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sábado, 18 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 18 de Abril

BASÍLICA DE SÃO PEDRO

    Em 1506, o Papa Júlio II lança a pedra fundamental da Basílica de São Pedro, na Cidade do Vaticano, um enclave em Roma. A obra é concluída em 1615, no papado de Paulo V.

A Basílica de São Pedro é uma das mais importantes obras de arquitetura do Renascimento e muitos elementos do barroco, o estilo arquitetônico da Contrarreforma, que busca afirmar a superioridade da Igreja Católica sobre as correntes protestantes. De 1546 até sua morte em 1564, Michelangelo Buonarotti é o principal arquiteto.

Ao lado da Basílica de São João Latrão, a Basília de Santa Maria Maior e a Basílica de São Paulo Extramuros, todas em Roma, a Basílica de São Pedro é uma das quatro grandes basílicas. É a maior igreja cristã do mundo até a inauguração da Basílica de Yasmousoukro, na Costa do Marfim.

CAVALGADA NOTURNA DE PAUL REVERE

    Em 1775, o ourives Paul Revere entra para a história por sair a cavalo à noite para alertar os moradores da região de Boston para um ataque das forças do Império Britânico no início da Guerra da Independência dos EUA.

"Às armas! Às armas! Os casacas vermelhas vêm aí", brada Revere, advertindo os rebeldes norte-americanos.

Paul Revere nasce em Boston em 1º de janeiro de 1735. Seu pai é um refugiado huguenote que chega a Boston como criança e aprende o ofício da ouriversaria, que passa para o filho. Paul se torna um dos grandes artistas da produção de artigos de prata.

Entusiasta da luta pela independência, doa trajes indígenas e participa da Festa do Chá de Boston, em 16 de dezembro de 1773m quando manifestantes fantasiados de indígenas jogam no mar uma carga de chá da Companhia das Índias Orientais para protestar contra os impostos cobrados pela coroa britânica.

Na noite de 16 para 17 de abril, Revere vai a cavalo até Concord para mobilizar os patriotas enquanto as forças imperiais avançam na busca de líderes revolucionários como John Hancock e Samuel Adams. Graças à cavalgada de Paul Revere, os minutemen estão prontos para a histórica Batalha de Lexington, no início da Guerra da Independência dos EUA, tem o apoio da França, da Espanha e da Holanda, rivais do Império Britânico.

Os EUA proclamam a independência em 4 de julho de 1776 e obtém reconhecimento da França e do Reino Unido no Tratado de Paris, em 1783.

GRANDE TERREMOTO DE SÃO FRANCISCO

    Em 1906, às 5h13, um tremor de terra de 7,9 graus na escala aberta de Richter ao longo de 440 quilômetros da Falha de Santo André com 45 a 60 segundos de duração sentido do Sul do estado do Oregon até Los Angeles abala São Francisco, na Califórnia, provoca uma série de incêndios, mata cerca de 3 mil pessoas e destrói 80% da cidade.

Como a rede de encanamentos se rompe, falta água para combater o fogo, que arde até o dia 20. Entre 227 e 300 mil pessoas da cidade de 410 mil habitantes na época ficam ao relento. A metade da população é retirada para as cidades de Berkeley e Oakland, do outro lado da Baía de São Francisco. O Golden Gate Park e o Panhandle viram acampamentos que duram mais de dois anos.

São Francisco se reconstrói rapidamente, mas parte da população, do comércio e da indústria migram para Los Angeles, que se torna a maior cidade da Califórnia e a segunda maior dos EUA no século 20. São Francisco renasce com a revolução da tecnologia da informação como parte do Vale do Silício, que concentra as principais empresas do setor.

INDEPENDÊNCIA DO ZIMBÁBUE

    Em 1980, o Zimbábue, antiga Rodésia do Sul e Rodésia, conquista a independência do Reino Unido depois de um longo período colonial sob o Império Britânico e 15 anos de dominação pela minoria branca num regime segregacionista semelhante ao apartheid da África do Sul.

A colonização é uma iniciativa de Cecil Rhodes, o empresário do imperialismo, que recebe em 1889 autorização para construir uma estrada de ferro da África do Sul até o Rio Zambeze, estimular a imigração e a colonização, promover o comércio e garantir direitos de exploração mineral. No ano seguinte, a Companhia Britânica da África do Sul, de Rhodes, demarca o território.

Em 1895, a região antes conhecida como Zambézia passa a ser chamada de Rodésia. A ferrovia chega às Cataratas de Vitória em 1904 e com ela os colonos, que no ano seguinte são 12,5 mil. Em 1909, as exportações de ouro somam 2,5 milhões de libras.

A Rodésia do Norte e a Rodésia do Sul viram colônias britânicas autônomas em 1923. Em 1953, as duas se juntam à Niassalândia, hoje Maláui, na Federação da Rodésia e Niassalândia, que dura até 1963. Em 24 de outubro de 1964, a Rodésia do Norte se torna independente com o nome de Zâmbia.

A Rodésia do Sul passa a se chamar de Rodésia. Em 1965, o governo da minoria branca declara independência unilateralmente com o apoio da África do Sul. Sofre isolamento internacional e enfrenta durante 15 anos movimentos guerrilheiros da maioria negra que conquistam a independência em 1980.

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sexta-feira, 18 de abril de 2025

Hoje na História do Mundo: 18 de Abril

 BASÍLICA DE SÃO PEDRO

    Em 1506, o Papa Júlio II lança a pedra fundamental da Basílica de São Pedro, na Cidade do Vaticano, um enclave em Roma. A obra é concluída em 1615, no papado de Paulo V.

A Basílica de São Pedro é uma das mais importantes obras de arquitetura do Renascimento e muitos elementos do barroco, o estilo arquitetônico da Contrarreforma, que busca afirmar a superioridade da Igreja Católica sobre as correntes protestantes. De 1546 até sua morte em 1564, Michelangelo Buonarotti é o principal arquiteto.

Ao lado da Basílica de São João Latrão, a Basília de Santa Maria Maior e a Basílica de São Paulo Extramuros, todas em Roma, a Basílica de São Pedro é uma das quatro grandes basílicas. É a maior igreja cristã do mundo até a inauguração da Basílica de Yasmousoukro, na Costa do Marfim.

CAVALGADA NOTURNA DE PAUL REVERE

    Em 1775, o ourives Paul Revere entra para a história por sair a cavalo à noite para alertar os moradores da região de Boston para um ataque das forças do Império Britânico no início da Guerra da Independência dos EUA.

"Às armas! Às armas! Os casacas vermelhas vêm aí", bradou Revere, advertindo os rebeldes norte-americanos.

Paul Revere nasce em Boston em 1º de janeiro de 1735. Seu pai era um refugiado huguenota que chega a Boston como criança e aprende o ofício da ouriversaria, que passa para o filho. Paul se torna um dos grandes artistas da produção de artigos de prata.

Entusiasta da luta pela independência, doa trajes indígenas e participa da Festa do Chá de Boston, quando manifestantes fantasiados de indígenas jogam no mar uma carga de chá da Companhia das Índias Orientais para protestar contra os impostos cobrados pela coroa britânica.

Na noite de 16 para 17 de abril, Revere vai a cavalo até Concord para mobilizar os patriotas enquanto as forças imperiais avançam na busca de líderes revolucionários como John Hancock e Samuel Adams. Graças à cavalgada de Paul Revere, os minutemen estão prontos para a histórica Batalha de Lexington, no início da Guerra da Independência dos EUA, tem o apoio da França, da Espanha e da Holanda, rivais do Império Britânico.

Os EUA proclamam a independência em 4 de julho de 1776 e obtém reconhecimento da França e do Reino Unido no Tratado de Paris, em 1783.

GRANDE TERREMOTO DE SÃO FRANCISCO

    Em 1906, às 5h13, um tremor de terra de 7,9 graus na escala aberta de Richter ao longo de 440 quilômetros da Falha de Santo André com 45 a 60 segundos de duração sentido do Sul do estado do Oregon até Los Angeles abala São Francisco, na Califórnia, provoca uma série de incêndios, mata cerca de 3 mil pessoas e destrói 80% da cidade.

Como a rede de encanamentos se rompe, falta água para combater o fogo, que arde até o dia 20. Entre 227 e 300 mil pessoas da cidade de 410 mil habitantes na época ficam ao relento. A metade da população é retirada para as cidades de Berkeley e Oakland, do outro lado da Baía de São Francisco. O Golden Gate Park e o Panhandle viram acampamentos que duram mais de dois anos.

São Francisco se reconstrói rapidamente, mas parte da população, do comércio e da indústria migram para Los Angeles, que se torna a maior cidade da Califórnia e a segunda dos EUA no século 20.

INDEPENDÊNCIA DO ZIMBÁBUE

    Em 1980, o Zimbábue, antiga Rodésia do Sul e Rodésia, conquista a independência do Reino Unido depois de um longo período colonial sob o Império Britânico e 15 anos de dominação pela minoria branca num regime segregacionista semelhante ao apartheid da África do Sul.

A colonização é uma iniciativa de Cecil Rhodes, o empresário do imperialismo, que recebe em 1889 autorização para construir uma estrada de ferro da África do Sul até o Rio Zambeze, estimular a imigração e a colonização, promover o comércio e garantir direitos de exploração mineral. No ano seguinte, a Companhia Britânica da África do Sul, de Rhodes, demarca o território.

Em 1895, a região antes conhecida como Zambézia passa a ser chamada de Rodésia. A ferrovia chega às Cataratas de Vitória em 1904 e com ela os colonos, que no ano seguinte são 12,5 mil. Em 1909, as exportações de ouro somam 2,5 milhões de libras.

A Rodésia do Norte e a Rodésia do Sul viram colônias britânicas autônomas em 1923. Em 1953, as duas se juntam à Niassalândia, hoje Maláui, na Federação da Rodésia e Niassalândia, que dura até 1963. Em 24 de outubro de 1964, a Rodésia do Norte se torna independente com o nome de Zâmbia.

A Rodésia do Sul passa a se chamar de Rodésia. Em 1965, o governo da minoria branca declara independência unilateralmente com o apoio da África do Sul. Sofre isolamento internacional e enfrenta durante 15 anos movimentos guerrilheiros da maioria negra que conquistam a independência em 1980.

quinta-feira, 18 de abril de 2024

Hoje na História do Mundo: 18 de Abril

BASÍLICA DE SÃO PEDRO

    Em 1506, o Papa Júlio II lança a pedra fundamental da Basílica de São Pedro, na Cidade do Vaticano, um enclave em Roma. A obra é concluída em 1615, no papado de Paulo V.

A Basílica de São Pedro é uma das mais importantes obras de arquitetura do Renascimento e muitos elementos do barroco, o estilo arquitetônico da Contrarreforma, que busca afirmar a superioridade da Igreja Católica sobre as correntes protestantes. De 1546 até sua morte em 1564, Michelangelo Buonarotti é o principal arquiteto.

Ao lado da Basílica de São João Latrão, a Basília de Santa Maria Maior e a Basílica de São Paulo Extramuros, todas em Roma, a Basílica de São Pedro é uma das quatro grandes basílicas. É a maior igreja cristã do mundo até a inauguração da Basílica de Yasmousoukro, na Costa do Marfim.

GRANDE TERREMOTO DE SÃO FRANCISCO

    Em 1906, às 5h13, um tremor de terra de 7,9 graus na escala aberta de Richter ao longo de 440 quilômetros da Falha de Santo André com 45 a 60 segundos de duração, sentido do Sul do estado do Oregon até Los Angeles, abala São Francisco, na Califórnia, provoca uma série de incêndios, mata cerca de 3 mil pessoas e destrói 80% da cidade.

Como a rede de encanamentos se rompe, falta água para combater o fogo, que arde até o dia 20. Entre 227 e 300 mil pessoas da cidade de 410 mil habitantes na época ficam ao relento. A metade da população é retirada para as cidades de Berkeley e Oakland, do outro lado da Baía de São Francisco. O Golden Gate Park e o Panhandle viram acampamentos que duram mais de dois anos.

São Francisco se reconstrói rapidamente, mas parte da população, do comércio e da indústria migram para Los Angeles, que se torna a maior cidade da Califórnia e a segunda dos EUA no século 20.

INDEPENDÊNCIA DO ZIMBÁBUE

    Em 1980, o Zimbábue, antiga Rodésia do Sul e Rodésia, conquista a independência do Reino Unido depois de um longo período colonial sob o Império Britânico e 15 anos de dominação pela minoria branca num regime segregacionista semelhante ao apartheid da África do Sul.

A colonização é uma iniciativa de Cecil Rhodes, o empresário do imperialismo, que recebe em 1889 autorização para construir uma estrada de ferro da África do Sul até o Rio Zambeze, estimular a imigração e a colonização, promover o comércio e garantir direitos de exploração mineral. No ano seguinte, a Companhia Britânica da África do Sul, de Rhodes, demarca o território.

Em 1895, a região antes conhecida como Zambézia passa a ser chamada de Rodésia. A ferrovia chega às Cataratas de Vitória em 1904 e com ela os colonos, que no ano seguinte são 12,5 mil. Em 1909, as exportações de ouro somam 2,5 milhões de libras.

A Rodésia do Norte e a Rodésia do Sul viram colônias britânicas autônomas em 1923. Em 1953, duas se juntam à Niassalândia, hoje Maláui, na Federação da Rodésia e Niassalândia, que dura até 1963. Em 24 de outubro de 1964, a Rodésia do Norte se torna independente com o nome de Zâmbia.

A Rodésia do Sul passa a se chamar de Rodésia. Em 1965, o governo da minoria branca declara independência unilateralmente com o apoio da África do Sul. Sofre isolamento internacional e enfrenta durante 15 anos movimentos guerrilheiros da maioria negra que conquistam a independência em 1980.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Zimbábue prende mulher do vice-presidente por lavagem de dinheiro

Marry Mubaiwa, mulher do atual vice-presidente do Zimbábue, Constantino Chiwenga, de quem estaria se divorciando, foi presa no domingo sob acusações de lavagem de dinheiro, fraude e violação das normas de controle do câmbio ao enviar US$ 919 mil à África do Sul para uma suposta importação que nunca aconteceu.

A prisão foi confirmada pelo porta-voz da Comissão Anticorrupção do Zimbábue, John Nakamure, que não deu maiores detalhes. Entre outubro de 2018 e maio de 2019, Marry Mubaiwa, hoje com 38 anos, teria enviado o dinheiro à vizinha África do Sul. Ela também é acusada de obter uma certidão de casamento sem consentimento do marido.

Como a prisão ocorreu no momento do divórcio com o vice-presidente, ficou no ar a suspeita de uma vingança pessoal que ao mesmo daria a impressão de que o governo está realmente interessado no combate à corrupção.

No dia seguinte, Mubaiwa foi acusada de tentativa de assassinato do marido. Ela teria retirado tubos quando Chiwenga se tratava de um problema de saúde num hospital.

O vice-presidente foi um dos líderes do golpe que derrubou o ditador Robert Mugabe, em 21 de novembro de 2017. Ele foi à China pedir o aval do regime comunista chinês para a queda de Mugabe.

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Liberdade está em declínio na Internet

De 65 países examinados, em 33 houve um declínio da liberdade na Internet desde junho de 2018, constatou um estudo da organização americana Freedom House. Entre os países com maior recuo citados no relatório A Crise das Redes Sociais, estão o Brasil, Bangladesh, o Casaquistão e o Zimbábue.

Com o autoritarismo digital e a vigilância aos cidadãos, em 47 dos 65 países houve prisões por "conteúdo político, religioso ou social" na rede mundial de computadores.

Dos 7,742 bilhões de seres humanos, 3,8 bilhões têm acesso à Internet.
• 71% vivem em países onde pessoas foram presas por divulgarem conteúdo político, social ou religioso;
• 65% vivem em países onde pessoas foram atacadas e até mortas por suas atividades on-line;
• 59% vivem em países onde autoridades usaram comentaristas a favor do governo para manipular as discussões;
• 56% vivem em países onde conteúdo político, social ou religioso on-line é censurado;
• 46% vivem em países onde as autoridades desligaram a internet ou as telecomunicações por telefone por motivos políticos;
• 46% vivem em países onde o acesso às plataformas das redes sociais é temporária ou permanentemente restrito.

A desinformação está em alta: "Líderes políticos empregam indivíduos para formar subrepticiamente a opinião na rede em 38 dos 65 países estudados neste relatório. (...) Em muitos países, a ascensão do populismo e do extremismo de ultradireita coincidiu com o crescimento de matilhas virtuais hiperpartidárias que incluem tanto usuários autênticos quanto fradulentos e contas automáticas", de robôs.

É a crise das redes sociais, nome do estudo. As plataformas que prometiam abertura e liberdade de expressão estão sendo usadas para vigiar, reprimir e confundir.

"A liberdade na Internet é crescentemente ameaçada pelos instrumentos e táticas do autoritarismo digital, que se espalhou rapidamente pelo globo. Regimes repressivos, governantes eleitos com ambições autoritárias e operadores partidários inescrupulosos exploram espaços não regulamentados das plataformas das redes sociais, convertendo-as em instrumentos para a distorção da política e o controle da sociedade", advertem os autories, Adrian Shahbaz e Allie Funk.

"Embora as redes sociais tenham às vezes servido de campo nivelado para a discussão cívica, elas estão agora se inclinando perigosamente para o iliberalismo, expondo os cidadãos a uma repressão sem precedentes de suas liberdades fundamentais. Pior ainda, uma alarmante variedade de governos está instalando instrumentos avançados para identificar e monitorar usuários numa escala imensa. Como resultado desta tendência, a liberdade na Internet global caiu pelo nono ano consecutivo em 2019", afirma o relatório.

O estudo acrescenta que "as redes sociais permitem que pessoas comuns, grupos sociais e jornalistas tenham acesso a uma vasta audiência a baixo ou nenhum custo, mas também oferecem uma plataforma útil e barata para operações de influência maligna de agentes do país ou do exterior."

"Além de facilitar a disseminação de propaganda e desinformação durante campanhas eleitorais, as redes sociais permitem a coleta e a análise de vasta quantidade de dados sobre populações inteiras. A vigilância sofisticada em massa, antes possível apenas para as agências de inteligência das grandes potências, agora é acessível a ampla variedade de países", alerta a Freedom House.

"Agentes estatais e não estatais empregaram técnicas informacionais para distorcer o ambiente da mídia durante eleições em 24 países no ano passado, tornando-a de longe a tática mais popular. A Freedom House lista cinco grandes métodos de manipulação: notícias que são propagandas, notícias totalmente falsas, comentaristas pagos, robôs e o sequestro de contas reais nas redes sociais.

"Neste ano, populistas e líderes de extrema direita se tornaram não só adeptos de criar uma desinformação viral, mas também de cultivar redes que as disseminem. Algumas destas redes são explicitamente dirigidas pelo Estado ou por funcionários do partido, enquanto outras são semiautônomas, dão apoio a seus ídolos políticos e recebem em troca encorajamento e aprovação", comenta o estudo, ao tentar explicar a redução da liberdade em 2019.

"Estas redes trabalham em conjunto com personalidades da mídia e magnatas do mundo dos negócios aliados ao governo. Estas matilhas virtuais amplificam teorias conspiratórias, visões inflamatórias e memes enganosos de pequenas câmaras de eco digital para a realidade política", argumentam os autores.

"Grupos de extrema-direita podem ter mais sucesso porque - como mostram estudos - conteúdos falsos, chocantes, negativos, exagerados e emocionalmente carregados tendem a se propagar mais depressa e mais amplamente em plataformas de redes sociais do que outros tipos de conteúdo", nota o relatório, acrescentando que as autoridades eleitorais da maioria dos países não estão preparadas para controlar este tipo de campanha eleitoral.

A pesquisa indica que "governos repressivos estão adquirindo instrumentos de vigilância nas redes sociais que empregam inteligência artificial para identificar possíveis ameaças e silenciar manifestações indesejadas. Mesmo nas democracias esta vigilância em massa está se espalhando pelas agências governamentais e sendo usada para outros propósitos sem as salvaguardas adequadas.
Se a China isola sua Internet para evitar a entrada de ideias indesejáveis para o regime comunista e a Rússia marcha na mesma direção, as grandes plataformas das redes sociais estão nos Estados Unidos e "sua exploração por forças antidemocráticas é em parte produto da negligência americana", continua o relatório.

"A vitória de Jair Bolsonaro na eleição presidencial de outubro de 2018 no Brasil provou ser um divisor de águas para a interferência digital nas eleições do país. Atores não identificados montaram ataques contra jornalistas, entidades governamentais e usuários politicamente engajados, enquanto a manipulação das redes sociais atingia novos picos. Partidários de Bolsonaro e de sua coalizão de extrema direita Brasil acima de Todos, Deus acima de Tudo divulgaram rumores homofóbicos e imagens manipuladas no YouTube e no WhatsApp. No governo, Bolsonaro contratou consultores de comunicação a quem se credita uma campanha sofisticada de desinformação", diz o parágrafo sobre o Brasil.

"O futuro da liberdade na Internet depende de corrigir as redes sociais", propõem os autores. "Não há tempo a perder. Novas tecnologias como biométrica, inteligência artificial e redes de telecomunicações de quinta geração (5G) vão oferecer novas oportunidades para o desenvolvimento humano, mas também apresentam, sem dúvida, uma nova série de desafios aos direitos humanos.

"São necessárias proteções fortes às liberdades democráticas para garantir que a Internet não se transforme num Cavalo de Troia da tirania e da opressão. O futuro da privacidade, da liberdade de expressão e da governança democrática está nas decisões que tomamos hoje."

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Morte de Mugabe é o fim de mais uma tragédia africana

De revolucionário, herói da independência e pai da pátria, Robert Mugabe se tornou um tirano implacável. Arruinou a economia do Zimbábue e é acusado por milhões de mortes. Sua morte aos 95 anos hoje num hospital de Cingapura é o fim de mais uma história trágica na África.

Nacionalista pan-africano, Robert Gabriel Mugabe aderiu ao socialismo e ao marxismo-leninismo na luta contra o colonialismo europeu nos anos 1960s. Acusado de sedição, ficou preso de 1964 a 1974. 

Livre, foi para Moçambique, onde assumiu a liderança da União Nacional Africana do Zimbábue, ZANU, da sigla em inglês, na luta contra o regime segregacionista da minoria branca, semelhante ao apartheid da África do Sul, chefiado por Ian Smith. 

Na época, o país se chamava Rodésia. Antes, fora a Rodésia do Sul, nomes derivados de Cecil Rhodes, um empresário do imperialismo britânico do século 19. 

Antes da libertação de Nelson Mandela na África do Sul, em fevereiro de 1991, Mugabe, como um dos pais da pátria, era uma das vozes mais fortes em defesa do ideal de unidade do continente, do pan-africanismo, um sonho dos heróis da independência. Mas Mugabe não era Mandela. Meu comentário:

Mugabe foi de herói revolucionário a ditador do Zimbábue

O herói da independência do Zimbábue, Robert Mugabe, que governou da independência, em 1980, até ser deposto num golpe do vice-presidente e atual presidente Emmerson Mnangagwa em 12 de dezembro de 2017, morreu aos 95 anos num tribunal em Cingapura.

Em entrevista à televisão pública britânica BBC, Mnangagwa, o Crocodilo, o descreveu como um "ícone da libertação, não apenas do Zimbábue, mas do continente", um herói pan-africano. De sonhador de uma África próspera e independente, Mugabe se tornou o protótipo ditador africano, recluso atrás de óculos escuros.

Nacionalista africano identificado com o marxismo-leninismo e o socialismo nas guerras de libertação nacional dos anos 1960s e 1970s, Mugabe ficou preso de 1964 e 1974.

Livre, foi para Moçambique, onde assumiu a liderança da União Nacional Africana do Zimbábue (ZANU) de 1975 a 1980 na luta contra a ditadura da maioria branca na Rodésia, antiga Rodésia do Sul, antiga propriedade do empresário do imperialismo britânico Cecil Rhodes.

Antes da libertação de Nelson Mandela na África do Sul, em fevereiro de 1991, Mugabe era uma das vozes em defesa dos ideais de unidade do continente, do pan-africanismo, um sonho dos pais da independência da África.

De 1983 a 1987, Mugabe esmagou a União Popular Africana do Zimbábue (ZAPU), de Joshua Nkomo, numa rebelião interna com pelo menos 10 mil mortes, afirmando um poder implacável.

Para manter o poder, em 2000, quando o Movimento pela Mudança Democrática (MDC), de oposição, era favorito para vencer as eleições, Mugabe incitou os negros a invadir as terras dos brancos. Arrasou a economia do país, um dia conhecido como "celeiro da África". Não aplicou o Acordo da Lancaster House, de 1980, pelo qual o Reino Unido se comprometia a indenizar os fazendeiros brancos desapropriados. A produção de alimentou desabou.

O próprio Mandela criticou a "falha trágica de liderança" no nosso vizinho Zimbábue ao não coibir a "violência de africanos contra africanos". Os Estados Unidos e a União Europeia impuseram sanções internacionais.

A decadência econômica levou à maior hiperinflação do mundo, de 2.000.000% ao ano, que acabou com a moeda do país. Sob vários aspectos, Mugabe poderia ser considerado o pior presidente do mundo. Sua tirania acabou com a economia de um país próspero sem que a cúpula do regime fosse afetada em seus hábitos luxuosos.

Depois de três viagens para tratamento médico em Cingapura, em julho de 2017, a primeira-dama Grace Mugabe, sua segunda mulher, 41 anos mais moça do que ele, pediu a Robert Mugabe para nomear um sucessor. Ele se negou, mas aumentava a sensação entre a cúpula do regime e o comando das Forças Armadas de que um grupo ligado a Grace Mugabe queria tomar o poder.

Mugabe demitiu o vice-presidente Mnangagwa, em 6 de novembro de 2017, dividindo o regime. Com o aval da China, grande financiadora do Zimbábue nos últimos anos, de 13 a 18 de novembro, as Forças de Defesa do Zimbábue se mobilizaram para derrubar seu herói nacional, pai da pátria e fundador do Exército.

Em 19 de novembro, destituído da presidência do partido, entregue a Mnangagwa, Mugabe fez pronunciamento em cadeia nacional de televisão, mas não falou em renúncia. Os deputados do próprio ZANU-PF entraram com pedido de impeachment na Assembleia Nacional e receberam apoio da oposição. Dois dias depois, Mugabe assinou a renúncia.

Durante entrevista, em 15 de março de 2018, Mugabe declarou ter sido vítima de um golpe e considerou o governo Mnangagwa "ilegal e inconstitucional". Viva em prisão domiciliar. Triste fim de um herói convertido em tirano.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Oposicionista Félix Tshisekedi vence eleição presidencial no Congo

Félix Antoine Tshisekedi Tshilombo, líder da União para a Democracia e o Progresso Social (UPDS), o maior e mais antigo partido de oposição da República Democrática do Congo, venceu a eleição presidencial de 30 de dezembro, noticiou hoje o canal de televisão France 24 citando anúncio oficial da Comissão Eleitoral Nacional Independente (CENI).

Pelos dados da CENI, Tshisekedi recebeu -pouco mais de 7 milhões de votos ( 38,57%) contra 6,4 milhões (34,83%) para outro oposicionista, Martin Fayulu, e 4,4 milhões (23,84%) para o governista Emmanual Ramazani Sharady. Uma apuração paralela da conferência episcopal da Igreja Católica deu a vitória a Fayulu, abrindo a possibilidade de uma contestação e de violência nas ruas.

O resultado alimenta a suspeita de um acordo espúrio entre Tshisekedi e o presidente Joseph Kabila.

Se a vitória de Tshisekedi for confirmada e não houver uma reação violenta, será a primeira transição pacífica de governo desde que o Congo se tornou independente da Bélgica, em 1960, sob a liderança de Patrice Lumumba.

Aliado da União Soviética em plena Guerra Fria, Lumumba foi preso e assassinado no início de 1961 numa conspiração articulada pela CIA (Agência Central de Inteligência), o serviço de espionagem dos Estados Unidos, que levou ao poder Joseph Mobutu, ex-sargento do exército colonial belga, na Primeira Guerra Civil Congolesa (1960-64).

O presidente eleito nasceu em 13 de junho de 1963 em Kinshasa, a capital do antigo Congo Belga. É filho de Étienne Tshisekedi, que foi três vezes primeiro-ministro do ditador Joseph Mobutu, em 1991, 1992-93 e 1997, quando o país se chamava Zaire, mas também foi um dos poucos políticos a desafiar Mobutu.

A eleição presidencial foi realizada com dois anos de atraso. O mandato do presidente Joseph Kabila terminava em dezembro de 2016.

A expectativa dos analistas internacionais era de uma grande fraude eleitoral para eleger o candidato governista Sharady, especialmente depois do adiamento da divulgação dos resultados oficiais, inicialmente prevista para domingo. Com a surpreendente vitória de Tshisekedi, a suspeita permanece.

Joseph Kabila ocupava o cargo desde 2001, quando sucedeu ao pai, o guerrilheiro Laurent Kabila, que lutou ao lado do revolucionário argentino Ernesto Che Guevara nos anos 1960s e resistiu, refugiado nas Montanhas da Lua, até derrubar Mobutu, em 1997.

A queda de Kabila deflagrou uma guerra civil conhecida como Primeira Guerra Mundial Africana (1997-2003), com a participação de seis exércitos nacionais (República Democrática do Congo, República do Congo, Angola, Chade, Ruanda e Zimbábue) e centenas de grupos irregulares. Mais de 5,4 milhões de pessoas morreram em combate, de fome e de doenças causadas pela guerra.

Riquíssimo em minerais, o Congo tem as maiores reservas mundiais de cobalto, 3,5 milhões de toneladas, quase três vezes mais do que a Austrália, que vem em segundo lugar. Este elemento químico é fundamental para a fabricação de baterias recarregáveis, que serão cada vez mais importante quanto mais carros elétricos entrarem em circulação.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Suprema Corte do Zimbábue aprova resultado da eleição presidencial

Como previsto, a Suprema Corte do Zimbábue considerou hoje legítima a vitória suspeita do presidente Emmerson Mnangagwa na eleição presidencial de julho, com 50,8% dos votos contra 44,3% de Nelson Chamisa.

Mnangagwa, conhecido popularmente como o Crocodilo, era vice-presidente e braço direito do ditador Robert Mugabe, que governou o Zimbábue desde sua independência, em 1980, até o golpe de novembro de 2017, quando foi deposto por Mnangagwa e o então comandante do Exército e atual vice-presidente, general Constantino Chiwenga.

A vitória apertada de um regime golpista nascido no seio de uma ditadura provocou protestos internacionais. O Zimbábue perdeu uma oportunidade de melhorar as relações com o Ocidente. No auge da crise econômica e da hiperinflação criadas pelas políticas de Mugabe, o Zimbábue foi alvo de sanções da Europa e dos Estados Unidos. Precisou recorrer à China.

Dias antes do golpe, o general Chiwenga foi à China para obter o aval do regime comunista chinês para derrubar Mugabe.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Zimbábue anuncia vitória do presidente Mnangagwa

A Comissão Eleitoral do Zimbábue acaba de anunciar a vitória do presidente Emmerson Mnangagwa na eleição da última segunda-feira, com 2,46 milhões de votos (51%), contra 2,15 milhões (44%) para Nelson Chamisa, do Movimento pela Mudança Democrática (MDC), que rejeitou o resultado oficial e promete contestar na Justiça “de todas as formas possíveis”.

Pelo menos seis pessoas foram mortas ontem, quando o Exército e a Polícia atiraram contra uma multidão de manifestantes que protestavam na capital, Harare, contra uma suposta fraude eleitoral.

Como vice-presidente e antigo lugar-tenente do ditador Robert Mugabe, deposto por ele no ano passado, Mnangagwa, conhecido popularmente como Crocodilo, é cúmplice dos crimes cometidos pelos governos da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (ZANU-PF), que governa a antiga Rodésia do Sul desde o fim da ditadura da minoria branca, em 1980.

Mugabe, o herói da independência convertido em ditador em mais uma tragédia africana, caiu em 21 de novembro de 2017 por tentar impor sua mulher, Grace Mugabe, como sucessora.

Antes de depor Mugabe, Mnangagwa enviou o então ministro da Defesa, general Constantino Chiwenga, a Beijim para obter o aval da China, única fonte de financiamento externo para o Zimbábue, que há duas décadas sofre sanções das potências ocidentais por causa das violações dos direitos humanos, da corrupção, da má administração e das fraudes eleitorais. Chiwenga é hoje vice-presidente.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Ditador Mugabe renuncia à Presidência do Zimbábue após 37 anos

Seis dias depois do golpe militar que o tirou do poder depois de 37 anos, o ditador Robert Mugabe, de 93 anos, cedeu à pressão das Forças Armadas e do partido do governo e renunciou hoje à Presidência do Zimbábue, noticiou a televisão pública britânica BBC

Em seu lugar, assume o vice-presidente Emmerson Mnangagwa, o Crocodilo, que há duas semanas o velho ditador tentou trocar por sua mulher, Grace Mugabe.

É o fim melancólico de um herói da independência que virou um ditador, exerceu o poder com crueldade e arrasou a economia, levando o país conhecido como celeiro da África a uma inflação de 500 bilhões por cento ao ano e à miséria generalizada ao armar gangues para tomar à força as propriedades dos brancos.

Na prática, foi um desfecho para a luta pelo poder em torno da sucessão de Mugabe dentro do partido dominante, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF). Mnangagwa teve o apoio decisivo do comandante das Forças Armadas, general Constantino Chiwenga, o homem-forte por trás do trono.

O golpe de 15 de novembro consolidou o poder do grupo dominante no ZANU-PF e afastou os aliados de Grace Mugabe. O ditador foi poupado como uma figura histórica. Em prisão domiciliar, Mugabe recebeu a visita dos generais.

No domingo, o partido tirou o herói da independência da liderança e expulsou sua mulher. Havia a expectativa de que Mugabe anunciaria a renúncia em pronunciamento em rede nacional de televisão. Ele não renunciou e deu a entender que participaria do próximo congresso do partido.

Para aumentar a pressão, os militares e aliados do regime mobilizaram a população, que saiu às ruas para pedir a queda do odiado Mugabe. Semanas antes, a multidão teria sido metralhada pelo Exército.

Diante da resistência do ditador, o ZANU-PF iniciou a abertura de um processo de impeachment. Um grande guerreiro não se entrega. Provavelmente Mugabe sonhasse em morrer no poder. A tentativa de indicar a mulher como sucessora e o afastamento do vice-presidente foram os últimos abusos de poder.

A dúvida agora é se a massa mobilizada para afastar o ditador vai voltar para casa ou vai aderir à campanha da oposição, surpreendida pelo golpe, por eleições antecipadas. Um memorando interno do Departamento de Estado americano vazado anos atrás pelo sítio de pirataria cibernética WikiLeaks expressava o temor de que Mnangagwa fosse ainda mais repressivo do que Mugabe.

domingo, 19 de novembro de 2017

Mugabe se nega a renunciar e deve sofrer impeachment

Em pronunciamento hoje à noite na televisão, o ex-ditador Robert Mugabe surpreendeu o Zimbábue e não renunciou à presidência do país que governou durante 37 anos até ser deposto num golpe militar na quarta-feira passada.

Mugabe, de 93 anos, foi destituído hoje da liderança da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF). Sua mulher, Grace Mugabe, que pretendia sucedê-lo, foi expulsa do partido.

O ditador tem até amanhã ao meio-dia pela hora local (8h em Brasília) para renunciar. Caso contrário, o Parlamento vai iniciar um processo de impeachment.

O novo líder do partido e do governo é o vice-presidente Emmerson Mnangagwa. Ao afastá-lo, na semana passada, para abrir caminho para sua mulher, Mugabe deflagrou o golpe que o depôs. O outro homem-forte do regime é o ministro da Defesa, general Constantino Chiwenga, que foi a Beijim pedir o aval da China ao golpe branco, sem derramamento de sangue.

Partido tira Mugabe da liderança e o pressiona a renunciar

Depois de uma manifestação de massa organizada ontem pelos militares golpistas, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF) destituiu hoje o ditador Robert Mugabe da liderança do partido e expulsou sua mulher, Grace Mugabe, que pretendia sucedê-lo. O novo líder do partido é o vice-presidente Emmerson Mnangagwa, afastado na semana passada por Mugabe, o que deflagrou o golpe de Estado.

Mugabe, de 93 anos, estava no poder desde a independência do Zimbábue, em 1980. Em prisão domiciliar desde quarta-feira, lee negocia seu destino com a mediação da Igreja Católica. Depois de 37 anos no poder, é um líder sem partido e seus principais assessores foram presos pelos militares. Ele faz um pronunciamento pela televisão hoje à noite. A agência Reuters noticiou que ele vai renunciar.

"O partido não pode tirá-lo da Presidência, então o efeito legal da votação é limitado", observou o advogado constitucionalista Fadzayi Mahere.

Se as milhares de pessoas que saíram ontem às ruas de Harare protestassem semanas atrás, provavelmente o Exército abriria fogo contra a multidão. A oposição exige a renúncia de Mugabe e a convocação de eleições antecipadas.

Em 2000, num memorando interno do Departamento de Estado americano vazado posteriormente pelo sítio de pirataria cibernética WikiLeaks, o vice-presidente Mnangagwa foi descrito como "amplamente temido e desprezado através do país", que "pode ser um líder ainda mais repressivo do que Mugabe".

O outro homem-forte do Zimbábue é o ministro da Defesa, general Constantino Chiwenga, que foi a Beijim pedir o apoio da China, maior investidor estrangeiro no país, que sofre boicote das potências ocidentais por causa das violações aos direitos humanos cometidas pela ditadura de Mugabe.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Golpe militar derruba ditador do Zimbábue

O Exército do Zimbábue, no Sul da África, ocupou hoje a televisão estatal e mantém o ditador Robert Mugabe, de 93 anos, que estava no poder desde 1980, sob prisão domiciliar, informou o jornal britânico The Guardian. Na semana passada, Mugabe destituiu o vice-presidente Emmerson Mnangagwa, abrindo caminho para ser substituído por sua mulher, Grace Mugabe, 41 anos mais jovem do que ele.

Em pronunciamento na TV, os militares afirmaram que não se trata de um golpe de Estado. Eles estariam apenas afastando "criminosos" que cercam o presidente e seriam responsáveis pela manobra. Grace Mugabe teria fugido do país. A primeira-dama, conhecida como Gucci Grace por seu consumo de marcas de luxo, estaria na Namíbia.

Pelo telefone, o ditador falou com o presidente da África do Sul, Jacob Zuma. Mugabe disse que está bem, mas não pode sair de casa.

Herói da independência, conquistada em 1980, com o fim do governo supremacista branco da antiga Rodésia do Sul, Mugabe derrotou os outros líderes da independência para se tornar chefe supremo de um país que chegou a ser conhecido como o "celeiro da África".

A oposição só teve força para desafiar o governo nas urnas no fim do século passado. Mugabe acusou os Estados Unidos e o Reino Unido, a antiga potência colonial, e lançou um movimento para tomar as terras dos brancos, causando uma profunda crise econômica, com queda de um terço no produto interno bruto, o que levou o Zimbábue à hiperinflação de 500 bilhões por cento ao ano.

Sob pressão das potências ocidentais, Mugabe recorreu à China, que vem fortalecendo seus laços com a África para garantir o suprimento de matérias-primas. O golpe veio depois de uma visita do comandante das Forças Armadas, general Constantino Chiwenga, a Beijim na semana passada.

Chiwenga foi para a China em 5 de novembro. Seu alerta era que um dos expurgo nas Forças Armadas liderado pela facção G40 da União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Popular (ZANU-PF), liderada por Grace Mugabe, prejudicaria os interesses chineses no país. O presidente acusou o vice de acirrar a divisão do partido do governo e Grace Mugage o chamou de "golpista" e "covarde".

Mugabe aproveitou a ocasião a viagem do general à China para derrubar Mnangagwa por carta, em 6 de novembro. O ministro da Informação, Simon Khaya Moyo, acusou o vice-presidente de "deslealdade, desrespeito e inconfiabilidade".

Em 7 de novembro, Mugabe demitiu três aliados do vice-presidente afastado: os ministros da Segurança Cibernética, Patrick Chinamasa; do Meio Ambiente, Oppah Muchinguri; e o chefe da Casa Civil, Chris Mushohwe. Com a ajuda do filho, Mnangagwa cruzou a fronteira com Moçambique e de lá foi para a África do Sul.

Do exterior, em 8 de novembro, o ex-vice-presidente fez pesadas críticas a Mugabe e seu grupo, acusando-o pela crise econômica e de tratar o partido e o país como propriedades de sua família.

O aeroporto internacional de Harare foi rebatizado como Aeroporto Robert Mugabe em 9 de novembro. Vai passar por obras de ampliação e modernização no valor de US$ 153 milhões financiados pelo Banco de Exportações e Importações da China. No mesmo dia, o ministro das Finanças, Ignatius Chombo, estimou o déficit orçamentário para este ano em US$ 1,82 bilhão, 11,2% do produto interno bruto.

O general Chiwenga voltou no domingo, dia 12, da China via África do Sul, outro aliado importante a ser avisado da conspiração golpista. Quando soube que o chefe de polícia, Augustine Chinuri, tinha ordens para prendê-lo, preparou uma recepção com muitos soldados e resistiu às pressões de Mugabe para deixar o comando das Forças Armadas.

Em 13 de novembro, o general convocou uma entrevista coletiva em que responsabilizou o faccionalismo dentro do partido nos últimos cinco anos pela crise econômica.  Chiwenga atribuiu os problemas do Zimbábue a "elementos que não participaram como nós da guerra da libertação", referindo-se ao grupo de Grace Mugabe, e pediu o fim do expurgo dos "veteranos de guerra".

A declaração de Chiwenga foi divulgada na versão digital do jornal The Herald, mas logo a notícia foi retirada e não saiu na edição impressa no dia 14.

O presidente do setor jovem do ZANU-PF, Kudzanai Chipanga, entrou em cena no dia 14 denunciando os militares pelos "15 bilhões desaparecidos", a renda do comércio de diamantes. Chipanga prometeu defender a revolução. Seu discurso foi transmitido pela mídia oficial.

Enquanto o ministro da Informação declarava que "o governo quer reafirmar a primazia da política sobre as armas", os militares se mobilizavam sob a chefia de Chiwenga para tomar o poder. No telejornal das oito da noite, a televisão estatal Zimbabwe Broadcasting Corporation (ZBC) não divulgou a mensagem do comandante das Forças Armadas. Os militares ocuparam a emissora. O noticiário das 23h não foi ao ar.

Às duas da madrugada de 15 de novembro, houve tiros e explosões em Harare, confundidos com os trovões de uma forte tempestade tropical. Os militares cercavam o palácio presidencial. Às quatro da madrugada, o general Sibusiso Moyo leu uma declaração na TV dizendo que o ditador e a família estavam em segurança.

"Estamos alvejando apenas os criminosos ao redor dele que estão cometendo crimes e causando sofrimento econômico e social ao país", disse a nota do comando das Forças Armadas. "Pedimos a vocês que permaneçam em calma e evitem movimentações desncessárias."

Os militares prometeram proteger os funcionários públicos de expurgos que o governo estaria planejando e insistiu que não estavam dando um golpe. Isso obrigaria a União Africana a adotar sanções contra o Zimbábue.

"O que as Forças Armadas estão fazendo a pacificar uma situação econômica, política e social degenerada em nosso país que, se não resolvida, pode resultar num conflito violento", acrescentou o pronunciamento, advertindo "as outras forças de segurança" a aderir ao golpe.

ÀS 5h30 (1h30 em Brasília), tanques e soldados em uniforme de combate bloqueavam os acessos ao centro financeiro de Harare. A chuva parou. Uma forte neblina caiu sobre a cidade. As entradas e saídas, o aeroporto da capital, o jornal The Herald e a TV ZBC estavam sob controle militar.

Durante toda a manhã, a ZBC repetiu as declarações do comandante das Forças Armadas e o pronunciamento do porta-voz do golpe, entremeados por clipes de músicas da luta pela libertação.

Na prática, o golpe desnuda a luta pela poder dentro do partido do governo (ZANU-PF), na sucessão do envelhecido, corrupto e decadente pai da pátria. A oposição, liderada pelo Movimento pela Mudança Democrática (MDC), exige o "retorno à democracia".