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quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Presidente do Peru tenta dar golpe, é destituído e preso

Para tentar escapar do terceiro processo de impeachment, com seis inquéritos sobre corrupção no governo, o presidente do Peru, Pedro Castillo, dissolveu hoje o Congresso, mas foi ignorado. Sem apoio nem de seu próprio partido, Peru Livre, foi destituído "por incapacidade moral permanente" e preso. 

A vice-presidente Dina Boluarte assumiu a Presidência. É a primeira mulher a ocupar o cargo e a sétima pessoa a presidir o país nos últimos seis anos.

Na sua tentativa de golpe, Castillo anunciou a dissolução do Congresso, decretou estado de emergência e toque de recolher noturno, convocou eleições parlamentares antecipadas, prometeu uma nova Constituição e admitiu estar impondo um "regime de exceção" sob o pretexto de "restabelecer o Estado democrático de direito e a democracia".

Nenhum partido, nem o esquerdista Peru Livre, pelo qual se elegeu, o apoiou, nem as Forças Armadas. Por 101 a 6 votos, com 10 abstenções, o Congresso unicameral de 130 cadeiras destituiu Castillo. A Corte Constitucional (supremo tribunal) chamou a manobra do presidente de golpe de Estado e chancelou a posse da vice-presidente Boluarte, rompida com Castillo há semanas.

O presidente deposto foi preso ao sair do palácio por delito de rebelião ao atentar contra a ordem constitucional e levado para a Prefeitura de Lima. Havia boatos de que buscaria refúgio nas embaixadas da Bolívia, do México ou da Venezuela. Tentou ir para a Embaixada do México. Foi preso por sua própria escolta. O ministro do Exterior mexicano, Marcelo Ebrard, ofereceu asilo político.

A nova presidente revogou o estado de emergência e o toque de recolher, e prometeu "um amplo diálogo com todas as forças políticas, representadas no Congresso ou não." 

Dina Boluarte não está filiada a nenhum partido político. Foi expulsa do Peru Livre em janeiro. Na sua primeira declaração como presidente, considerou imprescindível "retomar o crescimento econômico com inclusão" e "emprego digno".

Para isso, Boluarte pediu ao Congresso "uma trégua política para instalar um governo de unidade nacional", definiu como "impostergável" uma reforma política e prometeu apoio ao Ministério Público "para ingressar sem meias tintas nas estruturas corrompidas pelas máfias no interior do Estado."

O Peru foi o país com a maior taxa de mortalidade do mundo na pandemia. Com 80% da população na economia informal, foi impossível manter o distanciamento social. A economia peruana caiu 11% em 2020 e se recuperou, com alta de 13,3% em 2021. A taxa de crescimento em 12 meses ficou em 1,7% no fim do terceiro trimestre de 2022.

CORRUPÇÃO ENDÊMICA

Todos os presidentes do Peru desde 1990 foram ou estão sendo processados. Alberto Fujimori (1990-2000), que fechou o Congresso e a Corte Suprema num golpe em 1992, foi condenado por corrupção e violações dos direitos humanos. Outros quatro foram envolvidos em escândalos de corrupção da construtora brasileira Odebrecht.

Alejandro Toledo (2001-6) fugiu para os Estados Unidos, onde está em prisão domiciliar aguardando um processo de extradição. É acusado de receber US$ 20 milhões da Odebrecht. Seu sucessor, Alan García (2006-11), que havia governado o Peru de 1985 a 1990, antes de Fujimori, se matou para não ser preso em 17 de abril de 2019.

Durante a campanha eleitoral de 2016, a Polícia Federal do Brasil revelou que o então presidente Ollanta Humala (2011-16) recebera US$ 3 milhões da Odebrecht para a campanha eleitoral de 2011. Ele e a mulher foram presos.

Outro alvo da Operação Lava Jato e da Odebrecht, Pedro Pablo Kuczynski (2016-18), ex-primeiro-ministro, caiu com um ano e sete meses de governo. Renunciou um mês antes de receber a ordem de prisão. 

Seu vice-presidente, Martín Vizcarra (2018-20), durou um pouco mais, dois anos e sete meses. Caiu no segundo impeachment por "incapacidade moral" em virtude de um escândalo de suborno quando era governador do Departamento de Moquegua.

Em seu lugar, assumiu o presidente do Congresso, Manuel Merino, que durou apenas cinco dias. Caiu sob pressão de protestos populares contra o impeachment que tiveram duas mortes. Outro presidente do Congresso, Francisco Sagasti (2020-21) governou por oito meses para completar o mandato.

Esquerdista radical, mas conservador na política de costumes, contra o aborto e o casamento gay, José Pedro Castillo Terrones liderou uma greve de professores em 2017 para exigir aumento salarial, pagamento da dívida social, revogação da Lei da Carreira Pública do Magistério e mais dinheiro para a educação. 

Castillo prometeu na campanha anular todos os contratos com mineradoras, estatizar o setor e alterar a Constituição para permitir maior intervenção estatal na economia. Os setores empresariais temiam uma chavistização do Peru, mas ele era mais comparado ao ex-presidente boliviano Evo Morales.

Em 2021, Castillo, que foi votar a cavalo, era o candidato antissistema, do Centro e do Sul, do interior pobre. Era o azarão que veio de trás, atropelou, teve pouco mais de 15% no primeiro turno e bateu Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Fujimori, derrotada pela terceira vez no segundo turno, desta vez por 44 mil votos (50,13% a 49,87%). Tomou posse em 28 de julho de 2021.

Durante um ano e quatro meses, Castillo teve cinco primeiros-ministros. Sem maioria parlamentar, sempre foi um governo instável. O rompimento com o líder do Peru Livre, Vladimir Cerrón, tirou a base parlamentar do governo, que já era minoritária. Condenado por corrupção, Cerrón não podia se candidatar. Lançou Castillo. Hoje o partido votou pelo impeachment.

As acusações se agravaram há dois meses, quando a procuradora Patricia Benavides denunciou o presidente como líder de uma "organização criminosa", de uma trama criminosa "enquistada no Palácio do Governo" para "a obtenção de benefícios econômicos através da nomeação para postos-chaves, da cobrança de porcentagens de licitações realizadas ilicitamente e do uso ilícito da prerrogativas presidenciais." A procuradora também denúncia ter recebido "ameaças contra ela e sua família".

Foi o primeiro presidente peruano a não sair da elite limenha. Nas palavras do jornal espanhol El País, Castillo "é o Peru que não mora em Lima, que não está no Twitter e a quem ninguém prestou atenção durante a campanha eleitoral."

terça-feira, 1 de outubro de 2019

Peru tem dois presidentes em nova crise política

Em luta contra a corrupção, o presidente Martín Vizcarra dissolveu hoje o Congresso do Peru, que rejeitou a medida, destituiu o presidente e deu posse à vice-presidente Mercedes Aráoz, deixando o país com dois presidentes e Executivo e Legislativo que não se reconhecem. 

Vizcarra declarou em pronunciamento na televisão que convocou novas eleições legislativas depois que o Congresso resolveu substituir quase todos os membros do Supremo Tribunal de Justiça, numa manobra da maioria fujimorista.

"Estamos fazendo história e seremos lembrados pelas futuras gerações", afirmou o presidente. "Quando fizerem isso, espero que entendam a magnitude desta luta em que estamos hoje contra um mal endêmico que causa muito prejuízo ao país."

Depois do Brasil, o Peru foi o país mais atingido pelos escândalos de corrupção revelados pela Operação Lava Jato. Todos os últimos presidentes estão sendo presos ou processados. O ex-ditador Alberto Fujimori foi condenado a 25 anos de prisão por corrupção e violações dos direitos humanos.

Os mais recentes foram vítimas dos escândalos da construtora brasileira Odebrecht. Alan García se suicidou para não ser preso. Alejandro Toledo está com prisão decretada. Escapou por viver nos Estados Unidos. Ollanta Humala e a mulher foram presos e agora aguardam julgamento em liberdade. Pedro Pablo Kuczynski foi pressionado a renunciar no ano passado e está em prisão domiciliar.

A ex-deputada Keiko Fujimori, filha do ex-ditador, candidata derrotada nas duas últimas eleições presidenciais, está presa preventivamente sob a acusação de lavagem de dinheiro. Ao mudar a composição do Supremo, a oposição visava a beneficiá-la.

Agora à noite, Aráoz renunciou ao cargo. Por enquanto, Vizcarra está ganhando, mas a batalha entre a Presidência, o Congresso e o Supremo Tribunal de Justiça do Peru está longe de terminar.

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Ex-presidente do Peru se mata para não ser preso por corrupção

O ex-presidente peruano Alan García Pérez se suicidou com um tiro na cabeça hoje para não ser preso por corrupção num desdobramento da Operação Lava Jato no país vizinho. 

Outros dois ex-presidentes do Peru, Ollanta Humala e Pedro Pablo Kuczynski, foram presos por receber suborno da construtora Odebrecht. Alejandro Toledo está refugiado nos Estados Unidos. 

Uma candidata derrotada, Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, condenado por corrupção e violação dos direitos humanos, está em prisão preventiva por receber dinheiro sujo da Odebrecht para a campanha eleitoral de 2011.

Ao ser interpelado pela polícia em sua casa, no aristocrático bairro de Miraflores, em Lima, hoje de manhã, García pediu para ir até o quarto telefonar para seu advogado e se deu um tiro na cabeça, contou o ministro do Interior do Peru, Carlos Morán, citado pelo jornal La República.

García foi levado para o Hospital Casimiro Ulloa. Horas depois, a ministra da Saúde, Zulema Tomás Gonzáles, anunciou a morte depois de três paradas cardíacas.

A Odebrecht depositou o dinheiro sujo na conta de Miguel Atala e de lá foi para Chalán, apelido de Luis Nava, ex-secretário particular de García. O ex-presidente negava ter conhecimento do depósito e da ilegalidade das transações.

Alan García era da Aliança Popular Revolucionária Americana (APRA), o principal partido populista da esquerda do Peru, fundado por Víctor Raúl Haya de la Torre. Do ponto de vista político e ideológico, era uma espécie de Leonel Brizola peruano.

García governou o Peru duas vezes. Na primeira, de 1985 a 1990, fez uma administração desastrosa, marcada pela hiperinflação de 7.694% em 1990 e a rebelião armada do grupo terrorista de esquerda Sendero Luminoso.

A crise profunda levou à eleição em 1990 de Alberto Fujimori, de origem japonesa, que deu um golpe de Estado em 1992, fechando o Congresso e a Corte Suprema. Mesmo assim, García, convertido à economia de mercado, foi reeleito em 2006 para um segundo mandato. Nessa campanha, teria recebido dinheiro ilícito da Odebrecht.

Seu ex-secretário Luis Nava e o ex-ministro Enrique Cornejo foram presos nas atuais diligências. Depois do Brasil, o Peru foi o país mais atingido pela Lava Jato. García tentou pedir asilo político ao Uruguai, mas foi rejeitado.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Ex-procuradora-geral da Venezuela pede prisão de Maduro

A ex-procuradora-geral da Venezuela Luisa Ortega Díaz pediu hoje ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) no exílio que emita uma ordem de prisão internacional do ditador Nicolás Maduro, além do congelamento de seus bens e suas contas bancárias no exterior por causa de um escândalo de corrupção envolvendo a construtora brasileira Odebrecht.

O TSJ no exílio reúne em Bogotá, a capital da Colômbia, juízes indicados pela Assembleia Nacional eleita democraticamente em 6 de dezembro de 2015, que saíram do país sob ameaça de prisão da ditadura de Maduro.

Ortega Díaz apresentou ao tribunal uma série de documento e provas indicando que o regime chavista contratou junto à Odebrecht obras públicas superfaturadas no valor de US$ 2,5 bilhões. Em troca, teria recebido propina e dinheiro para campanha eleitoral.

A audiência para decidir se a denúncia será aceita está marcada para terça-feira, 10 de abril, às 9h (11h em Brasília). Maduro, que acusa a Colômbia de conspirar com os Estados Unidos para derrubá-lo, não vai ao tribunal no exílio.

Chavista histórica, Ortega Díaz rompeu com o regime quando Maduro convocou uma Assembleia Nacional Constituinte ilegal e ilegítima, eleita sob medida, para tirar o poder da Assembleia Nacional democraticamente eleita e mudar a Constituição da República Bolivarista da Venezuela, que ela considera a grande herança de Hugo Chávez.

Destituída pela Constituinte em 5 de agosto do ano passado, a ex-procuradora fugiu da Venezuela de barco duas semanas depois para a ilha de Aruba, no Mar do Caribe, de onde foi para Bogotá, na Colômbia. Desde então, faz campanha pelo mundo contra a ditadura de Maduro.

Em 16 de novembro de 2017, Luisa Ortega denunciou Maduro e outros dirigentes venezuela por crime contra a humanidade junto ao Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia, na Holanda.

quinta-feira, 22 de março de 2018

Guerra dos Fujimori e Odebrecht derrubam presidente do Peru

A três semanas da Cúpula das Américas, a que devem comparecer Donald Trump e Raúl Castro, o país-sede está sem presidente. Depois de um ano e oito meses no cargo, Pedro Pablo Kuczynski renunciou ontem à Presidência do Peru, em meio a uma guerra dos irmãos Fujimori. 

Kuczynski evitou uma segunda votação no Congresso para afastá-lo por envolvimento em escândalo com a construtora brasileira Norberto Odebrecht, de quem neste caso recebeu US$ 3 milhões quando era primeiro-ministro do presidente Alejando Toledo, em 2005-6, através da empresa Westfield Capital, noticiou o jornal peruano El Comercio

"Não quero ser um entulho para que nossa nação encontre o caminho da harmonia que tanto necessita e a mim negaram. Não quero que a pátria sofra. Trabalhei honestamente durante 60 anos da minha vida", declarou o presidente na televisão, pretextando inocência.

Ele será substituído pelo vice-presidente Martín Vizcarra, que era embaixador no Canadá e deve assumir o cargo na sexta-feira. Do exterior, Vizcarra declarou-se "indignado" e estar "pronto para servir o país". Sem maioria no Congresso, já sofre pressões para fazer apenas um governo de transição até uma eleição presidencial antecipada. O atual mandato vai até 2021.

No fim do ano passado, para escapar do primeiro processo de impeachment, Kuczynski deu um indulto ao ex-ditador Alberto Fujimori, que cumpria pena de 25 anos por violações dos direitos humanos durante seu governo.

Em troca, o deputado Kenji Fujimori conseguiu os 10 votos necessários para salvar PPK, como é conhecido popularmente, do primeiro processo de impeachment, por receber US$ 4 milhões da Odebrecht através de empresas de consultoria. Até poucos dias atrás, a mesma fórmula parecia prestes a dar nova sobrevida a PPK.

Traída pelo próprio irmão, a ex-deputada Keiko Fujimori, derrotada por Kuczynski no segundo turno da eleição presidencial peruana de 2016, divulgou agora um vídeo em que Kenji oferecia uma negociata com obras públicas numa compra de voto para salvar Kuczynski.

Foi o golpe final. Um ministro e dois deputados do PPK (Peruanos pelo Câmbio), partido criado para lançar a candidatura de Kuczynski à Presidência, pediram a renúncia: "A investidura presidencial vai muito além das pessoas. É necessário proteger as instituições. Por isso, com muito pesar, senhor presidente, lhe peço que dê um passo ao lado."

A Procuradoria-Geral da República pediu à Justiça que proíba a saída do país do ex-presidente.Três deputados e dois ministros também serão investigados por causa dos keikovídeos. Eles estão sendo comparados aos vladivídeos, em que o chefe do serviço secreto de Fujimori desmoraliza inimigos do regime depois do golpe de 1992.

O próprio papa Francisco ironizou, na última visita ao país: "O que há no Peru que todos os ex-presidentes são presos?"

Fujimori (1990-2000) recebeu indulto, mas a Justiça decidiu que o perdão de PPK não se aplica a outros casos. Toledo (2001-6) vive nos Estados Unidos, onde há um pedido de extradição. Alán García (2006-11) está sendo investigado. Ollanta Humala (2011-16) e sua mulher Nadine Heredia estão presos.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Equador acaba com reeleição presidencial sem limites

Num plebiscito para encerrar a carreira política do ex-presidente Rafael Correa, 64% dos votantes aprovaram ontem em referendo uma proposta para acabar com a reeleição indefinida do presidente do Equador, noticiou o jornal equatoriano El Comercio

A "morte civil" dos condenados por corrupção, que não poderão mais exercer funções públicas, teve o apoio de 74%, um pouco mais do que o fim da prescrição dos crimes sexuais contra crianças, aprovado por 73,73%.

O Conselho Nacional Eleitoral, que ainda deve divulgar o resultado oficial, anunciou a participação de 82% do eleitorado nos sete plebiscitos. Na prática, a consulta popular enterra a versão equatoriana do "socialismo do século 21" pregado pelo finado caudilho venezuelano Hugo Chávez.

Eleito com o apoio de Correa, o presidente Lenín Moreno rompeu com o padrinho e festejou o resultado: "Hoje é o tempo dos jovens líderes. Partidos políticos: renovem-se! O povo disse sim. Os políticos que ansiavam se eternizar no poder não voltarão nunca mais. O Equador disse sim", escreveu ele no Twitter.

O ex-presidente Correa, que se mudou para a Bélgica, depôs nesta segunda-feira em Quito num processo sobre negócios com a Petrochina para venda de petróleo à China e à Tailândia.

A ruptura entre Moreno e Correa foi marcada pela prisão e condenação do ex-vice-presidente Jorge Glas num escândalo de corrupção envolvendo a empreiteira brasileira Odebrecht.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Fujimori recebe indulto em troca da absolvição do atual presidente do Peru

O ex-ditador Alberto Fujimori, condenado a 25 anos de cadeia por corrupção e violações dos direitos humanos, recebeu indulto de Natal e saiu da prisão depois de cumprir apenas dez anos, informou o jornal peruano La República

A medida está sendo vista como moeda de troca do atual presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, que escapou de um processo de impeachment na semana passada por receber dinheiro da propina da construtora brasileira Odebrecht.

Em 16 de dezembro de 2016, a Unidade Anticorrupção da Procuradoria-Geral do Peru abriu investigação contra Kuczynski por ajudar a Odebrecht a ganhar uma concorrência em 2006, quando era primeiro-ministro do governo Alejandro Toledo (2001-6). Em dezembro de 2015, houve um depósito de US$ 4 milhões de dólares nas ilhas Cayman na conta de uma empresa cujo único funcionário é Kuczynski.

Na votação do impeachment, em 21 de dezembro, o presidente perdeu a votação por 78 a 9, mas eram necessários 87 votos para destituí-lo. PPK, como é conhecido no Peru, se safou graças ao apoio da bancada fujimorista. O deputado Kenji Fujimori, filho do ex-ditador, e outros nove deputados do grupo se abstiveram.

O partido Força Popular, liderado pela ex-deputada Keiko Fujimori, filha do ex-ditador, conquistou uma maioria de 73 deputados na Assembleia Nacional, de 130 cadeiras, nas eleições do ano passado.

Em nota oficial, a Presidência do Peru justificou o "indulto humanitário" sob a alegação de que Fujimori sofre de uma doença degenerativa incurável e que as condições do cárcere representavam um grande risco à sua saúde, sua integridade e sua vida.

Ao chegar ontem à clínica onde o pai estava internado, a ex-deputada Keiko Fujimori, derrotada no segundo turno nas duas últimas eleições presidenciais, agradeceu ao atual presidente e declarou que "fez-se justiça".

Já a organização não governamental Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos) chamou o acordo de "negociação vulgar": "Em vez de reafirmar que no Estado de Direito não cabe tratamento especial a ninguém, ficará para sempre a ideia de que sua libertação foi uma negociação política vulgar em troca da permanência de PPK no poder."

A líder do movimento Novo Peru, Verónika Mendoza, candidata de esquerda derrotada na eleição presidencial de 2018, acusou PPK de, "mais uma vez, agir como um vendilhão da pátria". A deputada Marisa Glave, da mesma aliança, acusou o ministro da Justiça de mentir ao país. Desde 18 de dezembro, o governo teria orientado o ministério a preparar o indulto do ex-ditador.

Alberto Fujimori foi eleito presidente do Peru em 1990, derrotando no segundo turno o escritor e ganhador do Prêmio Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa, que defendia uma plataforma liberal. Sem maioria no Parlamento, deu um autogolpe de Estado em 5 de abril de 1992, dissolvendo a Assembleia Nacional e fechando temporariamente o Supremo Tribunal.

No poder, ele conseguiu acabar com a hiperinflação herdada do governo Alan García (1985-90) e derrotar o grupo guerrilheiro de esquerda Sendero Luminoso, responsável por uma guerra civil com mais de 70 mil mortes, 54% atribuídas aos rebeldes. A campanha antiterrorista, liderada pelo chefe do serviço secreto, coronel Vladimiro Montesinos, foi marcada por massacres e uma violência brutal.

Depois de uma eleição fraudulenta no ano 2000, sob pressão interna e externa, diante de um escândalo revelando os esquemas de corrupção operados por Montesinos. Em 16 de setembro daquele ano, Fujimori extinguiu o Serviço de Inteligência Nacional (SIN) e anunciou a convocação de novas eleições gerais, inclusive para presidente.

Montesinos fugiu clandestinamente em 29 de outubro. Fujimori viajou em 13 de novembro para a reunião de cúpula anual do fórum de Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (APEC), naquele ano realizada em Brunei, depois foi para Tóquio e se asilou no Japão. Em 19 de novembro, o presidente enviou uma carta renunciando ao cargo.

Como o Japão rejeitou os pedidos de extradição, Fujimori se refugiou na terra de seus antepassados. Só voltou à América Latina em 6 de novembro de 2005, entrando por Santiago do Chile. Detido a pedido do Peru, ele foi extraditado para o Chile em 22 de setembro de 2007 por decisão da Corte Suprema, depois de uma longa batalha judicial.

Em 2 de janeiro de 2010, ao fim de vários processos, a pena de 25 anos de prisão por violações dos direitos humanos foi confirmada em decisão final. No ano passado, um pedido de nulidade foi rejeitado. Ontem, Kuczynski deu o perdão presidencial indevido e inesperado, resultado direto do processo de corrupção envolvendo a Odebrecht e o governo peruano.

O ex-presidente Ollanta Humala e sua mulher, Nadine Heredia, ambos detidos, receberam hoje os filhos na prisão no dia de Natal. Eles são acusados de receber US$ 3 milhões da Odebrecht.

sábado, 14 de outubro de 2017

Odebrecht deu US$ 35 milhões à campanha de Maduro

Em vídeo divulgado pela ex-procuradora-geral da Venezuela Luisa Ortega Díaz, o ex-diretor-presidente da construtora Odebrecht no país, Euzenando Azevedo, afirma ter entregue US$ 35 milhões (R$ 112 milhões) à campanha eleitoral do presidente Nicolás Maduro em abril de 2013, um mês depois da morte do caudilho Hugo Chávez, noticiou o jornal espanhol El País.

Maduro teria enviado América Mata como intermediaria para negociar a entrega. Desde o início do ano, a imprensa venezuelana revela como a Odebrecht subornou políticos locais para conseguir obras e aditivos para aumentar o preço das obras. Azevedo confessou os crimes numa delação premiada no Brasil.

Sob ameaça do regime chavista depois de denunciar a fraudulenta Assembleia Nacional Constituinte convocada por Maduro, Luisa Ortega fugiu de lancha da Venezuela e esteve no Brasil, onde acusou o número dois do regime, o ex-presidente da Assembleia Nacional Diosdado Cabello, de receber US$ 100 milhões (R$ 319 milhões) em propina através de uma empresa espanhola em nome de dois primos.

As obras da Odebrecht no exterior eram financiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Ex-procuradora-geral acusa Maduro de roubar milhões de dólares

A ex-procuradora-geral da Venezuela Luisa Ortega Díaz afirmou hoje em São José, na Costa Rica, ter provas de que o ditador Nicolás Maduro desviou entre US$ 8 milhões e US$ 10 milhões dos cofres públicos, informou o jornal Latin American Herald Tribune.

"Há muitos altos funcionários comprometidos com a corrupção envolvendo a [companhia brasileira] Odebrecht, além do fato de que o presidente Maduro tirou de US$ 8 milhões a US$ 10 milhões do Tesouro em dinheiro e entregou-o a uma empresa importante", declarou Luisa Ortega. Ela fugiu da Venezuela de lancha depois da decretação da prisão de seu marido, o deputado Germán Ferrer, também dissidente do chavismo.

De acordo com a acusação, "a Contextus Comunicación Corporativa foi usada como uma empresa de fachada" para dissimular a corrupção. Esta companhia é de Monika Ortigosa, mulher de Alejandro Escarra, sobrinho de Hermann Escarra, deputado da Assembleia Nacional Constituinte criada por Maduro para tirar os poderes da Assembleia Nacional eleita democraticamente, onde a oposição tem maioria de dois terços.

Ortega Díaz rompeu com o regime chavista ao denunciar a Constituinte de Maduro como ilegal e ilegítima. Foi demitida pela Constituinte em 5 de agosto. Teve seu passaporte cassado e foi acusada pelas 127 mortes ocorridas em confrontos entre manifestantes, a polícia e milicianos chavistas desde o íncio de abril

A ex-procuradora-geral citou nominalmente como envolvidos em casos de corrupção o ex-vice-presidente Elías Jaua, Jorge Rodríguez, Jesse Chacón, Maximilian Sánchez e o ex-presidente da Assembleia Nacional Diosdado Cabello, considerado o número dois da ditadura venezuelana. As provas foram entregues ao Departamento da Justiça dos Estados Unidos e ao procurador-geral da Costa Rica, Jorge Chavarría, presidente da Associação Ibero-Americana de Ministérios Públicos.

Ao justificar sua decisão, Ortega alegou que, "na Venezuela, não é possível fazer justiça, então estou entregando as provas a diferentes países". Ela não pretende voltar a seu país para não ser presa. Prometeu lutar "pelo retorno da democracia e da liberdade".

quinta-feira, 29 de junho de 2017

Oposição acusa ditadura de Angola de se eleger com dinheiro da Odebrecht

A União Nacional pela Independência Total de Angola (Unita) acusou ontem o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder desde a independência do país, em 1975, de receber US$ 50 milhões de dinheiro sujo da empreiteira brasileira Odebrecht nas eleições de 2012.

O escândalo foi revelado na Operação Lava Jato aqui no Brasil. A denúncia de Raul Danda, vice-presidente da Unita e candidato a vice-presidente nas eleições de agosto, se baseia nas delações premiadas dos marqueteiros do Partido dos Trabalhadores (PT), João Santana e Mônica Moura, indicados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para fazerem a campanha eleitoral do ditador José Eduardo dos Santos, no poder desde 1979.

Em 2012, "o ex-presidente brasileiro deslocou-se a Luanda na companhia do então presidente da Odebrecht, Emilio Odebrecht. O presidente José Eduardo dos Santos manifestou-lhes o interesse em contratar o publicitário João Santana e seus interlocutores prontificaram-se em contatar e persuadir o publicitário a fazer a campanha do MPLA", afirmou o líder da Unita.

Com "o custo do serviço no valor de US$ 50 milhões", a contratação só seria possível "se o publicitário aceitasse receber o dinheiro da Odebrecht." Foram fechados dois contratos: "o primeiro, de US$ 30 milhões, com a empresa do publicitário e o segundo, de US$ 20 milhões, entre a mulher do publicitário e o responsável da Odebrecht Angola".

Para Raul Danda, foi "uma ilicitude eleitoral e um atentado à independência, à unidade nacional e à democracia no país."

Depois de 38 anos no poder, Santos não é candidato à reeleição. O candidato governista é o general João Lourenço, atual ministro da Defesa. A Unita também denuncia o utilização abusiva das Forças Armadas na atual campanha.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Maduro nomeia filho para fiscalizar obras da Odebrecht

Enquanto dez países da América Latina abrem inquéritos para investigar as denúncias de corrupção envolvendo a construtora Odebrecht reveladas pela Operação Lava Jato, a ditadura chavista da Venezuela trabalha ativamente para acobertar seus crimes. O presidente Nicolás Maduro nomeou seu filho Nicolás Ernesto Maduro Guerra para fiscalizar as obras da Odebrecht no país.

Desde 25 de janeiro de 2017, Nicolasito é diretor-geral da Direção Geral de Delegações e Instruções Presidenciais. Seu escritório fica dentro do Ministério dos Transportes, principal responsável pelos contratos firmados com a Odebrecht, maior empresa de construção civil do Brasil.

Durante a presidência do finado caudilho Hugo Chávez, a corrupção se alastrou na Venezuela, que faturou mais de US$ 1 trilhão em petróleo e hoje não tem dinheiro para importar papel higiênico. Chávez promovia eventos para celebrar cada um dos contratos celebrados com a Odebrecht. Tudo deveria ser investigado, mas não pelo filho do atual presidente.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Equador não quer pagar o BNDES

Depois de ocupar militarmente as instalações da construtora brasileira Norberto Odebrecht e de proibir a saída de seus diretores do país, sob acusação de tentativa de suborno, o presidente do Equador, Rafael Correa, ameaçou hoje não pagar a dívida contraída com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a construção da hidrelétrica de São Francisco.

O governo equatoriano alega que a obra tem diversos problemas estruturais. A empresa os atribuiu a uma erupção vulcânica não-prevista pelo projeto do governo.

É mais um gesto prepotente e arbitrário da chamada esquerda revolucionária da América Latina, que pretende recriar o socialismo no século 21, sob a liderança do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. O discurso do presidente da Bolívia, Evo Morales, na Assembléia Geral da ONU, dizendo que se trava em seu país em embate entre capitalismo e socialismo, foi apenas mais uma declaração de princípios.

Correa está em plena campanha para o plebiscito do próximo domingo. Quer aprovar uma nova Constituição que amplia seus poderes. Em vez de recorrer à Justiça, como seria legítimo e democrático num Estado de Direito, para processar a empresa por suas supostas atividades ilegais e tentativas de suborno, preferiu jogar para as câmeras e para o eleitorado.

Sem querer criar uma crise internacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou em Nova Iorque, onde participa da reunião anual da Assembléia Geral das Nações Unidas, que acredita ser possível chegar a um entendimento numa conversa direta com Correa. O Itamaraty espera que a situação se acalme depois da votação no Equador.