Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Em 1954, o Viet Minh, movimento comunista criado por Ho Chi Minh em resistência ao colonialismo francês e ao imperialismo japonês, assume o controle do Vietnã do Norte.
Quando termina a ocupação japonesa no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a França tenta reimpor o domínio colonial. O Viet Minh inicia uma guerra de guerrilhas conhecida como Primeira Guerra da Indochina (1946-54).
A resistência liderada pelo Viet Minh, sob o comando do general Vo Nguyen Giap, vence a guerra na Batalha de Dien Ben Phu, em maio de 1954. O armistício entra em vigor em 1º de agosto. O Viet Minh marcha sobre Hanói.
Pelo acordo firmado na Conferência de Genebra, o Vietnã é dividido temporariamente em duas metades iguais, com uma zona desmilitarizada ao longo do paralelo 17º Norte.
O Norte seria a República Democrática do Vietnã, proclamada por Ho Chi Minh, e o Sul por Ngo Dinh Diem, católico e anticomunista.
Depois de eleições supervisionadas internacionalmente, o Vietnã seria reunificado em 1956. Quando os EUA cancelam as eleições que provavelmente seriam vencidas pelo Viet Minh, começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75), onde os EUA intervêm diretamente de 1964 a 1973.
A guerra termina em 30 de abril de 1975 com a queda de Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, e uma fuga espetacular de helicóptero da embaixada norte-americana.
JOÃO XXIII ABRE CONCÍLIO
Em 1962, o papa João XXIII (1958-63) abre o Concílio Vaticano II, o primeiro concílio ecumênico em 92 anos, para promover um renascimento espiritual e a unidade da Igreja Católica Apostólica Romana com outros ramos do cristianismo.
Angelo Giuseppe Roncalli nasce em 1881 e é ordenado padre em 1904. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), como enviado papal à Turquia, salva judeus ajudando-os a fugir para a Palestina.
Depois da guerra, é nomeado núncio apostólico (embaixador do Vaticano) na França, um posto difícil porque o anterior havia cooperado com o regime colaboracionista de Vichy durante a ocupação nazista. Em 1953, é consagrado cardeal.
Com a morte do papa Pio XII, o cardeal Roncalli é eleito papa João XXIII em 28 de outubro de 1958 aos 77 anos e promove uma revolução na Igreja Católica. Para começar, anda livremente, acabando com a ideia de que o papa é "um prisioneiro do Vaticano".
As grandes mudanças vêm com o Concílio Vaticano II, concluído por seu sucessor, Paulo VI, em 1965. A missa passa a ser rezada na língua local e não mais exclusivamente em latim. Há um aumento da liberdade religiosa e do ecumenismo, numa tentativa de se aproximar da Igreja Cristã Ortodoxa e das correntes protestantes do cristianismo, e maior tolerância em relação aos não cristãos.
LENNON LANÇA IMAGINE
Em 1971, o ex-beatle John Lennon lança Imagine, considerada uma das músicas mais influentes do século 20 ao falar de um mundo utópico sem guerras nem conflitos nem religiões, com "todos os povos dividindo o mundo inteiro".
John começa a escrever Imagine no tempo dos Beatles e grava logo depois que a banda se separa, em 1970. Em contraste com as músicas mais políticas de Lennon como Give Peace a Chance, Power to the People e Merry Xmas (War is Over), Imagine não tem uma mensagem política explícita. É filosófica, utópica, poética e romântica.
BRUCE SPRINGSTEEN NAS PARADAS
Em 1975,aos 26 anos, o roqueiro Bruce Springsteen, descrito como o "novo Elvis" ou o "novo Dylan", coloca seu primeiro compacto entre os 40 mais vendidos nas paradas de sucesso, Born to Run.
Springsteen nasce em Long Branch, em Nova Jérsei, em 1949, e cresce na era de ouro do rock'n'roll nos Estados Unidos.
Seu maior sucesso vem em 1985 com o álbum Born in the USA, quando faz turnê pelo país se apresentando em estádios e faturando mais de US$ 1 milhão por show, mais do que a legendária banda de rock de São Francisco The Grateful Dead, que tradicionalmente faturava mais de US$ 500 mil por concerto em suas turnês de verão.
CARTER GANHA NOBEL DA PAZ
Em 2002, o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter (1977-81) é agraciado com o Prêmio Nobel da Paz "por décadas de esforços incansáveis para encontrar soluções pacíficas para problemas internacionais, promover a democracia, os direitos humanos e o desenvolvimento econômico e social."
Presidente de um só mandato, Carter media as negociações de paz de Camp David entre Israel e o Egito, e só manda os militares dos Estados Unidos para ação no exterior na fracassada tentativa de libertar os norte-americanos mantidos como reféns na embaixada em Teerã, ocupada em 4 de novembro de 1979 depois da Revolução Islâmica no Irã.
A crise dos reféns, a inflação e a recessão causadas pela crise do petróleo, agravada pela Revolução Iraniana de 1979, levam à vitória do republicano Ronald Reagan em 1980.
Depois de deixar o governo, em 1982, o ex-presidente cria o Centro Carter, uma organização sem fins lucrativos de promoção da democracia e dos direitos humanos que media crises, observa eleições e colabora no combate a doenças.
Outros três presidentes dos EUA ganham o Prêmio Nobel da Paz: Theodore Roosevelt (1906), Woodrow Wilson (1919) e Barack Obama (2009).
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Os pesquisadores francês Henri Kagan, de 95 anos, da Universidade de Paris Sul, na França, e japonês Kenso Soai, de 76 anos, da Universidade da Ciência de Tóquio, no Japão, ganharam hoje o Prêmio Nobel de Química por resolver um problema sobre moléculas espelhadas. Suas descobertas são importantes para a fabricação de medicamentos e podem revelar segredos sobre a origem da vida.
"Henri Kagan e Kenso Soai apresentaram uma solução para um mistério químico com mais de um século: como a homoquiralidade pode surgir espontaneamente. As reações químicas que eles desenvolveram são espetaculares", declarou Heiner Linke, presidente do Comitê do Nobel de Química da Academia de Ciências da Suécia, ao justificar a premiação.
A academia considerou seu trabalho "decisivo para os químicos que projetam reações para fabricação de medicamentos" e também aromas, perfumes e produtos químicos usados na agricultura.
A quiralidade é um conceito químico sobre moléculas espelhadas como as mãos. Quiralidade vem do grego chiros, que significa mãos. O cientista francês Louis Pasteur descobriu as moléculas quirais em 1848, quando observava no microscópio cristais de ácido de restos de vinho. Ele notou que nem todos os cristais eram iguais, embora produzidos na mesma reação.
A homoquiralidade é quando um sistema químico ou biológico usa predominantemente uma das versões das moléculas quirais. Os aminoácidos, que formam as proteínas, e os açúcares são exemplos de moléculas quirais. A droga talidomida, receitada para combater o enjoo da gravidez até se perceber que causava má formação nos bebês, é feita com uma molécula quiral. Alguns pesquisadores entendem que só uma das mãos é responsável pelos efeitos nocivos.
O desafio dos pesquisadores era descobrir como acontece a homoquiralidade. Eles tentaram formar somente uma das moléculas, mas elas sempre apareciam em proporções semelhantes.
Desde os anos 1960, o Dr. Kagan trabalha com a quiralidade. Em 1986, descobriu uma maneira de manipular as reações, o que permitiu conseguir um excesso de uma das moléculas. Em 1995, o Dr. Soai conseguiu projetar uma reação para que fosse homoquiral e, em 2003, apresentou uma reação em que apenas uma das moléculas espelhadas foi gerada.
Os seres vivos são homoquirais, usam só uma das moléculas espelhadas.
Em 1853, o Império Otomano (Turco), que tem o apoio da França e do Reino Unido, declara guerra à Rússia. É o início da Guerra da Crimeia, que dura mais de dois anos e termina com a derrota russa.
As causas geopolíticas do conflito são a decadência do Império Otomano, a expansão do Império Russo até o Mar Negro no século anterior, sob Catarina II, a Grande (1762-96), e guerras russo-turcas do passado, que começam em 1568.
A causa imediata é a exigência da Rússia de proteger os cristãos ortodoxos que vivem no Império Otomano, o que os turcos consideram uma intervenção totalmente inaceitável. Também há uma disputa entre a Igreja Católica da França e a Igreja Ortodoxa da Rússia sobre o controle dos lugares sagrados para o cristianismo na Palestina.
Apesar do acordo entre as igrejas, o imperador Napoleão III, da França, e o czar Nicolau I, da Rússia permanecem irredutíveis.
Em julho de 1853, tropas russas ocupam principados no Rio Danúbio, hoje parte da Romênia. Com o apoio francês e britânico, os otomanos declaram guerra à Rússia. Sob o comando de Omar Pachá, os turcos adotam uma postura defensiva. Conseguem conter o avanço russo na Silistra, hoje parte da Bulgária. Mas a Rússia vence a batalha naval de Sinop, em novembro de 1853.
Por medo do colapso das forças do Império Otomano, as marinhas de guerra da França e do Reino Unido entram no Mar Negro. No Norte, uma frota franco-britânica impõe um bloqueio que fecha o acesso da Rússia ao Mar Báltico. A Rússia é obrigada a deixar um exército para defender São Petersurgo.
O comando aliado tenta então tomar Sebastapol, sede da principal frota russa no Mar Negro. Os aliados desembarcam em 14 de setembro de 1854 e vencem a Batalha de Alma em 20 de setembro.
O cerca de Sebastopol começa em 17 de outubro de 1853. A Rússia contra-ataca em 25 de outubro na Batalha de Balaclava, imortalizada no poema A Carga da Brigada Ligeira, de Alfred, Lord Tennyson. É repelida, mas vence em Inkerman
Em 1855, um exército do reino da Sardenha-Piemonte, um embrião da Itália, manda uma força para lutar ao lado dos aliados. Sebastopol cai em 11 de setembro de 1855, depois de quase 11 meses de cerco.
É a última grande batalha da Guerra da Crimeia. Vencida e isolada, a Rússia pede paz. A França e o Reino Unido aceitam. A guerra é impopular nesses países. O Tratado de Paris é assinado em 30 de março de 1856.
A Guerra da Crimeia tem várias inovações tecnológicas como bombas navais, estradas de ferro, o telégrafo e a fotografia, com ampla cobertura jornalística de repórteres fotográficos e de texto.
O Império Russo entra em decadência, exaurido economicamente. Em 19 de fevereiro de 1861, o novo czar reformista Alexandre II (1855-81) abole a servidão.
ALEMANHA PEDE TRÉGUA
Em 1918,o chanceler (primeiro-ministro) da Alemanha, Max von Baden, primo do kaiser (imperador) Guilherme II, envia telegrama ao presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson, propondo um armistício na Primeira Guerra Mundial (1914-18).
Os EUA declaram guerra à Alemanha em 6 de abril de 1917, depois de ataques a navios norte-americanos no Oceano Atlântico e do Telegrama Zimmermann, em que o ministro do Exterior alemão propunha aliança ao México, oferecendo em troca apoio para este país recuperar os territórios tomados pelos EUA na Guerra Mexicano-Americana (1846-48).
Como não têm forças na Europa, os EUA só entram em combate um ano depois. Em março de 1918, a Alemanha está ganhando a guerra. Seis meses depois, os aliados empurram as tropas alemãs para trás da sua última linha de defesa, a Linha Hindenburg.
Então, o general Erich Ludendorff, arquiteto da ofensiva da primavera, exige numa reunião do Conselho Real um cessar-fogo imediato com base no plano de paz de 14 pontos de Wilson. Com a autoridade abalada, o chanceler Georg van Hartling pede demissão imediatamente.
O novo chefe de governo toma posse em 1º de outubro. Von Baden não tem a intenção de admitir a derrota, mas dois dias depois o comandante supremo do Exército da Alemanha, general Paul Hindenburg, aceita a recomendação de Ludendorff.
"O Exército da Alemanha ainda está firme, se defendendo de todos os ataques. A situação, no entanto, está se tornando mais crítica a cada dia e pode levar o Alto Comando a tomar decisões graves", declara Hindenburg. "Nestas circunstâncias, é imperativo para a luta para poupar o povo alemão e seus aliados de sacrifícios desnecessários. Cada dia a mais custa a vida de milhares de bravos soldados."
INÍCIO DA ERA ESPACIAL
Em 1957, no início da Corrida Espacial, a União Soviética lança o Sputnik, o primeiro satélite artificial da Terra, e assusta os Estados Unidos, que temem que o inimigo na Guerra Fria possa usar o espaço para fazer um bombardeio nuclear.
O Sputnik tem 56 centímetros de diâmetro e pesa 84 quilos. A uma velocidade de 28,8 mil quilômetros por hora, dá uma volta na Terra a cada hora e 36 minutos numa órbita elíptica com apogeu (distância máxima da Terra) de 934 km e perigeu (menor distância da Terra) de 229 km.
Em janeiro de 1958, o Sputnik sai da órbita e pega fogo ao reentrar na atmosfera.
Os EUA lançam seu primeiro satélite, o Explorer, em 31 de janeiro de 1958. Antes, em 3 de novembro de 1957 os soviéticos colocam no espaço o Sputnik 2 com a cachorrinha Laika a bordo. Ela morre no espaço.
A URSS sai na frente na Corrida Espacial. Envia o primeiro homem ao espaço, Yuri Gagarin, que descobre que "a Terra é azul", em 12 de abril de 1961; a primeira mulher, Valtentina Tereshkova, em 16 de junho de 1963, hoje deputada governista no Parlamento da Rússia; e o primeiro homem a sair da nave e passear no espaço, Alexei Leonov, em 18 de março de 1965.
Os EUA se recuperam e enviam a primeira missão espacial tripulada à Lua, onde Neil Armstrong dá "um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade" em 20 de julho de 1969.
JANIS MORRE DE OVERDOSE
Em 1970,Janis Joplin, a maior cantora da história do rock, morre de dose excessiva de heroína depois de ascender em quatro anos do anonimato a ícone de uma geração com apresentações antológicas nos festivais de Monterrey e Woodstock.
Janis nasce em Port Arthur, no Texas, em 1943, e vai para São Francisco da Califórnia em 1966, onde entra para o grupo Big Brother & The Holding Company. Depois do álbum Cheap Trills, de 1968, inicia carreira solo
Um crítico a definiu como "segunda, atrás apenas de Bob Dylan, como criadora, cantora e encarnação da história e da mitologia de sua geração".
BATALHA DE MOGADÍSCIO
Em 1993, a Batalha de Mogadíscio, na Somália, termina com a morte de 18 soldados dos Estados Unidos e entre 500 e 600 somalianos, de acordo com a estimativa da organização não governamental Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos).
O conflito é resultado de uma operação militar dos EUA dentro de uma missão de paz das Nações Unidas.
A Somália vive em estado de anarquia desde a queda, em 26 de janeiro de 1991, do ditador Mohamed Siad Barre, que troca de aliado durante a Guerra Fria. Passa do lado soviético para o norte-americano. Com o fim da Guerra Fria, o país perde sua importância estratégica.
Para monitorar um cessar-fogo na guerra civil que derrubou Barre e levar ajuda humanitária, em abril de 1992, é aprovada a Primeira Operação das Nações Unidas na Somália (UNOSOM).
Em dezembro de 1992, depois de perder a reeleição para Bill Clinton, o presidente George Herbert Walker Bush decide enviar soldados dos EUA para apoiar a missão humanitária e distribuir alimentos na Somália, onde a guerra civil causa fome com imagens que lembram as guerras de Biafra (1967-70) e da Etiópia nos anos 1980.
Quando Bill Clinton assume, sem experiência em política externa, tenta transformar a missão humanitária numa operação punitiva contra o líder da da Aliança Nacional Somaliana, o senhor da guerra Mohamed Farah Aidid, que domina a região da capital somaliana e mata, em 5 de junho de 1993, 25 paquistaneses da força de paz, no pior dia em décadas para soldados da ONU.
Os EUA não têm o equipamento militar para enfrentar o senhor da guerra. Um documento falso da CIA (Agência Central de Inteligência) alega que Aidid está prestes a lançar um grande ataque contra a missão da ONU.
Em 12 de julho de 1993, na Segunda-Feira Negra, na tentativa de capturar Aidid, forças norte-americanas atacam a casa do ministro do Interior somaliano, Abdi Awale, durante um encontro do conselho de anciães do clã do senhor da guerra. Dezessete helicópteros de combate cercam a casa, bombardeada com 16 mísseis antitanque e 2,2 mil disparos de canhões de 20 milímetros durante 6 a 8 minutos.
Depois, há um ataque por terra em que os norte-americanos matam 15 sobreviventes. Ao todo, 54 somalianos são mortos e 161 feridos, de acordo com a Cruz Vermelha Internacional. O ataque provoca uma revolta popular. Quatro jornalistas estrangeiros que vão até a casa são linchados pela multidão enfurecida.
Em 3 de outubro de 1993, os EUA pretendem capturar dois subcomandantes de Aidid durante um encontro dentro da cidade. O ataque, previsto para durar apenas uma hora, se estende com um impasse pela noite e uma operação de resgate na madrugada. É a Batalha de Mogadíscio.
O objetivo é atingido, mas é uma falsa vitória, uma vitória de Pirro, general que derrotou os romanos duas vezes com enormes perdas e perdeu a terceira batalha.
Com granadas lançadas por foguetes, os somalianos derrubam três helicópteros tipo Falcão Negro. Dois caem em território inimigo. A operação vira uma batalha desesperada para defender os sobreviventes dos helicópteros que atravessa a noite. É a batalha com o maior número de soldados norte-americanos mortos depois da Guerra do Vietnã.
É mais um vexame do Exército dos EUA. Em resposta, o presidente Clinton retira as forças norte-americanas da Somália. Pior ainda: no ano seguinte, não intervém para evitar o genocídio de Ruanda. De 7 de abril a 15 de julho de 1994, o exército do governo da maioria hutu, diante da derrota iminente mata cerca de 800 mil pessoas da minoria tútsi e hutus moderados.
Clinton considera esse seu maior erro de política externa.
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Em 1780, durante a Guerra da Independência (1775-83), o general norte-americano Benedict Arnold encontra o major britânico John Andre para discutir a entrega do forte de West Point, no estado de Nova York, ao inimigo em troca de um alto posto no Exército Real e uma grande soma em dinheiro.
A conspiração é descoberta. Andre é preso e executado. Arnold foge para o Reino Unido, onde nunca recebe o que fora prometido, e morre em 14 de junho de 1801.
REVOLUÇÃO ABOLE A MONARQUIA
Em 1792, durante a segunda fase da Revolução Francesa (1789-99), a Convenção Nacional (1792-95) acaba com a monarquia e funda a Primeira República.
O rei Luís XVI e a rainha Maria Antonieta, presos em agosto de 1792, são executados na guilhotina em 1793. Luís XVI ascende ao trono em 1774. A França está exaurida e humilhada pela derrota para o Império Britânico na Guerra dos Sete Anos (1756-63), quando perde a maioria das possessões na América do Norte e na Índia.
A quebra de safras em invernos rigorosos causam fome, agravam a crise econômica e criam o ambiente para a revolução, que estoura em 14 de julho de 1789, com a tomada da prisão da Bastilha, em Paris, símbolo da opressão do antigo regime.
O Período da Convenção Nacional (1792-95) é o segunda fase da Revolução Francesa e inclui o Período do Terror (1793-94), quando cerca de 10 mil pessoas são mortas. Ao todo, por volta de 50 mil pessoas morrem na revolução.
FOTOGRAFIA EM PAPEL
Em 1840, durante experiências com ácido gálico, William Henry Fox Talbot descobre que o ácido pode ser usado para revelar uma imagem latente em papel sensível à luz, numa revolução na fotografia.
O princípio da câmara escura, que uma sala fechada com um pequeno orifício para entrada de luz consegue projetar uma imagem na parede oposta, é testado e comprovado pelo cientista italiano Giambattista de la Porta no século 16.
Em 1727, o professor de anatomia alemão Johan Heinrich Schulze descobre que sais de prata escurecem sob efeito da luz, mas não consegue preservar as imagens por um longo tempo.
Nicéphore Niépce, um inventor francês, se interessa pela litografia, um processo no qual uma gravura ou imagem é entalhada ou copiada numa pedra para depois ser impressa com tinta. Ele desenvolve um método para usar a luz para fazer desenhos.
Niépce põe uma gravura numa chapa coberta por uma solução de betume da Judeia. Após algumas horas, a solução sob as águas claras endurece, enquanto a parte embaixo de áreas escuras amolece e pode ser removida com água, deixando uma cópia permanente. Em 1822, chama o processo de heliografia, desenhar com o Sol.
Em 1826 ou 1827, Niépce consegue fazer a primeira foto da natureza com uma exposição de oito horas em que o Sol se moveu iluminando o objeto da foto por diferentes ângulos.
Louis-Jacques-Mandé Daguerre, um pintor de cenários para teatro, tenta reduzir o tempo de exposição. Em 1835, ele descobre que imagens latentes gravadas numa chapa com prata iodada podem ser reveladas com exposição a vapor de mercúrio. Em 1837, Daguerre consegue fixar a imagem usando sal de cozinha para remover os sais de prata não expostos. Inventa a daguerreotipia.
Talbot, cientista formado na Universidade de Cambridge, torna o papel sensível à luz banhando-o alternadamente com soluções de sal e de nitrato de prata. Consegue assim uma imagem em negativo, clara onde é escuro e escura onde seria claro, a partir da qual pode imprimir vários positivos.
Em fevereiro de 1839, o astrônomo John Herschel sugere que as imagens sejam fixadas com uma solução de hipossulfito de sódio.
Quando as notícias da daguerreotipia chegam ao Reino Unido, Talbot apresenta sua técnica de "desenho fotogênico".
PADRÃO-OURO
Em 1931, no início da Grande Depressão (1929-39), o Banco da Inglaterra abandona o padrão-ouro e a libra esterlina cai 28%, abalando a solvência de países da América Latina e da Europa Oriental.
O padrão-ouro faz com que um país mantenha a cotação de sua moeda fixa em relação ao ouro, servindo assim como âncora do sistema financeiro internacional. Exige que um país tenha grandes reservas am ouro.
No período entre guerras, a economia britânica, que perde a primeira posição para os EUA em 1890 e é ultrapassada pela Alemanha no fim do século 19, não tem mais a força do passado.
A Grande Depressão é a principal causa econômica da Segunda Guerra Mundial. Em 1932, com o índice de desemprego na Alemanha em 40%, o Partido Nazista vence duas eleições sem conseguir maioria absoluta; consegue 38% e 32% dos votos. Em 30 de janeiro de 1933, Adolf Hitler é nomeado chanceler (primeiro-ministro) da Alemanha.
FIM DA NEUTRALIDADE
Em 1939, o presidente Franklin Delano Roosevelt vai ao Capitólio e pede ao Congresso que altere as Leis da Neutralidade, aprovadas naquela década, para que os Estados Unidos enviem ajuda militar aos países da Europa ameaçados pela Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-45).
No discurso, Roosevelt adverte que países como a Alemanha constroem "grandes exércitos, marinhas e arsenais com grande rapidez e intensidade", enquanto os EUA tentavam ficar neutros e usar "todo seu poder para encorajar soluções negociadas".
Com o início da guerra, o presidente americano vê necessidade de apoiar a luta das nações democráticas contra o Nazifascismo e afirma que a passividade "ajuda o agressor". O Congresso aprova as mudanças em 4 de novembro.
Depois a ocupação da França pelos nazistas em maio e junho de 1940, Roosevelt e o primeiro-ministro o Reino Unido, Winston Churchill, assinam a Carta do Atlântico em 14 de agosto de 1941, uma declaração de princípios sobre como deveria ser o mundo no pós-guerra.
Os EUA entram na guerra em 7 de dezembro de 1941, quando o Japão bombardeia a 7ª Frota Norte-Americana, estacionada em Pearl Harbor, no Havaí.
SUPERBOMBARDEIRO DECOLA
Em 1942, a superfortaleza voadora B-29, fabricada pela Boeing, faz seu primeiro voo, em Seattle, no estado de Washington, nos Estados Unidos.
O superbombardeiro é projetado em 1939 pelo general Arnold Hap. Ele teme que a conquista da Europa pela Alemanha Nazista deixe os EUA sem bases do outro lado do Oceano Atlântico. Precisariam de um avião capaz de voar mais alto, mais rápido e em distância mais longa.
A companhia aeronáutica Boeing desenvolve então um bombardeiro pesado com quatro motores com o primeiro sistema de ataque a radares de um avião de guerra americano.
Seu primeiro ataque acontece em 5 de junho de 1944, em Bangkok, na Tailândia, preparando a libertação da Birmânia, hoje Mianmar, ocupada pelo Império do Japão.
Os B-29 participam dos ataques a Tóquio com bombas incendiárias que matam 100 mil japoneses em março de 1945. Sua principal missão é transportar as bombas atômicas que explodem em Hiroxima, em 6 de agosto, e em Nagasaki, em 9 de agosto de 1945, matando 140 mil pessoas na hora e pondo fim à Segunda Guerra Mundial (1939-45).
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Em 1519, a serviço da coroa espanhola, o navegador português Fernão de Magalhães sai de Sanlúcar de Barrameda com cinco navios e 234 homens em busca de uma passagem no sul do Oceano Atlântico para chegar às Ilhas das Especiarias, hoje Indonésia.
A frota faz escala no Rio de Janeiro em 13 de dezembro e segue rumo ao sul. Explora o Rio da Prata, mas não encontra saída para o Mar do Sul, nome dado por Vasco Núñez de Balboa quando descobre para os europeus, em 1513, o maior oceano no planeta.
Ao chegar a Porto São Julião, no Sul da Argentina, Magalhães espera cinco meses. Em 21 de outubro de 1520, descobre o estreito batizado com seu nome e entra no oceano que chamou de Pacífico, em contraste com o Atlântico, que os marinheiros chamavam de Mar Tenebroso. O Pacífico está calmo por causa do fenômeno El Niño.
Magalhães morre em combate em Mactán, na região de Cebu, nas Filipinas, em 27 de abril de 1521. O subcomandante, o espanhol Juan Sebastián Elcano completa a viagem na nau Vitória e aporta em Sanlúcar de Barrameda em 8 de setembro de 1522.
BATALHA DE EUROPEUS NA AMÉRICA
Em 1565,forças da Espanha sob o comando de Pedro Menéndez de Avilés tomam a colônia de protestantes huguenotes da França em Forte Caroline, perto de onde hoje é a cidade de Jacksonville, na Flórida, e matam 135 franceses, na primeira batalha travada por europeus em solo americano.
A maioria dos mortos é massacrada por ordem de Menéndez sob o pretexto de se tratar de hereges por serem protestantes. O comandante René Goulaine de Laudonnière e outros 40 huguenotes escapam.
Os huguenotes fundam a colônia em 1564 num ponto estratégico da costa da Flórida. O rei Felipe II (imagem), talvez o mais poderoso da história da Espanha, considera um desafio à autoridade do país sobre o Novo Mundo. Envia Menéndez de Avilés para destruir o assentamento francês e criar uma colônia espanhola.
No início de setembro de 1565, o conquistador espanhol funda a primeira cidade europeia na América do Norte. Duas semanas depois, derrota os franceses se e torna o primeiro governador europeu da Flórida. Volta à Espanha em 1567 e é nomeado governador de Cuba.
PORTUGAL EXECUTA JESUÍTA
Em 1761, Portugal executa o jesuíta Gabriel Malagrida na fogueira por envolvimento na Conspiração dos Távora, um acontecimento da história do país que permite ao poderoso Marquês do Pombal, Sebastião José de Carvalho e Mello, primeiro-ministro do rei José I, esmagar a parte da nobreza que se opõe a ele e a expulsar os jesuítas do Império Português.
Na noite de 3 de setembro de 1758, três homens armados atacam a carruagem real. Em dezembro, começa uma investigação com plenos poderes, inclusive de torturar suspeitos. O Marquês de Távora, a mulher e os dois filhos e 12 jesuítas são presos.
O Duque de Aveiro, que confessa sob tortura, e os quatro Távora são executados cruelmente em 12 de janeiro de 1579. Os jesuítas suspeitos são condenados e todos os outros expulsos do Império Português, inclusive do Brasil, em 3 de setembro, um ano depois do ataque ao rei. Malagrida é considerado culpado de heresia e traição. Pega pena de morte.
Até o fim do reinado de Dom José I (1750-77), o Marquês do Pombal, um déspota esclarecido, é a figura dominante da política em Portugal. É o período em que o Brasil se torna Vice-Reino, em 1763, quando a capital é transferida de Salvador para o Rio de Janeiro. A descoberta de ouro em Minas Gerais muda o eixo econômico do país para o Sudeste.
Quando Dona Maria I (1777-1816), a Rainha Louca, ascende ao trono com a morte do pai, o caso é reaberto. Pombal é acusado de abuso de poder por impor um reino do terror sem precedentes, com práticas extrajudiciais. Como já é idoso, a única punição é ser banido de Lisboa.
CONVENÇÃO NACIONAL
Em 1792, durante a Revolução Francesa (1789-99), a Convenção Nacional substitui a Assembleia Legislativa, num marco do início da Primeira República. Suas primeiras decisões são proclamar a República e promulgar uma nova Constituição.
A revolta popular começa depois da derrota da França para o Império Britânico na Guerra dos Sete Anos (1756-63) e de invernos rigorosos que causam quebras de safra e fome. O marco do início da revolução é a tomada da Bastilha, a prisão que é um símbolo do antigo regime, em 14 de julho de 1789.
O Período da Convenção é o segundo da Revolução Francesa. Vai até 26 de outubro de 1795. Os girondinos, moderados, dominam a primeira parte, mas perdem a força com derrotas nas guerras contrarrevolucionárias de outros países europeus.
De 31 de maio a 2 de junho de 1793, uma insurreição popular leva a um expurgo dos girondinos. Os jacobinos, muito mais radicais, tomam o poder sob a liderança de Jean-Paul Marat, Georges-Jacques Danton e Maximiliano Robespierre.
Os jacobinos comandam o Período de Terror, de 5 de setembro de 1793 a 27 de julho de 1794, quando o Comitê de Salvação Pública e os tribunais revolucionários condenam milhares à morte. Até ser deposto e guilhotinado, Maximiliano de Robespierre mandava mais do o rei.
Das 50 mil mortes estimadas em dez anos de Revolução Francesa, cerca de 10 mil são durante o Período do Terror. O rei Luís XVI e rainha Maria Antonieta são guilhotinados em 1793.
GUERRA DA CRIMEIA
Em 1854, o Reino Unido e a França vencem a Rússia na Batalha do Rio Alma. Isto ameaça a base naval russa de Sebastopol e toda a estratégia da Rússia na Guerra da Crimeia (1853-56).
A guerra tem origem no conflito entre grandes potências no Oriente Médio. A Rússia exige o direito de proteger cristãos ortodoxos dentro do Império Otomano, muçulmano. Quando os turcos tomam Constantinopla, em 29 de maio de 1453, no fim da Idade Média, Moscou se apresenta como terceira Roma e o chefe do Principado ou Ducado de Moscou passa a se chamar czar (césar).
O Reino Unido e a França apoiam o Império Otomano, que rejeita a pressão da Rússia. Esta por sua vez ocupa principados no Rio Danúbio. Em 4 de outubro de 1853, a Turquia declara guerra à Rússia. As esquadras britânica e francesa entram no Mar Negro em 3 de janeiro de 1854.
As tropas aliadas desembarcam na Crimeia em setembro de 1854 e impõem um cerco de um ano até a queda de Sebastopol. Quando a Áustria ameaça entrar na guerra, a Rússia aceita as exigências dos aliados.
O Tratado de Paris, de 30 de março de 1856, garante a integridade do Império Otomano. A Rússia é obrigada a ceder o Sul da Bessarábia, na foz do Rio Danúbio. O Mar Negro é declarado neutro e o Danúbio é aberto à navegação de todos os países.
Por causa da derrota, o czar Alexandre II (1855-81) sente a necessidade de fazer reformas para modernizar a Rússia. Em 1861, acaba com a servidão.
A Áustria-Hungria fica mais dependente da França e do Reino Unido, que não a socorrem em 1859 e 1866, em guerras que levam às unificações, respectivamente, da Itália e da Alemanha
ROMA INCORPORADA À ITÁLIA
Em 1870, as forças do Reino da Itália, unificado em 1861, tomam e anexam Roma, e limitam a autoridade do Papa ao Vaticano. É o fim dos Estados Pontifícios.
O revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi, que luta na Revolução Farroupilha (1835-45), tenta tomar Roma em 1862 e 1867. A retirada de uma guarnição francesa que protege o papa Pio IX permite a conquista da cidade em 1870.
Cerca de 50 mil italianos enfrentam 13.157 soldados papais. Num combate na Porta Pia, uma das antigas entradas da cidade, morrem 49 soldados italianos e 19 da força papal.
O ataque começa às cinco da manhã. Um hora depois, os primeiros emissários chegam à residência papel para negociar os termos da rendição Pio IX se recusa a aceitar os termos e se entrincheira como um prisioneiro no Vaticano. Ordena aos católicos que rejeitem o novo Estado italiano e excomunga o rei Vítor Emanuel II.
Em outubro, um plebiscito decide que Roma será a capital da Itália.
PRIMEIRO FESTIVAL DE CANNES
Em 1946,começa o primeiro Festival de Cinema de Cannes, uma cidade praiana da Riviera Francesa, no Mar Mediterrâneo. Deveria ter sido em 1939, mas a Segunda Guerra Mundial (1939-45) adia os planos.
O primeiro festival internacional de cinema é realizado em Veneza, na Itália, em 1932. Com a ascensão do Nazifascismo, em 1938, os ditadores italiano Benito Mussolini e alemão Adolf Hitler interferem na escolha e premiação dos filmes.
A França decide, então, organizar seu próprio festival, que começa em 1º de setembro de 1939, dia do início da guerra, com a invasão da Polônia pela Alemanha. Só um filme é apresentado, O Corcunda de Notre Dame, do diretor americano William Dieterle. Dois dias depois, a França e o Reino Unido declaram guerra à Alemanha.
Quando finalmente o festival é realizado, em 1946, participam filmes como Farrapo Humano, do austríaco-americano Billy Wilder; Cidade Aberta, do italiano Roberto Rosselini; A Batalha dos Trilhões, do francês René Clement; e Desencanto, do inglês David Lean.
Como o objetivo maior é estimular a criatividade, nove filmes ganham o grande prêmio.
BILLIE JEAN VENCE A BATALHA DOS SEXOS
Em 1973,aos 29 anos, a tenista americana Billie Jean King vence o ex-número um do mundo Bobby Riggs, de 55 anos, por 3-0 (6-4, 6-3, 6-3) no Astródomo de Houston, no Texas, na Batalha dos Sexos.
Apesar da idade, Riggs, machista assumido, está convencido de que ainda é capaz de vencer qualquer mulher. Mais de 30 mil pessoas assistem ao jogo no estádio e 50 milhões pela televisão.
Billie Jean entra no estádio no estilo de Cleópatra, a rainha do Egito que foi amante dos generais romanos Júlio César e Marco Aurélio, numa liteira dourada carregada por homens vestidos como os escravos da Antiguidade. Riggs chega num riquixá puxado por modelos femininas.
Uma das maiores tenistas da história, Billie Jean ganha aos 17 anos o torneio de duplas femininas do Campeonato de Wimbledon, o primeiro de seus 20 títulos na mais tradicional competição do tênis. Em 1971, é a primeira atleta mulher a ganhar mais de US$ 100 mil em prêmios num ano.
"NÃO PERGUNTE, NÃO CONTE"
Em 2011, termina a política adotada em 1º de outubro de 1993, no governo Bill Clinton (1993-2001), para permitir a participação de LGBTs nas Forças Armadas dos Estados Unidos de nome Não pergunte, não conte. pela qual os gays podem servir como militares desde que mantenham a privacidade de sua vida sexual.
O veto a militares gays nos EUA é imposto durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Clinton promete resolver o problema. Enfrenta forte oposição no Congresso, dentro de seu próprio partido, e entre os militares. A exigência de privacidade é a maneira de obter a aprovação da proposta.
Em dezembro de 2010, a Câmara de Representantes e o Senado dos EUA repeliram a política, dando plena liberdade aos LGBTs+ nas Forças Armadas. No segundo governo Donald Trump, há claramente uma política antigays e antitransgêneros.
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Em 1394,o rei Carlos VI ordena a expulsão de todos os judeus da França.
Com o antissemitismo crescente, os franceses queimam os livros sagrados do judaísmo e cobram impostos discriminatórios dos judeus. Eles são acusados pela pandemia da Peste Negra (1346-53).
Os judeus são expulsos e têm as propriedades confiscadas em 1306. Para voltar, em 1315, precisam pagar. Por uma lei de 1315, os judeus não podem falar de sua religião publicamente, são obrigados a usar um distintivo de identificação como fariam sob o Nazismo e são advertidos contra a usura, uma acusação frequente.
Depois da expulsão de 1394, os judeus só voltam à França no século 18, fugindo da discriminação e perseguição na Europa Oriental. Na época da Revolução Francesa de 1789, há 40 mil judeus na França. A revolução lhes dá os direitos, mas o antissemitismo continua, como no Caso Dreifus, no fim do século 19, e os judeus franceses são parcialmente exterminados durante a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-45), de 1940 a 1944.
Hoje os judeus são 1% da população francesa.
GUERRA DOS TRINTA ANOS
Em 1631, um exército sueco-saxão sob o comando do rei Gustavo II Adolfo, da Suécia, destrói o exército do imperador Fernando II de Habsburgo, do Sacro Império Romano-Germânico e da Liga Católica na Batalha de Breitenfeld, durante a Guerra dos Trinta Anos (1618-48), uma guerra mundial com 8 milhões de mortes que chega ao Brasil com as Invasões Holandesas no Nordeste.
A tensão criada pela Reforma da Igreja aumenta no início do século 17 com a fundação da União Protestante e da Liga Católica. A guerra começa na Boêmia, hoje República Tcheca, com a Segunda Defenestração de Praga.
Em 23 de maio de 1618, protestantes revoltados com a destruição de um dos seus templos, invadem o Castelo de Praga e jogam pela janela dois ministros e um secretário do rei Fernando II, da Boêmia, futuro imperador do Sacro Império, que só permite uma religião, o catolicismo, na Boêmia e na Morávia.
A grande disputa é entre pequenos Estados e principados alemães católicos e protestantes. A Espanha entra na guerra ao lado do Sacro Império. A Holanda, a Suécia e a Dinamarca apoiam os protestantes. Os católicos levam vantagem na primeira fase, que inclui a Primera Invasão Holandesa no Nordeste (1624-25).
Os protestantes holandeses declaram independência da Espanha em 1581, um ano depois de Portugal e Espanha formarem a União Ibérica, quando a morte do rei Dom Sebastião, na Batalha de Alcácer-Quibir, no Marrocos, deixa o trono português sem herdeiro. Começa o período conhecido na História do Brasil como Domínio Espanhol (1580-1640).
A Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, fundada em 1621, ataca Salvador em 9 de maio de 1624 com uma esquadra de 26 navios e 3.400 homens sob o comando do almirante Jacob Willekens. Bombardeia a capital colonial do Brasil e a conquista em 24 horas. O governador-geral se refugia no palácio, mas é preso, assina a rendição e é enviado para a Holanda, onde é libertado em 1626.
Em 30 de março de 1625, uma armada luso-espanhola de 52 navios, 14 mii homens e 1.185 armas de fogo chega à Bahia. É a maior enviada ao Hemisfério Sul até então. Sob o comando do almirante espanhol Dom Fradique de Toledo y Osorio, inicia a batalha para libertar Salvador do domínio holandês, o que acontece em 1º de maio daquele ano.
Na segunda fase da Guerra dos Trinta Anos, o Período Sueco, o poderoso primeiro-ministro da francês, o Cardeal de Richelieu, se alia a Gustavo II da Suécia. A França, um país católico, sente-se cercada pelos Habsburgo da Espanha e do Sacro Império, e se alia aos protestantes.
Gustavo Adolfo desembarca no que hoje é o Norte da Alemanha em 1630 e logo conquista a Pomerânia, mas não consegue impedir a destruição de Madgeburgo em 1631 pelas forças imperiais sob o comando do Conde de Tilly.
Em setembro de 1631, o Sacro Império invade a Saxônia e ocupa Leipzig. O exército protestante tem 26 mil suecos e 16 mil saxões. Às duas da tarde, o temerário general católico Gottfried zu Pappenheim lança um ataque contra as forças de Johan Baner, seis regimentos de cavalaria com destacamentos de infantaria. É repelido sete vezes.
A cavalaria de Fürstenberg ataca os saxões, que estão no lado esquerdo da formação dos protestantes. Despreparados, seus soldados debandam logo. Com a saída dos saxões, o Conde de Tilly desvia suas forças para a direita para atacar os protestantes pelo flanco. Mas as brigadas suecas são mais ágeis e bloqueiam a manobra.
Gustavo II vê uma oportunidade e ataca o novo flanco esquerdo de Tilly, onde se concentra a artilharia imperial. Toma parte dessas armas e bombardeia os católicos com seus próprios canhões. O rei da Suécia morre na Batalha de Lützen, em 16 de novembro de 1632.
O Período Sueco vai até 1635, quando começa a terceira e última fase da guerra, o Período Francês. Inicialmente Richelieu não queria entrar em guerra contra a Espanha e a Áustria. Em 19 de maio de 1635, a França declara guerra à Espanha, o outro grande domínio da Dinastia Habsburgo na Europa, ao lado da Áustria e regiões dependentes da Europa Central.
Em 1º de maio de 1640, Richelieu apoia a Revolta de Lisboa, que pede o fim da União Ibérica, do domínio espanhol sobre o Império Português. A monarquia portuguesa é restaurada em 1º de dezembro e Dom João IV se torna rei. É o primeiro da Dinastia de Bragança, que reina até a queda da monarquia, em 1910.
No fim da Guerra dos Trinta Anos, a França tem um exército de 100 mil homens aliado das Províncias Unidas dos Países Baixos (Holanda e Bélgica), da Suécia, da Confederação Helvética (Suíça), de principados alemães e de alguns Estados italianos.
A Paz da Vestfália é firmada em 24 de outubro de 1648. Consagra o princípio de soberania nacional, com liberdade de culto para católicos e protestantes. A Espanha perde seu império europeu. Deixa de ser a maior potência do continente, lugar ocupado pela França.
ASSINADA CONSTITUIÇÃO DOS EUA
Em 1787,38 dos 41 delegados da Convenção Constitucional da Filadélfia assinam a Constituição dos Estados Unidos da América.
A Convenção Constitucional se reúne de 25 de maio a 17 de setembro de 1787 no Salão da Independência, na Filadélfia, no estado da Pensilvânia, com delegados de 12 dos 13 estados. Rhode Island se nega a enviar representantes. Seu mandato inicial é emendar os Artigos da Confederação, mas isso é insuficiente para o novo país.
A Constituição dos EUA tem sete artigos. Divide o governo em três poderes, legislativo, executivo e judiciário, tema dos três primeiros artigos. O artigo 4 dispõe sobre o federalismo e a divisão das competências entre o governo federal e os governos estaduais. O artigo 5 apresenta as regras para emendar a Constituição. O artigo 6 estabelece que a Constituição e as leis federais que dela emanam estão acima das leis estaduais e municipais. O artigo 7 fala sobre a ratificação e as emendas da carta.
Depois da aprovação na Convenção Constitucional por pelo menos três quintos dos votos, a Constituição dos EUA precisa ser ratificada por pelo menos três quartos dos estados, o que acontece em 1788. A Constituição entre em vigor em 1789.
Logo, começa um debate sobre os direitos e garantias individuais que não estariam na Constituição. São apresentadas 12 emendas.
Dez são aprovadas e consideradas uma declaração de direitos, entre eles a liberdade de expressão, de religião e de associação para fins pacíficos, o direito de processar o Estado, os direitos de portar armas, de ficar em silêncio em interrogatórios para não se incriminar, de ter um julgamento justo e imparcial, de não perder bens e direitos sem sentença judicial e de não ser submetido a tratamento ou punição cruel ou desumana.
Desde 1787, são aprovadas 27 emendas à Constituição.
GUERRA CIVIL ARGENTINA
Em 1861, as forças da Província de Buenos Aires, sob o comando do governador Bartolomeu Mitre, vencem o exército da Confederação Argentina, sob a chefia do general Justo José de Urquiza na Batalha de Pavón, na Província de Santa Fé.
É uma batalha decisiva da Guerra Civil Argentina. Mitre é líder dos unitários, que defendem um governo central forte, e se instalam no poder em Buenos Aires depois da derrota do ditador Juan Manuel de Rosas, governador da Província de Buenos Aires (1829-52), talvez o caudilho mais importante da história da América Latina, na Batalha de Monte Caseros, em 1852, na última vez em que o Brasil está em guerra contra a Argentina.
Como o Brasil apoia o general Urquiza contra Rosas, Urquiza espera a mesma ajuda durante o conflito com Mitre, quando lidera os federalistas a favor de autonomia regional. Sua derrota marca o fim da Confederação Argentina e a reincorporação de Buenos Aires como a capital do país.
Sem reconhecer o governo Mitre, Urquiza fica no Paraguai, onde se alia ao ditador Francisco Solano López, que deflagra a Guerra do Paraguai ou Guerra da Tríplice Aliança (1864-70), em que Mitre é o comandante militar da Argentina e aliado nos primeiros anos.
URSS INVADE A POLÔNIA
Em 1939, a União Soviética invade o Leste da Polônia depois que o ministro do Exterior soviético, Viacheslav Molotov, declara que o governo polonês não existe mais, 17 dias depois da invasão do país pela Alemanha Nazista, no início da Segunda Guerra Mundial (1939-45).
As duas invasões são resultado do Pacto Germano-Soviético, um pacto de não agressão firmado entre Adolf Hitler e Josef Stalin em 23 de agosto de 1939.
Com a invasão nazista, o Exército da Polônia recua e vai para o lado ocupado pela URSS, que prende todos os militares e policiais, e parte dos funcionários públicos civis e intelectuais, num total de quase 22 mil homens. Todos são executados pela polícia política stalinista, a NKVD (Comissariado do Povo para Assuntos Internos), no Massacre da Floresta de Katyn, em abril e maio de 1940.
Quando Hitler rompe o pacto de não agressão e invade a URSS, em 22 de junho de 1941, e a URSS entra na guerra ao lado dos aliados, o governo polonês no exílio pede a libertação dos 22 mil compatriotas. Em 1943, a Alemanha descobre os cemitérios clandestinos. A URSS culpa os nazistas.
Só em 1990, com a abertura democrática promovida pelo líder Mikhail Gorbachev (1985-91), a URSS admite a responsabilidade pelo Massacre de Katyn, tema do filme Katyn, do cineasta polonês Andrzej Wajda.
THE WHO DETONA
Em 1967, no fim de uma apresentação da explosiva banda de rock britânica The Who com a música My Generation na televisão norte-americana, o baterista Keith Moon detona uma bomba que deixa o cabelo do guitarrista Pete Townshend chamuscado, estilhaços no braço do próprio Moon e tira do ar o show The Smothers Brothers Comedy Hour.
Ao apresentar The Who no Festival de Monterrey três meses antes, Eric Burdon, da banda The Animals, avisa: "É um grupo que vai destruir você de várias maneiras." O som baixo do festival não permite a The Who mostrar a força de sua explosão musical, mas a destruição da guitarra por Townshend estimula Jimi Hendrix a queimar a sua.
O programa era cultural e politicamente subversivo. Durante três anos, is irmãos Tommy e Dick travaram um duelo com a direção da rede de TV CBS para apresentar candidatos antiestablishment.
The Who não era politizado, mas com My Generation e o verso "espero morrer antes de envelhecer" se tornou porta-voz da juventude no conflito de gerações dos anos 1960. Gostava de tocar com som no volume máximo e de destruir os instrumentos e o palco, deixando o local arrasado como se tivesse explodido uma bomba.
Keith Moon tinha o hábito de colocar explosivos nos dois bumbos de sua bateria. Naquele dia, bota o dobro da carga.
ACORDOS DE CAMP DAVID
Em 1978, o presidente do Egito, Anuar Sadat, e o primeiro-ministro de Israel, Menachem Begin, assinam acordos de paz intermediados pelos Estados Unidos no governo Jimmy Carter (1977-81).
A Assembleia Geral das Nações Unidas aprova em 29 de novembro de 1947, a divisão do território histórico da Palestina, que está sob administração do Império Britânico, com mandato da Liga das Nações, entre um país árabe e outro judeu.
Como os árabes não aceitam a criação de Israel, quando o país é fundado, em 14 de maio de 1948, os vizinhos árabes invadem no dia seguinte. A Guerra de Independência de Israel vai até 10 de março de 1949.
Quando o ditador Gamal Abdel Nasser nacionaliza a empresa que opera o Canal de Suez, em 1956, a França e o Reino Unido declaram guerra ao Egito com o apoio de Israel. Os EUA ameaçam retirar o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) à libra esterlina e ao franco francês, ainda abalados pela Segunda Guerra Mundial (1939-45). A guerra acaba e o Egito fica com o canal.
Em 5 de junho de 1967, depois de Nasser ameaçar fechar o canal, Israel bombardeia as forças aéreas do Egito, da Síria e da Jordânia no solo, domina o espaço aéreo e obtém uma vitória rápida na Guerra dos Seis Dias. Ocupa a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, do Egito; as Colinas do Golã, da Síria; e a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém, que era da Jordânia.
Desde então, a questão dos territórios árabes ocupados e a criação de um Estado palestino são obstáculos à paz no Oriente Médio. A Guerra do Yom Kippur (1973) é a maior empreitada militar árabe da era moderna. Começa com a invasão do Sinai, o maior objetivo do Egito. Mas os EUA dão apoio decisivo a Israel com a maior ponte aérea militar da história.
Em 32 dias, os EUA entregaram 22.325 toneladas de equipamentos militares, tanques, artilharia, munição e suprimentos diretamente no campo de batalha, duas vezes mais do que a União Soviética consegue fazer com seus aliados árabes.
O ditador egípcio, Anuar Sadat, chega a dizer: "Posso lutar uma guerra contra Israel, mas não contra os EUA."
Com superioridade aérea, Israel cerca o 3º Exército do Egito no Sinai. Está prestes a destruí-lo quando a URSS ameaça intervir e entra em alerta nuclear para o caso de guerra contra os EUA. É o único alerta nuclear sovíético conhecido durante a Guerra Fria.
Em retaliação contra os países que apoiam Israel, os países árabes exportadores de petróleo, sob a liderança da Arábia Saudita, aprovam um embargo à venda de petróleo ao Ocidente. É o início da Primeira Crise do Petróleo (1973), que quadruplica os preços em curto prazo e acaba com o modelo econômico da ditadura militar brasileira, baseado em energia e mão de obra baratas.
Sem conseguir recuperar o Sinai militarmente, Sadat abandona a aliança do Egito com a URSS, se aproxima dos EUA e visita Israel de 19 a 21 de novembro de 1977. O Egito tem a maior população e o maior Exército do mundo árabe. Há um provérbio no Oriente Médio que diz: "Não há guerra sem o Egito nem paz sem a Síria."
Nos Acordos de Camp David, os dois países se reconhecem mutuamente, acaba o estado de guerra permanente que vem desde 1948, Israel se retira da Península do Sinai, mas ganha direito de passagem pelo Canal de Suez, enquanto o Golfo de Ácaba e o Estreito de Tiran são declarados águas internacionais.
Israel negocia os Acordos de Oslo com a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), que levam à criação da Autoridade Nacional Palestina, e faz a paz com a Jordânia em 1994.
Mais recentemente, em 2020, nos Acordos Abraão, Israel estabelece relações diplomáticas com os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein, e depois com o Marrocos e o Sudão. Está em negociações com a Arábia Saudita mediadas pelos EUA. Mas o processo de paz com os palestinos é abandonado pela direita de Israel. Com ministros de extrema direita que falam em anexar a Cisjordânia, a situação se agrava.
Desde o ataque terrorista de 7 de outubro de 2023, Israel está em guerra contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e aliados na Faixa de Gaza. É um conflito que desestabiliza todo o Oriente Médio e ameaça até mesmo a histórica paz com o Egito. Em 28 de fevereiro deste ano, os EUA e Israel atacam o Irã, deflagrando uma nova guerra no Oriente Médio ainda sem solução.
OCUPE WALL STREET
Em 2011,centenas de ativistas se reúnem na área do Parque Zucotti, na Baixa Manhattan, para lançar o movimento Ocupe Wall Street em protesto contra a corrupção empresarial e a desigualdade social nos Estados Unidos e no mundo.
O movimento é resultado da crise econômico-financeira global chamada de Grande Recessão (2007-9), que na Zona do Euro se prolonga até 2014. Os editores da revista anticonsumismo Adbusters se inspiraram nas multidões que saem as ruas naquele ano na Primavera Árabe e decidem convocar o protesto em 13 de julho.
Como a polícia fica sabendo e bloqueia Wall Street, os manifestantes mudam o local da concentração para o Parque Zucotti. Durante 58 dias, manifestantes mantêm a vigília. E o slogan "somos 99%" numa crítica ao 1% mais rico e à desigualdade social ficou marcada como ideia central, legado do movimento contra a ganância e a concentração da riqueza.
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