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terça-feira, 24 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 24 de Março

 NAT KING COLE EM PRIMEIRO

    Em 1945, a revista norte-americana Billboard lança sua lista de álbuns mais vendidos e o cantor e pianista Nat King Cole é o primeiro a ficar em primeiro lugar.

Cole nasce em 17 de março de 1919 em Montgomery, no estado do Alabama, e cresce em Chicago. Aos 12 anos, toca órgão e canta na igreja onde o pai é pastor. Cinco anos depois, ele cria seu primeiro grupo de jazz.

Em 1937, começa a tocar em grupo de jazz de Los Angeles. Logo, forma o Nat King Cole Trio. A popularidade de Cole o torna o primeiro negro norte-americano a apresentar um programa de televisão. 

O Nat King Cole Show estreia na rede NBC em 1956, mas é cancelado um ano depois por falta de patrocinadores porque as empresas não querem associar suas marcas a um negro. O racismo da época o impede de ter um sucesso ainda maior, mas não evita que trabalhe em vários filmes de Hollywood.

GUERRA SUJA ARGENTINA

    Em 1976, um golpe militar derruba a presidente María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, viúva de Juan Domingo Perón, e dá início ao "Processo de Reorganização Nacional", uma guerra suja contra a esquerda na Argentina que mata um total de mais de 8,9 mil pessoas.

A primeira junta militar é formada pelo general Jorge Rafael Videla, comandante do Exército; almirante Emilio Eduardo Massera, comandante da Marinha; e general-brigadeiro Orlando Ramón Agosti, comandante da Força Aérea. A desculpa para a repressão é o combate à guerrilha.

Depois da morte de Perón por causas naturais em 1º de julho de 1974, ele é sucedido por Isabelita, que não tem o carisma nem o talento político de sua segunda mulher, María Eva Duarte de Perón, a Evita.

Fraca politicamente, Isabelita é assessorada por um grupo de assessores militares que lança, em 5 de fevereiro de 1975, a Operação Independência, de combate às guerrilhas esquerdistas. Eles dividem o país em cinco regiões militares e dão autonomia aos comandantes para desencadear a repressão e eliminar os guerrilheiros.

A repressão vai muito além dos guerrilheiros. Tenta eliminar toda uma corrente de pensamento, num politicídio, com prisões ilegais, sequestros, desaparecimento de pessoas e execuções sumárias, inclusive os voos da morte, em que opositores são drogados e jogados no mar.

Pela Escola de Mecânica da Armada (ESMA), o principal centro de detenção e tortura, passam 5 mil pessoas que são mortas. Cerca de 500 bebês filhos de presos assassinados são sequestrados e adotados por famílias ligadas ao regime.

Em 30 de abril de 1977, Azucena Villaflor e outras mães de desaparecidos protestam na Plaza de Mayo, diante da Casa Rosada, a sede do governo. Nasce o movimento das Mães da Praça de Maio, que dá origem ao movimento das Avós da Praça de Maio, que consegue recuperar mais de 130 netos.

A ditadura sanguinária começa a cair em 2 de abril de 1982, quando o general-presidente Leopoldo Fortunato Galtieri, que dera um golpe dentro do golpe, manda invadir as Ilhas Malvinas, possessão do Império Britânico, que as chama de Falklands.

O general delinquente não imagina que a primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, envie uma força-tarefa que derrota e humilha os militares argentinos. Eles massacram seu próprio povo, mas fracassam em sua aventura militar.

Depois de 10 semanas e das mortes de 649 argentinos e 258 britânicos (3 civis), a Argentina se rende em 14 de junho. Os militares continuam no poder até 10 de dezembro de 1983, quando entregam o poder ao presidente democraticamente eleito Raúl Alfonsín (1983-89).

Alfonsín manda investigar o desaparecimento de pessoas e o relatório enviado à Justiça serve de ponto de partida para o Julgamento das Juntas, dos nove comandantes das três juntas militares que governaram a Argentina depois do golpe, concluído em 1985.

Sob a pressão de revoltas de militares de baixo escalão, o governo Alfonsín cede e aprova as leis Ponto Final e de Obediência Devida, para julgar somente as juntas pelos crimes da ditadura. Em 8 de outubro de 1989, assume o presidente Carlos Menem (1989-99), que indulta os comandantes no fim de dezembro de 1990.

Em 2003, no governo Néstor Kirchner (2003-7), as leis que acabam com os processos e os indultos são anulados e as investigações reabertas. Desde então, mais de 1,7 mil repressores são condenados.

No 50º aniversário do golpe, o presidente neofascista Javier Milei tenta apagar a memória e responsabilizar os guerrilheiros de esquerda pela guerra suja argentina. Pode dar indulto a repressores.

ARCEBISPO ASSASSINADO

    Em 1980, Dom Óscar Romero, arcebispo de San Salvador, um crítico das violações dos direitos humanos pela ditadura e os grupos paramilitares de El Salvador durante a guerra civil contra a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), é assassinado durante a missa de domingo. Ele é canonizado em 2018.

Óscar Arnulfo Romero Galdámez é considerado conservador antes de ser nomeado arcebispo, em 1977, mas denuncia a ditadura do general Carlos Humberto Romero, que não tinha relação de parentesco com ele, e se nega a apoiar a junta militar que substitui o general deposto.

Sua defesa dos pobres, as grandes vítimas da violência política, provoca ameaças de morte. Sua defesa dos direitos humanos vale a indicação de deputados dos Estados Unidos e do Reino Unido ao Prêmio Nobel da Paz de 1979.

Depois do fim da Guerra Civil Salvadorenha (1979-92), a Comissão da Verdade de El Salvador conclui que Dom Romero foi morto por um esquadrão da morte liderado pelo ex-major Roberto D'Aubuisson.

PETRÓLEO NO MAR DO ALASCA

    Em 1989, o navio-tanque Exxon Valdez, da companhia petrolífera Exxon, bate num recife na Enseada Príncipe William, no sul do estado do Alasca, e derrama 41,6 milhões de litros de petróleo no mar, no pior acidente da indústria petrolífera na história dos Estados Unidos.

As tentativas de conter o vazamento são inúteis. O petróleo bruto se espalha até uma distância de 160 quilômetros, poluindo mais de 1,1 mil km de costa e matando milhares de aves e mamíferos.

Mais tarde, sabe-se que o capitão Joseph Hazelwood está bebendo na hora do acidente e manda um marinheiro sem qualificação pilotar o petroleiro. 

Em março de 1990, ele é condenado por contravenção penal a mil horas de trabalho comunitário e multa de US$ 50 mil. A pena é anulada em julho de 1992 com base numa lei federal que livra de processo quem relatar um vazamento de petróleo.

O Serviço Nacional de Segurança dos Transportes dos EUA impõe à Exxon uma multa de US$ 100 milhões e US$ 1 bilhão a serem pagos em 10 anos para despoluir o meio ambiente. A Exxon e o estado do Alasca rejeitam o acordo e a questão é encerrada com o pagamento pela empresa de apenas US$ 25 milhões.

GUERRA DO KOSSOVO

    Em 1999, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) inicia uma campanha de bombardeios aéreos de 78 dias contra a Iugoslávia, reduzida a Sérvia e Montenegro, e a posições militares sérvias que perseguem a maioria de origem albanesa na província do Kossovo.

A região ocupa um lugar especial da história da Sérvia. Na Batalha do Kossovo, em 15 de junho de 1389, o Império Otomano derrota o rei Lazar e conquista a Sérvia, que só recupera a independência em 1867. Quando retoma o Kossovo, em 1913, a província é povoada por albaneses.

Em 1974, o ditador da Iugoslávia, Josip Broz Tito, dá autonomia ao Kossovo dentro da Sérvia. Com a morte de Tito, em 1980, e o declínio da ideologia comunista, em 1987, Slobodan Milosevic é eleito líder da Liga Comunista da Sérvia com a promessa de restaurar o controle sobre o Kossovo.

Eleito presidente da Sérvia em 1989, Milosevic acaba com a autonomia do Kossovo em 1990. Com o renascimento do nacionalismo sérvio, a Croácia e a Eslovênia declaram independência em 1991. O Exército Federal da Iugoslávia intervém. A guerra da Eslovênia acaba logo, mas a da Croácia se arrasta por anos.

Em 1992, a independência da Bósnia-Herzegovina deflagra a pior das guerras que dividem a Iugoslávia, que dura mais de três anos e mata mais de 100 mil pessoas. A Iugoslávia fica reduzida a Sérvia e Montenegro.

O Exército de Libertação do Kossovo nasce em 1996 para lutar contra a dominação sérvia. Chega a controlar a metade da província quando a Sérvia reage e inicia uma campanha de purificação étnica que leva à intervenção da OTAN, a aliança militar liderada pelos EUA, que não perde nenhum soldado em combate durante a campanha aérea.

Milosevic cai em 5 de outubro de 2000 numa revolta popular na Sérvia. É preso e entregue ao Tribunal Penal Internacional para Crimes de Guerra na Antiga Iugoslávia. Morre em 11 de março de 2006, antes do fim do processo em que era acusados de mais de 60 crimes de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

GENOCIDA DA BÓSNIA

    Em 2016, o Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia, com sede em Haia, na Holanda, condena a 40 anos de prisão por crimes de guerra, inclusive genocídio, o psiquiatra Radovan Karadzic, líder da autoproclamada República Sérvia durante a Guerra da Independência da Bósnia-Herzegovina (1992-95). Em 2019, a pena é ampliada para prisão perpétua.

A Bósnia tem a população mais dividida religiosa etnicamente da antiga Iugoslávia: 44% bósnios muçulmanos; 31% sérvios, que são cristãos ortodoxos; e 16% croatas, que são católicos. 

Com o apoio do presidente da Sérvia, Slobodan Milosevic, do Exército Federal da Iugoslávia e do comandante militar sérvio-bósnio, general Ratko Mladic, os sérvios cercam Sarajevo, a capital do país, e fazem uma campanha de "limpeza étnica" para expulsar quem não é sérvio das áreas sob seu controle.

Em 1995, o tribunal o acusa crimes guerra e crimes contra a vida, inclusive genocídio, assassinato, tortura, estupro e limpeza étnica. O caso mais notório foi o Massacre de Srebrenica, de 11 a 25 de julho de 1995, quando pelo menos 8.373 bósnios muçulmanos, toda a população masculina adulta da cidade, morre.

Karadzic foge para a Sérvia depois da guerra e trabalha numa clínica de medicina alternativa em Belgrado até ser preso em julho de 2008 e enviado ao tribunal de Haia.

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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 17 de Fevereiro

JEFFERSON ELEITO PELA CÂMARA

    Em 1801, depois de um empate no Colégio Eleitoral, a Câmara dos Representantes elege Thomas Jefferson presidente dos Estados Unidos.

Jefferson nasce em 2 de abril (13 de abril pelo calendário atual) de 1743 em Shadwell, na colônia da Virgínia. Ele estuda grego e latim na adolescência e entra no College of William & Mary, em Williamburgo. Obsessivo, passa 15 horas por dia lendo livros e outras três horas tocando violino.

Principal autor da Declaração de Independência, ele é o primeiro secretário de Estado (1789-94), o segundo vice-presidente (1797-1801) e o terceiro presidente dos EUA (1801-9). Defede a separação total entre Igreja e Estado. 

Grande defensor da liberdade individual para ideia central da Revolução Americana, o que lhe valeu a alcunha de "apóstolo da liberdade", é importante na redação da Constituição dos EUA e das dez primeiras emendas, consideradas a declaração de direitos do país.

Durante seu governo, em 1803, os EUA compram por US$ 15 milhões a Louisiana da França de Napoleão Bonaparte, um território de mais de 2 milhões de quilômetros quadrados ao longo do Vale do Rio Mississípi, dobrando o tamanho do território na época, antes da vitória sobre o México na Guerra Mexicano-Americana (1846-48) e da Marcha para o Oeste

Sua reputação é abalada por ter escravos e ter a convicção de que os EUA deveriam ser governados por homens brancos. Em 1998, um exame de DNA comprova que teve um filho com Sally Hemings, uma escravizada de quem era dono. 

BOMBA H BRITÂNICA

    Em 1955, em plena Guerra Fria, o ministro da Defesa do Reino Unido, Harold Macmillan, futuro primeiro-ministro, anuncia a decisão de fazer a bomba atômica de hidrogênio.

A bomba H é mil vezes mais poderosa do que as bombas de urânio e plutônio jogadas pelos Estados Unidos em Hiroxima e Nagasáki, no Japão, no fim da Segunda Guerra Mundial, em 6 e 9 de agosto de 1945.

Em 29 de agosto de 1949, a União Soviética explode a bomba atômica. Na corrida armamentista nuclear da Guerra Fria, isso leva os EUA a investir na bomba H. Washington explode sua primeira bomba H em 1º de novembro de 1952.

O Reino Unido detona sua bomba atômica em 3 de outubro de 1952, tornando-se a terceira potência nuclear. Macmillan toma a decisão de fazer a bomba H antes da URSS testar sua bomba de hidrogênio, em 22 de novembro de 1955. 

A primeira bomba H britânica é detonada em 15 de maio de 1957. A França e a China também têm bombas de hidrogênio.

CHINA INVADE O VIETNÃ

    Em 1979, pouco menos de dois meses depois da invasão do Vietnã ao Camboja para derrubar o regime genocida do Khmer Vermelho, aliado de Beijim, o Exército Popular de Libertação da China invade o Vietnã, aliado da União Soviética, na primeira guerra aberta entre países comunistas.

As duas grandes potências comunistas, a China e a URSS, apoiam o Vietnã do Norte na guerra contra os Estados Unidos (1964-73) durante a Guerra Fria. Duas semanas antes do fim da Guerra do Vietnã com a queda de Saigon em 30 abril de 1975, o Khmer Vermelho toma o poder no Camboja e instaura seu reino do terror, com apoio chinês.

Diante da rivalidade entre China e URSS, o Vietnã unificado fortalece as relações com os soviéticos. A invasão do Camboja, no Natal de 1978, e a queda do ditador Pol Pot, em 9 de janeiro de 1979, levam à invasão chinesa.

Depois de nove dias de intensos combates, a invasão é repelida. A Guerra Sino-Vietnamita termina em 16 de março, mas as escaramuças na fronteira continuam até os anos 1980. O Vietnã vence porque a China se retira e o Vietnã mantém a ocupação do Camboja.

INDEPENDÊNCIA DO KOSSOVO

    Em 2008, a região do Kossovo declara independência da Sérvia, mas muitos países não a reconhecem até hoje. A Corte Internacional de Justiça decide que o Kossovo não violou o direito internacional.

Ao todo, 114 países reconhecem a independência do Kossovo, entre eles Estados Unidos e a maioria dos países da União Europeia, mas não a Rússia. Até hoje o Kossovo não faz parte das Nações Unidas por causa do veto da Rússia.

O Kossovo, onde a maioria da população tem origem albanesa, tinha o status de província autônoma da Sérvia dentro da Iugoslávia. Com o declínio do comunismo como ideologia, o líder sérvio Slobodan Milosevic apela para o nacionalismo sérvio para se manter no poder. Em 1987, faz um discurso em Pristina, a capital do Kossovo, dizendo que os sérvios nunca mais serão humilhados na sua própria terra.

É a senha para destampar os nacionalismos ferozes dos bálcãs. Em 1991, a Croácia e a Eslovênia declaram independência. A Sérvia, que domina o Exército Federal da Iugoslávia, não aceita e vai à guerra. Em 1992, a Bósnia-Herzegovina declara independência. É o início da mais brutal das guerras que dividem a Iugoslávia, com mais de 100 mil mortes em três anos, cerco de Sarajevo, massacres e campos de concentração como a Europa não via desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Em 1995, os acordos de Dayton, nos EUA, fazem a paz entre Bósnia, Croácia e Sérvia. No ano seguinte, Milosevic assenta 16 mil refugiados sérvios da Bósnia e da Croácia no Kossovo, muitos contra a vontade.

Diante da discriminação e da repressão contra a maioria albanesa, em 28 de fevereiro de 1998, começa a guerra entre a Sérvia e os rebeldes do Exército de Libertação do Kossovo. Em resposta aos massacres cometidos pelas forças de Milosevic, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) entra na guerra em 24 de março de 1999 com bombardeios aéreos maciços. A Sérvia se rende em 11 de junho, depois de 78 dias de ataques aéreos da OTAN. 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Trump ataca democracia e destrói ordem mundial

Em um ano de desgoverno, com ataques sem precedentes às instituições nacionais e internacionais, o presidente Donald Trump desafiou a democracia nos Estados Unidos e bombardeou a ordem internacional liberal, o sistema multilateral de comércio e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), considera a aliança militar mais bem-sucedida da história.

Do perdão a mais de 1,5 mil criminosos que participaram do assalto ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021 numa tentativa de golpe de Estado ao envio de tropas federais e da polícia de imigração para aterrorizar imigrantes e às ameaças de anexar o Canadá, ocupar a Groenlândia e retomar o Canal do Panamá, Trump extrapolou todos os limites do poder presidencial.

Além de hostilizar aliados históricos que ampliam o poder dos EUA no mundo, Trump declarou uma guerra comercial contra todos, inclusive ilhas habitadas apenas por focas e penguins. A China, a principal inimiga, resistiu e teve um saldo comercial recorde de US$ 1,2 trilhão.

Trump alega que merece o Prêmio Nobel da Paz por ter acabado com oito guerras. Até agora, só num caso chegou a um acordo capaz de levar a uma paz duradoura. Infantil emocionalmente, escreveu ao primeiro-ministro da Noruega para dizer que não pensa mais só na paz porque não ganhou o prêmio. É uma desgraça para os EUA e para o mundo.

Depois da gravação, Trump anunciou um acordo negociado pelo secretário-geral da OTAN para que os EUA tenham mais bases militares na Groenlândia. Já tiveram 17 durante a Guerra Fria, com base num tratado firmado em 1951 com a Dinamarca. Com o fim da União Soviética, deixaram só uma.

As empresas norte-americanas podem negociar acordos de exploração dos recursos naturais. Assim, não existe a menor necessidade de que os EUA tenham soberania para garantir a segurança nacional e o acesso aos recursos.

O que Trump quer mesmo é entrar para a história como um presidente que ampliou o território dos EUA como os czares russos Ivã o Terrível, Pedro o Grande, Catarina a Grande e o ditador soviético Josef Stalin, ídolos de seu amigo Vladimir Putin, numa volta ao imperialismo do século 19.

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terça-feira, 26 de agosto de 2025

Putin ainda aposta em vitória total na Ucrânia

 Dez dias depois do fracassado encontro de cúpula em que tirou o ditador Vladimir Putin do isolamento, o presidente Donald Trump deu novo prazo de duas semanas para a Rússia aceitar um cessar-fogo e acabar com a guerra de agressão contra a Ucrânia. Mas nada indica que vá exercer uma pressão real sobre o Kremlin.

Trump saiu do encontro com Putin dizendo que o ditador russo estava disposto a se reunir com o presidente Volodymyr Zelensky e a aceitar que países ocidentais deem garantias de segurança à Ucrânia. Isso foi desmentido pelo ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov.

A Ucrânia, por sua vez, reafirmou que não pretende ceder territórios ocupados numa guerra de agressão e de conquista, ilegal à luz do direito internacional e da Carta das Nações Unidas.

Putin é frio e calculista. Aposta que a Ucrânia não vai resistir muito mais tempo a uma guerra de atrito. Só aceita a paz se conseguir mais do que conquistou no campo de batalha, abrindo o caminho para uma futura ofensiva que lhe permite tomar todo o país vizinho. Caso contrário, só vai parar a guerra se concluir que tem mais a perder do que a ganhar.

sexta-feira, 4 de abril de 2025

Hoje na História do Mundo: 4 de Abril

 FUNDAÇÃO DA OTAN

    Em 1949, em resposta ao Bloqueio de Berlim Ocidental decretado pelo ditador soviético Josef Stalin em 1948, os Estados Unidos, a Bélgica, o Canadá, a Dinamarca, a França, a Holanda, a Islândia, a Itália, a Noruega, Portugal e o Reino Unido assinam o Tratado de Washington, que cria a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

A OTAN se apresenta como uma aliança defensiva com o objetivo de impedir o expansionismo soviético na Europa. Sua regra básica está no art. 5, que considera que um ataque contra é um ataque contra todos.

Com o fim da Guerra Fria e a dissolução da União Soviética e do Pacto de Varsóvia, a aliança militar do Bloco Soviético, a OTAN fica sem inimigo, mas recebe a adesão de vários países da Europa Oriental temerosos da Rússia.

Em 27 de maio de 1997, a Rússia passa a fazer parte de um conselho conjunto com a OTAN. As relações começam a se deteriorar depois das revoluções coloridas, a Revolução Rosa em 2003 na Geórgia e a Revolução Laranja em 2004-5 na Ucrânia, em que o ditador russo, Vladimir Putin vê influência do Ocidente.

Depois da anexação ilegal da Crimea pela Rússia, em 1º de abril de 2014, a OTAN suspende a cooperação com a Rússia. A invasão da Ucrânia, em 2022, leva a Finlândia e a Suécia, historicamente neutras, a entrar para a OTAN, que tem hoje 32 países, e mostra que os antigos países do Bloco Soviético tinham razão ao entrar para a aliança atlântica.

LUTHER KING ASSASSINADO

    Em 1968, James Earl Ray mata a tiros num hotel em Memphis, no Tennessee, o reverendo Martin Luther King Jr., o principal líder da luta pacífica pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos.

Além da luta por direitos iguais, o Dr. King manifesta uma preocupação com a miséria e a desigualdade social nos EUA. Ele organiza a Marcha sobre Washington por Empregos e Liberdade, que reúne 250 mil pessoas diante do Memorial de Lincoln, em 28 de agosto de 1963, quando faz o famoso discurso Eu Tenho um Sonho, e cria a Campanha pelos Pobres, em 1968, planejando nova marcha sobre Washington.

O líder negro vai a Memphis apoiar uma greve de trabalhadores do setor de limpeza pública. Em 28 de março de 1968, lidera uma marcha que termina em choque com a polícia e a morte de um adolescente negro. 

Luther King deixa a cidade, mas volta no início de abril para liderar outra manifestação. Em 3 de abril, faz seu último discurso: "Vamos ter dias difíceis à frente. Mas isto não me preocupa porque eu estive no alto da montanha... Ele [Deus] me deixou subir a montanha. Eu olhei e vi a Terra Prometida. Posso não chegar lá com vocês. Mas quero que vocês saibam nesta noite que nós, como um povo, vamos chegar à Terra Prometida."

King está na sacada do quarto 306 do Motel Lorraine quando é baleado, às 18h01. Sua morte provocou uma explosão de violência em grandes cidades como Los Angeles, Chicago, Baltimore e Washington. Mahalia Jackson, grande amiga do pastor, canta Take my Hand, Precious Lord no funeral.

Na noite do assassinato, a polícia encontra uma espingarda de caça caída na rua a uma quadra do Motel Lorraine. Testemunhas e as impressões digitais revelam a identidade do assassino. 

Ray, condenado por assalto à mão armada, foge da prisão em abril de 1967. Um ano depois, mata o Dr. King. Logo, começa uma caçada ao assassino. O FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, descobre que ele tirou um passaporte canadense,

Em 8 de junho, a polícia britânica Scotland Yard prende Ray no Aeroporto de Heathrow, em Londres, quando ele tenta chegar a Bélgica para ir para a Rodésia, hoje Zimbábue, na época dominada por um regime segregacionista da minoria branca semelhante ao apartheid da África do Sul.

Extraditado para os EUA, Ray confessa o crime para não ser condenado à morte na cadeira elétrica. Pega uma pena de 99 anos de prisão. Depois, nega e afirma ter sido alvo de uma armação. A família King também duvida da versão oficial porque Luther King era vigiado constantemente pelos serviços secretos. Mas nenhum inquérito chegou a uma conclusão diferente: Ray matou o grande líder negro porque era racista. 

 PAZ EM ANGOLA

    Em 2002, depois de 27 anos de guerra civil desde a independência, o governo do Movimento Popular de Libertação da Angola (MPLA) assina um acordo de paz com a União Nacional pela Independência Total de Angola (UNITA).

Angola conquista a independência em 1975, um ano depois da queda da ditadura salazarista em Portugal, a potência colonial, no fim de uma guerra de 14 anos, sob a égide do MPLA, um grupo guerrilheiro marxista-leninista. A Frente Nacional de Libertação de Angola (FPLA) e a UNITA formam um governo paralelo em Huambo e pedem a ajuda da África do Sul para derrubar o regime comunista.

O governo recebe ajuda militar de Cuba, que envia 40 a 50 mil soldados e repele a invasão sul-africana. A FNLA foge para o exílio. A partir de 1985, a UNITA começa a receber ajuda dos EUA. A África do Sul também apoia a UNITA, enquanto o MPLA ajuda a guerrilha contra a ocupação sul-africana da África do Sudoeste, hoje Namíbia.

Em 1988, a África do Sul decide dar independência à Namíbia, o que fortalece o MPLA. Cuba concorda em se retirar de Angola até 1991. O MPLA negocia com a UNITA e são realizadas eleições em 1992. O governo vence, mas a UNITA consegue uma boa votação, denuncia fraude e volta à luta armada. 

No fim de 1992, a UNITA controla dois terços de Angola. Em 1993, os EUA e a África do Sul reconhecem a independência de Angola. O Acordo de Lusaka, de 20 de novembro de 1994, integra a UNITA ao governo. Em agosto de 1996, seu líder, Jonas Savimbi, aceita o título de líder da oposição.

A guerra civil na República Democrática do Congo complica a situação. A UNITA apoia o ditador Joseph Mobutu, que mudara o nome do país para Zaire em 1971, enquanto o MPLA  fica do lado dos rebeldes liderados por Laurent Kabila.

As hostilidades recomeçam. Com a morte de Savimbi pelas forças governistas, em fevereiro de 2002, a UNITA volta a negociar a paz.

segunda-feira, 24 de março de 2025

Hoje na História do Mundo: 24 de Março

NAT KING COLE EM PRIMEIRO

    Em 1945, a revista norte-americana Billboard lança sua lista de álbuns mais vendidos e o cantor e pianista Nat King Cole é o primeiro a ficar em primeiro lugar.

Cole nasce em 17 de março de 1919 em Montgomery, no estado do Alabama, e cresce em Chicago. Aos 12 anos, toca órgão e canta na igreja onde o pai é pastor. Cinco anos depois, ele cria seu primeiro grupo de jazz.

Em 1937, começa a tocar em grupo de jazz de Los Angeles. Logo, forma o Nat King Cole Trio. A popularidade de Cole o torna o primeiro negro norte-americano a apresentar um programa de televisão. 

O Nat King Cole Show estreia na rede NBC em 1956, mas é cancelado um ano depois por falta de patrocinadores porque as empresas não querem associar suas marcas a um negro. O racismo da época o impede de ter um sucesso ainda maior, mas não evita que trabalhe em vários filmes de Hollywood.

GUERRA SUJA ARGENTINA

    Em 1976, um golpe militar derruba a presidente María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, viúva de Juan Domingo Perón, e dá início ao "Processo de Reorganização Nacional", uma guerra suja contra a esquerda na Argentina que mata um total estimado de 30 mil pessoas.

A primeira junta militar é formada pelo general Jorge Rafael Videla, comandante do Exército; almirante Emilio Eduardo Massera, comandante da Marinha; e general-brigadeiro Orlando Ramón Agosti, comandante da Força Aérea. A desculpa para a repressão é o combate à guerrilha.

Depois da morte de Perón por causas naturais em 1º de julho de 1974, ele é sucedido por Isabelita, que não tem o carisma nem o talento político de sua segunda mulher María Eva Duarte de Perón, a Evita.

Fraca politicamente, Isabelita é assessorada por um grupo de assessores militares que lança, em 5 de fevereiro de 1975, a Operação Independência, de combate às guerrilhas esquerdistas. Eles dividem o país em cinco regiões militares e dão autonomia aos comandantes para desencadear a repressão e eliminar os guerrilheiros.

A repressão vai muito além dos guerrilheiros. Tenta eliminar toda uma corrente de pensamento, num politicídio, com prisões ilegais, sequestros, desaparecimento de pessoas e execuções sumárias, inclusive os voos da morte, em que opositores era drogados e jogados no mar.

Pela Escola de Mecânica da Armada (ESMA), o principal centro de detenção e tortura, passam 5 mil pessoas que são mortas. Cerca de 500 bebês filhos de presos assassinados são sequestrados e adotados por famílias ligadas ao regime.

Em 30 de abril de 1977, Azucena Villaflor e outras mães de desaparecidos protestam na Plaza de Mayo, diante da Casa Rosada, a sede do governo. Nasce o movimento das Mães da Praça de Maio, que dá origem ao movimento das Avós da Praça de Maio, que consegue recuperar mais de 130 netos.

A ditadura sanguinária começa a cair em 2 de abril de 1982, quando o general-presidente Leopoldo Fortunato Galtieri, que dera um golpe dentro do golpe, manda invadir as Ilhas Malvinas, possessão do Império Britânico, que as chama de Falklands.

O general delinquente não imagina que a primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, envie uma força-tarefa que derrota e humilha os militares argentinos. Eles massacram seu próprio povo, mas fracassam em sua aventura militar.

Depois de 10 semanas e das mortes de 649 argentinos e 258 britânicos (3 civis), a Argentina se rende em 14 de junho. Os militares continuam no poder até 10 de dezembro de 1983, quando entregam o poder ao presidente Raúl Alfonsín (1983-89).

Alfonsín manda investigar o desaparecimento de pessoas e o relatório enviado à Justiça serve de ponto de partida para o Julgamento das Juntas, dos nove comandantes das três juntas militares que governaram a Argentina depois do golpe, concluído em 1985.

Sob a pressão de revoltas de militares de baixo escalão, o governo Alfonsín cede e aprova as leis Ponto Final e de Obediência Devida, para julgar somente as juntas pelos crimes da ditadura. Em 8 de outubro de 1989, assume o presidente Carlos Menem (1989-99), que indulta os comandantes no fim de dezembro de 1990.

Em 2003, no governo Néstor Kirchner (2003-7), as leis que acabam com os processos e os indultos são anulados e as investigações reabertas. Desde então, mais de 1,7 mil repressores são condenados.

No 49º aniversário do golpe, o presidente neofascista Javier Milei tenta apagar a memória e responsabilizar os guerrilheiros de esquerda pela guerra suja argentina.

ARCEBISPO ASSASSINADO

    Em 1980, Dom Óscar Romero, arcebispo de San Salvador, um crítico das violações dos direitos humanos pela ditadura e os grupos paramilitares de El Salvador durante a guerra civil contra a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), é assassinado durante a missa de domingo. Ele é canonizado em 2018.

Óscar Arnulfo Romero Galdámez é considerado conservador antes de ser nomeado arcebispo, em 1977, mas denuncia a ditadura do general Carlos Humberto Romero, que não tinha relação de parentesco com ele, e se nega a apoiar a junta militar que substitui o general deposto.

Sua defesa dos pobres, as grandes vítimas da violência política, provoca ameaças de morte. Sua defesa dos direitos humanos vale a indicação de deputados dos Estados Unidos e do Reino Unido ao Prêmio Nobel da Paz de 1979.

Depois do fim da Guerra Civil Salvadorenha (1979-92), a Comissão da Verdade de El Salvador conclui que Dom Romero foi morto por um esquadrão da morte liderado pelo ex-major Roberto D'Aubuisson.

PETRÓLEO NO MAR DO ALASCA

    Em 1989, o navio-tanque Exxon Valdez, da companhia petrolífera Exxon, bate num recife na Enseada Príncipe William, no sul do estado do Alasca, e derrama 41,6 milhões de litros de petróleo no mar, no pior acidente da indústria petrolífera na história dos Estados Unidos.

As tentativas de conter o vazamento são inúteis. O petróleo bruto se espalha até uma distância de 160 quilômetros, poluindo mais de 1,1 mil km de costa e matando milhares de aves e mamíferos.

Mais tarde, sabe-se que o capitão Joseph Hazelwood estava bebendo na hora do acidente e mandou um marinheiro sem qualificação pilotar o petroleiro. 

Em março de 1990, ele é condenado por contravenção penal a mil horas de trabalho comunitário e multa de US$ 50 mil. A pena é anulada em julho de 1992 com base numa lei federal que livra de processo quem relatar um vazamento de petróleo.

O Serviço Nacional de Segurança dos Transportes dos EUA impõe à Exxon uma multa de US$ 100 milhões e US$ 1 bilhão a serem pagos em 10 anos para despoluir o meio ambiente. A Exxon e o estado do Alasca rejeitam o acordo e a questão é encerrada com o pagamento pela empresa de apenas US$ 25 milhões.

GUERRA DO KOSSOVO

    Em 1999, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) inicia uma campanha de bombardeios aéreos de 78 dias contra a Iugoslávia, reduzida a Sérvia e Montenegro, e a posições militares sérvias que perseguiam a maioria de origem albanesa na província do Kossovo.

A região ocupa um lugar especial da história da Sérvia. Na Batalha do Kossovo, em 15 de junho de 1389, o Império Otomano derrota o rei Lazar e conquista a Sérvia, que só recupera a independência em 1867. Quando retoma o Kossovo, em 1913, a província é povoada por albaneses.

Em 1974, o ditador da Iugoslávia, Josip Broz Tito, dá autonomia ao Kossovo dentro da Sérvia. Com a morte de Tito, em 1980, e o declínio da ideologia comunista, em 1987, Slobodan Milosevic é eleito líder da Liga Comunista da Sérvia com a promessa de restaurar o controle sobre o Kossovo.

Eleito presidente da Sérvia em 1989, Milosevic acaba com a autonomia do Kossovo em 1990. Com o renascimento do nacionalismo sérvio, a Croácia e a Eslovênia declaram independência em 1991. O Exército Federal da Iugoslávia intervém. A guerra da Eslovênia acaba logo, mas a da Croácia se arrasta por anos.

Em 1992, a independência da Bósnia-Herzegovina deflagra a pior das guerras que dividiram a Iugoslávia, que dura mais de três anos e mata mais de 100 mil pessoas. A Iugoslávia fica reduzida a Sérvia e Montenegro.

O Exército de Libertação do Kossovo nasce em 1996 para lutar contra a dominação sérvia. Chega a controlar a metade da província quando a Sérvia reage e inicia uma campanha de purificação étnica que leva à intervenção da OTAN, a aliança militar liderada pelos EUA, que não perde nenhum soldado em combate durante a campanha aérea.

Milosevic cai em outubro de 2000 numa revolta popular na Sérvia. É preso e entregue ao Tribunal Penal Internacional para Crimes de Guerra na Antiga Iugoslávia. Morre em 11 de março de 2006, antes do fim do processo em que era acusados de mais de 60 crimes de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

GENOCIDA DA BÓSNIA

    Em 2016, o Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia, com sede em Haia, na Holanda, condena a 40 anos de prisão por crimes de guerra, inclusive genocídio, o psiquiatra Radovan Karadzic, líder da autoproclamada República Sérvia durante a Guerra da Independência da Bósnia-Herzegovina (1992-95). Em 2019, a pena é ampliada para prisão perpétua.

A Bósnia tem a população mais dividida religiosa etnicamente da antiga Iugoslávia: 44% bósnios muçulmanos; 31% sérvios, que são cristãos ortodoxos; e 16% croatas, que são católicos. 

Com o apoio do presidente da Sérvia, Slobodan Milosevic, do Exército Federal da Iugoslávia e do comandante militar sérvio-bósnio, general Ratko Mladic, os sérvios cercam Sarajevo, a capital do país, e fazem uma campanha de "limpeza étnica" para expulsar quem não é sérvio das áreas sob seu controle.

Em 1995, o tribunal o acusa crimes guerra e crimes contra a vida, inclusive genocídio, assassinato, tortura, estupro e limpeza étnica. O caso mais notório foi o Massacre de Srebrenica, de 11 a 25 de julho de 1995, quando pelo menos 8.373 bósnios muçulmanos, toda a população masculina adulta da cidade, morre.

Karadzic foge para a Sérvia depois da guerra e trabalha numa clínica de medicina alternativa em Belgrado até ser preso em julho de 2008 e enviado ao tribunal de Haia.

quinta-feira, 20 de março de 2025

Turcos protestam em massa contra prisão do líder da oposição

Milhões de pessoas saíram às ruas das principais cidades da Turquia ontem em protesto contra a prisão do prefeito de Istambul e principal líder da oposição no país, Ekrem Imamoglu (foto). Sua prisão com uma série de acusações forjadas consolida a ditadura do presidente Recep Tayyip Erdogan, chamado pelos críticos de “Sultão louco”. 
O governo impôs um toque de recolher noturno em várias regiões da Turquia e desligou a Internet. Erdogan estaria escondido em local secreto. Há rumores de que o Exército recebeu ordens de abandonar posições que ocupa na vizinha Síria para conter a revolta na Turquia.

sábado, 1 de março de 2025

Trump e Vance emparedam Zelensky na Casa Branca

Numa cena sem precedentes o Salão Oval da Casa Branca, o presidente Donald Trump e o vice-presidente James David Vance emparedaram, humilharam e chantagearam na sexta-feira o presidente Volodymyr Zalensky, que se nega a aceitar um acordo de exploração mineral com os Estados Unidos sem garantias de segurança para a Ucrânia. Quem ganha é o ditador da Rússia, Vladimir Putin. Perdem a Ucrânia e a Europa, que veem a aliança transatlântica se dissolver.

Cerca de 20 líderes europeus se reúnem neste domingo em Londres para discutir o aumento do apoio à Ucrânia e o futuro da segurança do continente diante da ameaça de abandono da Europa pelo atual governo dos EUA.

O encontro patético diante das câmeras desnuda o caráter mafioso da política externa de Trump, que não têm princípios nem valores e não respeita o direito internacional, só a lei do mais forte, a lei da selva. 

Trump só está interessado nos negócios tanto na Ucrânia como na Rússia. Há também uma afinidade ideológica com Putin. Ambos são antiliberais que veem o secularismo da cultura ocidental como decadente e anticristão ao defender os direitos da comunidade LGBT como o casamento gay, as políticas de discriminação positiva para combater o racismo estrutural e promover a inclusão social.

Com um imperialismo messiânico, Trump aposta no poderio econômico e militar dos EUA para impor o que quiser e quando quiser a outros países, sem freios nem limites, como faz nas suas guerras comerciais. Esta prepotência e arrogância criam um mundo muito mais perigoso. É uma regressão à Era dos Impérios do século 19.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Putin fracassa na Ucrânia mas agora tem apoio de Trump

 Três anos depois da invasão da Ucrânia, a Rússia não consegue vencer a guerra que esperava ganhar em dias, semanas ou alguns meses e uma reviravolta na política dos Estados Unidos sob Donald Trump joga uma boia da salvação para o ditador Vladimir Putin. Em duas votações nas Nações Unidas, os EUA votaram com a Rússia para negar que este país seja o agressor.

A Rússia ocupa pouco menos de um quinto do território ucraniano e nenhum dos dois lados consegue avançar. A economia russa mostra sinais de desgaste, mas a expectativa de que Trump levante as sanções dão novo ânimo ao país abalado pela guerra de conquista iniciada por seu ditador, que tem prisão decretada pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por sequestro e deportação de crianças ucranianas.

O presidente Volodymyr Zelensky resiste à chantagem de Trump para ceder a metade das riquezas minerais da Ucrânia, mas sabe que o país depende dos EUA, então pede garantias de segurança. De um lado, sofre pressão para ceder a soberania nacional a Putin; do outro, para ceder a soberania econômica a Trump.

Nenhum dos lados divulga números oficiais de mortos. O total de mortos e feridos estaria entre 1,5 milhão e 2 milhões, sendo 500 a 600 mil mortos, pelo menos 150 mil civis.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Trump rifa a Ucrânia e faz o jogo de Putin

Antes de iniciar negociações formais, o presidente Donald Trump marginalizou a Europa e fez as principais concessões que o ditador Vladimir Putin exige, legitimando na prática a guerra de agressão e de conquista da Rússia contra a Ucrânia.
Na quarta-feira passada, Trump falou por telefone com Putin durante meia hora, rompendo o isolamento político, diplomático e econômico a que os Estados Unidos e a Europa haviam relegado o ditador russo desde a invasão da Ucrânia em 24 de fevereiro de 2022. Hoje, EUA e Rússia começam negociações na Arábia Saudita sem a participação da Europa e da Ucrânia.

Em entrevista na sede da OTAN, em Bruxelas, na semana passada, o secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, considerou "irrealista" as ambições da Ucrânia de recuperar os territórios conquistados pela Rússia desde 2014 e de entrar para a OTAN.

A Europa fez uma reunião de emergência na segunda-feira em Paris com a participação dos países "capazes e voluntários", nas palavras do presidente francês, Emmanuel Macron, com a participação da Alemanha, da Dinamarca, da Espanha, da França, da Holanda, da Itália, da Polônia, do Reino Unido e do presidente do Conselho Europeu, António Costa, da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Mark Rutte. Na pauta, qual a posição em relação ao futuro da Ucrânia e como organizar a defesa do continente diante da hostilidade e do descaso dos EUA.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 17 de Fevereiro

JEFFERSON ELEITO PELA CÂMARA

    Em 1801, depois de um empate no Colégio Eleitoral, a Câmara dos Representantes elege Thomas Jefferson presidente dos Estados Unidos.

Jefferson nasce em 2 de abril (13 de abril pelo calendário atual) de 1743 em Shadwell, na colônia da Virgínia. Ele estuda grego e latim na adolescência e entra no College of William & Mary, em Williamburgo. Obsessivo, passa 15 horas por dia lendo livros e outras três horas tocando violino.

Principal autor da Declaração de Independência, ele é o primeiro secretário de Estado (1789-94), o segundo vice-presidente (1797-1801) e o terceiro presidente dos EUA (1801-9). Defensor da separação total entre Igreja e Estado. 

Grande defensor da liberdade individual para ideia central da Revolução Americana, o que lhe valeu a alcunha de "apóstolo da liberdade", é importante na redação da Constituição dos EUA e das dez primeiras emendas, consideradas a declaração de direitos do país.

Durante seu governo, em 1803, os EUA compram a Louisiana da França de Napoleão Bonaparte, um território de mais de 2 milhões de quilômetros quadrados ao longo do Valei do Rio Mississípi

Sua reputação é abalada por ter escravos e ter a convicção de que os EUA deveriam ser governados por homens brancos. Em 1998, um exame de DNA comprova que teve um filho com Sally Hemings, uma escravizada de quem era dono. 

BOMBA H BRITÂNICA

    Em 1955, em plena Guerra Fria, o ministro da Defesa do Reino Unido, Harold Macmillan, futuro primeiro-ministro, anuncia a decisão de fazer a bomba atômica de hidrogênio.

A bomba H é mil vezes mais poderosa do que as bombas de urânio e plutônio jogadas pelos Estados Unidos em Hiroxima e Nagasáki, no Japão, no fim da Segunda Guerra Mundial, em 6 e 9 de agosto de 1945.

Em 29 de agosto de 1949, a União Soviética explode a bomba atômica. Na corrida armamentista nuclear da Guerra Fria, isso leva os EUA a investir na bomba H. Washington explode sua primeira bomba H em 1º de novembro de 1952.

O Reino Unido detona sua bomba atômica em 3 de outubro de 1952, tornando-se a terceira potência nuclear. Macmillan toma a decisão de fazer a bomba H antes da URSS testar sua bomba de hidrogênio, em 22 de novembro de 1955. 

A primeira bomba H britânica é detonada em 15 de maio de 1957. A França e a China também têm bombas de hidrogênio.

CHINA INVADE O VIETNÃ

    Em 1979, pouco menos de dois meses depois da invasão do Vietnã ao Camboja para derrubar o regime genocida do Khmer Vermelho, aliado de Beijim, o Exército Popular de Libertação da China invade o Vietnã, aliado da União Soviética, na primeira guerra aberta entre países comunistas.

As duas grandes potências comunistas, a China e a URSS, apoiam o Vietnã do Norte na guerra contra os Estados Unidos (1964-73) durante a Guerra Fria. Duas semanas antes do fim da Guerra do Vietnã com a queda de Saigon em 30 abril de 1975, o Khmer Vermelho toma o poder no Camboja e instaura seu reino do terror, com apoio chinês.

Diante da rivalidade entre China e URSS, o Vietnã unificado fortalece as relações com os soviéticos. A invasão do Camboja, no Natal de 1978, e a queda do ditador Pol Pot, em 9 de janeiro de 1979, levam à invasão chinesa.

Depois de nove dias de intensos combates, a invasão é repelida. A Guerra Sino-Vietnamita termina em 16 de março, mas as escaramuças na fronteira continuam até os anos 1980. O Vietnã vence porque a China se retira e o Vietnã mantém a ocupação do Camboja.

INDEPENDÊNCIA DO KOSSOVO

    Em 2008, a região do Kossovo declara independência da Sérvia, mas muitos países não a reconhecem até hoje. A Corte Internacional de Justiça decide que o Kossovo não violou o direito internacional.

Ao todo, 114 países reconhecem a independência do Kossovo, entre eles Estados Unidos e a maioria dos países da União Europeia, mas não a Rússia. Até hoje o Kossovo não faz parte das Nações Unidas por causa do veto da Rússia.

O Kossovo, onde a maioria da população tem origem albanesa, tinha o status de província autônoma da Sérvia dentro da Iugoslávia. Com o declínio do comunismo como ideologia, o líder sérvio Slobodan Milosevic apela para o nacionalismo sérvio para se manter no poder. Em 1987, faz um discurso em Pristina, a capital do Kossovo, dizendo que os sérvios nunca mais serão humilhados na sua própria terra.

É a senha para destampar os nacionalismos ferozes dos bálcãs. Em 1991, a Croácia e a Eslovênia declaram independência. A Sérvia, que domina o Exército Federal da Iugoslávia, não aceita e vai à guerra. Em 1992, a Bósnia-Herzegovina declara independência. É o início da mais brutal das guerras que dividem a Iugoslávia, com mais de 100 mil mortes em três anos, cerco de Sarajevo, massacres e campos de concentração como a Europa não via desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Em 1995, os acordos de Dayton, nos EUA, fazem a paz entre Bósnia, Croácia e Sérvia. No ano seguinte, Milosevic assenta 16 mil refugiados sérvios da Bósnia e da Croácia no Kossovo, muitos contra a vontade.

Diante da discriminação e da repressão contra a maioria albanesa, em 28 de fevereiro de 1998, começa a guerra entre a Sérvia e os rebeldes do Exército de Libertação do Kossovo. Em resposta aos massacres cometidos pelas forças de Milosevic, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) entra na guerra em 24 de março de 1999 com bombardeios aéreos maciços. A Sérvia se rende em 11 de junho, depois de 78 dias de ataques aéreos da OTAN.