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domingo, 30 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 30 de Agosto

WASHINGTON REJEITA RECONCILIAÇÃO

    Em 1776, o comandante do Exército Continental, George Washington, recusa uma segunda proposta de reconciliação com o Império Britânico enviada através de carta do general William Howe.

Howe desembarca em Long Island com uma força superior à dos rebeldes americanos e conquista uma grande vitória na Batalha de Brooklyn Heights, em 27 de agosto. Entre outras razões, Washington rejeita a proposta porque a carta não o chama de general. 

As negociações são retomadas em 11 de setembro por Benjamin Franklin e John Adams. São rompidas quando os britânicos se negam a aceitar a independência dos EUA. Os rebeldes tomam Nova York em 15 de setembro e mantêm o controle sobre a cidade até o fim da Guerra da Independência (1775-83).

PRIMEIRA REVOLTA DE ESCRAVOS

    Em 1800, um escravo chamado Gabriel mobiliza mil homens nos arredores de Richmond, na Virgínia, na primeira grande rebelião de escravizados nos Estados Unidos.

Seis dias antes, o escravo Ben Woolfolk se encontra com outros escravizados na Ponte Littlepage para recrutar aliados para a revolta. O líder é Gabriel, um escravo de Henry Thomas Prosser. O plano é marchar até Richmond, capturar o governador James Monroe e outros líderes brancos e forçá-los a aceitar a igualdade política, econômica e social.

Fortes chuvas adiam o início da rebelião. Dois escravizados, Tom e Pharoak, denunciam a conspiração a Mosby Sheppard, que avisa o governador. Monroe convoca uma milícia que prende muitos rebeldes. Vários julgamentos levam à execução de Gabriel e pelo menos outros 25 escravos.

LENIN BALEADO

    Em 1918, durante um comício numa fábrica em Moscou, Fanya Kaplan, do Partido Social Revolucionário, atira três vezes no líder comunista Vladimir Illitch Ulianov (Lenin), que é ferido gravemente por duas balas, mas sobrevive.

Lenin nasce em Ulianovsk em 22 de abril de 1870. Filho de uma família da classe média, vira revolucionário após a execução do irmão mais velho, Alexander Ulianov, em 8 de maio de 1887, sob a acusação de participar de uma conspiração do grupo Vontade Popular para assassinar o czar Alexandre III.

Expulso da Universidade Imperial de Kazan por participar de protestos contra o regime czarista, em 1893, Lenin entra para o Partido Operário Social-Democrata Russo. Preso por sedição em 1897, é condenado a três anos de exílio interno em Shushenskoye, onde se casa na igreja com Nádia Krupskaya em 10 de julho de 1898.

Depois do exílio, vai em julho de 1900 para a Suíça, onde se torna um teórico marxista. Adota o pseudônimo de Lenin em dezembro de 1901. No ano seguinte, lança o panfleto Que Fazer?, em que defende a necessidade de criar um partido de vanguarda para fazer a revolução proletária. Em abril de 1902, foge para Londres, onde conhece Leon Trotsky, o outro grande líder da Revolução Comunista.

Em 1903, com uma divisão no partido, passa a liderar a facção bolchevique (maioria), a ala mais radical do partido, em oposição aos mencheviques, mais moderados, liderados por Julius Martov, embora na verdade os bolcheviques sejam minoria. 

Martov defende o direito dos militantes de se expressar contra a direção do partido, enquanto Lenin é a favor de uma liderança forte, com controle total sobre a base. É o princípio do centralismo democrático, que ajuda no futuro a ascensão de Josef Stalin. Uma vez tomada uma decisão, a discussão acaba e todos os membros do partido são obrigados a segui-la.

Com a derrota da Rússia para o Japão na Guerra do Pacífico (1904-5), 1,5 milhão de manifestantes marcham pacificamente até o palácio imperial em São Petersburgo para exigir reformas como o voto direto. São rechaçados a bala. Pelo menos 930 pessoas são mortas, 4 mil de acordo com os rebeldes.

O Domingo Sangrento, 22 de janeiro de 1905, deflagra a Revolução de 1905, a primeira grande revolta popular contra o czar Nicolau II, o Sanguinário. Mais de 2 milhões de operários entram em guerra. Durante a revolução, são organizados conselhos operários, os sovietes. Trotsky volta do exílio e lidera o Soviete de São Petersburgo. Lenin também regressa.

Nicolau II cede. No Manifesto de Outubro, autoriza o funcionamento de partidos políticos e cria um parlamento, a Duma. Com o fim da guerra contra o Japão, as tropas voltam e reprimem violentamente o movimento. Muitos rebeldes são presos ou exilados. Os sovietes são declarados ilegais. A maior parte das reformas é abandonada, mas a Duma sobrevive.

Lenin vai para o Grão-Ducado da Finlândia, parte do império czarista. Quando o czar dissolve a Segunda Duma e manda a Okrana, a polícia política, prender os revolucionários, foge para a Suíça. Os bolcheviques mudam a sede da facção para Paris. Lenin se muda para lá em dezembro de 1908, mas não gosta da capital francesa, que descreve como "um buraco sujo".

Quando estoura a Primeira Guerra Mundial (1914-18), em 28 de julho de 1914, Lenin está em Cracóvia, na Galícia, uma região polonesa do Império Austro-Húngaro, inimigo da Rússia. É preso e solto por ser anticzarista. Vai então para a Suíça, onde faz campanha em 1916 para que os socialistas repudiem a "guerra imperialista" e a transformem numa "guerra civil" continental dos trabalhadores contra a aristocracia e a a burguesia.

Em 1917, lança sua grande obra sobre relações internacionais, Imperialismo: última etapa do capitalismo, em que defende a tese do elo mais fraco. O sistema capitalista não se romperia nos países mais industrializados como a França, como previa Karl Marx, mas na parte mais fraca. Assim, justifica a revolução na Rússia, um país de industrialização tardia.

Com a queda do czarismo na Revolução de Fevereiro (março pelo calendário atual), Lenin recebe autorização da Alemanha para cruzar seu território e voltar à Rússia. Isto o leva a ser acusado de ser agente alemão porque os comunistas assinam a Paz de Brest-Litovsk, em 3 de março de 1918, depois da Revolução Bolchevique, a Revolução de Outubro.

Ao chegar à Estação Finlândia de Petrogrado, rebatizada porque São Petersburgo é um nome de origem alemã, Lenin repudia o governo provisório e defende uma revolução proletária continental. Em seguida, lança as Teses de Abril, com três palavras-chaves: paz, terra e pão. Paz para acabar com "a guerra burguesa do capitalismo", reforma agrária e alimentos para todos.

Os preparativos finais da Revolução Comunista são realizados no Instituto Smolny, sede do Comitê Militar Revolucionário, onde estudei. Na madrugada de 25 de outubro de 1917 (7 de novembro pelo calendário atual), os bolcheviques invadem o Palácio de Inverno, derrubam o governo provisório de Alexander Kerensky e tomam o poder. 

No dia seguinte à tomada do poder, Lenin se torna presidente do Conselho dos Comissários do Povo da República Socialista Federativa Soviética da Rússia. Em janeiro de 1918, Lenin dissolve a Assembleia Constituinte, onde os bolcheviques não têm maioria. 

Em março, Lenin expulsa os mencheviques e muda o nome do partido para Partido Comunista. No ano seguinte, funda a Terceira Internacional, a Internacional Comunista (Comintern), para promover uma revolução mundial.

Com a proibição dos outros partidos políticos e a dissolução da Constituinte, Fanya Kaplan considera Lenin um traidor da revolução. Na saída de um comício do líder comunista na fábrica de armas Foice e Martelo, ela dispara três tiros e acerta dois. Presa, é executada em 3 de setembro de 1918 pela Cheka (Comissão Extraordinária de Todas as Rússias), a polícia política do novo regime.

A tentativa de assassinato deflagra uma onda de retaliações dos bolcheviques contra os sociais-revolucionários e outros partidos, aprofundando a guerra civil que acontece depois das revoluções de 1917.

Com a fundação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, em 30 de dezembro de 1922, Lenin se torna presidente do Comissariado do Povo da URSS, cargo que ocupa até a morte, em 21 de janeiro de 1924.

PRIMEIRO JUIZ NEGRO NA SUPREMA CORTE

    Em 1967, Thurgood Marshall é confirmado como o primeiro juiz negro do supremo tribunal dos Estados Unidos.


Marshall nasce em 2 de julho de 1908 em Baltimore, no estado de Maryland. Sob influência do pai, estuda direito na Universidade Lincoln e na Faculdade de Direito da Universidade Howard, em Washington, a primeira a admitir negros.

Como advogado, se especializa em defender causas envolvendo a questão racial. Torna-se conhecido como Sr. Direitos Humanos em tribunais federais e na Suprema Corte durante o movimento pelos direitos civis dos negros. No caso mais famoso, Brown versus Board of Education, a Suprema Corte acaba com a segregação racial nas escolas, em 1955.

Em 1961, o presidente John Kennedy o nomeia juiz do Tribunal Federal de Recursos da Segunda Região, que inclui os estados de Nova York, Connecticut e Vermont. Depois da morte de Kennedy, o presidente Lyndon Johnson o nomeia advogado-geral da União, em 1965.

Thurgood Marshall chega à Suprema Corte com um longo histórico de luta pelos direitos dos negros. Durante 24 anos, até se aposentar por motivos de saúde, amplia o legado de luta pelos direitos civis.

HO CHI MINH RESPONDE A NIXON

    Em 1969, chega a Paris, onde se realizam as negociações de paz sobre a Guerra do Vietnã (1955-75), uma carta do líder comunista Ho Chi Minh ao presidente Richard Nixon acusando os Estados Unidos de travar uma "guerra de agressão" contra o Vietnã do Norte "violando nossos direitos nacionais". 


Ho nasce em Kiem Lan em 19 de maio de 1890 com o nome de Nguyen Sinh Cung. Depois de viver em Londres, começa a se interessar em política quando mora na França, de 1919 a 1923, e é influenciado por ideias socialistas. Torna-se político, escritor, poeta, revolucionário e líder da luta pela independência do Vietnã.

De Paris, vai para Moscou, onde trabalha na Internacional Comunista (Comintern). Em novembro de 1924, se muda para Cantão, na China. Aos 36 anos, se casa no mesmo lugar onde Chu Enlai casara, com uma chinesa de 21 anos, Zeng Xueming, porque "preciso de uma mulher que me ensine a língua e cuide da casa".

Quando o líder nacionalista chinês Chiang Kai-shek dá um golpe e começa a perseguir os comunistas, em 1927, Ho volta a Moscou e vai para a Crimeia, onde se cura de uma tuberculose antes de voltar a Paris. Passa pela Bélgica, Alemanha, Suíça e Itália antes de ir para Bangkok, na Tailândia, como agente do Comintern no Sudeste Asiático, em julho de 1928.

No fim de 1929, vai para a Índia e da lá para Xangai, na China, e Hong Kong, onde funda, em 1930, o Partido Comunista do Vietnã e o Partido Comunista da Indochina. Preso em Hong Kong em junho de 1931, escapa de ser deportado para a Indochina Francesa com um advogado de defesa britânico, Frank Loseby.

Libertado, vai para Xangai e volta à União Soviética, onde estuda e leciona no Instituto Lenin. Sob a acusação de ter "tendências nacionalistas", é afastado da liderança do partido durante o Grande Expurso Stalinista (1936-38).

Em 1938, volta à China como assessor militar do Exército Vermelho Chinês. Vai para o Vietnã em 1941 para liderar o movimento de libertação nacional. Com a ocupação japonesa a partir de setembro de 1940, conduz uma guerra de guerrilhas contra o governo colaboracionista francês de Vichy e o Império do Japão.

Depois da ocupação da França, a potência colonial, pela Alemanha Nazista, em junho de 1940, ele funda na China em 1941 o Viet Minh, a Liga pela Independência do Vietnã, para se contrapor também à invasão japonesa durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

No fim da guerra, em 2 de setembro de 1945, quando o Japão assina a rendição, Ho Chi Minh proclama a independência do Vietnã. A França não aceita. Em 19 de dezembro de 1946, começa a Primeira Guerra da Indochina, que termina em 1º de agosto de 1954 com a vitória vietnamita na Batalha de Bien Dien Phu.

Os Acordos de Paz de Genebra dividem o país em Vietnã do Norte, comunista, e o Vietnã do Sul, anticomunista, em 1954. As eleições de 1955 devem reunificar o país. Quando os Estados Unidos percebem que os comunistas venceriam, em plena Guerra Fria, suspendem as eleições.

Em 1º de novembro de 1955, começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75). O governo Dwight Eisenhower (1953-61) envia os primeiros assessores militares norte-americanos. No fim do governo John Kennedy (1961-63), há mais de 2,8 mil assessores, alguns participando de combates.

A intervenção militar dos EUA começa oficialmente depois do Incidente do Golfo de Tonquim, em 2 de agosto de 1964, forjado pelo governo Lyndon Johnson (1963-69) para obter autorização do Congresso para declarar guerra ao Vietnã do Norte.

No auge da intervenção, os EUA têm mais de 500 mil soldados no Vietnã. O fracasso na luta contra o Vietcongue, os guerrilheiros comunistas em ação no Vietnã do Sul, e a rejeição à guerra pela opinião pública levam o presidente Richard Nixon (1969-74) a acelerar as negociações de paz iniciadas em 1968. 

Na resposta a Nixon, Ho Chi Minh diz que, "na sua carta, você expressa o desejo de agir por uma paz justa. Para isto, os EUA devem parar com a guerra de agressão e retirar suas tropas do Vietnã do Sul, respeitar o direito da população do Sul e da nação vietnamita de decidir por elas mesmo, sem interferência estrangeira." 

Ho alerta que "quanto mais longa for a guerra maiores serão o ônus e os pesares para o povo norte-americano" e defende o plano de paz de 10 pontos da Frente de Libertação Nacional. Exige o "fim da guerra de agressão e a retirada das forças norte-americanas”.

Com o acordo paz, assinado em 27 de janeiro de 1973, os EUA retiram suas tropas de combate da guerra, que termina em 30 de abril de 1975 com uma fuga espetacular dos norte-americanos da embaixada em Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, quando os tanques norte-vietnamitas tomavam a capital do Vietnã do Sul para reunificar o país.

Mais de 58,2 mil norte-americanos e cerca de 2 milhões de vietnamitas morrem na Guerra do Vietnã.

PRIMEIRO ASTRONAUTA NEGRO

    Em 1983, Guion Bluford Jr. se torna o primeiro astronauta de origem africana ao participar de uma missão do ônibus espacial Challenger.

Bluford Jr. nasce na Filadélfia em 22 de novembro de 1942 e se forma em engenharia aeroespacial na Universidade Estadual da Pensilvânia. Ele entra para a Força Aérea e se torna piloto em janeiro de 1966. Faz parte de mais três missões no espaço, todas do ônibus espacial Discovery, em 1985, 1991 e 1992. Ao todo, fica 28 dias no espaço.

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terça-feira, 7 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 7 de Julho

EUA ANEXAM O HAVAÍ

    Em 1898, uma resolução do Congresso dos Estados Unidos assinada pelo presidente William McKinley anexa o arquipélago do Havaí, que se torna um território em 1900 e um estado em 1959.

O rei Kamehameha I unifica as ilhas e forma o Reino do Havaí em 1810, reconhecido internacionalmente por vários países, inclusive os EUA, a França e o Reino Unido.

No século 19, vários norte-americanos se mudam para o Havaí, principalmente missionários e empresários produtores de açúcar. No fim do século, os EUA são a potência dominante no arquipélago.

Em janeiro de 1893, colonos norte-americanos apoiados por fuzileiros navais depõem a rainha Lili'uokalani. Ela propõe uma nova Constituição para tirar o poder dos colonos, que formam um governo provisório liderado por Sanford Dole com o objetivo de anexar o Havaí aos EUA.

O presidente Grover Cleveland condena a participação dos EUA no golpe e pede a restauração da monarquia. Em 1898, durante a Guerra Hispano-Americana, o presidente McKinley vê a importância estratégica do Havaí por causa da base naval de Pearl Harbor, que seria atacada pelo Japão em 7 de dezembro de 1941, causando a entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial.

Então, o Congresso aprova a Resolução Newlands e anexa o arquipélago sem qualquer tratado, ignorando os interesses da população nativa.

MULHERES VÃO À GUERRA

    Em 1917, o Conselho Militar Britânico cria o Corpo Auxiliar de Exército Feminino, autorizando voluntárias a servir no Exército Real na França durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18).

As mulheres já contribuem para o esforço de guerra trabalhando em fábricas de armas e munições; 61 morrem envenenadas nas fábricas e 81 em acidentes de trabalho.

No corpo auxiliar, exercem atividades como cozinhar, datilografar, fazer reparos mecânicos, prestar serviços religiosos ou qualquer coisa que libere os soldados para a guerra nas trincheiras. Até o fim de guerra, 80 mil mulheres servem às Forças Armadas britânicas.

MULHERES EM WEST POINT

    Em 1976, pela primeira vez, mulheres podem se matricular na Academia Militar de West Point, nos Estados Unidos.


 Em 28 de maio de 1980, 62 se formam e são admitidas nas Forças Armadas como segundas-tenentes.

A Academia Militar de West Point é fundada em 1802 no local de um forte construído durante a Guerra da Independência (1775-83) para defender Nova York e o Vale do Rio Hudson de ataques britânicos. Na época, havia o temor de uma segunda guerra contra o Império Britânico, que começaria em 1812 e iria até 1815.

Atualmente, West Point tem 4 mil alunos. O primeiro afro-americano se formou em 1877.

 PRIMEIRA MULHER NA SUPREMA CORTE

   Em 1981, o presidente Ronald Reagan nomeia a juíza Sandra Day O'Connor para ser a primeira ministra da Suprema Corte dos Estados Unidos. Ela é aprovada por unanimidade pelo Senado em 21 de setembro e toma posse em 25 de setembro.

Sandra Day nasce em El Paso, no Texas, e é criada na fazenda da família no Arizona. Ela estuda economia na Universidade Stanford, em Palo Alto, na Califórnia. 

Uma questão legal envolvendo a fazenda a leva de volta a Stanford para estudar direito. Quando se forma pela segunda vez, casa com o colega Jay O'Connor, que vai servir o Exército dos EUA na Alemanha Ocidental, onde ela trabalha como advogada do Exército.

Como mulher, não consegue emprego em empresas de advocacia. Ao voltar da Europa, cria sua própria firma. Em 1965, ela se torna subprocuradora-geral do Arizona. 

Em 1969, é indicada para uma vaga aberta no Senado. Depois, é eleita e reeleita. É a primeira mulher a liderar a maioria no Senado. Em 1979, é nomeada para o Tribunal de Recursos do Arizona pelo governador democrata Bruce Babitt e dois anos depois para o supremo tribunal americano.

Na Corte, foi uma juíza conservadora moderada e pragmática que votava com frequência ao lado dos ministros liberais em questões sociais. Várias vezes votou para manter o direito ao aborto. Quando se aposenta, em 2005, o presidente George W. Bush a substitui por Samuel Alito, hoje um dos ministros mais conservadores do tribunal.

TERROR EM LONDRES

    Em 2005, terroristas ligados à rede Al Caeda (A Base) explodem quatro bombas no sistema de transportes de Londres, três no metrô e uma num ônibus, matando 52 pessoas.

A rede terrorista liderada pelo saudita Ossama ben Laden começa a fazer grandes atentados no Ocidente em 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, levando o conflito do Oriente Médio para o território norte-americano. 

Em 12 de outubro de 2002, Al Caeda ataca jovens australianos e ocidentais num bar e boate em Báli na Indonésia, em retaliação contra a presença de uma força da paz liderada pela Austrália no Timor Leste, que volta a ser um país cristão ao se separar da muçulmana Indonésia.

No Reino Unido, o primeiro-ministro Tony Blair apoia incondicionalmente os EUA desde os atentados de 11 de setembro e marcha ao lado dos norte-americanos na guerra contra a rede Al Caeda e a milícia fundamentalista dos Talebã, no Afeganistão, e na invasão do Iraque, em 2003.

Em 21 de julho de 2005, há uma tentativa de atentado frustrada. No dia seguinte, a polícia britânica mata o brasileiro Jean Charles de Menezes, confundindo-o com um suspeito de terrorismo. A comandante da operação, comissária Cressida Dick, não é punida. Vira comandante da Polícia Metropolitana da Grande Londres.

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sexta-feira, 26 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 26 de Junho

RICARDO III USURPA O TRONO

    Em 1483, durante a Guerra das Duas Rosas (1455-87), Ricardo Plantageneta, Duque de Gloucester, da Dinastia de York, começa seu reino na Inglaterra como Ricardo III depois de usurpar o trono de seu sobrinho Eduardo V, um dos principezinhos provavelmente assassinados na Torre de Londres.

A Guerra das Duas Rosas é uma disputa dos descendentes de Eduardo III, divididos nas dinastias de Lancaster e de York, pela coroa da Inglaterra

Ricardo nasce em 2 de outubro de 1452 no Castelo Fotheringhay, no Condado de Northampton, na Inglaterra, quarto filho do 3º Duque de York, o nobre mais poderoso do país na época. Chega a ser nomeado sucessor de Henrique V e Lorde Protetor de Henrique VI, da Dinastia de Lancaster. Morre ao tentar implementar um acordo para acabar com a guerra.

Eduardo, o filho mais velho do 3º Duque de York, derrota Henrique VI e as forças de Lancaster e ascende ao trono em fevereiro de 1461 como Eduardo IV. Ricardo é leal a Eduardo IV.

Em 1478, Ricardo aceita acusações de traição contra seu irmão George, que é executado. Nas graças do rei, ele comanda o Exército Real na Guerra Escocesa (1481-83), o que lhe dá uma base de poder.

Eduardo IV morre de repente em 9 de abril de 1483. Seu herdeiro legítimo é o filho mais velho, Eduardo V, então com 12 anos. 

Ricardo dá o primeiro golpe em 1º de maio ao assumir o controle sobre Eduardo V, levando-o até Londres, onde Ricardo é nomeado Lorde Protetor, o que o torna chefe do governo provisório até a maioridade do rei.

O segundo golpe é a execução em 13 de junho de William Hastings, 1º Barão de Hastings, alto funcionário que cuidava dos palácios de Eduardo IV, condenado por traição.

No terceiro golpe, em 16 de junho, Ricardo Plantageneta pega o principezinho Ricardo sob o pretexto de prepará-lo para a coração do irmão, Eduardo V.

Em 26 de junho de 1483, Ricardo apresenta sua reivindicação ao trono, com o apoio do Exército do Norte. Em 6 de julho, Ricardo III e a rainha-consorte Ana são coroados na Abadia de Westminster.

Seu reino é curto. Acaba com a morte de Ricardo III na Batalha de Bosworth, em 22 de agosto de 1485, a batalha decisiva da Guerra das Duas Rosas, vencida por Henrique Tudor, marco do fim da Idade Média na Inglaterra. Henrique VII funda a Dinastia Tudor, que reina até a morte de Elizabeth I, em 1603.

APROVADA A CARTA DA ONU

     Em 1945, 50 países, inclusive o Brasil, assinam em São Francisco da Califórnia, nos Estados Unidos, a Carta da Organização das Nações Unidas "para livrar as futuras gerações do flagelo da guerra".

Eles criam a segunda organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial, depois do fracasso da Liga das Nações, fundada depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18) pela Conferência de Paz de Versalhes, em evitar a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

A Carta da ONU é ratificada em 24 de outubro por 51 países, com a adesão da Polônia, que recupera sua independência depois de ser invadida pela Alemanha nazista em 1º de setembro de 1939, no começo da guerra, e depois pela União Soviética. A primeira reunião da Assembleia Geral acontece em Londres, em 10 de janeiro de 1946.

Desde 1941, líderes aliados defendem a criação de uma nova organização internacional para garantir a paz. Em agosto daquele ano, antes que os EUA entrem na guerra, o presidente Franklin Roosevelt e o primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, assinam a Carta do Atlântico, com princípios como proibição da guerra de conquista, direito à autodeterminação dos povos, liberdade de comércio e de navegação, e cooperação internacional para a paz e o desenvolvimento.

Depois do ataque japonês a Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, que leva os EUA à guerra, em 1º de janeiro de 1942, 26 países assinam em Washington a Declaração das Nações Unidas, com os mesmos princípios da Carta do Atlântico.

A partir de outubro de 1943, os três grandes líderes dos aliados – Churchill, Roosevelt e o ditador soviético Josef Stalin – se reúnem numa série de conferências para discutir a questão. Em fevereiro de 1945, em Ialta, na Crimeia, na URSS, chegam a um acordo para criar a ONU.

PONTE AÉREA PARA BERLIM

     Em 1948, durante a Guerra Fria, os Estados Unidos e o Reino Unido começam uma ponte aérea para levar suprimentos (água, comida, roupas, remédios e combustíveis) a Berlim Ocidental, rompendo o bloqueio imposto pela União Soviética de Josef Stalin, que domina a Alemanha Oriental.

No fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Alemanha ocupada é divida em zonas sob o controle dos EUA, do Reino Unido, da França e da URSS. Em 1948, os aliados ocidentais anunciam a integração econômica de suas zonas de ocupação para criar a Alemanha Ocidental e a parte soviética vira Alemanha Oriental. 

Berlim, a capital alemã, que também é dividida, fica no Leste. Berlim Ocidental é um enclave dentro da Alemanha Oriental. Em 24 de junho de 1948, por ordem do ditador Josef Stalin, a URSS bloqueia o acesso por terra para tentar assumir o controle total da cidade, que está na linha de frente da Guerra Fria. 

A linha dura pressiona o presidente norte-americano, Harry Truman, a dar uma resposta militar a Stalin, mas Truman teme deflagrar uma nova guerra mundial. Dois dias depois, os aliados ocidentais lançam a Ponte Aérea de Berlim.

No início, os aviões aliados carregam 5 mil toneladas de suprimentos por dia; no fim, 8 mil toneladas por dia. Ao todo, são 2,3 milhões de toneladas de carga levadas em mais de 278 mil voos para romper o Bloqueio de Berlim Ocidental, numa das grandes batalhas da Guerra Fria. 

Em 12 de maio de 1949, a URSS suspende o bloqueio. Um mês antes, em 4 de abril, os aliados ocidentais criam a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA. A ponte aérea é mantida até setembro, a um custo de US$ 224 milhões.

Para evitar a fuga em massa de alemães-orientais, na noite de 12 para 13 de agosto de 1961, o regime comunista da Alemanha Oriental começa a construir um muro ao redor de Berlim Ocidental. 

O Muro de Berlim é a cicatriz viva da Guerra Fria. Sua abertura, em 9 de novembro de 1989, é marco do fim da confrontação estratégica entre os EUA e a URSS que domina a política internacional na segunda metade do século 20.

EUA ATACAM BAGDÁ

    Em 1993, o presidente Bill Clinton (1993-2001) autoriza um ataque de mísseis contra o quartel-general do serviço secreto do Iraque, em Bagdá, em retaliação por uma suposta conspiração para matar o ex-presidente George Bush (1989-93) durante uma visita ao Kuwait em abril daquele ano.

Um dia antes da chegada de Bush, 14 suspeitos, na maioria iraquianos, são presos na Cidade do Kuwait e, no dia seguinte, é encontrado o carro-bomba a ser usado no atentado.

Em resposta, 23 mísseis de cruzeiro Tomahawk são disparados de navios de guerra dos EUA no Golfo Pérsico contra a central de inteligência de Saddam Hussein, que seria derrubado e morto pela invasão americana de março de 2003, durante o governo George W. Bush (2001-9), filho do presidente que seria alvo do atentado.

EUA LEGALIZAM O CASAMENTO GAY

    Em 2015, a Suprema Corte decide que o casamento de pessoas do mesmo sexo não pode ser proibido e deve ser reconhecido em todos os Estados Unidos, dando finalmente aos casais homossexuais os mesmos direitos dos heterossexuais.

O marco do início do movimento pelos direitos dos homossexuais nos EUA é a Rebelião de Stonewall, iniciada quando a polícia invade o bar gay Stonewall Inn, no Greenwich Village, em Nova York, em 28 de junho de 1969. 

Quando a homossexualidade torna-se aceitável pela sociedade americana, há uma reação conservadora. Em 1996, o presidente Bill Clinton é forçado a assinar a Lei de Defesa do Casamento, que proíbe o reconhecimento do casamento gay pelas leis federais do país. 

No ano 2000, Vermont é o primeiro estado a reconhecer a união civil de casais homossexuais. O primeiro a legalizar o casamento gay é Massachusetts, em 2003. A questão vira um dos focos centrais da guerra cultural entre conservadores e liberais no governo George W. Bush (2001-9). 

Sob pressão dos conservadores, o presidente liberal Barack Obama (2009-17) orienta o Departamento da Justiça em 2011 a não defender o casamento. Mas, em 2013, a Suprema Corte declara ilegal a Lei de Defesa do Casamento e legaliza, na prática, o casamento gay na Califórnia. 

A ação Obergefell x Hodges é iniciada por Jim Obergefell. Ele casa com John Arthur em Maryland, mas o casamento não é reconhecido no estado de Ohio. Por 5-4, a Suprema Corte decide a favor do casal.

Há três anos, no voto para acabar com o direito constitucional ao aborto, o ministro Clarence Thomas, considerado o mais conservador da Suprema Corte, defende a revisão das decisões que autorizaram o uso de métodos anticoncepcionais, as relações sexuais consensuais entre adultos, inclusive do mesmo sexo, e o casamento gay.

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sábado, 20 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 20 de Junho

TERCEIRO ESTADO REJEITA DISSOLUÇÃO 

   Em 1789, os deputados do Terceiro Estado, representantes dos comuns e do baixo clero, proibidos de se reunir em Versalhes, desafiam a ordem do rei Luís XVI para dissolver os Estados Gerais e se encontram no Jeu de Pomme, uma quadra de tênis coberta, onde fazem o Juramento da Quadra de Tênis. Prometem não se dispersar antes de mudar a Constituição da França.

Luís XVI ascende ao trono em 1774 e não consegue superar a crise financeira herdada do avô Luís XV, em parte resultante da derrota para o Império Britânico na Guerra dos Sete Anos (1756-63), quando a França perde as possessões na Índia e a maior parte do Canadá. Esta guerra é também uma das causas da independência dos Estados Unidos.

Sob intensa pressão popular depois de invernos rigorosos que causam quebras de safras, fome e queda nos impostos pagos pelos camponeses à aristocracia, em 24 de janeiro de 1789, Luís XVI convoca os Estados Gerais, a assembleia nacional onde estão representados os três estados da França (clero, nobreza e povo), que não se reunia desde 1614. A sociedade francesa mudara. O Terceiro Estado não é só o campesinato, inclui a burguesia em ascensão.

Diante de uma série de reivindicações de reformas, Luís XVI dissolve os Estados Gerais. Menos de um mês depois, em 14 de julho, os parisienses tomam a Bastilha, uma prisão-símbolo do regime. A Tomada da Bastilha marca o início da Revolução Francesa. Luís XVI e a rainha Maria Antonieta são guilhotinados em 1793, quando começa o Período do Terror.

RAINHA VITÓRIA

    Em 1837, com a morte do rei Guilherme IV, a rainha Vitória ascende ao trono do Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda. Durante seu reinado, de 63 anos e 216 dias, que vai até 1901, o Império Britânico se torna a maior potência mundial. A partir de 1876, Vitória é também imperatriz da Índia. É a última representante da Dinastia de Hannover e dá seu nome a uma era, a Era Vitoriana.

Alexandrina Vitória nasce no Palácio de Kensington, em Londres, em 24 de maio de 1819, filha do príncipe Eduardo, Duque de Kent e de Strathearn, quarto filho do rei George III, e da princesa Vitória de Saxe-Coburg-Saalfeld. Ela ascende ao trono aos 18 anos porque os três irmãos mais velhos do pai morrem sem deixar descendência legítima.

Monarca constitucional, Vitória tenta exercer influência política e se torna um ícone nacional associado a padrões rígidos de moralidade, a moral vitoriana.

Em 1840, Vitória se casa com o príncipe Albert de Saxe-Coburg e Gotha, que leva a tradição alemã do Natal para o Reino Unido. Seus nove filhos se casam com famílias reais e nobres do continente. Vitória é chamada de Avó da Europa.

Após a morte do marido, em 1861, Vitória se recolhe, mas depois reaparece e recupera a popularidade. Ela morre em 22 de janeiro de 1901 na Osborne House, na Ilha de Wight. É sucedida por seu filho Eduardo VII, primeiro rei da Dinastia de Saxe-Coburg e Gotha, a dinastia atual, que adota o nome de Windsor para tirar o sobrenome alemão durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18).

GUERRA DOS BOXERS

    Em 1900, começa na China a Guerra dos Boxers.

Cem mil nacionalistas, que se apresentam como I Ho Ch'uan (Sociedade dos Punhos Justos e Harmoniosos), na verdade praticantes de kung fu, invadem Beijim com o apoio da imperatriz Tzu'u Hzi ou Cixi e atacam o bairro diplomático, cercam representações de outros países, destroem igrejas e matam estrangeiros, inclusive o embaixador da Alemanha, Barão von Ketteller.

A China, o Império do Meio ou do Centro, há séculos era a potência dominante, o centro do mundo, na Ásia. Durante o século 19, o Império Britânico derrota o decadente Império Chinês nas Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60) para impor o livre comércio, inclusive de ópio, e o Japão acaba com a ordem sinocêntrica ao vencer a Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95). 

Os boxers se rebelam contra a crescente influência de potências estrangeiras, que dominavam a economia chinesa. Acreditam que poderiam vencer as armas de fogo com técnicas da arte marcial chinesa. É uma volta contra estrangeiros, anticolonialista e anticristã.

A imperatriz pass a apoiar o grupo em 1898. No ano seguinte, começam os ataques a estrangeiros e chineses cristãos. Em 14 de agosto de 1899, uma força internacional com soldados alemães, americanos, britânicos, franceses, japoneses e russos tomam a capital chinesa.

Em 18 de junho de 1900, a imperatriz Cixi manda matar todos os estrangeiros, inclusive diplomatas e suas famílias. A guerra começa dois dias depois.

O Protocolo de Beijim, de 7 de setembro de 1901, marca o fim da revolta. A China aceita acordos econômicos favoráveis às grandes potências, paga US$ 333 milhões em indenizações e forças estrangeiras ficam estacionadas permanentemente em território chinês.

ESTREIA DE TUBARÃO

    Em 1975, estreia nos Estados Unidos Tubarão, de Steven Spielberg, o filme que fez as pessoas terem medo de entrar no mar. É a história baseada num livro de sucesso de um grande tubarão branco que aterroriza uma cidade da Nova Inglaterra.

É o primeiro grande sucesso de Spielberg, que filmaria Contatos Imediatos do Terceiro Grau, Caçadores da Arca Perdida, ET: o Extraterrestre, Parque Jurássico, A Lista de Schindler, Salvando o Soldado Ryan e Lincoln. Tubarão, ET e Parque Jurássico estão entre as maiores bilheterias da história do cinema.

Quarenta e sete anos depois, Spielberg manifesta arrependimento por dirigir o filme que demonizou o tubarão branco, por causa do impacto ecológico. A população de tubarões caiu em 70% desde os anos 1970, em parte também por causa do crescimento econômico da China, onde a sopa de barbatana de tubarão é uma iguaria.

SEM PENA DE MORTE PARA DEFICIENTES MENTAIS

    Em 2002, no caso Atkins v. Virginia, por 6-3, a Suprema Corte considera que aplicar a pena de morte a pessoas com deficiência mental ou intelectual viola a Emenda nº 8 à Constituição dos Estados Unidos, que protege contra "punição cruel e incomum".

Por volta da meia-noite de 16 para 17 de agosto de 1996, depois de passar o dia bebendo e fumando maconha, Daril Atkins e um cúmplice, William Jones, assaltam e sequestram o soldado Eric Nesbitt, aviador da Base Aérea de Langley, no estado da Virgínia. 

Insatisfeitos com os US$ 60 que Nesbitt tem no bolso, eles vão até um caixa eletrônico, obrigam o militar a pegar mais US$ 200. Depois o levam para um local deserto e o assassinam com oito tiros. Os dois são presos rapidamente. Um acusa o outro, mas a polícia vê inconsistências nos depoimentos de Atkins, conclui que ele deu os tiros e faz um acordo com Jones para acusar o cúmplice e assim ser poupado da pena de morte.

Durante o julgamento em primeira instância, o advogado de Atkins apresenta o histórico escolar e um teste de inteligência do réu com QI (quociente intelectual) 59, que indica um "retardo mental leve". Mesmo assim, Atkins recebe uma sentença de pena de morte.

O Tribunal de Justiça da Virgínia confirma a condenação, mas anula a sentença. A procuradoria entra com dois agravantes: o "futuro perigo" que Atkins representa e pelo crime ter sido cometido de "maneira vil". O TJ da Virgínia confirma a sentença.

Quando a Suprema Corte decide este caso, apenas 18 dos 38 estados que aplicam a pena de morte isentam condenados com deficiência mental ou intelectual. A Suprema Corte aceita o caso para firmar jurisprudência.

A decisão diz que, ao contrário de outros pontos da Constituição, a Emenda nº 8 deve ser interpretada tendo em vista a "evolução dos padrões de decência que marcam o progresso de uma sociedade em amadurecimento".

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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 18 de Maio

FUNDAÇÃO DE MONTREAL

    Em 1642, Paul de Chomodey, Senhor de Maisonneuve, funda a cidade de Montreal, hoje parte do Canadá froncófono.

A cidade ocupa três quartos da Ilha de Montreal, a maior das 234 ilhas do Arquipélago Hochelaga, um dos três próximos à confluência dos rios Ottawa e São Lourenço.

O lugar onde está é conhecido como Hochelaga pelo povo huron quando chega o explorador francês Jacques Cartier na sua segunda viagem ao Novo Mundo (1535-36). Mais de mil nativos o recebem ao pé da montanha que ele batiza como Mont Réal.

Mais de 50 anos passam até que os franceses voltem. Samuel de Champlain funda Quebec e pensa em criar um ponto do comércio de peles no que chama de Praça Real, mas seu sonho não se materializa.

Montreal não nasce como um entreposto do comércio de peles. É um centro missionário que seu fundador, Paul de Chomodey, batiza como Vila Maria. Ele constrói casas, uma capela, um hospital e outras estruturas.

Em 1644, o Rei Sol, Luís XIV, dá uma carta régia para Montreal e Chomodey se torna o primeiro governador.

A povoação está sob constante ameaça dos índios iroqueses, aliados do Império Britânico, até um tratado de paz de 1701. 

SUPREMA CORTE LEGITIMA SEGREGAÇÃO

    Em 1896, no caso Plessy x Ferguson, a Suprema Corte dos Estados Unidos legitima a segregação racial com uma doutrina chamada de "separados, mas iguais".

A ação questiona a cláusula da 14ª Emenda à Constituição, aprovada no período da Restauração depois da Guerra da Secessão (1861-65), que garante "proteção igual perante a lei" a qualquer pessoa em qualquer lugar.

O caso é um desafio à Lei dos Vagões Separados do estado da Louisiana, que obriga da companhias ferroviárias a oferecer "acomodações iguais mas separadas" para pretos e brancos. 

Homer Plessy, que tem muito mais antepassados brancos do que pretos, compra uma passagem no vagão dos brancos. Quando se nega a ir para o vagão dos pretos, é preso.

No julgamento em primeira instância, o juiz John Ferguson rejeita a alegação de que a lei é inconstitucional e o caso vai até a Suprema Corte.

A decisão sanciona a segregação ao pressupor que os serviços e as instalações oferecidas ao negros são iguais às dos brancos. Vira jurisprudência até ser derrubada em 17 de maio de 1954 pelo caso Brown x Conselho de Educação de Topeka, que proíbe a segregação racial nas escolas. 

CONFERÊNCIA DE HAIA

    Em 1899, começa a Primeira Conferência Internacional de Haia, na Holanda, um passo rumo à formação das organizações internacionais de caráter universal dedicadas à paz mundial.

A conferência é convocada pelo ministro do Exterior da Rússia, Mikhail Nikolaievich Muraviov, durante o reinado de Nicolau II (1894-1917), que propõe três questões:

  1.  limitar a expansão das Forças Armadas e o uso de novas armas;
  2. aplicar os princípios da Convenção de Genebra de 1864 à guerra naval;
  3. e revisar a Declaração de Bruxelas de 1874 sobre as leis e os costumes da guerra em terra.
Até 29 de julho, os representantes de 26 países debatem a paz mundial em Haia. O Brasil não participa. Da América, só vão os Estados Unidos e o México.

A Primeira Convenção de Haia é um conjunto de três tratados internacionais, a Convenção para a Solução Pacífica de Disputas Internacionais, que cria o Tribunal Permanente de Arbitragem;, a Convenção sobre as Leis e os Costumes da Guerra em Terra; e a Convenção para Adaptação da Guerra Naval aos Princípios da Convenção de Genebra de 22 de agosto de 1864.

A Segunda Conferência de Haia é proposta pelo presidente norte-americano Theodore Roosevelt e convocada pelo czar Nicolau II, da Rússia, e realizada de 15 de junho a 18 de outubro de 1907. Participam 44 países, inclusive o Brasil, representado por Rui Barbosa, que faz um discurso brilhante. Mais uma vez, a limitação de armas de guerra é rejeitada.

Uma terceira conferência seria realizada em 1914. É adiada para 1915 e suspensa com o início da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Depois da guerra, a Conferência de Paz de Versalhes (1919) cria a Liga das Nações, a primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial, que fracassa ao não evitar a Segunda Guerra Mundial (1939-45) e é substituída pela Organização das Nações Unidas (ONU).

BOMBA ATÔMICA INDIANA

    Em 1974, na Operação Buda Sorridente ou Krishna Feliz, a Índia testa no deserto do Rajastão sua primeira bomba atômica e chama de "explosão nuclear pacífica". É o sexto país a fabricar armas nucleares.

O programa nuclear da Índia começa em 1944, antes da independência. A perda de território numa breve greve de fronteira com a China nas montanhas do Himalaia, em 1962, leva à decisão de desenvolver armas nucleares. A explosão usa plutônio produzido no reator canadense CIRUS.

A Índia assume abertamente o status de potência nuclear com uma série de cinco explosões realizadas de 11 a 13 de maio de 1998. O arqui-inimigo Paquistão, que tinha a bomba secretamente desde 1975, responde com cinco explosões em 28 de maio. Hoje estima-se que cada um tenha cerca de 170 ogivas nucleares.

MOVIMENTO PELA DEMOCRACIA NA CHINA

    Em 1989, um milhão de pessoas marcham pelas ruas de Beijim num movimento pela liberdade e a democracia para liberalizar o regime comunista da China. A revolta é esmagada no Massacre na Praça da Paz Celestial na noite de 3 para 4 de junho.

As reformas anunciadas pelo líder Deng Xiaoping em 13 de dezembro de 1978 abrem a economia e liberalizaram o regime depois do longo trauma da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76).

O movimento iniciado por estudantes sai às ruas em 15 de abril, quando morre o ex-secretário-geral do Partido Comunista Hu Yaobang (1981-87), um grande responsável pelas reformas políticas e econômicas sob a liderança de Deng, favorável a liberalizar o regime.

Quando o movimento cresce, apresenta suas demandas:

  1. Reconhecer como corretas as visões de Hu Yaobang sobre democracia e liberdade.
  2. Admitir que as campanhas contra a "poluição espiritual" e a "liberalização burguesa" são erradas.
  3. Publicar informações sobre a renda dos altos dirigentes e de suas famílias.
  4. Acabar com a censura e autorizar a publicação de jornais de grupos privados.
  5. Mais dinheiro para a educação e aumento dos salários dos intelectuais.
  6. Fim das restrições a manifestações em Beijim.
  7. Fazer uma cobertura objetiva do movimento estudantil na mídia oficial.

O então secretário-geral do PC, Zhao Ziyang, defende o diálogo com os estudantes, enquanto o primeiro-ministro linha-dura Li Peng exige uma condenação oficial das manifestações. Quando Zhao viaja à Coreia do Norte, em 23 de abril, Li toma a iniciativa.

Em 25 de abril, o primeiro-ministro e o presidente Yang Shangkun se reúnem na casa de Deng, que aprova a linha dura. No dia seguinte, o Diário do Povo, jornal oficial do PC, publica editorial de primeira página de lavra de Li sob o título: "É preciso adotar uma posição clara contra os distúrbios". Descreve o movimento como contra o partido e contra o governo.

Com a volta de Zhao, o governo retoma a tolerância. Em 13 de maio, dois dias antes do início de uma visita do líder soviético Mikhail Gorbachev, os estudantes começam uma greve de fome. Quando Zhao diz a Gorbachev que o líder supremo é Deng, este toma como uma tentativa de lhe atribuir toda a responsabilidade pela revolta dos estudantes.

Numa reunião do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central na casa de Deng, em 17 de maio, a alta cúpula do regime comunista chinês decide decretar lei marcial e convocar o Exército para tomar a capital. 

No dia 18, quando um milhão saem às ruas da capital, Li encontra os estudantes numa reunião marcada pela confrontação, sem qualquer avanço. Diante das câmeras, o primeiro-ministro mostra mais preocupação com a saúde dos estudantes em greve de fome.

A última aparição de Zhao é na madrugada do dia 19, quando ele fala com os estudantes ao lado de Wen Jiabao, que seria primeiro-ministro de Hu Jintao (2003-13). À noite, numa reunião da alta cúpula, Deng declara ter se arrependido de nomear Hu e Zhao para a liderança do partido. Zhao cai e passa o resto da vida em prisão domiciliar.

Em 20 de maio, o governo decreta lei marcial e convoca 30 divisões, num total de 250 mil soldados, para ocupar Beijim. Em 3 de junho, autoriza a ação para retirar os estudantes acampados na praça central da capital centenas. O total de mortes é estimado entre centenas e 10 mil.

As reformas políticas são enterradas definitivamente. A ascensão de Xi Jinping, em 2012, torna a ditadura mais personalista e contrária a qualquer dissidência. A liberdade acadêmica daquele período não existe mais. 

Com a imposição de uma Lei de Segurança Nacional, o fim da autonomia regional e das liberdades democráticas em Hong Kong, todos os livros e publicações sobre o movimento pela liberdade e democracia, que era lembrado com vigílias no território, desaparecem das livrarias e bibliotecas.

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domingo, 17 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 17 de Maio

NAPOLEÃO TOMA O VATICANO

    Em 1809, o imperador Napoleão I incorpora os Estados Pontifícios ao Império da França.

Napoleão Bonaparte manda Pio VII o coroar imperador em 2 de dezembro de 1804. Este papa também contraria o general ao não anular o casamento de Jerônimo Bonaparte, casado com uma protestante filha de empresários da América do Norte.

Sem maior justificativa, Napoleão manda o general Miollis tomar Roma em seu nome e declara: "Sendo eu imperador de Roma, exijo a devolução do Estado eclesiástico, doação de Carlos Magno. Declaro findo o Império dos Papas."

GRANDE INTÉRPRETE DE WAGNER

Èm 1918, nasce em Västra Karup, na Suécia, Birgit Nilsson, uma soprano de voz poderosa e viva, famosa por interpretações de Wagner.

A conselho do chefe do coral local, Märta Birgit Svensson vai para Estocolmo, onde entra para a Ópera Real e estreia em 1946. Um ano depois, faz sucesso na ópera Lady Macbeth, de Giuseppe Verdi.

Depois de ser aclamada em Viena, Birgit estreia em Covent Garden, em Londres, em 1957, como Brünnhilde, personagem de Wagner. No ano seguinte, faz o papel principal em Turandot, de Giacomo Puccini. Sua primeira apresentação em Nova York, na Ópera Metropolitana, é como Isolda em 1959.

Depois de uma longa carreira de sucesso, ela se aposenta em 1984 e cria uma fundação que em 2009 dá o primeiro Prêmio Birgit Nilsson de música clássica para o tenor Plácido Domingo. Ela morre em 25 de dezembro de 2005 em Västra Karup, a cidade onde nasceu.

FIM DA SEGREGAÇÃO NAS ESCOLAS

    Em 1954, a Suprema Corte dos Estados Unidos considera inconstitucional a segregação racial nas escolas públicas.

No caso Brown v. Conselho de Educação de Topeka, no estado do Kansas, Linda Brown, uma menina negra reclama por não conseguir se matricular numa escola do ensino fundamental por causa da cor da pele.

O supremo tribunal norte-americano derruba na prática uma decisão de 1896. No caso Plessy v. Ferguson, a Suprema Corte considera que acomodações "separadas, mas iguais" em trens estão de acordo com a 14ª Emenda à Constituição dos EUA, que garante proteção igual perante a lei. Esta decisão serve de base durante décadas para a segregação em espaços públicos, inclusive em escolas.

A escola para brancos onde Linda Brown quer se matricular é muito melhor que a escola para negros mais próxima e fica quilômetros mais perto de sua casa. A Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP) abraça a causa. Em 1954, o caso chega à Suprema Corte.

O advogado da NAACP é Thurgood Marshall, que seria o primeiro ministro negro da Suprema Corte. Em nome da maioria, o presidente do tribunal, Earl Warren, escreve que "separado, mas igual" era inconstitucional não apenas no caso de Linda Brown, mas em todos os casos porque a segregação institucional deixa uma marca de inferioridade nos estudantes negros.

Um ano depois, a Corte estabelece as diretrizes para que as escolas promovam a inclusão educacional com a maior rapidez possível.

GOLPE NA COREIA

    Em 1980, o general Chun Doo-Hwan dá um golpe e força o Conselho de Ministros a estender a lei marcial a toda a Coreia do Sul para conter a luta do movimento estudantil contra a ditadura militar.

A lei marcial fecha universidades, proíbe atividades políticas e reduz ainda mais a liberdade de imprensa. Para impor a lei marcial, o regime envia soldados para várias regiões do país.

No mesmo dia, a agência de inteligência KCIA, criada na Guerra Fria no modelo da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA), invade uma conferência nacional de líderes estudantis de 55 universidades. Cerca de 2.700 pessoas são presas, inclusive 26 políticos.

Em 18 de maio, a cidade de Gwangju se rebela contra a ditadura de Chun. Os cidadãos pegam em armas roubadas da polícia ou de arsenais, mas são esmagados pelo Exército da Coreia do Sul. Cerca de 600 pessoas morrem no Massacre de Gwangju.

Chun Doo-Hwan e Roh Tae-Woo mandam o Exército fechar a Assembleia Nacional em 20 de maio. Ambos são condenados, Roh à prisão e Chun à morte, mas as penas são comutadas e os dois são libertados pelo então presidente Kim Young-Sam a pedido do então presidente eleito Kim Dae-Jung, que havia sido condenado à morte pela ditadura militar.

CASAMENTO GAY

    Em 2004, Massachusetts se torna o primeiro estado dos Estados Unidos a legalizar o casamento de pessoas do mesmo sexo.

Durante séculos, as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexto são reprimidas, consideradas crime e desordem mental.

No início do século 21, os países que ainda criminalizam essas relações são sociedades conservadoras, principalmente teocracias islâmicas e alguns países da África e da Ásia, muitos sob leis da era do colonialismo europeu.

Em 1989, a Dinamarca se torna o primeiro país a legalizar o registro civil da união de pessoas do mesmo sexo; o casamento gay é legalizado em 2012. A chamada união civil passa a ser legal na Noruega (1993), na Suécia (1995), na Islândia (1996), na Holanda (1998), no Reino Unido (2005) e na Irlanda (2011).

O Canadá (2005) é o primeiro país de fora da Europa a legalizar o casamento gay, seguido pela África do Sul (2006), Argentina (2010) e Nova Zelândia (2013). No Brasil, o Supremo Tribunal Federal (2011) reconhece a constitucionalidade.

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