Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Em 1888, nasce em Tremadog, no País de Gales, o arqueólogo, diplomata, estrategista militar, agente secreto e escritor Thomas Edward Lawrence, oficial de ligação do Exército Real britânico com a Revolta Árabe (1916-18) contra o Império Otomano durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), o que lhe valeu o nome de Lawrence da Arábia.
Arabista formado na Universidade de Oxford, Lawrence trabalha como oficial de inteligência do Exército Real britânico no Egito a partir de 1914. Quando começa a Revolta Árabe (1916-18) contra o Império Otomano, aliado da Alemanha e do Império Austro-Húngaro na guerra, Lawrence convence seus superiores a apoiar a rebelião do emir de Meca, Hussein ibn Ali. É enviado como oficial de ligação do Exército Real para unir as tribos árabes com o apoio da França e do Reino Unido.
Em julho de 1917, os árabes tomam o porto de Ácaba, perto da Península do Sinai, e se juntam aos britânicos para marchar rumo a Jerusalém. Lawrence é promovido a coronel. Preso numa ação de inteligência, é torturado e abusado sexualmente até conseguir escapar.
Forças australianas sob o comando do general Henry Chauvel atacam Damasco primeiro, mas seguem perseguindo os turcos em fuga quando as tropas de Lawrence chegam.
Lawrence é a favor da unidade da Arábia. Como os vencedores não honram a promessa de apoiar a criação de uma grande nação árabe e as diversas facções árabes se dividem, Lawrence volta para a Inglaterra desiludido e rejeita medalhas do rei George V por entender que o Império Britânico fomenta a divisão dos árabes na velha política de dividir para reinar.
CORRIDA DO OURO
Em 1896,quando pesca salmão perto do Rio Klondike, no território canadense do Yukon, George Carmack descobre pepitas de ouro no leito de um riacho e deflagra a maior corrida do ouro da história da América, com 100 mil garimpeiros indo para o Alasca e o Canadá em três anos.
Carmack se muda da Califórnia para o Alasca em 1881 em busca de ouro. Sem sucesso, ele cruza a fronteira para o território do Yukon. Em 1896, outro caçador da fortuna, Robert Henderson, lhe diz que há ouro no Klondike.
Com dois indígenas, Carmack vai investigar. Eles acampam perto do Riacho Coelho e um deles, Skookum Jim, cunhado de Carmack, avista as pepitas.
A notícia se espalha rapidamente pelos Estados Unidos e o Canadá. Em duas semanas, 50 mil garimpeiros correm para o Yukon. A Febre do Klondike atinge a temperatura máxima em julho de 1897, quando navios com mais de duas toneladas de ouro do Yukon chegam a São Francisco e Seattle.
Uma nova onda de migrantes vai para o Norte, mas o maior parte do ouro já está garimpada. Entre os fracassados, está o jovem escritor Jack London, de 21 anos, que escreve livros sobre a saga dos caçadores de ouro.
Carmack enriquece. Sai do Yukon com US$ 1 milhão. Os pequenos mineiros vendem os direitos de exploração para grandes empresas. A exploração de ouro em grande escala continua até 1966 e rende US$ 250 milhões. Cerca de 200 pequenas minas de ouro operam hoje na região.
RAMONES LANÇAM PUNK ROCK
Em 1974, cinco anos depois do auge da era hippie com o Festival de Woodstock, quatro garotos do bairro nova-iorquino do Queens, os Ramones, entram no palco de um bar do Village Leste de jeans e jaquetas de motoqueiros para iniciar uma nova revolução musical.
O termo punk rock só seria cunhado em 1975 pela revista musical McNeil. A música feroz e selvagem, "eliminando o desnecessário para focar na substância", estridente e ensurdecora, inspira bandas britânicas como Sex Pistols e The Clash, ícones do movimento punk.
REI DO ROCK MORRE
Em 1977, o cantor, músico e ator norte-americano Elvis Presley, o Rei do Rock, morre aos 42 anos em Memphis, no Tennessee, de ataque cardíaco, provavelmente por causa do vício em drogas de farmácia, deflagrando uma romaria até sua casa, a Mansão de Graceland.
Elvis nasce pobre em Tupelo, no Mississípi, em 8 de janeiro de 1935. O irmão gêmeo Jesse morre no parto. Depois do ensino médio, consegue um emprego como motorista de caminhão.
Aos 19 anos, entra num estúdio e paga US$ 4 para gravar algumas músicas para presentear a mãe. O dono do estúdio, Sam Philips, gosta da voz e convida Elvis para ensaiar com músicos locais. Ao ouvir a gravação da canção de rhythm & blues That's All Right, decide lançar um compacto na sua gravadora Sun Records.
O disco chega ao primeiro lugar nas paradas de sucesso locais e lança Elvis, o cantor solo que mais vendeu discos até hoje no mundo. Em 1955, a Sun Records vende o contrato com Elvis para a RCA, uma das gravadoras mais importantes dos Estados Unidos pelo preço recorde de US$ 40 mil.
Em setembro de 1956, Elvis aparece no programa de televisão Ed Sullivan Show, mas as câmeras só o mostram da cintura para cima. Seu requebrado de dança de origem africana é considerado sensual demais para os padrões moralistas da época.
Cerca de 60 milhões de pessoas assistem ao programa, 82% dos televisores ligados naquela noite, a maior audiência de TV dos anos 1950.
De 1956 a 1958, ele estrela quatro filmes. Em 1958, para desespero dos fãs, é convocado para servir o Exército dos EUA na Alemanha Ocidental durante a Guerra Fria. Seu empresário, coronel Tom Parker, guarda cinco compactos a serem lançados durante o ano do serviço militar. Todos vendem mais de um milhão de cópias.
Após deixar o Exército, Elvis muda seu estilo do rock para baladas românticas que embalam os melosos filmes de Hollywood que ele estrela.
Nos anos 1960, o rock sofre uma revolução com bandas como os Beatles e os Rolling Stones, entre outras. Acomodado e conformado, Elvis deixa de ser um ídolo da juventude. John Lennon diz que ele morreu quando serviu o Exército.
Nos anos 1970, Elvis entra em declínio físico e mental. Divorcia-se da mulher, Priscilla. Deprimido, se vicia em álcool e drogas de farmácia. Engorda com comida de má qualidade e se torna obeso. Em 16 de agosto de 1977, é encontrado inconsciente na Mansão de Graceland, onde está enterrado, que vira uma grande atração turística.
HOMEM-RELÂMPAGO
Em 2009,o corredor jamaicano Usain Bolt reduz seu próprio recorde mundial nos 100 metros em rasos em 11 décimos de segundo, com o tempo de 9,58 seg, no Estádio Olímpico de Berlim, onde na Olimpíada de 1936 o negro americano Jesse Owens conquistou quatro medalhas de ouro destruindo o mito nazista da superioridade da raça ariana (branca).
Bolt bate o recorde mundial na Olimpíada de 2008, em Beijim, na China, com o tempo de 9,69 seg. É o primeiro homem a correr 100 m em menos de 9,7 seg. Em Berlim, é o primeiro a baixar a marca para menos de 9,6 seg.
O homem mais rápido da história promete reduzir o tempo para 9,4 seg. Deixa as pistas no Campeonato Mundial de Atletismo de 2017 sem conseguir, mas o recorde é seu até hoje.
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Em 1536, condenada por adultério, Ana Bolena, a segunda das seis mulheres do rei Henrique VIII (1509-47), da Inglaterra, e mãe da futura rainha Elizabeth I (1558-1603), é decapitada na Torre de Londres.
Henrique VIII nasce em Greenwich em 28 de junho de 1991. É filho de Henrique Tudor, que derrota o rei usurpador Ricardo III na Batalha de Bosworth, em 22 de agosto de 1485, e vence a Guerra das Duas Rosas (1455-1487), a guerra entre as dinastias de Lancaster e York, herdeiras de Eduardo III, e se torna Henrique VII, o primeiro rei da dinastia Tudor.
A grande preocupação de Henrique VIII é ter um filho homem para evitar uma guerra de príncipes pela sucessão. Mas Catarina de Aragão, filha dos reis católicos da Espanha, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, lhe dá uma filha mulher, Maria Tudor, futura Maria I (1553-58).
Desde 1527, Henrique VIII pressiona o papa Clemente VII a anular o casamento. Seu rival, o rei Carlos V, da Espanha, imperador do Sacro Império Romano-Germânico e neto dos reis católicos, o mais poderoso rei da Europa naquela época, que sonha com uma "monarquia universal", faz pressão em sentido contrário.
Filha de Tomás Bolena e Elizabeth Howard, Ana Bolena é educada na Holanda, na corte de Margarida, arquiduquesa da Áustria, e depois vai para a França ser dama de companhia da rainha Cláudia de Valois, esposa de Francisco I. Ela volta à Inglaterra em 1522.
Dois anos e meio depois, Ana conhece Henrique VIII e resiste às investidas do rei para se tornar seu amante como a irmã Maria Bolena. Em 1532, em Calais, os dois se tornam amantes.
Ele se divorcia de Catarina de Aragão, motivo do rompimento com a Igreja Católica em 1534, depois de se casar secretamente em 25 de janeiro de 1533 com Ana Bolena, que em setembro lhe dá outra filha mulher, a futura Elizabeth I, a mulher mais poderosa da história da Inglaterra.
O casamento com Catarina de Aragão é anulado 23 de maio de 1533. Pouco depois, Henrique VIII e o arcebispo de York, Thomas Wolsey, são excomungados.
Em 3 de novembro de 1534, Henrique VIII cria a Igreja da Inglaterra e se torna seu primeiro chefe. Até hoje, o rei da Inglaterra é o chefe da Igreja Anglicana. Na coroação de Carlos III, houve cerimônia em várias religiões para reconhecer a diversidade cultural do Reino Unido hoje.
Ao todo, Henrique VIII casa com seis mulheres. A terceira, Jane Seymour, lhe dá o filho homem, Eduardo VI (1547-53), fraco e doente.
Ana Bolena é presa em 2 de maio de 1536 sob acusações de adultério, incesto e traição, e decapitada na Torre de Londres.
Quando Henrique VIII morre, em 28 de janeiro de 1547, o único filho legítimo homem, Eduardo VI, ascende ao trono com nove anos. Com a saúde frágil, morre aos 15 nos, em 6 de julho de 1553. É sucedido por Lady Jane Gray, filha de uma irmã de Henrique VIII, a Rainha dos Nove Dias, presa e executada como usurpadora do trono.
Quem herda o trono é Maria I, a primeira mulher a reivindicar com sucesso o trono da Inglaterra. Ela se casa com Felipe II, da Espanha, filho de Carlos V, do Sacro Império Romano-Germânico, mas não tem filhos. Católica, tenta reverter a Reforma Protestante na Inglaterra.
Maria I morre em 17 de novembro de 1558. É sucedida por Elizabeth I, filha de Ana Bolena, que retoma a Reforma Protestante e começa a construir o Império Britânico. Conhecida como a Rainha Virgem, morre sem deixar filhos em 1603.
Elizabeth I é sucedida por Jaime I da Inglaterra e Jaime VI da Escócia, católico, filho de sua inimiga Maria Stuart, que manda construir um túmulo para a mãe na Abadia de Westminster do mesmo nível do de Elizabeth I.
O conflito entre católicos e protestantes leva à Guerra Civil Inglesa do século 17. Carlos I, filho de Jaime I, é decapitado em 30 de janeiro de 1649, início de um breve período republicano na história da Inglaterra. A guerra só termina a Revolução Gloriosa 1688, que produz a Declaração de Direitos de 1689, estabelece a supremacia do Parlamento e torna a Inglaterra numa monarquia constitucional.
GUERRA DOS TRINTA ANOS
Em 1643, durante a Guerra dos Trinta Anos (1618-48), o Exército da França, sob o comando de Luís II de Bourbon, vence a Espanha na Batalha de Rocroi, na região francesa de Ardennes, e acaba com a supremacia militar espanhola na Europa depois de 120 anos. No fim da guerra, a França se torna a maior potência militar do continente.
A guerra começa com a Terceira Defenestração de Praga. em 23 de maio de 1618, quando protestantes jogam três altos funcionários católicos do Reino da Boêmia de uma janela do Castelo de Praga, em revolta contra uma proibição à construção de igrejas protestantes no Sacro Império Romano-Germânico.
É no início um conflito religioso que começa dentro do Sacro Império, com os católicos austríacos e espanhóis lutando contra os reinos e principados protestantes. Depois das intervenções da Dinamarca (1625-29) e da Suécia (1630-35) do lado dos protestantes, a França, embora seja católica, intervém ao lado dos protestantes em 1635 sob a liderança do Cardeal de Richelieu, primeiro-ministro do rei Luís XIII.
A Guerra dos Trinta Anos é o conflito que provoca as invasões holandesas no Nordeste do Brasil e o fim da União Ibérica, o período da história do Brasil conhecido como Domínio Espanhol (1580-1640), quando o rei da Espanha reina também em Portugal. Richelieu fomenta a Revolta de Lisboa, em 1º de maio de 1640, para Portugal recuperar a independência e enfraquecer a Espanha.
Cinco dias após a ascensão de Luís XIV (1643-1715) ao trono da França com menos de cinco anos, a França quebra em Rocroi o mito da invencibilidade espanhola nas guerras europeias.
NASCIMENTO DE HO CHI MINH
Em 1890, nasce em Hoang Tru, no Vietnã, na época parte da Indochina Francesa, Ho Chi Minh, fundador do Partido Comunista da Indochina (1930) e de seu sucessor, o Viet Minh (1941) e presidente do Vietnã do Norte (1945-69), o grande herói da independência do Vietnã e da reunificação do país.
Ho Chi Minh declara a independência do Vietnã em 2 de setembro de 1945, data oficial da rendição japonesa e do fim da Segunda Guerra Mundial na Ásia, quando a França tenta restabelecer a administração colonial. A vitória do general Vo Nguyen Giap sobre a França na Batalha de Dien Bien Phu é decisiva na Guerra da Indochina (1946-54).
Em 1938, na iminência da invasão japonesa, Ho Chi Minh e Giap fogem para a China. No exílio, Giap organiza um exército guerrilheiro para combater o Exército Imperial do Japão, seguindo uma tradição milenar que vem da luta contra o Império Chinês e continua no pós-guerra na luta contra a França e depois contra os EUA.
BATALHA DE DIEN BIEN PHU
De 13 de março a 7 de maio de 1954, com cerca de 80 mil homens, o Exército vietnamita perde 7,9 mil soldados para acabar com o colonialismo francês no Sudeste Asiático na Batalha de Dien Bien Phu, um pequeno planalto no Nordeste do Vietnã, perto das fronteiras com o Laos e a China.
Da força expedicionária da França, 2.293 soldados são mortos e 5.193 feridos em combate em Dien Bien Phu. Dos 11.721 franceses presos, a maioria morre no cativeiro. Só 3.290 são repatriados.
Como os comunistas liderados por Ho obteriam uma expressiva vitória nas eleições, elas são canceladas em 1955 pelos EUA, que exigem a divisão do país na paz negociada nas Nações Unidas e instalam um regime-fantoche no Vietnã do Sul.
GUERRA DO VIETNÃ
A divisão do país causa a Guerra do Vietnã (1955-75), que tem uma intervenção militar direta dos EUA de 1964-73, com a morte de 58,2 mil americanos. O general Giap supervisiona a Ofensiva do Tet, a maior batalha da guerra, decisiva para minar o apoio da opinião pública americana à guerra.
A Guerra do Vietnã ou Segunda Guerra da Indochina, travada no Vietnã, no Camboja e no Laos, é uma tentativa de impedir que o comunismo tome conta de todo o Vietnã. De acordo com a teoria do dominó, poderia derrubar outros países do Sudeste Asiático.
Há medo de que países vizinhos como a Malásia e a Indonésia, com recursos estratégicos como borracha, estanho e petróleo, virem comunistas.
Em 1956, o Vietnã do Norte autoriza seu aliados do Vietcongue a iniciar atividades guerrilheiras contra o regime-fantoche sustentado pelos EUA.
Em 1959, o Partido Comunista do Vietnã do Norte decide promover uma “guerra popular” no Sul. O primeiro envio de armas pela Trilha de Ho Chi Minh, através do Camboja, é concluído em agosto de 1959.
A Frente de Libertação Nacional do Vietnã do Sul é fundada em 1960.
INTERVENÇÃO AMERICANA
O envolvimento dos EUA começa no governo Dwight Eisenhower (1953-61), que manda 900 assessores militares. No fim do governo Kennedy (1961-63), há 16,7 mil militares norte-americanos no Vietnã. Alguns entram em combate. O economista John Kenneth Galbraith adverte para o risco “de substituir a França como potência colonial e sangrar como a França”.
Como o Exército do Vietnã do Sul é muito incompetente no campo de batalha, militares norte-americanos passam a assessorar as forças sul-vietnamitas em todas as frentes sem entender direito a natureza política da insurgência.
INCIDENTE DO GOLFO DE TONKIN
Depois de dois falsos ataques contra navios norte-americanos em incidentes forjados pelos EUA em 2 e 4 de agosto de 1964 no Golfo de Tonkin, o presidente Lyndon Johnson declara guerra ao Vietnã do Norte.
Documentos desclassificados em 2005 mostram que, no primeiro caso, o navio norte-americano deu tiros de advertência a pesqueiros vietnamitas, que não responderam. No segundo caso, não houve ataque. Em nenhum dos dois, havia embarcações militares do Vietnã do Norte na área. O governo Johnson fabrica sua versão em Washington.
VIETCONGUE
De 5 mil rebeldes em 1959, quando é criado, o grupo guerrilheiro Vietcongue cresce para 1 milhão de homens em armas.
Em 2 de março de 1965, os EUA começam uma campanha de intensos bombardeios aéreos que dura três anos. Com 3 mil fuzileiros navais enviados em 8 de março de 1965, os EUA entram em combate em terra na linha de frente pela primeira vez.
Ho Chi Minh alerta: “Se os norte-americanos querem 20 anos de guerra, devemos lutar por 20 anos. Se eles querem paz, devemos fazer as pazes e convidá-los para tomar chá.”
O governo de Hanói declara não ter a intenção de expandir sua revolução pelos países vizinhos, mas documentos secretos do Pentágono, revelados em 1971 pelo jornalista Jack Anderson no jornal The New York Times, falam num “perigoso período de expansionismo vietnamita” citando expressamente o Laos e o Camboja como alvos fáceis e talvez também a Tailândia, a Malásia, Cingapura e a Indonésia.
OFENSIVA DO TET
Durante os feriados do Ano Novo Lunar (Tet), em 30 de janeiro de 1968, o Vietcongue lança uma de suas maiores ofensivas. Cerca de 84 mil guerrilheiros atacam 155 cidades, entre elas 36 das 44 capitais provinciais e a capital do Vietnã do Sul, Saigon, inclusive a Embaixada dos EUA e o comando militar norte-americano.
1968 é o pior ano para as tropas americanas: dos 58,2 mil americanos mortos na guerra, 16.592 soldados morrem naquele ano.
Com o fracasso da guerra, Johnson não concorre à reeleição em 1968. Richard Nixon ganha com a promessa de negociar a paz e tirar os soldados norte-americanos do Vietnã. Para isso, o assessor de Segurança Nacional, Henry Kissinger inicia uma aproximação com a China e a União Soviética.
Ho Chi Minh morre em Hanói, a capital do Vietnã do Norte, em 2 de setembro de 1969. A guerra termina em 30 de abril de 1975 com a tomada de Saigon, a capital do Vietnã do Sul e capital econômica do país reunificado, rebatizada como Cidade de Ho Chi Minh.
PAZ QUE NÃO HOUVE
A paz entre EUA e Vietnã é assinada em 27 de janeiro de 1973, mas a guerra continua até a queda de Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, em 30 de abril de 1975, quando há uma fuga espetacular de helicóptero da Embaixada dos EUA. O total de mortos vietnamitas é estimado pelo governo nacional em 2 milhões de civis e 1,1 milhões de soldados e guerrilheiros.
Duas semanas antes, em 17 de abril de 1975, o grupo guerrilheiro Khmer Vermelho, outro subproduto da Guerra do Vietnã, toma o poder no vizinho Camboja, dando início a um reino de terror com mais de 2 milhões de mortes que acabaria em 8 de janeiro de 1979 com uma invasão vietnamita.
O regime comunista interna mais de 1 milhão de pessoas em campos de reeducação, onde 165 mil vietnamitas morrem. A repressão de caráter stalinista provoca a fuga em massa de mais de 1,5 milhão de pessoas em barcos precários criando uma das grandes crises humanitárias dos anos 1980, o povo dos barcos.
O Alto Comissariado da ONU para Refugiados estima que 200 a 400 mil pessoas morrem nessa fuga sem destino pelo mar porque ninguém quer recebê-los.
LAWRENCE DA ARÁBIA MORRE EM ACIDENTE DE MOTO
Em 1935, seis dias depois de um acidente de motocicleta numa estrada em Dorset, no interior da Inglaterra, morre aos 46 anos Thomas Edward Lawrence, mais conhecido como Lawrence da Arábia, o oficial de inteligência britânico que aderiu à Revolta Árabe (1916-18) para vencer o Império Otomano (turco) na Primeira Guerra Mundial (1914-18).
T. E. Lawrence nasce em Tremadog, na País de Gales, em 16 de agosto de 1888. Em 1896, sua família se muda para Oxford, onde ele estuda arquitetura e arqueologia. Em 1909, ele faz viagem de estudo à Palestina e à Síria, então partes do Império Otomano.
Dois anos depois, Lawrence consegue uma bolsa para uma expedição arqueológica que escava um assentamento hitita no Rio Eufrates durante três anos. Ele aprende árabe e viaja pelo Oriente Médio.
Em 1914, explora a Península do Sinai, no Egito, na época controlado pelo Império Britânico, na fronteira com o Império Otomano. Com seu conhecimento sobre o Oriente Médio, Lawrence se alista como oficial de inteligência quando começa a guerra. Fica baseado no Cairo como analista de informações.
Quando o emir de Meca, Hussein Ibn Ali, proclama a Revolta Árabe contra a dominação turca, em 1916, vai numa missão diplomática britânica à Arábia, convence seus superiores a apoiar a rebelião e se torna oficial de ligação com o exército de Hussein.
Sob a liderança de Lawrence, os árabes lançam uma guerra de guerrilhas. Em julho de 1917, eles tomam Ácaba, junto ao Sinai, onde se juntam às forças britânicas e marcham para Jerusalém. Lawrence é promovido a coronel.
Em novembro, é capturado como agente secreto em território inimigo, preso, torturado e abusado sexualmente pelos turcos. Ele consegue escapar a se junta ao exército árabe na tomada de Damasco, em outubro de 1918, a vitória final sobre os turcos.
Depois da guerra, Lawrence espera que a Arábia se una num grande país cobrindo toda a península. Decepcionado com a divisão fomentada pelo Império Britânico e o tribalismo árabe, volta para o Reino Unido.
"HAPPY BIRTHDAY, MR. PRESIDENT"
Em 1962, a atriz Marylin Monroe canta uma das mais famosas interpretação de Parabéns a Você em inglês, durante uma festa de gala no Madison Square Garden, em Nova York, para festejar os 45 anos do presidente John Kennedy, com quem teria um caso.
Marylin usa um vestido cor da pele coberto de cristais e canta numa voz sussurrada num tom carinhoso e sensual.
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Em 1862, o matemático de Oxford Charles Lutwidge Dodgson envia o manuscrito do livro As Aventuras de Alice sob a terra a Alice Liddell, de 10 anos, como presente de Natal.
Dodgson, de 30 anos, é conhecido pelo pseudônimo de Lewis Carroll. Ele escreve a história num dia de piquenique no parque com Alice e suas duas irmãs, filhas de um colega dele na Universidade de Oxford.
Durante uma visita à casa dos Liddell, o escritor Henry Kingskey lê o manuscrito e sugere que seja publicado. Alice no País das Maravilhas sai em 1865. É um dos primeiros livros infantis totalmente recreativos, sem propósitos educacionais, simplesmente para as crianças se divertirem.
Uma continuação, Alice Através do Espelho, sai em 1871.
Quando perguntaram a John Lennon se James Joyce o inspirara a escrever letras psicodélicas, ele disse: "Não. Lewis Carroll."
RELATÓRIO DE LAWRENCE DA ÁRABIA
Em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), Thomas Edward Lawrence, um oficial de inteligência do Reino Unido, publica um relatório sobre a Revolta Árabe liderada por Sherif Hussein sugerindo apoio aos rebeldes na luta contra o Império Otomano, que é aliado das potências centrais, a Alemanha e a Áustria-Hungria.
Lawrence nasce em Dorset, na Inglaterra, em 16 de agosto de 1888, filho de um casal que não era casado. A mãe, Sarah Junner, é governanta. O pai, Thomas Chapman, um nobre anglo-irlandês, abandona a família na Irlanda para viver com a mãe dele. O casal adota o sobrenome Lawrence, que seria do pai que Sarah não conheceu.
Em 1896, a família se muda para Oxford, onde Lawrence se forma em história no Jesus College, da Universidade de Oxford, em 1910. Durante quatro anos, ele trabalha como arqueólogo no Museu Britânico e viaja várias vezes ao Egito, à Síria, à Palestina e a partes da Turquia.
Pouco depois do início da guerra, Lawrence se apresenta como voluntário. Trabalha no setor árabe da inteligência britânica. Em 1916, vai para o escritório no Egito. Com seu relatório, convence o governo do Reino Unido a apoiar a Revolta Árabe e se torna oficial de ligação.
Sherif Hussein governa Hejaz, a região da Arábia Saudita onde ficam as cidades sagradas islâmicas de Meca e Medina, dentro do Império Otomano. No início da guerra, fica neutro e tenta obter vantagens com os dois lados.
Em abril de 1916, Hussein sabe que uma força turco-alemã pretende derrubá-lo. Em 5 de junho, proclama a Revolta Árabe e pede apoio à Marinha Real britânica. Lawrence considera os árabes individualistas e indisciplinados. "Pode ser impossível criar uma força organizada."
Mesmo assim, em dezembro de 1916, Lawrence entra do lado árabe na luta contra os turcos otomanos e passa o resto da guerra tentando organizar e unir as tribos árabes. Em 1917, depois da conquista de Ácaba, ele é capturado em Dera, torturado e abusado sexualmente.
A queda de Damasco, em 1º de outubro de 1918 é o marco da vitória final dos árabes sobre o Império Otomano. Lawrence renuncia a seu cargo no setor de Oriente Médio do Ministério do Exterior e da Comunidade quando o Tratado de Versalhes nega a independência prometida aos árabes e a Liga das Nações dá mandatos aos impérios Francês e Britânico para administrar a região.
ARQUEÓLOGOS ENTRAM NA TUMBA DE TUTANCÂMON
Em 1922, os arqueólogos britânicos Howard Carter e Lorde Carnarvon entram no túmulo de Tutancâmon, o Faraó Menino, no Vale dos Reis, de mais de 3 mil anos, que não havia sido violado. É a descoberta mais importante da egiptologia.
Quando Carter chega ao Egito, em 1891, a grande maioria das tumbas dos faraós do Egito Antigo havia sido descoberta e quase todas saqueadas ao longo dos milênios. Ele descobre o túmulo de Tutmósis IV.
Em 1907. Carter se associa a Lorde Carnarvon, um colecionador de antiguidades que o chama para supervisionar escavações no Vale dos Reis. A maioria dos egiptólogos acredita que não há mais nada a descobrir ali. Carter aposta que vai encontrar a tumba do faraó-menino.
Tutancâmon nasce em 1341 antes de Cristo e ascende ao trono aos 9 anos, em 1332 AC. Seu breve reino termina em 1323 AC. Um século depois, ao construir a tumba de Ramsés IV, jogam tanta brita em cima que o túmulo de Tutancâmon fica ainda mais escondido dos saqueadores.
A Primeira Guerra Mundial (1914-18) atrapalha os planos. Depois do conflito, Carter retoma e intensifica os esforços. Em 4 de novembro de 1922, descobre a entrada e espera a chegada de Lorde Carnarvon. No dia 23, encontram a passagem que leva à tumba.
Há sinais de que ladrões tentaram invadir a tumba. No dia 26, passam por outra porta. Carter acende uma vela dentro da câmara mortuária. "Você pode ver alguma coisa?", pergunta Carnarvon. "Sim, coisas maravilhosas", responde Carter.
A antecâmara está maravilhosamente intacta, com vestígios dos operários que a construíram mais de 3 mil anos atrás. Em quatro salas que levam anos explorando, os arqueólogos encontram joias, peças de ouro, roupas, uma carruagem, armas e uma série de objetos que revelam a história e a cultura do Egito Antigo. Agora, está tudo no novo Grande Museu do Cairo.
DIA NACIONAL DE AÇÃO DE GRAÇAS
Em 1941, o presidente Franklin Roosevelt oficializa o feriado do Dia Nacional de Ação de Graças, festejado anualmente na quarta quinta-feira de novembro, que as famílias dos Estados Unidos costumam celebrar comendo peru.
A comemoração tem origem numa festa realizada no outono de 1621, em Plymouth, hoje parte do estado de Massachusetts, quando os peregrinos do navio Mayflower celebram com os índios um ano de colonização e de sobrevivência por iniciativa do governador William Bradford.
O Dia de Ação de Graças é festejado na Nova Inglaterra no século 17. Em 1789, o primeiro presidente dos EUA, George Washington (1789-97), cria o feriado no dia 26 de novembro. Depois da oficialização por Abraham Lincoln, a data passa a ser comemorada nacionalmente.
É o feriado mais importante para as famílias norte-americanas. No dia seguinte, tem a Sexta-Feira Negra (Black Friday), início da temporada de compras que vai até o Natal, época de maior consumo no país do consumismo. Neste ano, 80 milhões de pessoas devem viajar mais de 50 quilômetros para celebrar a data.
ESTREIA DE CASABLANCA
Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), Casablanca, um filme sobre a guerra com Humphrey Bogart e Ingrid Bergman, estreia em Nova York para se tornar um dos maiores clássicos da história do cinema.
Bogart é Rick Blaine, dono de uma casa noturna agitada em Casablanca, no Marrocos, frequentada por oficiais nazistas, reencontra seu amor, a enigmática Ilsa Lund, vivida pela sueca Ingrid Bergman.
O filme ganha três Oscars: melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro adaptado.
CHINA MUDA GUERRA DA COREIA
Em 1950, numa das batalhas mais ferozes da Guerra da Coreia (1950-53), centenas de milhares de soldados do Exército Popular da Libertação da China lançam um contra-ataque em massa contra as forças dos Estados Unidos, da Coreia do Sul e aliados.
O Japão ocupa a Coreia em 1910. Com a derrota do Império Japonês na Segunda Guerra Mundial, a União Soviética declara guerra ao Japão em 9 de agosto de 1945, dia em que os EUA jogam a segunda bomba atômica, em Nagasaki. A URSS ocupa o Norte da Península Coreana e os EUA, que vencem o Japão, o Sul.
As duas coreias, o Norte comunista aliado da URSS e o Sul capitalista aliado dos EUA, nascem em 1948. Ambas reivindicam a soberania sobre toda a península.
A Guerra da Coreia começa em 25 de junho de 1950, quando a Coreia do Norte invade o Sul com armamento soviético. Os EUA reagem e conseguem um mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas para unificar a Península Coreana. A URSS não veta. Está boicotando a ONU por causa da não admissão da República Popular da China, a China Comunista. O mandato vale até hoje.
Quando os EUA e aliados estão empurrando os soldados da Coreia do Norte rumo à fronteira com a China, o 4º Exército do Exército Popular de Libertação da China, cruza o Rio Yalu, em 19 de outubro de 1950, e entra na guerra, sob o comando de Lin Biao. Ele chega a ser nomeado sucessor de Mao Tsé-tung e morre num acidente de avião suspeito em 13 de setembro de 1971, durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76).
Há uma guerra entre os EUA e a China dentro da Guerra da Coreia. A China vence, ao empurrar as forças internacionais lideradas pelos norte-americanos para baixo do paralelo 38º Norte, restaurando a situação anterior à guerra.
Hoje a propaganda do regime comunista chinês apresenta como uma grande vitória contra o Ocidente. Nunca mais houve guerra direta entre os dois países, hoje as duas superpotências dominantes.
TERROR EM MUMBAI
Em 2008, dez jihadistas do grupo extremista muçulmano paquistanês Lashkar-e-Taiba, o Exército dos Puros, iniciam uma onda de terror com 12 ataques coordenados com bombas e tiros em Mumbai, a maior cidade e principal centro econômico da Índia. O ataque dura quatro dias e deixa 175 mortos, inclusive nove terroristas, e mais de 300 feridos.
Os principais alvos são dois hotéis de luxo, uma estação ferroviária histórica e um centro cultural judaico, mas também há ataques a um cinema e um hospital. No fim da manhã do dia 28, a situação está controlada, menos no Taj Hotel.
Em 29 de novembro, a Operação Tornado Negro da Guarda de Segurança Nacional da Índia mata os últimos terroristas no hotel. O único sobrevivente, Ajmal Kassab (foto), é preso na estação ferroviária.
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Em 331 antes de Cristo, Alexandre III, o Grande, da Macedônia, vence Dario III na Batalha de Gaugamela, uma das mais estudadas nas escolas militares porque Alexandre tem muito menos soldados. É o fim do Império Persa.
Os persas tentam invadir a Grécia no século 5 AC, nas Guerras Greco-Persas ou Guerras Medas (499-449 AC), mas são derrotados. Com a vitória, Atenas se transforma numa potência imperial e Esparta inicia a Guerra do Peloponeso porque a rival está se tornando poderosa demais.
Esparta vence, mas depois é derrotada por Tebas. É o fim da Idade de Ouro na Grécia. Disso se aproveita Felipe II, da Macedônia, pai de Alexandre, para tomar o poder em 359 AC. Ao morrer, em 336 AC, Felipe deixa o reino para o filho, que invade a Ásia e reinicia o conflito com os persas.
Diante da derrota em Gaugamela, o exército de Dario III foge. Alexandre o persegue por 110 quilômetros até Arbela. Perde 100 homens e mil cavalos na perseguição.
Com a vitória, Alexandre conquista a Babilônia, toda a Mesopotâmia e metade da Pérsia. Seus soldados o aclamam Rei da Ásia e prometem conquistar todo o continente.
MARIA SANGUINÁRIA
Em 1553, Maria Tudor, a filha mais velha de Henrique VIII, católica, é coroada Maria I, da Inglaterra, na Abadia de Westminster, em Londres. É a primeira mulher a ascender ao trono do país.
Henrique VIII quer um filho homem para evitar um conflito sucessório como a Guerra das Duas Rosas (1455-87), vencida por seu pai, Henrique VII. Mas sua primeira mulher, Catarina de Aragão, filha de Fernando e Isabel, os reis católicos da Espanha, tem cinco filhos e a única sobrevivente é uma filha mulher, Maria.
Para se divorciar e casar com Ana Bolena, Henrique VIII rompe com o Vaticano e funda a Igreja Anglicana em 1534. É a Reforma Protestante na Inglaterra. Ao fazer isso, o rei divide o país entre católicos e protestantes, o que fomentaria guerras civis até 1689.
A terceira de suas seis esposas, Jane Seymour, lhe dá um filho homem, mas Eduardo VI (1547-53) tem problemas de saúde e reina por apenas seis anos. Primeiro rei educado no protestantismo, Eduardo VI tenta consolidar a Reforma.
Eduardo VI não queria entregar a coroa à irmã católica. Nomeia a prima Joana Grey, bisneta de Henrique VII, como sucessora. Lady Jane é a Rainha dos Nove Dias, de 10 a 19 de julho de 1553, quando Maria I é proclamada rainha. Joana é presa na Torre de Londres, condenada por traição e executada.
Ao ascender ao trono, Maria I revoga a Reforma e proíbe o protestantismo. Passa a ser chamada de Maria Sanguinária (Bloody Mary) depois da execução de 280 protestantes. Ela se casa com Felipe II, da Espanha, numa aliança de reis católicos. Este casamento enfrenta resistência na Inglaterra, especialmente dos protestantes.
Fraca e doente, Maria I morre aos 42 anos, provavelmente de câncer de útero ou de ovários. Sem descendentes depois de duas gravidezes psicológicas, é obrigada a apontar a irmã protestante, Elizabeth Tudor como sucessora.
Seu legado é uma reforma fiscal, a expansão naval e exploração colonial que lançam a semente do Império Britânico, que começa a se desenvolver sob Elizabeth I (1558-1603).
PARQUE NACIONAL DE YOSEMITE
Em 1890,o Congresso dos Estados Unidos cria o Parque Nacional de Yosemite, na Serra Nevada, na Califórnia, depois de uma campanha liderada pelo ecologista John Muir.
Os índios são os únicos habitantes do Vale de Yosemite até 1849, quando a Corrida do Ouro na Califórnia atrai garimpeiros, mineiros e colonos, o que causa danos ambientais na região.
Para acabar com a exploração econômica da área, em 1864, o presidente Abraham Lincoln declara que Yosemite e suas sequoias gigantes são um bem público. É a primeira vez que o governo dos EUA protege uma área para desfrute do público, lançando as bases para a criação do sistema de parques nacionais.
O Parque Nacional de Yellowstone, criado em 1872, é o primeiro do país.
LAWRENCE DA ARÁBIA TOMA DAMASCO
Em 1918, um exército árabe-britânico articulado pelo coronel Thomas Edward Lawrence, o Lawrence da Arábia, toma Damasco do Império Otomano (turco) e conclui a libertação da Arábia durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18).
Arabista formado na Universidade de Oxford, Lawrence trabalha como oficial de inteligência do Exército Real britânico no Egito a partir de 1914. Quando começa a Revolta Árabe (1916-18) contra o Império Otomano, aliado da Alemanha e do Império Austro-Húngaro na guerra, Lawrence convence seus superiores a apoiar a rebelião do emir de Meca, Hussein ibn Ali. É enviado como oficial de ligação do Exército Real para unir as tribos árabes com o apoio da França e do Reino Unido.
Em julho de 1917, os árabes tomam o porto de Ácaba, perto da Península do Sinai, e se juntam aos britânicos para marchar rumo a Jerusalém. Lawrence é promovido a coronel. Preso numa ação de inteligência, é torturado e abusado sexualmente até conseguir escapar.
Forças australianas sob o comando do general Henry Chauvel atacam Damasco primeiro, mas seguem perseguindo os turcos em fuga quando as tropas de Lawrence chegam.
Lawrence é a favor da unidade da Arábia. Como as diversas facções árabes se dividem, volta para a Inglaterra desiludido e rejeita medalhas do rei George V por entender que o Império Britânico fomentou a divisão dos árabes na velha política de dividir para reinar.
NAZISTAS SENTENCIADOS À MORTE
Em 1946, 12 altos funcionários do regime nazista de Adolf Hitler pegam pena de morte por enforcamento no Tribunal de Crimes de Guerra de Nurembergue, na Alemanha, entre eles Hermann Göring, fundador da polícia política Gestapo (Geheim Staatpolizei) e comandante da Luftwaffe, a Força Aérea alemã; Joachin von Ribbentrop, ministro do Exterior; e Wilhelm Frick, ministro do Interior.
O Julgamento de Nurembergue, realizado por um tribunal internacional com representantes dos Estados Unidos, da União Soviética, da França e do Reino Unido, dura 10 meses.
Outros sete condenados recebem penas de 10 anos a prisão perpétua, inclusive Rudolf Hess, vice de Hitler de 1933 a 1941. Três réus são absolvidos.
Os criminosos de guerra nazista são enforcados em 16 de outubro. Göring se mata na véspera ingerindo veneno.
COMUNISMO NA CHINA
Em 1949,sob a liderança de Mao Tsé-tung, o Partido Comunista toma o poder e funda a República Popular da China com a vitória na guerra civil sobre os nacionalistas do Kuomintang (KMT), liderados por Chiang Kai-shek, que fogem para Taiwan.
A China, o Império do Centro ou do Meio, terra de poetas, artistas e filósofos, é o centro do mundo na Ásia desde antes da Cristo. Cria a imprensa e a pólvora antes da Europa, mas não usa estas tecnologias para dominar o mundo.
Ao contrário, a China se fecha e, como a Índia e o Japão, não participa da Revolução Comercial, da Revolução Científica e da Revolução Militar, e fica para trás com a Revolução Industrial. Humilhado pelo Império Britânico nas Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60), para abrir o país ao livre comércio, inclusive de ópio, e vencido pelo Japão na Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95), o Império Chinês entra em declínio terminal e cai em 1912.
É uma era de anarquia, com as cidades costeiras dominadas pelo imperialismo ocidental e o interior dividido entre senhores da guerra. A China tem a menor renda por habitante do mundo: US$ 100 por ano. Neste contexto, Mao é um dos fundadores do Partido Comunista, em 1921.
Por ordem do ditador soviético Josef Stalin, o PC chinês faz aliança com os nacionalistas do KMT numa política de frente popular. Depois de massacres, os comunistas fogem durante um ano por 9 mil quilômetros na Longa Marcha (1934-35).
Com invasão da China continental pelo Japão, na Segunda Guerra Sino-Japonesa (1937-45), de certa forma a Segunda Guerra Mundial começa na Ásia antes da Europa. Depois de se tornar a grande força de resistência à invasão japonesa durante a guerra, o PC vence a guerra civil contra o KMT.
MASSACRE EM LAS VEGAS
Em 2017, da janela de um quarto de hotel em Las Vegas, o atirador Stephen Paddock, de 64 anos, dispara contra um festival de música, mata 58 pessoas, fere outras centenas e se suicida, no pior massacre a tiros da história dos Estados Unidos, superando um massacre com 49 mortes numa discoteca gay de Orlando, na Flórida, em 2016.
Às 22h08, o atirador abre fogo do alto de um quarto do Mandalay Bay Casino & Resort contra uma multidão de mais de 22 mil pessoas que assistem a um show de música caipira de Jason Aldean.
Paddock era dono de 42 armas de fogo, inclusive fuzis de assalto AR-15. Leva 23 para o hotel e deixa 19 em casa. Nativo de Sun Valley, na Califórnia, morava numa comunidade de aposentados em Mesquita, no estado de Nevada. o mesmo de Las Vegas.
Em 1536, condenada por adultério, Ana Bolena, a segunda das seis mulheres do rei Henrique VIII (1509-47), da Inglaterra, e mãe da futura rainha Elizabeth I (1558-1603), é decapitada na Torre de Londres.
Henrique VIII nasce em Greenwich em 28 de junho de 1991. É filho de Henrique Tudor, que derrota o rei usurpador Ricardo III na Batalha de Bosworth, em 22 de agosto de 1485, e vence a Guerra das Duas Rosas (1455-1487), a guerra entre as dinastias de Lancaster e York, herdeiras de Eduardo III, e se torna Henrique VII, o primeiro rei da dinastia Tudor.
A grande preocupação de Henrique VIII é ter um filho homem para evitar uma guerra de príncipes pela sucessão. Mas Catarina de Aragão, filha dos reis católicos da Espanha, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, lhe dá uma filha mulher, Maria Tudor, futura Maria I (1553-58).
Desde 1527, Henrique VIII pressiona o papa Clemente VII a anular o casamento. Seu rival, o rei Carlos V, da Espanha, imperador do Sacro Império Romano-Germânico e neto dos reis católicos, o mais poderoso rei da Europa naquela época, que sonha com uma "monarquia universal", faz pressão no sentido contrário.
Filha de Tomás Bolena e Elizabeth Howard, Ana Bolena é educada na Holanda, na corte de Margarida, arquiduquesa da Áustria, e depois vai para a França ser dama de companhia da rainha Cláudia de Valois, esposa de Francisco I. Ela volla à Inglaterra em 1522.
Dois anos e meio depois, Ana conhece Henrique VIII e resiste às investidas do rei para se tornar seu amante como a irmã Maria Bolena. Em 1532, em Calais, os dois se tornam amantes.
Ele se divorcia de Catarina de Aragão, motivo do rompimento com a Igreja Católica em 1534, depois de se casar secretamente em 25 de janeiro de 1533 com Ana Bolena, que em setembro lhe dá outra filha mulher, a futura Elizabeth I, a mulher mais poderosa da história da Inglaterra.
O casamento com Catarina de Aragão é anulado 23 de maio de 1533. Pouco depois, Henrique VIII e o arcebispo de York, Thomas Wolsey, são excomungados.
Em 3 de novembro de 1534, Henrique VIII cria a Igreja da Inglaterra e se torna seu primeiro chefe. Até hoje, o rei da Inglaterra é o chefe da Igreja Anglicana. Na coroação de Carlos III, houve cerimônia em várias religiões para reconhecer a diversidade cultural do Reino Unido hoje.
Ao todo, Henrique VIII casa com seis mulheres. A terceira, Jane Seymour, lhe dá o filho homem, Eduardo VI (1547-53), fraco e doente.
Ana Bolena é presa em 2 de maio de 1536 sob acusações de adultério, incesto e traição, e decapitada na Torre de Londres.
Quando Henrique VIII morre, em 28 de janeiro de 1547, o único filho legítimo homem, Eduardo VI, ascende ao trono com nove anos. Com a saúde frágil, morre aos 15 nos, em 6 de julho de 1553. É sucedido por Lady Jane Gray, filha de uma irmã de Henrique VIII, a Rainha dos Nove Dias, presa e executada como usurpadora do trono.
Quem herda o trono é Maria I, a primeira mulher a reivindicar com sucesso o trono da Inglaterra. Ele se casa com Felipe II, da Espanha, filho de Carlos V, do Sacro Império Romano-Germânico, mas não tem filhos. Católica, tenta reverter a Reforma Protestante na Inglaterra.
Maria I morre em 17 de novembro de 1558. É sucedida por Elizabeth I, filha de Ana Bolena, que retoma a Reforma Protestante e começa a construir o Império Britânico. Conhecida como a Rainha Virgem, morre sem deixar filhos em 1603.
Elizabeth I é sucedida por Jaime I da Inglaterra e Jaime VI da Escócia, católico, filho de sua inimiga Maria Stuart, que manda construir um túmulo para a mãe na Abadia de Westminster do mesmo nível do de Elizabeth I.
O conflito entre católicos e protestantes leva à Guerra Civil Inglesa do século 17. Carlos I, filho de Jaime I, é decapitado em 30 de janeiro de 1649, início de um breve período republicano na história da Inglaterra. A guerra só termina a Revolução Gloriosa 1688, que produz a Declaração de Direitos de 1689, estabelece a supremacia do Parlamento e torna a Inglaterra numa monarquia constitucional.
GUERRA DOS TRINTA ANOS
Em 1643, durante a Guerra dos Trinta Anos (1618-48), o Exército da França, sob o comando de Luís II de Bourbon, vence a Espanha na Batalha de Rocroi, na região francesa de Ardennes, e acaba com a supremacia militar espanhola na Europa depois de 120 anos. No fim da guerra, a França se torna a maior potência militar do continente.
A guerra começa com a Terceira Defenestração de Praga. em 23 de maio de 1618, quando protestantes jogam três altos funcionários católicos do Reino da Boêmia de uma janela do Castelo de Praga, em revolta contra uma proibição à construção de igrejas protestantes no Sacro Império Romano-Germânico.
É no início um conflito religioso que começa dentro do Sacro Império, com os católicos austríacos e espanhóis lutando contra os reinos e principados protestantes. Depois das intervenções da Dinamarca (1625-29) e da Suécia (1630-35) do lado dos protestantes, a França, embora seja católica, intervém ao lado dos protestantes em 1635 sob a liderança do Cardeal de Richelieu, primeiro-ministro do rei Luís XIII.
A Guerra dos Trinta Anos é o conflito que provoca as invasões holandesas no Nordeste do Brasil e o fim da União Ibérica, o período da história do Brasil conhecido como Domínio Espanhol (1580-1640), quando o rei da Espanha reinava também em Portugal. Richelieu fomenta a Revolta de Lisboa, em 1º de maio de 1640, para Portugal recuperar a independência e enfraquecer a Espanha.
Cinco dias após a ascensão de Luís XIV (1643-1715) ao trono da França com menos de cinco anos, a França quebra em Rocroi o mito da invencibilidade espanhola nas guerras europeias.
NASCIMENTO DE HO CHI MINH
Em 1890, nasce em Hoang Tru, no Vietnã, na época parte da Indochina Francesa, Ho Chi Minh, fundador do Partido Comunista da Indochina (1930) e de seu sucessor, o Viet Minh (1941) e presidente do Vietnã do Norte (1945-69), o grande herói da independência do Vietnã e da reunificação do país.
Ho Chi Minh declara a independência do Vietnã em 2 de setembro de 1945, data oficiall da rendição japonesa e do fim da Segunda Guerra Mundial na Ásia, quando a França tenta restabelecer a administração colonial. A vitória do general Vo Nguyen Giap sobre a França na Batalha de Dien Bien Phu foi decisiva na Guerra da Indochina (1946-54).
Em 1938, na iminência da invasão japonesa, Ho Chi Minh e Giap fogem para a China. No exílio, Giap organiza um exército guerrilheiro para combater o Exército Imperial do Japão, seguindo uma tradição milenar que vinha da luta contra o Império Chinês e continua no pós-guerra na luta contra a França e depois contra os EUA.
BATALHA DE DIEN BIEN PHU
De 13 de março a 7 de maio de 1954, com cerca de 80 mil homens, o Exército vietnamita perde 7,9 mil soldados para acabar com o colonialismo francês no Sudeste Asiático na Batalha de Dien Bien Phu, um pequeno planalto no Nordeste do Vietnã, perto das fronteiras com o Laos e a China.
Da força expedicionária da França, 2.293 soldados foram mortos e 5.193 feridos em combate em Dien Bien Phu. Dos 11.721 franceses presos, a maioria morre no cativeiro. Só 3.290 são repatriados.
Como os comunistas liderados por Ho obteriam uma expressiva vitória nas eleições, elas foram vetadas pelos EUA, que exigem aa divisão do país na paz negociada nas Nações Unidas e instalam um regime-fantoche no Vietnã do Sul.
GUERRA DO VIETNÃ
A divisão do país causa a Guerra do Vietnã (1955-75), que tem uma intervenção militar direta dos EUA de 1964-73, com a morte de 58,2 mil americanos. O general Giap supervisiona a Ofensiva do Tet, a maior batalha da guerra, decisiva para minar o apoio da opinião pública americana à guerra.
A Guerra do Vietnã ou Segunda Guerra da Indochina, travada no Vietnã, no Camboja e no Laos é uma tentativa de impedir que o comunismo tome conta de todo o Vietnã. De acordo com ateoria do dominó, poderia derrubar outros países do Sudeste Asiático.
Há medo de que países vizinhos como a Malásia e a Indonésia, com recursos estratégicos como borracha, estanho e petróleo, virem comunistas.
Em 1956, o Vietnã do Norte autoriza seu aliados do Vietcongue a iniciar atividades guerrilheiras contra o regime-fantoche sustentado pelos EUA.
Em 1959, o Partido Comunista do Vietnã do Norte decide promover uma “guerra popular” no Sul. O primeiro envio de armas pela Trilha de Ho Chi Minh, através do Camboja, é concluído em agosto de 1959.
A Frente de Libertação Nacional do Vietnã do Sul é fundada em 1960.
INTERVENÇÃO AMERICANA
O envolvimento dos EUA começa no governo Dwight Eisenhower (1953-61), que manda 900 assessores militares. No fim do governo Kennedy (1961-63), há 16,7 mil militares norte-americanos no Vietnã. O economista John Kenneth Galbraith adverte para o risco “de substituir a França como potência colonial e sangrar como a França”.
Como o Exército do Vietnã do Sul é muito incompetente no campo de batalha, militares norte-americanos passam a assessorar as forças sul-vietnamitas em todas as frentes sem entender direito a natureza política da insurgência.
INCIDENTE DO GOLFO DE TONKIN
Depois de dois falsos ataques contra navios norte-americanos em incidentes forjados pelos EUA em 2 a 4 de agosto de 1964 no Golfo de Tonkin, o presidente Lyndon Johnson declara guerra ao Vietnã do Norte.
Documentos desclassificados em 2005 mostram que, no primeiro caso, o navio norte-americano deu tiros de advertência a pesqueiros vietnamitas, que não responderam. No segundo caso, não houve ataque. Em nenhum dos dois, havia embarcações militares do Vietnã do Norte na área. O governo Johnson fabrica sua versão em Washington.
VIETCONGUE
De 5 mil rebeldes em 1959, quando é criado, o grupo guerrilheiro Vietcongue cresce para 1 milhão de homens em armas.
Em 2 de março de 1965, os EUA começam uma campanha de intensos bombardeios aéreos que dura três anos. Com 3 mil fuzileiros navais enviados em 8 de março de 1965, os EUA entram em combate em terra na linha de frente pela primeira vez.
Ho Chi Minh alerta: “Se os norte-americanos querem 20 anos de guerra, devemos lutar por 20 anos. Se eles querem paz, devemos fazer as pazes e convidá-los para tomar chá.”
O governo de Hanói declara não ter a intenção de expandir sua revolução pelos países vizinhos, mas documentos secretos do Pentágono, revelados em 1971 pelo jornalista Jack Anderson no jornal The New York Times, falam num “perigoso período de expansionismo vietnamita” citando expressamente o Laos e o Camboja como alvos fáceis e talvez também a Tailândia, a Malásia, Cingapura e a Indonésia.
OFENSIVA DO TET
Durante os feriados do Ano Novo Lunar (Tet), em 30 de janeiro de 1968, o Vietcongue lança uma de suas maiores ofensivas. Cerca de 84 mil guerrilheiros atacam 155 cidades, entre elas 36 das 44 capitais provinciais e a capital do Vietnã do Sul, Saigon, inclusive a Embaixada dos EUA e o comando militar norte-americano.
1968 é o pior ano para as tropas americanas: dos 58,2 mil americanos mortos na guerra, 16.592 soldados morrem naquele ano.
Com o fracasso da guerra, Johnson não concorre à reeleição em 1968. Richard Nixon ganha com a promessa de negociar a paz e tirar os soldados norte-americanos do Vietnã. Para isso, o assessor de Segurança Nacional, Henry Kissinger inicia uma aproximação com a China e a União Soviética.
Ho Chi Minh morre em Hanói, a capital do Vietnã do Norte, em 2 de setembro de 1969.
PAZ QUE NÃO HOUVE
A paz entre EUA e Vietnã é assinada em 27 de janeiro de 1973, mas a guerra continua até a queda de Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, em 30 de abril de 1975, quando houve uma fuga espetacular de helicóptero da Embaixada dos EUA. O total de mortos vietnamitas é estimado pelo governo nacional em 2 milhões de civis e 1,1 milhões de soldados e guerrilheiros.
Duas semanas antes, em 17 de abril de 1975, o grupo guerrilheiro Khmer Vermelho, outro subproduto da Guerra do Vietnã, toma o poder no vizinho Camboja, dando início a um reino de terror com mais de 2 milhões de mortes que acabaria em 8 de janeiro de 1979 com uma invasão vietnamita.
O regime comunista interna mais de 1 milhão de pessoas em campos de reeducação, onde 165 mil vietnamitas morrem. A repressão de caráter stalinista provoca a fuga em massa de mais de 1,5 milhão de pessoas em barcos precários criando uma das grandes crises humanitárias dos anos 1980, o povo dos barcos.
O Alto Comissariado da ONU para Refugiados estima que 200 a 400 mil pessoas morrem nessa fuga sem destino pelo mar porque ninguém quer recebê-los.
LAWRENCE DA ARÁBIA MORRE EM ACIDENTE DE MOTO
Em 1935, seis dias depois de um acidente de motocicleta na estrada em Dorset, no interior da Inglaterra, morre aos 46 anos Thomas Edward Lawrence, mais conhecido como Lawrence da Arábia, o oficial de inteligência britânico que aderiu à Revolta Árabe (1916-18) para vencer o Império Otomano (turco) na Primeira Guerra Mundial (1914-18).
T. E. Lawrence nasce em Tremadog, na País de Gales, em 16 de agosto de 1888. Em 1896, sua família se muda para Oxford, onde ele estuda arquitetura e arqueologia. Em 1909, ele faz viagem de estudo à Palestina e à Síria, então partes do Império Otomano.
Dois anos depois, Lawrence consegue uma bolsa para uma expedição arqueológica que escava um assentamento hitita no Rio Eufrates durante três anos. Ele aprende árabe e viaja pelo Oriente Médio.
Em 1914, explora a Península do Sinai, no Egito, na época controlado pelo Império Britânico, na fronteira com o Império Otomano. Com seu conhecimento sobre o Oriente Médio, Lawrence se alista como oficial de inteligência quando começa a guerra. Fica baseado no Cairo como analista de informações.
Quando o emir de Meca, Hussein Ibn Ali, proclama a Revolta Árabe contra a dominação turca, em 1916, vai numa missão diplomática britânica à Arábia, convence seus superiores a apoiar a rebelião e se torna oficial de ligação com o exército de Hussein.
Sob a liderança de Lawrence, os árabes lançam uma guerra de guerrilhas. Em julho de 1917, eles tomam Ácaba, junto ao Sinai, onde se juntam às forças britânicas e marcham para Jerusalém. Lawrence é promovido a coronel.
Em novembro, é capturado como agente secreto em território inimigo, preso, torturado e abusado sexualmente pelos turcos. Ele consegue escapar a se junta ao Exército na tomada de Damasco, em outubro de 1918, a vitória final sobre os turcos.
Depois da guerra, Lawrence espera que a Arábia se una num grande país cobrindo toda a península. Decepcionado com a divisão fomentada pelo Império Britânico e o tribalismo árabe, volta para o Reino Unido.