sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Reino Unido deixa a UE depois de 47 anos e entra em era de incerteza

Depois de 47 anos e três anos e meio depois do plebiscito que aprovou a saída, o Reino Unido deixa hoje a União das Comunidades Europeias, num duro golpe contra o projeto de integração da Europa e entra numa era de incerteza.

Hoje é um dia histórico. A Europa unida perde sua segunda maior economia. É a primeira vez que um país-membro pede para sair do bloco criado em 1957 por apenas seis países (Alemanha Ocidental, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo) para fortalecer a economia da Europa Ocidental e servir de contraponto aos países comunistas do Bloco Soviético.

Na verdade, a integração foi lançada pelo Plano Schuman, nome de um ministro do Exterior da França, em 9 de maio de 1950, cinco anos depois da rendição da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial, para garantir a paz e a prosperidade no continente. Em 1951, foi fundada a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço para controlar a produção e o comércio destas substâncias essenciais à indústria bélica e assim controlar a remilitarização da Alemanha.

A Comunidade Econômica Europeia foi criada pelo Tratado de Roma, em 1957, que entrou em vigor em 1958. Depois de dois vetos do presidente francês, Charles de Gaulle, nos anos 1960, o Reino Unido entrou para a Comunidade Europeia em 1973, no governo conservador de Edward Heath. Meu comentário:

EUA tiveram em 2019 menor crescimento anual desde 2016

A economia dos Estados Unidos avançou numa taxa anual de 2,1% em 2019, ampliando o mais longo período da crescimento ininterrupto da história do país, iniciado em 2009. Mas o ano fechou com uma expansão de 2,3%, abaixo dos 2,9% de 2018 e da meta de 3% do governo Donald Trump. Foi o menor a alta do produto interno bruto desde 2019.

"No quarto trimestre do ano passado, houve uma queda nas importações, uma aceleração dos gastos públicos e uma pequena redução no investimento não residencial foram neutralizadas por uma forte queda no investimento privado para formação de estoques e uma desaceleração no consumo pessoal", declarou o Departamento do Comércio.

O consumo pessoal respondeu por 1,2 ponto percentual no crescimento do PIB, em contraste com 2,1 pontos percentuais em 2018. No ano como um todo, o consumo pessoal avançou 2,6%, abaixo dos 3% do ano passado.

A desaceleração atingiu todas as categorias de bens de consumo, inclusive automóveis e móveis. O consumo pessoal em serviços resistiu, mas os gastos com refeições fora de casa também sofreram desaceleração, num sinal de queda de confiança.

Os gastos das empresas caíram 1,5% no último trimestre, reduzindo para 2,1% o avanço anual, em contraste com 6,4% em 2018.

Sob pressão de Trump, preocupado com o impacto de sua guerra comercial com a China, o Conselho da Reserva Federal (Fed), a direção do banco central dos EUA, cortou a taxa básica de juros três vezes no ano passado e indicou que pretende mantê-la inalterada neste ano.

Para este ano, o economia Ian Shepherdson, da empresa Pantheon Macroeconimics, espera um crescimento estável em torno de 2% "se o coronavírus permitir". Neste caso, ele acredita que o Fed deve manter as taxas de juros, o que também é normal num ano eleitoral para evitar suspeitas de favorecer o governo do dia.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

OMS declara emergência de saúde internacional por epidemia de coronavírus

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou hoje emergência de saúde internacional por causa do risco de propagação do novo coronavírus, reconhecendo que não é um problema só da China. Mais de 8,2 mil casos foram registrados em 20 países e 212 pessoas morreram, todas na China.

O objetivo é conter a propagação da doença, declarou o diretor-geral da Organização Internacional da Saúde, Tedros Adhanom. Sua maior preocupação é com os países mais pobres, com sistemas de saúde frágeis.

“Precisamos agir agora para ajudar outros países a se preparar para a possível chegada do vírus.” Por enquanto, ele considera desnecessárias novas medidas que restrinjam viagens e o comércio internacional. 

O diretor do comitê de emergência internacional da OMS, Didier Houssin, vai questionar alguns países por fechamento de fronteiras, restrições de viagens como negação de visto e quarentena. Vai perguntar em que dados objetivos se baseiam estas decisões. 

Por força de uma regulamentação internacional de 2005, os países são obrigados a justificar este tipo de medidas que interfiram na movimentação de pessoas e no direito de ir e vir. 

As restrições podem impedir ou atrapalhar a ajuda, prejudicar o comércio e a economia dos países. Em casos de falta de outros recursos ou de transmissão intensa da doença, o isolamento e a quarentena podem ser úteis, admite a agência das Nações Unidas. Meu comentário: 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Coronavírus pode causar sério prejuízo à economia mundial

Os analistas procuram estimar o impacto econômico da epidemia do coronavírus. A hipótese mais provável é de uma pandemia com baixo índice de mortalidade.

O total de pessoas infectadas pelo coronavírus chegou a 7 mil e 700 na China, com 170 mortes. No Brasil, há nove casos suspeitos em observação. A taxa de mortalidade está em 2% a 3%, menos do que a gripe asiática ou Síndrome Respiratória Aguda Grave, que matou quase 800 pessoas em 2002 e 2003, com taxa de mortalidade de quase 10%.

Normalmente uma crise dessas tem um efeito sobre a economia em forma de V. Há uma forte queda num primeiro momento e uma forte alta quando o problema for superado. As bolsas de valores perderam um trilhão e meio de dólares, mas se recuperam parcialmente. 

O impacto econômico depende da rapidez com que a epidemia for controlada. A China é hoje a fábrica do mundo, a maior potência industrial do planeta, com 9 por cento da produção total. 

Mais de 50 milhões de chineses estão no isolamento e as companhias aéreas estão suspendendo os voos para a China. Várias cidades estão prorrogando a semana de folga para festejar o Ano Novo Lunar para duas semanas, até 9 de fevereiro. É uma época do ano em que 250 milhões de chineses costumam visitar a família, na maior movimentação de seres humanos no mundo inteiro.

Com as restrições de viagem, as perdas do setor serão de bilhões de dólares na China, na Ásia e no resto do mundo. O produto interno bruto da China, de mais de 14 trilhões de dólares, pode perder até dois pontos percentuais no crescimento previsto para este ano, de 6 por cento. Meu comentário:

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

Reação tardia da ditadura comunista da China agravou epidemia do coronavírus

O regime comunista da China demorou a reagir à epidemia do coronavírus por causa da ditadura. O Brasil declara "perigo iminente".

O prefeito de Wuhan, a cidade chinesa onde começou o surto, admitiu não ter dado a importância necessária à doença no primeiro momento. É compreensível. Numa ditadura militar como a China, funcionários subalternos, de baixo escalão, tem medo de alertar para problemas graves. Tem medo de incomodar os caciques do partido.

Sob a ditadura de Xi Jinping, a situação piorou com a concentração de poder no novo imperador. Mas assim que a cúpula do regime comunista resolve atacar um problema, mobiliza todos os recursos disponíveis, proíbe viagens e todo o sistema passa a trabalhar.

As imagens do mercado de Wuhan dão uma indicação clara de como a epidemia surgiu. Lá, são negociadas carnes de 114 espécies animais diferentes, de ratos a coalas. Um vírus desses animais deve ter infectado um ser humano e sofrido uma mutação para ser transmitido de pessoa para pessoa. Meu comentário:

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Aniversário da libertação de Auschwitz é alerta contra discursos nazifascistas

O mundo festeja os 75 anos da libertação do campo de concentração nazista de Auschwitz, na Polônia, no momento em que enfrenta a maior ascensão da extrema direita desde os anos 1930.

Às nove da manhã de 27 de janeiro de 1945, um soldado da 100ª Divisão de Infantaria do Exército Vermelho da União Soviética invadiu o primeiro campo. Ao todo, 7 mil e 500 prisioneiros foram libertados. Foram encontrados mais de 600 corpos, 837 mil roupas femininas, 370 mil ternos masculinos, sete toneladas de cabelo, que seriam de 140 mil pessoas.

Setenta e cinco anos depois, só restam sobreviventes que eram crianças. Para os mais jovens, a guerra é uma experiente distante que está no cinema, na TV e nos livros de história. Parece que pouco a pouco a maior tragédia da história da humanidade é esquecida, a ponto do ex-secretário nacional de Cultura Roberto Alvim, ter gravado um vídeo usando ideias e expressões copiadas do ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels. Meu comentário:

domingo, 26 de janeiro de 2020

Terroristas suicidas do Boko Haram atacam mesquita na Nigéria

Dois homens-bomba da milícia extremista muçulmana Boko Haram atacaram hoje uma mesquita em Gwoza, no estado de Borno, no Nordeste da Nigéria. Um menino de 12 anos morreu e várias pessoas saíram feridas.

Depois do atentado, o 192º Batalhão do Exército da Nigéria isolou a área ao redor da mesquita. O presidente Muhammadu Buhari e as Forças Armadas nigerianas estão sob pressão dos ataques frequentes do Boko Haram no Nordeste do país.

Recentemente, o grupo terrorista matou o estudante Ropvil Daciya Dalep, duas semanas depois de sequestrá-lo em 9 de janeiro. Dalep foi executado friamente com um tiro na cabeça disparado por um soldado menor de idade. O vídeo circula na rede mundial de computadores.

"Não vamos parar antes de vingar o sangue dos mortos", declarou o menino antes de matar. O nome Boko Haram significa "não à educação ocidental".

Desde 2009, quando o Boko Haram aderiu à luta armada para impor a lei islâmica, mais de 35 mil rebeldes, soldados das forças de segurança nigerianas e civis morreram, a grande maioria no Nordeste da Nigéria, mas também nos vizinhos Chade e Níger.

O pico da guerra civil foi em 2014 e 2015, quando os Exércitos da região se uniram para reconquistar as regiões ocupadas pelo Boko Haram. Em 2015, o grupo se dividiu com o surgimento da Província do Estado Islâmico na África Ocidental.

Com a perda da base territorial, o Boko Haram passou a apelar mais para o terrorismo suicida dos homens e mulheres-bomba.

Macron reúne gabinete de segurança para definir estratégia no Sahel

O presidente Emmanuel Macron vai se encontrar na quarta-feira com seus principais assessores de segurança e defesa para discutir a estratégia de combate ao terrorismo muçulmano na região do Sahel, na África, ao sul do Deserto do Saara.

Durante reunião de cúpula com o Grupo dos Cinco (G5) do Sahel (Mauritânia, Burkina Fasso, Mali, Níger e Chade), Macron prometeu enviar mais 2,2 mil soldados franceses para se juntar a um contingente de 4,5 mil militares da França que estão hoje na região, do tamanho da Europa.

A intervenção militar francesa não tem sido suficiente para reduzir a ofensiva jihadista, que explora a miséria e os conflitos étnicos da região e se beneficia com o tráfico de armas para a guerra civil na Líbia, que vive em estado de anarquia desde a queda do ditador Muamar Kadafi, em 2011.

Como os Estados Unidos pretendem retirar as forças estacionadas na África para dar mais ênfase à concorrência estratégica da China e da Rússia do que ao combate ao terrorismo dos extremistas muçulmanos, a responsabilidade da França vai aumentar.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Burkina Fasso arma vigilantes para combater terrorismo no Sahel

Burkina Fasso, um dos países mais pobres do mundo, vai treinar e armar vigilantes para combater o terrorismo dos extremistas muçulmanos.

Diante do aumento dos ataques terroristas da extremistas muçulmanos na região do Sahel, que fica na África, logo ao sul do Deserto do Saara, o Parlamento de Burkina Fasso aprovou um projeto para treinar e equipar com armas leves grupos de vigilantes, noticiou ontem a agência Reuters. 

Armar os civis pode agravar ainda mais a crise da segurança pública. Em outros países da África, medidas semelhantes aumentaram a violência e exacerbaram as tensões entre povos e tribos. Meu comentário:

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Líderes de Israel vão à Casa Branca discutir plano de paz para o Oriente Médio

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o líder da oposição em Israel, general Benny Gantz, devem ir à Casa Branca na próxima terça-feira para discutir o plano do governo Donald Trump para a paz no Oriente Médio, que parece inaceitável para os palestinos.

O vice-presidente Mike Pence confirmou: os dois principais líderes israelense foram convidados para debater questões regionais e os prospectos para a paz na Terra Santa com o presidente Trump.

Os poucos detalhes que vazaram para a imprensa indicam que o plano dos Estados Unidos dá a Israel a soberania sobre o Vale do Rio Jordão e de todas as colônias israelenses na Cisjordânia ocupada, além de reconhecer Jerusalém como a capital israelense. Trump dá tudo o que Israel quer. 

Com certeza, este plano será rejeitado pelos palestinos. No Twitter, seu meio de comunicação favorito, o presidente americano afirmou que os detalhes revelados são meramente especulativos. Meu comentário:

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Propaganda da Rússia tenta minar democracia liberal

Como no tempo da União Soviética, a máquina de propaganda da Rússia semeia a discórdia, a mentira, o medo e o ódio para minar seus inimigos, especialmente os Estados Unidos e a União Europeia.

A Guerra Fria não foi vencida pela força das armas. Os arsenais nucleares dos Estados Unidos e da União Soviética eram redundantes. Nenhum lado poderia destruir o inimigo sem ser destruído. Era o equilíbrio do terror nuclear, a destruição mutuamente assegurada. 

A vitória dos Estados Unidos e do Ocidente foi política, ideológica, econômica, científica e tecnológica. O poder brando ou poder suave, a comunicação social, a cultura, a pop art, o rock’n’roll, os movimentos jovens, as calças jeans e Hollywood tiveram um papel fundamental ao vender para o mundo o estilo de vida capitalista americano como superior ao comunismo soviético. 

O professor Joseph Nye jr., da Universidade de Harvard, que criou a expressão, acredita que o poder suave venceu a Guerra Fria. 

Hoje a Rússia não exerce seu poder suave apenas para exaltar a grandeza do país e o heroísmo de seu povo, para cultivar uma imagem positiva no exterior. Tenta minar a imagem de seus inimigos e explorar as divisões entre os países ocidentais, os medos, as fobias e o ódio, como fez durante a campanha eleitoral de 2016 nos Estados Unidos para ajudar Donald Trump. 

A máquina de propaganda do Kremlin não é exatamente um poder suave, observa a empresa de consultoria e análise estratégica Stratfor. O ataque aos valores ocidentais é um elemento central da estratégia de comunicação da ditadura de Vladimir Putin. 

O alvo é a democracia liberal. Em entrevista ao jornal inglês Financial Times, Putin chegou a declarou a morte do liberalismo ocidental. É o que ele gostaria. Meu comentário:

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Coreia do Norte suspende congelamento de testes nucleares

Em mais um desafio aos Estados Unidos, a Coreia do Norte anunciou hoje o fim da moratória de testes nucleares e de mísseis de longo alcance.

O regime comunista de Pyongyang retoma as ameaças e provocações. Acusa os Estados Unidos de impor sanções “brutais e desumanas” e de ignorar um prazo-limite no fim do ano passado para avanças nas negociações para desnuclearizar a Península Coreana.

O ditador norte-coreano, Kim Jong Um, estipulou uma data, 31 de dezembro, enquanto o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Robert O’Brien, pediu a Kim que cumpra os compromissos assumidos em três encontros de cúpula com o presidente Donald Trump e afirmou que os canais de comunicação com os Estados Unidos estão abertos. 

Em Genebra, na Suíça, um conselheiro da embaixada norte-coreana junto às Nações Unidas, Ju Yong Choi, comentou que, nos últimos dois anos, a Coreia do Norte suspendeu os testes nucleares e de mísseis balísticos intercontinentais, capazes de atingir o território continental americano para “construir um clima de confiança” com os Estados Unidos. 

Mas, diz o regime stalinista norte-coreano, os Estados Unidos responderam com sanções econômicas e manobras militares conjuntas com a Coreia do Sul, que a Coreia do Norte considera treinamento para invadi-la. 

“Se os Estados Unidos tentarem impor unilateralmente suas demandas e persistirem em impor sanções, a Coreia do Norte pode ser compelida a buscar outro caminho”, adverte a ditadura comunista na última fronteira da Guerra Fria. Meu comentário:

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Irã faz nova ameaça de fabricar a bomba atômica

O Irã ameaça abandonar o Tratado de Não Proliferação Nuclear, se o caso sobre as violações do acordo nuclear de 2015 for levado ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. É mais uma ameaça da fabricar armas atômicas.

Em mais uma tentativa de romper o cerco econômico imposto pelas sanções dos Estados Unidos, a República Islâmica ameaçou mais uma vez hoje que pode fazer a bomba atômica.

Três países europeus signatários do Acordo de Viena, de 2015, para congelar por dez anos o programa nuclear iraniano acionaram em 14 de janeiro deste ano um mecanismo para pressionar o Irã a respeitar os termos do acordo, abandonado em 8 de maio de 2018 pelos Estados Unidos. 

A Alemanha, a França e o Reino Unido afirmaram que não estão aderindo à estratégia de pressão máxima adotada pelo governo Donald Trump. Querem que o Irã volte a respeitar os limites de quantidade de urânio enriquecido, teor de enriquecimento e número de centrífugas em atividade. Também gostariam que o acordo servisse de base para a renegociação exigida pelos Estados Unidos, que não mostram a menor intenção de ceder.

Hoje o ministro do Exterior iraniano, Mohamed Javad Zarif, ameaçou com a retirada do país do Tratado de Não Proliferação Nuclear. Este tratado desigual só autoriza cinco países a ter armas atômicas: os Estados Unidos, a China, a França, o Reino Unido e a Rússia, não por coincidência as cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança da ONU. 

Os outros países que fizeram armas nucleares, Israel, a Índia, o Paquistão e a Coreia do Norte, abandonaram o Tratado de Não Proliferação Nuclear. Meu comentário:

domingo, 19 de janeiro de 2020

Conferência em Berlim tenta abrir caminho para a paz na Líbia

Doze países com interesses na Líbia decidiram hoje respeitar um embargo à venda de armas, retirar o apoio militar às partes em luta e pressionar os dois governos paralelos do país a negociar um total cessar-fogo. 

Este foi o resultado da Conferência de Berlim, convocada pela chancelar (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, para encaminhar uma solução para a guerra civil na Líbia.

Os líderes das duas facções, Fayez al-Sarraj, do Governo do Acordo Nacional, reconhecido internacionalmente, e o marechal Khalifa Hifter, do Exército Nacional da Líbia, foram à capital alemã, mas não sentaram na mesa da conferência.

"Todas as partes ligadas de uma forma ou de outra ao conflito precisam falar com uma só voz, porque as partes dentro da Líbia precisam entender que a única saída não é militar. Conseguimos isto aqui", declarou Merkel.

Participaram o presidente da França, Emmanuel Macron, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, os primeiros-ministros da Itália, Giuseppe Conte, e do Reino Unido, Boris Johnson, e os ditadores da Rússia, Vladimir Putin, e da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

As deliberações da conferência devem ser referendadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Hiftar e Sarraj ficaram de indicar membros para um comitê militar que vai negociar um cessar-fogo permanente.

Este comitê deve se reunir em Genebra, na Suíça, nos próximos dias, anunciou o secretário-geral da ONU, António Guterres, ex-primeiro-ministro de Portugal. "Temos uma trégua", comentou ele.

Guterres destacou a importância da conferência para evitar uma escalada regional do conflito depois que a Turquia anunciou o envio de tropas para lutar ao lado do Governo do Acordo Nacional. Hiftar controla o Leste da Líbia, inclusive Bengázi, segunda maior cidade do país. Tem o apoio do Egito e dos Emirados Árabes Unidos.

A Líbia está em estado de anarquia desde a queda e a morte do ditador Muamar Kadafi, em 2011, depois de governar o país por 42 anos. Uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA, com a aprovação do Conselho de Segurança da ONU, impediu Kadafi de massacrar a rebelião em Bengázi e selou a sorte do ditador.

Faltou uma missão internacional de paz para reconstruir o país, criar Forças Armadas, desarmar as milícias, organizar partidos, eleições e a sociedade civil. Os líbios não queriam uma operação terrestre da OTAN, tendo em vista o que aconteceu no Iraque.

Em tese, uma força internacional de paz árabe resolveria o problema por entender a língua e a cultura locais. As diferentes posições e interesses dos países árabes no conflito impediram a organização da missão de paz. A intervenção na Líbia foi um dos fracassos recentes da ONU e da chamada Primavera Árabe.

sábado, 18 de janeiro de 2020

Talebã admitem reduzir ataques para retomar negociações com os EUA

A milícia fundamentalista muçulmana dos Talebã (Estudantes) está pronto para "reduzir" as ações militares para retomar as negociações de paz e assinar um acordo para retirada das forças internacionais lideradas pelos Estados Unidos, anunciou o principal porta-voz do grupo, Suhail Shashin, em entrevista ao jornal paquistanês Dawn.

"É uma questão de dias", afirmou o porta-voz, revelando uma autoconfiança talvez injustificada. As negociações com Washington começaram em julho de 2018 e foram interrompidas pelo governo Donald Trump em setembro de 2019 por causa das ações dos Talebã, retomadas e suspensas de novo em dezembro, depois de um ataque ao Aeródromo de Bagram, a maior base militar dos EUA no país.

Os Talebã surgiram em 1994 para combater a anarquia que tomou conta ao Afeganistão depois da retirada da União Soviética e tomaram o poder em 1996, com o apoio do Paquistão, da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e dos EUA.

Quando extremistas muçulmanos realizaram atentados contra as embaixadas americanas em Nairóbi, no Quênia, e Dar-es-Salam, na Tanzânia, em agosto de 1998, o então presidente Bill Clinton ordenou bombardeios às bases da rede terrorista Al Caeda, acolhida pelos Talebã no Afeganistão.

Os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 foram a vingança de Ossama ben Laden e sua gangue de fanáticos. Mataram 2.996 pessoas.

Menos de um mês depois, os EUA e seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) invadiram o Afeganistão. Antes do fim do mês, o regime dos Talebã caiu, mas a maior parte da cúpula d'al Caeda, inclusive Ben Laden, escapou na Batalha de Tora Bora, em dezembro de 2001.

No ano seguinte, o presidente George W. Bush desviou atenção e recursos para invadir o Iraque e depor Saddam Hussein. Os Talebã se rearticularam e o frágil governo instalado pelos EUA nunca foi capaz de controlar nem metade do território do Afeganistão.

Cerca de 65 mil rebeldes, 63 mil soldados afegãos, 3.562 militares das forças internacionais, sendo 2.420 americanos, 3.937 funcionários civis contratados pelos militares e 38.480 civis foram mortos no Afeganistão.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Morte do general não abalou mercado do petróleo mas existe risco

A morte do general Kassem Suleimani não foi suficiente para abalar o mercado internacional de petróleo e provocar uma alta de longo prazo, mas o risco existe por causa da tensão entre os Estados Unidos e o Irã.

Os preços do petróleo estão abaixo do que estavam em 2 de janeiro, antes do ataque de drones dos Estados Unidos que matou em Bagdá o comandante da força Quods, tropa de elite da Guarda Revolucionária do Irã.

O barril de petróleo tipo Brent, do Mar do Norte, padrão de referência da Bolsa Mercantil de Londres, custa hoje 65 dólares e o West Texas Intermediate, do Golfo do México, padrão do mercado americano, vale 58 dólares e 72 centavos. 

Isto reflete uma mudança estrutural no mercado de petróleo e na maneira como reage a choques políticos. Parte do aumento registrado no início do mês passado se deve ao acordo comercial entre os Estados Unidos e a China e ao anúncio de cortes na produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). Meu comentário:

China cresce no menor ritmo em 29 anos

Sob pressão da guerra comercial dos Estados Unidos e de problemas econômicos internos, a China cresceu 6,1% em 2019 pelas estatísticas oficiais do regime comunista. Mas foi o menor avanço em 29 anos, desde 1990, quando o país saía da recessão causada pelo boicote internacional depois do massacre na Praça da Paz Celestial, em Beijim, em 1989. Há uma desaceleração do crescimento extraordinário dos últimos 40 anos, que transformou o país no segundo mais rico do mundo.

Além dos tarifaços do presidente Donald Trump, aliviados mas não eliminados pelo acordo inicial assinado há dois dias, a economia chinesa sofre com o fraco consumo pessoal, o desemprego em alta e problemas no sistema bancário.

No último trimestre do ano passado, a China cresceu em ritmo de 6% ao ano, abaixo da expectativa do mercado. O Escritório Nacional de Estatísticas declarou que a economia "manteve o ritmo em geral" durante um período difícil, mas advertiu para os riscos de "problemas estruturais, sistemáticos e cíclicos" domésticos.

A taxa de natalidade caiu em 2019 para um recorde de baixa de 1,05%. Com a política filho único, adotada em 1978 para conter a explosão demográfica e só alterada recentemente, há uma expectativa de escassez de mão de obras nas próximas duas décadas, quando a China deverá se tornar a maior economia do mundo.

O acordo preliminar assinado em 15 de janeiro em Washington pelo presidente Trump e o vice-primeiro-ministro chinês Liu He mantém as tarifas sobre produtos importados pelos EUA num valor de US$ 360 bilhões por ano.

Com a queda de 13% nas exportações para os EUA, o investimento na indústria baixou 3,1% no ano passado, numa clara indicação do impacto da guerra comercial de Trump. As questões mais difíceis, como subsídios, política industrial e ciberespionagem ficaram para uma segunda fase das negociações

Putin indica tecnocrata Mikhail Michustin para primeiro-ministro

Por 383 a zero, com 44 abstenções, o Parlamento da Rússia aprovou ontem a indicação do novo primeiro-ministro, Mikhail Michustin, um tecnocrata discreto de 53 anos, pianista e poeta nas horas vagas. Desde 2010, dirigia a Receita Federal da Rússia, conseguindo aumentar a arrecadação, apesar da crise internacional. 

A queda do primeiro-ministro Dimitri Medvedev, que foi presidente de 2008 a 2012, e de todo seu governo reduz a esperança de uma liberalização do regime ditatorial de Vladimir Putin na Rússia. Ele será vice-presidente do Conselho de Segurança Nacional.

Michustin será o responsável pelas mudanças anunciadas por Putin em discurso na Duma do Estado, a Câmara dos Deputados da Rússia, dois dias atrás. Entre as propostas, há um programa de "projetos nacionais", com orçamento de US$ 417 bilhões, e mais US$ 6,4 bilhões a US$ 8 bilhões em programas sociais.

Mas o discurso do novo chefe de governo falou de questões citadas repetidamente em discursos oficiais: justiça social, aumento da renda média e "defesa dos valores tradicionais". Ele apontou como prioridade melhorar o padrão de vida dos russos. "As pessoas precisam sentir mudanças reais para melhor, mas isto está longe de acontecer em toda parte."

Como tecnocrata, Michustin prometeu "uma administração com uma nova qualidade", com informatização do acesso aos serviços públicos, aumento de exportações, investimentos em estradas, melhora no ambiente de negócios e atração de capital estrangeiro. Sua missão é reduzir o descontentamento social

O novo primeiro-ministro nasceu em Moscou em 3 de março de 1966 e se formou em engenharia de sistemas em 1992, logo após o colapso da União Soviética. É interessado na tecnologia blockchain de armazenamento e transmissão de informações usada para negociar criptomoedas.

Ele entrou para o serviço público em 1998, ano em que a economia russa entrou em virtual colapso. Um ano depois, foi nomeado secretário-geral do ministério encarregado da arrecadação de impostos, onde conseguiu combater a evasão fiscal com a digitalização.

A arrecadação cresceu, dando ao Estado russo condições de operar. Depois de uma  breve passagem pelo setor financeiro privado, de 2008 a 2010, Michustin chefiou a Receita Federal da Rússia. Era um membro ativo da rede de compartilhamento de informações da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento (OCDE). Colaborava com funcionários de países ocidentais em questões como regulamentação e fraude fiscal.

Como secretário da Receita, Michustin aprendeu a ver a economia da Rússia sob vários ângulos, da macroeconomia, das empresas e dos indivíduos, as questões municipais, regionais e federais. "Ele fez um trabalho bem-sucedido de transformar a Receita numa agência moderna, tecnológica e muito menos corrupta, mas tomou longo tempo", comentou uma fonte do Kremlin ao jornal Financial Times.

Por um lado, há uma expectativa de um governo mais despolitizado e gerencial, preocupado em melhor o ambiente de negócios. De outro, a inexperiência política de Michustin aumenta o controle do presidente.

O líder da oposição, o advogado Alexei Navalny, o acusa de enriquecimento ilícito. Pergunta qual a origem de 12 milhões de euros que estão na declaração de renda de sua mulher. Michustin também ocultaria a propriedade de um imóvel no valor de 9 milhões de euros registrado oficialmente como sendo da Federação Russa.

Jogador de hóquei, o novo primeiro-ministro é diretor do CSKA, de Moscou. "As pessoas ignoram como ele é afiado politicamente", observou um executivo de empresa estatal russa. "A beleza do hóquei é que capacita as pessoas a tomar decisões de qualidade em alta velocidade."

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Ditador muda Constituição para manter o poder na Rússia

O ditador Vladimir Putin demite o governo e muda a Constituição para continuar mandando na Rússia depois de deixar a presidência, em 2024.

O governo do primeiro-ministro Dimitri Medvedev pediu demissão coletiva ontem. Em discurso na Duma do Estado, a Câmara dos Deputados da Rússia, o presidente Vladimir Putin declarou que o povo quer mudanças.

A maior mudança seria a saída de Putin, que manda e desmanda na Rússia desde que virou primeiro-ministro do presidente Boris Yeltsin, em 1999. A reforma constitucional proposta pelo ditador reduz os poderes do presidente e fortalece o primeiro-ministro e a Duma, indicando que pretende continuar sendo o homem-forte do regime.

Em seu quarto mandato, Putin decidiu que nenhum presidente poderá governar por mais de dois mandatos. Hoje, o presidente nomeia o primeiro-ministro, que precisa ser aprovado pela Duma. Com a reforma, o Parlamento vai indicar o primeiro-ministro e os ministros. Um Conselho de Estado vai supervisionar o presidente.

É o putinismo constitucional. Revela uma intenção de reduzir o papel das personalidades em favor da liderança do partido Rússia Unida e do Parlamento. Mas é uma reforma em várias etapas, sem a garantia de que o putinismo vá sobreviver a Putin. Meu comentário:

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Conflito entre EUA e China deve durar décadas

O acordo assinado hoje entre os Estados Unidos e a China é apenas uma trégua na guerra comercial e numa competição maior pela supremacia mundial.

Hoje foi um bom dia para o comércio internacional. Depois de meses de negociações o presidente americano, Donald Trump, e o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, assinaram um primeiro acordo entre as duas maiores econômicas do mundo para dar uma trégua na guerra comercial. 

O acordo tem oito capítulos e 96 páginas. Os críticos da estratégia de Trump entendem que a China fez concessões que não pagam os prejuízos causados pela guerra comercial. A Casa Branca alega que é um grande avanço em relação a governos anteriores. Meu comentário:

EUA e China assinam acordo que dá uma trégua na guerra comercial

As duas maiores economias do mundo assinam hoje um primeiro acordo para dar uma trégua na guerra comercial que reduziu o crescimento mundial no ano passado em cerca de um ponto percentual. Mas as diferenças estão longe de ser totalmente resolvidas.

Faz três anos que o presidente Donald Trump chegou ao poder determinado a reduzir o déficit comercial dos Estados Unidos, especialmente com a China, na base de tuitaços e tarifaços. Hoje o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, assina o acordo na Casa Branca. Trump deve participar da cerimônia, informou o jornal inglês Financial Times.

Neste acordo preliminar, a China se compromete a comprar US$ 200 bilhões dos EUA em dois anos. De acordo com o jornal South China Morning Post, de Hong Kong, serão US$ 75 bilhões em produtos manufaturados, US$ 50 bilhões em carvão, petróleo e derivados, US$ 40 bilhões em produtos agrícolas e US$ 35 bilhões em serviços.

Em troca, os EUA vão suspender parte dos tarifaços anunciados e em vigor, mas não mexer na alíquota de 25% aplicada a produtos importados da China num valor anual de US$ 250 bilhões. Ficam de fora os subsídios do governo chinês a suas empresas, base de sua política industrial para se tornar a maior economia do mundo, e a espionagem cibernética.

A China prometeu ainda aumentar a proteção à propriedade intelectual, abrir seu setor financeiro a empresas estrangeiras e não desvalorizar a moeda para baratear seus produtos, tornando-os mais competitivos no mercado internacional.

Como parte do acordo, em 13 de janeiro, o Departamento do Tesouro dos EUA tirou a China da lista negra de países que manipulam o câmbio com as desvalorizações competitivas.

Para o jornal The Wall Street Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova York, serão necessários anos para avaliar as consequências da guerra comercial de Trump. Nos EUA, os maiores prejuízos foram os produtores rurais, uma importante base política do Partido Republico. O presidente deu uma ajuda de US$ 28 bilhões ao setor.

As relações comerciais entre os dois países caíram muito no ano passado. As exportações da China para os EUA caíram 13% e as importações chinesas 21%. Os EUA passaram a ser o terceiro maior parceiro comercial da China, depois da União Europeia e da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean). O saldo comercial chinês com os EUA baixou em 8,5% para US$ 295,8 bilhões.

O conflito, que abalou os mercados financeiros desde março de 2018, pode terminar, pelo menos nesta primeira fase, com a indiferença geral. As bolsas de valores estão hoje de olho na crise entre EUA e Irã e seu impacto para a economia mundial.

Mas o acordo entre os EUA e a China é apenas uma trégua na competição estratégica, econômica, científica, tecnológica e militar, que deve se estender pelas próximas décadas como o principal elemento estruturante das relações internacionais do século 21.

O Brasil ganhou com a guerra comercial por causa do aumento das importações chinesas de produtos agrícola. Agora, o acordo pode criar um desvio de comércio, com prejuízo para os produtores rurais brasileiros.

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Irã pode fabricar um míssil nuclear em dois anos, adverte inteligência de Israel

Até o fim do ano, a República Islâmica do Irã pode ter a quantidade da urânio enriquecido necessária para fabricar uma bomba atômica e dentro de dois anos será capaz de fazer um míssil nuclear, alerta o serviço secreto militar de Israel.

Ao abandonar gradualmente os limites impostos pelo acordo assinado em 2015 com as cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Alemanha para congeler por dez anos o programa nuclear iraniano, a República Islâmica pode ter urânio enriquecido em quantidade suficiente para uma bomba atômica no fim de 2020 e um míssil capaz de transportar uma ogiva nuclear dentro de dois anos. A avaliação está no último relatório da inteligência militar israelense, revelado pelo jornal The Jerusalem Post.

De acordo com a estimativa, se o programa nuclear iraniano mantiver o ritmo anual, será capaz de produzir mil e 300 quilos de urânio enriquecido a baixos teores e, a partir daí, refinar 25 quilos de urânio enriquecido com um teor de mais de 90% de urânio-235. É o suficiente para fabricar uma bomba atômica. Para conseguir miniaturizar a bomba e coloca-la numa ogiva nuclear, seriam necessários dois anos. Meu comentário:

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

França e países africanos apelam a EUA para não deixar do Sahel

A França e cinco países da África pediram hoje aos Estados Unidos que não abandonem a luta contra o terrorismo dos extremistas muçulmanos na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara.

Em reunião de cúpula na cidade de Pau, no Sul da França, o presidente Emmanuel Macron e os líderes de cinco países do Sahel (Burkina Fasso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger) resolveram reforçar a cooperação militar na luta contra o extremismo muçulmano.

O Grupo dos Cinco decidiu “manifestar o desejo de manter o engajamento da França no Sahel”, apesar do sentimento antifrancês nas antigas colônias africanas. Também considera crucial o apoio dos Estados Unidos, que anunciaram a intenção da retirar suas forças da região numa revisão estratégica e da doutrina de segurança nacional. 

Macron prometeu enviar mais 2.200 soldados da França, que já tem 4,5 mil tropas na Operação Barkhane, patrulhando uma área do tamanho da Europa. Meu comentário:

domingo, 12 de janeiro de 2020

Iranianos protestam contra abate de avião e mentiras do regime

Pelo segundo dia seguido, estudantes desafiaram a polícia e protestaram em universidades e em outros lugares do Irã contra a ditadura teocrática dos aiatolás, acusando o governo por derrubar um Boeing 737-800 da Ukraine International Airlines, matando 176 pessoas, e de mentir no primeiro momento sobre a tragédia. Só ontem o presidente Hassan Rouhani admitiu o erro.

Numa universidade, centenas de estudantes se recusaram a pisar em bandeiras dos Estados Unidos e de Israel estendidas no chão por milicianos do grupo paramilitar Bassij, braço da Guarda Revolucionária Iraniana para os atos mais sujos da repressão.

"Eles estão mentido que nosso inimigo é os EUA. Nosso inimigo está aqui", gritavam os universitários iraniano, de acordo com a agência de notícias Reuters. Cartazes com o general Kassem Suleimani, o comandante da tropa de elite da Guarda Revolucionária Iraniana morto em 3 de janeiro por drones americanos, foram arrancados

Em sessão a portas fechadas, o comandante da Guarda Revolucionária, general Hussein Salami, depôs hoje no Majlis, o Parlamento do Irã, para dar explicações sobre o abate do avião de passageiros. Dos mortos, 82 eram iranianos, 63 canadenses, 11 ucranianos, 10 suecos, quatro afegãos, três alemães e três britânicos.

O Boeing da Ucrânia foi derrubado na quarta-feira, 8 de janeiro de 2020, pouco depois de um ataque simbólico de mísseis iranianos contra bases militares do Iraque onde há forças dos EUA, numa retaliação pela morte do general Kassem Suleimani. A defesa antiaérea do Irã esperava um contra-ataque e abateu o avião ucraniano.

Antes da morte do general, havia uma onda de protestos no Irã, iniciada em 15 de novembro por causa de aumentos de até 50% nos preços dos combustíveis. A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional estima que pelo menos 300 pessoas foram mortes na dura repressão da República Islâmica.

A morte de Suleimani favoreceu a linha-dura do regime, mas o abate do avião e as mentiras do governo reacenderam a revolta popular.

O presidente Donald Trump advertiu as autoridades iranianas de que "não pode haver outro massacre de manifestantes pacíficos nem o desligamento da Internet. O mundo está observando. Estamos acompanhando os protestos de perto e estamos inspirados por sua coragem." Mas seu apoio é ruim para os manifestantes, que serão acusados de traidores da pátria.

Nos programas de televisão de domingo com entrevistas ao vivo, o presidente foi desmentido pelo secretário da Defesa, Mark Esper, que negou haver indícios de um ataque iminente preparado por Suleimani. Em comício da campanha para a reeleição, Trump afirmou que várias embaixadas dos EUA, não só a de Bagdá, seria alvo de ameaças. Mais uma mentira.

Em Teerã, manifestantes a favor do regime fundamentalista xiita protestaram diante da Embaixada do Reino Unido para pedir seu fechamento. O embaixador britânico, Rob Macaire, foi preso ontem sob a acusação de participar de um protesto. Ele estava numa vigília pelas vítimas do avião que se tornou em manifestação antigovernamental.

Hoje, o governo iraniano convocou formalmente o embaixador para dar explicações. Macaire alegou ter ido a uma cerimônia em homenagem aos mortos. A União Europeia e o Reino Unido protestaram oficialmente contra a prisão do embaixador, denunciando-a como uma violação do direito internacional e do Acordo de Viena sobre o tratamento de funcionários diplomáticos.

Houve novos ataques de milícias xiitas iraquianas. Oito foguetes foram disparados hoje contra a base aérea de Balade, ao norte de Bagdá, onde há soldados dos EUA. O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, qualificou os ataques como "uma violação contínua da soberania do Iraque". Porta-vozes militares do Iraque disseram que quatro iraquianos foram feridos.

Como observou Lourival Sant'Anna no jornal O Estado de S. Paulo, o novo ataque no Iraque pode ser uma manobra do Irã para desviar a atenção dos protestos internos e manter a tensão com os EUA para justificar a repressão diante da ameaça externa.

A única medalista olímpica do Irã, Kamia Alizadeh, anunciou hoje que está abandonando a cidadania iraniana para o governo não explorar seu sucesso para fazer propaganda, noticiou a televisão pública britânica BBC. Ela ganhou uma medalha de bronze no taekwondo na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.

sábado, 11 de janeiro de 2020

Reeleição mostra que modelo de Hong Kong não serve para Taiwan

A ampla vitória da presidente Tsai Ing-wen na eleição presidencial de hoje em Taiwan para exercer um segundo mandato de quatro anos aumenta a tensão com a República Popular da China. 

Depois de meses de manifestações de protesto em Hong Kong contra a crescente interferência chinesa no território, o resultado mostra que o mesmo modelo não será usado na reintegração de Taiwan.

Além da reeleição de Tsai com 57,1% dos votos contra 38,6% para Han Kuo-yu, do Kuomintang (KMT), mais próximo da China, seu Partido Democrático Progressista (PPD) conquistou maioria absoluta no Parlamento de 113 deputados. A participação do eleitorado chegou a quase 75%.

O regime comunista chinês considera Taiwan uma província rebelde e ameaça intervir militarmente se declarar independência. Para lá, fugiu o governo nacionalista de Chiang Kai-shek quando a revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung tomou o poder em Beijim, em 1º de outubro de 1949.

Até 15 de novembro de 1971, a China Nacionalista (Taiwan) era a representante da China no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Com base na política de que só existe uma China, o regime comunista chinês exigem o rompimento com Taiwan para estabelecer relações diplomáticas com Beijim, isolando diplomaticamente o país, que não tem representação em organizações internacionais.

Quando o então líder chinês Deng Xiaoping negociou com a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, em 1984, a devolução de Hong Kong à China, concretizada em 1997, criou a fórmula um país, dois sistemas. Deng prometeu manter o regime capitalista e a autonomia do território durante pelo menos 50 anos.

A mesma solução deveria ser aplicada na reintegração de Taiwan, uma das metas inegociáveis do regime comunista. Mas Hong Kong está em crise, com manifestações de protesto nas ruas desde 9 de junho.

A revolta popular contra o regime chinês começou contra um projeto de lei que autorizaria a extradição de residentes em Hong Kong para responder a processos na China continental e em Taiwan. Foi proposta porque em 2018 um cidadão de Hong Kong matou sua namorada grávida em Taiwan e voltou para Hong Kong. Ele confessou o crime, mas não foi punido.

Com a repressão das autoridades locais, o movimento pela liberdade e a democracia em Hong Kong cresceu. Chegou a levar 1,7 milhão de pessoas às ruas na maior manifestação e passou a exigir eleições diretas para governador e para o Conselho Legislativo, o parlamento de Hong Kong.

Em Beijim, a linha dura cobra uma repressão mais dura da governadora Carrie Lam. O ditador Xi Jinping decidiu não enviar o Exército Popular de Libertação. Seria o fim da autonomia cada vez menor de Hong Kong e o enterro da fórmula um país com dois sistemas.

O resultado das eleições de Taiwan não deixa dúvidas. A população local não quer saber de uma reintegração nos termos de Hong Kong. Taiwan quer mesmo a independência e isso é inaceitável para o regime comunista, além de mostrar desde 1996 que a democracia não é incompatível com a cultura chinesa.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Trump dobra a aposta com novas sanções ao Irã


O presidente Donald Trump volta à ofensiva com novas sanções contra a República Islâmica na certeza de estar ganhando o conflito com o Irã. Duas semanas depois do início da crise, apresento 14 conclusões preliminares. 

Em 27 de dezembro, uma barragem de mísseis atingiu uma base militar do Iraque onde havia soldados dos Estados Unidos, matando um funcionário civil americano contratado pelo soldado. Quatro soldados saíram feridos. Trump ordenou o bombardeio de bases das milícias xiitas iraquianas, matando supostamente 25 milicianos.

 Um ataque à embaixada americana em Bagdá levou o presidente americano a autorizar uma ação para matar o general Kassem Suleimani, comandante da Força Quods, tropa de elite da Guarda Revolucionária Iraniana. Dois comandantes de milícias iraquianas morreram na mesma operação. 

A tímida reação do Irã, com um ataque que não feriu ninguém, criou esta frágil trégua. Duas semanas depois do início da última crise entre os Estados Unidos e o Irã, é um bom momento para chegar a algumas conclusões provisórias. Meu comentário:

Mulheres passam a ser maioria da força de trabalho nos EUA

As mulheres ocuparam 50,4% dos postos de trabalho nos Estados Unidos em dezembro de 2019, superando os homens pela primeira vez em quase uma década, com uma diferença de 109 mil. Os analistas observam nisso uma tendência.

"O relatório de emprego indica que a dinâmica do mercado de trabalho pende em direção às mulheres", comentou o economista Joe Brusuelas, da empresa RSM US, em nota a clientes. "Procuramos indícios tangíveis de mudança. Estão aí nos dados."

Nos últimos anos, há um aumento no número de vagas em setores de serviço como educação e saúde, que empregam um grande número de mulheres. É uma tendência que deve se acentuar no século 21, incentivando a luta por salários iguais para a mesma função.

Em dezembro, o setor de saúde contra mais 36 mil trabalhadores, enquanto a indústria manufatureira, tradicionalmente dominada por homens, perdeu 21 mil vagas a mais do que abriu.

Bolsa de Nova York bate recorde com novo relatório sobre emprego

O Índice Dow Jones, da Bolsa de Valores de Nova York, ultrapassou a marca de 29 mil pontos hoje depois do relatório sobre emprego de dezembro, quando houve um saldo de 145 mil novas vagas, fechando uma década de crescimento ininterrupto do mercado de trabalho dos Estados Unidos. O índice de desemprego ficou estável em 3,5%. É o menor em 50 anos.

Ao todo, o saldo foi de 2,11 milhões de empregos em 2019. A média dos salários subiu em 2,9% ao ano, o menor ritmo desde julho de 2018. Pode não ser uma boa notícia para os trabalhadores, mas indica que o Conselho da Reserva Federal (Fed), o banco central dos EUA, não vai precisar elevar a taxa básica de juros.

Durante todo o ano passado, houve um ritmo forte de contratações em setores de serviços como saúde e hotelaria, entre outros. Houve um esfriamento na indústria manufatureira, transportes, armazenagem e construção civil.

A expansão do mercado de trabalho é um dos argumentos centrais da campanha de reeleição do presidente Donald Trump.

EUA anunciam novas sanções ao Irã citando risco iminente

A desculpa usada para justificar o assassinato político do general Kassem Suleimani, comandante da tropa de elite da Guarda Revolucionária Iraniana, foi repetida hoje pelo secretário de Estado americano, Mike Pompeo, para justificar a imposição de novas sanções econômicas ao Irã. 

Desta vez, os alvos foram os setores de construção civil, indústria têxtil, siderurgia e mineração, além do contra-almirante Ali Shamkhani, secretário do Conselho de Segurança Nacional, o ex-comandante da Guarda Mohsen Rezai e outros altos funcionários iranianos

Até agora, o governo Donald Trump não conseguiu comprovar a "ameaça iminente" que justificaria o ataque a Suleimani. Dois senadores do próprio partido republicano saíram revoltados de uma reunião secreta em que o Executivo apresentaria indícios e provas de sua alegação.

Ontem, em comício de sua campanha contra a reeleição, Trump afirmou que Suleimani pretendia atacar várias embaixadas dos Estados Unidos e planejava explodir a representação em Bagdá. Para seu eleitorado, foi além do que o governo diz oficialmente.

Trump anunciou as sanções ao Irã há dois dias, quando cantou vitória depois que a retaliação iraniana não matou nem feriu ninguém. O presidente observou o que "o Irã parece estar recuando" numa clara tentativa de desescalar a crise.

Com as sanções, a arma favorita de Trump, os EUA retomam a ofensiva.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Míssil iraniano derrubou Boeing da Ucrânia perto de Teerã

Um míssil iraniano derrubou um avião de passageiros da companhia aérea Ukraine Airlines perto de Teerã, matando 176 civis inocentes pouco depois do ataque de mísseis do Irã contra duas bases militares do Iraque onde havia soldados americanos, dois dias atrás.

São as consequências inesperadas da guerra. Mesmo depois de fazer um ataque simbólico que não matou nem feriu ninguém para retaliar pela morte do comandante da Guarda Revolucionária general Kassem Soleimani, a República Islâmica temia um contra-ataque dos Estados Unidos. Estava preparada para se defender e atingiu um alvo indesejado.

Um vídeo foi divulgado há pouco pelo jornal The New York Times. O link está no blog. O avião explodiu e pegou fogo no ar. Isso só seria possível se um terrorista explodisse uma bomba dentro do avião ou se fosse atingido por um míssil. 

A versão inicial do Irã sugeria um problema mecânico. Depois de cinco minutos de voo, a avião estaria voltando ao aeroporto internacional Aiatolá Khomeini. Até agora, o Irã se nega a entregar as caixas-pretas da aeronave aos EUA e à Boeing.

O Boeing 737-800 é um dos aviões mais seguros da história da aviação, apesar dos problemas que tiraram do ar a última versão, o Boeing 737-800 MAX. Era novo, tinha meses de uso e acabara de passar por uma revisão. Foi uma tragédia repetida. Meu comentário:
O Irã nega qualquer responsabilidade pela queda do avião.