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quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Prêmio Nobel de Química premia criação de moléculas metalorgânicas

 O japonês Susumu Kitagawa, professor da Universidade de Quioto, no Japão, o britânico Richard Robson, da Universidade de Melbourne, na Austrália, e o jordaniano Omar Yaghi, da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, ganharam o Prêmio Nobel de Química de 2025 por criar estruturas metalorgânicas, anunciou hoje em Estocolmo a Academia de Ciências da Suécia.

"Os laureados desenvolveram um novo tipo de estrutura molecular. As construções que criaram – estruturas metalorgânicas – contém grandes cavidades em que as moléculas podem entrar e sair. Os pesquisadores as usaram para captar água do ar do deserto, extrair poluentes da água, capturar dióxido de carbono e estocar hidrogênio", declarou o comitê do Nobel.

Essas estruturas são uma espécie de esponjas moleculares. O presidente do Prêmio Nobel de Química, Heiner Linke, as descreveu "quase como os quartos de um hotel onde as moléculas podem entrar e sair".

As pesquisas começaram nos anos 1980 com experiências do Dr. Robson e foram desenvolvidas ao longo de 15 anos. "Leva tempo para a ciência ser reconhecida e são necessários vários trabalhadores no campo com abordagens diferentes", comentou o presidente da Sociedade Americana de Química, Dorothy Phillips.

Em 1989, Robson combinou íons de cobre com moléculas de quatro braços para criar uma espécie de cristais, mas a estrutura era instável e entrar em colapso. De 1992 a 2003, Kitagawa e Yaghi conseguiram estabilizar a estrutura.

"Algumas pessoas pensaram que era um monte de lixo, mas não foi assim", afirmou Robson ao receber a notícia.

O trabalho dos laureados permitiu o desenvolvimento de milhares de estruturas com múltiplas aplicações práticas. Criou um novo campo de estudos para milhares de cientistas. "Estamos apenas arranhando a superfície", constatou a química Amanda Morris, do Instituto de Politécnica da Universidade Estadual da Virgínia.

Os três ganhadores vão dividir o prêmio de 11 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 6,3 milhões.

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segunda-feira, 7 de outubro de 2024

MicroRNA dá Nobel de Medicina a dois norte-americanos

  Os geneticistas Victor Ambros e Gary Ruvkun foram agraciados com o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 2024 pela descoberta do microRNA (microácido ribonucleico), um pequeno tipo de moléculas de RNA que têm um papel central para determinar  como os organismos amadurecem e funcionam, e por que às vezes não funcionam. anunciou hoje em Estocolmo a Academia Real de Ciências da Suécia. A descoberta é útil no combate a doenças como o câncer, diabetes e moléstias autoimunes.

Ambros é professor de ciências naturais na Faculdade de Medicina Chan da Universidade de Massachusetts in Worcester. Ruvkun é professor de genética na Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard e pesquisador do Hospital Geral de Massachusetts. Os dois são amigos e colaboradores há décadas.

Suas pesquisas com vermes milimétricos revelaram um novo princípio da regulação genética fundamental para o desenvolvimento de organismos multicelulares, inclusive os seres humanos, explicou o Comitê do Nobel. 

"Estávamos observando a genética em escalas muito menores do que havia sido feito antes", comentou Ruvkun. O resultado foi publicado em 1993 na revista científica Cell.

No primeiro momento, a descoberta não houve grande impacto. Era um estudo feito em Caenorhabiditis elegans, uma nematoide minúsculo. Só no ano 2000, Ruvkun e sua equipe descobriram o microRNA em muitos outros seres vivos, em animais e plantas. Este foi o momento eureca, quando perceberam que haviam descoberto algo muito maior.

A regulação genética define as diferenças entre tipos de células. Se sair fora do padrão, pode causar doenças como cânceres, diabetes e problemas autoimunes. Hoje a ciência sabe que o genoma humano, o conjunto de genes do ser humano, dá instruções através de mil formas de microRNA.

O microRNA já foi citado em mais de 170 mil publicações científicas. Tratamentos com base em microRNA estão em testes clínicos para combater problemas cardíacos, cânceres e doenças neurodegenerativas.

"É um Nobel que celebra a ciência nascida da curiosidade", observou Geraldine Seydoux, uma bióloga que escreveu a história da descoberta do microRNA.

Nas aulas de biologia, ensina-se que o RNA copia as informações do DNA que está no núcleo das células e as leva até os ribossomas, a organela onde acontece a síntese de proteínas. Os dois ganhadores do Nobel desconfiaram que este processo, "o dogma central da biologia molecular", poderia ser mais complexo.

Os laureados examinaram o verme porque é um organismo simples, com menos de mil células diferentes e um tanto transparente, de modo que ficou mais fácil acompanhar o desenvolvimento. Queriam saber por que alguns vermes desenvolviam mutações ainda sem fazer qualquer paralelo com a saúde humana.

Como o nome indica, o microRNA é muito menor do que o RNA. Enquanto o RNA tem centenas de milhares de nucleotídeos, as subunidades que formam o RNA e o DNA, o microRNA tem dezenas. Os ganhadores do Nobel mostraram que age como controladores que avisam o RNA quando desacelerar ou parar.

Ao longo de suas carreiras, Ambros e Ruvkun receberam mais de US$ 62 milhões (R$ 340,7 milhões) do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos. Eles vão dividir o prêmio de 11 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 5,83 milhões de reais.

Nesta terça-feira, será anunciado o resultado do Prêmio Nobel de Física. Na quarta-feira, sai o Prêmio de Química. Na quinta-feira, a Academia Sueca anuncia o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura. Na sexta-feira, será dia do Prêmio da Paz, o único anunciado pelo Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo. Na segunda-feira, dia 14, a Academia Real da Suécia divulga o nome do ganhador ou dos ganhadores do Prêmio Nobel de Economia.

quarta-feira, 6 de outubro de 2021

Nobel de Química vai para criadores de construção de moléculas

 O alemão Benjamin List e o britânico David MacMillan ganharam o Prêmio Nobel de Química de 2021 por estudos que criaram, "independentemente um do outro, um terceiro tipo de catálise, a catálise orgânica assimétrica", "um instrumento engenhoso para construir moléculas" que teve grande desenvolvimento desde o ano 2000, anunciou hoje em Estocolmo a Academia de Ciência da Suécia. 

Suas descobertas ajudam a construir desde novos fármacos e materiais elásticos e duráveis a moléculas capazes de captar a luz solar em células fotovoltaicas.

Os catalisadores são substâncias que controlam e aceleram as reações químicas sem fazer parte do produto final. São instrumentos fundamentais para os químicos e para a economia.

A catálise assimétrica permite transferir repetidamente uma informação tridimensional através de reações químicas de modo a obter milhares de moléculas do produto a partir de uma única molécula do catalisador. 

Cerca de 35% do produto mundial bruto envolve processos químicos de catálise. Em automóveis, por exemplo, os catalisadores ajuda a transformar a fumaça em substâncias inofensivas. Também servem para fabricar tênis de corrida mais leves ou para inibir o desenvolvimento de doenças.

Durante muito tempo, os cientistas acreditavam que só havia dois tipos de catalisadores: os metais e as enzimas. No ano 2000, ambos criaram um novo tipo de catálise que reduz o desperdício. 

As enzimas são proteínas formadas por centenas de aminoácidos, mas só alguns participam da reação química. Benjamin List, professor da Universidade de Colônia e diretor do Instituto Max Planck para Pesquisas sobre Carvão, questionou então se a enzima inteira era necessária para realizar a catálise.

List experimentou se um aminoácido simples chamado prolina poderia catalisar uma reação química. Deu certo. A prolina tem um átomo de nitrogênio que pode fornecer e receber elétrons durante as reações.

David MacMillan, professor da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, trabalhava com catalisadores metálicos, que têm a capacidade de dar e receber elétrons em reações, mas são destruídos com facilidade pela umidade. 

Seu desafio era desenvolver um tipo de catalisador um tipo de catalisador mais durável. Ele projetou moléculas simples que criam íons imínios, excelentes para a catálise assimétrica.

Os dois vão dividir o prêmio de 10 milhões de coroas suecas, cerca de US$ 1,15 milhão ou R$ 6,32 milhões pelo câmbio atual.

Amanhã, será anunciado o ganhador do Prêmio Nobel de Literatura; na sexta-feira, o da paz; na segunda-feira, de economia.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Sueco, americano e turco ganham Prêmio Nobel de Química 2015

O cientista sueco Tomas Lindhal, o americano Paul Modrich e o turco Aziz Sancar ganharam hoje com o Prêmio Nobel de Química de 2015. Eles descobriram os mecanismos da célula para reparar o ácido desoxirribonucleico (DNA, em inglês), que contém as informações genéticas necessárias à reprodução. Seus estudos independentes ajudam a entender as mutações causadoras de doenças como o câncer.

"As informações genéticas que governam como os seres humanos são formados fluem através de nossos corpos há centenas de milhares de anos", declarou em nota o comitê do Nobel da Academia de Ciências da Suécia. "Estão sob ataque constante do meio ambiente, mas permanecem surpreendentemente intactas. Tomas Lindahl, Paul Modrich e Aziz Sancar foram agraciados por mapear e explicar como a célula repara o DNA e salvaguarda a informação genética."

Quando o espermatozoide do pai fecunda o óvulo da mãe, forma-se um ovo ou zigoto que se divide e se reproduz até formar os trilhões de células de um ser humano. Cada uma traz no núcleo as informações genéticas codificadas no DNA. Se as moléculas de DNA de um adulto fossem estendidam cobririam a distância de ida e volta entre a Terra e o Sol 250 vezes.

A molécula do DNA foi descoberta em 1953 pelo americano James Watson e o britânico Francis Crick. Até os anos 1960s, acreditava-se que ela era resistente. Lindahl, pesquisador do Instituto Francis Crick e do Instituto de Pesquisas do Câncer do Laboratório Clare Hall, em Londres, no Reino Unido, provou que mudanças potencialmente devastadoras acontecem.

Várias rupturas do genoma ocorrem todos os dias, o que poderia impedir o desenvolvimento de formas de vida complexas. Lindahl descobriu o reparo pela excisão de bases defeituosas. Quando as enzimas descobrem um erro na reprodução das bases hidrogenadas que foram o DNA, removem a base com problema.

Sancar, um turco naturalizado americano, professor da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, nos Estados Unidos, estudou como as proteínas reparam danos causados por agentes externos como raios ultravioleta e fumaça, a chamada excisão de nucleotídeo. Um nucleotídeo é um conjunto formado por uma base nitrogenada, um fosfato e um glicídio do grupo das pentoses.

Coube a Modrich, pesquisador do Instituto Médico Howard Hughes e da Faculdade de Medicina da Universidade Duke, em Durham, nos EUA, descobrir como as células corrigem defeitos na divisão celular, o reparo de pareamentos errados. Ainda não se sabe como a célula identifica o DNA defeituoso.

Se os mecanismos de reparo falham, aumenta o risco de que mutações desaforáveis degenerem em cânceres. As células cancerígenas são muito estáveis e sujeitas a mutações que as tornam resistentes ao tratamento. Inibir sua reprodução é fundamental para combater a doença.