Mostrando postagens com marcador movimento negro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador movimento negro. Mostrar todas as postagens

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 21 de Fevereiro

 MARX LANÇA MANIFESTO COMUNISTA

    Em 1848, o filósofo e economista alemão Karl Marx publica em Londres com o empresário Friedrich Engels o Manifesto Comunista, o panfleto mais importante da história, editado pela Liga Comunista, formada por socialistas alemães. O texto convoca os trabalhadores a se unir a uma luta de classes contra a burguesia para tomar o poder e criar uma sociedade igualitária.

Marx nasce em Trier, na Prússia, em 5 de maio de 1818, filho de um advogado judeu convertido ao protestantismo. Estuda filosofia e direito em Berlim e Jena. Vira seguidor das ideias do filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel, que cria a dialética sob a inspiração do filósofo chinês Lao Tsé e sua Teoria do Princípio Único, baseada no contraste e na complementaridade do yin e yang.

Em 1843, depois do fechamento do jornal onde trabalhava em Colônia, Marx vai para Paris, onde conhece Engels. Expulso da França, vai em 1845 para a Bélgica, onde durante dois anos desenvolve com Engels a doutrina comunista.

O manifesto é escrito em janeiro e publicado em fevereiro de 1848: "Um espectro assombra a Europa – o espectro do comunismo", começa o panfleto. No fim, convoca para a revolução: "Os proletários não tem nada a perder, a não ser suas correntes. Trabalhadores do mundo, uni-vos!"

No dia seguinte, começa uma revolução na França em protesto contra proibição de reuniões de socialistas. Em 24 de fevereiro, o rei Luís Felipe abdica, mas logo a burguesia europeia esmaga as revoluções de 1848.

Procurado na Alemanha e na França, Marx se refugia no Reino Unido, onde funda em 1864 a Associação Internacional dos Trabalhadores, a Primeira Internacional, e em 1867 lança o primeiro volume de O Capital.

Quando Marx morre, em 1883, a doutrina comunista está disseminada pela Europa. Trinta e quatro anos depois de sua morte, a Revolução Bolchevique liderada por Vladimir Lenin e Leon Trotsky toma o poder na Rússia, em 1917. Em 1950, mais da metade da humanidade vive sob regimes supostamente marxistas. É de se duvidar que um rebelde como Marx se submeteria aos regimes totalitários impostos em seu nome.

NASCE ANDRÉS SEGOVIA

    Em 1893, nasce em Linares, na Espanha, Andrés Segovia, um dos maiores violonistas de todos os tempos, considerado o pai do violão erudito moderno.

Segovia estuda piano e violoncelo na infância, mas seu grande interesse é pelo violão, considerado na época um instrumento menos nobre para ser tocado em bares e café, mas não em salas de concerto. Ele faz seu primeiro concerto no Instituto Musical de Granada em 1909. Em 1916, apresenta-se em Barcelona e Madri. De 1919 a 1923, excursiona pela América Latina. Quando toca pela primeira em Paris, em 1924, já tem uma reputação internacional.

Ele toca até mais de 90 anos. Morre em Madri, aos 94 anos, em 2 de junho de 1987.

BATALHA DE VERDUN

    Em 1916, às 7h12 min, um disparo de um canhão Krupp alemão de 38 centímetros é o primeiro de 1,2 mil canhões que atacam as forças da França numa frente de combate de 20 quilômetros ao longo do Rio Meuse, e atinge a Catedral de Verdun, dando início à mais longa batalha da Primeira Guerra Mundial (1914-18), que termina 10 meses depois, depois da morte de 143 mil alemães e 163 mil franceses.

THE NEW YORKER

    Em 1925, a revista semanal The New Yorker, uma das mais importantes do mundo, famosa por suas grandes reportagens, crítica cultural, ensaios, literatura e humor, é lançada por Harold Ross, editor até sua morte, em dezembro de 1951.

Seu foco inicial é a vida social e cultural de Nova York. A primeira edição não faz grande sucesso. A revista começa a angariar prestígio com a cobertura do Julgamento do Macaco, em que um professor de biologia é processado no estado do Tennessee por ensinar a Teoria da Evolução das Espécies, de Charles Darwin, repudiada pela Igreja. O fundamentalismo religioso nasce em rejeição ao darwinismo.

Entre os importantes colabores da New Yorker, estão Ogden Nash, John O'Hara, Edmund Wilson, J. D. Salinger, John Updike, Rebecca West, Dorothy Parker, Alice Munro, Woody Allen, Milan Kundera, Truman Capote, George Saunders e Lilian Ross. O atual editor é David Remnick.

MALCOLM X ASSASSINADO

    Em 1965, o ativista negro Malcolm X, líder da Nação do Islã e do nacionalismo negro nos Estados Unidos, é morto aos 39 anos em Nova York e se torna um herói do movimento negro radical com o lançamento de A Autobiografia de Malcolm X.


Malcolm Little nasce em Omaha, no estado de Nebraska, em 19 de maio de 1925. O pai, o reverendo Earl Little, era seguidor do ativista Marcus Grey. Morre num acidente com um bonde. Talvez sua morte seja culpa de supremacistas brancos.

A família fica tão pobre que a mãe cata folhas na rua para alimentar os filhos. Quando ele é internada num asilo para doentes mentais, em 1939, Malcolm e os irmãos vão morar com parentes.

Excelente aluno, Malcolm é aconselhado pelos professores a ser carpinteiro. Como quer ser advogado, termina sendo expulso da escola e abandona a educação formal na oitava série. Ele vai morar com uma meia-irmã em Boston, onde se envolve com pequenos crimes. Vira traficante de drogas e líder de uma quadrilha de ladrões em Boston e depois em Nova York.

Na cadeia, entre 1946 e 1952, ele se converte ao islamismo e entra para a Nação do Islã, um grupo do movimento negro norte-americano que mistura o Islã com o nacionalismo negro. Para se educar, passa horas na biblioteca da prisão todos os dias.

Ao sair da prisão, Malcolm conhece Elijah Muhammad, líder da Nação do Islã, e passa a ser organizador do grupo em Boston, em Nova York e na Filadélfia. Reconhecendo o talento e a habilidade de Malcolm, Muhammad o nomeia para segundo na hierarquia da Nação do Islã.

Como a maioria dos membros da Nação do Islã, ele para de usar o sobrenome, que no caso dos negros norte-americanos era o sobrenome dos senhores de escravos, e passa a se chamar Malcolm X.

Grande orador, carismático, radical e um organizador incansável, Malcolm X expressa a angústia, a raiva e a frustração dos afro-americanos durante a maior parte da luta dos negros pelos direitos civis (1955-65).

Malcolm argumenta que a luta pelos direitos civis não é apenas para sentar num restaurante e votar, é sobre a independência, a integridade e a identidade negras. Em contraste com o pacifismo do reverendo Martin Luther King Jr., Malcolm orienta seus seguidores a se defender por "quaisquer meios necessários".

Em março de 1964, Malcolm deixa a Nação do Islã. Ameaçado de morte pelo pessoal de Muhammad, Malcolm faz a peregrinação a Meca em abril de 1964. Ele vai duas vezes à África e discursa na Organização da Unidade Africana, hoje União Africana.

Em 1965, Malcolm funda a Organização de Unidade Afro-Americana. A hostilidade com a Nação do Islã se exacerba. Malcolm X é assassinado quando se prepara para fazer uma palestra no Salão de Baile Audubon, em Washington Heights, em Nova York.

NIXON VISITA CHINA

    Em 1972, o presidente Richard Nixon inicia uma visita de sete dias a três cidades da República Popular da China (RPC), abrindo caminho para o estabelecimento de relações diplomáticas entre o regime comunista de Mao Tsé-tung e os Estados Unidos.

As viagens de Nixon à China e depois à União Soviética, quando Henry Kissinger é o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, marcam o começo do que se chamou de détente, um degelo na Guerra Fria nos anos 1970 que vai até a invasão soviética ao Afeganistão, no Natal de 1979. Nixon é um anticomunista da linha dura, então não é acusado de leniência com as grandes potências comunistas.

Kissinger e Nixon entendem que a China é um país grande demais para ficar isolado. Quando a China e a URSS estão à beira da guerra com uma série de escaramuças em sua enorme fronteira comum, em 1969, os EUA veem uma oportunidade de se aproximar da China. Por causa da rivalidade com a URSS, no fim da Guerra Fria, a China é virtualmente uma aliada não membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Primeiro, uma delegação de pingue-pongue dos EUA é convidada a jogar na China. Em julho de 1971, Kissinger faz uma visita secreta à China saindo do Paquistão, se encontra com o primeiro-ministro Chu Enlai e prepara a viagem de Nixon.

Com esta aproximação, em outubro de 1971, a RPC assume a cadeira da China na Assembleia Geral e no Conselho de Segurança das Nações Unidas, até então ocupada por Taiwan. Os EUA e a China reatam relações diplomáticas em 1979.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 1º de Dezembro

FIM DO DOMÍNIO ESPANHOL

    Em 1640, a União Ibérica acaba e Portugal restaura sua independência com a ascensão ao trono de Dom João IV. É o fim do período conhecido na História do Brasil como Domínio Espanhol.

Quando o jovem rei Dom Sebastião morre na Batalha de Alcácer-Quibir, no Norte da África, em 1578, sem deixar herdeiros, Felipe II, rei da Espanha, reivindica a coroa de Portugal. Em 1580, começa a União Ibérica. Cada país mantém seu Estado nacional, mas quem manda é o rei da Espanha.

Na América do Sul, os bandeirantes aproveitam o Domínio Espanhol para ir muito além do Meridiano de Tordesilhas, que dava a maior parte do que hoje é o Brasil à Espanha.

Durante este período, estoura na Europa a Guerra dos Trinta Anos (1618-48), um conflito entre católicos e protestantes. Como a Espanha e a Holanda são inimigas, há duas invasões holandesas no Brasil (1624-25 e 1630-54).

No fim da guerra, a França entra do lado dos protestantes e o primeiro-ministro francês, o Cardeal de Richelieu, fomenta a Revolta de Lisboa, em 1º de maio de 1640, para enfraquecer a Espanha, que enfrenta múltiplas crises internas e uma revolta na Catalunha.

Para financiar as guerras, a coroa da Espanha aumenta impostos. Os portugueses temem perder suas colônias para a Holanda e a Inglaterra. A insatisfação com o governo espanhol deflagra o movimento pela restauração.

Em 1º de dezembro, um grupo de nobres portugueses conhecidos como os Quarenta Conjurados invade o Paço da Ribeira, mata o secretário de Estado Miguel de Vasconcelos e depõe a vice-rainha Margarida de Saboia, Duquesa de Mântua, a governadora de Portugal nomeada pela Espanha.

Dom João, Duque de Bragança, é aclamado rei de Portugal como Dom João IV. A Guerra da Restauração contra a Espanha dura 28 anos. 

ASSASSINATO DE KIROV

    Em 1934, Serguei Kirov, um líder da Revolução Bolchevique e membro do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética, é baleado e morto em seu escritório em Leningrado, hoje São Petersburgo, por Leonid Nikolaiev, insuflado pelo ditador Josef Stalin.

É o início do Grande Expurgo e dos Processos de Moscou em que o ditador se livra dos inimigos reais ou imaginários, inclusive a maioria dos bolcheviques remanescentes no governo soviético.

Qualquer que seja a participação de Stalin no assassinato de um possível sucessor, o certo é que ele usa a morte como pretexto para deflagrar uma onda de terror e uma devassa no partido, no governo, nas Forças Armadas e nos serviços de inteligência, todas as fontes do poder soviético.

Há sete processos diferentes sobre a morte de Kirov. Centenas de notáveis da política, da cultura e dos militares são presos e executado.

O Grande Expurgo dura quatro anos. Milhões de pessoas são presas, exiladas ou mortas. Durante 1937 e 1938, a polícia secreta stalinista NKVD prende 1.548.366 pessoas; destas, 681.692 são executadas, numa média de mil execuções por dia. 

Em comparação, a Rússia czarista executa 3.932 pessoas por crimes políticos de 1825 a 1910, numa média de menos de uma execução por semana.

MÃE DO MOVIMENTO ANTIRRACISTA

    Em 1955, Rosa Parks, a mãe do movimento dos direitos civis, é presa por se negar a ceder o assento num ônibus para um homem branco, violando as leis de segregação racial da cidade de Montgomery, no Alabama. Sua prisão gera um boicote ao sistema de transporte organizado pelo jovem pastor batista Martin Luther King Jr.

Rosa nasce em Tuskgee, no Alabama, em 4 de fevereiro de 1913. Trabalha como costureira. Em 1943, entra para a Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP), uma organização não governamental de defesa da minoria negra.

Por força de um decreto municipal de Montgomery de 1955, os negros são obrigados a sentar no fundo dos ônibus. Se os assentos destinados aos brancos na frente do ônibus estiverem ocupados, os negros são obrigados a ceder seus lugares. Se o ônibus estivem lotado, os negros devem descer para que brancos subam.

Há meses o movimento negro pensa em desafiar a norma racista. Parks ouve falar nesse debate. Ela está na primeira fila do setor para negros. Quando o motorista branco a manda ceder o lugar, Rosa Parks se nega e é presa.

Ao saber da prisão, o movimento por direitos civis convoca o boicote ao sistema de ônibus de Montgomery para 5 de dezembro. Um dos líderes do movimento é o jovem pastor Luther King Jr., de 26 anos, que discursa numa igreja: "A grande glória da democracia americana é o direito de protestar por direitos."

O boicote dura mais 381 dias. Os ativistas se dão carona ou caminham quilômetros até a escola ou o trabalho. Como os afroamericanos são 70% dos passageiros de ônibus de Montgomery, as empresas sentem o choque.

Em 13 de novembro de 1956, a Suprema Corte considera inconstitucional a lei de segregação racial nos ônibus do Alabama com base na 14ª Emenda à Constituição dos EUA, de 1868, adotada depois da Guerra da Secessão (1861-65) e da Abolição da Escravaura, por violar o princípio da proteção igual perante a lei.

Quando os ônibus são dessegregados, Rosa Parks é uma das primeiras a viajar. Ela vira um símbolo do movimento. Luther King se torna o maior líder da luta pelos direitos civis. Sofre ameaças de morte e é assassinado em 4 de abril de 1968 em Memphis, no Tennessee, aos 39 anos.

ANTÁRTIDA SEM ARMAS

    Em 1959, 12 países, inclusive os Estados Unidos, a União Soviética e o Brasil, assinam em Washington o Tratado da Antártida, abrindo mão de reivindicações territoriais e tornando o continente gelado uma zona livre de armas e atividades militares, aberta à pesquisa científica e à cooperação internacional na proteção à natureza.

É o primeiro acordo de controle de armas da Guerra Fria, a confrontação política, militar, econômica, científica e tecnológica das duas superpotências (EUA e URSS) que domina a política internacional na segunda metade do século 20.

No início do século 19, o Império Britânico, a Argentina, o Chile e a Noruega reivindicam partes da Antártida. Em 1948, há uma troca de tiros entre argentinos e britânicos.

Nos anos 1950, os EUA resolvem ter uma participação maior e o presidente Dwight Eisenhower negocia com os soviéticos a desmilitarização e o adiamento, que hoje vai até 2040, de reivindicações territoriais sobre o continente gelado, que agora corre risco de degelo. 

Mais de 50 países aderiram até hoje ao Tratado da Antártida.

Com o aquecimento global, a temperatura máxima registrada na Antártida foi de 18,3ºC numa base argentina, em 6 de fevereiro de 2020. 

TÚNEL DA MANCHA

    Em 1990, os trabalhadores que escavam o Túnel da Mancha se encontram a 40 metros abaixo do fundo do Canal da Mancha unindo as equipes vindas da França e da Inglaterra. Está aberto o caminho para o fim do isolamento da Grã-Bretanha, cercada pelo mar há pelo menos 6 mil anos.

Napoleão Bonaparte defende a construção de um túnel em 1802, o que certamente serviria a seus planos para invadir a Inglaterra. Só em 1986, 82 anos depois de se aliarem na Entente Cordiale depois de séculos de rivalidade e inimizade, a França e o Reino Unido fazem um acordo para abrir um túnel entre Folkestone, na Inglaterra, e Calais, na França.

Nos próximos quatro anos, 13 mil trabalhadores abrem 150 quilômetros de túneis a uma profundidade média de 45 metros abaixo do fundo do canal, a um custo de US$ 15 bilhões. Eles removem 8 milhões de metros cúbicos de rocha, num ritmo de 2,4 mil toneladas por hora.

Na verdade, são três túneis interconectados, um em cada sentido e um túnel de serviços.

Três anos e meio depois que trabalhadores dos dois lados se encontram, o túnel é inaugurado, em 6 de maio de 1994, pela rainha Elizabeth II, da Inglaterra, e o presidente da França, François Mitterrand.

FIM DA DITADURA CIVIL

    Em 2000, o presidente Vicente Fox toma posse no México para cumprir um mandato de 6 anos e acaba com o monopólio de poder de 71 anos do Partido Revolucionário Institucional (PRI).

O PRI é fundado em 1929 pelo presidente Lázaro Cárdenas como Partido Revolucionário Nacional para institucionalizar a Revolução Mexicana (1910-20). Em 1938, é rebatizado como Partido da Revolução Mexicana. Adota o nome atual em 1946.

Todo o presidente eleito declara: "A revolução continua desde o Palácio Nacional", como se o governo faça revolução.

Vicente Fox nasce na Cidade do México em 2 de julho de 1942. Estuda administração de empresas na Universidade Ibero-Americana na capital mexicana. É diretor-geral da Coca-Cola no México e na América Latina antes de entrar para política.

Em 1987, entra para o Partido de Ação Nacional (PAN), que está à direita do PRI. É eleito para a Câmara dos Deputados em 1988 e governador do estado de Guanajuato em 1995. Na campanha presidencial, promete combater com a corrupção endêmica do PRI e maior prosperidade econômica. Vence com 42,5% em 2 de julho de 2000. No México, não há segundo turno.

No poder, ele melhora as relações com os Estados Unidos em comércio e no combate ao tráfico de drogas e à imigração ilegal, e tenta controlar a revolta do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) no estado de Chiapas, no Sul do país. 

Em 2001, faz uma reforma constitucional para aumentar o direito dos indígenas. Consegue ratificar a reforma no número de estados requerido pela Constituição do México, mas perde em sete estados, inclusive Chiapas, onde a metade da população é indígena. Os zapatistas, que exigem a reforma para voltar às negociações de paz, a rejeitam.

Como o PAN não tem maioria no Congresso, Fox tem dificuldade para aprovar reformas econômicas, como aumento de impostos para equilibrar receita e despesa. A oposição o acusa de se aproximar demais dos EUA e os agricultores protestam contra o impacto do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA). Nas eleições parlamentares de 2003, o PAN perde mais cadeiras para o PRI.

Mesmo assim, como o México não tem reeleição para presidente, o PAN elege em 2006 Felipe Calderón, que declara guerra aos cartéis do tráfico de drogas sem conseguir acabar com eles, que compram armas e vendem drogas no mercado negro nos EUA, um problema que continua até hoje, com cartéis cada vez mais violentos.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37 

sexta-feira, 4 de abril de 2025

Hoje na História do Mundo: 4 de Abril

 FUNDAÇÃO DA OTAN

    Em 1949, em resposta ao Bloqueio de Berlim Ocidental decretado pelo ditador soviético Josef Stalin em 1948, os Estados Unidos, a Bélgica, o Canadá, a Dinamarca, a França, a Holanda, a Islândia, a Itália, a Noruega, Portugal e o Reino Unido assinam o Tratado de Washington, que cria a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

A OTAN se apresenta como uma aliança defensiva com o objetivo de impedir o expansionismo soviético na Europa. Sua regra básica está no art. 5, que considera que um ataque contra é um ataque contra todos.

Com o fim da Guerra Fria e a dissolução da União Soviética e do Pacto de Varsóvia, a aliança militar do Bloco Soviético, a OTAN fica sem inimigo, mas recebe a adesão de vários países da Europa Oriental temerosos da Rússia.

Em 27 de maio de 1997, a Rússia passa a fazer parte de um conselho conjunto com a OTAN. As relações começam a se deteriorar depois das revoluções coloridas, a Revolução Rosa em 2003 na Geórgia e a Revolução Laranja em 2004-5 na Ucrânia, em que o ditador russo, Vladimir Putin vê influência do Ocidente.

Depois da anexação ilegal da Crimea pela Rússia, em 1º de abril de 2014, a OTAN suspende a cooperação com a Rússia. A invasão da Ucrânia, em 2022, leva a Finlândia e a Suécia, historicamente neutras, a entrar para a OTAN, que tem hoje 32 países, e mostra que os antigos países do Bloco Soviético tinham razão ao entrar para a aliança atlântica.

LUTHER KING ASSASSINADO

    Em 1968, James Earl Ray mata a tiros num hotel em Memphis, no Tennessee, o reverendo Martin Luther King Jr., o principal líder da luta pacífica pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos.

Além da luta por direitos iguais, o Dr. King manifesta uma preocupação com a miséria e a desigualdade social nos EUA. Ele organiza a Marcha sobre Washington por Empregos e Liberdade, que reúne 250 mil pessoas diante do Memorial de Lincoln, em 28 de agosto de 1963, quando faz o famoso discurso Eu Tenho um Sonho, e cria a Campanha pelos Pobres, em 1968, planejando nova marcha sobre Washington.

O líder negro vai a Memphis apoiar uma greve de trabalhadores do setor de limpeza pública. Em 28 de março de 1968, lidera uma marcha que termina em choque com a polícia e a morte de um adolescente negro. 

Luther King deixa a cidade, mas volta no início de abril para liderar outra manifestação. Em 3 de abril, faz seu último discurso: "Vamos ter dias difíceis à frente. Mas isto não me preocupa porque eu estive no alto da montanha... Ele [Deus] me deixou subir a montanha. Eu olhei e vi a Terra Prometida. Posso não chegar lá com vocês. Mas quero que vocês saibam nesta noite que nós, como um povo, vamos chegar à Terra Prometida."

King está na sacada do quarto 306 do Motel Lorraine quando é baleado, às 18h01. Sua morte provocou uma explosão de violência em grandes cidades como Los Angeles, Chicago, Baltimore e Washington. Mahalia Jackson, grande amiga do pastor, canta Take my Hand, Precious Lord no funeral.

Na noite do assassinato, a polícia encontra uma espingarda de caça caída na rua a uma quadra do Motel Lorraine. Testemunhas e as impressões digitais revelam a identidade do assassino. 

Ray, condenado por assalto à mão armada, foge da prisão em abril de 1967. Um ano depois, mata o Dr. King. Logo, começa uma caçada ao assassino. O FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, descobre que ele tirou um passaporte canadense,

Em 8 de junho, a polícia britânica Scotland Yard prende Ray no Aeroporto de Heathrow, em Londres, quando ele tenta chegar a Bélgica para ir para a Rodésia, hoje Zimbábue, na época dominada por um regime segregacionista da minoria branca semelhante ao apartheid da África do Sul.

Extraditado para os EUA, Ray confessa o crime para não ser condenado à morte na cadeira elétrica. Pega uma pena de 99 anos de prisão. Depois, nega e afirma ter sido alvo de uma armação. A família King também duvida da versão oficial porque Luther King era vigiado constantemente pelos serviços secretos. Mas nenhum inquérito chegou a uma conclusão diferente: Ray matou o grande líder negro porque era racista. 

 PAZ EM ANGOLA

    Em 2002, depois de 27 anos de guerra civil desde a independência, o governo do Movimento Popular de Libertação da Angola (MPLA) assina um acordo de paz com a União Nacional pela Independência Total de Angola (UNITA).

Angola conquista a independência em 1975, um ano depois da queda da ditadura salazarista em Portugal, a potência colonial, no fim de uma guerra de 14 anos, sob a égide do MPLA, um grupo guerrilheiro marxista-leninista. A Frente Nacional de Libertação de Angola (FPLA) e a UNITA formam um governo paralelo em Huambo e pedem a ajuda da África do Sul para derrubar o regime comunista.

O governo recebe ajuda militar de Cuba, que envia 40 a 50 mil soldados e repele a invasão sul-africana. A FNLA foge para o exílio. A partir de 1985, a UNITA começa a receber ajuda dos EUA. A África do Sul também apoia a UNITA, enquanto o MPLA ajuda a guerrilha contra a ocupação sul-africana da África do Sudoeste, hoje Namíbia.

Em 1988, a África do Sul decide dar independência à Namíbia, o que fortalece o MPLA. Cuba concorda em se retirar de Angola até 1991. O MPLA negocia com a UNITA e são realizadas eleições em 1992. O governo vence, mas a UNITA consegue uma boa votação, denuncia fraude e volta à luta armada. 

No fim de 1992, a UNITA controla dois terços de Angola. Em 1993, os EUA e a África do Sul reconhecem a independência de Angola. O Acordo de Lusaka, de 20 de novembro de 1994, integra a UNITA ao governo. Em agosto de 1996, seu líder, Jonas Savimbi, aceita o título de líder da oposição.

A guerra civil na República Democrática do Congo complica a situação. A UNITA apoia o ditador Joseph Mobutu, que mudara o nome do país para Zaire em 1971, enquanto o MPLA  fica do lado dos rebeldes liderados por Laurent Kabila.

As hostilidades recomeçam. Com a morte de Savimbi pelas forças governistas, em fevereiro de 2002, a UNITA volta a negociar a paz.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 21 de Fevereiro

 MARX LANÇA MANIFESTO COMUNISTA

    Em 1848, o filósofo e economista alemão Karl Marx publica em Londres com Friedrich Engels o Manifesto Comunista, o panfleto mais importante da história, editado pela Liga Comunista, formada por socialistas alemães. O texto convoca os trabalhadores a se unir a uma luta de classes contra a burguesia para tomar o poder e criar uma sociedade igualitária.

Marx nasce em Trier, na Prússia, em 5 de maio de 1818, filho de um advogado judeu convertido ao protestantismo. Estuda filosofia e direito em Berlim e Jena. Vira seguidor das ideias do filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel, que cria a dialética sob a inspiração do filósofo chinês Lao Tsé e sua Teoria do Princípio Único, baseada no contraste e na complementaridade do yin e yang.

Em 1843, depois do fechamento do jornal onde trabalhava em Colônia, Marx vai para Paris, onde conhece Engels. Expulso da França, vai em 1845 para a Bélgica, onde durante dois anos desenvolve com Engels a doutrina comunista.

O manifesto é escrito em janeiro e publicado em fevereiro de 1848: "Um espectro assombra a Europa - o espectro do comunismo", começa o panfleto. No fim, convoca para a revolução: "Os proletários não tem nada a perder, a não ser suas correntes. Trabalhadores do mundo, uni-vos!"

No dia seguinte, começa uma revolução na França em protesto contra proibição de reuniões dos socialistas. Em 24 de fevereiro, o rei Luís Felipe abdica, mas logo a burguesia europeia esmaga as revoluções de 1848.

Procurado na Alemanha e na França, Marx se refugia no Reino Unido, onde funda em 1864 a Associação Internacional dos Trabalhadores, a Primeira Internacional, e em 1867 lança o primeiro volume de O Capital.

Quando Marx morre, em 1883, a doutrina comunista está disseminada pela Europa. Trinta e quatro anos depois de sua morte, a Revolução Bolchevique liderada por Vladimir Lenin e Leon Trotsky toma o poder na Rússia, em 1917. Em 1950, mais da metade da humanidade vive sob regimes marxistas.

NASCE ANDRÉS SEGOVIA

    Em 1893, nasce em Linares, na Espanha, Andrés Segovia, um dos maiores violonistas de todos os tempos, considerado o pai do violão erudito moderno.

Segovia estuda piano e violoncelo na infância, mas seu grande interesse é pelo violão, considerado na época um instrumento menos nobre para ser tocado em bares e café, mas não em salas de concerto. Ele faz seu primeiro concerto no Instituto Musical de Granada em 1909. Em 1916, apresenta-se em Barcelona e Madri. De 1919 a 1923, excursiona pela América Latina. Quando toca pela primeira em Paris, em 1924, já tem uma reputação internacional.

Ele toca até mais de 90 anos. Morre em Madri, aos 94 anos, em 2 de junho de 1987.

BATALHA DE VERDUN

    Em 1916, às 7h12 min, um disparo de um canhão Krupp alemão de 38 centímetros é o primeiro de 1,2 mil canhões que atacam as forças da França numa frente de combate de 20 quilômetros ao longo do Rio Meuse, e atinge a Catedral de Verdun, dando início à mais longa batalha da Primeira Guerra Mundial (1914-18), que termina 10 meses depois, depois da morte de 143 mil alemães e 163 mil franceses.

THE NEW YORKER

    Em 1925, a revista semanal The New Yorker, uma das mais importantes do mundo, famosa por suas grandes reportagens, crítica cultural, ensaios, literatura e humor, é lançada por Harold Ross, editor até sua morte, em dezembro de 1951.

Seu foco inicial é a vida social e cultural de Nova York. A primeira edição não faz grande sucesso. A revista começa a angariar prestígio com a cobertura do Julgamento do Macaco, em que um professor de biologia é processado no estado do Tennessee por ensinar a Teoria da Evolução das Espécies, de Charles Darwin, repudiada pela Igreja. O fundamentalismo religioso nasce em rejeição ao darwinismo.

Entre os importantes colabores da New Yorker, estão Ogden Nash, John O'Hara, Edmund Wilson, J. D. Salinger, John Updike, Rebecca West, Dorothy Parker, Alice Munro, Woody Allen, Milan Kundera, Truman Capote, George Saunders e Lilian Ross. O atual editor é David Remnick.

MALCOLM X ASSASSINADO

    Em 1965, o ativista negro Malcolm X, líder da Nação do Islã e do nacionalismo negro nos Estados Unidos, é morto aos 39 anos em Nova York e se torna um herói do movimento negro radical com o lançamento de A Autobiografia de Malcolm X.


Malcolm Little nasce em Omaha, no estado de Nebraska, em 19 de maio de 1925. O pai, o reverendo Earl Little, era seguidor do ativista Marcus Grey. Morre num acidente com um bonde. Talvez sua morte seja culpa de supremacistas brancos.

A família fica tão pobre que a mãe cata folhas na rua para alimentar os filhos. Quando ele é internada num asilo para doentes mentais, em 1939, Malcolm e os irmãos vão morar com parentes.

Excelente aluno, Malcolm é aconselhado pelos professores a ser carpinteiro. Como quer ser advogado, termina sendo expulso da escola e abandona a educação formal na oitava série. Ele vai morar com uma meia-irmã em Boston, onde se envolve com pequenos crimes. Vira traficante de drogas e líder de uma quadrilha de ladrões em Boston e depois em Nova York.

Na cadeia, entre 1946 e 1952, ele se converte ao islamismo e entra para a Nação do Islã, um grupo do movimento negro norte-americano que mistura o Islã com o nacionalismo negro. Para se educar, passa horas na biblioteca da prisão todos os dias.

Ao sair da prisão, Malcolm conhece Elijah Muhammad, líder da Nação do Islã, e passa a ser organizador do grupo em Boston, em Nova York e na Filadélfia. Reconhecendo o talento e a habilidade de Malcolm, Muhammad o nomeia para segundo na hierarquia da Nação do Islã.

Como a maioria dos membros da Nação do Islã, ele para de usar o sobrenome, que no caso dos negros norte-americanos era o sobrenome dos senhores de escravos, e passa a se chamar Malcolm X.

Grande orador, carismático, radical e um organizador incansável, Malcolm X expressa a angústia, a raiva e a frustração dos afro-americanos durante a maior parte da luta dos negros pelos direitos civis (1955-65).

Malcolm argumenta que a luta pelos direitos civis não é apenas para sentar num restaurante e votar, é sobre a independência, a integridade e a identidade negras. Em contraste com o pacifismo do reverendo Martin Luther King Jr., Malcolm orienta seus seguidores a se defender por "quaisquer meios necessários".

Em março de 1964, Malcolm deixa a Nação do Islã. Ameaçado de morte pelo pessoal de Muhammad, Malcolm faz a peregrinação a Meca em abril de 1964. Ele vai duas vezes à África e discursa na Organização da Unidade Africana, hoje União Africana.

Em 1965, Malcolm funda a Organização de Unidade Afro-Americana. A hostilidade com a Nação do Islã se exacerba. Malcolm X é assassinado quando se prepara para fazer uma palestra no Salão de Baile Audubon, em Washington Heights, em Nova York.

NIXON VISITA CHINA

    Em 1972, o presidente Richard Nixon inicia uma visita de sete dias a três cidades da República Popular da China (RPC), abrindo caminho para o estabelecimento de relações diplomáticas entre o regime comunista de Mao Tsé-tung e os Estados Unidos.

As viagens de Nixon à China e depois à União Soviética, quando Henry Kissinger é o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, marcam o começo do que se chamou de détente, um degelo na Guerra Fria nos anos 1970 que vai até a invasão soviética ao Afeganistão, no Natal de 1979. Nixon é um anticomunista da linha dura, então não é acusado de leniência com as grandes potências comunistas.

Kissinger e Nixon entendem que a China é um país grande demais para ficar isolado. Quando a China e a URSS estão à beira da guerra com uma série de escaramuças em sua enorme fronteira comum, em 1969, os EUA veem uma oportunidade de se aproximar da China. Por causa da rivalidade com a URSS, no fim da Guerra Fria, a China é virtualmente uma aliada não membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Primeiro, uma delegação de pingue-pongue dos EUA é convidada a jogar na China. Em julho de 1971, Kissinger faz uma visita secreta à China saindo do Paquistão, se encontra com o primeiro-ministro Chu Enlai e prepara a viagem de Nixon.

Com esta aproximação, em outubro de 1971, a RPC assume a cadeira da China na Assembleia Geral e no Conselho de Segurança das Nações Unidas, até então ocupada por Taiwan. Os EUA e a China reatam relações diplomáticas em 1979.

domingo, 1 de dezembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 1º de Dezembro

 ASSASSINATO DE KIROV

    Em 1934, Serguei Kirov, um líder da Revolução Bolchevique e membro do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética, é baleado e morto em seu escritório em Leningrado, hoje São Petersburgo, por Leonid Nikolayev, insuflado pelo ditador Josef Stalin.

É o início do Grande Expurgo e dos Processos de Moscou em que o ditador se livra dos inimigos reais ou imaginários, inclusive a maioria dos bolcheviques remanescentes no governo soviético.

Qualquer que seja a participação de Stalin no assassinato de um possível sucessor, o certo é que ele usa a morte como pretexto para deflagrar uma onda de terror e uma devassa no partido, no governo, nas Forças Armadas e nos serviços de inteligência, todas as fontes do poder soviético.

Há sete processos diferentes sobre a morte de Kirov. Centenas de notáveis da política, cultura e dos militares são presos e executado.

O Grande Expurgo dura quatro anos. Milhões de pessoas são presas, exiladas ou mortas. Durante 1937 e 1938, a polícia secreta stalinista NKVD prende 1.548.366 pessoas; destas, 681.692 são executadas, numa média de mil execuções por dia. 

Em comparação, a Rússia czarista executa 3.932 pessoas por crimes políticos de 1825 a 1910, numa média de menos de uma execução por semana.

MÃE DO MOVIMENTO ANTIRRACISTA

    Em 1955, Rosa Parks, a mãe do movimento dos direitos civis, é presa por se negar a ceder o assento num ônibus para um homem branco, violando as leis de segregação racial da cidade de Montgomery, no Alabama,o que gera a um boicote ao sistema de transporte organizado pelo jovem pastor batista Martin Luther King Jr.

Rosa nasce em Tuskgee, no Alabama, em 4 de fevereiro de 1913. Trabalha como costureira. Em 1943, entra para a Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP), uma organização não governamental de defesa da minoria negra.

Por força de um decreto municipal de Montgomery de 1955, os negros são obrigados a sentar no fundo dos ônibus. Se os assentos destinados aos brancos na frente do ônibus estiverem ocupados, os negros são obrigados a ceder seus lugares. Se o ônibus estivem lotado, os negros devem descer para que brancos subam.

Há meses o movimento negro pensa em desafiar a norma racista. Parks ouve falar nesse debate. Ela está na primeira fila do setor para negros. Quando o motorista branco a manda ceder o lugar, Rosa Parks se nega e é presa.

Ao saber da prisão, o movimento por direitos civis convoca o boicote ao sistema de ônibus de Montgomery para 5 de dezembro. Um dos líderes do movimento é o jovem pastor Luther King Jr., de 26 anos, que discursa numa igreja: "A grande glória da democracia americana é o direito de protestar por direitos."

O boicote dura mais 381 dias. Os ativistas se dão carona ou caminham quilômetros até a escola ou o trabalho. Como os afroamericanos são 70% dos passageiros de ônibus de Montgomery, as empresas sentem o choque.

Em 13 de novembro de 1956, a Suprema Corte considera inconstitucional a lei de segregação racial nos ônibus do Alabama com base na 14ª Emenda à Constituição dos EUA, de 1868, adotada depois da Guerra da Secessão (1861-65) e da Abolição da Escravaura, por violar o princípio da proteção igual perante a lei.

Quando os ônibus são dessegregados, Rosa Parks é uma das primeiras a viajar. Ela vira um símbolo do movimento. Luther King se torna o maior líder da luta pelos direitos civis. Sofre ameaças de morte e é assassinado em 4 de abril de 1968 em Memphis, no Tennessee, aos 39 anos.

ANTÁRTIDA SEM ARMAS

    Em 1959, 12 países, inclusive os Estados Unidos, a União Soviética e o Brasil, assinam em Washington o Tratado da Antártida, abrindo mão de reivindicações territoriais e tornando o continente gelado uma zona livre de armas e atividades militares, aberta à pesquisa científica e à cooperação internacional na proteção à natureza.

É o primeiro acordo de controle de armas da Guerra Fria, a confrontação política, militar, econômica, científica e tecnológica das duas superpotências que domina a política internacional na segunda metade do século 20.

No início do século 19, o Império Britânico, a Argentina, o Chile e a Noruega reivindicam partes da Antártida. Em 1948, há uma troca de tiros entre argentinos e britânicos.

Nos anos 1950, os EUA resolvem ter uma participação maior e o presidente Dwight Eisenhower negocia com os soviéticos a desmilitarização e o adiamento, que hoje vai até 2040, de reivindicações territoriais sobre o continente gelado, que agora corre risco de degelo. 

Mais de 50 países aderiram até hoje ao Tratado da Antártida.

Com o aquecimento global, a temperatura máxima registrada na Antártida foi de 18,3ºC numa base argentina, em 6 de fevereiro de 2020. 

TÚNEL DA MANCHA

    Em 1990, os trabalhadores que escavam o Túnel da Mancha se encontram a 40 metros abaixo do fundo do Canal da Mancha unindo as equipes vindas da França e da Inglaterra. Está aberto o caminho para o fim do isolamento da Grã-Bretanha, cercada pelo mar há pelo menos 6 mil anos.

Napoleão Bonaparte defende a construção de um túnel em 1802, o que certamente serviria a seus planos para invadir a Inglaterra. Só em 1986, 82 anos depois de se aliarem na Entente Cordiale, a França e o Reino Unido fazem um acordo para abrir um túnel entre Folkestone, na Inglaterra, e Calais, na França.

Nos próximos quatro anos, 13 mil trabalhadores abrem 150 quilômetros de túneis a uma profundidade média de 45 metros abaixo do fundo do canal, a um custo de US$ 15 bilhões. Eles removem 8 milhões de metros cúbicos de rocha, num ritmo de 2,4 mil toneladas por hora.

Na verdade, são três túneis interconectados, um em cada sentido e um túnel de serviços.

Três anos e meio depois que trabalhadores dos dois lados se encontram, o túnel é inaugurado, em 6 de maio de 1994, pela rainha Elizabeth II, da Inglaterra, e o presidente da França, François Mitterrand.

FIM DA DITADURA CIVIL

    Em 2000, o presidente Vicente Fox toma posse no México para cumprir um mandato de 6 anos e acaba com o monopólio de poder de 71 anos do Partido Revolucionário Institucional (PRI).

O PRI é fundado em 1929 pelo presidente Lázaro Cárdenas como Partido Revolucionário Nacional para institucionalizar a Revolução Mexicana (1910-20). Em 1938, é rebatizado como Partido da Revolução Mexicana. Adota o nome atual em 1946.

Todo o presidente eleito declara: "A revolução continua desde o Palácio Nacional", como se o governo faça revolução.

Vicente Fox nasce na Cidade do México em 2 de julho de 1942. Estuda administração de empresas na Universidade Ibero-Americana na capital mexicana. É diretor-geral da Coca-Cola no México e na América Latina antes de entrar para política.

Em 1987, entra para o Partido de Ação Nacional (PAN), que está à direita do PRI. É eleito para a Câmara dos Deputados em 1988 e governador do estado de Guanajuato em 1995. Na campanha presidencial, promete combater com a corrupção endêmica do PRI e maior prosperidade econômica. Vence com 42,5% em 2 de julho de 2000. No México, não há segundo turno.

No poder, ele melhora as relações com os Estados Unidos em comércio e no combate ao tráfico de drogas e à imigração ilegal, e tenta controlar a revolta do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) no estado de Chiapas, no Sul do país. 

Em 2001, faz uma reforma constitucional para aumentar o direito dos indígenas. Consegue ratificar a reforma no número de estados requerido pela Constituição do México, mas perde em sete estados, inclusive Chiapas, onde a metade da população é indígena. Os zapatistas, que exigem a reforma para voltar às negociações de paz, a rejeitam.

Como o PAN não tem maioria no Congresso, Fox tem dificuldade para aprovar reformas econômicas, como aumento de impostos para equilibrar receita e despesa. A oposição o acusa de se aproximar demais dos EUA e os agricultores protestam contra o impacto do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA). Nas eleições parlamentares de 2003, o PAN perde mais cadeiras para o PRI.

Mesmo assim, como o México não tem reeleição para presidente, o PAN elege em 2006 Felipe Calderón, que declara guerra aos cartéis do tráfico de drogas sem conseguir acabar com eles, que compram armas e vendem drogas no mercado negro nos EUA.

quinta-feira, 4 de abril de 2024

Hoje na História do Mundo: 4 de Abril

FUNDAÇÃO DA OTAN

    Em 1949, em resposta ao Bloqueio de Berlim Ocidental decretado pelo ditador soviético Josef Stalin em 1948, os Estados Unidos, a Bélgica, o Canadá, a Dinamarca, a França, a Holanda, a Islândia, a Itália, a Noruega, Portugal e o Reino Unido assinam o Tratado de Washington, que cria a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

A OTAN se apresenta como uma aliança defensiva com o objetivo de impedir o expansionismo soviético na Europa. Sua regra básica está no art. 5, que considera que um ataque contra é um ataque contra todos.

Com o fim da Guerra Fria e a dissolução da União Soviética e do Pacto de Varsóvia, a aliança militar do Bloco Soviético, a OTAN fica sem inimigo, mas recebe a adesão de vários países da Europa Oriental temerosos da Rússia.

Em 27 de maio de 1997, a Rússia passa a fazer parte de um conselho conjunto com a OTAN. As relações começam a se deteriorar depois das revoluções coloridas, a Revolução Rosa em 2003 na Geórgia e a Revolução Laranja em 2004-5 na Ucrânia, que o ditador russo, Vladimir Putin viu influência do Ocidente.

Depois da anexação ilegal da Crimea pela Rússia, em 1º de abril de 2014, a OTAN suspende a cooperação com a Rússia. A invasão da Ucrânia, em 2022, leva a Finlândia e a Suécia, historicamente neutras, a entrar para a OTAN, que tem hoje 32 países.

LUTHER KING ASSASSINADO

    Em 1968, James Earl Ray mata a tiros num hotel em Memphis, no Tennessee, o reverendo Martin Luther King Jr., o principal líder da luta pacífica pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos.

Além da luta por direitos iguais, o Dr. King manifesta uma preocupação com a miséria e a desigualdade social nos EUA. Ele organiza a Marcha sobre Washington por Empregos e Liberdade, que reúne 250 mil pessoas diante do Memorial de Lincoln, em agosto de 1963, quando faz o famoso discurso Eu Tenho um Sonho, e cria a Campanha pelos Pobres, em 1968, planejando nova marcha sobre Washington.

O líder negro vai a Memphis apoiar uma greve de trabalhadores do setor de limpeza pública. Em 28 de março de 1968, lidera uma marcha que termina em choque com a polícia e a morte de um adolescente negro. 

Luther King deixa a cidade, mas volta no início de abril para liderar outra manifestação. Em 3 de abril, faz seu último discurso: "Vamos ter dias difíceis à frente. Mas isto não me preocupa porque eu estive no alto da montanha... Ele [Deus] me deixou subir a montanha. Eu olhei e vi a Terra Prometida. Posso não chegar lá com vocês. Mas quero que vocês saibam nesta noite que nós, como um povo, vamos chegar à Terra Prometida."

King está na sacada do quarto 306 do Motel Lorraine quando é baleado, às 18h01. Sua morte provocou uma explosão de violência em grandes cidades como Los Angeles, Chicago, Baltimore e Washington. Mahalia Jackson, grande amiga do pastor, cantou Take my Hand, Precious Lord no funeral.

Na noite do assassinato, a polícia encontrou uma espingarda de caça caída na rua a uma quadra do Motel Lorraine. Testemunhas e as impressões digitais revelaram a identidade do assassino. 

Ray, condenado por assalto à mão armada, foge da prisão em abril de 1967. Um ano depois, mata o Dr. King. Logo, começa uma caçada ao assassino. O FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, descobre que ele tirou um passaporte canadense,

Em 8 de junho, a polícia britânica Scotland Yard prende Ray no Aeroporto de Heathrow, em Londres, quando ele tenta chegar a Bélgica para ir para a Rodésia, hoje Zimbábue, na época dominada por um regime segregacionista da minoria branca semelhante ao apartheid da África do Sul.

Extraditado para os EUA, confessa o crime para não ser condenado à morte na cadeira elétrica. Pega uma pena de 99 anos de prisão. Depois, nega e afirma ter sido alvo de uma armação. A família King também duvida da versão oficial porque Luther King era vigiado constantemente pelos serviços secretos. Mas nenhum inquérito chegou a uma conclusão diferente: Ray matou o grande líder negro porque era racista. 

 PAZ EM ANGOLA

    Em 2002, depois de 27 anos de guerra civil desde a independência, o governo do Movimento Popular de Libertação da Angola (MPLA) assina um acordo de paz com a União Nacional pela Independência Total de Angola (UNITA).

Angola conquista a independência um ano depois da queda da ditadura salazarista em Portugal, a potência colonial, no fim de uma guerra de 14 anos, sob a égide do MPLA, um grupo guerrilheiro marxista leninista. A Frente Nacional de Libertação de Angola (FPLA) e a UNITA formam um governo paralelo em Huambo e pedem a ajuda da África do Sul para derrubar o regime comunista.

O governo recebe ajuda militar de Cuba, que envia 40 a 50 mil soldados e repele a invasão sul-africana. A FNLA foge para o exílio. A partir de 1985, a UNITA começa a receber ajuda dos EUA. A África do Sul também apoia a UNITA, enquanto o MPLA ajuda a guerrilha contra a ocupação sul-africana da África do Sudoeste, hoje Namíbia.

Em 1988, a África do Sul decide dar independência à Namíbia, o que fortalece o MPLA. Cuba concorda em se retirar de Angola até 1991. O MPLA negocia com a UNITA e são realizadas eleições em 1992. O governo vence, mas a UNITA consegue uma boa votação, denuncia fraude e volta à luta armada. 

No fim de 1992, a UNITA controla dois terços de Angola. Em 1993, os EUA e a África do Sul reconhecem a independência de Angola. O Acordo de Lusaka, de 20 de novembro de 1994, integra a UNITA ao governo. Em agosto de 1996, seu líder, Jonas Savimbi, aceita o título de líder da oposição.

A guerra civil na República Democrática do Congo complica a situação. A UNITA apoia o ditador Joseph Mobutu, que mudara o nome do país para Zaire em 1971, enquanto o MPLA  fica do lado dos rebeldes liderados por Laurent Kabila.

As hostilidades recomeçam. Com a morte de Savimbi pelas forças governistas, em fevereiro de 2002, a UNITA volta a negociar a paz.