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quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 1º de Outubro

FIM DO IMPÉRIO PERSA

    Em 331 antes de Cristo, Alexandre III, o Grande, da Macedônia, vence Dario III na Batalha de Gaugamela, uma das mais estudadas nas escolas militares porque Alexandre tem muito menos soldados. É o fim do Império Persa.

Os persas tentam invadir a Grécia no século 5 AC, nas Guerras Greco-Persas ou Guerras Medas (499-449 AC), mas são derrotados. Com a vitória, Atenas se transforma numa potência imperial e Esparta inicia a Guerra do Peloponeso porque a rival está se tornando poderosa demais.

Esparta vence, mas depois é derrotada por Tebas. É o fim da Idade de Ouro na Grécia. Disso se aproveita Felipe II, da Macedônia, pai de Alexandre, para tomar o poder em 359 AC. Ao morrer, em 336 AC, Felipe deixa o reino para o filho, que invade a Ásia e reinicia o conflito com os persas.

Diante da derrota em Gaugamela, o exército de Dario III foge. Alexandre o persegue por 110 quilômetros até Arbela. Perde 100 homens e mil cavalos na perseguição. 

Com a vitória, Alexandre conquista a Babilônia, toda a Mesopotâmia e metade da Pérsia. Seus soldados o aclamam Rei da Ásia e prometem conquistar todo o continente. 

MARIA SANGUINÁRIA

    Em 1553, Maria Tudor, a filha mais velha de Henrique VIII, católica, é coroada Maria I, da Inglaterra, na Abadia de Westminster, em Londres. É a primeira mulher a ascender ao trono do país.

Henrique VIII quer um filho homem para evitar um conflito sucessório como a Guerra das Duas Rosas (1455-87), vencida por seu pai, Henrique VII. Mas sua primeira mulher, Catarina de Aragão, filha de Fernando e Isabel, os reis católicos da Espanha, tem cinco filhos e a única sobrevivente é uma filha mulher, Maria.

Para se divorciar e casar com Ana Bolena, Henrique VIII rompe com o Vaticano e funda a Igreja Anglicana em 1534. É a Reforma Protestante na Inglaterra. Ao fazer isso, o rei divide o país entre católicos e protestantes, o que fomentaria guerras civis até 1689.

A terceira de suas seis esposas, Jane Seymour, lhe dá um filho homem, mas Eduardo VI (1547-53) tem problemas de saúde e reina por apenas seis anos. Primeiro rei educado no protestantismo, Eduardo VI tenta consolidar a Reforma.

Eduardo VI não queria entregar a coroa à irmã católica. Nomeia a prima Joana Grey, bisneta de Henrique VII, como sucessora. Lady Jane é a Rainha dos Nove Dias, de 10 a 19 de julho de 1553, quando Maria I é proclamada rainha. Joana é presa na Torre de Londres, condenada por traição e executada.

Ao ascender ao trono, Maria I revoga a Reforma e proíbe o protestantismo. Passa a ser chamada de Maria Sanguinária (Bloody Mary) depois da execução de 280 protestantes. Ela se casa com Felipe II, da Espanha, numa aliança de reis católicos. Este casamento enfrenta resistência na Inglaterra, especialmente dos protestantes.

Fraca e doente, Maria I morre aos 42 anos, provavelmente de câncer de útero ou de ovários. Sem descendentes depois de duas gravidezes psicológicas, é obrigada a apontar a irmã protestante, Elizabeth Tudor como sucessora.

Seu legado é uma reforma fiscal, a expansão naval e exploração colonial que lançam a semente do Império Britânico, que começa a se desenvolver sob Elizabeth I (1558-1603).

PARQUE NACIONAL DE YOSEMITE

    Em 1890, o Congresso dos Estados Unidos cria o Parque Nacional de Yosemite, na Serra Nevada, na Califórnia, depois de uma campanha liderada pelo ecologista John Muir.

Os índios são os únicos habitantes do Vale de Yosemite até 1849, quando a Corrida do Ouro na Califórnia atrai garimpeiros, mineiros e colonos, o que causa danos ambientais na região.

Para acabar com a exploração econômica da área, em 1864, o presidente Abraham Lincoln declara que Yosemite e suas sequoias gigantes são um bem público. É a primeira vez que o governo dos EUA protege uma área para desfrute do público, lançando as bases para a criação do sistema de parques nacionais.

O Parque Nacional de Yellowstone, criado em 1872, é o primeiro do país.

LAWRENCE DA ARÁBIA TOMA DAMASCO

    Em 1918, um exército árabe-britânico articulado pelo coronel Thomas Edward Lawrence, o Lawrence da Arábia, toma Damasco do Império Otomano (turco) e conclui a libertação da Arábia durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Arabista formado na Universidade de Oxford, Lawrence trabalha como oficial de inteligência do Exército Real britânico no Egito a partir de 1914. Quando começa a Revolta Árabe (1916-18) contra o Império Otomano, aliado da Alemanha e do Império Austro-Húngaro na guerra, Lawrence convence seus superiores a apoiar a rebelião do emir de Meca, Hussein ibn Ali. É enviado como oficial de ligação do Exército Real para unir as tribos árabes com o apoio da França e do Reino Unido.

Em julho de 1917, os árabes tomam o porto de Ácaba, perto da Península do Sinai, e se juntam aos britânicos para marchar rumo a Jerusalém. Lawrence é promovido a coronel. Preso numa ação de inteligência, é torturado e abusado sexualmente até conseguir escapar.

Forças australianas sob o comando do general Henry Chauvel atacam Damasco primeiro, mas seguem perseguindo os turcos em fuga quando as tropas de Lawrence chegam.

Lawrence é a favor da unidade da Arábia. Como as diversas facções árabes se dividem, volta para a Inglaterra desiludido e rejeita medalhas do rei George V por entender que o Império Britânico fomentou a divisão dos árabes na velha política de dividir para reinar.

NAZISTAS SENTENCIADOS À MORTE

    Em 1946, 12 altos funcionários do regime nazista de Adolf Hitler pegam pena de morte por enforcamento no Tribunal de Crimes de Guerra de Nurembergue, na Alemanha, entre eles Hermann Göring, fundador da polícia política Gestapo (Geheim Staatpolizei) e comandante da Luftwaffe, a Força Aérea alemã; Joachin von Ribbentrop, ministro do Exterior; e Wilhelm Frick, ministro do Interior.

O Julgamento de Nurembergue, realizado por um tribunal internacional com representantes dos Estados Unidos, da União Soviética, da França e do Reino Unido, dura 10 meses. 

Outros sete condenados recebem penas de 10 anos a prisão perpétua, inclusive Rudolf Hess, vice de Hitler de 1933 a 1941. Três réus são absolvidos.

Os criminosos de guerra nazista são enforcados em 16 de outubro. Göring se mata na véspera ingerindo veneno.

COMUNISMO NA CHINA

    Em 1949, sob a liderança de Mao Tsé-tung, o Partido Comunista toma o poder e funda a República Popular da China com a vitória na guerra civil sobre os nacionalistas do Kuomintang (KMT), liderados por Chiang Kai-shek, que fogem para Taiwan.

A China, o Império do Centro ou do Meio, terra de poetas, artistas e filósofos, é o centro do mundo na Ásia desde antes da Cristo. Cria a imprensa e a pólvora antes da Europa, mas não usa estas tecnologias para dominar o mundo. 

Ao contrário, a China se fecha e, como a Índia e o Japão, não participa da Revolução Comercial, da Revolução Científica e da Revolução Militar, e fica para trás com a Revolução Industrial. Humilhado pelo Império Britânico nas Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60), para abrir o país ao livre comércio, inclusive de ópio, e vencido pelo Japão na Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95), o Império Chinês entra em declínio terminal e cai em 1912.

É uma era de anarquia, com as cidades costeiras dominadas pelo imperialismo ocidental e o interior dividido entre senhores da guerra. A China tem a menor renda por habitante do mundo: US$ 100 por ano. Neste contexto, Mao é um dos fundadores do Partido Comunista, em 1921.

Por ordem do ditador soviético Josef Stalin, o PC chinês faz aliança com os nacionalistas do KMT numa política de frente popular. Depois de massacres, os comunistas fogem durante um ano por 9 mil quilômetros na Longa Marcha (1934-35).

Com invasão da China continental pelo Japão, na Segunda Guerra Sino-Japonesa (1937-45), de certa forma a Segunda Guerra Mundial começa na Ásia antes da Europa. Depois de se tornar a grande força de resistência à invasão japonesa durante a guerra, o PC vence a guerra civil contra o KMT.

MASSACRE EM LAS VEGAS

    Em 2017, da janela de um quarto de hotel em Las Vegas, o atirador Stephen Paddock, de 64 anos, dispara contra um festival de música, mata 58 pessoas, fere outras centenas e se suicida, no pior massacre a tiros da história dos Estados Unidos, superando um massacre com 49 mortes numa discoteca gay de Orlando, na Flórida, em 2016.

Às 22h08, o atirador abre fogo do alto de um quarto do Mandalay Bay Casino & Resort contra uma multidão de mais de 22 mil pessoas que assistem a um show de música caipira de Jason Aldean.

Paddock era dono de 42 armas de fogo, inclusive fuzis de assalto AR-15. Leva 23 para o hotel e deixa 19 em casa. Nativo de Sun Valley, na Califórnia, morava numa comunidade de aposentados em Mesquita, no estado de Nevada. o mesmo de Las Vegas.

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 18 de Setembro

 CAPITÓLIO EM OBRAS

    Em 1793, o presidente George Washington lança a pedra fundamental do Capitólio, a sede do Congresso dos Estados Unidos.

A construção leva quase um século. Os britânicos tocam fogo na obra ao incendiar a cidade durante a Guerra de 1812, quando o Império Britânico tenta acabar com a independência dos EUA.

Hoje o Capitólio tem mais seis prédios de escritórios e três da Biblioteca do Congresso, construídos nos séculos 19 e 20. É alvo de um ataque de extremistas de direita insuflados pelo presidente Donald Trump em 6 de janeiro de 2021, numa tentativa de impedir a certificação da vitória da Joe Biden na eleição presidencial de 2020.

IMPERIALISMO JAPONÊS

    Em 1931, o Exército Imperial do Japão provoca o Incidente de Mukden, uma explosão numa ferrovia japonesa, acusa dissidentes chineses e usa como pretexto para ocupar Mukden e aumentar seu controle sobre a região da Manchúria, que domina totalmente dentro de três meses.

É o início da Segunda Guerra Sino-Japonesa. Uma das razões é a escassez de energia no Japão, que logo começa a explorar carvão da Manchúria.

Seis meses depois, o Japão domina a província e cria o Estado-fantoche de Manchukuo. Em 1937, depois do Incidente na Ponte Marco Polo, o Japão invade as principais cidades da China e a guerra se torna aberta. É o início da Guerra do Pacífico e da Segunda Guerra Mundial na Ásia.

MORRE SECRETÁRIO-GERAL DA ONU

    Em 1961, em uma queda de avião durante a Primeira Guerra Civil do Congo, o sueco Dag Hammarksjöld se torna o único secretário-geral da Organização das Nações Unidas a morrer no exercício do cargo, em Ndola, na Rodésia do Norte, hoje Zâmbia.


Filho do primeiro-ministro Hjalmar Hammarksjöld (1914-17), que preside a Fundação do Prêmio Nobel (1929-47), Dag estuda direito e economia nas universidades de Estocolmo e Uppsala, e dá aula de economia política antes de ser nomeado subsecretário do Ministério das Finanças e presidente do Banco da Suécia.

Desde 1947, Dag Hammarksjöeld passa a trabalhar para o Ministério do Exterior da Suécia. Em 1951, ele é subchefe de uma delegação sueca na ONU. No ano seguinte, é eleito presidente da Assembleia Geral da ONU. Em 1953, torna-se o segundo secretário-geral da ONU.

Suas preocupações iniciais são com conflitos no Oriente Médio, como a Guerra de Suez, quando Reino Unido e França rejeitaram a nacionalização do Canal de Suez e têm o apoio de Israel, em 1956.

Quando o antigo Congo Belga se torna independente da Bélgica, em 30 de junho de 1960, começa uma guerra civil. Duas semanas depois, a ONU aprova o envio de uma missão de paz que depois a União Soviética denuncia, pedindo a saída de Hammarksjöld, porque é a primeira vez que uma força de paz entra em conflito, no caso, contra os secessionistas da rica província mineral da Katanga.

Em plena Guerra Fria, a guerra civil congolesa entra na disputa Leste-Oeste. O herói da independência do Congo, Patrice Lumumba, aliado da URSS, é executado em 17 de janeiro de 1961 em Katanga. 

Hammarksjöld, que defende o princípio de que o secretário-geral deve ter o poder de tomar iniciativas pela paz antes da autorização do Conselho de Segurança, decide negociar com o líder do movimento pela independência de Katanga, Moïse Tchombe. Morre no caminho.

Uma investigação concluída em 2017 concluiu que "parece plausível que uma ameaça ou ataque externo possa ter sido a causa do acidente."

MORTE DE JIMI HENDRIX

    Em 1970, o cantor, compositor e maior guitarrista de todos os tempos, Jimi Hendrix, morre aos 27 anos engasgado no próprio vômito depois de tomar uma overdose de 16 Mandrax, um sonífero. Sua música mistura influências do blues, do jazz e do rock numa fusão de ritmos e amplia os limites da guitarra elétrica de uma forma sem precedentes.

James Marshall Hendrix nasce em Seattle em 27 de novembro de 1942. Os pais se separam em 1951. Quando a mãe morre em 1958, Jimi se aproxima da avô materna, que tem origem cherokee e lhe transmite o orgulho de sua ancestralidade.

Ele se alista no Exército e serve como paraquedista na 101ª Divisão Aerotransportada, com base em Forte Campbell, no Kentucky. Dá baixa depois de fraturar o tornozelo num salto. O som do ar assobiando no paraquedas é uma inspiração de sua música. É influenciado por Bone Walker, B. B. King, Muddy Waters, Howlin' Wolf, Robert Johnson, Albert King, Elmore Jones, Curtis Mayfield e Little Richard.

Tem sua própria banda, Jimmy James and The Flames e toca no Café Wha?, em Nova York, em 1966, quando Chas Chandler o leva para Londres, a meca dos guitarristas. Eric Clapton, Jeff Back e Pete Townshend eram rivais porque disputavam a honra de ser melhor guitarrista da Inglaterra. Ficaram amigos vendo Hendrix tocar no Marquee Club com sua nova banda, The Jimi Hendrix Experience, com que grava seu primeiro disco solo.

Com o sucesso em Londres, Jimi volta aos EUA e estoura no Festival de Monterrey, em 1967, indicado por Paul McCartney. Em 18 de agosto de 1969, fecha o Festival de Woodstock. Em 1970, é uma das principais atrações do Festival da Ilha de Wight, na Inglaterra.

MILIONÁRIA GUERRILHEIRA

    Em 1975, a polícia prende por assalto à mão armada num apartamento em São Francisco a milionária Patricia Hearst, herdeira de um império jornalístico que adere a um grupo guerrilheiro de ultraesquerda, o Exército Simbionês de Libertação (ESL), depois de ser sequestrada.


Patty Hearst, filha do magnata Randolph Hearst, é sequestrada em 4 de fevereiro de 1974 em seu apartamento em Berkeley, na Califórnia. Os sequestradores, dois homens negros e uma mulher branca, a vendam e a colocam à força na mala de um carro, dando tiros para afugentar vizinhos que veem a cena.

Quatro dias depois, o ESL exige que seu pai doe US$ 7 milhões em alimentos para todas as pessoas de Santa Rosa a Los Angeles. Rudolph Hearst hesita, mas dá US$ 2 milhões. Os terroristas consideram pouco. Exigem US$ 4 milhões. A família responde que dará o dinheiro se ela for libertada ilesa.

Tudo muda em abril de 1974, quando ela envia uma gravação às autoridades anunciando que está aderindo ao ESL. No mesmo mês, câmeras de segurança flagram Patty Hearst participando de um assalto a banco em São Francisco e do roubo de uma loja em Los Angeles.

Em maio de 1974, a polícia ataca uma célula clandestina e mata seis dos nove militantes conhecidos do grupo, inclusive o líder, o ex-condenado Donald DeFreeze.

Presa, Patty Hearst alega ter sido vítima de uma lavagem cerebral, mas é condenada a 7 anos de cadeia em 20 de março de 1976. O presidente Jimmy Carter (1977-81) comuta a pena. Ela é solta em fevereiro de 1979. Em 2001, no fim de seu governo, o presidente Bill Clinton lhe concede o indulto presidencial.

FUNERAL DO GRANDE TIMONEIRO

    Em 1976, mais de 1 milhão de pessoas participam do enterro de Mao Tsé-tung, líder do Partido Comunista da China, da Revolução Chinesa e presidente da República Popular da China desde sua fundação, que morre anos 82 anos.

A morte de Mao marca o fim da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), dez anos de luta interna dentro do regime comunista, sectarismo político e convulsão social, um fantasma que até hoje a assombra os chineses. A possível volta da Revolução Cultural é um fantasma usado para enquadrar a população.

Mao nasce em 26 de dezembro de 1893. Estuda para ser professor. Em 1921, é um dos fundadores do PC chinês. Depois de uma fracassada aliança com o partido nacionalista Kuomintang (KMT) numa política de frente popular imposta ao PC pelo ditador soviético Josef Stalin que resulta num massacre de comunistas, Mao participa a Grande Marcha (1934-35), uma fuga de 9 mil quilômetros que dura um ano.

Com a invasão japonesa de 1937 e a Segunda Guerra Mundial (1939-45), há uma trégua para a luta contra o invasor. A guerra civil contra o KMT recomeça no pós-guerra e os comunistas tomam o poder em 1º de outubro de 1949.

Sob Mao, o regime comunista lança a campanha das Cem Flores (1956-57), um breve período de liberalização em que os intelectuais são incentivados a criticar, seguida de uma campanha "antidireitista" em que os dissidentes foram perseguidos.

Para consolidar a aliança operário-camponesa, o grande delírio ideológico do maoísmo, o partido lança o Grande Salto para a Frente (1958-62), uma tentativa de criar usinas siderúrgicas nas zonas rurais. O resultado foi um aço de péssima qualidade e o colapso da produção agrícola, o que causa a maior fome da história da humanidade, com total de mortes estimado em 15 a 55 milhões.

Depois da ruptura com a União Soviética e do início da intervenção militar dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã, em 1964, com a China isolada internacionalmente e sua liderança contestada, Mao lança a Revolução Cultural para reafirmar seu poder, deflagrando uma grande onda de expurgos e perseguições políticas.

O conflito com a URSS leva a vários choques na fronteira entre as duas potências comunistas em 1969. Disso se aproveitam os EUA. Em 1971, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Henry Kissinger, vai a Beijim e prepara a visita do presidente Richard Nixon, em fevereiro de 1972, que abre o caminho para o reconhecimento pelos EUA de que a República Popular da China é a representante do povo chinês. O regime de Mao ocupa a cadeira da China no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Mao morre em 9 de setembro de 1976.

ESCÓCIA REJEITA INDEPENDÊNCIA

    Em 2014, por 55,3% a 44,7%, os eleitores da Escócia rejeitam em plebiscito a independência do Reino Unido, de que o país faz parte desde o Ato de União de 1707 com a Inglaterra, que cria a Grã-Bretanha.


O movimento nacionalista escocês cresce com a descentralização de poderes e a autonomia regional concedida pelo governo Tony Blair (1997-2007), com a recriação do Parlamento da Escócia, em 12 de maio de 1999.

O Partido Nacional Escocês (SNP), a favor da independência, passa a dominar a política do país. Mas não vence o plebiscito por causa da importância das relações econômicas dentro do Reino Unido e na União Europeia (UE).

Quando dois anos depois, em 23 de junho de 2016, por 52% a 48%, os eleitores britânicos decidem sair da União Europeia, 62% dos escoceses votam para ficar. O SNP aproveita o resultado para reivindicar a realização de novo plebiscito. A Escócia independente poderia voltar à UE. Mas uma série de escândalos desmoralizou o SNP nos últimos anos. O Partido Trabalhista voltou a ser o maior da Escócia.

terça-feira, 9 de setembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 9 de Setembro

 EUA BATIZADOS 

   Em 1776, o Congresso Continental batiza o país, inicialmente chamado de Colônias Unidas, como Estados Unidos da América.

A ideia de União aparece num cartum de Benjamin Franklin, um dos pais da pátria, em 1754, Junte-se ou Morra

Outro fundador dos EUA, Thomas Jefferson, usa o nome ao redigir o projeto da Declaração da Independência: "Uma declaração dos representantes dos Estados Unidos da América, reunidos em Congresso Geral..."

Numa resolução do Congresso de junho de 1776, o deputado Richard Henry Lee usa Colônias Unidas.

O texto final proclamado em 4 de julho de 1776 fala na "declaração unânime dos Estados Unidos da América", com unidos grafado com letras minúsculas. No último parágrafo, diz que "estas Colônias Unidas são e por direito devem ser estados livres e independentes."

Em 9 de setembro, o Congresso Continental oficializa o nome. Decide que em todos os documentos oficiais o nome Colônias Unidas deve ser substituído por Estados Unidos.

JAPÃO BOMBARDEIA EUA

    Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), um hidroavião japonês joga bombas incendiárias numa floresta estadual da costa do Oregon, no primeiro ataque aéreo ao território continental dos Estados Unidos.


Os balões de fogo são balões de hidrogênio simples com várias bombas incendiárias fabricados no Japão a preços baixos. Precisam ser grandes para transportar 454 quilos. São feitos de washi, um papel extremamente resistente produzido com arbustos de amoreira por meninas adolescentes que trabalham como operárias no esforço de guerra.

As correntes de ar do Oceano Pacífico ajudam nos ataques aos EUA e o Canadá. Em três dias, levam os balões-bombas para a América do Norte.

Durante seis meses, de novembro de 1944 a abril de 1945, o Japão lança mais de 9,3 mil balões de fogo, 361 na América do Norte, atingindo praticamente a metade oeste dos territórios dos EUA e do Canadá. 

A Força Aérea tenta abater os balões-bomba, mas tem pouco sucesso por causa da altitude e da velocidade dos balões. Só consegue interceptar cerca de 20. Seis pessoas morrem no Oregon.  

ELVIS NO ED SULLIVAN SHOW

    Em 1956, o futuro Rei do Rock, Elvis Presley, o primeiro popstar global, faz sua primeira apresentação no programa de televisão Ed Sullivan Show.


 
Elvis nasce em 9 de janeiro de 1935 em Tupelo, no Mississípi. Quando tem 13 anos, a família se muda para Memphis, no Tennessee.

Sua carreira musical começa em 1954, quando grava para a Sun Recordafs. 

Por causa do rebolado sensual, Elvis é boicotado pelas TVs. Sullivan desafia outros produtores e contrata o cantor para três apresentações por US$ 50 mil.  

Com 60 milhões de telespectadores, 82,6% dos televisores ligados na hora, a apresentação têm a maior audiência de TV dos anos 1950. 

ENTERRO DE HO CHI MIHN

    Em 1969, o líder comunista vietnamita Ho Chi Minh, herói da independência do país, é enterrado em Hanói, a capital do Vietnã do Norte, durante a Guerra do Vietnã (1955-75).

Ho nasce em Kiem Lan em 19 de maio de 1890 com o nome de Nguyen Sinh Cung. Depois de viver em Londres, começa a se interessar em política quando mora na França, de 1919 a 1923, e é influenciado por ideias socialistas. Torna-se político, escritor, poeta, revolucionário e líder da luta pela independência do Vietnã.

De Paris, vai para Moscou, onde trabalha na Internacional Comunista (Comintern). Em novembro de 1924, se muda para Cantão, na China. Aos 36 anos, se casa no mesmo lugar onde Chu Enlai casara, com uma chinesa de 21 anos, Zeng Xueming, porque "preciso de uma mulher que me ensine a língua e cuide da casa".

Quando o líder nacionalista chinês Chiang Kai-shek dá um golpe e começa a perseguir os comunistas, em 1927, Ho volta a Moscou e vai para a Crimeia, onde se cura de uma tuberculose antes de voltar a Paris. Passa pela Bélgica, Alemanha, Suíça e Itália antes de ir para Bangkok, na Tailândia, como agente do Comintern no Sudeste Asiático, em julho de 1928.

No fim de 1929, vai para a Índia e da lá para Xangai, na China, e Hong Kong, onde funda, em 1930, o Partido Comunista do Vietnã e o Partido Comunista da Indochina. Preso em Hong Kong em junho de 1931, escapa de ser deportado para a Indochina Francesa com um advogado de defesa britânico, Frank Loseby.

Libertado, vai para Xangai e volta à União Soviética, onde estuda e leciona no Instituto Lenin. Sob a acusação de ter "tendências nacionalistas", é afastado da liderança do partido durante o Grande Expurso Stalinista (1936-38).

Em 1938, volta à China como assessor militar do Exército Vermelho Chinês. Vai para o Vietnã em 1941 para liderar o movimento de libertação nacional. Com a ocupação japonesa, conduz uma guerra de guerrilhas contra o governo colaboracionista francês de Vichy e o Império do Japão.

Depois da ocupação da França, a potência colonial, pela Alemanha Nazista, em junho de 1940, ele funda na China em 1941 o Viet Minh, a Liga pela Independência do Vietnã, para se contrapor também à invasão japonesa durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

No fim da guerra, em 2 de setembro de 1945, quando o Japão assina a rendição, proclama a independência do Vietnã. A França não aceita. Em 19 de dezembro de 1946, começa a Primeira Guerra da Indochina, que vai até 1º de agosto de 1954, depois da vitória vietnamita na Batalha de Bien Dien Phu.

Os Acordos de Paz de Genebra dividem o país em Vietnã do Norte, comunista, e o Vietnã do Sul, anticomunista, em 1954. As eleições de 1955 devem reunificar o país. Quando os Estados Unidos percebem que os comunistas venceriam, em plena Guerra Fria, suspendem as eleições.

Em 1º de novembro de 1955, começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75). O governo Dwight Eisenhower (1953-61) envia os primeiros assessores militares norte-americanos. No fim do governo John Kennedy (1961-63), há mais de 2,8 mil assessores, alguns participando de combates.

A intervenção militar dos EUA começa oficialmente depois do Incidente do Golfo de Tonquim, em 2 de agosto de 1964, forjado pelo governo Lyndon Johnson (1963-69) para obter a aprovação do Congresso para declarar guerra ao Vietnã do Norte.

No auge da intervenção, os EUA têm mais de 500 mil soldados no Vietnã. O fracasso na luta contra o Vietcongue, os guerrilheiros comunistas em ação no Vietnã do Sul, e a rejeição à guerra pela opinião pública levam o presidente Richard Nixon (1969-74) a acelerar as negociações de paz iniciadas em 1968.

Em 30 de agosto de 1969, a delegação dos EUA nas negociações recebem uma carta de Ho a Nixon. O líder vietnamita alerta que "quanto mais longa for a guerra maiores serão o ônus e os pesares para o povo norte-americano" e defende o plano de paz de 10 pontos da Frente de Libertação Nacional. Exige o "fim da guerra de agressão e a retirada das forças norte-americanas”. Morre dias depois.

Com o acordo paz, assinado em 27 de janeiro de 1973, os EUA retiram suas tropas de combate da guerra, que termina em 30 de abril de 1975 com uma fuga espetacular dos norte-americanos da embaixada em Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, quando os tanques norte-vietnamitas tomam a capital do Vietnã do Sul para reunificar o país.

Mais de 58 mil norte-americanos e cerca de 2 milhões de vietnamitas morrem na Guerra do Vietnã.

MORTE DE MAO

    Em 1976, morre o político, teórico e revolucionário Mao Tsé-Tung, que se torna líder do Partido Comunista da China depois da Longa Marcha (1934-35), fundador e chefe de Estado da República Popular da China com a vitória da Revolução Chinesa, em 1º de outubro de 1949. 

Com a Grande Fome causada pelo fracasso do Grande Salto para a Frente (1958-62) e o radicalismo da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), Mao é um dos ditadores mais criticados do século 20, acusado de 70 milhões de mortes.

Mao nasce em Shaoshan, na província de Hunan, em 26 de dezembro 1893. Seu pai é um dos agricultores mais ricos da aldeia. A mãe é budista. Na escola, é discriminado pela origem camponesa.

Leitor voraz, Mao se interessa por política ao saber do declínio do Império Chinês. Admira George Washington e Napoleão Bonaparte. Quando o Império cai, Mao se junta ao exército rebelde como soldado raso. Sun Yat-Sen funda a República em 1912.

Como autodidata, estuda livros clássicos como A Riqueza das Nações, de Adam Smith, o pai da ciência econômica, e O Espírito das Leis, do Barão de Montesquieu, Jean-Jacques Rousseau, Charles Darwin, John Stuart Mill e Herbert Spencer.

Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), interessa-se por técnicas de guerra. É eleito comandante do exército dos estudantes voluntários, que se opõem aos estudantes saqueadores.

Em 4 de maio de 1919, os estudantes chineses protestam na Praça da Paz Celestial contra o aumento da influência japonesa na Ásia e o resultado da Conferência de Paz de Versalhes, que dá ao Japão o controle de um território chinês que estava sob o domínio da Alemanha.

O Movimento Quatro de Maio está na origem do Partido Comunista da China, fundado dois anos depois, em 1921, sob a influência da Revolução Russa (1917). Mao participa do primeiro congresso do partido. É um dos 13 delegados.

A disputa política entre Leon Trotsky e Josef Stalin na União Soviética, depois da morte de Vladimir Lenin, em 1924, se reflete na China. Trotsky é a favor da revolução, aliás de uma revolução mundial. Stalin entende que a China não está preparada para a revolução por não ter operariado e, sim, campesinato.

Stalin faz o PC chinês adotar uma política de frente popular em aliança com o partido nacionalista Koumintang (KMT) que se revela desastrosa. Os nacionalistas massacram os comunistas no início de uma longa guerra civil interrompida pela invasão japonesa em 1937 e retomada depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), com a vitória final dos comunistas em 1949.

Grande Timoneiro assume o controle do partido na Longa Marcha e radicaliza o processo revolucionário várias vezes para manter o poder dentro do regime comunista. Lança a campanha Desabrochar Cem Flores (1956-57) para estimular a produção intelectual e a liberdade de expressão, encerrada por supostos desvios ideológicos burgueses.

Dentro de uma nova era de repressão, Mao propõe o Grande Salto para a Frente, uma tentativa de descentralizar a produção industrial com a fabricação de aço em comunas e fazendas coletivas. É um total fracasso. O aço produzido no campo é de baixa qualidade e a produção alimentos desaba. A Grande Fome mata entre 15 e 45 milhões de pessoas.

Para se reafirmar no poder num mundo cada vez mais hostil, com a ruptura com a URSS e a crescente intervenção militar dos EUA na Guerra do Vietnã, Mao lança em 1966 a Revolução Cultural, uma era de total inversão de valores, com estudantes armados do Livro Vermelho de Mao perseguindo professores e intelectuais, apontam desvios burgueses de supostos inimigos da revolução e destroem símbolos do período imperial, como obras de arte e arquitetura, pintura em nanquim. O trânsito anda no sinal vermelho e para no sinal verde.

Neste período de grande convulsão social, há escaramuças de fronteira entre China e URSS, em 1969, e os EUA iniciam uma aproximação com as visitas de Henry Kissinger e Richard Nixon em 1971 e 1972.

Com a morte de Mao, cai a Gangue dos Quatro, símbolo do extremismo da Revolução Cultural, de que participa a viúva de Mao, Jiang Ching, e abre-se o caminho para as reformas. A herança positiva de Mao é ter alimentado e alfabetizado a China.

No primeiro momento, o substituto Hua Guofeng adota a política dos Dois Quaisquer: "Vamos resolutamente manter quaisquer decisões políticas do Camarada Mao e seguir inabalavelmente quaisquer instruções dadas pelo Camarada Mao."

Hua quer mais do mesmo, mas o partido e o país, destroçados pela Revolução Cultural, querem mudança. Reabilitado, o ex-vice-primeiro-ministro Deng Xiaoping percebe que a modernização é a única ideia capaz de unir o PC. Propõe então, em 1977, a campanha das Quatro Modernizações: agricultura, indústria, defesa, e ciência e tecnologia. 

Em 13 de dezembro de 1978, na terceira sessão plenária da 11ª reunião do Comitê Central do PC, Deng lança as reformas que levam ao maior desenvolvimento econômica da história e transformam a China na segunda maior economia do mundo.

terça-feira, 1 de outubro de 2024

Hoje na História do Mundo: 1º de Outubro

FIM DO IMPÉRIO PERSA

    Em 331 antes de Cristo, Alexandre III, o Grande, da Macedônia, vence Dario III na Batalha de Gaugamela, uma das mais estudadas nas escolas militares porque Alexandre tem muito menos soldados. É o fim do Império Persa.

Os persas tentam invadir a Grécia no século 5 AC, nas Guerras Greco-Persas ou Guerras Medas (499-449 AC), mas são derrotados. Com a vitória, Atenas se transforma numa potência imperial e Esparta inicia a Guerra do Peloponeso porque a rival está se tornando poderosa demais.

Esparta vence, mas depois é derrotada por Tebas. É o fim da Idade de Ouro na Grécia. Disso se aproveita Felipe II, da Macedônia, pai de Alexandre, para tomar o poder em 359 AC. Ao morrer, em 336 AC, Felipe deixa o reino para o filho, que invade a Ásia e reinicia o conflito com os persas.

Diante da derrota em Gaugamela, o exército de Dario III foge. Alexandre o persegue por 110 quilômetros até Arbela. Perde 100 homens e mil cavalos na perseguição. 

Com a vitória, Alexandre conquista a Babilônia, toda a Mesopotâmia e metade da Pérsia. Seus soldados o aclamam Rei da Ásia e prometem conquistar todo o continente. 

MARIA SANGUINÁRIA

    Em 1553, Maria Tudor, a filha mais velha de Henrique VIII, católica, é coroada Maria I, da Inglaterra, na Abadia de Westminster, em Londres. É a primeira mulher a ascender ao trono do país.

Henrique VIII quer um filho homem para evitar um conflito sucessório como a Guerra das Duas Rosas (1455-87), vencida por seu pai, Henrique VII. Mas sua primeira mulher, Catarina de Aragão, filha de Fernando e Isabel, os reis católicos da Espanha, tem cinco filhos e a única sobrevivente é uma filha mulher, Maria.

Para se divorciar e casar com Ana Bolena, Henrique VIII rompe com o Vaticano e funda a Igreja Anglicana em 1534. É a Reforma Protestante na Inglaterra. Ao fazer isso, o rei divide o país entre católicos e protestantes, o que fomentaria guerras civis até 1689.

A terceira de suas seis esposas, Jane Seymour, lhe dá um filho homem, mas Eduardo VI (1547-53) tem problemas de saúde e reina por apenas seis anos. Primeiro rei educado no protestantismo, Eduardo VI tenta consolidar a Reforma.

Eduardo VI não queria entregar a coroa à irmã católica. Nomeia a prima Joana Grey, bisneta de Henrique VII, como sucessora. Lady Jane é a Rainha dos Nove Dias, de 10 a 19 de julho de 1553, quando Maria I é proclamada rainha. Joana é presa na Torre de Londres, condenada por traição e executada.

Ao ascender ao trono, Maria I revoga a Reforma e proíbe o protestantismo. Passa a ser chamada de Maria Sanguinária (Bloody Mary) depois da execução de 280 protestantes. Ela se casa com Felipe II, da Espanha, numa aliança de reis católicos. Este casamento enfrenta resistência na Inglaterra, especialmente dos protestantes.

Fraca e doente, Maria I morre aos 42 anos, provavelmente de câncer de útero ou de ovários. Sem descendentes depois de duas gravidezes psicológicas, é obrigada a apontar a irmã protestante, Elizabeth Tudor como sucessora.

Seu legado é uma reforma fiscal, a expansão naval e exploração colonial que lançam a semente do Império Britânico, que começa a se desenvolver sob Elizabeth I (1558-1603).

PARQUE NACIONAL DE YOSEMITE

    Em 1890, o Congresso dos Estados Unidos cria o Parque Nacional de Yosemite, na Serra Nevada, na Califórnia, depois de uma campanha liderada pelo ecologista John Muir.

Os índios são os únicos habitantes do Vale de Yosemite até 1849, quando a Corrida do Ouro na Califórnia atrai garimpeiros, mineiros e colonos, o que causa danos ambientais na região.

Para acabar com a exploração econômica da área, em 1864, o presidente Abraham Lincoln declara que Yosemite e suas sequoias gigantes são um bem público. É a primeira vez que o governo dos EUA protege uma área para desfrute do público, lançando as bases para a criação do sistema de parques nacionais.

O Parque Nacional de Yellowstone, criado em 1872, é o primeiro do país.

LAWRENCE DA ARÁBIA TOMA DAMASCO

    Em 1918, um exército árabe-britânico articulado pelo coronel Thomas Edward Lawrence, o Lawrence da Arábia, toma Damasco do Império Otomano (turco) e conclui a libertação da Arábia durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Arabista formado na Universidade de Oxford, Lawrence trabalha como oficial de inteligência do Exército Real britânico no Egito a partir de 1914. Quando começa a Revolta Árabe (1916-18) contra o Império Otomano, aliado da Alemanha e do Império Austro-Húngaro na guerra, Lawrence convence seus superiores a apoiar a rebelião do emir de Meca, Hussein ibn Ali. É enviado como oficial de ligação do Exército Real para unir as tribos árabes com o apoio da França e do Reino Unido.

Em julho de 1917, os árabes tomam o porto de Ácaba, perto da Península do Sinai, e se juntam aos britânicos para marchar rumo a Jerusalém. Lawrence é promovido a coronel. Preso numa ação de inteligência, é torturado e abusado sexualmente até conseguir escapar.

Forças australianas sob o comando do general Henry Chauvel atacam Damasco primeiro, mas seguem perseguindo os turcos em fuga quando as tropas de Lawrence chegam.

Lawrence é a favor da unidade da Arábia. Como as diversas facções árabes se dividem, volta para a Inglaterra desiludido e rejeita medalhas do rei George V por entender que o Império Britânico fomentou a divisão dos árabes na velha política de dividir para reinar.

NAZISTAS SENTENCIADOS À MORTE

    Em 1946, 12 altos funcionários do regime nazista de Adolf Hitler pegam pena de morte por enforcamento no Tribunal de Crimes de Guerra de Nurembergue, na Alemanha, entre eles Hermann Göring, fundador da polícia política Gestapo (Geheim Staatpolizei) e comandante da Luftwaffe, a Força Aérea alemã; Joachin von Ribbentrop, ministro do Exterior; e Wilhelm Frick, ministro do Interior.

O Julgamento de Nurembergue, realizado por um tribunal internacional com representantes dos Estados Unidos, da União Soviética, da França e do Reino Unido, dura 10 meses. 

Outros sete condenados recebem penas de 10 anos a prisão perpétua, inclusive Rudolf Hess, vice de Hitler de 1933 a 1941. Três réus são absolvidos.

Os criminosos de guerra nazista são enforcados em 16 de outubro. Göring se mata na véspera ingerindo veneno.

COMUNISMO NA CHINA

    Em 1949, sob a liderança de Mao Tsé-tung, o Partido Comunista toma o poder e funda a República Popular da China com a vitória na guerra civil sobre os nacionalistas do Kuomintang (KMT), liderados por Chiang Kai-shek, que fogem para Taiwan.

A China, o Império do Centro ou do Meio, terra de poetas, artistas e filósofos, é o centro do mundo na Ásia desde antes da Cristo. Cria a imprensa e a pólvora antes da Europa, mas não usa estas tecnologias para dominar o mundo. 

Ao contrário, a China se fecha e, como a Índia e o Japão, não participa da Revolução Comercial e fica para trás com a Revolução Industrial. Humilhado pelo Império Britânico nas Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60), para abrir o país ao livre comércio, inclusive de ópio, e vencido pelo Japão na Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95), o Império Chinês entra em declínio terminal e cai em 1912.

É uma era de anarquia, com as cidades costeiras dominadas pelo imperialismo ocidental e o interior dividido entre senhores da guerra. A China tem a menor renda por habitante do mundo: US$ 100 por ano. Neste contexto, Mao é um dos fundadores do Partido Comunista, em 1921.

Por ordem do ditador soviético Josef Stalin, o PC chinês faz aliança com os nacionalistas do KMT numa política de frente popular. Depois de massacres, os comunistas fogem durante um ano por 9 mil quilômetros na Longa Marcha (1934-35).

Com invasão da China continental pelo Japão, na Segunda Guerra Sino-Japonesa (1937-45), de certa forma a Segunda Guerra Mundial começa na Ásia antes da Europa. Depois de se tornar a grande força de resistência à invasão japonesa durante a guerra, o PC vence a guerra civil contra o KMT.

MASSACRE EM LAS VEGAS

    Em 2017, da janela de um quarto de hotel em Las Vegas, o atirador Stephen Paddock, de 64 anos, dispara contra um festival de música, mata 58 pessoas, fere outras centenas e se suicida, no pior massacre a tiros da história dos Estados Unidos, superando um massacre com 49 mortes numa discoteca gay de Orlando, na Flórida, em 2016.

Às 22h08, o atirador abre fogo do alto de um quarto do Mandalay Bay Casino & Resort contra uma multidão de mais de 22 mil pessoas que assistem a um show de música caipira de Jason Aldean.

Paddock era dono de 42 armas de fogo, inclusive fuzis de assalto AR-15. Leva 23 para o hotel e deixa 19 em casa. Nativo de Sun Valley, na Califórnia, morava numa comunidade de aposentados em Mesquita, no estado de Nevada. o mesmo de Las Vegas. 

quarta-feira, 18 de setembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 18 de Setembro

CAPITÓLIO EM OBRAS

    Em 1793, o presidente George Washington lança a pedra fundamental do Capitólio, a sede do Congresso dos Estados Unidos.

A construção levou quase um século. Os britânicos tocam fogo na obra quando incendeiam a cidade durante a Guerra de 1812, quando o Império Britânico tenta acabar com a independência dos EUA.

Hoje o Capitólio tem mais seis prédios de escritórios e três da Biblioteca do Congresso, construídos nos século 19 e 20. Foi alvo de um ataque de extremistas de direita insuflados pelo presidente Donald Trump em 6 de janeiro de 2021.

IMPERIALISMO JAPONÊS

    Em 1931, o Exército Imperial do Japão provoca o Incidente de Mukden, uma explosão numa ferrovia japonesa, acusa dissidentes chineses e usa como pretexto para ocupar Mukden e aumentar seu controle sobre a região da Manchúria, que domina totalmente dentro de três meses.

É o início da Segunda Guerra Sino-Japonesa. Uma das razões é a escassez de energia no Japão, que logo começa a explorar carvão da Manchúria.

Seis meses depois, o Japão domina a província e cria o Estado-fantoche de Manchukuo. Em 1937, depois do Incidente na Ponte Marco Polo, o Japão invade as principais cidades da China e a guerra se torna aberta. É o início da Guerra do Pacífico e da Segunda Guerra Mundial na Ásia.

MORRE SECRETÁRIO-GERAL DA ONU

    Em 1961, em uma queda de avião durante a Primeira Guerra Civil do Congo, o sueco Dag Hammarksjöld se torna o único secretário-geral da Organização das Nações Unidas a morrer no exercício do cargo, em Ndola, na Rodésia do Norte, hoje Zâmbia.


Filho do primeiro-ministro Hjalmar Hammarksjöld (1914-17), que preside a Fundação do Prêmio Nobel (1929-47), Dag estuda direito e economia nas universidades de Estocolmo e Uppsala, e dá aula de economia política antes de ser nomeado subsecretário do Ministério das Finanças e presidente do Banco da Suécia.

Desde 1947, Dag Hammarksjöeld passa a trabalhar para o Ministério do Exterior da Suécia. Em 1951, ele é subchefe de uma delegação sueca à ONU. No ano seguinte, é eleito presidente da Assembleia Geral da ONU. Em 1953, torna-se o segundo secretário-geral da ONU.

Suas preocupações iniciais era com conflitos no Oriente Médio, como a Guerra de Suez, quando Reino Unido e França rejeitaram a nacionalização do Canal de Suez e tiveram o apoio de Israel, em 1956.

Quando o antigo Congo Belga se torna independente da Bélgica, em 30 de junho de 1960, começa uma guerra civil. Duas semanas depois, a ONU aprova o envio de uma missão de paz que depois a União Soviética denuncia, pedindo a saída de Hammarksjöld, porque é a primeira vez que uma força de paz entra em conflito, no caso, contra os secessionistas da rica província mineral da Katanga.

Em plena Guerra Fria, a guerra civil congolesa entra na disputa Leste-Oeste. O herói da independência do Congo, Patrice Lumumba, aliado da URSS, é executado em 17 de janeiro de 1961 em Katanga. 

Hammarksjöld, que defende o princípio de que o secretário-geral deve ter o poder de tomar iniciativas pela paz antes da autorização do Conselho de Segurança, decide negociar com o líder do movimento pela independência de Katanga, Moïse Tchombe. Morre no caminho.

Uma investigação concluída em 2017 concluiu que "parece plausível que uma ameaça ou ataque externo possa ter sido a causa do acidente."

MORTE DE JIMI HENDRIX

    Em 1970, o cantor, compositor e maior guitarrista de todos os tempos, Jimi Hendrix, morre aos 27 anos engasgado no próprio vômito depois de tomar uma overdose de 16 Mandrax, um sonífero. Sua música mistura influências do blues, do jazz e do rock numa fusão de ritmos e explora os limites da guitarra elétrica de uma forma sem precedentes.

James Marshall Hendrix nasce em Seattle em 27 de novembro de 1942. Os pais se separam em 1951. Quando a mãe morre em 1958, Jimi se aproxima da avô materna, que tem origem cherokee e lhe transmite o orgulho de sua ancestralidade.

Ele se alista no Exército e serve como paraquedista na 101ª Divisão Aerotransportada, com base em Forte Campbell, no Kentucky. Dá baixa depois de fraturar o tornozelo num salto. O som do ar assobiando no paraquedas é uma inspiração de sua música. É influenciado por Bone Walker, B. B. King, Muddy Waters, Howlin' Wolf, Robert Johnson, Albert King, Elmore Jones, Curtis Mayfield e Little Richard.

Tem sua própria banda, Jimmy James and The Flames e toca no Café Wha?, em Nova York, em 1966, quando Chas Chandler o leva para Londres, a meca dos guitarristas. Eric Clapton, Jeff Back e Pete Townshend eram rivais porque disputavam a honra de ser melhor guitarrista da Inglaterra. Ficaram amigos vendo Hendrix tocar no Marquee Club com sua nova banda, The Jimi Hendrix Experience, com que grava seu primeiro disco solo.

Com o sucesso em Londres, Jimi volta aos EUA e estoura no Festival de Monterrey, em 1967, indicado por Paul McCartney. Em 18 de agosto de 1969, fecha o Festival de Woodstock. Em 1970, é uma das principais atrações do Festival da Ilha de Wight, na Inglaterra.


MILIONÁRIA GUERRILHEIRA

    Em 1975, a polícia prende por assalto à mão armada num apartamento em São Francisco a milionária Patricia Hearst, herdeira de um império jornalístico que adere a um grupo guerrilheiro de ultraesquerda, o Exército Simbionês de Libertação (ESL), depois de ser sequestrada.


Patty Hearst, filha do magnata Randolph Hearst, é sequestrada em 4 de fevereiro de 1974 em seu apartamento em Berkeley, na Califórnia. Os sequestradores, dois homens negros e uma mulher branca, a vendam e a colocam à força na mala de um carro, dando tiros para afugentar vizinhos que veem a cena.

Quatro dias depois, o ESL exige que seu pai doe US$ 7 milhões em alimentos para todas as pessoas de Santa Rosa a Los Angeles. Rudolph Hearst hesita, mas dá US$ 2 milhões. Os terroristas consideram pouco. Exigem US$ 4 milhões. A família responde que dará o dinheiro se ela for libertada ilesa.

Tudo muda em abril de 1974, quando ela envia uma gravação às autoridades anunciando que está aderindo ao ESL. No mesmo mês, câmeras de segurança flagram Patty Hearst participando de um assalto a banco em São Francisco e do roubo de uma loja em Los Angeles.

Em maio de 1974, a polícia ataca uma célula clandestina e mata seis dos nove militantes conhecidos do grupo, inclusive o líder, o ex-condenado Donald DeFreeze.

Presa, Patty Hearst alega ter sido vítima de uma lavagem cerebral, mas é condenada a 7 anos de cadeia em 20 de março de 1976. O presidente Jimmy Carter (1977-81) comuta a pena. Ela é solta em fevereiro de 1979. Em 2001, no fim de seu governo, o presidente Bill Clinton lhe concede o indulto presidencial.

FUNERAL DO GRANDE TIMONEIRO

    Em 1976, mais de 1 milhão de pessoas participam do enterro de Mao Tsé-tung, líder do Partido Comunista da China, da Revolução Chinesa e presidente da República Popular da China desde sua fundação, que morre anos 82 anos.

A morte de Mao marca o fim da Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), dez anos de luta interna dentro do regime comunista, sectarismo político e convulsão social, um fantasma que até hoje a assombra os chineses. A possível volta da Revolução Cultural é um fantasma usado para enquadrar a população.

Mao nasce em 26 de dezembro de 1893. Estuda para ser professor. Em 1921, é um dos fundadores do PC chinês. Depois de uma fracassada aliança com o partido nacionalista Kuomintang (KMT) numa política de frente popular imposta ao PC pelo ditador soviético Josef Stalin que resulta num massacre de comunistas, Mao participa a Grande Marcha (1934-35), uma fuga de 9 mil quilômetros que dura um ano.

Com a invasão japonesa de 1937 e a Segunda Guerra Mundial (1939-45), há uma trégua para a luta contra o invasor. A guerra civil contra o KMT recomeça no pós-guerra e os comunistas tomam o poder em 1º de outubro de 1949.

Sob Mao, o regime comunista lança a campanha das Cem Flores (1956-57), um breve período de liberalização em que os intelectuais foram incentivados a criticar, seguida de uma campanha "antidireitista" em que os dissidentes foram perseguidos.

Para consolidar a aliança operário-camponesa, o grande delírio ideológico do maoísmo, o partido lança o Grande Salto para a Frente (1958-62), uma tentativa de criar usinas siderúrgicas nas zonas rurais. O resultado foi um aço de péssima qualidade e o colapso da produção agrícola, o que causa a maior fome da história da humanidade, com total de mortes estimado em 15 a 55 milhões.

Depois da ruptura com a União Soviética e do início da intervenção militar dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã, em 1964, com a China isolada internacionalmente e sua liderança contestada, Mao lança a Revolução Cultural para reafirmar seu poder, deflagrando uma grande onda de expurgos e perseguições políticas.

O conflito com a URSS leva a vários choques na fronteira entre as duas potências comunistas em 1969. Disso se aproveitam os EUA. Em 1971, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Henry Kissinger, vai a Beijim e prepara a visita do presidente Richard Nixon, em fevereiro de 1972, que abre o caminho para o reconhecimento pelos EUA de que a República Popular da China é a representante do povo chinês. O regime de Mao ocupa a cadeira da China no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Mao morre em 9 de setembro de 1976.

ESCÓCIA REJEITA INDEPENDÊNCIA

    Em 2014, por 55,3% a 44,7%, os eleitores da Escócia rejeitam em plebiscito a independência do Reino Unido, de que o país faz parte desde o Ato de União de 1707 com a Inglaterra, que cria a Grã-Bretanha.


O movimento nacionalista escocês cresce com a descentralização de poderes e a autonomia regional concedida pelo governo Tony Blair (1997-2007), com a recriação do Parlamento da Escócia, em 12 de maio de 1999.

O Partido Nacional Escocês (SNP), a favor da independência, passa a dominar a política do país. Mas não vence o plebiscito por causa da importância das relações econômicas dentro do Reino Unido e na União Europeia (UE).

Quando dois anos depois, em 23 de junho de 2016, por 52% a 48%, os eleitores britânicos decidem sair da União Europeia, 62% dos escoceses votam para ficar. O SNP aproveita o resultado para reivindicar a realização de novo plebiscito. A Escócia independente poderia voltar à UE. Mas uma série de escândalos desmoralizou o SNP nos últimos anos. O Partido Trabalhista voltou a ser o maior da Escócia.