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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 15 de Setembro

INDEPENDÊNCIA DA AMÉRICA CENTRAL

    Em 1821, líderes da América Central aceitam um plano do caudilho mexicano Agustín Iturbide para a independência da Costa Rica, da Nicarágua, de El Salvador e da Guatemala do Império Espanhol.

Apesar da revitalização da economia e das Forças Armadas da Espanha sob a Dinastia de Bourbon depois da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-14), o Império Espanhol declina com a Revolução Francesa de 1789 e as guerras napoleônicas.

Quando as forças de Napoleão Bonaparte tomam a Península Ibérica (1807-8), a família real portuguesa foge para o Brasil sob a proteção da Marinha Real britânica e as colônias da América Espanhola começam a proclamar a independência.

A Constituição de Cádiz, de 1812, tenta manter as colônias latino-americanas. Dá representação no Parlamento e institui eleções municipais e provinciais, o que aumenta a agitação política pela independência.

Na América Central, um capitão-general forte, José de Bustamente Y Guerra, e o medo da população crioula de uma revolta indígena adiaram a onda de independências que varria o Império Espanhol na América do Sul.

O governo colonial, com sede na Cidade da Guatemala, reprime revoltas na Guatemala, na Nicarágua e em San Salvador, que só passa a ser El Salvador em 1841. Quando Fernando VII retoma a coroa espanhola, em 1814, suspende a Constituição de Cádiz. A restauração da constituição, em 1820, deflagra um debate político que leva à formação dos partidos conservadores e liberais que mandariam nos países da região por 100 anos.

Um conselho de notáveis reunido na Guatemala aprova o plano de Iturbide para a independência da América Central. Alguns queriam independência da Espanha e do México, e algumas províncias queriam independência da Guatemala, que era sede do governo colonial na região.

Os conservadores da Guatemala conseguem aderir ao império mexicano de Iturbide, mas isto causa uma guerra civil na América Central. San Salvador e Granada não aceitam. Depois de um longo cerco, forças guatemaltecas e mexicanas tomam El Salvador. Mas o império de Iturbide entra em colapso. É substituído por uma república liberal no México, que dá independência à América Central.

Em 1º de julho de 1823, uma assembleia com representantes de todas as províncias declara independência sob o nome de Províncias Unidas da América Central. No ano seguinte, é adotada a Constituição da República Federal da América Central, formada por Costa Rica, Nicarágua, Honduras, San Salvador e Guatemala. Chiapas escolhe se unir ao México e o Panamá vira parte da Colômbia.

As Províncias Unidas se separam em 1840. Até o fim do século 19, há 25 tentativas da Guatemala de restaurar a União. Só terminam em 1885, quando o presidente Justo Rufino Barrios (1873-85) invade El Salvador e morre na Batalha de Chalchuapa.

GUERRA DE TRINCHEIRAS

    Em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), depois da Batalha do Marne, em que os aliados detém a ofensiva da Alemanha na frente ocidental, na França e na Bélgica, os dois lados começam a cavar as primeiras trincheiras na frente ocidental. 

A guerra que todos esperam que seja breve se arrasta por quatro anos.

No momento de maior extensão, as trincheiras vão da costa da Bélgica no Mar do Norte até a região da Alsácia, na fronteira da França com a Suíça. A disputa pela região da Alsácia-Lorena, tomada da França pela Alemanha na Guerra Franco Prussiana (1870-71), é uma das causas da guerra, que termina com a rendição da Alemanha em 11 de novembro de 1918.

TANQUES EM GUERRA

    Em 1916, na Batalha do Somme, o tanque de guerra entra em combate pela primeira vez, como parte do Exército Real britânico.

Desde o início da guerra de trincheiras, o Exército Real pensa em desenvolver um veículo blindado capaz de transportar soldados e passar por cima de buracos de bombas e barreiras de arame farpado. No início de 1915, Winston Churchill cria uma comissão que faz um protótipo.

Quando é aprovado nos testes, o governo britânico encomenda 100 tanques. Eles são enviados à França em agosto de 1916; 49 são usados em 15 de setembro de 1916. São lentos, complicados e inconfiáveis. Só meia dúzia consegue mesmo penetrar em território alemão.

LEIS DO HOLOCAUSTO

    Em 1935, a Alemanha Nazista aprova as Leis de Nurembergue, que dão base legal ao Holocausto. A iniciativa de Adolf Hitler tira dos judeus o direito à cidadania alemã e proíbe relações sexuais e o casamento entre judeus e cidadãos alemães.

São duas leis. A Lei do Cidadão do Reich tira a cidadania alemã dos judeus, que não podem nem desfraldar a bandeira da Alemanha. E a Lei de Proteção do Sangue Alemão e da Honra Alemã proíbe sexo, casamento e até mesmo a contratação da empregadas domésticas judias de menos de 45 anos, em idade reprodutiva. Estão entre as primeiras medidas discriminatórias que causam o Holocausto.

Um decreto complementar de 14 de novembro de 1935 define como judeu alguém que tenha pelo menos um avô judeu e diz expressamente: "Um judeu não pode ser cidadão do Reich. Não pode exercer o direito de voto nem ocupar cargo público."

Logo, os passaportes dos judeus são marcados com um J. Em 29 de março de 1938, os judeus são proibidos de exercer a medicina.

Quando os alemães invadem e anexam outros países, aplicam as Leis de Nurembergue nas regiões ocupadas. Em 20 de janeiro de 1942, na Conferência de Wannsee, em Berlim, os líderes nazistas aprovam a "solução final", o extermínio dos judeus da Europa.

Cerca de 11 milhões de pessoas morrem no Holocausto, sendo 6 milhões de judeus, 1,5 milhão de ciganos, comunistas, socialistas, nacionalistas dos países ocupados, negros e membros da resistência antinazista.

Por causa das leis discriminatórias, o tribunal de crimes de guerra para julgar 24 líderes nazistas é instalado em Nurembergue. É o Julgamento de Nurembergue. Doze são condenados à morte na forca.

BATALHA DA INGLATERRA

    Em 1940, a Força Aérea Real derruba 46 aviões da Luftwaffe que invadem o espaço aéreo britânico, se impondo sobre a Alemanha na Batalha da Inglaterra, uma batalha aérea decisiva para impedir a invasão da Grã-Bretanha pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Depois da invasão da Polônia em 1º de setembro de 1939, no início da guerra, em 1940, Hitler ataca a Europa Ocidental, a Noruega, Holanda, Bélgica e ocupa a França em junho. O próximo alvo é o Reino Unido.

A batalha aérea mais importante da história começa em 10 de julho e vai até 31 de outubro de 1940, na visão britânica, e 11 de maio de 1941, na versão alemã.

“Nunca tantos deveram tanto a tão poucos”, declarou o primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, numa referência aos cerca de 1,5 mil pilotos da Força Aérea Real (RAF) que defenderam o Reino Unido no que ele chamou de "nossa melhor hora".

EUA CONTRA-ATACAM NA COREIA

    Em 1950, sob o comando do general  Douglas McArthur, fuzileiros navais dos Estados Unidos desembarcam na Península de Inchon, na Coreia do Sul, e conquistam uma vitória decisiva para rechaçar a invasão norte-coreana na Guerra da Coreia (1950-53).

A Coreia é ocupada pelo Japão em 1910. Com a derrota iminente do Japão para os EUA, em 9 de agosto de 1945, quando os norte-americanos jogam a segunda bomba atômica, em Nagasaki, a União Soviética declara guerra ao Japão e invade o Norte da Península Coreana. Os EUA tomam o Sul, dividindo o país ao longo do paralelo 38º Norte.

Com a Guerra Fria, em 1948, nascem a República Popular Democrática da Coreia (Coreia do Norte), comunista, e a República da Coreia (Coreia do Sul). Ambas reivindicam a soberania sobre toda a península.

Em 25 de junho de 1950, o ditador comunista norte-coreano, o Grande Líder Kim Il Sung, manda invadir o Sul para reunificar o país. Os EUA intervêm em apoio à Coreia do Sul.

Com um mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas, boicotado pela URSS por causa da não inclusão da República Popular da China (comunista), os EUA e aliados contra-atacam e tentam reunificar a Península Coreana. A China entra na guerra e empurra os norte-americanos de volta para baixo do paralelo 38º N.

A Guerra da Coreia termina em 27 de julho de 1953 com um armistício. Até hoje, não foi assinado um acordo de paz. Desde 2006, a Coreia do Norte tem armas nucleares.

ALI TRÊS VEZES CAMPEÃO MUNDIAL

    Em 1978, Muhammad Ali vence Leon Spinks e se torna campeão mundial de boxe na categoria peso-pesado pela terceira vez.

Cassius Marcellus Clay Jr. ganha a medalha de ouro do boxe na categoria peso meio-pesado na Olimpíada de Roma, em 1960, e o título mundial dos pesos pesados ao vencer Sonny Liston surpreendentemente em 25 de janeiro de 1964. 

Naquele ano, ele se converte ao islamismo e muda o nome para Muhammad Ali, alegando que usava o sobrenome do senhor de escravos que um dia foi dono de sua família.

Em 1966, Ali rejeita a convocação para o serviço militar por ser contra a Guerra do Vietnã e perde o título mundial. 

Quando a Suprema Corte anula sua condenação, ele volta a lutar. Faz a Luta do Século  e perde para Joe Frazier por pontos em 8 de março de 1971. Recupera o título numa luta mais espetacular ainda, ao vencer George Foreman em Kinshasa, no Zaire, em 30 de outubro de 1974. E ganha uma inédita terceira vez ao vencer Leon Spinks.

GRANDE RECESSÃO

    Em 2008, o banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers declara falência, deflagrando uma crise econômico-financeira que seria conhecida como Grande Recessão (2007-9), com impacto no mundo inteiro.


É o dia em que Wall Street, o centro financeiro de Nova York, fale o mundo, destruindo o mito neoliberal de que o mercado é capaz de se autorregulamentar.

Quando estoura a bolha especulativa das empresas ponto.com, em maio de 2000, o Conselho da Reserva Federal (Fed), o banco central dos Estados Unidos, baixa a taxa básica de juros para 1% ao ano. A recessão acaba em março de 2001, mas isto não fica claro imediatamente.

Por medo do impacto econômico dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, o Fed mantém as taxas de juros baixas. Na prática, distribui dinheiro aos bancos, que financiam a casa própria a juros baixos. Emprestam primeiro para quem pode pagar, mas também para os clientes de segunda linha (subprime), com problemas de crédito no passado.

Para não ficar com o risco, os bancos emitem títulos da dívida hipotecária. Vindo de uma economia sólida como os EUA, com um grande mercado imobiliário, a dívida é terceirizada. Quando o Fed sobe a taxa básica de juros, que chega a 5,25% ao ano em junho de 2006, os juros dos financiamentos sobem na mesma medida e vários mutuários, especialmente os de segunda linha, começam a não pagar.

O problema das hipotecas gera uma crise financeira global a partir de Wall Street. O sistema financeiro, o sangue da economia capitalista, funciona porque os bancos emprestam dinheiro e fazem transferências entre si. Isto exige uma confiança de que o negócio será pago. Chega um momento em que nenhuma instituição financeira sabe com certeza da saúde financeiras das outras. Há uma paralisia no mercado de crédito porque ninguém sabe se vai receber.

A falência do Lehman Brothers, depois que o governo dos EUA não encontra um comprador e não quer intervir no banco, é o início. Mais greve é a situação da maior seguradora do mundo, AIG (America International Group), que tinha desde seguros de carros e imóveis a seguros de grandes empresas e até credit default swaps (obrigações colateralizadas de crédito), um seguro de operações financeiras.

Com dívidas de US$ 180 bilhões, a seguradora AIG é considerada grandes demais para quebrar. Haveria um choque sistêmico na economia dos EUA, com um setor de seguros desenvolvidos.

O presidente George W. Bush lança o Programa de Alívio de Ativos Tóxicos (TARP), de US$ 750 bilhões, e convoca uma reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20), que reúne as 19 maiores economias do mundo e a União Europeia (UE) em busca de uma solução. Os bancos centrais dos países ricos mobilizam US$ 5 trilhões em garantias de crédito e o sistema voltar a funcionar. O Estado salva o mercado.

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segunda-feira, 27 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 27 de Julho

PRESO ROBESPIERRE

    Em 1794, Maximiliano Robespierre, líder do Comitê de Salvação Pública durante o Período do Terror (1793-94) da Revolução Francesa de 1789, em que mais de 17 mil "inimigos da revolução" são mortos, é preso pela Convenção Nacional.

No dia seguinte, ele e 21 seguidores são guilhotinados. 

Quatro anos depois da revolução e meses depois do fim da monarquia, em setembro de 1792, e da execução de Luís XVI, em janeiro de 1793, é criado o comitê, onde Robespierre reina soberanamente e manda mais do que rei. 

Ao todo, entre 35 e 50 mil pessoas morrem durante a Revolução Francesa, guilhotinados por tribunais revolucionários, em massacres e assassinatos.

PRIMEIRO AVIÃO DE GUERRA

    Em 1909, o primeiro avião de guerra completa um dos últimos testes para ser vendido ao Exército dos Estados Unidos pelos irmãos Orville e Wilbur Wright.

Para os irmãos Wright, é um passo importante para tornar vendável o avião, que haviam criado seis anos antes. O primeiro avião dos irmãos Wright não decolava. Era catapultado no ar. O primeiro avião com capacidade de levantar voo por contra própria é o 14 Bis, inventado pelo brasileiro Alberto Santos Dumont em 1906.

STALIN MANDA MATAR QUEM RECUA

   Em 1942, o ditador Josef Stalin decreta a Ordem nº 227, conhecida como Nenhum Passo Atrás, proibindo os soldados da União Soviética de recuar na Segunda Guerra Mundial (1939-45) sob pena de serem condenados à morte por traição.

Cada frente de combate deveria ter um a três batalhões penais para julgar soldados por "problemas disciplinares": "Covardes e geradores de pânico devem ser liquidados no ato. Nenhum passo para trás sem autorização dos altos comandos. Comandantes que abandonam suas posições sem ordens são traidores da pátria."

JATO COMERCIAL REVOLUCIONA A AVIAÇÃO CIVIL

   Em 1949, o primeiro avião a jato comercial, o britânico De Havilland Comet, faz seu primeiro voo de teste na Inglaterra.

Os jatos revolucionam a aviação comercial, reduzem à metade os tempos de viagem e permitem voos mais altos.

Quando vê, em 1908, uma apresentação do avião de Wilbur Wright, um dos irmãos que fizeram o primeiro voo, em 1903, Sir Geoffrey de Havilland decide fazer sua própria aeronave. Constrói e pilota seu avião em 1910. Dez anos depois, cria uma empresa.

O primeiro avião a jato é lançado na Alemanha em 1939. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Alemanha torna-se o primeiro país a usar caças a jato.

FIM DA GUERRA DA COREIA

   Em 1953, um armistício termina a Guerra da Coreia, restaurando a situação anterior ao início da guerra.

O conflito é resultado da ocupação e divisão da Península Coreana entre Estados Unidos e União Soviética no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O Japão ocupa a Coreia desde 1910. Em 9 de agosto de 1945, dia da bomba atômica em Nagasáki, o ditador soviético Josef Stalin declara guerra ao Japão e ocupa o Norte da Península Coreana e as Ilhas Kurilas do Sul, que os japoneses chamam de Territórios do Norte. Os EUA tomam o Sul da Coreia.

A República Popular Democrática da Coreia (Norte), comunista, e a República da Coreia (Sul), capitalista, nascem em 1948. Ambas reivindicam até hoje a soberania sobre toda a Península Coreana.

A Guerra da Coreia começa em 25 de junho de 1950 quando o Norte, liderado pelo Grande Líder Kim Il Sung, invade o Sul. Os EUA reagem em defesa de sua aliada, a Coreia do Sul. Como a União Soviética está boicotando as Nações Unidas por causa da não admissão da República Popular da China (comunista), os EUA obtêm um mandato do Conselho de Segurança da ONU válido até hoje para reunificar a Península Coreana.

Em outubro de 1950, as forças da ONU sob o comando dos EUA invadem o Norte. O 4º Exército da China, sob o comando de Lin Piao, entra na guerra em 19 de outubro com 260 mil soldados para evitar o colapso das forças norte-coreanas e consegue empurrar as forças internacionais para o sul do paralelo 38º Norte, restaurando a situação pré-guerra. 

Há uma guerra entre os EUA e a China dentro da Guerra da Coreia. A China vence ao atingir seu objetivo político de impedir que os EUA unifiquem a Península Coreana e que uma força hostil se instale do outro lado da fronteira, empurrando os norte-americanos e aliados para o sul do paralelo 38º Norte. Os dois países nunca mais entraram em guerra.

Depois de anos de impasse e quase 3 milhões de mortes, mais do que na Guerra do Vietnã (1955-75), é acertado o cessar-fogo. Morrem na guerra 1 milhão de civis sul-coreanos e 600 mil civis norte-coreanos, 600 mil soldados chineses, 406 mil soldados norte-coreanos, 217 mil soldados sul-coreanos e 40 mil das forças da ONU, sendo 36 mil norte-americanos.

Até hoje, não há um tratado de paz definitivo e, desde 2006, a Coreia do Norte tem armas nucleares. Fez seis testes e teria hoje pelo menos 50 ogivas nucleares. O presidente Donald Trump (2017-21) se encontra três vezes com o ditador Kim Jong Un, neto do fundador do país, o Grande Líder Kim Il Sung, mas as negociações para desnuclearizar a Península Coreana não avançam.

Em troca do fim do programa nuclear norte-coreano, a Coreia do Norte e sua aliada China devem exigir a retirada das forças que os EUA mantêm até hoje na Coreia do Sul, agora com cerca de 28,5 mil soldados.

COMISSÃO RECOMENDA IMPEACHMENT DE NIXON

   Em 1974, a Comissão de Justiça da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos recomenda a abertura de impeachment contra o presidente Richard Nixon por causa do Escândalo de Watergate, a invasão da sede do Partido Democrata em Washington durante a campanha eleitoral de 1972, e a tentativa de obstruir as investigações.

Sem apoio dentro do Partido Republicano, Nixon renuncia em 9 de agosto.

Cinco homens são presos pela polícia em 17 de junho de 1972 por invadir a sede do diretório nacional do Partido Democrata, no Edifício Watergate, em Washington, onde copiam documentos e tentam instalar equipamentos de escuta. 

Ao cobrir o julgamento, o repórter Carl Bernstein, do jornal The Washington, nota a presença de advogados caríssimos na defesa. Ele e o colega Bob Woodward decidem investigar o caso e revelam o maior escândalo político da história dos EUA com a ajuda de uma fonte secreta chamada na época de Garganta Profunda. Era Mark Felt, subdiretor do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal norte-americana, que se identifica em 2005 para lançar um livro antes de morrer.

Os cinco pertencem à turma de encanadores da Casa Branca. A alta cúpula do governo dos EUA está envolvida, o chefe da Casa Civil, o ministro da Justiça, vários assessores presidenciais e até o presidente. O procurador especial Archibald Cox é nomeado para investigar o escândalo.

Sua demissão, no Massacre de Sábado à Noite, em 20 de outubro de 1973, é um marco na derrocada de Nixon. Um inquérito do Senado revela a existência de fitas gravadas com todas as conversas do presidente.

Por unanimidade, em 25 de julho de 1974, a Suprema Corte obriga o presidente a entregar todas as gravações. As fitas revelam que Nixon sabia de tudo desde o início e tentou encobrir o caso. 

Dois dias depois dias, a Comissão de Justiça da Câmara decide pela abertura de um julgamento político do presidente num processo de impeachment por obstrução de Justiça. Em 7 de agosto, os senadores Barry Goldwater e Hugh Scott vão à Casa Branca avisar ao presidente que a bancada republicana no Senado não vai mais apoiá-lo.

Nixon anuncia a renúncia em 8 de agosto de 1974. Todos os altos assessores do presidente envolvidos vão para a cadeia. Em 8 de setembro, o presidente Gerald Ford, que o sucede, dá a Nixon um indulto presidencial total e incondicional livrando-o de processo por quaisquer crimes que "tenha ou possa ter cometido ou tomado parte" como presidente. Defende a decisão como necessária para pacificar o país.

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quarta-feira, 8 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 8 de Julho

CAMINHO DAS ÍNDIAS

    Em 1497, o navegador português Vasco da Gama zarpa de Lisboa com uma frota de quatro navios em busca do caminho marítimo para a Índia contornando o Sul da África.

A frota de Vasco da Gama dá a volta no Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, dobrado por Bartolomeu Dias, em 1488. Em Malinde, na costa oriental da África, encontra um mercador indiano que a guia até a Índia, onde chega em 20 de maio de 1498. 

Durante a viagem, ao se afastar da costa da África para evitar as calmarias, Vasco da Gama teria visto aves e plantas aquáticas num sinal de que haveria terra por perto e teria dito isto a Pedro Álvares Cabral, que em 1500 descobre o Brasil para os portugueses.

Em Calicute, Vasco da Gama enfrenta a hostilidade de mercadores muçulmanos e tem de lutar para voltar a Portugal, onde chega em setembro de 1499. Ele volta à Índia em 1502 para vingar um massacre de portugueses. Em 1524, é enviado como vice-rei da Índia, onde contrai malária e morre na cidade de Cochim, em 24 de dezembro de 1524.

ALMIRANTE PERRY AMEAÇA O JAPÃO

    Em 1853, o almirante norte-americano Matthew Perry entra na Baía de Tóquio com uma esquadra de quatro navios e ameaça bombardear a cidade para abrir o Japão ao comércio internacional.


 
Depois de dar um tempo para as autoridades japonesas examinarem o assunto, Perry volta em março de 1854 com nove navios.

Sem condições de reagir, os japoneses aceitam certas exigências do presidente Millard Fillmore (1853-50). Os Estados Unidos se tornam o primeiro país a estabelecer relações com o Japão depois de dois séculos em que o país se fecha para estrangeiros.

Desde 1639, só a China e a Holanda comerciavam com o Japão e apenas na ilha de Dejima, em Nagasáki, a segunda cidade bombardeada com uma bomba atômica, em 9 de agosto de 1945.

Em 31 de março de 1854, o almirante assina o Tratado de Kanagawa, pelo qual o Japão abre os portos de Shimoda e Hakodate, e permite a instalação de um consulado norte-americano no país.

A pressão dos EUA acaba com o xogunato. É o fim da Idade Média japonesa, em 1868, com a Restauração Meiji, que restitui os poderes do imperador. 

Para não ser colonizado pelo Ocidente, o Império do Japão se ocidentaliza e se torna uma potência que vence a China na Guerra Sino-Japonesa (1894-95), a Rússia na Guerra do Pacífico (1904-5) e enfrenta os EUA e o colonialismo ocidental na Ásia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

MacARTHUR COMANDA GUERRA DA COREIA

    Em 1950, o presidente Harry Truman nomeia o general Douglas MacArthur comandante militar dos Estados Unidos na Guerra da Coreia (1950-53), um dia depois que o Conselho de Segurança das Nações Unidas recomenda que as forças internacionais sejam colocadas sob o comando militar norte-americano.

A Coreia é ocupada pelo Japão em 1910. Com a derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial, os EUA ocupam o Sul da Península Coreana. A União Soviética declara guerra ao Japão em 9 de agosto de 1945, dia da explosão da bomba atômica em Nagasáki, e invade o Norte da Coreia.

A península é dividida oficialmente em 1948, quando nascem a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. Em 25 de junho de 1950, o Norte, comunista, invade o Sul para tentar reunificar a Coreia. Como a União Soviética está boicotando a ONU por causa da não admissão da República Popular da China, os EUA obtêm um mandato do Conselho de Segurança valido até hoje para reunificar a Península Coreana.

A Guerra da Coreia termina em 27 de julho de 1953. Até hoje, não foi assinado um acordo de paz. Desde 2006, a Coreia do Norte tem armas nucleares.

GOLPE NA GUATEMALA

    Em 1954, o coronel Carlos Castillo Armas toma o poder na Guatemala no segundo golpe de Estado articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) durante a Guerra Fria, o primeiro na América Latina. 

A história é contada no livro de ficção Weekend in Guatemala, do escritor guatemalteco Miguel Ángel Asturias, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1967.

O golpe derruba o presidente nacionalista Jacobo Árbenz, que faz uma reforma agrária e estatiza propriedades da companhia bananeira United Fruit, que muda de nome para Chiquita Brands para tentar apagar a imagem associada a golpes de Estado.

Depois da Colômbia, a Guatemala é o país com o maior número de mortos na América Latina durante a Guerra Fria, entre 150 e 200 mil. A democracia só é restaurada plenamente no país em 1984, mas a corrupção é endêmica até hoje.

O primeiro golpe militar apoiado pelos EUA na Guerra Fria é em 1953, no Irã, contra o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh, que nacionalizara o petróleo iraniano.

Ao falar sobre o golpe militar de 1964 no Brasil num curso sobre a história da política externa brasileira no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), o embaixador Gélson Fonseca disse acreditar que a principal causa do apoio dos EUA foi econômica. Os EUA temeriam especialmente Leonel Brizola, que havia estatizado empresas transnacionais quando era governador do Rio Grande do Sul.

MORTE DO GRANDE LÍDER

    Em 1994, morre o Grande Líder Kim Il Sung, fundador da Coreia do Norte.


Kim luta nos anos 1930 contra a ocupação japonesa e é escolhido pela União Soviética, onde faz treinamento político e militar. Ele luta pelo Exército Vermelho na Segunda Guerra Mundial (1939-45), funda a Coreia do Norte em 1948 e inicia a Guerra da Coreia, em 25 de junho de 1950, tentando reunificar o país sob o regime comunista.

Com a intervenção militar dos Estados Unidos e depois da China, a guerra termina num impasse, sem mudar a divisão da Coreia. Nas próximas quatro décadas, Kim isola o país com sua política de autossuficiência (Juche), causando fome e falta de energia, problemas que o país tem até hoje.

Depois da morte, numa sucessão dinástica num regime comunista, é sucedido pelo filho e Querido Líder Kim Jong Il, que explode a primeira bomba atômica do país em 2006. Ao morrer, em 2011, ascende ao poder seu filho Kim Jong Un, neto do Grande Líder, que acelera os programas de mísseis e de armas nucleares – e ameaça bombardear os EUA.

O presidente Donald Trump faz três encontros de cúpula com o jovem Kim. Legitima o ditador na expectativa de desnuclearizar a Península Coreana, mas as negociações não avançam. 

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sábado, 27 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 27 de Junho

MÓRMONS  

   Em 1844, uma multidão invade uma prisão em Cartago, no estado de Illinois, nos Estados Unidos, e mata Joseph Smith, fundador da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (mórmon), e seu irmão Hyrum.

Smith nasce em Vermont em 1805. Aos 18 anos, conta ter recebido a visita de um anjo chamado Moroni que lhe revela um texto sagrado desaparecido que teria sido escrito e gravado em placas de ouro por nativos americanos no século 4, com relato sobre uma colônia israelita que teria existido na América em tempos ancestrais.

Durante anos, Smith dita o texto para sua mulher e outros escribas. Em 1830, é publicado o Livro de Mórmon. No mesmo ano, ele funda a Igreja de Cristo, que depois muda de nome para Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

A religião logo atrai devotos, mas provoca críticas por adotar práticas como a poligamia. Em 1844, Smith anuncia sua candidatura à Presidência dos EUA, o que aumenta a reação contra a seita. Depois de destruir a gráfica de um jornal crítico de sua religião, Smith convoca uma milícia para defendê-lo na cidade de Nauvu, em Illinois.

Acusados de traição e conspiração, ele e o irmão são presos e mortos pela malta que invade a prisão. Dois anos depois, seu sucessor, Brigham Young, lidera uma fuga para o Oeste para escapar da perseguição. Em julho de 1847, 148 pioneiros chegam ao Lago Salgado de Utah, refundam a religião e se preparam para receber dezenas de milhares de migrantes atraídos pela fé.

MOEDA NACIONAL DO JAPÃO

    Em 1871, o iene, que circula desde 1869, se torna a moeda oficial do Japão, substituindo as notas emitidas pelos senhores feudais, que circulavam desde o século 16, no tempo de uma guerra civil em que não havia um governo que controlasse todo ou quase todo o território japonês.

No início do Xogunato Tokugawa (1603-1868), o Japão se fecha para o mundo exterior, só faz comércio em dois portos até o almirante norte-americano Matthew Parry ameaçar bombardear o porto de Tóquio em 1853 e 1854 para abrir o país ao comércio internacional.

Para não ser colonizado pelas potências ocidentais, o Japão percebe que precisa se modernizar. Em 1868, acaba o xogunato. Começa a era da Restauração Meiji, a restauração do poder do imperador.

Entre as reformas para a modernização do país, o iene é adotado como moeda nacional.

ENIGMA

    Em 1940, a Alemanha Nazista usa pela primeira vez a máquina de codificação Enigma para proteger as comunicações por rádio com a França ocupada.


Os alemães instalam estações de rádio em Brest e no porto de Cherbourg para melhorar a comunicação com seus aviões de combate durante a Batalha da Inglaterra, vencida pela Força Aérea Real britânica.

A máquina Enigma é criada em 1919 pelo holandês Hugo Koch para uso em negócios. Os alemães a adaptam para a guerra e consideram seus códigos secretos indecifráveis. Mas os britânicos descobrem os códigos e decifram todas as mensagens alemãs.

EUA ENTRAM NA GUERRA DA COREIA

    Em 1950, o presidente Harry Truman manda as forças dos Estados Unidos na Coreia do Sul entrar na guerra contra a Coreia do Norte, que invadira o Sul dois dias antes, no início da Guerra da Coreia (1950-53).

No fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), os EUA e a União Soviética ocupam a Coreia, que era dominada pelo Japão desde 1910. Em 1948, a divisão é oficializada com a fundação da Coreia do Norte e da Coreia do Sul.

A guerra começa quando 90 mil soldados norte-coreanos cruzam o paralelo 38º Norte e invadem o Sul com o objetivo de reunificar a Península Coreana sob o regime comunista. Como estava boicotando o Conselho de Segurança das Nações Unidas por causa de exclusão da República Popular da China (comunista), a URSS não veta a resolução que autoriza o uso da força, em 28 de junho. Até hoje, os EUA tem um mandato da ONU para reunificar a Coreia.

Em 30 de junho, Truman anuncia o envio de mais soldados para a Coreia do Sul. Uma semana depois, o Conselho de Segurança da ONU coloca a força internacional sob o comando dos EUA.

Quando a aliança liderada pelos EUA invade o Norte, o 4º Exército da China cruza o Rio Yalu, em outubro de 1950. Há uma guerra entre os EUA e a China dentro da Guerra da Coreia – e a China vence ao forçar os norte-americanos e aliados a recuar para o sul do do paralelo 38º N e restaurar a situação anterior à guerra, evitando a presença de um aliado dos EUA junto a sua fronteira.

Depois de anos de impasse de cerca de 5 milhões de mortes, um cessar-fogo acaba com a Guerra da Coreia em 27 de julho de 1953. Até hoje, não assinado um acordo de paz. O desenvolvimento de armas nucleares pelo Norte voltou a tornar a última fronteira da Guerra Fria num dos lugares mais perigosos do mundo.

BANDEIRA DA CONFEDERAÇÃO

    Em 2015, a ativista negra Brittany Bree Newsome escala o mastro e retira a bandeira da Confederação que tremula diante do palácio do governo do estado da Geórgia.

Até 2001, a bandeira dos Estados Confederados da América (Sul), que queriam se separar da União por não aceitar o abolição da escravatura, é a bandeira do estado da Geórgia. A tentativa de separação causa a Guerra da Secessão (1861-65), a pior guerra da história dos EUA.

Bree é presa ao descer. O jogador de basquete Dwayne Wade e o cineasta Michael Moore pagam a fiança. O gesto de desobediência civil – um protesto contra o massacre de nove negros numa igreja em Charleston, na Carolina do Sul, dez dias antes – provoca uma discussão sobre a manutenção dos símbolos da Confederação. Em 9 de julho, a Assembleia Legislativa aprova lei para remover definitivamente a bandeira.

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quinta-feira, 25 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 25 de Junho

MAIOR VITÓRIA INDÍGENA 

    Em 1876, as tribos Sioux lideradas por Touro Sentado e Cavalo Doido vencem o 7º Regimento de Cavalaria do Exército dos Estados Unidos, comandado pelo coronel George Custer, perto do Rio Little Big Horn, no Sul do estado de Montana.

Depois da descoberta de ouro em Dakota do Sul, o Exército dos EUA entra na região, ignorando os tratados vigentes. Muitos sioux e cheyennes abandonam as reservas e se juntam a Touro Sentado e Cavalo Doido em Montana.

Na primavera de 1876, há 10 mil índios acampados junto ao Rio Little Big Horn, desafiando ordens do governo norte-americano de voltar para suas reservas. Três colunas do Exército são enviadas para atacar os indígenas. Em 17 de junho, 1,2 mil nativos rechaçam a primeira ofensiva do Exército.

Cinco dias depois, o general Alfred Terry manda o coronel Custer e o 7º Regimento da Cavalaria. Na manhã de 25 de junho, Custer chega perto do acampamento e decide atacar, sem esperar os reforços que estão a caminho. Ao meio-dia, Custer entra no Vale de Little Big Horn com 600 homens. Os índios logo percebem o ataque.

Enquanto Touro Sentado, mais velho, organiza a retaguarda para proteger mulheres e crianças, Cavalo Doido parte para um contra-ataque frontal. Custer e um batalhão de 200 homens enfrentam 3 mil indígenas. Em um hora, o coronel e todos os seus soldados morrem.

A Batalha de Little Big Horn é a maior vitória dos índios e a maior derrota do Exército nas guerras indígenas dos EUA. A morte de Custer e seus homens reforça a imagem de "selvagens" dos nativos.

Cinco anos depois, quase todos os cheyennes e sioux estão confinados em reservas. Em 29 de dezembro de 1890, eles são massacrados num acampamento junto ao Riacho de Wounded Knee, no estado de Dakota do Sul. Pelo menos 150 homens, mulheres e crianças indígenas morrem.

ZEBRA NA COPA DE 1950

    Em 1950, um time de amadores dos Estados Unidos derrota a Inglaterra por 1-0 em Belo Horizonte na primeira Copa do Mundo no Brasil, numa das maiores zebras da história do futebol. Os ingleses se consideram os reis do futebol e disputam sua primeira Copa do Mundo.

O gol é marcado por Joe Gaetjens, nascido no Haiti. Mais tarde, ele volta à sua terra natal e desaparece durante a ditadura de François Duvalier, o Papa Doc (1957-71).

INÍCIO DA GUERRA DA COREIA

     Em 1950, a Coreia do Norte invade a Coreia do Sul no começo da Guerra da Coreia.


Os Estados Unidos e aliados reagem e entram na guerra com um mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas para reunificar a Península Coreana. A União Soviética, que criara a Coreia do Norte, não veta. Está boicotando a ONU por causa da não admissão da República Popular a China.

Os EUA repelem a invasão norte-coreana e invadem a Coreia do Norte, levando o 4º Exército da China, comandado por Lin Piao, a entrar na guerra, em outubro de 1950, e a empurrar as forças americanas e aliadas de volta para o Sul, restaurando a situação anterior ao conflito armado. A partir daí, há um equilíbrio de forças, um impasse, até o fim dos combates, em 27 de julho de 1953.

Dentro da Guerra da Coreia, há uma guerra entre EUA e China. A China ganha, ao atingir seu objetivo político de restaurar o status quo pré-guerra, evitando a presença de um aliado dos EUA e de forças norte-americanas junto à sua fronteira. Os dois países nunca mais entram em guerra. 

Agora que a China também se torna uma superpotência e disputa a supremacia mundial, o risco de conflito aumenta. O maior desafio das relações internacionais nos próximos anos e décadas será acomodar a ascensão da China e o declínio relativo dos EUA. 

Cerca de 5 milhões de pessoas morrem na Guerra da Coreia. Até hoje, não há um acordo de paz definitivo. Os EUA mantêm 28,5 mil soldados na Coreia do Sul e, desde 2006, a Coreia do Norte possui armas nucleares. O presidente Donald Trump tenta um diálogo direto com o ditador Kim Jong Un, sem sucesso. O atual ditador é neto do Grande Líder Kim Il Sung, que começou a guerra.

TERROR NA ARÁBIA SAUDITA

    Em 1996, um atentado terrorista com um caminhão-bomba carregado com 11 toneladas de explosivos atinge as Torres Khobar, um complexo habitacional de soldados da Força Aérea dos Estados Unidos em Darã, na Arábia Saudita, matando 19 militares e ferindo outros 498.


É a pior ação terrorista contra militares norte-americanos desde o ataque com caminhão-bomba contra o quartel-general dos fuzileiros navais em Beirute, no Líbano, que matou 241 soldados em 23 de outubro de 1983.

Os EUA acusam a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá, apoiada pelo Irã, pelo ataque às Torres Khobar. Em julho de 2020, a Justiça norte-americana condena o Irã a pagar US$ 879 milhões, R$ 4,2 bilhões pelo câmbio atual sem correção monetária, de indenização aos sobreviventes.

SENTENCIADO ASSASSINO DE FLOYD

    Em 2021, a Justiça dos Estados Unidos sentencia o ex-policial branco Derek Chauvin a 22 anos e meio de prisão pelo assassinato do segurança negro George Floyd, em Mineápolis, em 25 de maio de 2020.


Durante 9 minutos e 25 segundos, o policial pressiona o pescoço de Floyd, algemado e caído de bruços no chão, enquanto a vítima reclama: "Eu não consigo respirar."

As imagens feitas por uma menor de idade correm o mundo e causam uma onda de protestos contra o racismo e a violência policial em dezenas de países do mundo inteiro. Ao proferir a sentença, o juiz Peter Cahill considera agravantes a "grande crueldade" de Chauvin e a presença de menores assistindo a tudo.

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sábado, 14 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 14 de Março

NASCIMENTO DE EINSTEIN

    Em 1879, nasce em Ulm, na região de Württemberg, na Alemanha, o físico Albert Einstein, uma das mentes mais brilhantes da história da humanidade, que formula a Teoria Geral da Relatividade e ganha o Prêmio Nobel de Física em 1921 por descrever o efeito fotoelétrico. É considerado o maior cientista do século 20.

Mais tarde, Einstein conta que duas "maravilhas" o atraíram na infância. Aos 5 anos, ele conhece uma bússola e fica intrigado com as forças invisíveis que movem a agulha. Durante toda a vida, tem uma fascinação por forças invisíveis. Aos 12 anos, descobre um livro de geometria.

Nessa idade, Einstein é profundamente religioso. Compõe músicas que exaltam Deus e canta músicas sacras a caminho da escola. Quando lê livros científicos que questionam suas convicções religiosas, fica impressionado com o desafio à autoridade estabelecida.

No Ginásio Luitpold, o sistema educacional prussiano o incomoda e inibe sua criatividade. Um professor lhe diz que nunca será ninguém na vida. Uma influência importante é Max Talmud, um estudante de medicina que frequenta sua casa e vira um tutor informal, introduzindo Einstein no estudo de filosofia e matemática superior. Talmud lhe mostra uma coleção, Livros Populares sobre Ciência Física, de Aaron Bernstein.

As sucessivas falências do pai atrapalham sua educação. Em 1894, depois de perder um contrato para a eletrificação de Munique, Hermann Einstein se muda para Milão, na Itália. O jovem Einstein fica num pensionato. Sozinho e com medo de ser recrutado para o serviço militar obrigatório, ele foge e vai encontrar os pais em Milão seis meses depois.

Mesmo sem diploma de ensino médio, Einstein se candidata ao Instituto de Politécnica de Zurique. Pode ser admitido se passar num vestibular rigoroso. Obtém excelentes resultados em matemática e física, mas não passa em francês, química e biologia. Por causa do resultado excepcional em matemática, é aceito sob a condição de terminar primeiro o ensino secundário. Ele se forma em 1896 e renuncia à cidadania alemã. Em 1901, obtém a cidadania suíça.

Ao se formar, em 1900, enfrenta uma crise. Como estuda vários temas por contra própria, falta a várias aulas, o que provoca a animosidade de professores como Heinrich Weber, a quem pede uma carta de recomendação com a qual não consegue nenhuma das posições acadêmicas a que se candidata. 

O pai de seu amigo Marcel Grossmann o indica para o escritório de patentes da Suíça, em Berna. Pouco antes de morrer, seu pai dá o consentimento para o casamento com Maric, uma cristã ortodoxa de origem sérvia a quem a família antes se opõe. Eles se casam em 6 de janeiro de 1903. 

Em 1905, que descreve como "ano milagroso", Einstein publica quatro ensaios nos Anais da Física, todos revolucionários. Em Um Ponto de Vista Heurístico sobre a Produção e a Transformação da Luz, ele aplica a Teoria Quântica à luz para explicar o efeito fotoelétrico. 

Em Sobre o Movimento de Pequenas Partículas Suspensas em Líquidos Estacionários Previstos pela Teoria Cinética-Molecular do Calor, apresenta a primeira prova experimental da existência de átomos.

Em Sobre a Eletrodinâmica de Corpos em Movimento, lança a teoria matemática da relatividade especial.

Em A Inércia de um Corpo Depende da Energia que Contém?, mostra que a Teoria da Relatividade leva à equação E = mc², em que E é energia, m massa e c uma constante equivalente à velocidade da luz no vácuo, 300.000 km/seg. A equação mostra que a transformação de massa em energia libera uma quantidade enorme de energia como nas armas nucleares. É a primeira explicação sobre a fonte de energia do Sol e das outras estrelas.

A princípio, as teorias de Einstein são ignoradas pela comunidade científica, mas atraem a atenção de um dos físicos mais famosos da época, Max Planck, criador da Teoria Quântica. Mas a Teoria da Relatividade tem lacunas. Não menciona gravidade nem aceleração. Em 1915, Einstein complementa a Teoria Geral da Relatividade.

Seu trabalho não é interrompido durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18). Pacifista, ele é um dos quatro intelectuais alemães que assina um manifesto contra a guerra. Chama o nacionalismo de "sarampo da humanidade".

Einstein lança uma nova ciência, a cosmologia. Suas equações preveem que o Universo é dinâmico, se expande ou contrai. Em 1929, o astrônomo Edwin Hubble descobre que o Universo está em expansão.

Durante uma visita à Califórnia, em 1930, Einstein participa do lançamento do filme Luzes da Cidade, de Charles Chaplin, e comenta: "O que mais admiro na sua arte é a universalidade. Você não diz uma palavra e ainda assim o mundo te entende." Chaplin respondeu: "Mas sua fama é ainda maior. O mundo te admira e, ao mesmo tempo, ninguém te entende."

Com a ascensão do nazismo, Einstein deixa a Alemanha em dezembro de 1932 e vai para os Estados Unidos, onde trabalha no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Princeton, em Nova Jérsei. Abandona o pacifismo para defender a guerra contra Adolf Hitler.

No fim dos anos 1930, os físicos percebem que a equação E = mc² indica que é possível a fabricação de uma bomba atômica. Em julho de 1939, o físico Leo Szilard o convence a enviar uma carta ao presidente Franklin Roosevelt alertando para o risco de que a Alemanha Nazista faça a bomba atômica. Einstein assina a carta em 2 de agosto de 1939. Roosevelt a recebe em 11 de outubro. No dia 19, avisa Einstein que criou um Comitê do Urânio para estudar o assunto. Daí nasce o Projeto Manhattan.

Como Einstein era ligado a organizações pacifistas e socialistas, é excluído do projeto. O diretor ultrarreacionário do FBI (Federal Bureau of Investigation), John Edgar Hoover, recomenda que seja expulso dos EUA. Quando sabe da bomba de Hiroxima, forma o Comitê de Emergência de Cientistas Atômicos para tentar controlar o uso da bomba. Ele tem o apoio do diretor científico do Projeto Manhattan, John Robert Oppenheimer, que se opõe à fabricação da bomba de hidrogênio, mil vezes mais poderosa do que as bombas de urânio e plutônio.

Einstein
 ainda trabalha com outras ideias revolucionárias como a possibilidade de viajar no tempo e a existência de buracos negros. Morre em 18 de abril de 1955 em Princeton aos 76 anos.

MORTE DE MARX

    Em 1883, o sociólogo, economista e revolucionário alemão Karl Marx, pai do comunismo, morre em Londres aos 64 anos.

Marx nasce em Trier, na Prússia, em 1818, filho de um advogado judeu convertido ao protestantismo. Ele estuda filosofia e direito em Berlim e Jena. Vira seguidor das ideias do filósofo alemão Georg Wilhelm Fridriech Hegel, que cria a dialética sob a inspiração do filósofo chinês Lao Tsé e sua Teoria do Princípio Único, baseada no contraste e complementaridade do yin e yang.

Em 1843, depois do fechamento do jornal onde trabalhava em Colônia, Marx vai para Paris, onde conhece Engels. Expulso da França, vai em 1845 para a Bélgica, onde durante dois anos desenvolve com Engels a doutrina comunista.

O Manifesto Comunista é escrito em janeiro e publicado em fevereiro de 1848: "Um espectro assombra a Europa - o espectro do comunismo", começa o panfleto. No fim, convoca para a revolução: "Os proletários não tem nada a perder, a não ser suas correntes. Trabalhadores do mundo, uni-vos!"

No dia seguinte, começa uma revolução na França em protesto contra proibição de reuniões dos socialistas. Em 24 de fevereiro, o rei Luís Felipe abdica, mas logo a burguesia europeia esmaga as revoluções de 1848.

Procurado na Alemanha e na França, Marx se refugia no Reino Unido, onde funda em 1864 a Associação Internacional dos Trabalhadores, a Primeira Internacional, e em 1867 lança o primeiro volume de O Capital.

Quando Marx morre, em 1883, a doutrina comunista está disseminada pela Europa. Trinta e quatro anos depois de sua morte, a Revolução Bolchevique liderada por Vladimir Lenin e Leon Trotsky toma o poder na Rússia, em 1917. Em 1950, mais da metade da humanidade vive sob regimes autodeclarados marxistas, embora um rebelde como Marx dificilmente se enquadraria na disciplina partidária dos partidos comunistas.

Com o fim da Guerra Fria e a dissolução da União Soviética, em 1991, este número diminuiu consideravelmente, mas a China, com mais de 1,4 bilhão de habitantes, o segundo maior país do mundo em população, mantém o regime comunista como sistema político, embora hoje a economia seja capitalista, um capitalismo orientado pelo Estado..

BALÃO NAVEGÁVEL

    Em 1899, o oficial alemão Ferdinand von Zeppelin recebe a patente nos Estados Unidos para fabricar um "balão navegável". O primeiro dirigível zeppelin voa em 2 de julho de 1900.

Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), a Alemanha usa zeppelins para matar mais de 500 pessoas só no Reino Unido. Depois, os zeppelins realizam voos transatlânticos regulares. Vêm várias vezes ao Brasil.

A tragéda do Hindenburg, a maior aeronave já construída, em 6 de março de 1937, com a morte de 35 pessoas em Lakehurst, perto de Nova York, é o fim da era dos zeppelins.  

RETOMADA DE SEUL

    Em 1951, durante a Guerra da Coreia (1950-53), as forças das Nações Unidas, sob o comando dos Estados Unidos, reconquistam a capital da Coreia do Sul, tomada na ofensiva inicial da Coreia do Norte.

A Coreia é dominada pelo Japão de 1910 até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Em 9 de agosto de 1945, quando os EUA jogam a bomba atômica em Nagasáki, a União Soviética de Josef Stalin declara guerra ao Japão e ocupa o Norte da Península Coreana e as Ilhas Kurilas do Sul, que os japoneses chamam de Territórios do Norte. Os EUA vencem o Japão e invadem o Sul da Coreia.

Com a divisão do mundo pela Guerra Fria, surgem a República Popular Democrática da Coreia, a Coreia do Norte, comunista, aliada da URSS e da República Popular da China, e a República da Coreia, a Coreia do Sul, capitalista, aliada dos EUA. Como os nomes oficiais indicam, os dois países reivindicam a soberania sobre toda a Península Coreana..

Em 25 de junho de 1950, o ditador norte-coreano, o Grande Líder Kim Il Sung, ordena a invasão do Sul, sob o pretexto de violação de seu território por soldados sul-coreanos, dando início à Guerra da Coreia. Na época, a URSS está boicotando a ONU em protesto porque a China Comunista não é admitida (só seria em 1971). 

Então, pela Resolução nº 83 do Conselho de Segurança da ONU, aprovada em 27 de junho, os EUA e aliados conseguem um mandato válido até hoje autorizando o uso da força para reunificar a Coreia.

No mesmo dia, diante da ofensiva do Norte, o ditador Syngman Rhee, manda evacuar Seul e matar 100 mil supostos suspeitos de simpatizar com o regime comunista.

Em 28 de julho, o Sul dinamita pontes, mas não consegue barrar o avanço das forças do Norte, que conquistam Seul e chegam a ocupar 90% do território sul-coreano. A reconquista de Seul começa em setembro de 1950 a março de 1951.

Quando a guerra começa, o presidente Harry Truman manda a 7ª Frota dos EUA, a Frota do Pacífico, para o Estreito de Taiwan para impedir uma invasão de Taiwan pelo regime comunista de Mao Tsé-tung.

A China não quer uma Coreia com forças dos EUA junto à sua fronteira. Em 18 de outubro de 1950, o 4º Exército da China, sob o comando de Lin Piao, cruza o Rio Yalu e entra na guerra.

Há uma guerra entre EUA e China dentro da Guerra da Coreia. A China vence no sentido de que obtém seu objetivo político de evitar a presença militar norte-americana junto à sua fronteira, empurrando as forças dos EUA e aliados para baixo do paralelo 38º Norte.

Depois de mais dois anos de impasse no campo de batalha, a Guerra da Coreia chega ao fim em 27 de julho de 1953. Há um armistício. Até hoje, não há um acordo de paz definitivo. O ditador norte-coreano Kim Jong Un, neto do Grande Líder Kim Il Sung, está mobilizando o país para a guerra. Desde 2006, a Coreia do Norte tem armas nucleares.

PRESIDENTE GORBACHEV

    Em 1990, o Congresso dos Deputados do Povo elege Mikhail Gorbachev para presidente da União Soviética, cinco anos e três dias depois de ele se tornar o secretário-geral do Partido Comunista e iniciar a abertura política e a reforma econômica que acabaram com o regime e com a URSS, em dezembro de 1991.

No poder desde 1985, Gorbachev promove a glasnost (transparência) e a perestroika (reestruturação econômica). Acaba com o poder absoluto do PC e convoca eleições parlamentares. Mas a burocracia do partido é refratária às reformas e a economia acelera o declínio.

Naquele ano, Gorbachev está sob ataque tanto da velha guarda comunista quanto da vanguarda reformista liderada por Boris Yeltsin, que é eleito na primeira eleição presidencial direta da história da Rússia, em 12 de junho de 1991, resiste ao golpe da linha-dura comunista contra Gorbachev, em agosto de 1991, e lidera o processo de dissolução da URSS, em dezembro do mesmo ano.