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sexta-feira, 4 de abril de 2025

Hoje na História do Mundo: 4 de Abril

 FUNDAÇÃO DA OTAN

    Em 1949, em resposta ao Bloqueio de Berlim Ocidental decretado pelo ditador soviético Josef Stalin em 1948, os Estados Unidos, a Bélgica, o Canadá, a Dinamarca, a França, a Holanda, a Islândia, a Itália, a Noruega, Portugal e o Reino Unido assinam o Tratado de Washington, que cria a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

A OTAN se apresenta como uma aliança defensiva com o objetivo de impedir o expansionismo soviético na Europa. Sua regra básica está no art. 5, que considera que um ataque contra é um ataque contra todos.

Com o fim da Guerra Fria e a dissolução da União Soviética e do Pacto de Varsóvia, a aliança militar do Bloco Soviético, a OTAN fica sem inimigo, mas recebe a adesão de vários países da Europa Oriental temerosos da Rússia.

Em 27 de maio de 1997, a Rússia passa a fazer parte de um conselho conjunto com a OTAN. As relações começam a se deteriorar depois das revoluções coloridas, a Revolução Rosa em 2003 na Geórgia e a Revolução Laranja em 2004-5 na Ucrânia, em que o ditador russo, Vladimir Putin vê influência do Ocidente.

Depois da anexação ilegal da Crimea pela Rússia, em 1º de abril de 2014, a OTAN suspende a cooperação com a Rússia. A invasão da Ucrânia, em 2022, leva a Finlândia e a Suécia, historicamente neutras, a entrar para a OTAN, que tem hoje 32 países, e mostra que os antigos países do Bloco Soviético tinham razão ao entrar para a aliança atlântica.

LUTHER KING ASSASSINADO

    Em 1968, James Earl Ray mata a tiros num hotel em Memphis, no Tennessee, o reverendo Martin Luther King Jr., o principal líder da luta pacífica pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos.

Além da luta por direitos iguais, o Dr. King manifesta uma preocupação com a miséria e a desigualdade social nos EUA. Ele organiza a Marcha sobre Washington por Empregos e Liberdade, que reúne 250 mil pessoas diante do Memorial de Lincoln, em 28 de agosto de 1963, quando faz o famoso discurso Eu Tenho um Sonho, e cria a Campanha pelos Pobres, em 1968, planejando nova marcha sobre Washington.

O líder negro vai a Memphis apoiar uma greve de trabalhadores do setor de limpeza pública. Em 28 de março de 1968, lidera uma marcha que termina em choque com a polícia e a morte de um adolescente negro. 

Luther King deixa a cidade, mas volta no início de abril para liderar outra manifestação. Em 3 de abril, faz seu último discurso: "Vamos ter dias difíceis à frente. Mas isto não me preocupa porque eu estive no alto da montanha... Ele [Deus] me deixou subir a montanha. Eu olhei e vi a Terra Prometida. Posso não chegar lá com vocês. Mas quero que vocês saibam nesta noite que nós, como um povo, vamos chegar à Terra Prometida."

King está na sacada do quarto 306 do Motel Lorraine quando é baleado, às 18h01. Sua morte provocou uma explosão de violência em grandes cidades como Los Angeles, Chicago, Baltimore e Washington. Mahalia Jackson, grande amiga do pastor, canta Take my Hand, Precious Lord no funeral.

Na noite do assassinato, a polícia encontra uma espingarda de caça caída na rua a uma quadra do Motel Lorraine. Testemunhas e as impressões digitais revelam a identidade do assassino. 

Ray, condenado por assalto à mão armada, foge da prisão em abril de 1967. Um ano depois, mata o Dr. King. Logo, começa uma caçada ao assassino. O FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, descobre que ele tirou um passaporte canadense,

Em 8 de junho, a polícia britânica Scotland Yard prende Ray no Aeroporto de Heathrow, em Londres, quando ele tenta chegar a Bélgica para ir para a Rodésia, hoje Zimbábue, na época dominada por um regime segregacionista da minoria branca semelhante ao apartheid da África do Sul.

Extraditado para os EUA, Ray confessa o crime para não ser condenado à morte na cadeira elétrica. Pega uma pena de 99 anos de prisão. Depois, nega e afirma ter sido alvo de uma armação. A família King também duvida da versão oficial porque Luther King era vigiado constantemente pelos serviços secretos. Mas nenhum inquérito chegou a uma conclusão diferente: Ray matou o grande líder negro porque era racista. 

 PAZ EM ANGOLA

    Em 2002, depois de 27 anos de guerra civil desde a independência, o governo do Movimento Popular de Libertação da Angola (MPLA) assina um acordo de paz com a União Nacional pela Independência Total de Angola (UNITA).

Angola conquista a independência em 1975, um ano depois da queda da ditadura salazarista em Portugal, a potência colonial, no fim de uma guerra de 14 anos, sob a égide do MPLA, um grupo guerrilheiro marxista-leninista. A Frente Nacional de Libertação de Angola (FPLA) e a UNITA formam um governo paralelo em Huambo e pedem a ajuda da África do Sul para derrubar o regime comunista.

O governo recebe ajuda militar de Cuba, que envia 40 a 50 mil soldados e repele a invasão sul-africana. A FNLA foge para o exílio. A partir de 1985, a UNITA começa a receber ajuda dos EUA. A África do Sul também apoia a UNITA, enquanto o MPLA ajuda a guerrilha contra a ocupação sul-africana da África do Sudoeste, hoje Namíbia.

Em 1988, a África do Sul decide dar independência à Namíbia, o que fortalece o MPLA. Cuba concorda em se retirar de Angola até 1991. O MPLA negocia com a UNITA e são realizadas eleições em 1992. O governo vence, mas a UNITA consegue uma boa votação, denuncia fraude e volta à luta armada. 

No fim de 1992, a UNITA controla dois terços de Angola. Em 1993, os EUA e a África do Sul reconhecem a independência de Angola. O Acordo de Lusaka, de 20 de novembro de 1994, integra a UNITA ao governo. Em agosto de 1996, seu líder, Jonas Savimbi, aceita o título de líder da oposição.

A guerra civil na República Democrática do Congo complica a situação. A UNITA apoia o ditador Joseph Mobutu, que mudara o nome do país para Zaire em 1971, enquanto o MPLA  fica do lado dos rebeldes liderados por Laurent Kabila.

As hostilidades recomeçam. Com a morte de Savimbi pelas forças governistas, em fevereiro de 2002, a UNITA volta a negociar a paz.

quinta-feira, 4 de abril de 2024

Hoje na História do Mundo: 4 de Abril

FUNDAÇÃO DA OTAN

    Em 1949, em resposta ao Bloqueio de Berlim Ocidental decretado pelo ditador soviético Josef Stalin em 1948, os Estados Unidos, a Bélgica, o Canadá, a Dinamarca, a França, a Holanda, a Islândia, a Itália, a Noruega, Portugal e o Reino Unido assinam o Tratado de Washington, que cria a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

A OTAN se apresenta como uma aliança defensiva com o objetivo de impedir o expansionismo soviético na Europa. Sua regra básica está no art. 5, que considera que um ataque contra é um ataque contra todos.

Com o fim da Guerra Fria e a dissolução da União Soviética e do Pacto de Varsóvia, a aliança militar do Bloco Soviético, a OTAN fica sem inimigo, mas recebe a adesão de vários países da Europa Oriental temerosos da Rússia.

Em 27 de maio de 1997, a Rússia passa a fazer parte de um conselho conjunto com a OTAN. As relações começam a se deteriorar depois das revoluções coloridas, a Revolução Rosa em 2003 na Geórgia e a Revolução Laranja em 2004-5 na Ucrânia, que o ditador russo, Vladimir Putin viu influência do Ocidente.

Depois da anexação ilegal da Crimea pela Rússia, em 1º de abril de 2014, a OTAN suspende a cooperação com a Rússia. A invasão da Ucrânia, em 2022, leva a Finlândia e a Suécia, historicamente neutras, a entrar para a OTAN, que tem hoje 32 países.

LUTHER KING ASSASSINADO

    Em 1968, James Earl Ray mata a tiros num hotel em Memphis, no Tennessee, o reverendo Martin Luther King Jr., o principal líder da luta pacífica pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos.

Além da luta por direitos iguais, o Dr. King manifesta uma preocupação com a miséria e a desigualdade social nos EUA. Ele organiza a Marcha sobre Washington por Empregos e Liberdade, que reúne 250 mil pessoas diante do Memorial de Lincoln, em agosto de 1963, quando faz o famoso discurso Eu Tenho um Sonho, e cria a Campanha pelos Pobres, em 1968, planejando nova marcha sobre Washington.

O líder negro vai a Memphis apoiar uma greve de trabalhadores do setor de limpeza pública. Em 28 de março de 1968, lidera uma marcha que termina em choque com a polícia e a morte de um adolescente negro. 

Luther King deixa a cidade, mas volta no início de abril para liderar outra manifestação. Em 3 de abril, faz seu último discurso: "Vamos ter dias difíceis à frente. Mas isto não me preocupa porque eu estive no alto da montanha... Ele [Deus] me deixou subir a montanha. Eu olhei e vi a Terra Prometida. Posso não chegar lá com vocês. Mas quero que vocês saibam nesta noite que nós, como um povo, vamos chegar à Terra Prometida."

King está na sacada do quarto 306 do Motel Lorraine quando é baleado, às 18h01. Sua morte provocou uma explosão de violência em grandes cidades como Los Angeles, Chicago, Baltimore e Washington. Mahalia Jackson, grande amiga do pastor, cantou Take my Hand, Precious Lord no funeral.

Na noite do assassinato, a polícia encontrou uma espingarda de caça caída na rua a uma quadra do Motel Lorraine. Testemunhas e as impressões digitais revelaram a identidade do assassino. 

Ray, condenado por assalto à mão armada, foge da prisão em abril de 1967. Um ano depois, mata o Dr. King. Logo, começa uma caçada ao assassino. O FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, descobre que ele tirou um passaporte canadense,

Em 8 de junho, a polícia britânica Scotland Yard prende Ray no Aeroporto de Heathrow, em Londres, quando ele tenta chegar a Bélgica para ir para a Rodésia, hoje Zimbábue, na época dominada por um regime segregacionista da minoria branca semelhante ao apartheid da África do Sul.

Extraditado para os EUA, confessa o crime para não ser condenado à morte na cadeira elétrica. Pega uma pena de 99 anos de prisão. Depois, nega e afirma ter sido alvo de uma armação. A família King também duvida da versão oficial porque Luther King era vigiado constantemente pelos serviços secretos. Mas nenhum inquérito chegou a uma conclusão diferente: Ray matou o grande líder negro porque era racista. 

 PAZ EM ANGOLA

    Em 2002, depois de 27 anos de guerra civil desde a independência, o governo do Movimento Popular de Libertação da Angola (MPLA) assina um acordo de paz com a União Nacional pela Independência Total de Angola (UNITA).

Angola conquista a independência um ano depois da queda da ditadura salazarista em Portugal, a potência colonial, no fim de uma guerra de 14 anos, sob a égide do MPLA, um grupo guerrilheiro marxista leninista. A Frente Nacional de Libertação de Angola (FPLA) e a UNITA formam um governo paralelo em Huambo e pedem a ajuda da África do Sul para derrubar o regime comunista.

O governo recebe ajuda militar de Cuba, que envia 40 a 50 mil soldados e repele a invasão sul-africana. A FNLA foge para o exílio. A partir de 1985, a UNITA começa a receber ajuda dos EUA. A África do Sul também apoia a UNITA, enquanto o MPLA ajuda a guerrilha contra a ocupação sul-africana da África do Sudoeste, hoje Namíbia.

Em 1988, a África do Sul decide dar independência à Namíbia, o que fortalece o MPLA. Cuba concorda em se retirar de Angola até 1991. O MPLA negocia com a UNITA e são realizadas eleições em 1992. O governo vence, mas a UNITA consegue uma boa votação, denuncia fraude e volta à luta armada. 

No fim de 1992, a UNITA controla dois terços de Angola. Em 1993, os EUA e a África do Sul reconhecem a independência de Angola. O Acordo de Lusaka, de 20 de novembro de 1994, integra a UNITA ao governo. Em agosto de 1996, seu líder, Jonas Savimbi, aceita o título de líder da oposição.

A guerra civil na República Democrática do Congo complica a situação. A UNITA apoia o ditador Joseph Mobutu, que mudara o nome do país para Zaire em 1971, enquanto o MPLA  fica do lado dos rebeldes liderados por Laurent Kabila.

As hostilidades recomeçam. Com a morte de Savimbi pelas forças governistas, em fevereiro de 2002, a UNITA volta a negociar a paz.

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Oposição acusa ditadura de Angola de se eleger com dinheiro da Odebrecht

A União Nacional pela Independência Total de Angola (Unita) acusou ontem o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder desde a independência do país, em 1975, de receber US$ 50 milhões de dinheiro sujo da empreiteira brasileira Odebrecht nas eleições de 2012.

O escândalo foi revelado na Operação Lava Jato aqui no Brasil. A denúncia de Raul Danda, vice-presidente da Unita e candidato a vice-presidente nas eleições de agosto, se baseia nas delações premiadas dos marqueteiros do Partido dos Trabalhadores (PT), João Santana e Mônica Moura, indicados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para fazerem a campanha eleitoral do ditador José Eduardo dos Santos, no poder desde 1979.

Em 2012, "o ex-presidente brasileiro deslocou-se a Luanda na companhia do então presidente da Odebrecht, Emilio Odebrecht. O presidente José Eduardo dos Santos manifestou-lhes o interesse em contratar o publicitário João Santana e seus interlocutores prontificaram-se em contatar e persuadir o publicitário a fazer a campanha do MPLA", afirmou o líder da Unita.

Com "o custo do serviço no valor de US$ 50 milhões", a contratação só seria possível "se o publicitário aceitasse receber o dinheiro da Odebrecht." Foram fechados dois contratos: "o primeiro, de US$ 30 milhões, com a empresa do publicitário e o segundo, de US$ 20 milhões, entre a mulher do publicitário e o responsável da Odebrecht Angola".

Para Raul Danda, foi "uma ilicitude eleitoral e um atentado à independência, à unidade nacional e à democracia no país."

Depois de 38 anos no poder, Santos não é candidato à reeleição. O candidato governista é o general João Lourenço, atual ministro da Defesa. A Unita também denuncia o utilização abusiva das Forças Armadas na atual campanha.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Fraude e corrupção mancham governo de Angola

Com a cumplicidade do Brasil e dos Estados Unidos, José Eduardo dos Santos acaba de ser reconduzido à Presidência de Angola, que disputa com a Nigéria a posição de maior produtor de petróleo da África. É o segundo ditador há mais tempo no poder no continente, desde 1979.

Em 31 de agosto de 2012, o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder desde a independência do país, venceu as eleições parlamentares com 72%, sob os protestos da oposição, que teve cerca de um quarto da votação e denunciou fraude.

Foram as terceiras eleições em 37 anos de governo deste antigo grupo guerrilheiro marxista que liderou a guerra contra Portugal. Os diplomatas europeus e norte-americanos não foram autorizados a monitorar o pleito.

A União Nacional para a Independência Total de Angola (Unita), principal partido de oposição, dobrou sua votação, mas não chegou a 19% do total. Acusa agentes do governo de depositar votos falsos nas urnas e o MPLA de ter influência excessiva sobre a Comissão Nacional Eleitoral.

Há meses, a Unita denuncia um plano do governo para colocar agentes em todas as seções eleitorais para executar a fraude. Em províncias onde a oposição é mais forte, como Benguela, Cabinda e Huambo, muitas seções abriram mais tarde do que deveriam.

Isso explicaria a queda na participação, que foi de 80% em 2008 e de apenas 60% agora.

Os diplomatas europeus e norte-americanos não puderam fiscalizar as eleições angolanas. Só a Embaixada Britânica pediu 15. Recebeu apenas três, na noite da véspera das eleições e na distante província de Lunda Norte, onde não haveria tempo para chegar.

Diplomatas dos EUA também tiveram pedidos recusados. Mesmo assim, em 5 de setembro, o Departamento de Estado divulgou declaração elogiando o "engajamento cívico" dos partidos e pedindo ao governo "uma investigação e soluções rápidas para todas as denúncias de irregularidades nas eleições". O MPLA interpretou a nota como o reconhecimento de sua vitória, observa o sítio Africa Confidential.

A União Africana, a Comunidade dos Países da África Austral, a organização dos Grandes Lagos, a Comunidade dos Países da África Ocidental e a Lusofonia, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, liderada pelo Brasil, que puderam monitorar, consideraram as eleições livres, limpas e justas.