domingo, 31 de dezembro de 2017

Doze manifestantes morreram em cinco dias de protestos no Irã

Pelo menos 12 manifestantes foram mortos em cinco dias seguidos de protestos na República Islâmica do Irã contra a ditadura teocrática dos aiatolás. As mortes foram atribuídas a "agentes estrangeiros" muçulmanos sunitas, o que remete ao conflito com a Arábia Saudita. Dez pessoas morreram da noite deste domingo.

Hoje, o presidente Hassan Rouhani, considerado um aiatolá moderado dentro do regime iraniano, se pronunciou pela primeira vez. Ele defendeu o direito de se manifestar pacificamente e criticou a violência, inclusive da polícia. Mas a linha dura não parece disposta a tolerar qualquer critica ao regime.

Apesar das advertências do governo, do bloqueio à Internet e ao aplicativo Telegram, que está sendo usado na mobilização para os protestos, os manifestantes protestaram pelo quinto dia consecutivo. A onda de protestos se espalhou por várias cidades, superando o Movimento Verde, que lutou contra a fraude contra o candidato Mir Hussein Mussavi.

Agora, não se trata apenas de eleger um candidato. As palavras de ordem nas ruas são "Morte ao ditador!" e "Fora, Khameni", o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica. O ditador personifica o regime e é o principal alvo dos protestos. Os manifestantes também pedem o fim do financiamento ao terrorismo.

Era Trump e consolidação da China grande potência marcam 2017

Este foi um ano de mudanças profundas no cenário internacional. A posse do presidente Donald Trump traz uma ampla inflexão na política interna dos Estados Unidos num momento em que a China, segunda maior economia do mundo rumo ao topo, se consolida como grande potência. O califado do Estado Islâmico desapareceu, mas não a ameaça do terrorismo de extremistas muçulmanos, e o desafio das armas nucleares da Coreia do Norte se tornou real.

"Foi um ano muito rico politicamente", observou o professor Paulo Sérgio Wrobel, do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). "Com a posse de Trump, estamos assistindo a uma mudança épica na política externa americana."

EUA
A maior crítica é à ruptura com a ordem internacional liberal criada depois da Segunda Guerra Mundial sob a inspiração do presidente Franklin Delano Roosevelt (1933-45), ao multilateralismo ameaçado pela política de Trump de "Primeiro, os EUA".

Na opinião do pesquisador, o atual presidente "herdou uma política externa fracassada" do governo Barack Obama (2009-17): más relações com a China, as relações com a Rússia no pior estado desde o fim da Guerra Fria, caos no Oriente Médio, omissão na guerra civil da Síria quando o ditador Bachar Assad cruzou a linha vermelha ao usar armas químicas, a hesitação no Egito durante a Primavera Árabe. "O legado é pobre."

Wrobel questiona inclusive o acordo nuclear dos EUA, das outras grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas e da Alemanha com o Irã para desarmar o programa nuclear iraniano: "O acordo posterga, não acaba com o programa nuclear iraniano. Abre a possibilidade de que o Irã tenha uma influência maior no Oriente Médio. As pressões diminuíram muito", observa.

"O Irã é um país sofisticado e inteligente. Apenas adiou uma situação. Não mudou o comportamento nem abriu mão da tecnologia. Ficou mais agressivo em função desse acordo", alertou. "O acordo prevê revisões semestrais. Em janeiro, o Congresso dos EUA terá de se manifestar. Para Israel, é uma questão de sobrevivência."

Uma principais das acusações a Trump é que estaria recuando no plano internacional, diminuindo a presença e a importância dos EUA no mundo. Wrobel entende que "o retraimento começa com Obama. Os governos Bill Clinton e George W. Bush não recuaram. A secretária de Estado de Clinton, Madeleine Albright, falava dos EUA como a potência indispensável."

Trump errou, analisa o professor Paulo Wrobel, ao retirar os EUA da Parceria Transpacífica, um acordo de liberalização comercial assinado por 12 países depois de longas negociações concluídas no governo Obama, porque tem "uma visão mercantilista, antiga e retrógrada".

No início do ano, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, o presidente da China, Xi Jinping, se apresentou como "um campeão do livre comércio. A economia chinesa é fechada para caramba. É difícil fazer negócios na China."

Sob Trump, "a reafirmação do poder americano faz mais sentido para manter o poderio imperial do que as políticas de Obama", comentou o professor. "Ao se aproximar da Arábia Saudita, Trump tenta manter os EUA como grande potência no Oriente Médio", depois do recuo de Obama.

Quanto à OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), o professor entende que Trump está certo ao cobrar mais gastos dos aliados da Europa: "A Alemanha gasta 1% do PIB (produto interno bruto) com defesa, quando a regra é pelo menos 2%. Só Reino Unido, França, Grécia e Turquia gastam acima de 2%. Quem subsidia a paz na Europa? O contribuinte americano."

CHINA
Na China, Wrobel observa "uma reafirmação absurda do poder de Xi Jinping. O país vive a maior onda de repressão desde o Massacre na Praça da Paz Celestial, em 1989. A legitimidade vem do crescimento econômico. Xi afirmou as ambições de grande potência da China: Mar do Sul da China, gastos militares de quase US$ 200 bilhões por ano, poderio aeronaval, o novo Caminho da Seda..."

A política externa chinesa "deixou ser comercial e econômica para se tornar uma política de grande potência. Começa a ter custos. A Coreia do Norte é um exemplo. O corte de 90% nas importações de petróleo é o maior aperto econômico da história. Vai demorar, mas vai surtir efeito.  A Rússia estava ajudando a furar o embargo, mas também votou a favor no Conselho de Segurança da ONU."

Como nenhum dos lados pode atacar, a expectativa em relação à Coreia do Norte é de manutenção do status quo, frágil e instável.

Ao consolidar a ditadura de um homem só, em contraste com a liderança colegiada imposta por Deng Xiaoping, o grande arquiteto das reformas modernizadoras, Xi Jinping não compromete a ascensão da China à superpotência.

"O poder de Xi fortalece o projeto de grande potência da China", afirma o professor. "Ele tem o respaldo que nenhum outro líder teve desde Deng. Tem uma personalidade forte. Seu pensamento foi inserido na Constituição", uma honra só concedida a Mao Tsé-tung e Deng Xiaoping.

A China está crescendo um pouco menos de 7% ao ano e "tem tudo para continuar crescendo, apesar do excesso de produção em algumas áreas. Os próximos cinco anos devem ser como os últimos cinco anos. Não vejo grandes alterações."

RÚSSIA
"Este também foi o ano da consolidação do poder da Rússia", registra Wrobel, com a vitória das forças leais ao ditador Bachar Assad na guerra civil da Síria, onde a Rússia negocia ditando os termos de um possível acordo de paz, tolerando bombardeios israelenses e intermediando contatos entre Israel e o Irã.

Com o veto ao principal líder da oposição, Alexei Navalny, "Putin tem a reeleição praticamente garantida em março. Não há alternativa política na Rússia. É uma economia medíocre baseada em petróleo e gás natural, com forte poderio militar."

ESTADO ISLÂMICO
O fim do califado da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante
"é outra grande notícia de 2017", lembrou o professor. "Certamente sobrevive como grupo terrorista. Voltou a ser um movimento ultra-radical sem pátria. Cerca de 30 mil estão voltando para casa, o que será um problema, especialmente na Europa."

A ameaça terrorista vem sobretudo de regiões em conflito e de países onde o Estado entrou em colapso: Líbano, Afeganistão, Somália, Iraque, Síria, Líbia, Mali, República Centro-Africana.

"Os atentados no Ocidente são terríveis e incomodam", ressalva o professor, "mas quase todos são no Grande Oriente Médio, que inclui Afeganistão e Paquistão, e no Norte da África até a região do Sahel."

SÍRIA
Com a vitória das forças leais a Assad na guerra civil da Síria, a milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) se consolidou como força militar. "Está armado até os dentes. A questão é quando haverá guerra contra Israel. A guerra civil na Síria adiou os conflitos com Israel."

O Estado-Maior israelense teme o Irã e seus aliados na guerra civil síria, como o Hesbolá, ao norte; e o Estado Islâmico, ao sul. A milícia jihadista Província do Sinai do Estado Islâmico é o grupo radical mais ativo na Península do Sinai.

EUROPA
Na Europa, o risco de vitória de partidos neofascistas depois do plebiscito que aprovou a saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit) e do triunfo de Trump nos EUA não se confirmou. A ultradireita perdeu na Holanda, na França e na eleição presidencial na Áustria. Mas voltou ao Parlamento da Alemanha pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, com os 94 da Alternativa para a Alemanha (AfD), um partido antieuro, anti-imigração e antimuçulmano.

A França elegeu presidente Emmanuel Macron, aos 39 anos, o mais jovem chefe de Estado francês desde Napoleão Bonaparte (1799-1815). "Macron tem uma agenda positiva, europeia, é bastante ambicioso", revigora a UE num momento de indefinição na Alemanha com uma eleição indecisiva, em setembro deste ano. A chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel ainda luta para formar o que provavelmente será seu último governo.

Ao mesmo tempo, a Polônia, a Hungria, a República Tcheca e a Eslováquia têm governos bastante conservadores e antieuropeus, constatou o pesquisador. "As forças nacionalistas que quase destruíram o continente em duas guerras mundiais não foram superadas pela UE."

Marine Le Pen obteve 21,3% dos votos no primeiro turno e 34% no segundo. A AfD conquistou 20% dos votos na antiga Alemanha Oriental. "O movimento pela independência da Catalunha é mais uma volta do nacionalismo", avaliou.

"O neofascismo é fruto da crise econômica e principalmente da onda de refugiados e imigrantes. Na Brexit e na Alemanha, a questão dos refugiados e imigrantes foi fundamental. A eleição de Trump também trouxe o tema das políticas identitárias. É uma questão política e cultural, e uma reação ao politicamente correto, que foi levado a um nível absurdo", argumentou o analista.

AMÉRICA LATINA
Com as vitórias de Pedro Pablo Kuczynski, no Peru, e de Sebastián Piñera, no Chile, depois da eleição de Mauricio Macri na Argentina, "a América Latina consolidou o fim do ciclo populista de esquerda. Acabou por causa da desgraça que foi para as economias do Brasil, da Argentina e da Venezuela. Na Bolívia, deu certo porque cresceu a partir de uma base fraca e porque Evo Morales manteve o equilíbrio fiscal", analisou Paulo Wrobel.

"O caso do Peru é meio bizarro. Foi um erro crasso [libertar Alberto Fujimori em troca da absolvição no processo de impeachment por causa de propina da construtora brasileira Odebrecht]. PPK se salvou, mas se queimou politicamente. O ex-presidente Alejandro Toledo está refugiado nos EUA. O ex-presidente Ollanta Humala e a mulher estão presos", acrescentou.

"A Venezuela é um dos países mais mal governados do mundo, talvez ao lado da Somália, da República Democrática do Congo, da República Centro-Africana e do Sudão do Sul. As Forças Armadas, que sustentam o regime chavista num modelo cubano, estão envolvidas com o tráfico internacional de drogas. Gostei do Brasil ter sido singularizado. Não vejo razão para fazer contatos com os militares venezuelanos, talvez com expurgados e exilados", ponderou.

ÁFRICA
"A África não é um caso perdido", entende Wrobel. "Vem crescendo a taxas superiores às da América Latina." Alguns países, como a Etiópia, que tem a segunda maior população do continente, depois da Nigéria, e o Quênia, líder da África Oriental, crescem a taxas consistentes, embora tenham problemas sérios com a democracia.

A Suprema Corte anulou a eleição presidencial no Quênia por fraude. Quando as mesmas autoridades organizaram a nova votação, o líder da oposição, Raila Odinga, abandonou a disputa, facilitando a reeleição do presidente Uhuru Kenyatta, filho do herói da independência, Jomo Kenyatta. A Etiópia é uma ditadura onde o governo é acusado de sérias violações dos direitos humanos, como censura, tortura e repressão a dissidentes.

A queda do ditador Robert Mugabe no Zimbábue depois de 37 anos é uma boa notícia, embora ele tenha sucedido pelo vice-presidente conhecido como o Crocodilo, que nomeou o ex-comandante do Exército, general Constantino Chiwenga, para vice.

Aliás, Chiwenga foi à China pedir o aval do governo chinês, grande financiador do Zimbábue diante do boicote dos países ocidentais, à deposição do ditador. A China é uma potência imperial na África.

"Angola trocou de presidente depois de 37 anos. O novo presidente, João Lourenço, vai afastando dos cargos chaves personagens leais ao ex-ditador José Eduardo dos Santos, inclusive a filha dele." Isabel dos Santos, a mulher mais rica da África, com fortuna estimada em US$ 3 bilhões, deixou a estatal de petróleo Sonangol.

A derrota do presidente Jacob Zuma na disputa pela liderança do Congresso Nacional Africano, em que o vice-presidente Cyril Ramaphosa venceu uma de suas mulheres, marca uma possível virada no combate à corrupção na África do Sul. Zuma tem muitos processos a responder. Pode cair antes das eleições de 2018.

Em vários países do mundo, inclusive o Brasil, a corrupção é apontada como o maior problema da governança e da drenagem dos recursos públicos, o que Wrobel considera positivo: "Há uma crise de representatividade, mas não há alternativa à democracia. É preciso combater a ossificação e a corrupção da democracia."

sábado, 30 de dezembro de 2017

Puigdemont exige diálogo da Espanha com separatistas da Catalunha

Sem acenar com qualquer tipo de reconciliação, o ex-governador regional da Catalunha Carles Puigdemont, em mensagem de Ano Novo, feita na Bélgica, onde está refugiado, exigiu do governo da Espanha a abertura de negociações sobre a independência da Catalunha, noticiou o jornal catalão La Vanguardia.

"Fracassada a receita da violência, da repressão e do artigo 155, há de começar a era do diálogo e da negociação. É o momento de aceitar o mandato de 21 de dezembro, de retificar, restaurar tudo aquilo que destituíram sem permissão dos catalãoes", declarou Puigdemont, do alto de sua arrogância e incompetência, que muito contribuíram para a crise atual.

O movimento pela independência conquistou maioria absoluta de 70 das 135 cadeiras no Parlament nas eleições antecipadas pela intervenção do primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy. Madri suspendeu a autonomia regional da Catalunha com base no artigo 155 da Constituição da Espanha.

Sob acusação de sedição, rebelião e traição à pátria, por convocar um plebiscito ilegal e impedir a ação da Guarda Civil,os ex-governantes catalães estão sendo processados. Puigdemont saiu da Espanha para não ser preso, enquanto o vice-governador Oriol Junqueras está detido em Madri.

A lista Juntos pela Catalunha, liderada por Puigdemont, foi o partido mais votado do bloco separatista. Por isso, ele se considera no direito de voltar à chefia do governo.

Do outro lado, o primeiro-ministro conservador Rajoy não mostra intenção de ceder nem um milímetro do território espanhol ao movimento nacionalista catalão. O governo usa a Constituição de 1978, que democratizou a Espanha depois da ditadura do generalíssimo Francisco Franco (1936-75). Ela exige que todo o país vote em plebiscitos sobre a independência.

Depois de denunciar a repressão ao plebiscito e a prisão de dirigentes políticos nacionalistas, Puigdemont desafiou Rajoy: "O governo espanhol tem uma nova oportunidade de se comportar como uma democracia europeia que diz ser" e "comece a negociar politicamente com o governo legítimo da Catalunha."

O governador deposto destacou o "êxito democrático histórico" das últimas eleições, onde a participação beirou 82%. Puigdemont não revelou se pretende voltar da Bélgica para assumir sua cadeira no novo Parlament, mas prometeu que no próximo Ano Novo vai falar do Palau de la Generalitat, a sede do governo catalão.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Alabama rejeita pedido de recontagem de votos de juiz pedófilo

O estado do Alabama certificou ontem a vitória do candidato democrata Doug Jones na eleição para preencher a vaga aberta no Senado dos Estados Unidos pela nomeação de Jeff Sessions como ministro da Justiça, rejeitando o pedido de recontagem dos votos feito pelo ex-desembargador Roy Moore, acusado de pedofilia durante a campanha eleitoral.

Com o escândalo, Moore perdeu por 22 mil votos e Jones conquistou a primeira vitória de um democrata para representar o Alabama no Senado desde 1992, numa grande derrota para o presidente Donald Trump, que se empenhou diretamente na campanha do pedófilo, ignorando as acusações de crimes sexuais contra menores.

Moore não aceitou o resultado e recorreu às autoridades eleitorais apresentando-se como vítima de "fraude eleitoral sistemática". Seus partidários acusaram o secretário de Estado do Alabama, John Merrill, do Partido Republicano de ignorar provas e destruí-las.

Em resposta, Merrill afirmou que o estado não guarda nenhum registro dos votos eletrônicos, mas guarda as cópias em papel para uma possível recontagem e desafiou qualquer pessoa a apontar indícios consistentes de fraude em qualquer eleição no Alabama.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Ex-craque do futebol mundial é eleito presidente da Libéria

Único africano a ganhar até hoje o prêmio de melhor jogador de futebol do ano, em 1995, George Weah tem agora um desafio muito maior. Ele foi eleito presidente da Libéria com 61,5% dos votos, no segundo turno, vencendo o atual vice-presidente, Joseph Boakai, anunciou hoje a Comissão Nacional Eleitoral.

Nos gramados, Weah defendeu o Monaco, o Paris Saint-Germain, onde jogou com o brasileiro Raí, e o Milan. Agora, à frente do Congresso pela Mudança Democrática, terá de dirigir um país frágil, arrasado por uma guerra civil brutal encerrada em 2003 e por uma epidemia do vírus ebola em 2014 e 2015.

Quando a epidemia estourou, a Libéria tinha apenas 50 médicos para atender 4,5 milhões de habitantes. Sem ajuda internacional, não teria conseguido suplantar a doença. Mais de 10,6 mil pessoas pegaram o vírus ebola e 4.809 morreram.

A partir de 22 de janeiro, Weah sucede a Elle Johnson Sirleaf, a primeira mulher eleita presidente na África, em 2005, que deixa o cargo manchada por acusações de corrupção e nepotismo. Será a primeira transferência democrática de poder entre dois governos eleitos da história da Libéria.

Este pequeno país fundado por iniciativa de americanos que queriam dar uma chance aos escravos e ex-escravos e descendentes de voltar para a África é um dos países mais pobres do mundo, sem infraestrutura, com uma renda média por habitante de US$ 518 por ano. O conflito entre os americanos de origem liberiana, os congos, 5% da população, e o resto da nação nunca foi resolvido.

Desde que os autóctones tentaram se rebelar contra os congos, dois presidentes foram mortos e o outro está preso e condenado.

O centroavante venceu com o apoio do ex-senhor da guerra e ex-ditador Charles Taylor, condenado a 50 anos de prisão por crimes de guerra e crimes contra a humanidade. A mulher dele, Jewel Howard Taylor, será vice-presidente. Outro aliado é o comandante guerrilheiro Prince Johnson, que torturou e matou o ex-presidente Samuel Doe diante das câmeras enquanto tomava cerveja.

Treze estudantes sequestradas pelo Boko Haram em Chibok morreram

Pelo menos 13 das 276 estudantes do ensino médio sequestradas pela milícia terrorista Boko Haram em 2014 numa escola em Chibok, no estado de Borno, no Nordeste da Nigéria, morreram em bombardeiros, de fome, malária ou picada de cobra, revelou reportagem do jornal americano The Wall Street Journal.

Das 276 meninas, 163 estão livres. Destas, 57 fugiram nos primeiros dias depois do sequestro. Três escaparam depois e 103 foram libertadas com a intermediação da Suíça. Pelo menos 13 morreram e o destino de outras 100 não foi esclarecido.

A maioria das mortes teria acontecido em bombardeios. Duas meninas obrigadas a casar com rebeldes morreram no parto.

Quando o último grupo, de 82 estudantes, foi solto, o presidente nigeriano, Muhammadu Buhari, prometeu às famílias libertar todas as meninas que faltam. Está devendo.

Cerca de 20 mil pessoas foram mortas desde que a milícia extremista muçulmana Boko Haram aderiu à luta armada para impor a lei islâmica na região, em 2009. Seu nome significa "repúdio à educação ocidental". Por isso, atacaram uma escola

Em março de 2015, seu líder, Abubakar Shekau, jurou lealdade à organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante. O grupo passou a se chamar Província do Estado Islâmico na África Ocidental.

Estas duas organizações são responsáveis pela maioria das mortes em ataques terroristas no mundo inteiro.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Primeiro-ministro do Kossovo ganha 300 gravatas de militantes

A antiga província sérvia do Kossovo é um dos países mais pobres da Europa, não reconhecido internacionalmente por muitos países. Quando o primeiro-ministro Ramush Haradinaj dobrou seu salário, ativistas promoveram uma campanha e arrecadaram 300 gravatas, noticiou o jornal esquerdista francês Libération.

Haradinaj está sob pressão por dobrar seu próprio salário de 1,5 mil para 3 mil euros por mês. Para se justificar, alegou que precisa andar bem vestido: "Devo estar à altura de minhas responsabilidades. Sou obrigado a ter uma gravata, não posso sair de qualquer maneira, devo ter uma camisa."

A reação da organização não governamental Atrás do Muro foi organizar uma campanha de doação de gravatas para o chefe de governo. "Ramush Haradinaj é primeiro-ministro de uma gente pobre que ganha 200 euros por mês", declarou Kaushtrim Mehmeti, um dos responsáveis pela ONG. "Ele não deve esquecer que representa gente que não tem problemas por falta de gravata, mas de pobreza."

O Kossovo tem uma taxa de desemprego que ronda os 30%. Cerca de 30% dos kossovares são pobres e 8% vivem na miséria.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Guerra às drogas matou 200 mil em 11 anos no México

Com a inesgotável demanda por drogas nos Estados Unidos e o surgimento de novas substâncias sintéticas como o fentanil, as máfias do tráfico são cada vez mais poderosas no México, apesar da guerra iniciada em 2006 pelo então presidente Felipe Calderón. Depois de 11 anos e 200 mil mortes, a prisão dos grandes barões não muda a realidade: 2017 foi o ano mais mortífero, noticia o jornal francês Libération.

Nesse período, as Forças Armadas foram mobilizadas em áreas sensíveis. Mesmo assim, os cartéis mexicanos são responsáveis por quase toda a produção da heroína e drogas sintéticas consumidas nos EUA, especialmente opiáceos como o fentanil, e também do tráfico de cocaína sul-americana para o mercado americano, além de carregamentos para a Europa.

"As organizações criminosas mexicanas mostram sinais de contínuo crescimento e expansão", observou o último relatório anual da Agência de Repressão às Drogas (DEA) dos EUA, divulgado em outubro de 2017.

Em 2015, um projeto da ONU estimou que a produção de drogas no México ocupava uma área de 24,8 mil hectares. As autoridades mexicanas falaram em 2016 em 32 mil hectares. A heroína asiática ou colombiana tem menos de 5% do mercado negro dos EUA.

A produção de heroína no México subiu de 26 toneladas em 2013 para 81 ton em 2016. É a terceira maior do mundo, depois do Afeganistão e de Mianmar. A produção de um quilo custa US$ 8 mil e rende, em Chicago, US$ 50 mil.

O Cartel de Sinaloa sobreviveu à prisão de seu poderoso-chefão, Joaquín Guzmán, El Chapo, e ampliou seu mercado. "A nova droga favorita dos cartéis mexicanos" é o fentanil, reportou o jornal the New York Times. Cinquenta vezes mais potente do que a heroína, mata pelo contato de pequenas quantidades com a pele.

O total de mortes por doses excessivas de drogas superou o recorde histórico com mais de 50 mil em 2016. O cantor e compositor Prince morreu de overdose de fentanil.

"A China endureceu seus controles sobre o fentanil e as organizações mexicanas têm os meios financeiros para produzi-lo. Ao contrário da heroína e da cocaína, o fentanil não depende dos ciclos de plantio e colheita. É inteiramente fabricado em laboratório, a um custo inferior, e a margem de lucro é mais elevada. É traficado em pequenas quantidades, mais fáceis de dissimular.

"Até o momento, eles introduzem o fentanil pelos mesmos canais que a heroína, escondida em veículos que passam pelos postos de fronteira. Mas eles também fazem tráfico pelo correio da China para os EUA. O fentanil é muito difícil de detectar. Os agentes têm de tomar precauções para não se contaminarem, o que pode ser fatal", diz o relatório da DEA.

No ano passado, acrescenta o Libé, uma quantidade recorde de 66 kg foi encontrada com um casal quinquagenário mexicano em Nova York. As apreensões na cidade aumentaram dez vezes neste ano. Eles pertenciam ao Cartel de Sinaloa.

"A droga vai para o Norte pela mesma via que as armas vêm dos EUA", afirmou o ex-policial federal Alberto Islas, diretor da Risk Evaluation, uma consultoria especializada em segurança e crime organizado. "O grande problema do México é a falta de controle nas fronteiras e portos."

Com a corrupção generalizada do Estado mexicano, os cartéis assumiram o controle de alguns portos marítimos, submetidos a uma fiscalização deficiente. O Cartel de Jalisco Nova Geração, uma dissidência do Cartel de Sinaloa, tomou grande parte do mercado de metanfetaminas.

Os precursores químicos necessários à fábricação das drogas, importados da América do Sul, da China e da Índia, entram pelo porto de Lázaro Cárdenas, nome do presidente que nacionalizou o petróleo e institucionalizou o regime, no Oceano Pacífico.

"Esta região, o estado de Michocán, está cheio de laboratórios", constatou o ex-policial federal. Desde 2012, o Exército do México confiscou mais de 90 toneladas de metanfetaminas e desmantelou mais de 600 laboratórios clandestinos."Na realidade, só uma parte ínfima dos centros de produção é destruída pelas autoridades", notou Islas, que acusa militares pelo tráfico dos precursores."

Ao declarar guerra ao tráfico, em 2006, o governo Calderón tentou pegar os chefões de todas as organizações mafiosas, mas não conseguiu enfraquecê-los.

"A estratégia de decapitar os cartéis com a prisão de seus líderes não resolveu nada", concluiu o pesquisador Martín Gabriel Barrón, do Instituto Nacional de Ciências Penais. "No fim do mandato de Calderón, em 2012, havia sete cartéis importantes e 49 subgrupos. Cinco anos depois, há nove cartéis e mais de 130 subgrupos."

Os cartéis estão mais fragmentados, mas mais ativos. O Cartel de Sinaloa está em 54 países. As Zetas (Setas) se associaram à 'Ndrangheta, a máfia calabresa, para contrabandear cocaína para a Europa. No estado de Tamaulipas, no Nordeste do México, feudo da Zetas, o chefão italiano Giulio Perrone, um dos maiores procurados da máfia napolitana foi interpelado em março passado.

Ex-governador de Tamaulipas, Eugenio Hernández foi interrrogado em por suspeita de lavagem de dinheiro. Das cinco testemunhas, duas foram assassinadas, uma se suicidou e outra desapareceu.

A liquidação das testemunhas é a chave macabra do sucesso dos cartéis mexicanos. Os jornalistas que denunciam o tráfico e seu conluio com autoridades também são assassinados sistematicamente.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Rússia veta candidatura presidencial do principal líder da oposição

Por unanimidade, a Comissão Central Eleitoral da Rússia proibiu a candidatura do principal líder da oposição à virtual ditadura de Vladimir Putin, que marcha para ficar 26 anos no poder. O advogado Alexei Navalny, de 41 anos, fez fama como blogueiro denunciando a corrupção do Kremlin. Não pode concorrer por ter sido condenado por fraude num processo forjado pelas autoridades russas.

Em resposta, Navalny convocou um boicote à eleição presidencial de 18 de março de 2018: "O procedimento a que fomos convidados a participar não é uma eleição", protestou o líder da oposição, citado pelo jornal inglês The Guardian. "Só Putin e os candidatos que ele escolheu estão tomando parte. Ir às urnas agora é votar pelas mentiras e a corrupção."

Um boicote ajudaria a reeleição de Putin. Sem Navalny, o presidente lidera com 69% das preferências, seguido pelo ultranacionalista Vladimir Jirinovsky com 8% e o comunista Guenádi Ziugánov com 3%.

Navalny é o desafiante mais sério desde que Putin ascendeu ao trono do Kremlin em 1999, como primeiro-ministro e sucessor de Bóris Yeltsin, observa o jornal inglês The Guardian. Nos últimos anos, articulou um movimento de base para questionar o poder de Putin.

A presidente da comissão eleitoral, Ella Pamfilova, alegou que a condenação o torna inelegível. Antes da decisão, Navalny declarou: "Não é um voto contra mim, é contra 16 mil pessoas que apoiaram oficialmente minha candidatura e 200 mil que fazem campanha por mim."

Fujimori recebe indulto em troca da absolvição do atual presidente do Peru

O ex-ditador Alberto Fujimori, condenado a 25 anos de cadeia por corrupção e violações dos direitos humanos, recebeu indulto de Natal e saiu da prisão depois de cumprir apenas dez anos, informou o jornal peruano La República

A medida está sendo vista como moeda de troca do atual presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, que escapou de um processo de impeachment na semana passada por receber dinheiro da propina da construtora brasileira Odebrecht.

Em 16 de dezembro de 2016, a Unidade Anticorrupção da Procuradoria-Geral do Peru abriu investigação contra Kuczynski por ajudar a Odebrecht a ganhar uma concorrência em 2006, quando era primeiro-ministro do governo Alejandro Toledo (2001-6). Em dezembro de 2015, houve um depósito de US$ 4 milhões de dólares nas ilhas Cayman na conta de uma empresa cujo único funcionário é Kuczynski.

Na votação do impeachment, em 21 de dezembro, o presidente perdeu a votação por 78 a 9, mas eram necessários 87 votos para destituí-lo. PPK, como é conhecido no Peru, se safou graças ao apoio da bancada fujimorista. O deputado Kenji Fujimori, filho do ex-ditador, e outros nove deputados do grupo se abstiveram.

O partido Força Popular, liderado pela ex-deputada Keiko Fujimori, filha do ex-ditador, conquistou uma maioria de 73 deputados na Assembleia Nacional, de 130 cadeiras, nas eleições do ano passado.

Em nota oficial, a Presidência do Peru justificou o "indulto humanitário" sob a alegação de que Fujimori sofre de uma doença degenerativa incurável e que as condições do cárcere representavam um grande risco à sua saúde, sua integridade e sua vida.

Ao chegar ontem à clínica onde o pai estava internado, a ex-deputada Keiko Fujimori, derrotada no segundo turno nas duas últimas eleições presidenciais, agradeceu ao atual presidente e declarou que "fez-se justiça".

Já a organização não governamental Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos) chamou o acordo de "negociação vulgar": "Em vez de reafirmar que no Estado de Direito não cabe tratamento especial a ninguém, ficará para sempre a ideia de que sua libertação foi uma negociação política vulgar em troca da permanência de PPK no poder."

A líder do movimento Novo Peru, Verónika Mendoza, candidata de esquerda derrotada na eleição presidencial de 2018, acusou PPK de, "mais uma vez, agir como um vendilhão da pátria". A deputada Marisa Glave, da mesma aliança, acusou o ministro da Justiça de mentir ao país. Desde 18 de dezembro, o governo teria orientado o ministério a preparar o indulto do ex-ditador.

Alberto Fujimori foi eleito presidente do Peru em 1990, derrotando no segundo turno o escritor e ganhador do Prêmio Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa, que defendia uma plataforma liberal. Sem maioria no Parlamento, deu um autogolpe de Estado em 5 de abril de 1992, dissolvendo a Assembleia Nacional e fechando temporariamente o Supremo Tribunal.

No poder, ele conseguiu acabar com a hiperinflação herdada do governo Alan García (1985-90) e derrotar o grupo guerrilheiro de esquerda Sendero Luminoso, responsável por uma guerra civil com mais de 70 mil mortes, 54% atribuídas aos rebeldes. A campanha antiterrorista, liderada pelo chefe do serviço secreto, coronel Vladimiro Montesinos, foi marcada por massacres e uma violência brutal.

Depois de uma eleição fraudulenta no ano 2000, sob pressão interna e externa, diante de um escândalo revelando os esquemas de corrupção operados por Montesinos. Em 16 de setembro daquele ano, Fujimori extinguiu o Serviço de Inteligência Nacional (SIN) e anunciou a convocação de novas eleições gerais, inclusive para presidente.

Montesinos fugiu clandestinamente em 29 de outubro. Fujimori viajou em 13 de novembro para a reunião de cúpula anual do fórum de Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (APEC), naquele ano realizada em Brunei, depois foi para Tóquio e se asilou no Japão. Em 19 de novembro, o presidente enviou uma carta renunciando ao cargo.

Como o Japão rejeitou os pedidos de extradição, Fujimori se refugiou na terra de seus antepassados. Só voltou à América Latina em 6 de novembro de 2005, entrando por Santiago do Chile. Detido a pedido do Peru, ele foi extraditado para o Chile em 22 de setembro de 2007 por decisão da Corte Suprema, depois de uma longa batalha judicial.

Em 2 de janeiro de 2010, ao fim de vários processos, a pena de 25 anos de prisão por violações dos direitos humanos foi confirmada em decisão final. No ano passado, um pedido de nulidade foi rejeitado. Ontem, Kuczynski deu o perdão presidencial indevido e inesperado, resultado direto do processo de corrupção envolvendo a Odebrecht e o governo peruano.

O ex-presidente Ollanta Humala e sua mulher, Nadine Heredia, ambos detidos, receberam hoje os filhos na prisão no dia de Natal. Eles são acusados de receber US$ 3 milhões da Odebrecht.

Rei pede a novo governo que respeite "pluralidade" da Catalunha

Em seu discurso de Natal, o rei Felipe VI pediu ao Parlament da Catalunha que forme um novo govern que respeite a pluralidade da região, a segunda mais rica da Espanha, onde um movimento nacionalista luta pela independência, noticiou o jornal La Vanguardia, de Barcelona.

O rei havia se pronunciado em 3 de outubro, dois dias depois do plebiscito ilegal e inconstitucional sobre a independência convocado pelo governo regional dissolvido pelo primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, ao suspender a autonomia regional e intervir na região.

Na véspera do Natal, Felipe VI insistiu em que "respeitar e preservar os princípios e valores de nosso Estado de Direito é imprescindível para garantir uma convivência que assegure a liberdade, a igualdade, a justiça e o pluralismo político."

O discurso de Natal do rei é o único feito totalmente no Palácio da Zarzuela, residência oficial dos reis da Espanha, com a revisão final no Palácio da Moncloa, sede do governo. Assim, foi menos imperativo e mais conciliador.

Felipe VI lembrou que, nos últimos 40 anos, depois da morte do ditador Francisco Franco, em 1975, "conseguimos tornar realidade um país novo e moderno, um país dos mais avançados do mundo" e "comprovado o compromisso muito sentido, firme e sincero dos espanhóis com uma Espanha democrática que construímos juntos".

Desta maneira, "implantamos definitivamente a democracia, inclusive superando há décadas a tentativa de involução de nossas liberdades e direitos", afirmou, numa referência à ditadura franquista (1936-75). Ele citou a adesão à União Europeia e a luta contra o terrorismo como uma "amostra da força de nossas convicções democráticas" - e mudanças "na educação e na cultura, na saúde e nos serviços sociais, na infraestrutura e nas comunicações, ou na defesa e na segurança do cidadão".

Em todos esses anos, "a convivência democrática, os direitos e as liberdades, o progresso e a modernização da Espanha, e também sua relevância e progresso internacionais andaram lado a lado." O rei descreveu esses avanços como "um triunfo de todos os espanhóis" e alertou para o risco da radicalização política.

"Como sabemos, o enfrentamento e a discórdia, incerteza, desânimo e empobrecimento moral, cívico e econômico de toda a sociedade", advertiu o rei, num apelo para que "renasçam a confiança, o prestígio e a melhor imagem da Catalunha".

 E concluiu: "A Espanha hoje é uma democracia madura, onde qualquer cidadão pode pensar, defender a contrastar livre e democraticamente suas ideias; mas não impor suas próprias ideias ante os direitos dos outros."

O movimento pela independência quer criar a República da Catalunha. Nas eleições de 21 de dezembro, os independentistas conquistaram uma maioria absoluta de 70 das 135 cadeiras do Parlament, mas ainda não formaram o novo govern

Seu principal líder, o ex-governador Carles Puigdemont, da aliança Juntos pela Catalunha, está refugiado na Bélgica e ameaçado de prisão se voltar à Espanha. O vice-governador Oriol Junqueras, da Esquerda Revolucionária da Catalunha (ERC), está preso em Madri. Ambos foram denunciados por "sedição, rebelião e traição à pátria".

Coreia do Norte chama novas sanções de "declaração de guerra"

Na guerra verbal entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, não há trégua de Natal. O regime comunista norte-coreano declarou ontem que as novas sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas equivalem a "uma declaração de guerra".

A resolução proposta pelos EUA impõe um bloqueio econômico quase total à ditadura stalinista de Pionguiangue. Inclui medidas para cortar em 90% as importações de petróleo da Coreia do Norte na tentativa de sufocar o regime economicamente.

Como a aprovação no Conselho de Segurança da ONU foi unânime, por 15-0, a China e a Rússia apoiaram as sanções. As potências nucleares não costumam aceitar novos sócios no seu exclusivíssimo grupo.

domingo, 24 de dezembro de 2017

Ex-fuzileiro naval é preso por planejar ação terrorista em São Francisco

Um ex-fuzileiro naval convertido ao extremismo muçulmano foi preso pelo FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos, sob a acusação de planejar um atentado terrorista a ser realizado no Natal no píer 39 do Cais dos Pescadores, um dos mais movimentados de São Francisco, na Califórnia.

Everitt Aaron Jameson, de 25 anos, foi detido depois de discutir a realização do ataque com um agente secreto do FBI. Durante operação de busca na sua casa, os agentes federais encontraram armas de fogo, um testamento e uma carta com uma nota de suicídio reivindicando o atentado.

Na carta, Jameson faz referência à decisão do presidente Donald Trump de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel. Ele pretendia cometer o atentado num dos pontos mais movimentados da beira-mar de São Francisco, com bares, restaurantes e shows nesta época do ano.

O terrorista declarou lealdade à organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Rajoy pede diálogo mas exclui independência da Catalunha

As eleições de ontem não resolveram o impasse criado pelo movimento pela independência da Catalunha. Com uma pequena maioria no novo Parlament, o ex-governador regional Carles Puigdemont quer um diálogo incondicional, enquanto o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, declarou estar pronto para receber o novo governo catalão, mas excluiu qualquer possibilidade de independência da região.

Os partidos favoráveis à independência obtiveram apenas 47% dos votos. Como as eleições foram por voto distrital, conquistaram 70 das 135 cadeiras do Parlament e o direito de formar o novo govern. Mas não obtiveram um mandato claro para levantar adiante o processo de independência.

Rajoy foi o grande perdedor. Depois de suspender a autonomia regional da Catalunha por causa do plebiscito ilegal sobre a independência realizado em 1º de outubro, o primeiro-ministro convocou eleições regionais antecipadas na esperança de que os independentistas fossem derrotados. Eles ganharam e mantiveram a maioria parlamentar.

"A fratura social que a radicalidade provocou na sociedade catalã é muito grande", afirmou Rajoy, citado pelo jornal La Vanguardia, de Barcelona. "É uma fratura que levará tempo para se recuperar e essa deveria ser a primeira obrigação de todos os atores políticos. A necessária reconciliação deve vir da lei e do respeito aos direitos de todos, das maiorias e das minorias."

Na opinião do chefe de governo espanhol, tendo em vista a voz das urnas, "ninguém pode falar em nome da Catalunha se não contempla toda a Catalunha porque a Catalunha não é monolítica, mas plural, e todos devemos cultivar esta pluralidade como uma riqueza que há que respeitar e cuidar."

O primeiro-ministro, acusado na Catalunha pelas políticas de austeridade e cortes dos gastos públicos para enfrentar a crise, defendeu a recuperação econômica sob seu governo: "Estamos em época de crescimento econômico e criação de empregos, e são necessárias segurança e certeza. Se não se adotam decisões unilaterais e se entende que vivemos na Europa, as coisas podem funcionar de outra maneira."

Em outras palavras, Rajoy rejeitou qualquer solução que não siga a legislação atual, que exige que toda a Espanha vote em plebiscitos sobre independência. Ele disse estar aberto ao diálogo e citou como vencedora a líder do partido liberal de centro-direita Cidadãos, Inés Arrimadas. Seu partido, a favor da união da Espanha, foi o mais votado, mas ela não terá apoio para formar um novo governo.

De Bruxelas, na Bélgica, para onde fugiu para não ser preso, o ex-governador regional Carles Puigdemont, exigiu um diálogo "sem condições prévias". Ele disse que "a Catalunha deu uma bofetada no Estado espanhol". Chama o conflito de "crise entre o Estado espanhol e a Catalunha.

Puigdemont já deixou claro que o único resultado aceitável pelo movimento nacionalista catalão é a independência. Sem um mandato claro das urnas, defende a realização de um novo plebiscito em que só os catalães votariam. Isso exige uma mudança na Constituição da Espanha,

Líder da aliança Juntos pela Catalunha, Puigdemont está "disposto a encontrar o presidente Mariano Rajoy em Bruxelas ou qualquer outro lugar da União Europeia que não seja na Espanha", onde há um mandado de prisão contra ele por sedição, rebelião e traição à pátria. Rajoy se nega a negociar uma questão interna no exterior.

ONU rejeita reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel

Apesar das ameaças do presidente Donald Trump de retirar contribuições e ajuda financeira, por 128 a 9, a Assembleia Geral das Nações Unidas repudiou ontem a declaração dos Estados Unidos reconhecendo Jerusalém como capital de Israel.

A decisão tem valor apenas simbólico, mas foi a maior derrota dos EUA desde a instalação da ONU, em 24 de outubro de 1945, logo depois do fim da Segunda Guerra Mundial.

Na véspera, Trump prometeu tomar nota dos nomes de todos os países que votem contra os EUA em foros internacionais para possíveis retaliações, como negar ajuda financeira e empréstimos. Não adiantou nada.

Em resposta, a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, ameaçou retirar a contribuição dos EUA à organização, de mais de US$ 10 bilhões em 2016, cerca de 22% do orçamento regular e 28% do orçamento das missões de paz, objetivo maior da instituição.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Cidadãos vencem mas independentistas mantêm maioria na Catalunha

Com 98% das urnas escrutinadas, o partido liberal de centro-direita Cidadãos, a favor da união com a Espanha, venceu as eleições regionais na Catalunha, mas os partidos favoráveis à independência devem ter uma maioria de 70 deputados no Parlament, de 135 cadeiras, informou o jornal catalão La Vanguardia, de Barcelona.

Ao todo, os unionistas tiveram 53% dos votos e os independentistas 47%, confirmando que não há maioria a favor da separação. Mas, como o voto é distrital, os independentistas terão maioria no Parlament.

Os Cidadãos, liderados na Catalunha por Inés Arrimadas, elegeram 37 deputados. Em segundo, ficou a aliança Juntos pela Catalunha, liderada pelo ex-governador regional Carles Puigdemont, refugiado na Bélgica, com 34 cadeiras.

Contrariando as pesquisas, a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), liderada pelo ex-vice-governador Oriol Junqueras, que está preso em Madri, ficou atrás da lista de Puigdemont, conquistando 32 cadeiras. A quarta força será o Partido Socialista da Catalunha, o braço catalão do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), com 17 deputados.

Bem abaixo, em quinto lugar, ficou a aliança Catalunha em Comum-Podemos, com oito deputados. Podemos é um partido radical de esquerda surgido da crise econômica.

As menores bancadas são do partido independentista de ultraesquerda Candidatura da Unidade Popular (CUP) e o Partido Popular da Catalunha (PPC), o braço catalão da agremiação conservadora liderada pelo primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, um dos grandes derrotados hoje.

Rajoy dissolveu o Parlament e convocou eleições antecipadas na esperança de que os partidos contrários à independência saíssem vencedores.

Puigdemont pediu o fim da intervenção de Madri e a convocação de um novo referendo sobre a independência.

Boca de urna dá maioria pela independência no Parlament da Catalunha

O partido liberal de centro-direita Cidadãos, a favor da manter a Espanha unida, foi o mais votado nas eleições regionais convocadas pelo primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, como parte da intervenção do governo central para evitar a independência da Catalunha. Mas os partidos favoráveis à independência devem ter maioria de um deputado, de acordo com pesquisa de boca de urna divulgada pelo jornal catalão La Vanguardia.

Entre os partidos pró-independência, vence a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), liderada pelo ex-vice-governador Oriol Junqueras, preso em Madri. A ERC pode ter de 34 a 36 deputados, enquanto os Cidadãos, liderados por Inés Arrimadas, teriam entre 33 e37, e Juntos pela Catalunha, do ex-governador regional Carles Puigdemont, 28 ou 29.

O Partido Socialista da Catalunha (PSC), braço do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) na província, favorável à união com Madri, ficou em quarto, com 18 a 20 deputados. O Partido Popular, de Rajoy, terá no máximo 5 cadeiras.

Sem uma vitória nítida, o impasse político continua. O movimento pela independência conseguiu uma maioria escassa, que não dá um mandato claro para dividir a Espanha.

Raúl Castro deixa Presidência de Cuba em abril de 2018

É o fim de uma era. O ditador Raúl Castro anunciou ha pouco que deixa em abril de 2018 a Presidência de Cuba. Acaba o domínio absoluto dos irmãos Castro sobre a política cubana, que começou com a vitória da revolução, em 1º de janeiro de 1959, e a ascensão do comandante Fidel Castro ao poder.

Depois de quase 60 anos, sai o ditador, mas não termina a ditadura. O substituto de Raúl será eleito em fevereiro de 2018 pela Assembleia Nacional do Poder Popular, em tese, o "órgão supremo do poder do Estado", com 614 deputados eleitos pelo sistema distrital para mandatos de cinco anos. É totalmente controlada pelo regime comunista. Não há oposição democrática no parlamento em Cuba.

Na prática, a Assembleia prorrogou hoje por dois meses o mandato de Raúl sob a alegação de que o país precisa se recuperar dos danos causados pelo furacão Irma.

O sucessor deve ser o vice-presidente Miguel Díaz-Canel Bermúdez. Quando Raúl Castro foi eleito formalmente pela Assembleia Nacional, em 24 de fevereiro de 2008, prometeu governar por dois mandatos de cinco anos. Já governava Cuba desde 31 de julho de 2006, quando Fidel sofreu uma hemorragia abdominal e se afastou dos cargos que ocupava.

Por iniciativa do presidente Barack Obama, com mediação do Vaticano, durante o governo de Raúl, os Estados Unidos reataram relações diplomáticas com Cuba, rompidas desde 1961, em resposta à estatização de propriedades de americanos na ilha. Na mesma época, o regime cubano se aproximou da União Soviética e aderiu ao comunismo.

O embargo econômico, iniciado com as primeiras medidas em 1960, seria endurecido em fevereiro de 1962. Em 1961, exilados cubanos tentaram invadir o país com o apoio da Agência Central de Inteligência (CIA), um dos serviços secretos dos EUA. Fidel pediu proteção à URSS.

De 14 a 27 de outubro de 1962, a Crise dos Mísseis soviéticos a serem instalados em Cuba deixou o mundo mais perto do que nunca de uma guerra nuclear. O presidente John Kennedy conseguiu controlar os falcões com o apoio do irmão, Robert Kennedy, ministro da Justiça. Impôs um bloqueio aeronaval e exigiu a retirada dos mísseis, mas não mandou invadir Cuba.

O líder soviético Nikita Kruschev concordou em retirar os mísseis e instalar uma linha direta entre o Kremlin e a Casa Branca. Era a consolidação, sob o terror nuclear, da "coexistência pacífica" entre capitalismo e socialismo durante a Guerra Fria. Em contrapartida, os EUA assumiram um compromisso informal de não invadir Cuba.

Em 17 de novembro de 2014, simultaneamente, Obama e Raúl anunciaram o reatamento das relações. Sob Donald Trump, houve um recuo evidente na reaproximação entre Cuba e os EUA. Mas é inevitável.

A saída de cena dos irmãos Castro (Fidel morreu em 25 de novembro de 2016) acelera a transição e o fim do regime socialista. Sem um Castro no poder, Cuba não será a mesma.

EUA cortam US$ 1,5 trilhão em impostos para os ricos

Na primeira vitória legislativa do governo Donald Trump, o Congresso aprovou ontem e o presidente dos Estados Unidos deve sancionar em janeiro uma reforma fiscal com cortes de impostos de US$ 1,5 trilhão em dez anos. Cerca de 55% dos americanos são contra o projeto, cujos benefícios vão principalmente para o 1% mais rico.

É o maior corte de impostos desde 1986, durante o governo Ronald Reagan (1981-89). Nenhum democrata votou a favor. A nova lei reduz de 35% para 21% a alíquota de imposto de renda das empresas. Também reduz as alíquotas mais altas do imposto de pessoas físicas, sob o argumento de que vai aumentar a competitividade da economia americana e estimular as companhias a repatriar dinheiro depositado no exterior.

O projeto foi aprovado ontem no Senado por 51-49 e hoje na Câmara, por 224-201, em segunda votação, para aprovar as alterações. Os republicanos agradeceram à liderança de Trump, que se vangloriou de promover o maior corte de impostos da história dos EUA.

Durante reunião ministerial em que festejou a vitória, Trump ameaçou cortar a ajuda econômica para os países que votarem contra o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel.

No primeiro momento, os cortes de impostos devem beneficiar a classe média, mas serão apenas temporários. Em médio e longo prazos, os cortes de gastos públicos em saúde e educação, como por exemplo o fim de benefícios fiscais para o crédito universitário, devem pesar no orçamento das famílias de renda média.

A expectativa do Partido Republicano é que o impacto negativo seja neutralizado pelo crescimento e não seja sentido até as eleições intermediárias de 2018, que serão um referendo sobre o governo Trump. Pelos cálculos dos economistas, a reforma deve aumentar a dívida pública federal em pelo menos US$ 1 trilhão em dez anos.

Com seu cinismo e suas mentiras habituais, o presidente afirma que vai pagar mais impostos com a nova lei. Não é verdade. Há benefícios fiscais para milionários e empresários de setor imobiliário como Trump.

Não existe na literatura econômica qualquer evidência empírica que justifique o argumento de que com mais dinheiro as empresas e os ricos vão gastar mais e investir mais, contribuindo assim para o crescimento da economia e a alta nos salários.

Na prática, nenhum empresário vai investir mais se não tiver expectativa de ampliação de seu mercado. Os americanos ricos já têm um padrão de consumo elevadíssimo.

Eleito com um discurso populista de proteção aos trabalhadores brancos sem curso superior, a quem prometeu ser sua voz, Trump faz um governo ultraconservador, um governo dos ricos, pelos ricos e para os ricos. Os pobres esperam que caiam migalhas do banquete dos poderosos.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Cidadãos e ERC lideram pesquisas eleitorais na Catalunha

O partido liberal de centro-direita Cidadãos, do bloco a favor da união com a Espanha, e a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), do lado independentista, devem ser os mais votados nas eleições regionais desta quinta-feira, 21 de dezembro de 2017. Como nenhum dos dois lados tem maioria, a decisão vai caber a um milhão de indecisos.

As eleições foram convocadas pelo primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, dentro da intervenção do governo central. Madri suspendeu a autonomia regional para impedir a independência catalã. O resultado tende a refletir a profunda divisão da Catalunha e não acabar com o impasse político

No passado, especialmente nos anos 1980s e 1990s, havia na prática um bipartidarismo na Catalunha em que as maiores agremiações políticas eram o Partido Socialista da Catalunha (PSC), contrário à independência e a Convergência e União (CiU), rebatizada como Partido Democrata Europeu Catalão (PDeCat) e agora como Juntos pela Catalunha. Eles costumavam ter juntos cerca de 75% dos votos.

Agora, as pesquisas indicam que os Cidadãos e a ERC, juntos, não chegarão a 50% dos votos. Assim, nenhum partido terá maioria absoluta no Parlament. De acordo com as últimas pesquisas, o ERC terá 23% dos votos, os Cidadãos 22%; Juntos pela Catalunha, 17%, e o PSC, 15,3%. Bem atrás, estão a aliança Catalunha em Comum-Podemos 7,9%, a Candidatura da Unidade Popular (CUP) 6,2% e o Partido Popular da Catalunha (PPC).

Os partidos lutaram até o fim pelas últimas cadeiras. A média das pesquisas dá 67 cadeiras, uma abaixo da maioria, para os partidos a favor da independência, ERC, Juntos pela Catalunha e a CUP, este último de extrema esquerda.

O líder nacional dos Cidadãos, Albert Rivera, fez um apelo ao voto útil, por acreditar que a decisão será por poucos votos: "Se votam no PSC, não sabe onde vai seu voto. Um voto nos Cidadãos vai parar o processo" de independência.

Por outro lado, o ex-secretário regional Carles Mundó declarou que "é importante que o ERC lidere o govern. Não é um partido improvisado há quatro dias, é um partido com história." Juntos pela Catalunha se constituiu como partido político uma semana antes do início da campanha eleitoral.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

França cobra 10 milhões de euros da Amazon por comércio desleal

O Departamento Geral de Concorrência, Consumo e de Repressão a Fraudes (DGCCRF) da França abriu um processo contra a Amazon num tribunal de Paris por práticas abusivas contra seus fornecedores que causaram um "desequilíbrio significativo nas relações comerciais" e pede que a empresa seja multada em 10 milhões de euros, cerca de R$ 40 milhões.

Para o órgão do Ministério da Economia, a Amazon abusa do poder de mercado impondo cláusulas comerciais constrangedoras para quem quer vender seus produtos através de seus sítios de comércio eletrônico.

"A Amazon pode mudar os contratos quando lhe pareça bom. Concretamente, a plataforma pode impor prazos de entrega mais curtos, exigir balanços mais frequentes ou verificações de toda sorte que bloqueiam totalmente as vendas", acusou o jornal Le Parisien.

A denúncia é resultado de uma longa investigação, revelou o diretor do DGCCRF, Loïc Tanguy: "Fizemos um inquérito de dois anos em todos os setores do mercado. Consideramos que, entre as cláusulas impostas às empresas que vendem seus produtos em sua plataforma, havia um desequilíbrio significativo, uma prática proibida pelo Código Comercial."

Em resposta, a Amazon France alegou que "não comentamos procedimentos judiciais". O sítio francês da Amazon recebe 24 milhões de visitantes por mês.

Nova nota de 100 mil bolívares perde 33% do valor em 43 dias

Menos de um mês e meio depois da entrada em circulação, a nova nota de 100 mil bolívares perdeu mais de um terço do poder aquisitivo para a hiperinflação, afirmou o economista e deputado Ángel Alvarado, citado pelo boletim de notícias digital Dolar Today.

"A nota de 100 mil bolívares lançada em novembro vale agora 64.102,56, o que equivale a dizer que perdeu mais de um terço do valor em pouco mais de um mês", declarou o deputado oposicionista. Não compra mais nem um dólar, cotado hoje no câmbio negro a 115.734,62 bolívares.

De acordo com os dados levantados pela Assembleia Nacional, de maioria oposicionista, a inflação de novembro foi de 56,7% e o acumulado em 2017 chegou a 1.370%. A expectativa é que chegue a 2.000% ou 2.100%.

"O processo hiperinflacionário que estamos vivendo faz o venezuelano cada dia mais pobre e o bolívar cada dia mais fraco. O responsável é o governo, que tomou decisões muito ruins", acrescentou Alvarado.

Com o fracasso das políticas de controle dos preços e do câmbio, o "socialismo do século 21" apelou à impressão de mais e mais dinheiro. "Só em novembro, o Banco Central da Venezuela colocou em circulação 33 bilhões de bolívares, duplicando a base monetária", diagnosticou o deputado.

Cyril Ramaphosa é o novo líder do Congresso Nacional Africano

Por 2.440 a 2.261 votos, o vice-presidente Cyril Ramaphosa foi eleito há pouco novo líder do Congresso Nacional Africano (CNA), o partido de Nelson Mandela, que governa a África do Sul desde o fim do regime segregacionista branco do apartheid, em 1994, noticiou a televisão pública britânica BBC. Ele deve ser eleito presidente do país depois das eleições gerais de 2019.

Quando acabou a ditadura da minoria branca, Ramaphosa era presidente do Congresso de Sindicatos da África do Sul (Cosatu), a mais poderosa central sindical sul-africana. Chegou a ser cotado como vice de Mandela, mas não foi o escolhido e trabalhou alguns anos na iniciativa privada, onde fez fortuna.

Na disputa pela liderança do CNA, Ramaphosa se apresentou como o candidato anticorrupção contra Nkosazana Dlamini-Zuma, mulher do presidente Jacob Zuma, envolvido em vários escândalos de corrupção. Sua vitória é uma derrota pessoal de Zuma.

A Suprema Corte da África do Sul condenou Zuma a devolver aos cofres públicos US$ 23 milhões usados ilegalmente em sua mansão. Mesmo assim, ele escapou de um processo de impeachment por causa da ampla maioria do CNA na Assembleia Nacional. Na última votação, 34 deputados do CNA foram a favor do impeachment, revelando uma profunda divisão interna do partido, refletida hoje nas urnas.

Ao povo sul-africano, Ramaphosa prometeu um novo pacto com investimentos pesados em educação, saúde e energia para resgatar a dívida social do apartheid. Outro desafio é a economia, que cresceu 0,8% ao ano em média nos últimos quatro anos. Sua carreira ficou manchada por acusações de ajudar a acobertar o Massacre de Marikana.

Em 16 de agosto de 2012, numa cena que lembrou os piores momentos da era do apartheid, a polícia abriu fogo contra uma multidão de mineiros em greve. Pelo menos 34 mineiros foram mortos, 78 saíram feridos e 250 foram presos. Foi a maior matança no país desde o Massacre de Sharpeville, em 1960, quando 69 negros foram mortos.

Por causa do Massacre de Sharpeville, o CNA aderiu à luta armada contra a ditadura da minoria branca. Mandela foi nomeado comandante militar da Lança da Nação, o braço armado do partido, o que o levaria à prisão em 1962 e à condenação à morte em 1964, depois convertida em prisão perpétua. Vinte e sete anos depois, em 1991, ele sairia da prisão para liderar a transição pacífica para a democracia.

Desde o fim das sanções internacionais impostas ao regime do apartheid, em 1996, o produto interno bruto sul-africano triplicou, chegando a US$ 294,1 bilhões em 2016 pelos cálculos do Fundo Monetário Internacional (FMI). É a terceira maior economia da África, depois da Nigéria e do Egito.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Piñera é eleito presidente do Chile pela segunda vez

O bilionário conservador Sebastián Piñera será presidente do Chile mais uma vez. Ele venceu hoje o jornalista, professor e senador Alejandro Guillier no segundo turno da eleição presidencial e voltará a governar a partir de março o país, que presidiu de 2010 a 2014, informou o jornal conservador chileno El Mercurio.

Mais uma vez, as pesquisas de opinião erraram. No primeiro turno, davam 45% a Piñera, que teve pouco menos de 37% e 10% a 15% à terceira colocada, Beatriz Sánchez, que teve 20%, dando uma esperança a Guillier, reforçada pelas pesquisas que apontavam vantagem de apenas 2% para Piñera, dentro da margem de erro.

Com 99% das urnas apuradas, Piñera lidera com 3.768.839 votos (54,57%), contra 3.137.712 (45,43%) de Guillier. A abstenção ficou em 51,33%. O candidato derrotado e a atual presidente, Michelle Bachelet, cumprimentaram o presidente eleito por seu "triunfo impecável e maciço".

Pela segunda vez, Bachelet, do Partido Socialista, membro da aliança que derrotou a ditadura militar do general Augusto Pinochet (1973-90) passará a faixa presidencial a Piñera. Eles se revezam no poder desde 2006.

Nesta eleição, pela primeira vez, a ampla aliança de mais de dez partidos que derrubou Pinochet, liderada por democratas-cristãos e socialistas, a Convergência Democrática, mais tarde rebatizada como Nova Maioria, se dividiu, permitindo uma segunda vitória democrática da direita, sempre com Piñera. O bilionário ganhou em 13 das 15 regiões do Chile; em dez, por mais de cinco pontos percentuais.

No discurso da vitória, o presidente eleito convocou à unidade para transformar o Chile num "país desenvolvido, sem abusos nem discriminações arbitrárias."

Com uma população de cerca de 18 milhões de habitantes e um produto interno bruto de US$ 247 bilhões, 27 anos depois do fim da ditadura, o Chile tem a terceira maior renda média por pessoa da América Latina (US$ 13.576). De acordo com os dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) relativos ao ano passado, fica atrás apenas do Uruguai e do Panamá.

O Chile tem o menor índice de homicídios da América Latina, 3,1 mortes para cada 100 mil habitantes por ano, seguido por Cuba (4,2) e Argentina (5,5). Esses dados são de 2010, quando a taxa no Brasil era 25,2.

sábado, 16 de dezembro de 2017

Mais de 70% suspeitam de conluio entre Trump e Rússia

Aumenta a pressão sobre o presidente Donald Trump. Uma nova pesquisa divulgada pela agência Associated Press (AP) indica que 72% dos americanos suspeitam das ligações de sua campanha com a Rússia e 63% entendem que o presidente dos Estados Unidos está tentando obstruir a ação da Justiça.

Para 40% dos eleitores entrevistados, o presidente agiu ilegalmente, enquanto 32% acreditam que o que Trump fez é antiético, mas não ilegal, e 25% não veem problema algum.

Quanto à obstrução de justiça, 63% acreditam que o presidente tentou parar as investigações e impedir a ação da Justiça, ao demitir James Comey da direção-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, criticar o procurador especial Robert Mueller e afirmar que é tudo “notícia falsa” porque nada haveria a investigar.

À medida que o inquérito avança e chega a seu entorno, Trump dá sinais de irritação. A história não o absolverá. Talvez o braço longo da lei o pegue antes.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Três palestinos morrem em choques com forças de segurança de Israel

Hoje foi o oitavo dia de fúria contra a decisão do presidente Donald Trump de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel. Pelo menos três palestinos foram mortos e outros 260 saíram feridos de confrontos com as forças de segurança israelense na fronteira da Faixa de Gaza e na Cisjordânia ocupada, inclusive no setor árabe de Jerusalém, noticiou o jornal liberal israelense Haaretz citando como fonte o Ministério da Saúde palestino.

Milhares de palestinos participaram dos protestos. De acordo com as Forças de Defesa de Israel, cerca de 3,5 mil palestinos se manifestaram em nove locais junto à fronteira de casa, onde fizeram barricadas de fogo com pneus e atiraram pedras nos soldados e policiais. Dois palestinos, Yasser Sukar, de 23 anos, e Ibrahim Abu Thuraya, de 29, foram mortos lá.

Outros 2,5 mil protestaram na Cisjordânia, onde morreu Mustafá Bassel, de 29 anos. Milhares de árabes israelenses se manifestaram na cidade de Sakhnin, no Norte de Israel, onde o prefeito árabe "agradeceu a Trump por colocar a questão palestina na agenda internacional. O Leste de Jerusalém é uma cidade árabe e palestina, e será capital do Estado da Palestina."

Em Gaza, ao festejar os 30 anos de fundação do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), seu líder, Ismail Haniya, declarou que "o levante contra a contra a decisão de Trump causou fissuras na posição dos Estados Unidos e isolou seu governo.

"Estamos agindo para revogar a decisão de Trump e vamos derrubá-la de uma vez por todas. A decisão de Trump é mais perigosa do que a Declaração de Balfour", comentou Haniya, lembrando a promessa feita pelo Império Britânico em 1917, durante a Primeira Guerra Mundial, de criar uma pátria para o povo judeu no território histórico da Palestina.

"Estamos agindo com elementos islamistas árabes para transformar toda sexta-feira num dia de fúria por Jerusalém e exacerbar os protestos contra a decisão de Trump", desafiou o líder do Hamas.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Governo Trump acaba com neutralidade da Internet

Por 3 a 2, a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos revogou uma regra básica de operação da rede mundial de computadores que obrigava os provedores de serviços a tratar todo o tráfego de dados via Internet da mesma maneira, sem dar prioridade, por exemplo, a quem estiver disposto a pagar mais. A partir de agora, poderão acelerar, retardar ou bloquear o tráfego.

É mais uma regulamentação do governo Barack Obama (2009-17) eliminada sob o presidente Donald Trump. Os republicanos afirmam que a medida vai revitalizar a economia da banda larga, beneficiando os consumidores ao oferecer mais opções e preços menores.

A votação seguiu a orientação partidária dos membros da comissão. Para o presidente da CFC, Ajit Pai, idealizador da nova regulamentação, a chave do sucesso será "a transparência - a ideia de que os consumidores saibam exatamente o que estão pagando."

Do lado de fora, ativistas que veem numa Internet neutra e aberta um instrumento poderoso da democracia e da igualdade de oportunidades protestaram. Eles alegam que a nova regulamentação tende a aumentar os preços e balcanizar a rede, criando nichos que não se comunicam.

Os grandes vencedores são empresa como AT&T, Comcast e Verizon, que poderão cobrar mais caro de usuários e empresas de maior poder aquisitivo para acelerar suas mensagens. Perdem companhias como o Google, a Amazon, o Netflix e o Facebook. Temem que os provedores cobrem tarifas elevadas ou deem prioridade a seu próprio conteúdo.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Evangélico pedófilo aliado de Trump perde eleição no Alabama

O candidato democrata Doug Jones foi eleito para o Senado dos Estados Unidos pelo estado do Alabama, vencendo o ex-juiz evangélico Roy Moore, aliado do presidente Donald Trump, acusado pedofilia por várias mulheres durante a campanha eleitoral.

Foi a primeira vitória democrata para o Senado no Alabama desde 1972 e o senador eleito naquele ano aderiu ao Partido Republicano dois anos depois. A derrota reduz a maioria republicana no Senado para dois votos (51-49), dificultando a aprovação das propostas legislativas do governo Trump. O presidente apoiou outro candidato na eleição primária republicana, mas resolveu ficar com Moore, apesar das denúncias de crimes sexuais.

Como o resultado foi apertado, Moore recusou-se a reconhecer a derrota, argumentando que, quando a diferença é de 1%, os votos devem ser recontados. Na realidade, a lei do Alabama prevê a recontagem quando a diferença for de até 0,5% ou quando um candidato pedir e pagar.

Com 99% da apuração concluída, a diferença é de 1,5% dos votos apurados. A vantagem do democrata é menor do que os 22.783 votos, cerca de 1,7%, preenchidos à mão por republicanos que se recusaram a votar em Moore.

Quando Trump nomeou o então senador Jeff Sessions para secretário da Justiça, ninguém poderia imaginar que os republicanos perderiam uma eleição no estado, um dos mais pobres e conservadores dos EUA. Mas o candidato errado ganhou a eleição prévia e se negou a desistir quando foi desmoralizado.

Durante a campanha, uma mulher revelou ter sido molestada sexualmente por Moore quando ela tinha 14 anos e ele 32, em reportagem publicada no jornal The Washington Post. Várias outras mulheres fizeram acusações semelhantes.

O ex-desembargador, afastado duas vezes do Tribunal de Justiça do Alabama por querer colocar os Dez Mandamentos do cristianismo dentro da corte, negou tudo. Alegou se tratar de uma conspiração esquerdista para desmoralizá-lo.

Mesmo assim, o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, outros dirigentes do Partido Republicano e até Ivanka Trump, filha do presidente, declararam que acreditavam nas mulheres. Eles não conseguiram convencer Trump a abandonar Moore, o que o pressionaria a desistir da candidatura.

Trump entrou pessoalmente na campanha e insistiu que a eleição de um republicano era fundamental para manter a maioria do partido no Senado. Foi uma derrota pessoal.

Outro grande perdedor foi o ex-chefe de campanha e ex-estrategista de Trump na Casa Branca, Steve Bannon, um guru do ultranacionalismo e antiglobalismo da ultradireita, que apoiou Moore desde a primária.

Trump é acusado de abuso sexual por pelo menos dez mulheres. Anos atrás, nos bastidores de um programa de televisão, ele fez comentários revelados durante a campanha em que se gabava de apalpar os órgãos sexuais de mulheres que não reagiriam negativamente porque ele é rico e famoso.

Apesar do escândalo, Trump foi eleito. Com a onda de denúncias de crimes sexuais cometidos pelo produtor de cinema Harvey Weinstein, magnatas de Hollywood, jornalistas, chefs de cozinha e outras celebridades caíram do pedestal e estão sendo processados por assédio sexual.

Os políticos foram os últimos. Sob pressão das bancadas femininas, o senador Al Franken renunciou ao mandato na semana passada. E agora as mulheres que acusam Trump voltaram as manchetes e insistem que o presidente seja investigado por crimes sexuais.

Portugal investiga Igreja Universal por adoção ilegal de crianças

O Ministério Público de Portugal abriu inquérito sobre o envolvimento da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) numa rede de adoção ilegal de crianças portuguesas, confirmou à Agência Lusa a Procuradoria-Geral da República.

Na série de reportagens O Segredo dos Deuses, que a televisão portuguesa TVI começou a transmitir na segunda-feira depois do Jornal das 8, a Igreja Universal mantinha um lar ilegal de crianças em Lisboa na década de 90 para onde vários menores foram levados à revelia das mães.

Sem conhecimento e muito menos autorização da Justiça, as crianças eram entregues diretamente no Lar Universal, criado em 1994, legalizado em 2001 e fechado em 2011 com a desculpa da crise econômica.

Muitas crianças acabavam no exterior, adotadas por bispos e pastores da igreja de forma irregular, sem que as famílias tivessem direito a uma audiência num tribunal, afirmam as jornalistas Alexandra Borges e Judite França.

De acordo com a reportagem, o bispo Edir Macedo, fundador e dono da IURD, "está envolvido nesta rede internacional de adoções ilegais de crianças e seus próprios 'netos' são crianças roubadas do Lar Universal, uma instituição que à época fazia parte da obra social da igreja."

A TVI acusa até mesmo que "um importante membro desta rede chegou mesmo a roubar um recém-nascido e registrá-lo diretamente como seu filho biológico".

"Isto aconteceu debaixo dos nossos olhos e retrata o esquema que estava montado num lar ilegal", declarou o diretor de jornalismo da TVI, Sérgio Figueiredo, depois do primeiro programa. "O Estado não esteve completamente bem aqui, mas nunca é tarde para repor a verdade."

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Trump quer voos tripulados dos EUA à Lua e Marte

Para revigorar a indústria espacial dos Estados Unidos, 45 anos depois que o homem pisou na Lua pela última vez, o presidente Donald Trump anunciou ontem em Washington a intenção de voltar ao satélite da Terra e usar a Lua como base para chegar a Marte e além.

A Diretriz nº 1 de Política Espacial é a primeira recomendação do Conselho Nacional Espacial. "É o primeiro passo para o retorno dos astronautas americanos à Lua pela primeira vez desde 1972, para exploração e uso", declarou Trump em cerimônia na Casa Branca.

"Desta vez, não vamos apenas hastear a bandeira e deixar nossas pegadas", acrescentou o presidente dos EUA, citado pelo jornal The New York Times. "Vamos estabelecer uma base para uma futura viagem a Marte e talvez um dia para outros mundos além de Marte."

O objetivo é atrair empresas interessadas em desenvolver tecnologia para viabilizar o projeto e dar um novo impulso à exploração espacial.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Atentado terrorista na Times Square fracassa

Duas estações muito movimentadas do metrô de Nova York foram fechadas hoje depois que um homem de nacionalidade bengalesa tentou realizar um atentando com uma bomba caseira que não explodiu direito perto da Times Square. Quatro pessoas saíram feridas, inclusive o terrorista, que foi preso em seguida.

O atentado foi às 7h20 numa passagem subterrânea que dá acesso a linhas de metrô na 8ª e 9ª avenidas e na Broadway.

As autoridades nova-iorquinas suspeitam que terrorista foi inspirado pela propaganda da milícia Estado Islâmico do Iraque e do Levante na Internet. Akayed Ullah, de 27 anos, levava os explosivos presos ao corpo e alegou que o ataque era uma resposta aos ataques de Israel à Faixa de Gaza.

Na Internet, a agência de propaganda do Estado Islâmico declarou que o ataque foi uma resposta à decisão do presidente Donald Trump de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel.

Duas horas depois, a vida tinha voltado do normal no ponto mais movimentado da maior cidade dos Estados Unidos. Trump declarou estar satisfeito porque a bomba não explodiu e elogiou a pronta reação das equipes de socorro.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Palestino esfaqueia segurança israelense em Jerusalém

Um guarda de segurança de 35 anos está em estado grave depois de ser esfaqueado no peito hoje perto da Estação Central de Ônibus de Jerusalém. Eram cerca de duas horas da tarde pela hora local (10h em Brasília) quando um palestino de 24 anos foi interpelado, puxou uma faca, atacou o guarda e fugiu, noticiou o jornal The Jerusalem Post.

O terrorista fugiu pela Rua Jaffa, onde foi detido por um civil e outro policial. Ele reside em Nablus, na Cisjordânia ocupada, e não tem permissão para trabalhar em Israel. Logo depois do ataque, uma multidão se reuniu no local para pedir "pena de morte para terroristas".

A melhor resposta é fortalecer a soberania sobre a cidade, declarou o prefeito de Jerusalém, Nir Barkat: "Nossos inimigos não precisam de desculpas para nos atacar. Não há justificativa para o terrorismo e a violência. A resposta ao terror é fortalecer a soberania e construir em toda a Jerusalém unificada."

A tensão aumentou muito na cidade sagrada para três religiões, judaísmo, cristianismo e islamismo, depois que o presidente Donald Trump reconheceu, na semana passada, Jerusalém como a capital de Israel. Os palestinos declararam três dias de raiva e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) convocou uma nova intifada (revolta).

A primeira intifada estourou em 8 de dezembro de 1987, em resposta à repressão israelense nos territórios árabes ocupados 20 anos antes. Durou até o anúncio de um cessar-fogo e dos acordos de paz negociados em Oslo, em 13 de setembro de 1993, nos jardins da Casa Branca, quando o líder histórico da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, apertou as mãos do primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin. Pelo menos 160 soldados (60 soldados e 100 civis) e 2.162 israelenses.

A segunda intifada começou em 28 de setembro de 2000, depois do fracasso das negociações intermediadas pelo presidente americano Bill Clinton em Camp David, nos Estados Unidos, quando o líder da oposição israelense, Ariel Sharon, visitou a Esplanada das Mesquitas e o Monte do Templo, lugares sagrados para judeus e muçulmanos. Foi até 2006. Pelo menos 215 soldados e 664 civis israelenses, e 3.858 palestinos.

Quando a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a divisão da Palestina e a criação de Israel, em 1947, decidiu que Jerusalém seria uma cidade universal. Mas os países árabes rejeitaram a independência de Israel e iniciaram uma guerra em que Israel ocupou o Oeste de Jerusalém e a Jordânia o Leste.

Na Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel ocupou a outra metade da cidade, o setor árabe, onde os palestinos sonham em instalar a capital de seu futuro Estado nacional. Israel anexou o setor oriental, unificou a cidade e a declarou sua eterna capital, mas isso nunca foi reconhecido pela sociedade internacional.

Como a Carta da ONU veda a guerra de conquista, a ocupação e a anexação são ilegais à luz do direito internacional e de várias resoluções do Conselho de Segurança da ONU. Por isso, nenhum país do mundo, à exceção dos EUA de Trump, reconhece Jerusalém como capital de Israel.

O gesto de Trump é mais um jogo de cena para sua plateia, para a direita evangélica, que acredita na versão bíblica de que Deus deu Israel e Jerusalém ao povo judeu, para os bilionários judeus que financiam campanhas eleitorais nos EUA, com quem se comprometeu a transferir a embaixada americana de Telavive para Jerusalém.

Trump agrada à direita israelense e ao primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu, mas, na prática, seu gesto não muda a situação atual, desqualifica dos EUA como mediadores no processo de paz e alimenta uma nova onda de violência.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Primeiro-ministro do Iraque anuncia fim da guerra contra o Estado Islâmico

Depois de três anos e meio, o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, anunciou hoje em Bagdá o fim da guerra contra a milícia jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que chegou a dominar Mossul, a segunda maior cidade do país.

"Nossas forças controlam completamente a fronteira sírio-iraquiana, e eu anuncio o fim da guerra contra Daech", declarou Abadi, usando o nome derrogatório para o grupo extremista muçulmano. "Nosso inimigo queria matar nossa civilização, mas ganhamos, graças à nossa unidade e nossa determinação."

Durante a ofensiva de 2014, o Estado Islâmico chegou a controlar cerca de um terço do território iraquiano. Junto com os territórios ocupados na Síria, o Califado proclamado em junho daquele ano cobria uma área do tamanho da Grã-Bretanha com 8 a 10 milhões de habitantes.

Com a reconquista de Mossul, em julho de 2017, o braço iraquiano do Estado Islâmico começou a ser decepado. Em 22 de novembro, as forças iraquianas lançaram a última operação contra o grupo jihadista no deserto junto à fronteira com a Síria.

Apesar do anúncio, o Exército do Iraque ainda faz operações de busca no deserto atrás dos últimos esconderijos dos jihadistas.

Apoio a Trump cai entre a direita evangélica

A aprovação do presidente Donald Trump entre o eleitorado evangélico, uma das suas principais bases de apoio, caiu 17 pontos percentuais desde a posse, de 78% para 61%, indica uma pesquisa do Centro de Pesquisas Pew. Mais de 80% dos evangélicos votaram no candidato republicano na eleição presidencial de 2016 nos Estados Unidos.

O apoio a Trump também caiu entre os adultos de 50 anos ou mais, de 47% para 38%, e no eleitorado branco, de 49% para 41%.

A pesquisa ouviu 1.503 eleitores de todo o país de 29 de novembro a 4 de dezembro, sob o impacto da notícia de que o ex-assessor de Segurança Nacional general Michael Flynn fez um acordo e passou a colaborar com o procurador especial Robert Mueller, que investiga um possível conluio da campanha de Trump com a Rússia para manipular as eleições nos EUA.

Outra pesquisa, do instituto YouGov para o jornal digital The Huffington Post, revela que a metade dos americanos considera legítima a investigação sobre o conluio com o Kremlin, enquanto 28% a veem como uma jogada política como alega Trump.

Esses números são parecidos com os registrados em maio, quando demitiu o diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, James Comey porque este não encerrou o inquérito sob o general Flynn, como o presidente queria.

EUA criam mais 228 mil empregos e desemprego fica em 4,1%

A economia dos Estados Unidos abriu 228 mil postos de trabalho a mais do que fechou em novembro, revelou ontem o relatório mensal de emprego do Departamento do Trabalho. O mercado de trabalho cresce sem parar há sete anos e dois meses, um recorde. O índice de desemprego ficou estável em 4,1%, a menor taxa desde 2000.

Dez anos depois do início da Grande Recessão, a maior economia do mundo dá sinais de vitalidade. A Bolsa de Valores de Nova York bate sucessivos recordes. A geração de empregos chegou ao pico em 2014, mas se mantém firme.

Uma ameaça é o corte de impostos de US$1,5 trilhão que o Congresso pode aprovar ainda este mês, capaz de aumentar a dívida em US$1 trilhão em dez anos. Ele deve produzir um estímulo inicial, mas aumentar o desequilíbrio fiscal e pressionar a inflação para cima.

"É um estímulo fiscal que vem numa hora muito ruim", declarou Joseph Song, economista do Bank of Americana. "Aumenta o risco de um ciclo de euforia e depressão."

O presidente Donald Trump não para de reivindicar a glória pelo desempenho da economia, mas os economistas lhe dão pouco crédito. A recuperação começou muito antes dele ser eleito, no governo Barack Obama, que Trump descreve como catastrófico, e não acelerou significativamente desde a posse.

Com mais um relatório de emprego positivo, é praticamente certo que o Conselho da Reserva Federal (Fed), o banco central dos EUA, aumente sua taxa básica de juros na próxima quarta-feira em 0,25 ponto percentual, de uma faixa de 1%-1,25% para 1,25%-1,5%.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Ataque a base da ONU no Congo mata 14 soldados da força de paz

Pelo menos 14 soldados da maior missão de paz das Nações Unidas foram mortos e 53 saíram feridos de um ataque contra sua base na província de Kivu do Norte, na República Democrática do Congo, revelou hoje a ONU. Foi o pior massacre de soldados da ONU desde a morte de 23 capacetes azuis na Batalha de Mogadíscio, na Somália, em 1993, retratada no filme Falcão Negro em Perigo.

Com armas pesadas e granadas de foguetes, os rebeldes atacaram o quartel. A batalha durou três horas. Um blindado de transporte de tropas foi destruído. A maioria dos mortos era da Tanzânia, noticiou a televisão pública britânica BBC.

"Este é o pior ataque a forças de paz da ONU na história recente", lamentou o ex-primeiro-ministro português (1995-2002) António Guterres, secretário-geral da organização internacional. Ele descreveu a ação rebelde como "crime de guerra" e cobrou a punição dos responsáveis pelas autoridades do Congo.

A Missão da Organização das Nações Unidas para a Estabilização da República Democrática do Congo (Monusco) é a maior e mais cara operação de paz em andamento no mundo, com 19 mil soldados. Tem um mandato para realizar ações ofensivas contra grupos armados. Isso tornou os capacetes azuis em alvos frequentes dos rebeldes.

O principal suspeito é o grupo chamado Forças Democráticas Aliadas (FDA), considerado terrorista pela vizinha Uganda. As FDA, criadas em 1995, teriam entre 1.200 a 1.500 homens em armas refugiam-se nas montanhas entre o Norte da RDC e Uganda.

Diante da ofensiva do Exército do Congo e a Monusco, em 2013, o grupo se dispersou. Depois de sérias violações do direito internacional, em 2014, as FDA foram incluídas na lista de alvos de sanções da ONU. Seu líder e fundador, Jamil Mukulu, preso em Dar es Salam, a capital da Tanzânia, em 2015, e extraditado para Uganda.

A RDC era o antigo Congo Belga, rebatizado como Zaire pelo ditador Joseph Mobutu. Sua queda deflagrou uma guerra civil que ficou conhecida como a Primeira Guerra Mundial Africana. De 1997 a 2002, nove exércitos nacionais e centenas de grupos irregulares disputaram o território e as riquezas da RDC, o segundo maior país da África desde a divisão do Sudão, em 2011.

Mais de 5 milhões de pessoas morreram em combate, de fome ou doenças causadas pela guerra civil congolesa.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Justiça argentina pede fim do foro especial e prisão de Cristina Kirchner

O juiz federal Claudio Bonadio pediu hoje a prisão preventiva e o fim do foro especial para a ex-presidente e atual senadora Cristina Kirchner, acusada de obstrução de justiça no inquérito sobre a participação do Irã no pior atentado terrorista da história da América Latina, em junho de 1994, quando 85 pessoas morreram e outras 200 saíram feridas de um ataque à Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA).

Também foi decretada a prisão do ex-ministro do Exterior Héctor Timerman, o ex-secretário Legal e Técnico da Presidência Carlos Zannini, o sindicalista Luis D'Elia, Jorge Yussuf Khalil, intermediário da comunidade muçulmana argentina, e Fernando Esteche, líder da organização política Quebracho.

Cristina Kirchner também responde a vários processos por corrupção. Ela foi eleita senadora pela província de Buenos Aires em 22 de outubro e diplomada em 29 de novembro, o que lhe garante foro especial. O juiz pediu ao Senado que suspenda a imunidade parlamentar da ex-presidente, mas é improvável que seja aprovada sem a bancada peronista, informou o jornal La Nación.

Timerman está em prisão domiciliar. Zannini foi preso na madrugada de hoje em Río Gallegos, capital da província patagônica de Santa Cruz, o reduto eleitoral dos Kirchner, e D'Elia em Laferrere, na Grande Buenos Aires. Esteche se entregou numa delegacia de polícia do bairro do Retiro, no centro da capital, revelou o jornal Clarín. Serão processados por traição à pátria e obstrução de justiça. Leia a íntegra do despacho no jornal Perfil.

A prisão preventiva de Cristina foi pedida sob o argumento de que a ex-presidente poderia tentar impedir a ação da Justiça, pressionar testemunhas e destruir provas no processo aberto pelo promotor Alberto Nisman, assassinado em 19 de janeiro de 2015 em circunstâncias misteriosas, num caso inicialmente apresentado pelo governo como suicídio.

Nisman denunciou Cristina Kirchner alegando que um acordo firmado com a República Islâmica do Irã em 2013 para investigar conjuntamente o atentado foi na verdade uma manobra para encobrir a participação iraniana e a culpa do ex-presidente Ali Akbar Hachemi Rafsanjani, do ex-ministro do Exterior Ali Akbar Velayati e do ex-ministro da Defesa Ahmad Vahidi, entre outros réus denunciados pela Justiça da Argentina.

O caso foi reaberto no ano passado e juntado a outro por traição à pátria.

"Não tivemos nenhum outro propósito ao assinar o memorando de entendimento do que conseguir um avanço na tomada de declarações dos imputados iranianos, única forma de que a investigação em curso saia do ponto morto em que se encontra", afirmou a ex-presidente em sua defesa, denunciando uma perseguição política à oposição.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Trump reconhece Jerusalém como capital de Israel

Depois de lembrar que o Congresso aprovou em 1995 a transferência da Embaixada dos Estados Unidos, o presidente Donald Trump acaba de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, dizendo que é uma realidade que precisa ser reconhecida para que o processo de paz possa avançar. 

Vários líderes árabes e ocidentais o advertiram para o risco de inflamar ainda mais a situação. Os palestinos convocaram três dias de raiva.

"Não estamos decidindo onde serão as fronteiras de Israel em Jerusalém. Isso é para as partes do conflito decidirem. (...) Sabemos que haverá protestos, mas creio que vamos ultrapassar esta fase", admitiu Trump. "Peço moderação. O futuro incrível que espera esta região está travado pela guerra, o ódio e o terrorismo. É hora de paz, de expelir os extremistas. É hora de todas as nações civilizadas de responder aos desacordos com paz e não violência para que o Oriente Médio tenha um futuro brilhante."

O presidente anunciou que a obra da Embaixada dos EUA em Jerusalém já está contratada. Será o primeiro país do mundo a ter sua embaixada na cidade sagrada. Hoje todos os países têm embaixadas em Telavive. O setor árabe (oriental) de Jerusalém pertencia à Jordânia e foi ocupado na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Com a ocupação, Israel anexou o setor oriental e declarou Jerusalém como sua eterna capital.

No fim, Trump pediu aos líderes de todas as religiões para que se unam num esforço pela paz na região. No momento, sua ação parece jogar gasolina na fogueira.

O primeiro-ministro linha-dura israelense, Benjamin Netanyahu, imediatamente aplaudiu a medida.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Trump avisa que vai reconhecer Jerusalém como capital de Israel

Em mais uma ruptura em relação à política externa dos governos anteriores, o presidente Donald Trump avisou aos líderes do Egito, da Jordânia e da Autoridade Nacional Palestina que vai reconhecer Jerusalém como a capital de Israel e transferir para lá a Embaixada dos Estados Unidos. O anúncio será feito amanhã.

O rei Abdullah II, da Jordânia, e o presidente da ANP Mahmoud Abbas, advertiram que a medida pode aumentar a tensão e prejudicar o processo de paz entre israelenses e palestinos, noticiou o jornal The Washington Post.

Nenhum país do mundo reconhece Jerusalém como capital de Israel porque o setor árabe, no Leste da cidade, era parte do território da Jordânia. Foi ocupado na Guerra dos Seis Dias, em 1967, que na prática não terminou até hoje.

Jerusalém era a capital da Palestina, durante o mandato concedido pela Liga das Nações ao Império Britânico para administrar  região. Pela decisão da Assembleia Geral das Nações Unidas que dividiu a Palestina há 70 anos, Jerusalém seria uma cidade internacional.

Mas, na Guerra de Independência de Israel (1948-49), os israelenses tomaram o lado ocidental e a Jordânia ficou com a parte oriental, onde ficam o Muro das Lamentações, a parede que resta do Templo de Jerusalém, o lugar mais sagrado para os judeus, e a Esplanada das Mesquitas, de onde o profeta Maomé teria ascendido aos céus. É o lugar mais sagrado para os muçulmanos depois das cidades de Meca e Medina.

Vários líderes mundiais, inclusive o presidente da França, Emmanuel Macron, e a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, fizeram um apelo ao presidente americano para que mude de ideia e deixe a decisão sobre o futuro de Jerusalém para as negociações de paz árabe-israelenses.

No telefonema a Abbas, Trump prometeu tomar medidas para promover a paz. O líder palestino respondeu: "Não há nada que você possa oferecer que vá compensar a perda de Jerusalém. Definitivamente, não vamos aceitar."

Abbas e o ministro do Exterior da Turquia alertaram que o presidente americano está fazendo o jogo dos extremistas, mas Trump insistiu que tinha de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, uma promessa de campanha. Há anos, a direita evangélica dos EUA adotou a causa israelense. É contra a divisão da Palestina e mais ainda de Jerusalém, uma cidade sagrada para cristãos, judeus e muçulmanos.

Trump estaria disposto a bancar uma proposta de paz em que toda Jerusalém ficaria com Israel e teria o apoio do novo príncipe herdeiro saudita, Mohamed ben Salman, interessado em formar uma grande aliança contra o Irã.

O que é o fascismo?, na visão de Umberto Eco

O termo fascista pode ser usado genericamente nas mais diferentes situações porque é possível eliminar um ou mais aspectos de um regime fascista e ainda assim caracterizá-lo como tal, afirmou o escritor e filósofo italiano Umberto Eco (1932-2016). 

Os regimes totalitários que dominaram a Europa antes da Segunda Guerra Mundial não devem reaparecer com a mesma forma em circunstâncias históricas diferentes, entende Eco. Mas, com as crises econômica e de refugiados, e o ressurgimento do ultranacionalismo, o fantasma do neofascismo assombra a Europa, os Estados Unidos sob Donald Trump e os debates políticos nas redes sociais no mundo inteiro.

“O fascismo de Benito Mussolini era baseado no líder carismático, no corporativismo e na ideia do ‘destino fatídico de Roma’, na vontade imperialista de conquistar novas terras, no nacionalismo inflamatório, no ideal de uma nação inteira da camisas pretas mobilizados, na rejeição da democracia parlamentar e no antissemitismo”, descreveu o pensador italiano.

Em Cinco Escritos Morais, publicado no Brasil em 2002, Eco considera os partidos sucessores do fascismo na Itália muito diferentes do Fascismo original: “Admito que a Aliança Nacional, que surgiu do Movimento Social Italiano (MSI), é um partido de direita, mas tem pouco a ver com o velho Fascismo”, comparou o intelectual.

“Da mesma forma, muito embora eu esteja preocupado com os vários movimentos pró-nazistas ativos aqui e ali na Europa, inclusive na Rússia, não penso que o Nazismo, em sua forma original, esteja para reaparecer como um movimento envolvendo uma nação inteira”, observa o escritor, autor de clássicos como O Nome da Rosa e O Pêndulo de Foucault.

Esses regimes desapareceram com a derrota na Segunda Guerra Mundial. Suas ideologias foram "criticadas e deslegitimadas”. Mas “atrás de um regime e sua ideologia, há uma maneira de pensar e de sentir, uma série de hábitos culturais, uma nebulosa de instintos obscuros e impulsos insondáveis”.

O escritor romeno Eugène Ionescu, mestre do teatro do absurdo, dizia que só as palavras contam e o resto é conversa fiada. “Os hábitos linguísticos com frequência são sintomas de sentimentos não expressados”, ponderou o autor.

Eco foi educado na Juventude Fascista. Conheceu o fascismo antes da liberdade. Aos dez anos, em 1942, ganhou um prêmio por escrever uma redação sob o tema Devemos Morrer pela Glória de Mussolini e o Destino Imortal da Itália? Sua resposta foi sim, em estilo exaltação.

No ano seguinte, ele descobriu o sentido da palavra liberdade. O regime fascista caiu em 1943, mas foi restaurado pelos nazistas. “Passei dois anos da minha juventude cercado pelas tropas de elite nazistas das SS, por fascistas e por guerrilheiros da resistência atirando uns nos outros - e aprendi a evitar as balas.”

A vitória na Segunda Guerra Mundial foi definida pelo presidente americano, Franklin Delano Roosevelt, como a derrota do Fascismo e do totalitarismo que encarnava.

Na opinião de Eco, o livro de Hitler, “Mein Kampf (Minha Luta) é um manifesto completo e um programa político. O Nazismo tinha uma teoria da raça e do arianismo, uma noção precisa de arte degenerada, uma filosofia da vontade de poder e do Super-Homem.

“O Nazismo era decididamente anticristão e neopagão, assim como o materialismo dialético de Stalin (a ideologia oficial do marxismo soviético) era claramente materialista e ateísta”, acrescentou o pensador.

“Mussolini não tinha filosofia: tudo o que tinha era retórica. Começou como um militante ateísta para depois fazer um acordo com a Igreja e um consórcio com os bispos que benziam bandeiras nazistas", recordou. “O fascismo italiano foi a primeira ditadura de direita a dominar um país europeu, o primeiro a criar uma liturgia militar, um folclore e até um estilo de vestuário .”

Além da Itália e da Alemanha, nos anos 1930s o movimento fascista chegou a Inglaterra, Estônia, Lituânia, Letônia, Polônia, Hungria, Romênia, Bulgária, Grécia, Iugoslávia, Portugal, Espanha, Noruega e à America Latina. O fascismo prometeu mudanças sociais capazes de neutralizar a ameaça comunista.

“O fascismo não tem quintessência, não tem mesmo uma simples essência. É uma forma de totalitarismo difusa. Não é uma ideologia monolítica, mas mais uma colagem de diversas ideias políticas e filosóficas, um emaranhado de contradições”, argumentou Eco.

“É possível conceber um movimento totalitário que consiga reconciliar monarquia e revolução, o Exército Real e a milícia privada de Mussolini, os privilégios concedidos à Igreja e um sistema estatal de educação que exaltava a violência, o controle total e o livre mercado?”, pergunta o filósofo. E arremata: “O Partido Fascista nasceu proclamando uma nova ordem revolucionária, mas era financiado pelos proprietários de terras mais conservadores”, temerosos do comunismo.

Na Itália, até uma corrente artística de vanguarda, o futurismo, apoiou o Fascismo e seu culto da juventude. “Isso não significa que o Fascismo italiano fosse tolerante”, ressalva Umberto Eco. O filósofo e intelectual comunista Antonio “Gramsci ficou na prisão até sua morte”. O deputado Giacomo “Matteotti e os irmãos Rosselli foram assassinados, a imprensa livre suprimida, os sindicatos dissolvidos e os presos políticos confinados em ilhas distantes.”

Apesar desta confusão, Eco considera possível fazer uma lista das características do que chama de “fascismo eterno”. Muitas são exclusivas e são típicas de outras formas de despotismo e fanatismo.

1.     A primeira característica do fascismo eterno é o culto da tradição. O tradicionalismo é anterior ao fascismo. Foi típico na reação do catolicismo à Revolução Francesa. A verdade já foi divulgada de uma vez por todas. Só cabe aos homens reinterpretar sua mensagem obscura.

2.     O tradicionalismo implica a rejeição ao modernismo. Tanto Nazistas quanto Fascistas cultuavam a tecnologia, mas o Nazismo é baseado em “sangue e solo”. O Iluminismo e a Idade da Razão era vistos como a origem da depravação do mundo moderno.

3.     O irracionalismo leva ao culto da ação pela ação. A ação é bonita em si mesma. Deve ser implementada antes de qualquer reflexão. O pensamento emascula. A cultura é suspeita. “Quando ouço falar em cultura, puxo meu revólver”, diz uma frase atribuída ao ministro da Propaganda nazista, Joseph Goebbels. Outras expressões derrogatórias são “malditos intelectuais”, “cabeças de ovo”, “radicais esnobes”, “as universidades são um antro de comunistas”. A suspeição sobre a vida intelectual sempre foi um sintoma do fascismo eterno. Os intelectuais oficiais fascistas acusavam a cultura moderna e a intelligentsia liberal de abandonar os valores tradicionais.

4.     Nenhum autoritarismo pode aceitar a crítica. O espírito crítico faz distinções, um sinal da modernidade. Na cultura moderna, a comunidade científica vê o dissenso como uma maneira de promover o avanço do conhecimento. Para o fascismo, o dissenso é uma traição.

5.     O dissenso é acima de tudo um sinal de diversidade. O fascismo busca um consenso explorando e exacerbando o medo natural do diferente. Seu primeiro movimento é contra supostos invasores e traidores da tradição. O fascismo é portanto essencialmente racista.

6.     O fascismo nasceu da frustração social e individual. Apela às classes médias frustradas, inquietas por causa de alguma crise econômica, da humilhação política e da ameaça vinda de baixo. “Nos nossos dias, quando os velhos proletários se tornam pequenos burgueses, o fascismo vai encontrar audiência nesta nova maioria.”

7.     Para quem não tem uma identidade social, o fascismo vai dizer que único privilégio é ter nascido naquele país. O ultranacionalismo é um elemento central do fascismo. Em muitos casos, a identidade nacional é construída em oposição a um inimigo. Na raiz da psicologia do fascismo, está a obsessão com conspirações, de preferência internacionais. Os militantes devem se sentir como se estivessem cercados. Os judeus foram os bodes expiatórios durante séculos. Hoje, com o terrorismo, os muçulmanos viraram o alvo predileto dos neofascistas.

8.     Os militantes devem se sentir humilhados pela riqueza e o poder do inimigo. O inimigo é alternadamente muito forte ou muito fraco. Eco acreditava que “os regimes fascistas estão condenados a perder suas guerra porque são constitucionalmente incapazes de avaliar objetivamente a força do inimigo.”

9.     O fascismo não é uma luta pela vida é “uma vida para a luta”. A vida é uma guerra permanente. Assim, o pacifismo é visto como uma rendição ao inimigo. Como o inimigo precisa ser derrotado, tem de haver uma última batalha ou solução final, o nome que os nazistas deram ao genocídio dos judeus. Depois, viria uma época de paz e prosperidade, o que contradiz o princípio da guerra permanente. Nenhum líder fascista foi capaz de resolver esta contradição e a era dourada nunca chegou.

10.  O elitismo é típico de todas as ideologias reacionárias, constatou Umberto Eco. É aristocrático, o que implica um desprezo pelos fracos. O fascismo criou um “elitismo popular”: cada indivíduo pertence ao melhor povo do mundo, os membros do partido são os melhores cidadãos deste povo e todo cidadão pode se tornar membro do partido. Como não pode haver patrícios sem plebeus e o poder foi conquistado a força, o poder do líder depende da fraqueza das massas, que merecem um “dominador”, argumentou o filósofo. Como o regime e o partido são organizados por hierarquia de inspiração militar, cada subordinado olha de cima para baixo para seus inferiores.

11.  Todos são treinados para virar heróis. Na mitologia, os heróis são seres excepcionais. No fascismo, o heroísmo é a norma. O culto do heroísmo leva ao culto da morte. “Viva a morte!”, como bradavam os falangistas espanhóis liderados por Francisco Franco. A morte é a maior recompensa para uma vida heroica.

12.  Como a guerra permanente e o heroísmo são tarefas difíceis demais, os fascistas reorientam sua vontade política para outras questões, como o comportamento sexual. O fascista é intrinsecamente machista. Despreza as mulheres e condena sem qualquer tolerância relações não heterossexuais, da castidade à homossexualidade.

13.  O fascismo se baseia no “populismo quantitativo”. Numa democracia, os cidadãos têm direitos individuais, mas o conjunto dos cidadãos organizados tem um impacto muito maior. No fascismo, os indivíduos não têm direitos. O povo é uma entidade monolítica que expressa uma “vontade coletiva”. Como em grandes coletividades, as opiniões divergem e não há uma vontade comum, cabe ao líder “interpretrar” os desejos do povo, que tem uma presença meramente teatral. Eco advertiu para o risco de “pesquisas qualitativas de TV” e do “populismo via Internet”, em que a reação emocional de um grupo seleto seja apresentada como a “voz do povo”. O Fascismo era contra os “governos parlamentares corruptos”. Toda vez que se coloca em dúvida a legitimidade do Parlamento porque não reflete mais a “voz do povo” há um viés autoritário e antidemocrático do líder que procura o contato direto com as massas.

14.  O fascismo usa a novilíngua. A palavra foi inventada pelo escritor britânico George Orwell no livro 1984. Era a língua oficial de uma ditadura instalada através da televisão, que espionava as casas de todos e mudava o sentido das palavras no "duplipensar", de acordo com a vontade do supremo líder, o Grande Irmão, que inspirou o programa de TV BBB. “Todos os textos acadêmicos fascistas e nazistas são baseados num vocabulário pobre e numa sintaxe elementar, com o objetivo de limitar os instrumentos disponíveis para um raciocínio crítico complexo.” A novilíngua, alertou o pensador italiano, também está em outras linguagens, inclusive na TV.

Quando o fascismo caiu e Mussolini foi preso, em 27 de julho de 1943, Eco começou a descobrir que a Itália tinha vários partidos políticos e voltaram direitos fundamentais: as liberdades de expressão, de imprensa e de associação para fins pacíficos.

“Renasci como um homem livre ocidental”, lembrava Umberto Eco. Mas, advertiu, “o fascismo eterno ainda ronda, às vezes em trajes civis” e “pode voltar sob os mais inocentes disfarces”. “Não podemos esquecer.”