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terça-feira, 14 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 14 de Julho

CONQUISTA DE JERUSALÉM 

     Em 1099, os cavaleiros cristãos tomam Jerusalém na Primeira Cruzada.

No século 11, os muçulmanos que dominam a região, do Império Seljúcida, começam a perseguir os cristãos. O imperador bizantino Alexius Comenos pede ajuda ao Ocidente.

Num discurso em Clermont, na França, em 27 de novembro de 1095, o papa Urbano II lança as Cruzadas. Abandona o ensinamento de Jesus Cristo de amar uns aos outros e prega morte "aos infiéis".

Mais de 4 mil cavaleiros e 25 mil soldados de infantaria formam o exército cruzado. Sob o comando de Godofredo de Bulhões, Roberto de Flandres e Raimundo de Toulouse, parte em 1096 e entra na Ásia Menor em 1097. Chega a Jerusalém em 7 de junho de 1099 e cerca a cidade até sua queda.

A Primeira Cruzada é a única das nove a tomar Jerusalém. O Reino Cristão de Jerusalém dura até 1291, quando cai Acre, sua última capital. 

QUEDA DA BASTILHA

    Em 1789, a tomada da prisão da Bastilha, em Paris, marca o início da Revolução Francesa.


A fortaleza é um símbolo da tirania do monarquia francesa. Os rebeldes destroem a prisão, onde esperam encontrar um arsenal.

A revolução, marco do início da Idade Contemporânea, derruba a monarquia e leva a um Período do Terror (1793-94) em que o rei Luís XVI, a rainha Maria Antonieta e até líderes revolucionários, como os jacobinos Georges-Jacques Danton e Maximiliano Robespierre, são guilhotinados e Jean-Paul Marat é assassinado no banho

O terrorismo político, o "banho de sangue purificador" prometido pelas revoluções para criar um mundo novo, o terror como instrumento planejado de ação política, nasce aí. Durante a segunda fase da revolução, o poder passa para a Convenção (1792-95) e o Comitê de Salvação Pública, liderado por Robespierre, tem mais poder do que tinha o rei. Decide quem vai literalmente perder a cabeça.

Ao todo, estima-se que cerca de 100 mil pessoas são mortas pela Revolução Francesa. Entre 30 e 50 mil pessoas morrem no Período do Terror (1793-94) da revolução: 16.594 são executadas depois de julgamentos em tribunais revolucionários, cerca de 10 mil morrem na prisão e outras milhares em massacres. 

A Revolução Francesa termina em 1799, com o golpe que leva Napoleão Bonaparte ao poder. Cinco anos depois, ele se coroa imperador.

MORTE DE BILLY THE KID

    Em 1881, o xerife Pat Garrett mata Henry McCarthy, conhecido como Billy the Kid, no Rancho Maxwell, no estado do Novo México.


Garrett persegue Billy the Kid durante três meses, desde que o pistoleiro foge da cadeia três dias antes da data marcada para sua execução.

Billy the Kid mata numa embosca, em 1º de abril de 1878, o xerife William Brady e o sub-xerife George Hindman, em vingança pela morte do fazendeiro John Tunstall, para quem tinha trabalhado. O xerife e o sub são aliados de outros fazendeiros.

Aos 18 anos, Kid matara 17 homens.

SEM DESTINO

    Em 1969, é lançado nos Estados Unidos o filme Easy Rider (Sem Destino), com Peter Fonda, Dennis Hopper e Jack Nicholson, que se torna um clássico da contracultura.

O roteiro é escrito por Peter Fonda, Dennis Hopper e Terry Southern. Conta a história de dois motociclistas, Wyatt (Fonda) e Billy (Hopper), que viajam pelo Sul e Sudoeste do país no embalo de drogas e rock and roll na onda do movimento hippie e da vida em comunidades. 

Os roteiristas dizem que os nomes dos personagens são inspirados em dois pistoleiros do Velho Oeste, Wyatt Earp e Billy the Kid. Wyatt usa um capacete com a bandeira dos EUA, como uma espécie de Capitão América, e Billy veste roupas no estilo dos indígenas norte-americanos. 

A direção é de Dennis Hopper e a produção de Peter Fonda. O filme lança Jack Nicholson como um grande ator. A trilha sonora espetacular tem nomes como Steppenwolf, The Byrds, The Band, Jimi Hendrix e Roger McGuinn. Abaixo, The Pusher, com o Steppenwolf, e as cenas de abertura de Easy Rider.


ATENTADO À BEIRA-MAR

    Em 2016, o tunisiano Mohamed Lahouaiej Bouhlel, um terrorista muçulmano de 31 anos, atropela, mata 86 pessoas e fere outras 400 com um caminhão na avenida beira-mar da cidade de Nice, na Riviera Francesa, na data nacional da França, aniversário do início da Revolução Francesa de 1789.

A França está em guerra contra o terrorismo dos jihadistas, que repudiam a participação do país na guerra dos Estados Unidos contra a organização terrorista Estado Islâmico no Iraque e na Síria. Sofre dois grandes atentados terroristas em 2015. 

Em 7 de janeiro, extremistas islâmicos matam 12 pessoas ao atacar o jornal humorístico Charlie Hebdo, que publicara caricaturas do profeta Maomé, o que os jihadistas consideram uma blasfêmia. Em 13 de novembro, 130 pessoas são mortas em ataques a um jogo de futebol, um show de música, bares e restaurantes em Paris e Saint-Denis. O Estado Islâmico reivindica a autoria deste atentado.

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terça-feira, 9 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 9 de Junho

 FRANCÊS NO QUEBEC

     Em 1534, o navegador francês Jacques Cartier torna-se o primeiro europeu a encontrar o Rio São Lourenço, no que hoje é a província do Quebec, a região francófona do Canadá.

Cartier é enviado pelo rei Francisco I, da França, para explorar a América do Norte em busca de riquezas naturais. É uma região inóspita e gelada. A descoberta de um vale fértil e quente perto do Golfo de São Lourenço estimula o rei a mandar nova expedição exploradora no ano seguinte. Em 1535, Cartier vai até onde hoje fica a cidade de Montreal.

NAZISTAS AVANÇAM RUMO AO ATLÂNTICO

    Em 1940, as forças da Alemanha Nazista sob o comando do general Erwin Rommel cruzam o Rio Sena e avançam em direção ao Oceano Atlântico.
Rommel nasce em Heideinheim, na Alemanha, em 15 de novembro de 1891, filho de um professor e da filha de um alto oficial. Ele entra para o Regime de Infantaria de Württemberg em 1910. Na Primeira Guerra Mundial (1914-18), luta na França, na Romênia e na Itália, onde se destaca por coragem e bravura.

Depois da anexação da Áustria pela Alemanha, março de 1938, Rommel é nomeado diretor de uma escola para oficiais em Wiener Neustadt, perto de Viena.

Quando começa a Segunda Guerra Mundial (1939-45), ele se torna comandante das forças que protegem o quartel-general de Hitler e se aproxima pessoalmente do Führer. Depois da invasão da Polônia, marco do início da guerra, em 1º de setembro de 1939, há uma relativa trégua até a Alemanha lançar sua ofensiva na frente ocidental com a invasão da Noruega em 9 de abril de 1940.

Em seguida, os nazistas invadem a Holanda, a Bélgica e a França, em maio. Como comandante da 7ª Divisão de Tanques Panzer, Rommel recebe a missão de avançar até o Atlântico. Sem condições de defender a França, o Reino Unido recua com a Retirada de Dunquerque.

Menos de um ano depois, em fevereiro de 1941, Rommel é nomeado comandante do Afrika Korps, o exército africano de Hitler. Ele fica conhecido como a Raposa do Deserto, vira herói e é promovido a marechal de campo.

No verão de 1942, Hitler ordena um ataque ao Cairo e ao Canal de Suez, mas o Afrika Korps é derrotado pelo Exército Real britânico na Segunda Batalha de El-Alamein, a cerca de 100 quilômetros de Alexandria. Em 1943, ele é chamado de volta para a Alemanha.

Em 1944, Rommel é encarregado pela Muralha do Atlântico, a série defesas construídas pela Alemanha para proteger o litoral da França da invasão aliada que acaba acontecendo em 6 de junho, o Dia D.

McCARTHY DESMORALIZADO    

    Em 1954, num debate dramático, o advogado do Exército dos Estados Unidos Joseph Welch pergunta ao senador republicano Joseph McCarthy, durante uma audiência sobre uma suposta infiltração comunista nas Forças Armadas: "O Sr. não tem senso de decência?"

McCarthy fica famoso ao denunciar, em fevereiro de 1950, a infiltração de "centenas de notórios comunistas no Departamento de Estado".

Sua campanha contra a Ameaça Vermelha, no início da Guerra Fria, denuncia a suposta infiltração comunista em todos os setores da vida pública dos EUA, do governo federal a Hollywood. A confrontação com Welch diante das câmeras da televisão, que transmitem a audiência, é a desmoralização final do macartismo.

O senador lança sua campanha no governo democrata de Harry Truman (1945-53). Com a posse do republicano Dwight Eisenhower (1953-61), o comandante militar aliado na Segunda Guerra Mundial (1939-45), McCarthy se torna um estorvo para o partido. Os ataques contra a CIA e o Exército o desmoralizam totalmente.

ISRAEL OCUPA TERRITÓRIOS ÁRABES

    Em 1967, Israel captura a Península do Sinai, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém, e as Colinas do Golã numa vitória esmagadora sobre o Egito, a Síria e a Jordânia na Guerra dos Seis Dias.

Gaza e o Sinai pertenciam ao Egito, a Cisjordânia à Jordânia e as Colinas do Golã à Síria. A guerra termina no dia seguinte, mas a questão dos territórios árabes ocupados continua até hoje. É um dos principais obstáculos à paz entre árabes e israelenses.

Depois de nova derrota na Guerra do Yom Kippur (1973), a maior empreitada militar árabe da era moderna, o presidente do Egito, Anuar Sadat, rompe a aliança com a União Soviética e se aproxima dos Estados Unidos para fazer a paz com Israel, em 1979, e recuperar o Sinai.

O Egito e a Jordânia abrem mão da Faixa de Gaza e da Cisjordânia para que seja criada uma pátria para o povo palestino. As Colinas do Golã são anexadas ilegalmente por Israel em 1981, o que só é reconhecido pelos EUA, no primeiro governo Donald Trump, em 25 de março de 2019.

O atual governo de extrema direita de Israel tem a clara intenção de anexar a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, enterrando de vez a proposta de criação de uma pátria independente para o povo palestino.

GRANDE VITÓRIA DE THATCHER

    Em 1983, um ano depois da ganhar a Guerra das Malvinas contra a ditadura militar da Argentina, com a oposição dividida, a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher obtém sua maior vitória eleitoral e começa a radicalizar seu programa de reformas neoliberais.

Margaret Hilda Thatcher é a primeira mulher a se tornar primeira-ministra britânica e a pessoa que chefia o governo do país por mais tempo no século 20. Ela chega ao poder em maio de 1979, depois do chamado Inverno do Descontentamento, marcado por uma série de greves, agitação social e desemprego resultantes da primeira crise do petróleo.

A Dama de Ferro, apelido que ganha da imprensa soviética em 1976 depois de um discurso anticomunista como líder da oposição, promete resgatar a moralidade pública e reduzir a participação do Estado na economia.

Além de cortar impostos, uma de suas principais bandeiras é a privatização de empresas estatais, que ela considera mais ineficientes do que o setor privado. Thatcher quer transformar a Grã-Bretanha num país de acionistas. Começa esse processo em 1981 sob forte oposição dos sindicados, ligados ao Partido Trabalhista.

Estão lançadas as bases do thatcherismo, que incluem recuo da máquina estatal, disciplina fiscal, cortes de impostos, privatizações, respeito à autoridade e à ordem pública, e um feroz anticomunismo. Poucos primeiros-ministros dão nome a uma filosofia política.

Em seu radicalismo, Margaret Thatcher chegou a dizer: "Não existe isso que chamam de sociedade. Há homens, mulheres e famílias".

O total de desempregados no Reino Unido sobe para 3 milhões, e o número de pobres aumenta quatro vezes, aprofundando a desigualdade social, uma das marcas perversas do neoconservadorismo. Impopular, Thatcher conta com uma ajuda inesperada.

A invasão das Ilhas Malvinas pela ditadura militar da Argentina em 2 de abril de 1982 é um teste decisivo para sua determinação. Uma força-tarefa é deslocada para a guerra a 10 mil quilômetros de distância da Inglaterra. Em 14 de junho, as ilhas são retomadas depois da morte de 649 argentinos e 258 britânicos.

Humilhada, a ditadura militar argentina cai. Fortalecida, Thatcher obtém sua maior vitória eleitoral wn 1983. Com maioria de 144 deputados na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, parte para o enfrentamento com os sindicatos para impor sua ideologia econômica neoliberal. Uma greve de 11 meses contra o fechamento de 20 minas estatais deficitárias deixa o Reino Unido sem carvão em 1984 e 1985.

Sem o apoio da opinião pública, a greve fracassa. Os mineiros e o sindicalismo em geral perdem força.

Também em 1984, Margaret Thatcher sobrevive a um atentado a bomba do Exército Republicano Irlandês (IRA) contra a convenção anual do Partido Conservador. É uma tentativa de vingar as mortes de 10 militantes republicanos irlandeses em greve fome que exigiam reconhecimento como presos políticos, em 1981. Inflexível, a Dama de Ferro os considera criminosos comuns.

No mesmo ano, Thatcher convida o futuro líder soviético Mikhail Gorbachev para ir a Londres. É a primeira a identificá-lo no Ocidente como "alguém com quem se pode negociar".

Naquela época, ela considera o líder negro sul-africano Nelson Mandela, que ainda estava preso, como "terrorista". Mais tarde, viria a defender o amigo e admirador general Augusto Pinochet, o ditador   preso em Londres em 1998 por crimes cometidos quando governa o Chile, de 1973 a 1990.

Sob Thatcher, amplos setores da economia britânica, aviação, metalurgia, telecomunicações, água, energia e o sistema ferroviário, foram entregues à iniciativa privada. São mudanças permanentes, observa o jornal The New York Times. Modernizam a Grã-Bretanha, mas aprofundam a desigualdade.

A ex-primeira-ministra também é uma grande adversária do aumento dos poderes da Comunidade Europeia, hoje União Europeia. Chega a bater na mesa com sua bolsa para pedir a devolução de parte da contribuição britânica para a política comum de subsídios agrícolas do bloco europeu, já que o Reino Unido tem uma agricultura muito menor do que países como a França e a Alemanha.

"Não estou pedindo o dinheiro dos outros. Estou pedindo nosso dinheiro de volta", afirmou.

Em 1987, depois de sua terceira vitória eleitoral consecutiva, Thatcher se torna ainda mais antieuropeia, preocupando um de seus maiores aliados, o centro financeiro de Londres, que temia perder a primazia para Paris ou Frankfurt na união monetária europeia porque o Reino Unido não adotaria o euro.

Uma de suas principais bandeiras, entusiasticamente adotada pelo Partido Conservador, é repatriar poderes da UE para o Parlamento Britânico. Diante do avanço do euroceticismo e da crise da Zona do Euro, o primeiro-ministro e líder do partido, David Cameron, promete convocar um plebiscito sobre a permanência do país na UE até 2017. Convoca e perde em 23 de junho de 2016, o que leva o Reino Unido a deixar a UE.

O risco de isolamento na Europa e a substituição do imposto predial e territorial por um imposto por pessoa, independentemente da renda pessoal e do tamanho da propriedade, sela sua impopularidade. Em novembro de 1990, o ex-ministro Michel Heseltine, um europeísta, desafia a liderança da Margaret Thacher.

Sem conseguir uma vitória consistente, com mais de dois terços dos votos da bancada do partido na Câmara dos Comuns, Thatcher pede demissão. Vira Baronesa Thatcher e vai para a Câmara dos Lordes. Enquanto sua saúde permite, influencia a vida política do país.

O regicídio, como o episódio é conhecido na Grã-Bretanha, abre uma guerra interna de que o Partido Conservador não se recuperou até hoje. O compromisso com a defesa de Londres como um dos maiores centros financeiros do mundo entra em choque com a rejeição à integração europeia.

Talvez seu maior legado seja a profunda reforma política e econômica, que vai muito além do Reino Unido. Antes de Thatcher, a maioria das companhias aéreas e as empresas telefônicas de fora dos EUA eram estatais.

Para voltar ao poder com Tony Blair, em 1997, o Partido Trabalhista faz uma ampla mudança, abrindo mão do socialismo e da estatização dos meios de produção, que são excluídos do programa partidário para reconquistar a classe média. Essa é a grande vitória ideológica de Thatcher, fazer o principal adversário abraçar a economia de mercado.

Do ponto de vista econômico, o neoliberalismo que defende com tanto vigor ao lado de Reagan é a ideologia dominante da economia internacional por quase três décadas. Com suas políticas de desregulamentação e redução da atividade do Estado, é a principal causa da grande crise econômico-financeira internacional de 2008-9.

Acima de tudo, Thatcher ajuda a acabar com a Guerra Fria, resgata o prestígio da economia de mercado e recupera o orgulho do Reino Unido, mas a um custo social elevado que divide o país, aumenta a desigualdade social e o afasta do resto da Europa.

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quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 27 de Novembro

MORTE DO REI CLÓVIS I

    Em 511, morre em Paris Clóvis I, rei dos francos que governa a maior parte da Gália de 481 a 511, um período de transição do Império Romano do Ocidente para o que seria a Europa. Primeiro rei bárbaro a se converter ao cristianismo depois da queda do Império Romano do Ocidente, é considerado o fundador da França. 

Clóvis nasce em Tournai por volta do ano 466, filho de Quilderico I, da Dinastia Merovíngia, rei dos francos sálios, uma das tribos que habitavam a oeste do baixo Rio Reno, e da rainha Basina, da Turíngia. 

Aos 15 anos, ele sucede ao pai. Em 481, conquista o Reino de Boissons com a vitória na Batalha de Boissons ao vencer, com a ajuda de Ragnachar, Siágrio, o último oficial romano no Norte da Gália. Ainda conquista o Oeste da antiga Gália Romana.

O catolicismo o ajuda a se aproximar dos súditos romanos porque em 380 o imperador Teodósio I o adotara como religião oficial do Império Romano.

Clóvis I está enterrado na Basílica de Saint-Denis, uma cidade-satélite de Paris.

URBANO II LANÇA CRUZADAS

    Em 1095, no discurso mais importante da Idade Média, durante o Concílio de Clermont, na França, o papa Urbano II lança as Cruzadas ao convocar todos os cristãos da Europa para a guerra santa contra os muçulmanos para reconquistar Jerusalém.

Odo de Lagery nasce em 1042 e se torna protegido do papa Gregório VII, um reformista. Antes de ser eleito papa, em 1088, Urbano faz campanha contra a venda de serviços da Igreja.

Em 1077, o Império Seljúcida (turco) toma Jerusalém e começa a barrar o acesso de cristãos à Cidade Sagrada para três religiões. Quando os turcos seljúcidas ameaçam invadir o Império Romano do Oriente ou Império Bizantino e tomar sua capital, Constantinopla, o imperador Alexis I recorre ao papa.

Jesus Cristo orientou os homens a amarem uns aos outros. O papa Urbano II manda matar os infiéis.

Ao todo, 60 a 100 mil pessoas atendem à convocação de Urbano II e marcham rumo à Terra Santa na Primeira Cruzada (1096-99), a única das nove cruzadas a tomar Jerusalém. Urbano II morre em 1099 duas semanas depois da queda de Jerusalém para os cristãos, mas a notícia ainda não havia chegado à Europa. 

O Reino Cristão de Jerusalém dura até 1291, primeiro com capital em Jerusalém e depois em Acre.

PRÊMIOS NOBEL

    Em 1895, com fundos do testamento de Alfred Nobel, o engenheiro, químico e industrial sueco inventor da dinamite, nascem os Prêmios Nobel, os mais prestigiados do mundo por grandes conquistas intelectuais.

Alfred Bernhard Nobel nasce em 21 de outubro de 1833 em Estocolmo, na Suécia. Desde criança mostra grande curiosidade intelectual. Ele aprende fundamentos de engenharia com o pai e se interessa por explosivos.

Depois de várias falências, o pai se muda para São Petersburgo, na Rússia, onde fabrica máquinas industriais e explosivos usados em mineração. O resto da família se muda para São Petersburgo em 1842. Com dinheiro, educa o jovem Alfred. Aos 16 anos, ele tem conhecimentos de química e fala várias línguas: inglês, francês, alemão, russo e sueco.

Alfred Nobel deixa a Rússia em 1850. Estuda química em Paris durante um ano e vai para os Estados Unidos. Volta a São Petersburgo em 1852 e trabalha na fábrica do pai, que fabrica equipamentos miitares durante a Guerra da Crimeia (1853-56), perdida pela Rússia.

Com o fim da guerra, a fábrica tem dificuldades para reorientar a produção para a fabricação de máquinas para navios a vapor. Quebra em 1859.

A família volta para a Suécia, onde Alfred faz experiências com explosivos, especialmente nitroglicerina, um novo explosivo líquido poderoso mas instável, difícil de manipular. Em 1863, ele cria um detonador de madeira com um pó preto enfiado num recipiente metálico contendo nitroglicerina. No ano seguinte, uma explosão de nitroglicerina mata seu irmão Emil. Em 1865, ele aperfeiçoa o detonador, o que inaugura a era dos grandes explosivos.

A segunda invenção importante de Alfred Nobel é a dinamite, em 1867. Ele consegue patentear a invenção no Reino Unido em 1867 e nos EUA em 1868, o que lhe dá prestígio mundial. Nos anos 1870 e 1880, Nobel instala fábricas de dinamite pela Europa.

Seus irmãos Ludvig e Robert fazem fortuna explorando o petróleo do Mar Cáspio em Baku, a capital do Afeganistão, grande centro de produção no início da era do petróleo.

Além de explosivos, Alfred Nobel é responsável por muitas outras invenções, como seda artificial. Ao todo, registra mais de 350 patentes. Pacifista, sonha que suas invenções possam levar à paz. Ao morrer de hemorragia cerebral em San Remo, na Itália, deixa mais de 90 fábricas de explosivos e munição. 

Quando seu testamento é aberto, em Paris, em 27 de novembro de 1895, a família descobre que ele deixa a maior parte de sua fortuna num banco da Suécia para criar os prêmios que levam seu nome. Os primeiros prêmios Nobel são entregues em 1901, com cinco categorias: medicina e fisiologia, química, física, literatura e paz. O prêmio de economia é criado em 1968 pelo Sveriges Riksbank, o banco central da Suécia, e atribuído pela primeira vez em 1969.

TRANQUILO E INFALÍVEL

    Em 1940, nasce em São Francisco, na Califórnia, o ator, mestre de kung fu e ídolo da cultura pop Bruce Lee, talvez o lutador de artes marciais mais influente de todos os tempos.

Seu pai, um ator de ópera chinês, está em turnê nos Estados Unidos. Em 1941, volta para Hong Kong, na época uma colônia britânica. 

Bruce é criado em Hong Kong, onde faz 20 filmes como ator mirim, estuda dança e kung fu. Em 1959, ele volta aos EUA, onde estuda na Universidade de Washington, abre uma academia de artes marciais em Seattle e dá aulas particulares para celebridades como Steve McQueen.

Na busca de papéis que Hollywood não lhe oferece, Bruce Lee volta para Hong Kong em 1970 e se torna herói de filmes de ação como O Voo do Dragão, em que escreve o roteiro, dirige e estrela.

Bruce Lee morre em 20 de julho de 1973 de um edema cerebral causado provavelmente por analgésicos, um mês antes do lançamento de Operação Dragão, seu maior sucesso de bilheteria, que fatura US$ 200 milhões.

ÚNICO VIRTUOSE DO ROCK

    Em 1942, nasce em Seattle, no Noroeste dos Estados Unidos, James Marshall Hendrix, mais conhecido como Jimi Hendrix, descendente de afroamericanos e de índios cherokee, o maior guitarrista de todos os tempos e único virtuose da história do rock.

Hendrix entra para o Exército como paraquedista em 1959. É dispensado com honra em 1961 depois de fraturar um tornozelo num salto.

Quando toca na noite de Nova York, Hendrix é descoberto por Chas Chandler, baixista da banda The Animals, que o leva em 1966 para Londres, na época a meca dos guitarristas, onde ele forma a banda The Jimi Hendrix Experience com o baixista Noel Redding e o baterista Mitch Mitchell. 

Eric Clapton, do Cream, e Pete Townshend, de The Who, rivais na disputa para ver quem é o melhor guitarrista da Inglaterra, se tornam amigos assistindo aos shows de Jimi no Marquee Club.

Depois do sucesso na Inglaterra, Hendrix volta aos EUA para participar do Festival de Monterrey, em 1967, quando estoura definitivamente, destrói e incendeia a guitarra. Ele seria uma das principais atrações dos festivais de Woodstock, em 1969, encerrado com sua versão distorcida do Hino dos EUA, e da Ilha de Wight, em 1970, antes de morrer prematuramente aos 27 anos em Londres, em 18 de setembro de 1970, de uma dose excessiva de soníferos.


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segunda-feira, 14 de julho de 2025

Hoje na História do Mundo: 14 de Julho

CONQUISTA DE JERUSALÉM 

     Em 1099, os cavaleiros cristãos tomam Jerusalém na Primeira Cruzada.

No século 11, os muçulmanos que dominam a região, do Império Seljúcida, começam a perseguir os cristãos. O imperador bizantino Alexius Comenos pede ajuda ao Ocidente.

Num discurso em Clermont, na França, em 27 de novembro de 1095, o papa Urbano II lança as Cruzadas. Abandona o ensinamento de Jesus Cristo de amar uns aos outros e prega morte "aos infiéis".

Mais de 4 mil cavaleiros e 25 mil soldados de infantaria formam o exército cruzado. Sob o comando de Godofredo de Bulhões, Roberto de Flandres e Raimundo de Toulouse, parte em 1096 e entra na Ásia Menor em 1097. Chega a Jerusalém em 7 de junho de 1099 e cerca a cidade até sua queda.

A Primeira Cruzada é a única das nove a tomar Jerusalém. O Reino Cristão de Jerusalém dura até 1291, quando cai Acre, sua última capital. 

QUEDA DA BASTILHA

    Em 1789, a tomada da prisão da Bastilha, em Paris, marca o início da Revolução Francesa.


A fortaleza é um símbolo da tirania do monarquia francesa. Os rebeldes destroem a prisão, onde esperam encontrar um arsenal.

A revolução, marco do início da Idade Contemporânea, derruba a monarquia e leva a um Período do Terror (1793-94) em que o rei Luís XVI, a rainha Maria Antonieta e até líderes revolucionários, como os jacobinos Georges-Jacques Danton e Maximiliano Robespierre, são guilhotinados e Jean-Paul Marat é assassinado no banho

O terrorismo político, o "banho de sangue purificador" prometido pelas revoluções para criar um mundo novo, o terror como instrumento planejado de ação política, nasce aí. Durante a segunda fase da revolução, o poder passa para a Convenção (1792-95) e o Comitê de Salvação Pública, liderado por Robespierre, tem mais poder do que tinha o rei. Decide quem vai literalmente perder a cabeça.

Ao todo, estima-se que cerca de 100 mil pessoas são mortas pela Revolução Francesa. Entre 30 e 50 mil pessoas morrem no Período do Terror (1793-94) da revolução: 16.594 são executadas depois de julgamentos em tribunais revolucionários, cerca de 10 mil morrem na prisão e outras milhares em massacres. 

A Revolução Francesa termina em 1799, com o golpe que leva Napoleão Bonaparte ao poder. Cinco anos depois, ele se coroa imperador.

MORTE DE BILLY THE KID

    Em 1881, o xerife Pat Garrett mata Henry McCarthy, conhecido como Billy the Kid, no Rancho Maxwell, no estado do Novo México.


Garrett persegue Billy the Kid durante três meses, desde que o pistoleiro foge da cadeia três dias antes da data marcada para sua execução.

Billy the Kid mata numa embosca, em 1º de abril de 1878, o xerife William Brady e o sub-xerife George Hindman, em vingança pela morte do fazendeiro John Tunstall, para quem tinha trabalhado. O xerife e o sub são aliados de outros fazendeiros.

Aos 18 anos, Kid matara 17 homens.

SEM DESTINO

    Em 1969, é lançado nos Estados Unidos o filme Easy Rider (Sem Destino), com Peter Fonda, Dennis Hopper e Jack Nicholson, que se torna um clássico da contracultura.

O roteiro é escrito por Peter Fonda, Dennis Hopper e Terry Southern. Conta a história de dois motociclistas, Wyatt (Fonda) e Billy (Hopper), que viajam pelo Sul e Sudoeste do país no embalo de drogas e rock and roll na onda do movimento hippie e da vida em comunidades. 

Os roteiristas dizem que os nomes dos personagens são inspirados em dois pistoleiros do Velho Oeste, Wyatt Earp e Billy the Kid. Wyatt usa um capacete com a bandeira dos EUA, como uma espécie de Capitão América, e Billy veste roupas no estilo dos indígenas norte-americanos. 

A direção é de Dennis Hopper e a produção de Peter Fonda. O filme lança Jack Nicholson como um grande ator. A trilha sonora espetacular tem nomes como Steppenwolf, The Byrds, The Band, Jimi Hendrix e Roger McGuinn. Abaixo, The Pusher, com o Steppenwolf, e as cenas de abertura de Easy Rider.


ATENTADO À BEIRA-MAR

    Em 2016, o tunisiano Mohamed Lahouaiej Bouhlel, um terrorista muçulmano de 31 anos, atropela, mata 86 pessoas e fere outras 400 com um caminhão na avenida beira-mar da cidade de Nice, na Riviera Francesa, na data nacional da França, aniversário do início da Revolução Francesa de 1789.

A França está em guerra contra o terrorismo dos jihadistas, que repudiam a participação do país na guerra dos Estados Unidos contra a organização terrorista Estado Islâmico no Iraque e na Síria. Sofre dois grandes atentados terroristas em 2015. 

Em 7 de janeiro, extremistas islâmicos matam 12 pessoas ao atacar o jornal humorístico Charlie Hebdo, que publicara caricaturas do profeta Maomé, o que os jihadistas consideram uma blasfêmia. Em 13 de novembro, 130 pessoas são mortas em ataques a um jogo de futebol, um show de música, bares e restaurantes em Paris e Saint-Denis. O Estado Islâmico reivindica a autoria deste atentado.

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Hoje na História do Mundo: 9 de Junho

 FRANCÊS NO QUEBEC

     Em 1534, o navegador francês Jacques Cartier torna-se o primeiro europeu a encontrar o Rio São Lourenço, no que hoje é a província do Quebec, a região francófona do Canadá.

Cartier é enviado pelo rei Francisco I, da França, para explorar a América do Norte em busca de riquezas naturais. O que hoje é o Canadá era considerada uma região inóspita e gelada. A descoberta de um vale fértil e quente perto do Golfo de São Lourenço estimula o rei a mandar nova expedição exploradora no ano seguinte. Em 1535, Cartier vai até onde hoje fica a cidade de Montreal.

NAZISTAS AVANÇAM RUMO AO ATLÂNTICO

    Em 1940, as forças da Alemanha Nazista sob o comando do general Erwin Rommel cruzam o Rio Sena e avançam em direção ao Oceano Atlântico.
Rommel nasce em Heideinheim, na Alemanha, em 15 de novembro de 1891, filho de um professor e da filha de um alto oficial. Ele entra para o Regime de Infantaria de Württemberg em 1910. Na Primeira Guerra Mundial (1914-18), luta na França, na Romênia e na Itália, onde se destaca por coragem e bravura.

Depois da anexação da Áustria pela Alemanha, março de 1938, Rommel é nomeado diretor de uma escola para oficiais em Wiener Neustadt, perto de Viena.

Quando começa a Segunda Guerra Mundial (1939-45), ele se torna comandante das forças que protegem o quartel-general de Hitler e se aproxima pessoalmente do Führer. Depois da invasão da Polônia, marco do início da guerra, em 1º de setembro de 1939, há uma relativa trégua até a Alemanha lançar sua ofensiva na frente ocidental com a invasão da Noruega em 9 de abril.

Em seguida, os nazistas invadem a Holanda, a Bélgica e a França, em maio. Como comandante da 7ª Divisão de Tanques Panzes, Rommel recebe a missão de avançar até o Atlântico. Sem condições de defender a França, o Reino Unido recua na Retirada de Dunquerque.

Menos de um ano depois, em fevereiro de 1941, Rommel é nomeado comandante do Afrika Korps, o exército africano de Hitler, fica conhecido como a Raposa do Deserto, vira herói e é promovido a marechal de campo.

No verão de 1942, Hitler ordena um ataque ao Cairo e ao Canal de Suez, mas é derrotado pelo Exército Real britânico na Segunda Batalha de El-Alamein, a cerca de 100 quilômetros de Alexandria. Em 1943, ele é chamado de volta para a Alemanha.

Em 1944, Rommel é encarregado pela Muralha do Atlântico, a série defesas construídas pela Alemanha para proteger o litoral da França da invasão aliada que acaba acontecendo em 6 de junho, o Dia D.

McCARTHY DESMORALIZADO    

    Em 1954, num debate dramático, o advogado do Exército dos Estados Unidos Joseph Welch pergunta ao senador republicano Joseph McCarthy, durante uma audiência sobre uma suposta infiltração comunista nas Forças Armadas: "O Sr. não tem senso de decência?"

McCarthy fica famoso ao denunciar, em fevereiro de 1950, a infiltração de "centenas de notórios comunistas no Departamento de Estado".

Sua campanha contra a Ameaça Vermelha, no início da Guerra Fria, denuncia a suposta infiltração comunista em todos os setores da vida pública dos EUA, do governo federal a Hollywood. A confrontação com Welch diante das câmeras da televisão, que transmitiam a audiência, é a desmoralização final do macartismo.

O senador lança sua campanha no governo democrata de Harry Truman (1945-53). Com a posse do republicano Dwight Eisenhower (1953-61), o comandante militar aliado na Segunda Guerra Mundial (1939-45), McCarthy se torna um estorvo para o partido. Os ataques contra a CIA e o Exército o desmoralizam totalmente.

ISRAEL OCUPA TERRITÓRIOS ÁRABES

    Em 1967, Israel captura a Península do Sinai, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém, e as Colinas do Golã numa vitória esmagadora sobre o Egito, a Síria e a Jordânia na Guerra dos Seis Dias.

Gaza e o Sinai pertenciam ao Egito, a Cisjordânia à Jordânia e as Colinas do Golã à Síria. A guerra termina no dia seguinte, mas a questão dos territórios árabes ocupados continua até hoje. É um dos principais obstáculos à paz entre árabes e israelenses.

Depois de nova derrota na Guerra do Yom Kippur (1973), a maior empreitada militar árabe da era moderna, o presidente do Egito, Anuar Sadat, rompe a aliança com a União Soviética e se aproxima dos Estados Unidos para fazer a paz com Israel, em 1979, e recuperar o Sinai.

O Egito e a Jordânia abrem mão da Faixa de Gaza e da Cisjordânia para que seja criada uma pátria para o povo palestino. As Colinas do Golã são anexadas ilegalmente por Israel em 1981, o que só é reconhecido pelos EUA. no primeiro governo Donald Trump, em 25 de março de 2019.

O atual governo de extrema direita de Israel tem a clara intenção de anexar a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, enterrando de vez a proposta de criação de uma pátria independente para o povo palestino.

GRANDE VITÓRIA DE THATCHER

    Em 1983, depois da ganhar a Guerra das Malvinas contra a ditadura militar da Argentina, com a oposição dividida, a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher obtém sua maior vitória eleitoral e começa a radicalizar seu programa de reformas neoliberais.

Margaret Hilda Thatcher é a primeira mulher a se tornar primeira-ministra britânica e a pessoa que chefia o governo do país por mais tempo no século 20. Ela chega ao poder em maio de 1979, depois do chamado Inverno do Descontentamento, marcado por uma série de greves, agitação social e desemprego resultantes da primeira crise do petróleo.

Dama de Ferro, apelido que ganha da imprensa soviética em 1976 depois de um discurso anticomunista como líder da oposição, promete resgatar a moralidade pública e reduzir a participação do Estado na economia.

Além de cortar impostos, uma de suas principais bandeiras é a privatização de empresas estatais, que ela considera mais ineficientes do que o setor privado. Thatcher quer transformar a Grã-Bretanha num país de acionistas. Começa esse processo em 1981 sob forte oposição dos sindicados, ligados ao Partido Trabalhista.

Estão lançadas as bases do thatcherismo, que incluem recuo da máquina estatal, disciplina fiscal, cortes de impostos, privatizações, respeito à autoridade e à ordem pública, e um feroz anticomunismo. Poucos primeiros-ministros dão nome a uma filosofia política.

Em seu radicalismo, Margaret Thatcher chegou a dizer: "Não existe isso que chamam de sociedade. Há homens, mulheres e famílias".

O total de desempregados no Reino Unido sobe para 3 milhões, e o número de pobres aumenta quatro vezes, aprofundando a desigualdade social, uma das marcas perversas do neoconservadorismo. Impopular, Thatcher conta com uma ajuda inesperada.

A invasão das Ilhas Malvinas pela ditadura militar da Argentina em 2 de abril de 1982 é um teste decisivo para sua determinação. Uma força-tarefa é deslocada para a guerra a 10 mil quilômetros de distância da Inglaterra. Em 14 de junho, as ilhas são retomadas depois da morte de 649 argentinos e 258 britânicos.

Humilhada, a ditadura militar argentina cai. Fortalecida, Thatcher obtém sua maior vitória eleitoral wn 1983. Com maioria de 144 deputados na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, parte para o enfrentamento com os sindicatos para impor sua ideologia econômica neoliberal. Uma greve de 11 meses contra o fechamento de 20 minas estatais deficitárias deixa o Reino Unido sem carvão em 1984 e 1985.

Sem o apoio da opinião pública, a greve fracassa. Os mineiros e o sindicalismo em geral perdem força.

Também em 1984, Margaret Thatcher sobrevive a um atentado a bomba do Exército Republicano Irlandês (IRA) contra a convenção anual do Partido Conservador. É uma tentativa de vingar as mortes de 10 militantes republicanos irlandeses em greve fome que exigiam reconhecimento como presos políticos, em 1981. Inflexível, a Dama de Ferro os considera criminosos comuns.

No mesmo ano, Thatcher convida o futuro líder soviético Mikhail Gorbachev para ir a Londres. É a primeira a identificá-lo no Ocidente como "alguém com quem se pode negociar".

Naquela época, ela considera o líder negro sul-africano Nelson Mandela, que ainda estava preso, como "terrorista". Mais tarde, viria a defender o amigo e admirador general Augusto Pinochet, o ditador   preso em Londres em 1998 por crimes cometidos quando governa o Chile, de 1973 a 1990.

Sob Thatcher, amplos setores da economia britânica, aviação, metalurgia, telecomunicações, água, energia e o sistema ferroviário, foram entregues à iniciativa privada. São mudanças permanentes, observa o jornal The New York Times. Modernizam a Grã-Bretanha, mas aprofundam a desigualdade.

A ex-primeira-ministra também é uma grande adversária do aumento dos poderes da Comunidade Europeia, hoje União Europeia. Chega a bater na mesa com sua bolsa para pedir a devolução de parte da contribuição britânica para a política comum de subsídios agrícolas do bloco europeu, já que o Reino Unido tem uma agricultura muito menor do que países como a França e a Alemanha.

"Não estou pedindo o dinheiro dos outros. Estou pedindo nosso dinheiro de volta", afirmou.

Em 1987, depois de sua terceira vitória eleitoral consecutiva, Thatcher se torna ainda mais antieuropeia, preocupando um de seus maiores aliados, o centro financeiro de Londres, que temia perder a primazia para Paris ou Frankfurt na união monetária europeia porque o Reino Unido não adotaria o euro.

Uma de suas principais bandeiras, entusiasticamente adotada pelo Partido Conservador, é repatriar poderes da UE para o Parlamento Britânico. Diante do avanço do euroceticismo e da crise da Zona do Euro, o primeiro-ministro e líder do partido, David Cameron, promete convocar um plebiscito sobre a permanência do país na UE até 2017. Convoca e perde em 23 de junho de 2016, o que leva o Reino Unido a deixar a UE.

O risco de isolamento na Europa e a substituição do imposto predial e territorial por um imposto por pessoa, independentemente da renda pessoal e do tamanho da propriedade, sela sua impopularidade. Em novembro de 1990, o ex-ministro Michel Heseltine, um europeísta, desafia a liderança da Margaret Thacher.

Sem conseguir uma vitória consistente, com mais de dois terços dos votos da bancada do partido na Câmara dos Comuns, Thatcher pede demissão. Vira Baronesa Thatcher e vai para a Câmara dos Lordes. Enquanto sua saúde permite, influencia a vida política do país.

regicídio, como o episódio é conhecido na Grã-Bretanha, abre uma guerra interna de que o Partido Conservador não se recuperou até hoje. O compromisso com a defesa de Londres como um dos maiores centros financeiros do mundo entra em choque com a rejeição à integração europeia.

Talvez seu maior legado seja a profunda reforma política e econômica, que vai muito além do Reino Unido. Antes de Thatcher, a maioria das companhias aéreas e as empresas telefônicas de fora dos EUA eram estatais.

Para voltar ao poder com Tony Blair, em 1997, o Partido Trabalhista faz uma ampla mudança, abrindo mão do socialismo e da estatização dos meios de produção, que são excluídos do programa partidário para reconquistar a classe média. Essa é a grande vitória ideológica de Thatcher, fazer o principal adversário abraçar a economia de mercado.

Do ponto de vista econômico, o neoliberalismo que defende com tanto vigor ao lado de Reagan é a ideologia dominante da economia internacional por quase três décadas. Com suas políticas de desregulamentação e redução da atividade do Estado, é a principal causa da grande crise econômico-financeira internacional de 2008-9.

Acima de tudo, Thatcher ajuda a acabar com a Guerra Fria, resgata o prestígio da economia de mercado e recupera o orgulho do Reino Unido, mas a um custo social elevado que divide o país, aumenta a desigualdade social e o afasta do resto da Europa.