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segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Milei perde eleições na província de Buenos Aires

 Com 47% dos votos, a aliança Força Pátria, liderada pelo governador Axel Kicillof, obteve uma ampla vitória nas eleições de domingo na Província de Buenos Aires, a maior e mais importante da Argentina. O coligação entre A Liberdade Avança, do presidente Javier Milei, e a Proposta Republicana (Pro), do ex-presidente Mauricio Macri, ficou num segundo lugar distante, com pouco menos de 34% da votação.

Um ano e meio depois de chegar à Casa Rosada com uma promessa radical de acabar com a inflação com cortes drásticos nos gastos públicos e grande liberdade para os mercados, Milei enfrenta os mesmos problemas que desmoralizaram o peronismo em sua versão mais recente, o kirchnerismo: a inflação e a corrupção.

O resultado das urnas foi inesperado. Esperava-se uma vitória apertada do peronismo, que tem sua grande base eleitoral na Província de Buenos Aires, onde vivem 14,38 dos 35,4 eleitores argentinos, mais de 40% do total. Kicillof desponta como principal candidato da oposição à Presidência em 2027.

Em consequência, o Índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires, caiu 13%. O dólar subiu 7% de manhã depois de se estabilizar com uma alta de 4,25% no dia, num momento em que o governo intervém no mercado de câmbio para conter a inflação, que voltou a subir. Ficou em 1,9% ao mês em julho. As previsões para agosto apontam 2% a 2,1%.

Milei recebe Goldfajn na Casa Rosada

Sob ameaça de uma nova disparada do dólar, Milei e o ministro da Economia, Luis Caputo, fizeram uma reunião de emergência na sede do governo com o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ilan Goldfajn, ex-presidente do Banco Central do Brasil (foto), que prometeu apoiar o programa de recuperação da economia argentina.

Talvez o que mais tenha pesado na decisão dos eleitores foi um escândalo de corrupção envolvendo a irmã do presidente, Karina Milei (foto), secretária-geral da Presidência, considerada hoje a pessoa mais poderosa do país, logo abaixo do irmão. Karina chefiou a campanha de Javier Milei, que a chama de "o chefe".

Em 19 de agosto, gravações de som atribuídas a Diego Spagnuolo, ex-diretor da Agência Nacional para Deficientes (Andis), denunciaram um esquema de propinas na compra de medicamentos. Os laboratórios interessados em contratos estatais deveriam pagar até 8% a mais para uma drogaria chamada Suizo Argentina; 3% iriam para Karina Milei. O desvio de dinheiro público seria de 500 a 800 mil dólares por mês.

A Justiça ordenou investigação e busca na Andis e em propriedades da Suizo Argentina. Mais de US$ 266 mil em espécie foram encontrados na casa de um dos donos da drogaria suspeita.

O mileísmo sofre assim dos mesmos males que derrotaram o kirchnerismo: inflação e corrupção. No seu pior momento, terá de enfrentar em 26 de outubro as eleições parlamentares de meio de mandato. Serão renovadas a metade da Câmara e um terço do Senado.


terça-feira, 10 de junho de 2025

Corte Suprema da Argentina confirma condenação de Cristina Kirchner

 Três ministros da Corte Suprema da Argentina rejeitaram hoje um recurso da ex-presidente Cristina Kirchner num processo sobre corrupção em concorrências de obras públicas e confirmaram a sentença de seis anos de prisão e inabilitação para exercer cargos públicos por toda a vida. Por ter mais de 70 anos, pode ficam em prisão domiciliar, o que a Justiça ainda vai decidir. Ela promete recorrer a tribunais internacionais.


A Corte Suprema "é um triunvirato de inapresentáveis", reagiu a ex-presidente. "São três marionetes que respondem ao poder econômico concentrado da Argentina." Ele promete não fugir porque isso seria uma saída para direitistas.

"Esta Argentina em que estamos vivendo não deixa de nos surpreender", disparou, numa referência indireta ao presidente Javier Milei.

Numa tentativa de caracterizar o julgamento como político, Cristina declarou que é um "cronograma maravilhoso" para prejudicar o peronismo: "Um mês antes da oficialização das candidaturas na província de Buenos Aires tomam a decisão, como em 2019."

Cristina Kirchner reafirmou sua identidade política: "Penso como peronista e vou seguir pensando sempre da mesma forma." Sua explicação para a sentença é uma conspiração do poder econômico para impedir que o campo nacional e popular se organize para quando o atual governo entrar em colapso.

"Esta tranquilidade é fictícia. Isto não tem final feliz", disse ela, falando sobre o rigoroso ajuste fiscal de Milei com cortes drásticos nos gastos públicos. E acrescentou: "Estar presa por isto é um certificado de dignidade. (...) Não se equivoquem. Nada vai melhorar para o povo com minha prisão. A fome, as aposentadorias miseráveis e a falta de medicamentos vão continuar."

O atual presidente, arqui-inimigo do peronismo, festejou a decisão nas redes sociais: "Justiça. Alerta. A República funciona e todos os jornali$ta$ corrupto$ cúmplice$ de político$ mentiro$o$ ficaram expostos com suas opereta$ sobre um suposto pacto de imunidade."

O Caso Vialidad (Estrada de Rodagem) tem origem em denúncia feita em 2008 pela deputada oposicionista Elisa Carrió de irregularidades na concessão de 51 obras públicas viárias na província de Santa Cruz, a base política do casal Néstor e Cristina Kirchner, que governou a Argentina por três mandatos (2003-15).

Em 27 de dezembro de 2016, a juiz federal Julián Encolini processa Cristina, o ex-ministro Julio De Vido, José López e Lázaro Báez por associação ilícita e administração fraudulenta em prejuízo do Estado. A procuradoria pede 12 anos de prisão e inabilitação perpétua para exercer cargos públicos para Cristina, 12 anos para Báez e 10 anos para De Vido e López.

Depois de tentar vetar juízes e impugnar o processo, Cristina prestou seu último depoimento em juízo em 29 de novembro de 2022 alegando ser vítima de um "pelotão de fuzilamento". Em 6 de dezembro, Cristina, Báez, López e Nelson Periotti são condenados por administração fraudulenta a 6 anos de prisão e inabilitação perpétua para exercer cargos públicos. Outros réus pegam penas de 3 a 5 anos.

Todos são absolvidos da acusação de associação ilícita porque não haveria uma finalidade delituosa exclusiva, um propósito determinado para essa associação.

A sentença de 1.600 páginas é publicada em março de 2023. A defesa recorre. Em 13 de novembro de 2024, a Sala 4 da Câmara Federal de Apelações Criminais confirma a pena de 6 anos de prisão e inabilitação perpétua para exercer cargos públicos para Cristina Kirchner. O prejuízo ao Estado é estimado em 85 bilhões de pesos argentinos.

As partes tinham até o início de fevereiro de 2025 para apresentar recursos à Corte Suprema.

Em 1º de abril, a defesa de Cristina alega parcialidade dos juízes, falta de perícia das 51 obras e a inclusão de provas que não estavam na primeira instância (mensagens de WhatsApp de López). Também rejeita o juiz Ricardo Lorenzetti.

Em 15 de maio, o procurador-geral Eduardo Casal pede 12 anos de prisão para Cristina Kirchner, renovando a acusação de associação ilícita.

Ontem, por unanimidade, os juízes Horacio Rosatti, Carlos Rosenkrantz e Ricardo Lorenzetti rejeitaram todos os recursos da defesa e mantiveram a sentença de 6 anos de prisão e proibição de exercer cargos públicos até o fim da vida.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Líder da oposição na Rússia morre no gulag do século 21

 Em mais um crime da ditadura de Vladimir Putin, o líder da oposição na Rússia, Alexei Navalny, morreu hoje aos 47 anos numa prisão do Arquipélago Gulag da era soviética situada ao norte do Círculo Polar Ártico, onde a temperatura nesta época do ano está abaixo de menos 20 graus.

Navalny era advogado. Ganhou prestígio com um blog em que denunciava a corrupção e a vida de luxo e riqueza da oligarquia que orbita ao redor do Kremlin. Um vídeo sobre um palacete de US$ 1 bilhão no Mar Negro que seria de Putin teve mais de 130 milhões de visualizações. 

Em 2010, conseguiu reunir 150 mil pessoas em Moscou na maior manifestação contra Putin. Essa mobilização ameaçou Putin, na época primeiro-ministro.

O ano seguinte, 2011, é o ano da Primavera Árabe, uma onda de revoltas por democracia e liberdade no mundo árabe contra governos corruptos e ditatoriais. Com sua visão conspiratória do mundo, Putin vê a mão invisível do Ocidente por trás das revoltas, assim como havia visto nas "revoluções coloridas" nas ex-repúblicas soviéticas da Geórgia e da Ucrânia. 

Putin aumenta a repressão às manifestações antes das eleições parlamentares de 2011 e volta à Presidência em 2012 para não mais sair. 

Navalny foi candidato a prefeito de Moscou em 2013, mas não pôde concorrer à Presidência da Rússia por força de condenação em 2014 por "fraude" e "desvio de recursos" num processo forjado em que pegou três anos e meio de prisão, mas teve direito a suspensão da pena. 

Em 20 de agosto de 2020, foi envenado quando fazia campanha eleitoral no interior da Rússia. Seu voo de Tomsk para Moscou foi obrigado a fazer um pouso de emergência em Omsk para salvá-lo.

Sob pressão da Alemanha, dois dias depois a ditadura de Putin autorizou que ele fosse levado para tratamento em Berlim, que identificou a droga novichok, um agente nervoso, uma arma química desenvolvida pela União Soviética nos anos 1970. 

Ao voltar à Rússia, Navalny foi preso sob a acusação de violar os termos de sua liberdade condicional, embora tenha saído da Rússia desacordado. A suspensão da pena foi revogada e a sentença foi de nove anos em regime fechado por "fraude" e "desacato ao tribunal".

Em agosto de 2023, foi condenado de novo, desta vez a 19 anos de prisão por "extremismo" por criar sua fundação anticorrupção, na verdade, por fazer oposição à invasão da Ucrânia.

Em dezembro do ano passado, Navalny desapareceu por quase três semanas e reapareceu numa nova prisão a 2 mil quilômetros de Moscou, ao norte do Círculo Polar Ártico, a Colônia Penal nº 3, mais conhecida como Lobo Polar, parte do Arquipélago Gulag, as prisões e campos de trabalhos forçados do stalinismo.

Como Navalny foi silenciado, no fim do comentário cito suas propostas para o fim da guerra na Ucrânia.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2023

Israel intensifica ataque a maior cidade do Sul da Faixa de Gaza.

O Exército de Israel está alertando os palestinos a sair de Khan Younes, a maior cidade do Sul da Faixa de Gaza, para onde avançam dezenas de tanques israelenses e se trava uma das batalhas mais violentas da guerra. É a cidade de Yahya Sinwar e Mohammed Deif, os dois principais líderes do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que Israel acredita que estejam escondidos lá. 

Israel está pressionando os palestinos a irem mais para o Sul, em direção a Rafá, na fronteira com o Egito, mas os abrigos no Sul já estão superlotados. Um bombardeio israelense destruiu a sede do maior tribunal de Gaza, construído por 11 milhões de dólares com dinheiro do Catar .A

Ao mesmo tempo, o ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant, anunciou que as forças de Israel vão permanecer no Norte de Gaza até destruir totalmente a estrutura política e militar do Hamas. 

“O nível de sofrimento humano é intolerável”, protestou a presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Mirjana Spoljarich, considerando “inaceitável que civis não tenham um lugar seguro para ir em Gaza, com um cerco militar sem que haja uma resposta humanitária adequada.” 

A coordenadora de ajuda humanitária da ONU para os territórios palestinos, Lynn Hastings, alertou que a situação humanitária, que já considera infernal, vai ficar "mais infernal ainda": “Para pessoas que receberam ordem de sair de onde moravam, não há outro lugar para ir muito poucos meios de sobrevivência.” Meu comentário:

segunda-feira, 21 de agosto de 2023

Candidato anticorrupção é eleito presidente da Guatemala

 Com 58% dos votos, Bernardo Arévalo, do Movimento Semente, filho do primeiro presidente eleito democraticamente da história da Guatemala, conquistou no domingo uma vitória histórica para presidir o país mais rico da América Central. 

Arévalo, de centro-esquerda, venceu no segundo turno a ex-primeira-dama Sandra Torres Casanova, da União Nacional da Esperança (UNE), que teve 37% por cento dos votos. Seu maior desafio será enfrentar a corrupção endêmica.

O presidente Juan José Arévalo Bermejo (1945-51) foi eleito depois da Revolução Democrática, em 1944. Durante seu governo, houve mais de 30 tentativas de golpe.

Seu sucessor, Jacobo Árbenz Guzmán, foi deposto em 27 de junho de 1954 no primeiro golpe militar articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) na América Latina durante a Guerra Fria, por fazer a reforma agrária em terras da companhia bananeira norte-americana United Fruit.

A Guatemala cai então num período de instabilidade. Em 1960, começa uma das mais sangrentas guerras civis da Guerra Fria na América Latina, que dura 30 anos e mata cerca de 200 mil pessoas até a redemocratização, em 1994, quando o país tinha 9 milhões de habitantes. O presidente eleito hoje nasceu em 7 de outubro de 1958 no Uruguai, onde o pai estava exilado.

A ditadura militar foi responsável por 92% das mortes, a maioria destas (83%) de indígenas de origem maia, uma das três grandes civilizações pré-colombianas, num verdadeiro genocídio.

Em 12 de dezembro de 2006, um acordo com as Nações Unidas cria a Comissão Internacional Contra a Impunidade na Guatemala (CICIG), com os objetivos de investigar atos ilícitos das forças de segurança e de organizações clandestinas, combater a corrupção e o crime organizado.

A CICIG acusou de corrupção em 16 de abril de 2015 vários dirigentes políticos, inclusive Juan Carlos Monzón, secretário particular da vice-presidente Roxana Baldetti. Isso levou à renúncia de Baldetti e do presidente, general Otto Pérez Molina (2012-15).

Com a desmoralização dos políticos, em 2015, foi eleito presidente o ator e comediante Jimmy Morales (2016-20), mas a corrupção não diminuiu. Em janeiro de 2017, foram presos o irmão mais velho, Samuel Morales, e um filho do presidente, José Manuel Morales, por corrupção e lavagem de dinheiro.

Sete meses depois, Jimmy Morales expulsou o presidente da comissão da ONU, que investigava alegações de que seu partido recebera doações de campanha ilegais, inclusive de traficantes de drogas, e pedira ao Congresso que suspendesse a imunidade do presidente. Morales também foi acusado de receber um bônus ilegal de US$ 7,3 mil por mês do Ministério da Defesa e de abuso sexual de funcionárias públicas.

Em 7 de janeiro de 2019, Morales rompeu o acordo com a ONU e extinguiu a comissão, alegando que cometera atos ilegais e inconstitucionais, e abusos de poder. A CICIG desmantelou 70 organizações criminosas e teria evitado 20 a 30 mil homicídios.

Seu sucessor, o atual presidente, Alejandro Giammattei, foi eleito na quarta tentativa, em 2019, e assumiu o cargo em 14 de janeiro de 2020. Em 21 de novembro daquele ano, começou uma onda de protestos contra a adoção de um orçamento com fundos marcados para obras de infraestrutura de empresas privadas e cortes nos gastos de combate à pobreza e à desnutrição infantil, que afeta a metade das crianças até cinco anos de idade.

A resposta do governo é aumentar a repressão, com assassinato de líderes sindicais, indígenas e ambientalistas denunciadas pela Federação Internacional pelos Direitos Humanos e a Organização Mundial contra a Tortura. 

Em julho de 2021, a procuradora-geral María Consuelo Porras, demitiu o procurador especial anticorrupção, Juan Francisco Sandoval, por investigar casos de corrupção ligados ao presidente, inclusive financiamento ilegal da campanha eleitoral por empresas da construção civil.

Em 2022, o Congresso aprovou um projeto para aumentar as penas de prisão por aborto, proibir a educação sexual nas escolas e declarar homossexuais "grupos minoritários incompatíveis com a moral cristã". Depois de apoiar a iniciativa, Giammattei ameaçou vetar a lei por violar a Constituição e acordos internacionais. O Congresso recuou e suspendeu a tramitação da proposta.

Neste ano, só 2,9% dos guatemaltecos consideraram o governo bom. Sob Giammattei, aumentou muito a imigração para os EUA.

Num país com tal histórico de violência política e corrupção, o partido derrotado ontem denunciou irregularidades e ainda não reconheceu a vitória de Bernardo Arévalo de León, de 64 anos, mas ele foi cumprimentado pelos presidentes do México, Andrés Manuel López Obrador; de Honduras, Xiomara Castro; e de El Salvador, Nayib Bukele.

O atual presidente da Guatemala reconheceu a vitória e convidou Arévalo para uma reunião no palácio presidencial para iniciar a transição de governo.

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi morre aos 86 anos

O magnata e ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, o chefe de governo que ficou mais tempo no poder na Itália no pós-guerra, cerca de nove anos, morreu hoje aos 86 anos. De 1994 a 2011, liderou quatro governos, um reeleito. Seu partido é um parceiro menor da coalizão de governo da primeira-ministra Giorgia Meloni. Há anos, sofria de leucemia.

Silvio Berlusconi nasceu em Milão em 29 de setembro de 1936 numa família de classe média. Começou a construir sua carreira empresarial no setor imobiliário antes de criar a Mediaset, a maior empresa privada de televisão do país. De 1986 a 2017, foi dono do clube de futebol Milan. Com fortuna estimada em US$ 6,8 bilhões, era o terceiro homem mais rico da Itália.

Berlusconi foi um dos beneficiários dos escândalos de corrupção revelados pela Operação Mãos Limpas. Com o colapso da Democracia Cristã, que dominava a política italiana depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), temendo a ascensão da esquerda, fundou em 1993 o partido Força Itália, o grito de guerra dos torcedores da seleção do país.

Em 11 de maio de 1994, chegou ao poder com o governo mais direitista da Itália desde 1945, que caiu depois de oito meses, em 17 de janeiro de 1995. Voltou em 11 de junho de 2001 para chefiar o mais longo governo da Itália no pós-guerra, que durou até 17 de maio de 2006, com uma reeleição. Seu quarto governo foi de 8 de maio de 2008 a 16 de novembro de 2011.

No segundo governo, o serviço secreto italiano afirmou que o Iraque havia tentado comprar urânio no Níger. Isto serviu de pretexto para a invasão do Iraque pelos Estados Unidos em 2003. Após investigar a alegação em viagem ao Níger, o embaixador norte-americano Joseph Wilson concluiu que era mentira e publicou um artigo no jornal The New York Times contestando a história. 

Em retaliação, o escritório do vice-presidente Dick Cheney deixou vazar para a imprensa que a mulher de Wilson, Valerie Plame, era agente da CIA (Agência Central de Inteligência), o que é um crime. O chefe de gabinete de Cheney, Scooter Libby, foi condenado a dois anos e meio de prisão. Teve a pena comutada pelo presidente George W. Bush, responsável pela invasão do Iraque.

Il Cavalière foi o terceiro chefe de governo com mais tempo no poder desde a unificação da Itália, em 1861, atrás apenas do ditador fascista Benito Mussolini (1922-45) e de Giovanni Giolitti (1892-93, 1903-5, 1906-9, 1911-14 e 1920-21).

Alvo de investigações de corrupção e pivô de escândalos sexuais, conseguiu aprovar leis que reduziram penas, mas foi condenado por fraude fiscal em 2012. Por causa da idade, a pena de prisão foi convertida em trabalho comunitário.

Em abril, foi internado no Hospital San Raffaele, em Milão, onde ficou seis semanas e foi readmitido na sexta-feira. Foi casado duas vezes e deixa cinco filhos.

sexta-feira, 10 de março de 2023

China desafia EUA com reatamento entre Irã e Arábia Saudita

 Num golpe para a liderança dos Estados Unidos no Oriente Médio, a China mediou o restabelecimento de relações diplomáticas entre a Arábia Saudita e o Irã, rompidas há sete anos. As duas potências regionais disputam a liderança entre os muçulmanos e estão em lados opostos em várias que agora têm mais chance de chegar ao fim.

O presidente Joe Biden recebeu Em Washington a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. A União Europeia está preocupada com os subsídios dos EUA à transição para uma economia verde.

Em Paris, o presidente da França, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro do Reino Unido, tentaram resolver os problemas entre os dois países causados pela saída britânica da UE. Há cinco anos, não havia um encontro de cúpula franco-britânico.

Li Qiang, ligado ao ditador Xi Jinping, foi eleito primeiro-ministro pelo Congresso Nacional do Povo da China. Será o número 2 do regime comunista chinês.

Sob protesto nas ruas, o governo da Geórgia retira um projeto de lei semelhante a uma lei da Rússia que obriga organizações não governamentais que recebem dinheiro do exterior a se registrar como agentes estrangeiros.

A Justiça Federal da Argentina liberou a íntegra da sentença que condenou a ex-presidente Cristina Kirchner a mais 12 pessoas por corrupção num escândalo envolvendo obras viárias na Patagônia.

O banco Silicon Valley Bank (SVB), maior financiador de startups dos EUA, com sede no Vale do Sicílio, na Califórnia, principal centro do setor de alta tecnologia, entrou em colapso. É a segunda maior falência bancária da história dos EUA e a maior desde a crise financeira internacional de 2008. O Índice Dow Jones da Bolsa de Nova York caiu 1,1% e a Bolsa de Valores de São Paulo, 1,38%

A boa notícia é que a economia norte-americana gerou em fevereiro 311 mil postos de trabalho a mais do que fechou. Meu comentário:

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

Presidente do Peru tenta dar golpe, é destituído e preso

Para tentar escapar do terceiro processo de impeachment, com seis inquéritos sobre corrupção no governo, o presidente do Peru, Pedro Castillo, dissolveu hoje o Congresso, mas foi ignorado. Sem apoio nem de seu próprio partido, Peru Livre, foi destituído "por incapacidade moral permanente" e preso. 

A vice-presidente Dina Boluarte assumiu a Presidência. É a primeira mulher a ocupar o cargo e a sétima pessoa a presidir o país nos últimos seis anos.

Na sua tentativa de golpe, Castillo anunciou a dissolução do Congresso, decretou estado de emergência e toque de recolher noturno, convocou eleições parlamentares antecipadas, prometeu uma nova Constituição e admitiu estar impondo um "regime de exceção" sob o pretexto de "restabelecer o Estado democrático de direito e a democracia".

Nenhum partido, nem o esquerdista Peru Livre, pelo qual se elegeu, o apoiou, nem as Forças Armadas. Por 101 a 6 votos, com 10 abstenções, o Congresso unicameral de 130 cadeiras destituiu Castillo. A Corte Constitucional (supremo tribunal) chamou a manobra do presidente de golpe de Estado e chancelou a posse da vice-presidente Boluarte, rompida com Castillo há semanas.

O presidente deposto foi preso ao sair do palácio por delito de rebelião ao atentar contra a ordem constitucional e levado para a Prefeitura de Lima. Havia boatos de que buscaria refúgio nas embaixadas da Bolívia, do México ou da Venezuela. Tentou ir para a Embaixada do México. Foi preso por sua própria escolta. O ministro do Exterior mexicano, Marcelo Ebrard, ofereceu asilo político.

A nova presidente revogou o estado de emergência e o toque de recolher, e prometeu "um amplo diálogo com todas as forças políticas, representadas no Congresso ou não." 

Dina Boluarte não está filiada a nenhum partido político. Foi expulsa do Peru Livre em janeiro. Na sua primeira declaração como presidente, considerou imprescindível "retomar o crescimento econômico com inclusão" e "emprego digno".

Para isso, Boluarte pediu ao Congresso "uma trégua política para instalar um governo de unidade nacional", definiu como "impostergável" uma reforma política e prometeu apoio ao Ministério Público "para ingressar sem meias tintas nas estruturas corrompidas pelas máfias no interior do Estado."

O Peru foi o país com a maior taxa de mortalidade do mundo na pandemia. Com 80% da população na economia informal, foi impossível manter o distanciamento social. A economia peruana caiu 11% em 2020 e se recuperou, com alta de 13,3% em 2021. A taxa de crescimento em 12 meses ficou em 1,7% no fim do terceiro trimestre de 2022.

CORRUPÇÃO ENDÊMICA

Todos os presidentes do Peru desde 1990 foram ou estão sendo processados. Alberto Fujimori (1990-2000), que fechou o Congresso e a Corte Suprema num golpe em 1992, foi condenado por corrupção e violações dos direitos humanos. Outros quatro foram envolvidos em escândalos de corrupção da construtora brasileira Odebrecht.

Alejandro Toledo (2001-6) fugiu para os Estados Unidos, onde está em prisão domiciliar aguardando um processo de extradição. É acusado de receber US$ 20 milhões da Odebrecht. Seu sucessor, Alan García (2006-11), que havia governado o Peru de 1985 a 1990, antes de Fujimori, se matou para não ser preso em 17 de abril de 2019.

Durante a campanha eleitoral de 2016, a Polícia Federal do Brasil revelou que o então presidente Ollanta Humala (2011-16) recebera US$ 3 milhões da Odebrecht para a campanha eleitoral de 2011. Ele e a mulher foram presos.

Outro alvo da Operação Lava Jato e da Odebrecht, Pedro Pablo Kuczynski (2016-18), ex-primeiro-ministro, caiu com um ano e sete meses de governo. Renunciou um mês antes de receber a ordem de prisão. 

Seu vice-presidente, Martín Vizcarra (2018-20), durou um pouco mais, dois anos e sete meses. Caiu no segundo impeachment por "incapacidade moral" em virtude de um escândalo de suborno quando era governador do Departamento de Moquegua.

Em seu lugar, assumiu o presidente do Congresso, Manuel Merino, que durou apenas cinco dias. Caiu sob pressão de protestos populares contra o impeachment que tiveram duas mortes. Outro presidente do Congresso, Francisco Sagasti (2020-21) governou por oito meses para completar o mandato.

Esquerdista radical, mas conservador na política de costumes, contra o aborto e o casamento gay, José Pedro Castillo Terrones liderou uma greve de professores em 2017 para exigir aumento salarial, pagamento da dívida social, revogação da Lei da Carreira Pública do Magistério e mais dinheiro para a educação. 

Castillo prometeu na campanha anular todos os contratos com mineradoras, estatizar o setor e alterar a Constituição para permitir maior intervenção estatal na economia. Os setores empresariais temiam uma chavistização do Peru, mas ele era mais comparado ao ex-presidente boliviano Evo Morales.

Em 2021, Castillo, que foi votar a cavalo, era o candidato antissistema, do Centro e do Sul, do interior pobre. Era o azarão que veio de trás, atropelou, teve pouco mais de 15% no primeiro turno e bateu Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Fujimori, derrotada pela terceira vez no segundo turno, desta vez por 44 mil votos (50,13% a 49,87%). Tomou posse em 28 de julho de 2021.

Durante um ano e quatro meses, Castillo teve cinco primeiros-ministros. Sem maioria parlamentar, sempre foi um governo instável. O rompimento com o líder do Peru Livre, Vladimir Cerrón, tirou a base parlamentar do governo, que já era minoritária. Condenado por corrupção, Cerrón não podia se candidatar. Lançou Castillo. Hoje o partido votou pelo impeachment.

As acusações se agravaram há dois meses, quando a procuradora Patricia Benavides denunciou o presidente como líder de uma "organização criminosa", de uma trama criminosa "enquistada no Palácio do Governo" para "a obtenção de benefícios econômicos através da nomeação para postos-chaves, da cobrança de porcentagens de licitações realizadas ilicitamente e do uso ilícito da prerrogativas presidenciais." A procuradora também denúncia ter recebido "ameaças contra ela e sua família".

Foi o primeiro presidente peruano a não sair da elite limenha. Nas palavras do jornal espanhol El País, Castillo "é o Peru que não mora em Lima, que não está no Twitter e a quem ninguém prestou atenção durante a campanha eleitoral."

terça-feira, 6 de dezembro de 2022

Cristina Kirchner é condenada a 6 anos de cadeia por corrupção

O primeiro processo de corrupção contra a vice-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, por fraude em obras na província de Santa Cruz, foi julgado hoje em primeira instância. Ela foi condenada a seis anos de prisão e proibida de ocupar cargos públicos até o fim da vida. Cabem recursos à Corte de Apelações Criminais e à Corte Suprema. A decisão final é esperada para 2025. Até lá, Cristina fica em liberdade, mas enfrenta outros processos.

De seu gabinete no Senado, a vice-presidente fez um pronunciamento à nação de 57 minutos. Alegou ser vítima de perseguição política e midiática, de um "Estado paralelo", de uma "máfia judiciária". E afirmou: "Não vou ser candidata a nada, nem a presidente nem a senadora."

Cristina Kirchner é quem manda de fato no governo Alberto Fernández e no Partido Justicialista (peronista). Há até uma brincadeira de que a Argentina inventou o vice-presidencialismo. Com a inflação perto de 100% ao ano, a oposição é favorita na eleição presidencial de 27 de outubro de 2023, com segundo turno em 24 de novembro, se for preciso.

No lado governista, disputam a indicação o atual presidente, o superministro da Economia, Sergio Massa, se controlar os preços, o ministro do Exterior, Santiago Cafiero, o ex-vice-presidente Daniel Scioli, o governador da Província de Buenos Aires, Axel Kicillof, e Cristina. Como a vitória é improvável e ela tem grande rejeição, especula-se que concorra a uma reeleição segura no Senado para manter o foro especial.

"Uma vez mais a Justiça opera para perseguir e banir a companheira Cristina Kirchner. A causa é uma mentira. A sentença estava escrita", protestou o chanceler Cafiero, um albertista, primeiro ministro a se manifestar. Em seu pronunciamento, Cristina declarou que a sentença estava pronta há três anos.

Em nota, o diretório nacional do Partido Justicialista expressou o "mais enérgico repúdio à perseguição judicial e à tentativa de proscrição que vem sofrendo Cristina Kirchner. (...) A Justiça dá sobradas mostras de que não responde às demandas da cidadania e, sim, aos interesses dos poderes que querem um peronismo debilitado e desunido."

O partido declarou "estado de alerta e mobilização",  convocou "todas e todos [a estar] com Cristina" e concluiu: "O peronismo não abandona a quem se joga pelo povo."

Este processo se refere ao escândalo conhecido como Vialidad (Estrada), relativo a 51 obras viárias realizadas nos governos de Cristina (2007-15) e de seu marido Néstor Kirchner (2003-7) na Província de Santa Cruz, na Patagônia, de que ele era governador antes de ser eleito presidente.

A Procuradoria acusou Cristina de chefiar o "maior esquema de corrupção já conhecido no país", de associação ilícita para desviar US$ 1 bilhão em dinheiro público "desde a cúpula do poder", nas palavras do promotor Diego Luciani, que argumentou que a então presidente "não podia não saber".  

O bancário convertido em magnata da construção civil Lázaro Báez recebeu a mesma pena: 6 anos. Desde o ano passado, cumpre pena de 12 anos por lavagem de dinheiro, obras públicas que contratou e nunca realizou, e sonegação de impostos. O ex-ministro do Planejamento e ex-deputado Julio de Vido foi absolvido.

Em entrevista à Folha de São Paulo, Cristina Kirchner negou que Báez fosse sócio de Néstor Kirchner. "És sócio quanto tens um contrato. Era amigo de Néstor, como outros amigos de negócios de Néstor."

Outro personagem do caso é ex-secretário de Obras Públicas nos governos de Néstor e Cristina, José López, flagrado por câmeras de segurança tentando esconder US$ 9 milhões no Mosteiro Nossa Senhora de Fátima, nos arredores de Buenos Aires, em 2016 e condenado em 2019.

Cristina Kirchner enfrenta outros quatro processos. O maior escândalo é o dos Cadernos da Propina, oito cadernos manuscritos de encontrados com o motorista Oscar Centeno em 2018. Seriam uma lista da corrupção do kirchnerismo comparada na Argentina às listas da Odebrecht e da JBS no Brasil. Durante 10 anos, Centeno distribuiu US$ 56 bilhões em espécie a apadrinhados políticos dos Kirchner.

Doze empresários e altos funcionários públicos foram presos, 174 pessoas estão sendo processadas e 31 já confessaram a culpa. Ainda não já data para o processo ir a julgamento.

domingo, 3 de outubro de 2021

Papéis de Pandora revelam fortunas de políticos escondidas em paraísos fiscais

Ministro da Economia e presidente do Banco Central são citados

Mais de 330 dirigentes políticos de 91 países têm fortunas em paraísos fiscais, revelou o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) no escândalo dos Pandora Papers (Papéis de Pandora), de corrupção e evasão fiscal.

Entre eles, há 35 chefes e ex-chefes de Estado e de governo, do rei Abdala II, da Jordânia, ao ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, nove presidentes e quatro primeiros-ministros no exercício do cargo, inclusive o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e 130 bilionários e celebridades como Ringo Starr, Elton John e Shakira. 

Não é crime ter conta no exterior declarada à Receita Federal e ao Banco Central, como é o caso dos brasileiros. Seria no mínimo antiético num país que gasta mais do que arrecada, vive em desequilíbrio fiscal e onde os mais ricos pagam menos impostos proporcionalmente. Para servidores públicos, é proibido.

Em 2014, às vésperas da reeleição da presidente Dilma Rousseff, o atual ministro da Economia criou uma empresa offshore de US$ 9,5 milhões (R$ 23 milhões pelo câmbio da época, R$ 51 milhões pelo atual). Mesmo após assumir o cargo, Guedes continuou no controle direto. Até 28 de setembro de 2021, a Dreadnoughts International estava ativa com o ministro como sócio controlador, informou a revista piauí, que fez parte da investigação.

Guedes e Campos Neto declararam ter informado a Comissão de Ética Pública antes de assumir o governo e disseram que se afastaram das empresas antes de tomar posse em cargos públicos. A comissão só examinou a situação do ministro dois anos e meio depois. Não viu nenhum problema, não fez nenhuma recomendação e encerrou o caso.

A oposição pediu ao Ministério Público Federal que investigue possíveis conflitos de interesses e vai convocar os dois para dar explicações ao Congresso.

Durante um ano, o consórcio e 615 jornalistas de 117 países e 149 meios de comunicação, entre eles os jornais Th Guardian, Le Monde e The Washington Post, a revista Piauí e os jornais digitais Metrópoles e Poder 360 no Brasil, examinaram 11,9 milhões de documentos confidenciais enviados por uma fonte anônima, vazados de 14 escritórios de advocacia especializados na criação de empresas de fachada em paraísos fiscais como Cingapura, Dubai, Ilhas Cayman, Ilhas Seicheles, Ilhas Virgens Britânicas, Mônaco e Panamá.

Cinco anos depois da revelação dos Panama Papers (Papéis do Panamá), a investigação mostra a dimensão das manobras de sociedades anônimas, dirigentes políticos e bilionários para fugir do fisco. Mesmo que seja tudo feito dentro da lei, é um privilégio inaceitável a que a maioria da população não tem acesso. 

LISTÃO

A nova lista é longa. Além de Abdalla II, Blair, Guedes e Campos Neto, e do primeiro-ministro tcheco, Andrej Babis, fazem parte amigos do ditador da Rússia, Vladimir Putin, e os presidentes do Azerbaijão, Ilham Aliev; do Chile, Sebastián Piñera; de Chipre, Nicos Anastasiades; do Congo, Denis Sassou-Nguesso; do Equador, Guillermo Lasso; do Gabão, Ali Bongo; de Montenegro, Milo Djukanovic; do Quênia, Uhuru Kenyatta; e da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.

O rei da Jordânia tem um verdadeiro império imobiliário até agora desconhecido do público. Tem 14 residências de luxo nos Estados Unidos e no Reino Unido com um valor total estimado em US$ 106 milhões (R$ 569 milhões). Sua última aquisição foi uma mansão de frente para o mar em Malibu, na Califórnia.

Para esconder sua fortuna, Abdala II teve a ajuda de um escritório de contabilidade britânico que criou 30 empresas de fachada nas Ilhas Virgens Britânicas e no Panamá. Ao consórcio de jornalistas, seus advogados declararam que tudo foi comprado com o dinheiro do rei, que pela lei jordaniana é isento de pagar impostos. 

As contas offshore seriam mantidas por "razões legítimas de segurança e confidencialidade". Se um dia for deposto e não perder a cabeça, Abdala tem para onde fugir.

Quando conquistou a liderança do Partido Trabalhista, em 1994, Tony Blair prometeu uma reforma fiscal para enquadrar os magnatas que depositam seu dinheiro em paraísos fiscais para não pagar impostos que o cidadão comum é obrigado a pagar.

Ao comprar uma casa numa zona nobre de Londres por 6,25 milhões de libras (R$ 45,45 milhões), o cidadão Blair pagaria 340 mil libras de imposto (R$ 2,472 milhões), mas a casa estava em nome de uma empresa offshore de um ministro do Bahrein, Zayed ben Rachid al-Zayani. 

O casal Blair comprou a empresa e a propriedade da casa veio junto. Para as autoridades fiscais britânicas, a proprietária continua sendo a mesma empresa. Não foi pago imposto de transmissão.

Sexto homem mais rico da República Tcheca, Andrej Babis, primeiro-ministro desde 2017, é dono do Château Bigaud, um castelo de dois andares com sala de jogos com mesa de bilhar, cinema, sauna e duas piscinas cercada de uma grande área nas colinas de Mougins, nos Alpes Marítimos, na Riviera Francesa. Comprou em 2009 por 14 milhões de euros (R$ 87,16 milhões) através de paraísos fiscais.

Babis tinha ali perto um restaurante estrelado que fechou em 2019 e uma propriedade de 40 mil metros quadrados não declarada em nome de empresas de fachada. Ele declarou que "todas as transações foram perfeitamente legais".

LAVANDERIA

Um dos menores países da União Europeia (UE), Chipre é notório pela falta de transparência do seu sistema financeiro, onde as máfias da Rússia lavam seu dinheiro. Antes de se tornar presidente, Nicos Anastesiades era dono de um escritório de advocacia ligado a empresas offshore envolvido no escândalo de lavagem de dinheiro do advogado russo Serguei Magnitsky e na Troika Laundromat (Lavagem Automática Troika), um gigantesco esquema para tirar dinheiro da Rússia.

Em teoria, Anastasiades deixou a empresa para ser presidente. Na prática, suas duas filhas estão lá e ele tem um escritório na sede da empresa.

Durante 20 anos, Denis Sassou-Nguesso, ditador da República do Congo, o antigo Congo Francês, desde 1997, teve uma empresa offshore, a Inter African Investment, com conta em Londres no Banco Espírito Santo, de Portugal.

Através do escritório de advocacia Mossack Fonseca, que estava no centro do escândalo dos Papéis do Panamá, Sassou-Nguesso fundou uma empresa ultrassecreta, a Ecoplan Finance, onde sua filha é uma diretora. 

A Ecoplan é acionista majoritária de Escom Congo, uma empresa da construção civil que detém direitos de exploração de minas de diamantes, com faturamento anual de 150 milhões de euros (R$ 934 milhões). As empresas offshore de Sassou-Nguesso foram dissolvidas depois do escândalo dos Panama Papers.

Volodymyr Zelensky era comediante, ator e diretor de cinema antes de se eleger presidente da Ucrânia denunciando a corrupção dos oligarcas, mas tinha uma empresa offshore nas Ilhas Virgens Britânicas ligada à indústria cinematográfica. Antes da eleição, em 2019, transferiu 25% para um amigo que é um assessor direto. Não comentou a notícia.

DINASTIAS

A família Aliev, que governa o Azerbaijão de pai para filho, tem imóveis em Londres no valor de 86 milhões de libras (R$ 625 milhões).

Outra dinastia abastada é a família do presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, filho do líder da independência e primeiro presidente, Jomo Kenyatta, dona de uma fundação secreta com mais de US$ 30 milhões (R$ 161 milhões) no Panamá.

O presidente do Equador, Guillermo Lasso, tem uma conta secreta nos EUA em nome de uma empresa panamenha e um fundo em Dakota do Sul, nos EUA.

De acordo com a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), em 2020, havia pelo menos US$ 11,2 trilhões (R$ 60 trilhões) em paraísos fiscais, que os protegem dos impostos, das leis e da Justiça dos países de origem do dinheiro.

No sistema capitalista, os paraísos fiscais são considerados parte da paisagem, mas houve uma ação depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos EUA. Não só as multinacionais, políticos, multimilionários e bilionários usam este mundo opaco e dissimulado. O crime organizado, as máfias e os terroristas também lavam dinheiro.

Desde 2013, houve 12 vazamentos de documentos sobre escândalos ligados a paraísos fiscais.  Eles existem e sobrevivem porque há uma rede de empresas, escritórios de advocacia, bancos e corretoras de valores. "O sistema se perpetua com uma concorrência para o mínimo em matéria de transparência", observa o jornal Le Monde.

NOVOS ELDORADOS

Os Pandora Papers mostram o surgimento de novos paraísos fiscais. Enquanto as ilhas do Mar do Caribe foram enquadradas pela OCDE, pequenos países poderosos com grandes centros financeiros como Cingapura e os Emirados Árabes Unidos e territórios ligados a grandes potências, Hong Kong na China, Chipre na UE e o estado de Dakota do Sul, nos EUA, são os novos eldorados. Contam com maior tolerância.

Dubai é o exemplo mais radiante desses eldorados, com sua arquitetura monumental, centro financeiro hipermoderno, num modelo econômico criado e defendido pelas monarquias petroleiras do Golfo Pérsico. Mas o que chama mais a atenção é Dakota do Sul. 

Enquanto combatem os paraísos fiscais no exterior, os EUA toleram a existência de zonas livres de impostos com pouca transparência também em Delaware, o estado do presidente Joe Biden, Nevada e Wyoming

Dakota do Sul, um pequeno estado conservador do Meio-Oeste, permite s criação de trustes com garantia de anonimato. Num contrato de truste, quem instituiu passa um bem de sua propriedade a outra pessoa, um trustee, que deve cumprir a finalidade determinada pelo instituidor. É uma maneira de um rico se livrar de partes seu patrimônio no papel transferindo para pessoas de confiança. Pode ser uma forma de ocultar patrimônio.

Num mundo com dívidas públicas inchadas para fazer frente à pandemia e uma desigualdade social crescente agravada pela doença do coronavírus, os paraísos fiscais são um desafio para aumentar a carga fiscal dos mais ricos.

segunda-feira, 1 de março de 2021

Ex-presidente francês é condenado por corrupção e tráfico de influência

 Um tribunal penal de Paris condenou hoje a três anos de prisão o ex-presidente conservador Nicolas Sarkozy (2007-12) por corrupção e tráfico de influência ao pressionar um juiz de tribunal superior a fornecer informações sobre um escândalo em que estava envolvido. Um ano deve ser cumprido em regime fechado, mas a pena pode ser convertida em prisão domiciliar. Cabe recurso.

Sarkozy é o segundo presidente da França condenado depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). O primeiro foi Jacques Chirac (1995-2007), culpado de desvio de dinheiro público e abuso de poder em 2011 num escândalo de funcionários-fantasmas da Prefeitura de Paris quando era prefeito da capital (1977-95). Chirac foi sentenciado a dois de prisão, mas teve direito a suspensão da pena. 

Em 2014, Sarkozy era investigado por abuso de poder econômico na campanha de 2012, quando perdeu a eleição para François Hollande. Quando seu telefone estava sob escuta autorizada pela Justiça, os investigadores descobriram dois telefones celulares registrados com o nome falso de Paul Bismuth que Sarkozy usava para falar com seu advogado, Thierry Herzog.

Durante uma conversa, o ex-presidente francês falou em oferecer um cargo de prestígio em Mônaco ao juiz Gilbert Azibert, do Tribunal de Recursos, em troca de informações sobre um inquérito que o envolvia. Azibert era advogado-geral de uma câmara cível. Não atuou diretamente, mas fez tráfico de influência para ajudar Sarkozy num "pacto da corrupção". 

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Trump e Biden fazem último debate civilizado e equilibrado

Presidente não obteve vitória para virar o jogo, que ainda não acabou

No último debate antes da eleição presidencial de 3 de novembro, o presidente Donald Trump e o ex-vice-presidente Joe Biden fizeram ontem à noite em Nashville, no estado do Tennessee, um duelo equilibrado e muito mais civilizado do que o primeiro, sem um nocaute. 

Líder nas pesquisas, Biden teve a clara preocupação de não se comprometer. Os temas mais polêmicos foram pandemia, saúde, corrupção, racismo e meio ambiente. Com os Estados Unidos polarizados e a opinião pública cristalizada, a expectativa é que não haja grande mudança no eleitorado. Cerca de 50 milhões já votaram antecipadamente.

Mais uma vez, Biden se apresentou como um homem decente, de caráter. Acusou Trump de ser "o presidente mais racista da história moderna do país" e de não pagar impostos, e previu um "inverno escuro", com o agravamento da pandemia do coronavírus de 2019 e possivelmente mais 200 mil mortes nos EUA.

Trump perguntou por que o candidato democrata não fez tudo o que promete nos 47 anos em que ficou no Senado e quando era vice-presidente nos governos Barack Obama (2009-17) e afirmou que uma vitória da oposição vai causar "uma recessão nunca vista". Atacou o que o outro não fez e não revelou o que pretende fazer num segundo mandato, além de recuperar a economia.

Leia mais em Quarentena News.

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

Brasil é o sexto país com maior número de mortes por habitante

Com mais 899 mortes e 44.215 novos contágios pela doença do coronavírus de 2019, o Brasil ultrapassou a marca de 130 mil óbitos. Soma agora 130.474 mortes e 4.283.978 casos confirmados. A média diária de mortes nos últimos sete dias está em 699. Já é o sexto país com o maior número de mortes por habitante. 

Em mais uma de suas mentiras sobre a pandemia, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que o Brasil foi um dos países menos afetados pela pandemia. Na verdade, excluindo micropaíses como São Marinho e Andorra, estatisticamente irrelevantes, o Brasil passou o Reino Unido.

O Brasil tem 2,7 por cento da população mundial e 14,2 por cento das mortes. Meu comentário:

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Neonazistas podem se tornar força importante na Eslováquia

Eles usam roupas escuras, jaquetas de couro pretas e bonés pretos, a exemplo da Guarda Hlinka, a força paramilitar eslovaca que colaborou com a Alemanha nazista no Holocausto durante a Segunda Guerra Mundial.

Sob a liderança de Marian Kotleba, o Partido Popular Nossa Eslováquia pode se tornar a segunda força no Parlamento da Eslováquia nas eleições deste sábado. Com 11% das preferências, está alguns pontos atrás dos sociais-democratas.

A Eslováquia, que até 1993 fazia parte da Tcheco-Eslováquia, era considerada um modelo de democracia entre os antigos países comunistas da Europa Oriental. Com cerca de 5 milhões de habitantes e crescimento de 3% ao ano há muito tempo, tem pleno emprego e atraiu fábricas de automóveis como Mercedes-Benz, Kia, Renault e Volkswagen.

Agora, parece seguir o destino da Hungria e da Polônia, onde governos de extrema direita atacam a liberdade de imprensa, a independência do Poder Judiciário e a União Europeia, com a diferença de que os neonazistas eslovacos são muito mais sectários.

Há dois anos, o assassinato do jornalista investigativo Jan Kuciak, que reportava a corrupção do governo populista social-democrata e revelou uma rede ligando empresários e políticos corruptos, abalou o país. O Ministério Público acusou o oligarca Marián Kocner de ser o mandante do crime.

Quando dezenas de milhares de pessoas tomaram as ruas da capital, Bratislava, e de outras cidades eslovacas, o primeiro-ministro Robert Fico foi obrigado a renunciar. A aliança liberal liderada pelo partido Eslováquia Progressista venceu as eleições para o Parlamento Europeu e sua líder, Zuzana Caputová, foi eleita presidente.

Mas, em vez de fortalecer os partidos liberais e pró-europeus, o grande beneficiário da morte de Kuciak foi o movimento neonazista, constata o cientista político Grigorij Meseznikov.

Michel Truban, principal candidato da Eslováquia Progressista, é popular nas zonas urbanas, mas tem pouco apoio no interior. O Partido pelo Povo, do ex-presidente Andrej Kiska, perde com a identificação com os políticos tradicionais.

Sem uma aliança democrática centrista que poderia tirar votos da social-democracia e dos nazistas, Kotleba se apresenta como o novo e acusa as elites políticas em Bratislava e Bruxelas de não se preocuparem com os "eslovacos comuns".

Xenófobo e antissemita, o líder neonazista ataca judeus, ciganos, imigrantes e homossexuais. Promete impedir uma "invasão de migrantes", usando a expressão abusada do presidente americano, Donald Trump.

Seu ídolo é o ditador Jozef Tiso, líder do regime clerical-fascista controlado por Hitler, que eliminou oposicionistas e ajudou a deportar judeus para campos de concentração e centros de extermínio como Auschwitz.

O editor-chefe do jornalista assassinado, Peter Bardy, estima que pelo menos a metade do dinheiro enviado pela União Europeia seja desviado por políticos e empresários. Mas sabe que os escândalos de corrupção fortalecem Kotleba, que se apresenta como único político não corrupto. Ele alega até mesmo que a morte de Kuciak foi uma conspiração para favorecer os políticos liberais e pró-europeus.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Trump anistia corruptos e não passa no teste da democracia

Capaz vez mais autoritário depois de escapar do processo de impeachment, o presidente Donald Trump dá indulto a corruptos e não passa no teste da democracia. 

Pouco depois da eleição de Trump, em novembro de 2016, o jornalista Stephen Walt, da revista americana Foreign Policy, fez uma lista de 10 perguntas para testar se o seu presidente é um ditador. 

Hoje, eu vou examinar os primeiros cinco pontos. O primeiro problema de Trump com a democracia, e também do presidente Jair Bolsonaro aqui no Brasil, é o esforço sistemático de intimidar os meios de comunicação. 

Trump desacata jornalistas regularmente e contaminou outros setores do governo americano. O secretário de Estado, Mike Pompeo, teve um chilique diante de uma pergunta de uma repórter de rádio e excluiu a emissora de uma entrevista coletiva. 

O presidente americano humilha, degrada e intimida jornalistas, chamando-os de inimigos do povo, uma expressão que o ditador soviético Joseph Stalin usava para justificar perseguições, processos forjados e assassinatos políticos. A atual assessora de imprensa da Casa Branca não dá entrevistas e não há sinal de que a situação vá melhorar. 

Aqui no Brasil, o relacionamento de Bolsonaro com a imprensa é ainda pior depois que ele insinuou que uma repórter premiadíssima da Folha de São Paulo, Patrícia Campos Mello, ofereceu sexo em troca de um furo de reportagem. Nem Trump chegou a tanto, embora ofenda mulheres regularmente. 

As atitudes dos dois presidentes legitimam os ataques a jornalistas de outros políticos, de países ditatoriais e das matilhas digitais que infestam as redes sociais, ou, no caso, antissociais.

Não há democracia sem uma imprensa independente, crítica e vigorosa. O ataque à liberdade de imprensa é um ataque à democracia. Meu comentário:

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Trump transforma os EUA numa república de bananas

Com a absolvição no processo de impeachment, o presidente Donald Trump se tornou ainda mais arrogante, prepotente, autoritário e vingativo. Ameaça transformar os Estados Unidos numa república de bananas. 

Antes do impeachment, Trump afirmou que o artigo 2 da Constituição Americana o autorizava a fazer qualquer coisa. A presidente da Câmara, a deputada democrata Nancy Pelosi, retrucou que ele não é rei, mas, ao ser absolvido pela bancada republicana no Senado, Trump se transformou num ditador eleito. 

Quando Bill Clinton foi absolvido no impeachment por mentir sobre as relações sexuais com uma estagiária, em fevereiro de 1999, pediu desculpas à nação. Trump só pensa em vingança, em perseguir quem o acusou de abuso do poder e obstrução do Congresso. 

Só a Justiça poderia ser capaz de limitar os poderes do presidente sem limites. Mas o ministro da Justiça virou um serviçal do presidente e não do país. Meu comentário:

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Zimbábue prende mulher do vice-presidente por lavagem de dinheiro

Marry Mubaiwa, mulher do atual vice-presidente do Zimbábue, Constantino Chiwenga, de quem estaria se divorciando, foi presa no domingo sob acusações de lavagem de dinheiro, fraude e violação das normas de controle do câmbio ao enviar US$ 919 mil à África do Sul para uma suposta importação que nunca aconteceu.

A prisão foi confirmada pelo porta-voz da Comissão Anticorrupção do Zimbábue, John Nakamure, que não deu maiores detalhes. Entre outubro de 2018 e maio de 2019, Marry Mubaiwa, hoje com 38 anos, teria enviado o dinheiro à vizinha África do Sul. Ela também é acusada de obter uma certidão de casamento sem consentimento do marido.

Como a prisão ocorreu no momento do divórcio com o vice-presidente, ficou no ar a suspeita de uma vingança pessoal que ao mesmo daria a impressão de que o governo está realmente interessado no combate à corrupção.

No dia seguinte, Mubaiwa foi acusada de tentativa de assassinato do marido. Ela teria retirado tubos quando Chiwenga se tratava de um problema de saúde num hospital.

O vice-presidente foi um dos líderes do golpe que derrubou o ditador Robert Mugabe, em 21 de novembro de 2017. Ele foi à China pedir o aval do regime comunista chinês para a queda de Mugabe.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Iraniana ganhadora do Nobel de Paz prevê fim da República Islâmica

A advogada e defensora dos direitos humanos iraniana Shirin Ebadi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2003, vê o início do fim da ditadura teocrática do Irã nas manifestações de protesto, no momento em que os Estados Unidos cogitam enviar mais 14 mil soldados para o Oriente Médio tendo em vista a República Islâmica.

Em entrevista à televisão francesa France 24, Shirin Ebadi descreveu a repressão às atuais manifestações de protesto contra o regime dos aiatolás como a mais violenta desde a vitória da Revolução Islâmica, em 1979.

Os protestos começaram em 15 de novembro, depois de um aumento de 300% no preço da gasolina. O número de mortos é estimado entre 300 e 500 pessoas. Mais mil pessoas foram feridas e 7 mil presas. A ditadura cortou a Internet para dificultar a mobilização popular. 

Para Shirin Ebadi, quanto mais fraco é um regime mais violenta é a repressão: “Estamos assistindo ao início do fim do regime fundamentalista islâmico. É claro que isto é um processo que vai durar anos, mas a hora vai chegar. O povo está revoltado, a corrupção é enorme e a desigualdade também. 90 por cento vivem mal, enquanto 10 por cento são muito ricos”, disse ela. “A censura é muito forte. O regime não tolera qualquer contestação.” Meu comentário: 

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Likud vai colocar liderança de Netanyahu em votação

O partido conservador Likud vai realizar uma eleição primária dentro de seis semanas diante do desafio do ex-deputado Gideon Saar à liderança do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, denunciado criminalmente por fraude e corrupção na semana passada.

A decisão do partido reflete a tensão para que Netanyahu deixe a vida pública depois da denúncia do procurador-geral. Mesmo que vença, o primeiro-ministro pode sair enfraquecido para disputar as próximas eleições.

Israel realizou duas eleições gerais neste ano, em 9 de abril e 17 de setembro, sem que nenhuma das duas grandes alianças conseguisse maioria absoluta na Knesset, o parlamento israelense, de 120 cadeiras. As próximas eleições devem ser realizadas no início de 2020.

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Protestos contra governo do Iraque resultam em 33 mortes

Pelo quarto dia seguido, milhares de iraquianos protestam contra a corrupção, a miséria, o desemprego e a falta de serviços públicos essenciais. O governo reage com gás lacrimogênio e munição real. Ao menos 33 pessoas foram mortas, 40 de acordo com grupos de defesa dos direitos humanos.

Dezesseis anos depois da invasão ordenada pelo presidente George W. Bush para derrubar o ditador Saddam Hussein, o Iraque ainda sofre as pesadas consequências da invasão americana, feita sob o falso pretexto de que o Iraque possuía armas de destruição em massa. 

Há quatro dias, milhares de pessoas, sobretudo jovens, protestam nas ruas de Bagdá e das principais cidades do Sul do país contra a corrupção, a miséria, que afeta a maioria dos 40 milhões de habitantes, o desemprego, que atinge 25% dos jovens, e a falta de serviços básicos como o fornecimento de água e energia elétrica. 

A infraestrutura já apresentava problemas por causa dos oitos anos da guerra contra o Irã nos anos 1980s e das sanções impostas pelas Nações Unidas depois da Guerra do Golfo de 1991, para expulsar os iraquianos do Kuwait. 

Desde que os bombardeios dos Estados Unidos arrasaram a infraestrutura do Iraque, o país com a quinta maior reserva mundial de petróleo não consegue fornecer energia regularmente nem para a capital. Meu comentário:
No quinto dia de protestos, o total de mortos chegou a 93 pessoas. Mais de 4 mil soldados americanos foram mortos desde a invasão de 2003. O sítio Iraq Body County estimou o total de mortos em 288 mil.