Os pesquisadores francês Henri Kagan, de 95 anos, da Universidade de Paris Sul, na França, e japonês Kenso Soai, de 76 anos, da Universidade da Ciência de Tóquio, no Japão, ganharam hoje o Prêmio Nobel de Química por resolver um problema sobre moléculas espelhadas. Suas descobertas são importantes para a fabricação de medicamentos e podem revelar segredos sobre a origem da vida.
"Henri Kagan e Kenso Soai apresentaram uma solução para um mistério químico com mais de um século: como a homoquiralidade pode surgir espontaneamente. As reações químicas que eles desenvolveram são espetaculares", declarou Heiner Linke, presidente do Comitê do Nobel de Química da Academia de Ciências da Suécia, ao justificar a premiação.
A quiralidade é um conceito químico sobre moléculas espelhadas como as mãos. Quiralidade vem do grego chiros, que significa mãos. O cientista francês Louis Pasteur descobriu as moléculas quirais em 1848, quando observava no microscópio cristais de ácido de restos de vinho. Ele notou que nem todos os cristais eram iguais, embora produzidos na mesma reação.
A homoquiralidade é quando um sistema químico ou biológico usa predominantemente uma das versões das moléculas quirais. Os aminoácidos, que formam as proteínas, e os açúcares são exemplos de moléculas quirais. A droga talidomida, receitada para combater o enjoo da gravidez até se perceber que causava má formação nos bebês, é feita com uma molécula quiral. Alguns pesquisadores entendem que só uma das mãos é responsável pelos efeitos nocivos.
O desafio dos pesquisadores era descobrir como acontece a homoquiralidade. Eles tentaram formar somente uma das moléculas, mas elas sempre apareciam em proporções semelhantes.
Desde os anos 1960, o Dr. Kagan trabalha com a quiralidade. Em 1986, descobriu uma maneira de manipular as reações, o que permitiu conseguir um excesso de uma das moléculas. Em 1995, o Dr. Soai conseguiu projetar uma reação para que fosse homoquiral e, em 2003, apresentou uma reação em que apenas uma das moléculas espelhadas foi gerada.
Os seres vivos são homoquirais, usam só uma das moléculas espelhadas.