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sábado, 16 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 16 de Maio

CASAMENTO REAL

    Em 1770, Luís, delfim (herdeiro do trono) da França, casa com Maria Antonieta, filha do imperador Francisco I, do Sacro Império Romano-Germânico, e da arquiduquesa Maria Teresa da Áustria, num casamento para fortalecer as relações entre inimigos históricos que acaba na guilhotina durante a Revolução Francesa de 1789.

O casamento começa mal. O delfim decide dar uma festa com fogos de artificio que termina em tragédia, com 132 mortes.

Com a morte do rei Luís XV, em 1774, seu neto ascende ao trono como Luís XVI. Ele é incapaz de resolver os problemas financeiros herdados do avô por causa da Guerra dos Sete Anos (1756-63), quando a França perde para o Império Britânico suas possessões na Índia e a maior parte das possessões na América do Norte.

A rainha é considerada extravagante, perdulária, dedicada aos interesses da Áustria e contrária à reforma da monarquia, alienando o regime do povo francês, que passa fome em invernos rigorosos.

A Revolução Americana, que leva à independência dos Estados Unidos em 1776, com o apoio da França, outra consequência da Guerra dos Sete Anos, desperta o interesse do povo francês pela democracia.

Quando estoura a Revolução Francesa, em 14 de julho de 1789, com a tomada da prisão real da Bastilha, Luís XVI escreve em seu diário: "Nada". Mais um dia de tédio real.

O casal resiste aos conselhos de reformar a monarquia. Em 1791, o rei e a rainha decidem fugir para a Áustria. São presos e levados para Paris, onde Luís XVI aceita uma nova Constituição que o torna uma figura decorativa.

Em agosto de 1792, ambos são presos de novo. Em setembro do mesmo ano, começa a segunda fase da Revolução Francesa, o período da Convenção Nacional, que abole a monarquia e instaura um regime de terror sob o controle do Comitê de Salvação Nacional.

Sob a acusação de traição, ambos são condenados pelo tribunal revolucionário. Luís XVI é guilhotinado em 21 de janeiro de 1793 e Maria Antonieta em 16 de outubro do mesmo ano.

SANTA JOANA D'ARC

    Em 1920, o papa Bento XV canoniza a grande heroína nacional da França, Joana d'Arc.

Joana d'Arc nasce em 1412 em Donrémy, no Nordeste da Franca, numa família camponesa. Aos 16 anos, "ouve vozes" de três santos católicos – Santa Catarina, Santa Margarida e São Miguel – exortando-a a apoiar o delfim na reconquista de Reims e do trono da França, tomado em 1415 por Henrique V, da Inglaterra. 

Ela vira uma heroína ao entrar em combate no Cerco de Orleans, de 12 de outubro de 1428 a 8 de maio de 1429, a primeira grande vitória francesa depois da derrota na Batalha de Agincourt, em 25 de outubro de 1415. Depois de uma série de triunfos franceses, Carlos VII é coroado em Reims.

A França obtém outras vitórias, mas o Cerco de Paris, de 3 a 8 de setembro, fracassa. Em 23 de maio de 1430, Joana d'Arc é capturada pelas forças de João, Duque de Borgonha, aliado da Inglaterra. É julgada pelo bispo Pierre Cauchon, que faz acusações de cunho religioso e a condena à morte na fogueira como uma bruxa. 

Aos 19 anos, ela é queimada na fogueira na Praça do Velho Mercado, em Rouen, em 30 de maio de 1431. O primeiro-ministro britânico Winston Churchill, que também foi historiador, considera a execução sumária um erro que a transforma em mártir.

Sob a inspiração da jovem camponesa, a Guerra dos Cem Anos vira a favor da França. Em 1453, Carlos VII havia reconquistado todo o território francês menos o porto de Calais, que os ingleses entregam em 1558.

PRIMEIRA CERIMÔNIA DO OSCAR

    Em 1929, a Academia de Artes e Ciências do Cinema dos Estados Unidos realiza a primeira festa de entrega de prêmios aos destaques do ano, com cerca de 250 pessoas, num jantar no Hotel Roosevelt, em Hollywood, na Califórnia.

A academia, uma ideia de Louis Mayer, da poderosa companhia cinematográfica Metro Goldwin Mayer, nasce em maio de 1927. Seu primeiro presidente, o ator Douglas Fairbanks, é o mestre de cerimônias da primeira entrega das estatuetas douradas que mais tarde passam a ser chamadas de Óscars.

O som é a grande novidade do cinema na época, mas o filme The Jazz Singer, da Warner Brothers, não disputa o prêmio de melhor filme porque a concorrência com o cinema mudo é considerada desleal. 

O vencedor é Wings (Asas), de William Wellman, o filme mais caro até então, com orçamento de US$ 2 milhões. Conta a história de dois pilotos da Primeira Guerra Mundial (1939-45) que se apaixonam pela mesma mulher.

Aurora, do diretor alemão Friedrich Murnau, um dos grandes cineastas do cinema mudo, divide o prêmio de melhor filme.

O melhor ator é o alemão Emil Jannings, escolhido pela atuação em Tentação da Carne e A Última Ordem. Janet Gaynor, de 22 anos, ganha o prêmio de melhor atriz por três filmes, Sétimo Céu, Aurora e O Anjo das Ruas.

Charles Chaplin, o maior ator de todos os tempos, indicado para os prêmios de melhor ator, melhor roterista e melhor diretor de comédia, recebe um prêmio especial. Receberia o segundo, pelo conjunto da obra, em 1971.

A academia adota oficialmente o nome de Óscar para a estatueta em 1939. Uma versão não confirmada atribui o nome a Margaret Herrick, uma diretora-executiva da academia que a achou parecida com seu tio Oscar.

FIM DO LEVANTE DO GUETO DE VARSÓVIA

    Em 1943, com a destruição da última sinagoga, a Alemanha assume o controle total do Gueto de Varsóvia e acaba com a maior rebelião de judeus contra o nazismo durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Mais de 13 mil judeus morrem no levante. Os sobreviventes são deportados para os centros de extermínio de Majdanek e Treblinka, na Polônia.

A guerra começa com a invasão da Polônia pela Alemanha, em 1º de setembro de 1939. Pouco depois, os nazistas encurralam os judeus da capital polonesa num gueto cercado por arame farpado, sob a vigilância da SS, a força para militar, o braço armado do Partido Trabalhista Nacional-Socialista da Alemanha (Nazista).

Mais de 500 mil judeus são confinados numa área de 340 hectares. Muitos morrem de fome e doenças.

Em julho de 1942, os nazistas começam a aplicar na Polônia a solução final, o plano genocida para exterminar o povo judeu aprovado na Conferência de Wannsee, em Berlim, em 20 de janeiro do mesmo ano. A cada dia, 6 mil judeus de Varsóvia são enviados para a morte em centros de extermínio.

Os nazistas declaram que os judeus estão sendo enviados a campos de trabalho, mas logo chega ao gueto a notícia de que deportação significa extermínio. Nasce a Organização de Combate Judaica (ZOB), que consegue algumas armas.

Em 18 de janeiro de 1943, quando os soldados entram no gueto para transferir mais um grupo para os campos da morte, caem numa emboscada preparada pela resistência. A luta dura dias e vários soldados nazistas morrem.

O Levante do Gueto de Varsóvia começa em 19 de abril de 1943, quando o líder nazista Heinrich Himmler, comandante da SS, anuncia que o gueto será evacuado em homenagem ao aniversário de Adolf Hitler no dia seguinte.

Mais de mil soldados da SS entram no gueto com tanques e artilharia pesada. Cerca de 60 mil judeus sobreviventes buscam esconderijos secretos, mas mais de mil militantes da resistência enfrentam os nazistas com bombas caseiras e as armas conseguidas no mercado negro.

Apesar da resistência, os judeus são massacrados. Em 24 de abril, os alemães lançam um assalto total ao Gueto de Varsóvia e arrasam os prédios um a um. A resistência recua para a rede de esgotos para continuar a luta. 

Em 8 de maio, os nazistas tomam o bunker do comando dos judeus. Os líderes da resistência se suicidam. A revolta acaba em 16 de maio. 

BURACO NA CAMADA DE OZÔNIO

    Em 1985, três cientistas da Sondagem Antártica Britânica publicam artigo na revista científica Nature revelando a existência de um buraco sobre o Polo Sul na camada de ozônio da atmosfera, que protege a Terra dos raios ultravioleta.

A causa seria a emissão de gases com clorofluorcarbonetos, usados principalmente em perfumes, desodorantes e outros produtos aplicados por aspersão.

Dentro de dois anos, 46 países assinaram o Protocolo de Montreal, prometendo banir o uso de substâncias que danificam a camada de ozônio. Todos os países-membros das Nações Unidas aderem. O então secretário-geral da ONU, Kofi Annan, observa que "talvez seja o acordo internacional mais bem-sucedido até hoje." 

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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 21 de Janeiro

 LUÍS XVI É GUILHOTINADO

    Em 1793, um dia depois de ser condenado à morte pela Convenção Nacional por traição e conspiracão com potências estrangeiras, o rei Luís XVI é executado na Praça da Revolução, em Paris.

É um pouco antes do início do período do terror da Revolução Francesa, em que milhares de pessoas são guilhotinadas, inclusive a rainha e os líderes revolucionários Georges-Jacques Danton e Maximiliano Robespierre.

Como Maria Antonieta é austríaca, a família real é acusada de conspirar com potências estrangeiras para que invadam a França e acabem com a revolução.

MORTE DE LENIN

    Em 1924, o líder da Revolução Comunista e primeiro líder da União Soviética, Vladimir Ilich Ulianov, mais conhecido como Lenin, morre aos 54 anos, deflagrando uma luta pelo poder entre Leon Trotsky, criador do Exército Vermelho e ministro do Exterior, e o secretário-geral do partido, Josef Stalin, que vence e governa durante três décadas com um regime de terror. 

O corpo de Lenin embalsamado está em exposição num mausoléu na Praça Vermelha. Ele nasce em 22 de abril de 1870 em Ulianovsk numa família de classe média alta e entra na luta pelo socialismo revolucionário depois da execução, em 1887, do irmão mais velho, Alexander, condenado à morte sob acusação de conspirar para matar o czar e derrubar o regime.

Condenado por ativismo comunista, Lenin fica três anos no exílio interno na Sibéria, onde se casa com Nádia Krupskaya, e depois vai para a Europa Ocidental. Quando estoura a Primeira Guerra Mundial (1914-18), Lenin se refugia na neutra Suíça.

Contra a guerra, faz campanha para convencer os partidos socialistas e os trabalhadores dos exércitos em luta a se revoltar contra a burguesia e a aristocracia dominantes de seus países. A guerra só interessa às elites. Lenin escreve seu único livro sobre relações internacionais, Imperialismo: a fase superior do capitalismo. 

Depois da queda do czar Nicolau II na Revolução de Fevereiro de 1917, Lenin recebe um salvo-conduto para atravessar a Alemanha e chega a Petrogrado, hoje São Petersburgo, depois de ter sido Leningrado. Ele lança as Teses de Abril e lidera a Revolução de Outubro, quando os comunistas tomam o poder.

Lenin é o chefe de Estado na Rússia Comunista e da URSS de 1917 até sua morte. Em reação à revolução, começa uma guerra civil. Os comunistas vencem em 1922 e criam a URSS para acomodar as diferentes nacionalidades do antigo império czarista. Para justificar a invasão da Ucrânia, o ditador russo, Vladimir Putin, alega que a Ucrânia é uma invenção de Lenin e Stalin.

Um dos líderes mais influentes do século 20, Lenin deixa sua marca em toda uma corrente política, o marxismo-leninismo. É acusado de ter aberto o caminho para o stalinismo com o chamado centralismo democrático e de criar um regime totalitário com execuções em massa, inclusive da família imperial czarista, polícia política e perseguição aos dissidentes.

PRIMEIRO VOO COMERCIAL DO CONCORDE

    Em 1976, o Concorde, o primeiro avião de passageiros supersônico, um projeto financiado pelos governos da França e do Reino Unido, faz seus primeiros voos comerciais. Com a companhia aérea British Airways, vai de Londres ao Bahrein, enquanto pela Air France voa de Paris ao Rio de Janeiro.

O Concorde é o primeiro projeto conjunto de países europeus para construir uma aeronave. Em 29 de novembro de 1962, a França e o Reino Unido assinam um tratado para realizar o projeto. A British Aerospace e a Aérospatiale são encarregadas de fabricar a estrutura metálica, e a Rolls-Royce e a Société Nationale de Étude et de Construction de Moteurs d'Aviation (SNECMA) fazem os motores. 

O primeiro voo é em 2 de março de 1969. O Concorde atinge uma velocidade máxima de 2.179 quilômetros por hora ou Mach 2,04, mais de duas vezes a velocidade do som. A primeira travessia do Oceano Atlântico é em 26 de setembro de 1973. O jato supersônico reduz o tempo de viagem entre Londres e Nova York para três horas.

Em maio de 1976, as duas companhias aéreas passam a voar regularmente para Washington e, em novembro de 1977, para Nova York. Mas o custo operacional é tão grande que o Concorde sempre dá prejuízo. Só 14 Concordes entram em operação. As únicas rotas mantidas são para Nova York.

Em 25 de julho de 2000, o pneu de um Concorde que ia de Paris para Nova York estoura logo após a decolagem, rompe um tanque de combustível e provoca um incêndio que derruba o avião. Todas as 109 pessoas a bordo, 100 passageiros e 9 tripulantes, morrem no acidente, além de quatro pessoas atingidas no solo.

A Air France suspende as operações com o Concorde em maio de 2003 e a British Airways em outubro de 2003.

CARTER PERDOA DESERTORES

    Em 1977, no segundo dia de governo, o presidente Jimmy Carter perdoa centenas de milhares de homens que se negaram a lutar na Guerra do Vietnã (1955-75), uma promessa de campanha.

Cerca de 100 mil norte-americanos saem do país no fim dos anos 1960 e início dos 1970 para não ter de servir no Vietnã. Cerca de 30 mil vão para o Canadá, onde são recebidos como imigrantes. Outros ficam escondidos, vivendo clandestinamente nos Estados Unidos.

Ao todo 209.517 homens são acusados de violar as leis de recrutamento militar, de um total de mais de 300 mil que rejeitam a convocação.

Os ex-presidentes Bill Clinton, George W. Bush e Donald Trump, e os ex-vice-presidentes Dan Quayle e Dick Cheney não lutam no Vietnã. Trump consegue cinco adiamentos.

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domingo, 10 de agosto de 2025

Hoje na História do Mundo: 10 de agosto

 REIS DA FRANÇA SÃO PRESOS

    Em 1792, a monarquia acaba na prática quando a Revolução Francesa prende o rei Luís XVI e a rainha Maria Antonieta. Ambos são guilhotinados em 1793.

Com a Tomada da Bastilha, em 14 de julho de 1789, o poder é transferido do rei para a Assembleia Nacional, que começa a abolir os privilégios feudais e o obriga a assinar a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, aprovada em 26 de agosto do mesmo ano. Seus 17 artigos são o preâmbulo da Constituição de 1791. O princípio básico é que "todos os homens nascem livres e com direitos iguais".

Os sinais de que Luís XVI está pronto para aceitar uma monarquia constitucional aumentam a popularidade do rei no fim de 1789, quando ele vai a Paris depois da Queda da Bastilha.

Inepto e incompetente, Luís XVI parece esperar que a revolução se dissipe. Com a relutância do rei em concordar com as demandas populares, em 1791, a família real é forçada a sair do Palácio de Versalhes e ir para o Palácio das Tulherias, no Centro de Paris, onde Luís XVI se sente como um prisioneiro.

O rei perde totalmente a credibilidade quando ele e a rainha tentam escapar na chamada Fuga de Varennes, na madrugada de 21 de junho de 1791. De manhã, a notícia se espalha em Paris. A Assembleia Constituinte hesita em falar em fuga e declara que o rei foi "raptado".

Antes da meia-noite, a caravana real é detida pela Guarda Nacional em Varennes. A Assembleia Nacional manda a família real voltar para Paris. Desmoralizado, Luís XVI passa a acreditar que só uma intervenção estrangeira contra a revolução pode salvá-lo politicamente.

Sob pressão da rainha, o rei não segue o conselho de aplicar a Constituição e prometer defendê-la. O início de uma guerra com a Áustria, onde nasceu Maria Antonieta, em abril de 1792, levanta suspeitas de conluio com uma potência estrangeira, especialmente depois que o comandante austríaco, Duque de Brunswick, ameaça destruir Paris se a família real estiver em perigo.

Em reação, a Comuna de Paris invade o Palácio das Tulherias em 10 de agosto de 1792 e prende a família real. A Assembleia Nacional suspende os poderes do rei e proclama a República em 21 de setembro. O rei é despojado de todos os títulos. Passa a ser chamado de cidadão Luís Capeto.

Diante da descoberta em novembro de provas da conspiração com contrarrevolucionários e com a Áustria, em 3 de dezembro a Convenção Nacional, que domina a segunda parte da Revolução Francesa (1792-95), decide processar o rei e a rainha por traição à França. Ele depõe duas vezes perante a Convenção, em 11 e 23 de dezembro.

Apesar das tentativas dos girondinos, os revolucionários mais moderados, de salvar o rei, Luís XVI é condenado à morte em 18 de janeiro de 1793 por 387 a 334 votos. O antigo Duque de Orleans, primo do rei, vota pela execução. Ainda há um debate sobre morte ou exílio. Na votação final, a execução vence por 380 a 310 votos.

Luís XVI morre na guilhotina na Praça da Revolução, hoje Praça da Concórdia, em 21 de janeiro de 1793. Frente ao cadafalso, Luís Capeto profere suas últimas palavras. "Povo, sou inocente!" Em seguida, se vira para os carrascos e completa: "Senhores, sou inocente de tudo o que me acusam. Espero que meu sangue possa cimentar a felicidade dos franceses."

Nove meses depois, em 16 de outubro de 1793, já no Período de Terror, Maria Antonieta é guilhotinada por traição na mesma Praça da Revolução. Ao todo, cerca de 50 mil pessoas morrem na Revolução Francesa de 1789.

REVOLUÇÃO CRIA MUSEU DO LOUVRE

    Em 1793, depois de dois séculos como palácio real, a Revolução Francesa transforma o Louvre em museu aberto ao público.

Hoje o Louvre é o museu mais visitado do mundo e o maior em área, com obras de arte e artefatos que contam 11 mil anos de história do homem, inclusive esculturas como a Vênus de Milo e a Vitória de Samotrácia, e o quadro mais famoso do mundo, a Gioconda ou Mona Lisa, de Leonardo da Vinci.

O rei Francisco I começa a construção do Louvre em 1546 no local onde estava o Castelo do Louvre, erguido nos séculos 12 e 13 por Felipe Augusto ou Felipe II. Ele é um grande colecionador de arte e usa o palácio como residência real. A obra continua nos reinados de Henrique II e Carlos IX. Depois de pronto, quase todo rei da França amplia o Louvre, especialmente Luís XIII e Luís XIV, no século 17.

Quando Carlos I da Inglaterra é decapitado na Guerra Civil Inglesa (1642-51), em 30 de janeiro de 1649 e o país se torna uma república até 1660, Luís XIV compra a coleção de arte do rei morto. Em 1682, Luís XIV se muda para o Palácio de Versalhes e o Louvre deixa de ser a residência real.

Durante as guerras napoleônicas, muitos tesouros capturados como troféus de guerra vão para o Museu do Louvre. Muitas peças são devolvidas depois da queda de Napoleão, em 1815, mas não, por exemplo, as coleções sobre o Egito Antigo.

FARMACÊUTICO ALEMÃO INVENTA ASPIRINA

    Em 1897, o farmacêutico Felix Hoffmann consegue sintetizar no laboratório Bayer, na Alemanha, o ácido acetilsalicílico de grande pureza, criando a aspirina.

Desde a Antiguidade, sabe-se que a casca do salgueiro tem propriedades medicinas. O reverendo anglicano Edward Stone apresenta relatório à Sociedade Real de Medicina da Inglaterra destacando sua ação contra a febre em 25 de abril de 1763.

Com o tempo, o ácido salicílico começa a ser usado como medicamento. Hoffmann usa a acetilação para inventar o remédio usado até hoje. Em 1971, o britânico John Robert Vane descobre um efeito anticoagulante. Por isso, a aspirina é usada na prevenção de infartos.

NASCE A GUITARRA ELÉTRICA

    Em 1937, George Delmetia Beauchamp patenteia nos Estados Unidos a primeira guitarra elétrica.


 O violão, a guitarra acústica, é um símbolo da música no interior dos EUA, mas seu som desaparece em orquestras, ao lado de instrumentos de sopro e de percussão.

Eletrificada, a guitarra transforma o som num sinal elétrico reconvertido em som e amplificado. É um instrumento versátil e relativamente fácil de tocar. Revoluciona o blues, o jazz, a música rural e cria o ambiente para o surgimento do rock and roll, em 1954. 

100 GRAUS FAHRENHEIT 

   Em 2003, durante uma onda de calor que mata mais de 35 mil pessoas na Europa, a temperatura no Reino Unido passa pela primeira vez de 100 graus Fahrenheit (37,8 graus centígrados).

A França é o país mais atingido, com 15 mil mortes, seguida pela Alemanha, com 7 mil mortes. Na Espanha e na Itália, também morrem milhares de pessoas.

Quando a temperatura do ar sobe acima da temperatura do corpo, de cerca de 37ºC (98,6ºF), o organismo tem dificuldade para se refrescar. Se a temperatura do corpo chegar a 104ºF (40ºC), órgãos vitais podem entrar em colapso e causar a morte.

Com o aquecimento global, a temperatura passou de 18ºC na Antártida no verão de 2020 no Hemisfério Sul e chegou a 49ºC no Canadá no verão de 2021 no Hemisfério Norte. Em 2022, chegou a 40ºC em Londres e Paris. Neste ano, a situação se agravou ainda mais.

A temperatura média do planeta ultrapassou o limite de um grau centígrado e meio acima da temperatura em 1750, quando começa a Revolução Industrial. Era a meta do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima para evitar um aumento ainda maior de eventos climáticos extremos.

O último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas adverte que já estamos assistindo aos efeitos trágicos do aquecimento global, como a enchente no Rio Grande do Sul em maio deste ano, e a situação pode piorar muito se a humanidade não reduzir o uso de combustíveis fósseis. 

sexta-feira, 16 de maio de 2025

Hoje na História do Mundo: 16 de Maio

 CASAMENTO REAL

    Em 1770, Luís, delfim (herdeiro do trono) da França, casa com Maria Antonieta, filha do imperador Francisco I, do Sacro Império Romano-Germânico, e da arquiduquesa Maria Teresa da Áustria, num casamento para fortalecer as relações entre inimigos históricos que acaba na guilhotina durante a Revolução Francesa de 1789.

O casamento começa mal. O delfim decide dar uma festa com fogos de artificio que termina em tragédia, com 132 mortes.

Com a morte do rei Luís XV, em 1774, seu neto ascende ao trono como Luís XVI. Ele é incapaz de resolver os problemas financeiros herdados do avô por causa da Guerra dos Sete Anos (1756-63), quando a França perde para o Império Britânico suas possessões na Índia e a maior parte das possessões na América do Norte.

A rainha é considerada extravagante, perdulária, dedicada aos interesses da Áustria e contrária à reforma da monarquia, alienando o regime do povo francês, que passa fome em invernos rigorosos.

A Revolução Americana, que leva à independência dos Estados Unidos em 1776, com o apoio da França, outra consequência da Guerra dos Sete Anos, desperta o interesse do povo francês pela democracia.

Quando estoura a Revolução Francesa, em 14 de julho de 1789, com a tomada da prisão real da Bastilha, Luís XVI escreve em seu diário: "Nada". Mais um dia de tédio real.

O casal resiste aos conselhos de reformar a monarquia. Em 1791, o rei e a rainha decidem fugir para a Áustria. São presos e levados para Paris, onde Luís XVI aceita uma nova Constituição que o torna uma figura decorativa.

Em agosto de 1792, ambos são presos de novo. Em setembro do mesmo ano, começa a segunda fase da Revolução Francesa, o período da Convenção Nacional, que abole a monarquia e instaura um regime de terror sob o controle do Comitê de Salvação Nacional.

Sob a acusação de traição, ambos são condenados pelo tribunal revolucionário. Luís XVI é guilhotinado em 21 de janeiro de 1793 e Maria Antonieta em 16 de outubro do mesmo ano.

SANTA JOANA D'ARC

    Em 1920, o papa Bento XV canoniza a grande heroína nacional da França, Joana d'Arc.

Joana d'Arc nasce em 1412 em Donrémy, no Nordeste da Franca, numa família camponesa. Aos 16 anos, "ouve vozes" de três santos católicos – Santa Catarina, Santa Margarida e São Miguel – exortando-a a apoiar o delfim na reconquista de Reims e do trono da França, tomado em 1415 por Henrique V, da Inglaterra. 

Ela vira uma heroína ao entrar em combate no Cerco de Orleans, de 12 de outubro de 1428 a 8 de maio de 1429, a primeira grande vitória francesa depois da derrota na Batalha de Agincourt, em 25 de outubro de 1415. Depois de uma série de triunfos francesas, Carlos VII é coroado em Reims.

A França obtém outras vitórias, mas o Cerco de Paris, de 3 a 8 de setembro, fracassa. Em 23 de maio de 1430, Joana d'Arc é capturada pelas forças de João, Duque de Borgonha, aliado da Inglaterra. É julgada pelo bispo Pierre Cauchon, que faz acusações de cunho religioso e a condena à morte na fogueira como uma bruxa. 

Aos 19 anos, ela é queimada na fogueira na Praça do Velho Mercado, em Rouen, em 30 de maio de 1431. O primeiro-ministro britânico Winston Churchill, que também foi historiador, considera a execução sumária um erro que a transforma em mártir.

Sob a inspiração da jovem camponesa, a Guerra dos Cem Anos vira a favor da França. Em 1453, Carlos VII havia reconquistado todo o território francês menos o porto de Calais, que os ingleses entregam em 1558.

PRIMEIRA CERIMÔNIA DO OSCAR

    Em 1929, a Academia de Artes e Ciências do Cinema dos Estados Unidos realiza a primeira festa de entrega de prêmios aos destaques do ano, com cerca de 250 pessoas, num jantar no Hotel Roosevelt, em Hollywood, na Califórnia.

A academia, uma ideia de Louis Mayer, da poderosa companhia cinematográfica Metro Goldwin Mayer, nasce em maio de 1927. Seu primeiro presidente, o ator Douglas Fairbanks, é o mestre de cerimônias da primeira entrega das estatuetas douradas que mais tarde passam a ser chamadas de Óscars.

O som é a grande novidade do cinema na época, mas o filme The Jazz Singer, da Warner Brothers, não disputa o prêmio de melhor filme porque a concorrência com o cinema mudo é considerada desleal. 

O vencedor é Wings (Asas), de William Wellman, o filme mais caro até então, com orçamento de US$ 2 milhões. Conta a história de dois pilotos da Primeira Guerra Mundial (1939-45) que se apaixonam pela mesma mulher.

Aurora, do diretor alemão Friedrich Murnau, um dos grandes cineastas do cinema mudo, divide o prêmio de melhor filme.

O melhor ator é o alemão Emil Jannings, escolhido pela atuação em Tentação da Carne A Última Ordem. Janet Gaynor, de 22 anos, ganha o prêmio de melhor atriz por três filmes, Sétimo CéuAurora O Anjo das Ruas.

Charles Chaplin, o maior ator de todos os tempos, indicado para os prêmios de melhor ator, melhor roterista e melhor diretor de comédia, recebe um prêmio especial. Receberia o segundo, pelo conjunto da obra, em 1971.

A academia adota oficialmente o nome de Óscar para a estatueta em 1939. Uma versão não confirmada atribui o nome a Margaret Herrick, uma diretora-executiva da academia que a achou parecida com seu tio Oscar.

FIM DO LEVANTE DO GUETO DE VARSÓVIA

    Em 1943, com a destruição da última sinagoga, a Alemanha assume o controle total do Gueto de Varsóvia e acaba com a maior rebelião de judeus contra o nazismo durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Mais de 13 mil judeus morrem no levante. Os sobreviventes são deportados para os centros de extermínio de Majdanek e Treblinka, na Polônia.

A guerra começa com a invasão da Polônia pela Alemanha, em 1º de setembro de 1939. Pouco depois, os nazistas encurralam os judeus da capital polonesa num gueto cercado por arame farpado, sob a vigilância da SS, a força para militar, o braço armado do Partido Trabalhista Nacional-Socialista da Alemanha (Nazista).

Mais de 500 mil judeus são confinados numa área de 340 hectares. Muitos morrem de fome e doenças.

Em julho de 1942, os nazistas começam a aplicar no Pacto de Varsóvia a solução final, o plano genocida para exterminar o povo judeu aprovado na Conferência de Wannsee, em Berlim, em 20 de janeiro do mesmo ano. A cada dia, 6 mil judeus de Varsóvia são enviados para a morte em centros de extermínio.

Os nazistas declaram que os judeus estão sendo enviados a campos de trabalho, mas logo chega ao gueto a notícia de que deportação significa extermínio. Nasce a Organização de Combate Judaica (ZOB), que consegue algumas armas.

Em 18 de janeiro de 1943, quando os soldados entram no gueto para transferir mais um grupo para os campos da morte, caem numa emboscada preparada pela resistência. A luta dura dias e vários soldados nazistas morrem.

O Levante do Gueto de Varsóvia começa em 19 de abril de 1943, quando o líder nazista Heinrich Himmler, comandante da SS, anuncia que o gueto será evacuado em homenagem ao aniversário de Adolf Hitler no dia seguinte.

Mais de mil soldados da SS entram no gueto com tanques e artilharia pesada. Cerca de 60 mil judeus sobreviventes buscam esconderijos secretos, mas mais de mil militantes da resistência enfrentam os nazistas com bombas caseiras e as armas conseguidas no mercado negro.

Apesar da resistência, os judeus são massacrados. Em 24 de abril, os alemães lançam um assalto total ao Gueto de Varsóvia e arrasam os prédios um a um. A resistência recua para a rede de esgotos para continuar a luta. 

Em 8 de maio, os nazistas tomam o bunker do comando dos judeus. Os líderes da resistência se suicidam. A revolta acaba em 16 de maio. 

BURACO NA CAMADA DE OZÔNIO

    Em 1985, três cientistas da Sondagem Antártica Britânica publicam artigo na revista científica Nature revelando a existência de um buraco sobre o Polo Sul na camada de ozônio da atmosfera, que protege a Terra dos raios ultravioleta.

A causa seria a emissão de gases com clorofluorcarbonetos, usados principalmente em perfumes, desodorantes e outros produtos aplicados por aspersão.

Dentro de dois anos, 46 países assinaram o Protocolo de Montreal, prometendo banir o uso de substâncias que danificam a camada de ozônio. Todos os países-membros das Nações Unidas aderem. O então secretário-geral da ONU, Kofi Annan, observa que "talvez seja o acordo internacional mais bem-sucedido até hoje." 

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 21 de Janeiro

LUÍS XVI É GUILHOTINADO

    Em 1793, um dia depois de ser condenado à morte pela Convenção Nacional por traição e conspiracão com potências estrangeiras, o rei Luís XVI é executado na Praça da Revolução, em Paris.

É o período do terror da Revolução Francesa, em que milhares de pessoas são guilhotinadas, inclusive o rei, a rainha e os líderes revolucionários Georges Jacques Danton e Maximiliano Robespierre.

Como Maria Antonieta é austríaco, a família real é acusada de conspirar com potências estrangeiras para que invadam a França e acabem com a revolução.

MORTE DE LENIN

    Em 1924, o líder da Revolução Comunista e primeiro líder da União Soviética, Vladimir Ilich Ulianov, mais conhecido como Lenin, morre aos 54 anos, deflagrando uma luta pelo poder entre Leon Trotsky, criador do Exército Vermelho e ministro do Exterior, e o secretário-geral do partido, Josef Stalin, que vence e governa durante três décadas com um regime de terror. 

O corpo de Lenin embalsamado está em exposição num mausoléu na Praça Vermelha. Ele nasce em 22 de abril de 1870 em Ulianovsk numa família de classe média alta e entra na luta pelo socialismo revolucionário depois da execução, em 1887, do irmão mais velho, Alexander, condenado à morte sob acusação de conspirar para matar o czar e derrubar o regime.

Condenado por ativismo comunista, Lenin fica três anos no exílio interno na Sibéria, onde se casa com Nádia Krupskaya, e depois vai para a Europa Ocidental. Quando estoura a Primeira Guerra Mundial (1914-18), Lenin se refugia na neutra Suíça.

Contra a guerra, faz campanha para convencer os partidos socialistas e os trabalhadores dos exércitos em luta a se revoltar contra a burguesia e a aristocracia dominantes de seus países. A guerra só interessa às elites. Lenin escreve seu único livro sobre relações internacionais, Imperialismo: a fase superior do capitalismo. 

Depois da queda do czar Nicolau II na Revolução de Fevereiro de 1917, Lenin recebe um salvo-conduto para atravessar a Alemanha e chega a Petrogrado, hoje São Petersburgo, depois de ter sido Leningrado. Ele lança as Teses de Abril e lidera a Revolução de Outubro, quando os comunistas tomam o poder.

Lenin é o chefe de Estado na Rússia Comunista e da URSS de 1917 até sua morte. Em reação à revolução, começa uma guerra civil. Os comunistas vencem em 1922 e criam a URSS para acomodar as diferentes nacionalidades do antigo império czarista. Para justificar a invasão da Ucrânia, o ditador russo, Vladimir Putin, alega que a Ucrânia é uma invenção de Lenin e Stalin.

Um dos líderes mais influentes do século 20, Lenin deixa sua marca em toda uma corrente política, o marxismo-leninismo. É acusado de ter aberto o caminho para o stalinismo com o chamado centralismo democrático e de criar um regime totalitário com execuções em massa, inclusive da família imperial czarista, política política e perseguição aos dissidentes.

PRIMEIRO VOO COMERCIAL DO CONCORDE

    Em 1976, o Concorde, o primeiro avião de passageiros supersônico, um projeto financiado pelos governos da França e do Reino Unido, faz seus primeiros voos comerciais. Com a companhia aérea British Airways, vai de Londres ao Bahrein, enquanto pela Air France voa de Paris ao Rio de Janeiro.

O Concorde é o primeiro projeto conjunto de países europeus para projetar e construir uma aeronave. Em 29 de novembro de 1962, a França e o Reino Unido assinam um tratado para realizar o projeto. A British Aerospace e a Aérospatiale são encarregadas de fabricar a estrutura metálica, e a Rolls-Royce e a Société Nationale de Étude et de Construction de Moteurs d'Aviation (SNECMA) fazem os motores. 

O primeiro voo é em 2 de março de 1969. O Concorde atinge uma velocidade máxima de 2.179 quilômetros por hora ou Mach 2,04, mais de duas vezes a velocidade do som. A primeira travessia do Oceano Atlântico é em 26 de setembro de 1973. O jato supersônico reduz o tempo de viagem entre Londres e Nova York para três horas.

Em maio de 1976, as duas companhias aéreas passam a voar regularmente para Washington e, em novembro de 1977, para Nova York. Mas o custo operacional é tão grande que o Concorde sempre dá prejuízo. Só 14 Concordes entram em operação. As únicas rotas mantidas são para Nova York.

Em 25 de julho de 2000, o pneu de um Concorde que ia de Paris para Nova York estoura logo após a decolagem, rompe um tanque de combustível e provoca um incêndio que derruba o avião. Todas as 109 pessoas a bordo, 100 passageiros e 9 tripulantes, morrem no acidente, além de quatro pessoas atingidas no solo.

A Air France suspendeu as operações com o Concorde em maio de 2003 e a British Airways em outubro de 2003.

CARTER PERDOA DESERTORES

    Em 1977, no segundo dia de governo, o presidente Jimmy Carter perdoa centenas de milhares de homens que se negaram a lutar na Guerra do Vietnã (1955-75), uma promessa de campanha.

Cerca de 100 mil norte-americanos saem do país no fim dos anos 1960 e início dos 1970 para não ter de servir no Vietnã. Cerca de 30 mil vão para o Canadá, onde são recebidos como imigrantes. Outros ficam escondidos, vivendo clandestinamente nos Estados Unidos.

Ao todo 209.517 homens são acusados de violar as leis de recrutamento militar, de um total de mais de 300 mil que rejeitam a convocação.

Os ex-presidentes Bill Clinton, George W. Bush e Donald Trump, e os ex-vice-presidentes Dan Quayle e Dick Cheney não lutam no Vietnã. Trump consegue cinco adiamentos. 

sábado, 10 de agosto de 2024

Hoje na História do Mundo: 10 de agosto

REIS DA FRANÇA SÃO PRESOS

    Em 1792, a monarquia acaba na prática quando a Revolução Francesa prende o rei Luís XVI e a rainha Maria Antonieta. Ambos são guilhotinados em 1793.

Com a Tomada da Bastilha, em 14 de julho de 1789, o poder é transferido do rei para a Assembleia Nacional, que começa a abolir os privilégios feudais e o obriga a assinar a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, aprovada em 26 de agosto do mesmo ano. Seus 17 artigos são o preâmbulo da Constituição de 1791. O princípio básico é que "todos os homens nascem livres e com direitos iguais".

Os sinais de que Luís XVI está pronto para aceitar uma monarquia constitucional aumentam a popularidade do rei no fim de 1789, quando ele vai a Paris depois da Queda da Bastilha.

Inepto e incompetente, Luís XVI parece esperar que a revolução se dissipe. Com a relutância do rei em concordar com as demandas populares, em 1791, a família real é forçada a sair do Palácio de Versalhes e ir para o Palácio das Tulherias, no Centro de Paris, onde Luís XVI se sente como um prisioneiro.

O rei perde totalmente a credibilidade quando ele e a rainha tentam escapar na chamada Fuga de Varennes na madrugada de 21 de junho de 1791. De manhã, a notícia se espalha em Paris. A Assembleia Constituinte hesita em falar em fuga e declara que o rei foi "raptado".

Antes da meia-noite, a caravana real é detida pela Guarda Nacional em Varennes. A Assembleia Nacional manda a família real voltar para Paris. Desmoralizado, Luís XVI passa a acreditar que só uma intervenção estrangeira contra a revolução pode salvá-lo politicamente.

Sob pressão da rainha, o rei não segue o conselho de aplicar a Constituição e prometer defendê-la. O início de uma guerra com a Áustria, onde nasceu Maria Antonieta, em abril de 1792, levanta suspeitas de conluio com uma potência estrangeira, especialmente depois que o comandante austríaco, Duque de Brusnwick, ameaça destruir Paris se a família real estiver em perigo.

Em reação, a Comuna de Paris invade o Palácio das Tulherias em 10 de agosto de 1792 e prende a família real. A Assembleia Nacional suspende os poderes do rei e proclama a República em 21 de setembro. O rei é despojado de todos os títulos. Passa a ser chamado de cidadão Luís Capeto.

Diante da descoberta em novembro de provas da conspiração com contrarrevolucionários e com a Áustria, em 3 de dezembro a Convenção Nacional, que domina a segunda parte da Revolução Francesa (1792-95), decide processar o rei e a rainha por traição à França. Ele depõe duas vezes perante a Convenção, em 11 e 23 de dezembro.

Apesar das tentativas dos girondinos, os revolucionários mais moderados, de salvar o rei, Luís XVI é condenado à morte em 18 de janeiro de 1793 por 387 a 334 votos. O antigo Duque de Orleans, primo do rei, vota pela execução. Ainda há um debate sobre morte ou exílio. Na votação final, a execução vence por 380 a 310 votos.

Luís XVI morre na guilhotina na Praça da Revolução, hoje Praça da Concórdia, em 21 de janeiro de 1793. Frente ao cadafalso, Luís Capeto profere suas últimas palavras. "Povo, sou inocente!" Em seguida, se vira para os carrascos e completa: "Senhores, sou inocente de tudo o que me acusam. Espero que meu sangue possa cimentar a felicidade dos franceses."

Nove meses depois, em 16 de outubro de 1793, Maria Antonieta é guilhotina por traição na mesma Praça da Revolução. Ao todo, cerca de 50 mil pessoas morreram na Revolução Francesa de 1789.

REVOLUÇÃO CRIA MUSEU DO LOUVRE

    Em 1793, depois de dois séculos como palácio real, a Revolução Francesa transforma o Louvre em museu aberto ao público.

Hoje o Louvre é o museu mais visitado do mundo e o maior em área, com obras de arte e artefatos que contam 11 mil anos de história do homem, inclusive esculturas como a Vênus de Milo e a Vitória de Samotrácia, e o quadro mais famoso do mundo, a Gioconda ou Mona Lisa, de Leonardo da Vinci.

O rei Francisco I começa a construção do Louvre em 1546 no local onde estava o Castelo do Louvre, erguido nos séculos 12 e 13 por Felipe Augusto ou Felipe II. Ele é um grande colecionador de arte e usa o palácio como residência real. A obra continua nos reinados de Henrique II e Carlos IX. Depois de pronto, quase todo rei da França amplia o Louvre, especialmente Luís XIII e Luís XIV, no século 17.

Quando Carlos I da Inglaterra é decapitado na Guerra Civil Inglesa (1642-51), em 30 de janeiro de 1649 e o país se torna uma república até 1660, Luís XIV compra a coleção de arte do rei morto. Em 1682, Luís XIV se muda para o Palácio de Versalhes e o Louvre deixa de ser a residência real.

Durante as guerras napoleônicas, muitos tesouros capturados como troféus de guerra vão para o Museu do Louvre. Muitas peças são devolvidas depois da queda de Napoleão, em 1815, mas não, por exemplo, as coleções sobre o Egito Antigo.

FARMACÊUTICO ALEMÃO INVENTA ASPIRINA

    Em 1897, o farmacêutico Felix Hoffmann consegue sintetizar no laboratório Bayer, na Alemanha, o ácido acetilsalicílico de grande pureza, criando a aspirina.

Desde a Antiguidade, sabe-se que a casca do salgueiro tem propriedades medicinas. O reverendo anglicano Edward Stone apresenta relatório à Sociedade Real de Medicina da Inglaterra destacando sua ação contra a febre.

Com o tempo, o ácido salicílico começa a ser usado como medicamento. Hoffmann usa a acetilação para inventar o remédio usado até hoje. Em 1971, o britânico John Robert Vane descobre um efeito anticoagulante. Por isso, a aspirina é usada na prevenção de infartos.

NASCE A GUITARRA ELÉTRICA

    Em 1937, George Delmetia Beauchamp patenteia nos Estados Unidos a primeira guitarra elétrica.


 O violão, a guitarra acústica, é um símbolo da música no interior dos EUA, mas seu som desaparece em orquestras, ao lado de instrumentos de sopro e de percussão.

Eletrificada, a guitarra transforma o som num sinal elétrico reconvertido em som e amplificado. É um instrumento versátil e relativamente fácil de tocar. Revoluciona o blues, o jazz, a música rural e cria o ambiente para o surgimento do rock'n'roll, em 1954. 

100 GRAUS FAHRENHEIT 

   Em 2003, durante uma onda de calor que mata mais de 35 mil pessoas na Europa, a temperatura no Reino Unido passa pela primeira vez de 100 graus Fahrenheit (37,8 graus centígrados).

A França é o país mais atingido, com 15 mil mortes, seguida pela Alemanha, com 7 mil mortes. Na Espanha e na Itália, também morrem milhares de pessoas.

Quando a temperatura do ar sobe acima da temperatura do corpo, de cerca de 37ºC (98,6ºF), o organismo tem dificuldade para se refrescar. Se a temperatura do corpo chegar a 104ºF (40ºC), órgãos vitais podem entrar em colapso e causar a morte.

Com o aquecimento global, a temperatura passou de 18ºC na Antártida no verão de 2020 no Hemisfério Sul e chegou a 49ºC no Canadá no verão de 2021 no Hemisfério Norte. Em 2022, chegou a 40ºC em Londres e Paris. Neste ano, a situação se agravou ainda mais.

A temperatura média do planeta ultrapassou o limite de um grau centígrado e meio acima da temperatura em 1750, quando começa a Revolução Industrial. Era a meta do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima para evitar um aumento ainda maior de eventos climáticos extremos.

O último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas adverte que já estamos assistindo aos efeitos trágicos do aquecimento global, como a enchente no Rio Grande do Sul em maio deste ano, e a situação pode piorar muito se a humanidade não reduzir o uso de combustíveis fósseis.