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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 20 de Agosto

INÍCIO DA ESCRAVIDÃO NOS EUA

     Em 1619, os primeiros escravos africanos são vendidos na colônia de Jamestown, na Virgínia, no início da escravidão no que hoje são os Estados Unidos.


São mais de 20 angolanos capturados por traficantes de escravos portugueses atacados por piratas em busca de ouro. Quando os piratas veem que são escravos, os vendem aos colonos norte-americanos.

A colônia de Jamestown, fundada em 1607 e batizada em homenagem ao rei Jaime I da Inglaterra e Jaime VI na Escócia, tem cerca de 700 habitantes em 1619.

Os escravos são capturados pelos traficantes portugueses nos reinos africanos do Kongo e de Ndongo e embarcados no navio San Juan Bautista, que os levaria a Veracruz, na colônia espanhola da Nova Espanha, hoje México.

Na travessia do Oceano Atlântico, cerca de 150 dos 350 escravos morrem. Dois navios piratas, o Leão Branco e o Tesoureiro, atacam o navio negreiro e tomam 60 escravos. O Leão Branco troca-os por comida em Jamestown.

O tráfico de escravos captura mais de 12 milhões de africanos. A maior parte (5 milhões) vem para o Brasil, outros 3 milhões para a região do Mar do Caribe e 600 mil para os EUA.

DESCOBERTA DO ALASCA

    Em 1741, em viagem a serviço da Rússia, o explorador dinamarquês Vitus Bering encontra  o Alasca.

Bering nasce em Horsens, na Dinamarca, em 1681. Depois de uma viagem às Índias Orientais, ele entra para a frota do czar Pedro I, o Grande, como subtenente.

Em 1724, o czar o nomeia capitão de uma expedição para determinar se a Ásia está ligada à América do Norte ou se existe uma passagem que permita chegar a China contornando os limites da Sibéria.

A expedição parte da Península de Kamchatka em 13 de julho de 1728. Em agosto, passa pelo Estreito de Bering e chega ao Oceano Glacial Ártico. O mau tempo não deixa avistar a América do Norte, mas ele conclui que os dois continentes não estão ligados por terra.

Durante o reinado da imperatriz Ana, Bering integra a Grande Expedição do Norte (1733-43), que mapeia a costa ártica da Sibéria. Em 4 de junho de 1741, ele zarpa de Kamchatka com o navio Saint Peter, enquanto Alexei Chirikov comanda o Saint Paul. Uma tempestade afasta os dois navios. 

Chirikov descobre várias Ilhas Aleutas e Bering chega ao Golfo do Alasca em 20 de agosto. Com escorbuto, Bering perde a capacidade de comandar o navio, destruído durante uma tempestade no porto da Ilha de Bering em novembro. Ele morre em 19 de dezembro de 1741 na Ilha de Bering, batizada em sua homenagem, assim como o estreito por onde se acredita que o homem chegou à America há 24 mil anos. Os sobreviventes conseguem chegar à Sibéria e falar das possibilidades do comércio de peles do Alasca e das Aleutas.

Em 1784, o comerciante de peles russo Grigory Chelikhov funda na ilha de Kodiak a Baía de Três Santos, o primeiro assentamento permanente da Rússia no Alasca. Depois da derrota na Guerra da Crime (1853-56), a Rússia vende o Alasca para os Estados Unidos em 1867.

O negócio é defendido pelo secretário de Estado, William Seward, que enfrenta forte oposição por se tratar de um deserto gelado.

Seward oferece US$ 7,2 milhões e os EUA assumem o controle do território em 18 de outubro de 1867. O negócio é chamado de "loucura de Seward".

A descoberta de ouro no Território de Yukon, no Canadá, em 16 de agosto de 1896 deflagra uma corrida do ouro que inclui o Alasca, a maior da história da América. Cerca de 100 mil garimpeiros vão para a região. A "loucura de Seward" se paga com alto lucro.

QUEDA DE BRUXELAS

    Em 1914, a Alemanha toma Bruxelas, a capital da Bélgica, na invasão inicial da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Com a Europa em crise depois do assassinato do herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, Francisco Ferdinando, em Sarajevo, na Bósnia-Herzegovina, em 28 de junho, a Bélgica reafirma sua neutralidade em 24 de agosto.

A guerra começa em 28 de julho, quando a Áustria-Hungria ataca a Sérvia. A Alemanha, aliada da Áustria-Hungria, invade Luxemburgo em 2 de agosto e exige passagem livre para suas tropas pelo território belga para atacar a França.

Diante da recusa, a Alemanha declara guerra à Belgica e invade o país em 4 de agosto, Começa a Batalha de Liège, que cai em 7 de agosto. Depois das batalhas de Mons e de Charleroi, os exércitos alemães seguem em marcha rumo à França. 

ASSASSINATO DE TROTSKY

    Em 1940, o agente stalinista Jaime Ramón Mercader ataca com uma picareta de alpinismo o líder revolucionário comunista Leon Davidovich Bronstein, mais conhecido como Leon Trotsky, que morre no dia seguinte, na sua casa no exílio na Cidade do México.

Trotsky nasce em Ianovka, na Ucrânia, numa família judaica em 7 de novembro de 1879. Vira marxista na adolescência e larga a Universidade de Odessa para organizar o Sindicato dos Trabalhadores do Sul da Rússia. 

Em 1898, é preso por suas atividades políticas. Dois anos depois, é enviado para a Sibéria. Em 1902, foge usando um passaporte falso em nome de Leon Trotsky.

Ele volta à Rússia para participar da Revolução de 1905. É preso e enviado de novo à Sibéria. Em 1907, escapa mais uma vez. Em mais uma década no exílio, Trotsky vive na Suíça, na França, na Espanha e em Nova York antes de voltar à Rússia em 1917, depois que a Revolução de Fevereiro derruba a monarquia.

Como líder do Soviete de Petrogrado, Trotsky tem um papel decisivo na Revolução de Outubro, que leva os bolcheviques ao poder. Nomeado comissário de Relações Exteriores, negocia a paz de Brest-Litovsk com a Alemanha para tirar a Rússia da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Comissário do Povo para Assuntos Militares e Navais, cria e chefia o Exército Vermelho durante a guerra civil que se segue à Revolução Comunista. Também funda o Politburo do Comitê Central do Partido Comunista e se torna um de seus sete membros.

Depois da morte de Lenin, em 21 de janeiro de 1924, Trotsky perde a disputa pelo poder com Josef Stalin. Em 1925, deixa de ser comissário da Guerra e, em 1927, é afastado do Politburo.

Expulso da União Soviética em fevereiro de 1929, torna-se o maior crítico do stalinismo até ser morto pelo comunista espanhol Ramón Mercader, um agente internacional do Comissariado do Povo para Assuntos Internos (NKVD), a polícia política da URSS no período stalinista.

INDEPENDÊNCIA DO SENEGAL

    Em 1960, a República do Senegal se separa da Federação do Mali e se torna totalmente independente.

No fim do século 19, o que hoje é o Senegal é integrado à África Ocidental Francesa. Em 1946, o país é elevado à categoria de território ultramarino francês. A antiga colônia se torna uma república autônoma em 1958. 

Um ano depois, adere ao Sudão Francês, hoje Mali, para formar a Federação do Mali, que proclama a independência em junho de 1960. Em 20 de agosto, o Senegal se separa e Leopold Sédar Senghor (foto) se torna seu primeiro presidente.

INVASÃO DA TCHECO-ESLOVÁQUIA

    Em 1968, 200 mil soldados e 5 mil tanques do Pacto de Varsóvia, a aliança militar liderada pela União Soviética, invadem a Tcheco-Eslováquia e acabam com a Primavera de Praga, uma tentativa do líder Alexander Dubcek de humanizar o regime comunista.

Os comunistas tomam o poder na Tcheco-Eslováquia em 1948, num golpe apoiado pelo ditador soviético Josef Stalin, e impõem um regime stalinista, padrão na Europa Oriental, ocupada pelo Exército Vermelho no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

A linha dura domina o país até os anos 1960, quando há uma liberalização do regime que atinge o auge sob Dubcek, eleito primeiro-secretário do Partido Comunista em 5 de janeiro de 1968. As tentativas de descentralizar a administração e a economia, e de democratizar o regime criando um "socialismo com face humana" desagradam ao Kremlin.

Os tcheco-eslovacos protestam e resistem à invasão. Vários jovens se autoimolam e morrem queimados na luta pela liberdade, mas são impotentes contra os tanques soviéticos. 

A Tcheco-Eslováquia permanece sob o controle da URSS até a queda do regime comunista na Revolução de Veludo, em novembro de 1989. Os tanques soviéticos só deixam o país em 1991, quando acaba a URSS.

No Divórcio de Veludo, em 1º de janeiro de 1993, o país se divide em República Tcheca e Eslováquia.

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sábado, 4 de julho de 2026

EUA fazem 250 anos com ameaça de Trump à democracia

 Os Estados Unidos completam 250 desde a Declaração de Independência sob a maior ameaça à democracia desde a Guerra da Secessão (1861-65), quando o Sul tentou se separar para manter a escravidão.

A ameaça hoje é o extremista de direita encarnado por Donald Trump, o único presidente que se recusou a reconhecer o resultado de uma eleição e até hoje insiste que ganhou. Trump é racista e tem uma polícia de imigração assassina. Ataca as instituições fundamentais da democracia como a liberdade de imprensa e a independência do Judiciário.

É claro que a democracia norte-americana tem muitos problemas: a escravidão, que o presidente Barack Obama chamou de pecado original da União; a segregação racial e o racismo que persistem até hoje; o imperialismo, o apoio a ditaduras e as intervenções militares; um sistema político desmobilizante, que tenta suprimir o voto das minorias; e, no momento, um Congresso e uma Suprema Corte subservientes à Casa Branca.

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quarta-feira, 25 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 25 de Março

FUNDAÇÃO DE VENEZA

 
    Em 451, é fundada a cidade de Veneza, capital da Província de Veneza e da Região do Vêneto. Situada sobre 117 ilhas ligadas por pontes e separadas por canais, é centro de uma república voltada para o mar, a República Sereníssima de Veneza, uma potência naval, e o principal porto da Europa no fim da Idade Média, uma ponte cultural e comercial com a Ásia.

Famosa pela arquitetura e pelas obras de arte, a cidade antiga é patrimônio histórico, artístico e cultural da humanidade. É a Rainha do Adriático, a Cidade da Água, a Cidade Flutuante, a Cidade dos Canais. uma cidade sem automóveis. Construída sobre ilhas e um solo instável, fica ao abrigo dos exércitos de cavalaria, a tecnologia militar dominante da Idade Média.

A República de Veneza (810-1797), uma potência marítima no fim da Idade Média e durante o Renascimento, ponto de parada nas Cruzadas (1095-1291) e na Batalha de Lepanto (1591), quando a Liga Santa Católica Italiana, com a participação da Espanha, de Veneza, dos Estados Pontifícios, de Gênova, da Toscana, da Saboia e dos Cavaleiros de Malta, vence o Império Otomano e acaba com a expansão turca no Mar Mediterrâneo.

Depois das guerras napoleônicas e do Congresso de Viena (1814-15), Veneza é anexada pelo Império Austríaco até se tornar parte do Reino da Itália após a Terceira Guerra da Independência da Itália, em 1866.

CAPELA ARENA

    Em 1305, a Capela Arena, com afrescos do pintor florentino Giotto, é consagrada em Pádua, na região do Vêneto, na Itália.

A capela é construída no início do século 14 pelo rico banqueiro Enrico Scrovegni num local com acesso direto do palácio da família e decorada no interior com pinturas de Giotto. 

O Juízo Final ocupa toda a parede do lado oeste. As outras pinturas representam a vida e a paixão de Jesus Cristo, a vida da Virgem Maria, de São Joaquim e de Santa Ana, a Anunciação Pentecostes

A Capela Arena fica ao lado de um mosteiro agostiniano, o Mosteiro dos Eremitas. Ambos fazem parte dos Museus Cívicos de Pádua, onde se obtêm informações sobre visitação.

REI DA ESCÓCIA

    Em 1306, Roberto de Bruce é coroado em Scone rei da Escócia como Roberto I.

Descendente de anglo-normandos e gaélicos, Roberto nasce em 11 de julho de 1274, provavelmente no Castelo de Turnberry. Seu avô paterno, Roberto de Brus, reivindica o trono da Escócia depois da morte do rei Alexandre III. 

Roberto de Bruce, Conde de Carrick, apoia a reivindicação da família ao trono e luta ao lado de William Wallace contra o domínio pela Inglaterra do rei Eduardo I. Em 1298, é nomeado Guardião Supremo da Escócia junto com João III Comyn e Guilherme Lamberton, bispo de São André.

Em fevereiro de 1306, Roberto de Bruce mata Lorde Comyn. É excomungado pelo papa, mas aproveita para ocupar o trono. As forças de Eduardo I avançam e derrotam Roberto I na Batalha de Methven. Ele foge para as Ilhas Hébridas e a Irlanda.

Roberto I volta, vence os ingleses na Batalha de Loudoun Hill, em maio de 1307, e inicia uma guerra de guerrilhas bem-sucedida contra os ingleses, mas também precisa enfrentar rivais escoceses para estabilizar a situação e convocar o primeiro Parlamento da Escócia, em 1309.

Depois de uma série de vitórias contra os ingleses, Roberto I conquista uma vitória decisiva contra Eduardo II, da Inglaterra, na Batalha de Bannockburn, em junho de 1314, e restabelece a independência do Reino da Escócia, confirmada pelo Tratado de Northampton, em 1327, quando o rei Eduardo III renuncia à reivindicação de soberania sobre o território escocês

FIM DO TRÁFICO DE ESCRAVOS

    Em 1807, o Parlamento Britânico aprova uma lei para acabar com o tráfico de escravos do continente africano, mas a escravidão continua nas colônias do Mar do Caribe, conhecidas como Índias Ocidentais Britânicas.

A escravidão é declarada ilegal no Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda no Caso Somerset, em 22 de junho de 1772, por decisão de Lorde Mansfield, William Murray, Conde de Mainsfield, a maior autoridade judiciária do país, no início da Revolução Industrial, que precisa de consumidores e não mais de escravos.

James Somerset é um escravo de James Stewart, um comerciante escocês que tem negócios com tabaco em Norfolk, na colônia da Virgínia, e depois em Boston, na colônia de Massachusetts, hoje partes dos Estados Unidos. Quando eles voltam para a Inglaterra e Somerset fica doente, é abandonado na rua.

O caso chama a atenção de Granville Sharp, o pai do nascente movimento abolicionista no Reino Unido. Quando Somerset recupera a saúde sob os cuidados de Sharp, Stewart manda prendê-lo com a intenção de negociá-lo na Jamaica.

Quando descobre a intenção de Stewart de vender o escravo, Sharp entra com um pedido de habeas corpus. Em sua decisão, o chefe do Poder Judiciário declara que "o estado de escravidão é de tal natureza que é incapaz de ser introduzido por quaisquer razões, morais ou políticas, mas apenas pelo direito positivo que preserva sua força muito depois das razões, ocasião e o tempo em que foi criado se apagaram da memória. É tão odioso que nada pode ser tolerado para apoiá-lo, a não ser o direito positivo. Quaisquer que sejam os inconvenientes, portanto, que possam resultar de uma decisão, eu não posso dizer que este caso é permitido ou autorizado pela lei da Inglaterra e, portanto, o negro deve libertado."

Lorde Mansfield atua como um chefe do Judiciário liberal até a morte em 1793. O movimento abolicionista cresce partir de sua decisão e ganha força em 1783. Uma tentativa de um norte-americano de levar um escravo para o Canadá leva à primeira lei contra a escravidão no Império Britânico, em 1793. 

O tráfico é abolido em 1807. De 1808 a 1860, a Esquadra do Oeste da África da Marinha Real resgata 150 mil africanos transportados em navios negreiros no Oceano Atlântico.

A escravidão é totalmente abolida no Império Britânico em 1838. A Lei da Abolição da Escravatura recebe a sanção real em 28 de agosto de 1833 e entrar em vigor em 1º de agosto de 1834. Sob pressão do Parlamento de Westminster, as assembleias de todas as colônias são forçadas a acabar com a escravidão a partir de 1º de agosto de 1838, o que em muitos casos é atrasado pela necessidade de indenizar os senhores, não os escravizados. 

MERCADO COMUM EUROPEU

    Em 1957, a Alemanha, a Bélgica, a França, a Holanda, a Itália e Luxemburgo assinam o Tratado de Roma e criam a Comunidade Econômica Europeia (CEE) e a Comunidade Europeia de Energia Atômica (Euratom) para promover a integração, a paz e o desenvolvimento na Europa depois de duas guerras mundiais.

 

A integração europeia começa com o Plano Schuman. Em 9 de maio de 1950, cinco anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o ministro das Relações Exteriores da França, Robert Schuman, propõe a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) para controlar a produção de matérias-primas essenciais à indústria bélica e assim garantir a paz na Europa. A CECA nasce no ano seguinte, com os mesmos países que formariam a CEE.

A Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido entram em 1973. Depois da democratização nos 1970, é a vez de Grécia em 1981, e Portugal e Espanha em 1986. É a Europa dos 12. Neste mesmo ano, é assinado o Ato Único Europeu, que cria o mercado único, abolindo as restrições à circulação de mercadorias e cidadãos.

Em 1992, o Tratado de Maastricht, cria a União das Comunidades Europeias ou União Europeia (UE), o nome atual do bloco. Com o fim da Guerra Fria, em 1995, aderem três países neutros: Áustria, Finlândia e Suécia. 

No mesmo ano, é assinado o Acordo de Schengen, que abole as fronteiras internas, com a exceção de Reino Unido e Irlanda por causa da guerra civil na Irlanda do Norte e do terrorismo do Exército Republicano Irlandês (IRA).

Outro marco importante da integração é a adoção de uma moeda comum, o euro, que entra em circulação em 1º de janeiro de 2002, depois de ser usado por três anos como moeda contábil.

Como havia o compromisso histórico de integrar os países da Europa Oriental quando se tornassem democracias com economia de mercado, em 2004, houve uma grande ampliação, com a entrada de Polônia, Hungria, República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Letônia, Lituânia, Chipre e Malta. Bulgária e Romênia aderem em 2007.

Hoje, Albânia, Macedônia do Norte, Montenegro e Sérvia estão negociando o acesso ao bloco. Bósnia-Herzegovina, Moldova e Ucrânia são candidatas.

FIM DA MARCHA DE SELMA

    Em 1965, sob a proteção do Exército dos Estados Unidos e do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal norte-americana, o líder negro Martin Luther King Jr. e outros ativistas do movimento pelos direitos civis completam a marcha de Selma a Montgomery, no estado do Alabama, duas vezes interrompida com violência pela polícia estadual.

A marcha de 86 quilômetros ia de Selma até Montgomery, a capital do Alabama, um dos estados mais pobres, conservadores e racistas dos EUA. 

Quando os manifestantes cruzam a ponte Edmund Pettus, nos arredores de Selma, em 7 de março, recebem a ordem de se dispersar. Momentos depois, a polícia ataca com chicotes, cassetetes e gás lacrimogêneo. Dezessete manifestantes são hospitalizados. É o Domingo Sangrento da luta contra a segregação racial nos EUA.

A violência sai na televisão e na imprensa, gerando manifestações de protesto em 80 cidades. Em 9 de março, o reverendo Martin Luther King Jr. lidera um marcha de 2 mil pessoas na mesma ponte.

Em 15 de março, o presidente Lyndon Johnson fala na necessidade de reformar a lei eleitoral para dar o direito de voto aos negros. A Lei dos Direitos de Voto é aprovada cinco meses depois.

Luther King e 25 mil pessoas completam a marcha em 25 de março, sob a proteção do Exército dos EUA e do FBI, a polícia federal norte-americana.

Em 2020 e 2023, o presidente Joe Biden participa da manifestação em Selma, como parte da campanha e tendo em vista o lançamento da candidatura à reeleição, abandonada depois do fracasso no primeiro debate contra Donald Trump.

De volta à Casa Branca, Trump, supremacista branco e fascista, tenta apagar todas as manifestações da cultura negra nos EUA.

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domingo, 28 de setembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 28 de Setembro

 BATALHA DE MURSA MAIOR

    Em 351, o imperador Constâncio II, do Império Romano do Oriente, com sede em Constantinopla, vence o usurpador Flávio Magnêncio na Batalha de Mursa, considerada a mais sangrenta do século 4.

O general Magnêncio depõe e mata em 18 de janeiro de 350 o augusto (sucessor) do Ocidente, Constante I, se autoproclama imperador e recebe o apoio da Britânia, da Gália e da Hispânia.

Magnêncio propõe uma aliança a Constâncio II, com o duplo casamento do usurpador com Constantina, irmã de Constante I e Constâncio II, e de Constâncio II com a filha de Magnêncio. Constâncio, Constantina e Constante são filho do imperador Constantino I (306-337).

Constâncio II rejeita a proposta de conciliação e prende todos os embaixadores de Magnêncio, menos um, que leva a resposta. O resultado é mais uma guerra civil dentro do Império Romano.

Depois de sofrer derrota em Siscia, hoje Sisek, na Croácia, e em Sírmio, hoje Sremska Mitrovica, na Sérvia, Magnência cerca as forças de Constâncio II em Mursa, hoje Osijek, na Croácia.

Mesmo tendo menos soldados, Constâncio II resiste ao cerco e, com a força de sua cavalaria, vence o inimigo. É a primeira derrota de legionários romanos para uma cavalaria pesada, mas os vencedores sofrem mais perdas (30 mil homens) do que os vencidos (24 mil).

INVASÃO NORMANDA

    Em 1066, Guilherme, o Conquistador, Duque da Normandia, invade a Inglaterra, iniciando uma nova era na história do país depois de vencer o rei Haroldo II na Batalha de Hastings, em 14 de outubro, com a ajuda de arqueiros e cavalaria, armas de guerra decisivas na Idade Média.

Guilherme é filho bastardo de Roberto I, Duque da Normandia. Como não tem outros filhos, o duque o nomeia sucessor. Com a morte do pai, em 1035, aos sete anos, Guilherme vira Duque da Normandia.

Em 1051, ele teria visitado o rei Eduardo, o Confessor, seu primo, que não tinha filhos e teria lhe prometido o trono da Inglaterra. Mas, no seu leito de morte, Eduardo muda de ideia e oferece o trono a Haroldo Godwinson, filho da família mais nobre da Inglaterra, mais poderoso do que o próprio rei.

Quando Eduardo morre e Haroldo é proclamado sucessor, Guilherme não aceita e prepara a invasão. Haroldo II também enfrenta o rei Haroldo III, da Noruega, e o próprio irmão, Tostigo, que unem forças e invadem a Inglaterra vindo da Escócia.

Haroldo II vence e mata os dois na Batalha de Stamford Bridge, em 25 de setembro. Ao fazer isso, deixa desguarnecido o Canal da Mancha. Três dias depois, Guilherme desembarca em Pevensey com 7 a 12 mil homens, a metade arqueiros e cavaleiros.

Então, Haroldo marcha para o Sul com um exército de 5 a 13 mil homens, quase todos soldados de infantaria. A Batalha de Hastings começa às nove da manhã e vai até o anoitecer. A morte de Haroldo II sela a derrota dos anglo-saxões. Estima-se que tenham morrido 2 mil homens de cada lado. Nunca mais um anglo-saxão ocupou o trono da Inglaterra.

Guilherme I é coroado no Natal de 1066 na Abadia de Westminster, dando início à Dinastia Normanda. A Conquista Normanda é consolidada com a expropriação das terras dos ingleses, entregue a seus aliados do continente, e o expurgo dos ingleses da Igreja e de altos cargos governamentais. Muitos anglo-saxões fogem para a Escócia, a Irlanda e a Escandinávia.

A língua inglesa, uma mistura do francês antigo, do latim e de línguas germânicas dos anglo-saxões, é um fruto da Conquista Normanda.

Outra consequência foi a formação de um reino que ia da Inglaterra à Normandia, no Norte da França, e que mais tarde incluiria a Aquitânia, levando o rei da Inglaterra a reivindicar várias vezes a coroa francesa, como na Guerra dos Cem Anos (1337-1453).

Só em 1801, no início da era de Napoleão Bonaparte, o então Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda abre mão da reivindicação de soberania sobre a França, inclusive porque o imperador da França poderia reivindicar a coroa britânica. Napoleão só não invade a Inglaterra porque a Marinha Real britânica sob o comando do almirante Horácio Nelson vence os franceses nas batalhas de Abukir (1799) e Trafalgar (1805).

BATALHA DE YORKTOWN

    Em 1781, o Exército Continental, sob o comando de George Washington, com o apoio de um exército francês liderado pelo Marquês de Lafayette e do Conde de Rochambeau, começa o cerco de Yorktown. A batalha termina com a rendição das forças do Império Britânico sob o comando do Lorde Charles Cornwallis e ao fim da Guerra da Independência dos Estados Unidos, que acaba oficialmente com o Tratado de Paris assinado em 3 de setembro de 1783.

O Reino Unido envia uma frota com 7 mil homens, mas é tarde demais. Com 14 mil soldados, as forças franco-norte-americanas tomam as posições fortificadas do Exército Real  em Yorktown. Cercado, com menos armas e escassez de comida, os britânicos se rendem em 19 de outubro de 1781. É o fim da guerra. A partir daí, os britânicos começam a negociar o fim do conflito.

LEI DO VENTRE LIVRE

    Em 1871, o Senado aprova e entra em vigor no Brasil a Lei do Ventre Livre, que dá liberdade aos filhos de escravos nascidos a partir desta data, dentro do movimento pela abolição da escravatura.

Mais de 5 milhões de africanos são trazidos para o Brasil como escravos desde o século 16. Com a Revolução Industrial, em 1807, o Reino Unido abole a escravidão (em 1833 nas colônias) porque a indústria precisa de consumidores e começa a pressionar outros países a fazer o mesmo.

O Brasil proíbe o tráfico de escravos em 1850 com a Lei Eusébio de Queirós. No mesmo ano, o deputado cearense Silva Guimarães apresenta um projeto para libertar as crianças filhas de escravos, mas a proposta é rejeitada.

Em 1866, o Visconde de São Vicente propõe cinco projetos. O Conselho de Estado unifica as propostas no que seria a base da Lei do Ventre Livre, mas a Guerra do Paraguai (1864-70) atrasa a tramitação. 

O projeto volta à pauta do Congresso em 1871. Também é chamado de Lei Rio Branco, por ter sido aprovada sob o primeiro-ministro José Maria da Silva Paranhos, o Visconde do Rio Branco, pai do Barão do Rio Branco, o mais importante ministro das Relações Exteriores do Brasil.

FIDEL DEIXA CUBANOS SAÍREM

    Em 1965, o ditador Fidel Castro anuncia que todos os cubanos quiserem sair do país são livres para fazer isso. deflagrando uma onda migratória em que centenas de milhares vão de Cuba para a Flórida.

A revolução toma o poder em Havana em 1º de janeiro de 1959, depois de anos de luta contra a ditadura de Fulgencio Batista, apoiada pelos Estados Unidos, que apoiam a fracassada tentativa de invasão da Baía dos Porcos, em abril de 1961, e impõem um embargo econômico a Cuba.

Na Crise dos Mísseis em Cuba, em outubro de 1962, os EUA reagem à tentativa da União Soviética de instalar mísseis nucleares na ilha. O mundo nunca esteve tão perto de uma guerra nuclear. Em troca da retirada dos mísseis, os EUA fazem um acordo tácito para não invadir Cuba.

DEGELO DO ÁRTICO

    Em 2018, o navio de carga Venta Maersk chega a São Petersburgo, na Rússia Europeia, mais de um mês depois de sair de Vladivostok, no extremo leste do país, viajando por uma rota aberta no Polo Norte pelo degelo do Oceano Ártico.

Antes da redução da calota polar ártica pelo aquecimento global, a viagem era feita contornando o Sudeste Asiático, e atravessando o Oceano Índico para cruzar o Canal de Suez e o Mar Mediterrâneo até chegar ao Oceano Atlântico.

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Hoje na História do Mundo: 20 de Agosto

 INÍCIO DA ESCRAVIDÃO NOS EUA

     Em 1619, os primeiros escravos africanos são vendidos na colônia de Jamestown, na Virgínia, no início da escravidão no que hoje são os Estados Unidos.


São mais de 20 angolanos capturados por traficantes de escravos portugueses atacados por piratas em busca de ouro. Quando os piratas veem que são escravos, os vendem aos colonos norte-americanos.

A colônia de Jamestown, fundada em 1607 e batizada em homenagem ao rei Jaime I da Inglaterra e Jaime VI na Escócia, tem cerca de 700 habitantes em 1619.

Os escravos são capturados pelos traficantes portugueses nos reinos africanos do Kongo e de Ndongo e embarcados no navio San Juan Bautista, que os levaria a Veracruz, na colônia espanhola da Nova Espanha, hoje México.

Na travessia do Oceano Atlântico, cerca de 150 dos 350 escravos morrem. Dois navios piratas, o Leão Branco e o Tesoureiro, atacam o navio negreiro e tomam 60 escravos. O Leão Branco troca-os por comida em Jamestown.

O tráfico de escravos captura mais de 12 milhões de africanos. A maior parte (5 milhões) vem para o Brasil, outros 3 milhões para a região do Mar do Caribe e 600 mil para os EUA.

DESCOBERTA DO ALASCA

    Em 1741, em viagem a serviço da Rússia, o explorador dinamarquês Vitus Bering encontra  o Alasca.

Bering nasce em Horsens, na Dinamarca, em 1681. Depois de uma viagem às Índias Orientais, ele entra para a frota do czar Pedro I, o Grande, como subtenente.

Em 1724, o czar o nomeia capitão de uma expedição para determinar se a Ásia está ligada à América do Norte ou se existe uma passagem que permita chegar a China contornando os limites da Sibéria.

A expedição parte da Península de Kamchatka em 13 de julho de 1728. Em agosto, passa pelo Estreito de Bering e chega ao Oceano Glacial Ártico. O mau tempo não deixa avistar a América do Norte, mas ele conclui que os dois continentes não estão ligados por terra.

Durante o reinado da imperatriz Ana, Bering integra a Grande Expedição do Norte (1733-43), que mapeia a costa ártica da Sibéria. Em 4 de junho de 1741, ele zarpa de Kamchatka com o navio Saint Peter, enquanto Alexei Chirikov comanda o Saint Paul. Uma tempestade afasta os dois navios. 

Chirikov descobre várias Ilhas Aleutas e Bering chega ao Golfo do Alasca em 20 de agosto. Com escorbuto, Bering perde a capacidade de comandar o navio, destruído durante uma tempestade no porto da Ilha de Bering em novembro. Ele morre em 19 de dezembro de 1741 na Ilha de Bering, batizada em sua homenagem, assim como o estreito por onde se acredita que o homem chegou à America há 24 mil anos. Os sobreviventes conseguem chegar à Sibéria e falar das possibilidades do comércio de peles do Alasca e das Aleutas.

Em 1784, o comerciante de peles russo Grigory Chelikhov funda na ilha de Kodiak a Baía de Três Santos, o primeiro assentamento permanente da Rússia no Alasca. Depois da derrota na Guerra da Crime (1853-56), a Rússia vende o Alasca para os Estados Unidos em 1867.

O negócio é defendido pelo secretário de Estado, William Seward, que enfrenta forte oposição por se tratar de um deserto gelado.

Seward oferece US$ 7,2 milhões e os EUA assumem o controle do território em 18 de outubro de 1867. O negócio é chamado de "loucura de Seward".

A descoberta de ouro no Território de Yukon, no Canadá, em 16 de agosto de 1896 deflagra uma corrida do ouro que inclui o Alasca, a maior da história da América. Cerca de 100 mil garimpeiros vão para a região. A "loucura de Seward" se paga com alto lucro.

QUEDA DE BRUXELAS

    Em 1914, a Alemanha toma Bruxelas, a capital da Bélgica, na invasão inicial da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Com a Europa em crise depois do assassinato do herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, Francisco Ferdinando, em Sarajevo, na Bósnia-Herzegovina, em 28 de junho, a Bélgica reafirma sua neutralidade em 24 de agosto.

A guerra começa em 28 de julho, quando a Áustria-Hungria ataca a Sérvia. A Alemanha, aliada da Áustria-Hungria, invade Luxemburgo em 2 de agosto e exige passagem livre para suas tropas pelo território belga para atacar a França.

Diante da recusa, a Alemanha declara guerra à Belgica e invade o país em 4 de agosto, Começa a Batalha de Liège, que cai em 7 de agosto. Depois das batalhas de Mons e de Charleroi, os exércitos alemães seguem em marcha rumo à França. 

ASSASSINATO DE TROTSKY

    Em 1940, o agente stalinista Jaime Ramón Mercader ataca com uma picareta de alpinismo o líder revolucionário comunista Leon Davidovich Bronstein, mais conhecido como Leon Trotsky, que morre no dia seguinte, na sua casa no exílio na Cidade do México.

Trotsky nasce em Ianovka, na Ucrânia, numa família judaica em 7 de novembro de 1879. Vira marxista na adolescência e larga a Universidade de Odessa para organizar o Sindicato dos Trabalhadores do Sul da Rússia. 

Em 1898, é preso por suas atividades políticas. Dois anos depois, é enviado para a Sibéria. Em 1902, foge usando um passaporte falso em nome de Leon Trotsky.

Ele volta à Rússia para participar da Revolução de 1905. É preso e enviado de novo à Sibéria. Em 1907, escapa mais uma vez. Em mais uma década no exílio, Trotsky vive na Suíça, na França, na Espanha e em Nova York antes de voltar à Rússia em 1917, depois que a Revolução de Fevereiro derruba a monarquia.

Como líder do Soviete de Petrogrado, Trotsky tem um papel decisivo na Revolução de Outubro, que leva os bolcheviques ao poder. Nomeado comissário de Relações Exteriores, negocia a paz de Brest-Litovsk com a Alemanha para tirar a Rússia da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Comissário do Povo para Assuntos Militares e Navais, cria e chefia o Exército Vermelho durante a guerra civil que se segue à Revolução Comunista. Também funda o Politburo do Comitê Central do Partido Comunista e se torna um de seus sete membros.

Depois da morte de Lenin, em 21 de janeiro de 1924, Trotsky perde a disputa pelo poder com Josef Stalin. Em 1925, deixa de ser comissário da Guerra e, em 1927, é afastado do Politburo.

Expulso da União Soviética em fevereiro de 1929, torna-se o maior crítico do stalinismo até ser morto pelo comunista espanhol Ramón Mercader, um agente internacional do Comissariado do Povo para Assuntos Internos (NKVD), a polícia política da URSS no período stalinista.

INDEPENDÊNCIA DO SENEGAL

    Em 1960, a República do Senegal se separa da Federação do Mali e se torna totalmente independente.

No fim do século 19, o que hoje é o Senegal é integrado à África Ocidental Francesa. Em 1946, o país é elevado à categoria de território ultramarino francês. A antiga colônia se torna uma república autônoma em 1958. 

Um ano depois, adere ao Sudão Francês, hoje Mali, para formar a Federação do Mali, que proclama a independência em junho de 1960. Em 20 de agosto, o Senegal se separa e Leopold Sédar Senghor (foto) se torna seu primeiro presidente.

INVASÃO DA TCHECO-ESLOVÁQUIA

    Em 1968, 200 mil soldados e 5 mil tanques do Pacto de Varsóvia, a aliança militar liderada pela União Soviética, invadem a Tcheco-Eslováquia e acabam com a Primavera de Praga, uma tentativa do líder Alexander Dubcek de humanizar o regime comunista.

Os comunistas tomam o poder na Tcheco-Eslováquia em 1948, num golpe apoiado pelo ditador soviético Josef Stalin, e impõem um regime stalinista, padrão na Europa Oriental, ocupada pelo Exército Vermelho no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

A linha dura domina o país até os anos 1960, quando há uma liberalização do regime que atinge o auge sob Dubcek, eleito primeiro-secretário do Partido Comunista em 5 de janeiro de 1968. As tentativas de descentralizar a administração e a economia, e de democratizar o regime criando um "socialismo com face humana" desagradam ao Kremlin.

Os tcheco-eslovacos protestam e resistem à invasão. Vários jovens se autoimolam e morrem queimados na luta pela liberdade, mas são impotentes contra os tanques soviéticos. 

A Tcheco-Eslováquia permanece sob o controle da URSS até a queda do regime comunista na Revolução de Veludo, em novembro de 1989. Os tanques soviéticos só deixam o país em 1991, quando acaba a URSS.

No Divórcio de Veludo, em 1º de janeiro de 1993, o país se divide em República Tcheca e Eslováquia.

terça-feira, 25 de março de 2025

Hoje na História do Mundo: 25 de Março

 FUNDAÇÃO DE VENEZA

    Em 451, é fundada a cidade de Veneza, capital da Província de Veneza e da Região do Vêneto, situada sobre 117 ilhas ligadas por pontes e separadas por canais, que foi centro de uma república voltada para o mar, a República Sereníssima de Veneza, uma potência naval, e o principal porto da Europa no fim da Idade Média, uma ligação cultural e comercial com a Ásia.

Famosa pela arquitetura e pelas obras de arte, a cidade antiga é patrimônio histórico, artístico e cultural da humanidade. É a Rainha do Adriático, a Cidade da Água, a Cidade Flutuante, a Cidade dos Canais.

A República de Veneza (810-1797), uma potência marítima no fim da Idade Média e durante o Renascimento, ponto de parada nas Cruzadas (1095-1291) e na Batalha de Lepanto (1591), quando a Liga Santa Católica Italiana, com a participação da Espanha, de Veneza, dos Estados Pontifícios, de Gênova, da Toscana, da Saboia e dos Cavaleiros de Malta, vence o Império Otomano e acaba com a expansão turca no Mar Mediterrâneo.

Depois das guerras napoleônicas e do Congresso de Viena (1814-15), Veneza é anexada pelo Império Austríaco até se tornar parte do Reino da Itália após a Terceira Guerra da Independência da Itália, em 1866.

CAPELA ARENA

    Em 1305, a Capela Arena, com afrescos do pintor florentino Giotto, é consagrada em Pádua, na região do Vêneto, na Itália.

A capela é construída no início do século 14 pelo rico banqueiro Enrico Scrovegni num local com acesso direto do palácio da família e decorada no interior com pinturas de Giotto. 

O Juízo Final ocupa toda a parede do lado oeste. As outras pinturas representam a vida e a paixão de Jesus Cristo, a vida da Virgem Maria, de São Joaquim e de Santa Ana, a Anunciação Pentecostes

A Capela Arena fica ao lado de um mosteiro agostiniano, o Mosteiro dos Eremitas. Ambos fazem parte dos Museus Cívicos de Pádua, onde se obtêm informações sobre visitação.

REI DA ESCÓCIA

    Em 1306, Roberto de Bruce é coroado em Scone rei da Escócia como Roberto I.

Descendente de anglo-normandos e gaélicos, Roberto nasce em 11 de julho de 1274, provavelmente no Castelo de Turnberry. Seu avô paterno, Roberto de Brus, reivindica o trono da Escócia depois da morte do rei Alexandre III. 

Roberto de Bruce, Conde de Carrick, apoia a reivindicação da família ao trono e luta ao lado de William Wallace contra o domínio pela Inglaterra do rei Eduardo I. Em 1298, é nomeado Guardião Supremo da Escócia junto com João III Comyn e Guilherme Lamberton, bispo de São André.

Em fevereiro de 1306, Roberto de Bruce mata Lorde Comyn. É excomungado pelo papa, mas aproveita para ocupar o trono. As forças de Eduardo I avançam e derrotam Roberto I na Batalha de Methven. Ele foge para as Ilhas Hébridas e a Irlanda.

Roberto I volta, vence os ingleses na Batalha de Loudoun Hill, em maio de 1307, e inicia uma guerra de guerrilhas bem-sucedida contra os ingleses, mas também precisa enfrentar rivais escoceses para estabilizar a situação e convocar o primeiro Parlamento da Escócia, em 1309.

Depois de uma série de vitórias contra os ingleses, Roberto I conquista uma vitória decisiva contra Eduardo II, da Inglaterra, na Batalha de Bannockburn, em junho de 1314, e restabelece a independência do Reino da Escócia, confirmada pelo Tratado de Northampton, em 1327, quando o rei Eduardo III renuncia à reivindicação de soberania sobre o território escocês

TRÁFICO DE ESCRAVOS

    Em 1807, o Parlamento Britânico aprova uma lei para acabar com o tráfico de escravos do continente africano, mas a escravidão continua nas colônias do Mar do Caribe, conhecidas como Índias Ocidentais Britânicas.

A escravidão é declarada ilegal no Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda no Caso Somerset, em 22 de junho de 1772, por decisão de Lorde Mansfield, William Murray, Conde de Mainsfield, a maior autoridade judiciária do país, no início da Revolução Industrial, que precisa de consumidores e não mais de escravos.

James Somerset é um escravo de James Stewart, um comerciante escocês que tem negócios com tabaco em Norfolk, na colônia da Virgínia, e depois em Boston, na colônia de Massachusetts, hoje partes dos Estados Unidos. Quando eles voltam para a Inglaterra e Somerset fica doente, é abandonado na rua.

O caso chama a atenção de Granville Sharp, o pai do nascente movimento abolicionista no Reino Unido. Quando Somerset recupera a saúde sob os cuidados de Sharp, Stewart manda prendê-lo com a intenção de negociá-lo na Jamaica.

Quando descobre a intenção de Stewart de vender o escravo, Sharp entra com um pedido de habeas corpus. Em sua decisão, o chefe do Poder Judiciário declara que "o estado de escravidão é de tal natureza que é incapaz de ser introduzido por quaisquer razões, morais ou políticas, mas apenas pelo direito positivo que preserva sua força muito depois das razões, ocasião e o tempo em que foi criado se apagaram da memória. É tão odioso que nada pode ser tolerado para apoiá-lo, a não ser o direito positivo. Quaisquer que sejam os inconvenientes, portanto, que possam resultar de uma decisão, eu não posso dizer que este caso é permitido ou autorizado pela lei da Inglaterra e, portanto, o negro deve libertado."

Lorde Mansfield atua como um chefe do Judiciário liberal até a morte em 1793. O movimento abolicionista cresce partir de sua decisão e ganha força em 1783. Uma tentativa de um norte-americano de levar um escravo para o Canadá leva à primeira lei contra a escravidão no Império Britânico, em 1793. 

O tráfico é abolido em 1807. De 1808 a 1860, a Esquadra do Oeste da África da Marinha Real resgata 150 mil africanos transportados em navios negreiros no Oceano Atlântico.

A escravidão é totalmente abolida no Império Britânico em 1838. A Lei da Abolição da Escravatura recebe a sanção real em 28 de agosto de 1833 e entrar em vigor em 1º de agosto de 1834. Sob pressão do Parlamento de Westminster, as assembleias de todas as colônias são forçadas a acabar com a escravidão a partir de 1º de agosto de 1838, o que em muitos casos é atrasado pela necessidade de indenizar os senhores, não os escravos. 

MERCADO COMUM EUROPEU

    Em 1957, a Alemanha, a Bélgica, a França, a Holanda, a Itália e Luxemburgo assinam o Tratado de Roma e criam a Comunidade Econômica Europeia (CEE) e a Comunidade Europeia de Energia Atômica (Euratom) para promover a integração, a paz e o desenvolvimento na Europa depois de duas guerras mundiais.

 

A integração europeia começa com o Plano Schuman. Em 9 de maio de 1950, cinco anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o ministro das Relações Exteriores da França, Robert Schuman, propõe a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) para controlar a produção de matérias-primas essenciais à indústria bélica e assim garantir a paz na Europa. A CECA nasce no ano seguinte, com os mesmos países que formariam a CEE.

A Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido entram em 1973. Depois da democratização nos 1970, é a vez de Grécia em 1981, e Portugal e Espanha em 1986. É a Europa dos 12. Neste mesmo ano, é assinado o Ato Único Europeu, que cria o mercado único, abolindo as restrições à circulação de mercadorias e cidadãos.

Em 1992, o Tratado de Maastricht, cria a União das Comunidades Europeias ou União Europeia (UE), o nome atual do bloco. Com o fim da Guerra Fria, em 1995, aderem três países neutros: Áustria, Finlândia e Suécia. 

No mesmo ano, é assinado o Acordo de Schengen, que abole as fronteiras internas, com a exceção de Reino Unido e Irlanda por causa da guerra civil na Irlanda do Norte e do terrorismo do Exército Republicano Irlandês (IRA).

Outro marco importante da integração é a adoção de uma moeda comum, o euro, que entra em circulação em 1º de janeiro de 2002, depois de ser usado por três anos como moeda contábil.

Como havia o compromisso histórico de integrar os países da Europa Oriental quando se tornassem democracias com economia de mercado, em 2004, houve uma grande ampliação, com a entrada de Polônia, Hungria, República Tcheca, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Letônia, Lituânia, Chipre e Malta. Bulgária e Romênia aderem em 2007.

Hoje, Albânia, Macedônia do Norte, Montenegro e Sérvia estão negociando o acesso ao bloco. Bósnia-Herzegovina, Moldova e Ucrânia são candidatas.

FIM DA MARCHA DE SELMA

    Em 1965, sob a proteção do Exército dos Estados Unidos e do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal norte-americana, o líder negro Martin Luther King Jr. e outros ativistas do movimento pelos direitos civis completam a marcha de Selma e Montgomery, no estado do Alabama, duas vezes interrompida com violência pela polícia estadual.

A marcha de 86 quilômetros ia de Selma até Montgomery, a capital do Alabama, um dos estados mais pobres, conservadores e racistas dos EUA. 

Quando os manifestantes cruzam a ponte Edmund Pettus, nos arredores de Selma, em 7 de março, recebem a ordem de se dispersar. Momentos depois, a polícia ataca com chicotes, cassetetes e gás lacrimogêneo. Dezessete manifestantes são hospitalizados. É o Domingo Sangrento da luta contra a segregação racial nos EUA.

A violência sai na televisão e na imprensa, gerando manifestações de protesto em 80 cidades. Em 9 de março, o reverendo Martin Luther King Jr. lidera um marcha de 2 mil pessoas na mesma ponte.

Em 15 de março, o presidente Lyndon Johnson fala na necessidade de reformar a lei eleitoral para dar o direito de voto aos negros. A Lei dos Direitos de Voto é aprovada cinco meses depois.

Luther King e 25 mil pessoas completam a marcha em 25 de março, sob a proteção do Exército dos EUA e do FBI, a polícia federal norte-americana.

Em 2020 e 2023, o presidente Joe Biden participa da manifestação em Selma, como parte da campanha e tendo em vista o lançamento da candidatura à reeleição, abandonada depois do fracasso no primeiro debate contra Donald Trump.