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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

POR QUE VOTO EM LULA

Esta não é uma eleição normal. Está em jogo muito mais do que um mandato presidencial de quatro anos. A democracia e a liberdade estão sob ameaça de um movimento que tentou dar um golpe de Estado para não entregar o poder e deve tentar se novo se anular as condenações.

Então, não é hora para se omitir. É preciso tomar uma posição clara. Pela democracia, pela liberdade, pela saúde, pela educação, pela ciência, pela cultura e pelos programas sociais para criar um país mais justo, eu voto em Lula.

Hoje na História do Mundo: 23 de Outubro

BRUTUS SE SUICIDA

    Em 42 antes de Cristo, Marco Júnio Brutus, um dos assassinos do ditador Caio Júlio César, se mata depois da derrota na Batalha de Filipos, na Macedônia, para um exército comandado por Marco Antônio, Otávio e Marco Emílio Lépido, outro general de César. Desde 43 AC, eles formam o segundo triunvirato da República Romana.

Dois anos antes, Brutus se junta à conspiração de seu cunhado, o senador Caio Cássio Longino, contra Júlio César, acusado de se tornar um ditador e de ameaçar a república. O assassinato de César, em 44 AC, deflagra uma nova série de guerras civis e acaba com a república.

Primeiro, Antônio e Otávio vencem os republicanos Brutus e Cássio, que também se suicida. Lépido é afastado em 36 AC. Três anos depois, Antônio e Otávio rompem. Acaba o segundo triunvirato.

Em 31 AC, por articulação de Otávio, o Senado declara guerra a Cleópatra, rainha do Egito, ex-amante de César e amante de Marco Antônio, acusado de traição por se unir a uma estrangeira. Em 2 de setembro, Otávio vence a Batalha de Ácio, na Grécia. Antônio e Cleópatra fogem para o Egito e se suicidam, embora exista uma versão de que ela foi morta por soldados de Otávio.

Vitorioso, Otávio é coroado imperador em 27 AC com o nome de Otávio César Augusto. É o fim da República Romana, que é imperialista desde as Guerras Púnicas (264-143 AC), quando derrota Cartago a assume a hegemonia sobre o Mar Mediterrâneo.

NASCIMENTO DE PELÉ

    Em 1940, nasce em Três Corações, no estado de Minas Gerais, Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, maior jogador de futebol de todos os tempos.

A família se muda para Bauru, de onde Pelé é levado para o Santos pelo ex-jogador Valdemar de Brito. Pelé estreia na seleção brasileira em 1956, numa derrota por 2-1 para a Argentina, e ganha a primeira Copa do Mundo aos 17 anos, em 29 de junho de 1958.

Pelé é três vezes campeão do mundo pelo Brasil e duas vezes pelo Santos. Até hoje, é o maior artilheiro da seleção masculina. Ao todo, marcou 1.283 gols, 0,85 gol por jogo, acima dos atuais supercraques Lionel Messi (0,8) e Cristiano Ronaldo (0,73). É o único jogador com mais de mil gols.

REVOLTA CONTRA O STALINISMO

    Em 1956, uma manifestação estudantil reúne milhares de pessoas no Centro de Budapeste, marcha até o Parlamento e um grupo invade a Rádio Europa Livre para divulgar sua mensagem contra o regime comunista linha-dura. É atacado pela Autoridade de Proteção do Estado, a polícia política, o que deflagra uma revolta popular contra o regime stalinista de Matyas Rakosi e as tropas da União Soviética estacionadas na Hungria.

Depois da morte do ditador Josef Stalin, em 5 de março de 1953, o novo líder soviético, Nikita Kruschev, denuncia os crimes de stalinismo no 20º Congresso do Partido Comunista da URSS, realizado de 14 a 26 de fevereiro de 1956.

Em consequência, surgem alas liberalizantes e reformistas nos PCs. Com o levante, o reformista Imre Nagy assume a liderança do partido na Hungria em 24 de outubro. A ala reformista toma o poder, admite não comunistas no governo, promete reformas democráticas, dissolve a polícia política e retira a Hungria unilateralmente do Pacto de Varsóvia, a aliança militar liderada pela URSS.

Uma grande invasão soviética, em 4 de novembro, com 31.550 soldados e 1.130 tanques, derruba Nagy e restaura o regime stalinista sob a chefia de Janos Kadar, que fica no poder até 1988. Pelo menos 772 soldados da URSS e dos stalinistas húngaros e de 2,5 e 3 mil rebeldes morrem na revolta, que termina em 11 de novembro. Cerca de 200 mil pessoas fogem da Hungria.

Nagy se refugia na Embaixada da Iugoslávia, mas é preso e executado em 16 de junho de 1958. Com a queda do comunismo, em 1989, Nagy e seus aliados na revolta de 1956 são reabilitados e reenterrados com honras de heróis.

TERROR NO LÍBANO

    Em 1983, uma terrorista suicida explode um caminhão-bomba no quartel-general dos fuzileiros navais dos Estados Unidos em Beirute, no Líbano, matando 241 soldados, e um ataque semelhante mata 58 soldados da Legião Estrangeira da França poucos minutos depois.

O grupo extremista muçulmano Jihad Islâmica (Guerra Santa Islâmica) reivindica a autoria dos atentados, que causam a retirada das forças internacionais do Líbano.

Depois da dissolução do Império Otomano, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a França obtém um mandato da Liga das Nações para administrar a Síria e o Líbano.

O Líbano se torna independente em 1943 com um frágil equilíbrio entre os grupos étnicos e um acordo pelo qual o presidente e o comandante do Exército são cristãos, o primeiro-ministro é muçulmano sunita e o presidente do Parlamento, muçulmano xiita.

Quando Israel vence a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e ocupa territórios árabes, os palestinos fogem, principalmente para a Jordânia, onde a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) tenta dar um golpe contra o rei Hussein e é alvo de um massacre no Setembro Negro, em 1970.

Muitos palestinos se refugiam no Líbano, rompendo o frágil equilíbrio entre cristãos e muçulmanos. A Guerra Civil Libanesa (1975-90) começa com combates entre guerrilheiros palestinos e milícias cristãs. 

As tropas das potências estão no país desde agosto de 1982. Em tese, são uma força de paz para proteger a saída dos palestinos do Líbano, depois que Israel invade o país em 6 de junho para expulsar a OLP. Sem poder enfrentar uma força superior, a resistência libanesa recorre ao terrorismo suicida.

TERROR NO TEATRO EM MOSCOU

    Em 2002, cerca de 50 rebeldes chechenos invadem um teatro lotado em Moscou e fazem 800 reféns.


 
O segundo ato de um musical está começando, quando os terroristas entram no palco do Paláco da Cultura e disparam rajadas de metralhadora para o ar. Entre eles, há mulheres com explosivos presos junto ao corpo.

Ao se apresentar como soldados do Exército da Chechênia, os terroristas fazem sua exigência: a retirada total das forças militares da Rússia da Chechênia, uma república da Federação Russa da região do Norte do Cáucaso.

A Primeira Guerra da Chechênia vai de 11 de novembro de 1994 a 31 de agosto de 1996. Mais de 100 mil pessoas morrem e a Rússia perde.  

A Segunda Guerra da Chechênia é iniciada em 26 de agosto de 1999 pelo então primeiro-ministro Vladimir Putin para firmar sua liderança como herdeiro político do presidente Boris Yeltsin com uma política de terra arrasada. Vai até 16 de abril de 2009. Mais de 23 mil pessoas morrem.

Depois de 57 horas e da morte de dois reféns, forças especiais da Rússia atacam os terroristas em 26 de outubro. Usam um gás narcótico dentro do teatro que deixa quase todos os que estavam lá dentro inconscientes.

A maioria dos guerrilheiros e 120 reféns morrem no ataque. As forças especiais se defendem alegando que sem a surpresa os terroristas teriam detonado os explosivos.

Putin endurece ainda mais na Chechênia. Os rebeldes fazem novos ataques terroristas, em 6 de fevereiro de 2004 contra o metrô de Moscou, com 41 mortes, e  tomam, em em 1º de setembro, uma escola em Beslan, na Ossétia do Norte, onde pelo menos 334 pessoas morrem, inclusive 156 crianças.

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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 28 de Setembro

BATALHA DE MURSA MAIOR

    Em 351, o imperador Constâncio II, do Império Romano do Oriente, com sede em Constantinopla, vence o usurpador Flávio Magnêncio na Batalha de Mursa, considerada a mais sangrenta do século 4.

O general Magnêncio depõe e mata em 18 de janeiro de 350 o augusto (sucessor) do Ocidente, Constante I, se autoproclama imperador e recebe o apoio da Britânia, da Gália e da Hispânia.

Magnêncio propõe uma aliança a Constâncio II, com o duplo casamento do usurpador com Constantina, irmã de Constante I e Constâncio II, e de Constâncio II com a filha de Magnêncio. Constâncio, Constantina e Constante são filho do imperador Constantino I (306-337).

Constâncio II rejeita a proposta de conciliação e prende todos os embaixadores de Magnêncio, menos um, que leva a resposta. O resultado é mais uma guerra civil dentro do Império Romano.

Depois de sofrer derrota em Siscia, hoje Sisek, na Croácia, e em Sírmio, hoje Sremska Mitrovica, na Sérvia, Magnência cerca as forças de Constâncio II em Mursa, hoje Osijek, na Croácia.

Mesmo tendo menos soldados, Constâncio II resiste ao cerco e, com a força de sua cavalaria, vence o inimigo. É a primeira derrota de legionários romanos para uma cavalaria pesada, mas os vencedores sofrem mais perdas (30 mil homens) do que os vencidos (24 mil).

INVASÃO NORMANDA

    Em 1066, Guilherme, o Conquistador, Duque da Normandia, invade a Inglaterra, iniciando uma nova era na história do país depois de vencer o rei Haroldo II na Batalha de Hastings, em 14 de outubro, com a ajuda de arqueiros e cavalaria, armas de guerra decisivas na Idade Média.

Guilherme é filho bastardo de Roberto I, Duque da Normandia. Como não tem outros filhos, o duque o nomeia sucessor. Com a morte do pai, em 1035, aos sete anos, Guilherme vira Duque da Normandia.

Em 1051, ele teria visitado o rei Eduardo, o Confessor, seu primo, que não tinha filhos e teria lhe prometido o trono da Inglaterra. Mas, no seu leito de morte, Eduardo muda de ideia e oferece o trono a Haroldo Godwinson, filho da família mais nobre da Inglaterra, mais poderoso do que o próprio rei.

Quando Eduardo morre e Haroldo é proclamado sucessor, Guilherme não aceita e prepara a invasão. Haroldo II também enfrenta o rei Haroldo III, da Noruega, e o próprio irmão, Tostigo, que unem forças e invadem a Inglaterra vindo da Escócia.

Haroldo II vence e mata os dois na Batalha de Stamford Bridge, em 25 de setembro. Ao fazer isso, deixa desguarnecido o Canal da Mancha. Três dias depois, Guilherme desembarca em Pevensey com 7 a 12 mil homens, a metade arqueiros e cavaleiros.

Então, Haroldo marcha para o Sul com um exército de 5 a 13 mil homens, quase todos soldados de infantaria. A Batalha de Hastings começa às nove da manhã e vai até o anoitecer. A morte de Haroldo II sela a derrota dos anglo-saxões. Estima-se que tenham morrido 2 mil homens de cada lado. Nunca mais um anglo-saxão ocupou o trono da Inglaterra.

Guilherme I é coroado no Natal de 1066 na Abadia de Westminster, dando início à Dinastia Normanda. A Conquista Normanda é consolidada com a expropriação das terras dos ingleses, entregue a seus aliados do continente, e o expurgo dos ingleses da Igreja e de altos cargos governamentais. Muitos anglo-saxões fogem para a Escócia, a Irlanda e a Escandinávia.

A língua inglesa, uma mistura do francês antigo, do latim e de línguas germânicas dos anglo-saxões, é um fruto da Conquista Normanda.

Outra consequência foi a formação de um reino que ia da Inglaterra à Normandia, no Norte da França, e que mais tarde incluiria a Aquitânia, levando o rei da Inglaterra a reivindicar várias vezes a coroa francesa, como na Guerra dos Cem Anos (1337-1453).

Só em 1801, no início da era de Napoleão Bonaparte, o então Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda abre mão da reivindicação de soberania sobre a França, inclusive porque o imperador da França poderia reivindicar a coroa britânica. Napoleão só não invade a Inglaterra porque a Marinha Real britânica sob o comando do almirante Horácio Nelson vence os franceses nas batalhas de Abukir (1799) e Trafalgar (1805).

BATALHA DE YORKTOWN

    Em 1781, o Exército Continental, sob o comando de George Washington, com o apoio de um exército francês liderado pelo Marquês de Lafayette e do Conde de Rochambeau, começa o cerco de Yorktown. A batalha termina com a rendição das forças do Império Britânico sob o comando do Lorde Charles Cornwallis e ao fim da Guerra da Independência dos Estados Unidos, que acaba oficialmente com o Tratado de Paris assinado em 3 de setembro de 1783.

O Reino Unido envia uma frota com 7 mil homens, mas é tarde demais. Com 14 mil soldados, as forças franco-norte-americanas tomam as posições fortificadas do Exército Real  em Yorktown. Cercado, com menos armas e escassez de comida, os britânicos se rendem em 19 de outubro de 1781. É o fim da guerra. A partir daí, os britânicos começam a negociar o fim do conflito.

LEI DO VENTRE LIVRE

    Em 1871, o Senado aprova e entra em vigor no Brasil a Lei do Ventre Livre, que dá liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir desta data, dentro do movimento pela abolição da escravatura.

Mais de 5 milhões de africanos são trazidos para o Brasil como escravos desde o século 16. Com a Revolução Industrial, em 1807, o Reino Unido abole a escravidão (em 1833 nas colônias) porque a indústria precisa de consumidores e começa a pressionar outros países a fazer o mesmo.

O Brasil proíbe o tráfico de escravos em 1850 com a Lei Eusébio de Queirós. No mesmo ano, o deputado cearense Silva Guimarães apresenta um projeto para libertar as crianças filhas de escravos, mas a proposta é rejeitada.

Em 1866, o Visconde de São Vicente propõe cinco projetos. O Conselho de Estado unifica as propostas no que seria a base da Lei do Ventre Livre, mas a Guerra do Paraguai (1864-70) atrasa a tramitação. 

O projeto volta à pauta do Congresso em 1871. Também é chamado de Lei Rio Branco, por ter sido aprovada sob o primeiro-ministro José Maria da Silva Paranhos, o Visconde do Rio Branco, pai do Barão do Rio Branco, o mais importante ministro das Relações Exteriores do Brasil.

FIDEL DEIXA CUBANOS SAÍREM

    Em 1965, o ditador Fidel Castro anuncia que todos os cubanos quiserem sair do país são livres para fazer isso. deflagrando uma onda migratória em que centenas de milhares vão de Cuba para a Flórida.

A revolução toma o poder em Havana em 1º de janeiro de 1959, depois de anos de luta contra a ditadura de Fulgencio Batista, apoiada pelos Estados Unidos, que apoiam a fracassada tentativa de invasão da Baía dos Porcos, em abril de 1961, e impõem um embargo econômico a Cuba.

Na Crise dos Mísseis em Cuba, em outubro de 1962, os EUA reagem à tentativa da União Soviética de instalar mísseis nucleares na ilha. O mundo nunca esteve tão perto de uma guerra nuclear. Em troca da retirada dos mísseis, os EUA fazem um acordo tácito para não invadir Cuba.

DEGELO DO ÁRTICO

    Em 2018, o navio de carga Venta Maersk chega a São Petersburgo, na Rússia Europeia, mais de um mês depois de sair de Vladivostok, no extremo leste do país, viajando por uma rota aberta no Polo Norte pelo degelo do Oceano Ártico.

Antes da redução da calota polar ártica pelo aquecimento global, a viagem era feita contornando o Sudeste Asiático, e atravessando o Oceano Índico para cruzar o Canal de Suez e o Mar Mediterrâneo até chegar ao Oceano Atlântico.

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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 7 de setembro

CRUZADA DOS REIS

    Em 1191, na Terceira Cruzada, o exército muçulmano do sultão Saladino ataca as forcas do rei Ricardo I, da Inglaterra, na Batalha de Arçufe, na Palestina, na marcha de Acre a Jafa. Ricardo Coração de Leão contra-ataca ao entardecer, mas sua marcha rumo a Jerusalém é retardada.

As Cruzadas são uma série de nove expedições militares dos cristãos para tentar reconquistar Jerusalém, tomada pelo califa Omar em 638. Depois do ano 1000, o patriarca da Igreja Ortodoxa de Constantinopla, capital do Império Bizantino, pede ajuda à Igreja Católica Romana.

Jesus Cristo pediu aos seres humanos para amarem uns aos outros. No Concílio de Clermont, em 27 de novembro de 1095, o papa Urbano II manda matar os infiéis e promete a remissão de todos os pecados para quem for voluntariamente para a guerra contra os muçulmanos.

A Primeira Cruzada (1096-99) é a única a conquistar Jerusalém. Funda em território da Palestina o Reino Cristão de Jerusalém (1099-1291). 

A Segunda Cruzada (1145-49), anunciada pela Papa Eugênio II, uma reação à queda de Edessa, é a primeira liderada por reis, Luís VII, da França, e Conrado III, do Sacro Império Romano-Germânico. Os dois exércitos marcham separadamente e são derrotados pelos turcos do Império Seljúcida.

A Terceira Cruzada (1189-92) é a Cruzada dos Reis, de Ricardo I, da Inglaterra, Felipe II, da França, e do sultão Saladino, líder dos muçulmanos. 

Depois da conquista de Acre, Ricardo I quer chegar até o mar, até o porto de Jafa. Em Arçufe, o exército cristão tem 10 mil infantes e 1,2 mil cavaleiros, organizados em 12 regimentos de cavalaria de 100 homens cada, com a infantaria guarnecendo os flancos e besteiros na linha de frente, com flechas muito mais poderosas do que as do inimigo. 

Estima-se que o exército muçulmano seja duas vezes maior, especialmente em cavalaria. O cavalo e o estribo formam a tecnologia militar dominante na Idade Média.

Ricardo resiste ao ataque de Saladino, quando suas forças iam de Acre para Jafa, até receber um reforço dos hospitalários. Ordena então um contra-ataque. Vence a batalha. Isso dá aos cristãos o dominío sobre a costa da região central da Palestina, inclusive o porto de Jafa.

CAMPANHA DA RÚSSIA

    Em 1812, o Grande Exército de Napoleão Bonaparte vence com muitas perdas a Batalha de Borodino contra o exército da Rússia sob o comando do general Mikhail Kutuzov a cerca de 110 quilômetros de Moscou.

Os russos recuam diante da invasão napoleônica, iniciada em 24 de junho, para evitar um confronto direto e se entrincheiram em Borodino para deter o avanço do inimigo rumo a Moscou. São 130 mil soldados de Napoleão com 500 tanques contra 120 mil russos com 600 canhões.

Napoleão faz um ataque frontal às seis da manhã. Até o meio-dia, os dois lados avançam e recuam na linha de frente, até que a artilharia dá vantagem à França, mas os russos resistem a sucessivas ofensivas.

O imperador francês não coloca em combate a Guarda Imperial, de 20 mil homens, e mais 10 mil soldados. Como Kutuzov não tem mais homens para entrar em ação, Napoleão perde a oportunidade de ter uma vitória decisiva. 

É uma vitória de Pirro, referência ao general que derrotou Roma duas vezes, em Heracleia (280 AC) e Ásculo (279 AC), mas suas forças sofreram tantas perdas que, ao andar pelo campo de batalha, vaticina: "Mais uma vitória destas e estou perdido." Perdeu em Malevento (275 AC), que os romanos rebatizaram de Benevento.

Com os soldados exaustos à tarde, a Batalha de Borodino continua até a noite com disparos de artilharia. À noite, Kutuzov recua. Napoleão entra em Moscou uma semana depois, em 14 de setembro, sem oposição. Os russos recuam e queimam a cidade para que o inimigo fique sem comida e sem abrigo.

Sem conseguir tomar o poder na Rússia, cinco semanas depois, Napoleão se retira, pega as chuvas e o frio do outono russo. É atacado à retaguarda pelos russos, na Batalha de Krasnol, de 15 a 18 de novembro de 1812. Sai da Rússia em 14 de dezembro.

A campanha da Rússia é a sua maior derrota. O Grande Exército de Napoleão invade a Rússia com algo entre 450 e 640 mil soldados, 150 mil cavalos e 1,4 mil peças de artilharia. Deixa a Rússia em 14 de dezembro. Pelo menos 380 mil morrem. Cerca de 120 mil sobrevivem, 50 mil austríacos, prussianos e outros alemães, 20 mil poloneses e 35 mil franceses. Muitos desertam.

 TIO SAM

    Em 1813, os Estados Unidos ganham seu apelido quando um jornal registra que os soldados que lutavam na Guerra de 1812 contra o Império Britânico chamam de Uncle Sam (Tio Sam) as embalagens de carne que o Exército recebe do comerciante William com US, de United States, escrito na caixa.

O desenho do Tio Sam aí em cima é feito pela primeira em 1870 pelo cartunista Thomas Nest em homenagem ao presidente Abraham Lincoln. É um senhor de cabelos brancos e barbicha vestido com as cores da bandeira, azul, vermelho e branco, e uma cartola adornada com uma faixa azul marinho e estrelas brancas.

A pedido das Forças Armadas, em 1917, com a intervenção dos EUA na Primeira Guerra Mundial (1914-18), a imagem é refeita com o slogan "eu quero você". O Tio Sam quer que os norte-americanos se alistem para lutar na Europa.

Desde então, a imagem é associada ao imperialismo e ao militarismo norte-americano. 

INDEPENDÊNCIA DO BRASIL

    Em 1822, sob pressão das cortes portuguesas, que querem rebaixar o Brasil a colônia, o príncipe-regente Dom Pedro dá um grito às margens do Riacho Ipiranga, em São Paulo, e proclama: “Independência ou Morte!”

No fim do século 18, há cogitações em Lisboa sobre a conveniência de transferir a sede do governo para o Brasil a fim de não perder sua maior colônia. Isto acontece quando as forças do imperador francês Napoleão Bonaparte invadem Portugal em 1807. 

Por causa da aliança histórica com o Reino Unido, Portugal não adere ao Bloqueio Continental imposto por Napoleão ao comércio com os britânicos. A família real zarpa para o Brasil em 27 de novembro de 1807.

A chegada da família real chega a Salvador, em 22 de janeiro de 1808, e a abertura dos portos às nações amigas significam uma independência na prática. Em 1815, depois da derrota final de Napoleão, quando as monarquias europeias são restauradas, formam a Santa Aliança e o Concerto Europeu, o Brasil é elevado a Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve porque a capital do Império Português não poderia ficar numa colônia.

O Rio de Janeiro é a única cidade do Hemisfério Sul que foi capital de um império que se estendia por quatro continentes: América, África, Europa e Ásia.

Com a Revolução do Porto, em 1820, o rei Dom João VI é pressionado a voltar para Lisboa com toda a máquina administrativa trazida para o Brasil. Volta no ano seguinte, deixando o filho como príncipe-regente. Aí começa a pressão da corte para cortar os privilégios que o país havia obtido como capital do império.

Em 9 de janeiro de 1822, o príncipe Dom Pedro comunica que vai descumprir a ordem da coroa de voltar imediatamente para Portugal. É o Dia do Fico, quando a ruptura com Lisboa se torna inevitável.

A crise se agrava. Com Dom Pedro em São Paulo, a princesa-regente, Dona Leopoldina, preside a uma reunião do Conselho de Estado no Palácio Imperial da Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. A futura imperatriz e José Bonifácio de Andrada e Silva, o Patriarca da Independência, enviam cartas que Dom Pedro recebe em 7 de setembro às margens do Ipiranga e dá o grito.

O Brasil é um fenômeno único na história. O país se torna independente com a mesma família imperial que está no poder desde a Colônia. É um caso raro de conciliação das elites para manter tudo como está.

UNIFICAÇÃO DA ITÁLIA

    Em 1860, durante a luta pela unificação da Itália, Giuseppe Garibaldi entra em Nápoles e se declara "ditador das Duas Sicílias".

A Expedição dos Mil é um momento-chave da Segunda Guerra da Independência da Itália, quando os Camisas Vermelhas, sob o comando de Garibaldi, que luta na Revolução Farroupilha (1835-45) e no Uruguai, um especialista em guerra de guerrilhas, desembarcam na Sicília Ocidental e conquistam o Reino das Duas Sicílias, antes dominado pela Dinastia dos Bourbon.

Em 21 e 22 de julho de 1858, o imperador Napoleão III, da França, e o Reino da Sardenha fazem uma aliança contra o Império Austro-Húngaro pela independência do Norte da Itália.

Em março de 1859, as populações do Grão-Ducado da Toscana, do Ducado de Módena e do Ducado de Parma depõem seus governantes e pedem anexação ao Reino da Sardenha, enquanto a Úmbria e Marcas sofrem duram repressão dos Estados Pontifícios, do Vaticano ou Santa Sé.

O primeiro-ministro da Sardenha e futuro primeiro-ministro da Itália, Camillo Paolo Filipo Giulio Benso, Conde de Cavour, declara guerra à Áustria em 24 de abril de 1859. A Segunda Guerra da Independência da Itália termina em julho. 

Ninguém imagina que a Áustria entre em nova guerra menos de um ano depois da Batalha de Solferino, em 24 de junho de 1859, tão sangrenta que dá origem à Convenção de Genebra à Cruz Vermelha Internacional para socorrer feridos em guerra.

O Armistício de Villafranca reconhece o Reino da Sardenha e Lombardia, mas não o Vêneto. O Tratado de Turim, de 24 de março de 1860, cede a Saboia e Nice à França, enquanto o movimento nacional italiano ganha a anuência do imperador francês para a anexação da Toscana e da Romanha.

Em 11 de maio de 1860, Garibaldi e os Camisas Vermelhas invadem a Sicília. Três dias depois, ele se proclama ditador. Com a ajuda de uma insurreição popular, toma Palermo de 27 a 30 de maio.

Com o controle da Sicília, Garibaldi passa a planejar o ataque ao continente. Em 19 de agosto desembarca com 20 mil voluntários em Melito di Porto Salvo, na Calábria, no Sul da Itália. Como o rei Francisco II abandona Nápoles, o revolucionário de dois continentes, herói em três países, entra na cidade praticamente sem resistência.

Em 21 de outubro, um referendo aprova a anexação do Reino das Duas Sicílias ao Reino da Sardenha. A unificação da Itália acontece oficialmente em 17 de março de 1861, sob o rei da Sardenha, Vitor Emanuel II, da Dinastia de Saboia.

FIM DA GUERRA DOS BOXERS

    Em 1901, a assinatura de um protocolo acaba com a Guerra dos Boxers, uma revolta anti-imperialista que não consegue expulsar os estrangeiros da China.

A derrota na Guerra Sino-Japonesa de 1894-95 acaba com a milenar ordem sinocêntrica na Ásia. Marca o início da fase terminal do Império Chinês. No Norte, os chineses temem o aumento da influência estrangeira e se ressentem dos privilégios dos missionários cristãos. Em 1898, a região sofre várias catástrofes naturais, como seca e enchente do Rio Amarelo, aumentando o descontentamento.

A Guerra dos Boxers (1899-1901) é uma rebelião antiestrangeiros, anticolonial e anticristã no final da Dinastia Ching travada pela Sociedade dos Punhos Harmoniosos e Justiceiros, na maioria lutadores de kung fu sem armas de fogo.

A partir de 18 de outubro de 1899, os boxers destroem propriedades estrangeiras como as ferrovias e assassinam cristãos e missionários cristãos. Em junho de 1900, os boxers convergem para Beijim e cercam a cidade. Um exército formado por EUA, Reino Unido, França, Áustria-Hungria, Alemanha, Itália, Rússia e Japão invade a China em 17 de junho.

Em 21 de junho, a imperatriz Cixi baixa um decreto imperial declarando guerra às potências invasoras e manda matar todos os estrangeiros da capital chinesa, inclusive diplomatas. A aliança invasora rompe as defesas de Beijim em 14 de agosto. A cidade é saqueada e pilhada,

O Protocolo Boxer, de 7 de setembro 1901, prevê execução sumária de funcionários públicos que lutam pela rebelião, provisões para as tropas estrangeiras estacionadas em Beijim e 450 milhões de taéis de prata – mais do que a arrecadação anual do governo chinês – de indenização a serem pagos ao longo de 39 anos para as oito potências da aliança.

ENTREGA DO CANAL

   Em 1977, o presidente Jimmy Carter e o ditador Omar Torrijos assinam dois tratados para transferir o controle do Canal do Panamá dos Estados Unidos para o Panamá em 1999.

A companhia francesa que abre o Canal de Suez inicia a obra do canal para ligar os oceanos Atlântico e Pacífico em 1880. Quebra por problemas de engenharia e doenças tropicais. O trabalho do médico sanitarista brasileiro Oswaldo Cruz contra a febre amarela ajudaria a realizar a obra.

O Panamá pertence à Colômbia. Quando o governo colombiano, enfraquecido pela Guerra dos Mil Dias (1899-1902) entre liberais e conservadores, rejeita a proposta norte-americana, os EUA promovem a independência do Panamá, em 3 de novembro de 1903.

A construção do canal começa em 4 de maio de 1904 e termina em 1913. O canal é inaugurado oficialmente em 15 de agosto de 1914.

O coronel Omar Torrijos, um nacionalista, chega ao poder num golpe militar em 1968, mas conta com apoio popular e negocia a soberania do país sobre o canal e a Zona do Canal, um enclave dos EUA.

Dois tratados garantem a soberania sobre o canal. O primeiro é o Tratado sobre a Neutralidade Permanente e e Operação do Canal, mais conhecido como Tratado da Neutralidade. O segundo é o Tratado do Canal do Panamá, que estabelece que o Panamá assume o controle total do canal a partir do ano 2000.

Ambos foram ratificados por maiores de dois terços em referendo realizado no Panamá em 23 de outubro de 1977. Depois de assumir o controle do canal, o país vive uma era de prosperidade. Quando volta à Casa Branca, em janeiro de 2025, o presidente Donald Trump ameaça retomar o Canal do Panamá.

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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 24 de Agosto

ERUPÇÃO DO VESÚVIO

    No ano 79 da era cristã, o vulcão Vesúvio entra em erupção no que hoje é o Sul da Itália, na época parte do Império Romano, e arrasa as cidades de Herculano e Pompeia, matando milhares de pessoas.

Em 17 minutos, o Vesúvio mata toda a população de Pompeia. As duas cidades são cobertas por uma grossa camada de lava e poeira vulcânica e não são reconstruídas. Ficam praticamente esquecidas até serem redescobertas no século 18.

O Vesúvio é o único vulcão ativo da Europa. A última grande erupção foi em 1631 e a mais recente em 1944. Cerca de 700 mil pessoas vivem em áreas próximas, que seriam atingidas numa grande erupção.

VISIGODOS SAQUEIAM ROMA

    Em 410, Alarico I, rei dos visigodos, é o primeiro líder germânico a tomar Roma, num dos marcos da queda do Império Romano do Ocidente. Depois de três dias de saques, os visigodos deixam a cidade e rumam para o Sul da Itália levando como refém Galla Placidia, irmã do imperador Honório.


Na época, Roma não é mais capital do Império Romano do Ocidente, transferida pela Mediolano (hoje Milão) em 286 e Ravena em 402. É a primeira vez que a Cidade Eterna cai sob o poder de um estrangeiro, desde que o líder gaulês Breno a tomou, em 390 antes de Cristo. 

O imperador Teodósio II, do Império Romano do Oriente, decreta três dias de luto em Constantinopla. São Jerônimo, que vive em Belém, comenta: "A cidade que conquistou o mundo inteiro foi conquistada."

Alguns romanos atribuem o saque à ira dos deuses pagãos tradicionais, abandonados desde que o imperador Constantino acaba com a perseguição aos cristãos, em 313, e o imperador Teodósio I adota o cristianismo como religião oficial do império, em 380.

Os ataques ao cristianismo levam Santo Agostinho a escrever o livro A Cidade de Deus, uma das obras fundamentais do catolicismo.

Um saque ainda mais violento de Roma é feito pelos vândalos, em 455. O Império Romano do Ocidente acaba em 4 de setembro de 476, quando Flávio Odoacro, filho de um príncipe da corte de Átila, o reino dos hunos, depõe o imperador Rômulo Augusto, mais conhecido Augústulo, que significa pequeno Augusto. Odoacro se torna o primeiro rei da Itália.

MASSACRE DA NOITE DE SÃO BARTOLOMEU

    Em 1572, sob pressão da rainha-mãe, Catarina de Medici, o rei Carlos IX da França manda matar os líderes dos protestantes huguenotes em Paris, deflagrando o massacre de dezenas de milhares de huguenotes na noite do Dia de São Bartolomeu.

Dois dias antes, a rainha-mãe ordena o assassinato do almirante Gaspard de Coligny, um líder huguenote, temendo que leve o filho a uma guerra com a Espanha. O almirante, que tem um forte com seu nome na França Antártida, criada pela Invasão Francesa ao Rio de Janeiro em 1555, sai ferido. O rei promete investigar para acalmar os huguenotes. A mãe o convence de que eles estão prestes a se rebelar.

Com o beneplácito da coroa, hordas de católicos sedentos de sangue atacam os huguenotes, primeiro em Paris, depois por toda a França. O rei baixa um decreto no dia 25, mas a matança continua até outubro. Pelo menos 3 mil huguenotes são mortos em Paris e 70 mil em toda a França.

WASHINGTON EM CHAMAS

    Em 1814, durante a Guerra Anglo-Americana de 1812, os britânicos tomam a capital dos Estados Unidos e incendeiam vários prédios públicos, inclusive o Capitólio e a sede do governo, que ainda não se chama Casa Branca.

A Revolução Francesa de 1789 e as guerras napoleônicas (1799-1815) geram instabilidade política nos EUA. Os federalistas admiram o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, e os republicanos simpatizam com a França. O Império Britânico vê uma oportunidade para reconquistar a ex-colônia. Passa a fornecer armas aos indígenas ao sul dos Grandes Lagos e os estimula a atacar os pioneiros que desbravam o Oeste.

Em resposta ao Bloqueio Continental imposto por Napoleão Bonaparte ao comércio com o Reino Unido, este país, que domina o Oceano Atlântico desde a vitória do almirante Horace Nelson na Batalha de Trafalgar (1805), impede o comércio transatlântico com a França e afunda ou apreende os navios norte-americanos.

Na expectativa de conquistar o Canadá, o presidente James Madison declara guerra ao Reino Unido, aprovada pelo Congresso em 17 de junho de 1812. A guerra começa no dia seguinte. A invasão ao Canadá é repelida. 

Depois da derrota e abdicação de Napoleão em Fontainebleau, em 11 de abril de 1814, o Reino Unido decide lançar uma operação punitiva contra a ex-colônia, sob o comando do general Robert Ross e do almirante George Cochrane.

Uma esquadra de 17 navios leva 4 mil soldados experientes nas guerras da Europa. Eles desembarcam em Benedict, no estado de Maryland, em 19 de agosto de 1814. Sem grande resistência, tomam e incendeiam Washington. A letra do Hino dos EUA é um poema de exaltação à resistência da "terra dos livres e lar dos bravos".

Os britânicos se retiram depois de 26 horas. Menos de quatro dias mais tarde, uma tempestade e um tornado apagam as chamas e causam uma destruição ainda maior. A paz é assinada em Gante, na Bélgica, em 24 de dezembro de 1814, mas os combates só terminam em 24 de maio de 1815 porque alguns generais britânicos não sabem do acordo.

ESPANHA RECONHECE INDEPENDÊNCIA DO MÉXICO

    Em 1821, onze anos depois do início da guerra da independência, o vice-rei espanhol Juan O’Donojú assina o Tratado de Córdoba, um plano para transformar o México em uma monarquia constitucional

A invasão de Napoleão Bonaparte à Espanha, em 1808, na Guerra Peninsular, meses depois de invadir Portugal, deflagra a independência das colônias americanas.

Em 16 de setembro de 1810, o padre Miguel Hidalgo y Costilla dá o Grito de Dolores, proclamando a independência do que até então era a Nova Espanha, com propostas de redistribuição da terra e igualdade racial. Ele é derrotado, capturado e executado, mas a semente da revolta está plantada.

Outros líderes camponeses, José María Morelos y Pavón, Mariano Matamoros e Vicente Guerrero comandam exércitos rebeldes. Por ironia da história, a vitória cabe aos monarquistas, mexicanos conservadores de origem espanhola.

Na falta de uma família real, em 1822, Agustín de Iturbide, o comandante militar rebelde, é proclamado imperador do México. Seu reino é curto. Em 1823, Guadalupe Victoria e Antonio López de Santa Ana o depõe e proclamam a república. Santa Ana perde mais de 40% do território mexicano para os EUA.

SUICÍDIO DE VARGAS

    Em 1954, o presidente Getúlio Vargas se mata com um tiro no peito no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, sob forte pressão da oposição e dos militares desde o atentado da Rua Tonelero contra o deputado Carlos Lacerda, líder da oposição, em 5 de agosto, quando morre o major-aviador Rubens Vaz.

Getúlio Dornelles Vargas nasce em São Borja, no Rio Grande do Sul, em 19 de abril de 1882, e inicia a carreira política como herdeiro de Júlio de Castilhos e Borges de Medeiros. É eleito deputado estadual em 1909 pelo Partido Republicano Rio-Grandense, deputado federal em 1923 e presidente (assim se chama na época) do Rio Grande do Sul em 1927. Antes, é ministro da Fazenda do presidente Washington Luiz (1926-30) durante um ano.

Em 1930, Vargas disputa a Presidência do Brasil com o paulista Júlio Prestes, candidato da oligarquia café com leite (São Paulo e Minas Gerais), que domina a política na República Velha (1889-1930), e perde. Mas o assassinato de seu candidato a vice-presidente, o governador da Paraíba João Pessoa, um crime passional e não político, em 26 de julho de 1930, leva, em 3 de outubro, à Revolução de 30, Vargas assume a Presidência um mês depois.

São Paulo não aceita a nomeação de um interventor e se rebela. A Revolução Constitucionalista de 1932 não consegue derrubá-lo, mas Getúlio convoca uma Assembleia Constituinte. A Constituição de 1934 introduz o voto feminino e tem vida curta. Em 10 de novembro de 1937, um golpe palaciano cria o Estado Novo, uma ditadura que vai até 29 de outubro de 1945, quando Vargas é deposto sobre pressão dos Estados Unidos.

Getúlio volta eleito pelo povo em 1951 e governa até a morte sob pressão das oligarquias e dos militares. Durante seus governos, além do voto feminino, consolida as leis do trabalho, cria a Companhia Siderúrgica Nacional, a Petrobrás e a Eletrobrás.

Na carta-testamento, Vargas acusa forças ocultas de bloquear o desenvolvimento do Brasil. O suicídio adia por dez anos o golpe militar, que vem em 31 de março de 1964. Antes, há uma tentativa de golpe quando o presidente Jânio Quadros renuncia, em 25 de agosto de 1961, quando o vice-presidente João Goulart está em vista à República Popular da China. O governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, resiste, lança a Campanha da Legalidade e garante a posse de Jango.

Vargas deixa os dois como principais herdeiros políticos, o presidente Goulart (1961-64) e o governador Brizola.

PLUTÃO VIRA ANÃO

    Em 2006, a União Astronômica Internacional decide rebaixar Plutão, até então considerado o nono planeta do sistema solar, para planeta anão.

Plutão é descoberto em 1930 por Clide Tombaugh. Formado por rocha e gelo, tem um quinto da massa da Lua e um terço do volume.

Com a descoberta de vários corpos celestes semelhantes a partir de 1992, sua classificação como planeta passa a ser questionada, especialmente depois da identificação, em 2005, de Éris, outro planeta anão, que tem massa 27% maior.

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