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terça-feira, 15 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 15 de Setembro

INDEPENDÊNCIA DA AMÉRICA CENTRAL

    Em 1821, líderes da América Central aceitam um plano do caudilho mexicano Agustín Iturbide para a independência da Costa Rica, da Nicarágua, de El Salvador e da Guatemala do Império Espanhol.

Apesar da revitalização da economia e das Forças Armadas da Espanha sob a Dinastia de Bourbon depois da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-14), o Império Espanhol declina com a Revolução Francesa de 1789 e as guerras napoleônicas.

Quando as forças de Napoleão Bonaparte tomam a Península Ibérica (1807-8), a família real portuguesa foge para o Brasil sob a proteção da Marinha Real britânica e as colônias da América Espanhola começam a proclamar a independência.

A Constituição de Cádiz, de 1812, tenta manter as colônias latino-americanas. Dá representação no Parlamento e institui eleções municipais e provinciais, o que aumenta a agitação política pela independência.

Na América Central, um capitão-general forte, José de Bustamente Y Guerra, e o medo da população crioula de uma revolta indígena adiaram a onda de independências que varria o Império Espanhol na América do Sul.

O governo colonial, com sede na Cidade da Guatemala, reprime revoltas na Guatemala, na Nicarágua e em San Salvador, que só passa a ser El Salvador em 1841. Quando Fernando VII retoma a coroa espanhola, em 1814, suspende a Constituição de Cádiz. A restauração da constituição, em 1820, deflagra um debate político que leva à formação dos partidos conservadores e liberais que mandariam nos países da região por 100 anos.

Um conselho de notáveis reunido na Guatemala aprova o plano de Iturbide para a independência da América Central. Alguns queriam independência da Espanha e do México, e algumas províncias queriam independência da Guatemala, que era sede do governo colonial na região.

Os conservadores da Guatemala conseguem aderir ao império mexicano de Iturbide, mas isto causa uma guerra civil na América Central. San Salvador e Granada não aceitam. Depois de um longo cerco, forças guatemaltecas e mexicanas tomam El Salvador. Mas o império de Iturbide entra em colapso. É substituído por uma república liberal no México, que dá independência à América Central.

Em 1º de julho de 1823, uma assembleia com representantes de todas as províncias declara independência sob o nome de Províncias Unidas da América Central. No ano seguinte, é adotada a Constituição da República Federal da América Central, formada por Costa Rica, Nicarágua, Honduras, San Salvador e Guatemala. Chiapas escolhe se unir ao México e o Panamá vira parte da Colômbia.

As Províncias Unidas se separam em 1840. Até o fim do século 19, há 25 tentativas da Guatemala de restaurar a União. Só terminam em 1885, quando o presidente Justo Rufino Barrios (1873-85) invade El Salvador e morre na Batalha de Chalchuapa.

GUERRA DE TRINCHEIRAS

    Em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), depois da Batalha do Marne, em que os aliados detém a ofensiva da Alemanha na frente ocidental, na França e na Bélgica, os dois lados começam a cavar as primeiras trincheiras na frente ocidental. 

A guerra que todos esperam que seja breve se arrasta por quatro anos.

No momento de maior extensão, as trincheiras vão da costa da Bélgica no Mar do Norte até a região da Alsácia, na fronteira da França com a Suíça. A disputa pela região da Alsácia-Lorena, tomada da França pela Alemanha na Guerra Franco Prussiana (1870-71), é uma das causas da guerra, que termina com a rendição da Alemanha em 11 de novembro de 1918.

TANQUES EM GUERRA

    Em 1916, na Batalha do Somme, o tanque de guerra entra em combate pela primeira vez, como parte do Exército Real britânico.

Desde o início da guerra de trincheiras, o Exército Real pensa em desenvolver um veículo blindado capaz de transportar soldados e passar por cima de buracos de bombas e barreiras de arame farpado. No início de 1915, Winston Churchill cria uma comissão que faz um protótipo.

Quando é aprovado nos testes, o governo britânico encomenda 100 tanques. Eles são enviados à França em agosto de 1916; 49 são usados em 15 de setembro de 1916. São lentos, complicados e inconfiáveis. Só meia dúzia consegue mesmo penetrar em território alemão.

LEIS DO HOLOCAUSTO

    Em 1935, a Alemanha Nazista aprova as Leis de Nurembergue, que dão base legal ao Holocausto. A iniciativa de Adolf Hitler tira dos judeus o direito à cidadania alemã e proíbe relações sexuais e o casamento entre judeus e cidadãos alemães.

São duas leis. A Lei do Cidadão do Reich tira a cidadania alemã dos judeus, que não podem nem desfraldar a bandeira da Alemanha. E a Lei de Proteção do Sangue Alemão e da Honra Alemã proíbe sexo, casamento e até mesmo a contratação da empregadas domésticas judias de menos de 45 anos, em idade reprodutiva. Estão entre as primeiras medidas discriminatórias que causam o Holocausto.

Um decreto complementar de 14 de novembro de 1935 define como judeu alguém que tenha pelo menos um avô judeu e diz expressamente: "Um judeu não pode ser cidadão do Reich. Não pode exercer o direito de voto nem ocupar cargo público."

Logo, os passaportes dos judeus são marcados com um J. Em 29 de março de 1938, os judeus são proibidos de exercer a medicina.

Quando os alemães invadem e anexam outros países, aplicam as Leis de Nurembergue nas regiões ocupadas. Em 20 de janeiro de 1942, na Conferência de Wannsee, em Berlim, os líderes nazistas aprovam a "solução final", o extermínio dos judeus da Europa.

Cerca de 11 milhões de pessoas morrem no Holocausto, sendo 6 milhões de judeus, 1,5 milhão de ciganos, comunistas, socialistas, nacionalistas dos países ocupados, negros e membros da resistência antinazista.

Por causa das leis discriminatórias, o tribunal de crimes de guerra para julgar 24 líderes nazistas é instalado em Nurembergue. É o Julgamento de Nurembergue. Doze são condenados à morte na forca.

BATALHA DA INGLATERRA

    Em 1940, a Força Aérea Real derruba 46 aviões da Luftwaffe que invadem o espaço aéreo britânico, se impondo sobre a Alemanha na Batalha da Inglaterra, uma batalha aérea decisiva para impedir a invasão da Grã-Bretanha pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Depois da invasão da Polônia em 1º de setembro de 1939, no início da guerra, em 1940, Hitler ataca a Europa Ocidental, a Noruega, Holanda, Bélgica e ocupa a França em junho. O próximo alvo é o Reino Unido.

A batalha aérea mais importante da história começa em 10 de julho e vai até 31 de outubro de 1940, na visão britânica, e 11 de maio de 1941, na versão alemã.

“Nunca tantos deveram tanto a tão poucos”, declarou o primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, numa referência aos cerca de 1,5 mil pilotos da Força Aérea Real (RAF) que defenderam o Reino Unido no que ele chamou de "nossa melhor hora".

EUA CONTRA-ATACAM NA COREIA

    Em 1950, sob o comando do general  Douglas McArthur, fuzileiros navais dos Estados Unidos desembarcam na Península de Inchon, na Coreia do Sul, e conquistam uma vitória decisiva para rechaçar a invasão norte-coreana na Guerra da Coreia (1950-53).

A Coreia é ocupada pelo Japão em 1910. Com a derrota iminente do Japão para os EUA, em 9 de agosto de 1945, quando os norte-americanos jogam a segunda bomba atômica, em Nagasaki, a União Soviética declara guerra ao Japão e invade o Norte da Península Coreana. Os EUA tomam o Sul, dividindo o país ao longo do paralelo 38º Norte.

Com a Guerra Fria, em 1948, nascem a República Popular Democrática da Coreia (Coreia do Norte), comunista, e a República da Coreia (Coreia do Sul). Ambas reivindicam a soberania sobre toda a península.

Em 25 de junho de 1950, o ditador comunista norte-coreano, o Grande Líder Kim Il Sung, manda invadir o Sul para reunificar o país. Os EUA intervêm em apoio à Coreia do Sul.

Com um mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas, boicotado pela URSS por causa da não inclusão da República Popular da China (comunista), os EUA e aliados contra-atacam e tentam reunificar a Península Coreana. A China entra na guerra e empurra os norte-americanos de volta para baixo do paralelo 38º N.

A Guerra da Coreia termina em 27 de julho de 1953 com um armistício. Até hoje, não foi assinado um acordo de paz. Desde 2006, a Coreia do Norte tem armas nucleares.

ALI TRÊS VEZES CAMPEÃO MUNDIAL

    Em 1978, Muhammad Ali vence Leon Spinks e se torna campeão mundial de boxe na categoria peso-pesado pela terceira vez.

Cassius Marcellus Clay Jr. ganha a medalha de ouro do boxe na categoria peso meio-pesado na Olimpíada de Roma, em 1960, e o título mundial dos pesos pesados ao vencer Sonny Liston surpreendentemente em 25 de janeiro de 1964. 

Naquele ano, ele se converte ao islamismo e muda o nome para Muhammad Ali, alegando que usava o sobrenome do senhor de escravos que um dia foi dono de sua família.

Em 1966, Ali rejeita a convocação para o serviço militar por ser contra a Guerra do Vietnã e perde o título mundial. 

Quando a Suprema Corte anula sua condenação, ele volta a lutar. Faz a Luta do Século  e perde para Joe Frazier por pontos em 8 de março de 1971. Recupera o título numa luta mais espetacular ainda, ao vencer George Foreman em Kinshasa, no Zaire, em 30 de outubro de 1974. E ganha uma inédita terceira vez ao vencer Leon Spinks.

GRANDE RECESSÃO

    Em 2008, o banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers declara falência, deflagrando uma crise econômico-financeira que seria conhecida como Grande Recessão (2007-9), com impacto no mundo inteiro.


É o dia em que Wall Street, o centro financeiro de Nova York, fale o mundo, destruindo o mito neoliberal de que o mercado é capaz de se autorregulamentar.

Quando estoura a bolha especulativa das empresas ponto.com, em maio de 2000, o Conselho da Reserva Federal (Fed), o banco central dos Estados Unidos, baixa a taxa básica de juros para 1% ao ano. A recessão acaba em março de 2001, mas isto não fica claro imediatamente.

Por medo do impacto econômico dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, o Fed mantém as taxas de juros baixas. Na prática, distribui dinheiro aos bancos, que financiam a casa própria a juros baixos. Emprestam primeiro para quem pode pagar, mas também para os clientes de segunda linha (subprime), com problemas de crédito no passado.

Para não ficar com o risco, os bancos emitem títulos da dívida hipotecária. Vindo de uma economia sólida como os EUA, com um grande mercado imobiliário, a dívida é terceirizada. Quando o Fed sobe a taxa básica de juros, que chega a 5,25% ao ano em junho de 2006, os juros dos financiamentos sobem na mesma medida e vários mutuários, especialmente os de segunda linha, começam a não pagar.

O problema das hipotecas gera uma crise financeira global a partir de Wall Street. O sistema financeiro, o sangue da economia capitalista, funciona porque os bancos emprestam dinheiro e fazem transferências entre si. Isto exige uma confiança de que o negócio será pago. Chega um momento em que nenhuma instituição financeira sabe com certeza da saúde financeiras das outras. Há uma paralisia no mercado de crédito porque ninguém sabe se vai receber.

A falência do Lehman Brothers, depois que o governo dos EUA não encontra um comprador e não quer intervir no banco, é o início. Mais greve é a situação da maior seguradora do mundo, AIG (America International Group), que tinha desde seguros de carros e imóveis a seguros de grandes empresas e até credit default swaps (obrigações colateralizadas de crédito), um seguro de operações financeiras.

Com dívidas de US$ 180 bilhões, a seguradora AIG é considerada grandes demais para quebrar. Haveria um choque sistêmico na economia dos EUA, com um setor de seguros desenvolvidos.

O presidente George W. Bush lança o Programa de Alívio de Ativos Tóxicos (TARP), de US$ 750 bilhões, e convoca uma reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20), que reúne as 19 maiores economias do mundo e a União Europeia (UE) em busca de uma solução. Os bancos centrais dos países ricos mobilizam US$ 5 trilhões em garantias de crédito e o sistema voltar a funcionar. O Estado salva o mercado.

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terça-feira, 28 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 28 de Abril

MOTIM NO BOUNTY

    Em 1789, durante uma viagem do Taiti para o Caribe, um motim liderado pelo capitão Flechter Christian toma o navio britânico Bounty, deixa o capitão William Bligh, autoritário e opresssor, e 18 marinheiros leais a ele num pequeno barco à deriva no Oceano Pacífico, e segue para Tubuai, ao sul do Taiti.

O Bounty sai do Taiti em 4 de abril com uma carga de fruta-pão. Perto de Tonga, Christian e outros 28 marinheiros se amotinam. No pequeno barco de 7 metros, Bligh e seus homens chegam ao Timor em 14 de junho depois de uma viagem de 5.750 quilômetros em mar aberto.

Com o fracasso da colônia que tentam criar, em janeiro de 1790, os rebeldes do Bounty vão para o Taiti, onde 16 resolvem ficar. Christian e outros oito amotinados, seis homens taitianos e pelo menos 12 mulheres e uma criança vão para Pitcairn, uma ilha vulcânica desabitada a mais de 1,6 mil km do Taiti.

Os amotinados que ficam no Taiti são presos. Três são enforcados. 

Em 1808, um navio baleeiro norte-americano vê fumaça no ar e descobre uma comunidade liderada por John Adams, único sobrevivente do motim do Bounty. Um navio britânico lhe concede anistia em 1825.

A história é contada no filme Motim no Bounty, com Marlon Brando como Fletcher Christian.

LIGA DAS NAÇÕES

    Em 1919, a Conferência de Versalhes decide criar a Sociedade das Nações ou Liga das Nações, a primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial. É uma das propostas do plano de 14 pontos do presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson (1913-21), para acabar com a Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Os EUA historicamente não se envolviam em guerras na Europa. Para convencer os norte-americanos da necessidade de entrar na guerra, Wilson afirma que é "a guerra para acabar com todas as guerras". Em 8 de janeiro de 1918, ele apresenta o plano de paz de 14 pontos ao Congresso dos EUA.

A participação dos EUA é decisiva para a derrota da Alemanha pelos aliados, Reino Unido e França. Com a derrota, desaparecem os impérios Alemão, Austro-Húngaro, Russo e Otomano (turco). A conferência de paz, dominada pelos vencedores, é conhecida como "a paz para acabar com todas as pazes".

Quando o Tratado de Versalhes, que impõe pesadas indenizações à Alemanha, é assinado, em 28 de junho de 1919, 44 países assinam junto a Convenção da Liga das Nações, instalada em 20 de janeiro de 1920.

Wilson ganha o Prêmio Nobel da Paz de 2019 por criar a Liga das Nações, mas o Senado dos EUA não ratifica a Convenção da Liga das Nações. Assim, o país fica fora. O Brasil sai em 1925, em protesto por não fazer parte do conselho.

A Liga dá mandatos aos impérios Britânico e Francês para administrar o Oriente Médio depois da dissolução do Império Otomano, em tese, para preparar os países árabes para a independência. O moderno Oriente Médio surge daí e sofre até hoje da Síndrome Pós-Otomana.

Mas a Liga não cria uma estrutura para garantir a paz. Todos os países têm o mesmo voto. Quando o Japão invade a Manchúria, em 1931, e o Leste da China, em 1937; a Itália Fascista de Benito Mussolini ocupa a Etiópia, em 1935; e a Alemanha Nazista de Adolf Hitler anexa a Áustria e a Tcheco-Eslováquia, em 1938 e 1939; a Liga não reage. Não consegue evitar a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

A Liga das Nações faz sua última reunião em abril de 1946.

Outro presidente dos EUA, Franklin Delano Roosevelt (1933-45), articula durante a guerra a criação da Organização das Nações Unidas (ONU), que autoriza o uso da força com a aprovação do Conselho de Segurança. Como os cinco grandes vencedores da guerra (EUA, França, Reino Unido, URSS e China) têm direito de veto, o sistema ONU cria um condomínio de grandes potências com recursos e capacidade militar para intervir. 

O veto causa uma paralisia do sistema. Raramente há um consenso para usar a força. As grandes potências se dão o direito de ir à guerra e de vetar qualquer resposta da ONU, e ainda protegem aliados.

MUSSOLINI E AMANTE EXECUTADOS

    Em 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o líder fascista e ditador da Itália, Benito Mussolini, o Duce, e sua amante, Clara Petacci, presos no dia anterior, são fuzilados por guerrilheiros comunistas da resistência antifascista quando tentam fugir para a Suíça.

Fundador do fascismo, Mussolini vira primeiro-ministro da Itália em 31 de outubro de 1922, mais de 10 anos antes de Adolf Hitler na Alemanha, seu grande aliado na guerra em que entra em 10 de junho de 1940.

Cai pela primeira vez em 25 de julho de 1943, quando é deposto pelo Grande Conselho por levar a Itália a uma derrota militar desastrosa, nomear incompetentes para altos cargos e alienar grande parte da população.

Preso no mesmo dia, ao sair de uma audiência de rotina com o rei Vítor Emanuel III para fazer um relato sobre a guerra, Mussolini é resgatado por forças especiais da Alemanha. Até a derrota final, chefia um governo, a República Social Italiana, nas regiões da Itália sob o controle dos nazifascistas.

FIM DA OCUPAÇÃO DO JAPÃO

    Em 1952, termina a única ocupação da história do Japão, que começa com a rendição do país na Segunda Guerra Mundial (1939-45), mas até hoje os Estados Unidos mantêm forças em território japonês. 

O Império do Japão invade a província chinesa da Manchúria em 1931 e as principais cidades da China em 1937. 

Depois do início da Segunda Guerra Mundial na Europa, em 1º de setembro de 1939, o Japão invade o Vietnã, então parte da Indochina Francesa, em setembro de 1940, sob o pretexto de liberar países asiáticos do colonialismo europeu.

Em 7 de dezembro de 1941, a Força Aérea do Japão faz um ataque de surpresa contra a Frota do Pacífico dos EUA, estacionada em Pearl Harbor, no Havaí. Os EUA entram na guerra. O Japão se rende em 2 de setembro de 1945, depois de ser atacado com bombas atômicas em Hiroxima, em 6 de agosto, e Nagasáki, em 9 de agosto daquele ano.

Os EUA preservam o imperador Hiroíto, mas impõem uma Constituição pacifista em 1947, que proíbe o Japão de projetar seu poderio militar no exterior. Em 8 de setembro de 1951, 49 países assinam o Tratado de São Francisco, que entra em vigor em 28 de abril de 1952. Shigeru Yoshida, que colabora com o general Douglas MacArthur, comandante da ocupação, se torna primeiro-ministro do Japão.

ALI REJEITA CONVOCAÇÃO

    Em 1967, o campeão mundial de boxe peso-pesado, Muhammad Ali, recusa a convocação do Exército dos Estados Unidos para lutar na Guerra do Vietnã e perde o título. Anos depois, a condenação é revogada pela Suprema Corte e Ali recupera o título duas vezes. Até hoje, é o único peso-pesado a ser três vezes campeão, em 1964, 1974 e 1978.

Um dos maiores boxeadores de todos os tempos, Ali nasce em Louisville, no Kentucky, em 17 de janeiro de 1942. É batizado como Cassius Marcelus Clay Jr. Aos 18 anos, ganha a medalha de ouro na Olimpíada de Roma. 

Aos 22 anos, em 1964, surpreende o mundo ao vencer Sonny Liston e se tornar campeão mundial dos pesos pesados. No mesmo ano, converte-se ao Islã e muda de nome para Muhammad Ali. Rejeita o sobrenome herdado do senhor de escravos que era dono de sua família, como era o padrão nos EUA.

Arrogante, pretensioso e cheio de si, Cassius Clay declara ao bater Liston pela primeira vez, em 1964: "Sou o maior do mundo." Na revanche contra Liston, promete um nocaute em 90 segundos e cumpre a promessa. Muita gente ainda está entrando no ginásio quando a luta acaba. Nasce uma lenda do esporte.

Ao descrever seu estilo, declara: "Flutuo como uma borboleta e ferro como uma abelha."

Politicamente consciente, Ali luta contra o racismo e se recusa a ir para o Vietnã: "Nenhum vietcongue me chamou de crioulo para eu atirar nele."

Como desertor, tem o título mundial cassado. Em 1971, a Suprema Corte aceita seu recurso. Todas as acusações e punições são anuladas. É um caso clássico de objeção de consciência.

Ao tentar reconquistar seu título, Ali perde por pontos uma luta memorável com Joe Frazier em que chega a cair na lona e dá vários socos curtos (jabs) na testa do adversário de menor estatura para mantê-lo à distância. É sua primeira derrota como profissional. Depois da luta, Frazier passa longo tempo hospitalizado, mas Ali fica sem o título.

Ali voltaria a ser o maior do mundo na Luta do Século contra George Foreman realizada em 30 de setembro de 1974 em Kinshasa, a capital do Zaire, na África, e imortalizada no livro A Luta, do escritor americano Norman Mailer.

Ele chega com todo o seu espírito e sua ironia: "Se você pensa que [o presidente norte-americano Richard] Nixon surpreendeu o mundo ao renunciar, espere até eu esmagar Foreman."

Mais jovem e mais forte, Foreman tem 25 anos e Ali 32. O campeão submete o ex-campeão a uma saraivada de golpes desde o início da luta. Com toda sua técnica e talento, Ali se defende como pode até dar o bote fatal no fim do oitavo assalto. Naquele momento, Ali já lidera na contagem de pontos de todos os jurados.

Em declínio, ele perde por pontos para Leon Spinks com os jurados divididos em fevereiro de 1978 em Las Vegas. Na revanche, em Nova Orleans, Ali ganha por decisão unânime dos jurados, tornando-se o único lutador até hoje a ser três vezes campeão mundial da categoria peso pesado.

Em 27 de julho de 1979, Ali anuncia sua aposentadoria. Ainda trava uma luta patética com Larry Holmes em outubro de 1980, que teria contribuído para o Mal de Parkinson, diagnosticado em 1984. A doença é atribuída às pancadas na cabeça que um boxer recebe, especialmente na categoria peso pesado.

Em 1996, Ali acende a pira da Olimpíada de Atlanta, nos EUA.

Aos 74 anos, Muhammad Ali é internado num hospital de Phoenix, no Arizona, com problemas pulmonares e morre em 3 de junho de 2016.

DE GAULLE RENUNCIA

    Em 1969, o general Charles de Gaulle, líder do governo francês no exílio durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), renuncia à Presidência da França.

Charles André Joseph Marie de Gaulle nasce em Lille, no Norte da França, em 22 de novembro de 1890 e se torna militar, político, estadista, escritor e fundador da 5ª República. Preso na Batalha de Verdun durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), é prisioneiro de guerra por dois anos e oito meses. 

Nos anos 1920 e 1930, defende a guerra de blindados e a aviação militar, que vê como maneira de superar o impasse da guerra de trincheiras que caracterizou a Primeira Guerra Mundial.

Quando a Alemanha Nazista ocupa a França na Segunda Guerra Mundial, De Gaulle foge para o exílio na Inglaterra e se torna o líder da França Livre, o governo no exílio. Com a libertação da França em agosto de 1944, ele forma o governo provisório que dura até 1946.

Em 1958, é nomeado primeiro-ministro e reescreve a Constituição da França, fundando a 5ª República. É eleito presidente no fim do ano e toma posse em 8 de janeiro de 1959. Governa a França por 10 anos, inclusive durante a Revolução dos Estudantes de maio de 1968, quando sai do país. Volta com o apoio do Exército e amplia a maioria na Assembleia Nacional, mas renuncia ao perder um referendo que propõe a descentralização do Estado francês.

Os partidos gaullistas, da direita conservadora e republicana, presidem a França com Georges Pompidou (1969-74), Jacques Chirac (1995-2007) e Nicolas Sarkozy (2007-12), mas sua posição é abalada pela ascensão de Emmanuel Macron, que atrai eleitores do Partido Socialista e do gaullismo.

EUA TORTURAM NO IRAQUE

    Em 2004, a rede de televisão norte-americana CBS (Columbia Broadcasting System) mostra fotos da tortura a iraquianos na prisão de Abu Ghraib, perto de Badgá, durante a invasão dos Estados Unidos ao Iraque para derrubar o ditador Saddam Hussein.

A prisão é mal-afamada na ditadura de Saddam por ser um centro de detenção e tortura de prisioneiros políticos. Os EUA a fecham após a queda do ditador, em abril de 2003, e a reabrem em agosto do mesmo ano.

O tratamento cruel e desumano de presos é proibido pela 8ª Emenda à Constituição dos EUA, mas é autorizado no governo George Walker Bush (2001-9) dentro da Guerra contra o Terror deflagrada pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. 

No começo de 2002, o governo Bush começa a enviar presos na luta contra o terrorismo dos extremistas muçulmanos para uma prisão em Guantânamo, uma parte do território de Cuba ocupado pelos EUA para lhes negar os direitos que teriam em julgamentos nos EUA e até mesmo os conferidos pela Convenção de Genebra sobre Prisioneiros de Guerra, sob a alegação de que não pertencem a um exército regular nem obedecem a uma cadeia do comando.

A tortura é uma prática corriqueira em Guantânamo e o mesmo acontece no Iraque. Aliás, os EUA usam outros países, inclusive a Líbia do ditador Muamar Kadafi, para prender e torturar suspeitos de terrorismo.

As fotos de Abu Ghraib confirmam os abusos, a tortura e a morte de prisioneiros nas mãos do Exército dos EUA. As denúncias começam logo depois da invasão do Iraque, em 20 de março de 2003. Em novembro de 2003, a agência de notícias Associated Press. Quando o programa 60 Minutes, da CBS, divulga as fotos, é um escândalo.

A invasão do Iraque sob o falso pretexto de que Saddam tinha armas de destruição em massa desmoralizou os EUA e sua pregação de que o fim da Guerra Fria traria uma nova ordem internacional baseada na democracia e nos direitos. Acabou com a solidariedade internacional que o país recebeu depois do ataque às Torres Gêmeas do Centro Mundial de Comércio de Nova York.

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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 25 de Fevereiro

PAPA EXCOMUNGA ELIZABETH I

    Em 1570, o Papa Pio V excomunga a rainha Elizabeth I, da Inglaterra, e absolve seus súditos de qualquer juramento de lealdade que tenham feito a ela.

Elizabeth Tudor nasce em 7 de setembro de 1533 em Greenwich, na Inglaterra, filha de Henrique VIII e Ana Bolena, sua segunda esposa. Para casar pela segunda vez, o rei rompe com a Igreja Católica e faz a Reforma Protestante na Inglaterra, criando a Igreja Anglicana em 1534. Assim, Elizabeth é protestante.

Quando Ana Bolena é acusada de adultério e executada na Torre de Londres, o casamento é anulado e Elizabeth vira filha bastarda do rei, mas a sexta e última esposa de Henrique VIII, Catherine Parr, a acolhe de volta na corte.

Depois da morte de Henrique VIII, seu filho homem, Eduardo VI, reina por seis anos, e Maria I, que é católica, por cinco anos. Logo depois de ascender ao trono, Elizabeth I reinstaura o protestantismo na Inglaterra e reverte as medidas da meia-irmã para reimpor o catolicismo.

Em 1559, Elizabeth I baixa o Ato de Supremacia, que declara que a rainha é a chefe da Igreja da Inglaterra, e o Ato de Uniformidade, que estabelece as regras de liturgia da Igreja. Pastores e funcionários públicos são obrigados a jurar lealdade à rainha como chefe da Igreja.

Muitos nobres e aristocratas, e a maioria dos cidadãos comuns, mantêm lealdade à antiga fé, mas todos os cargos importantes no governo e na Igreja são ocupados por protestantes.

Como a Igreja Anglicana mantém os rituais da Igreja Católica, muitos protestantes, como por exemplo os calvinistas, consideram a Reforma na Inglaterra aquém do necessário e pressionam por mudanças mais profundas na hierarquia e nos tribunais religiosos.

Em 1569, o Exército de Elizabeth I esmaga uma revolta de nobres católicos no Norte da Inglaterra. Maria Stuart, rainha da Escócia, que desde 1568 está exilada na Inglaterra, mais presa do que convidada, é acusada de ligação com a revolta e executada.

A prisão e morte da rainha que católicos ingleses consideram a legítima herdeira do trono da Inglaterra aumenta a tensão religiosa e leva o papa a excomungar Elizabeth I. 

É uma era de conflitos religiosos na Europa pós-Reforma Protestante. Na Noite de São Bartolomeu, em 24 de agosto de 1572, os católicos franceses massacram os protestantes huguenotes. Só em Paris, são 3 mil mortos. Muitos protestantes franceses se refugiam na Inglaterra.

Os conflitos religiosos só terminam no continente em 1648, com o fim da Guerra dos Trinta Anos, e na Inglaterra em 1689, com a vitória da Revolução Gloriosa.

NASCIMENTO DE GEORGE HARRISON

    Em 1943, nasce em Liverpool, na Inglaterra, o guitarrista, cantor, compositor e produtor musical George Harrison, o solista de guitarra dos Beatles, a mais importante banda de rock and roll de todos os tempos.

O beatle quieto e discreto, como era conhecido, adere ao hinduísmo e amplia os horizontes musicais dos outros membros da banda ao introduzir instrumentos musicais indianos. A maioria das canções dos Beatles são composições de John Lennon e Paul McCartney, mas George é autor de grandes sucessos como Taxman, While My Guitar Gently Weeps, Here Comes the Sun e Something, a segunda música mais regravada dos Beatles, depois de Yesterday.

Depois da dissolução da banda, George lança um aclamado álbum triplo, All Things Must Pass, e organiza com o citarista indiano Ravi Shankar o Concerto para Bangladesh para arrecadar dinheiro para o povo miserável do novo país, o antigo Paquistão Oriental, no fim de uma guerra entre Índia e Paquistão.

Em 1988, ele funda o supergrupo Traveling Wilburys com Bob Dylan, Jeff Lynne, Roy Orbison e Tom Petty. Fumante, George morre aos 58 anos de câncer de pulmão em Los Angeles em 29 de novembro de 2001.

DENUNCIA DO STALINISMO

    Em 1956, no encerramento do 20º Congresso do Partido Comunista da União Soviética, o líder do partido, Nikita Kruschev, denuncia os crimes de Josef Stalin.

Numa sessão fechada do primeiro congresso do PC desde a morte do grande ditador soviético em 5 de março de 1953, cerca de 1.500 delegados ouvem o discurso O Culto da Personalidade e Suas Consequências.

Durante quatro horas, Kruschev acusa Stalin de "graves abusos de poder", de "prisões em massa e deportações de milhares e milhares de pessoas, de execuções sumárias sem investigação nem julgamento", o que gerou "insegurança, medo e desespero". 

"Em toda uma série de casos", afirma Kruschev, Stalin "mostrou sua intolerância, sua brutalidade, seu abuso de poder. (...) Com frequência, escolheu o caminho da repressão e da aniquilação física não apenas contra verdadeiros inimigos, mas também contra pessoas que não haviam cometido nenhum crime contra o partido ou contra o governo soviético." 

Pessoas inocentes foram forçadas a confessar crimes "por causa de métodos físicos de pressão, tortura, reduzindo-os à inconsciência, privando-os de julgamento, tirando-lhes a dignidade humana". 

Stalin "chamou pessoalmente o interrogador, deu-lhe instruções e disse-lhe quais métodos usar, métodos que eram simples – bater, bater e, mais uma vez, bater". 

Kruschev também ataca o desempenho "incompetente" de Stalin na guerra e a deportação "monstruosa" dos povos caucasianos. Stalin foi responsável pela ruína da agricultura e por promover seu próprio culto "nauseantemente falso" da personalidade. 

Stalin traiu as ideias e o legado de Lenin, proclama Kruschev. Sua condenação foi limitada. Enquanto 'trotskistas' e 'bukharinistas' oposicionistas a Stalin não mereciam "aniquilação física", eles eram "inimigos ideológicos e políticos". 

Em sua defesa, Kruschev alega que ele e outros colaboradores do Politburo de Stalin só estavam agindo agora porque "viam essas questões de forma diferente em momentos diferentes". Ele alega que eles não sabiam o que Stalin fez em seu nome e, quando descobriram, era tarde demais. 

Kruschev também diz que Stalin tinha planos de acabar com seus camaradas do Politburo, para "destruí-los de modo a esconder os atos vergonhosos sobre os quais agora estamos relatando". Supostamente, os líderes e antigos aliados de Stalin, Viacheslav Molotov, Georgy Malenkov, Lazar Kaganovich e Kliment Voroshilov, ficam extasiados. 

O conteúdo do "discurso secreto" logo se espalha. Os delegados da Europa Oriental são autorizados a ouvi-lo na noite seguinte. Até 5 de março, cópias são enviadas a toda a União Soviética. Uma tradução oficial aparece dentro de um mês na Polônia, onde 12 mil cópias são impressas, uma das quais chega ao Ocidente. 

 Ao denunciar Stalin, Kruschev não procura mudar a sociedade soviética fundamentalmente. Quer mais consolidar o poder, mas seu discurso tem efeitos amplos e de longo prazo. É um golpe arrasador para os regimes stalinistas em todos os lugares e um fator para desencadear uma revolta na Polônia e a Revolução Húngara de 1956. 

Décadas depois, Mikhail Gorbachev, o último líder da URSS, elogia Kruschev como "um homem moral, apesar de tudo".

CASSIUS CLAY CAMPEÃO MUNDIAL

    Em 1964, aos 22 anos, com excelentes esquivas e jogo de pernas, saltitante, Cassius Marcellus Clay vence o campeão Sonny Liston, muito mais forte fisicamente, por nocaute técnico no sétimo assalto e toma o título mundial de boxe da categoria peso-pesado. É o início de uma carreira brilhante em que se torna campeão mundial três vezes.

Liston ganha o título ao nocautear duas vezes o campeão mundial anterior, Floyd Patterson, no primeiro assalto. É o favorito nas casas de apostas a 8 por 1. 

Falastrão, Clay promete ganhar a luta por nocaute no oitavo assalto "flutuando como uma borboleta e ferrando como uma abelha". No fim do sétimo assalto, Liston se queixa de uma dor no ombro. Com uma luxação na clavícula, Liston não volta mais e Clay é proclamado campeão.

Meses depois, ele abandona o nome de batismo porque os negros norte-americanos tinham o sobrenome das famílias que escravizavam seus avós. Muçulmano, passa a se chamar Muhammad Ali.

Ele nasce em Louisville, no estado do Kentucky, em 1942. Começa no boxe aos 12 anos. Ao 18 anos, completa 100 vitórias no boxe amador. Em 1960, ganha uma medalha de ouro na Olimpíada de Roma. Quando tenta festejar o título tomando café no centro de sua cidade natal, não é atendido por ser negro.

Por rejeitar a convocação para a Guerra do Vietnã, Ali perde o título em 1967. Ele alega objeção de consciência: "Por que me pedem para botar um uniforme e ir a 10 mil milhas de casa jogar bombas em pessoas morenas no Vietnã quando as pessoas chamadas de negros no Kentucky são tratadas como cães e não têm os mínimos direitos humanos? Nenhum vietnamita me chamou de crioulo."

Ali volta ao boxe em 1970. No ano seguinte, a Suprema Corte anula a condenação por se negar a servir o Exército em plena guerra. Em 8 de março de 1971, no Madison Square Garden, em Nova York, ele perde por pontos a Luta do Século em 15 assaltos contra Joe Frazier, nocauteado por George Foreman em dois assaltos em 22 de janeiro de 1973, em Kingston, na Jamaica.

Isto abre caminho para outra luta do século, Ali x Foreman, em Kinshasa, no Zaire (hoje República Democrática do Congo), em 30 de outubro de 1974. Depois de resistir à saraivada de golpes do adversário, Ali conquista o título mundial de boxe peso-pesado pela segunda vez.

Em 1978, Leon Spinks o vence e conquista o título, mas Ali ganha a revanche e se torna o único peso-pesado a ganhar o título três vezes. Em 1984, é diagnosticado com mal de Parkinson por causa dos golpes recebidos na cabeça quando era boxeador. Ele acende a pira na Olimpíada de Atlanta, em 1996. Vive até 3 de junho de 2016.

QUEDA DE FERDINAND MARCOS

    Em 1986, sob pressão dos Estados Unidos, que durante décadas apoia sua ditadura, o ditador Ferdinand Marcos foge das Filipinas para o Havaí e a oposicionista Corazón Aquino, derrotada em eleição fraudulenta, assume a Presidência.

Ferdinand Emmanuel Edralín Marcos nasce em Sarrat, nas Filipinas, em 11 de setembro de 1917, filho de Mariano Marcos, um advogado e congressista de Ilocos Norte executado por guerrilheiros em 1945 por ter colaborado com o Japão durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Depois da guerra, as Filipinas se tornam independentes dos EUA.

Ferdinand estuda direito na Universidade das Filipinas. Em 1933, é acusado de matar um adversário político do pai. Condenado em novembro de 1939, é absolvido no ano seguinte pela Suprema Corte. É eleito deputado em 1949, para o Senado em 1959 e para a Presidência em 1965.

Em 1969, Marcos torna-se o primeiro presidente reeleito da história das Filipinas. Três anos depois, em 21 de setembro de 1972, invocando a ameaça comunista, decreta lei marcial e vira um ditador. Seu governo é marcado pela brutalidade, a corrupção e a extravagância.

Marcos vai de advogado e político a ditador e cleptocrata. Quando cai, descobre-se a coleção de 1.200 pares de sapato da primeira-dama, Imelda Marcos, que vira um símbolo da ostentação e da corrupção.

A lei marcial é ratificada num plebiscito fraudulento em 1973. Sob a censura, a violência e a repressão, dois grupos guerrilheiros lutam contra a ditadura de Ferdinand Marcos, um maoísta e outro muçulmano.

Depois de uma terceira reeleição em 1981, as Filipinas enfrentam uma crise econômica que atinge mercados emergentes com a Crise da Dívida da América Latina, em 1982. Com a economia em colapso, Marcos comete um erro fatal.

Ao voltar ao país, o líder da oposição, Benigno Aquino, é assassinado no aeroporto de Manila em 23 de agosto de 1983. A oposição ressurge com força nas eleições parlamentares de 1984 e a viúva de Benigno Aquino se apresenta como candidata para desafiar o ditador.

Diante da fraude, uma onda de protestos populares toma conta das ruas e derruba Marcos. Durante sua cleptocracia, a família rouba entre 5 a 10 bilhões de dólares do Banco Central das Filipinas. Seu filho, Ferdinand Marcos Jr., preside as Filipinas desde 30 de junho de 2022.

VITÓRIA DE VIOLETA CHAMORRO

    Em 1990, num resultado surpreendente, com 54% dos votos, a candidata da oposição, Violeta Chamorro, vence a eleição presidencial na Nicarágua, derrotando o presidente Daniel Ortega, da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), que derrubara a ditadura de Anastasio Somoza em 19 de julho de 1979.

Violeta Barrios de Chamorro é outra viúva que entra na política como herdeira do marido assassinado. Pedro Joaquín Chamorro era um jornalista de oposição, diretor do jornal La Prensa, visto como a melhor alternativa à dinastia de ditadores da família Somoza, que mandava na Nicarágua desde 1933. Seu assassinato, em 10 de janeiro de 1978, mata a última chance de uma transição negociada com a ditadura de Tachito Somoza.

Com o assassinato de Pedro Joaquín Chamorro, a luta armada ganha mais força e os EUA abandonam o ditador, que cai em julho de 1979. A FSLN se instala no poder com uma junta de nove comandantes, chamados de nueve fidelitos, entre eles dois Ortegas, que tinham perdido um irmão considerado herói da revolução. Daniel Ortega se torna presidente e Humberto Ortega, ministro da Defesa.

Daniel Ortega vence a eleição de 1984, que a oposição boicota sob pressão do governo Ronald Reagan nos Estados Unidos, que financia os rebeldes contrarrevolucionários e a campanha de Violeta Chamorro. Ela chega a fazer parte do governo revolucionário em 1979-80, mas se desilude com o esquerdismo da FSLN, assume a direção do jornal La Prensa e se torna a principal voz da oposição.

Sua vitória leva ao fim da guerra civil e ao desarmamento dos contras, como eram conhecidos os rebeldes. No poder, Violeta Chamorro adota uma política econômica neoliberal, desvaloriza a córdoba em 400%, privatiza empresas, fecha a companhia estatal de trens e corta benefícios sociais. O desemprego chega a 24%. Também abre mão de uma multa de US$ 17 bilhões que a Corte Internacional de Justiça impõe aos EUA por apoiar os contras e minar portos nicaraguenses.

Ortega volta ao poder em 2007, com o apoio do somozismo, do ex-presidente Arnoldo Alemán, preso por corrupção, para nunca mais sair. Nomeia juízes amigos para a Corte Suprema ignora as restrições à reeleição e impõe uma ditadura, ao lado da mulher e vice-presidente Rosario Murillo, que prende todos os candidatos da oposição na eleição de 2021, expulsa mais de 200 oposicionistas e persegue até a Igreja Católica, hoje a principal voz dissidente na Nicarágua. 

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 30 de Outubro

 INÍCIO DA DINASTIA TUDOR

    Em 1485, depois de vencer Ricardo III na Batalha de Bostworth em 22 de agosto, Henrique Tudor é coroado rei da Inglaterra como Henrique VII. É o fim da Guerra das Duas Rosas (1455-85) e o início da Dinastia Tudor, que governa o país até a morte de Elizabeth I, em 1603.

Henrique nasce no Castelo de Pembroke, no Condado de Pembroke, no País de Gales, em 28 de janeiro de 1457. Sua mãe é bisneta de João de Gante, filho de Eduardo III e pai de Dona Filipa de Lencastre, rainha de Portugal e mãe do Infante Dom Henrique.

Durante a Guerra das Duas Rosas, uma luta entre as dinastias de Lancaster e York, herdeiras de Eduardo III, ele foge para a França, onde recebe a proteção de nobres bretões. Com a morte de Eduardo IV, em 1483, e a usurpação do trono por Ricardo III, suspeito de mandar matar os principezinhos Eduardo V e Ricardo, encarcerados na Torre de Londres, Henrique Tudor decide reivindicar seu direito ao trono como chefe da Dinastia de Lancaster.

Em dezembro de 1483, Henrique faz um juramento na Catedral de Rennes, na França, e promete casar com Isabel de York para pacificar o país caso se torne rei da Inglaterra.

Os regentes do jovem rei Carlos VIII da França decidem ajudar Henrique Tudor. Fornecem-lhe dinheiro, navios e homens para lutar pela coroa da Inglaterra. Henrique desembarca em agosto de 1485 no País de Gales com 2 mil aliados e 1,8 mil mercenários recrutados nas prisões francesas. Em Gales, convoca arqueiros habilidosos e chega à Inglaterra com um exército de 5 mil homens.

Ricardo III consegue reunir 6 mil homens e espera o reforço dos poderosos irmãos Stanley, que não entram em combate. O rei usurpador morre em combate. Henrique Tudor é coroado no campo de batalha em Bosworth com a coroa de Ricardo III. A cerimônia oficial da coroação acontece dois meses depois.

Henrique VII é o pai de Henrique VIII, que rompe com o Vaticano e faz a Reforma da Igreja na Inglaterra em 1534 para se divorciar e casar de novo na esperança ter um filho homem e evitar as guerras de príncipes pela sucessão. O filho homem, Eduardo VI, é fraco. Reina por apenas seis anos. 

As irmãs católica e protestante brigam pelo trono e o país tem guerras religiosas, inclusive a Guerra Civil Inglesa, que só acabam com a Revolução Gloriosa (1688-89). Elizabeth I é a rainha mais poderosa da história da Inglaterra e planta a semente do Império Britânico. Conhecida como a Rainha Virgem, não deixa sucessores. O trono passa para a Dinastia de Stuart, escocesa.

IMPÉRIO OTOMANO SE RENDE

    Em 1918, o comandante naval do Império Britânico no Mar Egeu negocia uma trégua com o Império Otomano (turco), que assim encerra sua participação na Primeira Guerra Mundial (1914-18).

O Império Otomano, em declínio desde o século 17, fica neutro no início da guerra, em julho e agosto de 1914, mas em outubro faz aliança com a Alemanha e entra na guerra do lado dos Poderes Centrais, que formam com a Itália a Tríplice Aliança (Alemanha, Áustria-Hungria e Itália). A Itália não entra na guerra, alegando que a aliança é defensiva e que os impérios germânicos são os agressores. 

Os turcos defendem a Península de Gallípoli contra uma maciça invasão dos aliados da Tríplice Entente (França, Reino Unido e Rússia) em 1915 e 1916, mas são derrotados pela Revolta Árabe (1916-18), apoiada pelo Reino Unido e a Rússia.

A trégua assinada entre o Reino Unido e o Império Otomano irrita o primeiro-ministro da França, Georges Clemenceau. 

Com a dissolução do Império Otomano no pós-guerra, a França e o Reino Unido recebem mandatos da Liga das Nações para administrar o Oriente Médio. A França fica com o que hoje é a Síria e o Líbano. O Império Britânico fica com a Palestina, a Península Arábica e o que hoje é o Iraque. Nasce a República da Turquia. O Irã sempre foi independente.

GUERRA DOS MUNDOS

    Em 1938, um programa de radioteatro feito por Orson Welles com base no livro A Guerra dos Mundos, de Herbert George Wells, uma ficção sobre a invasão da Terra por marcianos, causa pânico, mas não muito, porque a audiência é pequena.

O programa começa às 20h e anuncia que será baseado no livro. É a era de ouro do rádio e domingo à noite é o horário nobre do rádio nos Estados Unidos. Milhões de pessoas estão na audiência, mas a maioria ouve um programa humorístico na NBC e só muda para o programa de Orson Welles às 20h12. Não ouve a explicação inicial e sintoniza quando a invasão marciana está em andamento.

A transmissão simula um programa comum interrompido por boletins de notícias de última hora: um observatório astronômico registra explosões em Marte, um grande meteoro cai numa fazenda em Nova Jérsei, marcianos começam a desembarcar de um grande cilindro metálico no local da queda.

Com arma de raios quentes, os invasores aniquilam uma força de 7 mil homens da Guarda Nacional. Sob um bombardeio de artilharia, espalham nuvens de veneno. Outros cilindros descem em Chicago e São Luís. Atores fazem papel de repórteres e terráqueos aterrorizados, em meio a uma trilha sonora assustadora.

Depois de investigar o caso, a Comissão Federal de Comunicações conclui que nenhuma lei foi violada. As emissoras prometem ser mais cuidadosas com seus programas. Orson Welles ganha um contrato em Hollywood e dirige o Cidadão Kane, considerado um dos melhores filmes da história do cinema.

LUTA DO SÉCULO

    Em 1974, aos 32 anos, Muhammad Ali vence George Foreman, de 25 anos, em Kinshasa, no Zaire, e se torna campeão mundial de boxe peso-pesado pela segunda vez. É o segundo campeão da categoria a conseguir isso.

Ali nasce em 17 de janeiro de 1942. É batizado como Cassius Marcellus Clay, nome que repudia porque os negros norte-americanos eram batizados com o sobrenome do senhor de escravos. Um mês depois de vencer Sonny Liston, em 25 de fevereiro de 1964, e se tornar campeão mundial, anuncia sua conversão ao islamismo e a mudança de nome para Muhammad Ali.

Ele perde o título em 1967 por recusar o recrutamento para a Guerra do Vietnã. "Não vou atirar em vietnamitas porque nenhum me chamou de crioulo", declara Ali

Na volta, depois que a Suprema Corte anula as punições, Ali sofre sua primeira derrota profissional para o campeão mundial Joe Frazier em decisão unânime por pontos, em 8 de março de 1971, na primeira luta do século. A vitória na segunda luta contra Frazier o qualifica para disputar o título com Foreman.

O Choque (ou Estrondo) na Selva é o nome dado pelo promotor da luta, Don King. O ditador do Zaire (hoje República Democrática do Congo), Joseph Mobutu, paga US$ 5 milhões a cada lutador na esperança de atrair a atenção mundial para as belezas e as riquezas minerais do país que empobreceu, acumulando uma fortuna estimada em 4 a 15 bilhões de dólares.

A luta começa às 4h30 para se adaptar ao horário dos Estados Unidos. Mais jovem e mais forte, Foreman parte para o ataque com seus golpes demolidores, mas cansa e perde potência a partir do quinto assalto. No oitavo, vai à lona. O juiz termina a contagem quando faltavam dois segundos para terminar o assalto.

Ali perde o título para Leon Spinks por pontos, em decisão que divide os jurados, em 15 de fevereiro de 1978, mas vence o rival em 15 de setembro de 1978, tornando-se o único boxeador a ser campeão três vezes.

Muhammad Ali se aposenta em 1981, depois de levar 200 mil socos durante a carreira. As pancadas na cabeça causam a doença de Parkinson, que enfrenta durante 32 anos até a morte em 3 de junho de 2016.

QUEBEC CANADENSE

    Em 1995, por 50,6% a 49,4%, o movimento Quebec Livre perde um plebiscito para se tornar independente do Canadá.


Os franceses são os primeiros a colonizar o que hoje é o Canadá, mas perdem suas possessões no Norte da América do Norte e da Índia para o Império Britânico na Guerra dos Sete Anos (1756-63). Em 1867, o Quebec se une às províncias anglófonas para formar o Canadá.

O movimento pela independência ganha força em 1967, com a fundação do Partido Quebequense. Em 1980, um plebiscito sobre a separação perde por 60% a 40%. O plebiscito de 1995 é até hoje a maior à ameaça à unidade do Canadá.

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