso de mudar a política econômica imposta nos últimos 36 anos." A seu lado, estava o segundo do ministério, Arturo Herrera, que vai substituir Carlos Urzúa.

Em entrevista, Herrera descartou a possibilidade de recessão e prometeu um superávit primário de 1% do produto interno bruto, informou o jornal El Economista. O superávit primário é um saldo positivo nas contas públicas, sem considerar o pagamento de juros da dívida do governo.

O novo ministro afirmou que o baixo crescimento das economias desenvolvidas e os conflitos comerciais podem impactar a economia mexicana.

"É um economista com credenciais para o cargo. Tem boa interlocução", comentou o presidente da Câmara Nacional da Indústria de Transformação (Canacintra), Enoch Castellanos. "Esperamos que o presidente lhe dê autonomia de gestão e respaldo para não contradizer decisões macroeconômicas responsáveis."

Hong Kong luta pela democracia na China


Em meio a uma onda de manifestações de protesto, a governadora de Hong Kong, Carrie Lam, anunciou hoje a retirada do projeto de lei para permitir a extradição de residentes no território para a China e Taiwan. Ele havia suspendido a tramitação. Agora, aparentemente, enterrou a proposta de vez.

Os manifestantes, que inicialmente pediam apenas a retirada do projeto, passaram a exigir a renúncia da governadora, nomeada pelo governo central em Beijim. Os protestos são um desafio à autoridade do Partido Comunista e do ditador Xi Jinping, que nos últimos anos tornou o regime ainda mais autoritário e opressivo.

Os residentes de Hong Kong não têm a menor intenção de viver numa ditadura de partido único como a da China. O regime comunista, por sua vez, teme que o movimento pela democracia em Hong Kong atravesse a fronteira e atinja o país como um todo.

Como observou nesta semana o colunista Gideon Rachman, do jornal inglês Financial Times, tudo o que se sabe sobre Xi Jinping indica que ele está mais disposto a usar a força para esmagar os dissidentes do território do que aceitar um desafio permanente ao poder absoluto do partido.

“Um fantasma ronda a China, o espectro da democracia”, disse o colunista reescrevendo a frase de Karl Marx e Friedrich Engels na abertura do Manifesto Comunista, em 1848.

Se Xi enviar tropas para Hong Kong, vai acabar com a autonomia relativa do território e a promessa feita ao Reino Unido de manter o sistema capitalista liberal em Hong Kong por 50 anos a partir da devolução da colônia, em 1997. Meu comentário: