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quarta-feira, 22 de outubro de 2025

EUA tentam manter acordo para acabar com guerra em Gaza

O vice-presidente James David Vance se encontrou hoje com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Amanhã, o secretário de Estado, Marco Rubio, chega a Israel. Os negociadores Steve Witkoff e Jared Kushner estão lá. É o esforço concentrado dos Estados Unidos para salvar o acordo proposto pelo presidente Donald Trump para acabar com a guerra na Faixa de Gaza e negociado também por Catar, Egito e Turquia.

Por enquanto, não há acordo de paz, apenas uma trégua frágil violada várias vezes desde que entrou em vigor em 10 de outubro. 

Cerca de 100 palestinos foram mortos desde então. Há três dias, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) acusou Israel de 80 violações do cessar-fogo. Só em 19 de outubro, 44 palestinos teriam sido mortos. Ao todo, estima-se que mais de 67 mil palestinos morreram na guerra em Gaza.

Israel alega que o Hamas matou dois soldados e está executando adversários políticos numa tentativa de retomar o controle do território nas áreas de onde Israel se retirou. O Hamas se defendeu dizendo que os soldados foram mortos por uma patrulha que estava sem contato com o comando da organização.

Hoje, a Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas declarou que Israel, como força de ocupação, precisa facilitar imediatamente a entrada e a distribuição de ajuda humanitária e garantir que as necessidades básicas dos palestinos sejam atendidas. 

Como força de ocupação, acrescenta o tribunal da ONU, Israel tem o "dever legal incondicional" de "concordar com e facilitar esquemas de ajuda" realizados pela ONU e por organizações humanitárias imparcial, inclusive a Agência da ONU para os Refugiados Palestinos, que Israel acusa de estar infiltrada pelo Hamas, e a Cruz Vermelha Internacional, que se chama Crescente Vermelho nos países muçulmanos.

O tribunal da ONU julga uma acusação de genocídio feita pela África do Sul contra Israel no fim de 2023. Aceitou a denúncia, mas não mandou parar a guerra, apenas recomendou expressamente que Israel proteja a população civil e permita a entrada de ajuda humanitária em quantidade suficiente, o que Israel não fez.


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quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Israel e Hamas chegam a acordo com trégua e troca de reféns

Depois de um ano e três meses ou 467 dias de guerra, os Estados Unidos e o Catar anunciaram hoje um acordo para um cessar-fogo e troca de reféns israelenses por prisioneiros palestinos na guerra entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).

Pode ser o fim da mais longa guerra árabe-israelense, que começou em 7 de outubro de 2023 com o ataque terrorista do Hamas, o pior contra judeus desde o Holocausto cometido pela Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-45).

A primeira etapa do acordo começa no domingo, com a libertação de três reféns. O cessar-fogo ainda não começou. Desde o anúncio, pelo menos 73 palestinos foram mortos. A trégua deve durar seis semanas. Neste período, serão soltos 33 reféns em troca de mais de mil prisioneiros palestinos, dos quais pelo menos 250 são considerados terroristas e acusados de crimes de sangue. Israel se retira das áreas urbanas

No 16º dia, começam as negociações sobre a segunda etapa, que prevê um cessar-fogo definitivo e a retirada total de Israel em troca de todos os outros reféns vivos, todos homens, a serem trocados por prisioneiros palestinos. Na terceira etapa, o Hamas entrega os corpos dos reféns mortos e começa a reconstrução da Faixa de Gaza.

Esse plano de paz foi apresentado em 31 de maio pelo presidente dos EUA, Joe Biden, com base numa proposta de Israel. Em 10 de junho, foi aprovado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas com a Resolução nº 2735. Até agora, não se concretizava porque o Hamas exigia o fim da guerra e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, queria continuar a guerra. Mas não resistiu à pressão do presidente eleito, Donald Trump, que toma posse na segunda-feira e não quis herdar uma guerra no Oriente Médio.

A questão central é qual será o futuro de Gaza. Biden, os aliados europeus dos EUA e de Israel, os países árabes e o chamado Sul Global defendem a criação de um Estado palestino para acabar com a guerra árabe-israelense. Netanyahu passou toda a carreira política lutando contra isso. Trump tentou ignorar a questão palestina no primeiro governo, mas gosta de posar como herói. Tem uma oportunidade.
NOTA: Na manhã desta quinta-feira, o primeiro-ministro Netanyahu acusou o Hamas de rejeitar alguns pontos do acordo e fazer novas exigências, e cancelou a reunião do gabinete de segurança do governo israelense para aprovar o acordo, que precisa mesmo da aprovação do Parlamento, onde vários deputados de oposição devem votar a favor de um acordo para libertar os reféns e acabar com a guerra. O Hamas reiterou que vai cumprir tudo o que foi acertado e anunciado pelos mediadores, EUA, Egito e Catar.

terça-feira, 26 de março de 2024

ONU aprova resolução que prevê cessar-fogo na Faixa de Gaza

 Depois de quase seis meses de guerra entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) na Faixa de Gaza, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou finalmente a primeira resolução pedindo um cessar-fogo imediato e duradouro, a libertação imediata e incondicional dos reféns e o aumento da ajuda humanitária.

A grande novidade foi que desta vez os Estados Unidos não vetaram, como haviam feito com três projetos de resolução anteriores, isolando Israel num recado ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que suspendeu o envio de uma delegação a Washington.

Aumenta o fosso entre os governos Joe Biden e Netanyahu. O presidente dos EUA está insatisfeito com o grande número de civis inocentes mortos, a destruição da infraestrutura de Gaza e as restrições de Israel à entrada de ajuda humanitária.

sexta-feira, 22 de março de 2024

Conselho de Segurança vota proposta de cessar-fogo dos EUA

Depois de vetar três projetos de resolução desde o início da guerra, os Estados Unidos apresentaram uma proposta a ser votada hoje pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas determinando "um cessar-fogo imediato e sustentado", para proteger os civis, permitir a entrada de ajuda humanitária apoiar a libertação dos reféns. A Rússia sempre pode vetar, mas ficaria com o ônus de impedir a trégua.

A mudança de posição do presidente Joe Biden reflete crescentes divergências com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Há semanas, os EUA pedem proteção a civis inocentes, mais ajuda humanitária e uma trégua que deveria entrar em vigor em 10 de março para facilitar a libertação dos reféns sequestrados no ataque terrorista de 7 de outubro. As negociações para uma trégua foram retomadas hoje no Catar.

O risco para Israel é de um isolamento internacional ainda maior. Biden quer o fim da guerra e negociações para criar um país para o povo palestino. Netanyahu quer prolongar a guerra, enfraquecer Biden para ajudar o ex-presidente Donald Trump e adiar sua queda inevitável.

NOTA: A China e a Rússia vetaram a resolução proposta pelos EUA. O embaixador russo alegou que era muito politizada e não impedia Israel de realizar uma invasão terrestre da cidade de Rafá.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

EUA articulam resolução da ONU para cessar fogo em Gaza

Depois de vetar duas propostas, os Estados Unidos apresentam hoje ao Conselho de Segurança das Nações Unidas uma resolução para pedir um cessar-fogo temporário e imediato na Faixa de Gaza, a libertação de todos os reféns e o fim das barreiras à ajuda humanitária, noticiou o jornal The New York Times. Uma trégua pode ser o início do fim da guerra.

A Corte Internacional de Justiça da ONU começou a examinar na segunda-feira, a pedido da Assembleia Geral, a legalidade da ocupação israelense da Faixa de Gaza e da Cisjordânia. Em seis dias de audiências, 51 países e três organizações internacionais, um recorde na história do tribunal, vão apresentar seus argumentos. A decisão final deve demorar meses e não será de cumprimento obrigatório.

Na abertura dos trabalhos, o ministro do Exterior da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Riyad al-Maliki, acusou Israel de colonialismo e aparheid. Um advogado alegou que a ocupação é o melhor obstáculo à solução com dois países, Israel e Palestina, convivendo em paz.

Israel rejeita a legitimidade do caso, que descreve como uma tentativa dos palestinos de impor um acordo de paz sem negociações diretas. Um professor israelense prevê que.a defesa do país alegue necessidade de segurança porque não há um acordo de paz e Israel está sujeito a ataques como em 7 de outubro, quando 1.139 israelenses e estrangeiros foram mortos e 257 sequestrados.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Dez países se aliam contra ataques no Mar Vermelho

Durante visita a Israel, o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Llyod Austin, anunciou hoje a formação de uma coalizão internacional para combater os ataques no Mar Vermelho da milícia huti, apoiada pelo Irã. Participam os EUA, o Bahrein, o Canadá, a Espanha, a França, a Holanda, as Ilhas Seicheles, a Noruega e os Países Baixos.

Os hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã, atacaram na segunda-feira mais dois navios no Mar Vermelho. A companhia de petróleo BP é mais uma grande empresa que suspendeu o tráfego marítimo na região.

As forças israelenses bombardearam mais 150 alvos em 24 horas e encontraram US$ 1,35 milhão na casa de um alto dirigente do Hamas em Jabalia.

O Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), principal responsável pelo ataque terrorista que matou mais de 1,2 mil pessoas em Israel e sequestrou cerca de 250, lamentou a morte de mais 20 palestinos num bombardeio israelense a Rafá, no Sul da Faixa de Gaza, e atualizou o número de palestinos mortos em Gaza para 19.453.

O Catar, que representa o Hamas nas negociações para trégua e troca de reféns por presos, anunciou que o esforço diplomático está em andamento.

A organização não governamental Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos) acusou Israel de usar a fome como arma, o que é crime de guerra. O governo israelense acusou o grupo de antissemita e anti-israelense.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas adiou para terça-feira a votação de um projeto de resolução pedindo um cessar-fogo imediato por razões humanitárias para permitir a entrada de ajuda de emergência à população civil palestina. Meu comentário:

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Petro reata com Venezuela e anuncia cessar-fogo na Colômbia

 O novo presidente da Colômbia, Gustavo Petro, anunciou sábado, durante visita ao Departamento de Antióquia, uma trégua multilateral com os grupos guerrilheiros em atividade no país, noticiou hoje o jornal El Tiempo.

Em curto prazo, o esforço para pacificar o país vai aumentar a segurança e reduzir o risco de ataques nas zonais rurais. Mas não há garantia de sucesso. Qualquer acordo de paz vai depender da aprovação do Congresso e da adesão dos guerrilheiros.

Primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia, Petro prometeu na campanha a “paz total”, o fim de uma guerra civil que matou cerca de 500 mil pessoas desde 1948. 

O Exército de Libertação Nacional (ELN), hoje o maior grupo armado do país, enviou uma delegação de alto nível para Havana, a capital de Cuba, sede das negociações, e libertou dois grupos de reféns. O governo suspendeu as ordens de prisão dos líderes da guerrilha para que possam entrar contato com sua organização.

A bancada do Pacto Histórico, a coalizão de governo, apresentou ao Congresso um projeto para encaminhar as negociações. A proposta prevê a suspensão dos mandados de prisão e extradição dos comandantes de grupos armados que negociem a paz, inclusive dos chefões dos cartéis do tráfico de drogas. Autoriza governadores e prefeitos a participar de diálogos regionais com os rebeldes. E tenta assegurar que futuros governo mantenham as negociações.

O governo Juan Manuel Santos (2010-18) negociou a paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que abandonaram a luta armada em 2017, mas seu sucessor, Iván Duque, sabotou o processo de paz. Cerca de um terço dos guerrilheiros das FARC voltou à guerra.

Nesta segunda-feira, o embaixador colombiano Armando Benedetti apresentou credencias ao ministro do Exterior da Venezuela, Carlos Farías, e foi recebido pelo ditador Nicolás Maduro no Palácio de Miraflores, em Caracas, selando o reatamento entre os dois países, rompidos desde 23 de fevereiro de 2019, outra promessa de Petro.

Durante, a campanha, Petro, que foi ativista político do grupo guerrilheiro M-19, foi acusado de querer impor um regime como o venezuelano. Ele era amigo e admirador de Hugo Chávez, mas se tornou um crítico do regime chavista. Afirmou que “um pequeno grupo de pessoas se locupletando da renda do petróleo não pode-se chamar de revolução”. Petro é ecologista.

O restabelecimento de relações com a Venezuela ajuda o processo de paz colombiano porque os grupos armados costumam se refugiar no país vizinho.

quinta-feira, 20 de maio de 2021

Israel e o Hamas anunciam cessar-fogo

 Depois de 11 dias de combate, Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) chegaram a um acordo para cessar as hostilidades a partir das 2 horas da madrugada de sexta-feira (20h de hoje em Brasília). Pelo menos 232 palestinos e 12 israelenses morreram no pior conflito entre as duas partes desde 2014.

A trégua é "incondicional", anunciou o escritório do primeiro-ministro linha-dura de Israel, Benjamin Netanyahu, que estava sob pressão do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, para cessar fogo. Enquanto não houver um acordo de paz definitivo, com a criação de uma pátria para o povo palestino, será uma trégua apenas temporária.

Desde segunda-feira da semana passada, o Hamas e a Jihad Islâmica para a Libertação da Palestina dispararam mais de 4 mil foguetes contra o território israelense. Israel respondeu com intenso bombardeio aéreo e terrestre. O Egito realizou a mediação entre os dois lados e propôs um cessar-fogo "mútuo" e "sem precondições".

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Egito negocia cessar-fogo entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza

O Egito negociou uma trégua entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) depois da maior batalha entre foguetes disparados da Faixa de Gaza e contra-ataques da Força Aérea israelense desde a guerra de 2014, noticiou o jornal libanês The Daily Star.

A trégua restaura o cessar-fogo acertado em 2014 e leva a calma a uma fronteira tensa, onde pelo menos 116 palestinos foram mortos ao atacar a cerca erguida por Israel nas Marchas do Retorno, realizadas todas as sextas-feiras desde 30 de março. Os dois lados recuaram para evitar um conflito capaz de degenerar em guerra aberta.

Em Jerusalém, o primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu voltou a advertir o Hamas a não desafiar Israel.

As manifestações protestam contra a expulsão de centenas de milhares de palestinos de suas casas e terras quando da criação do Estado de Israel, há 70 anos, e reivindicam o direito de retorno, que numa negociação de paz poderia ser resolvido com compensações financeiras.

Como o Hamas organiza os protestos, Israel vê uma manobra para lhe negar a legitimidade e o direito de existir. Os soldados israelenses reagiram a bala às tentativas de atacar a cerca na fronteira com Gaza.

Força Aérea de Israel faz 30 ataques retaliatórios na Faixa de Gaza

No momento de maior hostilidade desde a guerra de 2014, a Força Aérea de Israel bombardeou ontem 30 alvos do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e da milícia Jihad Islâmica para a Libertação da Palestina, depois do disparo de barragens de foguetes da Faixa de Gaza contra o território israelense. O ataque destruiu um túnel clandestino construído para invadir Israel.

A primeira barragem, com 28 morteiros, jogou uma bomba no quintal de um jardim de infância de uma localidade israelense próxima à fronteira com Gaza. Os ataques continuaram durante o dia, com os alarmes antiaéreos de Israel soando dezenas de vezes ao longo do dia. Cinco israelenses foram feridos.

Pouco antes da meia-noite pela hora local (18h em Brasília), jornalistas árabes anunciaram um acordo entre Israel, o Hamas e a Jihad Islâmica para restaurar o cessar-fogo acertado no fim da guerra de 2014, quando 73 israelenses e mais de 2,2 mil palestinos foram mortos.

Os Estados Unidos pediram a convocação de uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas para "discutir os últimos ataques do Hamas e outros grupos militantes contra Israel a partir da Faixa de Gaza".

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Colômbia espera negociar cessar-fogo com ELN em 27 de maio

O governo da Colômbia pretende negociar em 27 de maio uma trégua com o Exército de Libertação Nacional (ELN), maior grupo guerrilheiro do país depois do acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), noticiou ontem o jornal colombiano El Heraldo. No mesmo dia, será realizado o primeiro turno da eleição presidencial.

A primeira rodada da nova fase de negociações começou nesta semana em Cuba, depois de uma suspensão porque o ELN voltou a atacar e o Equador deixou o papel de mediador.

O governo Juan Manuel Santos iniciou o diálogo direto com o ELN em 7 de fevereiro de 2017, em Quito, e rompeu as negociações em 29 de janeiro de 2018, depois de ataques da guerrilha em que sete policiais foram mortos.

Em fevereiro deste ano, o ELN declarou uma trégua eleitoral nas primeiras eleições em que as FARC participaram como partido político, indicando a vontade de retomar as negociações. O governo quer agora uma medida concreta, um cessar-fogo de longo prazo para permitir negociações sem a ameaça de ações armadas.

sábado, 30 de setembro de 2017

Líder do ELN ordena cessar-fogo a partir da meia-noite

Todos os guerrilheiros do Exército de Libertação Nacional (ELN), segundo maior grupo rebelde da Colômbia, receberam ordens de cessar fogo a partir da meia-noite deste sábado pela hora local, 2h da madrugada de domingo em Brasília.

A mensagem foi transmitida diretamente pelo comandante Nicolás Rodríguez Bautista, mais conhecido como Gabino, na sexta-feira à noite, através de uma das rádios rebeldes do grupo. É consequência de uma trégua anunciada em 4 de setembro por negociadores do governo colombiano e do ELN. Deve durar de 1º de outubro de 2017 a 12 de janeiro de 2018.

 "Não tenho dúvida da nossa lealdade ao cumprir este compromisso", declarou Gabino, ressaltando que todo o alto comando do ELN apoia o acordo bilateral de cessar-fogo com o governo Juan Manuel Santos. A trégua, acrescentou, trará "um alívio humanitário significativo para a população colombiana, especialmente para os pobres e moradores de zonas de conflito."

Depois do acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que está na fase de desmobilização dos guerrilheiros e desarmamento, o presidente Santos negocia a paz com o segundo maior grupo armado colombiano dentro de sua estratégia de pacificação.

A guerrilha já entendeu que a luta armada não faz mais sentido. Resta acertar os termos de sua integração à sociedade civil como partido político. As FARC tinham 7 mil homens em armas. O ELN tem cerca de 1,5 mil.

domingo, 20 de novembro de 2016

Esperança de cessar-fogo no Iêmen se esvai

A visita de dois dias do secretário de Estado americano, John Kerry, a Omã na semana passada gerou uma esperança de trégua na guerra civil do Iêmen, o país mais pobre do Oriente Médio, em caos desde a Primavera Árabe. Foi em vão.

O grupo do presidente deposto Abed Rabbo Mansur Hadi, apoiado pela Arábia Saudita e monarquias petroleiras aliados, está profundamente dividido e os combates contra os rebeldes hutis, xiitas zaiditas financiados pelo Irã.

Depois de horas de encontro com os rebeldes, Kerry anunciou um acordo para cessar fogo e iniciar um diálogo para formar um governo de reconciliação nacional. Mas a tentativa de iniciar a trégua à meia-noite de 17 de novembro fracassou.

De acordo com o ministro do Exterior do governo no exílio, Abdulmalik al Mekhlafi, não houve acordo nem planos de abrir um diálogo para formar um governo de união nacional. Na visão do governo, seria uma cessão de poder sem garantias de que os hutis entregariam as armas e os territórios conquistados.

O governo deposto também questiona a legitimidade do Conselho Político Supremo formado pelos hutis e o ex-presidente Ali Abdullah Saleh. Depois de quatro meses de protestos em 2011, Saleh renunciou. Estava no poder há 32 anos.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Síria declara fim do cessar-fogo e volta a bombardear Alepo

A ditadura de Bachar Assad anunciou hoje o fim da trégua negociada pelos Estados Unidos e a Rússia na guerra civil da Síria e voltou a bombardear áreas dominadas por rebeldes na cidade de Alepo, noticiou a agência Associated Press (AP). Um comboio com ajuda humanitária foi atingido. Doze pessoas morreram.

Em declaração oficial, as Forças Armadas da Síria acusaram "grupos terroristas armados" de repetidas violações do cessar-fogo em vigor há uma semana. Os rebeldes denunciaram violações cometidas pelo regime sírio e as Nações Unidas responsabilizaram a ditadura por bloquear a distribuição de ajuda humanitária a áreas sitiadas sob controle rebelde.

Se a trégua durasse uma semana, os EUA e a Rússia levariam adiante a próxima etapa de um plano de paz, passando a coordenar operações militares contra as organizações terroristas Estado Islâmico do Iraque e do Levante e Al Caeda.

O passo seguinte seria negociar um acordo de paz com um período de transição até a realização de eleições. Sob pressão da Rússia, os EUA aceitaram que Assad permaneça no poder durante a transição e se candidate na próxima eleição presidencial, o que é inaceitável para os rebeldes.

Sem a saída do ditador, o maior terrorista na guerra civil, não haverá paz na Síria.

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Total de mortos na guerra civil da Síria passa de 300 mil, diz ONG

Mais de 300 mil pessoas foram mortas em cinco anos e meio de guerra civil na Síria, estimou hoje o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), uma organização não governamental com sede em Londres que monitora o conflito. O cessar-fogo em vigor desde o pôr-do-sol da ontem parece estar sendo respeitado.

A estimativa é conservadora e se baseia em notícias e informações coletadas no terreno. Em 23 de abril de 2016, o enviado especial das Nações Unidas e da Liga Árabe para medir a paz na Síria, Staffan de Mistura, falou em 400 mil mortos.

Pelos dados do OSDH, cerca de 9 mil pessoas foram mortas desde 8 de agosto, quando o balanço estava em 292.817 mortes confirmadas. Em 12 de setembro, o total chegou a 301.781, sendo 86.692 civis, entre eles 15.099 crianças.

Entre os rebeldes, morreram 52.359 combatentes. Também foram mortos 52.031 jihadistas ligados às organizações terroristas Al Caeda e Estado Islâmico do Iraque e do Levante. A ditadura de Bachar Assad perdeu 107.054 homens, sendo 59.006 soldados. Outras 3.645 não foram identificados.

O cessar-fogo negociado pelos Estados Unidos e a Rússia deve durar uma semana. Seu objetivo é permitir a ajuda humanitária e criar condições para o reinício das negociações de paz. O Estado Islâmico e a Frente de Luta do Levante (Jabhat Fatah al-Cham) estão excluídos da trégua.

domingo, 11 de setembro de 2016

Bombardeios matam 90 pessoas antes da trégua na Síria

Pelo menos 90 pessoas foram mortas ontem e hoje em bombardeios aéreos das Forças Aéreas da Rússia e da Síria contra áreas dominadas por rebeldes, antes do início de um cessar-fogo na guerra civil síria previsto para começar ao pôr-do-sol desta segunda-feira.

Em Alepo, pelo menos 18 civis foram mortos. O maior ataque foi no sábado a um mercado público em Idlibe, uma cidade em poder dos rebeldes, onde mais de 60 pessoas morreram. Entre os mortos, há pelo menos 13 mulheres e 13 crianças.

O cessar-fogo de uma semana visa a permitir o acesso de ajuda humanitária a áreas sitiadas, facilitar o combate dos Estados Unidos e da Rússia, mediadores do acordo, às organizações terroristas Estado Islâmico do Iraque e do Levante e Frente de Luta no Levante, que estão excluídas da trégua, e preparar o ambiente para o reinício das negociações de paz.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Comandante das FARC ordena cessar-fogo definitivo a partir de hoje

Daqui a uma hora e meia, à meia-noite deste domingo pelo horário colombiano, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) iniciam um cessar-fogo definitivo ordenado por seu comandante supremo, Rodrigo Londoño Echeverri, mais conhecido pelos nomes de guerra Timoleón Jiménez ou Timochenko. 

"Ordeno a todos os nossos comandos, a todas as unidades, a todos e a cada um de nossos e nossas combatentes a cessar fogo e as hostilidades de maneira definitiva contra o Estado colombiano a partir das 24 horas da noite de hoje", declarou Timochenko a jornalistas em Havana.

Depois de quatro anos de negociações em Cuba, um acordo foi anunciado na semana passada para pôr fim a 52 anos de luta armada para tentar impor um regime comunista. O acordo de paz deve ser assinado dentro de um mês na Colômbia por Timochenko e o presidente Juan Manuel Santos.

Em 2 de outubro, o acordo com as FARC será submetido a um referendo para obter a aprovação popular. Cerca de 60% dos colombianos são a favor do acordo, mas o resultado pode ser apertado porque o ex-presidente Álvaro Uribe, de quem Santos era ministro da Defesa, é contra a anistia parcial aos guerrilheiros.

O pai de Uribe foi sequestrado e morto. Durante o governo Uribe, as Forças Armadas da Colômbia obtiveram grandes vitórias na guerra contra as FARC, levando o grupo a negociar com Santos numa posição de clara inferioridade no campo de batalha depois de tentativas fracassadas nos governos Ernesto Samper e Andrés Pastrana.

Com as centenas de milhões de dólares que ganhavam com o tráfico de drogas, os guerrilheiros não viam razão para abandonar as armas e se integrar à sociedade. Ainda havia o precedente da União Patriótica, fundada em 1985 por ex-guerrilheiros, que teve mais de mil candidatos assassinados, inclusive à Presidência da Colômbia.

A paz com as FARC praticamente encerra uma guerra civil iniciada com o assassinato, em 9 de abril de 1948, do candidato liberal à Presidência da Colômbia, Jorge Eliécer Gaitán, que deflagrou uma explosão de violência, o Bogotaço. Mais de 2 mil pessoas foram mortas em 24 horas.

Era o início de um período de uma década na história da Colômbia conhecido como La Violencia, em que 200 a 300 mil. Naquela época, as oposições liberal e de esquerda foram para a clandestinidade. Nesta clima de violência política histórica, sem espaço para uma oposição de esquerda, as FARC nasceram em 1964 como braço armado do Partido Comunista Colombiano, de orientação soviética.

Com o declínio do comunismo como ideologia do financiamento da União Soviética, extinta em 1991, as FARC se reinventaram como um grupo narcoguerrilheiro, passando a traficar drogas para se financiar como historicamente faziam os grupos paramilitares de direita que combatiam os guerrilheiros de esquerda nas zonas rurais.

Mais 220 mil pessoas foram mortas e outras 90 mil desapareceram na guerra civil deflagrada pelas FARC. Cerca de 6,9 milhões fugiram de casa. Ao todo, desde 1948, o total de mortos na guerra civil colombiana é estimado entre 500 e 600 mil pessoas.

Resta ainda o Exército de Libertação Nacional (ELN), um grupo guerrilheiro marxista cristão, que resiste, mas não tem alternativa. Ao anunciar seu acordo de paz, as FARC aconselharam o ELN a fazer o mesmo. O governo teme que o grupo tente recrutar guerrilheiros e ocupar áreas que estavam em poder das FARC.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Vice-presidente retira tropas da capital do Sudão do Sul

Depois de um fim de semana sangrento, com mais de 300 mortes, o vice-presidente Riek Machar retirou suas forças de Juba, a capital do país mais jovem do mundo, o Sudão do Sul, criado em 2011, no fim de uma longa guerra civil no antigo Sudão, noticiou a agência Reuters.

O cessar-fogo acertado em agosto de 2015 foi reinstaurado depois dos violentos conflitos do fim de semana entre facções leais ao presidente Salva Kiir Mayardit e o vice. As tropas de Machar devem ficar fora da capital até a trégua ser consolidada.

A explosão do último fim de semana acontece num país arrasado, com a economia deprimida pela queda nos preços internacionais do petróleo. Não há recursos para sustentar uma guerra civil, mas o acordo de paz foi seriamente abalado pelos combates dos últimos dias.

domingo, 10 de julho de 2016

Dezenas de pessoas morrem em Alepo horas antes do fim da trégua

Pelo menos 43 pessoas, inclusive 12 crianças, foram mortas por bombas na cidade de Alepo, na Síria, no fim de uma trégua de três dias que acabou à meia-noite de sexta-feira, revelou ontem o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, que monitora a guerra civil no país.

Mais de 200 pessoas saíram feridas, muitas em estado crítico. Pelo menos 34 mortes ocorreram em áreas dominadas pela ditadura de Bachar Assad. Nove pessoas morreram em ataques do regime sírio a regiões controladas por rebeldes, entre elas uma menina recém nascida.

O governo Assad noticiou que 30 civis foram mortos e 140 feridos em bombardeios com foguetes do que chamou de "grupos terroristas" contra áreas residenciais de Alepo, que era a capital econômica da Síria antes do início da guerra civil, em março de 2011. O regime sírio chama todos os rebeldes de "terroristas" para lhes negar qualquer legitimidade.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Colômbia e FARC anunciam o fim da guerra

Depois de 52 anos de guerra civil, o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) anunciaram hoje um acordo de cessar-fogo definitivo a ser assinado amanhã dentro das negociações realizadas há quatro em Havana, a capital de Cuba.

Além do fim definitivo das hostilidades, o acordo prevê a concentração dos guerrilheiros em 26 a 30 zonas especiais para entrega das armas e desmobilização. Não são zonas de negociação, são lugares de passagem, de trânsito para os guerrilheiros voltarem à vida civil.

O presidente Juan Manuel Santos espera assinar o acordo de paz em 20 de julho de 2016.

As negociações têm amplo apoio internacional. O governo colombiano também abriu o diálogo pela paz com o Exército de Libertação Nacional (ELN), o segundo maior grupo guerrilheiro do país, até mesmo para evitar que os rebeldes das FARC simplesmente mudem de grupo.

Cerca de 220 mil pessoas foram mortas desde 1964, quando as FARC entraram na guerra civil colombiana como braço armado do Partido Comunista. Outras 45 mil desapareceram e 6,9 milhões fugiram de casa.

Desde o assassinato do candidato liberal à Presidência da Colômbia Jorge Eliécer Gaitán, em 9 de abril de 1948, mais de 500 mil pessoas foram mortas pela violência política no país. Esta é a primeira expectativa concreta de paz em décadas.