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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 21 de Agosto

REVOLTA DE ESCRAVOS NOS EUA

    Em 1831, Nat Turner, que se considera enviado por Deus para libertar seu povo, inicia um sangrenta revolta de escravos que mata 60 pessoas no estado da Virgínia.

Com sete aliados, Turner mata seu dono, Joseph Travis, e família. O plano é tomar o arsenal do condado, na cidade de Jerusalém, e fugir por 50 quilômetros até um pântano onde pretendia enganar seus perseguidores.

Durante dois dias e duas noites, os rebeldes atacam fazendas e arregimentam seus escravos para a luta. Cerca de 75 rebeldes matam 60 moradores brancos do Condado de Southampton.

Uma milícia estadual de 3 mil homens esmaga a rebelião quando Turner e os escravos rebelados estão a poucos quilômetros de Jerusalém. O líder escapa. É preso em outubro e enforcado em 11 de novembro em Jerusalém.

Em reação à maior revolta de escravos da história dos EUA, muitos negros inocentes são chacinados e uma série de leis repressivas proíbe o movimento negro, a reunião e a educação de escravos.

ROUBO DA MONA LISA

    Em 1911, um funcionário italiano do Museu do Louvre, em Paris, rouba o quadro mais famoso do mundo, a Gioconda ou Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, pintado em 1503.

Vincenzo Peruggia aproveita o fechamento do museu numa segunda-feira e o sono de um porteiro para arrancar o quadro da moldura e carregá-lo escondido numa jaqueta. 

Depois de deixar a Mona Lisa escondida debaixo da cama por 28 dias, o ladrão leva o quadro para a Itália por acreditar que a pintura fora roubada numa invasão de Napoleão Bonaparte, que teve a obra pendurada em seu quarto. Na verdade, o rei Francisco I comprou o quadro de Leonardo da Vinci.

Na Itália, Peruggia entra em contato com o florentino Alfredo Geri, dono de um antiquário, e pede 500 mil liras, equivalentes a R$ 440 mil ao câmbio atual, pela pintura célebre. Os dois se encontram no Hotel La Cerratani, hoje Hotel La Gioconda, em Florença. Geri leva junto Giovanni Poggio, diretor da Galeria dos Ofícios, o principal museu da cidade.

Como há muitas falsificações de obras famosas, os dois decidem verificar a autenticidade da obra. Quando veem que é autêntica, denunciam à polícia, que prende Peruggia e recupera o quadro dois anos depois do furto. Antes de voltar a Paris, a Mona Lisa é exposta na Galeria dos Ofícios, em Florença, e no Palácio Farnese e na Galeria Borghese, em Roma.

Desde então, o sorriso da Mona Lisa só saiu do Louvre para ser exposto no Museu de Arte Metropolitano, em Nova York, nos EUA, em 1963, e na Rússia e no Japão, em 1974. Desde 2005, uma caixa de vidro especial protege a obra-prima de Da Vinci, vista por uma média de 30 mil pessoas por dia.

MORTE DE TROTSKY

    Em 1940, morre o líder revolucionário comunista Leon Davidovich Bronstein, mais conhecido como Leon Trotsky, atacado na véspera na sua casa no exílio na Cidade do México pelo agente stalinista espanhol Jaime Ramón Mercader com uma picareta de alpinismo.

Trotsky nasce na Ucrânia numa família judaica. Vira marxista na adolescência e larga a Universidade de Odessa para organizar o Sindicato dos Trabalhadores do Sul da Rússia. Em 1898, é preso por suas atividades políticas. Dois anos depois, é enviado para a Sibéria. Em 1902, foge usando um passaporte falso em nome de Leon Trotsky.

Ele volta à Rússia para participar da Revolução de 1905. É preso e enviado de novo à Sibéria. Em 1907, escapa mais uma vez. Em mais uma década no exílio, Trotsky vive na Suíça, na França, na Espanha e em Nova York antes de voltar à Rússia em 1917, depois que a Revolução de Fevereiro derruba a monarquia.

Como líder do Soviete de Petrogrado, Trotsky tem um papel decisivo na Revolução de Outubro, que leva os bolcheviques ao poder. Nomeado comissário de Relações Exteriores, negocia a paz de Brest-Litovsk com a Alemanha para tirar a Rússia da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Comissário do Povo para Assuntos Militares e Navais, cria e chefia o Exército Vermelho durante a guerra civil que se segue à Revolução Comunista. Também funda o Politburo do Comitê Central do Partido Comunista e se torna um de seus sete membros.

Depois da morte de Lenin, em janeiro de 1924, Trotsky perde a disputa pelo poder com Josef Stalin. Em 1925, deixa de ser comissário da Guerra e, em 1927, é afastado do Politburo.

Expulso da União Soviética em fevereiro de 1929, torna-se o maior crítico do stalinismo até ser morto por Mercader, um agente internacional do Comissariado do Povo para Assuntos Internos (NKVD), a polícia política da URSS no período stalinista. 

HAVAÍ VIRA ESTADO DOS EUA

    Em 1959, o presidente Dwight Eisenhower assina a proclamação que torna o Havaí o 50º estado dos Estados Unidos.

Os primeiros seres humanos chegam ao Arquipélago do Havaí no século 8 da era cristã. Os comerciantes norte-americanos começam a extrair o sândalo, uma madeira muito apreciada na China. A indústria açucareira é introduzida nos anos 1830 e se torna importante na metade do século 19. 

A presença de agricultores e missionários americanos muda a história do Havaí. Em 1893, um grupo de americanos expatriados e plantadores de açúcar depõe a monarquia. No ano seguinte, o Havaí vira protetorado dos EUA.

Depois do uso da base naval de Pearl Harbor durante a Guerra Hispano-Americana, em 1898, quando os EUA tomaram as Filipinas e a ilha de Guam, a anexação formal é aprovada. O ataque do Japão à 7ª Frota Americana em Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941 faz os EUA entrar na Segunda Guerra Mundial (1939-45).

LÍDER DA INDEPENDÊNCIA DO QUÊNIA SOLTO

    Em 1961, depois de nove anos de prisão, as autoridades coloniais britânicas libertam Jomo Kenyatta, líder do movimento pela independência do Quênia.


 Menos de dois anos depois, em 1º de junho de 1963, o Quênia conquista a independência e Kenyatta se torna primeiro-ministro e, a partir de 1964, presidente até sua morte, em 22 de agosto de 1978.

Sob Kenyatta, o Quênia adere à Organização de Unidade Africana (OUA) e à Comunidade das Nações, a antiga Comunidade Britânica, e se alia ao Ocidente durante a Guerra Fria. 

Seu governo é acusado de ditatorial, autoritário, corrupto e neocolonial ao privilegiar os kikuyos sobre outras etnias, mantendo a hierarquia social imposta pelo Império Britânico.

INDEPENDÊNCIA DA LETÔNIA

    Em 1991, no dia do colapso do golpe da linha-dura contra o presidente Mikhail Gorbachev, a Letônia declara independência da União Soviética.

A República da Letônia proclama a independência em 18 de novembro de 1918, depois da derrota da Rússia para a Alemanha na Primeira Guerra Mundial (1914-18), em meio ao caos da guerra civil deflagrada pela Revolução Bolchevique.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a União Soviética de Josef Stalin invade e anexa a Letônia em 1940 com base no Pacto Germano-Soviético, assinado em 23 de agosto de 1939, dias antes do início do conflito. Milhares de letões são presos, assassinados ou deportados. 

Para consolidar a anexação, a URSS promove uma migração em massa de russos, que são hoje cerca de 27% da população de 1,8 milhão de habitantes, o que gera um risco de invasão da Rússia.

Com a abertura política promovida por Gorbachev na URSS, a Frente Popular da Letônia é fundada em Riga em 8 de outubro de 1988 para lutar pela independência.  

A Letônia entra para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em 29 de março de 2004 e para a União Europeia em 1º de maio do mesmo ano. 

É um dos países mais determinados da aliança militar liderada pelos Estados Unidos no apoio contra a invasão da ex-república soviética da Ucrânia pela Rússia.

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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 20 de Agosto

INÍCIO DA ESCRAVIDÃO NOS EUA

     Em 1619, os primeiros escravos africanos são vendidos na colônia de Jamestown, na Virgínia, no início da escravidão no que hoje são os Estados Unidos.


São mais de 20 angolanos capturados por traficantes de escravos portugueses atacados por piratas em busca de ouro. Quando os piratas veem que são escravos, os vendem aos colonos norte-americanos.

A colônia de Jamestown, fundada em 1607 e batizada em homenagem ao rei Jaime I da Inglaterra e Jaime VI na Escócia, tem cerca de 700 habitantes em 1619.

Os escravos são capturados pelos traficantes portugueses nos reinos africanos do Kongo e de Ndongo e embarcados no navio San Juan Bautista, que os levaria a Veracruz, na colônia espanhola da Nova Espanha, hoje México.

Na travessia do Oceano Atlântico, cerca de 150 dos 350 escravos morrem. Dois navios piratas, o Leão Branco e o Tesoureiro, atacam o navio negreiro e tomam 60 escravos. O Leão Branco troca-os por comida em Jamestown.

O tráfico de escravos captura mais de 12 milhões de africanos. A maior parte (5 milhões) vem para o Brasil, outros 3 milhões para a região do Mar do Caribe e 600 mil para os EUA.

DESCOBERTA DO ALASCA

    Em 1741, em viagem a serviço da Rússia, o explorador dinamarquês Vitus Bering encontra  o Alasca.

Bering nasce em Horsens, na Dinamarca, em 1681. Depois de uma viagem às Índias Orientais, ele entra para a frota do czar Pedro I, o Grande, como subtenente.

Em 1724, o czar o nomeia capitão de uma expedição para determinar se a Ásia está ligada à América do Norte ou se existe uma passagem que permita chegar a China contornando os limites da Sibéria.

A expedição parte da Península de Kamchatka em 13 de julho de 1728. Em agosto, passa pelo Estreito de Bering e chega ao Oceano Glacial Ártico. O mau tempo não deixa avistar a América do Norte, mas ele conclui que os dois continentes não estão ligados por terra.

Durante o reinado da imperatriz Ana, Bering integra a Grande Expedição do Norte (1733-43), que mapeia a costa ártica da Sibéria. Em 4 de junho de 1741, ele zarpa de Kamchatka com o navio Saint Peter, enquanto Alexei Chirikov comanda o Saint Paul. Uma tempestade afasta os dois navios. 

Chirikov descobre várias Ilhas Aleutas e Bering chega ao Golfo do Alasca em 20 de agosto. Com escorbuto, Bering perde a capacidade de comandar o navio, destruído durante uma tempestade no porto da Ilha de Bering em novembro. Ele morre em 19 de dezembro de 1741 na Ilha de Bering, batizada em sua homenagem, assim como o estreito por onde se acredita que o homem chegou à America há 24 mil anos. Os sobreviventes conseguem chegar à Sibéria e falar das possibilidades do comércio de peles do Alasca e das Aleutas.

Em 1784, o comerciante de peles russo Grigory Chelikhov funda na ilha de Kodiak a Baía de Três Santos, o primeiro assentamento permanente da Rússia no Alasca. Depois da derrota na Guerra da Crime (1853-56), a Rússia vende o Alasca para os Estados Unidos em 1867.

O negócio é defendido pelo secretário de Estado, William Seward, que enfrenta forte oposição por se tratar de um deserto gelado.

Seward oferece US$ 7,2 milhões e os EUA assumem o controle do território em 18 de outubro de 1867. O negócio é chamado de "loucura de Seward".

A descoberta de ouro no Território de Yukon, no Canadá, em 16 de agosto de 1896 deflagra uma corrida do ouro que inclui o Alasca, a maior da história da América. Cerca de 100 mil garimpeiros vão para a região. A "loucura de Seward" se paga com alto lucro.

QUEDA DE BRUXELAS

    Em 1914, a Alemanha toma Bruxelas, a capital da Bélgica, na invasão inicial da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Com a Europa em crise depois do assassinato do herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, Francisco Ferdinando, em Sarajevo, na Bósnia-Herzegovina, em 28 de junho, a Bélgica reafirma sua neutralidade em 24 de agosto.

A guerra começa em 28 de julho, quando a Áustria-Hungria ataca a Sérvia. A Alemanha, aliada da Áustria-Hungria, invade Luxemburgo em 2 de agosto e exige passagem livre para suas tropas pelo território belga para atacar a França.

Diante da recusa, a Alemanha declara guerra à Belgica e invade o país em 4 de agosto, Começa a Batalha de Liège, que cai em 7 de agosto. Depois das batalhas de Mons e de Charleroi, os exércitos alemães seguem em marcha rumo à França. 

ASSASSINATO DE TROTSKY

    Em 1940, o agente stalinista Jaime Ramón Mercader ataca com uma picareta de alpinismo o líder revolucionário comunista Leon Davidovich Bronstein, mais conhecido como Leon Trotsky, que morre no dia seguinte, na sua casa no exílio na Cidade do México.

Trotsky nasce em Ianovka, na Ucrânia, numa família judaica em 7 de novembro de 1879. Vira marxista na adolescência e larga a Universidade de Odessa para organizar o Sindicato dos Trabalhadores do Sul da Rússia. 

Em 1898, é preso por suas atividades políticas. Dois anos depois, é enviado para a Sibéria. Em 1902, foge usando um passaporte falso em nome de Leon Trotsky.

Ele volta à Rússia para participar da Revolução de 1905. É preso e enviado de novo à Sibéria. Em 1907, escapa mais uma vez. Em mais uma década no exílio, Trotsky vive na Suíça, na França, na Espanha e em Nova York antes de voltar à Rússia em 1917, depois que a Revolução de Fevereiro derruba a monarquia.

Como líder do Soviete de Petrogrado, Trotsky tem um papel decisivo na Revolução de Outubro, que leva os bolcheviques ao poder. Nomeado comissário de Relações Exteriores, negocia a paz de Brest-Litovsk com a Alemanha para tirar a Rússia da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Comissário do Povo para Assuntos Militares e Navais, cria e chefia o Exército Vermelho durante a guerra civil que se segue à Revolução Comunista. Também funda o Politburo do Comitê Central do Partido Comunista e se torna um de seus sete membros.

Depois da morte de Lenin, em 21 de janeiro de 1924, Trotsky perde a disputa pelo poder com Josef Stalin. Em 1925, deixa de ser comissário da Guerra e, em 1927, é afastado do Politburo.

Expulso da União Soviética em fevereiro de 1929, torna-se o maior crítico do stalinismo até ser morto pelo comunista espanhol Ramón Mercader, um agente internacional do Comissariado do Povo para Assuntos Internos (NKVD), a polícia política da URSS no período stalinista.

INDEPENDÊNCIA DO SENEGAL

    Em 1960, a República do Senegal se separa da Federação do Mali e se torna totalmente independente.

No fim do século 19, o que hoje é o Senegal é integrado à África Ocidental Francesa. Em 1946, o país é elevado à categoria de território ultramarino francês. A antiga colônia se torna uma república autônoma em 1958. 

Um ano depois, adere ao Sudão Francês, hoje Mali, para formar a Federação do Mali, que proclama a independência em junho de 1960. Em 20 de agosto, o Senegal se separa e Leopold Sédar Senghor (foto) se torna seu primeiro presidente.

INVASÃO DA TCHECO-ESLOVÁQUIA

    Em 1968, 200 mil soldados e 5 mil tanques do Pacto de Varsóvia, a aliança militar liderada pela União Soviética, invadem a Tcheco-Eslováquia e acabam com a Primavera de Praga, uma tentativa do líder Alexander Dubcek de humanizar o regime comunista.

Os comunistas tomam o poder na Tcheco-Eslováquia em 1948, num golpe apoiado pelo ditador soviético Josef Stalin, e impõem um regime stalinista, padrão na Europa Oriental, ocupada pelo Exército Vermelho no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

A linha dura domina o país até os anos 1960, quando há uma liberalização do regime que atinge o auge sob Dubcek, eleito primeiro-secretário do Partido Comunista em 5 de janeiro de 1968. As tentativas de descentralizar a administração e a economia, e de democratizar o regime criando um "socialismo com face humana" desagradam ao Kremlin.

Os tcheco-eslovacos protestam e resistem à invasão. Vários jovens se autoimolam e morrem queimados na luta pela liberdade, mas são impotentes contra os tanques soviéticos. 

A Tcheco-Eslováquia permanece sob o controle da URSS até a queda do regime comunista na Revolução de Veludo, em novembro de 1989. Os tanques soviéticos só deixam o país em 1991, quando acaba a URSS.

No Divórcio de Veludo, em 1º de janeiro de 1993, o país se divide em República Tcheca e Eslováquia.

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quinta-feira, 16 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 16 de Julho

CISMA DO ORIENTE

    Em 1054, o monge, cardeal e núncio papal francês Humberto da Silva Candida excomunga o patriarca de Constantinopla, Miguel I Cerulário, que retália excomungando o cardeal. É o início do Grande Cisma do Oriente, com ruptura entre as igrejas cristãs de Roma e da Constantinopla.

Sob Leão IX, Humberto se torna arcebispo da Sicília e o principal secretário do papa. Em viagem pela Apúlia em 1053, ele recebe de João, bispo de Trâni, uma carta de Leão de Ácrida criticando os costumes e as liturgias ocidentais.

O cardeal traduz a carta do grego para o latim e a entrega ao papa, que mandar dar uma resposta. Uma missão liderada por Humberto com participação Frederico de Lorena, futuro papa Estêvão IX, e Pedro, bispo de Amálfi, vai a Constantinopla exigir explicações do patriarca.

Humberto é recebido cordialmente pelo imperador bizantino Constantino IX, mas é ignorado pelo patriarca Miguel I Cerulário. Apesar da morte de Leão IX, que lhe tira a autoridade, Humberto deixa uma bula de excomunhão no altar-mor da Basílica de Santa Sofia.

A Reforma da Igreja do Ocidente começa quando o monge alemão Martinho Lutero prega suas 95 teses sobre Poder e Eficácia das Indulgências na porta da Igreja de Todos os Santos, em Wittenberg, e as envia por carta ao arcebispo de Mainz, Alberto de Brandenburgo, em 31 de outubro de 1517. É o  Cisma do Ocidente. Surgem as igrejas protestantes.

Em 1964, durante encontro em Jerusalém, o papa Paulo VI e o patriarca Atenágoras I de Constantinopla anularam a excomunhão mútua dos líderes da Igreja Católica Apostólica Romana e a Igreja Cristã Ortodoxa. 

FUNDAÇÃO DE WASHINGTON

    Em 1790, o Congresso decide que uma área úmida, pantanosa, barrenta e infestada de mosquitos junto ao Rio Potomac entre os estados de Maryland e da Virgínia será o local da futura capital dos Estados Unidos, com o nome de Washington, em homenagem ao líder da luta pela independência e primeiro presidente do país.

Washington convida o arquiteto e urbanista francês Pierre Enfant para fazer o projeto. Em 1793, é lançada a pedra fundamental do palácio presidencial, mais tarde batizado como Casa Branca. O prédio só se torna habitável em 1800. O segundo presidente John Adams, vive lá menos de um ano. Perde a reeleição para Thomas Jefferson.

O Distrito de Colúmbia é criado em 1801.

COMUNISTAS EXECUTAM OS ROMANOV 

    Em 1918, o czar Nicolau II, a imperatriz Alexandra e toda a família são executados pelos bolcheviques em Ecaterimburgo, selando o fim de três séculos de domínio da Dinastia Romanov na Rússia.

Nicolau II, o Sanguinário, é coroado em 1896 e enfrenta a primeira revolução em 1905, depois da humilhante derrota da Rússia para o Japão na Guerra do Pacífico (1904-5). Depois de outra derrota humilhante na Primeira Guerra Mundial (1914-18), é derrubado pela Revolução de Fevereiro de 1917 (março pelo calendário atual).

Os bolcheviques, liderados por Vladimir Lenin, tomam o poder na Revolução de Outubro (novembro pelo calendário atual) e decidem executar a família imperial em meio à Guerra Civil Russa (1917-22) para impedir qualquer tentativa contrarrevolucionária de restaurar a monarquia.

PRIMEIRO PARQUÍMETRO

    Em 1935, o primeiro parquímetro é instalado na esquina sudoeste entre a Rua Primeira e a Avenida Robinson na Cidade de Oklahoma, nos Estados Unidos.

Holger George Thuesen e Gerald Hale, professores de engenharia da Universidade Estadual de Oklahoma, começam a trabalhar no projeto em 1933 a pedido da Prefeitura Municipal da Cidade de Oklahoma. A produção em escala industrial inicia em 1936.

DETENÇÃO NO VELÓDROMO RUMO À DEPORTAÇÃO

    Em 1942, sob a ocupação nazista, começa a detenção em massa de judeus no Velódromo de Inverno, em Paris. É o maior aprisionamento coletivo de judeus na França durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

A cúpula do regime nazista aprova a "solução final da questão judaica", o genocídio, o extermínio do povo judeu, na Conferência de Wannsee, em Berlim, em 20 de janeiro de 1942.

Por ordem do governo colaboracionista de Vichy, 7 mil guardas e policiais franceses participam da verdadeira caçada aos judeus em 16 e 17 de julho daquele ano.

Ao todo, 13.152 judeus são presos. Quase um terço é de crianças. Pelo menos 8.160 ficam quatro dias no Velódromo de Inverno. 

Em 18 de julho, começa a deportação para campos de concentração. Quase todos morrem no Holocausto. Menos de 100 sobrevivem.

PRIMEIRA EXPLOSÃO ATÔMICA

     Em 1945, os Estados Unidos fazem às 5h29min45seg o primeiro teste de uma bomba atômica, em Alamogordo, no deserto do Novo México.

As armas nucleares são usadas contra o Japão em Hiroxima e Nagasaki, em 6 e 9 de agosto, pondo fim à Segunda Guerra Mundial. Cerca de 80 mil pessoas morrem na hora em Hiroxima e 60 mil em Nagasaki. Com as doenças causadas pela radiação, o total de mortes até hoje passa de 300 mil.

O plano para fazer uma bomba nuclear de urânio começa em 1939, quando o físico italiano Enrico Fermi se encontra na Universidade de Colúmbia com oficiais da Marinha dos EUA para discutir o uso militar da fissão nuclear.

Naquele ano, em carta ao presidente Franklin Roosevelt, o genial cientista alemão Albert Einstein defende a teoria de que uma reação nuclear descontrolada, em cadeia, tem um grande potencial para ser a base de uma arma de destruição em massa. Daí, nasce o Projeto Manhattan, com objetivo de criar uma bomba atômica antes da Alemanha Nazista.

Na Alemanha, o projeto é chefiado por Werner von Heisenberg, um dos maiores físicos teóricos do século 20, criador do Princípio de Incerteza. Felizmente, ele fracassa na prática ao não chegar ao conceito de massa crítica. É a quantidade de material físsil concentrado necessária para manter uma reação nuclear em cadeia autossustentada, de 47 quilos para o urânio-235 e 10 kg para o plutônio-239, os explosivos nucleares usados em Hiroxima e Nagasáki.

Falta apoio do Estado-Maior e da cúpula do Partido Nacional-Socialista Trabalhista Alemão (Nazista). Albert Speer, arquiteto-chefe e ministro de Armamentos da Alemanha, se reúne cerca de 2,2 mil vezes com o ditador Adolf Hitler. Só em duas ocasiões, Hitler fala em armas nucleares.

O Führer acredita que um dia haverá uma arma capaz de tocar fogo na terra, mas imagina que isso só acontecerá muito depois de sua morte. Comete suicídio em 30 de abril. Um mês e meio depois, os EUA explodem a bomba atômica.

Apesar do sigilo que envolve o Projeto Manhattan, espiões conseguem roubar os segredos. Em 29 de agosto de 1949, a União Soviética faz seu primeiro teste nuclear. O Reino Unido explode a bomba em 3 de outubro de 1952. A França detona a primeira arma nuclear em 13 de fevereiro de 1960. E a China entra para o clube atômico em 16 de outubro de 1964.

Pelo Tratado de Não Proliferação Nuclear, de 1968, só estas grandes potências podem ter armas nucleares. Não por coincidência são os cinco membros permanentes com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas. A Rússia herda o arsenal nuclear e a vaga da URSS.

Israel fez a primeira arma nuclear operacional em dezembro de 1966, mas não admite publicamente que tenha um arsenal atômico. A Índia e o Paquistão assumem o status de potências nucleares com testes em maio de 1998. A África do Sul foi o primeiro e único país e fabricar e abandonar as armas nucleares, desmanteladas a partir de 1989. A Coreia do Norte fez seu primeiro teste nuclear em 2006 e pelo menos mais cinco desde então.

APOLO 11 DECOLA

    Em 1969, a nave Apolo 11 parte de Cabo Canaveral, na Flórida, com a primeira missão tripulada que pousa na Lua. 

Depois de viajar 384 mil quilômetros em 76 horas, a espaçonave entra na órbita da Lua.

No dia seguinte, o módulo lunar Águia se separa da nave-mãe, onde fica o terceiro astronauta, Michael Collins, e desce com os astronautas Neil Armstrong e Edward Aldrin. Três horas e dois minutos depois, pousa no Mar da Tranquilidade e a missão manda a mensagem histórica: "A Águia pousou." 

Dezessete minutos mais tarde, Armstrong toca o solo do satélite da Terra e pronuncia outra frase histórica: "É um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade." 

Aldrin desce 15 minutos depois. Os dois hasteiam a bandeira dos EUA, tiram fotos e recolhem amostras da superfície lunar. Duas horas e 58 minutos depois que Armstrong pisa na Lua, os dois voltam ao módulo lunar e sobem rumo à Apolo 11, que chega à Terra em 24 de julho.

AMAZON NASCE COMO LIVRARIA VIRTUAL

    Em 1995, a Amazon começa a funcionar como uma livraria virtual em Seattle, nos Estados Unidos. No primeiro mês, envia livros para todos os 50 estados americanos e 45 países.

Jeff Bezos se forma em engenharia eletrônica e ciências da computação na Universidade de Princeton, em Nova Jérsei, em 1986, e trabalha oito anos no centro financeiro de Nova York. Em 1994, ao perceber as oportunidades de negócios criadas pela Internet, se muda para o estado de Washington e funda a Amazon.

 Como o lema do fundador era "fique grande logo", a Amazon cresce e revoluciona a maneira como as pessoas fazem compras e se torna uma líder do comércio eletrônico. Em dezembro de 1999, mandara 20 milhões de itens para 150 países. Hoje, vende de gêneros alimentícios a serviços de streaming de música e vídeo.

Bezos compra outras empresas, inclusive jornal The Washington Post e a rede de supermercados Whole Foods. Um dos homens mais ricos do mundo, ele deixa a direção da Amazon para se dedicar à sua companhia aeroespacial para turismo no espaço.

JFK JR. E A TRAGÉDiA DOS KENNEDY 

    Em 1999, John Kennedy Jr., sua mulher, Carolyn Bassett Kennedy, e a irmã dela, Lauren Bassett, morrem quando o avião monomotor que ele pilota cai no Oceano Atlântico perto de Martha Vineyard, no estado de Massachusetts.

JFK Jr. nasce em 25 de novembro de 1960, semanas depois da eleição do pai para a Presidência dos EUA. Tem pouco menos de 3 anos quando Kennedy é assassinado à bala em Dallas, no Texas, em 22 de novembro de 1963.

O tio Robert Kennedy, ministro da Justiça de JFK, é baleado em 5 de junho de 1968, quando vence a eleição primária da Califórnia e conquista a candidatura democrata à Casa Branca. Morre no dia seguinte. 

Um acidente de carro em que morre a secretária e amante Mary Joe Kopechne, em 1969, tira as chances do tio mais moço, Edward Kennedy, de chegar à Casa Branca. Ele dirige o carro, que cai num riacho, e só se apresenta à polícia no dia seguinte.

Depois de se formar em direito na Universidade de Nova York, JFK Jr. trabalha como promotor adjunto e ganha todos os seis casos em que atua. Em 1995, funda a revista política George, que chega a uma circulação de 400 mil exemplares. A revista indica uma intenção de entrar na política. É apontado como possível candidato à Casa Branca.

Com apenas 300 horas de voo, ele sai de um aeroporto em Nova Jérsei com um monomotor, uma temeridade. Na Amazônia, monomotores só podem voar um cima de estradas. Em caso de pane no único motor, o piloto pode pousar na estrada. JFK Jr. não teve esta chance. Não dá para pousar no mar.

O Conselho Nacional de Segurança de Transportes não encontra problemas mecânicos ou de navegação no aparelho, um Piper Saratoga. Conclui que a causa do acidente foi a inexperiência do piloto, que se confundiu na escuridão da noite.

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quinta-feira, 16 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 16 de Abril

PRIMEIRA MULHER SOBREVOA A MANCHA

    Em 1912, a aviadora norte-americana Harriet Quimby torna-se a primeira mulher a sobrevoar o Canal da Mancha ao pilotar o monomotor francês Blériot em meio a forte neblina de Dover, na Inglaterra, a Hardelot, na França.

Ela nasce provavemente em 1º de maio de 1875 em Coldwater, no estado de Michigan, e começa a se interessar por aviação em outubro de 1910. Depois de visitar uma feira em Belmont Park, decide aprender a pilotar.

Harriet Quimby estuda na Escola de Aviação Moisant, em Hempstead, Long Island, na primavera de 1911. Em 1º de agosto, recebe a licença número 37, a primeira de uma mulher, do Aero Clube da América, o braço da Federação Aeronáutica Internacional nos Estados Unidos.

É a segunda pilota do mundo, depois da francesa Baronesa de la Roche. Depois de um mês de preparação, Quimby sobrevoa a Mancha, mas em 1º de julho de 1912 ela e uma passageira caem durante uma manobra de seu Blériot e morrem.

LENIN VOLTA À RÚSSIA

    Em 1917, o líder comunista Vladimir Lenin volta à Rússia depois de 17 anos no exílio para preparar a Revolução Bolchevique e tomar o poder.

Vladimir Illich Ulianov nasce em Simbirsk, na Rússia, em 22 de abril de 1870. Numa família de seis irmãos, todos entram em movimentos revolucionários. Ele se destaca como estudante de grego e latim. Parece destinado a uma carreira acadêmica.

Um marco trágico na vida de Lenin é a morte do irmão mais velho, Alexander Ulianov, enforcado em 1887 por conspirar para matar o czar Alexandre III como parte do grupo rebelde Vontade Popular. 

No mesmo ano, Lenin entra para a Universidade de Kazan. É expulso três meses depois por participar de uma assembleia. Preso e banido de Kazan, ele vai para a fazenda de um avô em Kokuchkino. Em 1888, ele é autorizado a voltar para Kazan, mas não para a universidade.

Nesta época, conhece revolucionários e lê O Capital, a obra-prima de Karl Marx, o pai do comunismo. Em janeiro de 1889, torna-se marxista. Ele se muda com a família para Samara, onde conclui o curso de direito.

A advocacia dá cobertura legal às atividades revolucionárias. Em agosto de 1893, Lenin se muda para São Petersburgo, na época a capital da Rússia, onde trabalha como defensor público. Ele viaja ao exterior em 1895 para manter contato com russos exilados, em especial Georgy Plekhanov, o grande pensador marxista russo.

De volta à Rússia, consegue unificar os marxistas ao fundar a União de Luta pela Libertação da Classe Trabalhadora. Em dezembro de 1895, os líderes do grupo são presos. Lenin fica um ano e três meses na cadeia. Depois, vai para o exílio interno em Chuchenskoye, na Sibéria.

Sua noiva, Nadia Krupskaya, o segue. Eles se casam na Sibéria e ela se torna sua secretária. Em janeiro de 1900, Lenin deixa a Rússia. No exterior, ele escreve uma série da panfletos. Critica a veneração dos trabalhadores russos pelo czar e os marxistas que se concentram na luta por salários e redução da jornada de trabalho, deixando a política em segundo plano.

O grande debate intelectual dos marxistas russos é se o comunismo seria viável num país atrasado, de industrialização tardia, com mais camponeses que detém propriedade coletiva da terra do que proletários. 

Plekhanov defende a ideia de que a Rússia já é capitalista, mas precisa primeiro de uma revolução burguesa para impulsionar o desenvolvimento capitalista. 

No livro Desenvolvimento Capitalista na Rússia, Lenin conclui que o campesinato está longe de ser uma classe social homogênea. Observa uma estratificação social no campo, com uma burguesa rural, um campesinato de classe média e um proletariado e semiproletariado rural empobrecido. Neste último, vê um aliado do pequeno proletariado industrial da Rússia.

Em 1902, Lenin publica O Que Fazer? Rejeita a ideia de que o capitalismo está levando o proletariado espontaneamente ao socialismo revolucionário, cabendo ao partido apenas coordenar a luta. Na sua visão, o capitalismo predispõe os trabalhadores a aceitar o socialismo, mas a derrubada do sistema capitalista e a construção do socialismo dependem de uma consciência de classe induzida pelo partido.

O papel do partido é central no chamado marxismo-leninismo. É a vanguarda do proletariado. Deve ser mentor, líder e guia altamente disciplinado, mostrando constantemente ao proletariado onde estão os interesses da classe trabalhadora. Daí vem a ideia do "centralismo democrático". Uma vez que o partido tome uma decisão, cessa o debate interno e todos os membros devem seguir a orientação da cúpula.

Outros companheiros, como Plekhanov, Julius Martov e Leon Trotsky, temem que esta organização e disciplina partidárias levem ao jacobinismo, suprimam a liberdade de discussão dentro do partido, criem uma ditadura sobre o proletariado em vez da ditadura do proletariado e estabeleçam a ditadura de um homem só, como aconteceria sob Josef Stalin.

No segundo congresso do Partido Operário Social-Democrata da Rússia, Lenin está em minoria. Mas a retirada dos judeus social-democratas deixa a facção leninista em maioria e ele a chama de bolchevique (maioria), em oposição à ala menchevique (minoria) de Martov.

A divisão entre bolcheviques e mencheviques se aprofunda com a Revolução de 1905, deflagrada pela derrota da Rússia na Guerra Russo-Japonesa (1904-5).

Ambas as alas seguem a proposta de Plekhanov de que são necessárias duas revoluções, uma burguesa e depois a proletária. Mas os mencheviques entendem que a burguesia deve liderar a revolução burguesa, enquanto Lenin quer a hegemonia do proletariado na revolução democrática.

Lenin volta à Rússia no fim de 1905, mas é forçado a se exilar de novo em 1907. As reformas do czar Nicolau II, o Sanguinário, e a violenta repressão reduzem a adesão ao partido. Para manter a coesão dos bolcheviques diante do fortalecimento crescente dos mencheviques, Lenin convoca uma conferência do Partido Bolchevique em 1912 em Praga. É a divisão definitiva do Partido Operário Social-Democrata.

Quando estoura a Primeira Guerra Mundial (1914-18), em julho e agosto de 1914, os partidos social-democratas ignoram as resoluções anteriores da Segunda Internacional e apoiam seus países. Lenin chama os socialistas a favor da guerra de "social-chauvinistas", traidores da classe operária que apoiam regimes imperialistas.

Ele declara que a Segunda Internacional está morta. Defende a criação da Terceira Internacional e a transformação da guerra em guerras civis em que trabalhadores e soldados virariam suas armas contra as classes dominantes.

Exilado na Suíça, Lenin escreve sua principal obra sobre relações internacionais, Imperialismo: Estágio Superior do Capitalismo, em que propõe a teoria do elo mais fraco para justificar a revolução comunista na Rússia: a ruptura do sistema capitalista não aconteceria nos países mais industrializados, mas nos elos mais fracos. A guerra seria resultado do insaciável caráter expansionista do capitalismo.

"A derrota na guerra é a vitória da revolução", previu Lenin ao discutir a questão com Trotsky. A humilhação do Exército czarista diante da Alemanha leva ao fim da monarquia na Revolução de Fevereiro de 1917. Lenin obtém um salvo-conduto para atravessar a Alemanha, o que leva seus detratores a acusá-lo de ser um agente alemão.

De volta à Rússia, ele lança as Teses de Abril, em que rejeita a democracia parlamentar e prepara a Revolução de Outubro, quando os comunistas depõe o governo provisório do menchevique Alexander Kerensky e tomam o poder. Em 3 de março de 1918, a Rússia assina o Tratado de Brest-Litovsky, uma "paz vergonhosa", nas palavras do próprio Lenin. Abre mão da Finlândia, da Polônia, dos países bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia), da Ucrânia e da Bielorrússia, e sai da Primeira Guerra Mundial.

GUERRA FRIA

    Em 1947, ao discursar na cerimônia de descerramento de seu retrato na Assembleia Legislativa da Carolina do Sul, o financista multimilionário Bernard Baruch usa pela primeira vez a expressão guerra fria para se referir à confrontação estratégica entre os Estados Unidos e a União Soviética.

Baruch trabalha como assessor presidencial em economia e política externa desde o governo Woodrow Wilson (1913-21). Depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18), participa da Conferência de Paz de Versalhes.

Nos anos 1930, assessora o presidente Franklin Roosevelt (1933-45) e membros do Congresso. Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), é conselheiro do presidente Harry Truman (1945-53).

Durante a cerimônia, Baruch lança um duro ataque contra os conflitos trabalhistas. Afirma que só com a união entre capital e trabalho os EUA serão capazes de se tornar uma grande força num "mundo que se renova física e espiritualmente."

Ele propõe semanas de trabalho mais longas, acordos com os sindicatos para prevenir greves e com as empresas para evitar demissões: "Não nos enganemos – estamos hoje no meio de uma guerra fria. Nossos inimigos estão no exterior e em casa. Não nos esqueçamos nunca: nossa inquietação é o coração de nosso sucesso. A paz no mundo é a esperança e a meta do nosso sistema político; é o desespero e a derrota daqueles que se erguem contra nós. Só podemos depender de nós mesmos."

COOPERAÇÃO ECONÔMICA

    Em 1948, 16 países europeus reunidos em Paris criam a Organização para a Cooperação Econômica na Europa (OCEE) para coordenar a reconstrução do continente através do Programa de Recuperação Europeia, mais conhecido como o Plano Marshall, uma proposta do secretário de Estado norte-americano George Marshall.

O Plano Marshall investe cerca de US$ 14 bilhões na reconstrução da Europa e contribue para evitar a expansão do comunismo na Europa Ocidental durante a Guerra Fria. Pelas cotações de hoje, seria o equivalente a mais de US$ 132 bilhões.

Em 1961, a OCEE passa a se chamar Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e passa a aceitar países não europeus. É um clube de países ricos com alguns em desenvolvimento como Chile, Colômbia, Costa Rica, México e Turquia.

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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 21 de Janeiro

 LUÍS XVI É GUILHOTINADO

    Em 1793, um dia depois de ser condenado à morte pela Convenção Nacional por traição e conspiracão com potências estrangeiras, o rei Luís XVI é executado na Praça da Revolução, em Paris.

É um pouco antes do início do período do terror da Revolução Francesa, em que milhares de pessoas são guilhotinadas, inclusive a rainha e os líderes revolucionários Georges-Jacques Danton e Maximiliano Robespierre.

Como Maria Antonieta é austríaca, a família real é acusada de conspirar com potências estrangeiras para que invadam a França e acabem com a revolução.

MORTE DE LENIN

    Em 1924, o líder da Revolução Comunista e primeiro líder da União Soviética, Vladimir Ilich Ulianov, mais conhecido como Lenin, morre aos 54 anos, deflagrando uma luta pelo poder entre Leon Trotsky, criador do Exército Vermelho e ministro do Exterior, e o secretário-geral do partido, Josef Stalin, que vence e governa durante três décadas com um regime de terror. 

O corpo de Lenin embalsamado está em exposição num mausoléu na Praça Vermelha. Ele nasce em 22 de abril de 1870 em Ulianovsk numa família de classe média alta e entra na luta pelo socialismo revolucionário depois da execução, em 1887, do irmão mais velho, Alexander, condenado à morte sob acusação de conspirar para matar o czar e derrubar o regime.

Condenado por ativismo comunista, Lenin fica três anos no exílio interno na Sibéria, onde se casa com Nádia Krupskaya, e depois vai para a Europa Ocidental. Quando estoura a Primeira Guerra Mundial (1914-18), Lenin se refugia na neutra Suíça.

Contra a guerra, faz campanha para convencer os partidos socialistas e os trabalhadores dos exércitos em luta a se revoltar contra a burguesia e a aristocracia dominantes de seus países. A guerra só interessa às elites. Lenin escreve seu único livro sobre relações internacionais, Imperialismo: a fase superior do capitalismo. 

Depois da queda do czar Nicolau II na Revolução de Fevereiro de 1917, Lenin recebe um salvo-conduto para atravessar a Alemanha e chega a Petrogrado, hoje São Petersburgo, depois de ter sido Leningrado. Ele lança as Teses de Abril e lidera a Revolução de Outubro, quando os comunistas tomam o poder.

Lenin é o chefe de Estado na Rússia Comunista e da URSS de 1917 até sua morte. Em reação à revolução, começa uma guerra civil. Os comunistas vencem em 1922 e criam a URSS para acomodar as diferentes nacionalidades do antigo império czarista. Para justificar a invasão da Ucrânia, o ditador russo, Vladimir Putin, alega que a Ucrânia é uma invenção de Lenin e Stalin.

Um dos líderes mais influentes do século 20, Lenin deixa sua marca em toda uma corrente política, o marxismo-leninismo. É acusado de ter aberto o caminho para o stalinismo com o chamado centralismo democrático e de criar um regime totalitário com execuções em massa, inclusive da família imperial czarista, polícia política e perseguição aos dissidentes.

PRIMEIRO VOO COMERCIAL DO CONCORDE

    Em 1976, o Concorde, o primeiro avião de passageiros supersônico, um projeto financiado pelos governos da França e do Reino Unido, faz seus primeiros voos comerciais. Com a companhia aérea British Airways, vai de Londres ao Bahrein, enquanto pela Air France voa de Paris ao Rio de Janeiro.

O Concorde é o primeiro projeto conjunto de países europeus para construir uma aeronave. Em 29 de novembro de 1962, a França e o Reino Unido assinam um tratado para realizar o projeto. A British Aerospace e a Aérospatiale são encarregadas de fabricar a estrutura metálica, e a Rolls-Royce e a Société Nationale de Étude et de Construction de Moteurs d'Aviation (SNECMA) fazem os motores. 

O primeiro voo é em 2 de março de 1969. O Concorde atinge uma velocidade máxima de 2.179 quilômetros por hora ou Mach 2,04, mais de duas vezes a velocidade do som. A primeira travessia do Oceano Atlântico é em 26 de setembro de 1973. O jato supersônico reduz o tempo de viagem entre Londres e Nova York para três horas.

Em maio de 1976, as duas companhias aéreas passam a voar regularmente para Washington e, em novembro de 1977, para Nova York. Mas o custo operacional é tão grande que o Concorde sempre dá prejuízo. Só 14 Concordes entram em operação. As únicas rotas mantidas são para Nova York.

Em 25 de julho de 2000, o pneu de um Concorde que ia de Paris para Nova York estoura logo após a decolagem, rompe um tanque de combustível e provoca um incêndio que derruba o avião. Todas as 109 pessoas a bordo, 100 passageiros e 9 tripulantes, morrem no acidente, além de quatro pessoas atingidas no solo.

A Air France suspende as operações com o Concorde em maio de 2003 e a British Airways em outubro de 2003.

CARTER PERDOA DESERTORES

    Em 1977, no segundo dia de governo, o presidente Jimmy Carter perdoa centenas de milhares de homens que se negaram a lutar na Guerra do Vietnã (1955-75), uma promessa de campanha.

Cerca de 100 mil norte-americanos saem do país no fim dos anos 1960 e início dos 1970 para não ter de servir no Vietnã. Cerca de 30 mil vão para o Canadá, onde são recebidos como imigrantes. Outros ficam escondidos, vivendo clandestinamente nos Estados Unidos.

Ao todo 209.517 homens são acusados de violar as leis de recrutamento militar, de um total de mais de 300 mil que rejeitam a convocação.

Os ex-presidentes Bill Clinton, George W. Bush e Donald Trump, e os ex-vice-presidentes Dan Quayle e Dick Cheney não lutam no Vietnã. Trump consegue cinco adiamentos.

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