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terça-feira, 9 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 9 de Junho

 FRANCÊS NO QUEBEC

     Em 1534, o navegador francês Jacques Cartier torna-se o primeiro europeu a encontrar o Rio São Lourenço, no que hoje é a província do Quebec, a região francófona do Canadá.

Cartier é enviado pelo rei Francisco I, da França, para explorar a América do Norte em busca de riquezas naturais. É uma região inóspita e gelada. A descoberta de um vale fértil e quente perto do Golfo de São Lourenço estimula o rei a mandar nova expedição exploradora no ano seguinte. Em 1535, Cartier vai até onde hoje fica a cidade de Montreal.

NAZISTAS AVANÇAM RUMO AO ATLÂNTICO

    Em 1940, as forças da Alemanha Nazista sob o comando do general Erwin Rommel cruzam o Rio Sena e avançam em direção ao Oceano Atlântico.
Rommel nasce em Heideinheim, na Alemanha, em 15 de novembro de 1891, filho de um professor e da filha de um alto oficial. Ele entra para o Regime de Infantaria de Württemberg em 1910. Na Primeira Guerra Mundial (1914-18), luta na França, na Romênia e na Itália, onde se destaca por coragem e bravura.

Depois da anexação da Áustria pela Alemanha, março de 1938, Rommel é nomeado diretor de uma escola para oficiais em Wiener Neustadt, perto de Viena.

Quando começa a Segunda Guerra Mundial (1939-45), ele se torna comandante das forças que protegem o quartel-general de Hitler e se aproxima pessoalmente do Führer. Depois da invasão da Polônia, marco do início da guerra, em 1º de setembro de 1939, há uma relativa trégua até a Alemanha lançar sua ofensiva na frente ocidental com a invasão da Noruega em 9 de abril de 1940.

Em seguida, os nazistas invadem a Holanda, a Bélgica e a França, em maio. Como comandante da 7ª Divisão de Tanques Panzer, Rommel recebe a missão de avançar até o Atlântico. Sem condições de defender a França, o Reino Unido recua com a Retirada de Dunquerque.

Menos de um ano depois, em fevereiro de 1941, Rommel é nomeado comandante do Afrika Korps, o exército africano de Hitler. Ele fica conhecido como a Raposa do Deserto, vira herói e é promovido a marechal de campo.

No verão de 1942, Hitler ordena um ataque ao Cairo e ao Canal de Suez, mas o Afrika Korps é derrotado pelo Exército Real britânico na Segunda Batalha de El-Alamein, a cerca de 100 quilômetros de Alexandria. Em 1943, ele é chamado de volta para a Alemanha.

Em 1944, Rommel é encarregado pela Muralha do Atlântico, a série defesas construídas pela Alemanha para proteger o litoral da França da invasão aliada que acaba acontecendo em 6 de junho, o Dia D.

McCARTHY DESMORALIZADO    

    Em 1954, num debate dramático, o advogado do Exército dos Estados Unidos Joseph Welch pergunta ao senador republicano Joseph McCarthy, durante uma audiência sobre uma suposta infiltração comunista nas Forças Armadas: "O Sr. não tem senso de decência?"

McCarthy fica famoso ao denunciar, em fevereiro de 1950, a infiltração de "centenas de notórios comunistas no Departamento de Estado".

Sua campanha contra a Ameaça Vermelha, no início da Guerra Fria, denuncia a suposta infiltração comunista em todos os setores da vida pública dos EUA, do governo federal a Hollywood. A confrontação com Welch diante das câmeras da televisão, que transmitem a audiência, é a desmoralização final do macartismo.

O senador lança sua campanha no governo democrata de Harry Truman (1945-53). Com a posse do republicano Dwight Eisenhower (1953-61), o comandante militar aliado na Segunda Guerra Mundial (1939-45), McCarthy se torna um estorvo para o partido. Os ataques contra a CIA e o Exército o desmoralizam totalmente.

ISRAEL OCUPA TERRITÓRIOS ÁRABES

    Em 1967, Israel captura a Península do Sinai, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém, e as Colinas do Golã numa vitória esmagadora sobre o Egito, a Síria e a Jordânia na Guerra dos Seis Dias.

Gaza e o Sinai pertenciam ao Egito, a Cisjordânia à Jordânia e as Colinas do Golã à Síria. A guerra termina no dia seguinte, mas a questão dos territórios árabes ocupados continua até hoje. É um dos principais obstáculos à paz entre árabes e israelenses.

Depois de nova derrota na Guerra do Yom Kippur (1973), a maior empreitada militar árabe da era moderna, o presidente do Egito, Anuar Sadat, rompe a aliança com a União Soviética e se aproxima dos Estados Unidos para fazer a paz com Israel, em 1979, e recuperar o Sinai.

O Egito e a Jordânia abrem mão da Faixa de Gaza e da Cisjordânia para que seja criada uma pátria para o povo palestino. As Colinas do Golã são anexadas ilegalmente por Israel em 1981, o que só é reconhecido pelos EUA, no primeiro governo Donald Trump, em 25 de março de 2019.

O atual governo de extrema direita de Israel tem a clara intenção de anexar a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, enterrando de vez a proposta de criação de uma pátria independente para o povo palestino.

GRANDE VITÓRIA DE THATCHER

    Em 1983, um ano depois da ganhar a Guerra das Malvinas contra a ditadura militar da Argentina, com a oposição dividida, a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher obtém sua maior vitória eleitoral e começa a radicalizar seu programa de reformas neoliberais.

Margaret Hilda Thatcher é a primeira mulher a se tornar primeira-ministra britânica e a pessoa que chefia o governo do país por mais tempo no século 20. Ela chega ao poder em maio de 1979, depois do chamado Inverno do Descontentamento, marcado por uma série de greves, agitação social e desemprego resultantes da primeira crise do petróleo.

A Dama de Ferro, apelido que ganha da imprensa soviética em 1976 depois de um discurso anticomunista como líder da oposição, promete resgatar a moralidade pública e reduzir a participação do Estado na economia.

Além de cortar impostos, uma de suas principais bandeiras é a privatização de empresas estatais, que ela considera mais ineficientes do que o setor privado. Thatcher quer transformar a Grã-Bretanha num país de acionistas. Começa esse processo em 1981 sob forte oposição dos sindicados, ligados ao Partido Trabalhista.

Estão lançadas as bases do thatcherismo, que incluem recuo da máquina estatal, disciplina fiscal, cortes de impostos, privatizações, respeito à autoridade e à ordem pública, e um feroz anticomunismo. Poucos primeiros-ministros dão nome a uma filosofia política.

Em seu radicalismo, Margaret Thatcher chegou a dizer: "Não existe isso que chamam de sociedade. Há homens, mulheres e famílias".

O total de desempregados no Reino Unido sobe para 3 milhões, e o número de pobres aumenta quatro vezes, aprofundando a desigualdade social, uma das marcas perversas do neoconservadorismo. Impopular, Thatcher conta com uma ajuda inesperada.

A invasão das Ilhas Malvinas pela ditadura militar da Argentina em 2 de abril de 1982 é um teste decisivo para sua determinação. Uma força-tarefa é deslocada para a guerra a 10 mil quilômetros de distância da Inglaterra. Em 14 de junho, as ilhas são retomadas depois da morte de 649 argentinos e 258 britânicos.

Humilhada, a ditadura militar argentina cai. Fortalecida, Thatcher obtém sua maior vitória eleitoral wn 1983. Com maioria de 144 deputados na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, parte para o enfrentamento com os sindicatos para impor sua ideologia econômica neoliberal. Uma greve de 11 meses contra o fechamento de 20 minas estatais deficitárias deixa o Reino Unido sem carvão em 1984 e 1985.

Sem o apoio da opinião pública, a greve fracassa. Os mineiros e o sindicalismo em geral perdem força.

Também em 1984, Margaret Thatcher sobrevive a um atentado a bomba do Exército Republicano Irlandês (IRA) contra a convenção anual do Partido Conservador. É uma tentativa de vingar as mortes de 10 militantes republicanos irlandeses em greve fome que exigiam reconhecimento como presos políticos, em 1981. Inflexível, a Dama de Ferro os considera criminosos comuns.

No mesmo ano, Thatcher convida o futuro líder soviético Mikhail Gorbachev para ir a Londres. É a primeira a identificá-lo no Ocidente como "alguém com quem se pode negociar".

Naquela época, ela considera o líder negro sul-africano Nelson Mandela, que ainda estava preso, como "terrorista". Mais tarde, viria a defender o amigo e admirador general Augusto Pinochet, o ditador   preso em Londres em 1998 por crimes cometidos quando governa o Chile, de 1973 a 1990.

Sob Thatcher, amplos setores da economia britânica, aviação, metalurgia, telecomunicações, água, energia e o sistema ferroviário, foram entregues à iniciativa privada. São mudanças permanentes, observa o jornal The New York Times. Modernizam a Grã-Bretanha, mas aprofundam a desigualdade.

A ex-primeira-ministra também é uma grande adversária do aumento dos poderes da Comunidade Europeia, hoje União Europeia. Chega a bater na mesa com sua bolsa para pedir a devolução de parte da contribuição britânica para a política comum de subsídios agrícolas do bloco europeu, já que o Reino Unido tem uma agricultura muito menor do que países como a França e a Alemanha.

"Não estou pedindo o dinheiro dos outros. Estou pedindo nosso dinheiro de volta", afirmou.

Em 1987, depois de sua terceira vitória eleitoral consecutiva, Thatcher se torna ainda mais antieuropeia, preocupando um de seus maiores aliados, o centro financeiro de Londres, que temia perder a primazia para Paris ou Frankfurt na união monetária europeia porque o Reino Unido não adotaria o euro.

Uma de suas principais bandeiras, entusiasticamente adotada pelo Partido Conservador, é repatriar poderes da UE para o Parlamento Britânico. Diante do avanço do euroceticismo e da crise da Zona do Euro, o primeiro-ministro e líder do partido, David Cameron, promete convocar um plebiscito sobre a permanência do país na UE até 2017. Convoca e perde em 23 de junho de 2016, o que leva o Reino Unido a deixar a UE.

O risco de isolamento na Europa e a substituição do imposto predial e territorial por um imposto por pessoa, independentemente da renda pessoal e do tamanho da propriedade, sela sua impopularidade. Em novembro de 1990, o ex-ministro Michel Heseltine, um europeísta, desafia a liderança da Margaret Thacher.

Sem conseguir uma vitória consistente, com mais de dois terços dos votos da bancada do partido na Câmara dos Comuns, Thatcher pede demissão. Vira Baronesa Thatcher e vai para a Câmara dos Lordes. Enquanto sua saúde permite, influencia a vida política do país.

O regicídio, como o episódio é conhecido na Grã-Bretanha, abre uma guerra interna de que o Partido Conservador não se recuperou até hoje. O compromisso com a defesa de Londres como um dos maiores centros financeiros do mundo entra em choque com a rejeição à integração europeia.

Talvez seu maior legado seja a profunda reforma política e econômica, que vai muito além do Reino Unido. Antes de Thatcher, a maioria das companhias aéreas e as empresas telefônicas de fora dos EUA eram estatais.

Para voltar ao poder com Tony Blair, em 1997, o Partido Trabalhista faz uma ampla mudança, abrindo mão do socialismo e da estatização dos meios de produção, que são excluídos do programa partidário para reconquistar a classe média. Essa é a grande vitória ideológica de Thatcher, fazer o principal adversário abraçar a economia de mercado.

Do ponto de vista econômico, o neoliberalismo que defende com tanto vigor ao lado de Reagan é a ideologia dominante da economia internacional por quase três décadas. Com suas políticas de desregulamentação e redução da atividade do Estado, é a principal causa da grande crise econômico-financeira internacional de 2008-9.

Acima de tudo, Thatcher ajuda a acabar com a Guerra Fria, resgata o prestígio da economia de mercado e recupera o orgulho do Reino Unido, mas a um custo social elevado que divide o país, aumenta a desigualdade social e o afasta do resto da Europa.

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segunda-feira, 9 de junho de 2025

Hoje na História do Mundo: 9 de Junho

 FRANCÊS NO QUEBEC

     Em 1534, o navegador francês Jacques Cartier torna-se o primeiro europeu a encontrar o Rio São Lourenço, no que hoje é a província do Quebec, a região francófona do Canadá.

Cartier é enviado pelo rei Francisco I, da França, para explorar a América do Norte em busca de riquezas naturais. O que hoje é o Canadá era considerada uma região inóspita e gelada. A descoberta de um vale fértil e quente perto do Golfo de São Lourenço estimula o rei a mandar nova expedição exploradora no ano seguinte. Em 1535, Cartier vai até onde hoje fica a cidade de Montreal.

NAZISTAS AVANÇAM RUMO AO ATLÂNTICO

    Em 1940, as forças da Alemanha Nazista sob o comando do general Erwin Rommel cruzam o Rio Sena e avançam em direção ao Oceano Atlântico.
Rommel nasce em Heideinheim, na Alemanha, em 15 de novembro de 1891, filho de um professor e da filha de um alto oficial. Ele entra para o Regime de Infantaria de Württemberg em 1910. Na Primeira Guerra Mundial (1914-18), luta na França, na Romênia e na Itália, onde se destaca por coragem e bravura.

Depois da anexação da Áustria pela Alemanha, março de 1938, Rommel é nomeado diretor de uma escola para oficiais em Wiener Neustadt, perto de Viena.

Quando começa a Segunda Guerra Mundial (1939-45), ele se torna comandante das forças que protegem o quartel-general de Hitler e se aproxima pessoalmente do Führer. Depois da invasão da Polônia, marco do início da guerra, em 1º de setembro de 1939, há uma relativa trégua até a Alemanha lançar sua ofensiva na frente ocidental com a invasão da Noruega em 9 de abril.

Em seguida, os nazistas invadem a Holanda, a Bélgica e a França, em maio. Como comandante da 7ª Divisão de Tanques Panzes, Rommel recebe a missão de avançar até o Atlântico. Sem condições de defender a França, o Reino Unido recua na Retirada de Dunquerque.

Menos de um ano depois, em fevereiro de 1941, Rommel é nomeado comandante do Afrika Korps, o exército africano de Hitler, fica conhecido como a Raposa do Deserto, vira herói e é promovido a marechal de campo.

No verão de 1942, Hitler ordena um ataque ao Cairo e ao Canal de Suez, mas é derrotado pelo Exército Real britânico na Segunda Batalha de El-Alamein, a cerca de 100 quilômetros de Alexandria. Em 1943, ele é chamado de volta para a Alemanha.

Em 1944, Rommel é encarregado pela Muralha do Atlântico, a série defesas construídas pela Alemanha para proteger o litoral da França da invasão aliada que acaba acontecendo em 6 de junho, o Dia D.

McCARTHY DESMORALIZADO    

    Em 1954, num debate dramático, o advogado do Exército dos Estados Unidos Joseph Welch pergunta ao senador republicano Joseph McCarthy, durante uma audiência sobre uma suposta infiltração comunista nas Forças Armadas: "O Sr. não tem senso de decência?"

McCarthy fica famoso ao denunciar, em fevereiro de 1950, a infiltração de "centenas de notórios comunistas no Departamento de Estado".

Sua campanha contra a Ameaça Vermelha, no início da Guerra Fria, denuncia a suposta infiltração comunista em todos os setores da vida pública dos EUA, do governo federal a Hollywood. A confrontação com Welch diante das câmeras da televisão, que transmitiam a audiência, é a desmoralização final do macartismo.

O senador lança sua campanha no governo democrata de Harry Truman (1945-53). Com a posse do republicano Dwight Eisenhower (1953-61), o comandante militar aliado na Segunda Guerra Mundial (1939-45), McCarthy se torna um estorvo para o partido. Os ataques contra a CIA e o Exército o desmoralizam totalmente.

ISRAEL OCUPA TERRITÓRIOS ÁRABES

    Em 1967, Israel captura a Península do Sinai, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém, e as Colinas do Golã numa vitória esmagadora sobre o Egito, a Síria e a Jordânia na Guerra dos Seis Dias.

Gaza e o Sinai pertenciam ao Egito, a Cisjordânia à Jordânia e as Colinas do Golã à Síria. A guerra termina no dia seguinte, mas a questão dos territórios árabes ocupados continua até hoje. É um dos principais obstáculos à paz entre árabes e israelenses.

Depois de nova derrota na Guerra do Yom Kippur (1973), a maior empreitada militar árabe da era moderna, o presidente do Egito, Anuar Sadat, rompe a aliança com a União Soviética e se aproxima dos Estados Unidos para fazer a paz com Israel, em 1979, e recuperar o Sinai.

O Egito e a Jordânia abrem mão da Faixa de Gaza e da Cisjordânia para que seja criada uma pátria para o povo palestino. As Colinas do Golã são anexadas ilegalmente por Israel em 1981, o que só é reconhecido pelos EUA. no primeiro governo Donald Trump, em 25 de março de 2019.

O atual governo de extrema direita de Israel tem a clara intenção de anexar a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, enterrando de vez a proposta de criação de uma pátria independente para o povo palestino.

GRANDE VITÓRIA DE THATCHER

    Em 1983, depois da ganhar a Guerra das Malvinas contra a ditadura militar da Argentina, com a oposição dividida, a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher obtém sua maior vitória eleitoral e começa a radicalizar seu programa de reformas neoliberais.

Margaret Hilda Thatcher é a primeira mulher a se tornar primeira-ministra britânica e a pessoa que chefia o governo do país por mais tempo no século 20. Ela chega ao poder em maio de 1979, depois do chamado Inverno do Descontentamento, marcado por uma série de greves, agitação social e desemprego resultantes da primeira crise do petróleo.

A Dama de Ferro, apelido que ganha da imprensa soviética em 1976 depois de um discurso anticomunista como líder da oposição, promete resgatar a moralidade pública e reduzir a participação do Estado na economia.

Além de cortar impostos, uma de suas principais bandeiras é a privatização de empresas estatais, que ela considera mais ineficientes do que o setor privado. Thatcher quer transformar a Grã-Bretanha num país de acionistas. Começa esse processo em 1981 sob forte oposição dos sindicados, ligados ao Partido Trabalhista.

Estão lançadas as bases do thatcherismo, que incluem recuo da máquina estatal, disciplina fiscal, cortes de impostos, privatizações, respeito à autoridade e à ordem pública, e um feroz anticomunismo. Poucos primeiros-ministros dão nome a uma filosofia política.

Em seu radicalismo, Margaret Thatcher chegou a dizer: "Não existe isso que chamam de sociedade. Há homens, mulheres e famílias".

O total de desempregados no Reino Unido sobe para 3 milhões, e o número de pobres aumenta quatro vezes, aprofundando a desigualdade social, uma das marcas perversas do neoconservadorismo. Impopular, Thatcher conta com uma ajuda inesperada.

A invasão das Ilhas Malvinas pela ditadura militar da Argentina em 2 de abril de 1982 é um teste decisivo para sua determinação. Uma força-tarefa é deslocada para a guerra a 10 mil quilômetros de distância da Inglaterra. Em 14 de junho, as ilhas são retomadas depois da morte de 649 argentinos e 258 britânicos.

Humilhada, a ditadura militar argentina cai. Fortalecida, Thatcher obtém sua maior vitória eleitoral wn 1983. Com maioria de 144 deputados na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, parte para o enfrentamento com os sindicatos para impor sua ideologia econômica neoliberal. Uma greve de 11 meses contra o fechamento de 20 minas estatais deficitárias deixa o Reino Unido sem carvão em 1984 e 1985.

Sem o apoio da opinião pública, a greve fracassa. Os mineiros e o sindicalismo em geral perdem força.

Também em 1984, Margaret Thatcher sobrevive a um atentado a bomba do Exército Republicano Irlandês (IRA) contra a convenção anual do Partido Conservador. É uma tentativa de vingar as mortes de 10 militantes republicanos irlandeses em greve fome que exigiam reconhecimento como presos políticos, em 1981. Inflexível, a Dama de Ferro os considera criminosos comuns.

No mesmo ano, Thatcher convida o futuro líder soviético Mikhail Gorbachev para ir a Londres. É a primeira a identificá-lo no Ocidente como "alguém com quem se pode negociar".

Naquela época, ela considera o líder negro sul-africano Nelson Mandela, que ainda estava preso, como "terrorista". Mais tarde, viria a defender o amigo e admirador general Augusto Pinochet, o ditador   preso em Londres em 1998 por crimes cometidos quando governa o Chile, de 1973 a 1990.

Sob Thatcher, amplos setores da economia britânica, aviação, metalurgia, telecomunicações, água, energia e o sistema ferroviário, foram entregues à iniciativa privada. São mudanças permanentes, observa o jornal The New York Times. Modernizam a Grã-Bretanha, mas aprofundam a desigualdade.

A ex-primeira-ministra também é uma grande adversária do aumento dos poderes da Comunidade Europeia, hoje União Europeia. Chega a bater na mesa com sua bolsa para pedir a devolução de parte da contribuição britânica para a política comum de subsídios agrícolas do bloco europeu, já que o Reino Unido tem uma agricultura muito menor do que países como a França e a Alemanha.

"Não estou pedindo o dinheiro dos outros. Estou pedindo nosso dinheiro de volta", afirmou.

Em 1987, depois de sua terceira vitória eleitoral consecutiva, Thatcher se torna ainda mais antieuropeia, preocupando um de seus maiores aliados, o centro financeiro de Londres, que temia perder a primazia para Paris ou Frankfurt na união monetária europeia porque o Reino Unido não adotaria o euro.

Uma de suas principais bandeiras, entusiasticamente adotada pelo Partido Conservador, é repatriar poderes da UE para o Parlamento Britânico. Diante do avanço do euroceticismo e da crise da Zona do Euro, o primeiro-ministro e líder do partido, David Cameron, promete convocar um plebiscito sobre a permanência do país na UE até 2017. Convoca e perde em 23 de junho de 2016, o que leva o Reino Unido a deixar a UE.

O risco de isolamento na Europa e a substituição do imposto predial e territorial por um imposto por pessoa, independentemente da renda pessoal e do tamanho da propriedade, sela sua impopularidade. Em novembro de 1990, o ex-ministro Michel Heseltine, um europeísta, desafia a liderança da Margaret Thacher.

Sem conseguir uma vitória consistente, com mais de dois terços dos votos da bancada do partido na Câmara dos Comuns, Thatcher pede demissão. Vira Baronesa Thatcher e vai para a Câmara dos Lordes. Enquanto sua saúde permite, influencia a vida política do país.

O regicídio, como o episódio é conhecido na Grã-Bretanha, abre uma guerra interna de que o Partido Conservador não se recuperou até hoje. O compromisso com a defesa de Londres como um dos maiores centros financeiros do mundo entra em choque com a rejeição à integração europeia.

Talvez seu maior legado seja a profunda reforma política e econômica, que vai muito além do Reino Unido. Antes de Thatcher, a maioria das companhias aéreas e as empresas telefônicas de fora dos EUA eram estatais.

Para voltar ao poder com Tony Blair, em 1997, o Partido Trabalhista faz uma ampla mudança, abrindo mão do socialismo e da estatização dos meios de produção, que são excluídos do programa partidário para reconquistar a classe média. Essa é a grande vitória ideológica de Thatcher, fazer o principal adversário abraçar a economia de mercado.

Do ponto de vista econômico, o neoliberalismo que defende com tanto vigor ao lado de Reagan é a ideologia dominante da economia internacional por quase três décadas. Com suas políticas de desregulamentação e redução da atividade do Estado, é a principal causa da grande crise econômico-financeira internacional de 2008-9.

Acima de tudo, Thatcher ajuda a acabar com a Guerra Fria, resgata o prestígio da economia de mercado e recupera o orgulho do Reino Unido, mas a um custo social elevado que divide o país, aumenta a desigualdade social e o afasta do resto da Europa.

domingo, 9 de junho de 2024

Hoje na História do Mundo: 9 de Junho

 FRANCÊS NO QUEBEC

     Em 1534, o navegador francês Jacques Cartier torna-se o primeiro europeu a encontrar o Rio São Lourenço, no que hoje é a província de Quebec, no Canadá.

Cartier é enviado pelo rei Francisco I, da França, para explorar a América do Norte em busca de riquezas naturais. O que hoje é o Canadá era considerada uma região inóspita e gelada. A descoberta de um vale fértil e quente perto do Golfo de São Lourenço estimula o rei a mandar nova expedição exploradora no ano seguinte. Em 1535, Cartier vai até onde hoje fica a cidade de Montreal.

McCARTHY DESMORALIZADO    

Em 1954, num debate dramático, o advogado do Exército dos Estados Unidos Joseph Welch pergunta ao senador republicano Joseph McCarthy, durante uma audiência sobre uma suposta infiltração comunista nas Forças Armadas: "O Sr. não tem senso de decência?"

McCarthy fica famoso ao denunciar, em fevereiro de 1950, a infiltração de "centenas de notórios comunistas no Departamento de Estado".

Sua campanha contra a Ameaça Vermelha, no início da Guerra Fria, denuncia a suposta infiltração comunista em todos os setores da vida pública dos EUA, do governo federal a Hollywood. A confrontação com Welch diante das câmeras da televisão, que transmitiam a audiência, é a desmoralização final do macartismo.

ISRAEL OCUPA TERRITÓRIOS ÁRABES

    Em 1967, Israel captura a Península do Sinai, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém, e as Colinas do Golã numa vitória esmagadora sobre o Egito, a Síria e a Jordânia na Guerra dos Seis Dias.

Gaza e o Sinai pertenciam ao Egito, a Cisjordânia à Jordânia e as Colinas do Golã à Síria. A guerra termina no dia seguinte, mas a questão dos territórios árabes ocupados continua até hoje. É um dos principais obstáculos à paz entre árabes e israelenses.

Depois de nova derrota na Guerra do Yom Kippur (1973), a maior empreitada militar árabe da era moderna, o presidente do Egito, Anuar Sadat, rompe a aliança com a União Soviética e se aproxima dos Estados para fazer a paz com Israel, em 1979, e recuperar o Sinai.

O Egito e a Jordânia abrem mão da Faixa de Gaza e da Cisjordânia para que seja criada uma pátria para o povo palestino. As Colinas do Golã são anexadas ilegalmente por Israel em 1981.

sexta-feira, 9 de junho de 2023

Hoje na História do Mundo: 9 de Junho

FRANCÊS NO QUEBEC

     Em 1534, o navegador francês Jacques Cartier torna-se o primeiro europeu a encontrar o Rio São Lourenço, no que hoje é a província de Quebec, no Canadá.

Cartier é enviado pelo rei Francisco I, da França, para explorar a América do Norte em busca de riquezas naturais. O que hoje é o Canadá era considerada uma região inóspita e gelada. A descoberta de um vale fértil e quente perto do Golfo de São Lourenço estimula o rei a mandar nova expedição exploradora no ano seguinte. Em 1535, Cartier vai até onde hoje fica a cidade de Montreal.

McCARTHY DESMORALIZADO    

Em 1954, num debate dramático, o advogado do Exército dos Estados Unidos Joseph Welch pergunta ao senador republicano Joseph McCarthy, durante uma audiência sobre uma suposta infiltração comunista nas Forças Armadas: "O Sr. não tem senso de decência?"

McCarthy fica famoso ao denunciar, em fevereiro de 1950, a infiltração de "centenas de notórios comunistas no Departamento de Estado".

Sua campanha contra a Ameaça Vermelha, no início da Guerra Fria, denuncia a suposta infiltração comunista em todos os setores da vida pública dos EUA, do governo federal a Hollywood. A confrontação com Welch diante das câmeras da televisão, que transmitiam a audiência, é a desmoralização final do macartismo.

ISRAEL OCUPA TERRITÓRIOS ÁRABES

    Em 1967, Israel captura a Península do Sinai, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém, e as Colinas do Golã numa vitória esmagadora sobre o Egito, a Síria e a Jordânia na Guerra dos Seis Dias.

Gaza e o Sinai pertenciam ao Egito, a Cisjordânia à Jordânia e as Colinas do Golã à Síria. A guerra termina no dia seguinte, mas a questão dos territórios árabes ocupados continua até hoje. É um dos principais obstáculos à paz entre árabes e israelenses.

Depois de nova derrota na Guerra do Yom Kippur (1973), a maior empreitada militar árabe da era moderna, o presidente do Egito, Anuar Sadat, rompe a aliança com a União Soviética e se aproxima dos Estados para fazer a paz com Israel, em 1979, e recuperar o Sinai.

O Egito e a Jordânia abrem mão da Faixa de Gaza e da Cisjordânia para que seja criada uma pátria para o povo palestino. As Colinas do Golã são anexadas ilegalmente por Israel em 1981.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Israel bombardeia alvos iranianos na Síria

Depois de ataques de foguetes, Israel fez um grande bombardeio a forças do Irã estacionadas na Síria. Pelo menos 23 pessoas morreram, entre elas 16 soldados iranianos. A Rússia condenou o ataque.

A Força Aérea de Israel atacou na madrugada de hoje alvos sírios e iranianos ligados à Força Quods, o braço da Guarda Revolucionária Iraniana para ações no exterior nas Colinas do Golã e nos arredores de Damasco, a capital da Síria. 

Foi uma resposta a ataques na manhã de ontem, quando quatro foguetes foram abatidos pelo sistema de defesa antimísseis de Israel, o Domo de Ferro. 

“Atacamos um prédio do aeroporto de Damasco usado por iranianos. Há iranianos mortos e feridos”, declarou um alto funcionário do setor de defesa de Israel. Também foram alvejadas instalações militares sírias onde há soldados iranianos. 

O número de mortos e feridos foi estimado pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental que monitora a guerra civil na Síria. Imagens da Síria mostram um míssil antiaéreo se espatifando no solo numa área densamente povoada. Meu comentário:

terça-feira, 26 de março de 2019

Presidente do Irã ataca Trump por reconhecer soberania de Israel sobre Colinas do Golã

O presidente do Irã, Hassan Rouhani, criticou duramente o presidente Donald Trump por os Estados Unidos reconheceram a soberania de Israel sobre as Colinas do Golã, ocupadas durante a Guerra dos Seis Anos, em 1967, e anexadas em 1981 à revelia do direito internacional, que proíbe a guerra de conquista. As colônias pertenciam à Síria.

"Ninguém poderia imaginar que uma pessoa nos EUA viesse e desse terras de uma nação para um país ocupante, contra o direito e as convenções internacionais", declarou Rouhani. "É uma ação sem precedentes."

A Agência de Notícias República Islâmica citou o vice-primeiro-ministro e ministro do Exterior e dos Expatriados da Síria, Walid Moallem, para dizer que a decisão do presidente americano não muda a situação das Colinas do Golã.

Trump mudou uma política de décadas que previa que o status do território árabe ocupado seria definido em negociações de paz entre Israel e a Síria. Fez o anúncio no Twitter na quinta-feira passada e oficializou o reconhecimento ontem na Casa Branca, ao lado do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

segunda-feira, 25 de março de 2019

Trump reconhece oficialmente soberania de Israel sobre Colinas do Golã

Ao lado do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o presidente Donald Trump deu hoje uma grande ajuda à reeleição, em 9 de abril, do líder israelense, denunciado por corrupção. Os Estados Unidos reconheceram oficialmente a soberania de Israel sobre as Colinas do Golã, ocupadas na Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967, e anexadas à revelia do direito internacional em 1981.

Trump rompeu com uma política americana de décadas. Descreveu sua decisão como uma "ação histórica", alegando o Irã e grupos terroristas "continuam a fazer das Colinas do Golã um local para lançar ataques contra Israel".

O presidente americano citou como exemplo do que quer evitar um ataque de foguete do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) feito hoje da Faixa de Gaza que feriu sete pessoas perto de Telavive: "Isto deveria ter sido feito há décadas. Não queremos ver outro ataque como o da manhã de hoje."

Netanyahu agradeceu elogiando Trump como o maior amigo de Israel entre todos os presidentes dos EUA, reconhecendo o apoio dos anteriores. O primeiro-ministro citou a rejeição pelo atual presidente do "desastroso acordo nuclear com o Irã" negociado pelo governo Barack Obama e a transferência da embaixada americana de Telavive para Jerusalém.

"Israel nunca teve um amigo melhor do que você", declarou Netanyahu, que voltou imediatamente para o Oriente Médio por causa do ataque de foguetes, capaz de deflagrar uma nova guerra contra o Hamas em Gaza.

As Colinas do Golã foram tomadas por Israel na Guerra de 1967, quando tinham grande importância estratégica como base para lançamento de ataques contra o Estado judaico. Com o desenvolvimento da tecnologia de mísseis, perderam importância.

Até agora, a política oficial dos EUA e do resto do mundo era que o futuro do território árabe ocupado deveria ser acertado em negociações de paz entre Israel e a Síria. Trump anunciou a mudança via Twitter na quinta-feira passada.

A anexação cria um precedente para outros territórios ocupados em guerras, como a Cisjordânia, cada vez mais tomada por colonos israelenses.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Israel mata milicianos do Estado Islâmico na fronteira

A Força Aérea de Israel matou em 1º de agosto sete milicianos da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante a 200 metros de sua fronteira com a Síria nas Colinas do Golã, um dos territórios ocupados na Guerra dos Seis Dias, em 1967. O Exército de Israel confirmou o ataque ontem.

Eram dez e meia da noite (14h30 em Brasília) quando caças-bombardeios israelenses bombardearam os milicianos da Brigada dos Mártires de Yarmouk.

Na versão oficial das Forças de Defesa de Israel, eles foram monitorados durante quilômetros e fulminados na fronteira tríplice entre Israel, a Síria e a Jordânia quando se preparavam para invadir o território israelense. Poderia ter sido um “incidente grave”.

Até hoje, não há registros de ataques diretos do Estado Islâmico a Israel, mas os militares israelenses sempre souberam que este dia chegaria. Com o fim do califado que proclamou nas regiões que dominava na Síria e no Iraque, o Estado Islâmico regride a grupo terrorista. Está menor e mais pobre. A maneira de se manter vivo é realizando atentados e ataques espetaculares.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Rússia faz acordo para manter Irã longe de Israel

A Rússia e Israel chegaram a um acordo para manter as forças do Irã que participam da guerra civil da Síria a pelo menos 85 quilômetros da fronteira israelense nas Colinas do Golã, anunciou o enviado especial russo para o conflito, citado pela agência oficial Sputnik. Israel exige uma retirada total.

“Como levamos em consideração as preocupações israelenses, conseguimos uma retirada das unidades iranianas para uma distância mínima de 85 km da fronteira com Israel”, declarou o enviado especial Alexander Lavrentiev. Ele afirmou que a preocupação israelense está diminuindo.

O primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu advertiu repetidas vezes que Israel não vai tolerar o estabelecimento de bases militares permanentes do Irã na Síria. No mês passado, Israel rejeitou uma oferta da Rússia para manter as tropas iranianas a pelo menos 100 quilômetros da fronteira israelense. Exigiu uma retirada total.

Com sua intervenção militar na guerra civil da Síria a partir de 30 de setembro de 2015 para apoiar o ditador amigo Bachar Assad, a Rússia voltou a ser uma grande potência no Oriente Médio e tem um papel central nas negociações para acabar com a guerra civil na Síria, que matou mais de 500 mil pessoas nos últimos sete anos e cinco meses.

terça-feira, 24 de julho de 2018

Israel derruba caça sírio que invadiu espaço aéreo israelense

Dois mísseis antiaéreos Patriota abateram um avião Sukhoi da Força Aérea da Síria que entrou dois quilômetros em território israelense. Um dos pilotos morreu.  A ditadura de Bachar Assad afirmou que atacava terroristas em seu território.

Foi o primeiro avião sírio derrubado por Israel desde 2014, quando outro Sukhoi de fabricação russa, foi derrubado. O Exército da Síria acusou Israel de apoiar “terroristas”, expressão que usa para todos os rebeldes que lutam contra a ditadura de Assad.

“Fizemos numerosas advertências por numeros canais em várias línguas para ter certeza de que ninguém viole o espaço aéreo de Israel nem ameace a soberania e civis israelenses”, declarou o tenente-coronel Jonathan Conricus, porta-voz militar de Israel.

A Força Aérea de Israel mantém contatos regulares com a Rússia, que domina o espaço aéreo da Síria desde que interveio na guerra civil do país em 30 de setembro de 2015 para evitar qualquer conflito com Moscou.

De acordo com militares israelenses, o avião sírio decolou na base aérea T-4, que já foi atacada por Israel por causa da presença de soldados iranianos, e voou em “alta velocidade” em direção às Colinas do Golã.

“Israel tem uma política muito clara: a nenhum avião, e certamente a nenhum avião sírio, é permitido entrar em nosso espaço aéreo sem a devida autorização”, afirmou Amos Yadlin, ex-diretor da inteligência militar israelense, à Rádio do Exército.

Em fevereiro, a Síria abatou um caça-bombardeiro F-15 que participava de um ataque aéreo contra uma base ligada ao Irã de onde saíra um drone iraniano que invadiu o espaço aéreo israelense. O piloto e o navegador saíram feridos.

Depois do abate do avião sírio hoje, o alarme antiaéreo soou em Israel nas Colinas do Golã e no Vale do Rio Jordão. Dois mísseis terra-terra disparados da Síria caíram em território sírio. Em 13 de julho, um míssi Patriota de Israel derrubou um drone vindo da Síria que penetrou 10 quilômetros em território israelense.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Israel intercepta foguete lançado da Síria nas Colinas do Golã

O alarme antiaéreo voltou a soar hoje nas Colinas do Golã. Israel interceptou mais um foguete vindo da Síria. O número crescente de ataques e contra-ataques indica uma escala da intervenção militar israelense na Síria, onde tenta impedir que o Irã instale bases militares permanentes perto de suas fronteiras.

Depois da morte de militares iranianos em bombardeios israelenses a bases sírias, em 10 de maio, o Irã e a Síria lançaram um ataque retaliatório contra Israel com pelo menos 20 foguetes. Em resposta, o governo israelense lançou forte contra-ataque. O ministro da Defesa ultradireitista, Avigdor Lieberman, declarou que "quase toda a infraestrutura iraniana na Síria" foi alvejada.

Israel e o Irã travam assim uma guerra limitada no meio da guerra civil síria. Em fevereiro, o sistema de defesa antiaérea israelense abateu um drone armado iraniano vindo da Síria. Foi a primeira vez que o regime fundamentalista iraniano atacou Israel diretamente. Fazia isso através de aliados como a milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) e o Movimento de Resistência Islâmica palestino (Hamas).

A Força Aérea de Israel contra-atacou a base de onde partiu o drone e lançou novos ataques a alvos iranianos. Em 29 de abril, um bombardeio a um quartel em Homs, no Centro da Síria, matou 26 militares sírios e iranianos. Em 8 de maio, foram pelo menos 15 mortes em ataques a bases situadas em Damasco e 42 no grande ataque da quinta-feira, 10 de maio.

Ao retirar os Estados Unidos do acordo nuclear negociado pelo Irã com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia), de certa forma, o presidente Donald Trump endossou a política de confrontação com o Irã do primeiro-ministro linha-dura israelense, Benjamin Netanyahu.

O risco de uma guerra direta entre Israel e o Irã é de uma conflagração generalizada no Oriente Médio, já que o Irã tem forte presença entre os xiitas no Iraque, na Síria e no Líbano, além de aliados extremistas sunitas como o Hamas.

Em caso de guerra, Israel poderia ter de lutar em três frentes, contra as forças iranianas na Síria, contra o Hamas na Faixa de Gaza, no Sul do país, e contra o Hesbolá no Norte, na fronteira com o Líbano.

domingo, 26 de novembro de 2017

Israel ameaça destruir posições do Exército do Irã perto de sua fronteira

O governo de Israel ameaça atacar instalações do Exército do Irã em território sírio até uma distância de 40 quilômetros da fronteira com Israel nas Colinas do Golã, revelou o jornal kuwaitiano Al Jarida ao falar sobre as negociações para acabar com a guerra civil na Síria.

Durante uma visita de surpresa na semana passada a Sóchi, na Rússia, o ditador sírio, Bachar Assad, enviou uma mensagem ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, através do presidente russo, Vladimir Putin.

A Síria aceita a criação de uma zona desmilitarizada de 40 km de largura do seu lado da fronteira nas Colinas do Golã dentro de um acordo de paz, desde que Israel concorde com a manutenção de Assad no poder, rejeitada pelos Estados Unidos e a União Europeia.

De acordo com a reportagem, Putin ligou para Netanyahu para apresentar a proposta síria. O primeiro-ministro israelense teria aceitado o acordo, mas fez uma ressalva: Israel vai continuar lutando para erradicar a presença militar do Irã e da milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) na Síria.

Israel acredita que Assad será o último presidente sírio da minoria alauíta, um ramo do xiismo. Com uma mudança no regime, a influência iraniana diminuiria. Para a República Islâmica do Irã, a aliança com a Síria e com o Iraque pós-Saddam, onde o poder passou para a maioria xiita, forma um arco xiita que permite projetar o poder do regime dos aiatolás até o Mar Mediterrâneo.

A Rússia também considera Assad um aliado importante. A base naval de Tartus era a única instalação militar russa no Oriente Médio e no Mar Mediterrâneo. Agora, Moscou tem também uma base aérea na Síria. A intervenção militar do Kremlin, a partir de 30 de setembro de 2015, foi fundamental para uma virada na guerra em favor do regime de Assad.

Durante a guerra civil na Síria, que matou cerca de 450 mil pessoas em seis anos e nove meses, Israel manteve relativa distância, mas respondeu a todos os ataques terrestres que atingiram seu território e invadiu o espaço aéreo sírio várias vezes para bombardear carregamentos e depósitos de armas que suspeitou serem para o Hesbolá.

Quando o regime sírio advertiu para as "repercussões perigosas" dos ataques israelenses, Netanyahu ameaçou bombardear o palácio presidencial, em Damasco.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Alto comando do Estado Islâmico foge para enclave perto de Israel

Com a destruição do califado no Norte da Síria e no Iraque, vários altos comandantes da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante se reagruparam no Sul da Síria, perto da fronteira de Israel nas Colinas do Golã, ocupadas na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e anexadas em 1981, noticiou o Canal 2 da televisão israelense.

O Estado Islâmico montou um centro de treinamento com cerca de 300 jovens recrutados entre a população local. Entre os comandantes, está Abu Hamam Jazrawi, um dos principais responsáveis pelo recrutamento de novos voluntários para a "guerra santa" e o martírio.

A base também está sendo usada para as campanhas de propaganda do Estado Islâmico na Internet, antes centralizadas em Rakka, na Síria, o capital do califado, praticamente tomada pelas Forças Democráticas Sírias (FDS), uma milícia árabe-curda financiada, armada e treinada pelos Estados Unidos.

Desde o início da guerra civil na Síria, em março de 2011, Israel promete impedir grupos extremistas muçulmanos de montar bases perto de suas fronteiras.

Em novembro do ano passado, o primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu reafirmou que "Israel não vai permitir que o Estado Islâmico ou qualquer outro inimigo, sob a cobertura da guerra na Síria, se estabeleça perto das nossas fronteiras."

Naquela época, houve o primeiro confronto direto entre o Estado Islâmico e as Forças de Defesa de Israel, uma troca de tiros ao longo das Colinas do Golã seguida de um bombardeio aéreo que matou quatro milicianos.

Duas milícias extremistas muçulmanas tem há anos bases na Síria perto da fronteira com Israel: o Exército de Khaled ibn al-Walid, ligado do Estado Islâmico; e Jabhat Fatah al-Sham (Frente de Combate do Levante), a antiga Frente al-Nusra, afiliada à rede terrorista al Caeda.

Apesar da relativa tolerância, Israel está atento. Respondeu a todos os ataques que extravazaram as fronteiras sírias durante a guerra civil. Está preparado para reagir a quaisquer ataques através das fronteiras.

sábado, 24 de junho de 2017

Israel mata duas pessoas em bombardeio aéreo à Síria

A Força Aérea de Israel atacou hoje tropas e tanques do Exército da Síria nas Colinas do Golã, depois que disparos de artilharia errantes atingiram o território israelense, anunciaram porta-vozes militares de Israel. O regime sírio acusou o ataque de dar cobertura aérea a uma ação de milícias extremistas muçulmanas.

Dois sírios morreram no ataque à cidade de Kuneitra, onde, na versão da ditadura de Bachar Assad, havia uma ação da Frente al-Nusra, ligada à rede terrorista Al Caeda, que mudou de nome para Frente de Luta do Levante, tentando se desvincular d'al Caeda. Foi o primeiro incidente envolvendo Israel na guerra civil da Síria desde abril.

"As Forças de Defesa de Israel não vão permitir nenhuma tentativa de atingir a soberania de Israel e a segurança de seu povo, e vê o regime sírio como responsável pelo que vem de seu território", declarou em nota o comando militar israelense.

Israel ocupou as Colinas do Golã, que pertenciam à Síria, na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e as anexou em 1981. Com o desenvolvimento de tecnologia de mísseis, elas perderam importância militar. Antes, poderiam ser usadas como base para ataques de artilharia contra o território israelense.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Israel derruba drone da Síria nas Colinas do Golã

Horas depois de uma explosão atribuída a um bombardeio israelense perto do aeroporto de Damasco, Israel abateu hoje um drone vindo da Síria na região das Colinas do Golã, um território árabe ocupado na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e anexado em 1981, informou o jornal liberal israelense Haaretz.

Um míssil de defesa Patriota interceptou uma aeronave não tripulada que invadiu o espaço aéreo israelense nas Colinas do Golã no fim da tarde de hoje, anunciaram as Forças de Defesa de Israel. Os moradores na cidade de Safed, no Norte de Israel, viram dois mísseis antiaéreos sendo disparados.

O ataque frustrado aconteceu horas depois de um bombardeio israelense à Síria. Na madrugada de hoje, noite de ontem no Brasil, Israel alvejou depósitos de armas e munições num complexo militar próximo do aeroporto da capital da Síria usado como ponto de apoio para milícias xiitas financiadas pelo Irã.

Desde o início da guerra civil síria, em março de 2017, Israel bombardeou a Síria várias vezes, supostamente para destruir carregamentos de armas e munições para a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus). O objetivo agora teria sido o mesmo.

domingo, 27 de novembro de 2016

Israel bombardeia Estado Islâmico na Síria

A Força Aérea de Israel bombardeou hoje pela primeira vez milicianos ligados à organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, matando pelo menos quatro combatentes da Brigada dos Mártires de Yarmouk, noticiou a agência Reuters.

Os milicianos, entrincheirados do lado sírio da fronteira, atacaram tropas israelenses que patrulhavam as Colinas do Golã, um dos territórios árabes ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967. No contra-ataque, Israel destruiu um conjunto de prédios usados como quartel pelo grupo.

Em mais de cinco anos e meio de guerra civil na Síria, poucas vezes Israel teve de responder a ataques lançados do outro lado da fronteira, mas houve casos de mísseis e bombas que erraram o alvo e acabaram em território israelense.

A maior preocupação de Israel na guerra civil da Síria é atacar as linhas de suprimento da milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus), um inimigo histórico que pode atacar Israel se sair fortalecida do conflito sírio.

sábado, 17 de setembro de 2016

Escudo antimísseis de Israel derruba foguete sírio

O Domo de Ferro, o escudo de defesa antimísseis de Israel, abateu hoje um foguete que saiu de rota durante a guerra civil da Síria e invadiu o espaço aéreo israelense na região das Colinas do Golã, ocupadas na Guerra dos Seis Dias, em 1967, noticiou a agência Reuters.

A Síria nunca assinou um acordo de paz com Israel. Financiava e armava grupos rebeldes palestinos, mas a fronteira entre os dois países permaneceu tranquila desde a Guerra do Yom Kippur, em 1973.

Houve vários incidentes nos cinco anos e meio de guerra civil na Síria. Agora, pela primeira vez, o Domo de Ferr foi acionado. As Forças de Defesa de Israel estacionaram várias baterias antiaéreas em várias regiões de fronteiras. Seu maior uso costuma ser contra foguetes disparados por militantes palestinos da Faixa de Gaza.

O sistema de defesa antimísseis israelense só é acionado quando há ameaça a regiões povoadas.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Israel bombardeia posições do Exército da Síria

As Forças de Defesa de Israel atacaram hoje duas posições do Exército da Síria depois que um foguete disparado do outro lado da fronteira atingiu o território israelense, informou a Agência France Presse (AFP).

Foi o segundo foguete a cair do lado israelense das Colinas do Golã, território ocupado por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, anexado unilateralmente em 1981 e reivindicado pela Síria.

O primeiro-ministro linha-dura israelense, Benjamin Netanyahu, alega que a Síria e o Irã querem abrir uma frente de luta contra Israel nas Colinas do Golã.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Bombardeio de Israel mata três pessoas na Síria

A Força Aérea de Israel atacou hoje um carro na zona rural do município de Kuneitra, no lado sírio das Colinas do Golã, matando três pessoas, reportou o jornal The Jerusalem Post.

Dois mortos pertenciam a uma milícia aliada à ditadura de Bachar Assad na guerra civil da Síria, noticiou a televisão Al Manar, da milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus), que atribuiu o ataque a um drone de Israel. O governo israelense não comentou.

Israel intervém esporadicamente na guerra civil da Síria. Várias vezes bombardeou carregamento de mísseis iranianos destinados ao Hesbolá. O governo israelense apoia a guerra aérea dos Estados Unidos contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, mas quer impedir a Turquia de tornar a Síria parte de sua esfera de influência.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Israel bombardeia base militar da Síria

Em resposta a um ataque de foguetes disparados da Síria, a artilharia de Israel bombardeou hoje um quartel do Exército sírio perto da fronteira entre os dois países. Como o ataque sírio pareceu intencional, as Forças de Defesa de Israel confirmaram mais tarde haver disparado 20 vezes contra alvos da ditadura de Bachar Assad.

Nove dias atrás, um bombardeio israelense contra o lado sírio das Colinas do Golã matou seis membros da milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) e um general iraniano, provocando ameaças de retaliação do Irã.

Quando começou a guerra civil na vizinha síria, em março de 2011, Israel esperou discretamente a queda de Assad, que no início lhe parecia inevitável. Diante do aumento do poder de grupos jihadistas como o Estado Islâmico do Iraque e do Levante e a Frente al-Nusra, braço da rede terrorista Al Caeda, Assad parece hoje, tanto para os Estados Unidos quanto para Israel, como o menor de todos os males.