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quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

EUA e China assinam acordo que dá uma trégua na guerra comercial

As duas maiores economias do mundo assinam hoje um primeiro acordo para dar uma trégua na guerra comercial que reduziu o crescimento mundial no ano passado em cerca de um ponto percentual. Mas as diferenças estão longe de ser totalmente resolvidas.

Faz três anos que o presidente Donald Trump chegou ao poder determinado a reduzir o déficit comercial dos Estados Unidos, especialmente com a China, na base de tuitaços e tarifaços. Hoje o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, assina o acordo na Casa Branca. Trump deve participar da cerimônia, informou o jornal inglês Financial Times.

Neste acordo preliminar, a China se compromete a comprar US$ 200 bilhões dos EUA em dois anos. De acordo com o jornal South China Morning Post, de Hong Kong, serão US$ 75 bilhões em produtos manufaturados, US$ 50 bilhões em carvão, petróleo e derivados, US$ 40 bilhões em produtos agrícolas e US$ 35 bilhões em serviços.

Em troca, os EUA vão suspender parte dos tarifaços anunciados e em vigor, mas não mexer na alíquota de 25% aplicada a produtos importados da China num valor anual de US$ 250 bilhões. Ficam de fora os subsídios do governo chinês a suas empresas, base de sua política industrial para se tornar a maior economia do mundo, e a espionagem cibernética.

A China prometeu ainda aumentar a proteção à propriedade intelectual, abrir seu setor financeiro a empresas estrangeiras e não desvalorizar a moeda para baratear seus produtos, tornando-os mais competitivos no mercado internacional.

Como parte do acordo, em 13 de janeiro, o Departamento do Tesouro dos EUA tirou a China da lista negra de países que manipulam o câmbio com as desvalorizações competitivas.

Para o jornal The Wall Street Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova York, serão necessários anos para avaliar as consequências da guerra comercial de Trump. Nos EUA, os maiores prejuízos foram os produtores rurais, uma importante base política do Partido Republico. O presidente deu uma ajuda de US$ 28 bilhões ao setor.

As relações comerciais entre os dois países caíram muito no ano passado. As exportações da China para os EUA caíram 13% e as importações chinesas 21%. Os EUA passaram a ser o terceiro maior parceiro comercial da China, depois da União Europeia e da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean). O saldo comercial chinês com os EUA baixou em 8,5% para US$ 295,8 bilhões.

O conflito, que abalou os mercados financeiros desde março de 2018, pode terminar, pelo menos nesta primeira fase, com a indiferença geral. As bolsas de valores estão hoje de olho na crise entre EUA e Irã e seu impacto para a economia mundial.

Mas o acordo entre os EUA e a China é apenas uma trégua na competição estratégica, econômica, científica, tecnológica e militar, que deve se estender pelas próximas décadas como o principal elemento estruturante das relações internacionais do século 21.

O Brasil ganhou com a guerra comercial por causa do aumento das importações chinesas de produtos agrícola. Agora, o acordo pode criar um desvio de comércio, com prejuízo para os produtores rurais brasileiros.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Trump é um aliado inconfiável para o Brasil e o resto do mundo

Sob pressão de um processo de impeachment com inquérito em andamento na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos e de baixa cotação nas pesquisas de opinião sobre a eleição presidencial de 2020, o presidente Donald Trump aumenta a agressividade do discurso e atira para vários lados, abrindo novas frentes em suas guerras comerciais. Mais uma vez, despreza aliados e aprofunda o protecionismo e o isolacionismo de uma superpotência em declínio.

Desde a campanha eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro revelou a intenção de adotar uma política externa de alinhamento automático não com os EUA, mas com o governo Donald Trump.

O Brasil acabou com a exigência de visto para americanos e cidadãos de outros países ricos e abriu mão das preferências comerciais que tinha na Organização Mundial do Comércio, a OMC, como país em desenvolvimento.

Em troca, esperava o apoio dos Estados Unidos para ingressar na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, a OCDE, um clube de países ricos e em desenvolvimento. Mas, em agosto, os Estados Unidos apoiaram a entrada da Argentina e da Romênia.

O Brasil também autorizou o uso da base espacial de Alcântara pelos americanos para lançamento de foguetes e satélites. Em setembro, o Brasil aumentou a cota de importação de álcool combustível dos Estados Unidos sem cobrar a tarifa de importação de 20 por cento. Em troca, queria que os americanos comprassem mais açúcar brasileiro, mas a contrapartida não aconteceu. Meu comentário:

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

EUA acusam China de manipular o câmbio

A guerra comercial corre o risco de degenerar numa guerra cambial. O Tesouro dos Estados Unidos acusou hoje à noite o governo chinês de manipular o yuan, depois que o Banco Popular da China deixou a moeda cair abaixo de sete por dólar. 

O Tesouro argumentou que a China tem "uma longa história de permitir a desvalorização da moeda" através da intervenção estatal no mercado. "Nos últimos dias, a China deu passos concretos para desvalorizar sua moeda, enquanto mantém reservas cambiais substanciais, embora tenha feito uso ativo destes instrumentos no passado."

Horas antes, o presidente Donald Trump apontou a desvalorização do yuan como uma forma de criar uma vantagem no comércio ao tornar os produtos chineses mais baratos no mercado internacional. Os economistas chamam isso de desvalorização competitiva.

A pressão de Trump sobre o Conselho da Reserva Federal (Fed), a diretoria do banco central americano, para reduzir ainda mais a taxa básica de juros visava a desvalorizar o dólar e estimular a economia para neutralizar o impacto da guerra comercial com a China.

Se os países começam a proteger seu mercado com tarifaços, é uma guerra comercial. Se manipulam as taxas de câmbio, é uma guerra cambial. Quando travadas pelas maiores economias do mundo, podem ter consequências desastrosas para a economia internacional.

Parte da reação da China ao tarifaço de 10% sobre US$ 300 bilhões em importações anuais anunciado por Trump na sexta-feira passada, o yuan caiu 1,9%, sendo cotado a 7,1087 no centro financeiro de Hong Kong.

"A designação pelo Tesouro dos EUA da China como manipuladora do câmbio é um sinal de que a guerra comercial está se expandindo para uma guerra econômica aberta e total", comentou Eswar Prasad, especialista no sistema financeiro da China na Universidade Cornell, nos EUA.

Depois da trégua anunciada em Osaka, no Japão, durante a reunião do Grupo dos 20, pelo presidente Trump e o ditador Xi Jinping, havia esperança de um acordo entre EUA e China para evitar o agravamento do conflito. Mas não houve avanço no encontro de Xangai, na semana passada, e Trump anunciou o novo tarifaço.

A China tem US$ 1 trilhão em títulos do Tesouro dos EUA em suas reservas cambiais. Em caso de um conflito extremo, poderia usar mais esta arma.

O mercado financeiro sentiu o impacto da escalada na guerra comercial entre EUA e China. A Bolsa de Valores de Nova York caiu 1,9% antes do anúncio do Tesouro nesta noite acusam Beijim de manipular o câmbio.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

China reduz taxa de crescimento de 2014

Em mais um sinal de desaceleração da economia capaz de abalar os mercados financeiros do mundo inteiro, a China reduziu hoje de 7,4% para 7,3% seu índice oficial de crescimento no ano passado. Foi a menor taxa desde 1990, quando o país estava sob o impacto do boicote causado pelo Massacre na Praça da Paz Celestial, em 1989.

Para 2015, a China, segunda maior economia do mundo, com produto interno bruto de cerca de US$ 10 trilhões, fixou a meta oficial de crescimento em 7%.

Oficialmente o regime comunista chinês insiste que está dentro da meta. Mas as desvalorizações da moeda, os cortes nas taxas básicas de juros e a redução das exigências de depósitos compulsórios dos bancos no banco central revelam uma clara preocupação de acelerar o crescimento.

Com razão, os economistas suspeitam que o governo chinês não esteja dizendo toda a verdade. Esta incerteza tem um impacto negativo ainda maior. A diferença de 0,1 ponto percentual representa pouco para a economia chinesa, mas indica que o governo luta para se manter dentro da meta de crescimento, que no ano passado era de 7,5%, e aumenta a suspeita de manipulação das estatísticas oficiais.

Nas últimas semanas, o risco de uma aterrissagem forçada da China derrubou os mercados internacionais, com fortes impactos sobre mercados emergentes -  ou seria mais adequado dizer submergentes? - como o Brasil.

Para sustentar o mercado e não desapontar ainda mais os investidores chineses, o regime comunista gastou bilhões comprando ações. Como sua legitimidade vem do crescimento, o Partido Comunista teme que seu monopólio de poder seja contestado se a crise econômica se agravar.

A China já é uma superpotência econômica, mas, mais cedo ou mais tarde, a crise virá e a reação do regime, cada vez mais poderoso militarmente e agressivo com os vizinhos, é um enigma para os analistas políticos e econômicos.

domingo, 23 de agosto de 2015

Banco central da China vai aumentar liquidez do sistema financeiro

O Banco Popular da China (BPC) vai "inundar o sistema bancário do país com liquidez para incentivar a concessão de empréstimos", noticiou hoje o jornal americano The Wall Street Journal, observando que a desvalorização da moeda chinesa, o iuane, poderia levar a uma fuga de capital do país.

A decisão de reduzir o percentual do depósito compulsório que os bancos precisam manter no banco central como reserva indica que a desvalorização das últimas duas semanas não foi suficiente para acelerar a atividade econômica.

Ainda em agosto de 2015, ou talvez no início de setembro, o BPC deve reduzir a exigência de reservas em meio ponto percentual, liberando 678 bilhões de iuanes (US$ 106,2 bilhões ou R$ 371,7 bilhões) para empréstimos pelos bancos.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

China deixa iuane cair mais 1% e e suscita suspeitas de fraqueza

Depois de cair 3,5% em dois dias, a moeda da China perdeu mais 1% nesta quinta-feira aumentando a suspeita de que as autoridades possam estar escondendo problemas muito maiores. Desde ontem, o jornal The New York Times avalia o impacto do câmbio sobre a sociedade chinesa como um todo.

É o maior tombo da moeda chinesa em pouco mais de 20. Em 1993 e 1994, o iuane foi desvalorizado para aumentar a competitividade internacional dos produtos chineses.

O maior risco é que a baixa no valor da moeda da segunda maior economia deflagre uma guerra cambial com novas rodadas de desvalorização ecoando pelo globo.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Banco central chinês intervém para conter queda do iuane em 2%

O Banco Popular da China entrou hoje no mercado de câmbio para manter a desvalorização da moeda dentro do limite de 2% adotado pelas autoridades monetárias do país. 

No fechamento, o iuane foi cotado a 6,45 por dólar, o menor valor em quatro anos, com queda de 1,6%. Em dois dias, caiu 3,5% diante do dólar, mas hoje subiu em relação ao euro.

Ao anunciar a desvalorização, na terça-feira, o banco central chinês prometeu passar a orientar a flutuação da moeda de acordo com a tendência do mercado. A medida levou o mercado a vendar mais iuanes.

Sob orientação do BPC, conhecido popularmente como Mãezona, os bancos estatais passaram a vender dólares para conter a queda dentro da banda de flutuação adotada oficialmente. Se a moeda chinesa cair muito, pode haver uma fuga de capitais dificultando o pagamento de dívidas em dólar por empresas.

A desvalorização do iuane também deve aumentar a pressão dos Estados Unidos, onde a China é acusada de manter a moeda articialmente subvalorizada para aumentar a competitividade das exportações.

Toda a engenharia financeira do milagre econômico chinês foi baseada em moeda fraca, juros baixos e mão de obra barata para atrair capital estrangeiro.

A desvalorização competitiva, em meio a uma desaceleração do crescimento e à tentativa de passar de uma economia baseada em investimento para uma baseada em consumo, significa que o Partido Comunista ainda confia nas exportações para manter a estabilidade econômica, política e social.