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terça-feira, 19 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 19 de Maio

 ANA BOLENA DECAPITADA

    Em 1536, condenada por adultério, Ana Bolena, a segunda das seis mulheres do rei Henrique VIII (1509-47), da Inglaterra, e mãe da futura rainha Elizabeth I (1558-1603), é decapitada na Torre de Londres.

Henrique VIII nasce em Greenwich em 28 de junho de 1991. É filho de Henrique Tudor, que derrota o rei usurpador Ricardo III na Batalha de Bosworth, em 22 de agosto de 1485, e vence a Guerra das Duas Rosas (1455-1487), a guerra entre as dinastias de Lancaster e York, herdeiras de Eduardo III, e se torna Henrique VII, o primeiro rei da dinastia Tudor.

A grande preocupação de Henrique VIII é ter um filho homem para evitar uma guerra de príncipes pela sucessão. Mas Catarina de Aragão, filha dos reis católicos da Espanha, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, lhe dá uma filha mulher, Maria Tudor, futura Maria I (1553-58).

Desde 1527, Henrique VIII pressiona o papa Clemente VII a anular o casamento. Seu rival, o rei Carlos V, da Espanha, imperador do Sacro Império Romano-Germânico e neto dos reis católicos, o mais poderoso rei da Europa naquela época, que sonha com uma "monarquia universal", faz pressão em sentido contrário.

Filha de Tomás Bolena e Elizabeth Howard, Ana Bolena é educada na Holanda, na corte de Margarida, arquiduquesa da Áustria, e depois vai para a França ser dama de companhia da rainha Cláudia de Valois, esposa de Francisco I. Ela volta à Inglaterra em 1522.

Dois anos e meio depois, Ana conhece Henrique VIII e resiste às investidas do rei para se tornar seu amante como a irmã Maria Bolena. Em 1532, em Calais, os dois se tornam amantes.

Ele se divorcia de Catarina de Aragão, motivo do rompimento com a Igreja Católica em 1534, depois de se casar secretamente em 25 de janeiro de 1533 com Ana Bolena, que em setembro lhe dá outra filha mulher, a futura Elizabeth I, a mulher mais poderosa da história da Inglaterra.

O casamento com Catarina de Aragão é anulado 23 de maio de 1533. Pouco depois, Henrique VIII e o arcebispo de York, Thomas Wolsey, são excomungados. 

Em 3 de novembro de 1534, Henrique VIII cria a Igreja da Inglaterra e se torna seu primeiro chefe. Até hoje, o rei da Inglaterra é o chefe da Igreja Anglicana. Na coroação de Carlos III, houve cerimônia em várias religiões para reconhecer a diversidade cultural do Reino Unido hoje.

Ao todo, Henrique VIII casa com seis mulheres. A terceira, Jane Seymour, lhe dá o filho homem, Eduardo VI (1547-53), fraco e doente.

Ana Bolena é presa em 2 de maio de 1536 sob acusações de adultério, incesto e traição, e decapitada na Torre de Londres. 

Quando Henrique VIII morre, em 28 de janeiro de 1547, o único filho legítimo homem, Eduardo VI, ascende ao trono com nove anos. Com a saúde frágil, morre aos 15 nos, em 6 de julho de 1553. É sucedido por Lady Jane Gray, filha de uma irmã de Henrique VIII, a Rainha dos Nove Dias, presa e executada como usurpadora do trono.

Quem herda o trono é Maria I, a primeira mulher a reivindicar com sucesso o trono da Inglaterra. Ela se casa com Felipe II, da Espanha, filho de Carlos V, do Sacro Império Romano-Germânico, mas não tem filhos. Católica, tenta reverter a Reforma Protestante na Inglaterra. 

Maria I morre em 17 de novembro de 1558. É sucedida por Elizabeth I, filha de Ana Bolena,  que retoma a Reforma Protestante e começa a construir o Império Britânico. Conhecida como a Rainha Virgem, morre sem deixar filhos em 1603. 

Elizabeth I é sucedida por Jaime I da Inglaterra e Jaime VI da Escócia, católico, filho de sua inimiga Maria Stuart, que manda construir um túmulo para a mãe na Abadia de Westminster do mesmo nível do de Elizabeth I.

O conflito entre católicos e protestantes leva à Guerra Civil Inglesa do século 17. Carlos I, filho de Jaime I, é decapitado em 30 de janeiro de 1649, início de um breve período republicano na história da Inglaterra. A guerra só termina a Revolução Gloriosa 1688, que produz a Declaração de Direitos de 1689, estabelece a supremacia do Parlamento e torna a Inglaterra numa monarquia constitucional.

GUERRA DOS TRINTA ANOS

    Em 1643, durante a Guerra dos Trinta Anos (1618-48), o Exército da França, sob o comando de Luís II de Bourbon, vence a Espanha na Batalha de Rocroi, na região francesa de Ardennes, e acaba com a supremacia militar espanhola na Europa depois de 120 anos. No fim da guerra, a França se torna a maior potência militar do continente.

A guerra começa com a Terceira Defenestração de Praga. em 23 de maio de 1618, quando protestantes jogam três altos funcionários católicos do Reino da Boêmia de uma janela do Castelo de Praga, em revolta contra uma proibição à construção de igrejas protestantes no Sacro Império Romano-Germânico.

É no início um conflito religioso que começa dentro do Sacro Império, com os católicos austríacos e espanhóis lutando contra os reinos e principados protestantes. Depois das intervenções da Dinamarca (1625-29) e da Suécia (1630-35) do lado dos protestantes, a França, embora seja católica, intervém ao lado dos protestantes em 1635 sob a liderança do Cardeal de Richelieu, primeiro-ministro do rei Luís XIII.

A Guerra dos Trinta Anos é o conflito que provoca as invasões holandesas no Nordeste do Brasil e o fim da União Ibérica, o período da história do Brasil conhecido como Domínio Espanhol (1580-1640), quando o rei da Espanha reina também em Portugal. Richelieu fomenta a Revolta de Lisboa, em 1º de maio de 1640, para Portugal recuperar a independência e enfraquecer a Espanha.

Cinco dias após a ascensão de Luís XIV (1643-1715) ao trono da França com menos de cinco anos, a França quebra em Rocroi o mito da invencibilidade espanhola nas guerras europeias.

NASCIMENTO DE HO CHI MINH

    Em 1890, nasce em Hoang Tru, no Vietnã, na época parte da Indochina Francesa, Ho Chi Minh, fundador do Partido Comunista da Indochina (1930) e de seu sucessor, o Viet Minh (1941) e presidente do Vietnã do Norte (1945-69), o grande herói da independência do Vietnã e da reunificação do país.

Ho Chi Minh declara a independência do Vietnã em 2 de setembro de 1945, data oficial da rendição japonesa e do fim da Segunda Guerra Mundial na Ásia, quando a França tenta restabelecer a administração colonial. A vitória do general Vo Nguyen Giap sobre a França na Batalha de Dien Bien Phu é decisiva na Guerra da Indochina (1946-54).

Em 1938, na iminência da invasão japonesa, Ho Chi Minh e Giap fogem para a China. No exílio, Giap organiza um exército guerrilheiro para combater o Exército Imperial do Japão, seguindo uma tradição milenar que vem da luta contra o Império Chinês e continua no pós-guerra na luta contra a França e depois contra os EUA.

BATALHA DE DIEN BIEN PHU
De 13 de março a 7 de maio de 1954, com cerca de 80 mil homens, o Exército vietnamita perde 7,9 mil soldados para acabar com o colonialismo francês no Sudeste Asiático na Batalha de Dien Bien Phu, um pequeno planalto no Nordeste do Vietnã, perto das fronteiras com o Laos e a China.

Da força expedicionária da França, 2.293 soldados são mortos e 5.193 feridos em combate em Dien Bien Phu. Dos 11.721 franceses presos, a maioria morre no cativeiro. Só 3.290 são repatriados.

Como os comunistas liderados por Ho obteriam uma expressiva vitória nas eleições, elas são canceladas em 1955 pelos EUA, que exigem a divisão do país na paz negociada nas Nações Unidas e instalam um regime-fantoche no Vietnã do Sul.

GUERRA DO VIETNÃ
A divisão do país causa a Guerra do Vietnã (1955-75), que tem uma intervenção militar direta dos EUA de 1964-73, com a morte de 58,2 mil americanos. O general Giap supervisiona a Ofensiva do Tet, a maior batalha da guerra, decisiva para minar o apoio da opinião pública americana à guerra.

A Guerra do Vietnã ou Segunda Guerra da Indochina, travada no Vietnã, no Camboja e no Laos, é uma tentativa de impedir que o comunismo tome conta de todo o Vietnã. De acordo com a teoria do dominó, poderia derrubar outros países do Sudeste Asiático.

Há medo de que países vizinhos como a Malásia e a Indonésia, com recursos estratégicos como borracha, estanho e petróleo, virem comunistas.

Em 1956, o Vietnã do Norte autoriza seu aliados do Vietcongue a iniciar atividades guerrilheiras contra o regime-fantoche sustentado pelos EUA.

Em 1959, o Partido Comunista do Vietnã do Norte decide promover uma “guerra popular” no Sul. O primeiro envio de armas pela Trilha de Ho Chi Minh, através do Camboja, é concluído em agosto de 1959.

A Frente de Libertação Nacional do Vietnã do Sul é fundada em 1960.

INTERVENÇÃO AMERICANA
O envolvimento dos EUA começa no governo Dwight Eisenhower (1953-61), que manda 900 assessores militares. No fim do governo Kennedy (1961-63), há 16,7 mil militares norte-americanos no Vietnã. Alguns entram em combate. O economista John Kenneth Galbraith adverte para o risco “de substituir a França como potência colonial e sangrar como a França”.

Como o Exército do Vietnã do Sul é muito incompetente no campo de batalha, militares norte-americanos passam a assessorar as forças sul-vietnamitas em todas as frentes sem entender direito a natureza política da insurgência.

INCIDENTE DO GOLFO DE TONKIN
Depois de dois falsos ataques contra navios norte-americanos em incidentes forjados pelos EUA em 2 e 4 de agosto de 1964 no Golfo de Tonkin, o presidente Lyndon Johnson declara guerra ao Vietnã do Norte.

Documentos desclassificados em 2005 mostram que, no primeiro caso, o navio norte-americano deu tiros de advertência a pesqueiros vietnamitas, que não responderam. No segundo caso, não houve ataque. Em nenhum dos dois, havia embarcações militares do Vietnã do Norte na área. O governo Johnson fabrica sua versão em Washington.

VIETCONGUE
De 5 mil rebeldes em 1959, quando é criado, o grupo guerrilheiro Vietcongue cresce para 1 milhão de homens em armas.

Em 2 de março de 1965, os EUA começam uma campanha de intensos bombardeios aéreos que dura três anos. Com 3 mil fuzileiros navais enviados em 8 de março de 1965, os EUA entram em combate em terra na linha de frente pela primeira vez.

Ho Chi Minh alerta: “Se os norte-americanos querem 20 anos de guerra, devemos lutar por 20 anos. Se eles querem paz, devemos fazer as pazes e convidá-los para tomar chá.”

O governo de Hanói declara não ter a intenção de expandir sua revolução pelos países vizinhos, mas documentos secretos do Pentágono, revelados em 1971 pelo jornalista Jack Anderson no jornal The New York Times, falam num “perigoso período de expansionismo vietnamita” citando expressamente o Laos e o Camboja como alvos fáceis e talvez também a Tailândia, a Malásia, Cingapura e a Indonésia.

OFENSIVA DO TET
Durante os feriados do Ano Novo Lunar (Tet), em 30 de janeiro de 1968, o Vietcongue lança uma de suas maiores ofensivas. Cerca de 84 mil guerrilheiros atacam 155 cidades, entre elas 36 das 44 capitais provinciais e a capital do Vietnã do Sul, Saigon, inclusive a Embaixada dos EUA e o comando militar norte-americano.

1968 é o pior ano para as tropas americanas: dos 58,2 mil americanos mortos na guerra, 16.592 soldados morrem naquele ano.

Com o fracasso da guerra, Johnson não concorre à reeleição em 1968. Richard Nixon ganha com a promessa de negociar a paz e tirar os soldados norte-americanos do Vietnã. Para isso, o assessor de Segurança Nacional, Henry Kissinger inicia uma aproximação com a China e a União Soviética.

Ho Chi Minh morre em Hanói, a capital do Vietnã do Norte, em 2 de setembro de 1969. A guerra termina em 30 de abril de 1975 com a tomada de Saigon, a capital do Vietnã do Sul e capital econômica do país reunificado, rebatizada como Cidade de Ho Chi Minh.

PAZ QUE NÃO HOUVE
A paz entre EUA e Vietnã é assinada em 27 de janeiro de 1973, mas a guerra continua até a queda de Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, em 30 de abril de 1975, quando há uma fuga espetacular de helicóptero da Embaixada dos EUA. O total de mortos vietnamitas é estimado pelo governo nacional em 2 milhões de civis e 1,1 milhões de soldados e guerrilheiros.

Duas semanas antes, em 17 de abril de 1975, o grupo guerrilheiro Khmer Vermelho, outro subproduto da Guerra do Vietnã, toma o poder no vizinho Camboja, dando início a um reino de terror com mais de 2 milhões de mortes que acabaria em 8 de janeiro de 1979 com uma invasão vietnamita.

O regime comunista interna mais de 1 milhão de pessoas em campos de reeducação, onde 165 mil vietnamitas morrem. A repressão de caráter stalinista provoca a fuga em massa de mais de 1,5 milhão de pessoas em barcos precários criando uma das grandes crises humanitárias dos anos 1980, o povo dos barcos

O Alto Comissariado da ONU para Refugiados estima que 200 a 400 mil pessoas morrem nessa fuga sem destino pelo mar porque ninguém quer recebê-los.

LAWRENCE DA ARÁBIA MORRE EM ACIDENTE DE MOTO

    Em 1935, seis dias depois de um acidente de motocicleta numa estrada em Dorset, no interior da Inglaterra, morre aos 46 anos Thomas Edward Lawrence, mais conhecido como Lawrence da Arábia, o oficial de inteligência britânico que aderiu à Revolta Árabe (1916-18) para vencer o Império Otomano (turco) na Primeira Guerra Mundial (1914-18).

T. E. Lawrence nasce em Tremadog, na País de Gales, em 16 de agosto de 1888. Em 1896, sua família se muda para Oxford, onde ele estuda arquitetura e arqueologia. Em 1909, ele faz viagem de estudo à Palestina e à Síria, então partes do Império Otomano.

Dois anos depois, Lawrence consegue uma bolsa para uma expedição arqueológica que escava um assentamento hitita no Rio Eufrates durante três anos. Ele aprende árabe e viaja pelo Oriente Médio.

Em 1914, explora a Península do Sinai, no Egito, na época controlado pelo Império Britânico, na fronteira com o Império Otomano. Com seu conhecimento sobre o Oriente Médio, Lawrence se alista como oficial de inteligência quando começa a guerra. Fica baseado no Cairo como analista de informações.

Quando o emir de Meca, Hussein Ibn Ali, proclama a Revolta Árabe contra a dominação turca, em 1916, vai numa missão diplomática britânica à Arábia, convence seus superiores a apoiar a rebelião e se torna oficial de ligação com o exército de Hussein.

Sob a liderança de Lawrence, os árabes lançam uma guerra de guerrilhas. Em julho de 1917, eles tomam Ácaba, junto ao Sinai, onde se juntam às forças britânicas e marcham para Jerusalém. Lawrence é promovido a coronel.

Em novembro, é capturado como agente secreto em território inimigo, preso, torturado e abusado sexualmente pelos turcos. Ele consegue escapar a se junta ao exército árabe na tomada de Damasco, em outubro de 1918, a vitória final sobre os turcos.

Depois da guerra, Lawrence espera que a Arábia se una num grande país cobrindo toda a península. Decepcionado com a divisão fomentada pelo Império Britânico e o tribalismo árabe, volta para o Reino Unido.

"HAPPY BIRTHDAY, MR. PRESIDENT"

    Em 1962, a atriz Marylin Monroe canta uma das mais famosas interpretação de Parabéns a Você em inglês, durante uma festa de gala no Madison Square Garden, em Nova York, para festejar os 45 anos do presidente John Kennedy, com quem teria um caso.

Marylin usa um vestido cor da pele coberto de cristais e canta numa voz sussurrada num tom carinhoso e sensual.

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sábado, 11 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 11 de Outubro

 VIET MINH TOMA VIETNÃ DO NORTE

    Em 1954, o Viet Minh, movimento comunista criado por Ho Chi Minh em resistência ao colonialismo francês e ao imperialismo japonês, assume o controle do Vietnã do Norte.

Quando termina a ocupação japonesa no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a França tenta reimpor o domínio colonial. O Viet Minh inicia uma guerra de guerrilhas conhecida como Primeira Guerra da Indochina (1946-54).

A resistência liderada pelo Viet Minh, sob o comando do general Vo Nguyen Giap, vence a guerra na Batalha de Dien Ben Phu, em maio de 1954. O armistício entra em vigor em 1º de agosto. O Viet Minh marcha sobre Hanói.

Pelo acordo firmado na Conferência de Genebra, o Vietnã é dividido temporariamente em duas metades iguais, com uma zona desmilitarizada ao longo do paralelo 17º Norte. 

O Norte seria a República Democrática do Vietnã, proclamada por Ho Chi Minh, e o Sul por Ngo Dinh Diem, católico e anticomunista.

Depois de eleições supervisionadas internacionalmente, o Vietnã seria reunificado em 1956. Quando os EUA cancelam as eleições que provavelmente seriam vencidas pelo Viet Minh, começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75), onde os EUA intervêm diretamente de 1964 a 1973. 

A guerra termina em 30 de abril de 1975 com a queda de Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, e uma fuga espetacular de helicóptero da embaixada norte-americana.

JOÃO XXIII ABRE CONCÍLIO

    Em 1962, o papa João XXIII (1958-63) abre o Concílio Vaticano II, o primeiro concílio ecumênico em 92 anos, para promover um renascimento espiritual e a unidade da Igreja Católica Apostólica Romana com outros ramos do cristianismo.

Angelo Giuseppe Roncalli nasce em 1881 e é ordenado padre em 1904. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), como enviado papal à Turquia, salva judeus ajudando-os a fugir para a Palestina.

Depois da guerra, é nomeado núncio apostólico (embaixador do Vaticano) na França, um posto difícil porque o anterior havia cooperado com o regime colaboracionista de Vichy durante a ocupação nazista. Em 1953, é consagrado cardeal.

Com a morte do papa Pio XII, o cardeal Roncalli é eleito papa João XXIII em 28 de outubro de 1958 aos 77 anos e promove uma revolução na Igreja Católica. Para começar, anda livremente, acabando com a ideia de que o papa é "um prisioneiro do Vaticano".

As grandes mudanças vêm com o Concílio Vaticano II, concluído por seu sucessor, Paulo VI, em 1965. A missa passa a ser rezada na língua local e não mais exclusivamente em latim. Há um aumento da liberdade religiosa e do ecumenismo, numa tentativa de se aproximar da Igreja Cristã Ortodoxa e das correntes protestantes do cristianismo, e maior tolerância em relação aos não cristãos.

LENNON LANÇA IMAGINE

    Em 1971, o ex-beatle John Lennon lança Imagine, considerada uma das músicas mais influentes do século 20 ao falar de um mundo utópico sem guerras nem conflitos nem religiões, com "todos os povos dividindo o mundo inteiro".

John começa a escrever Imagine no tempo dos Beatles e grava logo depois que a banda se separa, em 1970. Em contraste com as músicas mais políticas de Lennon como Give Peace a ChancePower to the People Merry Xmas (War is Over)Imagine não tem uma mensagem política explícita. É filosófica, utópica, poética e romântica.

BRUCE SPRINGSTEEN NAS PARADAS

    Em 1975, aos 26 anos, o roqueiro Bruce Springsteen, descrito como o "novo Elvis" ou o "novo Dylan", coloca seu primeiro compacto entre os 40 mais vendidos nas paradas de sucesso, Born to Run.

Springsteen nasce em Long Branch, em Nova Jérsei, em 1949, e cresce na era de ouro do rock'n'roll nos Estados Unidos.

Seu maior sucesso vem em 1985 com o álbum Born in the USA, quando faz turnê pelo país se apresentando em estádios e faturando mais de US$ 1 milhão por show, mais do que a legendária banda de rock de São Francisco The Grateful Dead, que tradicionalmente faturava mais de US$ 500 mil por concerto em suas turnês de verão.

CARTER GANHA NOBEL DA PAZ

    Em 2002, o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter (1977-81) é agraciado com o Prêmio Nobel da Paz "por décadas de esforços incansáveis para encontrar soluções pacíficas para problemas internacionais, promover a democracia, os direitos humanos e o desenvolvimento econômico e social."

Presidente de um só mandato, Carter media as negociações de paz de Camp David entre Israel e o Egito, e só manda os militares dos Estados Unidos para ação no exterior na fracassada tentativa de libertar os norte-americanos mantidos como reféns na embaixada em Teerã, ocupada em 4 de novembro de 1979 depois da Revolução Islâmica no Irã.

A crise dos reféns, a inflação e a recessão causadas pela crise do petróleo, agravada pela Revolução Iraniana de 1979, levam à vitória do republicano Ronald Reagan em 1980.

Depois de deixar o governo, em 1982, o ex-presidente cria o Centro Carter, uma organização sem fins lucrativos de promoção da democracia e dos direitos humanos que media crises, observa eleições e colabora no combate a doenças.

Outros três presidentes dos EUA ganham o Prêmio Nobel da Paz: Theodore Roosevelt (1906), Woodrow Wilson (1919) e Barack Obama (2009).

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terça-feira, 9 de setembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 9 de Setembro

 EUA BATIZADOS 

   Em 1776, o Congresso Continental batiza o país, inicialmente chamado de Colônias Unidas, como Estados Unidos da América.

A ideia de União aparece num cartum de Benjamin Franklin, um dos pais da pátria, em 1754, Junte-se ou Morra

Outro fundador dos EUA, Thomas Jefferson, usa o nome ao redigir o projeto da Declaração da Independência: "Uma declaração dos representantes dos Estados Unidos da América, reunidos em Congresso Geral..."

Numa resolução do Congresso de junho de 1776, o deputado Richard Henry Lee usa Colônias Unidas.

O texto final proclamado em 4 de julho de 1776 fala na "declaração unânime dos Estados Unidos da América", com unidos grafado com letras minúsculas. No último parágrafo, diz que "estas Colônias Unidas são e por direito devem ser estados livres e independentes."

Em 9 de setembro, o Congresso Continental oficializa o nome. Decide que em todos os documentos oficiais o nome Colônias Unidas deve ser substituído por Estados Unidos.

JAPÃO BOMBARDEIA EUA

    Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), um hidroavião japonês joga bombas incendiárias numa floresta estadual da costa do Oregon, no primeiro ataque aéreo ao território continental dos Estados Unidos.


Os balões de fogo são balões de hidrogênio simples com várias bombas incendiárias fabricados no Japão a preços baixos. Precisam ser grandes para transportar 454 quilos. São feitos de washi, um papel extremamente resistente produzido com arbustos de amoreira por meninas adolescentes que trabalham como operárias no esforço de guerra.

As correntes de ar do Oceano Pacífico ajudam nos ataques aos EUA e o Canadá. Em três dias, levam os balões-bombas para a América do Norte.

Durante seis meses, de novembro de 1944 a abril de 1945, o Japão lança mais de 9,3 mil balões de fogo, 361 na América do Norte, atingindo praticamente a metade oeste dos territórios dos EUA e do Canadá. 

A Força Aérea tenta abater os balões-bomba, mas tem pouco sucesso por causa da altitude e da velocidade dos balões. Só consegue interceptar cerca de 20. Seis pessoas morrem no Oregon.  

ELVIS NO ED SULLIVAN SHOW

    Em 1956, o futuro Rei do Rock, Elvis Presley, o primeiro popstar global, faz sua primeira apresentação no programa de televisão Ed Sullivan Show.


 
Elvis nasce em 9 de janeiro de 1935 em Tupelo, no Mississípi. Quando tem 13 anos, a família se muda para Memphis, no Tennessee.

Sua carreira musical começa em 1954, quando grava para a Sun Recordafs. 

Por causa do rebolado sensual, Elvis é boicotado pelas TVs. Sullivan desafia outros produtores e contrata o cantor para três apresentações por US$ 50 mil.  

Com 60 milhões de telespectadores, 82,6% dos televisores ligados na hora, a apresentação têm a maior audiência de TV dos anos 1950. 

ENTERRO DE HO CHI MIHN

    Em 1969, o líder comunista vietnamita Ho Chi Minh, herói da independência do país, é enterrado em Hanói, a capital do Vietnã do Norte, durante a Guerra do Vietnã (1955-75).

Ho nasce em Kiem Lan em 19 de maio de 1890 com o nome de Nguyen Sinh Cung. Depois de viver em Londres, começa a se interessar em política quando mora na França, de 1919 a 1923, e é influenciado por ideias socialistas. Torna-se político, escritor, poeta, revolucionário e líder da luta pela independência do Vietnã.

De Paris, vai para Moscou, onde trabalha na Internacional Comunista (Comintern). Em novembro de 1924, se muda para Cantão, na China. Aos 36 anos, se casa no mesmo lugar onde Chu Enlai casara, com uma chinesa de 21 anos, Zeng Xueming, porque "preciso de uma mulher que me ensine a língua e cuide da casa".

Quando o líder nacionalista chinês Chiang Kai-shek dá um golpe e começa a perseguir os comunistas, em 1927, Ho volta a Moscou e vai para a Crimeia, onde se cura de uma tuberculose antes de voltar a Paris. Passa pela Bélgica, Alemanha, Suíça e Itália antes de ir para Bangkok, na Tailândia, como agente do Comintern no Sudeste Asiático, em julho de 1928.

No fim de 1929, vai para a Índia e da lá para Xangai, na China, e Hong Kong, onde funda, em 1930, o Partido Comunista do Vietnã e o Partido Comunista da Indochina. Preso em Hong Kong em junho de 1931, escapa de ser deportado para a Indochina Francesa com um advogado de defesa britânico, Frank Loseby.

Libertado, vai para Xangai e volta à União Soviética, onde estuda e leciona no Instituto Lenin. Sob a acusação de ter "tendências nacionalistas", é afastado da liderança do partido durante o Grande Expurso Stalinista (1936-38).

Em 1938, volta à China como assessor militar do Exército Vermelho Chinês. Vai para o Vietnã em 1941 para liderar o movimento de libertação nacional. Com a ocupação japonesa, conduz uma guerra de guerrilhas contra o governo colaboracionista francês de Vichy e o Império do Japão.

Depois da ocupação da França, a potência colonial, pela Alemanha Nazista, em junho de 1940, ele funda na China em 1941 o Viet Minh, a Liga pela Independência do Vietnã, para se contrapor também à invasão japonesa durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

No fim da guerra, em 2 de setembro de 1945, quando o Japão assina a rendição, proclama a independência do Vietnã. A França não aceita. Em 19 de dezembro de 1946, começa a Primeira Guerra da Indochina, que vai até 1º de agosto de 1954, depois da vitória vietnamita na Batalha de Bien Dien Phu.

Os Acordos de Paz de Genebra dividem o país em Vietnã do Norte, comunista, e o Vietnã do Sul, anticomunista, em 1954. As eleições de 1955 devem reunificar o país. Quando os Estados Unidos percebem que os comunistas venceriam, em plena Guerra Fria, suspendem as eleições.

Em 1º de novembro de 1955, começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75). O governo Dwight Eisenhower (1953-61) envia os primeiros assessores militares norte-americanos. No fim do governo John Kennedy (1961-63), há mais de 2,8 mil assessores, alguns participando de combates.

A intervenção militar dos EUA começa oficialmente depois do Incidente do Golfo de Tonquim, em 2 de agosto de 1964, forjado pelo governo Lyndon Johnson (1963-69) para obter a aprovação do Congresso para declarar guerra ao Vietnã do Norte.

No auge da intervenção, os EUA têm mais de 500 mil soldados no Vietnã. O fracasso na luta contra o Vietcongue, os guerrilheiros comunistas em ação no Vietnã do Sul, e a rejeição à guerra pela opinião pública levam o presidente Richard Nixon (1969-74) a acelerar as negociações de paz iniciadas em 1968.

Em 30 de agosto de 1969, a delegação dos EUA nas negociações recebem uma carta de Ho a Nixon. O líder vietnamita alerta que "quanto mais longa for a guerra maiores serão o ônus e os pesares para o povo norte-americano" e defende o plano de paz de 10 pontos da Frente de Libertação Nacional. Exige o "fim da guerra de agressão e a retirada das forças norte-americanas”. Morre dias depois.

Com o acordo paz, assinado em 27 de janeiro de 1973, os EUA retiram suas tropas de combate da guerra, que termina em 30 de abril de 1975 com uma fuga espetacular dos norte-americanos da embaixada em Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, quando os tanques norte-vietnamitas tomam a capital do Vietnã do Sul para reunificar o país.

Mais de 58 mil norte-americanos e cerca de 2 milhões de vietnamitas morrem na Guerra do Vietnã.

MORTE DE MAO

    Em 1976, morre o político, teórico e revolucionário Mao Tsé-Tung, que se torna líder do Partido Comunista da China depois da Longa Marcha (1934-35), fundador e chefe de Estado da República Popular da China com a vitória da Revolução Chinesa, em 1º de outubro de 1949. 

Com a Grande Fome causada pelo fracasso do Grande Salto para a Frente (1958-62) e o radicalismo da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), Mao é um dos ditadores mais criticados do século 20, acusado de 70 milhões de mortes.

Mao nasce em Shaoshan, na província de Hunan, em 26 de dezembro 1893. Seu pai é um dos agricultores mais ricos da aldeia. A mãe é budista. Na escola, é discriminado pela origem camponesa.

Leitor voraz, Mao se interessa por política ao saber do declínio do Império Chinês. Admira George Washington e Napoleão Bonaparte. Quando o Império cai, Mao se junta ao exército rebelde como soldado raso. Sun Yat-Sen funda a República em 1912.

Como autodidata, estuda livros clássicos como A Riqueza das Nações, de Adam Smith, o pai da ciência econômica, e O Espírito das Leis, do Barão de Montesquieu, Jean-Jacques Rousseau, Charles Darwin, John Stuart Mill e Herbert Spencer.

Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), interessa-se por técnicas de guerra. É eleito comandante do exército dos estudantes voluntários, que se opõem aos estudantes saqueadores.

Em 4 de maio de 1919, os estudantes chineses protestam na Praça da Paz Celestial contra o aumento da influência japonesa na Ásia e o resultado da Conferência de Paz de Versalhes, que dá ao Japão o controle de um território chinês que estava sob o domínio da Alemanha.

O Movimento Quatro de Maio está na origem do Partido Comunista da China, fundado dois anos depois, em 1921, sob a influência da Revolução Russa (1917). Mao participa do primeiro congresso do partido. É um dos 13 delegados.

A disputa política entre Leon Trotsky e Josef Stalin na União Soviética, depois da morte de Vladimir Lenin, em 1924, se reflete na China. Trotsky é a favor da revolução, aliás de uma revolução mundial. Stalin entende que a China não está preparada para a revolução por não ter operariado e, sim, campesinato.

Stalin faz o PC chinês adotar uma política de frente popular em aliança com o partido nacionalista Koumintang (KMT) que se revela desastrosa. Os nacionalistas massacram os comunistas no início de uma longa guerra civil interrompida pela invasão japonesa em 1937 e retomada depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), com a vitória final dos comunistas em 1949.

Grande Timoneiro assume o controle do partido na Longa Marcha e radicaliza o processo revolucionário várias vezes para manter o poder dentro do regime comunista. Lança a campanha Desabrochar Cem Flores (1956-57) para estimular a produção intelectual e a liberdade de expressão, encerrada por supostos desvios ideológicos burgueses.

Dentro de uma nova era de repressão, Mao propõe o Grande Salto para a Frente, uma tentativa de descentralizar a produção industrial com a fabricação de aço em comunas e fazendas coletivas. É um total fracasso. O aço produzido no campo é de baixa qualidade e a produção alimentos desaba. A Grande Fome mata entre 15 e 45 milhões de pessoas.

Para se reafirmar no poder num mundo cada vez mais hostil, com a ruptura com a URSS e a crescente intervenção militar dos EUA na Guerra do Vietnã, Mao lança em 1966 a Revolução Cultural, uma era de total inversão de valores, com estudantes armados do Livro Vermelho de Mao perseguindo professores e intelectuais, apontam desvios burgueses de supostos inimigos da revolução e destroem símbolos do período imperial, como obras de arte e arquitetura, pintura em nanquim. O trânsito anda no sinal vermelho e para no sinal verde.

Neste período de grande convulsão social, há escaramuças de fronteira entre China e URSS, em 1969, e os EUA iniciam uma aproximação com as visitas de Henry Kissinger e Richard Nixon em 1971 e 1972.

Com a morte de Mao, cai a Gangue dos Quatro, símbolo do extremismo da Revolução Cultural, de que participa a viúva de Mao, Jiang Ching, e abre-se o caminho para as reformas. A herança positiva de Mao é ter alimentado e alfabetizado a China.

No primeiro momento, o substituto Hua Guofeng adota a política dos Dois Quaisquer: "Vamos resolutamente manter quaisquer decisões políticas do Camarada Mao e seguir inabalavelmente quaisquer instruções dadas pelo Camarada Mao."

Hua quer mais do mesmo, mas o partido e o país, destroçados pela Revolução Cultural, querem mudança. Reabilitado, o ex-vice-primeiro-ministro Deng Xiaoping percebe que a modernização é a única ideia capaz de unir o PC. Propõe então, em 1977, a campanha das Quatro Modernizações: agricultura, indústria, defesa, e ciência e tecnologia. 

Em 13 de dezembro de 1978, na terceira sessão plenária da 11ª reunião do Comitê Central do PC, Deng lança as reformas que levam ao maior desenvolvimento econômica da história e transformam a China na segunda maior economia do mundo.

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 4 de Setembro

 QUEDA DO IMPÉRIO ROMANO DO OCIDENTE

    No ano 476 da era cristã, Flávio Odoacro, rei dos hérulos, uma tribo bárbara germânica, depõe Rômulo Augusto, último imperador do Império Romano do Oriente, pondo fim ao maior império do Ocidente na Antiguidade, que chegou a ter mais de 60 milhões de habitantes.

O imperador Teodósio divide o Império Romano em 393 depois de Cristo em Império Romano do Ocidente, com capital em Roma, e Império Romano do Oriente, com capital em Bizâncio. A partir de 410, Roma é saqueada três vezes, a primeira pelos visigodos sob o rei Alarico; a segunda em 455 pelos vândalos, quando o papa Leão I apela ao rei Genserico para que não destrua e cidade e não mate seus habitantes; e a terceira por Odoacro. 

Depois da queda de Roma, o Império do Oriente (Bizantino) sobrevive até 29 de maio de 1453, quando é derrotado pelo Império Otomano (turco).

QUEDA DE NAPOLEÃO III

    Em 1870, depois da derrota na Batalha de Sedan, na Guerra Franco-Prussiana (1870-71), dois dias antes, o imperador Napoleão III cai, é preso pela Alemanha e vai para o exílio no Reino Unido. É o fim do Segundo Império (1852-70) e o início da Terceira República da França (1870-1940).

Carlos Luís Napoleão Bonaparte nasce em Paris em 20 de abril de 1808, filho de Luís I da Holanda, irmão de Napoleão Bonaparte. Com a queda do tio, em 1815, passa a juventude exilado na Alemanha e na Suíça. Vira herdeiro do trono após as mortes do irmão mais velho, Napoleão Luís, e de Napoleão Francisco, o Rei de Roma, filho de Napoleão I.

Depois da Revolução de 1848, Luís Napoleão se elege deputado. No mesmo ano, se torna o primeiro presidente da República Francesa eleito pelo voto direto. Como a Constituição Francesa de 1848 não permite a reeleição, dá um golpe de 2 de dezembro de 1851 e vira imperador em 2 de dezembro de 1852.

Seu reinado enfrenta forte hostilidade do escritor francês Vítor Hugo e do filósofo e economista alemão Karl Marx, que escreve O 18 Brumário de Luís Napoleão, um clássico de análise política.

Para recuperar a hegemonia francesa na Europa, entra na Guerra da Crimeia (1853-56) ao lado do Reino Unido e do Império Otomano (turco) contra a Rússia, que perde, e manda tropas com o Reino Unido para a Segunda Guerra do Ópio (1856-60) contra a China.

Napoleão III apoia a Segunda Guerra da Independência da Itália (1859) contra o Império Austríaco, o que leva à criação do Reino da Itália em 1861. De 1859 a 1862, ele toma a Cochinchina, o sul do que hoje é o Vietnã, que passa a ser colônia francesa.

Ele aproveita a Guerra da Secessão (1861-65) nos Estados Unidos, para intervir militarmente no México, que tem dívidas com a Espanha, a França e o Reino Unido. Derruba o presidente Benito Juárez, domina o país de 8 de dezembro de 1861 a 21 de junho de 1867 e envia Maximiliano da Áustria, irmão mais novo do imperador Francisco José e primo de Dom Pedro II, como imperador do México.

Com o fim da Guerra Civil Americana, os EUA apoiam Juárez. Maximilano é deposto e fuzilado em 19 de junho de 1867.

Seu último erro é subestimar o primeiro-ministro da Prússia, Otto von Bismarck, o Chanceler de Ferro, que vence a Dinamarca (1864), Áustria (1866) e a França (1870-71), e unifica a Alemanha em 1871, tornando-se o primeiro chefe de governo do novo país.

Com a derrota em Sedan, Napoleão III é preso no Castelo de Wilhelmshöhe de 5 de setembro de 1870 a 19 de março de 1871, quando vai para o exílio na Inglaterra, onde morre em Chislehurst em 9 de janeiro de 1873.

GERÔNIMO SE RENDE

    Em 1886, depois de 30 anos de resistência à invasão de suas terras, o cacique apache Gerônimo se entrega ao Exército dos Estados Unidos, no fim das guerras indígenas no Sudoeste do país.

Gerônimo nasce em 16 de junho de 1829 em Bedonkohe, hoje parte do Novo México, na época parte do território mexicano, e se torna líder dos apaches chiricahua, que durante décadas guerreiam para resistir à internação dos indígenas em reservas. Ganha o apelido provavelmente dos mexicanos.

De 1858 a 1886, enfrenta repetidas vezes os exércitos do México e dos EUA. Quando se rende ao general Nelson Miles, em Skeleton Canion, no Arizona, seu bando tem apenas 38 pessoas, contando mulheres e crianças. É o fim das guerras dos apaches. Gerônimo fica preso durante 22 anos até morrer em 17 de fevereiro de 1909, no Forte Sill.

TV DE COSTA A COSTA

    Em 1951, o presidente Harry Truman participa da primeira transmissão de televisão de costa a costa nos Estados Unidos para anunciar a assinatura de um tratado com o Japão para acabar com a ocupação iniciada no fim da Segunda Guerra Mundial e restaurar a independência japonesa.

No pronunciamento, transmitido por 87 estações de 47 cidades, Truman declara que o acordo vai ajudar "a construir um mundo onde nossos filhos possam viver em paz". Com o início da Guerra Fria contra a União Soviética, a vitória da revolução de Mao Tsé-tung na China e a Guerra da Coreia (1950-53), Truman destaca a necessidade de um Japão forte e democrático.

O Congresso dos EUA aprova o tratado de paz em 20 de março de 1952.

MORTE DE HO CHI MINH

    Em 1969, a Rádio Hanói anuncia a morte do líder comunista Ho Chi Minh, o grande herói da luta pela independência do Vietnã. A Frente de Libertação Nacional suspende os combates da Guerra do Vietnã (1955-75) por três dias.

Ho nasce em Kiem Lan em 19 de maio de 1890 com o nome de Nguyen Sinh Cung. Depois de viver em Londres, começa a se interessar em política quando mora na França, de 1919 a 1923, e é influenciado por ideias socialistas. Torna-se político, escritor, poeta, revolucionário e líder da luta pela independência do Vietnã.

De Paris, vai para Moscou, onde trabalha na Terceira Internacional Comunista (Comintern). Em novembro de 1924, se muda para Cantão, na China. Aos 36 anos, se casa no mesmo lugar onde Chu Enlai casara, com uma chinesa de 21 anos, Zeng Xueming, porque "preciso de uma mulher que me ensine a língua e cuide da casa".

Quando o líder nacionalista chinês Chiang Kai-shek dá um golpe e começa a perseguir os comunistas, em 1927, Ho volta a Moscou e vai para a Crimeia, onde se cura de uma tuberculose antes de voltar a Paris. Passa pela Bélgica, Alemanha, Suíça e Itália antes de ir para Bangkok, na Tailândia, como agente do Comintern no Sudeste Asiático, em julho de 1928.

No fim de 1929, vai para a Índia e da lá para Xangai, na China, e Hong Kong, onde funda, em 1930, o Partido Comunista do Vietnã e o Partido Comunista da Indochina. Preso em Hong Kong em junho de 1931, escapa de ser deportado para a Indochina Francesa com um advogado de defesa britânico, Frank Loseby.

Libertado, vai para Xangai e volta à União Soviética, onde estuda e leciona no Instituto Lenin. Sob a acusação de ter "tendências nacionalistas", é afastado da liderança do partido durante o Grande Expurso Stalinista (1936-38).

Em 1938, volta à China como assessor militar do Exército Vermelho Chinês. Vai para o Vietnã em 1941 para liderar o movimento de libertação nacional. Com a ocupação japonesa, conduz uma guerra de guerrilhas contra o governo colaboracionista francês de Vichy e o Império do Japão.

Depois da ocupação da França, a potência colonial, pela Alemanha Nazista, em junho de 1940, ele funda na China em 1941 o Viet Minh, a Liga pela Independência do Vietnã, para se contrapor também à invasão japonesa durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

No fim da guerra, em 2 de setembro de 1945, quando o Japão assina a rendição, proclama a independência do Vietnã. A França não aceita. Em 19 de dezembro de 1946, começa a Primeira Guerra da Indochina, que vai até 1º de agosto de 1954, depois da vitória vietnamita na Batalha de Bien Dien Phu.

Os Acordos de Paz de Genebra dividem o país em Vietnã do Norte, comunista, e o Vietnã do Sul, anticomunista, em 1954. As eleições de 1955 devem reunificar o país. Quando os Estados Unidos percebem que os comunistas venceriam, em plena Guerra Fria, suspendem as eleições.

Em 1º de novembro de 1955, começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75). O governo Dwight Eisenhower (1953-61) envia os primeiros assessores militares norte-americanos. No fim do governo John Kennedy (1961-63), há mais de 2,8 mil assessores, alguns participando de combates.

A intervenção militar dos EUA começa oficialmente depois do Incidente do Golfo de Tonquim, em 2 de agosto de 1964, forjado pelo governo Lyndon Johnson (1963-69) para obter a aprovação do Congresso para declarar guerra ao Vietnã do Norte.

No auge da intervenção, os EUA têm mais de 500 mil soldados no Vietnã. O fracasso na luta contra o Vietcongue, os guerrilheiros comunistas em ação no Vietnã do Sul, e a rejeição à guerra pela opinião pública levam o presidente Richard Nixon (1969-74) a acelerar as negociações de paz iniciadas em 1968.

Em 30 de agosto de 1969, a delegação dos EUA nas negociações recebem uma carta de Ho a Nixon. O líder vietnamita alerta que "quanto mais longa for a guerra maiores serão o ônus e os pesares para o povo norte-americano" e defende o plano de paz de 10 pontos da Frente de Libertação Nacional. Exige o "fim da guerra de agressão e a retirada das forças norte-americanas”. Morre dias depois.

Com o acordo paz, assinado em 27 de janeiro de 1973, os EUA retiram suas tropas de combate da guerra, que termina em 30 de abril de 1975 com uma fuga espetacular dos norte-americanos da embaixada em Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, quando os tanques norte-vietnamitas tomam a capital do Vietnã do Sul para reunificar o país.

Mais de 58,2 mil norte-americanos e mais de 2 milhões de vietnamitas morrem na Guerra do Vietnã. 

MARK SPITZ CONQUISTA SÉTIMO OURO

    Em 1972, o nadador americano Mark Spitz vence a prova de de 400 metros quatro estilos, conquistando sua sétima medalha de ouro com o sétimo recorde mundial na Olimpíada de Munique, na Alemanha.

Spitz nasce em Modesto, na Califórnia, em 10 de fevereiro de 1950. Aos dois anos de idade, a família se muda para o Havaí, onde ele aprende a nadar. Quatro anos mais tarde, Spitz volta para a Califórnia, onde é treinado por Sherm Chavoor, seu grande mentor. Aos 10 anos, mostra seu talento ao bater 17 recordes nacionais e um mundial para sua faixa de idade.

Em apenas cinco anos como profissional, conquistou 11 medalhas olímpicas: 9 de ouro, 1 de prata e uma de bronze. É o segundo maior nadador olímpico e o segundo em medalhas de ouro numa olimpíada (7), superado 36 anos depois por Michael Phelps, que conquistou oito ouros na Olimpíada de Beijim, na China, em 2008.

sábado, 30 de agosto de 2025

Hoje na História do Mundo: 30 de Agosto

 WASHINGTON REJEITA RECONCILIAÇÃO

    Em 1776, o comandante do Exército Continental, George Washington, recusa uma segunda proposta de reconciliação com o Império Britânico enviada através de carta do general William Howe.

Howe desembarca em Long Island com uma força superior à dos rebeldes americanos e conquista uma grande vitória na Batalha de Brooklyn Heights, em 27 de agosto. Entre outras razões, Washington rejeita a proposta porque a carta não o chama de general. 

As negociações são retomadas em 11 de setembro por Benjamin Franklin e John Adams. São rompidas quando os britânicos se negam a aceitar a independência dos EUA. Os rebeldes tomam Nova York em 15 de setembro e mantêm o controle sobre a cidade até o fim da Guerra da Independência (1775-83).

PRIMEIRA REVOLTA DE ESCRAVOS

    Em 1800, um escravo chamado Gabriel mobiliza mil homens nos arredores de Richmond, na Virgínia, na primeira grande rebelião de escravizados nos Estados Unidos.

Seis dias antes, o escravo Ben Woolfolk se encontra com outros escravizados na Ponte Littlepage para recrutar aliados para a revolta. O líder é Gabriel, um escravo de Henry Thomas Prosser. O plano é marchar até Richmond, capturar o governador James Monroe e outros líderes brancos e forçá-los a aceitar a igualdade política, econômica e social.

Fortes chuvas adiam o início da rebelião. Dois escravizados, Tom e Pharoak, denunciam a conspiração a Mosby Sheppard, que avisa o governador. Monroe convoca uma milícia que prende muitos rebeldes. Vários julgamentos levam à execução de Gabriel e pelo menos outros 25 escravos.

LENIN BALEADO

    Em 1918, durante um comício numa fábrica em Moscou, Fanya Kaplan, do Partido Social Revolucionário, atira três vezes no líder comunista Vladimir Illitch Ulianov (Lenin), que é ferido gravemente por duas balas, mas sobrevive.

Lenin nasce em Ulianovsk em 22 de abril de 1870. Filho de uma família da classe média, vira revolucionário após a execução do irmão mais velho, Alexander Ulianov, em 8 de maio de 1887, sob a acusação de participar de uma conspiração do grupo Vontade Popular para assassinar o czar Alexandre III.

Expulso da Universidade Imperial de Kazan por participar de protestos contra o regime czarista, em 1893, Lenin entra para o Partido Operário Social-Democrata Russo. Preso por sedição em 1897, é condenado a três anos de exílio interno em Shushenskoye, onde se casa na igreja com Nádia Krupskaya em 10 de julho de 1898.

Depois do exílio, vai em julho de 1900 para a Suíça, onde se torna um teórico marxista. Adota o pseudônimo de Lenin em dezembro de 1901. No ano seguinte, lança o panfleto Que Fazer?, em que defende a necessidade de criar um partido de vanguarda para fazer a revolução proletária. Em abril de 1902, foge para Londres, onde conhece Leon Trotsky, o outro grande líder da Revolução Comunista.

Em 1903, com uma divisão no partido, passa a liderar a facção bolchevique (maioria), a ala mais radical do partido, em oposição aos mencheviques, mais moderados, liderados por Julius Martov, embora na verdade os bolcheviques sejam minoria. 

Martov defende o direito dos militantes de se expressar contra a direção do partido, enquanto Lenin é a favor de uma liderança forte, com controle total sobre a base. É o princípio do centralismo democrático, que ajuda no futuro a ascensão de Josef Stalin. Uma vez tomada uma decisão, a discussão acaba e todos os membros do partidos são obrigados a segui-la.

Com a derrota da Rússia para o Japão na Guerra do Pacífico (1904-5), 1,5 milhão de manifestantes marcham pacificamente até o palácio imperial em São Petersburgo para exigir reformas como o voto direto. São rechaçados a bala. Pelo menos 930 pessoas são mortas, 4 mil de acordo com os rebeldes.

O Domingo Sangrento, 22 de janeiro de 1905, deflagra a Revolução de 1905, a primeira grande revolta popular contra o czar Nicolau II, o Sanguinário. Mais de 2 milhões de operários entram em guerra. Durante a revolução, são organizados conselhos operários, os sovietes. Trotsky volta do exílio e lidera o Soviete de São Petersburgo. Lenin também regressa.

Nicolau II cede. No Manifesto de Outubro, autoriza o funcionamento de partidos políticos e cria um parlamento, a Duma. Com o fim da guerra contra o Japão, as tropas voltam e reprimem violentamente o movimento. Muitos rebeldes são presos ou exilados. Os sovietes são declarados ilegais. A maior parte das reformas é abandonada, mas a Duma sobrevive.

Lenin vai para o Grão-Ducado da Finlândia, parte do império czarista. Quando o czar dissolve a Segunda Duma e manda a Okrana, a polícia política, prender os revolucionários, foge para a Suíça. Os bolcheviques mudam a sede da facção para Paris. Lenin se muda para lá em dezembro de 1908, mas não gosta da capital francesa, que descreve como "um buraco sujo".

Quando estoura a Primeira Guerra Mundial (1914-18), em 28 de julho de 1914, Lenin está em Cracóvia, na Galícia, uma região polonesa do Império Austro-Húngaro, inimigo da Rússia. É preso e solto por ser anticzarista. Vai então para a Suíça, onde faz campanha em 1916 para que os socialistas repudiem a "guerra imperialista" e a transformem numa "guerra civil" continental dos trabalhadores contra a aristocracia e a a burguesia.

Em 1917, lança sua grande obra sobre relações internacionais, Imperialismo: última etapa do capitalismo, em que defende a tese do elo mais fraco. O sistema capitalista não se romperia nos países mais industrializados como a França, como previa Karl Marx, mas na parte mais fraca. Assim, justifica a revolução na Rússia, um país de industrialização tardia.

Com a queda do czarismo na Revolução de Fevereiro (março pelo calendário atual), Lenin recebe autorização da Alemanha para cruzar seu território e voltar à Rússia, o que o leva a ser acusado de ser agente alemão porque os comunistas assinam a Paz de Brest-Litovsk, em 3 de março de 1918, depois da Revolução Bolchevique, a Revolução de Outubro.

Ao chegar à Estação Finlândia de Petrogrado, rebatizada porque São Petersburgo é um nome de origem alemã, Lenin repudia o governo provisório e defende uma revolução proletária continental. Em seguida, lança as Teses de Abril, com três palavras-chaves: paz, terra e pão. Paz para acabar com "a guerra burguesa do capitalismo", reforma agrária e alimentos para todos.

Os preparativos finais da Revolução Comunista são realizados no Instituto Smolny, sede do Comitê Militar Revolucionário, onde estudei. Na madrugada de 25 de outubro de 1917 (7 de novembro pelo calendário atual), os bolcheviques invadem o Palácio de Inverno, derrubam o governo provisório de Alexander Kerensky e tomam o poder. 

No dia seguinte à tomada do poder, Lenin se torna presidente do Conselho dos Comissários do Povo da República Socialista Federativa Soviética da Rússia. Em janeiro de 1918, Lenin dissolve a Assembleia Constituinte, onde os bolcheviques não têm maioria. 

Em março, Lenin expulsa os mencheviques e muda o nome do partido para Partido Comunista. No ano seguinte, funda a Terceira Internacional, a Internacional Comunista (Comintern), para promover uma revolução mundial.

Com a proibição dos outros partidos políticos e a dissolução da Constituinte, Fanya Kaplan considera Lenin um traidor da revolução. Na saída de um comício do líder comunista na fábrica de armas Foice e Martelo, ela dispara três tiros e acerta dois. Presa, é executada em 3 de setembro de 1918 pela Cheka (Comissão Extraordinária de Todas as Rússias), a polícia política do novo regime.

A tentativa de assassinato deflagra uma onda de retaliações dos bolcheviques contra os sociais-revolucionários e outros partidos, aprofundando a guerra civil que acontece depois das revoluções de 1917.

Com a fundação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, em 30 de dezembro de 1922, Lenin se torna presidente do Comissariado do Povo da URSS, cargo que ocupa até a morte, em 21 de janeiro de 1924.

PRIMEIRO JUIZ NEGRO NA SUPREMA CORTE

    Em 1967, Thurgood Marshall é confirmado como o primeiro juiz negro do supremo tribunal dos Estados Unidos.


Marshall nasce em 2 de julho de 1908 em Baltimore, no estado de Maryland. Sob influência do pai, estuda direito na Universidade Lincoln e na Faculdade de Direito da Universidade Howard, em Washington, a primeira a admitir negros.

Como advogado, se especializa em defender causas envolvendo a questão racial. Torna-se conhecido como Sr. Direitos Humanos em tribunais federais e na Suprema Corte durante o movimento pelos direitos civis dos negros. No caso mais famoso, Brown versus Board of Education, a Suprema Corte acaba com a segregação racial nas escolas, em 1955.

Em 1961, o presidente John Kennedy o nomeia juiz do Tribunal Federal de Recursos da Segunda Região, que inclui os estados de Nova York, Connecticut e Vermont. Depois da morte de Kennedy, o presidente Lyndon Johnson o nomeia advogado-geral da União, em 1965.

Thurgood Marshall chega à Suprema Corte com um longo histórico de luta pelos direitos dos negros. Durante 24 anos, até se aposentar por motivos de saúde, amplia o legado de luta pelos direitos civis.

HO CHI MINH RESPONDE A NIXON

    Em 1969, chega a Paris, onde se realizam as negociações de paz sobre a Guerra do Vietnã (1955-75), uma carta do líder comunista Ho Chi Minh ao presidente Richard Nixon acusando os Estados Unidos de travar uma "guerra de agressão" contra o Vietnã do Norte "violando nossos direitos nacionais". 


Ho nasce em Kiem Lan em 19 de maio de 1890 com o nome de Nguyen Sinh Cung. Depois de viver em Londres, começa a se interessar em política quando mora na França, de 1919 a 1923, e é influenciado por ideias socialistas. Torna-se político, escritor, poeta, revolucionário e líder da luta pela independência do Vietnã.

De Paris, vai para Moscou, onde trabalha na Internacional Comunista (Comintern). Em novembro de 1924, se muda para Cantão, na China. Aos 36 anos, se casa no mesmo lugar onde Chu Enlai casara, com uma chinesa de 21 anos, Zeng Xueming, porque "preciso de uma mulher que me ensine a língua e cuide da casa".

Quando o líder nacionalista chinês Chiang Kai-shek dá um golpe e começa a perseguir os comunistas, em 1927, Ho volta a Moscou e vai para a Crimeia, onde se cura de uma tuberculose antes de voltar a Paris. Passa pela Bélgica, Alemanha, Suíça e Itália antes de ir para Bangkok, na Tailândia, como agente do Comintern no Sudeste Asiático, em julho de 1928.

No fim de 1929, vai para a Índia e da lá para Xangai, na China, e Hong Kong, onde funda, em 1930, o Partido Comunista do Vietnã e o Partido Comunista da Indochina. Preso em Hong Kong em junho de 1931, escapa de ser deportado para a Indochina Francesa com um advogado de defesa britânico, Frank Loseby.

Libertado, vai para Xangai e volta à União Soviética, onde estuda e leciona no Instituto Lenin. Sob a acusação de ter "tendências nacionalistas", é afastado da liderança do partido durante o Grande Expurso Stalinista (1936-38).

Em 1938, volta à China como assessor militar do Exército Vermelho Chinês. Vai para o Vietnã em 1941 para liderar o movimento de libertação nacional. Com a ocupação japonesa a partir de setembro de 1940, conduz uma guerra de guerrilhas contra o governo colaboracionista francês de Vichy e o Império do Japão.

Depois da ocupação da França, a potência colonial, pela Alemanha Nazista, em junho de 1940, ele funda na China em 1941 o Viet Minh, a Liga pela Independência do Vietnã, para se contrapor também à invasão japonesa durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

No fim da guerra, em 2 de setembro de 1945, quando o Japão assina a rendição, Ho Chi Minh proclama a independência do Vietnã. A França não aceita. Em 19 de dezembro de 1946, começa a Primeira Guerra da Indochina, que termina em 1º de agosto de 1954 com a vitória vietnamita na Batalha de Bien Dien Phu.

Os Acordos de Paz de Genebra dividem o país em Vietnã do Norte, comunista, e o Vietnã do Sul, anticomunista, em 1954. As eleições de 1955 devem reunificar o país. Quando os Estados Unidos percebem que os comunistas venceriam, em plena Guerra Fria, suspendem as eleições.

Em 1º de novembro de 1955, começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75). O governo Dwight Eisenhower (1953-61) envia os primeiros assessores militares norte-americanos. No fim do governo John Kennedy (1961-63), há mais de 2,8 mil assessores, alguns participando de combates.

A intervenção militar dos EUA começa oficialmente depois do Incidente do Golfo de Tonquim, em 2 de agosto de 1964, forjado pelo governo Lyndon Johnson (1963-69) para obter autorização do Congresso para declarar guerra ao Vietnã do Norte.

No auge da intervenção, os EUA têm mais de 500 mil soldados no Vietnã. O fracasso na luta contra o Vietcongue, os guerrilheiros comunistas em ação no Vietnã do Sul, e a rejeição à guerra pela opinião pública levam o presidente Richard Nixon (1969-74) a acelerar as negociações de paz iniciadas em 1968. 

Na resposta a Nixon, Ho Chi Minh diz que, "na sua carta, você expressa o desejo de agir por uma paz justa. Para isto, os EUA devem parar com a guerra de agressão e retirar suas tropas do Vietnã do Sul, respeitar o direito da população do Sul e da nação vietnamita de decidir por elas mesmo, sem interferência estrangeira." 

Ho alerta que "quanto mais longa for a guerra maiores serão o ônus e os pesares para o povo norte-americano" e defende o plano de paz de 10 pontos da Frente de Libertação Nacional. Exige o "fim da guerra de agressão e a retirada das forças norte-americanas”.

Com o acordo paz, assinado em 27 de janeiro de 1973, os EUA retiram suas tropas de combate da guerra, que termina em 30 de abril de 1975 com uma fuga espetacular dos norte-americanos da embaixada em Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, quando os tanques norte-vietnamitas tomavam a capital do Vietnã do Sul para reunificar o país.

Mais de 58,2 mil norte-americanos e cerca de 2 milhões de vietnamitas morrem na Guerra do Vietnã.

PRIMEIRO ASTRONAUTA NEGRO

    Em 1983, Guion Bluford Jr. se torna o primeiro astronauta de origem africana ao participar de uma missão do ônibus espacial Challenger.

Bluford Jr. nasce na Filadélfia em 22 de novembro de 1942 e se forma em engenharia aeroespacial na Universidade Estadual da Pensilvânia. Ele entra para a Força Aérea e se torna piloto em janeiro de 1966. Faz parte de mais três missões no espaço, todas do ônibus espacial Discovery, em 1985, 1991 e 1992. Ao todo, fica 28 dias no espaço.