Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Na penúltima hora, o presidente Donald Trump recuou da ameaça genocida de destruir a civilização iraniana. Com mediação do Paquistão e da China, os Estados Unidos e o Irã acertaram um cessar-fogo de duas semanas.
Os EUA param de bombardear o Irã, e o regime iraniano para de atacar os navios que atravessam o Estreito de Ormuz, por onde passavam 20% do petróleo consumido no mundo. As negociações para uma paz definitiva serão realizadas a partir de sábado no Paquistão.
"Toda uma civilização vai morrer nesta noite para nunca mais voltar. Não quero que isto aconteça, mas provavelmente vá. No entanto, agora que temos uma mudança de regime total e completa em que mentes diferentes, mais espertas e menos radicais prevalecem, talvez algo maravilhoso possa acontecer revolucionariamente. QUEM SABE? Vamos descobrir nesta noite, um dos momentos mais importantes da complexa história do mundo. 47 anos de extorsão, corrupção e morte vão acabar finalmente. Deus abençoe o grande povo do Irã˜, escreveu o presidente dos EUA na sua rede social na manhã de ontem. É uma declaração de genocídio.
Israel aceitou a trégua, mas declarou que não vale no Líbano, onde enfrenta milícia xiita Hesbolá (Partido de Deus).
Com a expectativa do fim da guerra que causou a pior crise energética da história, o preço do barril de petróleo do tipo Brent, padrão da Bolsa de Mercadorias de Londres, caiu para US$ 95, uma baixa de quase 13%. As principais bolsas de valores da Ásia abriram em alta.
O acordo, mediado pelo Paquistão com o apoio da Arábia Saudita, da China, do Egito e da Turquia, se baseia na proposta de 10 pontos apresentada pelo Irã. Apesar de massacrado por um bombardeio impiedoso dos EUA e de Israel, o regime iraniano sai vitorioso.
Mais linha-dura, mais radicalizado e mais determinado a fazer bomba atômica, mantém os programas nuclear, de mísseis e o apoio a milícias. Está vendendo mais petróleo a preços mais altos. Exige reparações e quer cobrar pela passagem pelo Estreito de Ormuz.
Perdem o presidente Donald Trump, que não atingiu nenhum de seus objetivos políticos, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que não conseguiu derrubar o regime iraniano e parece precisar de uma guerra eterna para se legitimar. Em outubro, terá de passar pelo teste das urnas em novas eleições. Trump será julgado nas urnas nas eleições intermediárias de 3 de novembro, quando deve perder a maioria na Câmara e talvez no Senado.
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Depois de um mês da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, o presidente Donald Trump está encurralado, sem uma saída fácil. Se negociar o fim do conflito, vai obter um acordo pior do que conseguiria antes da guerra. Se enviar forças terrestres, muitos soldados norte-americanos vão morrer e o preço do petróleo vai subir ainda mais antes das eleições parlamentares de 3 de novembro, quando deve perder a maioria na Câmara e talvez no Senado.
Trump adiou até 6 de abril o ultimato para o Irã reabrir o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo. Se o regime iraniano continuar impedindo a circulação de navios, ameaça destruir as centrais elétricas, as instalações de petróleo e as usinas de dessalinização de água do Irã. Se isto acontecer, os iranianos afirmam que todas as instalações de gás e petróleo do Oriente Médio serão alvos da retaliação, o que pode agravar a pior crise energética da história.
O presidente dos EUA têm interesse em sair logo da guerra, enquanto o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, quer uma guerra longa que desgaste o regime iraniano militar e economicamente para deixá-lo à beira de um colapso.
Com seu discurso errático, em um mês de guerra, Trump já cantou vitória várias vezes, mas alterna declarações de que as negociações estão bem encaminhadas com ameaças de intensificar a guerra e lançar uma operação terrestre. Nesta segunda-feira, admitiu que quer controlar o petróleo do Irã como fez na Venezuela.
Enquanto isso, a economia mundial corre o risco de estagflação e a inflação nos preços dos alimentos ameaça deixar mais 45 milhões de pessoas em fome extrema.
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Depois de 20 dias e mais de 15 mil ataques, a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã sofre uma nova escalada com bombardeios a instalações de petróleo e gás capazes de causar impacto sobre a economia mundial muito além do fim das hostilidades. A Agência Internacional de Energia declarou que é a pior crise energética da história.
É uma guerra ilegal porque não havia uma ameaça iminente aos EUA e não foi autorizada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.Mais de 3 mil pessoas morreram no Irã e mais de mil no Líbano, a segunda frente desta guerra, onde Israel enfrenta a milícia extremista xiita Hesbolá (Partido de Deus), financiada, treinada e armada pelo Irã. Mais de 70 pessoas morreram no Iraque e mais de 30 nas monarquias petroleiras do Golfo e 25 em Israel, além de 13 soldados norte-americanos.
Os EUA e Israel vencem militarmente, mas estão longe de atingir o principal objetivo político, derrubar a ditadura dos aiatolás e da Guarda Revolucionária. Se o regime sobreviver, ganhou politicamente.
Nos últimos dias, o presidente Donald Trump insultou aliados da Europa e o Japão por se negarem a garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo. Eles não foram consultados nem avisados. Não querem ser alvos fáceis em uma guerra que não apoiam.
Se o estreito ficar fechado por mais um mês, os preços do petróleo, que subiram mais de 80% neste ano, podem chegar a US$ 150 por barril ou até mais se o bloqueio iraniano se prolongar.
Uma derrota no Oriente Médio fatalmente levaria Trump a perder a maioria no Congresso nas eleições de 3 de novembro. Mau perdedor e enfraquecido, o presidente norte-americano pode abandonar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), retomar sua guerra comercial e até mesmo iniciar novas guerras ou aventuras militares.
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Depois de mais de 5 mil ataques em 10 dias, diante da disparada nos preços do petróleo, o presidente Donald Trump declarou hoje que a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã está "praticamente concluída". Mas a ditadura teocrática iraniana está determinada a resistir. Se sobreviver, terá ganho.
A eleição de Mojtaba Khamenei (foto), de 56 anos, para substituir o pai, morto no primeiro dia da guerra, como Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, é um sinal de endurecimento do regime, da rejeição à exigência de rendição total feita por Trump. O turbante preto significa que ele se apresenta como descendente direto do profeta Maomé.
O barril de petróleo chegou a US$ 119,50 nesta segunda-feira, a maior cotação em quase quatro anos. Recuou para menos de US$ 90 porque Trump acenou com a possibilidade de um fim rápido da guerra, "mas não nesta semana". Se o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo, continuar fechado, o banco Goldman Sachs prevê que o barril chegue a US$ 150. Seria a maior cotação nominal da história.
Ao mesmo tempo em que abala a economia mundial, o Irã ataca os países árabes onde há bases dos EUA para pressionar esses países a convencer Trump a parar com a guerra. Mas a expectativa é de um conflito prolongado. E sempre há o risco de terrorismo.
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Apesar das negociações em andamento dois dias atrás, Israel e os Estados Unidos lançaram hoje um ataque coordenado ao Irã, que reagiu bombardeando Israel e países árabes com bases militares norte-americanas. O presidente Donald Trump conclamou o povo iraniano a derrubar o regime fundamentalista, mas será difícil fazer isso sem uma operação terrestre.
A Operação Fúria Épica é a maior ofensiva militar no Oriente Médio desde a invasão do Iraque pelos EUA em março de 2003. O Crescente Vermelho, a Cruz Vermelha dos países muçulmanos, declarou que pelo menos 201 pessoas foram mortas e 747 feridas no Irã.
Pelo menos 35 mísseis balísticos foram disparados contra Israel. A resposta iraniana não se limitou a Israel e a bases militares norte-americanas. Atingiu áreas civis de países vizinhos como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Jordânia e Kuwait.
O Departamento da Defesa anunciou que os alvos foram bases militares, os líderes e o sistema de defesa do regime fundamentalista iraniano. Desde que Israel e os EUA bombardearam o Irã na Guerra dos Doze Dias, em junho do ano passado, o Supremo Líder Espiritual da Revolução Iraniana, aiatolá Ali Khamenei, teria indicado prováveis sucessores.
Em pronunciamento agora na televisão, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que chegou a hora de derrubar o regime, o que consolidaria a hegemonia israelense no Oriente Médio. Também anunciou a morte do Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei.
Mais tarde, o governo iraniano confirmou as mortes de Khamanei, do ministro da Defesa, general Aziz Nassirzadeh; do comandante do Estado-Maior das Forças Armadas, general Abdolrahim Mussavi; do comandante em chefe dos Guardiões da Revolução, general Mahammad Pakpur; e do almirante Ali Shamkhani, assessor do Líder Supremo e secretário do Conselho de Defesa.
Sem uma invasão terrestre, o sucesso da operação depende da capacidade de uma revolta interna derrubar a ditadura dos aiatolás. Trump prometeu nove vezes ajudar uma insurreição, mas palavras não bastam. No primeiro momento, o mais provável é que a Guarda Revolucionária Iraniana recomponha sua cadeia de comando e assuma o controle.
Uma onda de protestos deflagrada em 28 de dezembro no Grande Bazar de Teerã foi duramente reprimida pelo regime e suas milícias. O governo iraniano admitiu 3.117 mortes. A Agência de Notícias Ativistas dos Direitos Humanos (HRANA), com sede nos EUA, citada pelo jornal britânico The Guardian, afirma ter confirmado 6 mil mortes e estar investigando outras 16 mil. Uma estimativa baseada em relatos médicos eleva esse total 33 mil.
De modo geral, bombardeios aéreos não são suficientes para vencer guerras. Durante a Segunda Guerra Mundial, a blitz da Alemanha Nazista contra Londres fortaleceu a determinação dos britânicos. Na Guerra do Vietnã, os EUA bombardearam intensamente o Vietnã do Norte e perderam.
Uma exceção foi a Guerra do Kosovo, em 1999. Depois de 78 dias de ataques aéreos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a Sérvia abandonou o controle da província, mas o ditador Slobodan Milosevic só caiu em 5 de outubro de 2000 numa revolta popular contra fraude eleitoral.
Nos últimos dias, houve especulações sobre quais seriam os objetivos de uma ação militar dos EUA no Irã. Poderia ser uma demonstração de força para forçar o regime dos aiatolás a aceitar as condições impostas por Trump na mesa de negociações, uma nova tentativa de destruir o programa nuclear iraniano, ou de matar Khamenei numa estratégia de cortar cabeças e decapitar a liderança, ou de derrubar o regime. Sob pressão de Israel, Trump optou por acabar com o regime.
Em 14 de junho 2015, no governo Barack Obama, as cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha fecharam um acordo com o Irã para congelar por 10 anos a parte militar do programa nuclear iraniano, sob fiscalização da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Sob pressão de Israel, Trump retirou os EUA do acordo em 8 de maio de 2018.
No governo Joe Biden (2021-25), os EUA se propuseram a retomar as negociações, mas incluíram limitações ao programa de mísseis do Irã e o fim do apoio iraniano a milícias no Oriente Médio.
Agora, nas negociações realizadas até quinta-feira passada, Trump fazia as mesmas exigências de Biden. O Irã só aceitava discutir a questão nuclear, não os mísseis nem o apoio a milícias. Um nova rodada de negociações indiretas mediadas pelo Catar estava prevista para segunda-feira em Viena, a capital da Áustria, sede da AIEA. Como no ataque de junho passado, Trump usou a tática de enganar o inimigo ao sugerir que as negociações estavam em andamento.
A meta dos bombardeios é acabar com a Revolução Islâmica, que tomou o poder no Irã em fevereiro de 1979 após derrubar o xá Reza Pahlevi, um ditador aliado do Ocidente e de Israel. O xá estava no poder desde agosto de 1953, quando o primeiro golpe militar articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) durante a Guerra Fria derrubou o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh, que havia nacionalizado o petróleo, a grande riqueza natural do país.
Desde o início, os EUA (Grande Satã) e Israel (Pequeno Satã) foram declarados os principais inimigos do regime fundamentalista iraniano. Em 4 de novembro de 1979, guardas revolucionários invadiram a Embaixada dos EUA em Teerã e tomaram diplomatas e funcionários como reféns.
A ocupação da embaixada durou 444 dias, até a posse de Ronald Reagan, em 20 de janeiro de 1981. Só aí foram soltos os últimos 52 reféns. Os dois países não reataram as relações diplomáticas.
Nesta guerra, uma das ameaças de retaliação do Irã é fechar o Estreito de Ormuz, a saída do Golfo Pérsico, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo, inclusive da Arábia Saudita, maior exportador mundial, e das outras monarquias petroleiras da região. No momento, há petroleiros parados dos dois lados do estreito. O preço do barril de petróleo tipo Murban, de Abu Dhabi, subiu 4% para US$ 74,24.
Como os rebeldes hutis do Iêmen são aliados do Irã, também pode haver ataques a navios no Estreito de Bab al-Mandabe (Portão das Lágrimas, em árabe), que é a saída do Mar Vermelho para o Golfo de Áden e o Oceano Índico, como aconteceu durante a guerra na Faixa de Gaza.
A previsão é que não seja uma guerra curta como quer Trump. O poder de retaliação do Irã, mas o regime tem amplo controle de seu território e pode fechar o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo, e recorrer a ações terroristas no exterior. Ao longo de sua história, tem sido cruel com rebeldes e dissidentes.
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O vice-presidente James David Vance se encontrou hoje com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Amanhã, o secretário de Estado, Marco Rubio, chega a Israel. Os negociadores Steve Witkoff e Jared Kushner estão lá. É o esforço concentrado dos Estados Unidos para salvar o acordo proposto pelo presidente Donald Trump para acabar com a guerra na Faixa de Gaza e negociado também por Catar, Egito e Turquia.
Por enquanto, não há acordo de paz, apenas uma trégua frágil violada várias vezes desde que entrou em vigor em 10 de outubro.
Cerca de 100 palestinos foram mortos desde então. Há três dias, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) acusou Israel de 80 violações do cessar-fogo. Só em 19 de outubro, 44 palestinos teriam sido mortos. Ao todo, estima-se que mais de 67 mil palestinos morreram na guerra em Gaza.
Israel alega que o Hamas matou dois soldados e está executando adversários políticos numa tentativa de retomar o controle do território nas áreas de onde Israel se retirou. O Hamas se defendeu dizendo que os soldados foram mortos por uma patrulha que estava sem contato com o comando da organização.
Hoje, a Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas declarou que Israel, como força de ocupação, precisa facilitar imediatamente a entrada e a distribuição de ajuda humanitária e garantir que as necessidades básicas dos palestinos sejam atendidas.
Como força de ocupação, acrescenta o tribunal da ONU, Israel tem o "dever legal incondicional" de "concordar com e facilitar esquemas de ajuda" realizados pela ONU e por organizações humanitárias imparcial, inclusive a Agência da ONU para os Refugiados Palestinos, que Israel acusa de estar infiltrada pelo Hamas, e a Cruz Vermelha Internacional, que se chama Crescente Vermelho nos países muçulmanos.
O tribunal da ONU julga uma acusação de genocídio feita pela África do Sul contra Israel no fim de 2023. Aceitou a denúncia, mas não mandou parar a guerra, apenas recomendou expressamente que Israel proteja a população civil e permita a entrada de ajuda humanitária em quantidade suficiente, o que Israel não fez.
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Enquanto o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarava na Casa Branca que os palestinos que quiserem podem ficar na Faixa de Gaza, o ministro da Defesa, Israel Katz, anunciou ontem a intenção de concentrar a população palestina, de mais de 2 milhões de pessoas, numa zona na cidade de Rafá, junto à fronteira com Egito, dando-lhes a opção de sair do território.
Seria uma limpeza étnica, que pode ser enquadrada como crime de guerra ou crime contra a humanidade, depois do uso da fome como arma de guerra, o que caracteriza genocídio, como afirmou o historiador Omer Bartov, ex-soldado do Exército de Israel, hoje professor e especialista no Holocaustro da Universidade Brown, nos Estados Unidos em entrevista à televisão britânica BBC.
Sem dar maiores detalhes, o presidente Donald Trump afirmou que vários países do Oriente Médio estariam dispostos a receber palestinos, mas nada indica que os principais aliados árabes dos Estados Unidos – Egito, Jordânia e as monarquias petroleiras do Golfo Pérsico – concordem em esvaziar Gaza para fazer o jogo de Israel.
A grande questão no momento é como chegar a um cessar-fogo com o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) capaz de levar à libertação dos reféns israelenses e ao fim da guerra iniciada pelo grupo terrorista em 7 de outubro de 2023, quando cerca de 1,2 mil israelenses e estrangeiros foram mortos e mais de 250 sequestrados.
A grande dúvida é sobre o futuro de Gaza. Desde que Trump falou em transformar o território numa Riviera do Oriente Médio de propriedade dos EUA com empreendimentos imobiliários à beira-mar, em 5 de fevereiro, o governo de extrema direita de Israel dificultou ainda mais a ajuda humanitária. Usa a fome como arma de guerra, tornando a situação insuportável, o que é considerado genocídio nos termos da Convenção para Prevenção e Punição do Crime de Genocídio, para forçar a emigração dos palestinos. O jornal liberal israelense revelou em 27 de junho que os soldados têm ordem de atirar para matar quem está na fila da comida.
Depois de um ataque iraniano com seis mísseis balísticos sem maiores consequências à base aérea de Al Udeid (foto), em Doha, no Catar, a maior instalação militar dos Estados Unidos no Oriente Médio, o presidente Donald Trump anunciou uma trégua entre Israel e o Irã. A resposta revela a debilidade estratégica do regime teocrático iraniano.
Em tom triunfalista e hiperbólico, Trump declarou numa rede social às 18h em Washington (19h em Brasília) que é o fim da Guerra dos Doze Dias: "Esta é uma guerra que poderia durar anos e destruir o Oriente Médio inteiro, mas não destruiu e nunca vai."
O Catar intermediou a negociação com o Irã depois de alertar que tinha o direito de responder ao ataque a seu território. Trump disse que o Irã avisou antes. Depois do bombardeio que não feriu ninguém, descrito em Teerã como "arrasador e poderoso", o Irã mandou um recado aos EUA através do Catar para dizer que não haveria mais ataques. A Casa Branca respondeu que não faria novos bombardeios e retomaria as negociações para um acordo nuclear.
O Irã queria o cessar-fogo e confirmou logo. Israel estava bombardeando Teerã, relutou um pouco e se preparou para se defender de novas barragens de mísseis antes da trégua entrar em vigor.
Como a trégua elimina o risco imediato de ataques a instalações petrolíferas ou de fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam 21% do petróleo consumido no mundo, os preços do petróleo caíram em cerca de US$ 10 para os níveis anteriores ao ataque de Israel em 13 de junho, abaixo de US$ 70 por barril.
Hoje foram reveladas imagens de caminhões perto da central nuclear de Fordo, bombardeada pelos EUA, num sinal de que o Irã retirou o urânio enriquecido e talvez alguns equipamentos antes do ataque.
Na manhã desta terça-feira, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, acusou o Irã de violar o cessar-fogo. Trump reagiu furioso. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que "a guerra acabou".
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou: "Conquistamos uma vitória histórica que vai resistir ao teste do tempo. Removemos duas ameaças existenciais: a ameaça de aniquilação por bombas nucleares e e ameaça de aniquilação por 20 mil mísseis balísticos [o Irã tinha cerca de 3 mil antes da guerra]. (...) Os EUA se juntaram ao nosso lado de maneira sem precedentes e destruíram a instalação subterrânea de enriquecimento [de urânio] de Fordo."
A primeira avaliação da inteligência norte-americana é que as instalações nucleares bombardeadas na sexta-feira não foram totalmente destruídas e atrasaram o programa nuclear do Irã em poucos meses.
A doutrina militar de Israel visa impedir que países que ameaçam destruir Israel tenham a arma capaz de fazer isso, a bomba atômica. Mas bombardeios não vão acabar com o programa nuclear do Irã. Isto só é possível através de negociações ou da mudança de regime em Teerã. Como não acredita nessas negociações, o primeiro-ministro Israelense tem dois grandes objetivos nesta guerra: destruir o programa nuclear e mudar o regime fundamentalista iraniano, acabar com a República Islâmica.
Mesmo que Israel consiga destruir todas as instalações nucleares do Irã, o que é impossível, o conhecimento, o know-how para fazer a bomba, vai sobreviver e a determinação do regime iraniano de ter armas nucleares só tende a aumentar. Assim, a única garantia do fim da ameaça existencial a Israel seria um regime não hostil em Teerã.
O problema é que, ao contrário do que aconteceu na Síria, não há no Irã uma força armada de oposição à ditadura dos aiatolás. Só uma divisão nas Forças Armadas e uma guerra civil derrubariam o regime. E normalmente, bombardeios maciços costumam aumentar a coesão interna dos países alvejados.
Sem poder transportar seus um milhão de soldados para o território israelense, quais as opções de retaliação do Irã? As principais armas são 3 mil mísseis balísticos e drones. O Irã ameaça atacar alvos dos Estados Unidos e de países europeus que participem da defesa de Israel. Poderiam ser bases militares, embaixadas e consulados, o que colocaria esses países na guerra e também os países do Oriente Médio onde estão essas bases.
Outra opção seria fechar o Estreito de Ormuz, a saída do Golfo Pérsico, prejudicando as monarquias petroleiras árabes e grande importadores de petróleo como a China. Também pode atacar instalações de petróleo desses países árabes, o que imediatamente duplicaria os preços do petróleo. Por fim, resta o terrorismo contra alvos dos EUA, da Europa e contra judeus no mundo inteiro.
A Força Aérea de Israel (FAI) confirmou há pouco que está bombardeando o programa nuclear, fábricas e bases de lançamento de mísseis, defesas antiaéreas e comandantes militares do Irã. Foram seis ondas de ataque. Os alarmes antiaéreos soam em todo o Estado de Israel como advertência para a resposta iraniana. Todos os voos de e para Israel estão suspensos. O espaço aéreo está fechado. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu está reunido com o gabinete de guerra. Os preços do barril de petróleo subiram quase 9% para cerca de US$ 75.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, descreveu o ataque como "preemptivo", para evitar que o Irã faça a bomba atômica. A Operação Leão se Levanta deve durar vários dias. No final, "não haverá ameaça nuclear" do Irã, declararam oficiais militares de Israel. "Temos uma oportunidade estratégica. Chegamos a um ponto sem volta e não tínhamos escolha a não ser agir agora."
Em nota oficial, as Forças de Defesa de Israel (FDI) anunciaram o início de "um ataque preemptivo e preciso" contra o Irã "com o objetivo de destruir o programa nuclear iraniano e em resposta à contínua agressão do regime iraniano contra Israel". Em meia hora, teriam destruído as defesas antiaéreas iranianas.
"Dezenas de aviões da Força Aérea de Israel completaram recentemente o golpe inicial, que incluiu dezenas de ataques contra alvos militares, inclusive locais ligados ao programa nuclear em várias regiões do Irã", acrescentou a nota. "O público deve seguir as instruções do Comando da Frente Interna das FDI ... e agir com calma e responsabilidade. As FDI e as autoridade relevantes estão preparadas para uma variada gama de hipóteses defensivas e ofensivas que podem ser necessárias."
"Há anos", continua a declaração, "o regime iraniano trava uma campanha direta e indireta de terror contra o Estado de Israel, financiando e dirigindo atividades terroristas através de seus aliados no Oriente Médio, enquanto avança para obter armas nucleares. O regime iraniano é a cabeça do eixo responsável por todos os ataques terroristas contra Israel desde o início da guerra", afirma o comando militar israelense.
"O regime iraniano proclama que seu objetivo é destruir o Estado de Israel. Altos funcionários do regime iraniano declararam a intenção de destruir Israel e operam neste sentido com seus aliados no Oriente Médio. Hoje, o Irã está mais perto do que nunca de obter uma arma nuclear. Armas de destruição em massa nas mãos do regime iraniano são uma ameaça existencial ao Estado de Israel e ao resto do mundo. O Estado de Israel não vai permitir que um regime cujo objetivo é destruir Israel obtenha armas nucleares", concluiu a nota.
Israel alega que o Irã tem urânio enriquecido para fabricar nove armas nucleares. Um dos principais alvos foi a Central Nuclear de Natanz, principal instalação de enriquecimento de urânio do Irã. O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Mohammad Bagheri, o comandante da Guarda Revolucionária Iraniana, o braço armado da ditadura dos aiatolás, general Hossein Salami, o comandante da Defesa Aérea, general Ghulam Ali Rashid, e dez cientistas nucleares iranianos, entre eles Fereydoun Abbasi-Davani e Mohammad Mehdi Tehranchi, foram mortos.
Em pronunciamento na televisão, o primeiro-ministro Netanyahu agradeceu o apoio dos Estados Unidos, mas o presidente Donald Trump avisou que não participaria do ataque, o que foi confirmado há pouco pelo secretário de Estado, Marco Rubio. Para tentar aliciar iranianos que são contra o regime, Netanyahu disse: "Nossa luta não é contra vocês. Nossa luta é contra a ditadura brutal que oprime vocês há 46 anos. Acredito que o dia da sua libertação está próximo. Quando isto acontecer, a grande amizade entre nossos povos vai voltar a florescer".
O xá Mohamed Reza Pahlevi, derrubado pela Revolução Islâmica em fevereiro de 1979, era aliado de Israel.
Na primeira reação oficial do Irã, o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, ameaçou com uma "punição severa": Israel vai enfrentar "um destino amargo e o doloroso", declarou o ditador iraniano através da Agência de Notícias República Islâmica (IRNA).
Israel "abriu sua mão cruel e manchada de sangue para cometer um crime contra nosso amado país, revelando mais do que nunca sua natureza perversa ao atacar áreas residenciais. Com este crime, o regime sionista "traçou para si um destino amargo e doloroso que definitivamente vai ter."
No ano passado, o Irã bombardeou Israel diretamente pela primeira vez e fez isso duas vezes. Israel contra-atacou destruindo as defesas antiaéreas iranianas, numa preparação ao ataque desta noite.
Ontem, o Irã ameaçou atacar as bases militares dos EUA, que tem 40 a 45 mil soldados no Oriente Médio num total de 64 instalações militares. Rubio advertiu a não fazer isso, sob pena de retaliação, e hoje declarou que os EUA não participaram dos bombardeios. Mas certamente vão participar da defesa de Israel quando o Irã responder. O secretário de Estado disse que a prioridade é proteger os militares norte-americanos.
Neste fim de semana, os EUA e o Irã fariam a sexta rodada de negociações para tentar desarmar o programa nuclear iraniano. Até agora, não havia avanços porque o governo Trump exigia o fim do processamento de urânio pela República Islâmica. Israel era contra a negociação, que hoje perdeu o sentido.
A questão agora é qual será a capacidade de retaliação do regime iraniano, que certamente está mais decidido do que nunca a fazer a bomba atômica. Israel afirma que não quer mudança de regime, mas como o Irã já desenvolveu a tecnologia só uma mudança de regime garantiria a segurança de Israel.
O Irã tem hoje 610 mil soldados nas Forças Armadas, 190 mil na Guarda Revolucionária, 350 mil reservistas e 90 mil membros da milícia Basij, que faz o jogo sujo do regime internamente, e mais de 3 mil mísseis. Mas não conseguir direito de passagem pelos países vizinhos para chegar a Israel por terra.
A Rússia rejeitou a proposta de trégua do presidente Donald Trump, e Israel voltou a bombardear a Faixa de Gaza e retomou a operação terrestre na guerra contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que contra-atacou com foguetes. Mais de 400 pessoas morreram em Gaza. As Forças Armadas de Israel abateram um míssil dos hutis do Iêmen.
São duas guerras que Trump prometeu acabar durante a campanha e afirmou que nem teriam começado se ele fosse o presidente. Antes de tomar posse, Trump conseguiu pressionar o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a aceitar uma proposta de trégua para troca de reféns israelenses por prisioneiros palestinos feita pelo governo Joe Biden em maio do ano passado. Mas as negociações para a segunda fase do acordo, que previam a libertação de todos os reféns e o fim da guerra fracassaram.
Diante do triunfalismo do Hamas nas cerimônias de troca de reféns por presos, mostrando determinação de continuar sendo uma força dominante na Faixa de Gaza, Netanyahu decidiu reiniciar a guerra para atingir o objetivo de destruir a máquina militar do Hamas.
Já o ditador russo, Vladimir Putin, para não admitir que rejeitou totalmente a proposta de Trump, prometeu parar os ataques contra a infraestrutura de energia da Ucrânia, mas nem isso fez. Putin quer conquistar nas negociações o que não conseguiu no campo de batalha. Confia em manipular Trump, que acredita ser capaz de conquistar um ex-agente da polícia política da União Soviética numa relação pessoal.
Em mais uma declaração surpreendente, criminosa e explosiva, capaz de incendiar o Oriente Médio, o presidente Donald Trump declarou hoje que os Estados Unidos vão ocupar a Faixa de Gaza e expulsar todos os palestinos do território. O direito internacional proíbe a guerra de conquista e a limpeza étnica.
Ao lado do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, o primeiro líder estrangeiro a visita a Casa Branca no novo governo, Trump alegou que Gaza virou um lugar inabitável e promoveu fazer do território palestina uma Riviera do Oriente Médio.
A Arábia Saudita repudiou a proposta e condicionou o estabelecimento de relações com Israel à criação de um Estado palestino. O Egito e a Jordânia, aliados dos EUA para onde Trump quer mandar os palestinos, que fizeram a paz com Israel no século passado, também rejeitaram a ideia. Certamente haveria revolta das massas árabes, uma ameaça para os governos desses três países.
A remoção forçada dos palestinos reavivaria a memória da Nakba (catástrofe), como os árabes chamam a fundação de Israel, e o fracasso dos EUA ao tentar reconstruir as nações do Afeganistão e do Iraque, invadidos no início do século.
Com a proposta estapafúrdia, Trump fortalece a determinação do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) de lutar por seus território, bombardeia a trégua em andamento, desestabiliza regimes aliados e reforça a ideia de que Israel é um enclave colonial plantado no Oriente Médio para resolver um problema gerado pelo Holocausto, a tentativa da Alemanha Nazista de exterminar os judeus da Europa na Segunda Guerra Mundial.
Ao retomar o expansionismo militar, querer anexar a Groenlândia, retomar o Canal do Panamá, transformar o Canadá no 51º estado dos EUA e agora ocupar Gaza, Trump legitimita as ambições imperiais do ditador russo, Vladimir Putin, de controlar os países da antiga União Soviética e do ditador chinês, Xi Jinping, de reintegrar Taiwan à força. Cria um mundo mais instável, mais perigoso e mais distante da paz num momento em que volta o risco de uma guerra nuclear entre as grandes potências.
Depois de um ano e três meses ou 467 dias de guerra, os Estados Unidos e o Catar anunciaram hoje um acordo para um cessar-fogo e troca de reféns israelenses por prisioneiros palestinos na guerra entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).
Pode ser o fim da mais longa guerra árabe-israelense, que começou em 7 de outubro de 2023 com o ataque terrorista do Hamas, o pior contra judeus desde o Holocausto cometido pela Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-45).
A primeira etapa do acordo começa no domingo, com a libertação de três reféns. O cessar-fogo ainda não começou. Desde o anúncio, pelo menos 73 palestinos foram mortos. A trégua deve durar seis semanas. Neste período, serão soltos 33 reféns em troca de mais de mil prisioneiros palestinos, dos quais pelo menos 250 são considerados terroristas e acusados de crimes de sangue. Israel se retira das áreas urbanas
No 16º dia, começam as negociações sobre a segunda etapa, que prevê um cessar-fogo definitivo e a retirada total de Israel em troca de todos os outros reféns vivos, todos homens, a serem trocados por prisioneiros palestinos. Na terceira etapa, o Hamas entrega os corpos dos reféns mortos e começa a reconstrução da Faixa de Gaza.
Esse plano de paz foi apresentado em 31 de maio pelo presidente dos EUA, Joe Biden, com base numa proposta de Israel. Em 10 de junho, foi aprovado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas com a Resolução nº 2735. Até agora, não se concretizava porque o Hamas exigia o fim da guerra e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, queria continuar a guerra. Mas não resistiu à pressão do presidente eleito, Donald Trump, que toma posse na segunda-feira e não quis herdar uma guerra no Oriente Médio.
A questão central é qual será o futuro de Gaza. Biden, os aliados europeus dos EUA e de Israel, os países árabes e o chamado Sul Global defendem a criação de um Estado palestino para acabar com a guerra árabe-israelense. Netanyahu passou toda a carreira política lutando contra isso. Trump tentou ignorar a questão palestina no primeiro governo, mas gosta de posar como herói. Tem uma oportunidade.NOTA: Na manhã desta quinta-feira, o primeiro-ministro Netanyahu acusou o Hamas de rejeitar alguns pontos do acordo e fazer novas exigências, e cancelou a reunião do gabinete de segurança do governo israelense para aprovar o acordo, que precisa mesmo da aprovação do Parlamento, onde vários deputados de oposição devem votar a favor de um acordo para libertar os reféns e acabar com a guerra. O Hamas reiterou que vai cumprir tudo o que foi acertado e anunciado pelos mediadores, EUA, Egito e Catar.
Israel atingiu um de seus objetivos na guerra. Matou os três principais líderes do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas): o líder político, Ismail Haniya; o comandante militar, Mohamed Deif; e agora o líder na Faixa de Gaza, Yahya Sinwar, principal responsável pelo ataque terrorista de 7 de outubro de 2023, morte anunciada hoje.
É uma oportunidade para Israel declarar vitória e retomar as negociações para cessar-fogo e trocar reféns israelenses por presos palestinos, mas o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu insiste em continuar a guerra, a não ser que o Hamas se renda.
O chefe de governo de Israel festejou a morte como uma "vitória do bem contra o mal" e o fim do domínio do Hamas sobre Gaza. Ele afirmou que os milicianos que ainda mantêm reféns israelenses têm uma chance de libertá-los para salvar suas vidas. E acrescentou que a libertação dos reféns tornaria o fim da guerra mais próximo: "Esta guerra pode acabar amanhã, se o Hamas depuser as armas e entregar os reféns."
Sinwar foi morto na quarta-feira durante uma patrulha de rotina que viu suspeitos entrando num edifício, o bombardeou com tanques e fez uma inspeção com drones que localizaram o terrorista, mas sua identidade só foi descoberta no dia seguinte.
Nos Estados Unidos, o presidente Joe Biden, que há meses tenta negociar uma trégua para troca de reféns por presos, declarou que é um "bom dia" para Israel para os EUA e para o mundo, e uma oportunidade para um acordo de paz definitivo que dê "um futuro melhor a israelenses e palestinos": "É hora de acabar com a guerra e de trazer os reféns de volta para casa", disse Biden.
O presidente da França, Emmanuel Macron, também pediu um cessar-fogo em Gaza e o fim da ofensiva de Israel no Líbano, uma antiga colônia francesa.
A proposta defendida pelos EUA e países árabes aliados prevê uma trégua para a libertação dos reféns em troca de garantias de vida para os milicianos que os entregarem e do reinício das negociações no Cairo para acabar com a guerra.
No dia mais violento no Líbano desde a Guerra Civil (1975-90), Israel bombardeou mais de 1,6 mil alvos, matou pelo menos 558 pessoas e feriu outras 1.645, deixando o país à beira de uma guerra total capaz de conflagrar ainda mais o Oriente Médio.
Israel e a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) se enfrentavam regularmente. Este conflito se intensificou desde 8 de outubro do ano passado, um dia depois do ataque terrorista do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) a Israel, em que cerca de 1,2 mil israelenses e estrangeiros foram mortos e 257 sequestrados.
Desde então, o Hesbolá aumentou o nível das escaramuças diárias com Israel em solidariedade ao Hamas.
No início da guerra, o ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, queria enfrentar também o Hesbolá, mas o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu duvidou da capacidade de Israel combater em duas frentes ao mesmo tempo. A prioridade era derrotar o Hamas.
Com quase um ano de guerra, mais de 40 mil palestinos foram mortos, de acordo com o Hamas, e a Faixa de Gaza está em ruínas. Mas Israel não atingiu seus objetivos: não destruiu a máquina militar do Hamas, que teria perdido cerca da metade de seus 30 mil milicianos, não conseguiu libertar os reféns e o Hamas ainda é a força política dominante entre os palestinos de Gaza e está mais forte na Cisjordânia, onde há um conflito de baixa intensidade agravado pela guerra em Gaza.
A campanha militar de Israel tem fortes indícios de crimes de guerra ao não discriminar combatentes de civis, usar a fome como arma de guerra e pela remoção forçada de palestinos.
O Tribunal Internacional de Justiça das Nações Unidas examina uma denúncia de genocídio apresentada pela África do Sul e o procurador-geral Tribunal Penal Internacional pediu a prisão do primeiro-ministro e do ministro da Defesa de Israel, além de três dirigentes do Hamas: o líder político, Ismail Haniya; o comandante militar, Mohammed Deif; e o líder em Gaza, Yahya Sinwar, considerado o mentor do ataque terrorista. Haniya e Deif foram mortos por Israel, o primeiro em Teerã, quando assistia a posse do novo presidente iraniano.
Há meses, os Estados Unidos, o Egito e o Catar tentam mediar uma trégua para troca de reféns por prisioneiros palestinos detidos em Israel, mas o Hamas exige um cessar-fogo permanente e Netanyahu quer continuar a guerra. Sabe que no fim do conflito seu governo de extrema direita vai cair porque não foi capaz de proteger o país do ataque terrorista de 7 de outubro e que terá de responder a três processos por corrupção que podem levá-lo para a cadeia.
Netanyahu tem interesse em prorrogar a guerra para evitar a queda de seu governo de extrema direita e tentar ajudar a eleger o aliado Donald Trump, apesar do risco de uma conflagração geral no Oriente Médio com uma guerra total contra o Hesbolá, com invasão terrestre do Líbano.
Se Israel conseguir matar o líder do Hamas em Gaza, Yahya Sinwar, considerado o principal responsável pelo ataque, talvez Netanyahu declare vitória sobre o Hamas. Mas a situação no Líbano é cada vez mais explosiva. Agravou-se na semana passada, quando pagers e walkie-talkies usados para comunicação membros do Hesbolá explodiram na segunda e na terça-feira, matando pelo menos 37 pessoas e ferindo outras 3 mil.
Em Nova York, onde participa da reunião anual da Assembleia Geral da ONU, o presidente do Irã, Massoud Pezeshkian, acusou Israel de buscar uma "guerra total".
O Irã é o grande patrocinador do Hesbolá, uma força auxiliar que pretende usar numa possível guerra contra Israel. Portanto, tenta preservar a milícia xiita, que 130 mil homens armados, muitos com experiência na guerra civil na Síria, foguetes, mísseis e drones fornecidos pelo Irã. É a milícia mais poderosa do mundo, mais poderosa do que o Exército do Líbano.
Num dos processos mais sensíveis desde a criação do Tribunal Penal Internacional (TPI), o procurador-geral, o jurista britânico Karim Khan, pediu na segunda-feira a prisão dois líderes de Israel e três do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) por crimes de guerra cometidos durante o ataque terrorista de 7 de outubro a Israel e a guerra subsequente na Faixa de Gaza. A decisão de três juízas deve sair em duas a três semanas, mas pode demorar meses.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, são acusados de crimes contra humanidade por extermínio, assassinato, perseguições e outros atos desumanos e de crimes de guerra por morte de civis, atentado à integridade física e mental, tratamento cruel, ataques intencionais contra civis e por submeter a população palestina à fome.
A palavra extermínio tem peso especial porque é o que caracteriza o crime de genocídio, que está sendo discutido no Tribunal Internacional de Justiça das Nações Unidas a pedido da África do Sul e de outros países.
Os líderes do Hamas, o chefe na Faixa de Gaza, Yahya Sinwar, considerado o principal mentor do ataque de 7 de outubro, o comandante militar, Mohammed Deif, e o mais alto dirigente político do grupo, Ismail Haniya, são denunciados por crimes de guerra e contra a humanidade por extermínio, assassinato, sequestro, tortura, tratamento cruel, atentado à dignidade da pessoa humana, violações e violência sexual de pessoas em cativeiro.
Israel não aderiu ao Estatuto de Roma. Não é um país-membro do TPI. Os Estados Unidos, a China, a Rússia e o Catar, onde vive a liderança do Hamas, também não. Grandes potências não submetem seus cidadãos a jurisdição de tribunais internacionais. Mas a Palestina faz parte. Da mesma forma, o sequestro e deportação de crianças ucranianas que justifica o pedido de prisão do ditador russo, Vladimir Putin, em março do ano passado, aconteceu em território ucraniano e a Ucrânia é um país-membro do TPI.
A ordem de prisão era esperada há semanas. A expectativa é que incluísse o comandante das Forças Armadas de Israel, general Herzi Halevi. O procurador Karim Khan avisou que pode haver novas denúncias.
Netanyahu protestou contra "um ultraje de proporções históricas" ao ser equiparado a um grupo terrorista, atribuiu o pedido de prisão "ao fogo do antissemitismo que se alastra pelo mundo" e prometeu continuar a guerra até a vitória toral. Mas o jornal liberal israelense Haaretz observa que o pedido do procurador "cria uma equivalência jurídica e moral".
Os EUA e a Alemanha defenderam Israel. O presidente Joe Biden afirmou que "não há equivalência entre Israel e o Hamas" e que "a guerra em Gaza não é genocídio". O secretário de Estado, Antony Blinken, expressou a "total rejeição" dos EUA à decisão e advertiu que "pode prejudicar as negociações de cessar-fogo", o que é um exagero porque os dois lados foram denunciados. A França apoiou a "independência do tribunal" na "luta contra a impunidade".
Sempre se colocando na posição de vítima, o Hamas "condena firmemente" a decisão do procurador por "igualar a vítima ao agressor".
Khan se baseou em depoimentos dos sobreviventes e declarações dos acusados. Em 9 de outubro, o ministro da Defesa de Israel anunciou "um cerco total a Gaza", deixando o território palestino sem energia elétrica, água e comida e bloquear a entrada de ajuda humanitária. "Nós combatemos animais humanos", declarou na época Gallant.
A advogada Amal Clooney, mulher do ator George Clooney, fez parte da equipe que revisou as acusações do procurador-geral para ver se estão de acordo com os estatutos do tribunal. Ela comentou que "a lei que protege civis na guerra foi desenvolvida há mais de 100 anos e se aplica a todos conflitos do mundo independentemente da razão dos conflitos."
"Como advogada defensora dos direitos humanos, não posso aceitar que uma criança valha mais do que outra", acrescentou Ms Clooney. "Não aceito que nenhum conflito esteja fora do alcance da lei nem que qualquer agressor esteja acima da lei."
No passado, além de Putin, o tribunal pediu a prisão do ditador do Sudão Omar Bachir pelo Genocídio de Darfur e do ditador da Líbia Muamar Kadafi.
O caso, em princípio, não altera a realidade no campo de batalha, a não ser que Israel se contenha para mostrar que não comete os crimes imputados. Mas vai aumentar a pressão nos EUA e na Europa contra a venda de armas a Israel.
Em resposta ao bombardeio ao Consulado Iraniano em Damasco, na Síria, em 1º de abril, o Irã disparou neste sábado mais de 300 drones, mísseis balísticos e mísseis de cruzeiro contra o território israelense. As Forças de Defesa de Israel afirmaram que 99% foram abatidos. Só há notícia de uma pessoa gravemente ferida, uma criança de 7 anos.
É o primeiro ataque direto do território iraniano contra Israel. Pode transformar a guerra indireta entre os dois países que vem desde a Revolução Islâmica no Irã em 1979 numa guerra aberta capaz de atrair os Estados Unidos e levar a uma conflagração geral no Oriente Médio com forte impacto sobre a economia mundial.
Nem os EUA nem o Irã tem interesse numa guerra direta que abalaria as chances de reeleição do presidente Joe Biden e colocaria um risco a ditadura teocrática dos aiatolás e da Guarda Revolucionária Iraniana.
A missão do Irã nas Nações Unidas anunciou o fim do ataque na noite de ontem pelo horário de Brasília, mas, com certeza, Israel vai retaliar. O objetivo é restaurar a dissuasão e evitar novos ataques. Os possíveis alvos são milícias aliadas ao Irã no Líbano, na Síria, no Iraque e no Iêmen e o território iraniano
O governo israelense decide neste domingo sua próxima ação. Como o território de Israel foi atacado, o novo ataque tende a incluir o território iraniano. Se for maximalista, ataca as instalações nucleares do Irã, já que uma bomba atômica iraniana é considerada hoje a maior ameaça à existência de Israel. Mesmo que não seja, há o risco de uma escalada no conflito rumo a uma guerra que possivelmente envolveria os EUA.
Depois de seis meses de um dos conflitos mais violentos do século 21, com quase 35 mil mortes, Israel não conseguiu atingir nenhum de seus objetivos políticos e a guerra corre o risco de se ampliar por causa do bombardeio israelense ao Consulado do Irã em Damasco, na Síria, que matou sete membros da Guarda Revolucionária Iraniana, entre eles quatro generais, um deles o comandante do braço da guarda para ações no exterior.
As negociações para uma trégua e nova troca de reféns por presos estão estagnadas. Os Estados Unidos e Israel estão em alerta máximo à espera de uma retaliação do Irã, que pode vir com ataques de drones e mísseis ou atentados terroristas cometidos por milícias aliadas.
Além da ameaça de uma guerra com o Irã e as 60 milícias sustentadas pela ditadura teocráticas dos aiatolás, Israel está no maior afastamento dos Estados Unidos, seu principal aliado, em toda sua história. Na quinta-feira, o presidente Joe Biden e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tiveram o diálogo mais duro desde o início da guerra.
A estratégia israelense na luta contra o grupo terrorista Movimento de Resistência (Hamas) é de terra arrasada. De acordo com levantamento do jornal francês Le Monde, cerca de 60% dos hospitais, das escolas, das universidades e dos locais de culto na Faixa de Gaza foram totalmente destruídas ou danificadas.
Depois de quase seis meses de guerra entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) na Faixa de Gaza, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou finalmente a primeira resolução pedindo um cessar-fogo imediato e duradouro, a libertação imediata e incondicional dos reféns e o aumento da ajuda humanitária.
A grande novidade foi que desta vez os Estados Unidos não vetaram, como haviam feito com três projetos de resolução anteriores, isolando Israel num recado ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que suspendeu o envio de uma delegação a Washington.
Aumenta o fosso entre os governos Joe Biden e Netanyahu. O presidente dos EUA está insatisfeito com o grande número de civis inocentes mortos, a destruição da infraestrutura de Gaza e as restrições de Israel à entrada de ajuda humanitária.
Depois de vetar três projetos de resolução desde o início da guerra, os Estados Unidos apresentaram uma proposta a ser votada hoje pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas determinando "um cessar-fogo imediato e sustentado", para proteger os civis, permitir a entrada de ajuda humanitária apoiar a libertação dos reféns. A Rússia sempre pode vetar, mas ficaria com o ônus de impedir a trégua.
A mudança de posição do presidente Joe Biden reflete crescentes divergências com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Há semanas, os EUA pedem proteção a civis inocentes, mais ajuda humanitária e uma trégua que deveria entrar em vigor em 10 de março para facilitar a libertação dos reféns sequestrados no ataque terrorista de 7 de outubro. As negociações para uma trégua foram retomadas hoje no Catar.
O risco para Israel é de um isolamento internacional ainda maior. Biden quer o fim da guerra e negociações para criar um país para o povo palestino. Netanyahu quer prolongar a guerra, enfraquecer Biden para ajudar o ex-presidente Donald Trump e adiar sua queda inevitável.
NOTA: A China e a Rússia vetaram a resolução proposta pelos EUA. O embaixador russo alegou que era muito politizada e não impedia Israel de realizar uma invasão terrestre da cidade de Rafá.