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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 21 de Agosto

REVOLTA DE ESCRAVOS NOS EUA

    Em 1831, Nat Turner, que se considera enviado por Deus para libertar seu povo, inicia um sangrenta revolta de escravos que mata 60 pessoas no estado da Virgínia.

Com sete aliados, Turner mata seu dono, Joseph Travis, e família. O plano é tomar o arsenal do condado, na cidade de Jerusalém, e fugir por 50 quilômetros até um pântano onde pretendia enganar seus perseguidores.

Durante dois dias e duas noites, os rebeldes atacam fazendas e arregimentam seus escravos para a luta. Cerca de 75 rebeldes matam 60 moradores brancos do Condado de Southampton.

Uma milícia estadual de 3 mil homens esmaga a rebelião quando Turner e os escravos rebelados estão a poucos quilômetros de Jerusalém. O líder escapa. É preso em outubro e enforcado em 11 de novembro em Jerusalém.

Em reação à maior revolta de escravos da história dos EUA, muitos negros inocentes são chacinados e uma série de leis repressivas proíbe o movimento negro, a reunião e a educação de escravos.

ROUBO DA MONA LISA

    Em 1911, um funcionário italiano do Museu do Louvre, em Paris, rouba o quadro mais famoso do mundo, a Gioconda ou Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, pintado em 1503.

Vincenzo Peruggia aproveita o fechamento do museu numa segunda-feira e o sono de um porteiro para arrancar o quadro da moldura e carregá-lo escondido numa jaqueta. 

Depois de deixar a Mona Lisa escondida debaixo da cama por 28 dias, o ladrão leva o quadro para a Itália por acreditar que a pintura fora roubada numa invasão de Napoleão Bonaparte, que teve a obra pendurada em seu quarto. Na verdade, o rei Francisco I comprou o quadro de Leonardo da Vinci.

Na Itália, Peruggia entra em contato com o florentino Alfredo Geri, dono de um antiquário, e pede 500 mil liras, equivalentes a R$ 440 mil ao câmbio atual, pela pintura célebre. Os dois se encontram no Hotel La Cerratani, hoje Hotel La Gioconda, em Florença. Geri leva junto Giovanni Poggio, diretor da Galeria dos Ofícios, o principal museu da cidade.

Como há muitas falsificações de obras famosas, os dois decidem verificar a autenticidade da obra. Quando veem que é autêntica, denunciam à polícia, que prende Peruggia e recupera o quadro dois anos depois do furto. Antes de voltar a Paris, a Mona Lisa é exposta na Galeria dos Ofícios, em Florença, e no Palácio Farnese e na Galeria Borghese, em Roma.

Desde então, o sorriso da Mona Lisa só saiu do Louvre para ser exposto no Museu de Arte Metropolitano, em Nova York, nos EUA, em 1963, e na Rússia e no Japão, em 1974. Desde 2005, uma caixa de vidro especial protege a obra-prima de Da Vinci, vista por uma média de 30 mil pessoas por dia.

MORTE DE TROTSKY

    Em 1940, morre o líder revolucionário comunista Leon Davidovich Bronstein, mais conhecido como Leon Trotsky, atacado na véspera na sua casa no exílio na Cidade do México pelo agente stalinista espanhol Jaime Ramón Mercader com uma picareta de alpinismo.

Trotsky nasce na Ucrânia numa família judaica. Vira marxista na adolescência e larga a Universidade de Odessa para organizar o Sindicato dos Trabalhadores do Sul da Rússia. Em 1898, é preso por suas atividades políticas. Dois anos depois, é enviado para a Sibéria. Em 1902, foge usando um passaporte falso em nome de Leon Trotsky.

Ele volta à Rússia para participar da Revolução de 1905. É preso e enviado de novo à Sibéria. Em 1907, escapa mais uma vez. Em mais uma década no exílio, Trotsky vive na Suíça, na França, na Espanha e em Nova York antes de voltar à Rússia em 1917, depois que a Revolução de Fevereiro derruba a monarquia.

Como líder do Soviete de Petrogrado, Trotsky tem um papel decisivo na Revolução de Outubro, que leva os bolcheviques ao poder. Nomeado comissário de Relações Exteriores, negocia a paz de Brest-Litovsk com a Alemanha para tirar a Rússia da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Comissário do Povo para Assuntos Militares e Navais, cria e chefia o Exército Vermelho durante a guerra civil que se segue à Revolução Comunista. Também funda o Politburo do Comitê Central do Partido Comunista e se torna um de seus sete membros.

Depois da morte de Lenin, em janeiro de 1924, Trotsky perde a disputa pelo poder com Josef Stalin. Em 1925, deixa de ser comissário da Guerra e, em 1927, é afastado do Politburo.

Expulso da União Soviética em fevereiro de 1929, torna-se o maior crítico do stalinismo até ser morto por Mercader, um agente internacional do Comissariado do Povo para Assuntos Internos (NKVD), a polícia política da URSS no período stalinista. 

HAVAÍ VIRA ESTADO DOS EUA

    Em 1959, o presidente Dwight Eisenhower assina a proclamação que torna o Havaí o 50º estado dos Estados Unidos.

Os primeiros seres humanos chegam ao Arquipélago do Havaí no século 8 da era cristã. Os comerciantes norte-americanos começam a extrair o sândalo, uma madeira muito apreciada na China. A indústria açucareira é introduzida nos anos 1830 e se torna importante na metade do século 19. 

A presença de agricultores e missionários americanos muda a história do Havaí. Em 1893, um grupo de americanos expatriados e plantadores de açúcar depõe a monarquia. No ano seguinte, o Havaí vira protetorado dos EUA.

Depois do uso da base naval de Pearl Harbor durante a Guerra Hispano-Americana, em 1898, quando os EUA tomaram as Filipinas e a ilha de Guam, a anexação formal é aprovada. O ataque do Japão à 7ª Frota Americana em Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941 faz os EUA entrar na Segunda Guerra Mundial (1939-45).

LÍDER DA INDEPENDÊNCIA DO QUÊNIA SOLTO

    Em 1961, depois de nove anos de prisão, as autoridades coloniais britânicas libertam Jomo Kenyatta, líder do movimento pela independência do Quênia.


 Menos de dois anos depois, em 1º de junho de 1963, o Quênia conquista a independência e Kenyatta se torna primeiro-ministro e, a partir de 1964, presidente até sua morte, em 22 de agosto de 1978.

Sob Kenyatta, o Quênia adere à Organização de Unidade Africana (OUA) e à Comunidade das Nações, a antiga Comunidade Britânica, e se alia ao Ocidente durante a Guerra Fria. 

Seu governo é acusado de ditatorial, autoritário, corrupto e neocolonial ao privilegiar os kikuyos sobre outras etnias, mantendo a hierarquia social imposta pelo Império Britânico.

INDEPENDÊNCIA DA LETÔNIA

    Em 1991, no dia do colapso do golpe da linha-dura contra o presidente Mikhail Gorbachev, a Letônia declara independência da União Soviética.

A República da Letônia proclama a independência em 18 de novembro de 1918, depois da derrota da Rússia para a Alemanha na Primeira Guerra Mundial (1914-18), em meio ao caos da guerra civil deflagrada pela Revolução Bolchevique.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a União Soviética de Josef Stalin invade e anexa a Letônia em 1940 com base no Pacto Germano-Soviético, assinado em 23 de agosto de 1939, dias antes do início do conflito. Milhares de letões são presos, assassinados ou deportados. 

Para consolidar a anexação, a URSS promove uma migração em massa de russos, que são hoje cerca de 27% da população de 1,8 milhão de habitantes, o que gera um risco de invasão da Rússia.

Com a abertura política promovida por Gorbachev na URSS, a Frente Popular da Letônia é fundada em Riga em 8 de outubro de 1988 para lutar pela independência.  

A Letônia entra para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em 29 de março de 2004 e para a União Europeia em 1º de maio do mesmo ano. 

É um dos países mais determinados da aliança militar liderada pelos Estados Unidos no apoio contra a invasão da ex-república soviética da Ucrânia pela Rússia.

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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 10 de agosto

REIS DA FRANÇA SÃO PRESOS

    Em 1792, a monarquia acaba na prática quando a Revolução Francesa prende o rei Luís XVI e a rainha Maria Antonieta. Ambos são guilhotinados em 1793.

Com a Tomada da Bastilha, em 14 de julho de 1789, o poder é transferido do rei para a Assembleia Nacional, que começa a abolir os privilégios feudais e o obriga a assinar a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, aprovada em 26 de agosto do mesmo ano. Seus 17 artigos são o preâmbulo da Constituição de 1791. O princípio básico é que "todos os homens nascem livres e com direitos iguais".

Os sinais de que Luís XVI está pronto para aceitar uma monarquia constitucional aumentam a popularidade do rei no fim de 1789, quando ele vai a Paris depois da Queda da Bastilha.

Inepto e incompetente, Luís XVI parece esperar que a revolução se dissipe. Com a relutância do rei em concordar com as demandas populares, em 1791, a família real é forçada a sair do Palácio de Versalhes e ir para o Palácio das Tulherias, no Centro de Paris, onde Luís XVI se sente como um prisioneiro.

O rei perde totalmente a credibilidade quando ele e a rainha tentam escapar na chamada Fuga de Varennes, na madrugada de 21 de junho de 1791. De manhã, a notícia se espalha em Paris. A Assembleia Constituinte hesita em falar em fuga e declara que o rei foi "raptado".

Antes da meia-noite, a caravana real é detida pela Guarda Nacional em Varennes. A Assembleia Nacional manda a família real voltar para Paris. Desmoralizado, Luís XVI passa a acreditar que só uma intervenção estrangeira contra a revolução pode salvá-lo politicamente.

Sob pressão da rainha, o rei não segue o conselho de aplicar a Constituição e prometer defendê-la. O início de uma guerra com a Áustria, onde nasceu Maria Antonieta, em abril de 1792, levanta suspeitas de conluio com uma potência estrangeira, especialmente depois que o comandante austríaco, Duque de Brunswick, ameaça destruir Paris se a família real estiver em perigo.

Em reação, a Comuna de Paris invade o Palácio das Tulherias em 10 de agosto de 1792 e prende a família real. A Assembleia Nacional suspende os poderes do rei e proclama a República em 21 de setembro. O rei é despojado de todos os títulos. Passa a ser chamado de cidadão Luís Capeto.

Diante da descoberta em novembro de provas da conspiração com contrarrevolucionários e com a Áustria, em 3 de dezembro a Convenção Nacional, que domina a segunda parte da Revolução Francesa (1792-95), decide processar o rei e a rainha por traição à França. Ele depõe duas vezes perante a Convenção, em 11 e 23 de dezembro.

Apesar das tentativas dos girondinos, os revolucionários mais moderados, de salvar o rei, Luís XVI é condenado à morte em 18 de janeiro de 1793 por 387 a 334 votos. O antigo Duque de Orleans, primo do rei, vota pela execução. Ainda há um debate sobre morte ou exílio. Na votação final, a execução vence por 380 a 310 votos.

Luís XVI morre na guilhotina na Praça da Revolução, hoje Praça da Concórdia, em 21 de janeiro de 1793. Frente ao cadafalso, Luís Capeto profere suas últimas palavras. "Povo, sou inocente!" Em seguida, se vira para os carrascos e completa: "Senhores, sou inocente de tudo o que me acusam. Espero que meu sangue possa cimentar a felicidade dos franceses."

Nove meses depois, em 16 de outubro de 1793, já no Período de Terror, Maria Antonieta é guilhotinada por traição na mesma Praça da Revolução. Ao todo, cerca de 50 mil pessoas morrem na Revolução Francesa de 1789.

REVOLUÇÃO CRIA MUSEU DO LOUVRE

    Em 1793, depois de dois séculos como palácio real, a Revolução Francesa transforma o Louvre em museu aberto ao público.

Hoje o Louvre é o museu mais visitado do mundo e o maior em área, com obras de arte e artefatos que contam 11 mil anos de história do homem, inclusive esculturas como a Vênus de Milo e a Vitória de Samotrácia, e o quadro mais famoso do mundo, a Gioconda ou Mona Lisa, de Leonardo da Vinci.

O rei Francisco I começa a construção do Louvre em 1546 no local onde estava o Castelo do Louvre, erguido nos séculos 12 e 13 por Felipe Augusto ou Felipe II. Ele é um grande colecionador de arte e usa o palácio como residência real. A obra continua nos reinados de Henrique II e Carlos IX. Depois de pronto, quase todo rei da França amplia o Louvre, especialmente Luís XIII e Luís XIV, no século 17.

Quando Carlos I da Inglaterra é decapitado na Guerra Civil Inglesa (1642-51), em 30 de janeiro de 1649 e o país se torna uma república até 1660, Luís XIV compra a coleção de arte do rei morto. Em 1682, Luís XIV se muda para o Palácio de Versalhes e o Louvre deixa de ser a residência real.

Durante as guerras napoleônicas, muitos tesouros capturados como troféus de guerra vão para o Museu do Louvre. Muitas peças são devolvidas depois da queda de Napoleão, em 1815, mas não, por exemplo, as coleções sobre o Egito Antigo.

FARMACÊUTICO ALEMÃO INVENTA ASPIRINA

    Em 1897, o farmacêutico Felix Hoffmann consegue sintetizar no laboratório Bayer, na Alemanha, o ácido acetilsalicílico de grande pureza, criando a aspirina.

Desde a Antiguidade, sabe-se que a casca do salgueiro tem propriedades medicinais. O reverendo anglicano Edward Stone apresenta relatório à Sociedade Real de Medicina da Inglaterra destacando sua ação contra a febre em 25 de abril de 1763.

Com o tempo, o ácido salicílico começa a ser usado como medicamento. Hoffmann usa a acetilação para inventar o remédio usado até hoje. Em 1971, o britânico John Robert Vane descobre um efeito anticoagulante. Por isso, a aspirina é usada na prevenção de infartos.

NASCE A GUITARRA ELÉTRICA

    Em 1937, George Delmetia Beauchamp patenteia nos Estados Unidos a primeira guitarra elétrica.


 O violão, a guitarra acústica, é um símbolo da música no interior dos EUA, mas seu som desaparece em orquestras, ao lado de instrumentos de sopro e de percussão.

Eletrificada, a guitarra transforma o som num sinal elétrico reconvertido em som e amplificado. É um instrumento versátil e relativamente fácil de tocar. Revoluciona o blues, o jazz, a música rural e cria o ambiente para o surgimento do rock and roll, em 1954. 

100 GRAUS FAHRENHEIT 

   Em 2003, durante uma onda de calor que mata mais de 35 mil pessoas na Europa, a temperatura no Reino Unido passa pela primeira vez de 100 graus Fahrenheit (37,8 graus centígrados).

A França é o país mais atingido, com 15 mil mortes, seguida pela Alemanha, com 7 mil mortes. Na Espanha e na Itália, também morrem milhares de pessoas.

Quando a temperatura do ar sobe acima da temperatura do corpo, de cerca de 37ºC (98,6ºF), o organismo tem dificuldade para se refrescar. Se a temperatura do corpo chegar a 104ºF (40ºC), órgãos vitais podem entrar em colapso e causar a morte.

Com o aquecimento global, a temperatura passou de 18ºC na Antártida no verão de 2020 no Hemisfério Sul e chegou a 49ºC no Canadá no verão de 2021 no Hemisfério Norte. Em 2022, chegou a 40ºC em Londres e Paris. Neste ano, a situação se agravou ainda mais.

A temperatura média do planeta ultrapassou o limite de um grau centígrado e meio acima da temperatura em 1750, quando começa a Revolução Industrial. Era a meta do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima para evitar um aumento ainda maior de eventos climáticos extremos.

O último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas adverte que já estamos assistindo aos efeitos trágicos do aquecimento global, como a enchente no Rio Grande do Sul em maio de 2024 e a onda de calor que atingiu a Europa neste verão no Hemisfério Norte, agravada pelo fenômeno El Niño. A situação tente a piorar muito se a humanidade não reduzir o uso de combustíveis fósseis

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sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 12 de Dezembro

 RADIODIFUSÃO TRANSATLÂNTICA

    Em 1901, o físico italiano Guglielmo Marconi, inventor do telégrafo sem fio ou rádio, faz a primeira transmissão transatlântica, desafiando os que consideram impossível.

Por causa da curvatura da Terra, os críticos imaginam que as ondas de rádio seriam captadas a no máximo 300 quilômetros de distância, talvez menos.

Marconi envia uma mensagem simples, um sinal do Código Morse por uma distância de mais de 3,6 mil km, de Poldhu, na Cornualha, no Sudoeste da Inglaterra, para a Terra Nova, no Canadá.

MONA LISA RECUPERADA

    Em 1913, dois anos após ser roubada do Museu do Louvre, em Paris, a Gioconda ou Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, talvez o quadro mais famoso da história da arte, é recuperada num quarto de hotel do garçon italiano Vincenzo Peruggia, em Florença.

Da Vinci, um dos grandes gênios da humanidade e um dos maiores pintores do Renascimento, completa a Mona Lisa em 1504. O quadro traz uma mulher de sorriso enigmático, ao mesmo tempo absorta e fascinante.

Peruggia trabalha no Louvre e participa do roubo com um grupo de cúmplices fantasiados de zeladores do museu na manhã de 21 de agosto de 1911. Aproveita o fechamento do museu numa segunda-feira e o sono de um porteiro para arrancar o quadro da moldura e carregá-lo escondido numa jaqueta. 

Depois de deixar a Mona Lisa escondida debaixo da cama por 28 dias, o ladrão leva o quadro para a Itália por acreditar que a pintura é roubada numa invasão de Napoleão Bonaparte, que teve a obra pendurada em seu quarto. Na verdade, o rei Francisco I, da França, comprou o quadro de Leonardo da Vinci.

Na Itália, Peruggia entra em contato com o florentino Alfredo Geri, dono de um antiquário, e pede 500 mil liras, equivalentes a R$ 440 mil ao câmbio atual, pela pintura célebre. Os dois se encontram no Hotel La Cerratani, hoje Hotel La Gioconda, em Florença. Geri leva junto Giovanni Poggio, diretor da Galeria dos Ofícios, o principal museu da cidade.

Como há muitas falsificações de obras famosas, os dois decidem verificar a autenticidade da obra. Quando veem que é autêntica, denunciam à polícia, que prende Peruggia e recupera o quadro dois anos depois do furto. Antes de voltar a Paris, a Mona Lisa é exposta na Galeria dos Ofícios, em Florença, e no Palácio Farnese e na Galeria Borghese, em Roma.

Condenado na Itália, Peruggia fica apenas um ano e dois meses na prisão.

Desde então, o sorriso da Mona Lisa só saiu do Louvre para ser exposto no Museu de Arte Metropolitano, em Nova York, nos EUA, em 1963, e na Rússia e no Japão, em 1974. Desde 2005, uma caixa de vidro especial protege a obra-prima de Da Vinci, vista por uma média de 30 mil pessoas por dia.

INDEPENDÊNCIA DO QUÊNIA

    Em 1963, sob a liderança de Jomo Kenyatta, o Quênia declara independência do Reino Unido.

Na década anterior, a violenta repressão ao Levante dos Mau-Mau abala a colônia britânica, com massacres de civis, internação de centenas de milhares de quenianos em campos de concentração e suspensão dos direitos civis em algumas cidades. Kenyatta é preso.

CADERNO DE DA VINCI

    Em 1980, o magnata do petróleo norte-americano Armand Hammer paga US$ 5,126 bilhões por um caderno com desenhos de Leonardo da Vinci, um dos maiores artistas plásticos de todos os tempos.

O manuscrito, de cerca de 1508, foi um de 30 livros parecidos que Da Vinci cria ao longo da vida. Tem 72 páginas com cerca de 300 notas e desenhos, todos relacionados à água e como ela se move.

O pintor Giuseppe Ghezzi descobre o caderno em 1690 junto a papéis de Guglielmo della Porto, um escultor milanês do século 16 que estudou a obra de Da Vinci. Em 1717, Thomas Coke, 1º Duque de Leicester, compra o manuscrito para a coleção de arte da família.

Mais de dois séculos depois, o caderno é colocado a venda na casa de leilões Christie's de Londres pelo atual Lorde Coke, obrigado a vender para pagar o imposto sobre herança de propriedades e da magnífica coleção de arte da família.

O leilão dura pouco mais de dois minutos. É o maior preço pago por um manuscrito até aquela época. Uma Bíblia de Johannes Gutenberg saiu por US$ 2 milhões em 1978.

Quando Hammer morre, deixa o Caderno de Da Vinci e outras obras para o Museu de Arte e Centro Cultural Armand Hammer na Universidade da Califórnia em Los Angeles. Anos depois, o manuscrito é colocado a venda com a explicação de que a UCLA precisa pagar custos judiciais de uma ação de uma sobrinha de Hammer que alega ter sido lesada.

Em 11 de novembro de 1994, o bilionário Bill Gates paga US$ 30,8 milhões, novo recorde para um manuscrito.

ACORDO DE PARIS SOBRE MUDANÇA DO CLIMA

    Em 2015, mais de 190 países aprovam o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, que substitui o Protocolo de Quioto, inclui todos os países signatários na luta contra o aquecimento global e coloca como meta conter em no máximo 1,5 grau centígrado o aumento da temperatura média da Terra em relação à era pré-industrial. 

Cada país apresenta suas metas voluntárias de redução das emissões de gases que agravam o efeito estufa e não há punição para quem não cumprir sua própria meta.

A Convenção Quadro sobre Mudança do Ciima é aprovada na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Cúpula da Terra ou Rio-92, realizada em junho de 1992 no Rio de Janeiro.

A partir daí, são realizadas as Conferências das Partes (CoP) do Acordo sobre Mudança do Clima. Na CoP-3, em 1997, é aprovado o Protocolo de Quioto, pelo qual 38 de países desenvolvidos se comprometem a reduzir as emissões em média em 5,2% em relação às emissões de 1990. Os países em desenvolvimento não tinham qualquer obrigação.

Quando o Protocolo de Quioto expira, em 2012, é necessário um novo acordo global que comprometa o mundo inteiro ao combate ao aquecimento global causado pelo homem pela emissão de gases carbônicos.

O acordo é concluído no Conferência de Paris e aberto para assinatura dos países-membros da ONU. Entra em vigor em 4 de novembro de 2016, com a assinatura de 194 países. O presidente Donald Trump, negacionista do clima, retirou os EUA duas vezes.

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quinta-feira, 21 de agosto de 2025

Hoje na História do Mundo: 21 de Agosto

 REVOLTA DE ESCRAVOS NOS EUA

    Em 1831, Nat Turner, que se considera enviado por Deus para libertar seu povo, inicia um sangrenta revolta de escravos que mata 60 pessoas no estado da Virgínia.

Com sete aliados, Turner mata seu dono, Joseph Travis, e família. O plano é tomar o arsenal do condado, na cidade de Jerusalém, e fugir por 50 quilômetros até um pântano onde pretendia enganar seus perseguidores.

Durante dois dias e duas noites, os rebeldes atacam fazendas e arregimentam seus escravos para a luta. Cerca de 75 rebeldes matam 60 moradores brancos do Condado de Southampton.

Uma milícia estadual de 3 mil homens esmaga a rebelião quando Turner e os escravos rebelados estão a poucos quilômetros de Jerusalém. O líder escapa. É preso em outubro e enforcado em 11 de novembro em Jerusalém.

Em reação à maior revolta de escravos da história dos EUA, muitos negros inocentes são chacinados e uma série de leis repressivas proíbe o movimento negro, a reunião e a educação de escravos.

ROUBO DA MONA LISA

    Em 1911, um funcionário italiano do Museu do Louvre, em Paris, rouba o quadro mais famoso do mundo, a Gioconda ou Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, pintado em 1503.

Vincenzo Peruggia aproveita o fechamento do museu numa segunda-feira e o sono de um porteiro para arrancar o quadro da moldura e carregá-lo escondido numa jaqueta. 

Depois de deixar a Mona Lisa escondida debaixo da cama por 28 dias, o ladrão leva o quadro para a Itália por acreditar que a pintura fora roubada numa invasão de Napoleão Bonaparte, que teve a obra pendurada em seu quarto. Na verdade, o rei Francisco I comprou o quadro de Leonardo da Vinci.

Na Itália, Peruggia entra em contato com o florentino Alfredo Geri, dono de um antiquário, e pede 500 mil liras, equivalentes a R$ 440 mil ao câmbio atual, pela pintura célebre. Os dois se encontram no Hotel La Cerratani, hoje Hotel La Gioconda, em Florença. Geri leva junto Giovanni Poggio, diretor da Galeria dos Ofícios, o principal museu da cidade.

Como há muitas falsificações de obras famosas, os dois decidem verificar a autenticidade da obra. Quando veem que é autêntica, denunciam à polícia, que prende Peruggia e recupera o quadro dois anos depois do furto. Antes de voltar a Paris, a Mona Lisa é exposta na Galeria dos Ofícios, em Florença, e no Palácio Farnese e na Galeria Borghese, em Roma.

Desde então, o sorriso da Mona Lisa só saiu do Louvre para ser exposto no Museu de Arte Metropolitano, em Nova York, nos EUA, em 1963, e na Rússia e no Japão, em 1974. Desde 2005, uma caixa de vidro especial protege a obra-prima de Da Vinci, vista por uma média de 30 mil pessoas por dia.

MORTE DE TROTSKY

    Em 1940, morre o líder revolucionário comunista Leon Davidovich Bronstein, mais conhecido como Leon Trotsky, atacado na véspera na sua casa no exílio na Cidade do México pelo agente stalinista espanhol Jaime Ramón Mercader com uma picareta de alpinismo.

Trotsky nasce na Ucrânia numa família judaica. Vira marxista na adolescência e larga a Universidade de Odessa para organizar o Sindicato dos Trabalhadores do Sul da Rússia. Em 1898, é preso por suas atividades políticas. Dois anos depois, é enviado para a Sibéria. Em 1902, foge usando um passaporte falso em nome de Leon Trotsky.

Ele volta à Rússia para participar da Revolução de 1905. É preso e enviado de novo à Sibéria. Em 1907, escapa mais uma vez. Em mais uma década no exílio, Trotsky vive na Suíça, na França, na Espanha e em Nova York antes de voltar à Rússia em 1917, depois que a Revolução de Fevereiro derruba a monarquia.

Como líder do Soviete de Petrogrado, Trotsky tem um papel decisivo na Revolução de Outubro, que leva os bolcheviques ao poder. Nomeado comissário de Relações Exteriores, negocia a paz de Brest-Litovsk com a Alemanha para tirar a Rússia da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Comissário do Povo para Assuntos Militares e Navais, cria e chefia o Exército Vermelho durante a guerra civil que se segue à Revolução Comunista. Também funda o Politburo do Comitê Central do Partido Comunista e se torna um de seus sete membros.

Depois da morte de Lenin, em janeiro de 1924, Trotsky perde a disputa pelo poder com Josef Stalin. Em 1925, deixa de ser comissário da Guerra e, em 1927, é afastado do Politburo.

Expulso da União Soviética em fevereiro de 1929, torna-se o maior crítico do stalinismo até ser morto por Mercader, um agente internacional do Comissariado do Povo para Assuntos Internos (NKVD), a polícia política da URSS no período stalinista. 

HAVAÍ VIRA ESTADO DOS EUA

    Em 1959, o presidente Dwight Eisenhower assina a proclamação que torna o Havaí o 50º estado dos Estados Unidos.

Os primeiros seres humanos chegam ao Arquipélago do Havaí no século 8 da era cristã. Os comerciantes norte-americanos começam a extrair o sândalo, uma madeira muito apreciada na China. A indústria açucareira é introduzida nos anos 1830 e se torna importante na metade do século 19. 

A presença de agricultores e missionários americanos muda a história do Havaí. Em 1893, um grupo de americanos expatriados e plantadores de açúcar depõe a monarquia. No ano seguinte, o Havaí vira protetorado dos EUA.

Depois do uso da base naval de Pearl Harbor durante a Guerra Hispano-Americana, em 1898, quando os EUA tomaram as Filipinas e a ilha de Guam, a anexação formal é aprovada. O ataque do Japão à 7ª Frota Americana em Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941 faz os EUA entrar na Segunda Guerra Mundial (1939-45).

LÍDER DA INDEPENDÊNCIA DO QUÊNIA SOLTO

    Em 1961, depois de nove anos de prisão, as autoridades coloniais britânicas libertam Jomo Kenyatta, líder do movimento pela independência do Quênia.


 Menos de dois anos depois, em 1º de junho de 1963, o Quênia conquista a independência e Kenyatta se torna primeiro-ministro e, a partir de 1964, presidente até sua morte, em 22 de agosto de 1978.

Sob Kenyatta, o Quênia adere à Organização de Unidade Africana (OUA) e à Comunidade das Nações, a antiga Comunidade Britânica, e se alia ao Ocidente durante a Guerra Fria. 

Seu governo é acusado de ditatorial, autoritário, corrupto e neocolonial ao privilegiar os kikuyos sobre outras etnias, mantendo a hierarquia social imposta pelo Império Britânico.

INDEPENDÊNCIA DA LETÔNIA

    Em 1991, no dia do colapso do golpe da linha-dura contra o presidente Mikhail Gorbachev, a Letônia declara independência da União Soviética.

A República da Letônia proclama a independência em 18 de novembro de 1918, depois da derrota da Rússia para a Alemanha na Primeira Guerra Mundial (1914-18), em meio ao caos da guerra civil deflagrada pela Revolução Bolchevique.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a União Soviética de Josef Stalin invade e anexa a Letônia em 1940 com base no Pacto Germano-Soviético, assinado em 23 de agosto de 1939, dias antes do início do conflito. Milhares de letões são presos, assassinados ou deportados. 

Para consolidar a anexação, a URSS promove uma migração em massa de russos, que são hoje cerca de 27% da população de 1,8 milhão de habitantes, o que gera um risco de invasão da Rússia.

Com a abertura política promovida por Gorbachev na URSS, a Frente Popular da Letônia é fundada em Riga em 8 de outubro de 1988 para lutar pela independência.  

A Letônia entra para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em 29 de março de 2004 e para a União Europeia em 1º de maio do mesmo ano. 

É um dos países mais determinados da aliança militar liderada pelos Estados Unidos no apoio contra a invasão da ex-república soviética da Ucrânia pela Rússia.

domingo, 10 de agosto de 2025

Hoje na História do Mundo: 10 de agosto

 REIS DA FRANÇA SÃO PRESOS

    Em 1792, a monarquia acaba na prática quando a Revolução Francesa prende o rei Luís XVI e a rainha Maria Antonieta. Ambos são guilhotinados em 1793.

Com a Tomada da Bastilha, em 14 de julho de 1789, o poder é transferido do rei para a Assembleia Nacional, que começa a abolir os privilégios feudais e o obriga a assinar a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, aprovada em 26 de agosto do mesmo ano. Seus 17 artigos são o preâmbulo da Constituição de 1791. O princípio básico é que "todos os homens nascem livres e com direitos iguais".

Os sinais de que Luís XVI está pronto para aceitar uma monarquia constitucional aumentam a popularidade do rei no fim de 1789, quando ele vai a Paris depois da Queda da Bastilha.

Inepto e incompetente, Luís XVI parece esperar que a revolução se dissipe. Com a relutância do rei em concordar com as demandas populares, em 1791, a família real é forçada a sair do Palácio de Versalhes e ir para o Palácio das Tulherias, no Centro de Paris, onde Luís XVI se sente como um prisioneiro.

O rei perde totalmente a credibilidade quando ele e a rainha tentam escapar na chamada Fuga de Varennes, na madrugada de 21 de junho de 1791. De manhã, a notícia se espalha em Paris. A Assembleia Constituinte hesita em falar em fuga e declara que o rei foi "raptado".

Antes da meia-noite, a caravana real é detida pela Guarda Nacional em Varennes. A Assembleia Nacional manda a família real voltar para Paris. Desmoralizado, Luís XVI passa a acreditar que só uma intervenção estrangeira contra a revolução pode salvá-lo politicamente.

Sob pressão da rainha, o rei não segue o conselho de aplicar a Constituição e prometer defendê-la. O início de uma guerra com a Áustria, onde nasceu Maria Antonieta, em abril de 1792, levanta suspeitas de conluio com uma potência estrangeira, especialmente depois que o comandante austríaco, Duque de Brunswick, ameaça destruir Paris se a família real estiver em perigo.

Em reação, a Comuna de Paris invade o Palácio das Tulherias em 10 de agosto de 1792 e prende a família real. A Assembleia Nacional suspende os poderes do rei e proclama a República em 21 de setembro. O rei é despojado de todos os títulos. Passa a ser chamado de cidadão Luís Capeto.

Diante da descoberta em novembro de provas da conspiração com contrarrevolucionários e com a Áustria, em 3 de dezembro a Convenção Nacional, que domina a segunda parte da Revolução Francesa (1792-95), decide processar o rei e a rainha por traição à França. Ele depõe duas vezes perante a Convenção, em 11 e 23 de dezembro.

Apesar das tentativas dos girondinos, os revolucionários mais moderados, de salvar o rei, Luís XVI é condenado à morte em 18 de janeiro de 1793 por 387 a 334 votos. O antigo Duque de Orleans, primo do rei, vota pela execução. Ainda há um debate sobre morte ou exílio. Na votação final, a execução vence por 380 a 310 votos.

Luís XVI morre na guilhotina na Praça da Revolução, hoje Praça da Concórdia, em 21 de janeiro de 1793. Frente ao cadafalso, Luís Capeto profere suas últimas palavras. "Povo, sou inocente!" Em seguida, se vira para os carrascos e completa: "Senhores, sou inocente de tudo o que me acusam. Espero que meu sangue possa cimentar a felicidade dos franceses."

Nove meses depois, em 16 de outubro de 1793, já no Período de Terror, Maria Antonieta é guilhotinada por traição na mesma Praça da Revolução. Ao todo, cerca de 50 mil pessoas morrem na Revolução Francesa de 1789.

REVOLUÇÃO CRIA MUSEU DO LOUVRE

    Em 1793, depois de dois séculos como palácio real, a Revolução Francesa transforma o Louvre em museu aberto ao público.

Hoje o Louvre é o museu mais visitado do mundo e o maior em área, com obras de arte e artefatos que contam 11 mil anos de história do homem, inclusive esculturas como a Vênus de Milo e a Vitória de Samotrácia, e o quadro mais famoso do mundo, a Gioconda ou Mona Lisa, de Leonardo da Vinci.

O rei Francisco I começa a construção do Louvre em 1546 no local onde estava o Castelo do Louvre, erguido nos séculos 12 e 13 por Felipe Augusto ou Felipe II. Ele é um grande colecionador de arte e usa o palácio como residência real. A obra continua nos reinados de Henrique II e Carlos IX. Depois de pronto, quase todo rei da França amplia o Louvre, especialmente Luís XIII e Luís XIV, no século 17.

Quando Carlos I da Inglaterra é decapitado na Guerra Civil Inglesa (1642-51), em 30 de janeiro de 1649 e o país se torna uma república até 1660, Luís XIV compra a coleção de arte do rei morto. Em 1682, Luís XIV se muda para o Palácio de Versalhes e o Louvre deixa de ser a residência real.

Durante as guerras napoleônicas, muitos tesouros capturados como troféus de guerra vão para o Museu do Louvre. Muitas peças são devolvidas depois da queda de Napoleão, em 1815, mas não, por exemplo, as coleções sobre o Egito Antigo.

FARMACÊUTICO ALEMÃO INVENTA ASPIRINA

    Em 1897, o farmacêutico Felix Hoffmann consegue sintetizar no laboratório Bayer, na Alemanha, o ácido acetilsalicílico de grande pureza, criando a aspirina.

Desde a Antiguidade, sabe-se que a casca do salgueiro tem propriedades medicinais. O reverendo anglicano Edward Stone apresenta relatório à Sociedade Real de Medicina da Inglaterra destacando sua ação contra a febre em 25 de abril de 1763.

Com o tempo, o ácido salicílico começa a ser usado como medicamento. Hoffmann usa a acetilação para inventar o remédio usado até hoje. Em 1971, o britânico John Robert Vane descobre um efeito anticoagulante. Por isso, a aspirina é usada na prevenção de infartos.

NASCE A GUITARRA ELÉTRICA

    Em 1937, George Delmetia Beauchamp patenteia nos Estados Unidos a primeira guitarra elétrica.


 O violão, a guitarra acústica, é um símbolo da música no interior dos EUA, mas seu som desaparece em orquestras, ao lado de instrumentos de sopro e de percussão.

Eletrificada, a guitarra transforma o som num sinal elétrico reconvertido em som e amplificado. É um instrumento versátil e relativamente fácil de tocar. Revoluciona o blues, o jazz, a música rural e cria o ambiente para o surgimento do rock and roll, em 1954. 

100 GRAUS FAHRENHEIT 

   Em 2003, durante uma onda de calor que mata mais de 35 mil pessoas na Europa, a temperatura no Reino Unido passa pela primeira vez de 100 graus Fahrenheit (37,8 graus centígrados).

A França é o país mais atingido, com 15 mil mortes, seguida pela Alemanha, com 7 mil mortes. Na Espanha e na Itália, também morrem milhares de pessoas.

Quando a temperatura do ar sobe acima da temperatura do corpo, de cerca de 37ºC (98,6ºF), o organismo tem dificuldade para se refrescar. Se a temperatura do corpo chegar a 104ºF (40ºC), órgãos vitais podem entrar em colapso e causar a morte.

Com o aquecimento global, a temperatura passou de 18ºC na Antártida no verão de 2020 no Hemisfério Sul e chegou a 49ºC no Canadá no verão de 2021 no Hemisfério Norte. Em 2022, chegou a 40ºC em Londres e Paris. Neste ano, a situação se agravou ainda mais.

A temperatura média do planeta ultrapassou o limite de um grau centígrado e meio acima da temperatura em 1750, quando começa a Revolução Industrial. Era a meta do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima para evitar um aumento ainda maior de eventos climáticos extremos.

O último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas adverte que já estamos assistindo aos efeitos trágicos do aquecimento global, como a enchente no Rio Grande do Sul em maio de 2024, e a situação pode piorar muito se a humanidade não reduzir o uso de combustíveis fósseis. 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 12 de Dezembro

 RADIODIFUSÃO TRANSATLÂNTICA

    Em 1901, o físico italiano Guglielmo Marconi, inventor do telégrafo sem fio ou rádio, faz a primeira transmissão transatlântica, desafiando os que consideram impossível.

Por causa da curvatura da Terra, os críticos imaginam que as ondas de rádio seriam captadas a no máximo 300 quilômetros de distância, talvez menos.

Marconi envia uma mensagem simples, um sinal do Código Morse por uma distância de mais de 3,6 mil km, de Poldhu, na Cornualha, no Sudoeste da Inglaterra, para a Terra Nova, no Canadá.

MONA LISA RECUPERADA

    Em 1913, dois anos após ser roubada do Museu do Louvre, em Paris, a Gioconda ou Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, talvez o quadro mais famoso da história da arte, é recuperada num quarto de hotel do garçon italiano Vincenzo Peruggia, em Florença.

Peruggia trabalha no Louvre e participa do roubo com um grupo de cúmplices fantasiados de zeladores do museu na manhã de 21 de agosto de 1911. Condenado na Itália, fica apenas um ano e dois meses na prisão.

Da Vinci, um dos maiores pintores do Renascimento, completou a Mona Lisa em 1504. O quadro traz uma mulher de sorriso enigmático, ao mesmo tempo absorta e fascinante.

INDEPENDÊNCIA DO QUÊNIA

    Em 1963, sob a liderança de Jomo Kenyatta, o Quênia declara independência do Reino Unido.

Na década anterior, a violenta repressão ao Levante dos Mau-Mau abala a colônia britânica, com massacres de civis, internação de centenas de milhares de quenianos em campos de concentração e suspensão dos direitos civis em algumas cidades.

CADERNO DE DA VINCI

    Em 1980, o magnata do petróleo norte-americano Armand Hammer paga US$ 5,126 bilhões por um caderno com desenhos de Leonardo da Vinci, um dos maiores artistas plásticos de todos os tempos.

O manuscrito, de cerca de 1508, foi um de 30 livros parecidos que Da Vinci cria ao longo da vida. Tem 72 páginas com cerca de 300 notas e desenhos, todos relacionados à água e como ela se move.

O pintor Giuseppe Ghezzi descobre o caderno em 1690 junto a papéis de Guglielmo della Porto, um escultor milanês do século 16 que estudou a obra de Da Vinci. Em 1717, Thomas Coke, 1º Duque de Leicester, compra o manuscrito para a coleção de arte da família.

Mais de dois séculos depois, o caderno é colocado a venda na casa de leilões Christie's de Londres pelo atual Lorde Coke, obrigado a vender para pagar o imposto sobre herança de propriedades e da magnífica coleção de arte da família.

O leilão dura pouco mais de dois minutos. É o maior preço pago por um manuscrito até aquela época. Uma Bíblia de Johannes Gutenberg saiu por US$ 2 milhões em 1978.

Quando Hammer morre, deixa o Caderno de Da Vinci e outras obras para o Museu de Arte e Centro Cultural Armand Hammer na Universidade da Califórnia em Los Angeles. Anos depois, o manuscrito é colocado a venda com a explicação de que a UCLA precisa pagar custos judiciais de uma ação de uma sobrinha de Hammer que alega ter sido lesada.

Em 11 de novembro de 1994, o bilionário Bill Gates paga US$ 30,8 milhões, novo recorde para um manuscrito.

ACORDO DE PARIS SOBRE MUDANÇA DO CLIMA

    Em 2015, mais de 190 países aprovam o Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, que substitui o Protocolo de Quioto, inclui todos os países signatários na luta contra o aquecimento global e ooloca como meta elevar em no máximo 1,5 grau centígrado o aumento da temperatura média da Terra em relação à era pré-industrial. 

Cada país apresenta suas metas voluntárias de redução das emissões de gases que agravam o efeito estufa e não há punição para quem não cumprir sua própria meta.

A Convenção Quadro sobre Mudança do Ciima foi aprovada na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Cúpula da Terra ou Rio-92, realizada em junho de 1992 no Rio de Janeiro.

A partir daí foram realizadas as Conferências das Partes (CoP) do Acordo sobre Mudança do Clima. Na CoP-3, em 1997, é aprovado o Protocolo de Quioto, pelo qual 38 de países desenvolvidos se comprometiam a reduzir as emissões em média em 5,2% em relação às emissões de 1990. Os países em desenvolvimento não tinham qualquer obrigação.

Quando o Protocolo de Quioto expira, em 2012, é necessário um novo acordo global que comprometa o mundo inteiro ao combate ao aquecimento global causado pelo homem pela emissão de gases carbônicos.

O acordo é concluído no Conferência de Paris e aberto para assinatura dos países-membros da ONU. Entra em vigor em 4 de novembro de 2016, com a assinatura de 194 países,

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Hoje na História do Mundo: 21 de Agosto

 REVOLTA DE ESCRAVOS NOS EUA

    Em 1831, Nat Turner, que se considera enviado por Deus para libertar seu povo, inicia um sangrenta revolta de escravos que mata 60 pessoas no estado da Virgínia.

Com sete aliados, Turner mata seu dono, Joseph Travis, e família. O plano é tomar o arsenal do condado, na cidade de Jerusalém, e fugir por 50 quilômetros até um pântano onde pretendia enganar seus perseguidores.

Durante dois dias e duas noites, os rebeldes atacam fazendas e arregimentam seus escravos para a luta. Cerca de 75 rebeldes matam 60 moradores brancos do Condado de Southampton.

Uma milícia estadual de 3 mil homens esmaga a rebelião quando Turner e os escravos rebelados estão a poucos quilômetros de Jerusalém. O líder escapa. É preso em outubro e enforcado em 11 de novembro em Jerusalém.

Em reação à maior revolta de escravos da história dos EUA, muitos negros inocentes são chacinados e uma série de leis repressivas proíbe o movimento negro, a reunião e a educação de escravos.

ROUBO DA MONA LISA

    Em 1911, um funcionário italiano do Museu do Louvre, em Paris, rouba o quadro mais famoso do mundo, a Gioconda ou Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, pintado em 1503.

Vincenzo Peruggia aproveita o fechamento do museu numa segunda-feira e o sono de um porteiro para arrancar o quadro da moldura e carregá-lo escondido numa jaqueta. 

Depois de deixar a Mona Lisa escondida debaixo da cama por 28 dias, o ladrão leva o quadro para a Itália por acreditar que a pintura fora roubada numa invasão de Napoleão Bonaparte, que teve a obra pendurada em seu quarto. Na verdade, o rei Francisco I comprou o quadro de Leonardo da Vinci.

Na Itália, Peruggia entra em contato com o florentino Alfredo Geri, dono de um antiquário, e pede 500 mil liras, equivalentes a R$ 440 mil ao câmbio atual, pela pintura célebre. Os dois se encontram no Hotel La Cerratani, hoje Hotel La Gioconda, em Florença. Geri leva junto Giovanni Poggio, diretor da Galeria dos Ofícios, o principal museu da cidade.

Como há muitas falsificações de obras famosas, os dois decidem verificar a autenticidade da obra. Quando veem que é autêntica, denunciam à polícia, que prende Peruggia e recupera o quadro dois anos depois do furto. Antes de voltar a Paris, a Mona Lisa é exposta na Galeria dos Ofícios, em Florença, e no Palácio Farnese e na Galeria Borghese, em Roma.

Desde então, o sorriso da Mona Lisa só saiu do Louvre para ser exposto no Museu de Arte Metropolitano, em Nova York, nos EUA, em 1963, e na Rússia e no Japão, em 1974. Desde 2005, uma caixa de vidro especial protege a obra-prima de Da Vinci, vista por uma média de 30 mil pessoas por dia.

MORTE DE TROTSKY

    Em 1940, morre o líder revolucionário comunista Leon Davidovich Bronstein, mais conhecido como Leon Trotsky, atacado na véspera na sua casa no exílio na Cidade do México pelo agente stalinista espanhol Jaime Ramón Mercader com uma picareta de alpinismo.

Trotsky nasce na Ucrânia numa família judaica. Vira marxista na adolescência e larga a Universidade de Odessa para organizar o Sindicato dos Trabalhadores do Sul da Rússia. Em 1898, é preso por suas atividades políticas. Dois anos depois, é enviado para a Sibéria. Em 1902, foge usando um passaporte falso em nome de Leon Trotsky.

Ele volta à Rússia para participar da Revolução de 1905. É preso e enviado de novo à Sibéria. Em 1907, escapa mais uma vez. Em mais uma década no exílio, Trotsky vive na Suíça, na França, na Espanha e em Nova York antes de voltar à Rússia em 1917, depois que a Revolução de Fevereiro derruba a monarquia.

Como líder do Soviete de Petrogrado, Trotsky tem um papel decisivo na Revolução de Outubro, que leva os bolcheviques ao poder. Nomeado comissário de Relações Exteriores, negocia a paz de Brest-Litovsk com a Alemanha para tirar a Rússia da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Comissário do Povo para Assuntos Militares e Navais, cria e chefia o Exército Vermelho durante a guerra civil que se segue à Revolução Comunista. Também funda o Politburo do Comitê Central do Partido Comunista e se torna um de seus sete membros.

Depois da morte de Lenin, em janeiro de 1924, Trotsky perde a disputa pelo poder com Josef Stalin. Em 1925, deixa de ser comissário da Guerra e, em 1927, é afastado do Politburo.

Expulso da União Soviética em fevereiro de 1929, torna-se o maior crítico do stalinismo até ser morto por Mercader, um agente internacional do Comissariado do Povo para Assuntos Internos (NKVD), a polícia política da URSS no período stalinista. 

HAVAÍ VIRA ESTADO DOS EUA

    Em 1959, o presidente Dwight Eisenhower assina a proclamação que torna o Havaí o 50º estado dos Estados Unidos.

Os primeiros seres humanos chegam ao Arquipélago do Havaí no século 8 da era cristã. Os comerciantes norte-americanos começam a extrair o sândalo, uma madeira muito apreciada na China. A indústria açucareira é introduzida nos anos 1830 e se torna importante na metade do século 19. 

A presença de agricultores e missionários americanos muda a história do Havaí. Em 1893, um grupo de americanos expatriados e plantadores de açúcar depõe a monarquia. No ano seguinte, o Havaí vira protetorado dos EUA.

Depois do uso da base naval de Pearl Harbor durante a Guerra Hispano-Americana, em 1898, quando os EUA tomaram as Filipinas e a ilha de Guam, a anexação formal é aprovada. O ataque do Japão à 7ª Frota Americana em Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941 faz os EUA entrarem na Segunda Guerra Mundial (1939-45).

LÍDER DA INDEPENDÊNCIA DO QUÊNIA SOLTO

    Em 1961, depois de nove anos de prisão, as autoridades coloniais britânicas libertam Jomo Kenyatta, líder do movimento pela independência do Quênia.


 Menos de dois anos depois, em 1º de junho de 1963, o Quênia conquista a independência e Kenyatta se torna primeiro-ministro e, a partir de 1964, presidente até sua morte, em 22 de agosto de 1978.

Sob Kenyatta, o Quênia adere à Organização de Unidade Africana (OUA) e à Comunidade das Nações, a antiga Comunidade Britânica, e se alia ao Ocidente durante a Guerra Fria. 

Seu governo é acusado de ditatorial, autoritário, corrupto e neocolonial ao privilegiar os kikuyos sobre outras etnias, mantendo a hierarquia social imposta pelo Império Britânico.

INDEPENDÊNCIA DA LETÔNIA

    Em 1991, no dia do colapso do golpe da linha-dura contra o presidente Mikhail Gorbachev, a Letônia declara independência da União Soviética.

A República da Letônia proclama a independência em 18 de novembro de 1918, depois da derrota da Rússia pela Alemanha na Primeira Guerra Mundial (1914-18), em meio ao caos da guerra civil deflagrada pela Revolução Bolchevique.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a União Soviética de Josef Stalin invade e anexa a Letônia com base no Pacto Germano-Soviético, assinado dias antes do início do conflito. Milhares de letões são presos, assassinados ou deportados. 

Para consolidar a anexação, a URSS promove uma migração em massa de russos, que são hoje cerca de 27% da população de 1,8 milhão de habitantes, o que gera um risco de invasão da Rússia.

Com a abertura política promovida por Gorbachev na URSS, a Frente Popular da Letônia é fundada em Riga, 8 de outubro de 1988, para lutar pela independência.  

A Letônia entra para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em 29 de março de 2004 e para a União Europeia em 1º de maio do mesmo ano. 

É um dos países mais determinados da aliança militar liderada pelos Estados Unidos no apoio contra a invasão da ex-república soviética da Ucrânia pela Rússia.