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terça-feira, 8 de outubro de 2019

Americanos e britânico ganham Nobel de Medicina por oxigenação celular

Dois cientistas dos Estados Unidos, William Kaelin, da Universidade de Harvard, e Gregg Semenza, da Universidade Johns Hopkins, e um do Reino Unido, Peter Ratcliffe, da Universidade de Oxford, foram agraciados com o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 2019 "por suas descobertas sobre como as células percebem e se adaptam à disponibilidade de oxigênio", anunciou ontem o Comitê do Nobel, no Instituto Karolinska, em Estocolmo, na Suécia.

Suas pesquisas revelaram os mecanismos genéticos que permitem às células reagir a alterações nos níveis de oxigênio. As descobertas contribuíram para o tratamento de várias doenças, entre elas o câncer, anemia, ataques cardíacos e acidentes vasculares cerebrais, noticiou o jornal The New York Times.

O oxigênio é vital para todos os organismos vivos. Sem oxigênio, as células não sobrevivem. Oxigênio demais ou de menos pode matar. A questão para estes cientistas era como as células respondem às variações do fornecimento deste elemento essencial à vida.

"Como todo cientista, gosto de resolver quebra-cabeças", declarou hoje o professor William Kaelin, da Faculdade de Medicina de Harvard. Ele estudou um raro câncer genético, a Doença de Von Hippel-Lindau, caracterizado por uma profusão da vasos sanguíneos a mais e a superprodução da eritropoetina, um hormônio que estimula a produção de glóbulos vermelhos, as células do sangue que transportam o oxigênio.

Ao aumentar a produção de eritropoetina, o câncer leva ao excesso de produção de células vermelhas. "Pensei que ter algo a ver com a percepção do oxigênio", lembrou Kaelin.

"É uma das grandes histórias da ciência biomédica", observou o diretor da Faculdade de Medicina de Harvard, George Daley. "Bill é um exemplo do médico-cientista. Pegou um problema clínico e descobriu-o através de um incrível rigor científico."

Gregg Semenza agradeceu à sua professora de biologia no ensino médio, Rose Nelson. "Ela era inacreditável. Transmitia a maravilha e a alegria da ciência e da descoberta científica. Ela me botou no caminho da ciência."

Na Universidade de Harvard, Semenza fazia doutorado em genética quando uma amiga teve um filho com Síndrome de Down. "Isto mudou meu interesse em genética como disciplina científica para pensar sobre o impacto da genética sobre as pessoas."

A pesquisa de Semenza procurava entender o que as células cancerígenas estão procurando quando se propagam pelos tecidos próximos e pelos vasos sanguíneos que as transportam pelo corpo. Supôs que estavam atrás de oxigênio.

Isso atraiu a atenção para o gene que controla a produção de eritropoetina. Quando ativado, aumenta a produção de glóbulos vermelhos. A dúvida era como reagiria diante da falta de oxigênio.

Como geneticista, Semenza estudava doenças raras. A pesquisa sobre a resposta das células à oxigenação o levou a estudar doenças mais comuns como câncer e doenças do coração.

O outro ganhador do Nobel de Medicina deste ano, Peter Ratcliffe, é diretor de pesquisas clínicas do Instituto Francis Crick, em Londres, e de um instituto em Oxford. Virou pesquisador médico por acaso.

"Eu era um estudante de química razoável e pretendia fazer carreira em química industrial. Um diretor de escola formidável apareceu numa manhã na aula de química e disse: 'Peter, penso que você deve estudar medicina.' Sem pensar mais, mudei meus pedidos de ingresso na universidade."

Especialista em rins, ficou intrigado pela maneira como os órgãos regulam a produção de eritropoetina em reação à quantidade de oxigênio disponível. "Acreditava que era tratável e que poderia ser resolvido."

Ao receber a notícia, atribui-o ao valor da pesquisa básica: "Produzimos conhecimento. É o que faço como cientista financiado com dinheiro público. É um bom conhecimento. É verdade. É correto."

Os três cientistas vão dividir o prêmio de 9 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 3,7 milhões.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Sueco, americano e turco ganham Prêmio Nobel de Química 2015

O cientista sueco Tomas Lindhal, o americano Paul Modrich e o turco Aziz Sancar ganharam hoje com o Prêmio Nobel de Química de 2015. Eles descobriram os mecanismos da célula para reparar o ácido desoxirribonucleico (DNA, em inglês), que contém as informações genéticas necessárias à reprodução. Seus estudos independentes ajudam a entender as mutações causadoras de doenças como o câncer.

"As informações genéticas que governam como os seres humanos são formados fluem através de nossos corpos há centenas de milhares de anos", declarou em nota o comitê do Nobel da Academia de Ciências da Suécia. "Estão sob ataque constante do meio ambiente, mas permanecem surpreendentemente intactas. Tomas Lindahl, Paul Modrich e Aziz Sancar foram agraciados por mapear e explicar como a célula repara o DNA e salvaguarda a informação genética."

Quando o espermatozoide do pai fecunda o óvulo da mãe, forma-se um ovo ou zigoto que se divide e se reproduz até formar os trilhões de células de um ser humano. Cada uma traz no núcleo as informações genéticas codificadas no DNA. Se as moléculas de DNA de um adulto fossem estendidam cobririam a distância de ida e volta entre a Terra e o Sol 250 vezes.

A molécula do DNA foi descoberta em 1953 pelo americano James Watson e o britânico Francis Crick. Até os anos 1960s, acreditava-se que ela era resistente. Lindahl, pesquisador do Instituto Francis Crick e do Instituto de Pesquisas do Câncer do Laboratório Clare Hall, em Londres, no Reino Unido, provou que mudanças potencialmente devastadoras acontecem.

Várias rupturas do genoma ocorrem todos os dias, o que poderia impedir o desenvolvimento de formas de vida complexas. Lindahl descobriu o reparo pela excisão de bases defeituosas. Quando as enzimas descobrem um erro na reprodução das bases hidrogenadas que foram o DNA, removem a base com problema.

Sancar, um turco naturalizado americano, professor da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, nos Estados Unidos, estudou como as proteínas reparam danos causados por agentes externos como raios ultravioleta e fumaça, a chamada excisão de nucleotídeo. Um nucleotídeo é um conjunto formado por uma base nitrogenada, um fosfato e um glicídio do grupo das pentoses.

Coube a Modrich, pesquisador do Instituto Médico Howard Hughes e da Faculdade de Medicina da Universidade Duke, em Durham, nos EUA, descobrir como as células corrigem defeitos na divisão celular, o reparo de pareamentos errados. Ainda não se sabe como a célula identifica o DNA defeituoso.

Se os mecanismos de reparo falham, aumenta o risco de que mutações desaforáveis degenerem em cânceres. As células cancerígenas são muito estáveis e sujeitas a mutações que as tornam resistentes ao tratamento. Inibir sua reprodução é fundamental para combater a doença.