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terça-feira, 28 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 28 de Abril

MOTIM NO BOUNTY

    Em 1789, durante uma viagem do Taiti para o Caribe, um motim liderado pelo capitão Flechter Christian toma o navio britânico Bounty, deixa o capitão William Bligh, autoritário e opresssor, e 18 marinheiros leais a ele num pequeno barco à deriva no Oceano Pacífico, e segue para Tubuai, ao sul do Taiti.

O Bounty sai do Taiti em 4 de abril com uma carga de fruta-pão. Perto de Tonga, Christian e outros 28 marinheiros se amotinam. No pequeno barco de 7 metros, Bligh e seus homens chegam ao Timor em 14 de junho depois de uma viagem de 5.750 quilômetros em mar aberto.

Com o fracasso da colônia que tentam criar, em janeiro de 1790, os rebeldes do Bounty vão para o Taiti, onde 16 resolvem ficar. Christian e outros oito amotinados, seis homens taitianos e pelo menos 12 mulheres e uma criança vão para Pitcairn, uma ilha vulcânica desabitada a mais de 1,6 mil km do Taiti.

Os amotinados que ficam no Taiti são presos. Três são enforcados. 

Em 1808, um navio baleeiro norte-americano vê fumaça no ar e descobre uma comunidade liderada por John Adams, único sobrevivente do motim do Bounty. Um navio britânico lhe concede anistia em 1825.

A história é contada no filme Motim no Bounty, com Marlon Brando como Fletcher Christian.

LIGA DAS NAÇÕES

    Em 1919, a Conferência de Versalhes decide criar a Sociedade das Nações ou Liga das Nações, a primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial. É uma das propostas do plano de 14 pontos do presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson (1913-21), para acabar com a Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Os EUA historicamente não se envolviam em guerras na Europa. Para convencer os norte-americanos da necessidade de entrar na guerra, Wilson afirma que é "a guerra para acabar com todas as guerras". Em 8 de janeiro de 1918, ele apresenta o plano de paz de 14 pontos ao Congresso dos EUA.

A participação dos EUA é decisiva para a derrota da Alemanha pelos aliados, Reino Unido e França. Com a derrota, desaparecem os impérios Alemão, Austro-Húngaro, Russo e Otomano (turco). A conferência de paz, dominada pelos vencedores, é conhecida como "a paz para acabar com todas as pazes".

Quando o Tratado de Versalhes, que impõe pesadas indenizações à Alemanha, é assinado, em 28 de junho de 1919, 44 países assinam junto a Convenção da Liga das Nações, instalada em 20 de janeiro de 1920.

Wilson ganha o Prêmio Nobel da Paz de 2019 por criar a Liga das Nações, mas o Senado dos EUA não ratifica a Convenção da Liga das Nações. Assim, o país fica fora. O Brasil sai em 1925, em protesto por não fazer parte do conselho.

A Liga dá mandatos aos impérios Britânico e Francês para administrar o Oriente Médio depois da dissolução do Império Otomano, em tese, para preparar os países árabes para a independência. O moderno Oriente Médio surge daí e sofre até hoje da Síndrome Pós-Otomana.

Mas a Liga não cria uma estrutura para garantir a paz. Todos os países têm o mesmo voto. Quando o Japão invade a Manchúria, em 1931, e o Leste da China, em 1937; a Itália Fascista de Benito Mussolini ocupa a Etiópia, em 1935; e a Alemanha Nazista de Adolf Hitler anexa a Áustria e a Tcheco-Eslováquia, em 1938 e 1939; a Liga não reage. Não consegue evitar a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

A Liga das Nações faz sua última reunião em abril de 1946.

Outro presidente dos EUA, Franklin Delano Roosevelt (1933-45), articula durante a guerra a criação da Organização das Nações Unidas (ONU), que autoriza o uso da força com a aprovação do Conselho de Segurança. Como os cinco grandes vencedores da guerra (EUA, França, Reino Unido, URSS e China) têm direito de veto, o sistema ONU cria um condomínio de grandes potências com recursos e capacidade militar para intervir. 

O veto causa uma paralisia do sistema. Raramente há um consenso para usar a força. As grandes potências se dão o direito de ir à guerra e de vetar qualquer resposta da ONU, e ainda protegem aliados.

MUSSOLINI E AMANTE EXECUTADOS

    Em 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o líder fascista e ditador da Itália, Benito Mussolini, o Duce, e sua amante, Clara Petacci, presos no dia anterior, são fuzilados por guerrilheiros comunistas da resistência antifascista quando tentam fugir para a Suíça.

Fundador do fascismo, Mussolini vira primeiro-ministro da Itália em 31 de outubro de 1922, mais de 10 anos antes de Adolf Hitler na Alemanha, seu grande aliado na guerra em que entra em 10 de junho de 1940.

Cai pela primeira vez em 25 de julho de 1943, quando é deposto pelo Grande Conselho por levar a Itália a uma derrota militar desastrosa, nomear incompetentes para altos cargos e alienar grande parte da população.

Preso no mesmo dia, ao sair de uma audiência de rotina com o rei Vítor Emanuel III para fazer um relato sobre a guerra, Mussolini é resgatado por forças especiais da Alemanha. Até a derrota final, chefia um governo, a República Social Italiana, nas regiões da Itália sob o controle dos nazifascistas.

FIM DA OCUPAÇÃO DO JAPÃO

    Em 1952, termina a única ocupação da história do Japão, que começa com a rendição do país na Segunda Guerra Mundial (1939-45), mas até hoje os Estados Unidos mantêm forças em território japonês. 

O Império do Japão invade a província chinesa da Manchúria em 1931 e as principais cidades da China em 1937. 

Depois do início da Segunda Guerra Mundial na Europa, em 1º de setembro de 1939, o Japão invade o Vietnã, então parte da Indochina Francesa, em setembro de 1940, sob o pretexto de liberar países asiáticos do colonialismo europeu.

Em 7 de dezembro de 1941, a Força Aérea do Japão faz um ataque de surpresa contra a Frota do Pacífico dos EUA, estacionada em Pearl Harbor, no Havaí. Os EUA entram na guerra. O Japão se rende em 2 de setembro de 1945, depois de ser atacado com bombas atômicas em Hiroxima, em 6 de agosto, e Nagasáki, em 9 de agosto daquele ano.

Os EUA preservam o imperador Hiroíto, mas impõem uma Constituição pacifista em 1947, que proíbe o Japão de projetar seu poderio militar no exterior. Em 8 de setembro de 1951, 49 países assinam o Tratado de São Francisco, que entra em vigor em 28 de abril de 1952. Shigeru Yoshida, que colabora com o general Douglas MacArthur, comandante da ocupação, se torna primeiro-ministro do Japão.

ALI REJEITA CONVOCAÇÃO

    Em 1967, o campeão mundial de boxe peso-pesado, Muhammad Ali, recusa a convocação do Exército dos Estados Unidos para lutar na Guerra do Vietnã e perde o título. Anos depois, a condenação é revogada pela Suprema Corte e Ali recupera o título duas vezes. Até hoje, é o único peso-pesado a ser três vezes campeão, em 1964, 1974 e 1978.

Um dos maiores boxeadores de todos os tempos, Ali nasce em Louisville, no Kentucky, em 17 de janeiro de 1942. É batizado como Cassius Marcelus Clay Jr. Aos 18 anos, ganha a medalha de ouro na Olimpíada de Roma. 

Aos 22 anos, em 1964, surpreende o mundo ao vencer Sonny Liston e se tornar campeão mundial dos pesos pesados. No mesmo ano, converte-se ao Islã e muda de nome para Muhammad Ali. Rejeita o sobrenome herdado do senhor de escravos que era dono de sua família, como era o padrão nos EUA.

Arrogante, pretensioso e cheio de si, Cassius Clay declara ao bater Liston pela primeira vez, em 1964: "Sou o maior do mundo." Na revanche contra Liston, promete um nocaute em 90 segundos e cumpre a promessa. Muita gente ainda está entrando no ginásio quando a luta acaba. Nasce uma lenda do esporte.

Ao descrever seu estilo, declara: "Flutuo como uma borboleta e ferro como uma abelha."

Politicamente consciente, Ali luta contra o racismo e se recusa a ir para o Vietnã: "Nenhum vietcongue me chamou de crioulo para eu atirar nele."

Como desertor, tem o título mundial cassado. Em 1971, a Suprema Corte aceita seu recurso. Todas as acusações e punições são anuladas. É um caso clássico de objeção de consciência.

Ao tentar reconquistar seu título, Ali perde por pontos uma luta memorável com Joe Frazier em que chega a cair na lona e dá vários socos curtos (jabs) na testa do adversário de menor estatura para mantê-lo à distância. É sua primeira derrota como profissional. Depois da luta, Frazier passa longo tempo hospitalizado, mas Ali fica sem o título.

Ali voltaria a ser o maior do mundo na Luta do Século contra George Foreman realizada em 30 de setembro de 1974 em Kinshasa, a capital do Zaire, na África, e imortalizada no livro A Luta, do escritor americano Norman Mailer.

Ele chega com todo o seu espírito e sua ironia: "Se você pensa que [o presidente norte-americano Richard] Nixon surpreendeu o mundo ao renunciar, espere até eu esmagar Foreman."

Mais jovem e mais forte, Foreman tem 25 anos e Ali 32. O campeão submete o ex-campeão a uma saraivada de golpes desde o início da luta. Com toda sua técnica e talento, Ali se defende como pode até dar o bote fatal no fim do oitavo assalto. Naquele momento, Ali já lidera na contagem de pontos de todos os jurados.

Em declínio, ele perde por pontos para Leon Spinks com os jurados divididos em fevereiro de 1978 em Las Vegas. Na revanche, em Nova Orleans, Ali ganha por decisão unânime dos jurados, tornando-se o único lutador até hoje a ser três vezes campeão mundial da categoria peso pesado.

Em 27 de julho de 1979, Ali anuncia sua aposentadoria. Ainda trava uma luta patética com Larry Holmes em outubro de 1980, que teria contribuído para o Mal de Parkinson, diagnosticado em 1984. A doença é atribuída às pancadas na cabeça que um boxer recebe, especialmente na categoria peso pesado.

Em 1996, Ali acende a pira da Olimpíada de Atlanta, nos EUA.

Aos 74 anos, Muhammad Ali é internado num hospital de Phoenix, no Arizona, com problemas pulmonares e morre em 3 de junho de 2016.

DE GAULLE RENUNCIA

    Em 1969, o general Charles de Gaulle, líder do governo francês no exílio durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), renuncia à Presidência da França.

Charles André Joseph Marie de Gaulle nasce em Lille, no Norte da França, em 22 de novembro de 1890 e se torna militar, político, estadista, escritor e fundador da 5ª República. Preso na Batalha de Verdun durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), é prisioneiro de guerra por dois anos e oito meses. 

Nos anos 1920 e 1930, defende a guerra de blindados e a aviação militar, que vê como maneira de superar o impasse da guerra de trincheiras que caracterizou a Primeira Guerra Mundial.

Quando a Alemanha Nazista ocupa a França na Segunda Guerra Mundial, De Gaulle foge para o exílio na Inglaterra e se torna o líder da França Livre, o governo no exílio. Com a libertação da França em agosto de 1944, ele forma o governo provisório que dura até 1946.

Em 1958, é nomeado primeiro-ministro e reescreve a Constituição da França, fundando a 5ª República. É eleito presidente no fim do ano e toma posse em 8 de janeiro de 1959. Governa a França por 10 anos, inclusive durante a Revolução dos Estudantes de maio de 1968, quando sai do país. Volta com o apoio do Exército e amplia a maioria na Assembleia Nacional, mas renuncia ao perder um referendo que propõe a descentralização do Estado francês.

Os partidos gaullistas, da direita conservadora e republicana, presidem a França com Georges Pompidou (1969-74), Jacques Chirac (1995-2007) e Nicolas Sarkozy (2007-12), mas sua posição é abalada pela ascensão de Emmanuel Macron, que atrai eleitores do Partido Socialista e do gaullismo.

EUA TORTURAM NO IRAQUE

    Em 2004, a rede de televisão norte-americana CBS (Columbia Broadcasting System) mostra fotos da tortura a iraquianos na prisão de Abu Ghraib, perto de Badgá, durante a invasão dos Estados Unidos ao Iraque para derrubar o ditador Saddam Hussein.

A prisão é mal-afamada na ditadura de Saddam por ser um centro de detenção e tortura de prisioneiros políticos. Os EUA a fecham após a queda do ditador, em abril de 2003, e a reabrem em agosto do mesmo ano.

O tratamento cruel e desumano de presos é proibido pela 8ª Emenda à Constituição dos EUA, mas é autorizado no governo George Walker Bush (2001-9) dentro da Guerra contra o Terror deflagrada pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. 

No começo de 2002, o governo Bush começa a enviar presos na luta contra o terrorismo dos extremistas muçulmanos para uma prisão em Guantânamo, uma parte do território de Cuba ocupado pelos EUA para lhes negar os direitos que teriam em julgamentos nos EUA e até mesmo os conferidos pela Convenção de Genebra sobre Prisioneiros de Guerra, sob a alegação de que não pertencem a um exército regular nem obedecem a uma cadeia do comando.

A tortura é uma prática corriqueira em Guantânamo e o mesmo acontece no Iraque. Aliás, os EUA usam outros países, inclusive a Líbia do ditador Muamar Kadafi, para prender e torturar suspeitos de terrorismo.

As fotos de Abu Ghraib confirmam os abusos, a tortura e a morte de prisioneiros nas mãos do Exército dos EUA. As denúncias começam logo depois da invasão do Iraque, em 20 de março de 2003. Em novembro de 2003, a agência de notícias Associated Press. Quando o programa 60 Minutes, da CBS, divulga as fotos, é um escândalo.

A invasão do Iraque sob o falso pretexto de que Saddam tinha armas de destruição em massa desmoralizou os EUA e sua pregação de que o fim da Guerra Fria traria uma nova ordem internacional baseada na democracia e nos direitos. Acabou com a solidariedade internacional que o país recebeu depois do ataque às Torres Gêmeas do Centro Mundial de Comércio de Nova York.

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segunda-feira, 28 de abril de 2025

Hoje na História do Mundo: 28 de Abril

 MOTIM NO BOUNTY

    Em 1789, durante uma viagem do Taiti para o Caribe, um motim liderado pelo capitão Flechter Christian toma o navio britânico Bounty, deixa o capitão William Bligh, autoritário e opresssor, e 18 marinheiros leais a ele num pequeno barco à deriva no Oceano Pacífico, e segue para Tubuai, ao sul do Taiti.

O Bounty sai do Taiti em 4 de abril com uma carga de fruta-pão. Perto de Tonga, Christian e outros 28 marinheiros se amotinam. No pequeno barco de 7 metros, Bligh e seus homens chegam ao Timor em 14 de junho depois de uma viagem de 5.750 quilômetros em mar aberto.

Com o fracasso da colônia que tentam criar, em janeiro de 1790, os rebeldes do Bounty vão para o Taiti, onde 16 resolvem ficar. Christian e outros oito amotinados, seis homens taitianos e pelo menos 12 mulheres e uma criança vão para Pitcairn, uma ilha vulcânica desabitada a mais de 1,6 mil km do Taiti.

Os amotinados que ficaram no Taiti são presos. Três são enforcados. 

Em 1808, um navio baleeiro norte-americano vê fumaça no ar e descobre uma comunidade liderada por John Adams, único sobrevivente do motim do Bounty. Um navio britânico lhe concede anistia em 1825.

A história é contada no filme Motim no Bounty, com Marlon Brando como Fletcher Christian.

LIGA DAS NAÇÕES

    Em 1919, a Conferência de Versalhes decide criar a Sociedade das Nações ou Liga das Nações, a primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial. É uma das 14 propostas do presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson (1913-21), para acabar com a Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Os EUA historicamente não se envolviam em guerras na Europa. Para convencer os norte-americanos da necessidade de entrar na guerra, Wilson afirma que é "a guerra para acabar com todas as guerras". Em 8 de janeiro de 1918, ele apresenta o plano de paz de 14 pontos ao Congresso dos EUA.

A participação dos EUA é decisiva para a derrota da Alemanha pelos aliados, Reino Unido e França. Com a derrota, desaparecem os impérios Alemão, Austro-Húngaro, Russo e Otomano (turco). A conferência de paz, dominada pelos vencedores, é conhecida como "a paz para acabar com todas as pazes".

Quando o Tratado de Versalhes, que impõe pesadas indenizações à Alemanha, é assinado, em 28 de junho de 1919, 44 países assinam junto a Convenção da Liga das Nações, instalada em 20 de janeiro de 1920.

Wilson ganha o Prêmio Nobel da Paz de 2019 por criar a Liga das Nações, mas o Senado dos EUA não ratifica a Convenção da Liga das Nações. Assim, o país fica fora. O Brasil sai em 1925, em protesto por não fazer parte do conselho.

A Liga dá mandatos aos impérios Britânico e Francês para administrar o Oriente Médio depois da dissolução do Império Otomano, em tese, para preparar os países árabes para a independência. O moderno Oriente Médio surge daí e sofre até hoje da Síndrome Pós-Otomana.

Mas a Liga não cria uma estrutura para garantir a paz. Todos os países têm o mesmo voto. Quando o Japão invade a Manchúria, em 1931, e o Leste da China, em 1937; a Itália Fascista de Benito Mussolini ocupa a Etiópia, em 1935; e a Alemanha Nazista de Adolf Hitler anexa a Áustria e a Tcheco-Eslováquia, em 1938 e 1939; a Liga não reage. Não consegue evitar a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

A Liga das Nações faz sua última reunião em abril de 1946.

Outro presidente dos EUA, Franklin Delano Roosevelt (1933-45), articula durante a guerra a criação da Organização das Nações Unidas (ONU), que autoriza o uso da força com a aprovação do Conselho de Segurança. Como os cinco grandes vencedores da guerra (EUA, França, Reino Unido, URSS e China) têm direito de veto, o sistema ONU cria um condomínio de grandes potências com recursos e capacidade militar para intervir. 

O veto causa uma paralisia do sistema. Raramente há um consenso para usar a força. As grandes potências se dão o direito de ir à guerra e de vetar qualquer resposta da ONU, e ainda protegem aliados.

MUSSOLINI E AMANTE EXECUTADOS

    Em 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o líder fascista e ditador da Itália, Benito Mussolini, o Duce, e sua amante, Clara Petacci, presos no dia anterior, são fuzilados por guerrilheiros comunistas da resistência antifascista quando tentam fugir para a Suíça.

Fundador do fascismo, Mussolini vira primeiro-ministro da Itália em 31 de outubro de 1922, mais de 10 anos antes de Adolf Hitler na Alemanha, seu grande aliado na guerra em que entrou em 10 de junho de 1940.

Cai pela primeira vez em 25 de julho de 1943, quando é deposto pelo Grande Conselho por levar a Itália a uma derrota militar desastrosa, nomear incompetentes para altos cargos e alienar grande parte da população.

Preso no mesmo dia, ao sair de uma audiência de rotina com o rei Vítor Emanuel III para fazer um relato sobre a guerra, Mussolini é resgatado por forças especiais da Alemanha. Até a derrota final, chefia um governo, a República Social Italiana, nas regiões da Itália sob o controle dos nazifascistas.

FIM DA OCUPAÇÃO DO JAPÃO

    Em 1952, termina a única ocupação da história do Japão, que começa com a rendição do país na Segunda Guerra Mundial (1939-45), mas até hoje os Estados Unidos mantêm forças em território japonês. 

O Império do Japão invade a província chinesa da Manchúria em 1931 e as principais cidades da China em 1937. 

Depois do início da Segunda Guerra Mundial na Europa, em 1º de setembro de 1939, o Japão invade o Vietnã, então parte da Indochina Francesa, em setembro de 1940, sob o pretexto de liberar países asiáticos do colonialismo europeu.

Em 7 de dezembro de 1941, a Força Aérea do Japão faz um ataque de surpresa contra a Frota do Pacífico dos EUA, estacionada em Pearl Harbor, no Havaí. Os EUA entram na guerra. O Japão se rende em 2 de setembro de 1945, depois de ser atacado com bombas atômicas em Hiroxima, em 6 de agosto, e Nagasáki, em 9 de agosto daquele ano.

Os EUA preservam o imperador Hiroíto, mas impõem uma Constituição pacifista em 1947, que proíbe o Japão de projetar seu poderio militar no exterior. Em 8 de setembro de 1951, 49 países assinam o Tratado de São Francisco, que entra em vigor em 28 de abril de 1952. Shigeru Yoshida, que colabora com o general Douglas MacArthur, comandante da ocupação, se torna primeiro-ministro do Japão.

ALI REJEITA CONVOCAÇÃO

    Em 1967, o campeão mundial de boxe peso-pesado, Muhammad Ali, recusa a convocação do Exército dos Estados Unidos para lutar na Guerra do Vietnã e perde o título. Anos depois, a condenação é revogada pela Suprema Corte e Ali recupera o título duas vezes. Até hoje, é o único peso-pesado a ser três vezes campeão, em 1964, 1974 e 1978.

Um dos maiores boxeadores de todos os tempos, Ali nasce em Louisville, no Kentucky, em 17 de janeiro de 1942. É batizado como Cassius Marcelus Clay Jr. Aos 18 anos, ganha a medalha de ouro na Olimpíada de Roma. 

Aos 22 anos, surpreende o mundo ao vencer Sonny Liston e se tornar campeão mundial dos pesos pesados em 1964. No mesmo ano, converte-se ao Islã e muda de nome para Muhammad Ali. Rejeita o sobrenome herdado do senhor de escravos que era dono de sua família, como era o padrão nos EUA.

Arrogante, pretensioso e cheio de si, Cassius Clay declara ao bater Liston pela primeira vez, em 1964: "Sou o maior do mundo." Na revanche contra Liston, promete um nocaute em 90 segundos e cumpre a promessa. Muita gente ainda está entrando no ginásio quando a luta acaba. Nasce uma lenda do esporte.

Ao descrever seu estilo, declara: "Flutuo como uma borboleta e ferro como uma abelha."

Politicamente consciente, Ali luta contra o racismo e se recusa a ir para o Vietnã: "Nenhum vietcongue me chamou de crioulo para eu atirar nele."

Como desertor, tem o título mundial cassado. Em 1971, a Suprema Corte aceita seu recurso. Todas as acusações e punições são anuladas. É um caso clássico de objeção de consciência.

Ao tentar reconquistar seu título, Ali perde por pontos uma luta memorável com Joe Frazier em que chega a cair na lona e dá vários socos curtos (jabs) na testa do adversário de menor estatura para mantê-lo à distância. É sua primeira derrota como profissional. Depois da luta, Frazier passa longo tempo hospitalizado, mas Ali fica sem o título.

Ali voltaria a ser o maior do mundo na Luta do Século contra George Foreman realizada em 30 de setembro de 1974 em Kinshasa, a capital do Zaire, na África, e imortalizada no livro A Luta, do escritor americano Norman Mailer.

Ele chega com todo o seu espírito e sua ironia: "Se você pensa que [o presidente norte-americano Richard] Nixon surpreendeu o mundo ao renunciar, espere até eu esmagar Foreman."

Mais jovem e mais forte, Foreman tem 25 anos e Ali 32. O campeão submete o ex-campeão a uma saraivada de golpes desde o início da luta. Com toda sua técnica e talento, Ali se defende como pode até dar o bote fatal no fim do oitavo assalto. Naquele momento, Ali já lidera na contagem de pontos de todos os jurados.

Em declínio, ele perde por pontos para Leon Spinks com os jurados divididos em fevereiro de 1978 em Las Vegas. Na revanche, em Nova Orleans, Ali ganha por decisão unânime dos jurados, tornando-se o único lutador até hoje a ser três vezes campeão mundial da categoria peso pesado.

Em 27 de julho de 1979, Ali anuncia sua aposentadoria. Ainda trava uma luta patética com Larry Holmes em outubro de 1980, que teria contribuído para o Mal de Parkinson, diagnosticado em 1984. A doença é atribuída às pancadas na cabeça que um boxer recebe, especialmente na categoria peso pesado.

Em 1996, Ali acende a pira da Olimpíada de Atlanta, nos EUA.

Aos 74 anos, Muhammad Ali é internado num hospital de Phoenix, no Arizona, com problemas pulmonares e morre em 3 de junho de 2016.

DE GAULLE RENUNCIA

    Em 1969, o general Charles de Gaulle, líder do governo francês no exílio durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), renuncia à Presidência da França.

Charles André Joseph Marie de Gaulle nasce em Lille, no Norte da França, em 22 de novembro de 1890 e se torna militar, político, estadista, escritor e fundador da 5ª República. Preso na Batalha de Verdun durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), é prisioneiro de guerra por dois anos e oito meses. 

Nos anos 1920 e 1930, defende a guerra de blindados e a aviação militar, que vê como maneira de superar o impasse da guerra de trincheiras que caracterizou a Primeira Guerra Mundial.

Quando a Alemanha Nazista ocupa a França na Segunda Guerra Mundial, De Gaulle foge para o exílio na Inglaterra e se torna o líder da França Livre, o governo no exílio. Com a libertação da França em 1944, ele forma o governo provisório que dura até 1946.

Em 1958, é nomeado primeiro-ministro e reescreve a Constituição da França, fundando a 5ª República. É eleito presidente no fim do ano e toma posse em 8 de janeiro de 1959. Governa a França por 10 anos, inclusive durante a Revolução dos Estudantes de maio de 1968, quando sai do país. Volta com o apoio do Exército e amplia a maioria na Assembleia Nacional, mas renuncia ao perder um referendo que propõe a descentralização do Estado francês.

Os partidos gaullistas, da direita conservadora e republicana, presidem a França com Georges Pompidou (1969-74), Jacques Chirac (1995-2007) e Nicolas Sarkozy (2007-12), mas sua posição é abalada pela ascensão de Emmanuel Macron, que atrai eleitores do Partido Socialista e do gaullismo.

EUA TORTURAM NO IRAQUE

    Em 2004, a rede de televisão norte-americana CBS (Columbia Broadcasting System) mostra fotos da tortura a iraquianos na prisão de Abu Ghraib, perto de Badgá, durante a invasão dos Estados Unidos ao Iraque para derrubar o ditador Saddam Hussein.

A prisão era mal-afamada na ditadura de Saddam por ser um centro de detenção e tortura de prisioneiros políticos. Os EUA a fecham após a queda do ditador, em abril de 2003, e a reabrem em agosto do mesmo ano.

O tratamento cruel e desumano de presos é proibido pela 8ª Emenda à Constituição dos EUA, mas é autorizada no governo George Walker Bush (2001-9) na Guerra contra o Terror deflagrada pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. 

No começo de 2002, o governo Bush começa a enviar presos na luta contra o terrorismo dos extremistas muçulmanos para uma prisão em Guantânamo, uma parte do território de Cuba ocupado pelos EUA para lhes negar os direitos que teriam em julgamentos nos EUA e até mesmo os conferidos pela Convenção de Genebra sobre Prisioneiros de Guerra, sob a alegação de que não pertencem a um exército regular nem obedecem a uma cadeia do comando.

A tortura é uma prática corriqueira em Guantânamo e o mesmo acontece no Iraque. Aliás, os EUA usam outros países, inclusive a Líbia do ditador Muamar Kadafi, para prender e torturar suspeitos de terrorismo.

As fotos de Abu Ghraib confirmam os abusos, a tortura e a morte de prisioneiros nas mãos do Exército dos EUA. As denúncias começam logo depois da invasão do Iraque, em 20 de março de 2003. Em novembro de 2003, a agência de notícias Associated Press. Quando o programa 60 Minutes, da CBS, divulga as fotos, é um escândalo.

A invasão do Iraque sob o falso pretexto de que Saddam tinha armas de destruição em massa desmoralizou os EUA e sua pregação de que o fim da Guerra Fria traria uma nova ordem internacional baseada na democracia e nos direitos. Acabou com a solidariedade internacional que o país recebeu depois do ataque às Torres Gêmeas do Centro Mundial de Comércio de Nova York.

domingo, 28 de abril de 2024

Hoje na História do Mundo: 28 de Abril

MOTIM NO BOUNTY

    Em 1789, durante uma viagem do Taiti para o Caribe, um motim liderado pelo capitão Flechter Christian, toma o navio britânico Bounty, deixa o capitão William Bligh, autoritário e opresssor, e 18 marinheiros leais a ele num pequeno barco à deriva no Oceano Pacífico e segue para Tubuai, ao sul do Taiti.

O Bounty sai do Taiti em 4 de abril com uma carga de fruta-pão. Perto de Tonga, Christian e outros 28 marinheiros se amotinam. No pequeno barco de 7 metros, Bligh e seus homens chegam ao Timor em 14 de junho depois de uma viagem de 5.750 quilômetros em mar aberto.

Com o fracasso da colônia que tentam criar, em janeiro de 1790, os rebeldes do Bounty vão para o Taiti, onde 16 resolvem ficar. Christian e outros oito amotinados, seis homens taitianos e pelo menos 12 mulheres e uma criança vão para Pitcairn, uma ilha vulcânica desabitada a mais de 1,6 mil km do Taiti.

Os amotinados que ficam no Taiti são presos. Três são enforcados. 

Em 1808, um navio baleeiro norte-americano vê fumaça no ar e descobre uma comunidade liderada por John Adams, único sobrevivente do motim do Bounty. Um navio britânico lhe concedeu anistia em 1825.

A história é contada no filme Motim no Bounty, com Marlon Brando como Fletcher Christian.

LIGA DAS NAÇÕES

    Em 1919, a Conferência de Versalhes decide criar a Sociedade das Nações ou Liga das Nações, a primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial. É uma das 14 propostas do presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson (1913-21), para acabar com a Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Os EUA historicamente não se envolviam em guerras na Europa. Para convencer os norte-americanos da necessidade de entrar na guerra, Wilson afirma que é "a guerra para acabar com todas as guerras". Em 8 de janeiro de 1918, ele apresenta o plano de paz de 14 pontos ao Congresso dos EUA.

A participação dos EUA é decisiva para a vitória dos aliados, França e Reino Unido, sobre a Alemanha e a Áustria-Hungria. Com a derrota, desaparecem os impérios Alemão, Austro-Húngaro, Russo e Otomano (turco). A conferência de paz, dominada pelos vencedores, é conhecida como "a paz para acabar com todas as pazes".

Quando o Tratado de Versalhes, que impõe pesadas indenizações à Alemanha, é assinado, em 28 de junho de 1919, 44 países assinam junto a Convenção da Liga das Nações, instalada em 20 de janeiro de 1920.

Wilson ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 1919 por criar a Liga das Nações, mas o Senado dos EUA não ratificou a Convenção da Liga das Nações. Assim, o país ficou fora. O Brasil sai em 1925, em protesto por não fazer parte do conselho.

A Liga dá mandatos aos impérios Britânico e Francês para administrar o Oriente Médio depois da dissolução do Império Otomano, em tese, para preparar os países árabes para a independência. O moderno Oriente Médio surge daí.

Mas a Liga não cria uma estrutura para garantir a paz. Todos os países têm o mesmo peso e o mesmo voto. Quando o Japão invade a Manchúria, em 1931, e o Leste da China, em 1937; a Itália Fascista de Benito Mussolini ocupa a Etiópia, em 1935; e a Alemanha Nazista de Adolf Hitler anexa a Áustria e a Tcheco-Eslováquia, em 1938 e 1939; a Liga não reage. Não consegue evitar a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

A Liga das Nações faz sua última reunião em abril de 1946.

Outro presidente dos EUA, Franklin Delano Roosevelt (1933-45), articula durante a guerra a criação da Organização das Nações Unidas, que autoriza o uso da força com a aprovação do Conselho de Segurança. Como cinco grandes vencedores da guerra têm direito de veto, o sistema ONU cria um condomínio de grandes potências com recursos e capacidade militar para intervir. 

O veto causa uma paralisia do sistema. Raramente há um consenso para usar a força. As grandes potências se dão o direito de ir à guerra e de vetar qualquer resposta da ONU e ainda protegem aliados.

MUSSOLINI E AMANTE EXECUTADOS

    Em 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), o líder fascista e ditador da Itália, Benito Mussolini, o Duce, e sua amante, Clara Petacci, são fuzilados por guerrilheiros comunistas da resistência antifascista quando tentavam fugir para a Suíça.

Fundador do fascismo, Mussolini vira primeiro-ministro da Itália em 31 de outubro de 1922, mais de 10 anos antes de Adolf Hitler na Alemanha, seu grande aliado na guerra em que entrou em 10 de junho de 1940.

Mussolini cai pela primeira vez em 25 de julho de 1943, quando é deposto pelo Grande Conselho por levar a Itália a uma derrota militar desastrosa, nomear incompetentes para altos cargos e alienar grande parte da população.

Preso no mesmo dia, ao sair de uma audiência de rotina com o rei Vítor Emanuel III para fazer um relato sobre a guerra, Mussolini é resgatado por forças especiais da Alemanha. Até a derrota final, chefia um governo, a República Social Italiana, nas regiões da Itália não dominadas pelos aliados.

FIM DA OCUPAÇÃO DO JAPÃO

    Em 1952, termina a única ocupação da história do Japão, que começa com a rendição do país na Segunda Guerra Mundial (1939-45), mas até hoje os Estados Unidos mantêm forças em território japonês. 

O Império do Japão invade a província chinesa da Manchúria em 1931 e as principais cidades da China em 1937. 

Depois do início da Segunda Guerra Mundial na Europa, em 1º de setembro de 1939, o Japão invade o Vietnã, então parte da Indochina Francesa, em setembro de 1940, sob o pretexto de liberar países asiáticos do colonialismo europeu.

Em 7 de dezembro de 1941, a Força Aérea do Japão faz um ataque de surpresa contra a Frota do Pacífico dos EUA, estacionada em Pearl Harbor, no Havaí. Os EUA entram na guerra. O Japão se rende em 2 de setembro de 1945, depois de ser atacado com bombas atômicas em Hiroxima, em 6 de agosto, e Nagasáki, em 9 de agosto.

Os EUA preservam o imperador Hiroíto, mas impõem uma Constituição pacifista em 1947, que proíbe o Japão de projetar seu poderio militar no exterior. Em 8 de setembro de 1951, 49 países assinam o Tratado de São Francisco, que entra em vigor em 28 de abril de 1952. Shigeru Yoshida, que colabora com o general Douglas MacArthur, comandante da ocupação, se torna primeiro-ministro do Japão.

ALI REJEITA CONVOCAÇÃO

    Em 1967, o campeão mundial de boxe peso-pesado, Muhammad Ali, recusa a convocação do Exército dos Estados Unidos para lutar na Guerra do Vietnã e perde o título. Anos depois, a condenação é revogada pela Suprema Corte e Ali recupera o títuto duas vezes. Até hoje, é o único peso-pesado a ser três vezes campeão, em 1964, 1974 e 1978.

Um dos maiores boxeadores de todos os tempos, Ali nasce em Louisville, no Kentucky, em 17 de janeiro de 1942. É batizado como Cassius Marcelus Clay Jr. Aos 18 anos, ele ganhou a medalha de ouro na Olimpíada de Roma. 

Aos 22 anos, surpreende o mundo ao vencer Sonny Liston e se tornar campeão mundial dos pesos pesados em 1964. No mesmo ano, converte-se ao Islã e muda de nome para Muhammad Ali. Rejeita o sobrenome herdado do senhor de escravos que era dono de sua família, como era o padrão nos EUA.

Arrogante, pretensioso e cheio de si, Cassius Clay declara ao bater Liston pela primeira vez, em 1964: "Sou o maior do mundo." Na revanche contra Liston, promete um nocaute em 90 segundos e cumpra a promessa. Muita gente ainda estava entrando no ginásio quando a luta acaba. Nascia uma lenda do esporte.

Ao descrever seu estilo, declarou: "Flutuo como uma borboleta e ferro como uma abelha."

Politicamente consciente, Ali luta contra o racismo e se recusa a ir para o Vietnã: "Nenhum vietcongue me chamou de crioulo para eu atirar nele."

Como desertor, tem o título mundial cassado. Em 1971, a Suprema Corte aceita seu recurso. Todas as acusações e punições são anuladas. É um caso clássico de objeção de consciência.

Ao tentar reconquistar seu título, Ali perde por pontos uma luta memorável com Joe Frazier em que chegou a cair na lona e deu vários socos curtos (jabs) na testa do adversário de menor estatura para mantê-lo à distância. É sua primeira derrota como profissional. Depois da luta, Frazier passa longo tempo hospitalizado, mas Ali fica sem o título.

Ali voltaria a ser o maior do mundo na Luta do Século contra George Foreman realizada em 30 de setembro de 1974 em Kinshasa, a capital do Zaire, na África, e imortalizada no livro A Luta, do escritor americano Norman Mailer.

Ele chega com todo o seu espírito e sua ironia: "Se você pensa que [o presidente americano Richard] Nixon surpreendeu o mundo ao renunciar, espere até eu esmagar Foreman."

Mais jovem e mais forte, Foreman tem 25 anos e Ali 32. O campeão submete o ex-campeão a uma saraivada de golpes desde o início da luta. Com toda sua técnica e talento, Ali se defende como pode até dar o bote fatal no fim do oitavo assalto. Naquele momento, Ali já lidera na contagem de todos os jurados.

Em declínio, ele perde por pontos para Leon Spinks com os jurados divididos em fevereiro de 1978 em Las Vegas. Na revanche, em Nova Orleans, Ali ganha por decisão unânime dos jurados, tornando-se o único lutador até hoje a ser três vezes campeão mundial da categoria peso pesado.

Em 27 de julho de 1979, Ali anuncia sua aposentadoria. Ainda trava uma luta patética com Larry Holmes em outubro de 1980, que teria contribuído para o Mal de Parkinson, diagnosticado em 1984. A doença é atribuída às pancadas na cabeça que um boxeador recebe, especialmente na categoria peso-pesado.

Em 1996, Ali acende a pira da Olimpíada de Atlanta, nos EUA.

Aos 74 anos, Muhammad Ali é internado num hospital de Phoenix, no Arizona, com problemas pulmonares e morre em 3 de junho de 2016.

DE GAULLE RENUNCIA

    Em 1969, o general Charles de Gaulle, líder do governo francês no exílio durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), renuncia à Presidência da França.

Charles André Joseph Marie de Gaulle nasce em Lille, no Norte da França, em 22 de novembro de 1890 e se tornou militar, político, estadista, escritor e fundador da 5ª República. Preso na Batalha de Verdun durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), é prisioneiro de guerra por dois anos e oito meses. 

Nos anos 1920 e 1930, defende a guerra de blindados e a aviação militar, que vê como maneira de superar o impasse da guerra de trincheiras que caracterizou a Primeira Guerra Mundial.

Quando a Alemanha Nazista ocupa a França na Segunda Guerra Mundial, De Gaulle foge para o exílio na Inglaterra e se torna o líder da França Livre, o governo no exílio. Com a libertação da França em 1944, ele forma o governo provisório que dura até 1946.

Em 1958, é nomeado primeiro-ministro e reescreve a Constituição da França, fundando a 5ª República. É eleito presidente no fim do ano e toma posse em 8 de janeiro de 1959. Governa a França por 10 anos, inclusive durante a Revolução dos Estudantes de maio de 1968, quando sai do país. Volta com o apoio do deserto e amplia a maioria na Assembleia Nacional, mas renuncia ao perder um referendo que propõe a descentralização do Estado francês.

Os partidos gaullistas, da direita conservadora e republicana, presidem a França com Georges Pompidou (1969-74), Jacques Chirac (1995-2007) e Nicolas Sarkozy (2007-12), mas sua posição é abalada pela ascensão de Emmanuel Macron.

quarta-feira, 14 de junho de 2023

Hoje na História do Mundo: 14 de Junho

LISTRAS E ESTRELAS

    Em 1777, durante a Guerra da Independência dos Estados Unidos (1775-83), o Congresso Continental aprova uma resolução definindo que a bandeira nacional terá treze listras horizontais alternando vermelho e branco, numa referência às 13 colônias que formam o país e, num canto superior, 13 estrelas brancas sobre um fundo azul.

O desenho com listras é inspirado na bandeira da Grande União empunhada pelo Exército Continental em 1776, ano da declaração de independência. Quando novos estados aderem à União, são acrescentadas estrelas e listras. Em 1818, o Congresso decide que as listras voltam a ser 13 e uma estrela branca é acrescentada a cada novo estado.

O primeiro Dia da Bandeira é festejado cem anos depois da adoção da bandeira, em 14 de junho de 1877.

MOTIM NO BOUNTY

    Em 1789, o capitão William Bligh e outros 18 sobreviventes do Motim do Bounty abandonados num barco aberto à deriva sete semanas antes chegam ao Timor depois de uma viagem de 6 mil quilômetros.

O Bounty leva mudas de fruta-pão a serem plantadas nas colônias britânicas no Mar do Caribe, quando a tripulação se rebela sob a liderança do imediato Fletcher Christian e toma o navio, em 28 de abril.

Bligh vai para o Reino União e volta ao Oceano Pacífico. Christian e os amotinados resolvem colonizar a Ilha de Tubuai. Com o fracasso da empreitada, o Bounty vai para o Taiti, onde 16 ficam marinheiros. São capturados pelas autoridades, levados para a Inglaterra e quatro são enforcados. 

Christian, oito amotinados, seis homens taitianos, 12 mulheres taitianas e uma criança vão no Bounty para Pitcairn, uma ilha deserta a mais de 1,6 mil quilômetros a leste do Taiti. 

Em 1808, um navio baleeiro americano descobre uma comunidade liderada por John Adams, o único sobrevivente do grupo que se instalou na ilha.

O Motim do Bounty vira filme de Hollywood, com Marlon Branco no papel de Christian. Durante a filmagem, ele se apaixona por uma taitiana com quem se casa.

HITLER TOMA PARIS

    Em 1940, as tropas da Alemanha Nazista ocupam Paris durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, pressiona a França a resistir dizendo que os Estados Unidos entrariam na guerra. O presidente Franklin Roosevelt congela os bens das potências do Eixo nos EUA e oferece ajuda à França, mas, a conselho do secretário de Estado, Cordell Hull, evita fazer uma declaração porque seria vista como um prelúdio de uma declaração de guerra.

Quando as tropas nazistas entram na cidade, 2 milhões de pessoas haviam fugido. Os EUA entram na guerra em 7 de dezembro de 1941, quando o Japão bombardeia a Frota Americana do Pacífico em Pearl Harbor, no Havaí. Paris é libertada em 25 de agosto de 1944, depois da Invasão da Normandia pelos aliados ocidentais em 6 de junho daquele ano.

FIM DA GUERRA DAS MALVINAS

    Em 1982, depois de dez semanas, as forças da Argentina se rendem ao Reino Unido, no fim da Guerra das Malvinas, que os britânicos chamam de Falklands.

A ditadura militar argentina invade, em 2 de abril, as ilhas reivindicadas historicamente pela Argentina, em poder do Império Britânico desde 1833, supondo que os britânicos não iriam à guerra por "umas ilhotas", como disse o ditador Leopoldo Fortunato Galtieri.

A primeira-ministra Margaret Thatcher não deixa por menos. Manda uma força-tarefa recuperar as ilhas. Na guerra, morrem 255 britânicos e 649 argentinos. A mais sangrenta das ditaduras militares argentinas cai no ano seguinte.

Galtieri teria prometido tomar as Malvinas para obter o apoio da Marinha, a mais poderosa das Forças Armadas argentinas, para dar um golpe dentro do golpe. Cai com a derrota. A ditadura devolve o poder aos civis em 10 de dezembro de 1983, depois da eleição de Raúl Alfonsín. 

Os nove comandantes das juntas militares que desgraçaram a Argentina são julgados e cinco condenados, mas recebem indulto do presidente Carlos Menem (1989-99) em 1990. No governo Néstor Kirchner (2003-7), a anistia e as leis de Obediência Devida e Juízo Final são revogadas e os repressores punidos.