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segunda-feira, 4 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 4 de Maio

 CONSTRUÇÃO DO CANAL DO PANAMÁ

    Em 1905, os Estados Unidos iniciam a segunda tentativa de abrir um canal entre os oceanos Atlântico e Pacífico no Istmo do Panamá, depois do fracasso que companhia francesa que construiu o Canal de Suez.

O sonho de construir um canal através do Istmo do Panamá vem desde 1534, quando Carlos V, rei da Espanha e imperador do Sacro Império Romano-Germânico, fala na ideia. Em 14 de agosto de 1843, o Banco Barings, de Londres, fecha contrato com a República de Nova Granada para abrir um canal no Istmo da Darién (Panamá). Mas o projeto nunca sai do papel.

Em 1846, os EUA negociam com Nova Granada o direito de trânsito e intervenção militar no istmo. Quatro anos depois, começam a construção da Ferrovia do Panamá.

A obra é tentada para valer por Ferdinand de Lesseps, o construtor do Canal de Suez. Ele obtém permissão da Colômbia em 1878. O trabalho se inicia em 1880, mas o terreno, relevo e clima criam desafios formidáveis. Chuvas torrenciais, desmoronamentos e a alta incidência de doenças tropicais como malária e febre amarela levam a empresa à falência.

O presidente Theodore Roosevelt, considerado o pai do imperialismo norte-americano, decide concluir a obra. Em 1903, os EUA fecham o Tratado Hey-Herran, mas o Senado da Colômbia não o ratifica. Com a Colômbia fragilizada depois da Guerra dos Mil Dias (1899-1902), os EUA intervêm militarmente e promovem a independência do Panamá.

A construção termina em 10 de outubro de 1913, quando o presidente norte-americano Woodrow Wilson detona uma carga de dinamite para desobstruir o último obstáculo. A inauguração do canal de 82 quilômetros acontece em 14 de agosto de 1914.

Em 1977, o presidente Jimmy Carter faz um acordo com o ditador Omar Torrijos para devolver o canal ao Panamá em 1999, o que traz grande prosperidade do país.

Nos primeiros 100 anos, mais de 820 mil navios passaram pelo Canal do Panamá.

Desde que tomou posse para um segundo mandato, o presidente Donald Trump fala em retomar o controle do canal pelos EUA.

MOVIMENTO QUATRO DE MAIO

    Em 1919, manifestações de estudantes contra a decisão do Tratado de Versalhes de entregar ao Japão territórios chineses em Shandong antes ocupados pela Alemanha marcam o início de um movimento político e cultural anti-imperialista. O Partido Comunista da China, fundado em 1921, é filho do Movimento Quatro de Maio.

A China era o Império do Meio ou do Centro, o centro do mundo na Ásia desde sua unificação, em 221 antes de Cristo. O Império Chinês entra em declínio com a derrota para o Império Britânico nas Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60) e para o Japão na Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95), que acaba com a ordem sino-cêntrica e torna o Japão o país mais poderoso do Leste da Ásia. A China perde também a Guerra dos Boxers (1899-1901), uma luta anti-imperialista.

A Revolução Xinhai derruba o império em 1911. O início da era republicana é turbulento. A China é um dos países mais pobres do mundo, com renda média por pessoa de 100 dólares por ano. O interior do país é dominado por senhores da guerra. 

Nos anos 1920, começa uma guerra civil entre os comunistas e os nacionalistas do Kuomintang (KMT), liderado por Chiang Kai-shek, que é interrompida pela Segunda Guerra Mundial (1939-45) e recomeça depois da guerra até a vitória dos partidários de Mao Tsé-tung em 1º de outubro de 1949.

Com as reformas de Deng Xiaoping, a China passa pelo maior e mais rápido desenvolvimento econômico da história. Hoje é a segunda maior economia do mundo e disputa a liderança global com os Estados Unidos.

MORTE NO CAMPUS

    Em 1970, 28 soldados da Guarda Nacional disparam 67 vezes em 13 segundos contra manifestantes que protestam pacificamente contra a participação dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã na Universidade Estadual de Kent, em Ohio. Eles matam quatro estudantes e ferem outros oito, inclusive um que fica paraplégico.

O Massacre de 4 de Maio ou da Universidade Estadual de Kent é um marco na luta contra a participação dos EUA na Guerra do Vietnã e, no caso, também contra a presença da Guarda Nacional no campus. Os estudantes protestam contra a intensificação da guerra contra o Camboja, anunciada em 30 de abril pelo presidente Richard Nixon.

Mais de 4 milhões de estudantes de milhares de escolas e universidades participam de protestos nos dias seguinte. É um momento decisivo na virada da opinião pública contra a guerra. O cantor e compositor Neil Young compõe a música Ohio.

As manifestações contra a guerra de Israel na Faixa de Gaza depois do ataque terrorista do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) em 7 de outubro de 2023 são as maiores em universidades dos EUA desde a Guerra do Vietnã. Servem de pretexto para a ofensiva do governo Donald Trump às universidades sob a alegação de combater o antissemitismo.

THATCHER CHEGA AO PODER

    Em 1979, depois de uma onda de greves conhecida como inverno do descontentamento em que o lixo se acumulou nas ruas e cadáveres ficaram insepultos pela paralisação lixeiros e coveiros, o Partido Conservador vence as eleições no Reino Unido e sua líder, Margaret Thatcher se torna a primeira primeira-ministra da Europa.

A crise do petróleo deflagrada pelo embargo da venda do petróleo árabe a países que apoiam Israel na Guerra do Yom Kippur, em 1973, causa recessão, desemprego e grandes filas nos postos de gasolina na Europa e na América. É o fim da era do petróleo barato.

No Reino Unido, o Partido Trabalhista volta ao poder em 1974 sob a liderança de Harold Wilson, que havia governado o país de 1964 a 1970, nos gloriosos anos 1960, quando Londres era um centro da música popular, da moda e da cultura.

Wilson critica os termos do acordo para a entrada do Reino Unido na então Comunidade Econômica Europeia, em 1973. No poder, renegocia o acordo e consegue aprová-lo num referendo em 1975, mas a decisão divide o partido e ele renuncia em favor de James Callaghan, um líder trabalhista fraco.

Com a economia em crise, o Reino Unido pede ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para defender a outrora poderosa libra esterlina. A onda de greves do inverno do descontentamento e o desemprego desmoralizam o governo trabalhista e abrem o caminho para Margaret Thatcher.

Margaret Hilda Roberts nasce em 1925, filha de um dono de armazém e vereador que se tornaria prefeito. Ela se forma em química na Universidade de Oxford. É eleita para a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico pela primeira vez em 1959 pelo distrito de Finchley, no Norte de Londres. 

De 1970-74, Thatcher é ministra da Educação e da Ciência do governo Edward Heath. Após a derrota conservadora em 1974, Thatcher vence Heath na disputa pela liderança do partido no ano seguinte. É a primeira mulher a chefiar um grande partido britânico e a primeira primeira-ministra. Por suas posições conservadoras e seu anticomunismo, ganha a alcunha de Dama de Ferro da imprensa da União Soviética depois de um discurso como líder da oposição.

Além de cortar impostos, uma de suas principais bandeiras é a privatização de empresas estatais, que ela considera mais ineficientes do que o setor privado. Thatcher quer transformar a Grã-Bretanha num país de acionistas. Começa esse processo em 1981 sob forte oposição dos sindicados, ligados ao Partido Trabalhista.

Estão lançadas as bases do thatcherismo, que incluem recuo da máquina estatal, disciplina fiscal, cortes de impostos, privatizações, respeito à autoridade e à ordem pública, e um feroz anticomunismo. Poucos primeiros-ministros dão nome a uma filosofia política.

Em seu radicalismo, Margaret Thatcher chega a dizer: "Não existe isso que chamam de sociedade. Há homens, mulheres e famílias".

O total de desempregados no Reino Unido sobe para 3 milhões, e o número de pobres aumenta quatro vezes, aprofundando a desigualdade social, uma das marcas perversas do neoconservadorismo. Impopular, Thatcher conta com uma ajuda inesperada.

A invasão das Ilhas Malvinas pela ditadura militar da Argentina em 2 de abril de 1982 é um teste para sua determinação. Uma força-tarefa é enviada para a guerra a 10 mil quilômetros de distância da Inglaterra. Em 14 de junho, as ilhas são retomadas depois da morte de 649 argentinos e 258 britânicos.

Humilhada, a ditadura militar argentina cai. Fortalecida, Thatcher obtém em 1983 sua maior vitória eleitoral. Com maioria de 144 deputados no Parlamento Britânico, parte para o enfrentamento com os sindicatos para impor sua ideologia econômica neoliberal. Uma greve de 11 meses contra o fechamento de 20 minas estatais deficitárias deixa o Reino Unido sem carvão em 1984 e 1985.

Sem o apoio da opinião pública, a greve fracassa. Os mineiros e o sindicalismo em geral perdem força.

Também em 1984, Margaret Thatcher sobrevive a um atentado a bomba do Exército Republicano Irlandês (IRA) contra a convenção anual do Partido Conservador. É uma tentativa de vingar as mortes de 10 militantes republicanos irlandeses em greve fome que exigiam reconhecimento como presos políticos, em 1981. Inflexível, a Dama de Ferro os considerava criminosos comuns.

No mesmo ano, Thatcher convida o futuro líder soviético Mikhail Gorbachev para ir a Londres. É a primeira a identificá-lo no Ocidente como "alguém com quem se pode negociar".

Naquela época, ela considera o líder negro sul-africano Nelson Mandela, que ainda está preso, como "terrorista". Mais tarde, defende o amigo e admirador general Augusto Pinochet, o ditador preso em Londres em 1998 por crimes cometidos quando governou o Chile, de 1973 a 1990.

Sob Thatcher, amplos setores da economia britânica, aviação, metalurgia, telecomunicações, água, energia e o sistema ferroviário, são entregues à iniciativa privada. São mudanças permanentes, observa o jornal The New York Times. Modernizam a Grã-Bretanha, mas aprofundam a desigualdade.

A ex-primeira-ministra também é uma grande adversária do aumento dos poderes da Comunidade Europeia, hoje União Europeia. Chega a bater na mesa com sua bolsa para pedir a devolução de parte da contribuição britânica para a política comum de subsídios agrícolas do bloco europeu, já que o Reino Unido tem uma agricultura muito menor do que países como a França e a Alemanha.

"Não estou pedindo o dinheiro dos outros. Estou pedindo nosso dinheiro de volta", afirmou.

Em 1987, depois de sua terceira vitória eleitoral consecutiva, Thatcher se torna ainda mais antieuropeia, preocupando um de seus maiores aliados, o centro financeiro de Londres, que teme perder a primazia para Paris ou Frankfurt na união monetária europeia porque o Reino Unido não adota o euro.

Uma de suas principais bandeiras, entusiasticamente adotada pelo Partido Conservador, é repatriar poderes da UE para o Parlamento Britânico. Diante do avanço do euroceticismo e da crise da Zona do Euro, o atual primeiro-ministro e líder do partido, David Cameron, prometeu convocar um plebiscito sobre a permanência do país na UE até 2017. Por 52% a 48%, em 23 de junho de 2016, o Reino Unido decidiu sair da UE

O risco de isolamento na Europa e a substituição do imposto predial e territorial por um imposto por pessoa, independentemente da renda pessoal e do tamanho da propriedade, selam sua impopularidade. Em novembro de 1990, o ex-ministro Michel Heseltine, um europeísta, desafia a liderança da Margaret Thatcher.

Sem uma vitória consistente, com mais de dois terços dos votos da bancada do partido na Câmara dos Comuns, Thatcher pede demissão. Vira Baronesa Thatcher e vai para a Câmara dos Lordes. Enquanto sua saúde permite, influencia a vida política do país.

regicídio, como o episódio é conhecido na Grã-Bretanha, abre uma guerra interna de que o Partido Conservador não se recuperou até hoje e que levou ao plebiscito para sair da UE. O compromisso com a defesa de Londres como um dos maiores centros financeiros do mundo entra em choque com a rejeição à integração europeia.

Talvez seu maior legado seja a profunda reforma política e econômica, que vai muito além do Reino Unido. Antes de Thatcher, a maioria das companhias aéreas e as empresas telefônicas de fora dos EUA eram estatais.

Para voltar ao poder com Tony Blair, em 1997, o Partido Trabalhista faz uma ampla mudança, abrindo mão do socialismo e da estatização dos meios de produção, que são excluídos do programa partidário para reconquistar a classe média. Essa é a grande vitória ideológica de Thatcher, fazer o principal adversário abraçar a economia de mercado.

Do ponto de vista econômico, o neoliberalismo que defendeu com tanto vigor ao lado de Ronald Reagan é a ideologia dominante da economia internacional por quase três décadas. Com suas políticas de desregulamentação e redução da atividade do Estado, é a principal causa da grande crise econômico-financeira internacional de 2008-9 e da grande concentração da riqueza nas últimas décadas, em que surgem cada vez mais bilionários enquanto a renda das classes médias está estagnada.

Acima de tudo, Thatcher ajuda a acabar com a Guerra Fria, resgata o prestígio da economia de mercado e recupera o orgulho do Reino Unido, mas a um custo social elevado que divide o país, aumenta a desigualdade social e o afasta do resto da Europa.

ACORDOS DE OSLO

    Em 1994, o primeiro-ministro trabalhista de Israel, Yitzhak Rabin, e o presidente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, assinam no Cairo, a capital do Egito, o acordo que cria a Autoridade Nacional Palestina (ANP) e devolve aos árabes o controle parcial sobre a Faixa de Gaza e Jericó.

Quando a Assembleia Geral das Nações Unidas aprova a divisão do território histórico da Palestina entre um país árabe e um judeu, em 29 de novembro de 1947, os países árabes não aceitam. Com a fundação de Israel, em 14 de maio de 1948, os países árabes invadem o novo país, dando início a uma guerra sem fim.

O povo palestino é formado pelos árabes expulsos de suas terras quando Israel nasce e seus descendentes. A diáspora palestina fica ainda pior depois da Guerra dos Seis Dias (1967), quando Israel ocupa a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, do Egito; as Colinas do Golã, da Síria; e a Cisjordânia, inclusive o setor oriental da Jerusalém, da Jordânia.

O Egito recupera o Sinai com os Acordos de Camp David (1979) e a questão palestina fica para trás. As negociações árabe-israelenses recomeçam na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991, quando há uma atitude favorável a Israel por não ter reagido aos ataques de Saddam Hussein durante a Guerra do Golfo (1991) para expulsar os iraquianos do Kuwait.

As negociações não avançam. A cada reunião, os dois lados dão declarações acusatórias. Os palestinos não fazem nada sem consultar a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), de Yasser Arafat. Então, o governo trabalhista de Yitzhak Rabin e Shimon Peres decide fazer negociações secretas organizadas pela Noruega.

Esse processo leva à declaração de princípios e ao histórico aperto de mãos entre Rabin e Arafat na Casa Branca em 13 de setembro de 1993 e aos acordos de Oslo. O assassinato de Rabin por um extremista religioso judeu, em 4 de novembro de 1995, e a ascensão do primeiro-ministro conservador Benjamin Netanyahu ao poder no ano seguinte causam uma estagnação no processo de paz.

Historicamente, o Partido Likud, de Netanyahu, usa as negociações como uma forma de ganhar tempo enquanto amplia a colonização da Cisjordânia para criar uma política de fato consumado.

O general Ariel Sharon, um dos mais violentos da história de Israel, sai do Likud e funda o partido Kadima (Avante) para negociar a paz, mas sofre um AVC e não se recupera. Seu sucessor, Ehud Olmert, cai num escândalo de corrupção.

O Likud volta ao poder em 2009 com Netanyahu, o primeiro-ministro com mais tempo no poder em Israel, superando o fundador do país, David Ben Gurion. O resultado é esta guerra sem fim, agravada pela formação do governo mais extremista da história de Israel em dezembro de 2022 e especialmente pelo ataque terrorista do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e aliados em 7 de outubro de 2023.

A guerra sem fim passou de um conflito de baixa intensidade para uma guerra para valer, com o uso de todas as armas, menos as bombas atômicas, que Israel também tem. No momento, há uma trégua, a segunda parte do plano de paz, que prevê o desarmamento do Hamas e a retirada de Israel, não avança.

Com esta guerra total, Netanyahu cria um ambiente insuportável para que os palestinos aceitem a ideia ventilada pelo presidente Donald Trump de uma emigração voluntária para esvaziar o território numa limpeza étnica que acabaria com qualquer chance de fundação de um Estado palestino no território histórico da Palestina, como previa a resolução da ONU que cria Israel, em 29 de novembro de 1947.

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sábado, 29 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 29 de Novembro

 MASSACRE DE SAND CREEK

    Em 1864, o Exército dos Estados Unidos, sob o comando do coronel John Chivington, faz um ataque de surpresa contra um acampamento de índios cheyennes e arapahos rendidos e parcialmente desarmados no Sudeste do Território do Colorado. Entre 69 e 600 indígenas são mortos no Massacre de Sand Creek.

Pelo Tratado de Forte Laramie, de 1851, os EUA reconhecem como território indígena uma grande área que vai do Rio Platte Norte ao Rio Arkansas e das Montanhas Rochosas ao Oeste do Kansas.

A descoberta de ouro nas Montanhas Rochosas do Colorado, então parte do Território do Kansas, deflagra a Corrida do Ouro do Pico Pike. Uma onda de migrantes invade as terras indígenas.

Em 1861, no Tratado de Forte Wise, os EUA reduzem a área indígena a 7,7% do tamanho original do Tratado de Forte Laramie. 

Os guerreiros não aceitaram. No fim de 1863, formam uma aliança para expulsar os brancos de suas terras. Na primavera e no verão de 1864, sioux, comanches, cheyennes, kiowas e arapahos atacam os colonos.

Em 12 de abril, o 1º Regimento de Cavalaria do Colorado contra-ataca. Um mês depois, Urso Magro, que esteve com o presidente Abraham Lincoln na Casa Branca e recebeu a Medalha da Paz é baleado e morto quando recebe os cavalarianos pacificamente.

Revoltados, os índios realizam 32 ataques contra os colonos. Os índios são obrigados a se reassentar em Sand Creek, mas alguns rejeitam. 

Os cheyennes acampam perto de Forte Lyon. Chaleira Preta hasteia uma bandeira dos EUA e uma bandeira branca em sinal de paz. Lobo Solitário tenta negociar a paz, mas é morto junto com outros 160 indígenas. Para o coronel Chivington, o negócio é matar tantos cheyennes quanto possível.

Seu próximo alvo é Sand Creek. Com mais de 260 soldados, o Exército ataca o acampamento. O Massacre de Sand Creek também é conhecido como Massacre de Chivington.

VOO SOBRE O POLO SUL

    Em 1929, o norte-americano Robert Byrd, pioneiro da aviação, é o primeiro piloto a sobrevoar o Polo Sul.

Byrd nasce em Winchester, na Virgínia, em 25 de outubro de 1888 e se forma na Academia Naval dos Estados Unidos em 1912. Sua relação com os polos começa em 1924, quando ele comanda um destacamento da aviação naval em uma expedição ao Oeste da Groenlândia, na região ártica.

Em 9 de maio de 1926, num voo de 15 horas e meia, Byrd sai da Baía do Rei, na Noruega, sobrevoa o Polo Norte e volta. Ele é considerado herói nacional e ganha uma medalha de ouro do Congresso.

Byrd treina Charles Lindbergh, que faz o primeiro voo solo sobre o Oceano Atlântico, em 1927.

Quando resolve explorar a Antártida, recebe o apoio financeiro de magnatas como John Davidson Rockefeller Jr. e Edsel Ford. Com orçamento de US$ 400 mil, Byrd chefia a maior mais bem-equipada expedição realizada até então no continente gelado.

A partir de uma base bem instalada, a Pequena América, situada na plataforma de gelo Ross, em frente ao Mar de Ross, Byrd e três companheiros sobrevoam o Polo Sul.

DIVISÃO DA PALESTINA

    Em 1947, sob a presidência do chanceler brasileiro Oswaldo Aranha, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprova a Resolução 181, que divide o território histórico da Palestina para a criação de um país para o povo judeu e um país árabe.

Os países árabes vizinhos não aceitam. Quando termina o mandato dado ao Império Britânico pela Liga das Nações para administrar e Palestina, o Estado de Israel é fundado, em 15 de maio de 1948, o Egito, a Arábia Saudita, a Transjordânia, o Iraque, a Síria, o Líbano e o Iêmen invadem.

Israel vence a Guerra da Independência, que vai até 10 de março de 1949, com um total de 6.373 mortes do lado israelense e estimativas de 7 a 20 mil mortes de árabes. Surge a diáspora palestina. Mais de 700 mil palestinos expulsos de sua casas pela criação de Israel se tornam um povo sem pátria e sem direitos. Surge o povo palestino. 

MORTE DE GEORGE HARRISON

    Em 2001, George Harrison, o cantor, compositor e solista de guitarra dos Beatles, morre de câncer de pulmão aos 58 anos.

George, o "beatle quieto", nasce em Liverpool em 25 de fevereiro de 1943. É o mais jovem da formação clássica da banda. Seguidor do hinduísmo, introduz a cítara entre os instrumentos músicais do grupo em canções como Norwegian Wood (This Bird has Flown).

Embora a maioria das canções dos beatles sejam assinadas por John Lennon e Paul McCartney, desde 1965, todos os álbuns da banda têm músicas de George, como TaxmanWhile my Guitar Gentle WeepsHere Comes the Sun e Something.

Depois da dissolução dos Beatles, em 1970, George lança o álbum triplo All Things Must Past, a sua maneira de assimilar o fim da banda. É um grande sucesso. My Sweet Lord é seu compacto simples de maior sucesso.

Em 1971, ele organiza com o citarista indiano Ravi Shankar o Concerto para Bangladesh a fim de arrecadar dinheiro para o novo país independente, Bangladesh ou a República de Bengala, o antigo Paquistão Oriental, no fim de uma guerra entre a Índia e o Paquistão.

Em 1988, George participa do supergrupo Traveling Wilburys com Bob Dylan, Jeff Lynne, Roy Orbison e Tom Petty. A revista Rolling Stone o coloca em 11º lugar entre os 100 maiores guitarristas de todos os tempos. Ele entra para o Rock and Roll Hall of Fame em 1988 como membro dos Beatles e em 2004 pela carreira solo.

Depois da morte, suas cinzas são jogadas nos rios Ganges e Yamuna.

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sábado, 15 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 15 de Novembro

SHERMAN ARRASA GEÓRGIA

    Em 1864, durante a Guerra da Secessão (1861-65), o general nortista William Sherman começa a destruir o distrito industrial Atlanta em sua Marcha para o Mar e, durante seis semanas, o Exército da União arrasa a maior parte do estado da Geórgia até capturar o porto de Savannah, que estava em poder dos Estados Confederados da América (Sul).

Sherman toma Atlanta em setembro de 1864. Com linhas de suprimento vulneráveis, teme perder o controle da Geórgia para as forças do Sul. Usa uma estratégia de terra arrasada, destruindo tudo o que possa ser útil ao inimigo, inclusive fontes de água e comida.

Como a linha de suprimento vai até Nashville, no Tennessee, Sherman divide o Exército do Norte. Fica com 60 mil homens e manda o general George Thomas de volta a Nashville, com as missões de proteger as estradas de ferro e os rios por onde passam as provisões para suas tropas e enfrentar o general sulista John Bell Hood, que Sherman vencera para tomar Atlanta.

Ao saber da reeleição do presidente Abraham Lincoln em 8 de novembro, Sherman pede permissão ao comandante em chefe da União, general Ulysses Grant, para marchar pela Geórgia "como prova de que o Norte pode prevalecer".

Em 15 de novembro, os homens de Sherman começam a deixar Atlanta. Na retirada, tocam fogo no distrito industrial da capital da Geórgia.

PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA

    Em 1889, o marechal Deodoro da Fonseca derruba o imperador Dom Pedro II e proclama a República no Brasil.

A Proclamação da República no Brasil foi tardia, mais de meio século depois de todos os outros países sul-americanos, que declaram suas independências e imediatamente abolem a escravidão e instauram a república, como observa o jornalista e escritor Eduardo Bueno.

Vem num golpe militar um ano e meio depois da Abolição da Escravatura, com a queda do gabinete do Visconde de Ouro Preto, último primeiro-ministro do Império. Como na independência, o povo fica alheio, "assiste a tudo bestializado".

Para legitimar o novo regime, os republicanos prometem convocar um plebiscito para que o povo decida se prefere monarquia ou república. A consulta popular é realizada mais de 100 anos mais tarde, em 1993, depois da Constituição de 1988. 

CLEMENCEAU NO PODER

    Em 1917, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), Georges Clemenceau, o Tigre, é nomeado primeiro-ministro da França pela segunda vez.

O jovem Clemenceau entra no Parlamento em 1876, cinco anos depois da derrota para a Alemanha na Guerra Franco-Prussiana (1870-71). Acredita que a Alemanha unificada é uma ameaça. Considera uma nova guerra inevitável.

A Alemanha cresce no fim do século 19. Na virada do século, é a segunda maior economia do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, superando o Reino Unido.

No primeiro mandato como primeiro-ministro (1906-9), Clemenceau mantém a postura antialemã. Defende a preparação para a guerra e o fortalecimento da aliança com o Reino Unido e a Rússia. Em 1904, a França e o Reino Unido superam uma rivalidade história de mais de 800 anos e formam a Entente Cordiale. Em 1907, no primeiro governo Clemenceau, com a entrada da Rússia, vira Tríplice Entente.

A guerra mostra que Clemenceau tinha razão. Depois de três primeiros-ministros, o presidente Raymond Poincaré esquece a rivalidade com o Tigre. Quando parte dos políticos e da opinião pública da França querem acabar com a guerra, os dois têm em comum a determinação de vencer a Alemanha.

Ao reassumir a chefia do governo, Clemenceau manda prender o pacifista Joseph Caillaux por traição. Até março de 1918, a Alemanha está vencendo a guerra. A entrada dos EUA em combate muda a história e garante a vitória.

Na Conferência de Paz de Versalhes, Clemenceau é um dos principais negociadores, ao lado do presidente norte-americano Woodrow Wilson, que considera idealista demais, e do primeiro-ministro britânico, David Lloyd George. Exige o desarmamento e indenizações da Alemanha e a devolução da Alsácia e da Lorena, tomadas pelos alemães na Guerra Franco-Prussiana.

Mesmo assim, considera a Paz de Versalhes leniente com a Alemanha. O eleitorado francês concorda. Clemenceau perde as eleições de janeiro de 1920. Deixa a vida pública e publica um livro de memórias, A Grandeza e a Miséria da Vitória, em que prevê uma nova guerra com a Alemanha em 1940. Ele morre em Paris em 24 de novembro de 1929.

ELVIS NO CINEMA

    Em 1956, estreia Love me Tender (Ama-me com Ternura), com Elvis Presley no papel principal, o primeiro filme de Hollywood do Rei do Rock.

Elvis nasce em Tupelo, no Mississípi, em 8 de janeiro de 1935. Motorista de caminhão, ele estreia como cantor em 1954 na gravadora Sun Records, em Memphis, no Tennessee. Seu primeiro álbum, Elvis Presley, chega ao topo das paradas de sucesso em 1956 e o projeta como um ídolo mundial.

Ele faz um teste para o filme The Rainmaker (Lágrimas do Céu, no Brasil), mas perde o papel para Burt Lancaster e vai fazer Love me Tender

Em 9 de setembro, Elvis faz a primeira de três apresentações no programa de televisão Ed Sullivan Show, que bate recordes de audiência. No terceiro programa, os censores da TV só permitem que ele seja mostrado da cintura para cima. O rebolado do Rei do Rock é sensual demais para os EUA moralistas dos anos 1950.

Ao todo, Elvis fez 30 filmes, gravou 23 álbuns e vendeu mais de 500 milhões de discos. Com problemas de saúde e abuso de álcool e drogas, Elvis morre aos 42 anos em 16 de agosto de 1977 na Mansão de Graceland, em Memphis, centro de peregrinação de seus milhões de fãs.

INDEPENDÊNCIA DA PALESTINA

    Em 1988, o presidente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, proclama a independência da Palestina e anuncia o reconhecimento do direito de existência de Israel.

A OLP é fundada em 1964 pelo então ditador do Egito, Gamal Abdel Nasser, líder do nacionalismo pan-árabe interessado em se apresentar como campeão da causa palestina. Depois da humilhante derrota dos países árabes para Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, Arafat, fundador do partido Fatah (Luta) em 1959, assume a liderança da OLP em 1969 como um movimento guerrilheiro na luta contra Israel.

Em 1970, a OLP tenta dar um golpe contra o rei Hussein, da Jordânia, para transformar este país na pátria do povo palestino. As forças de Hussein massacram os palestinos no Setembro Negro. Arafat acusa a Jordânia de matar 25 mil palestinos, mas estimativas mais realistas falam em 2 mil a 3,4 mil palestinos mortos.

Os líderes da OLP fogem para o Líbano, de onde lançam invasões do território israelense através da fronteira entre os dois países. Isso leva à Guerra Civil Libanesa (1975-90), à invasão de Israel no Líbano em 1982, e ao massacre de cerca de 1,2 mil palestinos nos campos de refugiados de Sabra e Chatila, em Beirute, em 1982, por falangistas cristãos apoiados por Israel.

Arafat e a OLP fogem para a Tunísia. A proclamação de independência tem poucos resultados práticos. Um ano antes, em 1987, os palestinos iniciam a Primeira Intifada, uma revolta contra a ocupação israelense da Cisjordânia e da Faixa de Gaza, territórios onde pretendem construir seu Estado nacional e nasce o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), um grupo extremista muçulmano.

As negociações de paz começam na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991, depois da Guerra do Golfo para expulsar o Iraque do Saddam Hussein do Kuwait, em janeiro e fevereiro daquele ano, quando Israel não caiu nas provocações iraquianas para não prejudicar a coalizão articulada pelos EUA, que tem países árabes e muçulmanos. Como Arafat e a OLP apoiaram Saddam, que em determinado momento condicionou a retirada do Kuwait ao fim da ocupação israelense, são excluídos do processo de paz.

Quando fica evidente que a delegação palestina não faz nada sem consultar a OLP, o grupo é incluído no processo de paz. O avanço só acontece com as negociações secretas realizadas em Oslo, na Noruega.

Em 13 de setembro de 1993, Israel e a OLP anunciam uma declaração de princípios e Arafat aperta a mão do primeiro-ministro israelense, Yitzhak Rabin, no jardim da Casa Branca. Os Acordos de Oslo, assinados em 1994, criam a Autoridade Nacional Palestina e dão à OLP inicialmente jurisdição sobre a Faixa de Gaza e Jericó.

O Hamas, que luta pela destruição de Israel, mina o processo de paz com ações terroristas. Depois do assassinato de Rabin por um extremista israelense em 4 de novembro de 1995, o direitista Benjamin Netanyahu é eleito primeiro-ministro pela primeira vez em 1996. Desde então, sabota o processo de paz para que nunca seja criado uma pátria para o povo palestino.

A última negociação consistente neste sentido é mediada pelo presidente dos EUA, Bill Clinton, no fim de seu governo, em 2000. Em mais um erro político, Arafat rejeita a proposta na expectativa de que o presidente George W. Bush, do Partido Republicano, seja mais favorável aos palestinos, já que o Partido Democrata tradicionalmente era mais favorável a Israel. Mas a aliança dos republicanos com a direita religiosa os torna tão favoráveis a Israel quanto os democratas.

O ataque terrorista do Hamas, em 7 de outubro do ano passado, é uma reação a 56 anos de ocupação israelense, 16 anos do cerco à Faixa de Gaza e às negociações para o reconhecimento mútuo de Israel e Arábia Saudita, o que marginalizaria mais uma vez o povo palestino. Agora, a Arábia Saudita exige a criação de uma Palestina independente para fechar acordo com Israel.

POPULAÇÃO DA TERRA PASSA DE 8 BILHÕES

    Em 2022, a população total do planeta ultrapassa a marca de 8 bilhões de seres humanos, de acordo com estimativa da Organização das Nações Unidas (ONU). Hoje a população mundial é estimada em 8,14 bilhões de pessoas. 

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quarta-feira, 22 de outubro de 2025

EUA tentam manter acordo para acabar com guerra em Gaza

O vice-presidente James David Vance se encontrou hoje com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Amanhã, o secretário de Estado, Marco Rubio, chega a Israel. Os negociadores Steve Witkoff e Jared Kushner estão lá. É o esforço concentrado dos Estados Unidos para salvar o acordo proposto pelo presidente Donald Trump para acabar com a guerra na Faixa de Gaza e negociado também por Catar, Egito e Turquia.

Por enquanto, não há acordo de paz, apenas uma trégua frágil violada várias vezes desde que entrou em vigor em 10 de outubro. 

Cerca de 100 palestinos foram mortos desde então. Há três dias, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) acusou Israel de 80 violações do cessar-fogo. Só em 19 de outubro, 44 palestinos teriam sido mortos. Ao todo, estima-se que mais de 67 mil palestinos morreram na guerra em Gaza.

Israel alega que o Hamas matou dois soldados e está executando adversários políticos numa tentativa de retomar o controle do território nas áreas de onde Israel se retirou. O Hamas se defendeu dizendo que os soldados foram mortos por uma patrulha que estava sem contato com o comando da organização.

Hoje, a Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas declarou que Israel, como força de ocupação, precisa facilitar imediatamente a entrada e a distribuição de ajuda humanitária e garantir que as necessidades básicas dos palestinos sejam atendidas. 

Como força de ocupação, acrescenta o tribunal da ONU, Israel tem o "dever legal incondicional" de "concordar com e facilitar esquemas de ajuda" realizados pela ONU e por organizações humanitárias imparcial, inclusive a Agência da ONU para os Refugiados Palestinos, que Israel acusa de estar infiltrada pelo Hamas, e a Cruz Vermelha Internacional, que se chama Crescente Vermelho nos países muçulmanos.

O tribunal da ONU julga uma acusação de genocídio feita pela África do Sul contra Israel no fim de 2023. Aceitou a denúncia, mas não mandou parar a guerra, apenas recomendou expressamente que Israel proteja a população civil e permita a entrada de ajuda humanitária em quantidade suficiente, o que Israel não fez.


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terça-feira, 23 de setembro de 2025

Reconhecimento da Palestina tem valor simbólico

Com o reconhecimento da independência da Palestina por  Austrália, Canadá, França, Portugal e Reino Unido, a situação não muda no campo de batalha. Israel conquistou hegemonia militar no Oriente Médio. Só pode ser parado pelos Estados Unidos e o presidente Donald Trump não mostra a menor intenção de fazer isso. Mas o significado simbólico é importante.

É uma tentativa de salvar a proposta de paz com a criação de dois países, Israel e Palestina, para dividir o território histórico da Palestina, como previa a resolução das Nações Unidas que criou Israel em 1947. O governo de extrema direita de Israel rejeita totalmente esta possibilidade e ameaça anexar a Cisjordânia e a Faixa de Gaza.

Este é o grande desafio do países que reconhecem a Palestina: transformar declarações em realidade e resgatar a dignidade do povo palestino. Já são 157 dos 193 países-membros da ONU. 

domingo, 4 de maio de 2025

Hoje na História do Mundo: 4 de Maio

 CONSTRUÇÃO DO CANAL DO PANAMÁ

    Em 1905, os Estados Unidos iniciam a segunda tentativa de abrir um canal entre os oceanos Atlântico e Pacífico no Istmo do Panamá, depois do fracasso que companhia francesa que construiu o Canal de Suez.

O sonho de construir um canal através do Istmo do Panamá vem desde 1534, quando Carlos V, rei da Espanha e imperador do Sacro Império Romano-Germânico, fala na ideia. Em 14 de agosto de 1843, o Banco Barings, de Londres, fecha contrato com a República de Nova Granada para abrir um canal no Istmo da Darién (Panamá). Mas o projeto nunca sai do papel.

Em 1846, os EUA negociam com Nova Granada o direito de trânsito e intervenção militar no istmo. Quatro anos depois, começam a construção da Ferrovia do Panamá.

A obra é tentada para valer por Ferdinand de Lesseps, o construtor do Canal de Suez. Ele obtém permissão da Colômbia em 1878. O trabalho se inicia em 1880, mas o terreno, relevo e clima criam desafios formidáveis. Chuvas torrenciais, desmoronamentos e a alta incidência de doenças tropicais como malária e febre amarela levam a empresa à falência.

O presidente Theodore Roosevelt, considerado o pai do imperialismo norte-americano, decide concluir a obra. Em 1903, os EUA fecham o Tratado Hey-Herran, mas o Senado da Colômbia não o ratifica. Com a Colômbia fragilizada depois da Guerra dos Mil Dias (1899-1902), os EUA intervêm militarmente e promovem a independência do Panamá.

A construção termina em 10 de outubro de 1913, quando o presidente norte-americano Woodrow Wilson detona uma carga de dinamite para desobstruir o último obstáculo. A inauguração do canal de 82 quilômetros acontece em 14 de agosto de 1914.

Em 1977, o presidente Jimmy Carter faz um acordo com o ditador Omar Torrijos para devolver o canal ao Panamá em 1999, o que traz grande prosperidade do país.

Nos primeiros 100 anos, mais de 820 mil navios passaram pelo Canal do Panamá.

Desde que tomou posse para um segundo mandato, o presidente Donald Trump fala em retomar o controle do canal pelos EUA.

MOVIMENTO QUATRO DE MAIO

    Em 1919, manifestações de estudantes contra a decisão do Tratado de Versalhes de entregar ao Japão territórios chineses em Shandong antes ocupados pela Alemanha marcam o início de um movimento político e cultural anti-imperialista. O Partido Comunista da China, fundado em 1921, é filho do Movimento Quatro de Maio.

A China era o Império do Meio ou do Centro, o centro do mundo na Ásia desde sua unificação, em 221 antes de Cristo. O Império Chinês entra em declínio com a derrota para o Império Britânico nas Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60) e para o Japão na Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95), que acaba com a ordem sino-cêntrica e torna o Japão o país mais poderoso do Leste da Ásia. A  hina perde também a Guerra dos Boxers (1899-1901), uma luta anti-imperialista.

A Revolução Xinhai derruba o império em 1911. O início da era republicana é turbulento. A China é um dos países mais pobres do mundo, com renda média por pessoa de 100 dólares por ano. O interior do país é dominado por senhores da guerra. 

Nos anos 1920, começa uma guerra civil entre os comunistas e os nacionalistas do Kuomintang (KMT), liderado por Chiang Kai-shek, que é interrompida pela Segunda Guerra Mundial (1939-45) e recomeça depois da guerra até a vitória dos partidários de Mao Tsé-tung em 1º de outubro de 1949.

MORTE NO CAMPUS

    Em 1970, 28 soldados da Guarda Nacional disparam 67 vezes em 13 segundos contra manifestantes que protestam pacificamente contra a participação dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã na Universidade Estadual de Kent, em Ohio. Eles matam quatro estudantes e ferem outros oito, inclusive um que fica paraplégico.

O Massacre de 4 de Maio ou da Universidade Estadual de Kent é um marco na luta contra a participação dos EUA na Guerra do Vietnã e, no caso, também contra a presença da Guarda Nacional no campus. Os estudantes protestam contra a intensificação da guerra contra o Camboja, anunciada em 30 de abril pelo presidente Richard Nixon.

Mais de 4 milhões de estudantes de milhares de escolas e universidades participam de protestos nos dias seguinte. É um momento decisivo na virada da opinião pública contra a guerra.

As manifestações contra a guerra de Israel na Faixa de Gaza depois do ataque terrorista do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) em 7 de outubro de 2023 são as maiores em universidades dos EUA desde a Guerra do Vietnã. Servem de pretexto para a ofensiva do governo Donald Trump às universidades sob a alegação de combater o antissemitismo.

THATCHER CHEGA AO PODER

    Em 1979, depois de uma onda de greves conhecida como inverno do descontentamento em que o lixo se acumulou nas ruas e cadáveres ficaram insepultos pela paralisação dos coveiros, o Partido Conservador vence as eleições no Reino Unido e sua líder, Margaret Thatcher se torna a primeira primeira-ministra da Europa.

A crise do petróleo deflagrada pelo embargo da venda do petróleo árabe a países que apoiam Israel na Guerra do Yom Kippur, em 1973, causa recessão, desemprego e grandes filas nos postos de gasolina. É o fim da era do petróleo barato.

No Reino Unido, o Partido Trabalhista volta ao poder em 1974 sob a liderança de Harold Wilson, que havia governado o país de 1964 a 1970, nos gloriosos anos 1960, quando Londres era um centro da música, da moda e da cultura.

Wilson critica os termos do acordo para a entrada do Reino Unido na então Comunidade Econômica Europeia, em 1973. No poder, renegocia o acordo e consegue aprová-lo num referendo em 1975, mas a decisão divide o partido e ele renuncia em favor de James Callaghan, um líder trabalhista fraco.

Com a economia em crise, o Reino Unido pede ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para defender a outrora poderosa libra esterlina. A onda de greves do inverno do descontentamento e o desemprego desmoralizam o governo trabalhista e abrem o caminho para Margaret Thatcher.

Margaret Hilda Roberts nasce em 1925, filha de um dono de armazém e vereador que se tornaria prefeito. Ela se forma em química na Universidade de Oxford. É eleita para a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico pela primeira vez em 1959 pelo distrito de Finchley, no Norte de Londres. 

De 1970-74, Thatcher é ministra da Educação e da Ciência do governo Edward Heath. Após a derrota conservadora em 1974, Thatcher vence Heath na disputa pela liderança do partido no ano seguinte. É a primeira mulher a chefiar um grande partido britânico e a primeira primeira-ministra. Por suas posições conservadoras e seu anticomunismo, ganha a alcunha de Dama de Ferro da imprensa da União Soviética depois de um discurso como líder da oposição.

Além de cortar impostos, uma de suas principais bandeiras é a privatização de empresas estatais, que ela considera mais ineficientes do que o setor privado. Thatcher quer transformar a Grã-Bretanha num país de acionistas. Começa esse processo em 1981 sob forte oposição dos sindicados, ligados ao Partido Trabalhista.

Estão lançadas as bases do thatcherismo, que incluem recuo da máquina estatal, disciplina fiscal, cortes de impostos, privatizações, respeito à autoridade e à ordem pública, e um feroz anticomunismo. Poucos primeiros-ministros dão nome a uma filosofia política.

Em seu radicalismo, Margaret Thatcher chega a dizer: "Não existe isso que chamam de sociedade. Há homens, mulheres e famílias".

O total de desempregados no Reino Unido sobe para 3 milhões, e o número de pobres aumenta quatro vezes, aprofundando a desigualdade social, uma das marcas perversas do neoconservadorismo. Impopular, Thatcher conta com uma ajuda inesperada.

A invasão das Ilhas Malvinas pela ditadura militar da Argentina em 2 de abril de 1982 é um teste para sua determinação. Uma força-tarefa é enviada para a guerra a 10 mil quilômetros de distância da Inglaterra. Em 14 de junho, as ilhas são retomadas depois da morte de 649 argentinos e 258 britânicos.

Humilhada, a ditadura militar argentina cai. Fortalecida, Thatcher obtém em 1983 sua maior vitória eleitoral. Com maioria de 144 deputados no Parlamento Britânico, parte para o enfrentamento com os sindicatos para impor sua ideologia econômica neoliberal. Uma greve de 11 meses contra o fechamento de 20 minas estatais deficitárias deixa o Reino Unido sem carvão em 1984 e 1985.

Sem o apoio da opinião pública, a greve fracassa. Os mineiros e o sindicalismo em geral perdem força.

Também em 1984, Margaret Thatcher sobrevive a um atentado a bomba do Exército Republicano Irlandês (IRA) contra a convenção anual do Partido Conservador. É uma tentativa de vingar as mortes de 10 militantes republicanos irlandeses em greve fome que exigiam reconhecimento como presos políticos, em 1981. Inflexível, a Dama de Ferro os considerava criminosos comuns.

No mesmo ano, Thatcher convida o futuro líder soviético Mikhail Gorbachev para ir a Londres. É a primeira a identificá-lo no Ocidente como "alguém com quem se pode negociar".

Naquela época, ela considera o líder negro sul-africano Nelson Mandela, que ainda está preso, como "terrorista". Mais tarde, defende o amigo e admirador general Augusto Pinochet, o ditador preso em Londres em 1998 por crimes cometidos quando governou o Chile, de 1973 a 1990.

Sob Thatcher, amplos setores da economia britânica, aviação, metalurgia, telecomunicações, água, energia e o sistema ferroviário, são entregues à iniciativa privada. São mudanças permanentes, observa o jornal The New York Times. Modernizam a Grã-Bretanha, mas aprofundam a desigualdade.

A ex-primeira-ministra também é uma grande adversária do aumento dos poderes da Comunidade Europeia, hoje União Europeia. Chega a bater na mesa com sua bolsa para pedir a devolução de parte da contribuição britânica para a política comum de subsídios agrícolas do bloco europeu, já que o Reino Unido tem uma agricultura muito menor do que países como a França e a Alemanha.

"Não estou pedindo o dinheiro dos outros. Estou pedindo nosso dinheiro de volta", afirmou.

Em 1987, depois de sua terceira vitória eleitoral consecutiva, Thatcher se torna ainda mais antieuropeia, preocupando um de seus maiores aliados, o centro financeiro de Londres, que teme perder a primazia para Paris ou Frankfurt na união monetária europeia porque o Reino Unido não adota o euro.

Uma de suas principais bandeiras, entusiasticamente adotada pelo Partido Conservador, é repatriar poderes da UE para o Parlamento Britânico. Diante do avanço do euroceticismo e da crise da Zona do Euro, o atual primeiro-ministro e líder do partido, David Cameron, prometeu convocar um plebiscito sobre a permanência do país na UE até 2017. Por 52% a 48%, em 23 de junho de 2016, o Reino Unido decidiu sair da UE

O risco de isolamento na Europa e a substituição do imposto predial e territorial por um imposto por pessoa, independentemente da renda pessoal e do tamanho da propriedade, selam sua impopularidade. Em novembro de 1990, o ex-ministro Michel Heseltine, um europeísta, desafia a liderança da Margaret Thatcher.

Sem uma vitória consistente, com mais de dois terços dos votos da bancada do partido na Câmara dos Comuns, Thatcher pede demissão. Vira Baronesa Thatcher e vai para a Câmara dos Lordes. Enquanto sua saúde permite, influencia a vida política do país.

regicídio, como o episódio é conhecido na Grã-Bretanha, abre uma guerra interna de que o Partido Conservador não se recuperou até hoje e que levou ao plebiscito para sair da UE. O compromisso com a defesa de Londres como um dos maiores centros financeiros do mundo entra em choque com a rejeição à integração europeia.

Talvez seu maior legado seja a profunda reforma política e econômica, que vai muito além do Reino Unido. Antes de Thatcher, a maioria das companhias aéreas e as empresas telefônicas de fora dos EUA eram estatais.

Para voltar ao poder com Tony Blair, em 1997, o Partido Trabalhista faz uma ampla mudança, abrindo mão do socialismo e da estatização dos meios de produção, que são excluídos do programa partidário para reconquistar a classe média. Essa é a grande vitória ideológica de Thatcher, fazer o principal adversário abraçar a economia de mercado.

Do ponto de vista econômico, o neoliberalismo que defendeu com tanto vigor ao lado de Ronald Reagan é a ideologia dominante da economia internacional por quase três décadas. Com suas políticas de desregulamentação e redução da atividade do Estado, é a principal causa da grande crise econômico-financeira internacional de 2008-9 e da grande concentração da riqueza nas últimas décadas, em que surgem cada vez mais bilionários enquanto a renda das classes médias está estagnada.

Acima de tudo, Thatcher ajuda a acabar com a Guerra Fria, resgata o prestígio da economia de mercado e recupera o orgulho do Reino Unido, mas a um custo social elevado que divide o país, aumenta a desigualdade social e o afasta do resto da Europa.

ACORDOS DE OSLO

    Em 1994, o primeiro-ministro trabalhista de Israel, Yitzhak Rabin, e o presidente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, assinam no Cairo, a capital do Egito, o acordo que cria a Autoridade Nacional Palestina (ANP) e devolve aos árabes o controle parcial sobre a Faixa de Gaza e Jericó.

Quando a Assembleia Geral das Nações Unidas aprova a divisão do território histórico da Palestina entre um país árabe e um judeu, em 29 de novembro de 1947, os países árabes não aceitam. Com a fundação de Israel, em 14 de maio de 1948, os países árabes invadem o novo país, dando início a uma guerra sem fim.

O povo palestino é formado pelos árabes expulsos de suas terras quando Israel nasce e de seus descendentes. A diáspora palestina fica ainda pior depois da Guerra dos Seis Dias (1967), quando Israel ocupa a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, do Egito; as Colinas do Golã, da Síria; e a Cisjordânia, inclusive o setor oriental da Jerusalém, da Jordânia.

O Egito recupera o Sinai com os Acordos de Camp David (1979) e a questão palestina fica para trás. As negociações árabe-israelenses recomeçam na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991, quando há uma atitude favorável a Israel por não ter reagido aos ataques de Saddam Hussein durante a Guerra do Golfo (1991) para expulsar os iraquianos do Kuwait.

As negociações não avançam. A cada reunião, os dois lados dão declarações acusatórias. Os palestinos não fazem nada sem consultar a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), de Yasser Arafat. Então, o governo trabalhista de Yitzhak Rabin e Shimon Peres decide fazer negociações secretas organizadas pela Noruega.

Esse processo leva à declaração de princípios e ao histórico aperto de mãos entre Rabin e Arafat na Casa Branca em 13 de setembro de 1993 e aos acordos de Oslo. O assassinato de Rabin por um extremista religioso em 4 de novembro de 1995 e a ascensão do primeiro-ministro conservador Benjamin Netanyahu causam uma estagnação no processo de paz.

Historicamente, o Partido Likud, de Netanyahu, usa as negociações como uma forma de ganhar tempo enquanto amplia a colonização da Cisjordânia para criar uma política de fato consumado.

O general Ariel Sharon, um dos mais violentos da história de Israel, sai do Likud e funda o partido Kadima (Avante) para negociar a paz, mas sofre um AVC e não se recupera. 

O Likud volta com Netanyahu, o primeiro-ministro com mais tempo no poder em Israel, superando o fundador do país, David Ben Gurion. O resultado é esta guerra sem fim, agravada pela formação do governo mais extremista da história de Israel em dezembro de 2022 e especialmente pelo ataque terrorista do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e aliados em 7 de outubro de 2023.

A guerra sem fim passou de um conflito de baixa intensidade para uma guerra para valer, com o uso de todas as armas, menos as bombas atômicas, que Israel também tem. No momento, sob o pretexto de pressionar o Hamas a libertar os reféns, Israel impõe um cerco de Gaza, onde há dois meses não entra nem ajuda humanitária.

Com esta guerra total, Netanyahu quer criar um ambiente insuportável para que os palestinos aceitem a ideia ventilada pelo presidente Donald Trump de uma emigração voluntária para esvaziar o território numa limpeza étnica que acabaria com qualquer chance de fundação de um Estado palestino no território histórico da Palestina, como previa a resolução da ONU que criou o Estado de Israel em 29 de novembro de 1947.