Mostrando postagens com marcador embaixada. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador embaixada. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 4 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 4 de Novembro

 TÚMULO DE TUTANCÂMON

    Em 1922, o arqueólogo Howard Carter e sua equipe descobrem a entrada da tumba do faraó Tutancâmon no Vale dos Reis, no Egito, que está preservada por nunca ter sido saqueada.

Carter chega pela primeira vez ao Egito em 1891, quando a maioria das tumbas do Egito Antigo está descoberta, mas não a do faraó-menino, que morreu aos 18 anos. 

Depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18), Carter intensifica a busca e encontra a entrada perto da tumba do faraó Ramsés VI. Em 26 de novembro, ele e o colega Lorde Carnarvon entram nas câmaras da tumba, que estão admiravelmente intactas e preservadas.

O tesouro de Tutancâmon está no recém-inaugurado Grande Museu do Egito, o maior museu antropológico do mundo.

EMBAIXADA EM TEERÃ

    Em 1979, depois da Revolução Islâmica no Irã, jovens aliados do aiatolá Ruhollah Khomeini invadem a Embaixada dos Estados Unidos em Teerã e tomam todos os 66 diplomatas e funcionários como reféns, no início de uma ocupação que dura 444 dias e só acaba com a posse do presidente Ronald Reagan, em 20 de janeiro de 1981.

Semanas depois, 13 reféns, na maioria negros e mulheres, são libertados. Outro refém é solto por motivos de saúde. Os outros 52 são mantidos em cativeiro até o fim da ocupação.

Até hoje, os dois países não reataram as relações diplomáticas, embora tenham negociado um acordo em 2015 junto com os outros membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, EUA, França, Reino Unido e Rússia) para desarmar o programa nuclear iraniano. 

ASSASSINATO DE RABIN

    Em 1995, o extremista de direita Yigal Amir mata o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, durante um comício pela paz na Praça dos Reis, em Telavive, por ter feito um acordo com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Preso na hora pela polícia, Amir, de 27 anos, um estudante de direito ligado ao grupo extremista Eyal, confessa o assassinato e justifica dizendo que Rabin queria "dar nosso país aos árabes".

Rabin nasce em 1º de março de 1922 Jerusalém. Um dos líderes da Guerra da Independência de Israel (1948-49), comanda as Forças Armadas de Israel na Guerra dos Seis Dias (1967).

Depois da carreira militar, entra para o Partido Trabalhista e é eleito primeiro-ministro em 1974. Governa até 1977 e cai num escândalo por ter conta bancária nos Estados Unidos, o que era proibido em Israel. De 1984 a 1990, é ministro da Defesa de Israel.

Em 1992, é reeleito primeiro-ministro e apoia as negociações secretas com a OLP realizadas em Oslo, na Noruega, o que o leva a apertar a mão do líder palestino Yasser Arafat no jardim da Casa Branca em 13 de setembro de 1993, quando os dois assinam a declaração de princípios para criar a Autoridade Nacional Palestina, permitir a volta de Arafat à Cisjordânia e entregar a administração da Faixa de Gaza e da região de Jericó aos palestinos. Paga com a vida.

ELEIÇÃO DE OBAMA

    Em 2008, o senador Barack Obama se torna o primeiro negro a ser eleito presidente dos Estados Unidos.

Filho de pai queniano e mãe norte-americana, Barack Hussein Obama nasce em Honolulu, no Havaí, onde eles estudam em 4 de agosto de 1961. 

Quando os pais se separam, a mãe se casa com um indonésio. Ele vive até 11 anos na Indonésia e vai para os EUA estudar. Não carrega assim o estigma dos afro-americanos descendentes de escravos e uma cultura negativista que valoriza a marginalidade, o uso de drogas e o mau desempenho na escola.

Obama estuda em Harvard, uma das melhores universidades do mundo, onde dirige a revista da Faculdade de Direito. Antes de entrar para a política, trabalha como organizador comunitário na Zona Sul de Chicago, uma área pobre da cidade.

Em 2004, Obama faz o discurso de apresentação do candidato presidencial na Convenção Nacional do Partido Democrata que nomeia John Kerry e se destaca pelo talento de grande orador.

Para conquistar a candidatura democrata em 2008, ele vence nas eleições primárias a senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton. Na eleição, realizada menos de dois meses depois do colapso do banco Lehman Brothers, que deflagra uma crise financeira internacional, derrota o senador republicano John McCain, um veterano de guerra que passou cinco anos e meio preso no Vietnã do Norte.

ACORDO DE PARIS

    Em 2016, entra em vigor o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima. Mais de 190 países se comprometem a adotar metas voluntárias de redução de emissões de gases carbônicos para conter o aquecimento global.

O Acordo Quadro sobre Mudança do Clima é negociado na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92). É o início da ação global para evitar que a concentração de gases carbônicos na atmosfera por causa da atividade humana eleve demais a temperatura da Terra. Desde então, são realizadas conferências das partes (CoPs) do acordo.

Em 1997, é assinado o Protocolo de Quioto, pelo qual 37 países desenvolvidos se comprometiam a reduzir as emissões em 5% em relação a 1990. Os Estados Unidos negociam o acordo com o vice-presidente Al Gore, um ecologista, mas o Senado não ratifica alegando concorrência desleal, já que os países em desenvolvimento não precisam fazer nada.

Quando o Protocolo de Quioto caduca, em 2012, a China, com seu desenvolvimento industrial, é a maior poluente. Há necessidade de um acordo que inclua todos os países.

O Acordo de Paris, assinado na 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CoP-21), em 2015, prevê que cada país apresente metas voluntárias de redução de emissões e a criação de mecanismos financeiros para os países menos desenvolvidos reduzirem as emissões de gases de efeito estufa e enfrentarem os impactos da mudança do clima com mitigação e adaptação.

Em 2019, o presidente Jair Bolsonaro abre mão de realizar a CoP-25 no Brasil, alegando que custaria R$ 500 milhões. A conferência é transferida para o Chile e acaba sendo realizada em Madri, na Espanha, por causa das manifestações de protestos contra o governo chileno naquele ano. O Brasil tenta bloquear o acordo.

Em 2021, a CoP-26, realizada em Glasgow, na Escócia, registra alguns avanços como acordos sobre florestas e redução das emissões de gás metano, mas não chega a um acordo para banir o uso de carvão e, mais importante, para financiar a transição energética nos países em desenvolvimento.

O Brasil promete acabar com o desmatamento em 2030, mas Bolsonaro afirma que é o "desmatamento ilegal". Com o desmatamento na Amazônia, vira o maior vilão global da destruição da natureza.

Na CoP-27, realizada de 6 a 18 de novembro em Charm al-Cheikh, no Egito, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, é convidado. Isto marca um retorno do protagonismo do Brasil nas negociações internacionais de meio ambiente depois do calamitoso governo Bolsonaro.

Os países em desenvolvimento cobram a promessa dos países ricos de dar US$ 100 bilhões por ano para combater o aquecimento global. Os mecanismos financeiros, inclusive o mercado de créditos de carbono, em que países que emitem menos podem vender sua "cota de poluição" a países ou empresas, ficam de ser regulamentados na conferência deste ano.

A CoP-28 é realizada de 30 de novembro a 12 de dezembro de 2023 em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Decide que o mundo precisa fazer uma transição para reduzir as emissões de combustíveis fósseis, triplicar até 2030 a produção de energia de fontes renováveis, redobrar os esforços para aumentar a eficiência energética e eliminar gradualmente os subsídios "ineficientes" aos combustíveis fósseis. A CoP-28 é presidida por um diretor de companhia de petróleo dos EAU.

A CoP-29 é realizada de 11 a 22 de novembro deste ano em Baku, a capital da ex-república soviética do Azerbaijão, outro grande produtor de petróleo. Os países ricos se comprometem a dar US$ 300 bilhões por ano para financiar a transição energética e mitigar os efeitos do aquecimento global, bem menos do que US$ 1,3 trilhão reivindicado pelos países em desenvolvimento.

Neste ano, a CoP-30 será realizada de 10 a 21 de novembro em Belém, a capital do Pará, no Brasil. Será a primeira realizada na Amazônia, junto à maior floresta tropical do planeta, que será decisiva para conter o aquecimento global. 

O presidente Donald Trump, que retirou os EUA pela segunda vez do Acordo de Paris, boicota a conferência. A Argentina do neofascista Javier Milei não confirma a participação.

ESTE BLOG DEPENDE DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 4 de Novembro

 TÚMULO DE TUTANCÂMON

    Em 1922, o arqueólogo Howard Carter e sua equipe descobrem a entrada da tumba do faraó Tutancâmon no Vale dos Reis, no Egito, que está preservada por nunca ter sido saqueada.

Carter chega pela primeira vez ao Egito em 1891, quando a maioria das tumbas do Egito Antigo está descoberta, mas não a do jovem faraó que morreu aos 18 anos. 

Depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18), Carter intensifica a busca e encontra a entrada perto da tumba do faraó Ramsés VI. Em 26 de novembro, ele e o colega Lorde Carnarvon entram nas câmaras da tumba, que estão admiravelmente intactas e preservadas.

EMBAIXADA EM TEERÃ

    Em 1979, depois da Revolução Islâmica no Irã, jovens aliados do aiatolá Ruhollah Khomeini invadem a Embaixada dos Estados Unidos em Teerã e tomam todos os diplomatas e funcionários como reféns, no início de uma ocupação que dura 444 dias e só acaba depois da posse do presidente Ronald Reagan, em 20 de janeiro de 1981.

ASSASSINATO DE RABIN

    Em 1995, o extremista de direita Yigal Amir mata o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, durante um comício pela paz na Praça dos Reis, em Telavive, por ter feito um acordo com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Preso na hora pela polícia, Amir, de 27 anos, um estudante de direito ligado ao grupo extremista Eyal, confessa o assassinato e justifica dizendo que Rabin queria "dar nosso país aos árabes".

Rabin nasce em 1º de março de 1922 Jerusalém. Um dos líderes da Guerra da Independência de Israel (1948-49), comanda as Forças Armadas de Israel na Guerra dos Seis Dias (1967).

Depois da carreira militar, entra para o Partido Trabalhista e é eleito primeiro-ministro em 1974. Governa até 1977 e cai num escândalo por ter conta bancária nos Estados Unidos, o que era proibido em Israel. De 1984 a 1990, é ministro da Defesa de Israel.

Em 1992, é reeleito primeiro-ministro e apoia as negociações secretas com a OLP realizadas em Oslo, na Noruega, o que o leva a apertar a mão do líder palestino Yasser Arafat no jardim da Casa Branca em 13 de setembro de 1993, quando os dois assinam a declaração de princípios para criar a Autoridade Nacional Palestina, permitir a volta de Arafat à Cisjordânia e entregar a administração da Faixa de Gaza e da região de Jericó aos palestinos. Paga com a vida.

ELEIÇÃO DE OBAMA

    Em 2008, o senador Barack Obama se torna o primeiro negro a ser eleito presidente dos Estados Unidos.

Filho de pai queniano e mãe norte-americana, Barack Hussein Obama nasce em Honolulu, no Havaí, onde eles estudam em 4 de agosto de 1961. 

Quando os pais se separam, a mãe se casa com um indonésio. Ele vive até 11 anos na Indonésia e vai para os EUA estudar. Não carrega assim o estigma dos afro-americanos descendentes de escravos e uma cultura negativista que valoriza a marginalidade, o uso de drogas e o mau desempenho na escola.

Obama estuda em Harvard, uma das melhores universidades do mundo, onde dirige a revista da Faculdade de Direito. Antes de entrar para a política, trabalha como organizador comunitário na Zona Sul de Chicago, uma área pobre da cidade.

Em 2004, Obama faz o discurso de apresentação do candidato na Convenção Nacional do Partido Democrata que nomeia John Kerry e se destaca pelo talento de grande orador.

Para conquistar a candidatura democrata em 2008, ele vence nas eleições primárias a senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton. Na eleição, realizada menos de dois meses depois do colapso do banco Lehman Brothers, que deflagra uma crise internacional, derrota o senador republicano John McCain, um veterano de guerra que passou cinco anos e meio preso no Vietnã do Norte.

ACORDO DE PARIS

    Em 2016, entra em vigor o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima. Mais de 190 países se comprometem a adotar metas voluntárias de redução de emissões de gases carbônicos para conter o aquecimento global.

O Acordo Quadro sobre Mudança do Clima é negociado na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92). É o início da ação global para evitar que a concentração de gases carbônicos na atmosfera por causa da atividade humana eleve demais a temperatura da Terra. Desde então, são realizadas conferências das partes (CoPs) do acordo.

Em 1997, é assinado o Protocolo de Quioto, pelo qual 37 países desenvolvidos se comprometiam a reduzir as emissões em 5% em relação a 1990. Os Estados Unidos negociam o acordo com o vice-presidente Al Gore, um ecologista, mas o Senado não ratifica alegando concorrência desleal, já que os países em desenvolvimento não precisam fazer nada.

Quando o Protocolo de Quioto caduca, em 2012, a China, com seu desenvolvimento industrial, é a maior poluente. Há necessidade de um acordo que inclua todos os países.

O Acordo de Paris, assinado na 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CoP-21), em 2015, prevê que cada país apresente metas voluntárias de redução de emissões e a criação de mecanismos financeiros para os países menos desenvolvidos reduzirem as emissões de gases de efeito estufa e enfrentarem os impactos da mudança do clima com mitigação e adaptação.

Em 2019, o presidente Jair Bolsonaro abre mão de realizar a CoP-25 no Brasil, alegando que custaria R$ 500 milhões. A conferência é transferida para o Chile e acaba sendo realizada em Madri, na Espanha, por causa das manifestações de protestos contra o governo chileno naquele ano. O Brasil tenta bloquear o acordo.

Em 2021, a CoP-26, realizada em Glasgow, na Escócia, registra alguns avanços como acordos sobre florestas e redução das emissões de gás metano, mas não chega a um acordo para banir o uso de carvão e, mais importante, para financiar a transição energética nos países em desenvolvimento.

O Brasil promete acabar com o desmatamento em 2030, mas Bolsonaro afirma que é o "desmatamento ilegal". Com o desmatamento na Amazônia, vira o maior vilão global da destruição da natureza.

Na CoP-27, realizada de 6 a 18 de novembro em Charm al-Cheikh, no Egito, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, é convidado. Isto marca um retorno do protagonismo do Brasil nas negociações internacionais de meio ambiente depois do calamitoso governo Bolsonaro.

Os países em desenvolvimento cobram a promessa dos países ricos de dar US$ 100 bilhões por ano para combater o aquecimento global. Os mecanismos financeiros, inclusive o mercado de créditos de carbono, em que países que emitem menos podem vender sua "cota de poluição" a países ou empresas, ficam de ser regulamentados na conferência deste ano.

A CoP-28 é realizada de 30 de novembro a 12 de dezembro de 2023 em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Decide que o mundo precisa fazer uma transição para reduzir as emissões de combustíveis fósseis, triplicar até 2030 a produção de energia de fontes renováveis, redobrar os esforços para aumentar a eficiência energética e eliminar gradualmente os subsídios "ineficientes" aos combustíveis fósseis. A CoP-28 é presidida por um diretor de companhia de petróleo dos EAU.

A CoP-29 será realizada de 11 a 22 de novembro deste ano em Baku, a capital da ex-república soviética do Azerbaijão, outro grande produtor de petróleo.

No próximo ano, a CoP-30 será em Belém, a capital do Pará, no Brasil. Será a primeira realizada na Amazônia, junto à maior floresta tropical do planeta, que será decisiva para conter o aquecimento global.

sábado, 4 de novembro de 2023

Hoje na História do Mundo: 4 de Novembro

 TÚMULO DE TUTANCÂMON

    Em 1922, o arqueólogo Howard Carter e sua equipe descobrem a entrada da tumba do faraó Tutancâmon no Vale dos Reis, no Egito, que está preservada por nunca ter sido saqueada.

Carter chega pela primeira vez ao Egito em 1891, quando a maioria das tumbas do Egito Antigo está descoberta, mas não a do jovem faraó que morreu aos 18 anos. 

Depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18), Carter intensifica a busca e encontra a entrada perto da tumba do faraó Ramsés VI. Em 26 de novembro, ele e o colega Lorde Carnarvon entram nas câmaras da tumba, que estão admiravelmente intactas e preservadas.

EMBAIXADA EM TEERÃ

    Em 1979, depois da Revolução Islâmica no Irã, jovens aliados do aiatolá Ruhollah Khomeini invadem a Embaixada dos Estados Unidos em Teerã e tomam todos os diplomatas e funcionários como reféns, no início de uma ocupação que dura 444 dias e só acaba depois da posse do presidente Ronald Reagan, em 20 de janeiro de 1981.

ASSASSINATO DE RABIN

    Em 1995, o extremista de direita Yigal Amir mata o primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin, durante um comício pela paz na Praça dos Reis, em Telavive, por ter feito um acordo com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP).

Preso na hora pela polícia, Amir, de 27 anos, estudante de direito ligado ao grupo extremista Eyal, confessa o assassinato e justifica dizendo que Rabin queria "dar nosso país aos árabes".

Rabin nasce em Jerusalém. Um dos líderes da Guerra da Independência de Israel (1948-49), comanda as Forças Armadas de Israel na Guerra dos Seis Dias (1967).

Depois da carreira militar, entra para o Partido Trabalhista e é eleito primeiro-ministro em 1974. Governa até 1977 e cai num escândalo por ter conta bancária nos Estados Unidos, o que era proibido em Israel. De 1984 a 1990, é ministro da Defesa de Israel.

Em 1992, é reeleito primeiro-ministro e apoia as negociações secretas com a OLP realizadas em Oslo, na Noruega, o que o leva a apertar a mão do líder palestino Yasser Arafat no jardim da Casa Branca em 13 de setembro de 1993, quando os dois assinam a declaração de princípios para criar a Autoridade Nacional Palestina, permitir a volta de Arafat à Cisjordândia e entregar a administração da Faixa de Gaza e da região de Jericó aos palestinos. Paga com a vida.

ELEIÇÃO DE OBAMA

    Em 2008, o senador Barack Obama se torna o primeiro negro a ser eleito presidente dos Estados Unidos.

Filho de pai queniano e mãe norte-americana, Barack Hussein Obama nasce em Honolulu, no Havaí, onde eles estudavam, em 4 de agosto de 1961. 

Quando os pais se separam, a mãe se casa com um indonésio. Ele vive até 11 anos na Indonésia e vai para os EUA estudar. Não carrega assim o estigma dos afro-americanos descendentes de escravos e uma cultura negativista que valoriza a marginalidade, o uso de drogas e o mau desempenho na escola.

Obama estuda em Harvard, uma das melhores universidades do mundo, onde dirige a revista da Faculdade de Direito. Antes de entrar para a política, trabalha como organizador comunitário na Zona Sul de Chicago, uma área pobre da cidade.

Em 2004, Obama faz o discurso de apresentação do candidato na Convenção Nacional do Partido Democrata que nomeia John Kerry e se destaca pelo talento de grande orador.

Para conquistar a candidatura democrata em 2008, ele vence nas eleições primárias a senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton.

ACORDO DE PARIS

    Em 2016, entra em vigor o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima e mais de 190 países vão adotar metas voluntárias de redução de emissões de gases carbônicos para conter o aquecimento global.

O Acordo Quadro sobre Mudança do Clima é negociado na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92). É o início da ação global para evitar que a concentração de gases carbônicos na atmosfera por causa da atividade humana eleve demais a temperatura da Terra. Desde então, são realizadas conferências das partes (CoPs) do acordo.

Em 1997, é assinado o Protocolo de Quioto, pelo qual 37 países desenvolvidos se comprometiam a reduzir as emissões em 5% em relação a 1990. Os Estados Unidos negociam o acordo com o vice-presidente Al Gore, um ecologista, mas o Senado não ratifica alegando concorrência desleal, já que os países em desenvolvimento não precisam fazer nada..

Quando o Protocolo de Quioto caduca, em 2012, a China, com seu desenvolvimento industrial, é a maior poluente. Há necessidade de um acordo que inclua todos os países.

O Acordo de Paris, assinado na 21ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CoP-21), em 2015, prevê que cada país apresente metas voluntárias de redução de emissões e a criação de mecanismos financeiros para os países menos desenvolvidos reduzirem as emissões de gases de efeito estufa e enfrentarem os impactos da mudança do clima com mitigação e adaptação.

Em 2019, o presidente Jair Bolsonaro abre mão de realizar a CoP-25 no Brasil, alegando que custaria R$ 500 milhões. A conferência é transferida para o Chile e acaba sendo realizada em Madri, na Espanha, por causa das manifestações de protestos contra o governo chileno naquele ano. O Brasil tenta bloquear o acordo.

Em 2021, a CoP-26, realizada em Glasgow, na Escócia, registra alguns avanços como acordos sobre florestas e redução das emissões de gás metano, mas não chega a um acordo para banir o uso de carvão e, mais importante, para financiar a transição energética nos países em desenvolvimento.

O Brasil promete acabar com o desmatamento em 2030, mas Bolsonaro afirma que é o "desmatamento ilegal". Com o desmatamento na Amazônia, vira o maior vilão global da destruição da natureza.

Na CoP-27, realizada de 6 a 18 de novembro em Charm al-Cheikh, no Egito, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, é convidado. Isto marca um retorno do protagonismo do Brasil nas negociações internacionais de meio ambiente depois do calamitoso governo Bolsonaro.

Os países em desenvolvimento cobram a promessa dos países ricos de dar US$ 100 bilhões por ano para combater o aquecimento global. Os mecanismos financeiros, inclusive o mercado de créditos de carbono, em que países que emitem menos podem vender sua "cota de poluição" a países ou empresas, ficam de ser regulamentados na conferência deste ano.

A CoP-28 será realizada de 30 de novembro a 12 de dezembro de 2023 em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Pelo andamento das discussões nas reuniões preparatórias, pode não haver acordo.

O Brasil vai sediar a CoP-30 em novembro de 2023 em Belém do Pará.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

Hoje na História do Mundo: 20 de Janeiro

 REFÉNS NO IRÃ SOLTOS

    Em 1981, minutos depois da posse de Ronald Reagan como presidente dos EUA, ativistas revolucionários iranianos libertam 52 reféns detidos há 444 dias, desde 4 de novembro de 1979, na embaixada norte-americana em Teerã.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Disparo de foguetes contra embaixada mantém ameaça aos EUA no Iraque

O ataque simbólico do Irã, sem matar nem ferir ninguém, reduziu a tensão no Oriente Médio, mas novos disparos de foguetes contra a embaixada mostram que o risco para os Estados Unidos no Iraque não acabou.

Em tom triunfalista e eleitoreiro, o presidente Donald Trump cantou vitória hoje na Casa Branca, dizendo que “o Irã parece estar recuando”. O novo ataque revela que o risco não está totalmente afastado.

Trump fala como herói para o eleitorado do Partido Republicano, mas sai derrotado politicamente do episódio, com o aumento da influência do Irã sobre o Iraque e o repúdio dos iraquianos à violação da soberania nacional. Trump perde, especialmente se as forças dos Estados Unidos saírem do Iraque.

Realmente, o ataque de ontem à noite com dezenas de mísseis contra duas bases militares onde há soldados americanos no Iraque parece ter sido calibrado para não matar ninguém. Visava a acalmar o público interno no Irã depois do assassinato do general Kassem Suleimani, comandante da tropa de elite da Guarda Revolucionária Iraniana, por um drone americano na semana passada perto do aeroporto de Bagdá.

O ministro do Exterior do Irã, Mohamed Javad Zarif, invocou o artigo 51 da Carta das Nações Unidas, que dá aos países o direito de reagir a agressões. Foi uma resposta fraca, destinada a evitar o contra-ataque “desproporcional” ameaçado por Trump.

A morte de seu general mais importante intimidou a República Islâmica. Trump deixou claro estar pronto para usar a força quando americanos forem mortos ou feridos. O Irã tem a tecnologia de mísseis mais avançada do Oriente Médio. Mostrou capacidade militar, mas evitou danos capazes de escalar um conflito contra um inimigo muito mais poderoso. Meu comentário:

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Milícia aliada ao Irã tenta invadir embaixada dos EUA no Iraque

Militantes das Brigadas do Partido de Deus (Kataib Hesbolá), aliadas do Irã, tentaram invadir hoje a embaixada dos Estados Unidos em Bagdá, em protesto contra um bombardeio aéreo americano no domingo passado contra cinco bases da milícia que matou 25 milicianos e feriu outros 55.

Os manifestantes jogaram pedras e bombas incendiárias contra o muro alto que cerca a representação americana no Iraque e pediram a retirada total das forças dos EUA do país. Postos policiais que guarnecem a embaixada parecem ter sido incendiados. O presidente Donald Trump responsabilizou o Irã pelos danos.

O bombardeio americano foi uma resposta a um ataque de 30 mísseis contra uma base onde há militares americanos perto da cidade de Kirkuk, no Norte do Iraque. Um funcionário de empresa contratada pelo Departamento da Defesa morreu e quatro soldados dos EUA foram feridos.

quinta-feira, 2 de maio de 2019

Justiça chavista manda prender líder da oposição na Venezuela

O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela, leal ao regime chavista, ordenou hoje a prisão de Leopoldo López, o líder da oposição que fugiu da prisão domiciliar na segunda-feira à noite e se refugiou na residência do embaixador da Espanha diante do fracasso do levante para derrubar o ditador Nicolás Maduro. O governo espanhol se nega a entregá-lo.

Em comunicado oficial, o primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez declarou que López é hóspede da embaixada e que a Espanha acredita que as autoridades venezuelanas vão respeitar a imunidade diplomática da residência do embaixador.

A Venezuela é signatária de duas convenções internacionais que garantem a imunidade das representações diplomáticas, seus funcionários e seus veículos. Violar estas regras causaria forte reação internacional.

Em entrevista na porta da residência do embaixador, López afirmou ter negociado com oficiais e dissidentes do chavismo: "Em 30 de abril, um grande número de militares deu um passo importante. Falei com muitos generais. (...) Nada do que temos peito foi de improviso. Virão mais rupturas no Exército. Esta ditadura vai acabar."

O TSJ quer que López volte para a prisão militar de Ramo Verde, em Caracas, para cumprir o restante de sua pena pela acusação de incitar à violência durante manifestações de protestos em fevereiro de 2014. Pelo menos 42 pessoas foram mortas na época. O regime chavista responsabilizou o líder oposicionista.

Ontem e hoje, pelo menos quatro manifestantes foram mortos pelas forças de segurança. Maduro desfilou da madrugada ao lado de 4,5 mil soldados para reafirmar que tem o apoio das Forças Armadas.

A oposição promete manter a pressão nas ruas até a queda do ditador, mas a expectativa de que conseguiria isso rapidamente se dissipou.

sábado, 21 de julho de 2018

Equador deve expulsar Assange da embaixada em Londres

Depois de quase seis anos, o Equador se prepara para acabar com o asilo diplomático do fundador do WikiLeaks, Julian Assange. Ele deve ser expulso da embaixada equatoriana em Londres, talvez na próxima semana, e ser entregue às autoridades do Reino Unido

Em 2006, Assange, um programador de computadores australiano, criou o WikiLeaks, uma empresa dedicada a piratear arquivos confidencias e informações sigilosas de governos e empresas para expor publicamente suas ações supostamente irregulares.

Quatro anos depois, o WikiLeaks revelou arquivos secretos dos Estados Unidos sobre as guerras no Afeganistão e no Iraque, e mais de 250 mil documentos sigilosos do Departamento de Estado.

No mesmo ano de 2010, os EUA abriram uma investigação criminal e a Suécia emitiu um mandado de prisão pan-europeu para interrogar Assange por supostos crimes sexuais que ele teria cometido no país. Era acusado de estupro por forçar uma mulher a manter relações sexuais e de transar sem camisinha com outra.

Assange sempre alegou que os crimes sexuais eram uma desculpa da Suécia para prendê-lo e entregá-lo aos EUA. Em 7 de dezembro de 2010, ele se entregou às autoridades britânicas e foi libertado sob fiança para responder em liberdade ao processo de extradição para a Suécia.

O mandato de prisão pan-europeu parte do princípio de que toda pessoa terá direito a um julgamento justo em qualquer dos 28 países da União Europeia, uma vez que todos são democracias. Assim, a tendência é conceder a extradição se os delitos da acusação forem crimes no país onde o suspeito está.

Quando ficou claro que perderia, em agosto de 2012, Assange pediu asilo político em Londres à Embaixada do Equador, na época governado pelo esquerdista Rafael Correa, aliado do caudilho venezuelano Hugo Chávez.

Durante a campanha eleitoral de 2016 nos EUA, Assange divulgou várias séries de mensagens de correio eletrônico de um servidor privado usado irresponsavelmente pela candidata democrata Hillary Clinton quando era secretária de Estado, no primeiro governo Barack Obama (2009-13). Foi acusado de receber material de pirataria cibernética dos serviços da Rússia, que queria a eleição de Donald Trump.

Mais uma vez, negou tudo. Alegou ser contra Hillary por entender que suas políticas levariam a uma nova guerra mundial. Mas não afastou a suspeita de colaboração com a ditadura sinistra de Vladimir Putin.

Em 19 de maio de 2017, a procuradoria da Suécia encerrou o inquérito e revogou o mandado de prisão europeu. Assange não saiu da embaixada para não ser preso por violar os termos de sua liberdade condicional. Agora, aos 47 anos, está chegando a hora de enfrentar a realidade.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

Hamas admite que 50 dos 62 mortos em Gaza eram militantes

O Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), principal partido fundamentalista palestino, reconheceu hoje que 50 dos 62 mortos em conflitos com Israel na fronteira da Faixa de Gaza eram militantes do grupo. Israel afirma que eram 53, informou o jornal The Times of Israel.

"Nos últimos confrontos, se 62 pessoas foram martirizadas, 50 mártires eram do Hamas e 12 do povo. Como o Hamas pode colher os frutos, se paga um preço tão alto?", questionou o dirigente Salah Bardawil em entrevista a um meio de comunicação palestino.

Sem confirmar a alegação, o porta-voz do Hamas, Fawzy Barhoum, declarou que o grupo pagou os enterros dos 50, "fossem eles membros ou simpatizantes do Hamas, ou mesmo se não tivessem relação".

Outro alto dirigente do Hamas, Bassem Naim, também não desmentiu nem confirmou a notícia, alegando que o Hamas é "um grande movimento, com amplo apoio popular". Assim, seria "natural ver membros ou simpatizantes do Hamas em grande número" num protesto. Naim afirmou que ele foram mortos quando "participavam pacificamente" das manifestações.

"Isto prova o que tantos tentam ignorar: o Hamas está por trás dos tumultos e chamar as manifestações de 'protestos pacíficos' está longe da verdade", declarou o porta-voz das Forças de Defesa de Israel, tenente-coronel Jonathan Conricus.

Israel acusa o Hamas de organizar as chamadas Marchas do Retorno para reivindicar o direito de retorno dos palestinos expulsos de suas casas e terras quando da criação de Israel há 70 anos, e de estimular os manifestantes a atacar a cerca na fronteira de Gaza. O objetivo é questionar a legitimidade do Estado de Israel, que o Hamas quer destruir.

A grande manifestação de segunda-feira coincidiu com a transferência da Embaixada dos Estados Unidos de Telavive para Jerusalém. Implica o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, o que nenhum país havia feito porque o setor árabe (oriental) é um território ocupado na Guerra dos Seis Dias, em 1967. O movimento nacional palestino pretende instalar sua capital no setor oeste de Jerusalém.

Hoje, a Guatemala se tornou o segundo país a transferir sua embaixada para Jerusalém. O Paraguai anunciou a intenção de fazer o mesmo.

segunda-feira, 14 de maio de 2018

EUA inauguram embaixada em Jerusalém sob protesto palestino

Sob aplausos do primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu, os Estados Unidos transferiram hoje a Embaixada de Israel de Jerusalém para Telavive, com a presença de 800 convidados, inclusive o secretário do Tesouro, Steven  Mnuchin, o subsecretário de Estado, John Sullivan, a filha do presidente Donald Trump, Ivanka Trump, e seu marido, Jared Kushner, enviado especial para a paz no Oriente Médio.

"Só se pode construir a paz com base na verdade", declarou Netanyahu, afirmando que a medida contribui para a paz no Oriente Médio, enquanto o Exército de Israel matava dezenas de palestinos que protestavam junto à fronteira da Faixa de Gaza. "Jerusalém é e será sempre a capital de Israel."

Nos EUA, Trump alegou que Israel é um país soberano e tem o direito de instalar a capital onde quiser, contrariando uma política externa de 70 anos. Desde sua fundação, Israel declarou que Jerusalém seria sua capital, mas a resolução das Nações Unidas que criou o país queria transformá-la numa cidade internacional.

Para todos os efeitos, a capital da Israel era Telavive. Depois de ocupar o setor oriental (árabe) de Jerusalém na Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel aprovou uma lei em 1980 proclamando a cidade unificada pela força como capital do país.

Até hoje, nenhum dos 86 países com relações diplomáticas com o Estado judaico tinha embaixada em Jerusalém por causa do status de cidade ocupada da parte oriental. Depois dos EUA, a Guatemala e o Paraguai declararam a intenção de seguir o exemplo.

"Que dia de glória!", festejou Netanyahu. "Relembrem este momento histórico. Presidente Trump, ao reconhecer a história, você fez história."

Desde que Trump anunciou a transferência da embaixada, o movimento nacional palestino acusa os EUA de se desqualificarem como mediadores do processo de paz. Para os líderes da Autoridade Nacional Palestina, Trump acabou com a esperança de uma paz baseada na convivência de dois países, um árabe e outro judaico, no território histórico da Palestina.

Com 900 mil habitantes, cerca de 10% da população do país, Jerusalém é hoje a maior cidade de Israel. Os judeus são 62,3% da população da cidade, em comparação com 69,5% 20 anos atrás. A população palestina cresceu de 30,5% para 37,7%. Há 150 anos, os judeus são maioria na cidade.

Além da criação de uma pátria palestina e do futuro status de Jerusalém, a colonização dos territórios árabes ocupados e o direito de retorno dos palestinos expulsos de suas casas e terras desde a fundação de Israel são os maiores obstáculos à paz entre árabes e judeus.

De 2009 a 2014, o número de colonos israelenses na Cisjordânia ocupada cresceu 25% para cerca de 356 mil. A população palestina no território era de 2,72 milhões. A população total de Israel, excluídos os territórios ocupados era de 8,13 milhões; hoje se aproxima de 9 milhões.

Israel mata 60 palestinos e fere mais de 2,7 mil na fronteira de Gaza

Pelo menos 60 palestinos morreram e mais de 2,7 mil saíram feridos hoje, o dia mais sangrento na Faixa de Gaza desde a guerra de 2014 de Israel contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas). Os palestinos protestavam contra os 70 anos da fundação de Israel e a transferência da Embaixada dos Estados Unidos de Telavive para Jerusalém.

Cerca de 35 mil palestinos participaram de mais uma Marcha do Retorno em 12 pontos diferentes da fronteira, convocada pelo Hamas para lembrar os 750 mil palestinos expulsos de suas casas e terras na Guerra da Independência de Israel (1948-49), que até hoje reivindicam o "direito de retorno".

Desde 30 de março, o Hamas organiza protestos junto à cerca que separa Israel de Gaza, um território palestino que vive sob o cerco israelense. Até agora, 102 palestinos foram mortos nas manifestações. O Exército de Israel afirma só usar munição letal quando a cerca é atacada.

"Estamos aqui por Jerusalém e pela terra palestina", declarou Nirma Attalah, de 29 anos, que teve um irmão baleado há duas semanas.

Israel jogou folhetos advertindo os palestinos a ficar longe da cerca: "Salvem suas vidas e trabalhem na construção do futuro." Também alertou os líderes do Hamas de que eles podem virar alvos, se as manifestações não cessarem.

Em protesto, a Turquia e a África do Sul retiraram seus embaixadores de Israel. O governo turco pediu ao embaixador israelense que deixe o país, rebaixando as relações bilaterais.

Mais de 70% dos palestinos de Gaza são refugiados ou descendentes de refugiados. Israel retirou suas forças de Gaza em 2005, mas as Nações Unidas ainda a consideram um território ocupado por causa do cerco e do controle israelense sobre o espaço aéreo e o acesso ao mar.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Justiça britânica mantém ordem de prisão de Julian Assange

A Justiça do Reino Unido decidiu nesta terça-feira manter o mandado de prisão contra Julian Assange, fundador do sítio WikiLeaks, especializado em vazar documentos secretos de governos e empresas, por violar os termos da liberdade condicional. Ele está refugiado há mais de cinco anos e meio na Embaixada do Equador em Londres e o governo equatoriano o pressiona a sair, informou o jornal inglês The Guardian.

Assange era alvo de um mandado de prisão europeu a pedido da Suécia, que queria interrogá-lo por crimes sexuais. Em 26 de janeiro, seus advogados pediram à Justiça britânica o relaxamento do mandado sob a alegação de que a Procuradoria da Suécia desistiu de interrogá-lo.

A defesa argumentou que "ele passou cinco anos em condições que, sob qualquer visão, são similares à prisão, sem acesso a tratamento médico adequado ou à luz do sol, em circunstâncias em que sua saúde física e psicológica se deteriorou, e corre sério perigo."

Em sua decisão, a juíza distrital Emma Arbuthnot reconheceu que Assange tem "um problema dentário terrível, ombro congelado e depressão". Mas a Procuradoria da Coroa contra-argumentou que "Assange foi solto em liberdade condicional mediante pagamento de fiança; tinha a obrigação de se render à custódia do tribunal e falhou ao não se entregar na hora marcada para fazer isso."

O ciberpirata australiano teme ser extraditado para os Estados Unidos, onde pode ser condenado à prisão perpétua com base numa denúncia secreta por divulgar documentos secretos do governo americano.

Durante esses anos de asilo político, Assange perdeu sua áurea de libertário e combatente pela liberdade contra governos e empresas poderosas. Associou-se à Rússia para atacar a candidatura de Hillary Clinton à Presidência dos EUA, beneficiando Donald Trump, que elogiou o WikiLeaks durante a campanha.

Em dezembro do ano passado, a Fundação pela Liberdade de Imprensa decidiu por unanimidade parou de arrecadar dinheiro para o WikiLeaks, como fazia desde Assange se asilou na embaixada.

No Equador, o atual presidente, Lenín Moreno, eleito em abril de 2017, rompeu com seu padrinho político e antecessor Rafael Correa, chavista e antiamericano. Está pressionando Assange a deixar a embaixada em Londres.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Trump reconhece Jerusalém como capital de Israel

Depois de lembrar que o Congresso aprovou em 1995 a transferência da Embaixada dos Estados Unidos, o presidente Donald Trump acaba de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, dizendo que é uma realidade que precisa ser reconhecida para que o processo de paz possa avançar. 

Vários líderes árabes e ocidentais o advertiram para o risco de inflamar ainda mais a situação. Os palestinos convocaram três dias de raiva.

"Não estamos decidindo onde serão as fronteiras de Israel em Jerusalém. Isso é para as partes do conflito decidirem. (...) Sabemos que haverá protestos, mas creio que vamos ultrapassar esta fase", admitiu Trump. "Peço moderação. O futuro incrível que espera esta região está travado pela guerra, o ódio e o terrorismo. É hora de paz, de expelir os extremistas. É hora de todas as nações civilizadas de responder aos desacordos com paz e não violência para que o Oriente Médio tenha um futuro brilhante."

O presidente anunciou que a obra da Embaixada dos EUA em Jerusalém já está contratada. Será o primeiro país do mundo a ter sua embaixada na cidade sagrada. Hoje todos os países têm embaixadas em Telavive. O setor árabe (oriental) de Jerusalém pertencia à Jordânia e foi ocupado na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Com a ocupação, Israel anexou o setor oriental e declarou Jerusalém como sua eterna capital.

No fim, Trump pediu aos líderes de todas as religiões para que se unam num esforço pela paz na região. No momento, sua ação parece jogar gasolina na fogueira.

O primeiro-ministro linha-dura israelense, Benjamin Netanyahu, imediatamente aplaudiu a medida.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Trump avisa que vai reconhecer Jerusalém como capital de Israel

Em mais uma ruptura em relação à política externa dos governos anteriores, o presidente Donald Trump avisou aos líderes do Egito, da Jordânia e da Autoridade Nacional Palestina que vai reconhecer Jerusalém como a capital de Israel e transferir para lá a Embaixada dos Estados Unidos. O anúncio será feito amanhã.

O rei Abdullah II, da Jordânia, e o presidente da ANP Mahmoud Abbas, advertiram que a medida pode aumentar a tensão e prejudicar o processo de paz entre israelenses e palestinos, noticiou o jornal The Washington Post.

Nenhum país do mundo reconhece Jerusalém como capital de Israel porque o setor árabe, no Leste da cidade, era parte do território da Jordânia. Foi ocupado na Guerra dos Seis Dias, em 1967, que na prática não terminou até hoje.

Jerusalém era a capital da Palestina, durante o mandato concedido pela Liga das Nações ao Império Britânico para administrar  região. Pela decisão da Assembleia Geral das Nações Unidas que dividiu a Palestina há 70 anos, Jerusalém seria uma cidade internacional.

Mas, na Guerra de Independência de Israel (1948-49), os israelenses tomaram o lado ocidental e a Jordânia ficou com a parte oriental, onde ficam o Muro das Lamentações, a parede que resta do Templo de Jerusalém, o lugar mais sagrado para os judeus, e a Esplanada das Mesquitas, de onde o profeta Maomé teria ascendido aos céus. É o lugar mais sagrado para os muçulmanos depois das cidades de Meca e Medina.

Vários líderes mundiais, inclusive o presidente da França, Emmanuel Macron, e a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, fizeram um apelo ao presidente americano para que mude de ideia e deixe a decisão sobre o futuro de Jerusalém para as negociações de paz árabe-israelenses.

No telefonema a Abbas, Trump prometeu tomar medidas para promover a paz. O líder palestino respondeu: "Não há nada que você possa oferecer que vá compensar a perda de Jerusalém. Definitivamente, não vamos aceitar."

Abbas e o ministro do Exterior da Turquia alertaram que o presidente americano está fazendo o jogo dos extremistas, mas Trump insistiu que tinha de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, uma promessa de campanha. Há anos, a direita evangélica dos EUA adotou a causa israelense. É contra a divisão da Palestina e mais ainda de Jerusalém, uma cidade sagrada para cristãos, judeus e muçulmanos.

Trump estaria disposto a bancar uma proposta de paz em que toda Jerusalém ficaria com Israel e teria o apoio do novo príncipe herdeiro saudita, Mohamed ben Salman, interessado em formar uma grande aliança contra o Irã.

domingo, 16 de julho de 2017

Bombas atingem Embaixada da Rússia em Damasco, diz regime sírio

A Embaixada da Rússia na Síria foi atacada com duas bombas. Uma caiu dentro do complexo da embaixada, mas só causou danos materiais, anunciou hoje a agência de notícias oficial síria SANA, citada pelo jornal liberal israelense Haaretz.

Os maiores suspeitos são rebeldes ativos em alguns subúrbios de Damasco, a capital síria. A Rússia apoia a ditadura de Bachar Assad e, desde 30 de setembro de 2015, intervém diretamente na guerra civil da Síria em apoio ao governo.

Mais de 400 mil pessoas morreram em seis anos e três meses de guerra civil na Síria, o pior conflito resultante da chamada Primavera Árabe.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Trump desiste de mudar embaixada dos EUA para Jerusalém

O presidente Donald Trump quebrou hoje mais uma promessa de campanha ao decidir não transferir a Embaixada dos Estados Unidos em Israel de Telavive para Jerusalém. Havia uma expectativa de que a medida fosse anunciada no primeiro dia de governo. Sob pressão de outros países, a conselho de assessores, Trump recuou a agora parece ter adiado a mudança indefinidamente.

A maioria dos países, inclusive o Brasil, mantém suas embaixadas em Telavive porque Jerusalém é uma cidade ocupada. O setor árabe (oriental) pertencia à Jordânia até ser tomado há 50 anos na Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967. Foi anexado por Israel, mas o direito internacional não reconhece isso porque veda a guerra de conquista.

Diante de acusações de apoio de grupos neonazistas durante a campanha, Trump anunciou a mudança da embaixada para reafirmar suas credencias como um presidente dos EUA pró-Israel. Foi desaconselhado sob o argumento de que a transferência agravaria ainda mais a tensão entre palestinos e israelenses, dificultando a retomada do processo de paz.

O maior entusiasta da mudança é o primeiro-ministro linha-dura de Israel, Benjamin Netanyahu. Ele afirmou que ajudaria as negociações de paz ao "acabar com o sonho palestino de que Jerusalém não é a capital de Israel".

A Autoridade Nacional Palestina luta pela criação de um país independente nos territórios ocupados da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, com capital em Jerusalém. O governo direitista israelense rejeita totalmente a visão da cidade.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

EUA reforçam embaixada no Sudão do Sul

Os Estados Unidos enviaram ontem mais 47 soldados para reforçar a segurança da embaixada do país em Juba, a capital do Sudão do Sul, anunciou hoje o presidente Barack Obama em carta ao Congresso, informou a agência Associated Press (AP).

Mais de 300 pessoas foram mortas no fim de semana em Juba em confrontos entre facções rivais ligadas ao presidente Salva Kiir Mayardit e ao vice-presidente Riek Machar, reiniciando a guerra civil que divide o país mais novo do mundo desde 15 de dezembro de 2013.

As tropas americanas estão equipadas para o combate e vão ficar no Sudão do Sul até as condições de segurança melhorem, informou Obama. Outros 130 soldados dos EUA estão de prontidão no vizinho Djibúti para intervir no Sudão do Sul se for necessário.

No momento, a trégua iniciada em 26 de agosto de 2015 foi reinstaurada, mas a paz ainda é um sonho distante. Entre 50 e 300 mil pessoas morreram em combate, de fome ou doenças provocadas pela guerra civil sul-sudanesa.

Um dos pontos centrais da discórdia é a iniciativa do governo para criar 28 novos estados, uma manobra denunciada pela oposição como uma tentativa de dividir e enfraquecer suas bases de poder.

Os dois líderes são reféns de suas origens e a lealdades tribos. As disputas internas dentro das duas facções impedem Kiir e Machar de adotar qualquer posição contrária a suas bases étnicas. A radicalização exacerbada pela guerra civil conspira contra a paz.

A maior preocupação dos aliados de Machar é que um acordo para reconduzi-lo à vice-presidência leve à divisão de suas terras e seus povos, que seriam governados por partidários de Kiir. Uma oposição enfraquecida seria incapaz de cumprir seu papel.

Com o país arrasado e empobrecido ainda mais pela queda nos preços internacionais do petróleo, nenhum dos dois lados tem interesse no recomeço da guerra civil.

Obrigado a pagar altas taxas de trânsito pelos oleodutos do Sudão, Kiir está sem dinheiro. Os funcionários públicos civis não recebem há meses. O Exército falta de equipamentos e suprimentos.

O presidente chegou a pedir ajuda ao ditador de Uganda, Yoweri Museveni, para defender a capital.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Assange será interrogado na embaixada do Equador em Londres

Depois de mais de três anos asilado na Embaixada do Equador no Reino Unido, o australiano Julian Assange, fundador do sítio WikiLeaks, será interrogado, revelou o presidente equatoriano, Rafael Correa. O Equador fez um acordo com a procuradoria da Suécia para ele ser questionado sobre as acusações de abuso sexual.

Correa esclareceu que as autoridades suecas vão encaminhar as perguntas aos funcionários equatorianos, que farão o interrogatório, revelou o jornal britânico The Independent.

Assange vive desde agosto de 2012 na embaixada, situada no bairro londrino de Knightsbridge, onde se refugiou para não ser preso e extraditado para a Suécia com base num mandato de prisão europeu, que foi aceito pelas autoridades britânicas porque em princípio toda pessoa tem direito a um julgamento justo em qualquer país da União Europeia.

Ele é acusado por duas mulheres de abusos sexuais, que nega. Alega que tudo não passa de uma manobra para extraditá-lo para os Estados Unidos, onde é acusado de roubar documentos e revelar segredos de Estado através do WikiLeaks.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Supremo Líder condena ataque à embaixada da Arábia Saudita no Irã

O Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, o homem-forte do regime teocrático do Irã, aiatolá Ali Khamenei, condenou hoje na Internet o ataque à embaixada da Arábia Saudita em Teerã, noticiou a agência Reuters.

Com pedras e bombas incendiárias, manifestantes alvejaram a embaixada saudita no Irã em 2 de janeiro durante um protesto contra a execução na Arábia Saudita do clérigo xiita Nimir al-Nimir. O aiatolá chamou o ataque de "realmente ruim".

Khamenei também condenou a detenção na semana passada de 10 marinheiros americanos pelas forças navais da Guarda Revolucionária do Irã depois que dois barcos-patrulha invadiram aparentemente sem saber águas territoriais iranianas no Golfo Pérsico.

A crise diplomática entre a Arábia Saudita e do Irã é um reflexo de uma disputa pelo poder regional no Oriente Médio e do crescente conflito entre sunitas, apoiados pelos sauditas, e xiitas, apoiados pelos iranianos, em vários países da região.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Talebã atacam Embaixada da Espanha no Afeganistão

A milícia extremista muçulmana dos Talebã (Estudantes) reivindicou a autoria de um ataque contra a Embaixada da Espanha em Cabul, noticiou a Agência France Presse (AFP). A nota foi divulgada hoje no Twitter, depois de troca de tiros e explosões perto de uma das casas de hóspedes da embaixada.

A explosão de um carro-bomba teria dado início à ação. De acordo com uma agência de notícias local TOLO News, há rebeldes dentro da embaixada. A Espanha confirmou o ataque. As autoridades afegãs anunciaram que há pelo menos sete mortos, entre eles dois guardas da embaixada. A batalha ainda estaria em andamento.

O governo afegão e os Estados Unidos apostavam em negociações de paz, mas uma disputa pela liderança dos Talebã depois da confirmação neste ano da morte de seu líder, o mulá Mohamed Omar, ocorrida em 2013, aumentou a agressividade do grupo terrorista.

Um acordo de paz era a esperança do governo Barack Obama para acabar com a mais longa guerra da história dos EUA.